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Histologia e Embriologia Responsável pelo Conteúdo: Prof. Ms. Norton Claret Levy Junior Revisão Textual: Profa. Ms. Sandra Regina F. Moreira Prof. Ms. Luciano Vieira Francisco Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo • Introdução à Histologia; • Tecido Epitelial; • Introdução ao Tecido Conjuntivo; • Tecido Conjuntivo Propriamente Dito; • Tecido Conjuntivo Elástico; • Tecido Conjuntivo Reticular; • Tecido Conjuntivo Mucoso; • Tecido Adiposo; • Tecido Ósseo; • Articulações. · Apresentar e discutir com os alunos os métodos de estudos e os fundamentos da Histologia fornecendo o embasamento necessário para o estudo dos demais sistemas orgânicos; · Conceituar o tecido epitelial: características e funções. Estudar os vários tipos de epitélios de revestimento e epitélios glandulares; · Apresentar o tecido conjuntivo e seus constituintes: fibras proteicas, células residentes, células transitórias e substância fundamental · Entender a estrutura e propriedades dos tecidos conjuntivo; · Estudar as funções desses tecidos no corpo humano; · Discutir a importância desses tecidos. OBJETIVO DE APRENDIZADO Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Orientações de estudo Para que o conteúdo desta Disciplina seja bem aproveitado e haja uma maior aplicabilidade na sua formação acadêmica e atuação profissional, siga algumas recomendações básicas: Assim: Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte da sua rotina. Por exemplo, você poderá determinar um dia e horário fixos como o seu “momento do estudo”. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma alimentação saudável pode proporcionar melhor aproveitamento do estudo. No material de cada Unidade, há leituras indicadas. Entre elas: artigos científicos, livros, vídeos e sites para aprofundar os conhecimentos adquiridos ao longo da Unidade. Além disso, você também encontrará sugestões de conteúdo extra no item Material Complementar, que ampliarão sua interpretação e auxiliarão no pleno entendimento dos temas abordados. Após o contato com o conteúdo proposto, participe dos debates mediados em fóruns de discussão, pois irão auxiliar a verificar o quanto você absorveu de conhecimento, além de propiciar o contato com seus colegas e tutores, o que se apresenta como rico espaço de troca de ideias e aprendizagem. Organize seus estudos de maneira que passem a fazer parte Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Mantenha o foco! Evite se distrair com as redes sociais. Determine um horário fixo para estudar. Aproveite as indicações de Material Complementar. Procure se alimentar e se hidratar quando for estudar, lembre-se de que uma Não se esqueça de se alimentar e se manter hidratado. Aproveite as Conserve seu material e local de estudos sempre organizados. Procure manter contato com seus colegas e tutores para trocar ideias! Isso amplia a aprendizagem. Seja original! Nunca plagie trabalhos. UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Introdução à Histologia A Histologia (do grego Histo: tecido e Logus: estudo) é a área da Biologia que estuda os tecidos do corpo e como eles se organizam para constituir os órgãos. Portanto estuda a estrutura, a função e a organização dos tecidos biológicos. O termo histologia foi usado pela primeira vez em 1819, por Mayer, baseado no termo tecido, proposto pelo anatomista e fisiologista francês Xavier Bichat. A Histologia é o estudo das estruturas microscópicas do material biológico e de como se relacionam entre si, funcional e estruturalmente. Importante! São quatro os principais tecidos do corpo humano: tecido epitelial, tecido conjuntivo, tecido muscular e tecido nervoso. Você pode ter notado a falta de alguns tecidos, tal como o tecido ósseo e o tecido sanguíneo. É que esses, e ainda outros tecidos do nosso organismo, são variedades do tecido conjuntivo. Importante! Tecido Epitelial Características As funções principais do tecido epitelial são o revestimento e a secreção. A função de revestimento está quase sempre relacionada a outras atividades, tais como a proteção, absorção de íons e de moléculas e a percepção de estímulos. O tecido epitelial, ou, simplesmente, epitélio, reveste todo o corpo humano, interna ou externamente. Desta forma, tudo que entra (é absorvido) ou sai (é eliminado) do corpo tem que atravessá-lo. Já a função de secreção, constitui-se na produção de substâncias como proteínas ou lipídeos, entre outras. Essa função pode ser exercida por células de epitélios de revestimento, ou por células epiteliais, que se reúnem para constituir as glândulas (estruturas especializadas em secreção). Além das funções principais, através de algumas células, as mioepiteliais, o tecido epitelial também é capaz de se contrair. Uma importante característica deste tecido é que suas células são bastante dinâmicas, possuindo uma atividade mitótica intensa, o que permite uma constante renovação tecidual. Essa taxa de renovação é variável podendo ser rápida, como no epitélio intestinal (totalmente substituído no prazo de uma semana), ou lenta, como no fígado. As células que compõem o tecido epitelial são poliédricas, isto é, possuem muitas faces. Estas células se justapõem para formar o tecido e entre elas há pouca substância extracelular. Na verdade, tal substância é formada apenas por uma cobertura celular, constituída de glicídios e glicoproteínas (glicocálix). 8 9 Em geral, as células epiteliais estão fortemente coladas umas às outras por meio de junções intercelulares. Tal característica permite a função de revestimento do tecido epitelial. Há três tipos de junções: • as junções de oclusão: unem as células epiteliais formando uma barreira impermeável; • as junções de ancoragem: ligam o citoesqueleto das células adjacentes entre si, proporcionando estabilidade e resistência mecânica; • as junções comunicantes: permitem a comunicação entre as células, permi- tindo a difusão seletiva de moléculas. Uma importante junção de ancoragem (ou de adesão) é o desmossomo ou mácula de adesão. Ele é uma estrutura complexa, em forma de disco, contida na superfície de uma célula. Essa estrutura é sobreposta por uma estrutura idêntica, contida na célula subjacente. Constituem-se em locais de fixação do citoesqueleto na superfície celular, promovendo uma adesão bastante firme entre as mesmas. As citoqueratinas (CQ) são constituintes do citoesqueleto das células epiteliais e são denominadas queratinas epiteliais ou queratinas moles. Atualmente, são conhecidas cerca de 20 CQs, divididas em dois grupos: as ácidas e as básicas. Mutações nas CQs podem levar a diferentes doenças, como por exemplo, a epidermólise bolhosa simples (EBS), doença genética que provoca o aparecimento de inúmeras bolhas na pele. (Almeida; Hiram, 2004). Ex pl or Lâmina Basal Entre as células epiteliais e o tecido conjuntivo subjacente há uma delgada lâ- mina de molécula, a lâmina basal (Fig. 1), constituída de colágeno tipo IV, de glicoproteínas (laminina e entactina) e de proteoglicanos. As lâminas basais são encontradas não só no tecido epitelial, mas também em outros tecidos que fazem interface com o tecido conjuntivo, como por exemplo, o tecido adiposo. Em algumas regiões, em continuação à lâmina basal, há uma camada de fibras re- ticulares (principalmente colágeno do tipo III) conjugadas a complexos de proteínas, produzidas pelo tecido conjuntivo. A lâmi- na basal somada à camada de fibras reticu- lares é denominada de membrana basal. Figura 1 – Lâmina basal Fonte: Adaptado de http://www.mun.ca 9 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito,Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Principais Funções Os epitélios são divididos em dois grupos principais de acordo com sua estrutu- ra, arranjo das células e função principal. Podem ser classificados como epitélios de revestimento ou epitélios glandulares. Entretanto é importante ressaltar que essa classificação tem, fundamentalmente, um objetivo didático, pois, há epitélios de revestimento que também secretam substâncias (como o epitélio que reveste o estômago). Epitélios de Revestimento Classificação Quanto à Forma De acordo com o formato de suas células, os epitélios simples podem ser clas- sificados (Fig. 2) em: pavimentosos, cúbicos ou prismáticos (também chamados de colunares ou cilíndricos). Os epitélios de revestimento são responsáveis por separar o tecido conjuntivo subjacente do meio externo ou das cavidades internas do corpo e funcionam como protetores e controladores da passagem de substâncias do meio externo para o tecido conjuntivo. Epitélio cúbico Epitélio pavimentoso Epitélio prismá�co Figura 2 – Classificação do tecido epitelial quanto à forma. Em camada simples Fonte: Acervo do Conteudista Nesses epitélios as células são dispostas em forma de folhetos que cobrem as superfícies externas (tal como a pele) ou que revestem as cavidades internas do corpo (por exemplo: o lúmen dos vasos sanguíneos). Esses folhetos podem formar camadas e, considerando-se o número de camadas existentes, originar o tecido epitelial simples, o tecido epitelial estratificado ou o tecido epitelial pseudoestratificado. Classificação Quanto ao Número de Camadas Nos epitélios simples, há uma única camada celular, na qual todas as células entram em contato com a lâmina basal. Por sua vez, nos epitélios estratificados, há mais de uma camada de células e apenas as células da base entram em contato com a lâmina basal. 10 11 Classificação Quanto ao Número de Camadas- Epitélio Simples Os epitélios simples pavimentosos possuem células mais largas do que altas, achatadas como ladrilhos e com o núcleo redondo, ou alongado e central. São encontrados no lúmem dos vasos sanguíneos e linfáticos, recebendo o nome de endotélio. Também revestem as grandes cavidades do corpo (cavidade pleural, cavidade pericárdica e cavidade peritoneal), recebendo o nome de mesotélio. Nos epitélios simples cúbicos, as células são cuboides (possuem altura e largura equivalentes) com núcleos arredondados. Revestem, por exemplo, a superfície externa dos ovários. Os epitélios simples prismáticos possuem células cuja altura é maior do que a sua largura. São, portanto, alongadas e possuem um núcleo basal também alongado; podendo, ainda, ser ciliados. Esse tipo de tecido reveste, por exemplo, toda a su- perfície do tubo digestivo, desde a região cárdica do estômago, até o ânus (Fig. 2). Classificação Quanto ao Número de Camadas- Epitélio Estratificado Quanto aos tecidos epiteliais estratificados, esses podem ser classificados em cúbicos, prismáticos, pavimentosos e de transição. Os epitélios estratificados cúbicos e prismáticos são raros no organismo. São encontrados, basicamente, em curtos trechos de ductos excretores de glândulas (cúbicos), ou na conjuntiva do olho (prismático). Já o epitélio estratificado pavimentoso é encontrado, por exemplo, revestindo cavidades úmidas, tais como a vagina, a boca e o esôfago. Possui várias camadas de células cuja forma depende da respectiva localização. As células mais próximas ao tecido conjuntivo (camada basal), geralmente, são cúbicas ou prismáticas. Na medida em que se aproximam das camadas superficiais podem se tornar alongadas e achatadas. O epitélio estratificado pavimentoso que reveste as cavidades úmidas recebe o nome de epitélio estratificado pavimentoso não queratinizado. O epitélio que compõe a pele é denominado de epitélio estratificado pavimentoso queratini- zado (Fig. 3). O epitélio estratificado de transição recebe essa denominação, pois a forma das células da camada mais superficial varia com a distensão ou relaxamento do órgão em que é encontrado. Pode-se citar, como exemplo, o epitélio que reveste a bexiga urinária. Quando a bexiga está vazia, as células superficiais são globosas e de superfície convexa. Quando o órgão está cheio e, portanto, distendido, estas mesmas células tornam-se achatadas. 11 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Figura 3 – a) Tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado (Corte de pele grossa em aumento grande). b) Tecido epitelial estratificado pavimentoso queratinizado (Corte de lábio, mucosa bucal de revestimento em aumento grande) Fonte: ATLAS DIGITAL DE HISTOLOGIA BÁSICA A discinesia ciliar primária (DCP), conhecida como Síndrome dos Cílios Imóveis, é uma doença hereditária autossômica recessiva que inclui vários padrões de defeitos na ultraestrutura ciliar. Sua forma clínica mais grave é a Síndrome de Kartagener. A DCP pode provocar diferentes complicações, entre elas, infecções crônicas do trato respiratório superior (sinusite crônica) ou do trato respiratório inferior (pneumonias de repetição). (ORTEGA et al, 2007) Ex pl or Classificação Quanto ao Número de Camadas - Epitélio Pseudoestratificado Existe ainda, um epitélio que não se enquadra nas classificações anteriores, é o chamado epitélio pseudoestratificado (Fig. 4). Ele recebe esse nome, pois, apesar de possuir uma única camada tal como um epitélio simples, nem todas as células alcançam a superfície e por isso os núcleos das células aparecem em diferentes alturas. Ele reveste, por exemplo, as passagens respiratórias desde o nariz, traqueia, até os brônquios. Nesse caso ele é ciliado (epitélio pseudoestratificado prismático ciliado), característica que permite o transporte de poeira e microrganismos para fora dos pulmões e para o meio externo. 12 13 Figura 4 – a) Tecido epitelial de transição (Corte de bexiga vazia em aumento grande). b) Tecido epitelial de transição (Corte de bexiga cheia em aumento pequeno) Fonte: ATLAS DIGITAL DE HISTOLOGIA BÁSICA Epitélios Glandulares As células dos epitélios glandulares são originadas no desenvolvimento embrio- nário, durante o processo de proliferação das células do epitélio de revestimento. Elas invadem o tecido conjuntivo subjacente e se diferenciam, especializando-se na elaboração de produtos de secreção variados (Fig. 5). Podem sintetizar, armazenar e eliminar proteínas, lipídeos ou complexos de carboidratos e proteínas. As glându- las mamárias, por exemplo, podem sintetizar todos os tipos de substâncias. As substâncias secretadas são armazenadas, temporariamente, em pequenas vesículas no interior das células, envolvidas por uma membrana, e recebem o nome de grânulos de secreção. Posteriormente, essas substâncias podem ser liberadas (secretadas) de três manei- ras: através da secreção merócrina, secreção apócrina ou secreção holócrina. A secreção merócrina é quando a substância produzida é liberada por exocitose, sem comprometimento da membrana celular, mantendo a integridade da célula. Esse mecanismo ocorre, por exemplo, nas glândulas salivares. 13 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Na secreção apócrina ocorre perda de parte do citoplasma da célula junto com a substância produzida. Entretanto, a célula é capaz de restaurar sua integridade e reacumular secreção. É o que acontece nas glândulas mamárias. Já na secreção holócrina, células inteiras são eliminadas junto com as substâncias produzidas. A liberação de espermatozoides no túbulo seminífero é considerada um exemplo desse tipo de secreção. Formação das Glândulas Quase todas glândulas se originam de um tecido epitelial de revestimento. Isto ocorre geralmente durante a vida intrauterina. Na maioria dos casos as glândulas se formam da seguinte maneira:1 – A formação de uma glândula se inicia pela proliferação de um pequeno grupo de células epiteliais (chamado broto epitelial) pertencentes a um epitélio de revestimento. Veja o artigo na íntegra no link a seguir: https://goo.gl/FQn54b Ex pl or Os epitélios glandulares podem ser classificados de acordo com diferentes cri- térios. Em relação ao número de células, podem ser classificados em unicelulares ou multicelulares. Um exemplo de glândula constituída por uma única célula é a célula caliciforme encontrada no intestino delgado. Essa célula secreta uma subs- tância chamada de mucina, uma glicoproteína, que após hidratação, dá origem ao muco. É importante ressaltar, entretanto, que a maioria das glândulas é multicelular (como por exemplo, a glândula mamária). Em relação à conexão com o epitélio a partir da qual elas foram formadas, têm- se as glândulas exócrinas, glândulas endócrinas e glândulas mistas. As glândulas exócrinas são aquelas que mantêm conexão com o epitélio original através de ductos tubulares constituídos por células epiteliais. Através desses, as secreções produzidas pela glândula são eliminadas para alguma cavidade ou para a superfície do corpo. Então, são divididas em duas porções: porção secretora e ductos excretores (exemplo: glândulas salivares). As glândulas exócrinas podem ser classificadas em simples ou complexas. A glândula exócrina simples é aquela que está conectada ao epitélio original através de um ducto não ramificado, assim como ocorre nas glândulas sudoríparas. As glândulas exócrinas simples são ainda subdividas de acordo com a configura- ção de suas porções terminais ou secretoras. Podem ser classificadas em: tubular simples (quando a porção secretora tem a forma de um tubo), tubular simples enovelada ou tubular simples ramificada e acinosa simples (porção secretora tem a forma esférica ou arredondada). 14 15 As glândulas exócrinas compostas são aquelas que possuem ductos ramificados, tais como os encontrados no pâncreas. São subdivididas em tubulares compostas, acinosas compostas ou saculares compostas. Quando a glândula não possui conexão com o epitélio original, ela é chamada de endócrina. Isto acontece porque durante o processo de desenvolvimento da glândula a conexão pode ser reabsorvida. Nesse caso, a secreção produzida é lançada diretamente no sangue e transportada pela corrente sanguínea para o seu local de ação. Um exemplo de glândula endócrina é a hipófise que secreta vários hormônios importantes, entre eles a ocitocina e o hormônio de crescimento. De acordo com a organização de suas células, as glândulas endócrinas podem ser classificadas em dois tipos. No primeiro tipo, as células formam cordões entremeados por capilares sanguíneos, assim como ocorre na glândula adrenal. No segundo tipo, formam vesículas repletas de secreção (exemplo: glândula tireoide). As glândulas mistas ou anfícrinas são aquelas que produzem tanto secreção externa (exócrina), quanto interna (endócrina). A exemplo desse tipo de glândula, temos o fígado. Em relação à natureza da secreção que produzem, as glândulas podem ser clas- sificadas em mucosas, serosas ou mistas. As glândulas mucosas secretam um material viscoso, com função lubrificante ou protetora: o muco. Glândulas mucosas são encontradas no intestino e no esôfago, por exemplo. As glândulas serosas produzem uma substância aquosa, quase sempre rica em proteínas. Suas células geralmente se organizam em forma de ácinos. As células acinosas do pâncreas são exemplos de células serosas. As glândulas mistas são aquelas que secretam tanto muco quando substâncias aquosas, pois são formadas por células serosas, como também por células mucosas (exemplo: glândula salivar submandibular). Várias glândulas exócrinas, tais como as glândulas mamárias e as sudoríparas, são envolvidas por um tecido epitelial diferenciado, denominado tecido mioepite- lial. Este tecido é formado por células ramificadas que contêm miosina e filamen- tos de actina, as células mioepiteliais, e por isso são capazes de se contrair. Essa característica permite o movimento de expulsão da secreção produzida. Além dos epitélios já mencionados, há ainda o tecido neuroepitelial. As célu- las que o compõem, possuem atividade sensorial, como por exemplo, o neuroe- pitélio olfativo. 15 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo O controle da atividade glandular é realizado tanto pelo controle do sistema nervoso quanto pelo endócrino, através de substâncias chamadas de mensageiros químicos. Esses podem ser hormônios ou mediadores químicos liberados nas sinapses nervosas. Introdução ao Tecido Conjuntivo Os tecidos conjuntivos são responsáveis pelo estabelecimento e manutenção da forma do corpo e esse papel mecânico é determinado por um conjunto de moléculas, chamadas de matriz extracelular, que conectam as células e os órgãos. A matriz extracelular é o principal componente do tecido conjuntivo, diferente dos outros tecidos, que são formados basicamente por células. Ela pode ter consistência variável, dependendo da necessidade de sustentação de cada parte do corpo. Pode ser gelatinosa (como no tecido conjuntivo frouxo), flexível (como na cartilagem), dura (no osso) ou líquida (sangue). É constituída de variadas combinações de proteínas fibrosas e, juntamente com macromoléculas hidrofílicas e adesivas, constitui a substância fundamental. As fibras, compostas principalmente por colágeno, são responsáveis pela capacidade de distensão e resistência à tensão do tecido conjuntivo. Constituem tendões, aponeuroses, cápsulas de órgãos, membranas que envolvem o sistema nervoso central (meninges) e o estroma (tecido de sustentação) de órgão. Já a substância fundamental é o meio essencial através do qual todos os nutrientes e catabólitos passam entre as células. Tem também uma função estrutural e é uma importante reserva para fatores de crescimento que controlam a proliferação e a diferenciação celular. Trata-se de um complexo viscoso e altamente hidrofílico constituído de macromoléculas aniônicas (glicosaminoglicanos e proteoglicanos) e glicoproteinas adesivas (lamina, fibronectina) que se liga a proteínas receptoras (integrinas) encontradas na superfície das células. Além das fibras e da substância fundamental, o tecido conjuntivo é formado por diferentes células, com diferentes origens e com diferentes funções (por exemplo: fibroblastos que, se originam de uma célula mesenquimal indiferenciada e que têm a função de produzir moléculas da matriz extracelular, ou os macrófagos, que têm origem nas células tronco homocitopoéticas da medula óssea e que têm, entre outras, a função de fagocitar substâncias e bactérias estranhas). A diferença na composição e na proporção entre os três componentes funda- mentais (células, fibras e substância fundamental) dá origem a diferentes tipos de tecidos conjuntivos. Esses tecidos têm diferentes localizações e diferentes funções no organismo. 16 17 Tem-se o tecido conjuntivo tradicionalmente conhecido como tecido conjuntivo propriamente dito e um amplo espectro de tecidos chamados tecidos conjuntivos especiais, com funções altamente especializadas. Esse grupo de tecidos conjunti- vos especiais compreende os tecidos adiposo, elástico, reticular, mucoso, cartila- ginoso e ósseo. Células Mesenquimais: As células-tronco mesenquimais ou células estromais mesenqui- mal (MSCs) são células precursoras encontradas principalmente na medula óssea. É uma população rara de células-tronco multipotentes capaz de oferecer suporte a hematopoese e de se diferenciar em diversas linhagens celulares como os condrócitos, osteócitos, adipócitos e tenócitos. O interesse neste tipo celular cresceu exponencialmente nos últimos anos devi- do ao seu grande potencial de uso na regeneração de tecidos e órgãos lesados, e também a sua capacidade de modular a resposta imunológica. Ex plor Evandra Strazza Rodrigues Sandoval – Laboratório de Biologia Molecular - Hemocentro de Ribeirão Preto: https://goo.gl/GNwlve Fibras do Tecido Conjuntivo Fibras Colágenas São flexíveis e possuem grande resistência à força de tração (Fig. 5). Tais características são dadas por sua composição. São constituídas pelo colágeno, proteína mais abundante no organismo. De fato, o colágeno constitui uma família de proteínas produzidas por diferentes tipos de células e distingue-se por sua composição química, características morfológicas, distribuição, funções e patologias. De acordo com a estrutura e função, os colágenos podem ser classificados em: • Colágenos dos tipos I, II, III, V ou XI: formam longas fibrilas. O tipo I é o mais abundante, sendo amplamente distribuído no organismo. Pode ser encontrado, por exemplo, nos ossos e na dentina. O colágeno do tipo II é encontrado na cartilagem, o do tipo III na pele e nos músculos; o do tipo V nos tecidos fetais e na pele e o do tipo XI na cartilagem; • Colágenos dos tipos IX, XII e XIV: são estruturas curtas que ligam as fibrilas umas às outras e a outros componentes da matriz celular. O colágeno do tipo IX é encontrado, por exemplo, na cartilagem; o do tipo XII, no tendão embrionário e na pele; e o do tipo XIV, na pele fetal e no tendão; • Colágeno do Tipo IV: possui moléculas que se associam em forma de rede; tem a função de aderência e filtração nas lâminas basais; • Colágeno do Tipo VII: colágeno de ancoragem. Ancora as fibras de colágeno I à lâmina basal; é encontrado, portanto, na interface entre epitélio e o tecido conjuntivo. 17 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Os colágenos são sintetizados por células do tecido conjuntivo (fibroblastos, condroblastos e osteoblastos) e por outras células distribuídas pelo organismo. São constituídos, principalmente, pelos aminoácidos glicina, prolina e hidroxiprolina. Os colágenos são sempre renovados e a velocidade da renovação depende de cada tecido, mas, em geral, ela é muito lenta. Nos tendões quase não há renovação, mas, no conjuntivo frouxo, a renovação é rápida. Para ser renovado, ele é primeiro degradado. Sua destruição fisiológica é promovida pela ação de uma enzima também produzida por células do tecido conjuntivo, a colagenase. Em algumas patologias, como na gangrena, pode ocorrer produção de colagenase por bactérias (exemplo: Clostridium histolyticum). Fibras Elásticas As fibras elásticas são delgadas (Fig. 5), com dimensões que podem atingir um μm de espessura. Apresentam uma cor amarelada, quando observadas afresco, e são dotadas de grande elasticidade. Cedem facilmente a trações mínimas, mas retomam à sua forma inicial tão logo cessem as forças que agem sobre elas. São sintetizadas por fibroblastos, condrócitos e células musculares lisas. As fibras elásticas formam o chamado sistema elástico. Esse sistema é composto por três tipos de fibras: oxitalânicas, elaunínicas e elásticas. As fibras oxitalânicas são aquelas que não têm elastina, mas possuem fibrilina (uma glicoproteína que servirá de arcabouço para a elastina) e podem ser encontradas nas fibras da zônula do olho e em determinados locais da derme. Não têm elasticidade, mas são altamente resistentes a forças de tração. As fibras elaunínicas são encontradas ao redor das glândulas sudoríparas e da derme e já possuem elastina, tendo assim certo grau de elasticidade. Já as fibras elásticas são aquelas que possuem elastina em todo o centro das microfibrilas. São encontradas, por exemplo, nos alvéolos pulmonares e nos ligamentos elásticos, locais que necessitam de grande capacidade elastomérica. A elastina é uma proteína hidrofóbica que se agrega a filamentos e lâminas por ligações cruzadas, rica em glicina e em prolina, produzida pelos fibroblastos e por células do músculo liso dos vasos sanguíneos. Além das proteínas mencionadas, possuem duas proteínas (a desmosina e a isodesmosina) que lhe conferem a capacidade elástica. A elastina é cinco vezes mais elástica que a borracha. 18 19 Figura 5 – Fibras colágenas e elásticas do tecido conjuntivo (Preparado total de mesentério em aumento grande) Fonte: ATLAS DIGITAL DE HISTOLOGIA BÁSICA Fibras Reticulares As fibras reticulares (Fig. 6) são formadas, principalmente, por colágeno do tipo III. São extremamente finas e flexíveis (variam entre 0,5 a 2,0 μm de diâmetro) e formam uma rede extensa em diversos órgãos, por isso o nome de reticulares (pela capacidade de formar tramas de sustentação para células do tecido parenquimatoso). Estão presentes em órgãos e tecidos que precisam de um arcabouço estrutural maleável por causa de mudanças de forma e volume a que estão sujeitos (por exemplo: fígado e baço). Figura 6 – Fibras reticulares do tecido conjuntivo (Corte de rim. Pequeno aumento) Fonte: ATLAS DIGITAL DE HISTOLOGIA BÁSICA 19 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Células do Tecido Conjuntivo Fibroblastos Os fibroblastos (Fig. 7) são as células mais comuns do tecido conjuntivo. Sinte- tizam o colágeno e a elastina, além dos glicoaminoglicanos, dos proteoglicanos e das glicoproteínas adesivas que compõem a matriz extracelular. Produzem, tam- bém, os fatores de crescimento que controlam a proliferação e a diferenciação celular. O fibroblasto é uma das células denominadas de células residentes, pois sempre é encontrado no tecido conjuntivo maduro. Pode ser encontrado sob três formas: a forma ativa (fibroblasto ativo), a forma inativa ou aquiescente (fibróci- tos) e o miofibroblasto. O fibroblasto ativo possui citoplasma abundante, com muitos prolongamentos. Os fibrócitos são menores e mais delgados e tendem a se apresentar num aspecto fusiforme. Os miofibroblastossão células com características intermediárias entre um fibroblasto e uma célula muscular lisa; sua morfologia é semelhante à de um fibroblasto, mas contém grande quantidade de miofilamentos de actina e miosina (geralmente aparecem nos processos de cicatrização dos ferimentos, pois sua capacidade contrátil é responsável pelo fechamento das feridas). Figura 7 – Fibroblastos e fibrócitos. (Corte de granuloma dental. Grande aumento) Fonte: ATLAS DIGITAL DE HISTOLOGIA BÁSICA Macrófagos Os macrófagos têm características morfológicas variáveis que dependem de seu estado de atividade funcional e do tecido em que são encontrados. Derivam de células precursoras da medula óssea que, ao se dividirem, produzem os monócitos lançados na corrente sanguínea. Numa segunda etapa, os monócitos atravessam as paredes dos vasos, invadem o tecido conjuntivo e transformam-se nos macrófagos. Os macrófagos teciduais podem dar origem a novos macrófagos. O núcleo dos macrófagos é ovóide ou com forma de rim, apresentando cromatina condensada. No tecido conjuntivo, os macrófagos podem estar fixos (macrófagos fixos) ou se deslocando através de movimentos amebóides (macrófagos livres). 20 21 Essas células têm uma grande capacidade de fagocitose e são responsáveis pela ingestão de eritrócitos extravasados para o tecido conjuntivo, restos de células mortas, fragmentos de fibras da matriz extracelular, bactérias e qualquer matéria estranha presente no tecido. Por isso atuam como elementos de defesa. Estão distribuídos na maioria dos órgãos e constituem o sistema fagocitário mononuclear. Em algumas regiões, os macrófagos recebem nomes especiais, por exemplo, no fígado, são denominados “células de Kupffer”. Os macrófagos também são considerados “células residentes” do tecido conjuntivo e alguns autores chamam-nos de histiócitos. Mastócitos Os mastócitos podem ser encontrados por todo o organismo, mas são parti- cularmente abundantes na derme, no trato digestivo e no trato respiratório. São células grandes, globosas, com núcleo pequeno, esférico e central. Sua principalfunção é a estocagem de mediadores químicos da resposta inflamatória. Possuem grânulos repletos, principalmente, de histamina e heparina, além de produzirem o fator quimiotático de eosinófilos na anafilaxia (ECF-A, eosinophil chemotacticfactor of anaphylaxis), o fator quimiotático para neutrófilos (NCF) e hidrolases lisossômicas. A superfície dos mastócitos contém receptores específicos para IgE, produzi- das pelos plasmócitos. Após uma segunda exposição a um antígeno IgE, ocorre ativação da adenilatociclase e fosforilação de certas proteínas do citoplasma e a entrada de cálcio, levando à exocitose dos grânulos dos mastócitos e à consequen- te liberação dos mediadores. Possuem, portanto, um importante papel na mediação de processos inflamatórios, nas reações alérgicas e nas infestações parasitárias. Os mastócitos também são considerados “células residentes” do tecido conjuntivo. Plasmócitos Os plasmócitos são células derivadas dos linfócitos B que migram para o tecido conjuntivo. São os principais produtores de anticorpos, que são imunoglobulinas que participam das defesas humorais do organismo. São células grandes e ovoides, com núcleo oval ou arredondado, ligeiramente excêntrico. Normalmente são pouco numerosos no tecido conjuntivo, exceto nos locais que são mais sujeitos à penetração de bactérias e proteínas estranhas (por exemplo, a mucosa intestinal). Entretanto, são encontrados de forma abundante nos tecidos em que há inflamações crônicas. Leucócitos São considerados “células migrantes” do tecido conjuntivo e serão estuda- dos detalhadamente juntamente com as demais células sanguíneas. Entretanto é importante saber que, mesmo em situações normais, os tecidos conjuntivos contêm leucócitos. 21 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Tais células migram do sangue para o tecido conjuntivo através da parede de capilares e vênulas pós-capilares por meio da diapedese. A diapedese é o processo de migração dos leucócitos através das junções inter endoteliais ativado nos proces- sos inflamatórios (quimiotaxia). Os leucócitos, depois de migrados, não retornam ao sangue (com exceção dos linfócitos). Observe as células do tecido conjuntivo em Atlas Digital de Histologia Básica, capítulo 3. https://goo.gl/EQpZ4jEx pl or Substância Fundamental do Tecido Conjuntivo A matriz extracelular é incolor, transparente, viscosa e opticamente homogênea. Devido aos seus constituintes, possui propriedades de um gel semissólido, intensamente hidratado. Funciona ao mesmo tempo como lubrificante e como barreira, dificultando a penetração de microrganismos invasores. Seus constituintes são os glicosaminoglicanos (GAG), as proteínas fibrilares, as glicoproteínas estruturais, os íons e a água de solvatação. Os GAG são polímeros lineares compostos de ácido urônico (ácido glicurônico ou o ácido idurônico) e hexosaminas (glicosamina ou a galactosamina). Essas cadeias lineares são ligadas por meio de ligações covalentes a um eixo proteico, formando uma molécula de proteoglicano. Os proteoglicanos são estruturas altamente hidratadas por uma espessa camada de água de solvatação, extremamente viscosos e que preenchem grandes espaços do tecido conjuntivo. A água é quantitativamente o componente mais importante da matriz extracelular. Representa, em média, cerca de 60 a 80% nos tecidos vegetais e de 50 a 70% dos tecidos animais. Provém, em sua maior parte, do meio externo e em menor parte de processos metabólicos vitais (água endógena) e pode ser encontrada sob três formas: água livre, água de solvatação e água de embebição. A água livre é encontrada no sangue e na linfa, e é aquela na qual diferentes moléculas encontram-se dispersas. As moléculas de água de solvatação e de embebição estão quase imobilizadas e não são consideradas água líquida. Associados à água estão presentes íons, moléculas pequenas e algumas proteínas de baixo peso molecular. Este fluido, muitas vezes, é denominado plasma intersticial, líquido tecidual ou líquido intersticial. 22 23 Tecido Conjuntivo Propriamente Dito É o tecido mais abundante do corpo, que reforça outros tecidos, protegendo e isolando órgãos internos, mantendo o organismo funcionalmente integrado. É constituído de células e fibras extracelulares embebidas em uma substância fundamental amorfa que contém líquido tecidual. As fibras podem ser coláge- nas, elásticas ou reticulares. As células podem ser de diferentes tipos e são classificadas em livres ou fixas. Sua matriz apresenta-se sob a forma de um gel altamente hidratado. A quantidade dos vários tipos de células, de fibras e de substância fundamental varia muito de uma região do corpo para outra, dependendo das exigências estruturais locais. Essa variação dá origem a dois tipos de tecidos conjuntivos propriamente ditos: o frouxo e o denso. O tecido conjuntivo frouxo suporta estruturas normalmente sujeitas à pressão e atritos pequenos e é o de maior distribuição no corpo humano. É um tecido encontrado entre grupos de células musculares, células epiteliais, em camadas ao redor dos vasos sanguíneos, na derme, na hipoderme, entre outros locais. As membranas serosas, por exemplo, encontradas no peritônio, na pleura e no pericárdio, são compostas por camadas delgadas de tecido conjuntivo frouxo, revestidas por uma camada de mesotélio. Contém todos os elementos estruturais típicos do tecido conjuntivo propriamente dito, sem predominância de nenhum componente. As células mais numerosas são os fibroblastos e os macrófagos. Tem uma consistência delicada, é flexível, bem vascularizado e não é muito resistente a trações. Devido à sua riqueza em vasos sanguíneos, desempenha importante papel na nutrição do tecido epitelial. O tecido conjuntivo denso é resistente e fornece proteção aos demais tecidos. É formado pelos mesmos componentes do tecido frouxo, mas possui predominância de fibras colágenas. É menos flexível e mais resistente à tensão do que o frouxo. Quando as fibras colágenas são organizadas em feixes, sem uma orientação de- finida, feixes esses dispostos em várias direções, tem-se o tecido conjuntivo denso não modelado (Figura 8a). Um exemplo desse tecido é o encontrado na derme profunda da pele. É um tecido resistente a trações exercidas em qualquer direção. Quando as fibras estão organizadas em feixes de colágeno paralelos uns aos outros e alinhados com os fibroblastos, trata-se do tecido conjuntivo modelado (Figura 8b). Os tendões são exemplos típicos desse tipo de tecido. São formados por feixes densos e paralelos de colágeno, separados por pequena quantidade de substância fundamental. 23 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo a) b) Figura 8 – a) Tecido conjuntivo denso não modelado, lembra fibras sendo trançadas para fazer um chapéu de palha; b) Tecido conjuntivo denso modelado, lembra fibras sendo trançadas para fazer uma corda ou pulseira Fontes: Atlas digital de Histologia Básica/ iStock/Getty Images Tecido Conjuntivo Elástico Trata-se de um tecido conjuntivo com propriedades especiais. Possui cor amarelada e grande elasticidade. A cor amarelada é decorrente da abundância de fibras elásticas na sua composição. Além das fibras elásticas, possui fibras delgadas de colágeno e fibrócitos. Pode aparecer na forma de faixa, ou seja, de grosseiras fibras paralelas, como, por exemplo, nas cordas vocais. O tecido elástico forma camadas nas paredes de órgãos ocos nos quais há variação de pressão de dentro para fora, como nas maiores artérias e em algumas partes do coração. No mais, não é muito frequente no organismo, sendo restrito aos ligamentos amarelos da coluna vertebral e no ligamento suspensor do pênis. 24 25 Tecido Conjuntivo Reticular É um tecido muito delicado e forma uma rede tridimensional que suporta as células de algunsórgãos como, por exemplo, no fígado e no baço. É constituído por fibras reticulares associadas a fibroblastos especializados e chamados de células reticulares. O aspecto dessas fibras é muito característico: agrupam-se em pequenos feixes de delgadas fibras colágenas em forma de rede, com interstícios ocupados por células livres dispostas ao longo da matriz. As células livres são células reticulares e células do sistema fagocitário mononuclear. Tecido Conjuntivo Mucoso O tecido mucoso tem consistência gelatinosa devido à preponderância de ma- triz fundamental composta, principalmente, de ácido hialurônico com pouquíssi- mas fibras. É composto principalmente por fibroblastos, mas também possui alguns macrófagos e células linfoides livres. É o principal componente do cordão umbilical, no qual é conhecido como geleia de Wharton. No adulto, é encontrado na polpa jovem dos dentes. a) 25 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo b) c) Figura 9 – Tecido conjuntivo com propriedades especiais: a) Tecido elástico; b) Tecido reticular; c) Tecido mucoso Fonte: teliga.net 26 27 Tecido Adiposo O tecido adiposo é um tecido conjuntivo especial, composto, principalmente, por células adiposas, denominadas também de adipócitos. Os adipócitos podem ser encontrados isolados ou em pequenos grupos no tecido conjuntivo frouxo – como já vimos –, ou em grandes agregados, originando o tecido adiposo distribuído por todo o organismo. Em pessoas com o índice de massa corporal normal, o tecido adiposo representa de 15 a 25% do peso corporal – de 20 a 25% nos homens e de 15 a 20% nas mulheres. Os adipócitos são células especializadas no armazenamento de triglicerídeos – gordura neutra –, formados por ácido graxo e glicerol. A quantidade de gordura armazenada variará de acordo com a dieta alimentar. Essa capacidade de armazenamento dos adipócitos faz com que o tecido adiposo seja o maior depósito corporal de energia. As células hepáticas e algumas células musculares também acumulam energia, mas sob a forma de glicogênio. Como esses depósitos são menores, os estoques de triglicerídeos são as principais reservas energéticas do organismo. Além disso, cada grama de triglicerídeo origina cerca de 9,3 kcal, enquanto cada grama de glicogênio origina cerca de 4,1 kcal, apenas. Os depósitos de gordura não são fixos nem estáveis e se renovam constante- mente. São continuamente influenciados por estímulos hormonais, nervosos além da dieta. Os triglicerídeos, por exemplo, podem ser obtidos por meio da alimenta- ção ou produzidos – nos próprios adipócitos – a partir da glicose. Quando neces- sário, são mobilizados a partir de estímulo de neurotransmissores, principalmente a noradrenalina. Além do estoque de energia, o tecido adiposo tem outras funções. Quando localizado sob a pele, é responsável pelo contorno do organismo, contribuindo para as diferenças do corpo dos homens e das mulheres. É também responsável pela sustentação de órgãos, pois preenche vários espaços no organismo. Nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, é responsável pela proteção de impacto a choques. Atua como isolante térmico – pois é mal condutor de energia – e possui atividade secretora. Na maioria dos mamíferos, há dois tipos de tecido adiposo, que diferem entre si na cor, distribuição, vascularização, atividade metabólica e tipo de células. Um é o tecido adiposo branco, que compreende a maior parte da gordura do cor- po. O outro, denominado tecido adiposo pardo, é mais abundante em animais que têm a característica de hibernação. No homem, é encontrado apenas em áreas específicas. O tecido adiposo branco é também conhecido como tecido adiposo comum ou tecido adiposo unilocular. Possui coloração que varia entre o branco e o amarelo escuro, dependendo da dieta, pois tal coloração se dá em função do acúmulo de carotenos dissolvidos na gordura. 27 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo É formado pelos chamados adipócitos uniloculares, que são células volumosas com 50 a 150 μm de diâmetro, com poucas organelas e com o citoplasma repleto por uma gotícula de gordura. Possui núcleo pequeno e deslocado para a periferia da célula. Esse tipo de adipócito armazena gordura para uso por outros tecidos do corpo, servindo como fonte de energia para os processos metabólicos. Possui também receptor para o hormônio do crescimento, para a insulina, para glicocorticoides, para o hormônio da tireoide e para a noradrenalina. Externamente à célula adiposa unilocular, há uma lâmina externa e uma matriz extracelular formada por fibras reticulares. O tecido adiposo comum forma o panículo adiposo. Trata-se de uma camada encontrada sob a pele, de espessura uniforme, que se distribui por todo o corpo do recém-nascido. Com o crescimento, algumas áreas perdem o panículo adiposo e esse é redistribuído. Essa deposição seletiva de tecido é controlada principalmente pelos hormônios sexuais e pelos hormônios produzidos pela glândula adrenal. É um tecido que apresenta septos que contêm nervos e vasos. É altamente vascularizado, quando comparado com outros tipos de tecidos. Dos septos partem fibras reticulares que sustentam as células adiposas. Além do armazenamento de gordura e da função de sustentação, o tecido adiposo unilocular secreta também substâncias, entre as quais a leptina – hormônio que participa da regulação da quantidade de tecido adiposo no corpo e da ingestão de alimentos – e a lipase lipoproteica – responsável pela hidrólise dos quilomícrons e das lipoproteínas plasmáticas. Por sua vez, o tecido adiposo pardo é conhecido também como tecido adiposo multilocular. Possui cor parda devido à sua abundante vascularização e à grande quantidade de mitocôndrias presentes nas suas células. O adipócito multilocular é menor que o adipócito unilocular, contém núcleo preferencialmente localizado na região central, possui forma poligonal e grande quantidade de mitocôndrias, além de várias gotículas lipídicas dispersas no citoplasma. Figura 10 – Tecido adiposo Fonte: Acervo do Conteudista 28 29 O tecido adiposo multilocular é especializado na produção de calor, tendo papel importante nos mamíferos que hibernam – como já vimos. Nesses animais, recebe o nome de glândula hibernante. Na espécie humana, a quantidade desse tecido só é significativa no recém-nascido. Como não cresce com o desenvolvimento do ser humano, no adulto esse tecido quase não é encontrado. Em algumas regiões do corpo, particularmente no tecido subcutâneo das cos- tas e dos ombros, ocorre uma mistura de tecido adiposo unilocular e tecido adi- poso multilocular. A obesidade, considerada atualmente um grave problema de saúde pública, é uma doença relacionada ao desequilíbrio energético, no qual há acúmulo excessivo de tecido adiposo. Considera-se obeso um indivíduo com 20% ou mais do peso considerado normal para a sua altura. Vários fatores são estudados para esclarecer esse distúrbio, tais como fatores genéticos, ambientais e comportamentais, entre os quais a produção de leptina. A leptina fornece informações a centros hipotalâmicos sobre a quantidade de gordura do corpo, o estado nutricional, regulando o apetite e o balanço energético. Camundongos deficientes na produção desse hormônio são obesos e inférteis e têm essa condição revertida com a administração de doses da própria leptina. Tecido Ósseo O tecido ósseo também é um tipo especializado do tecido conjuntivo. É o componente principal do esqueleto e serve de suporte para os tecidos moles, além de proteger órgãos vitais – como os contidos na caixa craniana e na caixa torácica. Aloja e protege a medula óssea, proporciona apoio aos músculos esqueléticos e forma um sistema de alavancas que amplia as forças geradas na contração muscular. Além dessas funções, o tecido ósseofunciona como depósito de cálcio, fosfato e outros íons, armazenando-os e os liberando de maneira controlada, mantendo, des- sa forma, uma concentração constante desses íons nos líquidos orgânicos. Armaze- na, por exemplo, 99% do cálcio presente no corpo. É capaz também de absorver toxinas e metais pesados, diminuindo seus efeitos adversos em outros tecidos. Apesar de ser um dos tecidos mais duros do corpo, é dinâmico, que muda constantemente sua forma em relação ao tipo de estresse mecânico sofrido pelo qual. Algumas pressões aplicadas sobre o tecido ósseo podem levar à reabsorção de sua matriz ou à formação de um novo tecido ósseo. Essa propriedade atualmente é utilizada, por exemplo, pelos ortodontistas na busca do realinhamento dos dentes. O tecido ósseo é formado por células e material extracelular calcificado (Figura 4). As células são os osteócitos, os osteoblastos e os osteoclastos, enquanto a matriz extracelular recebe o nome de matriz óssea. 29 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Osteoblasto Osteócito Matriz óssea Matriz neoformada (osteóide) Osteoclasto Mesênquima Figura 11 – Células do tecido ósseo, mesênquima e matriz óssea Fonte: Adaptado de Junqueira e Carneiro (2013) Os osteócitos (Figura 12a) são células achatadas que possuem núcleo com cro- matina densa. São essenciais para a manutenção da matriz óssea, pois participam ativamente da síntese de seus elementos. Após a sua morte, sempre ocorre a rea- bsorção da matriz. São encontrados no interior da matriz óssea, ocupando lacunas das quais partem canalículos. Dentro dos canalículos, são encontrados prolongamentos dos osteócitos que estabelecem contatos entre si através de junções comunicantes. Tais junções permitem a passagem de pequenas moléculas e íons entre os osteócitos. Os osteócitos, na verdade, são osteoblastos inativos confinados no osso mineralizado. São as principais células do osso completamente formado. Os osteoblastos (Figura 12a) encontram-se ativamente engajados com a síntese dos elementos da matriz extracelular. Sintetizam a parte orgânica da matriz óssea. Sintetizam também osteonectina e osteocalcina. A osteonectina facilita a deposi- ção de cálcio nos ossos e a osteocalcina estimula a ação dos próprios osteoblastos. São células cúbicas ou cilíndricas e, quando ativas no processo de síntese, apresentam citoplasma basófilo devido à riqueza de Retículo Endoplasmático Rugoso (RER). Apresentam prolongamentos citoplasmáticos que se intercomunicam com os prolongamentos de osteoblastos vizinhos. Além de sintetizar a parte orgânica da matriz, são capazes de concentrar fosfato de cálcio, participando da mineralização da matriz. A matriz recém-produzida fica depositada ao redor dos osteoblastos, “aprisionando-os” em lacunas e os transformando em osteócitos. Nos locais onde havia os prolongamentos dos osteoblastos, formam-se canalículos. Essa matriz óssea, recém-formada e ainda não mineralizada completamente, recebe o nome de osteoide (Figura 11). Os osteoclastos (Figura 12b) são células móveis, gigantes, multinucleadas e extensamente ramificadas. As ramificações são muito irregulares, possuindo formas e espessuras variáveis. Têm citoplasmas granulosos e algumas vezes com vacúolos. 30 31 a) b) Figura 12 – Células do tecido ósseo: a) Osteoblastos e osteócito; b) Osteoclastos Fonte: Acervo do Conteudista Originam-se de células precursoras provenientes da medula óssea. Antigamente, acreditava-se que os osteoclastos tinham origem a partir de uma junção de monócitos. Atualmente, as evidências demonstram que possuem uma célula precursora comum aos monócitos. Dessa forma, compõem o chamado sistema mononuclear fagocitário. Os osteoclastos estão intimamente associados a áreas onde ocorre reabsorção óssea e são frequentemente encontrados em cavidades nas superfícies dos ossos, denominadas lacunas de Howship (Figura 13). Área de reabsorção óssea Osteoclastos Núcleo Matriz óssea Membrana apicalEnzimas, H+ dissolvem o osso Figura 13 – Osteoclastos e lacunas de Howship Fonte: Adaptado de Junqueira e Carneiro (2013) 31 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Secretam dois tipos de substâncias: ácidos que dissolvem os sais de cálcio e uma enzima, a colagenase, que degrada o colágeno. Desse modo, colaboram para a desintegração da matriz, aumentando a cavidade interna onde fica localizada a medula e, por outro lado, regulando o equilíbrio do cálcio no organismo. Quando a taxa sanguínea de cálcio diminui, os osteoclastos são ativados por hormônios produzidos pelas glândulas paratireoides, retirando o cálcio dos ossos e o liberando para a corrente. A matriz óssea é formada por uma porção orgânica e uma porção inorgânica. Os componentes orgânicos são representados pelas células, fibras colagenosas e substância fundamental. O colágeno, na maioria do tipo I, representa cerca de 90% do componente orgânico do osso. Organiza-se em forma de feixes espessos com grande quantidade de ligações cruzadas. O colágeno infiltrado por um gel de glicosaminoglicanas é denominado osteoide (Figura 11). Entre as glicosaminoglicanas está a osteocalcitonina, que tem grande afinidade pelo cálcio. A porção inorgânica, que representa cerca de 50% do peso da matriz, é constituída principalmente por cálcio, fósforo e outros componentes minerais, tais como: bicarbonato, magnésio, potássio, sódio e citrato. Os sais formados pelo cálcio, juntamente com o fósforo – chamados de hidro- xiapatita –, têm a estrutura de cristais. Os íons presentes na superfície dos cristais são hidratados, o que facilita a troca de íons entre o cristal e o líquido intersticial. A associação entre os cristais de hidroxiapatita e as fibras colágenas é respon- sável pela rigidez e resistência do tecido ósseo. Nas situações em que o cálcio é re- movido, os ossos mantêm sua estrutura intacta, mas tornam-se tão flexíveis quanto os tendões. A mineralização do osso só acontece quando há íons Ca++ e PO4 --- suficientes. Se o nível sanguíneo do Ca++ estiver baixo como, por exemplo, no caso de dietas vegetarianas não compensadas, a mineralização torna-se deficiente e os ossos se tornam amolecidos, ficando mais sujeitos a lesões. Essa situação é típica da osteomalácia. Em crianças, provoca raquitismo e deformidades permanentes (STEVENS; LOWE, 2001). Ex pl or Não existe difusão de substâncias através da matriz, mas existem canalículos (Figura 14) que possibilitam a nutrição das células constituintes do tecido, promovendo a troca de substâncias entre os osteócitos e os capilares sanguíneos. 32 33 Figura 14 – Esquema e microfotografi a de canalículos, que permitem nutrição e oxigenação dos osteócitos Fontes: Acervo do Conteudista Com exceção das articulações sinoviais, a superfície dos ossos é recoberta por uma camada externa de tecido conjuntivo denso modelado, denominada periósteo (Figura 15). A camada mais externa do periósteo é formada principalmente por fibras colágenas e fibroblastos. As fibras colágenas formam feixes e penetram o tecido ósseo, firmando o periósteo ao osso. Essas fibras são conhecidas como fibras de Sharpey (Figura 15). Em sua camada mais profunda, o periósteo possui células osteoprogenitoras, parecidas com fibroblastos, que se dividem por mitose e se diferenciam em osteoclastos. Os ossos possuem uma cavidade interna central, a cavidade medular, que abriga a medula óssea. Essa cavidade é recoberta pelo endósteo (Figura 15), que também é um tecido conjuntivo especializado – assim como o periósteo –, mas composto de apenas uma camada formada de células osteoprogenitoras e osteoblastos. 33 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo A principal função, tanto do periósteo quanto doendósteo, é a nutrição do tecido ósseo e o fornecimento de novos osteoblastos para o crescimento e a recuperação dos ossos. Observando-se um osso serrado a olho nu, ou seja, macroscopicamente, verifica- se que é formado por partes sem cavidades visíveis, bastante densas, chamadas de osso compacto e por partes repletas de cavidades chamadas de osso esponjoso (Figura 15). Apesar de diferentes macroscopicamente, as duas partes possuem a mesma estrutura histológica básica. Artérias nutrícias Fibras de Sharpey Periósteo Osso compacto Medula óssea amarela Endósteo Figura 15 – Estruturas ósseas (modificado) Fonte: Acervo do Conteudista Figura 16 – Osso compacto e osso esponjoso Fonte: Adaptado de Junqueira e Carneiro (2013) Nos ossos longos, as epífises – extremidades – são formadas pelo osso esponjoso revestido superficialmente por uma delgada camada compacta. A diáfase – parte cilíndrica – é quase totalmente compacta, possuindo uma pequena quantidade de osso esponjoso na sua parte profunda, delimitando o canal medular. Nos ossos longos, o osso compacto é denominado cortical. 34 35 Os ossos curtos têm o centro esponjoso e periferia compacta. Nos ossos chatos, existem duas camadas de osso compacto, as tábuas interna e externa, separadas por osso esponjoso – denominado díploe. Os ossos longos são aqueles nos quais o comprimento excede a largura e a espessura, como o úmero, rádio e ulna no membro superior; e o fêmur, tíbia e fíbula no membro inferior. Estão incluídos também os metacárpicos, metatársicos e falanges. Observe os diferentes tipos de tecidos que compõem um osso longo. https://goo.gl/CTDeY7 Ex pl or Ex pl or As cavidades encontradas no osso esponjoso e o canal medular da diáfise dos ossos longos são ocupados pela medula óssea. No recém-nascido, a medula tem cor vermelha, devido ao alto teor de hemácias. Nessa fase, a medula é chamada de medula óssea hematógena, pois é muito ativa na produção de células sanguíneas. Aos poucos, com a idade, a medula diminui sua atividade hematógena, é infiltrada por tecido adiposo e muda de cor. Passa, então, a ser chamada de medula óssea amarela (Figura 15). Microscopicamente, pode-se verificar que o tecido ósseo pode apresentar duas morfologias distintas, caracterizando, histologicamente, dois tipos de ossos: osso primário ou osso imaturo – tecido ósseo primário – e osso secundário ou osso lamelar – tecido ósseo secundário. O tecido ósseo primário é também chamado de imaturo, pois é o primeiro tecido ósseo a ser formado durante o desenvolvimento fetal e o processo de reparação óssea. É rico em osteócitos e possui vários feixes irregulares de fibra colágena. Seu teor de cálcio é bem menor do que no tecido ósseo secundário. Exceto em algumas áreas – tais como nos alvéolos dentários –, será substituído durante o desenvolvimento. O tecido ósseo secundário, ou tecido ósseo maduro, é geralmente encontrado no adulto. Possui fibras colágenas organizadas em lamelas de 3 a 7 μm de espessura, dispostas de forma paralela ou concêntrica ao redor de canais com vasos, formando, nesse caso, os chamados sistemas de Havers ou ósteons. A maior parte do tecido ósseo compacto é composta por sistemas de Havers (Figura 10). Os cilindros formados pela organização das fibras colágenas, juntamente com os vasos, recebem o nome de canal de Havers ou canal haversiano. Esse canal é revestido por uma camada de osteoblastos e células progenitoras e abriga um feixe neuromuscular associado ao tecido conjuntivo. Os canais de Havers se comunicam entre si, com a cavidade medular e com a superfície externa do osso através de canais transversais conhecidos como canais de Volkman. Estes, por sua vez, atravessam todas as lamelas ósseas. A principal função dos canais de Havers associados aos canais de Volkman é a condução dos vasos sanguíneos responsáveis pela nutrição das células por toda a estrutura óssea. 35 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Vaso sanguíneo Trajeto helicoidal das �bras colágenas Lamelas circunferenciais internas Sistemas de Havers Vaso sanguíneo Canal de Volkmann Periósteo Canal de HaversEndósteo Lamelas circunferenciais externas Figura 17 – Desenho esquemático de um osso seccionado, mostrando os canais de Havers e de Volkman, responsáveis pela condução dos vasos sanguíneos Fonte: Adaptado de Junqueira e Carneiro (2013) O tecido ósseo esponjoso, por sua vez, ao contrário do tecido ósseo compacto, não contém sistemas de Havers verdadeiros. Possui trabéculas que são delgadas lâminas de tecido ósseo lamelar dispostas segundo as direções que correspondem às linhas de força que o osso suporta e que formam pequenas lacunas. Assim como outros tecidos, o tecido ósseo é continuamente renovado durante a vida adulta. Nos jovens, a formação – histogênese – do osso é maior do que a reabsorção. Isto porque, nessa fase, novos sistemas de Havers são formados em uma velocidade maior do que a de reabsorção dos antigos. Já na vida adulta, após o fechamento dos discos epifisários e o crescimento máximo do osso alcançado, a formação do tecido ósseo entra em equilíbrio com a reabsorção óssea. Nessa fase, o osso é remodelado a partir de forças aplica- das sobre o qual. O remodelamento nada mais é do que a substituição do tecido ósseo envelhecido por um novo, mesmo após um osso ter atingido sua forma e tamanho definido. O remodelamento permite também que o osso funcione como um reservatório de cálcio. O sangue troca cálcio continuamente com o tecido ósseo, removendo-o para suprir a sua necessidade por outros tecidos, pois o cálcio também é necessário para o desempenho da função muscular e nervosa, sendo importante na coagulação do sangue. 36 37 Diferentemente dos tendões e ligamentos, os ossos, quando rompidos, ou melhor, quando fraturados, sempre se reconstituem, justamente pelo remodelamento que esse tecido possui. https://youtu.be/AmHJKhtJObs Ex pl or De fato, ocorre um intercâmbio contínuo entre o cálcio do plasma sanguíneo e o dos ossos. Quando o cálcio é absorvido da alimentação e tem sua concentração aumentada no sangue, ocorre deposição nos ossos. Quando a concentração sanguínea diminui, ocorre o inverso, como já mencionado. Existem dois mecanismos de mobilização do cálcio depositado nos ossos. O primeiro é a transferência dos íons dos cristais de hidroxiapatita para o líquido intersticial e daí para a corrente sanguínea. Esse processo ocorre principalmente no osso esponjoso. O segundo mecanismo é hormonal. As células da glândula paratireoide são sensíveis aos níveis de cálcio no sangue. Quando cai a concentração sanguínea de cálcio, a paratireoide produz o Paratormônio (PTH). O PHT ativa receptores nos osteoblastos, suprimindo a formação da matriz e iniciando a produção do ligante de osteoprotegerina e do fator estimulante de osteoclastos. Tais substâncias induzem a formação de osteoclastos que levam à reabsorção óssea e à liberação dos íons de cálcio. Além da paratireoide, a tireoide também monitora os níveis sanguíneos de cál- cio. Quando a concentração sanguínea do íon se torna elevada, produz a calcito- nina, hormônio que também ativa receptores nos osteoclastos, mas impedindo-os de realizarem a reabsorção óssea. Ao mesmo tempo, estimula os osteoclastos a produzir osteoide, aumentando, dessa forma, a deposição óssea do cálcio. Assista ao vídeo intitulado Metabolismo do cálcio e fosfato. https://youtu.be/C1JIY7_3gGQEx pl or Articulações Os ossos se unem uns aos outros para constituir o esqueleto através das articu- lações que são estruturas formadas por tecido conjuntivo. Dependendo do grau de movimentação, as articulações podem ser classificadas em sinartroses, em que há um mínimo de movimento; e diartroses, com ampla margem de movimento. Existem três tipos de sinartroses, dependendo do tecido que une as peças ósseas: • Sinostose: os ossos são unidos portecido ósseo e totalmente desprovidos de mo- vimento, por exemplo, como ocorre entre os ossos chatos do crânio de idosos; 37 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo • Sincondrose: o tecido de união é a cartilagem hialina e há poucos movimen- tos – que são limitados –, tal como ocorre na articulação da primeira costela com o esterno; • Sindesmose: apresenta também pouco movimento e o tecido de união é o tecido conjuntivo denso. É encontrada unindo os ossos da sínfise pubiana. As diartroses (Figura 18) são aquelas que geralmente unem os ossos longos. Nessas são encontradas cartilagem hialina, revestindo as extremidades dos ossos, e uma cápsula, entre as extremidades, denominada cavidade articular, formada por uma camada fibrosa, contínua com o periósteo, constituída por tecido conjuntivo denso e uma camada celular interna ou membrana sinovial, que recobre as superfícies não articulares. A cavidade articular contém o líquido sinovial, que é um líquido incolor, transparente, viscoso e contém elevado teor de ácido hialurônico, além de lubricina – uma glicoproteína –, combinados com um filtrado do plasma. O ácido hialurônico, juntamente com a lubricina, age como lubrificante das articulações, facilitando o deslizamento das mesmas. Já os demais componentes do líquido sinovial fornecem nutrientes e oxigênio para os condrócitos da cartilagem hialina que recobrem as articulações, além de fagocitar resíduos presentes. Periósteo Membrana sonovial Cavidade articular Cavidade medular Tecido ósseo esponjoso Tecido ósseo compacto Camada �brosa da capsula Figura 18 – Desenho esquemático de uma diartrose. A cápsula é formada por duas partes: a camada fibrosa ex- terna e a camada sinovial – membrana sinovial – que reveste a cavidade articular, exceto as áreas de cartilagem Fonte: Adaptado de Junqueira e Carneiro (2013) A membrana sinovial, quando lesada, reage como qualquer outro tecido con- juntivo, formando um tecido de granulação e, após algumas semanas, pode estar completamente regenerada. Essa propriedade ajuda a conferir grande resiliência às diartroses. Por isso, funcionam como eficientes amortecedores de pressões mecânicas. É um mecanismo semelhante ao encontrado entre os discos intervertebrais. 38 39 Indicações para saber mais sobre os assuntos abordados nesta Unidade: Sites Tecido Conjuntivo Propriamente Dito https://goo.gl/0NpCZw Tecido Conjuntivo https://goo.gl/caYfsF Vídeos Introdução à Histologia https://youtu.be/VnwZAfEu9DA Tecido Conjuntivo Frouxo, Denso e Adiposo – Destrinchando a Histologia Assista também ao vídeo ilustrando a síntese proteica em célula eucariótica. https://youtu.be/9kBSYivTqus Leitura Tecido Epitelial https://goo.gl/qxhuz Tecido Epitelial de Revestimento https://goo.gl/ifBuoO Tecido Epitelial Glandular https://goo.gl/zPQjNm Tecido Conjuntivo https://goo.gl/LTkY8e Tecido Conjuntivo https://goo.gl/rT60cN Tecido Conjuntivo https://goo.gl/8t3xS2 39 UNIDADE Introdução à Histologia, Tecido Epitelial e ao Tecido Conjuntivo: Propriamente Dito, Elástico, Reticular, Mucoso, Adiposo e Ósseo Referências BLOOM, W; FAWCETT, D.W. Tratado de Histologia. 10.ed. Rio de Janeiro: Editora Interamericana, 1977. GITIRANA, L.B. Histologia: Conceitos Básicos dos Tecidos. 2. ed. Rio de Janeiro: Atheneu, 2007. JUNQUEIRA, L.C.; CARNEIRO, J.J. Histologia básica. 12.ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2013. STEVENS, A; LOWE, J. Histologia Humana. 2.ed. São Paulo: Editora Manole, 2001. 40