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Especialização em Serviços de Saúde Pública 
 
 
 
 
 
EPIDEMIOLOGIA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Prof. Dr. Deivid A. da Costa 
2018 
Sumário 
 
1- O QUE É EPIDEMIOLOGIA?................................................................................................ 4 
DIFERENÇA ENTRE EPIDEMIOLOGIA E CLÍNICA. ..................................................................... 5 
OBJETIVOS DA EPIDEMIOLOGIA............................................................................................. 5 
ANTECEDENTES HISTÓRICOS. ................................................................................................ 6 
2- PROCESSO SAÚDE X DOENÇA ............................................................................................. 10 
CONCEITO DE SAÚDE .......................................................................................................... 10 
CONCEITO DE DOENÇA........................................................................................................ 10 
DOENÇA EM ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS .......................................................................... 10 
PADRÕES DE PROGRESSÃO DAS DOENÇAS .......................................................................... 11 
HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA ......................................................................................... 11 
Visão a partir dos serviços ............................................................................................... 11 
Visão a partir da comunidade .......................................................................................... 12 
FASES DA HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA ......................................................................... 12 
CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS PREVENTIVAS ...................................................................... 13 
Medidas universais, seletivas e individualizadas .............................................................. 15 
3- MEDIDA DE SAÚDE COLETIVA ............................................................................................ 16 
COEFICIENTES E ÍNDICES ..................................................................................................... 17 
COEFICIENTES mais utilizados na área da Saúde .............................................................. 18 
PROPORÇÕES mais utilizadas na área de saúde .............................................................. 23 
INDICADORES AMBIENTAIS ............................................................................................. 26 
Indicadores dos serviços de saúde ................................................................................... 27 
4- MÉTODO EPIDEMIOLÓGICO ........................................................................................... 28 
MÉTODOS DE ESTUDO ........................................................................................................ 28 
Método Descritivo........................................................................................................... 28 
Variáveis Relativas às Pessoas ......................................................................................... 29 
Variáveis Relativas ao Lugar ............................................................................................ 35 
Variáveis Relativas ao Tempo .......................................................................................... 41 
BIBLIOGRAFIA......................................................................................................................... 53 
 
 
 
 
 
file:///C:/Users/Deivid/Desktop/FABEX/Nova%20pasta/APOSTILA%20-%20Epidemiologia%202018-%20Prof.%20Deivid.docx%23_Toc519204635
APRESENTAÇÃO 
Esta apostila foi produzida a partir de compilações de informações de 
diversas fontes (ver bibliografia). As informações retiradas das fontes originais, 
foram resumidas com o intuito de serem utilizadas exclusivamente no 
acompanhamento da disciplina. Portanto, as informações, recomendações e 
procedimentos descritos nesta apostila, devem ser checados em sua fonte 
original para evitar má interpretação, erros de digitação ou necessidade de 
complementação dos dados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
1- O QUE É EPIDEMIOLOGIA? 
Os temas tratados na epidemiologia não são novos; relativamente nova é a disciplina 
acadêmica que atende por este nome. 
Epidemia é um termo antigo aparecendo desde os tempos da Grécia clássica, a referência mais 
remota à palavra “epidemiologia” é de um texto espanhol sobre a peste, do século XVI. 
O status de disciplina científica, porém, só foi alcançado na metade do século XX. data do 
aparecimento dos primeiros livros-texto, detalhando conceitos e métodos, exclusivamente 
dedicados ao assunto. 
Etimologicamente, “epidemiologia” (epi = sobre; demo = população; logos = tratado) significa o 
estudo do que afeta a população. 
 
 
 
 
 
 
 
No passado, o alvo da epidemiologia era representado pelas doenças que se apresentavam 
sob a forma de epidemias bem evidentes, tais como as de cólera, peste, tifo, varíola e febre 
amarela — afecções de evolução aguda e que sempre alarmaram a população e as autoridades. 
No entanto, para possibilitar a detecção precoce de epidemias, ficou logo evidente a conveniência 
do estudo da doença em seus períodos Inter epidêmicos, pois a epidemia é apenas uma fase na 
evolução do processo mórbido, na coletividade. Por isto, os estudiosos passaram a vigiar, de 
maneira contínua, a ocorrência e a distribuição das doenças agudas na população. A busca de 
agentes biológicos específicos para cada doença tornou-se o objetivo central das pesquisas 
etiológicas. 
A diminuição da mortalidade por doenças infecciosas e carenciais, o envelhecimento 
progressivo da população e a mudança no perfil de morbidade, fatos que ocorreram primeiramente 
em países hoje considerados mais desenvolvidos, levaram a que o campo de aplicação da 
epidemiologia fosse ainda mais ampliado, passando a compreender as doenças crônicas do tipo 
degenerativo, as anomalias congênitas e muitos outros eventos, como os acidentes e os 
envenenamentos, que não são doenças, mas que justificam uma abordagem semelhante. Daí, é 
costume dizer-se que o objeto da epidemiologia é representado por qualquer dano ou agravo à 
saúde estudado em termos de população. 
Ao contrário das doenças infecciosas, não há um agente etiológico conhecido para a 
maioria das enfermidades crônico-degenerativas. A ausência de agentes ou fatores específicos 
para cada doença toma o diagnóstico mais difícil e, consequentemente, também é complexa a 
separação entre pessoas doentes e não- doentes. As investigações etiológicas sobre os agravos 
à saúde de natureza não-infecciosa foram, então, dirigidas para o estudo de condições presentes 
em fase anterior ao aparecimento de alterações clínicas ou anatomopatológicas, especialmente 
os fatores de risco e os estados fisiológicos. Como consequência desta expansão, os conceitos e 
métodos da epidemiologia, hoje em dia, estão sendo aplicados a qualquer evento relacionado com 
a saúde da população — e não especificamente a doenças. São exemplos a investigação 
epidemiológica sobre o hábito de fumar, o peso ao nascer, os níveis de glicemia de uma população, 
a fadiga profissional, a violência urbana e o consumo de drogas, ao lado das pesquisas mais 
tradicionais de morbidade e mortalidade. 
 
 
 
 Epidemiologia: É o estudo de como as doenças está distribuída nas populações e os 
fatores que influenciam ou determinam essa distribuição. 
 
 DIFERENÇA ENTRE EPIDEMIOLOGIA E CLÍNICA. 
 
 
A clínica e a epidemiologia encontram-se vinculadas epistemologicamente. Ambas tratam 
de corpos sociais: enquanto a clínica trata do sujeito considerado em suas particularidades, o 
caso, o um, a epidemiologia aborda o coletivo, busca a generalidade,nestas regiões, uma relação 
causal entre renda e saúde. 
As pessoas de famílias de menor renda têm, em geral, nível baixo de instrução 
e exercem ocupações que podem conter riscos apreciáveis para a saúde. Isolar o efeito 
da renda, de outras variáveis a ela estreitamente relacionadas, como as mencionadas 
(nível de instrução e tipo de ocupação), pode não ser uma tarefa simples. 
 
• Exemplo: renda e indicadores de saúde, no Brasil 
Eis alguns números sobre o Brasil, segundo o IBGE, obtidos pela PNAD e 
concernentes a 1983. Entre as pessoas empregadas, 40% recebiam até um salário 
mínimo. Esta proporção subia para 65%, quando consideradas todas as pessoas que 
recebiam até dois salários mínimos. Tais níveis de rendimento — até dois salários 
mínimos — que, em termos das porcentagens acima, atingem dois terços da população 
brasileira, representam pouco, em poder aquisitivo. Incluindo-se os 22% que recebiam 
de três a cinco salários mínimos, a proporção de brasileiros, nestas faixas (até cinco 
salários mínimos), atingia 87%. A esperança de vida ao nascer, para estes níveis de 
renda, está detalhada no Quadro 7, onde se nota uma correlação positiva, pois quanto 
maior a renda, mais elevada é a expectativa de vida. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OCUPAÇÃO 
 
A saúde de um indivíduo relaciona-se, estreitamente, com o tipo de ocupação 
que exerce, pois o ambiente de trabalho determina muitos dos riscos aos quais o 
trabalhador fica exposto, durante boa parte de sua vida, embora nem todas as 
ocupações ofereçam os mesmos riscos. Por ocupação entende-se o cargo, função, 
profissão ou ofício habitualmente exercido. 
 
Exemplo: acidentes de trabalho, no Brasil No período 1969-1986, segundo 
dados da FUNDACENTRO e do INPS, foram registrados entre 1 milhão e 2 milhões de 
acidentes de trabalho, no país, a cada ano. Os números indicam também, que os 
 Quadro 7 
acidentes de trabalho predominam nitidamente sobre as doenças profissionais, na 
proporção de 200 a 500 para 1, dependendo do ano considerado: no período 1969-1985 
foram registrados entre 2 mil e 6 mil casos anuais de doenças profissionais. 
Por exemplo, o estresse das pessoas que lidam com o público, como os caixas 
de banco, assim como as doenças mentais, a hipertensão arterial, a bronquite crónica 
e as afecções do aparelho locomotor; uma ilustração destas últimas é representada 
pelos problemas de coluna derivados de posturas exigidas para a realização das tarefas 
diárias concernentes ao emprego. Nestas situações, o trabalho funciona como fator 
contributivo, provocador ou agravador de distúrbios preexistentes. O conhecimento da 
magnitude destes problemas exige investigações especiais, pois não são expressos em 
estatísticas rotineiras. Algumas destas condições constituem importante causa de 
incapacidade e aposentadorias (Quadro 8). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
INSTRUÇÃO 
 
O grau de instrução relaciona-se estreitamente ao nível de saúde das 
pessoas.70 Por exemplo, quanto maior o nível de escolaridade, maior é a 
esperança de vida (Quadro 10) e maior o uso de vacinas (QUADRO 11). A 
interpretação dos dados deve levar em conta o fato de que a instrução tem nítida 
relação com a renda e com a hierarquia das profissões: ir além do curso primário 
é mais comum nas classes média e superior, constituídas por famílias de maior 
renda, cujos membros têm profissões situadas em nível hierárquico mais 
elevado. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Quadro 9 
 Quadro 10 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ESTILO DE VIDA 
 
As principais causas de morbimortalidade, em muitos países, são as doenças 
crônico-degenerativas, os acidentes e as demais violências, todas associadas a fatores 
relacionados ao chamado “estilo de vida”. 
A alimentação inadequada, a vida sedentária, o consumo excessivo de fumo, de 
álcool e de outras drogas, e o uso irresponsável de veículos a motor e de armas são 
alguns dos fatores associados ao estilo de vida. 
Também há de se considerar a alimentação inadequada, a atividade física 
reduzida, a promiscuidade sexual e o estresse. 
 
 
SERVIÇOES DE SAÚDE 
 
A disponibilidade, qualidade e acesso aos serviços de saúde são muito 
importantes para a promoção da saúde e como consequência, influencia diretamente a 
morbimortalidade. 
 
 
 
Variáveis Relativas ao Lugar 
 
 
A constatação de que as doenças variam de região para região não é recente: 
nos textos de Hipócrates (século V a.C.) esta relação aparece, assim como nas crônicas 
de viajantes, desde a Idade Média. Os relatos descrevem as doenças mais 
encontradiças, aquelas mais graves ou as de exteriorização mais evidente. Por vezes, 
encontra-se a tentativa de relacioná-las a fatores prevalentes na região. Muito já se 
escreveu sobre o tema. A análise dos agravos à saúde, com realce para as diferenças 
geográficas e históricas, constitui a preocupação fundamental de uma disciplina 
localizada na interseção da saúde e da geografia, conhecida como geografia da saúde 
ou por seus sinônimos: geografia médica, geomedicina, geopatologia, medicina 
geográfica, patologia geográfica e epidemiologia geográfica. 
 
O estudo da variação espacial dos eventos produz um diagnóstico comparativo, que é 
utilizado de muitas maneira (Quadro 12). 
 
 Quadro 11 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Indicar os riscos a que a população está exposta 
 
Exemplo: risco de infecção 
Muitos exemplos podem ser encontrados no campo das doenças infecciosas, dentre 
cies a ocorrência e concentração de grande número de casos de malária, na região 
amazônica, e as epidemias de dengue em diversas regiões do País. 
 
• Acompanhar a disseminação dos eventos 
 
Exemplo: a cólera na América Latina 
A década de 1990 testemunhou a reintrodução e a propagação do vibrião 
colérico no continente. Os primeiros casos foram detectados no Peru, a partir do qual a 
doença alastrou-se rapidamente para outros países. O sistema de vigilância 
epidemiológica, é montado para o estudo continuado da ocorrência e da propagação de 
determinados agravos à saúde, como a cólera e a tuberculose, que constituem 
importantes problemas de saúde pública. 
 
 
Fornecer subsídios para explicações causais 
 
Exemplo: consumo de pescado e doença coronariana. 
O desenvolvimento recente dos conhecimentos sobre a etiologia da doença 
coronariana, apontando para a importância de determinados componentes da dieta, 
presentes em algumas regiões e ausentes em outras, é ilustração do enfoque 
comparativo, que a epidemiologia pode proporcionar. Estudos realizados na década de 
60 indicaram que os esquimós apresentavam menor incidência de doenças 
coronarianas, em comparação às taxas existentes em numerosos países, embora 
consumissem die- ricas em gordura, à base de peixes. Este foi o ponto de partida para 
investigações adicionais sobre o assunto, o que levou a postular-se o maior consumo 
de peixes, na alimentação, e, mais especificamente, de ácidos graxos poliinsaturados, 
como medida protetora contra a doença aterosclerótica. É interessante assinar que a 
adoção deste tipo de dieta está associada também a Melhoras em casos de outros 
agravos à saúde, como artrite reumatóide, psoríase, dermatite atópica e asma 
brônquica. 
 
 
 
Definir as prioridades de intervenção 
 
Exemplo: comparação de coeficientes de mortalidade infantil 
Em alguns países, como a Holanda, a Suécia e o Japão, na década de 1990, a 
mortalidade infantil baixou para cinco óbitos de menores de um ano por mil nascidos 
vivos. Se, em outro país, na mesma época, a mortalidade infantil é de 55 óbitos por mil, 
 Quadro 12 
conclui-se que há 50 óbitos potencialmente evitáveis, no decurso do primeiro ano de 
vida, em cada mil nascidos vivos. No caso presente, o coeficiente de cinco por mil é 
tomado como padrão, cuja redução, para um nível ainda menor, representa uma meta 
dificilmente atingível, pois tais óbitos decorrem, na sua maioria, de situações patológicas 
para as quais não se dispõe ainda de prevenção ou tratamento adequado. 
 
Avaliar oimpacto das intervenções 
 
• Exemplo: controle da esquistossomose 
A aplicação de moluscicida para controle da doença, levada a efeito em uma 
área, e não em outra, permite inferir os seus reflexos na redução da população de 
caramujos e na diminuição da incidência, da prevalência e da intensidade da infecção. 
 
 
 
PRINCIPAIS TIPOS DE COMPARAÇÃO GEOGRÁFICA 
 
 
Existem muitas possibilidades de comparação geográfica de agravos à saúde: 
são exemplos aquelas relacionadas a diferentes níveis de altitude, de latitude, de 
umidade do ar, de poluição ou ao tipo predominante de solo, de forma de ocupação 
deste solo, de vegetação, de fauna, de habitação, de trabalho e de alimentação. Para 
investigar estes e outros temas, são utilizados quatro tipos principais de comparação 
espacial que serão vistos, a seguir: 
 
A. entre países 
B. entre unidades administrativas dentro de um mesmo país 
C. entre áreas urbanas e rurais 
D. em nível local 
 
 
COMPARAÇÕES INTERNACIONAIS 
 
A comparação de indicadores de saúde entre dois ou mais países ou entre 
grupos de países afins (Figura 13), de forma a identificar as eventuais variações, é muito 
encontrada em publicações científicas. 
Uma das principais motivações para a realização de comparações internacionais é a de 
apontar desigualdades, de modo a carrear para elas a atenção do governo e da 
sociedade, e, assim, auxiliar a captação de recursos para a resolução de problemas de 
e evada importância. 
 
• Exemplo: incidência mundial de câncer 
As variações geográficas das neoplasias têm sido apontadas em numerosos 
estudos comparativos. Em investigações no interior de um país, é comum comparar os 
resultados nele encontrados com os de outros países: é o que se fez no estudo das 
variações de coeficientes na Inglaterra, na Argentina e no Rio Grande do Sul. Por 
exemplo, o coeficiente padronizado de mortalidade por câncer do esôfago foi muito mais 
alto no Rio Grande do Sul (14,9 óbitos por 100 mil homens, em 1986) se comparado ao 
de seus vizinhos: respectivamente, 12,1 no Uruguai e 8,9 na Argentina, no mesmo 
período. 
Esta diversidade de frequências sugere hipóteses etiológicas que servem de 
base para investigações adicionais, de cunho analítico, de modo atentar elucidar, em 
última análise, as causas das neoplasias. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPARAÇÕES NACIONAIS 
 
 
Principais formas de comparação de dados, no brasil: 
 
• Comparação por Unidades da Federação 
• Comparação por grandes regiões (Exemplo Quadro 13) 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 13 
 Quadro 13 
• Comparações de áreas urbanas e rurais 
 
A comparação entre áreas urbanas e rurais nos traz numerosos subsídios para 
avaliar as condições de saúde da população. No entanto, sua interpretação é complexa, 
em face de, pelo menos, dois problemas: a dificuldade de demarcação entre os 
conceitos de urbano e rural, e a pouca disponibilidade de dados para as áreas rurais. 
No Brasil, o IBGE utiliza critério administrativo para definir o que é urbano, sendo 
incluídas, no conceito, as populações das cidades e vilas: por exclusão, o restante é 
considerado rural, ou seja, os residentes fora dos limites das cidades e das vilas (Quadro 
14). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
COMPARAÇÕES LOCAIS 
 
 
No estudo de variações dos agravos à saúde no interior de uma cidade, bairro, 
quarteirão, fazenda ou outro local restrito, o profissional de saúde raramente pode contar 
com estatísticas já prontas para uso. Em tal eventualidade, ele tem de prepará-las, 
lidando com os casos, um a um. As comparações em nível local, nas quais a unidade 
geográfica é de pequeno tamanho, são as que permitem melhor visualizar o progresso 
de uma epidemia, no espaço e no tempo. Em extensas unidades geográficas, as 
variações do evento tendem a ser atenuadas e, os detalhes, obscurecidos. 
O uso de marcadores sobre mapas constitui recurso para melhor visualizar a 
distribuição dos casos e dos fatores de risco, como já mostrado. 
 
 
MOBILIDADE DA POPULAÇÃO E SAÚDE 
 
A relação entre mobilidade e saúde caracteriza-se, nestes séculos, de uma parte, pela 
passagem de doenças de um continente a outro: a esquistossomose e a febre amarela 
são exemplos de doenças antes inexistentes no Brasil. De outra parte, sobrepõem-se 
os efeitos da redistribuição interna das pessoas. A mudança do centro de gravidade da 
economia, do Nordeste para as regiões Sul e Sudeste, foi acompanhada de 
deslocamentos populacionais na mesma direção. Em meados do século XDC, cerca de 
metade da população do Brasil encontrava-se no Nordeste; um século depois, esta 
proporção reduziu-se a um terço. Os estados do Sul e do Sudeste, que não abrigavam 
a metade da população do País, há cem anos, passaram a contar com dois terços da 
Quadro 14 
população brasileira, em 1980. Como exemplo de repercussão deste movimento 
populacional sobre a saúde, cite-se ainda o caso da esquistossomose, que primeiro se 
instalou no Nordeste e depois se expandiu para regiões do sul. 
 
URBANIZAÇÃO E SAÚDE 
 
A urbanização resulta em mudanças complexas na sociedade, com efeitos 
benéficos e adversos sobre a saúde das pessoas e da comunidade. Além do mais, seu 
impacto não é o mesmo nos diversos segmentos sociais, atenuando, gerando ou 
realçando diferenças no seio da população. Muitas vezes o migrante e toda a sua família 
têm, em média, melhores rendimentos de trabalho, no local de destino, quando 
comparados com o que ocorreria se ainda estivessem em seu lugar de origem. Os 
migrantes passam a viver nas proximidades de serviços de saúde e de outras facilidades 
urbanas, o que, em conjunto, tende a ser benéfico para a saúde. Além disso, há 
modificação nas percepções pessoais, o que pode atuar também positivamente. Em 
contrapartida, há toda uma complexa problemática de desinserção territorial e ruptura 
social que pode causar reflexos negativos sobre a saúde. Outros fatores que podem 
também ter reflexo deletério para a saúde são as mudanças de hábitos pessoais (dieta, 
por exemplo), que acompanham a migração, assim como a exposição a um diferente 
meio ambiente ou local de trabalho. 
Em termos históricos, a longo prazo, a urbanização está associada à melhor 
qualidade de vida. No entanto, durante o processo de assimilação no migrante ao novo 
ambiente, acontece muita coisa que tem impacto negativo sobre a saúde. O crescimento 
acelerado das cidades significa, frequentemente, a degradação do meio ambiente e o 
aumento da poluição, em suas diversas formas. Em termos sociais, surgem os efeitos 
deletérios para a saúde no segmento da população marginalizado. O migrante sofre 
estresse continuado: do lado físico, por fatores diversos, relacionados à procura de 
trabalho, ao próprio tipo de trabalho e pelo grande deslocamento espacial desde o local 
de procedência até a região de escolha, e, dentro desta, da residência para o trabalho 
e vice-versa; do lado psicológico, pelas agruras da adaptação a uma sociedade em que, 
via de regra, os habitantes se ressentem da vinda dos migrantes. O subemprego e o 
desemprego, a que os migrantes estão mais expostos do que a população residente, 
são outros fatores que agridem a saúde física e mental. Entre as consequências desta 
situação, estão a desagregação familiar, o menor abandonado, a gravidez em 
adolescente, a prostituição, a criminalidade. Estas condições desfavoráveis, mais 
encontradas em processos rápidos de urbanização, estão associadas à mortalidade 
precoce, em especial, pelo aumento da violência urbana e dos acidentes. 
Nas cidades, comparadas com o campo (quadro 15), é maior possibilidade de o 
casal controlar a própria fecundidade, tanto em razão do nível de informações de que 
passa a dispor, como pelo maior acesso aos métodos eficazes de contracepção. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
MIGRAÇÃO INTERNACIONAL 
 
O Brasil, desde seu descobrimento, atraiu migrantes. A conjugação do potencial 
econômico de uma extensa região, quase desabitada,e das crises de recessão 
verificadas em muitas nações européias, estimulou a imigração para o País. No século 
XX, o movimento ocorreu em menor escala, embora registrando-se a entrada, em certos 
períodos, de grande número de estrangeiros, em consequência das duas guerras 
mundiais. Em outros países da América Latina, ocorreu movimento semelhante de 
atração populacional. 
Os migrantes encontram dificuldades de toda ordem para sobreviverem em uma 
região de diferente cultura, especial mente quando mudam de continente: são 
problemas de idioma e de cunho legal, laborai, existencial e de adaptação a um novo 
ambiente. Representam eles, no país de destino, mão-de-obra barata, mesmo assim 
mais bem remunerada em relação à região de origem, fato que os leva à migração. Mas 
muitos migrantes não conseguem ser absorvidos pelo mercado formal de emprego, 
permanecendo, por longo tempo, em atividades de subemprego. Desta maneira, 
sacrificam a própria saúde nos seus novos ambientes, sem ter acesso adequado ao 
sistema formal de atenção à saúde. A magnitude desta migração é pouco conhecida; 
apenas estão disponíveis as cifras de migrantes legais permanentes (por exemplo, no 
“Demographic Yearbook” das Nações Unidas), o que esconde parte importante da 
realidade. 
O migrante defronta-se, nos locais por onde passa, com agentes patogênicos 
que, eventualmente, irão afetá-lo; inversamente, pode também carregar consigo 
agentes, vetores ou reservatórios de doenças para locais onde irá disseminá-los. 
 
Exemplo: malária no Estado de São Paulo 
Ilustrativo como disseminação de doença é também o relato da situação recente 
da malária no Estado de São Paulo, onde houve diminuição da transmissão ao longo 
dos anos. Na década de 1970 e no início dos anos 80, a incidência permaneceu mais 
ou menos estável, havendo sido diagnosticados 1.666 casos, em 1983.101 A análise 
dos casos incidentes no período 1980-1983 mostrou que 3% eram “autóctones” — 
relacionados a focos residuais da doença no próprio estado. Os restantes 97% foram 
considerados como “importados”, ou seja, vindos de fora do es- todo, dos quais 19 em 
20 provenientes da Amazônia. Estes casos estão diretamente relacionados à 
implantação de projetos de desenvolvimento econômico, na Amazônia, responsáveis 
por acentuados deslocamentos populacionais. O perigo de reintroduzir a endemia em 
São Paulo, devido à falta de controle da malária na Amazônia, é real e, por isto, a 
vigilância epidemiológica deve ser rigorosa e incluir não somente aspectos biológicos e 
físicos, mas outros de natureza social que, em conjunto, fazem a cadeia de transmissão 
se estabelecer. 
 
 
 
Variáveis Relativas ao Tempo 
 
 
SÉRIES TEMPORAIS 
 
Dá-se o nome de série temporal (ou cronológica) ao conjunto de observações 
ordenadas no tempo. 
 
• Exemplo: série temporal O número mensal de nascimentos, de óbitos ou de casos de 
uma doença notificável. A temperatura média e a precipitação pluviométrica diárias. A 
evolução da incidência de casos notificados de poliomielite, no Brasil (Fig. 13.1), e da 
mortalidade por febre tifoide, no município de São Paulo (Fig. 13.2). A incidência anual 
de casos de SIDA (AIDS) e de doenças crônico-degenerativas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
As observações que constituem a série temporal podem ser contínuas, como 
nos traçados eletrocardiográficos, ou discretas, como no número de casos de uma 
doença. Dependendo do evento em questão, as observações referem-se a cada 
segundo, minuto, hora, dia, semana, mês, ano ou qualquer outra unidade de tempo. Em 
geral, os estudos de séries temporais na área da saúde pública são feitos, usualmente, 
com informações provenientes de sistemas rotineiros de informação, em especial, de 
mortalidade e de morbidade. 
Quando o evento é expresso em freqüências anuais, utiliza-se habitualmente o 
ano-calendário, embora seja possível trabalhar também com um período anual, iniciado 
em qualquer outro mês diferente de janeiro, A adoção do ano-calendário tem a 
vantagem de permitir a utilização complementar de outras fontes de dados, que 
fornecem seus resultados para o mesmo período. 
A organização adequada dos dados, em forma de série temporal, fornece um 
diagnóstico dinâmico da ocorrência de um evento na população, informando a evolução 
dos riscos a que as pessoas estão ou estiveram sujeitas. Semelhante conhecimento 
serve para previsões de diversos tipos, para a formulação de hipóteses causais e para 
o planejamento e avaliação das ações. Estes aspectos são detalhados, a seguir, de 
modo a esmiuçar algumas das múltiplas utilidades das séries temporais (Quadro 16). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 13.1 
Figura 13.2 
 Quadro 16 
COMPONENTES DE UMA SÉRIE TEMPORAL 
 
Uma série temporal pode ser concebida como um conjunto de observações feitas 
em seqüência no tempo e sujeitas a variações aleatórias. Na análise e interpretação da 
série importa considerar, ao lado das variações aleatórias, pelo menos quatro 
componentes (Quadro 17). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• A tendência do evento, a longo prazo, também chamada de variação “geral”, 
“histórica”, “secular” ou simplesmente “tendência”. As duas figuras antes apresentadas 
no capítulo são representativas deste tipo de variação claramente descendente como 
se pode constatar. 
 
• As flutuações “cíclicas”, que se repetem com certa regularidade: por exemplo, o 
aumento da incidência do sarampo em uma região a cada três ou quatro anos. Pela sua 
periodicidade, permitem alguma forma de previsão dos acontecimentos. 
 
• As oscilações, também periódicas e regulares, que se repetem a cada ano, conhecidas 
pelas denominações “sazonal” ou “estacional”: por exemplo, o aumento da incidência 
de pneumonia, nas épocas frias do ano. Iguais às anteriores, por apresentarem 
periodicidade, possibilitam alguma forma de previsão dos eventos. 
 
• As variações “irregulares”, também ditas “acidentais”, configurando epidemias, que 
importa diagnosticar precocemente, para que sua evolução possa ser alterada. 
 
A Fig. 14 contém três componentes de uma série cronológica: a tendência geral 
é declinante, mas há também oscilações cíclicas e sazonais. Epidemias poderiam ter 
sido assinaladas, na mesma figura, o que não foi feito para mantê-la relativamente 
simples. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Quadro 17 
 Figura 14 
Mudanças bruscas nas freqüências 
 
Quando as mudanças de freqüências são bruscas, de uma observação para a 
seguinte, por exemplo, de um ano para outro devem-se afastar as alterações porventura 
ocorridas nas regras de notificação e classificação das doenças, antes de procurar 
outras causas. Como se sabe, revisões na Classificação Internacional de Doenças (CID) 
são feitas, aproximadamente, a cada década. Tais modificações acarretam marcadas 
mudanças nas estatísticas, correspondentes à data da entrada em vigor das alterações 
classificatórias. Modificações na definição de caso de doença também podem gerar 
bruscas mudanças na série histórica. 
As intervenções pontuais, por exemplo, campanhas de vacinação em massa 
podem ser avaliadas pela inspeção da tendência geral do agravo à saúde, objeto da 
intervenção. 
A inspeção das Figs. 13.1 e 13.2 sugere que as intervenções assinaladas nos gráficos 
influenciaram a tendência geral. 
 
Mudanças graduais nas freqüências 
 
Nas mudanças graduais de freqüências de uma série histórica, é mais difícil 
atinar para as suas possíveis causas, se comparadas às mudanças abruptas. Este é o 
caso das resultantes da melhoria da qualidade diagnóstica e da assistência médica, que 
são dificilmente detectadas nos coeficientes relativos à doença. Uma estratégia que se 
tem mostrado útil para interpretar mudanças graduais de freqüências é a de comparar 
a tendência de dois eventos: o fator de risco e o dano à saúde, ou de dois danos à saúde 
entre si. 
 
• Exemplo: relação entre o consumo de cigarros e a mortalidade por câncer de pulmão 
A evolução do consumo de cigarros e do coeficiente de mortalidade porcâncer do 
pulmão, no Canadá, é mostrada na Fig. 15 É possível, em comparações deste tipo, ter 
em conta o tempo de latência entre o início da exposição e o subseqüente efeito nos 
coeficientes da doença. 
O início da epidemia de câncer de pulmão foi detectado na década de 1920, no Canadá 
e em outros países que possuíam estatísticas confiáveis sobre a matéria. O hábito de 
fumar expandiu-se, na população adulta, cerca de duas a três décadas antes. A 
interpretação de informações estatísticas como estas é dificultada pela presença de 
confundidores, ou seja, outros fatores de risco que poderiam ser também 
responsabilizados pela tendência da doença: a poluição atmosférica, de incidência 
também crescente, aproximadamente à mesma época, é um fator confundidor no estudo 
das relações entre o hábito de fumar e o câncer de pulmão. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 15 
Uma série histórica não implica, necessariamente, a existência de dados para 
um século ou mais, como sua sinonímia “tendência secular” poderia induzir. Raramente 
isto seria possível para a maioria dos eventos. De qualquer forma, deve referir- se a um 
“período mínimo de tempo”, de forma a possibilitar a percepção da tendência do 
fenômeno: se estacionária, ascendente ou descendente. No entanto, é difícil definir qual 
o tempo mínimo de observação necessário para obter-se conclusão inequívoca sobre a 
tendência do evento. Na maioria das situações, a duração da série histórica é 
determinada pela disponibilidade dos dados, c não pelo pesquisador. Este gostaria de 
ter à sua disposição o maior número possível de observações, o que resultaria em 
melhor análise dos dados. 
Quando o evento é expresso em frequências anuais, alguns quinquênios podem 
ser suficientes. Em determinadas oportunidades, períodos inferiores a 10 anos têm sido 
empregados para detectar tendências; nestes casos, deve-se ter em conta as 
possibilidades de equívocos, que as séries curtas têm maior chance de produzir, tema 
que é abordado mais adiante. 
 
TABELAS E GRÁFICOS 
 
A análise de uma série de dados, dispostos em ordem cronológica, pode ser feita 
de diversas maneiras. As tabelas, em que figuram os valores respectivos, são muito 
úteis para o estudo de uma série temporal. 
 
• Exemplo: tendência secular da mortalidade por tuberculose, no Rio de Janeiro 
 
O Quadro 18 mostra as taxas de mortalidade por tuberculose, no antigo Distrito 
Federal, para alguns anos, intercalados no período 1855-1983. Os números apontam, 
sem possibilidade de dúvidas, para a tendência decrescente dos coeficientes, embora 
a qualidade dos dados seja discutível, cm especial, a daqueles alusivos a épocas mais 
distantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROBLEMAS COMUNS EM ANÁLISE DE DADOS 
 
• Observações perdidas 
 
Um problema frequente em análise de dados é haver observações perdidas 
durante um certo período de tempo. Às vezes, é possível fazer interpolações para 
 Quadro 18 
preencher o vazio. Um estatístico pode muito auxiliar na escolha da melhor maneira de 
agir, neste e em outros procedimentos, durante a análise dos dados. 
 
• Observações aberrantes 
 
As observações muito diferentes das demais, excepcionalmente altas ou baixas, 
constituem um outro problema na fase de análise de dados. Elas podem ser o reflexo 
de erros ocorridos no fluxo de tratamento da informação: na coleta, na codificação etc. 
Podem também ser reais, com um significado que merece ser esmiuçado. Uma 
observação desviante das demais ocorre, por exemplo, no início das epidemias, quando 
o profissional de saúde defronta-se com uma frequência anormalmente alta e tem de 
interpretá-la. Mais adiante, na descrição do diagrama de controle, este ponto será 
realçado. 
 
• Série não-padronizada 
 
Deve-se ter sempre em consideração que a precisão das conclusões da análise 
de uma série temporal depende mais da uniformidade de conceitos e procedimentos 
empregados na obtenção dos dados referentes a todo o período da série, do que das 
técnicas estatísticas sofisticadas usadas na análise dos dados. Isto não significa, no 
entanto, menosprezar tais recursos. De posse de informações confiáveis, deve-se usar 
todo o arsenal estatístico analítico apropriado para a ocasião, de modo que se possa 
concluir, com segurança, sobre o conjunto de observações. 
 
 
COMPARAÇÕES ÚTEIS PARA INTERPRETAR TENDÊNCIAS 
 
• Evolução de dois eventos 
 
Por vezes, não é a evolução dos coeficientes da doença, isoladamente, que 
fornece o conhecimento apropriado sobre a matéria, mas a comparação desta tendência 
com a de outras doenças. 
 
Exemplo 1: incidência crescente de câncer de pulmão 
 
A evolução dos coeficientes de mortalidade por câncer de pulmão, nitidamente 
ascendente a partir de 1920, em muitos países, contrasta com a de outros tipos de 
câncer, pois nenhum outro apresentou tendência semelhante (Fig. 16). Em casos como 
este, há mais confiança em afirmar que a evolução reflete um real aumento de incidência 
do agravo à saúde, e não a consequência de melhorias nas técnicas diagnósticas ou o 
efeito de outros fatores confundidores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Figura 16 
ANÁLISE DAS VARIAÇÕES CÍCLICA 
 
Não existe uma técnica que seja exclusiva para a análise de variações cíclicas. 
Muitas das abordagens utilizadas para investigar as outras variações são também aqui 
empregadas. A inspeção de tabelas e gráficos que informem valores absolutos ou 
relativos sobre o evento são particularmente úteis para este propósito. 
Para detectar variações cíclicas dos agravos à saúde, no contexto em que as 
estamos enfocando, é necessário dispor de uma série histórica, com as freqüências 
anuais do evento. Mas quantos anos são necessários para compor tal série? 
 
Tempo mínimo de observação 
 
O tempo mínimo necessário para permitir o diagnóstico de oscilações que se 
repetem periodicamente depende do evento em consideração e, mais especificamente, 
da duração do intervalo entre os picos de freqüências altas. Este período pode ser de 
alguns poucos anos, ou de décadas: o que importa é que se disponha de pelo menos 
três períodos de freqüências altas, na série temporal. Nem sempre, porém, dispõe-se 
de informação para todo o período que seria o ideal para a análise. 
A Fig. 17, que apresenta os dados reunidos pelos mesmos investigadores para 
um período mais longo, mostra que a variação de casos de leishmaniose, constatada 
no período de cinco anos, foi também observada em épocas anteriores. Pode-se 
verificar que picos de incidência são encontrados a cada quatro ou cinco anos, o que 
reflete a história natural da leishmaniose cutânea na localidade. Pode-se mesmo 
antever, pela observação da figura, que novos casos voltarão a aparecer, em maior 
número, se as condições locais continuarem as mesmas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
VARIAÇÕES SAZONAIS (OU ESTACIONAIS) 
 
 
A denominação é usada para designar oscilações periódicas de freqüências, cujos 
ciclos configuram ritmo sazonal. 
 
Exemplo: sazonalidade dos eventos 
 Figura 17 
A variação sazonal da temperatura se caracteriza por temperatura alta, no verão, 
e baixa, no inverno. Estas oscilações de temperatura estão associadas à maior 
incidência de diarréias, no verão (Fig. 18), e de infecções transmitidas por via 
respiratória, no inverno. 
Um padrão de sazonalidade é também encontrado na maioria das doenças 
infecciosas, mas ele não é específico deste grupo de agravos à saúde. 
Os acidentes de trabalho ligados à colheita agrícola por exemplo, de cana-de-
açúcar são eventos sazonais. 
Nas comunidades rurais pobres, o peso das pessoas, particularmente de 
crianças, mostra estreita relação com as estações do ano. 
A sazonalidade dos nascimentos, do peso ao nascer, dos partos prematuros e 
da mortalidade perinatal também tem sido mostrada. 
As doenças crônico-degenerativas, especialmente do aparelho 
cardiorrespiratório, tendem a incidir e a matar mais nos extremos de temperatura. Estão 
neste caso a doençaisquêmica do coração, a doença cerebrovascular e a doença 
pulmonar obstrutiva crônica (DPOC). Não é só em países de clima temperado, onde há 
grandes variações de temperatura e invernos rigorosos, que é encontrado um padrão 
de sazonalidade na morbimortalidade. Também em regiões com climas menos severos, 
uma associação sazonal tem sido observada, como nos dois exemplos a seguir 
apresentados. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Diagrama de controle 
 
Para que seja possível detectar variações sazonais, é necessário dispor da 
distribuição de freqüências, durante o ano, e de vários anos, em seqüência. A inspeção 
dos dados assim organizados informa a variação habitual de ocorrência do agravo à 
saúde. 
 
Tempo mínimo de observação 
 
O tempo necessário para permitir o diagnóstico de oscilações estacionais das 
doenças infecciosas pode-se resumir a alguns poucos anos: por exemplo, cerca de três 
anos, no caso do sarampo. O cuidado é evitar incluir anos epidêmicos nas computações 
do nível endêmico. Os dados destes anos não-epidêmicos são utilizados para 
determinar um número esperado de frequências: o “nível endêmico” nas diversas 
épocas do ano. Para tal, fixam-se os limites de uma faixa de valores habituais, ocorridos 
no passado, com os quais serão confrontadas, quantitativamente, as ocorrências 
futuras. 
 Figura 18 
• Exemplo 1: incidência da meningite meningocócica, em São Paulo 
 
Um exemplo da utilidade do diagrama de controle aparece na Fig. 19. Foram 
registrados, no gráfico, os casos de meningite meningocócica notificados em São Paulo, 
no período 1971- 1973. O diagrama de controle é a faixa sombreada, localizada na parte 
debaixo do gráfico. A faixa foi construída com os dados dos 10 anos anteriores a 1971, 
com os quais foi calculada a média mensal de casos, bem como os respectivos desvios-
padrão. Note-se que, desde meados de 1971, os casos notificados estão além do que 
seria esperado para meses não-epidêmicos, ou seja, bem acima do limite superior do 
canal endêmico, o que mostra toda a extensão da grande epidemia da doença, nos anos 
70, que assolou São Paulo e todo o país. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANÁLISE DAS VARIAÇÕES IRREGULARES 
 
 
Os textos especializados sobre séries temporais fornecem orientação sobre 
formas de análise das variações irregulares, após removidas a sazonalidade, os ciclos 
e a tendência do evento. O resíduo, que está livre de qualquer variação regular, é então 
analisado, à luz de um modelo probabilístico. A complexidade do tema foge à alçada do 
presente texto, no qual ficaremos limitados a considerações gerais sobre o estudo das 
epidemias. 
 
• Epidemia X Pandemia X Endemia 
 
“Epidemia” é a concentração de casos de uma mesma doença em determinado 
local e época, claramente em excesso ao que seria teoricamente esperado. Uma 
epidemia é, na realidade, uma etapa na evolução da doença na coletividade. Existe uma 
fase de “normalidade”, em que as freqüências são endêmicas ou não há casos da 
doença e, outra, de “anormalidade”, caracterizada por alta incidência do evento, 
significativamente bem acima do que a do período anterior. 
O número de casos esperados é conhecido como “frequência endêmica”. 
Quando a doença é relativamente constante, em uma área, ela é dita “endêmica”, não 
importando se a frequência é baixa ou alta. Por vezes, neste último caso, usa-se a 
denominação “hiperendêmica”. Uma epidemia de grandes proporções envolvendo 
extensas áreas e um número elevado de pessoas, dita “pandemia”; o termo aplica-se, 
 Figura 19 
geralmente, a uma doença que passa de um continente para o outro, como a pandemia 
de gripe de 1918. 
 
Tipos de epidemia 
 
Nas epidemias de doenças transmissíveis, é conveniente dispor do número de 
casos em tabelas e em figuras, sob a forma de gráfico e mapa, de modo a representar 
a distribuição temporal e espacial do fenômeno. 
A forma mais comum de apresentação dos dados, em uma distribuição temporal, 
é a de fazer com que cada quadrado colocado em um gráfico represente um caso (Fig. 
20); esta sistemática é adotada quando a epidemia não envolve grande número de 
pessoas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Epidemia explosiva (ou por fonte comum) 
 
Na epidemia explosiva, também chamada de “brusca”, “instantânea”, “maciça” 
ou por “fonte comum”, “veículo comum”, “foco comum” ou “foco epidêmico”, há um 
aumento expressivo no número de casos, em curto período. Esse aumento é compatível 
com o período de incubação da doença. 
 
Exemplo: epidemia explosiva 
 
O surto de intoxicação alimentar, em que, em uma dada refeição, muitas pessoas 
são contaminadas ao mesmo tempo. 
 Figura 20 
A epidemia de pneumonia, conhecida como “doença dos legionários”, em que a 
contaminação de centenas de indivíduos ocorreu por ocasião de um congresso e foi 
imputada a problemas na refrigeração do ar. 
O episódio do césio 137, em que foram contaminadas dezenas de pessoas, na 
cidade de Goiânia, em meados da década de 1980. 
 
 
• Epidemia progressiva (ou por fontes múltiplas) 
 
Na epidemia “progressiva” ou de “contato” entre a pessoa doente e a sadia, 
ocorre um aumento gradativo do número de casos, mas a fonte de infecção não é única, 
sendo representada por exposições sucessivas. 
 
Exemplo: epidemia progressiva 
 
As enfermidades transmitidas por contato direto evoluem, desta maneira, na 
coletividade. Este é o caso das doenças de transmissão sexual, em que há transferência 
imediata e rápida dos agentes para o novo hospedeiro. É também o caso das doenças 
transmitidas por projeção direta das gotículas de saliva e muco de um paciente para o 
indivíduo suscetível: são exemplos, os surtos de coqueluche e de sarampo. 
As doenças transmitidas indiretamente, por meio de vetores, apresentam 
também um perfil deste tipo, como é o caso das epidemias de dengue. 
Note-se que são muitas as doenças que têm mais de um modo de transmissão. 
As gastroenterites causadas, diretamente, por contato inter-humano mostram o perfil de 
uma epidemia progressiva. Já as veiculadas por alimentos ou água contaminada são 
abruptas e geralmente evoluem como epidemias explosivas. 
 
 
EPIDEMIAS E TAMANHO DA POPULAÇÃO 
 
A transmissão das doenças, no meio rural ou em povoações isoladas, costuma 
ser diversa daquela que prevalece em áreas urbanas. Fatores geográficos, biológicos 
(fauna e flora) e socioculturais são profundamente diferentes, na cidade e no campo, 
sendo justo esperar que o comportamento das doenças também difira (Figura 21). Isto 
é bem evidente em condições cuja transmissão envolve vetores biológicos, como a 
doença de Chagas, a malária e a febre amarela. Os fatores determinantes da presença 
do vetor e dos reservatórios, assim como da interação agente-homem em geral, muito 
diferentes nas grandes áreas urbanas, em relação às rurais e estão intrinsecamente 
relacionados à etiologia da afecção. A persistência destas doenças em áreas rurais e a 
sua erradicação em zonas urbanas podem ser facilmente compreendidas, em termos 
ecológicos. 
A suspeita sobre quais agentes e fatores estão envolvidos no aparecimento de 
uma epidemia é muito dependente do conhecimento da duração do período de 
incubação da doença. 
Por vezes, a comunidade apresenta alta proporção de pessoas vacinadas, com 
a presença de algumas outras não imunizadas, que mantêm a endemicidade da doença. 
Destes bolsões de indivíduos não-imunes, virão os pacientes a serem atendidos nos 
serviços. Uma das estratégias, em saúde pública, é identificar e mapear os casos 
conhecidos e adotar as medidas apropriadas. 
 
• Exemplo: epidemiologia do sarampo 
 
Em alguns países, antes do advento da vacinação contra o sarampo, 
estabeleceu-se a estimativa de que as cidades, com um mínimo de 250 mil pessoas, 
proporcionavam condições para que o vírus do sarampo se transmitisse continuamente 
e a doença jamais desaparecesse da coletividade.36 Nas grandes cidades, 
especialmente de países do Terceiro Mundo, esta virosepermanece endêmica, 
apresentando, periodicamente, ondas ou surtos epidêmicos. Em cidades menores, 
porém, o vírus tende a desaparecer, em face da ausência de pessoas suscetíveis, em 
número suficiente para manter a cadeia de transmissão. Epidemias sub- seqüentes 
dependem da introdução de novos casos, vindos de fora, e da existência de suscetíveis. 
As grandes cidades funcionam como reservatórios de vírus para as comunidades de 
menor efetivo populacional. A circulação de pessoas infectadas, que ocorre comumente, 
seria o elo de ligação, constituindo-se em casos primários das epidemias de regiões 
menos populosas. Assim, o tamanho das populações, a distância que as separa das 
grandes cidades e as características dos meios de transportes são alguns dos fatores 
determinantes da epidemiologia do sarampo. Mudanças no modo de ocupação da terra, 
na oferta de empregos ou outra qualquer alteração na economia local, com suas 
consequências sobre aqueles fatores, tendem a alterar profundamente a incidência da 
doença nestas regiões. E deste modo que, no sarampo, e em numerosos outros danos 
à saúde, a análise pormenorizada dos fatores determinantes de uma epidemia aponta 
para um processo biológico, de substrato eminentemente social. 
O sarampo é transmitido de pessoa a pessoa, atingindo os indivíduos suscetíveis 
de uma casa, de uma escola, espalhando- se pela vizinhança e pelo bairro, alcançando 
toda a cidade e disseminando-se a outras regiões. Em uma análise temporoespacial, 
esta doença ocorre em ondas epidêmicas, que varrem toda uma região e se sucedem 
periodicamente, podendo ser mais bem estudadas em comunidades isoladas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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A. M. C. (Org.). ENVELHECIMENTO E SAÚDE DA PESSOA IDOSA. – Rio de Janeiro: 
EAD/ENSP, 2008. 
 
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GORDIS, L. Epidemiology. 3rd. Elsevier: Baltimore, 2004 
 
PEREIRA, M. G. Epidemiologia : teoria e Prática. Ed. Guanabara Koogan: Rio 
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ROUQUAYROL, M. Z. & ALMEIDA FILHO, N. Epidemiologia e Saúde. 6 ed. Rio 
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SOARES, D. A. ; ANDRADE, Selma Maffei de ; CAMPOS, João José Batista de 
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Antonio Soares; Luiz Cordoni Júnior. (Org.). Bases da Saúde Coletiva. 
1ed.lLondrina: Eduel / ABRASCO, 2001, v. 1, p. 183-210o grupo de casos, o todos. 
O quadro 1 resume as principais diferenças entre a abordagem clínica e epidemiológica. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
OBJETIVOS DA EPIDEMIOLOGIA. 
 
 
Os objetivos da epidemiologia podem ser resumidos em: 
 
 
 
 
 
Os dados disponíveis sobre a doença na comunidade podem ser muito úteis para 
sugerir um diagnóstico, mesmo que não sejam conclusivos. Dados relativos à etiologia da dor 
de garganta, de acordo com a idade da criança, são particularmente relevantes . 
Fonte: Montilla, 2008. 
1. Identificar a etiologia ou causa da doença e os fatores de risco; 
2. Determinar a extensão da doença na comunidade; 
3. Estudar a HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA e o seu prognóstico; 
4. Avaliar a existência de métodos preventivos e terapêuticos e a forma de prestação da atenção; 
5. Oferecer subsídios para o desenvolvimento das políticas de saúde; 
Por exemplo, se a infecção ocorre no início da vida, é provável que seja de origem viral. Se 
ocorrer entre 4 e 7 anos, é provável que seja de origem estreptocócica. Em uma criança mais 
velha Mycoplasma se torna mais importante. Embora esses dados não façam o diagnóstico, 
eles fornecem ao médico ou outro profissional de saúde uma boa pista sobre qual agente ou 
agente deve suspeitar. 
Diante disso, é possível conceituar epidemiologia como a ciência que estuda o processo 
saúde-doença na sociedade, analisando a distribuição e os fatores determinantes das 
doenças, danos à saúde e eventos associados à saúde coletiva, propondo medidas 
específicas de prevenção, controle ou erradicação de doenças e fornecendo indicadores que 
sirvam de suporte ao planejamento, à administração e à avaliação das ações de saúde. Além 
disso, é importante considerar que os agravos em saúde não ocorrem ao acaso: sua 
distribuição desigual é produto da ação de fatores que também se distribuem desigualmente 
na população. Assim, o conhecimento dos fatores determinantes das doenças permite a 
aplicação de medidas preventivas e curativas alvo específicas, cientificamente identificadas. 
Veja abaixo as principais maneiras de se fazer uso das ferramentas da epidemiologia 
(PEREIRA, 1995): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
ANTECEDENTES HISTÓRICOS. 
 
A trajetória histórica da epidemiologia tem seus primeiros registros já na Grécia antiga 
(ano 400 a.C.), quando Hipócrates, num trabalho clássico denominado Dos Ares, Águas 
e Lugares, buscou apresentar explicações, com fundamento no racional e não no 
sobrenatural, a respeito da ocorrência de doenças na população. 
 
 
Figura 1 – Principais maneiras de se fazer uso das ferramentas de epidemiologia. 
• John Graunt (1620 – 1674) 
 
Já na era moderna, uma personalidade que merece destaque é o inglês John 
Graunt, que, no século XVII, foi o primeiro a quantificar os padrões da natalidade, 
mortalidade e ocorrência de doenças, identificando algumas características importantes 
nesses eventos, entre elas: 
• existência de diferenças entre os sexos e na distribuição urbano-rural; 
• elevada mortalidade infantil; 
• variações sazonais. 
 
• Edward Jenner (1749 - 1823) 
Jenner inoculou em James Phipps, um menino de oito anos, o líquido extraído 
de uma pústula de uma mulher infectada por cowpox. O menino contraiu 
cowpox, mas de forma suave e por pouco tempo. Dois meses depois, Jenner 
inoculou o mesmo menino, com pús da ferida de um paciente com varíola 
humana, e reparou que esta inoculação não produzia efeitos o que significava, 
ou seja, a criança estava imune à doença. 
 
• Willian Farr (1807 - 1883) 
Posteriormente, em meados do século XIX, Willian Farr iniciou a coleta e 
análise sistemática das estatísticas de mortalidade na Inglaterra e País de Gales. 
Graças a essa iniciativa, Farr é considerado o pai da estatística vital e da 
vigilância. Descrição detalhada das epidemias (Lei de Farr: ascensão rápida no 
início, elevação lenta até o ápice e, em seguida, queda rápida). 
 
• John Snow (1813 – 1858) 
Quem, no entanto, mais se destacou entre os pioneiros da epidemiologia foi o 
anestesiologista inglês John Snow, contemporâneo de William Farr. Sua contribuição 
está sintetizada no ensaio Sobre a Maneira de Transmissão da Cólera, publicado em 
1855, em que apresenta memorável estudo a respeito de duas epidemias de cólera 
ocorridas em Londres em 1849 e 1854. 
Na primeira das duas epidemias estudadas por Snow, ele verificou que os distritos 
de Londres que apresentaram maiores taxas de mortalidade pela cólera eram 
abastecidos de água por duas companhias: a Lambeth Company e a Southwark & 
Vauxhall Company. Naquela época, ambas utilizavam água captada no rio Tâmisa num 
ponto abaixo da cidade. No entanto, na segunda epidemia por ele estudada, a Lambeth 
Company já havia mudado o ponto de captação de água do rio Tâmisa para um local 
livre dos efluentes dos esgotos da cidade. Tal mudança deu-lhe oportunidade para 
comparar a mortalidade por cólera em distritos servidos de água por ambas as 
companhias e captadas em pontos distintos do rio Tâmisa. 
Os dados apresentados na tabela 1 sugerem que o risco de morrer por cólera era 
mais de cinco vezes maior nos distritos servidos somente pela Southwark & Vauxhall 
Company do que as servidas, exclusivamente, pela Lambeth Company. Chama a 
atenção o fato de os distritos servidos por ambas as companhias apresentarem taxas 
de mortalidade intermediárias. Esses resultados são consistentes com a hipótese de 
que a água de abastecimento captada abaixo da cidade de Londres era a origem da 
cólera. 
 
 
 
Esses resultados tornaram consistente a hipótese formulada por Snow e 
permitiram que os esforços desenvolvidos para o controle da epidemia fossem 
direcionados para a mudança do local de captação da água de abastecimento. 
Os grandes avanços da bacteriologia, já assinalados, fizeram com que, nas 
primeiras décadas do século XX, os caminhos da prevenção se consolidassem através 
da identificação de agentes etiológicos e dos meios de combater sua ação morbígena, 
mediante o aumento da resistência específica do organismo humano, com o uso das 
imunizações, e da promoção do saneamento ambiental. 
O aprofundamento do conhecimento sobre a transmissão das doenças fez com 
que a teoria centrada nos germes cedesse lugar a esquematizações sobre agente, 
hospedeiro e meio ambiente, sob a forma de modelos unificados, iniciando a fase atual, 
mais sofisticada, de explicação das doenças, baseada na multicasualidade. A saúde 
passa a ser mais bem compreendida e entendida como uma resposta adaptativa do 
homem ao meio ambiente que o circunda, e a doença como um desequilíbrio desta 
adaptação, resultante de complexa interação de múltiplos fatores. 
Mesmo antes do século XX, muitos investigadores em diferentes países 
comprovaram, por estudos epidemiológicos, que algumas doenças tidas como 
infecciosas tinham, na verdade, natureza nutricional. 
 
A segunda metade do século xx 
 
Após a Segunda Guerra Mundial (1939-1945), houve um impressionante 
desenvolvimento da epidemiologia. 
Os inquéritos de morbidade constituem exemplos de investigação sobre o estado 
de saúde da comunidade. Na verdade, pesquisas deste tipo já haviam sido realizadas 
em épocas anteriores, mas somente foram empregadas em grande número e com maior 
nível de detalhamento na segunda metade do século XX. O mesmo se passou com os 
inquéritos de mortalidade, dos quais muitos exemplos podem ser encontrados na 
literatura de algumas décadas atrás, mas apenas a segunda metade do século 
testemunhou pesquisas desta natureza, bem controladas e de gran de porte, como as 
Investigações ínteramericanas de Mortalidade. 
Quanto às pesquisas etiológicas, que abriram uma nova fase na epidemiologia, 
merecem citação as que evidenciaram o papel da rubéola nas malformações 
congênitas,39 as do cigarro na etiologia de afecções respiratórias e as dos fatores de 
risco relacionados às coronariopatias. Para tal, foi necessário o aperfeiçoamento deestudos controlados, de cunho não-experimental, quer prospectivos quer retrospectivos. 
Os estudos de coorte e de caso-controle têm sido os principais tipos de delineamentos 
para investigações etiológicas. 
 
• Os estudos de coorte 
 
Data de meados do século XX o início dos primeiros estudos prospectivos, ditos 
“de coorte”, com o seguimento de centenas ou milhares de pessoas por anos e até por 
décadas e o uso de técnicas sofisticadas de análise estatística, para esclarecimento do 
papel dos fatores de risco nas doenças crônicas não-transmissíveis. Uma ilustração 
deste tipo é o estudo de Framinghan, sobre fatores de risco das doenças coronarianas. 
 
• Os estudos caso-controle 
 
As dificuldades inerentes à condução de investigações prospectivas, de longa 
duração, empreendidas com o intuito de melhor conhecer a etiologia das doenças 
crônicas, fizeram com que fosse amplamente utilizado um outro tipo de pesquisa, de 
natureza retrospectiva, que contorna alguns problemas das investigações prospectivas: 
o estudo caso-controle. Esta modalidade de investigação, por ter como ponto de partida 
o paciente e ser de realização mais rápida, se comparada ao estudo de coorte, 
estimulou e facilitou a realização de pesquisas em ambientes clínicos. Uma ilustração é 
a investigação sobre o papel do hábito de fumar na etiologia do câncer de pulmão. 
Foi só recentemente, a partir de meados do século XX, que a avaliação de 
procedimentos preventivos e curativos, através de estudos populacionais controlados, 
teve maior espaço na literatura da epidemiologia. São exemplos pioneiros as 
investigações experimentais levadas a efeito para verificar a eficácia da estreptomicina 
no tratamento da tuberculose, da fluoretação da água na prevenção da cárie dentária e 
da vacina contra a poliomielite. Desde então, esta metodologia passou a ser 
amplamente usada, sendo exemplo recente do seu emprego a avaliação das 
intervenções adotadas para reduzir a prevalência de fatores de risco das doenças 
cardiovasculares. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
2- PROCESSO SAÚDE X DOENÇA 
 
A “saúde” pode ser definida como “ausência de doença” e a “doença”, 
inversamente, conceituada como “falta ou perturbação da saúde”. Embora sejam 
concepções simplistas, elas são muito usadas. Na prática clínica, as pessoas são 
examinadas e rotuladas como sadias ou doentes, em função de julgamentos baseados 
em resultados de exames clínicos e laboratoriais que informam a presença ou ausência 
de anormalidades. Em inquéritos de morbidade, um processo semelhante de 
diagnóstico pode ser empregado, utilizando-se o instrumental clínico clássico: história, 
exame físico e testes laboratoriais complementares. 
 
CONCEITO DE SAÚDE 
 
“Saúde é um completo estado de bem-estar físico, mental e social, e não 
meramente ausência de doença.” Esta é a definição clássica da Organização Mundial 
da Saúde (OMS), adotada em sua Constituição de 1948. 
Em seu sentido mais abrangente, a saúde é resultante das condições de 
alimentação, habitação, educação, renda, meio ambiente, trabalho, transporte, 
emprego, lazer, liberdade, acesso e posse da terra e acesso a serviços de saúde. É, 
assim, antes de tudo, o resultado das formas de organização social da produção, as 
quais podem gerar grandes desigualdades nos níveis de vida, a saúde não é um 
conceito abstrato. Define-se no contexto histórico de determinada sociedade e num 
dado momento de seu desenvolvimento, devendo ser conquistada pela população em 
suas lutas cotidianas (CONFERÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE, 1986, p. 4). 
 
CONCEITO DE DOENÇA 
 
Doença é uma interrupção, parada ou desordem das funções corporais ou de 
um órgão. Fatores que podem estar associados ao desenvolvimento de doenças: 
agentes infecciosos, suscetibilidade genética, estilo de vida, estresse ambiental, fatores 
ambientais, outros. 
 
DOENÇA EM ESTUDOS EPIDEMIOLÓGICOS 
 
 É caracterizada por uma definição e os casos (doentes) representam pessoas com os 
sintomas descritos ou que foram diagnosticadas como doentes por médicos. Observe o 
exemplo abaixo: 
 
• DEFINIÇÃO DA DOENÇA: Doença do vírus Zika é causada pelo vírus de mesmo 
nome que se espalha para as pessoas, principalmente através da picada de 
mosquito infectado do gênero Aedes. Os sintomas mais comuns são febre, 
erupção cutânea, dor nas articulações, e conjuntivite (olhos vermelhos). 
• DEFINIÇÃO DE CASO: Pessoas com os sintomas ou sorologia ou RT-PCR 
positivas para o vírus. 
 
 
PADRÕES DE PROGRESSÃO DAS DOENÇAS 
 
 
O curso da doença não é uniforme no organismo, podendo apresentar enormes 
variações de um caso para outro. Apesar desta variabilidade, as doenças progridem 
segundo alguns padrões que podem ser colocados em cinco categorias principais, 
conforme aparece na Fig. 2: 
 
a) evolução aguda, rapidamente fatal — como na raiva e na exposição a altas doses de 
radiação; 
b) evolução aguda, clinicamente evidente e com rápida recuperação na maioria dos 
casos — muitas doenças infecciosas, como as viroses respiratórias, enquadram-se 
neste grupo; 
c) evolução sem alcançar o limiar clínico, de modo que o indivíduo não saberá jamais 
do ocorrido, salvo se for submetido a exames laboratoriais — são as infecções 
subclínicas, das quais a hepatite anictérica é um exemplo; 
d) evolução crônica, que se exterioriza e progride para o êxito letal após longo período 
— são exemplos as afecções cardiovasculares de cunho degenerativo; 
e) evolução crônica, com períodos assintomáticos entremeados de exacerbações 
clínicas — como é o caso de muitas afecções psiquiátricas e dermatológicas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA 
 
Visão a partir dos serviços 
 
A denominação “história natural” é muito empregada para designar 
“investigações clínicas”, geralmente longitudinais, que visam a produzir informações 
sobre a evolução de um evento. Tais pesquisas descrevem o “curso clínico” e, em 
termos ideais, estão centradas na observação de um número suficiente de pacientes, 
reunidos e acompanhados criteriosamente, a fim de produzir detalhes que permitam 
expressar a evolução do processo, em geral após as manifestações clínicas que 
levaram ao diagnóstico. Na maioria das investigações deste tipo, os pacientes incluídos 
são os que demandaram assistência médica especializada. 
 
Visão a partir da comunidade 
 
Na segunda maneira de conceber a história natural da doença, os dados para 
descrevê-la provêm da busca ativa de pacientes na comunidade, através de inquéritos 
populacionais, muitas vezes complementados com pesquisas em outras fontes de 
informação de morbimortalidade. Há, nesta forma de descrição da doença, uma “base 
populacional”, delimitando um “território” em cujos limites está a população na qual a 
afecção é investigada. Com este tipo de enfoque, incluem-se, na avaliação, tanto os 
pacientes que procuram os serviços, como os que jamais demandam por atendimento. 
 
FASES DA HISTÓRIA NATURAL DA DOENÇA 
 
A representação esquemática em fases é útil para a compreensão do gradiente 
que caracteriza o processo saúde-doença, para colocar os indivíduos em diferentes 
categorias, em função dos riscos e danos à saúde que apresentem, bem como para 
localizar ações preventivas curativas, em diversos momentos. É possível especificar 
algumas diferenças, conforme este tópico seja analisado cm nível individual ou coletivo. 
Usualmente, subdivide-se a história natural da doença em quatro fases, 
resumidas a seguir. 
 
 
Fig. 3 Fases da história natural da doença. 
 
1- Fase inicial (ou suscetibilidade) 
Na fase inicial ainda não há doença propriamente dita. No entanto, já se constatam 
condições que favorecem o aparecimento em decorrência dos fatores de riscos ou de 
proteção. 
 Como exemplo de prevenção nesta fase, destaca-se a eliminação dos fatores de risco 
ou alteração da sua intensidade. 
2- Fase patológica pré-clinica 
Este momento, inicia-se como processo patológico e vai até o aparecimento de sintomas 
ou sinaisda doença, podendo evoluir para a cura ou progredir para a fase da doença. 
 O exemplo apresentado diz respeito à prevenção na fase pré-clinica, ou seja, 
rastreando triagem.. Neste caso há um rastreamento de indivíduos enfermos ou em 
risco na população sadia e, através de testes, reduz-se gradativamente a quantidade 
de indivíduos efetivamente doentes, proporcionando maior cobertura populacional de 
serviços de saúde, protegendo o maior número de pessoas, com menor esforço. 
3- Fase clínica 
Aqui a doença já está em estado adiantado. No entanto, há diferentes graus de acometimento 
do organismo, podendo variar desde leve até aguda ou crônica. 
Nesta fase uma pequena porcentagem dos afetados procura o sistema formal de atendimento 
impossibilitando a formação de estatísticas realistas. 
 A atuação pode ser curativa ou preventiva como, por exemplo, no caso do infarto 
agudo do miocárdio que são utilizados recursos terapêuticos com intuito de limitar a 
área enfartada e, por outro lado, tornam-se medidas para prevenir a ocorrência de 
novos infartos. 
4- Fase de incapacidade residual 
No caso de sequelas é necessária a reabilitação de cunho físico, psicológico ou social visando à 
capacidade residual da pessoa afetada após a estabilização clínica. 
 
CLASSIFICAÇÃO DAS MEDIDAS PREVENTIVAS 
 
São consideradas “medidas preventivas” todas aquelas utilizadas para evitar as 
doenças ou suas consequências, quer ocorram sob forma esporádica, quer de modo 
endêmico ou epidêmico. Em saúde pública, são tradicionais as providências destinadas 
a evitar o início biológico da doença infecciosa e parasitária: servem de exemplo a 
cloração da água de abastecimento público, a pasteurização do leite, o controle de 
vetores, a imunização dos suscetíveis e a educação em saúde da população. Veremos, 
na sequência, que a prevenção tem também um sentido mais amplo, o de evitar o 
aparecimento do estágio seguinte a história natural da doença. Logo, inclui não somente 
as medidas mencionadas acima, mas também as que se destinam a interromper o 
processo da doença que já se instalou no organismo humano. 
As medidas preventivas podem ser inespecíficas (são medidas gerais, com o 
objetivo de promover o bem-estar das pessoas) ou específicas (são medidas restritas, 
incluem as técnicas próprias para lidar com cada dano em particular.Ex. Doença de 
Chagas, Dengue). 
 
Data de meados do século XX a proposta de separação das medidas em 
“primárias” e “secundárias”, termos logo adotados pelos profissionais de saúde. As 
ações primárias são aplicadas em fase anterior ao início biológico da doença e as 
secundárias, após o seu início. Posteriormente, foi acrescido o termo “terciário”, visando 
a incluir medidas recomendadas em fase mais avançada da doença, no intuito de 
prevenir deterioração ainda maior do estado clínico (fig. 4). 
 
 
 
Fig. 4 Níveis de prevenção das doenças. 
 
1- Prevenção primária 
 
As ações primárias são ampliadas em fase anterior ao inicio biológico da doença, 
trata-se da “prevenção da ocorrência”. É o caso, por exemplo, de educação para a 
saúde,saneamento ambiental. 
 
2- Prevenção secundária 
 
“Ações ocorrem no período patológico da doença, visando a ‘prevenção da 
evolução” na tentativa de fazê-lo regredir, não afastando do seu caráter curativo. Ex. 
Uso de antibióticos nas doenças infecciosas, Aspirina nos pacientes com infarto, agudo 
do miocárdio. 
 
3- Prevenção terciária 
 
O objetivo da prevenção terciária é atenuar a invalidez e promover o ajustamento a 
condições intermediáveis diante das sequelas. Trata-se da reabilitação. 
Ex. Sequela de AVC 
 
As três fases citadas — de prevenção primária, secundária e terciária — 
desdobram-se em cinco níveis. Para cada nível, existem muitas formas de atuação. 
 
1. Promoção da Saúde – ações destinadas para manter o bem-estar, sem visar 
nenhuma doença. 
 
• Educação sanitária 
• Alimentação e nutrição adequadas 
• Habitação adequada 
• Emprego e salários adequados 
• Condições para a satisfação das necessidades básicas para o indivíduo. 
 
2 - Proteção específicas – inclui medidas para impedir o aparecimento de uma 
determinada doença 
 
• Imunização 
• Exame pré-natal 
• Quimiprofilaxia 
• Fluorretação da água 
• Eliminação de exposição a agentes carcinogênicos 
• Saúde Ocupacional 
 
3- Diagnóstico e tratamento precoce: 
 
• Rastreamento 
• Exame periódico de saúde 
• Procura de casos entre contatos 
• Auto exame 
• Intervenção médica ou cirúrgica precoce 
 
4 - Limitação do dano: 
 
• Acesso facilitado a serviço de saúde 
• Tratamento médico ou cirúrgico adequado 
• Hospitalização em função das necessidades 
 
4- Reabilitação (impedir a incapacidade total) 
 
• Fisioterapia 
• Terapia ocupacional 
• Emprego para o reabilitado 
• Melhores condições de trabalho para o deficiente 
• Educação para o público para aceitação dos deficientes 
• próteses e órteses 
 
Medidas universais, seletivas e individualizadas 
 
A definição de prevenção, usada nesta classificação, difere da anterior por ser mais 
restrita. Engloba as “medidas adotadas ou praticadas por indivíduos que, no momento, 
não sentem os efeitos de uma doença, e estão dirigidas para diminuir o risco do 
aparecimento futuro de doenças 
• MEDIDAS UNIVERSAIS: são recomendações para todas as pessoas, são 
aplicadas com ou sem assistência profissional. Ex. dieta balanceada, exercícios 
regulares, etc. 
• MEDIDAS SELETIVAS: recomendadas somente para subgrupos da população, 
que estão em alto risco de adoecer, identificadas por sexo, idade, ocupação ou 
outra característica marcante. Ex. uso de EPIs, abstinência de álcool e fumo na 
gravidez 
• MEDIDAS INDIVIDUALIZADAS: aplicadas a um indivíduo que está em alto risco 
para desenvolvimento futuro da doença. Ex. Hipertensão, colesterol elevado. 
 
3- MEDIDA DE SAÚDE COLETIVA 
 
O mundo em desenvolvimento tem sofrido importantes mudanças sócio-político-
econômicas que têm gerado um quadro de grandes iniquidades sociais. Estudar essa 
situação, assim como seu enfrentamento, apresenta-se, para os trabalhadores da área 
da saúde, como um desafio de grande complexidade. 
A quantificação de variáveis populacionais é, sem dúvida, uma etapa importante 
e imprescindível como parte desse contexto, procurando, através de metodologia 
específica, conhecer as principais doenças e agravos à saúde que atingem uma 
determinada comunidade, os grupos mais suscetíveis, as faixas etárias mais atingidas, 
os riscos mais relevantes e os mecanismos efetivos de controle para cada caso. 
Os dados de importância para a análise de situação de saúde são inúmeros e 
de fontes diversas. Poderíamos destacar, por exemplo, os dados sobre a população 
(número de habitantes, idade, sexo, raça, etc.), os dados sócio-econômicos (renda, 
ocupação, classe social, tipo de trabalho, condições de moradia e alimentação), os 
dados ambientais (poluição, abastecimento de água, tratamento de esgoto, coleta e 
disposição do lixo), os dados sobre serviços de saúde (hospitais, ambulatórios, unidades 
de saúde, acesso aos serviços), os dados de morbidade (doenças que ocorrem na 
comunidade) e os eventos vitais (óbitos, nascimentos vivos e mortos, principalmente). 
Alguns desses dados (morbidade e eventos vitais) são gerados a partir do 
próprio setor saúde, de forma contínua, constituindo sistemas de informação nacionais, 
administrados pelo Ministério da Saúde. No Brasil, há, atualmente, cinco grandes 
bancos de dados nacionais, continuamente alimentados: o Sistema de Informação 
sobre Mortalidade (SIM); o Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (SINASC); o 
Sistema de Informação sobre Agravos de Notificação (SINAN); o Sistema de 
Informações Ambulatoriais do Sistema Único de Saúde (SIA/SUS) e o Sistema de 
Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde(SIH/SUS). 
É importante considerar que tanto a informação derivada de dados de doenças 
(morbidade), como de mortalidade, apresentam vantagens e limitações.Como limitação mais importante, de ambas as fontes de dados, poderíamos 
pensar sobre como esses dados refletem a saúde (ou ausência de saúde) da população 
que se deseja estudar. É muito conhecido, no meio da saúde, o termo “ponta de iceberg” 
para referirse a uma característica desses dados, ou seja, ambos (especialmente a 
mortalidade) representam apenas uma parcela da população (a “ponta de iceberg”): a 
que morre ou a que chega ao serviço de saúde e tem o seu diagnóstico feito e registrado 
corretamente, como demonstra a Figura 5. 
 
 
 
 
 
Figura 5 
COEFICIENTES E ÍNDICES 
 
Em estudos epidemiológicos a variável dependente é sempre expressa em 
número de pessoas acometidas de uma determinada doença ou falecidas. Os dados 
colhidos diretamente de fontes de informação, ou gerados através de observações 
controladas, são dados não-trabalhados e tomam a designação de valores absolutos. 
Os valores absolutos, quando relacionados à variável independente, passam a ser 
denominados frequências absolutas associadas à referida variável. 
 Na Tabela 3-1 são apresentadas as frequências absolutas de casos de dengue 
ocorridos no ano de 2003, segundo as Unidades da Federação. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Os dados apresentados não ensejam a possibilidade de comparação do mesmo 
evento (dengue, no caso) ocorrido em duas unidades distintas. Poderia ser possível que 
os 562 casos ocorridos em Roraima significassem quase o mesmo problema 
epidemiológico que os 482 ocorridos no Pará. E difícil decidir somente com os dados 
dessa tabela. Para comparar as freqüências de mortalidade e morbidade é necessário 
transformá-las em valores relativos, ou seja, em numeradores de frações com 
denominadores fidedignos. Daí surgem os conceitos de mortalidade e morbidade 
relativas, de uso extensivo e intensivo em Saúde Pública. 
As novas variáveis dependentes não são mais frequências absolutas e passam 
a ser coeficientes e índices. 
Denominam-se coeficientes as relações entre o número de eventos reais e os 
que poderiam acontecer. 
Retornando-se aos dados da Tabela 3-1, se o número de casos de dengue dos 
estados de Roraima e Pará for dividido pelas respectivas populações (supondo que 
sejam 100.000 em cada estado), para o mesmo ano, ter-se-á que em Roraima 
ocorreram 157,3 casos para cada 100.000 habitantes, enquanto no Pará, foram apenas 
7,3 para cada 100.000 habitantes, ou seja, uma situação bem menos grave que a do 
primeiro estado. Esses coeficientes significam que o evento poderia ocorrer em 100.000 
pessoas, mas que, destes, ocorreram em 157 em Roraima e em 7 no Pará (foram 
desconsideradas as casas decimais para melhor compreensão do coeficiente). Os 
coeficientes são, portanto, medidas de risco. 
O valor 157,3 e 7,3 medem o risco de se adoecer por dengue nas duas capitais, 
ou seja, os coeficientes são também medidas de probabilidade. 
No cálculo dos coeficientes, deve-se ter o cuidado de excluir no denominador as 
pessoas não expostas ao risco, como, por exemplo, excluir mulheres do dor na 
determinação do coeficiente por câncer de próstata. 
Entende-se por índices as relações entre freqüências atribuídas da mesma 
unidade. No numerador são registradas as freqüências absolutas de eventos que 
constituem subconjuntos daquelas que são registradas no denominador de caráter mais 
abrangente. Os índices são geralmente apresentados sob forma percentual. Seja 0,45 
o índice de mortalidade infantil proporcional. Neste caso, a frequência dos eventos 
acontecidos, registrada no numerador, é da categoria “óbitos de crianças menores de 1 
ano” e a frequência registrada no denominador é da categoria “óbitos ocorridos em todas 
as idades”. “Óbitos de crianças de 0-1 ano” é o subconjunto de óbitos ocorridos em 
todas as idades”. Percentualmente, este índice pode ser expresso pelo valor 45%, isto 
é, em cada 100 óbitos gerais, 45 referem-se a óbitos de crianças menores de 1 ano de 
idade. 
É preciso destacar, a diferença entre coeficientes (ou taxas) e índices. Índices 
não expressam uma probalidade (ou risco) como os coeficientes, pois o que está contido 
no denominador não está sujeito ao risco de sofrer o evento descrito no numerador 
(LAURENTI et al., 1987). 
Assim, a relação telefones/habitantes é um índice, da mesma forma que 
médicos/habitantes, leitos/habitantes, etc. (os numeradores “telefones”, “médicos” e 
“leitos” não fazem parte do denominador população). 
A rigor, portanto, tanto o Coeficiente de Mortalidade Infantil como Materna não são 
coeficientes, mas índices. No entanto, o termo “coeficiente” já está consolidado para 
ambos os indicadores. 
 
COEFICIENTES mais utilizados na área da Saúde 
 
Os coeficientes mais utilizados na área da saúde baseiam-se em dados sobre 
doenças (morbidade) e sobre eventos vitais (nascimentos e mortes). 
 
• Coeficientes de MORBIDADE (doenças): 
 
a) Coeficiente de incidência da doença: representa o risco de ocorrência (casos 
novos) de uma doença na população. Pode ser calculado por regra de três ou através 
da seguinte fórmula: 
 
 
 
b) Coeficiente de prevalência da doença: representa o número de casos presentes 
(novos + antigos) em uma determinada comunidade num período de tempo 
especificado. É representado por: 
 
 
 
Para compararmos o risco de ocorrência de doenças entre populações usamos, dessa 
forma, o coeficiente de incidência, pois este estima o risco de novos casos da doença 
em uma população. O coeficiente de prevalência é igual ao resultado do coeficiente de 
incidência multiplicado pela duração média da doença (LILIENFELD e LILIENFELD, 
1980). Portanto: 
 
 
Da fórmula acima fica evidente que a prevalência, além dos casos novos que 
acontecem (incidência), é afetada também pela duração da doença, a qual pode diferir 
entre comunidades, devido a causas ligadas à qualidade da assistência à saúde, acesso 
aos serviços de saúde, condições nutricionais da população, etc. Assim, quanto maior 
a duração média da doença, maior será a diferença entre a prevalência e a incidência. 
A prevalência é ainda afetada por casos que imigram (entram) na comunidade e 
por casos que saem (emigram), por curas e por óbitos. Dessa maneira, temos como 
“entrada” na prevalência os casos novos (incidentes) e os imigrados e como “saída” os 
casos que curam, que morrem e os que emigram (Figura 6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Assim, a prevalência não é uma medida de risco de ocorrência da doença na população, 
mas pode ser útil para os administradores da área de saúde para o planejamento de 
recursos necessários (leitos hospitalares, medicamentos, etc.) para o adequado 
tratamento da doença. 
A Figura 7 representa a ocorrência de casos em uma população de 50.000 habitantes 
em determinado ano. Como no ano começaram apenas 7 casos, a incidência será 7 e 
o coeficiente de incidência 14,0 por 100.000 habitantes, enquanto que a prevalência 
será de 11 (casos presentes no ano) e o coeficiente de prevalência, no ano, será de 
22,0 por 100.000 habitantes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 6 
Figura 7 
c) Coeficiente de letalidade: representa a proporção de óbitos entre os casos da doença, 
sendo um indicativo da gravidade da doença ou agravo na população. Isso pode ser 
uma característica da própria doença (por exemplo, a raiva humana é uma doença que 
apresenta 100% de letalidade, pois todos os casos morrem) ou de fatores que 
aumentam ou diminuem a letalidade da doença na população (condições 
socioeconômicas, estado nutricional, acesso a medicamentos, por exemplo). É dado 
pela relação: 
 
 
 
 
 
 
Seu resultado é dado, portanto, sempre em percentual (%). Não deve ser 
confundido com coeficiente de mortalidade geral, que é dado por 1000 habitantes, e 
representa o risco de óbito na população. A letalidade, ao contrário, representa o risco 
que as pessoas com a doença têm de morrer por essa mesma doença. 
 
 
• Coeficientes de MORTALIDADE: 
 
a) coeficiente geral de mortalidade (CGM): representa o risco de óbito na 
comunidade.É expresso por uma razão, e pode ser calculado, como todos os demais 
coeficientes, também através de regra de três simples (se numa população de 70.000 
habitantes tenho 420 óbitos, em 1000 habitantes terei “x”, sendo 1000 o parâmetro que 
permitirá comparar com outros locais ou outros tempos): 
 
 
 
Este coeficiente, no entanto, não é muito utilizado para comparar o nível de saúde de 
diferentes populações, pois não leva em consideração a estrutura etária dessas 
populações (se a população é predominantemente jovem ou idosa). Um coeficiente 
geral de mortalidade alto para uma população mais idosa significa apenas que as 
pessoas já viveram o que tinham para viver e, por isso, estão morrendo. Já para uma 
população mais jovem estaria significando mortalidade prematura. Para comparação de 
duas ou mais populações com diferentes estruturas etárias, ou de sexo, há necessidade 
de padronizar os coeficientes, tendo como referência uma população padrão 
(geralmente a mundial, quando se comparam diferentes países, ou nacional, quando se 
comparam diferentes locais do mesmo país), mas isto não será abordado aqui (a 
respeito de padronização ver LAURENTI et al., 1987). 
 
b) coeficiente de mortalidade infantil (CMI): é uma estimativa do risco que as crianças 
nascidas vivas tem de morrer antes de completar um ano de idade. É considerado um 
indicador sensível das condições de vida e saúde de uma comunidade. Pode ser 
calculado por regra de três ou através da seguinte razão: 
 
 
 
 
 
Cuidado especial deve ser tomado quando se vai calcular o coeficiente de 
mortalidade infantil de uma localidade, pois tanto o seu numerador (óbitos de menores 
de 1 ano), como seu denominador (nascidos vivos) podem apresentar problemas de 
classificação. Para evitar esses problemas, o primeiro passo é verificar se as definições, 
citadas pela Organização Mundial de Saúde (1994), estão sendo corretamente seguidas 
por quem preencheu a declaração de óbito da criança. Estas definições são as 
seguintes: 
Nascido vivo: é a expulsão ou extração completa do corpo da mãe, 
independentemente da duração da gravidez, de um produto de concepção que, depois 
da separação, respire ou apresente qualquer outro sinal de vida, tal como batimentos 
do coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos efetivos dos músculos de 
contração voluntária, estando ou não cortado o cordão umbilical e estando ou não 
desprendida a placenta. 
Óbito fetal: é a morte do produto de concepção, antes da expulsão ou da 
extração completa do corpo da mãe, independentemente da duração da gravidez. Indica 
o óbito se o feto, depois da separação, não respirar nem apresentar nenhum outro sinal 
de vida, como batimentos do coração, pulsações do cordão umbilical ou movimentos 
efetivos dos músculos de contração voluntária. 
Óbito infantil: é a criança que, nascida viva, morreu em qualquer momento antes de 
completar um ano de idade. 
Dessas definições, fica claro que uma criança que nasceu viva, nem que tenha 
apresentado apenas batimentos do cordão umbilical, e morrido em seguida, deve ser 
considerada como óbito de menor de 1 ano (óbito infantil) e entrar no cálculo do 
coeficiente de mortalidade infantil (CMI). Nesse caso, deve ser emitida uma Declaração 
de Nascido Vivo (DN) e uma Declaração de óbito (DO), indicando que se trata de óbito 
não fetal, e providenciados os respectivos registros de nascimento e óbito em cartório 
de registro civil. 
Caso essa criança tivesse, erroneamente, sido classificada como óbito fetal 
(natimorto), além de possíveis problemas com relação a transmissão de bens e 
propriedades (direito civil), ainda teríamos um viés no cálculo do coeficiente de 
mortalidade infantil e neonatal: o numerador perderia um caso de óbito infantil e o 
denominador perderia 1 nascido vivo. Isso faria com que o CMI calculado fosse menor 
do que realmente é (redução artificial, ou enganosa). O exemplo a seguir (Quadro 2) 
demonstra como o CMI se reduz (artificialmente) à medida que óbitos infantis são 
classificados de forma errônea como óbitos fetais (natimortos). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
O coeficiente de mortalidade infantil pode ainda ser dividido em: 
 
- coeficiente de mortalidade neonatal (óbitos de 0 a 27 dias inclusive) em relação ao 
total de nascidos vivos (por 1000); 
- coeficiente de mortalidade pós-neonatal ou infantil tardia (óbitos de 28 dias a 364 
dias inclusive) em relação ao total de nascidos vivos (por 1000). 
 
O coeficiente de mortalidade neonatal pode ainda ser subdividido em coeficiente 
de mortalidade neonatal precoce (0 a 6 dias inclusive) e coeficiente de mortalidade 
neonatal tardia (7 a 27 dias). 
Quadro 2 
Essa divisão, relacionada à idade da criança quando morreu, deve-se à 
observação de que no período neonatal predominam as causas ligadas a problemas da 
gestação e do parto (causas perinatais e anomalias congênitas), e de que, no período 
pós-neonatal, prevalecem as causas de morte relacionadas ao meio ambiente e às 
condições de vida e de acesso aos serviços de saúde (doenças infecciosas, 
pneumonias, diarréia, por exemplo) (LAURENTI et al., 1987). Dessa forma, nos países 
desenvolvidos, onde a mortalidade infantil é baixa e problemas relacionados ao meio 
ambiente já se encontram quase totalmente resolvidos, o componente neonatal 
predomina, enquanto em muitos países pobres ainda prevalece o componente pós-
neonatal. 
A Figura 8 demonstra as divisões referentes aos períodos neonatal e pós-
neonatal (infantil tardio). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
c) coeficiente de mortalidade perinatal: segundo a Classificação Internacional de 
Doenças em vigor (a CID-10), o período perinatal vai da 22ª semana de gestação até a 
primeira semana de vida da criança, diferenciando da definição anterior (da CID-9) que 
considerava a partir da 28ª semana de gestação. Dessa maneira, o coeficiente 
atualmente é dado pela seguinte razão: 
 
 
 
 
 
 
d) coeficiente de mortalidade materna: representa o risco de óbitos por causas 
ligadas à gestação, ao parto ou ao puerpério, sendo um indicador da qualidade de 
assistência à gestação e ao parto numa comunidade. É dado pela equação 
 
 
 
 
 
Para fins de comparação internacional, somente as mortes que ocorrem até 42 
dias após o parto entram no cálculo do coeficiente. 
Figura 8 
e) coeficiente de mortalidade por doenças transmissíveis: é uma estimativa 
do risco da população morrer por doenças infecciosas e parasitárias (tuberculose, 
tétano, diarréia infecciosa, aids, etc.), classificadas atualmente no Capítulo I da CID-10. 
Quanto mais elevado o resultado deste coeficiente, piores as condições de vida. É dado 
pela equação: 
 
 
 
 
 
Observamos que o denominador agora passa a ser a população estimada para o meio 
do ano (01 de julho), que é considerada a melhor estimativa do número de habitantes 
expostos em todo o ano. 
 
 
• Coeficientes de NATALIDADE 
 
 Os principais coeficientes que medem a natalidade (nascimentos) de uma 
população são o coeficiente de natalidade e o de fecundidade. Enquanto o coeficiente 
de natalidade está relacionado com o tamanho da população, o de fecundidade está 
relacionado com o número de mulheres em idade fértil. Por isso, é comum a fecundidade 
ser expressa também em média de filhos por mulher (por exemplo: 2,5 filhos por 
mulher). 
O coeficiente de natalidade, portanto, pode ser calculado pela seguinte 
equação (ou também por regra de três): 
 
 
 
 
 
 
O coeficiente de fecundidade, como está relacionado à população feminina em 
idade fértil, é dado pela fórmula (ou calculado por regra de três): 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
PROPORÇÕES mais utilizadas na área de saúde 
 
As proporções não estimam o risco do evento em uma dada população, porém 
são mais fáceis de serem calculadas, pois não necessitam de denominadores, como o 
número de habitantes, para o seu cálculo. Além disso são mais fáceis de se 
compreender, pois seus resultados são sempre em percentuais (a cada cem pessoas, 
tantas morrem por doenças doaparelho circulatório, por exemplo). 
 
• Mortalidade proporcional por idade: é um indicador muito útil e fácil de se 
calcular. Com base no total de óbitos, fazemos uma regra de três, calculando qual a 
proporção de óbitos na faixa etária de 20 a 29 anos ou de menores de 1 ano, por 
exemplo. Duas proporções, em relação à mortalidade por idade, são mais 
frequentemente utilizadas: a mortalidade infantil proporcional (proporção de óbitos de 
menores de 1 ano em relação ao total de óbitos) e a mortalidade proporcional de 50 
anos ou mais, também conhecida como Indicador de Swaroop e Uemura ou Razão 
de Mortalidade Proporcional (proporção de óbitos de pessoas que morreram com 50 
anos ou mais de idade em relação ao total de óbitos). Evidentemente, quanto piores as 
condições de vida e de saúde, maior a mortalidade infantil proporcional e menor o valor 
do Indicador de Swaroop e Uemura, pois grande parte das pessoas poderá morrer antes 
de chegar aos 50 anos de vida. Nos países ricos, ao contrário, a maioria da população 
morre com mais de 50 anos; assim, o Indicador de Swaroop e Uemura será mais alto 
(em torno de 85%). 
A mortalidade proporcional por idade também pode ser representada em gráfico, 
sendo conhecida como Curva de Mortalidade Proporcional (ou Curva de Nelson de 
Moraes, que foi quem a propôs). Para isso, primeiro devemos calcular todos os 
percentuais correspondentes às seguintes faixas etárias: menor de 1 ano, de 1 a 4 anos, 
de 5 a 19 anos, de 20 a 49 anos e de 50 anos e mais (a soma de todos os percentuais 
dessas faixas etárias deve dar 100%). A seguir, colocamos esses valores (percentuais) 
no gráfico, como mostra a Figura 9, que também descreve os 4 tipos de curvas (nível 
de saúde muito baixo, baixo, regular e elevado, conforme proposto por Nelson de 
Moraes. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
• Mortalidade proporcional por causas de morte: é a proporção que 
determinada causa (ou agrupamento de causas) tem no conjunto de todos os óbitos. 
Por exemplo, a mortalidade proporcional por doenças do aparelho circulatórioé a 
proporção de óbitos por doenças do aparelho circulatório em relação ao total de óbitos 
no mesmo período e local. Atualmente, com a implantação do Sistema de Informações 
sobre Nascidos Vivos (SINASC) no Brasil, algumas proporções de importância 
epidemiológica também podem ser calculadas, como por exemplo: 
 
• taxa de nascidos vivos com baixo peso ao nascer: % nascidos vivos com 
peso ao nascerdispersos e acumulados em diferentes compartimentos ambientais (ar, água, solo, 
alimentos etc.). A exposição ocorre quando os humanos têm contato com os 
contaminantes em qualquer um desses compartimentos. Pode ocorrer uma variedade 
de efeitos sobre a saúde – efeitos subclínicos, o desenvolvimento de doença e agravos 
ou mesmo a morte – dependendo da nocividade do poluente, da intensidade da 
exposição e da suscetibilidade individual. Todo esse processo é conduzido por forças 
persistentes que podem pressionar o ambiente promovendo possíveis exposições que 
aumentam a probabilidade de efeitos adversos à saúde humana. Assim, o crescimento 
populacional, o desenvolvimento econômico, as mudanças tecnológicas e, 
principalmente, a organização social e a política atuam, em muitos casos, como raízes 
desses problemas. 
A Figura 10 exemplifica a relação entre o ambiente, a saúde e a saúde ambiental 
e o espaço ocupado pelos indicadores de saúde ambiental 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Indicadores dos serviços de saúde 
 
Este tipo de indicador reflete, necessariamente, o que ocorre na assistência à 
saúde. É, basicamente, um olhar sobre a gestão de saúde pública. 
Subdivide-se em Indicadores de Insumos, de Processo e de Resultados/Impacto. De 
forma resumida, estas subdivisões compreendem, respectivamente: os materiais, 
recursos humanos e financeiros aplicados; de que maneira estão sendo aplicados; e, 
finalmente, que resultados estão provocando. 
 
 
. 
Figura 10 
4- MÉTODO EPIDEMIOLÓGICO 
 
A epidemiologia é uma ciência complexa por suas variadas conexões com as 
ciências biológicas, matemáticas e sociais. Exige dos profissionais uma atitude 
inquisitiva frente aos problemas que lhes são apresentados. 
Acredita-se também que o método não constitui um sacerdócio da 
epidemiologia. Se têm estabelecido uma separação entre epidemiologia descritiva e 
analítica. Admitimos então que a descrição e analise constituem duas fases do método 
usado. A ciência é uma só, e o único que varia são seus campos de aplicação, que a 
imprimem certas características especiais. Poderíamos dizer que o método 
epidemiológico possui as seguintes etapas: 
 
• Caracterização Geográfico-Social da região 
• Diagnostico de problemas de Saúde-Doença por áreas 
• Identificação de entidades mórbidas 
• Analise e priorização dos problemas levantados 
• Formulação de estratégias de controle diferenciado para cada área 
• Estudo de indicadores e suas modalidades epidemiológicas para julgar validade 
e caracterização de cada área. 
 
MÉTODOS DE ESTUDO 
 
Método Descritivo → Estuda a distribuição de frequência das doenças e agravos à 
saúde coletiva, em função de variáveis ligadas ao tempo, ao espaço e às pessoas, 
possibilitando o detalhamento do perfil epidemiológico. 
Exemplo: Qual a prevalência de hipertensão em Juiz de Fora? 
 
Método Analítico → Comprova as relações causais (como e por que ocorreu?). Podem 
ser experimentais (ensaio clínico randomizado) ou observacionais (estudo de coorte (ou 
segmento), estudo de caso controle, estudo transversal, estudo ecológico). Investiga se 
existe associação entre um fator (exposição) e uma doença ou problema de saúde 
(desfecho) na população. 
Exemplo: Os indivíduos obesos têm maior risco de hipertensão do que os 
indivíduos com peso corporal normal (de acordo com IMC)? 
 
Método Descritivo 
 
O método descritivo tem o objetivo de Conhecer as circunstâncias sobre as quais 
ocorrem as doenças. As circunstâncias referem-se as variáveis pessoa, tempo e lugar 
(figura 11). Cerca de mais de90% dos artigos publicados no mundo são estudos 
descritivos. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 11. Variáveis do método descritivo (Pessoa, tempo e Lugar) 
Variáveis Relativas às Pessoas 
 
 
A escolha de uma variável, para ser usada no processo de descrição 
epidemiológica de um agravo à saúde, depende da utilidade de que se revista para esta 
descrição, bem como da fonte de dados disponível. Por exemplo: as informações sobre 
mortalidade, reproduzidas em anuários estatísticos, estão discriminadas em função das 
características incluídas nos formulários dos atestados e, mais precisamente, dos 
quesitos cujo preenchimento é feito adequadamente, como é o caso daqueles alusivos 
ao sexo, à idade, à data, ao local e à causa do óbito. Nos inquéritos de morbidade, há 
maior gama de possibilidades, devido à liberdade na escolha do que incluir no 
questionário e ao rigoroso controle de qualidade, que pode ser exercido na coleta de 
dados. Parâmetros, como a classe social e o tipo de comportamento, embora de grande 
importância, são menos utilizados, na rotina, pois raramente estão registrados em 
arquivos, requerendo, geralmente, investigações especiais para a sua aferição. 
 
IDADE 
 
A relação entre idade e incidência de doenças é muito evidente. Praticamente, 
todos os danos à saúde mostram variação de incidência em função da idade 
 
 
• Exemplo 1: desnutrição e infecção No início da vida, há uma série de riscos que a 
criança deve ultrapassar: o congênito, o perinatal, o infeccioso e o nutricional. As 
estatísticas de mortalidade das regiões do Terceiro Mundo indicam que muitas crianças 
não conseguem vencer esta etapa. Grande número delas é vítima, em especial, do 
binômio “desnutrição-infecção”. A resistência do organismo às infecções aumenta com 
a idade, devido às repetidas exposições a microorganismos. Todavia, o grau de 
exposição ao risco pode sercontrolado, o que muda o perfil das doenças, na 
coletividade. 
Por exemplo, o sarampo é visto, atualmente, como próprio da infância, na 
maioria das regiões do mundo. Mas quando grande parte da população infantil é 
vacinada, na época aprazada, a afecção passa a ser mais freqüente em grupos mais 
idosos, já que as crianças não-vacinadas, cujo número é pequeno, passam a ter pouca 
chance de contrair a doença nos primeiros anos de vida. 
As doenças infecciosas tendem a mostrar um padrão muito variado em relação 
à idade. Há as consideradas “próprias da infância”, pois sua maior incidência ocorre 
neste período de vida, como a coqueluche que, comumente adquirida na infância, 
confere imunidade de longa duração. Doutro lado, existem aquelas que são encontradas 
quase exclusivamente nos adultos, sendo exemplos as de transmissão sexual. Há 
outras que, embora mais freqüentes em crianças, distribuem-se por todo o espectro de 
idades, como as viroses respiratórias. 
Exemplo 2: doenças crônico-degenerativas As doenças crônico-degenerativas 
aumentam de prevalência com a idade. A partir da quarta ou quinta década de vi eleva-
se marcadamente o diagnóstico de transtornos cardiovasculares, digestivos, 
neurológicos, mentais e osteoarticulares, o Quadro 5 ilustra esta tendência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Quadro 5 
Quais as explicações para a associação das doenças com a idade? 
Uma variedade de mecanismos causais pode estar presente, em complexa 
interação, refletindo um misto de suscetibilidade do organismo e de oportunidades de 
exposição ambiental. 
O indivíduo, portador de um potencial geneticamente predeterminado ao 
nascimento, passa, com o correr do tempo, por sucessivas fases, que apresentam 
características próprias: à etapa inicial, de crescimento físico e desenvolvimento mental, 
seguem-se a idade adulta e a velhice. Sobre este processo, que na verdade é contínuo, 
sobrepõem-se as diferentes exposições ambientais, entre as quais, as ocupacionais, 
que podem acarretar uma aceleração do processo biológico de envelhecimento. 
Portanto, ao lado da questão da idade, propriamente dita, há a exposição a fatores de 
risco a que as pessoas estão sujeitas, em grau variável, com o passar do tempo. 
 
SEXO 
 
Desde longa data e em praticamente toda parte, vêm sendo constatadas as seguintes 
diferenças entre os sexos, no tocante a aspectos da morbimortalidade: 
 
• a mortalidade é maior no sexo masculino: a mulher vive de 4 a 10 anos mais 
do que os homens, na maioria dos países. 
 
 • a maior mortalidade,no sexo masculino, ocorre em todas as idades. A Figura 
12, apresenta detalhes da situação entre os menores de um ano na qual observa-se a 
maior mortalidade no sexo masculino, para as principais causas de óbito. 
 
• algumas condições incidem mais no sexo masculino: coronariopatias, 
neoplasias do aparelho respiratório, úlcera pép. tica, cirrose hepática, gota, acidentes 
de trânsito e suicídios, em exemplos; outras, no feminino: varizes, tireoidopatias, cálculo 
biliar, lúpus eritematososo, artrites e doenças reumáticas de maneira geral, depressão 
e tentativas de suicídio; 
 
 • no cômputo geral, a mulher aparenta adoecer mais do que o homem: no estudo 
internacional sobre morbidade e usos de serviços de saúde, realizado em sete países, 
a taxa de morbidade foi 20% maior nas mulheres; 
 
• em acordo com a aparente maior morbidade, as mulheres utilizam mais os 
serviços de saúde do que os homens, aproximadamente em taxa 20% maior, conforme 
dados do mencionado estudo internacional de morbidade. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 12 
Por que este padrão de morbimortalidade? Por que a mulher vive mais do que o 
homem? 
 
A primeira explicação traduz-se na possibilidade de a mulher ser, 
biologicamente, mais forte do que o homem. As taxas de mortalidade fetal, perinatal e 
infantil são, consistentemente, mais elevadas no sexo masculino, o que apóia a teoria. 
A diferença pode ser notada desde a concepção. 
Um segundo grupo de explicações coloca as principais detas diferenças, na 
esfera social e comportamental, uma vez que homem c mulher desempenham 
diferentes papéis na sociedade. Esta diferença entre os sexos é bem perceptível nos 
tipos de profissão e emprego, nos hábitos (consumo de álcool e cigarro, por exemplo) e 
na forma de lazer (esporte de preferência). A heterogeneidade social e comportamental 
traduz-se por graus desiguais de exposição a fatores de risco, acarretando variações de 
incidência de danos à saúde, em especial, de natureza ocupacional, os acidentes, o 
câncer, as enfermidades cardiovasculares e algumas infecções. Por exemplo, os 
diferentes níveis de infecção esquistossomótica, entre os sexos, refletem padrões de 
contacto com a água, distintos entre estes dois grupos. Há muito, reconhece-se que o 
homem fuma e bebe mais do que a mulher, tem ocupações mais arriscadas e freqüenta 
ambientes mais perigosos, por questões ligadas à profissão, ao lazer ou à própria 
percepção do papel de cada sexo na sociedade. Hábitos que se constituem fatores de 
risco, como beber e fumar, são, na atualidade, ou eram, no passado, mais freqüentes, 
na nossa sociedade, no sexo masculino. 
 
 
GRUPO ETNICO 
 
Grupo étnico é o termo usado para designar um conjunto de pessoas que tem 
maior grau de homogeneidade, em termos de patrimônio genético, do que o encontrado 
na população em geral. A palavra “raça” também é utilizada, com significado semelhante 
ou próximo, embora esteja associada, para muitos» a preconceito e discriminação.18 
“Raça” e “cor” são termos, frequentemente, tomados como sinônimos, como no 
questionário do recenseamento demográfico do IBGE de 1991. 
As doenças variam em relação a grupos étnicos, sendo os exemplos mais 
evidentes a anemia falciforme, mais frequente negros e o melanoma, em brancos. A 
formação de queloides, uma cicatriz defeituosa da pele, é mais comum em pessoas de 
pele escura. Existem muitas outras associações entre grupo étnico e saúde: por 
exemplo, a mortalidade infantil é mais elevada em negros: o câncer cérvico-uterino 
também é mais encontrado em mulhere negras. 
A interpretação destas associações deve ser cuidadosa, em face da evidente 
relação entre raça e classe social. 
Os indivíduos pertencentes a um mesmo grupo étnico têm muitas características 
em comum, em termos de idioma, de reli- gião, de alimentação, de hábitos, de reação 
a estímulos externos, de opiniões e de deficiências orgânicas: de enzimas, por exemplo. 
Muitos dos seus membros se dirigem para as mesmas ocupações, convivem ou residem 
próximos uns aos outros, freqüen- tam as mesmas entidades e locais de lazer, e, em 
conseqüência, ocorre um reforço de múltiplas direções que colabora para manter uma 
maior homogeneidade entre os componentes do grupo. Mas há, também, as forças de 
direção oposta: a modernização das sociedades, com o aumento da circulação das 
pessoas e das idéias, tende a misturar os povos e a atenuar as diferenças anteriores 
existentes entre grupos étnicos. 
 
• Brasil: heterogeneidade genética 
 
Afirma-se que o Brasil é um laboratório racial.19 O grupo colonizador do país é originário 
da Península Ibérica, cujos habitantes, em diferentes épocas do passado, foram 
dominados por outros povos do Mediterrâneo. Os portugueses, ao chegarem ao Brasil, 
encontraram cerca de um milhão de índios (3 milhões, segundo outros), cuja origem 
está, provavelmente, na Ásia. Para ajudar a colonizar o país, trouxeram africanos, em 
número estimado em, aproximadamente, 4 milhões, vindos no período 1530- 1855. 
Entre estes três grupos ocorreram os cruzamentos branco x negro, branco x índio, negro 
x índio e dos respectivos descendentes entre si. 
A ambiguidade de termos (moreno, claro etc.) tem feito com que investigadores, 
especialmente geneticistas, utilizem classificações mais elaboradas, levando em conta 
a observação direta, por um examinador, da cor da pele não exposta ao sol (abdômen 
ou face interna do braço), a conformação do nariz e dos lábios, e a textura dos cabelos. 
Uma classificação usada no país abrange sete categorias: branco, mulato-claro, mulato-
médio, mulato-escuro, preto, amarelo-claro e amarelo-escuro. Em locais onde 
praticamente não há indivíduos a serem classificados como amarelos, de que Salvador 
é exemplo, a classificação reduz-se a cinco categorias: branco, mulato-claro, mulato-
médio, mulato-escuro e negro. 
 
ESTADO CIVIL E FAMÍLIA 
 
A saúde das pessoas está associada ao estado civil. No Brasil, semelhante constatação 
é de difícil comprovação, em face da pobreza de dados sobre o tema. De pesquisas e 
estatísticas estrangeiras depreende-se que, igualados quanto a idade e sexo, os 
casados apresentam melhores níveis de saúde do que os solteiros, viúvos ou 
divorciados (Quadro 6). 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Explicações para as diferenças de morbidade por estado civil 
 
• Seleção para o casamento 
 
As pessoas sadias tendem a se casar, enquanto as afetadas por algum problema 
físico, mental ou de relacionamento têm maior dificuldade em encontrar companheiro e 
constituir família. Há, também, os que vivem perigosamente e, como tal, em maior risco 
de morbidade, que tendem a manter-se solteiros. Há, portanto, um processo de seleção 
para o casamento (viés de seleção), relacionado com a saúde das pessoas. 
 
• Proteção conferida pela família 
 
Casados e não-casados têm diferentes modos de vida; esta diferença é 
associada, de maneira causal, a eventos favoráveis e desfavoráveis. A família confere 
proteção e segurança, que se refletem no nível de saúde. O casamento, ou, mais 
precisamente, a vida em comum, costuma trazer mudanças no comportamento da 
pessoa até então solteira. Em certos aspectos pode ser desfavorável: muitos passam a 
ter vida sedentária, o que os predispõe a doenças crônicas associadas ao sedentarismo. 
 Quadro 6 
A mudança de estado civil também altera os padrões de comportamento sexual; logo, 
também se alteram os riscos venéreos — em geral, o casado está mais “protegido” — 
e a gravidez pode ser melhor planejada. Os aspectos positivos da união, em geral, 
pesam mais, devido à estabilidade de vida, à proteção mútua e à maior possibilidade de 
lidar com o estresse da vida moderna. 
 
RENDA 
 
A associação entre renda e saúde é muito nítida, tanto no nível individual, quanto 
no coletivo. Nas famílias de menor renda, especialmente nos países do Terceiro Mundo, 
encontra-se uma alta frequência de desnutrição, de doenças transmissíveis e de 
condições ambientais deficientes. Não é difícil estabelecer,

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