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DIREITO ADMINISTRATIVO – FERNANDA MARINELA (G7) AULA I - DATA: 24.08.2020 NOÇÕES INTRODUTÓRIAS INTERPRETAÇÃO DO DIREITO ADMINISTRATIVO. *** O que significa direito? Conjunto de normas de condutas impostas coativamente pelo Estado que disciplinam a conduta social tendentes a realizar justiça, assegurando a existência e a coexistência pacífica dos indivíduos em sociedade. *** O que é direito posto? Direito vigente em um dado momento histórico, momento social. Somente para fins didáticos o direito foi subdividido em vários ramos. Vejamos a primeira grande subdivisão: direto interno e direto internacional. a) Direito interno: se preocupa com as relações dentro do território nacional; b) Direito internacional: aquele que vai estudar relações externas (com empresas estrangeiras, Estados internacionais, etc.), isto é, relações fora do território nacional. Nessa linha, temos que Direito Administrativo é ramo do direito interno, pois se atém às relações dentro do território nacional. Outra subdivisão é a seguinte: direito público e direto privado. a) Direito público: se preocupa com a atuação do Estado na satisfação do interesse público. b) Direito privado: aqui a preocupação se dá em relação à satisfação do interesse privado; se preocupa com as relações entre particulares. Nesse ponto, Direito Administrativo é ramo do direito público. Nesse ponto, Direito Administrativo é ramo do direito interno e público. *** A norma de direito público é norma de ordem pública? Não, pois norma de ordem pública é aquela imodificável, inafastável pela vontade das partes, imposta coativamente pelo Estado, mas também pode estar presente no direito privado e não somente no direito público (ex.: capacidade civil e impedimento para casamento, que se referem ao direito privado, mas são notadamente normas de ordem pública, pois que inafastáveis pela vontade das partes). Nesse sentido, para que o Estado adquira bens ele precisa licitar. Essa regra é de ordem pública, visto que inafastável; sujeito adquiriu renda, paga IR. É uma regra de direito público e não pode ser afastada pela parte. São, pois, exemplos de norma de ordem pública também. Assim, toda norma de direito público é também de ordem pública. Mas nem toda norma de ordem pública é de direito público, já que ela também existe no direito privado. Portanto, o conceito de ordem pública é maior do que o de direito público. Ordem pública é diferente de direito público. Ordem pública é aquela regra inafastável; normas cogentes; imodificável pela vontade das partes. Toda regra de direito público também é uma regra de ordem pública, mas o inverso não é verdadeiro. Conceito de ordem pública é mais amplo em relação (comparação) ao conceito de direito público. Não são sinônimos. OBS.: Ordem pública é maior que direito público. Eles não são conceitos sobreponíveis. Toda regra de direito público é também de ordem pública, mas existem regras de ordem pública que estão no direito privado. CONCEITO DE DIREITO ADMINISTRATIVO Corrente legalista/exegética/empírica/caótica: O direito administrativo se preocupa somente como estudo das leis; era só um estudo das leis; Direito Administrativo é somente um estudo de leis. Essa corrente foi superada; está afastada. Não foi aceita no Brasil porque aqui se estuda leis e princípios. Após essa fase, surgiu o seguinte raciocínio: na verdade, o Direito Administrativo é mais do que um estudo de leis, pois devemos estudar princípios e leis. Daqui nascem algumas teorias que seguem: Teoria do critério do serviço público: O direito administrativo estudava todo serviço prestado pelo Estado, ou seja, tem como objeto de estudo o serviço público e este significa toda atuação do Estado. Se o Estado prestou o serviço, é Direito Administrativo. Nessa época, toda atividade do Estado era chamada de serviço público, inclusive as atividades comerciais e industriais. Esse conceito é abrangente demais porque incluía outros ramos do direito. Não foi aceita no Brasil porque o direito administrativo estuda além dos serviços, isto é, estuda todos os bens. Nem todo serviço é estudado. Critério do Poder Executivo: O Direito Administrativo tem como objeto de estudo o poder executivo. Não foi aceito pelo Brasil porque o direito administrativo estuda os três poderes desde que estejam exercendo atividade administrativa. Contudo, isso não é a realidade, porque os outros poderes também exercem funções administrativas (ex.: concurso público para magistratura; compra de material para o Poder Legislativo). Estuda-se, portanto, os três poderes, desde que no âmbito das funções administrativas. Esse critério, portanto, também não foi aceito; Critério das relações jurídicas: O direito administrativo estuda toda relação jurídica do Estado. Conjunto de normas que regem as relações entre a administração e os administrados. Direito administrativo estuda algumas relações jurídicas. Este critério não foi adotado porque o Estado nem sempre está presente nas relações jurídicas e porque eliminaria os demais ramos do direito, já que abrangeria todas as relações jurídicas do Estado; Critério teleológico: conceito de Osvaldo Aranha. Foi aceito no Brasil. O direito administrativo é um conjunto de regras e princípios que regem as atividades do Estado na consecução dos seus fins. Contudo, o Direito Administrativo não configura apenas um conjunto harmônico de princípios. Existe esse conjunto, mas o Direito Administrativo não se resume a isso. Foi aceito no Brasil, mas foi dito como insuficiente. Critério residual ou negativo: o direito administrativo é definido por exclusão. Não estuda a função jurisdicional e legislativa do Estado. Só fica com a atividade residual, ou seja, o que sobrar é a função administrativa e que é o objeto de estudo do direito administrativo. É um conceito insuficiente no Brasil. Critério de distinção da atividade jurídica e atividade social do Estado: Direito administrativo somente se preocupa com a atividade jurídica do Estado (atuação jurídica do Estado), mas não seria a atividade social. Se importa somente com o aspecto jurídico e não com a parte social. O Direito Administrativo se preocupa com as questões jurídicas oriundas das atividades sociais, mas não estuda a atividade social em si. Ele foi aceito, mas tido por insuficiente. Critério da administração pública: Adotado por Hely Lopes Meirelles. Somou os três critérios anteriores. É um conjunto harmônico de princípios e regras (chamado de regime jurídico administrativo) que rege os órgãos e agentes públicos e as entidades públicas que estejam na atividade administrativa (de qualquer uma das atividades do judiciário, executivo e legislativo), realizando de forma direta, concreta e imediata os fins desejados pelo Estado. OBS.: É preciso atentar que quem define os fins e objetivos do Estado é o Direito Constitucional e não o Administrativo. Este (direito administrativo) realiza tais fins. a) Realizar de forma direta: independente de provocação. Aqui exclui a função indireta do Estado, a qual precisa de provocação, isto é, exclui-se a função jurisdicional do Estado. b) Realizar de forma concreta: tem destinatários determinados e produz efeitos concretos. Exclui-se aqui a função abstrata do Estado, isto é, a função legislativa. c) Realizar de forma imediata: difere da realização mediata. Mediata significa a atividade social. A função imediata diz respeito à atividade jurídica do Estado, afastando assim a atividade social do Estado. FONTES DO DIREITO ADMINISTRATIVO É aquilo que provoca a criação de norma de direito administrativo. a) Lei em sentido amplo: Constituição Federal, lei complementar, lei ordinária, medidas provisórias, etc. Nosso ordenamento jurídico está organizado numa estrutura escalonada, hierarquizada,isto é, possui normas superiores e normas inferiores. O STF, ao examinar essa estrutura, diz que as normas inferiores precisam ser compatíveis com as superiores (regulamento deve ser compatível com a lei; a lei compatível com a CF; todas as normas, aliás, devem ser compatíveis com a CF). A isso o STF deu o nome de relação de compatibilidade vertical. OBS.: Vale lembrar que os atos administrativos estão na base dessa pirâmide, lá embaixo na hierarquia. b) Doutrina: Nada mais é do que o resultado do trabalho dos nossos estudiosos. Tendo em vista que o Direito Administrativo conta com uma legislação fragmentada, a doutrina também possui várias divergências. c) Jurisprudência: É de grande relevância essa fonte, pois termina por solucionar, em muitas ocasiões, as divergências surgidas na doutrina. Vale lembrar que jurisprudência são julgamentos reiterados sempre no mesmo sentido. Isso quer dizer que uma decisão isolada de um tribunal é um acórdão e não jurisprudência. E quando se consolida essa jurisprudência, o tribunal edita uma súmula. Atualmente, temos súmulas que orientam a aplicação do direito e também as que vinculam a atuação do julgador (súmulas vinculantes). Temos também a repercussão geral, na qual há um “leading case” e os demais casos serão julgados no mesmo sentido. Assim, quando o tribunal julga o mérito de um caso desse tipo, é importante que o candidato esteja atento ao seu teor. d) Costume: É a pratica habitual acreditando ser ela obrigatória. Contudo, no Brasil o direito costumeiro (consuetudinário) nem cria nem exime obrigação. e) Princípios Gerais do Direito: Estamos falando de regras que estão no alicerce, na base da nossa ciência. São vigas mestras do direito. Tais princípios podem estar expressos ou implícitos em nosso ordenamento jurídico. Ex.: ninguém pode causar dano a outrem; é vedado o enriquecimento sem causa; ninguém pode se beneficiar da própria torpeza. SISTEMAS ADMINISTRATIVOS ou MECANISMOS DE CONTROLE *** Quem pode rever ou controlar atos administrativos? No direito comparado, encontramos dois exemplos: a) Contencioso administrativo: foi criado pela França e, portanto, é chamado de sistema francês. Aqui os atos praticados pela Administração Pública serão revistos ou controlados, em regra, pela própria Administração. Excepcionalmente, o Judiciário vai julgar. O Poder Judiciário aparece apenas em alguns casos, como por exemplo, nas atividades públicas de caráter privado (atividades cujo exercício é do Estado, mas o regime é o do direito privado, como ocorre quando o Estado celebra um contrato de locação); nas ações ligadas ao Estado ou capacidade das pessoas; nas ações ligadas à repressão penal e à propriedade privada, etc.; b) Sistema de Jurisdição Única: aqui estamos no caminho inverso. Quem define a última palavra é o Poder Judiciário. Para os países que adotam a jurisdição única, prevalece a decisão do Judiciário (ex.: após decisão lavrada pela Administração em processo administrativo, a parte pode levar a questão ao Judiciário). Aqui há julgamento pela Administração, há controle da Administração, mas esse controle não é definitivo, pois pode ser revisto pelo Judiciário. É o regime adotado no Brasil. Esse sistema também é chamado de “sistema inglês”. OBS.: Apenas em um momento tivemos contencioso administrativo no Brasil. Foi trazido pelo EC 7/77. Esta norma foi inserida, mas foi inoperante, nunca foi implementada. OBS.: Não é possível o sistema misto de controle porque a mistura já é natural. CONCEITO DE ESTADO, GOVERNO E ADMINISTRAÇÃO 1. ESTADO O Estado é pessoa jurídica de direito público; tem personalidade própria e pode ter direitos e obrigações, isto é, pode ser sujeito de direitos e de obrigações. *** A responsabilidade civil da administração está prevista no artigo 37, § 6º da CF? Não, pois a responsabilidade civil é do Estado e não da administração. Pessoa jurídica que tem, por óbvio, personalidade jurídica e, por isso, pode ser sujeito de direitos e obrigações. Exatamente em razão disso que a responsabilidade civil é do Estado, já que ele é o sujeito de obrigações. No Brasil não se aplica a tória da dupla personalidade. Aqui o Estado tem personalidade jurídica de direito público. A teoria da dupla personalidade era adotada até revogação do velho Código Civil. Desde então o Estado é pessoa de Direito Público. Estado de direito: É aquele que tem leis e obedece suas leis. É aquele politicamente organizado e obedece as suas próprias leis. Administração: é a máquina administrativa. Elementos do Estado: Povo, território e governo. 2 - GOVERNO Governo nada mais é do que elemento do Estado. É comando e direção do Estado. Para que o Estado seja independente, é preciso que o governo seja soberano. Governo com soberania é aquele governo que tem independência lá fora (na ordem internacional) e supremacia na ordem interna. É um elemento do Estado. É também seu comando e direção. Para que nosso Estado seja independente o nosso governo deve ser soberano. *** Mas o que significa governo soberano? Significa independência na ordem internacional e supremacia na ordem interna. Funções do Estado: O Estado possui dois tipos de função: a) Típica: é sua função principal, função típica, precípua para a qual o poder é criado; b) Atípica: é a função secundária. Função do Poder Legislativo: O Poder Legislativo tem por função principal legislar, que é a função legiferante ou legislativa. No entanto, se o Congresso nacional licitar para comprar cadeiras, ele está exercendo uma função administrativa, que é uma função atípica, secundária. Assim também quando desempenha a função de julgar o processo de impeachment de Presidente da República. A função de julgar é atípica, secundária. Há doutrinadores que incluem a função de fiscalizar como função típica do Poder Legislativo, em razão dos Tribunais de Contas e das CPI’s. Mas não é a posição da maioria. A função legislativa tem as seguintes características principais: a) Geral/abstrata: aplicada à coletividade como um todo; b) Tem o poder de inovar o ordenamento jurídico: característica peculiar dessa função. Função do Poder Judiciário: Sua função principal é a de julgar, de solucionar lides, aplicando coativamente a lei. Características principais: a) Individual/concreta: pois atua no caso concreto; b) Indireta: porque depende de provocação; c) Em tese, não inova o ordenamento jurídico. Contudo, na prática, há alguns excessos, conforme se depreende da Súmula Vinculante n. 13. d) Intangibilidade jurídica, também chamada de impossibilidade de mudança ou de efeitos da coisa julgada. Veja-se que o art. 49, V, CF/88, prevê a possibilidade de o Legislativo sustar atos exorbitantes do Executivo. Recentemente foi apresentada uma PEC para sustar também atos decisórios exorbitantes do Poder Judiciário, tendo em vista o atua estado de intervenção do Poder Judiciário nas questões do Legislativo. OBS.: O controle concentrado de constitucionalidade é uma exceção à característica descrita no item ”a” retro referido. Função do Poder Executivo: Sua função principal, típica, é a de administrar, isto é, o dever de executar o ordenamento vigente. O poder executivo ao elaborar uma medida provisória, estará exercendo uma atividade atípica, secundária. Tem por características: a) Função concreta: para sujeitos determinados e produzindo efeitos concretos; b) Direta: não precisa de provocação; c) Não inova o ordenamento jurídico; d) Não há intangibilidade jurídica, pois a decisão da Administração é revisível pelo Poder Judiciário. *** Mas o que é coisa julgada administrativa? Esta expressão significa impossibilidade de mudança somente na via administrativa. QUARTA FUNÇÃO DO ESTADO A doutrina moderna (Celso Antônio) diz que há funções quenão se incluem em nenhuma das funções de Estado. É a chamada função de governo ou função política do Estado. São decisões de alto grau de discricionariedade que não se confundem com nenhuma das funções anteriores. São decisões de cunho político. Ex.: sanção ou veto do Presidente da república a respeito de criação de norma (veto jurídico); declaração de guerra e celebração da paz; decretação de estado de defesa e de estado de sítio. Ou seja, são situações de anormalidade que não se confundem com as questões corriqueiras do simples administrar, isto é, questões que se sobrepõe as funções acima e as questões do dia a dia. Não se confunde com o simples administrar. É comando, é direção. Função de ampla discricionariedade. ADMINISTRAÇÃO Para maioria dos autores, significa máquina administrativa, isto é, aparelho estatal, instrumento do estado. Se a “Administração Pública” é o objeto do Direito Administrativo, é necessário definir o conteúdo semântico desta expressão. a) Administração Pública em Sentido Amplo: a expressão “Administração Pública”, em sentido amplo, refere-se ao governo e à Administração em sentido estrito, ou seja, governo + administração Pública em sentido estrito. ✓ Observação: o sentido da expressão depende do contexto dentro do qual a expressão está inserida e depende do sentido que o interlocutor pretender dar a ela. A palavra governo palavra comporta dois significados: Sentido Objetivo: é sinônimo de sentido material ou funcional. O Estado é pessoa jurídica de direito público dotada de autonomia política. O Estado exerce funções essenciais a ele mesmo e à coletividade. O Estado legisla, julga e administra. Esta é a concepção do Século XIX. Entretanto, com o avançar dos anos, é possível identificar que o Estado exerce outras atividades. ✓ O Estado governa. ✓ Governar consiste em dirigir o Estado e em definir a vontade superior do Estado. Administrar, por sua vez, é executar. Assim, o governo aponta os fins e a Administração aplica a lei ao caso concreto para realizar estes fins. Exemplo 1: quando Lula governou o Brasil, o slogan do governo era: “um país rico é um país sem pobreza”. Este é o governo (o fim). Administrar é aplicar a lei ao caso concreto para realizar este fim. Desse modo, são definidas políticas públicas para alcançar esta finalidade. Exemplo 2: o slogan do governo atual é “O Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. A partir disso, são definidas políticas públicas nessa direção e aplica-se a lei para alcançar essa finalidade de governo (administração). A premissa é que o Estado legisla, julga, administra e governa. • Legislar: o Estado faz o ato geral abstrato, obrigatório e inovador. • Julgar: o Estado aplica a lei contenciosamente para resolver conflitos sociais com força de coisa julgada. • Administrar: o Estado aplica a lei para realizar as suas finalidades. • Governar: o Estado diz quais são suas finalidades. Em sentido objetivo, governo é uma das finalidades do Estado (ao lado da jurisdição, da administração e da legislação). A partir dessa ideia, Celso Antônio Bandeira de Mello conceitua agente político. Para o autor, agente político é o agente público encarregado de exercer a atividade política (ou de governo). ✓ Trata-se do agente público, titular de cargo previsto na estrutura constitucional, encarregado de dirigir o Estado. ✓ São agentes políticos: chefe do Poder Executivo, seus vices, seus auxiliares imediatos (ministros de Estado, secretários estaduais e estaduais, e parlamentares). ✓ Observação: Celso Antônio Bandeira de Mello afirma que o magistrado não é agente político, pois a sua função estatal é a jurisdição (e não atividade de governo). Sentido Subjetivo: ✓ Observação: sentido subjetivo é sinônimo de sentido formal ou orgânico. Em sentido subjetivo, governo são os órgãos constitucionais encarregados de exercer a função política. No ordenamento jurídico brasileiro, a atividade de governo é dividida basicamente entre dois órgãos constitucionais: Poder Executivo e Poder Legislativo. ✓ Observação: o papel do Poder Judiciário no governo é limitado em razão do princípio da inércia. Exemplo 1: quem declara a guerra é o Presidente da República (Poder Executivo), autorizado pelo Congresso Nacional (Poder Legislativo). Exemplo 2: o Presidente da República (Poder Executivo) assina o tratado internacional, mas este só entra no ordenamento jurídico se o Poder Legislativo o ratificar. Em suma: Governo é em sentido objetivo é a atividade estatal. Governo em sentido subjetivo são os órgãos constitucionais encarregados de exercer a função política: Poder Executivo e Poder Legislativo. b) Administração Pública em Sentido Estrito: A expressão “Administração Pública” em sentido estrito é uma expressão que exclui do seu alcance a ideia de governo. Isso porque, se se incluir o governo, tem-se a “Administração Pública” em sentido amplo. A Administração Pública em sentido estrito é o objeto do Direito Administrativo. Governo é objeto do Direito Constitucional. Sentido Objetivo (material ou funcional): a Administração Pública é a função administrativa (uma das funções do Estado). Como visto, a expressão “Administração Pública” em sentido objetivo é a própria função administrativa. A atividade administrativa, segundo a doutrina, desdobra-se em 4 atividades: ▪ Serviços Públicos ▪ Poder de Polícia ▪ Fomento ▪ Intervenção no Domínio Econômico Sentido Subjetivo (formal ou orgânico): a Administração Pública são os sujeitos encarregados de desempenhar a atividade administrativa. ✓ São os órgãos públicos e as entidades incumbidos de exercer a atividade administrativa. ▪ Órgãos públicos - Administração Pública Direta ▪ Entidades - Administração Pública Indireta Quando se fala em Administração Pública direta e em Administração Pública Indireta, tem-se a administração em sentido subjetivo: sujeitos que exercem a atividade. Resumindo: A esse respeito, a doutrina mais moderna vem estabelecimento dois enfoques diferentes: a) Administração Pública no critério formal/orgânico/subjetivo: é a máquina, o aparelho estatal. É a estrutura física. São os bens, órgãos e agentes do Estado, ou seja, a estrutura física do Estado; b) Administração pública no critério material/objetivo: é a atividade administrativa desenvolvida. OBS: Conceitos normativos das atividades administrativas: Serviço público é a atividade administrativa, prestada pelo próprio Estado ou por quem lhe faça as vezes, que consiste em satisfazer necessidades públicas ou oferecer uma vantagem/utilidade ou comodidade à coletividade, segundo normas de Direito Público ou predominantemente de Direito Público. Exemplo: fornecimento de água, energia elétrica, transporte público etc. Poder de polícia é a atividade administrativa, segundo a qual o Estado restringe direitos para garantir o bem comum (art. 78, CTN). Quando o Estado exerce o poder de polícia, ele também visa ao bem comum, mas este é atingido a partir da limitação de direitos. ✓ Observação: a diferença entre poder de polícia e serviço público está no objeto da atividade. ✓ A finalidade de ambos é o interesse público e ambas são prestadas pelo Estado. Entretanto, enquanto o objeto do serviço público é a satisfação de um direito (oferecimento de algo); o objeto do poder de polícia é a restrição de um direito. O fomento é a atividade administrativa que consiste em estimular a atividade privada de interesse público. ✓ Este tema é estudado juntamente com o terceiro setor e com a Lei 13.019/2014 (Lei de OSC). ✓ O Estado pode fomentar por meio de termos de parceria, contratos de gestão, termos colaboração, acordo de cooperação etc. O professor destaca que não é apenas o incentivo ao terceiro setor que é fomento. Além disso, há incentivos fiscais, creditícios,entre outros. Intervenção no domínio econômico 1º. Direta – exploração de atividade econômica – art. 1732 e 1773 CF/88. No caso de exploração da atividade econômica, o Estado atua como empresário. ✓ Neste caso, a atividade de explorar diretamente a atividade econômica não é atividade administrativa. 2º. Indireta – regulação – art. 177, §2º, II CF/884 Ocorre quando o Estado regula a atividade econômica. Exemplo: atuação do Banco Central ao regular o mercado de capitais e a taxa de juros. ✓ Só a intervenção indireta caracteriza função da Administração.