Prévia do material em texto
<p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>DIREITO, HISTÓRIA, FILOSOFIA E SOCIOLOGIA. EXISTE</p><p>LIGAÇÃO ENTRE ELES? SE COMUNICAM?</p><p>1 – Relações entre a história e o direito:</p><p>convergências e definições dessas duas áreas do saber</p><p>A fim de melhor compreender a História do</p><p>Direito, entendendo, assim, os diálogos entre essas</p><p>duas áreas do saber, tentar-se-á responder a algumas</p><p>questões fundamentais para tal intuito, quais sejam:</p><p>o que é História? O que é Direito? O que é História</p><p>do Direito? Quais pontos História e Direito têm em</p><p>comum? Qual o objetivo do estudo de História do</p><p>Direito?</p><p>Dentre todos os seres vivos, o Homem é, por</p><p>excelência, o que produz cultura, o que manifesta</p><p>raciocínio elevado, o que valoriza a memória</p><p>(história). Para inteirar o tema, é interessante</p><p>recordar algumas formulações convencionais de</p><p>Cultura. Assim, cumpre assinalar que esta pode</p><p>expressar: “a totalidade das manifestações e formas</p><p>de vida que caracterizam um povo.” (JAEGER, 1979, p.</p><p>7); “o conjunto de tudo aquilo que, nos planos</p><p>material e espiritual, o homem constrói sobre a base</p><p>da natureza, quer para modificá-la, quer para</p><p>modificar-se a si mesmo.” (REALE, 2011, p. 25); e,</p><p>ainda, que “cultura é o conjunto das práticas, das</p><p>técnicas, dos símbolos e dos valores que se devem</p><p>transmitir às novas gerações para garantir a</p><p>reprodução de um estado de coexistência social.”</p><p>(BOSI, 1992, p. 16).</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>Satisfeitas tais questões, haverá naturalmente</p><p>uma simplificação no estudo do objeto a ser abordado</p><p>pelos jus-historiadores. Nesse sentido, “esta</p><p>necessidade do conhecimento do objeto antes de uma</p><p>análise de seus pontos é a base para a compreensão</p><p>global do objeto de estudo de qualquer ciência.”</p><p>(CASTRO, 2009, p. 1).</p><p>1.2. História: Conceitos e fundamentos.</p><p>“Passado” é a primeira palavra que vem à mente quando</p><p>se pensa em História. Crucial, nesse sentido, torna-</p><p>se pensar se o passado seria história; se todo o</p><p>passado seria história; e, por fim, se tudo no</p><p>passado seria história (CASTRO, 2009). Acredita-se</p><p>que todo o passado poderia ser história e que, desse</p><p>modo, tudo nele também poderia sê-lo2. Todavia, há</p><p>alguns elementos que devem ser levados em</p><p>consideração – e são justamente sobre os quais que</p><p>se tratará neste primeiro tópico.</p><p>Borges (1993) busca o conceito de História no</p><p>dicionário, onde encontra algumas definições sobre o</p><p>termo. Dentre as quais, elenca quatro ou cinco</p><p>definições, dando especial destaque a duas, que julga</p><p>ser as mais apropriadas para o que se busca um</p><p>historiador. Nesse sentido, segundo a autora em</p><p>assunto, “No novo dicionário Aurélio, ao se procurar</p><p>o termo ‘história’ encontramos muitos significados</p><p>para a palavra. Entre uns quinze enumerados, podemos</p><p>destacar alguns que enfocam a história como: o</p><p>passado da humanidade, o estudo desse mesmo passado,</p><p>uma simples narração, uma ‘lorota’, uma complicação,</p><p>etc. Todos esses conceitos podem ser vistos como</p><p>https://ambitojuridico.com.br/edicoes/revista-127/relacoes-entre-a-historia-e-o-direito-convergencias-e-definicoes-dessas-duas-areas-do-saber/#_ftn1</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>relacionados ao conceito atual de história” (BORGES,</p><p>1993, p. 47).</p><p>Neste estudo, nossa abordagem do tema entendemos</p><p>ser importante fazer uso dos dois primeiros conceitos</p><p>elencados pela referida autora. Borges (1993) destaca</p><p>que, na Língua Portuguesa – ao contrário do que</p><p>acontece com outros idiomas, como o Alemão, em que</p><p>há termos distintos para a situação em estudo – usa-</p><p>se um mesmo termo para significar, ao mesmo tempo,</p><p>dois sentidos diferentes. Nesse diapasão, o termo</p><p>“história” significa, simultaneamente, os</p><p>acontecimentos que se passaram e o estudo desses</p><p>acontecimentos (BORGES, 1993). “Numa extensão ampla</p><p>dos dois sentidos, história seria então aquilo que</p><p>aconteceu [principalmente com o homem] e o estudo</p><p>desses acontecimentos” (BORGES, 1993, p. 48).</p><p>Destarte, percebe-se que as duas definições da</p><p>palavra estão, pois, intimamente ligados: os</p><p>acontecimentos históricos são o objeto de estudo do</p><p>conhecimento histórico.</p><p>Ehrarde e Palmade dizem que “a história é a</p><p>memória da humanidade, mas não é suficiente recordar</p><p>para ser historiador.” (EHRARDE;</p><p>PALMADE apud CASTRO, 2009, p. 1).</p><p>Eis o porquê de alguns historiadores</p><p>diferenciarem o trabalho de sua “classe”, do trabalho</p><p>dos memorialistas. Segundo esse pensamento, os</p><p>historiadores constroem um trabalho com uma visão</p><p>crítica, buscando algo diferenciado; enquanto que os</p><p>memorialistas apenas reproduzem fatos ocorridos no</p><p>passado, registrando-os. Assim, percebe-se que é</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>demasiado importante buscar uma óptica crítica nos</p><p>trabalhos desenvolvidos na ciência histórica – visto</p><p>que o vernáculo “crítica” tem de estar na definição</p><p>da história e, por conseguinte, do historiador.</p><p>Já se falou, nessa oportunidade, de passado e</p><p>de visão crítica. A essas duas expressões, que</p><p>deveriam fazer parte do conceito de história, pode-</p><p>se, outrossim, adicionar a esse conceito</p><p>a transformação e o fator humano. Aquela, por ser a</p><p>essência da história; e este, o ser humano, por ser</p><p>o único capaz de executar tal tarefa (CASTRO, 2009).</p><p>Assim, pode-se chegar à conclusão de que o homem é o</p><p>objeto da História, ou seja, “o estudo da História</p><p>concentra-se no Ser Humano e a sucessão temporal de</p><p>seus atos.” (CASTRO, 2009, p. 2).</p><p>Deste modo, “a história é a história do homem,</p><p>visto como um ser social, vivendo em sociedade. É a</p><p>história das transformações humanas, desde o seu</p><p>aparecimento na terra até os dias em que estamos</p><p>vivendo.” (BORGES, 1993, p. 48).</p><p>Para Albergaria (2012), os seres humanos são,</p><p>simultaneamente, atores e observadores da História.</p><p>Eles têm consciência, ou seja, sabem da importância</p><p>dos fatos em suas vidas e, munidos desses</p><p>conhecimentos, tentam modificar tudo aquilo que não</p><p>os agradam ou que simplesmente pode ser melhor, o que</p><p>demonstra a importância da História.</p><p>Há uma tentativa de explicação do Ser Humano</p><p>estudando a sua própria espécie, por Veyne. Segundo</p><p>ele, há dois motivos para isso:</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>“Primeiramente, o fato de pertencermos a grupo</p><p>nacional, familiar […] pode fazer com que o passado</p><p>desse grupo tenha um atrativo particular para nós</p><p>[seres humanos pertencentes a esse grupo]; a segunda</p><p>razão é a curiosidade, seja anedótica ou acompanhada</p><p>de uma exigência da inteligibilidade” (VEYNE, 1998,</p><p>p. 69).</p><p>Assim, na tentativa de criação de um conceito</p><p>para a história, levando em consideração tudo que foi</p><p>até aqui tratado, é possível chegar ao entendimento</p><p>de que: História é o passado da humanidade, bem como</p><p>o seu estudo, normalmente feito pelos historiadores,</p><p>com uma visão crítica, levando-se em consideração,</p><p>as transformações ocasionadas pelo homem na</p><p>sociedade, com seus atos, ao longo do tempo.</p><p>Ainda sobre a importância e função da História,</p><p>Albergaria (2012) leciona que para que o ser humano</p><p>possa entender quem é, como pensa e como sente, é</p><p>necessário que se tenha consciência da sua história,</p><p>do seu passado. Para ele, deve-se aprender, com a</p><p>História, o que Homem já</p><p>fez e deu certo, para</p><p>repetir; bem como perceber o que deu errado, para</p><p>tentar evitar esses erros. Só quem conhece a história</p><p>consegue entender seu sentido e utilizá-la como</p><p>ferramenta para melhorar o presente e, quem sabe,</p><p>antever um pouco o futuro.</p><p>A fim de fornecer uma explicação à sociedade</p><p>sobre ela mesma e tentar repetir acertos e evitar</p><p>erros, a história, hodiernamente, aproxima-se cada</p><p>vez mais das outras áreas do conhecimento que estudam</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>o homem (a Sociologia, a Antropologia, a Economia, a</p><p>Geografia, a Psicologia, a Demografia, e outras).</p><p>A estas áreas do conhecimento, elencadas no</p><p>parágrafo anterior, adiciona-se, nestas linhas, o</p><p>Direito. Este sempre tem ajudado a história a dar</p><p>algumas explicações para a sociedade. Muitas vezes o</p><p>Direito serve, até mesmo, de fonte para a história,</p><p>e, em outras oportunidades, busca, na história,</p><p>respostas para questões hodiernas; entretanto, sobre</p><p>a relação entre os dois, tratar-se-á adiante.</p><p>1.3. Conceitos do Direito.</p><p>Sobre a origem do termo “Direito”, há a seguinte</p><p>doutrina:</p><p>“A palavra ‘Direito’, bem como ele próprio no sentido</p><p>amplo da Ciência do Direito, vem dos Romanos antigos</p><p>e é a soma da palavra DIS (muito) + RECTUM (reto,</p><p>justo, certo); ou seja, Direito em sua origem</p><p>significa o que é muito justo, o que tem justiça”</p><p>(CASTRO, 2009, p. 2).</p><p>Sabendo, portanto, que a palavra “Direito”</p><p>formou-se desta junção latina (dis + rectum), pode-</p><p>se entendê-la, segundo um verbete de De Plácido e</p><p>Silva, como “tudo aquilo que é conforme à razão, à</p><p>justiça e à equidade” (apud NASCIMENTO, 2001, p. 7).</p><p>Nos dizeres de Reale (2011, p. 64), “a palavra</p><p>Direito tem diferentes acepções, o que pode parecer</p><p>estranho, mas já advertimos que é impossível nas</p><p>ciências humanas ter-se sempre uma só palavra para</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>indicar determinada ideia e apenas ela.”. Não se pode</p><p>negar a verdade do comentário de Reale. Todavia,</p><p>pode-se acrescentar que, não obstante a palavra</p><p>‘direito’ se apresente com uma diversidade de</p><p>acepções, e cada uma com suas peculiaridades, elas</p><p>se inter-relacionam.</p><p>Sobre essa questão, discutida no parágrafo acima,</p><p>há o seguinte comentário, cheio de detalhes, verbis:</p><p>“O vocábulo direito pertence à classe das palavras</p><p>analógicas – aquelas que têm sentidos diferentes, mas</p><p>com ligação, conexão, entre si. Assim, se se diz que</p><p>Direito é uma lei, uma norma, há uma classificação</p><p>de tal ciência com objetividade. Para se entender</p><p>Direito em sentido subjetivo, tem-se de entendê-lo</p><p>como uma possibilidade de dispor do que pertence a</p><p>alguém ou concessão de uma atitude a outrem na área</p><p>que é particular a alguém, e, se se pensa o direito</p><p>como aquilo que é correto, reto, perfeito, a</p><p>qualidade justiça é que vale mais. Como palavra</p><p>analógica, pode-se perceber que tanto o caráter</p><p>objetivo quanto o subjetivo ou na questão da</p><p>qualidade, o que se fala em direito tem ligação entre</p><p>si. Há, portanto, conexão de ideias, embora com</p><p>significados diferentes” (VELOSO, 2005, p. 22).</p><p>Apesar de parecer simples dar uma definição para</p><p>o Direito, esta é uma tarefa demasiado complexa.</p><p>Nesse sentido, o Direito pode ser definido, assim</p><p>como a História (vide “tópico 2”), de diversas</p><p>maneiras. Deste modo, semanticamente, “o vocábulo</p><p>direito é polissêmico, por ter mais de um significado</p><p>para um único verbete.” (VELOSO, 2005, p. 22).</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>Entendendo, portanto, a palavra direito como</p><p>polissêmica, ter-se-ão, assim, muitas acepções para</p><p>ela. Dessa forma, Direito pode ser um curso superior</p><p>que forma bacharéis; pode ser ainda, o ordenamento</p><p>jurídico de um país (Direito brasileiro, Direito</p><p>argentino, alemão, etc.); pode, outrossim, ser um</p><p>direito subjetivo de alguém; pode ser utilizado como</p><p>sinônimo de Justiça, como fato social, entre outras</p><p>possibilidades.</p><p>Nesse sentido, frente às reflexões apresentadas</p><p>sobre a História e o Direito enquanto “ciências”,</p><p>fica evidente a importância das duas áreas, bem como</p><p>clara as suas relações com o Homem. Não se faz</p><p>História ou Direito sem se perceber as constantes</p><p>transformações da sociedade e os mecanismos</p><p>tradicionais e legais que conformam as relações</p><p>sociais. História e Direito, nesse contexto, se</p><p>inter-relacionam, permitindo, dessa forma,</p><p>compreender, com maior eficácia, uma História do</p><p>Direito.</p><p>Importante destacar o fato de que o Direito é a</p><p>própria História da nossa humanidade. Não há como</p><p>separar os dois elementos. Apesar de a História poder</p><p>ser vista por várias facetas, tais como pelas artes,</p><p>pela culinária, pela filosofia, pela medicina, pelo</p><p>desenvolvimento científico e tecnológico, é</p><p>justamente pela noção jurídica dos povos que se tem</p><p>uma correta interpretação do mundo pretérito e de</p><p>cada cultura” (ALBERGARIA, 2012, p. 4).</p><p>Dessa forma, percebe-se, portanto, que a História</p><p>do Direito, tratada como disciplina ou como</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>segmentação para fins de estudos, é apresentada como</p><p>a História do próprio mundo jurídico, como um todo.</p><p>Nesse sentido, “o objetivo da história do direito é</p><p>a interpretação dialética do fenômeno jurídico e seu</p><p>dimensionamento em função do tempo.” (DINIZ, 2012,</p><p>p. 249).</p><p>Wolkmer disserta que se pode, ademais,</p><p>“conceituar a História do Direito como parte da</p><p>História geral que examina o Direito como fenômeno</p><p>sociocultural, inserido num contexto fático,</p><p>produzido dialeticamente pela interação humana</p><p>através dos tempos, e materializado evolutivamente</p><p>por fontes históricas, documentos jurídicos, agentes</p><p>operantes e instituições legais reguladoras”</p><p>(WOLKMER, 2010, p. 5).</p><p>Nesse ínterim, pode-se dizer que “a história do</p><p>direito estuda as instituições jurídicas dos povos</p><p>civilizados nas fases sucessivas de seu</p><p>desenvolvimento. Baseia-se em documentos,</p><p>representados por escritos ou por monumentos chegados</p><p>até nós, como o Código de Hamurabi, de mais ou menos</p><p>2000 a.C.” (KLABIN, 2004, p. 21).</p><p>É interessante destacar, ainda, que o “direito</p><p>não se conserva estático, mas se dinamiza e se</p><p>transforma na medida em que as condições sociais</p><p>assim exigem; não há como desvinculá-lo da realidade</p><p>histórica, pois é preciso saber como este direito</p><p>foi, até ontem, para entendê-lo, hoje, e melhorá-lo,</p><p>amanhã” (AZEVEDO, 2005, p. 21).</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>Assim, com outros termos, mas que se completam</p><p>em termos de melhor definição, “o historiador procura</p><p>reviver ou reconstruir o fenômeno jurídico em sua</p><p>singularidade específica a fim de compreender seu</p><p>significado no tempo. Faz uma análise atual do</p><p>direito pretérito para, verificando os fins que</p><p>perseguiram e seus efeitos sobre a sociedade,</p><p>assinalar as vantagens ou inconvenientes das normas</p><p>ou instituições no passado, comparando as soluções</p><p>que se deram antes ou surgiram depois, para chegar</p><p>ao conhecimento de todo processo histórico do</p><p>direito” (DINIZ, 2012, p. 248-249).</p><p>Sabe-se que, para se fazer História do Direito é</p><p>preciso se pesquisar as legislações da época. Mas,</p><p>só as leis são suficientes como fontes para esse tipo</p><p>de pesquisa? A resposta vem assim:</p><p>“As fontes da história</p><p>do direito, além dos escritos</p><p>propriamente jurídicos, tais como leis e obras dos</p><p>jurisconsultos, utilizam também documentos de ordem</p><p>histórica e literária. A ‘história romana’ de Tito</p><p>Lívio; os discursos tratados de Cícero, por exemplo,</p><p>completam o manancial de documentos nos quais se</p><p>abebera o historiador do direito romano” (KLABIN,</p><p>2004, p. 22).</p><p>Pensando na finalidade de se estudar História do</p><p>Direito, Wolkmer (2010) leciona que quanto</p><p>aos objetivos da História do Direito, o escopo é</p><p>fazer compreender como é que o Direito hodierno se</p><p>formou e se desenvolveu, bem como de que maneira</p><p>evoluiu na defluência dos séculos. Do mesmo modo, o</p><p>intuito é o exame crítico das legislações passadas</p><p>com a finalidade de exposição de suas sucessivas</p><p>transformações, frisando, com efeito, os modos porque</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>estas ocorreram, conforme as mudanças da consciência,</p><p>das condições e necessidades sociais. Em resumo, a</p><p>História do Direito tem uma finalidade precípua, que</p><p>interpretar, criticamente, todos os caminhos que</p><p>levam à visão das instituições jurídicas atuais, com</p><p>alicerce no que aconteceu alhures e em tempos idos.</p><p>Tudo isso, em busca de fixação de normas que tornem</p><p>o Ser Humano mais social, mais condizente com a sua</p><p>condição de “humano”, cumpridor das regras de</p><p>convívio.</p><p>Nesse diapasão, pode-se concluir que, “Sendo o</p><p>Direito uma produção humana, ele também é cultura e</p><p>é produto do tempo histórico no qual a sociedade que</p><p>o produziu ou produz está inserida. Plagiando o</p><p>ditado árabe, poderíamos afirmar que o direito se</p><p>parece com a necessidade histórica da sociedade que</p><p>o produziu; é, portanto, uma produção cultural e um</p><p>reflexo das exigências desta sociedade” (CASTRO,</p><p>2009, p. 4).</p><p>Compartilhando desse pensamento, Altavila (1963,</p><p>p. 8) escreve que “os direitos sempre foram espelhos</p><p>das épocas.”. Para o mesmo autor, “os direitos dos</p><p>povos equivalem precisamente ao seu tempo e explicam</p><p>no espaço de sua gestação. Absurdos, dogmáticos,</p><p>rígidos, lúdicos e liberais, – foram, todavia, os</p><p>anseios, as conquistas e os baluartes de milhões de</p><p>seres que, para eles, levantaram as mãos, em gesto</p><p>de súplica ou de enternecido reconhecimento”</p><p>(ALTAVILA, 1963, p. 12).</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>1.4. Considerações finais.</p><p>Acredita-se que um maior diálogo entre a História</p><p>e o Direito contribuiria para um maior avanço dessas</p><p>duas áreas do saber. Com efeito, o Direito serviria</p><p>como campo (ou como fonte) de pesquisa para a</p><p>História. E já está poderia ser útil para o melhor</p><p>entendimento daquele.</p><p>Ainda pensando na relação entre as já</p><p>supracitadas áreas do saber, “a história se mostra</p><p>importante para o Direito quando serve como</p><p>conhecimento e acúmulo de experiências passadas,</p><p>possibilitando uma ampliação das análises de</p><p>situações jurídicas e na interpretação dos textos</p><p>normativos.” (FERREIRA, 2008, p. 1). A recíproca é</p><p>verdadeira. A História, outrossim, precisa do</p><p>Direito. O Direito propicia à História a visão do</p><p>passado que faz com que as regras do presente e do</p><p>futuro sejam mais apuradas, mais justas e, sobretudo,</p><p>representativas da cultura do que é Bom, Justo,</p><p>Humano e apreciável. Portanto, é a noção jurídica da</p><p>História é que permite que se compreenda melhor a</p><p>cultura, a sociedade, a política e o sistema de um</p><p>determinado povo.</p><p>Mesmo assim, um importante aspecto deve ser</p><p>reafirmado quando se procura interseções entre duas</p><p>áreas: não se faz História sem compreender o Homem.</p><p>Não existe Direito sem a importante consideração</p><p>quanto aos atos do indivíduo em sociedade. Logo, a</p><p>História Jurídica só se legitimará a partir da exata</p><p>compreensão das transformações sociais que alteraram</p><p>a visão do homem sobre a História e sobre o Direito.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>2. O direito e a filosofia. Conexão necessária.</p><p>A filosofia, em sua essência, se aproxima muito</p><p>da ciência do direito. A proximidade é tão grande que</p><p>em algumas faculdades existe uma cadeira de direito</p><p>chamada "filosofia do direito" que cuida justamente</p><p>da aproximação do operador do direito aos pensamentos</p><p>filosóficos, especialmente ao tocante à justiça, à</p><p>ética e à moral.</p><p>Tal conexão é extremamente necessária, haja vista</p><p>que a ciência do direito é uma das ferramentas mais</p><p>importantes de controle social. E acrescente-se que</p><p>o direito sem justiça é apenas uma ferramenta de</p><p>opressão dos poderosos. Longe da filosofia, o direito</p><p>é apenas um meio de manipulação a disposição dos mais</p><p>fortes para controlar a sociedade a seu bel prazer.</p><p>O estudo da Filosofia requer o esforço na busca</p><p>permanente do conhecimento, não um conhecimento</p><p>pronto, acabado, mas um conhecimento que sempre</p><p>procura se aprofundar, dar um passo à frente na</p><p>análise de questões relacionadas ao homem e sua</p><p>vivência no universo. Qualquer problema relacionado</p><p>à vida, à natureza ou ao espírito, filosoficamente</p><p>considerado, representa uma oportunidade para o</p><p>surgimento de controvérsias infinitas.</p><p>Nesse sentido, a Filosofia se distingue</p><p>essencialmente das Ciências, porquanto não admite</p><p>soluções definitivas na sua exuberante problemática.</p><p>De acordo com Boson (1996), mesmo quando cerrada em</p><p>vastos sistemas de pensamento, que se apresentam com</p><p>a pretensão de constituírem explicação global para a</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>vida e do cosmos, do conhecimento, do sujeito e do</p><p>objeto, do continente e do conteúdo, não vão além de</p><p>cristalizações intelectuais que passam ao registro</p><p>da história do pensamento, com a significação de</p><p>brilhantes concepções oferecidas pela razão humana.</p><p>O saber filosófico é diferente do saber</p><p>científico, pois enquanto a ciência, basicamente, tem</p><p>sua apuração calcada na perspectiva da observação e</p><p>da experiência, devendo permanecer nos limites do</p><p>empírico; já a Filosofia parte da experiência, mas a</p><p>transcende indo além da experiência singular.</p><p>O pensamento filosófico está ainda profundamente</p><p>enraizado no processo histórico-social e reflete,</p><p>inevitavelmente, os conflitos dos valores dos</p><p>interesses hegemônicos com os das parcelas dominadas</p><p>da sociedade (ALVES, 2004). Do ponto de vista</p><p>etimológico, a palavra filosofia é constituída de</p><p>dois termos gregos: filos (amigo) e sofia</p><p>(sabedoria). Soares (1998) afirma que o sentido da</p><p>junção dos dois radicais seria o de que o filósofo</p><p>não é um detentor de todo o saber, mas um pretendente</p><p>à sabedoria.</p><p>A Filosofia possibilita o questionamento,</p><p>abrindo espaço para outros horizontes, introduzindo</p><p>novas possibilidades, rediscutindo premissas e</p><p>princípios, reavaliando o que parece sólido e</p><p>consensual, abrindo abordagens diferenciadas para</p><p>questões antigas. Enfim, em lugar de decidir, sua</p><p>proposta é a de investigar, no lugar de agir, sua</p><p>proposta é a de especular, no lugar de aceitar, sua</p><p>proposta é a de questionar. Com base nessas breves</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>considerações acerca do pensamento filosófico e sua</p><p>relação investigativa com a ação e decisão, pode-se</p><p>afirmar que o estudo da Filosofia do Direito auxilia</p><p>no desenvolvimento da faculdade argumentativa e na</p><p>reflexão profunda de casos nos quais a tomada de</p><p>decisões no âmbito do direito é algo complexo.</p><p>2.1. Conceito de filosofia do direito:</p><p>A Filosofia do Direito, no entendimento de</p><p>Oliveira (1999), é Filosofia em decorrência de sua</p><p>forma e pelo método e, é de Direito, pela matéria,</p><p>pelo conteúdo. Por isso, o autor entende a Filosofia</p><p>do Direito como sendo a meditação mais profunda a</p><p>respeito do Direito, que investiga sua natureza, sua</p><p>justificação e sua finalidade. Examina as primeiras</p><p>causas e os supremos princípios do fenômeno jurídico,</p><p>envolvendo sua natureza, o porquê, o para quê, o</p><p>donde e o para onde de sua existência.</p><p>2.2. Evolução histórica da filosofia do direito.</p><p>A importância do conhecimento dos fatos que se</p><p>passaram em outras épocas assume papel considerável</p><p>nas disciplinas filosóficas, visto que as cogitações</p><p>filosóficas de hoje quase sempre são as mesmas do</p><p>passado, diferindo somente, na maior parte dos casos,</p><p>o processo interpretativo. Do mesmo modo, os temas</p><p>de Filosofia do Direito revelam que sempre se meditou</p><p>sobre o fenômeno jurídico, que é fato natural,</p><p>correspondente a um constante anseio do homem.</p><p>Conforme Cretella Júnior (2001), nas sociedades do</p><p>antigo oriente, o fenômeno jurídico, mesclado com</p><p>elementos éticos, teológicos, políticos, higiênicos,</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>ainda não se estremara a ponto de erigir-se como</p><p>objeto definido de cogitação autônoma por parte dos</p><p>especialistas. Tratado por sacerdotes das várias</p><p>religiões, posto a serviço da política, o direito</p><p>trazia a marca dos deuses e dos monarcas, sendo</p><p>considerado como fato meta-humano.</p><p>Como o fenômeno jurídico não constituía objeto</p><p>singular, típico, com maior razão a Filosofia do</p><p>Direito inexistia naquela época, por falta de objeto,</p><p>o que não significa afirmar, em absoluto, que, aqui</p><p>e ali, de forma assistemática, não tinha sido o</p><p>direito discutido e pensado, faltando apenas entre</p><p>esses povos da antiguidade, uma cogitação autônoma a</p><p>respeito do fenômeno jurídico.</p><p>A Filosofia do Direito tem sua origem</p><p>propriamente dita na Grécia. De acordo com Cretella</p><p>Júnior (2001), é raro o pensador grego que não tenha</p><p>voltado a atenção para o fenômeno jurídico: as</p><p>contribuições pitagórica, sofista, aristotélica,</p><p>platônica, socrática, estoica e epicureia assinalam</p><p>os momentos altos do pensamento jusfilosófico</p><p>helênico, numa sequência e encadeamento notáveis,</p><p>contrapondo-se, dessa forma, o mundo grego ao mundo</p><p>oriental, este, girando em torno do elemento</p><p>teológico; aquele, ao contrário, preocupado com os</p><p>elementos filosóficos.</p><p>Em Roma, diferentemente do que ocorre na Grécia,</p><p>a filosofia não encontra campo fecundo para grandes</p><p>desenvolvimentos e, muito menos, para a criação.</p><p>Prático, objetivo, imediatista, concretista,</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>administrador, por excelência, o romano não se deixa</p><p>arrastar para a especulação filosófica.</p><p>O imediatismo da vida cotidiana conduz o romano</p><p>para as extraordinárias realizações na prática, para</p><p>a conquista de outras terras, para a imposição de</p><p>suas leis ao mundo, ao mesmo tempo em que o impele à</p><p>estruturação ordenada, sistemática, de imponente</p><p>monumento jurídico – o Corpus Júris Civilis -, de</p><p>cunho casuísta, desvinculado da desejável</p><p>fundamentação filosófica (CRETELLA JÚNIOR, 2001).</p><p>Nesse sentido, Nader (1999) sustenta que o gênio</p><p>especulativo dos gregos corresponde, na Antiguidade,</p><p>à vocação romana nos domínios da Ciência do Direito.</p><p>Enquanto os primeiros foram originais na Filosofia,</p><p>os segundos foram extraordinários na elaboração de</p><p>seu jus positum. Roma não chegou, é verdade, a</p><p>desenvolver uma filosofia inovadora, visto que seus</p><p>cultores inspiraram-se em fontes gregas, contudo não</p><p>seria correto afirmar-se que os romanos foram</p><p>inapetentes nessa área do conhecimento.</p><p>Com efeito, os romanos não disporiam de recursos</p><p>intelectuais para a construção de seu sistema</p><p>jurídico, apreciado e estudado ainda hoje em todas</p><p>as partes, caso não fundassem seu pensamento em</p><p>princípios sólidos, somente alcançáveis pela via</p><p>filosófica.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>2.3. A importância da filosofia do direito.</p><p>Certo afirmar que sem Direito não pode haver</p><p>sociedade, entretanto, o mecanismo processual</p><p>objetivo, despido de sua essencial significação de</p><p>justiça, inaugura a insegurança e provoca a revolta.</p><p>Logo, a Filosofia do Direito inicia-se, precisamente,</p><p>com a descoberta entre o justo natural e o justo</p><p>legal. Ainda que não possa, nem deva ser considerada</p><p>disciplina jurídica é, mais do que isso, a própria</p><p>Filosofia aplicada ao Direito.</p><p>A importância da Filosofia do Direito está</p><p>relacionada às perspectivas impostas pelo despertar</p><p>da consciência crítica que possibilita estudar os</p><p>princípios imortais da liberdade e da igualdade</p><p>humana atualmente. Nas palavras de Litrento (1976),</p><p>a Filosofia do Direito estuda e averigua, como uma</p><p>necessidade fundamental do espírito humano, os</p><p>códigos e a legislação vigente, sem esquecer toda uma</p><p>admirável herança do passado, toda uma tradição de</p><p>pesquisa e meditação filosófico-jurídica,</p><p>possibilitando a comparação sempre presente entre o</p><p>bem e o mal, e os corolários do necessário e</p><p>desnecessário, o certo e o errado, o justo e o</p><p>injusto, o poder arbitrário e o poder consentido.</p><p>Isso evidencia que o Direito vai além da lei,</p><p>não se confinando, somente à técnica legal, ou à</p><p>realização normativa do bem-estar individual ou</p><p>coletivo. Evidentemente, a Filosofia do Direito</p><p>necessitará do conhecimento pleno dos grandes temas</p><p>da Filosofia Geral, que a nutre e lhe abre mais</p><p>facilmente os caminhos para lúcida investigação de</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>uma realidade que não se encontra somente na presença</p><p>formal de códigos, de leis, das sentenças e das</p><p>instituições jurídicas. Conforme Litrento (1976),</p><p>suas perspectivas são mais amplas e seu principal</p><p>embasamento assenta naquela idéia de justiça que</p><p>governa o cosmos, significando harmonia. Harmonia que</p><p>rastreia na especulação filosófico-grega em sua</p><p>inesquecível e perene procura da noção e exata do bem</p><p>e do justo.</p><p>O pensador do Direito não pode prescindir de</p><p>conhecer o ramo ao qual se dedica, não pode muito</p><p>menos estar despreparado para pensar filosófica e</p><p>adequadamente os problemas, defendem Bittar e Almeida</p><p>(2001). O saber filosófico exerce influência na</p><p>história das idéias jusfilosóficas, sendo que, muitas</p><p>vezes, as metodologias jusfilosóficas aperfeiçoam-se</p><p>na medida dos aperfeiçoamentos filosóficos.</p><p>A contribuição da investigação filosófica para o</p><p>direito está, segundo Bittar e Almeida (2001), na</p><p>perene abertura que proporciona, diferenciando-se</p><p>das demais ciências por se fazer prática e teórica</p><p>desvinculada de pressupostos dogmáticos. Por vezes,</p><p>a ênfase na resposta somente torna ainda mais obtusa</p><p>a possibilidade de se questionarem os fundamentos de</p><p>uma prática jurídica, humana e social; aí a ênfase</p><p>na investigação, objetivo da filosofia, serve como</p><p>modo de abrir os horizontes para outras</p><p>possibilidades de sentido, para outras alternativas,</p><p>para outras propostas e entendimentos. De acordo com</p><p>Bittar e Almeida (2001), a Filosofia do Direito</p><p>possui metas e tarefas que estão compreendidas em</p><p>suas perspectivas de investigação, quais sejam:</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>1) efetuar a crítica das práticas, das atitudes e</p><p>atividades dos operadores do Direito;</p><p>2) questionar e avaliar a criação de leis, bem como</p><p>oferecer suporte reflexivo ao legislador;</p><p>3) realizar a avaliação da função desempenhada pela</p><p>ciência jurídica e o próprio comportamento do jurista</p><p>perante ela;</p><p>4) investigar os motivos que ocasionam a</p><p>desestruturação, o enfraquecimento ou a ruína de um</p><p>determinado sistema jurídico;</p><p>5) desembaraçar e limpar a linguagem jurídica, os</p><p>conceitos filosóficos e científicos do Direito;</p><p>6) investigar a eficiência dos institutos jurídicos,</p><p>sua atuação social e seu compromisso com as questões</p><p>sociais, seja no que concerne a indivíduos, a grupos,</p><p>à coletividade ou às preocupações humanas universais;</p><p>7) tornar clara e definir a teleologia do Direito,</p><p>seu aspecto valorativo e sua ligação com a sociedade</p><p>e os anseios culturais;</p><p>8) resgatar origens e valores sobre os quais estão</p><p>pautados os processos e institutos jurídicos;</p><p>9) auxiliar o juiz no processo decisório, por</p><p>intermédio da crítica conceitual institucional,</p><p>valorativa, política e procedimental.</p><p>Devido à grande abrangência de todos esses</p><p>objetivos da Filosofia do Direito, infere-se sua</p><p>importância na formação dos juristas, para que possam</p><p>realmente entender o contexto legislativo e procurar</p><p>sempre melhorar a eficácia das normas jurídicas na</p><p>busca constante pela justiça.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>3 - A relação do estudo do direito e sociologia.</p><p>Importância do estudo da sociologia do direito</p><p>A Sociologia, enquanto ciência social, contribui</p><p>para o entendimento das relações sociais, estruturas</p><p>e processos que influenciam o Direito. Por sua vez,</p><p>o estudo do Direito permite uma análise crítica das</p><p>normas jurídicas e sua influência na estrutura e</p><p>dinâmica da sociedade. Ao explorar cada contribuição</p><p>que a sociologia pode oferecer à compreensão do</p><p>funcionamento do sistema jurídico do passado,</p><p>persente e até mesmo de um futuro e suas relações</p><p>com a sociedade, é notável como um entendimento tem</p><p>relação com o outro, onde traz para uma messa redonda</p><p>explicações para determinada norma jurídica ter</p><p>nascido, como se é conhecido, todas às leis partem</p><p>de fatos que ocorrem em determinada comunidade, seus</p><p>costumes, suas crenças e entre outros fatos sociais</p><p>de determinadas épocas que dão motivação para criação</p><p>de regras para solução de possíveis conflitos.</p><p>Muitos não vêm como o estudo da Sociologia do</p><p>Direito é fundamental para a compreensão das relações</p><p>sociais, políticas e jurídicas em uma sociedade. A</p><p>interseção dessas áreas de conhecimento tem sido</p><p>objeto de interesse acadêmico, uma vez que ambos os</p><p>campos contribuem para uma visão mais ampla e crítica</p><p>das estruturas e dinâmicas sociais. Nisso o estudo</p><p>do Direito, sob a perspectiva da Sociologia,</p><p>proporciona uma compreensão crítica das estruturas</p><p>jurídicas e dos mecanismos de tomada de decisão que</p><p>influenciam a sociedade. A análise sociológica do</p><p>Direito permite questionar as relações de poder</p><p>subjacentes ao sistema jurídico, examinar a eficácia</p><p>das normas legais na promoção da justiça social e</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>investigar os processos de construção da legitimidade</p><p>jurídica.</p><p>"A Sociologia permite compreender os mecanismos de</p><p>funcionamento do Direito, desvendando as estruturas</p><p>sociais subjacentes." (LÉVI-STRAUSS, Claude, 2005,</p><p>p.82)</p><p>Direito e a Sociologia revela-se como uma área</p><p>de estudo fértil e relevante, uma vez que ambas as</p><p>disciplinas se complementam e enriquecem mutuamente.</p><p>Por um lado, a Sociologia contribui para uma</p><p>compreensão mais profunda do fenômeno jurídico, ao</p><p>analisar os fatores sociais, históricos e culturais</p><p>que influenciam na criação, aplicação e interpretação</p><p>das leis. Por outro lado, o Direito desempenha um</p><p>papel crucial na estruturação da sociedade, na</p><p>manutenção da ordem e na regulamentação das relações</p><p>sociais.</p><p>Autores como Émile Durkheim, em sua obra "As</p><p>regras do método sociológico" (Durkheim, 2019, p.</p><p>25), ressaltam a importância de compreender o Direito</p><p>como um fenômeno social, resultado das relações e</p><p>interações entre os membros de uma sociedade. Já</p><p>Claude Lévi-Strauss, em "O pensamento selvagem"</p><p>(Lévi-Strauss, 2005, p. 42), argumenta que a análise</p><p>sociológica é essencial para desvendar os</p><p>significados e as estruturas subjacentes às normas e</p><p>instituições jurídicas.</p><p>“O Direito também possui impacto na estrutura</p><p>social.” Hart (2012, p. 87) argumenta que as normas</p><p>jurídicas desempenham um papel fundamental na</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>manutenção da ordem social e no estabelecimento de</p><p>relações de poder. Ao regular as condutas individuais</p><p>e coletivas, o Direito molda as estruturas sociais e</p><p>influencia a distribuição de direitos e</p><p>responsabilidades na sociedade. A compreensão dessa</p><p>interação entre Direito e estrutura social é</p><p>essencial para uma análise crítica e contextualizada</p><p>do fenômeno jurídico.</p><p>Nesse contexto, fica evidente a relação entre o</p><p>estudo do Direito e a Sociologia, examinando suas</p><p>contribuições mútuas, as áreas de interseção, ao</p><p>aprofundar nosso conhecimento sobre essa interação,</p><p>poderemos ampliar nossa compreensão sobre as</p><p>dinâmicas sociais, políticas e jurídicas que moldam</p><p>o funcionamento das sociedades contemporâneas.</p><p>"O Direito é um reflexo das relações sociais e, ao</p><p>mesmo tempo, contribui para moldar essas relações."</p><p>(SANTOS, Boaventura de Sousa, 2000, p. 45)</p><p>Nisso a compreensão do Direito vai além das</p><p>normas e instituições jurídicas isoladamente,</p><p>exigindo uma análise mais ampla das dinâmicas</p><p>sociais, poder, desigualdades e valores presentes em</p><p>uma determinada comunidade. Nesse sentido, a</p><p>Sociologia oferece ferramentas teóricas e</p><p>metodológicas que permitem investigar as relações de</p><p>poder, os processos de legitimação, as estruturas</p><p>sociais e as consequências do Direito para a</p><p>sociedade.</p><p>Ao se apropriar dos conceitos e abordagens</p><p>sociológicas, os estudiosos do Direito podem</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>compreender de maneira mais crítica e contextualizada</p><p>as normas jurídicas, os processos de tomada de</p><p>decisão judicial, os conflitos sociais e as possíveis</p><p>injustiças presentes no sistema jurídico. Além disso,</p><p>a Sociologia oferece uma visão mais ampla e</p><p>interdisciplinar, possibilitando uma análise mais</p><p>abrangente dos fenômenos jurídicos e uma reflexão</p><p>sobre as implicações sociais, políticas e culturais</p><p>das leis e decisões judiciais.</p><p>Portanto, a relação entre o estudo do Direito e</p><p>a Sociologia é fundamental para uma compreensão mais</p><p>aprofundada do papel do Direito na sociedade,</p><p>permitindo uma análise crítica das estruturas sociais</p><p>e das dinâmicas de poder que permeiam as relações</p><p>jurídicas. Essa perspectiva interdisciplinar</p><p>contribui para uma reflexão mais completa sobre as</p><p>bases e fundamentos do sistema jurídico, bem como</p><p>para a busca de soluções mais justas e inclusivas</p><p>para os problemas sociais enfrentados pela</p><p>comunidade.</p><p>Em suma, o Direito se concentra nas normas</p><p>jurídicas e suas aplicações, enquanto a Sociologia</p><p>se dedica a compreender as relações sociais e os</p><p>fenômenos que ocorrem na sociedade como</p><p>um todo.</p><p>Embora tenham enfoques distintos, o estudo do Direito</p><p>e da Sociologia se complementam, pois ambos têm como</p><p>objetivo a compreensão e a análise das interações</p><p>humanas em seu contexto social. Essa interseção</p><p>permite uma visão mais abrangente e aprofundada das</p><p>questões jurídicas e sociais que afetam a vida em</p><p>sociedade. As principais áreas de estudo da</p><p>Sociologia do Direito se abrangem em quarto, são</p><p>elas:</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>Sociologia Jurídica: Onde se examina as estruturas e</p><p>instituições legais em relação à sociedade,</p><p>analisando como as leis são criadas, aplicadas e</p><p>modificadas. Investiga questões como o papel do</p><p>direito na construção da ordem social, o impacto das</p><p>normas legais nas relações sociais e as interações</p><p>entre os atores do sistema jurídico.</p><p>Sociologia da Justiça: Essa já foca no estudo dos</p><p>processos de administração da justiça e na análise</p><p>crítica dos sistemas de justiça. Compreende a forma</p><p>como as decisões judiciais são tomadas, as práticas</p><p>e procedimentos judiciais, a relação entre a lei e a</p><p>justiça social, bem como as questões de acesso à</p><p>justiça e desigualdades no sistema judiciário.</p><p>Sociologia do Direito Internacional: Dispõem se a</p><p>analisar as relações entre o Direito Internacional e</p><p>os atores sociais, considerando as influências</p><p>políticas, econômicas e culturais nas normas</p><p>internacionais. Estuda questões como os direitos</p><p>humanos, o direito humanitário, o comércio</p><p>internacional e as organizações internacionais.</p><p>Sociologia do Controle Social: Por fim em não menos</p><p>importante investiga os mecanismos e processos de</p><p>controle social exercidos pelo sistema jurídico.</p><p>Analisa como o Direito atua na regulação dos</p><p>comportamentos individuais e coletivos, a construção</p><p>das normas sociais, as estratégias de conformidade e</p><p>as formas de resistência e contestação.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>2.1. Interseções entre o Direito e a Sociologia:</p><p>As interseções entre o Direito e a Sociologia</p><p>são pontos de convergência e diálogo entre essas duas</p><p>disciplinas, que abrem espaço para uma compreensão</p><p>mais ampla das relações sociais, políticas e</p><p>jurídicas em uma sociedade. Essas interseções</p><p>permitem uma análise crítica das estruturas e normas</p><p>jurídicas, bem como uma compreensão mais profunda dos</p><p>processos sociais que influenciam e são influenciados</p><p>pelo Direito.</p><p>A Sociologia contribui para o estudo do Direito</p><p>ao fornecer abordagens teóricas e metodológicas que</p><p>possibilitam a compreensão das relações de poder</p><p>presentes nas normas e instituições jurídicas.</p><p>Teorias sociológicas, como o positivismo jurídico, o</p><p>marxismo e a teoria do pluralismo jurídico, oferecem</p><p>diferentes perspectivas sobre a natureza e o papel</p><p>do Direito na sociedade. Essa relação já era vista a</p><p>décadas, conforme visto no livro de Bourdieu, ele</p><p>descrever na seguinte frase essa relação de poder:</p><p>"A análise sociológica do Direito revela como as</p><p>normas jurídicas são utilizadas para legitimar</p><p>determinados interesses e relações de poder."</p><p>(BOURDIEU, Pierre, O poder simbólico, 1977, p. 171)</p><p>Por meio da Sociologia, é possível analisar</p><p>criticamente as estruturas jurídicas, as formas de</p><p>controle social e as desigualdades presentes no</p><p>sistema legal. A Sociologia do Direito investiga como</p><p>as normas e instituições jurídicas são construídas,</p><p>aplicadas e contestadas em diferentes contextos</p><p>sociais.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>Além disso, a Sociologia traz à tona questões</p><p>relacionadas à legitimidade do Direito, explorando</p><p>como a sociedade percebe, adere ou contesta as normas</p><p>e as decisões judiciais. Ela examina os processos de</p><p>construção social do Direito, a influência dos</p><p>valores sociais e a relação entre o sistema legal e</p><p>a cultura.</p><p>Por sua vez, o Direito também impacta a estrutura</p><p>social. Ele exerce poder regulador e define normas</p><p>que moldam as relações sociais e a distribuição de</p><p>recursos e direitos na sociedade. O Direito contribui</p><p>para a manutenção da ordem social e a resolução de</p><p>conflitos, mas também pode perpetuar desigualdades</p><p>sociais e reproduzir estruturas de poder existentes,</p><p>essa estrutura já era estudada por Niklas em seu</p><p>livro:</p><p>"A Sociologia do Direito permite compreender como as</p><p>estruturas sociais influenciam a produção e aplicação</p><p>das normas jurídicas." (LUHMANN, Niklas, Sociologia</p><p>do Direito, 1985, p. 73)</p><p>Portanto, as interseções entre o Direito e a</p><p>Sociologia proporcionam uma compreensão mais</p><p>completa do fenômeno jurídico, destacando a</p><p>importância de abordagens multidisciplinares e do</p><p>diálogo entre as duas áreas. Ao analisar criticamente</p><p>as estruturas jurídicas, as relações de poder e as</p><p>dinâmicas sociais, é possível promover um debate mais</p><p>amplo sobre a justiça, a igualdade e a efetividade</p><p>do sistema legal na sociedade.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>3.2. Conclusão:</p><p>Deste modo o estudo do Direito e da Sociologia é</p><p>de fundamental importância para compreendermos as</p><p>complexas dinâmicas sociais e jurídicas presentes em</p><p>uma sociedade. A interseção dessas disciplinas</p><p>proporciona uma visão mais completa e enriquecedora</p><p>sobre o fenômeno jurídico, seus fundamentos e seu</p><p>impacto na estrutura social.</p><p>Ao estudar o Direito sob uma perspectiva</p><p>sociológica, somos capazes de compreender as relações</p><p>de poder, os conflitos sociais e as formas de</p><p>legitimação jurídica presentes na sociedade. A</p><p>Sociologia do Direito nos ajuda a ir além das normas</p><p>e das instituições jurídicas, investigando os</p><p>contextos históricos, sociais e culturais em que o</p><p>Direito se insere. Ela nos permite analisar as</p><p>consequências sociais das decisões jurídicas, a</p><p>efetividade das normas e o papel do Direito na</p><p>manutenção ou transformação da ordem social.</p><p>Por outro lado, o estudo do Direito também é</p><p>essencial para a Sociologia, uma vez que o Direito</p><p>desempenha um papel central na estruturação das</p><p>relações sociais e na busca pela justiça. O Direito</p><p>molda as estruturas sociais, influencia as normas e</p><p>valores sociais e possui o poder de regular as</p><p>interações entre os indivíduos e os grupos sociais.</p><p>Compreender o Direito é compreender as bases</p><p>normativas e institucionais que moldam a convivência</p><p>em sociedade.</p><p>A importância do estudo da Sociologia do Direito</p><p>reside na sua capacidade de fornecer uma visão</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>crítica e contextualizada do fenômeno jurídico. Ela</p><p>nos permite questionar as bases sociais e históricas</p><p>do Direito, investigar as desigualdades e injustiças</p><p>presentes no sistema jurídico e buscar alternativas</p><p>para uma maior efetividade e equidade no acesso à</p><p>justiça.</p><p>Portanto, a relação entre o estudo do Direito e</p><p>a Sociologia é fundamental para uma compreensão</p><p>abrangente do fenômeno jurídico e das relações</p><p>sociais. Ao integrar essas disciplinas, podemos</p><p>desenvolver uma análise mais completa e crítica sobre</p><p>as estruturas e dinâmicas sociais, bem como buscar</p><p>soluções mais eficazes e justas para os desafios</p><p>contemporâneos.</p><p>É essencial que estudantes e profissionais do</p><p>Direito valorizem a Sociologia do Direito como uma</p><p>ferramenta essencial para uma atuação jurídica mais</p><p>consciente e comprometida com a transformação</p><p>social.</p><p>Ao promover o diálogo entre essas disciplinas,</p><p>podemos avançar em direção a uma justiça mais</p><p>inclusiva e a uma sociedade mais equitativa.</p><p>Referências Bibliográficas:</p><p>DURKHEIM, Émile. As Regras do Método Sociológico. São Paulo:</p><p>Martins Fontes, 2019.</p><p>LÉVI-STRAUSS, Claude. O Pensamento Selvagem. Campinas:</p><p>Papirus, 2005.</p><p>SANTOS, Boaventura de Sousa. A Crítica da Razão Indolente:</p><p>Contra o Desperdício da Experiência. São Paulo: Cortez,</p><p>2000.</p><p>HART, H. L. A. O Conceito de Direito. Lisboa: Fundação</p><p>Calouste Gulbenkian, 2012.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>LOPES, José Reinaldo de Lima. Sociologia do Direito. São</p><p>Paulo: Atlas, 2019.</p><p>COTTA, Maíra Rocha Machado; GONTIJO, Cláudia Mara de Almeida</p><p>Rabelo Viegas. Introdução à Sociologia do Direito. São</p><p>Paulo: Saraiva, 2017.</p><p>GIDDENS, Anthony. Sociologia. Porto Alegre: Artmed, 2005.</p><p>HUNT, Alan. Sociologia do Direito: Conceitos e Teorias</p><p>Fundamentais. São Paulo: RT, 2019.</p><p>SANTOS, Milton. Por uma Outra Globalização: Do Pensamento</p><p>Único à Consciência Universal. Rio de Janeiro: Record, 2000.</p><p>SILVA, Germano Schwartz. Sociologia Jurídica e Sociologia do</p><p>Direito: A Construção de uma Nova Epistemologia. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2019.</p><p>MARX, Karl (1867), em "O Capital".</p><p>SANTOS, Boaventura de Sousa (1987), em "Um discurso sobre as</p><p>ciências".</p><p>KELSEN, Hans (1960), Teoria Pura do Direito.</p><p>LUHMANN, Niklas, Sociologia do Direito, 1985.</p><p>BOURDIEU, Pierre, O poder simbólico, 1977.</p><p>SANTOS, Boaventura de Sousa, 2000.</p><p>LÉVI-STRAUSS, Claude, 2005.</p><p>ALVES, Alaor Caffé. O Que é Filosofia do Direito? Barueri:</p><p>Manole, 2004. BITTAR, Eduardo C. B; ALMEIDA, Guilherme Assis</p><p>de. Curso de Filosofia do Direito. São Paulo: Atlas, 2001.</p><p>BOSON, Gerson de Britto Mello. Filosofia do Direito:</p><p>interpretação antropológica. 2. ed. Belo Horizonte: Del Rey,</p><p>1996.</p><p>CRETELLA JÚNIOR, José. Curso de Filosofia do Direito. 7. ed.</p><p>Rio de Janeiro: Forense, 2001.</p><p>LITRENTO, Oliveiros. Lições de Filosofia do Direito. Rio de</p><p>Janeiro: Editora Rio, 1976.</p><p>MASCARO, Alisson Leandro. A Filosofia do Direito: dos</p><p>modernos aos contemporâneos. São Paulo: Atlas, 2002.</p><p>MENESES,</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>Djacir. Filosofia do Direito. Rio de Janeiro: Ed. Rio, 1975.</p><p>NADER, Paulo. Filosofia do Direito. 7. ed. Rio de Janeiro:</p><p>Forense, 1999.</p><p>OLIVEIRA, Manoel Cipriano. Noções Básicas de Filosofia do</p><p>Direito. São Paulo: Iglu, 2001. OLIVEIRA, Silvério N. Curso</p><p>de Filosofia do Direito. Goiânia: AB, 1999. SOARES, Orlando.</p><p>Filosofia Geral e Filosofia do Direito 3. ed. Rio de Janeiro:</p><p>1998;</p><p>ALBERGARIA, Bruno. Histórias do direito: evolução das leis,</p><p>fatos e pensamentos. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2012.</p><p>ALTAVILA, Jayme de. Origem dos direitos dos povos. 3. ed.</p><p>São Paulo: Melhoramentos, 1963.</p><p>BLOCH, Marc Léopold Benjamim. Introdução à história.</p><p>Tradução de Maria Manuel et al. Mira-Sintra (Portugal):</p><p>Europa-América, 1976.</p><p>BORGES, Vavy Pacheco. O que é história. São Paulo:</p><p>Brasiliense, 1993.</p><p>BOSI, Alfredo. Dialética da colonização. São Paulo:</p><p>Companhia das Letras, 1992.</p><p>CASTRO, Flávia Lages de. História do direito: geral e do</p><p>Brasil. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2009.</p><p>DIMOULIS, Dimitri. Manual de introdução ao estudo do</p><p>direito. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2008.</p><p>DINIZ, Maria Helena. Compêndio de introdução à ciência do</p><p>direito: introdução à teoria geral do direito, à filosofia</p><p>do direito, à sociologia jurídica. São Paulo: Saraiva, 2012.</p><p>FERREIRA, Eduardo Oliveira. A importância da história para</p><p>o direito. Disponível em:</p><p><http://cacyrodosanjos.files.wordpress.com>. Acesso em: 12</p><p>dez. 2013.</p><p>KLABIN, Aracy Augusta Leme. História geral do direito. São</p><p>Paulo: Revista dos Tribunais, 2004.</p><p>JAEGER, Werner Wilhelm. Paidea: a formação do homem grego.</p><p>Tradução de Artur M. Pereira. São Paulo: Martins Fontes,</p><p>1979.</p><p>LOPES, José Reinaldo de Lima. O direito na história: lições</p><p>introdutórias. São Paulo: Max Limonad, 2000.</p><p>FACULDADE ANHANGUERA – POLO DE PARAUAPEBAS</p><p>Disciplina: INTRODUÇÃO AO DIREITO Curso: Direito/Turma:</p><p>Data: ___/___/2024</p><p>Professor:</p><p>Wellington Alves Valente 2º SEMESTRE 2024</p><p>NASCIMENTO, Walter Vieira do. Lições de história do direito.</p><p>Rio de Janeiro: Forense, 2001.</p><p>PINHEIRO, Ralph Lopes. História resumida do direito. 11. ed.</p><p>Rio de Janeiro: Thex, 2004.</p><p>RABINOVICH-BERKMAN, Ricardo David. Trilhas abertas na</p><p>história do direito: conceitos, metodologia, problemas e</p><p>desafios. Rio de Janeiro: Lumen Juris, 2011.</p><p>RÁO, Vicente. O direito e a vida dos direitos. 5. ed. São</p><p>Paulo: Revista dos Tribunais, 1999.</p><p>REALE, Miguel. Lições preliminares do direito. São Paulo:</p><p>Saraiva, 2002.</p><p>SOIBELMAN, Leib. Enciclopédia do advogado. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: Rio, 1981.</p><p>VELOSO, Waldir de Pinho. Filosofia do direito. São Paulo:</p><p>IOB Thomson, 2005.</p><p>VEYNE, Paul. Como escreve a história: Foucault revoluciona</p><p>a história. Tradução de Alda Baltar e Maria Auxiliadora</p><p>Kneipp. 4. ed. Brasília: Ed. UnB, 1998.</p><p>WOLKMER, Antônio Carlos. História do direito no Brasil. Rio</p><p>de Janeiro: Forense, 2010.</p>