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Os movimentos sociais
Apresentação
Os movimentos sociais são um importante indicador da qualidade e do equilíbrio democrático, mas 
também podem questionar, contestar e até insurgir, estremecendo estruturas políticas já abaladas. 
Eles sofreram inúmeras mudanças desde sua concepção mais clássica, de movimento combativo e 
de contestação até os novos movimentos sociais.
Essas mudanças não indicam apenas uma alteração na forma de interagir e de propor 
transformações sociais, mas também uma profunda alteração no posicionamento da sociedade civil 
frente ao Estado.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender as formas mais comuns de mobilização social 
nas sociedades contemporâneas e vai ter contato com as leituras de três grandes teóricos da 
sociologia dos movimentos sociais: Alain Toraine, Manuel Castells e Alberto Melucci.
Com base em suas leituras, você ainda vai ver que um conceito extrapola os arcabouços da 
sociologia dos movimentos sociais, sendo importante para todo o campo sociológico: a definição de 
identidade individual que emerge nas sociedades modernas após a Terceira Revolução Industrial.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Descrever a mobilização social em torno de um problema social específico na formação dos 
movimentos sociais.
•
Identificar as demandas sociais de um movimento social tradicional e dos novos movimentos 
sociais.
•
Relacionar movimentos sociais, Estado e políticas públicas.•
Desafio
Os movimentos sociais podem ter cunho religioso, cultural, étnico, financeiro, ambiental, 
educacional, entre outros. Para alcançarem visibilidade, precisam sensibilizar outros setores da 
sociedade na qual se inserem.
Algumas pautas têm, tradicionalmente, maior apelo entre a sociedade civil, enquanto outras têm 
menos, mas a visibilidade e a compreensão social das demandas apresentadas – e os benefícios 
coletivos da resolução dos problemas vivenciados – são alguns dos objetivos dos movimentos 
sociais para arregimentar apoio e representação política, chegando às mudanças e transformações 
desejadas.
Com essas informações, considere o seguinte contexto:
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/b614a68f-0904-4282-b31c-5c25ecb6d81b/8c8d0b41-3bf8-4b9e-abde-fcde397ca724.png
Diante dessa situação, realize as seguintes propostas:
a) Crie uma proposta de movimento social para sensibilizar a sua comunidade sobre a importância 
do patrimônio histórico brasileiro de expressão local, ou seja, a preservação da memória histórica 
não apenas de monumentos ligados a ícones nacionais.
b) Elabore uma ação para a defesa da casa desse artista como patrimônio. Para isso, pense: como 
levar mais conhecimento sobre essa causa?
c) Escolha um acervo histórico ou museu de história natural de sua cidade, liste dois patrimônios 
materiais (prédios históricos, obras, animais, artefatos) e explique a importância deles para a 
manutenção e o enriquecimento da cultura brasileira. Além disso, identifique que tipos de atores 
fariam parte do grupo para restaurar a casa do artista e qual é a principal demanda, ou seja, qual é a 
pauta reivindicativa do movimento que você criou.
Infográfico
Na contemporaneidade, os movimentos sociais têm agendas e pautas que organizam e direcionam 
sua ação de forma estratégica, planejando e estabelecendo diálogos e solucionando disputas e 
problemas. O passo a passo da organização das agendas define, ainda, que tipos de mobilização e 
de diálogo serão empreendidos.
A definição dessas etapas é uma tarefa de gestão dos movimentos sociais que pode resultar no 
melhor desempenho da divulgação da causa e da consecução dos objetivos. Isso atrai o olhar do 
poder público, gerando maior representação política e conquistando adesão popular.
Neste Infográfico, você vai ver como é feita a criação da pauta e da agenda dos movimentos 
sociais.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/d6c1593b-bba9-4101-84a5-4f1a157c6d21/bba4c8cd-5c6d-401c-a977-4d2e58d6764d.png
Conteúdo do livro
Os movimentos sociais são parte importantíssima do legado democrático. Eles asseguram e 
salientam que o regime político se mantém levando em conta a liberdade de seus cidadãos. Por 
isso, é importante conhecer sua forma de organização e de atuação, além de buscar entender a si 
mesmo como possível ator de um movimento social. Afinal, é provável que se tenha algum 
interesse ou pertença a algum grupo social que deseja ter sua voz ouvida por outros setores da 
sociedade ou pelo Estado.
No entanto, reconhecer as necessidades do outro é também uma forma de participação 
democrática e de garantir a efetividade dos direitos dos diversos grupos sociais, que enfrentam 
realidades sociais distintas. Por isso, os movimentos sociais dialogam não apenas com o Estado, 
mas também com a sociedade civil, expondo dados, conscientizando, democratizando informações 
e buscando apoio.
No capítulo Os movimentos sociais, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você vai entrar 
em contato com alguns dos principais pensadores dos movimentos sociais contemporâneos e vai 
ter um vislumbre do desenrolar histórico que proporcionou às mobilizações sociais chegarem ao 
modelo que têm hoje, especialmente no Brasil. Você vai estudar a maneira como os movimentos 
sociais elaboram as formas de atuação, vai ver como diferenciar os movimentos sociais tradicionais 
dos contemporâneos e ainda como identificar as possibilidades de relação entre Estado e 
movimentos sociais na busca de novas políticas públicas.
SOCIOLOGIA 
CONTEMPORÂNEA
Aline Michele 
Nascimento Augustinho
Movimentos sociais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Descrever a mobilização social em torno de um problema social 
específico na formação dos movimentos sociais.
  Identificar as demandas sociais de um movimento social tradicional 
e dos novos movimentos sociais. 
  Relacionar movimentos sociais, Estado e políticas públicas.
Introdução
Neste capítulo, você vai ver que as mobilizações sociais em torno de 
um objetivo comum a um grupo de pessoas não são organizações 
recentes. Na verdade, a organização social em prol de uma causa é 
uma prática política antiga e pode levar a situações extremas, como 
insurgências, revoltas e até revoluções. As principais revoluções conhe-
cidas se iniciaram a partir de um ideal e um objetivo compartilhado 
por um grupo de pessoas.
Na modernidade, porém, os movimentos sociais passaram a ser 
elementos de diálogo entre sociedade civil e Estado, e também ele-
mentos de diálogos internos aos tecidos sociais. Você vai ver que, ainda 
que o desejo de se agrupar por uma causa seja antigo, os modelos 
de atuação, associação e desenvolvimento dos movimentos sociais 
se alteram a partir do tipo de sociedade na qual se inserem e, essen-
cialmente, a partir da combinação entre contexto político, histórico, 
econômico e cultural.
Por isso, ao longo deste texto, você vai conhecer os aspectos his-
tóricos da formação dos movimentos sociais. Também vai identificar 
as diferenças entre as demandas dos movimentos sociais tradicionais 
e as demandas dos novos movimentos sociais. Por fim, vai ver como 
os movimentos sociais e as suas demandas por diálogo se relacionam 
com o Estado na busca por políticas públicas que atendam às suas 
necessidades.
A formação dos movimentos sociais
Os movimentos sociais são hoje uma das formas mais comuns de mobilização 
para a visibilidade de demandas sociais específi cas. Mas você sabe como 
eles surgiram? A mobilização de pessoas em torno de uma demanda pode 
não parecer recente, mas hoje assume formas de organização e articulação 
diferentes das que possuía no passado.
Até o início do século XX, as mobilizações sociaismuitas demissões e, especialmente, muita vio-
lência contra os trabalhadores. Mas, por meio dele, alguns dos fundamentos 
dos direitos trabalhistas que você conhece hoje foram delineados. É o caso 
do benefício de folgas semanais remuneradas, do pagamento de horas extras, 
bem como da supressão do trabalho infantil e de trabalhos insalubres para 
gestantes — ao menos nos ambientes laborais urbanos.
Dessa forma, observe: há um grupo social, os trabalhadores, que estabelecem 
uma pauta, que são melhores condições de trabalho. Após a pauta, foi estabelecida 
a agenda: as formas de mobilização, greves e concentração em frente às fábricas. 
Tudo isso se direciona ao Estado, para que observe a reivindicação do grupo e a 
supra. Supridas as pautas, a agenda é reorganizada, e o grupo pode se preparar 
para uma nova demanda, ou se direcionar à manutenção da organização. Esse 
é um exemplo clássico de movimento social tradicional. Nesse caso específico, 
preocupado com o avanço comunista na Europa, especialmente a partir da Re-
volução Russa de 1919, o Estado estabeleceu que o mais seguro para garantir a 
estabilidade nacional e afastar a ameaça comunista era criar e manter um canal 
de comunicação estável e contínuo com os trabalhadores. Posteriormente, foram 
criados os sindicatos, para que um grupo destacado especificamente para isso 
assegurasse que as demandas dos trabalhadores fossem atendidas e que, uma 
vez assegurados os seus direitos, a ordem fosse mantida. Trata-se de um jogo 
em que o Estado oferece as soluções ao grupo social.
Os modelos tradicionais de movimentos sociais se articulam de forma a 
obter uma resposta do Estado. Há um problema, e os movimentos sociais 
pedem que o Estado o observe. Ou seja, há aí, além do diálogo horizontalizado, 
um movimento que parte da sociedade para o Estado e, espera-se, do Estado 
para a sociedade. Os novos movimentos sociais, por sua vez, emergem a partir 
da década de 1970, na Europa e nos Estados Unidos. Posteriormente, atingem 
a porção sul do hemisfério, especialmente com o movimento feminista e o 
movimento ambientalista. A diferença entre o novo modelo e o tradicional é 
que os novos movimentos sociais articulam seu diálogo não em direção ao 
Estado, mas em direção aos tecidos sociais. O sentido da interação parte da 
sociedade e se dirige à própria sociedade.
5Movimentos sociais
Isso ocorre porque, a partir dos anos 1970, as ditaduras na América Latina 
e na África e a Guerra no Vietnã diminuíram drasticamente o espaço que os 
movimentos sociais podiam ocupar. O diálogo não existia e, quando havia 
a possibilidade de manifestação sem repressão, não havia resposta. Assim, 
os movimentos sociais contestatórios dos anos 1950 e 1960 deram lugar aos 
movimentos sociais que buscavam dialogar com setores diferentes da socie-
dade. O sociólogo Melucci (2001) explica que, nesse período, a sociedade civil 
se coloca na arena política como um ator dissociado do Estado. Na ausência 
de resposta ou impossibilidade de expressão, este deve se voltar aos atores 
internos. Todo cidadão seria um ator social, no sentido de que ele poderia 
protagonizar os caminhos de suas demandas e crenças.
Os atores sociais, então, se organizariam em redes, encontrando outros atores 
que dividissem as mesmas expectativas e necessidades. Assim, eles tentariam 
sanar os problemas e necessidades, ou então conscientizar outros setores e 
outros atores sociais sobre determinada causa. Nesse sentido, o diálogo per-
manece horizontalizado, mas não se dá mais em direção ao Estado. Ele ocorre 
internamente, de um grupo de atores sociais para os outros grupos. Os novos 
movimentos sociais buscam a conscientização e também a solução. Por isso, nesse 
período, surgem as organizações não governamentais (ONGs), que se destinam 
a promover uma causa desde a sua apresentação até as soluções possíveis. 
Os novos movimentos sociais também possuem características mais homo-
gêneas do que as dos movimentos tradicionais, de forma que alguns se tornaram 
mundiais. É o caso do movimento ambientalista. Nesse movimento, setores da 
sociedade civil se organizaram para que os outros atores das sociedades passas-
sem a ter mais consciência sobre o consumo de recursos naturais, promovendo 
a preservação. Mais ainda, se organizaram a fim de que a própria sociedade, 
independentemente da resposta do Estado, pudesse cuidar disso. Foi o que 
aconteceu na criação da ISO 9000, a International Standart Organization, 
que, na década de 1970, oferecia um selo de qualidade para as empresas que 
comprovadamente produzissem os menores impactos ambientais possíveis. 
Os novos movimentos sociais inauguraram aquilo se chama hoje de terceiro 
setor: organizações não estatais que surgem na sociedade civil, mas não se 
mantêm apenas como parte do tecido social. A partir da década de 1980, 
elas ganham grande visibilidade e poder. O referido selo ISO, por exemplo, 
ultrapassou a Europa e ganhou o mundo. Desde então, as empresas procu-
ram enquadrar suas produções para obtê-lo. Além disso, alguns setores do 
Estado, em licitações, privilegiam a contratação de empresas que o possuam. 
Nesse sentido, a sociedade se torna protagonista de sua própria demanda, na 
medida em que o selo é produzido, aplicado e fiscalizado inteiramente por 
Movimentos sociais6
ela, sem intervenção do Estado. As sociedades compreenderam que podem 
se articular internamente, a partir de sua demanda, obtendo como resposta a 
fiscalização social. Nesse sentido, você pode considerar que o consumo foi 
um dos direcionadores para o estabelecimento desse cenário.
Movimentos sociais, Estado e políticas públicas
Os anos 2000 trouxeram novas formas de organização para os movimentos 
sociais, bem como novas formas de diálogo entre sociedade civil e Estado. 
Há uma emergência de novos movimentos sociais contestatórios, que se as-
semelham na forma aos movimentos sociais tradicionais. No entanto, há uma 
série de dispositivos constitucionais que asseguram a sua existência e as pos-
sibilidades de resposta pelo Estado. Por outro lado, a sociedade civil continua 
se articulando em movimentos sociais para si mesma, por meio das ONGs. 
A partir desse período, as demandas dos movimentos sociais passaram a ser 
utilizadas pelo Estado como parâmetros para a constituição de políticas públicas 
específicas. Normalmente, a partir de uma demanda específica e da organização 
em torno de um tema, é possível ganhar visibilidade. A partir da esfera local, é 
possível projetar as agendas dos movimentos a fim de que haja a resposta gover-
namental. A resposta se dá por meio, principalmente, de novas políticas públicas. 
Você já percebeu que, cada vez mais, há a presença de intérpretes de 
Libras (Língua Brasileira de Sinais) em instituições educacionais, entidades 
e repartições públicas, e até mesmo em eventos culturais, como shows, peças 
de teatro, etc.? A presença desses profissionais permite que pessoas surdas 
ou com deficiências auditivas possam se integrar socialmente, participando e 
transitando por todas as esferas em que uma pessoa ouvinte circula. 
Essa prática está ainda se estabelecendo, mas a ideia é que quem se comunica 
usando Libras possa ter conforto em qualquer lugar público. Por que isso acontece 
hoje? Porque os movimentos sociais ligados à inclusão social, especificamente 
os ligados à defesa de direitos da pessoa surda ou com deficiência auditiva, 
conseguiram estabelecer suas pautas. Assim, o Estado tomou providências e 
respondeu a tais demandas sob a forma de políticas públicas. Atualmente, as 
unidades federativas da União, ou seja, os estados, têm autonomia para definir 
como as suas instituições de ensino oferecerão os elementos que garantam a 
inclusão de pessoas com deficiência, mas é muito claro que as demandas dos 
movimentos pela inclusão social e educacional tiveram resultados. 
Para acontecerem, os movimentos sociais dependem de uma série de fatores 
que os tornam únicos, sem comparações com outros, embora possa haver 
7Movimentossociais
“precedentes”, movimentos que inspirem ou impulsionem outra mobilização 
no futuro. Tudo depende do cenário histórico, cultural, político e econômico. 
Por isso, a sociologia dos movimentos sociais não faz uma única abordagem 
teórica ao tema. Na verdade, não há um consenso entre os pesquisadores sobre 
qual leitura seria a melhor para a análise de uma mobilização importante. En-
tretanto, existem alguns pesquisadores que aparecem frequentemente quando 
a sociologia dos movimentos sociais se propõe a analisar determinado evento. 
São eles: Alain Touraine, Alberto Melucci e Manuel Castells.
Esses três autores trabalham o conceito de movimento social na modernidade, 
ou seja, estudam os movimentos formados após a década de 1970, também cha-
mados de novos movimentos sociais. É importante que você perceba que existe 
uma diferença entre os movimentos sociais anteriores à década de 1960 e os que 
vieram após esse período. Até então, a ocupação dos espaços públicos para a 
organização civil se baseava também no conceito de classes sociais, bem como 
na noção de que uma classe utilizava o campo da reivindicação para questionar 
os privilégios de outras classes. Essa leitura clássica dos movimentos sociais 
está associada a uma leitura estrutural marxista de disputa de classes. Essa 
disputa, essa contestação de privilégios, terminaria inevitavelmente no conflito. 
A leitura clássica dos movimentos sociais, portanto, tem viés marxista e 
foco na temática contestatória (PICOLOTTO, 2007). Ela se altera a partir da 
década de 1960 por dois fatores essenciais: a transformação dos modos de 
produção pelo primeiro período da revolução da informação e a existência 
de grande número de regimes autoritários e/ou ditatoriais pelo mundo, espe-
cialmente na América Latina, na África e na Ásia. A alteração nos modos de 
produção diminui o sentido de classe e comunidade. Assim, se passa a dar 
maior ênfase à estruturação do conceito de indivíduo. É na relação entre um 
conjunto de individualidades e no diálogo com o Estado na modernidade que 
se baseiam as leituras dos novos movimentos sociais.
O sociólogo francês Touraine (2003) oferece uma leitura historicista dos 
movimentos sociais. Para ele, esses movimentos surgem porque os atores 
sociais entendem que, para alcançar um propósito ou mudar algum fator 
estrutural da sociedade, é preciso ter o controle das especificidades históricas 
que orientam e determinam aquela sociedade, ou seja, os fatores culturais que 
a moldam. Além disso, Touraine (2003) identifica três princípios formadores 
dos movimentos: a identidade, ou seja, quem é o ator no movimento social; a 
oposição, ou o adversário (PICOLLOTO, 2007), que limita as possibilidades 
de que o movimento atinja seus objetivos; e a totalidade, ou seja, o complexo 
esquema entre estrutura da sociedade, cultura e história que o grupo social em 
movimento deseja alterar. Para Touraine (2003), embora o Estado seja ainda o 
Movimentos sociais8
elemento integrador daquele conjunto social, é na identidade do sujeito e em 
suas particularidades exteriores à estrutura do Estado que está alicerçado o 
conceito de modernidade. Isso faz com que os chamados novos movimentos 
sociais sejam diferentes dos movimentos clássicos.
No link a seguir, você pode assistir à entrevista do sociólogo Alain Touraine para a rede 
de televisão portuguesa EuroNews. Nela, ele fala sobre o conceito de identidade e ação 
coletiva, que é aplicado à sua leitura dos movimentos sociais, por meio do processo 
de recepção de imigrantes às terras europeias. 
https://goo.gl/wgYpvq
Para Castells (1999), a perspectiva inicial sobre os movimentos sociais também 
se inicia pela perspectiva marxista, especialmente para que sejam salientadas as 
mudanças estruturais. Para ele, a revolução informacional, ou Terceira Revolução 
Industrial, altera não apenas os meios de produção, mas as formas de relacio-
namento social, fazendo com que a oposição indivíduo-Estado se modifique. 
Assim, surge uma construção mais cultural dos movimentos sociais, baseada 
especialmente em diálogos intrassociedade, de um segmento para o outro. Há 
ainda um elemento influenciador para tal alteração: a crise do Estado originada 
pelos desequilíbrios econômicos do período, que fez com que os indivíduos se 
articulassem para criar soluções sem a participação integral do Estado. Ou seja, 
não era mais produtivo contestar o Estado e gerar um conflito se este estava em 
crise e não poderia resolver as demandas. Os atores sociais, articulados, traba-
lhariam até que fosse possível de forma autônoma, até o momento em que fosse 
necessário dialogar com o Estado. Você deve perceber que essa relação entre 
indivíduo e Estado, embora suavizada nesse contexto, nunca foi suprimida. Mas 
o contexto, que imprimiu marcas únicas à modernidade, trouxe à tona um cenário 
sem precedentes, por isso as formas de articulação social também eram inéditas.
Melucci (2001) colabora para o arcabouço teórico da área com sua concepção 
de redes. Para ele, a modernidade conforma uma maneira única de relacionamento 
e organização social, em que cada indivíduo é um ator na arena social e política. 
Por isso, as mobilizações sociais derivam da formação de redes de movimentos 
sociais. O conceito de redes emerge porque os movimentos estariam, de alguma 
forma, interligados. Uma vez que não há o conceito de contraposição pela dis-
9Movimentos sociais
puta de classes, os interesses individuais podem cruzar as agendas de mais de 
um movimento, e o ator social não é apenas o ator de uma classe, mas de seus 
inúmeros interesses. Assim, um ator do movimento feminista pode também ser 
ator do movimento ambientalista, por exemplo. E esses dois movimentos podem 
ter pautas em comum: um movimento ambientalista que defende o manejo sus-
tentável de áreas de proteção ecológica pode fomentar a produção artesanal de 
mulheres ribeirinhas — e este trabalho pode também ser o foco de um movimento 
feminista local. Assim, haveria redes de movimentos sociais dialogando também 
com o Estado, mas, de forma mais intensa, dialogando entre si. 
No Brasil, a pesquisadora mais reconhecida nas análises sobre a conjuntura e 
a formação dos movimentos sociais é a professora Maria da Glória Gohn. Gohn 
(2000) elabora um esquema de leitura e classificação dos movimentos sociais. 
Tal esquema também vincula a perspectiva marxista aos movimentos clássicos 
e relaciona os novos movimentos sociais àqueles moldados por perspectivas 
culturais extraclasses. Contudo, Gohn (2000) inova ao inserir a categoria dos 
movimentos sociais latino-americanos. Para ela, há uma especificidade nos 
movimentos sociais latinos, formados pela condição de dependência periférica 
dos Estados na América Latina.
Um exemplo da relação entre Estado, movimentos sociais e políticas públicas pode 
ser observado nas pautas do movimento norte-americano #NeverForget (Nunca 
Esquecer). Em fevereiro de 2018, um jovem de 19 anos chamado Nikolas Cruz invadiu 
o prédio da escola Marjory Stoneman Douglas, na Flórida, Estados Unidos, onde havia 
estudado durante o ensino médio. O rapaz portava uma arma AR-15 e, atirando a esmo, 
atingiu diversas pessoas, matando 14 adolescentes e três adultos. A arma foi comprada 
legalmente, o jovem já havia atingido a maioridade legal e não teve dificuldades para 
adquirir o artefato nem para entrar na escola, já que havia sido um estudante que não 
ofereceu problemas à instituição. 
Os sobreviventes do massacre articularam um movimento de contestação, que rapi-
damente se espalhou para outras cidades do país com ajuda da internet. O movimento 
obteve a atenção midiática de redes de televisão e jornais impressos e online, arregimen-
tando milhões de pessoas no país. O movimento chamado #NeverForget se propunha 
a chamar a atenção dos legisladores para o comércio de armas de fogo, clamando por 
dispositivos que impedissem a venda livre a todos os tipos de público. No dia 24 de 
março de 2018, liderado por jovens entre 14 e 18 anos,o #NeverForget levou milhões 
de pessoas à capital federal, Washington, com outros polos de concentração ao redor 
do país, atingindo Europa, Ásia e América Latina. O movimento arrefeceu no tocante 
à ocupação dos espaços públicos a partir de abril, permanecendo nas redes sociais.
Movimentos sociais10
ARENDT, H. Homens em tempos sombrios. São Paulo: Companhia de Bolso, 2008.
CASTELLS, M. Sociedade em rede. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1999.
GOHN, M. G. Teoria dos movimentos sociais: paradigmas clássicos e contemporâneos. 
2. ed. São Paulo: Edições Loyola, 2000.
HABERMAS, J. O comportamento político dos estudantes comparado ao da população 
em geral. In: BRITTO, S. (Org.). Sociologia da juventude. Rio de Janeiro: Zahar, 1968. v. 
2, p. 115-132.
MELUCCI, A. A invenção do presente: movimentos sociais nas sociedades complexas. 
Petrópolis: Vozes, 2001.
PICOLOTTO, E. L. Movimentos sociais: abordagens clássicas e contemporâneas. CSOnline: 
Revista Eletrônica de Ciências Sociais, Juiz de Fora, ano 1, ed. 2, p. 156-177, nov. 2007.
TOURAINE, A. Poderemos viver juntos? Iguais e diferentes. Petrópolis: Vozes, 2003.
Leituras recomendadas
ALTHUSSER, L. A corrente subterrânea do materialismo do encontro (1982). Crítica 
Marxista, São Paulo, n. 9, p. 9-48, 2005. 
CASTELLS, M. Redes de indignação e esperança: movimentos sociais na era da internet. 
Rio de Janeiro: Zahar, 2013. 
11Movimentos sociais
Conteúdo:
Dica do professor
A revolução informacional ou revolução nas formas de comunicação social, ocorrida a partir da 
década de 1970, alterou também as formas de expressão dos grupos sociais. Atualmente, a internet 
é uma das plataformas para promoção e visibilidade das agendas e pautas dos movimentos sociais.
Para além da mera exposição das demandas e pautas, a configuração das dinâmicas do ciberespaço 
permitiu que novas formas de interação dentro e entre os movimentos sociais e a sociedade civil se 
estabelecessem, agilizando comunicações e projetando informações importantes, levando os 
movimentos a ganharem mais adeptos e a sociedade ao conhecimento de causas menos divulgadas 
pelas mídias de massas.
Nesta Dica do Professor, você vai ver que, nas grandes mobilizações mundiais a partir da década de 
2000, a internet teve papel-chave. Todos os movimentos sociais recentes utilizam essa ferramenta 
em alguma escala, mas alguns se fundamentam completamente nela.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/ea7bc749e911c8d53f5ddee6fff92347
Exercícios
1) Os movimentos sociais são articulações organizadas da sociedade civil em prol de demandas 
ou ideias. Essa organização se direciona ao diálogo com a sociedade e com o Estado, 
tornando públicas as ações e democratizando as informações sobre a causa e seus impactos 
sociais.
Considerando essas informações, responda: quais são os dois elementos que, 
respectivamente, modelam a estrutura e direcionam a ação dos movimentos sociais 
contemporâneos?
A) Pauta e assunto.
B) Partido e pauta.
C) Agenda e pauta.
D) Agenda e assunto.
E) Assunto e agenda.
2) O sociólogo Alberto Melucci é um dos pensadores que mais contribuíram para a 
compreensão dos novos movimentos sociais nas últimas décadas do século XX. De acordo 
com ele, o que representam os protagonistas dos movimentos? Escolha a opção correta. 
A) Líderes.
B) Motivadores.
C) Apoiadores.
D) Atores.
E) Contestadores.
3) Os movimentos sociais, sua ação e a resposta a eles proveniente do Estado são indicadores 
das possibilidades de equilíbrio democrático em uma sociedade. Sendo assim, qual é o fluxo 
da mobilização, da agenda e das pautas dos movimentos sociais de contestação? Assinale a 
alternativa correta. 
A) Da sociedade civil para o Estado.
B) Da sociedade civil para a ONU.
C) Da sociedade civil para outros setores da mesma sociedade.
D) Do Estado para a ONU.
E) Da ONU para a sociedade civil.
4) No início do século XX, a ocupação dos espaços públicos na forma de movimentos sociais, 
especialmente nos Estados democráticos, estabelece nova forma de diálogo entre sociedade 
civil e Estado. Como essa relação passa a ser? Marque a opção correta. 
A) Verticalizada: a sociedade tem mais poder que o Estado.
B) Verticalizada: o Estado tem mais poder que a sociedade civil.
C) Horizontalizada: empresas e Estado têm o mesmo poder na arena de diálogo.
D) Horizontalizada: Estados nacionais de um mesmo continente têm poder semelhante.
E) Horizontalizada: Estado e sociedade civil dialogam de forma igualitária.
5) Os movimentos sociais podem ter como pauta a sensibilização social, na busca de empatia, 
aceitação e respeito de um grupo, ou ainda a obtenção de políticas públicas que resolvam 
determinado problema. Escolha entre as alternativas a seguir aquela que exprime uma pauta 
de sensibilização social, cujo movimento de diálogo se dá da sociedade civil para a sociedade 
civil. 
A) Movimento para descriminalização da cannabis para uso medicinal. 
B) Movimento de conscientização das potencialidades profissionais de pessoas no espectro do 
autismo. 
C) Movimento separatista de uma unidade federativa.
D) Movimento ambientalista pela demarcação de território legalmente protegido no Pantanal. 
E) Movimento pela facilitação da legalização de imigrantes e refugiados venezuelanos no Brasil. 
Na prática
Mobilizações sociais se dão em torno de agendas específicas, que podem ser concentradas em 
pauta única para que o movimento ganhe visibilidade em um espaço social específico ou ainda em 
uma data ou época do ano cujos apelos sociais, culturais e simbólicos possam beneficiar a causa. 
Dessa forma, as ações são mais orientadas e podem produzir resultados já imediatos, uma vez que 
os movimentos sociais requerem, algumas vezes, mudanças de comportamento também da 
sociedade civil e não apenas do Estado.
Com a definição de ações e estratégias na agenda do movimento, é possível definir com clareza de 
que forma as informações e demandas chegarão tanto à sociedade civil quanto ao Estado. Assim, 
torna-se também possível definir ações que coadunem diálogos horizontais e verticais.
Acompanhe, Na Prática, como uma pauta é desenvolvida para impactar as políticas públicas do país.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Candidaturas coletivas: uma nova forma de interação entre 
movimentos sociais e partidos políticos
Neste artigo, você vai ver que as candidaturas coletivas emergiram na segunda década do século 
XXI como uma possibilidade de movimentos sociais alcançarem representações institucionais. Essa 
nova possibilidade rompe com as tradicionais de vínculos entre representantes e movimentos 
sociais, inaugurando uma nova forma de diálogo e exposição das pautas.
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Controle social na cidade: a criminalização dos movimentos 
sociais como estratégia de gestão do espaço urbano
Neste estudo, você vai ler sobre os movimentos sociais, que refletem as garantias de expressão 
para uma sociedade democrática. Há a construção de narrativas sociais e políticas que criminalizam 
os movimentos sociais, emergindo como tentativas de controle social, influenciando a opinião 
pública e restringindo os espaços de participação.
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Identidade, diferença e reconhecimento: um olhar sobre os 
movimentos de mulheres indígenas no Brasil e a pauta de 
enfrentamento à violência de gênero
Neste artigo, você vai compreender melhor os movimentos sociais, que não são homogêneos, já 
que seus participantestêm diferentes características que compõem sua identidade. Assim, é 
https://www.scielo.br/j/dados/a/9VsssQPNdJWBz7jKgxcTtLm/?format=pdf&lang=pt
https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/capturacriptica/article/view/7121/6032
possível que nos movimentos sociais existam recortes que tornem mais localizados e objetivos os 
olhares que as demandas sociais requerem. Um exemplo são os movimentos sociais de mulheres 
indígenas, que integram os movimentos dos povos indígenas, mas apresentam a necessidade de 
especialização do olhar diante de uma realidade vivenciada por essas mulheres em busca de seus 
direitos elementares e efetividade de sua cidadania.
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O conceito dos movimentos sociais revisitado
Neste artigo, você vai ler sobre a elaboração de conceitos para a interpretação científica dos 
movimentos sociais a partir das temáticas contemporâneas.
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As teorias dos movimentos sociais: um balanço do debate
Neste link, você encontra um artigo com as três principais teorias de explicação dos movimentos 
sociais constituídas nos anos 1970: a teoria de mobilização de recursos, a teoria do processo 
político e a teoria dos novos movimentos sociais.
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História do movimento político das pessoas com deficiência no 
Brasil
Neste site, você vai ver reportagem e vídeo sobre a trajetória histórica do movimento social com 
essa temática no Brasil.
Identidade, diferen�a e reconhecimento: um olhar sobre os movimentos de mulheres ind�genas no Brasil e a pauta de enfrentamento � viol�ncia de g�nero
https://periodicos.ufsc.br/index.php/emtese/article/view/13624/12489
https://www.scielo.br/pdf/ln/n76/n76a03.pdf
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https://inclusaoja.com.br/2011/08/14/documentario-historia-do-movimento-politico-das-pessoas-com-deficiencia-no-brasil/#:~:text=O%20document%C3%A1rio%20%E2%80%9CHist%C3%B3ria%20do%20Movimento,garantia%20de%20seus%20direitos%20fundamentais.têm diferentes características que compõem sua identidade. Assim, é 
https://www.scielo.br/j/dados/a/9VsssQPNdJWBz7jKgxcTtLm/?format=pdf&lang=pt
https://ojs.sites.ufsc.br/index.php/capturacriptica/article/view/7121/6032
possível que nos movimentos sociais existam recortes que tornem mais localizados e objetivos os 
olhares que as demandas sociais requerem. Um exemplo são os movimentos sociais de mulheres 
indígenas, que integram os movimentos dos povos indígenas, mas apresentam a necessidade de 
especialização do olhar diante de uma realidade vivenciada por essas mulheres em busca de seus 
direitos elementares e efetividade de sua cidadania.
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O conceito dos movimentos sociais revisitado
Neste artigo, você vai ler sobre a elaboração de conceitos para a interpretação científica dos 
movimentos sociais a partir das temáticas contemporâneas.
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As teorias dos movimentos sociais: um balanço do debate
Neste link, você encontra um artigo com as três principais teorias de explicação dos movimentos 
sociais constituídas nos anos 1970: a teoria de mobilização de recursos, a teoria do processo 
político e a teoria dos novos movimentos sociais.
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História do movimento político das pessoas com deficiência no 
Brasil
Neste site, você vai ver reportagem e vídeo sobre a trajetória histórica do movimento social com 
essa temática no Brasil.
Identidade, diferen�a e reconhecimento: um olhar sobre os movimentos de mulheres ind�genas no Brasil e a pauta de enfrentamento � viol�ncia de g�nero
https://periodicos.ufsc.br/index.php/emtese/article/view/13624/12489
https://www.scielo.br/pdf/ln/n76/n76a03.pdf
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https://inclusaoja.com.br/2011/08/14/documentario-historia-do-movimento-politico-das-pessoas-com-deficiencia-no-brasil/#:~:text=O%20document%C3%A1rio%20%E2%80%9CHist%C3%B3ria%20do%20Movimento,garantia%20de%20seus%20direitos%20fundamentais.

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