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CARLOS EDUARDO PULZ DE ARAÚJO
RODINEI VIEIRA VELOSO
SEMIOLOGIA E PRESCRIÇÃO 
FARMACÊUTICA
SEMIOLOGIA E PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA
2024
Carlos Eduardo Pulz de Araújo
Rodinei Vieira Veloso
DIRETOR-PRESIDENTE 
Frei Daniel Dellandrea, OFM
DIRETOR-VICE-PRESIDENTE 
Frei Alvaci Mendes da Luz, OFM
REITOR 
Frei Gilberto Gonçalves Garcia, OFM 
VICE-REITOR 
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO 
Adriel de Moura Cabral 
PRÓ-REITOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO 
Dilnei Giseli Lorenzi 
COORDENADOR DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD 
Franklin Portela Correia
CENTRO DE INOVAÇÃO E SOLUÇÕES EDUCACIONAIS - CISE
Franklin Portela Correia
PROJETO GRÁFICO
Centro de Inovação e Soluções Educacionais - CISE
CAPA
Centro de Inovação e Soluções Educacionais - CISE
DIAGRAMADORES
Simone Aparecida Barbosa
© 2024 Universidade São Francisco
Avenida São Francisco de Assis, 218
CEP 12916-900 – Bragança Paulista/SP
CASA NOSSA SENHORA DA PAZ – AÇÃO SOCIAL FRANCISCANA, PROVÍNCIA 
FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL – 
ORDEM DOS FRADES MENORES
CARLOS EDUARDO PULZ DE ARAÚJO
Graduação em Farmácia pela Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP (1988), 
Mestrado (1993) e Doutorado em Ciências - Área de Farmacologia pela Universidade 
Estadual de Campinas? UNICAMP (1998). Professor Associado Doutor da Universidade 
São Francisco de Bragança Paulista ? USF, exercendo atividades Docentes junto aos 
Cursos de Farmácia e Medicina. Coordenador Pedagógico e Docente do Programa Lato 
sensu de Pós-Graduação em Farmácia Clínica e Prescrição Farmacêutica (Campinas 
e Bragança Paulista)- USF; Coordenador da Comissão de Residência Multiprofissional 
em Saúde ? COREMU, Coordenador do Programa de Residência Multiprofissional em 
Saúde Intensiva. Coordenador do Comitê de Ética em Pesquisa ? CEP/USF. Membro 
da Comissão de Simulação Realística - USF. Avaliador Institucional e de Cursos do SI-
NAES/INEP/MEC. Avaliador Institucional junto ao Conselho Estadual de Educação do 
Estado de São Paulo (CEE-SP). Docente com ampla experiência em Cursos de Pós-
-Graduação Lato sensu, tendo como áreas de atuação: Farmacologia Clínica, Farmácia 
Clínica, Farmácia Hospitalar e Atenção Farmacêutica. Autor e coautor de livros e artigos 
científicos na área da Farmacologia Clínica, Farmácia Clínica, Atenção Farmacêutica e 
Metodologias Ativas com Enfoque em Simulação Realística.
RODINEI VIEIRA VELOSO
Possui graduação em Farmácia pela Universidade São Francisco (1990), Especialista 
em Patologia Clínica pela Universidade de Guarulhos, ministrante de curso de aper-
feiçoamento profissional do Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo. 
Atualmente é professor assistente da Universidade São Francisco, professor assistente 
do Centro Universitário Padre Anchieta em Jundiaí , atuando principalmente nos seguin-
tes temas: Assistência e Atenção Farmacêutica, gerenciamento, produtos controlados, 
aplicação de injetáveis, farmácias notificadoras, diabetes e hematologia clínica.
OS AUTORES
SUMÁRIO
UNIDADE 01: SEMIOLOGIA E PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA: HISTÓRICO E 
CONCEITOS / PROBLEMAS DE SAÚDE AUTOLIMITADOS / ANAMNESE FAR-
MACÊUTICA: RECONHECIMENTO DE SINAIS E SINTOMAS ........................... 6
1. Macrocomponentes do Processo Assistencial para Realizar a Prescrição Farma-
cêutica com Qualidade e Segurança Para o Paciente ............................................6
UNIDADE 02: ACOLHIMENTO, TÉCNICAS DE ENTREVISTA, COMUNICAÇÃO 
FARMACÊUTICO-PACIENTE E EQUIPE DE SAÚDE ..........................................28
1. O Cuidado Farmacêutico: Bases para a Construção de Um Serviço de Clínica 
Farmacêutica ...........................................................................................................28
UNIDADE 03: CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS NO BRASIL SEGUNDO 
A ANVISA E AS EXIGÊNCIAS DE PRESCRIÇÃO / GRUPOS E INDICAÇÕES TE-
RAPÊUTICAS ESPECIFICADAS (GITE) PARA MEDICAMENTOS ISENTOS DE 
PRESCRIÇÃO MÉDICA / DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS ISENTOS DE 
PRESCRIÇÃO MÉDICA: ANÁLISE DA SITUAÇÃO, TOMADA DE DECISÃO E DE-
FINIÇÃO DO TRATAMENTO; ..................................................................................59
1. O que são Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP) ......................................59
2. Quais são as Características que Um Medicamento Isento de Prescrição (MIP) 
deve ter ...................................................................................................................61
3. Quais são os Medicamentos Isentos de Prescrição ...........................................61
4. Como Reconhecer Um Medicamento Isento de Prescrição ................................70
5. Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE) para Medicamentos Isen-
tos de Prescrição Médica ........................................................................................71
UNIDADE 04: CENÁRIOS CLÍNICOS RELACIONADOS A PROBLEMAS DE SAÚ-
DE AUTOLIMITADOS / PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA EM PROBLEMAS DE 
SAÚDE AUTOLIMITADOS: DOR E FEBRE, DOR DE CABEÇA / PRESCRIÇÃO DE 
SUPLEMENTOS. ......................................................................................................82
1. Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados .................82
2. Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor, febre e dor 
de cabeça ................................................................................................................87
3. Legislação ..........................................................................................................107
6
1
• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
UNIDADE 1
• SEMIOLOGIA E PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA: HISTÓRICO 
E CONCEITOS
• PROBLEMAS DE SAÚDE AUTOLIMITADOS
• ANAMNESE FARMACÊUTICA: RECONHECIMENTO DE 
SINAIS E SINTOMAS
INTRODUÇÃO
A semiologia farmacêutica é o estudo dos sinais e sintomas das doenças humanas na 
farmácia. Envolve a análise e avaliação clínica dos sinais e sintomas, sendo fundamen-
tal para a prática clínica. Ao mesmo tempo, dispensar ou fornecer cuidado farmacêutico 
centrado no paciente requer conhecimentos, aptidões e sabedoria para compreender 
diferenças individuais e culturais. Inclusive, ter sensibilidade para distinguir a importân-
cia da liberdade, expectativas e percepções do paciente sobre si e sua enfermidade. 
Esta concepção exige uma arte de comunicação que favoreça o relacionamento entre 
as pessoas, além do cuidado na totalidade. Para realizar a prescrição farmacêutica com 
qualidade e segurança, a comunicação eficiente auxilia a identificar problemas e desen-
volver respostas adequadas às necessidades do paciente, contribuindo para o cuida-
do dos pacientes. As competências de comunicação são importantes no atendimento 
farmacêutico, na construção da relação farmacêutico/paciente e nos procedimentos de 
educação em saúde. 
No presente e-book, foi elaborado um material didático que atendesse às necessidades 
pedagógicas básicas deste aluno nesta ciência, ao mesmo tempo, em que proporcionas-
se a instrumentalização necessária para a educação continuada sobre o tema semiologia 
e prescrição farmacêutica após o término do semestre. As unidades foram organizadas 
seguindo uma lógica construtivista, com cada capítulo integrado de forma interdisciplinar 
os conteúdos anteriores e posteriores na caminhada pedagógica. Com dedicação para o 
desenvolvimento deste e-book, almeja-se o sucesso e o entusiasmo por este componente 
complexo no emprego de técnicas semiológicas para diagnóstico de manifestações pato-
lógicas e na aplicação de cuidados farmacêuticos pertinentes ao paciente.
1. MACROCOMPONENTES DO PROCESSO ASSISTENCIAL 
PARA REALIZAR A PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA COM 
QUALIDADE E SEGURANÇA PARA O PACIENTE
Conforme mencionado na introdução, dispensar e fornecer cuidado farmacêutico cen-
trado no paciente demanda conhecimentos,essencial para propor-
cionar atendimento de qualidade e personalizado aos pacientes. Esse serviço envolve a 
criação de uma infraestrutura adequada, a capacitação de profissionais e a implementa-
ção de protocolos de atendimento, visando assegurar o uso racional de medicamentos 
e a melhoria dos resultados terapêuticos.
O primeiro passo para a estruturação do serviço de clínica farmacêutica é o planeja-
mento inicial, que inclui a análise da demanda e a definição de objetivos claros e men-
suráveis. A análise da demanda envolve avaliar a necessidade do serviço na comuni-
dade ou instituição, identificando os principais problemas de saúde da população-alvo 
e analisando dados epidemiológicos e socioeconômicos. A partir dessa análise, são de-
finidos os objetivos do serviço, como a redução de reações adversas a medicamentos, 
o aumento da adesão ao tratamento e a melhoria da qualidade de vida dos pacientes.
Em seguida, a formação e capacitação dos farmacêuticos são cruciais para garantir a 
qualidade do atendimento. É necessário oferecer cursos e workshops específicos sobre 
cuidado farmacêutico e práticas de clínica farmacêutica, abordando aspectos técnicos, 
como farmacologia, interações medicamentosas e manejo de reações adversas, além 
de habilidades de comunicação e atendimento ao paciente. Além disso, a educação 
contínua deve ser implementada para manter os farmacêuticos atualizados sobre novos 
medicamentos, tecnologias e práticas clínicas, por meio de congressos, seminários e 
cursos online.
A implementação dos serviços de clínica farmacêutica envolve a criação de consultórios 
adequados para o atendimento individualizado dos pacientes. Esses espaços devem 
ser privados e confortáveis, proporcionando um ambiente onde os pacientes se sintam 
à vontade para discutir suas condições de saúde e tratamentos. Além disso, é funda-
mental desenvolver e implementar protocolos de atendimento que orientem as práticas 
farmacêuticas. Esses protocolos devem incluir procedimentos para a revisão da terapia 
medicamentosa, o monitoramento de efeitos adversos e a educação em saúde.
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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O monitoramento e a avaliação contínuos dos pacientes são essenciais para garantir 
a eficácia dos tratamentos e identificar possíveis problemas relacionados aos medi-
camentos. Isso pode ser realizado por meio de consultas periódicas, telefonemas ou 
visitas domiciliares. A coleta e análise de dados sobre os resultados terapêuticos dos 
pacientes, incluindo a adesão ao tratamento, a incidência de reações adversas e a me-
lhoria na qualidade de vida, são necessárias para ajustar e aprimorar continuamente os 
serviços oferecidos.
Os benefícios da estruturação do serviço de clínica farmacêutica são diversos. Esse 
serviço proporciona um atendimento mais próximo e personalizado, facilitando a iden-
tificação de problemas relacionados aos medicamentos e a intervenção precoce. A 
educação dos pacientes sobre a importância do uso correto dos medicamentos e o 
monitoramento do seu progresso aumentam significativamente a adesão ao tratamento. 
Além disso, a prevenção de reações adversas e o manejo adequado dos medicamentos 
podem reduzir hospitalizações e outras complicações de saúde, resultando em econo-
mia para o sistema de saúde.
Em conclusão, a estruturação do serviço de clínica farmacêutica é fundamental para apri-
morar o atendimento em saúde, proporcionando benefícios tanto para os pacientes quan-
to para o sistema de saúde. Com um planejamento cuidadoso, a capacitação adequada 
dos profissionais e a implementação de protocolos de atendimento eficientes, é possível 
alcançar resultados terapêuticos melhores, promover o uso racional de medicamentos 
e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes. A implantação eficaz 
desses serviços requer esforço contínuo, monitoramento e uma abordagem centrada no 
paciente, garantindo que os objetivos de saúde sejam plenamente atingidos. 
• Passos para Implantação
 ` Planejamento Inicial:
 � Análise da Demanda: devemos avaliar a necessidade do serviço.
 � Definição de Objetivos: estabelecer metas claras e mensuráveis.
 ` Formação e Capacitação:
 � Treinamento de Farmacêuticos: realizar cursos e workshops sobre cuidado farmacêu-
tico e clínica farmacêutica.
 � Educação Contínua: atualização constante sobre novos medicamentos e práticas clí-
nicas.
 ` Implementação dos Serviços:
 � Consultórios Farmacêuticos: estabelecer locais adequados para atendimentos indi-
viduais.
 � Protocolos de Atendimento: desenvolver protocolos e guias de prática clínica.
 ` Monitoramento e Avaliação:
 � Acompanhamento de Pacientes: realizar seguimento regular para monitorar a eficácia 
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do tratamento.
 � Avaliação de Resultados: coletar dados e analisar os resultados terapêuticos.
• Melhoria na Qualidade do Atendimento
A clínica farmacêutica permite um atendimento mais próximo e personalizado, fa-
cilitando a identificação de problemas relacionados aos medicamentos e a inter-
venção precoce.
• Aumento da Adesão ao Tratamento
Ao educar os pacientes sobre a importância do uso correto dos medicamentos e monitorar 
seu progresso, os farmacêuticos podem aumentar significativamente a adesão ao tratamento.
• Redução de Custos de Saúde
Essa economia se faz importante quando, a prevenção de reações adversas e o manejo 
adequado dos medicamentos são fundamentais para reduzir hospitalizações e outras 
complicações de saúde, trazendo benefícios tanto para os pacientes quanto para o 
sistema de saúde. Quando os medicamentos são usados de forma correta e monito-
rados adequadamente, é possível evitar problemas como interações medicamentosas 
perigosas, doses incorretas e reações adversas graves. Esse cuidado preventivo reduz 
significativamente a necessidade de hospitalizações, que ocorrem muitas vezes devido 
a complicações evitáveis relacionadas ao uso inadequado de medicamentos. 
Além de melhorar a saúde e a qualidade de vida dos pacientes, a diminuição das hos-
pitalizações e das complicações de saúde resultantes do uso inadequado de medi-
camentos também gera uma economia substancial para o sistema de saúde. Menos 
internações significam menos custos hospitalares, menos necessidade de intervenções 
emergenciais e menos gastos com tratamentos prolongados. Portanto, investir na pre-
venção de reações adversas e no manejo adequado dos medicamentos é uma estraté-
gia eficaz para otimizar recursos, melhorar a eficiência do sistema de saúde e propor-
cionar um cuidado mais seguro e eficaz aos pacientes.
• Esquema Visual de Implantação do Serviço de Clínica Farmacêutica
Planejamento Inicial
↓
Formação e Capacitação
↓
Implementação dos Serviços
↓
Monitoramento e Avaliação
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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A implantação do cuidado farmacêutico e do serviço de clínica farmacêutica é um passo 
importante para aprimorar o atendimento em saúde. Com uma estrutura bem planejada 
e a capacitação adequada dos farmacêuticos, é possível alcançar resultados terapêu-
ticos melhores, promover o uso racional de medicamentos e melhorar a qualidade de 
vida dos pacientes. Implementar esses serviços de maneira eficaz requer esforço contí-
nuo, monitoramento e uma abordagem centrada no paciente, garantindo assim que os 
objetivos de saúde sejam plenamente atingidos. 
Para uma efetiva implantação do cuidado farmacêutico e do serviço de clínica farma-
cêutica, necessitamos refletir sobre o acolhimento. Podemos entender sobre uma prá-
tica presente em todas as relações de cuidado, nos encontros reais entre profissionais 
de saúde e pacientes, no receber e escutar as pessoas, que pode acontecer de formas 
variadas: entendendo sua queixa, considerando suas preocupações e sentimentos, re-
correndo a um atendimento qualificado. Nesse caso, é possívelanalisar a demanda 
colocando os limites necessários e, com isso, o acolhimento deve existir em todas as 
relações de cuidado. Portanto, deve ser estabelecida uma ferramenta que possibilite a 
humanização do cuidado através do vínculo entre profissionais de saúde e pacientes, 
na prática do receber e escutar as pessoas. 
O acolhimento para o serviço de cuidado farmacêutico envolve todo o trajeto do paciente, 
ou seja, todas as etapas de relacionamento do paciente com o serviço de clínica farma-
cêutica. Envolve desde sua seleção, seu agendamento, suas consultas, os contatos rea-
lizados sobre o serviço e todas as ações antes, durante e depois da utilização do serviço 
pelo paciente. Deverá responsabilizar-se pelos cuidados em saúde junto ao paciente e 
aos outros profissionais de saúde (Figura 04). Antes de tudo, o acolhimento precisa ser 
um ato sincero de aceitação, responsabilidade e compreensão, respeitando o indivíduo 
em sua condição humana, buscando entender a influência do seu cenário e processo 
histórico de vivências, colocando-se no lugar do outro para haver um comportamento 
isento de julgamentos. Sendo assim, o acolhimento tem início desde o primeiro contato 
do paciente com o profissional farmacêutico, o que muitas vezes passa desapercebido.
Figura 04. Registro do acolhimento para o serviço de cuidado farmacêutico
Fonte: Arquivo pessoal dos autores.
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Embora o Cuidado Farmacêutico através do serviço seja uma novidade em muitos luga-
res, é necessário introduzir os pacientes a esse novo modelo. Com o tempo, ao passo 
que o Cuidado Farmacêutico se tornar mais resolutivo e de alta qualidade, será reco-
nhecido e valorizado pelos usuários e equipes multidisciplinares, proporcionando enca-
minhamentos e demandas espontâneas. Durante as consultas, o farmacêutico avalia 
todas as informações sobre o perfil do paciente, história clínica e medicamentos utili-
zados, baseando-se em relatos do paciente ou cuidador, receitas e outros documentos 
como exames laboratoriais. A qualidade da comunicação interpessoal e a compreensão 
que o paciente tem do profissional influenciam diretamente a relação terapêutica esta-
belecida. É importante que o farmacêutico se mostre como um profissional de saúde, 
sendo atencioso e gentil, e se responsabilizando pelo cuidado em saúde junto ao pa-
ciente. O profissional deve demonstrar cordialidade, atenção e, dependendo de sua 
personalidade, até bom humor, enquanto permanece atento às mensagens inicialmente 
transmitidas pelo paciente para uma resposta adequada (Figura 05).
O acolhimento no serviço de cuidado farmacêutico é uma etapa crucial para garantir 
a qualidade do atendimento e a satisfação dos pacientes. Esse processo envolve a 
recepção inicial e a criação de um ambiente acolhedor, onde o paciente se sinta se-
guro e confiante para compartilhar suas preocupações e necessidades relacionadas 
ao uso de medicamentos.
O acolhimento começa no momento em que o paciente entra na farmácia ou no con-
sultório farmacêutico. A atitude dos profissionais deve ser sempre amigável e aten-
ciosa, demonstrando interesse genuíno pelo bem-estar do paciente. Essa abordagem 
inicial é fundamental para estabelecer uma relação de confiança, essencial para a 
eficácia do cuidado farmacêutico. O farmacêutico deve ouvir atentamente as queixas 
e dúvidas do paciente, garantindo que todas as suas preocupações sejam compreen-
didas e abordadas adequadamente.
Durante o acolhimento, é importante realizar uma avaliação completa do histórico de 
saúde do paciente, incluindo o uso atual de medicamentos, alergias e quaisquer pro-
blemas de saúde anteriores. Essa avaliação ajuda a identificar possíveis interações 
medicamentosas e outras questões que impactem o tratamento. O farmacêutico deve 
utilizar uma linguagem clara e acessível para explicar os procedimentos e orientações, 
evitando termos técnicos que confundam o paciente.
Além disso, o acolhimento deve incluir uma explicação detalhada sobre o papel do far-
macêutico no cuidado à saúde. Isso ajuda a esclarecer qualquer dúvida que o paciente 
possa ter sobre o serviço de cuidado farmacêutico e a importância de seguir as orienta-
ções fornecidas. A educação do paciente sobre o uso correto dos medicamentos é uma 
parte crucial do acolhimento, garantindo que ele compreenda como tomar os medica-
mentos, quais efeitos colaterais observar e o que fazer em caso de reações adversas.
O acolhimento no serviço de cuidado farmacêutico também envolve um seguimento 
contínuo. Após a consulta inicial, o farmacêutico deve manter contato regular com o pa-
ciente para monitorar seu progresso e fazer ajustes no tratamento, se necessário. Esse 
acompanhamento demonstra ao paciente que ele está recebendo um cuidado contínuo 
e personalizado, aumentando a adesão ao tratamento e a satisfação com o serviço.
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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O acolhimento no serviço de cuidado farmacêutico é fundamental para estabelecer uma 
relação de confiança entre o paciente e o farmacêutico, garantir uma compreensão 
clara das orientações fornecidas e proporcionar um cuidado contínuo e personalizado. 
Um acolhimento eficaz não apenas melhora a experiência do paciente, mas também 
contribui significativamente para a eficácia do tratamento e a promoção da saúde.
Fonte: Arquivo pessoal dos autores.
Figura 05. Registro da comunicação entre profissional e paciente
O reconhecimento das metas terapêuticas pelo paciente leva ao aumento da aprovação 
e adesão ao tratamento. O paciente reconhece sobre sua condição, e as metas tera-
pêuticas devem ser praticáveis permitindo melhorar e/ou manter o estado de saúde do 
paciente. Devem indicar o que se pretende atingir (objetivos terapêuticos) e em qual 
prazo, além de indicadores que possibilitem apreciar se os objetivos foram alcançados. 
Entre os principais objetivos terapêuticos que se procura atingir estão: 
 ` Melhoria da doença;
 ` Controle da doença;
 ` Redução de sintomas;
 ` Prevenção de doenças. 
No estudo da Semiologia Farmacêutica, os principais objetivos terapêuticos no trata-
mento farmacológico são multifacetados, abrangendo uma série de metas interconec-
tadas que visam melhorar a saúde e a qualidade de vida dos pacientes. Cada objetivo 
terapêutico é cuidadosamente delineado com base na natureza da doença, na condição 
clínica do paciente e nas características dos fármacos disponíveis.
O primeiro e talvez mais intuitivo objetivo terapêutico é a melhoria da doença. Este obje-
tivo é alcançado quando o tratamento farmacológico resulta na reversão ou erradicação 
da patologia em questão. A melhoria da doença pode ser observada em casos onde 
os agentes antimicrobianos eliminam uma infecção bacteriana, ou quando a terapia 
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
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antiviral reduz a carga viral a níveis indetectáveis, como no tratamento do HIV. Neste 
contexto, a semiologia farmacêutica se dedica a avaliar as respostas terapêuticas por 
meio de parâmetros clínicos e laboratoriais, garantindo que os medicamentos sejam 
administrados de maneira eficaz e segura.
O controle da doença constitui outro objetivo fundamental no tratamento farmacológi-
co, particularmente em condições crônicas onde a cura completa pode não ser viável. 
Doenças como diabetes mellitus, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares são 
exemplos em que o controle é crucial. A meta aqui é manter a doença em parâmetros 
aceitáveis, evitando complicações agudas e crônicas. A semiologia farmacêutica, neste 
caso, envolve o monitoramento contínuo dos pacientes, ajustando as terapias conforme 
necessário para manter os níveis de glicose no sangue, a pressão arterial e outros mar-
cadores clínicos sob controle rigoroso.
Reduzir os sintomas é um objetivo que frequentemente se sobrepõe aos outros, pois a 
minimização do desconfortoe da dor é essencial para a qualidade de vida dos pacien-
tes. Em doenças como artrite reumatoide, fibromialgia ou enxaquecas, os tratamentos 
sintomáticos, como analgésicos, anti-inflamatórios e outros moduladores da dor, são 
frequentemente empregados. A semiologia farmacêutica avalia a eficácia desses trata-
mentos sintomáticos, bem como seus potenciais efeitos adversos, para garantir que os 
pacientes obtenham alívio sem comprometer outros aspectos da saúde.
Por último, a prevenção de doenças ocupa um papel central na semiologia farmacêu-
tica, particularmente na medicina preventiva. Vacinas, agentes profiláticos e terapias 
de manutenção são exemplos de intervenções farmacológicas que visam prevenir o 
aparecimento de doenças. A administração de estatinas para prevenir doenças car-
diovasculares em pacientes de alto risco, ou o uso de antirretrovirais para a profila-
xia pré-exposição (PrEP) ao HIV, ilustram como a farmacoterapia preventiva pode ser 
implementada de maneira eficaz. A semiologia farmacêutica, neste contexto, avalia a 
resposta imunológica, adesão ao tratamento e possíveis efeitos colaterais para otimizar 
as estratégias preventivas.
Em síntese, os objetivos terapêuticos no tratamento farmacológico são interdependen-
tes e frequentemente se sobrepõem, exigindo uma abordagem holística e individualiza-
da para cada paciente. A semiologia farmacêutica desempenha um papel fundamental 
na avaliação contínua e no ajuste das terapias, garantindo que os objetivos de melhoria 
da doença, controle da condição, redução dos sintomas e prevenção de novas patolo-
gias sejam alcançados de maneira eficaz e segura.
Após a descrição das metas terapêuticas e das preferências, o profissional farmacêuti-
co deverá definir quais ações serão necessárias, essas ações farmacêuticas são atos 
decorrentes de uma tomada de decisão e visam mudar alguma característica do trata-
mento do paciente ou das condições que o envolvem. Cabe destacar que, para atingir 
as metas terapêuticas, o farmacêutico pode empreender tantas intervenções quantos 
forem necessárias e registrá-las (Figura 06).
A seguir, os exemplos de intervenções farmacêuticas são apresentados de forma deta-
lhada para uma melhor compreensão de seu contexto.
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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 ` Modificar a dose, horários do uso, frequência e/ou duração do(s) tratamento(s) 
Em geral, são práticas essenciais que demandam uma compreensão profunda da far-
macocinética, farmacodinâmica e do perfil clínico de cada paciente. Estas intervenções 
são vitais para otimizar a eficácia terapêutica, minimizar os efeitos adversos e melhorar 
a adesão ao tratamento.
Modificar a dose de um medicamento é uma intervenção comum e frequentemente 
necessária. A dose inicial de um fármaco é baseada em dados de ensaios clínicos que 
consideram a média da população, mas pode não ser adequada para todos os pacien-
tes. Fatores como idade, peso, função renal e hepática, além de comorbidades, podem 
influenciar significativamente a resposta individual ao tratamento. 
Por exemplo, em pacientes pediátricos ou geriátricos, as doses muitas vezes precisam 
ser ajustadas para evitar toxicidade ou garantir eficácia. A semiologia farmacêutica en-
volve a monitorização cuidadosa dos níveis plasmáticos de medicamentos, particular-
mente aqueles com estreita janela terapêutica, como digoxina ou lítio, para ajustar as 
doses de maneira precisa.
Os horários de administração dos medicamentos também podem necessitar de ajustes 
para maximizar a eficácia e minimizar os efeitos adversos. A cronoterapia, que alinha 
a administração dos fármacos aos ritmos biológicos do corpo, pode melhorar significa-
tivamente os resultados terapêuticos. Por exemplo, anti-hipertensivos administrados à 
noite podem ser mais eficazes para controlar a pressão arterial durante o sono e reduzir 
o risco de eventos cardiovasculares matinais. Além disso, a semiologia farmacêutica 
considera a interação alimentar e o tempo de esvaziamento gástrico, que podem afetar 
a absorção e a biodisponibilidade de certos medicamentos.
Figura 06. Registro das metas terapêuticas
Fonte: Arquivo pessoal dos autores.
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A frequência de administração dos medicamentos também é crucial e pode ser ajustada 
para melhorar a adesão ao tratamento e reduzir os efeitos adversos. Medicamentos de 
meia-vida curta podem requerer múltiplas doses diárias, o que pode ser inconveniente 
para os pacientes e levar à má adesão. A reformulação de tais medicamentos em for-
mas de liberação prolongada pode permitir a administração menos frequente, aumen-
tando a adesão e a conveniência. A semiologia farmacêutica avalia essas modificações 
considerando a farmacocinética e a necessidade clínica do paciente, além de monitorar 
a eficácia e a segurança da nova frequência de administração.
A duração do tratamento é outra área onde as intervenções farmacêuticas são fre-
quentemente necessárias. A decisão sobre a duração do tratamento depende da 
doença tratada, da resposta do paciente e do risco de recidiva ou resistência. Por 
exemplo, a duração da terapia antibiótica deve ser suficiente para erradicar a in-
fecção sem promover resistência bacteriana. Em doenças crônicas, a duração do 
tratamento pode ser indefinida, e a semiologia farmacêutica foca na monitorização 
contínua para ajustar a terapia conforme necessário, evitando tanto o subtratamento 
quanto o excesso de tratamento.
As intervenções farmacêuticas que envolvem a modificação da dose, horários de 
uso, frequência e duração dos tratamentos são complexas e exigem uma aborda-
gem individualizada.
 ` Descontinuar o uso de medicamento(s) 
Esta prática envolve a cessação deliberada de um ou mais medicamentos para melho-
rar a saúde do paciente, prevenir efeitos adversos, evitar interações medicamentosas 
e otimizar a terapêutica. A decisão de descontinuar um medicamento é multifacetada e 
baseada em uma avaliação abrangente das necessidades individuais do paciente.
Uma das principais razões para descontinuar o uso de um medicamento é a ocorrência 
de efeitos adversos. Medicamentos podem causar uma variedade de reações adversas 
que variam de leves a potencialmente fatais. A semiologia farmacêutica, através da mo-
nitorização contínua, identifica esses efeitos adversos e avalia a relação risco-benefício 
do tratamento em curso. Por exemplo, um paciente em uso de estatinas que desenvolve 
miopatia severa pode necessitar da descontinuação da terapia para evitar danos mus-
culares permanentes. Neste contexto, a semiologia farmacêutica não apenas monitora 
os sintomas, mas também emprega exames laboratoriais e de imagem para confirmar 
a necessidade da intervenção.
A descontinuação pode ser necessária em casos de interações medicamentosas pre-
judiciais. Quando múltiplos medicamentos são prescritos, especialmente em pacientes 
polimedicados, o risco de interações aumenta significativamente. Algumas interações 
podem reduzir a eficácia de um ou mais medicamentos, enquanto outras podem po-
tencializar os efeitos adversos. Por exemplo, a combinação de anticoagulantes orais 
com anti-inflamatórios não esteroides (AINEs) pode aumentar o risco de sangramentos 
graves. A semiologia farmacêutica utiliza ferramentas de rastreamento de interações 
medicamentosas e análise de perfis farmacológicos para identificar e justificar a des-
continuação de medicamentos potencialmente perigosos.
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A racionalização da terapêutica é outra razão para descontinuar medicamentos. Muitas 
vezes, pacientes podem estar em uso de medicamentos que não são mais necessários 
devido à resolução da condição tratada ou à disponibilidade de opções terapêuticas 
mais eficazes e seguras. A semiologia farmacêutica envolve uma revisão periódica da 
lista de medicamentos do paciente,eliminando aqueles que são redundantes ou que 
não demonstram benefício terapêutico contínuo. Por exemplo, após a estabilização da 
pressão arterial, um paciente pode não precisar de múltiplos anti-hipertensivos se um 
único agente for suficiente para manter o controle.
A adesão ao tratamento é também um fator crucial. Medicamentos com regimes com-
plexos ou com efeitos adversos que impactam negativamente a qualidade de vida do 
paciente podem resultar em baixa adesão. Neste caso, descontinuar o uso de um me-
dicamento em favor de alternativas com melhor perfil de adesão pode ser benéfico. A 
semiologia farmacêutica envolve o diálogo constante com o paciente para entender 
suas dificuldades e preferências, ajustando o regime terapêutico para melhorar a ade-
são sem comprometer a eficácia.
A descontinuação de medicamentos é necessária em situações de desprescrição, es-
pecialmente em pacientes idosos ou com doenças crônicas. A desprescrição é um pro-
cesso sistemático de reduzir ou eliminar medicamentos que são potencialmente inapro-
priados. Em geriatria, onde a polifarmácia é comum, a semiologia farmacêutica foca na 
avaliação dos benefícios e riscos de cada medicamento, promovendo a desprescrição 
para reduzir a carga medicamentosa e melhorar a saúde geral. A descontinuação de 
medicamentos é uma intervenção farmacêutica complexa que exige um profundo en-
tendimento de farmacologia, patologia e contexto clínico do paciente.
 ` Substituir medicamento(s) por outro(s) de composição, forma farmacêutica 
ou via de administração diferentes 
Representa uma intervenção crucial, direcionada à otimização terapêutica e ao ajuste 
do tratamento às necessidades específicas do paciente. Esta prática envolve um co-
nhecimento aprofundado de farmacocinética, farmacodinâmica e das condições clíni-
cas que justificam tal substituição.
A substituição de medicamentos por outros de composição diferente é frequentemente 
necessária para melhorar a eficácia terapêutica ou reduzir efeitos adversos. Um exem-
plo claro é a substituição de um antidepressivo tricíclico, conhecido por seu perfil signifi-
cativo de efeitos adversos, por um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (ISRS), 
que possui um perfil de segurança mais favorável. A semiologia farmacêutica realiza 
uma avaliação detalhada da resposta do paciente ao tratamento atual e considera fato-
res como idade, comorbidades e histórico de reações adversas para justificar a substi-
tuição. Essa mudança pode resultar em melhor tolerabilidade e adesão ao tratamento, 
além de otimizar o controle dos sintomas depressivos.
Modificar a forma farmacêutica de um medicamento é outra intervenção estratégica, 
especialmente relevante quando a adesão ao tratamento é comprometida pela forma 
de apresentação atual. Por exemplo, pacientes com dificuldades de deglutição podem 
se beneficiar da substituição de comprimidos por soluções orais ou formas dispersíveis. 
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Na semiologia farmacêutica, essa mudança é avaliada considerando a bioequivalência 
entre as formas farmacêuticas e a preferência do paciente. Além disso, formas de libe-
ração modificada podem ser utilizadas para melhorar a aderência, reduzindo a frequên-
cia de administração e mantendo concentrações terapêuticas estáveis no organismo.
A mudança da via de administração é uma intervenção frequentemente necessária para 
otimizar a absorção do medicamento ou reduzir efeitos adversos. Em pacientes com 
náuseas severas ou vômitos, a substituição de medicamentos orais por vias alterna-
tivas, como transdérmica, intramuscular ou intravenosa, é fundamental. Por exemplo, 
um analgésico oral pode ser substituído por um adesivo transdérmico para proporcionar 
alívio contínuo da dor sem os efeitos gastrointestinais adversos, analisando a farma-
cocinética das diferentes vias de administração e garantindo que a nova via escolhida 
ofereça uma absorção adequada e consistente.
Substituições também podem ser feitas para contornar alergias ou intolerâncias especí-
ficas a excipientes presentes na formulação original. Alguns pacientes podem ser alér-
gicos a corantes, conservantes ou outros componentes inativos que, embora farmaco-
logicamente inertes, podem causar reações adversas. Nestes casos, a substituição por 
formulações sem esses excipientes é essencial para garantir a segurança do paciente, 
lembrando que o conhecimento do profissional farmacêutico envolve a investigação 
detalhada da composição dos medicamentos e a escolha criteriosa de alternativas que 
eliminem os componentes problemáticos.
Além disso, a substituição pode ser necessária em casos que o paciente desenvolve 
resistência ou tolerância ao medicamento atual. Isso é comum em tratamentos pro-
longados, como no uso de opioides para dor crônica ou antibióticos para infecções 
bacterianas, e o monitoramento da eficácia terapêutica ao longo do tempo e, quando 
necessário, substituir o medicamento por outro com um mecanismo de ação diferente 
para restaurar a eficácia do tratamento.
A substituição de medicamentos por outros com composição, forma farmacêutica ou 
via de administração diferentes constitui uma intervenção farmacêutica complexa e in-
dividualizada. O conhecimento do farmacêutico desempenha um papel fundamental 
na avaliação contínua das necessidades terapêuticas do paciente, garantindo que as 
substituições sejam feitas de maneira segura e eficaz.
 ` Capacitar sobre o uso do(s) medicamento(s) por meio de instruções e pre-
cauções para a correta utilização e administração 
É uma intervenção importante para garantir a eficácia terapêutica, minimizar efeitos adver-
sos e promover a adesão ao tratamento. A educação do paciente desempenha um papel 
fundamental na terapia medicamentosa, uma vez que a compreensão correta do regime 
terapêutico e das práticas de administração é importante para o sucesso do tratamento.
A primeira etapa na capacitação sobre o uso de medicamentos é fornecer instruções 
claras e detalhadas sobre a posologia. Isso inclui a dose exata a ser tomada, os horários 
corretos de administração e a duração total do tratamento, destacando a importância 
de adaptar essas informações às capacidades de entendimento do paciente, utilizando 
uma linguagem simples e acessível. Por exemplo, em vez de apenas instruir um pacien-
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te a tomar um medicamento “duas vezes ao dia”, é mais eficaz especificar “tome um 
comprimido de manhã, por volta das 8h, e outro à noite, por volta das 20h”. Este nível 
de detalhamento ajuda a prevenir erros de dosagem e melhora a adesão ao tratamento.
Além das instruções sobre a posologia, é essencial fornecer orientações sobre a corre-
ta administração dos medicamentos. Muitos medicamentos têm requisitos específicos 
para maximizar a absorção ou minimizar irritações. Por exemplo, alguns medicamentos 
devem ser tomados com alimentos para evitar desconforto gastrointestinal, enquanto 
outros precisam ser administrados em jejum para garantir a melhor absorção, abran-
gendo a instrução do paciente sobre esses detalhes, esclarecendo a importância de 
seguir essas recomendações. Um exemplo clássico é a administração de bisfosfonatos, 
que deve ser realizada com um copo cheio de água e o paciente deve permanecer em 
posição ereta por pelo menos 30 minutos para prevenir esofagite.
Precauções adicionais incluem a conscientização sobre possíveis interações medica-
mentosas e alimentares. Muitos pacientes desconhecem que certos alimentos, bebidas 
ou outros medicamentos podem interferir na eficácia do tratamento, ou aumentar o risco 
de efeitos adversos. O farmacêutico envolve a capacitação do paciente para reconhecer 
e evitar essas interações. Por exemplo, a ingestão de suco de toranja pode interferir no 
metabolismo de muitos medicamentos, como estatinas, e deve ser evitada. Da mesma 
forma, o consumo de álcool pode potencializaros efeitos sedativos de medicamentos 
ansiolíticos ou hipnóticos.
Outro aspecto importante da capacitação envolve a instrução sobre a identificação e 
manejo de efeitos adversos. Pacientes devem ser informados sobre quais efeitos adver-
sos são comuns e esperados, e quais são graves e requerem atenção médica imediata. 
O profissional farmacêutico deve enfatizar a importância de fornecer essas informa-
ções de forma clara e compreensível. Por exemplo, ao iniciar um novo tratamento com 
antidepressivos, é preciso orientar o paciente sobre a possibilidade de náuseas leves 
nos primeiros dias. Além disso, é essencial alertá-lo sobre sinais de reações alérgicas 
graves, como erupções cutâneas, que exigem a interrupção imediata do medicamento 
e busca de atendimento médico.
A capacitação também deve abordar a importância da adesão ao tratamento e as con-
sequências do não cumprimento das orientações terapêuticas. Pacientes devem ser 
encorajados a não interromper o uso de medicamentos por conta própria, mesmo que 
se sintam melhor, sem antes consultar seu profissional de saúde, e o mesmo deve 
incluir a discussão sobre os riscos de interrupções abruptas, como a síndrome de abs-
tinência em medicamentos psiquiátricos ou a recaída de doenças crônicas como hiper-
tensão ou diabetes.
O preparo do usuário sobre o uso correto dos medicamentos é uma intervenção funda-
mental, na prática da Semiologia Farmacêutica. Por meio de instruções detalhadas e 
precauções específicas, os farmacêuticos ajudam a garantir que os pacientes utilizem 
seus medicamentos de maneira eficaz e segura. Esta abordagem educativa não ape-
nas melhora os resultados terapêuticos, mas também habilita os pacientes, promoven-
do uma maior autonomia e responsabilidade na gestão de sua própria saúde.
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 ` Mudar atitudes em relação ao tratamento (reforçar a importância da adesão 
ao tratamento). 
A adesão ao tratamento é um fator crítico que influencia diretamente a eficácia das 
terapias medicamentosas, a prevenção de complicações e a melhoria da qualidade de 
vida dos pacientes. A abordagem do farmacêutico para promover essa adesão envolve 
uma compreensão das barreiras enfrentadas pelos pacientes e a implementação de 
estratégias educativas e motivacionais.
Um dos primeiros passos para mudar atitudes em relação ao tratamento é compreender 
as razões implícitas à falta de adesão. Estas podem incluir efeitos adversos dos medi-
camentos, complexidade do regime terapêutico, falta de compreensão sobre a doença, 
esquecimento, ou desconfiança em relação ao tratamento, o profissional farmacêutico 
deve adotar uma abordagem centrada no paciente para identificar essas barreiras por 
meio de entrevistas detalhadas e avaliações contínuas. Por exemplo, um paciente com 
hipertensão pode não aderir ao tratamento devido aos efeitos adversos dos anti-hi-
pertensivos ou à falta de sintomas perceptíveis da doença, levando-o a subestimar a 
gravidade da condição.
Para abordar essas barreiras, é fundamental fornecer educação clara e acessível sobre 
a doença e a importância do tratamento. Os farmacêuticos desempenham um papel fun-
damental ao explicar como os medicamentos funcionam, os benefícios de mantê-los e os 
riscos associados à não adesão. Por exemplo, um paciente diabético precisa entender 
que a não adesão ao tratamento, mesmo quando se sente bem, pode levar a complica-
ções graves como neuropatia, retinopatia ou doença renal. O profissional deve utilizar 
recursos visuais, folhetos informativos e consultas individuais para reforçar essas mensa-
gens, adaptando a comunicação ao nível de alfabetização e às preferências do paciente.
Além da educação, é importante implementar estratégias de motivação e apoio para 
incentivar a adesão. O estabelecimento de uma relação de confiança entre o farmacêu-
tico e o paciente é fundamental. Durante as consultas, o farmacêutico deve demonstrar 
empatia, ouvir ativamente as preocupações do paciente e oferecer encorajamento. Pro-
gramas de lembrete, como telefonemas, mensagens de texto ou aplicativos de saúde, 
podem ser utilizados para ajudar pacientes que esquecem de tomar seus medicamen-
tos, e também pode envolver a família ou cuidadores no processo de adesão, propor-
cionando suporte adicional e reforçando a importância do tratamento.
A simplificação dos regimes terapêuticos é uma estratégia eficaz para melhorar a ade-
são. Medicamentos que requerem múltiplas doses diárias ou têm instruções complexas 
podem ser substituídos por alternativas de liberação prolongada ou combinações fixas, 
reduzindo a carga diária do paciente. É essencial analisar as opções terapêuticas dis-
poníveis e colaborar com os médicos para ajustar o tratamento para facilitar a adesão, 
sem comprometer a eficácia terapêutica.
A monitorização contínua e o feedback regular também são essenciais, onde o farma-
cêutico deve incluir a revisão periódica do progresso do paciente, avaliar a adesão ao 
tratamento e ajustar as intervenções conforme necessário. Feedback positivo e cele-
bração de marcos alcançados podem reforçar comportamentos positivos. Por exemplo, 
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reconhecer a melhoria nos níveis de glicose de um paciente diabético como resultado 
da adesão ao tratamento pode motivá-lo a continuar seguindo o regime prescrito.
A mudança de atitudes em relação ao tratamento e reforçar a importância da adesão 
é uma intervenção complexa que requer uma abordagem complexa e deve ter uma 
atitude de identificar barreiras, fornecer educação personalizada, implementar estra-
tégias motivacionais, simplificar regimes terapêuticos e monitorizar continuamente o 
progresso do paciente. Estas intervenções, centradas no paciente, não só melhoram os 
resultados clínicos, mas também promovem a eficácia e sustentabilidade das terapias 
medicamentosas.
 ` Educar em medidas não farmacológicas (medidas higiênico-dietéticas que 
favoreçam o cumprimento dos objetivos terapêuticos). 
Estas medidas abrangem uma variedade de ações que os pacientes podem adotar para 
melhorar sua saúde geral, prevenir complicações e alcançar os objetivos terapêuticos 
de forma mais eficaz, devendo enfatizar a importância de uma abordagem, onde inter-
venções farmacológicas e não farmacológicas trabalham em sinergia para otimizar os 
resultados clínicos.
Uma das principais áreas de enfoque na educação sobre medidas higiênico-dietéti-
cas é a alimentação saudável. Dietas balanceadas, ricas em nutrientes essenciais, de-
sempenham um papel importante na condução de diversas condições crônicas, como 
diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares, a orientação dos pacientes sobre 
escolhas alimentares apropriadas, como a redução do consumo de sal e gorduras satu-
radas, e o aumento da ingestão de frutas, vegetais, grãos integrais e proteínas magras. 
Por exemplo, em pacientes hipertensos, a adesão a uma dieta pode ajudar a reduzir a 
pressão arterial e diminuir a necessidade de medicamentos anti-hipertensivos.
Além das orientações dietéticas, a atividade física regular é outra medida não farma-
cológica fundamental. O exercício físico tem benefícios comprovados na melhoria da 
saúde cardiovascular, no controle glicêmico e na manutenção do peso corporal ideal, 
essa orientação educa os pacientes sobre a importância de incorporar atividades físicas 
em suas rotinas diárias, adaptando as recomendações às capacidades individuais e às 
limitações de cada paciente. Por exemplo, pacientes com artrite podem ser incentiva-
dos a praticar exercícios de baixo impacto, como natação ou caminhada, para melhorar 
a mobilidade e reduzir a dor articular.
A higiene do sono é um componente crítico das medidas higiênico-dietéticas. O sono 
adequado é essencial para a recuperação física e mental, além de promover o fun-
cionamento eficaz do sistema imunológico. Orientar os pacientes sobre práticas que 
promovamum sono de qualidade, como manter uma rotina regular de sono, criar um 
ambiente confortável e evitar o uso de dispositivos eletrônicos antes de dormir, é funda-
mental. Pacientes com insônia ou distúrbios do sono podem receber orientação sobre 
técnicas de relaxamento e higiene do sono para melhorar a qualidade do descanso e, 
assim, promover sua saúde geral.
O estresse é outra área importante abordada pela semiologia farmacêutica. O estresse 
crônico pode exacerbar várias condições médicas, incluindo hipertensão, doenças car-
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díacas e distúrbios mentais. A educação sobre técnicas de redução do estresse, como 
meditação, respiração profunda e atividades recreativas, pode auxiliar os pacientes a 
melhorarem sua saúde emocional e física. Por exemplo, pacientes com transtornos de 
ansiedade podem beneficiar-se dessas técnicas para reduzir a ansiedade e melhorar o 
bem-estar geral.
A adesão às medidas higiênico-dietéticas é frequentemente reforçada por programas 
educativos e de suporte, grupos de apoio e consultas individuais. A semiologia farma-
cêutica desempenha um papel importante na criação e implementação desses progra-
mas, adaptando-os às necessidades específicas de cada população. O uso de materiais 
educativos, como folhetos, vídeos e recursos online, também facilita a disseminação de 
informações e o comprometimento dos pacientes.
A educação sobre medidas não farmacológicas, especialmente as práticas higiênico-
-dietéticas, é uma intervenção essencial na Semiologia Farmacêutica. Estas medidas 
complementam o tratamento farmacológico, promovendo a saúde integral do paciente e 
contribuindo significativamente para o cumprimento dos objetivos terapêuticos.
 ` Recomendar sobre o auto monitoramento da doença 
O automonitoramento permite que os pacientes tenham um papel ativo no controle de 
sua saúde, fornecendo dados em tempo real que podem informar decisões terapêuticas 
e facilitar ajustes no tratamento. Esta prática promove a adesão ao tratamento, melho-
ra a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde e contribui para melhores 
desfechos clínicos.
Uma das áreas mais comuns de automonitoramento é no manejo do diabetes melli-
tus. Pacientes diabéticos são frequentemente encorajados a medir regularmente seus 
níveis de glicose no sangue usando glicosímetros portáteis. O automonitoramento gli-
cêmico permite ajustes imediatos na dieta, atividade física e dosagem de insulina ou 
outros antidiabéticos, prevenindo episódios de hipoglicemia e hiperglicemia, a técnica 
de educar os pacientes sobre a maneira correta de monitoramento, interpretação dos 
resultados e ações apropriadas baseadas nesses dados. Além disso, é essencial ins-
truir os pacientes sobre a importância de manter registros precisos de seus níveis de 
glicose para facilitar avaliações detalhadas durante consultas médicas.
No manejo da hipertensão arterial, o automonitoramento da pressão arterial em casa é 
uma prática recomendada para obter uma leitura mais precisa e consistente da pressão 
arterial do paciente, longe do efeito do “jaleco branco” frequentemente observado em 
ambientes clínicos. Os pacientes são instruídos a usar esfigmomanômetros digitais, 
registrar suas leituras e reportá-las ao seu médico. A semiologia farmacêutica enfatiza 
a importância da técnica correta, como sentar calmamente por alguns minutos antes 
da medição, manter o braço na altura do coração e evitar cafeína ou exercício físico 
imediatamente antes de medir a pressão arterial. Este monitoramento regular ajuda a 
ajustar as doses de medicamentos anti-hipertensivos e a avaliar a eficácia das interven-
ções não farmacológicas, como dieta e exercício físico.
Pacientes com doenças respiratórias crônicas, como asma ou Doença Pulmonar Obs-
trutiva Crônica (DPOC), podem se beneficiar do uso peak flow meters para monitorar 
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o pico de fluxo expiratório. Este método ajuda a identificar exacerbações precoces e 
a ajustar o tratamento de forma preventiva. É essencial capacitar os pacientes no uso 
adequado do dispositivo, na interpretação dos resultados e na implementação de um 
plano de ação baseado nas leituras. Isso pode incluir o uso de broncodilatadores de 
resgate ou o aumento de corticosteroides inalatórios conforme necessário.
O automonitoramento desempenha um papel importante no manejo de doenças car-
diovasculares. Por exemplo, pacientes com insuficiência cardíaca são orientados a mo-
nitorar diariamente seu peso para detectar retenção de líquidos, um sinal precoce de 
descompensação cardíaca. Educando os pacientes sobre a importância de registrar e 
reportar ganhos de peso rápidos e significativos ao médico, isso pode indicar a neces-
sidade de ajustar a terapia diurética.
Além dos dispositivos tradicionais, a tecnologia moderna oferece diversas ferramentas 
para o automonitoramento, como aplicativos de saúde, dispositivos vestíveis e platafor-
mas digitais. Essas tecnologias permitem que os pacientes rastreiem diversos parâme-
tros de saúde e compartilhem dados em tempo real com seus profissionais de saúde. É 
crucial orientar os pacientes na escolha e no uso dessas ferramentas, garantindo que 
utilizem tecnologias confiáveis e saibam integrar os dados no manejo de sua saúde.
O sucesso do automonitoramento depende não só do acesso a dispositivos adequa-
dos, mas também da capacitação contínua e do suporte motivacional, destacando a 
importância de educar os pacientes sobre o impacto positivo do automonitoramento na 
gestão de sua condição e na prevenção de complicações. A educação deve ser refor-
çada regularmente, e os farmacêuticos podem desempenhar um papel ativo ao revisar 
os registros de automonitoramento com os pacientes, fornecer feedback construtivo e 
ajustar as estratégias de manejo conforme necessário.
A recomendação e a educação sobre o automonitoramento da doença são intervenções 
fundamentais, pois ao capacitar os pacientes para monitorar suas próprias condições 
de saúde, os farmacêuticos ajudam a promover uma gestão mais proativa e personali-
zada da doença, melhorando os resultados terapêuticos e a qualidade de vida. 
 ` Efetivar a notificação 
Operar eventos adversos e outras questões relacionadas ao uso de medicamentos é 
uma intervenção importante para garantir a segurança do paciente, melhorar a prática 
clínica e contribuir para o desenvolvimento contínuo do conhecimento farmacoterapêu-
tico. A notificação envolve o relato sistemático de reações adversas, erros de medica-
ção, interações medicamentosas e outros incidentes relacionados ao uso de fármacos, 
aos sistemas de farmacovigilância e outras entidades reguladoras. Esta prática permite 
a identificação precoce de problemas de segurança, a avaliação de riscos e a imple-
mentação de medidas corretivas para minimizar danos aos pacientes.
A notificação de eventos adversos começa com a identificação e reconhecimento destes 
eventos pelos profissionais de saúde, enfatizando a importância de treinar farmacêuti-
cos e outros profissionais de saúde para detectar sinais e sintomas que possam estar 
associados a reações adversas a medicamentos. Isso inclui tanto reações comuns e 
esperadas quanto aquelas raras e inesperadas. Por exemplo, um farmacêutico deve sa-
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ber identificar uma reação alérgica imediata a um antibiótico, assim como efeitos mais 
insignificantes e retardados, como hepatotoxicidade associada a certos medicamentos.
Uma vez identificado um evento adverso, é importante coletar informações detalhadas 
e precisas, utilizando de formulários padronizados para a coleta de dados, que incluem 
informações como a descrição do evento, a temporalidade em relação ao uso do medi-
camento, a dosagem, a via de administração, e os antecedentes clínicos do paciente. 
Estenível de detalhamento é necessário para garantir que as notificações sejam com-
pletas e úteis para a análise subsequente. Por exemplo, ao notificar uma reação adver-
sa a um anticoagulante, é importante documentar o tempo de início dos sintomas após 
a administração do medicamento, os resultados laboratoriais relevantes e quaisquer 
outros medicamentos concomitantes que o paciente esteja utilizando.
A notificação não apenas dos eventos adversos graves, mas também aqueles consi-
derados menos graves ou esperados, são muito importantes, pois a acumulação de 
dados de múltiplos relatos pode revelar padrões e tendências significativas. Além disso, 
a notificação de erros de medicação, mesmo que não resultem em danos ao paciente, 
é essencial para identificar falhas nos sistemas de medicação e implementar melhorias. 
Erros na administração de medicamentos podem incluir dosagem incorreta, adminis-
tração equivocada do medicamento, ou falhas na comunicação entre profissionais de 
saúde. Notificar esses erros contribui para a melhoria da segurança do paciente e da 
prática clínica, seja no ambiente ambulatorial ou no ambiente hospitalar.
A efetivação da notificação também requer a criação de uma cultura de segurança e 
transparência nas instituições de saúde, incentivando a promoção de um ambiente 
onde os profissionais se sintam seguros e encorajados a relatar eventos adversos e er-
ros de medicação sem medo de represálias. A criação de comitês de farmacovigilância 
internos nas instituições de saúde, como, por exemplo, um Grupo Técnico de Trabalho 
dos Conselhos Regionais de Farmácia do Brasil, pode ajudar a revisar os relatos de 
eventos adversos, analisar os dados e propor ações corretivas.
Os dados coletados por meio de notificação são essenciais para análise e tomada de 
decisões por autoridades de saúde e fabricantes de medicamentos. Colaborar com 
agências reguladoras, como a ANVISA no Brasil, e organizações internacionais, como 
a OMS, é essencial para garantir o compartilhamento e análise adequada dos dados. 
Essa colaboração pode resultar em atualizações nas bulas, restrições de uso ou até 
retirada de produtos do mercado.
Além disso, a notificação de eventos adversos contribui de forma significativa para a 
pesquisa e desenvolvimento contínuo de medicamentos. Os dados de farmacovigilân-
cia podem identificar necessidades de estudos adicionais, como ensaios clínicos para 
investigar a segurança e a eficácia de medicamentos em populações específicas ou 
condições particulares de uso. A identificação desses dados desempenha um papel vital 
na coleta e interpretação desses dados, apoiando a evolução do conhecimento médico 
e a melhoria das terapias farmacológicas.
A notificação de eventos adversos e problemas relacionados ao uso de medicamentos é 
uma intervenção essencial para promover a segurança do paciente, aprimorar a prática 
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clínica e contribuir continuamente no conhecimento e na segurança dos medicamentos. 
A farmacovigilância, em geral, beneficia a saúde pública e a prática médica.
 ` Pedir exames laboratoriais, na área do seu conhecimento profissional, com 
a finalidade de acompanhar os resultados da farmacoterapia 
É uma intervenção fundamental para monitorar e otimizar os resultados da farmacote-
rapia. Esta prática permite uma avaliação contínua da eficácia e segurança dos trata-
mentos medicamentosos, possibilitando ajustes necessários para alcançar os objetivos 
terapêuticos e prevenir complicações. O acompanhamento laboratorial é essencial em 
diversas condições clínicas, proporcionando dados objetivos que complementam a ava-
liação clínica e ajudam a individualizar o tratamento de cada paciente.
No tratamento com anticoagulantes, como a varfarina, a solicitação regular de exames 
de INR (International Normalized Ratio) é muito importante. O INR mede o tempo de 
coagulação do sangue e auxilia no ajuste da dose do anticoagulante para manter níveis 
terapêuticos seguros, prevenindo eventos trombóticos e hemorrágicos. A interpretação 
cuidadosa dos resultados e a orientação ao paciente sobre a importância da adesão ao 
tratamento e das precauções alimentares, que podem interferir nos níveis de coagula-
ção, são fundamentais para uma terapêutica farmacológica.
Em pacientes com diabetes mellitus, monitorar regularmente a glicemia e a hemoglobi-
na glicada (HbA1c) é essencial para avaliar o controle glicêmico a longo prazo. A HbA1c 
fornece uma média dos níveis de glicose no sangue entre dois a três últimos meses. 
Essa média reflete a eficácia do tratamento, guiando ajustes nas doses de insulina ou 
medicamentos antidiabéticos orais e educando o paciente sobre mudanças no estilo de 
vida. Avaliar a função renal, como através da microalbuminúria, também é importante 
para detectar precocemente complicações renais.
Para pacientes em tratamento com estatinas para hipercolesterolemia, monitorar os níveis 
de colesterol total, LDL, HDL e triglicerídeos é essencial para avaliar a resposta ao tra-
tamento e ajustar a dosagem conforme necessário. Além disso, é recomendável realizar 
exames de função hepática, como as transaminases (AST e ALT), para detectar possí-
veis hepatotoxicidades associadas ao uso de estatinas. A interpretação desses resultados 
permite ajustar o tratamento ou considerar alternativas terapêuticas quando necessário.
No manejo de pacientes com insuficiência renal crônica, a solicitação de exames la-
boratoriais como a creatinina sérica e a taxa de filtração glomerular (TFG) é essencial 
para monitorar a progressão da doença e ajustar as doses de medicamentos eliminados 
pelos rins. Além disso, são fundamentais a avaliação dos níveis de eletrólitos, como 
potássio e fósforo, e a orientação sobre a dieta adequada para prevenir complicações 
associadas ao desequilíbrio eletrolítico. A monitorização dos níveis de hemoglobina 
também é importante para determinar a necessidade de terapias com eritropoetina (hor-
mônio responsável por estimular a Medula Óssea na produção de glóbulos vermelhos) 
em pacientes com anemia renal.
Pacientes em tratamento com medicamentos de estreito índice terapêutico (faixa de se-
gurança de um fármaco), como anticonvulsivantes (por exemplo, fenitoína e valproato), 
requerem monitorização regular dos níveis séricos para garantir que estejam na faixa 
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terapêutica segura. A interpretação desses níveis ajuda nos ajustes das doses, além de 
educar o paciente sobre a importância da adesão ao regime terapêutico e da prevenção 
de interações medicamentosas que possam afetar esses níveis séricos.
Para pacientes com doenças autoimunes, como o lúpus eritematoso sistêmico, a mo-
nitorização dos parâmetros inflamatórios, como a proteína C-reativa (PCR) e a veloci-
dade de hemossedimentação (VHS), é importante para avaliar a atividade da doença 
e a resposta ao tratamento imunossupressor. A solicitação de exames para avaliar a 
função hepática e renal é igualmente importante, uma vez que muitos medicamentos 
imunossupressores têm potencial hepatotóxico e nefrotóxico, a interpretação desses 
resultados e a comunicação com a equipe multidisciplinar é fundamental para ajustar a 
terapia conforme necessário.
A solicitação de exames laboratoriais específicos é uma intervenção crítica para o 
acompanhamento dos resultados da farmacoterapia. Esta prática permite uma avalia-
ção contínua e precisa da eficácia e segurança dos tratamentos, possibilitando ajustes 
terapêuticos personalizados e a prevenção de complicações. 
 ` Realizar a compatibilização de medicamentos 
A compatibilização envolve a avaliação das interações potenciais entre diferentes fár-
macos, entre medicamentos e alimentos, bem como entre medicamentos e condições 
de armazenamento ou administração. Esta prática é essencial para prevenir reações 
adversas, garantir a estabilidade dos medicamentose otimizar os resultados terapêuti-
cos para os pacientes.
Uma das principais preocupações na compatibilização de medicamentos é a interação 
entre fármacos, que pode resultar em efeitos sinérgicos, antagonistas ou tóxicos, sendo 
essencial a intervenção do farmacêutico para identificar interações medicamentosas 
potenciais. Por exemplo, ao prescrever um novo medicamento para um paciente já em 
uso de anticoagulantes como a varfarina, é importante verificar se o novo fármaco pode 
aumentar o risco de sangramento ao interagir com a varfarina. A identificação e a con-
dução dessas interações envolvem a comunicação com o médico prescritor para ajustar 
doses, escolher alternativas mais seguras ou implementar monitoramento adicional.
Outra área importante na compatibilização de medicamentos é a interação entre fárma-
cos e alimentos. Alguns medicamentos têm sua absorção significativamente alterada 
pela presença de alimentos no trato gastrointestinal. Por exemplo, a biodisponibilida-
de da levotiroxina, usada no tratamento do hipotireoidismo, pode ser reduzida quan-
do tomada com alimentos ricos em cálcio ou ferro, sendo necessária a instrução dos 
pacientes sobre o momento adequado para tomar seus medicamentos em relação às 
refeições para garantir a eficácia terapêutica. Este aconselhamento pode incluir reco-
mendações específicas, como tomar a levotiroxina com o estômago vazio, pelo menos 
30 minutos antes do café da manhã.
Além disso, a compatibilização de medicamentos considera a estabilidade física e quí-
mica dos fármacos, especialmente quando administrados concomitantemente. Em am-
bientes hospitalares, a mistura de medicamentos em soluções intravenosas (IV) requer 
uma avaliação cuidadosa para evitar precipitações ou reações químicas adversas. Por 
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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exemplo, a mistura de cálcio e ceftriaxona pode resultar em precipitação fatal em ne-
onatos, e então é importantíssimo conhecer as diretrizes e tabelas de compatibilidade 
para garantir que os medicamentos administrados via IV sejam compatíveis, mantendo 
a segurança do paciente.
A compatibilização de medicamentos também se estende à forma de administração e às 
condições de armazenamento. Alguns medicamentos requerem condições específicas 
de temperatura, luz ou umidade para manter sua estabilidade e eficácia, e a orientação 
dos pacientes e da equipe de saúde sobre as condições adequadas de armazenamento 
são atribuições do profissional farmacêutico. Por exemplo, insulinas devem ser refri-
geradas, mas não congeladas, e certos antibióticos devem ser protegidos da luz para 
evitar a degradação do fármaco.
Outro aspecto crítico é a avaliação das interações medicamentosas em pacientes poli-
medicados, especialmente idosos, que são frequentemente prescritos múltiplos medi-
camentos para tratar diversas condições crônicas, e também incluir a revisão regular 
da lista de medicamentos do paciente para identificar e gerenciar potenciais interações 
adversas. A desprescrição de medicamentos não essenciais ou a substituição por al-
ternativas mais seguras pode ser necessária para minimizar os riscos de interações 
adversas.
A tecnologia também desempenha um papel vital na compatibilização de medicamen-
tos. Sistemas de prescrição eletrônica, com alerta automático para interações medica-
mentosas, aplicativos de saúde que auxiliam na gestão da terapia medicamentosa, e 
bases de dados atualizadas fornecem suporte contínuo para os profissionais de saúde. 
A utilização dessas ferramentas tecnológicas garante que as decisões sobre compatibi-
lização de medicamentos sejam baseadas nas informações mais recentes e precisas.
A realização da compatibilização de medicamentos é uma intervenção essencial para 
garantir a segurança e a eficácia das terapias medicamentosas. Esta prática envolve a 
identificação e manejo de interações medicamentosas, a orientação sobre interações 
entre fármacos e alimentos, a garantia de estabilidade física e química dos medicamen-
tos, e a avaliação contínua das condições de administração e armazenamento. 
 ` Recomendar tratamentos farmacológicos e/ou não farmacológicos e/ou 
outras ações relacionadas ao cuidado do paciente 
É uma intervenção abrangente e crucial para a promoção da saúde e a otimização dos 
resultados terapêuticos. Esta abordagem integrada considera não apenas os aspectos 
bioquímicos e fisiológicos das doenças, mas também os fatores psicossociais e compor-
tamentais que influenciam a adesão ao tratamento e a qualidade de vida do paciente.
A recomendação de tratamentos farmacológicos é fundamentada em uma avaliação 
detalhada das condições clínicas do paciente, incluindo diagnóstico, histórico médico, 
comorbidades e uso concomitante de outros medicamentos. Devemos observar as di-
retrizes clínicas baseadas em evidências para selecionar os medicamentos mais apro-
priados, considerando eficácia, segurança, perfil de efeitos colaterais e preferências do 
paciente. Por exemplo, no manejo da hipertensão arterial, a escolha entre um inibidor 
da enzima conversora de angiotensina (IECA), um bloqueador dos receptores da an-
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giotensina (BRA) ou um diurético pode depender das características específicas do 
paciente, como a presença de diabetes ou insuficiência renal.
Além da prescrição de medicamentos, torna-se necessário também a recomendação 
de tratamentos não farmacológicos, essenciais para a gestão de muitas condições crô-
nicas. Mudanças no estilo de vida, como dieta saudável, atividade física regular, cessa-
ção do tabagismo e redução do consumo de álcool, são frequentemente recomendadas 
para complementar a farmacoterapia e melhorar os resultados de saúde. No caso de 
pacientes com diabetes tipo 2, a adoção de uma dieta balanceada e um programa de 
exercícios pode ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue, reduzir a necessi-
dade de medicamentos e prevenir complicações a longo prazo, e a capacitação dos 
pacientes para entenderem a importância dessas intervenções e a fornecer suporte 
contínuo para sua implementação.
Além das recomendações terapêuticas, devemos enfatizar outras ações relacionadas ao 
cuidado do paciente, como a educação sobre a doença e seu tratamento, o acompanha-
mento regular e a gestão de adesão ao tratamento. Educar os pacientes sobre sua condi-
ção, o mecanismo de ação dos medicamentos prescritos, os possíveis efeitos colaterais 
e as medidas para preveni-los, é fundamental para promover a adesão ao tratamento. 
Utilizar técnicas de comunicação eficazes para garantir a compreensão das informações 
e motivar os pacientes a seguir as recomendações terapêuticas também é essencial.
O acompanhamento regular dos pacientes é outra ação importante no cuidado farmacêu-
tico. Monitorar a resposta ao tratamento, avaliar a ocorrência de efeitos colaterais e ajus-
tar as terapias conforme necessário são componentes chave da conduta do profissional 
farmacêutico. Para pacientes em tratamento com anticoagulantes, por exemplo, é neces-
sário realizar monitoramentos periódicos do INR para garantir que os níveis estejam na 
faixa terapêutica e ajustar a dosagem do medicamento se necessário. Este acompanha-
mento contínuo permite intervenções precoces e a prevenção de complicações graves.
A gestão da adesão ao tratamento é um desafio significativo, especialmente em pacien-
tes com múltiplas condições crônicas que requerem terapias complexas. A adoção de 
abordagens personalizadas para identificar barreiras à adesão, como efeitos colaterais, 
complexidade do regime terapêutico, dificuldades financeiras ou falta de compreensão 
sobre a importância do tratamento. Intervenções como simplificação do regime terapêu-
tico, fornecimento de lembretes, uso de dispositivos de liberação controlada e suporte 
psicológico são implementadas para melhorar a adesão e os resultados de saúde.
O uso de tecnologias e ferramentasdigitais para melhorar o cuidado do paciente, apli-
cativos de saúde, dispositivos vestíveis e plataformas de telemedicina podem ser uti-
lizados para monitorar parâmetros de saúde, enviar lembretes de medicação e facili-
tar a comunicação entre pacientes e profissionais de saúde. A recomendação e o uso 
adequado dessas tecnologias são parte integrante da prática farmacêutica moderna, 
proporcionando um cuidado mais eficiente e centrado no paciente.
A recomendação de tratamentos farmacológicos e não farmacológicos e outras ações 
relacionadas ao cuidado do paciente é uma intervenção essencial do farmacêutico. 
Esta abordagem global visa otimizar os resultados terapêuticos, promover a adesão ao 
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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tratamento e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Ao integrar conhecimentos 
científicos, habilidades de comunicação e tecnologias avançadas, podemos proporcio-
nar um cuidado de saúde abrangente e personalizado, atendendo às necessidades 
individuais dos pacientes.
Por meio da educação ao paciente, pretende-se promover sua responsabilidade pela 
própria saúde, contribuindo assim para atingir as metas terapêuticas (Figura 07). O 
profissional farmacêutico deve ajustar as orientações quanto às metas terapêuticas, às 
mudanças comportamentais necessárias e à frequência do acompanhamento farma-
coterapêutico. Portanto, os profissionais precisam estar motivados com a ideia desta 
nova atividade (a clínica), entendendo sua importância e estimulando a interação entre 
a categoria de farmacêuticos clínicos para alavancar sua implantação.
Figura 07. Registro da responsabilidade do paciente frente ao uso racional de medicamentos
CONCLUSÃO
A importância do trabalho clínico do farmacêutico e a dinamização de seu papel no 
cuidado ao paciente só podem ser efetivamente demonstradas com a união de uma 
categoria interessada e motivada, em um esforço coletivo em prol do serviço.
Fonte: Arquivo pessoal dos autores.
A educação do paciente sobre seus medicamentos e problemas de saúde, de modo a au-
mentar sua compreensão do tratamento, promove o autocuidado.
SAIBA MAIS
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REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Farmácia, 2006. 
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA – CFF. Áreas de atuação. CFF, [s. d.]. Disponível em: https://www.cff. 
org.br/pagina.php?id=14. Acesso em: 31 jan. 2023. 
CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Resolução nº 586, de 29 de agosto de 2013. Regula a prescrição 
farmacêutica e dá outras providências. Disponível em: https://www.cff.org.br/userfiles/file/noticias/Resolu%-
C3%A7%C3%A3o586_13.pdf. Acesso em: 30 jan. 2023. 
EXISTEM diferentes pirâmides alimentares, inclusive para vegetarianos. Prefeitura de Marabá, 2019. Seção 
Educação, Notícias. Disponível em: https://maraba.pa.gov.br/wp-content/uploads/2019/04/existem-diferen-
tes-piramides-alimentares-inclusive-para-vegetarianos-572c8417f3fef.jpg. Acesso em: 05 jun. 2023.
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FERREIRA, A. O. Guia Prático da Farmácia Magistral. 4. ed. São Paulo: Pharmabooks, 2010. FINOTTI, Marta 
Manual de anticoncepção / Marta Finotti. -- São Paulo: Federação Brasileira das Associações de Ginecologia 
e Obstetrícia (FEBRASGO), 2015.
https://maraba.pa.gov.br/wp-content/uploads/2019/04/existem-diferentes-piramides-alimentares-inclusive-para-vegetarianos-572c8417f3fef.jpg
https://maraba.pa.gov.br/wp-content/uploads/2019/04/existem-diferentes-piramides-alimentares-inclusive-para-vegetarianos-572c8417f3fef.jpg
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• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
UNIDADE 3
• CLASSIFICAÇÃO DOS MEDICAMENTOS NO BRASIL SEGUNDO A ANVISA E AS 
EXIGÊNCIAS DE PRESCRIÇÃO;
• GRUPOS E INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS ESPECIFICADAS (GITE) PARA 
MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO MÉDICA;
• DISPENSAÇÃO DE MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO MÉDICA: ANÁLISE DA 
SITUAÇÃO, TOMADA DE DECISÃO E DEFINIÇÃO DO TRATAMENTO;
INTRODUÇÃO
Todo medicamento referência origina-se com venda sob prescrição médica, e após cin-
co anos no cenário nacional, no momento da renovação de seu registro, a indústria 
detentora do produto poderá requerer a alteração para Medicamento Isento de Pres-
crição (MIP). A solicitação será avaliada pela área competente da Agência Nacional de 
Vigilância Sanitária (Anvisa), que conseguirá ou não ser aprovada. Segundo a Anvisa, o 
processo de substituição de categoria de registro para MIP pode levar um ano para ser 
completo, podendo acontecer antes ou depois, conforme a circunstância. 
No Brasil, utilizamos a lista de Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE), 
que estabelece quais as classes de fármacos podem ser livres de prescrição, pois não 
existe uma lista de Medicamentos Isentos de Prescrição em nosso país. Todos os me-
dicamentos cujas categorias e indicações de terapias que não estejam citados no GITE 
são de comercialização sob prescrição médica. O elenco de medicamentos que faz 
parte da Resolução de Diretoria Colegiada (RDC) 98, de 2016, da Anvisa, estabelece 
as especificações para o medicamento tornar um MIP. A RDC menciona que as asso-
ciações medicamentosas, constituindo de duas ou mais apresentações comerciais em 
uma mesma embalagem para uso concomitante, ou sequencial, cuja categoria tera-
pêutica e indicação terapêutica de pelo menos um de seus componentes não estejam 
incluídos no GITE, devem ser comercializadas sob prescrição médica. 
Ao mesmo tempo, existe uma alternativa para que um medicamento de referência seja 
patenteado e vendido no Brasil como MIP sem esperar o prazo mínimo de cinco anos 
para renovar o registro. Isso pode ser antecipado se o medicamento já estiver sendo 
comercializado como MIP há mais de cinco anos na Europa e nos Estados Unidos, 
com aprovação das agências reguladoras locais: Food Drug Administration (FDA) ou 
European Medicines Agency (EMA). A indústria solicitante deverá incluir informações 
de farmacovigilância e documentos de categorização de venda sem prescrição médica, 
no país onde o medicamento é distribuído, ao registrar na Anvisa.
1. O QUE SÃO MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO (MIP)
Medicamentos que podem ser dispensados em um estabelecimento de Farmácia ou 
Drogaria sem a exigência de prescrição são conhecidos como medicamentos isentos 
de prescrição, recebendo a abreviatura de MIP.
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Existem medicamentos em um estabelecimento de Farmácia ou Drogaria cuja dis-
pensação é restrita à apresentação de uma prescrição, sendo que algumas dessas 
receitas incluem medicamentos de controle especial, também conhecidos como me-
dicamentos sob prescrição.
Figura 01. Cliente diante de uma prateleira de uma Farmácia ou Drogaria escolhendo medicamentos que 
não necessitam de receita
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Figura 02. Cliente diante de um balcão de uma Farmácia ou Drogaria sendo atendido e orientado por uma pro-
fissional Farmacêutica ao dispensar um medicamento sob prescrição mediante a apresentação de uma receita
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• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
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2. QUAIS SÃO AS CARACTERÍSTICAS QUEUM MEDICAMENTO 
ISENTO DE PRESCRIÇÃO (MIP) DEVE TER
Segundo o Artigo 3º da Resolução da Diretoria Colegiada (RDC) n.° 98, de 1º de agosto 
de 2016, publicada no Diário Oficial da União (DOU) n.º 148, de 3 de agosto de 2016, 
o período mínimo para a comercialização de um princípio ativo ou de uma associação 
de princípios ativos, com as mesmas orientações de via de administração e faixa tera-
pêutica, é o seguinte:
a. 10 anos, com pelo menos 5 anos no Brasil, como medicamento sujeito à prescrição mé-
dica; ou 
b. 5 anos no exterior como medicamento isento de prescrição, desde que os critérios para 
sua classificação sejam compatíveis com os estabelecidos nesta Resolução. 
Além disso, a segurança é avaliada com base na causalidade, gravidade e frequên-
cia de eventos adversos e intoxicação. Entende-se haver baixo potencial de causar 
danos à saúde quando obtido sem orientação de um prescritor, considerando a forma 
farmacêutica, o princípio ativo, a concentração do princípio ativo, a via de administra-
ção e a posologia.
3. QUAIS SÃO OS MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO
Segundo a Instrução Normativa IN n.º 120, de 09 de março de 2022, publicada no Diário 
Oficial da União em 16/03/2022, edição: 51, seção: 1 (p.126), é possível identificar os 
seguintes medicamentos nas tabelas a seguir. A Tabela 01 inclui medicamentos não 
fitoterápicos, enquanto a Tabela 02 inclui medicamentos fitoterápicos.
Figura 03. Apresentações comerciais de medicamentos sob prescrição
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N FÁRMACO FORMA 
FARMACÊUTICA
CONCENTRAÇÃO 
MÁXIMA
1 Aceclofenaco Creme dermatológico 15 mg/g
2 Acetato de hidrocortisona Creme dermatológico, poma-
da dermatológica 10 mg/g
3 Acetilcisteína Comprimido efervescente, 
granulado 600 mg
4 Acetilcisteína Solução nasal 11,5 mg/mL
5 Acetilcisteína Solução oral 40 mg/mL
6 Acetilracemetionina + citrato de colina + 
betaína Solução oral 40 + 53 + 50 mg/mL
7 Ácido acetilsalicílico Comprimido 500 mg
8 Ácido acetilsalicílico Comprimido revestido de 
liberação prolongada 500 mg
9 Ácido acetilsalicílico + ácido ascórbico 
(Vit. C) Comprimido 400 + 200 mg
10 Ácido acetilsalicílico + ácido ascórbico 
(Vit. C) Comprimido efervescente 400 + 240 mg
11 Ácido acetilsalicílico + cafeína Comprimido 650 + 65 mg
12 Ácido acetilsalicílico + maleato de clorfe-
niramina + cafeína Cápsula dura 324 + 2 + 32,4 mg
13
Ácido acetilsalicílico + maleato de dex-
clorfeniramina + cloridrato de fenilefrina 
+ cafeína
Comprimido 400 + 1 + 10 + 30 mg
14 Ácido acetilsalicílico + paracetamol + 
cafeína Comprimido revestido 250 + 250 + 65 mg
15 Ácido azeláico Creme dermatológico 200 mg/g
16 Ácido azeláico Gel dermatológico 150 mg/g
17 Ácido benzóico + ácido salicílico + iodo 
metálico Solução dermatológica 20 + 20 + 2,5 mg/mL
18 Ácido bórico + ácido salicílico + enxofre + 
óxido de zinco Pó dermatológico 3,0 + 0,352 + 17,602 + 
11,735 g
19 Ácido salicílico Gel dermatológico 270 mg/g
20
Ácido undecilênico + undecilenato de 
sódio + ácido propiônico + propionato de 
sódio + hexilresorcinol
Solução dermatológica 40 + 150 + 30 + 50 + 0,5 
mg/mL
21 Ácido undecilênico + undecilenato de zin-
co + propionato de cálcio + hexilresorcinol Pó dermatológico 2 + 150 + 60 + 0,5 mg/g
22 Alantoína + triclosana + óxido de zinco Pó dermatológico 5 + 1 + 100 mg/g
23 Álcool polivinílico Solução oftálmica 14 mg/mL
24 Alfaestradiol Solução capilar 0,25 mg/ml
25 Alginato de sódio + bicarbonato de 
potássio Suspensão oral 100 + 20 mg/mL
26 Alginato de sódio + bicarbonato de sódio 
+ carbonato de cálcio Comprimido mastigável 250 + 133,5 + 80 mg
27 Alginato de sódio + bicarbonato de sódio 
+ carbonato de cálcio Suspensão oral 50 + 26,7 + 16 mg/mL
28 Ascorbato de sódio + colecalciferol + 
citrato de zinco tri-hidratado Comprimido revestido 1000 mg + 455 UI + 10 
mg
29 Bacillus cereus Suspensão oral 1 X 10^6 end/mL
30
Bicarbonato de sódio + carbonato de 
magnésio + carbonato de cálcio + carbo-
nato básico de bismuto
Granulado 586,742 + 134,34 + 
134,34 + 32,495 mg/g
Tabela 01. Medicamentos não-fitoterápicos
63
• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
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31
Bicarbonato de sódio + carbonato de 
magnésio + carbonato de cálcio + carbo-
nato básico de bismuto
Pastilha 63,7 + 67 + 521 + 3,3 mg
32
Bicarbonato de sódio + carbonato de 
magnésio + carbonato de cálcio + carbo-
nato básico de bismuto
Pó para solução oral 649 + 146,67 + 146,67 + 
35,8 mg/g
33 Bicarbonato de sódio + carbonato de 
sódio Granulado efervescente 462 + 90 mg/g
34 Bicarbonato de sódio + carbonato de só-
dio + ácido acetilsalicílico + ácido cítrico Comprimido efervescente 1854 + 400 + 325 + 1413 
mg
35 Bicarbonato de sódio + carbonato de 
sódio + ácido cítrico
Granulado efervescente, pó 
efervescente 462,15 + 100 + 440 mg/g
36 Bisacodil
Comprimido revestido, 
comprimido revestido de 
liberação retardada
5 mg
37 Bromidrato de dextrometorfano Solução oral 3 mg/mL
38 Butilbrometo de escopolamina Comprimido revestido 10 mg
39 Butilbrometo de escopolamina Solução oral 10 mg/mL
40 Butilbrometo de escopolamina + dipirona Comprimido revestido 10 + 250 mg
41 Butilbrometo de escopolamina + dipirona Solução oral 6,667 + 333,4 mg/mL
42 Butilbrometo de escopolamina + parace-
tamol Comprimido revestido 10 + 500 mg
43 Cânfora Tablete dermatológico 712 mg
44 Cânfora + eucaliptol + mentol + guaiacol Pomada dermatológica 25 + 100 + 50 + 10 mg/g
45 Carbocisteína Solução oral 50 mg/mL
46 Carbômer + sorbitol Gel oftálmico 2 + 48,5 mg/g
47 Carbômer 940 Gel Oftálmico 2,0 mg/g
48 Carbonato de cálcio Comprimido mastigável 750 mg
49 Carbonato de cálcio + hidróxido de alumí-
nio + hidróxido de magnésio Comprimido mastigável
230 + 178 + 185 mg; ou
231,5 + 159,9 + 208,9 mg
50 Carbonato de cálcio + hidróxido de alumí-
nio + hidróxido de magnésio Pastilha 231,5 + 178 + 185 mg
51 Carmelose sódica Solução oftálmica 10 mg/mL
52 Cetoconazol Creme dermatológico 20 mg/g
53 Cetoconazol Xampu 20 mg/mL
54 Citrato de colina + betaína + racemetio-
nina Solução oral 100 + 50 + 10 mg/mL
55 Cloreto de benzalcônio + ácido bórico Solução oftálmica 0,1 + 17 mg/mL
56 Cloreto de benzalcônio + óxido de zinco 
+ cânfora Pomada dermatológica 5 + 200 + 50 mg/g
57 Cloreto de cetilpiridínio Pastilha 1,34 mg
58 Cloreto de cetilpiridínio + benzocaína Pastilha 1,466 + 10 mg
59 Cloreto de cetilpiridínio + benzocaína Solução 0,5 + 4 mg/mL
60 Cloreto de cetilpiridínio + borato de sódio 
+ benzocaína Solução 1 + 60 + 0,2 mg/mL
61 Cloreto de cetilpiridínio + cloreto de 
cetalcônio Pastilha 1,25 + 1,25 mg
62 Cloreto de dequalínio + benzocaína Pastilha 0,25 + 5 mg
63 Cloreto de sódio Gel nasal 6,0 mg/g
64 Cloreto de sódio Solução nasal 30 mg/mL
65
Cloreto de sódio + gliconato de zinco 
+ glicose + citrato de sódio + citrato de 
potássio
Solução oral 2,076 + 0,061 + 25 + 0,94 
+ 2,16 mg/mL
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Cloreto de sódio + gliconato de zinco 
+ glicose + citrato de sódio + citrato de 
potássio
Solução oral 1,757 + 0,06 + 11,88 + 
2,892 + 1,506 mg/mL
67 Cloridrato de ambroxol Cápsula dura de liberação 
prolongada 75 mg
68 Cloridrato de ambroxol Solução oral 7,5 mg/mL
69 Cloridrato de amorolfina Creme dermatológico 2,5 mg/g
70 Cloridrato de amorolfina Esmalte 50 mg/mL
71 Cloridrato de azelastina Solução nasal 1 mg/mL
72 cloridrato de benzidamina Colutório 1,5 mg/mL
73 Cloridrato de benzidamina Creme 5 mg/g
74 Cloridrato de benzidamina Pastilha 3,15 mg
75 Cloridrato de bromexina Solução oral 2 mg/mL
76 Cloridrato de bromexina Xarope 1,6 mg/mL
77 Cloridrato de butenafina Creme dermatológico 10 mg/g
78 Cloridrato de clobutinolhabilidades e sabedoria. Esta concepção 
exige uma arte de comunicação que favoreça o relacionamento entre as pessoas, além 
do cuidado na totalidade. Sendo assim, os pacientes precisam ter confiabilidade no pro-
fissional farmacêutico, entendendo-o como um profissional responsável e qualificado 
para entender suas condições de saúde e os tratamentos (Figura 01).
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
Para realizar a prescrição farmacêutica com qualidade e segurança para o paciente, 
o processo de comunicação eficiente facilita a identificação dos problemas, além de 
possibilitar o desenvolvimento de respostas adequadas às necessidades do paciente 
e contribui para o cuidado dos pacientes. As competências de comunicação são im-
portantes no atendimento farmacêutico, no estabelecimento da relação farmacêutico/
paciente e nos procedimentos de educação em saúde.
Figura 01. Armazenamento de medicamentos
Na condução das doenças crônicas, as habilidades de comunicação do farmacêu-
tico e a relação mais próxima com os pacientes contribuem para o reestabeleci-
mento da saúde, principalmente aqueles relacionados aos resultados na utilização 
dos medicamentos.
Além disso, pacientes especiais, como os idosos ou as pessoas com algum grau de 
deficiência (auditiva, visual, cognitiva), exigem adaptação das técnicas de comunica-
ção. A fim de entender as necessidades do paciente, o farmacêutico deverá mover a 
sua habilidade técnica e a sua competência de entendimento clínico, com a intenção de 
apoiar no tratamento de um transtorno de saúde autolimitado. Isto compreende as técni-
cas comunicativas do farmacêutico com o paciente, dos seus familiares ou cuidadores, 
além dos outros profissionais da saúde comprometidos no cuidado.
A semiologia farmacêutica é o segmento da farmácia, pertinente ao estudo dos sinais 
e sintomas das doenças humanas. Trata-se de uma atividade clínica atribuída ao 
estudo, reconhecimento e avaliação de sinais e sintomas na atenção à saúde. É a 
base da prática clínica. Necessita, muito além de habilidades, de inteligência para a 
tomada de decisões rápidas e adequadas. Utiliza-se como principal recurso o exame 
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
clínico, composto pela anamnese, pelo exame físico e pela análise de exames clínicos 
laboratoriais e complementares.
Essa atividade profissional não deve ser confundida com o diagnóstico médico, pois se 
trata de um novo método na dispensação ativa de medicamentos isentos de prescrição 
médica. O estado de saúde das pessoas se evidencia por meio de sinais e sintomas 
manifestados pelo paciente. Precisam ser apresentados e analisados pelo farmacêu-
tico, para a sua adequada compreensão. Para este objetivo, é necessária a utilização 
das premissas de semiologia.
Quando mencionamos os sintomas, estamos mencionando toda informação relatada 
pelo paciente, pois não é suscetível de validação pelo farmacêutico, uma vez que é uma 
impressão individual, como, por exemplo, uma febre. Já os sinais são variações que os 
pacientes relatam e que podem ser consideradas pelo profissional, seja por meio de 
uma observação ou mesmo com a ajuda de algum equipamento, como uma hanseníase 
ou mesmo um problema vascular.
Condições de saúde se apresentam por meio de sinais e sintomas relatados pelo pa-
ciente. Precisam ser apresentados e avaliados pelo farmacêutico, para a sua devida 
análise. Para isso, é necessária a aplicação do conhecimento em semiologia, além dos 
serviços farmacêuticos que se dispõem à melhoria da saúde e do uso correto de medi-
camentos, além da adequação dos efeitos com a farmacoterapia.
A análise do estado de saúde no cuidado farmacêutico pode acontecer na identificação 
de problemas referentes ao uso de medicamentos. Problemas podem haver por ação 
ineficaz do ponto de vista farmacológico, eventos adversos, alterações e influências 
medicamentosas ou até mesmo reações tóxicas. Seja qual for o caso, a análise da si-
tuação de saúde do paciente é importante para o argumento clínico do farmacêutico e 
para a sua decisão e ação.
A utilização da semiologia no cuidado farmacêutico tem ganhado destaque desde 2013, 
especialmente com as Resoluções no 585 e 586 do Conselho Federal de Farmácia 
(CFF), que regimentam as atividades clínicas e a prescrição farmacêutica. Essas nor-
mativas criaram condições adequadas para a sociedade debater o tema. A semiologia 
farmacêutica é uma nova realidade profissional que visa identificar sinais e sintomas em 
transtornos menores para melhorar a utilização de medicamentos isentos de prescrição 
(MIP), tornando-a mais eficaz e seguro.
Segundo o CFF, a semiologia é um campo do conhecimento utilizado pelo farmacêutico 
na análise das necessidades e de problemas de saúde. Sendo assim, o farmacêutico 
deve entender a uma necessidade ou queixa e buscar as melhores ações para favore-
cer a saúde do paciente.
A intenção do procedimento do cuidado é alcançar as melhores medidas possíveis em 
saúde, diminuir as consequências relacionadas à utilização de medicamentos e resta-
belecer a qualidade de vida dos pacientes dos serviços farmacêuticos.
A expressão “semiologia farmacêutica” ainda não está plenamente aceita no meio aca-
dêmico e profissional. Na prática, refere-se ao uso de conhecimentos, habilidades e 
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
competências para identificar sinais e sintomas no cuidado farmacêutico (Figura 02). 
Os objetivos dos serviços farmacêuticos devem ser muito bem envolvidos e dirigidos na 
prática do cuidado em saúde.
Figura 02. Ficha de anamnese farmacêutica
Semiologia no cuidado farmacêutico não remete ao diagnóstico de doenças, mas 
sim à descrição e análise de circunstâncias clínicas que apontem problemas de 
saúde ou problemas resultantes do uso de medicamentos. Compete ao farmacêu-
tico clínico, com regras de segurança, optar por assistir ou direcionar o paciente 
para outro profissional. A Semiologia Farmacêutica precisa ser impulsionada nas 
instituições de cuidados primários para atender à população que tem capacidade 
de “auto cuidar”. Esse movimento é apoiado por muitos países para preservar a 
capacidade produtiva da população, restabelecer a qualidade de vida e reduzir os 
gastos hospitalares, possibilitando que os profissionais de saúde se concentrem 
em problemas mais relevantes.
O Brasil, ao estabelecer a prescrição farmacêutica, está consoante às tendências de 
maior união da profissão farmacêutica mundial e com as demais profissões da área da 
saúde, cuidando pelo bem-estar da população e honrando o profissional farmacêutico. 
Esta orientação pode abranger a escolha da terapêutica, a proposta de serviços farma-
cêuticos ou o direcionamento a outros profissionais, ou serviços de saúde. A atividade 
de prescrever não representa um serviço clínico, mas uma das atividades que compre-
endem o processo de cuidado à saúde.
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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1
• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
Há muito tempo, os termos “autocuidado” e “automedicação responsável” estão profun-
damente associados à semiologia farmacêutica. Em 1998, a Organização Mundial da 
Saúde (OMS) declarou no documento o papel do farmacêutico no autocuidado e na au-
tomedicação, enfatizando a relevância do farmacêutico na atenção à saúde ao oferecer 
aos pacientes orientação farmacêutica. Nesta declaração, o autocuidado é fixado como 
a capacidade das pessoas de cuidar da própria saúde e prevenir doenças.
A automedicação consciente é fundamental para integrar os sistemas de saúde, espe-
cialmente em países em desenvolvimento como o Brasil. Desde 1986, a Organização 
Mundial de Saúde já divulgavaSolução oral 4 mg/mL
79 Cloridrato de difenidramina + cloreto de 
amônio + citrato de sódio Pastilha 5 + 50 + 10 mg
80 Cloridrato de difenidramina + cloreto de 
amônio + citrato de sódio Solução oral 2,5 + 25 + 11,25 mg/mL
81 Cloridrato de epinastina Comprimido revestido 20 mg
82 Cloridrato de epinastina Solução oral 2 mg/mL
83 Cloridrato de fenazopiridina Comprimido revestido 200 mg
84 Cloridrato de fexofenadina Comprimido revestido 180 mg
85 Cloridrato de fexofenadina Suspensão oral 6 mg/mL
86 Cloridrato de isotipendil Gel dermatológico 7,5 mg/g
87 Cloridrato de levamisol Comprimido 150 mg
88 Cloridrato de lidocaína + cloreto de 
benzetônio Solução dermatológica 25 + 1,3 mg/mL
89 Cloridrato de nafazolina + maleato de 
feniramina Solução oftálmica 0,25 + 3 mg/mL
90 Cloridrato de nafazolina + sulfato de zinco 
heptaidratado Solução oftálmica 0,15 + 0,3 mg/mL
91
Cloridrato de oxomemazina + iodeto de 
potássio + benzoato de sódio + guaife-
nesina
Solução oral 0,4 + 20 + 4 + 6 mg/mL
92 Cloridrato de papaverina + dipirona + 
extrato fluido de Atropa belladonna Comprimido 30 mg + 250 mg + 0,03 
mL
93 Cloridrato de procaína + timol + mentol + 
cânfora Solução 1 + 4 + 8 + 2 mg/mL
94 Cloridrato de terbinafina Creme dermatológico 10 mg/g
95 Cloridrato de terbinafina Solução dermatológica 10 mg/mL
96 Clotrimazol Creme dermatológico 10 mg/g
97 Clotrimazol Solução dermatológica 10 mg/mL
98 Clotrimazol Cápsula mole vaginal, com-
primido vaginal 500 mg
99 Clotrimazol Creme vaginal 20 mg/g
100 Coaltar Xampu 40 mg/mL
101 Cobamamida + cloridrato de ciproepta-
dina Comprimido 1 + 4 mg
2 Colagenase Pomada dermatológica 1,2 U/g
103 Deltametrina
Emulsão dermatológica, 
suspensão dermatológica, 
xampu
0,2 mg/mL
104 Desloratadina Comprimido revestido 5 mg
65
• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
105 Desloratadina Solução oral 1,25 mg/mL
106 Dextrana + hipromelose Solução oftálmica 1 + 3 mg/mL
107 Dextrana + hipromelose + glicerol Solução oftálmica 1 + 3 + 2 mg/mL
108 Diclofenaco dietilamônio Gel dermatológico 23,2 mg/g
109 Diclofenaco dietilamônio Solução dermatológica 11,6 mg/g
110 Diclofenaco sódico Gel dermatológico 10 mg/g
111 Dicloridrato de levocetirizina Comprimido revestido 5 mg
112 Dicloridrato de levocetirizina Solução oral 5 mg/mL
113 Dipirona Comprimido, comprimido 
efervescente 1000 mg
114 Dipirona Solução oral 500 mg/mL
115 Dipirona Supositório 300 mg
116 Dipirona + cafeína Comprimido 500 + 65 mg
117 Dipirona + citrato de orfenadrina + cafeína Comprimido 300 + 35 + 50 mg
118 Dipirona + citrato de orfenadrina + cafeína Solução oral 300 + 35 + 50 mg/mL
119 Dipirona + cloridrato de isometepteno + 
cafeína Solução oral 300 + 50 + 30 mg/mL
120 Dipirona + cloridrato de prometazina + 
cloridrato de adifenina Comprimido 500 + 5 + 10 mg
121 Dipirona + cloridrato de prometazina + 
cloridrato de adifenina Solução oral 333,333 + 3,333 + 6,666 
mg/mL
122 Dipirona + maleato de clorfeniramina + 
cafeína Comprimido revestido 500 + 2 + 30 mg
123 Dipirona + mucato de isometepteno + 
cafeína Comprimido revestido 300 + 30 + 30 mg
124 Docusato sódico + bisacodil Comprimido revestido 60 + 5 mg
125 Dropropizina Solução oral 30 mg/mL
126 Ebastina Comprimido revestido 10 mg
127 Ebastina Solução oral 1 mg/mL
128 Essência de terebentina + salicilato de 
metila + cânfora + mentol Gel dermatológico 0,2222 + 0,0444 mL/g + 
44,4 + 98 mg/g
129 Eucaliptol + terpina monoidratada + 
mentol Solução inalatória 33 + 22 + 22 mg/mL
130 Fendizoato de cloperastina Suspensão oral 35,4 mg/mL
131 Fendizoato de cloperastina Solução oral 3,54 mg/mL
132 Fenol + mentol Solução otológica 18,6 + 1,3 mg/mL
133 Flurbiprofeno Pastilha 8,75 mg
134 Flutrimazol Creme dermatológico 10 mg/g
135 Flutrimazol Solução dermatológica 10 mg/mL
136 Guaifenesina Solução oral 16 mg/mL
137 Guaifenesina + bromidrato de dextrome-
torfano Solução oral 13,3 + 1,3 mg/mL
138 Heparina sódica Gel dermatológico 200 U/g
139 Hialuronato de sódio Solução oftálmica 1,5 mg/mL
140 Hidróxido de alumínio Comprimido, comprimido 
mastigável 230 mg
141 Hidróxido de alumínio + hidróxido de 
magnésio Pó efervescente 35,6 + 37 mg/g
142 Hidróxido de alumínio + hidróxido de 
magnésio + carbonato de cálcio
Comprimido mastigável, pó 
efervescente 178 + 185 + 230 mg
143 Hidróxido de alumínio + hidróxido de 
magnésio + carbonato de cálcio Suspensão oral 35,6 + 37 + 48,4 mg/mL
144 Hidróxido de alumínio + hidróxido de 
magnésio + oxetacaína Suspensão oral 60 + 20 + 2 mg/mL
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
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145 Hidróxido de alumínio + hidróxido de 
magnésio + simeticona Suspensão oral 120 + 41,5 + 7 mg/mL
146 Hidroxiquinolina + trolamina Solução otológica 0,4 + 140 mg/mL
147 Hipromelose Solução oftálmica 5 mg/mL
148 Hipromelose + cetrimida Solução oftálmica 3,2 + 0,1 mg/mL
149 Ibuprofeno Cápsula gelatinosa mole, 
comprimido 400 mg
150 Ibuprofeno Comprimido revestido 400 mg
151 Ibuprofeno Suspensão oral 100 mg/mL
152 Ibuprofeno Comprimido revestido de 
liberação prolongada
600 mg (200 mg libera-
ção imediata + 400 mg 
liberação prolongada)
153 Ibuprofeno + paracetamol Comprimido revestido 200 + 500 mg
154 Ibuprofeno arginina Comprimido revestido, 
granulado 770 mg
155 Iodo + óleo de cade + ácido salicílico Solução dermatológica 10 + 10 + 20 mg/mL
156 Iodopovidona Pomada dermatológica 100 mg/g
157 Iodopovidona Sabonete 7 mg/g
158 Lactulose Solução oral, xarope 667 mg/mL
159 Levomentol + cânfora Óleo nasal 415,4 + 415,4 mg/mL
160 Levomentol + cânfora + óleo de eucalipto Pomada 28,2 + 52,6 + 13,3 mg/g
161 Loratadina Cápsula gelatinosa mole 10 mg
162 Loratadina Comprimido, comprimido 
revestido 10 mg
163 Loratadina Solução oral 1 mg/mL
164 Loxoprofeno sódico Adesivo transdérmico 100 mg
165 Macrogol + bicarbonato de sódio + cloreto 
de potássio + cloreto de sódio Pó 13,125 + 0,1775 + 0,0466 
+ 0,3507 g
166 Magaldrato Suspensão oral 80 mg/mL
167 Magaldrato + simeticona Suspensão oral 80 + 10 mg/mL
168 Maleato de bronfeniramina + cloridrato de 
fenilefrina
Comprimido revestido de 
liberação prolongada 12 + 15 mg
169 Maleato de bronfeniramina + cloridrato de 
fenilefrina Solução oral 2 + 2,5 mg/mL
170 Maleato de bronfeniramina + cloridrato de 
fenilefrina Solução oral 0,4 + 1 mg/mL
171 Maleato de clorfeniramina + ácido ascór-
bico + dipirona monoidratada Comprimido revestido 1 + 50 +100 mg
172 Maleato de dexclorfeniramina Comprimido, comprimido 
revestido 2 mg
173 Maleato de dexclorfeniramina Creme dermatológico 10 mg/g
174 Maleato de dexclorfeniramina Comprimido revestido de 
liberação prolongada 6 mg
175 Maleato de dexclorfeniramina Solução oral 2,8 mg/mL
176 Maleato de mepiramina + hidróxido de 
alumínio + ácido acetilsalicílico + cafeína Comprimido 15 + 150 + 150 + 50 mg
177 Mebendazol Comprimido 500 mg
178 Mebendazol Suspensão oral 20 mg/mL
179 Metronidazol Creme dermatológico, gel 
dermatológico 7,5 mg/g
180 Naproxeno Comprimido 500 mg
181 Naproxeno sódico Comprimido revestido 550 mg
182 Nicotina Adesivo transdérmico 21 mg
183 Nicotina Pastilha, goma de mascar 4 mg
184 Nimesulida Gel dermatológico 20mg/g
67
• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
185 Nistatina + óxido de zinco Pomada dermatológica 100.000U.I./g + 200mg/g
186 Nitrato de miconazol Creme dermatológico, pó 
dermatológico 20 mg/g
187 Nitrato de miconazol Emulsão dermatológica, 
suspensão dermatológica 20 mg/mL
188 Nitrato de miconazol Creme vaginal20 mg/g
189 Nitrato de oxiconazol Creme dermatológico 10,0 mg/g
190 Nitrato de oxiconazol Solução dermatológica 10,0 mg/mL
191 Óxido de zinco + salicilato de fenila + 
ácido bórico + enxofre + mentol + cânfora Pó dermatológico 10 + 2,0 + 5,0 + 5,0 + 0,2 
+ 1,0 mg/g
192
Palmitato de retinol (Vit. A) + colecalciferol 
(Vit. D3) + acetato de racealfatocoferol 
(Vit. E) + alantoína
Creme dermatológico 5000 + 1000 + 20 UI/g + 
2 mg/g
193 Paracetamol Comprimido efervescente 500 mg
194 Paracetamol Comprimido mastigável 160 mg
195 Paracetamol Comprimido revestido 750 mg
196 Paracetamol Comprimido revestido de 
liberação prolongada 650 mg
197 Paracetamol Comprimido 750 mg
198 Paracetamol Pó 100 mg/g
199 Paracetamol Solução oral 200 mg/mL
200 Paracetamol Suspensão oral 140 mg/mL
201 Paracetamol + cafeína Comprimido efervescente, 
comprimido revestido 500 + 65 mg
202 Paracetamol + carisoprodol + cafeína Comprimido 350 + 150 + 50 mg
203 Paracetamol + citrato de orfenadrina + 
cafeína Comprimido 450 + 35 + 50 mg
204 Paracetamol + cloridrato de fenilefrina Comprimido 800 + 20 mg
205 Paracetamol + cloridrato de fenilefrina + 
maleato de carbinoxamina Comprimido 800 + 20 + 4 mg
206 Paracetamol + cloridrato de fenilefrina + 
maleato de carbinoxamina Solução oral 40 + 1 + 0,4 mg/mL
207
Paracetamol + cloridrato de fenilefrina + 
maleato de carbinoxamina + citrato de 
pentoxiverina
Comprimido 400 + 10 + 2 + 10 mg
208 Paracetamol + cloridrato de fenilefrina + 
maleato de clorfeniramina Cápsula dura, comprimido 400 + 4 + 4 mg
209 Paracetamol + cloridrato de fenilefrina + 
maleato de clorfeniramina Pó para solução oral 80 + 0,8 + 0,8 mg/g
210 Paracetamol + cloridrato de fenilefrina + 
maleato de clorfeniramina Solução oral 40 + 0,6 + 0,6 mg/mL
211 Paracetamol + maleato de carbinoxamina Solução oral 120 + 2 mg/mL
212 Paracetamol + propifenazona + cafeína Comprimido 250 + 150 + 50 mg
213 Permetrina Emulsão dermatológica, 
suspensão dermatológica 10 mg/mL
214 Permetrina Emulsão dermatológica, 
suspensão dermatológica 50 mg/mL
215 Picossulfato de sódio Solução oral 7,5 mg/mL
216
Picossulfato de sódio + Cássia senna 
1DH + Polygonum punctatum 1CH + 
Collinsonia canadensis 1CH
Comprimido 0,005g+ 0,020 + 0,015 + 
0,015 g
217 Picossulfato de sódio + óleo mineral leve 
+ ágarágar Emulsão oral 0,334 + 282,25 + 2,72 
mg/mL
218 Policarbofila cálcica Comprimido revestido 625 mg
219 Policresuleno + cloridrato de cinchocaína Pomada retal 50 + 10 mg/g
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220 Policresuleno + cloridrato de cinchocaína Supositório 100 + 27 mg
221 Polissulfato de mucopolissacarídeo Gel dermatológico, pomada 
dermatológica 5 mg/g
222 Prometazina Creme dermatológico 20 mg/g
223 Racemetionina + cloreto de colina Comprimido revestido 100 + 20 mg
224 Racemetionina + cloreto de colina + inosi-
tol + cianocobalamina Comprimido revestido 100 + 25 + 50 + 0,002 mg
225 Saccharomyces boulardii Cápsula dura, pó oral 250 mg
226 Salicilato de etilenoglicol + levomentol + 
acetato de racealfatocoferol + cânfora Emplasto 175 + 140 + 140 + 42 mg
227 Salicilato de metila + cânfora + levomen-
tol Adesivo dermatológico 144 + 28,4 + 131 mg
228 Salicilato de metila + cânfora + levomen-
tol Pomada dermatológica 52,5 + 44,4 + 20 mg/g
229 Salicilato de metila + cânfora + levomen-
tol Solução dermatológica 0,0333 mL/mL + 33,3 + 
8,3 mg/mL
230 Salicilato de metila + cânfora + mentol Pomada dermatológica 52,5 + 44,4 + 20 mg/g
231 Salicilato de metila + cânfora + mentol Solução dermatológica 0,0333 mL/mL + 33,3 + 
8,3 mg/mL
232 Salicilato de metila + extrato fluido de 
Beladona + cânfora Gel dermatológico 40 + 13,6 + 10 mg/g
233 Salicilato de metila + iodo Pomada dermatológica 50 + 50 mg/g
234 Salicilato de metila + levomentol Adesivo dermatológico 105 + 31,5 mg
235 Salicilato de metila + levomentol Gel dermatológico 150 + 70 mg/g
236 Salicilato de metila + mentol Gel dermatológico, creme 
dermatológico 150 + 100 mg/g
237 Salicilato de metila + mentol Pomada dermatológica 250 + 250 mg/g
238 Salicilato de metila + mentol Solução dermatológica 50 + 10 mg/g
239
Salicilato de metila + óxido de zinco + 
bálsamo do peru + extrato fluido de Bela-
dona + cânfora
Pomada dermatológica 50 + 90 + 20 + 16 + 10 
mg/g
240 Salicilato de metila + salicilato de etileno-
glicol + levomentol + cânfora Solução dermatológica 30 + 19 + 38,5 + 38,5 
mg/mL
241 Salicilato de metila + salicilato de etileno-
glicol + levomentol + cânfora + timol Emplasto 144,14 + 21,84 + 131,04 
+ 28,4 + 18,34 mg
242 Silimarina + racemetionina Comprimido revestido 70 + 100 mg
243 Sorbitol + laurilsulfato de sódio Solução retal 714 + 7,7 mg/g
244 Subgalato de bismuto + óxido de zinco Gel dermatológico 1,5 + 45 mg/g
245 Subgalato de bismuto + óxido de zinco + 
iodeto de timol Pó dermatológico 3,0 + 93,33 + 1,5 mg/g
246 Sulfato de magnésio + ácido cítrico + 
bicarbonato de sódio Pó efervescente 176,5 + 367 + 436 mg/g
247 Sulfato de neomicina Pomada dermatológica 5 mg/g
248 Sulfato de neomicina + bacitracina zíncica Pomada dermatológica 5 mg/g + 250 UI/g
249 Sulfato de neomicina + tartarato de bis-
muto e sódio + cloridrato de procaína
Suspensão de
uso local
25 + 25 + 15 mg/ml
250
Sulfato de neomicina + tartarato de 
bismuto e sódio + cloridrato de procaína 
+ mentol
Suspensão de uso local 26 + 25 + 15 + 1 mg/ml
251 Sulfato ferroso Comprimido revestido 190 mg
252 Sulfato ferroso Solução oral 125 mg/mL
253 Sulfeto de selênio Xampu 25 mg/mL
254 Tintura Matricaria chamomilla L + cloridra-
to de lidocaína + polidocanol Gel 150 + 3,4 + 3,2 mg/g
69
• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
Um agente fitoterápico, segundo a RDC n°26, de 13 de maio de 2014, da Anvisa, seria todo 
medicamento obtido empregando-se exclusivamente matérias-primas ativas vegetais.
255 Tintura Matricaria chamomilla L., cloridra-
to de lidocaína, polidocanol Solução 150,0 mg/g + 3,4 mg/g + 
3,2 mg/g
256 Tioconazol Creme dermatológico 10 mg/g
257 Tirotricina + sulfato de hidroxiquinolina Solução 0,3 + 10 mg/mL
258 Tirotricina + sulfato de hidroxiquinolina + 
benzocaína Pastilha 1 + 0,7 + 5 mg
259 Tirotricina + sulfato de hidroxiquinolina + 
cloridrato de lidocaína Solução 0,1 + 2 + 4 mg/mL
260 Tirotricina + sulfato de hidroxiquinolina + 
fluoreto de sódio Gel 0,25 + 6,2 + 2,2 mg/g
261 Tribenosídeo + cloridrato de lidocaína Creme retal 50 + 20 mg/g
262 Tribenosídeo + cloridrato de lidocaína Supositório 400 + 40 mg
263 Ureia Creme dermatológico 200 mg/g
Fonte: Instrução Normativa IN Nº 120, de 09 de março de 2022 ([n. p.]).
Tabela 02. Medicamentos fitoterápicos
N ESPÉCIE PARTE EMPREGADA
1 Aesculus hippocastanum Sementes
2 Aloe ferox+Gentiana lutea Rizoma + folhas
3 Aloe vera Folhas
4 Arnica montana Capítulo floral
5 Atropa belladona Folhas
6 Calendula officinalis Flores
7 Cassia fistula + Senna alexandrina Fruto + folhas
8 Centella asiatica Partes aéreas
9 Cinchona calisaya Casca
10 Cinnamomum zeylanicum + Caryophyllus aromaticus Cascas + botões florais
11 Crataegus oxyacantha + Salix alba + Passiflora incarnata Flores + casca + flores
12 Cynara scolymus Folhas
13 Cynara scolymus + Peumus boldus Folhas + folhas
14 Eucaliptus globulus Folhas
15 Gentiana lutea + Chamaemelum nobile Rizoma + raiz
16 Glycine max Sementes
17 Glycyrrhiza glabra Raízes
18 Hamamelis virginiana Folhas
19 Harpagophytum procumbens Raízes secundárias
20 Hedera helix Folhas
21 Matricaria chamomilla + Gentiana lutea + Nux vomica + Peumus 
boldus
Flores + rizoma e raízes + 
sementes + folhas
22 Matricaria recutita Capítulos florais
23 Maytenus ilicifolia Folhas
24 Maytenus ilicifolia + Jateoriza palmata Folhas + raízes
25 Melissa officinalis Folhas
26 Mikaniaglomerata Folhas
27 Mikania glomerata + Polygala senega + Cephaelis ipecacuanha Folhas + raízes + raízes
28 Nasturtium officinale Partes aéreas
29 Operculina alata Raiz
30 Panax ginseng Raiz
31 Passiflora alata + Erythrina mulungu + Crataegus oxycanta Folhas + casca + flores e 
folhas
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4. COMO RECONHECER UM MEDICAMENTO ISENTO DE 
PRESCRIÇÃO
Um medicamento isento de prescrição, não possui a faixa vermelha ou preta na embalagem 
externa. Na Figura 04 identificamos um exemplo de um medicamento isento de prescrição.
32 Passiflora incarnata Partes aéreas
33 Passiflora incarnata + Crataegus oxyacanta + Salix alba Flores e folhas + flores e 
folhas + casca
34 Paullinia cupana Semente
35 Peumus boldus Folhas
36 Peumus boldus + Frangula purshiana + Rheum palmatum Folha + casca + rizoma e 
raiz
37 Plantago ovata Casca da semente
38 Plantago ovata + Senna alexandrina Semente e casca da semen-
te + frutos
39 Polygala senega Raízes
40 Polypodium leucatomos Poir Partes aéreas
41 Rhamnus purshiana Casca
42 Rhodiola rosea Rizoma e raiz
43 Salix alba Casca
44 Senna alexandrina Folhas e frutos
45 Serenoa repens Frutos
46 Silybum marianum Frutos sem papilho
47 Solidago microglossa Partes aéreas
48 Symphytum officinale Raiz
49 Trichilia catigua + Croton heliotropiifolius + Paullinia cupana Cascas do caule + caules + 
sementes
50 Uncaria tomentosa Casca do caule e raiz
51 Vitis vinífera Folhas
52 Zingiber officinale Rizomas
Fonte: Anvisa, RDC nº 26, de 13 de maio de 2014 ([n. p.]).
Figura 04. Imagem de um medicamento isento de prescrição onde não se observa a faixa vermelha ou 
preta em sua embalagem comercial
Fonte: 123RF.
71
• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
5. GRUPOS E INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS ESPECIFICADAS 
(GITE) PARA MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO MÉDICA
Os métodos de registro, para um medicamento ser autorizado pela ANVISA como MIP 
devem ter um perfil de eficácia e principalmente segurança. Envolve propriedades como 
baixo capacidade de toxicidade e risco, reações adversas com algumas causas conhe-
cidas e reversíveis após a sua interrupção e baixo potencial de interações (medicamen-
to-medicamento e medicamento-alimento). Para garantir um uso seguro e consciente 
de MIP, deve seguir as orientações da bula e buscar orientação de um profissional 
farmacêutico. Se os sinais persistirem, é importante interromper o uso do medicamento 
imediatamente e procurar atendimento médico.
Embora existam normas específicas para a troca de classe de medicamentos para 
MIPs, ainda persistem algumas dúvidas sobre o processo. Atualmente, no nosso país, 
não há orientações claras que conduzam à alteração de um medicamento de tarja para 
MIP. Quando a indústria farmacêutica possui uma substância adequada para essa re-
classificação, deve submeter um pedido individual à Anvisa, que investiga e emite seu 
parecer, não havendo um procedimento-padrão estabelecido. 
A nova norma, estruturada com o cenário mundial, apresentará um modelo de regu-
lação mais viável que permitirá à Anvisa avaliar os pedidos de troca de categoria com 
base em normas estabelecidas e argumentações mais favoráveis quanto à segurança 
do medicamento. Segundo a Anvisa, é necessário que o medicamento também tenha 
um histórico favorável no Brasil para ser classificado como MIP. Durante a renovação do 
registro e a solicitação de mudança de categoria, são analisadas as notificações de far-
macovigilância recebidas pelo produto. Medicamentos com notificações, principalmente 
relacionadas a efeitos diversos, têm dificuldade em serem reclassificados. Efeitos ad-
versos não previstos na bula dificultam ainda mais a situação do fármaco. 
O Sistema Nacional de Notificações para a Vigilância Sanitária (Notivisa), da Anvisa, é a 
principal fonte de dados usada para a compilação dos dados. Este sistema é uma ferra-
menta importante que permite aos profissionais de saúde notificar e monitorar eventos 
adversos relacionados ao uso de produtos, sendo essencial para a detecção de desvios 
de qualidade, principalmente em produtos sob vigilância sanitária. Nele, são registrados 
problemas relacionados à utilização de medicamentos e produtos correlatos, abrangendo 
situações de reações adversas e contribuindo para consolidar a vigilância pós-uso das 
tecnologias em saúde. Profissionais de saúde e o público podem descrever problemas 
diretamente no site do sistema. Além disso, a Anvisa conta com uma rede de vigilância 
em hospitais (Rede Sentinela) e centros médicos, os quais podem comunicar à agência 
possíveis eventos adversos, assim como outros problemas relacionados aos medicamen-
tos, concedendo as medidas necessárias a serem avaliadas pelos técnicos responsáveis. 
É comum surgirem incertezas sobre a necessidade de bula para todos os medicamentos 
isentos de prescrição. Segundo a Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos 
Isentos de Prescrição (Abimip), alguns desses medicamentos são vendidos em blisters, 
levando os usuários a pensar que não possuem bulas, faltando informações sobre a uti-
lidade, a forma de utilização, entre outras. O que muitos pacientes não sabem é que, na 
compra de MIPs encartelados, é possível solicitar a bula, sendo obrigatória a sua dispo-
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nibilidade na farmácia conforme regulamentos da Anvisa. Caso haja dúvidas sobre como 
utilizar ou a finalidade dos MIPs, o paciente pode sempre consultar um farmacêutico. 
O uso racional dos medicamentos isentos de prescrição interfere diretamente no bem-
-estar e no direito do paciente de cuidar da própria saúde. Um aspecto importante é que 
esses medicamentos não devem causar dependência, sendo indicados para doenças 
ou sintomas autolimitados, sendo seguros, de uso comprovado cientificamente, habi-
tual, fácil de usar e de baixo risco. Usar esses medicamentos de forma racional implica 
que os usuários tratam seus próprios sintomas e transtornos autolimitados sem prescri-
ção médica, mas de maneira segura e adequada, conforme orientações de profissionais 
farmacêuticos, que acompanham a automedicação responsável. Entre as classes tera-
pêuticas mais procuradas em farmácias para transtornos menores estão os anti-infla-
matórios não esteroidais (Figura 05).
É importante destacar que os MIPs são destinados a doenças de morbidade elevada 
e gravidade baixa. Eles são reconhecidos por sua segurança, eficácia comprovada ou 
uso tradicional aprovado, facilidade de uso e baixo risco, incluindo categorias como 
antiácidos, analgésicos, antitérmicos e outras classes terapêuticas mencionadas na 
RDC 138/2003 da Anvisa. Podem ser comercializados, comprados, requisitados, dis-
tribuídos, dispensados ou doados sem necessidade de nenhuma validação de docu-
mento expedido por profissional legalmente capaz para prescrevê-lo. A utilização tende 
a ser aceita pelas entidades sanitárias como parte constituinte do sistema de saúde. 
A facilidade de acesso aos MIPs torna-os diretamente ligados à automedicação, prá-
tica comum que deve sempre ser observada pelo profissional farmacêutico próprio ao 
Figura 05. Medicamentos Isentos de Prescrição
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
problema de atendimento médico atual (demora na marcação de consultas médicas). 
Embora muitos critiquem a automedicação,em certas circunstâncias, quando realizada 
de forma adequada, pode ser justificável. 
A Organização Mundial de Saúde (OMS) define automedicação responsável como o 
cuidado pessoal dos sintomas e transtornos autolimitados utilizando medicamentos 
aprovados e acessíveis sem prescrição médica, desde que utilizados conforme as ins-
truções. Esta prática é recomendada para aliviar a carga do sistema público de saúde. 
É importante destacar que a definição de automedicação responsável não pode ser 
confundida com autoprescrição (uso sem receita médica de medicamentos tarjados). 
Para garantir o uso adequado, seguro e coerente de medicamentos, os profissionais 
farmacêuticos devem reconhecer a importância dos MIPs, pois são responsáveis pela 
supervisão desses medicamentos de diversas classes terapêuticas.
Em todos os países, independentemente de seu grau de desenvolvimento, necessitam de 
meios para garantir o uso adequado e a eficiência dos medicamentos. Nesse contexto, os 
farmacêuticos executam um papel fundamental em atender às necessidades individuais 
e sociais. Eles devem ampliar sua responsabilidade para além da química e farmacologia 
dos medicamentos, abrangendo também os pacientes e suas condições clínicas. 
A automedicação é uma realidade perceptível, influenciada pela falta de conhecimento 
e práticas inadequadas da população, pela publicidade excessiva de medicamentos e 
pela disponibilidade de produtos de venda livre (autoatendimento). Além disso, muitas 
vezes, os consumidores deixam de buscar orientação dos profissionais farmacêuticos 
ao frequentarem farmácias. No Brasil, a questão dos medicamentos é contraditória: 
enquanto há uma falta de acesso significativa para parte da população, também há 
um consumo irracional (Figura 06) incentivado pela automedicação e pelo pensamento 
errôneo do medicamento como simples produtos isentos de risco.
Figura 06. Exemplos de Medicamentos que podem ser utilizados de forma irracional (MIPs)
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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A entrega de medicamentos, tanto os isentos quanto os que exigem prescrição, deve 
ser compreendida como um método de atenção à saúde. Quando acompanhada de 
orientação adequada, essa entrega reduz os riscos associados aos medicamentos, au-
xiliando para as farmácias serem reconhecidas como estabelecimentos de saúde res-
peitáveis. O farmacêutico se torna o protagonista das ações de saúde, principalmente 
no fornecimento de informações e orientações sobre o uso correto e racional de medi-
camentos. Assim como todos os medicamentos, os MIPs também demonstram riscos 
à saúde quando usados de forma inadequada e sem a supervisão de um profissional 
farmacêutico. No começo, alguns pacientes podem não buscar as orientações sobre 
esses medicamentos; contudo, ao perceberem o interesse dos farmacêuticos mostra-
rem por suas necessidades, muitos estarão mais dispostos a dedicar tempo para obter 
essas informações. 
No instante em que o paciente consegue os MIPs, o farmacêutico deve procurar conver-
sar e verificar, entre outras coisas:
 ` idade do paciente;
 ` tempo dos sintomas;
 ` quais medicamentos estão sendo pedidos;
 ` condição pela qual os medicamentos estão sendo pedidos;
 ` situações que poderiam contraindicar determinados MIPs;
 ` uso simultâneo de outras substâncias;
 ` uso anterior de outros medicamentos para o mesmo sintoma manifestado;
 ` relato de uso de álcool; e
 ` relato médico.
Após análise minuciosa dos dados, o profissional farmacêutico pode chegar a uma 
das situações:
a. O indivíduo necessita de atendimento médico. Isso pode acontecer se o mesmo pertencer 
a um grupo de risco (gestantes, lactantes, recém-nascidos, crianças, idosos); se o pro-
blema descrito não puder ser orientado pelo farmacêutico com a uso de MIP; se estiver 
acontecendo reação adversa a outro medicamento que ele usa; se os sintomas estiverem 
relacionados a outra patologia. 
b. O cidadão não precisa de atendimento médico. Após avaliar que não há necessidade de 
encaminhamento para um serviço médico, o farmacêutico deve deliberar se a condição 
pode ser melhor cuidada pelo uso de medidas não-farmacológicas ou se requer um tra-
tamento farmacológico. Neste último caso, o cidadão pode ser auxiliado com o uso de 
medicamentos isentos de prescrição, visto que seguros e eficazes. Nesse caso, cabe ao 
profissional farmacêutico optar por MIPs adequados para essa situação (Figura 07).
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• Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
• Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
• Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
3
Na seleção e dispensação dos MIPs, é fundamental que o usuário receba orientações 
e informações a respeito dos seguintes itens: 
 ` Administração (como, quando, quanto) e o comportamento do(s) medicamen-
to(s) em linguagem acessível ao paciente; 
 ` Duração do tratamento; 
 ` Prováveis reações adversas, contraindicações e relações com outros medica-
mentos e/ou alimentos. 
Cabe também ao profissional orientar o paciente a buscar atendimento com o farma-
cêutico e/ou médico caso os sintomas, considerados não graves pelo profissional e 
passíveis de serem tratados por meio de um MIP, permaneçam. A Resolução RDC n.º 
138, de 29 de maio de 2003, dispõe sobre a disposição no grupo de venda de medica-
mentos. Todos os medicamentos relacionados aos grupos terapêuticos e indicações te-
rapêuticas estão citados na GITE, destacadas as limitações textuais e de outras normas 
legais e regulamentares favoráveis, são de venda sem prescrição médica (Figura 08), 
a exceção daqueles administrados por via parenteral de venda sob prescrição médica.
Figura 07. Seleção de Medicamentos Isentos de Prescrição
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
Figura 08. Seleção de Medicamentos Isentos de Prescrição
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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Abaixo apresentamos a Lista de Grupos e Indicações Terapêuticas Específicas (GITE), 
onde podemos observar a separação dos MIPs com suas respectivas indicações tera-
pêuticas, seguida de algumas observações importantes que auxiliam no processo de 
orientação farmacêutica.
Figura 09. Lista de grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE)
GRUPOS 
TERAPÊUTICOS INDICAÇÕES TERAPÊUTICAS: OBSERVAÇÕES
Antiacnei-
cos tópicos e 
adstringentes
Acne, acne vulgar, rosácea, espinhas Restrição: Retinóides
Antiácidos, Antiemé-
ticos, Eupépticos, 
Enzimas
Acidez estomacal. azia, desconforto estomacal, dor de 
estômago, dispepsia,
Restrições:Metoclo-
pramida, Bromoprida, 
Mebeverina,
digestivas enjôo, náusea, vômito, epigastralgia, má digestão, 
queimação, pirose, esofagite
Inibidor da Bomba de 
Proton
péptica, distensão abdominal, cinetose, hérnia de hiato
Antibacterianos 
tópicos Infecções bacterianas da pele Permitidos: bacitracina e 
neomicina
Antidiarreicos Diarréia, disenteria Restrições:Loperamida 
infantil, Opiáceos
Antiespasmódicos Cólica, cólica menstrual, dismenoréia, des- Restrição: Mebeverina
conforto pré-menstrual, cólica biliar/re
nal/intestinal
Anti-histamínicos Alergia, coceira, prurido, coriza, rinite alérgica, urticária, 
picada de inseto,
Restrições: Adrenérgi-
cos, Corticóides (exceto
ardência, ardor, conjuntivite alérgica, prurido senil, 
prurido nasal, prurido ocular alérgico, febre do feno, 
dermatite atópica,
hidrocortisona de uso 
tópico)
eczemas
Anti-seborréicos Caspa, dermatite seborreica, seborréia, oleosidade
Anti-sépticos orais, 
Anti- Aftas, dor de garganta, profilaxia das cá
sépticos buco-farín-
geos ries
Anti-sépticos nasais, 
flui Anti-sépticos nasais, fluidificantes nasais,
dificantes nasais, 
umec umectantes nasais
tantes nasais
Anti-sépticos ocu-
lares Anti-sépticosoculares Restrições: Adrenérgicos 
(exceto nafazolina com
concentraçãoDE 
SAÚDE AUTOLIMITADOS: DOR E FEBRE, DOR DE CABEÇA;
• PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS.
INTRODUÇÃO
Implementar estudos sobre o desenvolvimento do critério clínico, com a inclusão das 
respostas psicossociais e fisiológicas, é um estímulo importante, uma vez que ambas 
influenciam o complexo processo saúde/doença e geram necessidades de cuidados 
específicos para indivíduos e populações. Para atender à necessidade de considerar 
diversos padrões de entendimento e estilos de aprendizagem, os programas de inova-
ção nesta área devem ser organizados e realizados a partir da prática profissional e nas 
experiências, visando oferecer possibilidades de mudança das habilidades, conheci-
mentos e condutas no ambiente de trabalho. 
No contexto da prática clínica do profissional farmacêutico, há a necessidade de in-
vestir na formação desses profissionais e, além disso, é muito importante considerar 
os resultados derivados dessa formação, principalmente ao avaliar as alterações nos 
processos cognitivos e as sugestões de mudanças nas práticas assistenciais. Ademais, 
na proposta de raciocínio clinico, é de suma importância discutir o registro do prontuário 
do paciente, principal documento que confirma as atividades clínicas de qualquer pro-
fissional da saúde, sendo essencial para o cuidado do mesmo. 
A comprovação do atendimento do paciente é uma responsabilidade do farmacêutico, 
que deve conter todo o processo de cuidado. Destaca-se que essa anotação deve se-
guir as regulamentações sanitárias, normas organizacionais e legislações pertinentes, 
como a Resolução/ CFF n.º 555, de 30 de novembro de 2011, que regula o registro, a 
guarda e o manejo das informações da assistência farmacêutica e estabelece diretrizes 
para o prontuário do paciente.
1. CENÁRIOS CLÍNICOS RELACIONADOS A PROBLEMAS DE 
SAÚDE AUTOLIMITADOS
A expressão “raciocínio clínico” é aplicada na literatura científica para nomear os pro-
cessos mentais compreendidos no atendimento aos pacientes nos sistemas de saúde. 
Ela está exposta em todas as ações e decisões assistenciais do farmacêutico, como 
análise dos relatos, escolha de ações adequadas e avaliação dos resultados alcança-
dos. A construção do diagnóstico compreende as ações e resultados possíveis em uma 
situação específica e depende dos envolvidos (farmacêutico, paciente, família) e das 
relações entre eles.
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As soluções derivadas de análises indutivas, conclusivas e espontâneas também são 
mediadas pela ética, de forma que a conduta clínica se configura fundamentalmente 
como um processo idealizado na prática do cuidado. A evolução constante dos critérios 
clínicos estimula todos os profissionais da área de saúde, demandando a utilização de 
vários métodos e uma formação permanente.
O prontuário pode conter apenas o registro do farmacêutico quando este estiver traba-
lhando em consultórios farmacêuticos ou em farmácias independentes de outros profis-
sionais, ou atividades de saúde. No caso de farmacêuticos que trabalham em lugares 
multiprofissionais, como unidades básicas, clínicas, hospitais e outros serviços, a ob-
servação deve ser realizada no prontuário único do paciente. Algumas legislações im-
pedem a observação dissociada das atividades do farmacêutico, especialmente quando 
o atendimento ocorre em ambientes interdisciplinares.
O argumento clínico é um processo no qual o farmacêutico deve estruturar um fluxo de 
atividades para desenvolver o plano de cuidado farmacêutico. Dessa forma, envolve 
uma conduta global para determinar uma relação humana, abrangendo o trabalho em 
equipe e a obtenção de resultados clínicos adequados na farmacoterapia, incluindo as 
ocupações dos farmacêuticos clínicos. Esse processo apoia-se no método de decisão 
clínica, visando melhorar os resultados em saúde dos pacientes (Figura 01). Além dis-
so, é um processo complicado que depende da competência do profissional de proces-
sar, lembrar, repetir e resumir o excesso de dados.
Figura 01. Registro da decisão clínica do farmacêutico
Fonte: elaborada e retirada dos arquivos pessoais dos autores, 2023.
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
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A descrição voluntária realizada pelo paciente, na maioria das vezes, é falha para a identi-
ficação do(s) seu(s) problema(s) de saúde, fazendo-se necessária a prática da anamnese 
e da constatação de parâmetros clínicos. Os objetivos destas informações visam reco-
nhecer a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do paciente, bem como as cir-
cunstâncias especiais e os cuidados necessários, para selecionar o melhor procedimento 
que possa solucionar esse(s) problema(s). Entretanto, no processo de diagnóstico, serão 
reconhecidas situações de alerta que demonstram a necessidade de seguimento do pa-
ciente a outro profissional ou serviço de saúde. Após esta observação, o farmacêutico, de 
forma associada com o paciente, determinará um plano de cuidado (Figura 02).
Figura 02. Definição de plano de cuidado
É importante salientar que o farmacêutico utiliza fundamentos e habilidades clínicas 
para eleger e registrar terapias farmacológicas e não farmacológicas que não neces-
sitam de prescrição médica, além de outras ações para cuidar da saúde do paciente e 
resolver problemas de saúde autolimitados. Deve conduzir o paciente e compreender 
os resultados da terapia prescrita ou do seguimento, para constatar a adesão às ações 
realizadas e solução do problema de saúde. 
Além de entender os distúrbios e transtornos autolimitados, como coriza, congestão 
nasal, dor lombar, dor de garganta, dismenorreia, febre, diarreia e tosse, cefaleia, azia 
e má digestão, queimadura solar, intestino preso e hemorroidas, é necessário com-
plementar as informações que podem alterar o alcance do procedimento. Isso inclui 
situações extras de alerta para o seguimento e as que apontam a necessidade de ca-
racterização da conduta conforme as características específicas do paciente. 
Esses casos especiais e cuidados podem conter informações sobre o ciclo de vida 
(neonatos, crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e lactantes), experiências 
de uso de medicamentos, comorbidades e seus tratamentos, histórico de tratamento 
Fonte: elaborada e retirada dos arquivos pessoais dos autores, 2023.
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relacionado à procura, nível de evidência e grau de recomendação das diversas mo-
dalidades de ação disponíveis. Caso não reconheça nenhuma situação de alerta para 
seguimento, o farmacêutico deverá preparar, de forma associada com o paciente, o seu 
plano de cuidado, que deve conter terapias não farmacológicas, farmacológicas e/ou 
outras ações relativas ao cuidado em saúde. 
A escolha da terapia medicamentosa deve proceder por meio de um método de decisão 
que reflita a(s) necessidade(s) e o(s) problema(s) de saúde do paciente, a efetividade 
e a segurança dos medicamentos, as características do paciente e a existência de situ-
ações especiais e cuidados. Deve ainda ser apoiada nos melhores sinais disponíveis. 
Os medicamentos isentos de prescrição médica estão relacionados na Lista de Grupos 
e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE). A orientação e a prescrição farma-
cêutica de plantas medicinais e fitoterápicos sem a necessidade de prescrição estão 
descritas nas seguintes resoluções sanitárias e profissionais: Resolução de Diretoria 
Colegiada (RDC)/Anvisa n.º 138/2003, e na Resolução/CFF n.º 546/2011. 
Em relação ao tratamento não medicamentoso, a condução das diferentes condições 
clínicas pode demandar terapias, de forma isolada ou associada ao medicamento. Ob-
servações sobre mudanças de hábitos de vida, dietéticas ou ambientais são algumas 
das ações educativas incluídas nas intervenções não medicamentosas. A escolhade 
terapia não medicamentosa considera critérios similares aos da medicamentosa, sendo 
importante considerar a(s) demanda(s) e o(s) problema(s) de saúde do paciente, as 
circunstâncias especiais e as precauções, e os melhores indícios de efetividade e segu-
rança. A observação de ambas as terapias deve considerar as doses, a frequência de 
administração, a duração do tratamento e as contraindicações (Figura 03).
Figura 03. Recomendações farmacológicas e não farmacológicas realizadas pelo farmacêutico
Fonte: elaborada e retirada dos arquivos pessoais dos autores, 2023.
O profissional farmacêutico deve certificar que o paciente considere o seu problema de 
saúde, as ações realizadas, o plano de cuidado a ser conduzido e a aferição dos resul-
tados. A instrução ao paciente deve ser correta em relação à(s) sua(s) necessidade(s), 
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
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condição socioeconômica e nível intelectual, dificuldade do tratamento, entre outros 
fatores. Normalmente, a comunicação é feita por meio do diálogo, com o receituário ser-
vindo como documento para o paciente e o prontuário para consulta do farmacêutico e 
outros profissionais de saúde. No entanto, materiais educativos impressos devem estar 
disponíveis para situações específicas na rotina de cuidado aos pacientes. 
As principais recomendações ao paciente são: 
 ` como seguir as orientações do cuidado;
 ` como usar corretamente os medicamentos e a terapia não medicamentosa;
 ` quais são os efeitos prováveis, e quanto tempo esperar para que eles aconte-
çam; 
 ` o que deve ser realizado, no caso dos sinais e/ou sintomas não restabeleçam 
com as ações escolhidas; 
 ` reações não desejáveis a medicamentos e as interações medicamentosas im-
portantes; 
 ` informações referentes ao armazenamento do medicamento e de outros produ-
tos relacionados à saúde.
Após o raciocínio clinico e o diagnóstico do problema de saúde autolimitado, há a ne-
cessidade de o farmacêutico aferir o alcance dos objetivos das ações selecionadas. 
Além disso, há a avaliação para identificar problemas que afetam na obtenção dos re-
sultados terapêuticos, como a inefetividade do(s) medicamento(s) ou o aparecimento 
de reações adversas. Esse processo envolve revisar os sinais e sintomas revelados 
primeiramente pelo paciente e analisar sua evolução. Os resultados podem ser: solução 
da(s) necessidade(s) e do(s) problema(s) de saúde, melhora parcial ou piora dos sinais 
e sintomas. No método de avaliação de resultados, é importante que o farmacêutico 
registre o atendimento e forneça um meio de contato com o paciente (Figura 04).
Figura 04. Registro de atendimento farmacêutico
Fonte: elaborada e retirada dos arquivos pessoais dos autores, 2023.
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2. PRESCRIÇÃO FARMACÊUTICA EM PROBLEMAS DE SAÚDE 
AUTOLIMITADOS: DOR, FEBRE E DOR DE CABEÇA
A prescrição farmacêutica para problemas de saúde autolimitados, como dor, febre e 
dor de cabeça, é essencial. Esses problemas de saúde costumam resolver-se sozinhos, 
sem necessidade de intervenção médica intensa. Nessas situações, o manejo eficiente 
pode envolver o uso de medicamentos isentos de prescrição médica (MIPs), orienta-
ções para autocuidado e suplementos nutricionais baseados em evidências. Assim, a 
abordagem farmacêutica deve equilibrar MIPs e suplementos para garantir um trata-
mento seguro e eficaz para essas condições menores.
2.1. MANEJO DE PROBLEMA DE SAÚDE AUTOLIMITADO E 
SITUAÇÕES AUTODIAGNOSTICÁVEIS EM TRANSTORNOS MENORES
A dor é uma manifestação clínica caracterizada por uma experiência sensorial obje-
tiva e subjetiva (emocional), resultante de alterações neuroanatômicas no organismo 
e interpretada pelo córtex somestésico localizado no sistema nervoso central. Entre 
os componentes da dor, a hiperalgesia é um fenômeno neuronal que ocorre em ter-
minações nervosas livres teciduais (nociceptores ou receptores da dor), caracterizado 
pelo aumento da sensibilidade à estimulação dolorosa. Isso significa que estímulos que 
geralmente não causariam dor, como uma compressão local, podem desencadear dor. 
Os prostanóides PGE2 e PGI2 podem ser os principais responsáveis por essa sensibili-
dade aumentada por alterarem o potencial de repouso das fibras nervosas para valores 
menos negativos, mais próximos do limiar de excitabilidade, ao atuarem em receptores 
de superfície nas terminações nervosas livres ou nociceptores.
Figura 05. A presença de uma injúria tecidual (física, química, microbiana ou imune) precipitaria a forma-
ção de prostanóides envolvidos em quadros dolorosos
Fonte: elaborada pelos autores.
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
Portanto, a sensibilidade dolorosa poderia estar intensificada em locais inflamados de-
vido à ação dos prostanóides PGE2 e PGI2 a estímulos de qualquer natureza. Me-
diadores químicos inflamatórios como bradicinina, serotonina e histamina teriam maior 
facilidade para ativar os nociceptores sensibilizados.
Figura 06. Local de ação dos prostanóides na fibra nervosa sensitiva conhecida como terminação nervosa 
livre ou nociceptor resultando em aumento da sensibilidade dolorosa (Hiperalgesia)
Fo
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e:
 1
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A febre é um sinal comum em processos inflamatórios, principalmente quando o 
fator etiológico se caracteriza por uma infecção de natureza bacteriana, fúngica ou 
viral. A invasão tecidual de um microrganismo ativa a resposta imune representada 
pela migração de neutrófilos e monócitos por quimiotaxia. Os monócitos, ao acessa-
rem os tecidos infectados, se diferenciam em macrófagos, que então fagocitam os 
germes invasores. Essa atividade fagocitária dos macrófagos resulta na liberação 
de pirógenos endógenos (Citocinas inflamatórias), sendo a principal citocina infla-
matória a interleucina 1 (IL-1). 
O hipotálamo anterior controla a temperatura corporal, funcionando como um ter-
mostato que regula a produção e a perda de calor (o termostato agiria mais con-
trolando a perda de calor) para manter a temperatura em torno de 37 °C. Durante 
a febre, o termostato reajusta o ponto de termorregulação (set point) para um nível 
mais alto.
A IL-1 liberada pelos macrófagos é um dos principais gatilhos que estimula a produção 
de prostaglandinas (PGE2) no sistema nervoso central. Essas prostaglandinas atuam 
no centro termorregulador, elevando o patamar de termorregulação e resultando na fe-
bre. A produção da PGE2 é controlada pela COX-2 hipotalâmica. A ação da PGE2 ativa 
mecanismos de termogênese hipotalâmica, como o aumento da atividade do sistema 
nervoso simpático, taquicardia, vasoconstrição periférica, inibição da sudorese, tremo-
res musculares, calafrios, sensação de frio e piloereção.
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Condições clínicas associadas podem exigir atenção médica especializada por meio do 
protocolo clínico indicado no controle da dor e da febre (Figura 08).
2.2. MEDICAMENTOS ISENTOS DE PRESCRIÇÃO MÉDICA (MIP´S): 
DEFINIÇÃO E CONCEITOS.
O tratamento da dor, febre e dor de cabeça pode ser realizado com MIP´s que são 
agentes que poderiam ser dispensados sem a necessidade de prescrição médica, ou 
seja, são os medicamentos ofertados na seção de autoatendimento de drogarias e far-
mácias, que não solicitariam receita médica para serem dispensados. Suas principais 
características seriam:
 ` Utilização na terapêutica de enfermidades de baixa gravidade e com evolução 
lenta ou inexistente;
 ` Manifestação de reações adversas previsíveis, com baixo potencial de prejuízo 
ao organismo, assim como de gerar interações medicamentosas;
 ` Agente que deverá ser empregadopor um curto período, ou pelo tempo determi-
nado na bula no caso de medicamentos de uso profilático;
 ` Apresentar a possibilidade de fácil manejo pelo paciente, cuidador ou por inter-
médio das orientações de um farmacêutico;
 ` Exibir baixo potencial de risco ao enfermo;
 ` Deve ser destituído em gerar dependência química ou psíquica. 
Figura 07. Mecanismos envolvidos no desenvolvimento do fenômeno febril
Legenda: A enzima COX-2 desempenharia um papel chave na desregulação do termostato hipotalâmico através da 
produção de PGE2 que ativaria mecanismos envolvidos na produção de calor. Fonte: elaborada pelos autores.
FEBRE
Foco INFECCIOSO
Macrófagos
Monócitos Interleucina 1
Termostato hipotalâmico (SNC)
Sudorese Tremores Taquicardia Piloereção Calafrios Palidez cutânea
Sensação de frio
Ativação de mecanismos de termogênese
Ácido aracdônico
PGE2
COX-2
+
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
Figura 08. Protocolo clínico envolvido na terapêutica medicamentosa no controle da dor e da febre
Fonte: Brasil. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo e Organização Pan-Americana da Saúde (2010, 31).
(contínua)
A paciente está grávida 
ou amamentando?
O paciente tem menos 
de dois anos de idade?
A dor é causada por 
dor de garganta?
A dor é causada por 
dor muscular, dor nas 
costas, reumatismo 
ou artrite?
A dor tem persistido por 
mais de 10 dias (adultos) 
ou cinco dias (crianças)?
O paciente apresenta 
reação alérgica ao ácido 
acetilsalicílico ou a outros 
salicitatos?
Se o paciente tem menos de 12 
anos de idade, encaminhar ao 
médico; caso contrário, continu-
ar o algoritmo
Se a dor persiste por mais de 
dois dias, encaminhar ao médico. 
Se a dor é grave, persistente 
ou acompanhada por febre, dor 
de cabeça, náusea ou vômito, 
encaminhar ao médico. Se não 
se aplica nenhuma dessas adver-
tências, continuar o algoritmo.
Recomendar paracetamol
Encaminhar ao remédio
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Não
Não
Não
Não
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
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Figura 09. Continuação do protocolo clínico (Figura 08) envolvido na terapêutica medicamentosa 
no controle da dor e da febre
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 (2
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- 3
3)
.
(continua)
Não
Não
Não
Não
Não
O paciente é asmático?
O paciente apresenta 
problemas estomacais 
persistentes ou recorrentes, 
úlceras ou problemas de 
sangramento?
O paciente usa medicamentos 
sob prescrição médica 
para o tratamento de 
distúrbios tromboembólicos 
(anticoagulantes), diabete 
melito, gota ou artrite?
O paciente fez tonsilectomia ou 
cirurgia oral nos últimos 
sete dias?
O paciente apresenta problema 
renal?
É contraindicado o uso de salicilatos; 
outros analgésicos isentos de 
prescrição podem ser apropriados. 
IR PARA O PRÓXIMO PASSO
É contraindicado o uso de salicilatos; 
outros analgésicos isentos de 
prescrição podem ser apropriados. 
IR PARA O PRÓXIMO PASSO
É contraindicado o uso de salicilatos; 
outros analgésicos isentos de 
prescrição podem ser apropriados. 
IR PARA O PRÓXIMO PASSO
É contraindicado o uso de salicilatos 
sob a forma mastigável; outros 
analgésicos isentos de prescrição 
podem ser apropriados. 
IR PARA O PRÓXIMO PASSO
Encaminhar ao médico
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Sim
Sim
É contraindicado o uso de 
salicilatos; outros analgésicos 
isentos de prescrição podem 
ser apropriados. 
IR PARA O PRÓXIMO PASSO
É contraindicado o uso 
de ibuprofeno, naproxeno 
sódico e cetoprofeno: 
outros analgésicos isentos 
de prescrição podem ser 
apropriados. 
IR PARA O PRÓXIMO PASSO
Prescrever ácido acetilsalicílico ou ibuprofeno ou paracetamol
O paciente é uma criança ou uma 
adolescente se recuperando de catapora, 
sintomas da influenza ou influenza?
O paciente apresenta alguma 
condição que requer medicamentos 
sob prescrição ou já apresentou 
algum problema grave relacionado 
ao uso de algum analgésico?
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
A cefaleia pode ser interpretada como uma manifestação desagradável de dor de cabeça 
sendo precipitada por inúmeros fatores etiológicos que merecem do Farmacêutico a in-
vestigação antes de qualquer intervenção terapêutica medicamentosa evitando-se assim 
mascarar com o tratamento situações clínicas mais complexas (por exemplo, tumor cere-
bral). A manifestação pode acometer regiões distintas da cabeça de acordo com sua etio-
logia, sempre relatada pelos pacientes como desagradável e de intensidades variáveis.
Figura 10. Manifestação clínica da dor de cabeça (Cefaleia)
Fo
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Tabela 01. Classificação das cefaleias
CEFALEIAS PRIMÁRIAS CEFALEIAS SECUNDÁRIAS OU SINTOMÁTICAS
01. Enxaqueca (ou migrânea) 
02. Cefaleia tipo tensão
03. Cefaleia em salvas e hemicrânia 
paroxística crônica 
04. Cefaleias diversas não associadas 
a lesões estruturais
01. Cefaleia associada a trauma de crânio 
02. Cefaleia associada a doenças vasculares 
03. Cefaleia associada a outros distúrbios intracranianos não 
vasculares 
04. Cefaleia associada a substâncias ou a sua retirada 
05. Cefaleia associada a infecção não-encefálica 
06. Cefaleia associada a distúrbio metabólico 
07. Cefaleia ou dor facial associada a distúrbio de crânio, 
pescoço, olhos, orelhas, seios paranasais, dentes ou a outras 
estruturas faciais ou cranianas 
08. Neuralgias cranianas, dor de tronco nervoso 
09. Cefaleia não classificável
Fonte: elaborada pelos autores.
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Segundo as respostas do paciente, através do questionamento do profissional farma-
cêutico, algumas condições clínicas associadas à cefaleia podem exigir atenção médica 
especializada. Esta sequência de perguntas e possibilidades de respostas positivas e 
negativas e as consequências podem ser observadas nas figuras a seguir.
Figura 11. Procedimento clínico diante da hipótese diagnóstica de cefaleia
A paciente está grávida 
ou amamentando? Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Consultar Algoritmo 
“Enxaqueca”
O paciente tem menos 
de sete anos de idade?
Esta é a primeira ou a 
pior cefaleia da vida do 
paciente?
A cefaleia foi 
desencadeada por 
esforço ou exercícios? 
É de início agudo?
O paciente apresenta o 
estado mental alterado 
de alguma forma
O paciente identifica a 
dor de cabeça como 
enxaqueca (migraine)?
Não
Não
Não
Não
Não
(continua)Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Sim
Cefaleia
Fonte: Brasil. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo e Organização Pan-Americana da Saúde (2010, p. 27).
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
Figura 12. Continuidade do procedimento clínico (Figura 11) diante da hipótese diagnóstica de cefaleia. 
Condições clínicas associadas à cefaleia podem exigir atenção médica especializada
A paciente apresenta 
rigidez na nuca, 
sensibilidade à luz, 
náuseas ou vômitos?
O paciente apresenta 
cefaleia que 
gradualmente piora 
com o passar dos dias 
ou semanas?
O paciente apresenta 
glaucoma associado à 
dor ao redor dos olhos?
A cefaleia está presente 
por um período superior 
a dez dias?
Recomendar ácido acetilsalicílico, paracetamol ou ibuprofeno de acordo com o Algoritmo 
“Selecionando um analgésicode uso interno para dor não-relacionada à enxaqueca”
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Não
Não
Não
Cefaleia
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Fonte: Brasil. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo e Organização Pan-Americana da Saúde (2010, p. 28).
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Figura 13. Procedimento clínico diante da hipótese diagnóstica de enxaqueca ou migrânea. Condições 
clínicas associadas à cefaleia podem exigir atenção médica especializada
A paciente está grávida 
ou amamentando?
O paciente tem menos 
de 18 anos de idade?
O paciente já possui 
um diagnóstico para 
enxaqueca realizado 
por um médico?
Esta dor de cabeça 
é diferente da usual 
enxaqueca do paciente?
Esta é a pior dor de 
cabeça da vida do 
paciente?
O paciente apresenta 
febre ou rigidez na 
nuca?
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Não
Não
Sim
Não
Não
(continua)Não
Sim
Sim
Sim
Não
Sim
Sim
Enxaqueca
Fonte: Brasil. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo e Organização Pan-Americana da Saúde (2010, p. 29).
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
Figura 14. Continuação do procedimento clínico (Figura 13) diante da hipótese diagnóstica de enxaqueca 
ou migrânea. Condições clínicas associadas à cefaleia podem exigir atenção médica especializada
A cefaleia iniciou após ou 
foi causada por trauma ou 
lesão na cabeça, esforço, 
tosse ou movimento (deitar, 
levantar)?
O paciente teve a 
primeira cefaleia após 
os cinquenta anos de 
idade?
A enxaqueca é tão grave 
que requer repouso na 
cama ou está causando 
vômito?
O paciente apresenta 
dor estomacal?
Recomendar medicamento(s) isentos(s) de prescrição que contenham instruções específicas 
para a enxaqueca, observando principalmente as contraindicações e interações
Não
Não
Não
Não
Sim
Sim
Sim
Sim
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Encaminhar ao médico
Enxaqueca
Fonte: Brasil. Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo e Organização Pan-Americana da Saúde (2010, p. 30).
2.3. PRESCRIÇÃO DE SUPLEMENTOS.
A prescrição médica envolve um enfoque integral para promover a saúde e tratar con-
dições específicas. As diretrizes nutricionais são geralmente orientadas por grupos ali-
mentares e pirâmides alimentares, que oferecem uma visão estruturada sobre a inges-
tão equilibrada de nutrientes essenciais. A avaliação dietética e nutricional é crucial 
para entender as necessidades individuais, considerando os fatores como idade, sexo, 
condições de saúde e estilo de vida. Essa avaliação permite a personalização das re-
comendações nutricionais, garantindo que a dieta atenda às exigências específicas do 
paciente e suporte suas metas de saúde e bem-estar.
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• Necessidades e recomendações nutricionais: nutrientes grupos/
pirâmides de alimentos guias alimentares
Os nutrientes podem ser descritos como substâncias químicas que constituiriam os ali-
mentos e que, absorvidos pelo corpo, seriam imprescindíveis para o seu funcionamento 
normal ou regular. Vale ressaltar que os nutrientes seriam produtos finais dos alimentos 
após seu processamento no organismo. Portanto, os alimentos ao serem digeridos possi-
bilitariam a liberação e absorção dos nutrientes pelo intestino delgado, atingindo a circula-
ção sistêmica, distribuindo-se por todo o organismo, realizando suas ações metabólicas.
 ` Macronutrientes
Constituem-se em nutrientes dos quais o corpo necessita em quantidades maiores, 
extensamente encontrados nos alimentos. Como exemplos, temos os carboidratos, as 
gorduras e as proteínas.
 ` Micronutrientes
Nutrientes necessários são absorvidos em pequenas quantidades, sendo fundamentais 
para o bom funcionamento do organismo. Portanto, os micronutrientes seriam consti-
tuintes encontrados nos alimentos em baixas concentrações. Pode-se destacar entre 
estes as vitaminas e os minerais.
Figura 15. Pirâmide alimentar
Legenda: Observa-se que a dieta básica diária consiste de 1 a 2 porções de doces e açucares, 1 a 2 porções de gorduras e 
óleos, 3 porções de leite, queijo e iogurte, 1 a 2 porções de carnes e ovos, 3 a 5 porções de hortaliças, 1 porção de feijões e 
oleaginosas (Leguminosas), 3 a 5 porções de frutas e 5 a 9 porções de cereais, pães, massas, tubérculos e raízes. Fonte: 123RF.
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
Um Guia Alimentar apresenta uma sequência de orientações relacionadas a uma dieta 
considerada saudável que impacta no bem-estar dos indivíduos de uma sociedade em 
sua globalidade agora e no seu futuro. 
Os princípios básicos de um Guia Alimentar abordam seis aspectos:
1º Alimentação é mais que ingestão de nutrientes: a alimentação se refere à ingestão 
de nutrientes, incluindo também os alimentos que os contêm e fornecem os nutrien-
tes, possibilitando associações destes em sua elaboração que poderão orientar a 
maneira de ingeri-los associados a dimensões de práticas alimentares que impactam 
cultural e socialmente; 
2º Recomendações sobre a alimentação devem vir do cenário de evolução da prática 
nutricional ao longo dos tempos, atreladas a dietas que impactam a saúde dos indivídu-
os de uma sociedade; 
3º A dieta adequada depende de nutrientes obtidos de forma sustentável, consideran-
do-se como os mesmos são originados e como chegam até a mesa de uma população 
através de sua distribuição racional, contemplando uma justiça social com a preserva-
ção do meio ambiente; 
4º Saberes diferentes dão origem sobre a elaboração de guias alimentares, sem-
pre tendo como meta o binômio saúde e bem-estar dos indivíduos. O conheci-
mento necessário para produzir recomendações sobre alimentação é gerado por 
saberes diferentes; 
5º Ampliar o acesso a informações sobre escolhas alimentares saudáveis são funda-
mentais na autonomia das pessoas, famílias e comunidades, possibilitando o cumpri-
mento dos direitos humanos em sua integralidade mediante uma dieta digna e saudável 
baseada no conhecimento; 
6º A condição primordial numa dieta saudável estaria baseada no consumo de uma 
dieta in natura, evitando componentes dietéticos processados. 
Existem quatro classes de alimentos, reconhecidas conforme o tipo de processamento 
empregado na sua produção, que podem ser direcionadores para o consumo saudável.
A primeira classe seria caracterizada por uma dieta in natura ou de alimentos com baixo 
processamento. Dieta in natura seria aquela derivada de plantas (frutos, caules, folhas 
ou talos) ou derivados de animais, como laticínios, ovos e que não sofreram nenhum 
tipo de processamento. Grãos secos, polidos e embalados ou triturados na forma de 
pós (farinhas), raízes e tubérculos higienizados, porções de carne resfriada ou congela-
da, além do leite em sua forma pasteurizada.
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Figura 16. Os ovos e leite seriam considerados alimentos in natura, representando a primeira classe
A segunda classe de alimentos seria os utilizados no tempero, cozimento ou elaboração 
da dieta, como cloreto de sódio, gorduras, óleos e sacarose.
Fonte: 123RF.
Figura 17. Os óleos seriam considerados alimentos que representariam a segunda classe
Fonte: 123RF.
A terceira classe de alimentos corresponderia aos produtos industrializados com a as-
sociação de cloreto de sódio ou sacarose a um alimento não processado, apresentan-
do-se em preparados enlatados, em conserva ou calda.
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•Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
A quarta classe corresponderia a produtos cuja fabricação envolveria inúmeros proces-
sos com a adição de vários constituintes industriais, podendo-se destacar os refrigeran-
tes, biscoitos recheados, guloseimas e o famoso macarrão instantâneo.
Figura 18. Os pães e frutas em caldas seriam considerados alimentos que representariam a terceira classe
Fonte: 123RF.
Figura 19. Os “salgadinhos de pacote” representariam a quarta classe de alimentos onde observaram-se a 
inclusão de vários ingredientes industriais
Fonte: 123RF.
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• NECESSIDADES E RECOMENDAÇÕES NUTRICIONAIS 
Hábitos alimentares saudáveis favorecem o atendimento das necessidades nutricio-
nais, promovendo saúde e bem-estar aos indivíduos. No contexto das necessidades e 
recomendações nutricionais para jovens e idosos, considera-se adolescente todo indi-
víduo com faixa etária entre 10 a 19 anos, e idoso todo indivíduo com 60 anos ou mais.
 ` Adolescentes 
São pessoas que estão vivendo o período de conversão entre a infância e a fase adulta, 
e que se caracterizaram pelo crescimento e desenvolvimento corporal, cognitivo, afeti-
vo, oral e social. 
1º Optar por locais de sossego para a hora das refeições; 
2º Procurar antes de engolir mastigar-se bem os nutrientes na boca; 
3º Procurar criar uma rotina de horário para as alimentações diárias; 
4º Se possível fracionar de 5 a 6 refeições diárias; 
5º Conferir a quantidade e os tipos de constituintes que serão consumidos observando-se as 
embalagens dos produtos comerciais; 
6º Verificar sempre a validade dos alimentos antes do consumo; 
7º Não adquirir alimentos contidos em latas amassadas, estufadas ou com ferrugem aparente;
8º Reaproveitar os líquidos do cozimento de verduras e legumes na elaboração de outros 
alimentos como caldos, sopas ou mesmo no preparo de arroz; 
9º Procurar consumir frutas, legumes e verduras todos os dias; 
10º Utilizar uma dieta com base na soja e de óleos monoinsaturados como azeite de oliva; 
11º Evitar carnes gordurosas na base de preparação dos feijões; 
12º No preparo das carnes, procurar remover gorduras visíveis; 
13º Não cozinhar aves com a pele; 
14º Empregar sal com moderação;
15º Abusar de temperos naturais: como salsinha, cebolinha, alho, cebola, coentro pimentão, 
tomate, gengibre; 
16º Não ingerir líquidos em grandes quantidades durante as refeições; como almoço e jantar; 
17º Evitar o uso contínuo de alimentos enlatados e embutidos, sucos e sopas industrializa-
das, refrigerantes, bebidas alcoólicas e a ingestão excessiva de café.
RECOMENDAÇÕES PARA UMA ALIMENTAÇÃO SAUDÁVEL
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
4
Recomendações 
Os nutrientes podem ser classificados nas categorias de alimentos energéticos, alimen-
tos proteicos, alimentos ricos em vitaminas e sais minerais.
Tabela 02. Classificação dos nutrientes em categorias
NUTRIENTES 
ENERGÉTICOS
NUTRIENTES 
PROTEICOS
NUTRIENTES ABUNDANTES EM 
SAIS MINERAIS E VITAMINAS
Arroz, macarrão, pães, bis-
coitos, aveia, milho (preferir 
integrais) e gorduras saudá-
veis, como abacate, azeite 
de oliva extra virgem, nozes, 
castanhas. 
Carnes (aves, bovina, 
peixe), feijões, grão de 
bico, iogurtes, leite, lentilha, 
ovos, queijos e soja e seus 
derivados.
Verduras, frutas e vegetais folhosos; 
Sucos a base de hortaliças (beterraba, 
cenoura ou laranja); 
Sucos naturais e água de coco podem ser 
uma alternativa ao consumo de refrigerantes; 
Empregar os líquidos da fervura de verdu-
ras para cozinhar o feijão, arroz e sopas; 
Na hora do lanche, utilizar frutas, salada 
de frutas, barra de cereais de frutas, iogur-
tes e sanduíches naturais; 
Fonte: elaborada pelos autores.
Outras recomendações, como hábitos alimentares, educação nutricional e cuidados du-
rante a ingestão de alimentos, também devem fazer parte da rotina do adolescente. Essa 
tarefa precisa ser elaborada não apenas pelos profissionais, mas também realizada e 
adquirida por pais e responsáveis. Além disso, o espaço e a convivência durante as refei-
ções, como café da manhã, almoço e jantar, são cruciais. As refeições devem ser realiza-
das em locais calmos e tranquilos e jamais devem ser substituídas por lanches rápidos. 
As orientações incluem: 
 ` Evitar alimentos fritos, como churros, coxinha e pastéis, preferindo salgados assados; 
 ` Evitar a ingestão abundante de líquidos durante o almoço e o jantar; 
 ` Evitar alimentos com alta concentração de gorduras e açúcares, como doces, 
salgadinhos e biscoitos, em períodos próximos às principais refeições do dia; 
 ` Suprimir ou reduzir o consumo de frituras e embutidos (presunto, salame e salsicha);
 ` Dividir proporcionalmente a dieta, realizando em torno de 5 refeições diárias; 
 ` Comer lentamente, mastigando bem os alimentos; 
 ` Usar ketchup com moderação; 
 ` Ingerir entre 1,5 a 2,0 litros de líquidos diariamente, o que equivale a cerca de 8 
a 10 copos de 200 ml; 
 ` Moderar o consumo de bebidas alcoólicas.
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
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• Idosos (Terceira idade) 
Terceira idade é um termo empregado a indivíduos com 60 anos ou mais (idosos), que 
têm necessidades nutricionais específicas correlacionadas ao processo de envelheci-
mento fisiológico.
Recomendações 
 ` Refeições com volumes reduzidos em horários regulares, fracionando-se ade-
quadamente em 05 a 06 refeições/dia; 
 ` Ingerir volume adequado de líquidos, numa média de 08 copos/dia de 200 ml: 
constituídos por água, água de coco, chás e sucos de frutas; 
 ` Dar preferência por carnes brancas (frango ou peixe) ou carnes com pouca gor-
dura (bovinos, caprinos) e soja; 
 ` Dar preferência por alimentos preparados por decocção, assados ou grelhados; 
 ` Ingerir dieta proteica de fácil digestão, tais como: carnes brancas, coalhada, cla-
ra de ovo, leite desnatado, iogurte, queijos tipo Ricota, Minas e Cottage; 
 ` Dieta fundamental a base de alimentos ricos em cálcio; 
 ` Procurar empregar uma dieta rica em nutrientes com ferro; 
 ` Empregar dieta rica em vitamina C; 
 ` Utilizar no preparo dos alimentos óleos mono ou poliinsaturados;
 ` Evitar a ingestão excessiva de líquidos durante as refeições; 
 ` Evitar alimentos muito condimentados; 
 ` Evitar uma dieta contendo produtos defumados e industrializados; 
 ` Tomar cuidado com preparações muito quentes ou muito frias; 
 ` Reduzir o consumo de café, refrigerante e chocolate; 
 ` Evitar todo e qualquer alimento que não forneça vitaminas e sais minerais, mas 
apenas calorias, como: doces, tortas, balas e açúcar branco.
• Necessidades e Recomendações Nutricionais na saúde em Casos de 
Doenças
Uma dieta pode exercer um efeito terapêutico fundamental em situações clínicas 
envolvendo o trato digestório, com a constipação e a diarreia, auxiliando na melhora 
clínica do paciente. 
104
• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
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Constipação 
Conhecida também como prisão de ventre, a constipação é uma condição clínica carac-
terizada pela lentificação do trânsito intestinal colônico (cólon), acarretando redução do 
número de evacuações semanais e em episódios de evacuações com fezes endureci-
das e ressecadas associadas, associadas ao esforço durante este processo. 
As principais recomendações para evitar a prisão de ventre são: 
 ` Alimentar-se com alimentos ricos em fibras todos os dias; 
 ` Abusar do consumo de frutas, ingerindo o bagaço e casca quando possível;instruções para classificar medicamentos adequados à 
automedicação, os quais devem ser eficientes, confiáveis, seguros e de fácil utilização.
Com o aumento de medicamentos disponíveis sem receita médica, o farmacêutico res-
ponsabiliza-se por um papel fundamental no auxílio ao paciente. Globalmente, os prin-
cípios de assistência à saúde estão passando por muitas transformações significativas 
devido à procura por serviços, à integração de novas tecnologias e aos desafios de 
sustentabilidade. Neste contexto de consolidação e acesso da população às redes, os 
farmacêuticos, em colaboração com outros profissionais de saúde, organizam a habili-
dade de prescrição, tanto farmacológica quanto não farmacológica, conforme as neces-
sidades de saúde dos pacientes e a legislação vigente.
Em alguns casos, os pacientes podem adotar medidas em relação à sua própria saúde, se 
este usar de orientação profissional. Muitas pessoas desejam ter liberdade para decidir sobre 
os seus medicamentos e cabe aos farmacêuticos orientá-los para que elas tenham a melhor 
opção baseada nos conhecimentos e alerta orientados pelo farmacêutico (Figura 03).
Figura 03. Orientações farmacêuticas
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
Em muitos países onde acontece a semiologia e a prescrição de medicamentos por far-
macêuticos, isso é baseado na liberdade do profissional para recomendar tratamentos 
conforme a multiplicidade terapêutica, serviços oferecidos, formação e reconhecimento 
profissional, e categorias de produtos permitidas pela Agência Nacional de Vigilância 
Sanitária. Esses motivos possibilitam alterações na forma de proporcionar a prevenção 
à saúde das pessoas de uma comunidade, ao mesmo tempo, em que auxiliam para a 
individualidade da ocupação entre as atividades da saúde.
Apesar de serem apontados como relativamente seguros, muitos Medicamentos Isen-
tos de Prescrição (MIPs), também são considerados por incluir agentes farmacológicos 
com possibilidade de provocar reações adversas e interações medicamentosas, por 
isso a sua finalidade requer a mesma intensidade de cuidado que os medicamentos 
comercializados sob prescrição médica.
A OMS recomenda a criação de um método de prescrição respaldado no uso ra-
cional de medicamentos para orientar os farmacêuticos na tomada de decisões. 
Estudos mostram que os profissionais atuam com 80% dos usuários de sistema de 
saúde paliativos, sejam pacientes ou acompanhantes. Portanto, o constante co-
nhecimento do farmacêutico é essencial para certificar um atendimento correto e 
adequado ao paciente.
A normativa do Conselho Federal de Farmácia no 499/2008 e a Resolução da ANVI-
SA n.º 44/2009 são legislações importantes na assistência farmacêutica. A normativa 
regula os serviços farmacêuticos em farmácias e drogarias, enquanto a resolução es-
tabelece sobre as Boas Práticas Farmacêuticas para o funcionamento, dispensação, 
venda de produtos e fornecimento de serviços farmacêuticos. Essas regulamentações 
orientam o farmacêutico na assistência ao paciente, especialmente na escolha de tra-
tamentos, e buscam uniformizar as classes de medicamentos utilizadas como primeira 
opção para as doenças classificadas de distúrbios auto limitados, principalmente na 
atenção primária à saúde.
Em suma, o trabalho do farmacêutico fundamenta-se em reconhecer as informa-
ções ditas pelo paciente, planejar como ele deseja comunicar essas informações, 
bem como constatar se o paciente recebeu de forma adequada a mensagem e a 
compreendeu. Esta é uma das razões para considerar a comunicação como um 
processo relacional.
O farmacêutico precisa aprender a ouvir de forma reflexiva, ou seja, estar atento aos 
detalhes informados pelo paciente para compreender, de maneira integral, suas neces-
sidades. Isso inclui interpretar cada informação e atitude considerando perspectivas 
sociais e culturais relacionadas à condição de enfermidade atual. O contato com o pro-
fissional de saúde oferece ao paciente a oportunidade de expressar seu estado psicoló-
gico e ganhar consciência da realidade objetiva, liberando suas angústias e devolvendo 
o equilíbrio psíquico frente à patologia. O farmacêutico deve ter habilidade clínica para 
registrar as informações relevantes no prontuário, facilitando o entendimento da situa-
ção clínica (Figura 04).
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• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
A automedicação, frequentemente criticada, pode ter sua importância quando realizada 
de maneira adequada. A Organização Mundial de Saúde (OMS) reconhece a automedi-
cação responsável como uma prática onde indivíduos tratam seus próprios sintomas e 
distúrbios autolimitados com medicamentos credenciados e acessíveis sem a prescrição 
médica. É essencial distinguir isso da auto prescrição de medicamentos tarjados, quando 
a pessoa usa um medicamento sem receita médica. A automedicação é influenciada por 
deficiências na educação da população, publicidade excessiva de medicamentos e dis-
ponibilidade de autoatendimento em farmácias, às vezes sem consulta ao farmacêutico. 
Todos os países, independentemente do seu desenvolvimento, necessitam de recursos 
para garantir o uso racional e custo-efetividade de medicamentos. Portanto, o papel dos 
profissionais farmacêuticos em atender às necessidades humanas e comunitárias é cru-
cial, ampliando sua responsabilidade além da dispensação e da farmacologia, para englo-
bar os pacientes e suas situações clínicas. Para garantir uso correto, seguro e coerente 
dos Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP), por exemplo, os profissionais precisam 
saber que essa categoria, sob sua supervisão, é fundamental para o tratamento de dis-
túrbios autolimitados, orientados pela farmacêutica e para a automedicação. A entrega 
desses medicamentos deve ser incluída como um método de atenção à saúde. Ao forne-
cer medicamentos com orientação adequada, os riscos relacionados aos fármacos são 
reduzidos, transformando as farmácias em verdadeiros centros de saúde.
As habilidades de comunicação são imprescindíveis no cuidado farmacêutico. Uma co-
municação eficaz simplifica o reconhecimento dos problemas, colabora com o desenvol-
vimento de soluções adequadas às necessidades individuais e facilita o estabelecimen-
to de um vínculo sólido entre farmacêutico e paciente. Por isso, desenvolver habilidades 
comunicativas estabelece um avanço importante em direção a um entendimento cen-
Figura 04. Orientações farmacêuticas
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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trado no paciente, promovendo o desenvolvimento de conhecimentos, competências e 
condutas que melhoram a relação do farmacêutico não apenas com o paciente e seus 
familiares, mas também com outros profissionais da saúde.
É importante salientar que a profissão farmacêutica está avançando na direção do cui-
dado multiprofissional, promovendo um novo padrão de prescrição. Esse direcionamen-
to visa fortalecer e desenvolver a capacidade do propósito desses serviços. Com base 
nesse rearranjo, vários profissionais, incluindo farmacêuticos, agora têm autorização 
para iniciar, adicionar, trocar, ajustar, repetir ou cessar terapias farmacológicas. Essa 
ideia de ampliação tem contribuído de forma significativa para o cuidado dos pacientes 
e está influenciando mudanças regulatórias em vários países.
As resoluções do Conselho Federal de Farmácia 585 e 586/13 estabelecem os pontos 
mínimos necessários para farmacêuticos interessados em desempenhar a prescrição clí-
nica em níveis de maior dificuldade, incluindo a necessidade de formação especializada 
na área. Ao prescrever, o farmacêutico deve incorporar as medidas de segurança do 
paciente ao utilizar indícios científicos; tomar decisões de forma compartilhada e centra-
lizada no paciente; considerar` Dar preferência às frutas ao invés de sucos; 
 ` Empregar frutas nas sobremesas e lanches; 
 ` Alimentar-se com verduras preferencialmente cruas; 
 ` Abusar de alimentos integrais, principalmente o pão e o arroz; 
 ` Procurar empregar o farelo de aveia em todas as refeições, a princípio 01 colher 
de chá aumentando-se gradualmente até alcançar de 03 colheres de sopa por 
dia em indivíduos muito constipados; 
 ` Ingesta hídrica abundante de líquidos ao longo do dia (08 a 10 copos (200 ml) 
por dia; 
 ` Ingerir 01 copo (200 ml) de água em baixa temperatura com uma ameixa em jejum; 
 ` Durante as refeições mastigar intensamente os alimentos antes de degluti-los; 
 ` Procurar dividir a alimentação diária de 05 a 06 vezes, criando uma rotina de 
horário para cada refeição; 
 ` Evitar alimentos constipantes, como: banana-da-prata, caju, creme de arroz, fa-
rinha de mandioca, goiaba, limonada, maçã sem casca, e maisena;
 ` Suprimir da dieta alimentos refinados e industrializados; 
 ` Coibir a ingestão de líquidos durante as refeições. 
Diarreia 
A diarreia seria uma condição clínica caracterizada pelo aumento da velocidade do 
trânsito intestinal, o que acarretaria no incremento do número de evacuações diárias e 
semanais, manifestando-se por episódios evacuatórios frequentes de fezes líquidas ou 
de pouca consistência.
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As principais recomendações para evitar a diarreia são:
 ` Não interromper a dieta; 
 ` Incrementar a ingesta hídrica (de 10 a 12 copos/dia de 200 ml) com água filtrada 
ou fervida, água de coco, água de arroz chás (entrecasca do coco, folha de goia-
ba), sucos (caju, lima, goiaba, caju, limão e maçã); 
 ` Ingerir alimentos constipantes como: arroz branco, banana da prata, caju, goiaba, 
laranja lima, lima, maçã sem casca, mucilagem de arroz, amido de milho (maizena); 
 ` Optar por vegetais cozidos tais como: cenoura, batata, batata-doce, beterraba, 
chuchu, fruta-pão, inhame e vagem; ` Optar por carnes brancas peixe, aves gre-
lhadas, assadas ou cozidas; 
 ` Ingerir pães torrados, biscoitos de água e sal; 
 ` Consumir leite desnatado, fermentado e iogurte natural; 
 ` Empregar os queijos com reduzido teor de gordura; 
 ` A água corrente sempre deverá ser utilizada abundantemente para lavar ver-
duras e frutas deixando-se os mesmos mergulhados em solução de água 
sanitária diluída (para cada litro de água potável dissolver 1 colher de sopa 
de água sanitária); 
 ` Empregar sais de reidratação oral (em 1 litro de água potável ou fervida diluir um 
envelope); 
 ` Reduzir o emprego dietético de frutas secas ou nutrientes oleaginosos, como 
abacate, amendoim, avelã, castanhas nozes; 
 ` Não ingerir vegetais folhosos, como acelga, alface, agrião, brócolis, couve, es-
pinafre; 
 ` Restringir a ingestão de frutas como abacate, abacaxi, ameixa, laranja, mamão, 
morango, tamarindo e uva; 
 ` Coibir a ingestão de chocolates, frituras, condimentos como catchup, mostarda, 
orégano, molho inglês, pimenta do reino; 
 ` Evitar alimentos como carnes vermelhas, manteiga, feijão-preto, aipo brócolis, 
couve-flor, nabo, pimentão que são ricos em enxofre; 
 ` Abolir bebidas gaseificadas como água com gás, bebidas alcoólicas e refrigerantes.
• Desportista
Desportista é o indivíduo que realiza prática física de alto desempenho, sendo que uma 
dieta tem por meta proporcionar maior disposição e resistência, tendo como finalidade 
a obtenção de sucesso em competições esportivas. 
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
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Recomendações
 ` Procurar ingerir uma dieta rica em carboidratos, como os cereais, pães e massas; 
 ` A ingestão de proteínas de origem vegetal deve ser associada com proteínas de 
origem animal;
 ` Não omitir os horários de refeição, pois isto poderá comprometer nas reservas 
de glicogênio e nutrientes do atleta; 
 ` Se possível empregar suplemento nutricional sob orientação de profissionais. 
Pré-competição
 ` Nos dias que antecedem a competição, incrementar aumentar a quantidade de 
carboidratos da alimentação, dando preferência aos complexos (por exemplo os 
cereais integrais); 
 ` Alimentos ricos em gordura devem ser evitados; 
 ` Reduzir o consumo de chás, café e álcool. 
Dia da competição 
 ` Alimentar-se moderadamente; 
 ` Abolir dietas desconhecidas ou com muito condimento; 
 ` A refeição sólida deverá ser realizada 4 horas antes da competição; 
 ` Evitar alimentos cuja digestão é lenta como nutrientes ricos em gorduras ou pre-
parações fritas;
 ` Durante a refeição procurar mastigar bem os alimentos ingeridos; 
 ` Realizar refeições em ambiente de tranquilidade;
 ` Evitar na dieta alimentos que promovam a formação de gases abdominais (bata-
ta-doce, pães, pepino e repolho). 
Pós competição
 ` Se hidratar com quantidades elevadas de líquidos; 
 ` Dar preferência a uma dieta baseada em frutas, legumes e pães.
• AVALIAÇÃO DIETÉTICA E NUTRICIONAL 
A avaliação dietética e nutricional objetiva monitorar alterações e ameaças nutricionais, pro-
pondo condutas para reverter distúrbios orgânicos ou manter a saúde. O monitoramento do 
indivíduo, por intermédio da avaliação dietética e nutricional, constitui-se num importante 
parâmetro de acompanhamento das respostas do paciente às intervenções nutricionais. 
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Outros usos da avaliação dietética e nutricional incluem monitorar a alimentação ao 
longo da vida de um indivíduo, diagnosticar a intensidade e a distribuição dos agravos 
nutricionais e escolher intervenções em programas públicos para reverter distúrbios nu-
tricionais, tanto individualmente quanto ao nível coletivo. O(A) profissional nutricionista 
pode empregar vários artifícios para essa avaliação, incluindo semiologia nutricional, 
análise bioquímica do estado nutricional, medidas antropométricas, inquérito alimentar 
e testes de bioimpedância elétrica.
Figura 20. Adipômetro
3. LEGISLAÇÃO 
Suplemento alimentar segundo a Resolução da Diretoria Colegiada - RDC nº 243, de 26 
de julho de 2018 da ANVISA (p. 1) poderia se configurar: 
Produto para ingestão oral, apresentado em formas farmacêuticas, desti-
nado a suplementar a alimentação de indivíduos saudáveis com nutrientes, 
substâncias bioativas, enzimas ou probióticos, isolados ou combinados. 
Portanto, os suplementos alimentares não seriam medicamentos e, por isso, não se-
riam empregados para tratar, prevenir ou curar patologias. Estes seriam indicados para 
pessoas saudáveis. Seu objetivo principal seria fornecer nutrientes, substâncias bioati-
vas, enzimas ou probióticos que complementassem a alimentação.
Os suplementos seriam indicados para indivíduos saudáveis como uma alternativa de 
complementação dietética, no caso de restrições dietéticas, alterações metabólicas, 
atividade física de alto desempenho, entre outros. A embalagem do produto deve conter 
a expressão “Suplemento Alimentar”.
Legenda: é um equipamento que possibilita a aferição da espessura do tecido adiposo em vários locais do corpo. Essas 
avaliações são úteis para o cálculo do percentual de gordura do indivíduo numa avaliação dietética e nutricional. Fonte: 123RF
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• Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
• Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
• Prescrição de suplementos.
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Lactantes, crianças e gestantes podem ingerir produtos considerados suplementos com 
restrições, tendo em vista sua vulnerabilidade, o que faz com que os ingredientes auto-
rizados sejam diferenciados para estes grupos de indivíduos. 
Além do nome do produto, deverá apresentar um rótulo que exibirá as recomendações 
de uso com sua dose de consumo diário normatizado para cada faixa de idade ou grupo 
populacional.Advertências gerais ou específicas poderão variar conforme a composi-
ção ou forma de administração do produto. Conter ainda a restrição de uso, ou quando 
o produto não puder ser utilizado por um determinado grupo populacional. 
O rótulo deverá apresentar as quantidades dos constituintes, probióticos, substân-
cias bioativas, enzimas, relação de constituintes e os demais constituintes empre-
gados na formulação, além da informação da constituição de lactose, glúten ou 
lactose, entre outros. 
CONCLUSÃO
O acolhimento, as técnicas de entrevista, a comunicação entre farmacêutico e pacien-
te, e a interação com a equipe de saúde destacaram a importância de um profissional 
cada vez mais atualizado. Os capítulos abordaram a classificação dos medicamentos 
no Brasil segundo a ANVISA, as exigências de prescrição e os grupos e indicações 
terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica. 
Dando continuidade ao módulo, foram discutidos a dispensação de medicamentos sem 
prescrição médica, como análise da situação, tomada de decisão, definição do trata-
mento, e cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados, seguidos 
por casos clínicos com cinco questões para cada tema. Também foram abordados a 
prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados, como dor, febre e dor 
de cabeça, e a prescrição e atualização sobre suplementos, uma necessidade atual.
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BRUTON, L., HILAL-DANDAN, L. R. As bases farmacológicas da terapêutica de Goodman e Gilman. 13. ed. 
Grupo A, 2018. Recurso online.
	Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
	Problemas de saúde autolimitados
	Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
	1. Macrocomponentes do Processo Assistencial para Realizar a Prescrição Farmacêutica com Qualidade e Segurança Para o Paciente
	Acolhimento, técnicas de entrevista, comunicação farmacêutico-paciente e equipe de saúde
	1. O Cuidado Farmacêutico: Bases para a Construção de Um Serviço de Clínica Farmacêutica
	Classificação dos medicamentos no Brasil segundo a ANVISA e as exigências de prescrição;
	Grupos e indicações terapêuticas especificadas (GITE) para medicamentos isentos de prescrição médica;
	Dispensação de medicamentos isentos de prescrição médica: análise da situação, tomada de decisão e definição do tratamento;
	1. O que são Medicamentos Isentos de Prescrição (MIP)
	2. Quais são as Características que Um Medicamento Isento de Prescrição (MIP) deve ter
	3. Quais são os Medicamentos Isentos de Prescrição
	4. Como Reconhecer Um Medicamento Isento de Prescrição
	5. Grupos e Indicações Terapêuticas Especificadas (GITE) para Medicamentos Isentos de Prescrição Médica
	Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados;
	Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor e febre, dor de cabeça;
	Prescrição de suplementos.
	1. Cenários clínicos relacionados a problemas de saúde autolimitados
	2. Prescrição farmacêutica em problemas de saúde autolimitados: dor, febre e dor de cabeça
	3. Legislação 
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBack
	_GoBackoutras hipóteses clínicas; medicamentos; estilo de vida; e 
contexto de cuidado. Além disso, deve garantir a confidencialidade dos dados obtidos na 
prescrição, utilizados apenas para fins sanitários ou de fiscalização profissional. 
1.1. PROBLEMAS DE SAÚDE AUTOLIMITADOS
Os serviços de cuidado farmacêutico, também conhecidos como atenção farmacêu-
tica, incluem uma série de procedimentos realizados pelo profissional farmacêutico. 
O objetivo desses serviços é promover o uso racional de medicamentos e alcan-
çar resultados terapêuticos planejados. Entre os procedimentos realizados estão 
consultas farmacêuticas, que podem ocorrer em consultórios para um atendimento 
individualizado e privado, assim como em visitas domiciliares para pacientes com di-
ficuldades de locomoção. Além disso, podem ser conduzidas atividades educativas 
e pedagógicas para pacientes e/ou cuidadores, enfatizando o uso correto e racional 
dos medicamentos (Figura 05).
A Resolução 585/2013 do Conselho Federal de Farmácia (CFF) estabelece as atribui-
ções clínicas do farmacêutico e define suas funções no seguimento farmacoterapêutico. 
De forma complementar, a Resolução 586/2013 do CFF regulamenta a prescrição far-
macêutica. A Lei Federal 13.021/2014 reconheceu a farmácia como estabelecimento de 
saúde, exigindo a presença de pelo menos um farmacêutico durante todo o horário de 
funcionamento, inclusive em unidades públicas de saúde. Isso modificou a Lei Federal 
5.991/1973, que anteriormente permitia a substituição do farmacêutico por um respon-
sável técnico em locais onde não havia esse profissional.
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1
• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
A Política Nacional de Medicamentos (PNM), estabelecida em 1998, definiu a assis-
tência farmacêutica como um conjunto de atividades relacionadas aos medicamentos 
que sustentam o cuidado à saúde na comunidade. Essas atividades abrangem desde 
o abastecimento, com base na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENA-
ME), até o controle de qualidade, segurança, eficácia terapêutica e a avaliação do uso 
dos medicamentos.
A PNM tem como objetivos principais garantir a segurança, a eficácia e a qualidade dos 
medicamentos; promover o uso racional desses produtos; e assegurar que a população 
tenha acesso aos medicamentos essenciais. Os processos de cuidado farmacêutico po-
dem ser realizados pelo farmacêutico em colaboração com outros profissionais de saúde, 
visando restabelecer a saúde do paciente. A assistência terapêutica integral, que inclui a 
assistência farmacêutica, é descrita pela PNM como atividades relacionadas ao uso de 
remédios, destinadas a apoiar iniciativas de saúde desenvolvidas por uma comunidade.
Além disso, a assistência farmacêutica é uma prática multiprofissional e intersetorial que 
envolve procedimentos relacionados aos medicamentos, incluindo transporte, prescrição 
e administração. Em 2004, o Conselho Nacional de Saúde publicou a Política Nacional da 
Assistência Farmacêutica (PNAF), que estabelece que a assistência farmacêutica abran-
Figura 05. Orientação Farmacêutica
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
ge cuidados individuais e coletivos, com os medicamentos sendo considerados insumos 
essenciais cuja acessibilidade deve ser garantida de maneira racional. Os aspectos de 
segurança, eficácia terapêutica e a avaliação do uso dos medicamentos são fortemente 
orientados pelo farmacêutico, devido ao seu conhecimento especializado.
Em 2002, o Brasil adotou o termo “atenção farmacêutica” com a publicação do Consen-
so Brasileiro de Atenção Farmacêutica. Este documento definiu a atenção farmacêutica 
como um exemplo de prática farmacêutica na Assistência Farmacêutica, abrangendo 
atitudes, valores éticos, comportamentos, habilidades, compromissos e responsabilida-
des na prevenção de enfermidades, promoção e recuperação da saúde. 
A atenção farmacêutica representa a integração direta do farmacêutico com o paciente 
(Figura 06), promovendo uma farmacoterapia racional e alcançando resultados defini-
dos e mensuráveis, visando melhorar a qualidade de vida. Esta relação também deve 
considerar as opiniões dos pacientes, respeitando suas especificidades individuais.
Figura 06. Integração do farmacêutico com o paciente
Quando os medicamentos são ingeridos de maneira inadequada, podem causar danos 
à saúde, contrariando seu propósito terapêutico. A assistência e o cuidado farmacêutico, 
por meio dos serviços para os quais o profissional é preparado, constituem uma estratégia 
essencial para a recuperação do paciente. Esses serviços devem focar na educação em 
saúde, orientação farmacêutica, atendimento e seguimento farmacêutico, dispensação, 
com a devida anotação das atividades e avaliação dos resultados. É fundamental garantir 
o uso adequado dos medicamentos, o que inclui recebê-los (ou adquiri-los) e utilizá-los 
de forma correta, nas doses, vias de administração e duração apropriadas, sem contrain-
dicações, com o mínimo de reações adversas e aceitação do tratamento farmacológico.
A dispensação consiste no fornecimento do medicamento juntamente com todas as 
informações necessárias sobre o seu uso, de modo que o paciente possa entender e 
seguir corretamente o tratamento prescrito. Isso assegura que o paciente tenha todas 
as orientações necessárias para o uso correto dos medicamentos, promovendo a eficá-
cia do tratamento e minimizando riscos à saúde.
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• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
Os atendimentos farmacêuticos podem ser realizados em consultórios farmacêuticos 
(Figura 07), salas de atendimento que garantem privacidade, ou na residência do pa-
ciente, facilitando o acesso a pessoas com dificuldades de locomoção à unidade de 
saúde e permitindo a avaliação do acondicionamento do medicamento na residência 
do paciente. Os atendimentos farmacêuticos possuem o propósito de promover o uso 
adequado dos medicamentos, possibilitando ao paciente compreender a importância 
da utilização correta dos medicamentos e correlatos, bem como em sua adesão ao 
tratamento, diminuindo os casos de danos à saúde. É importante o serviço ser prestado 
com qualidade, que o profissional farmacêutico procure sempre se manter atualizado 
em suas práticas, possibilitando as devidas orientações aos pacientes.
Figura 07. Atendimento farmacêutico
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
A inclusão do cuidado farmacêutico possibilita o aumento do uso correto dos medi-
camentos e do conhecimento dos principais problemas relacionados aos medicamen-
tos, gerando novos indicadores de saúde. Um dos principais meios para o seguimento 
farmacoterapêutico utilizado é a Metodologia de Dáder da Universidade de Granada, 
Espanha. Essa metodologia define que os problemas relacionados com medicamentos 
(PRM) estão ligados aos problemas de saúde que o paciente apresenta em decorrência 
do uso ou não dos medicamentos. 
O cuidado farmacêutico é um serviço fundamental para a promoção e proteção da saúde, 
especialmente considerando que muitas pessoas utilizam vários medicamentos simulta-
neamente. Este serviço assegura que os pacientes sigam seus tratamentos farmacológi-
cos de maneira segura e facilita a adesão aos mesmos. Apesar das dificuldades iniciais 
enfrentadas pelos farmacêuticos para implementar o cuidado farmacêutico, atualmente 
existem legislações que exigem sua presença e participação em conjunto com a equipe 
multiprofissional, visando melhorar as condições de saúde, psicológicas e sociais dos 
pacientes, resultando na melhoria da qualidade de vida dos usuários.
Para alcançar esses resultados, é essencial que o farmacêutico esteja atualizado 
em seus conhecimentos e se torne um profissionalproativo, integrando-se efetiva-
mente à equipe de saúde. Não deve se contentar em ser um mero coadjuvante, mas 
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Semiologia e Prescrição Farmacêutica
sim tomar a iniciativa nesse cuidado. Além disso, é necessário que as autoridades 
governamentais reconheçam o farmacêutico como uma oportunidade para melhorar 
a qualidade de vida da população, inclusive reduzindo futuros gastos com hospita-
lizações decorrentes de intoxicações medicamentosas e problemas relacionados à 
não adesão ao tratamento.
A prescrição farmacêutica é definida como a escolha e documentação, por parte do 
profissional farmacêutico, de tratamentos farmacológicos, não farmacológicos e outras 
intervenções. Isso promove, protege e recupera a saúde do paciente, com o intuito de 
prevenir doenças e outros problemas de saúde. Além disso, a prescrição farmacêutica 
é um documento com valor legal que fornece informações explícitas aos pacientes e 
demais profissionais de saúde, garantindo a clareza e a correta interpretação das infor-
mações. Dessa forma, a prescrição confere um grau de responsabilidade sanitária pela 
segurança do paciente e permite a rastreabilidade das ações realizadas.
Na prescrição farmacêutica, segundo a Resolução n.º 586/2013 do Conselho Federal 
de Farmácia, o profissional farmacêutico deverá agir ética e livremente, independente 
de interesses comerciais de instituições ou pessoas. Ademais, segundo a normativa, a 
prescrição poderá acontecer em várias esferas de atenção à saúde, como organizações 
farmacêuticas, consultórios, serviços e entre outros, desde que a norma de sigilo e a 
privacidade do paciente sejam consideradas durante o atendimento.
O farmacêutico deve escolher o tratamento com base nas necessidades de saúde do 
paciente e em evidências científicas atualizadas, seguindo normas éticas e políticas 
de saúde vigentes. A literatura comprova os prós da prescrição farmacêutica, realizada 
tanto de forma autônoma ou em colaboração com outros profissionais de saúde, em 
programas de saúde pública, instituições ou protocolos clínicos estabelecidos.
O manejo clínico dos pacientes intensifica o processo de cuidado, possibilitando al-
terações nos marcos de legislações em vários países. As mudanças foram estabele-
cidas, entre outras, a autorização para outros profissionais poderem fazer e acompa-
nhar todo o processo de uma terapia farmacológica. Esse direcionamento de atividade 
surgiu pela necessidade de aumentar a garantia dos serviços de saúde e promover a 
capacidade resolutiva da prestação de atendimentos clínicos. Em muitos países onde 
a prescrição farmacêutica acontece, foi estabelecida uma atividade importante para 
o farmacêutico prescrever medicamento e orientações não farmacológicas, conforme 
a complexidade da terapêutica, do serviço, da formação profissional e dos produtos 
autorizados pela ANVISA.
A profissão farmacêutica visa dispensar medicamentos, integrar a equipe de saúde, 
ser corresponsável pela terapia do paciente e garantir uso adequado dos medica-
mentos. É o último profissional antes do início do tratamento farmacológico. Para 
uma atuação clínica eficaz, é importante que o farmacêutico possua conhecimento, 
postura e técnicas integrativas à equipe de saúde. Além disso, requer conhecimento 
técnico e jurídico, atualização permanente e ações embasadas nos preceitos éticos 
e legais da profissão, com autonomia técnica e uma visão humanista, focada no bem 
coletivo e consciente.
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• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
1.2. ANAMNESE FARMACÊUTICA: RECONHECIMENTO DE SINAIS E 
SINTOMAS
A queixa inicial realizada pelo paciente, na maior parte das vezes, é precária para o 
reconhecimento do(s) seu(s) transtorno(s) de saúde, havendo a necessidade da reali-
zação da coleta de informação e do reconhecimento dos critérios clínicos. A finalidade 
destas considerações é diferenciar a(s) necessidade(s) e o(s) transtorno(s) de saúde 
do paciente, as circunstâncias especiais e os cuidados, além de outros esclarecimentos 
importantes para a preferência da ação mais adequada para a solução do(s) proble-
ma(s). Por meio da técnica da coleta de informações do paciente, as situações de alerta 
poderão ser identificadas, determinando a importância do direcionamento do paciente 
para outro serviço de saúde ou outro profissional. 
Depois desta observação, o profissional farmacêutico, de forma associada com o pa-
ciente, determinara uma proposta de cuidado. A anamnese farmacêutica viabiliza a aná-
lise do paciente, por meio de perguntas do profissional farmacêutico. A sequência dos 
questionamentos necessita da informação simples e do tipo do estado de saúde do 
paciente, assim como do seguimento de conversa entre ele e o profissional farmacêuti-
co. Os elementos da análise do paciente que deixa alcançar as metas acima descritas 
são: reconhecimento, sintoma principal ou queixa, evolução da patologia atual, história 
médica prévia, histórico familiar, histórico pessoal — fisiológica e patológica — e social, 
e exame por órgãos ou por aparelhos.
Figura 08. Elementos da anamnese
Identificação Queixa principal História da 
doença atual
História médica 
pregressa
História familiar História pessoal e 
social
Revisão por 
aparelhos ou 
sistemas
O farmacêutico investiga parâmetros clínicos por meio da anamnese para auxiliar na tria-
gem e avaliação terapêutica. Isso inclui aferição da temperatura, pressão arterial, algu-
mas medidas antropométricas, como altura e peso, além de outros parâmetros importan-
tes na avaliação do indivíduo. O reconhecimento da(s) demanda(s) e do(s) problema(s) 
de saúde do paciente acontece pela caracterização dos sinais e sintomas, implicando 
dados como origem, continuidade, regularidade, localização precisa, aspectos, serieda-
de, horários de ocorrência, fatores que pioram ou atenuam os sintomas (Figura 10). 
Essas informações possibilitam ao profissional farmacêutico fazer a escolha do pacien-
te em associação à severidade da necessidade, identificar fatos autolimitados daquelas 
que apontam sinais e/ou sintomas parecidos, mas que não são tão comuns, e que, 
portanto, não são sujeitos de indicação pelo profissional farmacêutico (medicamentoso 
ou não medicamentoso). Nestas situações, a indicação deverá ser uma orientação e 
deverá conter um direcionamento a outro profissional ou serviço de saúde (Figura 09).
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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LOCALIZAÇÃO
CARACTERÍSTICA
GRAVIDADE
ATIVIDADE
SINAIS E SINTO-
MAS ASSOCIADOS
Figura 09. Registro dos medicamentos utilizados
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Figura 10. Avaliação dos sinais e/ou sintomas para identificação da(s) necessidade(s) e do(s) problema(s) 
de saúde
 ` Início
 ` Duração e frequência
 ` Temas específicos (dor aguda ou crônica)
 ` Área precisa (Ex. dor nas costas)
 ` Leve
 ` Moderada
 ` Grave
 ` O que o paciente estava fazendo quando ocorreu por ex. a dor.
 ` Sinais e sintomas que ocorreram associados a outros sinais e 
sintomas primários
TEMPO
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
1.3. IDENTIFICAÇÃO DE SITUAÇÕES ESPECIAIS E PRECAUÇÕES
Ao se identificarem as necessidades e os problemas de saúde do paciente, torna-se 
necessário registrar as informações, pois estas podem modificar a conduta do farma-
cêutico, incluindo situações adicionais de alerta e necessidade de individualização da 
conduta. Estes eventos especiais e precauções podem incluir referências sobre o ciclo 
de vida (recém-nascidos, crianças, adolescentes, adultos, idosos, gestantes e lactan-
tes), preferências e opiniões do paciente, experiências de uso demedicamentos, co-
morbidades e seus tratamentos, história antecedente de tratamento da necessidade 
apresentada, indício e grau de observação das diferentes maneiras de procedimentos 
disponíveis, entre outras.
O envolvimento do farmacêutico no atendimento de problemas de saúde autolimitados 
e na orientação sobre medicamentos pode liberar tempo para o atendimento médico 
de condições mais complexas, reduzindo a demanda nos serviços de atenção básica à 
saúde. Isso também promove a transformação da farmácia comunitária em um centro 
de saúde e o farmacêutico em um profissional centrado no paciente. A prescrição far-
macêutica incluirá orientação contínua e abrirá espaço para serviços adicionais, como 
monitoramento do paciente. 
Espera-se, logo, que o farmacêutico:
 ` Externe empatia, transmitir confiança e respeitar o paciente, de forma não julga-
dora ou paternalista;
 ` Atua com profissionalismo e confidencialidade, abrindo as barreiras que o sepa-
ram da relação direta com o paciente;
 ` Ouça ativamente e autorize que o paciente complete suas falas sem interrupções;
 ` Evite gírias; 
 ` Utilize informações baseadas em evidências para informar as intervenções far-
macêuticas e aconselhar as possibilidades de tratamento; 
 ` Proporcione/efetue documentação certa para anotação da consulta; 
 ` Conduza o tempo de forma eficaz.
A escrituração e a preservação de informações deverão ser realizadas através de meio 
físico ou eletrônico, sendo necessário ser realizada cópia de segurança dos dados. 
Todos os termos de documentação (Figura 11), deve ser guardada no estabelecimento 
por, no mínimo, cinco anos. 
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O profissional farmacêutico precisa ter ciência de todos os medicamentos utilizados 
pelo paciente (receitado e/ou por conta própria), uma vez que ele pode ser a própria 
causa da reclamação relatada (o sintoma relatado pode ser resultado do medicamento 
utilizado) e/ou indicar contraindicação ao uso de certos medicamentos. É fundamen-
tal também que o profissional farmacêutico conheça a rotina da terapia farmacológica 
do paciente, sua maneira de utilizar os medicamentos, sua experiência de tratamento 
farmacológico e seu estímulo em cumprir o tratamento. Dessa forma, por meio de per-
guntas abertas que permitam ao paciente explicar com suas próprias palavras, o profis-
sional farmacêutico deve sugerir, de modo detalhado, informações sobre medicamentos 
em uso, incluindo:
 ` Nome; 
 ` Concentração;
 ` Indicação (verificar se o paciente conhece a indicação); 
 ` Via de administração; 
 ` Frequência; 
 ` Dose; 
 ` Horários de uso; 
 ` Utilização conjunto a alimentos; 
 ` Posologia utilizada; 
 ` Duração do tratamento; 
Figura 11. Registro de orientação farmacêutica
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
 ` Origem da prescrição, no caso de medicamentos prescritos; 
 ` Entendimento do paciente sobre os efeitos/ funcionamento (se o paciente acha 
que o medicamento tem funcionado bem ou não); 
 ` Dificuldades na utilização.
O profissional farmacêutico necessita indagar sobre a utilização de cremes, pomadas 
e adesivos, vitaminas, vacinas, pois muitos pacientes não acham que estes produtos 
são considerados medicamentos. Em relação à experiência de uso de medicamentos, o 
farmacêutico deve observar as atitudes, desejos, expectativas, medos, entendimento e 
a atitude do paciente com relação aos medicamentos. Quanto à adesão ao tratamento, 
o farmacêutico necessita assumir uma atitude centrada no paciente e não pressupor ou 
culpar por usar os medicamentos de forma diferente do que foi prescrito (Figura 12), e 
sim incentivar a fazer a utilização de maneira correta e integral.
Figura 12. Registro dos medicamentos usados pelo paciente
Na realidade socioepidemiológica atual do Brasil, observa-se uma mudança demográfi-
ca e epidemiológica onde o envelhecimento da população é seguido de um aumento na 
preponderância de doenças crônicas. Isso impulsiona o fenômeno da polifarmácia, em 
que pacientes fazem tratamentos com vários medicamentos por períodos prolongados 
ou indefinidamente. Os medicamentos são fundamentais no controle das doenças crô-
nicas, mas vale lembrar que podem ter efeitos benéficos ou prejudiciais. Os transtornos 
relacionados à terapia farmacológica estão se tornando cada vez mais prevalentes, su-
perando, em alguns casos, as próprias patologias crônicas que criaram a necessidade 
do uso desses medicamentos. As informações são preocupantes. 
No Brasil, apesar da escassez de estudos direcionados a esse tipo de problema, os 
números atuais validam propensões alarmantes. As principais ações farmacêuticas 
fundamentais na prática clínica devem focar na prevenção, identificação e resolução 
de problemas da farmacoterapia. É um tema importante para os profissionais pre-
parados lidarem. Vale lembrar que “problemas relacionados a medicamentos” é um 
conceito amplo que abrange necessidade, adesão, eficácia e segurança da terapia. 
A complexidade desses problemas pode derivar de falhas no sistema de reconheci-
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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mento de riscos, posição social do paciente, atitude em relação à terapia, constituição 
genética, entre outros fatores.
O paciente, quando busca uma consulta com um profissional de saúde, traz a esperan-
ça de resolver seus problemas e alcançar a evolução da sua condição de saúde. Em 
geral, o motivo da consulta gira em torno de um ou dois problemas, que serão exibidos 
através da anamnese farmacêutica. Por exemplo: “Minha pressão alta não está sendo 
controlada de forma alguma. Acho que esses remédios não estão fazendo efeito”; “Des-
de que troquei meus remédios, estou com o intestino solto”. 
Em todas as situações mencionadas, a informação inicial fornecida pelo paciente não é 
satisfatória para embasar uma decisão clínica. É necessário compreender melhor as di-
ficuldades, sinais e sintomas de um paciente, a fim de determinar um plano de cuidado 
possível e individualizado para resolvê-los da melhor forma adequada. A literatura des-
creve diversas estratégias para organizar o atendimento clínico, todas elas partindo de 
um critério comum: coleta organizada de dados do paciente para identificar problemas 
e estabelecer um plano de cuidado conjunto. Esse processo orienta a evolução clínica 
geral do paciente (Figura 13), formando um ciclo que se reinicia a cada atendimento.
Figura 13. Registro da evolução clínica geral do paciente
Fonte: arquivo pessoal dos autores.
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• Semiologia e prescrição farmacêutica: histórico e conceitos
• Problemas de saúde autolimitados
• Anamnese farmacêutica: reconhecimento de sinais e sintomas
CONCLUSÃO
A semiologia não serve para sairmos consultando, fazendo diagnóstico, mas quando re-
cebemos um paciente, podemos, sim, investigar sintomas e sinais para identificar qual 
o melhor Medicamento Isento de Prescrição (MIP) para ele ou se o seu caso necessita 
de consulta médica. Sendo que a semiologia é importante para ter mais conhecimento 
na hora de prescrever e o farmacêutico aplica a semiologia para assumir a responsa-
bilidade junto ao paciente sobre o que ele deverá utilizar para se tratar, de acordo com 
aquele sintoma ou sinal.
É importante salientar que a profissão farmacêutica está evoluindo para um novo modelo de 
cuidado multiprofissional. Esse avanço visa melhorar a qualidade dos serviços de saúde e 
fortalecer o propósito desses serviços. Como base dessa transformação, foi estabelecida a 
autorização para diversos profissionais poderem escolher, iniciar, adicionar, trocar, ajustar, 
repetir ou cessar a terapia farmacológica.
CURIOSIDADE
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Semiologia e Prescrição FarmacêuticaREFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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UNIDADE 2
ACOLHIMENTO, TÉCNICAS DE ENTREVISTA, 
COMUNICAÇÃO FARMACÊUTICO-PACIENTE 
E EQUIPE DE SAÚDE
INTRODUÇÃO
Ao longo do tempo, o papel do farmacêutico como profissional de saúde foi frequente-
mente relegado ao esquecimento no que diz respeito ao cuidado em saúde. As trans-
formações históricas nas metodologias produtivas e suas influências nos programas 
acadêmicos resultaram em um profissional tecnicista, com conhecimentos em diversas 
especialidades, muito distante da equipe multidisciplinar, priorizando uma relação mais 
estreita com o produto (medicamento) do que com o usuário desse produto (o paciente). A 
atuação clínica proporciona o encontro entre o farmacêutico e o paciente, exigindo do pro-
fissional novas habilidades para assumir novamente a responsabilidade pelo bem-estar 
do paciente e tornar-se um provedor de cuidados em saúde no contexto multidisciplinar.
O atendimento realizado pelo profissional farmacêutico em espaço ambulatorial cons-
titui um encontro terapêutico, onde é essencial estabelecer uma relação de confiança 
com o paciente, comprometendo-se com os desafios enfrentados por ele em relação à 
saúde e tratamento. A circunstância de atendimento farmacêutico, precisamente, deve 
ser integrada ao cuidado multidisciplinar. Vale lembrar que, embora seja necessário res-
peitar os limites de atuação no consultório, a avaliação farmacêutica nunca deve ser se-
parada e restritiva. Pelo contrário, uma avaliação abrangente pelo farmacêutico permite 
identificar as necessidades do paciente e colaborar com outros profissionais de saúde.
1. O CUIDADO FARMACÊUTICO: BASES PARA A CONSTRUÇÃO 
DE UM SERVIÇO DE CLÍNICA FARMACÊUTICA
O cuidado farmacêutico engloba práticas de ensino em saúde, que incluem trabalhos 
de educação continuada para o pessoal da saúde e práticas de promoção à saúde de 
característica geral, e ações de incentivo do uso adequado de medicamentos com o de-
senvolvimento de atividades assistenciais e didáticos. A atividade assistencial realizada 
pelos farmacêuticos inclui os serviços de clínica farmacêutica, os quais podem ser dis-
ponibilizados ao paciente de maneira individual e/ou em colaboração com outros mem-
bros da equipe de saúde. Logo, os serviços de clínica farmacêutica correspondem às 
funções do farmacêutico diretamente relacionadas ao paciente. As atividades técnicas 
correspondem a funções vinculadasà organização (família e comunidade), bem como 
o controle do conhecimento. Por fim, as atividades de gerenciamento correspondem 
àqueles serviços vinculados diretamente à terapia medicamentosa. 
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O cuidado farmacêutico estabelece a ação integrada do farmacêutico com a equipe de 
saúde centrada no paciente, visando promover, proteger e restaurar a saúde, além de 
prevenir danos. Seu objetivo é fornecer orientação em saúde e promover o uso adequa-
do de medicamentos prescritos e não prescritos, assim como de tratamentos comple-
mentares, por meio dos serviços de clínica farmacêutica e outras atividades voltadas ao 
indivíduo, à família e à comunidade. A prática farmacêutica assistencial e centralizada 
no paciente tem início em meados dos anos 60, com a dinâmica da farmácia clínica 
nos serviços hospitalares. Décadas depois, a farmácia clínica passa a cuidar, enquanto 
área de atuação farmacêutica, de todas as esferas de atenção à saúde, e compreender 
todas as atribuições clínicas do profissional farmacêutico, tanto de ajuda à equipe de 
saúde, como direcionado ao cuidado imediato ao paciente. Deste modo, a farmácia clí-
nica moderna incorpora à doutrina a prática que ficou nomeada no Brasil como atenção 
farmacêutica ou cuidado farmacêutico.
Com foco na obtenção de desfechos terapêuticos verdadeiros, o cuidado farmacêutico 
ao paciente objetiva o uso correto dos medicamentos. Essas atividades são feitas com 
frequência nos níveis de atenção em saúde, e encontram-se no campo do uso adequa-
do dos medicamentos. A atuação dinâmica do farmacêutico nas equipes multiprofissio-
nais é vista como deficiência para um novo modelo de atenção voltado às necessidades 
crônicas e para aprimoramento dos resultados na qualidade de vida dos pacientes, prin-
cipalmente no nível dos cuidados primários. Como destacado pelo Ministério da Saúde 
(2015, p. 32), é importante enfatizar que aprimorar o sistema de saúde, especialmente 
através da qualidade da atenção primária, investindo em educação contínua para pro-
fissionais de saúde, cuidados farmacêuticos e outras áreas estratégicas, resultará em 
uma melhor gestão das Doenças Crônicas Não Transmissíveis (DCNT). 
Diante de todo esse histórico, podemos detalhar um pouco mais a importância do cuida-
do farmacêutico, e observar uma necessidade de uma abordagem centrada no paciente 
que visa otimizar o uso de medicamentos e promover a saúde e o bem-estar. A cons-
trução de um serviço de clínica farmacêutica é fundamentada em princípios e práticas 
que garantem a provisão de cuidados integrados e de alta qualidade. Este serviço é 
essencial para a implementação de intervenções terapêuticas seguras e eficazes, con-
tribuindo significativamente para a saúde pública.
A base do cuidado farmacêutico começa com a compreensão da necessidade de um 
atendimento centrado no paciente. A clínica farmacêutica deve focar na individualização 
do tratamento, considerando as particularidades de cada paciente, como seu histórico 
médico, condições socioeconômicas, crenças e preferências. A semiologia farmacêuti-
ca desempenha um papel importante na avaliação completa do paciente, permitindo a 
identificação de problemas relacionados à farmacoterapia e a elaboração de planos de 
cuidado personalizados.
A construção de um serviço de clínica farmacêutica também requer a implementação 
de processos sistemáticos para a revisão e a gestão da farmacoterapia. Isto inclui a 
revisão da utilização de medicamentos para identificar, resolver e prevenir problemas 
relacionados aos medicamentos (PRM). O serviço de clínica deve fornecer as ferramen-
tas para a avaliação crítica das prescrições, garantindo que cada medicamento seja 
adequado, seguro e eficaz para o paciente específico. A revisão dos medicamentos 
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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envolve a verificação de interações medicamentosas, duplicidades terapêuticas, doses 
inadequadas e a necessidade de monitoramento laboratorial.
A educação do paciente é outro suporte fundamental do cuidado farmacêutico. Os far-
macêuticos devem fornecer informações claras e compreensíveis sobre os medicamen-
tos prescritos, incluindo como tomá-los, os potenciais efeitos colaterais, medidas para 
gerenciá-los, bem como a importância da adesão ao tratamento. É crucial enfatizar téc-
nicas de comunicação eficazes para garantir que os pacientes compreendam e sigam 
corretamente as orientações, melhorando assim os resultados terapêuticos.
Além da educação, o acompanhamento contínuo dos pacientes é essencial para a 
construção de um serviço de clínica farmacêutica eficaz. Monitorar a resposta ao trata-
mento e ajustar a terapêutica conforme necessário são atividades centrais do cuidado 
farmacêutico. A semiologia farmacêutica envolve a utilização de parâmetros clínicos e 
laboratoriais para avaliar a eficácia e a segurança dos tratamentos. Por exemplo, em 
pacientes com hipertensão, a monitorização regular da pressão arterial e a avaliação 
de possíveis efeitos colaterais permitem ajustes precisos na terapia medicamentosa.
A integração com outros profissionais de saúde é crucial para a construção de um ser-
viço de clínica farmacêutica. A colaboração interdisciplinar permite uma abordagem ho-
lística do cuidado do paciente, onde o farmacêutico trabalha em conjunto com médicos, 
enfermeiros, nutricionistas e outros profissionais para otimizar o tratamento. Isso incen-
tiva a comunicação eficaz entre os membros da equipe de saúde, facilitando a troca de 
informações relevantes e a tomada de decisões compartilhadas.
A utilização de tecnologias de informação em saúde é uma componente vital na constru-
ção de um serviço de clínica farmacêutica moderno. Sistemas de prescrição eletrônica, 
registros eletrônicos de saúde (RES) e aplicativos de gestão de medicação são ferra-
mentas que melhoram a segurança do paciente e a eficiência dos serviços, utilizando 
essas tecnologias para monitorar a farmacoterapia, detectar potenciais problemas pre-
cocemente e facilitar a comunicação com os pacientes e outros profissionais de saúde.
A formação contínua dos farmacêuticos é essencial para manter um serviço de clínica 
farmacêutica de alta qualidade. É fundamental enfatizar a importância da educação 
continuada e do desenvolvimento profissional para manter os farmacêuticos atualiza-
dos com as últimas evidências científicas, diretrizes clínicas e práticas de cuidado. A 
educação continuada e a participação em conferências são meios pelos quais os far-
macêuticos podem aprimorar suas habilidades e conhecimentos.
Em termos de estrutura organizacional, a clínica farmacêutica deve estar bem integra-
da aos serviços de saúde existentes no serviço público. Definir protocolos e diretrizes 
operacionais é crucial para garantir a consistência e qualidade dos cuidados prestados. 
Esses protocolos devem incluir critérios para identificar pacientes que se beneficiariam 
de cuidados farmacêuticos, estabelecer procedimentos para revisões da utilização de 
medicamentos, além de métodos para documentação e avaliação dos resultados.
O cuidado farmacêutico e a construção de um serviço de clínica farmacêutica são 
fundamentados em uma abordagem centrada no paciente, revisão sistemática da 
farmacoterapia, educação contínua do paciente, monitoramento regular, colaboração 
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interdisciplinar, utilização de tecnologias avançadas e formação contínua dos profis-
sionais. Reforçando que as orientações podem ser registradas durante a orientação 
farmacêutica (Figura 01). 
Figura 01. Registro de orientação farmacêutica
O cuidado farmacêutico aos usuários de medicamentos desenvolve-se por meio da 
constituição de serviços de clínica farmacêutica. O funcionamento da clínica farmacêu-
tica, enquanto ação de saúde concebida na relação com o paciente, exigehabilidade, 
competência, reflexão, autonomia e atitude do farmacêutico, visando à promoção do 
uso racional dos medicamentos. 
A clínica farmacêutica comporta serviços destinados ao uso racional de medicamentos, 
visando conseguir resultados seguros e eficazes no tratamento, a fim de otimizar os 
processos da farmacoterapia. Isso inclui a seleção da terapia farmacológica, a adminis-
tração e a adesão aos medicamentos pelo paciente. O conjunto de atividades envolve a 
colaboração terapêutica entre o farmacêutico e o paciente, compreendendo os fatores 
que adaptam o comportamento do paciente e integrando conhecimentos e práticas de 
saúde populares, para garantir a continuidade e a autonomia dos pacientes.
Os serviços de clínica farmacêutica devem conter um elenco de ações tanto no setor 
privado quanto no setor público, principalmente nos pontos de atenção à saúde, ofere-
cendo suporte individualmente ou em colaboração com a equipe de saúde nas unida-
des básicas de saúde e na estratégia de saúde da família. Essas ações assistenciais 
englobam a dispensação de medicamentos, a orientação terapêutica ao paciente, o 
acompanhamento farmacoterapêutico, a revisão da farmacoterapia, a combinação de 
medicamentos e a avaliação e promoção do uso racional de medicamentos. A proposta 
Fonte: Arquivo pessoa dos autores.
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Acolhimento, Técnicas de Entrevista, Comunicação Farmacêutico-Paciente e Equipe de Saúde
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desses serviços permite ao profissional farmacêutico o gerenciamento composto de 
toda farmacoterapia, criando um controle mais prático das patologias, maior segurança 
para o paciente e contribuindo para a melhoria na sua qualidade de vida. Cabe ressal-
tar que a dispensação de medicamentos, na referência dos serviços de clínica farma-
cêutica (Figura 02), deverá ter seus objetivos, método de trabalho e estruturas físicas 
totalmente modificados.
Figura 02. Registro de clínica farmacêutica
A atividade de clínica farmacêutica corresponde a uma parte primordial do seguimento 
do trabalho dos farmacêuticos e caracteriza-se por ser uma ação em saúde complexa. 
Ações complexas são conhecidas pela concomitância de diversos componentes que 
agem entre si e que são responsáveis, de forma isolada ou pactuada, pela capacida-
de da ação em proporcionar efeitos de saúde almejados. No caso da atividade clínica 
farmacêutica, as partes podem atuar ao mesmo tempo, por diferentes caminhos, por 
exemplo, pela consolidação do esquema farmacoterapêutico, pela melhora da informa-
ção sobre a farmacoterapia com o apoio da equipe multiprofissional e por alterações 
positivas promovidas no comportamento do paciente. 
A Semiologia Farmacêutica estuda os sinais e sintomas de usuários de medicamentos 
que podem estar associados a problemas de saúde decorrentes da farmacoterapia, 
destacando a importância de se considerar os Problemas Relacionados à Farmacote-
rapia (PRF). Esses problemas podem ser circunstâncias, situações ou eventos relacio-
nados ao tratamento medicamentoso que possam impedir ou interferir no alcance do(s) 
resultado(s) desejados. Essas circunstâncias podem resultar em agravo à saúde da 
pessoa (morbimortalidade relacionada ao medicamento). 
Fonte: Arquivo pessoa dos autores.
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A Semiologia Farmacêutica é a ciência dedica ao estudo dos sinais e sintomas apresen-
tados pelos usuários de medicamentos. Esses sinais e sintomas podem estar associa-
dos a problemas de saúde decorrentes da farmacoterapia. Um dos focos centrais dessa 
área é a identificação e manejo dos Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF).
• Problemas Relacionados à Farmacoterapia (PRF)
Os PRF são circunstâncias, situações ou eventos que surgem no contexto do tratamen-
to medicamentoso e podem impedir ou interferir na obtenção dos resultados terapêuti-
cos desejados. Quando não identificados e tratados adequadamente, esses problemas 
podem resultar em agravos à saúde, conhecidos como morbimortalidade relacionada 
ao medicamento.
• Identificação de Sinais e Sintomas
A prática da semiologia farmacêutica envolve uma análise minuciosa dos sinais e sinto-
mas reportados pelos pacientes. Isso pode incluir reações adversas, falta de eficácia do 
medicamento e interações medicamentosas indesejadas.
• Análise de Casos
A análise detalhada dos casos clínicos permite ao farmacêutico determinar se os sin-
tomas apresentados pelo paciente estão relacionados ao uso de medicamentos. Este 
processo é fundamental para a prevenção e manejo dos PRF.
• Ferramentas e Métodos Utilizados
Entrevista Farmacêutica
A entrevista farmacêutica é um método fundamental para coletar informações detalha-
das sobre o histórico de saúde do paciente, uso de medicamentos e hábitos de vida. 
Esta interação permite ao farmacêutico identificar possíveis PRF e educar o paciente 
sobre o uso correto dos medicamentos.
Monitoramento e Seguimento
O monitoramento contínuo e o seguimento do paciente são práticas essenciais para ga-
rantir que os medicamentos estejam proporcionando os efeitos terapêuticos desejados 
sem causar danos adicionais à saúde.
Importância da Educação em Saúde
Educando os pacientes sobre os possíveis sinais e sintomas de PRF, os farmacêuticos 
desempenham um papel vital na prevenção de morbimortalidade relacionada aos me-
dicamentos. A educação em saúde também capacita os pacientes a reconhecerem e 
reportarem problemas de maneira proativa.
Esquema de Abordagem na Semiologia Farmacêutica
 ` Coleta de Dados: Realização de entrevistas e revisão de históricos médicos.
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 ` Identificação de PRF: Análise de sinais e sintomas, revisão de interações me-
dicamentosas.
 ` Planejamento de Intervenções: Desenvolvimento de estratégias para manejar 
os PRF identificados.
 ` Educação ao Paciente: Orientação sobre o uso correto dos medicamentos e 
reconhecimento de sinais de alerta.
 ` Monitoramento Contínuo: Acompanhamento regular para avaliar a eficácia do 
tratamento e ajustar conforme necessário.
No Cuidado Farmacêutico, a relação direta entre um farmacêutico e um paciente é de um 
pacto profissional no qual a segurança e o bem-estar do paciente são confiados ao far-
macêutico. Este se compromete a honrar essa segurança por meio de ações profissionais 
competentes e o processo de anamnese torna-se importante na relação que existe empa-
tia, e se constitui uma relação terapêutica. Este instrumento pode evitar esquecimento de 
perguntas básicas, sendo que o formulário deve ter local para registrar as informações e 
falas importantes que o paciente relate fora das questões básicas (Figura 03).
Figura 03. Registro de preenchimento de formulários
Fonte: Arquivo pessoal dos autores.
• Implantação do Cuidado Farmacêutico e do Serviço de Clínica 
Farmacêutica
A implantação do cuidado farmacêutico e do serviço de clínica farmacêutica é um pro-
cesso essencial para melhorar a qualidade do atendimento aos pacientes. Este serviço 
visa proporcionar um acompanhamento mais próximo e personalizado, assegurando o 
uso racional de medicamentos e a promoção da saúde.
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• Importância do Cuidado Farmacêutico
O cuidado farmacêutico envolve uma série de atividades realizadas pelos farmacêuti-
cos para garantir que os pacientes recebam o máximo benefício terapêutico dos medi-
camentos prescritos. Entre essas atividades estão a revisão da terapia medicamentosa, 
a monitorização de efeitos adversos e a educação em saúde.
• Objetivos do Cuidado Farmacêutico
 ` Promover o uso racional de medicamentos.
 ` Aumentar a adesão ao tratamento.
 ` Reduzir reações adversas e interações medicamentosas.
 ` Melhorar os resultados terapêuticos e a qualidade de vida dos pacientes.
• Estruturação do Serviço de Clínica Farmacêutica
A estruturação do serviço de clínica farmacêutica é um processo

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