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Departamento de Engenharia Civil Universidade de Aveiro Resistência de Materiais FLEXÃO Humberto Varum Julho 2007 Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 1/43 FLEXÃO 1 – Generalidades Figura 1 – Elementos estruturais sujeitos a flexão Considere-se uma viga simplesmente apoiada em equilíbrio sob a acção de um dado sistema de forças, como indicado na Figura 2. Figura 2 – Viga simplesmente apoiada sujeita a um sistema genérico de forças Seja: eR a resultante das forças à esquerda da secção S; e, dR a resultante das forças à direita da secção S. Como a viga está em equilíbrio, pode-se escrever: 0=+ de RR Denomine-se por: N o esforço axial na secção S, isto é, a projecção de eR ou dR na direcção do eixo da barra; V o esforço transverso na secção S, isto é, a projecção de eR ou dR no plano normal ao eixo da barra; M o momento estático em relação a S de eR ou dR . Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 2/43 ( ) e dM S R a R a= ⋅ = ⋅ Para que seja indiferente considerar forças à esquerda ou forças à direita da secção S, deve-se ter em conta que o equilíbrio da secção impõe que os esforços M, V e N produzidos por eR são iguais aos produzidos por dR , mas de sentidos contrários: M ou V ou N ou Figura 3 – Esforços à esquerda e à direita de uma secção 1.1 – Convenção de sinais dos esforços usada na Resistência de Materiais Figura 4 – Convenção de sinais dos esforços internos 1.2 – Deformada da viga a) b) b) Figura 5 – Deformada da viga: a) produzida por ( )M S+ ; b) produzida por ( )M S− ; c) numa secção em que ( ) 0M S = 0tg = ⇒ ponto de inflexão da deformada esforços produzidos por dR esforços produzidos por eR Legenda: esforços produzidos por eR esforços produzidos por dR Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 3/43 2 – Relações entre momento-flector, esforço de corte e carga distribuída aplicada Considere uma viga simplesmente apoiada, sujeita a uma carga variável com distribuição contínua ( )p x . Figura 6 – Viga simplesmente apoiada sujeita a uma carga distribuída variável Isole-se o elemento de viga compreendido entre as secções S e 'S , e estude-se o seu equilíbrio: α é função da distribuição de forças ( )p x Figura 7 – Troço de viga entre as secções S e 'S Do equilíbrio estático das forças perpendiculares à direcção da barra conclui-se: 0=∑ yF ( ) 0V V dV p x dx⇒ − − − = ( )dV p x dx= − ∴ ( ) ( )dV x p x dx = − (1) Do equilíbrio de momentos em torno de 'S conclui-se: ' 0sM =∑ ( )M V dx M dM p x dx dxα⇒ + ⋅ − − − ⋅ ⋅ ⋅ 0= dxVdM ⋅= ∴ ( ) ( )dM x V x dx = (2) infinitésimo de 2ª ordem Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 4/43 Derivando a expressão (2) em ordem à variável x, obtém-se: ( ) ( ) ( ) 2 2 d M x dV x p x dx dx = = − ∴ ( ) ( ) 2 2 d M x p x dx = − Estas relações só são válidas para: x com desenvolvimento positivo da esquerda para a direita; ( )p x perpendicular ao eixo da viga; ( )p x positivo se definido de cima para baixo relativamente à direcção da barra (esquerda/direita), como representado na Figura 8. Figura 8 – Convenção para o carregamento distribuído Considerando x com desenvolvimento positivo de d para e, é necessário adaptar os sinais das expressões (1) e (2). As expressões (1) e (2) são válidas qualquer que seja a lei de variação de ( )p x com x , inclusive para ( ) 0p x = . As expressões (1) e (2) deixam de ser válidas nas secções onde exista uma descontinuidade no diagrama de esforço transverso (V ) produzida por uma carga concentrada. As expressões são, no entanto, válidas à esquerda e à direita dessas secções. Veja-se o exemplo da Figura 9. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 5/43 Figura 9 – Descontinuidade em C da função ( )V x Pode-se concluir que: Se ( )p x é um polinómio de grau n, então ( )V x é um polinómio de grau n+1, e consequentemente ( )M x é um polinómio de grau n+2. Nas secções em que ( ) 0p x = , a função ( )V x passa por um extremo (Figura 10). Nas secções em que ( ) 0V x = , a função ( )M x passa por um extremo (Figura 11). Figura 10 – Esforço transverso máximo Figura 11 – Momento flector máximo Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 6/43 3 – Tensões normais em flexão pura 3.1 – Conceitos gerais Uma barra diz-se solicitada em flexão pura, quando se encontra submetida nas suas extremidades unicamente à acção de 2 momentos iguais e de sentidos opostos (Figura 12). ou Figura 12 – Barra sujeita à flexão pura Alguns exemplos de barras sujeitas à flexão pura: Barra AB sujeita à flexão pura Barra AB sujeita à flexão pura Troço BC sujeito à flexão pura Troço BC sujeito à flexão pura Figura 13 – Exemplos de barras sujeitas à flexão pura Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 7/43 A flexão pura caracteriza-se por: ( ) ( ) ( ) ( ) 0 0 N x dM x V x dx M x const ⎧ = ⎪ ⎪ = =⎨ ⎪ ⎪ = ⎩ Os resultados do estudo da flexão pura são aplicáveis, com suficiente aproximação, aos casos mais correntes em que M(x) é variável, sendo portanto ( ) ( ) 0 dM x V x dx = ≠ (flexão simples). Daí o interesse do estudo que aqui se desenvolve para a flexão pura. Considere-se uma viga de eixo rectilíneo, com secção transversal constante, dotada de um plano de simetria vertical e sujeita à flexão pura como indicado na Figura 14. a) b) c) d) Figura 14 – Flexão de uma viga sujeita a um par de momentos: a) deformada; b) secção transversal da viga antes da deformação; c) flexão plana; d) flexão desviada Os binários definidos pelos momentos M (ou por um par de forças que os produzem) definem o plano de solicitação. Em flexão plana a deformada do eixo da viga está contida no plano de solicitação. Por seu lado, em flexão desviada a deformada do eixo da viga não está contida no plano de solicitação. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 8/43 Por razões de simetria da secção transversal da viga e da solicitação é fácil compreender que, se o plano de simetria da viga deformada coincide com o plano de simetria da viga indeformada (Figura 14-c), logo a flexão é plana. Se o plano de solicitação não coincidir com o plano de simetria da viga, a flexão é desviada (Figura 14-d). A intercepção do plano de solicitação no plano de uma secção transversal qualquer é designado por eixo de solicitação (e.s.) ou eixo das acções. 3.2 – Dedução de expressões No que se segue, admitir-se-á que: o material que constitui a barra trabalha em regime elástico linear, sendo válida a lei de Hooke: εσ ⋅= E após a deformação, as secções transversais mantém-se planas e perpendiculares às fibras deformadas (hipótese de Navier-Bernoulli), Figura 15: a) b) Figura 15 – Hipótese de Navier-Bernoulli: a) viga antes da deformação; b) viga deformada em flexão pura uma viga sujeita a um momento-flector (M) positivo tem as fibras superiores comprimidas e as fibras inferiores traccionadas; as fibras neutras são aquelas que não sofrem extensões; o conjunto de fibras neutras define a superfície neutra; o traço da superfícieneutra numa secção transversal qualquer é a recta designada por eixo neutro (e.n.). fibras superiores tendem a encurtar fibras neutras que não sofrem extensão fibras inferiores tendem a alongar Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 9/43 Considere uma viga de eixo rectilíneo, com secção transversal constante, dotada de um eixo de simetria vertical (z é eixo de simetria), e submetida à flexão pura plana, como indicado na Figura 16. a) b) c) d) Figura 16 – Viga sujeita à flexão pura plana: a) deformada; b) secção; c) distribuição de deformações na secção; d) distribuição de tensões na secção Pode concluir-se que: como as secções planas se mantém planas após a deformação, o eixo neutro é naturalmente uma recta; por razões de simetria o eixo neutro (e.n.) é horizontal; As extensões variam linearmente com z e não dependem de y. O mesmo acontece com as tensões, pelo facto de ser válida a lei de Hooke ( εσ ⋅= E ). Deformação sofrida pelo elemento de viga 21SS : Figura 17 – Deformação sofrida pelo elemento de viga 21SS ρ ⇒ raio de curvatura 1 ρ ⇒ curvatura fibras neutras (mantém o comprimento inicial) raio de curvatura centro de curvatura troço de viga antes da deformação C ⇒ centro de curvatura Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 10/43 A deformação longitudinal das fibras de ordenada z vale ϕdzdx ⋅=Δ . A extensão longitudinal das fibras de ordenada z vale dx dz dx dx ϕε ⋅ = Δ = . Mas, como z ddx d d ϕρ ϕ ε ρ ϕ ⋅ = ⋅ ⇒ = ⋅ ∴ zε ρ = Salienta-se que esta expressão foi deduzida simplesmente a partir da hipótese da conservação das secções planas. Pela lei de Hooke: ρ εσ zEE ⋅=⋅= O equilíbrio de qualquer secção permite concluir: Figura 18 – Tensão num ponto da secção provocada pelo momento-flector Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 11/43 o somatório das forças perpendiculares ao plano da secção é nulo ( 0N = ): ( , ) 0y z d Nσ Ω Ω = =∫ (flexão simples) 0 0z EE d z d ρ ρΩ Ω ⋅ Ω = ⇒ ⋅ Ω = ⇒∫ ∫ 0z d Ω Ω =∫ ∴o eixo neutro (e.n.) é baricêntrico: 0 G≡ a resultante de momentos em torno do eixo 0y vale yM : ( , ) yy z z d Mσ Ω ⋅ Ω =∫ 2 y E z d M ρ Ω ⋅ Ω =∫ Como: 2 yz d I Ω Ω =∫ (momento de inércia em relação a 0y ) ∴ 1 y y M E Iρ = ⋅ Como yM , E e yI são constantes, então ρ (raio de curvatura) será também constante. Assim, a deformada em flexão pura é um arco de circunferência. yIE ⋅ é a rigidez de flexão. Analogamente, no capítulo relativo ao esforço axial, da expressão N l E l ε Δ = = ⋅Ω , tinha- se concluído que E ⋅Ω é a rigidez axial. a resultante de momentos em torno do eixo 0z ( )zM vale zero: ( , ) 0zy z y d Mσ Ω ⋅ Ω = =∫ Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 12/43 0E y z d ρ Ω ⋅ ⋅ Ω =∫ Como yzy z d I Ω ⋅ Ω =∫ (produto de inércia em relação ao par de eixos 0y e 0z ) Conclui-se que 0=yzI , o que era de esperar pois o eixo 0z é eixo de simetria. Mas, no caso geral, para yzI ser nulo bastará que 0y e 0z sejam eixos principais centrais de inércia. Conclui-se que para que a flexão seja plana, bastará que os eixos na secção transversal sejam principais centrais de inércia, não sendo necessário que um deles seja eixo de simetria da secção transversal. as tensões normais são dadas por: zEσ ρ = ⋅ y y M E z E I = ⋅ ⋅ ⋅ ∴ ( ), y y M y z z I σ = ⋅ (Equação de Navier) 3.3 – Dimensionamento e verificação de segurança Para dimensionamento ou verificação da segurança ter-se-á de verificar as tensões máximas: y máx máx y M z I σ σ= ⋅ ≤ (tensão resistente do material) Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 13/43 Figura 19 – Tensão máxima na secção y y máx I w z = (módulo de flexão em relação ao eixo 0y ) Para verificação da segurança: y máx y M w σ σ= ≤ Para dimensionamento: σ y y M w ≥ Nas Tabelas Técnicas [3] são dados os módulos de flexão ( )yw para cada perfil usado na construção metálica. Hoje em dia, e com a diversidade de perfis produzidos para as novas exigências da construção, cada empresa produtora fornece tabelas com as características geométricas, tal como as fornecidas nas tabelas técnicas para os perfis estandardizados. 4 – Rotação relativa entre duas secções ( )ϕ A rotação relativa entre duas secções ( )ϕ é a deformação associada a uma barra sujeita à flexão, tal como o alongamento é a deformação associada a uma barra sujeita a esforço axial. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 14/43 a) b) c) d) Figura 20 – Rotação relativa de duas secções numa viga sujeita à flexão pura: a) carregamento; b) diagrama de momentos; c) deformada; d) relação entre o raio de curvatura e a rotação relativa de duas secções dx dρ ϕ= ⋅ ⇒ dx IE Mdxd ⋅ ⋅ =⋅= ρ ϕ 1 (3) Como M , E e I são constantes, integrando a expressão (3) ao longo do comprimento da barra obter-se-á para a rotação relativa entre as secções A e B: , 0 l A B x M dx E I ϕ = = ⋅∫ ∴ ,A B M l E I ϕ = ⋅ ⋅ A rotação relativa entre duas secções A e B de uma viga sujeita à flexão pura é dada pela área do diagrama IE M ⋅ compreendido entre A e B. deformada é um arco de circunferência ver Figura 20-d) Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 15/43 Quando constM ≠ , isto é, quando a barra está sujeita à flexão simples, a deformada não é um arco de circunferência, pois const IE M ≠ ⋅ =ρ . Neste caso: ( ) , B A B A M x dx E I ϕ = ⋅∫ No caso mais geral, se variar também o módulo de elasticidade ( E ) e o momento de inércia ( I ) ao longo do comprimento da peça, virá: ( ) ( ) ( ), B A B A M x dx E x I x ϕ = ⋅∫ 5 – Trabalho de deformação O trabalho das forças exteriores transforma-se em energia potencial elástica: (4) Figura 21 – Trabalho de deformação em flexão A expressão (4) é válida se os momentos que solicitam a viga crescerem lentamente desde zero até ao seu valor final M. Como: IE lM ⋅ ⋅ =ϕ , resulta para o trabalho de deformação em flexão pura e regime elástico de comportamento, τ : 2 2 2 2 M l E I E I l ϕτ ⋅ ⋅ ⋅ = = ⋅ ⋅ ⋅ 2 M ϕτ ⋅ = Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 16/43 Em flexão simples ( constM ≠ ) e regime elástico de comportamento: ( )2 0 2 l x M x dx E I τ = = ⋅ ⋅∫ 6 – Forma racional das vigas flectidas Seja a secção transversal simétrica em relação a 0y representada na Figura 22, sujeita à flexão pura: Figura 22 – Secção transversal sujeita à flexão pura O material só é totalmente aproveitado nas fibras na posição 2 hz ±= . Nas restantes fibras ter-se- á σ σcheias, circulares cheias, etc. Preferencialmente devem ser utilizados perfis em I ou em secção fechada de parede delgada. Figura 24 – Exemplos de perfis de forma racional para as vigas flectidas 7 – Vigas mistas Vigas mistas são elementos do tipo viga constituídos por dois ou mais materiais diferentes, perfeitamente solidarizados ao longo da superfície de contacto (ex: aço-betão, aço-madeira, reforço de elementos de betão ou madeira com fibras de carbono, etc.). Figura 25 – Viga mista sujeita à flexão pura plana superfícies de contacto dos dois materiais solidarizados de modo a não haver escorregamentos relativos entre as superfícies Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 18/43 Considere-se a viga mista representada na Figura 25, constituída por dois materiais distintos (1 e 2), de eixo rectilíneo, submetida à flexão pura plana. Pelo princípio de Navier-Bernoulli (ou princípio da conservação das secções planas): ρ ε zzy =),( Pela lei de Hooke: ( ) ( ) 1 1 2 2 2 1 1 , , E zy z E z E zy z E E σ ρ σ ρ ρ ⋅⎧ =⎪⎪ ⎨ ⋅⎪ = = ⋅ ⋅ ⎪⎩ ( )5 Fazendo 2 1 E E m = (coeficiente de homogeneização) na expressão (5), virá: ( ) ( )1 2 , , y z y z m σ σ = Equilíbrio da secção 1) Equilíbrio em termos das forças na direcção do eixo da peça: ( ), 0N y z dσ Ω = Ω =∫ ( ) ( ) 1 2 1 2, , 0y z d y z dσ σ Ω Ω Ω+ Ω =∫ ∫ 1 2 1 2 0E Ez d z d ρ ρΩ Ω ⋅ Ω+ ⋅ Ω =∫ ∫ (6) Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 19/43 Dividindo a expressão (6) por 2E , e fazendo 2 1 E Em = , virá: 1 2 0m z d z d Ω Ω ⋅ Ω + Ω =∫ ∫ Dividindo a expressão (6) por 1E , e fazendo 1 2 E m E = , virá: 1 2 1 0z d z d mΩ Ω Ω + ⋅ Ω =∫ ∫ Se 1 2 1 >= E Em , ou seja 1 2E E> , duas estratégias alternativas podem ser adoptadas para a homogeneização (ver Figura 26). Homogeneização no material 2 Homogeneização no material 1 122 Ω⋅+Ω=Ω m 211 1 Ω⋅+Ω=Ω m 2I 1I Figura 26 – Homogeneização Do equilíbrio da secção em termos de forças axiais resulta que: o eixo neutro Oy é baricêntrico das secções “homogeneizadas”apresentadas. 1) Resultante de momentos em torno do eixo 0y: ( ), yy z z d Mσ Ω ⋅ Ω =∫ Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 20/43 ( ) ( ) 1 2 1 2, , yy z z d y z z d Mσ σ Ω Ω ⋅ Ω + ⋅ Ω =∫ ∫ 1 2 2 21 2 y E Ez d z d M ρ ρΩ Ω ⋅ Ω + ⋅ Ω =∫ ∫ Colocando ρ 2E em evidência: 1 2 2 22 2 2 1 y y ME m z d z d M E Iρ ρΩ Ω ⎡ ⎤ ⋅ ⋅ Ω + Ω = ⇒ =⎢ ⎥ ⋅⎢ ⎥⎣ ⎦ ∫ ∫ (7) Colocando ρ 1E em evidência: 1 2 2 21 1 1 1 1 y y ME z d z d M m E Iρ ρΩ Ω ⎡ ⎤ ⋅ Ω + ⋅ Ω = ⇒ =⎢ ⎥ ⋅⎢ ⎥⎣ ⎦ ∫ ∫ (8) De (7) e (8) pode-se concluir: 1 1 2 2 y yM M E I E I = ⋅ ⋅ A rigidez de flexão quando a homogeneização é feita no material 1, terá de ser igual à rigidez de flexão se a homogeneização tiver sido feita no material 2: 2211 IEIE ⋅=⋅ ⇒ 2 1I m I= ⋅ 2 2 1I I m I= + ⋅ 211 1 I m II ⋅+= Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 21/43 7.1 – Tensões Tensões na região 1 - 1( , )y zσ : 1 2 2 2 1 1 1 1 1 1 ( , ) ou y y y y M M z E z m E I I E z y z M M z E z E I I σ ρ ⋅⎧ ⋅ ⋅ = ⋅⎪ ⋅⎪ ⎪ ⎪⋅ = ⇒ ⎨ ⎪ ⎪ ⋅⎪ ⋅ ⋅ =⎪ ⋅⎩ Se a homogeneização for feita no material 2, calculam-se as tensões 1σ como se se tratasse de material 2, multiplicando-se por m o valor obtido 2 yM z m I ⋅⎛ ⎞ ⋅⎜ ⎟⎜ ⎟ ⎝ ⎠ . Se a homogeneização for feita no material 1, calculam-se as tensões 1σ directamente 1 yM z I ⋅⎛ ⎞ ⎜ ⎟⎜ ⎟ ⎝ ⎠ . Analogamente, tensões na região 2 - 2 ( , )y zσ : 2 2 2 1 ( , ) ou 1 y y M z I E zy z M z m I σ ρ ⋅⎧ ⎪ ⎪⋅ ⎪= ⇒ ⎨ ⎪ ⋅⎪ ⋅ ⎪⎩ 8 – Flexão desviada 8.1 – Generalidades Considere-se a viga submetida à acção de um sistema de forças complanares com o eixo da mesma representada na Figura 27: se a homogeneização for feita no material 2 se a homogeneização for feita no material 1 homogeneização em material 2 homogeneização em material 1 Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 22/43 Figura 27 – Flexão plana e flexão desviada O sistema de forças considerado e o eixo da viga indeformada definem o plano de solicitação; O eixo da viga deformada designa-se por curva elástica ou elástica; A flexão é plana se a curva elástica estiver contida no plano de solicitação ( )'1SS → , isto é, se S se desloca numa direcção contida no plano de solicitação; A flexão é desviada se a curva elástica não estiver contida no plano de solicitação, ou seja, se S se desloca numa direcção qualquer não pertencente ao plano de solicitação ( '2SS → ou 3 'S S→ ); O eixo de solicitação é o traço do plano de solicitação numa secção transversal qualquer S. A flexão será plana sempre que o plano de solicitação coincidir com qualquer dos dois planos definidos pelo eixo da viga e por um dos eixos principais centrais de inércia de uma secção transversal qualquer da mesma. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 23/43 Figura 28 – Peça sujeita à flexão desviada (eixo de solicitação não coincide com nenhum dos eixos principais centrais de inércia da secção) O eixo neutro é a recta lugar geométrico dos pontos de uma secção transversal qualquer onde a tensão normal é nula. Demonstrar-se-á que numa peça sujeita à flexão (plana ou desviada) o eixo neutro contém o centro de gravidade, com excepção da flexão composta (M e N). 8.2 – Tensões normais em flexão desviada – y e z são eixos principais centrais de inércia Considere-se uma secção transversal de uma viga sujeita à flexão desviada produzida pelo momento-flector ( )M , em que os eixos y e z são eixos principais centrais de inércia. Figura 29 – Tensões normais em flexão desviada (y e z são eixos principais centrais de inércia) O momento-flector M é sempre perpendicular ao eixo de solicitação (e.s.) y e z são eixos principais centrais de inércia Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 24/43 Tabela 1 – Convenção de sinais 0yM > e 0>zM Vector momento na direcção de y e z, respectivamente 0yM Tensões normais de tracção na secção 0σmesmo sinal. A tensão de tracção máxima ocorre no ponto A e a tensão de compressão máxima ocorre no ponto B. Os pontos A e B são os pontos dos quadrantes assinalados a tracejado mais distantes do eixo neutro. 8.2.1 – Equação do eixo neutro Em qualquer ponto do eixo neutro: ( ) 0, =zyσ , e portanto da expressão (10) retira-se: sen cos 0 z y y z I I α α − ⋅ + ⋅ = (11) Analisando a equação (11) pode-se concluir que se trata de uma recta que passa pela origem ( 0 0y z= ⇒ = ), isto é, o eixo neutro contém o centro de gravidade G. 8.2.2 – Coeficiente angular do eixo neutro Da expressão (11) pode-se escrever: sen cos y y y z z z I I Izz y tg y tg I I y I α α α α = ⋅ ⋅ = ⋅ ⋅ ⇒ = ⋅ (12) E, da Figura 29 pode retirar-se: ztg y β = (13) Igualando as expressões (12) e (13), virá: y z I tg tg I β α= ⋅ (14) Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 26/43 A flexão é plana quando o eixo de solicitação e o eixo neutro são perpendiculares ( )α β= . Se βα = para que a expressão (14) seja válida: ou 0 90 y zI I α β α β =⎧ ⎪ ⎪⎪ ⎨ ⎪ ⎪ = = ° ∨ = = °⎪⎩ 8.3 – Tensões normais em flexão desviada – y e z são eixos quaisquer Considere-se a secção transversal de uma viga sujeita à flexão desviada produzida pelo momento-flector ( )M , em que y e z são eixos quaisquer. Figura 30 – Tensões normais em flexão desviada em que y e z são eixos quaisquer No estudo das tensões normais produzidas por M admitir-se-ão válidas a hipótese de Navier- Bernoulli e a lei de Hooke. A hipótese de Navier-Bernoulli (ou hipótese da conservação das secções planas): Esta hipótese implica que as extensões ε sejam função linear das coordenadas dos pontos em que se verificam: ( ) ''', czbyazy +⋅+⋅=ε (15) Apenas se verifica em alguns casos particulares: secções quadradas, circulares, definidas por um triângulo equilátero, etc. O eixo de solicitação coincide com Gz ou Gy, isto é, com um dos eixos principais centrais de inércia, portanto a flexão é plana (c.q.d.) Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 27/43 A lei de Hooke diz que: ),(),( zyEzy εσ ⋅= (16) De (15) e (16) retira-se que: ( ),y z a y b z cσ = ⋅ + ⋅ + com ' ' ' a E a b E b c E c = ⋅⎧ ⎪ = ⋅⎨ ⎪ = ⋅⎩ As tensões normais ( )zy,σ serão portanto também funções lineares das coordenadas dos pontos em que se verificam. O equilíbrio da secção impõe que o sistema de forças elementares dσ Ω seja estaticamente equivalente ao momento M : ( ) ( ) ( ) , 0 , , y z y z d N y z z d M y z y d M σ σ σ Ω Ω Ω ⎧ Ω = =⎪ ⎪ ⎪ ⎪⎪ ⋅ Ω =⎨ ⎪ ⎪ ⎪ ⎪ ⋅ Ω = − ⎪⎩ ∫ ∫ ∫ ( ) ( ) ( ) 17 18 19 Substituindo ( )zy,σ por czbya +⋅+⋅ , virá: De (17): 0 0 0z y a y d b z d c d S S Ω Ω Ω ⋅ Ω + ⋅ Ω + ⋅ Ω = = = Ω ∫ ∫ ∫ Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 28/43 0=zS porque o eixo dos zz é baricêntrico, e 0=yS porque o eixo dos yy também é baricêntrico. Assim: 0c ⋅Ω = ∴ 0c = De (18): 2 0 y yyz y a y z d b z d c z d M SI I Ω Ω Ω ⋅ ⋅ Ω + ⋅ Ω + ⋅ Ω = = ∫ ∫ ∫ ∴ yz y ya I b I M⋅ + ⋅ = (20) De (19): 2 0 z zz yz a y d b y z d c y d M SI I Ω Ω Ω ⋅ Ω + ⋅ ⋅ Ω + ⋅ Ω = − = ∫ ∫ ∫ ∴ z yz za I b I M⋅ + ⋅ = − (21) Resolvendo o sistema de equações (20) e (21), conseguem-se determinar os coeficientes a e b: yz y y z yz z a I b I M a I b I M ⋅ + ⋅ =⎧ ⎪ ⎨ ⎪ ⋅ + ⋅ = −⎩ ⇔ y y yz y z y z yz z yz M b I a I M I b I I b I M I − ⋅⎧ =⎪ ⎪ ⇔⎨ ⋅ − ⋅ ⋅⎪ + ⋅ = −⎪⎩ ( )2 2 y z y z yz z yz yz y z y z z yzM I b I I b I M I b I I I M I M I ⎧⎧− − − − − − − − − − − − ⎪⎪ ⎪⇔ ⇔ ⇔⎨ ⎨ ⎪ ⎪⋅ − ⋅ ⋅ + ⋅ = − ⋅ ⋅ − ⋅ = − ⋅ − ⋅⎩ ⎪⎩ Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 29/43 2 y z z yz yz y z M I M I b I I I ⎧ ⎪ − − − − − −⎪⎪⇔ ⇔⎨ ⎪ ⋅ + ⋅⎪ = − − ⋅⎪⎩ 2 y y z z y yz yz y yz y z M I I M I I a I M I I I ⋅ ⋅ + ⋅ ⋅⎧ ⋅ − =⎪ − ⋅⎪ ⎪ ⇔⎨ ⎪− − − − − −⎪ ⎪⎩ y y z yz M I I a I ⋅ ⋅ ⋅ = ⇔ 2 z y yz y yz y y zM I I M I M I I+ ⋅ ⋅ + ⋅ − ⋅ ⋅ 2 2 y yz z y yz y z yz y z M I M I a I I I I I I ⎧ ⋅ + ⋅⎧ ⎪ =⎪− ⋅ − ⋅⎪ ⎪ ⎪ ⎪⇔ ⇔⎨ ⎨ ⎪ ⎪− − − − − − − − − − − −⎪ ⎪ ⎪ ⎪⎩⎩ 2 2 y yz z y yz y z y z z yz yz y z M I M I a I I I M I M I b I I I ⋅ + ⋅⎧ =⎪ − ⋅⎪ ⎪⇔ ⎨ ⎪ ⋅ + ⋅⎪ = − − ⋅⎪⎩ ∴ ( ) 2 2, y yz z y y z z yz yz y z yz y z M I M I M I M I y z y z I I I I I I σ ⋅ + ⋅ ⋅ + ⋅ = ⋅ − ⋅ − ⋅ − ⋅ (22) Esta expressão dá a tensão num ponto qualquer da secção, para um referencial central qualquer Gyz, sujeita à flexão desviada. Se particularmente y e z forem eixos principais centrais de inércia, o produto de inércia em relação a y e z será nulo ( )0yzI = , e a expressão (22) será simplificada: ( ), yz z y MMy z y z I I σ = − ⋅ + ⋅ A expressão resultante, deduzida para o caso de y e z serem eixos principais centrais de inércia, é a expressão deduzida na Secção 8.2, como queríamos demonstrar. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 30/43 8.3.1 – Equação do eixo neutro Tal como procedido na Secção 8.2.1, a equação do eixo neutro obtém-se igualando a expressão da tensão num ponto qualquer a zero, pois nos pontos do eixo neutro a tensão normal é nula: ( ), 0y zσ = ⇔ ( ), 0yz z y MMy z y z I I σ = − ⋅ + ⋅ = ∴ z y y z I M y z I M ⋅ = ⋅ ⋅ 8.4 – Deformações em flexão desviada – y e z são eixos principais centrais de inércia Sendo y e z eixos principais centrais de inércia, podem-se calcular as deformações para cada uma das componentes de momento yM e zM . Figura 31 – Deformações em flexão desviada 8.4.1 – Rotações em flexão desviada Se a flexão for pura ( .M const= ) e se cada componente de momento ( yM e zM ) provocar flexão plana (y e z eixos principais centrais de inércia): Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 31/43 y y y z z z M l E I M l E I ϕ ϕ ⋅⎧ =⎪ ⋅⎪ ⎪ ⇒⎨ ⎪ ⋅⎪ = ⋅⎪⎩ a rotação resultante será 2 2 y zϕ ϕ ϕ= + ∴ 2 2 y z y z M Ml E I I ϕ ⎛ ⎞ ⎛ ⎞ = ⋅ +⎜ ⎟ ⎜ ⎟⎜ ⎟ ⎝ ⎠⎝ ⎠ Se a flexão for simples ( yM e zM variáveis) e se cada componente de momento provocar flexão plana (y e z eixos principais centrais de inércia): y y yx z z zx M dx E I M dx E I ϕ ϕ ⎧ =⎪ ⋅⎪ ⎪ ⇒⎨ ⎪ ⎪ = ⋅⎪⎩ ∫ ∫ a rotação resultante será 2 2 y zϕ ϕ ϕ= + 8.4.2 – Curvatura da elástica No plano xz: y y y IE M ⋅ = ρ 1 No plano xy: z z z IE M ⋅ = ρ 1 A curvatura da elástica resultante será: 22 111 ⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ +⎟ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎜ ⎝ ⎛ = zy ρρρ ⇔ 22 11 ⎟⎟ ⎠ ⎞ ⎜⎜ ⎝ ⎛ +⎟ ⎟ ⎠ ⎞ ⎜ ⎜ ⎝ ⎛ ⋅= z z y y I M I M Eρ Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 32/43 8.5 – Trabalho de deformação em flexão desviada – y e z são eixos principais centrais de inércia Cada uma das componentes de momento ( yM e zM ) produz deformação e consequentemente trabalho. Em flexão pura ( .M const= ): 2 2 2 2 y z y z M l M l E I E I τ ⋅ ⋅ = + ⋅ ⋅ ⋅ ⋅ Em flexão simples ( yM e zM variáveis): 2 2 0 02 2 l l y z y z M Mdx dx E I E I τ = + ⋅ ⋅ ⋅ ⋅∫ ∫ 9 – Flexão composta 9.1 – Generalidades Quando actuam no elemento de barra simultaneamente esforço axial e momento-flector diz-se que a barra está sujeita à flexão composta. Tabela 2 – Flexão composta (ye z eixos principais centrais de inércia) N e yM ou N e zM Flexão composta plana N e yM e zM Flexão composta desviada Nas estruturas correntes são raras as barras que não estão submetidas à flexão composta. Nas Figuras 32 e 33 são apresentados exemplos de estruturas com barras sujeitas à flexão composta. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 33/43 Figura 32 – Estrutura com uma barra sujeita à flexão simples (BC) e uma barra sujeita à flexão composta (AB) Figura 33 – Estrutura com todas as barras sujeitas à flexão composta 9.2 – Tensões normais em flexão composta Considere-se uma barra de secção transversal constante submetida à flexão desviada composta produzida por um esforço axial N (paralelo ao eixo da barra) e por momentos em torno dos eixos y e z, como representado na Figura 34. Esforço axial positivo ( 0>N ) ou negativo ( 0 Esforço axial de tracção 0yM > e 0>zM Vector momento na direcção de y e z, respectivamente 0yM Tensões de tracção 0σenvolvente tiver n lados, o núcleo central terá n vértices e, portanto, n lados. Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 41/43 Tabela 6 – Correspondência geométrica entre o contorno convexo da secção e o contorno no núcleo central Elemento do contorno convexo da secção Elemento do contorno do núcleo central 9.8 – Exemplos de núcleo central a) b) c) Figura 39 – Núcleo central (exemplos): a) secção rectangular; b) secção em I; c) secção circular 9.9 – Materiais que não resistem à tracção Uma força N de compressão aplicada fora do núcleo central tende a produzir tensões normais de tracção. Se o material em questão não resistir à tracção (ex: pedra, betão simples, vidro, solos, …) surgem fissuras e só se instalam na secção tensões de compressão. Exemplo: Sapata de forma rectangular em planta Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 42/43 a) b) Figura 39 – Secção rectangular constituída por material não resistente à tracção: a) 6 he ≤ ; b) 6 he > Se 6 he ≤ , a carga actua dentro dos contornos do núcleo central, ficando toda a secção comprimida: 2 6 máx N N e b h b h σ ⋅ ⋅ = + ⋅ ⋅ Se 6 he > , a carga actua fora dos contornos do núcleo central, fissurando parte da secção: 2 3máx N b c σ = ⋅ ⋅ ⇔ 2 3 2 máx N hb e σ = ⋅ ⎛ ⎞⋅ −⎜ ⎟ ⎝ ⎠ zona fissurada Flexão Departamento de Engenharia Civil da Universidade de Aveiro Humberto Varum 43/43 10 – Questões de revisão 1) Defina: a) Flexão pura. b) Flexão plana. c) Flexão desviada. d) Flexão composta. 2) Demonstre que numa barra sujeita à flexão pura, e em regime de comportamento material linear, com igual rigidez em tracção e compressão, o eixo neutro passa no centro de gravidade 3) Para uma barra sujeita a um determinado carregamento distribuído e perpendicular à barra p(x), deduza as relações entre este carregamento, o esforço transverso V(x), e o momento flector M(x). 4) Considere uma barra de comprimento L, secção transversal com inércia I, sujeita à flexão pura plana. Deduza a expressão que relaciona a curvatura com o momento aplicado M. Considere que a barra é constituída por um material com módulo de elasticidade longitudinal E. 5) Qual será a forma racional da secção das vigas flectidas? Dê exemplos. 11 – Bibliografia [1] J. Mota Freitas, Sebenta de Resistência de Materiais, FEUP, 1978 [2] V. Dias da Silva, “Mecânica e Resistência dos Materiais”, 2ª edição, Ediliber Gráfica Coimbra, 1999 [3] J. S. Brazão Farinha, A. Correia dos Reis; Tabelas Técnicas, Edições Técnicas E. T. L., Lda.