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HERMENÊUTICA E ARGUMENTAÇÃO 
JURÍDICA
INTRODUÇÃO À HERMENÊUTICA
Marcus Vinícius de Freitas Teixeira Leite
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Olá!
Você está na unidade . Conheça aqui, de maneira geral, o campo de estudo da Introdução à hermenêutica
. Para tanto, vamos analisar algumas questões relativas à linguagem na área do direito, bem comohermenêutica
aquelas relacionadas às teorias da interpretação jurídica, tais como o , a legalismo exegético teoria da moldura
 e o , além de conhecermos, também, alguns dos seus kelseana pragmatismo jurídico norte-americano
 e .métodos efeitos
Bons estudos!
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1. Hermenêutica jurídica e concepções de linguagem
Aliada a uma apresentação breve da área de hermenêutica jurídica, será exibida, aqui, a análise sobre algumas
concepções de linguagem pertinentes ao tema. Assim, serão apresentadas as noções de , e ambiguidade vagueza
, bem como o nesse campo de estudo.porosidade da linguagem controle de significados
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1.1 Essencialismo e convencionalismo
Primeiramente, é possível afirmar que a hermenêutica está intrinsecamente relacionada à linguagem, uma vez
que, segundo França (2009, p. 19), a primeira diz respeito à parte da ciência jurídica cujo objeto é o estudo e a
sistematização dos processos que devem ser usados para a realização da interpretação no direito. Por isso, há
uma atenção especial às concepções de linguagem que compõem o estudo hermenêutico, na medida em que essa
interpretação se debruça especificamente sobre textos jurídicos.
Nesse sentido, a hermenêutica, de acordo com Coelho (2014, p. 16-17), pode ser considerada
uma ciência que procura estabelecer quais são as técnicas que deverão ser utilizadas para que a
interpretação possa se desenvolver de maneira adequada. Para tanto, são indicados os princípios e
regras que deverão ser observados quando da interpretação, que, por sua vez, é considerada um
verdadeiro processo. (...) O objetivo da hermenêutica é a possibilidade que a interpretação leve à
aplicação correta e justa do Direito, um resultado difícil de ser atingido, o que demonstra a
complexidade da atividade, sobretudo pelo fato de que não pode se restringir aos textos legais, que
se diferenciam da norma jurídica.
Dessa forma, há alguns paradigmas do campo do conhecimento que são importantes para uma melhor
compreensão da hermenêutica. O primeiro deles consiste na noção de essencialismo. Segundo essa corrente
filosófica, elementos particulares possuem necessariamente algumas propriedades por essência, que tornam
esses elementos aquilo que eles são. Por exemplo: para ser uma caneta, um objeto deve possuir essencialmente
algumas propriedades para que seja considerada uma caneta.
Ao transpor essa lógica para o direito, é possível afirmar que a linguagem seja vista como um instrumento de
representação da realidade, através dos quais determinados signos designariam a essência das coisas. Assim, só
pode haver um significado válido para cada palavra, alcançado por meio de processos racionais.
Dessa forma, no direito, o essencialismo tende a cristalizar o significado de conceitos e institutos jurídicos, de
modo a tornar único aquilo que se quer designar por esses conceitos. Essa seria uma tentativa de se chegar a um
significado verdadeiro do sentido da lei, por exemplo.
Como se pode imaginar, as críticas ao essencialismo focam justamente no fato de que, em questões sociais como
o direito, há sempre uma relativa abertura para que os mesmos conceitos tenham significados diferentes. É o que
ocorre, por exemplo, com a discussão em torno da noção de justiça no direito, sempre permeada por diferentes
visões e cuja definição dificilmente pode-se ter como única ou rígida.
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No caso do convencionalismo, o tratamento frente aos conceitos é muito diferente. Para essa corrente, a
validade das definições consiste em uma espécie de acordo – isto é, uma convenção – entre as pessoas. Assim, a
palavra caneta só designa o objeto correspondente porque foi convencionado dessa forma pelas pessoas. Não há
algo intrínseco na designação do termo, mas apenas uma convenção para o uso da palavra dessa forma. Isso abre
a possibilidade de haver sempre termos polissêmicos, ou seja, com diversos significados possíveis.
Desse modo, a linguagem ganha uma flexibilidade e entende-se que os significados e as definições são
compreendidos conforme outros elementos que a constituem, como o contexto, o momento histórico etc. Da
mesma forma que caneta pode designar um objeto usado para escrever, pode também significar um drible de
futebol, por exemplo. Conforme a corrente convencionalista, não há uma essência atrelada ao conceito de caneta,
mas sim uma variação conforme a utilização convencionada em determinada situação.
Assim, no direito, o convencionalismo diz respeito a uma compreensão de que mesmo os conceitos jurídicos
podem ser variáveis, inclusive historicamente. Portanto, não se buscaria uma essência do direito, da lei, ou da
justiça, mas a compreensão daquilo que se convencionou pelos conceitos naquele determinado momento.

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