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Crimes contra o patrimônio
As figuras típicas contra o patrimônio, sua interpretação e sua filtragem constitucional.
Daniela Duque-Estrada
1. Itens iniciais
Propósito
Realizar uma análise precisa dos crimes contra o patrimônio é essencial na formulação de soluções jurídicas
para os conflitos sociais a partir da correta interpretação constitucional dos institutos de Direito Penal pelo
profissional de ciências jurídicas.
Preparação
Antes de iniciar seus estudos, pesquise e acesse os arts. 155 a 180 do Código Penal (CP) para investigar as
figuras típicas contra o patrimônio.
Objetivos
Identificar os conceitos de patrimônio para fins penais e as figuras típicas do delito de furto.
Distinguir as condutas de furto, roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro.
Categorizar os delitos de usurpação, dano e apropriação indébita.
Avaliar as figuras típicas de estelionato, as demais fraudes e a receptação.
Introdução
Antes de iniciarmos os estudos sobre os crimes contra o patrimônio, há uma série de indagações a serem
respondidas para que possamos compreender melhor suas características elementares. Elenquemos três
delas:
 
Qual é o conceito de patrimônio para fins penais?
Que conceitos de Direito Civil precisam ser revisitados para a compreensão do alcance das expressões
“propriedade”, “posse” e “detenção”, assim como de suas características?
Qual é a distinção entre o bem móvel e o imóvel?
Perceba que tais indagações resultam da interdisciplinaridade do Direito. Graças à compreensão de tais
conceitos, podemos identificar o bem jurídico-penal tutelado e os critérios utilizados pelo legislador para fins
de tipificação e diferenciação das principais figuras típicas contra o patrimônio.
O conceito de patrimônio utilizado para fins extrapenais pode ser compreendido como o conjunto de relações
jurídicas de um indivíduo com um potencial economicamente apreciável. Nesse conceito, são incluídas as
relações jurídicas positivas e negativas, ou seja, créditos e débitos.
Diferentemente disso, o Direito Penal somente contempla o conceito de patrimônio positivo. É fácil
compreender essa distinção, uma vez que não é possível imaginar o interesse na realização do furto de um
débito ou dívida.
Ainda que utilizemos o valor econômico para caracterizar o patrimônio, podemos acrescentar no âmbito penal
outro critério:
Valor de troca:
Corresponde ao valor economicamente apreciável.
Valor de uso:
Corresponde ao valor sentimental conferido ao bem.
Segundo Greco (2019), ambos são objeto de proteção do Direito Penal.
Exemplo: Pensemos numa boneca de pano guardada por uma neta como recordação de sua avó. Ainda que tal
bem móvel só possua valor sentimental, ele poderá ser objeto de crimes contra o patrimônio, como furto e
roubo.
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Furto
1. Conceitos
Primeiras palavras 
Neste módulo, analisaremos a figura típica do delito de furto (previsto no art. 155 do CP), as controvérsias
sobre sua consumação e a dosimetria de pena, bem como sua distinção em relação aos demais delitos contra
o patrimônio. Para isso, realizaremos o estudo de casos exemplificativos e hipotéticos a partir das referências
da literatura jurídica e da jurisprudência.
Furto
A professora Daniela Duque-Estrada discorre sobre as principais características do tipo penal de furto, com
exemplos.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Principais conceitos e características
Previsto no art. 155 do CP, o delito de furto inaugura o título de crimes contra o patrimônio. Essa é a razão
pela qual o utilizaremos como elemento de comparação com os demais crimes deste título. 
Exemplos:
 
Roubo.
Apropriação indébita.
Estelionato.
Temos como objeto jurídico protegido o
patrimônio. Isso compreende não apenas o
direito à propriedade, mas também à posse e à
detenção “legítimas de coisa móvel”, completa
Cunha (2019, p. 274), sendo esse o
entendimento majoritário. Em relação ao objeto
material sobre o qual recai a conduta do agente, há a coisa móvel.
Mais uma vez, precisamos recorrer à interdisciplinaridade do Direito para a compreensão do conceito de coisa
móvel para fins penais.
Atenção
O Direito Penal não utiliza conceitos e requisitos para a distinção entre coisa móvel e imóvel
estabelecidos pelo Código Civil; ao contrário, para o Penal, é irrelevante a forma pela qual ocorre a
transmissão do bem, seja por tradição ou registro. Basta que tal bem possa ser transferido de um local
para o outro sem perder a sua essência. 
Qualquer pessoa pode ser o sujeito ativo do crime, exceto o proprietário da res que esteja destituído de sua
posse, pois, nesse caso, é possível estar caracterizado um crime contra a administração da justiça (previsto
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no art. 346 do CP). Da mesma forma, o possuidor não pode ser sujeito ativo do delito de furto, pois a inversão
do animus sobre a posse tipifica a conduta como apropriação indébita (prevista no art. 168 do CP).
Res
Coisa 
Ainda que se trate de crime unissubjetivo, pois ele pode ser praticado por um único agente, é possível haver o
concurso eventual de pessoas (previsto no art. 29 do CP). O sujeito passivo será o titular do bem jurídico
lesionado, podendo a conduta ser praticada contra o proprietário, possuidor ou até mesmo detentor da res
furtiva, desde que ele tenha alguma relação ou interesse legítimo sobre a coisa móvel.
Res furtiva
A coisa furtada.
Para que possamos identificar o alcance das expressões “propriedade”, “posse” e “detenção”, precisamos
lançar mão dos conceitos desenvolvidos em Direito Civil nos arts. 1198 e 1228 do Código Civil.
Vejamos, por exemplo, a seguinte figura:
Esquema ilustrativo de alcance.
Propriedade
Consistente nas faculdades de uso, gozo ou
fruição e disposição.
Posse
Caracterizada como “uma situação de fato, em
que se reconhece o exercício autônomo de
alguma das faculdades inerentes ao domínio”,
aponta Tepedino (2020, não paginado).
Detenção
Situação na qual o agente exerce um “poder de
fato” em nome de outrem (TEPEDINO, 2020,
não paginado).
Exemplo
Gil transporta em sua mochila um computador que acabou de comprar para a empresa na qual trabalha.
Ele não pode ser considerado possuidor do bem, e sim um mero detentor, na medida em que exerce a
posse em nome de outrem; logo, caso seja subtraída sua mochila dentro do metrô no caminho à
empresa, será caracterizada a conduta de furto. 
Em síntese, significa dizer que a conduta pode ser realizada contra um sujeito que não o proprietário do bem.
Podemos classificar o furto, portanto, como:
Crime comum.
Subjetivamente complexo.
De dano.
Material.
Instantâneo.
Unissubjetivo.
Plurissubsistente.
O tipo penal apresenta como núcleo do tipo o verbo “subtrair”. Ele representa a retirada do bem da esfera de
disponibilidade de seu titular sem o consentimento dele, caracterizando a “clandestinidade” na posse sobre o
bem, vista aqui sob a mesma concepção de Direito Civil.
O elemento subjetivo, por sua vez, se caracteriza pelo: 
Dolo genérico de subtrair.
Especial fim de agir de assenhoreamento definitivo para si ou para outrem, ou seja, o especial fim de
agir de retirar da esfera de disponibilidade de seu titular para nunca mais restituir.
Saiba mais
A conduta denominada “furto de uso” não se caracteriza como infração penal, e sim como mero ilícito
civil, exceto se estivermos diante de crimes de responsabilidade de prefeitos e vereadores previstos no
Decreto-Lei nº 201/1967. 
Para a caracterização do “furto de uso”, é necessário haver a cumulação dos seguintes requisitos:
 
Coisa alheia móvel infungível.
Ausência do especial fim de agir de assenhoreamento definitivo para si ou para outrem.
Restituição imediata e integral da res ao sujeito passivo.
Temos ainda o elemento normativo na expressão “coisa alheia”, sendo necessária a valoração extrajudicial
pelo intérprete para delimitar o alcance de seu conteúdo. 
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1. 
2. 
3. 
Comentário
O senso comum nos diz que “coisa alheia” é tudo o que não é nosso,Liame entre o ilícito civil e penal
	Torpeza bilateral
	Demais fraudes
	Estelionato privilegiado
	Disposição de coisa alheia como própria
	Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
	Defraudação de penhor
	Fraude na entrega de coisa
	Fraude para recebimemto de indenização ou valor de seguro
	Fraude no pagamento por meio de cheque
	Estelionato Majorado
	Fraude eletrônica
	Receptação
	Principais conceitos e características
	Modalidades de receptação
	Receptação própria e imprópria
	Receptação qualificada
	Atenção
	Figura equiparada
	Receptação culposa
	Receptação privilegiada
	Distinção entre crimes contra o patrimônio
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referênciasou seja, o patrimônio que se
encontra sob a propriedade, a posse ou a detenção de outrem. 
Vale lembrar que algumas coisas móveis não podem ser objeto de furto, pois não integram o patrimônio
alheio.
Vejamos quais e por qual motivo:
res nullius
Coisas sem dono.
res derelicta
Coisas abandonadas.
res desperdicta
Coisas perdidas.
Por se tratar de um crime material, o furto se consuma com a ocorrência do resultado naturalístico, ou seja,
quando o bem é retirado da esfera de disponibilidade de seu titular. É irrelevante o que ocorre com o bem
móvel após a consumação, seja ele vendido, doado ou destruído, pois trata-se de um mero exaurimento do
delito.
Nesse sentido, trata-se de crime de dano em face da necessidade de lesão ao bem jurídico protegido. Ele
ainda é considerado instantâneo, já que sua consumação ocorre graças à realização de uma única conduta
que não se prolonga no tempo. 
Inicialmente, a consumação do delito deu ensejo a controvérsias sobre a determinação do lapso temporal da
inversão da posse ou da necessidade de a posse ser mansa e pacífica — e, portanto, desvigiada para a sua
consumação. Sobre o tema surgiram, na literatura jurídica, quatro teorias:
Concretatio.
Amotio.
Ablatio.
Illatio.
Atenção
Atualmente, conforme o entendimento dominante nos tribunais superiores, aplica-se a teoria amotio,
segundo a qual o delito se consuma com a inversão da posse, não sendo necessário que ela seja mansa
ou pacífica. No mesmo sentido, não se exige lapso temporal para a posse, de modo que a prisão do
agente não descaracteriza a consumação do delito. 
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Câmera de monitoramento.
Furto simples.
Uma questão interessante trata da
caracterização ou não de crime impossível (art.
17 do CP) no caso da existência de detectores
antifurto, como câmeras de vigilância, por
exemplo, pois elas são passíveis de falha.
Prevalece o entendimento de que sua
existência, por si só, não é capaz de tornar o
crime impossível por absoluta ineficácia do
meio, podendo a conduta ser caracterizada na
forma tentada dependendo das circunstâncias
fáticas nas quais foi praticada. Por conta disso,
o Superior Tribunal de Justiça (STJ) editou o
Enunciado de Súmula nº 567.
Saiba mais
Súmula nº 567 Súmula 567 do STJ: “Sistema de vigilância realizado por monitoramento eletrônico ou por
existência de segurança no interior de estabelecimento comercial, por si só, não torna impossível a
configuração do crime de furto”. 
Modalidades de furto
Modalidades de furto
Furto simples
Previsto no caput do art. 155 do CP, ele
corresponde à figura típica que contém todos
os elementos fundamentais do delito, bem
como prevê a cominação de abstrata de
reclusão de 1 a 4 anos e multa.
Furto noturno
Furto noturno.
Furto privilegiado.
Previsto no §1º do art. 155 do CP, o furto noturno configura
causa de aumento de pena de um terço. Esse entendimento
fundamenta-se no maior juízo de reprovabilidade da
conduta praticada, uma vez que a vigilância sobre a coisa
móvel é reduzida durante o período da noite, no qual as
pessoas costumam descansar.
Ainda que a lei utilize a expressão “repouso noturno”, ela
não apresenta qualquer critério para sua definição. Isso,
portanto, gera algumas dúvidas: 
A causa de aumento só se aplica a residências ou também a
estabelecimentos comerciais? 
Apesar de haver divergências na literatura jurídica e na jurisprudência, prevalece o entendimento pela
possibilidade de incidência do furto noturno a estabelecimento comercial, vazio ou não, bem como a
residências desabitadas (STJ, HC 501.072/ SC, 2019). 
Furto privilegiado
Previsto no §2º do art. 155 do CP, o furto
privilegiado, também denominado “furto de
pequeno valor”, configura causa obrigatória de
diminuição de pena a ser aplicada na terceira
fase da dosimetria, podendo variar de um a
dois terços.
Saiba mais
Existe a previsão da possibilidade de substituição da pena de reclusão pela de detenção ou da aplicação
somente da pena de multa. A aplicação de uma ou outra está condicionada às regras previstas no art. 44
do CP. 
Vejamos os requisitos cumulativos para a incidência da aplicação de pena: 
Primariedade do agente
A primariedade nada mais é do que reconhecer
que o agente não é, de acordo com o conceito
previsto no art. 63 do CP, reincidente.
“Pequeno valor” da res furtiva
A delimitação da expressão “pequeno valor”
gera controvérsias, pois não podemos
confundi-la com as situações nas quais é
aplicado o princípio da insignificância.
Furto de energia.
Atenção
Enquanto o privilégio é uma causa obrigatória de diminuição de pena, o reconhecimento da aplicação do
princípio da insignificância exclui a tipicidade (material) da conduta. 
Esse entendimento foi incluído no rol de jurisprudência em teses do STJ (AgRg no HC 521476/SP, 2020).
Feita essa distinção, surge a indagação: 
Considera-se “pequeno valor” o da res furtiva ou seu valor em comparação ao patrimônio da vítima? 
Prevalece o entendimento de que deve ser analisado o valor da coisa independentemente do prejuízo causado
ao patrimônio do titular do bem jurídico lesionado, informa Nucci (2021). 
Furto de energia
O §3º do art. 155 do CP apresenta uma figura equiparada ao furto de coisa móvel por intermédio da adoção
da técnica de interpretação analógica, na qual o legislador utiliza um procedimento de comparação entre uma
“formulação genérica de incidência” e o rol de casos exemplificativos descritos pela lei penal.
Aqui o legislador equiparou à coisa móvel
qualquer forma de energia, desde que ela tenha
valor econômico — conforme extraímos da
leitura do item 56, da exposição de motivos da
parte especial do CP e do §3º do art. 155 do CP
—, sendo a energia elétrica descrita como
exemplo de energia para fins de tipificação da
conduta de furto.
Curiosidade
A captação clandestina de sinal de TV a cabo tem sido objeto de controvérsia na jurisprudência sob o
argumento de que não se trata de “energia” (STJ, REsp 1838056/ RJ, 2020). 
Furto qualificado
Furto qualificado.
O §4º do art. 155 do CP descreve as
circunstâncias qualificadoras do delito de furto
com o intuito de gerar uma nova pena de
reclusão em abstrato: 2 a 8 anos e multa.
 
O furto qualificado, portanto, é um tipo penal
derivado no qual o legislador considerou o
maior juízo de reprovabilidade da conduta do
agente em decorrência de circunstâncias de
natureza objetiva e subjetiva.
Vejamos cada uma dessas circunstâncias: 
Mediante destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa (inciso i)
É preciso compreender o “obstáculo” aqui como algo externo à coisa móvel e, portanto, impeditivo de
seu acesso. Exemplo: um cadeado.
Com abuso de confiança ou mediante fraude, escalada ou destreza (inciso ii)
Incide a qualificadora de abuso de confiança quando o agente se vale de uma relação de confiança
existente entre ele e a vítima previamente à prática da conduta.
A relação empregatícia, por si só, não gera uma relação de confiança, devendo ser auferida no caso
concreto. Caso seja comprovado que, apesar do vínculo empregatício, não havia tal relação, ele
poderá ser usado como circunstância agravante genérica (prevista no inciso II, alínea f, do art. 61 do
CP).
O emprego de fraude se caracteriza pela utilização de algum artificio ou ardil capaz de diminuir a
vigilância da vítima sobre o bem. 
Exemplo: Anabella ingressa em uma joalheria e, após ver vários anéis dispostos em uma bandeja,
solicita à vendedora que traga outros modelos sob a alegação de que ainda está na dúvida sobre qual
adquirir. Aproveitando-se da distração da funcionária ao buscar outra bandeja, ela subtrai uma peça
que estava sobre a mesa. 
A qualificadora da escalada se configura quando o agente precisa empregar um meio anormal ou
esforço incomum para que o agente tenha acesso à coisa móvel. Exemplo: o uso de uma escada ou
corda para que o agente tenha acesso ao interior do primeiro andar de um imóvel.
Por fim, o inciso II ainda descreve o emprego de destreza, segundo o qual o agente se utiliza de
excepcional habilidade para subtrair ares sem que a vítima perceba sua conduta.
Com emprego de chave falsa (inciso iii)
Podemos compreender como “chave falsa” todo e qualquer instrumento que possa ser utilizado para
abrir fechaduras independentemente de ele possuir forma de chave. Exemplo: arame, grampo ou a
denominada “mixa”.
Dica: A utilização de cópia de chave verdadeira realizada sem o consentimento da vítima não pode ser
considerada chave falsa para fins de qualificação do delito; todavia, ela pode qualificá-lo por fraude
ou abuso de confiança a depender da forma com a qual se teve acesso à chave original/verdadeira.
Furto com explosão.
Mediante concurso de duas ou mais pessoas (inciso iv)
Esta qualificadora se refere ao concurso eventual de pessoas previsto no art. 29 do CP. Não se exige,
para sua caracterização, que todos os agentes sejam imputáveis ou que todos estejam presentes no
momento da execução do delito, devendo ser comprovada, ao longo da instrução criminal, a
relevância causal das condutas praticadas pelos agentes para a prática do furto.
Acerca dessa qualificadora, ainda surge a seguinte indagação:
É possível, em benefício dos agentes, aplicar ao furto a majorante (prevista no art. 157, §2º, II, CP)
para o delito de roubo?
Em decorrência do maior juízo de reprovabilidade empregado ao furto pela prática do delito em
concurso eventual de agentes, acrescido do princípio da legalidade, não há que se aplicar o disposto
para esse delito (Enunciado de Súmula nº 442, STJ). Prevalece o entendimento pela possibilidade da
ocorrência do furto qualificado-privilegiado, à exceção da qualificadora “abuso de confiança”, por se
tratar de uma circunstância subjetiva (Enunciado de Súmula nº 511, STJ). 
As qualificadoras inseridas pela lei nº 13.654/2018
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou duas
qualificadoras ao art. 155 do CP relacionadas a
substâncias explosivas, análogas ou a seus
acessórios. Elas podem ser contextualizadas
pelo crescente número de furtos ocorridos em
agências bancárias e caixas eletrônicos
espalhados pelo país.
 
O §4º-A estabeleceu uma nova pena abstrata
de reclusão de 4 a 10 anos e multa caso o furto
seja praticado mediante emprego de explosivo
ou de artefato análogo que cause perigo
comum.
Curiosidade
Essa qualificadora foi inserida no rol de crimes hediondos (art. 1º, inciso IX, da Lei nº 8.072/1990) pela Lei
nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime). 
O §7º, por sua vez, prevê a pena abstrata de reclusão de 4 a 10 anos e multa se a subtração for de
substâncias explosivas ou de acessórios, os quais, de maneira conjunta ou isoladamente, possibilitem sua
fabricação, montagem ou emprego.
Analisaremos agora três tipos de furto:
Furto de veículo automotor
Previsto no §5º, com pena abstrata de reclusão de 3 a 8 anos, ele foi
incluído pela Lei nº 9.426/1996 e tem por objeto o furto no qual o agente
visa a transportar o veículo para outro estado ou para o exterior.
Furto de animal
Também conhecido como “abigeato”, o §6º possui por objeto de proteção
semovente domesticável de produção, ainda que abatido ou dividido em
partes no local da subtração. Considerado de natureza objetiva, esse tipo
de furto permite a concorrência com o de pequeno valor (privilegiado).
Furto mediante fraude eletrônica
Acrescido pela Lei nº 14.155/2021, o furto mediante fraude eletrônica tem
por finalidade agravar as penas das condutas praticadas por meio de
dispositivo eletrônico ou informático com ou sem invasão de dispositivo
informático. Ele tem por fundamento a necessidade de adoção de
medidas de política criminal voltadas para a prevenção e a repressão das
condutas delitivas praticadas por esses meios. A lei prevê a cláusula de
equiparação (interpretação analógica) a qualquer outro meio fraudulento
análogo.
Verificamos, portanto, a presença de três situações previstas:
 
A previsão da qualificadora, com pena abstrata de reclusão, de 4 (quatro) a 8 (oito) anos, e multa (§4º-
B) pelo emprego da fraude eletrônica.
A incidência de causa de aumento à figura qualificada, consideranda a relevância do resultado gravoso,
quando praticada com utilização de servidor mantido fora do território nacional (§4º-C, I, com aumento
de 1/3 a 2/3).
Contra idoso ou vulnerável (§4º-C, II, com aumento de 1/3 até o dobro).
Verificando o aprendizado
Questão 1
Vendedor de uma loja de eletrodomésticos, Robervaldo resolve, ao sair do trabalho no sábado, pegar
“emprestada” da loja na qual trabalha uma TV, sem que ninguém saiba e pretendendo devolvê-la cedo já na
segunda-feira, para assistir à final do campeonato no domingo em casa com seus amigos. Logo após sair da
loja, ele é abordado por Zecão, o qual, com emprego de grave ameaça, arranca a caixa da TV da mão de
Robervaldo e sai correndo em fuga.
Ante a situação exposta, é correto afirmar que as condutas de Robervaldo e Zecão são respectivamente:
A
Conduta atípica; conduta atípica.
B
Furto consumado; roubo consumado.
C
Conduta atípica; roubo consumado.
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• 
• 
D
Furto consumado; furto consumado.
E
Furto consumado; conduta atípica.
A alternativa B está correta.
Para que o furto de uso seja caracterizado, é imprescindível que a res seja restituída pronta e
integralmente.
Questão 2
Cleosvaldo, com o dolo de subtrair um notebook que se encontra no banco de trás de um veículo, quebra o
vidro do motorista, retira o computador e, ato contínuo, empreende fuga. Nesse caso, é correto afirmar que
sua conduta será tipificada como furto:
A
Simples.
B
Qualificado pela escalada.
C
Qualificado pela destruição ou rompimento de obstáculo.
D
Qualificado pela destreza.
E
Majorado pelo valor da res furtiva.
A alternativa C está correta.
Conforme entendimento majoritário, o vidro será considerado um obstáculo à subtração da coisa alheia
móvel, enquanto o delito será tipificado como qualificado (STJ, AgRg no HC 407615/SC).
2. Condutas
Primeiras palavras 
Neste módulo, investigaremos as figuras típicas de roubo, extorsão e extorsão mediante sequestro, assim
como a incidência da lei de crimes hediondos e consectários para fins de cominação e execução de pena.
Realizaremos, para tal, o estudo de casos exemplificativos e hipotéticos a partir das referências da literatura
jurídica e da jurisprudência.
Roubo
A professora Daniela Duque-Estrada discorre sobre as principais características do tipo penal de roubo com
exemplos. 
Conteúdo interativo
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Principais conceitos e características
Previsto no art. 157 do CP, o roubo se caracteriza como um delito complexo, pois ele contempla a união de
duas figuras típicas formando uma terceira autônoma — seja por meio do emprego de violência ou de grave
ameaça.
Podemos visualizar a incidência do princípio da consunção da seguinte forma:
Visualização do principio da consunção.
Inicialmente, conseguimos identificar como elemento distintivo entre os delitos de furto e de roubo o emprego
de violência ou grave ameaça contra pessoa, fator que caracteriza o crime como complexo ou pluriofensivo.
Além do patrimônio, contempla-se, assim, a integridade física ou a liberdade individual como bens jurídico-
penais. 
Qualquer pessoa pode ser sujeito ativo do crime — e com as mesmas exceções previstas para o delito de
furto. 
Furto 
É crime menos grave, pois não há
violência.
Roubo 
Ocorre com ameaça e violência.
Atenção
Precisamos ter atenção ao sujeito passivo, pois a violência ou a grave ameaça pode ser empregada tanto
contra o titular do patrimônio lesionado quanto contra outrem, ainda que ele não seja o titular do bem
jurídico patrimônio, já que o delito de roubo é pluriofensivo. 
O roubo classifica-se como: 
Crime comum.
Subjetivamente complexo.
De dano.
Complexo.
Material.
Instantâneo.
Unissubjetivo.
Plurissubsistente.
Da mesma forma que o furto, a descrição da conduta típica contempla a subtração de coisa alheia móvel para
si ou para outrem — especial fim de agir da conduta. No entanto, acrescenta-se a essa conduta o emprego de
violência ou a grave ameaça à pessoa.
Tal conduta aindapode ser caracterizada como:
Violência própria
Caracteriza-se como a coação física (vis
absoluta).
Violência imprópria
Caracteriza-se pelo emprego de qualquer meio
capaz de reduzir a capacidade de resistência
da vítima.
Aqui novamente o legislador optou pelo emprego de interpretação analógica ao estabelecer a formulação
genérica para “qualquer meio” no qual existe a redução da capacidade de resistência da vítima. 
Exemplo
Podemos citar como exemplo de violência imprópria o “golpe” conhecido como “Boa noite, Cinderela”, no
qual o agente se utiliza de ardil para drogar a vítima com o propósito de reduzir sua capacidade de
resistência ou suprimir a de discernimento/consentimento para que possa realizar a subtração da res. 
A terceira forma de realização da conduta típica é a coação moral (vis compulsiva) por meio de
constrangimento ilegal ou grave ameaça. Por tratar-se de um crime material, sua consumação ocorre com a
produção do resultado lesivo, causando “inversão da posse mediante emprego de violência ou grave ameaça,
ainda que por um breve período de tempo” (Enunciado da Súmula nº 582 do STJ).
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É dispensável que tal posse seja mansa ou pacífica conforme a teoria da amotio majoritária na literatura
jurídica e na jurisprudência e presente no verbete de Súmula nº 582 do STJ. Sendo um crime plurissubsistente,
a tentativa é admissível.
Atenção
A perseguição imediata do agente e a consequente prisão em flagrante delito não afastam a
consumação do roubo (ou do furto). 
Modalidades de roubo
Modalidades de roubo.
O delito de roubo apresenta um rol de diferentes causas de aumento, bem como de figuras qualificadas.
Descreveremos agora as seguintes modalidades de roubo: 
Roubo próprio e roubo impróprio
Diferenciam-se o roubo próprio e o impróprio pelo momento no qual ocorre o emprego da violência para a
subtração da coisa. 
Roubo próprio
Caso a violência seja empregada em momento
anterior ou concomitante à subtração (art. 157,
caput, CP).
Roubo impróprio
Caso a violência seja empregada
imediatamente após a subtração para
“assegurar a detenção da res ou a impunidade
do agente” (art. 157, §1º, CP).
Perceba que, no roubo impróprio, a conduta inicialmente é de furto e se transforma em roubo à medida que
ocorre o emprego da violência à pessoa. Dessa forma, questiona-se a possibilidade de tentativa no delito de
impróprio.
Prevalece o entendimento de que o roubo impróprio se consuma com o emprego da violência para assegurar a
detenção do bem ou sua impunidade; logo, ele não admite a modalidade tentada, e sim a tipificação do delito
de furto na modalidade tentada, destaca Prado (2019, p. 650). Pode ocorrer ainda o concurso material de
crimes com o crime decorrente de violência, como lesão corporal leve, por exemplo.
Roubo majorado
Apresentaremos agora estes tipos de roubo majorado:
Roubo majorado de um terço até a metade
O §2º do art. 157 do CP descreve as circunstâncias nas quais o roubo pode ter sua pena majorada de um terço
até a metade. Falaremos sobre elas a seguir:
Concurso de pessoas (inciso ii)
Da mesma forma que a qualificadora prevista para o delito de furto, essa circunstância se refere ao
concurso eventual de pessoas, não se exigindo que todos sejam imputáveis e tampouco que todos
estejam no local do crime quando da prática da conduta.
Surge, nesse caso, a seguinte controvérsia:
No caso da prática do roubo por associação criminosa (descrita no art. 288 do CP), incidirá o
concurso material de crimes com o roubo majorado pelo concurso de pessoas ou será caracterizado o
bis in idem?
Prevalece o entendimento nos tribunais superiores e na literatura jurídica pela admissibilidade do
concurso de crimes sob os argumentos de que: 
Os bens jurídicos protegidos nos delitos são distintos (patrimônio e paz pública).
Esses bens serão utilizados em fases distintas da dosimetria de pena.
O mesmo entendimento se aplica em relação ao delito de furto (STF, ARE 1234968/SP, 2021). 
Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal
circunstância (inciso iii)
Esta majorante visa a proteger a segurança no transporte de valores e os agentes que os transportam
mediante serviço. Ela, portanto, não se aplica àquele realizado pelo proprietário dos valores.
Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro
estado ou para o exterior (inciso iv)
Aplica-se aqui o mesmo raciocínio empregado no delito de furto previsto no §5º do art. 155 do CP.
Desse modo, para a configuração da circunstância, é indispensável que o agente pretenda
transportar o veículo para outro estado ou para o exterior.
Caso ele consuma a subtração, mas seja detido antes de chegar a outro estado ou país, não incidirá a
circunstância, frisa Cunha (2019, p. 295). 
Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade (inciso v)
A majorante se aplica quando o agente priva a liberdade da vítima para garantir a consumação do
delito ou a fuga do local do crime.
Exemplo: No caso de o agente roubar um carro parado em um sinal de trânsito e manter o condutor
do veículo dentro do veículo até ambos chegarem a um local ermo no qual a vítima será largada.
Se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou
isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego (inciso vi)
Verifica-se o mesmo fundamento do art. 155, §7º, CP, diferenciando-se dele apenas pelo fato de que
o roubo é praticado mediante violência ou grave ameaça.
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Se a violência ou grave ameaça é exercida com o emprego de arma branca (inciso vii)
A Lei nº 13.964/2019 (Pacote Anticrime) incluiu o emprego de arma branca como causa de aumento
da pena de um terço até a metade, tendo, dessa forma, encerrado as controvérsias decorrentes da
revogação do inciso I do §2º pela Lei nº 13.654/2018.
Considera-se arma branca todo instrumento que não se constitua arma de fogo capaz de vulnerar a
integridade física de outrem, informam Souza e Japiassú (2020).
Ela é classificada como própria ou imprópria conforme sua finalidade, seja ela instrumento de ataque
ou defesa, como é o caso da espada e da chave de fenda, respectivamente. 
Roubo majorado de dois terços
A Lei nº 13.654/2018 acrescentou o §2º-A do art. 157 do CP prevendo como causa de aumento estes dois
incisos:
 
Circunstância do emprego de arma de fogo (inciso I).
Destruição ou rompimento de obstáculo mediante o emprego de explosivo ou de artefato análogo que
cause perigo comum (inciso II).
Em relação à arma de fogo, caracteriza-se uma novatio legis in pejus na confrontação com o quantum de
causa de aumento anteriormente previsto no revogado inciso I do §2º.
Não se aplicará a causa de aumento quando o agente empregar arma de brinquedo (simulacro), pois, ainda
que ela possua potencialidade intimidatória, não possui potencialidade lesiva; logo, o crime será caracterizado
como roubo simples.
Sobre o emprego de explosivo ou artefato análogo que cause perigo comum, aplica-se o mesmo
entendimento do delito de furto.
Roubo majorado do dobro
A Lei nº 13.964/2019 acrescentou o §2º-B ao art. 157 do CP prevendo a aplicação em dobro da pena prevista
para o roubo simples caso a conduta seja praticada por arma de fogo de uso restrito ou proibido.
Aqui não é possível aplicar a causa de aumento do §2º-A, pois prevalece a circunstância que mais aumenta;
desse modo, o §2º-A, inciso I, somente será aplicado para os casos de arma de fogo de uso permitido.
Roubo qualificado
A Lei nº 13.654/2018 alterou a redação do §3º do art. 157 do CP ao estabelecer qualificadoras distintas se o
resultado mais gravoso for:
Lesão corporal de natureza grave (inciso I).
Morte (inciso II).
Ambos são crimes agravados pelo resultado, conforme o art. 19 do CP, apesar de não serem necessariamente
preterdolosos.
O roubo qualificado pelo resultado morte foi denominado “latrocínio” pela Lei de Crimes Hediondos (Lei nº
8.072/1990). Da figura agravada pelo resultado mais gravoso, porém, surgem algumas controvérsias.de pena, prevista no §4º, teve sua redação alterada
pela Lei nº 8.072/1990.
Essa lei estabelece uma causa de diminuição de pena nos casos em que o delito seja praticado mediante o
concurso de pessoas — e desde que sua “colaboração” efetivamente facilite a libertação da vítima.
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Explicação sobre extorsão.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Aproveitando-se da viagem de seus vizinhos, Felix ingressa no apartamento deles durante a madrugada e
subtrai um notebook. No momento em que está saindo da residência com o computador em uma mochila, ele
é surpreendido pelo filho dos vizinhos, que estava cuidando do apartamento enquanto eles viajavam. Nervoso,
Felix dá um soco no rapaz e sai correndo do imóvel com a mochila contendo o computador.
Nesse caso, é correto afirmar que a conduta de Felix configura crime de:
A
Roubo próprio na modalidade tentada.
B
Roubo impróprio consumado.
C
Furto na modalidade tentada e lesão corporal consumada em concurso formal de crimes.
D
Furto na modalidade tentada.
E
Furto na modalidade tentada e lesão corporal consumada em concurso material de crimes.
A alternativa B está correta.
A distinção entre o roubo próprio e o impróprio reside no momento em que a violência é empregada, sendo
majoritário o entendimento de que o roubo impróprio não admite tentativa.
Questão 2
Hermenegildo, com emprego de arma, ameaça uma jovem em determinado caixa eletrônico e a obriga a sacar
todos os valores constantes em sua conta corrente. Nesse caso, é correto afirmar que sua conduta configura
crime de:
A
Roubo simples.
B
Extorsão simples.
C
Roubo qualificado.
D
Extorsão majorada.
E
Roubo impróprio.
A alternativa D está correta.
A distinção entre as condutas de roubo e de extorsão reside primordialmente na imprescindibilidade da
conduta da vítima na extorsão e em sua classificação como crime formal.
3. Delitos
Primeiras palavras
Neste módulo, investigaremos as figuras típicas de usurpação e sua interpretação constitucional para fins de
delimitação e diferenciação dos atos ilícitos extrapenais. Analisaremos ainda a conduta de dano e seus
consectários, bem como as condutas de apropriação indébita, de modo a diferenciá-las dos delitos de furto e
estelionato.
Para tanto, realizaremos o estudo de casos exemplificativos e hipotéticos a partir das referências da literatura
jurídica e da jurisprudência.
Usurpação
A professora Daniela Duque-Estrada discorre sobre as principais características do tipo penal de usurpação.
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O capítulo III do título de crimes contra o patrimônio contempla as figuras típicas de usurpação descritas nos
arts. 161 e 162 do CP. Para uma melhor compreensão do conteúdo, podemos dividir o capítulo de usurpação
nas figuras típicas de:
Alteração de limites (art. 161, caput, CP).
Usurpação de águas (art. 161, §1º, I, CP).
Esbulho possessório (art. 161, §1º, II, CP).
Supressão ou alteração de marca em animais (art. 162, CP).
A tipificação dessas condutas somente se dará de forma subsidiária às demais formas de proteção da
propriedade imóvel previstas no Código Civil (arts. 1210 a 1213).
Os delitos previstos no art. 161 do CP, em decorrência da pena máxima abstrata, caracterizam-se como
infrações penais de menor potencial ofensivo, sendo aplicáveis os institutos despenalizadores previstos na Lei
nº 9.099/1995, como a transação penal (art. 76), por exemplo, exceto nos casos em que houver emprego de
violência.
Apontaremos a seguir as principais características dos itens que constam nesta figura: 
Esquema de leis de usurpação.
Alteração de limites
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Alteração de limites.
Prevista no caput do art. 161 do CP, a alteração
de limites apresenta, por bem jurídico-penal
protegido, “a propriedade imobiliária” (SOUZA,
2020, p. 709) ou, em outras palavras, “a posse
tranquila e propriedade de coisas imóveis”
(PRADO, 2019, p. 670), sendo imóvel cuja linha
divisória foi alterada em seu objeto material.
Ela se classifica como crime próprio, pois
somente pode ser praticada pelo proprietário
ou possuidor da propriedade imóvel alheia
contígua. O sujeito passivo, por sua vez, é o
proprietário ou o possuidor do imóvel sobre o
qual recairá a conduta delitiva. O possuidor
indireto também pode ser considerado sujeito passivo do delito, completa Cunha (2019, p. 337).
Exemplo
Proprietário destituído de sua posse direta em um contrato de locação. 
A alteração de limites é subjetivamente complexa, uma vez que, além do dolo genérico de suprimir ou
deslocar o sinal indicativo de linha divisória, o agente atua com o especial fim de apropriar-se, ainda que
parcialmente, de imóvel alheio. 
Atenção
A descrição típica prevê como condutas suprimir ou deslocar tapume, marco, ou qualquer outro sinal
indicativo de linha divisória. Por se tratar de tipo misto alternativo, ainda que o agente pratique uma ou
todas as condutas descritas no tipo penal (suprimir ou deslocar), o crime permanece único. 
Vejamos como podem ser caracterizadas as seguintes condutas: 
Suprimir
Eliminação ou destruição da demarcação entre
as propriedades contíguas.
Deslocar
Alteração ou modificação dessa demarcação.
A lei define a demarcação entre as propriedades com tapume como uma cerca ou um muro, conforme
descreve o art. 1297, §1º, do Código Civil, enquanto um marco pode ser considerado qualquer sinal indicativo
da demarcação da propriedade, como uma placa, por exemplo.
A indicação de tapume ou marco é exemplificativa, pois estamos diante da utilização da interpretação
analógica constante na expressão “ou qualquer outro sinal indicativo de linha divisória”.
Considera-se a alteração de limites um crime formal e de dano que se consuma com a prática de quaisquer
condutas previstas no tipo penal, sendo irrelevante a produção do resultado lesivo (efetiva redução do
patrimônio). Ainda que seja um delito formal, por se tratar de crime plurissubsistente, ele admite, em tese, a
tentativa.
Usurpação de águas
Prevista no §1º, I, do art. 161, ela tem por núcleo do tipo as condutas de desviar (alterar) ou represar (barrar)
águas alheias. Estamos diante de um tipo misto alternativo e subjetivamente complexo, pois ele contempla o
especial fim de agir em proveito próprio ou alheio, ainda que se consuma com a mera realização da conduta,
sendo irrelevante a obtenção desse proveito (crime formal). 
Atenção
Deve-se observar o sentido da expressão “águas alheias”, uma vez que se trata de crime comum. Além
disso, a água deixa de ser bem público de uso comum a partir do momento em que é captada ou
canalizada. 
Esbulho possessório
Descrito no §1º, II, do art. 161, o esbulho possessório prevê a invasão de terreno ou edifício alheio.
Ele pode ser realizada mediante três condutas:
Esquema de condutas.
O esbulho possessório é subjetivamente complexo, porque, além do dolo genérico de invadir, ele apresenta o
especial fim de agir em proveito próprio ou alheio, embora se consuma com a mera realização da conduta
(crime formal).
Conforme prevê o §2º, caso o agente atue com violência, a pena proveniente de seu resultado também será
cominada à do esbulho possessório.
A ação penal, em regra, é deflagrada mediante denúncia. Entretanto, é possível que ela seja decorrente de
uma ação de iniciativa privada (mediante queixa) nos casos de propriedade particular e quando, em sua
conduta, não tenha sido praticada tal ação mediante violência, conforme expressa previsão legal do §3º do
art. 161 do CP.
Marca de animais.
Curiosidade
Em decorrência da função social da propriedade prevista na Constituição Federal de 1988, houve no país
um movimento popular com vistas à reforma agrária. Não obstante, o STF, à época, manifestou-se pela
ilegalidade do esbulho possessório em terras consideradas improdutivas em respeito à cláusula de
garantia do direito de propriedade previsto no art. 5º, XXII, da Constituição (STF, ADI 2213/DF). 
Supressão ou alteração de marca em animais
O art. 162 do CP prevê a proteção da
propriedade e aDisposição de coisa alheia como própria
O agente exerce todos os direitos de propriedade sobre coisa alheia. A disposição de coisa alheia
como própria se consuma com a produção do binômio vantagem ilícita/prejuízo alheio.
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Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
O agente dispõe de coisa própria, embora ele o faça de forma fraudulenta ao:
Onerar coisa própria, móvel ou imóvel, inalienável, gravada de ônus ou litigiosa.
Alienar imóvel prometido a terceiro.
Esse tipo de fraude, que se consuma como os anteriores, admite a tentativa, pois ele é
plurissubsistente.
Defraudação de penhor
Tal conduta é praticada pelo devedor em prejuízo do credor pignoratício. A defraudação de penhor
admite a tentativa, pois é plurissubsistente.
Saiba mais: Para saber mais sobre o penhor, leia o art. 1431 do Código Civil.
Fraude na entrega de coisa
Sua conduta configura qualquer alteração realizada na coisa, móvel ou imóvel, que gere prejuízo
alheio pela alteração da qualidade ou pela quantidade dela. Por isso, esse tipo de fraude se consuma
com a entrega da coisa ao credor.
Saiba mais: Leia os arts. 272 e 273 do CP, pois eles tratam de figuras especiais.
Fraude para recebimemto de indenização ou valor de seguro
Ela pode ser realizada por meio destas duas condutas:
Destruir (total ou parcialmente) ou ocultar coisa própria.
Lesar o próprio corpo ou a saúde, ou agravar as consequências da lesão ou da doença.
A literatura jurídica diverge sobre sua classificação como crime formal (CUNHA, 2019, p. 392) ou de
mera conduta (PRADO, 2019, p. 732). Desse modo, a fraude para recebimento de indenização ou valor
de seguro se consuma independentemente da obtenção da vantagem ilícita.
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Fraude no pagamento por meio de cheque
Sua conduta é praticada pelo emitente do cheque em prejuízo do tomador dele. Ela pode ser realizada
de duas formas:
Emitir (colocar em circulação) o cheque ciente de que ele não possui uma provisão de fundos.
Frustrar o pagamento do cheque.
A controvérsia sobre o momento de consumação foi sanada pela edição do Enunciado de Súmula nº
521 do STF, segundo o qual o delito se consuma quando o sacado nega seu pagamento.
Atenção: A emissão de cheque pós-datado é prática comum no comércio, que descaracteriza o
cheque como ordem de pagamento à vista e o transforma em garantia. Assim, em tese, isso é uma
conduta atípica, pois há acordo entre seu emitente e o tomador de que ele somente será apresentado
ao sacado na data acordada. Por outro lado, caso o agente “emita” o cheque pós-datado ciente de
que não terá a provisão de fundos na data acordada para a apresentação, sua conduta será a de
estelionato simples.
O pagamento do cheque emitido sem provisão de fundos após o recebimento da denúncia é causa de
diminuição de pena, aponta o art. 16 do CP (Enunciado de Súmula nº 554, STF).
O estelionato e a falsidade são um tema controvertido na literatura e na jurisprudência. Ele possui,
afinal, quatro entendimentos:
O estelionato (crime-fim) absorve o falso (crime-meio) quando este não tiver maior
potencialidade lesiva (Enunciado de Súmula nº 17, STJ).
Concurso material de crimes, pois são condutas praticadas em momentos distintos, bem como
lesionam bens jurídicos diversos.
Concurso formal de crimes se o falso for ocorrer com a finalidade da prática do estelionato,
bem como lesionar bens jurídicos diversos.
O delito de falsidade de documento público absorve o estelionato por ser mais gravoso
(SOUZA; JAPIASSÚ, 2020).
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4. 
Estelionato Majorado
Os §§3º e 4º descrevem duas causas especiais de aumento de pena:
Aumento de um terço: Cometido em detrimento de entidade de direito público ou de instituto
de economia popular, assistência social ou beneficência.
Aumento de um terço ao dobro: Cometido contra idoso ou vulnerável, sendo considerada a
relevância do resultado gravoso. É imprescindível que o agente tenha ciência da idade ou da
vulnerabilidade da vítima.
A ação penal pública é deflagrada mediante representação da vítima. No entanto, a ação será pública
incondicionada se suas vítimas forem:
Administração pública direta ou indireta.
Criança ou adolescente.
Pessoa com deficiência mental.
Maior de 70 anos de idade ou incapaz.
Fraude eletrônica
A qualificadora do §2º-A foi incluída pela Lei nº 14.155/2021 com uma pena abstrata de 4 a 8
anos e multa se a fraude for cometida com a utilização de informações fornecidas pela vítima
ou por terceiro induzido a erro por meio de redes sociais, contatos telefônicos ou envio de
correio eletrônico fraudulento, ou por qualquer outro meio fraudulento análogo.
Estamos diante de mais uma cláusula de equiparação (interpretação analógica) em face da
impossibilidade de o legislador prever todos os meios de execução do delito.
Receptação
Principais conceitos e características
Prevista no art. 180 do CP, a receptação possui por objeto material coisa que seja produto de qualquer crime
anterior, não se aplicando, portanto, ao caso de anterior contravenção penal. Prevista no caput, a figura
simples prevê pena abstrata de reclusão de 1 a 4 anos e multa, sendo aplicável o sursis processual (Lei nº
9.099/1995).
O crime pode ser praticado por qualquer pessoa para as condutas previstas no caput e no §2º, exceto o
concorrente do crime anterior. O §1º é próprio, pois somente pode ser praticado por comerciante ou industrial.
Podemos classificar a receptação como:
Delito comum.
Unissubjetivo.
Subjetivamente complexo.
De dano.
Plurissubsistente.
Instantâneo (exceto na conduta de ocultar, na qual é permanente).
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Trata-se de crime acessório em relação ao crime anterior; entretanto, ele é dotado de autonomia para fins
processuais, ou seja, para que se possa deflagrar a ação penal pelo crime de receptação, é irrelevante que o
autor do crime anterior seja desconhecido ou isento de pena (conforme expressa previsão do §4º do art. 180
do CP e análise da norma geral de interpretação prevista no art. 108 do CP). 
Esquema de receptação simples.
Modalidades de receptação
Receptação própria e imprópria
Explicação de modalidade de receptação.
A receptação própria é crime material; a imprópria, formal, sendo consumada quando ocorre a influência sobre
terceiro. 
Receptação qualificada
O §1º do art. 180 prevê uma nova pena abstrata de reclusão de 3 a 8 anos e multa. Foram acrescentadas mais
condutas a essa figura, uma vez que ela é praticada no exercício de atividade comercial ou industrial.
Essas inserções foram objeto de críticas da literatura jurídica sob o fundamento de tal figura deixou de ser um
tipo derivado. 
Atenção
A conduta de ter em depósito de natureza permanente contempla a retenção da coisa em nome do
agente ou de terceiro, seja a título oneroso ou gratuito. Já as condutas de desmontar, montar e remontar
denotam a expertise do agente, enquanto as de vender, expor à venda ou, de qualquer forma, utilizar
revelam o animus sobre a coisa. 
Diferentemente da conduta prevista no caput, o §1º se utiliza da expressão “deve saber” ser produto de crime.
Isso gerou controvérsias sobre o elemento subjetivo do tipo, sendo necessária a utilização de uma
interpretação extensiva para fins de compreensão no que se refere ao dolo direto e ao indireto. 
Figura equiparada
O §2º equipara à atividade comercial qualquer forma de comércio irregular ou clandestino, inclusive o
exercício em residência. A figura equiparada tem por fundamento a realidade social, na qual é cada vez mais
comum a atividade de comércio irregular ou clandestino. 
Receptação culposa
Em regra, os crimes contra o patrimônio são dolosos. A presente conduta é expressamente prevista no §3º,
seja pela culpa consciente ou inconsciente, bem como o rol de indícios objetivos. Em razão da pena abstrata
cominada, a receptação culposa é uma infração penal de menor potencial ofensivo. 
Esquema de receptação culposa.
Receptação privilegiada
O §5º do art. 180 do CP apresenta os mesmos requisitosaplicáveis ao delito de furto (art. 155, §2º, CP) para
fins de caracterização da conduta privilegiada. 
Distinção entre crimes contra o patrimônio
Para que possamos julgar a aplicação correta dos crimes contra o patrimônio com o objetivo de formular
soluções jurídicas de conflitos, precisamos observar as principais distinções entre os crimes: 
Tabela comparativa de tipos de crimes.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Simulando ser um manobrista de estacionamento, Odin recebe o veículo do cliente para estacioná-lo, porém,
em vez disso, vende o carro para uma terceira pessoa. Em tese, a conduta de Odin configura o crime de:
A
Furto mediante fraude.
B
Apropriação indébita simples.
C
Furto simples.
D
Estelionato.
E
Apropriação indébita majorada.
A alternativa D está correta.
O estelionato difere do delito de furto mediante fraude, pois, naquele, a fraude é empregada para que a
vítima voluntariamente (viciada) entregue o bem; neste, para reduzir a vigilância da vítima sobre o bem.
Questão 2
Getúlio aborda o veículo conduzido por Zeca, que estava parado em um semáforo. Mediante emprego de
grave ameaça, ele obriga a vítima a descer do carro para poder fugir. Ato contínuo, Getúlio o leva até o
“desmanche” de um amigo, Edgar, para que ele possa vender suas peças. Nessa situação, é correto afirmar
que:
A
Caso Edgar tivesse acordado previamente com Getúlio a realização do roubo, ele responderia por concurso de
crimes entre o roubo e a receptação.
B
Como Getúlio desconhecia a conduta anterior de roubo, ele não poderá ter sua conduta tipificada como
receptação.
C
Ainda que Getúlio só contasse a Edgar sobre o roubo quando lhe entregasse o carro, ele teria sua conduta
tipificada como receptação.
D
Caso Edgar tivesse acordado previamente com Getúlio a realização do roubo, Edgar responderia somente pelo
crime de receptação.
E
Edgar não cometeu nenhum crime, já que quem praticou o roubo do carro foi Getúlio.
A alternativa D está correta.
O delito de receptação pode ser praticado por qualquer pessoa que não o autor do crime precedente.
5. Conclusão
Considerações finais
Vimos neste conteúdo que o delito de furto inaugura o título de crimes contra o patrimônio e é utilizado como
balizador para o estudo comparado de todas as demais figuras típicas contra o patrimônio, em especial os
delitos de roubo, apropriação indébita e estelionato. Para isso, identificamos e analisamos as figuras típicas do
furto simples, noturno, privilegiado e qualificado. Observamos ainda todas as controvérsias sobre tal delito
que deram ensejo às teses e à edição de enunciados de súmula pelo STJ.
Verificamos que o roubo, a extorsão e a extorsão mediante sequestro se apresentam como delitos complexos
ou pluriofensivos, pontuando que, em decorrência do maior juízo de reprovabilidade sobre algumas de suas
figuras típicas, elas foram inseridas no rol de crimes hediondos por questões de política criminal. Apontamos
também as controvérsias e os entendimentos prevalentes na literatura jurídica e na jurisprudência para fins de
tipificação e diferenciação dessas condutas.
Salientamos que, para a correta tipificação dos delitos de usurpação, é imprescindível haver a filtragem
constitucional deles, principalmente em relação aos direitos de propriedade e à função social dela. Além disso,
observamos as condutas típicas de dano e sua subsidiariedade em relação aos demais delitos contra o
patrimônio. Por fim, avaliamos as principais distinções entre a apropriação indébita e os crimes de furto e
estelionato.
Podcast
Agora, a professora Daniela Duque-Estrada encerra o tema trazendo um panorama geral sobre os crimes
contra o patrimônio. 
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Para um melhor aproveitamento e aprofundamento dos temas tratados neste conteúdo, leia os seguintes
artigos:
 
STJ: 13 teses sobre estelionato, publicado no Canal Ciências Criminais em 14 jan. 2019.
O “gato” de energia elétrica configura furto ou estelionato?, escrito por Rodrigo Leite e publicado no
Meu site jurídico em 2 jun. 2021.
As alterações na lei dos crimes hediondos promovidas pelo pacote anticrime sob a ótica constitucional,
de Eduardo Fleck de Souza e Caroline Fockink Ritt, publicado no livro Criminologias e Política Criminal II
publicado pela Conpedi (2002).
Referências
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal.
 
CUNHA, R. S. Direito Penal. Parte especial. 11. ed. Salvador: JusPODIVM, 2019.
 
• 
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• 
GRECO, R. Curso de Direito Penal. Parte Especial. 16. ed. Niterói: Impetus, 2019. v. 2.
 
MASSON, C. Direito Penal: parte especial: arts. 121 a 212. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método,
2018.
 
NUCCI, G. de S. Código Penal comentado. 21. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2021.
 
PRADO, L. R. Curso de Direito Penal Brasileiro. Parte geral e parte especial. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2019.
 
SOUZA, A. de B. G.; JAPIASSÚ, C. E. A. Direito Penal: volume único. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2020.
 
TEPEDINO, G.; MONTEIRO FILHO, C. E. do R.; RENTERIA, P. (Org.). Fundamentos de Direito Civil. Direitos reais.
Rio de Janeiro: Forense, 2020. v. 5. E-book (não paginado).
	Crimes contra o patrimônio
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceitos
	Primeiras palavras
	Furto
	Conteúdo interativo
	Principais conceitos e características
	Atenção
	Propriedade
	Posse
	Detenção
	Exemplo
	Saiba mais
	Comentário
	res nullius
	res derelicta
	res desperdicta
	Atenção
	Saiba mais
	Modalidades de furto
	Furto simples
	Furto noturno
	Furto privilegiado
	Saiba mais
	Primariedade do agente
	“Pequeno valor” da res furtiva
	Atenção
	Furto de energia
	Curiosidade
	Furto qualificado
	Mediante destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa (inciso i)
	Com abuso de confiança ou mediante fraude, escalada ou destreza (inciso ii)
	Com emprego de chave falsa (inciso iii)
	Mediante concurso de duas ou mais pessoas (inciso iv)
	As qualificadoras inseridas pela lei nº 13.654/2018
	Curiosidade
	Furto de veículo automotor
	Furto de animal
	Furto mediante fraude eletrônica
	Verificando o aprendizado
	2. Condutas
	Primeiras palavras
	Roubo
	Conteúdo interativo
	Principais conceitos e características
	Atenção
	Violência própria
	Violência imprópria
	Exemplo
	Atenção
	Modalidades de roubo
	Roubo próprio e roubo impróprio
	Roubo próprio
	Roubo impróprio
	Roubo majorado
	Concurso de pessoas (inciso ii)
	Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância (inciso iii)
	Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro estado ou para o exterior (inciso iv)
	Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade (inciso v)
	Se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego (inciso vi)
	Se a violência ou grave ameaça é exercida com o emprego de arma branca (inciso vii)
	Roubo qualificado
	Atenção
	Curiosidade
	Extorsão
	Principais conceitos e características
	Atenção
	Saiba mais
	Dica
	Modalidades de extorsão
	Extorsão majorada
	Extorsão qualificada
	Saiba mais
	Extorsão mediante sequestro
	Curiosidade
	Figura simples
	Figuras qualificadas
	Se o sequestro dura mais de 24 horas, se o sequestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos ou se o crime é cometido por bandido ou quadrilha (§1º)
	Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave (§2º)
	Se dele resulta morte (§3º)
	Causa de diminuição de pena
	Verificando o aprendizado
	3. Delitos
	Primeiras palavras
	Usurpação
	Conteúdo interativo
	Alteração de limites
	Exemplo
	Atenção
	Suprimir
	Deslocar
	Usurpação de águas
	Atenção
	Esbulho possessório
	Curiosidade
	Supressão ou alteração de marca em animais
	Dano
	Exemplo
	Atenção
	Apropriação indébita
	Ofício
	Profissão
	Emprego
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	4. Figuras típicas
	Primeiras palavras
	Estelionato e outras falsidades
	Conteúdo interativo
	Estelionatoaplicáveis ao delito de furto (art. 155, §2º, CP) para
fins de caracterização da conduta privilegiada. 
Distinção entre crimes contra o patrimônio
Para que possamos julgar a aplicação correta dos crimes contra o patrimônio com o objetivo de formular
soluções jurídicas de conflitos, precisamos observar as principais distinções entre os crimes: 
Tabela comparativa de tipos de crimes.
Verificando o aprendizado
Questão 1
Simulando ser um manobrista de estacionamento, Odin recebe o veículo do cliente para estacioná-lo, porém,
em vez disso, vende o carro para uma terceira pessoa. Em tese, a conduta de Odin configura o crime de:
A
Furto mediante fraude.
B
Apropriação indébita simples.
C
Furto simples.
D
Estelionato.
E
Apropriação indébita majorada.
A alternativa D está correta.
O estelionato difere do delito de furto mediante fraude, pois, naquele, a fraude é empregada para que a
vítima voluntariamente (viciada) entregue o bem; neste, para reduzir a vigilância da vítima sobre o bem.
Questão 2
Getúlio aborda o veículo conduzido por Zeca, que estava parado em um semáforo. Mediante emprego de
grave ameaça, ele obriga a vítima a descer do carro para poder fugir. Ato contínuo, Getúlio o leva até o
“desmanche” de um amigo, Edgar, para que ele possa vender suas peças. Nessa situação, é correto afirmar
que:
A
Caso Edgar tivesse acordado previamente com Getúlio a realização do roubo, ele responderia por concurso de
crimes entre o roubo e a receptação.
B
Como Getúlio desconhecia a conduta anterior de roubo, ele não poderá ter sua conduta tipificada como
receptação.
C
Ainda que Getúlio só contasse a Edgar sobre o roubo quando lhe entregasse o carro, ele teria sua conduta
tipificada como receptação.
D
Caso Edgar tivesse acordado previamente com Getúlio a realização do roubo, Edgar responderia somente pelo
crime de receptação.
E
Edgar não cometeu nenhum crime, já que quem praticou o roubo do carro foi Getúlio.
A alternativa D está correta.
O delito de receptação pode ser praticado por qualquer pessoa que não o autor do crime precedente.
5. Conclusão
Considerações finais
Vimos neste conteúdo que o delito de furto inaugura o título de crimes contra o patrimônio e é utilizado como
balizador para o estudo comparado de todas as demais figuras típicas contra o patrimônio, em especial os
delitos de roubo, apropriação indébita e estelionato. Para isso, identificamos e analisamos as figuras típicas do
furto simples, noturno, privilegiado e qualificado. Observamos ainda todas as controvérsias sobre tal delito
que deram ensejo às teses e à edição de enunciados de súmula pelo STJ.
Verificamos que o roubo, a extorsão e a extorsão mediante sequestro se apresentam como delitos complexos
ou pluriofensivos, pontuando que, em decorrência do maior juízo de reprovabilidade sobre algumas de suas
figuras típicas, elas foram inseridas no rol de crimes hediondos por questões de política criminal. Apontamos
também as controvérsias e os entendimentos prevalentes na literatura jurídica e na jurisprudência para fins de
tipificação e diferenciação dessas condutas.
Salientamos que, para a correta tipificação dos delitos de usurpação, é imprescindível haver a filtragem
constitucional deles, principalmente em relação aos direitos de propriedade e à função social dela. Além disso,
observamos as condutas típicas de dano e sua subsidiariedade em relação aos demais delitos contra o
patrimônio. Por fim, avaliamos as principais distinções entre a apropriação indébita e os crimes de furto e
estelionato.
Podcast
Agora, a professora Daniela Duque-Estrada encerra o tema trazendo um panorama geral sobre os crimes
contra o patrimônio. 
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Para um melhor aproveitamento e aprofundamento dos temas tratados neste conteúdo, leia os seguintes
artigos:
 
STJ: 13 teses sobre estelionato, publicado no Canal Ciências Criminais em 14 jan. 2019.
O “gato” de energia elétrica configura furto ou estelionato?, escrito por Rodrigo Leite e publicado no
Meu site jurídico em 2 jun. 2021.
As alterações na lei dos crimes hediondos promovidas pelo pacote anticrime sob a ótica constitucional,
de Eduardo Fleck de Souza e Caroline Fockink Ritt, publicado no livro Criminologias e Política Criminal II
publicado pela Conpedi (2002).
Referências
BRASIL. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Código Penal.
 
CUNHA, R. S. Direito Penal. Parte especial. 11. ed. Salvador: JusPODIVM, 2019.
 
• 
• 
• 
GRECO, R. Curso de Direito Penal. Parte Especial. 16. ed. Niterói: Impetus, 2019. v. 2.
 
MASSON, C. Direito Penal: parte especial: arts. 121 a 212. 11. ed. Rio de Janeiro: Forense; São Paulo: Método,
2018.
 
NUCCI, G. de S. Código Penal comentado. 21. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2021.
 
PRADO, L. R. Curso de Direito Penal Brasileiro. Parte geral e parte especial. 17. ed. Rio de Janeiro: Forense,
2019.
 
SOUZA, A. de B. G.; JAPIASSÚ, C. E. A. Direito Penal: volume único. 2. ed. São Paulo: Atlas, 2020.
 
TEPEDINO, G.; MONTEIRO FILHO, C. E. do R.; RENTERIA, P. (Org.). Fundamentos de Direito Civil. Direitos reais.
Rio de Janeiro: Forense, 2020. v. 5. E-book (não paginado).
	Crimes contra o patrimônio
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Preparação
	Objetivos
	Introdução
	1. Conceitos
	Primeiras palavras
	Furto
	Conteúdo interativo
	Principais conceitos e características
	Atenção
	Propriedade
	Posse
	Detenção
	Exemplo
	Saiba mais
	Comentário
	res nullius
	res derelicta
	res desperdicta
	Atenção
	Saiba mais
	Modalidades de furto
	Furto simples
	Furto noturno
	Furto privilegiado
	Saiba mais
	Primariedade do agente
	“Pequeno valor” da res furtiva
	Atenção
	Furto de energia
	Curiosidade
	Furto qualificado
	Mediante destruição ou rompimento de obstáculo à subtração da coisa (inciso i)
	Com abuso de confiança ou mediante fraude, escalada ou destreza (inciso ii)
	Com emprego de chave falsa (inciso iii)
	Mediante concurso de duas ou mais pessoas (inciso iv)
	As qualificadoras inseridas pela lei nº 13.654/2018
	Curiosidade
	Furto de veículo automotor
	Furto de animal
	Furto mediante fraude eletrônica
	Verificando o aprendizado
	2. Condutas
	Primeiras palavras
	Roubo
	Conteúdo interativo
	Principais conceitos e características
	Atenção
	Violência própria
	Violência imprópria
	Exemplo
	Atenção
	Modalidades de roubo
	Roubo próprio e roubo impróprio
	Roubo próprio
	Roubo impróprio
	Roubo majorado
	Concurso de pessoas (inciso ii)
	Se a vítima está em serviço de transporte de valores e o agente conhece tal circunstância (inciso iii)
	Se a subtração for de veículo automotor que venha a ser transportado para outro estado ou para o exterior (inciso iv)
	Se o agente mantém a vítima em seu poder, restringindo sua liberdade (inciso v)
	Se a subtração for de substâncias explosivas ou de acessórios que, conjunta ou isoladamente, possibilitem sua fabricação, montagem ou emprego (inciso vi)
	Se a violência ou grave ameaça é exercida com o emprego de arma branca (inciso vii)
	Roubo qualificado
	Atenção
	Curiosidade
	Extorsão
	Principais conceitos e características
	Atenção
	Saiba mais
	Dica
	Modalidades de extorsão
	Extorsão majorada
	Extorsão qualificada
	Saiba mais
	Extorsão mediante sequestro
	Curiosidade
	Figura simples
	Figuras qualificadas
	Se o sequestro dura mais de 24 horas, se o sequestrado é menor de 18 ou maior de 60 anos ou se o crime é cometido por bandido ou quadrilha (§1º)
	Se do fato resulta lesão corporal de natureza grave (§2º)
	Se dele resulta morte (§3º)
	Causa de diminuição de pena
	Verificando o aprendizado
	3. Delitos
	Primeiras palavras
	Usurpação
	Conteúdo interativo
	Alteração de limites
	Exemplo
	Atenção
	Suprimir
	Deslocar
	Usurpação de águas
	Atenção
	Esbulho possessório
	Curiosidade
	Supressão ou alteração de marca em animais
	Dano
	Exemplo
	Atenção
	Apropriação indébita
	Ofício
	Profissão
	Emprego
	Atenção
	Verificando o aprendizado
	4. Figuras típicas
	Primeiras palavras
	Estelionato e outras falsidades
	Conteúdo interativo
	EstelionatoLiame entre o ilícito civil e penal
	Torpeza bilateral
	Demais fraudes
	Estelionato privilegiado
	Disposição de coisa alheia como própria
	Alienação ou oneração fraudulenta de coisa própria
	Defraudação de penhor
	Fraude na entrega de coisa
	Fraude para recebimemto de indenização ou valor de seguro
	Fraude no pagamento por meio de cheque
	Estelionato Majorado
	Fraude eletrônica
	Receptação
	Principais conceitos e características
	Modalidades de receptação
	Receptação própria e imprópria
	Receptação qualificada
	Atenção
	Figura equiparada
	Receptação culposa
	Receptação privilegiada
	Distinção entre crimes contra o patrimônio
	Verificando o aprendizado
	5. Conclusão
	Considerações finais
	Podcast
	Conteúdo interativo
	Explore +
	Referências

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