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ALIMENTOS • Expressão econômica ($) do Princípio da Solidariedade Familiar. • 1) Alimentos: dever jurídico entre familiares somente surge enquanto houver entre as pessoas o vínculo familiar (ser família é a causa; ter direito a alimentos é efeito) • 2) A percepção do pagamento dos alimentos jamais pode implicar num enriquecimento porque são destinados a manter o credor vivo com dignidade. • Diferente das obrigações civis, os alimentos não são destinados a conferir vantagem econômica. ALIMENTOS ESPÉCIES: 1) Civis ou côngruos (art. 1.694, CC): relativos ao padrão social (regra geral) 2) Naturais ou necessários (art. 1.694, §2º, CC): indispensáveis à vida (exceção) DEVER (vínculo abstrato) ≠ OBRIGAÇÃO (vínculo abstrato) FIXAÇÃO OBRIGAÇÃO: trinômio necessidade x possibilidade x razoabilidade. (Enunciado 573, VI Jornada de Direito Civil: “Na apuração da possibilidade do alimentante, observar-se-ão os sinais exteriores de riqueza.”) NECESSIDADE DE ALIMENTOS • Necessidade: o que se precisa para viver, de acordo com o padrão socioeconômico (senso subjetivo de normalidade). • Regra geral: alimentos são civis, apurados de acordo com a realidade socioeconômica das famílias. • Exceção: alimentos naturais (art. 1694, §2º, CC), que são fixados na base do indispensável para a subsistência (menor custo possível) • Ônus da prova de quem alega a exceção: a responsabilidade do próprio alimentando pela sua necessidade (“fato exclusivo do alimentando”). DEVER X OBRIGAÇÃO CÓDIGO CIVIL • Código Civil: dever (vínculo abstrato e genérico) • Art. 1.696 e 1.967, CC: parentesco (descendentes, ascendentes e os irmãos). • Art. 1.702 e 1.704, CC: matrimônio (cônjuges e companheiros) • Obrigação: vínculo concreto; partes identificadas e pensão fixada (quid e quantum debeatur) • Só haverá obrigação para as pessoas vinculadas abstratamente pelo dever. OBRIGAÇÃO Prova dos elementos do trinômio • 1) necessidade: pessoa não tem condições de suprir as despesas da sua sobrevivência, pelo que precisa de amparo econômico. • 2) possibilidade: aferida de acordo com a capacidade econômica do familiar que deve amparar a pessoa necessitada • 3) proporcionalidade: distribuição do ônus de sustentar de acordo com a razoabilidade (quem pode mais, contribui mais nos alimentos) ALIMENTOS: PODER FAMILIAR • Necessidade é presumida; possibilidade é imposta • Art. 22 (ECA): obrigação legal de sustento aos pais de filhos menores, na amplitude dos alimentos civis (art. 1.694, caput, CC) • Sempre direito aos alimentos civis: impossível responsabilizar a criança ou o adolescente pela própria necessidade, tampouco impô-los o trabalho para o próprio sustento. • Logo, não sendo o menor responsável pela própria necessidade, os alimentos sempre devem ser fixados pelo padrão da família (art. 1.694, CC). ALIMENTOS: PODER FAMILIAR • A Obrigação legal de sustento dos filhos menores é certa, porém ilíquida (sem quantum debeatur). • A liquidação da obrigação ocorre depende do exame judicial do trinômio. • Filho menor x pai ou mãe: valor só é encontrado após o exame das provas. • Filhos menores: direitos são iguais (art. 4º, ECA), mas as condições socioeconômicas (art. 1694, caput, CC) servem para fixar o valor da pensão. • LUXO X NECESSIDADE (art. 227, CF/88 e 4º, ECA) Pensão em favor de uma criança • Pensão alimentícia: sentença prolatada quando a pessoa credora tinha 7 anos de idade (ECA). • Maioridade: encerra o manto tutelar do ECA; alimentos sob a vigência do CC (trinômio para constituição da obrigação), ou seja, não há presunção da necessidade (tem de ser provada pela pessoa demandante) • Com a maioridade, a pensão alimentícia deve ser cancelada ? PODER FAMILIAR • Enunciado 344, IV Jornada de Direito Civil: “A obrigação alimentar originada do poder familiar (ECA), especialmente para atender às necessidades educacionais, pode não cessar com a maioridade.” (g.n.) • Súmula 358, STJ: cancelamento da pensão alimentícia por maioridade depende de contraditório mesmo que nos próprios autos. • RESULTADO: enquanto não houver contraditório para redução ou exoneração da obrigação alimentar, a pensão é mantida no mesmo valor. CUIDADO COM OS MITOS • 1) “Pensão alimentícia: até os 24 anos ou conclusão de curso superior” • FALSO: tudo de pende do caso concreto • Ex.: pai e mãe pobres; filho atinge a maioridade (art. 1.694, CC) • Ex.: filho(a), aos 19 anos, matriculado e curso superior, foi reprovado(a) três vezes por falta / pais têm condições de pagar faculdade • Ex.: filho(a) completa curso superior e deseja preparar-se para concurso público. Persistiria necessidade ? Haveria fundamentação jurídica para a decisão judicial que manteria a pensão alimentícia ? AC: 70080212723 Publicação 01/03/2019 • Com a maioridade, os alimentos deixaram de encontrar seu fundamento no dever de sustento dos pais para com os filhos menores (art. 1.566, inc. IV, do CCB) e que faz presumida a necessidade e passaram a amparar-se na obrigação existente entre parentes (art. 1.694 e seguintes do CCB), desaparecendo, a partir daí, a presunção de necessidade, que deve ser provada por quem alega, ou seja, pelo beneficiário maior. Sétima Câmara Cível / TJRS • No caso, a apelante maior não se desincumbiu do ônus da prova das suas necessidades, o que enseja a exoneração dos alimentos. Pedido de retroatividade dos alimentos descabido nesta demanda. INFORMATIVO STJ 0484 • (...) É sabido que o advento da maioridade não extingue, automaticamente, o direito à percepção de alimentos, mas esses deixam de ser devidos em razão do poder familiar, passando a ter fundamento nas relações de parentesco (art. 1.694 do CC), exigindo a prova da necessidade do alimentado. Porém, o estímulo à qualificação profissional dos filhos não pode ser imposto aos pais de forma perene, sob pena de subverter o instituto da obrigação alimentar oriunda das relações de parentesco, que objetiva preservar as condições mínimas de sobrevida do alimentado. INFORMATIVO STJ 0484 • Em rigor, a formação profissional completa-se com a graduação, que, de regra, permite ao bacharel o exercício da profissão para a qual se graduou, independentemente de posterior especialização, podendo assim, em tese, prover o próprio sustento (...) • Pergunta: só a graduação seria suficiente para completar a formação profissional do jovem ? Torná-lo apto a seguir uma carreira ? ESTATUTO DA JUVENTUDE LEI Nº 12.852/2013 • Em atendimento ao art. 227, §8º, I, CF (incluído pela Emenda Constitucional nº 65/2010), estabelece políticas públicas de juventude (de 15 a 29 anos), dentre as quais a potencialização da formação e preparação do jovem para o mercado de trabalho e construção de sua carreira. • Em resposta ao comando constitucional, surgiu o diploma legal tutelar da juventude. • É dever da família (sociedade e Estado) assegurar ao jovem o direito à educação e à profissionalização. INFORMATIVO STJ 0628 • Excepcionalmente, é admissível a fixação de alimentos em valores ou em percentuais diferentes entre os filhos. • Expressão exceção implica no ônus da prova de quem alega (sem a prova da diferença, pensão é fixada em igual valor). • Cada filho é diferente, tem necessidades distintas. ALIMENTOS ENTRE PARENTES SUJEITOS (art. 1.696 e 1.697, CC) que devem alimentos entre si: ascendentes; não os havendo, os descendentes. Após, os irmãos (germanos e unilaterais). Ordem subsidiária, sempre seguindo o grau de parentesco. SUBSIDIARIEDADE e CHAMAMENTO AO PROCESSO (art. 1.698, CC): sempre que se convoca quem estiver em vocação posterior a outrem na ordem do art. 1697, CC. SUBSIDIARIEDADE • ATENÇÃO: sequência subsidiária dos responsáveis pelos alimentos termina nos irmãos. • Alimentos pelos demais parentes (não inseridos no art. 1.697, CC) não configuram dever, apenas mera liberalidade (Informativo STJ 381) • Obrigação somente surge de quem tem o dever. • Enunciado 523, V Jornada de Direito Civil: “O chamamento dos codevedores para integrar a lide, na formado art. 1.698 do Código Civil, pode ser requerido por qualquer das partes, bem como pelo Ministério Público, quando legitimado. CHAMAMENTO AO PROCESSO • Somente pode ocorrer se comprovada a impossibilidade do devedor imediato de colaborar para o sustento do(a) alimentado(a) • Art. 1698, CC: intimamente ligado à característica da subsidiariedade (art. 1.696 e 1.697, CC0 • Logo, admite-se o chamamento ao processo do responsável subsidiário (na sequência do art. 1697) quando provado que o devedor originário não puder suportar o amparo econômico necessitado. CARACTERÍSTICAS • Art. 1.696 e 1.702, CC: reciprocidade do dever alimentar (quem é credor também pode ser devedor), que só não ocorre no âmbito do poder familiar. • Art. 1.697, CC: subsidiariedade da responsabilidade alimentar (característica apenas entre parentes) • Padrasto / madrasta: não implica em parentalidade socioafetiva automaticamente (somente mediante a prova da posse do estado de filho). • Contudo, havendo essa prova, não haverá padrasto ou madrasta, mas sim pai ou mãe. AÇÃO DE ALIMENTOS Rito especial: Lei nº 5.478/68 • Autora: criança de 7 anos; representante legal é a mãe • Réu: pai. • Art. 22, ECA: obrigação de sustento (pai e mãe) • Petição inicial: relato (planilha) da necessidade e provas do vínculo familiar entre as partes e da necessidade + indícios da possibilidade do réu (cognição sumária) • Citação: fixação dos alimentos provisórios (art. 4º) – tutela da evidência AÇÃO DE ALIMENTOS • Alimentos provisórios: admitem interposição de agravo de instrumento + obrigação de pagar os alimentos surge a partir da citação. • Instaura-se o contraditório • AIJ: após concluída a fase postulatória; o valor dos provisórios estabilizados • Fase instrutória: elementos probatórios exaurientes quanto à necessidades (existência e valor) + a possibilidade do pai e da mãe • OBS: obrigação não é solidária porque cada um deve pagar dentro das suas forças econômicas (proporcionalidade) AÇÃO DE ALIMENTOS • Necessidade do alimentando: 4 mil (realidade socioeconômica da família) • Pai: renda de 8 mil (20% - 1.600 reais) • Mãe: renda de 7 mil (20% - 1.400,00 reais) • Resíduo de R$ 1.000,00 (avós) • Resultado: prolação da sentença (criança sacrificada) ou citação dos avós (chamamento ao processo) • Chamamento dos avós = designação de nova audiência (relação processual será composta pelos avós, que terão direito assegurado a contraditório e ampla defesa) CUIDADO COM OS MITOS • 2) “A separação dos pais sempre diminui o padrão socioeconômico dos filhos” • FALSO: e se os pais tiverem alto poder aquisitivo ? E se o alimentante retornar à residência de seus pais e, por isso, passar a ter menos despesas ? E se os avós tiverem excelente capacidade econômica para colaborar ? Alimentos avoengos • Avó paterna: por ser dona de casa, ela não tem possibilidade (avó tem dever de pagar alimentos, logo não é obrigada; neste caso, nada a pagar). • Avô paterno: 500 reais (renda mensal de 25 mil) • Avô materno: 300 reais (renda mensal de 15 mil) • Avó materna: 200 reais (renda mensal de 10 mil) ALIMENTOS AVOENGOS • Enunciado 342, IV Jornada de Direito Civil: “Observadas suas condições pessoais e sociais, os avós somente serão obrigados a prestar alimentos aos netos em caráter exclusivo, sucessivo, complementar e não- solidário quando os pais destes estiverem impossibilitados de fazê-lo, caso em que as necessidades básicas dos alimentandos serão aferidas, prioritariamente, segundo o nível econômico-financeiro de seus genitores.” SÚMULA STJ 594 • O Ministério Público tem legitimidade (concorrente) para ajuizar ação de alimentos em proveito de criança ou adolescente independentemente do exercício do poder familiar dos pais, ou do fato de o menor se encontrar nas situações de risco descritas no art. 98 do Estatuto da Criança e do Adolescente, ou de quaisquer outros questionamentos acerca da existência ou eficiência da Defensoria Pública na comarca. INFORMATIVOS STJ E ALIMENTOS AVOENGOS • INFO STJ 236 / 315 / 421 / 438: obrigação dos avós é sempre subsidiária e complementar. • INFO STJ 464: responsabilidade repartida entre os avós paternos e maternos (todos são ascendentes de 2º grau). • INFO STJ 483: produção probatória acerca do trinômio por não terem os avós poder familiar (eles não tem obrigação legal, apenas dever). SÚMULA STJ 596 • A obrigação alimentar dos avós tem natureza complementar e subsidiária, somente se configurando no caso de impossibilidade total ou parcial de seu cumprimento pelos pais. • Se judiciário entender que as necessidades do menor estão atendidas, não se chamam os avós ao processo. • Não cabe à parte decidir citar ou não os avós: decisão é do judiciário e fundamentado na prova da impossibilidade total ou parcial produzida nos autos TJRS / AC: 70082838137 Relator: José Antônio Daltoe Cezar Oitava Câmara Cível • Caso dos autos em que inexiste comprovação cabal acerca da impossibilidade de a genitora prover a subsistência das filhas, na medida em que labora e possui rendimentos fixos, além de as alimentandas não possuírem gastos extraordinários comprovados. Publicação: 03/02/2020 • Outrossim, em que pese a alegação de o genitor não possuir paradeiro certo, restou comprovada a ausência de esgotamento das possibilidades de localização e das técnicas coercitivas existentes para constrangê-lo ao cumprimento da obrigação alimentar. Assim, não há falar em responsabilidade dos avós, que é subsidiária ou complementar, e não solidária. Avó que não possui condições de auxiliar as netas, visto que possui rendimentos pouco expressivos. AI: 70079608675 TJRS – Publicação: 26/04/2019 • A obrigação de prover o sustento dos filhos é de ambos os genitores, isto é do pai e da mãe, e de um na falta do outro. O chamamento dos avós para prestar alimentos somente cabe em situação de excepcional necessidade. O fato de o pai não estar prestando de forma regular os alimentos não transfere automaticamente a responsabilidade para a avó paterna. Descabe fixar alimentos provisórios quando se desconhece a situação econômica dos genitores e dos avós. IDOSO E AÇÃO DE ALIMENTOS AVÓS X IDOSOS • Autor: Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), idoso é pessoa vulnerável (fragilizado pela necessidade econômico). • Réu: Código Civil, pois, neste caso, o idoso tem a capacidade econômica, tem dinheiro; não está fragilizado, apesar de ser vulnerável, provada a sua possibilidade econômica. • Idoso é o condenado a pagar alimentos: comprovada judicialmente a possibilidade dele ESTATUTO DO IDOSO CARÁTER SOCIAL: idoso não é preso às regras do Código Civil; todos familiares são devedores solidários (não há subsidiariedade), na forma do art. 12. Assim, tem o direito de direito de optar pelo familiar que lhe deve alimentos. TÍTULO EXECUTIVO EXTRAJUDICIAL: acordo de alimentos em favor do idoso com familiares assinado por participação do MP ou DP (art. 13) ASSISTÊNCIA SOCIAL: nenhum familiar possibilitado de prestar alimentos. (art. 14) Lei dos Alimentos e CPC (também o CC): aplicação subsidiário à Lei nº 11.741/2003 (art. 11) Enunciado 599 VII Jornada de Direito Civil • Deve o magistrado, em sede de execução de alimentos avoengos, analisar as condições do(s) devedor(es), podendo aplicar medida coercitiva diversa da prisão civil ou determinar seu cumprimento em modalidade diversa do regime fechado (prisão em regime aberto ou prisão domiciliar), se o executado comprovar situações que contraindiquem o rigor na aplicação desse meio executivo e o torne atentatório à sua dignidade, como corolário do princípio de proteção aos idosos e garantia à vida. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL INFORMATIVO STJ 0617 • Havendo meios executivos mais adequados e igualmente eficazes para a satisfação da dívida alimentar dos avós, é admissível a conversão da execução para o rito da penhora e da expropriação, a fim de afastar o decreto prisional em desfavor dos executados. • Idoso executado (devedor inadimplente de alimentos) compatrimônio: penhora (não se deve prender) • Idoso executado (devedor de alimentos) sem patrimônio: prisão TRANSMISSIBILIDADE • Art. 1.700, CC: obrigação é transmitida aos herdeiros do devedor (dever abstrato não se transmite), nascida do direito à vida digna da pessoa credora. • Enunciado 343, IV Jornada de Direito Civil: “A transmissibilidade da obrigação alimentar é limitada às forças da herança.” • ATENÇÃO: dever não é transmitido ! • Herdeiros: recebem os bens e a responsabilidade de sustentar a pessoa identificada como necessidade de alimentos. OBRIGAÇÃO • Transmite-se a obrigação; jamais o dever de prestar alimentos. • Se a pessoa morta não estiver obrigada a pagar por decisão judicial ou acordo, não ocorre transmissão para os herdeiros. • Cumprimento de uma prestação de dar, fazer ou não-fazer. • Obrigação alimentar: prestação em espécie ($) ou in natura periódica • Outra característica: alternatividade (art. 1.701, CC) INFORMATIVO STJ 0587 • O falecimento do pai do alimentando não implica a automática transmissão do dever alimentar aos avós. • MOTIVO: não se transmite dever, de acordo com o art. 1.700, CC. INFORMATIVO STJ 0534 • O espólio de genitor do autor de ação de alimentos não possui legitimidade para figurar no polo passivo da ação na hipótese em que inexista obrigação alimentar assumida pelo genitor por acordo ou decisão judicial antes da sua morte (ao tempo da morte, havia dever, e não obrigação). INFORMATIVO STJ 0531 • Não cabe prisão civil do inventariante em razão do descumprimento do dever do espólio de prestar alimentos. • Art. 1700, CC: obrigação é dos herdeiros, e não do espólio. TRANSMISSÃO AOS HERDEIROS • Condenado a pagar alimentos: Joaquim, cuja renda mensal era de 30 mil/mês, era obrigado a pagar alimentos fixados em 15% em favor da ex- companheira. • Joaquim morreu, logo a obrigação é transmitida para seus herdeiros (art. 1.700, CC). • Herdeiros do devedor: José (rendimentos mensais de 18 mil) e Maria (rendimentos mensais de 26 mil) • Alimentos do credor do devedor falecido ? • Não se consideram os rendimentos pessoais dos herdeiros, mas sim as forças da herança INFORMATIVO STJ 0555 • Extingue-se, com o óbito do alimentante, a obrigação de prestar alimentos a sua ex-companheira decorrente de acordo celebrado em razão do encerramento da união estável, transmitindo-se ao espólio apenas a responsabilidade pelo pagamento dos débitos alimentares que porventura não tenham sido quitados pelo devedor em vida (art. 1.700 do CC) – 2ª Seção (3ª e 4ª Turmas uniformizaram jurisprudência da Corte). TJPE / APL 4180065 (10/10/2018) • A obrigação de prestar alimentos transmite-se aos herdeiros quando estabelecidos anteriormente à morte do alimentante, respeitando-se os limites da herança. • Considerando que a alimentada também é herdeira do alimentante, a obrigação alimentar deverá ser suportada pelo espólio até a realização da partilha e os valores pagos a título de alimentos deverão ser abatidos do quinhão atribuído à autora/apelante, sob pena de enriquecimento ilícito desta em detrimento dos demais herdeiros. • Violação da vigência do art. 1.700, CC ALIMENTOS: CARACTERÍSTICAS VIDA: INDISPONÍVEL Art. 1.707, CC • INCOMPENSÁVEIS • INALIENABILIDADE • IMPENHORÁVEIS • IRREPETÍVEIS (não se admite devolução do que se pagou) • (IR)RENUNCIÁVEIS (cônjuges e companheiros) DIREITO À VIDA: IRRENUNCÍAVEL • Decidir não exercer o direito (não usar o direito) o direito é diferente de renunciá-lo. • Quem decide não exercer resguarda-se no direito de exercê-lo futuramente, eventualmente (usar) • Quem renunciar deixa de ter o direito (dispor) • Alimentos: irrenunciáveis enquanto houver vínculo familiar (causa), salvo no âmbito matrimonial quando extinto o vínculo familiar. • Não havendo mais a causa (vínculo familiar), extingue-se o efeito (não há efeito sem causa). INFORMATIVO STJ 0624 • É possível, em sede de execução de alimentos, a dedução na pensão alimentícia fixada exclusivamente em pecúnia das despesas pagas "in natura", com o consentimento do credor, referentes a aluguel, condomínio e IPTU do imóvel onde residia o exequente. • Sentença de alimentos: pai pagaria em espécie valor para cobrir aluguel, condomínio e IPTU • Alternatividade: alimentos em dinheiro (espécie) ou in natura (art. 1.701, CC) INFORMATIVO STJ 0622 • A ação de prestação de contas ajuizada pelo filho em desfavor dos pais é possível quando a causa de pedir estiver relacionada com suposto abuso do direito à administração dos bens dos filhos. • Prestação de contas: autor... • A) Filho – art. 1.689, II, CC (exigência de prestação de contas da administradora) • B) pai / mãe – art. 1.583, §5º, CC (fiscalização): legitimidade concorrente de pai ou mãe • conjur.com.br: 27/05/2020 (IR)RENUNCIABILIDAE • Enunciado 263, III Jornada de Direito Civil: “O art. 1.707 do Código Civil não impede seja reconhecida válida e eficaz a renúncia manifestada por ocasião do divórcio (direto ou indireto) ou da dissolução da “união estável”. A irrenunciabilidade do direito a alimentos somente é admitida enquanto subsista vínculo de Direito de Família.” • Mesmo sentido: Informativo 260 STJ INFORMATIVO STJ 0553 • Tendo os conviventes estabelecido, no início da união estável, por escritura pública, a dispensa à assistência material mútua, a superveniência de moléstia grave na constância do relacionamento, reduzindo a capacidade laboral e comprometendo, ainda que temporariamente, a situação financeira de um deles, autoriza a fixação de alimentos após a dissolução da união. ALIMENTOS E SOCIEDADE CONJUGAL • Lei nº 11.441/2007: convenção de alimentos entre cônjuges no tabelionato de nota, âmbito da desjudicialização (interesse econômico privado, logo renunciável). • CÔNJUGE INOCENTE: alimentos CIVIS (art. 1.702) • CÔNJUGE CULPADO: sem direito a alimentos (art. 1.704), salvo a hipótese do art. 1.704, parágrafo único, CC (indispensáveis, ou seja, naturais) • Discussão de responsabilidade pelo rompimento da vida comum: apenas para a fixação da pensão alimentícia Art. 1566, III (cônjuges) e 1724 (companheiros), CC Dissolução do vínculo • 1) Inocente (art. 1.702, CC): não deu causa à ruptura da vida comum – alimentos civis (art. 1694, caput, CC) • 2) Culpado (art. 1.704, CC): deu causa ao rompimento da vida comum – não tem direito a alimentos • Exceção: culpado(a) não tem condições de se sustentar e não tem a quem lhe auxilie (alimentos naturais, indispensáveis) – art. 1.704, parágrafo único, CC • CULPA: discutida incidentalmente no processo de alimentos unicamente com escopo de fixação da pensão. EXONERAÇÃO LEGAL • 1) Art. 1.708, caput, CC: nova família constituída pela pessoa credora da pensão alimentícia. • Razão: cônjuges (art. 1.566, III, CC) e companheiros (art. 1.724, CC) têm assistência material mútua, não precisando prová-la porque é presumida por lei. • Já o concubinato exige a prova da assistência material entre os concubinos (art. 1.727, CC), na medida em que a lei não a presume. • OBS: não se discutem os elementos do binômio para exoneração nessa hipótese. EXEMPLOS • 1) Gustavo propõe ação de exoneração de alimentos em face de Alessandra; prova que ré casou-se com Luciano: procedência da pretensão autoral. • 2) Carlos propõe ação de exoneração de alimentos em face de Beatriz; prova que ré vive em união estável com Marcelo: procedência da pretensão autoral (desde que comprovada a união estável alegada pelo autor). • 3) Vitor propõe ação de exoneração de alimentos em face de Daniela, sua ex-esposa; prova que a ré vive em concubinato com Aurélio: improcedência da pretensão autoral, salvo de provada a assistência. EXONERAÇÃO: LEI (art. 1708, CC) • 2) Art. 1.708, parágrafo único, CC: comportamento indigno da pessoa que recebe alimentos contra quem os paga deve ser comprovado). • PROBLEMA: legislação não elenca quais são as condutas consideradas indignas. • Analogia também ao art. 557, CC (ingratidão da pessoa donatária). Práticade crime também dever entendida como conduta indigna. EXONERAÇÃO LEGAL • Enunciado 264, III Jornada de Direito Civil: Na interpretação do que seja procedimento indigno do credor, apto a fazer cessar o direito a alimentos, aplicam-se, por analogia, as hipóteses dos incs. I e II do art. 1.814 do Código Civil. • Enunciado 265, III Jornada de Direito Civil: Na hipótese de concubinato, haverá necessidade de demonstração da assistência material prestada pelo concubino a quem o credor de alimentos se uniu (não basta provar o concubinato porque a lei não presume a assistência mútua) EXONERAÇÃO LEGAL • Enunciado 345, IV Jornada de Direito Civil: “O “procedimento indigno” do credor em relação ao devedor, previsto no parágrafo único do art. 1.708 do Código Civil, pode ensejar a exoneração ou apenas a redução do valor da pensão alimentícia para quantia indispensável à sobrevivência do credor. • Credor(a): prova que não pode sobreviver sem o pagamento da pensão alimentícia. EXONERAÇÃO: LEI (art. 1709, CC) • A formação da família por quem paga alimentos não é, isoladamente, causa para exoneração, sequer redução. • O alimentante precisa produzir provas concretas da diminuição da sua capacidade econômica (não se presume). INFORMATIVO STJ 0557 • A constituição de nova família pelo devedor de alimentos não acarreta, por si só, revisão da quantia estabelecida a título de alimentos em favor dos filhos advindos de anterior unidade familiar formada pelo alimentante, sobretudo se não houver prova da diminuição da capacidade financeira do devedor em decorrência da formação do novo núcleo familiar. AC: 1000378-44.2019.8.26.0075 TJSP / Publicação: 27-11-2019 • Redução da capacidade econômica do alimentante não evidenciada. Ônus do artigo 373, inciso I, do Código de Processo Civil, do qual o interessado não se desincumbiu. Manutenção da verba alimentar fixada. Alegação de constituição de nova família e advento de nova prole que não aproveita ao alimentante. Circunstância que deveria ter sido mais bem sopesada antes do estabelecimento de novas obrigações. Inexistência de prova, outrossim, da redução das necessidades da menor, legalmente presumidas. INFORMATIVO STJ 0557 • Em regra, a pensão alimentícia devida a ex-cônjuge deve ser fixada por tempo determinado, sendo cabível o pensionamento alimentar sem marco final tão somente quando o alimentado (ex-cônjuge) se encontrar em circunstâncias excepcionais, como de incapacidade laboral permanente, saúde fragilizada ou impossibilidade prática de inserção no mercado de trabalho. TJRS - AC 70079986725 DOJ 06/03/2019 • Se o varão era o provedor da família e a mulher sempre se dedicou aos cuidados com a família e também auxiliava nas atividades desenvolvidas na propriedade, é cabível a fixação de alimentos por tempo suficiente para que obtenha inserção no mercado de trabalho. Os alimentos devem ser suficientes para atender as necessidades da esposa, mas dentro da capacidade econômica do alimentante e sem sobrecarregá-lo em demasia ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS • Constituem-se no ressarcimento de um prejuízo objetivo, surgido exclusivamente do desequilíbrio econômico ocasionado pela ruptura do matrimônio e carrega em seu enunciado uma questão de equidade. Identifica-se com a indenização devida pela perda de uma chance experimentada durante o matrimônio pelo cônjuge que mais perde com a separação (paradigma da solidariedade como eixo da dignidade da pessoa humana). ALIMENTOS COMPENSATÓRIOS • 1) não há necessidade • 2) não transitoriedade • 3) caráter indenizatório • Prejuízo econômico acentuado de uma das partes + perda de chance • Tempo indeterminado STJ, Recurso em Habeas Corpus nº 28.853-RS • (...) A pensão compensatória visa a reparar o passado, cuidando para que ele não falte no futuro. Tem a toda evidência, um propósito indenizatório, que não exclui sua função compensatória, mas antes, se completa, pois corrige um descompasso material causado pela separação e compensa o cônjuge que se viu em condições financeiras inferiores com o término da relação, e cobre as oportunidades que foram perdidas durante o matrimônio. ALIMENTOS GRAVÍDICOS Lei nº 11.804/2008 • CREDORA: gestante (art. 2º) • CAUSA DE PEDIR: necessidades temporárias relativas à gestação e ao nascituro (art. 1694, caput, CC). • DEVEDOR: indícios de paternidade (possibilidade aferida por prova nos autos) ou maternidade (relações homoafetivas). Faltando indícios, ação investigatória cumulada com alimentos. • NASCIMENTO: não cessa a obrigação, assumindo o crédito a criança. Autoria • Nascituro não pode ser autor porque não tem personalidade. • Alimentos à criança: devidos pela gestante e pela pessoa co-autora, responsabilidade concorrente. • Alimentos em favor de criança: criança é a autora; mãe é a representante legal; pai é o réu; alimentos repartidos entre pai e mãe. • Alimentos em favor da gestante: responsabilidade de quem dividirá a parentalidade com ela. ATENÇÃO • O objeto da ação é a pensão alimentícia. Portanto, a sentença não pode declarar o réu pai da criança (não se trata de ação investigatória de paternidade). • Indícios de paternidade constituem a fundamentação da sentença; dispositivo, somente a obrigação alimentar. • Não é necessária certeza da paternidade, bastam indícios. • Casamento (art. 1.597, CC) e união estável: presunção de paternidade, logo dispensados os indícios. • Na dúvida, melhor proteger o vulnerável. ALIMENTOS GRAVÍDICOS E O PROCESSO • Lei nº 5.478/68 (Lei dos Alimentos) e CPC: leis instrumentais de aplicação subsidiária à Lei nº 11.804/2008. • Enunciado 522, V Jornada de Direito Civil: Cabe prisão civil do devedor nos casos de não prestação de alimentos gravídicos estabelecidos com base na Lei n. 11.804/2008, inclusive deferidos em qualquer caso de tutela de urgência (aplicação subsidiária do CPC). TJRS / Oitava Câmara Cível Relator: Ricardo Moreira Lins Pastl • O requisito exigido para a concessão dos alimentos gravídicos, qual seja, indícios de paternidade, nos termos do art. 6º da Lei nº 11.804/08, deve ser examinado, em sede de cognição sumária, sem muito rigorismo, tendo em vista a dificuldade na comprovação do alegado vínculo de parentesco já no momento do ajuizamento da ação, sob pena de não se atender à finalidade da lei, que é proporcionar ao nascituro seu sadio desenvolvimento. No caso, as mensagens eletrônicas trocadas entre as partes são suficientes a demonstrar plausibilidade na indicação de paternidade realizada pela agravante AI 70080929268 Julgado em 30/05/2019 • decorrente de relacionamento mantido no período concomitante à concepção, restando autorizado o deferimento dos alimentos gravídicos. Considerando que o juízo singular fixou alimentos à filha menor no valor equivalente a 30% do salário mínimo, e sopesando que alimentante exerce atividade laboral formal, com renda de cerca de um salário mínimo, cabível o estabelecimento de alimentos provisórios e de alimentos gravídicos no patamar equivalente a 20% dos rendimentos paternos. TJ-RS - AI: 70076564251 Data de Julgamento: 10/05/2018 • Caso dos autos em que decisão proferida pelo juízo singular indeferiu o pedido de alimentos gravídicos provisórios, sob a alegação da inexistência de prova segura ou fortes indícios da paternidade alegada. Decisão que merece reforma, uma vez que o artigo 6º da Lei 11.804/08 expõe como requisito para a concessão deste direito apenas a existência de indícios da paternidade. Neste sentido, em fase de cognição sumária, não se exige uma rigorosa análise quanto à comprovação do vínculo familiar, haja vista a dificuldade de constituir tal prova. Destarte, deve-se considerar essencialmente a finalidade dos alimentos gravídicos, priorizando ao nascituro sua proteção e o seu saudável desenvolvimento, em face de um possível prejuízo suportado pelo agravado na hipótese de negativa de paternidade. REVISÃO E O PROCESSO • AÇÃO: distribuição livre, pois não há identidade objetiva com a ação de alimentos. • PROCEDIMENTODAS AÇÕES DE FAMÍLIA: cabível tutela de urgência. • CAUSA DE PEDIR: alteração do binômio • MAJORAÇÃO / REDUÇÃO / EXONERAÇÃO: Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do pagamento retroagem à data da citação, vedadas a compensação e a repetibilidade. (Súmula 621 STJ). ART. 1699, CC Novo processo, novo contraditório • Prova de aumento da necessidade ou da possibilidade: pedido seria majoração • Prova de diminuição da necessidade ou da possibilidade: pedido seria redução • Prova de extinção da necessidade ou da possibilidade: pedido seria exoneração • Causa de pedir é a alteração do trinômio (mudança de fortuna): provar que a atual configuração do trinômio é diferente da época em que foi fixada a pensão alimentícia em revisão. Ação de revisão de alimentos • 1) petição inicial • 2) citação (pode ser requerida tutela de urgência, mas não cabem provisórios) • 3) contraditório • 4) instrução • 5) sentença: aplicam-se também os efeitos retroativas do art. 13, §2º, Lei nº 5.478/68 SÚMULA STJ 621 • Os efeitos da sentença que reduz, majora ou exonera o alimentante do pagamento retroagem à data da citação, vedadas a compensação e a repetibilidade.