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CENTRO UNIVERSITÁRIO INTERNACIONAL UNINTER GESTÃO DA PRODUÇÃO INDUSTRIAL ELVIS VALERIANO ALBINO 1163518 ATIVIDADE EXTENSIONISTA II GERENCIAMENTO DE RESÍDUOS E LOGÍSTICA REVERSA MOCOCA/SP 2023 RESUMO Atualmente a preocupação com os resíduos que são depositados no meio ambiente pelas indústrias e consumidores vem aumentando, pois os produtos são descartados com grande intensidade, principalmente devido à redução do seu ciclo de vida e ao avanço acelerado das tecnologias. Por outro lado, o governo acredita que as empresas devem ser responsáveis pelos resíduos, materiais e produtos que geram e que de alguma forma são inseridos no ambiente sem destinação adequada. Nesse contexto as organizações, em conjunto com os consumidores, na busca de melhorar o processo logístico e estar em consonância com a legislação e com as obrigações socioambientais encontraram na logística reversa uma forma de reaproveitar e reintegrar matérias-primas ao processo produtivo. Esta atividade tem o intuito de aprofundar o conhecimento na área e apresentar a logística reversa, seus conceitos e as dificuldades em sua implementação. O objetivo foi identificar o processo de logística reversa na empresa em estudo e traçar estratégias para a eficácia deste. A metodologia utilizada foi pesquisas sobre o tema desenvolvido, entrevistas em profundidade para obtenção dos dados e observações do campo de estudo. Nota-se que existem ainda lacunas a serem preenchidas para que o processo se torne eficaz e eficiente. Palavras-chave: Gestão, gerenciamento de resíduos, logística reversa. 1 1 INTRODUÇÃO A logística reversa tem sido objeto de estudo de muitos pesquisadores nas últimas décadas. Com o consumismo cada vez mais avançado, surgem diversas questões econômicas, sociais e ambientais a serem resolvidas. Os produtos desenvolvidos atualmente obtiveram seu ciclo de vida reduzido, para que os consumidores os descartem rapidamente. A tecnologia faz com que os produtos se tornem obsoletos em tempo recorde, por exemplo, o celular comprado em uma semana já não é mais atual na próxima semana, pois, já foram desenvolvidas novas tecnologias para o aparelho fazendo com que os consumidores desejem descartar o anterior o quanto antes. Assim, percebe-se que as empresas estão reconhecendo a importância de reintegrar seus produtos comercializados ao ciclo de produção. Já não lhes bastam o lucro, é necessário que atendam também os interesses sociais, ambientais e governamentais. Nessa perspectiva, o presente trabalho analisa as práticas de logística reversa implementadas numa empresa de média porte na cidade de Mococa no interior de São Paulo, visando: a) identificar as motivações que levaram as organizações a implementarem a logística reversa; b) identificar as barreiras para aplicação da logística reversa nas entidades; c) descrever o fluxo do processo logístico reverso nas empresas e d) identificar os benefícios obtidos pelas instituições com a implementação da logística reversa. 2 2 DESENVOLVIMENTO 2.1 Montec Mococa Montagens Industriais LTDA Conforme Atividade Extensionista 1, foi feito essa nova atividade na mesma empresa Montec Mococa que tem como razão social Montec Mococa Montagens Industriais Ltda foi fundada em 18/06/1993 no segmento de Indústrias com o CNPJ 71.702.450/0001-74. No mercado, a empresa está localizada na Rua Primo Quilici, Nº 323 no bairro Distrito Industrial I em Mococa - SP, CEP 13734-450. 2.2 Metodologia O método utilizado no desenvolvimento do presente estudo foi exploratório de caráter qualitativo, baseado em entrevistas em profundidade e observações diretas feitas pelo entrevistador em visita às empresas pertencentes à amostra. 2.2.1 Etapas do processo de Logística Reversa Primeira Etapa: a primeira etapa concentrou-se no conhecimento da empresa, onde realizaram-se visitas no local, obtendo conhecimento prévio de todo processo produtivo da mesma, de todas as atividades realizadas, desde o setor administrativo até o da faxina, e assim definindo-se os objetivos a serem alcançados. Segunda Etapa: a segunda etapa focou-se no desenvolvimento da revisão bibliográfica, com a intenção de conceituar e desenvolver uma lógica para a atividade extensionista, assim buscando conhecimento sobre o desempenho ambiental empresarial, metodologias para a elaboração de um Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos Industriais e metodologias para aplicação de Produção mais Limpa na empresa, para depois finalizar o processo de Logística Reversa. Terceira Etapa: na terceira etapa desenvolveu-se o Fluxograma do processo produtivo da empresa, onde, através dele, foi possível identificar os resíduos gerados em cada setor. Para a elaboração foi preciso à ajuda de um funcionário, pois o conhecimento de todo o processo produtivo da empresa seria de suma importância. 3 Figura 01: fluxograma do Processo Produtivo (autorizada pela empresa) Quarta Etapa: na quarta etapa realizou-se a elaboração do Plano de Gerenciamento de Resíduos Sólidos para a empresa, juntando-se os conhecimentos obtidos na revisão bibliográfica, na visita e nas informações passadas pela empresa. Sugeriu-se nesta etapa, a elaboração de Tabelas de controle dos resíduos gerados. Quinta Etapa: Nesta etapa, verificou-se possíveis técnicas de aplicação da prática de Produção mais Limpa na empresa, utilizando-se de conhecimentos obtidos na literatura. O primeiro passo para a implementação de um programa de Produção Mais Limpa – que tem a finalidade de evitar a geração de resíduos, emissões e efluentes e procurando medidas de reciclagem – é realizar uma sensibilização do empresário e gerente, salientando que o comprometimento gerencial da empresa é de extrema importância para que o programa siga em frente e tenha sucesso. 4 2.2.2 Recebimentos de Chapas Dando início ao processo produtivo, a principal matéria prima utilizada é a chapa de aço, que como resíduos gerados, identificam-se os resíduos Classe II B (Inertes) como: plásticos que envolvem as chapas de aço e pedaços de madeira para a divisão das mesmas, e os resíduos Classe I (Perigosos), como: caneta marcadora - que é utilizada na marcação das peças, panos e estopas. A Figura 02, a seguir, demonstra como as chapas de aço são armazenadas. Figura 02: armazenagem das chapas de aço (autorizada pela empresa) Este setor apresenta como impacto a ocupação no aterro e esgotamento/redução da disponibilidade de recursos naturais. 2.2.3 Setor de corte, dobra, furadeira e solda O setor de corte é o maior gerador de resíduos em uma empresa metalúrgica, cada peça fornecida tem um formato e uma estrutura diferenciada. A chapa é colocada inteira em uma máquina de corte a laser, para melhor e maior aproveitamento da chapa de aço. Porém ainda gera resíduos com os retalhos de aço, panos e estopas. A Figura 03, abaixo, demonstra o resíduo do corte a laser da chapa de aço. 5 Figura 03: chapa cortada (autorizada pela empresa) Depois de cortada algumas peças podem seguir para o setor de dobra, furadeira e solda, ou furadeira, dobra e solda, ou somente da dobra para a solda ou da furadeira p ara a solda, vai depender do tipo de peça a ser produzida naquele momento. O setor de dobra não apresenta nenhum resíduo relevante, somente quando alguma peça é dobrada com falhas, que assim será descartada. Já no setor da furadeira e solda, encontram-se bastante retalhos das chapas, conforme a Figura 04. Figura 04: retalhos do setor de furadeira e solda (autorizada pela empresa) Estes setores apresentam como impactos a ocupação no aterro e esgotamento/redução da disponibilidade derecursos naturais. 2.2.4 Contêineres de armazenamento 6 No que diz respeito ao armazenamento, todos os plásticos, papéis, orgânicos, varrição e madeira estão armazenados em uma área chamada de “área de resíduos” e ficam mantidos em contêineres. De acordo com a Lei 12.305/2010 que trata da Política Nacional dos Resíduos Sólidos (PNRS), estes são classificados como resíduos não perigosos. Figura 05: contêineres de armazenamento (autorizada pela empresa) Estes setores apresentam como impactos a ocupação no aterro e esgotamento/redução da disponibilidade de recursos naturais. 2.2.5 Metais pesados Os metais pesados são armazenados sem que seja feito um controle de estoque dessas peças, não se conhece a quantidade de peças, as informações identificadoras que caracterizam cada uma, como diâmetro, largura, altura, e nem a data em que esses materiais foram armazenados nesse local. Isso dificulta no momento de localização dessas peças para serem reutilizadas, fazendo com que, muitas vezes, sejam esquecidas, pois demanda muito tempo. A Figura 06 mostra o local onde os metais pesados ficam mantidos. 7 Figura 06: localização de metais pesados (autorizada pela empresa) A empresa metalúrgica estudada reutiliza os resíduos de metais gerados nos processos produtivos e usa como matéria-prima secundária, a fim de reduzir custos. Isso mostra que a logística reversa causa não só benefícios para o meio ambiente como também para a rentabilidade e lucratividade da empresa. 8 3 CONCLUSÃO A logística reversa tem se tornado um diferencial das empresas. Percebe-se a necessidade em estar comprometido com a realização do processo, de forma que este atenda a todos os requisitos necessários. O objetivo da pesquisa foi identificar o processo de logística reversa na empresa em estudo, traçando estratégias para a eficácia deste. Nesse sentido, diante do projeto realizado pode-se concluir que o gerenciamento de resíduos junto com o processo de logística reversa, atuando nos processos de reutilização, retorno de materiais e reciclagem. No entanto, nota-se a falta de um responsável pelos processos de logística reversa, que realize planejamentos e controles mais específicos, acompanhando de perto tal processo e sua relação custo-benefício. Sugere-se ainda que sejam realizados palestras e treinamentos para que os funcionários tenham conhecimento da importância do processo de logística reversa dentro da empresa, isso fará com que os custos possam ser diminuídos e as questões ambientais atendidas. No que diz respeito à dificuldade de encontrar empresas conscientes que realizem o processo de reciclagem ou descarte dos resíduos, o responsável pela logística reversa deve conhecer o máximo possível da organização que será contratada, e se possível ir até as suas instalações. Para proporcionar o bem-estar da população, as empresas necessitam empenhar-se na manutenção de condições saudáveis de trabalho, em segurança, treinamento para seus funcionários, contenção ou eliminação dos níveis de resíduos tóxicos, decorrentes de seu processo produtivo e do uso ou consumo de seus produtos, de forma a não agredir o meio ambiente de forma geral, a elaboração e entrega de produtos ou serviços, devem estar de acordo com as condições de qualidade e segurança desejadas pelos consumidores. Desta forma espera-se estimular as empresas na busca pelo conhecimento e implantação desta metodologia ou outros sistemas afins. Estas metodologias inclusas no horizonte de negócios podem resultar em atividades que proporcionam lucro ou pelo menos se paguem com a poupança de energia ou de outros recursos naturais. 9 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ABNT. Associação Brasileira de Normas Técnicas. Sistemas de gestão da qualidade – Fundamentos e vocabulário. Rio de Janeiro, 2005. AMAOMO et al. Logística Reversa nas Metalúrgicas. In: SIMPOSIO DE EXCELÊNCIA EM GESTÃO E TECNOLOGIA, 6., 2014, Rio de Janeiro. Gestão do Conhecimento para Sociedade. Rio de Janeiro, 2014. IPEA (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada). Diagnóstico dos Resíduos Sólidos Industriais, Brasília, 2012. Disponível em: