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Hipotireoidismo e hipertireoidismo na infância Profa Vanessa Baudichon D Maintinguer Origem embriológica 24 dias – espessamento do assoalho da faringe primitiva Migração pelo pescoço – ventral ao osso hióide e cartilagem tireóide Ducto tireoglosso – até 7ª semana 7ª semana – tireóide na região cervical, ducto tireoglosso reabsorvido Tireóide Ectópica Tireóide Ectópica Cistos de Ducto Tireoglosso Cistos de Ducto Tireoglosso http://carloseduardopinheiro.blogspot.com Funções da célula folicular 1. Sintetizar tireoglobulina 2. Transportar o iodeto da corrente sanguínea para o colóide no centro do folículo (no colóide o iodeto é oxidado pela enzima tireoperoxidase) (o iodo se liga a tirosina da tireoglobulina – MIT, DIT, que conjugam em T3 e T4) 3. Liberar os hormônios tireoidianos da tireoglobulina e secretar na circulação Circulação T3 e T4 nível plasmático normal → T4 = 5 a 12 μg/dL // T3 = 0,08 a 0,22 μg/dL T3 e T4 - são ligados às proteínas plasmáticas (albumina, transtiretina e a globulina de ligação da tiroxina (TBG) As proteínas de ligação dos hormônios tireoidianos servem principalmente para transportar T4 e T3 no soro e para facilitar a distribuição uniforme dos hormônios dentro dos tecidos. Fisiologicamente, T4 e T3 livres (não ligadas) no plasma são ativas e inibem a secreção hipofisária de TSH. Ação nos órgãos alvo Hipotireoidismo Produção insuficiente de hormônios tireoidianos T3/T4 • Congênito • Adquirido • Primário: doença primária da tireóide • Central • Secundário: redução na produção hipofisária de TSH • Terciário: redução na produção hipotalâmica de TRH Hipotireoidismo Congênito • Hipotireoidismo de causa iniciada ainda intra-útero • 1/3000 nascidos vivos • principal causa evitável de deficiência mental • Quanto mais precoce iniciar o tratamento – melhor o prognóstico intelectual Hipotireoidismo Congênito • Diagnóstico clínico difícil no período neonatal – sintomas pouco evidentes (icterícia, pele ressecada), 20% assintomáticos • Importância dos testes de triagem neonatal!!!! Hipotireoidismo Congênito - Etiologia DISGENESIA TIREOIDIANA DISORMONIOGÊNESE HIPOTIREOIDISMO CONGÊNITO TRANSITÓRIO DEFEITOS GENÉTICOS CENTRAIS Hipotireoidismo Congênito - Etiologia • DISGENESIAS TIREOIDIANAS – 80% dos casos, maioria esporádico • Atireose (35 a 40%) • Ectopia (35 a 40%) • Hipoplasia • DISORMONIOGÊNESE – 10 a 20% dos casos (maioria autossômico recessivo) • deficiência na captação de iodeto, deficiência na organificação, deficiência na desiodinação das iodotirosinas, diminuição da síntese de tireoglobulina, ou mutações dos receptores de TSH das células tireoidianas Hipotireoidismo Congênito - Etiologia • TRANSITÓRIO - 5 a 10% dos casos, • uso materno de medicamentos antitireoidianos, • exposição materna ou neonatal a agentes iodados (antissépticos, antitussígenos, contrastes), • passagem transplacentária de anticorpos maternos que bloqueiam o receptor de TSH • deficiência da ingestão de iodo. • DEFEITOS GENÉTICOS CENTRAIS • mutações do gene do TSH ou no receptor de TSH. • geralmente associado a outras deficiências hormonais (pan-hipopituitarismo). Hipotireoidismo Congênito – Quadro Clínico • NEONATO: Pode ser assintomático Quadro clássico: icterícia prolongada, obstipação intestinal, pele fria e seca, livedo reticularis, sonolência, cianose, macroglossia, choro rouco, dificuldade para mamar, fontanelas amplas, hérnia umbilical Raro: bócio (defeitos de síntese hormonal) • LACTENTE: Atraso DNPM, redução na velocidade de crescimento, atraso no fechamento das fontanelas, anemia (palidez), bradicardia • PRÉ-ESCOLAR: Baixa estatura desproporcional, retardo mental, facies característica Hipotireoidismo Congênito – Quadro Clínico Hipotireoidismo Congênito – Diagnóstico • TRIAGEM NEONATAL • coleta de sangue em papel filtro entre 3º a 5º dia de vida • Se TSH > 20 mU/mL → colher exame de sangue para confirmar (T3, T4, TSH) • CUIDADO: • não colher antes!!!! Pico fisiológico de TSH ao nascimento!!! • 5% das crianças fazem pico tardio de TSH, após 5º dia, e não alteram o teste de triagem – manter vigilância clínica mesmo nas crianças com teste do pezinho normal Hipotireoidismo Congênito – Diagnóstico • Teste do pezinho alterado – TSH > 20 mU/mL •Colhe exames de sangue: • T4 9 mcU/mL, no período neonatal → provavelmente portadoras de HipoT Cong. TRATAMENTO!!! Hipotireoidismo Congênito – Diagnóstico Etiológico T4Livre, TG (tireoglobulina), USG tireóide TG baixa T4L baixo USG – T não visível Agenesia da tireóide TG mensurável T4L mensurável USG – T não visível ou ectópica Tireóide ectópica TG mensurável T4L baixo USG – T visível e tópica Glândula normal*** Bócio*** Hipoplasia Hemitireóide Hipotireoidismo Congênito – Diagnóstico Etiológico avaliação aos 3 anos de idade suspender levotiroxina por 3 a 4 semanas dosar TSH TSH ELEVADO Hipotireoidismo permanente (investigar causa) Reiniciar Levotiroxina TSH NORMAL Repetir após 3 a 6 semanas TSH NORMAL Hipotireoidismo transitório Hipotireoidismo Congênito – Tratamento INICIAR PREFERENCIALMENTE ANTES DE 14 DIAS DE VIDA • Levotiroxina oral – 10 mg/Kg/dia, 1x ao dia em jejum, comprimido amassado, servido com líquido (água ou leite) e aguardar meia hora sem alimentar Hipotireoidismo Congênito – Monitoração do Tratamento Coletar TSH, T4L: → após 2 a 4 semanas do início do tratamento → 1x por mês no primeiro ano de vida → a cada 2 a 3 meses entre 2 e 3 anos → a cada 3 meses, espaçando até 1x por ano – após 3 anos Ajustar a levotiroxina conforme necessário – manter TSHAdulto →01-02 mcg/kg/dia Colher novos TSH, T4L após 3 semanas de tratamento e ajustar a dose da medicação Controles a cada 3 meses, espaçando conforme o caso Hipertireoidismo Hipertireoidismo • Primário: ↑T3 / T4 , ↓TSH • Doença de Graves • Bócio multinodular hiperfuncionante • Adenoma tireoidiano hiperfuncionante • Secundário (origem na hipófise): ↑T3 / T4 , ↑TSH • Adenoma hipofisário produtor de TSH (adenoma tireotrofo) • Outros secundários: ↑T3 / T4 , ↓TSH • Struma ovarii (teratoma ovariano com tecido tireoidiano ectópico) • Tiretoxicose factícia (ingestão de tiroxina exógena) Hipertireoidismo • Primário: ↑T3 / T4 , ↓TSH • DOENÇA DE GRAVES • Bócio multinodular hiperfuncionante • Adenoma tireoidiano hiperfuncionante • Secundário (origem na hipófise): ↑T3 / T4 , ↑TSH • Adenoma hipofisário produtor de TSH (adenoma tireotrofo) • Outros secundários: ↑T3 / T4 , ↓TSH • Struma ovarii (teratoma ovariano com tecido tireoidiano ectópico) • Tiretoxicose factícia (ingestão de tiroxina exógena) Doença de Graves • 90% dos casos de hipertireoidismo na infância • RARO antes dos 5 anos • Incidência aumenta – pico 11 aos 15 anos • GRAVES NEONATAL • passagem de anticorpos placentários (mãe tem Graves) • resolve até os 3 meses de vida Doença de Graves DOENÇA AUTO-IMUNE • Autoanticorpos que atuam no receptor do TSH • Maior produção de T3/T4 • Hiperplasia e hipertrofia de células foliculares FIBROBLASTOS PRÉ-ADIPÓCITOS DA ÓRBITA EXPRESSAM RECEPTOR DE TSH • Ativação de resposta inflamatória em tecidos peri-orbitais • Edema • Acúmulo de glicosaminoglicanas • Infiltração adiposa Doença de Graves Doença de Graves – Quadro Clínico • Sintomas iniciais do hipertireoidismo: agitação, dificuldade de concentração e queda no rendimento escolar. • Bócio (em 98% dos casos), • Irritabilidade, sudorese, taquicardia, diarreia, emagrecimento, aumento do apetite, sono agitado, dispneia, intolerância ao calor, labilidade emocional, mãos úmidas e quentes e tremores finos de extremidades • Oftalmopatia infiltrativa (exoftalmia) ocorre em 50% dos casos de doença de Graves na infância. Doença de Graves – Diagnóstico Laboratorial • TSH: baixo ou suprimido nas afecções primárias da tireoide; • T3 e T4 totais e livres elevados; • aumento da idade óssea; • anticorpo antirreceptor do TSH (TRAB) positivo na doença de Graves; • US de tireoide: aumento difuso da glândula; • cintilografia de tireoide e captação de I131: bócio com captação aumentada na doença de Graves ou nódulo único hipercaptante. Doença de Graves – Tratamento • Objetivo do tratamento: Reduzir a produção de hormônio tireoidiano Reduzir os efeitos do hormônio tireoidiano • Drogas utilizadas: • Propiltiuracil (PTU) – evita uso em crianças – hepatotoxicidade • Metimazol Doença de Graves – Tratamento • Metimazol • Inibe a formação dos hormônios tireoidianos: • Inibe iodinação dos resíduos de tirosina mediado pela tireoperoxidase (TPO) • Efeito imunossupressor: • Queda nos níveis do TRAB, IL-2 e IL-6, • Aumenta a apoptose de linfócitos intratireoidianos e o número de linfócitos T supressores circulantes. Doença de Graves – Tratamento • Metimazol - 0,25 a 1 mg/Kg/dia – 1x ao dia Controle com exames após 4 a 6 semanas para ajuste de dose • Propranolol – 1 a 3 mg/kg/dia – 8/8horas Para melhorar hiperatividade simpático Doença de Graves – Tratamento • Tratamento definitivo: • Tireoidectomia • Radioiodoterapia