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Farmacologia dos Antimicrobianos Profa. Dra. Nívea Cristina Vieira Neves História da descoberta dos antimicrobianos O que são? Compostos naturais ou sintéticos • Inibem o crescimento ou causam a morte de bactérias e fungos Bactericidas ou bacteriostáticos Séc. XIX Louis Pasteur Fermentação e distribuição no ambiente van Leeuwenhoek ~1670 Descoberta das bactérias Séc. XIX Robert Koch Tuberculose, cólera e febre tifoide 1910 Paul Ehrlich Pai da Quimioterapia 1934 Proflavina 2ª Guerra Mundia Arsfenamina 1928 Alexander Fleming Descoberta da penicilina Gerhard Domagk 1935 Vermelho prontosil: Streptococcus spp. 1939 Era dos antibióticos Desenvolvimento/ produção de penicilina e outros para 2ª Guerra Mundial 1940- 1960 Produtos naturais Eficazes no tratamento de infecções por Gram-positivas 1960- 1980 Antibióticos semi- sintéticos Bactérias Gram- positivas e negativas Pró-fármaco → sulfas • Genômica e triagens de coleções de compostos • Novos protótipos x resistência 1980-2000 • Introdução de poucos antibióticos • 2001: linezolida 2000... • 2003 (FDA): daptomicina (estafilococos resistentes à oxacilina) • 2014: dalbavancina (MRSA) • 2018: plazomicina (ITU) Retomada das fontes naturais Quais são as perspectivas? Doenças infecciosas são a 2ª maior causa de morte Altas taxas de resistência bacteriana Decréscimo constante no nº de novos agentes Necessidades de agentes que atuem por mecanismos de ação diferentes Novas fontes de produtos naturais Contribuição da genômica na descoberta de antimicrobianos naturais Novos mecanismos de ação Novos ensaios antimicrobianos Resistência microbiana O que é? • Resposta microbiana frente ao amplo uso • Rápida multiplicação, mutação e promiscuidade Fenômeno ecológico • Antes do séc. XIX: ambiente hospitalar • Atual: diversos ambientes e indivíduos saudáveisLocais • Uso extensivo/inapropriado dos antimicrobianos, más condições de higiene, fluxo contínuo de viajantes, aumento de pacientes imunocomprometidos e demora no diagnóstico das infecções Causas Fatores relacionados à resistência Estratégias para se evitar ● Inativação do antimicrobiano por alteração química direta na molécula ● Modificação do alvo que leva à perda de sensibilidade do antimicrobiano ● Mudanças na bomba de efluxo e permeabilidade externa da membrana ● Transmissão do alvo ● Prevenção de infecções bacterianas com o uso de vacinas ● Uso racional de antimicrobianos ● Controle e prevenção da disseminação de microrganismos resistentes ● Descoberta e desenvolvimento de novos agentes ● Caracterização dos genes responsáveis pela resistência Farmacocinética e Farmacodinâmica dos Antimicrobianos O que é? Farmacocinética Farmacodinâmica ● Parâmetros ADME ● Adequação da posologia, via de administração e intervalo entre as doses ● Interação dos fármacos com seus alvos moleculares ● Conceito de CIM (ou MIC) = menor concentração capaz de inibir o desenvolvimento do microrganismo Farmacocinética e Farmacodinâmica relacionadas com a evolução clínica Outro conceito importante é a meia-vida do antimicrobiano, que corresponde ao tempo necessário para que a concentração sérica máxima, alcançada com a administração de uma dose padrão, se reduza à metade. Determinado pelo grau de excreção ou metabolização, e difusão tecidual Principais mecanismos de ação β-lactâmicos Síntese de parede celular 1. Penicilinas 2. Cefalosporinas 3. Carbapenens 4. Monobactâmicos β-lactâmicos - Penicilinas Mecanismo: interferem na síntese do peptidioglicano da parede celular bacteriana • Alvo: enzima transpeptidase Estrutura: anel β-lactâmico fundido a outro anel • Sistema bicíclico: mimetiza o resíduo peptídico terminal D-Ala-D-Ala da cadeia de peptidioglicano (substrato da enzima) Bactericidas, amplo espectro, eficácia clínica e excelente perfil de segurança A = anel de tiazolidina (5 ou 6 membros) B = anel β-lactâmico Estrutura e propriedades das principais categorias de penicilinas em uso clínico Nucleófilo em reação intramolecular: • Promove a abertura do anel β- lactâmico em meio ácido • Uso oral inviabilizado Penicilinas Naturais • Benzilpenicilina (Penicilina G) • Fenoximetilpenicilina (Penicilina V) • Sensíveis à β-lactamase • ↓ espectro de ação (Gram-positivas) Penicilinas semissintéticas • Resistentes à β- lactamase: oxacilina, meticilina, flucloxacilina, temocilina • Largo espectro: ampicilina, amoxicilina • Espectro estendido: carbenicilina, ticarcilina e piperacilina Inibidores da β-lactamase • Ácido clavulânico, sulbactam e tazobactam • Fraca ação antimicrobiana • Usado em combinação com penicilinas de amplo espectro Usos clínicos das penicilinas Indicação clínica Principais bactérias Penicilina Meningite bacteriana Neisseria meningitides, Streptococcus pneumoniae Penicilina G em altas doses (IV) Infecções ósseas e articulares Staphylococcus aureus Flucloxacilina Infecções de pele e tecidos moles Streptococcus pyogenes ou S. aureus Penicilina G, flucloxacilina Mordidas de animais: Amox + Clav Faringite S. pyogenes Penicilina V Otite média S. pyogenes, Haemophilus influenzae) Amoxicilina Bronquite Várias Amoxicilina Pneumonia Várias Amoxicilina ITU Mais comum: Escherichia coli Amoxicilina Gonorreia Neisseria gonorrhoeae Amoxicilina (+ probenecida) Sífilis Treponema pallidum Benzilpenicilina procaína Endocardite Streptococcus viridans, Enterococcus faecalis Altas doses IV de penicilina G (+ aminoglicosídeos) Aspectos Farmacocinéticos Distribuição Eliminação ● Amplamente distribuídas pelo corpo → articulações, cavidade pleural e pericárdica, bile, saliva, leite, placenta ● Atravessam a BHE se as meninges estiverem inflamadas → concentrações efetivas no LCR ● 90% por secreção tubular ● T1/2: relativamente curta Efeitos adversos β-lactâmicos - Cefalosporinas Mecanismo: interferem na síntese do peptidioglicano da parede celular bacteriana • Alvo: enzima transpeptidase Estrutura: anel β-lactâmico fundido a outro anel • Sistema bicíclico menos tensionado que as penicilinas → maior estabilidade à abertura do anel β-lactâmico Bactericidas, amplo espectro, eficácia clínica e excelente perfil de segurança Cefalosporinas 1ª geração: • Cefazolina, cefalotina, cefadroxila e cefalexina • Podem ser usadas na gestação • Não atravessam a BHE • Infecções por S. aureus e Streptococcus 2ª geração: • Cefamandol, cefonicida, cefuroxima e cefaclor 3ª geração: • Cefotaxima, ceftriaxona •Melhor absorção pelo SNC •Anti-Pseudomonas: Cefoperazona, ceftazidima 4ª geração: • Cefpiroma e cefepima • Devem ser reservadas para infecções graves cujo antibiograma não revele sensibilidade às outras cefalosporinas Gram positivas Incremento na potência e espectro de ação, particularmente em bactérias Gram negativas Usos clínicos das cefalosporinas Indicação clínica Cefalosporina Septicemia Cefuroxima e cefotaxima Pneumonia Verificar microrganismos suscetíveis Meningite Ceftriaxona e cefotaxima ITU Especialmente na gravidez ou pacientes que não respondem a outros fármacos Sinusite Cefadroxila Infecções de partes moles Cefalosporinas de 1ª geração Aspectos Farmacocinéticos Distribuição Eliminação ● Amplamente distribuídas pelo corpo ● Atravessam a BHE: cefotaxima, cefuroxima e ceftriaxona ● Secreção tubular ● 40% da ceftriaxona é eliminada na bile Efeitos adversos β-lactâmicos - Carbapenens Mecanismo: interferem na síntese do peptidioglicano da parede celular bacteriana • Alvo: enzima transpeptidase Estrutura: anel β-lactâmico fundido a outro anel • Configuração estereoquímica diferente da cadeia lateral acíclica confere resistência Bactericidas, amplo espectro, eficácia clínica e excelente perfil de segurança Carbapenens Representantes eespectro Indicações clínicas ● Imipenem ● Meropenem ● Ertapenem ● Panipenem ● Biapenem ● Amplo espectro (ertapenem sem atividade para P. aeruginosa e Acinetobacter spp.) ● Resistência à β-lactamase NÃO É 1ª ESCOLHA: ● Infecções intrabdominais e pélvicas ● Pneumonia comunitária e nosocomial ● Paciente neutropênico febril ● Meningite (meropenem) ● Sem atividade para MRSA ● Ertapenem: eficaz contra K. pneumoniae produtora de β-lactamase Farmacocinética Absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● Não são absorvidos VO: uso IM ou IV ● Excelente penetração em em tecidos abdominais, respiratórios, bile, trato urinário, líquor (meropenem) e órgãos genitais ● Baixa ligação às PP ● Imipenem precisa estar associado à cilastatina para não ser degradado pela enzima DHI-1 nos rins ● Excreção predominantemente renal Efeitos adversos β-lactâmicos - Monobactâmicos Mecanismo: interferem na síntese do peptidioglicano da parede celular bacteriana • Alvo: enzima transpeptidase Estrutura: anel β-lactâmico (monocíclico) • Resistência à β-lactamase Bactericidas, ativo contra Gram negativos, eficácia clínica e excelente perfil de segurança Monobactâmicos Representante e espectro Indicações clínicas ● Aztreonam ● Efetivo contra BGN aeróbios: N. meningitides, H. influenzae e enterobacteriaceas ● Sem ação contra Gram-positivos e anaeróbios ● Resistência à β-lactamase Infecções do TU Bacteremias Infecções pélvicas a abdominais Infecções respiratórias Farmacocinética Absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● Não são absorvidos VO: uso IM ou IV ● Meia-vida plasmática de 2 horas Efeitos adversos Inibidores da síntese proteica Subunidade 50S 1. Macrolídeos 2. Lincosamidas 3. Estreptograminas 4. Cloranfenicol 5. Linezolida Mecanismo de ação: Interferem na elongação da cadeia peptídica durante a translação → bloqueia a biossíntese de proteínas bacteriana 1. Macrolídeos Representantes: eritromicina, claritromicina e azitromicina Estrutura: lactonas macrocíclicas de origem de 14 ou 16 membros • Ligadas a um açúcar e um amino-açúcar Bacteriostáticos Macrolídeos Espectro e resistência Indicações clínicas ● Amplo espectro ● Sem atividade contra Pseudomonas e enterobacteriaceas ● Resistência: diminuição da permeabilidade da célula ao antimicrobiano, alteração no sítio receptor da porção 50S do ribossomo e inativação enzimática 1ª escolha: Mycoplasma pneumoniae, Legionella pneumophila, Chlamydia spp. Pneumonia e Bronquite crônica Sinusite aguda e Otites médias Tonsilites e faringites Hanseníase e H. pylori (claritromicina) Macrolídeos Representante Características Eritromicina Amplo espectro de ação que inclui bactérias gram-positivas, além de treponemas, micoplasma e clamídias. É inativa contra enterobacteriaceas e Pseudomonas spp. Claritromicina Altamente ativa contra bactérias gram-positivas, sendo 2 a 4 vezes mais ativa do que a eritromicina contra a maioria dos estreptococos e estafilococos sensíveis à oxacilina. A atividade da claritromicina contra as bactérias gram-negativas é semelhante a da eritromicina, embora um pouco mais ativa contra a M. catarrhalis. A atividade contra anaeróbios é modesta, semelhante à eritromicina. Azitromicina Difere da eritromicina e da claritromicina por ter maior atividade contra bactérias gram-negativas, em particular H. influenzae. Entretanto, a maioria das enterobactérias são intrinsecamente resistentes, porque não conseguem penetrar na membrana externa efetivamente. Aspectos Farmacocinéticos Cinética Azitromicina Claritromicina Eritromicina Meia-vida ↑ T1/2 → dose única ↑ T1/2 → 2x/dia 4x/dia Tolerância gástrica Boa Boa Intolerância Distribuição Humor aquoso, ouvido médio, seios paranasais, mucosa nasal, amígdalas, tecido pulmonar, pleura, rins, fígado, vias biliares, pele e próstata. Por outro lado, não têm boa penetração em meninges, tecido ósseo e líquido sinovial Metabolismo e eliminação 75% forma inalterada, outros hepática e renal Metabolizada no fígado. Metade da dose administrada é excretada por via renal, na forma inalterada ou metabólito Parcialmente inativada no fígado e excretada na forma ativa na bile. É encontrada no leite materno e atravessa a barreira transplacentária, porém não é teratogênica Interações importantes: A inibição do citocromo P450 afeta a biodisponibilidade de outros fármacos Efeitos adversos Icterícia colestática Eritromicina 2. Lincosamidas Representantes: lincomicina e clindamicina Bacteriostáticos Lincosamidas Espectro e resistência Indicações clínicas ● Anaeróbios Gram-positivos e negativos ● Alternativa à coriorretinite ou encefalite por Toxoplasma gondii (em doses elevadas) e malária causada por P. vivax e P. falciparum ● Mecanismos de resistência semelhantes às anteriores Infecções intra-abdominais Infecções pélvicas (incluindo abortamento séptico) Infecções pulmonares (abscesso pulmonar, pneumonia aspirativa) Infecções odontogênicas, sinusites, otite crônica, osteomielites (causadas por estafilococos sensíveis à oxacilina ou anaeróbios) e infecções de pele por estreptococos ou estafilococos Erisipela e infecções de partes moles em pacientes alérgicos a penicilina Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● VO, IV ou tópica ● 90% absorção intestinal ● Sem interferência de alimentos ● Não atravessa BHE ● Metabolizada no fígado ● Eliminada com seus metabólitos por via biliar e, em menor parte, nos rins ● T1/2 aumenta na doença hepática Efeitos adversos 3. Estreptograminas Derivados da pritinamicina (Streptomyces pristinaespiralis): quinupristina e dalfopristina • Atuam de maneira sinergística para bloquear a translação do polipeptídeo • A quinupristina inibe a elongação da cadeia peptídica, enquanto a dalfopristina interfere na transferência da cadeia peptídica de um tRNA para outro Estrutura: macrolactonas Estreptograminas Espectro e resistência Indicações clínicas / Interações ● Infecções severas por enterococos vancomicina-resistentes (VRE), como por exemplo, bacteremia ● Relação de 30:70 (quinupristina e dalfopristina) = sinergismo ● Bacteriostático para Enterococcus faecium e bactericida para estafilococos. Ativo também contra: estreptococos e corinebactérias ● Ativos tanto quanto a vancomicina contra Staphylococcus aureus, incluindo algumas cepas meticilina-resistentes Septicemia Infecção de tecidos moles Pneumonia e endocardite Inibem CYP3A4: anti-histamínicos, antirretrovirais, antineoplásicos, benzodiazepínicos, BCC, estatinas, imunossupressores Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● IV: a cada 8 a 12h ● Ligação às PP: 90% ● Não atravessa BHE e placentária ● T1/2: 1 a 2h ● Metabolização hepática (63%) e renal (15-19%) ● Eliminação biliar Efeitos adversos 4. Cloranfenicol Isolado de culturas de Streptomyces venezuela • Atualmente é sintetizado Liga-se na mesma região que macrolídeos e as lincosamidas • Não podem ser administrados em associação Cloranfenicol Espectro e resistência Indicações clínicas ● Largo espectro: Gram-positivos, negativos e ricketsias ● Bacteriostático ● Bactericida para H. influenzae, S. pneumoniae e N. meningitides ● Resistência: acetiltransferase mediada por plasmídeos Meningite bacteriana por germe sensível em pacientes alérgicos à penicilina, infecções graves por H. influenzae (meningite, epiglotite) Tratamento da febre tifoide (Salmonella typhi) Abscessos cerebrais Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● VO: palmitato ● IV: succinato ● Tópica ● Atinge concentração plasmática após 2h ● Amplamente distribuído nos tecidos e fluidos (inclusive LCR) ● 10% excretado de forma inalterada pela urina ● Restante: inativação hepática Efeitos adversos ● Pancitopenia: depressão medular grave idiossincrática (RARA) ● Cuidado em recém-nascidos: “síndrome cinzenta” Vômitos, diarreia, flacidez, baixa T e cor acinzentada – 40% mortalidade ● Reações de hipersensibilidade e distúrbios GI (alteração da flora) 5. Linezolida Classe das oxazolidinonas Bacteriostático • Liga-se à subunidade 50S ribossomal, impedindo sua união com a subunidade 30S para formação do ribossomo 70S Linezolida Espectro e resistência Indicações clínicas ● Eficaz contra Gram-positivos comuns e MRSA, VRE e Streptococcus pneumoniae penicilina-e-cefalosporina- resistente ● Sem atividade para Gram- negativas Alternativa para glicopeptídios e estreptograminas para tratar infecções sérias devido a organismos gram-positivos resistentes Infecções de pele e tecidos moles O tratamento tem custo alto Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● IV e VO ● Taxa de ligação às PP: 31% ● T1/2 = 5h ● 30% eliminada pelo rim na forma ativa Efeitos adversos ● Trombocitopenia ● Diarreias e náuseas ● Erupções cutâneas e tonturas ● PRECAUÇÕES: ela é inibidor seletivo da MAO Inibidores da síntese proteica Subunidade 30S 1. Aminoglicosídeos 2. Tetraciclinas Mecanismo de ação: 1. Aminoglicosídeos Possuem um grupo amino básico e uma unidade de açúcar • Impede o movimento do mRNA e interrompe a síntese de proteínas Bactericida • Representantes: estreptomicina, gentamicina, amicacina, tobramicina e neomicina Aminoglicosídeos Espectro e resistência Indicações clínicas ● Grande atividade: cocos e bacilos Gram- negativos (Klebsiella spp., Serratia spp., Enterobacter spp., Haemophilus spp., P. aeruginosa ● Gram-positivos: Staphylococcus aureus, S. epidermidis, Listeria monocytogenes, Enterococcus faecalis e Nocardia asteroides ● Resistência: alteração dos sítios de ligação no ribossomo; na permeabilidade e modificação enzimática do fármaco Septicemias Infecções TU, respiratórias e intrabdominais Endocardites, Meningites em recém-nascidos Infecções oculares, osteomielites e infecções de articulações Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● IM ● Neomicina VO: descontaminação da flora intestinal ● Concentração plasmática máx.: 60 a 90 min ● Distribuem-se bem no líquido extracelular ● Eliminados quase que inalterados por filtração glomerular Efeitos adversos 2. Tetraciclinas Antibióticos policetídicos bacteriostáticos • Impedem a ligação do aminoacil tRNA à subunidade 30S • Representantes: tetraciclina, minociclina, doxiciclina, clortetraciclina, oxitetraciclina Uso diminuído em função da resistência • Tigeciclina: derivado semissintético que inibe a bomba de efluxo Tetraciclinas Espectro e resistência Indicações clínicas ● Amplo: gram-positivas, gram- negativas aeróbias e anaeróbias, espiroquetas, riquétsias, micoplasma, clamídias e alguns protozoários ● S. pyogenes e pneumococos: resistentes Infecções leves como bronquite, sinusite, furúnculos Doxicilina: 1ª escolha para Chlamydia trachomatis Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● Alimentos (leite, ferro) e antiácidos ↓ absorção ● Doxiciclina: maior absorção VO e menor toxicidade GI ● Pequena quantidade nos fluidos: pulmões, fígado, cérebro, escarro, líquido sinovial ● Atravessam a placenta ● Doxiciclina: Meia-vida longa ● Eliminadas pela urina e fezes Efeitos adversos Glicopeptídeos 1. Vancomicina 2. Teicoplanina Mecanismo de ação Inibem a biossíntese da parede celular bacteriana Complexam com o resíduo dipeptídico terminal D-Ala-D- Ala das cadeias peptídicas Impede que o substrato esteja disponível para a ação da transpeptidase Vancomicina e Teicoplanina Vancomicina • Introduzida na prática clínica em 1959 Teicoplanina • Semelhante à vancomicina, com maior duração de ação Vancomicina e Teicoplanina Espectro e resistência Indicações clínicas ● Usadas em infecções gram- positivas que não podem ser tratadas por outras drogas (como MRSA, infecções causadas por S. epidermidis e em pacientes alérgicos à penicilina ou cefalosporinas) Infecções em próteses Endocardites Meningites Peritonites pós-diálise peritoneal Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● Vancomicina: IV Boa distribuição nos tecidos ● Teicoplanina: IM ou IV ● Vancomicina: T1/2 = 6-8h ● Teicoplanina: T1/2 prolongada (1x/dia) Efeitos adversos Peptídeos não ribossomais Ação na membrana 1. Bacitracina 2. Gramicidina D 3. Polimixina B Peptídeos não ribossomais Bacitracina • Interfere na regeneração do transportador lipídico, bloqueando sua desfosforilação Gramicidina: formam canais iônicos membrana Polimixinas: peptídeos catiônicos • Efeito seletivo nas membranas celulares • Agem como detergentes, alterando os componentes fosfolipídicos Características gerais ● Bacitracina e gramicidina = uso tópico (Gram-positivas) ● Polimixinas: tratamento de infecções graves por bacilos gram-negativos resistentes a diversos antimicrobianos, como P. aeruginosa e Acinetobacter baumannii Concentram-se no fígado e rins Pouco difundidas no líquido sinovial, pleural e trato bilia Excretadas lentamente por filtração glomerular T1/2: 6-7h Efeitos adversos: lesão renal Lipodepsipeptídeos 1. Daptomicina Daptomicina Lipodepsipeptídeo isolado de Streptomyces roseosporus • Aprovado em 2003 Mecanismo: desorganização de múltiplas funções da membrana celular bacteriana • Despolarização, inibição de síntese de proteínas, DNA e RNA, além de extravasamento do conteúdo citoplasmático Daptomicina Espectro e resistência Indicações clínicas ● Estafilococos resistentes à oxacilina e os enterococos ● Emergência de resistência foi documentada nas fases 2 e 3 de ensaios clínicos, em 0,2% dos pacientes Infecções por estafilococos e enterococos Mostra-se potente, também, contra bactérias resistentes à vancomicina e linezolida Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● IV ● Pico sérico em 30 min ● Ligação proteica de 92% ● Baixo volume de distribuição ● T1/2 = 8h ● Teicoplanina: T1/2 prolongada (1x/dia) ● Eliminação renal (78%) Efeitos adversos ● Mialgia, artralgia e fraqueza muscular distal ● Monitorar creatinofosfoquinase RNA polimerase 1. Rifampicina Rifampicina Derivada da rifamicina B • Streptomyces mediterranei, reclassificado como Nocardia mediterranei É o único fármaco em uso clínico que bloqueia a transcrição bacteriana: inibe a RNA-polimerase • Utilizada clinicamente como parte da combinação de fármacos para o tratamento da tuberculose Rifampicina Espectro e resistência Indicações clínicas ● Amplo espectro ● Penetra nas células fagocitárias: por isso elimina o bacilo da tuberculose ● Resistência: pode se desenvolver rapidamente (mutação que codifica o alvo na enzima) Tuberculose Hanseníase Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● VO ● Largamente distribuída nos tecidos e fluidos (inclusive LCR) ● Confere tonalidade laranja à saliva, expectoração, lágrimas e suor ● Parcialmente excretada na urina e bile ● T1/2: 1-5h ● Induz enzimas microssomais hepáticas (o que reduz sua meia-vida) ● Aumenta metabolização de: varfarina, corticoides, antidiabéticos, estrógenos Efeitos adversos DNA girase Topoisomerase II ● Fluoroquinolonas Mecanismo de ação Fluoroquinolonas Ácido nalidíxico precursor Cinoxacino, ciprofloxacino, ácido nalidíxico, levofloxacino, norfloxacino, moxifloxacino Fluoroquinolonas Espectro e resistência Indicações clínicas ● Amplo espectro ● BGN: enterobacteriaceas ● Microrganismos resistentes à penicilina, cefalosporinas e aminoglicosídeos: H. influenzae, N. gonorrhoeae, Campylobacter spp. e Pseudomonas ● Descrita resistência para estafilococos ITU complicadas Infecções respiratórias por P. aeruginosa em pacientes com fibrose cística Otite externa invasiva por P. aeruginosaOsteomielite crônica por BGN Erradicação de S. typhi em portadores Gonorreia, cervicite, antraz Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● VO ● Acumulam-se em vários tecidos, especialmente rins, próstata e pulmões ● Não atravessa a BHE (exceto ofloxacina) ● Antiácidos de alumínio e magnésio interferem na absorção ● Metabolismo hepático citocromo P450 ● Inibem CYP = interações ● Excreção renal Efeitos adversos Síntese de folatos 1. Sulfonamidas Sulfonamidas Corante prontosil → sulfanilamida • Pró-fármaco inativo metabolizado in vivo na sulfa Bacteriostáticos: inibem metabolismo do ácido fólico • Análogos do ácido p-aminobenzoico (PABA) – precursor na síntese do ácido fólico Representantes: sulfanilamida, sulfisoxazol, sulfacetamida, ácido para-aminobenzóico, sulfadiazina e sulfametoxazol Atuação sinérgica da sulfa + trimetoprima Sulfonamidas Espectro e resistência Indicações clínicas ● Amplo espectro ● A maioria dos estreptococos do grupo A são resistentes. Portanto, não use para tratar amigdalite bacteriana ● Resistência: produção aumentada de PABA pela bactéria, diminuição da permeabilidade Sulfadiazina de prata: queimaduras (prevenção de infecção) Infecções agudas do trato urinário Infecções respiratórias: nas infecções agudas e crônicas , bronquite, (sobretudo exacerbações da bronquite crônica), sinusite Aspectos Farmacocinéticos Vias, absorção e distribuição Metabolismo e excreção ● Sulfadiazina: oral e tópica; outras: oral ● Absorvidos no tubo digestivo ● Atingem altos níveis séricos e apresentam alta ligação proteica ● Distribuem-se amplamente nos tecidos, atingindo níveis terapêuticos nos líquidos cefalorraquidiano, sinovial, pleural e peritoneal, com concentração de cerca de 80% da plasmática. ● Atravessam a barreira placentária ● Metabolizadas pelo fígado ● Excreção renal Efeitos adversos Referências para estudo ● Carvalho HEF, Sousa ÁFL, Almeida CAPL, Moura MEB, Andrade D, Valle ARMDC. 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