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106 História do Brasil III Contudo, a situação mais delicada era o estudo sobre o africano, aqueles que durante mais de três séculos foram escravos no Brasil. Nos livros didáticos da época, pouco espaço era destinado aos africanos que tinham sua importância na vida econômica do país, todavia, sempre se procurava atenuar a contribuição da negritude na constituição física dos brasileiros. De acordo com essa percepção equivocada, a miscigenação reverteria esse quadro, garantiria o embranquecimento do nosso povo e permitiria a unidade étnica da nação. Para muitos, a marca do passado escravista era incômoda e difícil, delicado de ser trabalhado. Por sua vez, as bases de pesquisa do Museu Nacional quanto à constituição física da população brasileira difi cultavam qualquer avanço na discussão, uma vez que considerava a predominância branca no Brasil. Por conseguinte, o ensino de História estava à mercê do pensamento das elites brasileiras. De forma pragmática, as elites percebiam o potencial da disciplina de História para a formação do cidadão ideal num estado centralizado e que devia neutralizar o poder das oligarquias regionais ao garantir a formação do sentimento nacional brasileiro. Por fi m, destacamos a criação da União Nacional dos Estudantes (UNE) como entidade coordenadora e representativa dos estudantes. Órgão máximo de sua representação, tinha por fi nalidade congregar todos os estudantes do Brasil para a defesa de seus interesses. O ministro Gustavo Capanema estava atento a essa movimentação e, inclusive, demonstrava algum tipo de aproximação dos estudantes quando decidiu participar do almoço de inauguração do restaurante da UNE, ocorrida em dezembro de 1942. É importante lembrar que, ainda naquele ano, a organização promoveu importantes manifestações como, por exemplo, a passeata ocorrida no Rio de Janeiro em favor da declaração de guerra por parte do Brasil, que contou com o apoio do ministro das Relações Exteriores, Osvaldo Aranha, e do interventor do Estado, Ernâni Amaral Peixoto. “Exemplo único em toda a História, resistiu até ao esgotamento completo. Expugnado palmo a palmo, na precisão integral do termo, caiu no dia 5, ao entardecer, quando caíram os seus últimos defensores, que todos morreram. Eram quatro apenas: um velho, dois homens feitos e uma criança, na frente dos quais rugiam raivosamente cinco mil soldados”. O texto acima narra os últimos instantes de um dos mais importantes movimentos populares do início da era republicana. Ocorrido no sertão da Bahia, esse movimento era: a) Sabinada b) Balaiada c) Canudos d) Contestado e) Revolta da Chibata 42 - (UNISA SP) “Um senhor José Maria Compadre fanfarrão Anda fazendo arrelia Entre o povo do sertão. Esse tal de Zé Maria É um conselheiro novo Com a sua profecia Vai fanatizando o povo.” O fragmento da música, composta por Eduardo das Neves, faz uma clara referência à a) Guerra de Canudos. b) Coluna Prestes. c) Revolta da Chibata. d) Guerra do Contestado. e) Revolta da Armada. 43 - (UFRR) Na última década do século XIX e nas duas primeiras do século XX aconteceram duas grandes revoltas populares no Brasil: a Guerra de Canudos (1893-1897), no sertão da Bahia, e a Guerra do Contestado (1912-1916), em Santa Catarina. Segundo a historiografia, ambos os movimentos estavam inseridos no quadro geral do início da República Velha e tiveram como causas a concentração fundiária, a marginalização social, a pobreza e a miséria. Assinale a afirmativa correta. a) As duas revoltas foram rebeliões contra o governo e suas lideranças pregavam as idéias do socialismo. b) Ambos os movimentos tiveram um cunho religioso e foram comandados por líderes messiânicos. c) Ambas aconteceram em regiões pobres e abandonadas e contaram com o apoio de algumas lideranças políticas locais. d) Os dois movimentos se disseminaram por uma vasta região e não tiveram uma base geográfica fixa. e) Apesar da severa repressão, em ambos os casos os revoltosos atingiram parte expressiva de seus objetivos. 44 - (CEFET PR) Insurreição popular urbana que eclodiu no Rio de Janeiro em 1904 impulsionada, entre outros motivos, pela crise econômica e também contra a reforma urbana que retirou a população pobre do centro da cidade. Os conflitos espalham-se pelas ruas da capital brasileira da época e os populares destruíram bondes, apedrejaram prédios públicos e espalharam a desordem. O presidente Rodrigues Alves teve que colocar nas ruas o exército, a marinha e a polícia para acabar com os tumultos. Estamos tratando da: a) Revolução Federalista. b) Revolta de Canudos. c) Revolta da Vacina. d) Revolta da Armada. e) Guerra do Contestado. 45 - (UERJ) Povoando dramaticamente esta paisagem e esta realidade social e econômica, vagando entre o sonho e o desespero existem 4.800.000 famílias de rurais sem terras. A terra está ali, diante dos olhos e dos braços, uma imensa metade de um país imenso, mas aquela gente (quantas pessoas ao todo? 15 milhões? mais ainda?) não pode lá entrar para trabalhar, para viver com a dignidade simples que só o trabalho pode conferir, porque os voracíssimos descendentes daqueles homens que haviam dito: “Esta terra é minha” (...) rodearam a terra de leis que os protegem (...). (SARAMAGO, José. In: MORISSAWA, Mitsue. A História da luta pela terra e o MST. São Paulo: Expressão Popular, 2001.) OS SERTÕES Foi no século passado No interior da Bahia Um homem revoltado com a sorte Do mundo em que vivia Ocultou-se no sertão Espalhando a rebeldia (...) Defendendo Canudos Naquela guerra fatal. Edeor de Paulo Samba-enredo da escola de samba Em Cima da Hora, 1976 Os dois textos acima têm como principais elementos geradores das problemáticas apontadas os processos de: a) assentamento agrícola e êxodo rural b) proletarização rural e reforma agrária c) modernização agrícola e revolta social d) concentração fundiária e conflitos no campo 46 - (UNEB BA) A concentração de terras no Brasil, cuja origem remonta à sua formação histórica, provocou diversos movimentos sociais, entre os quais se pode destacar 01. a Conjuração Baiana, que contestava a doação de sesmarias, reservadas aos “homens bons”, representantes da Coroa Portuguesa nas terras do Brasil. 02. a Revolta dos Malês, movimento de caráter rural, que pregava a abolição geral da escravatura e a distribuição de terras para todos os pretos e mulatos do nordeste. 03. o Quebra-Quilos, que se notabilizou por ter bloqueado o comércio e as feiras dos grandes centros importadores da Colônia durante a segunda metade do século XIX. 04. os movimentos de Canudos e do Contestado, ambos de caráter messiânico, que buscavam se organizar a partir da posse coletiva da terra diante da extrema miséria em que viviam os sertanejos. 107 Aula 5 – Estado Novo (2ª parte) Manoel Bergström Lourenço Filho (1897-1970) Educador e psicólogo brasileiro nascido na cidade de Porto Ferreira, em São Paulo, fi lho de pai português e mãe sueca. Estudou na Escola Normal de seu estado e, desde cedo, lecionou e trabalhou na imprensa. Além disso, Lourenço Filho teve rápida passagem pelo curso de Medicina, mas, em 1918, abandonou-o no segundo ano. Entre 1922 e 1923, foi convidado pelo Governo do Ceará para reorganizar a instrução pública do estado, sendo uma das primeiras iniciativas desse tipo na educação do país. No ano seguinte, Lourenço Filho retornou a Piracicaba, onde lecionou na Escola Normal da cidade e fundou a Revista de Educação. Entretanto, não fi cou muito tempo por ali e logo foi nomeado para a Escola Normal de São Paulo. No início da década de 1930, tornou-se diretor de ensino de seu estado natal.Dessa época datam a criação do Serviço de Psicologia Aplicada, da Biblioteca Central de Educação e do Instituto Pedagógico. Sua administração na Direção de Ensino de São Paulo foi marcada pela reformulação do ensino normal e profi ssional. Quando Francisco Campos tornou-se ministro da Educação, Lourenço Filho transferiu- se para o Rio de Janeiro, passou a ocupar a chefi a de gabinete da pasta e fi cou, ainda, responsável pelo planejamento de uma Faculdade de Educação, Ciências e Letras. Em 1932 dirigiu o Instituto de Educação do Rio de Janeiro, enquanto Anísio Teixeira ocupava a Secretaria de Educação do Distrito Federal. Vale lembrar que ambos assinaram o Manifesto dos Pioneiros da Escola Nova, que defendeu a universalização da escola pública, laica e gratuita. Na obra de Lourenço Filho, destacamos Introdução ao estudo da Escola Nova, com edições no Brasil e no exterior. 108 História do Brasil III Atende ao Objetivo 1 1. Observe a contracapa do caderno Avante de 1940 que faz parte do acervo do Museu da Escola no Centro de Referência do Professor, da Secretaria de Educação de Minas Gerais, com a imagem do Brasil, a partir da divisão dos estados, e, ao fundo, a letra do Hino Nacional (GOMES, Angela; PANDOLFI, Dulce Chaves; ALBERTI, Verena. A República do Brasil. Rio de Janeiro: Nova Fronteira: CPDOC, 2002, p. 444). 109 Aula 5 – Estado Novo (2ª parte) Na escola do tempo de Vargas, com frequência, os cadernos escolares apresentavam em suas capas a bandeira nacional e os elementos associados à história do país. A partir da imagem anterior, como você avalia o papel da escola no projeto educacional do Estado Novo? Resposta Comentada O Hino Nacional é o canto solene em honra à pátria. Estampá-lo num caderno escolar era a demonstração da busca de elementos de aproximação entre os brasileiros que tinham vários motivos para se orgulhar de seu país. Por isso, era fundamental realçar a dimensão da nação, isto é, o Brasil era um país grande que devia ser admirado por seu povo. Neste sentido, a educação cívica era adquirida e reforçada nos bancos escolares. Assim, a escola tanto transmitia conhecimento quanto formava a mentalidade de seu povo. O Brasil nas ondas do rádio A radiodifusão educativa e o canto orfeônico No conjunto das reformas adotadas pelo Ministério da Educação durante o Estado Novo, é importante realçar a criação do Serviço Nacional de Radiodifusão Educativa (SNRE). A proposta teve sua origem na convicção de Capanema, explicitada no projeto de fevereiro de 1938, ao afi rmar que a radio difusão escolar (...) é matéria diferente e separada da radiodifusão, meio de publicidade ou de propaganda. (...) É preciso introduzir o rádio em todas as escolas – primárias, secundárias, profi ssionais, superiores, noturnas e