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<p>ODONTOLOGIA VETERINÁRIA</p><p>3</p><p>Odontologia Veterinária</p><p>HISTÓRIA</p><p>A história da odontologia tanto humana como a veterinária é muito parecida. Tiveram um</p><p>começo muito intenso e importante, sendo depois quase que esquecidas e só voltando a ter um</p><p>interesse maior no último século.</p><p>Hoje sabemos em documentos achados (papiros de Ebers), que os egípcios no ano de</p><p>1550 a.C., tratavam dos dentes contra abscessos e gengivites, usando cominho e mel. Outros</p><p>achados foram próteses dentárias.</p><p>Na antiga Grécia já aparece o primeiro instrumental odontológico, uma pinça de metal</p><p>utilizada para extrações chamada de “odontagra”.</p><p>Archigene 100 a.C. utilizou o trepano para perfurar os dentes chegando até a polpa e</p><p>obturando a perfuração com uma massa à base de excremento de rato e fígado de lagarto. No</p><p>ano 30 a.C., Celso descreve a utilização de chumbo nas obturações.</p><p>Na Idade Média a odontologia sofre uma parada no seu desenvolvimento, devido ao fato</p><p>de que todo descobrimento da ciência deveria ser aprovado pela igreja (Inquisição). No século</p><p>XIII e XIV, os monges iniciaram a cirurgia dentária porém não vão longe e deixam isto para</p><p>pessoas despreparadas como os barbeiros, que além de cortar o cabelo, tomavam conta das</p><p>extrações, pois esse era o único tratamento realizado nessa época. Os barbeiros mais</p><p>importantes eram aqueles que moravam nos castelos, pois cuidavam das famílias reais.</p><p>No século XIV, Guy de Charliac, utiliza pela primeira vez a anestesia, exatamente num</p><p>procedimento odontológico.</p><p>No inicio do século XVIII, Pierre de Fouchard, escreve “O Cirurgião Dentista e seu</p><p>Tratado de Dentes”, criticando os charlatões e dedicando especial atenção à endodontia.</p><p>Os eqüinos foram os primeiros animais a serem tratados na medicina veterinária. Um</p><p>motivo muito importante foi que estes animais ajudaram muito no desenvolvimento do homem,</p><p>seja trabalhando como lutando para conquistar novas terras e povos. Na veterinária o primeiro</p><p>documento achado foi o “Zuo Zhuan” (Livro dos Animais), livro chinês que expressa como</p><p>diferenciar um cavalo pela boca. Os chineses também acreditavam que os dentes tinham relação</p><p>com os órgãos internos como rins, fígado e órgãos da reprodução.</p><p>4</p><p>Página do Livro doa Animais (Zuo Zhuan)</p><p>Hipócrates, descreve na antiga Grécia, como realizar uma extração dentária. No livro</p><p>”Indicus” explica como efetuar a extração dentária e amputação da língua para melhorar a</p><p>oclusão nos eqüinos.</p><p>Pelagonius no ano 350 a.C., descreve varias doenças dentais, assim como o tratamento</p><p>em dentes dos cavalos no capítulo “De Dentibus”.</p><p>Aristóteles (384–322 a.C.) fala sobre a periodontite no seu livro ”Animaliu”, como um</p><p>sintoma e não como síndrome, destacando que se a doença não desaparecesse</p><p>espontaneamente, esta seria incurável.</p><p>Durante o Império Romanos, por este ter um grande exército, foram realizados grandes</p><p>avanços na medicina veterinária. Estes descreveram a anatomia e morfologia dos dentes.</p><p>Acredita-se como forma de evitar a falsificação e troca de animais.</p><p>Novamente a odontologia mergulha numa fase obscura onde não se conhece avanço</p><p>significante. Unicamente no século XIII voltamos a escutar por meio de Jordanus Ruffus, o</p><p>tratamento de eqüinos, porém sem nenhum embasamento científico, provocando um</p><p>aparecimento de charlatões que tomam conta dos tratamentos odontológicos veterinários,</p><p>geralmente sendo realizado pelos ferreiros. Estes provocavam tratamentos desumanos cheios</p><p>de crueldade. A doma dos cavalos era realizada de forma irracional, sendo assim retirados</p><p>dentes e colocados vidros quebrados para tornar a boca dos animais mais sensível.</p><p>A primeira faculdade de Veterinária foi fundada em Lyon na França no ano de 1762 por</p><p>Claude Bourgelat, porém ainda neste tempo a odontologia não despertava interesse na classe</p><p>médica. Com o inicio dos zoológicos, acontece um caso que chamou a atenção das pessoas. Na</p><p>Inglaterra um elefante foi sacrificado em 1826 pela sua agressividade e só após a morte foi</p><p>descoberto que isto era provocado por um colmilho fraturado e infeccionado. No ano de 1862,</p><p>cem anos depois do inicio da primeira faculdade, Edward Mayhew publica “O Ilustrado Doutor de</p><p>Cavalos”, onde descreve a necessidade do trato das doenças odontológicas. Porém unicamente</p><p>no século XX é que Freddie Milne (1867-1942), começa a dedicar-se à odontologia eqüina em</p><p>1924 nos hipódromos da Europa. Em 1930 já aparecem varias publicações de odontologia</p><p>veterinária, e em 1945 cria-se o Instituto Dental Veterinário em Viena, destacando o</p><p>prof. Karl Zetner.</p><p>5</p><p>Porém foi nos Estados Unidos que a odontologia veterinária chegou no seu auge, sendo</p><p>criado o primeiro dentifrício para animais em 1975 e em 1977 a American Veterinary Dental</p><p>Society, e logo depois, o American Veterinary Dental College.</p><p>Na Europa foi formado a European Veterinary Dental Society em 1992 e em 1996 a</p><p>European Veterinarian Dental College.</p><p>No Brasil, um dos pioneiros na odontologia veterinária, tem sido o Dr. Marco A. Gioso,</p><p>atualmente professor da USP e diplomado pelo American Veterinary Dental College. Este tem</p><p>incentivado muito a odontologia veterinária em especial dos pequenos animais. Hoje contamos</p><p>com varias clínicas especializadas em odontologia especialmente no estado de São Paulo. Entre</p><p>estas destacam-se a Odontovet entre outras.</p><p>MORFOLOGIA DENTÁRIA</p><p>Tipos de Dentes</p><p>Os dentes variam em número, volume e tamanho, dependendo das espécies e sua</p><p>função.</p><p>A dentadura dos animais pode ser classificada de varias maneiras. Podemos classificar</p><p>os dentes de acordo a sua anatomia e função como:</p><p>Dentes deciduais ou de leite, dentes permanentes, dentes incisivos, dentes caninos,</p><p>dentes pré-molares e dentes molares.</p><p>Divisão dos dentes nos caninos</p><p>Os dentes incisivos são 12 (doze) e se dividem em três tipos diferentes: central</p><p>(pinças ou 1º), intermediário (central ou 2º) e lateral (cantos ou 3º). Estes dentes servem para</p><p>roer e ajudam na limpeza do corpo.</p><p>Os caninos são 04 (quatro), estes retém a pressa e servem para rasgar os alimentos.</p><p>Os pré-molares e molares são cortantes e trituradores do alimento. Os últimos molares</p><p>assemelham-se aos dos humanos.</p><p>6</p><p>CÃES Incisivos Caninos Pré-molares Molares</p><p>Maxila 3 1 4 2</p><p>Mandíbula 3 1 4 3</p><p>Fórmula dentária nos cães</p><p>FELINOS Incisivos Caninos Pré-molares Molares</p><p>Maxila 3 1 3 1</p><p>Mandíbula 3 1 2 1</p><p>Fórmula dentária nos felinos</p><p>Podemos classificá-los de acordo com as mudanças que estes sofrem, por exemplo:</p><p>Dentadura Heterodonte: dentadura dos mamíferos. Há diversos tipos de dentes como incisivos,</p><p>caninos, pré-molares e molares.</p><p>Dentadura Homodonte: achado em peixes, répteis. Todos os dentes são iguais.</p><p>Dente Monofiodonte: são os dentes que nunca sofrem muda, por exemplo os dentes</p><p>permanentes (molares, colmilhos dos elefantes).</p><p>Dente Diofiodonte: são os dentes que sofrem uma muda no curso da vida. Por exemplo, nos</p><p>mamíferos, os dentes de leite são substituídos por dentes permanentes (incisivos, caninos, pré-</p><p>molares).</p><p>Dentes Polifiodonte: são aqueles que têm uma reprodução continua, como os dentes dos</p><p>peixes, anfíbios, répteis.</p><p>Dentes Secodontes: são aqueles que têm as bordas cortantes. Geralmente comprimidos</p><p>lateralmente com aspecto de faca. Por exemplo os pré-molares dos carnívoros.</p><p>Dente Bunodonte: Estes possuem cúspides de esmalte justapostas que formam uma superfície</p><p>trituradora. Por exemplo os molares do ser humano.</p><p>ANATOMIA</p><p>Os dentes podem ser divididos em 03 (três) estruturas diferentes: Coroa, Colo</p><p>Dentário e Raiz.A Coroa é a parte do dente que podemos visualizar normalmente. Ela está</p><p>coberta pelo esmalte. Este é o tecido mais duro do corpo, formado</p><p>e por últimos os caninos. Os molares não</p><p>trocam e são as últimas peças permanentes que erupcionam.</p><p>11</p><p>Dentes CANINOS FELINOS</p><p>Decíduos Permanentes Decíduos Permanentes</p><p>Incisivos 3-4 semanas 3-5 meses 2-3 semanas 3-4 meses</p><p>Caninos 3 semanas 4-6 meses 3-4 semanas 4-5 meses</p><p>Pré-molares 4-12 semanas 4-6 meses 3-6 semanas 4-6 meses</p><p>Molares ----- 5-7 meses ----- 4-5 meses</p><p>Tabela de erupção dos dentes decíduos e permanentes em caninos e felinos</p><p>Alguns transtornos no desenvolvimento ou na troca dos dentes podem aparecer, tais</p><p>como:</p><p>Anomalias de Volume - Chama-se macrodontia quando o dente é maior que o normal, e</p><p>microdontia quando é menor que o normal. Isto pode afetar no fechamento da arcada dentária,</p><p>afetando a mastigação, respiração, retenção de alimentos, entre outros.</p><p>Problemas em Relação ao Número de Dentes - Polidontia, quando há um número maior de</p><p>dentes do que o normal. Geralmente é unilateral e aparece mais na maxila do que na mandíbula.</p><p>Oligodontia ocorre quando há um número menor de dentes. É freqüente nas raças</p><p>braquicefálicas, onde por falta de espaço faltam alguns dos molares na mandíbula.</p><p>Persistência dos Dentes Deciduais – É um problema ainda pouco conhecido. Acredita-se que</p><p>ocorra devido a não absorção da raiz, associada à falta de dilaceração da membrana</p><p>periodontal. Estes não devem ser confundidos com a polidontia. O tratamento aconselhado é</p><p>sempre a extração.</p><p>Má Posição Dentária - Os dentes podem girar no seu eixo podendo ser conhecidos como</p><p>torção, rotação ou versão.</p><p>Hipoplasia do Esmalte - É um processo de perda do esmalte na coroa, com coloração</p><p>amarelada. Não se sabe o que provoca esta patologia, porém se acredita que sejam processos</p><p>infecciosos entre as idades de 2 e 4 meses, época em que o esmalte se encontra em</p><p>desenvolvimento. Outro motivo pode ser a administração de tetraciclinas, carências minerais e</p><p>vitamínicas na dieta. O esmalte se torna fraco e desgasta ou quebra deixando o dente exposto a</p><p>infecções.</p><p>PROBLEMAS DE POSIÇÂO</p><p>Nos cães e gatos a forma do cabeça interfere na posição dos dentes, e, por serem</p><p>carnívoros, isto afeta muito anatômicamente, podendo provocar até algumas doenças. Nos cães</p><p>existem muitas raças diferentes, cada uma apresentando particularidades na formação do</p><p>crânio. Podemos classificar três tipos de crânios:</p><p>Dolicocéfalo: O diâmetro ântero-posterior é relativamente longo(cabeça estreita). Ex: Collie,</p><p>Doberman, Greyhound, Borzoi, Gatos orientais, etc.;</p><p>12</p><p>Braquicéfalo: Cabeça achatada da frente para atrás (cabeça larga). A mandíbula é maior em</p><p>relação ao crânio. Ex: Pequinês, Shih-Tzu, Bulldog, Lhasa-Apso, Gatos Persas, etc.;</p><p>Mesocéfalo: Intermediário entre os tipos supracitados. Aproximadamente 75% dos cães estão</p><p>classificados nesta categoria. Ex: Labrador, Pastor Alemão, Spaniels, etc.</p><p>Além destas formas anatômicas, podemos achar defeitos na oclusão originados</p><p>geneticamente. As raças mesocefálicas quando em normoclusão, o dente canino mandíbular</p><p>encaixa entre o 3º incisivo e o canino superior; o 4º pré-molar inferior encaixa entre o 3º e 4º pré-</p><p>molares superiores. Os dentes não se tocam. O contato pode acontecer unicamente nas raças</p><p>braquicefálicas.</p><p>O Braquignatismo ocorre quando o maxilar ultrapassar a mandíbula, sendo freqüente nas raças</p><p>dolicocefálicas. O prognatismo ocorre quando a mandíbula ultrapassa o maxilar, sendo</p><p>observado nas raças braquicefálicas.</p><p>EXAME GERAL</p><p>No exame geral começamos pela identificação do animal, seguido pela anamnese do</p><p>paciente. Aqui escutamos a queixa principal, assim como fazemos um levantamento do histórico</p><p>odontológico e clínico do paciente, tais como: idade, tipo de alimentação que possui, seus</p><p>hábitos, tempo que apresenta os problemas, etc.</p><p>Após isto procedemos a execução do exame extra-oral. Observamos a parte externa da</p><p>boca, bochechas, linfonódos, presença de sialorréia, fístulas, secreções nas narinas e olhos,</p><p>halitose, etc. Só após a completa observação é que vamos prosseguir com a abertura da boca e</p><p>efetuar o exame intra-oral. Levantamos os lábios para inspeção dos mesmos, assim como dos</p><p>dentes, inspecionamos o aparecimento de tumores; lesões labiais, línguais, bucais; salivação,</p><p>etc. Unicamente depois, é que abrimos as arcadas dentarias para uma visualização interna. Este</p><p>procedimento é muito importante pois é neste momento que teremos uma completa visão da</p><p>cavidade bucal, tanto no seu interior como no exterior. Podemos avaliar a gravidade da</p><p>periodontite, gengiva (inflamação, retração), cálculo dentário (tártaro), fraturas, mobilidade,</p><p>hipoplasias de esmalte, cáries, perda de dentes, lesões de palato, halitose, laringe, etc.</p><p>Em relação ao instrumental utilizado para este exame, podemos destacar a sonda</p><p>periodontal, o explorador dentário, e o revelador de placa que tinge a placa bacteriana. Se</p><p>necessário, devemos realizar uma sedação para uma melhor contenção do animal e inspeção da</p><p>cavidade.</p><p>Para maior facilidade nesta avaliação se utiliza um odontograma, onde podemos anotar</p><p>todos os achados do exame. Como exame complementar podemos utilizar o rádio- diagnóstico e</p><p>exames laboratoriais.</p><p>13</p><p>NEOPLASIAS</p><p>Geralmente são malformações volumosas de tecido e que se originam de problemas no</p><p>desenvolvimento das estruturas celulares que constituem os dentes ou tecidos adjacentes.</p><p>Dentro da cavidade oral encontramos varias neoplasias malignas e benignas. Estas podem-se</p><p>apresentar no início como lesões não cicatrizadas e ulcerações infectadas, podendo passar</p><p>desapercebidas pelo proprietário até atingirem um tamanho avançado. Um exame minucioso é</p><p>fundamental. A biópsia ou a remoção cirúrgica têm por objetivo a realização do exame</p><p>histopatológico para determinação do tipo de tumor e a sua gravidade. Não é recomendado a</p><p>realização de exames citológicos ou por aspiração, pois muitas vezes não se obtêm resultados</p><p>corretos.</p><p>Na maioria das vezes, a recomendação é a retirada do tumor junto com um margem de</p><p>segurança, para evitar a recidiva assim como metástases. Tem se utilizado quimioterapia,</p><p>crioterapia e radioterapia nos tratamentos porém os resultados não têm sido satisfatórios.</p><p>As neoplasias orais estão em quarto lugar em aparecimento nos caninos. Os tumores</p><p>malignos representam quase que 50% das neoplasias encontradas nos cães, e, dentre os</p><p>encontrados com maior freqüência, descrevemos: melanoma maligno (30-35%), carcinoma</p><p>escamoso (20-30%) e fibrossarcoma (1-20%). Entre as neoplasias benignas podemos</p><p>encontrar com maior freqüência os epúlis (representando aproximadamente 25% das neoplasias</p><p>orais), que são lesões não neoplásicas ou tumores odontogênicos (aumento excessivo das</p><p>gengivas).</p><p>Benígnos Malígnos</p><p>Épulis Fibromatoso</p><p>Épulis ossificante</p><p>Adenomas</p><p>Fibroma</p><p>Hemangioma</p><p>Lipoma</p><p>Osteoma</p><p>Condroma</p><p>Histiocitoma</p><p>Carcinoma escamoso</p><p>Melanoma Maligno</p><p>Fibrossarcoma</p><p>Épulis Acantomatoso</p><p>Adenocarcinoma</p><p>Carcinomas</p><p>Linfossarcoma</p><p>Mastocitocitoma</p><p>Osteossarcoma</p><p>Tipos de neoplasias malignas e benignas em cães</p><p>ENDODONTIA e ORTODONTIA</p><p>A odontologia veterinária procura evitar a perda, promovendo a correção dos problemas</p><p>dos dentes, sendo o seu maior objetivo manter uma dentição sadia e completa. Neste campo</p><p>temos notado um avanço muito grande nos tratamentos veterinários nos últimos anos utilizando</p><p>14</p><p>técnicas de última geração. Na endodontia procuramos solucionar todos os problemas pulpares</p><p>dos dentes (polpa e cavidade pulpar), assim como a restauração de traumatismos que podem</p><p>resultar em fraturas dentárias que chegam a afetar a cavidade pulpar. Por outro lado, com a</p><p>ortodontia queremos eliminar as anomalias no posicionamento dos dentes, para fornecer uma</p><p>melhor oclusão da arcada dentária e evitar assim problemas como falta de aproveitamento</p><p>alimentar, problemas respiratórios, etc. Para estes procedimentos são necessários</p><p>equipamentos</p>e por últimos os caninos. Os molares não 
trocam e são as últimas peças permanentes que erupcionam. 
 11 
Dentes CANINOS FELINOS 
 Decíduos Permanentes Decíduos Permanentes 
Incisivos 3-4 semanas 3-5 meses 2-3 semanas 3-4 meses 
Caninos 3 semanas 4-6 meses 3-4 semanas 4-5 meses 
Pré-molares 4-12 semanas 4-6 meses 3-6 semanas 4-6 meses 
Molares ----- 5-7 meses ----- 4-5 meses 
 
Tabela de erupção dos dentes decíduos e permanentes em caninos e felinos 
 
Alguns transtornos no desenvolvimento ou na troca dos dentes podem aparecer, tais 
como: 
Anomalias de Volume - Chama-se macrodontia quando o dente é maior que o normal, e 
microdontia quando é menor que o normal. Isto pode afetar no fechamento da arcada dentária, 
afetando a mastigação, respiração, retenção de alimentos, entre outros. 
Problemas em Relação ao Número de Dentes - Polidontia, quando há um número maior de 
dentes do que o normal. Geralmente é unilateral e aparece mais na maxila do que na mandíbula. 
Oligodontia ocorre quando há um número menor de dentes. É freqüente nas raças 
braquicefálicas, onde por falta de espaço faltam alguns dos molares na mandíbula. 
Persistência dos Dentes Deciduais – É um problema ainda pouco conhecido. Acredita-se que 
ocorra devido a não absorção da raiz, associada à falta de dilaceração da membrana 
periodontal. Estes não devem ser confundidos com a polidontia. O tratamento aconselhado é 
sempre a extração. 
Má Posição Dentária - Os dentes podem girar no seu eixo podendo ser conhecidos como 
torção, rotação ou versão. 
Hipoplasia do Esmalte - É um processo de perda do esmalte na coroa, com coloração 
amarelada. Não se sabe o que provoca esta patologia, porém se acredita que sejam processos 
infecciosos entre as idades de 2 e 4 meses, época em que o esmalte se encontra em 
desenvolvimento. Outro motivo pode ser a administração de tetraciclinas, carências minerais e 
vitamínicas na dieta. O esmalte se torna fraco e desgasta ou quebra deixando o dente exposto a 
infecções. 
 
PROBLEMAS DE POSIÇÂO 
 
Nos cães e gatos a forma do cabeça interfere na posição dos dentes, e, por serem 
carnívoros, isto afeta muito anatômicamente, podendo provocar até algumas doenças. Nos cães 
existem muitas raças diferentes, cada uma apresentando particularidades na formação do 
crânio. Podemos classificar três tipos de crânios: 
Dolicocéfalo: O diâmetro ântero-posterior é relativamente longo(cabeça estreita). Ex: Collie, 
Doberman, Greyhound, Borzoi, Gatos orientais, etc.; 
 12 
Braquicéfalo: Cabeça achatada da frente para atrás (cabeça larga). A mandíbula é maior em 
relação ao crânio. Ex: Pequinês, Shih-Tzu, Bulldog, Lhasa-Apso, Gatos Persas, etc.; 
Mesocéfalo: Intermediário entre os tipos supracitados. Aproximadamente 75% dos cães estão 
classificados nesta categoria. Ex: Labrador, Pastor Alemão, Spaniels, etc. 
Além destas formas anatômicas, podemos achar defeitos na oclusão originados 
geneticamente. As raças mesocefálicas quando em normoclusão, o dente canino mandíbular 
encaixa entre o 3º incisivo e o canino superior; o 4º pré-molar inferior encaixa entre o 3º e 4º pré-
molares superiores. Os dentes não se tocam. O contato pode acontecer unicamente nas raças 
braquicefálicas. 
O Braquignatismo ocorre quando o maxilar ultrapassar a mandíbula, sendo freqüente nas raças 
dolicocefálicas. O prognatismo ocorre quando a mandíbula ultrapassa o maxilar, sendo 
observado nas raças braquicefálicas. 
 
EXAME GERAL 
 
No exame geral começamos pela identificação do animal, seguido pela anamnese do 
paciente. Aqui escutamos a queixa principal, assim como fazemos um levantamento do histórico 
odontológico e clínico do paciente, tais como: idade, tipo de alimentação que possui, seus 
hábitos, tempo que apresenta os problemas, etc. 
Após isto procedemos a execução do exame extra-oral. Observamos a parte externa da 
boca, bochechas, linfonódos, presença de sialorréia, fístulas, secreções nas narinas e olhos, 
halitose, etc. Só após a completa observação é que vamos prosseguir com a abertura da boca e 
efetuar o exame intra-oral. Levantamos os lábios para inspeção dos mesmos, assim como dos 
dentes, inspecionamos o aparecimento de tumores; lesões labiais, línguais, bucais; salivação, 
etc. Unicamente depois, é que abrimos as arcadas dentarias para uma visualização interna. Este 
procedimento é muito importante pois é neste momento que teremos uma completa visão da 
cavidade bucal, tanto no seu interior como no exterior. Podemos avaliar a gravidade da 
periodontite, gengiva (inflamação, retração), cálculo dentário (tártaro), fraturas, mobilidade, 
hipoplasias de esmalte, cáries, perda de dentes, lesões de palato, halitose, laringe, etc. 
Em relação ao instrumental utilizado para este exame, podemos destacar a sonda 
periodontal, o explorador dentário, e o revelador de placa que tinge a placa bacteriana. Se 
necessário, devemos realizar uma sedação para uma melhor contenção do animal e inspeção da 
cavidade. 
Para maior facilidade nesta avaliação se utiliza um odontograma, onde podemos anotar 
todos os achados do exame. Como exame complementar podemos utilizar o rádio- diagnóstico e 
exames laboratoriais. 
 13 
NEOPLASIAS 
 
Geralmente são malformações volumosas de tecido e que se originam de problemas no 
desenvolvimento das estruturas celulares que constituem os dentes ou tecidos adjacentes. 
Dentro da cavidade oral encontramos varias neoplasias malignas e benignas. Estas podem-se 
apresentar no início como lesões não cicatrizadas e ulcerações infectadas, podendo passar 
desapercebidas pelo proprietário até atingirem um tamanho avançado. Um exame minucioso é 
fundamental. A biópsia ou a remoção cirúrgica têm por objetivo a realização do exame 
histopatológico para determinação do tipo de tumor e a sua gravidade. Não é recomendado a 
realização de exames citológicos ou por aspiração, pois muitas vezes não se obtêm resultados 
corretos. 
 Na maioria das vezes, a recomendação é a retirada do tumor junto com um margem de 
segurança, para evitar a recidiva assim como metástases. Tem se utilizado quimioterapia, 
crioterapia e radioterapia nos tratamentos porém os resultados não têm sido satisfatórios. 
As neoplasias orais estão em quarto lugar em aparecimento nos caninos. Os tumores 
malignos representam quase que 50% das neoplasias encontradas nos cães, e, dentre os 
encontrados com maior freqüência, descrevemos: melanoma maligno (30-35%), carcinoma 
escamoso (20-30%) e fibrossarcoma (1-20%). Entre as neoplasias benignas podemos 
encontrar com maior freqüência os epúlis (representando aproximadamente 25% das neoplasias 
orais), que são lesões não neoplásicas ou tumores odontogênicos (aumento excessivo das 
gengivas). 
 
Benígnos Malígnos 
Épulis Fibromatoso 
Épulis ossificante 
Adenomas 
Fibroma 
Hemangioma 
Lipoma 
Osteoma 
Condroma 
Histiocitoma 
 
Carcinoma escamoso 
Melanoma Maligno 
Fibrossarcoma 
Épulis Acantomatoso 
Adenocarcinoma 
Carcinomas 
Linfossarcoma 
Mastocitocitoma 
Osteossarcoma 
 
Tipos de neoplasias malignas e benignas em cães 
ENDODONTIA e ORTODONTIA 
 
 A odontologia veterinária procura evitar a perda, promovendo a correção dos problemas 
dos dentes, sendo o seu maior objetivo manter uma dentição sadia e completa. Neste campo 
temos notado um avanço muito grande nos tratamentos veterinários nos últimos anos utilizando 
 14 
técnicas de última geração. Na endodontia procuramos solucionar todos os problemas pulpares 
dos dentes (polpa e cavidade pulpar), assim como a restauração de traumatismos que podem 
resultar em fraturas dentárias que chegam a afetar a cavidade pulpar. Por outro lado, com a 
ortodontia queremos eliminar as anomalias no posicionamento dos dentes, para fornecer uma 
melhor oclusão da arcada dentária e evitar assim problemas como falta de aproveitamento 
alimentar, problemas respiratórios, etc. Para estes procedimentos são necessários 
equipamentose materiais específicos que possam ajudar na trepanação do dente, retirada do 
material infectado ou necrosado e a sua obturação. Para a ortodontia é necessário um 
conhecimento sobre anatomia, medição correta da arcada para não agravar o problema 
presente. 
 
PERIODONTITE 
 
 A periodontite é a inflamação do periodonto. Este é formado pelas seguintes estruturas: 
cemento do dente, gengiva, ligamento periodontal e osso alveolar. 
Esta é a patologia que mais afeta os animais. Cerca de 85% dos cães acima de 5 anos 
já tem algum problema relacionado à periodontite. Um fator muito importante para isto se deve à 
falta de limpeza oral e a presença de bactérias na cavidade bucal. 
As bactérias (algumas saprófitas) proliferam, formando a chamada placa bacteriana. 
Esta placa é transparente, pegajosa e difícil de ser removida. Ela começa a eliminar resíduos do 
seu metabolismo provocando uma reação inflamatória da gengiva. Quando a gengiva aumenta, 
acontecem alterações circulatórias, o que serve de proteção para a própria placa bacteriana 
proliferar, aumentando o número de bactérias. A placa quando começa a mineralizar por meio 
de sais que vêm junto com a saliva (especialmente cálcio), inicia um processo de rigidez, 
tornando-se assim o chamado cálculo dentário ou tártaro. 
 
 
 
 
 Dente sem cálculo dentário Dente com cálculo supragengival Dente com cálculo supra e sub- 
 gengival lesando o periodonto 
 
 
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Existem dois tipos de cálculo dentário: supragengival e o subgengival. O primeiro é o 
visível na boca dos animal, o segundo é aquele que penetra abaixo da gengiva e vai alterando 
as estruturas de sustentação dos dentes, provocando assim após certo tempo, a queda precoce 
do dente. O cálculo subgengival é mais perigoso pois a sua localização, não só provoca danos 
graves assim como evita os processos autolimpantes da boca. Apesar do cálculo supragengival 
colaborar com a proteção da placa, aumentar a gengiva e causar halitose, este não chega a ser 
tão perigoso como o subgengival.. 
O tratamento mais correto para evitar este problema seria a remoção profilática. Certas 
alterações, se tratadas na sua fase inicial, têm caráter reversível. Porém após algum tempo, se 
não corrigidas corretamente, podem produzir lesões permanentes. 
O primeiro passo é a identificação da placa por meio de reveladores químicos. Estes 
tingem a placa mostrando onde esta se posiciona para assim iniciar a sua completa remoção. 
Esta pode ser realizada com fórceps odontológicos, tendo-se o cuidado para não fraturar o 
dente. O aparelho de ultra-som ou remotar, e as curetas manuais são necessárias não só para 
tirar o cálculo como para raspar a placa bacteriana (principal objetivo da profilaxia). Após a 
remoção se faz a raspagem radicular, também chamada de aplainamento. Com isto vamos 
retirar qualquer resíduo de cálculo na superfície dentária tanto na coroa como na raiz, assim 
como alisamos a superfície dentária, para retirar ao máximo as superfícies rugosas do dente. 
O terceiro passo é o polimento da superfície dentária que vai evitar que a placa adira 
novamente por um tempo. Deixando a superfície rugosa, facilitaria que a placa se instalasse com 
maior rapidez. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Superfície do dente antes e após o polimento 
 
Este procedimento não é realizado na maioria das vezes pelos médicos veterinários o 
que provoca uma recidiva dos problemas rapidamente. O polimento é muito simples, porém 
precisa de equipamento adequado. 
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Uma vez realizado o polimento, se efetua a irrigação com solução anti-séptica. Segundo 
estudos realizados, esta placa tende a reinstalar-se no sulco gengival após a profilaxia. Não é 
recomendado a utilização da agulha de pressão de jato de água, pois isto poderia aderir com 
maior facilidade à placa. Então o mais indicado é com uma seringa de 20 ou 50 ml realizar a 
irrigação da cavidade para eliminar os remanescentes bacterianos. 
Como último passo temos as medidas profiláticas que vão evitar o acúmulo da placa por 
mais tempo. Estas são de total responsabilidade do proprietário/a, pois será ele/ela quem vai 
realizar estes procedimentos. Estas medidas significam metade do sucesso da prevenção da 
periodontite. Entre algumas que podem ser mencionadas estão: o tipo de alimento que os 
animais vão ingerir (ração concentrada, biscoitos, ossos, etc.), escovação dentária, brinquedos 
específicos para remoção da placa, entre outros. 
Destacamos que, para realizar estes procedimentos mencionados, é necessária a 
sedação ou anestesia do animal para poder realizar a correta limpeza, tanto externa como 
internamente. Se este tratamento fosse realizado com o animal acordado poderia 
provocar grandes danos à estruturas do periodonto, assim como não poderia ser limpa a 
cavidade bucal na sua totalidade. 
Se o animal apresentar uma gengivite severa é indicado realizar uma cirurgia 
periodontal onde se retira parte da bolsa gengival para esta não proteger a placa bacteriana. 
Após este tratamento é recomendado a utilização de antibióticos para evitar infecções 
secundárias. Este é um dos procedimentos mais sépticos realizados na cirurgia. O maior perigo 
da periodontite esta no fato destas bactérias poderem penetrar na circulação sangüínea e 
provocar infecções em outros órgãos como coração, fígado, rins, articulações, etc. 
A odontologia veterinária esta iniciando e avançando muito ultimamente. Hoje em dia 
não existe entidade específica que forneça uma especialização nesta área da medicina 
veterinária aqui no Brasil. Os estudos e aprendizados são efetuados em clínicas particulares e 
em algumas faculdades onde se ensina este tipo de tema e estudo de forma empírica. Está em 
vias de formação a primeira Sociedade Brasileira de Odontologia Veterinária, possivelmente 
chamada de SOBOV, que está sendo formada em São Paulo. Torcemos para que este sonho 
seja realizado, pois teríamos um órgão que possa controlar, ensinar, avaliar e estudar melhor os 
casos da odontologia veterinária no Brasil.