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<p>DESCRIÇÃO</p><p>O mercado de câmbio, sua organização e seu funcionamento, assim como a ligação dele com a política</p><p>cambial e seus reflexos na economia do país.</p><p>PROPÓSITO</p><p>Compreender o funcionamento do mercado de câmbio, assim como seus agentes e sua ligação com a</p><p>política cambial do país, para uma boa gestão de recursos financeiros em um mercado com reflexos</p><p>significativos tanto na economia do país quanto em um mundo com um comércio global de importância</p><p>crescente.</p><p>PREPARAÇÃO</p><p>Antes de iniciar o conteúdo deste tema, tenha em mãos papel, caneta e uma calculadora científica ou</p><p>use a calculadora de seu smartphone ou computador.</p><p>OBJETIVOS</p><p>MÓDULO 1</p><p>Descrever o funcionamento do mercado cambial</p><p>MÓDULO 2</p><p>Aplicar as taxas de câmbio para conversão de valores monetários</p><p>MÓDULO 3</p><p>Reconhecer os diferentes regimes cambiais</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>Em um mundo cada vez mais globalizado, os agentes econômicos nacionais realizam constantemente</p><p>transações com esses agentes nos demais países. Essas transações usualmente se dão em moeda</p><p>estrangeira (em geral, o dólar americano), mas podem ser realizadas em euros, yuans chineses, francos</p><p>suíços ou ienes japoneses.</p><p>O comércio eletrônico e o grande crescimento do turismo também tornam mais forte a demanda por</p><p>transações em moedas estrangeiras.</p><p>Ao longo deste tema, descreveremos o funcionamento do mercado de câmbio, que trata da troca de</p><p>divisas (moedas) entre diversos agentes. Veremos, em suma, como esse mercado é regulado, quem</p><p>são as instituições que nele operam e como funcionam seus preços (as cotações de câmbio).</p><p>Demonstraremos ainda de que forma os valores de uma moeda podem ser convertidos para os de outra.</p><p>Em seguida, observaremos como a relação entre as diversas moedas afeta nosso dia a dia e de que</p><p>forma os países desenvolvem suas políticas cambiais para fazer frente a esses efeitos. Por fim,</p><p>estudaremos os diversos modelos de crises cambiais.</p><p>MÓDULO 1</p><p> Descrever o funcionamento do mercado cambial</p><p>LIGANDO OS PONTOS</p><p>Como se dá uma operação com moeda estrangeira no Brasil? Vamos analisar o caso da ABX S/A no</p><p>texto abaixo para descobrir.</p><p>ABC S/A é uma empresa nacional que trabalha importando e exportando produtos entre o Brasil e outros</p><p>países emergentes. Após negociar a compra de 10.000 unidades de determinado produto, por um preço</p><p>total de US$ 1 milhão, a serem pagos em 90 dias, o CFO da empresa recorre aos contratos futuros de</p><p>dólar para se proteger contra um movimento desfavorável à ABC na cotação da moeda americana.</p><p>Por sua vez, na data de vencimento da operação, o tesoureiro da empresa procura o Banco do Brasil</p><p>(BB) para realizar o pagamento ao fornecedor estrangeiro. O BB é um dos bancos autorizados a realizar</p><p>operações de câmbio. Além de ser o responsável por esta autorização, o Banco Central exige a</p><p>celebração de um contrato de câmbio entre comprador e vendedor. Por meio desse contrato, são</p><p>declaradas ao Banco Central as informações sobre comprador e vendedor, dados sobre a transferência</p><p>e outros detalhes da operação.</p><p>Assim, a ABC compra os dólares junto ao Banco do Brasil, que os transfere para a conta do vendedor</p><p>das mercadorias no exterior. O BB, além disso, registra esta operação no Sistema Integrado de Registro</p><p>de Operações de Câmbio do Banco Central do Brasil.</p><p>As diversas operações de câmbio que realiza permitem uma gestão de riscos bastante eficiente por</p><p>parte do BB, que ainda compra e vende moeda estrangeira em transações com outros bancos</p><p>autorizados pelo BCB a operar no mercado de câmbio nacional.</p><p>Na data da negociação da compra das mercadorias, o dólar americano estava cotado a R$ 5,35 para</p><p>venda e R$ 5,34 para compra. No momento do fechamento da operação de câmbio, o dólar estava</p><p>cotado a R$ 5,05 para venda e R$ 5,04 para venda. O CEO da ABC S/A já estava comemorando o</p><p>ganho com a operação, quando o CFO lembrou que os contratos futuros apresentaram perdas que</p><p>compensaram esses ganhos com a cotação do dólar à vista.</p><p>APÓS A LEITURA DO CASE, É HORA DE APLICAR</p><p>SEUS CONHECIMENTOS! VAMOS LIGAR ESSES</p><p>PONTOS?</p><p>1. REALIZANDO UMA ANÁLISE COMO ESPECIALISTA EM FINANÇAS,</p><p>IDENTIFIQUE QUAIS DAS OPERAÇÕES ABAIXO NÃO TEM O POTENCIAL DE</p><p>AFETAR O VOLUME DE MOEDA ESTRANGEIRA NO PAÍS, OU SEJA, NÃO FAZEM</p><p>PARTE DO MERCADO PRIMÁRIO DE CÂMBIO.</p><p>A) Importação de mercadorias.</p><p>B) Gastos em viagens no exterior.</p><p>C) Remessa de lucros.</p><p>D) Investimentos de empresas estrangeiras no Brasil.</p><p>E) Compra e venda de moeda estrangeira entre dois bancos brasileiros.</p><p>2. ANALISE A SITUAÇÃO E INDIQUE QUAL DOS MOVIMENTOS DE TAXA DE</p><p>CÂMBIO LISTADOS ABAIXO É DESFAVORÁVEL A UM EXPORTADOR E A UM</p><p>IMPORTADOR, RESPECTIVAMENTE?</p><p>A) Subida na cotação do dólar, nos dois casos.</p><p>B) Queda na cotação do dólar, nos dois casos.</p><p>C) Subida na cotação do dólar e queda na cotação do dólar.</p><p>D) Queda na cotação do dólar e subida na cotação do dólar.</p><p>E) Depende do valor da cotação do dólar futuro de 90 dias.</p><p>GABARITO</p><p>1. Realizando uma análise como especialista em finanças, identifique quais das operações abaixo</p><p>não tem o potencial de afetar o volume de moeda estrangeira no país, ou seja, não fazem parte do</p><p>mercado primário de câmbio.</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>Quando dois bancos autorizados pelo BCB a operar câmbio trocam divisas entre si, não há entrada nem</p><p>saída de moeda estrangeira do país. Esta operação pertence ao mercado secundário de câmbio.</p><p>2. Analise a situação e indique qual dos movimentos de taxa de câmbio listados abaixo é</p><p>desfavorável a um exportador e a um importador, respectivamente?</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>Para um exportador, que possui valores a receber em dólares, uma queda da cotação da moeda</p><p>americana lhe é desfavorável. Ocorre o inverso com um importador, que possui valores a pagar em</p><p>dólar.</p><p>3. COMO VOCÊ, NA POSIÇÃO DE CFO DA COMPANHIA ABC</p><p>S/A, JUSTIFICARIA AO CONSELHO DE ADMINISTRAÇÃO</p><p>TER INVESTIDO EM CONTRATOS FUTUROS DE DÓLAR QUE</p><p>ACABARAM POR GERAR PREJUÍZOS?</p><p>RESPOSTA</p><p>Os contratos futuros de dólar servem como proteção para movimentos desfavoráveis da cotação do dólar. Ao</p><p>mesmo tempo que ele impede perdas significativas com movimentos desfavoráveis, ele anula eventuais</p><p>ganhos com a movimentação favorável no mercado à vista. A ideia é travar a posição, determinando</p><p>antecipadamente o resultado da operação.</p><p>javascript:void(0)</p><p>PRIMEIRAS PALAVRAS</p><p>Neste módulo, exploraremos o funcionamento do mercado de câmbio, destacando sua estrutura e seus</p><p>principais agentes. Em seguida, apresentaremos o principal instrumento de formalização das operações:</p><p>o contrato de câmbio.</p><p>MERCADO CAMBIAL</p><p>Trata-se de um mercado global no qual são trocadas moedas (ou divisas) entre diversos agentes</p><p>econômicos que desejam realizar transações comerciais ou financeiras entre si.</p><p>Devido à grande atividade gerada pelo comércio internacional, ele é considerado o maior mercado</p><p>global em volume de negócios e liquidez. Seu volume diário de negociações gira na casa dos trilhões de</p><p>dólares.</p><p>Os objetos negociados no mercado de câmbio são as moedas dos diferentes países. Com isso, rúpias</p><p>indianas podem ser trocadas por pesos mexicanos, assim como é possível fazer o mesmo processo na</p><p>conversão de dólares australianos para libras esterlinas.</p><p>Apesar de as trocas poderem se dar entre quaisquer moedas, algumas, como, por exemplo, o dólar</p><p>americano, são consideradas as principais referências nesse mercado devido à sua maior liquidez e por</p><p>serem vistas como moeda de reserva internacional, ou seja, uma moeda “segura”.</p><p>No Brasil, o mercado de câmbio é regulado pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) e monitorado pelo</p><p>Banco Central do Brasil (BCB). Ambos obedecem a uma estrutura que descreveremos adiante.</p><p>ESTRUTURA DO MERCADO DE CÂMBIO</p><p>A figura a seguir a seguir ilustra o funcionamento do mercado de câmbio, que se divide em dois:</p><p>mercado primário e mercado secundário.</p><p>Fonte: YDUQS, 2020</p><p> A estrutura do mercado de câmbio no Brasil.</p><p>MERCADO PRIMÁRIO</p><p>No mercado primário, os agentes econômicos de uma nação – ou seja, pessoas e empresas</p><p>– realizam</p><p>transações comerciais e financeiras com os agentes estrangeiros, trocando, nesse processo, divisas</p><p>entre si. Esse mercado sensibiliza o balanço de pagamentos do país, pois é nele que se forma o fluxo</p><p>de entrada e saída de divisas da nossa economia, alterando seus estoques.</p><p>Quando a quantidade de divisas estrangeiras enviada para o exterior é superior à recebida de lá, o</p><p>balanço de pagamentos fica negativo e o estoque de moeda estrangeira do país diminui. Já quando a</p><p>quantidade recebida é superior à que é enviada, esse balanço fica positivo e o estoque de moeda</p><p>estrangeira da nação aumenta.</p><p>BALANÇO DE PAGAMENTOS</p><p>javascript:void(0)</p><p>Trata-se da diferença entre a quantidade de divisas estrangeiras que entram no país e a que sai</p><p>dele.</p><p>MERCADO SECUNDÁRIO</p><p>No mercado secundário, as moedas estrangeiras no país são negociadas entre os agentes de câmbios</p><p>autorizados a operar pelo BCB. Por isso, ele também é chamado de mercado interbancário.</p><p>As negociações nesse mercado não afetam o balanço de pagamentos; portanto, elas não alteram o</p><p>estoque de divisas estrangeiras no país.</p><p>Conheceremos agora alguns exemplos de como funcionam esses mercados.</p><p>MERCADO PRIMÁRIO</p><p>Suponha que um exportador venda mercadorias para o exterior e receba o pagamento em moeda</p><p>estrangeira. Quando essas divisas chegam ao país, elas sensibilizam o balanço de pagamentos,</p><p>aumentando o estoque da moeda estrangeira no Brasil. Um agente de câmbio então faz a conversão</p><p>dessa moeda estrangeira para reais por meio de um contrato de câmbio, repassando o valor ao</p><p>exportador.</p><p>Como já frisamos, os contratos de câmbio efetuados pelos agentes de câmbio são o meio utilizado para</p><p>se trocar moeda local e estrangeira com as empresas e as pessoas que realizam transações no</p><p>mercado internacional de bens e serviços.</p><p>MERCADO SECUNDÁRIO</p><p>Suponha, por exemplo, que o Banco A esteja com um estoque baixo de dólares e deseje aumentá-lo.</p><p>Ele negocia a compra de dólares com o Banco B, que conta com muitos exemplares dessa moeda</p><p>estrangeira.</p><p>Como o domicílio de ambos é o Brasil, não houve aumento nem redução da quantidade de dólares no</p><p>país. Este é um exemplo do tipo de negociação efetuada no mercado interbancário (ou secundário).</p><p>Outra razão para os bancos negociarem moeda estrangeira entre si é a melhor gestão de suas</p><p>exposições ao risco cambial. Vamos entender o que isso significa.</p><p>Neste vídeo, entenderemos melhor a estrutura do mercado de câmbio no Brasil.</p><p>RISCO CAMBIAL</p><p>O risco cambial é um dos riscos no qual incorrem os agentes econômicos que possuem direitos ou</p><p>obrigações em moeda estrangeira. Ele é o risco de oscilações adversas nas taxas de câmbio.</p><p>Suponha que um importador tenha um milhão de dólares para receber daqui a uma semana por conta</p><p>de um negócio fechado recentemente. Se, nesse período, o dólar sofrer uma depreciação frente ao real</p><p>(ou, de forma equivalente, se este se apreciar frente àquele), esse importador, quando o contrato de</p><p>câmbio for fechado, não conseguirá a mesma quantidade de reais que conseguiria antes da depreciação</p><p>da moeda americana.</p><p>A mesma coisa acontece com um investidor que possua títulos nominados em dólar. Uma depreciação</p><p>dessa moeda fará com que ele tenha um retorno menor em seu investimento após a conversão para</p><p>reais.</p><p>Por outro lado, se um exportador tiver uma dívida em dólares, seu risco será o oposto: a chance maior,</p><p>neste caso, é que o dólar se aprecie, ou seja, sua cotação na moeda brasileira aumente, pois sua dívida</p><p>em reais também irá aumentar.</p><p>Fonte: Eliseu Geisler/Shutterstock</p><p>Para proteger-se contra estes tipos de riscos, os instrumentos que os agentes econômicos utilizam são</p><p>os derivativos cambiais. Eles devem ser empregados quando um agente assume uma posição</p><p>contrária àquela a que está exposto.</p><p>Se o risco contra o qual ele queira se proteger for o de uma depreciação do dólar, o agente assumirá</p><p>uma posição em derivativos que gere ganhos com essa depreciação. Se o risco for a subida do dólar,</p><p>ele fará o contrário.</p><p>Os principais derivativos cambiais são os contratos futuros de dólar, os contratos a termo e os swaps.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Os swaps e o termo são contratos no mercado de balcão (operações nas quais se conhece a</p><p>contraparte) utilizados, na maioria das vezes, para proteção contra a variação cambial. Já o futuro de</p><p>dólar é transacionado na Bolsa de Valores, servindo tanto para proteção quanto para especulação.</p><p>Neste tema, nossa abordagem se atém ao mercado à vista de câmbio. Por conta disso, falaremos</p><p>apenas de forma superficial do mercado de derivativos cambiais.</p><p>AGENTES DO MERCADO DE CÂMBIO</p><p>O artigo 2º da Circular BCB nº 3.691, de 2013, determina que as pessoas físicas e jurídicas podem</p><p>comprar e vender moeda estrangeira ou realizar transferências internacionais em reais de qualquer</p><p>natureza, sem limitação de valor, sendo a contraparte da operação o agente autorizado a operar no</p><p>mercado de câmbio.</p><p>Ou seja, apesar de não haver limitações de volume de negociação para a compra e venda de moeda</p><p>estrangeira, as pessoas físicas e jurídicas devem negociar com instituições autorizadas pelo Banco</p><p>Central a operar câmbio, ou seja, os agentes de câmbio.</p><p>Fonte: Adriano Kirihara/Shutterstock</p><p>O artigo 33 do mesmo normativo indica quem pode obter tal autorização junto ao Banco Central para</p><p>operar como agente de câmbio:</p><p>Bancos múltiplos;</p><p>Bancos comerciais;</p><p>Caixas econômicas;</p><p>Bancos de investimento;</p><p>Bancos de desenvolvimento;</p><p>Bancos de câmbio;</p><p>Agências de fomento;</p><p>Sociedades de crédito, financiamento e investimento;</p><p>Sociedades corretoras de títulos e valores mobiliários;</p><p>Sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários;</p><p>Sociedades corretoras de câmbio.</p><p>CONTRATO DE CÂMBIO</p><p>A Circular nº 3.691 também estabelece que o contrato de câmbio é o instrumento por meio do qual se</p><p>formalizam as operações cambiais, além de exigir que tais contratos sejam registrados no sistema de</p><p>câmbio do Banco Central.</p><p>Fonte: TippaPatt/shutterstock</p><p>Há dois os tipos de contrato de câmbio existentes:</p><p>Fonte: YDUQS, 2020</p><p>O CONTRATO DE COMPRA</p><p>Ele é destinado a operações de compra de moeda estrangeira realizadas pelas instituições autorizadas</p><p>a operar no mercado de câmbio.</p><p>Figura: O contrato de compra de moeda estrangeira.</p><p>Fonte: YDUQS, 2020</p><p>O CONTRATO DE VENDA</p><p>Já este contrato é destinado às operações de venda de moeda estrangeira realizadas pelas instituições</p><p>autorizadas a operar no mercado de câmbio.</p><p>Figura: O contrato de venda de moeda estrangeira.</p><p>O BCB utiliza as informações registradas no Sistema do Banco Central (Sisbacen) para controlar a</p><p>exposição cambial dos bancos e monitorar a higidez do mercado.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. ASSINALE A AFIRMATIVA CORRETA SOBRE O MERCADO DE CÂMBIO.</p><p>A) O mercado primário de câmbio não sensibiliza o balanço de pagamentos do país, já que é onde os</p><p>bancos negociam moedas estrangeiras entre si, não havendo fluxos de moeda estrangeira entrando ou</p><p>saindo do território nacional.</p><p>B) O mercado interbancário opera com agentes autorizados pela Comissão de Valores Mobiliários.</p><p>C) Apenas agentes autorizados pelo Conselho Monetário Nacional podem operar no mercado primário</p><p>de câmbio.</p><p>D) Os contratos de venda de moeda estrangeira devem ser registrados no sistema de câmbio do Banco</p><p>Central, mas não é necessário registrar os contratos de compra.</p><p>E) As exportações contribuem para aumentar o estoque de divisas estrangeiras no país; as importações,</p><p>para reduzi-lo.</p><p>2. UM FUNDO DE PENSÃO COMPRA TÍTULOS DO TESOURO DOS ESTADOS UNIDOS. PARA</p><p>ISSO, EFETUA UM CONTRATO DE CÂMBIO COM UM GRANDE BANCO NACIONAL, QUE, POR</p><p>SUA VEZ, ENVIA OS DÓLARES NECESSÁRIOS À COMPRA PARA O EXTERIOR. ESTAMOS</p><p>FALANDO DE QUE MERCADO?</p><p>A) Mercado primário, pois há saída de divisas do país.</p><p>B) Mercado primário, porque somente é possível efetuar essa operação por intermédio de uma</p><p>instituição autorizada pelo Banco Central para operar câmbio.</p><p>C) Mercado secundário, já que não há saída de divisas do país.</p><p>D) Mercado secundário,</p><p>uma vez que os dois agentes envolvidos são regulados pelo CMN.</p><p>E) Mercado secundário; afinal, trata-se de uma operação de investimento, e não de bens e serviços.</p><p>GABARITO</p><p>1. Assinale a afirmativa correta sobre o mercado de câmbio.</p><p>A alternativa "E " está correta.</p><p>Quando um bem ou serviço é exportado, os exportadores recebem seu pagamento em moeda</p><p>estrangeira, aumentando o estoque de divisas estrangeiras. Nas importações, ocorre o contrário.</p><p>O erro da letra a é que o mercado primário de câmbio efetivamente sensibiliza o balanço de</p><p>pagamentos. É nele que os agentes econômicos nacionais realizam transações com os agentes</p><p>econômicos estrangeiros. Já a opção b está errada, porque é o Banco Central o responsável por</p><p>autorizar os agentes a operarem no mercado interbancário. O erro da letra c reside no fato de que é o</p><p>Banco Central do Brasil quem autoriza a operação no mercado de câmbio. Já a opção d não pode ser</p><p>considerada correta, pois tanto os contratos de compra como de venda devem ser registrados.</p><p>2. Um fundo de pensão compra títulos do Tesouro dos Estados Unidos. Para isso, efetua um</p><p>contrato de câmbio com um grande banco nacional, que, por sua vez, envia os dólares</p><p>necessários à compra para o exterior. Estamos falando de que mercado?</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Para poder comprar um título estrangeiro, é necessário haver uma remessa de divisas para o exterior,</p><p>sensibilizando o balanço de pagamentos. Trata-se, portanto, de uma operação do mercado primário.</p><p>MÓDULO 2</p><p> Aplicar as taxas de câmbio para conversão de valores monetários</p><p>LIGANDO OS PONTOS</p><p>Por que as cotações das moedas normalmente são dadas em dólares americanos? Vamos tentar</p><p>descobrir lendo o texto abaixo.</p><p>Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), no último trimestre de 2020, o dólar americano</p><p>respondia por cerca de 60% de todas as reservas cambiais no mundo. Além disso, 88% de todas as</p><p>trocas comerciais se dão em dólares dos Estados Unidos.</p><p>Mais ainda, pouco mais de 20 países adotam a moeda americana oficialmente em suas economias.</p><p>Não se pode negar a força da economia americana como principal fator a dar suporte à sua moeda</p><p>como moeda de comércio internacional. Além disso, a moeda americana possui 3 atributos</p><p>importantíssimos para explicar esse fenômeno: estabilidade, liquidez e segurança.</p><p>Os baixos níveis de inflação norte-americanas em muitas décadas, um pujante mercado financeiro, com</p><p>alta liquidez e grande segurança de ativos denominados em dólares americanos, compõem uma trinca</p><p>de fatores que nenhuma outra moeda no mundo consegue oferecer.</p><p>Mesmo outras moedas que ainda possuem representatividade no comércio mundial, como o euro, o iene</p><p>e a libra esterlina, não reúnem tais características nos níveis da moeda americana.</p><p>Por fim, a cotação das principais commodities também é toda realizada em dólares, como o ouro e o</p><p>petróleo, o que ajuda ainda mais a mantê-lo como a referência para o comércio e, consequentemente,</p><p>na cotação de moedas.</p><p>É importante lembrar que isso nem sempre foi assim. Até a Primeira Guerra Mundial, por exemplo, a</p><p>libra esterlina era a detentora desse posto de moeda de referência. Será que, no futuro, alguma outra</p><p>moeda substituirá o dólar como referência de cotação de divisas?</p><p>Talvez as criptomoedas? O tempo dirá. Há ainda muitas questões não resolvidas relativas à segurança e</p><p>lavagem de dinheiro para que os reguladores se sintam à vontade com essas novas tecnologias.</p><p>APÓS A LEITURA DO CASE, É HORA DE APLICAR</p><p>SEUS CONHECIMENTOS! VAMOS LIGAR ESSES</p><p>PONTOS?</p><p>1. O TEXTO DIZ QUE A LIQUIDEZ DA MOEDA É FATOR CHAVE PARA SER ACEITA</p><p>NO COMÉRCIO MUNDIAL E, COM ISSO, SE TORNAR UMA MOEDA DE</p><p>REFERÊNCIA. COMO VOCÊ, CONSULTOR FINANCEIRO, EXPLICARIA O</p><p>CONCEITO DE LIQUIDEZ DE UMA MOEDA?</p><p>A) Alto nível de utilização como meio de pagamento.</p><p>B) Suficiente lastro em ouro.</p><p>C) Volatilidade baixa.</p><p>D) Alto rating soberano do país emissor.</p><p>E) Quantidade de países que a adota de maneira oficial.</p><p>2. A DÍVIDA AMERICANA JÁ ULTRAPASSOU 130% DO PIB. NO ENTANTO, O</p><p>DÓLAR CONTINUA SENDO VISTO COMO UMA MOEDA SEGURA. COM SEU</p><p>CONHECIMENTO DE ANALISTA FINANCEIRO, E OBSERVANDO O TEXTO, QUAL</p><p>DOS FATORES ABAIXO PODE AJUDAR A EXPLICAR ESSE APARENTE</p><p>PARADOXO?</p><p>A) A dívida se concentrar com a China.</p><p>B) A existência de muitos ativos seguros denominados em dólares americanos.</p><p>C) As reservas mundiais de ouro estarem guardadas nos EUA.</p><p>D) As dívidas mais elevadas de europeus e japoneses.</p><p>E) O curto prazo dos títulos da dívida americana.</p><p>GABARITO</p><p>1. O texto diz que a liquidez da moeda é fator chave para ser aceita no comércio mundial e, com</p><p>isso, se tornar uma moeda de referência. Como você, consultor financeiro, explicaria o conceito</p><p>de liquidez de uma moeda?</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>A liquidez de uma moeda está diretamente relacionada com sua aceitação como meio de pagamento.</p><p>Como o próprio texto menciona, quase 90% das transações internacionais utilizam o dólar americano</p><p>como moeda de troca.</p><p>2. A dívida americana já ultrapassou 130% do PIB. No entanto, o dólar continua sendo visto como</p><p>uma moeda segura. Com seu conhecimento de analista financeiro, e observando o texto, qual</p><p>dos fatores abaixo pode ajudar a explicar esse aparente paradoxo?</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>A força da economia americana, com muitos ativos seguros e enorme resiliência, ajudam a manter o</p><p>dólar seguro, mesmo com a alta na dívida/PIB.</p><p>3. POR QUE A ESTABILIDADE DE UMA MOEDA, OU SEJA,</p><p>UM BOM CONTROLE INFLACIONÁRIO, É IMPORTANTE</p><p>PARA UMA MOEDA SE MANTER COMO MOEDA DE</p><p>REFERÊNCIA?</p><p>RESPOSTA</p><p>A inflação pode ser vista como um “imposto” cobrado pelo governo dos detentores de sua moeda. Ela corrói o</p><p>poder de compra da moeda. Países com histórico de altas inflações costumam ser vistos com maiores</p><p>preocupações por investidores, pois seus governos podem ser tentados a emitir mais moeda para arcar com</p><p>suas obrigações, desvalorizando-a.</p><p>PRIMEIRAS PALAVRAS</p><p>As taxas de câmbio representam os preços praticados no mercado cambial. Elas também são o</p><p>instrumento utilizado para a conversão de moedas.</p><p>Expressaremos neste módulo a importância de se ter um bom conhecimento do que essas taxas</p><p>representam e de como elas são formadas tanto para operar nesse mercado quanto para entender os</p><p>efeitos do câmbio na economia.</p><p>TAXAS DE CÂMBIO</p><p>Como dissemos anteriormente, a taxa de câmbio expressa o preço da moeda estrangeira no mercado</p><p>cambial. É quanto se paga, portanto, na troca entre duas moedas.</p><p>javascript:void(0)</p><p>Poderemos compreender melhor esse conceito por meio de exemplos.</p><p>EXEMPLO 1</p><p>Se a taxa de câmbio é de 5R$/US$, isso significa que, para se comprar um dólar americano, é preciso</p><p>pagar R$5. Em outras palavras:</p><p>US$1 = R$5</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Da mesma forma, pode-se dividir cada lado da igualdade acima por 5 e verificar que:</p><p>US$1</p><p>5 =</p><p>R$5</p><p>5</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>US$0,20 = R$1</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Ou seja, para se adquirir um real, são necessários vinte centavos de dólar. Dessa maneira, é possível</p><p>expressar essa mesma taxa de câmbio como sendo 0,20 US$/R$.</p><p>EXEMPLO 2</p><p>Suponha que eu queira converter 2.000 dólares em reais. O agente de câmbio me diz que a cotação é</p><p>de 5,2R$/US$. Quantos reais posso obter com essa cotação?</p><p>De início, devemos expressar a cotação do dólar como fizemos anteriormente.</p><p>US$1 = R$5,20</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Como quero calcular o valor de dois mil dólares, devo multiplicar toda a expressão acima por 2.000,</p><p>obtendo:</p><p>US$2.000 = R$5,20 × 2.000</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>US$2.000 = R$10.400</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>EXEMPLO 3</p><p>Ainda desejo converter os mesmos 2.000 dólares; no entanto, a cotação agora está expressa de</p><p>maneira diferente:</p><p>0,16US$/R$. Como devo proceder?</p><p>Para começar, representaremos a cotação na forma vista anteriormente:</p><p>US$0,16 = R$1</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Dividindo os dois lados da igualdade por 0,16, temos:</p><p>US$0,16</p><p>0,16 =</p><p>R$1</p><p>0,16</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>US$1 = R$6,25</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Recaímos no caso anterior. Podemos, portanto, multiplicar toda a igualdade por 2.000:</p><p>US$2.000 = R$6,25 × 2.000</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>US$2.000 = R$12.500</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>No primeiro caso, só multiplicamos o valor que queríamos converter pela cotação em R$/US$ (</p><p>2.000 × 5,2 = 10.400). No segundo, por outro lado, dividimos o valor que seria convertido pela cotação</p><p>em US$/R$ (2.000 / 0,16 = 12.500).</p><p>ISO 4217:2015</p><p>Conforme destacamos, o objeto de negociação no mercado de câmbio são as moedas (ou divisas).</p><p>Moedas de diversos países podem ser negociadas; ainda assim, muitas vezes, suas cotações são</p><p>expressas em dólares americanos.</p><p>Para facilitar a comunicação entre os agentes, a norma ISO 4217:2015 estabelece códigos para cada</p><p>moeda e outras commodities, como o ouro.</p><p>Há dois tipos de código:</p><p>ALFABÉTICO</p><p>NUMÉRICO</p><p>ALFABÉTICO</p><p>O código alfabético contém três letras: as duas primeiras são o código do país, enquanto a terceira –</p><p>quando possível – corresponde à primeira letra da moeda.</p><p>NUMÉRICO</p><p>Já o código numérico foi desenvolvido para países que não utilizam caracteres ocidentais e também</p><p>para facilitar o uso em sistemas computadorizados.</p><p>A tabela a seguir apresenta alguns desses códigos, com destaque para o real (BRL) e o dólar americano</p><p>(USD):</p><p>Moeda</p><p>Código</p><p>Alfabético</p><p>Código</p><p>Numérico</p><p>Colón CRC 188</p><p>Dólar australiano AUD 036</p><p>Dólar americano USD 840</p><p>Dólar canadense CAD 124</p><p>Dólar de Hong Kong HKD 344</p><p>Euro EUR 978</p><p>Franco suíço CHF 756</p><p>Iene JPY 392</p><p>Libra egípcia EGP 818</p><p>Libra esterlina GBP 826</p><p>Peso argentino ARS 032</p><p>Peso mexicano MXN 484</p><p>Real BRL 986</p><p>Rublo RUB 643</p><p>Rúpia INR 356</p><p>Won KRW 410</p><p>Yuan Renminbi CNY 156</p><p> Atenção! Para visualizaçãocompleta da tabela utilize a rolagem horizontal</p><p>Tabela: Códigos alfabéticos e numéricos das moedas segundo a ISO 4217:2015.</p><p>Usaremos esses códigos com frequência a partir de agora.</p><p>Podemos supor que conheçamos tanto a cotação do dólar canadense contra o americano</p><p>(1,3408CAD/USD) quanto a do dólar americano contra a libra esterlina (1,2703USD/GBP).</p><p>Como calculamos a cotação do dólar canadense contra a libra esterlina?</p><p>A resposta para isso é bem simples: basta observar a forma como as cotações estão apresentadas.</p><p>CAD</p><p>USD E</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Notem que, se multiplicarmos as duas frações acima, o dólar americano sumirá, restando apenas o</p><p>canadense e a libra esterlina. Vejamos então como fica.</p><p>1,3408CAD</p><p>USD × 1,2703USD</p><p>GBP = 1,7032CAD</p><p>GBP</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Ou seja, cada libra esterlina equivale a 1,7032 dólares canadenses. Podemos usar esse procedimento</p><p>sempre que precisarmos.</p><p>Explicaremos neste vídeo como funciona a conversão de moedas de mesmo tipo.</p><p>PTAX</p><p>A PTAX é a cotação calculada pelo BCB para as moedas estrangeiras.</p><p>Segundo informações disponíveis no site do Banco Central, o nome PTAX se origina de uma transação</p><p>do Sisbacen muito utilizada no passado pelo público para consultar taxas de câmbio: a PTAX800.</p><p>Apesar de essa transação ter sido desativada em setembro de 2014, o sistema que a substituiu</p><p>conservou seu nome.</p><p>Fonte: Jo Galvao/Shutterstock</p><p>Tal cotação é divulgada diariamente para todas as moedas, ainda que ela esteja comumente associada</p><p>à do dólar americano. Seus valores estão disponíveis no site do Banco Central do Brasil.</p><p>Esta tabela exibe um extrato da cotação da PTAX obtida no site do BCB para o dia 25 de setembro de</p><p>2020:</p><p>Fonte: Banco Central do Brasil</p><p> Cotações da PTAX em 19 de outubro de 2020.</p><p>Na coluna “Cod Moeda”, estão dispostos os códigos numéricos da norma ISO 4217 e, em “Moeda”, seus</p><p>respectivos códigos alfabéticos.</p><p>Observando respectivamente as colunas “Taxa Compra” e “Taxa Venda”, notamos que, no dia 25 de</p><p>setembro de 2020, a cotação do dólar americano (código numérico 220 e código alfabético USD) era de</p><p>R$5,5661 para compra e de R$ 5,5667 para venda.</p><p>Há ainda três outras colunas na tabela. As colunas “Paridade Compra” e “Paridade Venda” nos permitem</p><p>ver a cotação das moedas em relação ao dólar americano. Já a coluna “Tipo” indica como essa cotação</p><p>é apresentada.</p><p>Podemos dominar melhor tais conceitos mediante a análise de dois exemplos envolvendo tanto o dólar</p><p>de Hong Kong (código numérico 205 e código alfabético HKD), que é uma moeda do tipo “A”, quanto o</p><p>fijiano (200 e FJD), que é do tipo “B”.</p><p>DÓLAR DE HONG KONG</p><p>Neste caso, a leitura é a mesma feita para ler o valor em reais, pois a cotação informa quantas unidades</p><p>da moeda analisada equivalem a um dólar americano.</p><p>Desse modo, verificamos que, no dia 25 de setembro de 2020:</p><p>1USD = 7,7500HKD</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Na compra (coluna “Paridade Compra”):</p><p>1USD = 7,7501HKD</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Na venda (coluna “Paridade Venda”).</p><p>DÓLAR FIJIANO</p><p>Já para o dólar fijiano, a leitura é inversa: a cotação agora informa quantos dólares equivalem a uma</p><p>unidade da moeda analisada.</p><p>Com isso, em 25 de setembro de 2020:</p><p>1FJD = 0,4574USD</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Na compra (coluna “Paridade Compra”):</p><p>1FJD = 0,4744USD</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Na venda (coluna “Paridade Venda”).</p><p>Repare que a conversão das moedas deve ser feita, conforme destacamos anteriormente, de maneiras</p><p>distintas.</p><p>Para converter valores de dólares americanos para os de Hong Kong, precisamos multiplicar o valor em</p><p>dólares pela cotação HKD/USD. Por outro lado, para a conversão de dólares americanos para os</p><p>fijianos, devemos dividir esse valor por outra cotação: USD/FJD.</p><p>SPREAD DE COMPRA E VENDA</p><p>Notem que as cotações apresentadas pelo Banco Central na PTAX se dão em dois valores: para compra</p><p>e para venda. Reparem ainda que a cotação de compra é sempre menor que a de venda.</p><p>Explicaremos agora o que isso significa.</p><p>Imaginemos um banco que opere câmbio, ou seja, que tenha, na compra e venda de moeda estrangeira,</p><p>um negócio. Sua remuneração por prestar esse serviço é dada pela diferença entre as duas cotações.</p><p>Essa diferença é chamada de spread, que, em inglês, significa “margem”.</p><p>Assim, para que o banco aufira algum lucro nessa operação, o valor pelo qual ele compra a moeda</p><p>estrangeira (cotação de compra) deve ser menor que aquele pelo qual ele vende a mesma moeda</p><p>(cotação de venda).</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Podemos fazer agora um link com os dois contratos estudados anteriormente: o de compra (cuja taxa é</p><p>a de compra) e o de venda (taxa de venda).</p><p>Retomemos o exemplo do dólar americano em 25 de setembro de 2020:</p><p>A cotação de venda é de:</p><p>1USD = 5,5667BRL</p><p></p><p>A cotação de compra é de:</p><p>1USD = 5,5661USD</p><p>Se o banco, em determinado dia, comprar 1 milhão de dólares e o revender no mesmo dia, qual será</p><p>seu lucro?</p><p>Resposta: sua receita será dada pelo valor pelo qual ele vendeu esses dólares.</p><p>Ou seja:</p><p>Receita = 1.000.000 × 5,5667 = R$5.566.700</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Já a despesa dele será auferida pelo valor pelo qual ele comprou esses dólares:</p><p>Despesa = 1.000.000 × 5,5661 = R$5.566.100</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>O lucro, portanto, será dado pela diferença entre receita e despesa:</p><p>Lucro = 5.566.700 - 5.566.100</p><p>= R$600</p><p> Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal</p><p>Quando o banco realiza inúmeras operações diárias como as descritas acima, ele consegue administrar</p><p>bem o seu risco cambial, permitindo reduzir esse spread. Quando essas negociações são menos</p><p>abundantes, o spread tende a aumentar, já que o banco espera um retorno maior pelo risco adicional em</p><p>que incorreu.</p><p>Em outras palavras, pode-se dizer que um spread será tão menor quanto mais líquida for uma divisa.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>As moedas com maior liquidez são, portanto, mais baratas para se operar no mercado internacional, já</p><p>que elas possuem spreads menores, reduzindo os custos para importadores e exportadores. As moedas</p><p>mais líquidas no cenário global são o dólar americano (USD), o euro (EUR), o iene (JPY) e a libra</p><p>esterlina (GBP).</p><p>COMO É CALCULADA A PTAX</p><p>Até julho de 2011, a taxa PTAX era calculada como a taxa média ponderada pelo volume nas operações</p><p>do mercado interbancário, havendo o expurgo de algumas operações específicas (outliers, operações</p><p>intragrupo etc.) para que fossem evitadas possíveis distorções. Dessa média, diminuía-se 004 para a</p><p>cotação de compra e somava-se 004 para a de venda.</p><p>Com a maior participação do Brasil no comércio internacional, fez-se necessário alterar essa</p><p>metodologia. Isso ocorreu com a edição da Circular BCB nº 3.506, de 23 de setembro de 2010.</p><p>Desde então, a PTAX passou a ser calculada a partir de quatro consultas diárias do BCB aos</p><p>operadores de câmbio. As duas maiores e as duas menores cotações são excluídas, calculando-se as</p><p>médias simples de todas as cotações recebidas para compra e para venda. O BCB ainda verifica se</p><p>essas taxas médias estão de acordo com as praticadas no mercado interbancário.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. UM IMPORTADOR, QUE DESEJA ADQUIRIR MERCADORIAS DA CHINA NO VALOR DE 10</p><p>MILHÕES DE YUANS, CONSULTA O SITE DO BCB PARA SABER O VALOR DA COMPRA EM</p><p>REAIS. DESSA FORMA, ELE OBTÉM A COTAÇÃO DE COMPRA IGUAL A 0,8155BRL/CNY E A DE</p><p>VENDA, A 0,8160BRL/CNY. QUE VALOR EM REAIS SERÁ GASTO PELO IMPORTADOR SE ELE</p><p>DECIDIR EFETUAR A COMPRA?</p><p>A) R$8.155.000</p><p>B) R$8.160.000</p><p>C) R$12.262.415,69</p><p>D) R$12.254.910,96</p><p>E) R$10.815.500</p><p>2. UM BANCO OPERA NO MERCADO À VISTA DE DÓLAR COM UM SPREAD DE 0,005BRL/USD.</p><p>SE ELE COMPRAR E VENDER 10 MILHÕES DE DÓLARES AMERICANOS EM UM SÓ DIA, QUAL</p><p>SERÁ SEU LUCRO NESSA OPERAÇÃO?</p><p>A) R$5.000</p><p>B) R$20.000</p><p>C) R$50.000</p><p>D) R$2.000</p><p>E) R$500.000.000</p><p>GABARITO</p><p>1. Um importador, que deseja adquirir mercadorias da China no valor de 10 milhões de yuans,</p><p>consulta o site do BCB para saber o valor da compra em reais. Dessa forma, ele obtém a cotação</p><p>de compra igual a 0,8155BRL/CNY e a de venda, a 0,8160BRL/CNY. Que valor em reais será gasto</p><p>pelo importador se ele decidir efetuar a compra?</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>Como o importador precisa comprar yuans, ele deve celebrar um contrato de venda de yuans com um</p><p>agente de mercado (lembre-se de que, no contrato de venda, um agente de câmbio vende moeda</p><p>estrangeira para sua contraparte). Por isso, deve-se utilizar a cotação de venda para efetuar a</p><p>conversão.</p><p>Desse modo, temos:</p><p>1 CNY = 0,8160BRL</p><p>Multiplicando-se os dois lados da igualdade acima por 10.000.000, obtemos:</p><p>10.000.000 CNY = 8.160.000BRL</p><p>2. Um banco opera no mercado à vista de dólar com um spread de 0,005BRL/USD. Se ele comprar</p><p>e vender 10 milhões de dólares americanos em um só dia, qual será seu lucro nessa operação?</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>Para cada dólar negociado, o banco aufere um lucro de 0,005 reais. Com isso, verificamos que o lucro</p><p>total dele é de:</p><p>Lucro = 10.000.000 × 0,005 = 50.000BRL</p><p>MÓDULO 3</p><p> Reconhecer os diferentes regimes cambiais</p><p>LIGANDO OS PONTOS</p><p>Como a dívida pública e as reservas em moeda estrangeira afetam a cotação do Real e a estabilidade</p><p>da economia brasileira?</p><p>Vamos ler o texto abaixo, para refletir sobre a questão.</p><p>Em novembro de 2020, o Ministro da Economia, Paulo Guedes, fez um pronunciamento em que disse</p><p>estar planejando vender parte das reservas cambiais do país para reduzir a dívida bruta, que já estava</p><p>na casa de 96% do PIB.</p><p>Como o Brasil possuía, àquela época, mais de USD 350 bilhões em reservas e, como a cotação do dólar</p><p>estava em patamares bastante elevados, a ideia do Ministro consistia em vender parte dessa reserva</p><p>supervalorizada (cerca de USD 70 milhões) para reduzir a dívida bruta do país, evitando que esta</p><p>superasse 100% do PIB.</p><p>Para o Ministro, só fazia sentido ter reservas tão altas em um cenário de Real supervalorizado e juros</p><p>altos, o que não era mais o caso. Com a venda das reservas e de outros ativos do governo, Paulo</p><p>Guedes objetivava estabilizar a dívida pública antes de 2027.</p><p>Os críticos do Ministro argumentavam que a redução das reservas cambiais colocaria o país em risco de</p><p>uma crise cambial, como outras já vividas no passado, uma vez que estas reservas constituem um</p><p>seguro contra crises de confiança. Dizem ainda que uma venda maciça de dólares poderia acabar</p><p>diminuindo a competitividade externa do Brasil.</p><p>Por outro lado, analistas concordam com o Ministro no sentido de que o tipo de capital estrangeiro que</p><p>entra no país com dólar caro e juros baixos é bem diferente da situação contrária, em que os juros são</p><p>altos e o dólar barato.</p><p>Enquanto no segundo cenário há profusão de investidores especulativos de curto prazo, no primeiro</p><p>cenário, o capital estrangeiro entrante tende a procurar os grandes investimentos em infraestrutura</p><p>desenvolvidos no país, trazendo menos riscos de crises cambiais por qualquer suspiro na economia.</p><p>APÓS A LEITURA DO CASE, É HORA DE APLICAR</p><p>SEUS CONHECIMENTOS! VAMOS LIGAR ESSES</p><p>PONTOS?</p><p>1. COMO CONSULTOR, COMO VOCÊ EXPLICARIA A UM CLIENTE QUE UMA</p><p>VENDA MACIÇA DE DÓLARES PELO GOVERNO PODE PROVOCAR UMA QUEDA</p><p>NA COMPETITIVIDADE DAS EMPRESAS BRASILEIRAS?</p><p>A) Devido à apreciação do real.</p><p>B) Devido à apreciação do dólar.</p><p>C) Devido à maior lentidão nas operações de câmbio.</p><p>D) Devido ao aumento da inflação.</p><p>E) Devido à depreciação do real.</p><p>2. O MINISTRO PAULO GUEDES INTENCIONAVA REDUZIR A DÍVIDA PÚBLICA</p><p>COM A VENDA DE DÓLARES DAS RESERVAS CAMBIAIS BRASILEIRAS. COM</p><p>UMA DÍVIDA PÚBLICA SOB CONTROLE, ELE ESPERAVA REDUZIR TAMBÉM O</p><p>RISCO DE CRISES CAMBIAIS. POR QUE A DÍVIDA SOB CONTROLE AJUDARIA</p><p>NA ESTABILIDADE DA MOEDA?</p><p>A) Não ajudaria, pois a dívida está denominada em reais.</p><p>B) O imposto inflacionário facilita seu pagamento.</p><p>C) Uma dívida sob controle dá segurança aos investidores estrangeiros, que não retiram seus</p><p>investimentos do país.</p><p>D) Uma dívida sob controle está imune a sanções do FMI.</p><p>E) O lastro em ouro da dívida permanece inalterado.</p><p>GABARITO</p><p>1. Como consultor, como você explicaria a um cliente que uma venda maciça de dólares pelo</p><p>governo pode provocar uma queda na competitividade das empresas brasileiras?</p><p>A alternativa "A " está correta.</p><p>Ao vender maciçamente um produto qualquer, seu preço tende a cair (aumento da oferta). O preço do</p><p>dólar cair significa uma apreciação do real. Como os custos de produção no Brasil normalmente estão</p><p>em reais, uma apreciação do real reduz a competitividade das empresas nacionais.</p><p>2. O Ministro Paulo Guedes intencionava reduzir a dívida pública com a venda de dólares das</p><p>reservas cambiais brasileiras. Com uma dívida pública sob controle, ele esperava reduzir também</p><p>o risco de crises cambiais. Por que a dívida sob controle ajudaria na estabilidade da moeda?</p><p>A alternativa "C " está correta.</p><p>Dívida sob controle significa facilidade de rolagem e inflação sob controle, o que gera um ambiente</p><p>favorável a investimentos estrangeiros, diminuindo a probabilidade de uma crise cambial.</p><p>3. NA SUA OPINIÃO, POR QUE O TEXTO INSINUA QUE OS</p><p>INVESTIDORES ESPECULATIVOS TENDEM A SER MAIS</p><p>CRÍTICOS COM A ESTABILIDADE DA MOEDA DO QUE OS</p><p>INVESTIDORES DE LONGO PRAZO?</p><p>RESPOSTA</p><p>Os investimentos de longo prazo na economia real são mais resilientes a choques momentâneos na</p><p>economia, uma vez que são menos líquidos e focam no longo prazo. Isso dificulta</p><p>uma fuga em massa de</p><p>moeda estrangeira, que pode gerar instabilidade na moeda.</p><p>PRIMEIRAS PALAVRAS</p><p>Alguns dos principais atores no mercado de câmbio são os governos nacionais. Como as flutuações das</p><p>taxas de câmbio podem ter impactos na economia dos países, os governos atuam nesse mercado</p><p>buscando alcançar maior estabilidade e um crescimento econômico.</p><p>Neste módulo, delinearemos os diferentes tipos de políticas cambiais. Destacaremos ainda as crises</p><p>cambiais que podem colocar em risco os objetivos – que foram apontados logo acima – de muitos</p><p>países.</p><p>POLÍTICA CAMBIAL</p><p>Segundo o BCB, a política cambial “é o conjunto de medidas que define o regime de taxas de câmbio e</p><p>regulamenta as operações de câmbio”.</p><p>Fonte: (BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2020a)</p><p>Essa política estabelece o funcionamento do mercado de câmbio e a gestão das reservas internacionais.</p><p>Como vimos, a definição das regras de funcionamento do mercado de câmbio fica a cargo do Conselho</p><p>Monetário Nacional (CMN). Entidade subordinada ao CMN, o Banco Central do Brasil (BCB) atua para</p><p>javascript:void(0)</p><p>garantir o cumprimento dessas regras. O BCB tem, portanto, papel fundamental na execução da política</p><p>cambial, como veremos mais à frente.</p><p> ATENÇÃO</p><p>A política cambial e os movimentos das taxas de câmbio afetam diretamente a vida de todos os</p><p>cidadãos. Muitos itens consumidos são afetados pelos valores do câmbio, desde o agronegócio, em que</p><p>os preços de alguns produtos e insumos são determinados pela moeda estrangeira, até a mineração e</p><p>os produtos industrializados. Mesmo alguns bens produzidos no Brasil têm seu preço dependente de</p><p>matéria-prima ou de peças adquiridas no exterior.</p><p>Por outro lado, se uma taxa de câmbio muito apreciada (ou seja, com um Real forte) reduz a pressão</p><p>externa nos preços de bens e serviços comercializados no país, ela tem o efeito de diminuir a</p><p>competitividade dos produtos brasileiros no mercado internacional, pois eles ficam mais caros em</p><p>moeda estrangeira.</p><p>A despeito do valor absoluto do câmbio, uma volatilidade muito grande nas taxas dificulta bastante a</p><p>previsibilidade dos agentes econômicos, gerando incerteza e ineficiência na economia.</p><p>REGIMES CAMBIAIS</p><p>Por conta do que foi exposto anteriormente, uma das principais decisões tomadas pelo CMN é a</p><p>definição do regime de câmbio a ser adotado no país. Esse regime pode ser fixo, flutuante ou</p><p>administrado.</p><p>REGIME DE CÂMBIO FIXO</p><p>Como o próprio nome diz, a taxa de câmbio não se altera, sendo artificialmente mantida fixa pelo</p><p>governo. Para manter essa taxa fixa, ele opera no mercado de câmbio, comprando e vendendo moeda</p><p>estrangeira.</p><p>Sua ação ocorre da seguinte forma: se a moeda estrangeira tende a se apreciar (ficar mais cara), o</p><p>governo vende moeda estrangeira, aumentando sua oferta e reduzindo seu preço (cotação). Caso essa</p><p>moeda se deprecie (fique mais barata), ele atua comprando-a, o que reduz sua oferta e aumenta sua</p><p>cotação.</p><p>Essas operações requerem a disponibilidade de grandes volumes de reservas para que o sistema</p><p>funcione adequadamente.</p><p> COMENTÁRIO</p><p>O principal argumento para a utilização de câmbio fixo é o controle inflacionário. Segundo os defensores</p><p>deste tipo de regime, atrelar o valor da moeda local a uma moeda estável pode evitar surtos de inflação.</p><p>Seus críticos, por outro lado, argumentam que a manutenção artificial do câmbio em um valor fixo é de</p><p>difícil sustentação em longo prazo, terminando inevitavelmente em uma crise cambial.</p><p>Alguns países latino-americanos empregam atualmente este tipo de regime cambial, o que mantém suas</p><p>moedas equiparadas ao dólar americano. Podemos citar como exemplos Equador, Panamá, El Salvador,</p><p>Costa Rica, Haiti e Honduras.</p><p>O regime de câmbio fixo foi adotado mais recentemente no Brasil na década de 1990 como forma de</p><p>controlar a hiperinflação vivida pelo país até então. Essa estratégia foi bem sucedida naquele momento.</p><p>Já na história econômica mundial, seu percurso é bastante interessante.</p><p>PADRÃO-OURO</p><p>Sistema monetário internacional utilizado entre 1870 e 1914, o padrão-ouro se baseava na teoria</p><p>quantitativa da moeda elaborada por David Hume. Nesse sistema, cada banco era obrigado a converter</p><p>as moedas em ouro sempre que houvesse o pedido para tal.</p><p>O padrão-ouro consistia, portanto, em um regime cambial fixo com a moeda lastreada em determinada</p><p>quantidade de ouro.</p><p>Fonte: Pla2na/Shutterstock</p><p>Os países comprometiam-se a manter a paridade de suas moedas com o ouro, comprando-o e</p><p>vendendo-o quando fosse necessário.</p><p>Se o balanço de pagamentos de um país fosse deficitário, ele deveria vender ouro para manter a</p><p>paridade monetária. Caso contrário, deveria importá-lo.</p><p>A Primeira Guerra Mundial (1914-1918) pôs um fim a esse sistema.</p><p>BRETTON WOODS</p><p>Em 1944, ainda durante a Segunda Grande Guerra, 44 países reuniram-se em Bretton Woods,</p><p>localidade no estado de New Hampshire, para uma conferência. Foram definidas nela as regras de uma</p><p>nova ordem monetária internacional. O acordo de Bretton Woods estabeleceu instituições que</p><p>permanecem até os dias atuais, como o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional (FMI).</p><p> COMENTÁRIO</p><p>Com esse acordo, o dólar americano passou a estar vinculado ao ouro, em que cada onça troy</p><p>(aproximadamente 28 gramas) correspondia a 35 dólares, enquanto os demais países comprometiam-se</p><p>a manter suas moedas indexadas ao dólar. Os países podiam recorrer ao FMI para ajudá-los a manter</p><p>essa indexação em situações mais difíceis.</p><p>Em 1971, os Estados Unidos romperam o acordo, fazendo com que o dólar americano se tornasse a</p><p>principal moeda de reserva internacional e que muitos países passassem a adotar o regime de câmbio</p><p>flutuante.</p><p>REGIME DE CÂMBIO FLUTUANTE</p><p>Trata-se do regime cambial adotado atualmente no Brasil.</p><p>No regime de câmbio flutuante, o valor das taxas de câmbio se dá livremente pelas condições de oferta</p><p>e demanda do mercado. Se houver uma maior procura por moeda estrangeira, ela tenderá a se</p><p>valorizar, depreciando a moeda local. Contudo, se a procura pela estrangeira for menor, sua tendência</p><p>será a de se depreciar, valorizando a local.</p><p>Vejamos um exemplo disso:</p><p>Suponhamos que, em determinado momento, a taxa de câmbio entre reais (BRL) e dólares americanos</p><p>(USD) seja tal que 1USD = 5BRL.</p><p>Digamos agora que, devido a uma melhora no ambiente de negócios no Brasil e aos incentivos a</p><p>grandes investimentos em infraestrutura, haja um grande fluxo de investidores estrangeiros em nossa</p><p>economia.</p><p>Neste caso, os dólares desses investidores serão convertidos em reais para poderem ser investidos nos</p><p>projetos pelo Brasil. Isso fará com que a procura por reais aumente e ele se valorize frente ao dólar, ou</p><p>seja, que este se deprecie frente àquele.</p><p>Esse movimento gerará uma pressão na taxa de câmbio de tal forma que 1USD 5BRL.</p><p>A demanda e a oferta por moeda estrangeira decorrem das atividades econômicas, como, por exemplo,</p><p>importações, exportações, turismo, investimentos estrangeiros no Brasil e de brasileiros no exterior,</p><p>além de remessa de juros e amortizações a credores externos e de capitais e dividendos por empresas</p><p>multinacionais.</p><p>Com isso, a demanda e a oferta são bastante afetadas por problemas como inflação, taxas de juros,</p><p>balanço de pagamentos, estabilidade política, segurança jurídica e perspectivas econômicas dos</p><p>agentes.</p><p> ATENÇÃO</p><p>Um regime de câmbio flutuante não exclui o fato de que o governo, por meio do Banco Central, atua</p><p>nesse mercado. Certamente, o BCB não fará isso com o objetivo de determinar a taxa de câmbio, que</p><p>flutua livremente; contudo, sua atuação será fundamental para, como veremos adiante, manter a</p><p>funcionalidade desse mercado.</p><p>REGIME DE CÂMBIO ADMINISTRADO</p><p>Esse regime também é chamado de regime de bandas cambiais, pois ele permite uma flutuação limitada</p><p>da taxa de câmbio dentro de intervalos predeterminados (bandas cambiais). Dessa maneira, os</p><p>governos estabelecem uma faixa cambial dentro da qual a taxa de câmbio pode flutuar livremente,</p><p>intervindo apenas quando ela tende a sair do intervalo fixado.</p><p>Fonte: Number1411/Shutterstock</p><p>CRISES CAMBIAIS</p><p>Com o fim do acordo de Bretton Woods e a disseminação dos regimes de câmbio flutuante, observaram-</p><p>se diversas crises cambiais no mundo, que passaram a ser o objeto de estudo de muitos economistas.</p><p>Consideraremos crises do tipo os eventos em que a taxa de câmbio de determinado país sofre uma forte</p><p>depreciação em curto espaço de tempo.</p><p>Desenvolvidas após o estudo de diversos economistas, as três gerações de crises cambiais serão</p><p>analisadas a seguir:</p><p>CRISES CAMBIAIS DE 1ª GERAÇÃO</p><p>Neste tipo de modelo, as crises cambiais são causadas pela conjugação de políticas internas que geram</p><p>deficit fiscal e um regime de câmbio fixo.</p><p>Como o deficit fiscal — quando o governo gasta mais do que arrecada — precisa ser financiado por</p><p>emissão de dívida ou diminuição das reservas internacionais, os governos possuem um estoque limitado</p><p>de reservas para manter o câmbio fixo. Essas políticas acabam por esgotar tais reservas, tornando</p><p>impossível a manutenção do regime de câmbio fixo.</p><p>Caso as reservas se esgotem, os países teriam de emitir mais moeda para financiar seu deficit, o que</p><p>geraria uma desvalorização da moeda local. Nesse momento, passaria a ser mais vantajoso deter a</p><p>moeda estrangeira: sua cotação aumentaria abruptamente.</p><p>Na verdade, os agentes sabem que isso ocorrerá. Tão logo percebam que as reservas estão fadadas a</p><p>esgotarem-se no futuro, eles se antecipam e convertem seus ativos de moeda local para moeda</p><p>estrangeira, fazendo com que as reservas se esgotem imediatamente e a local tenha uma forte</p><p>desvalorização.</p><p>Esses modelos descrevem de certa forma as crises observadas no México e na Argentina na década de</p><p>1980. No entanto, eles não correspondem às vividas na Europa no início dos anos 1990.</p><p>CRISES CAMBIAIS DE 2ª GERAÇÃO</p><p>Os países que sofreram ataques especulativos na Europa, no início da década de 1990, não</p><p>apresentavam as condições prévias descritas nos modelos de 1ª geração. Isso fez com fossem</p><p>desenvolvidos os de 2ª geração.</p><p>Enquanto as respostas dos governos eram automáticas nos de 1ª geração, os modelos de 2ª geração</p><p>previam uma ponderação deles sobre os custos de se manter o regime de câmbio fixo, ainda que</p><p>possuindo condições para tal.</p><p>Esses custos estão relacionados a consequências, como, por exemplo, aumento do desemprego e das</p><p>taxas de juros ou baixo crescimento (caso a opção seja manter o regime de câmbio fixo).</p><p>Segundo esses modelos, haveria três situações de equilíbrio possíveis:</p><p>Caso os fundamentos estejam deteriorados, a crise é inevitável;</p><p>Caso eles estejam bons, não haverá crise;</p><p>Caso sejam intermediários, qualquer desfecho é possível.</p><p>No exemplo europeu, os países enquadravam-se no terceiro caso. Apesar de os fundamentos não</p><p>estarem ruins, o alto desemprego gerava pressões políticas para a desvalorização cambial, o que</p><p>favoreceu o ataque especulativo às moedas.</p><p>CRISES CAMBIAIS DE 3ª GERAÇÃO</p><p>No final da década de 1990, uma série de países asiáticos foi afetada por crises cambiais. Elas</p><p>apresentavam características distintas, o que propiciou o desenvolvimento dos modelos de 3ª geração.</p><p>A principal característica dessa crise foi seu ponto de origem: uma crise bancária. Ela suscitou o</p><p>surgimento de outra crise, a cambial, a qual, por sua vez, agravou a crise bancária, gerando um círculo</p><p>vicioso.</p><p>Nesses modelos, a crise decorre do choque entre dois objetivos dos bancos centrais: manter o câmbio</p><p>fixo ou garantir o bom funcionamento do sistema bancário. Como eles se tornem incompatíveis, o</p><p>regime de câmbio fixo termina por ser abandonado.</p><p>As crises asiáticas (1997), assim como a crise da Rússia (1998) e do México (1995), precipitaram o</p><p>abandono do regime de câmbio fixo no Brasil em 1998.</p><p>Neste vídeo, entenderemos melhor os modelos de crises cambiais de 1ª, 2ª e 3ª gerações.</p><p>RESERVAS INTERNACIONAIS</p><p>Vimos que, nos regimes de câmbio fixo e administrado, as reservas internacionais são fundamentais</p><p>para permitir que seja mantida a cotação da moeda local fixa ou que ela permaneça dentro da banda</p><p>cambial. No entanto, mesmo no regime de câmbio flutuante, as reservas internacionais desempenham</p><p>um papel relevante.</p><p>Podemos observar no site do BCB que as reservas internacionais são definidas como ativos em moeda</p><p>estrangeira do Brasil, funcionando como uma espécie de seguro para o país fazer frente a suas</p><p>obrigações no exterior e a choques de natureza externa, como, por exemplo, crises cambiais e</p><p>interrupções nos fluxos de capital para o país.</p><p>O site ainda traz a figura a seguir, que mostra o volume de reservas internacionais do Brasil desde</p><p>setembro de 2010. Elas giram em torno de US$350 bilhões.</p><p>Fonte: BANCO CENTRAL DO BRASIL, 2020b</p><p> Reservas internacionais brasileiras (out/2010 a out/2020).</p><p>Com o regime de câmbio flutuante adotado pelo Brasil, as reservas internacionais permitem a</p><p>manutenção do mercado de câmbio funcionando adequadamente. O BCB administra essas reservas,</p><p>podendo operar nesse mercado para atenuar oscilações bruscas do real frente ao dólar.</p><p>Desse modo, em vez de tentar manter fixa a cotação da moeda, a entidade atua para atenuar a</p><p>volatilidade excessiva do câmbio e manter a estabilidade sistêmica. Apesar de poder operar diretamente</p><p>com as reservas, o Banco Central também usa outro expediente nesse trabalho de prover previsibilidade</p><p>e segurança no câmbio: o swap cambial. Em inglês, o termo swap significa “troca”.</p><p>Ele é um instrumento derivativo muito utilizado. A partir do contrato de swap cambial, o investidor recebe</p><p>do BCB um valor correspondente à variação cambial do período, protegendo-se, assim, dessas</p><p>variações do câmbio. Em troca, o investidor paga ao Banco Central a variação da taxa de juros</p><p>brasileira: a taxa Selic.</p><p>Como este tipo de contrato não exige desembolso inicial, o BCB consegue atuar no mercado cambial</p><p>sem utilizar diretamente suas reservas internacionais.</p><p>VERIFICANDO O APRENDIZADO</p><p>1. DETERMINADO PAÍS TEM BAIXA INFLAÇÃO, DÍVIDA E BALANÇO DE PAGAMENTOS</p><p>ESTABILIZADOS, ALÉM DE UM SIGNIFICATIVO ESTOQUE DE RESERVAS. MESMO ASSIM, ELE</p><p>POSSUI ALTO DESEMPREGO E BAIXO CRESCIMENTO. APÓS SER ALVO DE UM ATAQUE</p><p>ESPECULATIVO CONTRA SUA MOEDA, O PAÍS DECIDE ABANDONAR O REGIME DE CÂMBIO</p><p>FIXO UTILIZADO ATÉ ENTÃO. QUAL MODELO DE CRISE CAMBIAL MELHOR DESCREVE ESSA</p><p>SITUAÇÃO?</p><p>A) Modelo de 1ª geração.</p><p>B) Modelo de 2ª geração.</p><p>C) Modelo de 3ª geração.</p><p>D) Tanto o modelo de 1ª geração quanto o de 3ª explicam adequadamente a situação descrita no</p><p>enunciado.</p><p>E) Esta não é uma situação de crise cambial que possa ser explicada por modelos econômicos.</p><p>2. ASSINALE A ALTERNATIVA INCORRETA.</p><p>A) No regime de câmbio fixo, os governos atuam no mercado de câmbio para manter a taxa de câmbio</p><p>artificialmente fixa.</p><p>B) No regime de câmbio flutuante, a taxa de câmbio é determinada exclusivamente pela oferta e pela</p><p>demanda por moeda local e estrangeira.</p><p>C) O regime de câmbio administrado é um híbrido entre o câmbio fixo e o flutuante, com os governos</p><p>definindo faixas em que a taxa de câmbio pode flutuar livremente.</p><p>D) As reservas cambiais não são importantes no regime de câmbio fixo.</p><p>E) O padrão-ouro pode ser considerado um sistema de câmbio fixo.</p><p>GABARITO</p><p>1. Determinado país tem baixa inflação, dívida e balanço de pagamentos estabilizados, além de</p><p>um significativo estoque de reservas. Mesmo assim, ele possui alto desemprego e baixo</p><p>crescimento. Após ser alvo de um ataque especulativo contra sua moeda, o país decide</p><p>abandonar o regime de câmbio fixo utilizado até então. Qual modelo de crise cambial melhor</p><p>descreve essa situação?</p><p>A alternativa "B " está correta.</p><p>O modelo de 2ª geração prevê três equilíbrios possíveis:</p><p>fundamentos deteriorados e colapso do regime</p><p>cambial fixo; fundamentos sólidos e manutenção do regime; e, por fim, situação intermediária, em que o</p><p>país decide abandonar (ou não) o regime de câmbio fixo graças aos custos envolvidos em sua</p><p>manutenção. No enunciado, tais custos são o alto desemprego e o baixo crescimento.</p><p>2. Assinale a alternativa incorreta.</p><p>A alternativa "D " está correta.</p><p>Para um regime de câmbio fixo ser sustentável, é imperativo que os governos disponham de reservais</p><p>cambiais adequadas para poderem operar no mercado de câmbio a fim de que a taxa de câmbio fixa</p><p>seja mantida.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>Discutimos neste tema vários aspectos do mercado de câmbio. Para isso, descrevemos sua</p><p>estruturação e seus agentes, além de destacarmos a importância desse mercado para o comércio</p><p>internacional.</p><p>Vimos ainda como é feita a conversão de moedas. Em seguida, descrevemos a atuação do Banco</p><p>Central no mercado cambial em duas frentes: no cálculo de diversas cotações (PTAX) ou na atuação</p><p>para implantar o regime cambial definido pelo Conselho Monetário Internacional.</p><p>Por fim, estudamos os modelos de crises cambiais recentes, ressaltando, com isso, a importância de se</p><p>manter um sistema saudável para o bom funcionamento da economia.</p><p>AVALIAÇÃO DO TEMA:</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSAF NETO, A. Mercado financeiro. 9. ed. São Paulo: Atlas, 2009.</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL. Política cambial. Consultado em meio eletrônico em: 14 out. 2020a.</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL. Reservas internacionais. Consultado em meio eletrônico em: 14 out.</p><p>2020b.</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular nº 3.691, de 16 de dezembro de 2013. Regulamenta a</p><p>Resolução nº 3.568, de 29 de maio de 2008, que dispõe sobre o mercado de câmbio e dá outras</p><p>providências. 16 dez. 2013.</p><p>BANCO CENTRAL DO BRASIL. Circular nº 3.506, de 21 de setembro de 2010. Dispõe sobre a</p><p>metodologia de apuração da taxa de câmbio real/dólar divulgada pelo Banco Central do Brasil (PTAX).</p><p>21 set. 2010.</p><p>EXPLORE+</p><p>Para saber mais sobre a PTAX, acesse o site do Banco Central e, em seguida, digite no campo de</p><p>busca dele a seguinte frase: “A taxa de câmbio de referência Ptax”.</p><p>Obtenha mais informações sobre a ISO 4217:2015 no site da ISO. Para tal, basta digitar “ISO 4217</p><p>currency codes” em seu campo de busca.</p><p>CONTEUDISTA</p><p>Paulo Miller</p>