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<p>Aula 06 - Prof. Márcio</p><p>Damasceno (Somente</p><p>PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem</p><p>Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>Autor:</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio</p><p>Damasceno</p><p>19 de Julho de 2024</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>1</p><p>Terceira rodada de temas ......................................................................................................................... 2</p><p>Tema 9 – Home office ........................................................................................................................... 2</p><p>Abordagem teórica ................................................................................................................................ 3</p><p>Proposta de solução .............................................................................................................................. 6</p><p>Tema 10 – Intolerância ........................................................................................................................... 7</p><p>Abordagem teórica ................................................................................................................................ 7</p><p>Proposta de solução ............................................................................................................................. 13</p><p>Tema 11 – Racismo .............................................................................................................................. 14</p><p>Abordagem teórica .............................................................................................................................. 15</p><p>Proposta de solução ............................................................................................................................. 21</p><p>Tema 12 – Pessoas com deficiência ......................................................................................................22</p><p>Abordagem teórica ..............................................................................................................................22</p><p>Proposta de solução ............................................................................................................................ 28</p><p>Tema 13 .............................................................................................................................................. 29</p><p>Abordagem teórica ............................................................................................................................. 29</p><p>Proposta de solução ............................................................................................................................. 34</p><p>Tema 14 ............................................................................................................................................... 35</p><p>Abordagem teórica .............................................................................................................................. 36</p><p>Proposta de solução ............................................................................................................................ 42</p><p>Tema 15 .............................................................................................................................................. 42</p><p>Abordagem teórica .............................................................................................................................. 45</p><p>Proposta de solução ............................................................................................................................. 53</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>2</p><p>TERCEIRA RODADA DE TEMAS</p><p>Tema 9 – Home office</p><p>Teletrabalho será fixo para servidores de nove órgãos federais após a pandemia</p><p>Imposto pela pandemia de Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus, o teletrabalho virou realidade no</p><p>funcionalismo público, e a mudança será permanente para parte dos servidores do governo federal.</p><p>Nove órgãos aderiram ao teletrabalho de forma permanente. Essas pastas contam com 71.630 pessoas. Os</p><p>dados fazem parte de um levantamento inédito do Ministério da Economia, feito a pedido do Metrópoles.</p><p>Ministérios e agências reguladoras fazem parte da lista de órgãos que decidiram colocar pelo menos parte</p><p>dos trabalhadores em casa mesmo após a pandemia.</p><p>Fonte: https://www.metropoles.com/brasil/servidor-brasil/teletrabalho-</p><p>sera-fixo-para-servidores-de-nove-orgaos-federais-apos-a-pandemia.</p><p>Acesso em: 10.06.2021.</p><p>Trabalho em home office tende a continuar após fim da pandemia</p><p>O sistema de trabalho home office (teletrabalho), adotado por grandes empresas, públicas e privadas, em</p><p>função da pandemia do novo coronavírus, apresenta tendência de permanência na maioria das companhias,</p><p>mesmo após uma futura volta à normalidade. Um dos exemplos é a mineradora Vale.</p><p>A gerente executiva e líder do programa Jornada Vale, Josilda Saad, informou à Agência Brasil que em 2019,</p><p>antes do início da pandemia no Brasil, a Vale havia decidido estabelecer um sistema de trabalho mais</p><p>flexível, adotando, uma vez por semana, o trabalho em forma remota. Mas a adesão era muito baixa.</p><p>Com a pandemia, a Vale colocou todas as funções administrativas e de suporte operacional no regime</p><p>remoto em todas as suas instalações no mundo desde 13 de março de 2020. Ao final do primeiro mês no</p><p>novo sistema, a companhia constatou que não houve redução do volume de transações de atividades,</p><p>embora as equipes tenham tido que se adequar.</p><p>Atualmente, 18 mil profissionais da Vale trabalham de forma remota, o que equivale entre 24% e 25% dos</p><p>funcionários da companhia. Os cargos operacionais continuam no formato presencial, mas adotando</p><p>protocolos de distanciamento seguindo diretrizes do Ministério da Saúde. “As funções que não são</p><p>essenciais foram colocadas em teletrabalho. Essencial, na nossa classificação, é aquela função que não pode</p><p>deixar de acontecer em um site operacional”, explicou Josilda.</p><p>As diretrizes foram passadas também para os fornecedores da Vale. Para o trabalho de campo de</p><p>engenheiros, por exemplo, soluções inovadoras foram adotadas, como uso de câmeras nos capacetes, que</p><p>permitem às equipes acompanhar as visitas mesmo à distância.</p><p>Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2021-04/trabalho-</p><p>em-home-office-tende-continuar-apos-fim-da-pandemia. Acesso em:</p><p>10.06.2021</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>3</p><p>Home office aumenta problemas físicos e mentais; mulheres e pais com crianças pequenas são os mais</p><p>afetados</p><p>Solução adotada a fórceps pelas empresas durante os meses de isolamento social, o home office vai se</p><p>consolidando como algo definitivo em muitos setores e deverá se tornar uma das principais heranças da</p><p>pandemia para o futuro do trabalho. Mas um estudo norte-americano mostra que ainda há muito a se</p><p>desenvolver para que o sistema casa-escritório seja sustentável no longo prazo, ao menos do ponto de vista</p><p>da saúde e do bem-estar.</p><p>A pesquisa conduzida pela Universidade do Sul da Califórnia (USC, sigla em inglês) constatou que a maioria</p><p>das pessoas que migrou para o home office durante a pandemia teve problemas de saúde devido à mudança.</p><p>Cerca de 64% tiveram problemas físicos, e 75%, mentais. Para o estudo, foram analisadas cerca de mil</p><p>pessoas, que, entre o fim de abril e o início de junho, responderam a uma série de questionários referentes</p><p>ao impacto do home office no bem-estar físico e mental.</p><p>Os resultados, publicados no Journal of Occupational and Environmental Medicine, mostraram que as</p><p>jornadas aumentaram cerca de 1,5 hora por dia. A maior parte dos trabalhadores diminuiu</p><p>internacional que foi incorporado ao ordenamento jurídico pátrio. Segundo a convenção, pessoas com</p><p>deficiência são aquelas que têm impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou</p><p>sensorial, os quais, em interação com diversas barreiras, podem obstruir sua participação plena e efetiva</p><p>na sociedade em igualdades de condições com as demais pessoas. Assim, de acordo com essa definição,</p><p>deficiência é uma condição social que pode ser minimizada se a sociedade for capaz de remover essas</p><p>barreiras.</p><p>24 Disponível em: http://www.bengalalegal.com/pcd-mundial. Acesso em 04 de agosto de 2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>24</p><p>Quanto mais a pessoa com deficiência estiver num ambiente que lhe restrinja a mobilidade, a comunicação,</p><p>o acesso à informação e aos bens sociais para uma vida plena e autônoma, mais vai encontrar-se numa</p><p>situação de desvantagem. Se for revertido o cenário, representando-o como mais favorável às realizações</p><p>da pessoa com deficiência, a desvantagem que experimenta modifica-se, relativizando, portanto, a</p><p>condição de incapacidade com a qual a desvantagem é confundida.</p><p>No plano interno, há a Constituição da República Federativa do Brasil de 1988, a qual afirma: "Todos são</p><p>iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros</p><p>residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade".</p><p>Assim, a Constituição estabelece, pelo menos formalmente, a isonomia, o que implica a necessidade de se</p><p>incluir as categorias marginalizadas da sociedade no pleno exercício de seus direitos.</p><p>Há também a Lei de Cotas para Pessoas com Deficiência (Lei 8.213/1991), a qual prevê que empresas com</p><p>100 ou mais funcionários tenham entre 2% e 5% de trabalhadores portadores de deficiência. Apesar da lei,</p><p>segundo dados da Secretaria do Trabalho, do Ministério da Economia, esse percentual nunca passou de</p><p>1%25.</p><p>E, por fim, o Estatuto da Pessoa com Deficiência (Lei 13.146/2015 - EPD), o qual estabelece que toda pessoa</p><p>com deficiência tem direito à igualdade de oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma</p><p>espécie de discriminação. No EPD, trata-se dos direitos fundamentais das pessoas com deficiência, como</p><p>educação, transporte e saúde, da garantia do acesso à informação e comunicação e das eventuais punições</p><p>a quem descumprir a legislação.</p><p>Superada essa parte inicial, pode-se dizer sobre a existência de uma série de desafios para a inclusão dos</p><p>PCDs.</p><p>Como primeiro ponto, podemos falar do capacitismo: discriminação de pessoas com deficiência. O termo</p><p>é pautado na construção social de um corpo padrão perfeito denominado como “normal” e da subestimação</p><p>da capacidade e aptidão de pessoas em virtude de suas deficiências. Numa sociedade marcada pela</p><p>intolerância, acostumou-se a enxergar a deficiência como exceção, como condição a ser superada ou</p><p>corrigida, e não como diversidade e valorização do respeito às diferenças. Tratar uma pessoa deficiente de</p><p>forma infantilizada, incapaz de compreender o mundo, um problema em um serviço público por exigir</p><p>acessibilidade, assexualizada, inferior ou que deva ser medicada e afastada do convívio comum dos demais</p><p>cidadãos são exemplos de capacitismo26.</p><p>Outro ponto é a falta de acessibilidade. A construção de rampas de acesso, a instalação de elevadores com</p><p>som, a adaptação de textos para braile são exemplos de ações efetivas e necessárias para a inclusão, mas</p><p>elas se referem apenas às barreiras físicas, arquitetônicas.</p><p>25 Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-07/lei-de-cotas-para-deficientes-completa-hoje-28-anos. Acesso em 06 de agosto de</p><p>2021.</p><p>26 Disponível em: https://www.infoescola.com/sociologia/capacitismo/. Acesso em 06 de agosto de 2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>25</p><p>É necessário, no entanto, transcender e pensar em outros tipos de barreiras. Nesse sentido, cito as barreiras</p><p>atitudinais (preconceitos, estigmas, estereótipos e discriminações), comunicacionais (barreiras na</p><p>comunicação interpessoal, na comunicação escrita ou nos espaços virtuais), metodológicas (referentes aos</p><p>métodos e técnicas de trabalho), instrumentais (referentes aos instrumentos de trabalho) e programáticas</p><p>(referentes às políticas e normas das empresas).</p><p>Aqui, eu chamo a sua atenção para a necessidade de se pensar também na chamada acessibilidade digital,</p><p>proporcionada, por exemplo, pela tradução para Libras e a apresentação de legendas nos textos e vídeos</p><p>existentes nos sites, alternativa textual às imagens do site, entre outras.</p><p>Para enriquecer o seu repertório, gostaria de falar sobre desenho universal. Trata-se do processo de criação</p><p>de produtos acessíveis para todas as pessoas, independentemente de suas características pessoais, idade</p><p>ou habilidades. São exemplos nesse sentido: portas com sensores que se abrem sem exigir força física ou o</p><p>alcance das mãos de usuários de alturas variadas ou o uso de maçanetas do tipo alavanca, as quais podem</p><p>ser abertas com o cotovelo ou com o punho fechado, beneficiando pessoas que carregam objetos ou que</p><p>têm força limitada nas mãos.</p><p>Em relação ao mercado de trabalho, são válidas as considerações anteriores, mas podemos acrescentar</p><p>alguns ingredientes nessa análise.</p><p>Pode-se mencionar, por exemplo, a existência de uma barreira em relação à qualificação, pois, conforme</p><p>apontado pelo Censo do IBGE, a qualificação média é inferior. Esse fato, em conjunto com o preconceito,</p><p>faz com que sejam ofertadas às PCDs vagas de menor qualificação e, portanto, de menor remuneração.</p><p>Além disso, há diferentes níveis de dificuldade. As empresas tendem a deixar fora do mercado de trabalho</p><p>aqueles com deficiências mais graves por, do ponto de vista dessas empresas, apresentarem impedimentos</p><p>“supostamente” maiores. Segundo especialistas, a situação mais difícil é de pessoas com deficiência</p><p>intelectual. É o caso, por exemplo, de quem tem autismo e Síndrome de Down. Nesses casos, o preconceito</p><p>é quase impeditivo para que eles integrem o quadro de funcionários das empresas.</p><p>Entre os que não têm deficiência intelectual, os menos empregados costumam ser os cadeirantes, em geral,</p><p>pela necessidade de adaptação estrutural do local de trabalho para a locomoção em cadeiras de rodas, e os</p><p>totalmente cegos ou surdos. Segundo o Instituto Brasileiro dos Direitos da Pessoa com Deficiência (IBDD),</p><p>as empresas deixam de contratar essas pessoas por desconhecerem o bom serviço prestado por pessoas com</p><p>esse perfil em tarefas simples de limpeza e conservação, montagem de produtos menos complexos ou mesmo</p><p>em atividades de jardinagem, além de trabalhos em lojas, padarias, lavanderias, entre outros27.</p><p>A empresa está contratando um profissional que contribuirá com a sua força de trabalho e que poderá</p><p>impactar positivamente os resultados. Um estudo de 2019 da consultoria de RH Michael Page mostra que</p><p>empresas que constituem quadros de funcionários inclusivos veem um aumento de 19% em suas receitas.</p><p>Outra pesquisa, da Mckinsey & Company, em 2017, aponta um valor parecido: cerca de 21%. Além disso,</p><p>27 https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2019-07/lei-de-cotas-para-deficientes-completa-hoje-28-anos.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>==1365fc==</p><p>26</p><p>gera uma imagem positiva para a empresa,</p><p>pode motivar a equipe e deixar o ambiente mais criativo, tendo</p><p>em vista a formação de um ambiente mais plural.</p><p>Finalizando essa parte, é importante, perceber que, a efetiva inclusão no mercado de trabalho é uma</p><p>questão de conscientização. Mais do que permitir o acesso, é necessário dar iguais oportunidades em</p><p>termos de carreira, curso e oportunidades. A pessoa com deficiência tem o direito a exercer todas as</p><p>funções, cabe ao empregador fazer os ajustes necessários. Não se trata de um favor ou uma caridade, é uma</p><p>função social; não se trata de assistencialismo, é inclusão.</p><p>Além do mercado de trabalho, também é importante tratar sobre os desafios na área da educação e</p><p>trânsito.</p><p>Na área educacional, além da acessibilidade física nas escolas e universidades, há ainda o despreparo dos</p><p>docentes para lidar com as especificidades. O grande desafio é buscar uma escola inclusiva, a qual garanta</p><p>o acesso, a permanência e aprendizagem dos alunos que apresentam especificidades sensoriais, cognitivas,</p><p>físicas e psíquicas no sistema regular de ensino. A falta de atendimento adequado pode levar ao bullying e</p><p>até à depressão, afastando essas crianças do ambiente escolar.</p><p>Com a pandemia da Covid-19 e a difusão do ensino on-line, a vida desses alunos ficou ainda mais árdua, haja</p><p>vista a incipiência do sistema em desenvolver ferramentas que contemplassem as deficiências de cada um.</p><p>No trânsito, deve-se pensar na inclusão desde o momento em que o interessado desejar obter a CNH, a</p><p>adaptação de veículos e o respeito à reserva de vagas em estacionamentos.</p><p>Como possibilidades de proposta de intervenção, podemos citar algumas.</p><p>• Ao Poder Público: fiscalização do cumprimento das leis, aprimoramento legislativo (a legislação</p><p>brasileira já é bastante moderna no assunto), desenvolvimento de políticas públicas com foco na</p><p>inclusão, a serem implementadas pelo Ministério da Educação, Ministério da Mulher, da Família e dos</p><p>Direitos Humanos e, principalmente, pelo Ministério da Cidadania.</p><p>• Às empresas:</p><p>▪ gerar conhecimento sobre o assunto, ou seja, informar, esclarecer e divulgar conteúdo educativo</p><p>sobre capacitismo e seus impactos na sociedade e no ambiente de trabalho, através de cartilhas,</p><p>palestras, dinâmicas, vídeos, depoimentos;</p><p>▪ planejar treinamentos inclusivos;</p><p>▪ estimular a formação de grupos mistos, criando espaços de compartilhamento de experiências</p><p>entre PCDs e demais funcionários.</p><p>Por fim, como sugestão de repertório, além dos que eu já mencionei:</p><p>• Art. 1° da Declaração Universal dos Direitos Humanos - DUDH (1948): “Todas as pessoas nascem</p><p>livres e iguais em dignidade e direitos. São dotadas de razão e consciência e devem agir em relação</p><p>umas às outras com espírito de fraternidade.”</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>27</p><p>• Art. 5° da Constituição Federal: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza,</p><p>garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à</p><p>liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade "</p><p>• Violência simbólica (Pierre Bourdieu): um conceito que corresponde à criação contínua de crenças</p><p>e valores que, socializados, "naturalizam-se" no processo de dominação/exclusão dos indivíduos.</p><p>Uma vez naturalizada, a violência simbólica induz os indivíduos a se posicionarem no espaço social</p><p>orientando-se pelos critérios e padrões do discurso dominante.</p><p>Trata-se, pois, de uma forma não convencional de violência, que não envolve coação física. Se</p><p>propaga por meio do discurso, de posturas, posicionamentos, mas que produz danos tão</p><p>consideráveis como a violência física. Trata-se de uma violência silenciosa, pois, muitas vezes, nem</p><p>mesmo os oprimidos conseguem identificá-la. O conceito foi definido por Bourdieu como uma</p><p>violência que é cometida com a cumplicidade entre quem sofre e quem a pratica, sem que,</p><p>frequentemente, os envolvidos tenham consciência do que estão sofrendo ou exercendo. São</p><p>exemplos desse tipo de violência: o senso de que é natural homens ganharem mais que mulheres,</p><p>que elas são incapazes de exercer determinadas funções ou que determinados comportamentos</p><p>femininos legitimam agressões físicas.</p><p>Em se tratando das PCDs, as barreiras arquitetônicas e atitudinais são representações da violência</p><p>simbólica instituída, em parte, pela naturalização da ação dos atores sociais (deficientes e não</p><p>deficientes) e das instituições. Trata-se de um contexto em que o errado se torna normal; em que a</p><p>discriminação passa a ser normalizada, o que, flagrantemente, é uma anomalia social.</p><p>• Darwinismo social (Herbert Spencer): teoria desenvolvida na década de 1870, justificou as ideias de</p><p>eugenia, racismo, imperialismo, fascismo, nazismo e da luta entre grupos e etnias nacionais. Prega</p><p>a ideia de hierarquia entre as sociedades. Nessa condição, as que se sobressaem física e</p><p>intelectualmente devem e acabam por se tornar as governantes. Por outro lado, as outras - menos</p><p>aptas - deixariam de existir porque não seriam capazes de acompanhar a linha evolutiva da</p><p>sociedade.</p><p>Os conceitos do Darwinismo Social e da eugenia estimulam a crença na possibilidade de se</p><p>selecionar seres humanos com características e traços que denotem superioridade em detrimento</p><p>de outros tantos que supostamente são rebaixados ou inferiores. Exemplifica a aplicação prática</p><p>dessa teoria o extermínio de pessoas com deficiência durante o regime nazista, o qual tinha como</p><p>dogma a superioridade da raça ariana e a purificação da sociedade.</p><p>• Alteridade: é o reconhecimento de que existem pessoas e culturas singulares e subjetivas que pensam,</p><p>agem e entendem o mundo de suas próprias maneiras. Reconhecer a alteridade é o primeiro passo para</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>28</p><p>a formação de uma sociedade justa, equilibrada, democrática e tolerante, onde todas e todos possam</p><p>expressar-se, desde que respeitem também a alteridade alheia28.</p><p>Segundo o sociólogo polonês contemporâneo Zygmunt Bauman, o mundo está cada vez mais</p><p>fragmentado. A tendência atual é a do individualismo, um estilo de vida que leva ao egoísmo. A</p><p>alteridade vem em contraponto a essa tendência, fortalecendo a noção de coletividade e tolerância.</p><p>• O controle de corpos e a busca do corpo perfeito é um tema discutido por diferentes filósofos,</p><p>como Michel Foucault, quando trabalhará a ideia de biopoder, ou poder sobre a vida. Esse poder se</p><p>associa à medicalização da vida e à criação de patologias para os corpos que saem da normalidade.</p><p>Essa normalidade, para o autor, é uma exigência de uma vida produtiva e funcional padronizada</p><p>industrialmente.</p><p>Proposta de solução</p><p>A Constituição Cidadã estabelece, no seu art. 5°, o princípio da igualdade, segundo o</p><p>qual todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Apesar disso, a</p><p>inclusão das pessoas com deficiência ainda é um desafio no Brasil, haja vista as dificuldades</p><p>relacionadas à acessibilidade e o persistente preconceito a elas associado [tese].</p><p>Inicialmente, ressaltem-se as dificuldades no que se refere à acessibilidade nas cidades</p><p>brasileiras. São constantes a existência de calçadas inadequadas, a falta de rampas de</p><p>acesso, de sinalização em braile e de pisos táteis e sanitários apropriados, o que priva a</p><p>pessoa com deficiência de certos direitos e, portanto, dificulta a efetivação da sua condição</p><p>de cidadão.</p><p>Além disso, há um enorme preconceito em relação às pessoas com deficiência, fundado</p><p>na crença de que essas pessoas são menos capazes de desempenhar certas tarefas. Com efeito,</p><p>o capacitismo,</p><p>preconcepção que reduz o indivíduo apenas à condição funcional do seu</p><p>corpo, tem representado obstáculos. Essa realidade se fundamenta em teorias como o</p><p>Darwinismo Social, surgida no século XIX, a qual preconizava uma hierarquização dos</p><p>indivíduos com base nas características físicas, sociais e culturais. Nesse contexto, seriam as</p><p>pessoas com deficiência menos aptas, o que justificaria a sua exclusão de ambientes como o</p><p>mercado de trabalho.</p><p>Diante do exposto, observam-se desafios relacionados à inclusão social dos deficientes.</p><p>Esse cenário inspira a urgência de se promover uma sociedade para todos e reforça a</p><p>necessidade de se removerem as barreiras sociais que impedem as pessoas com deficiência de</p><p>28 PORFíRIO, Francisco. "Alteridade"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/conceito-alteridade.htm. Acesso em 08 de agosto</p><p>de 2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>29</p><p>terem seus direitos garantidos, efetivando a provisão disposta na Constituição Federal de</p><p>1988.</p><p>Tema 13</p><p>“No passado, ligar a Zona Norte à Zona Sul do Rio de Janeiro simbolizava a esperança de aproximar a cidade</p><p>partida. Hoje, crimes absurdos unem as zonas da cidade em abraços inconsoláveis. A cada dez minutos,</p><p>uma pessoa é vítima de homicídio no Brasil. O discurso oficial de que segurança pública não pode ser só</p><p>polícia faz sentido. A conhecida carência de políticas sociais tem parcela imensa de importância nesse</p><p>quadro. Segurança não é só polícia, mas é polícia também.”</p><p>Paula Cesarino Costa. Contágio da indiferença. In: Folha de S.Paulo,</p><p>21/5/2015, p. A2 (com adaptações).</p><p>“A finalidade da segurança pública (...) é manter a paz na adversidade, preservando o equilíbrio nas relações</p><p>sociais. Daí a Carta de 1988 considerá-la um dever do Estado, direito e responsabilidade de todos, exercida,</p><p>pela polícia, para preservar a ordem pública e a incolumidade das pessoas e do patrimônio (art. 144, caput).”</p><p>Uadi Lammêgo Bulos. Curso de direito constitucional. 6.a ed., 2011,</p><p>p. 1429 (grifos do autor).</p><p>“A sociedade tolera a desordem, incentiva comportamentos desviantes e soluções agressivas aos</p><p>corriqueiros conflitos humanos, além de consumir produtos de entretenimento que exploram a degradação</p><p>do caráter humano. Dando audiência a programas chulos, oferecendo mercado para a prostituição,</p><p>contrabandistas e traficantes, mostrando no desrespeito e na violência do trânsito o quanto despreza a</p><p>cidadania, a sociedade mais que se omitir, passa a ser mantenedora e incentivadora do clima permissivo da</p><p>transgressão da impunidade.”</p><p>FILHO, José Vicente da Silva. Estratégias Policias para a redução da</p><p>Violência – 1998. 48p. Monografia - Instituto Fernand Braudel de</p><p>Economia Mundial – São Paulo.</p><p>Considerando os textos de apoio acima e seu conhecimento de mundo, elabore um texto dissertativo-</p><p>argumentativo no qual seja apresentado seu posicionamento acerca do seguinte tema: “A Segurança</p><p>Pública como obrigação do estado e como ação coletiva”.</p><p>Abordagem teórica</p><p>1. Segurança como obrigação do Estado</p><p>Para pensar em políticas públicas eficazes, é necessário pensar, necessariamente, nas causas da violência.</p><p>O problema é que esse não é um questionamento trivial. Esse é um grande objeto de debate de sociólogos,</p><p>criminologistas, entre outros estudiosos. Vamos devagar.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>30</p><p>Como todo fenômeno social, o crime não possui causa única, sendo, pois, o resultado de aspectos</p><p>socioeconômicos, da ausência de políticas de segurança e de questões ligadas à própria criminalidade.</p><p>Vamos partir da mais fácil. As questões ligadas à criminalidade referem-se à própria dinâmica do crime.</p><p>Exemplos: guerra entre facções, guerra entre tráfico e milícia, entre outros. Esse, aliás, é o principal motivo</p><p>do pico de homicídios observado em 2017 no Brasil.</p><p>Sobre os aspectos socioeconômicos, apesar de controversa, a correlação entre pobreza e desigualdade</p><p>econômica e criminalidade29 é a abordagem preferida pelas bancas de concurso. Então, vejamo-la com</p><p>maior detalhamento.</p><p>Inicialmente, conforme consagrado no art. 144 da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), a segurança</p><p>pública é dever do Estado. A segurança é, também, condição basilar para o exercício da cidadania (CF/1988,</p><p>art. 5º) e é direito social universal de todos os brasileiros (CF/1988, art. 6º).</p><p>Para que esse ideal seja concretizado de forma plena, é necessário que sejam adotadas providências de</p><p>caráter estrutural por parte do Estado, ainda que seus impactos venham a ser sentidos apenas a longo</p><p>prazo.</p><p>Não que as medidas de caráter conjuntural, como aumentar o policiamento nas ruas, não sejam</p><p>importantes. São sim. Contudo é fundamental a ação do Estado no sentido de oferecer à população,</p><p>especialmente a que se encontra em situação de risco e socialmente mais vulnerável, instrumentos</p><p>essenciais à formação e ao exercício da plena cidadania. Sem a possibilidade de uma real inclusão, com</p><p>concretas possibilidades para que até os de menor poder aquisitivo possam ter condições de uma existência</p><p>digna e sem a necessidade de ter que recorrer ao mundo do crime, as políticas de caráter repressivo</p><p>continuarão “enxugando gelo”.</p><p>Nessa perspectiva, insere-se a necessidade de buscar, de forma ativa, a redução das desigualdades e</p><p>proporcionar serviços públicos de qualidade, tais como educação pública, saneamento, saúde, cultura,</p><p>esporte, lazer etc. É fundamental que o Estado proporcione oportunidades, de forma que haja opções para</p><p>que cada indivíduo tenha uma vida digna e não necessite entrar no mundo do crime para assegurar a sua</p><p>sobrevivência e a da sua família. Não se pode olvidar a importância das políticas de assistência social, as</p><p>quais visam a suportar a população hipossuficiente e tirá-los de uma condição de miserabilidade. Nessa</p><p>linha, deve-se buscar o fortalecimento de políticas como o Bolsa-Família e o Benefício de Prestação</p><p>Continuada (BPC - LOAS)30.</p><p>Em suma, é importante que o Estado assuma seu papel de protagonismo na implementação de políticas</p><p>públicas como forma de fazer com que a população perceba a sua presença e se sinta acolhida. A experiência</p><p>29 Há estudiosos que refutam totalmente essa correlação. Para eles, a criminalidade está ligada à impunidade e, portanto, ao custo de</p><p>oportunidade de cometimento de um crime. Relaciona-se também às travas morais fragilizadas dos delinquentes, quais sejam, as formações</p><p>familiar, religiosa e escolar.</p><p>30 O Benefício de Prestação Continuada (BPC) é um benefício de renda no valor de um salário mínimo para pessoas com deficiência de qualquer</p><p>idade ou para idosos com idade de 65 anos ou mais que apresentam impedimentos de longo prazo, de natureza física, mental, intelectual ou</p><p>sensorial e que, por isso, têm dificuldades para a participação e interação plena na sociedade. Para a concessão desse benefício, é exigido que</p><p>a renda familiar mensal seja de até ¼ de salário mínimo por pessoa.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>31</p><p>tem demonstrado que onde há flagrante omissão do poder público, o crime organizado se faz presente,</p><p>tanto em comunidades mais carentes como no interior de presídios.</p><p>Um importante vetor é o investimento na juventude, direcionando a esse estrato políticas que os afastem</p><p>do caminho do crime, tais como as políticas sociais com foco na redução da evasão escolar,</p><p>as quais têm se</p><p>provado eficazes na reversão desse quadro.</p><p>Bem, abordadas as questões socioeconômicas, vejamos as questões relacionadas às políticas de</p><p>segurança, outra obrigação do Estado.</p><p>Quando se pensa em redução da violência, de modo geral, as pessoas, de pronto, associam-na ao papel da</p><p>polícia. Contudo a polícia é apenas um dos agentes responsáveis pela segurança pública. São</p><p>corresponsáveis: as autoridades do Poder Judiciário, aplicadoras das leis; os parlamentares, enquanto</p><p>representantes da vontade da maioria e encarregados da discussão legislativa; o Poder Executivo, na</p><p>posição de formulador e implementador de políticas públicas; e, porque não, os próprios cidadãos, que, no</p><p>seu cotidiano, devem atuar de forma ética, coibir práticas espúrias e pautar sua conduta de acordo com os</p><p>ditames legais. Assim, a segurança pública deve fazer parte de um esforço coletivo.</p><p>Entre as propostas que você pode apresentar, enumero as seguintes:</p><p>• Fazer com que a governança em segurança pública, responsabilidade compartilhada entre diversos</p><p>órgãos, seja coordenada e articulada. Isso envolve a articulação entre entes políticos e entre os</p><p>Poderes e a realização de operações coordenadas envolvendo as diversas polícias, Ministério Público,</p><p>forças armadas, tribunais de justiça e sistema prisional. Ainda nessa linha, é necessário integrar</p><p>bancos de dados e criar indicadores e métricas para avaliação de programas e políticas. É o que vem</p><p>buscando o Susp (ver quadro abaixo).</p><p>• Investir em inteligência e investigação, com vistas a prender os criminosos mais perigosos e reduzir a</p><p>sensação de impunidade disseminada na sociedade. Isso envolve o fortalecimento das polícias civis e</p><p>das perícias criminais.</p><p>• Utilizando-se das ferramentas descritas no item anterior, combater o crime organizado,</p><p>fundamentalmente, pela redução do seu poder econômico e político. É fundamental entender o</p><p>entrelaçamento entre o crime organizado e os agentes públicos, como forma de combater a corrupção</p><p>tão presente no cotidiano nacional.</p><p>• Estabelecer políticas com ênfase na aplicação de tecnologia, como forma de proporcionar uma</p><p>operação mais estratégica. Exemplo disso é o uso por parte das polícias militares do policiamento de</p><p>manchas criminais, usando recursos tecnológicos analíticos e operacionais integrados, incluindo o uso</p><p>de GPS e vídeo monitoramento, entre outros.</p><p>• No Brasil, muitos estados não têm informação sobre quantos homicídios resultam no oferecimento</p><p>de denúncia por parte do MP. Não à toa, a taxa de resolução de homicídios no Brasil é baixíssima,</p><p>aproximadamente 10% em alguns estados. Nesse sentido, é fundamental criar sistemas de medição</p><p>e metas de elucidação de crimes violentos por estado.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>32</p><p>• Investir na formação de policiais e gestores de segurança pública. Isso pode envolver, por exemplo, a</p><p>criação de uma escola nacional de segurança pública. Promover a valorização do policial, garantindo</p><p>suporte material e emocional para a realização do seu trabalho, bem como condições de remuneração</p><p>dignas.</p><p>• Políticas que visem a desconstruir a cultura do encarceramento, com base na disseminação da</p><p>aplicação de penas alternativas e da seletividade da aplicação da prisão provisória, priorizando o</p><p>encarceramento para os crimes violentos e os de grande impacto social</p><p>Pessoal, agora um assunto correlato, também muito importante. Vejamos o que a polícia pode fazer para</p><p>reduzir a violência e a insegurança.</p><p>O primeiro passo é desempenhar a sua função com esmero. Na verdade, não só a polícia, mas todo o serviço</p><p>público, um excelente começo seria o fiel cumprimento aos princípios da administração pública,</p><p>insculpidos no art. 37 da Carta Magna, quais sejam: legalidade, impessoalidade (desdobrada em isonomia,</p><p>imparcialidade, busca pela satisfação do interesse público e vedação à promoção pessoal), moralidade,</p><p>publicidade e eficiência.</p><p>Chamo a atenção para o princípio da moralidade. Não raro a sociedade se depara com casos de agentes</p><p>públicos que se corrompem. Isso é ainda mais crítico na atividade policial, visto que a população confia a</p><p>essa instituição bens jurídicos da mais elevada envergadura. Por isso, condutas antiéticas, certamente,</p><p>denigrem a imagem da corporação e contribuem para aumentar a situação de insegurança.</p><p>Noutro giro, é importante que se trabalhe em parceria com a comunidade. Há inúmeros exemplos de</p><p>projetos vitoriosos: por meio da aproximação da polícia com a comunidade, desenvolve-se uma relação de</p><p>confiança que tem contribuído para uma solução criativa dos problemas. Trata-se de uma filosofia baseada</p><p>na premissa de que tanto a polícia quanto a comunidade devem trabalhar juntas para identificar, priorizar e</p><p>resolver problemas, com o objetivo de melhorar a qualidade geral de vida da área.</p><p>Outro ponto é investir em programas de inteligência capazes de desarticular as grandes organizações</p><p>criminosas, banindo, principalmente o tráfico de drogas, principal fonte de receita para o crime organizado.</p><p>Deve-se envidar esforços para esclarecer os crimes mais graves, os quais devem ser punidos com o máximo</p><p>rigor.</p><p>Por fim, você também pode sugerir a integração de bancos de dados e a criação de indicadores e métricas</p><p>para a avaliação de programas e políticas, de forma a facilitar a elucidação dos crimes, identificação dos</p><p>responsáveis e comparação entre políticas públicas para verificar quais foram as mais exitosas.</p><p>2. Responsabilidade de todos</p><p>Contudo, não obstante a obrigação estatal, a segurança pública é uma tarefa cuja responsabilidade é</p><p>coletiva, o que, aliás, encontra-se previsto no art. 144 da CF/1988, mencionado anteriormente. Logo, além</p><p>de uma atitude cidadã, zelar pela integridade física e moral dos indivíduos, bem como pela manutenção da</p><p>ordem pública, é um dever constitucional de cada cidadão. Essa participação torna-se, a cada dia, mais</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>33</p><p>relevante, haja vista a escalada da violência e a incapacidade de as autoridades públicas tomarem medidas</p><p>efetivas para preservar a ordem pública.</p><p>É incoerente delegar totalmente a responsabilidade ao Estado pela segurança quando as famílias, muitas</p><p>vezes, não fazem o seu papel. Sabe-se que o crescimento da violência na sociedade e, por conseguinte, o</p><p>aumento da insegurança, é, em alguma parte, reflexo da violência familiar. O exemplo e os valores</p><p>transmitidos pelos pais têm bastante influência na formação dos filhos, que, ao presenciarem maus</p><p>exemplos, tendem a perpetuar a agressividade vivida em casa. Essa violência doméstica, a qual tem como</p><p>vítimas a mulher, a criança e o adolescente, extravasa para o cotidiano das pessoas, sendo observada, sem</p><p>muito esforço, no trânsito, em competições esportivas, em estádios de futebol etc.</p><p>Além disso, o envolvimento com práticas ilícitas como compra de drogas, mercadorias contrabandeadas</p><p>etc. representa grave dificultador à segurança pública, na medida em que se financia o crime organizado,</p><p>um dos maiores responsáveis pela violência e pelo colapso na área de segurança pública.</p><p>Outrossim, a sociedade não pode ser conivente com a ocorrência de delitos. Deve-se adotar uma postura</p><p>ativa, o que envolve, por exemplo, a realização de denúncias sempre que souber da ocorrência de fato que</p><p>ofenda a paz social. Deve também envidar esforços para aumentar a sua participação na organização de</p><p>programas educativos nas escolas, universidades, etc.</p><p>Uma maneira eficiente de participação dos cidadãos pode ocorrer por meio dos programas</p><p>de</p><p>policiamento comunitário, capazes de aproximar a polícia e a comunidade. Por meio deles, é possível o</p><p>estabelecimento de um relacionamento de confiança no qual ambas as partes saem ganhando. Trata-se de</p><p>um importante mecanismo para uma política de segurança preventiva, com a comunidade funcionando</p><p>como “olhos” e “ouvidos” da polícia nas áreas em que residem. Isso é particularmente crítico num cenário</p><p>em que a participação da sociedade é limitada pela falta de confiança nas polícias</p><p>Para GIDDENS31 (1998) a comunidade deve ser o foco. Somente com ações de regeneração da comunidade</p><p>é possível prevenir o crime e reduzir o medo dele. É importante as polícias priorizarem sua atenção para a</p><p>prevenção ao crime, isto poderia significar uma reintegração da polícia com a comunidade, restabelecendo</p><p>os laços de confiança.</p><p>Cada cidadão tem relevante participação na prevenção da criminalidade e o controle da violência, devendo,</p><p>de forma organizada, lutar pela implementação de políticas públicas que elevem a qualidade de vida, por</p><p>leis mais efetivas e adequadas ao contexto atual e pela recuperação de valores fundamentais, o que pela</p><p>sua ausência, permitiram a banalização da violência, a falta de respeito ao próximo e a desagregação</p><p>familiar.</p><p>Outra forma de participação dos cidadãos pode ocorrer nas chamadas audiências públicas organizadas</p><p>pelo próprio poder público ou por organizações não governamentais. Nelas, há a oportunidade de debate,</p><p>esclarecimentos e a possibilidade de se fazerem sugestões sobre questões fundamentais relativas à</p><p>31 GIDDENS, Anthony. A Terceira Via: Reflexões sobre o impasse político atual e o futuro da social-democracia. 3. ed. Rio de</p><p>Janeiro: Record, 2000.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>34</p><p>segurança pública. Promovem o compartilhamento de informação entre cidadãos e representantes do</p><p>Estado, proporcionando a discussão de métodos e estratégias para melhoria do atual sistema.</p><p>Assim, a complexidade das questões que envolvem a segurança pública demanda a conjugação de</p><p>esforços entre o poder público e a sociedade civil. Por meio desse esforço coletivo, é possível chegar a</p><p>soluções inovadoras e efetivas, capazes de propiciar a ordem pública, nos termos asseverados pela</p><p>Constituição, a qual dispõe no seu art. 144: "A segurança pública, dever do Estado, direito e</p><p>responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e</p><p>do patrimônio"</p><p>Resumindo essa discussão, segundo Rolin32 (2012):</p><p>“Os melhores resultados nessa área (segurança) se têm conseguido através do envolvimento de todos</p><p>os segmentos da sociedade na discussão e implementação das soluções, de forma a serem atingidos</p><p>diagnósticos mais precisos; informações qualificadas; fortalecimento dos institutos sociais como a</p><p>família, escola, igreja e vizinhança; diminuição da crise moral e ética, estimulando comportamentos</p><p>solidários e coletivos; fortalecimento do capital social e da organização do espaço urbano de</p><p>convivência; produção de orientações de comportamentos seguros e inibidores de condutas</p><p>antissociais; e formação de grupos de pressão em busca de políticas públicas apropriadas”</p><p>Bem, amigos. Agora, vamos à prática!</p><p>Proposta de solução</p><p>Prevê a Carta Magna que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de todos.</p><p>A Prevê a Carta Magna que a segurança pública é dever do Estado, direito e responsabilidade de</p><p>todos. A violência em alta ressalta a importância de a segurança pública ser tratada de forma</p><p>abrangente, com participação e envolvimento do Estado e da sociedade [tese].</p><p>Para que o Estado cumpra a sua missão constitucional no que se refere à segurança pública,</p><p>deve ir muito além das ações de cunho repressivo empreendidas pelas forças policiais. São</p><p>necessárias a coordenação e a integração dos diversos poderes e órgãos para proporcionar uma</p><p>resposta mais ampla ao desafio da segurança pública. No âmbito das polícias, deve-se focalizar</p><p>a atuação preventiva, aliando ações de inteligência e o uso de recursos tecnológicos, no intuito de</p><p>aumentar a sua eficiência. É imprescindível que sejam oferecidos à população, especialmente a</p><p>mais vulnerável, instrumentos essenciais à formação e ao exercício da plena cidadania, para que</p><p>o crime não seja visto como a única forma de sustento ou de uma existência minimamente digna.</p><p>É também importante a atuação da sociedade. O ponto de partida é a educação familiar, na</p><p>qual se fundam as noções de empatia, respeito e tolerância. Outrossim, a sociedade não pode ser</p><p>conivente com a ocorrência de delitos, deve adotar postura ativa, o que envolve, por exemplo, a</p><p>realização de denúncias sempre que souber da ocorrência de fato que ofenda a paz social. Frise-</p><p>32 ROLIM, Marcos. A crise do sistema penitenciário brasileiro. Disponível em: . Acesso em: 03 de novembro de 2015.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>35</p><p>se, também, a necessidade de engajamento em programas educativos nas instituições escolares e</p><p>acadêmicas, o envolvimento e a colaboração nos programas de policiamento comunitário.</p><p>Diante do exposto, percebe-se que a solução para o problema da segurança pública envolve a</p><p>conjugação de esforços entre o poder público e a sociedade civil, a partir da qual será possível chegar</p><p>a soluções mais abrangentes, inovadoras e efetivas.</p><p>Tema 14</p><p>“Milhares de mulheres entraram na justiça do DF com medidas protetivas, desde que a Lei Maria da Penha</p><p>entrou em vigor, em setembro de 2006. A maioria se refere a proibições judiciais de contato pelos companheiros</p><p>e ex-companheiros. Esses pedidos vieram de mulheres que moram em Brasília (região que inclui, além do Plano</p><p>Piloto, o Lago Sul e o Lago Norte, o Varjão e a Estrutural) e localidades circunvizinhas. A grande maioria das</p><p>ações acolhidas pelo Tribunal de Justiça do DF com base na Lei Maria da Penha têm-se relacionado à ingestão</p><p>de álcool e são feitas contra ex-companheiros das mulheres agredidas. Em 2018, o número de inquéritos abertos</p><p>na Delegacia da Mulher do DF cresceu 86% em relação às 1.677 denúncias feitas no ano anterior. Isso não</p><p>significa que a prática do crime tenha aumentado, mas sim que as mulheres estão denunciando as agressões</p><p>com maior frequência”.</p><p>Correio Braziliense (com adaptações).</p><p>“Uma ligação anônima ajudou a esclarecer as circunstâncias da morte da auxiliar de serviços gerais Pedrolina</p><p>Silva, 50 anos. Segundo a pessoa que acionou a PCDF, João Marcos Vassalo da Silva Pereira, 20, teria dito a</p><p>diversas pessoas no Paranoá Parque, condomínio em que os dois moravam, que se a mulher “não for minha,</p><p>não será de mais ninguém”.</p><p>https://www.metropoles.com/violencia-contra-a-mulher/se-nao-for-</p><p>minha-nao-sera-de-mais-ninguem-teria-dito-assassino-de-pedrolina</p><p>“A Lei Maria da Penha apresenta cinco tipos de atitudes violentas contra as mulheres: física, psicológica, sexual,</p><p>patrimonial e moral. A violência física é representada por ações como tapas, empurrões, socos, mordidas,</p><p>chutes, queimaduras, cortes, estrangulamento, lesões por armas ou objetos etc. A violência psicológica inclui</p><p>ações como insultos constantes, humilhação, desvalorização, chantagem, isolamento de amigos e familiares,</p><p>ridicularização, rechaço, manipulação afetiva, exploração e negligência.</p><p>A violência sexual é a ação cometida para obrigar a mulher, por meio da força física, coerção ou intimidação</p><p>psicológica, a ter relações sexuais ou presenciar práticas sexuais contra a sua vontade. Já a violência</p><p>patrimonial</p><p>ocorre quando o agressor retém, subtrai, ou destrói os bens pessoais da vítima, seus instrumentos de trabalho,</p><p>documentos e valores. Por fim, a violência moral ocorre quando a mulher sofre com qualquer conduta que</p><p>configure calúnia, difamação ou injúria praticada por seu agressor”.</p><p>https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/entenda-a-violencia/o-</p><p>tipo-de-violencia-sofrida</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>36</p><p>Considerando os textos de apoio acima e seu conhecimento de mundo, elabore um texto dissertativo-</p><p>argumentativo no qual seja apresentado seu posicionamento acerca do seguinte tema: “a persistência da</p><p>violência contra a mulher”.</p><p>Abordagem teórica</p><p>Importante notar que já há, inquestionavelmente, um problema e, mais do que isso, que este perdura. Com</p><p>isso, a proposta de intervenção social torna-se essencial, independente de constar expressamente do</p><p>enunciado. Se algo negativo subsiste, concorda que está implícita a exigência de reflexão em torno de uma</p><p>alternativa para a resolução desse problema? Daí a importância de que seja apresentada uma ou mais</p><p>propostas de intervenção.</p><p>1. Introdução</p><p>A Convenção de Belém do Pará, define violência contra a mulher como “qualquer ato ou conduta baseada</p><p>no gênero, que cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico à mulher, tanto na esfera</p><p>pública como na esfera privada” (Capítulo I, Artigo 1º). Ampliando o escopo, a Lei Maria da Penha</p><p>(11.340/2006) apresenta mais duas formas de violência - moral e patrimonial -, que, somadas às violências</p><p>física, sexual e psicológica, totalizam as cinco formas de violência doméstica e familiar reconhecidas</p><p>legalmente no Brasil.</p><p>A violência contra a mulher não é um fato novo. É fenômeno global e ocorre em qualquer camada social e</p><p>independe de condição socioeconômica e/ou grau de instrução dos envolvidos.</p><p>Apesar de não ser novo, o debate mais aprofundado sobre a violência contra a mulher, no país, é algo</p><p>recente. Nos últimos 15 anos, houve a consolidação do arcabouço legal destinado ao enfrentamento dos</p><p>diferentes tipos de violência contra a mulher, a exemplo da Lei Maria da Penha, das alterações no Código</p><p>Penal referentes ao crime de estupro (2009) e ao crime de feminicídio33 (2015), e, por fim, da recente lei de</p><p>importunação sexual (2018).</p><p>Apesar dos significativos avanços registrados nos campos político, legal e social, as mudanças para que as</p><p>mulheres possam viver sem violência ainda ocorrem de forma lenta. Os dados são preocupantes: conforme</p><p>apurou a pesquisa Violência doméstica e familiar contra a mulher – 201734, realizada pelo Instituto</p><p>DataSenado, do Senado Federal, quase uma em cada três mulheres já foi vítima de algum tipo de violência</p><p>doméstica.</p><p>33 A Lei 13.104/2015 altera o Código Penal para prever o feminicídio como circunstância qualificadora do crime de homicídio, e o</p><p>inclui no rol dos crimes hediondos. O feminicídio, então, passa a ser entendido como homicídio qualificado contra as mulheres</p><p>“por razões da condição de sexo feminino”.</p><p>34 Disponível em: https://www12.senado.leg.br/institucional/omv/entenda-a-violencia/muitas-mulheres-ainda-sofrem-violencia-</p><p>no-brasil</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>37</p><p>Segundo o Atlas da Violência de 201935, houve também um crescimento dos homicídios femininos no Brasil</p><p>em 2017, com cerca de 13 assassinatos por dia. Ao todo, 4.936 mulheres foram mortas, o maior número</p><p>registrado desde 2007. Esse dado compõe o crescimento expressivo de 30,7% no número de homicídios de</p><p>mulheres no país durante a década 2007-2017.</p><p>Com relação aos agressores, há reconhecimento na literatura internacional de que a significativa maioria</p><p>das mortes violentas intencionais que ocorrem dentro das residências são perpetradas por conhecidos ou</p><p>íntimos das vítimas. A principal causa apontada é o inconformismo do homem com o término do</p><p>relacionamento.</p><p>A violência contra a mulher é consequência, principalmente, do machismo na sociedade, responsável pela</p><p>cultura de objetificação da mulher, posicionando-a em situação de inferioridade em relação ao homem. A</p><p>ainda presente desigualdade de poder entre os sexos, constituída por questões econômicas, culturais,</p><p>educacionais coloca a mulher em situação de vulnerabilidade, o que oportuniza todo tipo de violência contra</p><p>ela.</p><p>Geralmente, a causa alegada pelo agressor para o ato de violência doméstica é um motivo fútil. Alcoolismo,</p><p>uso de drogas, ciúmes, comportamento da mulher e questões financeiras são os que costumam ser</p><p>apresentados como justificativas, mas é o machismo, enraizado na sociedade, e revelado no sentimento</p><p>cotidiano de posse e subjugação, que determina a maioria absoluta de casos de violência doméstica.</p><p>Um conceito relevante nessa discussão é o de masculinidade tóxica. Reflete o aspecto repressivo da</p><p>masculinidade, a qual associa ao homem à força e agressividade, enquanto as emoções são uma fraqueza.</p><p>Nessa esteira, sexo e brutalidade são padrões pelos quais os homens são avaliados, enquanto traços</p><p>supostamente "femininos". Alguns do efeitos da masculinidade tóxica são supressão de sentimentos,</p><p>encorajamento da violência, falta de incentivo em procurar ajuda, perpetuação da cultura do</p><p>estupro, homofobia, misoginia36, racismo e machismo.</p><p>Outro motivo é a impunidade, fruto da ineficiência do sistema de segurança pública e jurídico do país. Não</p><p>raro o agressor permanece em liberdade e dando continuidade às suas ameaças, o que incentiva o</p><p>cometimento de abusos, a sensação de insegurança da ofendida e o descrédito quanto ao amparo do poder</p><p>público.</p><p>Dentre as mulheres que declararam ter sofrido violência doméstica, a maioria apontou como agressor o</p><p>atual marido, companheiro ou namorado ou ex-marido, ex-companheiro ou ex-namorado. Disso extrai-se</p><p>que uma característica marcante da violência doméstica e familiar contra mulheres é o fato de ela ser</p><p>perpetrada principalmente por pessoas que mantêm ou mantiveram com a vítima uma relação de</p><p>35 Atlas da violência 2019. Organizadores: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Fórum Brasileiro de Segurança Pública.</p><p>Brasília: Rio de Janeiro: São Paulo: Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada; Fórum Brasileiro de Segurança Pública. Disponível</p><p>em: http://www.ipea.gov.br/portal/images/stories/PDFs/relatorio_institucional/190605_atlas_da_violencia_ 2019.pdf.</p><p>36 Sentimento de aversão, repulsa ou desprezo pelas mulheres e valores femininos.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>38</p><p>intimidade; fato que contribui bastante para a subnotificação e, consequentemente, para a repressão desse</p><p>tipo de crime.</p><p>São diversas as razões pelas quais as mulheres não denunciam seus agressores. A principal delas é o medo</p><p>de: ocorrer a represália por parte do agressor ou o agravamento da situação, que suas alegações não sejam</p><p>tidas como verdadeiras, colocar em risco a estrutura familiar, ser julgada pela sociedade, abandonada, ter</p><p>seu marido preso, não ter apoio familiar, dentre outros medos.</p><p>Há também razões culturais, próprias de uma sociedade machista, que leva a mulher vitimizada a se sentir</p><p>culpada ou inadequada por supostamente estar infringindo regras e padrões sociais estereotipados.</p><p>Também ligado à questão cultural, há o vínculo de submissão, fazendo com que as vítimas encarem com</p><p>certa normalidade o comportamento agressivo dos seus companheiros.</p><p>Nesse contexto, alguns dados são capazes de dar a profundidade desse problema. Por mais surreal que</p><p>pareça, um em cada três brasileiros acredita que, nos casos de estupro, a culpa é da mulher (!!!), de</p><p>acordo com pesquisa Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública (FBSP) e</p><p>divulgada em 201637. Segundo o levantamento, 33,3% da população brasileira acredita que a vítima é</p><p>culpada. O mais incrível é que esse dado inclui as mulheres, principais vítimas desse crime. Entre elas, 32%</p><p>acredita que, nos casos de estupro, a culpa é da mulher. Entre os homens, esse número é de 42%. E mais,</p><p>segundo a mesma pesquisa, para 30% dos homens, a mulher que usa roupas provocativas não pode</p><p>reclamar se for estuprada.</p><p>Há ainda razões ligadas à dependência financeira, pois, caso o agressor seja preso, pode-se perder a</p><p>principal fonte de renda da família. Nesse sentido, a denúncia pode significar não ter recursos para sua</p><p>sobrevivência e da sua família.</p><p>A violência contra a mulher é assunto complexo e, como tal, exige atuação em diversas frentes. Sob o ponto</p><p>de vista educacional, é preciso inibir o reforço a estereótipos que impõem a linguagem da violência contra</p><p>a mulher como algo normal na nossa sociedade, investindo em projetos socioeducativos direcionados à</p><p>valorização e à proteção da figura da mulher.</p><p>Além disso, é necessário que haja o encorajamento para que haja a denúncia em caso de agressão. Nessa</p><p>seara, é imprescindível que o Estado entenda e exerça o seu papel como protagonista desse processo. Isso</p><p>envolve a necessidade de serem providos tanto a infraestrutura física quanto o suporte emocional e familiar</p><p>para que as vítimas se sintam suficientemente seguras para denunciar. Enquanto medidas efetivas não</p><p>forem suficientemente adotadas pelo Estado, as iniciativas que incentivem as vítimas a denunciarem</p><p>restarão frustradas.</p><p>A proteção a ser implementada pelo Estado deve ser ainda mais intensa uma vez havida a denúncia. Nesse</p><p>âmbito, destacam-se as medidas protetivas de urgência constantes da Lei Maria da Penha38, propostas</p><p>37 Disponível em: http://g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2016/09/um-em-cada-3-brasileiros-culpa-vitima-em-casos-de-</p><p>estupro-diz-datafolha.html. Acesso em 06 de janeiro de 2020.</p><p>38 São medidas protetivas de urgência, previstas nos arts. 22 a 24 da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha - LMP):</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>39</p><p>com o fito de neutralizar o poder de ação do autor da violência, além de medidas severas caso o ofensor as</p><p>descumpra.</p><p>Para isso, é fundamental o fortalecimento da repressão aos atos de violência, intensificando a fiscalização</p><p>do cumprimento das medidas impostas, bem como dotar de maior agilidade os procedimentos</p><p>administrativos e judiciais, contendo de forma oportuna a violência e as ameaças e evitando que elas</p><p>redundem em morte.</p><p>Agora, apresentemos alguns dados acerca do cometimento desse crime. Segundo pesquisa quantitativa</p><p>elaborada pelo FBSP e pelo Instituto Datafolha39:</p><p>• De acordo com o ABSP/2020, houve, em 2019, 266.310 registros de lesão corporal dolosa em</p><p>decorrência de violência doméstica40, o que significou um aumento de 5,2% em relação ao ano</p><p>anterior.</p><p>• 27,4% das mulheres reportaram ter sofrido algum tipo de violência ou agressão nos últimos doze</p><p>meses (aproximadamente 1 em 4).</p><p>Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de</p><p>imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras:</p><p>I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº 10.826, de</p><p>22 de dezembro de 2003;</p><p>II - afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida;</p><p>III - proibição de determinadas condutas, entre as quais:</p><p>a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor;</p><p>b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação;</p><p>c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida;</p><p>IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço</p><p>similar;</p><p>V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios.</p><p>Art. 23. Poderá o juiz, quando necessário, sem prejuízo de outras medidas:</p><p>I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento;</p><p>II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor;</p><p>III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos;</p><p>IV - determinar a separação de corpos.</p><p>Art. 24. Para a proteção patrimonial dos bens da sociedade conjugal ou daqueles de propriedade particular da mulher, o juiz</p><p>poderá determinar, liminarmente, as seguintes medidas, entre outras:</p><p>I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida;</p><p>II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo</p><p>expressa autorização judicial;</p><p>III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor;</p><p>IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência</p><p>doméstica e familiar contra a ofendida.</p><p>39 http://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/02/relatorio-pesquisa-2019-v6.pdf. Acesso em: 06 de janeiro</p><p>de 2020</p><p>40 A lesão corporal dolosa praticada em contexto doméstico refere-se a todo ato de violência física praticado contra a mulher no</p><p>ambiente familiar.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>40</p><p>• O autor da violência contra a mulher é normalmente alguém próximo da vítima: 76,4% das mulheres</p><p>indicaram que o agressor era um conhecido, aumento de 25% em relação à pesquisa realizada em</p><p>2017. Dentre os vínculos mais citados destaca-se namorado/cônjuge /companheiro como o principal</p><p>perpetrador, com 23,8% (aumento de 23%), ex-namorados e ex-companheiros com 15,2% e vizinhos</p><p>com 21,1%.</p><p>• A maioria das mulheres continua sendo vítima de violência dentro de casa (42%), e apenas 10%</p><p>relatam ter buscado uma delegacia da mulher após o episódio mais grave de violência sofrida no</p><p>último ano.</p><p>Acrescentando algumas informações, acompanhe o infográfico, apresentado pela pesquisa “Visível e</p><p>invisível: a vitimização de mulheres no Brasil 2° edição41”.</p><p>41 Disponível em: http://www.forumseguranca.org.br/publicacoes/visivel-e-invisivel-a-vitimizacao-de-mulheres-no-brasil-2-</p><p>edicao/. Acesso em:</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>42</p><p>Proposta de solução</p><p>A violência contra a mulher é fato muito frequente na sociedade. Segundo o instituto Datafolha, uma</p><p>em cada quatro mulheres brasileiras com mais de 16 anos sofreu agressões nos últimos doze meses. Diante</p><p>da gravidade do problema, faz-se necessário analisar as causas e as barreiras para a solução do problema.</p><p>[Tese]</p><p>Inicialmente, mencione-se que a violência contra a mulher é consequência do machismo na sociedade,</p><p>responsável pela cultura de objetificação da mulher, posicionando-a em situação de inferioridade em relação</p><p>ao homem. A desigualdade de poder entre os sexos, por questões econômicas, culturais e educacionais, coloca</p><p>a mulher em situação de vulnerabilidade, o que oportuniza todo tipo de violência. Apesar de, geralmente, a</p><p>causa alegada para o ato violento doméstica ser um motivo fútil (alcoolismo, uso de drogas, ciúmes,</p><p>comportamento da mulher e questões financeiras), é o machismo, enraizado na sociedade e revelado no</p><p>sentimento cotidiano de posse e subjugação, que permeia a maioria absoluta de casos de violência doméstica.</p><p>Uma das principais barreiras para a mudança desse quadro é o elevado índice de subnotificação.</p><p>Apesar da gravidade do tema, segundo pesquisa Datafolha, 52% das mulheres vítimas de violência não</p><p>denunciam o caso. Dentre as razões para esse elevado número, destacam-se: o medo de represália por parte</p><p>do agressor e o abalo da estrutura familiar. Há, também, razões culturais próprias de uma sociedade</p><p>machista que levam a mulher vitimizada a se sentir culpada ou inadequada por supostamente estar</p><p>infringindo regras e padrões sociais estereotipados. Quando há a dependência financeira, a questão torna-</p><p>se ainda mais complexa, visto que a denúncia pode comprometer a subsistência da família.</p><p>Por fim, é fundamental que o Estado tome providências para evitar esse crime, tais como: fortalecer a</p><p>rede de proteção destinada a amparar as vítimas para que se sintam encorajadas a denunciar seus</p><p>agressores e investigar e punir os responsáveis por crimes dessa natureza como forma de reduzir a</p><p>impunidade e dissuadi-los desse tipo de prática.</p><p>Tema 15</p><p>Texto I</p><p>Redução da maioridade penal gera controvérsias em debate na CCJ</p><p>A proposta de redução da maioridade penal no Brasil de 18 para 16 anos nos casos de crimes hediondos,</p><p>homicídio doloso e lesão corporal seguida de morte gerou controvérsias em debate da Comissão de</p><p>Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) nesta quinta-feira (27).</p><p>A mudança está prevista numa proposta de emenda constitucional (PEC 115/2015) que tramita no</p><p>Congresso desde 1993. Na CCJ, ela será relatada pelo autor do pedido para o debate, senador Marcelo</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>43</p><p>Castro (MDB-PI). Ele justificou a audiência dizendo que é preciso atualizar os parlamentares em primeiro</p><p>mandato sobre o tema.</p><p>— Estamos tratando de um assunto da mais alta relevância e complexidade, para o qual não encontramos</p><p>um norte firme e consensual no direito comparado. Alguns países entendem de um jeito, outros de outro.</p><p>Por isso, precisamos de um diálogo transparente, com pessoas de visões diferentes, a fim de elaborarmos</p><p>uma legislação adequada ao nosso país — explicou o parlamentar.</p><p>Fonte: Agência Senado.</p><p>Texto II</p><p>“A cada novo episódio em que um menor de idade se envolve num crime de grande repercussão, um velho</p><p>“culpado” aparece: o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O conjunto de leis chega aos 20 anos no</p><p>dia 13 de julho, em meio a críticas e elogios. Como legislação, é considerado exemplar. Mas sua execução</p><p>falhada e a fama de estimular a ação de menores infratores o deixam muito longe da unanimidade.</p><p>O Brasil está perto do topo dos países do mundo que mais adiam a punição aos infratores. Poucas nações,</p><p>a maioria sul-americanas, esperam que um jovem complete 18 anos para puni-lo legalmente. “O ECA é um</p><p>incentivo à penalidade”, diz o advogado Gilberto Pereira da Fonseca, representante da família do menino</p><p>João Hélio, morto no Rio de Janeiro em fevereiro de 2007 ao ser arrastado pelo carro roubado de sua mãe.</p><p>Um menor de 16 anos participou do crime, ficou detido até completar 18 anos – e ganhou a liberdade com</p><p>direito à proteção policial, mais tarde retirada. Não foi o ECA, porém, que definiu a maioridade penal em 18</p><p>anos. Ela é estabelecida pela Constituição de 1988 e já estava na Lei Magna anterior. São os artigos 228 da</p><p>Constituição e 27 do Código Penal que asseguram a inimputabilidade aos menores de 18 anos. No Brasil, o</p><p>título de eleitor pode ser obtido aos 16 anos.</p><p>Antes do ECA, a legislação sobre menores no país era meramente punitiva. O Código de Menores criou, em</p><p>1927, as chamadas colônias correcionais, para onde eram encaminhados os jovens infratores. A partir do</p><p>Estatuto, o Estado passou a garantir direitos – e também as punições. A garantia de saúde, educação de</p><p>qualidade e lazer, muitas vezes, fica apenas no papel. Para especialistas, ao reduzir o ECA à discussão sobre</p><p>a maioridade penal, a sociedade desvia o foco e deixa de cobrar sua execução. “Só uma pequena parcela</p><p>dos jovens comete crimes. O Estatuto não é o culpado porque, se ele fosse cumprido, muitos crimes não</p><p>aconteceriam”, afirma Fernanda Lavarello, coordenadora da Associação Nacional dos Centros de Defesa da</p><p>Criança e do Adolescente.”</p><p>(Época, 12.07.2010. Adaptado.)</p><p>Texto III</p><p>“Foi brutal o assassinato do casal de namorados Liana Friedenbach e Felipe Caffé, em São Paulo. Nada</p><p>justifica um crime dessa natureza. O país está chocado. A participação de um menor no delito torna o caso</p><p>ainda mais dramático. A pergunta está nas ruas: não seria o caso de reduzir a maioridade penal?”</p><p>(Folha de S. Paulo, editorial, 13/11/2003)</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>44</p><p>Texto IV</p><p>(...)</p><p>Maioridade penal é a idade mínima para que uma pessoa pode ser julgada criminalmente por seus atos</p><p>como um adulto. No Brasil, e em vários países do mundo, a maioridade penal começa a partir dos 18 anos</p><p>de idade.</p><p>Também conhecida por maioridade criminal, esta é considerada uma linha divisória na forma como o</p><p>tratamento de determinado ato deverá ser julgado. Para os indivíduos que possuem idade superior à</p><p>estabelecida pela maioridade penal, todo o processo de julgamento é regido pelas leis do Código Penal do</p><p>país. Os menores de idade, no entanto, caso comentam atos ilegais, devem ser julgados e punidos de acordo</p><p>com a legislação do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).</p><p>(...)</p><p>Não se deve confundir maioridade penal com responsabilidade penal. Os jovens, a partir dos 12 anos de</p><p>idade, já podem responder por atos de criminalidade, no entanto, seguindo uma linha socioeducativa.</p><p>O objetivo da punição para os indivíduos que estiverem abaixo da maioridade penal não é o de fazerem</p><p>sofrer pelos crimes que cometeram, mas sim ajudar a preparar o jovem para a vida adulta, ajudando-o a</p><p>recomeçar de maneira mais digna.</p><p>https://www.significados.com.br/maioridade-penal</p><p>Texto V</p><p>www.ufjf.br/notícias - Acesso em 6.5.2018) https://www.google.com.br/</p><p>search?q=charge+sobre+conhecimento&tbm</p><p>Após a leitura dos textos acima, escreva um texto dissertativo-argumentativo, posicionando-se em relação</p><p>ao seguinte tema: redução da maioridade penal: avanço ou retrocesso?</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>45</p><p>Abordagem teórica</p><p>Bem, aqui não tem como “sair pela tangente”. Você deverá posicionar-se acerca do tema. Afinal, você é</p><p>contra ou a favor da redução da maioridade penal?</p><p>Você pode responder que sim ou que não, contudo sua fundamentação deve ser amparada em argumentos</p><p>sólidos e robustos.</p><p>Com o intuito de facilitar o seu trabalho, vou apresentar argumentos a favor e contra.</p><p>A proposta de solução</p><p>vai apresentar a linha que eu acredito ser a mais “segura”, mas ambas as abordagens são possíveis!</p><p>Outrossim, trata-se de tema com claros impactos na área de segurança pública, por isso, passível de</p><p>cobrança.</p><p>1. Maioridade penal</p><p>A redução da maioridade penal para 16 anos é um tema bastante polêmico, cuja discussão já se estende há</p><p>muitos anos na sociedade brasileira. Envolve convicções muito enraizadas sobre a responsabilidade do</p><p>indivíduo em relação aos próprios atos e sobre a responsabilidade do Estado, como promotor das políticas</p><p>públicas no país.</p><p>Como se sabe, a adolescência é um período de intensas transformações na vida pessoal e social do</p><p>indivíduo. Considerando esse fato, a Constituição Federal estipula, no seu art. 227: “É dever da família, da</p><p>sociedade e do Estado assegurar à criança, ao adolescente e ao jovem, com absoluta prioridade, o direito</p><p>à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito,</p><p>à liberdade e à convivência familiar e comunitária, além de colocá-los a salvo de toda forma de negligência,</p><p>discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão”.</p><p>O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), Lei nº 8.069, de 13 de julho de 1990, dispõe no seu art. 4º: “É</p><p>dever da família, da comunidade, da sociedade em geral e do poder público assegurar, com absoluta</p><p>prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao esporte, ao</p><p>lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e</p><p>comunitária".</p><p>Não obstante a proteção legal, não são incomuns ocorrências de graves desrespeitos aos direitos dos</p><p>jovens, cometidos, inclusive, por aqueles cuja missão é resguardá-los e protegê-los. Segundo o mapa da</p><p>violência, em 2013, entre 16 e 17 anos, foram 3.749 jovens vítimas de homicídios, 46% do total de 8.153</p><p>óbitos, perfazendo uma média de 10,3 adolescentes assassinados por dia no país. À época do estudo, o</p><p>Brasil ocupava o 3º lugar em relação a 85 países no ranking de mortes de adolescentes de 15 a 19 anos,</p><p>perdendo apenas para México e El Salvador.</p><p>Por outro lado, não é incomum serem noticiados crimes bárbaros cometidos por adolescentes. Nesses</p><p>momentos, o tema sobre redução da maioridade penal sempre ganha força. Os partidários dessa ideia</p><p>defendem mudanças na legislação brasileira sobre a penalização de menores de dezoito anos,</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>46</p><p>especialmente no que diz respeito à possível redução da idade para aplicação de punição criminal</p><p>(legalmente chamada de imputabilidade penal).</p><p>Atualmente, a legislação que rege a punição aos adolescentes é o ECA. Apenas crianças até 12 anos são</p><p>inimputáveis, ou seja, não podem ser julgadas ou punidas pelo Estado. Já os crimes e contravenções</p><p>cometidos pelos que têm idade entre 12 e 17 anos são considerados “atos infracionais” e as punições são</p><p>conhecidas como “medidas socioeducativas”.</p><p>O jovem infrator será levado a julgamento numa Vara da Infância e da Juventude e poderá receber punições:</p><p>advertência; obrigação de reparar o dano; prestação de serviços à comunidade; liberdade assistida; inserção</p><p>em regime de semiliberdade; e internação em estabelecimento educacional.</p><p>Outrossim, o art. 121, § 3º do ECA prevê que "em nenhuma hipótese o período máximo de internação</p><p>excederá a três anos". Caso isso aconteça e, findado o período da internação, o infrator será transferido para</p><p>o sistema de semiliberdade ou liberdade assistida, podendo retornar ao regime de internação em caso de</p><p>mau-comportamento.</p><p>Como já abordado, a discussão sobre a redução da maioridade é polêmica. Os que defendem a manutenção</p><p>da maioridade penal argumentam que:</p><p>• A redução da maioridade não atacaria as verdadeiras causas do problema: deficiência no sistema</p><p>educacional, ausência do Estado, falta de oportunidades, etc. Nesse sentido, o Estado deve investir,</p><p>principalmente, no fortalecimento da educação e em políticas públicas que ofereçam caminhos e</p><p>oportunidades a esses jovens e não em mais presídios (“mais escolas, menos presídios”).</p><p>Assim, é preciso que o Estado aja preventivamente para diminuir as internações e deter a entrada do</p><p>jovem no crime – com políticas sociais, atendimento psicológico e educacional eficiente –, oferecendo-</p><p>lhes opções para que possa tornar-se o protagonista de sua história.</p><p>As informações sobre a situação de escola, trabalho e vitimização analisadas evidenciaram que o</p><p>caminho para combater a violência e a criminalidade entre os jovens deveria ser a promoção dos</p><p>direitos fundamentais, como o direito à vida, e dos direitos sociais preconizados na Constituição e no</p><p>ECA, de educação, profissionalização, saúde, esporte, cultura, lazer e vida em família. Isso seria capaz</p><p>de devolver a esperança de que a mobilidade social pode ser feita pelo caminho lícito da ampliação da</p><p>escolarização, da qualificação e, fundamentalmente, da cidadania. Sem escola, sem trabalho ou com</p><p>inserção laboral precária, os jovens ficam mais desprotegidos e, consequentemente, mais expostos, por</p><p>exemplo, à cooptação pelo crime organizado.</p><p>• Além de não resolver a situação, a pioraria, haja vista que aumentaria a superlotação dos presídios,</p><p>onde se facilitaria o aliciamento dos jovens por parte do crime organizado, fazendo com que ingressem,</p><p>de fato, no mundo do crime, se ainda não o fizeram. É inegável que o sistema carcerário brasileiro não</p><p>tem contribuído para a reinserção na sociedade daqueles que por ele passam, haja vista o elevado</p><p>número de reincidência por parte dos ex-detentos.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>47</p><p>Não sem razão, não faltam críticos ao sistema carcerário brasileiro. Segundo Santos42: “Resta induvidoso</p><p>que o sistema carcerário, longe de ser um instrumento ressocializador, é muito mais uma fábrica de</p><p>delinquência, na qual o elemento humano perde todo o seu caráter de humanidade, transformando-se em</p><p>coisa, por meio de uma reificação irreversível, que impede o apenado de retornar ao convívio social e de ser</p><p>aceito pela própria sociedade.”</p><p>Assim, a adoção de um modelo repressivo, calcado na punição, serviria para aumentar a violência, ao invés</p><p>de diminuí-la.</p><p>• Não há impunidade para as infrações cometidas pelos adolescentes, haja vista que, conforme visto, o</p><p>ECA estabelece punições43.No caso de crianças, serão aplicadas medidas protetivas e, no caso de</p><p>adolescentes, serão determinadas medidas socioeducativas, podendo essas acontecerem em conjunto</p><p>com as protetivas. As medidas socioeducativas têm natureza e finalidades diferentes das penas</p><p>previstas pelo código penal, pois pretendem garantir a manutenção do vínculo familiar associada ao</p><p>caráter pedagógico apropriado a cada medida.</p><p>Assim, os menores infratores não permanecem impunes diante dos seus atos, somente terão uma</p><p>forma exclusiva de tratamento. Ao invés de simplesmente retirá-los do convívio social por meio do</p><p>encarceramento, buscar-se-á repreendê-los de forma que compreendam a gravidade de seus atos, mas</p><p>os permitam ter acesso a todos os seus direitos, uma vez que se encontram em fase do</p><p>desenvolvimento essencial para instrução e socialização.</p><p>• A redução da maioridade penal teria como consequência lógica e legal a diminuição da garantia da</p><p>proteção legal dos adolescentes vítimas de crimes sexuais, a redução da idade para habilitação para</p><p>conduzir veículo automotor, a redução da idade mínima para consumo de bebida alcoólica e cigarro e</p><p>a redução da idade</p><p>para admissão de trabalho noturno, perigoso ou insalubre.</p><p>• Os principais afetados pela redução da maioridade seriam os jovens em condições vulneráveis (negros,</p><p>pobres e moradores das periferias das grandes cidades), pertencentes às classes mais desfavorecidas</p><p>socialmente.</p><p>• Não há evidências de que o endurecimento da lei ocasionada pela redução da imputabilidade penal</p><p>implica a redução da criminalidade44. Aliás, a legislação vem se tornando cada vez mais rígida e, nem</p><p>por isso, observa-se a redução da criminalidade. Diga-se que essa via já foi testada em diversos</p><p>42 SANTOS, Admaldo Cesário dos. Simbolismo penal e política de repressão: a (in) viabilidade da redução da maioridade penal</p><p>como combate à impunidade. Revista Magister de Direito Penal e Processual Penal, Porto Alegre, v.7, n.40, p.51-63. Fev. 2011,</p><p>p.56.</p><p>43 De acordo com o ECA, a partir dos 12 anos, o menor pode cumprir medidas socioeducativas que graduam da advertência, obrigação de reparar</p><p>o dano, prestação de serviços à comunidade, liberdade assistida, semiliberdade até a internação em estabelecimento educacional, por até três</p><p>anos, de acordo com a gravidade da infração.</p><p>44 FGV: redução da maioridade não diminui violência. Disponível em: http://www.brasil.gov.br/cidadania-e-justica/2015/07/fgv-</p><p>reducao-da-maioridade-nao-diminui-violencia. Acesso em: 07/07/2019.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>48</p><p>momentos, sem nenhum efeito visível, como na Lei 8.072/1990, que trata sobre os crimes hediondos,</p><p>bem como na Lei 11.343/2006, que aumenta a pena por tráfico de drogas, dentre muitas outras.</p><p>• É necessário o amplo debate para que se tome uma medida dessa envergadura. Não se pode decidir</p><p>sobre um assunto de tamanha sensibilidade com base no senso comum, alimentado, principalmente,</p><p>por alguns casos e inflamado pela ação da mídia.</p><p>• Parte da doutrina acredita que a maioridade penal aos 18 anos é uma cláusula pétrea da Constituição</p><p>Federal de 1988, não sendo possível, portanto, Emenda à Constituição que tendesse a aboli-la.</p><p>• Argumenta-se também que, no Brasil, apenas 0,5% dos menores de 12 a 18 anos comete crimes, mas,</p><p>quando isso ocorre, é noticiado com destaque pela mídia, provocando clamor público. Além disso,</p><p>apenas 10% dos infratores brasileiros são menores de idade e a maioria dos crimes praticados por</p><p>menores é contra o patrimônio.45</p><p>• O ECA estabelece a doutrina da proteção integral, considerando que a criança e o adolescente são</p><p>sujeitos de direitos e que se encontram em situação peculiar do desenvolvimento. Estudos apontam</p><p>que o lobo frontal, (onde o córtex pré-frontal está localizado) responsável por raciocínio, julgamento e</p><p>controle de impulsos, ainda não trabalha da mesma forma que o de uma pessoa adulta. Há divergências</p><p>quanto ao tempo de maturação total do lobo frontal, variando entre 20 e 25 anos, contudo pesquisas</p><p>apontam que o seu processo de maturação não começa até os 17 anos.</p><p>• As medidas para os adolescentes devem primar pelo caráter educacional, aspecto que não se verifica</p><p>nos presídios brasileiros: superlotados, com instalações indignas, alimentação de má qualidade,</p><p>atendimento médico, jurídico e religioso precário ou inexistente e sem a estrutura que proporcione</p><p>capacitação para trabalho e educação, com vistas à reinserção social desses jovens. Nesse sentido, há</p><p>a necessidade de transformar o sistema atual, tendo em vista que não há indicativo de que o tratamento</p><p>dado aos presos no Brasil é capaz de reduzir os índices de criminalidade. Muitos argumentam que os</p><p>jovens devem ser tratados de maneira diferente no sistema de justiça devido à sua vulnerabilidade e</p><p>necessidade de proteção especial. A redução da maioridade penal poderia negar a eles os direitos e</p><p>tratamentos adequados às suas circunstâncias de desenvolvimento.</p><p>Os que são favoráveis à redução defendem que:</p><p>• Ao contrário das gerações anteriores, o jovem de 16 anos da geração atual tem plena consciência de</p><p>seus atos, ou, pelo menos, já tem o discernimento suficiente para a prática do crime. Questiona-se, em</p><p>caráter comparativo, o fato de, se já é possível exercer o direito ao voto e trabalhar a partir dos 16 anos,</p><p>por que a eles não é permitido arcar com as consequências dos seus atos da mesma forma que aqueles</p><p>45 OLIVEIRA, Mariana Guimarães de Mello. Disponível em: http://pfdc.pgr.mpf.mp.br/atuacao-e-conteudos-de-apoio/publicacoes/crianca-e-</p><p>adolescente/a-reducao-da-maioridade-penal-diminui-a-criminalidade. Acesso em: 07/07/2019.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>49</p><p>que já alcançaram a maioridade. Argumenta-se que um adolescente de 16 anos já é plenamente capaz</p><p>de discernir a consequência de seus atos.</p><p>Argumenta-se, ainda, que crimes graves cometidos por jovens muitas vezes causam danos irreparáveis</p><p>às vítimas e à sociedade como um todo. A redução da maioridade penal poderia ser vista como uma</p><p>medida de equidade, proporcionando um senso de justiça para as vítimas e suas famílias, ao permitir</p><p>que os responsáveis por esses crimes sejam punidos de maneira mais rigorosa.</p><p>• A maioria esmagadora da população é a favor. Pesquisa Ipec (ex-Ibope), divulgada 13/09/2022, aponta</p><p>que 66% dos eleitores brasileiros são favoráveis à redução da maioridade penal46. Em 2015, pesquisa</p><p>realizada pelo Datafolha, apontou que cerca de 87% dos brasileiros apoiam a redução da maioridade</p><p>penal de 18 para 16 anos47.</p><p>• Acredita-se que a redução da maioridade penal poderia atuar como um fator dissuasório para jovens</p><p>que poderiam considerar cometer crimes, uma vez que as penalidades seriam mais severas. Eles</p><p>argumentam que o medo das consequências mais graves poderia levar a uma diminuição da</p><p>criminalidade entre os jovens. Nesse sentido, contribuir-se-ia para a redução da criminalidade.</p><p>• As punições apresentadas pelo ECA são demasiadamente frouxas em relação a certos casos, criando</p><p>sensação de impunidade e estimulando o cometimento de crimes. Os adolescentes, por saberem que</p><p>não serão presos, aproveitar-se-iam da situação para cometer crimes. Além disso, os atos infracionais</p><p>não são considerados para fins de reincidência.</p><p>• A redução diminuiria a cooptação dos jovens para o crime. Atualmente, como são penalmente</p><p>inimputáveis, são aliciados desde cedo para a realização de crimes. Nesse sentido, a participação em</p><p>atividades criminosas poderia se tornar menos atraente se os jovens estivessem sujeitos a penas mais</p><p>rigorosas.</p><p>• A psicologia do desenvolvimento e a neurociência têm demonstrado que existe um grupo de crianças</p><p>com um tipo específico de problemas de comportamento que popularmente se chamou de traços</p><p>psicopáticos ou de frieza e falta de contato emocional. Os dados indicam que essas características</p><p>podem ser evidenciadas desde a infância, têm uma estabilidade alta da infância para a adolescência e</p><p>dessa para a idade adulta, formando o que se chama de personalidade antissocial na vida adulta.</p><p>Indivíduos com essa trajetória têm mecanismos neuropsicológicos bastante específicos conhecidos</p><p>como deficiência de empatia (não conseguem sintonizar com as emoções do outro) e baixa</p><p>sensibilidade biológica à ameaça (não alteram nem os batimentos cardíacos numa situação</p><p>assustadora). Esses indivíduos têm baixa resposta a intervenções familiares, psicoterápicas e</p><p>medicamentosas. Assim, para casos como esses, não haveria qualquer sentido em buscar um</p><p>tratamento diferenciado, haja vista qualquer perspectiva de recuperabilidade.</p><p>46 https://g1.globo.com/politica/noticia/2022/09/13/ipec-2-em-cada-3-brasileiros-defende-reducao-da-maioridade-penal.ghtml</p><p>a sua satisfação</p><p>com o emprego e relatou aumento de dores físicas, especialmente no pescoço, depois que passou a</p><p>trabalhar de casa. Os principais afetados foram mulheres e pais de crianças pequenas, mais propensos a</p><p>incidentes de depressão, problemas físicos e mentais quando trabalham em casa.</p><p>Fonte: https://istoe.com.br/home-office-aumenta-problemas-fisicos-e-mentais-</p><p>mulheres-e-pais-com-criancas-pequenas-sao-os-mais-afetados/. Acesso em:</p><p>10.06.2021 (com adaptações)</p><p>Tomando como ponto de partida as reflexões dos referidos textos, elabore um texto dissertativo-</p><p>argumentativo abordando o seguinte tema: O modelo de trabalho em home office pode ser, ao mesmo</p><p>tempo, vantajoso para as empresas e para os trabalhadores?</p><p>Abordagem teórica</p><p>1. Home office</p><p>Sem dúvida, uma das mais recentes e notáveis mudanças no mercado de trabalho foi a difusão do trabalho</p><p>em home office. Esse modelo, que já vinha se espalhando no mundo empresarial, tornou-se uma imposição</p><p>no período de pandemia. De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) do IBGE,</p><p>entre 30 de agosto e 5 de setembro de 2020, havia 8,3 milhões de pessoas trabalhando remotamente, o</p><p>que representa 10,8% da população ocupada no período, de 82,3 milhões.</p><p>Findada a pandemia, há a tendência de adoção desse modelo em boa parte das empresas, motivo pelo qual</p><p>o tema tende a permanecer atual.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>4</p><p>De forma pragmática, vou listar as vantagens e desvantagens associadas ao modelo. Caberá, no entanto, a</p><p>você responder à pergunta feita no enunciado e apresentar argumentos convincentes para corroborar a sua</p><p>opinião.</p><p>2. Vantagens e desvantagens</p><p>Didaticamente, vou dividir os impactos em dois grandes segmentos: os pessoais, aquele que afeta a vida</p><p>das pessoas, e os empresariais, os que se referem às empresas.</p><p>Agora, iniciemos pelas VANTAGENS:</p><p>1. Pessoais</p><p>- A proximidade da família permite maior interação familiar.</p><p>- Ganho de tempo com o trânsito e redução do estresse a ele associado. De acordo com pesquisa da empresa</p><p>britânica VitalityHealth, feita em parceria com a Universidade de Cambridge, pessoas que passam horas no</p><p>trânsito, seja no volante ou no transporte público, estão mais propensas ao stress e à depressão, além de</p><p>enfrentar problemas no sono e na produtividade1.</p><p>- Maior flexibilidade e independência, pois, a depender da empresa, você pode definir os horários de</p><p>trabalho que melhor lhe convier.</p><p>- Alimentação mais saudável, caso opte por fazer a comida em casa.</p><p>- Economia, pela redução de despesas com deslocamentos.</p><p>- Aumento da satisfação. Um levantamento feito pela Owl Labs em 2019 mostrou que, embora quem</p><p>trabalhe de casa acabe trabalhando mais, 71% dos entrevistados afirmaram estar felizes com seus</p><p>empregos e com o modelo de trabalho que seguiam. Esse mesmo percentual caiu para 50% entre</p><p>profissionais que não faziam home office 2.</p><p>Além disso, segundo pesquisa realizada pela Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade da</p><p>Universidade de São Paulo (FEA-USP), o home office é percebido por 64% dos respondentes como uma</p><p>modalidade de trabalho que proporciona maior satisfação, mesmo quando não se consegue concluir o</p><p>trabalho no horário normal devido ao seu volume.</p><p>2. Empresariais</p><p>1 Disponível em: https://veja.abril.com.br/saude/muito-tempo-no-transito-aumenta-o-risco-de-depressao/. Acesso em 10 de</p><p>julho de 2021.</p><p>2 Disponível em: https://www.infomoney.com.br/carreira/home-office-produtividade-aumenta-mas-ainda-falta-equilibrio-</p><p>entre-vida-e-trabalho/. Acesso em 10 de julho de 2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>5</p><p>- Redução de vários custos (eletricidade, água, ar-condicionado, aluguéis, passagens, diárias, telefone,</p><p>vigilância). Para que se tenha uma ideia, em 2020, o governo federal economizou aproximadamente 3</p><p>bilhões de reais com o sistema de home office para servidores públicos3.</p><p>- Aumento da produtividade. “Novas formas de trabalhar: as adequações ao home office em tempos de</p><p>crise”, uma pesquisa da Fundação Dom Cabral em parceria com a Grant Thornton Brasil, mostra que 58%</p><p>dos brasileiros se sentem mais produtivos ou significativamente mais produtivos em home office. Em 2020,</p><p>na versão anterior dessa mesma pesquisa, esse índice ficou em torno de 44%.4.</p><p>- Oportunidade de empresas empregarem em outras localidades.</p><p>Agora, as DESVANTAGENS/DESAFIOS:</p><p>1. Pessoais</p><p>- Aumento de algumas despesas, como eletricidade e serviço de internet fixa que seja suficiente para</p><p>suportar o maior tráfego de dados.</p><p>- Custos para preparo do local para trabalho.</p><p>- Confusão entre as esferas pessoal e profissional. Às vezes estar próximo da família pode ser um desafio,</p><p>especialmente quando há crianças. Isso acarreta um desafio quanto à autodisciplina e gestão do tempo para</p><p>que o trabalho possa se desenvolver com a mesma eficiência com que era desenvolvido no escritório. No</p><p>escritório, normalmente, há rotinas pré-estabelecidas, como horários delimitados, cronograma de tarefas</p><p>a serem realizadas etc., sem as intercorrências da vida doméstica, como os filhos querendo atenção, o</p><p>barulho da televisão, a demanda da empregada doméstica etc.</p><p>- Aumento da carga de trabalho. Muitas vezes, o tempo que se economiza trabalhando de casa (tempo de</p><p>deslocamento, redução do tempo da refeição) acaba sendo empregado para trabalhar, o que pode gerar</p><p>problemas físicos e/ou psicológicos. Segundo o Departamento Intersindical de Estatística e Estudos</p><p>Socioeconômicos (Dieese), 70% dos trabalhadores afirmam que, em 2020 e 2021, estão trabalhando mais</p><p>do que a jornada contratada.</p><p>- Sintomas físicos causados pela falta das condições laborais ideais no que se refere à ergonomia.</p><p>- Impactos psicológicos decorrentes do excesso de trabalho ou do isolamento.</p><p>Acerca desses últimos dois pontos, uma pesquisa realizada pela FGV (Fundação Getúlio Vargas), em</p><p>parceria com o IES (Institute of Employment Studies) 5, mostrou que houve a intensificação dos seguintes</p><p>sintomas entre as pessoas que estavam em home office no período da pandemia:</p><p>3: Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/mercado/2021/02/governo-economizou-r-3-bilhoes-com-home-office-em-</p><p>2020-estima-tesouro.shtml. Acesso em 10 de julho de 2021</p><p>4 Disponível em: https://www.oberlo.com.br/blog/estatisticas-home-office. Acesso em 10 de julho de 2021.</p><p>5 Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/expresso/2020/10/09/O-impacto-f%C3%ADsico-e-psicol%C3%B3gico-do-home-</p><p>office-na-pandemia. . Acesso em 12 de julho de 2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>6</p><p>• dor nas costas (56% do total de participantes), no pescoço (55%) e nos ombros (50%);</p><p>• dificuldade para dormir (55%), fadiga ocular (45%), fadiga (43%) e enxaquecas (42%);</p><p>• preocupação com questões financeiras da família (36%);</p><p>• sensação de ansiedade com a saúde de um membro da família (30%);</p><p>• sensação de isolamento e solidão (11%).</p><p>Assim, é importante que os profissionais de saúde e segurança no trabalho elaborem estratégias para</p><p>proteger o bem-estar e a saúde dos trabalhadores, evitando o agravamento de condições pré-existentes e</p><p>o surgimento de outras doenças.</p><p>Igualmente importante é regular a prestação de serviços em regime de teletrabalho, estipulando a duração</p><p>do contrato e a infraestrutura para o trabalho remoto, bem como o reembolso de despesas. Adotar</p><p>mecanismos de controle</p><p>47 https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2015/06/22/87-e-a-favor-da-reducao-da-maioridade-penal-no-</p><p>brasil-diz-datafolha.htm</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>50</p><p>• O Brasil está perto do topo dos países do mundo que mais adiam a punição aos infratores. Poucas</p><p>nações, a maioria sul-americanas, esperam que um jovem complete 18 anos para puni-lo</p><p>legalmente. Nesse sentido, o Brasil precisa alinhar a sua legislação à de países desenvolvidos, a</p><p>exemplo dos Estados Unidos, onde, na maioria dos estados, adolescentes acima de 12 anos de idade</p><p>podem ser submetidos a processos judiciais da mesma forma que adultos.</p><p>• O jovem não é vítima da sociedade. O cometimento de crime é uma questão de índole e não de</p><p>oportunidade de trabalho ou educação, haja vista que nem todos os adolescentes expostos às mesmas</p><p>condições optam pelo caminho do crime.</p><p>Sugestão de repertório</p><p>1 Michel Foucault, um dos filósofos mais influentes do século XX, pode oferecer "insights" valiosos para</p><p>entender a questão da redução da maioridade penal a partir de sua análise do poder, punição e controle</p><p>social. Foucault explorou como as sociedades modernas exercem controle sobre os indivíduos por meio de</p><p>instituições disciplinares e dispositivos de vigilância.</p><p>Em sua obra "Vigiar e Punir: Nascimento da Prisão", Michel Foucault argumenta que o sistema</p><p>penitenciário, ao invés de simplesmente receber um indivíduo infrator e promover sua reabilitação, pode,</p><p>muitas vezes, contribuir para a criação e a perpetuação do status de "delinquente" ou criminoso. Ele enfatiza</p><p>como as práticas disciplinares e as estruturas de poder nas prisões podem moldar a identidade e o</p><p>comportamento dos prisioneiros de maneiras que os levam a internalizar a imagem de si mesmos como</p><p>delinquentes.</p><p>Foucault discute como as instituições disciplinares, como as prisões, operam para regular e normalizar os</p><p>indivíduos, transformando-os em corpos dóceis e obedientes que se ajustam às normas e às regras</p><p>estabelecidas. No entanto essa conformidade nem sempre se traduz em uma verdadeira mudança de</p><p>comportamento ou em uma reintegração bem-sucedida na sociedade.</p><p>Ao invés disso, Foucault argumenta que as práticas disciplinares podem levar os prisioneiros a se</p><p>identificarem com a imagem de delinquentes que a sociedade projeta sobre eles. Isso ocorre através da</p><p>constante vigilância, do isolamento e da separação de outros grupos sociais, o que pode resultar na</p><p>internalização das expectativas e dos estereótipos que a sociedade associa aos criminosos.</p><p>Além disso, Foucault critica a eficácia das prisões em abordar as causas subjacentes do comportamento</p><p>criminoso. Ele argumenta que as práticas disciplinares nas prisões estão mais preocupadas em manter o</p><p>controle e a ordem interna do que em compreender e tratar as questões sociais, psicológicas e econômicas</p><p>que podem levar ao crime.</p><p>Portanto, para Foucault, o sistema penitenciário não apenas recebe um indivíduo infrator, mas também</p><p>desempenha um papel na construção e na perpetuação da identidade de delinquente. Suas análises</p><p>enfatizam como as práticas disciplinares podem ter efeitos complexos na formação da identidade dos</p><p>prisioneiros, o que pode influenciar sua trajetória de vida após a prisão e contribuir para um ciclo de</p><p>criminalidade.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>51</p><p>2. Carandiru48</p><p>Há 30 anos, o sistema prisional brasileiro vivenciou o maior massacre e a maior tragédia de sua história. Na</p><p>tarde do dia 2 de outubro de 1992, por volta das 14h, véspera de eleições municipais, dois detentos brigaram</p><p>no Pavilhão 9, na Casa de Detenção de São Paulo, um complexo penitenciário que foi construído nos anos</p><p>1920, no bairro do Carandiru, na zona norte de São Paulo. O complexo era formado por sete pavilhões. Na</p><p>época, 7.257 presos viviam no local, 2.706 deles só no Pavilhão 9, onde estavam encarcerados os réus</p><p>primários, aqueles que cumpriam sua primeira pena de prisão ou que ainda aguardavam julgamento.</p><p>A briga entre os detentos logo se generalizou e se transformou em uma rebelião. Foi então que a Polícia</p><p>Militar (PM) foi chamada para conter o conflito. Após a falha em uma tentativa de negociação com os</p><p>presos, o comando policial decidiu entrar no local com metralhadoras, fuzis e pistolas.</p><p>Meia hora depois da entrada da PM, “as metralhadoras silenciaram”, contou o médico Drauzio Varela, em</p><p>seu livro Estação Carandiru. O resultado da violenta ação policial no local, que mais tarde ficou conhecido</p><p>como o Massacre do Carandiru, foi a morte de 111 detentos, sendo que 84 deles sequer tinham sido julgados</p><p>e condenados por seus crimes. Nenhum policial morreu na ação.</p><p>3. Loïc Wacquant</p><p>O conceito de "Estado Penal" desenvolvido por Loïc Wacquant refere-se a uma abordagem do sistema de</p><p>justiça penal que envolve um aumento significativo do controle e da punição, muitas vezes em detrimento</p><p>das políticas de bem-estar social e das soluções preventivas. Em outras palavras, o Estado Penal se refere a</p><p>uma ênfase crescente na aplicação da lei e no encarceramento como respostas primárias aos problemas</p><p>sociais e econômicos, em vez de abordagens mais abrangentes e orientadas para a prevenção.</p><p>Wacquant argumenta que, sob o paradigma do estado penal, há uma expansão do sistema de justiça penal</p><p>e um aumento no encarceramento em massa, especialmente em comunidades marginalizadas e</p><p>desfavorecidas. Isso ocorre em conjunto com políticas de austeridade e redução do Estado de bem-estar</p><p>social, que resultam na diminuição de recursos para serviços sociais, educação, saúde e habitação.</p><p>Wacquant esclarece que “Na medida em que a rede de segurança do Estado caritativo se desfaz, a malha</p><p>do Estado punitivo foi chamada a substituí-la e a lançar sua estrutura disciplinar nas regiões inferiores do</p><p>espaço social […]”. A atrofia da proteção social estatal suprime os direitos sociais e culmina na</p><p>“responsabilidade” pessoal e causa o aumento do estado penal, que são dois movimentos concomitantes e</p><p>complementares.</p><p>O estado penal também se relaciona com o conceito de "guetização" pelo encarceramento, em que o</p><p>encarceramento em massa é utilizado como uma forma de controlar e manter comunidades urbanas</p><p>marginalizadas à margem da sociedade. Nesse contexto, o sistema de justiça penal não apenas pune os</p><p>indivíduos por crimes cometidos, mas também perpetua e reforça desigualdades sociais existentes.</p><p>48 Texto integralmente extraído de: https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2022-</p><p>09/massacre-do-carandiru-completa-30-anos</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>52</p><p>Em suma, o conceito de estado penal de Wacquant destaca como as políticas de encarceramento e controle</p><p>penal se tornaram uma resposta dominante a questões sociais e econômicas, resultando em um sistema</p><p>que favorece a punição em detrimento de abordagens mais abrangentes e preventivas. Isso levanta</p><p>preocupações sobre os efeitos da expansão do estado penal na sociedade, incluindo a amplificação das</p><p>desigualdades e a marginalização de comunidades vulneráveis.</p><p>4. 13ª Emenda</p><p>O documentário "A 13ª Emenda" dirigido por Ava DuVernay, lançado em 2016, explora a interligação entre</p><p>a abolição da escravidão nos Estados Unidos, conforme estipulada pela 13ª Emenda da Constituição, e o</p><p>surgimento do sistema de encarceramento em massa no país. O filme destaca</p><p>como a 13ª Emenda,</p><p>enquanto aboliu formalmente a escravidão, continha uma exceção que permitia a prisão de indivíduos como</p><p>punição para o crime.</p><p>O documentário traça a evolução desse sistema, que, ao longo dos anos, levou à criminalização em massa</p><p>de afro-americanos e outras minorias étnicas. Ele argumenta que essa exploração da cláusula da 13ª</p><p>Emenda permitiu que a opressão racial persistisse de maneira disfarçada, por meio da prisão em massa de</p><p>pessoas negras.</p><p>Além disso, o filme examina como a indústria privada do sistema prisional se beneficiou dessa política,</p><p>transformando a prisão em um negócio lucrativo. Também aborda as consequências sociais e políticas</p><p>desse sistema, incluindo o impacto desproporcional nas comunidades negras e o impedimento do exercício</p><p>pleno dos direitos civis.</p><p>No geral, "A 13ª Emenda" destaca como a história da escravidão nos Estados Unidos está entrelaçada com</p><p>a história do sistema de justiça criminal do país, e como essa relação influenciou profundamente as questões</p><p>raciais e sociais nos Estados Unidos contemporâneos. O documentário instiga uma reflexão sobre a</p><p>necessidade de reformas no sistema de justiça penal e o combate à desigualdade racial persistente.</p><p>5. David Garland</p><p>David Garland é um sociólogo britânico conhecido por suas contribuições significativas para o estudo da</p><p>punição, do controle social e das políticas criminais. Uma das principais contribuições de Garland é o</p><p>conceito de "cultura do controle". Ele argumenta que houve uma mudança significativa nas atitudes em</p><p>relação ao controle e à punição nas sociedades ocidentais. Tradicionalmente, as políticas criminais eram</p><p>orientadas para a reabilitação e a correção dos infratores. No entanto, ele argumenta que uma "cultura do</p><p>controle" emergiu, na qual a punição e o gerenciamento dos infratores tornaram-se prioridades, em vez da</p><p>reabilitação. Isso está relacionado ao aumento das penas, à expansão do sistema penal e a uma ênfase maior</p><p>na repressão do crime.</p><p>Outro conceito é o de "Criminologia do outro". Conforme definida por Garland, refere-se a uma abordagem</p><p>que prioriza a exclusão e o estigmatização daqueles considerados "ameaçadores", "estranhos",</p><p>"marginalizados" ou "revoltados" na sociedade. Essa abordagem implica ver os acusados de delitos como</p><p>os principais responsáveis pelos problemas sociais e retratá-los como intrinsecamente diferentes,</p><p>representantes do mal, da corrupção e da degradação.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>53</p><p>Para que essa política excludente da "Criminologia do outro" seja eficaz, é necessário convencer a sociedade</p><p>de que os acusados de delitos são indivíduos que agem de maneira oportunista e racional, cujo</p><p>comportamento é influenciado pela manipulação de incentivos. Isso implica retratar os infratores como</p><p>aqueles que podem ser controlados por meio de medidas punitivas mais severas.</p><p>Agora, é com você.</p><p>Proposta de solução</p><p>Uma discussão relevante relacionada à segurança pública [assunto] é a redução da maioridade</p><p>penal [tema]. Não obstante a plausibilidade de alguns argumentos dos seus defensores, é inegável o</p><p>retrocesso que decorreria da adoção dessa medida [tese].</p><p>Inicialmente, esclarece-se que a redução da maioridade penal não ataca as verdadeiras causas da</p><p>criminalidade dos menores de idade. As reais origens relacionam-se à insuficiência de o Estado cumprir</p><p>as obrigações determinadas pela Constituição, essencialmente aquelas relacionadas aos direitos sociais:</p><p>educação, saúde, moradia, trabalho e lazer. Deve-se priorizar a abordagem preventiva para evitar a</p><p>entrada do jovem no crime, a qual pode ser alcançado com políticas públicas eficientes e que ofereçam</p><p>opções para que até o mais humilde tenha condições de uma existência digna.</p><p>Outrossim, o ingresso dos jovens nos estabelecimentos carcerários pioraria a situação, isso porque</p><p>agravaria a superlotação dos presídios. Atualmente, a taxa de superlotação carcerária é de,</p><p>aproximadamente, 70%, fato que vai de encontro ao objetivo de ressocialização proposto pelo sistema</p><p>carcerário brasileiro e contra a dignidade do preso. Além disso, favorece o contato de réus primários com</p><p>presos de elevada periculosidade, o que facilita o aliciamento daqueles por parte do crime organizado.</p><p>Nesse sentido, constata-se o elevado potencial de esses ambientes funcionarem como centros de</p><p>recrutamento de mão de obra para as organizações criminosas., as quais exercem controle sobre parte</p><p>das penitenciárias nacionais.</p><p>Diante do exposto, verifica-se que a redução da maioridade penal, além de significar um enorme</p><p>retrocesso na defesa e garantia dos direitos humanos dos jovens brasileiros, atesta a falência do Estado</p><p>em cumprir com seu papel de responsável por prover a segurança dos seus cidadãos.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>da jornada de trabalho para o uso de plataformas digitais privadas ou abertas na</p><p>realização de atividade e capacitação.</p><p>2. Empresariais</p><p>- Perda da convivência diária e interação entre os profissionais da equipe.</p><p>- Perda da integração dos empregados nas instalações comuns e convivência fora da empresa.</p><p>- Perda para os estagiários e jovens aprendizes em relação às experiências de convivência no ambiente</p><p>laboral.</p><p>Feita essa revisão, acredito que tenhamos visto os principais pontos necessários à resolução da questão.</p><p>Mãos à obra.</p><p>Proposta de solução</p><p>O advento da pandemia da Covid-19 acentuou uma tendência já existente no mercado</p><p>de trabalho: o “home-office”. Apesar de ainda ser visto com certa resistência, trata-se de</p><p>modelo capaz de gerar resultados positivos tanto às empresas quanto aos colaboradores</p><p>[tese].</p><p>Inicialmente, ressalte-se que o trabalho em “home office” pode ser vantajoso para o</p><p>colaborador, principalmente, pelo aumento da sua qualidade de vida. Ao trabalhar de casa,</p><p>evita-se enfrentar o trânsito caótico das grandes cidades, o qual é elemento causador de</p><p>inúmeros problemas, tais como estresse, depressão, ansiedade e problemas na produtividade.</p><p>Além disso, evita-se o dispêndio de tempo com deslocamento, o que pode ser revertido para a</p><p>prática de atividades físicas, de descanso ou de lazer. [Tópico 1]</p><p>Outrossim, além dos inegáveis ganhos para as pessoas, há vantagens para as</p><p>empresas. A primeira é a economia gerada pela redução de custos com eletricidade, água,</p><p>aluguéis, telefone, vigilância, entre outros. Para que se tenha uma ideia, em 2020, o governo</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>7</p><p>federal economizou aproximadamente três bilhões de reais com o sistema de “home office”</p><p>para servidores públicos. Ademais, haja vista ser modelo capaz de gerar maior satisfação</p><p>aos colaboradores, as empresas que vierem a adotá-lo terão mais facilidade em reter e atrair</p><p>talentos, tornando-se, portanto, mais competitivas e capazes de gerar valor aos seus clientes.</p><p>[Tópico 2]</p><p>Diante do exposto, percebe-se que a modalidade de trabalho em “home office” pode gerar</p><p>uma relação de sinergia entre o colaborador e a empresa. Conjugar os interesses empresariais</p><p>e humanos é mais que desejável; trata-se de aspecto fundamental, visto que um corpo</p><p>funcional insatisfeito tenderá a entregar resultado aquém do possível ou a não permanecer</p><p>na empresa.</p><p>Tema 10 – Intolerância</p><p>Não existe uma definição única para discurso de ódio, entretanto, todas elas se assemelham. Segundo</p><p>Samanta Ribeiro Meyer-Pflug, doutora em Direito, o discurso de ódio é a manifestação de “ideias que</p><p>incitem a discriminação racial, social ou religiosa em determinados grupos, na maioria das vezes, as</p><p>minorias”. Entretanto podemos ver que nessa definição são abordados apenas os pontos de discriminação</p><p>racial, social ou religiosa, sem considerar, por exemplo, gênero, orientação sexual, peso, algum tipo de</p><p>deficiência, classe, dentre outros.</p><p>Já Daniel Sarmento, doutor em Direito Constitucional, afirma que discurso de ódio pode ser caracterizado</p><p>por “manifestações de ódio, desprezo ou intolerância contra determinados grupos, motivadas por</p><p>preconceitos”.</p><p>Sendo assim, com base nessas duas conceituações e no senso comum que existe sobre o termo, podemos</p><p>chegar à conclusão que discurso de ódio é um conjunto de ações com teor intolerante direcionadas a</p><p>grupos, na maioria das vezes, minorias sociais (mulheres, LGBTs, gordos(as), pessoas com deficiência,</p><p>imigrantes, dentre outros).</p><p>O discurso de ódio é considerado um tipo de violência verbal, e a sua base é a não-aceitação das diferenças,</p><p>ou seja, a intolerância.</p><p>Disponível em: https://www.politize.com.br/discurso-de-odio-o-que-e/(com</p><p>adaptações</p><p>Tendo o texto acima como referência inicial, redija um texto dissertativo acerca do seguinte tema: a</p><p>intolerância nas relações sociais contemporâneas: a cultura do ódio.</p><p>Abordagem teórica</p><p>A intolerância, no âmbito social, pode ser definida como a indisposição, a falta de vontade ou de habilidade</p><p>para lidar com diferentes crenças e opiniões. Pode também ser definida como atitudes não</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>8</p><p>condescendentes para com o próximo e que resultam em relação de repulsa, repugnância e ódio diante de</p><p>determinados comportamentos, valores e atos diferentes aos seus.</p><p>Ela pode ser fundada num preconceito, o qual pode culminar em discriminação. Nessa linha, são formas</p><p>comuns de discriminação o racismo, a homofobia, a intolerância religiosa e política. Nesse sentido, é</p><p>importante apresentar as principais minorias (grupos não necessariamente menos numéricos, mas em</p><p>desvantagem social), as quais são as principais vítimas de intolerância: LGBTQ, negros, indígenas, mulheres</p><p>e refugiados.</p><p>O preconceito é derivado, principalmente, da ignorância. O desconhecimento da cultura, da história, entre</p><p>outros, alimenta estereótipos.</p><p>Exemplos de intolerância e preconceito acontecem todos os dias, em diversas partes do mundo e nos</p><p>diferentes segmentos da sociedade. Embora não seja possível dizer que se trata de fenômeno atual (basta</p><p>recordarmo-nos da escravidão e do nazismo), a internet e as redes sociais amplificaram a repercussão</p><p>desses atos.</p><p>A intolerância deriva da dificuldade em aceitar diferenças, que faz com que os não semelhantes sejam</p><p>vistos como uma ameaça, como inimigos. Isso provoca o isolacionismo e o surgimento de grupos em que as</p><p>pessoas têm a mesma opinião sobre os fatos e refutam, com base nas emoções, qualquer informação que</p><p>vá de encontro ao posicionamento ideológico reinante. Daí as crenças se tornam mais enraizadas, radicais</p><p>e, por vezes, distanciadas da realidade. Cada lado se fecha com suas certezas e passa a viver uma realidade</p><p>ilusória, construída com base nos seus gostos e preferências.</p><p>Esse movimento deixa vir à tona o contexto de predomínio das emoções e crenças sobre a racionalidade e</p><p>sobre a verdade dos fatos. Nesse contexto, é oportuno mencionar o conceito de “pós-verdade”, eleita a</p><p>palavra do ano de 2016 pelo Oxford. Segundo esta fonte, "pós-verdade" é um substantivo que se relaciona</p><p>ou denota circunstâncias nas quais fatos objetivos têm menos influência em moldar a opinião pública do</p><p>que apelos à emoção e a crenças pessoais. Não seria então, exatamente, o culto à mentira, mas a indiferença</p><p>com a verdade dos fatos. Verdadeiros ou falsos, eles não possuirão o condão de afetar os julgamentos e</p><p>preferências consolidados.</p><p>A intolerância constitui-se num comportamento extremamente danoso para a sociedade, pois, além de</p><p>estagnar o crescimento sob os mais diferentes aspectos, limita o entendimento da realidade, desgasta as</p><p>relações entre os indivíduos e contribui para o esgarçamento do tecido social e para a escalada da violência.</p><p>Essencialmente em tempos de crise, nos quais se buscam, avidamente, heróis e anti-heróis, a sociedade</p><p>fica cada vez mais polarizada. Disso decorre o recrudescimento da intolerância, processo que converge para</p><p>o isolamento e a condenação dos que divergem do pensamento do grupo.</p><p>Na sociedade atual, em que as pessoas não estão dispostas a saírem da sua zona de conforto e escutarem</p><p>argumentos contrários às suas preconcepções, a empatia é valor em desuso. Dominados pela emoção, a</p><p>necessidade de fazer valer suas crenças provoca comportamentos agressivos, tomando o lugar do diálogo,</p><p>da possibilidade de construção conjunta de ideias e do aprimoramento de um consenso social. Nesse</p><p>contexto, distinguir os fatos das crenças nutridas por determinado grupo torna-se tarefa árdua.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>9</p><p>Essa polarização pôde ser vista na última campanha presidencial (2018). Até mesmo no seio familiar, o</p><p>debate cedeu espaço à desarmonia e à agressividade; muitos laços foram, ainda que temporariamente,</p><p>desfeitos devido a entendimentos políticos distintos. O que se viu, no final, foi o esvaziamento da</p><p>racionalidade e do compartilhamento de ideias, o predomínio da paixão e a fragmentação dos grupos</p><p>familiares em subgrupos, organizados de acordo com as afinidades dos seus integrantes.</p><p>O aumento da intolerância e da violência estão intimamente relacionados. Corroborando essa afirmação,</p><p>vejam os dados interessantíssimos apresentados por Nexo Jornal6:</p><p>"Segundo matéria da Folha de S.Paulo de 13 de janeiro de 2019, os registros de crimes relacionados à</p><p>intolerância atingiram um pico durante as eleições de 2018. Nos meses de campanha — agosto,</p><p>setembro e outubro — foram 16 casos por dia, mais que o triplo dos 4,7 registros diários no primeiro</p><p>semestre. O ápice se deu em outubro, quando da votação de primeiro e segundo turnos, com 568 boletins</p><p>de ocorrência, uma média de pouco mais de 18 casos por dia. O total desse mês representa 67% do</p><p>acumulado nos seis primeiros meses e é mais que o triplo do anotado em outubro de 2017. O certo é que</p><p>as ocorrências de intolerância religiosa cresceram 171% em relação ao total dos três meses</p><p>anteriores, os de homofobia 75%, e os de intolerância por origem 83%. Já os registros relacionados</p><p>a preconceito de cor e raça subiram 15%".</p><p>São muitos os registros de violência que se originam do sentimento de não aceitação das diferenças. É só</p><p>observar como têm se multiplicado a violência contra a comunidade LGBTI, as reações à inclusão de</p><p>deficientes na sociedade, as manifestações xenófobas contra imigrantes e estrangeiros, os casos de bullying</p><p>em escolas e ambientes de trabalho, os ataques a templos religiosos de matriz africana gerados por</p><p>diferenças raciais, de gênero ou até mesmo divergências políticas.</p><p>A expansão do uso da internet e das redes sociais é agente amplificador dessa realidade. Motivados por</p><p>suposto anonimato, observa-se que a internet tem sido usada como um ambiente de troca de agressividade</p><p>e proliferação de intolerância, o que adquire proporções muito maiores, provocadas pela intensa</p><p>capacidade de propagação da informação.</p><p>Assim, escondidos, muitas vezes, por detrás de perfis falsos, agressores disseminam o discurso de ódio e</p><p>alimentam páginas com opiniões radicais e preconcebidas sobre determinados grupos. A dificuldade em</p><p>rastrear os perfis falsos, a frequência dos casos e a burocratização do sistema de justiça, coadunam para</p><p>situação de impunidade, alimentando esse tipo de comportamento.</p><p>Também decorrente da ampliação do acesso ao mundo digital, torna-se crítica a questão das fake news.</p><p>Independentemente se são reais ou fake, desde que alinhadas às suas propostas ideológicas, as pessoas</p><p>disseminam informações sem, sequer, verificar a sua veracidade. Além disso, conteúdos mais curtidos e</p><p>compartilhados têm maior alcance e disseminação, o que contribui para que a “pós-verdade” tenha maior</p><p>6 Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2019/Intoler%C3%A2ncia-%C3%A9-o-nosso-nome. Acesso em:</p><p>25/01/2020.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>10</p><p>alcance. Cria-se, assim, uma “verdade fabricada” defendida por uma massa de indivíduos que acredita que</p><p>a informação é verdadeira.</p><p>Correlaciona-se a isso o fenômeno das “bolhas virtuais”. Com base no histórico de navegação, curtidas,</p><p>compartilhamentos e outros indícios do perfil do usuário, as redes sociais e os navegadores de internet</p><p>exibem os resultados alinhados a esse perfil, reduzindo a possibilidade de que a pessoa tenha contato com</p><p>ideias diferentes e promovendo o isolamento (“a bolha”). Um dos textos motivadores trata sobre o assunto:</p><p>" Pensando na “experiência do usuário”, as redes desenvolveram ferramentas e algoritmos que recortam e</p><p>recontam o mundo para nos mostrar só o que queremos ver. Uma realidade ilusória, feita sob medida para cada</p><p>um de nós, para satisfazer nossos gostos, interesses e crenças. "</p><p>A intolerância fragiliza, pois, o Estado democrático de direito, o qual exige respeito entre ideias,</p><p>experiências, práticas, opções e costumes diferentes. Para construção de uma sociedade verdadeiramente</p><p>democrática, é necessário que os diferentes posicionamentos possam ser ouvidos, pois é por meio do</p><p>debate que se constrói uma sociedade fraterna, pluralista e sem preconceitos, fundada na harmonia social.</p><p>Contudo o que se observa é que a sociedade tem muito a amadurecer no que se refere ao respeito às</p><p>diferenças, condição essencial para que se efetive o disposto no Preâmbulo da nossa Carta Magna e no seu</p><p>art. 5°, o qual apresenta: "Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se</p><p>aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade,</p><p>à segurança e à propriedade".</p><p>Além disso, as pessoas devem certificar-se da veracidade das informações que compartilham, evitando</p><p>levar outras pessoas a erro. Mais grave que isso é compartilhar informações sabidamente inverossímeis. As</p><p>consequências desses atos são gravíssimas, visto que levam à desinformação, à formação de um juízo falso</p><p>sobre a realidade e à intensificação da cultura do ódio. Atos aparentemente simples, como o</p><p>compartilhamento de informações falsas, representam, numa análise mais global, uma ofensa ao próprio</p><p>regime democrático, visto que se assumem premissas para a tomada de decisão, fato crítico, por exemplo,</p><p>no momento do voto.</p><p>Isso envolve também o desconhecimento por parte da população brasileira sobre a diversidade cultural,</p><p>étnica e religiosa e o desconhecimento em relação aos direitos das minorias. Isso, porque, quando esses</p><p>segmentos conhecem os seus direitos, fica mais fácil mobilizarem-se para reivindicá-los.</p><p>É necessário, pois, o enfraquecimento da cultura do ódio, que mina as relações e divide a sociedade. Para</p><p>que isso ocorra, as pessoas devem reconhecer a primazia dos fatos, estar dispostas a escutar e, sobretudo,</p><p>questionar as suas convicções mais cristalizadas. Somente dessa forma, poder-se-á construir um país mais</p><p>plural, democrático e unido.</p><p>Outras propostas de intervenção (no contexto brasileiro) envolveriam: a maior representação política dos</p><p>grupos minoritários, a formação de lideranças para criar ONGs para a defesa desses grupos, por meio, por</p><p>exemplo, de ações afirmativas; a divulgação de informações sobre os direitos das minorias, da importância</p><p>da diversidade; o uso de canais de denúncias; a formação de professores; a abordagem escolar da</p><p>intolerância; o apoio às vítimas; a ampliação das delegacias especializadas em crimes de ódio.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>11</p><p>Discurso de ódio x liberdade de expressão7 - Site Politize</p><p>Como dito anteriormente, o discurso de ódio se configura como crime e atenta às garantias e direitos</p><p>fundamentais de todo cidadão. Entretanto, o principal debate que surge ao falarmos dessa prática é</p><p>a diferença entre discurso de ódio e liberdade de expressão. Isso porque, muitos alegam que a liberdade de</p><p>expressão lhes dá direito de se expressarem da maneira que melhor lhe convém sobre todo e qualquer tema.</p><p>O direito à liberdade</p><p>de expressão é garantido pelo inciso IX do Artigo 5º da Constituição, ou seja, uma garantia</p><p>constitucional. Isso, por sua vez, não significa que ela seja uma garantia absoluta, afinal, ela também precisa</p><p>respeitar outras garantias constitucionais, como o direito à intimidade, por exemplo.</p><p>Na prática isso significa que você tem a liberdade de expressar suas crenças e opiniões, desde que elas não</p><p>firam outras leis e garantias. Ou seja, ter falas racistas, homofóbicas e similares, utilizando do argumento de</p><p>liberdade de expressão, além de ser um ato nada empático e respeitoso, é configurado como crime, por ferir</p><p>vários direitos fundamentais assegurados em nossa atual Constituição.</p><p>Sugestões de repertório</p><p>• Violência Simbólica (Pierre Bourdier): é a violência sutil por meio de discursos, gestos, linguagens.</p><p>Legitima discursos e contribui para a naturalização de preconceitos, o que, naturalmente, fomenta a</p><p>intolerância.</p><p>• Ética da Discursão ou Ética do Discurso (Jürgen Habermas): Habermas, filósofo alemão, também se</p><p>insere no grande movimento chamado Escola de Frankfurt. Contudo ele não se filia ao entendimento</p><p>sobre o caráter meramente instrumental da razão, ou seja, a razão totalitária, adquirida para ter</p><p>poder sobre o outro. Para ele, a razão não é só instrumental, ela também pode ser intersubjetiva ou</p><p>comunicativa.</p><p>Ele retoma o conceito de razão, mas não uma razão reflexiva (aquela em que o indivíduo consegue</p><p>chegar à razão por si mesmo), mas uma razão comunicativa, estabelecida pelo diálogo, na interação</p><p>entre os indivíduos, mediada pela linguagem. Para o filósofo, a razão está fundamentada no</p><p>consenso, gerado pelo diálogo.</p><p>Habermas, visa a fundar uma “ética da discussão”: em vez de um sujeito buscar fazer valer uma lei</p><p>universal, é preciso buscar uma discussão na qual as questões morais sejam objeto de debates, dando lugar</p><p>a acordos. Uma norma ética, para ele, só é válida quando for objeto de uma livre discussão. Só o agir</p><p>comunicativo, que tende ao entendimento entre os atores, pode ser a base ética de uma sociedade8.</p><p>Segundo o filósofo, o diálogo em si é mais importante do que o convencimento do interlocutor. A</p><p>questão central não é tanto a aceitação de uma ideia, mas o direito que cada falante tem de expor seus</p><p>argumentos, de forma não coercitiva, e o respeito à opinião de todos os agentes envolvidos em um</p><p>debate de ideias.</p><p>7 Disponível em: https://www.politize.com.br/discurso-de-odio-o-que-e/. Acesso em: 25/07/2021.</p><p>8 Disponível em: https://guiadoestudante.abril.com.br/especiais/jurgen-habermas/. Acesso em: 25/07/2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>12</p><p>• Teoria Socrática: o método dialético socrático é caracterizado pelo confronto de ideias e argumentos,</p><p>tendo como principal finalidade a desconstrução da opinião (falso saber) para a reconstrução</p><p>(maiêutica) de um novo saber. A sua famosa frase "só sei que nada sei" não é uma ode à ignorância, mas</p><p>sim sobre a necessidade de se despir de preconceitos, abrindo espaço para a construção do</p><p>conhecimento. Por meio da reflexão e do diálogo geram-se novos conhecimentos, novas ideias. O</p><p>diálogo seria, portanto, um processo de busca da verdade. Trazendo isso para o nosso contexto, o</p><p>preconceito e a intolerância podem ser superados a partir dos ensinamentos de Sócrates, fundados,</p><p>basicamente, no diálogo e na predisposição de mudar de opinião.</p><p>• Princípio do Dano (John Stuart Mill): o filosofo inglês é um dos maiores defensores do liberalismo</p><p>político e um dos mais influentes pensadores do século XIX. Como liberal, ele definia a plena soberania</p><p>do indivíduo perante o Estado e a sociedade. Segundo Mill, ao se sufocar a liberdade de expressão,</p><p>sufocar-se-ia a própria sociedade, sob a perspectiva de que é por meio do diálogo entre ideias que</p><p>ocorre a evolução.</p><p>Contudo, essa liberdade, segundo Mill, não é indefinida, sendo limitada pelo possível dano causado a</p><p>outras pessoas. Esse é o espírito do Princípio do Dano: “único propósito pelo qual o poder pode ser</p><p>legitimamente exercido sobre qualquer membro de uma comunidade civilizada, contra a sua vontade, é</p><p>para prevenir danos aos outros”.</p><p>Relacionando o pensamento de Mill ao tema da intolerância, pode-se argumentar no sentido de que é</p><p>um direito do indivíduo a livre expressão de ideias, mas isso encontra limites na possibilidade de dano</p><p>causado a outros, entre os quais se situam as ofensas à dignidade humana.</p><p>• Paradoxo da Tolerância (Karl Popper): segundo Popper, é necessário ser tolerante, entretanto ser</p><p>tolerante com a intolerância leva ao desaparecimento dos tolerantes. Os discursos intolerantes que se</p><p>aproveitam do espaço criado pela tolerância podem crescer e até tomar o poder, o que pode significar</p><p>o fim da tolerância. Isso não significa suprimir a expressão de filosofias intolerantes, e sim criar</p><p>mecanismos para que movimentos intolerantes sejam entendidos como ilegais.</p><p>Segundo o filósofo austro-britânico: "A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se</p><p>estendermos a tolerância ilimitada mesmo aos intolerantes, e se não estivermos preparados para defender</p><p>a sociedade tolerante do assalto da intolerância, então, os tolerantes serão destruídos e a tolerância com</p><p>eles".</p><p>• "Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião.</p><p>Para odiar, as pessoas precisam aprender, e se podem aprender a odiar, elas podem ser ensinadas a</p><p>amar" (Nelson Mandela Livro "Long Walk to Freedom", 1995). Essa frase pode ser utilizada num</p><p>contexto argumentativo de que a tolerância é uma construção social, passada de geração a geração por</p><p>uma base discursiva.</p><p>A filosofia de Voltaire</p><p>François Marie Arouet ou, simplesmente, Voltaire foi um filósofo iluminista que viveu entre 1694 e 1778.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>13</p><p>Influenciado por John Locke, dedicou parte destacada da sua obra na defesa da tolerância e liberdade de</p><p>expressão. Tem, como uma das suas obras mais conhecidas, o Tratado sobre a Tolerância, de 1763, que</p><p>trata, basicamente sobre a intolerância religiosa e sobre os riscos de se realizarem julgamentos com base</p><p>no clamor da opinião pública.</p><p>É atribuída a Voltaire uma das frases mais famosas no que se refere à tolerância: “Eu discordo do que</p><p>você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Na verdade, essa frase é da sua biógrafa,</p><p>a escritora inglesa Evelyn Beatrice Hall. Apesar disso, resume de forma fidedigna o pensamento do</p><p>filósofo.</p><p>Em sua obra, Voltaire aponta a necessidade do exercício da tolerância para garantir o progresso a</p><p>evolução das ideias e da própria humanidade. É por meio do debate que as ideias mais robustas</p><p>prevalecem e as ideias mais fracas, de menor razão, são refutadas. A existência desse debate tem como</p><p>pré-requisito a tolerância, ou seja, a capacidade de escutar e discutir de forma racional sobre as ideias e,</p><p>por meio disso, chegar ao progresso humano.</p><p>São também frases de Voltaire:</p><p>- “O que é a tolerância? É o apanágio da humanidade. Somos todos cheios de fraquezas e de erros;</p><p>perdoemo-nos reciprocamente as nossas tolices, tal é a primeira lei da natureza.” Voltaire enxerga a</p><p>incapacidade humana de tudo conhecer e as limitações inerentes a qualquer indivíduo. Daí a importância</p><p>de se estimular a tolerância, afinal, ninguém e perfeito.</p><p>-"Quanto menos dogmas. Menos disputa. E quanto menos disputa, menos infelicidades." Os dogmas,</p><p>nesse sentido, seriam ideias insuscetíveis de discussão, verdades absolutas.</p><p>- "Ame a verdade, mas perdoe o erro".</p><p>Proposta</p><p>de solução</p><p>“Eu discordo do que você diz, mas defenderei até a morte o seu direito de dizê-lo”. Essa</p><p>frase, atribuída a Voltaire, demonstra o seu apreço pelo respeito às diferenças. Em oposição,</p><p>observa-se, na sociedade contemporânea, uma onda de intolerância, movimento que se</p><p>fortaleceu com o advento da internet e é responsável pela criação de uma cultura do ódio.</p><p>[tese]</p><p>Inicialmente, ressalte-se que a internet tem contribuído para o agravamento da</p><p>intolerância. Com efeito, a rede mundial fomenta a formação de grupos sociais herméticos,</p><p>visto que os indivíduos passam a ter contato, apenas, com informações que reforcem suas</p><p>próprias convicções, o que dificulta a aceitação de pontos de vista diferentes. Esse fato, aliado</p><p>à possibilidade do anonimato e a dificuldade de identificar e punir os responsáveis,</p><p>encorajam a hostilidade e o preconceito, recrudescendo, ainda mais, a cultura do ódio no seio</p><p>social.</p><p>Além disso, a cultura do ódio, na qual as pessoas que pensam de forma diferente são</p><p>vistas como adversárias, é fruto de um mundo marcado pela intolerância. Em parte, isso se</p><p>deve à fragilidade do diálogo, processo que, segundo a filosofia socrática, é instrumento para</p><p>a desconstrução do falso saber e para a reconstrução de novos entendimentos, mais</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>14</p><p>amadurecidos. Contudo, o que se observa-se é uma tendência que se opõe ao pensamento</p><p>socrático, em que os fatos são suplantados pelos julgamentos e pelas preferências</p><p>consolidadas.</p><p>Diante da problemática exposta, ficam claras as mazelas sociais decorrentes da cultura</p><p>do ódio. Nesse sentido, é importante que os indivíduos resgatem a essência da frase atribuída</p><p>a Voltaire e reflitam sobre a importância da pluralidade de opiniões, pois cada indivíduo é</p><p>singular e são as diferenças que promovem a construção de uma sociedade mais fraterna.</p><p>Tema 11 – Racismo</p><p>O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Toffoli, disse hoje (7) que o racismo</p><p>estrutural está disseminado na sociedade brasileira. Toffoli participou da abertura do seminário Questões</p><p>Raciais e o Poder Judiciário, promovido pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), órgão que também é</p><p>presidido por ele.</p><p>Durante discurso de abertura, Toffoli citou pesquisas que mostram que os níveis de vulnerabilidade social</p><p>da população negra são maiores, incluindo a desigualdade no mercado de trabalho e no próprio Judiciário.</p><p>“O racismo estrutural está disseminado na sociedade brasileira. Muitas vezes não existe uma vontade</p><p>deliberada de discriminar, mas se fazem presentes mecanismos que dificultam a participação da pessoa</p><p>negra no espaço de poder”, afirmou.</p><p>De acordo com o presidente do STF, a Constituição determina que a igualdade deve ser alcançada por todas</p><p>as instituições públicas e privadas. “A Constituição de 1988 agrega como um dos objetivos fundamentais da</p><p>República Federativa do Brasil a promoção do bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor,</p><p>idade e quaisquer outras formas de discriminação”.</p><p>Em seguida, o procurador-geral da República, Augusto Aras, destacou a importância da realização do</p><p>seminário e disse que o debate é uma oportunidade de reflexão sobre o racismo estrutural e institucional</p><p>nos órgãos de Justiça e no Ministério Público.</p><p>“A história brasileira registra reiterados exemplos de exclusão de grupos, cujas consequências perduram no</p><p>tempo. A escravidão de negros e indígenas no Brasil é certamente um dos mais graves exemplos e que até</p><p>hoje exige esforços do Estado e da sociedade no combate às desigualdades que gerou, evidenciadas no</p><p>contexto epidêmico em que vivemos”, afirmou.</p><p>Disponível em: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2020-07/toffoli-racismo-</p><p>estrutural-esta-disseminado-na-sociedade-brasileira. Acesso em: 21/07/2020. Com</p><p>adaptações.</p><p>Considerando que o texto acima é unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca do seguinte</p><p>tema: A PERSPECTIVA ESTRUTURAL DO RACISMO NA SOCIEDADE BRASILEIRA.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>15</p><p>Abordagem teórica</p><p>Pessoal, vamos expor aqui alguns fatos para ajudá-los na argumentação referente ao assunto.</p><p>Segundo o dicionário Michaelis, racismo é: (1) teoria ou crença que estabelece uma hierarquia entre as raças</p><p>(etnias); (2) doutrina que fundamenta o direito de uma raça, vista como pura e superior, de dominar outras;</p><p>(3) preconceito exagerado contra pessoas pertencentes a uma raça (etnia) diferente, geralmente</p><p>considerada inferior; (4) e atitude hostil em relação a certas categorias de indivíduos.</p><p>Segundo a Convenção Internacional sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Racial,</p><p>ratificada pelo Brasil em 1968, discriminação racial significa:</p><p>" toda distinção, exclusão, restrição ou preferência baseada em raça, cor, descendência ou origem</p><p>nacional ou étnica que tenha por objeto ou resultado anular ou restringir o reconhecimento, gozo ou</p><p>exercício em um mesmo plano (em igualdade de condição) de direitos humanos e liberdades fundamentais</p><p>nos campos político, econômico, social, cultural ou em qualquer outro campo da vida pública".</p><p>Nos termos da Constituição Federal, o racismo constitui crime inafiançável e imprescritível, sujeito a pena</p><p>de reclusão. Esse dispositivo foi regulamentado pela Lei Caó9 (Lei 7.716/1989), a qual define os crimes</p><p>resultantes de preconceito de raça ou de cor. Antes de serem criminalizadas por meio da Lei 7.716/1989, as</p><p>práticas resultantes do preconceito eram tidas como contravenção penal, conforme disposto na Lei</p><p>7.437/1985, a qual alterou a Lei Afonso Arinos, de 1951, a primeira a legislar proibindo práticas de</p><p>preconceito racial no Brasil.</p><p>Tecnicamente, racismo e injúria racial são delitos diferentes. Segundo o CNJ10:</p><p>Embora impliquem possibilidade de incidência da responsabilidade penal, os conceitos jurídicos de injúria</p><p>racial e racismo são diferentes. O primeiro está contido no Código Penal brasileiro e o segundo, previsto</p><p>na Lei n. 7.716/1989. [...] Em geral, o crime de injúria está associado ao uso de palavras depreciativas</p><p>referentes à raça ou cor com a intenção de ofender a honra da vítima. Um exemplo recente de injúria</p><p>racial ocorreu no episódio em que torcedores do time do Grêmio, de Porto Alegre, insultaram um goleiro</p><p>de raça negra chamando-o de “macaco” durante o jogo. [...] Já o crime de racismo, previsto na Lei n.</p><p>7.716/1989, implica conduta discriminatória dirigida a determinado grupo ou coletividade e,</p><p>geralmente, refere-se a crimes mais amplos.[...] A lei enquadra uma série de situações como crime de</p><p>racismo, por exemplo, recusar ou impedir acesso a estabelecimento comercial, impedir o acesso às</p><p>entradas sociais em edifícios públicos ou residenciais e elevadores ou às escadas de acesso, negar ou</p><p>obstar emprego em empresa privada, entre outros.</p><p>9 O nome da referida lei homenageia o ex-deputado Federal Carlos Alberto Caó de Oliveira, militante da luta contra a</p><p>discriminação racial.</p><p>10 Disponível em: https://www.cnj.jus.br/conheca-a-diferenca-entre-racismo-e-injuria-racial/#:~:text=Enquanto%20a%20inj%</p><p>C3%BAria%20racial%20consiste,a%20integralidade%20de%20uma%20ra%C3%A7a. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>16</p><p>O Brasil foi o último país do continente americano a abolir a escravidão. A abolição ocorreu em 13 de</p><p>maio 1888 por meio da Lei</p><p>Áurea. Ao todo, foram mais de 300 anos de escravidão. O Brasil foi o país que</p><p>mais importou escravos entre 1500 e 1888: aproximadamente 4,9 milhões de escravos foram trazidos</p><p>pelo comércio transatlântico11.</p><p>O Brasil foi construído sob uma base escravocrata, na qual as pessoas pretas eram mercadorias. Não</p><p>obstante a liberdade de direito alcançada, não houve, após a escravidão, movimentos que lhes conferissem</p><p>a liberdade de fato. Não houve nenhum tipo de indenização ou políticas públicas voltadas para seu bem-</p><p>estar e adequação à nova sociedade.</p><p>Quando se fala em racismo, costuma-se tratá-lo sob a perspectiva individualista, institucional e estrutural.</p><p>O racismo estrutural é uma forma silenciosa e de difícil percepção. Consiste num conjunto de</p><p>comportamentos, atos, falas enraizadas na sociedade e que, de forma velada, reforça a desigualdade racial</p><p>existente na sociedade. Trata-se de concepção decorrente de um longo processo histórico, político,</p><p>econômico e ideológico de conformação das subjetividades para que se normalizem as estruturas de</p><p>desigualdade existentes na sociedade. Nesse sentido12:</p><p>"Nascemos e crescemos vendo que a maioria das domésticas é negra, que a maior parte das pessoas</p><p>presas é negra, que as posições de controle e poder em empresas são das pessoas brancas, que a</p><p>amplíssima maioria dos presidentes são brancos, que os intelectuais são brancos, que o padrão de beleza</p><p>é branco, que os atores de cinema e novelas mais destacados são os brancos, que a maior parte dos</p><p>moradores de favela são negros, e etc. Nossa subjetividade foi formada a partir destes símbolos de</p><p>representação que constituem importante mecanismo de manutenção e difusão do racismo. O ser</p><p>humano é, então, um produto histórico do tempo e do lugar em que vive."</p><p>Finalizando essa parte da exposição, destacarei um texto existente no Portal do Senado Federal13:</p><p>O senso comum tende a compreender o racismo de maneira simplista, limitando-o àquelas situações em</p><p>que uma pessoa negra é proibida de entrar no clube, impedida de tomar o elevador social, revistada ao</p><p>sair da loja ou insultada com palavras pejorativas que remetem à cor da pele. Tais casos, claro,</p><p>configuram racismo e são passíveis de punição, mas o preconceito vai muito além disso.</p><p>O racismo também se manifesta de formas que podem ser menos gritantes, mas produzir efeitos mais</p><p>devastadores na vida da pessoa negra. [...] No Brasil, ser negro significa ser mais pobre do que o branco,</p><p>ter menos escolaridade, receber salário menor, ser mais rejeitado pelo mercado de trabalho, ter menos</p><p>oportunidades de ascensão profissional e social, dificilmente chegar à cúpula do poder público e aos</p><p>11 Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/colunistas/2020/Racismo-participa%C3%A7%C3%A3o-pol%C3%ADtica-e-a-</p><p>persist%C3%AAncia-das-desigualdades-brasileiras. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>12 Disponível em: http://www.justificando.com/2020/06/15/o-racismo-estrutural-e-a-falsa-associacao-da-criminalidade-a-cor-da-</p><p>pele/. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>13 Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2020/06/negro-continuara-sendo-oprimido-enquanto-o-</p><p>brasil-nao-se-assumir-racista-dizem-especialistas. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>17</p><p>postos de comando da iniciativa privada, estar entre os principais ocupantes dos subempregos, ter menos</p><p>acesso aos serviços de saúde, ser vítima preferencial da violência urbana, ter mais chances de ir para a</p><p>prisão, morrer mais cedo.</p><p>De acordo com estudiosos da questão, as bases do racismo brasileiro se assentam nos quase quatro</p><p>séculos em que a escravidão africana vigorou. No decorrer dos períodos colonial e imperial, foi a</p><p>escravidão que se encarregou de posicionar os negros e os brancos em mundos diferentes. Com a</p><p>assinatura da Lei Áurea, em 1888, os brancos criaram mecanismos menos explícitos do que as senzalas e</p><p>os grilhões para manter os negros num lugar de subordinação.</p><p>As pessoas de pele negra puderam deixar a servidão, mas não receberam os instrumentos necessários</p><p>para tocarem a vida por conta própria com dignidade. Eles não ganharam terra nem escola, apesar de</p><p>parlamentares terem apresentado projetos de lei nesse sentido. Tampouco prosperaram os planos de</p><p>indenizá-los pelos anos de cativeiro. Restringiram-lhes até mesmo o trabalho. Para as plantações de café</p><p>e as primeiras indústrias, o governo preferiu incentivar a imigração de trabalhadores da Europa e da Ásia.</p><p>[...]</p><p>O que vigora no Brasil é o que os estudiosos chamam de racismo estrutural. O racismo é estrutural porque</p><p>se apresenta como um alicerce em cima do qual se constroem as relações políticas, econômicas e sociais</p><p>no país. As pessoas e as instituições são moldadas, por vezes de forma inconsciente, para encarar como</p><p>normal que brancos e negros ocupem lugares diferentes.</p><p>A advogada Flávia Pinto Ribeiro, que é vice-presidente da Comissão OAB Mulher da seccional Rio de</p><p>Janeiro da Ordem dos Advogados do Brasil, exemplifica: "As pessoas são racistas quando não ficam</p><p>espantadas ou indignadas diante da notícia do assassinato de uma pessoa negra, diante da ausência de</p><p>negros nos governos, nos tribunais e na direção de empresas, diante de um Estado que oferece transporte</p><p>de qualidade, saneamento básico e segurança pública aos bairros ricos, mas nada disso às periferias,</p><p>habitadas majoritariamente por negros. O racismo estrutural é tão cruel que até mesmo pessoas negras</p><p>reproduzem o racismo".</p><p>Vejamos agora alguns dados que permitem melhor entendimento sobre o tema.</p><p>• Segundo o IBGE14, a população brasileira é composta por 55% de negros, o que compreende pretos e</p><p>pardos de acordo com um critério de autodeclaração.</p><p>• Segundo dados do TSE, das 1.626 vagas para deputados distritais, estaduais, federais e senador,</p><p>apenas 65 (ou 4%) acabaram preenchidas por candidatos autodeclarados negros. O número de</p><p>eleitos vai a 444 (27% das vagas totais) quando se somam os que se declaram pardos15.</p><p>14 IBGE, PNAD Contínua 2012-2016.</p><p>15 Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/pais-elegeu-apenas-4-de-parlamentares-negros-23246278. Acesso em: 23 de</p><p>julho de 2020.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>18</p><p>• Segundo o IBGE16, em "Desigualdades Sociais por Cor ou Raça" (dados de 2018):</p><p>o Brancos possuem renda 74% superior, em média, em relação a pretos e pardos: o rendimento</p><p>médio mensal das pessoas ocupadas brancas foi de R$ 2.796 e o de pretas ou pardas R$ 1 608.</p><p>o Ocupação de cargos gerenciais: 68,6% brancos e 29,9% negros.</p><p>o Apesar de serem pouco mais da metade da força de trabalho (54,9%), eles formavam cerca de ⅔</p><p>dos desocupados (64,2%) e dos subutilizados (66,1%) na força de trabalho em 2018.</p><p>o Pessoas abaixo das linhas de pobreza:</p><p>▪ inferior a US$ 5,50/dia: 15,4% branca e 32,9% preta ou parda;</p><p>▪ inferior a US$ 1,90/dia: 3,6% branca e 8,8% negra.</p><p>o Na educação:</p><p>▪ taxa de analfabetismo: 3,9% brancos e 9,1% negros;</p><p>▪ taxa de conclusão do ensino médio: 76,8% branco e 61,8% pretos ou pardos;</p><p>o Em relação aos serviços básicos, 45% da população preta ou parda não tem saneamento,</p><p>percentual que é de 28% entre os brancos.</p><p>o A conclusão desse relatório é a seguinte:</p><p>"As desigualdades étnico-raciais, reveladas na breve série temporal considerada neste informativo,</p><p>têm origens históricas e são persistentes. A população de cor ou raça preta ou parda possui severas</p><p>desvantagens em relação à branca, no que tange às dimensões contempladas pelos indicadores</p><p>apresentados – mercado de trabalho, distribuição</p><p>de rendimento e condições de moradia,</p><p>educação, violência e representação política.</p><p>No mundo do trabalho, por exemplo, a desocupação, a subutilização da força de trabalho e a</p><p>proporção de trabalhadores sem vínculos formais atingem mais fortemente a população preta ou</p><p>parda. Indicadores de rendimento confirmaram que a desigualdade se mantém independentemente</p><p>do nível de instrução das pessoas ocupadas.</p><p>Tais resultados são influenciados pela forma de inserção das pessoas de cor ou raça preta ou parda</p><p>no mercado de trabalho, qual seja: ocupam postos de menor remuneração e são menos</p><p>representadas nos cargos gerenciais, sobretudo os de mais altos níveis.</p><p>A população de cor ou raça preta ou parda situa-se também, em maior proporção, abaixo das</p><p>linhas de pobreza, e reside em domicílios com piores condições de moradia e com menos acesso</p><p>a bens e serviços que a população de cor ou raça branca. Em relação aos indicadores educacionais,</p><p>embora tenha havido melhora, as desigualdades entre esses dois grupos populacionais</p><p>16 Disponível em: https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101681_informativo.pdf. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>19</p><p>permanecem consideráveis e se agravam no decorrer do percurso escolar, atingindo o ápice no</p><p>ensino superior.</p><p>• Pesquisa realizada em 2018 pelo CNJ17 mostrou que apenas 18% dos juízes se declararam negros.</p><p>Dentre eles, 1,6% são pretos e 16,5%, pardos.</p><p>• Segundo o Atlas da Violência 201918:</p><p>o Em 2017, 75,5% das vítimas de homicídios foram indivíduos negros, sendo que a taxa de</p><p>homicídios por 100 mil negros foi de 43,1, ao passo que a taxa de não negros (brancos, amarelos</p><p>e indígenas) foi de 16,0. Ou seja, proporcionalmente às respectivas populações, para cada</p><p>indivíduo não negro que sofreu homicídio em 2017, aproximadamente, 2,7 negros foram mortos.</p><p>o No que se refere ao homicídio contra mulheres, 66% de todas as mulheres assassinadas no país</p><p>são negras. A taxa de homicídios de mulheres não negras foi de 3,2 a cada 100 mil mulheres não</p><p>negras, ao passo que entre as mulheres negras a taxa foi de 5,6 para cada 100 mil mulheres nesse</p><p>grupo.</p><p>• Segundo o Fórum Brasileiro de Segurança Pública de 201919:</p><p>o a chance de um jovem negro ser vítima de homicídio no Brasil é, em média, 2,5 vezes superior à</p><p>de um jovem branco;</p><p>o no que tange ao feminicídio, as negras representam 61% das vítimas, contra 38,5% de brancas,</p><p>0,3% indígenas e 0,2% amarelas.</p><p>• Segundo o Infopen 2019, aproximadamente 50% da população carcerária é parda, 17% é preta e 32%</p><p>é branca.</p><p>• Nas 500 maiores empresas brasileiras, segundo o Instituto Ethos, 4,7% da liderança são compostos</p><p>por negros. Mulheres negras não são nem 1%20.</p><p>Para finalizar, falemos um pouco sobre políticas afirmativas.</p><p>O princípio da igualdade, também chamado de isonomia, equiparação ou paridade, está consagrado no art.</p><p>5° da Constituição Federal de 1988, ao dispor que todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer</p><p>17 Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2018/09/apenas-16-dos-juizes-brasileiros-sao-negros-segundo-</p><p>cnj.shtml. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>18 Disponível em: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/download/19/atlas-da-violencia-2019. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>19 Disponível em: https://www.forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2019/10/Anuario-2019-FINAL_21.10.19.pdf. Acesso</p><p>em: 23 de julho de 2020.</p><p>20 Disponível em: https://oglobo.globo.com/sociedade/no-mercado-de-trabalho-desigualdade-predomina-na-escolha-de-</p><p>liderancas-</p><p>24467129#:~:text=Compartilhe%20por&text=Negros%20ganham%20menos%20que%20brancos,Mulheres%20negras%20s%C3</p><p>%A3o%20nem%201%25. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>20</p><p>natureza. Base fundamental de um regime democrático, deve servir como baliza para legisladores</p><p>(igualdade na lei), aplicadores da lei (igualdade perante a lei) e até mesmo nas relações privadas.</p><p>O caput do art. 5°, ao dispor que “todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza”</p><p>consagra a igualdade formal. De acordo com essa perspectiva, todos devem receber o mesmo tratamento,</p><p>sem privilégios ou distinções de qualquer natureza.</p><p>Com o passar do tempo, verificou-se que tratar todos da mesma maneira não contribuía de maneira efetiva</p><p>para a redução das desigualdades. Passou-se a exigir do Estado uma posição mais ativa no sentido de</p><p>buscar, no mundo real, a concretização da igualdade. Essa nova visão promove a evolução do conceito</p><p>objetivando o alcance da igualdade material, que, de forma simples, defende que situações distintas devem</p><p>ser tratadas de forma particular. Em outras palavras, iguais devem ser tratados com igualdade e desiguais</p><p>devem ser tratados na medida da sua desigualdade. É com base nesse conceito que se estabelecem, por</p><p>exemplo, as políticas de cotas raciais e a reserva de percentual em concursos públicos para portadores de</p><p>deficiência.</p><p>Pois bem, nesse horizonte surgem as ações afirmativas (discriminações positivas), medidas temporárias</p><p>adotadas como forma de proporcionar tratamento diferenciado a determinados grupos historicamente</p><p>vulneráveis, periféricos e hipossuficientes, com o objetivo de dar efetividade ao princípio da isonomia.</p><p>Remete à já conhecida ideia: “igualdade aos iguais e desigualdade aos desiguais, na medida em que se</p><p>desigualam”. Nesse sentido21:</p><p>"Esse tipo de medida, no entanto, tem caráter temporário. A lógica é que, quando mais negros</p><p>estiverem nas universidades, tiverem formação universitária e uma boa inserção no mercado de</p><p>trabalho, maiores serão as chances de que as próximas gerações de negros e brancos tenham</p><p>igualdade de oportunidades e, portanto, as cotas possam ser abolidas.</p><p>Ao dar a oportunidade de que esses grupos se incluam em sistemas dos quais estão historicamente</p><p>excluídos - as universidades, por exemplo -, eles terão mais oportunidades, seja pela própria</p><p>formação, pelo aumento das chances no mercado de trabalho ou pela criação de relações sociais."</p><p>A materialização dessas políticas teve a sua constitucionalidade questionada em diversas oportunidades.</p><p>Como não poderia deixar de ser, o STF foi instado a se manifestar, oportunidades em que considerou</p><p>constitucional a reserva de vagas em universidades públicas destinadas a estudantes que se declaram</p><p>afrodescendentes22. Portanto, segundo o STF a reserva de vagas por critérios raciais não ofende ao</p><p>princípio da isonomia; muito pelo contrário, serve para corrigir distorções sofridas por grupo historicamente</p><p>desfavorecido.</p><p>Repertório</p><p>21 Disponível em: https://www.nexojornal.com.br/explicado/2016/02/24/Sistema-de-cotas-raciais-inclus%C3%A3o-em-meio-</p><p>%C3%A0-controv%C3%A9rsia. Acesso em: 23 de julho de 2020.</p><p>22 Nessa mesma linha, também já foi reconhecida pelo STF como constitucional lei que prevê para candidatos negros a reserva</p><p>de 20% das vagas oferecidas nos concursos públicos realizados pela administração pública federal.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>21</p><p>Florestan Fernandes (sociólogo, antropólogo, escritor, político e professor brasileiro). Uma das grandes</p><p>linhas de pesquisa do autor foi a questão racial e seus desdobramentos, como a difícil inserção da população</p><p>negra na sociedade altamente dominada por pessoas brancas.</p><p>Segundo Florestan Fernandes, o negro brasileiro</p><p>enfrenta barreiras sociais e raciais. Nesse sentido, torna-</p><p>se duplamente explorado, pela condição de classe e pela condição de negro, visto que, mesmo aqueles que</p><p>conseguem superar as barreiras sociais se deparam, na sequência, com as barreiras raciais, o que dificulta o</p><p>acesso e impede mudanças.</p><p>Foi um grande crítico da ideia de Democracia Racial proposta por Gilberto Freyre (mestiçagem como fator</p><p>positivo para a caracterização da nação brasileira), a qual foi denominada por Florestan como o mito da</p><p>democracia racial.</p><p>Proposta de solução</p><p>O racismo é um grande problema da sociedade brasileira, cujas origens remontam ao</p><p>seu passado escravagista. Por se encontrar enraizado nas estruturas sociais, é conhecido</p><p>como estrutural, o qual consiste numa grave violação aos direitos humanos.</p><p>Inicialmente, esclareça-se que o racismo estrutural remete a um contexto de</p><p>naturalização de ações, comportamentos e estruturas sociais que reforçam ou promovem o</p><p>preconceito racial. Segundo essa lógica, o racismo encontra-se entranhado e enraizado na</p><p>estrutura social, a qual se organiza para a manutenção dos privilégios pelos que os detêm.</p><p>Apesar de mais da metade da população se autodeclarar negra, causa espanto a muitos</p><p>encontrar negros em posições de relevo, o que mostra a normalização da segregação racial</p><p>na sociedade.</p><p>Outrossim, o racismo estrutural consiste em grave violação aos direitos humanos. Após</p><p>a abolição da escravatura, não houve políticas de inserção da população negra no mercado</p><p>de trabalho e na sociedade. Assim, estereotipados como indolentes e preguiçosos, sem terras</p><p>e sem ocupação, deu-se início ao processo de exclusão social observado até os dias atuais.</p><p>Nesse contexto, verifica-se um quadro em que vários direitos humanos lhes são suprimidos,</p><p>como o à dignidade ou à vida.</p><p>Diante do exposto, faz-se necessária a adoção de providências para a reversão desse</p><p>cenário. Uma das frentes de combate ocorre pela discriminação positiva. Exemplo de ação</p><p>desse tipo é a política de cotas nas universidades públicas, a qual, pela garantia do acesso ao</p><p>ensino superior, possibilita a inserção no meio acadêmico de indivíduos que, em razão da sua</p><p>condição histórica, têm menos chances de se educar, crescer profissionalmente e ascender</p><p>socialmente.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>22</p><p>Tema 12 – Pessoas com deficiência</p><p>Trinta anos da lei de cotas e o desafio da inclusão no mercado de trabalho</p><p>Trinta anos depois da entrada em vigor da Lei de Cotas, somente 4% da população brasileira com algum</p><p>tipo de deficiência está empregada, segundo dados do Censo 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e</p><p>Estatística (IBGE). A Lei 8.213/91, sancionada em 24 de julho de 1991, visa garantir a inclusão de pessoas</p><p>com deficiência no mercado de trabalho, mas os avanços que proporcionou ainda são tímidos diante do</p><p>contingente de pessoas com deficiência aptas a entrar no mercado de trabalho.</p><p>Segundo a Relação Anual de Informações Sociais (RAIS) de 2018, apenas cerca de 441 mil das 12 milhões de</p><p>pessoas com deficiência estavam empregadas pela Lei de Cotas e existiam quase 400 mil vagas</p><p>desocupadas. Esses números mostram que ainda temos uma série de desafios a superar para a efetiva</p><p>inserção.</p><p>Um estudo realizado pelo Instituto Jô Clemente (IJC), antiga Apae de São Paulo, em parceria com a USP,</p><p>revela que as pessoas com deficiência, principalmente intelectual, têm importante desenvolvimento</p><p>quando incluídas no mercado de trabalho. “Há um aumento na autoestima e no sentimento de utilidade,</p><p>participação social e contribuição financeira para a família que as leva a novas conquistas no âmbito</p><p>pessoal”, diz Márcia Pessoa, orientadora de Inclusão Profissional do IJC e autora do estudo. Outro aspecto</p><p>positivo é que a taxa de retenção entre este público é de 90%.</p><p>Disponível em: https://ohoje.com/noticia/politica/n/1326636/t/trinta-anos-</p><p>da-lei-de-cotas-e-o-desafio-da-inclusao-no-mercado-de-trabalho/.</p><p>Acesso em: 06/08/2021. (com adaptações).</p><p>Considerando os textos acima como meramente motivadores, redija um texto dissertativo-argumentativo</p><p>sobre o seguinte tema: o desafio da inclusão de pessoas com deficiência no contexto brasileiro.</p><p>Abordagem teórica</p><p>1. Inclusão de pessoas com deficiência</p><p>Inclusão social é o ato de incluir na sociedade categorias de pessoas historicamente excluídas do processo de</p><p>socialização, como negros, indígenas, pessoas com necessidades especiais, homossexuais, travestis e</p><p>transgêneros, bem como aqueles em situação de vulnerabilidade socioeconômica, como moradores de rua e</p><p>pessoas de baixa renda23.</p><p>Vamos falar aqui, especificamente, do segmento das pessoas com deficiência.</p><p>23 PORFÍRIO, Francisco. "Inclusão social"; Brasil Escola. Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/educacao/inclusao-social.htm. Acesso em 04 de agosto</p><p>de 2021.</p><p>Carlos Roberto Correa, Marcio Damasceno</p><p>Aula 06 - Prof. Márcio Damasceno (Somente PDF)</p><p>TRF 1ª Região - Redação - Sem Correção - 2024 (Pós-Edital)</p><p>www.estrategiaconcursos.com.br</p><p>39471799600 - Naldira Luiza Vieria</p><p>23</p><p>As pessoas com deficiência (PCDs) vêm, ao longo da história, passando por diversos tipos de tratamento.</p><p>De acordo com GARCIA: Na Roma Antiga, tanto os nobres como os plebeus tinham permissão para sacrificar</p><p>os filhos que nasciam com algum tipo de deficiência. Da mesma forma, em Esparta, os bebês e as pessoas que</p><p>adquiriam alguma deficiência eram lançados ao mar ou em precipícios. Já em Atenas, influenciados por</p><p>Aristóteles – que definiu a premissa jurídica até hoje aceita de que “tratar os desiguais de maneira igual</p><p>constitui-se em injustiça” – os deficientes eram amparados e protegidos pela sociedade24.</p><p>Com o advento do Cristianismo, as PCDs começaram a escapar do abandono. A influência cristã e seus</p><p>princípios de caridade e amor ao próximo contribuíram, em particular a partir do século IV, para a criação de</p><p>hospitais voltados para o atendimento dos pobres e marginalizados, dentre os quais indivíduos com algum</p><p>tipo de deficiência.</p><p>Retrocedendo e avançando em determinados momentos, é marcante o episódio do Nazismo. Os</p><p>deficientes físicos e mentais eram considerados “inúteis" à sociedade, uma ameaça à pureza genética ariana</p><p>e, portanto, indignos de viver. No início da Segunda Guerra Mundial, indivíduos que tinham algum tipo de</p><p>deficiência física, retardamento ou doença mental eram executados pelo programa que os nazistas</p><p>chamavam de “T-4” ou “Eutanásia”. Em nome da eugenia, estima-se que tenha ocorrido a morte de mais</p><p>de 275.000 pessoas.</p><p>De acordo com a OMS, 1 bilhão de pessoas vivem com alguma deficiência – significa uma em cada sete</p><p>pessoas no mundo. A ONU alerta que 80% das pessoas que vivem com alguma deficiência residem nos</p><p>países em desenvolvimento. No total, 150 milhões de crianças (com menos de 18 anos de idade) têm alguma</p><p>deficiência, aponta a UNICEF.</p><p>De acordo com o IBGE (Censo 2010), quase 46 milhões de brasileiros, cerca de 24% da população,</p><p>declararam ter algum grau de dificuldade em pelo menos uma das habilidades investigadas (enxergar,</p><p>ouvir, caminhar ou subir degraus), ou possuir deficiência mental / intelectual. Desse contingente, segundo</p><p>a última Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), de 2019, há 486.756 PCD trabalhando formalmente</p><p>no país, o que representaria menos de 1% dos empregados.</p><p>A defesa das pessoas com deficiência possui alguns marcos. No plano externo, há a Declaração Universal</p><p>dos Direitos Humanos (ONU, 1948), que indica que toda pessoa humana, independentemente de sua</p><p>origem, opinião política, crença religiosa, classe social ou cor, deve ter seus direitos básicos atendidos.</p><p>Há também a Convenção Internacional sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, instrumento</p>

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