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<p>Modernismo - Segunda Fase - Prosa</p><p>L0202 - (Unesp)</p><p>Para responder à questão a seguir, leia o fragmento de</p><p>um romance de Érico Veríssimo (1905-1975).</p><p>O defunto dominava a casa com a sua presença enorme.</p><p>Anoitecia, e os homens que cercavam o morto ali na sala</p><p>ainda não se haviam habituado ao seu silêncio espesso.</p><p>Fazia um calor opressivo. Do quarto con�guo vinham</p><p>soluços sem choro. Pareciam pedaços arrancados dum</p><p>grito de dor único e descomunal, davam uma impressão</p><p>de dilaceramento, de agonia sincopada.</p><p>As velas ardiam e o cheiro da cera derre�da se casava</p><p>com o perfume adocicado das flores que cobriam o</p><p>caixão. A mistura enjoa�va inundava o ar como uma</p><p>emanação mesma do defunto, entrava pelas narinas dos</p><p>vivos e lhes dava a sensação desconfortante duma</p><p>comunhão com a morte.</p><p>O velho calvo que estava a um canto da sala, voltou a</p><p>cabeça para o militar a seu lado e cochichou:</p><p>— Está fazendo falta aqui é o Tico, capitão.</p><p>O oficial ainda não conhecia o Tico. Era novo na cidade.</p><p>Então o velho explicou. O Tico era um sujeito que sabia</p><p>animar os velórios, contava histórias, �nha um jeito</p><p>especial de levar a conversa, deixando todo o mundo à</p><p>vontade. Sem o Tico era o diabo... Por onde andaria</p><p>aquela alma?</p><p>Entrou um homem magro, alto, de preto. Cumprimentou</p><p>com um aceno discreto de cabeça, caminhou</p><p>devagarinho até o cadáver e ergueu o lenço branco que</p><p>lhe cobria o rosto.</p><p>Por alguns segundos fitou na cara morta os olhos tristes.</p><p>Depois deixou cair o lenço, afastou-se enxugando as</p><p>lágrimas com as costas das mãos e entrou no quarto</p><p>vizinho.</p><p>O velho calvo suspirou.</p><p>— Pouca gente...</p><p>O militar passou o lenço pela testa suada.</p><p>— Muito pouca. E o calor está brabo.</p><p>— E ainda é cedo.</p><p>O capitão �rou o relógio: faltava um quarto para as oito.</p><p>(Um lugar ao sol, 1978.)</p><p>A capacidade de animar os velórios é atribuída ao Tico</p><p>pelo velho calvo, porque este a considera</p><p>a) um meio inadequado de ganhar a vida.</p><p>b) conveniente para aliviar as tensões naquela situação.</p><p>c) inapropriada naquela situação social.</p><p>d) desrespeitosa em face da tristeza geral.</p><p>e) um modo de enfa�zar as virtudes do morto.</p><p>L0301 - (Unesp)</p><p>Sem dúvida, o capital não tem pátria, e é esta uma das</p><p>suas vantagens universais que o fazem tão a�vo e</p><p>irradiante. Mas o trabalho que ele explora tem mãe, tem</p><p>pai, tem mulher e filhos, tem língua e costumes, tem</p><p>música e religião. Tem uma fisionomia humana que dura</p><p>enquanto pode. E como pode, já que a sua situação de</p><p>raiz é sempre a de falta e dependência.</p><p>Narrar a necessidade é perfazer a forma do ciclo. Entre a</p><p>consciência narradora, que sustém a história, e a matéria</p><p>narrável, sertaneja, opera um pensamento</p><p>desencantado, que figura o co�diano do pobre em um</p><p>ritmo pendular: da chuva à seca, da folga à carência, do</p><p>bem-estar à depressão, voltando sempre do úl�mo</p><p>estado ao primeiro. É a narração, que se quer obje�va, da</p><p>modés�a dos meios de vida registrada na modés�a da</p><p>vida simbólica.</p><p>(Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crí�ca literária e</p><p>ideológica, 2003. Adaptado.)</p><p>O comentário aplica-se com precisão à obra</p><p>a) Vidas secas, de Graciliano Ramos.</p><p>b) Macunaíma, de Mário de Andrade.</p><p>c) Os sertões, de Euclides da Cunha.</p><p>d) Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.</p><p>e) A hora da estrela, de Clarice Lispector.</p><p>L0197 - (Fuvest)</p><p>Leia o texto abaixo para responder à questão</p><p>Omolu espalhara a bexiga na cidade. Era uma vingança</p><p>contra a cidade dos ricos. Mas os ricos �nham a vacina,</p><p>que sabia Omolu de vacinas? Era um pobre deus das</p><p>florestas d’África. Um deus dos negros pobres. Que podia</p><p>saber de vacinas? Então a bexiga desceu e assolou o povo</p><p>de Omolu. Tudo que Omolu pôde fazer foi transformar a</p><p>1@professorferretto @prof_ferretto</p><p>bexiga de negra em alastrim, bexiga branca e tola. Assim</p><p>mesmo morrera negro, morrera pobre. Mas Omolu dizia</p><p>que não fora o alastrim que matara. Fora o 1lazareto.</p><p>Omolu só queria com o alastrim marcar seus filhinhos</p><p>negros. O lazareto é que os matava. Mas as macumbas</p><p>pediam que ele levasse a bexiga da cidade, levasse para</p><p>os ricos la�fundiários do sertão. Eles �nham dinheiro,</p><p>léguas e léguas de terra, mas não sabiam tampouco da</p><p>vacina. O Omolu diz que vai pro sertão. E os negros, os</p><p>ogãs, as filhas e pais de santo cantam:</p><p>Ele é mesmo nosso pai</p><p>e é quem pode nos ajudar...</p><p>Omolu promete ir. Mas para que seus filhos negros não o</p><p>esqueçam avisa no seu cân�co de despedida:</p><p>Ora, adeus, ó meus filhinhos,</p><p>Qu’eu vou e torno a vortá...</p><p>E numa noite que os atabaques ba�am nas macumbas,</p><p>numa noite de mistério da Bahia, Omolu pulou na</p><p>máquina da Leste Brasileira e foi para o sertão de</p><p>Juazeiro. A bexiga foi com ele.</p><p>Jorge Amado, Capitães da Areia.</p><p>1lazareto: estabelecimento para isolamento sanitário de</p><p>pessoas a�ngidas por determinadas doenças.</p><p>Considere as seguintes afirmações referentes ao texto de</p><p>Jorge Amado:</p><p>I. Do ponto de vista do excerto, considerado no contexto</p><p>da obra a que pertence, a religião de origem africana</p><p>comporta um aspecto de resistência cultural e polí�ca.</p><p>II. Fica pressuposta no texto a ideia de que, na época em</p><p>que se passa a história nele narrada, o Brasil ainda</p><p>conservava formas de privação de direitos e de exclusão</p><p>social advindas do período colonial.</p><p>III. Os contrastes de natureza social, cultural e regional</p><p>que o texto registra permitem concluir corretamente que</p><p>o Brasil passou por processos de modernização</p><p>descompassados e desiguais.</p><p>Está correto o que se afirma em</p><p>a) I, somente.</p><p>b) II, somente.</p><p>c) I e II, somente.</p><p>d) II e III, somente.</p><p>e) I, II e III.</p><p>L0200 - (Unicamp)</p><p>Que dizer das personagens? Creio que têm a força e ao</p><p>mesmo tempo a fraqueza da caricatura. Mas, pensando</p><p>melhor, não poderemos também alegar em defesa do</p><p>romancista que a caricatura é uma tendência</p><p>reconhecida e aceita da arte moderna, principalmente da</p><p>pintura? Não haverá muito de deformação na obra de</p><p>grandes pintores como Por�nari, Di Cavalcante e Segall –</p><p>todos eles inconformados com a sociedade em que</p><p>vivem?</p><p>(Adaptado de Erico Verissimo, Prefácio, em Caminhos</p><p>Cruzados. São Paulo: Companhia das Letras, 2016, p. 20-</p><p>21.)</p><p>A ideia de deformação aplica-se ao quadro de Tarsila e ao</p><p>romance Caminhos cruzados, de Érico Veríssimo, porque</p><p>tal procedimento ar�s�co acentua</p><p>a) a crí�ca do modernismo à violência da escravidão e às</p><p>desigualdades sociais, presentes no quadro e nas</p><p>personagens do romance, respec�vamente.</p><p>b) o imaginário da burguesia nacional, pois tanto as</p><p>protagonistas do romance quanto a imagem da</p><p>mulher negra retratam os traços caracterís�cos das</p><p>reformas sociais do Estado Novo.</p><p>c) os princípios esté�cos do movimento modernista, pois</p><p>as duas expressões ar�s�cas apresentam-se como</p><p>reflexo dos valores da elite cafeeira paulista.</p><p>d) a moral implícita da modernidade, pois o narrador do</p><p>livro e a representação do corpo negro cri�cam o</p><p>comportamento social das personagens femininas no</p><p>século XX.</p><p>L0194 - (Enem)</p><p>2@professorferretto @prof_ferretto</p><p>No decênio de 1870, Franklin Távora defendeu a tese de</p><p>que no Brasil havia duas literaturas independentes</p><p>dentro da mesma língua: uma do Norte e outra do Sul,</p><p>regiões segundo ele muito diferentes por formação</p><p>histórica, composição étnica, costumes, modismos</p><p>linguís�cos etc. Por isso, deu aos romances regionais que</p><p>publicou o �tulo geral de Literatura do Norte. Em nossos</p><p>dias, um escritor gaúcho, Viana Moog, procurou mostrar</p><p>com bastante engenho que no Brasil há, em verdade,</p><p>literaturas setoriais diversas, refle�ndo as caracterís�cas</p><p>locais.</p><p>CANDIDO, A. A nova narra�va. A educação pela noite e</p><p>outros ensaios. São Paulo: Á�ca, 2003.</p><p>Com relação à valorização, no romance regionalista</p><p>brasileiro, do homem e da paisagem de determinadas</p><p>regiões nacionais, sabe-se que</p><p>a) o romance do Sul do Brasil se caracteriza pela temá�ca</p><p>essencialmente urbana, colocando em relevo a</p><p>formação do homem por meio da mescla de</p><p>caracterís�cas locais e dos aspectos culturais trazidos</p><p>de fora pela imigração europeia.</p><p>b) José de Alencar, representante, sobretudo, do</p><p>romance urbano,</p><p>retrata a temá�ca da urbanização</p><p>das cidades brasileiras e das relações conflituosas</p><p>entre as raças.</p><p>c) o romance do Nordeste caracteriza-se pelo acentuado</p><p>realismo no uso do vocabulário, pelo temário local,</p><p>expressando a vida do homem em face da natureza</p><p>agreste, e assume frequentemente o ponto de vista</p><p>dos menos favorecidos.</p><p>d) a literatura urbana brasileira, da qual um dos</p><p>expoentes é Machado de Assis, põe em relevo a</p><p>formação do homem brasileiro, o sincre�smo</p><p>religioso, as raízes africanas e indígenas que</p><p>caracterizam o nosso povo.</p><p>e) Érico Veríssimo, Rachel de Queiroz, Simões Lopes Neto</p><p>e Jorge Amado são romancistas das décadas de 30 e</p><p>40 do século XX, cuja obra retrata a problemá�ca do</p><p>homem urbano em confronto com a modernização do</p><p>país promovida pelo Estado Novo.</p><p>L0257 - (Fuvest)</p><p>(...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma</p><p>cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não</p><p>me importo. O meu bicho morre desejando acordar num</p><p>mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós</p><p>desejamos. A diferença é que eu quero que eles</p><p>apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que</p><p>eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos</p><p>como a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...)</p><p>Carta de Graciliano Ramos a sua esposa.</p><p>(...) Uma angús�a apertou-lhe o pequeno coração.</p><p>Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de</p><p>suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as</p><p>moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na</p><p>esteira, por baixo do caritó onde sinhá Vitória guardava o</p><p>cachimbo.</p><p>(...)</p><p>Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio</p><p>de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano</p><p>enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com</p><p>ela num pá�o enorme, num chiqueiro enorme. O mundo</p><p>ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.</p><p>Graciliano Ramos, Vidas secas.</p><p>A comparação entre os fragmentos, respec�vamente, da</p><p>Carta e de Vidas secas, permite afirmar que</p><p>a) “será que há mesmo” e “acordaria feliz” sugerem</p><p>dúvida.</p><p>b) “procurei adivinhar” e “precisava vigiar” significam</p><p>necessidade.</p><p>c) “no fundo todos somos” e “andar pelas ribanceiras”</p><p>indicam lugar.</p><p>d) “padre Zé Leite pretende” e “Baleia queria dormir”</p><p>indicam intencionalidade.</p><p>e) “todos nós desejamos” e “dormiam na esteira”</p><p>indicam possibilidade.</p><p>L0199 - (Enem)</p><p>Érico Veríssimo relata, em suas memórias, um episódio</p><p>da adolescência que teve influência significa�va em sua</p><p>carreira de escritor.</p><p>"Lembro-me de que certa noite - eu teria uns quatorze</p><p>anos, quando muito - encarregaram-me de segurar uma</p><p>lâmpada elétrica à cabeceira da mesa de operações,</p><p>enquanto um médico fazia os primeiros cura�vos num</p><p>pobre-diabo que soldados da Polícia Municipal haviam</p><p>"carneado". (...) Apesar do horror e da náusea, con�nuei</p><p>firme onde estava, talvez pensando assim: se esse</p><p>caboclo pode aguentar tudo isso sem gemer, por que não</p><p>hei de poder ficar segurando esta lâmpada para ajudar o</p><p>doutor a costurar esses talhos e salvar essa vida? (...)</p><p>Desde que, adulto, comecei a escrever romances, tem-</p><p>me animado até hoje a ideia de que o menos que o</p><p>escritor pode fazer, numa época de atrocidades e</p><p>injus�ças como a nossa, é acender a sua lâmpada, fazer</p><p>luz sobre a realidade de seu mundo, evitando que sobre</p><p>ele caia a escuridão, propícia aos ladrões, aos assassinos</p><p>e aos �ranos. Sim, segurar a lâmpada, a despeito da</p><p>náusea e do horror. Se não �vermos uma lâmpada</p><p>elétrica, acendamos o nosso toco de vela ou, em úl�mo</p><p>caso, risquemos fósforos repe�damente, como um sinal</p><p>de que não desertamos nosso posto."</p><p>3@professorferretto @prof_ferretto</p><p>(VERÍSSIMO, Érico. Solo de Clarineta.Tomo I. Porto</p><p>Alegre: Editora Globo, 1978.)</p><p>Neste texto, por meio da metáfora da lâmpada que</p><p>ilumina a escuridão, Érico Veríssimo define como uma</p><p>das funções do escritor e, por extensão, da literatura,</p><p>a) criar a fantasia.</p><p>b) permi�r o sonho.</p><p>c) denunciar o real.</p><p>d) criar o belo.</p><p>e) fugir da náusea.</p><p>L0203 - (Unifesp)</p><p>Para responder à questão a seguir, leia o trecho do</p><p>livro Casa-grande e senzala, de Gilberto Freyre.</p><p>Mas a casa-grande patriarcal não foi apenas fortaleza,</p><p>capela, escola, oficina, santa casa, harém, convento de</p><p>moças, hospedaria. Desempenhou outra função</p><p>importante na economia brasileira: foi também banco.</p><p>Dentro das suas grossas paredes, debaixo dos �jolos ou</p><p>mosaicos, no chão, enterrava-se dinheiro, guardavam-se</p><p>joias, ouro, valores. Às vezes guardavam-se joias nas</p><p>capelas, enfeitando os santos. Daí Nossas Senhoras</p><p>sobrecarregadas à baiana de teteias, balangandãs,</p><p>corações, cavalinhos, cachorrinhos e correntes de ouro.</p><p>Os ladrões, naqueles tempos piedosos, raramente</p><p>ousavam entrar nas capelas e roubar os santos. É</p><p>verdade que um roubou o esplendor e outras joias de</p><p>São Benedito; mas sob o pretexto, ponderável para a</p><p>época, de que “negro não devia ter luxo”. Com efeito,</p><p>chegou a proibir-se, nos tempos coloniais, o uso de</p><p>“ornatos de algum luxo” pelos negros.</p><p>Por segurança e precaução contra os corsários, contra os</p><p>excessos demagógicos, contra as tendências comunistas</p><p>dos indígenas e dos africanos, os grandes proprietários,</p><p>nos seus zelos exagerados de priva�vismo, enterraram</p><p>dentro de casa as joias e o ouro do mesmo modo que os</p><p>mortos queridos. Os dois fortes mo�vos das casas-</p><p>grandes acabarem sempre mal-assombradas com</p><p>cadeiras de balanço se balançando sozinhas sobre �jolos</p><p>soltos que de manhã ninguém encontra; com barulho de</p><p>pratos e copos batendo de noite nos aparadores; com</p><p>almas de senhores de engenho aparecendo aos parentes</p><p>ou mesmo estranhos pedindo padres-nossos, ave-marias,</p><p>gemendo lamentações, indicando lugares com bo�jas de</p><p>dinheiro. Às vezes dinheiro dos outros, de que os</p><p>senhores ilicitamente se haviam apoderado. Dinheiro que</p><p>compadres, viúvas e até escravos lhes �nham entregue</p><p>para guardar. Sucedeu muita dessa gente ficar sem os</p><p>seus valores e acabar na miséria devido à esperteza ou à</p><p>morte súbita do depositário. Houve senhores sem</p><p>escrúpulos que, aceitando valores para guardar, fingiram-</p><p>se depois de estranhos e desentendidos: “Você está</p><p>maluco? Deu-me lá alguma cousa para guardar?”</p><p>Muito dinheiro enterrado sumiu-se misteriosamente.</p><p>Joaquim Nabuco, criado por sua madrinha na casa-</p><p>grande de Maçangana, morreu sem saber que des�no</p><p>tomara a ourama para ele reunida pela boa senhora; e</p><p>provavelmente enterrada em algum desvão de parede.</p><p>[…] Em várias casas-grandes da Bahia, de Olinda, de</p><p>Pernambuco se têm encontrado, em demolições ou</p><p>escavações, bo�jas de dinheiro. Na que foi dos Pires</p><p>d’Ávila ou Pires de Carvalho, na Bahia, achou-se, num</p><p>recanto de parede, “verdadeira fortuna em moedas de</p><p>ouro”. Noutras casas-grandes só se têm desencavado do</p><p>chão ossos de escravos, jus�çados pelos senhores e</p><p>mandados enterrar no quintal, ou dentro de casa, à</p><p>revelia das autoridades. Conta-se que o visconde de</p><p>Suaçuna, na sua casa-grande de Pombal, mandou</p><p>enterrar no jardim mais de um negro supliciado por</p><p>ordem de sua jus�ça patriarcal. Não é de admirar. Eram</p><p>senhores, os das casas-grandes, que mandavam matar os</p><p>próprios filhos. Um desses patriarcas, Pedro Vieira, já</p><p>avô, por descobrir que o filho man�nha relações com a</p><p>mucama de sua predileção, mandou matá-lo pelo irmão</p><p>mais velho.</p><p>(In: Silviano San�ago (coord.).Intérpretes do Brasil, 2000.)</p><p>Guardadas as proporções, o ambiente retratado no texto</p><p>de Gilberto Freyre aparece com destaque na produção</p><p>literária de</p><p>a) Euclides da Cunha.</p><p>b) Machado de Assis.</p><p>c) Aluísio Azevedo.</p><p>d) José Lins do Rego.</p><p>e) Lima Barreto.</p><p>L0196 - (Upe-ssa)</p><p>A literatura de 1930 é demarcada por uma temá�ca</p><p>social, em que o urbano e o rural se intercruzam, haja</p><p>vista os romances de José Lins do Rego, Graciliano Ramos</p><p>e Jorge Amado. Os dois primeiros autores dão prioridade</p><p>às histórias que transcorrem em espaço rural; a mesma</p><p>coisa já não se pode afirmar em relação à obra de Jorge</p><p>Amado, pois grande parte dela tem como ambiente a</p><p>cidade da Bahia, atual Salvador.</p><p>Com base no exposto, observe as imagens a seguir:</p><p>4@professorferretto @prof_ferretto</p><p>Analise as seguintes</p><p>afirma�vas:</p><p>I. As três imagens referem-se, de modo simultâneo, às</p><p>obras dos romancistas de trinta, José Lins do Rego,</p><p>Graciliano Ramos e Jorge Amado, pois a produção</p><p>ar�s�ca desses autores relata acontecimentos que</p><p>ocorrem nos três espaços representados nas imagens</p><p>expostas.</p><p>II. Dos três autores mencionados, dois deles têm textos</p><p>memorialistas, Graciliano Ramos, por relatar as</p><p>memórias dos anos que passou na prisão, e Jorge Amado,</p><p>quando narra a história dos amores de Gabriela com</p><p>Nacib e de Dona Flor com os seus dois maridos.</p><p>III. Há antagonismo entre as imagens 1, 2 e 3,</p><p>respec�vamente, com os romances de José Lins do Rego,</p><p>Graciliano Ramos e Jorge Amado os quais, pelo fato de</p><p>fazerem parte da geração denominada regionalista,</p><p>mime�zam, de modo crí�co, aspectos da realidade que</p><p>têm por cenários o campo e a cidade.</p><p>IV. A imagem 2 representa o espaço onde transcorrem os</p><p>acontecimentos relatados nos romances do ciclo do</p><p>açúcar, de José Lins do Rego, enquanto a 3 relaciona-se</p><p>com o cenário da seca, tema central de Vidas</p><p>Secas. Trata-se de uma narra�va de Graciliano Ramos, na</p><p>qual o animal e o homem se equivalem, pois, enquanto</p><p>Fabiano se considera “bicho”, Baleia nutre sen�mentos</p><p>humanos.</p><p>V. Dos três autores, o único que apresenta, na maioria de</p><p>seus romances, um cenário urbano tal qual se encontra</p><p>representado na imagem 3 é Jorge Amado, cuja crí�ca</p><p>social se volta para acontecimentos na cidade da Bahia,</p><p>atual Salvador.</p><p>Está(ão) CORRETA(S) apenas</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) I e II.</p><p>c) IV.</p><p>d) I e V.</p><p>e) I, III e IV.</p><p>L0198 - (Unisc)</p><p>Leia atentamente o trecho do romance O Quinze, de</p><p>Rachel de Queiroz, e, depois, analise as afirma�vas a</p><p>seguir.</p><p>“Novamente a cavalo no pedrês, Vicente marchava</p><p>através da estrada vermelha e pedregosa, orlada pela</p><p>galharia negra da caa�nga morta. Os cascos do animal</p><p>pareciam �rar fogo nos seixos do caminho. Lagar�xas</p><p>davam carreirinhas intermitentes por cima das folhas</p><p>secas no chão que estalavam como papel queimado.</p><p>O céu, transparente que doía, vibrava, tremendo feito</p><p>uma gaze repuxada.</p><p>Vicente sen�a por toda parte uma impressão ressequida</p><p>de calor e aspereza.</p><p>Verde, na monotonia cinzenta da paisagem, só algum</p><p>juazeiro ainda escapo à devastação da rama; mas em</p><p>geral as pobres árvores apareciam lamentáveis,</p><p>mostrando os cotos dos galhos como membros</p><p>amputados e a casca toda raspada em grandes zonas</p><p>brancas.</p><p>E o chão, que em outro tempo a sombra cobria, era uma</p><p>confusão desolada de galhos secos, cuja agressividade</p><p>ainda mais se acentuava pelos espinhos.</p><p>(...)</p><p>Quando Vicente se despediu, e montou ligeiro no cavalo</p><p>que arrancou de galope, Conceição es�rou-se na rede e</p><p>ficou olhando o vulto branco que a poeira ruiva envolvia,</p><p>até o ver se sumir atrás de um grupo de umarizeiras da</p><p>várzea.</p><p>Todo o dia a cavalo, trabalhando, alegre e dedicado,</p><p>Vicente sempre fora assim, amigo do mato, do sertão, de</p><p>tudo o que era inculto e rude. Sempre o conhecera</p><p>querendo ser vaqueiro como um caboclo desambicioso,</p><p>apesar do desgosto que com isso sen�a a gente dele.</p><p>E a moça lembrou-se de certa vez, em casa do Major, no</p><p>dia em que se inaugurou o gramofone, e as meninas, e</p><p>ela própria, que também estava lá, puseram-se a dançar.</p><p>Os pares eram o filho mais velho da casa – hoje casado e</p><p>promotor no Cariri – e dois outros rapazes, colegas dele,</p><p>que �nham vindo passar as férias no sertão.”</p><p>QUEIROZ, Rachel de. O Quinze. São Paulo: Siciliano,</p><p>1993, p. 13-17.</p><p>I. O trecho apresenta um narrador em primeira pessoa.</p><p>II. Os personagens não apresentam um grande</p><p>aprofundamento psicológico.</p><p>5@professorferretto @prof_ferretto</p><p>III. Nos parágrafos citados, observa-se uma iden�ficação</p><p>entre o espaço e o personagem masculino.</p><p>Assinale a alterna�va correta.</p><p>a) Somente as afirma�vas I e II estão corretas.</p><p>b) Somente as afirma�vas II e III estão corretas.</p><p>c) Somente as afirma�vas I e III estão corretas.</p><p>d) Nenhuma afirma�va está correta.</p><p>e) Todas as afirma�vas estão corretas.</p><p>L0258 - (Fuvest)</p><p>(...) procurei adivinhar o que se passa na alma duma</p><p>cachorra. Será que há mesmo alma em cachorro? Não</p><p>me importo. O meu bicho morre desejando acordar num</p><p>mundo cheio de preás. Exatamente o que todos nós</p><p>desejamos. A diferença é que eu quero que eles</p><p>apareçam antes do sono, e padre Zé Leite pretende que</p><p>eles nos venham em sonhos, mas no fundo todos somos</p><p>como a minha cachorra Baleia e esperamos preás. (...)</p><p>Carta de Graciliano Ramos a sua esposa.</p><p>(...) Uma angús�a apertou-lhe o pequeno coração.</p><p>Precisava vigiar as cabras: àquela hora cheiros de</p><p>suçuarana deviam andar pelas ribanceiras, rondar as</p><p>moitas afastadas. Felizmente os meninos dormiam na</p><p>esteira, por baixo do caritó onde sinhá Vitória guardava o</p><p>cachimbo.</p><p>(...)</p><p>Baleia queria dormir. Acordaria feliz, num mundo cheio</p><p>de preás. E lamberia as mãos de Fabiano, um Fabiano</p><p>enorme. As crianças se espojariam com ela, rolariam com</p><p>ela num pá�o enorme, num chiqueiro enorme. O mundo</p><p>ficaria todo cheio de preás, gordos, enormes.</p><p>Graciliano Ramos, Vidas secas.</p><p>As declarações de Graciliano Ramos na Carta e o excerto</p><p>do romance permitem afirmar que a personagem Baleia,</p><p>em Vidas secas, representa</p><p>a) o conformismo dos sertanejos.</p><p>b) os anseios comunitários de jus�ça social.</p><p>c) os desejos incompa�veis com os de Fabiano.</p><p>d) a crença em uma vida sobrenatural.</p><p>e) o desdém por um mundo melhor.</p><p>L0192 - (Ufrgs)</p><p>No bloco superior abaixo, estão listados os �tulos de</p><p>alguns romances, representantes do Romance de 30 no</p><p>Brasil; no inferior, o enredo central desses romances.</p><p>Associe adequadamente o bloco inferior ao superior.</p><p>1. A bagaceira, de José Américo de Almeida.</p><p>2. O quinze, de Rachel de Queiroz.</p><p>3. Menino de engenho, de José Lins do Rego.</p><p>4. Os ratos, de Dyonélio Machado.</p><p>5. Vidas secas, de Graciliano Ramos.</p><p>(__) Os re�rantes sertanejos Valen�m Pereira, Soledade,</p><p>sua filha, e Pirunga, um agregado, buscam, durante uma</p><p>terrível seca, abrigo no engenho de Dagoberto Marcão.</p><p>(__) Carlos de Melo narra suas memórias de infância na</p><p>fazenda Santa Rosa, apresentando o avô, as �as e os</p><p>“moleques da bagaceira”.</p><p>(__) Família de re�rantes foge da seca em direção ao sul</p><p>do Brasil, rumo a uma cidade grande, onde há trabalho</p><p>para o pai e escola para os filhos.</p><p>(__) Funcionário público, endividado com o leiteiro,</p><p>perambula pela cidade em busca do dinheiro para saldar</p><p>sua dívida.</p><p>A sequência correta de preenchimento dos parênteses,</p><p>de cima para baixo, é</p><p>a) 4 – 1 – 5 – 2.</p><p>b) 2 – 4 – 1 – 3.</p><p>c) 1 – 3 – 5 – 4.</p><p>d) 5 – 2 – 3 – 1.</p><p>e) 3 – 1 – 4 – 2.</p><p>L0205 - (Enem)</p><p>A velha Totonha de quando em vez ba�a no</p><p>engenho. E era um acontecimento para a meninada...</p><p>Que talento ela possuía para contar as suas histórias,</p><p>com um jeito admirável de falar em nome de todos os</p><p>personagens, sem nenhum dente na boca, e com uma</p><p>voz que dava todos os tons às palavras!</p><p>Havia sempre rei e rainha, nos seus contos, e</p><p>forca e adivinhações. E muito da vida, com as suas</p><p>maldades e as suas grandezas, a gente encontrava</p><p>naqueles heróis e naqueles intrigantes, que eram sempre</p><p>cas�gados com mortes horríveis! O que fazia a velha</p><p>Totonha mais curiosa era a cor local que ela punha nos</p><p>seus descri�vos. Quando ela queria pintar um reino era</p><p>como se es�vesse falando dum engenho fabuloso. Os rios</p><p>e florestas por onde andavam os seus personagens se</p><p>pareciam muito com a Paraíba e a Mata do Rolo. O seu</p><p>Barba-Azul era um senhor de engenho de Pernambuco.</p><p>José Lins do Rego. Menino de Engenho. Rio de Janeiro:</p><p>José Olympio, 1980, p. 49-51 (com adaptações).</p><p>Na construção da personagem "velha Totonha", é</p><p>possível iden�ficar traços que revelam marcas do</p><p>processo de colonização e de civilização do país.</p><p>Considerando o texto acima, infere-se que a velha</p><p>Totonha</p><p>6@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) �ra o seu sustento da produção da literatura, apesar</p><p>de suas condições de vida e de trabalho, que denotam</p><p>que ela enfrenta situação econômica muito adversa.</p><p>b) compõe, em suas histórias, narra�vas épicas e</p><p>realistas da história do país colonizado, livres da</p><p>influência de temas e modelos</p><p>não representa�vos da</p><p>realidade nacional.</p><p>c) retrata, na cons�tuição do espaço dos contos, a</p><p>civilização urbana europeia em concomitância com a</p><p>representação literária de engenhos, rios e florestas do</p><p>Brasil.</p><p>d) aproxima-se, ao incluir elementos fabulosos nos</p><p>contos, do próprio romancista, o qual pretende</p><p>retratar a realidade brasileira de forma tão grandiosa</p><p>quanto a europeia.</p><p>e) imprime marcas da realidade local a suas narra�vas,</p><p>que têm como modelo e origem as fontes da literatura</p><p>e da cultura europeia universalizada.</p><p>L0206 - (Ufrgs)</p><p>Leia os trechos abaixo, re�rados do capítulo Ana Terra,</p><p>de O con�nente, da trilogia O tempo e o vento, de Erico</p><p>Verissimo.</p><p>Maneco Terra era um homem que falava pouco e</p><p>trabalhava demais. Severo e sério, exigia dos outros</p><p>muito respeito e obediência, e não admi�a que ninguém</p><p>em casa discu�sse com ele. (...)</p><p>D. Henriqueta respeitava o marido, nunca ousava</p><p>contrariá-lo. A verdade era que, afora aquela coisa de</p><p>terem vindo para o Rio Grande e umas certas</p><p>casmurrices, não �nha queixa dele. Maneco era um</p><p>homem direito, um homem de bem, e nunca a tratara</p><p>com brutalidade. (...)</p><p>Mas havia épocas em que não aparecia ninguém. E Ana</p><p>só via a seu redor quatro pessoas: o pai, a mãe e os</p><p>irmãos. Quanto ao resto, eram sempre aqueles coxilhões</p><p>a perder de vista, a solidão e o vento. Não havia outro</p><p>remédio — achava ela — senão trabalhar para esquecer</p><p>o medo, a tristeza, a aflição... Acordava e pulava da cama,</p><p>mal raiava o dia. Ia aquentar a água para o chimarrão dos</p><p>homens, depois começava a faina diária: ajudar a mãe na</p><p>cozinha, fazer pão, cuidar dos bichos do quintal, lavar a</p><p>roupa. Por ocasião das colheitas ia com o resto da família</p><p>para a lavoura e lá ficava mourejando de sol a sol.</p><p>Comparando os trechos acima com o conto Dois guaxos,</p><p>de Sergio Faraco, considere as seguintes afirmações.</p><p>I. Há confluências entre os dois textos, como as</p><p>condições precárias de vida em um rancho isolado no</p><p>interior do Rio Grande do Sul, o nome da irmã de</p><p>Maninho e seu envolvimento com um agregado da</p><p>família.</p><p>II. Há semelhanças nas considerações sobre os maridos,</p><p>feitas pela mãe de Maninho e por D. Henriqueta, mãe de</p><p>Ana Terra.</p><p>III. Há o contraste em relação à estrutura familiar: no</p><p>romance, pai, mãe e filhos; no conto, uma família</p><p>marcada pela ausência da mãe e pela figura paterna</p><p>degradada.</p><p>Quais estão corretas?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas II.</p><p>c) Apenas III.</p><p>d) Apenas I e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>L0193 - (Enem)</p><p>Texto I</p><p>Agora Fabiano conseguia arranjar as ideias. O</p><p>que o segurava era a família. Vivia preso como um</p><p>novilho amarrado ao mourão, suportando ferro quente.</p><p>Se não fosse isso, um soldado amarelo não lhe pisava o</p><p>pé não. (...) Tinha aqueles cambões pendurados ao</p><p>pescoço. Deveria con�nuar a arrastá-los? Sinha Vitória</p><p>dormia mal na cama de varas. Os meninos eram uns</p><p>brutos, como o pai. Quando crescessem, guardariam as</p><p>reses de um patrão invisível, seriam pisados, maltratados,</p><p>machucados por um soldado amarelo.</p><p>Graciliano Ramos. Vidas Secas. São Paulo: Mar�ns, 23ª</p><p>ed., 1969, p. 75.</p><p>Texto II</p><p>Para Graciliano, o roceiro pobre é um outro,</p><p>enigmá�co, impermeável. Não há solução fácil para uma</p><p>tenta�va de incorporação dessa figura no campo da</p><p>ficção. É lidando com o impasse, ao invés de fáceis</p><p>soluções, que Graciliano vai criar Vidas Secas, elaborando</p><p>uma linguagem, uma estrutura romanesca, uma</p><p>cons�tuição de narrador em que narrador e criaturas se</p><p>tocam, mas não se iden�ficam. Em grande medida, o</p><p>debate acontece porque, para a intelectualidade</p><p>brasileira naquele momento, o pobre, a despeito de</p><p>aparecer idealizado em certos aspectos, ainda é visto</p><p>como um ser humano de segunda categoria, simples</p><p>demais, incapaz de ter pensamentos demasiadamente</p><p>complexos. O que "Vidas Secas" faz é, com pretenso não</p><p>envolvimento da voz que controla a narra�va, dar conta</p><p>de uma riqueza humana de que essas pessoas seriam</p><p>plenamente capazes.</p><p>Luís Bueno. Guimarães, Clarice e antes.In: Teresa. São</p><p>Paulo: USP, nº 2, 2001, p. 254.</p><p>7@professorferretto @prof_ferretto</p><p>No texto II, verifica-se que o autor u�liza</p><p>a) linguagem predominantemente formal, para</p><p>problema�zar, na composição de "Vidas Secas", a</p><p>relação entre o escritor e o personagem popular.</p><p>b) linguagem inovadora, visto que, sem abandonar a</p><p>linguagem formal, dirige-se diretamente ao leitor.</p><p>c) linguagem coloquial, para narrar coerentemente uma</p><p>história que apresenta o roceiro pobre de forma</p><p>pitoresca.</p><p>d) linguagem formal com recursos retóricos próprios do</p><p>texto literário em prosa, para analisar determinado</p><p>momento da literatura brasileira.</p><p>e) linguagem regionalista, para transmi�r informações</p><p>sobre literatura, valendo-se de coloquialismo, para</p><p>facilitar o entendimento do texto.</p><p>L0195 - (Ufrgs)</p><p>Leia os segmentos abaixo do ensaio A nova narra�va, de</p><p>Antonio Candido, sobre a ficção brasileira a par�r da</p><p>década de 1960.</p><p>O esforço do escritor atual é inverso. Ele deseja apagar as</p><p>distâncias sociais, iden�ficando-se com a matéria</p><p>popular. Por isso usa a primeira pessoa como recurso</p><p>para confundir autor e personagem, adotando uma</p><p>espécie de discurso direto permanente e</p><p>desconvencionalizado, que permite fusão maior que a do</p><p>indireto livre. Esta abdicação es�lís�ca é um traço da</p><p>maior importância na atual ficção brasileira.</p><p>[...]</p><p>Este ânimo de experimentar e renovar talvez enfraqueça</p><p>a ambição criadora, porque se concentra no pequeno</p><p>fazer de cada texto. Daí o abandono dos grandes projetos</p><p>de antanho. [...] O ímpeto narra�vo se atomiza e a</p><p>unidade ideal acaba sendo o conto, a crônica, o sketch,</p><p>que permitem manter a tensão di�cil da violência, do</p><p>insólito ou da visão fulgurante.</p><p>Considere as seguintes afirmações.</p><p>I. O autor procura jus�ficar a tendência crescente de</p><p>romances brasileiros narrados em primeira pessoa, que</p><p>se verifica até hoje.</p><p>II. Os “grandes projetos” podem ser exemplificados em</p><p>obras como o Ciclo da cana-de-açúcar, de José Lins do</p><p>Rego, como os Romances da Bahia, de Jorge Amado,</p><p>como O tempo e o vento , de Erico Verissimo.</p><p>III. O autor procura jus�ficar a emergência de narra�vas</p><p>curtas no Brasil, como o conto e a crônica.</p><p>Quais estão corretas?</p><p>a) Apenas I.</p><p>b) Apenas III.</p><p>c) Apenas I e II.</p><p>d) Apenas II e III.</p><p>e) I, II e III.</p><p>L0362 - (Enem PPL)</p><p>As cores</p><p>Maria Alice abandonou o livro onde seus dedos</p><p>longos liam uma história de amor. Em seu pequeno</p><p>mundo de volumes, de cheiros, de sons, todas aquelas</p><p>palavras eram a perpétua renovação dos mistérios em</p><p>cujo seio sua imaginação se perdia. [...] Como seria cor e</p><p>o que seria? [...]. Era, com certeza, a nota marcante de</p><p>todas as coisas para aqueles cujos olhos viam, aqueles</p><p>olhos que tantas vezes palpara com inveja calada e que</p><p>se fechavam, quando os tocava, sensíveis como pássaros</p><p>assustados, palpitantes de vida, sob seus dedos trêmulos,</p><p>que diziam ser claros. Que seria o claro, afinal? Algo que</p><p>aprendera, de há muito, ser igual ao branco. [...]</p><p>E agora Maria Alice voltava outra vez ao Ins�tuto. E ao</p><p>grande amigo que lá conhecera. [...]. Lembrava-se da</p><p>ternura daquela voz, da beleza daquela voz. De como se</p><p>adivinhavam entre dezenas de outros e suas mãos se</p><p>encontravam. De como as palavras de amor �nham</p><p>irrompido e suas bocas se encontrado... De como um dia</p><p>seus pais haviam surgido inesperadamente no Ins�tuto e</p><p>a haviam levado à sala do diretor e se haviam queixado</p><p>da falta de vigilância e moralidade no estabelecimento. E</p><p>de como, no momento em que a re�ravam e quando ela</p><p>disse que pretendia se despedir de um amigo pelo qual</p><p>�nha grande afeição e com quem se queria casar, o pai</p><p>exclamara, horrorizado:</p><p>– Você não tem juízo, criatura? Casar-se com um</p><p>mulato? Nunca!</p><p>Mulato era cor. Estava longe aquele dia. Estava longe</p><p>o Ins�tuto, ao qual não saberia voltar, do qual nunca mais</p><p>�vera no�cia, e do qual somente restara o privilégio de</p><p>caminhar sozinha pelo reino dos livros, tão parecido com</p><p>a vida dos outros, tão cheio de cores...</p><p>LESSA, O. Seleta de Orígenes Lessa. Rio de Janeiro: José</p><p>Olympio, 1973.</p><p>No texto, a</p><p>condição da personagem e os</p><p>desdobramentos da narra�va conduzem o leitor a</p><p>compreender o(a)</p><p>8@professorferretto @prof_ferretto</p><p>a) percepção das cores como metáfora da discriminação</p><p>racial.</p><p>b) privação da visão como elemento definidor das</p><p>relações humanas.</p><p>c) contraste entre as representações do amor de</p><p>diferentes gerações.</p><p>d) prevalência das diferenças sociais sobre a liberdade</p><p>das relações afe�vas.</p><p>e) embate entre a ingenuidade juvenil e a manutenção</p><p>de tradições familiares.</p><p>L0365 - (Enem PPL)</p><p>As montanhas correm agora, lá fora, umas atrás das</p><p>outras, hos�s e espectrais, desertas de vontades novas</p><p>que as humanizem, esquecidas já dos an�gos homens</p><p>lendários que as povoaram e dominaram.</p><p>Carregam nos seus dorsos poderosos as pequenas</p><p>cidades decadentes, como uma doença aviltante e tenaz,</p><p>que se aninhou para sempre em suas dobras. Não</p><p>podendo matá-las de todo ou arrancá-las de si e vencer,</p><p>elas resignam-se e as ocultam com sua vegetação escura</p><p>e densa, que lhes serve de coberta, e resguardam o seu</p><p>sonho imperial de ferro e ouro.</p><p>PENNA, C. Fronteira. Rio de Janeiro: Ar�um, 2001.</p><p>As soluções de linguagem encontradas pelo narrador</p><p>projetam uma perspec�va lírica da paisagem</p><p>contemplada. Essa projeção alinha-se ao poé�co na</p><p>medida em que</p><p>a) explora a iden�dade entre o homem e a natureza.</p><p>b) reveste o inanimado de vitalidade e ressen�mento.</p><p>c) congela no tempo a prosperidade de an�gas cidades.</p><p>d) destaca a esté�ca das formas e das cores da paisagem.</p><p>e) captura o sen�do da ruína causada pela extração</p><p>mineral.</p><p>L0378 - (Enem PPL)</p><p>E fui mostrar ao ilustre hóspede [o governador do</p><p>Estado] a serraria, o descaroçador e o estábulo. Expliquei</p><p>em resumo a prensa, o dínamo, as serras e o banheiro</p><p>carrapa�cida. De repente supus que a escola poderia</p><p>trazer a benevolência do governador para certos favores</p><p>que eu tencionava solicitar.</p><p>— Pois sim senhor. Quando V. Exª. vier aqui outra vez,</p><p>encontrará essa gente aprendendo car�lha.</p><p>RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1991.</p><p>O fragmento do romance de Graciliano Ramos dialoga</p><p>com o contexto da Primeira República no Brasil, ao</p><p>focalizar o(a)</p><p>a) derrocada de prá�cas clientelistas.</p><p>b) declínio do an�go atraso socioeconômico.</p><p>c) liberalismo desapartado de favores do Estado.</p><p>d) fortalecimento de polí�cas públicas educacionais.</p><p>e) aliança entre a elite agrária e os dirigentes polí�cos.</p><p>L0389 - (Enem PPL)</p><p>A verdade é que não me preocupo muito com o outro</p><p>mundo. Admito Deus, pagador celeste dos meus</p><p>trabalhadores, mal remunerados cá na terra, e admito o</p><p>diabo, futuro carrasco do ladrão que me furtou uma vaca</p><p>de raça. Tenho, portanto, um pouco de religião, embora</p><p>julgue que, em parte, ela é dispensável a um homem.</p><p>Mas mulher sem religião é horrível.</p><p>Comunista, materialista. Bonito casamento! Amizade</p><p>com o Padilha, aquele imbecil. “Palestras amenas e</p><p>variadas”. Que haveria nas palestras? Reformas sociais,</p><p>ou coisa pior. Sei lá! Mulher sem religião é capaz de tudo.</p><p>RAMOS, G. São Bernardo. Rio de Janeiro: Record, 1981.</p><p>Uma das caracterís�cas da prosa de Graciliano Ramos é</p><p>ser bastante direta e enxuta. No romance São Bernardo,</p><p>o autor faz a análise psicológica de personagens e expõe</p><p>desigualdades sociais com base na relação entre patrão e</p><p>empregado, além da relação conjugal. Nesse sen�do, o</p><p>texto revela um(a)</p><p>a) narrador personagem que coloca no mesmo plano</p><p>Deus e o diabo, além de defender o livre-arbítrio</p><p>feminino no tocante à religião.</p><p>b) narrador onisciente, que não par�cipa da história,</p><p>conhecedor profundo do caráter machista de Paulo</p><p>Honório e da sua ideologia polí�ca.</p><p>c) narração em terceira pessoa que explora o aspecto</p><p>obje�vo e claro da linguagem para associar o espaço</p><p>interno do personagem ao espaço externo.</p><p>d) discurso em primeira pessoa que transmite o caráter</p><p>ambíguo da religiosidade do personagem e sua</p><p>convicção acerca da relação que a mulher deve ter</p><p>com a religião.</p><p>e) narrador alheio às questões socioculturais e</p><p>econômicas da sociedade capitalista e que defende a</p><p>divisão dos bens e o trabalho cole�vo como modo de</p><p>organização social e polí�ca.</p><p>L0451 - (Unesp)</p><p>Sem dúvida, o capital não tem pátria, e é esta uma</p><p>das suas vantagens universais que o fazem tão a�vo e</p><p>irradiante. Mas o trabalho que ele explora tem mãe, tem</p><p>pai, tem mulher e filhos, tem língua e costumes, tem</p><p>música e religião. Tem uma fisionomia humana que dura</p><p>9@professorferretto @prof_ferretto</p><p>enquanto pode. E como pode, já que a sua situação de</p><p>raiz é sempre a de falta e dependência.</p><p>Narrar a necessidade é perfazer a forma do ciclo.</p><p>Entre a consciência narradora, que sustém a história, e a</p><p>matéria narrável, sertaneja, opera um pensamento</p><p>desencantado, que figura o co�diano do pobre em um</p><p>ritmo pendular: da chuva à seca, da folga à carência, do</p><p>bem-estar à depressão, voltando sempre do úl�mo</p><p>estado ao primeiro. É a narração, que se quer obje�va, da</p><p>modés�a dos meios de vida registrada na modés�a da</p><p>vida simbólica.</p><p>(Alfredo Bosi. Céu, inferno: ensaios de crí�ca literária</p><p>e ideológica, 2003. Adaptado.)</p><p>O comentário aplica-se com precisão à obra</p><p>a) Vidas secas, de Graciliano Ramos.</p><p>b) Macunaíma, de Mário de Andrade.</p><p>c) Os sertões, de Euclides da Cunha.</p><p>d) Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa.</p><p>e) A hora da estrela, de Clarice Lispector.</p><p>10@professorferretto @prof_ferretto</p>

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