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A_Inclusão_do_Surdo_no_Mercado_de_Trabalho_Walquiria_Vidal

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<p>PREFÁCIO</p><p>O tempo é, de fato, um lampejo. Passou-se mais de uma década desde</p><p>que vi os primeiros escritos de Walquíria Vidal acerca de suas preocupações</p><p>com o processo de inclusão da pessoa surda no mercado de trabalho. Na</p><p>minha memória, enquanto sua orientadora do trabalho de conclusão do</p><p>Curso de Direito, é marcante a sua imagem relatando-me as experiências</p><p>vividas em família e o anseio por ajudar o seu irmão surdo, José Júlio, no</p><p>percurso de inclusão social e na ruptura de conceitos e preconceitos que a</p><p>sociedade carrega ao tentar fazer crer que a pessoa com de�ciência é</p><p>ine�ciente ou profundamente limitada.</p><p>Foi com grande alegria e honra que recebi o convite para prefaciar o</p><p>seu livro, eis que nascido de um pungente ideal de sua formação acadêmica,</p><p>que se expandiu para além dos muros da faculdade, ganhando relevância</p><p>para a comunidade surda brasileira, porque faz uma abordagem dos</p><p>aspectos legal e �losó�co da temática, trazendo a reboque um olhar de</p><p>reconhecimento e respeito à dignidade humana das pessoas surdas.</p><p>Walquíria Vidal foi muito além de uma inquietação em família. Ávida</p><p>pela implementação de políticas públicas que promovam um nível</p><p>igualitário de acesso às oportunidades oferecidas e à independência do(a)</p><p>surdo(a), ela seguiu se aperfeiçoando incessantemente. Seus esforços servem</p><p>de exemplo no movimento para redução das barreiras limitantes</p><p>enfrentadas por pessoas com de�ciência, sobretudo para que se abram</p><p>espaços e elas possam exercer sua cidadania efetiva e demonstrar</p><p>competência e responsabilidade no âmbito do trabalho.</p><p>Numa linda trajetória de advogada militante e mulher de fé, incansável</p><p>na luta pela inclusão social da pessoa surda, coube à autora a primeira</p><p>sustentação oral interpretada em LIBRAS no Tribunal de Justiça do Rio</p><p>Grande do Norte. Foi também pioneira ao fundar a Associação de Surdos de</p><p>Parnamirim/RN e, enquanto instrutora de LIBRAS, Língua Brasileira de</p><p>Sinais, principal língua da pessoa Surda L1 (língua mãe), já ministrou mais</p><p>de 200 cursos e capacitações em diferentes estados do país, além de palestras</p><p>nos mais diversos entes públicos e privados, para melhorar a acessibilidade</p><p>da comunidade surda brasileira.</p><p>A história de Walquíria Vidal já resplandece justas condecorações pelo</p><p>magnânimo trabalho desenvolvido ao longo dos anos, mas penso que ela</p><p>merecia legar aos seus �lhos e às gerações futuras um marco inapagável que</p><p>expressasse o seu pensamento e a sua missão, na condição de corajosa</p><p>mulher, encarregada de inúmeros papéis na sociedade, que explorou</p><p>horizontes audaciosos para vencer barreiras visíveis e invisíveis,</p><p>oportunizando os primeiros passos para uma real acessibilidade das pessoas</p><p>surdas no mercado de trabalho. Este livro representa esse legado, por</p><p>eternizar o pensamento, o humanismo e a luta da autora em promover uma</p><p>sociedade com menos desigualdade, mais tolerância e inclusão social.</p><p>A todas as pessoas, o meu desejo de uma prazerosa leitura!</p><p>Natal/RN, 20 de março de 2024.</p><p>Alba Paulo de Azevedo</p><p>Juíza de Direito – TJRN,</p><p>Mestre em Direito e Doutoranda em Ciências Sociais pela</p><p>UFRN</p><p>SUMÁRIO</p><p>Capa</p><p>Folha de Rosto</p><p>Créditos</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>2. ASPECTOS HISTÓRICOS ACERCA DA INCLUSÃO DA PESSOA</p><p>COM DEFICIÊNCIA</p><p>3. O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA COMO FONTE</p><p>INSPIRADORA DAS GARANTIAS DOS DIREITOS DA PESSOA</p><p>COM DEFICIÊNCIA</p><p>4. O ALCANCE DA PROTEÇÃO JURÍDICA BRASILEIRA</p><p>CONFERIDA AO TRABALHADOR COM DEFICIÊNCIA</p><p>4.1 A tutela Constitucional</p><p>4.2 A tutela infraconstitucional</p><p>5. O SURDO</p><p>5.1. O Surdo numa acepção legal</p><p>5.2 O Surdo numa acepção �losó�ca</p><p>6. UM BREVE RELATO DA HISTÓRIA EDUCACIONAL DO</p><p>SURDO NO BRASIL</p><p>7. A LEI 8.213/91, ART. 93</p><p>A problemática</p><p>8. O MERCADO DE TRABALHO INCLUSIVO</p><p>CONCLUSÃO</p><p>ANEXOS</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>Neste livro buscou-se perceber as possíveis barreiras atitudinais na</p><p>aplicação do art. 93 da Lei 8.213/91, “Lei de cotas” para a pessoa surda, com</p><p>o intuito de contribuir no processo de conscientização para amenizar e</p><p>quiçá erradicar uma prática medíocre arraigada na cultura ouvinte que é a</p><p>supervalorização das limitações e diminuindo a competência dessas pessoas,</p><p>no que se refere à inclusão dos surdos no mercado de trabalho. Em um</p><p>mundo contemporâneo, onde a quali�cação torna-se cada vez mais</p><p>premente, gerando uma concorrência desenfreada e muitas vezes desleal,</p><p>enfatiza-se a realização de políticas públicas destinadas à capacitação das</p><p>pessoas portadoras de de�ciência visando torná-las aptas a aproveitar as</p><p>oportunidades de inclusão no mercado de trabalho previstas na legislação,</p><p>tendo em vista a gama de pormenores intrínsecos a essa quali�cação, como</p><p>educação, informação, treinamento especial e outros. Visa problematizar a</p><p>questão enfocando a análise da legislação aplicável (Lei de inclusão, Lei de</p><p>cotas, Nº. 8.213/91), à luz do Princípio constitucional da isonomia e da</p><p>dignidade humana.</p><p>O processo de inclusão do surdo no mercado de trabalho é amparado</p><p>na Lei 8.213/91, art. 93, que versa sobre a reserva de vagas para de�cientes</p><p>em empresas.</p><p>Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a</p><p>preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos com</p><p>beneficiários reabilitados ou pessoas portadoras de deficiência, habilitadas, na</p><p>seguinte proporção:</p><p>I - até 200 empregados.........................................2%;</p><p>II - de 201 a 500...................................................3%;</p><p>III - de 501 a 1.000...............................................4%;</p><p>IV - de 1.001 em diante. ......................................5%</p><p>O Estado, no cumprimento de suas obrigações, políticas e ações no que</p><p>tange à pessoa com de�ciência, e em resposta à luta dessa classe contra o</p><p>capacitismo, chancela em Lei a contratação de pessoas com de�ciência,</p><p>objetivando a inclusão dessas pessoas no mercado de trabalho. Ocorre que o</p><p>artigo se limita, apenas, a quanti�car o número de pessoas com de�ciência a</p><p>serem contratadas para que a lei seja obedecida.</p><p>Numa breve análise dos fatos constatou-se uma problemática no</p><p>cumprimento da Lei em relação à absorção da mão de obra surda. Em que</p><p>pese serem pessoas com de�ciência, não se pode subestimar que sua</p><p>e�ciência seja limitada a apenas um determinado serviço.</p><p>Em se tratando de pessoa surda, as empresas procuram absorver essa</p><p>mão de obra por não haver necessidade de se fazer adaptação no prédio</p><p>(instalações físicas), tendo em vista que a de�ciência do surdo é sensorial, é</p><p>mais “cômodo” contratar o surdo e cumprir a lei.</p><p>O que vemos são grá�cos positivos informando a inserção do surdo no</p><p>mercado de trabalho, mas que não passam de apenas números frios, numa</p><p>visão mais rebuscada conclui-se que é uma maquiagem para esconder</p><p>verdadeiramente o que há por detrás das cortinas da “inclusão”, os surdos.</p><p>Mesmo com escolaridade e até cursos técnicos que os habilitam para</p><p>ascender de função na empresa, são mantidos em uma função meramente</p><p>mecânica, sem ter a mínima chance de progredir de cargo dentro da</p><p>empresa.</p><p>Adentra-se à Lei 8.213/91, art. 93, e em sua atuação na comunidade</p><p>surda detecta-se o problema na e�cácia, em que há uma necessidade de</p><p>propor uma política de atitudes, re�etindo nas políticas compensatórias,</p><p>conjuntamente com as ações a�rmativas, contribuindo para efetivação do</p><p>direito.</p><p>Através deste estudo, ao olhar a Lei 8.213/91, art. 93, e as Políticas</p><p>Públicas, com sua base construída num Estado Democrático e numa</p><p>sociedade que busca incessantemente a igualdade, propõe-se o desa�o de</p><p>interpretar a Política de Ação A�rmativa e compensatórias como um</p><p>importante instrumento para promover um nível igualitário de acesso às</p><p>oportunidades oferecidas e à independência do surdo.</p><p>2. ASPECTOS HISTÓRICOS ACERCA DA</p><p>INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA</p><p>Nas últimas décadas instaurou-se um movimento mundial em defesa</p><p>dos direitos dos indivíduos portadores de necessidades especiais. Em 1975</p><p>foi apresentada a Declaração dos Direitos das Pessoas De�cientes, essa</p><p>Resolução foi aprovada pela Assembleia Geral da Organização das Nações</p><p>Unidas, em 09/12/75, versando a seguinte</p><p>pessoa com de�ciência e de sua participação social em igualdade de</p><p>condições e oportunidades com as demais pessoas.</p><p>Art. 15. O processo mencionado no art. 14 desta Lei baseia-se em</p><p>avaliação multidisciplinar das necessidades, habilidades e potencialidades de</p><p>cada pessoa, observadas as seguintes diretrizes:</p><p>I - diagnóstico e intervenção precoces;</p><p>II - adoção de medidas para compensar perda ou limitação funcional,</p><p>buscando o desenvolvimento de aptidões;</p><p>III - atuação permanente, integrada e articulada de políticas públicas</p><p>que possibilitem a plena participação social da pessoa com de�ciência;</p><p>IV - oferta de rede de serviços articulados, com atuação intersetorial,</p><p>nos diferentes níveis de complexidade, para atender às necessidades</p><p>especí�cas da pessoa com de�ciência;</p><p>V - prestação de serviços próximo ao domicílio da pessoa com</p><p>de�ciência, inclusive na zona rural, respeitadas a organização das Redes de</p><p>Atenção à Saúde (RAS) nos territórios locais e as normas do Sistema Único</p><p>de Saúde (SUS).</p><p>Art. 16. Nos programas e serviços de habilitação e de reabilitação para</p><p>a pessoa com de�ciência, são garantidos:</p><p>I - organização, serviços, métodos, técnicas e recursos para atender às</p><p>características de cada pessoa com de�ciência;</p><p>II - acessibilidade em todos os ambientes e serviços;</p><p>III - tecnologia assistiva, tecnologia de reabilitação, materiais e</p><p>equipamentos adequados e apoio técnico pro�ssional, de acordo com as</p><p>especi�cidades de cada pessoa com de�ciência;</p><p>IV - capacitação continuada de todos os pro�ssionais que participem</p><p>dos programas e serviços.</p><p>Art. 17. Os serviços do SUS e do Suas deverão promover ações</p><p>articuladas para garantir à pessoa com de�ciência e sua família a aquisição</p><p>de informações, orientações e formas de acesso às políticas públicas</p><p>disponíveis, com a �nalidade de propiciar sua plena participação social.</p><p>Parágrafo único. Os serviços de que trata o caput deste artigo podem</p><p>fornecer informações e orientações nas áreas de saúde, de educação, de</p><p>cultura, de esporte, de lazer, de transporte, de previdência social, de</p><p>assistência social, de habitação, de trabalho, de empreendedorismo, de</p><p>acesso ao crédito, de promoção, proteção e defesa de direitos e nas demais</p><p>áreas que possibilitem à pessoa com de�ciência exercer sua cidadania.</p><p>CAPÍTULO III</p><p>DO DIREITO À SAÚDE</p><p>Art. 18. É assegurada atenção integral à saúde da pessoa com</p><p>de�ciência em todos os níveis de complexidade, por intermédio do SUS,</p><p>garantido acesso universal e igualitário.</p><p>§ 1º É assegurada a participação da pessoa com de�ciência na</p><p>elaboração das políticas de saúde a ela destinadas.</p><p>§ 2º É assegurado atendimento segundo normas éticas e técnicas, que</p><p>regulamentarão a atuação dos pro�ssionais de saúde e contemplarão</p><p>aspectos relacionados aos direitos e às especi�cidades da pessoa com</p><p>de�ciência, incluindo temas como sua dignidade e autonomia.</p><p>§ 3º Aos pro�ssionais que prestam assistência à pessoa com de�ciência,</p><p>especialmente em serviços de habilitação e de reabilitação, deve ser</p><p>garantida capacitação inicial e continuada.</p><p>§ 4º As ações e os serviços de saúde pública destinados à pessoa com</p><p>de�ciência devem assegurar:</p><p>I - diagnóstico e intervenção precoces, realizados por equipe</p><p>multidisciplinar;</p><p>II - serviços de habilitação e de reabilitação sempre que necessários,</p><p>para qualquer tipo de de�ciência, inclusive para a manutenção da melhor</p><p>condição de saúde e qualidade de vida;</p><p>III - atendimento domiciliar multidisciplinar, tratamento ambulatorial</p><p>e internação;</p><p>IV - campanhas de vacinação;</p><p>V - atendimento psicológico, inclusive para seus familiares e atendentes</p><p>pessoais;</p><p>VI - respeito à especi�cidade, à identidade de gênero e à orientação</p><p>sexual da pessoa com de�ciência;</p><p>VII - atenção sexual e reprodutiva, incluindo o direito à fertilização</p><p>assistida;</p><p>VIII - informação adequada e acessível à pessoa com de�ciência e a</p><p>seus familiares sobre sua condição de saúde;</p><p>IX - serviços projetados para prevenir a ocorrência e o</p><p>desenvolvimento de de�ciências e agravos adicionais;</p><p>X - promoção de estratégias de capacitação permanente das equipes</p><p>que atuam no SUS, em todos os níveis de atenção, no atendimento à pessoa</p><p>com de�ciência, bem como orientação a seus atendentes pessoais;</p><p>XI - oferta de órteses, próteses, meios auxiliares de locomoção,</p><p>medicamentos, insumos e fórmulas nutricionais, conforme as normas</p><p>vigentes do Ministério da Saúde.</p><p>§ 5º As diretrizes deste artigo aplicam-se também às instituições</p><p>privadas que participem de forma complementar do SUS ou que recebam</p><p>recursos públicos para sua manutenção.</p><p>Art. 19. Compete ao SUS desenvolver ações destinadas à prevenção de</p><p>de�ciências por causas evitáveis, inclusive por meio de:</p><p>I - acompanhamento da gravidez, do parto e do puerpério, com</p><p>garantia de parto humanizado e seguro;</p><p>II - promoção de práticas alimentares adequadas e saudáveis, vigilância</p><p>alimentar e nutricional, prevenção e cuidado integral dos agravos</p><p>relacionados à alimentação e nutrição da mulher e da criança;</p><p>III - aprimoramento e expansão dos programas de imunização e de</p><p>triagem neonatal;</p><p>IV - identi�cação e controle da gestante de alto risco.</p><p>V - aprimoramento do atendimento neonatal, com a oferta de ações e</p><p>serviços de prevenção de danos cerebrais e sequelas neurológicas em recém-</p><p>nascidos, inclusive por telessaúde. (Incluído pela Lei nº 14.510, de 2022)</p><p>Art. 20. As operadoras de planos e seguros privados de saúde são</p><p>obrigadas a garantir à pessoa com de�ciência, no mínimo, todos os serviços</p><p>e produtos ofertados aos demais clientes.</p><p>Art. 21. Quando esgotados os meios de atenção à saúde da pessoa com</p><p>de�ciência no local de residência, será prestado atendimento fora de</p><p>domicílio, para �ns de diagnóstico e de tratamento, garantidos o transporte</p><p>e a acomodação da pessoa com de�ciência e de seu acompanhante.</p><p>Art. 22. À pessoa com de�ciência internada ou em observação é</p><p>assegurado o direito a acompanhante ou a atendente pessoal, devendo o</p><p>órgão ou a instituição de saúde proporcionar condições adequadas para sua</p><p>permanência em tempo integral.</p><p>§ 1º Na impossibilidade de permanência do acompanhante ou do</p><p>atendente pessoal junto à pessoa com de�ciência, cabe ao pro�ssional de</p><p>saúde responsável pelo tratamento justi�cá-la por escrito.</p><p>§ 2º Na ocorrência da impossibilidade prevista no § 1º deste artigo, o</p><p>órgão ou a instituição de saúde deve adotar as providências cabíveis para</p><p>suprir a ausência do acompanhante ou do atendente pessoal.</p><p>Art. 23. São vedadas todas as formas de discriminação contra a pessoa</p><p>com de�ciência, inclusive por meio de cobrança de valores diferenciados</p><p>por planos e seguros privados de saúde, em razão de sua condição.</p><p>Art. 24. É assegurado à pessoa com de�ciência o acesso aos serviços de</p><p>saúde, tanto públicos como privados, e às informações prestadas e recebidas,</p><p>por meio de recursos de tecnologia assistiva e de todas as formas de</p><p>comunicação previstas no inciso V do art. 3º desta Lei.</p><p>Art. 25. Os espaços dos serviços de saúde, tanto públicos quanto</p><p>privados, devem assegurar o acesso da pessoa com de�ciência, em</p><p>conformidade com a legislação em vigor, mediante a remoção de barreiras,</p><p>por meio de projetos arquitetônico, de ambientação de interior e de</p><p>comunicação que atendam às especi�cidades das pessoas com de�ciência</p><p>física, sensorial, intelectual e mental.</p><p>Art. 26. Os casos de suspeita ou de con�rmação de violência praticada</p><p>contra a pessoa com de�ciência serão objeto de noti�cação compulsória</p><p>pelos serviços de saúde públicos e privados à autoridade policial e ao</p><p>Ministério Público, além dos Conselhos dos Direitos da Pessoa com</p><p>De�ciência.</p><p>Parágrafo único. Para os efeitos desta Lei, considera-se violência contra</p><p>a pessoa com de�ciência qualquer ação ou omissão, praticada em local</p><p>público ou privado, que lhe cause morte ou dano ou sofrimento físico ou</p><p>psicológico.</p><p>CAPÍTULO IV</p><p>DO DIREITO À EDUCAÇÃO</p><p>Art. 27. A educação constitui direito da pessoa com de�ciência,</p><p>assegurados sistema educacional inclusivo em todos os níveis e aprendizado</p><p>ao longo de toda a vida, de</p><p>forma a alcançar o máximo desenvolvimento</p><p>possível de seus talentos e habilidades físicas, sensoriais, intelectuais e</p><p>sociais, segundo suas características, interesses e necessidades de</p><p>aprendizagem.</p><p>Parágrafo único. É dever do Estado, da família, da comunidade escolar</p><p>e da sociedade assegurar educação de qualidade à pessoa com de�ciência,</p><p>colocando-a a salvo de toda forma de violência, negligência e discriminação.</p><p>Art. 28. Incumbe ao poder público assegurar, criar, desenvolver,</p><p>implementar, incentivar, acompanhar e avaliar:</p><p>I - sistema educacional inclusivo em todos os níveis e modalidades,</p><p>bem como o aprendizado ao longo de toda a vida;</p><p>II - aprimoramento dos sistemas educacionais, visando a garantir</p><p>condições de acesso, permanência, participação e aprendizagem, por meio</p><p>da oferta de serviços e de recursos de acessibilidade que eliminem as</p><p>barreiras e promovam a inclusão plena;</p><p>III - projeto pedagógico que institucionalize o atendimento educacional</p><p>especializado, assim como os demais serviços e adaptações razoáveis, para</p><p>atender às características dos estudantes com de�ciência e garantir o seu</p><p>pleno acesso ao currículo em condições de igualdade, promovendo a</p><p>conquista e o exercício de sua autonomia;</p><p>IV - oferta de educação bilíngue, em Libras como primeira língua e na</p><p>modalidade escrita da língua portuguesa como segunda língua, em escolas e</p><p>classes bilíngues e em escolas inclusivas;</p><p>V - adoção de medidas individualizadas e coletivas em ambientes que</p><p>maximizem o desenvolvimento acadêmico e social dos estudantes com</p><p>de�ciência, favorecendo o acesso, a permanência, a participação e a</p><p>aprendizagem em instituições de ensino;</p><p>VI - pesquisas voltadas para o desenvolvimento de novos métodos e</p><p>técnicas pedagógicas, de materiais didáticos, de equipamentos e de recursos</p><p>de tecnologia assistiva;</p><p>VII - planejamento de estudo de caso, de elaboração de plano de</p><p>atendimento educacional especializado, de organização de recursos e</p><p>serviços de acessibilidade e de disponibilização e usabilidade pedagógica de</p><p>recursos de tecnologia assistiva;</p><p>VIII - participação dos estudantes com de�ciência e de suas famílias</p><p>nas diversas instâncias de atuação da comunidade escolar;</p><p>IX - adoção de medidas de apoio que favoreçam o desenvolvimento dos</p><p>aspectos linguísticos, culturais, vocacionais e pro�ssionais, levando-se em</p><p>conta o talento, a criatividade, as habilidades e os interesses do estudante</p><p>com de�ciência;</p><p>X - adoção de práticas pedagógicas inclusivas pelos programas de</p><p>formação inicial e continuada de professores e oferta de formação</p><p>continuada para o atendimento educacional especializado;</p><p>XI - formação e disponibilização de professores para o atendimento</p><p>educacional especializado, de tradutores e intérpretes da Libras, de guias</p><p>intérpretes e de pro�ssionais de apoio;</p><p>XII - oferta de ensino da Libras, do Sistema Braille e de uso de recursos</p><p>de tecnologia assistiva, de forma a ampliar habilidades funcionais dos</p><p>estudantes, promovendo sua autonomia e participação;</p><p>XIII - acesso à educação superior e à educação pro�ssional e</p><p>tecnológica em igualdade de oportunidades e condições com as demais</p><p>pessoas;</p><p>XIV - inclusão em conteúdos curriculares, em cursos de nível superior</p><p>e de educação pro�ssional técnica e tecnológica, de temas relacionados à</p><p>pessoa com de�ciência nos respectivos campos de conhecimento;</p><p>XV - acesso da pessoa com de�ciência, em igualdade de condições, a</p><p>jogos e a atividades recreativas, esportivas e de lazer, no sistema escolar;</p><p>XVI - acessibilidade para todos os estudantes, trabalhadores da</p><p>educação e demais integrantes da comunidade escolar às edi�cações, aos</p><p>ambientes e às atividades concernentes a todas as modalidades, etapas e</p><p>níveis de ensino;</p><p>XVII - oferta de pro�ssionais de apoio escolar;</p><p>XVIII - articulação intersetorial na implementação de políticas</p><p>públicas.</p><p>§ 1º Às instituições privadas, de qualquer nível e modalidade de ensino,</p><p>aplica-se obrigatoriamente o disposto nos incisos I, II, III, V, VII, VIII, IX,</p><p>X, XI, XII, XIII, XIV, XV, XVI, XVII e XVIII do caput deste artigo, sendo</p><p>vedada a cobrança de valores adicionais de qualquer natureza em suas</p><p>mensalidades, anuidades e matrículas no cumprimento dessas</p><p>determinações.</p><p>§ 2º Na disponibilização de tradutores e intérpretes da Libras a que se</p><p>refere o inciso XI do caput deste artigo, deve-se observar o seguinte:</p><p>I - os tradutores e intérpretes da Libras atuantes na educação básica</p><p>devem, no mínimo, possuir ensino médio completo e certi�cado de</p><p>pro�ciência na Libras; (Vigência)</p><p>II - os tradutores e intérpretes da Libras, quando direcionados à tarefa</p><p>de interpretar nas salas de aula dos cursos de graduação e pós-graduação,</p><p>devem possuir nível superior, com habilitação, prioritariamente, em</p><p>Tradução e Interpretação em Libras. (Vigência)</p><p>Art. 29. (VETADO).</p><p>Art. 30. Nos processos seletivos para ingresso e permanência nos</p><p>cursos oferecidos pelas instituições de ensino superior e de educação</p><p>pro�ssional e tecnológica, públicas e privadas, devem ser adotadas as</p><p>seguintes medidas:</p><p>I - atendimento preferencial à pessoa com de�ciência nas dependências</p><p>das Instituições de Ensino Superior (IES) e nos serviços;</p><p>II - disponibilização de formulário de inscrição de exames com campos</p><p>especí�cos para que o candidato com de�ciência informe os recursos de</p><p>acessibilidade e de tecnologia assistiva necessários para sua participação;</p><p>III - disponibilização de provas em formatos acessíveis para</p><p>atendimento às necessidades especí�cas do candidato com de�ciência;</p><p>IV - disponibilização de recursos de acessibilidade e de tecnologia</p><p>assistiva adequados, previamente solicitados e escolhidos pelo candidato</p><p>com de�ciência;</p><p>V - dilação de tempo, conforme demanda apresentada pelo candidato</p><p>com de�ciência, tanto na realização de exame para seleção quanto nas</p><p>atividades acadêmicas, mediante prévia solicitação e comprovação da</p><p>necessidade;</p><p>VI - adoção de critérios de avaliação das provas escritas, discursivas ou</p><p>de redação que considerem a singularidade linguística da pessoa com</p><p>de�ciência, no domínio da modalidade escrita da língua portuguesa;</p><p>VII - tradução completa do edital e de suas reti�cações em Libras.</p><p>CAPÍTULO V</p><p>DO DIREITO À MORADIA</p><p>Art. 31. A pessoa com de�ciência tem direito à moradia digna, no seio</p><p>da família natural ou substituta, com seu cônjuge ou companheiro ou</p><p>desacompanhada, ou em moradia para a vida independente da pessoa com</p><p>de�ciência, ou, ainda, em residência inclusiva.</p><p>§ 1º O poder público adotará programas e ações estratégicas para</p><p>apoiar a criação e a manutenção de moradia para a vida independente da</p><p>pessoa com de�ciência.</p><p>§ 2º A proteção integral na modalidade de residência inclusiva será</p><p>prestada no âmbito do Suas à pessoa com de�ciência em situação de</p><p>dependência que não disponha de condições de autossustentabilidade, com</p><p>vínculos familiares fragilizados ou rompidos.</p><p>Art. 32. Nos programas habitacionais, públicos ou subsidiados com</p><p>recursos públicos, a pessoa com de�ciência ou o seu responsável goza de</p><p>prioridade na aquisição de imóvel para moradia própria, observado o</p><p>seguinte:</p><p>I - reserva de, no mínimo, 3% (três por cento) das unidades</p><p>habitacionais para pessoa com de�ciência;</p><p>II - (VETADO);</p><p>III - em caso de edi�cação multifamiliar, garantia de acessibilidade nas</p><p>áreas de uso comum e nas unidades habitacionais no piso térreo e de</p><p>acessibilidade ou de adaptação razoável nos demais pisos;</p><p>IV - disponibilização de equipamentos urbanos comunitários</p><p>acessíveis;</p><p>V - elaboração de especi�cações técnicas no projeto que permitam a</p><p>instalação de elevadores.</p><p>§ 1º O direito à prioridade, previsto no  caput  deste artigo, será</p><p>reconhecido à pessoa com de�ciência bene�ciária apenas uma vez.</p><p>§ 2º Nos programas habitacionais públicos, os critérios de</p><p>�nanciamento devem ser compatíveis com os rendimentos da pessoa com</p><p>de�ciência ou de sua família.</p><p>§ 3º Caso não haja pessoa com de�ciência interessada nas unidades</p><p>habitacionais reservadas por força do disposto no inciso I do  caput  deste</p><p>artigo, as unidades não utilizadas</p><p>serão disponibilizadas às demais pessoas.</p><p>Art. 33. Ao poder público compete:</p><p>I - adotar as providências necessárias para o cumprimento do disposto</p><p>nos arts. 31 e 32 desta Lei; e</p><p>II - divulgar, para os agentes interessados e bene�ciários, a política</p><p>habitacional prevista nas legislações federal, estaduais, distrital e municipais,</p><p>com ênfase nos dispositivos sobre acessibilidade.</p><p>CAPÍTULO VI</p><p>DO DIREITO AO TRABALHO</p><p>Seção I</p><p>Disposições Gerais</p><p>Art. 34. A pessoa com de�ciência tem direito ao trabalho de sua livre</p><p>escolha e aceitação, em ambiente acessível e inclusivo, em igualdade de</p><p>oportunidades com as demais pessoas.</p><p>§ 1º As pessoas jurídicas de direito público, privado ou de qualquer</p><p>natureza são obrigadas a garantir ambientes de trabalho acessíveis e</p><p>inclusivos.</p><p>§ 2º A pessoa com de�ciência tem direito, em igualdade de</p><p>oportunidades com as demais pessoas, a condições justas e favoráveis de</p><p>trabalho, incluindo igual remuneração por trabalho de igual valor.</p><p>§ 3º É vedada restrição ao trabalho da pessoa com de�ciência e</p><p>qualquer discriminação em razão de sua condição, inclusive nas etapas de</p><p>recrutamento, seleção, contratação, admissão, exames admissional e</p><p>periódico, permanência no emprego, ascensão pro�ssional e reabilitação</p><p>pro�ssional, bem como exigência de aptidão plena.</p><p>§ 4º A pessoa com de�ciência tem direito à participação e ao acesso a</p><p>cursos, treinamentos, educação continuada, planos de carreira, promoções,</p><p>boni�cações e incentivos pro�ssionais oferecidos pelo empregador, em</p><p>igualdade de oportunidades com os demais empregados.</p><p>§ 5º É garantida aos trabalhadores com de�ciência acessibilidade em</p><p>cursos de formação e de capacitação.</p><p>Art. 35. É �nalidade primordial das políticas públicas de trabalho e</p><p>emprego promover e garantir condições de acesso e de permanência da</p><p>pessoa com de�ciência no campo de trabalho.</p><p>Parágrafo único. Os programas de estímulo ao empreendedorismo e ao</p><p>trabalho autônomo, incluídos o cooperativismo e o associativismo, devem</p><p>prever a participação da pessoa com de�ciência e a disponibilização de</p><p>linhas de crédito, quando necessárias.</p><p>Seção II</p><p>Da Habilitação Pro�ssional e Reabilitação Pro�ssional</p><p>Art. 36. O poder público deve implementar serviços e programas</p><p>completos de habilitação pro�ssional e de reabilitação pro�ssional para que</p><p>a pessoa com de�ciência possa ingressar, continuar ou retornar ao campo do</p><p>trabalho, respeitados sua livre escolha, sua vocação e seu interesse.</p><p>§ 1º Equipe multidisciplinar indicará, com base em critérios previstos</p><p>no § 1º do art. 2º desta Lei, programa de habilitação ou de reabilitação que</p><p>possibilite à pessoa com de�ciência restaurar sua capacidade e habilidade</p><p>pro�ssional ou adquirir novas capacidades e habilidades de trabalho.</p><p>§ 2º A habilitação pro�ssional corresponde ao processo destinado a</p><p>propiciar à pessoa com de�ciência aquisição de conhecimentos, habilidades</p><p>e aptidões para exercício de pro�ssão ou de ocupação, permitindo nível</p><p>su�ciente de desenvolvimento pro�ssional para ingresso no campo de</p><p>trabalho.</p><p>§ 3º Os serviços de habilitação pro�ssional, de reabilitação pro�ssional</p><p>e de educação pro�ssional devem ser dotados de recursos necessários para</p><p>atender a toda pessoa com de�ciência, independentemente de sua</p><p>característica especí�ca, a �m de que ela possa ser capacitada para trabalho</p><p>que lhe seja adequado e ter perspectivas de obtê-lo, de conservá-lo e de nele</p><p>progredir.</p><p>§ 4º Os serviços de habilitação pro�ssional, de reabilitação pro�ssional</p><p>e de educação pro�ssional deverão ser oferecidos em ambientes acessíveis e</p><p>inclusivos.</p><p>§ 5º A habilitação pro�ssional e a reabilitação pro�ssional devem</p><p>ocorrer articuladas com as redes públicas e privadas, especialmente de</p><p>saúde, de ensino e de assistência social, em todos os níveis e modalidades,</p><p>em entidades de formação pro�ssional ou diretamente com o empregador.</p><p>§ 6º A habilitação pro�ssional pode ocorrer em empresas por meio de</p><p>prévia formalização do contrato de emprego da pessoa com de�ciência, que</p><p>será considerada para o cumprimento da reserva de vagas prevista em lei,</p><p>desde que por tempo determinado e concomitante com a inclusão</p><p>pro�ssional na empresa, observado o disposto em regulamento.</p><p>§ 7º A habilitação pro�ssional e a reabilitação pro�ssional atenderão à</p><p>pessoa com de�ciência.</p><p>Seção III</p><p>Da Inclusão da Pessoa com De�ciência no Trabalho</p><p>Art. 37. Constitui modo de inclusão da pessoa com de�ciência no</p><p>trabalho a colocação competitiva, em igualdade de oportunidades com as</p><p>demais pessoas, nos termos da legislação trabalhista e previdenciária, na</p><p>qual devem ser atendidas as regras de acessibilidade, o fornecimento de</p><p>recursos de tecnologia assistiva e a adaptação razoável no ambiente de</p><p>trabalho.</p><p>Parágrafo único. A colocação competitiva da pessoa com de�ciência</p><p>pode ocorrer por meio de trabalho com apoio, observadas as seguintes</p><p>diretrizes:</p><p>I - prioridade no atendimento à pessoa com de�ciência com maior</p><p>di�culdade de inserção no campo de trabalho;</p><p>II - provisão de suportes individualizados que atendam a necessidades</p><p>especí�cas da pessoa com de�ciência, inclusive a disponibilização de</p><p>recursos de tecnologia assistiva, de agente facilitador e de apoio no ambiente</p><p>de trabalho;</p><p>III - respeito ao per�l vocacional e ao interesse da pessoa com</p><p>de�ciência apoiada;</p><p>IV - oferta de aconselhamento e de apoio aos empregadores, com vistas</p><p>à de�nição de estratégias de inclusão e de superação de barreiras, inclusive</p><p>atitudinais;</p><p>V - realização de avaliações periódicas;</p><p>VI - articulação intersetorial das políticas públicas;</p><p>VII - possibilidade de participação de organizações da sociedade civil.</p><p>Art. 38. A entidade contratada para a realização de processo seletivo</p><p>público ou privado para cargo, função ou emprego está obrigada à</p><p>observância do disposto nesta Lei e em outras normas de acessibilidade</p><p>vigentes.</p><p>CAPÍTULO VII</p><p>DO DIREITO À ASSISTÊNCIA SOCIAL</p><p>Art. 39. Os serviços, os programas, os projetos e os benefícios no</p><p>âmbito da política pública de assistência social à pessoa com de�ciência e</p><p>sua família têm como objetivo a garantia da segurança de renda, da</p><p>acolhida, da habilitação e da reabilitação, do desenvolvimento da autonomia</p><p>e da convivência familiar e comunitária, para a promoção do acesso a</p><p>direitos e da plena participação social.</p><p>§ 1º A assistência social à pessoa com de�ciência, nos termos</p><p>do  caput  deste artigo, deve envolver conjunto articulado de serviços do</p><p>âmbito da Proteção Social Básica e da Proteção Social Especial, ofertados</p><p>pelo Suas, para a garantia de seguranças fundamentais no enfrentamento de</p><p>situações de vulnerabilidade e de risco, por fragilização de vínculos e</p><p>ameaça ou violação de direitos.</p><p>§ 2º Os serviços socioassistenciais destinados à pessoa com de�ciência</p><p>em situação de dependência deverão contar com cuidadores sociais para</p><p>prestar-lhe cuidados básicos e instrumentais.</p><p>Art. 40. É assegurado à pessoa com de�ciência que não possua meios</p><p>para prover sua subsistência nem de tê-la provida por sua família o benefício</p><p>mensal de 1 (um) salário-mínimo, nos termos da  Lei nº 8.742, de 7 de</p><p>dezembro de 1993 .</p><p>CAPÍTULO VIII</p><p>DO DIREITO À PREVIDÊNCIA SOCIAL</p><p>Art. 41. A pessoa com de�ciência segurada do Regime Geral de</p><p>Previdência Social (RGPS) tem direito à aposentadoria nos termos da  Lei</p><p>Complementar nº 142, de 8 de maio de 2013 .</p><p>CAPÍTULO IX</p><p>DO DIREITO À CULTURA, AO ESPORTE, AO TURISMO E AO LAZER</p><p>Art. 42. A pessoa com de�ciência tem direito à cultura, ao esporte, ao</p><p>turismo e ao lazer em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,</p><p>sendo-lhe garantido o acesso:</p><p>I - a bens culturais em formato acessível;</p><p>II - a programas de televisão, cinema, teatro e outras atividades</p><p>culturais e desportivas em formato acessível; e</p><p>III - a monumentos e locais de importância cultural e a espaços que</p><p>ofereçam serviços ou eventos culturais e esportivos.</p><p>§ 1º É vedada a recusa de oferta de obra intelectual em formato</p><p>acessível à pessoa com de�ciência, sob qualquer argumento, inclusive sob a</p><p>alegação de proteção dos direitos de propriedade intelectual.</p><p>§ 2º O poder público deve adotar soluções destinadas à eliminação, à</p><p>redução ou à superação de barreiras para a promoção do acesso a todo</p><p>patrimônio cultural, observadas as normas de acessibilidade, ambientais e</p><p>de proteção do patrimônio histórico e artístico nacional.</p><p>Art. 43. O poder público deve promover a participação da pessoa com</p><p>de�ciência em atividades artísticas, intelectuais, culturais, esportivas e</p><p>recreativas, com vistas ao seu protagonismo, devendo:</p><p>I - incentivar a provisão de instrução, de treinamento e de recursos</p><p>adequados, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas;</p><p>II - assegurar acessibilidade nos locais de eventos e nos serviços</p><p>prestados por pessoa ou entidade envolvida na organização das atividades</p><p>de que trata este artigo; e</p><p>III - assegurar a participação da pessoa com de�ciência em jogos e</p><p>atividades recreativas, esportivas, de lazer, culturais e artísticas, inclusive no</p><p>sistema escolar, em igualdade de condições com as demais pessoas.</p><p>Art. 44. Nos teatros, cinemas, auditórios, estádios, ginásios de esporte,</p><p>locais de espetáculos e de conferências e similares, serão reservados espaços</p><p>livres e assentos para a pessoa com de�ciência, de acordo com a capacidade</p><p>de lotação da edi�cação, observado o disposto em regulamento.</p><p>§ 1º Os espaços e assentos a que se refere este artigo devem ser</p><p>distribuídos pelo recinto em locais diversos, de boa visibilidade, em todos os</p><p>setores, próximos aos corredores, devidamente sinalizados, evitando-se</p><p>áreas segregadas de público e obstrução das saídas, em conformidade com</p><p>as normas de acessibilidade.</p><p>§ 2º No caso de não haver comprovada procura pelos assentos</p><p>reservados, esses podem, excepcionalmente, ser ocupados por pessoas sem</p><p>de�ciência ou que não tenham mobilidade reduzida, observado o disposto</p><p>em regulamento.</p><p>§ 3º Os espaços e assentos a que se refere este artigo devem situar-se em</p><p>locais que garantam a acomodação de, no mínimo, 1 (um) acompanhante da</p><p>pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida, resguardado o direito</p><p>de se acomodar proximamente a grupo familiar e comunitário.</p><p>§ 4º Nos locais referidos no  caput  deste artigo, deve haver,</p><p>obrigatoriamente, rotas de fuga e saídas de emergência acessíveis, conforme</p><p>padrões das normas de acessibilidade, a �m de permitir a saída segura da</p><p>pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida, em caso de</p><p>emergência.</p><p>§ 5º Todos os espaços das edi�cações previstas no  caput  deste artigo</p><p>devem atender às normas de acessibilidade em vigor.</p><p>§ 6º As salas de cinema devem oferecer, em todas as sessões, recursos</p><p>de acessibilidade para a pessoa com de�ciência. (Vigência)</p><p>§ 7º O valor do ingresso da pessoa com de�ciência não poderá ser</p><p>superior ao valor cobrado das demais pessoas.</p><p>Art. 45. Os hotéis, pousadas e similares devem ser construídos</p><p>observando-se os princípios do desenho universal, além de adotar todos os</p><p>meios de acessibilidade, conforme legislação em vigor.(Vigência)</p><p>(Reglamento)</p><p>§ 1º Os estabelecimentos já existentes deverão disponibilizar, pelo</p><p>menos, 10% (dez por cento) de seus dormitórios acessíveis, garantida, no</p><p>mínimo, 1 (uma) unidade acessível.</p><p>§ 2º Os dormitórios mencionados no § 1º deste artigo deverão ser</p><p>localizados em rotas acessíveis.</p><p>CAPÍTULO X</p><p>DO DIREITO AO TRANSPORTE E À MOBILIDADE</p><p>Art. 46. O direito ao transporte e à mobilidade da pessoa com</p><p>de�ciência ou com mobilidade reduzida será assegurado em igualdade de</p><p>oportunidades com as demais pessoas, por meio de identi�cação e de</p><p>eliminação de todos os obstáculos e barreiras ao seu acesso.</p><p>§ 1º Para �ns de acessibilidade aos serviços de transporte coletivo</p><p>terrestre, aquaviário e aéreo, em todas as jurisdições, consideram-se como</p><p>integrantes desses serviços os veículos, os terminais, as estações, os pontos</p><p>de parada, o sistema viário e a prestação do serviço.</p><p>§ 2º São sujeitas ao cumprimento das disposições desta Lei, sempre que</p><p>houver interação com a matéria nela regulada, a outorga, a concessão, a</p><p>permissão, a autorização, a renovação ou a habilitação de linhas e de</p><p>serviços de transporte coletivo.</p><p>§ 3º Para colocação do símbolo internacional de acesso nos veículos, as</p><p>empresas de transporte coletivo de passageiros dependem da certi�cação de</p><p>acessibilidade emitida pelo gestor público responsável pela prestação do</p><p>serviço.</p><p>Art. 47. Em todas as áreas de estacionamento aberto ao público, de uso</p><p>público ou privado de uso coletivo e em vias públicas, devem ser reservadas</p><p>vagas próximas aos acessos de circulação de pedestres, devidamente</p><p>sinalizadas, para veículos que transportem pessoa com de�ciência com</p><p>comprometimento de mobilidade, desde que devidamente identi�cados.</p><p>§ 1º As vagas a que se refere o caput deste artigo devem equivaler a 2%</p><p>(dois por cento) do total, garantida, no mínimo, 1 (uma) vaga devidamente</p><p>sinalizada e com as especi�cações de desenho e traçado de acordo com as</p><p>normas técnicas vigentes de acessibilidade.</p><p>§ 2º Os veículos estacionados nas vagas reservadas devem exibir, em</p><p>local de ampla visibilidade, a credencial de bene�ciário, a ser confeccionada</p><p>e fornecida pelos órgãos de trânsito, que disciplinarão suas características e</p><p>condições de uso.</p><p>§ 3º A utilização indevida das vagas de que trata este artigo sujeita os</p><p>infratores às sanções previstas no inciso XVII do art. 181 da Lei nº 9.503, de</p><p>23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro) .</p><p>§ 3º A utilização indevida das vagas de que trata este artigo sujeita os</p><p>infratores às sanções previstas no inciso XX do art. 181 da Lei nº 9.503, de</p><p>23 de setembro de 1997 (Código de Trânsito Brasileiro) . (Redação dada pela</p><p>Lei nº 13.281, de 2016) (Vigência)</p><p>§ 4º A credencial a que se refere o § 2º deste artigo é vinculada à pessoa</p><p>com de�ciência que possui comprometimento de mobilidade e é válida em</p><p>todo o território nacional.</p><p>Art. 48. Os veículos de transporte coletivo terrestre, aquaviário e aéreo,</p><p>as instalações, as estações, os portos e os terminais em operação no País</p><p>devem ser acessíveis, de forma a garantir o seu uso por todas as pessoas.</p><p>§ 1º Os veículos e as estruturas de que trata o caput deste artigo devem</p><p>dispor de sistema de comunicação acessível que disponibilize informações</p><p>sobre todos os pontos do itinerário.</p><p>§ 2º São asseguradas à pessoa com de�ciência prioridade e segurança</p><p>nos procedimentos de embarque e de desembarque nos veículos de</p><p>transporte coletivo, de acordo com as normas técnicas.</p><p>§ 3º Para colocação do símbolo internacional de acesso nos veículos, as</p><p>empresas de transporte coletivo de passageiros dependem da certi�cação de</p><p>acessibilidade emitida pelo gestor público responsável pela prestação do</p><p>serviço.</p><p>Art. 49. As empresas de transporte de fretamento e de turismo, na</p><p>renovação de suas frotas, são obrigadas ao cumprimento do disposto nos</p><p>arts. 46 e 48 desta Lei. (Vigência)</p><p>Art. 50. O poder público incentivará a fabricação de veículos acessíveis</p><p>e a sua utilização como táxis e vans , de forma a garantir o seu uso por todas</p><p>as pessoas.</p><p>Art. 51. As frotas de empresas de táxi devem reservar 10% (dez por</p><p>cento) de seus veículos acessíveis à pessoa com de�ciência.   (Vide Decreto</p><p>nº 9.762, de 2019) (Vigência)</p><p>§ 1º É proibida a cobrança diferenciada de tarifas ou de valores</p><p>adicionais pelo serviço de táxi prestado à pessoa com de�ciência.</p><p>§ 2º O poder público é autorizado a instituir incentivos �scais com</p><p>vistas a possibilitar a acessibilidade dos veículos a que se refere o caput deste</p><p>artigo.</p><p>Art. 52. As locadoras de veículos são obrigadas a oferecer 1 (um)</p><p>veículo adaptado para uso de pessoa com de�ciência, a cada conjunto de 20</p><p>(vinte) veículos de sua frota. (Vide Decreto nº 9.762, de 2019) (Vigência)</p><p>Parágrafo único. O veículo adaptado deverá ter, no mínimo, câmbio</p><p>automático, direção hidráulica, vidros elétricos e comandos manuais de freio</p><p>e de embreagem.</p><p>TÍTULO III</p><p>DA ACESSIBILIDADE</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DISPOSIÇÕES GERAIS</p><p>Art. 53. A acessibilidade é direito que garante à pessoa com de�ciência</p><p>ou com mobilidade reduzida viver de forma independente e exercer seus</p><p>direitos de cidadania</p><p>e de participação social.</p><p>Art. 54. São sujeitas ao cumprimento das disposições desta Lei e de</p><p>outras normas relativas à acessibilidade, sempre que houver interação com a</p><p>matéria nela regulada:</p><p>I - a aprovação de projeto arquitetônico e urbanístico ou de</p><p>comunicação e informação, a fabricação de veículos de transporte coletivo, a</p><p>prestação do respectivo serviço e a execução de qualquer tipo de obra,</p><p>quando tenham destinação pública ou coletiva;</p><p>II - a outorga ou a renovação de concessão, permissão, autorização ou</p><p>habilitação de qualquer natureza;</p><p>III - a aprovação de �nanciamento de projeto com utilização de</p><p>recursos públicos, por meio de renúncia ou de incentivo �scal, contrato,</p><p>convênio ou instrumento congênere; e</p><p>IV - a concessão de aval da União para obtenção de empréstimo e de</p><p>�nanciamento internacionais por entes públicos ou privados.</p><p>Art. 55. A concepção e a implantação de projetos que tratem do meio</p><p>físico, de transporte, de informação e comunicação, inclusive de sistemas e</p><p>tecnologias da informação e comunicação, e de outros serviços,</p><p>equipamentos e instalações abertos ao público, de uso público ou privado de</p><p>uso coletivo, tanto na zona urbana como na rural, devem atender aos</p><p>princípios do desenho universal, tendo como referência as normas de</p><p>acessibilidade.</p><p>§ 1º O desenho universal será sempre tomado como regra de caráter</p><p>geral.</p><p>§ 2º Nas hipóteses em que comprovadamente o desenho universal não</p><p>possa ser empreendido, deve ser adotada adaptação razoável.</p><p>§ 3º Caberá ao poder público promover a inclusão de conteúdos</p><p>temáticos referentes ao desenho universal nas diretrizes curriculares da</p><p>educação pro�ssional e tecnológica e do ensino superior e na formação das</p><p>carreiras de Estado.</p><p>§ 4º Os programas, os projetos e as linhas de pesquisa a serem</p><p>desenvolvidos com o apoio de organismos públicos de auxílio à pesquisa e</p><p>de agências de fomento deverão incluir temas voltados para o desenho</p><p>universal.</p><p>§ 5º Desde a etapa de concepção, as políticas públicas deverão</p><p>considerar a adoção do desenho universal.</p><p>Art. 56. A construção, a reforma, a ampliação ou a mudança de uso de</p><p>edi�cações abertas ao público, de uso público ou privadas de uso coletivo</p><p>deverão ser executadas de modo a serem acessíveis.</p><p>§ 1º As entidades de �scalização pro�ssional das atividades de</p><p>Engenharia, de Arquitetura e correlatas, ao anotarem a responsabilidade</p><p>técnica de projetos, devem exigir a responsabilidade pro�ssional declarada</p><p>de atendimento às regras de acessibilidade previstas em legislação e em</p><p>normas técnicas pertinentes.</p><p>§ 2º Para a aprovação, o licenciamento ou a emissão de certi�cado de</p><p>projeto executivo arquitetônico, urbanístico e de instalações e equipamentos</p><p>temporários ou permanentes e para o licenciamento ou a emissão de</p><p>certi�cado de conclusão de obra ou de serviço, deve ser atestado o</p><p>atendimento às regras de acessibilidade.</p><p>§ 3º O poder público, após certi�car a acessibilidade de edi�cação ou</p><p>de serviço, determinará a colocação, em espaços ou em locais de ampla</p><p>visibilidade, do símbolo internacional de acesso, na forma prevista em</p><p>legislação e em normas técnicas correlatas.</p><p>Art. 57. As edi�cações públicas e privadas de uso coletivo já existentes</p><p>devem garantir acessibilidade à pessoa com de�ciência em todas as suas</p><p>dependências e serviços, tendo como referência as normas de acessibilidade</p><p>vigentes.</p><p>Art. 58. O projeto e a construção de edi�cação de uso privado</p><p>multifamiliar devem atender aos preceitos de acessibilidade, na forma</p><p>regulamentar. (Regulamento)</p><p>§ 1º As construtoras e incorporadoras responsáveis pelo projeto e pela</p><p>construção das edi�cações a que se refere o  caput  deste artigo devem</p><p>assegurar percentual mínimo de suas unidades internamente acessíveis, na</p><p>forma regulamentar.</p><p>§ 2º É vedada a cobrança de valores adicionais para a aquisição de</p><p>unidades internamente acessíveis a que se refere o § 1º deste artigo.</p><p>Art. 59. Em qualquer intervenção nas vias e nos espaços públicos, o</p><p>poder público e as empresas concessionárias responsáveis pela execução das</p><p>obras e dos serviços devem garantir, de forma segura, a �uidez do trânsito e</p><p>a livre circulação e acessibilidade das pessoas, durante e após sua execução.</p><p>Art. 60. Orientam-se, no que couber, pelas regras de acessibilidade</p><p>previstas em legislação e em normas técnicas, observado o disposto na Lei</p><p>nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000 , nº 10.257, de 10 de julho de 2001 ,</p><p>e nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012 :</p><p>I - os planos diretores municipais, os planos diretores de transporte e</p><p>trânsito, os planos de mobilidade urbana e os planos de preservação de sítios</p><p>históricos elaborados ou atualizados a partir da publicação desta Lei;</p><p>II - os códigos de obras, os códigos de postura, as leis de uso e</p><p>ocupação do solo e as leis do sistema viário;</p><p>III - os estudos prévios de impacto de vizinhança;</p><p>IV - as atividades de �scalização e a imposição de sanções; e</p><p>V - a legislação referente à prevenção contra incêndio e pânico.</p><p>§ 1º A concessão e a renovação de alvará de funcionamento para</p><p>qualquer atividade são condicionadas à observação e à certi�cação das</p><p>regras de acessibilidade.</p><p>§ 2º A emissão de carta de habite-se ou de habilitação equivalente e sua</p><p>renovação, quando esta tiver sido emitida anteriormente às exigências de</p><p>acessibilidade, é condicionada à observação e à certi�cação das regras de</p><p>acessibilidade.</p><p>Art. 61. A formulação, a implementação e a manutenção das ações de</p><p>acessibilidade atenderão às seguintes premissas básicas:</p><p>I - eleição de prioridades, elaboração de cronograma e reserva de</p><p>recursos para implementação das ações; e</p><p>II - planejamento contínuo e articulado entre os setores envolvidos.</p><p>Art. 62. É assegurado à pessoa com de�ciência, mediante solicitação, o</p><p>recebimento de contas, boletos, recibos, extratos e cobranças de tributos em</p><p>formato acessível.</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DO ACESSO À INFORMAÇÃO E À COMUNICAÇÃO</p><p>Art. 63. É obrigatória a acessibilidade nos sítios da internet mantidos</p><p>por empresas com sede ou representação comercial no País ou por órgãos de</p><p>governo, para uso da pessoa com de�ciência, garantindo-lhe acesso às</p><p>informações disponíveis, conforme as melhores práticas e diretrizes de</p><p>acessibilidade adotadas internacionalmente.</p><p>§ 1º Os sítios devem conter símbolo de acessibilidade em destaque.</p><p>§ 2º Telecentros comunitários que receberem recursos públicos federais</p><p>para seu custeio ou sua instalação e  lan houses  devem possuir</p><p>equipamentos e instalações acessíveis.</p><p>§ 3º Os telecentros e as  lan houses  de que trata o § 2º deste artigo</p><p>devem garantir, no mínimo, 10% (dez por cento) de seus computadores com</p><p>recursos de acessibilidade para pessoa com de�ciência visual, sendo</p><p>assegurado pelo menos 1 (um) equipamento, quando o resultado percentual</p><p>for inferior a 1 (um).</p><p>Art. 64. A acessibilidade nos sítios da internet de que trata o art. 63</p><p>desta Lei deve ser observada para obtenção do �nanciamento de que trata o</p><p>inciso III do art. 54 desta Lei.</p><p>Art. 65. As empresas prestadoras de serviços de telecomunicações</p><p>deverão garantir pleno acesso à pessoa com de�ciência, conforme</p><p>regulamentação especí�ca.</p><p>Art. 66. Cabe ao poder público incentivar a oferta de aparelhos de</p><p>telefonia �xa e móvel celular com acessibilidade que, entre outras</p><p>tecnologias assistivas, possuam possibilidade de indicação e de ampliação</p><p>sonoras de todas as operações e funções disponíveis.</p><p>Art. 67. Os serviços de radiodifusão de sons e imagens devem permitir</p><p>o uso dos seguintes recursos, entre outros:</p><p>I - subtitulação por meio de legenda oculta;</p><p>II - janela com intérprete da Libras;</p><p>III - audiodescrição.</p><p>Art. 68. O poder público deve adotar mecanismos de incentivo à</p><p>produção, à edição, à difusão, à distribuição e à comercialização de livros em</p><p>formatos acessíveis, inclusive em publicações da administração pública ou</p><p>�nanciadas com recursos públicos, com vistas a garantir à pessoa com</p><p>de�ciência o direito de acesso à leitura, à informação e à comunicação.</p><p>§ 1º Nos editais de compras de livros, inclusive para o abastecimento ou</p><p>a atualização de</p><p>acervos de bibliotecas em todos os níveis e modalidades de</p><p>educação e de bibliotecas públicas, o poder público deverá adotar cláusulas</p><p>de impedimento à participação de editoras que não ofertem sua produção</p><p>também em formatos acessíveis.</p><p>§ 2º Consideram-se formatos acessíveis os arquivos digitais que possam</p><p>ser reconhecidos e acessados por  sowares  leitores de telas ou outras</p><p>tecnologias assistivas que vierem a substituí-los, permitindo leitura com voz</p><p>sintetizada, ampliação de caracteres, diferentes contrastes e impressão em</p><p>Braille.</p><p>§ 3º O poder público deve estimular e apoiar a adaptação e a produção</p><p>de artigos cientí�cos em formato acessível, inclusive em Libras.</p><p>Art. 69. O poder público deve assegurar a disponibilidade de</p><p>informações corretas e claras sobre os diferentes produtos e serviços</p><p>ofertados, por quaisquer meios de comunicação empregados, inclusive em</p><p>ambiente virtual, contendo a especi�cação correta de quantidade, qualidade,</p><p>características, composição e preço, bem como sobre os eventuais riscos à</p><p>saúde e à segurança do consumidor com de�ciência, em caso de sua</p><p>utilização, aplicando-se, no que couber, os arts. 30 a 41 da Lei nº 8.078, de 11</p><p>de setembro de 1990 .</p><p>§ 1º Os canais de comercialização virtual e os anúncios publicitários</p><p>veiculados na imprensa escrita, na internet, no rádio, na televisão e nos</p><p>demais veículos de comunicação abertos ou por assinatura devem</p><p>disponibilizar, conforme a compatibilidade do meio, os recursos de</p><p>acessibilidade de que trata o art. 67 desta Lei, a expensas do fornecedor do</p><p>produto ou do serviço, sem prejuízo da observância do disposto nos arts. 36</p><p>a 38 da Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 .</p><p>§ 2º Os fornecedores devem disponibilizar, mediante solicitação,</p><p>exemplares de bulas, prospectos, textos ou qualquer outro tipo de material</p><p>de divulgação em formato acessível.</p><p>Art. 70. As instituições promotoras de congressos, seminários, o�cinas</p><p>e demais eventos de natureza cientí�co-cultural devem oferecer à pessoa</p><p>com de�ciência, no mínimo, os recursos de tecnologia assistiva previstos no</p><p>art. 67 desta Lei.</p><p>Art. 71. Os congressos, os seminários, as o�cinas e os demais eventos</p><p>de natureza cientí�co-cultural promovidos ou �nanciados pelo poder</p><p>público devem garantir as condições de acessibilidade e os recursos de</p><p>tecnologia assistiva.</p><p>Art. 72. Os programas, as linhas de pesquisa e os projetos a serem</p><p>desenvolvidos com o apoio de agências de �nanciamento e de órgãos e</p><p>entidades integrantes da administração pública que atuem no auxílio à</p><p>pesquisa devem contemplar temas voltados à tecnologia assistiva.</p><p>Art. 73. Caberá ao poder público, diretamente ou em parceria com</p><p>organizações da sociedade civil, promover a capacitação de tradutores e</p><p>intérpretes da Libras, de guias intérpretes e de pro�ssionais habilitados em</p><p>Braille, audiodescrição, estenotipia e legendagem.</p><p>CAPÍTULO III</p><p>DA TECNOLOGIA ASSISTIVA</p><p>Art. 74. É garantido à pessoa com de�ciência acesso a produtos,</p><p>recursos, estratégias, práticas, processos, métodos e serviços de tecnologia</p><p>assistiva que maximizem sua autonomia, mobilidade pessoal e qualidade de</p><p>vida.</p><p>Art. 75. O poder público desenvolverá plano especí�co de medidas, a</p><p>ser renovado em cada período de 4 (quatro) anos, com a �nalidade de:</p><p>(Regulamento)</p><p>I - facilitar o acesso a crédito especializado, inclusive com oferta de</p><p>linhas de crédito subsidiadas, especí�cas para aquisição de tecnologia</p><p>assistiva;</p><p>II - agilizar, simpli�car e priorizar procedimentos de importação de</p><p>tecnologia assistiva, especialmente as questões atinentes a procedimentos</p><p>alfandegários e sanitários;</p><p>III - criar mecanismos de fomento à pesquisa e à produção nacional de</p><p>tecnologia assistiva, inclusive por meio de concessão de linhas de crédito</p><p>subsidiado e de parcerias com institutos de pesquisa o�ciais;</p><p>IV - eliminar ou reduzir a tributação da cadeia produtiva e de</p><p>importação de tecnologia assistiva;</p><p>V - facilitar e agilizar o processo de inclusão de novos recursos de</p><p>tecnologia assistiva no rol de produtos distribuídos no âmbito do SUS e por</p><p>outros órgãos governamentais.</p><p>Parágrafo único. Para fazer cumprir o disposto neste artigo, os</p><p>procedimentos constantes do plano especí�co de medidas deverão ser</p><p>avaliados, pelo menos, a cada 2 (dois) anos.</p><p>CAPÍTULO IV</p><p>DO DIREITO À PARTICIPAÇÃO NA VIDA PÚBLICA E POLÍTICA</p><p>Art. 76. O poder público deve garantir à pessoa com de�ciência todos</p><p>os direitos políticos e a oportunidade de exercê-los em igualdade de</p><p>condições com as demais pessoas.</p><p>§ 1º À pessoa com de�ciência será assegurado o direito de votar e de</p><p>ser votada, inclusive por meio das seguintes ações:</p><p>I - garantia de que os procedimentos, as instalações, os materiais e os</p><p>equipamentos para votação sejam apropriados, acessíveis a todas as pessoas</p><p>e de fácil compreensão e uso, sendo vedada a instalação de seções eleitorais</p><p>exclusivas para a pessoa com de�ciência;</p><p>II - incentivo à pessoa com de�ciência a candidatar-se e a desempenhar</p><p>quaisquer funções públicas em todos os níveis de governo, inclusive por</p><p>meio do uso de novas tecnologias assistivas, quando apropriado;</p><p>III - garantia de que os pronunciamentos o�ciais, a propaganda</p><p>eleitoral obrigatória e os debates transmitidos pelas emissoras de televisão</p><p>possuam, pelo menos, os recursos elencados no art. 67 desta Lei;</p><p>IV - garantia do livre exercício do direito ao voto e, para tanto, sempre</p><p>que necessário e a seu pedido, permissão para que a pessoa com de�ciência</p><p>seja auxiliada na votação por pessoa de sua escolha.</p><p>§ 2º O poder público promoverá a participação da pessoa com</p><p>de�ciência, inclusive quando institucionalizada, na condução das questões</p><p>públicas, sem discriminação e em igualdade de oportunidades, observado o</p><p>seguinte:</p><p>I - participação em organizações não governamentais relacionadas à</p><p>vida pública e à política do País e em atividades e administração de partidos</p><p>políticos;</p><p>II - formação de organizações para representar a pessoa com</p><p>de�ciência em todos os níveis;</p><p>III - participação da pessoa com de�ciência em organizações que a</p><p>representem.</p><p>TÍTULO IV</p><p>DA CIÊNCIA E TECNOLOGIA</p><p>Art. 77. O poder público deve fomentar o desenvolvimento cientí�co, a</p><p>pesquisa e a inovação e a capacitação tecnológicas, voltados à melhoria da</p><p>qualidade de vida e ao trabalho da pessoa com de�ciência e sua inclusão</p><p>social.</p><p>§ 1º O fomento pelo poder público deve priorizar a geração de</p><p>conhecimentos e técnicas que visem à prevenção e ao tratamento de</p><p>de�ciências e ao desenvolvimento de tecnologias assistiva e social.</p><p>§ 2º A acessibilidade e as tecnologias assistiva e social devem ser</p><p>fomentadas mediante a criação de cursos de pós-graduação, a formação de</p><p>recursos humanos e a inclusão do tema nas diretrizes de áreas do</p><p>conhecimento.</p><p>§ 3º Deve ser fomentada a capacitação tecnológica de instituições</p><p>públicas e privadas para o desenvolvimento de tecnologias assistiva e social</p><p>que sejam voltadas para melhoria da funcionalidade e da participação social</p><p>da pessoa com de�ciência.</p><p>§ 4º As medidas previstas neste artigo devem ser reavaliadas</p><p>periodicamente pelo poder público, com vistas ao seu aperfeiçoamento.</p><p>Art. 78. Devem ser estimulados a pesquisa, o desenvolvimento, a</p><p>inovação e a difusão de tecnologias voltadas para ampliar o acesso da pessoa</p><p>com de�ciência às tecnologias da informação e comunicação e às</p><p>tecnologias sociais.</p><p>Parágrafo único. Serão estimulados, em especial:</p><p>I - o emprego de tecnologias da informação e comunicação como</p><p>instrumento de superação de limitações funcionais e de barreiras à</p><p>comunicação, à informação, à educação e ao entretenimento da pessoa com</p><p>de�ciência;</p><p>II - a adoção de soluções e a difusão de normas que visem a ampliar a</p><p>acessibilidade da pessoa com de�ciência à computação e aos sítios da</p><p>internet, em especial aos serviços de governo eletrônico.</p><p>LIVRO II</p><p>PARTE ESPECIAL</p><p>TÍTULO I</p><p>DO ACESSO À JUSTIÇA</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DISPOSIÇÕES GERAIS</p><p>Art. 79. O poder público deve assegurar o acesso da pessoa com</p><p>de�ciência à justiça, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas,</p><p>garantindo, sempre</p><p>que requeridos, adaptações e recursos de tecnologia</p><p>assistiva.</p><p>§ 1º A �m de garantir a atuação da pessoa com de�ciência em todo o</p><p>processo judicial, o poder público deve capacitar os membros e os</p><p>servidores que atuam no Poder Judiciário, no Ministério Público, na</p><p>Defensoria Pública, nos órgãos de segurança pública e no sistema</p><p>penitenciário quanto aos direitos da pessoa com de�ciência.</p><p>§ 2º Devem ser assegurados à pessoa com de�ciência submetida a</p><p>medida restritiva de liberdade todos os direitos e garantias a que fazem jus</p><p>os apenados sem de�ciência, garantida a acessibilidade.</p><p>§ 3º A Defensoria Pública e o Ministério Público tomarão as medidas</p><p>necessárias à garantia dos direitos previstos nesta Lei.</p><p>Art. 80. Devem ser oferecidos todos os recursos de tecnologia assistiva</p><p>disponíveis para que a pessoa com de�ciência tenha garantido o acesso à</p><p>justiça, sempre que �gure em um dos polos da ação ou atue como</p><p>testemunha, partícipe da lide posta em juízo, advogado, defensor público,</p><p>magistrado ou membro do Ministério Público.</p><p>Parágrafo único. A pessoa com de�ciência tem garantido o acesso ao</p><p>conteúdo de todos os atos processuais de seu interesse, inclusive no</p><p>exercício da advocacia.</p><p>Art. 81. Os direitos da pessoa com de�ciência serão garantidos por</p><p>ocasião da aplicação de sanções penais.</p><p>Art. 82. (VETADO).</p><p>Art. 83. Os serviços notariais e de registro não podem negar ou criar</p><p>óbices ou condições diferenciadas à prestação de seus serviços em razão de</p><p>de�ciência do solicitante, devendo reconhecer sua capacidade legal plena,</p><p>garantida a acessibilidade.</p><p>Parágrafo único. O descumprimento do disposto no caput deste artigo</p><p>constitui discriminação em razão de de�ciência.</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DO RECONHECIMENTO IGUAL PERANTE A LEI</p><p>Art. 84. A pessoa com de�ciência tem assegurado o direito ao exercício</p><p>de sua capacidade legal em igualdade de condições com as demais pessoas.</p><p>§ 1º Quando necessário, a pessoa com de�ciência será submetida à</p><p>curatela, conforme a lei.</p><p>§ 2º É facultado à pessoa com de�ciência a adoção de processo de</p><p>tomada de decisão apoiada.</p><p>§ 3º A de�nição de curatela de pessoa com de�ciência constitui medida</p><p>protetiva extraordinária, proporcional às necessidades e às circunstâncias de</p><p>cada caso, e durará o menor tempo possível.</p><p>§ 4º Os curadores são obrigados a prestar, anualmente, contas de sua</p><p>administração ao juiz, apresentando o balanço do respectivo ano.</p><p>Art. 85. A curatela afetará tão somente os atos relacionados aos direitos</p><p>de natureza patrimonial e negocial.</p><p>§ 1º A de�nição da curatela não alcança o direito ao próprio corpo, à</p><p>sexualidade, ao matrimônio, à privacidade, à educação, à saúde, ao trabalho</p><p>e ao voto.</p><p>§ 2º A curatela constitui medida extraordinária, devendo constar da</p><p>sentença as razões e motivações de sua de�nição, preservados os interesses</p><p>do curatelado.</p><p>§ 3º No caso de pessoa em situação de institucionalização, ao nomear</p><p>curador, o juiz deve dar preferência a pessoa que tenha vínculo de natureza</p><p>familiar, afetiva ou comunitária com o curatelado.</p><p>Art. 86. Para emissão de documentos o�ciais, não será exigida a</p><p>situação de curatela da pessoa com de�ciência.</p><p>Art. 87. Em casos de relevância e urgência e a �m de proteger os</p><p>interesses da pessoa com de�ciência em situação de curatela, será lícito ao</p><p>juiz, ouvido o Ministério Público, de o�cio ou a requerimento do</p><p>interessado, nomear, desde logo, curador provisório, o qual estará sujeito, no</p><p>que couber, às disposições do Código de Processo Civil .</p><p>TÍTULO II</p><p>DOS CRIMES E DAS INFRAÇÕES ADMINISTRATIVAS</p><p>Art. 88. Praticar, induzir ou incitar discriminação de pessoa em razão</p><p>de sua de�ciência:</p><p>Pena - reclusão, de 1 (um) a 3 (três) anos, e multa.</p><p>§ 1º Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se a vítima encontrar-se sob</p><p>cuidado e responsabilidade do agente.</p><p>§ 2º Se qualquer dos crimes previstos no caput deste artigo é cometido</p><p>por intermédio de meios de comunicação social ou de publicação de</p><p>qualquer natureza:</p><p>Pena - reclusão, de 2 (dois) a 5 (cinco) anos, e multa.</p><p>§ 3º Na hipótese do § 2º deste artigo, o juiz poderá determinar, ouvido</p><p>o Ministério Público ou a pedido deste, ainda antes do inquérito policial,</p><p>sob pena de desobediência:</p><p>I - recolhimento ou busca e apreensão dos exemplares do material</p><p>discriminatório;</p><p>II - interdição das respectivas mensagens ou páginas de informação na</p><p>internet.</p><p>§ 4º Na hipótese do § 2º deste artigo, constitui efeito da condenação,</p><p>após o trânsito em julgado da decisão, a destruição do material apreendido.</p><p>Art. 89. Apropriar-se de ou desviar bens, proventos, pensão, benefícios,</p><p>remuneração ou qualquer outro rendimento de pessoa com de�ciência:</p><p>Pena - reclusão, de 1 (um) a 4 (quatro) anos, e multa.</p><p>Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é</p><p>cometido:</p><p>I - por tutor, curador, síndico, liquidatário, inventariante, testamenteiro</p><p>ou depositário judicial; ou</p><p>II - por aquele que se apropriou em razão de ofício ou de pro�ssão.</p><p>Art. 90. Abandonar pessoa com de�ciência em hospitais, casas de</p><p>saúde, entidades de abrigamento ou congêneres:</p><p>Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 3 (três) anos, e multa.</p><p>Parágrafo único. Na mesma pena incorre quem não prover as</p><p>necessidades básicas de pessoa com de�ciência quando obrigado por lei ou</p><p>mandado.</p><p>Art. 91. Reter ou utilizar cartão magnético, qualquer meio eletrônico</p><p>ou documento de pessoa com de�ciência destinados ao recebimento de</p><p>benefícios, proventos, pensões ou remuneração ou à realização de operações</p><p>�nanceiras, com o �m de obter vantagem indevida para si ou para outrem:</p><p>Pena - detenção, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa.</p><p>Parágrafo único. Aumenta-se a pena em 1/3 (um terço) se o crime é</p><p>cometido por tutor ou curador.</p><p>TÍTULO III</p><p>DISPOSIÇÕES FINAIS E TRANSITÓRIAS</p><p>Art. 92. É criado o Cadastro Nacional de Inclusão da Pessoa com</p><p>De�ciência (Cadastro-Inclusão), registro público eletrônico com a</p><p>�nalidade de coletar, processar, sistematizar e disseminar informações</p><p>georreferenciadas que permitam a identi�cação e a caracterização</p><p>socioeconômica da pessoa com de�ciência, bem como das barreiras que</p><p>impedem a realização de seus direitos.</p><p>§ 1º O Cadastro-Inclusão será administrado pelo Poder Executivo</p><p>federal e constituído por base de dados, instrumentos, procedimentos e</p><p>sistemas eletrônicos.</p><p>§ 2º Os dados constituintes do Cadastro-Inclusão serão obtidos pela</p><p>integração dos sistemas de informação e da base de dados de todas as</p><p>políticas públicas relacionadas aos direitos da pessoa com de�ciência, bem</p><p>como por informações coletadas, inclusive em censos nacionais e nas</p><p>demais pesquisas realizadas no País, de acordo com os parâmetros</p><p>estabelecidos pela Convenção sobre os Direitos das Pessoas com De�ciência</p><p>e seu Protocolo Facultativo.</p><p>§ 3º Para coleta, transmissão e sistematização de dados, é facultada a</p><p>celebração de convênios, acordos, termos de parceria ou contratos com</p><p>instituições públicas e privadas, observados os requisitos e procedimentos</p><p>previstos em legislação especí�ca.</p><p>§ 4º Para assegurar a con�dencialidade, a privacidade e as liberdades</p><p>fundamentais da pessoa com de�ciência e os princípios éticos que regem a</p><p>utilização de informações, devem ser observadas as salvaguardas</p><p>estabelecidas em lei.</p><p>§ 5º Os dados do Cadastro-Inclusão somente poderão ser utilizados</p><p>para as seguintes �nalidades:</p><p>I - formulação, gestão, monitoramento e avaliação das políticas</p><p>públicas para a pessoa com de�ciência e para identi�car as barreiras que</p><p>impedem a realização de seus direitos;</p><p>II - realização de estudos e pesquisas.</p><p>§ 6º As informações a que se refere este artigo devem ser disseminadas</p><p>em formatos acessíveis.</p><p>Art. 93. Na realização de inspeções e de auditorias pelos órgãos de</p><p>controle interno e externo, deve ser observado o cumprimento da legislação</p><p>relativa à pessoa com de�ciência e das normas de acessibilidade vigentes.</p><p>Art. 94. Terá direito a auxílio-inclusão, nos termos da lei, a pessoa com</p><p>de�ciência moderada ou grave que:</p><p>I - receba o benefício de prestação continuada previsto no art. 20 da Lei</p><p>nº 8.742, de 7 de</p><p>dezembro de 1993  , e que passe a exercer atividade</p><p>remunerada que a enquadre como segurado obrigatório do RGPS;</p><p>II - tenha recebido, nos últimos 5 (cinco) anos, o benefício de prestação</p><p>continuada previsto no art. 20 da Lei nº 8.742, de 7 de dezembro de 1993 , e</p><p>que exerça atividade remunerada que a enquadre como segurado</p><p>obrigatório do RGPS.</p><p>Art. 95. É vedado exigir o comparecimento de pessoa com de�ciência</p><p>perante os órgãos públicos quando seu deslocamento, em razão de sua</p><p>limitação funcional e de condições de acessibilidade, imponha-lhe ônus</p><p>desproporcional e indevido, hipótese na qual serão observados os seguintes</p><p>procedimentos:</p><p>I - quando for de interesse do poder público, o agente promoverá o</p><p>contato necessário com a pessoa com de�ciência em sua residência;</p><p>II - quando for de interesse da pessoa com de�ciência, ela apresentará</p><p>solicitação de atendimento domiciliar ou fará representar-se por procurador</p><p>constituído para essa �nalidade.</p><p>Parágrafo único. É assegurado à pessoa com de�ciência atendimento</p><p>domiciliar pela perícia médica e social do Instituto Nacional do Seguro</p><p>Social (INSS), pelo serviço público de saúde ou pelo serviço privado de</p><p>saúde, contratado ou conveniado, que integre o SUS e pelas entidades da</p><p>rede socioassistencial integrantes do Suas, quando seu deslocamento, em</p><p>razão de sua limitação funcional e de condições de acessibilidade, imponha-</p><p>lhe ônus desproporcional e indevido.</p><p>Art. 96. O § 6º -A do art. 135 da Lei nº 4.737, de 15 de julho de 1965</p><p>(Código Eleitoral) , passa a vigorar com a seguinte redação:</p><p>“Art. 135. ..............................................................................................</p><p>§ 6º -A.  Os Tribunais Regionais Eleitorais deverão, a cada eleição,</p><p>expedir instruções aos Juízes Eleitorais para orientá-los na escolha dos locais</p><p>de votação, de maneira a garantir acessibilidade para o eleitor com</p><p>de�ciência ou com mobilidade reduzida, inclusive em seu entorno e nos</p><p>sistemas de transporte que lhe dão acesso.</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>Art. 97. A  Consolidação das Leis do Trabalho (CLT), aprovada pelo</p><p>Decreto-Lei nº 5.452, de 1º de maio de 1943  , passa a vigorar com as</p><p>seguintes alterações:</p><p>“Art. 428. ...............................................................................................</p><p>§ 6º  Para os �ns do contrato de aprendizagem, a comprovação da</p><p>escolaridade de aprendiz com de�ciência deve considerar, sobretudo, as</p><p>habilidades e competências relacionadas com a pro�ssionalização.</p><p>................................................................................................................</p><p>§ 8º Para o aprendiz com de�ciência com 18 (dezoito) anos ou mais, a</p><p>validade do contrato de aprendizagem pressupõe anotação na CTPS e</p><p>matrícula e frequência em programa de aprendizagem desenvolvido sob</p><p>orientação de entidade quali�cada em formação técnico-pro�ssional</p><p>metódica.” (NR)</p><p>“Art. 433. ..............................................................................................</p><p>I - desempenho insu�ciente ou inadaptação do aprendiz, salvo para o</p><p>aprendiz com de�ciência quando desprovido de recursos de acessibilidade,</p><p>de tecnologias assistivas e de apoio necessário ao desempenho de suas</p><p>atividades;</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>Art. 98. A Lei nº 7.853, de 24 de outubro de 1989 , passa a vigorar com</p><p>as seguintes alterações:</p><p>“Art. 3º  As medidas judiciais destinadas à proteção de interesses</p><p>coletivos, difusos, individuais homogêneos e individuais indisponíveis da</p><p>pessoa com de�ciência poderão ser propostas pelo Ministério Público, pela</p><p>Defensoria Pública, pela União, pelos Estados, pelos Municípios, pelo</p><p>Distrito Federal, por associação constituída há mais de 1 (um) ano, nos</p><p>termos da lei civil, por autarquia, por empresa pública e por fundação ou</p><p>sociedade de economia mista que inclua, entre suas �nalidades</p><p>institucionais, a proteção dos interesses e a promoção de direitos da pessoa</p><p>com de�ciência.</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>“Art. 8º  Constitui crime punível com reclusão de 2 (dois) a 5 (cinco)</p><p>anos e multa:</p><p>I - recusar, cobrar valores adicionais, suspender, procrastinar, cancelar</p><p>ou fazer cessar inscrição de aluno em estabelecimento de ensino de qualquer</p><p>curso ou grau, público ou privado, em razão de sua de�ciência;</p><p>II - obstar inscrição em concurso público ou acesso de alguém a</p><p>qualquer cargo ou emprego público, em razão de sua de�ciência;</p><p>III - negar ou obstar emprego, trabalho ou promoção à pessoa em razão</p><p>de sua de�ciência;</p><p>IV - recusar, retardar ou di�cultar internação ou deixar de prestar</p><p>assistência médico-hospitalar e ambulatorial à pessoa com de�ciência;</p><p>V - deixar de cumprir, retardar ou frustrar execução de ordem judicial</p><p>expedida na ação civil a que alude esta Lei;</p><p>VI - recusar, retardar ou omitir dados técnicos indispensáveis à</p><p>propositura da ação civil pública objeto desta Lei, quando requisitados.</p><p>§ 1º Se o crime for praticado contra pessoa com de�ciência menor de</p><p>18 (dezoito) anos, a pena é agravada em 1/3 (um terço).</p><p>§ 2º A pena pela adoção deliberada de critérios subjetivos para</p><p>indeferimento de inscrição, de aprovação e de cumprimento de estágio</p><p>probatório em concursos públicos não exclui a responsabilidade patrimonial</p><p>pessoal do administrador público pelos danos causados.</p><p>§ 3º Incorre nas mesmas penas quem impede ou di�culta o ingresso de</p><p>pessoa com de�ciência em planos privados de assistência à saúde, inclusive</p><p>com cobrança de valores diferenciados.</p><p>§ 4º Se o crime for praticado em atendimento de urgência e</p><p>emergência, a pena é agravada em 1/3 (um terço).” (NR)</p><p>Art. 99. O art. 20 da  Lei nº 8.036, de 11 de maio de 1990  , passa a</p><p>vigorar acrescido do seguinte inciso XVIII:</p><p>“Art. 20. .................................................................................................</p><p>XVIII - quando o trabalhador com de�ciência, por prescrição, necessite</p><p>adquirir órtese ou prótese para promoção de acessibilidade e de inclusão</p><p>social.</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>Art. 100. A Lei nº 8.078, de 11 de setembro de 1990 (Código de Defesa</p><p>do Consumidor) , passa a vigorar com as seguintes alterações:</p><p>“Art. 6º ..................................................................................................</p><p>Parágrafo único. A informação de que trata o inciso III do caput deste</p><p>artigo deve ser acessível à pessoa com de�ciência, observado o disposto em</p><p>regulamento.” (NR)</p><p>“Art. 43. .................................................................................................</p><p>§ 6º Todas as informações de que trata o caput deste artigo devem ser</p><p>disponibilizadas em formatos acessíveis, inclusive para a pessoa com</p><p>de�ciência, mediante solicitação do consumidor.” (NR)</p><p>Art. 101. A Lei nº 8.213, de 24 de julho de 1991 , passa a vigorar com as</p><p>seguintes alterações:</p><p>“Art. 16. .................................................................................................</p><p>I - o cônjuge, a companheira, o companheiro e o �lho não emancipado,</p><p>de qualquer condição, menor de 21 (vinte e um) anos ou inválido ou que</p><p>tenha de�ciência intelectual ou mental ou de�ciência grave;</p><p>................................................................................................................</p><p>III -  o irmão não emancipado, de qualquer condição, menor de 21</p><p>(vinte e um) anos ou inválido ou que tenha de�ciência intelectual ou mental</p><p>ou de�ciência grave;</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>“Art. 77. ................................................................................................</p><p>§ 2º ........................................................................................................</p><p>II -  para o �lho, a</p><p>destinação e com placas informando os dados sobre a</p><p>infração por estacionamento indevido.”</p><p>“Art. 147-A.  Ao candidato com de�ciência auditiva é assegurada</p><p>acessibilidade de comunicação, mediante emprego de tecnologias assistivas</p><p>ou de ajudas técnicas em todas as etapas do processo de habilitação.</p><p>§ 1º O material didático audiovisual utilizado em aulas teóricas dos</p><p>cursos que precedem os exames previstos no art. 147 desta Lei deve ser</p><p>acessível, por meio de subtitulação com legenda oculta associada à tradução</p><p>simultânea em Libras.</p><p>§ 2º É assegurado também ao candidato com de�ciência auditiva</p><p>requerer, no ato de sua inscrição, os serviços de intérprete da Libras, para</p><p>acompanhamento em aulas práticas e teóricas.”</p><p>“Art. 154. (VETADO).”</p><p>“Art. 181. ..............................................................................................</p><p>XVII - ...................................................................................................</p><p>Infração - grave;</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>Art. 110. O inciso VI e o § 1º do art. 56 da Lei nº 9.615, de 24 de março</p><p>de 1998 , passam a vigorar com a seguinte redação:</p><p>“Art. 56. ................................................................................................</p><p>VI - 2,7% (dois inteiros e sete décimos por cento) da arrecadação bruta</p><p>dos concursos de prognósticos e loterias federais e similares cuja realização</p><p>estiver sujeita a autorização federal, deduzindo-se esse valor do montante</p><p>destinado aos prêmios;</p><p>................................................................................................................</p><p>§ 1º Do total de recursos �nanceiros resultantes do percentual de que</p><p>trata o inciso VI do caput , 62,96% (sessenta e dois inteiros e noventa e seis</p><p>centésimos por cento) serão destinados ao Comitê Olímpico Brasileiro</p><p>(COB) e 37,04% (trinta e sete inteiros e quatro centésimos por cento) ao</p><p>Comitê Paralímpico Brasileiro (CPB), devendo ser observado, em ambos os</p><p>casos, o conjunto de normas aplicáveis à celebração de convênios pela</p><p>União.</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>Art. 111. O art. 1º da Lei nº 10.048, de 8 de novembro de 2000 , passa a</p><p>vigorar com a seguinte redação:</p><p>“Art. 1º  As pessoas com de�ciência, os idosos com idade igual ou</p><p>superior a 60 (sessenta) anos, as gestantes, as lactantes, as pessoas com</p><p>crianças de colo e os obesos terão atendimento prioritário, nos termos desta</p><p>Lei.” (NR)</p><p>Art. 112. A Lei nº 10.098, de 19 de dezembro de 2000 , passa a vigorar</p><p>com as seguintes alterações:</p><p>“Art. 2º ..................................................................................................</p><p>I -  acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização,</p><p>com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos</p><p>urbanos, edi�cações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus</p><p>sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao</p><p>público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana</p><p>como na rural, por pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida;</p><p>II - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento</p><p>que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a</p><p>fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de</p><p>movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à</p><p>compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classi�cadas em:</p><p>a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e</p><p>privados abertos ao público ou de uso coletivo;</p><p>b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e</p><p>privados;</p><p>c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de</p><p>transportes;</p><p>d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave,</p><p>obstáculo, atitude ou comportamento que di�culte ou impossibilite a</p><p>expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio</p><p>de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;</p><p>III - pessoa com de�ciência: aquela que tem impedimento de longo</p><p>prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em</p><p>interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e</p><p>efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas;</p><p>IV - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer</p><p>motivo, di�culdade de movimentação, permanente ou temporária, gerando</p><p>redução efetiva da mobilidade, da �exibilidade, da coordenação motora ou</p><p>da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo</p><p>e obeso;</p><p>V - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com de�ciência,</p><p>podendo ou não desempenhar as funções de atendente pessoal;</p><p>VI - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de</p><p>urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento,</p><p>encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás,</p><p>iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição</p><p>de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento</p><p>urbanístico;</p><p>VII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos</p><p>espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização</p><p>ou de edi�cação, de forma que sua modi�cação ou seu traslado não</p><p>provoque alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos,</p><p>postes de sinalização e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às</p><p>telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos,</p><p>quiosques e quaisquer outros de natureza análoga;</p><p>VIII - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos,</p><p>dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que</p><p>objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à</p><p>participação da pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida,</p><p>visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão</p><p>social;</p><p>IX - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre</p><p>outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a</p><p>visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação</p><p>tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a</p><p>linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz</p><p>digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de</p><p>comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações;</p><p>X - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e</p><p>serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação</p><p>ou de projeto especí�co, incluindo os recursos de tecnologia assistiva.” (NR)</p><p>“Art. 3º O planejamento e a urbanização das vias públicas, dos parques</p><p>e dos demais espaços de uso público deverão ser concebidos e executados de</p><p>forma a torná-los acessíveis para todas as pessoas, inclusive para aquelas</p><p>com de�ciência ou com mobilidade reduzida.</p><p>Parágrafo único. O passeio público, elemento obrigatório de</p><p>urbanização e parte da via pública, normalmente segregado e em nível</p><p>diferente, destina-se somente à circulação de pedestres e, quando possível, à</p><p>implantação de mobiliário urbano e de vegetação.” (NR)</p><p>“Art. 9º ..................................................................................................</p><p>Parágrafo único.  Os semáforos para pedestres instalados em vias</p><p>públicas de grande circulação, ou que deem acesso aos serviços de</p><p>reabilitação, devem obrigatoriamente estar equipados com mecanismo que</p><p>emita sinal sonoro suave para orientação do pedestre.” (NR)</p><p>“Art. 10-A.  A instalação de qualquer mobiliário urbano em área de</p><p>circulação comum para pedestre que ofereça risco de acidente à pessoa com</p><p>de�ciência deverá ser indicada mediante sinalização tátil de alerta no piso,</p><p>de acordo com as normas técnicas pertinentes.”</p><p>“Art. 12-A.  Os centros comerciais e os estabelecimentos congêneres</p><p>devem fornecer carros e cadeiras de rodas,</p><p>introdução:</p><p>A Assembléia Geral</p><p>Consciente da promessa feita pelos Estados Membros na Carta das Nações Unidas no</p><p>sentido de desenvolver ação conjunta e separada, em cooperação com a Organização, para</p><p>promover padrões mais altos de vida, pleno emprego e condições de desenvolvimento e</p><p>progresso econômico e social, reafirmando sua fé nos direitos humanos, nas liberdades</p><p>fundamentais e nos princípios de paz, de dignidade e valor da pessoa humana e de justiça</p><p>social proclamada na carta, recordando os princípios da Declaração Universal dos Direitos</p><p>Humanos, dos acordos Internacionais dos Direitos Humanos, da Declaração dos Direitos da</p><p>Criança e da Declaração dos Direitos das Pessoas Mentalmente Retardadas, bem como os</p><p>padrões já estabelecidos para o progresso social nas constituições, convenções,</p><p>recomendações e resoluções da Organização Internacional do Trabalho, da Organização</p><p>Educacional, Científica e Cultural das Nações Unidas, do Fundo da Criança das Nações</p><p>Unidas e outras organizações afins.</p><p>Em 18 de maio de 1991, entrou em vigor no Brasil, por força de</p><p>rati�cação, a Convenção nº 159 da OIT, que dispõe sobre a reabilitação</p><p>pro�ssional e emprego de pessoas de�cientes:</p><p>Dispõe que os países membros deveriam adotar política nacional sobre reabilitação</p><p>profissional e emprego de pessoas deficientes, asseverando em seu art. 4º que essa política</p><p>deverá ter como base o princípio da igualdade de oportunidades entre os trabalhadores</p><p>deficientes e os trabalhadores em geral.</p><p>Em Madrid, foi assinada em março de 2002, durante o Congresso</p><p>Europeu de Pessoas com De�ciência, a Declaração de Madrid, que enfatizou</p><p>a ideia de inclusão social, pregando a �loso�a da autonomia das pessoas</p><p>com de�ciência, a �m de que elas exerçam o controle sobre suas vidas,</p><p>deixando de lado as velhas abordagens paternalistas baseadas na caridade e</p><p>no assistencialismo. Segundo Sabine Antonialli Arena Vergamini, em seu</p><p>artigo “Um Parecer sobre a Política Nacional de Educação Especial na</p><p>Perspectiva da Educação Inclusiva”, a síntese, parte integrante da Declaração</p><p>de Madrid, descreve a antiga e a nova visão, que esclarece os contrastes</p><p>existentes. Vejamos a seguir as diferenças:</p><p>ANTIGA VISÃO</p><p>Pessoas com deficiência como objeto de caridade, pessoas com deficiência como pacientes,</p><p>profissionais tomando decisões pelas pessoas com deficiência, enfoque apenas nas</p><p>deficiências das pessoas, rotulação de pessoas como dependentes ou não-empregáveis,</p><p>projetar processos econômicos e sociais para poucos, segregação desnecessária em educação,</p><p>emprego e outras áreas da vida, políticas sobre deficiência como uma questão que afeta</p><p>apenas os órgãos especiais.</p><p>NOVA VISÃO</p><p>Pessoas com deficiência como detentores de direitos, pessoas com deficiência como cidadãos</p><p>e consumidores com autonomia, tomada de decisões e assunção de responsabilidades, com</p><p>independência, por parte das pessoas com deficiência e suas organizações em assuntos que</p><p>lhes dizem respeito, promoção de ambientes acessíveis e de apoio e da eliminação de</p><p>barreiras, revisão de culturas e de políticas e normas sociais, ênfase nas habilidades e na</p><p>provisão de medidas efetivas de apoio, projetar um mundo flexível para muitos, inserção de</p><p>pessoas com deficiência na corrente principal da sociedade, inserção de políticas sobre</p><p>deficiência como uma responsabilidade geral do governo.</p><p>Foi a partir desses dispositivos que no momento atual começam a se delinear as políticas e</p><p>ações que prometem a superação de barreiras e de comunicação para os sujeitos portadores</p><p>de deficiência, sob a diretriz do respeito às diferenças.</p><p>A trajetória histórica da luta da pessoa com de�ciência é lembrada com</p><p>conquistas positivas que marcaram a sociedade em âmbito mundial.</p><p>Podemos citar a Organização das Nações Unidas (ONU), quando</p><p>proclamou 1981 como O ANO INTERNACIONAL DAS PESSOAS</p><p>DEFICIENTES, com o dístico do evento: “Participação plena e igualdade”.</p><p>Em 14 de outubro de 1992, através da Resolução A/RES/47/3 na</p><p>Assembleia Geral das Nações Unidas – ONU, instituiu-se o Dia</p><p>Internacional da Pessoa com De�ciência celebrado em 03 de dezembro, com</p><p>o objetivo de trazer re�exões acerca de mecanismos para garantir dignidade</p><p>para as pessoas com de�ciência.</p><p>No Brasil, a criação do Dia Nacional de Luta da Pessoa com De�ciência</p><p>é fruto do Movimento pelos Direitos das Pessoas De�cientes – MDPD, o Dia</p><p>Nacional de Luta da Pessoa com De�ciência foi instituído em 21 de</p><p>setembro no Brasil de forma o�cial. Essa data foi criada a partir da Lei nº</p><p>11.133, de 14 de julho de 2005, data esta considerada desde 1982.</p><p>A conscientização sobre a importância da inclusão das pessoas com</p><p>de�ciência na sociedade sempre foi o principal objetivo desse movimento</p><p>que garantiu as conquistas alcançadas e abrangeu seu diâmetro de aderentes</p><p>aos movimentos, chegando a ter, também, pessoas que não possuem</p><p>de�ciência envolvidas na luta.</p><p>3. O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA</p><p>COMO FONTE INSPIRADORA DAS</p><p>GARANTIAS DOS DIREITOS DA PESSOA</p><p>COM DEFICIÊNCIA</p><p>A perspectiva dos movimentos anticapacitismo (fortemente arraigado</p><p>em nossa cultura) defende a independência e valoriza a autonomia da</p><p>pessoa com de�ciência, rejeitando toda forma de limitação que impeça a</p><p>evolução da pessoa com de�ciência dentro do ambiente de trabalho,</p><p>permitindo que suas qualidades se sobressaiam aos impedimentos de sua</p><p>de�ciência.</p><p>Bobbio (2001), intelectual do direito, filósofo e cientista político do século</p><p>XX, destaca que “a sociedade se desenvolve sob um grande repertório de</p><p>normas de conduta e jurídicas, onde o ordenamento dessas normas</p><p>caracterizaria a civilização. Para ele, essas regras de conduta podem ter cunho</p><p>religioso, moral, social, jurídico e até mesmo baseado no costume local,</p><p>estabelecendo limites e sanções entre os indivíduos e o próprio Estado”.</p><p>Ora, o ser humano sempre viveu em grupos, em sua trajetória histórica</p><p>podemos ver que é de sua natureza viver em sociedade, o ser social é</p><p>submetido à diversidade, tendo em vista os diferentes tipos de cultura,</p><p>pensamentos, costumes dos indivíduos. Neste viés, corrobora-se que os</p><p>seres humanos lutam por seus interesses, que também são diversos, e é daí</p><p>que nascem os con�itos sociais.</p><p>Diante dos con�itos, nasceu a necessidade de harmonizar o convívio</p><p>dos indivíduos, e a ideia de se criar leis surgiu como uma forma de organizar</p><p>a sociedade, dando direitos e deveres aos indivíduos e criando sanções para</p><p>os que se descuram de obedecê-las.</p><p>Quando se trata de lei, há sempre a Lei maior, e dela nascem as demais</p><p>de acordo com a necessidade e evolução de cada sociedade, tendo como raiz</p><p>basilar a Carta Magna. No Brasil, a Constituição de 1988 surgiu com uma</p><p>visão mais social, mais humana, quando consagra o PRINCÍPIO DA</p><p>DIGNIDADE DA PESSOA HUMANA.</p><p>Podemos de�nir informalmente que a dignidade da pessoa humana é</p><p>intrínseca e distintiva, ou seja, cada indivíduo é uma unidade particular e</p><p>única, dotado do direito ao respeito e consideração por parte do Estado e da</p><p>sociedade, aludindo, nesta lógica, a um arcabouço de direitos e deveres</p><p>fundamentais que a�ancem contra todo e qualquer ato que seja degradante e</p><p>desumano.</p><p>A dignidade da pessoa humana, augurada no artigo 1º, inciso III da</p><p>Constituição Federal, constitui um dos fundamentos do Estado</p><p>Democrático de Direito, essencial à República Federativa do Brasil, no</p><p>objetivo de assegurar ao homem um mínimo de direitos que devem ser</p><p>respeitados pela sociedade e pelo poder público, e preservar a valorização do</p><p>ser humano.</p><p>Podemos dizer que a dignidade da pessoa humana é um fundamento</p><p>da República, sendo nessa categoria edi�cado por ser um valor essencial do</p><p>direito ocidental que visa preservar a liberdade individual e a personalidade.</p><p>Nesse contexto, o princípio fundamental é o alicerce de todo o ordenamento</p><p>jurídico pátrio.</p><p>A mitigação ou relativização desse princípio gera a instabilidade do</p><p>regime democrático, desestruturando a harmonização social.</p><p>Por esta senda caminha a doutrina pátria: “A dignidade da pessoa</p><p>humana, em si, não é um direito fundamental, mas sim um atributo a todo ser</p><p>motorizados ou não, para o</p><p>atendimento da pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida.”</p><p>Art. 113. A Lei nº 10.257, de 10 de julho de 2001 (Estatuto da Cidade) ,</p><p>passa a vigorar com as seguintes alterações:</p><p>“Art. 3º ..................................................................................................</p><p>III - promover, por iniciativa própria e em conjunto com os Estados, o</p><p>Distrito Federal e os Municípios, programas de construção de moradias e</p><p>melhoria das condições habitacionais, de saneamento básico, das calçadas,</p><p>dos passeios públicos, do mobiliário urbano e dos demais espaços de uso</p><p>público;</p><p>IV -  instituir diretrizes para desenvolvimento urbano, inclusive</p><p>habitação, saneamento básico, transporte e mobilidade urbana, que incluam</p><p>regras de acessibilidade aos locais de uso público;</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>“Art. 41. ................................................................................................</p><p>§ 3º As cidades de que trata o caput deste artigo devem elaborar plano</p><p>de rotas acessíveis, compatível com o plano diretor no qual está inserido,</p><p>que disponha sobre os passeios públicos a serem implantados ou reformados</p><p>pelo poder público, com vistas a garantir acessibilidade da pessoa com</p><p>de�ciência ou com mobilidade reduzida a todas as rotas e vias existentes,</p><p>inclusive as que concentrem os focos geradores de maior circulação de</p><p>pedestres, como os órgãos públicos e os locais de prestação de serviços</p><p>públicos e privados de saúde, educação, assistência social, esporte, cultura,</p><p>correios e telégrafos, bancos, entre outros, sempre que possível de maneira</p><p>integrada com os sistemas de transporte coletivo de passageiros.” (NR)</p><p>Art. 114. A  Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002 (Código Civil)  ,</p><p>passa a vigorar com as seguintes alterações:</p><p>“Art. 3º  São absolutamente incapazes de exercer pessoalmente os atos</p><p>da vida civil os menores de 16 (dezesseis) anos.</p><p>I - (Revogado);</p><p>II - (Revogado);</p><p>III - (Revogado).” (NR)</p><p>“Art. 4º São incapazes, relativamente a certos atos ou à maneira de os</p><p>exercer:</p><p>................................................................................................................</p><p>II - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;</p><p>III - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem</p><p>exprimir sua vontade;</p><p>................................................................................................................</p><p>Parágrafo único  . A capacidade dos indígenas será regulada por</p><p>legislação especial.” (NR)</p><p>“Art. 228. ..............................................................................................</p><p>II - (Revogado);</p><p>III - (Revogado);</p><p>................................................................................................................</p><p>§ 1º ..............................................................................</p><p>§ 2º A pessoa com de�ciência poderá testemunhar em igualdade de</p><p>condições com as demais pessoas, sendo-lhe assegurados todos os recursos</p><p>de tecnologia assistiva.” (NR)</p><p>“Art. 1.518  . Até a celebração do casamento podem os pais ou tutores</p><p>revogar a autorização.” (NR)</p><p>“Art. 1.548. ...........................................................................................</p><p>I - (Revogado);</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>“Art. 1.550. ...........................................................................................</p><p>§ 1º ........................................................................................................</p><p>§ 2º A pessoa com de�ciência mental ou intelectual em idade núbia</p><p>poderá contrair matrimônio, expressando sua vontade diretamente ou por</p><p>meio de seu responsável ou curador.” (NR)</p><p>“Art. 1.557. ...........................................................................................</p><p>III - a ignorância, anterior ao casamento, de defeito físico irremediável</p><p>que não caracterize de�ciência ou de moléstia grave e transmissível, por</p><p>contágio ou por herança, capaz de pôr em risco a saúde do outro cônjuge ou</p><p>de sua descendência;</p><p>IV - (Revogado).” (NR)</p><p>“Art. 1.767. ...........................................................................................</p><p>I  - aqueles que, por causa transitória ou permanente, não puderem</p><p>exprimir sua vontade;</p><p>II - (Revogado);</p><p>III - os ébrios habituais e os viciados em tóxico;</p><p>IV - (Revogado);</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>“Art. 1.768.  O processo que de�ne os termos da curatela deve ser</p><p>promovido:</p><p>................................................................................................................</p><p>IV - pela própria pessoa.” (NR)</p><p>“Art. 1.769  . O Ministério Público somente promoverá o processo que</p><p>de�ne os termos da curatela:</p><p>I - nos casos de de�ciência mental ou intelectual;</p><p>................................................................................................................</p><p>III - se, existindo, forem menores ou incapazes as pessoas mencionadas</p><p>no inciso II.” (NR)</p><p>“Art. 1.771.  Antes de se pronunciar acerca dos termos da curatela, o</p><p>juiz, que deverá ser assistido por equipe multidisciplinar, entrevistará</p><p>pessoalmente o interditando.” (NR)</p><p>“Art. 1.772. O juiz determinará, segundo as potencialidades da pessoa,</p><p>os limites da curatela, circunscritos às restrições constantes do art. 1.782, e</p><p>indicará curador.</p><p>Parágrafo único. Para a escolha do curador, o juiz levará em conta a</p><p>vontade e as preferências do interditando, a ausência de con�ito de</p><p>interesses e de in�uência indevida, a proporcionalidade e a adequação às</p><p>circunstâncias da pessoa.” (NR)</p><p>“Art. 1.775-A . Na nomeação de curador para a pessoa com de�ciência,</p><p>o juiz poderá estabelecer curatela compartilhada a mais de uma pessoa.”</p><p>“Art. 1.777.  As pessoas referidas no inciso I do art. 1.767 receberão</p><p>todo o apoio necessário para ter preservado o direito à convivência familiar</p><p>e comunitária, sendo evitado o seu recolhimento em estabelecimento que os</p><p>afaste desse convívio.” (NR)</p><p>Art. 115. O Título IV do Livro IV da Parte Especial da Lei nº 10.406, de</p><p>10 de janeiro de 2002 (Código Civil)  , passa a vigorar com a seguinte</p><p>redação:</p><p>“TÍTULO IV</p><p>Da Tutela, da Curatela e da Tomada de Decisão Apoiada”</p><p>Art. 116. O Título IV do Livro IV da Parte Especial da Lei nº 10.406, de</p><p>10 de janeiro de 2002 (Código Civil) , passa a vigorar acrescido do seguinte</p><p>Capítulo III:</p><p>“CAPÍTULO III</p><p>Da Tomada de Decisão Apoiada</p><p>Art. 1.783-A.  A tomada de decisão apoiada é o processo pelo qual a</p><p>pessoa com de�ciência elege pelo menos 2 (duas) pessoas idôneas, com as</p><p>quais mantenha vínculos e que gozem de sua con�ança, para prestar-lhe</p><p>apoio na tomada de decisão sobre atos da vida civil, fornecendo-lhes os</p><p>elementos e informações necessários para que possa exercer sua capacidade.</p><p>§ 1º Para formular pedido de tomada de decisão apoiada, a pessoa com</p><p>de�ciência e os apoiadores devem apresentar termo em que constem os</p><p>limites do apoio a ser oferecido e os compromissos dos apoiadores, inclusive</p><p>o prazo de vigência do acordo e o respeito à vontade, aos direitos e aos</p><p>interesses da pessoa que devem apoiar.</p><p>§ 2º O pedido de tomada de decisão apoiada será requerido pela pessoa</p><p>a ser apoiada, com indicação expressa das pessoas aptas a prestarem o apoio</p><p>previsto no caput deste artigo.</p><p>§ 3º Antes de se pronunciar sobre o pedido de tomada de decisão</p><p>apoiada, o juiz, assistido por equipe multidisciplinar, após oitiva do</p><p>Ministério Público, ouvirá pessoalmente o requerente e as pessoas que lhe</p><p>prestarão apoio.</p><p>§ 4º A decisão tomada por pessoa apoiada terá validade e efeitos sobre</p><p>terceiros, sem restrições, desde que esteja inserida nos limites do apoio</p><p>acordado.</p><p>§ 5º Terceiro com quem a pessoa apoiada mantenha relação negocial</p><p>pode solicitar que os apoiadores contra-assinem o contrato ou acordo,</p><p>especi�cando, por escrito, sua função em relação ao apoiado.</p><p>§</p><p>6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo</p><p>relevante, havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos</p><p>apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a</p><p>questão.</p><p>§ 7º Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou</p><p>não adimplir as obrigações assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer</p><p>pessoa apresentar denúncia ao Ministério Público ou ao juiz.</p><p>§ 8º Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará,</p><p>ouvida a pessoa apoiada e se for de seu interesse, outra pessoa para</p><p>prestação de apoio.</p><p>§ 9º A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de</p><p>acordo �rmado em processo de tomada de decisão apoiada.</p><p>§ 10. O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação</p><p>do processo de tomada de decisão apoiada, sendo seu desligamento</p><p>condicionado à manifestação do juiz sobre a matéria.</p><p>§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as</p><p>disposições referentes à prestação de contas na curatela.”</p><p>Art. 117. O art. 1º da Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005  , passa a</p><p>vigorar com a seguinte redação:</p><p>“Art. 1º É assegurado à pessoa com de�ciência visual acompanhada de</p><p>cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os</p><p>meios de transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso</p><p>público e privados de uso coletivo, desde que observadas as condições</p><p>impostas por esta Lei.</p><p>.............................................................................................</p><p>§ 2º O disposto no caput deste artigo aplica-se a todas as modalidades e</p><p>jurisdições do serviço de transporte coletivo de passageiros, inclusive em</p><p>esfera internacional com origem no território brasileiro.” (NR)</p><p>Art. 118. O inciso IV do art. 46 da Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de</p><p>2009 , passa a vigorar acrescido da seguinte alínea “k”:</p><p>“Art. 46. .................................................................................................</p><p>IV - ........................................................................................................</p><p>k) de acessibilidade a todas as pessoas.</p><p>.....................................................................................................” (NR)</p><p>Art. 119. A  Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012  , passa a vigorar</p><p>acrescida do seguinte art. 12-B:</p><p>“Art. 12-B. Na outorga de exploração de serviço de táxi, reservar-se-ão</p><p>10% (dez por cento) das vagas para condutores com de�ciência.</p><p>§ 1º Para concorrer às vagas reservadas na forma do caput deste artigo,</p><p>o condutor com de�ciência deverá observar os seguintes requisitos quanto</p><p>ao veículo utilizado:</p><p>I - ser de sua propriedade e por ele conduzido; e</p><p>II - estar adaptado às suas necessidades, nos termos da legislação</p><p>vigente.</p><p>§ 2º No caso de não preenchimento das vagas na forma estabelecida</p><p>no caput deste artigo, as remanescentes devem ser disponibilizadas para os</p><p>demais concorrentes.”</p><p>Art. 120. Cabe aos órgãos competentes, em cada esfera de governo, a</p><p>elaboração de relatórios circunstanciados sobre o cumprimento dos prazos</p><p>estabelecidos por força das Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000 , e nº</p><p>10.098, de 19 de dezembro de 2000 , bem como o seu encaminhamento ao</p><p>Ministério Público e aos órgãos de regulação para adoção das providências</p><p>cabíveis.</p><p>Parágrafo único. Os relatórios a que se refere o  caput  deste artigo</p><p>deverão ser apresentados no prazo de 1 (um) ano a contar da entrada em</p><p>vigor desta Lei.</p><p>Art. 121. Os direitos, os prazos e as obrigações previstos nesta Lei não</p><p>excluem os já estabelecidos em outras legislações, inclusive em pactos,</p><p>tratados, convenções e declarações internacionais aprovados e promulgados</p><p>pelo Congresso Nacional, e devem ser aplicados em conformidade com as</p><p>demais normas internas e acordos internacionais vinculantes sobre a</p><p>matéria.</p><p>Parágrafo único. Prevalecerá a norma mais bené�ca à pessoa com</p><p>de�ciência.</p><p>Art. 122. Regulamento disporá sobre a adequação do disposto nesta Lei</p><p>ao tratamento diferenciado, simpli�cado e favorecido a ser dispensado às</p><p>microempresas e às empresas de pequeno porte, previsto no § 3º do art. 1º</p><p>da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 .</p><p>Art. 123. Revogam-se os seguintes dispositivos: (Vigência)</p><p>I - o inciso II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.008, de 21 de março de 1995 ;</p><p>II - os incisos I, II e III do art. 3º da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil);</p><p>III - os incisos II e III do art. 228 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil);</p><p>IV - o  inciso I do art. 1.548 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil);</p><p>V - o  inciso IV do art. 1.557 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil);</p><p>VI - os incisos II e IV do art. 1.767 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil);</p><p>VII - os  arts. 1.776  e  1.780 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de</p><p>2002 (Código Civil).</p><p>Art. 124. O  § 1º do art. 2º desta Lei  deverá entrar em vigor em até 2</p><p>(dois) anos, contados da entrada em vigor desta Lei.</p><p>Art. 125. Devem ser observados os prazos a seguir discriminados, a</p><p>partir da entrada em vigor desta Lei, para o cumprimento dos seguintes</p><p>dispositivos:</p><p>I - incisos I e II do § 2º do art. 28 , 48 (quarenta e oito) meses;</p><p>II - § 6º do art. 44 , 48 (quarenta e oito) meses;</p><p>II -  § 6º do art. 44, 60 (sessenta) meses; (Redação dada pela Medida</p><p>Provisória nº 917, de 2019)</p><p>II - § 6º do art. 44, 60 (sessenta) meses;   (Redação dada pela Lei nº</p><p>14.009, de 2020)</p><p>II - § 6º do art. 44, 84 (oitenta e quatro) meses; (Redação dada pela</p><p>Medida Provisória nº 1.025, de 2020)</p><p>II - § 6º do art. 44, 84 (oitenta e quatro) meses; (Redação dada pela Lei</p><p>nº 14.159, de 2021)</p><p>III - art. 45 , 24 (vinte e quatro) meses;</p><p>IV - art. 49 , 48 (quarenta e oito) meses.</p><p>Art. 126. Prorroga-se até 31 de dezembro de 2021 a vigência da Lei nº</p><p>8.989, de 24 de fevereiro de 1995 .</p><p>Art. 127. Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta)</p><p>dias de sua publicação o�cial .</p><p>Brasília, 6 de julho de 2015; 194º da Independência e 127º da</p><p>República.</p><p>DILMA ROUSSEF</p><p>Marivaldo de Castro Pereira</p><p>Joaquim Vieira Ferreira Levy</p><p>Renato Janine Ribeiro</p><p>Armando Monteiro</p><p>Nelson Barbosa</p><p>Gilberto Kassab</p><p>Luis Inácio Lucena Adams</p><p>Gilberto José Spier Vargas</p><p>Guilherme Afif Domingos</p><p>Este texto não substitui o publicado no DOU de 7.7.2015*</p><p>Capa</p><p>Folha de Rosto</p><p>Créditos</p><p>1. INTRODUÇÃO</p><p>2. ASPECTOS HISTÓRICOS ACERCA DA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA</p><p>3. O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA COMO FONTE INSPIRADORA DAS GARANTIAS DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA</p><p>4. O ALCANCE DA PROTEÇÃO JURÍDICA BRASILEIRA CONFERIDA AO TRABALHADOR COM DEFICIÊNCIA</p><p>4.1 A tutela Constitucional</p><p>4.2 A tutela infraconstitucional</p><p>5. O SURDO</p><p>5.1. O Surdo numa acepção legal</p><p>5.2 O Surdo numa acepção filosófica</p><p>6. UM BREVE RELATO DA HISTÓRIA EDUCACIONAL DO SURDO NO BRASIL</p><p>7. A LEI 8.213/91, ART. 93</p><p>A problemática</p><p>8. O MERCADO DE TRABALHO INCLUSIVO</p><p>CONCLUSÃO</p><p>ANEXOS</p><p>humano. Todavia, existe uma relação de mútua dependência entre ela e os</p><p>direitos fundamentais. Ao mesmo tempo em que os direitos fundamentais</p><p>surgiram como uma exigência da dignidade de proporcionar um plano de</p><p>desenvolvimento da pessoa humana, somente através da existência desses</p><p>direitos a dignidade poderá ser respeitada e protegida.” (NOVELINO,</p><p>Marcelo. Curso de Direito Constitucional, p. 160).</p><p>Podemos dizer que o Estado Democrático de Direito é um arquétipo</p><p>que permitiu per�lar nos Direitos Fundamentais relações jurídicas ainda</p><p>não comtempladas antes, trazendo uma nova roupagem com a perspectiva</p><p>renovada abrangendo de conceitos alusivos às relações inerentes aos direitos</p><p>difusos. Com isso cresceu o diâmetro da semiótica jurídica do direito à</p><p>igualdade, que sob a ótica da dignidade humana trouxe uma ressigni�cação</p><p>ao abranger o campo de incidência.</p><p>Visando atingir o padrão legal, a sociedade deve ter atitudes que</p><p>possam garantir que as pessoas com de�ciência sejam respeitadas e que o</p><p>ambiente social seja saudável a ponto de proporcionar que vivenciem a</p><p>integridade de sua autonomia. Ora, a sociedade baseada em visões de</p><p>princípios é o padrão de uma sociedade inclusiva, permitindo que a pessoa</p><p>com de�ciência desenvolva o seu potencial com autodeterminação e</p><p>participação.</p><p>Partindo desse pressuposto, é urgente mudar o ângulo da visão no que</p><p>se refere aos conceitos comuns em relação à pessoa com de�ciência, como</p><p>focar na cegueira, na surdez, na deformidade, na neurodivergência, que</p><p>limita o indivíduo, em vez de valorizar os sentidos não atingidos pela</p><p>limitação, que, diga-se de passagem, são bem mais apurados, aguçados do</p><p>que os dos “ditos normais”, frise-se que não gosto de usar esse termo, mas</p><p>nesse contexto foi necessário para melhor compreensão.</p><p>Se não mudarmos o prisma e focarmos apenas na limitação da pessoa</p><p>com de�ciência, perderíamos a chance de ver exemplos como o nadador</p><p>Michael Phelps, que acumulou mais de 14 medalhas de ouro em</p><p>Olimpíadas. Ele tem TDAH, encontrou na natação uma forma de lidar com</p><p>sua neuroatipicidade. O tenor Andrea Bocelli, aos 12 anos, numa partida de</p><p>futebol, sofreu um trauma na cabeça que o deixou com cegueira total, mas</p><p>superou e nos presenteia com sua voz maravilhosa, um tenor</p><p>internacionalmente conhecido, e destacamos ainda a nona sinfonia de</p><p>Ludwig van Beethoven, escrita quando ele já estava com surdez severa, uma</p><p>das obras clássicas mais tocadas ao redor do mundo. E para concluir o nosso</p><p>rol de exemplos, não poderíamos deixar de reverenciar Antônio Francisco</p><p>Lisboa, o Aleijadinho, que mesmo com uma deformidade nas mãos e nos</p><p>pés esculpiu obras magní�cas, destacando-se como o maior representante</p><p>do barroco mineiro.</p><p>Em seu livro O DIREITO À DIFERENÇA, pág. 128, Álvaro Ricardo de</p><p>Souza Cruz chama a atenção a algo muito importante quando fala:</p><p>“o estereótipo do portador de deficiência se liga à própria denominação</p><p>do mesmo: deficiente. Esta palavra se associa na psicologia de massas à ideia</p><p>de incapacidade, de dependente, de pedinte e de mendicância. O deficiente é</p><p>aquele que a sociedade considera digno de pena, o inútil e inválido que</p><p>necessita de ajuda dos outros.”</p><p>Infelizmente, uma grande parte da sociedade tem seus pensamentos</p><p>acerca dos surdos calcados em preconceitos e com uma visão mesquinha</p><p>cravada na limitação. Com essa concepção medíocre, in�uenciam</p><p>diretamente na conduta errônea, estereotipando e afrentando</p><p>�agrantemente a dignidade humana da pessoa surda.</p><p>4. O ALCANCE DA PROTEÇÃO JURÍDICA</p><p>BRASILEIRA CONFERIDA AO</p><p>TRABALHADOR COM DEFICIÊNCIA</p><p>4.1 A tutela Constitucional</p><p>A Constituição Federal de 1988 acompanhou a evolução mundial que</p><p>se operava a respeito, dedicando diversos dispositivos à proteção de pessoas</p><p>com de�ciência, assegurando a todos os cidadãos os direitos sociais, os</p><p>direitos ao trabalho e à acessibilidade. A esse respeito, vale observar, além</p><p>dos princípios, os dispostos nos artigos a seguir:</p><p>Art. 5º - Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se</p><p>aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à</p><p>liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade;</p><p>Art. 7º, caput – versa sobre os direitos dos trabalhadores</p><p>Art. 37, VIII - dispõe sobre a reserva de percentual de vagas para empregos públicos para as</p><p>pessoas portadoras de deficiência e define critérios de sua admissão.</p><p>Art. 203, inc. IV - A habilitação e reabilitação das pessoas portadoras de deficiência e a</p><p>promoção de sua integração à vida comunitária;</p><p>Em seu artigo 227, a Constituição responsabiliza todos quanto à assistência integral às</p><p>pessoas com deficiência: família, sociedade e Estado.</p><p>4.2 A tutela infraconstitucional</p><p>Além das garantias previstas na própria Constituição Federal</p><p>destinadas aos portadores de de�ciência, existe na seara jurídica brasileira</p><p>um arcabouço de leis que trata do tema em tela, partindo do princípio da</p><p>isonomia para ser de fato como supunha a escola liberal, a efetividade da</p><p>igualdade as põe assegurada, em contraponto a essa igualdade teórica e</p><p>racional vê-se o surgimento de um novo conceito, agora voltado para um</p><p>indivíduo concreto, em que mostram particularidades para �ns de dar</p><p>tratamento igualitário àquele abstratamente considerado.</p><p>A legislação brasileira é muito vasta a esse respeito. Há a Lei 7.853/89,</p><p>que trata da integração da pessoa com de�ciência, também a Lei 8.213/91,</p><p>artigo 93, tema desse artigo, que determina uma quota de reserva de vagas</p><p>para pessoas com de�ciência, e o Decreto 3.298/99, que considera pessoa</p><p>com de�ciência habilitada aquela que não tendo se submetido a processo de</p><p>habilitação ou reabilitação, esteja capacitada para o exercício da função.</p><p>Entre outras leis que vêm ao encontro e contribuem na construção da</p><p>proteção jurídica a essa comunidade.</p><p>O arcabouço legal brasileiro concernente à política da inclusão da</p><p>pessoa com de�ciência é bem extenso, no intuito de diminuir as barreiras</p><p>limitantes enfrentadas pelas pessoas com de�ciência. Podemos dizer, para</p><p>uma compreensão mais pedagógica, que a LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO</p><p>DE 2015, também denominada Estatuto da Pessoa com De�ciência, é de</p><p>certo modo a compilação de algumas leis com esse mesmo objetivo, de</p><p>forma, digamos, mais organizada por títulos e capítulos que abrangem</p><p>praticamente todas as garantias elencadas de maneira bem especí�ca, para</p><p>fácil compreensão.</p><p>Os exemplos trazidos aqui não esgotam o rol legiferante acerca da</p><p>pessoa com de�ciência no Brasil, tendo em vista que há uma gama de leis,</p><p>decretos, portarias e recomendações criadas para atender as necessidades da</p><p>pessoa com de�ciência e amenizar os problemas sociais existentes em volta</p><p>dessas pessoas.</p><p>Na verdade vemos que o Estado, de certa forma, escuta a comunidade</p><p>organizada (associações, comissões, instituições especí�cas) e até busca</p><p>dentro das linhas de suas atribuições atender os anseios. Ocorre que o</p><p>problema não são as leis, mas as ações, o próprio cidadão e a iniciativa</p><p>privada se posicionam como uma barreira e comprometem a efetividade do</p><p>Direito.</p><p>Por isso a aprovação da lei não é o bastante, precisa-se com máxima</p><p>urgência traçar ações a�rmativas que essencialmente combatam a cultura do</p><p>capacitismo para que o surdo seja enxergado como um cidadão de fato e de</p><p>Direito gozando de todas as prerrogativas legais inerentes à sua existência,</p><p>especialmente à sua capacidade.</p><p>Com o advento da Lei 13.146/2015, denominada ESTATUTO DA</p><p>PESSOA COM DEFICIÊNCIA, se estabeleceu uma série de medidas para</p><p>amenizar os efeitos de uma perspectiva errônea em relação à pessoa com</p><p>de�ciência, abrindo espaço para esta exercer sua cidadania efetiva</p><p>demonstrando a sua competência e responsabilidade quando se trata de</p><p>trabalho e emprego.</p><p>A pessoa com de�ciência, com o apoio das leis, tem quebrado</p><p>paradigmas sabendo exatamente se posicionar como cidadão ativo,</p><p>interagindo de forma hábil e e�ciente dentro do contexto social. Essa</p><p>atitude, com certeza, provoca um olhar mais crítico e desa�ador por parte</p><p>da sociedade, que percebe a inclusão e a</p><p>acessibilidade como paliativos, e</p><p>não como uma solução.</p><p>O estatuto vem romper conceitos e preconceitos, em dois momentos,</p><p>quando impõe à sociedade deveres que exigem desconstruir a visão das</p><p>impossibilidades, e ao mesmo tempo exigem uma renúncia intrínseca</p><p>daquele conceito de a pessoa com de�ciência ser ine�ciente ou</p><p>demasiadamente limitada.</p><p>5. O SURDO</p><p>O surdo é um indivíduo que está inserido na sociedade, buscando seu</p><p>lugar como todo cidadão. A pessoa surda é aquela que tem perda auditiva</p><p>considerável, a ponto de comprometer a recepção do som pelo cérebro.</p><p>A sociedade é de maioria ouvinte. Esse é o termo utilizado para as</p><p>pessoas que escutam e falam a língua oral auditiva e isso não é um detalhe, é</p><p>a grande barreira no processo de inclusão, tendo em vista que o surdo não</p><p>compreende nem utiliza a língua oral auditiva, mas a LIBRAS, língua de</p><p>sinais.</p><p>Com uma cultura ouvinte predominante, é necessário ter a empatia</p><p>para entender o quanto é difícil ser surdo numa sociedade ouvinte, os</p><p>problemas vão desde o seio da família em que esse surdo nasce até sua</p><p>interação com outras pessoas, seja em relacionamento interpessoal casual ou</p><p>em ambiente escolar e no trabalho.</p><p>Ao nascer surdo, o indivíduo é privado de sua audição e com isso tem</p><p>sua fala totalmente comprometida. Isso re�ete em todas as fases da sua vida</p><p>desde a tenra idade, quando necessita de informações básicas quando bebê e</p><p>criança, e para informações mais complexas quando atinge sua idade adulta.</p><p>A língua é o instrumento imprescindível para o indivíduo, é com ela</p><p>que se expressa e adquire informações ao longo da vida. Quando a língua é</p><p>natural, ou seja, um indivíduo ouvinte nasce em família ouvinte, segue o</p><p>ritmo digamos que usual e comum, mas quando um surdo nasce numa</p><p>família ouvinte e esta não conhece nem procura aprender a língua de sinais</p><p>(é o que acontece na maioria das vezes), esse surdo já nasce com o direito à</p><p>informação tolhido, comprometido.</p><p>De fato, o surdo é o indivíduo que utiliza uma língua diferenciada para</p><p>compreender e interagir com o mundo por meio de suas experiências</p><p>visuais.</p><p>5.1. O Surdo numa acepção legal</p><p>Conforme versa o Decreto nº 5.626, de 22 de dezembro de 2005,</p><p>considera-se surdo o indivíduo que tem a perda sensorial auditiva a partir</p><p>de 40 decibéis (dB).</p><p>Art. 2º Para os fins deste Decreto, considera-se pessoa surda aquela que, por ter perda</p><p>auditiva, compreende e interage com o mundo por meio de experiências visuais,</p><p>manifestando sua cultura principalmente pelo uso da Língua Brasileira de Sinais - Libras.</p><p>Parágrafo único. Considera-se deficiência auditiva a perda bilateral, parcial ou total, de</p><p>quarenta e um decibéis (dB) ou mais, aferida por audiograma nas freqüências de 500Hz,</p><p>1.000Hz, 2.000Hz e 3.000Hz.</p><p>Portanto de acordo com o Decreto, todo cidadão que preenche o</p><p>requisito descrito no art. 2º e no parágrafo único é surdo na concepção legal,</p><p>sendo naturalmente incluído no rol dos cidadãos com de�ciência,</p><p>detentores de direitos especí�cos no que tange à inclusão e acessibilidade.</p><p>5.2 O Surdo numa acepção �losó�ca</p><p>No Decreto 5.626/2005, não se pode a�rmar se proposital, no art. 2º,</p><p>especi�camente no trecho “manifestando sua cultura principalmente pelo uso</p><p>da Língua Brasileira de Sinais - Libras”, demonstra que o indivíduo surdo</p><p>não é identi�cado, apenas, pelo grau da perda auditiva, mas �loso�camente,</p><p>esse indivíduo, além da perda auditiva, possui uma identidade e uma cultura</p><p>diferente.</p><p>O uso da LÍNGUA BRASILEIRA DE SINAIS e a aceitação da sua</p><p>identidade (surda) o faz surdo �loso�camente falando, pois só aceitando a</p><p>cultura e a identidade surda é que um indivíduo com perda sensorial</p><p>auditiva é considerado propriamente surdo.</p><p>Assim, de forma sintética, conclui-se que o Decreto, em seu art. 2º, ao</p><p>considerar a pessoa surda como indivíduo que manifesta sua cultura,</p><p>intrinsecamente de�ne esse indivíduo tanto na forma legal, quando</p><p>condiciona a uma perda auditiva a partir de 40(dB), quanto na forma</p><p>�losó�ca, quando complementa que além da perda sensorial o indivíduo se</p><p>aceita como surdo ao interagir por meio de sua língua e identidade,</p><p>elementos imprescindíveis da cultura surda.</p><p>O surdo é indiscutivelmente, antes de mais nada, um cidadão com a</p><p>plena garantia de seus direitos, assim como vinculado aos deveres sociais</p><p>impostos a todos, e que conforme a sua condição, a perda auditiva, é credor</p><p>do Estado de políticas a�rmativas e leis especí�cas que venham equalizar</p><p>essa simbiose na esfera social.</p><p>6. UM BREVE RELATO DA HISTÓRIA</p><p>EDUCACIONAL DO SURDO NO BRASIL</p><p>A primeira escola para surdos no Brasil foi criada em 26 de setembro</p><p>de 1857. O Imperial Instituto de Surdos-Mudos funciona até hoje, no</p><p>Instituto Nacional de Educação de Surdos (INES) na cidade do Rio de</p><p>Janeiro/RJ. Na época do Brasil Império, D. Pedro II convidou o professor</p><p>Eduard Huet, (surdo) francês, para ensinar língua de sinais para os surdos</p><p>no Brasil. A LIBRAS, língua brasileira de sinais, foi se desenvolvendo com</p><p>forte in�uência da língua francesa de sinais.</p><p>Mas somente no ano de 2002, exatamente 145 anos depois, o então</p><p>presidente Fernando Henrique Cardoso sancionou a Lei 10.436/2002, em 24</p><p>de abril de 2002, o�cializando a LIBRAS, Língua Brasileira de Sinais, como</p><p>língua no Brasil. Esse reconhecimento se deu pelo fato de a LIBRAS ser uma</p><p>língua dotada de toda complexidade de uma língua, com gramática própria</p><p>e elementos linguísticos satisfatórios para comunicação.</p><p>Essa lei trouxe avanços signi�cativos, tendo em vista que reconhece a</p><p>LIBRAS como a língua principal da pessoa Surda L1 (língua mãe),</p><p>instrumento hábil e útil para a acessibilidade no processo de inclusão para</p><p>toda a comunidade surda brasileira.</p><p>Com o reconhecimento da LIBRAS, veio também a necessidade de</p><p>adequar todo o aparato educacional e social para que houvesse realmente o</p><p>acesso à informação, e com isso a Comunidade Surda começou a exigir,</p><p>desta feita amparados por Lei, espaços acessíveis, seja na educação, no lazer,</p><p>entre outros.</p><p>A educação especial foi incluída na LDB - Lei 9.394, de 1996, Lei de</p><p>Diretrizes e Bases da Educação no que depreende ao aluno surdo, e</p><p>atualmente foi incluída a  Lei 14.191, de 2021,  que insere a Educação</p><p>Bilíngue de Surdos na Lei Brasileira de Diretrizes e Bases da Educação</p><p>Nacional (LDB - Lei 9.394, de 1996) como uma modalidade de ensino</p><p>independente — antes incluída como parte da educação especial. Entende-</p><p>se como educação bilíngue aquela que tem a língua brasileira de sinais</p><p>(Libras) como primeira língua e o português escrito como segunda.</p><p>Apesar de não haver um levantamento aprofundado nas questões</p><p>educacionais que envolvem o desempenho escolar de pessoas surdas</p><p>brasileiras, podemos a�rmar que o número de surdos adultos alfabetizados</p><p>em português e a média da leitura e da escrita dos alunos com o segundo</p><p>grau completo não é compatível ao seu grau de formação, isso não é muito</p><p>diferente dos ouvintes.</p><p>Os pro�ssionais e a sociedade surda reconhecem as defasagens</p><p>escolares que impedem o adulto surdo de competir no mercado de trabalho.</p><p>A comunidade surda tem um restrito acesso às oportunidades de</p><p>ascensão pro�ssional devido à falta de quali�cação, assim como há</p><p>insegurança por parte do empregador em con�ar ao surdo funções que</p><p>exijam mais responsabilidade, gerando consequentemente um prejuízo ao</p><p>surdo de cunho econômico, educacional e social.</p><p>A pessoa surda, desde sua infância, convive com barreiras linguísticas</p><p>determinadas pela língua oral, o que di�culta bastante o seu aprendizado e</p><p>sua integração social, dado que são minoria linguística, sendo a sua</p><p>interação com a sociedade di�cultada, causando um ruído na comunicação,</p><p>este um dos maiores problemas no processo da inclusão.</p><p>Publicação e dados da Federação Nacional de Educação e Integração</p><p>dos Surdos (FENEIS) a respeito do desempenho escolar em 1995: Através de</p><p>pesquisa realizada por pro�ssionais da PUC do Paraná em convênio com o</p><p>Centro Nacional de Educação Especial (CENESP) publicada em 1986 em</p><p>Curitiba, constatou-se que o surdo apresenta muitas di�culdades em relação</p><p>aos pré-requisitos quanto à escolaridade, e 74% não chegam a concluir o 1º</p><p>grau. Segundo a FENEIS, o Brasil tem aproximadamente 5% da população</p><p>surda total estudando em universidades, e a maioria é incapaz de lidar com</p><p>o português escrito.</p><p>A história brasileira da educação do surdo se constitui basicamente de</p><p>quatro fases: o oralismo, a comunicação total, o bimodalismo e o</p><p>bilinguismo.</p><p>a. Oralismo: preocupa-se com o ensino da língua oral através de vários</p><p>métodos, tais como: verbo tonal, leitura labial e outros. Aqui no Brasil,</p><p>as pessoas que seguem a corrente oralista só ensinam a língua</p><p>portuguesa e geralmente não aceitam a Língua Brasileira de Sinais,</p><p>trazendo grandes prejuízos à comunidade surda.</p><p>b. Comunicação Total: procura desenvolver todas as habilidades da</p><p>comunicação: a fala, a audição, os sinais, leitura, escrita e outros</p><p>recursos. Os usuários da comunicação total utilizam o bimodalismo.</p><p>c. Bimodalismo: é a utilização simultânea das duas modalidades de</p><p>língua: a oral-auditiva e a gestual-visual. Na maioria dos casos ocorre</p><p>uma grande di�culdade no aprendizado de ambas as línguas,</p><p>deformando-as.</p><p>d. Bilinguismo: A prática de utilizar duas línguas de forma alternativa.</p><p>Na educação, é a proposta mais adequada e utilizada por escolas que</p><p>se propõem a tornar acessível à criança surda duas línguas no</p><p>contexto escolar, considerando a língua de sinais como a língua</p><p>natural, partindo desse pressuposto para o ensino da língua escrita.</p><p>A proposta bilíngue é bicultural por estar atenta às culturas nas quais o</p><p>surdo está inserido, permitindo com isso o acesso rápido e natural do surdo</p><p>à comunidade ouvinte, fazendo com que ele se reconheça como parte de</p><p>uma comunidade surda, identi�cando-se culturalmente com duas</p><p>comunidades linguísticas. E apesar de estar inserida na LDB, não tem</p><p>previsão de efetivação por necessitar de professores bilíngues, ou seja, que</p><p>dominem a Língua Brasileira de Sinais (LIBRAS) e o Português.</p><p>Isso re�ete diretamente no futuro pro�ssional do indivíduo surdo, pois</p><p>um serviço educacional precário é como um “efeito dominó”, vai</p><p>dani�cando as demais fases da vida por ser um intrínseco ao outro,</p><p>tornando a lei improfícua.</p><p>7. A LEI 8.213/91, ART. 93</p><p>A discussão sobre o cumprimento das cotas dos portadores de</p><p>de�ciência tem sido alvo de muita discussão em se tratando de sua e�cácia,</p><p>que depende diretamente de outros fatores que, no processo da inserção</p><p>desses no mercado de trabalho, tem se mostrado uma barreira.</p><p>Em se tratando do público surdo, estão aquém de satisfazer o per�l</p><p>traçado pelo mercado de trabalho, pois a competitividade e a mão de obra</p><p>mais quali�cada têm sido a grande barreira, excluindo esses indivíduos por</p><p>não satisfazerem o per�l traçado do mercado de trabalho nos dias atuais.</p><p>As cotas dos de�cientes são determinadas pela Lei 8.213/91 em seu</p><p>artigo 93, que versa o seguinte texto:</p><p>Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a</p><p>preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos</p><p>com bene�ciários reabilitados ou pessoas portadoras de de�ciência,</p><p>habilitadas, na seguinte proporção:</p><p>I - até 200 empregados, 2%</p><p>II - de 201 a 500, 3%</p><p>III - de 501 a 1.000, 4%</p><p>IV - de 1.001 em diante, 5%</p><p>O DEC 3.298/1999 que regulamenta a lei estabelece a de�nição de</p><p>quem pode ser considerado portador de de�ciência para efeitos da lei</p><p>trazendo tal de�nição em seu artigo 4º, são de�nidas de�ciências auditivas,</p><p>visuais, físicas e mentais, e somente as ali de�nidas são consideradas para</p><p>efeito das cotas. A Portaria 1.199/2003 MTE estabelece a possibilidade de</p><p>autuação das empresas que descumprirem as cotas.</p><p>Numa visão geral, bastaria às empresas quererem cumprir as cotas para</p><p>que todas as outras cumprissem, mas esbarram-se na desquali�cação dos</p><p>surdos por não terem uma educação escolar satisfatória, muitos não sabem</p><p>ler nem escrever, e se o fazem, é precariamente. Numa visão mais especí�ca,</p><p>as empresas estabelecem critérios como idade, escolaridade e curso de</p><p>quali�cação, e quando não se tem o surdo quali�cado, daí parte um</p><p>questionamento:</p><p>Como quali�car um surdo se não existe nem escola regular que ofereça</p><p>um ensino básico inclusivo?</p><p>Como frequentariam um curso de capacitação pro�ssional se não</p><p>tem intérpretes para que haja a interação e facilitação no aprendizado, já</p><p>que os professores não sabem a LIBRAS?</p><p>Partindo desses pressupostos, a inclusão e a acessibilidade esbarram</p><p>nas barreiras atitudinais, ou seja, a omissão de um ensino com métodos</p><p>inclusivos especí�co para os surdos, materiais didáticos adaptados e</p><p>intérpretes de LIBRAS para possibilitar o conhecimento e as informações</p><p>passadas pelo professor ao surdo de maneira que o aluno surdo entenda.</p><p>É como versa Álvaro Ricardo de Souza Cruz em seu livro O Direito à</p><p>Diferença, página 131: “Contudo, sabe-se na atualidade que cabe ao</p><p>julgador a tarefa de reconstruir o ordenamento jurídico, ao passo que ao</p><p>legislador a tarefa de erguê-lo. Nessa atividade de aplicação da norma ao</p><p>caso concreto o julgador realiza uma interpretação e não a mera aplicação</p><p>mecânica da lei, o processo interpretativo é um exercício de auto re�exão</p><p>na qual o jogador toma em vista todo o ordenamento para aplicar a</p><p>norma”.</p><p>Assim sendo, simetricamente às empresas, no processo interpretativo</p><p>da referida lei deve ser de auto re�exão, não podendo fechar os olhos ao</p><p>problema enfrentado pelo público-alvo a que se destina as cotas,</p><p>especi�camente como falamos aqui, aos surdos. O objetivo precípuo do</p><p>legislador na criação das cotas para de�cientes é claro, INCLUIR, portanto a</p><p>aplicação da lei deve ser re�etida e bem direcionada.</p><p>A problemática</p><p>Por falta de conscientização, algumas empresas não têm compromisso</p><p>com a inclusão, mas apenas em cumprir a lei pro forma. De um lado, o</p><p>desinteresse das empresas em efetivamente incluir, do outro, o próprio</p><p>Estado editando leis que na prática necessitariam de um preparo antes de</p><p>sua implementação. No presente caso, no que se refere à educação dos</p><p>surdos para uma efetiva inclusão no mercado de trabalho, está aquém do</p><p>exigido. Se o método e a estrutura educacional já é precária e sofrida,</p><p>imagina a educação especial inserida nesse contexto?</p><p>É como um efeito dominó, um desastre em cadeia culminando na</p><p>precaríssima efetivação do direito ao trabalho, e a comunidade surda esbarra</p><p>num mecanismo estatal omisso, não favorecendo a inclusão, que não se faz</p><p>somente com leis, mas com políticas públicas que realmente preparem o</p><p>cenário para o efetivo cumprimento dessa lei.</p><p>O raciocínio de que uma lei pode causar problemas, se exigida em um</p><p>ambiente que não viabilize seu cumprimento, não é um pensamento errado</p><p>ou radical. Isso mostra a maturidade em entender que a e�cácia de uma lei</p><p>depende diretamente do contexto em que ela será cumprida, precisa ser</p><p>viável, sem isso sua exigência seria inviável.</p><p>O Estado deve promover um ambiente que propicie a aplicação das leis</p><p>por ele editadas, já que a �nalidade das leis é garantir o direito, visando à</p><p>ordem e harmonia social. Para isso é que entram em cena as ações</p><p>a�rmativas preparando o terreno social para receber as leis, ora, é em uma</p><p>terra fértil que se plantam e colhem frutos saudáveis.</p><p>A problemática da lei de cotas para a comunidade surda está na</p><p>aplicação efetiva da lei pelas empresas, tendo em vista todos os entraves</p><p>ainda não superados, tornando inviável alcançar o objetivo da lei na</p><p>amplitude e essência a que foi destinada. O objetivo do legislador no artigo</p><p>93 da Lei 8.213 não foi alcançado ao aplicar a lei da maneira como a maioria</p><p>das empresas aplicam, apenas pro forma.</p><p>Outro fato importante a se re�etir é a falta de capacitação, especi�ca</p><p>para o cidadão surdo,que viabilizaria de forma mais segura e efetiva a</p><p>inserção desse sujeito no mercado de trabalho, o Estado mesmo</p><p>“preocupado” em garantir o direito ao trabalho, podemos citar por exemplo,</p><p>o Decreto nº 6.949(Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos</p><p>das Pessoas com De�ciência), Titulo: Trabalho e emprego, em seu artigo27,</p><p>não cumpriu totalmente com</p><p>sua parte em não oferecer mecanismo para</p><p>preparar os Surdos para serem inseridos no mercado de trabalho, senão</p><p>vejamos:</p><p>Artigo: 27</p><p>1.Os Estados Partes reconhecem o direito das pessoas com deficiência ao</p><p>trabalho, em igualdade de oportunidades com as demais pessoas. Esse direito</p><p>abrange o direito à oportunidade de se manter com um trabalho de sua livre</p><p>escolha ou aceitação no mercado laboral, em ambiente de trabalho que seja</p><p>aberto, inclusivo e acessível a pessoas com deficiência. Os Estados Partes</p><p>salvaguardarão e promoverão a realização do direito ao trabalho, inclusive</p><p>daqueles que tiverem adquirido uma deficiência no emprego, adotando</p><p>medidas apropriadas, incluídas na legislação, com o fim de, entre outros:</p><p>a) Proibir a discriminação baseada na deficiência com respeito a todas</p><p>as questões relacionadas com as formas de emprego, inclusive</p><p>condições de recrutamento, contratação e admissão, permanência</p><p>no emprego, ascensão profissional e condições seguras e salubres de</p><p>trabalho;</p><p>b) Proteger os direitos das pessoas com deficiência, em condições de</p><p>igualdade com as demais pessoas, às condições justas e favoráveis de</p><p>trabalho, incluindo iguais oportunidades e igual remuneração por</p><p>trabalho de igual valor, condições seguras e salubres de trabalho,</p><p>além de reparação de injustiças e proteção contra o assédio no</p><p>trabalho;</p><p>c) Assegurar que as pessoas com deficiência possam exercer seus</p><p>direitos trabalhistas e sindicais, em condições de igualdade com as</p><p>demais pessoas;</p><p>d) Possibilitar às pessoas com de�ciência o acesso efetivo a</p><p>programas de orientação técnica e pro�ssional e a serviços de</p><p>colocação no trabalho e de treinamento pro�ssional e</p><p>continuado;</p><p>e) Promover oportunidades de emprego e ascensão profissional para</p><p>pessoas com deficiência no mercado de trabalho, bem como</p><p>assistência na procura, obtenção e manutenção do emprego e no</p><p>retorno ao emprego;</p><p>f) Promover oportunidades de trabalho autônomo, empreendedorismo,</p><p>desenvolvimento de cooperativas e estabelecimento de negócio</p><p>próprio;</p><p>g) Empregar pessoas com deficiência no setor público;</p><p>h) Promover o emprego de pessoas com de�ciência no setor</p><p>privado, mediante políticas e medidas apropriadas, que poderão</p><p>incluir programas de ação a�rmativa, incentivos e outras</p><p>medidas;</p><p>i) Assegurar que adaptações razoáveis sejam feitas para pessoas com</p><p>deficiência no local de trabalho;</p><p>j) Promover a aquisição de experiência de trabalho por pessoas com</p><p>deficiência no mercado aberto de trabalho; k) Promover reabilitação</p><p>profissional, manutenção do emprego e programas de retorno ao</p><p>trabalho para pessoas com deficiência.</p><p>Vemos nitidamente que no artigo 27 alínea d, do Decreto Nº 6.949 de</p><p>25 de agosto de 2009 que o Estado tem ciência da necessidade de</p><p>treinamento pro�ssional, ou seja, capacitação pro�ssional da pessoa com</p><p>De�ciência, de forma que fez constar no Decreto, ocorre que na prática isso</p><p>não acontece, falando do cidadão Surdo, não há estrutura nem suporte</p><p>educacional, como também faltam pessoas capacitadas na LIBRAS para</p><p>ministrar as capacitações, um problema crônico enfrentado pelos Surdos há</p><p>séculos.</p><p>Isso cria a seguinte situação: de um lado, empresas sendo intimadas a</p><p>apresentar a cota cumprida e autuadas se não a cumprirem; empresas com</p><p>di�culdade de contratação em vista da falta de mão de obra capacitada; e</p><p>ainda, empresas que se veem obrigadas a cumprir o papel do Estado e criar</p><p>cursos de capacitação ou contratar empresas ou instituições que o fazem</p><p>(esse último exemplo raramente acontece), e pro�ssionais como intérpretes</p><p>e professores de LIBRAS para haver uma interação dos surdos no ambiente</p><p>de trabalho. De outro lado, surdos que não têm uma educação básica</p><p>satisfatória nem cursos de capacitação especí�cos ministrados na sua língua,</p><p>consequentemente, sem escolarização e sem capacitação, ou seja, não</p><p>enquadrados no per�l básico que as empresas exigem.</p><p>Com isso questiona-se quanto à e�cácia de tal lei, pois só exige a</p><p>contratação, mas não obriga o Estado a fornecer uma demanda quali�cada.</p><p>Alguns pontos precisam ser revistos, como a obrigação de capacitação pelo</p><p>Estado e a criação de incentivos às empresas que criarem programas</p><p>próprios de capacitação. A discussão é importante e deve ser iniciada, sob</p><p>pena de termos cada vez mais leis sem efetividade, dessa vez quem perde é o</p><p>surdo em se ver excluído numa lei que nasceu para incluí-lo e bene�ciá-lo.</p><p>Acreditamos que seja e�ciente colocar o surdo na empresa, mas devido</p><p>à falta de políticas de capacitação, falta pro�ssional de áreas administrativas</p><p>ensinando métodos para o desenvolvimento desses pro�ssionais de�cientes</p><p>dentro da organização.</p><p>Álvaro Ricardo de Souza Cruz, em seu livro O Direito à Diferença,</p><p>menciona com propriedade:</p><p>Todavia, o principal obstáculo à implementação de quotas de empregados</p><p>privado para os portadores de deficiência tem sido exatamente sua falta de</p><p>qualificação profissional. Vencida a demanda, a empresa acaba deixando de</p><p>observar a legislação pela falta de oferta de mão-de-obra devidamente</p><p>qualificada, o que atesta o grau de inexistência de cursos profissionais no país</p><p>voltados para o atendimento dos portadores de deficiência. Pág. 258.</p><p>Quando a empresa contrata um surdo, o faz por mero cumprimento de</p><p>cotas e para não sofrer as sanções previstas na lei, pois, é insólito ter surdos</p><p>promovidos ou ocupando cargos de supervisão, gerência ou de che�a em</p><p>empresas, ou seja, ele é apenas um funcionário constante, sem nenhuma</p><p>perspectiva de progredir dentro da empresa. Daí partimos para nossa</p><p>pergunta, a Lei 8.213/91, artigo 93, é e�caz? Atinge seu objetivo nos aspectos</p><p>sociais, morais e humanos?</p><p>É verdade que não existe apenas uma barreira a se transpor para haver</p><p>a inclusão dos surdos da maneira que reza a citada lei, há a necessidade de</p><p>inúmeras mudanças para se avistar o objetivo: a conscientização da</p><p>sociedade em geral, as adequações no ambiente físico, a comunicação, e</p><p>outras mais.</p><p>Ao observar a lei em questão e o caput do art. 5º da Constituição, em</p><p>relação à comunidade surda, não temos muito o que comemorar. É sabido</p><p>que as leis nascem para que haja harmonia social, diminuir as desigualdades</p><p>e prevalecer na medida do possível a justiça, e o objetivo das citadas</p><p>legislações não é diferente, mas o que vemos é a exclusão, a falta de interesse</p><p>e o desrespeito às minorias.</p><p>Álvaro Ricardo de Souza Cruz menciona:</p><p>“A igualdade deixa seu aspecto meramente formal, assumindo uma concepção material, e</p><p>inovadora, permitindo a consecução da máxima: ‘tratar desigualmente os desiguais na</p><p>medida de sua desigualdade’.”</p><p>Nesse sentido, é pertinente colocar nas presentes linhas que apesar de o</p><p>arcabouço legal seguir a dinâmica social, a sua aplicação encontra</p><p>empecilhos nos agentes executores, ou seja, quem deveria cumprir ainda</p><p>não tem uma concepção “evoluída” e ampla da importância e necessidade da</p><p>lei para aquela comunidade.</p><p>A sociedade está preparada apenas para receber indivíduos sem</p><p>de�ciência. Podemos constatar isso olhando ao nosso redor: não vemos</p><p>placas explicativas em LIBRAS, não vemos intérpretes de língua de sinais</p><p>nas lojas nem em repartições públicas, e pasme! Esporadicamente vemos o</p><p>intérprete nas escolas. Como o surdo, um indivíduo dotado de direitos e</p><p>deveres, um cidadão ativo na sociedade, pode exercer seus direitos de fato?</p><p>A iniciativa da lei é louvável, mas necessita urgentemente de ações</p><p>a�rmativas, que são imprescindíveis para alcançar os resultados esperados.</p><p>Antonio Campos de Abreu (2007), historiador (surdo), demonstra</p><p>em sua fala um fato que perdura até os dias de hoje...</p><p>“Muito do preconceito contra os surdos vem do passado, pois se achava que a surdez vinha</p><p>acompanhada de algum tipo de déficit de inteligência, mas depois de um tempo foi</p><p>descoberto que os surdos não desenvolviam sua inteligência por falta de comunicação e falta</p><p>de estímulo. A comunicação veio com o aperfeiçoamento das línguas gestuais e também com</p><p>o oralismo.”</p><p>E é exatamente esse pensamento totalmente preconceituoso que vemos</p><p>até hoje cravado na cultura ouvinte como</p><p>se dela �zesse parte, combater esse</p><p>estereótipo é uma árdua missão que não pode ser vencida pela ignorância.</p><p>8. O MERCADO DE TRABALHO INCLUSIVO</p><p>A capacitação pro�ssional da pessoa surda deve ser pensada a partir de</p><p>uma contextualização do mundo do trabalho, da realidade político-</p><p>econômico-social em que o País vive.</p><p>Atualmente, o brasileiro está cercado por palavras como “globalização</p><p>da economia”, “desenvolvimento tecnológico”, “automação”, “livre iniciativa”.</p><p>Nesse contexto são valorizadas a produtividade, a excelência, a qualidade</p><p>total e a competitividade. As pessoas, tanto ouvintes quanto as surdas,</p><p>precisam correr atrás disso, ou melhor, correr junto a isso.</p><p>O desa�o é estarem em constante aprendizado a �m de serem</p><p>pro�ssionais quali�cados em condições de acesso a este mundo do trabalho.</p><p>A capacitação pro�ssional é imprescindível. Capacitar para o trabalho,</p><p>porém, não se refere a um adestramento com �ns de realizar uma tarefa ou</p><p>uma atividade. Não é apenas repetir algo que lhe foi mostrado ou ensinado.</p><p>Deve-se pensar a capacitação e quali�cação como a possibilidade de um</p><p>domínio sobre o fazer, entendendo não só o que acontece, mas por que</p><p>acontece e em que isso irá resultar.</p><p>Capacitação deve signi�car possibilidade de se ter prazer no que se faz</p><p>(bem-feito, com menos esforço em um curto espaço de tempo), de poder se</p><p>relacionar com os demais e de, juntos, sentirem que estão participando de</p><p>uma construção de cultura, construção de cidadania.</p><p>Capacitação para o trabalho ou pro�ssional se inicia desde quando o</p><p>ser humano começa a se relacionar com o mundo, com as outras pessoas. O</p><p>sentido de que as coisas e os fatos vão construindo as mentes constitui-se em</p><p>possibilidades para a futura formação.</p><p>Ao pensar este processo em relação às pessoas surdas, é de</p><p>fundamental importância incluir, na discussão, a questão da Língua</p><p>Brasileira de Sinais e da utilização da Língua Portuguesa.</p><p>Quanto mais cedo for propiciado o acesso à Língua Portuguesa e à</p><p>Língua de Sinais, mais efetivamente as pessoas surdas podem se comunicar</p><p>com o seu meio, entendendo e se fazendo entender.</p><p>Com estes programas se procura desenvolver valores e atitudes que</p><p>promovam a sociabilidade, a criatividade, o potencial cognitivo,</p><p>estimulando a vontade de aprender e buscando o desenvolvimento da</p><p>autonomia e da cidadania, pressupostos estes para a formação de um</p><p>trabalho quali�cado.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Partindo do princípio da dignidade humana, que é basilar aos direitos</p><p>humanos, vemos nascer as políticas compensatórias e as ações a�rmativas,</p><p>abrindo assim mais uma alternativa de se efetivar de forma a alcançar</p><p>verdadeiramente o objetivo da Lei 8.213/1991, art. 93, incluindo, nesse caso,</p><p>os surdos de forma responsável e e�caz.</p><p>Segundo Max Weber, “O trabalho digni�ca o homem”.</p><p>Nesse diapasão, é livre a interpretação dessa frase em suas nuances, o</p><p>trabalho é o meio de adquirir renda e com isso ter acesso a bens materiais,</p><p>como também o trabalho como meio de satisfação pessoal, de demonstrar a</p><p>competência do indivíduo e suas habilidades em desenvolver determinadas</p><p>funções, a partir do sentimento de utilidade o ser humano é elevado ao</p><p>patamar de satisfação pessoal. Talvez algumas pessoas não se atentaram para</p><p>isso, sua visão de trabalho é estritamente capitalista, trabalho para ter renda,</p><p>somente isso, mas o trabalho vai além de dar o poder aquisitivo, ele nos</p><p>eleva a experimentar a essência da dignidade em sua mais plena expressão,</p><p>pois ao desenvolvermos as atividades, mostramos a nós mesmos que somos</p><p>capazes, e é exatamente essa sensação que nos satisfaz como seres humanos.</p><p>“Por conseguinte a preocupação atual volta-se para o respeito aos direitos humanos em</p><p>função das particularidades individuais e coletivas dos diferentes grupamentos humanos</p><p>(...) Sob esta perspectiva o pluralismo eleva-se à condição de princípio indissociável da ideia</p><p>de dignidade humana exigindo do Estado e da sociedade a proteção de todos os outros</p><p>diferentes de nós pelo aspecto supramencionado”. (Álvaro Ricardo de Souza Cruz, livro O</p><p>Direito à Diferença, página 17).</p><p>Quando um surdo é desa�ado a enfrentar um mercado de trabalho</p><p>competitivo e inacessível, o Estado, a sociedade e as empresas estão expondo</p><p>esse indivíduo à mais dura tortura psicológica, pois em vez de o surdo se</p><p>sentir compensado por sua capacidade, ele é exposto por sua perda auditiva.</p><p>O capacitismo, ainda muito presente, coloca o indivíduo surdo numa</p><p>situação vexatória e vergonhosa, fazendo com que apesar de todo o esforço</p><p>do Estado em criar leis visando equalizar o indivíduo e minimizar as</p><p>barreiras, ao invés disso cria uma situação bem constrangedora em que o</p><p>surdo é forçado a ser contratado para cumprir cotas, e não pela sua</p><p>capacidade.</p><p>Atualmente podemos dizer que a inclusão e a acessibilidade no Brasil</p><p>para a comunidade surda estão dando os primeiros passos. Neste contexto, é</p><p>imprescindível re�etir a igualdade de forma individual, respeitando a</p><p>diferença, transpondo o paradigma social na perspectiva de tratar diferente</p><p>quem é diferente, para minimizar as limitações e ascender o ser capaz do</p><p>indivíduo surdo.</p><p>Uma sociedade calcada nesses princípios é necessariamente pluralista e inclusiva, pois deve</p><p>garantir/estimular a participação de todos, aproveitando as diferentes cosmovisões e</p><p>experiências humanas, reconhecendo/desenvolvendo o potencial de cada cidadão.</p><p>Essa sociedade deve trabalhar no sentido de oferecer oportunidades para que cada cidadão</p><p>possa ser respeitado, garantindo-lhe mecanismos para que a mesma consiga a integridade</p><p>da sua autonomia, autodeterminada e participativa. (Álvaro Ricardo, O Direito à</p><p>Diferença, página 127).</p><p>Assim sendo, é imprescindível que a lei de cotas seja aplicada de forma</p><p>responsável, atrelada ao princípio da dignidade humana, buscando medidas</p><p>para implementar a promoção e integração do indivíduo surdo no mercado</p><p>de trabalho.</p><p>ANEXOS</p><p>Presidência da República</p><p>Casa Civil</p><p>Subche�a para Assuntos Jurídicos</p><p>LEI Nº 10.436, DE 24 DE ABRIL  DE 2002.</p><p>Regulamento Dispõe sobre a Língua Brasileira de Sinais - Libras e dá outras providências.</p><p>O PRESIDENTE DA REPÚBLICA  Faço saber que o Congresso</p><p>Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:</p><p>Art. 1o É reconhecida como meio legal de comunicação e expressão a</p><p>Língua Brasileira de Sinais - Libras e outros recursos de expressão a ela</p><p>associados.</p><p>Parágrafo único. Entende-se como Língua Brasileira de Sinais - Libras a</p><p>forma de comunicação e expressão, em que o sistema lingüístico de natureza</p><p>visual-motora, com estrutura gramatical própria, constituem um sistema</p><p>lingüístico de transmissão de idéias e fatos, oriundos de comunidades de</p><p>pessoas surdas do Brasil.</p><p>Art. 2o  Deve ser garantido, por parte do poder público em geral e</p><p>empresas concessionárias de serviços públicos, formas institucionalizadas de</p><p>apoiar o uso e difusão da Língua Brasileira de Sinais - Libras como meio de</p><p>comunicação objetiva e de utilização corrente das comunidades surdas do</p><p>Brasil.</p><p>Art. 3o As instituições públicas e empresas concessionárias de serviços</p><p>públicos de assistência à saúde devem garantir atendimento e tratamento</p><p>adequado aos portadores de de�ciência auditiva, de acordo com as normas</p><p>legais em vigor.</p><p>Art. 4o  O sistema educacional federal e os sistemas educacionais</p><p>estaduais, municipais e do Distrito Federal devem garantir a inclusão nos</p><p>cursos de formação de Educação Especial, de Fonoaudiologia e de</p><p>Magistério, em seus níveis médio e superior, do ensino da Língua Brasileira</p><p>de Sinais - Libras, como parte integrante dos Parâmetros Curriculares</p><p>Nacionais - PCNs, conforme legislação vigente.</p><p>Parágrafo único. A Língua Brasileira de Sinais - Libras não poderá</p><p>substituir a modalidade escrita da língua portuguesa.</p><p>Art. 5o Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Brasília, 24 de abril de 2002; 181o  da Independência e 114o  da</p><p>República.</p><p>FERNANDO HENRIQUE CARDOSO</p><p>Paulo Renato Souza</p><p>Este texto não substitui o publicado no DOU de  25.4.2002</p><p>Presidência da República</p><p>Casa Civil</p><p>Subche�a para Assuntos Jurídicos</p><p>LEI</p><p>Nº 8.213, DE 24 DE JULHO DE 1991</p><p>Texto compilado</p><p>Mensagem de veto</p><p>(Vide Decreto nº 357, de 1991)</p><p>(Vide Lei nº 8.222, de 1991)</p><p>(Vide Decreto nº 611, de 1992)</p><p>Dispõe sobre os Planos de Benefícios da Previdência Social e</p><p>dá outras providências.</p><p>(Vide Decreto nº 2.172, de</p><p>1997)</p><p>(Vide Decreto nº 2.346, de</p><p>1997)</p><p>(Vide Decreto nº 3.048, de</p><p>1999)</p><p>(Vide Medida Provisória nº</p><p>291, de 2006)</p><p>(Vide Lei nº 13.135, de 2015)</p><p>O PRESIDENTE DA REPÚBLICA  Faço saber que o Congresso</p><p>Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:</p><p>Art. 93. A empresa com 100 (cem) ou mais empregados está obrigada a</p><p>preencher de 2% (dois por cento) a 5% (cinco por cento) dos seus cargos</p><p>com bene�ciários reabilitados ou pessoas portadoras de de�ciência,</p><p>habilitadas, na seguinte proporção:</p><p>I - até 200 empregados...................................................................................2%;</p><p>II - de 201 a 500............................................................................................3%;</p><p>III - de 501 a 1.000........................................................................................4%;</p><p>IV - de 1.001 em diante. ..............................................................................5%.</p><p>Presidência da República</p><p>Secretaria-Geral</p><p>Subche�a para Assuntos Jurídicos</p><p>LEI Nº 13.146, DE 6 DE JULHO DE 2015.</p><p>Mensagem de</p><p>veto</p><p>Vigência</p><p>Institui a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com De�ciência (Estatuto da</p><p>Pessoa com De�ciência).</p><p>A PRESIDENTA DA REPÚBLICA  Faço saber que o Congresso</p><p>Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei:</p><p>LIVRO I</p><p>PARTE GERAL</p><p>TÍTULO I</p><p>DISPOSIÇÕES PRELIMINARES</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DISPOSIÇÕES GERAIS</p><p>Art. 1º É instituída a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com</p><p>De�ciência (Estatuto da Pessoa com De�ciência), destinada a assegurar e a</p><p>promover, em condições de igualdade, o exercício dos direitos e das</p><p>liberdades fundamentais por pessoa com de�ciência, visando à sua inclusão</p><p>social e cidadania.</p><p>Parágrafo único. Esta Lei tem como base a Convenção sobre os Direitos</p><p>das Pessoas com De�ciência e seu Protocolo Facultativo, rati�cados pelo</p><p>Congresso Nacional por meio do Decreto Legislativo nº 186, de 9 de julho</p><p>de 2008 , em conformidade com o procedimento previsto no § 3º do art. 5º</p><p>da Constituição da República Federativa do Brasil  , em vigor para o Brasil,</p><p>no plano jurídico externo, desde 31 de agosto de 2008, e promulgados</p><p>pelo  Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009  , data de início de sua</p><p>vigência no plano interno.</p><p>Art. 2º Considera-se pessoa com de�ciência aquela que tem</p><p>impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou</p><p>sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir</p><p>sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições</p><p>com as demais pessoas.</p><p>§ 1º A avaliação da de�ciência, quando necessária, será biopsicossocial,</p><p>realizada por equipe multipro�ssional e interdisciplinar e considerará:</p><p>(Vigência) (Vide Decreto nº 11.063, de 2022)</p><p>I - os impedimentos nas funções e nas estruturas do corpo;</p><p>II - os fatores socioambientais, psicológicos e pessoais;</p><p>III - a limitação no desempenho de atividades; e</p><p>IV - a restrição de participação.</p><p>§ 2º O Poder Executivo criará instrumentos para avaliação da</p><p>de�ciência. (Vide Lei nº 13.846, de 2019) (Vide Lei nº 14.126, de 2021) (Vide</p><p>Lei nº 14.768, de 2023)</p><p>§ 3º O exame médico-pericial componente da avaliação biopsicossocial</p><p>da de�ciência de que trata o § 1º deste artigo poderá ser realizado com o uso</p><p>de tecnologia de telemedicina ou por análise documental conforme</p><p>situações e requisitos de�nidos em regulamento. (Incluído pela Lei nº</p><p>14.724, de 2023)</p><p>Art. 2º-A. É instituído o cordão de �ta com desenhos de girassóis como</p><p>símbolo nacional de identi�cação de pessoas com de�ciências ocultas.</p><p>(Incluído pela Lei nº 14.624, de 2023)</p><p>§ 1º O uso do símbolo de que trata o caput deste artigo é opcional, e</p><p>sua ausência não prejudica o exercício de direitos e garantias previstos em</p><p>lei.  (Incluído pela Lei nº 14.624, de 2023)</p><p>§ 2º A utilização do símbolo de que trata o  caput  deste artigo não</p><p>dispensa a apresentação de documento comprobatório da de�ciência, caso</p><p>seja solicitado pelo atendente ou pela autoridade competente. (Incluído pela</p><p>Lei nº 14.624, de 2023)</p><p>Art. 3º Para �ns de aplicação desta Lei, consideram-se:</p><p>I - acessibilidade: possibilidade e condição de alcance para utilização,</p><p>com segurança e autonomia, de espaços, mobiliários, equipamentos</p><p>urbanos, edi�cações, transportes, informação e comunicação, inclusive seus</p><p>sistemas e tecnologias, bem como de outros serviços e instalações abertos ao</p><p>público, de uso público ou privados de uso coletivo, tanto na zona urbana</p><p>como na rural, por pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida;</p><p>II - desenho universal: concepção de produtos, ambientes, programas e</p><p>serviços a serem usados por todas as pessoas, sem necessidade de adaptação</p><p>ou de projeto especí�co, incluindo os recursos de tecnologia assistiva;</p><p>III - tecnologia assistiva ou ajuda técnica: produtos, equipamentos,</p><p>dispositivos, recursos, metodologias, estratégias, práticas e serviços que</p><p>objetivem promover a funcionalidade, relacionada à atividade e à</p><p>participação da pessoa com de�ciência ou com mobilidade reduzida,</p><p>visando à sua autonomia, independência, qualidade de vida e inclusão</p><p>social;</p><p>IV - barreiras: qualquer entrave, obstáculo, atitude ou comportamento</p><p>que limite ou impeça a participação social da pessoa, bem como o gozo, a</p><p>fruição e o exercício de seus direitos à acessibilidade, à liberdade de</p><p>movimento e de expressão, à comunicação, ao acesso à informação, à</p><p>compreensão, à circulação com segurança, entre outros, classi�cadas em:</p><p>a) barreiras urbanísticas: as existentes nas vias e nos espaços públicos e</p><p>privados abertos ao público ou de uso coletivo;</p><p>b) barreiras arquitetônicas: as existentes nos edifícios públicos e</p><p>privados;</p><p>c) barreiras nos transportes: as existentes nos sistemas e meios de</p><p>transportes;</p><p>d) barreiras nas comunicações e na informação: qualquer entrave,</p><p>obstáculo, atitude ou comportamento que di�culte ou impossibilite a</p><p>expressão ou o recebimento de mensagens e de informações por intermédio</p><p>de sistemas de comunicação e de tecnologia da informação;</p><p>e) barreiras atitudinais: atitudes ou comportamentos que impeçam ou</p><p>prejudiquem a participação social da pessoa com de�ciência em igualdade</p><p>de condições e oportunidades com as demais pessoas;</p><p>f) barreiras tecnológicas: as que di�cultam ou impedem o acesso da</p><p>pessoa com de�ciência às tecnologias;</p><p>V - comunicação: forma de interação dos cidadãos que abrange, entre</p><p>outras opções, as línguas, inclusive a Língua Brasileira de Sinais (Libras), a</p><p>visualização de textos, o Braille, o sistema de sinalização ou de comunicação</p><p>tátil, os caracteres ampliados, os dispositivos multimídia, assim como a</p><p>linguagem simples, escrita e oral, os sistemas auditivos e os meios de voz</p><p>digitalizados e os modos, meios e formatos aumentativos e alternativos de</p><p>comunicação, incluindo as tecnologias da informação e das comunicações;</p><p>VI - adaptações razoáveis: adaptações, modi�cações e ajustes</p><p>necessários e adequados que não acarretem ônus desproporcional e</p><p>indevido, quando requeridos em cada caso, a �m de assegurar que a pessoa</p><p>com de�ciência possa gozar ou exercer, em igualdade de condições e</p><p>oportunidades com as demais pessoas, todos os direitos e liberdades</p><p>fundamentais;</p><p>VII - elemento de urbanização: quaisquer componentes de obras de</p><p>urbanização, tais como os referentes a pavimentação, saneamento,</p><p>encanamento para esgotos, distribuição de energia elétrica e de gás,</p><p>iluminação pública, serviços de comunicação, abastecimento e distribuição</p><p>de água, paisagismo e os que materializam as indicações do planejamento</p><p>urbanístico;</p><p>VIII - mobiliário urbano: conjunto de objetos existentes nas vias e nos</p><p>espaços públicos, superpostos ou adicionados aos elementos de urbanização</p><p>ou de edi�cação, de forma que sua modi�cação ou seu traslado não</p><p>provoque alterações substanciais nesses elementos, tais como semáforos,</p><p>postes de sinalização</p><p>e similares, terminais e pontos de acesso coletivo às</p><p>telecomunicações, fontes de água, lixeiras, toldos, marquises, bancos,</p><p>quiosques e quaisquer outros de natureza análoga;</p><p>IX - pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer</p><p>motivo, di�culdade de movimentação, permanente ou temporária, gerando</p><p>redução efetiva da mobilidade, da �exibilidade, da coordenação motora ou</p><p>da percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo</p><p>e obeso;</p><p>X - residências inclusivas: unidades de oferta do Serviço de</p><p>Acolhimento do Sistema Único de Assistência Social (Suas) localizadas em</p><p>áreas residenciais da comunidade, com estruturas adequadas, que possam</p><p>contar com apoio psicossocial para o atendimento das necessidades da</p><p>pessoa acolhida, destinadas a jovens e adultos com de�ciência, em situação</p><p>de dependência, que não dispõem de condições de autossustentabilidade e</p><p>com vínculos familiares fragilizados ou rompidos;</p><p>XI - moradia para a vida independente da pessoa com de�ciência:</p><p>moradia com estruturas adequadas capazes de proporcionar serviços de</p><p>apoio coletivos e individualizados que respeitem e ampliem o grau de</p><p>autonomia de jovens e adultos com de�ciência;</p><p>XII - atendente pessoal: pessoa, membro ou não da família, que, com</p><p>ou sem remuneração, assiste ou presta cuidados básicos e essenciais à pessoa</p><p>com de�ciência no exercício de suas atividades diárias, excluídas as técnicas</p><p>ou os procedimentos identi�cados com pro�ssões legalmente estabelecidas;</p><p>XIII - pro�ssional de apoio escolar: pessoa que exerce atividades de</p><p>alimentação, higiene e locomoção do estudante com de�ciência e atua em</p><p>todas as atividades escolares nas quais se �zer necessária, em todos os níveis</p><p>e modalidades de ensino, em instituições públicas e privadas, excluídas as</p><p>técnicas ou os procedimentos identi�cados com pro�ssões legalmente</p><p>estabelecidas;</p><p>XIV - acompanhante: aquele que acompanha a pessoa com de�ciência,</p><p>podendo ou não desempenhar as funções de atendente pessoal.</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DA IGUALDADE E DA NÃO DISCRIMINAÇÃO</p><p>Art. 4º Toda pessoa com de�ciência tem direito à igualdade de</p><p>oportunidades com as demais pessoas e não sofrerá nenhuma espécie de</p><p>discriminação.</p><p>§ 1º Considera-se discriminação em razão da de�ciência toda forma de</p><p>distinção, restrição ou exclusão, por ação ou omissão, que tenha o propósito</p><p>ou o efeito de prejudicar, impedir ou anular o reconhecimento ou o</p><p>exercício dos direitos e das liberdades fundamentais de pessoa com</p><p>de�ciência, incluindo a recusa de adaptações razoáveis e de fornecimento de</p><p>tecnologias assistivas.</p><p>§ 2º A pessoa com de�ciência não está obrigada à fruição de benefícios</p><p>decorrentes de ação a�rmativa.</p><p>Art. 5º A pessoa com de�ciência será protegida de toda forma de</p><p>negligência, discriminação, exploração, violência, tortura, crueldade,</p><p>opressão e tratamento desumano ou degradante.</p><p>Parágrafo único. Para os �ns da proteção mencionada no caput deste</p><p>artigo, são considerados especialmente vulneráveis a criança, o adolescente,</p><p>a mulher e o idoso, com de�ciência.</p><p>Art. 6º A de�ciência não afeta a plena capacidade civil da pessoa,</p><p>inclusive para:</p><p>I - casar-se e constituir união estável;</p><p>II - exercer direitos sexuais e reprodutivos;</p><p>III - exercer o direito de decidir sobre o número de �lhos e de ter</p><p>acesso a informações adequadas sobre reprodução e planejamento familiar;</p><p>IV - conservar sua fertilidade, sendo vedada a esterilização</p><p>compulsória;</p><p>V - exercer o direito à família e à convivência familiar e comunitária; e</p><p>VI - exercer o direito à guarda, à tutela, à curatela e à adoção, como</p><p>adotante ou adotando, em igualdade de oportunidades com as demais</p><p>pessoas.</p><p>Art. 7º É dever de todos comunicar à autoridade competente qualquer</p><p>forma de ameaça ou de violação aos direitos da pessoa com de�ciência.</p><p>Parágrafo único. Se, no exercício de suas funções, os juízes e os</p><p>tribunais tiverem conhecimento de fatos que caracterizem as violações</p><p>previstas nesta Lei, devem remeter peças ao Ministério Público para as</p><p>providências cabíveis.</p><p>Art. 8º É dever do Estado, da sociedade e da família assegurar à pessoa</p><p>com de�ciência, com prioridade, a efetivação dos direitos referentes à vida, à</p><p>saúde, à sexualidade, à paternidade e à maternidade, à alimentação, à</p><p>habitação, à educação, à pro�ssionalização, ao trabalho, à previdência social,</p><p>à habilitação e à reabilitação, ao transporte, à acessibilidade, à cultura, ao</p><p>desporto, ao turismo, ao lazer, à informação, à comunicação, aos avanços</p><p>cientí�cos e tecnológicos, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência</p><p>familiar e comunitária, entre outros decorrentes da Constituição Federal, da</p><p>Convenção sobre os Direitos das Pessoas com De�ciência e seu Protocolo</p><p>Facultativo e das leis e de outras normas que garantam seu bem-estar</p><p>pessoal, social e econômico.</p><p>Seção Única</p><p>Do Atendimento Prioritário</p><p>Art. 9º A pessoa com de�ciência tem direito a receber atendimento</p><p>prioritário, sobretudo com a �nalidade de:</p><p>I - proteção e socorro em quaisquer circunstâncias;</p><p>II - atendimento em todas as instituições e serviços de atendimento ao</p><p>público;</p><p>III - disponibilização de recursos, tanto humanos quanto tecnológicos,</p><p>que garantam atendimento em igualdade de condições com as demais</p><p>pessoas;</p><p>IV - disponibilização de pontos de parada, estações e terminais</p><p>acessíveis de transporte coletivo de passageiros e garantia de segurança no</p><p>embarque e no desembarque;</p><p>V - acesso a informações e disponibilização de recursos de</p><p>comunicação acessíveis;</p><p>VI - recebimento de restituição de imposto de renda;</p><p>VII - tramitação processual e procedimentos judiciais e administrativos</p><p>em que for parte ou interessada, em todos os atos e diligências.</p><p>§ 1º Os direitos previstos neste artigo são extensivos ao acompanhante</p><p>da pessoa com de�ciência ou ao seu atendente pessoal, exceto quanto ao</p><p>disposto nos incisos VI e VII deste artigo.</p><p>§ 2º Nos serviços de emergência públicos e privados, a prioridade</p><p>conferida por esta Lei é condicionada aos protocolos de atendimento</p><p>médico.</p><p>TÍTULO II</p><p>DOS DIREITOS FUNDAMENTAIS</p><p>CAPÍTULO I</p><p>DO DIREITO À VIDA</p><p>Art. 10. Compete ao poder público garantir a dignidade da pessoa com</p><p>de�ciência ao longo de toda a vida.</p><p>Parágrafo único. Em situações de risco, emergência ou estado de</p><p>calamidade pública, a pessoa com de�ciência será considerada vulnerável,</p><p>devendo o poder público adotar medidas para sua proteção e segurança.</p><p>Art. 11. A pessoa com de�ciência não poderá ser obrigada a se</p><p>submeter a intervenção clínica ou cirúrgica, a tratamento ou a</p><p>institucionalização forçada.</p><p>Parágrafo único. O consentimento da pessoa com de�ciência em</p><p>situação de curatela poderá ser suprido, na forma da lei.</p><p>Art. 12. O consentimento prévio, livre e esclarecido da pessoa com</p><p>de�ciência é indispensável para a realização de tratamento, procedimento,</p><p>hospitalização e pesquisa cientí�ca.</p><p>§ 1º Em caso de pessoa com de�ciência em situação de curatela, deve</p><p>ser assegurada sua participação, no maior grau possível, para a obtenção de</p><p>consentimento.</p><p>§ 2º A pesquisa cientí�ca envolvendo pessoa com de�ciência em</p><p>situação de tutela ou de curatela deve ser realizada, em caráter excepcional,</p><p>apenas quando houver indícios de benefício direto para sua saúde ou para a</p><p>saúde de outras pessoas com de�ciência e desde que não haja outra opção de</p><p>pesquisa de e�cácia comparável com participantes não tutelados ou</p><p>curatelados.</p><p>Art. 13. A pessoa com de�ciência somente será atendida sem seu</p><p>consentimento prévio, livre e esclarecido em casos de risco de morte e de</p><p>emergência em saúde, resguardado seu superior interesse e adotadas as</p><p>salvaguardas legais cabíveis.</p><p>CAPÍTULO II</p><p>DO DIREITO À HABILITAÇÃO E À REABILITAÇÃO</p><p>Art. 14. O processo de habilitação e de reabilitação é um direito da</p><p>pessoa com de�ciência.</p><p>Parágrafo único. O processo de habilitação e de reabilitação tem por</p><p>objetivo o desenvolvimento de potencialidades, talentos, habilidades e</p><p>aptidões físicas, cognitivas, sensoriais, psicossociais, atitudinais,</p><p>pro�ssionais e artísticas que contribuam para a conquista da autonomia da</p>6º Em caso de negócio jurídico que possa trazer risco ou prejuízo
relevante, havendo divergência de opiniões entre a pessoa apoiada e um dos
apoiadores, deverá o juiz, ouvido o Ministério Público, decidir sobre a
questão.
§ 7º Se o apoiador agir com negligência, exercer pressão indevida ou
não adimplir as obrigações assumidas, poderá a pessoa apoiada ou qualquer
pessoa apresentar denúncia ao Ministério Público ou ao juiz.
§ 8º Se procedente a denúncia, o juiz destituirá o apoiador e nomeará,
ouvida a pessoa apoiada e se for de seu interesse, outra pessoa para
prestação de apoio.
§ 9º A pessoa apoiada pode, a qualquer tempo, solicitar o término de
acordo �rmado em processo de tomada de decisão apoiada.
§ 10. O apoiador pode solicitar ao juiz a exclusão de sua participação
do processo de tomada de decisão apoiada, sendo seu desligamento
condicionado à manifestação do juiz sobre a matéria.
§ 11. Aplicam-se à tomada de decisão apoiada, no que couber, as
disposições referentes à prestação de contas na curatela.”
Art. 117. O art. 1º da Lei nº 11.126, de 27 de junho de 2005  , passa a
vigorar com a seguinte redação:
“Art. 1º É assegurado à pessoa com de�ciência visual acompanhada de
cão-guia o direito de ingressar e de permanecer com o animal em todos os
meios de transporte e em estabelecimentos abertos ao público, de uso
público e privados de uso coletivo, desde que observadas as condições
impostas por esta Lei.
.............................................................................................
§ 2º O disposto no caput deste artigo aplica-se a todas as modalidades e
jurisdições do serviço de transporte coletivo de passageiros, inclusive em
esfera internacional com origem no território brasileiro.” (NR)
Art. 118. O inciso IV do art. 46 da Lei nº 11.904, de 14 de janeiro de
2009 , passa a vigorar acrescido da seguinte alínea “k”:
“Art. 46. .................................................................................................
IV - ........................................................................................................
k) de acessibilidade a todas as pessoas.
.....................................................................................................” (NR)
Art. 119. A  Lei nº 12.587, de 3 de janeiro de 2012  , passa a vigorar
acrescida do seguinte art. 12-B:
“Art. 12-B. Na outorga de exploração de serviço de táxi, reservar-se-ão
10% (dez por cento) das vagas para condutores com de�ciência.
§ 1º Para concorrer às vagas reservadas na forma do caput deste artigo,
o condutor com de�ciência deverá observar os seguintes requisitos quanto
ao veículo utilizado:
I - ser de sua propriedade e por ele conduzido; e
II - estar adaptado às suas necessidades, nos termos da legislação
vigente.
§ 2º No caso de não preenchimento das vagas na forma estabelecida
no caput deste artigo, as remanescentes devem ser disponibilizadas para os
demais concorrentes.”
Art. 120. Cabe aos órgãos competentes, em cada esfera de governo, a
elaboração de relatórios circunstanciados sobre o cumprimento dos prazos
estabelecidos por força das Leis nº 10.048, de 8 de novembro de 2000 , e nº
10.098, de 19 de dezembro de 2000 , bem como o seu encaminhamento ao
Ministério Público e aos órgãos de regulação para adoção das providências
cabíveis.
Parágrafo único. Os relatórios a que se refere o  caput  deste artigo
deverão ser apresentados no prazo de 1 (um) ano a contar da entrada em
vigor desta Lei.
Art. 121. Os direitos, os prazos e as obrigações previstos nesta Lei não
excluem os já estabelecidos em outras legislações, inclusive em pactos,
tratados, convenções e declarações internacionais aprovados e promulgados
pelo Congresso Nacional, e devem ser aplicados em conformidade com as
demais normas internas e acordos internacionais vinculantes sobre a
matéria.
Parágrafo único. Prevalecerá a norma mais bené�ca à pessoa com
de�ciência.
Art. 122. Regulamento disporá sobre a adequação do disposto nesta Lei
ao tratamento diferenciado, simpli�cado e favorecido a ser dispensado às
microempresas e às empresas de pequeno porte, previsto no § 3º do art. 1º
da Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006 .
Art. 123. Revogam-se os seguintes dispositivos: (Vigência)
I - o inciso II do § 2º do art. 1º da Lei nº 9.008, de 21 de março de 1995 ;
II - os incisos I, II e III do art. 3º da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
2002 (Código Civil);
III - os incisos II e III do art. 228 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
2002 (Código Civil);
IV - o  inciso I do art. 1.548 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
2002 (Código Civil);
V - o  inciso IV do art. 1.557 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
2002 (Código Civil);
VI - os incisos II e IV do art. 1.767 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
2002 (Código Civil);
VII - os  arts. 1.776  e  1.780 da Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de
2002 (Código Civil).
Art. 124. O  § 1º do art. 2º desta Lei  deverá entrar em vigor em até 2
(dois) anos, contados da entrada em vigor desta Lei.
Art. 125. Devem ser observados os prazos a seguir discriminados, a
partir da entrada em vigor desta Lei, para o cumprimento dos seguintes
dispositivos:
I - incisos I e II do § 2º do art. 28 , 48 (quarenta e oito) meses;
II - § 6º do art. 44 , 48 (quarenta e oito) meses;
II -  § 6º do art. 44, 60 (sessenta) meses; (Redação dada pela Medida
Provisória nº 917, de 2019)
II - § 6º do art. 44, 60 (sessenta) meses;   (Redação dada pela Lei nº
14.009, de 2020)
II - § 6º do art. 44, 84 (oitenta e quatro) meses; (Redação dada pela
Medida Provisória nº 1.025, de 2020)
II - § 6º do art. 44, 84 (oitenta e quatro) meses; (Redação dada pela Lei
nº 14.159, de 2021)
III - art. 45 , 24 (vinte e quatro) meses;
IV - art. 49 , 48 (quarenta e oito) meses.
Art. 126. Prorroga-se até 31 de dezembro de 2021 a vigência da Lei nº
8.989, de 24 de fevereiro de 1995 .
Art. 127. Esta Lei entra em vigor após decorridos 180 (cento e oitenta)
dias de sua publicação o�cial .
Brasília, 6 de julho de 2015; 194º da Independência e 127º da
República.
DILMA ROUSSEF
Marivaldo de Castro Pereira
Joaquim Vieira Ferreira Levy
Renato Janine Ribeiro
Armando Monteiro
Nelson Barbosa
Gilberto Kassab
Luis Inácio Lucena Adams
Gilberto José Spier Vargas
Guilherme Afif Domingos
Este texto não substitui o publicado no DOU de 7.7.2015*
	Capa
	Folha de Rosto
	Créditos
	1. INTRODUÇÃO
	2. ASPECTOS HISTÓRICOS ACERCA DA INCLUSÃO DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
	3. O PRINCÍPIO DA DIGNIDADE HUMANA COMO FONTE INSPIRADORA DAS GARANTIAS DOS DIREITOS DA PESSOA COM DEFICIÊNCIA
	4. O ALCANCE DA PROTEÇÃO JURÍDICA BRASILEIRA CONFERIDA AO TRABALHADOR COM DEFICIÊNCIA
	4.1 A tutela Constitucional
	4.2 A tutela infraconstitucional
	5. O SURDO
	5.1. O Surdo numa acepção legal
	5.2 O Surdo numa acepção filosófica
	6. UM BREVE RELATO DA HISTÓRIA EDUCACIONAL DO SURDO NO BRASIL
	7. A LEI 8.213/91, ART. 93
	A problemática
	8. O MERCADO DE TRABALHO INCLUSIVO
	CONCLUSÃO
	ANEXOS

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