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<p>MANUAL TÉCNICO-PROFISSIONAL Nº 3.04.02/2020-CG</p><p>MTP 02</p><p>ABORDAGEM A PESSOAS</p><p>BELO HORIZONTE - MG</p><p>2020</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 1 - )</p><p>MANUAL TÉCNICO PROFISSIONAL</p><p>Nº 3.04.02/2020-CG</p><p>Abordagem a Pessoas</p><p>BELO HORIZONTE – MG</p><p>2020</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 2 - )</p><p>Direitos exclusivos da Polícia Militar do Estado de Minas Gerais (PMMG).</p><p>Reprodução condicionada à autorização expressa do Comandante-Geral da PMMG.</p><p>Circulação restrita.</p><p>M663m</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral.</p><p>Manual Técnico-Profissional Nº 3.04.02/2020: Abordagem a pessoas /</p><p>Comando-Geral. Belo Horizonte: Assessoria Estratégica de Operações</p><p>(PM3). 2020.</p><p>132 p.</p><p>1. Apresentação. 2. Técnica e Tática Policial Básica. 3. Abordagem a</p><p>pessoas. 4. Busca Pessoal e Uso de Algemas. 5. Procedimentos Policiais</p><p>Específicos. 6. Abordagem às vítimas. 7. Local de Crime.</p><p>CDD - 353.3</p><p>CDU - 351.75(815.1)</p><p>Bibliotecária responsável: Tatiane Krempser Gandra – CRB 6/2963</p><p>ADMINISTRAÇÃO</p><p>Comando-Geral da Polícia Militar</p><p>Quartel do Comando-Geral da PMMG</p><p>Cidade Administrativa Tancredo Neves, Edifício Minas,</p><p>Rodovia Papa João Paulo II, nº 4143 – 6º Andar, Bairro Serra Verde</p><p>Belo Horizonte – MG – Brasil - CEP 31.630-900</p><p>SUPORTE METODOLÓGICO E TÉCNICO</p><p>Assessoria Estratégica de Operações – PM3</p><p>Quartel do Comando-Geral da PMMG</p><p>Cidade Administrativa Tancredo Neves, Edifício Minas,</p><p>Rodovia Papa João Paulo II, nº 4143 – 6º Andar, Bairro Serra Verde</p><p>Belo Horizonte – MG – Brasil - CEP 31.630-900</p><p>e-mail: pm3@pmmg.mg.gov.br.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 3 - )</p><p>mailto:pm3@pmmg.mg.gov.br</p><p>RESOLUÇÃO Nº 4.982, DE 06 DE OUTUBRO DE 2020</p><p>Aprova o Manual Técnico-Profissional n. 3.04.02/2020,</p><p>que regula a abordagem a pessoas no âmbito da Polícia</p><p>Militar de Minas Gerais.</p><p>O CORONEL PM COMANDANTE-GERAL DA POLÍCIA MILITAR DE MINAS GERAIS, no</p><p>uso das atribuições que lhe são conferidas pelo inciso III do § 1º do art. 93 da Constituição do</p><p>Estado de Minas Gerais, de 21 de setembro de 1989, c/c o art. 28 da Lei Delegada n. 174, de</p><p>26 de janeiro de 2007, em conformidade com os incisos I, alínea “l”, e XI do art. 6º do R-100,</p><p>aprovado pelo Decreto Estadual n. 18.445, de 15 de abril de 1977,</p><p>RESOLVE:</p><p>Art. 1º - Fica aprovado o Manual Técnico-Profissional n. 3.04.02/2020 - MTP 02 -, que regula</p><p>a abordagem a pessoas no âmbito da Polícia Militar de Minas Gerais.</p><p>Art. 2º - Ficam revogados:</p><p>I – a Resolução n. 4151, de 09 de junho de 2011;</p><p>II – o Memorando n. 30.385.3 - CG, de 13 de agosto de 2013.</p><p>Art. 3º - Esta Resolução entra em vigor na data de sua publicação.</p><p>Belo Horizonte, 06 de outubro de 2020.</p><p>(a) RODRIGO SOUSA RODRIGUES, CORONEL PM</p><p>COMANDANTE-GERAL</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 4 - )</p><p>GOVERNADOR DO ESTADO</p><p>ROMEU ZEMA NETO</p><p>COMANDANTE-GERAL DA PMMG</p><p>CEL PM RODRIGO SOUSA RODRIGUES</p><p>CHEFE DO ESTADO-MAIOR DA PMMG</p><p>CEL PM EDUARDO FELISBERTO ALVES</p><p>CHEFE DO GABINETE MILITAR DO GOVERNADOR</p><p>CEL PM OSVALDO DE SOUZA MARQUES</p><p>CHEFE DA ASSESSORIA ESTRATÉGICA DE OPERAÇÕES</p><p>TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS</p><p>COLABORADORES 1ª EDIÇÃO (2010)</p><p>CEL PM FÁBIO MANHÃES XAVIER</p><p>CEL PM ANTÔNIO LEANDRO BETTONI DA SILVA</p><p>TEN CEL PM MARCELO VLADIMIR CORRÊA</p><p>MAJ PM ALFREDO JOSÉ ALVES VELOSO</p><p>MAJ PM WAGNER EUSTÁQUIO DA SILVA ALMEIDA</p><p>MAJ PM EDUARDO DOMINGUES BARBOSA</p><p>MAJ PM EDUARDO FELISBERTO ALVES</p><p>MAJ PM ÉDSON GONÇALVES</p><p>CAP PM ARNALDO AFFONSO</p><p>CAP PM MARCO AURÉLIO ZANCANELA DO CARMO</p><p>CAP PM QOS FABRÍZIA LOPES BRANDÃO PEREIRA</p><p>CAP PM RODOLFO CÉSAR MOROTTI FERNANDES</p><p>CAP PM RENATO SALGADO CINTRA GIL</p><p>CAP PM WANDERSON GARCIA COSTA NEVES</p><p>1º TEN PM ÉDSON H. RABELLO DE S. MENDES</p><p>1º TEN PM RODRIGO SALDANHA</p><p>1º TEN PM MOLISE Z. FONSECA DE SOUZA</p><p>1º TEN PM LUCIANA DO CARMO S. NOMINATO</p><p>2º TEN PM ANDERSON PEREIRA DE SOUSA</p><p>2º TEN PM RICARDO PEREIRA DE ARAUJO GOMES</p><p>1º SGT PM ANTÔNIO GERALDO ALVES SIQUEIRA</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 5 - )</p><p>2º SGT PM RINALDO ARAÚJO MARÇAL</p><p>3º SGT PM RICARDO MARTINS LOPES</p><p>3º SGT PM MÁRCIA DANIELA BANDEIRA SILVA</p><p>3º SGT PM NADJA ALVES DE SOUSA</p><p>3º SGT PM EDNA MÁRCIA COSTA MENDONÇA</p><p>CB PM ELIAS SABINO SOARES</p><p>SD PM LEONARDO GIORI DE OLIVEIRA</p><p>SD PM ALINE VANESSA ALVES</p><p>PROFº. HUGO DE MOURA</p><p>PROFª. MARIA SÍLVIA SANTOS FIÚZA</p><p>PEDAGª. ISABEL CRISTINA DE P. MOREIRA NAZARETH</p><p>ASS. JURÍDICA MARIA AMÉLIA PEREIRA</p><p>COLABORADORES 2ª EDIÇÃO (2013)</p><p>TEN CEL PM SÍLVIO JOSÉ DE SOUSA FILHO</p><p>MAJ PM EUGÊNIO PASCOAL DA CUNHA VALADARES</p><p>MAJ PM CLEVERSON NATAL DE OLIVEIRA</p><p>CAP PM RICARDO LUIZ AMORIM GONTIJO FOUREAUX</p><p>1º TEN PM HELIVELTON SALVADOR SANTANA</p><p>SUBTEN PM ANTÔNIO GERALDO ALVES SIQUEIRA</p><p>2º SGT PM DANILO TEIXEIRA ALCÂNTARA</p><p>2º SGT PM LUIZ HENRIQUE DE MORAES FIRMINO</p><p>CB PM ELIAS SABINO SOARES</p><p>COLABORADORES 3ª EDIÇÃO (2020)</p><p>REDAÇÃO</p><p>TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS</p><p>TEN CEL PM RODRIGO SALDANHA</p><p>TEN CEL PM SANDRO ALEX CANUTO GONÇALVES</p><p>MAJ PM WELVISSON GOMES BRANDÃO</p><p>CAP PM IRAN MARTINS DE OLIVEIRA</p><p>1º TEN PM PABLO SÉRGIO DE SOUZA CORREA</p><p>1º TEN PM CLÁUDIO JOSÉ VIRGÍLIO</p><p>1º TEN PM BRUNO DINIZ CAMPOS</p><p>1º SGT PM DANILO TEIXEIRA ALCÂNTARA</p><p>1º SGT PM SANDRO GONÇALVES MAIA</p><p>1º SGT PM CÉSAR AUGUSTO VILAÇA JÚNIOR</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 6 - )</p><p>2º SGT PM DANIEL CORDEIRO RODRIGUES</p><p>FOTOGRAFIAS</p><p>CAP PM IRAN MARTINS DE OLIVEIRA</p><p>1º TEN PM CLÁUDIO JOSÉ VIRGÍLIO</p><p>1º SGT PM DANILO TEIXEIRA ALCÂNTARA</p><p>REVISÃO DOUTRINÁRIA</p><p>TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS</p><p>1º TEN PM BRUNO DINIZ CAMPOS</p><p>3º SGT PM DANIELLE SUELI VENTURA</p><p>REVISÃO FINAL</p><p>TEN CEL PM WAGNER ALAN DE MATTOS</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 7 - )</p><p>LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS</p><p>APH - Atendimento Pré-Hospitalar</p><p>BO - Boletim de Ocorrência</p><p>CEMG - Constituição do Estado de Minas Gerais</p><p>CF/88 - Constituição Federal de 1988</p><p>CG - Comando-Geral/ Comandante-Geral</p><p>COPOM - Centro de Operações Policiais Militares</p><p>CP - Código Penal</p><p>CPP - Código de Processo Penal</p><p>CPPM - Código de Processo Penal Militar</p><p>ECA - Estatuto da Criança e do Adolescente</p><p>FBI - Federal Bureau of Investigation</p><p>HT - Hand -Talk</p><p>IMPO - Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo</p><p>LC - Lei Complementar</p><p>LGBTI - Lésbica, Gay, Bissexual, Travesti, Transexual e Intersexual</p><p>MG - Minas Gerais</p><p>MTP - Manual Técnico-Profissional</p><p>NAVCV - Núcleo de Atendimento às Vítimas de Crimes Violentos</p><p>ONU - Organização das Nações Unidas</p><p>PM - Polícia/Policial Militar</p><p>PM3 - Assessoria Estratégica de Operações</p><p>PMMG - Polícia Militar de Minas Gerais</p><p>PNPR - Política Nacional para a População em Situação de Rua</p><p>REDS - Registro de Eventos de Defesa Social</p><p>ROCCA - Rondas Ostensivas com Cães</p><p>SAMU - Serviço de Atendimento Médico de Urgência</p><p>SOF - Sala de Operações da Fração</p><p>SOU - Sala de Operações da Unidade</p><p>STJ - Superior Tribunal de Justiça</p><p>TAT - Tática de Aproximação Triangular</p><p>TRF - Tribunal Regional Federal</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 8 - )</p><p>LISTA DE FIGURAS E QUADROS</p><p>Figura 1 - Coberta (na perspectiva do policial militar e do abordado) .................................. 17</p><p>Figura 2 - Abrigo (na perspectiva do policial militar e do abordado) ................................... 17</p><p>Figura 3 - Primeiro processo de rastejo (arma de porte) e (arma portátil). .......................... 19</p><p>Figura 4 - Segundo processo de Rastejo (arma de porte) e (arma portátil) ........................ 20</p><p>Figura 5 - Uso de Escudo Balístico (Segurança Mínima) .................................................... 21</p><p>Figura 6 - Uso de Escudo Balístico na posição de Segurança</p><p>pessoais, bem como transporte de feridos.</p><p>O Comandante da Patrulha observará os fatores que influenciam na organização e atuação</p><p>da patrulha e juntamente com seu grupo decidirá qual será o deslocamento mais seguro e</p><p>efetivo para a equipe. São os fatores que podem interferir na organização e atuação de</p><p>patrulha:</p><p> Segurança;</p><p> Objetivo da ação;</p><p> Formações;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 48 - )</p><p>48</p><p> Disciplina de luz e som;</p><p> Possibilidades de contato;</p><p> Velocidade de deslocamento;</p><p> Manutenção da integridade tática;</p><p> Condições do terreno;</p><p> Sigilo das operações;</p><p> Controle da equipe.</p><p>2.10.3 Tipos deslocamentos da patrulha</p><p>Utiliza-se 3 (três) tipos de deslocamento quando em patrulha, de forma a otimizar, agilizar,</p><p>prevenir e assegurar a integridade física do policial militar:</p><p>a) Deslocamento por coluna (“Serpente”): Deslocamento realizado com os policiais com</p><p>formação em coluna a fim de realizar checagem de denúncias e operações em ambiente</p><p>urbano e rural com possibilidade de confronto. A posição ideal para arma é a Posição 2 ou 3</p><p>(risco nível II).</p><p>Durante a movimentação da patrulha os policiais militares deverão definir áreas de</p><p>responsabilidade visando a proteção da patrulha contra ameaças que possam surgir dos</p><p>pontos de foco à frente, nas laterais, por cima e à retaguarda.</p><p>O objetivo desse tipo de deslocamento é proporcionar maior fluidez da patrulha, diminuindo o</p><p>desgaste físico, possibilitando a manutenção do descolamento por maior tempo e/ou</p><p>distância.</p><p>b) Deslocamento em linha: Realizado com os policiais militares com formação em linha a fim</p><p>de dispersar o foco do provável agressor, aumentar a capacidade de resposta à frente</p><p>(disparos de arma de fogo) e ampliar os ângulos de visão da patrulha durante cerco em</p><p>edificações com possibilidade de existirem infratores homiziados e áreas abertas. A posição</p><p>da arma em pronta resposta é a ideal tendo em vista o risco iminente detectado.</p><p>c) Tomada ponto a ponto: Deslocamento curto e rápido realizado entre duas posições</p><p>abrigadas ou cobertas em situações onde já está ocorrendo o enfrentamento (risco III).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 49 - )</p><p>49</p><p>Será realizado em um movimento decidido. Antes de iniciar um lanço o policial militar avaliará</p><p>o risco para evitar uma indecisão no decorrer do deslocamento. Para uma decisão firme e</p><p>acertada o PM, ao preparar um lanço, responderá a si as perguntas que se seguem: Para</p><p>onde vou? Como? Por onde? Quando?</p><p>O deslocamento é feito sempre com, no máximo, 3 (três) policiais militares por abrigo, de</p><p>acordo com a necessidade de cobertura maior. A posição da arma em guarda alta é a ideal</p><p>para quem provém a cobertura e posição em guarda baixa para o policial militar que efetua o</p><p>lanço.</p><p>O deslocamento ponto a ponto é caracterizado pela cobertura ininterrupta do policial militar</p><p>que vai à frente e pelo policial militar que vem logo em seguida assumir o ponto.</p><p>Sempre que chegar a cobertura, após ser observado o ambiente pelos dois policiais militares,</p><p>o primeiro efetua o lanço para o próximo ponto ou abrigo e aguarda o deslocamento de sua</p><p>cobertura para poder progredir, sendo todo o tempo coberto pelos companheiros que estão</p><p>abrigados, inclusive após sua chegada no abrigo.</p><p>Somente o Retaguarda 2, nos casos em que o efetivo da patrulha permita essa função, que</p><p>antes de deslocar até o Ala, voltará sua frente para a retaguarda da patrulha, abrigará e</p><p>apontará sua arma para o ponto de foco que o Retaguarda 1 guarnece. Feito isto, chamará</p><p>o Retaguarda 1. Este por sua vez, olhará para o Retaguarda 2 preocupando-se</p><p>primeiramente com a direção do cano da arma do Retaguarda 2 e após confirmar esta</p><p>posição, deslocará de frente até o local de abrigo do Retaguarda 2, assumindo este ponto</p><p>voltando sua frente novamente para a retaguarda. Assim que recolher o Retaguarda 1 até</p><p>seu abrigo, o Retaguarda 2 desloca para o próximo ponto. Este recuo do Retaguarda 1 até</p><p>o local onde o Retaguarda 2 está é chamado de Recuo Curto ou Recuo Lento.</p><p>Caso o Retaguarda 1 tenha espaço suficiente e seguro para deslocamento, poderá deslocar</p><p>até o Ala e procederá da mesma forma para recolher o Retaguarda 2. Este recuo do</p><p>Retaguarda 1 até o Ala é chamando de recuo longo ou rápido.</p><p>2.10.4 Posturas Táticas</p><p>São posturas que reforçam o domínio sobre determinados pontos de forma que os policiais</p><p>militares se adaptem para cobrir todas as áreas:</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 50 - )</p><p>50</p><p>a) Combate: policial militar de pé, com os pés paralelos, empunhando sua arma na posição</p><p>de guarda alta ou pronta resposta, corpo ligeiramente flexionado para frente, a fim de absorver</p><p>melhor o recuo da arma.</p><p>Figura 24 - Postura Combate</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>b) Torre: postura em que um policial militar guarnece um ponto do deslocamento. Consiste na</p><p>colocação do joelho da perna forte apoiado no chão e a perna fraca realiza um apoio em</p><p>90º. Deve-se observar que a perna forte permanece com o pé ereto, apoiando o bico do</p><p>coturno ao solo. Arma estará em guarda alta ou pronta resposta, conforme o caso.</p><p>Figura 25 - Postura Torre</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>c) Siamesa: policial militar de pé, estaciona ou desloca ombro a ombro com outro policial</p><p>militar de forma que cada um cubra determinado ponto formando um ângulo que pode ser em</p><p>L, T ou Y de acordo com a direção do cano da arma dos primeiros policiais militares da equipe.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 51 - )</p><p>51</p><p>Figura 26 - Postura Tática Siamesa Sequencia L, T e Y</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>d) Hi-Low: é a soma da Postura de Combate (“Hi”) e da Postura Torre (“Low”). É utilizada</p><p>para cobertura, onde o emprego de um homem naquela postura é insuficiente para responder</p><p>a disparos realizados contra a equipe. O policial militar que realizar a Postura “Hi” deverá</p><p>permanecer nas costas do policial militar que fizer a Postura “Low” e posicionar-se</p><p>paralelamente, oferecendo o apoio das pernas e do tronco para apoio do “Low”, do mesmo</p><p>modo que sua posição deve impossibilitar qualquer ação do “Low” que possa levá-lo a cruzar</p><p>a linha de tiro.</p><p>Figura 27 - Postura Hi-Low</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 52 - )</p><p>52</p><p>2.10.5 Resgate de feridos</p><p>Trata-se de um tópico que merece atenção por se tratar de uma situação que foge à</p><p>normalidade, quando um ou mais policiais militares forem feridos ou incapacitados durante a</p><p>situação de confrontação.</p><p>Nessa situação, os procedimentos de Atendimento Pré-Hospitalar Tático (APH Tático)2 ou</p><p>Resgate Tático são medidas que possibilitarão ao policial vitimado manter-se vivo, enquanto</p><p>aguarda o socorro e a extração urgente e com isso aumentam as chances de sucesso da</p><p>equipe médica que receberá o policial.</p><p>O Atendimento Pré Hospitalar Tático ou Resgate Tático é conceituado como o</p><p>fornecimento do primeiro atendimento ao policial militar vitimado em ambiente hostil, utilizando</p><p>um conjunto de manobras e procedimentos emergenciais, tendo por objetivos salvar vidas</p><p>que possam ser salvas, prevenir outras perdas de vidas e completar a missão de salvamento.</p><p>Poderá ser realizado na modalidade autossocorro (procedimento realizado pelo próprio</p><p>Policial Militar), ou contar com a presença de outro policial militar, sendo este de sua</p><p>guarnição/patrulha, visando estabilizar a vítima para evacuação até o suporte médico</p><p>avançado.</p><p>Agir com rapidez nessas condições é necessário para evitar que sangramentos conduzam o</p><p>policial a perda da consciência, que pode ocorrer em questão de minutos e, por</p><p>conseguinte,</p><p>resultar em óbito.</p><p>O socorro imediato durante uma confrontação não substitui as ações de outros profissionais</p><p>de saúde. Sua razão de ser se apoia no fato de que não é humanamente possível, tampouco,</p><p>logisticamente viável ter presente uma equipe de profissionais de saúde em todos os locais e</p><p>momentos onde possa ocorrer uma situação crítica, sendo essencial que o primeiro</p><p>atendimento seja o mais precoce possível e de qualidade, melhorando o prognóstico do</p><p>policial militar vitimado.</p><p>A aplicação de instrumentos e técnicas de contenção de hemorragias tais como compressão</p><p>direta, bandagem elástica e, se necessário, torniquete previnem a ocorrência de óbitos de</p><p>policiais, se bem realizados.</p><p>2 Portaria normativa 16, Ministério da Defesa, 12 de Abril de 2018. Aprova a Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar</p><p>Tático do Ministério da Defesa para regular a atuação das classes profissionais, a capacitação, os procedimentos</p><p>envolvidos e as situações previstas para a atividade.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 53 - )</p><p>53</p><p>Procedimentos básicos:</p><p>Se o policial ferido ainda estiver em condições de confronto (consciente e com capacidade de</p><p>locomoção), deve NEUTRALIZAR AMEAÇAS E PROCURAR ABRIGO. Isso significa que ele</p><p>deve efetuar disparo contra o agressor e movimentar-se em segurança, buscando cobertas e</p><p>abrigos, não permanecendo estacionado no local onde foi ferido, pois nessa condição o</p><p>policial caracteriza um alvo para a ameaça ativa. Essa ação pode fazer os policiais militares</p><p>da patrulha deixarem de serem alvos quando tiverem que deslocar até o policial vitimado.</p><p>Se possível, o policial militar ferido, estando abrigado, deve realizar o seu autossocorro, por</p><p>meio das seguintes medidas:</p><p> responder a injusta agressão sofrida pela guarnição policial militar, controlando a situação</p><p>e garantindo a segurança dos militares de sua patrulha, possibilitando a neutralização das</p><p>ameaças imediatas;</p><p> estancar sangramentos diversos utilizando o procedimento adequado, como a utilização</p><p>de torniquete, compressão de ferimentos utilizando bandagens, gaze de metro, dentre outros.</p><p> fazer a cobertura do companheiro de equipe enquanto é socorrido para controlar possíveis</p><p>ameaças secundárias até sua chegada num local seguro.</p><p>Ainda que a equipe tenha neutralizado a ameaça imediata que vitimou o policial militar, é</p><p>extremamente necessário manter a cobertura contra possíveis ameaças secundárias até a</p><p>retirada da patrulha do local.</p><p>Relatos de policiais militares que atuaram em intervenções policiais nas quais houve confronto</p><p>indicam que em alguns casos, é possível que em virtude do alto nível de estresse, a liberação</p><p>de adrenalina faça com que não percebam que foram feridos.</p><p>Desse modo, ao passar por intervenções com confronto envolvendo arma de fogo, arma</p><p>branca ou impróprias, imediatamente após a neutralização da ameaça, de forma concomitante</p><p>ao acionamento de ajuda, deve ser iniciada uma autoavaliação (em nível visual e tátil) em</p><p>busca de possíveis pontos de sangramento. Proceda a sua “autochecagem” seguindo o</p><p>sentido da cabeça aos pés.</p><p>Toque com as mãos e as visualize ao proceder à checagem sequencial de cada parte do</p><p>corpo (cabeça, pescoço, axila, tórax, abdômen, coxas e pernas). O ideal é que seja realizada</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 54 - )</p><p>54</p><p>de uma diagonal corporal à outra, conforme se vê na Figura 28. Esse método é chamado</p><p>“Avaliação em X”.</p><p>Se a ação for em suporte a outro policial militar, a verificação também deve seguir a “Avaliação</p><p>em X”.</p><p>Figura 28 - Avaliação em X</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Com essa ação você terá percorrido obrigatoriamente a região abdominal e torácica no</p><p>mínimo duas vezes em busca de sangramentos ou alterações significativas (como grandes</p><p>deformações ou objetos encravados, por exemplo). Ao localizar pontos de sangramento,</p><p>proceda imediatamente à contenção da hemorragia.</p><p>Caso o policial militar ferido, esteja inconsciente, a patrulha, após controlar</p><p>momentaneamente o ambiente hostil, com a devida cobertura de seus integrantes, deverá</p><p>realizar o deslocamento até o ferido, com agilidade e segurança, utilizando de cobertas e</p><p>abrigos fornecidos pelo terreno, realizar sua extricação3 para um local que forneça o mínimo</p><p>de segurança para que seja possível realizar a checagem do nível de consciência do policial</p><p>militar vitimado, se existe algum sangramento massivo e fornecê-lo os primeiros socorros</p><p>ainda no local, visando salvaguardar sua vida e preservar a integridade física dos demais</p><p>integrantes da patrulha.</p><p>3 Extricação é um termo muito utilizado em resgate, salvamento e medicina pré-hospitalar em geral. Extricar</p><p>significa: “retirar uma vítima de um local do qual ela não pode, ou não deve sair por seus próprios meios”.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 55 - )</p><p>55</p><p>Para extricação do local do epicentro do risco o policial pode utilizar-se de Técnicas de</p><p>Arrasto (há mais de uma técnica com essa mesma nomenclatura), e para deslocar com o</p><p>policial ferido do ambiente podem ser adotadas Técnica de Mochilamento ou Técnica de</p><p>Bombeiro, por exemplo.</p><p>Figura 29 - Técnicas para Extricação (Arrasto)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Figura 30 - Técnicas para transporte de ferido</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 56 - )</p><p>56</p><p>Para melhor entendimento, ver o Quadro 2 com a situação hipotética onde uma patrulha</p><p>composta por 6 (seis) policiais militares, tem um de seus componentes ferido e está</p><p>inconsciente.</p><p>A atuação a seguir será adaptada de acordo com o efetivo da patrulha.</p><p>Quadro 2 - Situação de patrulha composta por 6 (seis) policiais militares – Ponta 1 ferido</p><p>FUNÇÃO</p><p>AÇÃO PÓS-FERIMENTO</p><p>DO POLICIAL MILITAR</p><p>FUNÇÃO POSTERIOR</p><p>Ponta 2</p><p>Utilizando das técnicas policiais</p><p>militares, identifica o infrator e realiza</p><p>disparos táticos mantendo-se abrigado.</p><p>Assume a função de Retaguarda 1, e</p><p>mantém atenção nos pontos de foco e</p><p>quentes.</p><p>Comandante</p><p>Assume o abrigo do Ponta 2 e dá</p><p>cobertura de fogo para que se</p><p>aproximem até o abrigo mais próximo</p><p>do ferido.</p><p>Acumula a função de Comandante e</p><p>Retaguarda 2, responsável por retirar o</p><p>Retaguarda 1 do ambiente hostil.</p><p>Ala</p><p>Coldreia a arma, após ser garantida</p><p>sua segurança pelo Ponta 2 e o</p><p>Comandante desloca até o ferido.</p><p>- Remove o ferido o mais rápido possível</p><p>até a área de segurança, protegida pelos</p><p>pontas;</p><p>- Solicita prioridade via rede de rádio,</p><p>informando a localização;</p><p>- Inicia procedimentos de emergência.</p><p>Retaguarda 2</p><p>Após verificar não ser necessário apoio</p><p>ao Comandante, volta-se para a</p><p>retaguarda e desloca até o Retaguarda</p><p>1, dando suporte para este abrir</p><p>caminho para o socorro do Ponta 1.</p><p>Assume a função de Ponta 2, dá</p><p>segurança ao ponta um e apoia o Ala no</p><p>socorro.</p><p>Retaguarda 1</p><p>Após cobertura do Retaguarda 2,</p><p>avança abrindo caminho, buscando</p><p>uma área de segurança para a patrulha</p><p>comunicar.</p><p>Assume a função de Ponta 1 e desloca</p><p>com segurança exfiltrando4 a patrulha tão</p><p>logo o Comandante retire o Retaguarda 1</p><p>da área de risco</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>2.10.6 Patrulha de eventos</p><p>Grupamento policial designado pelo Comandante do Policiamento para atuar em eventos com</p><p>aglomeração de público, com a finalidade precípua de manutenção da ordem pública, por</p><p>meio da ação de presença. Não se confunde com a atuação do Policiamento de Choque. São</p><p>situações que justificam sua formação, por exemplo, o policiamento durante festas populares</p><p>(Carnaval), no perímetro externo de Estádios, Operações em centros comerciais com grande</p><p>fluxo de pessoas (Operação</p><p>Natalina), dentre outros.</p><p>4 Exfiltração: Técnica de movimento realizado de modo sigiloso com a finalidade de retirar forças ou pessoal isolado</p><p>e/ou material do interior de território inimigo ou por ele controlado, ou que se encontravam realizando operações</p><p>militares (BRASIL, 2004).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 57 - )</p><p>57</p><p>Seu efetivo pode ter composição variada de acordo com a avaliação da situação pelo mais</p><p>antigo presente no ambiente, ou conforme a previsão inserida nos planejamentos.</p><p>A logística para a equipe poderá ter, além daquilo considerado básico, o uso de capacete,</p><p>instrumentos de menor potencial ofensivo, bodycam e outros.</p><p>a) Dispositivos estacionados</p><p>Ao estacionar a patrulha, conforme a quantidade de integrantes, os policiais militares</p><p>posicionarão de forma a manter uma vigilância multidirecional do ambiente, proporcionando</p><p>uma proteção mútua entre si. Esses dispositivos serão denominados “Autoguardados”.</p><p> Autoguardado com 2 (dois) policiais militares:</p><p>Figura 31 - Posicionamento 1: Dispositivo autoguardado com 2 (dois) policiais sem anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Figura 32 - Posicionamento 2: Dispositivo autoguardado com 2 (dois) policiais militares sem</p><p>anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 58 - )</p><p>58</p><p>Nessa formação os policias estão lateralmente posicionados, a uma distância aproximada de</p><p>50 (cinquenta) centímetros e ligeiramente desalinhados, de forma a visualizar o outro policial</p><p>e fornecer proteção à sua retaguarda e laterais adjacentes.</p><p>Figura 33 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 2 (dois) policiais militares com</p><p>anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Se houver um anteparo, a patrulha composta por dois policiais deverá se posicionar de costas</p><p>formando uma linha de visão com uma angulação de aproximadamente 60 graus, em relação</p><p>a linha do anteparo.</p><p> Autoguardado com 3 (três) policiais militares</p><p>Figura 34 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 3 (três) policiais militares sem</p><p>anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 59 - )</p><p>59</p><p>Com 3 (três) policiais militares, a patrulha estacionada em ambiente sem anteparo, deverá</p><p>ocupar o espaço de costas um para o outro, de modo que o policial tenha visão de 120º graus.</p><p>Figura 35 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 3 (três) policias militares com</p><p>anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Com a presença de um anteparo, a patrulha deverá posicionar-se com o comandante</p><p>ocupando o ponto central, de costas ao anteparo, e mantendo uma visão de 180º do ambiente</p><p>e os policiais das extremidades formando uma linha de visão com uma angulação de</p><p>aproximadamente 120º graus, em relação a linha do anteparo.</p><p> Autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>Com 4 (quatro) policiais militares a formação permitirá acompanhar todo o entorno em 360º.</p><p>Os policiais militares posicionarão conforme as Figuras 36 e 37.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 60 - )</p><p>60</p><p>Figura 36 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>sem anteparo (em círculo)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>É possível a adoção de outra variação nesse dispositivo como se segue. Nesse caso, o</p><p>comandante estará ocupando uma das posições centrais.</p><p>Figura 37 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>sem anteparo (em linha)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Se houver anteparo, os policiais centrais manterão posicionamento conforme a Figura 38.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 61 - )</p><p>61</p><p>Figura 38 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>com anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p> Autoguardado com 5 (cinco) policias militares</p><p>Com 5 (cinco) policiais militares a formação da patrulha estacionada variará de forma</p><p>aproximada aos dispositivos para quatro policiais.</p><p>Figura 39 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 5 (cinco) policias militares sem</p><p>anteparo (em círculo)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 62 - )</p><p>62</p><p>Figura 40 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 5 (cinco) policiais militares sem</p><p>anteparo (em linha)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p> Autoguardado com 6 (seis) ou mais policiais militares</p><p>Se houver 6 (seis) ou mais integrantes as patrulhas deverão variar conforme os dispositivos</p><p>anteriores, sendo recomendado, se estiverem em linha, que haja uma divisão em 2 (dois)</p><p>subgrupos com um afastamento lateral de 2 (dois) a 3(três) metros.</p><p>Figura 41 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 6 (seis) policiais militares sem</p><p>anteparo</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Se houver necessidade de breve reunião, estando a patrulha atuando no meio da</p><p>aglomeração de pessoas, o dispositivo deverá privilegiar uma formação segura, que o</p><p>comandante estará ao centro e os demais integrantes da patrulha permaneçam sempre</p><p>atentos à segurança um dos outros.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 63 - )</p><p>63</p><p>Figura 42 - Posicionamento do dispositivo para reunião da patrulha</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>b) Dispositivo em deslocamento</p><p>O deslocamento será feito em coluna por um, sendo que o comandante deslocará ao centro.</p><p>Todos os componentes serão numerados a partir do primeiro homem.</p><p>O primeiro policial militar se deslocará com sua atenção voltada para frente, tendo os demais</p><p>a atribuição de observar cada lado alternadamente.</p><p>Não é recomendado o militar fazer deslocamentos sozinho no evento. Deve-se deslocar no</p><p>mínimo acompanhado de outro militar.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 64 - )</p><p>64</p><p>Figura 43 - Formação para deslocamento da Patrulha de eventos</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>c) Dispositivo para abordagem</p><p>Nas situações em que houver até 4 (quatro) policiais, as abordagens deverão ser realizadas</p><p>observadas a avaliação de riscos e uma criteriosa leitura de ambiente, verificando,</p><p>preferencialmente, se no local há anteparos para posicionamento do abordado e realização</p><p>da busca pessoal.</p><p>As patrulhas deverão atuar conforme os dispositivos previstos para a Tática de Aproximação</p><p>Triangular e, se houver muitas pessoas próximas ao suspeito, a equipe fará uma busca no</p><p>abordado.</p><p>Quando houver 5 (cinco) ou mais policiais militares, e se não houver anteparos, a abordagem</p><p>será executada fazendo-se um envelopamento5.</p><p>5 Envelopamento:Trata-se de um cerco em torno do(s) abordado(s) com a finalidade de criar uma área de</p><p>contenção segura para realização da busca pessoal.</p><p>ATENÇÃO! Os militares da patrulha nunca devem atuar isoladamente em</p><p>uma abordagem, pois podem comprometer sua segurança e se tornarem</p><p>alvos vulneráveis.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 65 - )</p><p>65</p><p>Figura 44 - Posicionamento do dispositivo para abordagem sem anteparo com</p><p>envelopamento</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>d) Condução</p><p>A condução de preso deve ser rápida</p><p>e direcionada diretamente para o posto de triagem, a</p><p>fim de retirar o preso do meio do público de forma mais rápida e segura.</p><p>A patrulha deve estar atenta para a possibilidade de tentativa de arrebatamento do preso ou</p><p>tentativa de agressão ao conduzido.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 66 - )</p><p>66</p><p>Figura 45 - Posicionamento do dispositivo para condução</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Se houver necessidade da prisão, a condução deve ser feita prioritariamente com o preso</p><p>algemado e no centro da patrulha, a fim de diminuir o risco de fuga em meio à multidão e</p><p>também para garantir a integridade física do próprio conduzido.</p><p>2.10.7 Patrulha em área de matas</p><p>A execução da patrulha em área de matas deve ser precedida de uma avaliação criteriosa</p><p>das circunstâncias a fim de definir o procedimento a ser executado.</p><p>Nas localidades com presença de matas onde exista o serviço de Rondas Ostensivas com</p><p>Cães (ROCCA6) este deverá ser acionado para apoio na localização de infratores.</p><p>Em ocorrências de alta complexidade7, os primeiros interventores deverão acionar, por</p><p>meio do Centro de Operações Policiais Militares (COPOM) / Sala de Operações da Unidade</p><p>6 “ROCCA: consiste na atuação direcionada para repressão qualificada no atendimento e apoio às ocorrências</p><p>ocasionais e de alta complexidade, que necessitem do emprego de cães, voltada para busca de infratores</p><p>homiziados em locais de difícil acesso, bem como na localização de armas de fogo, artefatos explosivos e drogas</p><p>ilícitas.” (PMMG, 2019).</p><p>7 “Ocorrências de alta complexidade: são as intervenções qualificadas em Incidentes Críticos que extrapolam o</p><p>poder de resposta dos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social e, portanto, necessitam de intervenções</p><p>integradas especiais com a utilização de equipamentos, armamentos, tecnologias e treinamentos especializados</p><p>para o restabelecimento da Paz Social.” (COTTA, 2009).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 67 - )</p><p>67</p><p>(SOU) / Sala de Operações da Fração (SOF) ou correspondente, o 3º e/ou 4º esforço, bem</p><p>como o esforço suplementar (Radiopatrulhamento Aéreo) da malha protetora.</p><p>Em ambos os casos, o primeiro interventor, sempre que possível, identificará o ponto de</p><p>entrada dos infratores a fim de subsidiar com informações as equipes dos demais esforços e</p><p>implementará o cerco no local até a chegada do apoio.</p><p>Em situações que não seja possível o acionamento de uma guarnição da ROCCA e que o</p><p>fato não se configure numa ocorrência de alta complexidade, a incursão será realizada por</p><p>uma patrulha composta de, no mínimo, 4 (quatro) policiais militares.</p><p>Para início da incursão, a patrulha identificará o ponto de acesso do infrator na área de mata,</p><p>adentrando na formação em coluna pelo ponto por onde o infrator acessou.</p><p>Caso o primeiro interventor não tenha visualizado o ponto de acesso do infrator na área de</p><p>mata ou não identifique qualquer rastro ou objetos que se presume ser o local de entrada, a</p><p>patrulha adotará a formação em linha para realizar a varredura do local em busca de alguma</p><p>alteração no terreno que demonstre a direção a ser seguida.</p><p>Ao adentrar na área de mata, o Ponta de Vanguarda 1 deverá manter sua atenção voltada à</p><p>procura de alterações no terreno que os levem até os infratores. Considerando que o Ponta</p><p>de Vanguarda 1 estará com a visão periférica restrita, o Ponta de Vanguarda 2 deverá</p><p>realizar a segurança do Ponta de Vanguarda 1, mantendo sua atenção voltada para as</p><p>adjacências do ambiente.</p><p>Os demais integrantes da patrulha manterão vigilância alternada do ambiente, definindo a</p><p>área de responsabilidade de cada um. Ao estacionar, o Ponta de Retaguarda 1 manterá</p><p>vigilância da retaguarda da equipe.</p><p>Durante o deslocamento os policiais militares atentarão para a disciplina tática de luz e som,</p><p>com especial atenção para os locais onde pisam. Se a patrulha produzir algum ruído</p><p>extravagante, deverá manter-se imóvel por breve período a fim desse ruído se confunda com</p><p>outros barulhos que naturalmente são produzidos pelo ambiente.</p><p>ATENÇÃO! Não é recomendável adentrar em áreas de matas durante</p><p>períodos de baixa luminosidade à procura de infratores.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 68 - )</p><p>68</p><p>No ambiente de mata, durante o deslocamento, a formação da coluna deverá guardar</p><p>distância entre os integrantes, mantendo contato visual com o componente que o antecede e</p><p>que o sucede. Nessa incursão, os policiais militares realizarão a “Varredura em Z”8.</p><p>Caso seja identificado algum infrator ou ponto de abordagem (quintal, casa, barracão, etc) a</p><p>patrulha adotará a formação em linha para a aproximação.</p><p>Em situações que sejam detectados disparos de armas de fogo em direção à patrulha, os</p><p>policiais militares, imediatamente, deitarão com a atenção voltada para suas respectivas áreas</p><p>de responsabilidade.</p><p>8 Varredura em “Z”: é uma varredura visual realizada do topo das árvores, no meio (na altura dos olhos) em</p><p>profundidade e no chão).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 69 - )</p><p>69</p><p>3 ABORDAGEM A PESSOAS</p><p>A abordagem policial é o conjunto ordenado de ações policiais para aproximar-se de uma</p><p>ou mais pessoas, veículos ou edificações. Tem por objetivo resolver demandas do</p><p>policiamento ostensivo, como orientações, assistências, identificações, advertências de</p><p>pessoas, verificações, realização de buscas e detenções.</p><p>Já a abordagem a pessoas se refere apenas às ações policiais para se aproximar de um ou</p><p>mais indivíduos. Este conceito possui um sentido amplo, ou seja, abrange a todos os</p><p>cidadãos, não se restringindo às pessoas em situação de suspeição.</p><p>Desta forma, os procedimentos adotados pela guarnição variam de acordo com os fatos</p><p>motivadores da abordagem e com o ambiente. Além disso, o policial militar deve compreender</p><p>as peculiaridades daquele com quem interage e não vincular essa interação,</p><p>necessariamente, a ações delituosas.</p><p>Em cada abordagem realizada, o policial militar deverá utilizar técnicas, táticas e recursos</p><p>apropriados ao público-alvo desta intervenção policial, esteja a pessoa em atitude suspeita ou</p><p>não.</p><p>O poder de polícia, deve ser entendido como um conjunto de ações que limitam e sancionam</p><p>o direito individual e autorizam a intervenção do Estado, executada por intermédio de seus</p><p>agentes, em qualquer matéria de interesse da coletividade.</p><p>A ação de abordar uma pessoa é um ato administrativo, discricionário, autoexecutório e</p><p>coercitivo. Significa dizer que o policial militar é a personificação do Estado, o qual lhe oferece</p><p>poder de escolha, balizado em aspectos objetivos e subjetivos, pode agir sem necessidade</p><p>de mandado judicial gerando obrigações para a pessoa abordada, independentemente de</p><p>consentimento.</p><p>A doutrina sobre Intervenção Policial estabelece etapas que sistematizam o processo de</p><p>solução de problemas, objetivando estruturar ações de resposta adequadas durante a</p><p>abordagem. Nesse enfoque, recomenda-se a leitura dos seguintes tópicos, constantes no</p><p>MTP 01:</p><p> Etapas da Intervenção: Seção 5;</p><p> Fundamentos da abordagem policial à pessoa em atitude suspeita: Seção 5;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 70 - )</p><p>70</p><p> Verbalização do policial militar face ao comportamento do abordado: Seção 6;</p><p> Uso diferenciado da força: Seção 7.</p><p>Como explorado no MTP 01, a abordagem é uma intervenção policial que se procede por</p><p>meio de técnicas, táticas e uso de equipamentos proporcionais aos níveis de riscos.</p><p>3.1 Níveis da abordagem a pessoas</p><p>A abordagem policial a pessoa também é classificada em três</p><p>níveis (1, 2 e 3) tendo como</p><p>referência os níveis da intervenção policial, conforme definidos pelo MTP 01.</p><p>A seguir serão apresentadas as principais técnicas e táticas a serem empregadas na</p><p>abordagem a pessoas, em três variáveis principais, considerando uma abordagem com 2</p><p>(dois) policiais militares. A distribuição das funções entre os policiais da guarnição ficará a</p><p>critério do PM Comandante, mediante sua avaliação de riscos:</p><p>a) abordado aparentemente desarmado;</p><p>b) abordado visivelmente portando arma branca9 ou imprópria10 ;</p><p>c) abordado visivelmente portando arma de fogo.</p><p>As variáveis principais, por conseguinte, estão divididas em tópicos estabelecidos de acordo</p><p>com o nível de comportamento do abordado:</p><p>a) abordado cooperativo;</p><p>b) abordado resistente passivo;</p><p>c) abordado resistente ativo.</p><p>3.1.1 Abordagem a pessoas aparentemente desarmadas</p><p>a) um policial militar iniciará a abordagem verbalizando e adotando uma das posturas de</p><p>abordagem com mãos livres, de acordo o comportamento do abordado;</p><p>9 Arma branca: é aquela criada para causar lesão que não seja arma de fogo ou explosivo (Ex.: Espada ou faca</p><p>de ataque).</p><p>10 Arma imprópria: é qualquer instrumento que, embora tenha sido criado com finalidade diversa, é eficaz à prática</p><p>delitiva (Ex.: Faca de cozinha, chave de fenda, pedaço de madeira, etc).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 71 - )</p><p>71</p><p>b) outro policial militar iniciará a abordagem com a arma localizada, a fim de prover a proteção</p><p>da equipe e realizar a aproximação para a busca pessoal.</p><p>3.1.2 Abordagem a pessoas visivelmente portando arma branca ou imprópria</p><p>a) todos os policiais militares iniciarão a abordagem com a arma na posição 2, 3 ou 4 de</p><p>acordo com avaliação de riscos e manterão uma distância de segurança (Regra de</p><p>Tueller11);</p><p>b) um dos policiais militares determinará ao abordado que solte a arma e se posicione em</p><p>uma das posições de contenção;</p><p>c) caso a arma esteja alocada no corpo do abordado, o policial militar irá monitorar os pontos</p><p>quentes e determinará que se coloque na posição de contenção 3 ou 4 (ajoelhado ou</p><p>deitado).</p><p>3.1.3 Abordagem a pessoas portando arma de fogo</p><p>a) sempre que possível, todos os policiais militares deverão estar abrigados e com arma na</p><p>posição 3 ou 4 (guarda-alta ou pronta resposta);</p><p>b) um dos policiais militares determinará ao abordado que solte a arma e se posicione em</p><p>uma das posições de contenção;</p><p>c) caso a arma esteja alocada no corpo do abordado, o policial militar irá monitorar os pontos</p><p>quentes e determinará que se coloque na posição de contenção 3 ou 4 (ajoelhado ou deitado).</p><p>3.2 Supremacia de força na abordagem a pessoas</p><p>Ao iniciar uma abordagem, a guarnição policial-militar deverá realizá-la com segurança. Se</p><p>for realizada especificamente a uma pessoa em atitude suspeita, é necessário que haja</p><p>supremacia de força. Neste caso, a técnica policial será fundamental para seu sucesso.</p><p>11 Ver item 4.2, alínea c, do MTP 01.</p><p>OBSERVAÇÃO: A posição de emprego da arma de fogo pode ser</p><p>alterada, de acordo com a percepção do policial militar sobre o uso</p><p>diferenciado da força, podendo variar de acordo com o</p><p>comportamento do suspeito. O policial militar que aponta a arma para</p><p>o abordado não precisa se manter nesta mesma posição durante toda</p><p>a abordagem, se não for necessário.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 72 - )</p><p>72</p><p>Quando a guarnição entender que necessitará de outros recursos (humanos ou logísticos),</p><p>solicitará apoio policial, mantendo o contato visual e, se possível, o controle do suspeito.</p><p>A supremacia de força é uma vantagem tática do policial militar em relação ao abordado</p><p>para uma atuação segura. Esta vantagem é medida de forma qualitativa e quantitativa,</p><p>podendo estar relacionada não só ao número de policiais militares, mas também ao uso de</p><p>força e à posse de instrumentos, equipamentos e armamentos por parte da guarnição. Uma</p><p>atuação policial com supremacia de força é aquela em que os policiais militares envolvidos</p><p>dispõem de níveis de força adequados para reagirem às ameaças que poderão advir dos</p><p>abordados.</p><p>No desenvolvimento da abordagem, o policial militar manterá a atenção às possíveis</p><p>mudanças que venham a ocorrer no cenário e que podem, por exemplo, obrigá-lo a aumentar</p><p>ou diminuir o nível de força. O comportamento do abordado (cooperativo, resistente passivo</p><p>e ativo) será determinante para a mudança de postura tática.</p><p>É importante saber que em qualquer nível de intervenção o policial militar deverá adotar os</p><p>seguintes procedimentos:</p><p>a) autoidentificação: demonstrar clareza, falando nome e posto ou graduação. Atitude que</p><p>reforça os valores da ética, transparência, representatividade institucional e disciplina. O</p><p>policial militar deve saber que sua identidade deve ser pública diante da função revestida pelo</p><p>Estado;</p><p>b) tratamento respeitoso para com as pessoas: tratar os abordados com respeito,</p><p>cordialidade, urbanidade, solicitude e dignidade;</p><p>c) esclarecimentos sobre o motivo de uma abordagem: esclarecer às partes interessadas</p><p>sobre a motivação e o desdobramento da ação policial, a qual se submete o abordado. Com</p><p>essa medida, fortalecerá o respeito, a cortesia e a credibilidade no trabalho da Polícia Militar.</p><p>Além disso, o policial militar deve ter em mente os Fundamentos da Abordagem Policial</p><p>previstos na Seção 5 do MTP 01.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 73 - )</p><p>73</p><p>4 BUSCA PESSOAL E USO DE ALGEMAS</p><p>4.1 Busca pessoal</p><p>É uma técnica policial utilizada para fins preventivos ou repressivos, que visa a procura</p><p>de produtos de crime, objetos ilícitos ou lícitos que possam ser utilizados para a prática de</p><p>delitos que estejam de posse da pessoa abordada em situação de suspeição.</p><p>Será realizada no corpo, nas vestimentas e pertences do abordado, observando-se todos os</p><p>aspectos legais, técnicos e éticos necessários.</p><p>A busca poderá ser realizada independente de mandado judicial, desde que haja fundada</p><p>suspeita.</p><p>Quando o policial militar realiza busca pessoal, a situação de suspeição deverá ser verificada</p><p>através da atitude do cidadão, ou seja, da conjugação entre comportamento e ambiente.</p><p>Exemplos:</p><p> estado de flagrante delito;</p><p> mesma característica física e de vestimenta utilizada por autor de crime/ contravenção;</p><p> comportamento estranho do suspeito (tensão, nervosismo, aceleração do passo ou</p><p>mudança brusca de direção ao avistar a presença policial);</p><p> volumes observáveis na cintura ou em outras partes do corpo;</p><p> pessoa parada em local ermo ou de grande incidência de criminalidade;</p><p> pessoa monitorando residências;</p><p> pessoa portando objeto duvidoso;</p><p> condutor que tenta evadir de bloqueio policial; dentre outros.</p><p>Os policiais militares devem estar preparados tecnicamente para realizar a busca pessoal e</p><p>cuidar para que esta ação não se converta em atos de arbitrariedade e discriminação.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 74 - )</p><p>74</p><p>4.1.1 Aspectos legais da busca pessoal</p><p>O poder discricionário inerente à ação de abordar e efetuar a busca pessoal está condicionado</p><p>à existência de elementos que configurem fundada suspeita, requisito essencial e</p><p>indispensável para a realização do procedimento. O Código de Processo Penal (CPP) assim</p><p>prevê:</p><p>Art. 244. A busca pessoal independerá de mandado, no caso de prisão ou quando</p><p>houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma proibida ou de</p><p>objetos ou papéis que constituam corpo de delito, ou quando a medida for determinada</p><p>no curso de busca domiciliar (BRASIL, 1941).</p><p>Caracterizada a fundada suspeita,</p><p>é legal a ordem que origina o início da busca pessoal</p><p>emanada pelo policial militar, determinação esta que se descumprida implica no cometimento</p><p>do crime de desobediência, previsto no art. 330 do Código Penal (CP).</p><p>Quando o abordado se opuser, mediante violência ou ameaça, à submissão da busca</p><p>pessoal, estará incurso no crime de resistência, previsto no art. 329 do CP. Neste caso, o</p><p>policial militar usará a força adequada para vencer a resistência ou se defender, conforme</p><p>prevê o art. 292 do CPP. É importante não confundir relutâncias naturais por parte do</p><p>abordado que se sente constrangido, com o crime de resistência. Na verbalização o policial</p><p>militar deve esclarecer os motivos da ação policial.</p><p>No Código de Processo Penal Militar (CPPM) a busca pessoal (ou revista pessoal) é tratada</p><p>nos seguintes arts.:</p><p>Busca pessoal</p><p>Art. 180. A busca pessoal consistirá na procura material feita nas vestes, pastas,</p><p>malas e outros objetos que estejam com a pessoa revistada e, quando necessário, no</p><p>próprio corpo.</p><p>Revista pessoal</p><p>Art. 181. Proceder-se-á à revista, quando houver fundada suspeita de que alguém</p><p>oculte consigo:</p><p>a) instrumento ou produto do crime;</p><p>b) elementos de prova.</p><p>Revista independentemente de mandado</p><p>Art. 182. A revista independe de mandado:</p><p>a) quando feita no ato da captura de pessoa que deve ser presa;</p><p>b) quando determinada no curso da busca domiciliar;</p><p>c) quando ocorrer o caso previsto na alínea a do artigo anterior;</p><p>LEMBRE-SE: diante das circunstâncias previstas no art. 244 do CPP,</p><p>que caracterizam a fundada suspeita, o policial militar pode e deve</p><p>realizar a busca pessoal, independentemente de mandado.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 75 - )</p><p>75</p><p>d) quando houver fundada suspeita de que o revistado traz consigo objetos ou papéis</p><p>que constituam corpo de delito;</p><p>e) quando feita na presença da autoridade judiciária ou do presidente do inquérito.</p><p>As buscas pessoais são realizadas em prol do bem comum, ainda que possam causar</p><p>eventuais desconfortos de caráter individual. É importante que a restrição aos direitos</p><p>individuais se dê o mínimo possível, ou seja, no limite do que possa ser considerada</p><p>necessária e razoável, para que não possa ser interpretada como abuso de autoridade.</p><p>Nos casos em que a suspeição não se confirmar e nada de irregular for encontrado, caberá</p><p>ao policial militar:</p><p>a) esclarecer ao abordado os motivos pelos quais ele foi submetido a busca pessoal;</p><p>b) demonstrar que a abordagem é um ato discricionário e legal, com foco na segurança</p><p>preventiva;</p><p>c) prestar outras informações que possam minimizar possíveis constrangimentos causados;</p><p>d) agradecer a colaboração com a segurança coletiva, caso seja adequado.</p><p>Ao final do procedimento, recomenda-se que a equipe:</p><p>a) avalie o desempenho individual e do grupo;</p><p>b) avalie os resultados obtidos;</p><p>c) avalie as falhas no procedimento;</p><p>d) colha sugestões de correção;</p><p>e) confeccione relatório ao escalão superior, se necessário.</p><p>LEMBRE-SE: Não existe pessoa suspeita, mas pessoa em situação</p><p>suspeita. Ninguém se torna suspeito por suas características</p><p>pessoais (classe social, raça, orientação sexual, forma de se vestir,</p><p>traços físicos ou outras características). Não existem rótulos ou</p><p>estereótipos que motivem uma abordagem, pois os infratores</p><p>podem apresentar todo tipo de característica. Cabe ao militar a</p><p>avaliação da suspeição, levando-se em conta as variáveis da</p><p>situação (horário, local da abordagem, clima, características da</p><p>região, comportamento do cidadão, fatos ocorridos, dentre outros).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 76 - )</p><p>76</p><p>Buscas pessoais realizadas em pessoas dos grupos vulneráveis, minorias e outras situações</p><p>específicas, serão tratadas na Seção 5.</p><p>4.1.2 Tipos de busca pessoal</p><p>Há três tipos: a busca ligeira, a busca minuciosa e a completa. Embora realizadas sob mesmo</p><p>fundamento legal, cada qual cumprirá objetivos e técnicas específicas, com a finalidade de</p><p>minorar os riscos na ação policial.</p><p>a) Busca ligeira</p><p>É uma revista rápida procedida nos abordados, comumente realizada nas entradas de casas</p><p>de espetáculos, shows, estádios e estabelecimentos afins, para verificar a posse de armas ou</p><p>objetos perigosos, comuns na prática de delitos. Será iniciada, preferencialmente, pelas</p><p>costas da pessoa abordada, que ficará, normalmente, na posição de pé.</p><p>A busca será realizada por meio de movimentos rápidos de deslizamento das mãos sobre o</p><p>vestuário do cidadão. Deve-se verificar, sobretudo: cintura, quadris, tórax, axilas, braços,</p><p>pernas (entre as pernas), pés e cabelos. Bolsos, bonés, chapéus, toucas, pochetes e demais</p><p>pertences também deverão ser revistados. Caso haja disponível detector de metal, a</p><p>utilização desse aparelho poderá substituir os movimentos rápidos de deslizamento das mãos</p><p>sobre o vestuário do cidadão.</p><p>A busca ligeira poderá progredir para outras modalidades, caso haja suspeição de que o</p><p>abordado ofereça maior risco à integridade das pessoas ou esteja ele de posse de objetos</p><p>ilícitos. O policial militar se certificará da necessidade do procedimento, optando por local</p><p>adequado e seguro para a realização.</p><p>É importante ressaltar que a busca ligeira a ser realizada para acesso a locais de eventos</p><p>esportivos, também chamada de revista pessoal de prevenção e segurança, é baseada em</p><p>dispositivos do Estatuto de Defesa do Torcedor (Lei nº 10.671/2003), sob o enfoque de</p><p>prevenção geral em cumprimento a condição de acesso e permanência do torcedor no recinto</p><p>esportivo.</p><p>Destarte, a manifestação de recusa a esse tipo de busca pessoal, imediatamente impede o</p><p>acesso da pessoa ao recinto esportivo, podendo inclusive implicar situação mais gravosa,</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 77 - )</p><p>77</p><p>como o cometimento do crime de desobediência, em caso imperativo de determinação da</p><p>submissão à busca pessoal e a negativa por parte da pessoa.</p><p>b) Busca minuciosa</p><p>Será realizada sempre que o policial militar suspeitar que o abordado porte objetos ilícitos,</p><p>dificilmente detectados na inspeção visual ou na busca ligeira. Preferencialmente será feita</p><p>pelas costas da pessoa abordada. Enquanto o PM Revistador realizar a busca, o PM</p><p>Verbalizador/Segurança fará a cobertura policial.</p><p>A busca minuciosa pode variar conforme as Posições de Contenção, que são</p><p>posicionamentos que serão determinados pelo PM Verbalizador ao abordado e objetivam a</p><p>aumentar a segurança dos policiais militares e a eficiência da revista, variando de acordo com</p><p>o nível de risco e o ambiente. São enumeradas quatro posições básicas de contenção:</p><p>Posição de contenção 1 - abordado em pé sem apoio: Será empregada quando não houver</p><p>apoio para o abordado encostar as mãos.</p><p>Fase de verbalização:</p><p>Nesta abordagem o PM Verbalizador identificará como policial militar e determinará que o</p><p>abordado:</p><p> coloque as mãos sobre a testa;</p><p> entrelace os dedos;</p><p> vire-se de costas;</p><p> abra as pernas (as pernas deverão estar abertas de maneira que não permita ao abordado</p><p>movimento de agressão sem antes se ver obrigado a realizar o movimento de fechamento</p><p>das pernas, o que sinalizará aos policiais militares a intenção de agressão);</p><p> aguarde e fique calmo que um policial fará a busca pessoal.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 78 - )</p><p>78</p><p>Fase da busca pessoal:</p><p>O PM Revistador, com a arma no coldre, deverá se aproximar do abordado pela angulação</p><p>2,5 ou 3, adotando os seguintes procedimentos:</p><p> posicionará atrás do abordado;</p><p> deverá segurar os dedos do abordado, que estarão sobre a testa;</p><p> ao revistar o lado direito do corpo do abordado, deverá segurar os dedos do abordado com</p><p>a mão esquerda e fazer a revista</p><p>com a mão direita;</p><p> ao revistar o lado esquerdo do corpo do abordado, deverá segurar os dedos do abordado</p><p>com a mão direita e fazer a revista com a mão esquerda;</p><p>A busca minuciosa na posição de contenção em pé, sem apoio, vem ilustrada na Figura 46.</p><p>Figura 46 - Busca minuciosa na posição de contenção em pé, sem apoio.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>LEMBRE-SE: Na posição de contenção em pé sem apoio, deverá ser</p><p>determinado ao abordado que coloque as mãos sobre a testa e não</p><p>sobre a cabeça.</p><p>Esta técnica permite que, em caso de reação durante a vistoria, o PM</p><p>Revistador, puxe os dedos do abordado para trás, desequilibrando-o e</p><p>projetando-o ao solo.</p><p>Este procedimento irá proporcionar ao PM Revistador tempo para</p><p>reação, com emprego de técnicas de imobilização e uso de</p><p>Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (IMPO).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 79 - )</p><p>79</p><p>Posição de contenção 2 (abordado em pé, com apoio): Será empregada quando houver</p><p>apoio para o abordado encostar as mãos.</p><p>Nesta abordagem o PM Verbalizador determinará que o abordado caminhe até uma</p><p>superfície vertical (paredes, muros, dentre outros) e fique de frente para ela, com pernas</p><p>abertas e afastadas, braços abertos, mãos apoiadas na superfície, acima da altura dos</p><p>ombros e dedos abertos. Quanto mais distante da parede estiver os pés do abordado, será</p><p>mais difícil sua possibilidade de reação.</p><p>Fase de verbalização:</p><p>Nesta abordagem o PM Verbalizador deverá se identificar como policial militar e determinará</p><p>que o abordado:</p><p> vire-se de costas;</p><p> coloque as mãos apoiadas na superfície determinada (exemplo: parede, muro);</p><p> abra as pernas e afaste-as da superfície utilizada;</p><p> aguarde e fique calmo que um policial militar fará a busca pessoal.</p><p>Fase da busca pessoal:</p><p>O PM Revistador, com a arma no coldre, deverá se aproximar do abordado pela angulação</p><p>2,5 ou 3, adotando os seguintes procedimentos:</p><p> posicionará atrás do abordado;</p><p> ao revistar o lado direito do corpo do abordado, deverá apoiar a mão esquerda nas costas</p><p>do abordado, apoiar o joelho esquerdo atrás da perna direita do abordado e fazer a revista</p><p>com a mão direita;</p><p> ao revistar o lado esquerdo do corpo do abordado, deverá apoiar a mão direita nas costas</p><p>do abordado, apoiar o joelho direito atrás da perna esquerda do abordado e fazer a revista</p><p>com a mão esquerda;</p><p> o PM Verbalizador, no momento da revista, será responsável pela segurança do PM</p><p>Revistador e, portanto, deverá variar sua posição de maneira a manter sempre a triangulação</p><p>descrita na TAT.</p><p>A busca minuciosa na posição de contenção em pé, com apoio, vem ilustrada na Figura 47.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 80 - )</p><p>80</p><p>Figura 47 - Busca minuciosa na posição de contenção em pé, com apoio</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Posição de contenção 3 (abordado de joelhos): Em regra, é indicada para casos em que</p><p>o policial militar entenda ser mais seguro para o abordado e/ou para a guarnição como por</p><p>exemplo:</p><p> abordado que esteja portando arma e com comportamento cooperativo;</p><p> quando o número de abordados for maior do que o número de policiais militares;</p><p> abordado de alta periculosidade ou que tenha antecedentes de reação.</p><p>Fase de verbalização:</p><p>Nesta abordagem o PM Verbalizador deverá se identificar como policial militar e determinará</p><p>que o abordado:</p><p> coloque as mãos na testa e olhe para cima;</p><p> entrelace os dedos;</p><p> vire-se de costas;</p><p> ajoelhe-se;</p><p> cruze os pés;</p><p> aguarde e fique calmo que um policial fará a busca pessoal.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 81 - )</p><p>81</p><p>Fase da busca pessoal:</p><p>O PM Revistador, com a arma no coldre, deverá se aproximar do abordado pela angulação</p><p>2,5 ou 3, adotando os seguintes procedimentos:</p><p> posicionará atrás do abordado;</p><p> ao revistar o lado direito do corpo do abordado, deverá segurar os dedos do abordado com</p><p>a mão esquerda e fazer a revista com a mão direita;</p><p> ao revistar o lado esquerdo do corpo do abordado, deverá segurar os dedos do abordado</p><p>com a mão direita e fazer a revista com a mão esquerda;</p><p> o PM Verbalizador, no momento da revista, será responsável pela segurança do PM</p><p>Revistador e, portanto, deverá variar sua posição de maneira a manter sempre a triangulação</p><p>descrita na TAT.</p><p>A busca minuciosa na posição de contenção ajoelhado vem ilustrada na figura a seguir:</p><p>Figura 48 - Busca minuciosa na posição de contenção ajoelhado</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Posição de contenção 4 (abordado deitado): Em regra, é indicada para os mesmos</p><p>exemplos referenciados para a posição de contenção 3 e, notadamente, para os casos em</p><p>que o abordado apresente resistência.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 82 - )</p><p>82</p><p>Fase de verbalização:</p><p>Nesta abordagem o PM Verbalizador deverá se identificar como policial militar determinará</p><p>que o abordado:</p><p> deite-se com o peito encostado no chão (decúbito ventral);</p><p> abra os braços em forma de crucifixo;</p><p> vire as palmas das mãos para cima;</p><p> mantenha as pernas estendidas;</p><p> aguarde e fique calmo que um policial militar fará a busca pessoal.</p><p>Após o abordado realizar estes movimentos, o PM Verbalizador caminhará em direção a uma</p><p>das laterais do abordado, ao mesmo tempo em que o PM Revistador caminhará em direção</p><p>ao lado oposto.</p><p>Após estar posicionado em uma das laterais do corpo do abordado, o PM Verbalizador</p><p>determinará que este permaneça olhando em sua direção.</p><p>Fase da busca pessoal:</p><p>O PM Revistador, com a arma no coldre, deverá se aproximar pelo lado em que o abordado</p><p>não estiver olhando:</p><p> realizará uma busca ligeira;</p><p> se necessário, efetuará a algemação;</p><p> conduzirá o abordado até a posição de pé;</p><p> posicionará atrás do abordado, segurando-lhe as algemas;</p><p> determinará ao abordado que abra as pernas ao máximo para realização de uma busca</p><p>minuciosa, antecedendo a condução.</p><p>O PM Verbalizador, no momento da busca pessoal, será responsável pela segurança do PM</p><p>Revistador e, portanto, deverá variar sua posição de maneira a manter sempre a triangulação</p><p>descrita na TAT.</p><p>A busca minuciosa na posição de contenção deitado vem ilustrada na Figura 49.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 83 - )</p><p>83</p><p>Figura 49 - Busca minuciosa na posição de contenção 4</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>c) Busca completa</p><p>É a verificação detalhada do corpo do abordado, que se despirá e entregará seu vestuário ao</p><p>policial militar. Cada peça de roupa deverá ser examinada.</p><p>O policial militar, além de atentar para todos os procedimentos previstos na busca minuciosa,</p><p>verificará o interior das cavidades do corpo.</p><p>Na busca completa, o policial militar, em conformidade com a avaliação de riscos, determinará</p><p>que o abordado retire todas as peças de vestuário e fique na posição de pé. O policial militar</p><p>determinará ao abordado que realize pelo menos três movimentos de agachamento, a fim de</p><p>detectar objetos escondidos em orifício anal ou vaginal.</p><p>O policial militar deve evitar o uso do tato, no corpo do abordado, estando ele já despido. A</p><p>participação que se espera do revistado diz respeito à observância das orientações que lhe</p><p>são passadas: despir-se, entregar o vestuário, abrir a boca, levantar os braços, abrir as</p><p>pernas, agachar-se com as pernas abertas, dentre outras.</p><p>Devido à exposição corporal do abordado e por questões de segurança, recomenda-se que a</p><p>busca completa seja realizada em local isolado do público e, sempre que possível, na</p><p>presença de testemunha do mesmo sexo da pessoa abordada (preferencialmente,</p><p>desconhecida por ela) que será</p><p>esclarecida sobre a necessidade do procedimento.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 84 - )</p><p>84</p><p>Por questões de biossegurança, recomenda-se o uso de luvas para o caso de manusear</p><p>peças de vestuário e objetos do abordado.</p><p>4.1.3 Arma de fogo localizada durante a busca</p><p>A ocasião em que os policiais militares encontram uma arma de fogo durante uma busca</p><p>pessoal torna-se um momento crítico que exige disciplina tática, controle emocional e</p><p>observação de uma sequência lógica de procedimentos que lhe proporcione minimizar os</p><p>riscos desta intervenção.</p><p>Destarte, é importante destacar as funções envolvidas em tal situação: PM Revistador e PM</p><p>Segurança. Esses policiais têm procedimentos distintos a serem observados, como se vê a</p><p>seguir:</p><p>a) Atribuições do PM Revistador</p><p>Ao localizar arma de fogo com o abordado durante a intervenção o PM Revistador:</p><p> informará a equipe que localizou a arma: “arma localizada!”;</p><p> determinará que o suspeito ajoelhe-se (posição de contenção 3) ou deite-se (posição de</p><p>contenção 4), conforme avaliação de riscos;</p><p> entregará a arma para o PM Segurança;</p><p> algemará o suspeito.</p><p>b) Atribuições do PM Segurança</p><p>No momento que o PM Segurança for informado que há arma localizada, deverá:</p><p> atentar-se para possíveis reações de tentativa de fuga dos suspeitos;</p><p> receber a arma que foi localizada pelo PM Revistador com sua mão fraca, observando o</p><p>controle da direção do cano e dedo fora do gatilho;</p><p> colocar a arma recolhida no coldre, tendo em vista que a arma do próprio policial está na</p><p>mão.</p><p>ATENÇÃO! Caso não se confirme a suspeição, os policiais militares</p><p>farão a liberação do abordado, e explicando a importância da busca</p><p>pessoal na prevenção criminal. Caso confirmada a suspeição, fará a</p><p>prisão do autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 85 - )</p><p>85</p><p>Estando o ambiente controlado, o policial militar dirigir-se-á a um local seguro e realizará os</p><p>procedimentos técnicos necessários a fim de colocar a arma recolhida em condições de</p><p>segurança (“arma fria”). A arma recolhida e as munições devem ser colocadas no bolso da</p><p>calça ou bornal.</p><p>Ressalta-se que o policial militar não deve colocar essa arma no chão, entre o colete e</p><p>o corpo ou na cintura, pois essa conduta fere as normas de segurança das armas de fogo,</p><p>devido à incerteza da condição do armamento.</p><p>Figura 50 - Sequência de ações de localização de arma durante busca pessoal</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>4.2 Uso de algemas</p><p>Algemas são equipamentos policiais utilizados com os objetivos primários de controlar uma</p><p>pessoa, prover segurança aos policiais militares, ao preso ou a terceiros e reduzir a</p><p>possibilidade de fuga ou agravamento da ocorrência.</p><p>As algemas, além dos modelos tradicionais de argolas de metal, com fechaduras e ligadas</p><p>entre si, podem também ser de plástico (descartáveis) ou consistir em objetos utilizados para</p><p>restringir os movimentos corporais de uma pessoa presa sob a custódia (corda com nó de</p><p>algema, cadarço, etc).</p><p>A algemação não pode ser adotada como regra para todo caso de prisão/ condução, pois,</p><p>quando utilizada, causa um constrangimento inevitável. Este equipamento não deve ser</p><p>utilizado como instrumento de subjugação ou humilhação do preso.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 86 - )</p><p>86</p><p>4.2.1 Aspectos legais do uso de algemas</p><p>O Código de Processo Penal (CPP) dispõe, em seu art. 284, que não será permitido o</p><p>emprego de força, salvo o indispensável no caso de resistência ou tentativa de fuga de preso.</p><p>Por sua vez, o Código de Processo Penal Militar (CPPM) em seu art. 234, assim prevê sobre</p><p>o uso de algemas:</p><p>Emprêgo de algemas</p><p>§1º - O emprego de algemas deve ser evitado, desde que não haja perigo de fuga ou</p><p>de agressão da parte do preso, e de modo algum será permitido, nos presos a que se</p><p>refere o art. 242 (BRASIL, 1969).</p><p>Significa dizer que a algemação se aplica aos casos de resistência e fundado risco à</p><p>integridade física dos envolvidos.</p><p>O §1º do art. 234 prevê, ainda, que de modo algum será permitido o uso das algemas nas</p><p>autoridades descritas no art. 242 do CPPM:</p><p>Art. 242 [...]</p><p>a) os ministros de Estado;</p><p>b) os governadores ou interventores de Estados, ou Territórios, o prefeito do Distrito</p><p>Federal, seus respectivos secretários e chefes de Polícia;</p><p>c) os membros do Congresso Nacional, dos Conselhos da União e da Assembleias</p><p>Legislativas dos Estados;</p><p>d) os cidadãos inscritos no Livro de Mérito das ordens militares ou civis reconhecidas</p><p>em lei;</p><p>e) os magistrados;</p><p>f) os oficiais das Forças Armadas, das Polícias e dos Corpos de Bombeiros,</p><p>Militares, inclusive os da reserva, remunerada ou não, e os reformados;</p><p>g) os oficiais da Marinha Mercante Nacional;</p><p>h) os diplomados por faculdade ou instituto superior de ensino nacional</p><p>i) os ministros do Tribunal de Contas;</p><p>j) os ministros de confissão religiosa.</p><p>Porém, é entendimento do Superior Tribunal Federal que, se houver necessidade, o uso de</p><p>algemas poderá ser feito, mesmo nas autoridades elencadas anteriormente, e independente</p><p>do cargo/função/posição social do preso.</p><p>A Súmula Vinculante nº 11, publicada em 22 de agosto de 2008, assim discorre:</p><p>Só é lícito o uso de algemas em caso de resistência e de fundado receio de fuga ou</p><p>de perigo à integridade física própria ou alheia, por parte do preso ou de terceiros,</p><p>justificada a excepcionalidade por escrito, sob pena de responsabilidade disciplinar</p><p>civil e penal do agente ou da autoridade e de nulidade da prisão ou do ato processual</p><p>a que se refere, sem prejuízo da responsabilidade civil do Estado (BRASIL, 2008).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 87 - )</p><p>87</p><p>Ao empregar as algemas é indispensável que o policial militar justifique tal medida, em campo</p><p>próprio, no Boletim de Ocorrência (BO/REDS), conforme determina a Súmula Vinculante, sob</p><p>pena de responsabilização nas esferas civil, penal e administrativa.</p><p>A formalização escrita dos motivos que ensejaram a algemação é o grande diferencial que a</p><p>Súmula traz para a prática policial e decorrerá de três situações específicas:</p><p>a) resistência do preso à ação policial;</p><p>b) fundado receio de que o preso possa empreender fuga;</p><p>c) comportamento do preso que ofereça risco à integridade física do policial militar, de</p><p>terceiros ou para si mesmo.</p><p>Vale ressaltar que o Sistema REDS já oferece a possibilidade de seleção de justificativas pré-</p><p>estabelecidas para o uso de algemas. Não obstante, para uma melhor adequação do</p><p>documento ao caso concreto, sugere-se que o policial militar proceda ao preenchimento do</p><p>campo alusivo ao “Complemento da Justificativa”, conforme Figura a seguir:</p><p>Figura 51 - Campo do Sistema REDS para inserção de justificativa para uso de algemas</p><p>Fonte: Sistema REDS.</p><p>O quadro a seguir apresenta sugestões que podem ser utilizadas como base para o</p><p>preenchimento do campo “Complemento da Justificativa”.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 88 - )</p><p>88</p><p>Quadro 3 - Sugestões de complemento de justificativas quanto ao uso de algemas12</p><p>SITUAÇÃO SUGESTÃO DE JUSTIFICATIVA</p><p>RESISTÊNCIA</p><p> o preso resistiu à ação policial, durante a intervenção.</p><p>Foi necessário o uso de algemas para contê-lo;</p><p> o preso com sintomas de embriaguez, ou sob efeito</p><p>de substâncias entorpecentes, demonstrou</p><p>indignação ou resistência à prisão, investindo contra</p><p>a guarnição (chutes, socos, pontapés, cuspiu no</p><p>policial, empurrões e outros).</p><p>RECEIO DE FUGA</p><p> há caso de tentativa de fuga nos registros policiais do</p><p>preso;</p><p> trata-se de preso foragido;</p><p> no momento da prisão, o preso tentou fugir do local,</p><p>sendo necessário persegui-lo;</p><p> trata-se de cidadão considerado de alta</p><p>periculosidade, pelo envolvimento</p><p>com</p><p>quadrilhas/bandos;</p><p> o preso possui grande número de registros policiais e</p><p>processos judiciais em andamento.</p><p>PERIGO À INTEGRIDADE FÍSICA</p><p>DO PRESO</p><p> situação verificada em razão da possibilidade do</p><p>preso ser agredido pela vítima e seus familiares, ou</p><p>por populares;</p><p> situação verificada por meio do comportamento</p><p>agressivo do preso (autolesão, possibilidade de</p><p>quedas, fraturas);</p><p>PERIGO À INTEGRIDADE FÍSICA</p><p>DO POLICIAL MILITAR OU DE</p><p>TERCEIROS</p><p> situação verificada em razão do comportamento</p><p>agressivo do preso em relação aos policiais militares;</p><p> houve necessidade de conduzir o preso algemado,</p><p>em razão da viatura não possuir compartimento</p><p>fechado (xadrez), e havia possibilidade de fuga e/ou</p><p>necessidade de segurança no transporte;</p><p> existe histórico de agressões perpetradas pelo preso;</p><p> o preso apresentava sintomas de embriaguez e</p><p>comportamento agressivo; parecia estar sob efeito de</p><p>substâncias entorpecentes ou análoga;</p><p> trata-se de cidadão considerado de alta</p><p>periculosidade, em virtude de registros policiais com</p><p>emprego de violência;</p><p> a agressividade do preso foi demonstrada na</p><p>execução do fato criminoso.</p><p>Fonte: Adaptado de PMMG, 2008.</p><p>12 Adaptado do Memorando Circular nº 31.687.6/08-EMPM, de 10 de outubro de 2008.</p><p>ATENÇÃO! O policial militar registrará no BO/REDS que sua ação foi</p><p>revestida de legalidade, de razoabilidade e de proporcionalidade no</p><p>uso da força, para justificar o emprego das algemas. Recorrerá para</p><p>tal, à descrição minuciosa de cada comportamento irregular do preso,</p><p>que resultou em sua algemação.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 89 - )</p><p>89</p><p>O policial militar deverá, preferencialmente, algemar o infrator com as mãos para trás e com</p><p>as palmas voltadas para fora. Certificará, ainda, de que as algemas não ficaram frouxas ou</p><p>apertadas, em demasia, trancando-as e travando-as, corretamente.</p><p>Figura 52 - Sistema de trava das algemas.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>A descrição pormenorizada da algema, a aplicação, a condução e as técnicas de emprego</p><p>deste equipamento estão no Manual de Defesa Pessoal Policial.</p><p>4.2.2 Recomendações gerais sobre o uso de algemas</p><p>É importante que o policial militar entenda que a algemação é uma forma temporária de conter</p><p>pessoas presas. Trata-se de uma ação constrangedora e por isso, recomenda-se que não se</p><p>estenda por períodos longos, pois esta atitude poderá resultar em lesões, como pulsos</p><p>arranhados e até fraturas e ruptura de ligamentos. A utilização da trava de segurança também</p><p>contribuirá com a integridade física do algemado.</p><p>A algemação pode parecer uma boa medida para conter um criminoso violento, evitando que</p><p>ele venha a lesionar outras pessoas. Todavia, vale ressaltar que, ao algemar alguém, você</p><p>prejudica a capacidade dessa pessoa de se proteger.</p><p>ATENÇÃO! As algemas não impedem fugas. São equipamentos de</p><p>uso temporário para conter uma pessoa. Sob esta condição, exige-se</p><p>uma vigilância constante do preso por parte do policial.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 90 - )</p><p>90</p><p>Por isso, algemar uma pessoa a um ponto fixo, como um poste, ou a partes fixas de veículos,</p><p>como as barras presentes no xadrez de algumas viaturas, pode colocar em risco o preso. Sem</p><p>as mãos livres para se defender, ele se torna incapaz de se proteger de perigos iminentes,</p><p>como por exemplo, do ataque de um parente inconformado da vítima, ou até de choques</p><p>mecânicos e acidentes ocorridos com a viatura.</p><p>Algemar uma pessoa a um ponto móvel, como uma cadeira, uma mesa, ou até a um policial</p><p>militar ou outro preso, é uma conduta que não fornece segurança à guarnição, pois o</p><p>algemado pode utilizar a cadeira ou mesa como arma contra os policiais militares, vítimas e</p><p>testemunhas. Da mesma forma, poderá utilizar da proximidade com o outro preso ou com o</p><p>policial militar para agredi-los.</p><p>Apesar do policial militar algemar preferencialmente o preso com as mãos voltadas para trás,</p><p>nem sempre isso será possível. O policial militar deve definir se a algemação será pela frente</p><p>ou pelas costas, de acordo com o comportamento do algemado e suas condições de saúde.</p><p>Obesos, grávidas, pessoas adoentadas e de constituição mais fraca poderão ser algemados</p><p>pela frente sem expor a guarnição a perigo.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 91 - )</p><p>91</p><p>5 PROCEDIMENTOS POLICIAIS ESPECÍFICOS</p><p>Existem diversos grupos na sociedade que, devido às suas condições peculiares, merecem</p><p>atenção especial por parte da Polícia.</p><p>A abordagem policial a essas pessoas seguirá os mesmos princípios éticos e profissionais</p><p>das demais intervenções, bem como os procedimentos técnicos e táticos operacionais já</p><p>estabelecidos, sobretudo aqueles relativos à segurança dos policiais militares e de terceiros.</p><p>No atendimento, quer seja na condição de suspeito, agente de delito, vítima ou testemunha,</p><p>o policial militar deverá, prioritariamente, compreender de maneira integral a complexidade no</p><p>trato das questões relativas aos respectivos grupos, para que exerça, com efetividade, a</p><p>proteção e a promoção de sua dignidade de seus integrantes.</p><p>Adiante, seguem as recomendações para a atuação policial, os quais serão divididos em:</p><p> autoridades;</p><p> grupos vulneráveis;</p><p> minorias;</p><p> pessoas com surto por uso de drogas.</p><p>5.1 Procedimentos policiais em ocorrências envolvendo autoridades</p><p>Esta subseção abordará as providências que devem ser tomadas pelos policiais militares nos</p><p>casos de cometimento de ilícitos penais, prisão em flagrante de autoridades e confecção de</p><p>Boletim de Ocorrência (BO/REDS). Ela está subdividida por poderes e cargos, para uma</p><p>melhor organização. Além disso, também estará definido o dispositivo legal que trata da</p><p>prerrogativa em relação à prisão no cometimento de ilícitos penais. No final deste tópico,</p><p>haverá um quadro para uma consulta rápida sobre esse tema.</p><p>5.1.1 Membros do Poder Executivo</p><p>a) Presidente da República: conforme o art. 88, § 3º, da Constituição Federal (CF/88),</p><p>enquanto não sobrevier sentença condenatória nas infrações comuns, o Presidente da</p><p>República não estará sujeito à prisão. O policial militar irá liberar o Presidente da República</p><p>no local e registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando-o à Polícia Judiciária</p><p>Federal (Polícia Federal), para possíveis providências.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 92 - )</p><p>92</p><p>b) Ministros de Estado: não possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no</p><p>cometimento de delitos, tendo o mesmo tratamento dos demais cidadãos. O policial militar</p><p>deverá, neste caso, prender o Ministro de Estado e registrar o Boletim de Ocorrência</p><p>(BO/REDS), encaminhando-os à Polícia Judiciária Federal (Polícia Federal), para possíveis</p><p>providências.</p><p>c) Diplomatas: a pessoa do agente diplomático é inviolável. Não poderá ser preso ou detido</p><p>conforme art. 29, do Decreto nº 56.435, de 8 de junho de 2009 - Convenção de Viena sobre</p><p>Relações Diplomáticas. O policial militar irá liberar o Diplomata no local e registrar o Boletim</p><p>de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando o registro à Polícia Judiciária Federal (Polícia</p><p>Federal), para possíveis providências.</p><p>d) Governadores de Estado: conforme art. 92, § 3º da Constituição do Estado de Minas Gerais</p><p>(CEMG)/1989, enquanto não sobrevier sentença condenatória, nos crimes comuns, o</p><p>Governador não estará sujeito à prisão. O policial militar irá liberar o Governador de Estado</p><p>no local e registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando o registro à Polícia</p><p>Judiciária Federal (Polícia Federal), para possíveis providências.</p><p>e) Secretários de Estado: não possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no</p><p>cometimento</p><p>de delitos, tendo o mesmo tratamento dos demais cidadãos. O policial militar</p><p>deverá, neste caso, prender o Secretário de Estado e registrar o Boletim de Ocorrência</p><p>(BO/REDS), encaminhando-os à Polícia Judiciária Estadual (Polícia Civil), para possíveis</p><p>providências.</p><p>f) Prefeitos: não possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no cometimento de</p><p>delitos tendo o mesmo tratamento dos demais cidadãos. O policial militar deverá, neste caso,</p><p>prender o prefeito e registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando-os à Polícia</p><p>Judiciária Estadual (Polícia Civil), para possíveis providências.</p><p>ATENÇÃO! A lei brasileira considera como crime inafiançável os delitos que se</p><p>enquadram nas possibilidades previstas dos arts. 323 e 324 do CPP, além da prática</p><p>da tortura, o tráfico ilícito de entorpecentes e drogas afins, o terrorismo e os definidos</p><p>como crimes hediondos (homicídio quando praticado em atividade de extermínio,</p><p>homicídio qualificado, latrocínio, extorsão qualificada pela morte, extorsão mediante</p><p>sequestro, estupro e estupro de vulnerável, epidemia com resultado morte,</p><p>falsificação, corrupção, adulteração ou alteração de produto destinado a fins</p><p>terapêuticos ou medicinais e genocídio), além da ação de grupos armados, civis ou</p><p>militares, contra a ordem constitucional e o Estado Democrático.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 93 - )</p><p>93</p><p>5.1.2 Membros do Poder Legislativo</p><p>a) Deputados Federais e Senadores: o policial militar deverá, no caso de flagrante de crime</p><p>inafiançável, prendê-lo e registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando-o à</p><p>Polícia Judiciária Federal (Polícia Federal), para possíveis providências. Nos demais delitos</p><p>(afiançáveis e de menor potencial ofensivo), será feito apenas o registro do BO/REDS,</p><p>encaminhando-o à Polícia Federal, sendo os parlamentares liberados no local. Os deputados</p><p>federais e senadores são invioláveis civil e penalmente por quaisquer de suas opiniões,</p><p>palavras e votos. Nos casos de prisão em flagrante, os autos serão remetidos dentro de 24</p><p>(vinte e quatro) horas à respectiva Casa (Câmara dos Deputados ou Senado), para que, pelo</p><p>voto da maioria de seus membros, resolva sobre a manutenção da prisão.</p><p>b) Deputados Estaduais: serão adotadas as mesmas providências dos deputados federais e</p><p>senadores, divergindo apenas no encaminhamento do Boletim de Ocorrência (BO/REDS) e</p><p>membro da Casa Legislativa, que será direcionado para a Polícia Judiciária Estadual (Polícia</p><p>Civil), e os autos serão remetidos à Assembleia Legislativa.</p><p>c) Vereadores: se o delito praticado pelo vereador não tiver nenhum vínculo político com sua</p><p>função ou for fora de sua circunscrição, o policial militar deverá prendê-lo, registrar o Boletim</p><p>de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando-o à Polícia Judiciária competente. Os Vereadores</p><p>gozam de prerrogativa em relação à prisão no cometimento de delitos somente nos casos</p><p>relacionados com sua função, sendo invioláveis por suas opiniões, palavras e votos no</p><p>exercício do mandato e na circunscrição do Município. Nos demais casos, recebem os</p><p>mesmos tratamentos dos demais cidadãos.</p><p>5.1.3 Membros do Poder Judiciário</p><p>a) Desembargadores e Juízes Federais: os Membros da magistratura da União não podem</p><p>ser presos senão por ordem escrita do Tribunal ou do órgão especial competente para o</p><p>julgamento, salvo em flagrante de crime inafiançável, caso em que a autoridade fará imediata</p><p>comunicação e apresentação do magistrado ao Presidente do Tribunal a que esteja vinculado.</p><p>O policial militar deverá, no caso flagrante de crime inafiançável, prendê-los e registrar o</p><p>Boletim de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando-os ao Presidente do Tribunal a que esteja</p><p>vinculado (Desembargadores ao Superior Tribunal de Justiça, Juízes Federais incluídos os</p><p>da Justiça Militar ao Tribunal Regional Federal). Nos demais delitos (afiançáveis e de menor</p><p>potencial ofensivo), deverá ser realizado apenas o registro do BO/REDS para possíveis</p><p>providências, sendo os Magistrados liberados no local.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 94 - )</p><p>94</p><p>b) Juízes Estaduais: serão adotadas as mesmas providências dos juízes federais e</p><p>desembargadores, divergindo apenas no encaminhamento do Boletim de Ocorrência</p><p>(BO/REDS) e do membro desta instituição, que será direcionado para o Tribunal de Justiça</p><p>do Estado.</p><p>5.1.4 Membros do Ministério Público</p><p>a) Procurador e Promotor de Justiça da União: o Membro do Ministério Público da União só</p><p>poderá ser preso por ordem escrita do Tribunal competente ou em razão de flagrante de crime</p><p>inafiançável, caso em que a autoridade fará imediata comunicação àquele tribunal e ao</p><p>Procurador-Geral da República, sob pena de responsabilidade. O policial militar deverá, nos</p><p>casos de flagrante em crime inafiançável, prender os Membros do Ministério Público da União</p><p>e registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS), encaminhando-os ao Procurador-Geral da</p><p>República. Nos demais delitos (afiançáveis e de menor potencial ofensivo), será realizado</p><p>apenas o registro do BO/REDS para possíveis providências, sendo os promotores liberados</p><p>no local.</p><p>b) Procurador e Promotor de Justiça do Estado: serão adotadas as mesmas providências dos</p><p>procuradores e promotores de Justiça da União, divergindo apenas no encaminhamento do</p><p>Boletim de Ocorrência (BO/REDS) e do membro desta instituição, que será direcionado para</p><p>a Procuradoria-Geral de Justiça.</p><p>5.1.5 Membros de Órgãos Policiais</p><p>a) Membros da Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal: o policial militar irá neste caso</p><p>prendê-los, registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS). O conduzido deverá ser</p><p>encaminhado na presença de um superior hierárquico à Polícia Judiciária competente, para</p><p>possíveis providências. Não possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no</p><p>cometimento de delitos, tendo o mesmo tratamento dos demais cidadãos.</p><p>b) Membros da Polícia Militar Estadual e Corpo de Bombeiros Militar: o policial militar irá neste</p><p>caso prendê-lo e registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS). O militar e o BO/ REDS</p><p>deverão ser encaminhados, por um superior hierárquico, à Polícia Judiciária competente, nos</p><p>crimes comuns e à Autoridade de Polícia Militar competente nos crimes militares, para</p><p>possíveis providências. Não possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no</p><p>cometimento de delitos, tendo o mesmo tratamento dos demais cidadãos.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 95 - )</p><p>95</p><p>c) Membros da Polícia Civil: o policial militar deverá neste caso prendê-los e registrar o Boletim</p><p>de Ocorrência (BO/REDS). Após a chegada do superior hierárquico do conduzido, será</p><p>encaminhado à Polícia Judiciária competente, para possíveis providências. Não possuem</p><p>prerrogativas em relação à prisão em flagrante no cometimento de delitos, tendo o mesmo</p><p>tratamento dos demais cidadãos.</p><p>5.1.6 Membros das Forças Armadas</p><p>Militares do Exército, Marinha e Aeronáutica: o policial militar deverá neste caso prendê-los e</p><p>registrar o Boletim de Ocorrência (BO/REDS). Após a chegada do superior hierárquico do</p><p>conduzido da respectiva Força, será encaminhado à Polícia Judiciária competente, nos crimes</p><p>comuns e ao Comandante do militar nos crimes militares, para possíveis providências. Não</p><p>possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no cometimento de delitos, tendo o</p><p>mesmo tratamento dos demais cidadãos.</p><p>5.1.7 Membros da Advocacia</p><p>a) Advogado-Geral da União: se o delito tiver vínculo com sua função, o policial militar só</p><p>poderá prendê-lo em caso de crime inafiançável ou desacato. Para quaisquer outros crimes,</p><p>fora do exercício da função, não há prerrogativas. Quando for efetuada a prisão, a autoridade</p><p>e o registro do Boletim de Ocorrência (BO/REDS) serão encaminhados à Polícia Judiciária</p><p>Federal (Polícia Federal), para possíveis</p><p>Máxima ............................... 22</p><p>Figura 7 - Uso de Escudo Balístico (Segurança Mínima com arma à frente do visor) ......... 22</p><p>Figura 8 - Uso de Escudo Balístico (Segurança Máxima com arma à frente do visor) ......... 23</p><p>Figura 9 - Comunicação por gestos .................................................................................... 25</p><p>Figura 10 - Posição 1 de uso da lanterna ............................................................................ 27</p><p>Figura 11 - Posição 2 de uso da lanterna e suas variações ................................................ 28</p><p>Figura 12 - Posição 3 de uso da lanterna e suas variações ................................................ 29</p><p>Figura 13 - Tomada de ângulo ou “fatiamento” ................................................................... 31</p><p>Figura 14 - Olhada rápida ................................................................................................... 31</p><p>Figura 15 - Uso da técnica de reflexão da imagem ............................................................. 32</p><p>Figura 16 - Ângulos de aproximação ................................................................................... 34</p><p>Figura 17 - Postura Aberta .................................................................................................. 36</p><p>Figura 18 - Postura de Prontidão ........................................................................................ 37</p><p>Figura 19 - Postura Defensiva com mãos abertas e fechadas (postura de guarda) ............ 38</p><p>Figura 20 - Tática de Aproximação Triangular (Posicionamento inicial) .............................. 41</p><p>Figura 21 - Delimitação de áreas para o teatro operacional ................................................ 42</p><p>Figura 22 - Esquema tático com 3 (três) policiais militares e 3 (três) abordados ................. 44</p><p>Figura 23 - Composição da patrulha com seis policiais militares ......................................... 47</p><p>Figura 24 - Postura Combate .............................................................................................. 50</p><p>Figura 25 - Postura Torre .................................................................................................... 50</p><p>Figura 26 - Postura Tática Siamesa Sequencia L, T e Y ..................................................... 51</p><p>Figura 27 - Postura Hi-Low ................................................................................................. 51</p><p>Figura 28 - Avaliação em X ................................................................................................. 54</p><p>Figura 29 - Técnicas para Extricação (Arrasto) ................................................................... 55</p><p>Figura 30 - Técnicas para transporte de ferido .................................................................... 55</p><p>Figura 31 - Posicionamento 1: Dispositivo autoguardado com 2 (dois) policiais sem anteparo</p><p>............................................................................................................................................ 57</p><p>Figura 32 - Posicionamento 2: Dispositivo autoguardado com 2 (dois) policiais militares sem</p><p>anteparo .............................................................................................................................. 57</p><p>Figura 33 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 2 (dois) policiais militares com</p><p>anteparo .............................................................................................................................. 58</p><p>Figura 34 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 3 (três) policiais militares sem</p><p>anteparo .............................................................................................................................. 58</p><p>Figura 35 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 3 (três) policias militares com</p><p>anteparo .............................................................................................................................. 59</p><p>Figura 36 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>sem anteparo (em círculo) ................................................................................................... 60</p><p>Figura 37 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>sem anteparo (em linha) ..................................................................................................... 60</p><p>Figura 38 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 4 (quatro) policiais militares</p><p>com anteparo ....................................................................................................................... 61</p><p>Figura 39 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 5 (cinco) policias militares sem</p><p>anteparo (em círculo) ........................................................................................................... 61</p><p>Figura 40 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 5 (cinco) policiais militares sem</p><p>anteparo (em linha) .............................................................................................................. 62</p><p>Figura 41 - Posicionamento do dispositivo autoguardado com 6 (seis) policiais militares sem</p><p>anteparo .............................................................................................................................. 62</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 9 - )</p><p>Figura 42 - Posicionamento do dispositivo para reunião da patrulha ................................... 63</p><p>Figura 43 - Formação para deslocamento da Patrulha de eventos ..................................... 64</p><p>Figura 44 - Posicionamento do dispositivo para abordagem sem anteparo com</p><p>envelopamento .................................................................................................................... 65</p><p>Figura 45 - Posicionamento do dispositivo para condução .................................................. 66</p><p>Figura 46 - Busca minuciosa na posição de contenção em pé, sem apoio. ......................... 78</p><p>Figura 47 - Busca minuciosa na posição de contenção em pé, com apoio .......................... 80</p><p>Figura 48 - Busca minuciosa na posição de contenção ajoelhado ...................................... 81</p><p>Figura 49 - Busca minuciosa na posição de contenção 4 .................................................... 83</p><p>Figura 50 - Sequência de ações de localização de arma durante busca pessoal ................ 85</p><p>Figura 51 - Campo do Sistema REDS para inserção de justificativa para uso de algemas . 87</p><p>Figura 52 - Sistema de trava das algemas. ......................................................................... 89</p><p>Figura 53 - Campos do Sistema REDS destinados a relatar declaração de orientação sexual</p><p>e identidade de gênero ...................................................................................................... 103</p><p>Figura 54 - Campos do Sistema REDS destinados a relatar causa ou motivação presumida e</p><p>a descrição da ação ........................................................................................................... 103</p><p>Figura 55 - Delimitação dos perímetros do local. .............................................................. 126</p><p>Figura 56 - Relacionamento com a imprensa .................................................................... 128</p><p>Quadro 1 - Formação Básica de uma Patrulha com 6 (seis) Policiais Militares ................... 46</p><p>Quadro 2 - Situação de patrulha composta por 6 (seis) policiais militares – Ponta 1 ferido . 56</p><p>Quadro 3 - Sugestões de complemento de justificativas quanto ao uso de algemas .......... 88</p><p>Quadro 4 - Procedimentos policiais em ocorrências envolvendo autoridades ..................... 97</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 10 - )</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 APRESENTAÇÃO ............................................................................................................ 12</p><p>2 TÉCNICA E TÁTICA POLICIAL BÁSICA ........................................................................</p><p>providências.</p><p>b) Advogado-Geral do Estado: serão adotadas as mesmas providências do Advogado-Geral</p><p>da União, divergindo apenas no encaminhamento do Boletim de Ocorrência (BO/REDS) e do</p><p>membro desta instituição, que será feito à Polícia Judiciária competente, para possíveis</p><p>providências.</p><p>c) Advogado: serão adotadas as mesmas providências do Advogado-Geral da União,</p><p>divergindo apenas no encaminhamento do Boletim de Ocorrência (BO/REDS) e do membro</p><p>desta instituição, que será feito à Polícia Judiciária competente, para possíveis providências.</p><p>No que diz respeito à presença do Advogado em ocorrências policiais que envolvam seus</p><p>clientes, preceitua o art. 7º, III, da Lei Federal nº 8.069/94, que é direito do advogado</p><p>comunicar-se com seus clientes, pessoal e reservadamente, mesmo sem procuração, quando</p><p>estes se acharem “presos”, “detidos” ou “recolhidos” em estabelecimentos civis ou militares,</p><p>ainda que considerados incomunicáveis.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 96 - )</p><p>96</p><p>Destarte, e conforme a Lei nº 13.869/19, constitui abuso de autoridade o ato de impedir sem</p><p>justa causa esse contato entre o conduzido e seu advogado. Nesse ponto, é importante frisar</p><p>o termo justa causa.</p><p>Muitas vezes a dinâmica dos fatos não permite que o contato do conduzido com o advogado</p><p>seja imediato, em razão da garantia de segurança no local da ocorrência ou situação</p><p>semelhante.</p><p>O contato entre preso e advogado não pode ocorrer caso haja riscos para a segurança dos</p><p>envolvidos ou da equipe policial presente, por exemplo. É imprescindível, porém, que todo o</p><p>procedimento policial seja respaldado na razoabilidade e transparência.</p><p>Caso não seja possível o contato entre o conduzido e seu advogado por algum motivo, os</p><p>policiais devem informar às partes que o contato será permitido de forma oportuna assim que</p><p>a condição impeditiva (de segurança ou outra) for superada.</p><p>Cabe ressaltar, ainda, que é necessário que o advogado apresente sua identificação</p><p>profissional para que possa exercer as suas funções.</p><p>5.1.8 Outras Instituições</p><p>a) Guarda Municipal: o policial militar deverá neste caso prendê-los e registrar o Boletim de</p><p>Ocorrência (BO/REDS). Será encaminhado à Polícia Judiciária competente, para possíveis</p><p>providências. Não possuem prerrogativas em relação à prisão em flagrante no cometimento</p><p>de delitos, tendo o mesmo tratamento dos demais cidadãos.</p><p>b) Policiais Penais: o policial militar deverá neste caso prendê-los e registrar o Boletim de</p><p>Ocorrência (BO/REDS). Após a chegada de integrantes da Instituição do conduzido, será</p><p>encaminhado à Polícia Judiciária competente, para possíveis providências. Não possuem</p><p>prerrogativas em relação à prisão em flagrante no cometimento de delitos, tendo o mesmo</p><p>tratamento dos demais cidadãos.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 97 - )</p><p>97</p><p>Quadro 4 - Procedimentos policiais em ocorrências envolvendo autoridades</p><p>AUTORIDADE</p><p>CABE PRISÃO EM</p><p>FLAGRANTE?</p><p>EMBASAMENTO</p><p>LEGAL</p><p>ENCAMINHAMENTO</p><p>DO REDS</p><p>Presidente Não art. 86, § 3º CF/88</p><p>Polícia Federal*</p><p>Ministros Sim -</p><p>Diplomatas</p><p>Não</p><p>art. 29 Convenção de</p><p>Viena</p><p>Governadores art. 92, § 3º CE/89</p><p>Secretários Estaduais</p><p>Sim - Polícia Civil*</p><p>Prefeitos</p><p>Deputados Federais</p><p>Só em crime</p><p>inafiançável</p><p>art. 53, caput e §2º</p><p>CF/88</p><p>Polícia Federal</p><p>Senadores</p><p>Deputados Estaduais</p><p>art. 56, caput, §§2º e</p><p>3º CE/89</p><p>Polícia Civil*</p><p>Vereadores</p><p>Se não tiver</p><p>vínculo político</p><p>art. 29, inc. VII CF/88 Polícia Civil*</p><p>Desembargadores</p><p>Só em crime</p><p>inafiançável</p><p>art. 33, inc II LC nº</p><p>35/79</p><p>Presidente do</p><p>STJ</p><p>Juízes Federais</p><p>art. 90, inc II LC nº</p><p>59/01</p><p>Presidente do</p><p>TRF</p><p>Juízes Estaduais</p><p>art. 33, inc II LC nº</p><p>35/79</p><p>Presidente do</p><p>Tribunal de Justiça</p><p>Procurador de Justiça da União</p><p>Só em crime</p><p>inafiançável</p><p>art. 18, inc II, “d”</p><p>LC nº 75/93 Procurador-Geral da</p><p>República</p><p>Promotor de Justiça da União</p><p>art. 40, inc III Lei nº</p><p>8.625/93 e</p><p>art. 105 inc III LC 34</p><p>Procurador de Justiça do Estado Procurador-Geral</p><p>de Justiça Promotor de Justiça do Estado</p><p>Policial Federal Sim - Polícia Civil*</p><p>Policial Militar Estadual Sim -</p><p>Polícia Civil*</p><p>(crime comum),</p><p>Comandante do</p><p>militar (crime militar)</p><p>Policial Civil Sim - Polícia Civil*</p><p>Advogado-Geral da União</p><p>Regra geral: Sim.</p><p>Nos casos de crime</p><p>com vínculo</p><p>profissional, apenas</p><p>inafiançáveis e</p><p>desacato.</p><p>art. 7º, § 2º e § 3º, Lei</p><p>nº 8.906/94</p><p>Polícia Federal</p><p>Advogado-Geral do Estado</p><p>Polícia Civil*</p><p>Advogado</p><p>Guarda Municipal</p><p>Sim</p><p>-</p><p>Polícia Civil*</p><p>Policial Penal</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Nota: *Nos crimes cuja competência para apuração é da União, o BO/REDS deverá ser encaminhado para a Polícia</p><p>Federal, desde que haja Delegacia desta Instituição no município.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 98 - )</p><p>98</p><p>5.2 Abordagens policiais a grupos vulneráveis</p><p>Por grupo vulnerável entende-se o conjunto de pessoas com características específicas,</p><p>relacionadas ao gênero, à idade, à condição social, às necessidades especiais e diversidade</p><p>sexual. E, por essa razão, podem se tornar mais suscetíveis à violação de seus direitos.</p><p>A vulnerabilidade está na ação de sujeição da pessoa a constante preconceito e</p><p>discriminação, em razão de sua condição específica, independente de outros fatores. Nesse</p><p>conjunto, estão inseridas as mulheres, as crianças e adolescentes, os idosos, a população</p><p>em situação de rua, as pessoas com deficiência e a população de LGBTI+13 .</p><p>5.2.1 Atuação policial na abordagem a mulher</p><p>Em praticamente todas as esferas sociais, a mulher está sujeita a desigualdades. Esta</p><p>situação é causada e agravada pela existência de discriminações, que normalmente se</p><p>tornam comuns no seio da própria família, na comunidade e no local de trabalho.</p><p>A discriminação contra a mulher se mantém por meio da sobrevivência de estereótipos (do</p><p>homem, assim como da mulher), de culturas tradicionais e de crenças prejudiciais às</p><p>mulheres.</p><p>Entende-se por discriminação contra mulheres qualquer distinção, exclusão ou restrição</p><p>baseada no sexo, e que tenha por objetivo ou efeito, comprometer ou destruir o</p><p>reconhecimento, o gozo ou o exercício de seus direitos humanos e garantias fundamentais,</p><p>em qualquer estado social em que se encontrem, e em todos os campos da atividade humana</p><p>(político, econômico, social, cultural).</p><p>Contudo, as especificidades femininas exigem um tratamento próprio com as mulheres de</p><p>forma a respeitar as suas características de sexo, e o policial militar deve realizar uma busca</p><p>pessoal de forma profissional e eficiente.</p><p>Recomendações:</p><p> a abordagem a mulheres pode ser feita por qualquer policial militar, independentemente do</p><p>sexo, devendo a busca pessoal ser efetivada conforme determina a legislação nacional14, que</p><p>13 O termo é citado em REIS, T., org. Manual de Comunicação LGBTI+. Curitiba: Aliança Nacional LGBTI /</p><p>GayLatino, 2018. O símbolo + foi acrescentado à sigla LGBTI (lésbica, gay, bissexual, travesti, transexual e</p><p>intersexual) para abranger outras orientações sexuais, identidades e expressões de gênero.</p><p>14 Conforme art. 249. do Código de Processo Penal/1969.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 99 - )</p><p>99</p><p>prescreve que a busca em mulher será feita por outra mulher, “se não importar em</p><p>retardamento ou prejuízo da diligência”;</p><p> as mulheres, quando capturadas, serão mantidas separadas dos homens capturados</p><p>(sempre quando houver condições logísticas e de segurança);</p><p> a busca pessoal em mulheres suspeitas de portarem objetos ilícitos deverá ser realizada,</p><p>preferencialmente, por outra mulher profissional de polícia ou encarregada de fazer cumprir a</p><p>lei. Em momento algum poderão ser convocadas pessoas leigas ou civis, para realizar</p><p>buscas</p><p>em caso de suspeição, pois, isto colocará em risco a segurança e a integridade física destas</p><p>pessoas;</p><p> não havendo a disponibilidade de policial militar do sexo feminino no grupo que realiza a</p><p>abordagem, a guarnição poderá recorrer à rede-rádio, solicitando apoio de uma policial militar</p><p>feminina que possa comparecer ao local e suprir as necessidades da ocorrência;</p><p> a busca pessoal feita por homens em mulheres é uma excepcionalidade. Não deve ser</p><p>realizada em situações operacionais ordinárias, principalmente em relação à busca completa;</p><p> procedimentos mais simples como solicitar que a própria pessoa abra sua bolsa, retire os</p><p>sapatos, mostre a região da cintura e levante os cabelos, diminuirá a exposição da mulher;</p><p> em casos extremos, caso o policial militar necessite realizar uma busca em uma mulher,</p><p>esta deverá ser feita com respeito e profissionalismo, em local discreto e, sempre que</p><p>possível, na presença de testemunhas, preferencialmente, do sexo feminino. O policial militar</p><p>deve evitar o contato físico com a abordada, principalmente nas partes íntimas, procurando</p><p>limitar-se a orientá-la quanto aos procedimentos a serem adotados.</p><p>5.2.2 Atuação policial na abordagem a crianças e adolescentes</p><p>Crianças e adolescentes possuem direitos próprios que estão previstos em diversos</p><p>instrumentos internacionais15 e na legislação brasileira. O Estatuto da Criança e do</p><p>Adolescente (ECA), Lei Federal nº 8.069/90, dispõe sobre a proteção integral à criança e ao</p><p>15 Convenção Americana sobre Direitos Humanos, dentre outros.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 100 - )</p><p>100</p><p>adolescente. Em seu art. 2º considera criança a pessoa até 12 (doze) anos (incompletos) e</p><p>adolescente, pessoa entre 12 (doze) e 18 (dezoito) anos incompletos.</p><p>Ato infracional é a ação tipificada como crime ou contravenção penal16, que tenha sido</p><p>praticada pela criança ou pelo adolescente. São penalmente inimputáveis todos os menores</p><p>de 18 (dezoito) anos e não poderão ser condenados.</p><p>A criança que incorre em ato infracional deverá ser encaminhada à presença do Conselho</p><p>Tutelar ou do Juiz da Vara da Infância e da Juventude, para que seja social e legalmente</p><p>assistida. Na ausência desses órgãos, deverá ser encaminhada aos pais ou ao responsável</p><p>legal, que dará recibo no Boletim de Ocorrência, dirigido ao Juizado da Infância e da</p><p>Juventude.</p><p>O adolescente, em caso de flagrância de ato infracional, será levado à Delegacia de Polícia</p><p>Especializada. Na ausência desta, deverá ser encaminhado à Delegacia de Polícia local, onde</p><p>deverá permanecer separado dos adultos, até que outra medida seja determinada.</p><p>As regras específicas propiciam proteção adicional aos interesses deste grupo vulnerável.</p><p>Recomendações:</p><p> comunicar, imediatamente, aos pais ou representante legal sobre a apreensão da criança</p><p>ou adolescente;</p><p> manter a atenção às situações que possam implicar em risco à integridade física ou mental</p><p>da criança ou do adolescente;</p><p> não conduzir crianças e adolescentes em compartimento fechado da viatura. Contudo, em</p><p>casos extremos, em que o adolescente apresentar séria ameaça à integridade física dos</p><p>policiais militares, devido a sua compleição física avantajada, com atitudes violentas em</p><p>resistência à ação policial, e com histórico de atos infracionais violentos, poderá ser admitido</p><p>o uso de algema e condução em compartimento fechado de veículo policial, visando até</p><p>mesmo a segurança do adolescente. No BO/REDS, deverá ser constado e justificado esse</p><p>procedimento;</p><p>16 Conforme art. 103 do ECA.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 101 - )</p><p>101</p><p> nunca divulgar sem a autorização devida, por qualquer meio de comunicação, o BO/REDS</p><p>relativo à criança ou ao adolescente a que se atribua ato infracional;</p><p> evitar a exposição da imagem do conduzido conforme previsto nos arts. 17 e 18 do ECA;</p><p> a busca pessoal será realizada, com segurança, procurando sempre reduzir os</p><p>constrangimentos, respeitando-se os princípios e as orientações gerais contidas no ECA.</p><p>5.2.3 Atuação policial na abordagem a diversidade sexual</p><p>A diversidade sexual pode ser entendida como o termo usado para designar as várias formas</p><p>de expressão da sexualidade humana.</p><p>O cidadão, muitas vezes, tem seus direitos desrespeitados pelo fato de ter orientação sexual</p><p>diversificada. O policial militar, como promotor de direitos humanos, deve lidar com o cidadão,</p><p>de forma a respeitar sua sexualidade e a lhe fornecer a devida atenção.</p><p>A heterossexualidade define os indivíduos que têm atração por uma pessoa do sexo oposto.</p><p>Por sua vez, a homossexualidade pode ser definida como a atração afetiva e sexual por uma</p><p>pessoa do mesmo sexo. Homossexuais podem ser masculinos, afeminados ou não;</p><p>femininos, masculinizados ou não.</p><p>Na sociedade há diversas definições para a diversidade sexual, em consonância com Brasil</p><p>(2018a), podemos conceituar algumas:</p><p>a) lésbica: designação para mulheres que se relacionam afetiva e sexualmente com outras</p><p>mulheres, independentemente da identidade de gênero.</p><p>b) gay: são homens que se relacionam afetiva e sexualmente com pessoas do mesmo sexo,</p><p>independentemente da identidade de gênero. Cabe observar que esse conceito se baseia na</p><p>identidade de gênero e não no sexo biológico.</p><p>c) bissexuais: pessoas que, independentemente da identidade de gênero, relacionam-se</p><p>afetiva e sexualmente com ambos os sexos.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 102 - )</p><p>102</p><p>d) travestis: trata-se de pessoa que promove sua construção de gênero para feminino, que</p><p>é oposta ao seu sexo designado no nascimento (masculino). Muitas modificam seus corpos</p><p>por meio de hormonioterapias, aplicações de silicone e/ou cirurgias plásticas, porém vale</p><p>ressaltar que isso não é regra para todas.</p><p>e) transexuais: pessoas que nascem com o sexo biológico diferente do gênero com que se</p><p>identificam. Essas pessoas desejam ser reconhecidas pelo gênero com o qual se identificam,</p><p>sendo que o que determina se a pessoa é transexual é sua identidade de gênero, e não</p><p>qualquer processo cirúrgico. Existem tanto homens trans quanto mulheres trans.</p><p>f) Intersexual: denomina-se intersexualidade a ocorrência de qualquer variação de caracteres</p><p>sexuais, incluindo cromossomos, gônadas e/ou órgãos genitais, que dificultam a identificação</p><p>de um indivíduo como totalmente feminino ou masculino.</p><p>g) “+”: outras identidades de gênero e sexualidade não contempladas na atual sigla adotada.</p><p>Em regra, a definição do gênero do policial que deve fazer a busca pessoal segue a orientação</p><p>do gênero do abordado, independente de orientação sexual.</p><p>Recomendações:</p><p> o cidadão homossexual deve receber tratamento respeitoso durante as providências</p><p>policiais, minimizando possíveis constrangimentos. Ao abordar um homossexual deve-se</p><p>evitar a reprodução de preconceitos sociais, como exemplo, proferindo a leitura do seu nome</p><p>de registro, constante na Carteira de Identidade, em voz alta, para outros policiais militares e</p><p>público presente, ridicularizando-o;</p><p> o policial militar não deverá coibir manifestações de afeto entre homossexuais (mãos</p><p>dadas, beijo na boca), uma vez que estes atos não configuram ações ilícitas e ainda,</p><p>configuram atos privados da vida do cidadão, nos quais não deve haver interferência;</p><p> é importante balizar a conduta policial, relembrando a diferença fundamental entre o delito</p><p>caracterizado por ocorrência de ato sexual em via pública e a manifestação afetiva entre</p><p>pessoas. As providências policiais caberão apenas no primeiro caso, independentemente da</p><p>orientação sexual;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 103 - )</p><p>103</p><p> o BO/REDS deve ser redigido com o nome de registro da pessoa e o tratamento verbal</p><p>deve ser feito pelo nome social (nome pelo qual a pessoa quer ser chamada). Caso queira, o</p><p>envolvido poderá autodeclarar sua orientação sexual e identidade de gênero, que deverão ser</p><p>marcadas em campo próprio do Sistema REDS. Uma vez constatado que o fato que gerou a</p><p>intervenção policial se deu por motivo de intolerância, discriminação ou por homofobia, além</p><p>das providências criminais a serem adotadas, essa situação deverá ser relatada no campo</p><p>“Modo da Ação Criminosa” no qual poderá constar como causa ou motivação presumida a</p><p>“Homofobia/Lesbofobia/Bifobia/Transfobia”. Orienta-se, ainda, a descrever a situação</p><p>relatada no campo “Descrição da ação”, afim de que se possa futuramente possibilitar</p><p>pesquisas e diagnósticos de vitimização por seguimento.</p><p>Figura 53 - Campos do Sistema REDS destinados a relatar declaração de orientação</p><p>sexual e identidade de gênero</p><p>Fonte: Sistema REDS.</p><p>Figura 54 - Campos do Sistema REDS destinados a relatar causa ou motivação presumida</p><p>e a descrição da ação</p><p>Fonte: Sistema REDS.</p><p>5.2.4 Atuação policial na abordagem a pessoas com deficiência</p><p>O policial militar se aterá aos procedimentos específicos em ocorrências que envolvam</p><p>portadores de deficiência de natureza física ou mental, oferecendo-lhes encaminhamento</p><p>adequado para a solução de suas questões.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 104 - )</p><p>104</p><p>Recomendações gerais para portadores de necessidades especiais:</p><p> durante as abordagens, o policial militar se manterá atento às questões da segurança,</p><p>jamais subestimando a capacidade individual da pessoa com deficiência ou o seu</p><p>envolvimento com outras pessoas na ocorrência;</p><p> deve-se evitar gracejos ou situações que possam ridicularizar as expressões da pessoa</p><p>abordada, causando-lhe constrangimento ou exposição desnecessária;</p><p> o abordado deverá ser avisado antes de receber a busca pessoal, momento em que</p><p>também será orientado a manter-se calmo, tendo em vista que lhe serão assegurados todos</p><p>os seus direitos. Assim, enquanto um policial militar verbaliza e executa a busca, os demais</p><p>cuidarão da segurança.</p><p>Recomendações específicas:</p><p>a) Pessoa com deficiência auditiva</p><p> verificar se a pessoa abordada consegue se comunicar e compreender o que lhe foi dito.</p><p>Prestar atenção nos lábios, gestos, movimentos e nas expressões faciais e corporais da</p><p>pessoa com quem o diálogo está sendo mantido;</p><p> enquanto estiverem conversando, é prudente que o policial militar se mantenha em contato</p><p>visual com a pessoa com deficiência auditiva. Ao desviar seu olhar para outras direções, o</p><p>policial militar poderá emitir uma mensagem à pessoa, no sentido de que a conversa</p><p>terminará;</p><p> caso o policial militar tenha dificuldade para entender o que a pessoa com deficiência</p><p>auditiva está falando, poderá pedir que escreva o que deseja falar;</p><p> não se deve iniciar o diálogo sem captar a atenção visual da pessoa. A forma de</p><p>comunicação também não deverá ser mudada repentinamente;</p><p> como as pessoas com deficiência auditiva não podem ouvir as mudanças sutis do tom de</p><p>voz, indicando posturas, como sarcasmo ou seriedade, a maioria deles lerá as expressões</p><p>faciais, os gestos e movimentos corporais para entender o que o policial militar deseja</p><p>comunicar.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 105 - )</p><p>105</p><p>b) Pessoa com deficiência visual</p><p> ao guiar uma pessoa cega, o policial militar deixará que ela segure em seu braço, devendo</p><p>orientá-la quanto à presença de obstáculos no trajeto, como degraus, escadas, calçadas e</p><p>bueiros, dentre outros;</p><p> estando o policial militar na presença de uma pessoa com deficiência visual, em ambientes</p><p>fechados ou não, na iminência de se retirar, deverá informá-lo. Esta é uma atitude cortês que</p><p>evitará a sensação desagradável de se falar para o vazio e demonstrará respeito pela</p><p>condição humana do interlocutor;</p><p> o policial militar não deve se constranger ao usar palavras como cego, olhar ou veja bem,</p><p>pois tratam-se de vocábulos coloquiais que fazem parte, inclusive, da linguagem habitual dos</p><p>deficientes visuais; as indicações de direção devem ser claras e específicas, abrangendo</p><p>inclusive os obstáculos. Como algumas pessoas cegas não têm memória visual, deve-se,</p><p>ainda, indicar as distâncias em metros, com expressões do tipo “a uns vinte metros para</p><p>frente, para a direita, esquerda”.</p><p>c) Pessoa com deficiência física</p><p>Por questões humanitárias e profissionais, o policial militar não deve subestimar a capacidade</p><p>dessas pessoas, principalmente quanto à manifestação intelectiva que mantém nos processos</p><p>decisórios da vida em sociedade.</p><p>Motivado pela necessidade de atuação, o policial militar conciliará em sua abordagem os</p><p>elementos da técnica policial, regida pela segurança, pelo respeito e pela solidariedade.</p><p>Recomendações quanto a abordagem e busca a pessoa com mobilidade reduzida17</p><p> ao conversar com um cadeirante (pessoa com mobilidade reduzida que utiliza cadeira de</p><p>rodas), em virtude da divergência de altura entre os interlocutores e do desconforto que causa</p><p>no cidadão olhar por tempo prolongado para cima, o policial militar, quando possível, se</p><p>postará de maneira mais equânime, de forma a tornar mais confortável e diligente a conversa,</p><p>usando, inclusive, recursos como distanciar-se ou abaixar-se;</p><p>17 Pessoa com mobilidade reduzida: aquela que tenha, por qualquer motivo, dificuldade de movimentação,</p><p>permanente ou temporária, gerando redução efetiva da mobilidade, da flexibilidade, da coordenação motora ou da</p><p>percepção, incluindo idoso, gestante, lactante, pessoa com criança de colo e obeso (BRASIL, 2015).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 106 - )</p><p>106</p><p> caso ofereça ajuda ao cadeirante, o policial militar não deverá insistir na assistência. Se a</p><p>pessoa aceitá-la, ele próprio informará o que deseja que seja feito a seu favor;</p><p> o cadeirante deverá ser conduzido em “marcha a ré”, quando auxiliado a descer rampas</p><p>ou a subir degraus. A conduta facilitará o transporte e poderá evitar que seu corpo seja</p><p>projetado para frente e venha a cair;</p><p> o policial militar somente deverá tocar na cadeira de rodas, quando seu objetivo for os</p><p>procedimento da busca ou da assistência. Na busca pessoal, a vistoria deverá abranger, além</p><p>do corpo, os pertences e a cadeira de rodas;</p><p> diante de fundada suspeita, se necessário, o abordado poderá ser retirado da cadeira,</p><p>podendo ser colocado assentado no banco da viatura. A revista da cadeira de rodas</p><p>compreenderá toda a sua estrutura, incluindo forros e o interior de sua estrutura metálica.</p><p>Somente após a vistoria na cadeira, o cadeirante, já abordado, será nela recolocado;</p><p> se o abordado utilizar muletas ou bengala, o policial militar seguirá os mesmos</p><p>procedimentos previstos para a abordagem em pessoa sem deficiência, adaptando as</p><p>técnicas de acordo com a limitação motora e tomando cuidado com possíveis golpes que ele</p><p>poderá efetuar, com a própria muleta/bengala. Há possibilidade de se ocultar objetos (drogas,</p><p>instrumentos perfuro-cortantes, armas de fogo), no interior das muletas/bengalas. Assim, é</p><p>importante que o policial militar não permita que as muletas/bengalas sejam apontadas na</p><p>direção das pessoas envolvidas na abordagem ou próximas à intervenção.</p><p>d) Pessoa com doença mental, deficiência mental e/ou intelectual</p><p>A deficiência mental caracteriza-se por um funcionamento intelectual significativamente</p><p>abaixo da média, com limitações associadas a duas ou mais áreas da conduta humana, como</p><p>comunicação, cuidados pessoais, habilidades sociais, independência na locomoção, dentre</p><p>outras. Exemplo: Síndrome de Down, oligofrenia, autismo, psicose, etc.</p><p>Existem deficiências mentais que provocam</p><p>sinais de agitação no indivíduo: não consegue se</p><p>comunicar, não tem noção de perigo e pode se comportar de maneira agressiva. Por isso, é</p><p>necessária uma avaliação de risco cautelosa.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 107 - )</p><p>107</p><p>Recomendações:</p><p> a condução deverá ser feita com muita cautela e preparo. Antecipadamente, o policial</p><p>militar se certificará da disposição dos recursos humanos e materiais necessários à contenção</p><p>do deficiente, precavendo-se de situações em que ele possa se machucar ou provocar</p><p>acidentes, agravando, inclusive, a ocorrência;</p><p> sempre que possível, a guarnição solicitará a presença de equipe técnica da área médica,</p><p>como enfermeiros ou médicos do Serviço de Atendimento Médico de Urgência (SAMU), que</p><p>possuem melhor treinamento e condições técnicas para lidarem com pessoas nessa situação;</p><p> mesmo com a utilização de força física, proporcional ao agravo, pode ser que a pessoa</p><p>não recue ou não sinta dores, devido ao seu estado clínico, tornando-se ainda mais agressivo.</p><p>Se o abordado estiver agitado ou nervoso, o policial militar, sempre que possível, aguardará</p><p>que ele se acalme, antes de iniciar a intervenção;</p><p> ao fazer a condução a pé, o policial militar redobrará os cuidados com a travessia de locais</p><p>que ofereçam risco à pessoa, como escadas, rampas, pontes e ruas, para evitar que o</p><p>indivíduo se lance aos obstáculos ou à frente de veículos em movimento.</p><p>e) Pessoa com paralisia cerebral</p><p>A pessoa com paralisia cerebral anda com dificuldade ou não anda, podendo também</p><p>apresentar problemas de fala. Seus movimentos podem ser descontrolados. Pode,</p><p>involuntariamente, apresentar gestos faciais incomuns (contrações do rosto).</p><p>Recomendações:</p><p> em caso extremo se o policial militar tiver que realizar uma busca em uma pessoa com</p><p>paralisia cerebral, no caso de suspeita dela ter sido usada para ocultar algum objeto ilícito,</p><p>esse deverá agir no ritmo da pessoa abordada, demonstrar tranquilidade e evitar ações</p><p>bruscas, e seguir as orientações à pessoa responsável pelo abordado;</p><p> caso não compreenda o que a pessoa diz, o policial militar pedirá para repetir, sem</p><p>constrangimentos.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 108 - )</p><p>108</p><p>5.2.5 Atuação policial na abordagem à pessoa idosa</p><p>O Estatuto do Idoso, Lei nº 10.741/03, define como pessoa idosa, aquela com idade igual ou</p><p>superior a 60 (sessenta) anos. Nele se encontram estabelecidos, com prioridade absoluta, as</p><p>medidas protetivas ao idoso. A norma prevê novos direitos e estabelece vários mecanismos</p><p>específicos de proteção, que vão desde a melhoria das condições de vida até a inviolabilidade</p><p>física, psíquica e moral dos idosos.</p><p>Nesse enfoque, o Estatuto do Idoso também estabelece como obrigação da família, da</p><p>sociedade e do Poder Público, a efetivação de direitos fundamentais da pessoa idosa, como</p><p>o direito à saúde, ao lazer, à cidadania, à vivência com dignidade, incluída aí, principalmente,</p><p>a convivência familiar.</p><p>Recomendações:</p><p> nas intervenções em razão de suspeita de prática de delito, o policial militar observará a</p><p>idade e as condições de saúde do idoso, e os demais procedimentos técnicos, previstos neste</p><p>Manual;</p><p> sempre que possível, deve-se promover o acompanhamento do idoso por algum membro</p><p>familiar ou pessoa indicada por ele;</p><p> quando houver necessidade da busca pessoal, o policial militar a executará de modo a</p><p>evitar constrangimentos desnecessários;</p><p> prestar informações necessárias ao idoso, a respeito de sua condução (local,</p><p>providências).</p><p>5.2.6 Atuação policial na abordagem a população em situação de rua</p><p>Por intermédio do Decreto Federal nº 7.053/09, a população em situação de rua foi</p><p>oficialmente reconhecida para fins de implementação de políticas públicas que lhe garanta,</p><p>sobretudo, a sobrevivência e o desenvolvimento.</p><p>As diretrizes da Política Nacional para a População em Situação de Rua (PNPR) dizem</p><p>respeito à promoção de direitos civis, políticos, econômicos, sociais e culturais, bem como o</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 109 - )</p><p>109</p><p>direito dos cidadãos, nessa condição, a terem atendimento humanizado e universalizado, em</p><p>face da não referência de moradia.</p><p>A população de rua é bastante heterogênea: misturam-se famílias, homens, mulheres,</p><p>crianças e adolescentes, formando diferentes combinações sociais. O que todos têm em</p><p>comum é a luta pela sobrevivência, a carência ou a precariedade de habitação, além de laços</p><p>familiares fragilizados ou interrompidos.</p><p>As ruas e avenidas são os lugares utilizados por este público como dormitório, bem como para</p><p>realizar as tarefas afetas ao interior de uma residência. A pessoa que utiliza o espaço público</p><p>para pernoite costuma sofrer violência também de seus pares, em virtude de disputas de</p><p>territorialidade, de estigma de grupo ou conflitos individuais, de envolvimento com as drogas,</p><p>dentre outros fatores, dada a dimensão do contexto de rua. Dormir em grupo, portanto,</p><p>representa determinado nível de segurança; uma proteção coletiva em relação às enormes</p><p>adversidades que enfrenta pela sua inclusão.</p><p>Estar em situação de rua não implica necessariamente estar envolvido com práticas ilegais.</p><p>O policial militar deve respeitar essas pessoas, principalmente em razão do isolamento social,</p><p>do descrédito e do sentimento de abandono que adquirem por viverem nas ruas,</p><p>desenvolvendo normalmente o seu trabalho.</p><p>Recomendações:</p><p> agir com equilíbrio e bom senso, sobretudo nos momentos em que as demandas</p><p>decorrentes da aplicação da lei exigirem condutas mais firmes. O policial militar deverá ter a</p><p>consciência de que uma pessoa que vive em condições sociais extremamente precárias</p><p>apresenta debilidades (deficiência linguística, invisibilidade social, falta de higiene corporal),</p><p>que inclusive podem funcionar como barreiras para que recebam tratamento adequado;</p><p> deverá atender e orientar as pessoas desse grupo a buscarem auxílio, junto aos órgãos</p><p>competentes de assistência social;</p><p> lembrar que, de acordo com a Constituição Federal, ninguém será obrigado a fazer ou</p><p>deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei. As pessoas em situação de rua não</p><p>podem ser obrigadas a praticar atos que não sejam exigidos por lei e são livres para estarem</p><p>em qualquer local, sem que as suas presenças signifiquem desrespeito à lei;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 110 - )</p><p>110</p><p> nos atendimentos, o policial militar não permitirá o tratamento desumano ou degradante a</p><p>esses cidadãos, por quem quer que seja;</p><p> ter o cuidado no trato com os objetos pessoais e com os abrigos improvisados do cidadão</p><p>abordado, quando a revista for necessária.</p><p>5.3 Atuação policial frente às minorias</p><p>As minorias são grupos de cidadãos, sem posição dominante, dotados de características</p><p>étnicas, religiosas ou linguísticas, que os diferem da maioria da população.</p><p>Neste grupo, observa-se comumente o surgimento de “um senso de solidariedade um para</p><p>com o outro, motivado, senão apenas implicitamente, por vontade coletiva de sobreviver, e de</p><p>conquistar a igualdade com a maioria, nos fatos e na lei” (DESCHENES apud MAIA, 2001).</p><p>Essas pessoas têm o direito de desfrutar de sua própria cultura, de professar e praticar sua</p><p>religião, de fazer uso de seu idioma em ambientes privados ou públicos, livremente e sem</p><p>interferência de quaisquer formas de discriminação.</p><p>A discriminação é uma conduta (ação ou omissão) que objetiva separar ou isolar as minorias</p><p>do seio de uma sociedade.</p><p>Pelo fato do racismo e da segregação social ainda existirem na sociedade, foram necessárias</p><p>diretrizes legais que disciplinassem a matéria.</p><p>A Lei nº 9.459/97, que alterou a Lei Federal nº 7.716/89, define os crimes resultantes de</p><p>preconceito e tipifica o crime</p><p>de racismo, adotando três verbos principais: obstar, recusar e</p><p>impedir, no sentido de que ninguém seja privado de seus direitos em decorrência da cor, da</p><p>religião, da etnia, da língua ou da procedência nacional.</p><p>Prevendo uma natural aproximação entre a injúria preconceituosa e o racismo, o policial</p><p>militar deve ter extremo cuidado para que não se equivoque quanto ao enquadramento legal</p><p>do crime. Na injúria preconceituosa, o agente pratica o crime quando atribui qualidades</p><p>negativas a alguém, promovendo xingamentos e ações dessa natureza, com base nos</p><p>elementos de raça, cor, etnia, religião, idade, ou condição física do ofendido. O racismo, por</p><p>sua vez, atende diretamente a vontade do ofensor em segregar socialmente o ofendido,</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 111 - )</p><p>111</p><p>obstando-lhe os direitos. É um crime imprescritível, inafiançável, cuja ação pública é</p><p>incondicionada, e que atinge diretamente a dignidade da pessoa humana.</p><p>O policial militar deverá estar certo do alcance e do poder de ofensividade de ambos os</p><p>crimes, cujas condutas, indubitavelmente negativas e reprováveis, atingem, com frequência,</p><p>as minorias.</p><p>No que se refere a outras comunidades tradicionais como ciganos e povos indígenas,</p><p>reconhecido seu organismo social (língua, costumes, religião, crenças e tradições), deve-se</p><p>considerar que também eles gozam de direitos fundamentais e, em igual importância,</p><p>históricos, a contar a ocupação dos espaços territoriais que tradicionalmente os tornou</p><p>legítimos donos; bens hoje reconhecidos, demarcados e protegidos pela União.</p><p>Em ocorrências que envolvam pessoas ou grupos que se caracterizam por identidade étnica,</p><p>religiosos ou linguísticos, resguardados os aspectos de fundada suspeita e os respectivos</p><p>fundamentos da abordagem, sempre que possível o policial militar deverá:</p><p> agir com profissionalismo e bom senso, ao lidar com situações em que uma pessoa se</p><p>sinta discriminada, demonstrando respeito por suas características;</p><p> considerar que a etnia da pessoa (negra, cigana, indígena) não determina a suspeição. A</p><p>condição étnica das pessoas não se confunde com índole criminosa e não poderá determinar</p><p>pré-julgamentos.</p><p>a) Religiões de matriz africana</p><p>A CF/88 informa: “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o</p><p>livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto</p><p>e a suas liturgias”. Estão inclusas as religiões de matriz africana, como o Candomblé,</p><p>Umbanda ou outras de manifestação afro-católica, como o Congado. Elas são assim</p><p>designadas devido a sua origem, trazidas para o Brasil pelos negros vindos do continente</p><p>africano, desde o início da colonização portuguesa.</p><p>Estas religiões têm sofrido através dos séculos intolerâncias e discriminações de todo gênero.</p><p>Por serem de matriz africana, se tornam referências para a cultura do racismo. O Brasil,</p><p>constitucionalmente, é um país laico (não tem religião oficial), por isto, todos têm direto a</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 112 - )</p><p>112</p><p>praticar seus cultos religiosos, manifestações ideológicas, políticas e culturais, sem</p><p>intervenções de caráter repressivo, discriminatório ou jocoso.</p><p>A liberdade de crença religiosa é um direito e o Estado tem por obrigação garanti-lo e punir</p><p>suas violações. Não há espaço, em um país democrático, para prática de violência e</p><p>discriminações por motivação religiosa.</p><p>O senso popular ainda associa símbolos, práticas e ritos sagrados de algumas religiões a</p><p>coisas demoníacas, como possessões de “espíritos malignos” e causas determinantes de</p><p>tragédias pessoais. Neste contexto, as instituições de segurança pública devem estar</p><p>preparadas para lidar com estes diversos conflitos, principalmente os originados da ação</p><p>discriminatória e preconceituosa de outros grupos radicais.</p><p>Recomendações:</p><p> a intervenção policial, durante uma reunião pública, deve ser feita com cautela, para não</p><p>haver constrangimento aos presentes e também para que o policial militar não incorra no delito</p><p>de perturbação de culto religioso;</p><p> o policial militar deverá verificar antes o que está realmente acontecendo, se inteirando dos</p><p>fatos perante todos na região, sem proferir juízo de valor. Se for apurado perante a própria</p><p>população local que não está ocorrendo delito, a operação deve ser encerrada para evitar</p><p>constrangimentos, comunicando-se o fato, discretamente, ao denunciante, se identificado;</p><p> em caso de denúncia, a intervenção policial, dentro do terreiro18, deverá ocorrer de maneira</p><p>tranquila, serena e profissional. O dirigente do terreiro deverá, se possível e no momento</p><p>adequado, ser cientificado dos fatos. O contato com o dirigente deverá ser em local reservado,</p><p>longe das demais pessoas;</p><p> algumas denúncias são relacionadas a barulho, com incômodos aos vizinhos. Também há</p><p>denúncias de supostos sacrifícios de animais no terreiro, ou ainda que há agressões físicas</p><p>entre os participantes. O policial militar deverá intervir caso a denúncia de sacrifício/maus</p><p>tratos seja verdadeiro ou não, verificando se há motivos preconceituosos na denúncia e</p><p>tomando as medidas legais que o caso requeira.</p><p>18 Terreiro: local onde se realizam sessões de candomblé, umbanda e outros rituais afro-brasileiros.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 113 - )</p><p>113</p><p>5.4 Atuação policial na abordagem a pessoas em surto de drogas</p><p>O funcionamento do organismo humano pode ser alterado em razão da interação com</p><p>substâncias capazes de provocar alterações fisiológicas ou comportamentais. Essas</p><p>modificações variam de acordo com cada pessoa, com o tipo de droga, o ambiente de</p><p>consumo, a via de administração e a dose da substância ingerida, com a expectativa almejada</p><p>pelo usuário, dentre outros fatores.</p><p>Graus de intoxicação elevados, via de regra, possibilitam perturbações do nível de</p><p>consciência, da capacidade cognitiva, da percepção, do juízo crítico, do afeto, do</p><p>comportamento ou de outras funções e reações psicofisiológicas, elementos essenciais a</p><p>serem considerados quando da abordagem policial ao consumidor de drogas, pois interferem</p><p>na avaliação de risco e uso diferenciado da força. Nesse sentido, evidências científicas</p><p>indicam que a ingestão de drogas perturbadoras, depressoras ou estimulantes, como o álcool</p><p>e os derivados da cocaína, podem desencadear atos ilícitos.</p><p>Recomendações:</p><p> compreender que o consumo de drogas pode provocar alterações na percepção do mundo:</p><p>o tempo e o espaço passam a ter uma dimensão diferente, estímulos visuais e auditivos são</p><p>criados (alucinações) ou se apresentam de maneira distinta;</p><p> colher o máximo de informações referentes ao histórico pessoal do consumidor de drogas,</p><p>caso possível, com os familiares e/ou conhecidos, no que se refere aos surtos do abordado;</p><p> avaliar o grau de consciência e o potencial de agressividade. Ao identificar a pessoa a ser</p><p>abordada, ela pode se apresentar com a fala, os pensamentos, emoções e percepções</p><p>confusas. Demonstram desorientação e desvinculação com o mundo externo, como se</p><p>estivessem psiquicamente ausentes. O estado emocional pode, ainda, mudar bruscamente;</p><p> observar a fala do abordado. O primeiro indicativo de interação com substâncias</p><p>psicoativas e de que pode haver uma reação inesperada, se relaciona à fala da pessoa. Há</p><p>necessidade de que as perguntas sejam repetidas várias vezes pelo policial militar, em razão</p><p>da dispersão da atenção do abordado. Pode ser muito difícil engajar o usuário numa</p><p>conversação normal;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 114 - )</p><p>114</p><p> tenha em mente que a instabilidade emocional pode ser frequente, com apresentação de</p><p>choro e risos imotivados. Além disso, pode</p><p>se apresentar alheio à realidade e com pouca, ou</p><p>nenhuma sensibilidade, mostrando-se como uma pessoa fria. Por vezes, o abordado terá um</p><p>olhar perdido, sem fixação em pontos, ou a demonstração de que está assustado ou</p><p>desconfiado;</p><p> alertar para o fato de que a maioria das paranoias decorrentes do consumo de drogas</p><p>acarreta a necessidade do uso da força;</p><p> compreender que as técnicas de imobilização policial, na maioria das vezes, não</p><p>funcionam, devido ao seu rebaixamento da crítica e do efeito anestésico da droga, momento</p><p>em que não esboça reação de dor e não atende às ordens emanadas, podendo precipitar</p><p>uma reação agressiva, quando da tentativa de controle físico.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 115 - )</p><p>115</p><p>6 ABORDAGEM A VÍTIMAS</p><p>As ciências que estudam o ato delituoso (como a criminologia e o direito penal) inicialmente</p><p>não percebiam a importância da vítima como objeto de estudo. A ênfase maior de tais</p><p>disciplinas era dada à pena e ao delinquente. Na atualidade, as vítimas já conquistaram a</p><p>atenção destas ciências, e o seu comportamento e atitudes são temas constantes de</p><p>pesquisa.</p><p>Seguindo essa lógica, as vítimas também não podem ser desconsideradas pelos organismos</p><p>policiais. É necessária a conscientização dos profissionais de segurança pública que o</p><p>tratamento inadequado pode gerar a violação e o desrespeito aos Direitos Humanos, o que</p><p>resultaria em uma nova violência.</p><p>A Declaração das Nações Unidas sobre os Princípios Fundamentais de Justiça Relativos às</p><p>Vítimas da Criminalidade e do Abuso do Poder é o instrumento internacional que oferece</p><p>orientação sobre a proteção e a reparação a essas pessoas.</p><p>Para este documento, vítimas são todas as pessoas que, individual ou coletivamente, tenham</p><p>sofrido prejuízo ou atentado à sua integridade física ou mental, sofrimento de ordem material,</p><p>ou grave atentado aos seus direitos fundamentais, como resultado de ações ou omissões</p><p>violadoras da legislação instituída pelo Estado.</p><p>Devido à prioridade que é dada à captura do autor do delito, muitas vezes, a atenção à vítima</p><p>é colocada em segundo plano pelo policial, deixando-a sem apoio, informações ou</p><p>esclarecimentos.</p><p>As vítimas, ao requererem a presença policial, criam uma expectativa de conforto, de</p><p>reabilitação do equilíbrio emocional e de solução do problema e, por isso mesmo esperam</p><p>uma atuação positiva por parte da Polícia.</p><p>É neste sentido que o policial militar deve, primeiramente, conscientizar- se da importância de</p><p>seu papel como mediador do conflito e se preparar profissionalmente para dar um</p><p>atendimento diferenciado à vítima e ao autor do delito.</p><p>Medidas como informar sobre serviços sociais de atendimento à vítima, existentes no</p><p>município (serviços de atendimento psicossocial, jurídico, grupos de ajuda e de orientação,</p><p>abrigos, entre outros), complementam o atendimento policial.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 116 - )</p><p>116</p><p>A orientação e o encaminhamento da vítima e de seus familiares para esses serviços podem</p><p>ajudar a diminuir o seu sofrimento e a prevenir novos episódios.</p><p>A Lei Estadual nº 13.188/99, dispõe sobre a proteção, o auxílio e a assistência às vítimas de</p><p>violência no Estado, elencando, ainda, outras providências sobre a matéria.</p><p>O seu art. 1º determina que o Estado ofereça proteção, auxílio e assistência às vítimas de</p><p>violência, por meio dos órgãos ou das instituições competentes.</p><p>Já o art. 3º, informa que a proteção, o auxílio e a assistência previstos no art. 1º da Lei</p><p>consistem em:</p><p>I - colaborar para a adoção de medidas imediatas que visem a reparar os danos físicos</p><p>e materiais sofridos pela vítima;</p><p>II - acompanhar as diligências policiais ou judiciais, especialmente quando se tratar</p><p>de crime violento;</p><p>III - elaborar e executar plano de auxílio e de manutenção econômica para as vítimas,</p><p>testemunhas e seus familiares que estiverem sofrendo ameaças e necessitam de</p><p>transferência temporária de residência;</p><p>IV - pagar as despesas de sepultamento da vítima de que trata o inciso I do art. 2º, se</p><p>do ato de violência resultar a morte;</p><p>V - proporcionar alimentação para lesionados com dificuldades econômicas e seus</p><p>dependentes, enquanto durar o tratamento;</p><p>VI - criar programas especiais organizados nos termos da Lei Federal n° 9.807, de 13</p><p>de julho de 1999.</p><p>(Inciso com redação dada pelo art. 2° da Lei n° 15.475, de 12/4/2005.)</p><p>VII - (Vetado);</p><p>(Inciso acrescentado pelo art. 1º da Lei nº 16.835, de 25/7/2007.)</p><p>VIII - oferecer assistência social e psicológica à vítima de violência.</p><p>(Inciso acrescentado pelo art. 1º da Lei nº 16.835, de 25/7/2007.)</p><p>§ 1º Em se tratando de vítima de crime tipificado nos arts. 130 e 213 a 220 do Decreto-</p><p>Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940, que contém o Código Penal, os exames</p><p>médicos periciais que se fizerem necessários serão realizados em hospital público ou</p><p>hospital particular conveniado com o poder público, onde a vítima terá direito a</p><p>assistência médica e psicológica (MINAS GERAIS, 1999).</p><p>Um atendimento adequado e atencioso poderá minimizar os efeitos violentos decorrentes do</p><p>crime e facilitará, significativamente, a administração da ocorrência.</p><p>Nos itens a seguir, sugere-se orientações e verbalizações para balizar esse atendimento.</p><p>6.1 Procedimentos com vítimas em locais de ocorrência</p><p>No ambiente de intervenção, o policial militar deve tranquilizar a vítima e demonstrar</p><p>preocupação com sua situação física e psicológica. Sugerem-se os seguintes diálogos de</p><p>verbalização:</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 117 - )</p><p>117</p><p>“ — Você (o senhor) tem lesões aparentes? Necessita de atendimento</p><p>médico? Você (o senhor) gostaria de falar sobre o ocorrido? Não se</p><p>preocupe, pois outros policiais de nossa equipe já estão procurando o</p><p>agente do crime para prendê-lo.”</p><p>Na audição da vítima, que se encontra sob forte impacto psicológico, decorrente de fato</p><p>violento, o policial militar deve permitir que ela fale livremente sobre o evento que ensejou a</p><p>intervenção policial evitando-se, quando possível, tratar de detalhes que possam aumentar o</p><p>constrangimento. Deve ouvir de maneira cuidadosa e respeitar os limites da vítima, inclusive</p><p>a dificuldade em relatar os fatos e sentimentos.</p><p>Deve-se resguardar a vítima dos populares, da imprensa, como forma de preservá-la diante</p><p>do acontecido.</p><p>Sempre que possível, a medida de localização e prisão dos infratores deverá ser tomada por</p><p>outra equipe de serviço, utilizando-se de informações obtidas pela vítima, por solicitantes,</p><p>testemunhas ou denunciantes.</p><p>Habitualmente, as vítimas manifestam medo, insegurança, desconfiança, dor, vergonha,</p><p>incerteza ou culpa, além de apresentar possíveis lesões físicas. Diante desse quadro, ela será</p><p>acolhida e orientada de maneira especial.</p><p>Durante a identificação de possíveis autores do delito, o policial atentará para que a vítima</p><p>não seja exposta, evitando que autor e vítima tenham contato, devendo o reconhecimento ser</p><p>feito de maneira reservada e em momento oportuno.</p><p>ATENÇÃO! Policiais militares femininas podem ter mais</p><p>acessibilidade às vítimas mulheres ou crianças, o que as</p><p>tranquilizará de forma mais imediata e facilitará a aproximação e o</p><p>atendimento policial.</p><p>ATENÇÃO! Nos casos em que houver necessidade de socorro</p><p>médico às vítimas, este deve ser priorizado em relação a qualquer</p><p>outro procedimento policial.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 118 - )</p><p>118</p><p>Lembre-se que as testemunhas também poderão se tornar vítimas e se sentirem ameaçadas</p><p>pelo(s) agressor(es). Portanto, deve-se adotar as mesmas providências que foram propostas</p><p>para o caso de identificação do autor por parte da vítima.</p><p>A atenção à vítima somente se encerrará no momento em que todos os procedimentos</p><p>policiais estiverem completos. A guarnição, diante de circunstâncias tais como a vítima não</p><p>possuir meios para voltar para o domicílio, estar despida, se encontrar em horário e local de</p><p>risco ou temer nova agressão, poderá conduzi-la ou acompanhá-la para sua residência ou</p><p>para local estabelecido por ela, mediante contato com a Coordenação Operacional da fração</p><p>e autorização do Comandante do turno de serviço.</p><p>Dependendo da situação avaliada pela equipe, os policiais militares precisarão ser incisivos,</p><p>para fornecer segurança à vítima.</p><p>“— Para termos certeza de que você (o senhor) estará seguro, vamos</p><p>acompanhá-lo até a sua casa.” ou,</p><p>“— Você (o senhor) será levado para casa em nossa viatura, para</p><p>termos a certeza de que estará seguro.”</p><p>Após a chegada na residência da vítima ou outro local indicado por ela, o policial militar deverá</p><p>certificar-se de que tudo esteja bem, porém evitará entrar. Na hipótese da vítima solicitar a</p><p>presença policial no interior da casa para, por meio de uma vistoria, verificar se há algo</p><p>suspeito, o procedimento será realizado na presença da própria vítima e, preferencialmente,</p><p>de testemunhas, para a defesa posterior de possíveis reclamações.</p><p>É importante que o policial militar entenda que esta vítima está emocionalmente fragilizada.</p><p>Logo, ele deve manter uma postura profissional e acolhedora, mas evitar o excesso de</p><p>intimidade e proximidade com esta pessoa.</p><p>ATENÇÃO! O registro da ocorrência (BO/REDS) ou da notícia</p><p>crime deverá ser feito preferencialmente em local seguro e privado,</p><p>principalmente quando se referir a crimes sexuais, ocasião em que</p><p>a vítima estará fragilizada e exposta psicologicamente.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 119 - )</p><p>119</p><p>Antes de se retirar do local, o policial militar tranquilizará a vítima, informando que terá todo o</p><p>apoio necessário e, se for preciso, poderá acionar uma equipe policial por meio do 190.</p><p>Os casos de violência doméstica devem ser tratados de forma diferenciada. Violência</p><p>doméstica e familiar contra a mulher19 é qualquer ação ou omissão baseada no gênero que</p><p>lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial.</p><p>A vítima deverá ser orientada quanto aos seus direitos, medidas protetivas e de possíveis</p><p>locais ou órgãos de apoio e, se possível, que procure abrigo em casa de parentes ou amigos.</p><p>A orientação quanto aos direitos legais proporciona o acesso à justiça à vítima do e à sua</p><p>família, bem como a responsabilização do agente infrator. É recomendado que o policial militar</p><p>conheça as instituições para o encaminhamento e atendimento inicial das vítimas (hospitais</p><p>de pronto atendimento, hospitais de referência para violência sexual, Delegacias</p><p>Especializadas, Defensoria Pública, dentre outros).</p><p>Vários são os órgãos que podem cooperar com o trabalho da Polícia Militar: conselhos</p><p>tutelares, programas de atendimento às mulheres vítimas de violência, conselhos de direitos</p><p>humanos, conselhos dos portadores de deficiência física, de idosos, negros, dentre outros.</p><p>São espaços de cidadania habilitados a oferecer serviços que asseguram o exercício dos</p><p>direitos das vítimas e dos familiares de vítimas de crimes, e que são eficazes na prevenção e</p><p>no combate à violência e à impunidade, bem como na promoção da cidadania.</p><p>Em geral, essas instituições se ocupam de atividades, como:</p><p>a) prestação de atendimento interdisciplinar (psicológico, jurídico e social) à vítimas de crimes</p><p>violentos graves e aos familiares;</p><p>b) identificação dos perfis da violência criminal urbana e das formas de prevenção;</p><p>c) identificação e redução dos efeitos traumáticos provenientes da violência sofrida pelas</p><p>vítimas e por suas famílias;</p><p>d) atuação como auxilio na ruptura de ciclos e códigos de violência;</p><p>e) apoio à inserção da vítima no processo penal, garantindo-lhe acesso à Justiça;</p><p>19 Conforme disposto no art. 5º da Lei Maria da Penha (Lei nº 11.340/06).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 120 - )</p><p>120</p><p>f) apoio e orientação, quanto a direitos e deveres, àqueles que podem contribuir como</p><p>testemunhas para a realização da justiça;</p><p>g) atuação no combate e/ou minimização dos efeitos da vitimização, por meio de capacitação</p><p>dos agentes do Estado e demais profissionais.</p><p>O Núcleo de Atendimento as Vítimas de Crimes Violentos (NAVCV), por meio de um programa</p><p>federal e estadual, presta apoio jurídico, psicológico e social gratuito aos familiares e às</p><p>vítimas de homicídio, de latrocínio e crimes sexuais.</p><p>No caso de atendimento de familiares de vítimas fatais, o policial militar poderá aplicar os</p><p>mesmos procedimentos definidos para atendimento às vítimas, naquilo que couber. Estas</p><p>pessoas são indiretamente afetadas pelo cometimento do crime, que envolve normalmente</p><p>alto grau de comoção.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 121 - )</p><p>121</p><p>7 LOCAL DE CRIME</p><p>É o espaço onde tenha ocorrido um ato que, presumidamente, configure uma infração penal</p><p>e que exija as providências legais por parte da polícia. Compreende, além do ponto onde foi</p><p>constatado o fato, todos os lugares em que, aparentemente, os atos materiais, preliminares</p><p>ou posteriores à consumação do delito, tenham sido praticados.</p><p>O local de crime é fundamental para a investigação criminal. Ele fornece elementos relevantes</p><p>para concretizar a materialidade do delito e chegar à autoria.</p><p>7.1 Classificação do local de crime e conceitos correlatos</p><p>A Criminalística20 apresenta uma classificação própria do local de crime. Para a atividade</p><p>policial-militar destacam-se as seguintes:</p><p>7.1.1 Consoante à natureza:</p><p>Pode ser de homicídio, infanticídio, suicídio, atropelamento, incêndio, afogamento, furto,</p><p>roubo, arrombamento, dentre outros.</p><p>7.1.2 Consoante ao lugar do fato:</p><p>a) local interno: área compreendida por ambiente fechado, que preserva os vestígios da ação</p><p>dos fenômenos da natureza. Ex.: Interior de residências, interior de veículos, galpões, dentre</p><p>outros;</p><p>b) local externo: área não restrita, e que não preserva os vestígios da ação dos fenômenos</p><p>da natureza. Trata-se de áreas abertas, como ruas, rodovias, praças, estradas, matagal, beira</p><p>de rios, dentre outros;</p><p>c) local imediato: é a área exata onde ocorreu o fato ou o crime;</p><p>d) local mediato: são as adjacências; os pontos e áreas de acesso ao local do crime. Ex.:</p><p>corredores, ambientes ao redor de cômodos, jardins, estradas, trilhas, dentre outros;</p><p>20 A Criminalística é uma disciplina autônoma, integrada pelos diferentes ramos de conhecimento técnico-</p><p>científico, auxiliar e informativa das atividades policiais e judiciária da investigação criminal. Seu objetivo é estudar</p><p>os vestígios encontrados nos locais de crime, para a elucidação dos fatos (RABELO, 1996).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 122 - )</p><p>122</p><p>e) locais relacionados: são as áreas que podem apresentar conexão com o fato criminoso e,</p><p>por isso, oferecer pontos comuns de contato (vestígios) a serem observados.</p><p>7.1.3 Consoante ao exame</p><p>a) local idôneo: é aquele que não foi violado, que não sofreu nenhuma alteração desde a</p><p>ocorrência do fato.</p><p>O art. 169 do CPP discorre sobre as providências policiais a serem tomadas, imediatamente,</p><p>no local de crime. De sua interpretação, vale lembrar que o primeiro policial que chegar ao</p><p>local terá a responsabilidade inadiável de preservá-lo, devendo recorrer, inclusive, a todos os</p><p>meios necessários para que o estado das coisas não seja alterado até que a perícia técnica</p><p>assuma seu trabalho na ocorrência.</p><p>“Art. 169 – Para o efeito de exame do local onde houver sido praticada a infração, a</p><p>autoridade providenciará imediatamente</p><p>para que não se altere o estado das coisas</p><p>até a chegada dos Peritos, que poderão instruir seus laudos com fotografias,</p><p>desenhos ou esquemas elucidativos.</p><p>Parágrafo Único: Os Peritos registrarão no Laudo, as alterações do estado das coisas</p><p>e discutirão no relatório, as consequências dessas alterações na dinâmica dos fatos.”</p><p>b) local inidôneo: é aquele que foi violado, que sofreu alguma alteração após a ocorrência dos</p><p>fatos delituosos.</p><p>7.2 Prova</p><p>Tudo que demonstra a veracidade de uma proposição ou a realidade de um fato. Na</p><p>criminalística, existem as provas objetivas e as subjetivas.</p><p>a) Prova objetiva: tem por base os vestígios encontrados nos locais de crime, que são</p><p>interpretados pelos Peritos, por meio dos exames. Exemplo: laudo pericial.</p><p>b) Prova subjetiva: tem por base as informações colhidas da vítima, das testemunhas ou de</p><p>qualquer pessoa relacionada com o fato. Exemplo: boletim de ocorrência (BO/REDS),</p><p>expedido pela Polícia Militar.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 123 - )</p><p>123</p><p>O Boletim de Ocorrência (BO/REDS) é um documento que necessariamente será lavrado nas</p><p>intervenções policiais, descrevendo os fatos ocorridos no local do delito e materializando a</p><p>presença policial. O boletim de ocorrência formaliza a comunicação ao poder público de que</p><p>determinada situação requer providências, quer seja pela superveniência de ações criminosas</p><p>ou de outros fatos que ofereçam riscos à sociedade.</p><p>Por esse registro, a equipe de Polícia Judiciária extrairá as primeiras informações do fato</p><p>criminoso, formando as primeiras imagens e abstraindo as primeiras ideias que subsidiarão</p><p>uma linha de ação. É de suma importância que os primeiros policiais militares que chegarem</p><p>ao local do crime descrevam o cenário (vítima, instrumentos, vestígios, testemunhas), da</p><p>forma mais autêntica e detalhada possível, para que esses elementos não se percam com</p><p>tempo.</p><p>O exame de corpo de delito é outro instrumento de coleta de provas, imprescindível para a</p><p>elucidação dos fatos. O Código de Processo Penal (CPP) determina em seus arts. 158 e 167</p><p>que:</p><p>Art. 158. Quando a infração deixar vestígios, será indispensável o exame de</p><p>corpo de delito, direto ou indireto, não podendo supri-lo a confissão do</p><p>acusado.</p><p>(...)</p><p>Art. 167. Não sendo possível o exame de corpo de delito, por haverem</p><p>desaparecido os vestígios, a prova testemunhal poderá suprir-lhe a falta</p><p>(BRASIL, 1941).</p><p>É importante distinguir os seguintes elementos:</p><p>a) vestígio: é todo objeto ou material bruto, suspeito ou não, encontrado no local de crime e</p><p>que deve protegido e resguardado para exames posteriores;</p><p>ATENÇÃO! De acordo com o art. 167 do CPP, se no local do crime não forem</p><p>encontrados vestígios, a descrição dos fatos pelas testemunhas arroladas no</p><p>Boletim de Ocorrência poderá ser a única prova do ato delituoso.</p><p>ATENÇÃO! Provas e/ou elementos informativos obtidos por meios</p><p>ilegítimos ou ilícitos podem prejudicar todo o conjunto probatório</p><p>necessário à persecução penal, invalidando-o. Por isso, reforça-se a</p><p>necessidade de observância dos parâmetros legais na atividade policial.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 124 - )</p><p>124</p><p>b) evidência: é o vestígio que, após analisado pela perícia técnica e científica, possui relação</p><p>com o crime;</p><p>c) indício: é todo vestígio cuja relação com a vítima ou com o suspeito, com a testemunha</p><p>ou com o fato, foi estabelecida. É o vestígio classificado e interpretado, que passa a significar</p><p>uma prova judiciária.</p><p>São exemplos de vestígios considerados importantes para a elucidação do crime: manchas</p><p>diversas (sangue, saliva, sêmen, vômito), substâncias orgânicas, cabelos, impressões</p><p>digitais, marcas de calçados ou pés, documentos (manuscritos, datilografados, desenhados),</p><p>resíduo de explosivo, explosivos, armas, munições, fibras, tecidos, objetos de vidro, líquidos,</p><p>metais, marcas de tintas, plásticos, gesso, escombros, concreto, argamassa, cordas, linhas,</p><p>cordões, pneus e suas marcas, ferramentas e suas marcas, material tóxico, veículos, fios,</p><p>cabos, madeira, dentre outros.</p><p>Antes de adotar os procedimentos no local de crime o policial militar deverá diferenciar</p><p>isolamento de proteção:</p><p>a) isolamento: é a delimitação da área física, interna e externa do local de crime, por meio</p><p>de recursos visíveis, tais como cordas, fitas zebradas e outros, cuja finalidade é proibir a</p><p>entrada de pessoas não credenciadas no local de crime;</p><p>b) proteção: consiste em impedir que se altere o estado das coisas, visando à inalterabilidade</p><p>das provas.</p><p>7.3 Procedimentos no local de crime</p><p>A conscientização dos policiais militares e da sociedade é fundamental para a conservação</p><p>do local de crime. Qualquer alteração nesse ambiente prejudicará os trabalhos periciais, a</p><p>investigação policial e, consequentemente, a elucidação do fato.</p><p>O policial militar, ao chegar, deve dar atenção a tudo que estiver presente no local de crime,</p><p>sem fazer qualquer juízo de valor. A preservação deverá ser realizada por meio do isolamento</p><p>e proteção de forma efetiva para que as pessoas não tenham acesso a ele, evitando-se que</p><p>vestígios sejam modificados ou destruídos, antes de seu reconhecimento. Em princípio, tudo</p><p>que estiver no local é importante.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 125 - )</p><p>125</p><p>A preocupação inicial da guarnição será com o socorro à vítima e com a segurança dos</p><p>envolvidos. Também deve se atentar ao fato de que o autor do delito poderá permanecer nas</p><p>imediações. Além disso, em decorrência do crime, o local poderá ser alvo de manifestações</p><p>e da comoção social.</p><p>O policial militar, que normalmente é o primeiro a chegar, deverá providenciar para que não</p><p>se altere o estado e conservação das coisas21, isolando o local, até a chegada dos peritos</p><p>criminais.</p><p>O local a ser isolado deverá abranger todos os vestígios visualizados numa primeira</p><p>observação, além de áreas adjacentes que possam ter relação com o crime.</p><p>Exemplo: em um local de homicídio, com uma vítima caída no chão de um dormitório, não</p><p>basta isolar apenas o quarto. O local do crime deve ser considerado como a casa inteira</p><p>(garagem, passeio e outros) e a rua em frente, já que não se sabe onde poderão ser</p><p>encontrados vestígios relacionados ao delito. Vale lembrar que esses locais não se restringem</p><p>às ocorrências com homicídios provocados por armas brancas ou de fogo, tentados ou</p><p>consumados.</p><p>Como forma de ilustrar procedimentos policiais nos locais de crime, este Manual exemplificará</p><p>cenas de uma ocorrência de homicídio em via pública.</p><p>Ao chegar ao local de crime, o policial deverá:</p><p>a) saber que o público normalmente desconhece a importância da preservação dos vestígios</p><p>no local de crime, e poderá tê-lo alterado;</p><p>b) adentrar em linha reta, ou pelo menor trajeto possível, enquanto os demais policiais</p><p>militares cuidarão da segurança. Somente quando se tratar de área de risco, poderá e será</p><p>necessária a entrada de mais de um ao mesmo tempo;</p><p>c) verificar os sinais vitais da vítima;</p><p>d) priorizar o socorro da vítima;</p><p>21 Conforme disposto no art. 6º do Código de Processo Penal.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 126 - )</p><p>126</p><p>e) em caso de óbito, evitar mexer na vítima (tocar, remover, mudar sua posição original,</p><p>revirar bolsos, tentar identificá-la). A identificação é responsabilidade da perícia criminal, salvo</p><p>se houver a efetiva necessidade da guarnição de preservar materialmente a vítima ou seus</p><p>documentos em caso de mudança de tempo (chuva, enchente), com possibilidade de lavagem</p><p>de manchas e arrasto do corpo, ocorrência de incêndio, ou outras ações que possam fugir do</p><p>controle dos policiais;</p><p>f) realizar constantemente</p><p>a observação e o controle visual, para verificar se há segurança</p><p>na atuação policial;</p><p>g) quando necessário, retornar lentamente, pelo mesmo trajeto feito na entrada, observando</p><p>outros detalhes dentro daquela área;</p><p>h) prender o criminoso. Caso não seja possível, coletar informações sobre o autor e divulgá-</p><p>las para os demais policiais militares de serviço;</p><p>i) observar todas as imediações para definir os limites de isolamento, podendo abranger</p><p>trechos de ruas, ou quarteirões (quadras) e estabelecimentos comerciais que tenham relação</p><p>direta com o crime;</p><p>Figura 55 - Delimitação dos perímetros do local.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>j) isolar a área, onde se deu os acontecimentos, usando fitas zebradas. Na ausência desse</p><p>material, poderão ser utilizados materiais alternativos, como arames, cavaletes, cones,</p><p>cordas, cabos de aço ou outros meios disponíveis, sendo que ninguém poderá se deslocar</p><p>dentro da área isolada, antes do trabalho periciais;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 127 - )</p><p>127</p><p>k) afastar as pessoas, sinalizar, desviar e controlar o trânsito de veículos e de pedestres;</p><p>l) fazer anotações e croquis para facilitar a redação do texto do Boletim de Ocorrência</p><p>(BO/REDS);</p><p>m) arrolar testemunhas do delito;</p><p>n) preservar armas ou outros instrumentos vinculados ao crime;</p><p>o) impedir que a posição dos objetos ou de coisas seja modificada. Tratando-se de locais</p><p>fechados, manter portas, janelas, mobiliários, eletrodomésticos, utensílios, tais como foram</p><p>encontrados. Deve-se evitar, por exemplo, abrir ou fechar, ligar ou desligar quaisquer objetos;</p><p>usar aparelhos de telefonia (fixa ou móvel), sanitários ou lavatórios, e demais recursos</p><p>disponíveis no local), salvo o estritamente necessário para conter riscos;</p><p>p) posicionar-se fora do perímetro imediato;</p><p>q) prosseguir com a vigilância, preservando os vestígios até a chegada dos peritos criminais;</p><p>r) transmitir as informações já obtidas à equipe de Polícia Judiciária ou a quem for pertinente,</p><p>procurando interagir com os diversos órgãos que compõem o Sistema de Defesa Social;</p><p>s) em caso de suspeita de alteração do local de crime, identificar o(s) possível(eis)</p><p>causador(es), registrar tal situação no BO/REDS e avisar aos peritos que comparecerem ao</p><p>local;</p><p>t) acompanhar os trabalhos dos peritos, anotando e conferindo o material apreendido,</p><p>visando constar todos os dados no Boletim de Ocorrência (BO/REDS);</p><p>u) avisar ao responsável pelo exame pericial sobre possíveis vestígios deixados por terceiros</p><p>que adentraram ao local de crime (por necessidade ou equivocadamente), para que os peritos</p><p>não percam tempo analisando vestígios ilusórios.</p><p>v) proibir que repórteres e fotógrafos acessem o local de crime, antes da realização dos</p><p>trabalhos periciais, explicando-lhes a necessidade de manter os vestígios preservados e que</p><p>será garantida a liberdade de imprensa após resguardada a prioridade do serviço pericial;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 128 - )</p><p>128</p><p>w) prestar informações à imprensa de forma objetiva sobre os fatos;</p><p>Figura 56 - Relacionamento com a imprensa</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>x) caso a perícia não seja realizada, proceder à apreensão dos materiais encontrados, na</p><p>presença de testemunhas, relacionando-os no BO/REDS, para encaminhamento ao delegado</p><p>de polícia;</p><p>y) liberar o local após encerrados todos os trabalhos periciais, e na ausência da perícia,</p><p>somente após o recolhimento dos objetos;</p><p>z) dar atenção especial aos familiares em casos de vítimas fatais, que poderão reagir de</p><p>forma agressiva ou tentar invadir o local de crime. Esta consideração decorre do estado</p><p>emocional provocado pela perda de uma pessoa querida. Os policiais militares deverão</p><p>assisti-los de forma profissional, entendendo o momento que estão passando.</p><p>(a) RODRIGO SOUSA RODRIGUES, CORONEL PM</p><p>COMANDANTE-GERAL</p><p>ATENÇÃO! A ordem dos procedimentos poderá ser alterada, dependendo da</p><p>prioridade observada no momento da intervenção policial.</p><p>Exemplo: em alguns acidentes de trânsito, a prioridade é sinalizar a via para evitar</p><p>agravamento da ocorrência ou o surgimento de novas vítimas e, somente após</p><p>resguardar a segurança, procede-se a assistência necessária aos envolvidos e o</p><p>isolamento.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 129 - )</p><p>129</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BALESTRERI, Ricardo Brisolla. Direitos Humanos: Coisa de Polícia. Porto Alegre: CAPEC;</p><p>Pater Editora Passo Fundo, RS, 1998.</p><p>BIASOLI, Eder Ricardo. Doutrina do paramédico militar no século XXI. Doutrina Militar</p><p>Terrestre em Revista, 2017.</p><p>BOLIVAR, Enio. Baixa Luminosidade, técnicas e táticas. Maceió, 2016.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Decreto-Lei Nº 2.848, de 07 de dezembro de 1940.</p><p>Código Penal. Rio de Janeiro, 1940. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm. Acesso em: 12 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Decreto-Lei Nº 3.689, de 03 de outubro de 1941. Código</p><p>de Processo Penal.Rio de Janeiro, 1941. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-ei/Del3689.htm. Acesso em: 12 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Ministério do Exército. Manual de Campanha. Maneabilidade: Exercício para a</p><p>infantaria. 2ª Edição. Rio de Janeiro, RJ. 1967.</p><p>BRASIL. Decreto-Lei Nº 1.002, de 21 de outubro de 1969. Código de Processo Penal</p><p>Militar. Brasília, DF, 1969. Disponível em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/Decreto-</p><p>Lei/Del1002.htm. Acesso em: 15 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Constituição da República Federativa do Brasil 1988.</p><p>Brasília. (DF), 1988.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 7.716, de 05 de janeiro de 1989. Define os crimes</p><p>resultantes de preconceito de raça ou de cor. Brasília, DF, 1989. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Leis/L7716. htm. Acesso em: 21 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 8.069, de 13 de julho de 1990. Dispõe sobre o Estatuto</p><p>da Criança e do Adolescente e dá outras providências. Brasília, DF, 1990. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm Acesso em: 17 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 9.459 de 13 de maio de 1997. Altera os arts. 1º e 20</p><p>da Lei nº 7.716, de 5 de janeiro de 1989, que define os crimes resultantes de preconceito de</p><p>raça ou de cor, e acrescenta parágrafo ao art. 140 do Decreto-lei nº 2.848, de 7 de dezembro</p><p>de 1940. Brasília, DF, 1997. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Ato2004-</p><p>2006/2006/ Lei/L11340.htm. Acesso em: 14 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 10.741, de 01 de outubro de 2003. Dispõe sobre o</p><p>Estatuto do Idoso. Brasília, DF, 2003. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/DecretoLei/ Del2848.htm. Acesso em: 17 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 10.886, de 17 de junho de 2004. Acrescenta parágrafos</p><p>ao art. 129 do Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940 - Código Penal, criando o tipo</p><p>especial denominado “Violência Doméstica”. Brasília, DF, 2004. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ ccivil_03/Ato20042006/2006/Lei/L11340.htm. Acesso em: 14 dez.</p><p>2019.</p><p>BRASIL. Ministério da Defesa. Exército Brasileiro. Comando de Operações Terrestres.</p><p>Portaria Nº 009 COTER, de 25 de outubro de 2005. Caderno de Instrução. Patrulhas. 1ª ed.</p><p>2004.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 130 - )</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm</p><p>130</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 11.340, de 07 de agosto de 2006. Cria mecanismos</p><p>para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, [...] e a Lei de Execução Penal; e</p><p>dá outras providências. Brasília, DF, 2006. Disponível em:</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Ato2004-2006/2006/ Lei/L11340.htm.</p><p>Acesso em: 14 dez.</p><p>2019.</p><p>BRASIL. Supremo Tribunal Federal. Súmula Vinculante nº 11. Brasília, DF, 2008. Disponível</p><p>em: http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumario.asp?sumula=1220. Acesso em:</p><p>14 dez. 2019.</p><p>BRASIL. Presidência da República. Decreto Nº 7.053 de 23 de dezembro de 2009. Institui a</p><p>Política Nacional para a População em Situação de Rua e seu Comitê Intersetorial de</p><p>Acompanhamento e Monitoramento, e dá outras providências. Brasília, DF, 2009. Disponível</p><p>em: http://www.planalto. gov.br/ccivil_03/Ato2004-2006/2006/Lei/L11340.htm. Acesso em: 14</p><p>dez. 2019.</p><p>BRASIL. Congresso Nacional. Lei Nº 13.146, de 06 de julho de 2015. Institui a Lei Brasileira</p><p>de Inclusão da pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). Brasília, DF,</p><p>2015. Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-</p><p>2018/2015/lei/l13146.htm. Acesso em: 29 jun. 2020.</p><p>BRASIL. Ministério da Defesa. Portaria Normativa Nº 16, de 12 de abril de 2018. Aprova a</p><p>Diretriz de Atendimento Pré-Hospitalar Tático do Ministério da Defesa para regular a atuação</p><p>das classes profissionais, a capacitação, os procedimentos envolvidos e as situações</p><p>previstas para a atividade. 2018.</p><p>BRASIL. Ministério dos Direitos Humanos. Manual Orientador sobre Diversidade. Brasília,</p><p>DF, 2018a</p><p>CENEVIVA, W. Estatuto do Idoso, Constituição e Código Civil: a terceira idade nas</p><p>alternativas da lei. ATerceira Idade, SP, v.15, n.30, 2004.</p><p>COTTA, Francis Albert. Protocolo de Intervenção Policial Especializada: uma experiência</p><p>bem sucedida da Polícia Militar de Minas Gerais na Gestão de Eventos de Defesa Social de</p><p>Alto Risco. Revista Brasileira de Segurança Pública. São Paulo. Ano 3, 5, Ago/Set. 2009.</p><p>DÓREA, Luiz Eduardo. Local de Crime. Porto Alegre: Sagra Luzzatto. 1997.</p><p>EQUADOR. Polícia Nacional do Equador. Manual de Derechos Humanos Aplicados a la</p><p>Función Polícial. 2007.</p><p>GOMES, Luiz Flávio. Uso de algemas e constrangimento ilegal. Revista Jurídica Consulex,</p><p>Brasília, v.11, n. 241, jan. 2007, p.30-38.</p><p>HERBELLA, Fernanda. Algemas e a dignidade da pessoa humana: fundamentos jurídicos</p><p>do uso de algemas. São Paulo, Lex, 2008. p. 30-31.</p><p>HOUAISS, Antônio. Dicionário eletrônico Houaiss da língua portuguesa. Rio de Janeiro:</p><p>Objetiva, 2002. Versão 1.05.a. 1 CD-ROM.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Nota Instrutiva Nº 19/93 – CG: Trata do</p><p>isolamento e da preservação de locais de crime pela Polícia Militar. Belo Horizonte, 1993.</p><p>MINAS GERAIS. Assembleia Legislativa. Lei Nº 13.188, de 20 de janeiro de 1999. Dispõe</p><p>sobre o pagamento pelo estado de honorários a advogado não- defensor público nomeado</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 131 - )</p><p>http://www.stf.jus.br/portal/jurisprudencia/menuSumario.asp?sumula=1220</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm</p><p>131</p><p>para defender réu pobre e dá outras providências. Belo Horizonte, MG, 1999. Disponível em:</p><p>https://www.almg.gov.br/consulte/legislacao/completa/completa.html?tipo=LEI&num=13166&</p><p>comp=&ano=1999&aba=js_textoOriginal. Acesso em 12 de dez de 2019.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Resolução Nº 3.664, de 10 de junho de</p><p>2002. Aprova o Manual de Prática Policial – Vol. 1, de autoria do Maj PM Cícero Nunes e Cap</p><p>PM Marcelo Vladmir Corrêa, e o reconhece como Trabalho Técnico-Profissional. Belo</p><p>Horizonte: Centro de Pesquisa e Pós-Graduação da PMMG, 2002.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Estado-Maior. Memorando Circular Nº 31.687.6/08-EMPM,</p><p>de 10 de outubro de 2008. Uso de algemas – recomendações. Ref.: Súmula Vinculante nº</p><p>11, do Supremo Tribunal Federal. Belo Horizonte, 2008.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Diretriz de Direitos Humanos Nº 3.01.09/18-CG: Regula a</p><p>atuação da Polícia Militar de Minas Gerais segundo a Filosofia de Direitos Humanos. Belo</p><p>Horizonte: Comando-Geral, Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (AE/3), 2018.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Resolução Nº 4.827, de 26 de agosto de</p><p>2019. Dispõe sobre o Portfolio de Serviços da Polícia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte,</p><p>2019.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Diretriz Geral para Emprego Operacional Nº 3.01.01/2019:</p><p>Regula o emprego operacional da Polícia Militar de Minas Gerais. Belo Horizonte: Comando-</p><p>Geral, Assessoria Estratégica de Emprego Operacional (PM3), 2019a.</p><p>MINAS GERAIS. Polícia Militar. Comando-Geral. Plano Estratégico: 2020 – 2023/Comando-</p><p>Geral. Belo Horizonte: Assessoria de Desenvolvimento Organizacional, 2020.</p><p>MISSAGGIA, Clademir. Da busca e da apreensão no processo penal brasileiro. Porto</p><p>Alegre: Revista Ibero-Americana de Ciências Penais, ano 1, 2000.</p><p>NUCCI, Guilherme de Souza. Código de processo penal comentado. 4.ed. ver., atual e</p><p>ampl. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2005.</p><p>ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Declaração Universal dos Direitos Humanos.</p><p>Assembleia Geral das Nações Unidas, 1948.</p><p>ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Resolução Nº 35/177, de 15 de Dezembro de</p><p>1980. Conjunto de Princípios para Proteção de Todas as Pessoas sob Qualquer Forma de</p><p>Detenção ou Prisão. Assembleia Geral das Nações Unidas, 1980.</p><p>ORGANIZAÇÃO DAS NAÇÕES UNIDAS. Resolução Nº 39/4, de 10 de Dezembro de 1984.</p><p>Convenção Contra a Tortura e outras penas ou tratamentos crués, desumanos ou</p><p>degradantes. Assembleia Geral das Nações Unidas, 1984.</p><p>PEREIRA, Cláudio Moisés Rodrigues. A Formação Profissional do Cadete da Polícia</p><p>Militar de Minas Gerais acerca das prerrogativas de função. Graduação (Ciências Militares</p><p>com ênfase em Defesa Social). Academia de Polícia Militar, Minas Gerais. 2007.</p><p>PITOMBO, Cleunice A. Valentim Bastos. Da Busca e da apreensão no processo penal.</p><p>Estudos de Processo Penal Prof. Joaquim Canuto Mendes de Almeida.São Paulo: Revista</p><p>dos Tribunais, 1999.</p><p>RABELLO, Eraldo. Curso de criminalística. 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GLÓRIA, TEN CEL PM</p><p>AJUDANTE-GERAL</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 135 - )</p><p>15</p><p>2.1 Deslocamentos táticos ................................................................................................ 16</p><p>2.1.1 Uso de cobertas e abrigos .......................................................................................... 16</p><p>2.1.2 Tipos de deslocamentos a pé ..................................................................................... 18</p><p>2.1.3 Deslocamentos por rastejo ......................................................................................... 19</p><p>2.1.4 Técnicas de uso do escudo balístico ........................................................................... 20</p><p>2.2 Disciplina de luz e som ................................................................................................ 23</p><p>2.3 Comunicação por gestos ............................................................................................ 24</p><p>2.4 Técnicas de uso de lanterna ....................................................................................... 26</p><p>2.5 Técnicas de varredura ................................................................................................. 30</p><p>2.6 Transposição de obstáculos ....................................................................................... 33</p><p>2.7 Ângulos de aproximação ............................................................................................ 34</p><p>2.8 Posições/posturas adotadas pelo policial na abordagem a pessoas ...................... 35</p><p>2.8.1 Posturas de abordagem com as mãos livres ............................................................... 35</p><p>2.8.2 Posturas de abordagem com emprego de arma de fogo ............................................. 39</p><p>2.9 Tática de Aproximação Triangular (TAT) ................................................................... 40</p><p>2.10 Patrulha Policial-Militar ............................................................................................. 45</p><p>2.10.1 Tipos de Patrulha Policial-Militar ............................................................................... 45</p><p>2.10.2 Funções básicas dos integrantes da patrulha ........................................................... 45</p><p>2.10.3 Tipos deslocamentos da patrulha .............................................................................. 48</p><p>2.10.4 Posturas Táticas ....................................................................................................... 49</p><p>2.10.5 Resgate de feridos .................................................................................................... 52</p><p>2.10.6 Patrulha de eventos .................................................................................................. 56</p><p>2.10.7 Patrulha em área de matas ....................................................................................... 66</p><p>3 ABORDAGEM A PESSOAS ............................................................................................ 69</p><p>3.1 Níveis da abordagem a pessoas ................................................................................. 70</p><p>3.1.1 Abordagem a pessoas aparentemente desarmadas ................................................... 70</p><p>3.1.3 Abordagem a pessoas portando arma de fogo ........................................................... 71</p><p>3.2 Supremacia de força na abordagem a pessoas ......................................................... 71</p><p>4 BUSCA PESSOAL E USO DE ALGEMAS....................................................................... 73</p><p>4.1 Busca pessoal .............................................................................................................. 73</p><p>4.1.1 Aspectos legais da busca pessoal .............................................................................. 74</p><p>4.1.2 Tipos de busca pessoal .............................................................................................. 76</p><p>4.1.3 Arma de fogo localizada durante a busca ................................................................... 84</p><p>4.2 Uso de algemas............................................................................................................ 85</p><p>4.2.1 Aspectos legais do uso de algemas ............................................................................ 86</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 11 - )</p><p>4.2.2 Recomendações gerais sobre o uso de algemas ........................................................ 89</p><p>5 PROCEDIMENTOS POLICIAIS ESPECÍFICOS ............................................................... 91</p><p>5.1 Procedimentos policiais em ocorrências envolvendo autoridades ......................... 91</p><p>5.1.1 Membros do Poder Executivo ..................................................................................... 91</p><p>5.1.2 Membros do Poder Legislativo .................................................................................... 93</p><p>5.1.3 Membros do Poder Judiciário ...................................................................................... 93</p><p>5.1.4 Membros do Ministério Público ................................................................................... 94</p><p>5.1.5 Membros de Órgãos Policiais ..................................................................................... 94</p><p>5.1.6 Membros das Forças Armadas ................................................................................... 95</p><p>5.1.7 Membros da Advocacia ............................................................................................... 95</p><p>5.1.8 Outras Instituições ...................................................................................................... 96</p><p>5.2 Abordagens policiais a grupos vulneráveis .............................................................. 98</p><p>5.2.1 Atuação policial na abordagem a mulher .................................................................... 98</p><p>5.2.2 Atuação policial na abordagem a crianças e adolescentes ......................................... 99</p><p>5.2.3 Atuação policial na abordagem a diversidade sexual ................................................ 101</p><p>5.2.4 Atuação policial na abordagem a pessoas com deficiência ....................................... 103</p><p>5.2.5 Atuação policial na abordagem à pessoa idosa ........................................................ 108</p><p>5.2.6 Atuação policial na abordagem a população em situação de rua .............................. 108</p><p>5.3 Atuação policial frente às minorias .......................................................................... 110</p><p>5.4 Atuação policial na abordagem a pessoas em surto de drogas............................. 113</p><p>6 ABORDAGEM A VÍTIMAS ............................................................................................. 115</p><p>6.1 Procedimentos com vítimas em locais de ocorrência ............................................ 116</p><p>7 LOCAL DE CRIME ......................................................................................................... 121</p><p>7.1 Classificação do local de crime e conceitos correlatos .......................................... 121</p><p>7.1.1 Consoante à natureza: .............................................................................................. 121</p><p>7.1.2 Consoante ao lugar do fato: ...................................................................................... 121</p><p>7.1.3 Consoante ao exame ................................................................................................ 122</p><p>7.2 Prova ........................................................................................................................... 122</p><p>7.3 Procedimentos no local de crime ............................................................................. 124</p><p>REFERÊNCIAS ................................................................................................................. 129</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 12 - )</p><p>12</p><p>MANUAL TÉCNICO PROFISSIONAL Nº 3.04.02/2020</p><p>- CG</p><p>Abordagem a pessoas.</p><p>1 APRESENTAÇÃO</p><p>O Manual Técnico-Profissional Nº 3.04.02 (MTP 02) – Abordagem a Pessoas está em</p><p>conformidade com a legislação brasileira e com as normas internacionais de Direitos</p><p>Humanos, oriundas das Organização das Nações Unidas (ONU), as quais são aplicadas à</p><p>função policial.</p><p>Este documento tem como referência os fundamentos da abordagem policial do Manual</p><p>Técnico-Profissional Nº 3.04.01 (MTP 01) – Intervenção Policial, Processo de</p><p>Comunicação e Uso da Força e trata da aplicação da técnica e tática policial à atividade-fim.</p><p>A construção das técnicas e táticas descritas neste Manual é fruto de experiências positivas</p><p>vivenciadas no cotidiano operacional, de pesquisa e da análise de simulações de ações</p><p>policiais em âmbito acadêmico.</p><p>Este volume enfatizará a abordagem a pessoas, bem como as ações que devem ser</p><p>realizadas de forma preparatória e posteriores a esta intervenção. Logo, a leitura do MTP 02</p><p>deve, obrigatoriamente, ser precedida da leitura do MTP 01.</p><p>A Seção 2 deste Manual é dedicada à apresentação de Técnicas e Táticas Policiais que</p><p>antecederão a abordagem policial, como deslocamentos táticos, uso de equipamentos como</p><p>escudos balísticos e lanternas, técnicas de varredura e de aproximação, bem como posturas</p><p>de abordagem com as mãos livres e posições para emprego de arma de fogo.</p><p>A Abordagem Policial é tratada na Seção 3, onde é feita uma exposição transversal com os</p><p>princípios de uso de força e a classificação de risco, estudados no MTP 01. São descritas</p><p>técnicas e táticas de abordagem a pessoas, e traçado um modelo policial de referência para</p><p>as abordagens nos diversos níveis de intervenção.</p><p>A abordagem a pessoas envolve um conjunto ordenado de ações policiais para se aproximar</p><p>de um ou mais indivíduos, com o intuito de resolver demandas do policiamento ostensivo.</p><p>Este conceito possui um sentido amplo, ou seja, abrange a todos os cidadãos, não se</p><p>restringindo às pessoas em situação de suspeição.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 13 - )</p><p>13</p><p>Na Seção 4 são descritos os procedimentos relacionados à Busca Pessoal e Uso de</p><p>Algemas, bem como seu embasamento legal. Essa etapa da intervenção policial será</p><p>realizada desde que haja fundada suspeita em relação à pessoa.</p><p>Procedimentos Policiais para o tratamento de públicos específicos (minorias, grupos</p><p>vulneráveis, entre outros) são temas presentes na Seção 5, demonstrando o compromisso</p><p>institucional no alinhamento desta doutrina às normas internacionais de direitos humanos.</p><p>No cumprimento da visão institucional da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), de atingir</p><p>excelência na promoção das liberdades e dos direitos fundamentais, este Manual traz na</p><p>Seção 6 um enfoque de atenção do policial militar à Vítima de Crime, tema pouco explorado</p><p>nos documentos normativos das polícias brasileiras e no ordenamento jurídico nacional.</p><p>A Seção 7 é dedicada ao procedimento operacional em Locais de Crime, por meio da</p><p>classificação e conceitos dos locais de crime, bem como na descrição de procedimentos</p><p>específicos a serem adotados no local onde ocorreu um delito e a cadeia de custódia de</p><p>vestígios.</p><p>Diante desses conhecimentos, o policial militar deve refletir sobre seu papel na sociedade e a</p><p>melhor maneira de executar o seu trabalho. Ele deve se reconhecer como integrante da</p><p>comunidade que exerce um papel diferenciado por sua qualificação profissionalização e</p><p>atributos policiais militares continuamente desenvolvidos a pautar sua conduta operacional.</p><p>Assim, o vigor operacional da Corporação, sua força e eficiência devem se mostrar no esforço</p><p>e energia diária desprendidos por todos militares na garantia da lei e da ordem no Estado de</p><p>Minas Gerais. Este exercício profissional deve traduzir-se individualmente em disciplina,</p><p>lealdade, honestidade, espírito de corpo, iniciativa, dedicação, equilíbrio emocional, coragem,</p><p>abnegação, vigor físico, civismo e patriotismo.</p><p>Este documento faz parte de um conjunto de Manuais Técnicos-Profissionais denominados</p><p>Prática Policial-Militar Básica, a saber:</p><p>a) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.01 – Intervenção Policial, Processo de Comunicação</p><p>e Uso da Força (MTP 01);</p><p>b) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.02 – Abordagem a Pessoas (MTP 02);</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 14 - )</p><p>14</p><p>c) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.03 – Blitz Policial (MTP 03);</p><p>d) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.04 – Abordagem a Veículos (MTP 04);</p><p>e) Manual Técnico-Profissional nº 3.04.05 – Escoltas Policiais e Conduções Diversas (MTP</p><p>05).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 15 - )</p><p>15</p><p>2 TÉCNICA E TÁTICA POLICIAL BÁSICA</p><p>Entende-se por técnica policial o conjunto dos métodos e procedimentos utilizados na</p><p>execução da atividade policial. O estabelecimento de técnicas visa alcançar a eficiência,</p><p>segurança e legalidade da atuação policial.</p><p>Para cada recurso utilizado no serviço policial, seja humano ou material, existem técnicas pré-</p><p>estabelecidas. O emprego correto da técnica exige treinamento permanente, e cabe ao policial</p><p>militar conhecer e empregar as técnicas apresentadas neste caderno. O treinamento policial</p><p>deve estar alinhado com a identidade organizacional e ser realizado de forma contínua, sendo</p><p>o policial militar protagonista neste processo de auto-aprimoramento profissional.</p><p>Essas técnicas foram selecionadas e aperfeiçoadas a partir de diversas experiências</p><p>vivenciadas no cotidiano operacional e acadêmico, levando- se em conta a segurança nas</p><p>abordagens, a coerência com os fundamentos legais e éticos presentes nas normas</p><p>internacionais e nacionais de direitos humanos.</p><p>Além do domínio das técnicas (como fazer?), outro fator importante para o sucesso das</p><p>intervenções é a disciplina tática.</p><p>Entende-se por tática policial a forma de se aplicar com eficácia os recursos técnicos que se</p><p>dispõe, ou de se explorar as condições favoráveis para se atingir os objetivos desejados.</p><p>A disciplina tática consiste na obediência de todos os policiais militares, quando atuando em</p><p>grupo, ao exercer suas ações (o que e quando fazer?), no exato local (onde fazer?) definido</p><p>no planejamento de cada atividade. Isso propicia uma melhor coordenação das ações e dos</p><p>procedimentos de cada policial militar na sua respectiva responsabilidade de atuação e,</p><p>consequentemente, aumenta a segurança dos envolvidos.</p><p>Para garantir a disciplina tática, todos os policiais militares devem conhecer sua função no</p><p>ambiente de intervenção e conscientizar-se que cada atribuição, por mais simples que pareça,</p><p>é imprescindível para que o caso tenha uma solução satisfatória (por que fazer?)</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 16 - )</p><p>16</p><p>2.1 Deslocamentos táticos</p><p>Correspondem às movimentações, realizadas por policiais militares, com o objetivo de</p><p>progredir, aproximar e abordar pessoas, adotando técnicas específicas que permitam agir</p><p>com rapidez, surpresa e segurança. A observância desses fundamentos da abordagem</p><p>policial potencializa ações e asseguram que o objetivo proposto seja alcançado com mais</p><p>eficácia.</p><p>A seguir, estudaremos as técnicas a serem empregadas nos deslocamentos:</p><p>2.1.1 Uso de cobertas e abrigos</p><p>Nos deslocamentos táticos, os policiais militares deverão identificar locais no ambiente que</p><p>permitam proteção e ocultação.</p><p>A ocultação visa possibilitar que os policiais militares desloquem até o local determinado,</p><p>sem serem vistos pelos suspeitos até o momento da abordagem, ou seja, conseguindo assim</p><p>o fundamento da surpresa.</p><p>A proteção visa diminuir o risco do policial militar ser agredido ou alvejado pelo suspeito.</p><p>Portanto, nos deslocamentos, os policiais militares deverão buscar cobertas e abrigos para</p><p>proteção e ocultação.</p><p>As cobertas</p><p>e os abrigos são anteparos existentes na natureza ou produzidos pelo homem,</p><p>encontrados ao longo do deslocamento ou no cenário onde ocorre a intervenção policial,</p><p>sabendo que:</p><p>a) as cobertas são usadas como ocultação. Não têm a capacidade de deter projéteis</p><p>disparados contra o militar. Exemplos: portas em madeira, arbustos, fumaça, neblina, um local</p><p>escuro ou outro fator que dificulte a visualização e os movimentos do policial;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 17 - )</p><p>17</p><p>Figura 1 - Coberta (na perspectiva do policial militar e do abordado)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>b) os abrigos são usados como proteções, e são anteparos que, por suas características</p><p>e dimensões, são capazes de proteger o policial militar contra disparos de arma de fogo e</p><p>arremesso de objetos. Exemplos: postes, muros, paredes, parte frontal de veículos</p><p>(compartimento do motor), caçambas metálicas, tronco de árvores, dentre outros.</p><p>Figura 2 - Abrigo (na perspectiva do policial militar e do abordado)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 18 - )</p><p>18</p><p>Para maximizar a proteção nos deslocamentos e nas abordagens, deve-se, sempre que</p><p>possível, conjugar a coberta com o abrigo.</p><p>O deslocamento tático em áreas amplas, abertas e sem proteção, podem comprometer a</p><p>segurança do policial militar. Todavia, sendo necessária a movimentação nessas áreas,</p><p>deverá ser realizada de forma rápida com silhueta reduzida ou lenta através dos</p><p>procedimentos de rastejo, se as circunstâncias exigirem, e sempre com a cobertura da equipe.</p><p>2.1.2 Tipos de deslocamentos a pé</p><p>Existem três tipos principais de deslocamento tático de policiais no processo a pé, variando</p><p>de acordo com o objetivo a ser alcançado:</p><p>a) Deslocamento Lento: é o passo com velocidade moderada, que permita ao policial militar</p><p>observar todos os pontos de foco e pontos quentes antes de progredir. O policial militar deverá</p><p>estar de silhueta reduzida, com a arma nas posições de guarda baixa ou guarda alta. Deverá</p><p>ser empregado, preferencialmente, nas intervenções de risco nível II e III, em que há</p><p>necessidade de aproximação mais segura do objetivo a pé, mantendo a ocultação dos</p><p>policiais militares até o momento da abordagem. Exige disciplina de luz e som, que será</p><p>apresentada no item 2.2;</p><p>b) Deslocamento Normal: é o passo natural, com compostura, em que o policial militar</p><p>deverá estar no estado de atenção ou de alerta, com a arma localizada no coldre, observando</p><p>o que acontece à sua volta. Este deslocamento, devido ao pouco desgaste físico, permite</p><p>percorrer grandes distâncias e empenho em jornadas prolongadas. Deverá ser empregado</p><p>em rastreamentos e deslocamentos longos até a aproximação mediata do alvo principal da</p><p>intervenção ou durante o policiamento;</p><p>c) Deslocamento Rápido: é o passo com velocidade acelerada que permite ao policial militar</p><p>alcançar o objetivo com rapidez. Este tipo de deslocamento deverá ser empregado mediante</p><p>prévia avaliação dos riscos, nos seguintes casos, entre outros:</p><p>I - Perseguição de suspeito enquanto estiver à vista. O policial militar deve alterar o tipo de</p><p>deslocamento conforme a avaliação das áreas de risco ou segurança;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 19 - )</p><p>19</p><p>II - Progressão em áreas amplas, carentes de cobertas e abrigos. Nesses casos, o policial</p><p>militar poderá empregar técnica de deslocamento com mudança brusca de direção</p><p>“ziguezague”;</p><p>III - Intervenções com objetivo de salvar vidas.</p><p>2.1.3 Deslocamentos por rastejo</p><p>Os deslocamentos de policiais militares por rastejo variam de acordo com o objetivo a ser</p><p>alcançado e a necessidade. Mostraremos a seguir os dois processos que são mais aplicáveis</p><p>à atividade policial militar:</p><p>a) Primeiro Processo: o policial militar apoiará seu corpo ao solo em decúbito ventral,</p><p>mantendo seu corpo o mais próximo possível do chão. O PM se locomoverá por meio da</p><p>tração alternada de cotovelos e joelhos, ou seja, o joelho esquerdo move-se junto com o</p><p>cotovelo direito, e vice-versa, de forma sucessiva. Durante o deslocamento, os joelhos</p><p>flexionarão até o limite do quadril. Caso o policial militar esteja portando arma longa, ela</p><p>deverá ser transportada nos braços, perpendicularmente ao corpo, para que não entre</p><p>sujeiras em seu cano. Caso esteja empunhando arma de porte, esta ficará na mão forte, com</p><p>dedo fora do gatilho.</p><p>Figura 3 - Primeiro processo de rastejo (arma de porte) e (arma portátil).</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 20 - )</p><p>20</p><p>b) Segundo Processo: o policial militar apoiará seu corpo ao solo em decúbito ventral.</p><p>Manterá seus cotovelos e antebraços no chão. Flexionará apenas uma perna, e a utilizará</p><p>para impulsionar o corpo para frente, juntamente com a ajuda das mãos e antebraços. Caso</p><p>o policial militar esteja portando arma longa, ela poderá ser conduzida por uma das mãos à</p><p>frente do corpo segura pela bandoleira, cano da arma voltado para frente, elevando o</p><p>armamento o mínimo necessário a cada impulsão. Caso esteja empunhando arma de porte,</p><p>esta ficará na mão forte, com dedo fora do gatilho. Este processo faz com que a movimentação</p><p>seja mais lenta e cansativa em relação ao primeiro, mas melhora as condições de ocultação</p><p>e proteção.</p><p>Figura 4 - Segundo processo de Rastejo (arma de porte) e (arma portátil)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>2.1.4 Técnicas de uso do escudo balístico</p><p>Para maior segurança nos deslocamentos, o policial militar poderá, ainda, recorrer ao escudo</p><p>balístico.</p><p>O escudo balístico é um equipamento que visa proteger a pessoa que o conduz. Contudo,</p><p>com a técnica adequada, sua capacidade de proteção poderá se estender aos demais</p><p>policiais militares da equipe durante o processo de deslocamento. As progressões utilizando</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 21 - )</p><p>21</p><p>escudos balísticos podem ser feitas de duas formas principais, variando de acordo com o nível</p><p>de segurança:</p><p>a) Segurança Mínima:</p><p>O escudo será conduzido pelo primeiro policial militar, na posição de pé.</p><p>Figura 5 - Uso de Escudo Balístico (Segurança Mínima)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>b) Segurança Máxima:</p><p>O escudo será utilizado pelo primeiro policial militar, que deslocará com a silhueta reduzida,</p><p>com o escudo bem próximo ao solo. Em casos de disparo contra a guarnição, ou para</p><p>conceder mais segurança em uma abordagem, o primeiro policial militar interromperá o</p><p>deslocamento e ficará na posição de joelhos (escudo no chão).</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 22 - )</p><p>22</p><p>Figura 6 - Uso de Escudo Balístico na posição de Segurança Máxima</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Em ambos os casos, o armamento será conduzido lateralmente ao escudo, de modo que a</p><p>armação encoste no equipamento e apenas o cano fique exposto. Havendo necessidade</p><p>extrema de disparo, o policial militar levará o armamento para frente do visor do escudo, para</p><p>melhor controle da visada, fazendo a empunhadura lateral. Todavia, o mais recomendado é</p><p>que outro policial militar com melhor posicionamento tático realize os disparos para neutralizar</p><p>o agressor.</p><p>Figura 7 - Uso de Escudo Balístico (Segurança Mínima com arma à frente do visor)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 23 - )</p><p>23</p><p>Figura 8 - Uso de Escudo Balístico (Segurança Máxima com arma à frente do visor)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>2.2 Disciplina de luz e som</p><p>A disciplina de luz e som é o conjunto de recomendações que pode</p><p>ser empregado para</p><p>reduzir ou eliminar a emissão de ruídos e de luminosidade que possam denunciar o</p><p>posicionamento do policial militar.</p><p>Para manutenção da disciplina de luz, os policiais militares deverão ocultar o visor do celular,</p><p>caso seja necessário seu uso como instrumento de comunicação. Além disso, jamais acender</p><p>cigarro e evitar expor objetos cromados com capacidade de reflexão de luz direta. Os policiais</p><p>militares deverão fazer o uso da lanterna de acordo com as técnicas de emprego deste</p><p>equipamento, conforme item 2.4.</p><p>Simples medidas podem preservar a vantagem tática durante a abordagem. Para manutenção</p><p>da disciplina de som:</p><p>a) realizar a auto inspeção (apalpar os bolsos, efetuar pequenos saltos, etc.) antes de iniciar</p><p>o deslocamento, retirando materiais que façam barulho;</p><p>b) manter no modo silencioso ou desligado os telefones celulares, alarmes de relógio e</p><p>similares;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 24 - )</p><p>24</p><p>c) certificar-se de que os metais do cinturão ou de qualquer objeto conduzido estejam</p><p>realmente presos, como as algemas, apitos, tonfa, outros;</p><p>d) ajustar o volume do rádio HT ou, quando possível, usar fones de ouvido para comunicação.</p><p>e) iniciada a progressão, deve-se observar a presença de objetos espalhados pelo solo (copos</p><p>plásticos, garrafas, folhas secas, outros) que possam provocar ruídos.</p><p>2.3 Comunicação por gestos</p><p>A comunicação por gestos é uma técnica utilizada nos deslocamentos. Trata-se de</p><p>comunicação não verbal, executada por intermédio de sinais convencionados, que objetivam</p><p>intermediar mensagens entre os policiais militares de forma silenciosa. Propicia a</p><p>aproximação cautelosa e discreta.</p><p>Os gestos mais utilizados nas intervenções são os demonstrados na Figura 9.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 25 - )</p><p>25</p><p>Figura 9 - Comunicação por gestos</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 26 - )</p><p>26</p><p>Além dos gestos apresentados, a equipe poderá convencionar outros, de acordo com a</p><p>necessidade. Para maior efetividade da comunicação, antes da entrada em operação, as</p><p>equipes deverão checar a compreensão dos gestos a serem utilizados.</p><p>2.4 Técnicas de uso de lanterna</p><p>O olho humano não tem capacidade para se adaptar de forma rápida e efetiva às variações</p><p>da luminosidade dos ambientes.</p><p>Ao passar de um ambiente iluminado para um de baixa luminosidade, ou vice-versa, é preciso</p><p>que o policial militar aguarde alguns segundos, para que sua visão se adapte às novas</p><p>condições do ambiente, antes de iniciar o deslocamento.</p><p>No cotidiano operacional, o policial militar se depara com ambientes de baixa luminosidade,</p><p>mesmo durante o dia. Nessas circunstâncias, a visão em profundidade e a percepção de</p><p>detalhes ficam prejudicadas e os objetos, em geral, adquirem uma tonalidade cinza ou parda.</p><p>A lanterna é um recurso eficaz para ambientes de baixa luminosidade. Suas principais</p><p>utilidades são:</p><p>a) iluminação do ambiente;</p><p>b) identificação de pessoas ou objetos;</p><p>c) auxílio na realização da pontaria;</p><p>d) ofuscamento da visão do abordado;</p><p>e) sinalização.</p><p>A lanterna deve ser utilizada com acionamentos intermitentes, para que a posição do policial</p><p>militar e dos demais integrantes da equipe não seja denunciada. Além disso, o acionamento</p><p>de lanterna, atrás de outro policial militar deve ser evitado.</p><p>Se, durante o deslocamento, o policial militar deparar com um suspeito, poderá focalizar o</p><p>feixe de luz nos olhos do abordado, com o objetivo de ofuscar-lhe a visão, procurando abrigo</p><p>para realização de uma verbalização segura.</p><p>A lanterna será conduzida pela mão que não estiver empunhando a arma de fogo e sempre</p><p>acompanhará a direção do cano. Desta forma, o foco de visão do policial militar, o cano da</p><p>sua arma e o feixe de luz deverão estar voltados para a mesma direção.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 27 - )</p><p>27</p><p>Para a utilização eficiente da lanterna necessário que haja treinamento contínuo, baseado nas</p><p>técnicas previstas neste manual.</p><p>Diversas técnicas podem ser empregadas na utilização da lanterna. As técnicas comumente</p><p>utilizadas serão apresentadas a seguir:</p><p>a) Posição 1 (Técnica “Harries”): o policial militar coloca a mão que está com a lanterna</p><p>abaixo da mão que segura a arma. As costas das mãos se apoiam para dar estabilidade ao</p><p>conjunto, conforme ilustra a Figura 10.</p><p>É importante frisar que, nesta posição, o armamento está em empunhadura simples com</p><p>apoio, o que poderia dificultar uma boa sustentação e estabilidade após o recuo da arma entre</p><p>um disparo e outro.</p><p>Figura 10 - Posição 1 de uso da lanterna</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 28 - )</p><p>28</p><p>b) Posição 2 (Técnica “Bolivar”): o policial militar apoiará a lanterna lateralmente na</p><p>armação da arma, segurando-a com o dedo polegar e o indicador. Nessa posição é possível</p><p>a varição “Ayoob”, apropriada para lanternas com botão de acionamento lateral (Figura 11).</p><p>Figura 11 - Posição 2 de uso da lanterna e suas variações</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 29 - )</p><p>29</p><p>c) Posição 3 (Técnica “FBI”) - Consiste em segurar a arma com uma das mãos</p><p>(empunhadura simples), enquanto a outra mão segura a lanterna, com o braço estendido,</p><p>paralelo ao solo. Em caso de utilização da arma de fogo, a posição não é muito firme e a</p><p>qualidade de tiro deve ser observada, devido a empunhadura ser simples.</p><p>Uma variação possível e recomendável para utilização dessa posição é a conjugação com a</p><p>técnica de varredura “Olhada Rápida”, ou seja, o policial militar que estiver segurando a</p><p>lanterna permanece abrigado, enquanto um outro policial, também abrigado, visualiza o</p><p>ambiente numa posição diversa da que se encontra o feixe de luz (abaixo ou acima).</p><p>Figura 12 - Posição 3 de uso da lanterna e suas variações</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 30 - )</p><p>30</p><p>2.5 Técnicas de varredura</p><p>A varredura consiste na verificação visual feita pelo policial militar, de um determinado espaço</p><p>físico localizado em uma área de risco. Para realizá-la, os policiais militares poderão utilizar</p><p>três técnicas básicas denominadas: Tomada de Ângulo (“Fatiamento”), Olhada Rápida e</p><p>Reflexão de Imagem.</p><p>a) Tomada de ângulo</p><p>Conhecida também como fatiamento permite checar o ambiente por segmentos. Seu objetivo</p><p>é propiciar a visualização total ou parcial de uma pessoa ou de um objeto (pés, mãos, roupas,</p><p>armamento, dentre outros), antes que o policial militar seja visto pelo abordado.</p><p>A varredura será feita de maneira lenta e gradual, frente a locais com ângulos desconhecidos</p><p>(esquina de becos, portas, corredores, escadas, dentre outros). O policial militar se moverá</p><p>lateralmente, sem a exposição do corpo e sem cruzar as pernas, tendo como referência o</p><p>obstáculo (parede, muro, por exemplo), que lhe servirá de abrigo.</p><p>A tomada de ângulo será feita até que se tenha o controle visual total do ambiente ou visualize</p><p>partes do corpo do abordado, momento em que recorrerá à verbalização e às técnicas de</p><p>abordagem.</p><p>A técnica deverá ser executada com a arma na Posição 3 ou 4 (guarda-alta ou pronta</p><p>resposta), O policial militar manterá os cotovelos não projetados, para evitar a visualização</p><p>de sua sombra e de peças do fardamento.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página:</p><p>( - 31 - )</p><p>31</p><p>Figura 13 - Tomada de ângulo ou “fatiamento”</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>A verbalização deverá iniciar-se tão logo o policial militar localize um suspeito, procurando</p><p>manter o controle visual.</p><p>b) Olhada rápida</p><p>Esta técnica tem por objetivo propiciar a visualização instantânea de um suspeito, sem ser</p><p>visto por ele. Para realizá-la, o policial militar deve expor a cabeça lateralmente, observar a</p><p>área de risco, e retornar à posição abrigada, o mais rápido possível. Se a repetição do</p><p>movimento for necessária, o policial militar deverá alternar o ponto de observação.</p><p>Figura 14 - Olhada rápida</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 32 - )</p><p>32</p><p>Durante sua execução, a arma deverá estar no coldre ou em uma das mãos, devendo o</p><p>policial militar atentar para o controle da direção do cano.</p><p>Antes de empregar a técnica, o policial militar deverá ter próximo à sua retaguarda, em</p><p>cobertura, outro policial militar, que deverá estar em pé, com a arma na Posição 2 (guarda-</p><p>baixa), sem apontá-la em direção ao executor e expô-lo ao perigo.</p><p>Ao avistar a área de risco e identificar o(s) suspeito(s) com a técnica de olhada rápida, o</p><p>policial militar executor sinalizará para os outros policiais militares o número e localização dos</p><p>suspeitos, bem como se estão armados.</p><p>Caso tenham supremacia de força, deverão usar, após a olhada rápida, a técnica de tomada</p><p>de ângulo, com o objetivo de se posicionarem seguramente para emprego da verbalização e</p><p>abordagem.</p><p>c) Reflexão de imagem</p><p>A técnica contribui para aumentar a segurança do policial militar. A varredura será realizada</p><p>com qualquer instrumento que reproduza imagem. Ao conhecer a posição do suspeito, o</p><p>policial militar deverá recorrer à tomada de ângulo a fim de manter o controle sobre os pontos</p><p>de foco e pontos quentes e empregar a verbalização.</p><p>Figura 15 - Uso da técnica de reflexão da imagem</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 33 - )</p><p>33</p><p>Embora apresentadas isoladamente, o policial militar deve dominar as três técnicas descritas,</p><p>para que as utilize segundo a conveniência e a necessidade. Simultaneamente, poderá</p><p>realizar o fatiamento, com olhadas rápidas ou com o recurso reflexão de imagem, aumentando</p><p>ainda mais o seu campo visual.</p><p>2.6 Transposição de obstáculos</p><p>Durante a perseguição a uma pessoa que salta um muro, o policial militar nunca deve saltar</p><p>imediatamente atrás, pois a pessoa em fuga pode estar aguardando que ele pule ou se</p><p>exponha para alvejá-lo. Para transpor obstáculos como muros, por exemplo, o policial militar</p><p>necessitará adotar alguns procedimentos, como sugerido a seguir:</p><p>a) Transposição individual:</p><p> antes da transposição, a observação será feita, pelas técnicas de “Olhada Rápida” ou</p><p>“Reflexão de imagem”, se possível, em três pontos distintos, aumentando desta forma a</p><p>segurança daquele que transporá o obstáculo;</p><p> considerando a altura do obstáculo, o policial militar estenderá o braço até alcançar a parte</p><p>superior do muro, saltando se necessário e, em seguida, puxará o corpo até a altura do</p><p>antebraço, onde completará a última etapa da observação do ambiente;</p><p> não localizando o suspeito em profundidade (lembre-se de que ele pode ter se escondido</p><p>atrás de objetos ao longo do terreno), a atenção agora deve ser na base do muro. Logo após,</p><p>o policial militar lançará uma das pernas sobre o muro, utilizando-a para tracionar seu corpo</p><p>com a ajuda das mãos, mantendo a sua silhueta mais próxima possível da superfície superior</p><p>do obstáculo e com uma pequena elevação do quadril, projetará a perna de baixo sob a perna</p><p>que se encontra apoiada no muro, projetando-a para o ambiente a ser controlado, e, com isso,</p><p>desprenderá o corpo tocando ao solo com a arma na Posição 3 ou 4;</p><p> em tais transposições, a arma permanecerá empunhada, exposta o mínimo possível, o</p><p>mesmo acontecendo com a silhueta do policial;</p><p> localizando a pessoa em fuga, o policial militar manterá o controle visual sobre ele e</p><p>monitorará os pontos quentes, evitando mudanças de posição. Estando em uma posição</p><p>segura (abrigado), sem se expor, deverá ser feita a verbalização.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 34 - )</p><p>34</p><p>b) Transposição em dupla, trio ou Patrulha Policial-Militar:</p><p> um dos policiais militares deverá progredir com a arma na Posição 3 ou 4 até a base do</p><p>obstáculo a ser vencido. Em seguida, posicionar-se-á com as costas apoiadas no obstáculo e</p><p>pernas semiflexionadas;</p><p> após a tomada deste dispositivo referenciado, o próximo componente da equipe progredirá</p><p>até seu companheiro, colocando os pés sobre as coxas ou ombros do primeiro policial militar</p><p>(conforme a altura do obstáculo), adotando a partir desse momento os procedimentos</p><p>descritos para a técnica de transposição individual.</p><p>2.7 Ângulos de aproximação</p><p>Nas abordagens e buscas pessoais, os policiais militares deverão atentar pela segurança.</p><p>Para tanto, foram estabelecidos ângulos de aproximação ao abordado, conforme a seguir:</p><p>Figura 16 - Ângulos de aproximação</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>O policial militar procurará não se aproximar do espaço compreendido entre os braços do</p><p>abordado, porque poderá ser atingido com maior facilidade em caso de uma possível</p><p>agressão física.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 35 - )</p><p>35</p><p>Os demais ângulos descritos acima permitem uma aproximação segura, sendo que o ângulo</p><p>3 oferece maior segurança e o ângulo 1, menor.</p><p>Uma aproximação, observando-se os ângulos de segurança, aumenta o tempo do processo</p><p>mental da agressão do abordado. Assim, ele terá que se virar para atingir o policial militar que,</p><p>por sua vez, terá melhor condição de se esquivar.</p><p>2.8 Posições/posturas adotadas pelo policial na abordagem a pessoas</p><p>Posições/posturas de abordagem são técnicas que definem o posicionamento do corpo e da</p><p>arma do policial militar, que o possibilitam aproximar-se e verbalizar com o abordado de</p><p>maneira segura, potencializando sua capacidade de autodefesa e viabilizando o uso</p><p>diferenciado da força.</p><p>As posturas referem-se ao posicionamento corporal do policial militar com as mãos livres,</p><p>enquanto posições referem-se a empunhadura de armas ou equipamentos.</p><p>A posição/postura do policial militar durante uma abordagem influencia diretamente no</p><p>processo mental de agressão do abordado retardando a etapa de decisão. Uma atitude</p><p>relapsa transmite despreparo profissional e expõe a segurança do policial militar, enquanto</p><p>outra, demasiadamente rígida ou desrespeitosa, poderia causar indignação.</p><p>A posição/postura do policial militar durante a abordagem deve estar diretamente vinculada</p><p>ao risco com o qual ele pode se deparar. Por isso, em toda abordagem, este deve empregar</p><p>a metodologia de avaliação de risco para decidir a melhor técnica a ser utilizada.</p><p>Antes de estabelecer as posições/posturas, é necessário definir os ângulos de aproximação</p><p>entre o policial militar e o abordado. A aplicação do conhecimento sobre estes ângulos</p><p>proporcionará maior segurança na abordagem.</p><p>2.8.1 Posturas de abordagem com as mãos livres</p><p>São técnicas em que o policial militar faz a intervenção sem recorrer a quaisquer armamentos,</p><p>instrumentos ou equipamentos. São estabelecidas para cada nível de risco, orientando a</p><p>distância e a angulação de aproximação, bem como a posição de mãos e braços do policial</p><p>militar.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 36 - )</p><p>36</p><p>Estando preliminarmente com as mãos livres e visíveis, o policial militar transmitirá ao</p><p>abordado a mensagem de que deseja dialogar ou resolver pacificamente o conflito.</p><p>Para todas as posturas a mãos livres, o</p><p>policial militar deverá adotar a posição de “base”,</p><p>utilizada nas artes marciais, variando-se apenas a posição das mãos e braços. Esta posição</p><p>permite ao policial militar equilíbrio e melhores possibilidades de defesa e contra-ataque.</p><p>Também permite maior proteção da arma de fogo do policial militar, haja vista que os braços</p><p>e pernas mais fortes e, consequentemente, o coldre (geralmente colocado do lado da mão</p><p>mais forte) ficam ligeiramente projetados para a retaguarda. Logo, mais distantes do raio de</p><p>ação do abordado.</p><p>a) Postura Aberta</p><p>Deverá ser empregada nas intervenções em que o abordado não estiver aparentemente</p><p>portando armas e apresentar comportamento cooperativo.</p><p>Figura 17 - Postura Aberta</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 37 - )</p><p>37</p><p>Nesta postura, o policial militar se aproximará do abordado, preferencialmente, pela</p><p>angulação 1 e permanecerá a uma distância de aproximadamente 3 (três) metros, o que</p><p>permitirá ao policial militar agir em autodefesa e monitorar os pontos quentes (cabeça, mãos</p><p>e pernas).</p><p>Na postura aberta, os braços do policial militar permanecerão naturalmente abaixados, com</p><p>as palmas das mãos voltadas para frente, manifestando gestualmente uma mensagem de</p><p>receptividade.</p><p>b) Postura de Prontidão</p><p>Deverá ser utilizada nas intervenções em que o abordado não estiver aparentemente portando</p><p>armas e apresentar comportamento de resistência passiva.</p><p>Esta postura com um dos braços elevados e mãos abertas permite ao policial militar o</p><p>emprego mais eficiente das técnicas de controle de contato, além de transmitir uma</p><p>mensagem gestual de contenção do conflito, não agressividade e intenção de resolução</p><p>pacífica.</p><p>Figura 18 - Postura de Prontidão</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 38 - )</p><p>38</p><p>Sempre que o abordado tentar reduzir a distância de segurança, o policial militar deverá</p><p>ordenar que ele pare imediatamente e, concomitantemente, dele se afastará. Esse</p><p>procedimento retardará o tempo decorrente do processo mental da agressão.</p><p>c) Postura Defensiva</p><p>O policial militar manterá a cabeça ereta na posição natural, com as mãos abertas próximas</p><p>ao rosto, e os cotovelos projetados na linha das costelas, a fim de protegê-las, permanecendo</p><p>assim em melhores condições de emprego das técnicas de controle físico e com maiores</p><p>chances de defesa golpes (resistência ativa com agressão não letal). As mãos permanecerão</p><p>abertas por assim representarem um gesto universal de defesa, as pernas deverão estar</p><p>formando uma base equilibrada, os joelhos semiflexionados e o corpo projetado à frente.</p><p>Todavia, como uma variável da postura defensiva, o policial militar poderá evoluir para a</p><p>postura de guarda com os punhos cerrados, a fim de efetuar um contra-golpe contra o</p><p>infrator.</p><p>Figura 19 - Postura Defensiva com mãos abertas e fechadas (postura de guarda)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 39 - )</p><p>39</p><p>Se o policial militar entender que não será possível dominar um abordado com o emprego de</p><p>técnicas de defesa pessoal policial com as mãos livres (controle físico), desde que não exista</p><p>risco iminente de morte, deverá acionar reforço e avaliar a oportunidade e conveniência para</p><p>empregar Instrumentos de Menor Potencial Ofensivo (controle com IMPO) ou até mesmo uso</p><p>dissuasivo de arma de fogo.</p><p>A adoção de uma postura correta, somada a uma verbalização adequada, poderão levar o</p><p>abordado a cooperar com a abordagem policial, prevenindo uma provável resistência, ainda</p><p>na fase embrionária.</p><p>2.8.2 Posturas de abordagem com emprego de arma de fogo</p><p>São técnicas que objetivam garantir a segurança do policial militar e causar impacto</p><p>psicológico no abordado, proporcional ao nível de risco oferecido, de forma dissuasiva.</p><p>Existem quatro posições básicas para se utilizar o armamento de porte durante as</p><p>intervenções policiais.</p><p>a) Posição 1 - arma localizada</p><p>Esta posição pode ser empregada para o policial militar realizar intervenção nível I ou II e em</p><p>deslocamentos longos.</p><p>b) Posição 2 - guarda-baixa</p><p>Esta posição pode ser empregada para o policial militar realizar intervenção nível II e em</p><p>deslocamentos, pois minimiza o cansaço físico causado pelo peso da arma, proporcionando</p><p>ao policial militar condição para se defender de uma possível agressão, diminuindo o tempo</p><p>de reação.</p><p>Ao se deslocar em grupo, o policial militar deverá manter o dedo fora do gatilho e o controle</p><p>do cano da arma e, em hipótese alguma, a apontará na direção dos integrantes do</p><p>grupamento.</p><p>ATENÇÃO! Os procedimentos para o emprego de Instrumentos de</p><p>Menor Potencial Ofensivo serão tratados em manual específico.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 40 - )</p><p>40</p><p>c) Posição 3 - guarda-alta</p><p>Esta posição pode ser empregada para o policial militar realizar em regra intervenções níveis</p><p>II e III e em deslocamentos curtos, já que o peso da arma pode gerar um cansaço excessivo.</p><p>d) Posição 4 - pronta resposta</p><p>Será empregada nas situações em que exista potencialidade real e imediata de agressão letal</p><p>ou ferimentos graves ao policial militar ou a terceiros.</p><p>Ao visualizar um agressor armado, o policial militar apontará rapidamente a arma para a sua</p><p>massa central (tronco) e manterá, ao mesmo tempo, o controle dos pontos quentes.</p><p>O policial militar somente deverá acionar a tecla do gatilho após identificar, certificar e decidir</p><p>para agir, ou seja, disparar a arma de fogo.</p><p>2.9 Tática de Aproximação Triangular (TAT)</p><p>Nesta tática, dois policiais militares e o abordado dispostos de maneira que formem um</p><p>triângulo. É considerada a forma mais segura e eficiente de aproximação policial-militar.</p><p>LEMBRE-SE: Recomenda-se evitar iniciar as abordagens na posição de pronta</p><p>resposta, pois isso limita a alternância dos níveis de força, e ainda acarreta o risco de</p><p>disparo acidental. O policial militar, ao verbalizar com um abordado cooperativo, por</p><p>exemplo, estando ainda com a arma no coldre, disporá de outros níveis de força, sem</p><p>que recorra, necessariamente, ao disparo.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 41 - )</p><p>41</p><p>Figura 20 - Tática de Aproximação Triangular (Posicionamento inicial)</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>A distância recomendada entre os policiais militares será de aproximadamente 4 (quatro)</p><p>metros, o que dificulta o controle visual simultâneo da ação dos dois policiais militares por</p><p>parte do abordado. A distância dos policiais militares em relação ao suspeito será de</p><p>aproximadamente 3 (três) metros, para proporcionar segurança à guarnição em caso de</p><p>repentina agressão.</p><p>Ressalta-se que os policiais militares devem se manter atentos à regra dos 21 pés1 (6,4</p><p>metros) caso o abordado esteja armado de faca, vide MTP 01.</p><p>A postura ou posição de emprego de arma a ser utilizada pelos policiais militares na realização</p><p>da TAT deverá ser definida pelo policial militar de acordo com o nível de risco e a evolução</p><p>dos fatos durante a intervenção.</p><p>A TAT poderá ser empregada em esquemas táticos variados, em função da quantidade e</p><p>comportamento dos abordados e do número de policiais militares, observadas as áreas para</p><p>organização do teatro operacional como se vê na figura a seguir:</p><p>1 Sargento Dennis Tueller, do Departamento de polícia de Utah (Estados Unidos) criou a Regra de Tueller ou regra</p><p>dos 21 pés (6,4 metros). A regra estabelece que esta distância é a mínima</p><p>para ter possibilidades de se defender</p><p>com uma arma de fogo, diante de uma agressão com arma branca, considerando a arma no coldre em condições</p><p>de disparo.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 42 - )</p><p>42</p><p>Figura 21 - Delimitação de áreas para o teatro operacional</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>A área de contenção corresponde ao espaço de abrangência territorial em que os policiais</p><p>militares manterão monitoramento mais constante, com objetivo de conter os abordados e</p><p>isolar o local de interferência de terceiros.</p><p>A área de busca corresponde ao local onde se realizará a busca pessoal e será definida pelos</p><p>policiais militares após análise da área e da avaliação de risco. Se possível, possuirá</p><p>características que privilegiem a segurança tanto dos policiais militares quanto dos abordados.</p><p>Assim, uma área de busca ideal deve ter o relevo adequado, se situar fora da área de tráfego</p><p>de veículos e de locais onde os policiais militares não tenham pleno controle no que se refere</p><p>à segurança.</p><p>A área de custódia corresponde a um local dentro da área de contenção, com as mesmas</p><p>características da área de busca, definido pela guarnição, onde os demais suspeitos</p><p>aguardam a busca pessoal e outros procedimentos necessários (consulta de dados,</p><p>checagem de objetos, outros).</p><p>PM Comandante</p><p>PM Segurança</p><p>PM Verbalizador</p><p>PM Revistador</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 43 - )</p><p>43</p><p>Recomenda-se que estes locais não possuam pontos de escape que permitam uma possível</p><p>evasão dos abordados.</p><p>Numa abordagem a pessoas, os policiais militares exercerão as seguintes funções:</p><p> PM Comandante: aquele quem coordena a abordagem;</p><p> PM Verbalizador: responsável pela comunicação verbal com o abordado;</p><p> PM Segurança: responsável pela segurança da equipe;</p><p> PM Revistador: encarregado de revistar o abordado e seus pertences (busca).</p><p>Um único policial militar poderá exercer mais de uma função. É importante lembrar que estas</p><p>funções deverão ser previamente definidas pelo comandante da abordagem, a fim de garantir</p><p>a disciplina tática entre os integrantes. O PM Comandante pode exercer as funções de PM</p><p>Verbalizador e PM Segurança.</p><p>Para a realização da abordagem de uma ou duas pessoas, a equipe de policiais militares</p><p>adotará as seguintes providências:</p><p> O PM Verbalizador determinará ao abordado todos os procedimentos para a adoção de</p><p>uma das posições de contenção que o policial militar julgar mais adequada. Para tal, o PM</p><p>Verbalizador deverá dar ordens claras e precisas para o abordado até que este adote a</p><p>posição determinada;</p><p> Havendo mais de um abordado, a equipe fará a busca pessoal em um de cada vez;</p><p> A equipe cuidará para que não se perca a triangulação necessária.</p><p>Para a realização da abordagem a três ou mais pessoas, a equipe de policiais militares</p><p>adotará as seguintes providências:</p><p> Dentre os suspeitos abordados posicionados na área de custódia, o PM Verbalizador</p><p>determinará a um deles que se posicione em local distinto dos demais (área de busca),</p><p>tomando a posição de contenção mais adequada, conforme sua avaliação, para que seja</p><p>procedida a busca pessoal;</p><p> A pessoa a ser abordada ficará afastada do restante do grupo;</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 44 - )</p><p>44</p><p> O detalhamento das ações de abordagem a pessoa e busca pessoal será feito nas Seções</p><p>3 e 4, respectivamente;</p><p> Após a busca pessoal, o abordado terá seus dados anotados para que seja averiguado</p><p>seu prontuário criminal e/ou para registro e pesquisas de qualidade do serviço operacional</p><p>pós-atendimento. Posteriormente, o policial militar informará ao abordado o motivo do</p><p>procedimento e agradecerá a colaboração, caso seja adequado.</p><p>Figura 22 - Esquema tático com 3 (três) policiais militares e 3 (três) abordados</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p> Caso o cidadão, após terminado o procedimento policial, deseje esperar por outro</p><p>abordado, o PM Verbalizador determinará que ele aguarde fora da área de contenção.</p><p>Entretanto, atenção ainda deverá ser dada a ele, através do monitoramento pelo PM</p><p>Segurança.</p><p>As funções policiais poderão variar no decorrer da abordagem, de acordo com o local, número</p><p>de abordados, grau de risco, e de informações obtidas sobre os suspeitos.</p><p>ATENÇÃO! Em abordagens com buscas pessoais a grandes grupos,</p><p>mesmo não havendo um número superior de policiais militares em</p><p>relação aos abordados, desde que se mantenha a segurança</p><p>requerida para os militares, poderá ser designado mais de um militar</p><p>para realizar a busca pessoal de forma concomitante.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 45 - )</p><p>45</p><p>Na Seção 3, serão discutidas técnicas e táticas de abordagem a pessoas e será traçado um</p><p>modelo policial de referência para as ações nos diversos níveis de intervenção.</p><p>2.10 Patrulha Policial-Militar</p><p>É um grupamento de policiais militares de composição variada que atuará temporariamente,</p><p>sendo empregado no serviço operacional em ambiente urbano ou rural com o objetivo de</p><p>reconhecer, incursionar e resgatar.</p><p>No cumprimento de uma missão de patrulha deve-se levar em consideração a necessidade</p><p>de um ponto de reunião próximo ao objetivo, local em que se fará a checagem final de</p><p>equipamentos, armamentos e se fará o último briefing antes da execução da missão.</p><p>2.10.1 Tipos de Patrulha Policial-Militar</p><p>a) Patrulha de reconhecimento - Tem por finalidade confirmar ou buscar informações,</p><p>denúncias, reconhecimento de áreas ou edificações.</p><p>b) Patrulha de incursão - tem por finalidade realizar deslocamentos no interior de</p><p>aglomerados urbanos e em policiamentos diversos. Utiliza das técnicas policiais com objetivo</p><p>de realizar operações, efetuar prisões, cumprir mandados, ocupar determinadas áreas e</p><p>restaurar a ordem ou garantir a lei.</p><p>c) Patrulha de resgate - É a Patrulha que utiliza das técnicas policiais a fim de prestar apoio</p><p>e socorro a outras patrulhas PM ou realizar o resgate de policiais feridos.</p><p>d) Patrulha de eventos - É, empregada em locais com aglomeração de pessoas. Em razão</p><p>de sua especificidade, será tratada separadamente no subitem 2.11.6.</p><p>2.10.2 Funções básicas dos integrantes da patrulha</p><p>As patrulhas policiais tem composição variável de acordo com o efetivo e os integrantes</p><p>podem acumular funções.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 46 - )</p><p>46</p><p>O Quadro 1 retrata a composição de uma patrulha com seis policiais militares:</p><p>Quadro 1 - Formação Básica de uma Patrulha com 6 (seis) Policiais Militares</p><p>ÁREA DE</p><p>OBSERVAÇÃO</p><p>NOMENCLATURA DA FUNÇÃO ATRIBUIÇÃO</p><p>Ponta de Vanguarda 1</p><p>ou Ponta 1</p><p>- Primeiro homem a incursionar;</p><p>- Verbalizar.</p><p>Ponta de Vanguarda 2</p><p>ou Ponta 2</p><p>- Segundo homem a incursionar;</p><p>- Verbalizar;</p><p>- Dar segurança do Ponta 1.</p><p>Comandante - Coordenar a equipe.</p><p>Ala</p><p>- Monitorar as partes altas como</p><p>janelas, lajes, etc.;</p><p>- Proteger as laterais da patrulha;</p><p>- Efetuar buscas pessoais;</p><p>- Transportar rádio, bornais,</p><p>escudos, kit de primeiros socorros,</p><p>etc.</p><p>Ponta de Retaguarda 2</p><p>ou Retaguarda 2</p><p>- Verbalizar;</p><p>- Dar cobertura ao Retaguarda 1.</p><p>Ponta de Retaguarda 1</p><p>ou Retaguarda 1</p><p>- Verbalizar;</p><p>- Dar segurança à retaguarda da</p><p>equipe.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>( - BEPM nº 11, de 06 de outubro de 2020 - ) Página: ( - 47 - )</p><p>47</p><p>Figura 23 - Composição da patrulha com seis policiais militares</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor.</p><p>Das funções acumuladas, o Ala é quem transporta o que for necessário à execução da</p><p>operação (escudo, rádio HT, bornais, kit emergência ou outro equipamento/armamento que a</p><p>missão demandar), além de realizar buscas</p>