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<p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 1/36</p><p>LITERATURA BRASILEIRA</p><p>CAPÍTULO 2 - O ROMANTISMO: UM</p><p>NOVO PARADIGMA PARA A</p><p>IDENTIDADE LITERÁRIA NACIONAL?</p><p>Wellington Freire Machado</p><p>INICIAR</p><p>Introdução</p><p>No século XIX o Romantismo coincidiu com diversos momentos de importância</p><p>vital para o Brasil, como a afirmação da identidade nacional, a independência do</p><p>então Reino Unido de Portugal, Brasil e Algarves, e também a abolição da</p><p>escravatura. Além disso, tido seu surgimento marcado por ecos do Barroco e o seu</p><p>desenvolvimento passado pelas academias árcades, a produção literária nacional</p><p>chegou ao seu amadurecimento depois de três séculos desde o descobrimento da</p><p>então Terra de Santa Cruz, primeiro nome dado ao Brasil por Pedro Álvares Cabral.</p><p>Nesse sentido, como o Romantismo se constituiu ao ponto de significar uma</p><p>renovação de paradigma? No presente capítulo estudaremos a produção literária</p><p>dos primeiros românticos, que injetaram sangue novo na produção nacional e</p><p>estabeleceram as bases para as gerações românticas sucessoras, como é o caso da</p><p>poesia indianista de Gonçalves Dias. Além disso, questões como o</p><p>ultrarromantismo de Álvares de Azevedo e a marca da segunda geração romântica</p><p>também serão contempladas.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 2/36</p><p>Por fim, dedicaremos atenção a dois momentos sinuosos no contexto do sistema</p><p>literário romântico nacional: a poesia abolicionista, através da pena de Castro</p><p>Alves, as relações desta literatura com os ideais românticos e, também, o projeto</p><p>literário de José de Alencar.</p><p>Mas você sabe qual a importância destas três gerações? Qual foi o panorama</p><p>sócio-histórico daquela época? Estes questionamentos, fundamentais para o</p><p>entendimento da relação indissociável entre literatura e sociedade, serão</p><p>respondidos ao longo deste capítulo.</p><p>Bom estudo!</p><p>2.1 Primeira fase da poesia romântica:</p><p>o nacionalismo indianista de</p><p>Gonçalves Dias</p><p>Historiograficamente o ponto inicial do Romantismo no Brasil foi a publicação do</p><p>livro de poemas “Suspiros Poéticos e Saudades” (1836), de Gonçalves de</p><p>Magalhães. Este registro, consenso entre críticos e historiadores literários, abriu</p><p>caminhos para a fomentação da atividade intelectual romântica. Gonçalves de</p><p>Magalhães publicava com um grupo de escritores e, junto a eles, fundou em Paris</p><p>uma revista intitulada “Niterói, revista brasiliense”.</p><p>Alfredo Bosi, em “História Concisa da Literatura Brasileira”, classifica estes poetas</p><p>precursores como “escritores de segunda planta” (BOSI, 1997, p. 106). Além de</p><p>Gonçalves de Magalhães, também foram precursores os poetas Torres Homem,</p><p>Pereira da Silva e Manuel de Araújo Porto Alegre.</p><p>Francisco de Sales Torres Homem (1812-1876) foi um importante poeta romântico. Torres Homem</p><p>possuía origem negra e posicionava-se contra a escravidão. Conta-se que, apesar de sua origem, o</p><p>poeta possuía o costume de esconder seu cabelo com perucas, além de usar pó de arroz para clarear a</p><p>VOCÊ O CONHECE?</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 3/36</p><p>pele. Para saber mais sobre o autor, consulte “História Concisa da Literatura Brasileira”, de Alfredo Bosi</p><p>(1997).</p><p>Ainda de acordo com Bosi (1997) este grupo recebeu grande apoio político do</p><p>imperador Dom Pedro II:</p><p>O grupo afirmou-se graças ao interesse de Pedro II de consolidar a cultura nacional</p><p>de que ele se desejava o mecenas [...] o jovem monarca ajudou quanto pôde as</p><p>pesquisas sobre o nosso passado, que se coloriram de um nacionalismo oratório,</p><p>não sem ranços conservadores, como era de se esperar de um grêmio nascido sob</p><p>tal patronato (BOSI, 1997, p. 107).</p><p>Graças ao apoio recebido do imperador foram publicados no âmbito deste grupo</p><p>importantes estudos históricos da literatura brasileira.</p><p>Pese a importância destes poetas e também a significância da Revista Niterói,</p><p>Gonçalves Dias é quem definitivamente entra para a história como um dos</p><p>primeiros grandes poetas românticos. Sem vínculo com o grupo de Gonçalves de</p><p>Magalhães, Gonçalves Dias talhou na pedra seu nome na literatura brasileira ao</p><p>cantar a pátria e também exaltar a figura do índio.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 4/36</p><p>Gonçalves Dias nasceu em Caxias (Maranhão) em 1823 e viveu até 1864. Seu</p><p>poema intitulado “Canção do Exílio” se tornou um dos mais significativos – e</p><p>populares – da literatura brasileira, sendo escrito, reescrito e adaptado para</p><p>diversas linguagens. Em “Formação da literatura brasileira: momentos decisivos”,</p><p>Antonio Candido afirma que Gonçalves Dias se destaca “[...] no medíocre</p><p>panorama da primeira fase romântica pelas qualidades superiores de inspiração e</p><p>consciência artística” (CANDIDO, 2009, p. 401).</p><p>Alfredo Bosi também não nega a relevância de Gonçalves Dias ao afirmar que este</p><p>foi o “[...] primeiro poeta autêntico a emergir em nosso Romantismo” (BOSI, 1997,</p><p>p. 114). A opinião relativa ao legado poético deixado por Gonçalves Dias é mais ou</p><p>menos unânime no âmbito da crítica e da historiografia literária, isso porque o</p><p>autor conseguiu – com destreza na arte poética – abordar temas como o índio, a</p><p>natureza e o amor.</p><p>Figura 1 - O Brasil oitocentista foi o período histórico no qual viveu Gonçalves Dias e outros autores do</p><p>Romantismo. Fonte: Mostovyi Sergii Igorevich, Shutterstock, 2018.</p><p>VOCÊ QUER LER?</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 5/36</p><p>No website oficial da Academia Brasileira de Letras é possível encontrar a biografia completa de Antonio</p><p>Gonçalves Dias. O texto é gratuito para consulta e oferece informações precisas sobre a vida do autor.</p><p>Para ler acesse o endereço: .</p><p>O índio na poesia de Gonçalves Dias ocupa o centro e é apresentado como uma</p><p>figura de importância inegável na constituição do nosso passado heroico. No</p><p>poema “Canção do Tamoio” percebemos, por exemplo, um eu-lírico que dialoga</p><p>diretamente com este guerreiro cuja principal fortaleza é a dignidade e a luta:</p><p>http://www.academia.org.br/academicos/goncalves-dias/biografia</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 6/36</p><p>Ser forte é a única opção deste herói, a quem não lhe resta outras chances senão</p><p>enfrentar as adversidades com bravura e perpetuar-se na memória das gerações</p><p>sucessoras ao seu existir. O índio, em Gonçalves Dias, possui uma relação</p><p>imanente com a natureza, lugar de onde vem e onde vive com bravura.</p><p>A questão da força diante da infelicidade é algo que se repete em outros poemas.</p><p>Observe o poema “Espera”:</p><p>Fonte: DIAS, 1959, s. p.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 7/36</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 8/36</p><p>Neste poema percebemos uma visão consoladora diante das adversidades. O</p><p>homem, na expressão deste eu-lírico, precisa recorrer à fé em Deus, sua única</p><p>fortaleza. Esta construção temática se afina à visão empregada em outros poemas,</p><p>como no já citado “Canção do Tamoio”: é preciso uma postura resiliente diante</p><p>das adversidades.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>O livro de poemas “Primeiros Cantos” se encontra disponível no site Domínio Público. Esta é uma</p><p>das obras mais importantes do poeta</p><p>maranhense. Para ler a obra originalmente publicada em</p><p>1847 ̶ acesse o endereço: .</p><p>Gonçalves Dias também cantou a bravura e a coragem do homem nativo. Observe</p><p>o canto “Canção do Guerreiro”:</p><p>Fonte: DIAS, 1959, s. p.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000115.pdf</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000115.pdf</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=Wu… 9/36</p><p>O poema, que pode ser recitado como um canto indígena, apresenta a tônica que</p><p>caracterizará os traços mais marcantes da obra do poeta. Candido afirma que</p><p>Gonçalves Dias “procura nos comunicar uma visão geral do índio, por meio de</p><p>cenas ou feitos ligados à vida de um índio qualquer cuja identidade é puramente</p><p>convencional e apenas funciona como padrão” (CANDIDO, 2009, p.404).</p><p>Fonte: DIAS, 1959, s. p.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 10/36</p><p>Ao conhecer o princípio do Romantismo no Brasil, com o grupo formado por</p><p>Gonçalves de Magalhães e o fomento à produção literária na Revista Niterói,</p><p>compreendemos a grandeza de Gonçalves Dias no contexto da primeira geração</p><p>romântica. Tendo isto em vista, estamos instrumentalizados para avançar ao</p><p>tópico seguinte, cujo foco principal é a segunda geração romântica.</p><p>2.2 Segunda fase da poesia romântica:</p><p>o ultrarromantismo de Álvares de</p><p>Azevedo</p><p>Se durante na primeira geração romântica é possível detectar uma profusão de</p><p>poemas acerca de questões como o nacionalismo e o indianismo, na segunda</p><p>geração ocorre um movimento de ruptura com estes ideais. A produção dos</p><p>autores que constituíram a segunda geração em nada lembra os valores exaltados</p><p>por poetas como Gonçalves de Magalhães, Torres Homem, Pereira da Silva,</p><p>Manuel de Araújo Porto Alegre e Gonçalves Dias.</p><p>A segunda geração é conhecida como Ultrarromantismo. Para os autores que</p><p>produziram no âmbito ultrarromântico predominava na produção poética uma</p><p>aura de fuga à realidade, com uma tonalidade trágica e traços depressivos. Um</p><p>sentimento constante de abandono da luta, agonia existencial, tristeza profunda e</p><p>isolamento são algumas das tônicas que caracterizam a obra de poetas como</p><p>Álvares de Azevedo (1831-1852), Junqueira Freire (1832-1855) e Fagundes Varella</p><p>(1841-1875). Curiosamente, morreram jovens estes três poetas que marcam a</p><p>história da literatura como pertencentes a esta geração romântica.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 11/36</p><p>Mas como surgiu esta poesia caracterizada, sobretudo, pela dor e pela angústia da</p><p>existência?</p><p>O grande referente – e que inspirou esses poetas – foi o inglês Lord Byron (1788-</p><p>1824). O perfil denso que permeou sua obra serviu de fonte de inspiração para</p><p>diversos poetas ao redor do mundo. Na atualidade, Byron é considerado um dos</p><p>maiores poetas anglófonos, ao lado de nomes como Wordsworth, John Milton e</p><p>Sylvia Plath.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A rede de comunicação britânica BBC lançou uma pesquisa com os maiores nomes da poesia de</p><p>literatura inglesa. Todos os nomes indicados e votados constam no website oficial, disponível em:</p><p>.</p><p>Figura 2 - A poesia como musa dos poetas, uma visão bastante presente na consciência literária dos</p><p>autores daquele período. Fonte: finwal89, Shutterstock, 2018.</p><p>http://www.bbc.co.uk/poetryseason/vote_results.shtml</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 12/36</p><p>Observe um trecho do poema “Versos inscritos em uma taça feita de um crânio”</p><p>de Lord Byron. Este poema congrega o halo de tristeza e pessimismo que</p><p>encontraremos, logo mais a frente, na poesia do jovem Álvares de Azevedo:</p><p>Perceba neste poema há uma predominância de palavras muito próximas ao</p><p>âmbito da morte. Ao realizar construções poéticas com palavras como “morri” (v.</p><p>5), “verme” (v. 7), “repugnantes” (v.8), “partido” (v. 13), “morto” (v. 15), “tristeza”</p><p>(v. 16), “vermes” (v. 18) o poeta expressa um profundo abandono da vida e de</p><p>qualquer perspectiva de salvação. Amor e morte se entrelaçam em um jogo</p><p>perigoso que resulta no fim de todos os seres: o perecimento. As coisas</p><p>supostamente boas da vida “vivi, amei, bebi” (v. 5) se encontram todas no</p><p>Fonte: BYRON, 2008, p. 9.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 13/36</p><p>pretérito perfeito. Seu estado atual é a morte, e a existência se resume a um</p><p>estado de miserabilidade considerável ao ponto de a própria terra renunciar os</p><p>ossos deste morto: “que renuncie a terra aos ossos meus” (v. 6).</p><p>Lord George Gordon Byron (1788-1822) foi um dos mais importantes poetas ingleses. Filho de uma rica</p><p>família, Byron possuía uma deformidade no pé esquerdo. Este problema fez o jovem mergulhar no</p><p>mundo da leitura, o que teria contribuído para que se convertesse no grande poeta hoje reconhecido.</p><p>Você pode ler mais sobre a biografia do autor no endereço: .</p><p>Envoltos nesta aura densa característica da poesia de Byron, os poetas que</p><p>produziram nesta estética experienciaram em vida o que hoje, em nível de</p><p>historiografia, se conhece como “mal do século”: vidas boêmias, dissabores,</p><p>soturnidade, mágoa, tristeza, doenças incuráveis e morte prematura. O mais</p><p>curioso na biografia destes poetas é que a morte prematura não apenas</p><p>caracteriza o teor dos versos mais pesados produzidos por eles, mas também uma</p><p>variável que se repetiu na vida de diversos deles.</p><p>Observe atentamente o seguinte poema:</p><p>VOCÊ O CONHECE?</p><p>http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html</p><p>http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 14/36</p><p>Para além da questão estética, este poema constitui um episódio triste da história</p><p>da literatura brasileira. Álvares de Azevedo concebeu esta poesia com apenas 20</p><p>anos de idade. No poema percebemos um eu-lírico que conjectura o que</p><p>aconteceria com sua família após sua própria morte, como podemos comprovar</p><p>no primeiro quarteto. O poeta reconhece que a morte interromperia um futuro</p><p>literário de reconhecimento, coroado pelos louros da glória.</p><p>Além da perspectiva de um futuro glorioso, a consciência da beleza das coisas</p><p>“Que sol! que céu azul!” (v.9) demonstra a capacidade do eu-lírico em perceber a</p><p>natureza que lhe rodeia. Com a morte, o amor cessaria, assim como a ânsia da</p><p>glória. Nos últimos versos do poema percebemos que amorte calaria a dor no</p><p>peito que tanto lhe aflige:“A dor no peito emudecera ao menos / Se eu morresse</p><p>amanhã!” (v.15; v.16).</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 15/36</p><p>A história triste em torno deste poema se relaciona ao fato de que Álvares de</p><p>Azevedo faleceu tão só um mês após escrevê-lo. No enterro do jovem poeta,</p><p>Joaquim Manuel de Macedo – já consagrado romancista e autor de “A Moreninha”</p><p>(1844) – discursou e leu o poema “Se eu morresse amanhã”.</p><p>Mas afinal, quem foi este poeta que encerrou sua trajetória aos 20 anos de idade e</p><p>que registrou para sempre</p><p>seu nome na poesia brasileira do século XIX?</p><p>Manuel Antônio Álvares de Azevedo nasceu no seio de uma rica família paulistana.</p><p>Aluno destacado e reconhecido por seus méritos, construiu sua obra poética ao</p><p>longo dos quatro anos em que estudou na Faculdade de Direito do Largo de São</p><p>Francisco. Um fato curioso ligado à biografia do poeta é que ele nunca chegou a</p><p>publicar os seus livros em vida.</p><p>Figura 3 - O chamado “mal do século” caracterizava-se pelos sentimentos de melancolia e tristeza que</p><p>acometiam os poetas da época. Fonte: jgolby, Shutterstock, 2018.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 16/36</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Foi num domingo, em 25 de abril de 1852, que o jovem poeta Álvares de Azevedo – já em seu leito</p><p>de morte – clamou para que sua mãe chamasse um padre. O poeta já se encontrava moribundo há</p><p>40 dias. Após pedir para que a matriarca da família saísse do quarto, conta-se que o poeta dirigiu-</p><p>se ao seu pai e disse: “Que fatalidade, meu pai” (ESTEVES, 2010, p. 110). Álvares de Azevedo não</p><p>viveu para ver o sol no dia seguinte.</p><p>Sobre a obra de Álvares de Azevedo, Antonio Candido é taxativo:</p><p>Dentre os poetas românticos, Álvares de Azevedo é o que não podemos apreciar</p><p>moderadamente: ou nos apegamos à sua obra passando por sobre defeitos e</p><p>limitações que a deformam, ou a rejeitamos com veemência, rejeitando a magia</p><p>que dela emana (CANDIDO, 2009, p. 493).</p><p>Candido (2009, p. 493) justifica que este poeta distingue-se dos demais pelo</p><p>simples fato de seu caso constituir uma “[...] notável possibilidade artística sem a</p><p>correspondente oportunidade ou capacidade de realização”. A história da curta</p><p>vida do poeta, indiscutivelmente entrelaçada com a sua produção, não permitiu –</p><p>ainda de acordo com Candido – que o poeta tivesse tempo para o senso crítico,</p><p>visto que sua produção foi concebida em um turbilhão de sensações e de</p><p>acontecimentos. Por causa disso, Candido sinaliza que nos cabe apenas amar ou</p><p>repelir o contexto geral da obra do jovem poeta.</p><p>O livro “Lira dos Vinte Anos” é dividido em duas faces: a primeira face se relaciona</p><p>com o anjo Ariel – personagem literário da obra “A tempestade” de William</p><p>Shakespeare. Nestes poemas há uma marca constante do sentimentalismo, do</p><p>amor não-realizado e de uma profunda tristeza. Já a segunda face diz respeito ao</p><p>demônio Caliban, expressado em um sentimento profundo de morbidez. O</p><p>deboche e a ironia também são constantes nas poesias desta parte do livro.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 17/36</p><p>Na primeira face o poeta esclarece:</p><p>São os primeiros cantos de um pobre poeta. Desculpai-os. As primeiras vozes do</p><p>sabiá não têm a doçura dos seus cânticos de amor. É uma lira, mas sem cordas; uma</p><p>primavera, mas sem flores; uma coroa de folhas, mas sem viço. Cantos espontâneos</p><p>Figura 4 - Escultura que</p><p>representa Ariel e Caliban, personagens aludidos em “A Lira dos Vinte Anos”. Fonte: Leonard Zhukovsky,</p><p>Shutterstock, 2018.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 18/36</p><p>do coração, vibrações doridas da lira interna que agitava um sonho, notas que o</p><p>vento levou — como isso dou a lume essas harmonias. São as páginas</p><p>despedaçadas de um livro não lido... E agora que despi a minha musa saudosa dos</p><p>véus do mistério do meu amor e da minha solidão, agora que ela vai seminua e</p><p>tímida, por entre vós, derramar em vossas almas os últimos perfumes de seu</p><p>coração, ó meus amigos, recebei-a no peito e amai-a como o consolo, que foi, de</p><p>uma alma esperançosa, que depunha fé na poesia e no amor — esses dois raios</p><p>luminosos do coração de Deus (AZEVEDO, 1996, p. 2).</p><p>Percebe-se nesta introdução o ideal de uma arte que expressa a alma em agonia</p><p>do poeta. É a realização do não-realizado: a lira sem cordas, a primavera sem</p><p>flores, a coroa de folhas sem o viço. A musa à qual o poeta se refere nesta</p><p>introdução pode ser entendida como a própria poesia: é ela quem exala os últimos</p><p>perfumes de seu coração, despida da solidão e da profunda angústia do eu-lírico.</p><p>O poeta clama para que o interlocutor receba esta poesia e a ame, visto que esta</p><p>consolou uma alma sofrida, porém esperançosa e com fé na poesia e no amor.</p><p>Na introdução da segunda face, quando se passa de Ariel para Caliban, o poeta</p><p>adverte o leitor a respeito do teor dos poemas que encontrará nas páginas que</p><p>seguem: “Cuidado, leitor, ao voltar esta página! Aqui dissipa-se o mundo visionário</p><p>e platônico. Vamos entrar num mundo novo, terra fantástica [...] Quase que depois</p><p>de Ariel esbarramos em Caliban.” (AZEVEDO, 1996, p. 60).</p><p>A questão que biparte o livro em dois gênios distintos que coabitam o mesmo</p><p>espaço – neste caso a alma do poeta – é elucidada nas palavras que abrem o</p><p>segundo momento da obra: “É que a unidade deste livro funda-se numa binômia:</p><p>– duas almas que moram nas cavernas de um cérebro pouco mais ou menos de</p><p>poeta escreveram este livro, verdadeira medalha de duas faces.” (AZEVEDO, 1996,</p><p>p. 60).</p><p>Essas duas faces às quais se refere, voltam-se para o interior de si próprio. Candido</p><p>(2009, p. 495) aponta que o poeta “[...] penetrou no âmago do espírito romântico,</p><p>no que se poderia chamar de individualismo dramático.”</p><p>VOCÊ QUER LER?</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 19/36</p><p>O livro de poemas intitulado “Lira dos Vinte Anos” se encontra disponível gratuitamente no website</p><p>Domínio Público. Para ler este conteúdo, acesse o endereço: .</p><p>Se a segunda geração romântica aponta para o interior do sujeito e nos mostra um</p><p>sentimento de profunda melancolia e desesperança no viver, a terceira geração</p><p>romântica se voltará para a questão social e se afastará dos temas mais</p><p>recorrentes na produção dos poetas da segunda geração.</p><p>No próximo tópico conheceremos a poesia de Castro Alves, a importância deste</p><p>poeta para o seu tempo e também para a literatura brasileira.</p><p>2.3 Terceira fase da poesia romântica:</p><p>poesia abolicionista de Castro Alves</p><p>A terceira geração do Romantismo congrega o ápice da produção romântica e</p><p>coincide com acontecimentos marcantes na história do Brasil, como o movimento</p><p>de abolição da escravatura. Os poetas que fizeram parte dessa geração</p><p>produziram nos anos 70 e 80 do século XIX e deixaram um legado poético de valor</p><p>significativo para a poesia brasileira, conforme ratifica a crítica e a história da</p><p>literatura no país.</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000021.pdf</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000021.pdf</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 20/36</p><p>A liberdade do negro em um contexto de abolição da escravatura é o tema mais</p><p>marcante deste período, e se registra na literatura de poetas como Castro Alves</p><p>(1847-1871) e Joaquim Nabuco (1849-1910). Não foi por acaso que a terceira</p><p>geração romântica ficou conhecida como “geração condoreira”, em alusão ao</p><p>condor e à liberdade inerente a essa ave natural da Cordilheira dos Andes. A ideia</p><p>de voo e de visão de longo alcance se relacionam com as características dessa ave,</p><p>sendo então a poesia destes autores uma espécie de grito de liberdade.</p><p>Mas quem foi Castro Alves, o poeta mais importante desta geração?</p><p>Antônio Frederico de Castro Alves (1847-1871), também conhecido pela alcunha</p><p>de “o poeta dos escravos”, foi um dos mais importantes poetas da sua geração.</p><p>Filho de uma família de classe média, nasceu no vilarejo baiano de</p><p>Curralinho –</p><p>atual cidade de Castro Alves – e foi criado em Salvador. Viveu também em Recife</p><p>(PE), onde teve maior contato com os principais fundamentos defendidos pelos</p><p>abolicionistas.</p><p>Figura 5 - A escravidão foi uma das páginas mais tristes de nossa história e tornou-se parte indissolúvel da</p><p>poesia de Castro Alves. Fonte: Shutterstock, 2018.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 21/36</p><p>Este período marcou para sempre a vida do poeta, que incorporou em sua arte o</p><p>tema pelo qual lutou, e que o tornou reconhecido como um dos maiores poetas</p><p>brasileiros.</p><p>No documentário Romantismo – São Paulo na Literatura (2004), o professor e ensaísta Ivan Teixeira</p><p>discorre sobre o Romantismo. No vídeo,Teixeira menciona o poeta Castro Alves, o romancista José de</p><p>Alencar e outros nomes importantes. Para assistir, acesse o endereço:</p><p>.</p><p>Ao discorrer sobre o poeta baiano, o crítico literário Antonio Candido equipara sua</p><p>grandeza ao triunfo criativo de Gonçalves Dias, nome mais marcante da primeira</p><p>geração romântica: “Ao grande pilar do Romantismo inicial, Gonçalves Dias</p><p>corresponde simetricamente, no fim do século, Castro Alves, como o outro apoio</p><p>da curva poética desse tempo” (CANDIDO, 2009, p. 583).</p><p>Na totalidade da poesia romântica, Castro Alves surge como o último grande</p><p>elemento integrado ao grande sistema literário. A grandeza do autor se caracteriza</p><p>não somente pela afinidade aos temas de seu tempo, mas também pelo domínio</p><p>da arte poética ao nível dos grandes poetas que o antecederam: “[...] da mesma</p><p>maneira que Gonçalves Dias para o índio, ele ficou sendo o cantor do negro</p><p>escravo; e, por extensão, dos oprimidos, que amou realmente com sentimento de</p><p>justiça” (CANDIDO, 2009, p. 583).</p><p>Observe na sequência um trecho de um dos poemas mais importantes de Castro</p><p>Alves, “Navio Negreiro”:</p><p>VOCÊ QUER VER?</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=dyKpZt1Fk6s&t=80s</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 22/36</p><p>Neste poema, um dos mais expressivos da inspiração poética do autor, o eu-lírico</p><p>traça um paralelo entre “ontem” e o “hoje”. O passado é visto como um momento</p><p>de glória, no qual se pode viver ao sabor da natureza e apartado das convenções</p><p>sociais. A bravura destas pessoas, descritas como verdadeiros guerreiros que</p><p>lutam ao lado de tigres e outros animais ferozes, se contrapõe ao estado de</p><p>miserabilidade absoluta na qual se encontram no “hoje”: “Hoje míseros escravos /</p><p>Sem luz, sem ar, sem razão”. O ontem se relaciona ao passado em Serra Leoa,</p><p>como se pode comprovar no primeiro verso da segunda estrofe citada</p><p>anteriormente.</p><p>Se é no continente africano onde o homem vivencia experiências próprias do seu</p><p>ambiente natural, como a guerra, a caça e a convivência com animais ferozes</p><p>como o leão, no presente poético o que há é desolação, como corroboram os</p><p>Fonte: ALVES, 2013, p. 24.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 23/36</p><p>versos: “Hoje... o porão negro, fundo / infecto, apertado, imundo”. O porão ao qual</p><p>o eu-lírico se refere é o porão dos navios negreiros que desembarcavam centenas</p><p>de pessoas vindas diretamente da África.</p><p>Outro ponto presente na poesia-denúncia de Castro Alves é a questão da peste: as</p><p>condições sub-humanas favoreciam a proliferação de doenças que dizimavam</p><p>grande parte daqueles homens, mulheres e crianças. Com a morte, o poeta</p><p>encerra a estrofe: “E o sono sempre cortado / Pelo arranco de um finado, / E o</p><p>baque de um corpo ao mar...”.</p><p>O poema possui seis partes. No começo da quinta parte percebe-se um</p><p>questionamento que se dirige a uma entidade superior. Observe os versos</p><p>seguintes:</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 24/36</p><p>O questionamento dirigido ao “Senhor Deus dos desgraçados” clama para que se</p><p>confirme ou rechace os horrores que acontecem entre o céu e o mar. Logo na</p><p>sequência a voz do eu-lírico questiona quem são os desgraçados, vítimas da fúria</p><p>do algoz. Ele clama, ainda, para que a Musa responda às suas inquietações.</p><p>Fonte: ALVES, 2013, p. 22.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 25/36</p><p>Ao mencionar as mulheres escravizadas, o eu-lírico estabelece uma relação destas</p><p>com Agar, personagem bíblico. Na história contada pela Bíblia, Agar foi a escrava</p><p>com quem Abraão teve um filho. A cópula teria ocorrido graças ao consentimento</p><p>de Sara, esposa de Abraão que não podia gerar um herdeiro. A partir deste</p><p>episódio, Agarengravidou e teve um filho chamado Ismael.</p><p>No poema, Castro Alves compara a desgraça das mulheres trazidas da África com a</p><p>desgraça da escrava egípcia Agar: “São mulheres desgraçadas / Como Agar o foi</p><p>também”. A relação entre estas se estabelece a partir da condição servil a qual são</p><p>submetidas. São mulheres que vieram de longe “Que sedentas, alquebradas, / De</p><p>longe... bem longe vêm...” e que carregam duas variáveis em comum: “Trazendo</p><p>em tíbios passos, / Filhos e algemas nos braços”. Ao término da estrofe, o poeta</p><p>expõe o trágico e o miserável da condição compartilhada por estas mulheres:</p><p>“Como Agar sofrendo tanto, / Que nem o leite de pranto / Têm que dar para</p><p>Ismael.”</p><p>Figura 6 - A escravidão é uma ferida que arde na poesia de Castro Alves. Fonte: Shutterstock, 2018.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 26/36</p><p>O filme Quilombo, dirigido por Cacá Diegues em 1984, retrata o período da escravidão no Brasil. Na</p><p>história um grupo de escravos se volta contra os senhores e se dirigem ao Quilombo dos Palmares, um</p><p>lugar que abriga os negros fugidos do trabalho forçado. Na época de seu lançamento o filme foi</p><p>indicado à Palma de Ouro, no importante festival de Cannes (França). Disponível em: .</p><p>A poesia de Castro Alves colaborou substancialmente para a realização da Lei</p><p>Imperial n.º 3.353 – a histórica Lei Áurea – sancionada pela princesa Isabel em</p><p>1888. Este documento significou a libertação de todos os escravos no território</p><p>brasileiro, e direcionou também para uma mudança significativa na sociedade</p><p>brasileira do seu tempo e dos tempos vindouros. O Brasil foi o último país a abolir</p><p>a escravidão na América.</p><p>Se para Candido (2009) o Romantismo na poesia foi marcado por Gonçalves Dias,</p><p>no princípio, e por Castro Alves, ao final, no âmbito da narrativa outros nomes</p><p>foram os destaques no período oitocentista.</p><p>No tópico seguinte conheceremos o projeto literário de José de Alencar, e a</p><p>importância deste projeto para o Brasil como nação e também para a literatura</p><p>brasileira.</p><p>VOCÊ QUER VER?</p><p>2.4 Prosa romântica: o projeto literário</p><p>de José de Alencar</p><p>José Martiniano de Alencar (1829-1877) nasceu em Messejana (Ceará) e legou uma</p><p>obra com nada menos de21 romances publicados em vida. O período de atividade</p><p>intelectual do escritor começou na segunda metade do século XIX e estendeu-se</p><p>até o fim dos seus dias. Alencar estudou na faculdade de Direito de São Paulo.</p><p>https://www.imdb.com/title/tt0091816/</p><p>https://www.imdb.com/title/tt0091816/</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 27/36</p><p>Com uma vida política ativa, Alencar foi deputado pelo estado do Ceará e ainda</p><p>pleiteou uma vaga no Senado. Segundo Deomira Stefani (1971),</p><p>Alencar teve sua</p><p>trajetória política marcada por notáveis embates com o imperador Dom Pedro II:</p><p>[...] devido a desentendimentos com D. Pedro II, não conseguiu ser eleito senador,</p><p>seu grande sonho. Apesar de bastante magoado, continua na política, retornando à</p><p>Câmara dos Deputados, em 1870 [...] sua teimosia, atrevimento e desrespeito ao</p><p>monarca, provam inúmeras polêmicas, encerrando assim a sua vida pública</p><p>(STEFANI, 1971, p. 7).</p><p>Fato incontestável é que Alencar se consagrou na condição de romancista, sendo</p><p>considerado pela historiografia e pela crítica um grande expoente da prosa</p><p>romântica. Mas o que a obra de José de Alencar tem de tão especial ao ponto de</p><p>fazer com que o autor perdure como um nome de relevância irrefutável na</p><p>literatura brasileira?</p><p>Para contemplar esta questão respeitaremos um itinerário de pontos</p><p>significativos. O primeiro destes pontos é a questão que diz respeito ao projeto</p><p>literário: José de Alencar foi um escritor que possuía um projeto para a literatura</p><p>brasileira. Quem diz isso é o próprio autor na introdução de seu livro Sonhos</p><p>D’Ouro (1872). Alencar afirma que a primeira fase da sua obra é o que intitula de</p><p>“fase primitiva”. A essa fase pertence a obra “Iracema”:</p><p>A primitiva, que se pode chamar de aborígine, são as lendas e mitos da terra</p><p>selvagem e conquistada; são as tradições que embalaram a infância do povo, e ele</p><p>escutava como o filho a quem a mãe acalenta no berço com as canções da pátria,</p><p>que abandonou. Iracema pertence a essa literatura primitiva, cheia de santidade e</p><p>enlevo, para aqueles que veneram na terra da pátria a mãe fecunda; alma mater, e</p><p>não enxergam nela apenas o chão onde pisam (ALENCAR, 1872 apud BOSI, 1997, p.</p><p>150).</p><p>O segundo período, de acordo com Alencar, é o período histórico. É neste período</p><p>em que o autor representa “[...] o consórcio do povo invasor com a terra</p><p>americana, que dele recebia a cultura e lhe retribuía nos eflúvios de sua natureza</p><p>virgem e nas reverberações de um solo esplêndido.” (ALENCAR, 1872 apud BOSI,</p><p>1997, p. 150). Este período é ainda marcado por o que o autor entende por</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 28/36</p><p>“gestação lenta do povo americano”, momento em que os nativos desta terra</p><p>deveriam “sair da estirpe lusa, para continuar no novo mundo as gloriosas</p><p>tradições de seu progenitor” (ALENCAR, 1872 apud BOSI, 1997, p. 150). Este</p><p>movimento culminou na independência do Brasil, encerrando o período colonial.</p><p>As obras que expressam essa essência são: O Guarani (1857) e Minas de Prata</p><p>(1866).</p><p>É possível encontrar a obra integral de José de Alencar no website . Lá, você poderá encontrar textos canônicos do autor como “Iracema”,</p><p>“O Gaúcho”, “Senhora”, “Ubirajara”, “Como e por que sou romancista”, “Lucíola” e tantos outros.</p><p>Por fim, a terceira fase expressa o que o autor chama de “infância de nossa</p><p>literatura”, que começou na independência política e, ao ver do romancista</p><p>cearense, ainda não havia acabado no tempo em que escreveu o prefácio de</p><p>“Sonhos D’Ouro”. Alencar expressa sua ânsia por escritores que expressem vigor</p><p>para poder formar o gosto nacional: “espera escritores que lhe dêem os últimos</p><p>traços e formem o verdadeiro gosto nacional, fazendo calar as pretensões hoje tão</p><p>acesas, de nos recolonizarem pela alma e pelo coração, já que não o podem pelo</p><p>braço.” (ALENCAR, 1872 apud BOSI, 1997, p. 150).</p><p>Os livros “O Tronco do Ipê”, “Til” e “O Gaúcho” são parte da ideia que conforma</p><p>esta terceira fase. Esta é a fase de romances regionalistas, os quais deveriam</p><p>abordar a essência do povo brasileiro em suas mais variadas singularidades.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>VOCÊ QUER LER?</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=71</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=71</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 29/36</p><p>De acordo com Bosi (1997), José de Alencar teve uma vida de produção intensa. Crônicas,</p><p>romances, uma autobiografia e até mesmo peças de teatro foram escritas pelo autor. Das peças</p><p>teatrais escritas através da pena de Alencar, destacam-se: “O Crédito” (1857), “O Demônio</p><p>Familiar” (1857), “Mãe” (1860) e “O Jesuíta” (1875).</p><p>Antes de tudo, cabe mencionar que Alencar buscou ser uma espécie de</p><p>hermeneuta do Brasil. Nas páginas da literatura alencariana é possível encontrar</p><p>os mais diversos rincões espalhados por todo o território nacional. Um dos pontos</p><p>de partida, por exemplo, é a própria terra de onde veio o romancista: as paisagens</p><p>cearenses, presentes em “Iracema”, e também o sertão do Nordeste brasileiro em</p><p>“O Sertanejo”.</p><p>O que Alencar não experienciou em vida, ele imaginou: foi assim que o romance</p><p>“O Gaúcho” foi escrito pelo romancista. Alencar jamais pisara no Rio Grande do Sul</p><p>quando escreveu o referido romance, mas buscou trazer para a literatura as mais</p><p>distintas idiossincrasias do povo daquela terra. OSudeste brasileiro também</p><p>esteve representado no romance “Til”, ambientado no interior paulista, e também</p><p>em “O tronco do ipê”, que se passa em uma fazenda no interior fluminense.</p><p>Além do regionalismo e a paisagem local, a alta sociedade de seu tempo também</p><p>foi retratada em obras que marcaram a história do romance romântico no Brasil,</p><p>como é o caso de “Senhora”, “Lucíola” e “Diva”, romances urbanos que retratam o</p><p>estilo de vida e os valores da sociedade burguesa de seu tempo.</p><p>Em “Lucíola” acompanhamos a trágica história de Maria da Glória (Lúcia), jovem</p><p>que, ao ser expulsa de casa, termina prostituindo-se e se convertendo em uma</p><p>mulher fria que explora seus ricos amantes. É no âmbito da corte que ocorre a</p><p>história, e nela podemos perceber uma profusão de situações e personagens</p><p>bastante característicos da sociedade daquele tempo, como a vida noturna a qual</p><p>frequentavam homens ricos e estudantes recém-chegados na capital nacional,</p><p>como é o caso de Paulo, o grande amor da vida de Lucíola.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 30/36</p><p>Em “Senhora”, considerado juntamente com “Iracema” e “Lucíola” um dos pontos</p><p>mais altos da carreira de Alencar, percebemos uma história de interesse e</p><p>vingança. Aurélia Camargo é uma jovem de família humilde que se apaixona</p><p>perdidamente por Fernando Seixas – um homem interesseiro que a abandona em</p><p>busca da tentativa de se casar com uma mulher rica. Nas voltas que a vida dá no</p><p>universo deste romance, a personagem principal se torna uma mulher rica após</p><p>herdar uma fortuna. Aurélia, então, decide preparar uma vingança contra</p><p>Fernando. Neste romance percebemos os interesses escusos de uma corte para</p><p>quem o status social e o dinheiro ocupam o topo da pirâmide de valores. Assim</p><p>como Lucíola, Aurélia é construída como uma das grandes mulheres fortes</p><p>presentes na ficção alencariana.</p><p>Figura 7 - O Romantismo foi um dos períodos de maior importância para o amadurecimento de nossa</p><p>literatura. Fonte: Shutterstock, 2018.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 31/36</p><p>Já em “Diva” a personagem feminina é Emília Duarte, jovem de grande</p><p>personalidade que, ao adoecer, se nega a receber os cuidados de Augusto Amaral,</p><p>o médico designado a cuidá-la. Augusto apaixona-se por Emília, apesar de a moça</p><p>nutrir uma profunda antipatia por ele. Juntamente com “Senhora” e “Lucíola”,</p><p>“Diva” constitui a tríade de personagens femininas cujo ponto forte é a</p><p>personalidade</p><p>marcante. Ao término do romance, Emília se assume apaixonada</p><p>pelo médico que salvou a sua vida.</p><p>A questão da formação da nacionalidade é uma marca importante no romance</p><p>alencariano. A cor-local, desde o princípio, é apresentada como algo inerente ao</p><p>próprio romance. Em advertência ao leitor no prólogo da primeira edição de</p><p>“Iracema”, Alencar diz:</p><p>O livro é cearense. Foi imaginado aí, na limpidez desse céu de cristalino azul, e</p><p>depois vazado no coração cheio das recordações vivaces de uma imaginação</p><p>virgem. Escrevi-o para ser lido lá, na varanda da casa rústica ou na fresca sombra do</p><p>pomar, ao doce embalo da rede, entre os múrmuros do vento que crepita na areia,</p><p>ou farfalha nas palmas dos coqueiros (ALENCAR, 2016, p. 3).</p><p>Em “O Guarani”, romance que acrescentou notório reconhecimento ao começo da</p><p>carreira de Alencar, aparecem personagens indígenas, como o índio goitacá Peri e</p><p>os índios aimorés. Em um cenário tipicamente brasileiro, personagens brancos</p><p>interagem com os indígenas. O amor de Ceci e Peri catapulta os personagens para</p><p>que estes revivam uma lenda indígena sobre a força do amor e da sobrevivência.</p><p>Sem dúvida, este é um dos romances mais belos de Alencar, que abriu as portas do</p><p>campo literário para o autor e permitiu que o romancista encontrasse solo fértil</p><p>para continuar produzindo e publicando.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>“O Guarani” foi adaptado para o cinema algumas vezes ao longo do século XX. Um fato curioso é</p><p>que a primeira adaptação da obra para o cinema data de 1912, e atualmente encontra-se</p><p>desaparecida. No final dos anos 1970, a história de Alencar foi adaptada por Fauzi Mansur. Norma</p><p>Bengell também realizou uma adaptação da obra, ao final dos anos 1990.</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 32/36</p><p>A vasta obra de José de Alencar oferece um inegável panorama do Brasil e</p><p>apresenta, pela primeira vez na história da literatura brasileira, a proposta de um</p><p>projeto de literatura. Não é por acaso que Alfredo Bosi afirma que o lugar de</p><p>centro no âmbito do Romantismo pertence a José de Alencar: “O lugar de centro,</p><p>pela natureza e extensão da obra que produziu, viria a caber com toda justiça a</p><p>José de Alencar” (BOSI, 1997, p. 148). Tampouco são vãos os elogios de Machado</p><p>de Assis em seu ensaio intitulado “Instinto de Nacionalidade”, quando se refere a</p><p>José de Alencar como um “fecundo e brilhante escritor” (ASSIS, 1873; 1959, p. 4).</p><p>"O Guarani" foi adaptado aos quadrinhos por Francisco Acquarone (1898-1954) e publicado em uma</p><p>versão fac-símile pelo Senado Federal. Você pode fazer o download gratuito diretamente no website do</p><p>Senado: .</p><p>A ideia de apresentar aos leitores personagens tipicamente brasileiros fez com que</p><p>a literatura de Alencar congregasse elementos de ordem diversa, conforme sinaliza</p><p>Bosi (1997, p. 148): “[...] passado e o presente, cidade e campo, litoral e sertão”.</p><p>A consciência sócio-histórico-geográfica de Alencar é a marca que carimba o nome</p><p>deste autor nas mais importantes histórias da literatura brasileira. Por essa razão,</p><p>não surpreende que, ainda no século XXI, pese a estética e as particularidades de</p><p>uma linguagem romântica, a obra do romancista cearense ainda se encontre na</p><p>base curricular do ensino de Literatura nas mais diversas escolas de nosso país.</p><p>VOCÊ QUER LER?</p><p>Síntese</p><p>Concluímos o estudo sobre a literatura romântica no Brasil. A partir deste</p><p>momento você conhece não só as três fases da literatura romântica no Brasil, mas</p><p>também o projeto literário de José de Alencar.</p><p>http://livraria.senado.leg.br/o-guarani-vol-235.html</p><p>http://livraria.senado.leg.br/o-guarani-vol-235.html</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 33/36</p><p>Neste capítulo, você teve a oportunidade de:</p><p>conhecer a primeira fase da poesia romântica através do nacionalismo</p><p>indianista de Gonçalves Dias;</p><p>conhecer a segunda fase da poesia romântica, o ultrarromantismo, através</p><p>da expressão de Álvares de Azevedo;</p><p>observar a poesia de Castro Alves no contexto abolicionista no Brasil e suas</p><p>relações com os ideais românticos;</p><p>conhecer o projeto literário de José de Alencar, contemplando as reflexões</p><p>do autor sobre a sua obra e também sobre o próprio projeto.</p><p>Bibliografia</p><p>ACADEMIA BRASILEIRA DE LETRAS. Gonçalves Dias [biografia]. Disponível em: . Acesso em:</p><p>25/06/2018.</p><p>ACQUARONE, F. O Guarany, romance de José de Alencar [adap. hq]. Correio</p><p>Universal, 1937, rep. f-s. Disponível em: . Acesso em: 25/06/2018.</p><p>ALENCAR, J. de. Como e por que sou romancista. Campinas: Fontes, 2005.</p><p>______. Iracema. Petrópolis: Vozes, 2016.</p><p>ALEXANDER, I. Formação nacional e cânone ocidental: literaturas e tradição no</p><p>novo mundo. Porto Alegre: EdiPUC-RS, 2013.</p><p>ALVES, C. O Navio Negreiro e Vozes d’África. (Série Prazer de Ler, n. 5). Brasília,</p><p>DF: Edições Câmara, 2013.</p><p>http://www.academia.org.br/academicos/goncalves-dias/biografia</p><p>http://www.academia.org.br/academicos/goncalves-dias/biografia</p><p>http://livraria.senado.leg.br/o-guarani-vol-235.html</p><p>http://livraria.senado.leg.br/o-guarani-vol-235.html</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 34/36</p><p>ARAÚJO, B. D. R. Mito e história encenados no “Navio Negreiro”. Ave Palavra, n. 12,</p><p>2. sem. 2011. Disponível em:</p><p>. Acesso em:</p><p>29/05/2018.</p><p>ASSIS, M. de. Notícia da atual literatura brasileira – Instinto de Nacionalidade</p><p>[1873]. In: ______. Machado de Assis: crítica, notícia da atual literatura brasileira.</p><p>São Paulo: Agir, 1959, p. 28-34. Disponível em: . Acesso em: 11/07/2018.</p><p>AZEVEDO, A. de. Lira dos Vinte Anos. São Paulo: Martins Fontes, 1996. Disponível</p><p>em: . Acesso em:</p><p>25/06/2018.</p><p>______. Poesias Completas. Rio de Janeiro: Ediouro, 1995.</p><p>BBC. The Nation’s Favourite Poet Result – TS Eliot is your winner! Disponível em: . Acesso em: 02/07/</p><p>2018.</p><p>BOSI, A. História Concisa da Literatura Brasileira. São Paulo: Cultrix, 1997.</p><p>BYRON, L. G. G. Poemas. Tradução de Péricles Eugênio da Silva Ramos. São Paulo:</p><p>Hedra, 2008.</p><p>CANDIDO, A. Formação da Literatura Brasileira: momentos decisivos. São Paulo:</p><p>Ouro sobre Azul, 2009.</p><p>CECCON, V. L. (Org.). Os Poetas – Lord George Gordon Byron (1788-1824).</p><p>Anotações de aula sobre o Romantismo Inglês – poesia. Faculdade de Letras da</p><p>Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2011-2012. Disponível em:</p><p>http://www.bbc.co.uk/poetryseason/vote_results.shtml</p><p>http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html</p><p>http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 35/36</p><p>tras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html</p><p>(http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html)>. Acesso em:</p><p>25/06/2018.</p><p>DIAS, G. Poesia completa e prosa escolhida. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959.</p><p>______. Primeiros Cantos. Poesia, Coleção Nossos Clássicos. São Paulo: Agir,</p><p>1969. Disponível em:</p><p>. Acesso em:</p><p>25/06/2018.</p><p>DOMÍNIO PÚBLICO. José de Alencar. Disponível em: . Acesso em: 03/07/2018.</p><p>ESTEVES, A. O romance histórico brasileiro contemporâneo (1975-2000). Assis:</p><p>Unesp, 2010.</p><p>GASPARETTI, A. M. (Org). Literatura Brasileira I. São Paulo: Pearson Education do</p><p>Brasil, 2015.</p><p>MOISÉS, M. Dicionário de termos literários. São Paulo: Cultrix, 2004.</p><p>OLIVEIRA, S. Análise de textos literários: poesia. Curitiba: InterSaberes, 2017.</p><p>PALMA, A. et al. O romantismo europeu –antologia bilíngue. São Paulo: Autêntica,</p><p>2013.</p><p>PEREIRA, L. M. Prosa de ficção (de 1870 a 1920). Belo Horizonte: Itatiaia, 1988.</p><p>PEREIRA, M. E. M. et al. Literatura brasileira: do quinhentismo ao romantismo.</p><p>Curitiba: InterSaberes, 2013.</p><p>QUILOMBO. Direção: Cacá Diegues. Produção: CDK; Embrafilme. Roteiro: Cacá</p><p>Diegues; João Felício dos Santos; Décio Freitas. Brasil/França, 1986, 119 min.</p><p>Disponível em: . Acesso em: 02/07/2018.</p><p>http://www.letras.ufrj.br/veralima/romantismo/poetas/byron.html</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/download/texto/bv000115.pdf</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=71</p><p>http://www.dominiopublico.gov.br/pesquisa/PesquisaObraForm.do?select_action=&co_autor=71</p><p>https://www.imdb.com/title/tt0091816/</p><p>https://www.imdb.com/title/tt0091816/</p><p>24/08/2022 06:08 Literatura Brasileira</p><p>https://student.ulife.com.br/ContentPlayer/Index?lc=XYGkcxI%2f587HRGPZOHIJtQ%3d%3d&l=YJjGY639QteTBA4a3hmNwA%3d%3d&cd=W… 36/36</p><p>ROMANTISMO – São Paulo na Literatura. Produção: Itaú Cultural. Brasil, 2004,</p><p>vídeo, 57 min. Disponível em: . Acesso em:</p><p>02/07/2018.</p><p>STEFANI, D. José Martiniano de Alencar. In: ALENCAR, J. de. O Guarani. São Paulo:</p><p>Ática, 1971.</p><p>VERÍSSIMO, J. História da Literatura Brasileira. Rio de Janeiro: José Olympio,</p><p>1969.</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=dyKpZt1Fk6s&t=80s</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=dyKpZt1Fk6s&t=80s</p>