Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Crie sua conta grátis para liberar esse material. 🤩

Já tem uma conta?

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

<p>AO DOUTO JUÍZO DA 1ª VARA CRIMINAL DA COMARCA DE TOLEDO – ESTADO DO PARANÁ.</p><p>Processo nº 0008856-04.2023.8.16.0170</p><p>BRUNO ADRIANO DE OLIVEIRA, já devidamente qualificado nos autos da Ação Penal supra mencionada, que lhe move a Justiça Pública, por seu defensor dativo nomeado na sequência 98.1, vem respeitosamente perante Vossa Excelência apresentar RESPOSTA À ACUSAÇÃO na forma do art. 396 e seguintes do CPP, e deduzir as causas e circunstâncias que justificam o descabimento da persecução penal, para o que aduz as seguintes razões:</p><p>I – DA DENÚNCIA</p><p>Na data de 10/10/2023 (mov. 51.1), foi recebida a denúncia em face do réu, contendo as especificações em seu desfavor.</p><p>A r. denúncia de seq. 39.1 aduz, resumidamente, que na data de 13 de agosto de 2023, por volta das 23h10min, teria o réu agredido sua convivente, no âmbito doméstico, causando lesões corporais.</p><p>Desta forma, teria o réu incidido na prática prevista no artigo 129, §13º, em liame com as disposições da lei nº 11.340/2006.</p><p>II – DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS</p><p>II.A – PRELIMINARES</p><p>O denunciado merece a absolvição sumária em relação aos fato tipificado lhe apontado.</p><p>De pronto, ao analisar os autos se infere a inexistência de exame de corpo de delito, elemento imprescindível para confirmar as alegadas lesões.</p><p>Inexistindo o laudo ou qualquer documento válido para demonstração de suposta lesão, por lógica somente resta a hipótese de declaração unilateral da vítima, que não pode ser admitida como amparo de comprovação.</p><p>Ainda que os relatos da vítima sejam apreciados, o laudo se mostra inafastável para verificação da compatibilidade entre o descrito e o resultado tecnicamente apurado, constituindo afronta ao princípio in dubrio pro reo qualquer conclusão em sentido contrário.</p><p>Sendo assim, deve ser considerado que o presente feito criminal se iniciou sem qualquer prova das alegações da vítima, amparada somente em relato unilateral sem o mínimo de embasamento.</p><p>Destaca-se, que a vítima não apresentou qualquer justificativa para não realização do exame de corpo de delito, constando nos autos todas informações e notificações necessárias a orientação da vítima neste tocante.</p><p>Em se tratando de suposto dano que deixa vestígios, é inadmissível que tal feito se prolongue sem qualquer demonstração dos alegados danos, que seriam fáceis de auferir caso realmente tivessem ocorrido.</p><p>A jurisprudência é robusta neste sentido, sendo inclusive entendimento do Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos:</p><p>AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. LESÃO CORPORAL. ART. 129, "CAPUT", DO CP. MATERIALIDADE DELITIVA. AUSÊNCIA DE EXAME DE CORPO DE DELITO VÁLIDO. 1. Considera a lei indispensável a prova técnica nas infrações que deixam vestígios, admitindo, apenas em caráter excepcional, que a ausência do exame pericial seja suprido pela prova testemunhal, nas hipóteses em que não for possível a realização de perícia ou os traços indicativos do fato a ser constatado pelo exame tiverem desaparecido (arts. 158 e 167 - CPP). 2. Ausente prova pericial válida, bem como não apresentada motivação acerca de situação excepcional que dispensasse a confecção do laudo pericial, cabível a absolvição do delito de lesão corporal, em razão da falta de demonstração da materialidade delitiva. 3. Agravo regimental improvido.</p><p>(STJ - AgRg no REsp: 1994384 SC 2022/0093302-2, Data de Julgamento: 09/08/2022, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 15/08/2022)</p><p>Como reforço das alegações defensivas, se apresenta julgado igualmente oriundo do Superior Tribunal de Justiça, no sentido da necessidade de absolvição quando não existe qualquer outro documento demonstrativo das alegadas lesões:</p><p>AGRAVO REGIMENTAL NO HABEAS CORPUS. VIOLÊNCIA DOMÉSTICA. LESÃO CORPORAL. AUSÊNCIA DE EXAME DE CORPO DE DELITO. FOTOGRAFIA NÃO PERICIADA DO ROSTO DA VÍTIMA. INSUFICIÊNCIA PROBATÓRIA. ABSOLVIÇÃO DE RIGOR. 1. O exame de corpo de delito direto, por expressa determinação legal, é indispensável nas infrações que deixam vestígios (art. 158 do CPP). Por outro lado, nos crimes de violência doméstica, dispõe a Lei n. 11.340/2006, que a autoridade policial deverá determinar a realização do exame de corpo de delito da ofendida, e requisitar outros exames periciais necessários (art. 12, IV), e que "Serão admitidos como meios de prova os laudos ou prontuários médicos fornecidos por hospitais e postos de saúde" (art. 12, § 3º) 2. Nos delitos de lesão corporal em sede de violência doméstica, o exame de corpo de delito propriamente dito pode ser dispensado, acaso a materialidade tenha sido demonstrada por outros meios de prova ( AgRg no AREsp 1.009.886/MS, Relator Ministro Reynaldo Soares da Fonseca, Quinta Turma, DJe 24/2/2017). 3. No caso, onde nada disso ocorreu, uma simples fotografia do rosto da vítima, não periciada, não constitui prova suficiente de materialidade, senão um indicio leve, sendo a absolvição de rigor (portanto). 4. Agravo regimental provido.</p><p>(STJ - AgRg no HC: 691221 DF 2021/0283283-4, Data de Julgamento: 26/04/2022, T6 - SEXTA TURMA, Data de Publicação: DJe 29/04/2022)</p><p>Em alinhamento ao entendimento jurisprudencial descrito, se depreende falta de justa causa para o exercício da ação penal, visto que, em continuando o feito, se debruçará sobre uma mera opinião, um mero palpite, que é o status de uma acusação de lesão física debruçada sobre meras alegações, e sendo ainda mais questionável quando a realização da perícia seria plenamente possível, permeando de dúvidas ainda mais a questão.</p><p>Ante isto, pugna o acusado pela apreciação preliminar do presente, principalmente em virtude do disposto pelo artigo 395 do Código de Processo Penal, em especial seu inciso III, que estatui:</p><p>Art. 395. A denúncia ou queixa será rejeitada quando</p><p>I - for manifestamente inepta;</p><p>II - faltar pressuposto processual ou condição para o exercício da ação penal; ou</p><p>III - faltar justa causa para o exercício da ação penal.</p><p>Após constatada a falta de justa causa para o exercício da ação penal, ou a ocorrência de qualquer das outras hipóteses elencadas no artigo 395 e incisos, automaticamente incidirá no estatuído pelo artigo 397 do CPP, que aduz:</p><p>Art. 397. Após o cumprimento do disposto no art. 396-A, e parágrafos, deste Código, o juiz deverá absolver sumariamente o acusado quando verificar:</p><p>I - a existência manifesta de causa excludente da ilicitude do fato;</p><p>II - a existência manifesta de causa excludente da culpabilidade do agente, salvo inimputabilidade;</p><p>III - que o fato narrado evidentemente não constitui crime; ou</p><p>IV - extinta a punibilidade do agente.</p><p>Ainda, devem ser analisadas as causas que acarretam nulidade processual, onde se confirmará que a ação penal não deverá prosseguir, conforme artigo 564, III, “b” do Código de Processo Penal:</p><p>Art. 564. A nulidade ocorrerá nos seguintes casos:</p><p>........</p><p>III - por falta das fórmulas ou dos termos seguintes:</p><p>.......</p><p>b) o exame do corpo de delito nos crimes que deixam vestígios, ressalvado o disposto no Art. 167;</p><p>....</p><p>IV - por omissão de formalidade que constitua elemento essencial do ato.</p><p>Portanto, tendo em vista os apontamentos relevantes no sentido de corroborar quão fragilizada se encontra a presente acusação criminal, deve ser rejeitada a denúncia, com a absolvição sumária do acusado.</p><p>A insistência no presente processo criminal pode acarretar graves e irreparáveis prejuízos ao acusado, posto que está amparada unicamente em relatos unilaterais, desprovidos de qualquer guarida, e que automaticamente obrigam o acusado a desmentir relatos inverídicos para se quedar finalmente absolvido, configurando situação de desequilíbrio que atinge diretamente o acusado, abruptamente agravada pelo fato do acusado ser réu ausente, fator que limita extremamente a defesa.</p><p>Ademais, deve ser elencado que o trâmite processual acerca de situação que sinaliza totalmente a inexistência de crime, ou do mesmo modo, a impossibilidade da aplicação de qualquer sanção ao denunciado, não pode prosperar pois automaticamente desloca a máquina judiciária para situação totalmente descabida, em</p><p>detrimento de situações elementares.</p><p>Desta feita, pugna pela absolvição sumária do acusado em decorrência das alegações acima elencadas.</p><p>II.B – DO MÉRITO</p><p>No tocante ao mérito a ser eventualmente discutido na questão, se reserva a defesa do denunciado em aprofundar no tema somente no momento oportuno, sob pena de severo prejuízo ao acusado pela sobreposição dos esclarecimentos.</p><p>Enquanto a alegação preliminar de mérito exige e recomenda uma rápida exposição, para que se consolidem em cunho preliminar, as alegações finais dependem de todos os levantamentos a serem realizados no curso processual, em especial os probatórios, para serem devidamente construídas.</p><p>Portanto, se reserva a defesa no direito de adentrar no mérito somente em sede de alegações finais, ocasião na qual os fatos já estarão pormenorizados e filtrados, além de já concluído o percurso probatório, possibilitando assim o devido confronto das informações de modo a ser alcançada a verdade real.</p><p>III – DOS PEDIDOS</p><p>Por todo o exposto, pugna ante Vossa Excelência:</p><p>a) Pela apreciação das preliminares de mérito, concedendo a absolvição sumária do denunciado, por todo discorrido no capítulo competente;</p><p>b) Caso seja rejeitada a absolvição sumária e mantida a denúncia, pleiteia desde logo pela absolvição do réu ao final do processo, sem prejuízo da explanação de mérito restar reservada ao momento das alegações finais;</p><p>c) Pugna desde logo que, caso advenha condenação, que sejam oportunizados os benefícios legais pertinentes, seja a transação penal, ou a substituição da pena por pena restritiva de direitos, conforme o caso;</p><p>d) Pugna desde logo pelo arbitramento dos honorários ao defensor nomeado;</p><p>Protesta provar o alegado por todas as provas em Direito admitidas, declarando desde logo que pretende também arrolar as testemunhas já arroladas pelo Ministério Público.</p><p>Termos em que,</p><p>Pede deferimento.</p><p>Toledo, 02 de setembro de 2024.</p><p>Ricardo Zimmermann</p><p>OAB/PR 106.085</p>

Mais conteúdos dessa disciplina