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<p>Nicodemos Batista Borges Fernando Albregard Cassas e colaboradores Clínica analítico- -comportamental aspectos teóricos e práticos artmed</p><p>4 Episódios emocionais como interações entre operantes e respondentes Cassia Roberta da Cunha Thomaz ASSUNTOS DO CAPÍTULO Compreensão analítico-comportamental das emoções. Múltiplas funções de estímulos. o cuidado na aplicação de termos subjetivos, tais como ansiedade. Análise do comportamento complexo chamado ansiedade. É comum a concepção de que o comporta- complexo, a partir dos pressupostos dessa ci- mento é causado por aquilo que ocorre den- ência. tro da pele de uma pessoa (Skinner, 1953). As Para compreender a emoção do ponto emoções costumam ser bons exemplos de de vista da Análise do Comportamento, é im- causas internas do comportamento, e afirma- portante identificar a interação entre com- ções como "eles brigaram porque estavam portamento respondente e operante, e, por com raiva" ou "eu não consigo falar em públi- isso, uma breve definição de conceitos rela- CO porque fico ansioso" são comumente ob- cionados a estes se faz necessária. servadas na sociedade atual. O comportamento respondente refere- De acordo com Skinner (1974), o Beha- -se a uma relação entre organismo e ambien- viorismo Radical postula que a natureza da- te, denominada "reflexo", na qual a apresen- quilo que ocorre den- tação de um estímulo elicia uma resposta. Apesar de não ser tro da pele não difere Neste, a resposta é controlada exclusivamente vista como "causa", de qualquer compor- pelo estímulo antecedente, eliciador, ou seja, a emoção não é tamento observável negligenciada pela uma vez que o estímulo é apresentado, a res- análise do comporta- e, por isso, considera posta ocorrerá. Essa relação pode ser incondi- mento. Ao contrário, que a emoção não cional (inata) ou condicional, produto de é compreendida deve ter status causal. enquanto "fenômeno condicionamento respondente. complexo". De qualquer forma, Já o comportamento operante refere-se apesar de não ser vis- a uma relação entre organismo e ambiente na ta como "causa", a emoção não é negligencia- qual a emissão de uma resposta produz uma da pela Análise do Comportamento. Ao con- alteração no ambiente (consequência), a qual, trário, é compreendida enquanto fenômeno por sua vez, altera a probabilidade futura de</p><p>Clínica analítico-comportamental 41 ocorrência de respostas da mesma classe fun- postas que o antece- Um evento que cional. A consequência de uma resposta que dem; e eliciadora, em tornou-se discri- aumenta a probabilidade futura de respostas uma relação respon- minativo em uma da mesma classe é chamada de estímulo re- dente, uma vez que, relação operante discriminada possi- forçador. conforme afirmam velmente adquiriu O reforçamento de uma resposta cos- Darwich e Tourinho características que tuma ocorrer na presença de determinados (2005), o reforça- possibilitam exercer função de reforçador estímulos que pertencem a uma classe de mento de uma res- condicionado para estímulos antecedentes específica - e não em posta na presença de uma outra classe sua ausência. Esse reforçamento diferencial um estímulo não só de respostas que 0 anteceda, bem das respostas sob controle de estímulos ante- o faz adquirir função como de eliciador cedentes é denominado treino discriminati- discriminativa como condicionado para e faz com que, futuramente, estímulos também a de elicia- algumas relações respondentes. dessa classe de estímulos antecedentes pas- dor condicionado sem a evocar respostas funcionalmente se- das alterações corpo- melhantes que foram reforçadas em rais produzidas incondicionalmente pelo estí- sua presença. Situações frente às quais as res- mulo reforçador. Também, a resposta respon- postas foram contingentemente reforçadas dente eliciada pelo estímulo consequente passam, então, a exercer controle discrimi- pode tornar-se estímulo discriminativo para a nativo, evocando respostas funcionalmente classe de respostas operante, por acompanhar semelhantes que foram reforçadas contingentemente o estímulo reforçador, em sua presença. conforme sugere Tourinho (1997). Segundo Todorov (1985), essa relação O esquema a seguir, proposto por Da- de dependência entre a situação em que a res- rwich e Tourinho (2005), pode ilustrar essas posta é emitida, a resposta e a consequência é relações (Figura 4.1). chamada de tríplice contingência. Um estí- De acordo com Miguel (2000), há, mulo antecedente teria, então, três funções: também, eventos que aumentam momenta- discriminativa, evocando respostas reforçadas neamente a efetividade reforçadora de estí- em sua presença; reforçadora condicionada, mulos, bem como a probabilidade de ocor- aumentando a probabilidade futura de res- rência de todas as respostas reforçadas por es- SA R1 SCons SE1 SE2 SE1 R2 SA: estímulo antecedente à resposta operante; R1: resposta operante; SCons: estímulo consequente à resposta operante; SE1: estímulo eliciador incondicional ou condicional; R2: respostas fisiológicas respondentes; estímulo discriminativo presente no ambiente externo; SE2: estímulo eliciador condicional; estímulo discriminativo presente no ambiente interno FIGURA 4.1 Inter-relações entre processos respondentes e operantes. Fonte: Adaptado de Darwich e Tourinho (2005).</p><p>42 Borges, Cassas & Cols. ses estímulos. Tais eventos são chamados de ou seja, a uma altera- Emoção refere-se operações estabelecedoras. Por outro lado, os ção na probabilidade a relações em que eventos que diminuem momentaneamente a de uma classe de res- há alterações em efetividade reforçadora de um estímulo e a postas sob controle um conjunto amplo de comportamentos probabilidade de ocorrência de respostas re- de uma classe de estí- e de operações forçadas na presença desses são chamados de mulos. Um estímulo, ambientais. operações abolidoras (Laraway, Snycerski, antecedente ou con- Michael e Poling, 2003). sequente, também elicia respostas responden- As informações supracitadas parecem tes. As respostas respondentes presentes em indicar que olhar para os comportamentos uma emoção são aquelas dos músculos lisos e respondente e operante separadamente teria glândulas, afirma Skinner (1953). Portanto, um caráter principalmente didático, uma vez o episódio refere-se à relação en- que um evento ambiental antecedente pode tre eventos ambientais e todas as alterações evocar respostas reforçadas em sua presença em um conjunto amplo de diferentes classes (função discriminativa ou evocativa), alterar de respostas, não sendo redutível a uma única a efetividade momentânea de um estímulo classe de respostas ou atribuível a um único (função estabelecedora) e, ao mesmo tempo, conjunto de operações. eliciar respostas reflexas. Da mesma forma, Como exemplo, suponha-se que uma um estímulo consequente, além de alterar a pessoa perdeu um jogo em função de um erro probabilidade futura de uma classe de respos- do juiz. Ela dirá que "está com Do tas, pode passar a ter função de estímulo eli- ponto de vista de um analista do comporta- ciador condicional em uma outra relação, mento, isso possivelmente significa que respondente. A resposta respondente (priva- da) eliciada por esse 1. respostas que produzam dano ao outro, Analisar um fenôme- no complexo, como a estímulo pode, tam- como xingar, reclamar, gritar e socar terão emoção, envolveria, bém, tornar-se um sua probabilidade aumentada; então, olhar para estímulo discrimina- 2. respostas reflexas, como aumento dos bati- essas múltiplas funções dos estí- tivo privado para a mentos cardíacos, enrubescimento, o ofe- mulos em conjunto, classe de respostas re- gar serão eliciadas pela punição/extinção alterando a relação forçada por aquele característica da condição da perda do organismo-ambiente como um todo. estímulo consequen- jogo; te. Analisar um fenô- 3. a efetividade reforçadora de outros estí- meno complexo, como a emoção, envolveria, mulos, como a presença da família, pode- então, olhar para essas múltiplas funções dos rá diminuir, e a pessoa poderá relatar que estímulos em conjunto, alterando a relação "precisa ficar sozinha". organismo-ambiente como um A raiva, então, não seria somente o que a pessoa sente, mas toda esta alteração no re- EMOÇÃO E ANÁLISE DO pertório total do indivíduo. COMPORTAMENTO Essa situação pode ser ilustrada como mostra a Figura 4.2 a seguir. Para a Análise do Comportamento, a emoção Skinner (1953) sugere que algumas emo- não se refere a um estado do organismo e sim ções, como "simpatia" e "embaraço", envolvem a uma alteração na predisposição para ação alteração somente em parte do repertório de (Skinner, 1953; Holland e Skinner, 1961), um organismo, enquanto outras, como "raiva"</p><p>Clínica analítico-comportamental 43 R Condicional S Condicional Taquicardia, enrubescer, ofegar. SD Perda do Condição R SR+ jogo/injustiça para emissão Xingar, reclamar, Dano ao outro. do juiz. R agressão. gritar, socar. OE Para OA efetividade do Para efetividade de dano ao outro outros S, como contato enquanto com a família, como SR+ TODA ESTA RELAÇÃO = EPISÓDIO EMOCIONAL DENOMINADO RAIVA FIGURA 4.2 Representação de inter-relação entre processos respondentes e operantes num exemplo de raiva. e "ansiedade", alteram-no totalmente. Entre- sofreu inúmeras pu- Condições corporais tanto, sugere que esses termos cotidianos de- nições no trabalho e fisiologicamente vem ser usados com interage de forma iguais estão presen- A aplicação de tes em diferentes parcimônia, pois po- agressiva com esposa termos como emoções, 0 que as dem mascarar o fenô- "simpatia", "em- e filhos ao chegar em torna insuficientes "raiva", meno que deveria ser casa. No entanto, es- para caracte- "ansiedade", etc., considerado em um sas são relações dife- rizar episódios devem ser usados emocionais. com parcimônia em episódio emocional, rentes; agrupá-las sob uma análise, pois uma vez que o mes- o mesmo nome pode podem mo nome pode ser fazer com que as des- A emoção deve 0 fenômeno que usado sob controle de deveria ser conside- crições não corres- ser analisada em termos de relações rado, uma vez que 0 diferentes pondam às contin- entre organismo mesmo nome pode cias. Além disso, con- gências. e ambiente e ser usado sob con- dições corporais fisio- Com relação a não se restringir trole de diferentes contingências. logicamente iguais es- isso, Darwich e Tou- às condições corporais tão presentes em rinho (2005) suge- momentâneas. diferentes episódios emocionais, o que as torna rem que a definição insuficientes para caracterizá-los. Por exemplo, ou nomeação de um episódio emocional de- o termo "raiva" poderia ser usado tanto por veria ser produto não só da discriminação das uma pessoa que não consegue escrever uma condições corporais momentâneas como carta por não ter caneta quanto por outra que também da relação de contingência entre os</p><p>44 Borges, Cassas & Cols. estímulos (públicos e privados) e as respostas, fuga e esquiva aumentam de probabilidade e, isto é, da predisposição para ação. quando não o é, o efeito do estímulo condi- De qualquer forma, os episódios emo- cional cessa a emissão de outras respostas ope- cionais que implicam o repertório comporta- rantes. mental geral, nos quais as condições ambien- Esse último caso se refere à "supressão tais alteram o organismo como um todo de condicionada", proposta inicialmente por Es- tal forma que há uma interação entre o com- tes e Skinner (1941). No estudo desses auto- portamento operante e respondente, referem- res, ratos privados de -se a um episódio emocional descrito como alimento foram ex- Na ansiedade, quando sua emissão "emoção total" (Skinner, 1953, p. 166). Ge- postos a uma condi- é possível, respostas ralmente, essas são as emoções que aparecem ção operante na qual de fuga e esquiva como queixa clínica, e, por isso, parece im- respostas de pressão à aumentam de pro- babilidade e, quando portante ao clínico analítico-comportamental barra foram conse- não 0 é, 0 efeito do saber analisar essas contingências de forma a quenciadas com ali- estímulo condicional identificar toda a alteração comportamental cessa a emissão de mento em esquema outras respostas presente em um episódio emocional. de reforçamento in- operantes. A "ansiedade" é um exemplo de episó- termitente (intervalo dio emocional que implica todo o repertório fixo). Paralelamente, choques inescapáveis comportamental e, por isso, será discutida a eram antecipados por um som, desligado si- seguir.4 multaneamente à apresentação do choque. Inicialmente, observou-se que as apresenta- ções do som e/ou do choque não alteraram o ANSIEDADE padrão operante, mas, após sucessivas exposi- ções, a taxa de respostas durante a apresenta- Na Análise do Comportamento, o termo an- ção do som foi reduzida e, após o choque, au- siedade se refere a um episódio emocional no mentada. qual há interação entre comportamento ope- Os dados iniciais indicaram que tanto o rante e respondente. som quanto o choque, isoladamente, não afe- 0 termo ansiedade Zamignani e Banaco se refere a um taram a frequência de respostas de pressão à episódio emocional (2005) afirmam que barra (desempenho operante) mantidas por no qual há interação o episódio emocio- alimento. Com o passar do tempo, o estímulo entre comporta- nal denominado an- aversivo condicional mento operante e respondente. siedade refere-se não a sinalização do Um desempenho operante pode ser só a respostas respon- choque (e não o estí- comprometido pela dentes de taquicardia, sudorese, alteração na mulo aversivo incon- apresentação de um pressão sanguínea, etc., eliciadas por estímu- dicional o choque) estímulo aversivo condicional. Assim, los condicionais, como também a respostas foi capaz de afetar o é preciso consi- operantes de fuga e esquiva de estímulos aver- desempenho operan- a interação sivos condicionados e incondicionados, e a te mantido por refor- respondente- -operante. uma interação dessas contingências respon- çamento positivo, de- dentes e de fuga/esquiva com outro compor- monstrando como o desempenho operante tamento operante que poderia estar ocorren- pode ser comprometido pela apresentação de do no momento em que se apresenta o estí- um estímulo aversivo condicionado. O cho- mulo aversivo/condicional. Sugere-se que, que, em uma relação respondente, elicia inú- quando sua emissão é possível, as respostas de meras respostas incondicionais. A partir do</p><p>Clínica analítico-comportamental 45 condicionamento respondente entre som e mo/ambiente a ser consideradas em um epi- choque, o som se tornou um estímulo condi- sódio emocional. cional, sendo capaz de eliciar respostas condi- De qualquer forma, o paradigma da su- cionais que possivelmente interferiram no de- pressão condicionada parece indicar que, ao sempenho operante. se analisar um episódio emocional, não se Esse paradigma parece destacar aquilo pode considerar somente respostas respon- que é importante na compreensão de um epi- dentes; há outras al- sódio emocional: a interação entre o compor- terações no desem- Em alguns casos de queixa de ansiedade tamento respondente e o comportamento penho operante do é possível verificar operante, uma vez que demonstra experi- organismo que de- que: respostas que reduzam ou evitem mentalmente o fato de que um estímulo (no vem ser considera- contato com 0 caso, o som), ao mesmo tempo, elicia respos- das na análise. estímulo "ansióge- tas respondentes e compromete o desempe- Para ilustrar as no" são evocadas; nho operante. relações aqui pro- ocorre eliciação de respostas respon- Amorapanth, Nader e LeDoux (1999) postas, suponha que dentes e há uma afirmam que a supressão do comportamento uma pessoa diz ficar alteração no valor de operante em vigor, apesar de ser considerada muito ansiosa para estímulos apetitivos e/ou aversivos. uma medida indireta de paralisação (freezing) falar em público e Assim, a ansie- eliciada por estímulos condicionais (CS), po- que tem que apre- dade não se trata deria ser produto também de outro processo sentar um seminário daquilo que ocorre dentro da pele do comportamental. Para provar essa hipótese, no trabalho no final sujeito, mas sim da submeteram ratos ao procedimento clássico do dia. Ela afirmará relação que envolve de supressão condicionada e, posteriormente, a situação "ansióge- que, com o passar na" e das alterações a uma lesão na região Periaqueductal Gray do tempo, sente-se no repertório global (PAG) do Como resultado, esses cada vez mais ansio- do sujeito. autores identificaram que os animais subme- sa e que iria embora, tidos somente ao condicionamento choque se pudesse. Relata taquicardia, sudorese, res- (US) som (CS) apresentaram maior freezing piração ofegante e, na hora do almoço, diz e menor supressão do que aqueles submeti- que não vai comer porque perdeu o apetite. dos também à lesão na área PAG. A partir Quando seus colegas vêm conversar com ela e desses resultados, Amorapanth, Nader e Le- contar piadas, não se diverte com a compa- Doux (1999) sugeriram que processos distin- nhia deles e quer distância de pessoas. Na tos estariam envolvidos na eliciação de free- hora do seminário, gagueja, treme e olha para zing por estímulos condicionais e na supres- baixo. Nesse episódio, pode-se supor que são de respostas operantes. ocorram A pesquisa de Amorapanth, Nader e LeDoux (1999) parece indicar que a apre- 1. uma alteração na predisposição para res- sentação de um estímulo aversivo condicio- ponder respostas que reduzam ou evi- nal no caso, o som não só eliciaria res- tem contato com público terão maior pro- postas respondentes como também alteraria babilidade de ocorrência, enquanto res- a efetividade momentânea de reforçadores. postas que produzam aproximação de Se isso, de fato, ocorre, é possível que a apre- pessoas terão menor probabilidade de sentação de um estímulo aversivo condicio- ocorrência; nal também funcione como uma operação 2. eliciação de respostas respondentes, suar, abolidora,6 aumentando as relações organis- ofegar e ter taquicardia;</p><p>46 Borges, Cassas & Cols. 3. uma diminuição na efetividade reforçado- caso, a situação "an- Na fuga, a respos- ra de outros estímulos, como alimento e siógena") e, na esqui- ta é emitida sob companhia dos amigos. va, sob controle de controle de eliminar 0 estímulo aversivo adiá-lo (ou evitá-lo). (no caso, a situa- Para um analista do comportamento, a O estímulo que ante- ção ansiedade não seria aquilo que ocorre dentro cede a resposta de es- e, na esquiva, sob da pele do sujeito, mas sim toda a relação que controle de adiá-lo quiva é considerado (ou evitá-lo). 0 estí- envolve tanto a situação "ansiógena" quanto também um aversivo mulo que antecede a as alterações no repertório do sujeito produ- condicional. resposta de esquiva zidas nesta situação. é considerado Zamignani e também um aversivo A relação exposta anteriormente pode Banaco (2005) des- condicionado. ser ilustrada como mostra a Figura 4.3 a se- tacam que um estí- guir. mulo pode tornar-se aversivo condicional Em situações "ansiógenas", observa-se, não só via condicionamento direto com o es- quando possível, além do descrito anterior- tímulo aversivo incondicional. Isso seria pos- mente, maior incidência de respostas de fuga sível também por meio de transferência de e/ou esquiva. Na fuga, a resposta ocorre sob função de estímulos, por generalização de es- controle de eliminar o estímulo aversivo (no tímulos e/ou via formação de classes de estí- R Condicional S Condicional Empalidecer, suar, ofegar, ter taquicardia. OE Passagem do SR- Para R tempo Diminuição do efetividade do Esquiva do proximidade contato com contato social contato social. do seminário. outras pessoas. como OA Para efetividade de outros S, como alimento e piadas, como SR+ OE SR- Para Seminário R Diminuição de efetividade do (público) Olhar para baixo. contato com público público. enquanto R Condicional S Condicional Tremer. TODA ESSA RELAÇÃO = EPISÓDIO EMOCIONAL DENOMINADO ANSIEDADE FIGURA 4.3 Representação de inter-relações entre processos respondentes e operantes num exemplo de ansiedade.</p><p>Clínica analítico-comportamental 47 Um evento pode se mulos equivalentes. mais detalhadas sobre estes temas, veja os Capítulos tornar um aversivo Também, respostas 1 e 2 deste livro e Skinner (1953). condicional não só 2. Para um maior aprofundamento, sugere-se a leitura do episódio emocio- do Capítulo 3. por pareamento com um aversivo, mas nal podem passar a 3. O termo "episódio emocional" será aqui utilizado também através de fazer parte de outras como sinônimo de emoção e refere-se à alteração no transferência de fun- classes de respostas repertório comportamental que envolve interações ção de estímulos por entre desempenho operante e respondente. (mantidas por aten- generalização e/ou 4. O presente capítulo não tem por objetivo esgotar a através de equiva- ção social, por exem- discussão a respeito da ansiedade. Esta aparece aqui lência de estímulos. plo) e passarem a ser como um exemplo de possibilidade de análise de controladas pelos es- episódio emocional. Para uma discussão mais por- menorizada do tema, veja Banaco (2001); Zamig- tímulos que controlam estas outras classes. nani e Banaco (2005). Assim, é preciso considerar toda a complexi- 5. Lesões na área PAG, de acordo com Amorapanth e dade do episódio emocional quando a ideia colaboradores (1999), costumam bloquear o freezing for compreendê-lo. e manter outras respostas operantes inalteradas. 6. Essa é uma hipótese ainda incipiente levantada pelo presente capítulo. Há necessidade de mais investi- gações experimentais para que seja fortalecida. Na clínica REFERÊNCIAS Espera-se que o conteúdo apresentado te- nha deixado clara a complexidade do epi- Amorapanth, P., Nader K., & LeDoux J. E. (1999). Lesions sódio emocional, principalmente o fenô- of periqueductal gray dissociateconditioned freezing from meno popularmente conhecido como an- conditioned supression behavior in rats. Learning & siedade. Geralmente, as emoções apare- Memory, 6(5), 491-499. cem como queixa clínica, e o clínico pode Banaco, R. A. (2001). Alternativas não aversivas para trata- cair em erro ao considerá-las apenas do mento de problemas de ansiedade. In M. L. Marinho, & V. ponto de vista respondente e programar E. Caballo (Orgs.), Psicologia clínica e da saúde (pp. 192- 212). Londrina: Atualidade Acadêmica. intervenções que alterem esse aspecto da emoção. Catania, C. (1998). Aprendizagem: Comportamento lingua- Outro erro poderia ser optar por um gem e cognição. Porto Alegre: Artmed. tratamento exclusivamente medicamen- Darwich, R. A., & Tourinho, E. Z. (2005). Respostas emo- toso o que, talvez, alteraria o padrão res- cionais à luz do modo causal de seleçãos por consequências. pondente -, pois não se ensinaria um de- Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cognitiva, 7(1), 107-118. sempenho operante de enfrentamento, nem aumentaria a efetividade de outros Estes, W. K., & Skinner, B. F. (1941). Some quantitative estímulos como reforçadores positivos. properties of anxiety. Journal of Experimental Psychology, 29, 390-400. Olhar para ansiedade ou qualquer ou- tra emoção como um fenômeno comporta- Holland, J. G., & Skinner B. F. (1961). The analysis of beha- mental complexo envolve avaliar todas as vior: A program for selfinstruction. Nova York: McGraw-Hill. alterações comportamentais envolvidas no Laraway, S., Snycerski, S., Michael, J., & Poling, A. (2003). episódio emocional e, com isso, programar Motivating operations and terms to describe them: some intervenções clínicas que modifiquem toda further refinements. Journal of Applied Behavior Analysis, 36, 407-414. a relação organismo-ambiente característi- ca do episódio emocional. Miguel, (2000). O conceito de operação estabelece- dora na análise do comportamento. Psicologia: teoria e pes- quisa, 16(3), 259-267. Sidman, M. (1995). Coerção e suas implicações. São Paulo: Editorial Psy. NOTAS Skinner, B. F. (1953). Science and human behavior. Nova York: Macmillan. 1. O presente capítulo não tem por objetivo aprofun- Skinner, B. (1974). About behaviorism. New York: Vin- dar conceitos teóricos. Para definições e discussões tage Books USA.</p><p>48 Borges, Cassas & Cols. Todorov, J. C. (1985). O conceito de contingência tríplice Sobre comportamento e cognição (vol. 1). Santo na análise do comportamento humano. Psicologia: teoria e Arbytes. pesquisa, 1, 140-146. Zamignani, D.R., & Banaco, R. A. (2005). Um panorama Tourinho, E. Z. (1997). Privacidade, comportamento e o sobre os transtornos de ansie- conceito de ambiente interno. In R. A. Banaco (Org.), dade. Revista Brasileira de Terapia Comportamental e Cogni- tiva, 7(1), 77-92.</p>

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