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<p>APS - Teoria do Delito e Princípios Constitucionais Penais</p><p>1. Dos objetos de análise:</p><p>A jurisprudência escolhida trata-se do Habeas Corpus 713465 - RJ (2021/0402707-8),</p><p>com pedido liminar, julgado pelo Superior Tribunal de Justiça, cujo relator é o Ministro</p><p>Olindo Menezes e o princípio escolhido para resenha foi o Princípio da</p><p>Insignificância.</p><p>1.1. O Caso:</p><p>O Superior Tribunal de Justiça, deferiu liminar para suspender o cumprimento de pena</p><p>(1 ano e 3 meses de reclusão, em regime inicial fechado, e 12 dias-multa) imposta a</p><p>um homem condenado por furtar um pacote com 24 rolos de papel higiênico em uma</p><p>drogaria do Rio de Janeiro, avaliados em R$ 23,99.</p><p>O Tribunal sustentou que houve necessidade de se reconhecer a atipicidade material,</p><p>pois qualquer pena aplicada no caso em concreto seria desproporcional, levando-se</p><p>em conta a mínima lesão ao bem jurídico patrimônio, bem como o estado de</p><p>necessidade em que o homem se encontrava.</p><p>A corte ainda ressaltou que existem julgados no sentido da possibilidade de absolvição</p><p>em casos de reincidência, como é o caso dos autos.</p><p>2. Da opinião e resenha:</p><p>Diante do julgado supracitado, se faz necessário esclarecer que meu posicionamento</p><p>segue as mesmas premissas mencionadas pelo Superior Tribunal de Justiça pelos</p><p>seguintes argumentos:</p><p>O caso concreto se enquadra perfeitamente ao princípio da insignificância ou da</p><p>bagatela que decorre do entendimento que o direito penal não deve preocupar com</p><p>situações/condutas em que o resultado não é suficientemente grave, de modo que a</p><p>pretensão punitiva não é a medida que se impõe.</p><p>Ressalta-se que a insignificância pressupõe os seguintes requisitos:</p><p>1) Mínima ofensividade da conduta do agente;</p><p>2) Nenhuma periculosidade social da ação;</p><p>3) Reduzido grau de reprovabilidade do comportamento;</p><p>4) Inexpressividade da lesão jurídica provocada.</p><p>O primeiro e segundo fato são superados, uma vez que no caso dos autos o sujeito do</p><p>crime não agiu com violência ou grave ameaça e pelo fato do furto de um pacote de</p><p>papel higiênico não apresentar nenhum risco para a sociedade.</p><p>Já o terceiro e quarto requisito são alcançados pois a sanção de (1 ano e 3 meses de</p><p>reclusão, em regime inicial fechado, e 12 dias-multa) imposta ao homem seria</p><p>desproporcional, levando-se em conta a mínima lesão ao bem jurídico patrimônio, bem</p><p>como o estado de necessidade em que o sujeito do crime se encontrava.</p><p>Ressalta-se ainda que em situações semelhantes à dos autos, o tribunal já</p><p>reconheceu a tese da atipicidade material da conduta, com base no princípio da</p><p>insignificância.</p><p>Portanto, diante do valor insignificante do objeto furtado, inexistência de violência, bem</p><p>como precedentes favoráveis sobre esse tema, meu posicionamento é favorável em</p><p>seguir o Superior Tribunal de Justiça no sentido de reconhecer a atipicidade material.</p><p>São Paulo, 02 de Novembro de 2022.</p>

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