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<p>Fisiologia humana: uma abordagem integrada 451 REVISANDO 10. Compare os receptores e os canais Px = Permeabilidade ao íon X CONCEITOS envolvidos no acoplamento EC cardíaco com 1 os envolvidos no acoplamento EC no músculo 2 esquelético. (Dica: p. 383.) 0 11. Se uma célula contrátil miocárdica é colocada 20 no líquido intersticial e despolarizada, ela se contrai. Se 0 for removido do líquido 0 3 em torno das células miocárdicas e a célula de for despolarizada, ela não se contrai. Se esse experimento for repetido com fibras do músculo esquelético, ele contrai quando 4 despolarizado, se 0 estiver presente ou não no líquido circundante. Qual a conclusão -100 que você pode dos resultados desses 0 100 200 300 experimentos? Tempo (ms) 12. Um fármaco que bloqueia os canais de da membrana da célula miocárdica é Fase Canais de membrana colocado na solução em torno dela. 0 que 0 Os canais de Na+ se abrem acontece à força de contração nessa célula? 1 Os canais de Na+ se fecham 2 Canais de abertos; canais de K+ rápidos fechados 3 Canais de fechados; canais de K+ lentos abertos Os potenciais de ação no miocárdio variam 4 Potencial de repouso O músculo cardíaco, assim como o músculo esquelético e os neu- *Os números das fases são uma convenção. rônios, é um tecido excitável com a capacidade de gerar potenciais de ação. Cada um dos dois tipos de células musculares cardíacas QUESTÃO DA FIGURA tem um potencial de ação distinto, que varia um pouco no forma- Compare o movimento dos íons durante to, dependendo do local do coração onde ele é medido. Tanto no esse potencial de ação com o potencial miocárdio autoexcitável quanto no contrátil, o desempenha de ação dos neurônios (Fig. 8.9). um papel importante no potencial de ação, em contraste com os FIGURA 14.10 Potencial de ação das células cardíacas potenciais de ação do músculo esquelético e dos neurônios. Células miocárdicas contráteis Os potenciais de ação das células cardíacas contráteis são similares, de diversas maneiras, Fase 2: o platô. A repolarização inicial é muito breve. aos dos neurônios e dos músculos esqueléticos (p. 240). A fase de O potencial de ação, então, se achata e forma um platô despolarização rápida do potencial de ação é resultado da entrada como resultado de dois eventos: uma diminuição na per- de Na+, e a fase de repolarização rápida é devida à saída de meabilidade ao K+ e um aumento na permeabilidade ao da célula (FIG. 14.10). A principal diferença entre potencial de Ca2+ Os canais de Ca2+ dependentes de voltagem ativa- ação das células miocárdicas contráteis daqueles das fibras mus- dos pela despolarização foram abertos lentamente durante culares esqueléticas e dos neurônios é que as células miocárdicas as fases 0 e 1. Quando eles finalmente abrem, o Ca2+ entra têm um potencial de ação mais longo, devido à entrada de na célula. Ao mesmo tempo, alguns canais "rápidos" de K+ Analisaremos esses potenciais de ação mais longos. Por conven- se fecham. A combinação do influxo de Ca2+ com a dimi- ção, as fases do potencial de ação iniciam com zero. nuição do efluxo de K+ faz o potencial de ação se achatar Fase 4: potencial de membrana em repouso. As células e formar um platô. miocárdicas contráteis têm um potencial de repouso está- Fase 3: repolarização rápida. O platô termina quando os vel de aproximadamente 90 mV. canais de Ca2+ se fecham e a permeabilidade ao K+ aumen- Fase 0: despolarização. Quando a onda de despolariza- ta mais uma vez. Os canais lentos de responsáveis por ção entra na célula contrátil através das junções comuni- essa fase, são similares aos dos neurônios: eles são ativados cantes, potencial de membrana torna-se mais positivo. pela despolarização, mas são abertos lentamente. Quando Os canais de Na dependentes de voltagem se abrem, per- os canais lentos de se abrem, o K+ sai rapidamente e a mitindo que a entrada de despolarize rapidamente a célula retorna para seu potencial de repouso (fase 4). célula. O potencial de membrana atinge cerca de + O influxo de Ca2+ durante a fase 2 prolonga a duração antes de os canais de se fecharem. Estes são canais total do potencial de ação do miocárdio. Um potencial de ação de Na com duas comportas, similares aos canais de Na típico em um neurônio ou fibra muscular esquelética dura entre dependentes de voltagem do axônio (p. 245). 1 e 5 ms. Em uma célula miocárdica contrátil, o potencial de Fase 1: repolarização inicial. Quando os canais de se ação dura geralmente 200 ms ou mais. fecham, a célula começa a repolarizar à medida que o O potencial de ação miocárdico mais longo ajuda a im- deixa a célula pelos canais de K+ abertos. pedir a contração sustentada, chamada de tétano. A prevenção</p><p>452 Dee Unglaub Silverthorn do tétano no coração é importante porque o músculo cardíaco do potencial de ação imediatamente após o período refratário deve relaxar entre as contrações, de modo que os ventrículos causa a somação das contrações (Fig. 14.11d). Se uma série de possam encher-se com sangue. Para entender como um poten- potenciais de ação ocorrer em rápida sucessão, resultará em uma cial de ação mais comprido previne tétano, compararemos contração sustentada, conhecida como tétano. a relação entre os potenciais de ação, os períodos refratários (p. 245) e a contração em células dos músculos cardíaco e es- quelético (FIG. 14.11). REVISANDO 13. Quais íons se movendo em qual direção Como você pode lembrar, período refratário é período CONCEITOS causam as fases de despolarização e repolarização de um potencial de ação após um potencial de ação durante o qual um estímulo normal neuronal? não pode desencadear um segundo potencial de ação. No mús- culo cardíaco, o longo potencial de ação (curva vermelha) faz o 14. No nível 0 que está acontecendo durante 0 período refratário em neurônios e período refratário (fundo amarelo) e a contração (curva azul) ter- fibras musculares? minarem simultaneamente (Fig. 14.11a). Quando um segundo potencial de ação pode ocorrer, a célula miocárdica está quase 15. A lidocaína é uma molécula que bloqueia a ação dos canais de dependentes de completamente relaxada. Consequentemente, não ocorre soma- voltagem do coração. 0 que acontecerá ao ção (Fig. 14.11b). potencial de ação das células contráteis Em contrapartida, o potencial de ação e o período refratá- miocárdicas se a lidocaína for aplicada à rio do músculo esquelético terminam justamente com o início da célula? contração (Fig. 14.11c). Por esse motivo, o disparo de um segun- MÚSCULO CARDÍACO (a) Fibra muscular cardíaca: o período refratário se (b) período refratário longo no músculo mantém por quase todo o abalo muscular. cardíaco previne o tétano. Período refratário Pico 0 de 90 0 0 0 Período refratário 0 100 200 250 250 A Estímulo Tempo (ms) Tempo (ms) MÚSCULO ESQUELÉTICO (c) Fibra muscular esquelética de contração rápida: o período (d) Os músculos esqueléticos que são repetidamente refratário (em amarelo) é muito curto, comparado à quantidade estimulados apresentarão somação e tétano de tempo necessária para o desenvolvimento da tensão. (potenciais de ação não mostrados). Pico Tensão LEGENDA 0 máxima Estímulo para o de potencial de ação Potencial de ação (mV) Tensão muscular 90 0 Período Período refratário refratário 0 10 50 100 Estímulo Tempo (ms) Tempo (ms) FIGURA 14.11 Períodos refratários e somação. A somação no músculo esquelético leva ao tétano, o qual pode ser fatal se ocorrer no coração.</p><p>Fisiologia humana: uma abordagem integrada 453 Células miocárdicas autoexcitáveis O que confere às lar ao que acontece na junção neuromuscular quando um canal células miocárdicas autoexcitáveis a capacidade única de gerar não específico se abre [p. 371].) O influxo resultante potenciais de ação espontaneamente na ausência de um sinal de carga positiva despolariza lentamente a célula autoexcitável do sistema nervoso? Essa habilidade resulta do seu potencial de (Fig. 14.12b). À medida que o potencial de membrana se torna membrana instável, o qual inicia em 60 mV e lentamente as- mais positivo, os canais de fecham-se gradualmente, e alguns cende em direção ao limiar (FIG. 14.12a). Este potencial de mem- canais de se abrem. O resultante influxo de continua brana instável é chamado de potencial marca-passo, em vez de a despolarização, e o potencial de membrana move-se continua- potencial de membrana em repouso, uma vez que ele nunca per- mente em direção ao limiar. manece em um valor constante. Sempre que o potencial marca- Quando o potencial de membrana atinge o limiar, canais -passo depolariza até o limiar, as células autoexcitáveis disparam adicionais de dependentes de voltagem se abrem. O cálcio um potencial de ação. entra rapidamente na célula, gerando a fase de despolarização rá- que causa a instabilidade do potencial de membrana des- pida do potencial de ação. Observe que esse processo é diferente sas células? nosso conhecimento atual é de que as células auto- daqueles em outras células excitáveis, no qual a fase de despo- excitáveis contêm canais que são diferentes dos canais de outros larização é devida à abertura de canais de dependentes de tecidos excitáveis. Quando o potencial de membrana da célula é voltagem. 60 mV, os canais que são permeáveis tanto ao K+ quanto ao Quando os canais de Ca2+ se fecham no pico do potencial estão abertos (Fig. 14.12c). Os canais If são assim denomina- de ação, os canais lentos de estão abrindo (Fig. 14.12c). A fase dos porque eles permitem o fluxo da corrente (I) e devido às suas de repolarização do potencial de ação autoexcitável é devida ao propriedades não Os pesquisadores que primeiro descreve- resultante efluxo de K+ (Fig. 14.12b). Essa fase é similar à repo- ram a corrente ionica através desses canais não entenderam, na- larização em outros tipos de células excitáveis. quele momento, o seu comportamento e a denominaram corrente A velocidade na qual as células marco-passo despolarizam funny (engraçada), e, portanto, utilizaram o subscrito f. Os canais determina a frequência com que o coração contrai (a frequência I pertencem à família dos canais HCN, ou canais dependentes de cardíaca). O intervalo entre os potenciais de ação pode ser modi- cíclicos ativados por hiperpolarização. Outros membros ficado pela alteração da permeabilidade das células autoexcitáveis da família HCN são encontrados em neurônios. para diferentes o que, por sua vez, modifica a duração do Quando os canais I, se abrem em potenciais de membrana potencial marca-passo. Esse tópico é discutido em detalhes no negativos, o influxo de excede o efluxo de K+ (Isso é simi- final do capítulo. (a) potencial marca-passo torna-se (b) Movimentos ionicos durante (c) Estado dos vários canais gradualmente menos negativo, até um potencial de ação e um que alcança o limiar e dispara um potencial marca-passo. potencial de ação. 20 20 20 Canais de fechados, canais de K+ abertos. 0 0 K+ Muitos para dentro para fora canais Ca2+ abertos. 20 -20 20 Limiar -40 -40 Ca2+ para dentro Alguns canais de abertos. canais fechados. -60 -60 Canais Na+ para dentro (resultante) Canais abertos. Potencial Potencial abertos. marca-passo de ação Canais de K+ Tempo Tempo Tempo QUESTÕES DO GRÁFICO 1. Relacione as fases apropriadas 2. Qual dos seguintes aceleraria a taxa de do potencial de ação da célula despolarização do potencial marca-passo? miocárdica contrátil (Fig. 14.10) (a) aumento no influxo de Ca2+ às fases do potencial de ação (b) aumento no efluxo de K+ do marca-passo acima. (c) aumento no influxo de Na+ (d) nenhum desses. FIGURA 14.12 Potenciais de ação nas células autoexcitáveis cardíacas. As células autoexcitáveis têm potenciais de membrana instáveis, chamados de potenciais marca-passo.</p><p>454 Dee Unglaub Silverthorn A TABELA 14.3 compara os potenciais de ação dos dois 0 CORAÇÃO COMO UMA BOMBA tipos de músculos cardíacos com os do músculo esquelético. Em seguida, veremos como o potencial de ação das células au- Agora, vamos das células miocárdicas para o coração como um toexcitáveis se propaga pelo coração para coordenar a contração. todo. Como pode uma minúscula célula autoexcitável não con- trátil fazer todo o coração bater? E por que aqueles médicos que aparecem em programas de TV dão choques elétricos em seus REVISANDO 16. 0 que 0 aumento da permeabilidade ao K pacientes com pás elétricas quando seus corações não funcionam? CONCEITOS faz com 0 potencial de membrana da célula? Você está prestes a aprender as respostas para essas perguntas. 17. Um novo medicamento cardíaco. chamado de ivabradina, bloqueia seletivamente os Sinais elétricos coordenam a contração canais no coração. Qual efeito ele teria na frequência cardíaca e para qual condição Uma maneira simples de pensar no coração é imaginar um grupo médica ele pode ser utilizado? de pessoas paradas ao redor de um carro. Uma pessoa pode em- 18. Você pensa que os canais de nas células purrar o carro, mas ele provavelmente não irá muito longe, a me- autoexcitáveis e nas células contráteis são os nos que outras pessoas o empurrem também. Da mesma forma, mesmos? Justifique sua resposta. as células miocárdicas individuais devem despolarizar e 19. 0 que acontece ao potencial de ação de de modo coordenado para o coração gerar força suficiente para uma célula miocárdica autoexciável se for o sangue circular. aplicada à célula a tetrodotoxina. a qual A comunicação elétrica no coração começa com um po- bloqueia os canais de dependentes de tencial de ação em uma célula autoexcitável. A despolarização se voltagem? propaga rapidamente para as células vizinhas através das junções 20. Em uma experiência, 0 nervo vago, 0 qual comunicantes nos discos intercalares 14.13). A onda de des- conduz sinais parassimpáticos para 0 polarização é seguida por uma onda de contração, que passa pelo coração, foi cortado. Os investigadores átrio e depois vai para os observaram que a frequência cardíaca A despolarização inicia no nó sinoatrial (nó SA), as célu- aumentou. 0 que você pode concluir a respeito dos neurônios vagais que inervam 0 las autoexcitáveis no átrio direito que servem como o principal coração? marca-passo do coração (FIG. 14.14). A onda de despolarização, então, propaga-se rapidamente por um sistema especializado de TABELA 14.3 COMPARAÇÃO DOS POTENCIAIS DE AÇÃO NOS MÚSCULOS CARDÍACOS E ESQUELÉTICOS Músculo esquelético Miocárdio contrátil Miocárdio autoexcitável Potencial de Estável 70 mV Estável a 90 mV Potencial marca-passo instável; membrana normalmente começa em 60 mV Eventos que levam ao Entrada resultante de Na através A despolarização entra via Entrada resultante de através limiar do potencial dos canais dependentes de ACh junções comunicantes dos canais reforçada pela entrada de Fase de ascensão do Entrada de Entrada de Entrada de Ca2 potencial de ação Fase de repolarização Rápida; causada pelo efluxo de K Prolongamento do platô, Rápida; causada pelo efluxo de K' causado pela entrada de fase rápida, causada pelo efluxo de Hiperpolarização Devido ao efluxo excessivo de K+ Nenhuma; o potencia em Normalmente nenhuma; quando a durante a alta permeabilidade ao K+: repouso é de 90 mV, o repolarização atinge 60 os quando os canais de se potencial de equilíbrio do K canais se abrem novamente; a vazamento de K+ e restaura ACh pode hiperpolarizar a célula o potencial para o estado de repouso Duração do potencial Curta: 1 a 2 ms Prolongada: + 200 ms Variável; geralmente + 150 ms de ação Período refratário Geralmente curto Longo, uma vez a Não é significante na função restauração dos portões dos normal canais de Na persiste até o fim do potencial de ação</p><p>Fisiologia humana: uma abordagem integrada 455 Potenciais de ação das células autoexcitáveis Células do nó SA Corrente Potenciais de ação elétrica das células contráteis Células Disco intercalar com junções comunicantes FIGURA 14.13 Condução elétrica das células do miocárdio. As células autoexcitáveis disparam potenciais de ação esponta- neamente. As despolarizações das células autoexcitáveis propagam-se rapidamente para as células contráteis vizinhas através das junções comunicantes. condução, constituído de fibras autoexcitáveis não contráteis. represado na parte inferior dos ventrículos (pense em espremer Uma via internodal ramificada conecta o nó SA com o nó atrio- um tubo de creme dental começando pelo lado em que o creme ventricular (nó AV), um grupo de células autoexcitáveis perto sai). A contração do ápice para a base empurra o sangue para as do assoalho do átrio direito. aberturas das artérias situadas na base do coração. Do nó AV, a despolarização move-se para os ventrículos. A ejeção do sangue dos ventrículos é ajudada pelo arranjo As fibras de Purkinje, células de condução especializada dos ven- em espiral dos músculos nas paredes (Fig. 14.8a). Quando esses trículos, transmitem os sinais elétricos muito rapidamente para músculos contraem, eles aproximam o ápice da base, impulsionan- baixo pelo atrioventricular, ou feixe AV, também cha- do o sangue para fora através das aberturas no topo dos mado de feixe de His ("hiss"), no septo ventricular. Percorrido um Uma segunda função do nó AV é atrasar um pouco a curto caminho no septo, o se divide em ramos esquerdo transmissão do potencial de ação. Esse atraso permite que os e direito. Esses ramos continuam se deslocando para o ápice do átrios completem suas contrações antes do início da contração coração, onde se dividem em pequenas fibras de Purkinje, que se ventricular. atraso no nó AV ocorre devido à diminuição na espalham lateralmente entre as células contráteis. (As fibras de velocidade de condução dos sinais através das células nodais. Purkinje do miocárdio não devem ser confundidas com as cha- Os potenciais de ação aqui se movem com somente 1/20 da velo- madas células de Purkinje dos neurônios cerebrais.) cidade dos potenciais de ação na via internodal atrial. sinal elétrico para a contração começa quando o nó SA dispara um potencial de ação e a despolarização se propaga para Os marca-passos determinam a frequência as células vizinhas através das junções comunicantes (Fig. 14.14, A condução elétrica é rápida através das vias de condução cardíaca internodais 2 porém mais lenta através das células contráteis As células do nó SA determinam o ritmo dos batimentos car- do átrio 3 díacos. Outras células do sistema de condução, como as do nó Quando os potenciais de ação se espalham pelos átrios, AV e as fibras de Purkinje, têm potenciais de repouso instáveis e eles encontram o esqueleto fibroso do coração na junção entre os podem também agir como marca-passos sob algumas condições. átrios e os ventrículos. Esta barreira impede que os sinais elétri- cos sejam transferidos dos átrios para os ventrículos. Consequen- temente, o nó AV é o único caminho através do qual os poten- SOLUCIONANDO 0 PROBLEMA ciais de ação podem alcançar as fibras contráteis dos ventrículos. sinal elétrico passa do nó AV para o AV e seus Quando uma artéria coronária é bloqueada, o dano ao mús- ramos até o ápice do coração Os ramos subendo- culo cardíaco pela falta de oxigênio pode causar a morte cárdicos (fibras de Purkinje) transmitem os impulsos muito rapi- das células do miocárdio. A condução elétrica através do damente, com velocidades de até 4 ms, de modo que todas as cé- miocárdio deve, então, desviar das células mortas ou que lulas contráteis do ápice se contraem quase ao mesmo tempo 5 estão morrendo. Para tentar minimizar tanto dano, o médi- Por que é necessário direcionar os sinais elétricos através CO da sala de emergência adiciona um aos do nó AV? Por que não permitir que eles se espalhem dos átrios outros tratamentos de Walter. para os A resposta reside no fato de que o sangue é P5: Como os sinais elétricos passam de célula a célula no mio- bombeado para fora dos ventrículos através de aberturas locali- cárdio? zadas na porção superior dessas câmaras (ver Fig. 14.7a). Se o P6: que acontece com a contração de uma célula miocárdi- impulso elétrico vindo dos átrios fosse conduzido diretamente ca contrátil se a onda de despolarização desviar dela? para os estes iniciariam a contração pela parte su- perior. Logo, o sangue seria impulsionado para baixo e ficaria 436 439 449 455 466 468 472</p><p>456 Dee Unglaub Silverthorn 1 nó SA despolariza. Nó SA sombreado em púrpura nos passos 2 a 5 Nó AV representa a despolarização. 2 A atividade elétrica vai rapidamente para o nó 2 AV pelas vias 3 A despolarização se propaga mais lentamente através dos átrios. A condução demora através do nó AV. SISTEMA DE DO CORAÇÃO 4 A despolarização move-se rapidamente através do sistema de condução ventricular para o ápice do Nó SA coração. 3 Vias 5 A onda de despolarização espalha-se para cima a partir do ápice. Nó AV AV 4 Ramos Ramos subendocárdicos (fibras de Purkinje) 5 QUESTÃO DA FIGURA o que aconteceria à condução se o nó AV não pudesse mais despolarizar? FIGURA 14.14 o sistema de condução do coração. A sinalização elétricacomeça no nó SA. Entretanto, devido ao fato de seus ritmos serem mais lentos seguem o chefe. No coração, a ordem para seguir o chefe é o sinal do que o do nó SA, elas normalmente não têm a oportunida- elétrico enviado pelo nó SA para as outras células.* de de determinar o ritmo dos batimentos cardíacos. As fibras de Agora, suponha que o nó SA se sinta cansado e resolva sair Purkinje, por exemplo, podem disparar espontaneamente po- do grupo. O papel de chefe ficará com a próxima pessoa mais rápi- tenciais de ação, mas sua frequência é muito baixa, entre 25 e da, o nó AV, que está caminhando em um ritmo de 50 passos por 40 batimentos por minuto. grupo passa a caminhar mais devagar para acompanhar Por que o marca-passo mais rápido determina a frequência o nó AV, mas todos continuam a seguir a pessoa mais rápida. cardíaca? Considere a seguinte analogia: um grupo de pessoas está O que acontece se o grupo se dividir? Imagine que quando brincando de "siga o chefe" enquanto andam. Inicialmente, cada eles chegam a um cruzamento, o chefe nó AV vai para a esquerda, um caminha a uma velocidade diferente uns mais rápido, outros mas um grupo de fibras de Purkinje renegadas resolvem para a di- mais devagar. Quando o jogo começa, todos devem ajustar seu pas- reita. Aqueles que seguem o nó AV continuarão a andar a 50 passos SO de acordo com aquele que está caminhando mais rapidamente. A pessoa mais rápida do grupo é o nó SA, andando a 70 passos por minuto. Todos do grupo (células autoexcitáveis e contráteis) sabem *N. de T. nó SA determina a frequência cardíaca porque é o marca- que o nó SA é mais rápido e, então, eles acompanham seu ritmo e -passo mais rápido, ou seja, dispara potenciais de ação antes que os outros marca-passos.</p><p>Fisiologia humana: uma abordagem integrada 457 por minuto, mas os que seguirem as fibras de Purkinje andarão mais 0 eletrocardiograma reflete a atividade devagar, a fim de se ajustarem ao seu ritmo de 35 passos por minuto. Agora há dois chefes, cada um caminhando em um ritmo diferente. elétrica do coração No coração, o nó SA é o marca-passo mais rápido e nor- No final do século XIX, os fisiologistas descobriram que pode- malmente determina a frequência cardíaca. Contudo, se ele esti- riam colocar eletrodos na superfície da pele e registrar a ativida- ver danificado e não funcionar, um dos marca-passos mais lentos de elétrica do coração. É possível utilizar eletrodos na superfície do coração deverá assumir o ritmo. A frequência cardíaca então se para registrar a atividade elétrica interna porque as soluções sali- ajustará ao ritmo do novo marca-passo. Ainda existe a possibili- nas, como o nosso líquido extracelular à base de NaCl, são bons dade de que diferentes partes do coração sigam marca-passos di- condutores de eletricidade. Esses registros, chamados de eletro- ferentes, exatamente como o grupo que se dividiu no cruzamento. cardiogramas (ECGs ou, algumas vezes, EKGs do grego, kar- Em uma condição conhecida como bloqueio cardíaco completo, dia mostram a soma da atividade elétrica gerada pelas a condução dos sinais elétricos dos átrios para os ventrículos através células do coração do nó AV está bloqueada. nó SA dispara na sua frequência de 70 O primeiro ECG humano foi registrado em 1887, con- impulsos por minuto, porém, esses sinais jamais chegarão aos ven- tudo, procedimento não foi adaptado para uso clínico até os trículos. Os ventrículos, então, adaptam-se ao seu marca-passo mais primeiros anos do século XX. O pai do ECG moderno foi o rápido. Como as células autoexcitáveis dos ventrículos disparam fisiologista holandês Walter Einthoven. Ele nomeou as par- aproximadamente 35 vezes por minuto, os ventrículos contraem em tes do ECG como as conhecemos hoje e criou "triângulo de uma frequência muito menor do que a dos átrios. Se as contrações Einthoven", um triângulo hipotético criado ao redor do coração ventriculares são muito lentas para manter um fluxo sanguíneo ade- quando os eletrodos são colocados nos braços e na perna es- quado, pode ser necessário manter o ritmo cardíaco artificialmente querda (Fig. 14.15b). Os lados do triângulo são numerados para por um marca-passo mecânico implantado cirurgicamente. Estes corresponder às três derivações, ou pares de eletrodos, usados aparelhos alimentados por bateria estimulam artificialmente o co- para obter o registro. ração em uma frequência predeterminada. Um ECG registra uma derivação de cada vez. Um ele- trodo atua como eletrodo positivo da derivação, e um segundo REVISANDO 21. Indique duas funções do nó AV. Qual é 0 eletrodo atua como o eletrodo negativo da derivação. (O terceiro CONCEITOS propósito do atraso do nó AV? eletrodo é inativo.) Por exemplo, na derivação I, o eletrodo do 22. Onde está localizado 0 nó SA? braço esquerdo é definido como positivo, e o eletrodo do braço 23. Ocasionalmente, um marca-passo ectópico direito é definido como negativo. Quando uma onda elétrica se se desenvolve em partes do sistema de move através do coração diretamente para o eletrodo positivo, condução do coração. 0 que acontece com a a onda do ECG ascende da linha de base. (Fig. 14.15d). Se o frequência cardíaca se um marca-passo atrial movimento resultante de cargas pelo coração dirigir-se para ectópico despolarizar a uma frequência de o eletrodo negativo, o traçado move-se para 120 vezes por minuto? Um ECG não é a mesma coisa que um único potencial de ação. 14.15e). Um potencial de ação é um evento elétrico em uma única célula, registrado por um eletrodo intracelular. ECG é um registro extracelular que representa a soma de múltiplos FOCO CLÍNICO tenciais de ação ocorrendo em muitas células musculares cardía- cas. Além disso, as amplitudes do potencial de ação e do registro Fibrilação do ECG são muito diferentes. O potencial de ação ventricular tem uma variação de voltagem de 110 mV, por exemplo, mas o sinal do A condução coordenada dos sinais elétricos através do sis- ECG tem uma amplitude de somente 1 mV no momento em que tema de condução do coração é essencial para a função car- díaca normal. Em casos extremos, as células do miocárdio ele atinge a superfície do corpo. perdem toda a coordenação e contraem de maneira desor- Ondas do ECG Existem dois componentes principais em ganizada, uma condição chamada de fibrilação. A fibrilação atrial é uma condição comum, frequentemente sem sintomas, um ECG: as ondas e os segmentos (Fig. 14.15f). As ondas fa- que pode ter consequências graves (como o AVE) se não for zem parte do traçado que sobe e desce a partir da linha de base. tratada. A fibrilação ventricular, por outro lado, é uma ameaça Os segmentos são partes da linha de base entre duas ondas. Os in- imediata à vida, pois sem a contração coordenada das fibras tervalos são combinações de ondas e segmentos. Diferentes com- musculares, os ventrículos não conseguem bombear sangue ponentes do ECG refletem a despolarização ou a repolarização suficiente para suprir adequadamente oxigênio para o encé- dos átrios e dos ventrículos. falo. Uma forma de corrigir esse problema é administrar um As três principais ondas podem ser vistas na derivação I de choque elétrico no coração. choque cria uma despolariza- um registro eletrocardiográfico normal (Fig. 14.15f). A primei- ção que dispara um potencial de ação em todas as células ra onda é a onda P, a qual corresponde à despolarização atrial. simultaneamente, coordenando-as novamente. Você pro- O próximo trio de ondas, o complexo QRS, representa a onda vavelmente assistiu a este procedimento em programas de televisão sobre medicina de emergência, quando o médico progressiva da despolarização ventricular. Por vezes, a onda Q coloca as pás sobre o peito do paciente e diz para todos ao está ausente em um ECGs normal. A onda final, a onda T, re- redor se afastarem ("afasta!"), enquanto as pás (eletrodos) presenta a repolarização dos ventrículos. A repolarização atrial passam uma corrente elétrica através do corpo. não é representada por uma onda especial, mas está incorporada no complexo QRS.</p><p>FIGURA 14.15 CONTEÚDO ESSENCIAL 0 eletrocardiograma (a) eletrocardiograma (ECG) representa a soma (b) Triângulo de Einthoven. Os eletrodos do ECG são fixados nos bracos e na da atividade elétrica de todas as células do perna, formando um triângulo. Uma derivação consiste em um par de eletrodos, coração registradas na superfície corporal. um positivo e um negativo. Um ECG registra uma derivação de cada vez. A derivação I. por exemplo, tem o eletrodo negativo colocado no braço direito e o eletrodo positivo mV no braço esquerdo. Braço direito Braço esquerdo Os eletrodos são colocados na superfície da pele. (c) A atividade elétrica de todas as células do coração em um determinado momento pode ser representada por um vetor elétrico resultante. como mostrado aqui pela despolarização atrial. III Nó SA Vetor do fluxo de corrente Nó AV + Perna esquerda (d) A direção da deflexão no traçado do ECG indica a relação entre a direção do vetor do fluxo de corrente elétrica e o eixo da derivação. Uma deflexão para cima no ECG significa Uma deflexão para baixo significa que o vetor Um vetor que está perpendicular ao eixo do que o fluxo de corrente está indo em do fluxo de corrente está indo em direção ao eletrodo não causa deflexão (linha de base). direção ao eletrodo positivo. eletrodo negativo. Derivação 1 Derivação 1 Derivação 1 ECG sobe. O ECG permanece em linha de base. mV mV mV ECG desce. Tempo Tempo Tempo (e) Compare o ECG em (a) com um único potencial de ação do miocárdio contrátil. potencial de ação dessa célula ventricular é um registro intracelular feito colocando um eletrodo no interior da célula e outro eletrodo no exterior da célula. (Fig. 5.23, p.155) 110 mV Uma deflexão para cima representa uma despolarização e uma deflexão para baixo representa uma repolarização. potencial de ação tem amplitude muito maior porque está sendo registrado perto da fonte do sinal.</p><p>5 mm (f) Um eletrocardiograma é dividido em ondas (P, Q. R. S. T), segmentos entre as ondas (p. os segmentos P-R e S-T) e intervalos, que consistem da combinação de ondas e segmentos (assim como os intervalos PR e QT). Este traçado de ECG foi registrado na derivação I. Onda P: despolarização atrial Segmento P-R: condução através do nó AV e do AV Complexo QRS: despolarização +1 R R ventricular Onda T: repolarização ventricular Segmento Segmento P-R S-T S Onda P Onda T QUESTÃO DA FIGURA 0 1. Se a velocidade do registro do ECG é de 25 mm/s. qual é a frequência cardíaca da pessoa? (1 quadradinho = 1 mm) Intervalo PR* Intervalo QT Complexo QRS *Em alguns casos, a onda Q não é vista no ECG. Por esse motivo, os segmentos e intervalos são nomeados usando-se a onda R, porém inicam com a primeira onda do complex QRS. (g) Análise do ECG. (h) ECGs normal e anormal. Todos os traçados representam registros de 10 segundos. QUESTÕES PARA FAZER QUANDO SE ANALISA UM 10 TRAÇADO DE ECG: R R 1. Qual é a frequência? Está dentro da faixa normal P T P T de 60 a 100 batimentos por minuto? 2. O ritmo é regular? (1) ECG normal 3. Todas as ondas normais estão presentes em uma R R R forma reconhecível? R P P P 4. Existe um complexo QRS para cada onda P? Se sim, o comprimento do segmento P-R é constante? Se não existe um complexo QRS para (2) Bloqueio de terceiro grau cada onda mensure a frequência cardíaca usando as ondas P. depois mensure usando as ondas R. As frequências são iguais? Qual onda está de acordo com o pulso palpado no punho? (3) Fibrilação atrial QUESTÕES DA FIGURA 2. Três ECGs anormais são mostrados à direita. Estude-os e veja se você pode relacionar as mudanças no ECG com a alteração do padrão de condução elétrica normal no coração. (4) Fibrilação ventricular 3. Identifique as ondas em partes do ECG (5) Procure o padrão da ocorrência dessas ondas e descreva o que aconteceu com a condução elétrica no coração. (5) Analise este ECG anormal.</p>

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