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<p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>SEMINÁRIO III - FONTES DO DIREITO TRIBUTÁRIO</p><p>MARIA LÚCIA PAVANI BUENO</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>Questões</p><p>1. Defina sua concepção de “direito” e a de “fontes do direito” pela</p><p>perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico e indique qual a</p><p>utilidade do estudo das fontes do direito. Por essa ótica, pode-se afirmar</p><p>que leis, doutrina, jurisprudência, costumes e fato jurídico são fontes do</p><p>direito?</p><p>Inicialmente, antes de estabelecer o conceito de direito e fonte do direito pela</p><p>perspectiva do Constructivismo Lógico-Semântico, é necessário apontar o que essa</p><p>perspectiva traz.</p><p>O Constructivismo lógico-semântico nada mais é que uma proposta de método</p><p>a ser seguido. Ele constrói o significado, interpretando os conceitos. Essa perspectiva</p><p>parte do pressuposto de que o significado e os conceitos são construídos socialmente e</p><p>contextualmente, em oposição a uma visão mais tradicional que considera o significado</p><p>como algo estático e pré-dado.</p><p>Nesse sentido, o autor e professor Pedro de Barros Carvalho1 leciona:</p><p>O Constructivismo Lógico -Semântico é, antes de tudo, um instrumento de trabalho,</p><p>modelo para ajustar a precisão da forma à pureza e à nitidez do pensamento; meio e</p><p>processo para construção rigorosa do discurso, no que atende, em certa medida, a um do</p><p>s requisitos do saber científico tradicional. Acolhe, com entusiasmo, a recomendação de</p><p>Norberto Bobbio, segundo a qual não haverá ciência ali onde a linguagem for solta e</p><p>descomprometida. O modelo constructivista se propõe a amarr ar os termos da</p><p>linguagem, segundo esquemas lógicos que dêem firmeza à mensagem, pelo cuidado</p><p>especial com o arranjo sintático da frase, sem deixar de preocupar - se com o plano do</p><p>conteúdo, escolhendo as significações mais adequadas à fidelidade da enunciação.</p><p>Desta forma, com base no fundamento da linha de ensinamento, é possível</p><p>identificar a concepção de "direito" no contexto do Constructivismo Lógico-Semântico</p><p>é abordada de forma a enfatizar a importância da precisão, nitidez e rigor na linguagem</p><p>e no discurso jurídico. O Constructivismo Lógico-Semântico é apresentado como um</p><p>instrumento de trabalho que busca ajustar a forma da linguagem à pureza e à clareza</p><p>1 CARVALHO, Paulo de Barros et alli. Constructivismo Lógico-Semântico. Volume I. São Paulo: Noeses,</p><p>2014.</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>do pensamento, com o objetivo de construir discursos rigorosos. Isso significa que, na</p><p>perspectiva desse modelo, o uso da linguagem no campo jurídico deve ser</p><p>cuidadosamente estruturado e organizado, tanto em termos sintáticos quanto de</p><p>conteúdo.</p><p>O modelo constructivista defende que a ciência jurídica não pode existir onde a</p><p>linguagem é vaga, imprecisa ou descomprometida. Portanto, a concepção de "direito"</p><p>dentro desse contexto implica a necessidade de definir os termos, os conceitos e as</p><p>proposições jurídicas de forma clara, precisa e lógica. A ênfase recai não apenas na</p><p>escolha das palavras e na gramática da frase, mas também na seleção das significações</p><p>mais adequadas para garantir a fidelidade na enunciação.</p><p>Assim, no Constructivismo Lógico-Semântico, a concepção de "direito" está</p><p>vinculada a uma abordagem que busca a construção rigorosa do discurso jurídico por</p><p>meio da linguagem, enfatizando a necessidade de clareza, precisão e lógica na expressão</p><p>de conceitos e argumentos relacionados ao direito.</p><p>Agora, em se tratando de fontes do direito e nessa mesma perspectiva acima</p><p>citada, as "fontes do direito" são os focos ou os órgãos habilitados pelo sistema jurídico</p><p>para produzirem normas. Isso pode envolver uma organização escalonada de</p><p>autoridades ou instituições encarregadas de criar normas legais. Além disso, as "fontes</p><p>do direito" também se referem à própria atividade desempenhada por essas entidades</p><p>na criação de normas.</p><p>A explicação sugere que a expressão "fontes do direito" nos leva a considerar</p><p>que nenhuma regra jurídica entra no sistema do direito positivo sem ser introduzida por</p><p>outra norma, que é chamada de "veículo introdutor de normas". Isso implica que as</p><p>normas jurídicas vêm sempre em pares: as "normas introduzidas" (aquelas que são</p><p>criadas) e as "normas introdutoras" (aquelas que têm o papel de introduzir ou</p><p>estabelecer as normas criadas). Portanto, as "fontes do direito" são os mecanismos</p><p>pelos quais as normas jurídicas são produzidas e incorporadas ao sistema legal.</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>Para Tárek Moys´s Moussalem, as fontes do direito são divididas por seis</p><p>análises. (i) conjunto de fatores que influenciam a formulação normativa; (ii) métodos</p><p>de criação do direito como transações, atos judiciais, administrativos, etc.; (iii)</p><p>fundamento de validade de uma norma jurídica – pressuposto de hierarquia; (iv) órgão</p><p>credenciado pelo ordenamento; (v) procedimento (atos ou fatos) realizado pelo órgão</p><p>competente para a produção de normas – procedimento normativo; (vi) resultado do</p><p>procedimento – documento normativo2.</p><p>E o que seria um exemplo de fonte de direito?</p><p>Vale ressaltar que tendência da doutrina é de considerar como fontes do direito</p><p>a jurisprudência, doutrina, o costume e a lei. Mas isso gera grandes discussões no mundo</p><p>jurídico.</p><p>Kelsen, por exemplo, entende que a fonte do direito é o direito em si, tal qual</p><p>determina a validade das normas jurídicas. Regulando a própria criação, e a forma como</p><p>a norma deve se comportar.</p><p>Já Norberto Bobbio3 entende que as fontes do direito são os atos indispensáveis</p><p>do ordenamento jurídico, que geram a produção de normas jurídicas. Nessa linha de</p><p>pensamento, as fontes do direito se dariam como fonte direta (lei) e indireta (sentença,</p><p>costume e autonomia privada).</p><p>Por fim, para Paulo de Barros Carvalho4, a fonte do direito positivo seria a lei.</p><p>Que é a norma que cria outra norma. Veja-se:</p><p>Por fontes do direito havemos de compreender os focos ejetores de regras jurídicas, isto é,</p><p>os órgãos habilitados pelo sistema para produzirem normas, numa organização escalonada,</p><p>bem como a própria atividade desenvolvida por essas entidades, tendo em vista a criação</p><p>de normas. O significado da expressão fontes do direito implica refletirmos sobre a</p><p>circunstância de que regra jurídica alguma ingressa no sistema do direito positivo sem que</p><p>2 MOUSSALÉM, Tárek Moysés. Fontes do Direito Tributário. 2ª edição. São Paulo: Saraiva, 2006 p 218.</p><p>3 Teoria do ordenamento jurídico, p. 44.</p><p>4 CARVALHO, Paulo de Barros, Direito Tributário, Linguagem e Método 7ª ed. São Paulo: Noeses,2018, p</p><p>474.</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>seja introduzida por outra norma, que chamaremos, daqui avante, de “veículo introdutor</p><p>de normas”.</p><p>Assim, como o costume, atos administrativos e jurisprudência fazem parte dessa</p><p>diversificação de “norma que cria outra norma”, entende-se que, de acordo com a ótica</p><p>do Constructivismo Lógico-Semântico, leis, doutrina, jurisprudência, costumes e fatos</p><p>jurídicos podem ser considerados fontes do direito, com diferentes graus de importância</p><p>e influência, dependendo do sistema legal e do contexto específico. Cada uma dessas</p><p>fontes desempenha um papel na construção e na aplicação das normas jurídicas.</p><p>Agora no pensamento de Paulo de Barros Carvalho, apenas fato jurídico seria</p><p>uma fonte do direito. Para ele, “As normas de organização (e de competência), e as</p><p>normas do ‘processo legislativo’, constitucionalmente postas, incidem em fatos e os</p><p>fatos se tornam jurígenos. O que denominamos ‘fontes do direito’ são fatos jurídicos</p><p>criadores de normas: fatos sobre os quais incidem hipóteses fácticas, dando em</p><p>resultado normas de certa hierarquia”5 (CARVALHO, 2021, p. 53). Conclui-se assim, que</p><p>apenas fato jurídico poderia ser considerado como fonte do direito.</p><p>2. Defina os termos/expressões: (a) Enunciação, (b) enunciação-enunciada,</p><p>(c) enunciado-enunciado.</p><p>Como esses termos se relacionam com o tema</p><p>“fonte do direito” e com o próprio “direito positivo”?</p><p>Os termos da enunciação, enunciação-enunciadas e enunciado-enunciado são</p><p>base para o estudo das fontes do direito.</p><p>Utilizando o entendimento de “fontes de direito” de Paulo de Barros Carvalho</p><p>acimada citadas, em conjuntos com o autor Tárek Moysés Moussallem, entendemos que</p><p>a “enunciação-enunciada” é o veículo introdutor. A “enunciação” é o procedimento</p><p>produtor de enunciados, e o enunciado-enunciado não informam nada sobre a atividade</p><p>5 Carvalho, Paulo de Barros Curso de direito tributário / Paulo de Barros Carvalho. - 31. ed. rev. atual. -</p><p>São Paulo: Noeses, 2021</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>da enunciação em si, mesmo tendo sido produzidos por ela. Explica-se:</p><p>Inicialmente, vale apontar que enunciado é construído de acordo com as normas</p><p>lógicas da língua. Seria o suporte físico pelo qual passasse a mensagem.</p><p>Já a enunciação trata da execução do enunciado. Ela pressupõe que a execução</p><p>do ato. É o evento de o produtor deste enunciado passar a mensagem. E esse ato gera</p><p>o funcionamento da língua, dispondo discurso caracterizando o tempo, espaço e</p><p>pessoas envolvidas no enunciado.</p><p>Sabendo disso, podemos dizer que a enunciação-enunciada trata daqueles que</p><p>remetem à enunciação. Repassam a mensagem. No caso de uma lei, a enunciação-</p><p>enunciada seria o processo para instauração de tributação, a autoridade competente</p><p>envolvidas, o tempo e espaço em que se deu a produção do efeito do enunciado.</p><p>Por fim, o enunciado-enunciado são as “sobras” do enunciado. Tudo no texto</p><p>que se mostra desprovido de enunciação. Assim, são as marcas dos processos que ficam</p><p>no produto como um todo6.</p><p>Tais expressões são essenciais e estão diretamente ligadas às fontes do direito</p><p>(normas e regras jurídicas e seus efeitos, conforme acima citado) e ao direito positivo</p><p>(conjunto de normas jurídicas formalmente estabelecidas e reconhecidas por uma</p><p>autoridade competente em um determinado sistema legal ou ordenamento jurídico).</p><p>Isso, porque “enunciado”, “enunciação”, “enunciação-enunciada” e “enunciado-</p><p>enunciado” estão relacionados à produção, introdução e apresentação das normas</p><p>jurídicas, e cada um desempenha um papel específico no processo de criação e aplicação</p><p>do direito. A "enunciação-enunciada" é o veículo introdutor das normas legais, a</p><p>"enunciação" representa o processo de criação das normas, e o "enunciado-enunciado"</p><p>refere-se aos aspectos formais das normas legais. Esses conceitos contribuem para a</p><p>6 FIORIN, José luiz, as astúcias da enunciação, 2º ed., Ática, 1999, p 31</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>compreensão das fontes do direito ao enfocar a dinâmica por trás da produção e</p><p>aplicação das normas jurídicas.</p><p>3. Quais são os elementos que diferenciam o conceito de fontes do Direito</p><p>adotado pela doutrina tradicional e da doutrina de Paulo de Barros</p><p>Carvalho? Relacione o conceito de fontes do Direito firmado pela doutrina</p><p>deste com a atividade da autoridade administrativa que realiza o</p><p>lançamento de ofício. Há diferença quando o crédito é constituído pelo</p><p>contribuinte?</p><p>Conforme já disposto na primeira questão, o entendimento do conceito de</p><p>fontes do Direito varia muito de doutrinador para doutrinador.</p><p>Já foi apresentado acima o entendimento de Norberto Bobbio, que entende que</p><p>as fontes do direito são os atos indispensáveis do ordenamento jurídico, que geram a</p><p>produção de normas jurídicas. Nessa linha de pensamento, as fontes do direito se</p><p>dariam como fonte direta (lei) e indireta (sentença, costume e autonomia privada).</p><p>Já Maria Helena Diniz divide as fontes do direito em materiais e formais. As</p><p>primeiras seriam os fatos que complementam o conteúdo das normas jurídicas, e as</p><p>formais são a forma em que o direito positivo se manifesta, sendo os costumes,</p><p>jurisprudência, doutrina, tratados e lei, fontes formais. Essas fontes formais podem ser</p><p>estatais escritas (constituição, jurisprudência e lei ordinária) e não-estatais não escritas</p><p>(princípios, costumes e doutrina)7.</p><p>Agora, em se tratando do professor e doutrinador Paulo de Barros Carvalho,</p><p>novamente conforme já explanado acima, as fontes do direito estão nos</p><p>acontecimentos do mundo social, que foram judicializados por regras do sistema e</p><p>7 DINIZ, Maria Helena, Compêndio de introdução à ciência do direito - 27ª ed, saraiva, 2019.</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>credenciados para produzir normas jurídicas.</p><p>Assim, ele acredita que os agentes responsáveis pelas normas, se condicionam</p><p>aos fatos do cotidiano para produzi-las. Assim, para PBC, as fontes do direito estão</p><p>divididas em enunciação (produtora da norma) e enunciado (resultado normativo.)</p><p>Com isso, no caso do lançamento de ofício, a enunciação se daria pela publicação</p><p>do lançamento com base nas fundamentações legais, e o enunciado se daria pelo</p><p>resultado da norma, sendo a infração cometida. Assim, não haveria diferença, para</p><p>Paulo de Barros, se a constituição do crédito se dá pelo Contribuinte ou pelo Fisco.</p><p>4. Que posição ocupa, no sistema jurídico, norma inserida por lei</p><p>complementar que dispõe sobre matéria de lei ordinária? Existe algum</p><p>vício quando ocorre de lei complementar dispor sobre matéria de lei</p><p>ordinária? E o contrário? Para sua revogação é necessária norma</p><p>veiculada por lei complementar? (Vide anexos I, II, III, IV e V).</p><p>Levando em consideração o entendimento do Professor Paulo de Barros</p><p>Carvalho, não há hierarquia entre as normas, apenas diferença entre suas competências</p><p>e espécies de veículo introdutor, sabendo de sua dependência entre fontes8:</p><p>O estudo da hieraquia das normas, tomada a palavra “hieraquia” como axioma é</p><p>relevantíssimo. Sem ele, nada poderíamos dizer a propósito da situação hierárquica de</p><p>determinado preceito que, por qualquer razão, convocasse os nossos cuidados, já que</p><p>todas as normas jurídicas têm idêntica estrutura sintática (homogeneidade lógica),</p><p>embora dotadas de conteúdos semânticos diferentes (heterogeneidade semântica). É por</p><p>aceitar que a norma N’ entrou pela via constitucional, que reivindico sua supremacia com</p><p>relação à norma N”, posta por lei ordinária. É por saber que certa norma individual e</p><p>concreta veio à luz no bojo de um acórdão do Supremo Tribunal Federal, que me atrevo a</p><p>declarar sua prevalência em face de outro acórdão proferido por tribunal de menor</p><p>hierarquia. Neste domínio, recolhemos material precioso para o discurso críticodescritivo</p><p>da Ciência do Direito, conquanto seja necessário enfatizar que isso nada tem que ver com</p><p>a temática das fontes.</p><p>8 CARVALHO, Paulo de Barros, Direito Tributário, Linguagem e Método 7ª ed. São Paulo: Noeses,2018, p</p><p>493.</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>Nada obstante, a Constituição Federal Brasileira entende que há hierarquia entre</p><p>as normas.</p><p>Com isso, em se tratando de normas de leis ordinárias foram recepcionadas</p><p>como leis complementares pode criar uma complexidade na estruturação do sistema</p><p>jurídico. Embora isso possa ser interpretado como uma adaptação do sistema às</p><p>mudanças nas necessidades legislativas, pode haver um potencial vício em relação à</p><p>hierarquia das normas.</p><p>Se a Constituição estabelece que determinadas matérias devem ser</p><p>regulamentadas por leis ordinárias e outras por leis complementares, a disposição de</p><p>normas de leis ordinárias como complementares pode entrar em conflito com essa</p><p>hierarquia. Portanto, é fundamental garantir que essa recepção não viole a Constituição</p><p>ou a estrutura legal do sistema jurídico.</p><p>Mas vale dizer que a Constituição Federal estruturou como leis complementares</p><p>as mais diversas leis de categoria ordinária. Assim, a posição ocupada no sistema jurídico</p><p>interfere em sua atuação. Mesmo sendo matéria de lei ordinária, alguns doutrinadores</p><p>enxergados como uma lei complementar, tendo suas exigências regadas pelas mesmas</p><p>que uma lei complementar</p><p>seria. No entanto, no entendimento de Gabriel Ivo9, se a Lei</p><p>Complementar dispuser de Lei Ordinária, ela terá mesmo grau hierárquico que a Lei</p><p>Ordinária. Veja-se:</p><p>Assim, a lei ordinária que invadir campo temático da lei complementar é inconstitucional.</p><p>Inconstitucional formalmente, pois não poderia veicular aquela matéria. O vício formal</p><p>não só decorre de vício no processo legislativo, mas também da matéria prevista na</p><p>Constituição para cada instrumento introdutor de normas. Já quanto a lei complementar</p><p>que tratar de assunto de lei ordinária, tolera-se a constitucionalidade. Uma análise</p><p>formalmente mais rigorosa não poderia assentir com tal raciocínio, mas considerando-se</p><p>que o quorum da lei ordinária foi até ultrapassado, permite-se. Entretanto, para que o</p><p>legislador infraconstitucional não altere a norma de estrutura contida na Constituição</p><p>Federal, convertendo matéria de lei ordinária em matéria de lei complementar, é</p><p>pacificado, na doutrina e na jurisprudência, que não será inconstitucional a lei ordinária</p><p>que dispuser em sentido diverso do que estatui um dispositivo de lei complementar que</p><p>9 IVO, Gabriel, A Relação Entre A Lei Complementar E A Lei Ordinária - São Paulo : Noeses, 2013.</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>não trata de assunto próprio de lei complementar, e sim de lei ordinária.</p><p>Desta forma, sua revogação se dará apenas por norma veiculada em lei</p><p>complementar, respeitando a estruturação legislativa do país e o artigo 59 e 146 da</p><p>Constituição Federal. Que dispõe que no Brasil, de acordo com a Constituição Federal</p><p>de 1988 e o sistema legal vigente, uma lei ordinária não pode revogar diretamente uma</p><p>lei complementar quando ambas tratam da mesma matéria.</p><p>Quanto ao contrário, uma lei ordinária não pode dispor sobre matérias que, de</p><p>acordo com a Constituição ou a estrutura do sistema jurídico de um país, são reservadas</p><p>para leis complementares. Se uma lei ordinária tentar tratar de uma matéria que, pela</p><p>sua natureza, deve ser regulamentada por lei complementar, isso seria considerado</p><p>inconstitucional e, portanto, um vício legal.</p><p>Mas caso uma lei ordinária disponha sobre matéria de lei complementar, pode</p><p>uma lei complementar revogar a lei ordinária, visto que de acordo com essa hierarquia,</p><p>as leis complementares têm um grau de autoridade superior às leis ordinárias em</p><p>matérias específicas. Portanto, se uma lei complementar e uma lei ordinária tratam da</p><p>mesma matéria, a lei complementar deve prevalecer.</p><p>Cabe destacar por fim que, mesmo que a lei ordinária não possa revogar lei</p><p>complementar, o Supremo Tribunal Federal tem entendimento que há uma exceção</p><p>para tal regra. A lei ordinária poderá revogar lei complementar APENAS quando a lei</p><p>complementar tratar de matéria que é de matéria de lei ordinária, .</p><p>5. Considere o fragmento de direito positivo abaixo e responda, em seguida, as questões:</p><p>LEI N. 10.168, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2000, D.O.30/12/2000</p><p>Institui contribuição de intervenção de domínio econômico destinada a financiar o</p><p>Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação e</p><p>dá outras providências.</p><p>O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu</p><p>sanciono a seguinte Lei:</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>Art. 1º Fica instituído o Programa de Estímulo à Interação Universidade-Empresa para</p><p>o Apoio à Inovação, cujo objetivo principal é estimular o desenvolvimento tecnológico</p><p>brasileiro, mediante programas de pesquisa científica e tecnológica cooperativa entre</p><p>universidades, centros de pesquisa e o setor produtivo.</p><p>Art. 2º Para fins de atendimento ao Programa de que trata o artigo anterior, fica</p><p>instituída contribuição de intervenção no domínio econômico, devida pela pessoa</p><p>jurídica detentora de licença de uso ou adquirente de conhecimentos tecnológicos,</p><p>bem como, aquela signatária de contratos que impliquem transferência de tecnologia,</p><p>firmados com residentes ou domiciliados no exterior.</p><p>§ 1º Consideram-se, para fins desta Lei, contratos de transferência de tecnologia os</p><p>relativos à exploração de patentes ou de uso de marcas e os de fornecimento de</p><p>tecnologia e prestação de assistência técnica.</p><p>§ 1º-A. A contribuição de que trata este artigo não incide sobre a remuneração pela</p><p>licença de uso ou de direitos de comercialização ou distribuição de programa de</p><p>computador, salvo quando envolverem a transferência da correspondente tecnologia.</p><p>(Incluído pela Lei n.. 11452, de 2007).</p><p>§ 2º A partir de 1º de janeiro de 2002, a contribuição de que trata o caput deste artigo</p><p>passa a ser devida também pelas pessoas jurídicas signatárias de contratos que</p><p>tenham por objeto serviços técnicos e de assistência administrativa e semelhantes a</p><p>serem prestados por residentes ou domiciliados no exterior, bem assim pelas pessoas</p><p>jurídicas que pagarem, creditarem, entregarem, empregarem ou remeterem royalties,</p><p>a qualquer título, a beneficiários residentes ou domiciliados no exterior. (Redação da</p><p>pela Lei 10.332, de 19.12.2001).</p><p>§ 3º A contribuição incidirá sobre os valores pagos, creditados, entregues, empregados</p><p>ou remetidos, a cada mês, a residentes ou domiciliados no exterior, a título de</p><p>remuneração decorrente das obrigações indicadas no caput e no § 2º deste artigo.</p><p>(Redação da pela Lei 10.332, de 19.12.2001).</p><p>§ 4º A alíquota da contribuição será de 10% (dez por cento). (Redação da pela Lei</p><p>10332, de 19.12.2001).</p><p>(...)</p><p>Art. 8º Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, aplicando-se aos fatos</p><p>geradores ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2001.</p><p>Brasília, 29 de dezembro de 2000; 179º da Independência e 112º da República.</p><p>(FERNANDO HENRIQUE CARDOSO)</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-11452.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-10332.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-10332.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-10332.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-10332.html</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>a) Identifique os seguintes elementos da Lei n. 10.168/00: (i) enunciados-enunciados,</p><p>(ii) enunciação-enunciada, (iii) instrumento introdutor de norma, (iv) fonte material,</p><p>(v) fonte formal, (vi) procedimento, (vii) sujeito competente, (viii) preceitos gerais e</p><p>abstratos e (ix) norma geral e concreta.</p><p>(i) enunciados-enunciados – é o conteúdo da lei. Assim, todos os artigos e parágrafos,</p><p>menos o artigo 8º.</p><p>(ii) enunciação-enunciada – é a análise do processo. Especificamente os textos:</p><p>LEI N. 10.168, DE 29 DE DEZEMBRO DE 2000, D.O.30/12/2000. Institui contribuição</p><p>de intervenção de domínio econômico destinada a financiar o Programa de Estímulo</p><p>à Interação Universidade-Empresa para o Apoio à Inovação e dá outras providências.</p><p>O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu</p><p>sanciono a seguinte Lei:</p><p>E</p><p>Brasília, 29 de dezembro de 2000; 179º da Independência e 112º da República.</p><p>(iii) instrumento introdutor de norma - A própria Lei é o instrumento.</p><p>(iv) fonte material – conforme dito no artigo 1º, serão os fatos econômicos, políticos e</p><p>sociais da lei. Ou seja, fatos motivadores para sua criação.</p><p>(v) fonte formal – a Lei ordinária.</p><p>(vi) procedimento - o procedimento seria o constitucionalmente previsto na criação da</p><p>lei.</p><p>(vii) sujeito competente – A União, o Congresso Nacional e o Presidente da República.</p><p>(viii) preceitos gerais e abstratos - artigo 1º da Lei 10.168/00</p><p>(ix) norma geral e concreta – artigo 2º da Lei 10.168/00</p><p>Módulo Tributo e Segurança Jurídica</p><p>b) Os enunciados inseridos na Lei n. 10.168/00 pelas Leis n. 11.452/07 e n. 10.332/01</p><p>passam a pertencer à Lei n. 10.168/00 ou ainda são parte integrante dos veículos que</p><p>os introduziram no ordenamento? No caso de expressa revogação da Lei n. 10.168/00,</p><p>como fica a situação dos enunciados veiculados pelas Leis n. 11.452/07 e n. 10.332/01?</p><p>Pode-se dizer que também são revogados, mesmo sem a revogação expressa dos</p><p>veículos que os inseriram?</p><p>Nesse caso</p><p>os enunciados que foram inseridos na Lei 10.168 pelas Leis n.</p><p>11.452/07 e n. 10.332/01 passam a pertencer a primeira.</p><p>Agora, em se tratando de revogação da Lei nº 10.168/00, os enunciados trazidos</p><p>pelas Leis n. 11.452/07 e n. 10.332/01 restam prejudicados, e são tacitamente</p><p>revogados da mesma forma.</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-11452.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-10332.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-11452.html</p><p>http://www.leidireto.com.br/lei-10332.html</p>