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<p>HERMENÊUTICA E ARGUMENTAÇÃO JURÍDICA</p><p>Prof. Rafael Amoêdo</p><p>EXERCÍCIO DE ARGUMENTAÇÃO – 18/05/2023</p><p>TRABALHO DE ARGUMENTAÇÃO EM GRUPO 02</p><p>Vamos reconhecer uma situação prática em que a demonstração pode</p><p>auxiliar a argumentação a alcançar seus objetivos. Não se esqueça de que a</p><p>demonstração se caracteriza por ser um “meio de prova, fundado na proposta de</p><p>uma racionalidade matemática”, a qual é operacionalizada pela lógica formal –</p><p>silogismo.</p><p>RACIOCÍNIO DE NATUREZA ARGUMENTATIVA</p><p>Quem quer?</p><p>Menor representado pela mãe.</p><p>Requerente (autor).</p><p>O quê?</p><p>Alimentos</p><p>(pensão a título de provisão</p><p>para mantença do menor).</p><p>Pedido.</p><p>De quem?</p><p>Do pai do menor.</p><p>Requerido (réu).</p><p>Por quê?</p><p>A lei estabelece essa obrigação</p><p>Fundamento jurídico do pedido:</p><p>Art. 1.696, CC: o direito à prestação de</p><p>alimentos é recíproco entre país e filhos,</p><p>e extensivo a todos os ascendentes,</p><p>recaindo a obrigação nos mais próximos</p><p>em grau, uns em falta de outros.</p><p>DEMONSTRAÇÃO – MEIOS DE PROVA</p><p>Para desenvolver uma argumentação que convença o magistrado da procedência do</p><p>pedido de alimentos, é necessário demonstrar que realmente o requerido tem essa obrigação</p><p>de alimentar o requerente, ou seja, é fundamental que a parte autora demonstre a</p><p>paternidade para o juiz, sem a qual não tem qualquer serventia o fundamento jurídico</p><p>selecionado.</p><p>Quais os meios de prova admitidos pelo Direito no tocante à comprovação (demonstração)</p><p>da paternidade?</p><p>Art. 1605, CC: na falta, ou defeito, do termo de nascimento (certidão), poderá provar-se a</p><p>filiação por qualquer modo admissível em direito:</p><p>I - quando houver começo de prova por escrito, proveniente dos pais, conjunta ou</p><p>separadamente;</p><p>II - quando existirem veementes presunções resultantes de fatos já certos."</p><p>Conclusão:</p><p>Sem a demonstração da paternidade, não terá sucesso a</p><p>argumentação de que o requerido tem a obrigação de</p><p>prestar alimentos ao requerente, com fundamento no art.</p><p>1696, CC.</p><p>Supermercado é responsabilizado por morte de cliente</p><p>Raimundo Lopes dos Santos moveu ação de indenização por danos morais</p><p>e materiais contra o supermercado Bom Apetite, localizado na Avenida Moraes Filho,</p><p>350, em Mesquita, bairro da cidade de Cachoeirinha, no Espírito Santo, por fato</p><p>ocorrido em 15 de janeiro de 2008, quando sua esposa Madalena dos Santos, que</p><p>fazia compras no estabelecimento, depois de escorregar em alimentos derramados</p><p>no chão do supermercado, caiu e veio a falecer.</p><p>Ao cair, Madalena esbarrou em uma prateleira e várias latas de azeite caíram</p><p>sobre ela, tendo uma delas atingido a sua cabeça. Depois do acidente, ao tentar</p><p>levantar-se, sentiu-se desnorteada e com fortes dores na cabeça, não conseguindo</p><p>locomover-se. A vítima foi levada, então, para a sala de primeiros socorros do</p><p>estabelecimento, onde uma atendente lhe disse que ficasse em repouso até sentir-</p><p>se melhor. Vinte minutos depois, vendo que a mãe não melhorava, a filha que a</p><p>acompanhava pediu a presença de um médico para examiná-la. Passadas três horas</p><p>de espera, e vendo que nenhuma assistência médica havia sido providenciada pelo</p><p>supermercado, a filha de Madalena exigiu do gerente que a mãe fosse levada a um</p><p>hospital, ao qual, infelizmente, a acidentada já chegou em estado crítico, em</p><p>conseqüência da hemorragia cerebral provocada pelo forte impacto da lata de azeite</p><p>em sua cabeça.</p><p>Segundo os médicos que a atenderam, a demora no atendimento agravou</p><p>o quadro hemorrágico e não foi possível salvá-la. Para Raimundo, sua mulher morreu</p><p>por dupla negligência do supermercado: primeiro por conta da queda causada pelos</p><p>alimentos esparramados no chão e, depois, pela demora em oferecer-lhe socorro.</p><p>De acordo com o Código de Defesa do Consumidor:</p><p>Art. 6 - São direitos básicos do consumidor:</p><p>I - a proteção da vida, saúde e segurança contra os riscos provocados por práticas no</p><p>fornecimento de produtos e serviços considerados perigosos ou nocivos;</p><p>VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais, coletivos e</p><p>difusos;</p><p>Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de culpa, pela</p><p>reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à prestação dos</p><p>serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas sobre sua fruição e riscos.</p><p>De acordo com o Código Civil:</p><p>Art. 1.784 - Aberta a sucessão, a herança transmite-se, desde logo, aos herdeiros legítimos</p><p>e testamentários.</p><p>Art. 927 - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica obrigado</p><p>a repará-lo.</p><p>Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de culpa, nos</p><p>casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente desenvolvida pelo autor do</p><p>dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos de outrem.</p><p>Art. 186 - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou imprudência, violar</p><p>direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente moral, comete ato ilícito.</p><p>Art. 187 - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo, excede</p><p>manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela boa-fé ou pelos</p><p>bons costumes.</p><p>Questão 3 Após a leitura do texto, produza esquema semelhante ao da página</p><p>anterior. O objetivo deste exercício é ajudá-lo a compreender a relevância da</p><p>demonstração como meio de prova que serve à argumentação.</p><p>A produção do texto argumentativo pressupõe um raciocínio</p><p>extremamente complexo, que seleciona e organiza várias informações. O advogado</p><p>já experiente realiza esse procedimento mentalmente, mas para o estudante de</p><p>Direito, por questões de ordem didática, é importante que essa preparação seja</p><p>feita, por escrito, passo a passo. Nesta aula, seguiremos as três primeiras tarefas:</p><p>a) identificação da situação de conflito; b) escolha da tese a ser defendida; c)</p><p>seleção dos fatos por meio dos quais a tese será defendida.</p><p>O conteúdo referente a esse assunto encontra-se disponível em</p><p>CAVALIEIRI FETZNER, Néli Luiza; VALVERDE, Alda; TAVARES, Nelson. Lições de</p><p>argumentação jurídica. Rio de Janeiro: Forense, 2008, capítulo 5.1.</p><p>Segundo os autores, na página 100, registrar a situação de conflito é</p><p>fundamental para delimitar a questão sobre a qual se argumentará. Isso porque</p><p>serão fornecidos os elementos indispensáveis para compor o caso concreto e inseri-</p><p>lo no contexto jurídico. Nesta, o orador definirá a centralidade da questão jurídica</p><p>que estará sob apreciação, isto é, o fato jurídico. Em seguida, identificará as partes</p><p>envolvidas na lide, devidamente qualificadas, determinando aquele que, em tese,</p><p>representa o sujeito passivo e o que será considerado sujeito ativo. Por fim,</p><p>estabelecerá quando e onde esta ocorreu.</p><p>A tese representa o ponto de vista a ser defendido, com base em todas as</p><p>informações (fatos) disponíveis sobre o caso concreto e nos limites permitidos pela</p><p>norma.</p><p>Para conseguir sustentar a tese, torna-se necessário extrair do caso</p><p>concreto todas as informações que, explícita ou implicitamente, concorrem para</p><p>comprová-la. Compreender o caso concreto, interpretar todas as suas sutilezas,</p><p>valorá-las, apreender os diversos sentidos que um mesmo fato, prova ou indício</p><p>promovem é fundamental para a produção de um texto argumentativo consistente.</p><p>É essa seleção de fatos que representa a contextualização do real.</p><p>Leia o texto e, em seguida, faça o que se pede.</p><p>Casamento sem fotos</p><p>Maria Helena Assis e José de Almeida mantiveram um relacionamento</p><p>estável durante quase 12 anos, e sempre sonharam em se casar. Por serem pessoas</p><p>simples e de poucos recursos, a noiva (doméstica) e o noivo (tecelão) adiaram o</p><p>casamento até que pudessem realizá-lo da forma como pretendiam.</p><p>A cerimônia foi marcada para o dia 21 de janeiro de 2008 na Igreja de São</p><p>Francisco de Assis, em Juiz de Fora, MG. Em maio de 2007, na empresa Cinderela</p><p>Modas e Imagens,</p><p>de propriedade de Joana Araújo, onde Maria Helena alugou um</p><p>vestido de noiva, o casal contratou o serviço de filmagem e fotografia com o estúdio</p><p>que funciona no mesmo local. O valor da filmagem (R$180,00) e do álbum</p><p>(R$150,00) começaram a ser pagos em agosto de 2007, em cinco prestações,</p><p>juntamente com as prestações relativas ao aluguel do vestido.</p><p>No dia do casamento, ao chegarem à igreja, os noivos imediatamente</p><p>procuraram pelos contratados para que pudessem iniciar a sessão de fotos e</p><p>filmagem, mas eles não haviam chegado. Após 20 minutos de espera, a noiva foi</p><p>incentivada pelos familiares a entrar na igreja e não esperar mais pelos profissionais,</p><p>que de fato não apareceram.</p><p>A noiva alegou ter entrado na igreja atônita, sentindo-se ofendida,</p><p>frustrada, envergonhada e triste, pois o momento sonhado há mais de 10 anos</p><p>“havia-se tornado um pesadelo”. Por meio de provas testemunhais, comprovou-se</p><p>que os noivos não puderam desfrutar da festa de casamento; saíram mais cedo da</p><p>recepção em razão do nervosismo e do constrangimento por que passaram.</p><p>Procurada pelo casal, a proprietária da Cinderela Modas e Imagens disse</p><p>nada ter com o problema, pois havia cumprido a sua parte que era o aluguel do</p><p>vestido, não cabendo a ela responsabilidade pelo estúdio de fotografia, embora ele</p><p>funcione no mesmo local, tenha o mesmo telefone de contato e as mesmas</p><p>funcionárias de sua empresa.</p><p>Questão 4.1</p><p>Destaque:</p><p>a) o fato gerador do conflito sobre o qual o caso concreto discorre (o quê?);</p><p>b) as partes, devidamente identificadas (quem?);</p><p>d) quando e onde esse fato ocorreu.</p><p>Com base nessas informações, produza o parágrafo relativo à situação de conflito.</p><p>Questão 4.2</p><p>Decida qual tese pretende defender. Tendo em visa que a tese deve estar</p><p>circunscrita pelos limites da norma, caso entenda necessário, recorra aos recortes</p><p>abaixo.</p><p>De acordo com o Código de Defesa do Consumidor:</p><p>Art. 6 - São direitos básicos do consumidor:</p><p>VI - a efetiva prevenção e reparação de danos patrimoniais e morais, individuais,</p><p>coletivos e difusos;</p><p>VIII - a facilitação da defesa de seus direitos, inclusive com a inversão do ônus da</p><p>prova, a seu favor, no processo civil, quando, a critério do juiz, for verossímil a</p><p>alegação ou quando for ele hipossuficiente, segundo as regras ordinárias de</p><p>experiência;</p><p>Art. 14. O fornecedor de serviços responde, independentemente da existência de</p><p>culpa, pela reparação dos danos causados aos consumidores por defeitos relativos à</p><p>prestação dos serviços, bem como por informações insuficientes ou inadequadas</p><p>sobre sua fruição e riscos.</p><p>De acordo com o Código Civil:</p><p>Art. 927 - Aquele que, por ato ilícito (arts. 186 e 187), causar dano a outrem, fica</p><p>obrigado a repará-lo.</p><p>Parágrafo único. Haverá obrigação de reparar o dano, independentemente de</p><p>culpa, nos casos especificados em lei, ou quando a atividade normalmente</p><p>desenvolvida pelo autor do dano implicar, por sua natureza, risco para os direitos</p><p>de outrem.</p><p>Art. 186 - Aquele que, por ação ou omissão voluntária, negligência ou</p><p>imprudência, violar direito e causar dano a outrem, ainda que exclusivamente</p><p>moral, comete ato ilícito.</p><p>Art. 187 - Também comete ato ilícito o titular de um direito que, ao exercê-lo,</p><p>excede manifestamente os limites impostos pelo seu fim econômico ou social, pela</p><p>boa-fé ou pelos bons costumes.</p>