Prévia do material em texto
<p>1</p><p>EXCELENTÍSSIMO SENHOR DESEMBARGADOR OU</p><p>DESEMBARGADORA DO TRIBUNAL DE JUSTIÇA DO DISTRITO</p><p>FEDERAL E DOS TERRITÓRIOS</p><p>ZÉLIA APARECIDA DE SOUZA, filho(a) de Geraldo</p><p>Rodrigues do Vale e Luzia de Souza Vale, brasileiro(a), divorciada, servidor(a)</p><p>público(a) aposentado(a), portador(a) da C.I. nº 294.876 SSP/DF e do CPF nº</p><p>116.029.451-87, residente e domiciliado(a) na Rua 22, Lote 10, Apartamento</p><p>203, Águas Claras, Brasília/DF, CEP: 71.925-720, vem, respeitosamente, à</p><p>presença de Vossa Excelência, por intermédio de seu procurador, o advogado</p><p>que esta subscreve, que recebe intimações no endereço inserto no rodapé e pelo</p><p>e-mail mdeoliveiraadvogados@gmail.com, com fulcro no art. 994, I, e 1.015,</p><p>parágrafo único, do Código de Processo Civil, interpor o presente</p><p>AGRAVO DE INSTRUMENTO</p><p>COM PEDIDO DE LIMINAR</p><p>contra a(s) r. decisão(ões) constante(s) do(s) ID(s) 154214755 e</p><p>156420700 da lavra do MM. Juiz de Direito da 4ª Vara da Fazenda Pública do</p><p>Distrito Federal, proferida(s) nos autos do cumprimento de sentença – processo</p><p>n. 0716281-95.2022.8.07.0018, movido contra o DISTRITO FEDERAL,</p><p>pessoa jurídica de direito público, CNPJ n. 00.394.601/0001-26, com endereço</p><p>no Ed. Sede da Procuradoria-Geral do DF, Setor de Áreas Isoladas Norte -</p><p>SAIN, bloco L, 4º andar, nesta Capital, CEP 70620-000, o que faz pelos fatos</p><p>e fundamentos a seguir aduzidos:</p><p>file:///C:/Users/t313076/Downloads/mdeoliveiraadvogados@gmail.com</p><p>2</p><p>I - DA DECISÃO AGRAVADA</p><p>A parte agravante promoveu cumprimento de sentença coletivo</p><p>oriundo do título executivo formado nos autos do processo n.º 32159/97, que</p><p>condenou o Distrito Federal ao pagamento do benefício alimentação que fora</p><p>ilegalmente suspenso pelo Governador do Distrito Federal, por intermédio do</p><p>Decreto n. 16.990/1995, a partir de janeiro de 1996.</p><p>No caso, verifica-se que, embora a suspensão da tramitação</p><p>processual em face da tese fixada pelo TEMA 1169 não tenha sido objeto de</p><p>impugnação pelo DISTRITO FEDERAL, tratando-se, portanto, de matéria</p><p>preclusa, o juízo da 4ª Vara de Fazenda Pública do DF determinou, ex officio,</p><p>o sobrestamento do feito até o julgamento da matéria pelo Superior Tribunal de</p><p>Justiça, sob o seguinte fundamento, verbis:</p><p>“Em acórdão disponibilizado no DJe de 18/10/2022, a Primeira Seção</p><p>do Superior Tribunal de Justiça decidiu afetar os REsp 1.978.629, REsp</p><p>1.985.037 e REsp 1.985.491, todos de relatoria do Exmo. Ministro Benedito</p><p>Gonçalves, e determinou a suspensão do processamento de todos os processos</p><p>pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a mesma questão e que</p><p>tramitem no território nacional, nos termos da delimitação da controvérsia</p><p>contida no Tema Repetitivo 1169:</p><p>“Definir se a liquidação prévia do julgado é requisito indispensável</p><p>para o ajuizamento de ação objetivando o cumprimento de sentença</p><p>condenatória genérica proferida em demanda coletiva, de modo que</p><p>sua ausência acarreta a extinção da ação executiva, ou se o exame</p><p>quanto ao prosseguimento da ação executiva deve ser feito pelo</p><p>magistrado com base no cotejo dos elementos concretos trazidos aos</p><p>autos.”</p><p>Assim, em observância à decisão supramencionada, o presente feito</p><p>deverá permanecer sobrestado até o julgamento do Tema Repetitivo 1169</p><p>pelo e. STJ”.</p><p>Contra a referida decisão foram opostos os devidos embargos de</p><p>declaração pela parte requerente para demonstração de distinguishing (art.</p><p>1036, §9º, do CPC). Apesar de todo o esforço empreendido para demonstrar o</p><p>equívoco do decisum recorrido, os aclaratórios foram improvidos.</p><p>Data maxima venia, o juízo de origem não houve com o</p><p>costumeiro acerto que acompanha suas decisões, eis que procedeu</p><p>contrariamente às normas de regência, conforme restará demonstrado a seguir.</p><p>3</p><p>II - DAS RAZÕES DA REFORMA DA DECISÃO AGRAVADA</p><p>Nesse cenário, a insurgência recursal reside em uma questão</p><p>central, cujo enfrentamento é preponderante para uma justa e adequada</p><p>prestação jurisdicional, apresentada a seguir:</p><p>Questão - o juízo a quo tem a prerrogativa legal de deferir ex officio o</p><p>sobrestamento de processo, lastreando-se no Tema 1169, ainda que a</p><p>matéria ali versada (necessidade de prévia liquidação) esteja estabilizada</p><p>para as partes pela preclusão/coisa julgada, em razão de sua não</p><p>impugnação tempestiva em sede de cumprimento de sentença?</p><p>Pois bem. Para responder a essa questão, é importante salientar,</p><p>inicialmente, que em consulta ao sítio eletrônico do Superior Tribunal de</p><p>Justiça, constata-se que a tese afetada ao Tema 1169 restou assim delimitada:</p><p>“Definir se a liquidação prévia do julgado é requisito indispensável para o</p><p>ajuizamento de ação objetivando o cumprimento de sentença condenatória</p><p>genérica proferida em demanda coletiva, de modo que sua ausência acarreta</p><p>a extinção da ação executiva, ou se o exame quanto ao prosseguimento da</p><p>ação executiva deve ser feito pelo Magistrado com base no cotejo dos</p><p>elementos concretos trazidos aos autos”.</p><p>Definida a controvérsia, é estreme de dúvidas que somente pode</p><p>ser objeto de suspensão aqueles processos pendentes, individuais ou coletivos,</p><p>que versem sobre a mesma matéria e tramitem no território nacional, nos</p><p>termos do art. 1.037, II, do CPC/2015, isto é, processos em que o tema afetado</p><p>seja objeto de litígio entre as partes, não se mostrando possível a suspensão</p><p>daqueles que contenham outras questões não abrangidas pelo representativo da</p><p>controvérsia, na linha, aliás, do entendimento que prevaleceu no julgamento</p><p>dos Embargos de Declaração nº 0720127-77.2022.8.07.0000, no âmbito do</p><p>Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, verbis:</p><p>“Em relação ao Tema Repetitivo 1169/STJ, houve, de fato, a</p><p>determinação de suspensão do processamento dos processos. Entretanto, a</p><p>questão submetida a julgamento se refere a “Definir se a liquidação prévia do</p><p>julgado é requisito indispensável para o ajuizamento de ação objetivando o</p><p>cumprimento de sentença condenatória genérica proferida em demanda</p><p>coletiva, de modo que sua ausência acarreta a extinção da ação executiva, ou</p><p>se o exame quanto ao prosseguimento da ação executiva deve ser feito pelo</p><p>Magistrado com base no cotejo dos elementos concretos trazidos aos autos”,</p><p>o que não engloba a discussão dos presentes autos.</p><p>4</p><p>O pleito recursal refere-se ao questionamento sobre à</p><p>possibilidade de aguardar o julgamento de mérito de outro Agravo de</p><p>Instrumento em curso, sob a alegação de que a expedição de precatório</p><p>ou RPV depende do trânsito em julgado da impugnação ao cumprimento</p><p>de sentença, o qual, por sua vez, depende do trânsito em julgado do</p><p>referido recurso em que se discute o índice de correção monetária a ser</p><p>aplicado, matéria essa que não diz respeito, de forma direta, ao tema</p><p>1169/STJ.</p><p>O julgado resolveu de forma detalhada, expressa e coesa as</p><p>questões aventadas, afirmando, ao contrário do que defende o Embargante,</p><p>que não há que falar em suspensão do cumprimento de sentença e</p><p>impedimento legal para que se determine a expedição da RPV.” (Acórdão</p><p>1664263, 07201277720228070000, Relator: Robson Teixeira de Freitas, 8ª</p><p>Turma Cível, data de julgamento: 16/2/2023, publicado no DJE: 27/2/2023.</p><p>Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>De fato, da análise do código de processual civil brasileiro, não é</p><p>possível alcançar o entendimento de que a decisão de suspensão nacional de</p><p>processos, assim como a ação rescisória, tenha envergadura jurídica necessária</p><p>para desconstituir questões preclusas e que se encontram sob o manto de</p><p>proteção da coisa julgada (art. 502 do CPC). Tanto isso é verdade que o</p><p>legislador ordinário foi enfático ao estabelecer, expressamente, no art. 1.037,</p><p>inciso II, do CPC, que o sobrestamento alcança tão somente os feitos</p><p>pendentes, alinhando-se, assim, ao princípio da segurança jurídica,</p><p>sabidamente dotado de amplitude constitucional,</p><p>senão vejamos:</p><p>“Art. 1.037. Selecionados os recursos, o relator, no tribunal superior,</p><p>constatando a presença do pressuposto do caput do art. 1.036, proferirá</p><p>decisão de afetação, na qual:</p><p>I - identificará com precisão a questão a ser submetida a julgamento;</p><p>II - determinará a suspensão do processamento de todos os</p><p>processos pendentes, individuais ou coletivos, que versem sobre a questão</p><p>e tramitem no território nacional; (grifo nosso)</p><p>Desse modo, importante consignar que, em se tratando de</p><p>cumprimentos de sentença, o estatuto processual brasileiro oportuniza a</p><p>discussão de um gama variada de questões, conforme se segue:</p><p>Art. 525. Transcorrido o prazo previsto no art. 523 sem o pagamento</p><p>voluntário, inicia-se o prazo de 15 (quinze) dias para que o executado,</p><p>independentemente de penhora ou nova intimação, apresente, nos próprios</p><p>autos, sua impugnação.</p><p>§ 1º Na impugnação, o executado poderá alegar:</p><p>I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu</p><p>à revelia;</p><p>https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13105.htm#art523</p><p>5</p><p>II - ilegitimidade de parte;</p><p>III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;</p><p>IV - penhora incorreta ou avaliação errônea;</p><p>V - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;</p><p>VI - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;</p><p>VII - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como</p><p>pagamento, novação, compensação, transação ou prescrição, desde que</p><p>supervenientes à sentença.</p><p>Art. 535. A Fazenda Pública será intimada na pessoa de seu representante</p><p>judicial, por carga, remessa ou meio eletrônico, para, querendo, no prazo de</p><p>30 (trinta) dias e nos próprios autos, impugnar a execução, podendo arguir:</p><p>I - falta ou nulidade da citação se, na fase de conhecimento, o processo correu</p><p>à revelia;</p><p>II - ilegitimidade de parte;</p><p>III - inexequibilidade do título ou inexigibilidade da obrigação;</p><p>IV - excesso de execução ou cumulação indevida de execuções;</p><p>V - incompetência absoluta ou relativa do juízo da execução;</p><p>VI - qualquer causa modificativa ou extintiva da obrigação, como pagamento,</p><p>novação, compensação, transação ou prescrição, desde que supervenientes ao</p><p>trânsito em julgado da sentença.</p><p>Assim, a necessidade ou não de procedimento prévio de liquidação</p><p>diz respeito a apenas uma das possíveis teses de defesa do executado</p><p>(inexequibilidade do título por ausência de liquidez), o que não foi alegado pelo</p><p>devedor, restando, assim, alcançada pela preclusão, o que, por si só, impede a</p><p>submissão do caso ao tema 1169.</p><p>Mas mesmo que o devedor tivesse suscitado tempestivamente a</p><p>matéria em foco em sua defesa, o que se admite apenas para argumentar,</p><p>verifica-se que tal discussão não é e não foi a única matéria suscitada nos autos.</p><p>Com efeito, por concorrer com outras teses defensivas, nada impede que se</p><p>suspenda a prolação de juízo meritório apenas sobre a questão pendente afetada</p><p>ao regime dos recursos repetitivos, prosseguindo o feito relativamente aos</p><p>demais pontos a serem enfrentados.</p><p>Nessa linha de entendimento, oportuno o Enunciado nº 126 da II</p><p>Jornada de Direito Processual Civil/CJF, ambiente que promove a discussão</p><p>sobre proposições interpretativas a respeito de dispositivos do Código de</p><p>Processo Civil, senão vejamos:</p><p>6</p><p>“O juiz pode resolver parcialmente o mérito, em relação à matéria não afetada</p><p>para julgamento, nos processos suspensos em razão de recursos repetitivos,</p><p>repercussão geral, incidente de resolução de demandas repetitivas ou</p><p>incidente de assunção de competência”.</p><p>Desse modo, a aplicação racional do art. 1.037, II, do CPC se faz</p><p>necessária, pois sempre que houver a suspensão de todos os processos que</p><p>versem, direta ou indiretamente, sobre tema afetado ao regime de Repercussão</p><p>Geral ou Recursos Representativos de Controvérsia, haverá grave</p><p>comprometimento a efetividade da cláusula constitucional da duração razoável</p><p>do processo (art. 5º, LXXVIII, da CF), eis que os cumprimentos de sentença</p><p>poderão arrastar-se por décadas.</p><p>Aliás, sobre a questão ora em discussão, a Primeira Seção do STJ,</p><p>assim já se manifestou, verbis:</p><p>PROCESSUAL CIVIL. ADMINISTRATIVO. EMBARGOS DE</p><p>DECLARAÇÃO NA QUESTÃO DE ORDEM. REVISÃO DE TESE</p><p>REPETITIVA. SOBRESTAMENTO. EXTENSÃO.</p><p>DESAPROPRIAÇÃO. REFORMA AGRÁRIA. JUROS</p><p>COMPENSATÓRIOS. FALTA DE INSURGÊNCIA QUANTO AO</p><p>CAPÍTULO CORRESPONDENTE DA SENTENÇA. LEI N.</p><p>13.465/2017. EXCLUSÃO DA SUSPENSÃO. ALTERAÇÃO DO</p><p>MOMENTO DE SUSPENSÃO. RECURSO ESPECIAL.</p><p>IMPOSSIBILIDADE. ALTERAÇÃO DO ESCOPO DE</p><p>SOBRESTAMENTO. RESTRIÇÃO AO CAPÍTULO DAS TESES</p><p>AFETADAS. POSSIBILIDADE DE DECISÃO PARCIAL DE MÉRITO E</p><p>CORRESPONDENTE SEGUIMENTO DO PROCESSO. ENUNCIADO</p><p>126 DA II JORNADA DE DIREITO PROCESSUAL CIVIL/CJF.</p><p>EMBARGOS ACOLHIDOS, EM PARTE. 1. Na hipótese de inexistir</p><p>insurgência quanto ao capítulo da sentença relativa aos juros</p><p>compensatórios, ou de não ser aplicável o reexame necessário, não há que</p><p>se falar em sobrestamento do feito. 2. A Lei n. 13.465/2017 afastou a</p><p>incidência do art. 15-A do Decreto-Lei n. 3.365/1941 no tocante às</p><p>desapropriações para reforma agrária, sendo inaplicáveis as teses repetitivas</p><p>sujeitas à revisão dos processos em que a imissão na posse tenha ocorrido a</p><p>partir de sua vigência. Por conseguinte, tais casos não devem ser</p><p>abrangidos pela suspensão. 3. Quanto ao pleito para que a suspensão ocorra</p><p>somente após a interposição do recurso especial, os aclaratórios não</p><p>prosperam, seja porque é inexistente qualquer vício de fundamentação nesse</p><p>ponto, seja porque tal providência destoa da lógica atribuída ao regime de</p><p>precedentes judiciais estabelecido no CPC/2015. Da mesma forma, não há</p><p>que se falar em risco de sobrestamento do feito por ocasião do indeferimento</p><p>7</p><p>da imissão provisória na posse do imóvel, porquanto, em tal etapa, não há</p><p>debate sobre o índice de juros compensatórios aplicável. 4. Nos termos do</p><p>Enunciado 126 da II Jornada de Direito Processual Civil/CJF, "o juiz</p><p>pode resolver parcialmente o mérito, em relação à matéria não afetada</p><p>para julgamento, nos processos suspensos em razão de recursos</p><p>repetitivos, repercussão geral, incidente de resolução de demandas</p><p>repetitivas ou incidente de assunção de competência". Assim, deverá o</p><p>juiz deixar de proferir decisão sobre as teses afetadas, sobrestando o</p><p>processo quanto aos capítulos relacionados, sem prejuízo de decisão e</p><p>seguimento do feito no que diga respeito às demais questões. A</p><p>homologação de acordo entre as partes excluindo a questão das matérias</p><p>controvertidas também afastará o sobrestamento. 5. Embargos de</p><p>declaração acolhidos em parte, para esclarecer que não estão compreendidos</p><p>na ordem de sobrestamento: i) os feitos expropriatórios em que não haja</p><p>recurso quanto aos juros compensatórios ou não estejam sujeitos a reexame</p><p>necessário e, em nome da segurança jurídica, os feitos já transitados em</p><p>julgado até a data da publicação do acórdão paradigma; ii) as desapropriações</p><p>para reforma agrária cuja imissão na posse tenha ocorrido após a vigência da</p><p>Lei n. 13.465/2017; e iii) as questões controvertidas alheias ao debate dos</p><p>juros compensatórios, nos termos do Enunciado n. 126 da II Jornada de</p><p>Direito Processual Civil/CJF. (EDcl no REsp n. 1.328.993/CE, relator</p><p>Ministro Og Fernandes, Primeira Seção, julgado em 26/6/2019, DJe de</p><p>27/6/2019) (grifo nosso)</p><p>Ademais, é importante consignar que o quantum debeatur</p><p>executado no caso em apreço foi apurado com base em simples cálculos</p><p>aritméticos, na forma do art. 509, § 2º, do Código de Processo Civil1, não tendo</p><p>o devedor alegado qualquer dificuldade em exercer o seu direito ao</p><p>contraditório e à ampla defesa, razão pela qual, mostra-se completamente</p><p>despropositado o sobrestamento do feito em virtude de uma suposta e nunca</p><p>ventilada necessidade de liquidação prévia do julgado, discussão esta que tem</p><p>mais importância acadêmica do que prática e que acaba por esvaziar o direito</p><p>fundamental à razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII, da CRFB/88),</p><p>ao retardar indevida e desarrazoadamente a entrega efetiva do bem da vida</p><p>objeto da prestação jurisdicional.</p><p>Aliás, outro não é o entendimento jurisprudencial acerca da</p><p>prescindibilidade da liquidação quando o cumprimento individual de sentença</p><p>1 Art. 509. Quando a sentença condenar ao pagamento de quantia ilíquida, proceder-se-á à sua</p><p>liquidação, a requerimento do credor ou do devedor:</p><p>§ 2º Quando a apuração do valor depender apenas de cálculo aritmético, o credor poderá promover,</p><p>desde logo, o cumprimento da sentença.</p><p>8</p><p>coletiva é proposto com base em simples cálculos aritméticos, na forma do art.</p><p>509, § 2º, do Código de Processo Civil, verbis:</p><p>AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. CUMPRIMENTO</p><p>INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA. EXPURGOS</p><p>INFLACIONÁRIOS. LIQUIDAÇÃO DE SENTENÇA. CÁLCULOS</p><p>ARITMÉTICOS.</p><p>1. Recurso especial interposto contra acórdão publicado na vigência do</p><p>Código de Processo Civil de 2015 (Enunciados Administrativos nos 2 e</p><p>3/STJ).</p><p>2. O Superior Tribunal de Justiça possui entendimento no sentido de ser</p><p>viável a realização da execução individual de título judicial formado em</p><p>ação coletiva quando for possível a individualização do crédito e a</p><p>definição do valor devido por meros cálculos aritméticos.</p><p>3. Quando a determinação do valor da condenação depender apenas de</p><p>cálculo aritmético, o cumprimento de sentença poderá se dar sem a fase</p><p>de liquidação, bastando ao credor instruir o pedido com a memória</p><p>discriminada e atualizada do cálculo.</p><p>4. Agravo interno não provido. (AgInt no REsp n. 1.974.270/RS, relator</p><p>Ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, Terceira Turma, julgado em</p><p>17/10/2022, DJe de 24/10/2022.)</p><p>PROCESSUAL CIVIL. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL.</p><p>AÇÃO COLETIVA. CUMPRIMENTO PROVISÓRIO DE SENTENÇA.</p><p>EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO, CONTRADIÇÃO OU</p><p>OBSCURIDADE. NÃO OCORRÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 489 DO</p><p>CPC/15. INOCORRÊNCIA. REEXAME DE FATOS E PROVAS.</p><p>INADMISSIBILIDADE. SENTENÇA COLETIVA. LIQUIDAÇÃO.</p><p>DESNECESSIDADE. MEROSCÁLCULOS ARITMÉTICOS. DISSÍDIO</p><p>JURISPRUDENCIAL. COTEJO ANALÍTICO E SIMILITUDE FÁTICA.</p><p>AUSÊNCIA. SÚMULA 7 DO STJ. DISSÍDIO JURISPRUDENCIAL.</p><p>PREJUDICADO.</p><p>1. Ação coletiva em fase de cumprimento provisório de sentença.</p><p>2. Ausentes os vícios do art. 1.022 do CPC, rejeitam-se os embargos de</p><p>declaração.</p><p>3. Devidamente analisadas e discutidas as questões de mérito, e</p><p>fundamentado corretamente o acórdão recorrido, de modo a esgotar a</p><p>prestação jurisdicional, não há que se falar em violação do art. 489 do CPC.</p><p>4. O reexame de fatos e provas em recurso especial é inadmissível.</p><p>5. A jurisprudência desta Corte Superior tem se manifestado no sentido</p><p>de que a execução individual de título formado em processo coletivo pode</p><p>ocorrer sem a necessidade de prévia liquidação do julgado quando for</p><p>possível a apuração do crédito por simples cálculos aritméticos, cabendo</p><p>ao Tribunal de origem analisar, de forma concreta, se é necessária a</p><p>liquidação do julgado. Precedentes.</p><p>6. O dissídio jurisprudencial deve ser comprovado mediante o cotejo analítico</p><p>entre acórdãos que versem sobre situações fáticas idênticas.</p><p>7. A incidência da Súmula 7 do STJ prejudica a análise do dissídio</p><p>jurisprudencial pretendido. Precedentes desta Corte.</p><p>9</p><p>8. Agravo interno no recurso especial não provido. (AgInt no REsp n.</p><p>2.005.866/RS, relatora Ministra Nancy Andrighi, Terceira Turma, julgado em</p><p>3/10/2022, DJe de 5/10/2022.)</p><p>Por fim, tendo em vista que os tribunais devem uniformizar sua</p><p>jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente, conforme dispõe o art.</p><p>926 do CPC, colaciona-se aresto atualizado do Egrégio Tribunal de Justiça do</p><p>Distrito Federal e dos Territórios que, em situação jurídica idêntica e em sede</p><p>de agravo interno, decidiu pela reforma da decisão que determinou o</p><p>sobrestamento do agravo de instrumento com base no Tema 1169, verbis:</p><p>AGRAVO INTERNO EM AGRAVO DE INSTRUMENTO.</p><p>CUMPRIMENTO INDIVIDUAL DE SENTENÇA COLETIVA CONTRA</p><p>A FAZENDA PÚBLICA. DECISÃO DE SOBRESTAMENTO FUNDADA</p><p>EM RECURSO REPETITIVO. RECORRIBILIDADE LIMITADA.</p><p>INDICAÇÃO DE DISTINÇÃO (DISTINGUISHING). POSSIBILIDADE.</p><p>ART. 1.037, PARÁGRAFOS 9º A 13, CPC. CONHECIMENTO DO</p><p>AGRAVO INTERNO. 1. A lei processual civil admite a impugnação da</p><p>decisão de sobrestamento, quando visa a demonstrar distinção entre o</p><p>caso concreto e o tema submetido ao julgamento repetitivo. Inteligência</p><p>do artigo 1.037, parágrafos 9º; 10, II; 12, I, e 13, II, do CPC. 2. Eventual</p><p>irrecorribilidade diz respeito apenas aos recursos interpostos com vistas a</p><p>discutir a justiça ou injustiça da decisão. Não se confunde com a possibilidade</p><p>de impugnar a decisão de sobrestamento com base na distinção</p><p>(distinguishing) entre a tese a ser julgada em recurso repetitivo e a matéria</p><p>objeto do recurso no caso concreto. 3. Evidenciada a distinção entre o</p><p>objeto do agravo de instrumento e a matéria tratada no tema submetido</p><p>ao rito dos recursos repetitivos, o conhecimento do agravo interno e a</p><p>reforma da decisão que determinou o sobrestamento do agravo de</p><p>instrumento configuram medidas impositivas. 4. Agravo interno</p><p>conhecido e provido. (Acórdão 1655018, 07251414220228070000, Relator:</p><p>JOÃO LUÍS FISCHER DIAS, Relator Designado: ANA CANTARINO 5ª</p><p>Turma Cível, data de julgamento: 25/1/2023, publicado no DJE: 6/2/2023.</p><p>Pág.: Sem Página Cadastrada.)</p><p>No mesmo sentido, os Agravos Internos nº 0734886-</p><p>46.2022.8.07.0000, 0732902-27.2022.8.07.0000, 0705370-78.2022.8.07.0000,</p><p>0729465-75.2022.8.07.0000, 0729994-94.2022.8.07.0000, 0737340-</p><p>96.2022.8.07.0000, 0741643-56.2022.8.07.0000, 0736908-14.2021.8.07.0000,</p><p>0707052-68.2022.8.07.0000, 0717908-91.2022.8.07.0000, 0719350-</p><p>92.2022.8.07.0000.</p><p>10</p><p>Pelo exposto, a execução deve prosseguir de forma definitiva até</p><p>a satisfação final da dívida, em consonância ao princípio da razoável duração</p><p>do processo inserto no art. 5º, inciso LXXVIII, da CRFB, motivo pelo qual</p><p>deve ser retomado o fluxo processual, inclusive, em sede liminar, já que</p><p>evidente se apresenta o fumus boni iuris.</p><p>III – DA LIMINAR</p><p>Assentada a plausibilidade do direito invocado e caracterizado o</p><p>erro de procedimento, cumpre ressaltar que a demora no julgamento do</p><p>presente agravo certamente causará danos de impossível ou difícil reparação a</p><p>parte agravante.</p><p>Com efeito, é indiscutível a natureza alimentar das verbas</p><p>buscadas, sendo certo que a não concessão da liminar fará com que a parte</p><p>agravante, tenha que esperar mais do que já espera pela satisfação do seu</p><p>crédito, não havendo dúvidas, portanto, a respeito do periculum in mora.</p><p>Doutro lado, não há falar em periculum in mora inverso ou em</p><p>irreversibilidade da liminar eventualmente deferida, visto que o (a)(s)</p><p>Agravante é servidor(a) público(a) estatutário(a) e, desta forma, sempre poderá</p><p>a Fazenda Pública se ressarcir de eventuais valores pagos indevidamente, com</p><p>fundamento no art. 119 da Lei Complementar Distrital n. 840/2011.</p><p>Portanto, requer que seja antecipada a tutela recursal, de forma</p><p>liminar, para determinar que o juízo agravado dê prosseguimento regular ao</p><p>cumprimento de sentença, expedindo-se imediatamente as requisições de</p><p>pagamento na forma da lei.</p><p>IV - DO PEDIDO</p><p>FACE AO EXPOSTO, presentes os pressupostos do fumus boni</p><p>iuris e do periculum in mora, este decorrente do caráter alimentar das</p><p>verbas envolvidas, pugna-se pelo recebimento do presente agravo por ser</p><p>tratar o ato impugnado de decisão agravável, na forma prevista no art. 1.015,</p><p>parágrafo único, do CPC, e pela concessão de efeito suspensivo ativo para</p><p>suspender a decisão agravada e determinar ao juízo a quo que dê</p><p>prosseguimento regular à execução, até final satisfação da dívida.</p><p>11</p><p>Requer, outrossim,</p><p>após solicitadas as informações de praxe e</p><p>intimado os agravados para responder, querendo, o provimento do presente</p><p>agravo, consolidando-se a liminar, caso deferida, para cassar a decisão</p><p>agravada nos termos acima postulados. A teor do que dispõe o art. 1.016, IV,</p><p>do CPC, indica o endereço e o nome dos advogados.</p><p>- Advogado da parte Autora e do Agravante: MARCONI</p><p>MEDEIROS MARQUES DE OLIVEIRA, OAB/DF 23.360, com escritório</p><p>profissional no SIG, Q. 1, lotes 495/505/515, sala 201, Brasília/DF;</p><p>- Advogado do DF: mandado ex lege ao Procurador-Geral do</p><p>Distrito Federal, com endereço no SAM Bloco "I" Edifício Sede - CEP: 70620-</p><p>000.</p><p>Outrossim, deixa a parte agravante de juntar o comprovante do</p><p>preparo, em virtude da gratuidade de justiça concedida (ID 140723093), bem</p><p>como as demais peças previstas no art. 1.017, do CPC, haja vista tramitar</p><p>eletronicamente o feito de origem, na forma autorizada pelo § 5º do mesmo</p><p>dispositivo.</p><p>TERMOS EM QUE</p><p>PEDE DEFERIMENTO</p><p>Brasília-DF, 10 de maio de 2023.</p><p>MARCONI MEDEIROS MARQUES DE OLIVEIRA</p><p>Advogado - OAB/RN 4.846</p><p>OAB/DF 23.360</p>