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A jurisprudência
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AUTORES:
BALTAZAR RODRIGUES
Procurador do Estado do Rio de Janeiro - PGE/RJ. Sócio do
escritório Fontana, Maurell, Gaio e Rodrigues Advogados. Mestre
em Direito Processual pela Universidade do Estado do Rio de
Janeiro - UERJ. Ex-Diretor Jurídico do Fundo Único de Previdência
Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência - 2013/2014).
Aprovado nos seguintes concursos: PGE/RJ (15º lugar - 2010);
Advogado do BNDES (65º lugar - 2009).
RODRIGO DUARTE
Advogado da União. Ex-Oficial de Justiça e Avaliador Federal no
TRF da 2ª Região; Ex-Técnico Administrativo do Ministério Público
da União (MPU) e Ex-Técnico de Atividade Judiciária no Tribunal de
Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ); Aprovado e nomeado no concurso
de Analista Processual do Ministério Público do Rio de Janeiro
(MPE/RJ).
MIGUEL BLAJCHMAN (Organizador)
Advogado. Fundador do site Questões Discursivas. Ex-Analista de
Planejamento e Orçamento da Secretaria Municipal da Fazenda do
Rio de Janeiro (SMF/RJ). Aprovado nos seguintes concursos:
Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado do
Rio de Janeiro (TCE/RJ). Analista e Técnico do Ministério Público do
Estado do Rio de Janeiro (MPE/RJ) e Advogado da Dataprev.
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SUMÁRIO:
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/TO – 2017 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL - DPE-RO - 2017 - VUNESP
COMPETÊNCIA
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/SC – 2017 - FGV
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PA - 2014 - FCC
AÇÃO CIVIL PÚBLICA
ADVOGADO – PETROBRAS – 2015 - CESGRANRIO
AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SE – 2018 – CESPE
AÇÃO POPULAR
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/GO – 2009 – FCC
PROCURADORIA ESTADUAL – PGE/RS - 2015 - FUNDATEC
AÇÃO RESCISÓRIA
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/BA – 2014 - CESPE
DEFENSOR PÚBLICO - DPU – 2017 - CESPE
CAPACIDADE PROCESSUAL
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ
CITAÇÃO
OFICIAL DE JUSTIÇA – TRF4 – 2019 – FCC
OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012
OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012
COISA JULGADA
OFICIAL DE JUSTIÇA – TJDFT – 2015 – CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA
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CONTESTAÇÃO
ADVOGADO - PETROBRAS - 2018 – CESGRANRIO
PROCURADOR - PGM/BELO HORIZONTE-MG – 2017 - CESPE
EXECUÇÃO
NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT9 - 2015 - FCC
OFICIAL DE JUSTIÇA – TRT/SC – 2017 - FGV
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 – 2016 – CESPE
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009
ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRT9 - FCC - 2007
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRF3 - FCC - 2014
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 - CESPE - 2016
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2011 – CESPE
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2013 – CESPE
NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE
FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SP - 2012 - FCC
JURISDIÇÃO
TÉCNICO JUDICIÁRIO - TJDFT - CESPE - 2015
JURISPRUDÊNCIAS E SÚMULAS
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-ARACAJU/SE – 2007 - CESPE
MANDADO DE SEGURANÇA
ADVOGADO - HEMOCENTRO - 2017 - IADES
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/GOIANIA-GO – 2016 – CESPE
ANALISTA JUDICIÁRIO - STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 2018 –
CESPE
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE
ANALISTA JUDICIÁRIO – TJCE – 2014 – CESPE
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
MANDADO DE INJUNÇÃO
DELEGADO DE POLÍCIA - PCGO - 2013 – UEG
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DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL – DPE/PA - 2015 – FMP
TUTELAS
PROCURADOR - PGM/PORTO ALEGRE/RS – 2017 - FUNDATEC
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/CAMPINAS-SP – 2016 - FCC
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-MG - 2017 - MPE-MG
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RO – 2009 - FMP
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJRS – 2016 - FAURGS
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF4 – 2012 – TRF4
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJDFT – 2009 – BANCA PRÓPRIA
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2016 – CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA
PRECATÓRIOS
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/PB – 2008 - CESPE
PROCESSO E PROCEDIMENTO
ADVOGADO - LIQUIGAS - 2018 – CESGRANRIO
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/ES – 2017 - FCC
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-FORTALEZA/CE – 2017 - CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/SC – 2016 – BANCA PRÓPRIA
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ
PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2016 – BANCA PRÓPRIA
PROVAS
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF5 – 2018 - CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 - MPE-PR
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AC – 2017 - FMP
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2011 - CESPE
SENTENÇA
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSC – 2017 - FCC
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MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSP - 2017 - VUNESP
ADVOGADO – CRF/DF – 2017 - IADES
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJPR - 2017 - CESPE
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-PR - 2017 - MPE-PR
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC
RECURSOS
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
ADVOGADO – PETROBRAS/TRANSPETRO - 2018 – CESGRANRIO
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA
PROCURADOR AUTARQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/CE – 2004 - CESPE
ADVOGADO – BNDES – 2013 – CESGRANRIO
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 - MPE-PR
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA
MAGISTRATURA FEDERAL – 2011 – TRF5 – CESPE
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ
PROCURADOR MUNICIPAL - PGM-FOZ DO IGUAÇU-PR - 2019 – FAFIPA
PROCURADOR AUTARQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
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PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO PROCESSUAL CIVIL
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA
Discorra sobre o princípio da primazia da decisão de mérito, consagrado no
Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), demonstrando quatro situações
processuais em que o referido princípio se concretiza.SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O princípio da primazia da decisão do mérito, consagrado no Código de
Processo Civil de 2015, está previsto, inicialmente, no art. 4º, ao lado da
garantia da razoável duração do processo. Assim, as partes possuem o direito
de obter, em prazo razoável, a solução integral do mérito, incluída a atividade
satisfativa.
Referido princípio está ligado à garantia constitucional do devido
processo legal, aos princípios da boa-fé processual, do moderno contraditório
e ao princípio da cooperação, este último previsto no art. 6º do novo CPC.
Segundo este artigo, todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si
para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva.
Conforme esse princípio, o órgão julgador, na condução da demanda principal,
de um recurso ou de uma demanda incidental, deve ter como objetivo final a
decisão de mérito, viabilizando a superação de falhas formais.
Analisando o art. 4º do CPC, a doutrina entende que ele possui
aplicação em todas as fases e em todos os tipos de procedimentos, inclusive
em incidentes processuais e na instância recursal, impondo ao órgão
jurisdicional viabilizar o saneamento de vícios para examinar o mérito, sempre
que seja possível a sua correção. O princípio da primazia da decisão de mérito
permeia, portanto, o novo processo civil pátrio, de forma que há outros artigos
que podem ser considerados desdobramentos dele.
O primeiro exemplo é o art. 139, IX, do CPC, segundo o qual o juiz tem o
dever de determinar o suprimento dos pressupostos processuais e o
saneamento de outros vícios processuais. O art. 317 do CPC aduz que antes de
proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte
oportunidade para, se possível, corrigir o vício. Além disso, o juiz não
decretará a nulidade e nem mandará repetir o ato quando puder decidir o
mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação de nulidade, conforme
o art. 282, §2º, do CPC.
Um terceiro exemplo é que, proferida a sentença que extingue o
processo sem resolução de mérito, interposta apelação, o juiz poderá, no
prazo de cinco dias, reexaminar a causa e exercer juízo de retratação (art. 485,
§7º, do CPC). Outro ponto exemplificativo é que o relator, antes de considerar
inadmissível o recurso, portanto, sem examinar o mérito do recurso,
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concederá prazo de cinco dias ao recorrente para que seja sanado o defeito
(art. 932, parágrafo único, do CPC).
Por fim, o juiz tem o dever geral de, suspendendo o processo, ordenar a
correção da incapacidade processual ou da irregularidade de representação
da parte, fixando prazo razoável para que seja sanado o vício (art. 76 do CPC).
Se na contestação o réu alegar ser parte ilegítima ou não ser o responsável
pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor a emenda à inicial para
alteração do polo passivo, com a substituição do réu (art. 338 do CPC).
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/TO – 2017 - CESPE
Em seu art. 5.º, inciso LIV, a Constituição Federal de 1988 assevera que
ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo
legal. O princípio do devido processo legal é uma das garantias mais amplas
do direito constitucional, além de ser uma premissa essencial nas relações de
caráter processual. É, portanto, um princípio intrínseco às atividades dos
cargos de analista judiciário, como o processamento de feitos e a função de
apoio em julgamentos. Considerando que o texto acima tem caráter
unicamente motivador, disserte sobre o princípio do devido processo legal.
Em seu texto, aborde os seguintes aspectos, conforme a Constituição Federal
de 1988, a doutrina e o entendimento do Supremo Tribunal Federal: 1 - as
garantias processuais dos indivíduos no Estado democrático de direito,
apresentando, pelo menos, quatro prerrogativas constitucionais que se
relacionam com o devido processo legal; [valor: 6,00 pontos] 2 - a aplicação
do princípio do devido processo legal aos estrangeiros; [valor: 1,50 ponto] 3 -
a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada no contexto do devido
processo legal. [valor: 2,00 pontos]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O devido processo legal ou due process of law é uma garantia essencial
com caráter subsidiário e geral em relação às demais garantias. As garantias
processuais presentes no Estado Democrático de Direito e que lhe são
inerentes são: 1 – o direito ao contraditório e à ampla defesa; 2 – o direito ao
juiz natural; 3 – o direito a não ser processado e condenado com base em
prova ilícita; e 4 – o direito a não ser preso senão por determinação da
autoridade competente e na forma estabelecida pela ordem jurídica.
A CRFB arrola os princípios que estão consubstanciados no devido
processo legal, como a inafastabilidade de jurisdição (art. 5º, XXXV), a
plenitude do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV), o direito ao juiz
natural (art. 5º, XXXVII, LIII e LIV) e a publicidade do processo (art. 5º, LX).
Entre as prerrogativas constitucionais aplicáveis ao devido processo
legal, podem-se citar: a garantia de livre acesso ao Poder Judiciário; o direito à
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citação e ao conhecimento prévio do teor da acusação; o direito a um
julgamento público e célere, sem dilações indevidas; o direito ao contraditório
e à plenitude de defesa (direito à autodefesa e à defesa técnica); o direito a
não ser processado e julgado com base em leis posteriores ao fato; o direito à
igualdade entre as partes; o direito de não ser processado com fundamento
em provas revestidas de ilicitude; o direito ao benefício da gratuidade; o
direito à observância do princípio do juiz natural; o direito ao silêncio; o direito
à prova; e o direito de presença nos atos de interrogatório.
O princípio da proporcionalidade também tem sede material no
princípio do devido processo legal. As normas legais devem observar, no
processo de sua formulação, critérios de razoabilidade que guardem estrita
consonância com os padrões fundados no princípio da proporcionalidade, pois
todos os atos emanados do Poder Público devem ajustar-se à cláusula que
consagra, em sua dimensão mate ial,àoàp i ípioàdoà substantive due process
ofàla .
O princípio do devido processo legal é amplamente aplicável ao
estrangeiro, conforme expresso no art. 12, §2º, da CRFB. Assim, os
instrumentos processuais de tutela do indivíduo presentes na CRFB alcançam
plenamente o estrangeiro. A jurisprudência do STF está assentada nesse
entendimento, isto é, o estrangeiro tem direito público subjetivo à observância
e ao integral respeito ao devido processo legal — ainda que não possua
domicílio no país — e está exposto à condição indisponível de sujeito de
direitos.
Conforme a teoria dos frutos da árvore envenenada, a prova ilícita
originária contamina todas as demais obtidas a partir dela, ou seja, as
decorrentes daquela prova ilícita são também ilícitas. O STF já legitimou sua
aplicação em diversos julgados, declarando a nulidade de todos os atos
praticados no processo, na hipótese de a prova ter sido obtida de forma ilícita.
O exemplo clássico é o de confissão de crime por meio de tortura.
O STF permite algumas exceções à aplicação dessa teoria quando no
processo não se demonstrar o nexo causal entre as provas ilícitas e as
derivadas ou quando essas puderem ser obtidas de forma independente. Por
fim, a prova, em princípio ilícita, poderá ser admitida se produzida pelo réu em
estado de necessidade ou legitima defesa.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
As normas legais devem observar, no processo de sua formulação, critérios de
razoabilidade que guardem estrita consonância com os padrões fundados no
princípio da proporcionalidade, pois todos os atos emanados do Poder Público
devem ajustar-seà cláusula que consagra, em sua dimensão material, o
princípio do substantive due process of law. (ADI 2667 MC–DF – Tribunal Pleno
– Rel. Ministro Celso de Mello – J. 19/6/2002).
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REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
Gilmar Mendes e Paulo Branco. Curso de Direito Constitucional. 8.ª ed., São
Paulo: Saraiva, 2013
DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL - DPE-RO - 2017 - VUNESP
Responda à questão de direito processual civil na ordem como se apresenta.
a àExpli ueà oà ueà o sisteàaàde o i adaà de is o-su p esa àeàoàt ata e toà
que o vigente ordenamento jurídico lhe atribui. b) Quais os princípios
constitucionais que estão mais intimamente ligados ao assunto?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
De is o-su p esa à à a uelaà p ofe idaà peloà agist ado,à o t aà u aà
das partes, sem que ela seja previamente ouvida, ou a decisão com base em
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de
se manifestar.
O atual ordenamento jurídico (Código de Processo Civil de 2015) veda a
de is o-su p esa àpo à eioàde seus artigos 9º e 10, os quais determinam que
o juiz não poderá decidir acerca de determinado tema sem ouvir as partes,
especialmente a que receberá o provimento desfavorável.
Ou seja: as decisões judiciais não podem surpreender a parte que terá
de suportar suas consequências, porque o contraditório moderno assegura o
direito dos sujeitos do processo de não só participar da preparação do
provimento judicial, como de influir na sua formulação.
Por fim, mesmo que a questão tenha sido debatida amplamente, não
se permite ao juiz decidi-la mediante fundamento ainda não submetido à
manifestação das partes.
Est oà di eta e teà ligadosà à edaç oà daà de is o-su p esa à osà
princípios do devido processo legal e do contraditório, previstos nos incisos LIV
e LV do artigo 5º da CF/1988. Lembre-se que tais garantias não permitem que
o juiz ou tribunal decida qualquer questão dentro do processo, ainda que seja
de ordem pública, sem que tenha sido dada às partes prévia oportunidade de
manifestação.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:
NERY JUNIOR, Nelson – Código de processo civil comentado – 16ª ed. rev.,
atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016
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11
THEODORO JÚNIOR, Humberto – Curso de Direito Processual Civil – Teoria
geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento
comum – vol. I. 57ª ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2016.
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COMPETÊNCIA
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/SC – 2017 - FGV
Determinada sociedade empresária foi fiscalizada, no mesmo dia, em duas
ocasiões distintas. Na primeira, fiscais estaduais identificaram o
des u p i e toàdasà o asàvei uladasàe àLeiàEstadualàXà ueàesta ele euà aà
política estadual de proteção da saúde do trabalhador, segurança e higiene do
t a alhoàeàdisp sàso eàoà o t oleàdeàsuaào se v ia ,àapli a doàasà ultasà
ali previstas. Na segunda, fiscais federais aplicaram multas com base na Lei
Fede alà Y,à ueà dispu haà so eà aà ualidadeà a ie talà o upa io al .à âà luzà
desses fatos, o diretor-presidente da sociedade empresária solicitou ao seu
departamento jurídico que analisasse dois aspectos: a compatibilidade da Lei
Estadual X e da Lei Federal Y com a Constituição Federal de 1988 e o juízo
competente para analisar possíveis ações judiciais que se insurjam contra as
multas aplicadas. Analise os aspectos mencionados. Quantidade máxima de
linhas: 20
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
No presente caso, tem-se o chamado conflito federativo de atribuições,
pois dois entes da federação realizaram seu poder de polícia e efetuaram
fiscalizações sobre uma mesma empresa. Isso decorre, em regra, em virtude
da competência comum dos entes, prevista no art. 23 da CRFB.
Pode-se mencionar que a autoridade estadual efetuou seu poder de
polícia com base no art. 23, VI, da CRFB, que dá aos Estados competência
comum no que toca ao meio ambiente (incluindo o meio ambiente e a
segurança do trabalho), bem como com fundamento em lei estadual X,
baseada no art. 24, VI, da CRFB. Por outro lado, a autoridade federal efetuou a
autuação com base em lei Y, fundamentada no art. 22, I, da CRFB (normas de
direito do trabalho e sua segurança).
A princípio, as duas autuações são compatíveis com a Constituição,
uma vez que estão fundamentadas em normas constitucionais, como visto
acima. O que se pode alegar, em defesa da sociedade empresária, caso as
duas atuações tenham ocorrido em razão do mesmo fato, seria a ocorrência
deà isài àide .
Neste prisma, poder-se-ia alegar que o conflito federativo presente no
caso implicaria em interesse para impugnar ambas os atos administrativos,
ajuizando-se uma demanda na Justiça Federal (em decorrência da presença da
União no polo passivo).
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE
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13
Cliente e advogado firmaram contrato de honorários em percentual sobre
valor do eventual resultado da demanda. Após o recebimento do crédito pelo
cliente, este não pagou os honorários acertados. O advogado se insurgiu em
busca do pagamento efetivado. Por sua vez, o cliente afirmou que tentou
pagar, mas não encontrou o advogado em razão da mudança de endereço
deste, e que descontaria do total as custas cobradas a mais pelo referido
profissional. Considerando a situação hipotética acima apresentada, discorra
acerca da competência e esclareça quais são ações cabíveis, tanto da parte do
advogado, quanto da parte do cliente.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Inicialmente, cumpre analisar a medida a ser adotada pelo advogado
em questão, haja vista a celebração de ajuste que lhe garante o direito à
percepção de honorários advocatícios contratuais.
Insta salientar, a princípio, o entendimento consolidado no STJ no
sentido de ser da Justiça comum estadual, e não da Justiça do Trabalho, a
competência para processar e julgar a ação de cobrança de honorários
profissionais supostamente devidos pela prestação de serviços advocatícios,
haja vista não se tratar de "relação de trabalho", dado o caráter civil da
controvérsia, o que afasta a competência da Justiça laboral. Ademais,
prevalece a teoria restritiva acerca do conceito relação de trabalho, a qual
exige a hipossuficiência do prestador de serviços. Dessa maneira, os
conhecimentos técnicos dos profissionais liberais afastam este requisito,
configurando mais uma razão que justifica a falta de competência da justiça
laboral. Esse entendimento foi sedimentado na Súmula nº 363 do STJ, segundo
a qual compete à Justiça estadual processar e julgar a ação de cobrança
ajuizada por profissional liberal contra cliente.
Feita a consideração, cabe perquirir acerca da existência ou não de
contrato escrito de honorários advocatícios, haja vista possuir reflexos diretos
nos instrumentos manejáveis pelo advogado. Isso porque o art. 24 da Lei nº
8.906/94 (Estatuto da OAB) preconiza que o contrato escrito que estipular a
verba honorária é considerado título executivo extrajudicial, sendo cabível,
portanto, o ajuizamento de processo executivo contra o cliente, com
fundamento nos art.783 e seguintes do CPC, podendo ser proposto no foro de
domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação
dos bens a ela sujeitos (art. 781, I, do CPC). Cumpre registrar a previsão
constante do art. 24, § 1º, do Estatuto da OAB, segundo o qual a execução dos
honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha
atuado o advogado, se assim lhe convier.
Finalmente, digno de nota o posicionamento doSTJ no sentido de que a
ação monitória pode ser instruída por título executivo extrajudicial. Trata-se
da aplicação doà o a doàhe e uti oàdeà ueà ue àpodeàoà aisà p o essoà
deà exe uç o,à aisà efi az ,à podeà oà e os à aç oà o it ia,à e osà efi az .à
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Dessa maneira, o contrato de honorários escrito, possuindo força de título
executivo extrajudicial (art. 24 da EOAB), poderia embasar eventual opção do
advogado pela propositura de ação monitória, não obstante o art. 700 do CPC
mencione expressamente que o rito da monitória se aplica a casos em que o
documento, desde que escrito, não possua eficácia de título executivo.
Por outro lado, em se tratando de contrato de honorários advocatícios
não escrito, caberia ao advogado a propositura de ação de conhecimento, que
será uma ação de cobrança, a fim de que seja obtido um título executivo
judicial. Ressalte-se que, a partir do advento do novo Código de Processo Civil,
oàh à aisàp e is oàdeàp o edi e toàsu ioà a tigoàa tigoà ,à II,à f ,àdoà
CPC de 1973), devendo a ação de cobrança seguir o procedimento comum
ordinário, a ser ajuizada, em regra, no foro de domicílio do réu.
No que tange ao instrumento processual posto à disposição do cliente
para satisfazer sua pretensão de pagar o que deve, deverá este se valer de
uma ação de consignação em pagamento, com fundamento nos arts. 539 e ss.
do CPC. Isso porque a consignação, nos termos do art. 335 do Código Civil, tem
lugar quando verificada a mora accipiendi, isto é, inadimplemento da
obrigação em razão de fato imponível ao credor. No caso em tela, o
advogado, ao mudar seu domicílio, cria embaraço à regular satisfação da
dívida honorária, cabendo ao cliente o depósito judicial da quantia devida,
sem adição de juros de mora, haja vista o fato de a mora ser imputada ao
credor (art. 394 do Código Civil).
Por fim, a consignação deve ser ajuizada no lugar do pagamento ou
foro de eleição. De acordo com o art. 327 do CC, a regra geral é no sentido de
que as dívidas são quesíveis, ou seja, devem ser adimplidas no domicílio do
devedor. Trata-se, vale dizer, de uma regra de competência relativa.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...) 1. A ação monitória pode ser instruída por título executivo extrajudicial.
Precedentes do STJ. [...] (STJ, REsp 1079338 SP, rel. min. Arnaldo Esteves
Lima, julgamento em 18/02/2010, Quinta Turma, DJ de 15/03/2010).
[...] 3. A ação de cobrança de honorários profissionais supostamente devidos
pela prestação de serviços advocatícios não se insere no termo "relação de
trabalho", dado o caráter civil da controvérsia, o que afasta a competência da
Justiça laboral. Precedente da Seção: CC 48.976/MG, Rel. Min. João Otávio de
Noronha, DJ de 28.08.06. [...] (STJ, CC 65575 MG, rel. min. Castro Meira,
julgamento em 08/08/2007, Primeira Seção, DJ de 27.08.2007).
ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRE/GO - CESPE - 2014
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Redija um texto dissertativo a respeito da modificação de competência no
direito processual civil brasileiro. Em seu texto, aborde, necessariamente e de
forma fundamentada, a possibilidade de modificação de competência nas
seguintes situações: 1- inércia ou vontade expressa das partes; [valor: 3,50
pontos] 2- identidade parcial ou total entre elementos de ações que tramitam
em órgãos judiciais distintos; [valor: 4,00 pontos] 3- alteração, no curso do
processo, de regra de direito ou de situação de fato utilizada para fixação de
competência, como no caso de mudança de domicílio do réu. [valor: 2,00
pontos] (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A modificação de competência retrata a ampliação/prorrogação da
esfera de competência de um órgão judiciário para conhecer certa causa,
mesmo em hipótese em que este não tivesse, originariamente, competência
para tanto. Tal fenômeno somente pode se dar nas hipóteses de competência
relativa, afinal, a de natureza absoluta é indisponível, sendo descabida sua
modificação (art. 62 do CPC). Um bom exemplo disto é a inclusão de foro de
eleição em contrato (art. 63 do CPC), justamente pela disponibilidade da regra
deà o pet iaà te ito ial.àPa alela e te,àdes a eàoà juízo àdeàeleiç o,à poisà
ocorreria o afastamento de uma regra de competência quanto à
matéria/pessoa, sabidamente absoluta/indisponível.
Sobre a primeira situação, a inércia do réu em arguir a incompetência
relativa no momento da contestação resulta na preclusão temporal para
alega àoà í ioà futu a e te,à eà aà o segui teà p o ogaç oàdaà o pet ia à
daquele juízo originariamente incompetente (art. 65 do CPC), retratando
causa de modificação de competência.
Sobre a segunda situação, outra hipótese de modificação de
o pet iaào o eà aà o ex o à a t.à àdoàCPC àeà aà o ti ia à a t.à à
do CPC), que existem quando duas ou mais ações pendentes – exigência de
sincronia – estejam atadas por um vínculo de semelhança relacionado a
determinado elemento da ação. Estabelecido tal vínculo, havendo parcial
identidade dos elementos da demanda, a legislação passa a impor a
reunião/agrupamento de processos (arts. 55, § 1º; 57; e 58 do CPC), por
motivo de (i) economia processual, em especial na colheita de provas, como
também para (ii) evitar decisões conflitantes ou contraditórias, resguardando
a segurança jurídica. As demandas serão reunidas no juízo prevento,
justamente aquele em que a petição inicial foi antes registrada ou distribuída
(art. 59 do CPC).
Registre-seà ueà aà situaç oà deà o ex o à eà o ti ia à dife eà daà
identidade total dos elementos da causa entre as duas demandas pendentes,
ua doàha e à litispe d ia à a t.à ,à§à º,àdoàCPC ,àle a doà àexti ç oàdoà
(segundo) processo sem julgamento do mérito (art. 485, V, do CPC).
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Sobre a terceira situação, uma regra geral sobre o estudo da
competência é a da perpetuação da jurisdição (art. 43 do CPC), ou perpetuatio
jurisdictionis, segundo o qual a competência fixada no momento da
propositura da demanda não mais se modifica, permanecendo até o
julgamento da causa. Está englobada no conjunto de normas sobre a
estabilização da demanda (v.g. art. 329 do CPC).
A regra infraconstitucional ora estudada tem suporte no princípio
constitucional do juiz natural e na impessoalidade da jurisdição, buscando
evitar que alterações fraudulentas da situação resultem em deslocamento do
foro ou do juízo em princípio competente.
Em termos práticos, significa dizer que nenhuma alteração no estado
de fato, como a mudança de domicílio do réu, ou de direito, como a ampliação
do teto da competência do órgão em razão do valor da causa, irá interferir no
juízo competente para sua decisão. É justamente o que restou cristalizado no
verbete sumular nº 58, do STJ: proposta a execução fiscal, a posterior
mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CARNEIRO, Paulo Cezar Pinheiro. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Novo
Código de Processo Civil – Anotado e Comparado. Rio de Janeiro: Gen
Método, 2015.
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito
processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 18 ed. Salvador: Jus
Podivm, 2016.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed.
Salvador: JusPodium, 2016.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Espera-se do candidato a elaboração de texto que, em linhas gerais, se
aproxime ao que se segue: A modificação ou prorrogação de competência
ocorre quando se amplia a esfera de competência de um órgão judiciário, e
somente é possível em situações de regras de competência relativa. Uma
dessas hipótesesocorre quando há inércia ou vontade expressa das partes,
que são hipóteses de modificação voluntária de competência. Assim, caso o
réu deixe de apresentar exceção de incompetência relativa no prazo legal (art.
114, CPC), o órgão judicial que era relativamente incompetente tem sua
competência prorrogada. É ainda lícito que as partes escolham o foro em que
devam ser dirimidos os conflitos decorrentes de negócio jurídico (eleição de
foro), nos casos em que a competência seja relativa. Registre-se que apenas se
admite a eleição de foro (competência, em regra, relativa), mas não a de
justiça ou de juízo (absoluta). No que se refere à reunião de ações que
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tramitem em órgãos judiciais distintos e tenham identidade parcial, ou total,
de seus elementos, é salutar lembrar que os elementos utilizados para
caracterizar uma ação (demanda) são: partes, causa de pedir e pedido. A
identidade parcial entre alguns desses elementos pode caracterizar conexão
ou continência, que são hipóteses de modificação legal de competência de
acordo com o CPC. Assim, serão conexas duas ou mais ações quando lhes for
comum o objeto e(ou) a causa de pedir (art. 103, CPC). Já a continência entre
duas ou mais demandas ocorrerá quando lhes forem comuns as partes e a
causa de pedir, sendo o pedido formulado em uma delas mais amplo que o
feito na outra (art. 104, CPC). No caso de identidade total dos elementos da
demanda (litispendência ou coisa julgada – art. 301, § 1.º, CPC), não ocorre
modificação de competência, mas, sim, a extinção do segundo processo sem
resolução de mérito (art. 267, V, CPC). Pode acontecer que, durante o curso do
processo, sobrevenha alteração de regra de direito ou de situação de fato
utilizada para fixação de competência, como no caso de mudança do domicílio
do réu. Nesses casos, em regra, não ocorre modificação de competência, pois,
de acordo com a regra denominada de perpetuação da jurisdição (perpetuatio
jurisdictionis), a competência é fixada no momento em que a ação é proposta,
sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas
posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a
competência em razão da matéria ou da hierarquia (art. 87, CPC). Observação:
Como a prova não é feita com consulta à legislação, não é necessário que o
candidato indique dispositivos legais.
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
Dê um exemplo de competência funcional horizontal com a correspondente
justificativa.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Competência funcional pode ser entendida como sendo o meio pelo
qual ocorre uma repartição de incumbências por órgãos jurisdicionais no bojo
de um mesmo feito processual. Essa competência pertence à temática da
competência interna que, ao lado da funcional, temos também a competência
objetiva e territorial.
No tocante à competência funcional, objeto do enunciado, ela pode ser
vertical ou horizontal. A diferença reside no fato de que a primeira,
competência funcional vertical atine às divisões de competência para o
processamento e julgamento de uma causa entre instâncias diferentes, tendo,
como exemplo maior, a competência originária e recursal (uma vara federal e
o órgão jurisdicional superior para julgar uma eventual apelação da sentença
proferida pelo juízo singular). Já a segunda, competência funcional horizontal,
envolve a estruturação e distribuição de funções no curso de um processo, mas
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em uma mesma instância. Como exemplo notório, temos a previsão dos arts.
948 a 950 do CPC, que cuidam do incidente de declaração de
inconstitucionalidade.
Aludido instituto do novo CPC pode ocorrer no curso de um processo,
originário ou na via recursal, quando um órgão fracionário de um determinado
tribunal verificar uma arguição de inconstitucionalidade e, por falecer
competência (art. 97 da CRFB) para decidir se a norma alvejada é ou não
inconstitucional, deve remeter os autos para o órgão competente do tribunal
(tribunal pleno ou órgão especial, por exemplo), a fim de que haja a
apreciação abstrata do incidente. Com o fim da apreciação, os autos
retornarão para o órgão fracionário, que prosseguirá na análise do caso
concreto, devendo observar o entendimento da apreciação abstrata pelo
órgão anteriormente competente.
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
Qual a natureza jurídico-processual da competência?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O conceito de jurisdição varia de acordo com a doutrina adotada.
Porém, com base nas ideias de Chiovenda, a jurisdição é uma função do
Estado que tem por escopo a atuação da vontade concreta da lei por meio da
substituição, pela atividade de órgãos públicos, da atividade de particulares
ou de outros órgãos públicos, ou seja, retira o direito de agir das partes uma
em relação à outra, dando lugar ao direito de pedir perante um órgão estatal
imparcial. Pela ótica de Carneluti, basicamente, a jurisdição pode ser vista
como o exercício para solucionar lides.
Logo, de forma sintética, pode-se entender que jurisdição é um poder-
dever estatal de resolver conflitos, com afirmação do direito. O exercício da
jurisdição revela uma das facetas da soberania e, embora ela seja uma e
indivisível, sua repartição em inúmeros órgãos judiciais (com base na CRFB,
códigos, regimentos internos...) é uma medida de racionalização. Assim, a
competência é uma parcela da jurisdição, a fim de que o Estado-juiz possa
p esta àaàju isdiç oà o à aio à a io alidadeàeào ga izaç o.
Um ponto de grande relevância é que a competência não é apenas
uma questão de mera organização, mas sim verdadeiro pressuposto de
validade do processo, de forma que os comandos judiciais devem ser exarados
por aqueles órgãos realmente competentes. A importância da competência
pode ser vista pela preocupação das normas, especialmente a CRFB e os
códigos, em delimitar os juízos competentes, além de regular a seara de
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eventuais conflitos de competência. De plano, é possível enxergar a
competência absoluta e a competência relativa.
Competência absoluta é a competência insuscetível de sofrer
modificação, seja pela vontade das partes, seja pelos motivos legais de
prorrogação (conexão ou continência de causas). Em regra, a competência
absoluta, atende a interesses públicos, referindo-se a matéria ou hierarquia.
Hierarquia relacionada ao tipo de processo ou tipo de parte submetidos ao
órgão jurisdicional. Por sua vez, a competência relativa é a competência
passível de modificação por vontade das partes ou por prorrogação, oriunda
da conexão ou continência de causas, de forma que, por exemplo, um juízo
inicialmente incompetente pode se tornar competente para processar e julgar
uma demanda.
Tradicionalmente, usa-se uma fórmula para averiguar a competência
para iniciar uma ação judicial. O primeiro passo é analisar se a causa pode ser
ajuizada no Brasil ou se há competência em outro país. Após, analisa-se a
competência de jurisdição (qual a Justiça competente?); competência
originária (dentro da Justiça competente, o conhecimento da causa cabe ao
órgão superior ou ao inferior?) competência de foro (se a atribuição é do
órgão do primeiro grau de jurisdição, qual a comarca ou seção judiciária
competente?); competência de juízo (se há mais de um órgão de primeiro grau
de jurisdição com as mesmas atribuições jurisdicionais, qual a vara
competente?); competência interna (quando numa mesma Vara ou Tribunal
servem vários juízes, qual ou quais deles serão competentes?); competência
recursal (a competência para conhecer do recurso é do próprio órgão que
decidiu originariamente oude um superior?).
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PA - 2014 - FCC
Duas semanas após ter sido deflagrada grave por ocupantes de cargos
públicos de natureza administrativa em órgãos da Administração direta
estadual, e não havendo acordo entre o sindicato da categoria e os dirigentes
dos órgãos em questão quanto às demandas apresentadas, promoveu-se
dissídio coletivo, perante a justiça do Trabalho, em sede do qual se
reconheceu a ilicitude do movimento, sob o fundamento de que o direito à
greve dos servidores púbicos é assegurado em norma constitucional que, para
produzir efeitos, carece de regulamentação legal ainda não existente. Diante
dessa situação, indaga-se: Caberia ao sindicato valer-se, em tese, de alguma
ação diretamente perante o Supremo Tribunal Federal, para viabilizar o
exercício do direito de greve dos membros da categoria? Em caso afirmativo,
qual seria e sob quais fundamentos? Em caso negativo, por quê? Justifique
sua resposta, à luz da disciplina constitucional da matéria.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
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20
A ação adequada para viabilizar o exercício do direito de greve dos
membros da categoria é a reclamação ao Supremo Tribunal Federal, nos
termos do art 102. I, da CF/88, com objetivo de garantir a autoridade das
decisões prolatadas no MI 708 (Rel. Min. Gilmar Mendes) e MI 712 (Rel. Min.
Eros Grau).
Há ocorrência de incompetência da Justiça do Trabalho para a ação,
por se tratar de greve de servidores públicos estatutários, de competência da
justiça comum.
No caso em tela aplica-se os parâmetros da legislação que
regulamenta o exercício do direito de greve dos trabalhadores em geral, com
as devidas adaptações às peculiaridades do serviço público, enquanto não
editada lei específica sobre a matéria, nos termos do art. 37, VII, da CRFB.
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AÇÃO CIVIL PÚBLICA
ADVOGADO – PETROBRAS – 2015 - CESGRANRIO
Considere a lei que disciplina a ação civil pública no caso hipotético a seguir. A
empresa Y S/A, atuante no ramo do petróleo e gás, é surpreendida com um
acidente em plataforma de petróleo, o que causa danos ambientais no local e
em vários estados da federação brasileira. Por força desse evento, vem a ser
ré em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal apresentada
na capital do Estado W, sede da empresa Y. A postulação aduzida consistiu em
suspensão liminar das atividades e condenação em danos morais e materiais
incidentes. Não há indicação dos prejudicados na peça inicial. A liminar é
deferida, causando prejuízos de milhões de dólares à empresa. Houve
recurso, improvido. O pedido é julgado procedente, e a ré é condenada a
pagar cinco bilhões de reais pelos prejuízos causados e dez por cento de
honorários advocatícios incidentes sobre o valor da condenação. Houve
recurso. Nos termos da legislação que prevê as circunstâncias descritas no
caso acima, elabore um texto, em que se deverão abordar os aspectos
elencados abaixo: 1- a Lei que disciplina essa ação, a Justiça competente e o
fundamento constitucional dessa competência; 2- os recursos aí cabíveis e
contra quais medidas eles serão interpostos; 3- o tipo da responsabilidade
civil em foco e o que a caracteriza nas circunstâncias apresentadas; 4- os
danos passíveis de indenização e em que circunstâncias serão identificados os
prejudicados; 5- o destino final dos valores da condenação e dos honorários
advocatícios.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A presente questão versa sobre um clássico caso de dano ao meio
ambiente, cuja tutela é prevista em nossa Constituição em seu art. 225.
Ademais, seu art. 129, III prevê a legitimidade do Ministério Público para
propor a ação civil pública em defesa do patrimônio público e do próprio meio
ambiente. Essa ação é regulamentada pela Lei nº 7.347/85, que atribuiu
legitimidade também aos entes públicos e associações (desde que atendidos
alguns requisitos específicos).
No caso apresentado, vê-se que o dano ambiental causado pela
empresa Y atingiu vários estados da federação. Assim, tem-se um dano que
aparentemente não é apenas regional, atraindo o interesse da União para a
solução do caso, o que atrai a competência da Justiça Federal para processar e
julgar a causa, consoante previsão expressa no art. 109, I, da CRFB. Não por
acaso, a ação foi proposta pelo Ministério Público Federal.
Adiante, no que toca aos recursos cabíveis, a decisão que deferiu a
liminar desafia o recurso de agravo de instrumento, consoante disposição do
art. 1.015, I, do CPC e do art. 12, da Lei nº 7.347/85. Por sua vez, da sentença
cabe apelação, conforme art. 1.009 do CPC. A responsabilidade pelo dano é
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objetiva, conforme previsão expressa no art. 14 da Lei nº 6.938/81 (Política
Nacional do Meio Ambiente) e, ainda, pela interpretação do art. 225, §3º, da
CRFB.
Nessa hipótese, a empresa será obrigada a pagar danos materiais e
morais coletivos, conforme já vem sendo reconhecido pela jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça. Para ser capaz de identificar os prejudicados
individualmente, cada um dos pretensos lesionados deve propor liquidação
individual de sentença, momento no qual serão produzidas as provas para
quantificar a extensão do dano caso a caso. Finalmente, o art. 13 da Lei nº
7.347/85 determina que o produto da condenação na ação civil pública será
revertido para um fundo constituído para a defesa dos bens lesados (no caso,
ambientais). No que toca aos honorários advocatícios, a doutrina vem
entendendo que seu montante também deve ser revertido para esse fundo,
em especial quando o autor da ação é o Ministério Público (que, por conta do
a t.à ,àII,à a ,àdaàC‘FB,à oàpodeà e e e à ual ue àtipoàdeà e aàaàtítuloàdeà
honorários).
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Em relação ao item 1, a ação civil pública é cabível nesse caso por previsão da
Lei nº 7.347/85. Ela pode ser proposta pelo Ministério Público e a competência
no caso descrito é da Justiça Federal, já que pois o MPF é vinculado à União
Federal, o que atrai a regra do art. 109 da CF.2- Agravo de instrumento contra
a medida liminar e apelação contra a sentença. 3- A responsabilidade por
dano ambiental é objetiva, devendo ocorrer prova do nexo de causalidade
entre o evento e o dano.4- É cabível a condenação em danos materiais e
danos morais coletivos. Os prejudicados serão identificados em processo de
liquidação de sentença. 5- Os valores da condenação e os honorários serão
revertidos para um Fundo de defesa dos direitos difusos.
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AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SE – 2018 – CESPE
No que concerne à ação de improbidade administrativa, redija um texto
dissertativo que responda, de forma fundamentada e de acordo com a
jurisprudência atual do STJ, aos seguintes questionamentos. 1- A sentença de
improcedência se submete ao regime de remessa necessária? [valor: 7,00
pontos] 2- Pode ser considerada válida a sentença condenatória prolatada em
processo se não tiver ocorrido a notificação do acusado para a apresentação
de defesa preliminar prevista em lei? [valor: 7,25 pontos]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O instituto da remessa necessária (ou reexame necessário) condiciona
a produção de efeitos da sentença à sua confirmação pelo tribunal em
situações especificamente previstas em nosso ordenamento jurídico.
Recentemente, o STJ superou divergência, até então existente, e consagrou o
entendimento de que é cabível o reexame necessário em ação de improbidade
administrativa, independentemente do valor atribuído àcausa.
O entendimento fundamenta-SE na aplicação subsidiária do art. 496 do
CPC/2015. Ademais, por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da
Lei nº 4.717/65, as sentenças de improcedência de ação civil pública sujeitam-
se indistintamente ao reexame necessário.
No procedimento previsto para a ação de improbidade administrativa,
antes do recebimento da petição inicial pelo juiz, o réu é notificado para se
manifestar (art. 17, §7º, da Lei nº 8.429/92). Segundo o STJ, nos casos em que
não for realizada a notificação do acusado para apresentação de defesa
preliminar, a nulidade será relativa. Apesar de constituir fase obrigatória do
procedimento especial da ação de improbidade administrativa (e evitar ações
temerárias), a inobservância da fase preliminar não acarreta necessariamente
a nulidade de todo o processo.
Assim, a declaração de nulidade depende da efetiva comprovação de
prejuízo ao réu condenado, e o processo não deve ser anulado se a sentença
tiver sido dada em processo em que tenha havido regular instrução probatória
com plena observância dos princípios da ampla defesa e do contraditório após
o recebimento da inicial.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...)3. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que o Código de
Processo Civil deve ser aplicado subsidiariamente à Lei de Improbidade
Administrativa. Nesse sentido: REsp 1.217.554/SP, Rel. Ministra Eliana
Calmon, Segunda Turma, DJe 22/8/2013, e REsp 1.098.669/GO, Rel. Ministro
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24
Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 12/11/2010. 4. Portanto, é cabível
o reexame necessário na Ação de Improbidade Administrativa, nos termos do
artigo 475 do CPC/1973. Nessa linha: REsp 1556576/PE, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, DJe 31/5/2016. 5. Ademais, por "aplicação
analógica da primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65, as sentenças de
improcedência de ação civil pública sujeitam-se indistintamente ao reexame
necessário" (REsp 1.108.542/SC, Rel. Ministro Castro Meira, j. 19.5.2009, DJe
29.5.2009). Nesse sentido: AgRg no REsp 1219033/RJ, Rel. Ministro Herman
Benjamin, Segunda Turma, DJe 25/04/2011. (...)EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA
EM RESP Nº 1.220.667 – MG. STJ.
(...)1. O tema central do presente recurso está limitado à análise da eventual
nulidade nos casos em que não for observado o art. 17, § 7º, da Lei 8.429/92,
relacionado à notificação do acusado para apresentação de defesa preliminar
em sede de ação de improbidade administrativa. 2. A referida regra foi
claramente inspirada no procedimento de defesa prévia previsto nos arts. 513
a 518 do Código de Processo Penal, que regula o processo e o julgamento
"dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos". Nesse contexto, o
Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento que o eventual
descumprimento da referida fase constitui nulidade relativa: HC 110.361/SC,
2ª Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Dje de 31.7.12; HC 97.033/SP, 1ª
Turma, Rel. Min. Carmen Lúcia, Dje de 12.5.09. (...)4. É manifesto que o
objetivo da fase preliminar da ação de improbidade administrativa é evitar o
processamento de ação temerárias, sem plausibilidade de fundamentos para
o ajuizamento da demanda, em razão das graves consequências advindas do
mero ajuizamento da ação. Entretanto, apesar de constituir fase obrigatória
do procedimento especial da ação de improbidade administrativa, não há
falar em nulidade absoluta em razão da não observância da fase preliminar,
mas em nulidade relativa que depende da oportuna e efetiva comprovação de
prejuízos. 5. Ademais, não seria adequada a afirmação de nulidade processual
presumida, tampouco seria justificável a anulação de uma sentença
condenatória por ato de improbidade administrativa após regular instrução
probatória com observância dos princípios da ampla defesa e contraditório, a
qual, necessariamente, deve estar fundada em lastro probatório de fundada
autoria e materialidade do ato de improbidade administrativa. Todavia, é
necessário ressalvar que tal entendimento não é aplicável aos casos em que
houver julgamento antecipado da lide sem a oportunização ou análise de
defesa prévia apresentada pelo réu em ação de improbidade administrativa
(...)7. No caso dos autos, o Tribunal de origem expressamente consignou que
a nulidade apontada pelo descumprimento do art. 17, § 7º, da Lei 8.429/92, é
relativa e que não houve indicação ou comprovação de prejuízos em razão do
descumprimento da norma referida. (...)EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM
RESP Nº 1.008.632 – RS. STJ.
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AÇÃO POPULAR
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/GO – 2009 – FCC
Responda fundamentadamente quais as consequências e efeitos da sentença
que julgar procedente e da que julgar improcedente a Ação Popular.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A sentença que julgar procedente a ação popular decretará a
invalidade do ato impugnado e condenará ao pagamento de perdas e danos
os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação
regressiva contra os funcionários causadores do dano, quando incorrerem em
culpa. A sentença incluirá sempre, na condenação dos réus, o pagamento ao
autor não só das custas e demais despesas, judiciais e extrajudiciais,
diretamente relacionadas com a ação e comprovadas, mas também dos
honorários do advogado. A sentença terá, ainda, eficácia de coisa julgada
oponível erga omnes.
Já a sentença que julgar improcedente a ação popular dependerá da
razão da improcedência. Se a razão da improcedência decorrer da deficiência
de prova, a sentença não produzirá efeitos de coisa julgada oponível erga
omnes, sendo que qualquer cidadão poderá intentar outra ação com idêntico
fundamento, valendo-se de nova prova. Porém, se a ação for julgada
improcedente por ser infundada, a sentença produzirá efeitos de coisa julgada
erga omnes e o ato permanecerá válido. Nas hipóteses de improcedência da
ação popular ficará o autor isento de custas judiciais e do ônus da
sucumbência, salvo comprovada má-fé.
PROCURADORIA ESTADUAL – PGE/RS - 2015 - FUNDATEC
É constatada fraude em procedimento licitatório visando à construção de
penitenciaria no interior do estado, indireta violação ao comando
constitucional do art. 37, XXI, eis que não foi assegurada a igualdade de
condições a todos os concorrentes, havendo favorecimento ilegal a um cartel
de empresas que pratica preços superiores aos do mercado. Nesse caso, seria
cabível a propositura de ação popular, ação cível pública e/ou ação de
improbidade administrativa? Ao responder, diferencie cada qual desses
instrumentos quanto à finalidade, com especial destaque à posição jurídica do
estado em tais ações.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
No caso seria cabível ação popular, ação civil pública e ação de
improbidade. A ação popular pode ser ajuizada por qualquer cidadão, tendo
como finalidade a anulação de ato lesivo ao patrimônio púbico, à moralidade
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26
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, com o
ressarcimento dos danos causados ao erário.
Já a ação civil pública pode ser ajuizada pelo Ministério Público, por
pessoa jurídica de direito público interno, por associação legalmente
constituída nos termos da Lei n.7.347/85, dentre outros, para proteger todo e
qualquer direito difuso e coletivo, com o fim de obter a condenação na
obrigação de fazer, não fazer e/ou condenação em dinheiro.
Por sua vez, seria ainda cabível ação de improbidade administrativa
com a finalidade de obter o ressarcimento ao erário, com a suspensão dos
direitos políticos, a perda da função pública e indisponibilidade dos bens, na
forma e gradação previstas pelaLei n.8.429/92.
Na ação popular, na ação civil pública e na ação de improbidade
administrativo, será o Estado intimado para manifestar-se, podendo aderir ao
pólo ativo, na qualidade de litisconsorte; figurar no pólo passivo; ou abster-se.
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AÇÃO RESCISÓRIA
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/BA – 2014 - CESPE
Carlos, após ser retirado de terra pública pertencente ao estado da Bahia, a
qual ocupou por quinze anos sem autorização, ajuizou ação em face do estado
da Bahia, pedindo indenização no valor de R$ 200 mil, por benfeitoria útil
erigida no imóvel ocupado, qual seja, um galpão de 300 m2, no qual guardava
a colheita de feijão. Após normal instrução do processo, o juiz proferiu
sentença concedendo a indenização pleiteada, sob o entendimento de que a
posse foi de boa-fé (art. 1.219 do Código Civil), e condenando o estado ao
pagamento de honorários no valor de R$ 5 mil, com fundamento de que o
pedido atendia ao disposto no art. 20, §4.º, do CPC, conforme transcrição a
segui :à Nasà ausasàdeàpe ue oàvalo ,à asàdeàvalo ài esti vel,à a uelasàe à
que não houver condenação ou for vencida a fazenda pública, e nas
execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante
apreciação equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do
pa g afoà a te io . à áà apelaç oà i te postaà peloà e teà pú li o,à i su gi do-se
em face da indenização, teve provimento negado, sendo mantida a sentença
de primeiro grau por seus próprios fundamentos. Foi negado seguimento ao
recurso especial interposto, por intempestivo. O acórdão transitou em julgado
em 20 de fevereiro de 2014. Considerando a situação hipotética acima,
suponha que, na condição de procurador do estado, tenham-lhe sido
encaminhados cópia integral do processo e pedido de cumprimento de
sentença, protocolado há dez dias, para opinar sobre medida judicial capaz de
defender os interesses do ente público. Assim, de forma fundamentada,
esclareça os seguintes pontos: 1) Qual a medida judicial a ser adotada? Qual o
órgão competente perante o qual deverá ser proposta a medida judicial?
[valor: 4,00 pontos] 2) Quais os fundamentos de cabimento? [valor: 4,00
pontos] 3) Esclareça a respeito da possibilidade de suspensão do
cumprimento de sentença. [valor: 7,00 pontos] 4) Qual o objeto da ação
proposta pelo ente público? [valor: 4,00 pontos] (questão adaptada ao novo
CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A medida judicial cabível é a ação rescisória, que deverá ser proposta
perante o Tribunal de Justiça, com fundamento no art. 966 do CPC. Importante
salientar que, conforme disposição do CPC de 2015, tal medida judicial é hábil
para rescindir decisão de mérito, transitada em julgado, e não mais apenas a
sentença, como previa o CPC/73. A ação deverá ser proposta pelo Estado
perante o Tribunal de Justiça, conforme previsão do art. 974 do CPC, em face
de Carlos.
Outra possibilidade seria o ajuizamento de uma ação cautelar.
Entretanto, de qualquer forma, deverá ser proposta a ação rescisória como
solução final, uma vez que a ação cautelar, por si só, não poderá desconstituir
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definitivamente a coisa julgada em favor da Fazenda Pública. Isto porque a
situação fática proposta demonstra que não há mais possibilidades de defesa
da execução.
Nesse ponto, faz-se necessário um esclarecimento. Na vigência do
CPC/73, a defesa na execução contra a Fazenda Pública era regulamentada
pelo art. 741, que previa uma sistemática diferenciada para o Ente Público na
defesa do erário. Não havia distinção entre a execução de títulos judiciais
(cumprimento de sentença) e de títulos extrajudiciais (execução propriamente
dita), de forma que não existia uma previsão clara da ideia de processo
sincrético aplicada à Fazenda Pública. Todavia, com a vigência do Novo CPC, o
procedimento de cumprimento de sentença passa a ser expressamente
aplicável também para a Fazenda Pública (arts. 534 e 535 do CPC/15), que
poderá se defender por meio de impugnação. Já na execução de título
extrajudicial contra a Fazenda Pública, esta se defende por meio de embargos
(art. 910 do CPC/15).
Mesmo assim, mantêm-se todas as garantias em favor do erário, como
a impossibilidade de serem expropriados bens públicos, devendo os
pagamentos ocorrerem por meio de precatórios. De toda sorte, a medida
judicial cabível é a ação rescisória, uma vez que a situação proposta não
contempla matéria de impugnação ao cumprimento de sentença.
Em relação ao cabimento de tal instrumento, deve-se destacar que a
sentença violou literal disposição de lei, sendo, portanto, cabível a ação
rescisória com fundamento no art. 966, V, do CPC. Além disso, conforme se
observa pela situação descrita, ainda não houve o decurso do prazo de dois
anos, contados do trânsito em julgado da decisão (art. 975 do CPC).
Quanto aos fundamentos jurídicos do pedido, deve-se destacar, em
especial, a violação aos arts. 1.204 c/c 1.208 do CC, uma vez que não induzem
posse os atos de mera tolerância e os atos clandestinos. Sendo assim, por se
tratarem de atos irregulares, observa-se que não há configuração de posse,
mas apenas de mera detenção. Se o direito de retenção ou de indenização
pelas acessões realizadas depende da configuração da posse, não se pode,
ante a consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daqueles
direitos, o que resulta na inexistência do dever de se indenizar as benfeitorias
úteis e necessárias. Nesse sentido é a jurisprudência do STJ.
Ainda, em relação à fase de cumprimento de sentença já requerido
pela parte vencedora, cabível o pedido de antecipação dos efeitos da tutela
para suspendê-lo. Estão presentes os pressupostos para o deferimento, quais
sejam, elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de
dano ao erário, conforme art. 300 do CPC/15.
Por fim, a ação rescisória terá como objeto o pedido de rescisão do
julgado, para que haja um novo julgamento da causa (art. 968, I, do CPC/15).
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Deverá haver pedido expresso de rescisão do acórdão, com novo julgamento
da causa, para que seja julgado improcedente o pedido de indenização pela
benfeitoria realizada no imóvel público, com inversão dos ônus da
sucumbência.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CUNHA, Leonardo Carneiro. A Fazenda Pública em Juízo. 13ª ed. Rio de
Janeiro: Forense, 2016. p. 331 a 337
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
1 – Ação rescisória. Tribunal de Justiça. Deverá o candidato afirmar que pode
ser ajuizada ação rescisória (art. 485 CPC), posto que é medida judicial hábil a
rescindir sentença de mérito, transitada em julgado. A ação deverá ser
proposta pelo Estado perante o Tribunal de Justiça (art. 494 CPC) em face de
Carlos. Pode ser aceita ação cautelar se o candidato alegar que cabe a ação
rescisória e elencar os motivos do cabimento quanto à matéria de fundo de
direito e processual, uma vez que o título é passível de execução, uma vez que
transitado em julgado, ou seja, ainda que ajuizada ação cautelar, deverão ser
apontados os argumentos do padrão de resposta. O enunciado demonstra,
pelos dados dele constantes, que está presente a necessidade de ajuizamento
de rescisória para atender o interesse da fazenda pública, uma vez que
ausentes as possibilidades de argumentos elencados no art. 741 CPC. Veja-se
que qualquer argumentação jurídica deve estar em conformidade com o que
consta do enunciado, que não contempla matéria do 741 e sequer de
impugnação do art. 475-L. Ainda que tenha sido promovida execução em
desconformidade com o art. 730 CPC, a ação rescisória é de patente
cabimento e, assim, deve ser ajuizada para defesa dos interesses do entepúblico. 2 – Cabimento. Sentença violou literal disposição de lei. Art. 485, V,
CPC. Prazo de dois anos. Art. 494 CPC. Deverá o candidato afirmar que o
cabimento da ação rescisória reside no fato de a sentença ter violado literal
disposição de lei (art. 485, V, CPC), apontando que ainda não houve o decurso
do prazo de dois anos, contados do trânsito em julgado da decisão (art. 494
CPC). 3 – Violação do art. 1.204 c/c 1.208 CC. Inexistência de posse. Mera
detenção. Antecipação dos efeitos da tutela. Art. 273, I, CPC. Deverá o
candidato alegar que a ocupação de área pública, quando irregular, não pode
ser reconhecida como posse (art. 1.204 CC), mas como mera detenção (art.
1.208 CC). Se o direito de retenção ou de indenização pelas acessões
realizadas depende da configuração da posse, não se pode, ante a
consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daqueles direitos, o
que resulta na inexistência do dever de se indenizar as benfeitorias úteis e
necessárias (REsp 863.939/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe
24.11.2008). Deverá o candidato apontar a necessidade da antecipação dos
efeitos da tutela para suspender o cumprimento de sentença já requerido pela
parte vencedora. Para tanto, deverá o candidato alegar que estão presentes
os pressupostos para o deferimento, quais sejam, prova inequívoca,
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verossimilhança da alegação e fundado receio de dano irreparável ou de difícil
reparação (art. 273, I, CPC). 4 – Pedido de rescisão. Novo julgamento da
causa. Art. 488, I, CPC. Deverá o candidato afirmar que o Estado deve pedir
para ser rescindido o acórdão, com novo julgamento da causa, para que seja
julgado improcedente o pedido de indenização pela benfeitoria realizada no
imóvel público, com inversão dos ônus da sucumbência.
DEFENSOR PÚBLICO - DPU – 2017 - CESPE
Mariana obteve sentença favorável em face da União, em ação que visava ao
reconhecimento de valores que lhe eram devidos. Entretanto, as diferentes
turmas do tribunal regional federal local tinham entendimentos diversos
sobre o critério de correção monetária a ser adotado para o cálculo da
quantia devida. A ação de Mariana foi distribuída e julgada pela turma que
adotava o critério que lhe era menos favorável. Um ano após o trânsito em
julgado da demanda — ante a ausência de recurso por ambas as partes —,
Mariana descobriu que o tribunal regional federal da localidade onde reside,
em sede de Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), tinha
solucionado a controvérsia até então existente, adotando o critério mais
favorável aos credores da União. Diante dessa situação hipotética, responda,
fundamentadamente, se existe algum remédio judicial apto a tutelar o
interesse jurídico de Mariana em obter a revisão dos valores do julgado
anterior.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
No caso ora em análise, pode-se notar que Mariana teve sucesso em
seu processo, apenas não tendo conseguido o melhor critério para correção
monetária dos valores devidos. Espera, nesse momento, que a decisão
transitada em julgado seja rescindida em virtude de precedente firmado em
incidente de resolução de demandas repetitivas. Contudo, parece que não há
hipótese de isso acontecer.
Com efeito, nos últimos tempos tem crescido a importância da
chamada verticalização dos precedentes: uma tendência que busca dar
concretude aos precedentes firmados pelos tribunais, a fim de direcionar as
decisões de juízes de instâncias inferiores, primando pelos princípios da
celeridade, da isonomia e da segurança jurídica. Ainda mais quando se verifica
que o precedente foi firmado em incidente de resolução de demandas
repetitivas, previsto no art. 976 do CPC.
Esse instituto, trazido ao nosso ordenamento pelo Novo Código de
Processo Civil de 2015, tem por finalidade firmar uma tese que será utilizada
para decidir múltiplos processos baseados na mesma tese jurídica. Através de
um julgamento amostral, o Judiciário é capaz de dar cabo a uma infinidade de
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processos e formar um precedente que passará a ser obrigatório para os
magistrados de piso.
Assim, essa tendência de primazia do precedente poderia dar a
entender que, no caso em tela, poder-se-ia utilizá-lo para rescindir a decisão
que não está em conformidade com o julgamento do IRDR. Contudo, tal como
mencionado acima, não é o que ocorre.
Note-se que há um bom tempo a doutrina e a jurisprudência procuram
resguardar a decisão transitada em julgado, evitando que as partes possam
rediscuti-la indefinidamente. Não por acaso, o Supremo Tribunal Federal
editou a Súmula 343, que determina que não será possível ajuizar ação
rescisória com fundamento na ofensa literal à disposição de lei quando a
decisão rescindenda tiver se fundamentado em lei cuja interpretação é
controvertida. No caso em apreço, a decisão do IRDR sobreveio um ano após o
trânsito em julgado, o que mostra que o tema ainda era controvertido, o que
afasta o cabimento da rescisória.
Portanto, não existe remédio processual apto a ensejar a correção da
decisão transitada em julgado, mesmo diante de precedente firmado em sede
de incidente de resolução de demandas repetitivas.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Não há remédio judicial apto a tutelar o interesse jurídico de Mariana. A
jurisprudência tem entendido que a ação rescisória não serve para corrigir a
injustiça da decisão, não podendo ser utilizada como sucedâneo de recurso.
Logo, não é possível a rescisão dos julgados quando, à época, havia dissídio
ju isp ude ial.à Nesseà se tido,à aà “ú ulaà .ºà à doà “TF:à N oà a eà aç oà
rescisória por ofensa literal à disposição de lei quando a decisão rescindenda
se tiver baseado em texto legal de interpretaç oà o t ove tidaà osàt i u ais .à
Também na doutrina: Marinoni, Luiz Guilherme. Novo Código de Processo
Civil – tutela dos direitos mediante procedimento comum, volume 2 / Luiz
Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart, Daniel Mitidiero – 3.ª edição,
revista, atualizada e ampliada – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais,
2017, páginas 621/623.
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CAPACIDADE PROCESSUAL
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA
A aparente antinomia da norma civil codificada e a lei processual,
relativamente ao sistema de incapacidades preconizado pela Lei nº 13.146/15,
na definição da curatela. Discorra sobre os aspectos jurídicos essenciais do
tema proposto, abrangendo o conceito, as características do instituto, o
conflito normativo e as atribuições do Ministério Público.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em 06 de julho de 2015 foi promulgado o chamado Estatuto da Pessoa
com Deficiência (Lei 13.146/15), marco de nossa legislação em prol da
inclusão social, de redução das desigualdades e da efetivação do princípio da
dignidade da pessoa humana. Um dos institutos por ela disciplinado por essa
legislação é a curatela.
Denomina-se curatela o encargo (ou responsabilidade) que é dado
para determinada pessoa a fim de que cuide da administração da vida de
outrem, segundo os fundamentos e limites estabelecidos em lei. A curatela
mais comum em nosso meio jurídico é a dos interditos, que normalmente era
direcionada aos indivíduos que não detinham discernimento acerca de seus
atos.
Esse instituto é objeto de questionamentos, já que teve sua disciplina
alterada pelo Código de Processo Civil de 2015, que foi publicado em
16.03.2015 e entrou em vigor um ano depois, revogando diversos dispositivos
do Código Civil. Contudo, nesse ínterim, a mencionada Lei 13.146/15 foi
publicada e entrou em vigor, trazendo diversas alterações nos dispositivos que
constam como revogados pelo CPC/2015. Assim, diversasdúvidas pairam
sobre o tema, que pedem uma solução através da interpretação sistemática
dos dispositivos.
Com efeito, as inovações trazidas pelo Estatuto da Pessoa com
Deficiência não podem ser consideradas revogadas ou inócuas. Por exemplo,
essa norma prevê a legitimidade do próprio interditando para se propor a
competente ação de declaração da curatela, o que não era antes previsto e
não foi repetido pelo CPC. Assim, parece bastante claro que essa alteração
deva persistir, uma vez que não parece fazer sentido que o legislador tenha
promovido a alteração e, menos de seis meses depois, a revogado
tacitamente.
Ademais, essas diversas alterações promovidas pelo EPD, que exaltam
a inclusão social e a honra dos deficientes, concorrem com o texto da
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, interiorizado em
nosso ordenamento pelo Decreto Legislativo nº 186/08, com força normativa
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de emenda constitucional, tal como previsto no art. 5º, §3º, da CRFB. É
necessário, pois, que a interpretação seja norteada pelo princípio da dignidade
da pessoa humana.
No que tange às atribuições do Ministério Público, o EPD efetuou
alterações substanciais no art. 1.769 do Código Civil: passou a prever a
legitimidade nos casos de deficiência metal ou intelectual (e não apenas no
caso de doença mental grave) e de menoridade ou incapacidade dos
responsáveis (pais, tutores, cônjuge ou parentes – e não apenas no caso de
sua incapacidade). Contudo, o art. 748 do CPC/2015 foi editado com uma
redação muito semelhante à do Código Civil. Note-se que a persistência desses
dispositivos não faria muito sentido, tal como explicitado acima acerca da
legitimidade conferida ao próprio curatelado. Não faria muito sentido que
uma alteração tão expressiva pudesse ser tacitamente revogada, após tanta
discussão acerca de seu cabimento.
Assim, o entendimento mais adequado parece ser o que dá eficácia às
mudanças proporcionadas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência,
especialmente acerca das atribuições do Ministério Público.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A questão proposta visa a aferir o conhecimento do candidato sobre as
substanciais alterações havidas no sistema de incapacidades pelo advento da
Lei 13.146/15. Além, verificar a argumentação e fundamentação jurídica
acerca da aparente antinomia entre o CPC que, entrando em vigor
posteriormente, dispôs diversamente quanto ao instituto da Curatela. Neste
sentido, espera-se que a resposta contemple a prevalência da Convenção dos
Direitos da pessoa com deficiência e sua importância normativa como
emenda constitucional e, ainda, a adoção do diálogo de fontes como
instrumento de compatibilização do conflito que reverencie o princípio da
dignidade da pessoa humana. Cobra-se a análise dos legitimados. Deve ainda
apreciar o tratamento do Ministério Público relativamente à intervenção, bem
como a incongruência da previsão legal para atuação funcional do Parquet.
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ
O Município do Rio de Janeiro busca compelir centenas de pessoas, ligadas ao
Movimento de Moradores Sem Teto (MMST), a desocuparem imóvel público
de natureza urbana e a ressarcirem os danos causados ao patrimônio público.
Para essa finalidade, pergunta-se: a) seria adequado propor ação coletiva em
face do MMST? Justifique de acordo com os limites da coisa julgada; b) o
Ministério Público pode ingressar como litisconsorte no polo passivo?
Justifique, considerando a legitimidade e o interesse. Resposta objetivamente
fundamentada.
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34
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
a) A admissibilidade da denominada ação coletiva passiva é um tema
controvertido em sede doutrinária, mas a jurisprudência admite sua
propositura em face de grupos ou associações de fato, desde que
demonstrados o interesse e a representatividade adequada. Nesse caso, deve-
se discutir se a coisa julgada coletiva vinculará ou não os membros do grupo,
no caso de procedência, que poderão rediscuti-la em ações individuais, se a
decisão lhes for desfavorável. Há quem defenda na doutrina, entretanto, a
eficácia erga ornes, a fim de garantir a utilidade da ação coletiva passiva.
b) Em tese, quaisquer dos legitimados para a tutela coletiva poderão também
figurar como réus. No caso do MP, entretanto, além das outras situações
legitimantes, há que se aferir o interesse de seu ingresso no polo passivo, no
caso concreto, tendo em vista sua intervenção obrigatória como fiscal da
ordem jurídica.
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CITAÇÃO
OFICIAL DE JUSTIÇA – TRF4 – 2019 – FCC
ESTUDO DE CASO - A União ajuizou ação de indenização por danos materiais
contra André, Beatriz e Carlos, todos maiores de 18 anos. No cumprimento
dos mandados expedidos para a citação dos réus, o Oficial de Justiça deparou-
se com a seguinte situação: André morava com os pais e demonstrava
incapacidade mental; Beatriz não foi encontrada nas duas vezes em que foi
procurada em sua residência, suspeitando-se de ocultação; e Carlos se
recusou a receber a contrafé e a apor sua nota de ciente no mandado,
alegando que não poderia ser citado, em virtude do falecimento do seu pai,
ocorrido vinte dias antes. À vista desse caso, descreva como deverá proceder
o Oficial de Justiça no cumprimento de cada um desses mandados, segundo as
normas do Código de Processo Civil, especificando se deverá realizar ou não a
citação, bem como todas as demais medidas que lhe incumbem.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Cada uma das situações descritas deverá ter uma resolução distinta.
No caso de André, o art. 245 do CPC determina que a citação não será feita,
devendo o oficial certificar o ocorrido. Após, o juiz nomeará perito apto a
atestar a incapacidade; se confirmada, será nomeado curador (observadas as
regras de preferências de representação previstas na lei; no caso em tela,
muito provavelmente um dos pais será o escolhido), na pessoa de quem
deverá ser realizado novo ato citatório.
Por sua vez, Beatriz não foi encontrada por duas vezes e suspeita-se
que esteja se ocultando. Aqui, poder-se-á aplicar os arts. 252 e 253 do CPC,
segundo os quais a tentativa por duas vezes com suspeita de ocultação
implicará na chamada citação por hora certa. O oficial de justiça deverá
advertir algum familiar ou vizinho de que voltará no dia útil seguinte,
momento no qual o réu será dado por citado, independente de sua vontade ou
presença (fazendo constar do mandado o nome de eventuais pessoas
presentes na ocasião). Posteriormente, a serventia determinará o envio de
carta ou telegrama ao réu, para mera cientificação.
Finalmente, Carlos alega que não poderia ser citado porque seu pai
havia falecido há apenas 20 dias. O Código de Processo Civil até protege o réu
que sofreu com falecimento recente na família, mas desde que tenha
acontecido há, no máximo, 7 dias (art. 244, II do CPC). No caso em tela,
portanto, a citação deveria ter sido realizada normalmente; diante da
negativa do citando, incidiria o art. 251, II e III do CPC, segundo o qual cabe ao
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36
oficial citar o réu certificando se ele recusou a contrafé e se houve recusa em
apor ciência do ato.
OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012
ESTUDO DE CASO - O Oficial de Justiça encarregado do cumprimento de um
mandado citatório vai ao Condomínio Edilício em que reside o réu e, ao ser
recebido pelo porteiro, percebe conversa pelo interfone e desconfia haver o
réu dado ordens a esse funcionário para dizerque não se encontrava,
frustrando a citação. Como cumprir o mandado? Qual a denominação dada a
essa modalidade de citação? Como será o réu, ao final, cientificado de sua
citação? Analise o caso detalhadamente. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO
COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Uma vez apurada a suspeita de ocultação pelo réu, poderá o oficial de
justiça, desde que diligencie duas vezes no local procurando o citando, intimar
qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho – ou mesmo o
funcionário da portaria responsável (art. 252, parágrafo único, do CPC) – de
que, no dia útil imediato, voltará a fim de efetuar a citação, na hora que
designar (art. 252 do CPC).
Cuida-se da modalidade citatória por hora certa, de natureza
ficta/presumida, que somente se concretizará após o comparecimento do
oficial de justiça ao domicílio no dia e hora indicados (art. 253 do CPC), da
seguinte maneira: se o citando estiver presente, será este citado
pessoalmente; se o citando não estiver presente, será este considerado
presumidamente citado por hora certa (art. 253, §§ 1º a 3º, do CPC).
Ainda, feita a citação por hora certa, o escrivão ou chefe de secretaria
enviará ao demandado, no prazo de 10 dias, contado da data de juntada do
mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrônica, dando-
lhe de tudo ciência (art. 254 do CPC), o que também constitui requisito para a
validade desta modalidade citatória. Finalmente, caso o demandado seja
revel, será nomeado curador especial (arts. 253, § 4º; e 72, II, do CPC), o que
reverencia o contraditório.
Em adendo, cabe frisar que a nova lei processual codificada trouxe
inovação para que o funcionário da portaria responsável pelo recebimento de
correspondência, em condomínios edilícios ou loteamentos com controle de
acesso, assine o recebimento de mandado, concretizando a citação do
demandado, embora seja possível a manifestação pela recusa, desde que
declare por escrito, sob as penas da lei, que o destinatário da correspondência
esteja ausente (art. 248, § 4º, do CPC). Tal disposição encontra-se inserida no
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37
capítulo sobre a citação pelo correio, mas nada impede sua utilização na
citação através de oficial de justiça, até porque este é detentor de fé pública.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed.
Salvador: JusPodium, 2016.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
- Gabarito: O estudo do caso deve concluir tratar-se de citação por hora certa.
Deverão ser detalhadas todas as diligências necessárias ao cumprimento
integral do mandado, até final cientificação do réu pelo escrivão do Cartório.
OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012
ESTUDO DE CASO - Ao procurar o acusado para citação em seu endereço
residencial, o único constante dos autos e do mandado, o oficial de justiça
encontrou o imóvel desocupado e certificou que, segundo vizinhos, o réu
mudara para sítio na altura do km 6,5 da rodovia X, na mesma Comarca.
Anotou ainda que, em diligência na referida estrada, não conseguiu localizar a
propriedade. Procedido ao chamamento por edital, o acusado não o atendeu
e tampouco constituiu defensor. Por isso, decretada a revelia e a suspensão
do processo, bem como a produção antecipada da prova oral, considerada
urgente por despacho suficientemente motivado. Depois de colhidos os
depoimentos na presença de defensor dativo, advogado constituído
peticionou nos autos. Revogada a suspensão e retomado o curso do feito, o
réu foi interrogado e, oferecidas as alegações finais, o juiz proferiu sentença
condenatória. Procurado para intimação da decisão no exclusivo endereço
conhecido, outro oficial de justiça obteve na vizinhança a mesma informação
do colega anterior e, diligenciando pela rodovia, logrou encontrar o endereço
do réu e cientificá-lo da sentença. Interposta apelação, o condenado argúi
nulidade do processo, por cerceamento de defesa, uma vez que indevida a
citação por edital. O Ministério Público, em contrarrazões, opina pelo não
reconhecimento do vício processual, pois a certidão do primeiro oficial
disporia de fé pública. Ademais, regularmente interrogado, o acusado não
teria experimentado prejuízo. Comente o caso. (QUESTÃO ADAPTADA DE
ACORDO COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Como se extrai do enunciado formulado, a citação por edital ocorreu
antes de esgotadas as diligências cabíveis para a localização do paradeiro do
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réu, fragilizando, assim, o exercício da ampla defesa e do contraditório (art.
5º, LV, da CRFB). Isto porque o réu possuía endereço certo, não tendo sido
citado inicialmente apenas por desconhecimento da localização de seu imóvel
pelo Oficial de Justiça que ali primeiro diligenciou. Aliás, a nova lei processual
indica que o réu somente será considerado em local ignorado ou incerto se
infrutíferas as tentativas de sua localização, inclusive mediante requisição pelo
juízo de informações sobre seu endereço nos cadastros de órgãos públicos ou
de concessionárias de serviços públicos (art. 256, § 3º, do CPC), o que não se
deu in casu.
Ocorre que há menção de que o réu foi devidamente interrogado antes
da prolação da sentença, certamente em audiência de instrução e julgamento
com tal finalidade (art. 361, II, do CPC), o que indica o seu comparecimento
espontâneo, suprindo eventual nulidade da citação (art. 239, § 1º, do CPC).
Diga-se que o escrivão ou chefe de secretaria pode efetuar a citação se o
demandado comparecer em cartório (art. 246, III, do CPC).
Desta maneira, somente poderia se cogitar de decretação de nulidade
na hipótese caso verificada a ocorrência de prejuízo defensivo (art. 282, §1º,
do CPC). Certo é que ainda se verificado prejuízo – por exemplo, pela não
participação na produção da prova oral antecipada –, deveria o demandado
alegá-lo no momento de sua intervenção no feito, sob pena de preclusão.
Importante observar que não há nenhum elemento na questão que
indique que o réu tenha se ocultado para receber a citação, ou seja, inexiste
suspeitaà deà o ultaç o à de ida e teà atestadaà peloà Oficial de Justiça, de
modo que não configurada a hipótese de cabimento da modalidade por hora
certa (art. 252 do CPC).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed.
Salvador: JusPodium, 2016.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
- Gabarito: A citação por edital é medida de exceção. Só é cabível quando
esgotadas as possibilidades de localização pessoal do acusado. No caso
proposto, tal não se deu, pois efetivamente encontrado o réu ara intimação da
sentença no mesmo endereço que outro oficial de justiça certificou não haver
achado quando da tentativa de citação. Assim, indevida a citação por edital e,
por conseguinte, verificando cerceamento de defesa, impondo-se a declaração
de nulidade do processo. Ainda que assistido por defensor dativo e
posteriormente interrogado, o acusado não pôde constituir advogado de sua
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escolha e apresentar resposta adequada, com a eventual indicação de
testemunhas. Ademais, ante a revelia decretada, não participou da audiência
em que colhida antecipadamente a prova oral. Não se garantiu, portanto, o
direito da autodefesa, na vertente direito de presença aos atos de instrução.
Manifesta a ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla
defesa. Trata-seà deà ulidadeàa soluta,à osà te osà doà a t.à ,à III,à e ,à doà
Código de Processo Penal, não sujeita a preclusão, consoante preceitua o art.
,à aput ,àdoà es oàdiploma. Não se nega que o oficial de justiça dispõe
de fé pública. A certidão de que se encontra o citando em lugar incerto e não
sabido não pode, em regra, ser afastada por informações duvidosas (p. ex.,
atestado policial, declarações de particulares, documentos diversos e etc).
Mas tal não significa que seja irremovível. Pode ser elidida por prova robusta
em contrário, como o encontro do réu por outro oficial no mesmo endereço
que colega certificara inexistente. A circunstância permite convencimento de
que não fora feito todo o possível para o chamamento do acusado a juízo.
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40
COISA JULGADA
OFICIAL DE JUSTIÇA – TJDFT – 2015 – CESPE
Redija, de forma fundamentada, um texto dissertativo a respeito da coisa
julgada no sistema processual civil. Seu texto deve conter, necessariamente,
1- os conceitos de coisa julgada formal e coisa julgada material; [valor: 15,00
pontos] 2- comentários a respeito dos limites objetivos da coisa julgada
material; [valor: 8,00 pontos] 3- comentários a respeito dos limites subjetivos
da coisa julgada material; [valor: 8,00 pontos] 4- comentários a respeito de
coisa julgada nas relações jurídicas continuativas. [valor: 7,00 pontos]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A coisa julgada consiste na imutabilidade da norma jurídica
individualizada contida na parte dispositiva de decisão judicial. Essa
imutabilidade pode se restringir aos limites do processo em que a decisão foi
proferida ou projetar-se para além desses limites — ouàpa aà fo a .à
Assim, coisa julgada formal pode ser caracterizada como a
imutabilidade dos efeitos da sentença ou de acórdão no próprio processo.
Ocorre quando não é interposto recurso cabível contra sentença ou acórdão
no prazo legal. Ou seja, denomina-se coisa julgada formal aquela sentença
não mais sujeita a qualquer espécie de impugnação endoprocessual. A coisa
julgada material, por sua vez, representa a imutabilidade do que foi decidido
aàse te çaàpa aà fo a àdoàp o esso,à o àoàfi àdeàesta ilizar as relações de
direito material. Sua imutabilidade ocorre do ponto de vista exterior. Em geral,
o termo coisa julgada faz referência à coisa julgada material.
Os limites objetivos da coisa julgada material dizem respeito à parte da
decisão que fica abarcada ou imunizada de discussões e questionamentos
posteriores. É, assim, a parte da sentença ou acórdão que não pode ser
rediscutida, posteriormente, em nome da segurança jurídica. Pelas regras
estabelecidas no Código de Processo Civil, submete-se a coisa julgada material
a norma jurídica concreta, contida na parte dispositiva da sentença. A coisa
julgada material não abarcará a fundamentação e as questões prejudiciais
abordadas, que, caso tenham sido colocadas principaliter tantum já na própria
petição inicial ou por meio de ação declaratória incidental — que tem por fim
ampliar os limites objetivos da coisa julgada —, serão também encampadas
pela coisa julgada material.
Com relação aos efeitos subjetivos da coisa julgada, é preciso averiguar
quem está submetido à coisa julgada. Nesse sentido, a coisa julgada pode ser
inter partes, ultra partes ou erga omnes. Em regra, o sistema processual
determina que a coisa julgada abarcará apenas aqueles que tiverem sido
partes em determinado processo (ou seja, a imutabilidade da decisão, os
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limites objetivos da coisa julgada, diz respeito somente às partes, e não aos
terceiros). Entretanto, há exceções a essa regra em nosso ordenamento.
É o caso da coisa julgada ultra partes, que ocorre quando a coisa
julgada atinge não só as partes no processo, mas também terceiros que não
participaram. Há inúmeros exemplos de coisa julgada ultra partes, entre os
quais os casos de substituição processual, legitimação concorrente, decisão
favorável a um dos credores solidários. A coisa julgada erga omnes é aquela
cujos efeitos atingem a todos os jurisdicionados, tenham sido ou não partes no
processo. Ocorre, por exemplo, nas ações coletivas que versem sobre direitos
difusos ou individuais homogêneos e nas ações de controle concentrado de
constitucionalidade.
As sentenças que disciplinam relações jurídicas continuativas nada
mais são do que sentenças que versam sobre relação jurídica que se projeta no
tempo. São aquelas decorrentes da relação de família, de alimentos,
locatícias, etc. Para parte dos doutrinadores, a regra do art. 471 do CPC
autoriza o reexame de decisão sobre relação jurídica continuativa em caso de
modificação superveniente de fato ou de direito. Portanto, para essa parcela
da doutrina, tais decisões não se tornariam imutáveis pela coisa julgada
material. Tal raciocínio, entretanto, é equivocado na opinião de grande
parcela da doutrina processualista. Isso porque, ao se ajuizar ação de revisão,
por exemplo, em razão de modificação dos fatos que dão ensejo à relação
jurídica continuativa, estar-se-á diante de uma demanda diferente, pautada
em nova causa de pedir e novo pedido. Com isso, será produzida nova decisão
e, por consequência, nova coisa julgada. Essa nova situação, pois, em nada
violará a coisa julgada formada para a situação anterior. Diante disso, pode-
se dizer que sentença jurídica continuativa gera coisa julgada material.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed.
Salvador: JusPodium, 2016.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA
Em que consiste o efeito negativo da coisa julgada material? Como solucionar
o conflito entre duas coisas julgadas materiais?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Denomina-se coisa julgada material a imutabilidade da decisão final
proferida em determinado processo judicial. Sua existência é justificada pelos
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princípios da efetividade (de nada adiantaria uma decisão que não pudesse
ser cumprida, isto é, executada) e da segurança jurídica (não faria sentido
permitir que um novo julgamento fosse preferido a cada vez que as partes
pudessem ajuizar uma nova demanda acerca do mesmo tema).
Usualmente, a doutrina costuma conceber três efeitos principais da
coisa julgada: o negativo, o positivo e o preclusivo. O negativo (que é o objeto
da presente questão) refere-se à impossibilidade de que uma mesma questão
agora decidida seja rediscutida em outra demanda, evitando que sejam
proferidas decisões divergentes acerca de um mesmo tema, preservando a
segurança jurídica das partes e da jurisdição.
Já o efeito positivo faz menção à imutabilidade de questões já
decididas anteriormente e que agora figuram como questões incidentais em
outro processo, ou seja, a decisão tomada antes deverá ser considerada na
nova demanda para dirimir o conflito que é consequente lógico daquela.
Finalmente, o efeito preclusivo especifica que o advento da coisa
julgada faz com que todas as alegações que poderiam (e/ou deveriam) ser
feitas acerca daquele tema decidido são reputadas como já efetuadas
(consoante exposto no art. 508 do CPC). Em outros termos: é impossível que a
coisa julgada seja modificada caso a parte argumente que determinada
alegação, que deveria ter sido feita no processo originário, não ocorreu.
Claramente tem por intuito evitar que a discussão se prolongue
indefinidamente.
Ainda assim, é possível que se apresente o chamado conflito de coisas
julgadas materiais, hipótese na qual dois processos idênticos são julgados de
maneira diametralmenteoposta. Nesse caso, a doutrina diverge acerca da
melhor solução a ser adotada para resolver o problema.
Uma primeira corrente doutrina entende que a primeira coisa julgada a
ser formada é soberana, devendo prevalecer sobre a segunda, que seria
inexistente. Seu intuito é preservar a higidez da primeira coisa julgada e
desincentivar a propositura de uma nova demanda para rediscutir a questão.
Já a segunda corrente entende que a segunda coisa julgada não seria
inexistente, até porque o CPC prevê que a existência de coisa julgada seria
passível de ensejar a propositura de ação rescisória, consoante previsto no art.
966, IV. Assim, a primeira coisa julgada prevaleceria até o fim do prazo para
ajuizar a ação rescisória que visa a impugnar a segunda coisa julgada. A
o ta àdesseà o e to,àaàsegu daàde is oàse iaàso e a a,à ezà ueà e oga ia à
aà p i ei a,à talà o oà seà passaà oà o flitoà deà leisà oà te poà lexà poste io à
de ogatàp io i .
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
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43
O efeito negativo da coisa julgada material consiste no impedimento que a
mesma causa seja novamente enfrentada judicialmente em novo processo. A
causa é idêntica quando no novo processo há a identidade de partes, causa de
pedir e pedido em relação ao processo anterior (art. 337, § 2º, do CPC). Na
hipótese de existência de duas coisas julgadas materiais, a doutrina diverge
sobre qual decisão deve prevalecer, existindo duas correntes: (a) a primeira
coisa julgada deve prevalecer, pois a segunda coisa julgada é juridicamente
inexistente em razão da ausência de interesse de agir na segunda demanda.
Assim, deve-se privilegiar a proteção constitucional dada à coisa julgada
material formada no primeiro processo. (b) durante o prazo de ação rescisória
da segunda, prevalece a primeira coisa julgada. Todavia, superado o prazo da
ação rescisória, passa a prevalecer a segunda coisa julgada. Argumenta-se
que a decisão tem força de lei entre as partes (art. 503 do CPC), de forma que
lei posterior revoga a anterior. Ademais, o próprio CPC elenca como hipótese
de cabimento de ação rescisória a ofensa à coisa julgada (art. 966, IV, do CPC),
o que demonstra que a segunda coisa julgada não é juridicamente inexistente.
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CONTESTAÇÃO
ADVOGADO - PETROBRAS - 2018 – CESGRANRIO
A defesa clássica no processo civil é representada pela contestação na qual se
encontra conteúdo pertinente ao mérito e matérias que são consideradas
preliminares. Esse sistema foi mantido após o Código de Processo Civil (CPC)
de 2015. E, apesar da mudança do regime das preclusões, que permite alegar
todas as matérias no recurso de apelação — sendo extinto o agravo retido —,
existem dois tópicos que precluem, se não alegados como preliminares. O
novo CPC excluiu as exceções processuais como incidentes autônomos, exceto
quando relacionados à imparcialidade do magistrado. Observado tal texto,
cite cinco preliminares que podem ser apresentadas; cite os temas que, se
não alegados na contestação, são passíveis de preclusão; apresente o modo
como deverão ser arguidas as exceções à luz do CPC 2015, mencionando o
que se manteve do antigo CPC.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Dentre as preliminares que podem ser apresentadas (consoante
previsão do art. 337 do CPC), pode-se mencionar: a) inexistência ou nulidade
da citação; b) incompetência absoluta e relativa; c) incorreção do valor da
causa; d) inépcia da petição inicial; e) litispendência.
Por outro lado, a incompetência relativa e a convenção de arbitragem
são considerados temas passíveis de preclusão caso não sejam devidamente
alegados em sede de contestação.
Ademais, o novo Código de Processo Civil excluiu as exceções
processuais da organização da defesa, tendo ocorrido, inclusive, a supressão
do título resposta do réu . As hipóteses de impedimento e de suspeição
foram mantidas nos arts. 144-148, mas a sua apresentação passa a ocorrer
por petição, originando um incidente autônomo.
PROCURADOR - PGM/BELO HORIZONTE-MG – 2017 - CESPE
Ao concentrar as postulações do réu na contestação, O Código de Processo
Civil de 2015 reduz, do ponto de vista formal ou, a tipologia dos instrumentos
de resposta. Considerando essa informação, discorra a respeito. 1. 10
inovações do CPC de 2015 com relação ao CPC de 1973 quanto matérias que
devem ser ligadas de maneira concentrada na contestação. 2. Das vantagens
almejadas pela nova sistemática. 3. Do conceito do princípio da eventualidade
e dos tipos de defesa que podem ser apresentadas na contestação. 4. Da
correlação entre o tipo de defesa acolhida e a natureza jurídica da sentença
proferida. Fundamente o seu texto, apresentando os princípios aplicáveis e os
artigos legais pertinentes.
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45
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Dentre as diversas inovações trazidas pelo Código de Processo Civil de
2015, sem sombra de dúvidas pode-se apontar a concentração de defesas na
contestação. Se antes era necessário um bom exercício de interpretação para
entender as diversas modalidades de defesa possíveis (exceções, impugnação
ao valor da causa, etc.), atualmente pode-se dizer que a contestação abrange
quase todas as defesas cabíveis.
Considerando isso, podem-se enunciar como novas matérias arguíveis
em contestação: a) incompetência relativa (art. 337, II); b) valor da causa
incorreto (art. 337, III); c) gratuidade de justiça (art. 337, XIII); d) reconvenção
(art. 343); e) denunciação da lide (art. 126); e f) chamamento ao processo (art.
131).
Notoriamente, a intenção do Código de Processo Civil é prestigiar a
celeridade e a razoável duração do processo. Por certo, concentrar matérias
de defesa em uma só peça implicará em uma maior celeridade, bem como a
desnecessidade de se formar autos apartados em alguns casos (como a
reconvenção e a impugnação ao valor da causa, sempre consideradas novas
ações, embora sempre arguidas como defesa). Pelo princípio da
eventualidade, o réu deve arguir todas as matérias de defesa que entende
cabíveis no momento que apresentar sua contestação, mesmo que elas se
revelem contraditórias entre si (por exemplo: o réu tem o ônus de arguir
inépcia da inicial, pagamento parcial ou extinção total da obrigação).
As defesas são consideradas processuais (chamadas preliminares)
quando versam sobre algum aspecto formal do processo (ilegitimidade,
inépcia da inicial, nulidade de citação, etc.), em geral dispostas no art. 337 do
CPC. Por outro lado, são chamadas de defesas de mérito quando dizem
respeito ao direito material em si (defesas de mérito propriamente ditas) ou
algum elemento que, não se revelando direito processual, impeça o
julgamento do mérito (prejudiciais, como a prescrição).
A espécie de defesa implicará diretamente no tipo de sentença
proferida. O acolhimento de defesas processuais implicará em uma sentença
terminativa, consoante se verifica do art. 485 do CPC, que traz diversos casos
enunciados no art. 337 do CPC. Nesse caso, não haverá a formação de coisa
julgada material, tendo em vista que a cognição exercida não chegou a
examinar o mérito da causa. Por outro lado, o acolhimento de alguma defesa
de mérito ou material (prejudicial ou não) implicará em uma sentença
resolutiva de mérito, consoante disposto no art. 487 do CPC, julgando parcial
ou totalmente improcedente o pedido formulado na inicial.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
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46
1 O CPC/2015 inovou ao estabelecer que passaram a ser matérias
necessariamente alegáveis no bojo da contestação: a denunciação da lide
(art. 126c/c art. 131), o chamamento ao processo (art. 131), a incompetência
relativa (art. 337, II), a impugnação ao valor da causa (art. 337, III), a
impugnação ao benefício de gratuidade de justiça concedido ao autor (art.
337, XIII) e a reconvenção (art. 343). 2 As vantagens almejadas são a
celeridade — porque a decisão passa a ser concentrada em momento e
decisão únicos — e a simplificação formal decorrente da desnecessidade de
apresentação de várias peças separadas com autuação em apenso. 3 Segundo
o princípio da concentração da defesa ou da eventualidade, o réu tem uma
única oportunidade para a alegação dos meios de todas as matérias de
defesa, decorrendo daí o ônus de alegar, concomitantemente (embora
seguindo um encadeamento lógico de subsidiariedade), tanto as defesas
preliminares ou processuais (em especial aquelas listadas no art. 337, todas
elas ligadas ao juízo de admissibilidade da tutela jurisdicional) quanto às
defesas de mérito ou materiais (ligadas ao fundo do pedido e que, nos
te osàdoàa t.à ,à epousa àso eà az esàdeàfatoàeàdeàdi eito .àà àDeà odoà
geral, o acolhimento das defesas preliminares ensejará sentença terminativa
(daí porque há uma evidente semelhança entre vários incisos do art. 337 com
os do art. 485). De outro lado, o acolhimento das defesas de mérito (art. 336,
CPC) tenderá a gerar uma sentença de total ou parcial improcedência (art.
487, I). Bibliografia: Teresa Arruda Alvim Wambier; Fredie Didier Junior;
Eduardo Talamini; Bruno Dantas. Breves comentários ao novo Código de
Processo Civil. Edição 2016, 2.ª ed. em e-book, baseada na 2.ª edição
impressa. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2016, Capítulo VI: Da
contestação.
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EXECUÇÃO
NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE
João reside em um apartamento próprio, localizado no mesmo prédio em que
ele tem uma vaga de garagem, também de sua propriedade, com matrícula
própria. Ele não tem outros imóveis. José é produtor rural e possui uma
pequena propriedade agrícola, que cultiva com sua família, e uma casa
urbana. Ele reside em ambos os imóveis. Além desses, ele não tem outros
imóveis. Júlio é proprietário de dois imóveis residenciais, em um dos quais
reside, estando o outro alugado. João, José e Júlio têm dívidas com credores
privados, que pretendem promover execuções para o recebimento dos seus
créditos. Considerando essa situação hipotética, o conceito de bem de família
e a legislação e a doutrina aplicáveis, discorra a respeito da possibilidade de os
imóveis de cada um dos três servir às execuções que serão propostas —
imóveis de João [valor: 0,30 ponto]; imóveis de José [valor: 0,20 ponto];
imóveis de Júlio [valor: 0,20 ponto]. Por fim, indique qual é o meio de
constituir um bem imóvel como bem de família [valor: 0,25 ponto].
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O apartamento de João está protegido como bem de família, por ser o
seu único imóvel residencial próprio e por ser a sua residência, consoante a
legislação aplicável. A sua garagem, no entanto, não tem a mesma garantia,
uma vez que tem matrícula própria e, assim, não é parte do próprio imóvel,
como consolidado na jurisprudência do STJ.
Quanto a José, ele poderia sofrer execução caso não residisse em
algum dos imóveis. No entanto, como ele reside nos dois imóveis, considera-se
protegido como bem de família o de menor valor, salvo se o outro tiver sido
devidamente registrado na serventia competente.
Por fim, no caso de Júlio, o imóvel em que ele reside é protegido como
bem de família. O outro, que está alugado, não.
De acordo com o Código Civil, em seu art. 1.714, a constituição de bem
imóvel que atenda aos critérios da Lei n.º 8.009/1990 como de família se fará
po à eioàdeà egist oàdeà seuà títuloà aà at í ulaàdoà i el.àNesseà se tido,à oà
bem de família, quer instituído pelos cônjuges ou por terceiro, constitui-se pelo
egist oàdeàseuàtítuloà oà‘egist oàdeàI eis .
FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA:
ápa ta e to:à Leià .ºà . / ,à a t.à .º:à Oà i velà eside ialà p p ioà doà
casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer
tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza,
contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários
eà eleà esida ,àsalvoà asàhip tesesàp evistasà estaàlei. .
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48
Vaga na garagem: O STJ resolveu a questão, afirmando, em sua Súmula n.º
,à ueà aà vagaà deà ga age à ueà possuià at í ulaà p p iaà oà registro de
i veisà oà o stituià e àdeàfa íliaàpa aàefeitoàdeàpe ho a. .
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT9 - 2015 - FCC
A impenhorabilidade do Bem de Família e o Princípio de Igualdade
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
De acordo com o caput do artigo 5o da Constituição Federal, todos são
iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Segundo Alexandre
de Moraes o que se veda são as diferenças arbitrárias, as discriminações
absurdas, pois o tratamento desigual dos casos desiguais, na medida em que
se desigualam, é exigência tradicional do próprio conceito de Justiça (Direito
Constitucional 28. ed., p. 35).
O artigo 1o da Lei no 8.009/90 afirma que o imóvel residencial próprio
do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por
qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra
natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus
proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei.
Ressalta-se que a impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o
qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer
natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis
que guarnecem a casa, desde que quitados. E, excluem-se da
impenhorabilidade os veículos de transporte, obras de arte e adornos
suntuosos.
O artigo 3o da referida lei prevê que a impenhorabilidade é oponível
em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou
de outra natureza, salvo em determinadas hipóteses como, por exemplo, para
cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em
função do imóvel familiar.
Durante muitos anos a impenhorabilidade do bem de família não
abrangia apenas créditos de trabalhadores da própria residência e das
respectivas contribuições previdenciárias, havendo para muitos doutrinadores,
ofensa ao princípio da igualdade, já que fazia distinção entre os empregados
domésticos e os demais empregados. Recentemente esta distinção deixou de
existir com a revogação desta exceção.
OFICIAL DE JUSTIÇA – TRT/SC – 2017 - FGV
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49
Justino é oficial de justiça em Joaçaba (SC) e recebeu um mandado para
cumprimento que envolvia a reintegração no emprego de uma ex-empregada
que foi dispensada grávida e a penhora de R$10.000,00 para pagamento dos
salários e vantagens devidos à referida trabalhadora enquanto esteve
indevidamente afastada. Marcados dia e hora para a diligência, Justino
compareceu à empresa com a reintegranda. Lá chegando, os ânimos se
acirraram e a grávida começou a discutir severamente com o dono da
empresa. Justino tentou intervir e foi xingado várias vezes pelo titular da
empresa. Tais fatos foram certificados amiúde pelo oficial de justiça, que
prosseguiu no cumprimento do mandado, adentrou o estabelecimento
empresarial e, constatando que não havia nenhum bem de valor, já que todas
as máquinas estavam sucateadas e não havia matéria-prima ou qualquer coisa
de valor no local, nada penhorou. A reintegranda então informou a Justino
que a empresa era credora do Município de Joaçaba em razão de serviço que
teria feito ao ente Municipal,e cujo valor encontrava-se pendente de
pagamento. Diante da situação retratada, de acordo com a Lei e com os
princípios reguladores da execução: i. caso o titular da empresa questionasse
os termos da certidão de Justino, afirmando que não o xingou, informe qual
das alegações deveria prevalecer, justificando; ii. informe se Justino agiu
corretamente ao não penhorar os bens encontrados, justificando; iii.
hipoteticamente analisado, informe se algum crime foi cometido contra
Justino e, em caso positivo, identifique-o; iv. diante da informação trazida pela
reintegranda acerca do crédito, informe o que pode ser feito, justificando.
Quantidade máxima de linhas: 30
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o questionamento feito
pelo dono da empresa não apresentaria muitas chances de êxito, já que a
certidão emitida pelo oficial de justiça é dotada de fé pública. Assim, só pode
ser elidida mediante prova cabal em contrário (por exemplo, no presente caso,
depoimentos de testemunhas imparciais que atestem a inexistência de
conduta delituosa).
Ao se deparar com bens sucateados, o oficial de justiça até poderia tê-
los penhorado. Contudo, o leilão e arremate desses bens poderiam se revelar
bem mais dispendiosos do que o proveito econômico passível de ser auferido,
o que violaria diretamente o princípio do melhor interesse do credor. Assim,
parece ter agido corretamente o oficial ao buscar bens com maior liquidez e
proveito para a execução.
No que tange aos delitos cometidos pelo dono da empresa, ele parece
ter cometido o crime de desacato (art. 331 do Código Penal), uma vez que o
oficial de justiça encontrava-se no exercício de sua função e foi ofendido em
razão dela. Ainda que se pudesse alegar a caracterização de mera injúria (art.
140 do Código Penal), o crime de desacato é mais grave e, nesse caso, acaba
absorvendo o delito menos grave.
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50
Quanto ao crédito a ser recebido pela empresa executada, é
perfeitamente possível que ele seja penhorado para satisfazer a credora, por
se tratar de um direito dotado de notório proveito econômico. Consoante
disposto no art. 855 do CPC, bastará que o oficial de justiça compareça à sede
do devedor do crédito (no caso, o Município de Joaçaba) e intime seu
representante de que não deve efetuar o pagamento ao credor originário,
uma vez que o valor será utilizado para satisfazer a execução.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed.
Salvador: JusPodium, 2016.
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC
Os artigos 327 e 780 do CPC tratam da cumulação de demandas no momento
de seu ajuizamento. a lei de execução fiscal (lei 6830/1980), por sua vez,
dispõe em seu artigo 28 acerca da reunião dos processos executivos. 1. Quais
os requisitos essenciais para que seja admissível a reunião das execuções
fiscais? Justifique. 2. Quem seria o juiz competente para decidir acerca da
reunião desses executivos fiscais? Justifique. 3. Quem seria o juiz competente
para dar seguimento ao processo das execuções fiscais reunidas? Justifique.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Os requisitos essenciais para que seja admissível a reunião das
execuções fiscais estão previstos no artigo 780 do CPC/2015 (Art. 573,
CPC/1973): a. Identidade das partes nos processos que serão reunidos; b.
Requerimento de uma das partes; c. Os processos se encontra em fase
análogas; d. competência do juízo. É preciso ainda, que haja penhoras sobre o
mesmo bem (concurso de penhoras - art. 28, lei 6830/1980 - LEF).
O juiz competente para decidir acerca da reunião desses executivos
fiscais é o juiz natural das execuções que tramitam separadamente.
O juiz competente para dar seguimento ao processo das execuções
fiscais reunidas é aquele que recebeu a primeira distribuição da ação de
execução fiscal (art. 28, parágrafo único, lei 6830/1980).
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 – 2016 – CESPE
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51
Em ação indenizatória ajuizada na justiça comum, determinado município foi
condenado a pagar ao autor a quantia de duzentos mil reais. A sentença foi
confirmada pelo tribunal e transitou em julgado. Em decorrência da inércia do
município para pagar a quantia, o autor da ação deseja tomar medida judicial
para receber o pagamento referente à condenação. Considerando a situação
hipotética apresentada, redija um texto dissertativo atendendo ao que se
pede a seguir. 1- Indique o procedimento a ser utilizado pelo particular para
receber o valor da condenação e informe o modo como deve ser feito o
pagamento ao credor, bem como a forma pela qual o ente público deve
realizar sua eventual defesa se discordar dos valores apresentados pelo
particular. [valor: 13,00 pontos] 2- Apresente a(s) modalidade(s) de citação
que pode(m) ser utilizada(s) para a citação da pessoa jurídica de direito
público no procedimento mencionado, indicando o rol de modalidades de
citação previstas no Código de Processo Civil. [valor: 15,00 pontos] 3- Discorra
sobre a possibilidade de o particular receber os valores incontroversos no
caso de a pessoa jurídica de direito público, em sua defesa, alegar apenas
existir excesso do valor pretendido pelo particular (como, por exemplo,
excesso nos juros e correção monetária). [valor: 10,00 pontos]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Na presente questão, a parte autora detém uma sentença judicial
passível de cumprimento, de execução forçada em face da parte ré. Por sua
vez, o demandado/executado é um município, que é uma pessoa jurídica de
direito público interno (art. 41, III, do Código Civil), sendo considerado um ente
da Fazenda Pública.
Por conta de sua finalidade pública, os bens da Fazenda Pública não
podem ser penhorados (art. 100 do Código Civil), não podendo satisfazer seus
credores consoante as regras ordinárias de execução, mediante expropriação
do patrimônio (uma vez que seria inviável vender bens afetados a serviços
públicos de interesse de toda a população para beneficiar indivíduos
específicos). As sentenças em seu desfavor, assim, encontram-se sujeitas a um
regime especial para pagamento, previsto nos arts. 534 e 535, do CPC, bem
como no art. 100 da CRFB.
Nesse regime especial de cumprimento de sentença em face da
Fazenda Pública, o credor providenciará a intimação do ente devedor para,
querendo, oferecer impugnação à execução em 30 dias úteis, podendo alegar
diversas matérias previstas no art. 535 (excesso, nulidade, ilegitimidade, etc.).
Uma vez fixado o montante a ser pago, deverá ser reservado numerário no
orçamento público para que seja pago mediante requisição por precatório
(art. 100 da CRFB) ou requisição de pequeno valor, em 60 dias, nos valores
máximos estabelecidos pela legislação (art. 100, §2º, da CRFB).
Para se efetuar a intimação do Município, o Novo Código de Processo
Civil exige a intimação pessoal de seus advogados públicos, consoante
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52
disposto em seu art. 183, caput, in fine. Tal procedimento depende de vista
dos autos mediante carga ou remessa, ou, alternativamente, que seja
remetida intimação eletrônica, no caso de autos digitais.
No que tange ao recebimento de valores incontroversos, a doutrina e a
jurisprudência já o admitiam sob a égide do CPC anterior, em homenagem aos
princípios da celeridade e da efetividade. Atualmente, essa possibilidade
restou expressamente positivada no art. 535, §4º do CPC, que autoriza a
expedição de precatório (ou requisição de pequeno valor) de parcela não
impugnada após a intimação em execução.OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009
ESTUDO DE CASO - O oficial de justiça avaliador recebeu o mandado de
citação, penhora e avaliação extraído dos autos do processo de ação de
execução lastreada em título executivo extrajudicial, proposta por Daniele
contra Marcos, no valor de R$ 100.000,00, incluindo correção monetária,
juros, honorários advocatícios e despesas processuais iniciais. De posse do
respectivo mandado, estando inviabilizado o bloqueio de pecúnia por meio
eletrônico, o meirinho se ateve em diligências visando dar cabo ao
cumprimento de seu dever funcional. Todavia, não logrou localizar o citando
ou colher informações precisas sobre o seu paradeiro. Observou, ademais,
que o predito mandado registrava a indicação de um bem imóvel de
propriedade do executado, avaliado em R$ 80.000,00, com todas as suas
características e confrontações, inclusive com o número da matrícula no
respectivo cartório de registro de imóveis. Além disso, o oficial anotou a
existência de um veículo automotor estacionado na parte interna da
residência do executado. Considerando a situação hipotética acima
apresentada e os dispositivos legais a ela aplicáveis, redija um texto
dissertativo que aborde, necessariamente, os seguintes tópicos: 1-
possibilidade de se proceder à constrição judicial dos bens em referência e, se
for o caso, indicação da natureza jurídica dessa constrição; 2- diligências
cabíveis e necessárias à citação do executado; 3- medidas destinadas a vencer
eventual resistência oferecida pelo executado ou por terceiro; 4- restrições de
ordem legal e(ou) constitucional ao caso em epígrafe; 5- requisitos legais que
deve conter o auto de penhora. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O
NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Frise-se, inicialmente, que a questão informa a ausência de citação do
executado, o que faz permissível a realização do arresto executivo (art. 830 do
CPC). Cuida-se de um ato constritivo de patrimônio que se revela como uma
p -pe ho a ,à se doà ealiz el quando o oficial de justiça não conseguiu
concretizar a citação, porém encontrou bens visíveis do executado. Realizado o
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53
arresto, incumbe ao exequente fornecer meios para que a citação seja
concretizada posteriormente, quando o arresto se converterá em penhora,
independentemente de termo (art. 830, § 3º, do CPC).
Admite-se penhora sobre veículo do executado (art. 835, IV, do CPC),
sendo importante a verificação prévia de sua titularidade. Até porque, se
comprovado que se trata de bem de terceiro, poderá este valer-se da ação de
embargos de terceiro para retirar a constrição judicial (art. 674 do CPC). Por
sua vez, em se tratando de hipótese de veículo financiado, que não conste
ainda o pagamento final e a transferência para o nome do seu titular, quando
este for executado, apenas será possível a penhora dos direitos aquisitivos de
contrato de alienação fiduciária em garantia (art. 835, XII, do CPC).
Por sua vez, admite-se a penhora sobre o imóvel do executado (art.
835, V, do CPC), sendo importante a verificação prévia de sua titularidade,
inclusive para evitar o ajuizamento de embargos de terceiro (art. 674 do CPC).
Caso se trate do único bem imóvel do executado, estará este imune à penhora.
Cuida-se do regramento da impenhorabilidade do bem de família ou do bem
de residência (art. 1º da Lei nº 8.009/90), o que encontra fundamento no
direito social de moradia (art. 6º da CRFB). Não importa o estado civil do
devedor para ter direito a tal benesse legal (verbete sumular nº 364 do STJ).
Realizada a constrição judicial, convém que seja realizada a sua
averbação no respectivo registro do bem, o que gerará publicidade e evitará
discussões futuras sobre a eventual boa-fé do terceiro adquirente.
Sobre a documentação do ato constritivo, a penhora realizada por
oficial de justiça dar-se- àat a sàdeà autoàdeàpe ho a ,àde e doà o te à iasà
especificações legais (art. 838 do CPC). Se antes apresentada certidão da
respectiva matrícula do imóvel, ou certidão que ateste a existência de veículo,
talà pe ho aà seà da à po à te oà osà autos à a t.à ,à §à º,à doà CPC ,à oà ueà
aconteceu quanto ao bem imóvel.
Caso o executado feche as portas da casa a fim de obstar a penhora
dos bens, o oficial de justiça comunicará o fato ao juiz, solicitando-lhe ordem
de arrombamento (art. 846 do CPC). Sempre que necessário, o juiz requisitará
força policial, a fim de auxiliar os oficiais de justiça na penhora dos bens (art.
846, §2º, do CPC).
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Súmula 364 do STJ - O conceito de impenhorabilidade de bem de família
abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e
viúvas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
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54
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed.
Salvador: JusPodium, 2016.
ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRT9 - FCC - 2007
ESTUDO DE CASO - O Código Processual Civil (CPC) dispõe, em seu artigo 475-
J, que, caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já
fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da
condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a
requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta lei,
expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. Pela leitura desse dispositivo
legal, constata-se que a lei não fixou o termo inicial da contagem desse prazo
de quinze dias. Por isso, o tema tem suscitado dúvidas e interpretações
divergentes quanto à necessidade da intimação pessoal do réu para cumprir a
sentença no prazo de quinze dias e quanto ao termo inicial para a incidência
da multa, que se inicia depois de transcorrido o prazo concedido ao réu e
somente caso não seja obedecida tal determinação. Com base nessas
informações, redija um texto expondo, justificadamente, os argumentos
dessas interpretações divergentes dadas pela doutrina e pela jurisprudência
ao artigo acima mencionado. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O
NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A nova lei processual espancou a controvérsia, ditando o formato e a
exigência de prévia intimação do executado para cumprimento voluntário da
condenação. A intimação do devedor para cumprir a sentença se dará,
precipuamente, pelo Diário de Justiça, na pessoa de seu advogado constituído
nos autos (art. 513, §2º, I, do CPC). Tal medida diminui os custos do processo,
facilitando o processamento desta comunicação processual, até porque o
de edo à j à foià itado à aà faseà deà o he i e to,à te doà ad ogadoà ueà oà
represente nos autos.
Todavia, se o devedor não tiver procurador constituído nos autos, será
intimado pessoalmente por carta com aviso de recebimento (art. 513, § 2º, II,
do CPC), embora possa o juiz considerar válido o ato comunicatório ainda que
retorne com resultado negativo, caso tenha sido realizado no endereço
constante nos autos, sem que tenha sido informada qualquer mudança de
endereço pelo executado (art. 513, § 3º, do CPC). Tal formato prestigia o
contraditório, embora aumente a responsabilidade da parte em atualizar seu
endereço (art. 77, V, do CPC). Diga-se que se o devedor é defendido pela
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55
Defensoria Pública, será o caso de aplicação do mesmo regramento (arts. 513,
§ 2º, II; e § 3º, do CPC).
Já se o réu foi citado na fase de conhecimento por meio eletrônico,
quando pessoa jurídica estiver devidamente cadastrada no sistema respectivo
(art. 246, § 1º, do CPC), a intimação no cumprimento de sentença se dará,
também, por meio eletrônico(art. 513, § 2º, III, do CPC). Finalmente, se o réu
foi citado por edital na fase de conhecimento, sendo revel, a intimação no
cumprimento de sentença, também será por edital (art. 513, § 2º, IV, do CPC).
Desta intimação, uma vez extrapolado o prazo de 15 dias para
cumprimento voluntário (art. 523 do CPC), incidirá multa de 10% e também
nova verba honorária de 10% referente ao cumprimento de sentença (art. 523,
§ 1º, do CPC).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CARNEIRO, Paulo Cezar Pinheiro. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Novo
Código de Processo Civil – Anotado e Comparado. Rio de Janeiro: Gen Método,
2015.
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA
O processo de execução do Código de Processo Civil ainda é regido
exclusivamente pela regra da tipicidade dos meios executivos? Em sua
resposta, aponte os fundamentos legais que orientam sua conclusão e
relacione o tema com a tutela coletiva e a atuação do Ministério Público.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O art. 139, IV do Código de Processo Civil, que permite ao magistrado
dete i a à todasà asà edidasà i duti as,à oe iti as,à a da e taisà ouà
subrogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial,
i lusi eà asàaç esà ueàte ha àpo ào jetoàp estaç oàpe u i ia .à
Sendo assim, é possível conceber técnicas executivas não previstas
expressamente no texto legal, o que afasta a explicação tradicional da regra
da tipicidade. O Ministério Público, nesta linha, pode contribuir desenvolvendo
novas técnicas de execução.
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009
ESTUDO DE CASO - Em cumprimento a mandado judicial de penhora relativo a
execução no montante de R$ 5.000,00, o oficial de justiça encarregado da
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56
diligência compareceu à residência do executado, que lhe franqueou a
entrada. No interior da residência, encontrou um televisor, uma geladeira,
móveis usados em geral correspondentes a um médio padrão de vida e
roupas usadas de baixo valor. O executado lhe informou que esse era o seu
único imóvel residencial e que era proprietário do automóvel estacionado em
frente ao prédio, que, no entanto, já havia sido penhorado em outra
execução. Discorra, sintética e fundamentadamente, sobre o procedimento a
ser adotado, nesse caso, pelo oficial de justiça. (QUESTÃO ADAPTADA DE
ACORDO COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Os respectivos móveis encontrados na residência do devedor, conforme
diligência de portas à dentro realizada, são tidos como impenhoráveis (art.
833, II e III, do CPC), o que ganha contornos de reverência à dignidade da
pessoa.
Uma vez comprovado que se trata do único bem imóvel do executado,
estará este imune à penhora. Cuida-se do regramento da impenhorabilidade
do bem de família ou do bem de residência (art. 1º da Lei nº 8.009/90), o que
encontra fundamento no direito social de moradia (art. 6º da CRFB). Não
importa o estado civil do devedor para ter direito a tal benesse legal (verbete
sumular nº 364 do STJ).
Entretanto, admite-se penhora sobre veículo (art. 835, IV, do CPC), não
sendo impeditivo o fato de o bem já ter sido penhorado por outro credor. O
credor que primeiro realizar a penhora terá direito de preferência sobre o
respectivo bem (art. 797 do CPC), tratando-se de garantia de direito
processual.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Súmula 364 do STJ - O conceito de impenhorabilidade de bem de família
abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e
viúvas.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg; HARTMANN, Guilherme Kronemberg.
Petições & prática cível. Niterói: Impetus, 2016.
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRF3 - FCC - 2014
ESTUDO DE CASO - Em cumprimento de um mandado expedido pelo juiz
competente da Justiça Federal, de São Paulo, em execução fiscal federal
baseada em certidão de dívida ativa, decorrente do não pagamento do
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57
imposto de renda por pessoa física, proposta em 23 de abril de 2013, o oficial
de justiça compareceu ao domicílio do executado e não o encontrou, tendo
certifi adoà ueà aàpessoaà ueàaliàseàe o t avaàeà ueàoàate deuài fo ouà ueà
o executado, em agosto de 2013, mudou-se para o Estado do Rio Grande do
“ul .àá aliseàoà asoàexposto,à espo de do,à fu da e tada e te:àa.àe à ueà
consiste a citação e qual a sua finalidade e importância no processo. b. se a
certidão do oficial de justiça está correta para a situação de fato com a qual se
deparou. c. se a competência para processar e julgar a execução fiscal se
desloca para a Vara competente do Estado do Rio Grande do Sul. d. como se
procederá à citação do executado. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM
O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
E à elaç oà aoà ite à a ,à itaç oà à oà atoà peloà ualà s oà o o adosà oà
réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual (art. 238
do CPC). Além desta convocação a juízo, serve também para cientificar-lhe do
teor da demanda formulada, concretizando o contraditório mínimo na
vertente da informação necessária (art. 5º, LV, da CRFB).
Registre-se que foi suprimida a expressão de que o demandado seria
itadoà aà fi à deà seà defe de à a t.à à doà CPC/ ,à dia teà daà ultu aà daà
pacificação preconizada pela nova lei processual, que prevê uma audiência
inaugural de conciliação ou de mediação (art. 334 do CPC), antes mesmo da
apresentação da defesa pelo réu.
E à elaç oàaoàite à ,àaà e tid oàdoàofi ialàdeàjustiçaàest ài o pleta,à
já que não indica a qualificação de quem lhe forneceu a informação, bem
como nem indica se foram perquiridos eventuais elementos sobre o paradeiro
do citando na cidade em que ora se encontra (art. 154, I, do CPC). O atuar
deste auxiliar de justiça (art. 149 do CPC), na hipótese, demonstra-se não
colaborativo aos fins do processo (art. 6º do CPC), pois prejudica o
sequenciamento do feito pelo demandante.
No tocante aoàite à ,à oàha e àdeslo a e toàdaà o pet iaàe à
razão do princípio da perpetuação da jurisdição, ou perpetuatio jurisdictionis
(art. 43 do CPC). Cuida-se de regra de estabilidade da competência, de modo
que se denotam irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direitos
ocorridas posteriormente ao registro ou distribuição da demanda. No caso
concreto, aplica-se diretamente o verbete sumular nº 58 do STJ.
Po à fi ,à a e aà doà ite à d ,à se doà o he idoà oà e de eçoà doà
demandado em diversa localidade, a citação poderá se dar pelo correio,
mediante aviso de recebimento (arts. 247 e 248 do CPC), ou mesmo através de
expedição de carta precatória (art. 237, III, do CPC). Ao contrário, se
desconhecido o lugar onde se encontra o citando, viabilizar-se-á a citação por
edital (art. 256, II, do CPC).
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58
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. 1ª Ed. São Paulo:
Atlas, 2015.
CARNEIRO, Paulo Cezar Pinheiro. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Novo
Código de Processo Civil – Anotado e Comparado. Rio de Janeiro: Gen Método,
2015.
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg; HARTMANN, Guilherme
Kronemberg.Petições & prática cível. Niterói: Impetus, 2016.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Súmula 58 do STJ - Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de
domicílio do executado não desloca a competência já fixada.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
- Gabarito: Abordagem Esperada - A Prova Estudo de Caso destinar-se-á a
avaliar o domínio de conteúdo dos temas abordados, a experiência prévia do
candidato e sua adequabilidade quanto às atribuições do cargo e
especialidade. A Prova Estudo de Caso terácaráter eliminatório e
classificatório. Cada uma das questões será avaliada na escala de 0 (zero) a
100 (cem) pontos, considerando-se habilitado o candidato que tiver obtido, no
conjunto das duas questões, média igual ou superior a 60 (sessenta). 1-a. A
citação é o ato de chamamento do réu a juízo e que o vincula ao processo e
seusàefeitos.àCo oào se aàVICENTEàG‘ECCOàFILHO,à aà itaç oà àaàp i ei aàeà
fundamental garantia de um processo livre e democrático, porque por seu
intermédio se leva ao réu o conhecimento da demanda e o que pretende o
auto à Di eitoà P o essualà Ci ilà B asilei o,à Ed.à “a ai a,à ºà ol.,à p.à ,à
assegurando o contraditório e a ampla defesa. Sem a citação não se completa
a relação jurídica processual, não produzindo o processo nenhum efeito,
se do,à oàdize àdeàLIEBMáN,à u àatoà ju ídi oà i existe te .à -b.A certidão do
oficial de justiça tem fé pública e deve ser clara, completa e inequívoca,
descrevendo minuciosamente o que ocorrer durante a diligência, bem como
indicando os elementos que possibilitem às partes e ao juiz a adoção das
providências pertinentes. No caso concreto, a certidão está incompleta, pois o
oficial de justiça não forneceu a qualificação da pessoa que o atendeu, não
informando, dentre outros dados, se é parente, sucessor, locatário, ocupante,
novo proprietário do imóvel em que o réu era domiciliado; outrossim, dela não
constou ter indagado para qual cidade do Estado do Rio Grande do Sul o
executado havia se mudado, nem a respeito do endereço deste naquela
localidade. 3- A competência não se desloca para o Estado do Rio Grande do
Sul, porque a mudança de domicílio do executado ocorreu depois da
propositura da ação. A legislação brasileira adota o princípio da perpetuação
da competência, sendo que, no que concerne à execução fiscal, há até Súmula
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doà “upe io à T i u alà deà Justiçaà aà espeito:à P opostaà aà exe uç oà fis al,à aà
posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já
fixada à “TJ,à“ú ulaà .à -No caso em exame, não consta o endereço atual do
executado, nem sequer a cidade onde se encontra. Nesse caso, se, através de
diligências posteriores, for descoberto o local em que o executado está
domiciliado no Estado do Rio Grande do Sul, a sua citação será feita pelo
correio ou por carta precatória; caso contrário, por edital.
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 - CESPE - 2016
ESTUDO DE CASO - Em ação indenizatória ajuizada na justiça comum,
determinado município foi condenado a pagar ao autor a quantia de duzentos
mil reais. A sentença foi confirmada pelo tribunal e transitou em julgado. Em
decorrência da inércia do município para pagar a quantia, o autor da ação
deseja tomar medida judicial para receber o pagamento referente à
condenação. Considerando a situação hipotética apresentada, redija um texto
dissertativo atendendo ao que se pede a seguir. 1- Indique o procedimento a
ser utilizado pelo particular para receber o valor da condenação e informe o
modo como deve ser feito o pagamento ao credor, bem como a forma pela
qual o ente público deve realizar sua eventual defesa se discordar dos valores
apresentados pelo particular. [valor: 13,00 pontos] 2- Apresente a(s)
modalidade(s) de citação que pode(m) ser utilizada(s) para a citação da
pessoa jurídica de direito público no procedimento mencionado, indicando o
rol de modalidades de citação previstas no Código de Processo Civil. [valor:
15,00 pontos] 3 - Discorra sobre a possibilidade de o particular receber os
valores incontroversos no caso de a pessoa jurídica de direito público, em sua
defesa, alegar apenas existir excesso do valor pretendido pelo particular
(como, por exemplo, excesso nos juros e correção monetária). [valor: 10,00
pontos](QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em relação ao item 1, ao contrário do Código de Processo Civil de 1973
(em que havia um processo autônomo de execução), o particular (credor)
deverá, nos termos do art. 534 do CPC de 2015, requerer o cumprimento da
sentença, com a intimação do devedor (Município) para que este apresente a
sua impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Para que seja iniciada a fase de
cumprimento da sentença, é obrigação do autor apresentar demonstrativo do
crédito, que deverá estar atualizado e discriminado, nos termos do art. 534, I a
VI, do CPC.
Em razão do princípio da indisponibilidade e impenhorabilidade dos
bens públicos, o modo de pagamento, no caso de condenação da Fazenda
Pública, atenderá às regras especiais dispostas na CRFB. No caso do município
em questão, em sendo o valor superior àquele previsto para as obrigações de
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pequeno valor de cada ente, respeitados os limites máximos previstos no art.
87 do ADCT, o pagamento será realizado por meio da expedição de precatório,
conforme o art. 535, §3º, , do CPC e art. 100 da CRFB.
Quanto ao item 2, conforme as regras estabelecidas pelo Novo Código
de Processo Civil, a fase de cumprimento de sentença não exigirá citação da
Fazenda Pública, visto que foi extinto o processo autônomo de execução
contra os entes públicos. Portanto, a Fazenda Pública deverá ser intimada,
após o exequente dar início à fase de cumprimento de sentença, para que
apresente sua impugnação. Ressalta-se que o ente público, nos termos dos
arts. 183, §1º; e 535, do CPC, será intimado na pessoa de seu representante
judicial por carga, remessa ou meio eletrônico, uma vez que houve extensão
da intimação pessoal aos representantes judiciais do Distrito Federal, Estados
e Municípios.
Em relação ao item 3, na fase de cumprimento de sentença que
reconheça a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa pela fazenda
pública, caso seja oposta impugnação parcial pelo ente público, o art. 535,
§4º, do CPC dispõe que eventual parcela da obrigação de pagar não
questionada pelo ente público executado será, desde logo, objeto de
cumprimento. Por conseguinte, no caso de a fazenda pública alegar excesso
de execução, esta deverá declarar o valor que entende correto, conforme o
art. 535, §2º, do CPC. Em relação ao valor incontroverso, poderá haver a
expedição imediata de precatório. Ressalta-se que desde o antigo CPC,
doutrina e jurisprudência encontravam-se pacificadas no sentido de que é
possível a expedição de precatório da parte incontroversa em sede de
execução contra a fazenda pública, pois inadmitir a expedição de precatórios
para aquelas parcelas que se tornaram preclusas e, consequentemente,
imodificáveis, é atentar contra a efetividade e(ou) celeridade do processo.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CUNHA, Leonardo Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo / Leonardo
Carneiro da Cunha. - 13 ed., totalmente reformulada - Rio de Janeiro: Forense,
2016.
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2011 – CESPE
O nome de Jonas Neto, ex-sócio da Locus Amoenus Ltda., que detinha 10%
das respectivas quotas do capital social e cuja retirada da sociedade ocorreu
em 25/3/2002 (data do arquivamento da alteração societária no registro do
comércio), foi consignado no rol de corresponsáveis tributários de uma
certidão de dívida ativa, lavrada em 24/3/2006, em desfavor da aludida
empresa, relativa a débito de contribuição previdenciária sobre folha de
salários, das competências de janeiro a março de 2002. Tal débito tributário é
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objeto de execução fiscal aforada em 24/3/2010, contra a qual foram opostos
embargos à execução ainda pendentes de julgamento. Jonas Neto, que nunca
figurou como administrador da referida empresa, é titular de um crédito de
indenização, por responsabilidade civil da União, inscrito em precatóriojudicial. Sabendo da iminente liberação do crédito do precatório, a União
atravessou petição pugnando pela compensação do respectivo crédito com a
noticiada dívida previdenciária, ou, alternativamente, pela suspensão do
pagamento do precatório em razão da dívida objeto de execução fiscal. Em
face da situação hipotética acima apresentada, responda, de forma
fundamentada, se procede a pretensão da União.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A presente questão trata do relevante e atual tema do
redirecionamento da execução fiscal. Em linhas gerais, significa que o processo
executório de dívidas tributárias ou não tributárias pode ter seu sujeito
passivo modificado, direcionando os atos constritivos de uma pessoa jurídica
para seus sócios, por exemplo.
A principal hipótese que fundamenta o redirecionamento da execução
tributária encontra-se prevista no art. 135, III do CTN. Nesse dispositivo,
verifica-se que são responsáveis também pelo pagamento de tributos os
diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, quando atuarem
com excesso de poderes ou infração à lei (ou contrato social/estatuto).
No enunciado em análise, tem-se que o sócio executado realmente
estava presente no quadro social da empresa quando os fatores geradores
ocorreram, vez que as competências perquiridas foram de janeiro a março de
2002, ao passo que a retirada do sócio foi efetivada em 25.03.2002.
No entanto, registre-se que, em primeiro lugar, o mero
inadimplemento da obrigação tributária não é suficiente, por si só, para
responsabilizar qualquer sócio. Ao caso, aplica-se a Súmula 430 do STJ, que
disp eà ueà Oà i adi ple e toà daà o igaç oà t i ut iaà pelaà so iedadeà oà
gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-ge e te .
Ademais, ele possuía apenas 10% do capital social e nunca figurou
como administrador da empresa (conforme dito no próprio enunciado). Em
adição, não há qualquer indício que tenha atuado em fraude ou infração a
qualquer norma. Assim, ele não poderia, em tese, ser corresponsável por esse
débito tributário. O redirecionamento é aplicado excepcionalmente, não sendo
despiciendo lembrar da Súmula 435 do STJ (igualmente, o STJ recentemente
afetou ao regime de recursos repetitivos um recurso que trata exatamente do
mesmo tema, o que propiciará maior estabilidade e segurança acerca do
tema).
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Por fim, a compensação requerida pela União não parece ser possível,
de qualquer forma. A uma, porque o débito é de contribuição previdenciária,
de titularidade do INSS, o que impede a compensação por conta da não
identidade entre os entes públicos. A duas, porque, como se viu, também não
se pode responsabilizar o sócio, o que também traz uma ausência de
identidade no que toca ao contribuinte. Por fim, o pedido de suspensão de
pagamento do precatório não tem qualquer previsão legal, o que implica em
ilegalidade, conduzindo ao seu indeferimento de plano.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
Súmula nº 430 do STJ - O inadimplemento da obrigação tributária pela
sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente.
Súmula 435 do STJ - Presume-se irregularmente dissolvida a empresa que
deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos
competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio
gerente.
T‘IBUTã‘IOà Eà P‘OCE““UáLà CIVIL.à P‘OPO“Táà DEà áFETáÇÃOà DEà ‘ECU‘“Oà
ESPECIAL. RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. ARTS. 1.036, CAPUT E
§ 1º, 1.037 E 1.038 DO CPC/2015 C/C ART. 256-I DO RISTJ, NA REDAÇÃO DA
EMENDA REGIMENTAL 24, DE 28/09/2016. I. Delimitação da controvérsia,
para fins de afetação da matéria ao rito dos recursos repetitivos, nos termos
do art. 1.036, caput e § 1º, do CPC/2015: "À luz do art. 135, III, do CTN, o
pedido de redirecionamento da Execução Fiscal, quando fundado na hipótese
de dissolução irregular da sociedade empresária executada ou de presunção
de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), pode ser autorizado contra: (i) o sócio
com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a
sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), e
que, concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na data em
que ocorrido o fato gerador da obrigação tributária não adimplida; ou (ii) o
sócio com poderes de administração da sociedade, na data em que
configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência
(Súmula 435/STJ), ainda que não tenha exercido poderes de gerência, na data
em que ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido". II. Recurso Especial
afetado ao rito do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art. 256-I do RISTJ, na
redação da Ementa Regimental 24, de 28/09/2016). ‘Espà . .
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2013 – CESPE
A União opôs embargos à execução de sentença proferida em ação coletiva,
consistente em reclamação de reajuste salarial, proposta por sindicato de
servidores, alegando que o servidor X, que figurava na relação dos
sindicalizados, ingressara também com ação individual, perante o juizado
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especial, durante a tramitação do feito. Sustentou a União, também, que os
servidores Y e Z, após o trânsito em julgado da sentença proferida na ação
coletiva, ingressaram, inadvertidamente, com demanda idêntica perante o
juizado especial. Registre-se que, no caso de Y, ainda não foi proferida
sentença e no de Z, o processo individual foi extinto, prematuramente, em
decorrência da prescrição do direito de reclamar o reajuste salarial. Em face
dessa situação hipotética, proponha a solução mais adequada aos embargos,
em relação aos substituídos X, Y e Z.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Inicialmente, ante o fato de a questão ter sido aplicada com base no
CPC anterior, pela atual sistemática do CPC, execução contra a Fazenda
Pública fundada em título executivo judicial ocorrerá pelo cumprimento de
sentença (art. 534). No que toca à defesa fazendária, ela ocorrerá por meio de
impugnação (art. 535).
É importante destacar que os sindicatos possuem a chamada
legitimidade extraordinária para defender a tutela coletiva de direito
individuais homogêneos da categoria profissional que representam. Ademais,
de forma oposta às associações, a entidade sindical não depende de
autorização para o ajuizamento de uma demanda judicial, podendo atuar,
além da fase de conhecimento, na fase executória. Somado a isso, o
integrante da categoria profissional, ainda que não sindicalizado, pode se
beneficiar da decisão proferida e até mesmo executar individualmente.
Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo tanto a
liquidação, como a execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores,
independente da comprovação de filiação ao sindicato na fase de
conhecimento. Além disso, o fato de se tratar de ação coletiva não representa
obstáculo para que o interessado, favorecido pela sentença coletiva, promova,
ele próprio, desde que integrante do grupo ou categoria processualmente
substituídos pela parte autora. Assim, de plano, averiguar se X, Y ou Z são
sindicalizados é indiferente para o deslinde, pois eles podem se beneficiar da
sentença de mérito e também promover uma eventual liquidação e execução
individualmente.
Em relação ao servidor X, a ação individual dele foi ajuizada durante o
transcurso da demanda coletiva, de forma que não há induzimento
automático de litispendência e, pelo enunciado, não se sabe se houve
sentença ou ciência da demanda coletiva. Assim, adotando-se a visão de que
isso não ocorreu, é possível concluir que a coisa julgada, erga omnes, da ação
coletiva pode beneficiar X. Portanto, o caminho a ser seguido é o juízo,
previamente ao julgamento dos embargos, cientificar X para que possa
liquidar e executara sentença coletiva, desistindo do processo individual, e, se
ele não quiser isso, pode prosseguir com a demanda individual. Havendo a
desistência, os embargos da União em relação a X devem ser julgados
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improcedentes, ao passo que na segunda situação deverá haver a
procedência.
Já em relação a Y, a demanda individual foi intentada após transitar
em julgado a ação coletiva, de forma que carece de interesse de agir no
processo perante o Juizado Especial Federal, já que a coisa julgada coletiva foi
erga omnes, beneficiando Y. Logo, os embargos da União devem ser julgados
improcedentes e o juízo deve o juízo da ação de Y sobre a demanda coletiva e,
com isso, ocorrer a extinção sem julgamento do mérito da demanda de Y.
Acerca do servidor Z, a demanda individual foi intentada após o
trânsito em julgado da demanda coletiva, que tem coisa julgada erga omnes.
O enunciado não aponta se transitou em julgado a sentença que reconheceu a
prescrição ao reajuste, ou seja, sem formação de coisa julgada material.
Assim, da mesma forma que ocorreu com Y, o juízo da demanda coletiva deve
comunicar o juízo da demanda de Z. Porém, se tiver ocorrido a coisa julgada
do processo individual de Z, os embargos da União devem ser procedentes, já
que terá ocorrido coisa julgada material atinente à prescrição reconhecida no
feito individual.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ART. 8º, III, DA LEI MAIOR.
SINDICATO. LEGITIMIDADE. SUBSTITUTO PROCESSUAL. EXECUÇÃO DE
SENTENÇA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO. EXISTÊNCIA DE
REPERCUSSÃO GERAL. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. I – Repercussão
geral reconhecida e reafirmada a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal
no sentido da ampla legitimidade extraordinária dos sindicatos para defender
em juízo os direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da
categoria que representam, inclusive nas liquidações e execuções de
se te ça,à i depe de te e teà deà auto izaç oà dosà su stituídos à ‘Eà ºà
883.642-AL, j. em 18/6/15).
(...) - O fato de tratar-se de ação coletiva não representa obstáculo para que o
interessado, favorecido pela sentença coletiva, promova, ele próprio, desde
que integrante do grupo ou categoria processualmente substituídos pela
parte autora, a execução individual desse mesmo julgado. Doutrina.
P e ede tes à áCà ºà . /P‘-AgR, Segunda Turma, relator o Ministro Celso
de Mello, DJe de 6/3/14).
NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE
Em determinado cartório de registro civil de pessoas naturais e de interdições
e tutelas de um município, foi realizado o registro de óbito de Pedro, servidor
público daquele município. Em razão de um erro da serventia, houve um
equívoco na grafia do nome do falecido e, assim, a certidão de óbito emitida
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não foi considerada pelo município quando Camila, viúva de Pedro, requereu
a concessão de pensão por morte, o que lhe causou danos. Um ano após o
ocorrido, foi regularizada a questão documental e concedida a pensão por
morte a Camila. Mesmo assim, ela ajuizou ação de indenização em desfavor
do titular da delegação do cartório. Em sentença, com fundamento no art. 22
da Lei n.º 8.935/1994, o juízo condenou o titular da delegação do cartório ao
pagamento de monta indenizatória arbitrada em valor correspondente ao
somatório de doze prestações mensais da pensão que Camila deveria ter
recebido, devidamente acrescido de juros e correção monetária, e ao
pagamento de honorários de sucumbência. Com isso, o titular do cartório
interpôs recurso de apelação, argumentando que não houvera instrução
probatória suficiente que comprovasse seu dolo ou sua culpa, bem como que
no valor da indenização deveriam ter sido considerados outros critérios. O
tribunal de justiça local, sem fazer nenhuma referência em sua
fundamentação aos valores da condenação ou aos respectivos critérios de
fixação, negou provimento à apelação interposta, apresentando no dispositivo
do acórdão a seguinte redação: Vistos e relatados os autos em que são partes
as acima indicadas, decide a primeira turma do tribunal de justiça do estado X,
por maioria, conhecer do recurso de apelação interposto pelo titular da
delegação para negar-lhe provimento, confirmando a sentença de primeiro
grau. Após o trânsito em julgado do acórdão, Camila propôs cumprimento de
sentença, na forma do art. 523 do Código de Processo Civil, pleiteando o
pagamento do valor da condenação da sentença, devidamente corrigido e
com incidência de juros moratórios. Considerando essa situação hipotética,
responda, fundamentadamente, aos seguintes questionamentos. 1 O que
significa e como ocorre o efeito substitutivo das decisões judiciais? Esse efeito
ocorreu na situação hipotética apresentada? [valor: 0,50 ponto] 2 Seria
admissível a alegação, pelo executado, de iliquidez do julgado? [valor: 0,45
ponto]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O efeito substitutivo das decisões judiciais decorre do objeto do
recurso, o qual é determinado pela matéria efetivamente impugnada pela
parte em suas razões recursais, consoante regra do art. 1.002 do CPC, que
esta ele eàpode àaà de is oà se à i pug adaà oà todoàouàe àpa te .à Essaà à aà
definição básica do efeito devolutivo, consagrada pelo brocardo tantum
devolutum quantum appelatum no sentido de que o recurso abrangerá tão
somente aquilo que for expressamente impugnado pelo recorrente.
Portanto, conforme esclarece pacificamente a doutrina, o efeito
devolutivo decorre da interposição de qualquer recurso, equivalente a um
efeito de transferência da matéria ou de renovação do julgado para outro ou
para o mesmo julgador.
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O efeito substitutivo das decisões judiciais encontra fundamento
positi adoà oàa t.à . àdoàCPC,à ueàestatuià ueà oàjulga e toàp ofe idoàpeloà
t i u alàsu stitui àaàde is oài pug adaà oà ueàti e àsidoào jetoàdeà e u so .à
De acordo com esse dispositivo, haverá o efeito substitutivo quando: a)
em qualquer hipótese (error in iudicando ou in procedendo) for negado
provimento ao recurso; b) em caso de error in iudicando, for dado provimento
ao recurso. Nesse sentido: Essa substituição opera-se, via de regra, nas
hip tesesàta toà deàp o i e toà ua toàde improvimento do recurso.
Na linguagem forense, quando é dado provimento ao recurso, diz-se
ueàoàT i u alà efo ou àaàde is oà e o ida,àaoàpassoà ue,à ua doà à egadoà
provimento, afirma-seà ueà oà T i u alà o fi ou à aà de is o.à E à a osà osà
casos, o que prevalece é a decisão do Tribunal (...). Assim (...) quando se tratar
de erro in procedendo e a sentença for de improcedência, o recurso interposto
pelo autor terá função rescindente quando provido e função substitutiva
quando improvido. Se, todavia, estivermos diante de sentença de procedência,
eà fo à egadoà p o i e toà aoà e u soà doà u, à oà es oà te à fu ç oà
substitutiva.
No entanto, se for dado provimento ao recurso, ele poderá ter função
tanto substitutiva quanto rescindente, dependendo da possibilidade de vício a
ser sanado ou não. Se o vício não puder ser sanado, o recurso apresentará
função substitutiva (por exemplo, condições da ação, litispendência, coisa
julgada).
Se, contudo, puder ser sanado, a função será rescindente (sentença
proferida em audiência irregularmente designada, incompetência do juízo
etc.). No caso em tela, não houve alegação de error in procedendo, mas sim de
error judicando, uma vez que o argumento da apelação interposta foi pautado
nos elementos e nas consequências da responsabilidade civil do titular da
delegação. Importa considerar que houve o conhecimento do recurso, embora
ele não tenha sido provido, o que indicaque houve o efeito substitutivo
previsto no art. 1.008 do CPC.
Dessa forma, independentemente de o tribunal de justiça local ter
utilizado a exp ess oà o fi a doà aà se te çaà deà p i ei oà g au ,à oà ueà
transitou em julgado foi o seu acórdão, que apenas reconheceu a obrigação
de indenizar do titular da delegação, mas não os valores exatos.
Portanto, no caso, houve o efeito substitutivo na sentença pelo
acórdão do tribunal de justiça local.
Saliente-se que não há no caso nenhuma referência aos valores na
parte dispositiva do acórdão, o que poderia, teoricamente, funcionar como
uest esà p ejudi iais à aà se e à a o e tadasà pelaà oisaà julgada,à a teà oà que
dispõe o § 1.º do art. 503 do CPC.
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Portanto, pode-se alegar que o título executivo é ilíquido, devendo
haver a extinção do cumprimento de sentença, consoante a necessidade de
que as obrigações devam ser certas, líquidas e exigíveis (arts. 783, 803, I, do
CPC).
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:
ASSIS, Araken de. Manual dos recursos. 9.ª ed. Editora Revista dos Tribunais.
Ed. São Paulo: 2017.
JORGE, Flávio Cheim. Teoria geral dos recursos cíveis. Editora Revista dos
Tribunais. Ed. São Paulo: 2013.
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FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SP - 2012 - FCC
O Tribunal de Justiça de São Paulo editou a Súmula 30, aprovada por seu
Órgão Especial, assim redigida: "Cabível sempre avaliação judicial previa para
imissão na posse nas desapropriações." Essa Súmula não é vinculante, mas
todas as Câmaras de Direito Público daquele Tribunal estão aplicando esse
entendimento, já tendo sido proferidas diversas decisões. O Poder Executivo
entende que essa Súmula viola o artigo 15, §12 do Decreto-Lei n2 3.365/41,
norma recepcionada pela Constituição Federal de1988, conforme a Súmula
àdoà“up e oàT i u alàFede alàassi àeditada:à N oà o t a iaàaàCo stituiç oà
o art. 15, §12, do Decreto-Lei . 3.365/1941 (Lei da Desapropriação por
Utilidade Pública)." Com base nos fatos apresentados, responda
fundamentadamente: a. Qual e a medida judicial mais eficaz que pode ser
proposta para ressalvar o direito do Poder Executivo contra a entendimento
das Câmaras de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo? B. Qual é
o fundamento que necessariamente deve embasar o cabimento da medida
interposta? c.Qual(is) o(s) pedido(s) que deve(m) ser formulado(s) nessa
medida?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A chamada verticalização de decisões judiciais é uma tendência
importada dos países de regime jurídico de Common Law. Com institutos como
a repercussão geral, a súmula vinculante e, mais recentemente, os recursos
repetitivos e o incidente de resolução de demandas repetitivas, essa tendência
restou consagrada em nosso ordenamento, buscando prestigiar princípios
como a segurança jurídica, a impessoalidade e a economicidade.
Na presente hipótese, vislumbra-se a possibilidade de quatro
instrumentos: a) reclamação; b) arguição de descumprimento de preceito
fundamental; c) suspensão de execução de medida liminar; e d) pedido de
efeito suspensivo em recurso extraordinário (art. 1029, §5º do CPC/15).
Analisar-se-ão cada um deles, a fim de atestar sua real eficácia no caso
concreto.
Em primeiro lugar, seria possível pensar no cabimento de reclamação,
com fulcro no art. 102, I, da CRFB, buscando a garantia da autoridade da
decisão do STF. No entanto, entende-se que a reclamação não seria cabível,
uma vez que se trata de um remédio processual excepcionalíssimo e que só
apresenta previsão expressa de cabimento caso a súmula violada tenha
caráter vinculante (art. 103-A, §3º da CRFB).
Em segundo lugar, é perfeitamente possível aventar o cabimento da
chamada arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF),
prevista no art. 102, §1º da CRFB. A ADPF é uma ação constitucional
autônoma, com espectro bem amplo, sendo cabível até mesmo em face de
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decisões judiciais. No presente caso, seria um instrumento extremamente
importante para garantir a incidência da Súmula nº 652 do STF, pois há uma
relevante controvérsia judicial acerca de sua aplicação, diante do disposto no
art. 3º, V da Lei nº 9.882/99, além de a decisão da ADPF ter efeitos contra
todos (art. 10 da mesma lei).
No entanto, o art. 4º, §1º da Lei nº 9.882/99 traz um requisito
indispensável para seu cabimento: a subsidiariedade. Considerando-se que se
está diante de diversos processos individuais, cujas decisões poderiam ter sido
objeto de recurso especial ou de recurso extraordinário, resta bastante claro
que, nesse caso, a ADPF seria incabível, justamente pela ausência da
subsidiariedade.
Em terceiro lugar, poder-se-ia tentar ajuizar uma suspensão de
execução de liminar, caso a decisão do TJ/SP tenha sido proferida em processo
que julgue o tema em caráter liminar (originariamente ou via agravo de
instrumento). A suspensão de liminar é tida como uma ação autônoma que
visa a tutelar o interesse público em sua essência e sua previsão encontra-se
no art. 4º da Lei nº 8.437/1992. Tendo isso em mente, seria em tese cabível a
suspensão de execução de liminar perante o Presidente do Supremo Tribunal
Federal (tribunal competente para conhecer do recurso extraordinário a ser
interposto contra a decisão do TJ/SP), sob o fundamento do interesse público
nas imissões provisórias, bem como para salvaguardar a segurança jurídica. O
instrumento seria interessante na medida em que pode ser estendido a outras
liminares (art. 4º, §8º Lei nº 8.437/1992). No entanto, ressalva-se que ela só é
cabível se a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo a ser impugnada
apresentar caráter precário/liminar, o que, na prática, tende a esvaziar sua
utilidade prática.
Por fim, resta o manejo do pedido de concessão de efeito suspensivo
nos recursos extraordinários que serão interpostos contra cada uma das
decisões. Ainda que não seja um instrumento apto a tratar o problema sob
uma perspectiva ampla (macro), seu cabimento acaba por inviabilizar o uso da
ADPF. Assim, restaria à Fazenda Estadual interpor os competentes recursos
extraordinários, com os respectivos pedidos para conferir efeito suspensivo
àqueles recursos. Seu fundamento, como se sabe, além do poder geral de
cautela, é o risco de dano irreparável e a plausibilidade do direito (reforçada
pela existência de súmula do STF).
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL –
POSTULADO DA SUBSIDIARIEDADE – INOBSERVÂNCIA – INVIABILIDADE DE
REFERIDA AÇÃO CONSTITUCIONAL – DOUTRINA – PRECEDENTES –
POSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO, MEDIANTE ADPF, DE DECISÕES JUDICIAIS,
DESDE QUE NÃO TRANSITADAS EM JULGADO – CONSEQUENTE
OPONIBILIDADE DA COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL À ADPF –
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PRECEDENTE – O SIGNIFICADO POLÍTICO-JU‘ÍDICOà Dáà ‘E“à JUDICáTá à –
RELAÇÕES ENTRE A COISA JULGADA MATERIAL E A CONSTITUIÇÃO – RESPEITO
PELA AUTORIDADE DA COISA JULGADA MATERIAL, MESMO QUANDO A
DECISÃO TENHA SIDO PROFERIDA EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – ADPF: AÇÃO CONSTITUCIONAL QUE NÃO
DISPÕE DE FUNÇÃO RESCISÓRIA – EXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA JUDICIAL
RELEVANTE CARACTERIZADA POR JULGAMENTOS CONFLITANTES DE ÓRGÃOS
JUDICIÁRIOS DIVERSOS: PRESSUPOSTO NECESSÁRIO E ESSENCIAL AO VÁLIDO
AJUIZAMENTO DA ADPF – AUSÊNCIA, NO CASO, DE QUALQUER ESTADO DE
INCERTEZA OU DE INSEGURANÇA NO PLANO JURÍDICO, NOTADAMENTE
PORQUE JÁ DIRIMIDO O DISSENSO INTERPRETATIVO PELO STF –
FORMULAÇÃO, NA ESPÉCIE, DA SÚMULA 652/STF – DOUTRINA – RECURSO DE
AGRAVOIMPROVIDO.(ADPF 249 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO,
Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-168
DIVULG 29-08-2014 PUBLIC 01-09-2014)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BARROSO, Luís Roberto. O Controle de Constitucionalidade no Direito
Brasileiro. 4ª ed. Rio de Janeiro, Saraiva, 2009.
CUNHA, Leonardo José Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo. 16ª ed. São
Paulo, Forense, 2016.
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 12ª ed. São Paulo,
Saraiva, 2008.
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JURISDIÇÃO
TÉCNICO JUDICIÁRIO - TJDFT - CESPE - 2015
Quando não havia um Estado organizado, a solução dos conflitos se dava pela
atuação dos próprios interessados: a força vencia a disputa. No entanto, com
a consolidação do Estado, atribuiu-se ao Poder Judiciário, imparcial, a função
de aplicar a lei na busca da pacificação social. Assim, a jurisdição garantiu ao
Estado a legitimidade para agir em nome do interesse público e, ao
jurisdicionado, a segurança jurídica para prosperar. Considerando o texto
acima, de caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca
da jurisdição. Seu texto deve incluir, necessariamente, 1- o conceito de
jurisdição; [valor: 10,00 pontos] 2- exposição fundamentada das modalidades
de resolução dos conflitos: autotutela, autocomposição e heterocomposição;
[valor: 14,00 pontos] 3- comentários sobre os princípios inerentes à jurisdição:
investidura, territorialidade, indelegabilidade, inevitabilidade, inafastabilidade
e juiz natural. [valor: 14,00 pontos] (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM
O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Sobre a primeira indagação, o conceito de jurisdição deve ser
engendrado em conformidade com seus caracteres básicos assumidos pelo
respectivo Poder Constituinte. Assim, pode-se se dizer que a jurisdição retrata
a função estatal de realizar o Direito, manifestada processualmente e de
forma imperativa, através de um órgão independente e imparcial, em prol da
pacificação social.
A palavra jurisdição vem do latim juris e dicere, traduzindo o
pode /de e à deà dize à oà di eito .à Pode à oà se tidoà deà afi aç oà daà
auto idadeàestatalà deà esol e à o flitos;à de e ,à o oà i pli aç oàdoàdi eitoà
de ação garantido constitucionalmente, impondo a atuação do Judiciário, num
prazo razoável (art. 5º, LXXVIII, da CRFB).
O conceito de jurisdição deve ser redimensionado para guardar
compatibilidade com o pensamento jurídico contemporâneo, em que a lei não
vale mais por si, porquanto depende da sua adequação ao texto magno (art.
1º do CPC). Nessa linha, atribuem-se outros contornos, mais dinâmicos e
construtivos à atuação do julgador.
Sobre a segunda indagação, a jurisdição é monopolizada pelo Poder
Estatal, mas não é obrigatória. Existem soluções alternativas de controvérsias,
também conhecidas como alternative dispute resolution (ADR), contrapondo-
se à solução pela jurisdição estatal. Os equivalentes jurisdicionais são formas
de solução de conflitos sociais sem que haja a participação do Estado-juiz,
fundados na autonomia da vontade e na liberdade de contratar. Dentre eles:
i àaàautotutela,àouà justiçaàpelasàp p iasà os ,à à edada pelo ordenamento
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jurídico, exceto em hipóteses específicas; (ii) a autocomposição, que ocorre
quando uma das partes aceita abrir mão de parcela ou de todo o seu interesse
em favor da parte contrária, sendo estimulada fora de juízo ou no curso do
processo judicial (art. 3º, § 3º, do CPC); (iii) a mediação, que constitui a
atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório que,
escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou
desenvolver soluções consensuais para a controvérsia (art. 1º, § único, da Lei
nº 13.140/2015), algo que ganha relevância na nova lei processual (arts. 165,
§ 3º; e 334 do CPC); e (iv) a arbitragem (Lei nº 9.307/1996), que tem por base
uma convenção celebrada entre as partes, anteriormente (cláusula
compromissória) ou posteriormente (compromisso arbitral) ao litígio, que as
sujeita ao procedimento arbitral e aos efeitos da decisão proferida pelo
árbitro, que são semelhantes aos efeitos da sentença judicial.
Sobre a terceira indagação, são princípios inerentes à jurisdição: (i)
investidura, no sentido de que só exerce jurisdição quem ocupa o cargo de juiz,
por ato oficial e legítimo (art. 93, I, da CRFB) e que esteja no efetivo exercício
deste cargo; (ii) territorialidade, que é a aderência da jurisdição ao território,
no sentido de que cada órgão jurisdicional está acessível e disponível dentro
de sua área geográfica (art. 42 do CPC); (iii) indelegabilidade, o que significa
que os órgãos que podem exercer a função jurisdicional são única e
exclusivamente aqueles que a Constituição cria e autoriza, nos limites ali
assinalados, de modo que é vedado que haja alguma forma de delegação
contrária às disposições constitucionais; (iv) inevitabilidade, no sentido de que
é ilegítima a recusa à atividade jurisdicional, ou seja, deixar de prestar a
jurisdição com a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico
(art. 140 do CPC); (v) inafastabilidade, que denota a proteção judiciária ou
princípio do acesso à justiça, garantia constitucional (art. 5º, XXXV, da CRFB);
e (vi) juiz natural, em reverência a impessoalidade da jurisdição, extraindo-se
a ideia é de que os processos devem tramitar perante um órgão julgador pré-
constituído constitucionalmente (art. 5º, XXXVII e LIII, da CRFB). Juiz natural é
aquele previsto abstratamente, e não para o caso concreto.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. 1ª Ed. São Paulo:
Atlas, 2015.
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
- Gabarito: Segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco, a jurisdição é
u aàdasà fu ç esàdoàEstado,à edia teàaà ualà esteà seà su stituià aosà titula esà
dos interesses em conflito para, imparcialmente, buscar a pacificação do
o flitoà ueà osà e ol e,à o à justiça .à E à out asà pala as,à aà ju isdiç oà
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consiste no poder conferido ao Estado, por meio de seus representantes, de
atuar no caso concreto, de forma imparcial, para que o conflito estabelecido
seja solucionado. 1Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e
Cândido Rangel Dinamarco. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros,
19.ª ed., 2003, p. 131. Os métodos de solução de conflitos classificam-se em
três grupos: autotutela, autocomposição e heterocomposição. A autotutela
ocorre quando o próprio sujeito busca afirmar, unilateralmente, seu interesse,
impondo-o à parte contestante e à própria comunidade que o cerca. O Código
Civil prevê casos excepcionais em que a autotutela pode ser empregada, quais
sejam, legítima defesa (art. 188, inciso I, do Código Civil) e desforço imediato
no esbulho (art. 1.210, § 1.º, do Código Civil). A autocomposição, por sua vez,
ocorre quando o conflito é solucionado pelas partes, sem a intervenção de
outros agentes no processo de pacificação da controvérsia. As modalidades de
autocomposição são as seguintes: renúncia, aceitação (resignação/submissão)
e a transação. A heterocomposição ocorre quando o conflito é solucionado
através da intervenção de um agente exterior à relação conflituosa original,
ou seja, em vez de isoladamente ajustarem a solução de sua controvérsia, as
partes submetem a terceiro seu conflito em busca de solução. São
modalidades de heterocomposição: jurisdição, arbitragem, mediação e
conciliação. São princípios inerentes à jurisdição: investidura,territorialidade,
indelegabilidade, inevitabilidade, inafastabilidade e juiz natural. princípio da
investidura: necessidade da pessoa que exercerá a jurisdição estar
regularmente investida no cargo de juiz e em pleno exercício, de acordo com o
que prescreve a lei; princípio da territorialidade: a jurisdição é exercida em um
dado território; princípio da indelegabilidade: a competência atribuída a um
órgão jurisdicional para analisar uma demanda não poderá ser delegada a
outro; princípio da inevitabilidade: as partes devem se submeter à decisão do
órgão jurisdicional; princípio da inafastabilidade: não se pode excluir da
apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça de direito; princípio
do juiz natural: deve haver regras objetivas de competência jurisdicional,
garantindo-se a independência e a imparcialidade do órgão julgador.
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JURISPRUDÊNCIAS E SÚMULAS
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Com a entrada em vigor do novo CPC (Lei n° 13.105/2015) restou estabelecido
que a jurisprudência deve se manter estável, íntegra e coerente, bem foi
fixado um rol de decisões que devem obrigatoriamente ser observadas pelos
juízes e Tribunais. Considerando o caráter vinculativo atribuído a estas
espécies de decisões, explique como identificar um precedente judicial e de
que forma é possível afastar sua incidência.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Os precedentes judiciais representam um dos grandes nortes da
codificação adjetiva, uma vez que buscam garantir a uniformidade das
decisões judiciais, atendendo, de uma só vez, três direitos fundamentais: a
isonomia, a celeridade e a segurança jurídica.
A isonomia decorre do combate à heterogeneidade das decisões
proferidas em diferentes demandas que versam sobre a mesma questão
jurídica. De fato, considerando-se que podem existir demandas cujos
indivíduos encontram-se numa mesma situação fática e jurídica, elas devem
ser julgadas de forma igual, sob pena de injustiças ou, no mínimo, de criar-se
um sentimento de descrédito em relação ao Poder Judiciário. Ademais, a
padronização decisória também, em tese, torna estes mais céleres, pois o
julgador já conhece de antemão a tese jurídica a ser aplicada ao caso.
Finalmente, a segurança jurídica é verificada através da previsibilidade do
desfecho de julgados acerca de questões idênticas (ou até mesmo
semelhantes), exatamente como no caso da padronização decisória.
Adiante, deve-se atentar para os elementos que auxiliam na
identificação dos precedentes. Naturalmente, a moldura fática é essencial
para delimitar o raio de ação das chamadas ações idênticas. Na prática,
apresentam diversos pontos em comum, mas não são exatamente idênticas
no sentido processual (já que, se assim o fossem, seriam consideradas,
conforme o caso, já propostas – com litispendência – ou já julgadas – com
coisa julgada).
Além disso, faz-se necessário analisar quais são os fundamentos
jurídicos que levaram à decisão judicial e que servirão de norte para a futura
aplicação do precedente. Os fundamentos principais são denominados de
atioà de ide di :à asà az esà ueà dete i a a à aà o duç oà doà desfe hoà doà
processo em uma ou outra direção. A par deles, devem ser afastados os
argumentos que, embora constantes do julgamento do precedente, não foram
o side adosài e it eisàpa aàseuàdesfe ho,àosà ha adosà o te àdi tu .
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Finalmente, os precedentes podem ser afastados em duas situações. A
p i ei aà àde o i adaà disti guishi g ,à a a te iza do-se pela não-aplicação
do precedente a um determinado caso concreto em virtude da existência de
diferenças na moldura fática do caso em relação àquela que deu origem ao
p e ede teào igi io.àE àsegu doàluga ,àh àoà o e uli g ,à ueà àaàsupe aç oà
doà p e ede teà at a sà daà e is oà daà teseà fixadaà o oà atioà de ide di ,
deixando de aplicá-lo aos casos presentes e futuros.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A identificação de um precedente depende da comparação entre o caso a ser
decidido e o caso utilizado como padrão decisório anterior (precedente). Além
da necessária similitude dos aspectos fáticos entre os casos, deve ser
comparada a ratio decidendi e o obter dictum do precedente. A ratio
decidendi é o fundamento jurídico (tese/razão de direito) imprescindível para
justificar a causalidade jurídica entre o fato e a decisão proferida, sendo ela o
elemento vinculante que servirá como padrão decisório. A ratio decidendi
(holding) não abrange toda a fundamentação do julgado. Os obter dicta, por
sua vez, são argumentos que embasam raciocínios que, mesmo relevantes
para a compreensão do julgamento, não são imprescindíveis para
fundamentar a decisão. As hipóteses de afastamento do precedente são a
distinção (distinguishing) e a superação (overruling). Na distinção faz-se um
exame do plano interno das decisões, verificando se há similitude entre a
relação material a ser decidida e também a adequação entre as rationes
decidindi utilizadas nas decisões. Na superação há um exame no plano
externo, pelo qual o precedente é afastado quando não possuir mais
conformidade com a realidade social atual ou quando se tornou inconsistente
em razão de sua superação por uma nova ordem jurídica ou por outra decisão
judicial posterior com caráter vinculante.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Por que o art. 926, §2º, do Código de P o essoàCivilà [a]oàedita àe u iadosà
de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos
p e ede tesà ueà otiva a àsuaà iaç o àp eo upa-se com a necessidade de
os enunciados de súmulas dos tribunais atentarem-se às circunstâncias fáticas
dos precedentes?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
As súmulas são enunciados claros e objetivos, elaborados por tribunais
em virtude de reiterada jurisprudência acerca de determinado tema. Após
uma série de decisões proferidas em segundo grau e, logicamente, em um
mesmo sentido, o tribunal poderá editar um enunciado para orientar e
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vincular as suas decisões futuras e, em alguns casos, as dos órgãos
jurisdicionais de graus inferiores.
Elas sempre representaram uma das formas mais sutis de
verticalização dos precedentes. Sua função primordial não era a de determinar
que as instâncias inferiores obrigatoriamente seguissem seu enunciado;
contudo, servia de orientação para a interpretação do tema e a elaboração de
decisões.
Porém, o advento do atual CPC conferiu-lhes um caráter menos
indicativo e mais vinculante, especialmente por conta do disposto no art. 332.
O mencionado dispositivo determina que o processo deverá ser julgado
liminarmente improcedente quando o pedido formulado na inicial contrariar,
dentre outros: a) enunciado de súmula do STF ou do STJ; b) enunciado de
súmula de tribunal de justiça sobre direito local. Nessas hipóteses, portanto, o
feito deverá ser extinto liminarmente, com resolução de mérito, tendo em
vista a existência de súmula, o que reforça o novo papel vinculante desse
instrumento editado pelos tribunais.
Tendo isso em mente, revela-se de suma importância a regra contida
no art. 926, §2º do CPC, que enfatiza a necessidade de os tribunais se aterem
às circunstâncias fática dos precedentes que deram origem à edição da
súmula. Com efeito, a determinação dos contornos fáticos do precedente
propicia a correta aplicação aos chamados casos idênticos, como são
consideradas as ações não só com a mesma tese jurídica, mas, também, com
os mesmos pontos de fato em comum. Logicamente, não necessariamente se
estará diante de questões absolutamente idênticas, mas com um grau elevado
de semelhança, sob pena de se aplicar erroneamentea súmula.
áde ais,à assi à à possí elà ealiza à oà ha adoà disti guishi g à ouà
distinção/diferenciação entre os precedentes e os paradigmas): enumerar os
elementos fáticos diferentes entre os casos analisados, a fim de se poder
especificar se a súmula será aplicada ou não a cada processo. Isso tudo
permite dar coerência ao sistema, uma vez que sua finalidade é tratar casos
iguais de maneira idêntica, e casos diferentes de maneira diferente, em
atenção aos princípios da isonomia e da segurança jurídica. Vê-se, portanto,
que é de suma importância a disposição contida no art. 926, §2º do CPC.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Ao exigir que as súmulas retratem as circunstâncias fáticas do caso, quer o
Código de Processo Civil permitir a aproximação entre as súmulas e os
precedentes. A partir da identificação dos fatos, é possível tratar os casos
iguais de forma igual e os casos diferentes de forma diferente. Nesta última
hip tese,à oà disti guishi g àouàdisti ç oà se veàpa aàde o st a à ueà oàh à
similaridade ou analogia entre o precedente e o caso em julgamento, o que se
dá pela comparação entre os fatos materiais identificados pelos juízes.
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PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-ARACAJU/SE – 2007 - CESPE
Redija um texto dissertativo acerca do incidente de uniformização de
jurisprudência, abordando, necessariamente, os pressupostos para a
instauração, a legitimidade ativa e a eficácia vinculativa da decisão. (QUESTÃO
ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
De acordo com o CPC de 1973, o incidente de uniformização de
jurisprudência objetivava conferir uniformidade à interpretação do direito no
âmbito de um mesmo tribunal, de forma a evitar o descrédito e o ceticismo
dos jurisdicionados quanto à seriedade da prestação jurisdicional. Além disso,
ajudava a impedir que o destino dos litigantes ficasse ao sabor da distribuição
do feito a um ou outro órgão fracionário da corte.
Ocorria uma verdadeira cisão no julgamento, pois o plenário teria a
função de definir a tese jurídica a ser aplicada, enquanto que o órgão
fracionário de origem julgaria o caso concreto que fez nascer a controvérsia
levada ao pleno. Com o retorno do acórdão que fixou a interpretação dada
pelo colegiado maior ao órgão fracionário, este apreciaria as questões de fato
relativas à satisfação, pelo particular, dos requisitos legais para o gozo do
direito (verificação da pertinência da alegação de direito subjetivo). Nota-se
que no incidente de uniformização ocorria vinculação do órgão fracionário à
interpretação conferida pelo tribunal pleno.
Em relação à legitimidade, além de quaisquer dos julgadores com
assento no tribunal, poderia a parte, ao arrazoar o recurso, ou em petição
avulsa, requerer que fosse instaurado o incidente de uniformização, conforme
art. 476 do CPC de 1973. Havia doutrina que defendia que o Ministério Público
poderia suscitar o referido incidente, tendo em vista sua atuação como fiscal
da lei. Destaque-se que o requerimento de instauração do incidente não
vinculava o magistrado ou o órgão fracionário a promovê-lo, sendo, conforme
entendimento prevalente, mera faculdade conferida ao magistrado, que
discricionariamente aceitaria ou não a sua instauração.
Já o atual CPC defende, em seu art. 926, que os tribunais devem
uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente. Com
isso, não são mais aceitáveis as divergências internas sobre questões jurídicas
idênticas, como se cada juiz, desembargador ou turma julgadora não fizesse
parte de um sistema.
Uniformizar não é a mera edição de súmulas, mas a referência aos
fatos dos precedentes que formaram a sua criação, conforme dispõe o art.
926, §§1º e 2º, do CPC atual. A estabilidade correlaciona-se ao dever de
respeito aos precedentes já firmados e a necessidade de fundamentação
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78
adequada para a sua distinção e/ou superação. Para isso, o novo CPC possui
dois importantes institutos: o Incidente de Assunção de Competência – IAC
(art. 947) e o Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas – IRDR (arts.
976/987).
O IAC aduz que, estando em julgamento uma relevante questão de
direito, com grande repercussão social e sem múltipla repetição, poderá o
relator do recurso, da remessa necessária ou do processo de competência
originária propor a assunção de competência para julgá-lo por órgão
colegiado que o regimento interno do tribunal deverá indicar. O escopo do IAC
é prevenir ou dirimir controvérsia a respeito de determinada matéria,
vinculando os membros do tribunal e os juízes a ele submetidos (através da
publicação do respectivo acórdão).
Contudo, se a questão apresentar múltipla repetição, o IRDR é o
instituto adequado, pois ele tem por meta a proteção da isonomia e da
segurança jurídica. Os legitimados para instaurar o IRDR são: juiz ou relator,
por ofício; partes, por petição; Ministério Público ou Defensoria Pública,
também por petição. Basta direcionar o pedido ao presidente do tribunal e
apresentar prova documental da existência da multiplicação de demandas,
com a mesma questão de direito, indicando o risco à isonomia e à segurança
jurídica, consoante o art. 977 do novo CPC.
O julgamento do IRDR será aplicado, com viés de obrigatoriedade, a
todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre a tese decidida e
que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal (abrange também
os juizados especiais). A tese jurídica fixada deve ser aplicada aos casos
futuros que tratem da idêntica questão de direito e que venham a tramitar no
território de competência do tribunal, exceto se houver a revisão da
orientação firmada no incidente.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil –
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016.
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MANDADO DE SEGURANÇA
ADVOGADO - HEMOCENTRO - 2017 - IADES
Leia, com atenção, o texto a seguir. O Estado cresceu desmedidamente e
consolidou o reinado da burocracia onipotente, anônima e incontrolável. Em
todos os países, em maior ou menor percentagem, a vida econômica passou a
ser controlada, direta ou indiretamente, pelo poder público, que jamais, na
história do mundo, atuou em setores tão diversos e com tanta intensidade. A
hipertrofia do Estado fez com que se reconhecesse a inadiável necessidade de
remédios específicos de direito público que pudessem evitar ou corrigir, com
rapidez e eficiência, os atos distorcivos da administração, prevenindo ou
desfazendo ilegalidades e impedindo abusos e os desvios de poder, sob
qualquer forma. Com o decorrer do tempo, reconheceu-se que as garantias
individuais não podiam ser asseguradas por simples proclamações platônicas,
devendo, ao contrário, ser amparadas por adequados remédios jurídicos.
Verificou-se, outrossim, que as técnicas tradicionais do direito privado não
tinham a necessária eficiência para restabelecer o equilíbrio nos conflitos
entre o Estado e o indivíduo. Assim, o mandado de segurança e a ação
popular surgiram como instrumentos de maior densidade, capazes, pela
natureza especial do respectivo procedimento, de permitir que o Poder
Judiciário arbitrasse, em tempo hábil e sem tardança, os litígios entre o
particular e a administração. WALD, Arnoldo. O mandado de segurança e o
Estado de Direito. In: Revista de informação legislativa, v. 16, n. 63, 1979. p.
89-100, jul./set., com adaptações. Considerando que o texto apresentado tem
caráter meramente motivador, redija um texto dissertativo e (ou) descritivo
acerca do mandado de segurança individual. Aborde, necessariamente, os
seguintes tópicos: a) mandadode segurança individual: conceito e natureza
jurídica; b) tutela de urgência liminar: requisitos; c) possibilidade, ou não, de
deferimento de pedido liminar por órgão jurisdicional absolutamente
competente, à luz do novo Código de Processo Civil: a figura da translatio
iudicii.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O mandado de segurança individual, que se revela como instrumento
jurídico processual colocado à disposição do jurisdicionado para proteger
direito subjetivo, líquido e certo, manietado ou ameaçado de lesão por ato de
autoridade com múnus público, cujo amparo não se possa dar por meio de
habeas corpus ou habeas data, independentemente da categoria a que
pertença o agente público coator.
Segundo o entendimento majoritário, a natureza jurídica do mandado
de segurança é de ação constitucional, de natureza cível, com rito sumário e
especial, que tem por finalidade a invalidação de atos de autoridade ou a
supressão de efeitos de omissões administrativas capazes de lesar direito
líquido e certo.
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80
Em relação à liminar em mandado de segurança, cuja base normativa
encontra-se no artigo 7º, inciso III da Lei 12.016/2009, segundo qual ela
poderá ser deferida quando houver fundamento relevante e do ato
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente
deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito,
com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. Em suma, são
pressupostos para a concessão da medida liminar o fumus boni iuris
(plausibilidade do direito) e o periculum in mora (risco de dano grave).
A competência jurisdicional para a apreciação do mandado de
segurança decorre da lei ou da própria Constituição, e será definida em razão
da hierarquia da autoridade pública ou da delegação conferida ao particular.
Por fim, deve ser mantida a liminar deferida pelo juízo incompetente,
até que sobrevenha decisão do órgão judicial competente a respeito da
conservação, ou não, dos efeitos daquele decisum liminar inicialmente
proferido.
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA:
CUNHA JR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 10ª. Ed, rev., ampl. e
atual – Salvador. JusPODIVM, 2016.
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: parte geral e processo de
conhecimento. 17ª. ed., Salvador, JusPODIVM, 2015.
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/GOIANIA-GO – 2016 – CESPE
Os servidores da Secretaria de Educação do Município X deflagraram greve
por tempo indeterminado, reivindicando, entre outras pautas, o reajuste
salarial da categoria. Após dois meses de total paralisação do serviço
educacional municipal, o Poder Executivo local determinou o corte do
pagamento dos salários dos grevistas. O sindicato que representa os
servidores obteve medida liminar, em mandado de segurança coletivo, para
impedir a municipalidade de realizar o desconto salarial daqueles servidores.
O Município pretende sustar a eficácia da decisão liminar, mediante pedido
de suspensão de segurança. Diante de tal quadro, elabore um texto sobre a
suspensão de segurança em mandado de segurança, abordando os seguintes
aspectos: (A) Previsão legal (B) Natureza jurídica do pedido de suspensão (C)
Legitimidade para o ajuizamento (D) Competência para apreciar o pedido de
suspensão.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
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81
A suspensão de segurança no mandado de segurança está prevista no
art. 15 da Lei n° 12.016/09, tendo por objetivo, nos termos da legislação,
conferir efeito suspensivo à execução de provimento liminar ou de sentença,
nos casos de manifesto interesse público, para evitar grave lesão à ordem, à
saúde, à segurança e à economia pública.
Existem posicionamentos na doutrina e na jurisprudência que atribuem
à suspensão de segurança natureza administrativa, política ou recursal.
Ocorre, entretanto, que o pedido de suspensão não se encontra previsto em lei
como recurso, sendo incapaz de gerar a reforma, anulação ou desconstituição
da decisão suspensa, faltando-lhe o efeito substitutivo. Ele também não
provoca atividade administrativa ou política, possuindo, então, a natureza
jurídica de incidente processual, com finalidade de contracautela, destinada a
tornar ineficaz a decisão que possa lesar interesses públicos relevantes.
Quanto à legitimidade, o pedido de suspensão pode ser intentado pela
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias e Fundações Públicas,
enfim, todos aqueles que integram o conceito de Fazenda Pública.
A competência para apreciar o pedido de suspensão é do presidente do
tribunal que teria competência para julgar o recurso contra a decisão
concessiva do provimento liminar, antecipatório ou final de mérito. Caso o
provimento liminar ou antecipatório seja concedido originariamente pelo
tribunal, o pedido de suspensão deverá ser intentado junto ao Presidente do
Superior Tribunal de Justiça ou ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, a
depender do fundamento infraconstitucional ou constitucional da causa.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil –
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016.
ANALISTA JUDICIÁRIO - STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 2018 – CESPE
Para defender os interesses de seus associados, determinada associação
impetrou mandado de segurança coletivo no STJ contra um ministro de
Estado. Ao prestar informações no referido mandamus, o ministro indicou e
comprovou que o seu inferior hierárquico e subordinado imediato foi o
responsável pela prática do ato administrativo contestado, porém defendeu o
mérito do ato praticado. Considerando essa situação hipotética, faça o que se
pede a seguir, à luz da jurisprudência do STJ. 1 Disserte sobre a aplicabilidade
da teoria da encampação ao presente caso. [valor: 13,00 pontos] 2 Apresente
os requisitos para a aplicação da teoria da encampação em mandado de
segurança. [valor: 12,00 pontos] 3 Esclareça se é necessária autorização
expressa e específica de cada associado para que a associação aja em juízo em
nome de todos eles. Justifique a sua resposta. [valor: 13,00 pontos]
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SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A teoria da encampação aduz que uma autoridade administrativa não
apontada como coatora pode prestar as informações em relação a uma outra
autoridade administrativa de menor hierarquia. Porém, existem alguns
critérios para que a teoria da encampação possa ser aplicada.
O primeiro critério é a existência de vínculo hierárquico entre a
autoridade apontada como coatora e a que seria legitimada para estar no
polo passivo. O segundo critério é que, ao se verificar quem seja a autoridade
legitimada, não ocorra mudança de competência constitucionalmente prevista
e, como terceiro critério, que a autoridade realmente legítima adentre no
mérito do assunto debatido em juízo.
Mandados de segurança contra atos de ministro são processados e
julgados no STJ, de forma que a autoridade hierarquicamente inferior não
detém foro especial, ou seja, no caso narrado no enunciado não há como
aplicar a teoria da encampação. Embora a questão não mencione, é possível
deduzir que a autoridade tida como coatora não possui foro
constitucionalmente previsto, ou seja, o mandado de segurança seria
processado e julgado no juízo comum de primeiro grau se o ministro de estado
não fosse o legitimado.
No que tange à autorização expressa e específica de cada associado,
verifica-se que as associações, regra geral, dependem de autorização expressa
para defender seus associados em juízo. Isso ocorre pelo fato de tais entidades
agirem por representação, e não por substituição processual. No entanto,
existe exceção quantoà atuação por meio de mandado de segurança coletivo,
já que, em relação a esse remédio constitucional, não se demanda a
autorização expressa e específica dos associados, haja vista estar configurada
a substituição processual, ainda que a pretensão deduzida beneficie apenas
parte de seus membros, consoante a Súmula 629 do STF.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
1- Aplicação da teoria da encampação Inaplicável a teoria ao caso porque,
apesar de existir vínculo hierárquico entre a autoridade apontada no
mandamus e aquela que seria legitimada a figurar no polo passivo e, ainda, de
ter havido defesa sobre o mérito do ato, a competência constitucionalmente
prevista será modificada. Nesse contexto, como não praticou o ato, que
inclusive não era de sua competência, o ministro de Estado não possui
legitimidade para figurar no polo passivo do presente mandamus, o que, por
consequência, afasta a legitimidade do STJ para a análise do feito, porquanto
não compete originariamente ao STJ o julgamento de mandato de segurança
contra autoridade ministerial de hierarquia inferior a ministro de Estado. 2
Requisitos para o preenchimento da referida teoria Para que a teoria da
encampação seja aplicável ao MS, é mister o preenchimento dos seguintes
requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou
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83
informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) ausência de
modificação de competência estabelecida na CF/1988; e c) manifestação a
respeito do mérito nas informações prestadas. 3 Necessidade de autorização
expressa para agir em juízo em nome dos associados As associações, em
regra, dependem de autorização expressa para defender seus associados em
juízo, pois essas entidades atuam por representação, não por substituição
processual. No entanto, existe exceção quanto à atuação por meio de
mandado de segurança coletivo. Isso porque, quanto a esse remédio
constitucional, não é necessária a autorização expressa e específica dos
associados, haja vista estar configurada a substituição processual, ainda que a
pretensão deduzida beneficie apenas parte de seus membros.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2017, p. 180; e
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. Salvador:
JusPODIVM,à ,à p.à à eà :à Teo iaà daà e a paç o:à o aà seà o o eà aà
indicação como autoridade coatora de uma autoridade hierarquicamente
superior àquela que seria realmente a autoridade coatora responsável pelo
ato (dentro da pessoa jurídica na qual ambas estão vinculadas), será
desnecessária a correção da irregularidade, se o agente trazido a lide assume
aàdefesaàdoàatoài pug ado. à p.à à/à ái daàso eàaàlegitimidade, é mister
ressaltar que o STF não exige a autorização expressa dos membros da
entidade para impetração do mandamus. Nesse sentido, a determinação de
autorização expressa (...) não se aplica no mandado de segurança coletivo
(hipótese de substituição processual). Aliás, não é outra a dicção contida na
“ú ulaà .à àdoà“TF:à aà i pet aç oàdoà a dadoàdeàsegu a çaà oletivoàpo à
e tidadeàdeà lasseàe àfavo àdeàasso iadosài depe deàdeàauto izaç oàdestes . à
(p. 616).
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
“ ... 1. São três os requisitos para aplicação da teoria da encampação no
mandado de segurança: existência de vínculo hierárquico entre a autoridade
que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado;
ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição
Federal; e manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas.
Precedente da Primeira Seção: MS 10.484/DF, Rel. Min. José Delgado.
(...)Precedente da Primeira Seção do STJ: MS 12.779/DF, Rel. Ministro Castro
Meira, Primeira Seção, julgadoàe à . . ,àDJeà . .
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE
Redija um texto dissertativo acerca do mandado de segurança individual,
abordando, necessariamente, os seguintes aspectos: 1- pressupostos para a
concessão da medida liminar; 2- sentença concessiva: natureza jurídica
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(classificação); 3- suspensão da execução da medida liminar ou de sentença
concessiva.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Mandado de segurança é a ação civil de rito sumaríssimo pela qual
qualquer pessoa física ou jurídica pode provocar o controle jurisdicional
quando sofrer lesão ou ameaça de lesão a direito líquido e certo, não
amparado por habeas corpus ou habeas data, em decorrência de ato de
autoridade praticado com ilegalidade ou abuso de poder.
Inegavelmente, constitui expressivo pilar de enfrentamento
relativamente aos atos estatais, de qualquer natureza, assim considerados de
forma genérica aqueles provenientes de órgãos e pessoas do próprio Estado,
bem como aqueles oriundos de pessoas privadas no desempenho da função
pública por delegação.
Está previsto no art. 5º, LXIX da CRFB e disciplinado pela Lei nº
12.016/09, a qual dispõe expressamente acerca dos requisitos para concessão
de medidas liminares. Nesse contexto, o art. 7º, III da Lei do Mandado de
Segurança aduz que o juiz ordenará, ao despachar a petição inicial, que se
suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento
relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja
finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou
depósito com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica.
Esses elementos legais valem como condições para a concessão da
medida liminar, isto é, antes da oitiva da parte contrária. Em suma, exige-se a
demonstração de que o pedido tenha plausibilidade jurídica, ou seja,
fundamento razoável e presumidamente verídico (fumus boni iuris) e, por fim,
que a demora na solução final pode não assegurar o direito do impetrante
(periculum in mora), o que violaria o princípio da efetividade do processo.
No que tange à sentença concessiva da segurança, tem-se que esta é
de natureza eminentemente mandamental, pois contém uma ordem dirigida à
autoridade coatora consubstanciada numa obrigação de fazer ou não fazer.
Adotando-se a classificação ternária das ações, conclui-se que a natureza da
sentença concessiva da segurança é condenatória, visto que obriga o réu ao
cumprimento de determinada prestação. Além das ações condenatórias, a
classificação ternária inclui as ações constitutivas e as meramente
declaratórias.
Por outro lado, a teoria quinária, além de admitir a existência das
ações constitutivas e das meramente declaratórias, subdivide as ações de
prestação em três espécies: a primeira, de natureza mandamental,
corresponde aos casos em que a pretensão deduzida em juízo se caracteriza
por uma obrigação de fazer ou não fazer. A segunda, de natureza
condenatória, envolve prestações pecuniárias, ao passo que as últimas, de
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natureza executiva em sentido amplo, correspondem a prestações para
entrega de coisa. Nessa toada, a sentença concessiva da segurança possuiria
natureza mandamental.
Finalmente, no que diz respeito ao pedido de suspensão, cumpre frisar,
inicialmente, que se trata de um incidente processual, conforme doutrina
majoritária, sendo o referido instituto típico de direito processual público, ou
seja, está previsto e é destinado exclusivamente ao ente público. Não
obstante, o Ministério Público também possui legitimidade para apresentar o
pedido de suspensão. A jurisprudência admite, ainda, o manuseio do instituto
pelas concessionárias de serviço público, desde que para tutelar interesse
público primário.
No âmbito do mandado de segurança, o art. 15 da Lei nº 12.016/09
delineia os contornos do instituto,do qual podemos extrair como principais
características: a medida liminar e a sentença podem ser suspensas; deve
haver requerimento da pessoa jurídica de direito público interessada ou do
MP; tem como escopo evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à
economia pública; e é dirigida ao presidente do tribunal competente para
conhecer do respectivo recurso.
Além dos atributos conferidos pela lei, insta salientar o teor da Súmula
nº 626 do STF, segundo a qual a suspensão da liminar em mandado de
segurança, salvo determinação em contrário da decisão que a deferir, vigorará
até o trânsito em julgado da decisão definitiva de concessão da segurança ou,
havendo recurso, até a sua manutenção pelo STF, desde que o objeto da
liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração. Vê-se,
pois, que, via de regra, a suspensão da liminar ou da sentença de concessão
vigorará até o trânsito em julgado da demanda.
Por fim, digna de nota a previsão constante no art. 15, §3º da Lei nº
12.016/09, que preconiza que a interposição de agravo de instrumento contra
liminar concedida nas ações movidas contra o Poder Público e seus agentes
não prejudica e nem condiciona o julgamento do pedido de suspensão. Mesmo
que interposto o agravo de instrumento contra a concessão de liminar, pode
ser feito o pedido de suspensão previsto no caput do mesmo dispositivo.
Ressalte-se que o pedido de suspensão não está regulado de forma
sistemática no ordenamento jurídico brasileiro, sendo previsto em diversas leis
esparsas, tais como a Lei de Ação Civil Pública, a Lei nº 8.437/92, que
disciplina a concessão de medidas cautelares contra o Poder Público, e a Lei do
Habeas Data.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...) A pessoa física ou jurídica de direito privado, salvo as exceções
consagradas na jurisprudência (concessionárias de serviço público na defesa
do interesse público), não tem legitimidade para interpor recurso contra a
decisão que, mesmo em juízo de reconsideração, indefere o pedido de
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suspensão formulado pelo ente público, sob pena de subverter o instituto da
suspensão. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg nos EDcl no AgRg na SLS
1044 DF , rel. min. Cesar Asfor Rocha, julgamento em 16/06/2010, Corte
Especial, DJ de 03/08/2010).
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BARROS, Guilherme Freire de Melo. Poder Público em Juízo para Concursos.
5. ed. São Paulo: JusPodivm, 2015.
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27. ed.
São Paulo: Atlas, 2014.
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo:
Atlas, 2014.
ANALISTA JUDICIÁRIO – TJCE – 2014 – CESPE
Lúcio, diagnosticado com artrite reumatoide, necessita de medicamento de
valor elevado e não possui condições financeiras de suportar o ônus para
custear o tratamento, sob pena de colocar em risco o próprio sustento e o de
sua família. Ao tentar obtê-lo gratuitamente na rede pública de saúde, Lúcio
teve seu pedido negado pelo secretário estadual de saúde. Ato contínuo, ele
procurou, para defender seus interesses em juízo, um advogado que optou
por impetrar um mandado de segurança contra o ministro da saúde para
garantir o acesso aos serviços de saúde, já que se trata da autoridade
competente para providenciar a correção da conduta que violou o direito do
impetrante, pois, na condição de gestor federal do Sistema único de Saúde, é
este quem pode determinar a aquisição do medicamento. Com base na
situação hipotética apresentada, discorra sobre o mandado de segurança,
respondendo aos seguintes questionamentos. 1- O remédio constitucional
impetrado pelo advogado de Lúcio mostra-se capaz de resguardar o direito à
saúde para que a referida autoridade coatora seja compelida a fornecer o
medicamento? [valor: 5,00 pontos] 2- A autoridade coatora é somente aquela
que praticou o ato, isto é, negou o fornecimento da medicação? [valor: 8,00
pontos] 3- Qual é o juízo competente para apreciar mandado de segurança
contra o ato da autoridade coatora em questão? [valor: 6,00]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
áà C‘FB,à osà a tigosà º,à aput,à ∕ à ,à ele aà aà saúdeà o oà di eitoà
fundamental social de todos os cidadãos, sendo dever inescusável do Estado,
cuja regulamentação deu-se de maneira mais detalhada nos artigos 197 e
seguintes. Além disso, convém destacar que o texto constitucional previu (art.
23) como competência comum da União, Estados, Municípios e Distrito
Federal cuidar da saúde e assistência públicas, deferindo aos referidos entes
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87
políticos competência concorrente para legislarem sobre a matéria de
proteção e defesa da saúde (art. 24).
Dentro desse contexto, há controvérsia acerca do cabimento do
mandado de segurança. Importante aduzir que o STF fixou a responsabilidade
solidária de todos os entes federativos para o cumprimento dessa obrigação
constitucional.
Quanto à legitimidade passiva, infere-se do relato fático que foi o
Secretário Estadual que indeferiu o pedido de concessão da medicação, não
tendo o Ministro da Saúde sequer tomado conhecimento do fato. Não
obstante, cumpre registrar que a autoridade federal não teria competência
para fazer injunções no âmbito estadual. Assim, temos que a parte indicada é
ilegítima, pois, de acordo com a jurisprudência do STJ, a autoridade coatora,
para fins de impetração de Mandado de Segurança, é aquela que pratica ou
ordena, de forma concreta e específica, o ato ilegal; ou, ainda, que detém
competência para corrigir a suposta ilegalidade. Ademais, contrariar a
presunção de que o Ministro não sabia do fato reclama produção probatória,
o que é incabível no mandado de segurança.
Em relação à corrente que aduz pelo não cabimento do mandado de
segurança, o uso dele como técnica de sumarização do processo deve ser
harmonizado com os demais direitos e garantias assegurados na CRFB. Neste
aspecto, a restrição à dilação probatória, embora tenha como fim dinamizar o
tempo do processo, somente é cabível quando seja realmente desnecessária a
realização de outros meios de prova para que seja proferida decisão segura a
respeito dos fatos. Isso porque, a garantia do acesso à justiça pressupõe uma
decisão não apenas célere, mas também justa, que represente com a maior
exatidão possível os fatos como ocorridos.
O Estado possui a prerrogativa e a competência para traçar políticas
públicas de atendimento à saúde da população, no que se insere a definição
dos medicamentos a serem fornecidos gratuitamente. Por sua vez, o cidadão
tem o direito a receber o tratamento necessário e adequado à sua moléstia.
Esse direito não é absoluto, sob pena de colocar em risco ou inviabilizar o
acesso universal e igualitário da população ao serviço público de saúde.
É preciso verificar quais questões de fato devem ser dirimidas para se
solucionar a lide, tendo em vista os fundamentos apresentados pelo
impetrante (ou por ambas as partes, a depender do momento da decisão) e,
ainda, as provas existentes nos autos. Se, na maioria das vezes, o mandado de
segurança se revela inadequado, isso não implica vedar sua utilização para
todas as hipóteses.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
BARROS, Guilherme Freire de Melo. Poder Público em Juízo para Concursos.
5. ed. São Paulo: JusPodivm, 2015.
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88
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
O mandado de segurança se enquadra nas hipóteses de tutela jurisdicional
diferenciada?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Inicialmente, é importante definir o que se entende por tutela
jurisdicional diferenciada. Ela pode ser compreendida como sendo a proteção
concedida em via jurisdicional mediante meiosprocessuais particularmente
ágeis e com fundamento em uma cognição sumá ia.à Oà o eà tutelaà
ju isdi io alàdife e iada àde o eàpeloàfatoàdeàseà o t apo àaoàp o edi e toà
ordinário, reunindo vários procedimentos que são estruturados mediante
peculiaridades de certas categorias de situações que demandam um
processamento diferenciado para que ocorra efetivamente justiça em um
tempo adequado.
Nessa senda, o mandado de segurança efetivamente é uma espécie de
tutela jurisdicional diferenciada, pois além de sua previsão estar bem
explicitada no texto constitucional e em uma norma específica, com
peculiaridades próprias, em tese o seu processamento não segue as mesmas
formalidades do procedimento ordinário. Depreende-se, por exemplo, que a
CRFB é bem detalhista na competência do mandado de segurança, a depender
da autoridade coatora, bem como que a Lei nº 12.016/09 aponta vedações e
permissões próprias para esse tipo de ação, que não são necessariamente
similares para uma ação ordinária, por exemplo.
Talvez, o maior exemplo envolva o fato de que inexiste uma fase de
produção de provas durante o processamento do mandado de segurança,
situação que é plenamente viável em uma demanda ordinária.
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89
MANDADO DE INJUNÇÃO
DELEGADO DE POLÍCIA - PCGO - 2013 – UEG
A violação de normas constitucionais pelo poder público pode ocorrer por
omissão. A Constituição Federal prevê instrumentos para garantir a própria
supremacia, na ocorrência desses casos. Esses instrumentos, apesar de
aparentemente semelhantes, possuem características distintas. A partir de
uma análise comparativa desses instrumentos, apresente-os, identificando as
diferenças entre eles quanto ao objeto, à legitimidade de partes e aos efeitos
da decisão.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O descumprimento das normas constitucionais pelo poder público pode
se dar por omissão. Para assegurar a supremacia constitucional, o art. 5º,
LXXI, da Constituição Federal, previu a concessão de mandado de injunção
sempre que a falta de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos
direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à
nacionalidade, à soberania e à cidadania.
Trata-se de um instrumento de defesa de direitos subjetivos em face de
omissão do poder regulatório, na qualidade de controle difuso-concreto de
constitucionalidade. Para além desse instrumento, a Constituição Federal
instituiu, no art. 103, § 2°, um sistema de controle abstrato da omissão do
ente legiferante, pela Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão.
Tanto o mandado de injunção quanto a ação direta de
inconstitucionalidade por omissão são cabíveis na omissão inconstitucional do
Poder Público, que não atua na conformidade da exigência da norma
constitucional, cuja aplicabilidade depende da vontade integradora de seus
comandos.
No que diz respeito ao objeto, o mandado de injunção quer dar
concretude ao direito abstrato previsto na norma constitucional, enquanto a
ação direta de inconstitucionalidade por omissão visa a dar ciência ao poder
competente de sua inércia, para que tome as providências necessárias, e em
se tratando de órgão administrativo, que o faça em trinta dias (art. 103, § 2°).
No que diz respeito à legitimidade ativa, o mandado de injunção pode
ser impetrado por qualquer pessoa física ou jurídica, titular de direito
constitucionalmente assegurado que tenha o seu exercício impedido por
ausência de norma regulamentadora.
O mandado de injunção coletivo pode ser impetrado por partido
político com representação no Congresso Nacional, organização sindical,
entidade de classe ou associação constituída e em funcionamento há pelo
menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados,
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90
aplicando-se por analogia o disposto no art. 5°, LXX, da Constituição Federal
referente ao Mandado de Segurança coletivo.
Enquanto a legitimidade ativa no mandado de injunção é aberta, a
legitimidade ativa para propor Ação Direta de Inconstitucionalidade por
omissão é fechada, e está indicada nos incisos I a IX do artigo 103 da
Constituição Federal.
Quanto aos efeitos, a decisão proferida no mandado de injunção não
transcende os seus sujeitos, enquanto a decisão na Ação Direta de
Inconstitucionalidade por Omissão, por esta ser instrumento de controle de
constitucionalidade abstrata, tem eficácia erga omnes.
DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL – DPE/PA - 2015 – FMP
"A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de
admitir a utilização, pelos organismos sindicais e pelas entidades de classe, do
mandado de injunção coletivo, com a finalidade de viabilizar, em favor dos
membros ou associados dessas instituições, o exercício de direitos
assegu adosàpelaàCo stituiç o.àP e ede tesàeàdout i a à MIà /DF,à‘elato àoà
Ministro Celso de Mello, Plenário, DJ de 22/11/96). Tendo em consideração o
excerto de julgado do Supremo Tribunal Federal que resume o entendimento
daquela Corte acerca do tema, responda fundamentadamente a questão
analisando a possibilidade de impetração de mandado de injunção coletivo
pela Defensoria Pública Estadual e, em caso afirmativo, em que circunstâncias
tal providência teria cabimento e qual seria o órgão com competência para
julgar tal demanda.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
É cabível o mandado de injunção coletivo (STF, MI 20, Relator Min.
Celso de Mello), em conformidade com a jurisprudência do STF.
Pode a Defensoria Pública Estadual ajuizar demanda dessa natureza na
hipótese em que, ausente norma – seja por inexistência de lei, seja por
inexistência de ato normativo – necessária e suficiente à viabilização do
exercício de direito constitucionalmente previsto titulado por assistido da DP,
tenha ele natureza de direito subjetivo de natureza coletiva ou difusa, em vista
de tratar-se, no caso, de ação coletiva nos termos do art. 5º da Lei da Ação
Civil Pública para cuja propositura está a DP legitimada.
A Defensoria Pública Estadual poderá ajuizar MI coletivo junto ao
Tribunal de Justiça do Estado na hipótese da inexistência de norma municipal
ou estadual inviabilizar o exercício de um dos direitos elencados no art. 5º,
LXXI da Constituição Federal, ou na Constituição Estadual, em razão do ente
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responsável pela elaboração da norma faltante tratar-se de autoridade
estadual.
O ajuizamento do MI coletivo pela DPE poderá se dar perante o STF
(CF, art. 102, I, q) ou o STJ (CF, art. 105, I, h), ou, ainda, o TRE (CF, art. 121, §
4º, V), a depender de quem seja o responsável pela edição da norma faltante,
mas, sempre, perante o segundo grau.
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TUTELAS
PROCURADOR - PGM/PORTO ALEGRE/RS – 2017 - FUNDATEC
Uma das principais inovações do Código de Processo Civil de 2015 foi
sistematizar as tutelas provisórias através de um tratamento distinto do
Código de Processo Civil de 1973. Acerca do relevante papel das tutelas
provisórias no direito brasileiro, elabore um texto que compreenda,
necessariamente, as respostas para as seguintes perguntas: A) Quais os
fundamentos constitucionais da tutela provisória? B) Quais os requisitos para
a concessão da tutela provisória de urgência? C) Há diferença na concessão da
tutela provisória quando a parte adversa é a Fazenda Pública?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Dentre as mais relevantes inovações do Novo Código de Processo Civil
encontra-se a nova sistematização das tutelas provisórias, ora presentes no
Li oà Và daà Pa teà Ge alà doà odex .à Deà a ei aà ge al,à us a à
efetivar/concretizartutelas que se baseiam em um mero juízo de
probabilidade, ao invés do juízo de certeza presente na cognição exauriente,
típico do nosso ordenamento.
Tendo isso em mente, fica bem mais simples inferir que a tutela
provisória apresenta três fundamentos constitucionais: a) razoável duração do
processo (art. 5º, LXXVIII) - segundo o qual o processo deve se desenvolver
numa duração adequada e sem maiores delongas, evitando que o tempo do
processo venha a ser um inimigo das partes; b) devido processo legal (art. 5º,
LIV) - que prega a necessidade de se observar todas as regras pertinentes ao
caso, a fim de que o processo tenha uma isonomia entre seus litigantes; e c)
acesso à justiça (art. 5º, XXXV) - expõe que a tutela deve ser prestada e da
maneira eficaz para o interesse da parte que a requer.
Adiante, é importante notar que a tutela provisória no novo CPC pode
ser de duas espécies: a tutela de evidência, focada mais na alta probabilidade
de êxito da demanda proposta; e a tutela de urgência, focada precipuamente
no grave dano que o tempo levado para o ordinário desenrolar do processo
pode iaàp o o a .àNoà ueàta geà àtutelaàdeàu g ia,àoàa t.à ,à aput ,àdoà
CPC, enuncia dois de requisitos: a) a probabilidade do direito alegado; b) o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. O terceiro requisito
encontra-se no art. 300, §3º, do CPC: c) a reversibilidade dos efeitos do
pronunciamento judicial.
No entanto, nenhum direito é absoluto, nem mesmo o que rege o
sistema de tutelas de urgência. Diz-se isso porque um dos motivos de sua
mitigação refere-se justamente às causas em que é ré a Fazenda Pública, que
é administradora e curadora do interesse público em juízo. Nesses casos,
logicamente não se pode adotar um pensamento simplista, sempre tendo em
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conta que é toda a sociedade que se encontra diante da demanda proposta,
mesmo que ela contenha um requerimento de tutela de urgência.
Para tais casos, nosso ordenamento autoriza que a Fazenda disponha
de certas prerrogativas para melhor defender o interesse público. Por
exemplo, pode-se se citar a existência de legislação extravagante que ainda
permanece em vigor (Lei nº 8.437/92), que tem como um de seus
instrumentos a suspensão de liminar em mandado de segurança (dirigida ao
Presidente do Tribunal).
Portanto, é claro que a tutela de urgência é um instrumento útil e
necessário à gestão dos processos judiciais. Contudo, deve se adequar
também a outros direitos extremamente importante, como aqueles
patrocinados pela Fazenda Pública.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
ITEM 1 2 pontos – Utilizou a estrutura correta para uma dissertação
(introdução, desenvolvimento e conclusão); 1 ponto – Utilizou parcialmente a
estrutura de uma dissertação; 0 pontos – Não utilizou a estrutura para uma
dissertação. 2,0 ITEM 2 2 pontos – Utilizou as terminologias técnicas,
conceitos jurídicos, corretamente; 1 ponto – Utilizou parcialmente as
terminologias técnicas; 0 pontos – Não utilizou as terminologias técnicas
corretamente. 2,0 ITEM 3 A tutela jurisdicional contemporânea busca
equacionar os valores efetividade e tempo mediante técnicas processuais que
permitam a fruição e proteção dos bens jurídicos em conflito. Nesse sentido, a
tutela provisória desponta como mecanismo idôneo ao cumprimento dos
desígnios constitucionais. Nem poderia ser diferente, já que ela própria
encontra respaldo nos direitos fundamentais da CF/88. Nesse sentido,
destaca-se que a razoável duração do processo, o devido processo legal e,
fundamentalmente, o acesso à justiça são fundamentos da tutela provisória.
Com efeito, sem uma tutela tempestiva e efetiva, apta a modificar os efeitos
negativos do tempo do processo, a função jurisdicional seria, em muitos
casos, inútil. 5 pontos - Citou os três fundamentos; 4 pontos – Citou apenas
dois fundamentos; 3 pontos – Citou apenas um fundamento; 1 ponto –
Discorreu, porém não citou corretamente todos os fundamentos; 0 pontos –
Discorreu, porém, os fundamentos citados não estão corretos. 5,0 ITEM 4
Como a regra, porém, é a entrega do objeto do processo somente após
cognição exauriente e amplo contraditório, a lei processual estabelece certos
requisitos para a concessão da tutela provisória. Aliás, pelo NCPC, a tutela
provisória poderá estar fundada em alta probabilidade (evidência) ou situação
de perigo (urgência). Quanto à tutela de urgência, a sua concessão depende
de três requisitos: probabilidade do direito alegado; perigo de dano ou risco
ao resultado útil do processo; reversibilidade dos efeitos do pronunciamento
judicial. 4 pontos – Citou os três requisitos; 3 pontos – Citou apenas dois
requisitos; 2 pontos – Citou apenas um requisito; 1 ponto – Discorreu, porém
não citou corretamente todos os requisitos; 0 pontos – Discorreu, porém, os
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requisitos citados não estão corretos. ITEM 5 O legislador, porém, não
desconsiderou a situação diferenciada da Fazenda Pública quando se trata de
redistribuição do ônus do tempo do processo. Nessa linha, a concessão de
tutela provisória em face da Fazenda Pública não observa exatamente o
mesmo regime jurídico dos demais sujeitos. O próprio diploma processual
aponta que deverão ser observadas certas particularidades previstas na
legislação extravagante, como, por exemplo, a existência de hipóteses em que
não é possível a concessão da tutela provisória e, ainda, a autorização para
que se empregue remédio jurídico específico (o pedido de suspensão de
segurança). Conclui-se que o NCPC não desconsiderou a relevância de prestar
a tutela jurisdicional de forma célere e efetiva, inclusive com a possibilidade
de conceder ou proteger de forma antecipada o bem da vida em litígio. 3
pontos – Compreende que há diferença na concessão da tutela provisória e
utiliza os argumentos corretos para essa afirmação; 2 pontos – Compreende
que há diferença na concessão da tutela provisória, mas não utiliza os
argumentos corretos para essa afirmação; 1 ponto – Não compreende que há
diferença na concessão da tutela provisória, mas cria argumentos para tal
fato; 0 pontos – Não compreende que há diferença na concessão da tutela
provisória e não utiliza os argumentos.
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Em respeito à segurança jurídica, as decisões judiciais são dotadas de algum
grau de estabilidade. Diante disto, explique o instituto da estabilização da
Tutela Antecipada Antecedente (art. 304 do CPC) e justifique se há ou não
coisa julgada material neste caso.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
As decisões judiciais, por regra, devem ser dotadas de estabilidade
para prestigiar a segurança jurídica. Com efeito, de nada adiantaria um
comando estatal que pudesse ser alterado a qualquer momento (pela mesma
autoridade que a proferiu ou por outra de mesma hierarquia).
Em virtude disso, decorrem outros conceitos como a chamada coisa
julgada.à áà esà iudi ata à epresenta a imutabilidade dos efeitos de uma
determinada sentença em virtude do esgotamento de todas as instâncias
possíveis, ou em virtude do transcurso do tempo para poder impugná-la. Diz-
se que a coisa julgada é meramente formal quando só apresenta efeitos
imutáveis dentro do próprio processo em que foi proferida (aproximando-se,
quase que totalmente, da preclusão). Por outro lado, denomina-se de coisa
julgada material a imutabilidade de efeitos para além de seu processo,
impedindo que a mesma questão seja sequer reapreciada posteriormente.
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Como se pode inferir, apenas determinadas decisões podem ser
alcançadas pelo manto da coisa julgada material. Em primeiro lugar, asdecisões interlocutórias, por regra, só são abarcadas pela coisa julgada
formal. Em segundo lugar, mesmo as sentenças nem sempre fazem coisa
julgada material, pois elas dependem de uma cognição exauriente (ou plena)
para serem formadas.
Para se entender melhor essa lógica, convém enunciar as espécies de
cognição. Segundo a doutrina, existem três graus de cognição em nosso
ordenamento adjetivo, variando conforme a profundidade com a qual o juiz
examinou as questões postas para julgamento: a) exauriente ou plena:
presente na maioria dos processos de conhecimento, uma vez que a instrução
probatória é completa e exaustiva antes de se chegar à fase decisória; b)
sumária: presente nas decisões que concedem liminares em processos de
conhecimento e de procedimento comum (uma vez que demandam instrução
probatória menos robusta que as sentenças de mérito), bem como nas ações
cautelares, que serviam à instrumentalização ou preparação de outros
processos (sem, portanto, demandar uma fase probatória exaustiva quanto ao
direito material); e c) superficial ou rarefeita: presente nas decisões liminares
em processos cautelares, tendo em vista que demandam ainda menos provas
do que o grau anterior.
A tutela antecipada antecedente, que passou a ser prevista no art. 303
do Código de Processo Civil, deve ser requerida em demanda cujo pedido
limita-se à tutela da urgência, sem prejuízo de posteriormente a parte vir
ajuizar a demanda principal, mediante o aditamento da petição que requereu
a tutela antecedente. Note-se, assim, que seu objeto está circunscrito a um
objeto específico e limitado, o que certamente impactará em sua instrução e,
também, em sua cognição.
Portanto, pode-se inferir que a cognição presente na decisão que
concede a tutela antecipada antecedente assemelha-se bastante à da tutela
cautelar. Não se vislumbra a possibilidade de formação da coisa julgada
material neste caso, já que se trata de cognição sumária, ao invés de
exauriente. Corroborando tal entendimento, o art. 304, §6º, do CPC determina
expressamente que tal decisão não será abrangida pela coisa julgada material
(podendo, inclusive, ser revista, desde que dentro do prazo previsto no mesmo
artigo).
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
O instituto da estabilização da tutela provisória de urgência antecipada
antecedente fixa uma forma de perenização dos efeitos materiais desta tutela
satisfativa concedida de modo antecedente, resolvendo, com isto, a crise da
relação jurídica material sem a necessidade do julgamento de mérito. Esta
estabilização da tutela antecipada se dá mediante o uso da técnica de
monitorização genérica, pela qual em cognição sumária uma decisão não
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impugnada torna-se estável, produzindo a permanência de seus efeitos
mesmo após a extinção do procedimento antecedente. Contudo esta decisão
estabilizada não faz coisa julgada material, posto que gerada a partir de um
juízo de mera cognição sumária, enquanto para a formação da coisa julgada
material exige-se um juízo de cognição exauriente sobre o mérito da causa.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Discorra sobre a técnica da tutela provisória e as hipóteses legais de aplicação
do instituto do Código de Processo Civil. Em sua resposta, aponte qual é o
fundamento geral da tutela provisória, diferencie tutela de urgência de tutela
de evidência, diferencie tutela antecipada de cautelar e explique os
fundamentos específicos de cada uma das hipóteses legais do Código de
Processo Civil.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Uma relevante inovação do Novo Código de Processo Civil é a
minuciosa disciplina conferida à tutela provisória, ora presente em seu Livro V
(arts. 294 e seguintes). De maneira geral, busca efetivar/concretizar tutelas
que se baseiam em um mero juízo de probabilidade (sumário, portanto), ao
invés do juízo de certeza presente na cognição exauriente, típico do nosso
ordenamento.
Tendo isso em mente, fica bem mais simples inferir que a tutela
provisória apresenta três fundamentos, todos de ordem constitucional: a)
razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII): o processo deve se desenvolver
numa duração adequada e sem maiores delongas, evitando que o tempo do
processo venha a ser um inimigo das partes; b) devido processo legal (art. 5º,
LIV): devem-se observar todas as regras pertinentes ao caso, a fim de que o
processo tenha uma isonomia entre seus litigantes; e c) acesso à justiça (art.
5º, XXXV): a tutela deve ser prestada e da maneira eficaz para o interesse da
parte que a requer.
Nesse prisma, é importante notar que a tutela provisória no novo CPC
pode ser de duas espécies: a tutela de evidência (art. 311), focada mais na alta
probabilidade de êxito da demanda proposta; e a tutela de urgência, focada
precipuamente no grave dano que o tempo levado para o ordinário desenrolar
do processo poderia provocar. No que tange à tutela de urgência, o art. 300,
aput ,àdoàCPCàe u iaàdoisà e uisitos:àaàp o a ilidadeàdoàdi eitoàalegadoàe o
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. O terceiro requisito
encontra-se no art. 300, §3º, do CPC, e se trata da reversibilidade dos efeitos
do pronunciamento judicial.
Apesar de se assemelhar bastante à tutela cautelar, com ela não se
confunde. Presente desde o Código de 1973, a tutela cautelar tem por
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finalidade garantir um outro processo (ainda que com requisitos semelhantes,
tal como verificado no art. 305), ao invés do próprio direito material. Por essa
razão, costuma-se dizer que sua instrumentalidade é qualificada (ou seja: é
um instrumento para garantir outro instrumento, que, por sua vez, garantirá o
direito material).
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A técnica antecipatória tem por função distribuir de forma isonômica o ônus
do tempo no processo. Essa distribuição pode ocorrer seja pela urgência
(perigo de dano ou perigo de ilícito) ou em face da evidência do direito posto
em juízo. O que é comum a todas essas hipóteses é, justamente, o
equacionamento do tempo no processo. Nesse âmbito é que o Código de
Processo Civil de 2015 propõe que a tutela provisória pode fundamentar-se em
urgência ou evidência (art. 294). A técnica antecipatória pode prestar tutela
satisfativa ou cautelar em face da urgência (art. 300). Nessa linha, visa
realizar ou acautelar um direito diante do perigo de tardança da tutela
jurisdicional final. O perigo de ilícito pode ser prevenido ou reprimido
mediante tutela satisfativa antecipada. O perigo de dano pode ser reprimido
mediante tutela satisfativa antecipada ou reprimido mediante tutela cautelar
antecipada. Por probabilidade do direito deve-se compreender que o
legislador determina uma análise com base em cognição sumária. A
sumariedade é caracterizada pela incompletude material da cognição da
causa e não se confunde, aqui, com a sumariedade procedimental, que pode
abreviar o processo. Ainda, a técnica antecipatória pode ser prestada em face
da evidência do direito postulado em juízo – sem perigo, portanto (art. 311).
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/CAMPINAS-SP – 2016 - FCC
Sobre tutela inibitória em ações coletivas, aborde de forma fundamentada e
objetiva, os seguintes tópicos: a. Conceito e fundamento jurídico. b. Relação
entre tutela inibitória, dano e ilícito. c. Métodos de execução da tutela
inibitória, exemplificando cada uma das espécies. (Elabore sua resposta
definitiva em até 40 linhas).
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Denomina-se tutela inibitória a espécie de tutela condenatória que visa
inibir determinada ação (reiteração ou prosseguimento) que implica em ato
ilícito. Sua principal característica é a prescindibilidade de dano, já que o que
se visa é exatamente não permitir que o ato ilícito se prolongueno tempo a
ponto de desaguar em um dano ao interessado.
O combate de mera ameaça a direito está tutelado no art. 5º, XXXV,
da CRFB, que expressamente prevê essa possibilidade. Igualmente, o art. 497,
parágrafo único, do CPC também contém previsão expressa sobre a tutela
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inibitória, prestigiando essa modalidade de proteção a direitos (ou sua
ameaça).
O conceito de tutela inibitória exposto acima vai ao encontro da teoria
geral da responsabilidade civil, que concebe perfeitamente a existência de ato
ilícito sem dano. Com efeito, enquanto sua concepção clássica tratava
cartesianamente da tríade conduta – nexo causal – dano como requisitos
indispensáveis para a responsabilização por qualquer ato ilícito, a teoria
evoluiu para a possibilidade de sua tutela mesmo sem algum desses
elementos. Por exemplo, através da teoria do risco integral (onde há
responsabilização mesmo sem conduta) ou, como no caso em tela, da tutela
inibitória, onde necessariamente ainda não se está diante de um dano efetivo
(busca-se exatamente evitar que ele não venha a ocorrer).
Assim como toda tutela de fazer ou não fazer, há três modalidades de
efetivação da tutela inibitória: a) coerção direta: baseada na busca direta pelo
bem tutelado (por exemplo, com a paralisação de obra que pode vir a por em
risco direito do interessado); b) coerção indireta: baseada na indução do
devedor a manter inviolado o bem ou direito tutelado, sob pena de ser
obrigado a ser condenado a ressarcir o credor de maneira bem mais
desvantajosa aos seus interesses (por exemplo, com a cominação de multa em
caso de descumprimento voluntário da tutela concedida); c) sub-rogação:
baseada na efetivação do exato bem tutelado, mas por outrem que não o
devedor (por exemplo, com a demolição de obra ilícita por um terceiro, cujo
serviço será remunerado pelo devedor).
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
a. A tutela inibitória constitui modalidade de tutela jurisdicional preventiva,
destinada, precipuamente, à inibição da prática, da continuidade ou da
reiteração do ilícito. A tutela inibitória encontra fundamento constitucional no
art. 5o, inciso XXXV, da Carta Política, que protege o acesso à justiça em caso
de ameaça à direito. Além de previsão expressa no Código de Processo Civil de
2015 (art. 497, Parágrafo Único), a tutela inibitória nas ações coletivas, de
acordo com a doutrina prevalecente, já encontrava respaldo legal no art. 11
da Lei de Ação Civil Pública e no art. 84 do Código de Defesa do Consumidor.
b. Pode-se sintetizar a relação existente entre a tutela inibitória, dano e ilícito,
a partir das seguintes premissas: b.1 ilícito não se confunde com dano,
podendo haver ilícito sem dano; b.2 a tutela inibitória tem por pressuposto a
conservação da integridade do direito e não a efetivação do dano em si; b.3 a
tutela inibitória relaciona-se com o ilícito e não necessariamente com o dano,
tendo por objetivo a prevenção do ilícito e não o ressarcimento do dano. c.
Sobre as formas de execução da tutela inibitória, pode-se destacar as
seguintes modalidades: c.1 coerção direta, consistente na promoção de
medida que tutele o direito por atuação direta de auxiliar do juízo, garantindo
a abstenção/descontinuidade/remoção do ilícito. Exemplo: a lacração de
estabelecimentos ou, ainda, designação de administrador judicial; c.2 coerção
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indireta, consistente na adoção de medida de pressão que torne desvantajosa
a prática ou continuidade do ilícito. Exemplo: a fixação de multa; c.3 sub-
rogação, consistente na substituição do réu por terceiro, garantindo a
descontinuidade ou a remoção do ilícito. Exemplo: contratação de empresa
para demolição de construção irregular em área particular que, por
determinação judicial, deveria ser realizada pelo proprietário.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-MG - 2017 - MPE-MG
Tutela inibitória no processo coletivo: conceito, pressupostos, objetivos,
relevância, fundamentos constitucionais e legais, diferenças em relação à
tutela cautelar.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
É a tutela jurisdicional preventiva colocada à disposição da parte
legitimada ao processo coletivo para evitar a prática, reiteração ou a
continuação de um ilícito (entendido como a prática contrária ao direito), ou
sua remoção (tutela de remoção do ilícito).
Por meio de processo de conhecimento voltado para o futuro, exige do
réu o cumprimento de uma obrigação de fazer (inibitória positiva) ou não
fazer (inibitória negativa), sob pena de imputação de multa ou outras medidas
necessárias que garantam o resultado prático equivalente à inibição do ato
ilícito.
Tem por pressupostos a probabilidade da prática de um ilícito, de sua
repetição ou continuação. É irrelevante a demonstração da ocorrência de
dano ou da existência de culpa ou dolo.
Seus objetivos são impedir, de forma direta e principal, a violação do
direito material, independentemente da ocorrência do dano (art. 497,
parágrafo único do CPC de 2015), de modo a assegurar a efetividade da tutela
jurisdicional por meio da implementação do direito fundamental à tutela
preventiva, encerrada na expressão "ameaça a direito", contida no inciso
XXXV do artigo 5º da Constituição Federal.
A tutela inibitória no processo coletivo torna-se relevante diante
possibilidade de que a prática, a continuação ou a repetição do ilícito
repercuta sobre direitos e interesses massificados, com impactos sociais de
grande magnitude.
O ilícito pode eventualmente ser exteriorizado por meio de danos
capazes de atingir grandes proporções, de difícil ou impossível reparação in
natura, ou retorno ao statu quo.
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Fundamentos constitucional e legal: artigo 5º, XXXV da Constituição
Federal; artigos 83 e 84 do Código de Defesa do Consumidor (Lei n.º
8.078/90), 213 do Estatuto da Criança e Adolescente (Lei n.º 8.069/90), 83 do
Estatuto do Idoso (Lei n.º 10.741/03), 11 da Lei n.º 7.347/85, 497 do CPC/15.
Diferenças em relação à tutela cautelar: embora a tutela cautelar seja
também preventiva, é medida assecuratória e acessória, pois visa assegurar o
resultado útil do processo (artigo 305 do CPC/2015). É instrumental e
provisória. Pressupõe a existência de um perigo de dano iminente e um juízo
de probabilidade do direito. Já a tutela inibitória é satisfativa, pois não se
destina a garantir o efetivo resultado de um processo futuro, mas impor
obrigação de fazer ou não fazer, a fim de evitar a prática, continuação ou
repetição de um ilícito. Em regra a decisão faz coisa julgada. É principal e, em
regra, definitiva (salvo quando concedida como medida antecipatória).
Pressupõe demonstração da probabilidade de ocorrência de um ilícito.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Quais requisitos devem estar preenchidos para o deferimento do pedido de
indisponibilidade de bens, previsto no artigo 7º da Lei nº 8.429/92? Esses
requisitos, à luz da sistemática trazida pelo novo Código de Processo Civil,
amoldam-se aos requisitos necessários à concessão de qual tipo de tutela
provisória? A resposta deve estar em harmonia com o posicionamento
consolidado do STJ.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A providência prevista no art. 7º da Lei nº 8.429/92, segundo a
doutrina e a jurisprudência do STJ, é uma medida de natureza claramente
cautelar, que se submete aos requisitos do poder geral de cautela.
O deferimento da indisponibilidade de bens, antes de concluído o
processo de apuração do ilícito, deve ser praticado na verificação criteriosa da
sua necessidade, isto é, com a comprovação de que o indiciado se presta a
alienar (ou a simular alienar) o seu patrimônio ou partedele, a onerar-se (ou a
simular onerar-se) com dívidas súbitas ou extraordinárias, a transferir (ou
tentar transferir) a titularidade ou o domínio de bens, além de outras
iniciativas que denotem a intenção de desfazer-se de patrimônios ou frustrar
ulteriores ressarcimentos de prejuízos.
Essa espécie de tutela jurisdicional está na circunstância de fato que
lhe serve de pressuposto: ela supõe a existência de uma situação de risco ou
de embaraço à efetividade da jurisdição: risco de dano ao direito, risco de
ineficácia da execução, obstáculos que o réu maliciosamente põe ao
andamento normal do processo e assim por diante. A demonstração do
periculum in mora, o outro requisito da tutela cautelar, até por se tratar de
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requisito de natureza essencialmente factual, não se pode ter por configurada
com a só aceitação da inicial, devendo ser demonstrado o fundado temor de
desvio, danificação ou ocultação dos bens do acionado, a fim de gerar a
convicção do juiz em torno do perigo efetivo de dano ao ente lesionado.
O art. 7º da Lei nº 8.429/92 prevê como requisitos para o deferimento
do pedido de indisponibilidade de bens: (i) o ato de improbidade deve causar
lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, (ii) a autoridade
administrativa deverá representar ao Ministério Público para que proceda ao
pedido de indisponibilidade, (iii) a indisponibilidade deverá recair sobre bens
que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo
patrimonial resultante do enriquecimento ilícito.
O CPC de 2015 prevê duas modalidades de tutela provisória: a tutela
de urgência (art. 300), que pode ser antecipada (art. 303 e seguintes) ou
cautelar (art. 305 e seguintes); e a tutela de evidência (art. 311 e seguintes).
Apenas a última modalidade dispensa a demonstração de perigo de dano ou
risco ao resultado útil do processo pedido de indisponibilidade dos bens.
Assim, considerando que o pedido de indisponibilidade de bens nos casos de
improbidade com lesão ao patrimônio público não requer a demonstração do
periculum in mora, mas apenas demonstração de probabilidade do direito, no
entender do STJ, trata-se de tutela de evidência.
Para o STJ, é possível a decretação da indisponibilidade de bens em
ação de improbidade administrativa independentemente da demonstração do
risco de dilapidação do patrimônio do demandado. Isso porque, na
indisponibilidade prevista no art. 7º da Lei 8.429/92, não se vislumbra uma
tutela de urgência, mas uma tutela de evidência, já que o "periculum in mora"
não é oriundo da intenção do agente dilapidar seu patrimônio visando frustrar
a reparação do dano, e, sim, da gravidade dos fatos e do montante do prejuízo
causado ao erário, o que atinge toda a coletividade. Por ser uma tutela
sumária fundada em evidência, a medida constritiva não possui caráter
sancionador e nem antecipa a culpabilidade do agente, sendo reversível o
provimento judicial que a deferir. Ressalte-se que a decretação da
indisponibilidade de bens, mesmo sendo desnecessária a demonstração do
"periculum in mora", não é medida automática, devendo ser adequadamente
fundamentada pelo magistrado, sob pena de nulidade.
Entretanto, há corrente no STJ que entende que a medida do art. 7º da
Lei nº 8.429/92 seria tutela cautelar, e não tutela de evidência. Para esta
corrente, o pedido cautelar lastreia-se em juízo de plausibilidade, e não de
evidência, mormente quando a constrição abarca a totalidade dos bens do
acionado e ainda pendente a demonstração da ocorrência do alegado dano e
a sua extensão. Já a tutela de evidência assemelha-se àquela prestada na
ação de Mandado de Segurança, na qual se pressupõe a defesa de um direito
certo e incontestável, ou seja, suscetível de prova imediata e demonstração
contundente.
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102
A indisponibilidade dos bens, como medida assecuratória na ação de
improbidade, não seria uma tutela de evidência, uma vez que esta é dotada de
irrevogabilidade e definitividade, devendo estar calcada em provas. Cuida-se,
para a segunda corrente, de medida acautelatória e provisória, fundamentada
no fumus boni iuris e periculum in mora, e não em provas incontestáveis.
Assim, diferentemente da tutela de urgência, na tutela de evidência,
necessária a comprovação documental das alegações de fato,
independentemente da demonstração de perigo da demora na prestação
jurisdicional.
No caso da ação de improbidade não haveria como se afirmar que a
medida de indisponibilidade dos bens seja uma tutela de evidência, pois, além
de não ser medida de caráter definitivo, não se admitiria a existência de prova
documental incontestável a respeito do ato de improbidade. Isto porque, uma
vez que, tratando-se de direito sancionador, imprescindível a investigação
probatória, de modo que a responsabilidade do acusado não pode ser
presumida: pelo contrário, o que se presume é a sua inocência.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...)2. Em questão está a exegese do art. 7º da Lei n. 8.429/1992 e a
possibilidade de o juízo decretar, cautelarmente, a indisponibilidade de bens
do demandado quando presentes fortes indícios de responsabilidade pela
prática de ato ímprobo que cause dano ao Erário. (...) no comando do art. 7º
da Lei 8.429/1992, verifica-se que a indisponibilidade dos bens é cabível
quando o julgador entender presentes fortes indícios de responsabilidade na
prática de ato de improbidade que cause dano ao Erário, estando o periculum
in mora implícito no referido dispositivo, atendendo determinação contida no
art. 37, § 4º, da Constituição, segundo a qual 'os atos de improbidade
administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na
forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível'. O
periculum in mora, em verdade, milita em favor da sociedade, representada
pelo requerente da medida de bloqueio de bens, porquanto esta Corte
Superior já apontou pelo entendimento segundo o qual, em casos de
indisponibilidade patrimonial por imputação de conduta ímproba lesiva ao
erário, esse requisito é implícito ao comando normativo do art. 7º da Lei n.
8.429/92. Assim, a Lei de Improbidade Administrativa, diante dos velozes
tráfegos, ocultamento ou dilapidação patrimoniais, possibilitados por
instrumentos tecnológicos de comunicação de dados que tornaria irreversível
o ressarcimento ao erário e devolução do produto do enriquecimento ilícito
por prática de ato ímprobo, buscou dar efetividade à norma afastando o
requisito da demonstração do periculum in mora (art. 823 do CPC), este,
intrínseco a toda medida cautelar sumária (art. 789 do CPC), admitindo que
tal requisito seja presumido à preambular garantia de recuperação do
patrimônio do público, da coletividade, bem assim do acréscimo patrimonial
ilegalmente auferido". (...) (REsp 1366721/BA, Rel. Ministro NAPOLEÃO
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103
NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA
SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 19/09/2014)
(...)4. A jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça orienta no
sentido de que, para a decretação da medida de indisponibilidade de bens em
sede de improbidade administrativa, é necessária a demonstração de fumus
boni iuris, sendo, por sua vez, o periculum in mora presumido na hipótese em
concreto. (...) (AgInt no REsp 1668636/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 30/10/2017)
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil –
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM.2016.
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RO – 2009 - FMP
Diferencie tutela inibitória de tutela cautelar abordando, necessariamente, as
diferenças concernentes à finalidade e ao objeto de cada uma dessas
proteções jurisdicionais.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Denomina-se tutela inibitória a espécie de tutela condenatória que
busca inibir determinada ação (reiteração ou prosseguimento) que implica em
ato ilícito. Sua principal característica é a prescindibilidade de dano, já que o
que se visa é exatamente não permitir que o ato ilícito se prolongue no tempo
a ponto de desaguar num dano ao interessado.
O combate de mera ameaça a direito está tutelado no art. 5º, XXXV,
da CRFB, que expressamente prevê essa possibilidade. Igualmente, o art. 497,
parágrafo único, do CPC também contém previsão expressa sobre a tutela
inibitória, prestigiando essa modalidade de proteção a direitos (ou sua
ameaça).
O conceito de tutela inibitória exposto acima vai ao encontro da teoria
geral da responsabilidade civil, que concebe perfeitamente a existência de ato
ilícito sem dano. Com efeito, enquanto sua concepção clássica tratava
cartesianamente da tríade conduta – nexo causal – dano como requisitos
indispensáveis para a responsabilização por qualquer ato ilícito, a teoria
evoluiu para a possibilidade de sua tutela mesmo sem algum desses
elementos. Por exemplo, através da teoria do risco integral (onde há
responsabilização mesmo sem conduta) ou, como no caso em tela, da tutela
inibitória, onde necessariamente ainda não se está diante de um dano efetivo
(busca-se exatamente evitar que ele não venha a ocorrer).
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104
Por sua vez, a tutela cautelar busca assegurar a fruição do direito à
tutela reparatória, isto é, sua finalidade é assegurar a frutuosidade do direito
à tutela reparatória. Logo, ela não é uma tutela preventiva, já que seu objeto,
como dito, é a proteção à aparência do direito à tutela reparatória (direito à
proteção contra um dano).
A doutrina diverge quanto à conceituação da tutela cautelar. Nessa
linha, é possível apontar a tutela cautelar como uma tutela temporária a um
direito aparente ameaçado por um dano irreparável ou de difícil reparação ou
como uma tutela que pretende resguardar a eficácia útil do processo principal.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil –
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016.
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJRS – 2016 - FAURGS
O Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) tentou concretizar, em
diversos níveis, a concepção do processo como meio para obtenção da tutela
adequada, efetiva e tempestiva dos direitos. Nesse sentido, houve uma
importante alteração no que respeita à sistematização da tutela provisória,
agora dividida em tutela de urgência e tutela da evidência. Ademais, o Novo
Código de Processo Civil também disciplinou o julgamento antecipado parcial
do mérito, detalhando os seus contornos gerais. Diante desse contexto,
relacione a tutela da evidência e o julgamento antecipado parcial do mérito,
destacando os seguintes aspectos em relação a cada um dos institutos em
questão: A) o respectivo fundamento constitucional específico; B) a
necessidade ou não do prévio contraditório; C) a profundidade da cognição
judicial; D) a possibilidade ou não de revogação do provimento pelo órgão
judicial que o concedeu. Adverte-se que as respostas devem ser
fundamentadas, não se admitindo mera indicação de institutos, dispositivos
legais e simples afirmação ou negação do enunciado.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O Código de Processo Civil, publicado em 2015, acabou sofrendo uma
série de influências constitucionais para trazer novos institutos, preocupados
especialmente com a gestão do tempo do processo (auxiliando, portanto, a
desafogar o Poder Judiciário e permitindo o trâmite de diversos outros
processos). Dentre esses institutos, podem ser destacados a tutela da
evidência e o julgamento antecipado parcial de mérito.
A tutela da evidência tem seu regramento previsto no art. 311, que
determina seu cabimento quando houver: a) abuso do direito de defesa; b)
prova documental imediatamente produzida e tese fixada em recurso
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105
repetitivo ou súmula vinculante; c) ação reipersecutória com prova
documental do contrato de depósito e do pagamento; d) petição inicial com
prova documental cabal e sem oposição suficiente pelo réu. Seu fundamento
constitucional reside no princípio da razoável duração do processo (art. 5º,
LXXVIII). Consoante disposição expressa do art. 311, parágrafo único, do CPC,
oà o t adit ioàpodeàse àp ioà asosàdeà a àeà d àouàdife idoà asosàdeà àeà
.à “uaà og iç oà à itida e teà su iaà ouà supe fi ial ,à u a vez que se
trata de uma espécie de tutela de urgência que, por esse motivo, pode ser
revogada a qualquer tempo.
Por sua vez, o julgamento antecipado parcial de mérito encontra-se
previsto no art. 356 do CPC e tem aplicação quando: a) um dos pedidos
revelar-se incontroverso; b) não houver necessidade de instrução probatória
(notoriamente quando operarem os efeitos da revelia). Tal qual no caso
acima, seu fundamento constitucional também é a razoável duração do
processo (art. 5º, LXXVIII). Contudo, o contraditório necessariamente será
prévio, tendo em vista que o julgamento antecipado parcial de mérito é
proferido após ser oportunizada a possibilidade de defesa ao réu. Por resolver
o mérito (ainda que parcialmente) do processo, sua cognição é exauriente (ou
plena). Assim, por essa razão, não pode ser revogado pelo juiz, em virtude do
disposto no art. 494 do CPC.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
QUESITO A - Fundamento constitucional específico (0,2 ponto) - Tutela da
evidência: distribuição isonômica do ônus do tempo no processo (direitos
fundamentais à duração razoável do processo – processo sem dilatações
indevidas – e à isonomia) – CF, art. 5º, caput e inciso LXXVIII. - julgamento
antecipado parcial do mérito: concretização do direito fundamental à duração
razoável do processo (processo sem dilatações indevidas) – CF, art. 5º, inciso
LXXVIII. QUESITO B - Contraditório (0,2 ponto) - tutela da evidência:
contraditório pode ser prévio (NCPC, 311, I e IV) ou postergado (NCPC, 311, II
e III), conforme previsão do art. 311, parágrafo único, do NCPC. - julgamento
antecipado parcial do mérito: contraditório é prévio, pois esse julgamento
deve ser realizado após o decurso do prazo para contestação. QUESITO C -
Cognição judicial (0,2 ponto) - tutela da evidência: cognição sumária
(superficial) - julgamento antecipado parcial do mérito: cognição exauriente
(aprofundada) QUESITO D – Possibilidade de revogação (0,2 ponto) - tutela da
evidência: revogável; a tutela é provisória e não há coisa julgada material;
antecipam-se apenas efeitos práticos da futura decisão final. - julgamento
antecipado parcial do mérito: irrevogável; a tutela é definitiva em relação à
parte da demanda, havendo formação de coisa julgada material em relação a
essa parte caso não se interponha recurso; antecipa-se parte do próprio
julgamento final, ocorrendo o julgamento imediato de parcela da demanda,
rompendo-se com o princípio da unidade da sentença.
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106
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF4 – 2012 – TRF4
Discorra sobre a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional (art. 273 do
CPC antigo) relativamente ao processo comum ordinário em 1º grau de
jurisdição – Deverão ser abordadas as seguintes questões: 1- conceito de
antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional; 2- princípios constitucionais e
processuais que a justificam; 3- sua distinção da tutela cautelar; 4-
legitimidadepara requerê-la; 5- requisitos para sua concessão; 6-
oportunidades em que ela pode ser concedida ou revogada; 7- recursos
cabíveis da decisão que a defere ou indefere; 8- hipóteses em que seu
deferimento é vedado por lei.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Inicialmente, cumpre ressaltar que uma das mais relevantes inovações
do Novo Código de Processo Civil é a sistematização das tutelas provisórias,
que (assim como as antigas antecipações de tutela) buscam
efetivar/concretizar tutelas que se baseiam em um mero juízo de
probabilidade, ao invés do juízo de certeza presente na cognição exauriente
(típica do nosso ordenamento – em ambos os CPCs).
Com efeito, originariamente o Código de 1973 continha apenas o art.
798 acerca do tema, que previa o poder geral de cautela, permitindo que o juiz
concedesse medidas provisórias (ainda que não previstas expressamente no
CPC) quando houvesse receio considerável de o direito da parte sofrer lesão ou
difícil reparação. Posteriormente, a Lei 8.952/94 alterou art. 273 do Código,
passando a prever o instituto da tutela antecipada, tornando mais importante
o tempo do processo (a demora já representaria, em si mesma, um dano a ser
reparado). Já o Código de 2015 veio à tona com a preocupação voltada para o
tempo do processo (arts. 294 e seguintes).
Diante disso, pode-se dizer que a tutela provisória (e sua anterior
correlata) apresenta três fundamentos constitucionais: a) razoável duração do
processo (art. 5º, LXXVIII): representado pela necessidade de o processo se
desenvolver em tempo razoável e sem maiores delongas; b) devido processo
legal (art. 5º, LIV): representado pela observância das regras pertinentes ao
caso, a fim de que o processo tenha uma isonomia entre as partes; e c) acesso
à justiça (art. 5º, XXXV): representado pela disposição de uma tutela justa
àqueles que dela necessitam.
Note-se, contudo, que a tutela antecipada sempre se diferenciou da
cautelar, na medida em que ela pode ser definida como a concessão de um
provimento de mérito, destinado a tutelar um direito material, em um
momento liminar do processo. Por sua vez, a cautelar representa um
provimento instrumental, destinado a tutelar o direito a um outro processo, a
fim de que não perca sua função precípua em decorrência de qualquer ato ou
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107
fato que venha a ameaçar o correto ajuizamento ou trâmite do processo
principal.
No que tange à legitimidade, a tutela de urgência do atual Código
depende de requerimento da parte (arts. 303 e 305), em observância ao
princípio da demanda, tal como já o era quando vigia a tutela antecipada. Da
mesma forma, no que toca aos recursos desafiados pela concessão (ou
denegação) da tutela de urgência, não apresentam grandes diferenças em
ambos os Códigos: agravo de instrumento, caso a decisão seja interlocutória,
ou apelação, caso seja sentença.
A tutela antecipada requeria a presença dos seguintes requisitos: a)
prova inequívoca (art. 273); b) verossimilhança das alegações (art. 273); c)
fundado receio de dano ou abuso no direito de defesa (art. 273, I e II); d)
possibilidade de reversibilidade da medida (art. 273, §2º), ou pedido total ou
parcialmente incontroverso (art. 273, § 6º). Já o Código atual requer a
existência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo
de dano ou o risco ao resultado útil do processo (art. 300) e a ausência de
perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º), no caso da tutela de urgência
antecipada). Veja-se, portanto, que a tutela antecipada (e a tutela de
urgência) não pode ser concedida quando a medida é irreversível.
De forma análoga, poderá haver a revogação quando um dos
requisitos não mais existir.
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJDFT – 2009 – BANCA PRÓPRIA
Com a atenção voltada para a teoria geral do processo, tendo como certo que
o ordenamento jurídico brasileiro garante o direito de ação
independentemente do direito à sentença favorável, indique as diferenças e
semelhanças entre tutela cautelar e tutela antecipada.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Não é despiciendo notar que uma das mais relevantes inovações do
Novo Código de Processo Civil é a sistematização das tutelas provisórias, que
(assim como as antigas antecipações de tutela) têm por finalidade concretizar
tutelas que se baseiam em um mero juízo de probabilidade (ao passo que a
regra geral é a busca pelo juízo de certeza da chamada cognição exauriente.
O antigo Código de Processo continha apenas o art. 798 acerca do
tema, que previa o poder geral de cautela. Esse dispositivo permita que o juiz
concedesse medidas provisórias (ainda que não previstas expressamente na
lei) quando houvesse receio considerável de o direito da parte sofrer lesão ou
difícil reparação. Com o advento da Lei 8.952/94 alterou-se o art. 273 do
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108
Código, passando a prever o instituto da tutela antecipada, tornando mais
importante também a celeridade, e não apenas a efetividade pura e simples.
Por sua vez, o Código de 2015 já nasceu com a preocupação voltada
para o tempo do processo (arts. 294 e seguintes), com a busca pela celeridade
como mote para a efetividade e a segurança jurídica.
No entanto, a tutela antecipada sempre se diferenciou da cautelar, na
medida em que ela pode ser definida como a concessão de um provimento de
mérito, destinado a tutelar um direito material, em um momento liminar do
processo. Por outro lado, a cautelar representa um provimento de cunho
instrumental, destinado a tutelar o direito a um outro processo, a fim de que
não perca na prática sua efetividade em decorrência de qualquer ato ou fato
que venha a ameaçar o processo originário principal.
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2016 – CESPE
Qual o tratamento doutrinário e jurídico-positivo dado à tutela inibitória no
direito brasileiro? Fundamente sua resposta.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Tutela inibitória pode ser conceituada como a espécie de tutela
condenatória que visa inibir determinada ação (reiteração ou prosseguimento)
ilícita. Sua principal característica é a inexistência apriorística de dano, já que
o que se visa é exatamente não permitir que o ato ilícito se prolongue no
tempo a ponto de convolar em um dano ao interessado.
O combate de potencial ameaça a direito está tutelado no art. 5º,
XXXV, da CRFB, que expressamente prevê essa possibilidade. Igualmente, o
art. 497, parágrafo único, do CPC também contém previsão expressa sobre a
tutela inibitória, prestigiando essa modalidade de proteção a direitos (ou sua
ameaça).
Assim como toda tutela de fazer ou não fazer, há três modalidades de
efetivação da tutela inibitória: a) coerção direta: baseada na busca direta pelo
bem tutelado (por exemplo, com a paralisação de obra que pode vir a por em
risco direito do interessado); b) coerção indireta: baseada na indução do
devedor a manter inviolado o bem ou direito tutelado, sob pena de ser
obrigado a ser condenado a ressarcir o credor de maneira bem mais
desvantajosa aos seus interesses (por exemplo, com a cominação de multa em
caso de descumprimento voluntário da tutela concedida); c) sub-rogação:
baseada na efetivação do exato bem tutelado, mas por outrem que não o
devedor (por exemplo, com a demolição de obra ilícita por um terceiro, cujo
serviço será remunerado pelo devedor).
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109
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA
Explique os fundamentos que podem ensejar a concessão de tutela provisória,
de acordo com a distinção binária prevista expressamente pelo Código de
Processo Civil de 2015.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A tutela de urgência, de acordo com o CPC/15, exige probabilidade do
direito,perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo.
A tutela de urgência divide-se, ainda, em antecipada e cautelar. Por
outro lado, a tutela de evidência independe de urgência e tem como requisitos
aà o stataç oàdeàsituaç esàju ídi asàp o essuaisà ueà e ide ia àoàdi eitoàdeà
uma das partes (art. 311, CPC).
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110
PRECATÓRIOS
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/PB – 2008 - CESPE
Considerando que os bens públicos federais, estaduais, municipais ou do
Distrito Federal não se sujeitam a penhora, visto que as pessoas de direito
público possuem forma específica de pagamento de débitos decorrentes de
sentença judicial, conforme disposto na Constituição Federal, redija um texto
dissertativo, de forma fundamentada, em resposta à pergunta a seguir
formulada. Nos pagamentos devidos pela Fazenda Pública em virtude de
sentença judicial transitada em julgado, existe submissão dos créditos de
natureza alimentícia à ordem cronológica referida no texto constitucional?
(QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
É cediço que os débitos públicos transitados em julgados são
adimplidos por meio da ordem cronológica de apresentação do
correspondente precatório, nos termos do art. 100, caput, da CRFB. De igual
modo, os créditos alimentares submetem-se ao rito do pagamento dos
precatórios. Todavia, terão uma fila preferencial de pagamento sobre os
demais créditos (ditos regulares ou normais), conforme reza o parágrafo
ventilado, nos moldes do art. 100, §1ª da CRFB.
Isto porque os débitos de natureza alimentícia cujos titulares,
originários ou por sucessão hereditária, tenham sessenta anos de idade, ou
sejam portadores de doença grave, ou pessoas com deficiência, assim
definidos na forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais
débitos, até o valor equivalente ao triplo fixado em lei para configurar RPVs
artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante
será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório.
Desse modo, em suma, há algumas filas de pagamentos de
precatórios: I) créditos alimentares que os titulares tenham 60 (sessenta) anos
de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou sejam portadores de
doença grave, ou pessoas com deficiência, limitados ao triplo do valor do
Requisição de Pequeno Valor - RPV da Fazenda requerida; II) créditos
alimentares em geral e o excedente do créditos alimentares dos titulares que
tenham 60 anos ou doença grave, ou deficiência; e III) créditos normais ou
regulares.
Por fim, ratificando o acima esposado, os créditos alimentares devem
obediência ao pagamento pela ordem cronológica de apresentação de
precatórios com os privilégios de uma fila mais célere de adimplemento.
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111
PROCESSO E PROCEDIMENTO
ADVOGADO - LIQUIGAS - 2018 – CESGRANRIO
P promove ação através do procedimento comum em face de T. No prazo de
defesa, o sujeito passivo apresenta alegação de incompetência relativa,
aludindo que a comarca J não seria a prevista no contrato. Posteriormente,
após a designação de audiência de conciliação, passou a presidir o processo o
magistrado K, esposo da advogada do autor P. Cientificado, o réu apresentou
a defesa cabível, aduzindo parcialidade do juiz K. As alegações vieram a ser
rejeitadas por decisão monocrática do juiz K. Não houve interposição de
recurso contra a referida decisão. Não tendo as partes apresentado outras
provas, o juiz K proferiu sentença, julgando o pedido formulado pelo autor P
procedente, em parte. Apresentado o recurso por T, o mesmo veio a ser
julgado improvido, por maioria, tendo ocorrido a extensão do julgamento,
com quorum maior, mantido o mesmo resultado. Após o julgamento, não
havendo mais recursos, ocorreu o trânsito em julgado. A partir do caso
hipotético exposto, elabore um texto que apresente, com a devida
fundamentação jurídica, os temas processuais relevantes que estão presentes
essaàsituaç o,à o side a do:à•ài o pet ia;à•ài pedi e to;à•à e u sos;à•à
ação recisória.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Inicialmente deve ser apontado que o regime da incompetência
relativa foi modificado, passando a referida alegação a constar de
contestação, como matéria preliminar. Com o fito de facilitar a atuação do
réu, havendo alegação de incompetência relativa, pode a peça ser
apresentada no foro do domicilio do réu, com comunicação imediata ao Juízo
da causa, de preferência por meio eletrônico.
Caso a incompetência seja declarada, o Juízo que recebeu a
contestação será prevento para a ação proposta. O prazo para apresentação
da defesa continua de quinze dias, com as modificações dos prazos
diferenciados para os litisconsortes, para a Defensoria Pública, para o
Ministério Público e para a Fazenda Pública. Continua previsto o foro de
eleição, agora submetido ao regime de controle do juiz quanto à abusividade
da cláusula.
A atuação do magistrado K, esposo da advogada do autor P,
caracteriza impedimento, expressamente previsto no Código de Processo Civil.
O impedimento é uma nulidade absoluta que incide independentemente de
prejuízo para as partes. Deve ser apresentado como preliminar de contestação
ou a qualquer tempo a partir da data do evento que gera impedimento.
Havendo decisão proferida por juiz impedido há nulidade absoluta.
Ocorre que no regime atual do agravo de instrumento, não há previsibilidade
do referido recurso nessa hipótese, o que poderia levar à aplicação da
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112
jurisprudência quanto à possibilidade de impetração de mandado de
segurança contra ato judicial, previsto na lei especial de regência. Nesse caso,
a jurisprudência adita a circunstância de ter sido a decisão teratológica, o que
se revela no caso, pois, havendo alegação de impedimento, o juiz acusado
não pode decidir o processo nem o tema, cabendo a decisão ao tribunal.
Independentemente disso, havendo recurso de apelação, o impedimento seria
matéria passível de conhecimento ex officio por ser nulidade absoluta.
Havendo julgamento por maioria de votos, aplicou-se a técnica de decisão
prevista no Código que determina a ampliação do quorum de julgadores.
Transitada em julgado a decisão com nulidade absoluta, caberia a
apresentação de ação rescisória. A referida ação deve ser proposta no prazo
de dois anos a partir do trânsito em julgado.
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/ES – 2017 - FCC
Maria X divorciou-se de Paulo Y, tendo este sido atribuída a guarda do filho
menor do casal, Leopoldo Y. percebeu a mãe que o filho passou a ter
desempenho insatisfatório na escola, em razão da excessiva prática de jogos
eletrônicos de, especialmente influenciado por publicidade de empresa deste
ramo, que também incitava a violência, fatos ocultados pelo pai. diante disso,
ajuizou ação de modificação de guarda, tendo o juiz deferido tutela
antecipada e determinou a citação do réu Para comparecer à audiência de
mediação e conciliação, que se dividiu em algumas sessões. Nesse ínterim, o
réu passou a realizar campanha de desqualificação da conduta da autora no
exercício da maternidade, ao passo que a altura promoveu falsas denúncias
contra a avó paterna, dificultando a convivência dela com o neto. a partir
desses fatos , responda: a. Como se qualifica a publicidade que incitava a
violência; b. Se no julgamento do recurso cabível da concessão da tutela
antecipada , admite-se sustentação oral; c. Em que diferem as funções do
mediador e conciliador; d. O que caracterizam as condutas tanto da autora
como a do réu no interregno das sessões de audiência de mediação e
conciliação; e. Reconhecendo o juiz indício de prática desses atos(item d),
poderá de ofício, determinar alguma providência instrutória e como deverá
decidir?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Acerca do primeiro item da questão proposta, a publicidade que
incitava a violência configura a chamada publicidade abusiva, prevista no art.
37, §2º, do Código de Defesa do Consumidor.
Qua toà aoà ite à ,à o t aà aà de is oà ueà defe iuà aà a te ipaç oà deà
tutela é cabível a interposição do recurso de agravo de instrumento,
consoante disposto no art. 1.015, I, do CPC. Esse recurso, em regra, não
confere direito aos advogados a realizarem sustentações orais quando da
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113
realização da sessão, salvo nas hipóteses expressamente consagradas no art.
937, VIII, do CPC. Justamente uma delas é o agravo de instrumento interposto
em face das tutelas de urgência, como o presente caso.
Adiante, a distinção entre as funções de mediador e de conciliador é
uma das clássicas lições acerca dos meios alternativos de resolução de
conflitos. Enquanto o mediador é uma figura mais estática, apenas buscando
tentar fazer com que as partes cheguem naturalmente a um acordo mútuo
(não por acaso, o Código de Processo Civil determina em seu art. 165, §3º que
o mediador atuará preferencialmente em casos onde as partes tenham
vínculos anteriores, onde é mais crível que as partes cheguem a uma solução
comum). Por sua vez, o conciliador deve ter uma atuação mais direta e
incisiva, buscando diretamente a composição do conflito (vedada qualquer
espécie de intimidação, conforme exposto no art. 165, §2º, do CPC).
Noà ueàto aàaoàite à d ,à à i eg elà ueàasà o dutasàdoàpaiàeàdaà eà
acabam por caracterizar atos de alienação parental, conforme dispõe o art.
2º, da Lei 12.318/16, uma vez que claramente têm por finalidade induzir o
menor a repudiar o ex-cônjuge.
Caso o juiz reconheça indícios de alienação parental, deverá ouvir o
Ministério Público e zelar para que a integridade psicológica da criança seja
assegurada (art. 4º, da Lei 12.318/16). Para isso, poderá determinar a
realização de perícia psicológica ou biopssicossocial (art. 5º da Lei 12.318/16),
bem como diversos outros atos que visem a amenizar a alienação, como
aumentar o tempo de guarda com o genitor alienado, estipular multa,
determinar acompanhamento profissional, etc. (art. 6º da Lei 12.318/16).
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
a. Como se qualifica a publicidade que incitava a violência: trata-se de
publicidade abusiva (art. 37, § 2o, do CDC). b. No julgamento do recurso
cabível da concessão da tutela antecipada admite-se sustentação oral: o
recurso cabível é o de agravo de instrumento e, neste caso, é possível
sustentação oral (arts. 1015 I e 937, VIII, do CPC). c. Em que diferem as
funções do mediador e conciliador: o CPC delineou as funções do conciliador e
do mediador (art. 165, §§ 2o e 3o), nos seguintes termos: Artigo 165 § 2o O
conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver
vínculo anterior entre as parte, poderá sugerir soluções para o litígio sendo
vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para
que as partes conciliem. § 3o O mediador, que atuará preferencialmente nos
casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos
interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo
que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si
próprias soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. d. O que
caracterizam as condutas tanto da autora como a do réu no interregno das
sessões de audiência de mediação e conciliação: caracterizam atos de
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alienação parental conforme o artigo 2o da Lei no 12.318, de 26/8/2016. e.
Reconhecendo o juiz indício da prática desses atos (item d), poderá, de ofício,
determinar alguma providência instrutória e como deverá decidir: se
necessário determinará a realização de perícia psicológica ou biopsicossocial,
ouvido o Ministério Público, e poderá determinar as medidas provisórias
necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do
adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou
viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso. (arts. 4o a 6o,
da Lei no 12.318/2010).
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC
Discorra, fundamentadamente, acerca da cooperação judiciária, abordando o
tema na sua feição tradicional, nova configuração e atos concertados.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A processualística tradicional brasileira de cooperação jurisdicional
cingia-se as hipóteses de cartas precatórias, de ordem e rogatórias. O
Conselho Nacional de Justiça recomendou aos tribunais a criação dos juízes de
cooperação.
O Novo CPC trouxe novas feições com a cooperação entre todos os
sujeitos do processo segundo artigo 6º, a cooperação internacional nos termos
dos artigos 26 e 27, o auxílio direto previsto nos artigos 28 e 34 do CPC, a
cooperação nacional previstas nos artigos 67 e 69, a carta arbitral prevista no
art 237, IV e por fim, as hipóteses de conserto processual previstas no artigo
69, §2.
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-FORTALEZA/CE – 2017 - CESPE
A respeito do julgamento de casos repetitivos, conforme previsto no Código
de Processo Civil, atenda às determinações a seguir. 1 - Identifique as técnicas
ou os institutos processuais legalmente previstos para formar decisões que
serão consideradas como julgamento de casos repetitivos. [valor: 5,00
pontos] 2 - Diferencie os sistemas de causa-piloto e de procedimento-modelo
e os relacione com as técnicas ou os institutos processuais mencionados no
tópico anterior. [valor: 4,00 pontos] 3 - Discorra sobre a possibilidade de
utilização do instituto da reclamação no caso de decisão judicial que
desrespeite entendimento formado em julgamento de casos repetitivos.
[valor: 5,25 pontos]
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
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115
A questão versa sobre o julgamento de causas ou demandas
repetitivas, espécie que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos,
em especial por conta da explosão da litigiosidade. Nesse diapasão, as
demandas fundamentadas em uma mesma tese jurídica (e, na maioria das
vezes, em face dos mesmos réus – os chamados litigantes habituais, como a
Fazenda Pública ou prestadores de serviços bancários, por exemplo) parecem
ser o novo padrão de nosso sistema processual.
Tendo isso em mente, o Código de Processo Civil previu expressamente
dois instrumentos (um já existente em nosso ordenamento e outro
absolutamente novo) para o tratamento dessas demandas, conforme leitura
de seu art. 928: a) recursos especial e extraordinário repetitivos: baseados no
julgamento, por amostragem de causas paradigmáticas veiculadas em
recursos de caráter extraordinário (presente, portanto, apenas no STF e no
STJ); b) incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR): consistente no
julgamento, também por amostragem, de uma determinada tese jurídica que
fundamenta diversas causas repetitivas (podendo ser instaurado em qualquer
tribunal).
A doutrina costuma diferenciar dois sistemas de julgamento por
amostragem de causas repetitivas: causa piloto e procedimento modelo (ou
causa modelo). O primeiro baseia-se na escolha de uma determinada causa
para servir de paradigma para todas as demais, idênticas, mediante a
concepção da tese, além do julgamento efetivo desse processo (ou causa)
escolhido como paradigmático (considerando todos os seus nuances). Esse
sistema é adotado, sem maiores discussões, no caso dos recursos especial e
extraordinário repetitivos (conforme se verifica da leitura do art. 1.037 do
CPC).
Por outro lado, no sistema de procedimentomodelo não há,
propriamente, o julgamento da causa. Há uma cisão de competência, na qual
a fixação da tese jurídica é transferida para outro órgão, e que será
posteriormente aplicada pelo juízo competente originário (tal como já ocorre
há muito no incidente de arguição de inconstitucionalidade). Por se basear na
instauração de um incidente para a fixação da tese, parece que o IRDR tem
por inspiração o sistema de procedimento modelo. No entanto, o art. 978,
parágrafo único, do CPC determina que o órgão julgador do IRDR também
analisará o recurso que o deu causa, o que sugere uma confusa adoção do
sistema de causa piloto. Convém ressaltar que isso vem trazendo diversas
discussões doutrinárias acerca do sistema adotado pelo nosso ordenamento
no que toca ao IRDR.
Ademais, o CPC previu o cabimento de reclamação caso haja o
desrespeito a uma decisão proferida em IRDR, conforme se verifica do art.
988, IV. Logicamente, tal disposição busca prestigiar o precedente firmado no
julgamento por amostragem, dando força aos princípios da isonomia, da
segurança jurídica e da celeridade.
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116
Por outro lado, a disciplina do CPC acerca do paradigma fixado em
recursos especiais e extraordinários repetitivos é um pouco menos clara, tendo
em vista que o art. 988, §5º, II determina que a reclamação não será cabível
nessas hipóteses, salvo se esgotadas todas as instâncias ordinárias. Assim,
parece que será necessário que a parte maneje todos os recursos possíveis até
o STF ou STJ (incluindo-se aí eventual agravo interno contra decisão da
Presidência do Tribunal que verse sobre o regime de recursos repetitivos) até
poder fazer uso da reclamação.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
1 O CPC, em seu art. 928, considera como julgamento de casos repetitivos o
precedente decorrente da decisão firmada em (i) recursos especial ou
extraordinário repetitivos, com fundamento em idêntica questão de direito e
(ii) incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR). O julgamento tem
por objeto questão de direito material ou processual. Art. 928. Para os fins
deste Código, considera-se julgamento de casos repetitivos a decisão
proferida em: I – incidente de resolução de demandas repetitivas; II – recursos
especial e extraordinário repetitivos. Parágrafo único. O julgamento de casos
repetitivos tem por objeto questão de direito material ou processual. 2 No
sistema de causa-piloto, o órgão jurisdicional seleciona um caso para julgar e,
no exame do caso concreto, fixa o precedente (tese) a ser seguido nos
demais. Logo, os recursos repetitivos são processados como causa-piloto (art.
1.036, CPC) e, uma vez julgado o recurso-paradigma (piloto), fixa-se a tese
(precedente) para os casos sobrestados. No sistema do procedimento-modelo
(causa-modelo), por sua vez, instaura-se um incidente apenas para exame de
tese ou questão jurídica que formará o precedente. No caso do IRDR, o CPC,
em seu art. 978, parágrafo único, afirma que o órgão que julga o incidente e
fixa a tese examina também o recurso, a remessa ou a ação originária. A lei
não deixa claro se o julgamento do caso é concomitante ao da tese ou não.
Atualmente, existe divergência na doutrina sobre qual o modelo adotado no
Brasil. 3 O CPC estabelece que a tese aplicada no IRDR deve ser observada em
todos os processos pendentes e futuros que versem sobre idêntica questão de
direito. Ainda segundo a lei processual, se não observada a tese adotada no
incidente, caberá imediata reclamação para o tribunal que julgou o IRDR (vide
CPC, arts. 985 e 988, IV). Quanto ao julgamento de recursos extraordinário ou
especial repetitivos, estabelece o CPC que seria inadmissível reclamação se
não esgotadas as instâncias ordinárias (art. 988, § 5.º, II). Portanto, caso seja
possível ainda a interposição de algum recurso, como, por exemplo, agravo
interno contra decisão do presidente ou vice-presidente de tribunal, não
caberá reclamação.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA
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117
A cláusula geral de negociação processual prevista no art. 190, CPC, autoriza
que as partes convertam qualquer espécie de procedimento especial em
procedimento comum? Resposta objetivamente fundamentada.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Os procedimentos especiais se subdividirem em opcionais (ou
facultativos) ou obrigatórios, nos termos dos arts. 190 e 327, §2º, CPC.
Aos procedimentos especiais opcionais (exs: mandado de segurança,
ações possessórias, Juizados Especiais Cíveis, ação monitória etc.) se aplicam
irrestritamente as potencialidades decorrentes da cláusula geral de
negociação.
Já procedimentos especiais obrigatórios (exs: inventário e partilha,
interdição, desapropriação, falência, etc.) conduzem a um regime diverso de
aplicação da cláusula geral de negociação processual, não se aplicando, em
regra, a conversibilidade, salvo se se ampliar a garantia do núcleo essencial
que diferencia e justifica o procedimento especial; nos demais casos, a
irredutibilidade ao procedimento comum é absoluta.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/SC – 2016 – BANCA PRÓPRIA
No denominado Código Buzaid, as tutelas de urgência possuíam uma
organização estrutural diferente da disposição desse tema no atual Código de
Processo Civil. O tratamento da referida matéria em ambos os códigos possui
relevantes diferenças que podem ser consideradas, em muitos aspectos,
como avanços efetivos e, em outros, como simples manutenção de equívocos
que já deveriam ter sido superados. Ciente desses pressupostos, discorra
sobre as diferenças existentes nos referidos códigos quanto ao tema,
mormente no que tange aos fundamentos; à organização da matéria; aos
procedimentos; aos requisitos para deferimento; aos prazos para a ação ou o
pedido principal; aos recursos cabíveis; ao princípio da demanda; e à
aplicabilidade nas ações destinadas a promover interesses difusos e coletivos.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Não é surpresa para ninguém que o atual Código de Processo Civil,
publicado em 2015, é fundamentalmente diferente do anterior, o chamado
Código Buzaid (publicado em 1973). Concebidos em épocas distintas e sob a
égide de Constituições distintas, não é difícil apontar diferenças significativas
entre os dois códigos. E umas delas, sem dúvidas, refere-se à disciplina das
tutelas de urgência, tão em voga atualmente.
Com efeito, o Código de 1973 continha apenas uma disposição acerca
do tema: o art. 798, que tratava do chamado poder geral de cautela. Permitia
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118
que o juiz concedesse medidas provisórias (ainda que não previstas
expressamente no CPC) quando houvesse receio considerável de o direito da
parte sofrer lesão ou difícil reparação. Note-se que a ênfase recaía sobre a
possibilidade de dano sobre o direito da parte. Essa metodologia só foi
alterada com o advento da Lei nº 8.952/94 (mais de vinte após a edição do
Código), que concedeu nova redação ao art. 273, passando a prever o instituto
da tutela antecipada, tornando mais importante o tempo do processo (a
demora já representaria, em si mesma, um dano a ser reparado). Por usa vez,
o Código de 2015 já nasceu com a preocupação voltada para o tempo do
processo, inclusive concedendo um livro inteiro para o tema (Livro V da Parte
Geral – arts. 294 e seguintes).
Quanto ao procedimento, as tutelas de urgências no antigo CPC eram
absolutamente autônomas quando se tratavam de cautelares, apenas vindo a
ser incidentes quando da mudança que incluiu a antecipação de tutela. Por
outro lado, o Novo CPC estabelece o caráter sincrético como regra, ressalvada
a tutela de urgência concedida em caráter antecedente. Para serem deferidas,as cautela esàdoàC digoàBuzaidà e ue ia àaà fu açaàdoà o àdi eitoà fu usà
o iàiu is àeàoàpe igoà aàde o aà pe i ulu ài à o a à- arts. 798 e 801, IV).
Já a tutela antecipada requeria a presença dos seguintes requisitos: a)
prova inequívoca (art. 273); b) verossimilhança das alegações (art. 273); c)
fundado receio de dano ou abuso no direito de defesa (art. 273, I e II); d)
possibilidade de reversibilidade da medida (art. 273, §2º) ou pedido total ou
parcialmente incontroverso (art. 273, § 6º). Já o Código atual, requer a
existência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo
de dano ou o risco ao resultado útil do processo (art. 300) e a ausência de
perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º), no caso da tutela de urgência
antecipada). Já na tutela de evidência não se aplica o último requisito,
afastando-se a necessidade da demonstração do perigo de dano ou de risco
ao resultado, acrescendo-se, também, que ela se enquadre em alguns dos
incisos do art. 311.
Com relação aos prazos para propor a demanda principal, o antigo CPC
estabelecia 30 dias a contar da efetivação cautelar preparatória (art. 806). No
Código atual o prazo é de 15 dias da concessão da tutela antecedente,
podendo ser aumentado pelo juiz (art. 303, §1º, I). Os recursos desafiados pela
concessão (ou denegação) da tutela de urgência, contudo, não apresentam
grandes diferenças em ambos os Códigos: agravo de instrumento, caso a
decisão seja interlocutória, ou apelação, caso seja sentença.
Ademais, enquanto a cautelar de Buzaid podia ser concedida de ofício
(art. 798), a tutela de urgência do atual Código depende de requerimento da
parte (arts. 303 e 305), em observância ao princípio da demanda. Finalmente,
às cautelares eram aplicáveis as ações coletivas, tendo em vista o disposto no
art. 4º da Lei 7.347/85. Contudo, o dispositivo parece ter sido revogado
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119
tacitamente pela nova disciplina da tutela de urgência do Novo CPC,
perfeitamente aplicável ao microssistema de tutela coletiva.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
1. Fundamentos - 1.1. Buzaid - Interesse do processo (interesse público e
exercício de polícia do processo); visava proteger o bem objeto da pretensão
(798). Apenas com a inserção da antecipação dos efeitos da tutela no art. 273
é que a ênfase passou a ser o ônus do tempo do processo sofrido pelas partes.
1.2. CPC - Utilização de técnicas processuais que viabilizem a distribuição
isonômica do ônus do tempo no processo, volta-se mais para a proteção do
próprio direito da parte. "[...] a resposta do Poder Judiciário deve ser rápida
não só em situações em que a urgência decorre do risco de eficácia do
processo e do eventual perecimento do próprio direito. Também em
hipóteses em que as alegações da parte se revelam de juridicidade ostensiva
deve a tutela ser antecipadamente (total ou parcialmente) concedida,
independentemente de periculum in mora, por não haver razão relevante
para a espera, até porque, via de regra, a demora do processo gera
agravamento do dano". (exposição de motivos) 0,050 2. Organização da
matéria - 2.1. Buzaid - Previsto em livro próprio (Livro III, 796 a 889). Poder
Geral de Cautela previsto no 798. Cautelares inominadas (798), nominadas
(813 a 889 arresto, sequestro, caução, busca e apreensão, exibição, produção
antecipada de provas, alimentos provisionais, arrolamento de bens,
justificação, protestos, notificações e interpelações, homologação do penhor
legal, posse em nome do nascituro, atentado, protesto e apreensão de títulos,
separação de corpos e outras medidas provisórias). Por modificação trazida
pela lei 8.952/94, foi estabelecido no 273 a possibilidade de se conceder a
antecipação da tutela, substituindo a prática forense de dar caráter satisfativo
a algumas cautelares. 0,100 2.2. CPC - Trata a matéria no Livro V (294 a 311),
sob o título Tutela Provisória como incidente do processo. Trouxe como
gênero a tutela provisória no 294, estabelecendo com espécies a tutela de
urgência e a de evidência, sendo aquela dividida ainda em de natureza
cautelar (294, parágrafo único e 301 - arresto, sequestro, arrolamento de
bens, registro de protesto contra alienação de bens e qualquer outra medida
idônea para asseguração do direito), ou de natureza antecipatória (294,
parágrafo único). 0,100 3. Procedimentos - 3.1. Buzaid - Procedimento
autônomo (processualmente), vinculado à uma lide principal. Estabelecia um
rito para as cautelares inominadas (801 a 803) e ritos diferenciados para as
cautelares nominadas (813 a 889). Possuía previsão expressa quanto à
fungibilidade no 273, §7º. A antecipação da tutela, por sua vez, deveria ser
requerida incidentalmente: na inicial da lide ou no transcorrer da lide
principal. 0,100 3.2. CPC - Consolida o modelo procedimental sincrético,
interno ao procedimento comum ou de execução. Postulada na inicial (299,
primeira parte), ou antecipadamente ao juiz competente para conhecer do
pedido principal (299, segunda parte), havendo, neste caso, custas. Na tutela
antecipada requerida em caráter antecedente, o rito está nos arts. 303(c/c
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334 e 335)-304. Na requerida em caráter antecipado, o rito está nos arts. 305-
310 (308 c/c 334 e 335). Concedida a tutela antecipada, ela torna-se estável
caso não haja recurso, extinguindo-se (arquivando-se) o processo. Este,
todavia, poderá ser desarquivado mediante pedido de qualquer das partes,
sendo que este direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada,
extingue-se após dois anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o
processo. No caso da tutela de evidência, obedecerá a norma geral do 299 e
311, sendo possível a decisão liminar apenas nos casos dos incisos II e III.
Fungível qualquer uma delas em relação às outras. 4. Requisitos para
deferimento 4.1. Buzaid - Fumus bonis juris e periculum in mora, no caso das
cautelares (art. 798 e 801, IV). No tocante a antecipação da tutela, além da
presença do perigo na demora, exigia-se: . prova inequívoca (273, caput), .
verossimilhança das alegações (273, caput) . fundado receio de dano ou abuso
no direito de defesa (273, I e II) . possibilidade de Reversibilidade da Medida
(273 §2º), ou. pedido(s) total ou parcialmente incontroversos 273, § 6º) 0,100
4.2. CPC - Existência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito
e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo (art. 300). No caso
da tutela de urgência de natureza antecipada acrescenta-se ausência de
perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º). No tocante a tutela de evidência,
afasta-se a necessidade da demonstração do perigo de dano ou de risco ao
resultado, e exige uma das hipóteses previstas nos incisos do art 311. 0,100 5.
Prazos para propositura da ação principal ou pedido principal - 5.1. Buzaid - 30
dias a contar da efetivação da medida cautelar requerida (806). 0,100 5.2. CPC
- Na tutela antecipada requerida em caráter antecedente, o prazo para
confirmar o pedido é de até 15 dias, ou maior que o juiz fixar, contados da
concessão da tutela (303, §1º, I). Na tutela cautelar requerida em caráter
antecedente, o prazo é de até 30 dias, a contar da efetivação da medida.
0,100 6. Recursos - 6.1. Buzaid - Apelação civil quando concedida a tutela
mediante sentença que decide o processo cautelar (520, IV), ou agravo
quando se tratar de liminar concedida em pedido incidental na ação principal.
0,100 6.2. CPC - Agravo de instrumento quando tratar-se de decisão
interlocutória que concede, denega ou posterga indevidamente a tutela
provisória (1015, I), e apelação quando confirmada, concedida ou revogada
em capítulo da sentença (1013, § 5º) que julgar denegada na sentença. 0,100
7. Princípio da demanda 7.1. Buzaid- Tutelacautelar de ofício pelo juiz sob o
argumento de que estaria protegendo o próprio processo (798). 0,100 7.2.
CPC- Por compreender a tutela cautelar como uma tutela ao direito da parte,
seu deferimento submete-se à regra geral que exige requerimento (2º, 295,
303 e 305), mormente em razão do regime de responsabilidade objetiva
inerente à sua fruição (302), o qual a parte pode não querer submeter-se. O
código, todavia, prevê algumas hipótese nas quais esse princípio é mitigado:
643, parágrafo único, e 830) 0,100 8. Direitos difusos e coletivos - 8.1. Buzaid -
Havia previsão no art. 4º da Lei da ACP quanto às cautelares. No que tange à
antecipação da tutela, esta era aplicável em razão do contido nos arts. 19 e 21
da Lei da ACP, mormente o 84, 3º e § 5º, e 90 do CDC (microssistema da
tutela coletiva). 0,050 8.2. CPC - Tacitamente revogado o 4º da LACP, as novas
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tutelas provisórias permanecem aplicáveis em virtude do art. 19 da Lei da ACP
e 84, 3º e § 5º, e 90 do CDC. 0,050
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE
Qual o fundamento da intervenção de terceiro?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Intervenção de terceiros é uma espécie de fato jurídico processual que
gera modificação em um processo já existente, de forma que o terceiro entra
em um feito pendente. O novo CPC promoveu mudanças relevantes na
intervenção de terceiro e, ante a sua topografia, é possível concluir que ela
poderá ocorrer em todos os procedimentos. Regra geral, o interesse que
permite a intervenção é o jurídico, devidamente justificado.
Assim, o interesse jurídico do terceiro é que, a depender do resultado
da demanda em que se quer intervir, a repercussão na esfera deste pode ser
no sentido de criar, modifica ou extinguir direitos e obrigações. Logo, a
legislação processual permite, ante determinadas situações e com base
realização de um senso de justiça, que alguém intervenha em um processo
pendente.
No CPC anterior eram as seguintes modalidades de intervenção de
terceiros: assistência; oposição; nomeação à autoria; denunciação da lide; e
chamamento ao processo. No atual CPC a oposição deixou de ser uma
modalidade específica de intervenção de terceiros e tornou-se um
procedimento especial. Por sua vez, a nomeação à autoria deixou de existir
por conta do art. 339, de forma que quando o réu alegar em sede de
preliminar a ilegitimidade de parte, deverá indicar o sujeito passivo da relação
jurídica, sempre que tiver de conhecimento, sob pena de arcar com as
despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da
falta de indicação.
Ainda sobre o novo CPC, aponta-se que o amicus curiae também é uma
espécie de intervenção de terceiros. O amicus curiae é um terceiro que
ingressa no processo para fornecer subsídios ao órgão jurisdicional para o
julgamento da causa. Pode ser pessoa natural ou jurídica, e até mesmo um
órgão ou entidade sem personalidade jurídica, mas deve possuir a
chamada representatividade adequada, isto é, alguém capaz de representar,
de forma adequada, o interesse que busca ver protegido no processo.
Por fim, embora a regra geral da intervenção de terceiros envolva o
interesse jurídico, o art. 5º, parágrafo único, da Lei nº 9.469/97 prevê a
possibilidade de a União intervir (intervenção anômala) sem que haja
necessariamente um interesse jurídico.
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PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ
Qual o alcance da estabilização da decisão de organização e saneamento do
processo?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O art. 357 do CPC apresenta a complexidade e, ao mesmo tempo, a
síntese de um Código que busca o equilíbrio entre o que se denomina na
doutrina de privatismo e publicismo processual, ainda que seu modelo de
preclusões rígidas receba crítica de ambas as vertentes.
O cerne da decisão saneadora, em seu novo dimensionamento
conferido pelo atual CPC, está na possibilidade de diálogo compartilhado ou
consensual entre o juiz, as partes e o Ministério Público, caso intervenha como
fiscal da ordem jurídica.
A decisão de organização e saneamento do processo somente será
necessária em caso de prosseguimento do procedimento para uma fase
instrutória bem especificada, ou seja, desde que não tenha havido extinção do
processo com ou sem resolução do mérito.
Com efeito, a denominada fase de saneamento acompanha todo o
procedimento desde o início (exemplos: arts. 321 e 485, §3º, CPC), mas se
concentra no momento posterior ao esgotamento do prazo para a resposta do
réu, quando, então, o juiz, de acordo com as peculiaridades do processo, deve
adotar providências que possibilitem o julgamento conforme o estado do
processo (art. 347 do CPC).
É importante notar que a atividade de saneamento do magistrado não
se esgota nessa fase, que se caracteriza, apenas, pela concentração de atos de
regularização do processo.
Exemplificativamente, são as seguintes algumas das providências
preliminares que podem ser adotadas pelo juiz, com a ressalva de que há
outras tantas possibilidades de surgirem incidentes como intervenção de
terceiros e oferecimento de reconvenção: apresentada defesa indireta, intima-
se o autor para apresentar a réplica, (arts. 350-351 do CPC); em caso de
defesa direta, não haverá intimação para a réplica, intimando-se o autor
apenas se houver juntada de documentos; apresentados documentos na
réplica, o réu deverá ser intimado para manifestar-se sobre eles (§ 1º do art.
437 do CPC); havendo defeitos processuais, as partes devem ser intimadas
para regularização (art. 352, CPC).
Após essas providências preliminares, caso sejam necessárias, o
processo pode ser extinto sem resolução do mérito ou com resolução do
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mérito (julgamento antecipado, autocomposição ou decadência, por exemplo)
ou pode ser proferida a decisão de organização e saneamento do processo.
Verifica-se, portanto, que a decisão de organização e saneamento
possui importância central quando necessária, mas não se trata de um
momento inerente a todos os processos jurisdicionais, já que o procedimento
comum do processo civil brasileiro apresenta quatro possibilidades de
percurso para a análise do mérito: improcedência liminar do pedido (art. 332,
CPC); julgamento antecipado do mérito (arts. 355-356, CPC); extinção do
processo em razão da não impugnação de tutela provisória satisfativa de
urgência concedida em caráter antecedente (arts. 303-304, CPC); julgamento
do mérito após instrução complementar (normalmente com designação de
audiência de instrução). Somente nessa última hipótese há necessidade de ser
proferida decisão de organização e saneamento do processo, quando, então,
serão resolvidas as questões processuais ainda pendentes (art. 357, I, CPC),
serão delimitadas as questões de fato sobre as quais recairá a atividade
probatória, especificando os meios de prova admitidos (art. 357, II, CPC); caso
tenha sido deferida a produção de prova testemunhal, será fixado o prazo
para as partes apresentem rol de testemunhas (art. 357, § 4º, CPC), cujo
número não pode ser superior a dez, sendo três, no máximo, para a prova de
cada fato (art. 357, § 6º, CPC), podendo ser redimensionado diante
complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados (art. 357, §
7º, CPC); além disso, será definida a distribuição do ônus da prova (art. 357, III,
CPC); não só as questões fáticas devem ser fixadas nesse momento processual,
mas também as questões de direito relevantes para a decisão do mérito (art.
357, IV, CPC); se necessário, será designada audiência de instrução e
julgamento (art. 357, V, CPC). Entre uma audiência de instrução e outra,
haveráintervalo mínimo de uma hora (art. 357, § 9º, CPC).
Evidentemente, os cinco incisos do art. 357 do CPC configuram rol
meramente exemplificativo e não exaurem o conteúdo possível da decisão de
saneamento e organização do processo e o próprio CPC se vale desse marco
procedimental para outras questões, como a estabilização objetiva da
demanda.
Ainda sobre a decisão de organização e saneamento, é oportuno
assinalar que a recorribilidade das decisões afeta a ocorrência de preclusão e
o recurso cabível será o agravo de instrumento ou a apelação, dependendo da
análise do rol do art. 1.015, CPC, cuja amplitude ainda é objeto de forte
divergência doutrinária e jurisprudencial.
De todo modo, a decisão de saneamento e organização do processo é
um marco de estabilização do processo, cabendo anotar que o CPC mantém a
tradição de rigidez temporal e ampliou as possibilidades de situações que
ensejam estabilizações processuais, como na disciplina da tutela provisória de
urgência antecedente e ao possibilitar estabilização convencional.
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Em se tratando de convenção processual, a propósito, a decisão de
organização e saneamento é um momento propício para a incidência de
convenções processuais e também da promoção de momento de efetiva
participação das partes, podendo também produzir convenção processual que
verse especificamente sobre os temas do art. 357, CPC, como didaticamente
expõem os parágrafos 1º a 3º do referido dispositivo. As matérias
convencionadas ou decididas nessa fase – sempre a partir do contraditório
previsto nos arts. 9º e 10, CPC – se tornarão estáveis, de acordo com a parte
final do parágrafo primeiro do art. 357, CPC.
Os limites do conteúdo de convenção processual sobre o saneamento é
matéria muito ampla e controvertida, não se relacionando diretamente à
questão da prova, mas deve ser assinalada essa possibilidade, já que a própria
estabilidade do saneamento pode ser integralmente convencional.
A eficácia preclusiva da decisão de organização e saneamento costuma
receber solução diversa se o conteúdo decisório é positivo ou negativo sobre a
admissibilidade do procedimento. Caso a decisão seja negativa, isto é, o
processo seja extinto sem resolução do mérito, considera-se preclusa a
decisão; já quando se trata de decisão com conteúdo positivo, há
posicionamentos de que não haveria preclusão, sob o argumento de que as
questões processuais de ordem pública podem ser revistas a qualquer tempo e
grau de jurisdição (art. 485, §3º, CPC). Há também forte manifestação
doutrinária no sentido de que é artificial qualquer distinção entre a decisão
positiva ou negativa sobre a admissibilidade, incidindo a preclusão sobre
qualquer matéria decidida (arts. 505 e 507, CPC).
Evidentemente, os fatos supervenientes não estão cobertos pela
eficácia preclusiva pela singela razão de que não foram – nem poderiam –
considerados à época, de modo que não se trata a rigor de exceção à
estabilidade, mas, sim, de impossibilidade lógica de preclusão.
A recorribilidade das matérias objeto da decisão de saneamento
reforça a ocorrência da eficácia preclusiva e, portanto, da estabilidade, já que,
caso não se recorra ou após o julgamento do recurso, a matéria não poderá
ser mais discutida.
Enfim, há fortes argumentos para todos esses posicionamentos e,
ressalvando a existência da controvérsia, parece-nos que a finalidade precípua
da decisão de organização e de saneamento é exatamente possibilitar a
estabilidade do processo e, assim, fornecer a segurança jurídica para todos os
sujeitos que dele participam.
Quando se indaga sobre o alcance da estabilização, há pelo menos
duas possibilidades essenciais de abordagem: a primeira foi anunciada nas
linhas anteriores e se relaciona com o aspecto externo da decisão, ou seja,
com a eficácia preclusiva; a outra dimensão desse alcance da estabilização
relaciona-se com o aspecto interno da decisão, isto é, com seu conteúdo. Esse
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segundo sentido assume peculiar importância para a resposta da questão,
quando se tem em vista que o ponto sorteado é critério de balizamento da
pergunta que, afinal, mostra-se bastante aberta.
Sendo assim, especificamente sobre o alcance da estabilização da
decisão de organização e saneamento, quando cotejado com o ponto nº 3 do
programa, há que se abordar o tema relacionado aos aspectos objetivos e
subjetivos da demanda.
Quanto à estabilização objetiva da demanda, o art. 329, II, CPC, dispõe
que o autor poderá, até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido
e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório
mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de quinze
dias, facultado o requerimento de prova suplementar.
Há, portanto, liberdade total para o autor antes da citação do réu;
após a citação, somente com a concordância do réu pode haver alteração
objetiva, desde que até decisão de organização e saneamento, quando, então,
haverá estabilidade objetiva absoluta.
Diante da relevância de eventual alteração da causa de pedir e do
pedido, o dispositivo fixa um prazo mínimo de quinze dias úteis para
manifestação do réu. Embora o direito positivo confira efeitos positivos ao
silêncio, no caso da estabilização objetiva da demanda, o CPC parece
trabalhar com um regime restritivo, de modo que apenas a anuência expressa
deve autorizar a modificação dos elementos objetivos.
Seria possível admitir a possibilidade de o silêncio significar anuência
apenas no caso de intimação específica para essa finalidade, com a devida
advertência expressa para a parte. No caso de reconvenção, incide a mesma
regra de estabilidade objetiva, por força do disposto no parágrafo único do
art. 329, CPC. Essa rigidez tradicionalmente adotada pelo legislador
processual se mostra inadequada e insuficiente quando se vislumbra a
dinamicidade das relações veiculadas em processos mais complexos,
especialmente naqueles que vêm sendo denominados de estruturais, quando
situações não necessariamente supervenientes justificariam alterações
objetivas. ,
Já a denominada estabilização subjetiva também deve ser analisada
não só mirando o processo individual, mas também o coletivo, quando a
concorrência da legitimação ativa e a dinâmica subjetiva que pode surgir
nesses processos também não recomendam um sistema rígido e
aprioristicamente definido.
Há que se ressaltar, ainda, que a segunda parte do art. 264 do Código
anterior não foi reproduzida na atual codificação, de modo que a reprodução
de um sistema de estabilização subjetiva na fase de saneamento mais se deve
à tradição do que ao direito positivo.
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Note-se que a disciplina da intervenção de terceiros pode subverter
tranquilamente esse sistema rígido, como no caso da desconsideração da
personalidade jurídica e do amicus curiae.
A manutenção de um sistema rígido de estabilidade da decisão de
organização e saneamento pelo CPC encontra em certa medida contradição
com o próprio sistema por ele adotado de flexibilização do procedimento pelas
partes e pelo juiz e inspirado pela boa-fé objetiva, merecendo reflexão se
todas as matérias que podem ser objeto da referida decisão devem receber
uniformidade de tratamento sob o aspecto da estabilidade.
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PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA
Em ação objetivando o fornecimento de medicamentos essenciais à vida de
indivíduo maior e capaz, por ele ajuizadaem face do Município e do Estado do
Rio de Janeiro, o juiz deixa de intimar o Ministério Público a intervir no feito
com fundamento no artigo 178, parágrafo único, do Código de Processo Civil,
e com amparo na eficiente representação dos entes públicos nos autos.
Lastreia-se, ainda, no fato de a demanda versar sobre direito individual. Avalie
a decisão judicial e seus fundamentos. Resposta objetivamente
fundamentada.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A decisão judicial viola a prerrogativa institucional do Ministério
Público que assegura aos seus membros o juízo exclusivo na identificação do
interesse público, sendo necessária a remessa de vista dos autos.
Com efeito, o disposto no art. 178, parágrafo único, do Código de
Processo Civil prevê apenas que a participação da Fazenda Pública não
configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério Público, de modo
que a sua eficiente representação não tem o condão de afastar a intervenção
ministerial quando a participação do Ministério Público se justifica por razão
diversa.
Na questão em exame, a intervenção é obrigatória por se tratar de
demanda objetivando o fornecimento de medicamento essencial à vida de
indivíduo, o que evidencia a tutela de direito individual indisponível (direito à
saúde/vida), além de refletir interesse vinculado à prestação do serviço público
de saúde, sendo irrelevante tratar-se de autor maior e capaz.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2016 – BANCA PRÓPRIA
Discorra sobre os efeitos da instauração do Inquérito Civil.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A instauração de Inquérito Civil produz vários efeitos jurídicos, seja na
própria área do direito material atinente à tutela dos interesses
transindividuais, seja até mesmo nas áreas administrativas e penal.
Tem como efeitos principais, os seguintes: a) publicidade da própria
instauração e dos atos praticados no inquérito civil, salvo sigilo legal ou por
conveniência da instrução; b) possibilidade de praticar atos administrativos
executórios no curso do Inquérito Civil (v.g., expedição de notificações e
requisições, determinação de condução coercitiva, realização de vistorias); c)
óbice à decadência na forma prevista no art. 26, §2º, III do Código de Defesa
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128
do Consumidor (Lei nº 8.078/90); d) aproveitamentos dos atos em juízo, seja
para embasar pedidos de medidas liminares, seja no julgamento da ação, se
em harmonia com os atos instrutórios; e) utilização dos atos ali colhidos para
embasar a atuação do Ministério Público (v.g., propositura de ações civis
públicas, tomada de compromissos de ajustamento de conduta, expedição de
recomendações); f) impossibilidade de arquivamento, sem controle do órgão
colegiado competente; g) possibilidade de coleta direta de todas as provas
admissíveis em Direito, exceto aquelas que dependem de ordem judicial; h)
respeito aos direitos do investigado.
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PROVAS
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF5 – 2018 - CESPE
Em que consiste a prova diabólica? Quando houver prova bilateralmente
diabólica, como deve o juiz proceder? A quem cabe o ônus da prova?
Justifique.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O chamado direito probatório apresenta-se como um dos temas mais
importantes no Direito Processual Civil. Com efeito, a mera evidência não
serve ao julgador: não há argumento mais contundente que a prova dos fatos
(seja ela documental, testemunhal ou de qualquer outra espécie). Os romanos
dizia à ueàalega àeà oàp o a à à uaseàoà es oà ueà oàalega à allegatioàetà
o àp o atioà uasià o àallegatio .
Nesse contexto, é de suma importância estabelecer quais sujeitos
processuais serão os responsáveis pela produção dessas provas. A distribuição
do ônus probatório pode ser considerada até mesmo uma decisão política, vez
que poderá determina a sobreposição de um determinado sujeito processual
sobre o outro, privilegiando aquele que acusa ou aquele que defende.
Em nosso ordenamento, o ônus da prova do fato constitutivo do direito
incumbe a quem acusa; ao defensor, incumbe a prova de fatos extintivos,
impeditivos ou modificativos do direito pleiteado (art. 373 do CPC). Contudo,
podem ocorrer casos em que essa distribuição pré-determinada (e, por conta
disso, denominada de estática) implicaria em verdadeiras injustiças,
praticamente subjugando uma das partes envolvida e cerceando
desproporcionalmente a possibilidade de provar seu direito.
Quando uma situação assim ocorre, está-se diante da chamada prova
diabólica. Essa prova, portanto, está presente nas hipóteses em que se torna
impossível (ou excessivamente difícil ou desproporcional) para uma das partes
produzir a prova necessária para se desincumbir de seu ônus. Por exemplo: a
prova de um fato negativo, ou, ainda, a parte ter o ônus de gravar e acostar
todas as dezenas de conversas telefônicas que efetuou para um prestador de
serviço. O tema é regulado pelo Código de Processo Civil que, em seu art. 373,
§§ 1º e 2º, prevê a redistribuição do ônus caso a prova revele-se diabólica.
Por fim, conceitua-se como prova duplamente diabólica aquela que
acaba revelando-se difícil ou impossível para qualquer um dos sujeitos
processuais que integram a demanda. Surge, portanto, uma discussão acerca
de sobre qual deles deverá recair o ônus. Majoritariamente entende-se que o
ônus deve ser da parte que originariamente seria a responsável por ele, a fim
de evitar que a sua distribuição dinâmica acabe prejudicando a outra parte,
que não seria normalmente a responsável pela desincumbência daquele ônus.
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PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
As regras sobre ônus da prova possuem duas dimensões: subjetiva e objetiva.
Explique cada uma dessas dimensões.
SUGESTÃO DE RESPOSTA: ver questão abaixo
Em processo civil, denomina-se ônus da prova o encargo que deve ser
assumido pela parte a fim de que possa firmar a convicção do juízo acerca de
suas alegações, sob pena de sofrer um prejuízo: o julgamento desfavorável
naquele processo. Por outro lado, considerando que é vedado ao julgador se
a ste à deà de idi à edaç oà aoà o à li uet ,à aà dist i uiç oà desseà usà à deà
suma importância para o desfecho da demanda.
Por regra, cabe ao autor provar os fatos constitutivos de seu direito, ao
passo que ao réu cabe provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou
extintivo do direito autoral, consoante dispõe o art. 373 do CPC, que é a regra
geral para a distribuição do ônus da prova. Contudo, a lei excepcionalmente
dispõe de maneira diferente, procurando tutelar interesses em geral mais
frágeis ou difíceis de provar: é a chamada inversão do ônus da prova, existente
no caso de propaganda enganosa (art. 38 do CDC) e de demanda proposta por
consumidor (art. 6º, VIII do CDC).
Ademais, o novo Código de Processo Civil, publicado em 2015, trouxe
uma disposição ainda mais ousada. Cuida-se da chamada distribuição
dinâmica do ônus da prova, consagrado no art. 373, §1º. Sua lógica é a de
consagrar a regra geral, exposta acima e existente no caput do mesmo artigo;
contudo, conforme o caso concreto, o julgador seria livre para redistribuir esse
ônus consoante suas peculiaridades. Seu fundamento principal é o princípio do
acesso à justiça, em sua vertente que prega a proteção às partes que
apresentam dificuldades (práticas ou financeiras) de conseguir provar seu
direito pela regra ordinária.
O CPC expõe alguns requisitos para a aplicação dessa regra específica:
a) demanda em que a prova seria mais difícil pela regra geral; b) decisão
fundamentada; c) possibilidade de a parte prejudicada se desincumbir do ônus
(a distribuição dinâmica não pode ser aplicadana sentença – segundo
interpretação do art. 357, III do CPC, o despacho saneador seria o momento
ideal para a sua efetivação, eis que antes da sentença e após a manifestação
inicial de ambas as partes); d) vedação à redistribuição que provocar, para a
parte prejudicada, a necessidade excessivamente difícil ou impossível de
produção da prova (art. 373, §2º).
Finalmente, não se pode deixar de notar que o art. 373, §§3º e 4º
permite a aplicação da distribuição dinâmica do ônus da prova mediante
convenção entre as partes. Ela é vedada, contudo, quando versar sobre
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direitos indisponíveis (aqueles tutelados pela Fazenda Pública, por exemplo)
ou quando tornar excessivamente difícil ou impossível a atuação de uma das
pa tesà oàp o essoàpa aàseàdesi u i àdoà o usàp o a di .
No que tange às dimensões, a subjetiva estipula a quem cabe o ônus
de provar em geral. Como dito, ao autor cabe a prova dos fatos constitutivos
de seu direito, enquanto ao réu cabe a prova dos fatos impeditivos,
modificativos e extintivos (art. 373 do CPC). A perspectiva subjetiva é
considerada como regra de instrução, isto é, as partes devem se atentar ao
ônus da prova no momento de sua produção. Isso também vale para eventual
alteração na distribuição do ônus pelo juiz: optando o magistrado pela
distribuição dinâmica, deve às partes ser dada a oportunidade de produzir as
provas.
Por sua vez, a perspectiva objetiva busca definir o resultado da causa
sempre que o juiz não tenha provas suficientes para julgar. Aqui, o ônus da
prova é visto como regra de julgamento, no sentido de que indica as
consequências negativas impostas à parte que não cumpriu seu ônus. A
dimensão objetiva tem aplicação subsidiária, pois só será considerada se,
mesmo com a produção de todas as provas, o juiz não tiver formado sua
convicção. Cabe, nesse caso, julgar a causa contra a parte que não se
desincumbiu do ônus.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil –
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016.
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Qual é a importância do elemento probatório para as hipóteses em que o
direito brasileiro prevê a incidência de precedentes nas decisões judiciais?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Quando o Código de Processo Civil trata da aplicação de precedentes, a
ideia é a de que casos iguais sejam decididos de forma igual. Portanto, a
identificação das provas é o elemento primário que determina a identidade
entre os casos.
Assim, para aplicar a mesma decisão, o magistrado deve apontar a
relação entre o precedente e o caso atual. Por outro lado, o magistrado pode
se utilizar dos elementos probatórios para diferenciar o precedente e o caso
atual. Nessa distinção, ou distinguishing, o elemento probatório é essencial,
pois é o que permite a comparação e a justificação de que casos diferentes
podem ser julgados de forma diferente.
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O fundamento legal que pode ser invocado é o art. 489, § 1º, incs. V e
VI, do CPC. A identificação do quadro fático depende das provas produzidas
nos autos, logo, aí está a relação entre provas e precedentes.
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AC – 2017 - FMP
Disserte sobre o tema da distribuição dinâmica do ônus da prova no âmbito
do Código de Processo Civil, esclarecendo seus fundamentos e características.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O ônus da prova é o encargo que deve ser assumido pela parte a fim de
que possa firmar a convicção do juízo acerca de suas alegações, sob pena de
sofrer um prejuízo: o julgamento desfavorável naquele processo. Sendo
vedado ao julgador se abster de decidir, a distribuição desse ônus é de suma
importância para o desfecho da demanda.
Usualmente cabe ao autor provar os fatos constitutivos de seu direito,
ao passo que ao réu cabe provar a existência de fato impeditivo, modificativo
ou extintivo do direito autoral, consoante dispõe o art. 373 do CPC, que é a
regra geral para a distribuição do ônus da prova. Contudo, a lei
excepcionalmente dispõe de maneira diferente, procurando tutelar interesses
em geral mais frágeis ou difíceis de provar: é a chamada inversão do ônus da
prova, existente no caso de propaganda enganosa (art. 38 do CDC) e de
demanda proposta por consumidor (art. 6º, VIII do CDC).
Já o Código de Processo Civil é dotado de uma disposição mais ousada.
Cuida-se da chamada distribuição dinâmica do ônus da prova, consagrado no
art. 373, §1º. Sua lógica é a de consagrar a regra geral, exposta acima e
existente no caput do mesmo artigo; contudo, conforme o caso concreto, o
julgador seria livre para redistribuir esse ônus consoante suas peculiaridades.
Seu fundamento principal é o princípio do acesso à justiça, em sua vertente
que prega a proteção às partes que apresentam dificuldades (práticas ou
financeiras) de conseguir provar seu direito pela regra ordinária.
O CPC expõe alguns requisitos para a aplicação dessa regra específica:
a) demanda em que a prova seria mais difícil pela regra geral; b) decisão
fundamentada; c) possibilidade de a parte prejudicada se desincumbir do ônus
(a distribuição dinâmica não pode ser aplicada na sentença – segundo
interpretação do art. 357, III, do CPC, o despacho saneador seria o momento
ideal para a sua efetivação, eis que antes da sentença e após a manifestação
inicial de ambas as partes); d) vedação à redistribuição que provocar, para a
parte prejudicada, a necessidade excessivamente difícil ou impossível de
produção da prova (art. 373, §2º).
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Finalmente, não se pode deixar de notar que o art. 373, §§3º e 4º
permite a aplicação da distribuição dinâmica do ônus da prova mediante
convenção entre as partes. Ela é vedada, contudo, quando versar sobre
direitos indisponíveis (aqueles tutelados pela Fazenda Pública, por exemplo)
ou quando tornar excessivamente difícil ou impossível a atuação de uma das
partes no processo para se desincumbi àdoà o usàp o a di .
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A distribuição dinâmica do ônus da prova tem fundamento legal expresso no
art. 373 parágrafo 1º, do Código de Processo Civil. Devem ser indicado os
antecedentes e fundamentos históricos da distribuição do ônus de prova no
direito brasileiro, com menção aos seguintes elementos: 1- A expansão da
técnica de inversão do ônus da prova para outras hipóteses de tutela de
direitos ou interesses difusos ou coletivos. 2- A diferença da técnica de
inversão do ônus da prova e distribuição dinâmica do ônus da prova. 3- A
recepção da distribuição dinâmica do ônus da prova no âmbito do atual
Código de Processo Civil: relação entre distribuição estática e distribuição
dinâmica. Características da distribuição dinâmica do ônus da prova no CPC,
devendo ocorrer menção aos seguintes elementos: 1- Momento da decisão
sobre o tema com indicação do art. 357, III do CPC. Caracterização como regra
de instrução/procedimento ou julgamento. 2- Possibilidade de distribuição do
ônus da prova por convenção na forma do art. 373, parágrafo 3º e 4º, do
Código de Processo Civil. 3- Vedação de distribuição do ônus que torne o
cumprimento do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil
p ovaàdia li a ,à aàfo aàdoàa t.à ,à2º do CPC.
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2011 - CESPE
O que você entende por princípio da aquisição em matéria de prova?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O princípio da aquisição em matéria de prova, também denominado de
princípio da comunhão da prova, aduz que deve o Juiz fundamentar a decisão
na prova dos autos, pouco importando quem tenha produzido (art. 371 do
CPC), de forma que a prova pertence aoprocesso e será, pelo seu valor
intrínseco, sopesada pelo Juiz, independentemente de se ter originado da
atividade deste ou daquele litigante, ou mesmo de atividade oficiosa do Juiz.
Com isso, depreende-se que, embora seja o convencimento do juiz que defina
a valoração da prova, não é ele o destinatário da prova, mas sim o próprio
processo. A prova não é feita para o Juiz, mas sim produzida para o processo.
Logo, o juiz deve julgar segundo o alegado no processo, ou seja, a
parte faz a prova para que seja adquirida pelo processo. Feita a prova,
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134
compete à parte convencer o juiz da existência do fato e do conteúdo da
prova. Ainda que o magistrado esteja convencido da existência de um fato,
não pode dispensar a prova se o fato for controvertido, não existir nos autos
prova do referido fato e, ainda, a parte insistir na prova.
Apesar de amplamente aceito na doutrina, apenas com o CPC atual o
aludido princípio foi positivado, no art. 371 (O juiz apreciará a prova constante
dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na
decisão as razões da formação de seu convencimento). Porém, importante
destacar um apontamento doutrinário acerca da confissão, com base no art.
391 do CPC. Segundo esse artigo, a confissão judicial faz prova contra o
confitente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes.
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135
SENTENÇA
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSC – 2017 - FCC
O autor ajuíza ação condenatória em que formula 3 (três) pedidos (A, B e C)
cada um deles no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). 1. Ao receber a
inicial, o juiz verifica que o pedido A dispensa fase instrutória e contraria
entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas
(IRDR) julgado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. 2. Apresentada a
contestação, o magistrado verifica que o réu reconhece o direito do autor em
relação ao pedido B, mas impugna o pedido C, alegando, preliminarmente,
ilegitimidade do autor e, no mérito, rebate os fatos alegados na inicial,
requerendo produção de prova pericial e testemunhal no que se refere a tais
fatos. O réu também contesta o pedido A. 3. Após a instrução, o magistrado
detecta ilegitimidade ativa em relação ao pedido C. Para cada um dos estágios
processuais (1, 2 e 3) realize o que se pede: Profira o dispositivo da decisão
cabível em cada um dos estágios processuais. Em seguida, discorra em
separado sobre sua natureza jurídica, recorribilidade e possibilidade de
retratação do juiz após eventual impugnação. (Elabore sua resposta definitiva
em até 40 linhas)
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
1. DISPOSITIVO: Julgo improcedente liminarmente o pedido A
formulado, com fulcro no art. 487, I c/c art. 332, III ambos do CPC, por
contrariar decisão proferida em incidente de resolução de demandas
repetitivas. Sem honorários advocatícios. Cite-se o réu quanto aos demais
pedidos.
A presente decisão configura uma interlocutória de mérito, consoante
disposto nos arts. 203, § 2º, c/c art. 356 do CPC, e em especial por não ter
dado cabo ao processo, uma vez que existiam ainda mais outros dois pedidos
a serem apreciados. Em virtude disso, desafia o recurso de agravo de
instrumento (art. 356, § 5º do CPC), podendo o juiz se retratar em até 5 dias
(interpretação extensiva do art. 332, § 3º do CPC), desde que interposta a
apelação pela parte autora.
2. DISPOSITIVO: Tendo em vista o reconhecimento do pedido B, julgo
procedente o mencionado pedido, com fulcro no art. 487,à III,à a à doà CPC.à
Condeno o réu ao pagamento de honorários advocatícios, no percentual de 10
a 20% sobre o valor da condenação (art. 85, §2º do CPC). Quanto ao pedido C,
declaro saneado o processo e defiro a produção das provas testemunhal e
pericial requeridas, devendo vir o respectivo rol de testemunhas e de quesitos.
Ademais, designo audiência para o dia.
Quanto à primeira parte da decisão (pedido B), cuida-se de
interlocutória de mérito (por também não ter encerrado todo o processo),
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136
desafiada por agravo de instrumento. Quanto à segunda parte da decisão
(pedido C), cuida-se de decisão interlocutória saneadora, na forma do art. 357,
II, do CPC, não desafiando nenhum recurso para o tribunal, uma vez que não
se encaixa em nenhuma hipótese do art. 1.015 do CPC. A retratação, em
qualquer um dos casos, não é permitida (na primeira parte, por se tratar de
preclusão de decisão de mérito, conforme art. 494 do CPC; na segunda, por
conta da preclusão comum, conforme art. 505 do CPC).
3. DISPOSITIVO: Julgo extinto o feito sem julgamento de mérito em
virtude da ilegitimidade passiva, na forma do art. 485, VI do CPC. Condeno o
autor ao pagamento de honorários advocatícios, no percentual de 10 a 20%
sobre o valor da condenação (art. 85, §2º do CPC). Custas pela parte autora, já
que se sagrou vencida na maior parte dos pedidos.
A decisão em tela se caracteriza como uma sentença, pois encerrou
todo o processo, conforme art. 203, §1º do CPC. É desafiada pelo recurso de
apelação (art. 1.009 do CPC), podendo haver retratação em até 5 dias (art.
485, §7º do CPC), caso a parte autora venha a interpor o mencionado recurso.
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
Item I Ia. DISPOSITIVO: Julgo improcedente liminarmente o pedido A
formulado na inicial (CPC, arts. 487, I e 332, III). 0,200 0,200 Ib. Sem
honorários advocatícios. 0,100 0,100 Ic. Cite-se o réu. 0,100 0,000 Id.
RESPOSTA: Decisão interlocutória de mérito (CPC, arts. 203, § 2o, 332, III e
356). 0,100 0,100 Ie. Agravo de instrumento (CPC, art. 1.015, II e c/c art. 356,
§ 5o). 0,100 0,100 If. Há possibilidade de retratação (CPC, art. 332, § 3o c/c
1.018, § 1o). 0,100 0,100 Item II IIa. DISPOSITIVO: Homologo o
reconhecimento da procedência do pedido B / Julgo procedente o pedido B
para condenar o réu a pagar ao autor a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil
reais). 0,200 0,200 IIb. Condeno o réu ao pagamento de honorários
advocatícios, os quais fixo em [de 10 a 20]% sobre o valor da
condenação/pedido B. 0,100 0,000 IIc. Saneio o processo / Defiro a produção
da prova requerida / Designo audiência e/ou perícia. 0,100 0,000 IId.
RESPOSTA: Decisão interlocutória (de mérito) / saneadora (CPC, arts. 203, §
2o, 356 e art. 357, II). 0,100 0,100 IIe. Agravo de instrumento (CPC, art.
1.015, II e art. 356, § 5o). 0,100 0,100 IIf. Não há possibilidade de retratação
(CPC, arts. 494 e 505 = preclusão projudicato da decisão de mérito). 0,100
0,000 Item III IIIa. DISPOSITIVO: Extingo o feito sem resolução do mérito,
ante a ilegitimidade ativa ad causam. (CPC, art. 485, VI). 0,200 0,200 IIIb.
Condeno o autor ao pagamento de honorários advocatícios, os quais fixo em
[de 10 a 20]% sobre o valor do pedido C. 0,100 0,000 IIIc. RESPOSTA:
Sentença (CPC, arts. 203, § 1o e 485, VI). 0,100 0,100 IIId. Apelação (CPC, art.
1.009). 0,100 0,100 IIIe. Há possibilidade de retratação (CPC, art. 485, § 7o).
0,100 0,100 TOTAL 2,000 1,500 Observação: O candidato deve demonstrar
conhecimento técnico-forense, apontar os dispositivos legais aplicáveis e
resolver todas as questões no momento processual adequado.
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137
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSP - 2017 - VUNESP
Considerada a garantia constitucional da motivação das decisões judiciais,
discorra sobre os seguintes temas: a) Finalidades endoprocessuais (técnicas) e
extraprocessuais (políticas) da garantia. b) Possibilidade de motivação
implícita. c) Exceção constitucional à regra. d) Decisões interlocutóriasrestritivas à liberdade individual. e) Recebimento da denúncia e apreciação da
resposta à acusação.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Em seu art. 93, IX, a CRFB consagra o dever de motivação, que é uma
decorrência do princípio do devido processo legal. Como regra, todas as
decisões devem expor claramente as razões que levaram à sua conclusão, uma
vez que o jurisdicionado tem o direito de conhecer os motivos que levaram o
magistrado à tomada daquela decisão. Disso advém o que se convencionou
chamar de legitimidade pelo procedimento: o processo judicial (e suas
decisões, logicamente) só seria legítimo caso o procedimento tenha sido
integralmente observado.
Nesse prisma, a garantia da motivação exerce duas finalidades. A
primeira é denominada de endoprocessual, pois tem por finalidade precípua
possibilitar que as partes presentes no processo possam pleitear a reforma da
decisão que lhes foi desfavorável. Essa finalidade, denominada técnica ou
jurídica, proporciona que o indivíduo saiba as razões da decisão desfavorável e
maneje o recurso correto e com as razões adequadas.
Já a segunda é extraprocessual, tendo em vista que se direciona ao
exterior do processo, aos indivíduos que nele não se encontram litigando. Sua
finalidade precípua é permitir que toda a sociedade possa verificar se as
regras estão sendo seguidas pelo magistrado, evitando arbitrariedades. Veja-
se: se todo poder emana do povo (art. 1º, parágrafo único da CRFB), é
bastante lógico que por ela possa ser exercida essa sindicabilidade dos atos
jurisdicionais, em especial porque essa atividade não se submete a controle
externo de outro Poder (tal qual o Tribunal de Contas fiscaliza os atos
administrativos e o Judiciário julga a constitucionalidade de atos normativos).
No que tange à motivação implícita, ela pode ser definida como aquela
que não decorre diretamente das palavras expostas na fundamentação, pois
não foi assertivamente exposta pelo julgador. Decorre de dedução feita acerca
dos argumentos expressamente postos no texto da decisão. Por exemplo: a
parte ré alega sua ilegitimidade passiva e o magistrado nada diz sobre o tema;
contudo, ao analisar o mérito, dá a entender claramente que a parte é
perfeitamente legítima para responder pelo direito posto em jogo no processo.
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Muito embora não tenha havido a análise detida da preliminar, pode-se notar
que a questão acabou sendo implicitamente decidida.
A juridicidade da motivação implícita é um tema muito sensível, pois
apresenta duas implicações principais. A primeira é sua diferenciação em
relação à motivação inexistente, quando temos uma decisão omissa. Isso, por
certo, leva à invalidade da decisão, devendo ser sanada por embargos de
declaração. Contudo, no expediente forense, esse recurso não costuma
apresentar muito resultado prático, o que só pode ser tratado com a
interposição de recurso que busque reformar propriamente a decisão (agravo
de instrumento, apelação ou recursos de caráter excepcional).
A segunda refere-se à necessidade de prequestionamento para
alcançar as instâncias superiores, uma vez que a questão objeto do recurso
deve ter sido decidida. Uma questão implicitamente decidida pode ser
facilmente não conhecida pelos Tribunais Superiores, deixando as partes
envolvidas com sérios entraves para fazer valer seus direitos em sede de
recurso extraordinário ou especial. Assim, pode-se dizer que, embora a
motivação implícita exista em nosso sistema processual, ela deve ser evitada
ao máximo, especialmente quando se estiver diante de decisões que desafiem
recursos de caráter extraordinário, sob pena de tolher o direito de recurso da
parte sucumbente.
Grande exceção a esse princípio pode ser encontrada na instituição do
Tribunal do Júri, que não se apresenta como um órgão jurisdicional técnico,
mas como um corpo de indivíduos que representam o senso comum de nossa
sociedade. Consoante disposto no art. 5º, XXXVIII da CRFB, é assegurada a
soberania dos veredictos e o sigilo de suas votações, de forma que os crimes
dolosos contra a vida serão julgados por essa instituição.
No mais, mesmo no processo penal, a motivação deve ser plenamente
observada, até porque se está tratando do cerceamento de liberdade dos
indivíduos. Mesmo quando não se está diante de uma decisão que retira
completamente a liberdade do acusado (por exemplo, uma interlocutória
restritiva à liberdade individual), a motivação deve ser elaborada de maneira
detida, sob pena de se poder cometer uma absurda arbitrariedade.
Problema parecido existe quando se está na fase de recebimento da
denúncia. Consoante disposto no agora revogado art. 43 do Código Penal, a
denúncia não seria recebida caso: a) o fato não constituir crime; b) já estiver
extinta a punibilidade; c) faltar alguma condição para o exercício da ação
pe al.à áà o t a ioà se su ,à e te dia-se que o recebimento da denúncia
implicaria em reconhecer a inexistência de tais empecilhos.
Contudo, a revogação do artigo em 2008 já demonstrava que essa não
seria a melhor interpretação, especialmente após se considerar as alterações
efetuadas nos arts. 396 e 396-A do CPP. Ali, revelou-se que a não-rejeição
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liminar da denúncia levaria à citação do acusado para oferecer resposta à
peça acusatória, em perfeita harmonia com o princípio do contraditório. E
mais: a decisão que determina o prosseguimento da instrução probatória
configura o recebimento da denúncia e deve ser plenamente motivada, sob
pena de invalidade.
ADVOGADO – CRF/DF – 2017 - IADES
Leia, com atenção, o texto a seguir. O dever de fundamentar — que é mais do
que motivar — não é simplesmente um adereço que será posto na decisão.
Tampouco será uma justificativa para aquilo que o juiz decidiu de forma
subjetivista-solipsista. O Estado Democrático e a Constituição são
i o patíveisà o à odelosà deà otivaç oà teleol gi osà doà tipoà p i ei oà
decido e só depoisà us oàoàfu da e to .à“upe adoàoàpa adig aàsu jetivistaà
(filosofia da consciência e suas vulgatas), é a intersubjetividade que será a
condição para o surgimento de uma decisão. Nesse sentido, o juiz deve
controlar a sua subjetividade por intermédio da intersubjetividade
proveniente da linguagem pública (doutrina, jurisprudência, lei e
Constituição). As suas convicções pessoais são — e devem ser — irrelevantes
para a decisão. Por isso, a decisão judicial não é fruto do pensamento pessoal
ou da consciência do julgador. Decisão nesse sentido será nula. Como bem
lembra Arruda Alvim (2014), o juiz não decide arbitrariamente, em função de
sua mera vontade. Como se pode ver pela leitura do art. 371, o CPC aboliu a
livre apreciação da prova e qualquer forma de livre convencimento. No
projeto original do Senado repetia-se a velha ladainha acerca do livre
convencimento. Na Câmara, todas as alusões a esse poder de liberdade de
julgamento foram retiradas. A expulsão do livre convencimento é um
elemento de extrema relevância para demonstrar o significado desse segundo
elemento chamado fundamento da sentença. A fundamentação é condição
para a decisão e não uma justificativa das premissas tomadas para a
conclusão. Isso quer dizer que o juiz não decide para depois fundamentar.
Absolutamente não. E, se o faz, está colocando a sua subjetividade acima do
direito. Na verdade, a decisão deve ser o resultado da fundamentação e não o
contrário. STRECK, Lenio Luiz. Art. 489. In: NUNES, Dierle; CUNHA, Leonardo
(orgs.). Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Saraiva, 2016. p.
855-856 versão e-book, com adaptações. Considerando que o texto
apresentado tem caráter meramente motivador, redija um texto dissertativo
e (ou) descritivo acerca do dever de fundamentação das decisões judiciais. Otexto deve abordar, necessariamente, os seguintes pontos. a) Dever de
fundamentação das decisões judiciais à luz do Estado Democrático de Direito:
raiz constitucional, consequências de sua inexistência e natureza jurídica. b)
Funções endoprocessual e extraprocessual da fundamentação. c) Necessidade
de o julgador enfrentar todos os argumentos formulados pelas partes à luz do
Novo Código de Processo Civil(NCPC) e da iterativa jurisprudência do STJ.
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140
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O dever de motivação, presente em nosso ordenamento de forma
marcante na Constituição Federal, representa o ponto mais importante do
princípio do devido processo legal. Por seu intermédio, uma decisão judicial só
será perfeita e adequada caso preencha alguns requisitos, sendo o principal
deles a presença de adequada motivação para encadear e fundamentar o
raciocínio lógico que levou o magistrado às conclusões expostas.
E à elaç oàaoàite à a ,àoàde e àdeà oti aç oà e ela-se como um dos
mais importantes elementos do Estado Democrático de Direito, uma vez que
permite a todos (partes ou indivíduos externos) saber se determinada decisão
está sendo tomada com fundamento nas leis e na Constituição (ou se apenas
em vingança privada inconsistente). Seu fundamento constitucional encontra-
se no art. 93, IX da CRFB, referente ao Poder Judiciário. O próprio dispositivo
menciona que sua ausência implicará em nulidade. Ademais, a natureza desse
dever é controvertida, mas prevalece o entendimento de que se trata de um
direito fundamental, decorrente do devido processo legal, do contraditório da
ampla defesa.
E à elaç oà aoà ite à ,à desta a -se as chamadas funções endo e
extraprocessual da motivação. A função endoprocessual é aquela voltada para
dentro do próprio processo e seus autores, principalmente buscando permitir o
manejo de recursos pelas partes e a reforma das decisões por parte de outros
órgãos do Poder Judiciário. No que toca à função extraprocessual, ela se dirige
aos indivíduos externos àquele processo e serve, principalmente, como meio
de controle dos atos do Poder Judiciário por quem quer que seja.
Finalmente, sempre foi muito discutida a necessidade de o órgão
judicial enfrentar todos os argumentos formulados pela parte. Classicamente,
o entendimento predominante (especialmente no STJ) ia no sentido de que o
órgão julgador não necessitava se pronunciar sobre os argumentos expostos
pelas partes, desde que sua decisão fosse clara e coerente. Contudo, o novo
Código de Processo Civil trouxe uma disposição mais clara: trata-se do art.
489, §1º, IV, que determina como não fundamentada a decisão que não
enfrentar todos os argumentos capazes de infirmar a decisão. Portanto, trata-
se de ônus do julgador verificar se há algum argumento capaz de macular sua
decisão, e refutá-lo expressamente (mesmo que a decisão tenha sido proferida
com base noutros).
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP
O negócio jurídico processual previsto no artigo 190 do Novo CPC permite às
partes convencionarem, com a concordância do juiz, que seja proferida uma
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141
sentença que reconheça uma inconstitucionalidade com efeito ablativo erga
omnes? Tal ocorrendo, como juiz como procederia?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Denomina-se negócio jurídico processual a convenção realizada entre
ambas as partes a fim de estabelecer mudanças no procedimento e fixar
novos ônus ou faculdades processuais. Sua cláusula geral encontra-se no art.
190 do CPC, que também define que é dever do juiz controlar a validade das
cláusulas estipuladas pelas partes, negando aplicação quando estiverem
eivadas de nulidade ou abuso em decorrência de situação vulnerável de uma
das partes envolvidas.
Vê-se que a finalidade do negócio jurídico processual é permitir que as
partes (desde que em situação de igualdade, sem a prevalência de uma sobre
a outra) firmem um acordo com o intuito de facilitar o regular trâmite do
processo, muitas vezes já antecipando o exercício de direitos ou a efetivação
de ônus, liberando amarras e desatando nós que se formam ao longo da
marcha processual. Por outro lado, igualmente não podem se sobrepor às
normas de ordem pública, tendo em vista que a jurisdição é uma atividade
típica de império, cujas normas cogentes não podem ser derrogadas pela
vontade das partes.
Cabe agora analisar se o tema referido no enunciado se encaixa no
primeiro caso (norma com possibilidade de derrogação ou convenção pelas
partes) ou no segundo (norma cogente, de aplicação obrigatória pelas partes
e sem possibilidade de ser objeto de convenção pelas partes em um negócio
jurídico processual).
No caso em tela, sugere-se que seja proferida uma sentença
e o he e doà aà i o stitu io alidadeà deà o aà o à efeitoà a lati oà e gaà
o es .à Po à e to,à oà h à o oà seà pe iti à talà e ue i e to.à E à p i ei oà
lugar, a própria convenção que verse sobre a prolação de uma sentença (ou
qualquer outra decisão judicial) é vedada, pois não se configura um acordo
acerca do procedimento; o que se pode, sim, é estabelecer um pacto sobre os
atos instrutórios, o que inevitavelmente levará a uma sentença mais rápida.
Em segundo lugar, a declaração de inconstitucionalidade com efeito
a lati oà e gaào es à s àpodeà se à ealizadaàpeloà“up e oàT i u alà Fede al,à
por conta do disposto no art. 102, §2º da CRFB. Veja-se: o efeito ablativo (cuja
eti ologiaà e à deà a latio :à o ta ,à exti pa à daà de isão de
inconstitucionalidade determina que a norma será retirada definitivamente do
mundo jurídico, a fim de que não possa produzir mais efeitos inconstitucionais
e,à po ta to,à a tiju ídi os .à Co à efi iaà e gaà o es à ue à dize à ueà essaà
cessação dos efeitos será realizada de todo o mundo jurídico, e não apenas
entre as partes presentes no processo judicial. Como dito, isso é de
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142
competência do STF, que teria suas atribuições usurpadas caso o
requerimento das partes fosse atendido.
Portanto, como juiz, exerceria o poder presente no art. 190, parágrafo
único, do CPC e determinaria a invalidade do negócio jurídico processual
proposto pelas partes, tendo em vista que seu objeto não estaria inserido nas
hip tesesàp e istasà oà aput àdoà es oàa tigo.
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Qual é a técnica de argumentação jurídica prevista no art. 489, §2º, do Código
deàP o essoàCivilàdeà :à §à oàNoà asoàdeà olis oàe t eà o as,àoàjuizàdeveà
justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as
razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas
ueà fu da e ta à aà o lus o ?à ápo te,à e à suaà esposta,à osà est giosà daà
técnica apontada pelo Código e as hipóteses em que essa técnica pode ser
utilizada.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O Código faz menção à técnica da ponderação, tida como uma das
formas de se sanar problemas de interpretação jurídica em que a mera
dedução não é aplicável – e que, portanto, reclama a ponderação de
princípios.
A ponderação é parte de uma teoria maior, consagrada pelo
pensamento de Robert Alexy, que estabelece três estágios ou subregras para a
ponderação de princípios (i) adequação, (ii) necessidade e (iii)
proporcionalidade em sentido estrito.
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP
O Novo CPC, ao mencionar, no artigo 489, §§1º, 2º e 3º, novos requisitos de
validade para os provimentos decisórios, ajusta-seà à ha adaà legiti idadeà
a gu e tativa ?à
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A questão em comento trata de tema muito em voga nos dias atuais,
em especial por conta da ativa participação do Poder Judiciário no diaa dia do
cidadão. A teoria clássica dos três poderes determina que cada um deles deve
apresentar uma função específica, bem como devem ser independentes e
harmônicos entre si para que possam executar suas atividades precípuas.
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Além dessa independência e harmonia, cada poder é dotado de sua
própria legitimidade para poder atuar, em especial perante a sociedade que o
remunera. Os poderes Executivo e Legislativo têm sua legitimidade
proveniente das urnas, tendo em vista que sua cúpula é eleita pelo povo,
através do voto direto. Ao contrário do que se passa em outros países, o Poder
Judiciário não é eleito, uma vez que boa parte de seus integrantes (salvo os
magistrados que atuam na segunda ou terceira instâncias, que são indicados)
têm sua investidura realizada por meio de concurso público.
A legitimidade do Poder Judiciário não é democrática, já que não há
eleição para seus membros. Sua legitimidade deve advir, segundo a doutrina
majoritária, de um correto manejo dos processos a ele submetidos. Deve
existir, assim, uma legitimidade pelo procedimento (teoria do filósofo Niklas
Luhmann), uma vez que só a observância das regras procedimentais (devido
processo legal, contraditório, ampla defesa) seria capaz de conferir ao Poder
Judiciário a isonomia e a ampla participação que mimetizam, ainda que
hipoteticamente, o voto popular.
Uma variante desse entendimento foi popularizada pelo jurista Robert
Alexy, a chamada legitimidade argumentativa, pela qual as decisões judiciais
são adequadas e legítimas caso atendam a parâmetros mínimos de
argumentação e racionalidade, apresentando lógica interna (dentro da
mesma decisão) e externa (quando comparada com o restante do processo ou
mesmo com o mundo exterior). Assim, uma atuação legítima do Poder
Judi i ioà se iaà o oada à o àu aàde is oà ue,à al à deà expo àoàdi eitoàdeà
uma das partes, seria dotada de fundamentação racional, bastante em si
mesma para ser capaz de convencer seu interlocutor acerca do tema.
Neste prisma, o art. 489 do CPC trouxe uma série de novos requisitos
explí itosà pa aà aà alidadeàdaàde is oà judi ial.à P oi iuà aà fu da e taç oà pe à
elatio e ,à ouà seja,à ueà seà asea aà e à e aà e ç oà aà out aà peçaà ouà
decisão co sta teàdosàautosà po àexe plo:à ádotoà o oà az esàdeàde idi à oà
pa e e àdoàMi ist ioàPú li o/aàde is oà o o ti a .àVedou,àai da,àoàusoàdeà
fundamentação apenas formalmente existente, quando faz menção à
necessidade de justificar o uso de dispositivo ou de conceitos jurídicos
indeterminados.
Assim, é possível afirmar que esses novos requisitos do art. 489 do CPC
representam um ônus considerável para o magistrado, ajustando cada vez
mais as decisões do Judiciário à teoria da legitimidade argumentativa.
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJPR - 2017 - CESPE
Na petição inicial de uma ação de cobrança securitária cumulada com
indenização por danos morais ajuizada na vigência do CPC/2015, o autor
descreve que, em razão de um acidente, ficou incapacitado para exercer sua
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144
profissão, tendo requerido junto à seguradora a indenização constante de
l usulaà o t atualà ueàp ev à o e tu aàpo à i apa idadeàpo àa ide te ,àse à
distinção se total ou parcial. Negado o pedido na esfera administrativa, o
autor pleiteia o pagamento da indenização por incapacidade total ou, caso,
assim não se entenda, proporcional ao grau de lesão a ser apurado em perícia.
Em qualquer hipótese, requer o pagamento de indenização por danos morais
em decorrência da negativa, que lhe teria causado vários percalços e
constrangimentos. Considerando a situação apresentada, responda as
seguintes indagações, fundamentando adequadamente. a) Identifique a causa
de pedir remota e a causa de pedir próxima no caso indicado, conceituando-
as e fazendo a distinção entre ambas. b) Considerando os pedidos formulados
pelo autor, identifique, conceitue e explique as modalidades de cumulação
apresentadas e os respectivos pedidos. c) Entendendo ser o caso de
indeferimento de plano de toda a petição inicial, como deve proceder o
magistrado? Quais os atos processuais que deverão ser praticados? d) Se,
diversamente da hipótese anterior, o juiz mandar processar a demanda e, ao
final, proferir sentença de mérito acolhendo o pedido indenizatório de
cobertura securitária integral, mas se omitindo em relação à apreciação do
pedido de indenização por danos morais, mesmo após a oposição de
embargos de declaração, alegada a omissão, em recurso de apelação, é
obrigatória a anulação da sentença pelo tribunal caso efetivamente
constatada? e) Ao proferir a sentença de mérito, o juiz pode incluir juros
contratuais e correção monetária de ofício no caso de acolhimento dos
pedidos formulados? Transitada em julgado a sentença e havendo omissão
quanto aos honorários advocatícios, pode ser pleiteada tal verba
autonomamente?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A causa de pedir remota é composta pelos fatos ou pelo conjunto de
fatos narrados pelo autor. No caso, incumbe ao autor demonstrar os fatos
constitutivos do seu direito (o contrato celebrado com a seguradora e o
acidente que o deixou incapacitado para exercer sua profissão) e o fato
praticado pela ré supostamente violador deste direito (a recusa administrativa
do pagamento da indenização que lhe gerou vários percalços e
constrangimentos).
Difere a causa de pedir remota da causa de pedir próxima, que é
constituída pelos fundamentos jurídicos do pedido, incumbindo ao autor o
ânus de demonstrar que o fato narrado se enquadra em uma determinada
categoria jurídica e que as consequências por ele pretendidas são as mesmas
previstas no ordenamento jurídico (subsunção do fato à norma).
Não se confunde a fundamentação jurídica com a fundamentação
(tipificação) legal. Logo, é desnecessária a indicação de dispositivos legais. No
caso, cabe ao demandante apontar que os fatos narrados configuram
inadimplemento contratual, o qual gera as consequências pretendidas, ou
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145
seja, compelir a seguradora ao adimplemento da obrigação pactuada, além
dos danos morais suportados.
A cumulação de pedidos pode ser própria (o autor quer o acolhimento
de todos os pedidos cumulados) ou imprópria (o autor não pretende o
acolhimento de todos os pedidos formulados). A cumulação própria, por sua
vez, pode ser simples (quando o demandante pretende que todos os pedidos
sejam acolhidos, mas uns não dependem dos outros) ou sucessiva (quando o
acolhimento de um pedido depende de outro, por haver prejudicialidade entre
eles).
Já a cumulação imprópria pode ser alternativa (o autor formula mais
de um pedido, sendo-lhe indiferente o acolhimento de qualquer um deles) ou
subsidiária/eventual (o autor pretende o acolhimento do pedido principal,
sendo que o juiz somente examinará o pedido subsidiário se não acolher o
principal).
No caso, foram formulados três pedidos: i) pedido principal:
pagamento da indenização securitária por incapacidade total; ii) pedido
subsidiário: pagamento da indenização securitária por incapacidade parcial,
proporcional ao grau da lesão (art. 326, caput do CPC); iii) pedido sucessivo:
indenização por danos morais. O autor pretende o acolhimento do pedido
principal, sendo que somente será examinado o pedido subsidiário se o juiz
rejeitar o primeiro.
Acolhido o primeiro, fica prejudicado o segundo. Por outro lado,
somente se acolhido algum dos dois primeiros pedidos (o principal ou o
subsidiário), o juiz examinará o pedido sucessivo.
Em contrapartida, rechaçados os dois primeiros pedidos, fica
prejudicado o pedido sucessivo. Logo, tem-se no caso apresentado cumulação
imprópriasubsidiária/eventual e também cumulação própria sucessiva.
O indeferimento (total) da petição inicial tem natureza de sentença
(arts. 330 e 485, I do CPC). Antes, porém, verificando que a petição inicial não
preenche os requisitos legais ou que apresenta defeitos ou irregularidades
capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz fixará prazo de quinze dias
para que o autor emende ou complete a petição inicial, cabendo ao
magistrado indicar com precisão o que deve ser corrigido ou complementado
(art. 321, caput do CPC).
Não sendo cumprida a diligência, a petição inicial será indeferida (art.
321, parágrafo único do CPC). No entanto, mesmo entendendo ser o caso de
indeferimento de plano de toda a petição inicial e não ser possível o
saneamento do vício, nos termos do art. 10 do CPC o juiz deve intimar o autor
para se manifestar a respeito, sob pena de ofensa à garantia constitucional do
contraditório ("decisão surpresa").
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146
Aliás, nos termos do art. 317 do CPC, antes de proferir decisão sem
resolução do mérito, o juiz dev erá conceder oportunidade para a parte, se
possível, corrigir o vício. Somente depois da manifestação do demandante será
lícito ao magistrado proferir a sentença. Interposta apelação, o juiz poderá
retratar-se no prazo de cinco dias (art. 331 do CPC/2015).
Retratando-se, o processo prosseguirá; caso contrário, o réu será
citado para responder ao recurso (§ 1°).
Em caso de omissão na sentença, como consta no enunciado, é cabível
o manejo dos embargos de declaração (art. 1.022, ll do CPC). Persistindo a
omissão e interposta apelação, caso efetivamente constatada, o tribunal não
precisará anular a sentença obrigatoriamente.
No caso, a sentença é, de fato, nula, por ser citra ou infra petita, pois
deixou de apreciar o pedido sucessivo formulado (indenização por danos
morais). Todavia, se o processo estiver em condições de imediato julgamento,
ou seja, tratando-se de questões unicamente de direito ou, mesmo envolvendo
questões fáticas, tiver ocorrido a instrução e com o contraditório devidamente
observado ("causa madura"), o tribunal deve decidir desde logo o mérito
(art.1.013, § 3° , III do CPC).
Somente no caso da necessidade de produção de provas se exigirá a
declaração de nulidade da sentença e o retorno dos autos ao juízo a quo.
Como regra, o pedido deve ser certo (art. 322, caput do CPC) e
determinado (art. 324, caput do CPC). Certo é o pedido que é expresso,
explícito, seja no que tange ao pedido imediato (tutela jurisdicional pleiteada),
seja no que diz respeito ao pedido mediato (bem da vida postulado).
Como a jurisdição é inerte e somente atua mediante provocação (art.
2° do CPC), ou seja, nos limites da pretensão trazida à apreciação judicial, são
vedados, em regra, os denominados "pedidos implícitos".
Excepcionalmente, no entanto, são admitidos os "pedidos implícitos",
que não dependem de formulação expressa. Dentre eles, o art. 322, § 1° do
CPC, dispõe que são compreendidos no principal os juros legais, a correção
monetária e as verbas de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios.
Logo, ao proferir a sentença de mérito, o juiz pode incluir a correção
monetária de ofício, mas não os juros contratuais, que dependem de pedido
expresso, porquanto o dispositivo legal expressamente prevê a inclusão dos
juros legais.
Quanto aos honorários advocatícios, o art. 85, § 18 do CPC contempla
a regra de que, transitada em julgado a sentença que foi omissa quanto aos
honorários advocatícios ou ao seu valor, será cabível demanda autônoma para
sua definição e cobrança, de modo que tal verba não poderá ser acrescentada
na liquidação ou no cumprimento de sentença.
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147
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-PR - 2017 - MPE-PR
Tendo em vista a exigência legal de fundamentação das decisões judiciais,
prevista no art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil, explique o que significa
a determinação do inciso II, de que o magistrado deve explicar o motivo
concreto da incidência de conceitos jurídicos indeterminados em determinado
caso.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Karl Engisch define os conceitos jurídicos indeterminados como aqueles
"cujo conteúdo e extensão são em larga medida incertos". O autor destaca
que a atividade do julgador de determinação desses conceitos configura
interpretação da lei, pois estão delimitados por molduras legais.
Nessa linha, somente pela fundamentação da decisão é que se torna
possível compreender o que o magistrado entendeu a partir do conceito
jurídico indeterminado.
Para que não haja ausência de fundamentação, é preciso que o juiz
explique o que ele entende pelo conceito jurídico indeterminado e a sua
relação com o caso concreto. O dispositivo destaca essa dupla necessidade
interpretativa e argumentativa: explicar o que significa o conceito e como ele
se relaciona com o caso sob julgamento.
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC
Havendo condenação transitada em julgado no Direito Processual Civil, a
liquidez ou a iliquidez, como sabemos, é da obrigação, não obstante a teoria
processual comumente associe tais qualidades a decisão. Feita essa ressalva,
vamos adotar as expressões "decisão líquida" e "decisão ilíquida", para a
compreensão do tema e para a resposta das questões propostas: em relação a
decisão condenatória, responda: 1. Qual seu conceito? 2. Quando ele é
líquida? 3. Quando é ilíquida? Já em relação a liquidação de sentença,
responda: 4. Qual seu conceito? 5. Qual a sua natureza?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
1- a. O reconhecimento do direito pretendido; b. A imposição ao condenado do
comprimento de uma prestação( entrega de coisa, fazer ou não fazer, pagar
quantia certa); c. A eficácia executiva (tutela executiva) em caso de inércia do
condenado no cumprimento da condenação; d. A decisão condenatória pode
ser líquida ou ilíquida.
2. Deve mencionar que a decisão líquida defina integração mente a prestação
que deve ser cumprida e foi certificada na decisão, especificando os
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148
elementos: a. a existência da dívida (an debeatur); b. a quem é devido (cui
debeatur); c. Quem deve (quis debeat); d. O que é devido ( quid debeatur); e.
Quando o objeto da prestação for suscetível de quantificação, a quantidade
devida ( quantum debeatur)
3. decisão ilíquida: a. Não estabelece o montante da prestação (quando o
objeto for suscetível de quantificação, deixa de expressar quantidade) ou
quando deixa de individualizar o objeto da prestação (quid debeatur).
4. Atividade cognitiva que tem como finalidade determinar, com precisão, a
integralidade da prestação que deve ser cumprida.
5. A liquidação pode ser classificada como ação ou procedimento realizado
ainda na fase de conhecimento, de natureza constitutivo integrativa, com
vistas a encontrar os elementos definidores da prestação tornando exequível o
título condenatório, ou de natureza meramente declaratória, com vistas a
aclamar os elementos ainda não agregados ao título executivo.
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149
RECURSOS
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA
A doutrina tem afirmado que o recurso de apelação do Código de Processo
Civil de 2015 configura exceção à regra da unirrecorribilidade das decisões
judiciais. Por quê?
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Denomina-se apelação o recurso que classicamente é utilizado para
impugnar sentenças que resolvam o processo, enfrentando ou não o seu
mérito (exceção feita aos procedimentos dos juizados especiais, cujas
sentenças desafiamrecurso chamado de inominado, já que a lei específica não
concedeu uma nomenclatura própria).
Vale dizer: contra a decisão judicial, proferida pelo juízo de primeira
instância, que der fim ao processo judicial, deverá ser interposto o recurso de
apelação, consoante expressa disposição do art. 1.009 do CPC. Essa
determinação é decorrente de dois princípios da teoria geral dos recursos,
necessários para manter a coerência de nosso sistema processual: a
singularidade e a taxatividade.
A singularidade recursal determina que deve existir um recurso possível
para cada decisão judicial recorrível e, também, que cada recurso deve ter por
objeto uma determinada decisão. Ademais, a taxatividade recursal exprime
que os recursos passíveis de serem utilizados são aqueles presentes em lei. Em
conjunto, os dois princípios permitem que as partes tenham segurança para
saber quais decisões devem ser impugnadas e quando o devem ser
imediatamente, sob pena da perda do direito à revisão do tema.
Note-se que os princípios expostos acima têm por finalidade propiciar o
bom andamento do processo, proporcionando que a regular marcha
processual ocorra sem a paralisação contínua para revisão, indefinidamente,
de todos os temas já decididos. A essa necessidade de estabilização dos
assuntos decididos dá-se o nome de preclusão, ou seja, a impossibilidade de
revisão de determinada questão já decidida ao longo do processo.
Atualmente, pode-se determinar que a unirrecorribilidade apresenta
uma clara exceção, por intermédio do novo regramento conferido ao recurso
de apelação. Com efeito, o art. 1.009, §1º do CPC determina que as questões
decididas antes da sentença, caso suas decisões não estejam sujeitas a agravo
de instrumento, não estarão sujeitas à preclusão e deverão ser suscitas em
preliminar de apelação (ou de contrarrazões). Portanto, caso uma
determinada questão seja decidida em uma decisão interlocutória, mas não
seja passível de impugnação por agravo de instrumento (cujo rol taxativo de
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150
cabimento encontra-se no art. 1.015 do CPC), ela poderá ser arguida em sede
de apelação.
Dessa maneira, a apelação, no atual CPC, configura exceção à
unirrecorribilidade por ser capaz de veicular matérias presentes na sentença e,
também, em decisões interlocutórias não passíveis de ensejar a interposição
de agravo de instrumento. Trata-se de uma clara inovação do atual CPC, que
tem por escopo evitar que o processo seja interrompido para se renovar a
discussão de temas que o legislador considerou menos importantes (os quais
poderiam esperar o encerramento do processo em primeira instância para
serem rediscutidos).
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA:
A unirrecorribilidade ou singularidade recursal impõe o uso de uma única
forma recursal para fins de impugnação de cada espécie de pronunciamento
judicial. Por um lado, esse princípio decorre da taxatividade, pois há um meio
recursal para cada pronunciamento ou capítulo decisório. De acordo com a
natureza do provimento, há uma modalidade recursal adequada cabível. No
entanto, a apelação do Código de 2015 tem fins de impugnação concentrada
de questões interlocutórias, por força do art. 1.009, § 1º, do Código de
Processo Civil de 2015. Assim, a insurgência contra duas ou mais decisões (a
sentença e decisões interlocutórias não agraváveis) se dá com o manejo de
um único recurso.
ADVOGADO – PETROBRAS/TRANSPETRO - 2018 – CESGRANRIO
Um cidadão promoveu ação com pedido condenatório baseado na prática de
ato ilícito por um agente de trânsito municipal. O réu foi citado e apresentou
defesa, que teve como um dos fundamentos a intervenção de terceiros. Seu
requerimento foi rejeitado, havendo recurso. Após efetuada a instrução
comprovada, restou a responsabilidade do município. A sentença condenou o
réu em valores separados pela natureza dos danos avaliados, sendo o total
superior a mil salários mínimos. Além disso, fixou os honorários em quantia
fixa de R$ 1.000,00. Apresentado o recurso cabível, este foi conhecido e
improvido. Decorrido o prazo legal, iniciou-se a execução do julgado e foi
apresentada defesa prevista. Analise o caso exposto e proceda da seguinte
forma: (valor: 10,0 pontos) a) descreva os recursos que foram apresentados
b) apresente o modo como se deve proceder à execução c) defina quais são os
critérios para fixação de honorários no caso em exame d) explique se caberia
remessa necessária
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
O primeiro recurso foi o agravo de instrumento. O segundo recurso
apresentado foi a apelação.
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A execução é cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade
de obrigação de pagar contra a Fazenda Pública, no caso o município. O
regime de pagamento é o denominado precatório ou requisição de pequeno
valor. Nesse caso ocorrerá a intimação do representante judicial da Fazenda
Em relação aos honorários, existe regra específica: a fixação dos
honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o do
art. 85 do CPC e os seguintes percentuais: o mínimo de dez e máximo de vinte
por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até
200 (duzentos) salários-mínimos; o mínimo de oito e máximo de dez por cento
sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200
(duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários mínimos; o mínimo
de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até
20.000 (vinte mil) salários mínimos; o mínimo de três e máximo de cinco por
cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de
20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários mínimos; o
mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do
proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos. A
fixação de honorários ocorre em cascata.
A remessa necessária está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não
produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal a sentença. Sendo
o município réu e a condenação superior a cem salários mínimos, caberá o
duplo grau de jurisdição obrigatório ou remessa necessária.
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA
O Código de Processo Civil de 2015 superou, ou ao menos restringiu, a
proibição da reformatio in pejus no âmbito recursal? Aponte e explique pelo
menos dois pontos do Código que sustentam sua resposta.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
A proteção de reformatio in pejus não é mais considerada uma regra
absoluta no direito processual civil. O Código de Processo Civil oferece, ao
menos, três hipóteses que confirmam a resposta. São eles: art. 85, § 11º, que
dispõe sobre a fixação de honorários advocatícios em sede recursal; o art.
1.009, § 1º, que permite a impugnação de questões não cobertas pela
preclusão em sede de contrarrazões de apelação; art. 1.013, III, que permite o
imediato julgamento do mérito, pelos tribunais, ainda que não tenha sido
apreciado pelo juízo de primeiro grau; art. 1.013, § 4º, que permite o
julgamento do mérito quando o acórdão reforma sentença que reconheceu
prescrição ou decadência; dentre outros dispositivos que também podem ser
apresentados.
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152
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA
Com relação aos recursos interpostos contra decisões publicadas antes de
17/03/2016 (entrada em vigor do novo Código de Processo Civil), mas cujo
julgamento ocorrerá após o início da vigência do novo diploma, indaga-se: a)
No que tange ao juízo de admissibilidade do recurso, qual deveráser o Código
de Processo Civil aplicado? b) Além disso, devem incidir, à espécie, os
dispositivos previstos no art. 932, parágrafo único, e 1.029, § 3º, ambos do
atual Código de Processo Civil? As respostas, além de devidamente
fundamentadas, deverão trazer o posicionamento atual do STJ a respeito do
tema em comento.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
E à elaç oàaoàite à a ,àde e àse àapli adoàoàC digoàdeàP o essoàCi ilà
de 1973. No ano de 2016, o STJ aprovou uma série de entendimentos
administrativos orientadores para a transição do CPC de 1973 para o CPC de
2015.
Um primeiro enunciado menciona que o CPC de 2015 entrou em vigor
em 18/03/16. Outro enunciado aduziu que aos recursos interpostos com
fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de
2016), devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele
prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça.
Esse entendimento baseia-se no princípio tempus regit actum, que veio
a ser positivado no art. 14 do CPC de 2015. Por ele, as normas de caráter
processual possuem aplicação imediata aos processos em curso. Assim,
considerando que a data da publicação da sentença recorrida é o momento
em que o recorrente tem a exata compreensão da extensão dos fundamentos
da decisão que buscará impugnar, tem-se que a lei a reger o recurso será a
vigente na data da citada publicação. Diante disso, as decisões publicadas na
vigência do CPC de 1973 deverão ser objeto de recurso com base nas
disposições daquele código.
A interpretação dada pelo STJ decorre do fato de que o art. 1.045 do
CPC de 2015 estabeleceu que o código entra em vigor após decorrido um ano
da data de sua publicação oficial, publicação essa que se operou em 17 de
março de 2015. A Lei Complementar nº 95/98, que dispõe, dentre outros,
sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis,
estabelece no art. 8º, §1º, que a contagem do prazo para entrada em vigor
das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data
da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente
à sua consumação integral. Já o art. 8º, §2º da mesma norma menciona que
asàleisà ueàesta eleça àpe íodoàdeà a iaàde e oàutiliza àaà l usulaà estaà
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153
lei entra em vigor após decorridos o número de dias de sua publi aç oàofi ial à
Esse comando tem por foco evitar incertezas quanto ao cômputo do período
de vacatio legis.
Tendo em vista que o art. 1.045 do CPC se distanciou da regra prevista
no art. 8º, 2º, da Lei Complementar nº 95/98, convém buscar no ordenamento
jurídico legal regra que estabeleça a contagem do prazo de um ano. A Lei nº
810/49 dispõe em seu art. 1º que considera-se ano o período de doze meses
contado do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte. No
mesmo sentido, o art. 132, §3º, do CC preconiza que os prazos de meses e
anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar
exata correspondência.
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA:
(...)1. Observando o disposto na Lei n. 810/1.949 c/c Lei Complementar
95/1.998, a vigência do novo Código de Processo Civil, instituído pela Lei n.
13.105, de 16 de março de 2015, iniciou-se em 18 de março de 2016
(Enunciado Administrativo n. 1, aprovado pelo Plenário do Superior Tribunal
de Justiça em 2/3/2016). 2. À luz do princípio tempus regit actum, esta Corte
Superior há muito pacificou o entendimento de que as normas de caráter
processual têm aplicação imediata aos processos em curso, regra essa que
veio a ser positivada no ordenamento jurídico no art. 14 do novo CPC. 3. Em
homenagem ao referido princípio, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o
entendimento de que a lei a reger o recurso cabível e a forma de sua
interposição é aquela vigente à data da publicação da decisão impugnada,
ocasião em que o sucumbente tem a ciência da exata compreensão dos
fundamentos do provimento jurisdicional que pretende combater.
Precedentes. 4. Esse entendimento foi cristalizado pelo Plenário do Superior
Tribunal de Justiça, na sessão realizada dia 9/3/2016 (ata publicada em
11/3/2016), em que, por unanimidade, aprovou a edição de enunciado
administrativo com a seguinte redação: "Aos recursos interpostos com
fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de
2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele
prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do
Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2, aprovado pelo
Plenário do Superior Tribunal de Justiça em 9/3/2016) (...)AgRg no AGRAVO
EM RECURSO ESPECIAL Nº 849.405 – MG. STJ.
PROCURADOR AUTARQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP
Considere a seguinte situação hipotética: Cássio tomou emprestado de
Renato R$ 5.000,00 (cinco mil reais), de modo que o mútuo foi formalizado
por meio de instrumento particular de confissão de dívida. Cássio deveria
devolver a quantia em 1o de agosto de 2018, mas não o fez. Em 5 de agosto
de 2018, Renato cobrou Cássio, via e-mail. Cássio respondeu ao e-mail, em 6
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de agosto de 2018, reconhecendo expressamente a dívida e informando que
pagaria em 10 de agosto, juntamente com a multa acordada entre as partes.
a) A cobrança realizada por Renato, em 5 de agosto de 2018, é causa de
interrupção da prescrição? E o e-mail enviado por Cássio, em 6 de agosto de
2018? Responda fundamentadamente. b) Suponha que Cássio não pague
Renato e este opte por ajuizar uma ação para cobrá-lo. Se a pretensão de
Renato estiver prescrita, poderá o magistrado reconhecer a prescrição de
ofício, antes mesmo da citação de Cássio? Qual seria o recurso cabível contra
essa hipotética decisão? Responda fundamentadamente.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
E à elaç oà aoà ite à a ,à aà espostaà à egati a,à aà o a çaà ealizadaà
por Renato, em 5 de agosto de 2018, não é causa de interrupção da
prescrição, por inexistência de previsão legal. Por outro lado, o e-mail enviado
por Cássio, em 6 de agosto de 2018, é causa de interrupção da prescrição, por
força do inciso VI do artigo 202 do CC/2002, in verbis: Art. 202.
A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-
se-á: [...] VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe
reconhecimento do direito pelo devedor.
E à elaç oàaoàite à ,àaà espostaà àpositi a,àoà§à ºàdoàa tigoà àdoà
CPC/ àpe iteà ueàoà juizà julgueà li i a e teà i p o ede teàoàpedidoàseà
verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição .à
Em se tratando de uma sentença, o recurso cabível é o recurso de
apelação (artigo 332, § 2º, c/c artigo 1.009 do CPC/2015).
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/CE – 2004 - CESPE
Carlos propôs contra Frederico ação de execução de contrato, assinado por
duas testemunhas, pelo qual este assumira dívida no valor de R$ 5.000,00,
vencida e não-paga. Citado, o executado, assim tido por advogado do
sindicato e beneficiário da justiça gratuita, opôs embargos, alegando haverem
os contratantes firmado outro contrato, posterior àquele, pelo qual
substituíram a obrigação anterior, e requereu a produção de prova do
alegado. O juiz indeferiu a produção de provas e julgou antecipadamente a
lide, dando pela improcedência dos embargos opostos. O réu apelou da
sentença no 18.º dia do prazo, não tendo o juiz recebido o recurso, por
considerá-lo intempestivo. Transitada em julgado a sentença, Frederico
pretende desconstituí-la, seja por violação à lei civil que admite a extinção de
obrigação quando nova obrigação é assumida em seu lugar, seja porque o juiz
agiu equivocadamente ao encerrar prematuramente o feito, sem dar
oportunidade para que o embargante produzisseas provas requeridas. Diante
da situação hipotética acima relatada, redija um texto dissertativo em
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155
resposta aos seguintes questionamentos. 1- O recurso interposto pelo
embargante contra a sentença que julgou improcedente os embargos no 18.º
dia do prazo recursal foi interposto tempestivamente? 2- Qual o recurso
cabível contra a decisão do juiz que inadmitiu o apelo? 3- Após o trânsito em
julgado da sentença, existe algum procedimento cabível para desconstituir o
título em comento? Em caso positivo, especifique o nome da medida, o prazo
para propositura e o órgão judicial perante o qual deverá ser proposta. 4-
Qual ou quais os fundamentos para a eventual desconstituição da sentença?
5- Que pedido ou pedidos deverão ser feitos?
SUGESTÃO DE RESPOSTA
Os embargos à execução serão julgados por sentença, nos termos do
art. 920, III do CPC. Sendo julgados por sentença, o recurso cabível para sua
impugnação será o recurso apelatório, interposto no prazo de quinze dias,
conforme os arts. 1.003, §5º; e 1.009, caput do CPC. Assim, o recurso de
apelação interposto no 18º dia do prazo seria intempestivo.
No que diz respeito ao cabimento de recuso contra decisão do juiz de
primeiro grau que inadmite apelação, com o advento da novel Legislação
Processual Civil, o juiz de primeiro grau não possui mais competência funcional
para proferir qualquer juízo de admissibilidade recursal. Ele deve apenas
intimar a parte recorrida para contrarrazoar o recurso no prazo de quinze dias
e, ato contínuo, encaminhar a apelação ao Tribunal para julgamento, nos
termos do art. 1.010 do CPC.
Assim, no presente caso, tal decisão seria insusceptível de recurso.
Todavia, em face da usurpação pelo juiz de primeiro grau da competência do
Tribunal de Justiça para efetuar o juízo de admissibilidade recursal, seria
possível o ajuizamento de reclamação no Tribunal para preservação de sua
competência, nos moldes do art. 988, I do CPC, bem como com supedâneo no
entendimento doutrinário mais abalizado.
No caso em comento, da sentença transitada em julgado cabe ação
rescisória no prazo de dois anos, contados do trânsito em julgado da ação, por
manifesta violação à norma jurídica, nos termos do art. 966, V e 975 do CPC.
A ação deverá ter como pedidos a rescisão do julgado impugnado de
primeiro grau e a proclamação de uma nova sentença, nos termos do art. 968,
I do CPC. A competência para processar e julgar essa ação será originária do
Tribunal de Justiça ao qual está vinculado o julgador de primeira instância,
conforme rezam as Constituições Estaduais e o art. 125, §1º da CFRB.
Na hipótese em tablado, a violação à norma substantiva civil é
reluzente, especialmente quando nos deparamos com a redação do art. 360, I
do CC, proporcionando a extinção da obrigação executada pelo instituto da
novação, bem como ocasionando a impossibilidade de execução do título em
razão de sua inexigibilidade, violando o art. 783 do CPC. Outrossim, verifica-se
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a violação ao art. 370, parágrafo único do CPC, haja vista a
imprescindibilidade de tal prova para o escorreito julgamento do mérito dos
embargos à execução, não reputando-se tal requerimento inútil ou
protelatório.
Em síntese, será cabível ação rescisória do julgado com supedâneo no
art. 966, V do CPC, haja vista a manifesta violação aos arts. 783 e 360 do CPC;
e 360, I do CC. Deve ser requerida a rescisão do julgado de primeiro grau para
que o Tribunal de Justiça julgue novamente os embargos à execução para lhe
dar procedência em razão da inexigibilidade do título por ocorrência de
novação da obrigação, importando em extinção da primeira obrigação
contratual executada.
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA:
DIDIER JR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. v. 3. 13. Ed. Salvador:
Editora JusPodvm, 2016.
ADVOGADO – BNDES – 2013 – CESGRANRIO
Um juiz de direito, ao julgar procedente uma ação ordinária ajuizada pela
empresa AA & BB contra a empresa CC & DD, declarou, incidenter tantum, a
inconstitucionalidade da lei estadual X, que, todavia, não havia sido suscitada
pelas partes, nem pelo representante do Ministério Público. A empresa CC &
DD interpôs recurso contra a sentença, sustentando a constitucionalidade da
lei e alegando, ainda, que (i) o juiz não poderia ter declarado a
inconstitucionalidade de ofício e que, ainda que fosse possível, (ii) não poderia
ter declarado a inconstitucionalidade daquela lei X, porque o STF já havia
reconhecido a constitucionalidade de lei de conteúdo idêntico, embora de
outro Estado. Em segunda instância, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça,
em cumprimento à regra do art. 97, CRFB, encaminhou a questão
constitucional ao órgão especial, que, por maioria (absoluta), decidiu pela
inconstitucionalidade da lei X. Em relação ao caso apresentado, explique se a)
o juiz poderia ter declarado de ofício a inconstitucionalidade de uma lei. b) o
juiz poderia ter declarado a inconstitucionalidade da lei X, considerando-se a
jurisprudência do STF informada pela empresa ré. c) o órgão fracionário
deveria ter levado a questão ao órgão especial. d) cabe opor embargos
infringentes da decisão do órgão especial. e) cabe interpor Recurso
Extraordinário da decisão do órgão especial.
SUGESTÃO DE RESPOSTA:
Inicialmente, importante enfatizar o fato de que o STF possui
entendimento no sentido de que é possível o uso de ação civil pública para que
haja a declaração de inconstitucionalidade de uma norma, mas desde que na
via difusa e que seja imprescindível para o deslinde da demanda. Logo, em
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sede de ação civil pública ou não, o controle difuso não é possível quando o
autor deduzir pretensão efetivamente destinada a viabilizar o controle
abstrato de constitucionalidade de determinada lei ou ato normativo.
O controle de constitucionalidade difuso (também denominado
concreto ou incidental), caracteriza-se pela verificação de uma questão
concreta de inconstitucionalidade, isto é, de dúvida quanto à
constitucionalidade a ser aplicado em um caso submetido à apreciação do
Poder Judiciário. Acerca do controle de ofício, a doutrina majoritária entende
que o juiz pode sim declarar, de forma incidental, a inconstitucionalidade
(controle difuso). O juiz singular deve observar o problema e, se encontrar lei
ou ato normativo contrário à Constituição, que tenha relação com a causa,
possui a obrigação funcional de se manifestar, decretando a invalidade da lei
ouà doà atoà o ati o.à Logo,à e à elaç oà aoà ite à a ,à ple a e teà possível a
declaração de ofício.
Noà ueà ta geà aoà ite à ,à i po ta teà f isa à ueà oà h à informação
quanto ao reconhecimento de constitucionalidade pelo STF: se ocorreu em
sede de controle abstrato (ADI julgada improcedente) ou concreto (recurso
extraordinário, mandado de segurança, habeas corpus, etc). De qualquer
forma, o juiz poderia, como dito, declarar a inconstitucionalidade da lei X. Se a
decisão do STF ocorreu em controle concreto, o efeito restringe-se às partes.
Já se a decisão ocorreu em controle abstrato, restringe-se à lei objeto da ação
(que não foi a lei X), pois o STF não aceita a teoria da transcendência dos
motivos determinantes.
E à elaç oà aoà ite à ,à oà g oà f a io ioà de e iaà te à le adoà aà
questão ao órgão especial. De acordo com o art. 97 da CRFB, somente pelo
voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo
órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou
ato normativo do Poder Público.
Noà ueàto aàaoàite à d ,àaàde is oàdoàple ioàouàdoà g oàespe ialà
limita-se ao incidente de inconstitucionalidade.