Logo Passei Direto
Buscar

100 DISCURSIVAS PROCESSO CIVIL 3 0

Ferramentas de estudo

Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.
left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

left-side-bubbles-backgroundright-side-bubbles-background

Experimente o Premium!star struck emoji

Acesse conteúdos dessa e de diversas outras disciplinas.

Libere conteúdos
sem pagar

Ajude estudantes e ganhe conteúdos liberados!

Prévia do material em texto

Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 1 
A jurisprudência 
 
 
 
 
 
www.questoesdiscursivas.com.br 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 2 
AUTORES: 
BALTAZAR RODRIGUES 
Procurador do Estado do Rio de Janeiro - PGE/RJ. Sócio do 
escritório Fontana, Maurell, Gaio e Rodrigues Advogados. Mestre 
em Direito Processual pela Universidade do Estado do Rio de 
Janeiro - UERJ. Ex-Diretor Jurídico do Fundo Único de Previdência 
Social do Estado do Rio de Janeiro (Rioprevidência - 2013/2014). 
Aprovado nos seguintes concursos: PGE/RJ (15º lugar - 2010); 
Advogado do BNDES (65º lugar - 2009). 
RODRIGO DUARTE 
Advogado da União. Ex-Oficial de Justiça e Avaliador Federal no 
TRF da 2ª Região; Ex-Técnico Administrativo do Ministério Público 
da União (MPU) e Ex-Técnico de Atividade Judiciária no Tribunal de 
Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ); Aprovado e nomeado no concurso 
de Analista Processual do Ministério Público do Rio de Janeiro 
(MPE/RJ). 
MIGUEL BLAJCHMAN (Organizador) 
Advogado. Fundador do site Questões Discursivas. Ex-Analista de 
Planejamento e Orçamento da Secretaria Municipal da Fazenda do 
Rio de Janeiro (SMF/RJ). Aprovado nos seguintes concursos: 
Analista de Controle Externo do Tribunal de Contas do Estado do 
Rio de Janeiro (TCE/RJ). Analista e Técnico do Ministério Público do 
Estado do Rio de Janeiro (MPE/RJ) e Advogado da Dataprev. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 3 
SUMÁRIO: 
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
 ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/TO – 2017 - CESPE 
 DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL - DPE-RO - 2017 - VUNESP 
COMPETÊNCIA 
 ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/SC – 2017 - FGV 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PA - 2014 - FCC 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
 ADVOGADO – PETROBRAS – 2015 - CESGRANRIO 
AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SE – 2018 – CESPE 
AÇÃO POPULAR 
 TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/GO – 2009 – FCC 
 PROCURADORIA ESTADUAL – PGE/RS - 2015 - FUNDATEC 
AÇÃO RESCISÓRIA 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/BA – 2014 - CESPE 
 DEFENSOR PÚBLICO - DPU – 2017 - CESPE 
CAPACIDADE PROCESSUAL 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ 
CITAÇÃO 
 OFICIAL DE JUSTIÇA – TRF4 – 2019 – FCC 
 OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012 
 OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012 
COISA JULGADA 
 OFICIAL DE JUSTIÇA – TJDFT – 2015 – CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 4 
CONTESTAÇÃO 
 ADVOGADO - PETROBRAS - 2018 – CESGRANRIO 
 PROCURADOR - PGM/BELO HORIZONTE-MG – 2017 - CESPE 
EXECUÇÃO 
 NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE 
 OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT9 - 2015 - FCC 
 OFICIAL DE JUSTIÇA – TRT/SC – 2017 - FGV 
 MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC 
 ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 – 2016 – CESPE 
 OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009 
 ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRT9 - FCC - 2007 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA 
 OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009 
 OFICIAL DE JUSTIÇA - TRF3 - FCC - 2014 
 ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 - CESPE - 2016 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2011 – CESPE 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2013 – CESPE 
 NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE 
FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SP - 2012 - FCC 
JURISDIÇÃO 
 TÉCNICO JUDICIÁRIO - TJDFT - CESPE - 2015 
JURISPRUDÊNCIAS E SÚMULAS 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-ARACAJU/SE – 2007 - CESPE 
MANDADO DE SEGURANÇA 
 ADVOGADO - HEMOCENTRO - 2017 - IADES 
 PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/GOIANIA-GO – 2016 – CESPE 
 ANALISTA JUDICIÁRIO - STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 2018 – 
CESPE 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE 
 ANALISTA JUDICIÁRIO – TJCE – 2014 – CESPE 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
MANDADO DE INJUNÇÃO 
 DELEGADO DE POLÍCIA - PCGO - 2013 – UEG 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 5 
 DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL – DPE/PA - 2015 – FMP 
TUTELAS 
 PROCURADOR - PGM/PORTO ALEGRE/RS – 2017 - FUNDATEC 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/CAMPINAS-SP – 2016 - FCC 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-MG - 2017 - MPE-MG 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RO – 2009 - FMP 
 MAGISTRATURA ESTADUAL - TJRS – 2016 - FAURGS 
 MAGISTRATURA FEDERAL – TRF4 – 2012 – TRF4 
 MAGISTRATURA ESTADUAL - TJDFT – 2009 – BANCA PRÓPRIA 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2016 – CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA 
PRECATÓRIOS 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/PB – 2008 - CESPE 
PROCESSO E PROCEDIMENTO 
 ADVOGADO - LIQUIGAS - 2018 – CESGRANRIO 
 DEFENSOR PÚBLICO - DPE/ES – 2017 - FCC 
 MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC 
 PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-FORTALEZA/CE – 2017 - CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/SC – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
 MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ 
PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
PROVAS 
 MAGISTRATURA FEDERAL – TRF5 – 2018 - CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 - MPE-PR 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AC – 2017 - FMP 
 MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2011 - CESPE 
SENTENÇA 
 MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSC – 2017 - FCC 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 6 
 MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSP - 2017 - VUNESP 
 ADVOGADO – CRF/DF – 2017 - IADES 
 MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP 
 MAGISTRATURA ESTADUAL - TJPR - 2017 - CESPE 
 MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-PR - 2017 - MPE-PR 
 MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC 
RECURSOS 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 ADVOGADO – PETROBRAS/TRANSPETRO - 2018 – CESGRANRIO 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 PROCURADOR AUTARQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/CE – 2004 - CESPE 
 ADVOGADO – BNDES – 2013 – CESGRANRIO 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 - MPE-PR 
 PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
 MAGISTRATURA FEDERAL – 2011 – TRF5 – CESPE 
 PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ 
 PROCURADOR MUNICIPAL - PGM-FOZ DO IGUAÇU-PR - 2019 – FAFIPA 
 PROCURADOR AUTARQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP 
 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 7 
PRINCÍPIOS APLICÁVEIS AO DIREITO PROCESSUAL CIVIL 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
Discorra sobre o princípio da primazia da decisão de mérito, consagrado no 
Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), demonstrando quatro situações 
processuais em que o referido princípio se concretiza.SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O princípio da primazia da decisão do mérito, consagrado no Código de 
Processo Civil de 2015, está previsto, inicialmente, no art. 4º, ao lado da 
garantia da razoável duração do processo. Assim, as partes possuem o direito 
de obter, em prazo razoável, a solução integral do mérito, incluída a atividade 
satisfativa. 
Referido princípio está ligado à garantia constitucional do devido 
processo legal, aos princípios da boa-fé processual, do moderno contraditório 
e ao princípio da cooperação, este último previsto no art. 6º do novo CPC. 
Segundo este artigo, todos os sujeitos do processo devem cooperar entre si 
para que se obtenha, em tempo razoável, decisão de mérito justa e efetiva. 
Conforme esse princípio, o órgão julgador, na condução da demanda principal, 
de um recurso ou de uma demanda incidental, deve ter como objetivo final a 
decisão de mérito, viabilizando a superação de falhas formais. 
Analisando o art. 4º do CPC, a doutrina entende que ele possui 
aplicação em todas as fases e em todos os tipos de procedimentos, inclusive 
em incidentes processuais e na instância recursal, impondo ao órgão 
jurisdicional viabilizar o saneamento de vícios para examinar o mérito, sempre 
que seja possível a sua correção. O princípio da primazia da decisão de mérito 
permeia, portanto, o novo processo civil pátrio, de forma que há outros artigos 
que podem ser considerados desdobramentos dele. 
O primeiro exemplo é o art. 139, IX, do CPC, segundo o qual o juiz tem o 
dever de determinar o suprimento dos pressupostos processuais e o 
saneamento de outros vícios processuais. O art. 317 do CPC aduz que antes de 
proferir decisão sem resolução de mérito, o juiz deverá conceder à parte 
oportunidade para, se possível, corrigir o vício. Além disso, o juiz não 
decretará a nulidade e nem mandará repetir o ato quando puder decidir o 
mérito a favor da parte a quem aproveite a decretação de nulidade, conforme 
o art. 282, §2º, do CPC. 
Um terceiro exemplo é que, proferida a sentença que extingue o 
processo sem resolução de mérito, interposta apelação, o juiz poderá, no 
prazo de cinco dias, reexaminar a causa e exercer juízo de retratação (art. 485, 
§7º, do CPC). Outro ponto exemplificativo é que o relator, antes de considerar 
inadmissível o recurso, portanto, sem examinar o mérito do recurso, 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 8 
concederá prazo de cinco dias ao recorrente para que seja sanado o defeito 
(art. 932, parágrafo único, do CPC). 
Por fim, o juiz tem o dever geral de, suspendendo o processo, ordenar a 
correção da incapacidade processual ou da irregularidade de representação 
da parte, fixando prazo razoável para que seja sanado o vício (art. 76 do CPC). 
Se na contestação o réu alegar ser parte ilegítima ou não ser o responsável 
pelo prejuízo invocado, o juiz facultará ao autor a emenda à inicial para 
alteração do polo passivo, com a substituição do réu (art. 338 do CPC). 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRE/TO – 2017 - CESPE 
Em seu art. 5.º, inciso LIV, a Constituição Federal de 1988 assevera que 
ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo 
legal. O princípio do devido processo legal é uma das garantias mais amplas 
do direito constitucional, além de ser uma premissa essencial nas relações de 
caráter processual. É, portanto, um princípio intrínseco às atividades dos 
cargos de analista judiciário, como o processamento de feitos e a função de 
apoio em julgamentos. Considerando que o texto acima tem caráter 
unicamente motivador, disserte sobre o princípio do devido processo legal. 
Em seu texto, aborde os seguintes aspectos, conforme a Constituição Federal 
de 1988, a doutrina e o entendimento do Supremo Tribunal Federal: 1 - as 
garantias processuais dos indivíduos no Estado democrático de direito, 
apresentando, pelo menos, quatro prerrogativas constitucionais que se 
relacionam com o devido processo legal; [valor: 6,00 pontos] 2 - a aplicação 
do princípio do devido processo legal aos estrangeiros; [valor: 1,50 ponto] 3 - 
a aplicação da teoria dos frutos da árvore envenenada no contexto do devido 
processo legal. [valor: 2,00 pontos] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O devido processo legal ou due process of law é uma garantia essencial 
com caráter subsidiário e geral em relação às demais garantias. As garantias 
processuais presentes no Estado Democrático de Direito e que lhe são 
inerentes são: 1 – o direito ao contraditório e à ampla defesa; 2 – o direito ao 
juiz natural; 3 – o direito a não ser processado e condenado com base em 
prova ilícita; e 4 – o direito a não ser preso senão por determinação da 
autoridade competente e na forma estabelecida pela ordem jurídica. 
A CRFB arrola os princípios que estão consubstanciados no devido 
processo legal, como a inafastabilidade de jurisdição (art. 5º, XXXV), a 
plenitude do contraditório e da ampla defesa (art. 5º, LV), o direito ao juiz 
natural (art. 5º, XXXVII, LIII e LIV) e a publicidade do processo (art. 5º, LX). 
Entre as prerrogativas constitucionais aplicáveis ao devido processo 
legal, podem-se citar: a garantia de livre acesso ao Poder Judiciário; o direito à 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 9 
citação e ao conhecimento prévio do teor da acusação; o direito a um 
julgamento público e célere, sem dilações indevidas; o direito ao contraditório 
e à plenitude de defesa (direito à autodefesa e à defesa técnica); o direito a 
não ser processado e julgado com base em leis posteriores ao fato; o direito à 
igualdade entre as partes; o direito de não ser processado com fundamento 
em provas revestidas de ilicitude; o direito ao benefício da gratuidade; o 
direito à observância do princípio do juiz natural; o direito ao silêncio; o direito 
à prova; e o direito de presença nos atos de interrogatório. 
O princípio da proporcionalidade também tem sede material no 
princípio do devido processo legal. As normas legais devem observar, no 
processo de sua formulação, critérios de razoabilidade que guardem estrita 
consonância com os padrões fundados no princípio da proporcionalidade, pois 
todos os atos emanados do Poder Público devem ajustar-se à cláusula que 
consagra, em sua dimensão mate ial,àoàp i ípioàdoà substantive due process 
ofàla . 
O princípio do devido processo legal é amplamente aplicável ao 
estrangeiro, conforme expresso no art. 12, §2º, da CRFB. Assim, os 
instrumentos processuais de tutela do indivíduo presentes na CRFB alcançam 
plenamente o estrangeiro. A jurisprudência do STF está assentada nesse 
entendimento, isto é, o estrangeiro tem direito público subjetivo à observância 
e ao integral respeito ao devido processo legal — ainda que não possua 
domicílio no país — e está exposto à condição indisponível de sujeito de 
direitos. 
Conforme a teoria dos frutos da árvore envenenada, a prova ilícita 
originária contamina todas as demais obtidas a partir dela, ou seja, as 
decorrentes daquela prova ilícita são também ilícitas. O STF já legitimou sua 
aplicação em diversos julgados, declarando a nulidade de todos os atos 
praticados no processo, na hipótese de a prova ter sido obtida de forma ilícita. 
O exemplo clássico é o de confissão de crime por meio de tortura. 
O STF permite algumas exceções à aplicação dessa teoria quando no 
processo não se demonstrar o nexo causal entre as provas ilícitas e as 
derivadas ou quando essas puderem ser obtidas de forma independente. Por 
fim, a prova, em princípio ilícita, poderá ser admitida se produzida pelo réu em 
estado de necessidade ou legitima defesa. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
As normas legais devem observar, no processo de sua formulação, critérios de 
razoabilidade que guardem estrita consonância com os padrões fundados no 
princípio da proporcionalidade, pois todos os atos emanados do Poder Público 
devem ajustar-seà cláusula que consagra, em sua dimensão material, o 
princípio do substantive due process of law. (ADI 2667 MC–DF – Tribunal Pleno 
– Rel. Ministro Celso de Mello – J. 19/6/2002). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 10 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
Gilmar Mendes e Paulo Branco. Curso de Direito Constitucional. 8.ª ed., São 
Paulo: Saraiva, 2013 
 
DEFENSOR PÚBLICO ESTADUAL - DPE-RO - 2017 - VUNESP 
Responda à questão de direito processual civil na ordem como se apresenta. 
a àExpli ueà oà ueà o sisteàaàde o i adaà de is o-su p esa àeàoàt ata e toà
que o vigente ordenamento jurídico lhe atribui. b) Quais os princípios 
constitucionais que estão mais intimamente ligados ao assunto? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 De is o-su p esa à à a uelaà p ofe idaà peloà agist ado,à o t aà u aà
das partes, sem que ela seja previamente ouvida, ou a decisão com base em 
fundamento a respeito do qual não se tenha dado às partes oportunidade de 
se manifestar. 
O atual ordenamento jurídico (Código de Processo Civil de 2015) veda a 
de is o-su p esa àpo à eioàde seus artigos 9º e 10, os quais determinam que 
o juiz não poderá decidir acerca de determinado tema sem ouvir as partes, 
especialmente a que receberá o provimento desfavorável. 
Ou seja: as decisões judiciais não podem surpreender a parte que terá 
de suportar suas consequências, porque o contraditório moderno assegura o 
direito dos sujeitos do processo de não só participar da preparação do 
provimento judicial, como de influir na sua formulação. 
Por fim, mesmo que a questão tenha sido debatida amplamente, não 
se permite ao juiz decidi-la mediante fundamento ainda não submetido à 
manifestação das partes. 
Est oà di eta e teà ligadosà à edaç oà daà de is o-su p esa à osà
princípios do devido processo legal e do contraditório, previstos nos incisos LIV 
e LV do artigo 5º da CF/1988. Lembre-se que tais garantias não permitem que 
o juiz ou tribunal decida qualquer questão dentro do processo, ainda que seja 
de ordem pública, sem que tenha sido dada às partes prévia oportunidade de 
manifestação. 
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA: 
NERY JUNIOR, Nelson – Código de processo civil comentado – 16ª ed. rev., 
atual. e ampl. – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 2016 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 11 
THEODORO JÚNIOR, Humberto – Curso de Direito Processual Civil – Teoria 
geral do direito processual civil, processo de conhecimento e procedimento 
comum – vol. I. 57ª ed. rev., atual. e ampl. – Rio de Janeiro: Forense, 2016. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 12 
COMPETÊNCIA 
ANALISTA JUDICIÁRIO – TRT/SC – 2017 - FGV 
Determinada sociedade empresária foi fiscalizada, no mesmo dia, em duas 
ocasiões distintas. Na primeira, fiscais estaduais identificaram o 
des u p i e toàdasà o asàvei uladasàe àLeiàEstadualàXà ueàesta ele euà aà
política estadual de proteção da saúde do trabalhador, segurança e higiene do 
t a alhoàeàdisp sàso eàoà o t oleàdeàsuaào se v ia ,àapli a doàasà ultasà
ali previstas. Na segunda, fiscais federais aplicaram multas com base na Lei 
Fede alà Y,à ueà dispu haà so eà aà ualidadeà a ie talà o upa io al .à âà luzà
desses fatos, o diretor-presidente da sociedade empresária solicitou ao seu 
departamento jurídico que analisasse dois aspectos: a compatibilidade da Lei 
Estadual X e da Lei Federal Y com a Constituição Federal de 1988 e o juízo 
competente para analisar possíveis ações judiciais que se insurjam contra as 
multas aplicadas. Analise os aspectos mencionados. Quantidade máxima de 
linhas: 20 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 No presente caso, tem-se o chamado conflito federativo de atribuições, 
pois dois entes da federação realizaram seu poder de polícia e efetuaram 
fiscalizações sobre uma mesma empresa. Isso decorre, em regra, em virtude 
da competência comum dos entes, prevista no art. 23 da CRFB. 
 Pode-se mencionar que a autoridade estadual efetuou seu poder de 
polícia com base no art. 23, VI, da CRFB, que dá aos Estados competência 
comum no que toca ao meio ambiente (incluindo o meio ambiente e a 
segurança do trabalho), bem como com fundamento em lei estadual X, 
baseada no art. 24, VI, da CRFB. Por outro lado, a autoridade federal efetuou a 
autuação com base em lei Y, fundamentada no art. 22, I, da CRFB (normas de 
direito do trabalho e sua segurança). 
 A princípio, as duas autuações são compatíveis com a Constituição, 
uma vez que estão fundamentadas em normas constitucionais, como visto 
acima. O que se pode alegar, em defesa da sociedade empresária, caso as 
duas atuações tenham ocorrido em razão do mesmo fato, seria a ocorrência 
deà isài àide . 
Neste prisma, poder-se-ia alegar que o conflito federativo presente no 
caso implicaria em interesse para impugnar ambas os atos administrativos, 
ajuizando-se uma demanda na Justiça Federal (em decorrência da presença da 
União no polo passivo). 
 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 13 
Cliente e advogado firmaram contrato de honorários em percentual sobre 
valor do eventual resultado da demanda. Após o recebimento do crédito pelo 
cliente, este não pagou os honorários acertados. O advogado se insurgiu em 
busca do pagamento efetivado. Por sua vez, o cliente afirmou que tentou 
pagar, mas não encontrou o advogado em razão da mudança de endereço 
deste, e que descontaria do total as custas cobradas a mais pelo referido 
profissional. Considerando a situação hipotética acima apresentada, discorra 
acerca da competência e esclareça quais são ações cabíveis, tanto da parte do 
advogado, quanto da parte do cliente. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Inicialmente, cumpre analisar a medida a ser adotada pelo advogado 
em questão, haja vista a celebração de ajuste que lhe garante o direito à 
percepção de honorários advocatícios contratuais. 
Insta salientar, a princípio, o entendimento consolidado no STJ no 
sentido de ser da Justiça comum estadual, e não da Justiça do Trabalho, a 
competência para processar e julgar a ação de cobrança de honorários 
profissionais supostamente devidos pela prestação de serviços advocatícios, 
haja vista não se tratar de "relação de trabalho", dado o caráter civil da 
controvérsia, o que afasta a competência da Justiça laboral. Ademais, 
prevalece a teoria restritiva acerca do conceito relação de trabalho, a qual 
exige a hipossuficiência do prestador de serviços. Dessa maneira, os 
conhecimentos técnicos dos profissionais liberais afastam este requisito, 
configurando mais uma razão que justifica a falta de competência da justiça 
laboral. Esse entendimento foi sedimentado na Súmula nº 363 do STJ, segundo 
a qual compete à Justiça estadual processar e julgar a ação de cobrança 
ajuizada por profissional liberal contra cliente. 
Feita a consideração, cabe perquirir acerca da existência ou não de 
contrato escrito de honorários advocatícios, haja vista possuir reflexos diretos 
nos instrumentos manejáveis pelo advogado. Isso porque o art. 24 da Lei nº 
8.906/94 (Estatuto da OAB) preconiza que o contrato escrito que estipular a 
verba honorária é considerado título executivo extrajudicial, sendo cabível, 
portanto, o ajuizamento de processo executivo contra o cliente, com 
fundamento nos art.783 e seguintes do CPC, podendo ser proposto no foro de 
domicílio do executado, de eleição constante do título ou, ainda, de situação 
dos bens a ela sujeitos (art. 781, I, do CPC). Cumpre registrar a previsão 
constante do art. 24, § 1º, do Estatuto da OAB, segundo o qual a execução dos 
honorários pode ser promovida nos mesmos autos da ação em que tenha 
atuado o advogado, se assim lhe convier. 
Finalmente, digno de nota o posicionamento doSTJ no sentido de que a 
ação monitória pode ser instruída por título executivo extrajudicial. Trata-se 
da aplicação doà o a doàhe e uti oàdeà ueà ue àpodeàoà aisà p o essoà
deà exe uç o,à aisà efi az ,à podeà oà e os à aç oà o it ia,à e osà efi az .à
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 14 
Dessa maneira, o contrato de honorários escrito, possuindo força de título 
executivo extrajudicial (art. 24 da EOAB), poderia embasar eventual opção do 
advogado pela propositura de ação monitória, não obstante o art. 700 do CPC 
mencione expressamente que o rito da monitória se aplica a casos em que o 
documento, desde que escrito, não possua eficácia de título executivo. 
Por outro lado, em se tratando de contrato de honorários advocatícios 
não escrito, caberia ao advogado a propositura de ação de conhecimento, que 
será uma ação de cobrança, a fim de que seja obtido um título executivo 
judicial. Ressalte-se que, a partir do advento do novo Código de Processo Civil, 
oàh à aisàp e is oàdeàp o edi e toàsu ioà a tigoàa tigoà ,à II,à f ,àdoà
CPC de 1973), devendo a ação de cobrança seguir o procedimento comum 
ordinário, a ser ajuizada, em regra, no foro de domicílio do réu. 
No que tange ao instrumento processual posto à disposição do cliente 
para satisfazer sua pretensão de pagar o que deve, deverá este se valer de 
uma ação de consignação em pagamento, com fundamento nos arts. 539 e ss. 
do CPC. Isso porque a consignação, nos termos do art. 335 do Código Civil, tem 
lugar quando verificada a mora accipiendi, isto é, inadimplemento da 
obrigação em razão de fato imponível ao credor. No caso em tela, o 
advogado, ao mudar seu domicílio, cria embaraço à regular satisfação da 
dívida honorária, cabendo ao cliente o depósito judicial da quantia devida, 
sem adição de juros de mora, haja vista o fato de a mora ser imputada ao 
credor (art. 394 do Código Civil). 
Por fim, a consignação deve ser ajuizada no lugar do pagamento ou 
foro de eleição. De acordo com o art. 327 do CC, a regra geral é no sentido de 
que as dívidas são quesíveis, ou seja, devem ser adimplidas no domicílio do 
devedor. Trata-se, vale dizer, de uma regra de competência relativa. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
(...) 1. A ação monitória pode ser instruída por título executivo extrajudicial. 
Precedentes do STJ. [...] (STJ, REsp 1079338 SP, rel. min. Arnaldo Esteves 
Lima, julgamento em 18/02/2010, Quinta Turma, DJ de 15/03/2010). 
[...] 3. A ação de cobrança de honorários profissionais supostamente devidos 
pela prestação de serviços advocatícios não se insere no termo "relação de 
trabalho", dado o caráter civil da controvérsia, o que afasta a competência da 
Justiça laboral. Precedente da Seção: CC 48.976/MG, Rel. Min. João Otávio de 
Noronha, DJ de 28.08.06. [...] (STJ, CC 65575 MG, rel. min. Castro Meira, 
julgamento em 08/08/2007, Primeira Seção, DJ de 27.08.2007). 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRE/GO - CESPE - 2014 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 15 
Redija um texto dissertativo a respeito da modificação de competência no 
direito processual civil brasileiro. Em seu texto, aborde, necessariamente e de 
forma fundamentada, a possibilidade de modificação de competência nas 
seguintes situações: 1- inércia ou vontade expressa das partes; [valor: 3,50 
pontos] 2- identidade parcial ou total entre elementos de ações que tramitam 
em órgãos judiciais distintos; [valor: 4,00 pontos] 3- alteração, no curso do 
processo, de regra de direito ou de situação de fato utilizada para fixação de 
competência, como no caso de mudança de domicílio do réu. [valor: 2,00 
pontos] (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 A modificação de competência retrata a ampliação/prorrogação da 
esfera de competência de um órgão judiciário para conhecer certa causa, 
mesmo em hipótese em que este não tivesse, originariamente, competência 
para tanto. Tal fenômeno somente pode se dar nas hipóteses de competência 
relativa, afinal, a de natureza absoluta é indisponível, sendo descabida sua 
modificação (art. 62 do CPC). Um bom exemplo disto é a inclusão de foro de 
eleição em contrato (art. 63 do CPC), justamente pela disponibilidade da regra 
deà o pet iaà te ito ial.àPa alela e te,àdes a eàoà juízo àdeàeleiç o,à poisà
ocorreria o afastamento de uma regra de competência quanto à 
matéria/pessoa, sabidamente absoluta/indisponível. 
 Sobre a primeira situação, a inércia do réu em arguir a incompetência 
relativa no momento da contestação resulta na preclusão temporal para 
alega àoà í ioà futu a e te,à eà aà o segui teà p o ogaç oàdaà o pet ia à
daquele juízo originariamente incompetente (art. 65 do CPC), retratando 
causa de modificação de competência. 
 Sobre a segunda situação, outra hipótese de modificação de 
o pet iaào o eà aà o ex o à a t.à àdoàCPC àeà aà o ti ia à a t.à à
do CPC), que existem quando duas ou mais ações pendentes – exigência de 
sincronia – estejam atadas por um vínculo de semelhança relacionado a 
determinado elemento da ação. Estabelecido tal vínculo, havendo parcial 
identidade dos elementos da demanda, a legislação passa a impor a 
reunião/agrupamento de processos (arts. 55, § 1º; 57; e 58 do CPC), por 
motivo de (i) economia processual, em especial na colheita de provas, como 
também para (ii) evitar decisões conflitantes ou contraditórias, resguardando 
a segurança jurídica. As demandas serão reunidas no juízo prevento, 
justamente aquele em que a petição inicial foi antes registrada ou distribuída 
(art. 59 do CPC). 
 Registre-seà ueà aà situaç oà deà o ex o à eà o ti ia à dife eà daà
identidade total dos elementos da causa entre as duas demandas pendentes, 
ua doàha e à litispe d ia à a t.à ,à§à º,àdoàCPC ,àle a doà àexti ç oàdoà
(segundo) processo sem julgamento do mérito (art. 485, V, do CPC). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 16 
 Sobre a terceira situação, uma regra geral sobre o estudo da 
competência é a da perpetuação da jurisdição (art. 43 do CPC), ou perpetuatio 
jurisdictionis, segundo o qual a competência fixada no momento da 
propositura da demanda não mais se modifica, permanecendo até o 
julgamento da causa. Está englobada no conjunto de normas sobre a 
estabilização da demanda (v.g. art. 329 do CPC). 
 A regra infraconstitucional ora estudada tem suporte no princípio 
constitucional do juiz natural e na impessoalidade da jurisdição, buscando 
evitar que alterações fraudulentas da situação resultem em deslocamento do 
foro ou do juízo em princípio competente. 
 Em termos práticos, significa dizer que nenhuma alteração no estado 
de fato, como a mudança de domicílio do réu, ou de direito, como a ampliação 
do teto da competência do órgão em razão do valor da causa, irá interferir no 
juízo competente para sua decisão. É justamente o que restou cristalizado no 
verbete sumular nº 58, do STJ: proposta a execução fiscal, a posterior 
mudança de domicílio do executado não desloca a competência já fixada. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
CARNEIRO, Paulo Cezar Pinheiro. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Novo 
Código de Processo Civil – Anotado e Comparado. Rio de Janeiro: Gen 
Método, 2015. 
DIDIER JR., Fredie. Curso de direito processual civil: introdução ao direito 
processual civil, parte geral e processo de conhecimento. 18 ed. Salvador: Jus 
Podivm, 2016. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed. 
Salvador: JusPodium, 2016. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Espera-se do candidato a elaboração de texto que, em linhas gerais, se 
aproxime ao que se segue: A modificação ou prorrogação de competência 
ocorre quando se amplia a esfera de competência de um órgão judiciário, e 
somente é possível em situações de regras de competência relativa. Uma 
dessas hipótesesocorre quando há inércia ou vontade expressa das partes, 
que são hipóteses de modificação voluntária de competência. Assim, caso o 
réu deixe de apresentar exceção de incompetência relativa no prazo legal (art. 
114, CPC), o órgão judicial que era relativamente incompetente tem sua 
competência prorrogada. É ainda lícito que as partes escolham o foro em que 
devam ser dirimidos os conflitos decorrentes de negócio jurídico (eleição de 
foro), nos casos em que a competência seja relativa. Registre-se que apenas se 
admite a eleição de foro (competência, em regra, relativa), mas não a de 
justiça ou de juízo (absoluta). No que se refere à reunião de ações que 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 17 
tramitem em órgãos judiciais distintos e tenham identidade parcial, ou total, 
de seus elementos, é salutar lembrar que os elementos utilizados para 
caracterizar uma ação (demanda) são: partes, causa de pedir e pedido. A 
identidade parcial entre alguns desses elementos pode caracterizar conexão 
ou continência, que são hipóteses de modificação legal de competência de 
acordo com o CPC. Assim, serão conexas duas ou mais ações quando lhes for 
comum o objeto e(ou) a causa de pedir (art. 103, CPC). Já a continência entre 
duas ou mais demandas ocorrerá quando lhes forem comuns as partes e a 
causa de pedir, sendo o pedido formulado em uma delas mais amplo que o 
feito na outra (art. 104, CPC). No caso de identidade total dos elementos da 
demanda (litispendência ou coisa julgada – art. 301, § 1.º, CPC), não ocorre 
modificação de competência, mas, sim, a extinção do segundo processo sem 
resolução de mérito (art. 267, V, CPC). Pode acontecer que, durante o curso do 
processo, sobrevenha alteração de regra de direito ou de situação de fato 
utilizada para fixação de competência, como no caso de mudança do domicílio 
do réu. Nesses casos, em regra, não ocorre modificação de competência, pois, 
de acordo com a regra denominada de perpetuação da jurisdição (perpetuatio 
jurisdictionis), a competência é fixada no momento em que a ação é proposta, 
sendo irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direito ocorridas 
posteriormente, salvo quando suprimirem o órgão judiciário ou alterarem a 
competência em razão da matéria ou da hierarquia (art. 87, CPC). Observação: 
Como a prova não é feita com consulta à legislação, não é necessário que o 
candidato indique dispositivos legais. 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
Dê um exemplo de competência funcional horizontal com a correspondente 
justificativa. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Competência funcional pode ser entendida como sendo o meio pelo 
qual ocorre uma repartição de incumbências por órgãos jurisdicionais no bojo 
de um mesmo feito processual. Essa competência pertence à temática da 
competência interna que, ao lado da funcional, temos também a competência 
objetiva e territorial. 
 No tocante à competência funcional, objeto do enunciado, ela pode ser 
vertical ou horizontal. A diferença reside no fato de que a primeira, 
competência funcional vertical atine às divisões de competência para o 
processamento e julgamento de uma causa entre instâncias diferentes, tendo, 
como exemplo maior, a competência originária e recursal (uma vara federal e 
o órgão jurisdicional superior para julgar uma eventual apelação da sentença 
proferida pelo juízo singular). Já a segunda, competência funcional horizontal, 
envolve a estruturação e distribuição de funções no curso de um processo, mas 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 18 
em uma mesma instância. Como exemplo notório, temos a previsão dos arts. 
948 a 950 do CPC, que cuidam do incidente de declaração de 
inconstitucionalidade. 
 Aludido instituto do novo CPC pode ocorrer no curso de um processo, 
originário ou na via recursal, quando um órgão fracionário de um determinado 
tribunal verificar uma arguição de inconstitucionalidade e, por falecer 
competência (art. 97 da CRFB) para decidir se a norma alvejada é ou não 
inconstitucional, deve remeter os autos para o órgão competente do tribunal 
(tribunal pleno ou órgão especial, por exemplo), a fim de que haja a 
apreciação abstrata do incidente. Com o fim da apreciação, os autos 
retornarão para o órgão fracionário, que prosseguirá na análise do caso 
concreto, devendo observar o entendimento da apreciação abstrata pelo 
órgão anteriormente competente. 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
Qual a natureza jurídico-processual da competência? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O conceito de jurisdição varia de acordo com a doutrina adotada. 
Porém, com base nas ideias de Chiovenda, a jurisdição é uma função do 
Estado que tem por escopo a atuação da vontade concreta da lei por meio da 
substituição, pela atividade de órgãos públicos, da atividade de particulares 
ou de outros órgãos públicos, ou seja, retira o direito de agir das partes uma 
em relação à outra, dando lugar ao direito de pedir perante um órgão estatal 
imparcial. Pela ótica de Carneluti, basicamente, a jurisdição pode ser vista 
como o exercício para solucionar lides. 
 Logo, de forma sintética, pode-se entender que jurisdição é um poder-
dever estatal de resolver conflitos, com afirmação do direito. O exercício da 
jurisdição revela uma das facetas da soberania e, embora ela seja uma e 
indivisível, sua repartição em inúmeros órgãos judiciais (com base na CRFB, 
códigos, regimentos internos...) é uma medida de racionalização. Assim, a 
competência é uma parcela da jurisdição, a fim de que o Estado-juiz possa 
p esta àaàju isdiç oà o à aio à a io alidadeàeào ga izaç o. 
 Um ponto de grande relevância é que a competência não é apenas 
uma questão de mera organização, mas sim verdadeiro pressuposto de 
validade do processo, de forma que os comandos judiciais devem ser exarados 
por aqueles órgãos realmente competentes. A importância da competência 
pode ser vista pela preocupação das normas, especialmente a CRFB e os 
códigos, em delimitar os juízos competentes, além de regular a seara de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 19 
eventuais conflitos de competência. De plano, é possível enxergar a 
competência absoluta e a competência relativa. 
 Competência absoluta é a competência insuscetível de sofrer 
modificação, seja pela vontade das partes, seja pelos motivos legais de 
prorrogação (conexão ou continência de causas). Em regra, a competência 
absoluta, atende a interesses públicos, referindo-se a matéria ou hierarquia. 
Hierarquia relacionada ao tipo de processo ou tipo de parte submetidos ao 
órgão jurisdicional. Por sua vez, a competência relativa é a competência 
passível de modificação por vontade das partes ou por prorrogação, oriunda 
da conexão ou continência de causas, de forma que, por exemplo, um juízo 
inicialmente incompetente pode se tornar competente para processar e julgar 
uma demanda. 
 Tradicionalmente, usa-se uma fórmula para averiguar a competência 
para iniciar uma ação judicial. O primeiro passo é analisar se a causa pode ser 
ajuizada no Brasil ou se há competência em outro país. Após, analisa-se a 
competência de jurisdição (qual a Justiça competente?); competência 
originária (dentro da Justiça competente, o conhecimento da causa cabe ao 
órgão superior ou ao inferior?) competência de foro (se a atribuição é do 
órgão do primeiro grau de jurisdição, qual a comarca ou seção judiciária 
competente?); competência de juízo (se há mais de um órgão de primeiro grau 
de jurisdição com as mesmas atribuições jurisdicionais, qual a vara 
competente?); competência interna (quando numa mesma Vara ou Tribunal 
servem vários juízes, qual ou quais deles serão competentes?); competência 
recursal (a competência para conhecer do recurso é do próprio órgão que 
decidiu originariamente oude um superior?). 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PA - 2014 - FCC 
Duas semanas após ter sido deflagrada grave por ocupantes de cargos 
públicos de natureza administrativa em órgãos da Administração direta 
estadual, e não havendo acordo entre o sindicato da categoria e os dirigentes 
dos órgãos em questão quanto às demandas apresentadas, promoveu-se 
dissídio coletivo, perante a justiça do Trabalho, em sede do qual se 
reconheceu a ilicitude do movimento, sob o fundamento de que o direito à 
greve dos servidores púbicos é assegurado em norma constitucional que, para 
produzir efeitos, carece de regulamentação legal ainda não existente. Diante 
dessa situação, indaga-se: Caberia ao sindicato valer-se, em tese, de alguma 
ação diretamente perante o Supremo Tribunal Federal, para viabilizar o 
exercício do direito de greve dos membros da categoria? Em caso afirmativo, 
qual seria e sob quais fundamentos? Em caso negativo, por quê? Justifique 
sua resposta, à luz da disciplina constitucional da matéria. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 20 
A ação adequada para viabilizar o exercício do direito de greve dos 
membros da categoria é a reclamação ao Supremo Tribunal Federal, nos 
termos do art 102. I, da CF/88, com objetivo de garantir a autoridade das 
decisões prolatadas no MI 708 (Rel. Min. Gilmar Mendes) e MI 712 (Rel. Min. 
Eros Grau). 
Há ocorrência de incompetência da Justiça do Trabalho para a ação, 
por se tratar de greve de servidores públicos estatutários, de competência da 
justiça comum. 
No caso em tela aplica-se os parâmetros da legislação que 
regulamenta o exercício do direito de greve dos trabalhadores em geral, com 
as devidas adaptações às peculiaridades do serviço público, enquanto não 
editada lei específica sobre a matéria, nos termos do art. 37, VII, da CRFB. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 21 
AÇÃO CIVIL PÚBLICA 
ADVOGADO – PETROBRAS – 2015 - CESGRANRIO 
Considere a lei que disciplina a ação civil pública no caso hipotético a seguir. A 
empresa Y S/A, atuante no ramo do petróleo e gás, é surpreendida com um 
acidente em plataforma de petróleo, o que causa danos ambientais no local e 
em vários estados da federação brasileira. Por força desse evento, vem a ser 
ré em ação civil pública proposta pelo Ministério Público Federal apresentada 
na capital do Estado W, sede da empresa Y. A postulação aduzida consistiu em 
suspensão liminar das atividades e condenação em danos morais e materiais 
incidentes. Não há indicação dos prejudicados na peça inicial. A liminar é 
deferida, causando prejuízos de milhões de dólares à empresa. Houve 
recurso, improvido. O pedido é julgado procedente, e a ré é condenada a 
pagar cinco bilhões de reais pelos prejuízos causados e dez por cento de 
honorários advocatícios incidentes sobre o valor da condenação. Houve 
recurso. Nos termos da legislação que prevê as circunstâncias descritas no 
caso acima, elabore um texto, em que se deverão abordar os aspectos 
elencados abaixo: 1- a Lei que disciplina essa ação, a Justiça competente e o 
fundamento constitucional dessa competência; 2- os recursos aí cabíveis e 
contra quais medidas eles serão interpostos; 3- o tipo da responsabilidade 
civil em foco e o que a caracteriza nas circunstâncias apresentadas; 4- os 
danos passíveis de indenização e em que circunstâncias serão identificados os 
prejudicados; 5- o destino final dos valores da condenação e dos honorários 
advocatícios. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 A presente questão versa sobre um clássico caso de dano ao meio 
ambiente, cuja tutela é prevista em nossa Constituição em seu art. 225. 
Ademais, seu art. 129, III prevê a legitimidade do Ministério Público para 
propor a ação civil pública em defesa do patrimônio público e do próprio meio 
ambiente. Essa ação é regulamentada pela Lei nº 7.347/85, que atribuiu 
legitimidade também aos entes públicos e associações (desde que atendidos 
alguns requisitos específicos). 
 No caso apresentado, vê-se que o dano ambiental causado pela 
empresa Y atingiu vários estados da federação. Assim, tem-se um dano que 
aparentemente não é apenas regional, atraindo o interesse da União para a 
solução do caso, o que atrai a competência da Justiça Federal para processar e 
julgar a causa, consoante previsão expressa no art. 109, I, da CRFB. Não por 
acaso, a ação foi proposta pelo Ministério Público Federal. 
 Adiante, no que toca aos recursos cabíveis, a decisão que deferiu a 
liminar desafia o recurso de agravo de instrumento, consoante disposição do 
art. 1.015, I, do CPC e do art. 12, da Lei nº 7.347/85. Por sua vez, da sentença 
cabe apelação, conforme art. 1.009 do CPC. A responsabilidade pelo dano é 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 22 
objetiva, conforme previsão expressa no art. 14 da Lei nº 6.938/81 (Política 
Nacional do Meio Ambiente) e, ainda, pela interpretação do art. 225, §3º, da 
CRFB. 
 Nessa hipótese, a empresa será obrigada a pagar danos materiais e 
morais coletivos, conforme já vem sendo reconhecido pela jurisprudência do 
Superior Tribunal de Justiça. Para ser capaz de identificar os prejudicados 
individualmente, cada um dos pretensos lesionados deve propor liquidação 
individual de sentença, momento no qual serão produzidas as provas para 
quantificar a extensão do dano caso a caso. Finalmente, o art. 13 da Lei nº 
7.347/85 determina que o produto da condenação na ação civil pública será 
revertido para um fundo constituído para a defesa dos bens lesados (no caso, 
ambientais). No que toca aos honorários advocatícios, a doutrina vem 
entendendo que seu montante também deve ser revertido para esse fundo, 
em especial quando o autor da ação é o Ministério Público (que, por conta do 
a t.à ,àII,à a ,àdaàC‘FB,à oàpodeà e e e à ual ue àtipoàdeà e aàaàtítuloàdeà
honorários). 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Em relação ao item 1, a ação civil pública é cabível nesse caso por previsão da 
Lei nº 7.347/85. Ela pode ser proposta pelo Ministério Público e a competência 
no caso descrito é da Justiça Federal, já que pois o MPF é vinculado à União 
Federal, o que atrai a regra do art. 109 da CF.2- Agravo de instrumento contra 
a medida liminar e apelação contra a sentença. 3- A responsabilidade por 
dano ambiental é objetiva, devendo ocorrer prova do nexo de causalidade 
entre o evento e o dano.4- É cabível a condenação em danos materiais e 
danos morais coletivos. Os prejudicados serão identificados em processo de 
liquidação de sentença. 5- Os valores da condenação e os honorários serão 
revertidos para um Fundo de defesa dos direitos difusos. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 23 
AÇÃO DE IMPROBIDADE ADMINISTRATIVA 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SE – 2018 – CESPE 
No que concerne à ação de improbidade administrativa, redija um texto 
dissertativo que responda, de forma fundamentada e de acordo com a 
jurisprudência atual do STJ, aos seguintes questionamentos. 1- A sentença de 
improcedência se submete ao regime de remessa necessária? [valor: 7,00 
pontos] 2- Pode ser considerada válida a sentença condenatória prolatada em 
processo se não tiver ocorrido a notificação do acusado para a apresentação 
de defesa preliminar prevista em lei? [valor: 7,25 pontos] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O instituto da remessa necessária (ou reexame necessário) condiciona 
a produção de efeitos da sentença à sua confirmação pelo tribunal em 
situações especificamente previstas em nosso ordenamento jurídico. 
Recentemente, o STJ superou divergência, até então existente, e consagrou o 
entendimento de que é cabível o reexame necessário em ação de improbidade 
administrativa, independentemente do valor atribuído àcausa. 
O entendimento fundamenta-SE na aplicação subsidiária do art. 496 do 
CPC/2015. Ademais, por aplicação analógica da primeira parte do art. 19 da 
Lei nº 4.717/65, as sentenças de improcedência de ação civil pública sujeitam-
se indistintamente ao reexame necessário. 
No procedimento previsto para a ação de improbidade administrativa, 
antes do recebimento da petição inicial pelo juiz, o réu é notificado para se 
manifestar (art. 17, §7º, da Lei nº 8.429/92). Segundo o STJ, nos casos em que 
não for realizada a notificação do acusado para apresentação de defesa 
preliminar, a nulidade será relativa. Apesar de constituir fase obrigatória do 
procedimento especial da ação de improbidade administrativa (e evitar ações 
temerárias), a inobservância da fase preliminar não acarreta necessariamente 
a nulidade de todo o processo. 
Assim, a declaração de nulidade depende da efetiva comprovação de 
prejuízo ao réu condenado, e o processo não deve ser anulado se a sentença 
tiver sido dada em processo em que tenha havido regular instrução probatória 
com plena observância dos princípios da ampla defesa e do contraditório após 
o recebimento da inicial. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
(...)3. A jurisprudência do STJ se firmou no sentido de que o Código de 
Processo Civil deve ser aplicado subsidiariamente à Lei de Improbidade 
Administrativa. Nesse sentido: REsp 1.217.554/SP, Rel. Ministra Eliana 
Calmon, Segunda Turma, DJe 22/8/2013, e REsp 1.098.669/GO, Rel. Ministro 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 24 
Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 12/11/2010. 4. Portanto, é cabível 
o reexame necessário na Ação de Improbidade Administrativa, nos termos do 
artigo 475 do CPC/1973. Nessa linha: REsp 1556576/PE, Rel. Ministro Herman 
Benjamin, Segunda Turma, DJe 31/5/2016. 5. Ademais, por "aplicação 
analógica da primeira parte do art. 19 da Lei nº 4.717/65, as sentenças de 
improcedência de ação civil pública sujeitam-se indistintamente ao reexame 
necessário" (REsp 1.108.542/SC, Rel. Ministro Castro Meira, j. 19.5.2009, DJe 
29.5.2009). Nesse sentido: AgRg no REsp 1219033/RJ, Rel. Ministro Herman 
Benjamin, Segunda Turma, DJe 25/04/2011. (...)EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA 
EM RESP Nº 1.220.667 – MG. STJ. 
(...)1. O tema central do presente recurso está limitado à análise da eventual 
nulidade nos casos em que não for observado o art. 17, § 7º, da Lei 8.429/92, 
relacionado à notificação do acusado para apresentação de defesa preliminar 
em sede de ação de improbidade administrativa. 2. A referida regra foi 
claramente inspirada no procedimento de defesa prévia previsto nos arts. 513 
a 518 do Código de Processo Penal, que regula o processo e o julgamento 
"dos crimes de responsabilidade dos funcionários públicos". Nesse contexto, o 
Supremo Tribunal Federal pacificou o entendimento que o eventual 
descumprimento da referida fase constitui nulidade relativa: HC 110.361/SC, 
2ª Turma, Rel. Min. Ricardo Lewandowski, Dje de 31.7.12; HC 97.033/SP, 1ª 
Turma, Rel. Min. Carmen Lúcia, Dje de 12.5.09. (...)4. É manifesto que o 
objetivo da fase preliminar da ação de improbidade administrativa é evitar o 
processamento de ação temerárias, sem plausibilidade de fundamentos para 
o ajuizamento da demanda, em razão das graves consequências advindas do 
mero ajuizamento da ação. Entretanto, apesar de constituir fase obrigatória 
do procedimento especial da ação de improbidade administrativa, não há 
falar em nulidade absoluta em razão da não observância da fase preliminar, 
mas em nulidade relativa que depende da oportuna e efetiva comprovação de 
prejuízos. 5. Ademais, não seria adequada a afirmação de nulidade processual 
presumida, tampouco seria justificável a anulação de uma sentença 
condenatória por ato de improbidade administrativa após regular instrução 
probatória com observância dos princípios da ampla defesa e contraditório, a 
qual, necessariamente, deve estar fundada em lastro probatório de fundada 
autoria e materialidade do ato de improbidade administrativa. Todavia, é 
necessário ressalvar que tal entendimento não é aplicável aos casos em que 
houver julgamento antecipado da lide sem a oportunização ou análise de 
defesa prévia apresentada pelo réu em ação de improbidade administrativa 
(...)7. No caso dos autos, o Tribunal de origem expressamente consignou que 
a nulidade apontada pelo descumprimento do art. 17, § 7º, da Lei 8.429/92, é 
relativa e que não houve indicação ou comprovação de prejuízos em razão do 
descumprimento da norma referida. (...)EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA EM 
RESP Nº 1.008.632 – RS. STJ. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 25 
AÇÃO POPULAR 
TRIBUNAL DE CONTAS - TCE/GO – 2009 – FCC 
Responda fundamentadamente quais as consequências e efeitos da sentença 
que julgar procedente e da que julgar improcedente a Ação Popular. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A sentença que julgar procedente a ação popular decretará a 
invalidade do ato impugnado e condenará ao pagamento de perdas e danos 
os responsáveis pela sua prática e os beneficiários dele, ressalvada a ação 
regressiva contra os funcionários causadores do dano, quando incorrerem em 
culpa. A sentença incluirá sempre, na condenação dos réus, o pagamento ao 
autor não só das custas e demais despesas, judiciais e extrajudiciais, 
diretamente relacionadas com a ação e comprovadas, mas também dos 
honorários do advogado. A sentença terá, ainda, eficácia de coisa julgada 
oponível erga omnes. 
Já a sentença que julgar improcedente a ação popular dependerá da 
razão da improcedência. Se a razão da improcedência decorrer da deficiência 
de prova, a sentença não produzirá efeitos de coisa julgada oponível erga 
omnes, sendo que qualquer cidadão poderá intentar outra ação com idêntico 
fundamento, valendo-se de nova prova. Porém, se a ação for julgada 
improcedente por ser infundada, a sentença produzirá efeitos de coisa julgada 
erga omnes e o ato permanecerá válido. Nas hipóteses de improcedência da 
ação popular ficará o autor isento de custas judiciais e do ônus da 
sucumbência, salvo comprovada má-fé. 
 
PROCURADORIA ESTADUAL – PGE/RS - 2015 - FUNDATEC 
É constatada fraude em procedimento licitatório visando à construção de 
penitenciaria no interior do estado, indireta violação ao comando 
constitucional do art. 37, XXI, eis que não foi assegurada a igualdade de 
condições a todos os concorrentes, havendo favorecimento ilegal a um cartel 
de empresas que pratica preços superiores aos do mercado. Nesse caso, seria 
cabível a propositura de ação popular, ação cível pública e/ou ação de 
improbidade administrativa? Ao responder, diferencie cada qual desses 
instrumentos quanto à finalidade, com especial destaque à posição jurídica do 
estado em tais ações. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
No caso seria cabível ação popular, ação civil pública e ação de 
improbidade. A ação popular pode ser ajuizada por qualquer cidadão, tendo 
como finalidade a anulação de ato lesivo ao patrimônio púbico, à moralidade 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 26 
administrativa, ao meio ambiente e ao patrimônio histórico e cultural, com o 
ressarcimento dos danos causados ao erário. 
Já a ação civil pública pode ser ajuizada pelo Ministério Público, por 
pessoa jurídica de direito público interno, por associação legalmente 
constituída nos termos da Lei n.7.347/85, dentre outros, para proteger todo e 
qualquer direito difuso e coletivo, com o fim de obter a condenação na 
obrigação de fazer, não fazer e/ou condenação em dinheiro. 
Por sua vez, seria ainda cabível ação de improbidade administrativa 
com a finalidade de obter o ressarcimento ao erário, com a suspensão dos 
direitos políticos, a perda da função pública e indisponibilidade dos bens, na 
forma e gradação previstas pelaLei n.8.429/92. 
Na ação popular, na ação civil pública e na ação de improbidade 
administrativo, será o Estado intimado para manifestar-se, podendo aderir ao 
pólo ativo, na qualidade de litisconsorte; figurar no pólo passivo; ou abster-se. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 27 
AÇÃO RESCISÓRIA 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/BA – 2014 - CESPE 
Carlos, após ser retirado de terra pública pertencente ao estado da Bahia, a 
qual ocupou por quinze anos sem autorização, ajuizou ação em face do estado 
da Bahia, pedindo indenização no valor de R$ 200 mil, por benfeitoria útil 
erigida no imóvel ocupado, qual seja, um galpão de 300 m2, no qual guardava 
a colheita de feijão. Após normal instrução do processo, o juiz proferiu 
sentença concedendo a indenização pleiteada, sob o entendimento de que a 
posse foi de boa-fé (art. 1.219 do Código Civil), e condenando o estado ao 
pagamento de honorários no valor de R$ 5 mil, com fundamento de que o 
pedido atendia ao disposto no art. 20, §4.º, do CPC, conforme transcrição a 
segui :à Nasà ausasàdeàpe ue oàvalo ,à asàdeàvalo ài esti vel,à a uelasàe à
que não houver condenação ou for vencida a fazenda pública, e nas 
execuções, embargadas ou não, os honorários serão fixados consoante 
apreciação equitativa do juiz, atendidas as normas das alíneas a, b e c do 
pa g afoà a te io . à áà apelaç oà i te postaà peloà e teà pú li o,à i su gi do-se 
em face da indenização, teve provimento negado, sendo mantida a sentença 
de primeiro grau por seus próprios fundamentos. Foi negado seguimento ao 
recurso especial interposto, por intempestivo. O acórdão transitou em julgado 
em 20 de fevereiro de 2014. Considerando a situação hipotética acima, 
suponha que, na condição de procurador do estado, tenham-lhe sido 
encaminhados cópia integral do processo e pedido de cumprimento de 
sentença, protocolado há dez dias, para opinar sobre medida judicial capaz de 
defender os interesses do ente público. Assim, de forma fundamentada, 
esclareça os seguintes pontos: 1) Qual a medida judicial a ser adotada? Qual o 
órgão competente perante o qual deverá ser proposta a medida judicial? 
[valor: 4,00 pontos] 2) Quais os fundamentos de cabimento? [valor: 4,00 
pontos] 3) Esclareça a respeito da possibilidade de suspensão do 
cumprimento de sentença. [valor: 7,00 pontos] 4) Qual o objeto da ação 
proposta pelo ente público? [valor: 4,00 pontos] (questão adaptada ao novo 
CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A medida judicial cabível é a ação rescisória, que deverá ser proposta 
perante o Tribunal de Justiça, com fundamento no art. 966 do CPC. Importante 
salientar que, conforme disposição do CPC de 2015, tal medida judicial é hábil 
para rescindir decisão de mérito, transitada em julgado, e não mais apenas a 
sentença, como previa o CPC/73. A ação deverá ser proposta pelo Estado 
perante o Tribunal de Justiça, conforme previsão do art. 974 do CPC, em face 
de Carlos. 
Outra possibilidade seria o ajuizamento de uma ação cautelar. 
Entretanto, de qualquer forma, deverá ser proposta a ação rescisória como 
solução final, uma vez que a ação cautelar, por si só, não poderá desconstituir 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 28 
definitivamente a coisa julgada em favor da Fazenda Pública. Isto porque a 
situação fática proposta demonstra que não há mais possibilidades de defesa 
da execução. 
Nesse ponto, faz-se necessário um esclarecimento. Na vigência do 
CPC/73, a defesa na execução contra a Fazenda Pública era regulamentada 
pelo art. 741, que previa uma sistemática diferenciada para o Ente Público na 
defesa do erário. Não havia distinção entre a execução de títulos judiciais 
(cumprimento de sentença) e de títulos extrajudiciais (execução propriamente 
dita), de forma que não existia uma previsão clara da ideia de processo 
sincrético aplicada à Fazenda Pública. Todavia, com a vigência do Novo CPC, o 
procedimento de cumprimento de sentença passa a ser expressamente 
aplicável também para a Fazenda Pública (arts. 534 e 535 do CPC/15), que 
poderá se defender por meio de impugnação. Já na execução de título 
extrajudicial contra a Fazenda Pública, esta se defende por meio de embargos 
(art. 910 do CPC/15). 
Mesmo assim, mantêm-se todas as garantias em favor do erário, como 
a impossibilidade de serem expropriados bens públicos, devendo os 
pagamentos ocorrerem por meio de precatórios. De toda sorte, a medida 
judicial cabível é a ação rescisória, uma vez que a situação proposta não 
contempla matéria de impugnação ao cumprimento de sentença. 
Em relação ao cabimento de tal instrumento, deve-se destacar que a 
sentença violou literal disposição de lei, sendo, portanto, cabível a ação 
rescisória com fundamento no art. 966, V, do CPC. Além disso, conforme se 
observa pela situação descrita, ainda não houve o decurso do prazo de dois 
anos, contados do trânsito em julgado da decisão (art. 975 do CPC). 
Quanto aos fundamentos jurídicos do pedido, deve-se destacar, em 
especial, a violação aos arts. 1.204 c/c 1.208 do CC, uma vez que não induzem 
posse os atos de mera tolerância e os atos clandestinos. Sendo assim, por se 
tratarem de atos irregulares, observa-se que não há configuração de posse, 
mas apenas de mera detenção. Se o direito de retenção ou de indenização 
pelas acessões realizadas depende da configuração da posse, não se pode, 
ante a consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daqueles 
direitos, o que resulta na inexistência do dever de se indenizar as benfeitorias 
úteis e necessárias. Nesse sentido é a jurisprudência do STJ. 
Ainda, em relação à fase de cumprimento de sentença já requerido 
pela parte vencedora, cabível o pedido de antecipação dos efeitos da tutela 
para suspendê-lo. Estão presentes os pressupostos para o deferimento, quais 
sejam, elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo de 
dano ao erário, conforme art. 300 do CPC/15. 
Por fim, a ação rescisória terá como objeto o pedido de rescisão do 
julgado, para que haja um novo julgamento da causa (art. 968, I, do CPC/15). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 29 
Deverá haver pedido expresso de rescisão do acórdão, com novo julgamento 
da causa, para que seja julgado improcedente o pedido de indenização pela 
benfeitoria realizada no imóvel público, com inversão dos ônus da 
sucumbência. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
CUNHA, Leonardo Carneiro. A Fazenda Pública em Juízo. 13ª ed. Rio de 
Janeiro: Forense, 2016. p. 331 a 337 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
1 – Ação rescisória. Tribunal de Justiça. Deverá o candidato afirmar que pode 
ser ajuizada ação rescisória (art. 485 CPC), posto que é medida judicial hábil a 
rescindir sentença de mérito, transitada em julgado. A ação deverá ser 
proposta pelo Estado perante o Tribunal de Justiça (art. 494 CPC) em face de 
Carlos. Pode ser aceita ação cautelar se o candidato alegar que cabe a ação 
rescisória e elencar os motivos do cabimento quanto à matéria de fundo de 
direito e processual, uma vez que o título é passível de execução, uma vez que 
transitado em julgado, ou seja, ainda que ajuizada ação cautelar, deverão ser 
apontados os argumentos do padrão de resposta. O enunciado demonstra, 
pelos dados dele constantes, que está presente a necessidade de ajuizamento 
de rescisória para atender o interesse da fazenda pública, uma vez que 
ausentes as possibilidades de argumentos elencados no art. 741 CPC. Veja-se 
que qualquer argumentação jurídica deve estar em conformidade com o que 
consta do enunciado, que não contempla matéria do 741 e sequer de 
impugnação do art. 475-L. Ainda que tenha sido promovida execução em 
desconformidade com o art. 730 CPC, a ação rescisória é de patente 
cabimento e, assim, deve ser ajuizada para defesa dos interesses do entepúblico. 2 – Cabimento. Sentença violou literal disposição de lei. Art. 485, V, 
CPC. Prazo de dois anos. Art. 494 CPC. Deverá o candidato afirmar que o 
cabimento da ação rescisória reside no fato de a sentença ter violado literal 
disposição de lei (art. 485, V, CPC), apontando que ainda não houve o decurso 
do prazo de dois anos, contados do trânsito em julgado da decisão (art. 494 
CPC). 3 – Violação do art. 1.204 c/c 1.208 CC. Inexistência de posse. Mera 
detenção. Antecipação dos efeitos da tutela. Art. 273, I, CPC. Deverá o 
candidato alegar que a ocupação de área pública, quando irregular, não pode 
ser reconhecida como posse (art. 1.204 CC), mas como mera detenção (art. 
1.208 CC). Se o direito de retenção ou de indenização pelas acessões 
realizadas depende da configuração da posse, não se pode, ante a 
consideração da inexistência desta, admitir o surgimento daqueles direitos, o 
que resulta na inexistência do dever de se indenizar as benfeitorias úteis e 
necessárias (REsp 863.939/RJ, Rel. Min. Eliana Calmon, Segunda Turma, DJe 
24.11.2008). Deverá o candidato apontar a necessidade da antecipação dos 
efeitos da tutela para suspender o cumprimento de sentença já requerido pela 
parte vencedora. Para tanto, deverá o candidato alegar que estão presentes 
os pressupostos para o deferimento, quais sejam, prova inequívoca, 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 30 
verossimilhança da alegação e fundado receio de dano irreparável ou de difícil 
reparação (art. 273, I, CPC). 4 – Pedido de rescisão. Novo julgamento da 
causa. Art. 488, I, CPC. Deverá o candidato afirmar que o Estado deve pedir 
para ser rescindido o acórdão, com novo julgamento da causa, para que seja 
julgado improcedente o pedido de indenização pela benfeitoria realizada no 
imóvel público, com inversão dos ônus da sucumbência. 
 
DEFENSOR PÚBLICO - DPU – 2017 - CESPE 
Mariana obteve sentença favorável em face da União, em ação que visava ao 
reconhecimento de valores que lhe eram devidos. Entretanto, as diferentes 
turmas do tribunal regional federal local tinham entendimentos diversos 
sobre o critério de correção monetária a ser adotado para o cálculo da 
quantia devida. A ação de Mariana foi distribuída e julgada pela turma que 
adotava o critério que lhe era menos favorável. Um ano após o trânsito em 
julgado da demanda — ante a ausência de recurso por ambas as partes —, 
Mariana descobriu que o tribunal regional federal da localidade onde reside, 
em sede de Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas (IRDR), tinha 
solucionado a controvérsia até então existente, adotando o critério mais 
favorável aos credores da União. Diante dessa situação hipotética, responda, 
fundamentadamente, se existe algum remédio judicial apto a tutelar o 
interesse jurídico de Mariana em obter a revisão dos valores do julgado 
anterior. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
No caso ora em análise, pode-se notar que Mariana teve sucesso em 
seu processo, apenas não tendo conseguido o melhor critério para correção 
monetária dos valores devidos. Espera, nesse momento, que a decisão 
transitada em julgado seja rescindida em virtude de precedente firmado em 
incidente de resolução de demandas repetitivas. Contudo, parece que não há 
hipótese de isso acontecer. 
 Com efeito, nos últimos tempos tem crescido a importância da 
chamada verticalização dos precedentes: uma tendência que busca dar 
concretude aos precedentes firmados pelos tribunais, a fim de direcionar as 
decisões de juízes de instâncias inferiores, primando pelos princípios da 
celeridade, da isonomia e da segurança jurídica. Ainda mais quando se verifica 
que o precedente foi firmado em incidente de resolução de demandas 
repetitivas, previsto no art. 976 do CPC. 
 Esse instituto, trazido ao nosso ordenamento pelo Novo Código de 
Processo Civil de 2015, tem por finalidade firmar uma tese que será utilizada 
para decidir múltiplos processos baseados na mesma tese jurídica. Através de 
um julgamento amostral, o Judiciário é capaz de dar cabo a uma infinidade de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 31 
processos e formar um precedente que passará a ser obrigatório para os 
magistrados de piso. 
Assim, essa tendência de primazia do precedente poderia dar a 
entender que, no caso em tela, poder-se-ia utilizá-lo para rescindir a decisão 
que não está em conformidade com o julgamento do IRDR. Contudo, tal como 
mencionado acima, não é o que ocorre. 
Note-se que há um bom tempo a doutrina e a jurisprudência procuram 
resguardar a decisão transitada em julgado, evitando que as partes possam 
rediscuti-la indefinidamente. Não por acaso, o Supremo Tribunal Federal 
editou a Súmula 343, que determina que não será possível ajuizar ação 
rescisória com fundamento na ofensa literal à disposição de lei quando a 
decisão rescindenda tiver se fundamentado em lei cuja interpretação é 
controvertida. No caso em apreço, a decisão do IRDR sobreveio um ano após o 
trânsito em julgado, o que mostra que o tema ainda era controvertido, o que 
afasta o cabimento da rescisória. 
Portanto, não existe remédio processual apto a ensejar a correção da 
decisão transitada em julgado, mesmo diante de precedente firmado em sede 
de incidente de resolução de demandas repetitivas. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Não há remédio judicial apto a tutelar o interesse jurídico de Mariana. A 
jurisprudência tem entendido que a ação rescisória não serve para corrigir a 
injustiça da decisão, não podendo ser utilizada como sucedâneo de recurso. 
Logo, não é possível a rescisão dos julgados quando, à época, havia dissídio 
ju isp ude ial.à Nesseà se tido,à aà “ú ulaà .ºà à doà “TF:à N oà a eà aç oà
rescisória por ofensa literal à disposição de lei quando a decisão rescindenda 
se tiver baseado em texto legal de interpretaç oà o t ove tidaà osàt i u ais .à
Também na doutrina: Marinoni, Luiz Guilherme. Novo Código de Processo 
Civil – tutela dos direitos mediante procedimento comum, volume 2 / Luiz 
Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart, Daniel Mitidiero – 3.ª edição, 
revista, atualizada e ampliada – São Paulo: Editora Revista dos Tribunais, 
2017, páginas 621/623. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 32 
CAPACIDADE PROCESSUAL 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
A aparente antinomia da norma civil codificada e a lei processual, 
relativamente ao sistema de incapacidades preconizado pela Lei nº 13.146/15, 
na definição da curatela. Discorra sobre os aspectos jurídicos essenciais do 
tema proposto, abrangendo o conceito, as características do instituto, o 
conflito normativo e as atribuições do Ministério Público. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Em 06 de julho de 2015 foi promulgado o chamado Estatuto da Pessoa 
com Deficiência (Lei 13.146/15), marco de nossa legislação em prol da 
inclusão social, de redução das desigualdades e da efetivação do princípio da 
dignidade da pessoa humana. Um dos institutos por ela disciplinado por essa 
legislação é a curatela. 
 Denomina-se curatela o encargo (ou responsabilidade) que é dado 
para determinada pessoa a fim de que cuide da administração da vida de 
outrem, segundo os fundamentos e limites estabelecidos em lei. A curatela 
mais comum em nosso meio jurídico é a dos interditos, que normalmente era 
direcionada aos indivíduos que não detinham discernimento acerca de seus 
atos. 
 Esse instituto é objeto de questionamentos, já que teve sua disciplina 
alterada pelo Código de Processo Civil de 2015, que foi publicado em 
16.03.2015 e entrou em vigor um ano depois, revogando diversos dispositivos 
do Código Civil. Contudo, nesse ínterim, a mencionada Lei 13.146/15 foi 
publicada e entrou em vigor, trazendo diversas alterações nos dispositivos que 
constam como revogados pelo CPC/2015. Assim, diversasdúvidas pairam 
sobre o tema, que pedem uma solução através da interpretação sistemática 
dos dispositivos. 
 Com efeito, as inovações trazidas pelo Estatuto da Pessoa com 
Deficiência não podem ser consideradas revogadas ou inócuas. Por exemplo, 
essa norma prevê a legitimidade do próprio interditando para se propor a 
competente ação de declaração da curatela, o que não era antes previsto e 
não foi repetido pelo CPC. Assim, parece bastante claro que essa alteração 
deva persistir, uma vez que não parece fazer sentido que o legislador tenha 
promovido a alteração e, menos de seis meses depois, a revogado 
tacitamente. 
 Ademais, essas diversas alterações promovidas pelo EPD, que exaltam 
a inclusão social e a honra dos deficientes, concorrem com o texto da 
Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, interiorizado em 
nosso ordenamento pelo Decreto Legislativo nº 186/08, com força normativa 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 33 
de emenda constitucional, tal como previsto no art. 5º, §3º, da CRFB. É 
necessário, pois, que a interpretação seja norteada pelo princípio da dignidade 
da pessoa humana. 
 No que tange às atribuições do Ministério Público, o EPD efetuou 
alterações substanciais no art. 1.769 do Código Civil: passou a prever a 
legitimidade nos casos de deficiência metal ou intelectual (e não apenas no 
caso de doença mental grave) e de menoridade ou incapacidade dos 
responsáveis (pais, tutores, cônjuge ou parentes – e não apenas no caso de 
sua incapacidade). Contudo, o art. 748 do CPC/2015 foi editado com uma 
redação muito semelhante à do Código Civil. Note-se que a persistência desses 
dispositivos não faria muito sentido, tal como explicitado acima acerca da 
legitimidade conferida ao próprio curatelado. Não faria muito sentido que 
uma alteração tão expressiva pudesse ser tacitamente revogada, após tanta 
discussão acerca de seu cabimento. 
Assim, o entendimento mais adequado parece ser o que dá eficácia às 
mudanças proporcionadas pelo Estatuto da Pessoa com Deficiência, 
especialmente acerca das atribuições do Ministério Público. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
A questão proposta visa a aferir o conhecimento do candidato sobre as 
substanciais alterações havidas no sistema de incapacidades pelo advento da 
Lei 13.146/15. Além, verificar a argumentação e fundamentação jurídica 
acerca da aparente antinomia entre o CPC que, entrando em vigor 
posteriormente, dispôs diversamente quanto ao instituto da Curatela. Neste 
sentido, espera-se que a resposta contemple a prevalência da Convenção dos 
Direitos da pessoa com deficiência e sua importância normativa como 
emenda constitucional e, ainda, a adoção do diálogo de fontes como 
instrumento de compatibilização do conflito que reverencie o princípio da 
dignidade da pessoa humana. Cobra-se a análise dos legitimados. Deve ainda 
apreciar o tratamento do Ministério Público relativamente à intervenção, bem 
como a incongruência da previsão legal para atuação funcional do Parquet. 
 
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ 
O Município do Rio de Janeiro busca compelir centenas de pessoas, ligadas ao 
Movimento de Moradores Sem Teto (MMST), a desocuparem imóvel público 
de natureza urbana e a ressarcirem os danos causados ao patrimônio público. 
Para essa finalidade, pergunta-se: a) seria adequado propor ação coletiva em 
face do MMST? Justifique de acordo com os limites da coisa julgada; b) o 
Ministério Público pode ingressar como litisconsorte no polo passivo? 
Justifique, considerando a legitimidade e o interesse. Resposta objetivamente 
fundamentada. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 34 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
a) A admissibilidade da denominada ação coletiva passiva é um tema 
controvertido em sede doutrinária, mas a jurisprudência admite sua 
propositura em face de grupos ou associações de fato, desde que 
demonstrados o interesse e a representatividade adequada. Nesse caso, deve-
se discutir se a coisa julgada coletiva vinculará ou não os membros do grupo, 
no caso de procedência, que poderão rediscuti-la em ações individuais, se a 
decisão lhes for desfavorável. Há quem defenda na doutrina, entretanto, a 
eficácia erga ornes, a fim de garantir a utilidade da ação coletiva passiva. 
b) Em tese, quaisquer dos legitimados para a tutela coletiva poderão também 
figurar como réus. No caso do MP, entretanto, além das outras situações 
legitimantes, há que se aferir o interesse de seu ingresso no polo passivo, no 
caso concreto, tendo em vista sua intervenção obrigatória como fiscal da 
ordem jurídica. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 35 
CITAÇÃO 
OFICIAL DE JUSTIÇA – TRF4 – 2019 – FCC 
ESTUDO DE CASO - A União ajuizou ação de indenização por danos materiais 
contra André, Beatriz e Carlos, todos maiores de 18 anos. No cumprimento 
dos mandados expedidos para a citação dos réus, o Oficial de Justiça deparou-
se com a seguinte situação: André morava com os pais e demonstrava 
incapacidade mental; Beatriz não foi encontrada nas duas vezes em que foi 
procurada em sua residência, suspeitando-se de ocultação; e Carlos se 
recusou a receber a contrafé e a apor sua nota de ciente no mandado, 
alegando que não poderia ser citado, em virtude do falecimento do seu pai, 
ocorrido vinte dias antes. À vista desse caso, descreva como deverá proceder 
o Oficial de Justiça no cumprimento de cada um desses mandados, segundo as 
normas do Código de Processo Civil, especificando se deverá realizar ou não a 
citação, bem como todas as demais medidas que lhe incumbem. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Cada uma das situações descritas deverá ter uma resolução distinta. 
No caso de André, o art. 245 do CPC determina que a citação não será feita, 
devendo o oficial certificar o ocorrido. Após, o juiz nomeará perito apto a 
atestar a incapacidade; se confirmada, será nomeado curador (observadas as 
regras de preferências de representação previstas na lei; no caso em tela, 
muito provavelmente um dos pais será o escolhido), na pessoa de quem 
deverá ser realizado novo ato citatório. 
 Por sua vez, Beatriz não foi encontrada por duas vezes e suspeita-se 
que esteja se ocultando. Aqui, poder-se-á aplicar os arts. 252 e 253 do CPC, 
segundo os quais a tentativa por duas vezes com suspeita de ocultação 
implicará na chamada citação por hora certa. O oficial de justiça deverá 
advertir algum familiar ou vizinho de que voltará no dia útil seguinte, 
momento no qual o réu será dado por citado, independente de sua vontade ou 
presença (fazendo constar do mandado o nome de eventuais pessoas 
presentes na ocasião). Posteriormente, a serventia determinará o envio de 
carta ou telegrama ao réu, para mera cientificação. 
 Finalmente, Carlos alega que não poderia ser citado porque seu pai 
havia falecido há apenas 20 dias. O Código de Processo Civil até protege o réu 
que sofreu com falecimento recente na família, mas desde que tenha 
acontecido há, no máximo, 7 dias (art. 244, II do CPC). No caso em tela, 
portanto, a citação deveria ter sido realizada normalmente; diante da 
negativa do citando, incidiria o art. 251, II e III do CPC, segundo o qual cabe ao 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 36 
oficial citar o réu certificando se ele recusou a contrafé e se houve recusa em 
apor ciência do ato. 
 
OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012 
ESTUDO DE CASO - O Oficial de Justiça encarregado do cumprimento de um 
mandado citatório vai ao Condomínio Edilício em que reside o réu e, ao ser 
recebido pelo porteiro, percebe conversa pelo interfone e desconfia haver o 
réu dado ordens a esse funcionário para dizerque não se encontrava, 
frustrando a citação. Como cumprir o mandado? Qual a denominação dada a 
essa modalidade de citação? Como será o réu, ao final, cientificado de sua 
citação? Analise o caso detalhadamente. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO 
COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Uma vez apurada a suspeita de ocultação pelo réu, poderá o oficial de 
justiça, desde que diligencie duas vezes no local procurando o citando, intimar 
qualquer pessoa da família ou, em sua falta, qualquer vizinho – ou mesmo o 
funcionário da portaria responsável (art. 252, parágrafo único, do CPC) – de 
que, no dia útil imediato, voltará a fim de efetuar a citação, na hora que 
designar (art. 252 do CPC). 
 Cuida-se da modalidade citatória por hora certa, de natureza 
ficta/presumida, que somente se concretizará após o comparecimento do 
oficial de justiça ao domicílio no dia e hora indicados (art. 253 do CPC), da 
seguinte maneira: se o citando estiver presente, será este citado 
pessoalmente; se o citando não estiver presente, será este considerado 
presumidamente citado por hora certa (art. 253, §§ 1º a 3º, do CPC). 
 Ainda, feita a citação por hora certa, o escrivão ou chefe de secretaria 
enviará ao demandado, no prazo de 10 dias, contado da data de juntada do 
mandado aos autos, carta, telegrama ou correspondência eletrônica, dando-
lhe de tudo ciência (art. 254 do CPC), o que também constitui requisito para a 
validade desta modalidade citatória. Finalmente, caso o demandado seja 
revel, será nomeado curador especial (arts. 253, § 4º; e 72, II, do CPC), o que 
reverencia o contraditório. 
 Em adendo, cabe frisar que a nova lei processual codificada trouxe 
inovação para que o funcionário da portaria responsável pelo recebimento de 
correspondência, em condomínios edilícios ou loteamentos com controle de 
acesso, assine o recebimento de mandado, concretizando a citação do 
demandado, embora seja possível a manifestação pela recusa, desde que 
declare por escrito, sob as penas da lei, que o destinatário da correspondência 
esteja ausente (art. 248, § 4º, do CPC). Tal disposição encontra-se inserida no 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 37 
capítulo sobre a citação pelo correio, mas nada impede sua utilização na 
citação através de oficial de justiça, até porque este é detentor de fé pública. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed. 
Salvador: JusPodium, 2016. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
- Gabarito: O estudo do caso deve concluir tratar-se de citação por hora certa. 
Deverão ser detalhadas todas as diligências necessárias ao cumprimento 
integral do mandado, até final cientificação do réu pelo escrivão do Cartório. 
 
OFICIAL DE JUSTIÇA - TJRJ - FCC - 2012 
ESTUDO DE CASO - Ao procurar o acusado para citação em seu endereço 
residencial, o único constante dos autos e do mandado, o oficial de justiça 
encontrou o imóvel desocupado e certificou que, segundo vizinhos, o réu 
mudara para sítio na altura do km 6,5 da rodovia X, na mesma Comarca. 
Anotou ainda que, em diligência na referida estrada, não conseguiu localizar a 
propriedade. Procedido ao chamamento por edital, o acusado não o atendeu 
e tampouco constituiu defensor. Por isso, decretada a revelia e a suspensão 
do processo, bem como a produção antecipada da prova oral, considerada 
urgente por despacho suficientemente motivado. Depois de colhidos os 
depoimentos na presença de defensor dativo, advogado constituído 
peticionou nos autos. Revogada a suspensão e retomado o curso do feito, o 
réu foi interrogado e, oferecidas as alegações finais, o juiz proferiu sentença 
condenatória. Procurado para intimação da decisão no exclusivo endereço 
conhecido, outro oficial de justiça obteve na vizinhança a mesma informação 
do colega anterior e, diligenciando pela rodovia, logrou encontrar o endereço 
do réu e cientificá-lo da sentença. Interposta apelação, o condenado argúi 
nulidade do processo, por cerceamento de defesa, uma vez que indevida a 
citação por edital. O Ministério Público, em contrarrazões, opina pelo não 
reconhecimento do vício processual, pois a certidão do primeiro oficial 
disporia de fé pública. Ademais, regularmente interrogado, o acusado não 
teria experimentado prejuízo. Comente o caso. (QUESTÃO ADAPTADA DE 
ACORDO COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Como se extrai do enunciado formulado, a citação por edital ocorreu 
antes de esgotadas as diligências cabíveis para a localização do paradeiro do 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 38 
réu, fragilizando, assim, o exercício da ampla defesa e do contraditório (art. 
5º, LV, da CRFB). Isto porque o réu possuía endereço certo, não tendo sido 
citado inicialmente apenas por desconhecimento da localização de seu imóvel 
pelo Oficial de Justiça que ali primeiro diligenciou. Aliás, a nova lei processual 
indica que o réu somente será considerado em local ignorado ou incerto se 
infrutíferas as tentativas de sua localização, inclusive mediante requisição pelo 
juízo de informações sobre seu endereço nos cadastros de órgãos públicos ou 
de concessionárias de serviços públicos (art. 256, § 3º, do CPC), o que não se 
deu in casu. 
Ocorre que há menção de que o réu foi devidamente interrogado antes 
da prolação da sentença, certamente em audiência de instrução e julgamento 
com tal finalidade (art. 361, II, do CPC), o que indica o seu comparecimento 
espontâneo, suprindo eventual nulidade da citação (art. 239, § 1º, do CPC). 
Diga-se que o escrivão ou chefe de secretaria pode efetuar a citação se o 
demandado comparecer em cartório (art. 246, III, do CPC). 
Desta maneira, somente poderia se cogitar de decretação de nulidade 
na hipótese caso verificada a ocorrência de prejuízo defensivo (art. 282, §1º, 
do CPC). Certo é que ainda se verificado prejuízo – por exemplo, pela não 
participação na produção da prova oral antecipada –, deveria o demandado 
alegá-lo no momento de sua intervenção no feito, sob pena de preclusão. 
Importante observar que não há nenhum elemento na questão que 
indique que o réu tenha se ocultado para receber a citação, ou seja, inexiste 
suspeitaà deà o ultaç o à de ida e teà atestadaà peloà Oficial de Justiça, de 
modo que não configurada a hipótese de cabimento da modalidade por hora 
certa (art. 252 do CPC). 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed. 
Salvador: JusPodium, 2016. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
- Gabarito: A citação por edital é medida de exceção. Só é cabível quando 
esgotadas as possibilidades de localização pessoal do acusado. No caso 
proposto, tal não se deu, pois efetivamente encontrado o réu ara intimação da 
sentença no mesmo endereço que outro oficial de justiça certificou não haver 
achado quando da tentativa de citação. Assim, indevida a citação por edital e, 
por conseguinte, verificando cerceamento de defesa, impondo-se a declaração 
de nulidade do processo. Ainda que assistido por defensor dativo e 
posteriormente interrogado, o acusado não pôde constituir advogado de sua 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 39 
escolha e apresentar resposta adequada, com a eventual indicação de 
testemunhas. Ademais, ante a revelia decretada, não participou da audiência 
em que colhida antecipadamente a prova oral. Não se garantiu, portanto, o 
direito da autodefesa, na vertente direito de presença aos atos de instrução. 
Manifesta a ofensa aos princípios constitucionais do contraditório e da ampla 
defesa. Trata-seà deà ulidadeàa soluta,à osà te osà doà a t.à ,à III,à e ,à doà
Código de Processo Penal, não sujeita a preclusão, consoante preceitua o art. 
,à aput ,àdoà es oàdiploma. Não se nega que o oficial de justiça dispõe 
de fé pública. A certidão de que se encontra o citando em lugar incerto e não 
sabido não pode, em regra, ser afastada por informações duvidosas (p. ex., 
atestado policial, declarações de particulares, documentos diversos e etc). 
Mas tal não significa que seja irremovível. Pode ser elidida por prova robusta 
em contrário, como o encontro do réu por outro oficial no mesmo endereço 
que colega certificara inexistente. A circunstância permite convencimento de 
que não fora feito todo o possível para o chamamento do acusado a juízo. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 40 
COISA JULGADA 
OFICIAL DE JUSTIÇA – TJDFT – 2015 – CESPE 
Redija, de forma fundamentada, um texto dissertativo a respeito da coisa 
julgada no sistema processual civil. Seu texto deve conter, necessariamente, 
1- os conceitos de coisa julgada formal e coisa julgada material; [valor: 15,00 
pontos] 2- comentários a respeito dos limites objetivos da coisa julgada 
material; [valor: 8,00 pontos] 3- comentários a respeito dos limites subjetivos 
da coisa julgada material; [valor: 8,00 pontos] 4- comentários a respeito de 
coisa julgada nas relações jurídicas continuativas. [valor: 7,00 pontos] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A coisa julgada consiste na imutabilidade da norma jurídica 
individualizada contida na parte dispositiva de decisão judicial. Essa 
imutabilidade pode se restringir aos limites do processo em que a decisão foi 
proferida ou projetar-se para além desses limites — ouàpa aà fo a .à 
Assim, coisa julgada formal pode ser caracterizada como a 
imutabilidade dos efeitos da sentença ou de acórdão no próprio processo. 
Ocorre quando não é interposto recurso cabível contra sentença ou acórdão 
no prazo legal. Ou seja, denomina-se coisa julgada formal aquela sentença 
não mais sujeita a qualquer espécie de impugnação endoprocessual. A coisa 
julgada material, por sua vez, representa a imutabilidade do que foi decidido 
aàse te çaàpa aà fo a àdoàp o esso,à o àoàfi àdeàesta ilizar as relações de 
direito material. Sua imutabilidade ocorre do ponto de vista exterior. Em geral, 
o termo coisa julgada faz referência à coisa julgada material. 
Os limites objetivos da coisa julgada material dizem respeito à parte da 
decisão que fica abarcada ou imunizada de discussões e questionamentos 
posteriores. É, assim, a parte da sentença ou acórdão que não pode ser 
rediscutida, posteriormente, em nome da segurança jurídica. Pelas regras 
estabelecidas no Código de Processo Civil, submete-se a coisa julgada material 
a norma jurídica concreta, contida na parte dispositiva da sentença. A coisa 
julgada material não abarcará a fundamentação e as questões prejudiciais 
abordadas, que, caso tenham sido colocadas principaliter tantum já na própria 
petição inicial ou por meio de ação declaratória incidental — que tem por fim 
ampliar os limites objetivos da coisa julgada —, serão também encampadas 
pela coisa julgada material. 
Com relação aos efeitos subjetivos da coisa julgada, é preciso averiguar 
quem está submetido à coisa julgada. Nesse sentido, a coisa julgada pode ser 
inter partes, ultra partes ou erga omnes. Em regra, o sistema processual 
determina que a coisa julgada abarcará apenas aqueles que tiverem sido 
partes em determinado processo (ou seja, a imutabilidade da decisão, os 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 41 
limites objetivos da coisa julgada, diz respeito somente às partes, e não aos 
terceiros). Entretanto, há exceções a essa regra em nosso ordenamento. 
É o caso da coisa julgada ultra partes, que ocorre quando a coisa 
julgada atinge não só as partes no processo, mas também terceiros que não 
participaram. Há inúmeros exemplos de coisa julgada ultra partes, entre os 
quais os casos de substituição processual, legitimação concorrente, decisão 
favorável a um dos credores solidários. A coisa julgada erga omnes é aquela 
cujos efeitos atingem a todos os jurisdicionados, tenham sido ou não partes no 
processo. Ocorre, por exemplo, nas ações coletivas que versem sobre direitos 
difusos ou individuais homogêneos e nas ações de controle concentrado de 
constitucionalidade. 
As sentenças que disciplinam relações jurídicas continuativas nada 
mais são do que sentenças que versam sobre relação jurídica que se projeta no 
tempo. São aquelas decorrentes da relação de família, de alimentos, 
locatícias, etc. Para parte dos doutrinadores, a regra do art. 471 do CPC 
autoriza o reexame de decisão sobre relação jurídica continuativa em caso de 
modificação superveniente de fato ou de direito. Portanto, para essa parcela 
da doutrina, tais decisões não se tornariam imutáveis pela coisa julgada 
material. Tal raciocínio, entretanto, é equivocado na opinião de grande 
parcela da doutrina processualista. Isso porque, ao se ajuizar ação de revisão, 
por exemplo, em razão de modificação dos fatos que dão ensejo à relação 
jurídica continuativa, estar-se-á diante de uma demanda diferente, pautada 
em nova causa de pedir e novo pedido. Com isso, será produzida nova decisão 
e, por consequência, nova coisa julgada. Essa nova situação, pois, em nada 
violará a coisa julgada formada para a situação anterior. Diante disso, pode-
se dizer que sentença jurídica continuativa gera coisa julgada material. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed. 
Salvador: JusPodium, 2016. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/GO – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
Em que consiste o efeito negativo da coisa julgada material? Como solucionar 
o conflito entre duas coisas julgadas materiais? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Denomina-se coisa julgada material a imutabilidade da decisão final 
proferida em determinado processo judicial. Sua existência é justificada pelos 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 42 
princípios da efetividade (de nada adiantaria uma decisão que não pudesse 
ser cumprida, isto é, executada) e da segurança jurídica (não faria sentido 
permitir que um novo julgamento fosse preferido a cada vez que as partes 
pudessem ajuizar uma nova demanda acerca do mesmo tema). 
 Usualmente, a doutrina costuma conceber três efeitos principais da 
coisa julgada: o negativo, o positivo e o preclusivo. O negativo (que é o objeto 
da presente questão) refere-se à impossibilidade de que uma mesma questão 
agora decidida seja rediscutida em outra demanda, evitando que sejam 
proferidas decisões divergentes acerca de um mesmo tema, preservando a 
segurança jurídica das partes e da jurisdição. 
Já o efeito positivo faz menção à imutabilidade de questões já 
decididas anteriormente e que agora figuram como questões incidentais em 
outro processo, ou seja, a decisão tomada antes deverá ser considerada na 
nova demanda para dirimir o conflito que é consequente lógico daquela. 
Finalmente, o efeito preclusivo especifica que o advento da coisa 
julgada faz com que todas as alegações que poderiam (e/ou deveriam) ser 
feitas acerca daquele tema decidido são reputadas como já efetuadas 
(consoante exposto no art. 508 do CPC). Em outros termos: é impossível que a 
coisa julgada seja modificada caso a parte argumente que determinada 
alegação, que deveria ter sido feita no processo originário, não ocorreu. 
Claramente tem por intuito evitar que a discussão se prolongue 
indefinidamente. 
Ainda assim, é possível que se apresente o chamado conflito de coisas 
julgadas materiais, hipótese na qual dois processos idênticos são julgados de 
maneira diametralmenteoposta. Nesse caso, a doutrina diverge acerca da 
melhor solução a ser adotada para resolver o problema. 
Uma primeira corrente doutrina entende que a primeira coisa julgada a 
ser formada é soberana, devendo prevalecer sobre a segunda, que seria 
inexistente. Seu intuito é preservar a higidez da primeira coisa julgada e 
desincentivar a propositura de uma nova demanda para rediscutir a questão. 
Já a segunda corrente entende que a segunda coisa julgada não seria 
inexistente, até porque o CPC prevê que a existência de coisa julgada seria 
passível de ensejar a propositura de ação rescisória, consoante previsto no art. 
966, IV. Assim, a primeira coisa julgada prevaleceria até o fim do prazo para 
ajuizar a ação rescisória que visa a impugnar a segunda coisa julgada. A 
o ta àdesseà o e to,àaàsegu daàde is oàse iaàso e a a,à ezà ueà e oga ia à
aà p i ei a,à talà o oà seà passaà oà o flitoà deà leisà oà te poà lexà poste io à
de ogatàp io i . 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 43 
O efeito negativo da coisa julgada material consiste no impedimento que a 
mesma causa seja novamente enfrentada judicialmente em novo processo. A 
causa é idêntica quando no novo processo há a identidade de partes, causa de 
pedir e pedido em relação ao processo anterior (art. 337, § 2º, do CPC). Na 
hipótese de existência de duas coisas julgadas materiais, a doutrina diverge 
sobre qual decisão deve prevalecer, existindo duas correntes: (a) a primeira 
coisa julgada deve prevalecer, pois a segunda coisa julgada é juridicamente 
inexistente em razão da ausência de interesse de agir na segunda demanda. 
Assim, deve-se privilegiar a proteção constitucional dada à coisa julgada 
material formada no primeiro processo. (b) durante o prazo de ação rescisória 
da segunda, prevalece a primeira coisa julgada. Todavia, superado o prazo da 
ação rescisória, passa a prevalecer a segunda coisa julgada. Argumenta-se 
que a decisão tem força de lei entre as partes (art. 503 do CPC), de forma que 
lei posterior revoga a anterior. Ademais, o próprio CPC elenca como hipótese 
de cabimento de ação rescisória a ofensa à coisa julgada (art. 966, IV, do CPC), 
o que demonstra que a segunda coisa julgada não é juridicamente inexistente. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 44 
CONTESTAÇÃO 
ADVOGADO - PETROBRAS - 2018 – CESGRANRIO 
 A defesa clássica no processo civil é representada pela contestação na qual se 
encontra conteúdo pertinente ao mérito e matérias que são consideradas 
preliminares. Esse sistema foi mantido após o Código de Processo Civil (CPC) 
de 2015. E, apesar da mudança do regime das preclusões, que permite alegar 
todas as matérias no recurso de apelação — sendo extinto o agravo retido —, 
existem dois tópicos que precluem, se não alegados como preliminares. O 
novo CPC excluiu as exceções processuais como incidentes autônomos, exceto 
quando relacionados à imparcialidade do magistrado. Observado tal texto, 
cite cinco preliminares que podem ser apresentadas; cite os temas que, se 
não alegados na contestação, são passíveis de preclusão; apresente o modo 
como deverão ser arguidas as exceções à luz do CPC 2015, mencionando o 
que se manteve do antigo CPC. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Dentre as preliminares que podem ser apresentadas (consoante 
previsão do art. 337 do CPC), pode-se mencionar: a) inexistência ou nulidade 
da citação; b) incompetência absoluta e relativa; c) incorreção do valor da 
causa; d) inépcia da petição inicial; e) litispendência. 
Por outro lado, a incompetência relativa e a convenção de arbitragem 
são considerados temas passíveis de preclusão caso não sejam devidamente 
alegados em sede de contestação. 
Ademais, o novo Código de Processo Civil excluiu as exceções 
processuais da organização da defesa, tendo ocorrido, inclusive, a supressão 
do título resposta do réu . As hipóteses de impedimento e de suspeição 
foram mantidas nos arts. 144-148, mas a sua apresentação passa a ocorrer 
por petição, originando um incidente autônomo. 
 
PROCURADOR - PGM/BELO HORIZONTE-MG – 2017 - CESPE 
Ao concentrar as postulações do réu na contestação, O Código de Processo 
Civil de 2015 reduz, do ponto de vista formal ou, a tipologia dos instrumentos 
de resposta. Considerando essa informação, discorra a respeito. 1. 10 
inovações do CPC de 2015 com relação ao CPC de 1973 quanto matérias que 
devem ser ligadas de maneira concentrada na contestação. 2. Das vantagens 
almejadas pela nova sistemática. 3. Do conceito do princípio da eventualidade 
e dos tipos de defesa que podem ser apresentadas na contestação. 4. Da 
correlação entre o tipo de defesa acolhida e a natureza jurídica da sentença 
proferida. Fundamente o seu texto, apresentando os princípios aplicáveis e os 
artigos legais pertinentes. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 45 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Dentre as diversas inovações trazidas pelo Código de Processo Civil de 
2015, sem sombra de dúvidas pode-se apontar a concentração de defesas na 
contestação. Se antes era necessário um bom exercício de interpretação para 
entender as diversas modalidades de defesa possíveis (exceções, impugnação 
ao valor da causa, etc.), atualmente pode-se dizer que a contestação abrange 
quase todas as defesas cabíveis. 
Considerando isso, podem-se enunciar como novas matérias arguíveis 
em contestação: a) incompetência relativa (art. 337, II); b) valor da causa 
incorreto (art. 337, III); c) gratuidade de justiça (art. 337, XIII); d) reconvenção 
(art. 343); e) denunciação da lide (art. 126); e f) chamamento ao processo (art. 
131). 
Notoriamente, a intenção do Código de Processo Civil é prestigiar a 
celeridade e a razoável duração do processo. Por certo, concentrar matérias 
de defesa em uma só peça implicará em uma maior celeridade, bem como a 
desnecessidade de se formar autos apartados em alguns casos (como a 
reconvenção e a impugnação ao valor da causa, sempre consideradas novas 
ações, embora sempre arguidas como defesa). Pelo princípio da 
eventualidade, o réu deve arguir todas as matérias de defesa que entende 
cabíveis no momento que apresentar sua contestação, mesmo que elas se 
revelem contraditórias entre si (por exemplo: o réu tem o ônus de arguir 
inépcia da inicial, pagamento parcial ou extinção total da obrigação). 
As defesas são consideradas processuais (chamadas preliminares) 
quando versam sobre algum aspecto formal do processo (ilegitimidade, 
inépcia da inicial, nulidade de citação, etc.), em geral dispostas no art. 337 do 
CPC. Por outro lado, são chamadas de defesas de mérito quando dizem 
respeito ao direito material em si (defesas de mérito propriamente ditas) ou 
algum elemento que, não se revelando direito processual, impeça o 
julgamento do mérito (prejudiciais, como a prescrição). 
A espécie de defesa implicará diretamente no tipo de sentença 
proferida. O acolhimento de defesas processuais implicará em uma sentença 
terminativa, consoante se verifica do art. 485 do CPC, que traz diversos casos 
enunciados no art. 337 do CPC. Nesse caso, não haverá a formação de coisa 
julgada material, tendo em vista que a cognição exercida não chegou a 
examinar o mérito da causa. Por outro lado, o acolhimento de alguma defesa 
de mérito ou material (prejudicial ou não) implicará em uma sentença 
resolutiva de mérito, consoante disposto no art. 487 do CPC, julgando parcial 
ou totalmente improcedente o pedido formulado na inicial. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 46 
1 O CPC/2015 inovou ao estabelecer que passaram a ser matérias 
necessariamente alegáveis no bojo da contestação: a denunciação da lide 
(art. 126c/c art. 131), o chamamento ao processo (art. 131), a incompetência 
relativa (art. 337, II), a impugnação ao valor da causa (art. 337, III), a 
impugnação ao benefício de gratuidade de justiça concedido ao autor (art. 
337, XIII) e a reconvenção (art. 343). 2 As vantagens almejadas são a 
celeridade — porque a decisão passa a ser concentrada em momento e 
decisão únicos — e a simplificação formal decorrente da desnecessidade de 
apresentação de várias peças separadas com autuação em apenso. 3 Segundo 
o princípio da concentração da defesa ou da eventualidade, o réu tem uma 
única oportunidade para a alegação dos meios de todas as matérias de 
defesa, decorrendo daí o ônus de alegar, concomitantemente (embora 
seguindo um encadeamento lógico de subsidiariedade), tanto as defesas 
preliminares ou processuais (em especial aquelas listadas no art. 337, todas 
elas ligadas ao juízo de admissibilidade da tutela jurisdicional) quanto às 
defesas de mérito ou materiais (ligadas ao fundo do pedido e que, nos 
te osàdoàa t.à ,à epousa àso eà az esàdeàfatoàeàdeàdi eito .àà àDeà odoà
geral, o acolhimento das defesas preliminares ensejará sentença terminativa 
(daí porque há uma evidente semelhança entre vários incisos do art. 337 com 
os do art. 485). De outro lado, o acolhimento das defesas de mérito (art. 336, 
CPC) tenderá a gerar uma sentença de total ou parcial improcedência (art. 
487, I). Bibliografia: Teresa Arruda Alvim Wambier; Fredie Didier Junior; 
Eduardo Talamini; Bruno Dantas. Breves comentários ao novo Código de 
Processo Civil. Edição 2016, 2.ª ed. em e-book, baseada na 2.ª edição 
impressa. São Paulo, Editora Revista dos Tribunais, 2016, Capítulo VI: Da 
contestação. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 47 
EXECUÇÃO 
NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE 
João reside em um apartamento próprio, localizado no mesmo prédio em que 
ele tem uma vaga de garagem, também de sua propriedade, com matrícula 
própria. Ele não tem outros imóveis. José é produtor rural e possui uma 
pequena propriedade agrícola, que cultiva com sua família, e uma casa 
urbana. Ele reside em ambos os imóveis. Além desses, ele não tem outros 
imóveis. Júlio é proprietário de dois imóveis residenciais, em um dos quais 
reside, estando o outro alugado. João, José e Júlio têm dívidas com credores 
privados, que pretendem promover execuções para o recebimento dos seus 
créditos. Considerando essa situação hipotética, o conceito de bem de família 
e a legislação e a doutrina aplicáveis, discorra a respeito da possibilidade de os 
imóveis de cada um dos três servir às execuções que serão propostas — 
imóveis de João [valor: 0,30 ponto]; imóveis de José [valor: 0,20 ponto]; 
imóveis de Júlio [valor: 0,20 ponto]. Por fim, indique qual é o meio de 
constituir um bem imóvel como bem de família [valor: 0,25 ponto]. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O apartamento de João está protegido como bem de família, por ser o 
seu único imóvel residencial próprio e por ser a sua residência, consoante a 
legislação aplicável. A sua garagem, no entanto, não tem a mesma garantia, 
uma vez que tem matrícula própria e, assim, não é parte do próprio imóvel, 
como consolidado na jurisprudência do STJ. 
Quanto a José, ele poderia sofrer execução caso não residisse em 
algum dos imóveis. No entanto, como ele reside nos dois imóveis, considera-se 
protegido como bem de família o de menor valor, salvo se o outro tiver sido 
devidamente registrado na serventia competente. 
 Por fim, no caso de Júlio, o imóvel em que ele reside é protegido como 
bem de família. O outro, que está alugado, não. 
De acordo com o Código Civil, em seu art. 1.714, a constituição de bem 
imóvel que atenda aos critérios da Lei n.º 8.009/1990 como de família se fará 
po à eioàdeà egist oàdeà seuà títuloà aà at í ulaàdoà i el.àNesseà se tido,à oà
bem de família, quer instituído pelos cônjuges ou por terceiro, constitui-se pelo 
egist oàdeàseuàtítuloà oà‘egist oàdeàI eis . 
FUNDAMENTAÇÃO JURÍDICA: 
ápa ta e to:à Leià .ºà . / ,à a t.à .º:à Oà i velà eside ialà p p ioà doà
casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por qualquer 
tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra natureza, 
contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus proprietários 
eà eleà esida ,àsalvoà asàhip tesesàp evistasà estaàlei. . 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 48 
Vaga na garagem: O STJ resolveu a questão, afirmando, em sua Súmula n.º 
,à ueà aà vagaà deà ga age à ueà possuià at í ulaà p p iaà oà registro de 
i veisà oà o stituià e àdeàfa íliaàpa aàefeitoàdeàpe ho a. . 
 
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT9 - 2015 - FCC 
A impenhorabilidade do Bem de Família e o Princípio de Igualdade 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
De acordo com o caput do artigo 5o da Constituição Federal, todos são 
iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza. Segundo Alexandre 
de Moraes o que se veda são as diferenças arbitrárias, as discriminações 
absurdas, pois o tratamento desigual dos casos desiguais, na medida em que 
se desigualam, é exigência tradicional do próprio conceito de Justiça (Direito 
Constitucional 28. ed., p. 35). 
O artigo 1o da Lei no 8.009/90 afirma que o imóvel residencial próprio 
do casal, ou da entidade familiar, é impenhorável e não responderá por 
qualquer tipo de dívida civil, comercial, fiscal, previdenciária ou de outra 
natureza, contraída pelos cônjuges ou pelos pais ou filhos que sejam seus 
proprietários e nele residam, salvo nas hipóteses previstas nesta lei. 
Ressalta-se que a impenhorabilidade compreende o imóvel sobre o 
qual se assentam a construção, as plantações, as benfeitorias de qualquer 
natureza e todos os equipamentos, inclusive os de uso profissional, ou móveis 
que guarnecem a casa, desde que quitados. E, excluem-se da 
impenhorabilidade os veículos de transporte, obras de arte e adornos 
suntuosos. 
O artigo 3o da referida lei prevê que a impenhorabilidade é oponível 
em qualquer processo de execução civil, fiscal, previdenciária, trabalhista ou 
de outra natureza, salvo em determinadas hipóteses como, por exemplo, para 
cobrança de impostos, predial ou territorial, taxas e contribuições devidas em 
função do imóvel familiar. 
Durante muitos anos a impenhorabilidade do bem de família não 
abrangia apenas créditos de trabalhadores da própria residência e das 
respectivas contribuições previdenciárias, havendo para muitos doutrinadores, 
ofensa ao princípio da igualdade, já que fazia distinção entre os empregados 
domésticos e os demais empregados. Recentemente esta distinção deixou de 
existir com a revogação desta exceção. 
 
OFICIAL DE JUSTIÇA – TRT/SC – 2017 - FGV 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 49 
Justino é oficial de justiça em Joaçaba (SC) e recebeu um mandado para 
cumprimento que envolvia a reintegração no emprego de uma ex-empregada 
que foi dispensada grávida e a penhora de R$10.000,00 para pagamento dos 
salários e vantagens devidos à referida trabalhadora enquanto esteve 
indevidamente afastada. Marcados dia e hora para a diligência, Justino 
compareceu à empresa com a reintegranda. Lá chegando, os ânimos se 
acirraram e a grávida começou a discutir severamente com o dono da 
empresa. Justino tentou intervir e foi xingado várias vezes pelo titular da 
empresa. Tais fatos foram certificados amiúde pelo oficial de justiça, que 
prosseguiu no cumprimento do mandado, adentrou o estabelecimento 
empresarial e, constatando que não havia nenhum bem de valor, já que todas 
as máquinas estavam sucateadas e não havia matéria-prima ou qualquer coisa 
de valor no local, nada penhorou. A reintegranda então informou a Justino 
que a empresa era credora do Município de Joaçaba em razão de serviço que 
teria feito ao ente Municipal,e cujo valor encontrava-se pendente de 
pagamento. Diante da situação retratada, de acordo com a Lei e com os 
princípios reguladores da execução: i. caso o titular da empresa questionasse 
os termos da certidão de Justino, afirmando que não o xingou, informe qual 
das alegações deveria prevalecer, justificando; ii. informe se Justino agiu 
corretamente ao não penhorar os bens encontrados, justificando; iii. 
hipoteticamente analisado, informe se algum crime foi cometido contra 
Justino e, em caso positivo, identifique-o; iv. diante da informação trazida pela 
reintegranda acerca do crédito, informe o que pode ser feito, justificando. 
Quantidade máxima de linhas: 30 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Em primeiro lugar, é importante ressaltar que o questionamento feito 
pelo dono da empresa não apresentaria muitas chances de êxito, já que a 
certidão emitida pelo oficial de justiça é dotada de fé pública. Assim, só pode 
ser elidida mediante prova cabal em contrário (por exemplo, no presente caso, 
depoimentos de testemunhas imparciais que atestem a inexistência de 
conduta delituosa). 
Ao se deparar com bens sucateados, o oficial de justiça até poderia tê-
los penhorado. Contudo, o leilão e arremate desses bens poderiam se revelar 
bem mais dispendiosos do que o proveito econômico passível de ser auferido, 
o que violaria diretamente o princípio do melhor interesse do credor. Assim, 
parece ter agido corretamente o oficial ao buscar bens com maior liquidez e 
proveito para a execução. 
No que tange aos delitos cometidos pelo dono da empresa, ele parece 
ter cometido o crime de desacato (art. 331 do Código Penal), uma vez que o 
oficial de justiça encontrava-se no exercício de sua função e foi ofendido em 
razão dela. Ainda que se pudesse alegar a caracterização de mera injúria (art. 
140 do Código Penal), o crime de desacato é mais grave e, nesse caso, acaba 
absorvendo o delito menos grave. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 50 
Quanto ao crédito a ser recebido pela empresa executada, é 
perfeitamente possível que ele seja penhorado para satisfazer a credora, por 
se tratar de um direito dotado de notório proveito econômico. Consoante 
disposto no art. 855 do CPC, bastará que o oficial de justiça compareça à sede 
do devedor do crédito (no caso, o Município de Joaçaba) e intime seu 
representante de que não deve efetuar o pagamento ao credor originário, 
uma vez que o valor será utilizado para satisfazer a execução. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed. 
Salvador: JusPodium, 2016. 
 
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC 
Os artigos 327 e 780 do CPC tratam da cumulação de demandas no momento 
de seu ajuizamento. a lei de execução fiscal (lei 6830/1980), por sua vez, 
dispõe em seu artigo 28 acerca da reunião dos processos executivos. 1. Quais 
os requisitos essenciais para que seja admissível a reunião das execuções 
fiscais? Justifique. 2. Quem seria o juiz competente para decidir acerca da 
reunião desses executivos fiscais? Justifique. 3. Quem seria o juiz competente 
para dar seguimento ao processo das execuções fiscais reunidas? Justifique. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Os requisitos essenciais para que seja admissível a reunião das 
execuções fiscais estão previstos no artigo 780 do CPC/2015 (Art. 573, 
CPC/1973): a. Identidade das partes nos processos que serão reunidos; b. 
Requerimento de uma das partes; c. Os processos se encontra em fase 
análogas; d. competência do juízo. É preciso ainda, que haja penhoras sobre o 
mesmo bem (concurso de penhoras - art. 28, lei 6830/1980 - LEF). 
O juiz competente para decidir acerca da reunião desses executivos 
fiscais é o juiz natural das execuções que tramitam separadamente. 
O juiz competente para dar seguimento ao processo das execuções 
fiscais reunidas é aquele que recebeu a primeira distribuição da ação de 
execução fiscal (art. 28, parágrafo único, lei 6830/1980). 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 – 2016 – CESPE 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 51 
Em ação indenizatória ajuizada na justiça comum, determinado município foi 
condenado a pagar ao autor a quantia de duzentos mil reais. A sentença foi 
confirmada pelo tribunal e transitou em julgado. Em decorrência da inércia do 
município para pagar a quantia, o autor da ação deseja tomar medida judicial 
para receber o pagamento referente à condenação. Considerando a situação 
hipotética apresentada, redija um texto dissertativo atendendo ao que se 
pede a seguir. 1- Indique o procedimento a ser utilizado pelo particular para 
receber o valor da condenação e informe o modo como deve ser feito o 
pagamento ao credor, bem como a forma pela qual o ente público deve 
realizar sua eventual defesa se discordar dos valores apresentados pelo 
particular. [valor: 13,00 pontos] 2- Apresente a(s) modalidade(s) de citação 
que pode(m) ser utilizada(s) para a citação da pessoa jurídica de direito 
público no procedimento mencionado, indicando o rol de modalidades de 
citação previstas no Código de Processo Civil. [valor: 15,00 pontos] 3- Discorra 
sobre a possibilidade de o particular receber os valores incontroversos no 
caso de a pessoa jurídica de direito público, em sua defesa, alegar apenas 
existir excesso do valor pretendido pelo particular (como, por exemplo, 
excesso nos juros e correção monetária). [valor: 10,00 pontos] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Na presente questão, a parte autora detém uma sentença judicial 
passível de cumprimento, de execução forçada em face da parte ré. Por sua 
vez, o demandado/executado é um município, que é uma pessoa jurídica de 
direito público interno (art. 41, III, do Código Civil), sendo considerado um ente 
da Fazenda Pública. 
Por conta de sua finalidade pública, os bens da Fazenda Pública não 
podem ser penhorados (art. 100 do Código Civil), não podendo satisfazer seus 
credores consoante as regras ordinárias de execução, mediante expropriação 
do patrimônio (uma vez que seria inviável vender bens afetados a serviços 
públicos de interesse de toda a população para beneficiar indivíduos 
específicos). As sentenças em seu desfavor, assim, encontram-se sujeitas a um 
regime especial para pagamento, previsto nos arts. 534 e 535, do CPC, bem 
como no art. 100 da CRFB. 
Nesse regime especial de cumprimento de sentença em face da 
Fazenda Pública, o credor providenciará a intimação do ente devedor para, 
querendo, oferecer impugnação à execução em 30 dias úteis, podendo alegar 
diversas matérias previstas no art. 535 (excesso, nulidade, ilegitimidade, etc.). 
Uma vez fixado o montante a ser pago, deverá ser reservado numerário no 
orçamento público para que seja pago mediante requisição por precatório 
(art. 100 da CRFB) ou requisição de pequeno valor, em 60 dias, nos valores 
máximos estabelecidos pela legislação (art. 100, §2º, da CRFB). 
Para se efetuar a intimação do Município, o Novo Código de Processo 
Civil exige a intimação pessoal de seus advogados públicos, consoante 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 52 
disposto em seu art. 183, caput, in fine. Tal procedimento depende de vista 
dos autos mediante carga ou remessa, ou, alternativamente, que seja 
remetida intimação eletrônica, no caso de autos digitais. 
No que tange ao recebimento de valores incontroversos, a doutrina e a 
jurisprudência já o admitiam sob a égide do CPC anterior, em homenagem aos 
princípios da celeridade e da efetividade. Atualmente, essa possibilidade 
restou expressamente positivada no art. 535, §4º do CPC, que autoriza a 
expedição de precatório (ou requisição de pequeno valor) de parcela não 
impugnada após a intimação em execução.OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009 
ESTUDO DE CASO - O oficial de justiça avaliador recebeu o mandado de 
citação, penhora e avaliação extraído dos autos do processo de ação de 
execução lastreada em título executivo extrajudicial, proposta por Daniele 
contra Marcos, no valor de R$ 100.000,00, incluindo correção monetária, 
juros, honorários advocatícios e despesas processuais iniciais. De posse do 
respectivo mandado, estando inviabilizado o bloqueio de pecúnia por meio 
eletrônico, o meirinho se ateve em diligências visando dar cabo ao 
cumprimento de seu dever funcional. Todavia, não logrou localizar o citando 
ou colher informações precisas sobre o seu paradeiro. Observou, ademais, 
que o predito mandado registrava a indicação de um bem imóvel de 
propriedade do executado, avaliado em R$ 80.000,00, com todas as suas 
características e confrontações, inclusive com o número da matrícula no 
respectivo cartório de registro de imóveis. Além disso, o oficial anotou a 
existência de um veículo automotor estacionado na parte interna da 
residência do executado. Considerando a situação hipotética acima 
apresentada e os dispositivos legais a ela aplicáveis, redija um texto 
dissertativo que aborde, necessariamente, os seguintes tópicos: 1- 
possibilidade de se proceder à constrição judicial dos bens em referência e, se 
for o caso, indicação da natureza jurídica dessa constrição; 2- diligências 
cabíveis e necessárias à citação do executado; 3- medidas destinadas a vencer 
eventual resistência oferecida pelo executado ou por terceiro; 4- restrições de 
ordem legal e(ou) constitucional ao caso em epígrafe; 5- requisitos legais que 
deve conter o auto de penhora. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O 
NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Frise-se, inicialmente, que a questão informa a ausência de citação do 
executado, o que faz permissível a realização do arresto executivo (art. 830 do 
CPC). Cuida-se de um ato constritivo de patrimônio que se revela como uma 
p -pe ho a ,à se doà ealiz el quando o oficial de justiça não conseguiu 
concretizar a citação, porém encontrou bens visíveis do executado. Realizado o 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 53 
arresto, incumbe ao exequente fornecer meios para que a citação seja 
concretizada posteriormente, quando o arresto se converterá em penhora, 
independentemente de termo (art. 830, § 3º, do CPC). 
 Admite-se penhora sobre veículo do executado (art. 835, IV, do CPC), 
sendo importante a verificação prévia de sua titularidade. Até porque, se 
comprovado que se trata de bem de terceiro, poderá este valer-se da ação de 
embargos de terceiro para retirar a constrição judicial (art. 674 do CPC). Por 
sua vez, em se tratando de hipótese de veículo financiado, que não conste 
ainda o pagamento final e a transferência para o nome do seu titular, quando 
este for executado, apenas será possível a penhora dos direitos aquisitivos de 
contrato de alienação fiduciária em garantia (art. 835, XII, do CPC). 
 Por sua vez, admite-se a penhora sobre o imóvel do executado (art. 
835, V, do CPC), sendo importante a verificação prévia de sua titularidade, 
inclusive para evitar o ajuizamento de embargos de terceiro (art. 674 do CPC). 
Caso se trate do único bem imóvel do executado, estará este imune à penhora. 
Cuida-se do regramento da impenhorabilidade do bem de família ou do bem 
de residência (art. 1º da Lei nº 8.009/90), o que encontra fundamento no 
direito social de moradia (art. 6º da CRFB). Não importa o estado civil do 
devedor para ter direito a tal benesse legal (verbete sumular nº 364 do STJ). 
 Realizada a constrição judicial, convém que seja realizada a sua 
averbação no respectivo registro do bem, o que gerará publicidade e evitará 
discussões futuras sobre a eventual boa-fé do terceiro adquirente. 
 Sobre a documentação do ato constritivo, a penhora realizada por 
oficial de justiça dar-se- àat a sàdeà autoàdeàpe ho a ,àde e doà o te à iasà
especificações legais (art. 838 do CPC). Se antes apresentada certidão da 
respectiva matrícula do imóvel, ou certidão que ateste a existência de veículo, 
talà pe ho aà seà da à po à te oà osà autos à a t.à ,à §à º,à doà CPC ,à oà ueà
aconteceu quanto ao bem imóvel. 
 Caso o executado feche as portas da casa a fim de obstar a penhora 
dos bens, o oficial de justiça comunicará o fato ao juiz, solicitando-lhe ordem 
de arrombamento (art. 846 do CPC). Sempre que necessário, o juiz requisitará 
força policial, a fim de auxiliar os oficiais de justiça na penhora dos bens (art. 
846, §2º, do CPC). 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
Súmula 364 do STJ - O conceito de impenhorabilidade de bem de família 
abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e 
viúvas. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 54 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de direito processual civil. 8ª Ed. 
Salvador: JusPodium, 2016. 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO - ÁREA JUDICIÁRIA - TRT9 - FCC - 2007 
ESTUDO DE CASO - O Código Processual Civil (CPC) dispõe, em seu artigo 475-
J, que, caso o devedor, condenado ao pagamento de quantia certa ou já 
fixada em liquidação, não o efetue no prazo de quinze dias, o montante da 
condenação será acrescido de multa no percentual de dez por cento e, a 
requerimento do credor e observado o disposto no art. 614, inciso II, desta lei, 
expedir-se-á mandado de penhora e avaliação. Pela leitura desse dispositivo 
legal, constata-se que a lei não fixou o termo inicial da contagem desse prazo 
de quinze dias. Por isso, o tema tem suscitado dúvidas e interpretações 
divergentes quanto à necessidade da intimação pessoal do réu para cumprir a 
sentença no prazo de quinze dias e quanto ao termo inicial para a incidência 
da multa, que se inicia depois de transcorrido o prazo concedido ao réu e 
somente caso não seja obedecida tal determinação. Com base nessas 
informações, redija um texto expondo, justificadamente, os argumentos 
dessas interpretações divergentes dadas pela doutrina e pela jurisprudência 
ao artigo acima mencionado. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O 
NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 A nova lei processual espancou a controvérsia, ditando o formato e a 
exigência de prévia intimação do executado para cumprimento voluntário da 
condenação. A intimação do devedor para cumprir a sentença se dará, 
precipuamente, pelo Diário de Justiça, na pessoa de seu advogado constituído 
nos autos (art. 513, §2º, I, do CPC). Tal medida diminui os custos do processo, 
facilitando o processamento desta comunicação processual, até porque o 
de edo à j à foià itado à aà faseà deà o he i e to,à te doà ad ogadoà ueà oà
represente nos autos. 
 Todavia, se o devedor não tiver procurador constituído nos autos, será 
intimado pessoalmente por carta com aviso de recebimento (art. 513, § 2º, II, 
do CPC), embora possa o juiz considerar válido o ato comunicatório ainda que 
retorne com resultado negativo, caso tenha sido realizado no endereço 
constante nos autos, sem que tenha sido informada qualquer mudança de 
endereço pelo executado (art. 513, § 3º, do CPC). Tal formato prestigia o 
contraditório, embora aumente a responsabilidade da parte em atualizar seu 
endereço (art. 77, V, do CPC). Diga-se que se o devedor é defendido pela 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 55 
Defensoria Pública, será o caso de aplicação do mesmo regramento (arts. 513, 
§ 2º, II; e § 3º, do CPC). 
 Já se o réu foi citado na fase de conhecimento por meio eletrônico, 
quando pessoa jurídica estiver devidamente cadastrada no sistema respectivo 
(art. 246, § 1º, do CPC), a intimação no cumprimento de sentença se dará, 
também, por meio eletrônico(art. 513, § 2º, III, do CPC). Finalmente, se o réu 
foi citado por edital na fase de conhecimento, sendo revel, a intimação no 
cumprimento de sentença, também será por edital (art. 513, § 2º, IV, do CPC). 
 Desta intimação, uma vez extrapolado o prazo de 15 dias para 
cumprimento voluntário (art. 523 do CPC), incidirá multa de 10% e também 
nova verba honorária de 10% referente ao cumprimento de sentença (art. 523, 
§ 1º, do CPC). 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
CARNEIRO, Paulo Cezar Pinheiro. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Novo 
Código de Processo Civil – Anotado e Comparado. Rio de Janeiro: Gen Método, 
2015. 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA 
 O processo de execução do Código de Processo Civil ainda é regido 
exclusivamente pela regra da tipicidade dos meios executivos? Em sua 
resposta, aponte os fundamentos legais que orientam sua conclusão e 
relacione o tema com a tutela coletiva e a atuação do Ministério Público. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O art. 139, IV do Código de Processo Civil, que permite ao magistrado 
dete i a à todasà asà edidasà i duti as,à oe iti as,à a da e taisà ouà
subrogatórias necessárias para assegurar o cumprimento de ordem judicial, 
i lusi eà asàaç esà ueàte ha àpo ào jetoàp estaç oàpe u i ia .à 
Sendo assim, é possível conceber técnicas executivas não previstas 
expressamente no texto legal, o que afasta a explicação tradicional da regra 
da tipicidade. O Ministério Público, nesta linha, pode contribuir desenvolvendo 
novas técnicas de execução. 
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRT18 - FCC - 2009 
ESTUDO DE CASO - Em cumprimento a mandado judicial de penhora relativo a 
execução no montante de R$ 5.000,00, o oficial de justiça encarregado da 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 56 
diligência compareceu à residência do executado, que lhe franqueou a 
entrada. No interior da residência, encontrou um televisor, uma geladeira, 
móveis usados em geral correspondentes a um médio padrão de vida e 
roupas usadas de baixo valor. O executado lhe informou que esse era o seu 
único imóvel residencial e que era proprietário do automóvel estacionado em 
frente ao prédio, que, no entanto, já havia sido penhorado em outra 
execução. Discorra, sintética e fundamentadamente, sobre o procedimento a 
ser adotado, nesse caso, pelo oficial de justiça. (QUESTÃO ADAPTADA DE 
ACORDO COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Os respectivos móveis encontrados na residência do devedor, conforme 
diligência de portas à dentro realizada, são tidos como impenhoráveis (art. 
833, II e III, do CPC), o que ganha contornos de reverência à dignidade da 
pessoa. 
 Uma vez comprovado que se trata do único bem imóvel do executado, 
estará este imune à penhora. Cuida-se do regramento da impenhorabilidade 
do bem de família ou do bem de residência (art. 1º da Lei nº 8.009/90), o que 
encontra fundamento no direito social de moradia (art. 6º da CRFB). Não 
importa o estado civil do devedor para ter direito a tal benesse legal (verbete 
sumular nº 364 do STJ). 
 Entretanto, admite-se penhora sobre veículo (art. 835, IV, do CPC), não 
sendo impeditivo o fato de o bem já ter sido penhorado por outro credor. O 
credor que primeiro realizar a penhora terá direito de preferência sobre o 
respectivo bem (art. 797 do CPC), tratando-se de garantia de direito 
processual. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
Súmula 364 do STJ - O conceito de impenhorabilidade de bem de família 
abrange também o imóvel pertencente a pessoas solteiras, separadas e 
viúvas. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg; HARTMANN, Guilherme Kronemberg. 
Petições & prática cível. Niterói: Impetus, 2016. 
 
OFICIAL DE JUSTIÇA - TRF3 - FCC - 2014 
ESTUDO DE CASO - Em cumprimento de um mandado expedido pelo juiz 
competente da Justiça Federal, de São Paulo, em execução fiscal federal 
baseada em certidão de dívida ativa, decorrente do não pagamento do 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 57 
imposto de renda por pessoa física, proposta em 23 de abril de 2013, o oficial 
de justiça compareceu ao domicílio do executado e não o encontrou, tendo 
certifi adoà ueà aàpessoaà ueàaliàseàe o t avaàeà ueàoàate deuài fo ouà ueà
o executado, em agosto de 2013, mudou-se para o Estado do Rio Grande do 
“ul .àá aliseàoà asoàexposto,à espo de do,à fu da e tada e te:àa.àe à ueà
consiste a citação e qual a sua finalidade e importância no processo. b. se a 
certidão do oficial de justiça está correta para a situação de fato com a qual se 
deparou. c. se a competência para processar e julgar a execução fiscal se 
desloca para a Vara competente do Estado do Rio Grande do Sul. d. como se 
procederá à citação do executado. (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM 
O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 E à elaç oà aoà ite à a ,à itaç oà à oà atoà peloà ualà s oà o o adosà oà
réu, o executado ou o interessado para integrar a relação processual (art. 238 
do CPC). Além desta convocação a juízo, serve também para cientificar-lhe do 
teor da demanda formulada, concretizando o contraditório mínimo na 
vertente da informação necessária (art. 5º, LV, da CRFB). 
 Registre-se que foi suprimida a expressão de que o demandado seria 
itadoà aà fi à deà seà defe de à a t.à à doà CPC/ ,à dia teà daà ultu aà daà
pacificação preconizada pela nova lei processual, que prevê uma audiência 
inaugural de conciliação ou de mediação (art. 334 do CPC), antes mesmo da 
apresentação da defesa pelo réu. 
 E à elaç oàaoàite à ,àaà e tid oàdoàofi ialàdeàjustiçaàest ài o pleta,à
já que não indica a qualificação de quem lhe forneceu a informação, bem 
como nem indica se foram perquiridos eventuais elementos sobre o paradeiro 
do citando na cidade em que ora se encontra (art. 154, I, do CPC). O atuar 
deste auxiliar de justiça (art. 149 do CPC), na hipótese, demonstra-se não 
colaborativo aos fins do processo (art. 6º do CPC), pois prejudica o 
sequenciamento do feito pelo demandante. 
 No tocante aoàite à ,à oàha e àdeslo a e toàdaà o pet iaàe à
razão do princípio da perpetuação da jurisdição, ou perpetuatio jurisdictionis 
(art. 43 do CPC). Cuida-se de regra de estabilidade da competência, de modo 
que se denotam irrelevantes as modificações do estado de fato ou de direitos 
ocorridas posteriormente ao registro ou distribuição da demanda. No caso 
concreto, aplica-se diretamente o verbete sumular nº 58 do STJ. 
 Po à fi ,à a e aà doà ite à d ,à se doà o he idoà oà e de eçoà doà
demandado em diversa localidade, a citação poderá se dar pelo correio, 
mediante aviso de recebimento (arts. 247 e 248 do CPC), ou mesmo através de 
expedição de carta precatória (art. 237, III, do CPC). Ao contrário, se 
desconhecido o lugar onde se encontra o citando, viabilizar-se-á a citação por 
edital (art. 256, II, do CPC). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 58 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. 1ª Ed. São Paulo: 
Atlas, 2015. 
CARNEIRO, Paulo Cezar Pinheiro. PINHO, Humberto Dalla Bernardina de. Novo 
Código de Processo Civil – Anotado e Comparado. Rio de Janeiro: Gen Método, 
2015. 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg; HARTMANN, Guilherme 
Kronemberg.Petições & prática cível. Niterói: Impetus, 2016. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
Súmula 58 do STJ - Proposta a execução fiscal, a posterior mudança de 
domicílio do executado não desloca a competência já fixada. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
 - Gabarito: Abordagem Esperada - A Prova Estudo de Caso destinar-se-á a 
avaliar o domínio de conteúdo dos temas abordados, a experiência prévia do 
candidato e sua adequabilidade quanto às atribuições do cargo e 
especialidade. A Prova Estudo de Caso terácaráter eliminatório e 
classificatório. Cada uma das questões será avaliada na escala de 0 (zero) a 
100 (cem) pontos, considerando-se habilitado o candidato que tiver obtido, no 
conjunto das duas questões, média igual ou superior a 60 (sessenta). 1-a. A 
citação é o ato de chamamento do réu a juízo e que o vincula ao processo e 
seusàefeitos.àCo oào se aàVICENTEàG‘ECCOàFILHO,à aà itaç oà àaàp i ei aàeà
fundamental garantia de um processo livre e democrático, porque por seu 
intermédio se leva ao réu o conhecimento da demanda e o que pretende o 
auto à Di eitoà P o essualà Ci ilà B asilei o,à Ed.à “a ai a,à ºà ol.,à p.à ,à
assegurando o contraditório e a ampla defesa. Sem a citação não se completa 
a relação jurídica processual, não produzindo o processo nenhum efeito, 
se do,à oàdize àdeàLIEBMáN,à u àatoà ju ídi oà i existe te .à -b.A certidão do 
oficial de justiça tem fé pública e deve ser clara, completa e inequívoca, 
descrevendo minuciosamente o que ocorrer durante a diligência, bem como 
indicando os elementos que possibilitem às partes e ao juiz a adoção das 
providências pertinentes. No caso concreto, a certidão está incompleta, pois o 
oficial de justiça não forneceu a qualificação da pessoa que o atendeu, não 
informando, dentre outros dados, se é parente, sucessor, locatário, ocupante, 
novo proprietário do imóvel em que o réu era domiciliado; outrossim, dela não 
constou ter indagado para qual cidade do Estado do Rio Grande do Sul o 
executado havia se mudado, nem a respeito do endereço deste naquela 
localidade. 3- A competência não se desloca para o Estado do Rio Grande do 
Sul, porque a mudança de domicílio do executado ocorreu depois da 
propositura da ação. A legislação brasileira adota o princípio da perpetuação 
da competência, sendo que, no que concerne à execução fiscal, há até Súmula 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 59 
doà “upe io à T i u alà deà Justiçaà aà espeito:à P opostaà aà exe uç oà fis al,à aà
posterior mudança de domicílio do executado não desloca a competência já 
fixada à “TJ,à“ú ulaà .à -No caso em exame, não consta o endereço atual do 
executado, nem sequer a cidade onde se encontra. Nesse caso, se, através de 
diligências posteriores, for descoberto o local em que o executado está 
domiciliado no Estado do Rio Grande do Sul, a sua citação será feita pelo 
correio ou por carta precatória; caso contrário, por edital. 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO - TRT8 - CESPE - 2016 
ESTUDO DE CASO - Em ação indenizatória ajuizada na justiça comum, 
determinado município foi condenado a pagar ao autor a quantia de duzentos 
mil reais. A sentença foi confirmada pelo tribunal e transitou em julgado. Em 
decorrência da inércia do município para pagar a quantia, o autor da ação 
deseja tomar medida judicial para receber o pagamento referente à 
condenação. Considerando a situação hipotética apresentada, redija um texto 
dissertativo atendendo ao que se pede a seguir. 1- Indique o procedimento a 
ser utilizado pelo particular para receber o valor da condenação e informe o 
modo como deve ser feito o pagamento ao credor, bem como a forma pela 
qual o ente público deve realizar sua eventual defesa se discordar dos valores 
apresentados pelo particular. [valor: 13,00 pontos] 2- Apresente a(s) 
modalidade(s) de citação que pode(m) ser utilizada(s) para a citação da 
pessoa jurídica de direito público no procedimento mencionado, indicando o 
rol de modalidades de citação previstas no Código de Processo Civil. [valor: 
15,00 pontos] 3 - Discorra sobre a possibilidade de o particular receber os 
valores incontroversos no caso de a pessoa jurídica de direito público, em sua 
defesa, alegar apenas existir excesso do valor pretendido pelo particular 
(como, por exemplo, excesso nos juros e correção monetária). [valor: 10,00 
pontos](QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Em relação ao item 1, ao contrário do Código de Processo Civil de 1973 
(em que havia um processo autônomo de execução), o particular (credor) 
deverá, nos termos do art. 534 do CPC de 2015, requerer o cumprimento da 
sentença, com a intimação do devedor (Município) para que este apresente a 
sua impugnação no prazo de 30 (trinta) dias. Para que seja iniciada a fase de 
cumprimento da sentença, é obrigação do autor apresentar demonstrativo do 
crédito, que deverá estar atualizado e discriminado, nos termos do art. 534, I a 
VI, do CPC. 
 Em razão do princípio da indisponibilidade e impenhorabilidade dos 
bens públicos, o modo de pagamento, no caso de condenação da Fazenda 
Pública, atenderá às regras especiais dispostas na CRFB. No caso do município 
em questão, em sendo o valor superior àquele previsto para as obrigações de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 60 
pequeno valor de cada ente, respeitados os limites máximos previstos no art. 
87 do ADCT, o pagamento será realizado por meio da expedição de precatório, 
conforme o art. 535, §3º, , do CPC e art. 100 da CRFB. 
 Quanto ao item 2, conforme as regras estabelecidas pelo Novo Código 
de Processo Civil, a fase de cumprimento de sentença não exigirá citação da 
Fazenda Pública, visto que foi extinto o processo autônomo de execução 
contra os entes públicos. Portanto, a Fazenda Pública deverá ser intimada, 
após o exequente dar início à fase de cumprimento de sentença, para que 
apresente sua impugnação. Ressalta-se que o ente público, nos termos dos 
arts. 183, §1º; e 535, do CPC, será intimado na pessoa de seu representante 
judicial por carga, remessa ou meio eletrônico, uma vez que houve extensão 
da intimação pessoal aos representantes judiciais do Distrito Federal, Estados 
e Municípios. 
 Em relação ao item 3, na fase de cumprimento de sentença que 
reconheça a exigibilidade de obrigação de pagar quantia certa pela fazenda 
pública, caso seja oposta impugnação parcial pelo ente público, o art. 535, 
§4º, do CPC dispõe que eventual parcela da obrigação de pagar não 
questionada pelo ente público executado será, desde logo, objeto de 
cumprimento. Por conseguinte, no caso de a fazenda pública alegar excesso 
de execução, esta deverá declarar o valor que entende correto, conforme o 
art. 535, §2º, do CPC. Em relação ao valor incontroverso, poderá haver a 
expedição imediata de precatório. Ressalta-se que desde o antigo CPC, 
doutrina e jurisprudência encontravam-se pacificadas no sentido de que é 
possível a expedição de precatório da parte incontroversa em sede de 
execução contra a fazenda pública, pois inadmitir a expedição de precatórios 
para aquelas parcelas que se tornaram preclusas e, consequentemente, 
imodificáveis, é atentar contra a efetividade e(ou) celeridade do processo. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
CUNHA, Leonardo Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo / Leonardo 
Carneiro da Cunha. - 13 ed., totalmente reformulada - Rio de Janeiro: Forense, 
2016. 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2011 – CESPE 
O nome de Jonas Neto, ex-sócio da Locus Amoenus Ltda., que detinha 10% 
das respectivas quotas do capital social e cuja retirada da sociedade ocorreu 
em 25/3/2002 (data do arquivamento da alteração societária no registro do 
comércio), foi consignado no rol de corresponsáveis tributários de uma 
certidão de dívida ativa, lavrada em 24/3/2006, em desfavor da aludida 
empresa, relativa a débito de contribuição previdenciária sobre folha de 
salários, das competências de janeiro a março de 2002. Tal débito tributário é 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 61 
objeto de execução fiscal aforada em 24/3/2010, contra a qual foram opostos 
embargos à execução ainda pendentes de julgamento. Jonas Neto, que nunca 
figurou como administrador da referida empresa, é titular de um crédito de 
indenização, por responsabilidade civil da União, inscrito em precatóriojudicial. Sabendo da iminente liberação do crédito do precatório, a União 
atravessou petição pugnando pela compensação do respectivo crédito com a 
noticiada dívida previdenciária, ou, alternativamente, pela suspensão do 
pagamento do precatório em razão da dívida objeto de execução fiscal. Em 
face da situação hipotética acima apresentada, responda, de forma 
fundamentada, se procede a pretensão da União. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 A presente questão trata do relevante e atual tema do 
redirecionamento da execução fiscal. Em linhas gerais, significa que o processo 
executório de dívidas tributárias ou não tributárias pode ter seu sujeito 
passivo modificado, direcionando os atos constritivos de uma pessoa jurídica 
para seus sócios, por exemplo. 
 A principal hipótese que fundamenta o redirecionamento da execução 
tributária encontra-se prevista no art. 135, III do CTN. Nesse dispositivo, 
verifica-se que são responsáveis também pelo pagamento de tributos os 
diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas, quando atuarem 
com excesso de poderes ou infração à lei (ou contrato social/estatuto). 
 No enunciado em análise, tem-se que o sócio executado realmente 
estava presente no quadro social da empresa quando os fatores geradores 
ocorreram, vez que as competências perquiridas foram de janeiro a março de 
2002, ao passo que a retirada do sócio foi efetivada em 25.03.2002. 
No entanto, registre-se que, em primeiro lugar, o mero 
inadimplemento da obrigação tributária não é suficiente, por si só, para 
responsabilizar qualquer sócio. Ao caso, aplica-se a Súmula 430 do STJ, que 
disp eà ueà Oà i adi ple e toà daà o igaç oà t i ut iaà pelaà so iedadeà oà
gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-ge e te . 
Ademais, ele possuía apenas 10% do capital social e nunca figurou 
como administrador da empresa (conforme dito no próprio enunciado). Em 
adição, não há qualquer indício que tenha atuado em fraude ou infração a 
qualquer norma. Assim, ele não poderia, em tese, ser corresponsável por esse 
débito tributário. O redirecionamento é aplicado excepcionalmente, não sendo 
despiciendo lembrar da Súmula 435 do STJ (igualmente, o STJ recentemente 
afetou ao regime de recursos repetitivos um recurso que trata exatamente do 
mesmo tema, o que propiciará maior estabilidade e segurança acerca do 
tema). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 62 
Por fim, a compensação requerida pela União não parece ser possível, 
de qualquer forma. A uma, porque o débito é de contribuição previdenciária, 
de titularidade do INSS, o que impede a compensação por conta da não 
identidade entre os entes públicos. A duas, porque, como se viu, também não 
se pode responsabilizar o sócio, o que também traz uma ausência de 
identidade no que toca ao contribuinte. Por fim, o pedido de suspensão de 
pagamento do precatório não tem qualquer previsão legal, o que implica em 
ilegalidade, conduzindo ao seu indeferimento de plano. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
Súmula nº 430 do STJ - O inadimplemento da obrigação tributária pela 
sociedade não gera, por si só, a responsabilidade solidária do sócio-gerente. 
Súmula 435 do STJ - Presume-se irregularmente dissolvida a empresa que 
deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos 
competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sócio 
gerente. 
T‘IBUTã‘IOà Eà P‘OCE““UáLà CIVIL.à P‘OPO“Táà DEà áFETáÇÃOà DEà ‘ECU‘“Oà
ESPECIAL. RITO DOS RECURSOS ESPECIAIS REPETITIVOS. ARTS. 1.036, CAPUT E 
§ 1º, 1.037 E 1.038 DO CPC/2015 C/C ART. 256-I DO RISTJ, NA REDAÇÃO DA 
EMENDA REGIMENTAL 24, DE 28/09/2016. I. Delimitação da controvérsia, 
para fins de afetação da matéria ao rito dos recursos repetitivos, nos termos 
do art. 1.036, caput e § 1º, do CPC/2015: "À luz do art. 135, III, do CTN, o 
pedido de redirecionamento da Execução Fiscal, quando fundado na hipótese 
de dissolução irregular da sociedade empresária executada ou de presunção 
de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), pode ser autorizado contra: (i) o sócio 
com poderes de administração da sociedade, na data em que configurada a 
sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência (Súmula 435/STJ), e 
que, concomitantemente, tenha exercido poderes de gerência, na data em 
que ocorrido o fato gerador da obrigação tributária não adimplida; ou (ii) o 
sócio com poderes de administração da sociedade, na data em que 
configurada a sua dissolução irregular ou a presunção de sua ocorrência 
(Súmula 435/STJ), ainda que não tenha exercido poderes de gerência, na data 
em que ocorrido o fato gerador do tributo não adimplido". II. Recurso Especial 
afetado ao rito do art. 1.036 e seguintes do CPC/2015 (art. 256-I do RISTJ, na 
redação da Ementa Regimental 24, de 28/09/2016). ‘Espà . . 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2013 – CESPE 
A União opôs embargos à execução de sentença proferida em ação coletiva, 
consistente em reclamação de reajuste salarial, proposta por sindicato de 
servidores, alegando que o servidor X, que figurava na relação dos 
sindicalizados, ingressara também com ação individual, perante o juizado 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 63 
especial, durante a tramitação do feito. Sustentou a União, também, que os 
servidores Y e Z, após o trânsito em julgado da sentença proferida na ação 
coletiva, ingressaram, inadvertidamente, com demanda idêntica perante o 
juizado especial. Registre-se que, no caso de Y, ainda não foi proferida 
sentença e no de Z, o processo individual foi extinto, prematuramente, em 
decorrência da prescrição do direito de reclamar o reajuste salarial. Em face 
dessa situação hipotética, proponha a solução mais adequada aos embargos, 
em relação aos substituídos X, Y e Z. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Inicialmente, ante o fato de a questão ter sido aplicada com base no 
CPC anterior, pela atual sistemática do CPC, execução contra a Fazenda 
Pública fundada em título executivo judicial ocorrerá pelo cumprimento de 
sentença (art. 534). No que toca à defesa fazendária, ela ocorrerá por meio de 
impugnação (art. 535). 
É importante destacar que os sindicatos possuem a chamada 
legitimidade extraordinária para defender a tutela coletiva de direito 
individuais homogêneos da categoria profissional que representam. Ademais, 
de forma oposta às associações, a entidade sindical não depende de 
autorização para o ajuizamento de uma demanda judicial, podendo atuar, 
além da fase de conhecimento, na fase executória. Somado a isso, o 
integrante da categoria profissional, ainda que não sindicalizado, pode se 
beneficiar da decisão proferida e até mesmo executar individualmente. 
 Essa legitimidade extraordinária é ampla, abrangendo tanto a 
liquidação, como a execução dos créditos reconhecidos aos trabalhadores, 
independente da comprovação de filiação ao sindicato na fase de 
conhecimento. Além disso, o fato de se tratar de ação coletiva não representa 
obstáculo para que o interessado, favorecido pela sentença coletiva, promova, 
ele próprio, desde que integrante do grupo ou categoria processualmente 
substituídos pela parte autora. Assim, de plano, averiguar se X, Y ou Z são 
sindicalizados é indiferente para o deslinde, pois eles podem se beneficiar da 
sentença de mérito e também promover uma eventual liquidação e execução 
individualmente. 
 Em relação ao servidor X, a ação individual dele foi ajuizada durante o 
transcurso da demanda coletiva, de forma que não há induzimento 
automático de litispendência e, pelo enunciado, não se sabe se houve 
sentença ou ciência da demanda coletiva. Assim, adotando-se a visão de que 
isso não ocorreu, é possível concluir que a coisa julgada, erga omnes, da ação 
coletiva pode beneficiar X. Portanto, o caminho a ser seguido é o juízo, 
previamente ao julgamento dos embargos, cientificar X para que possa 
liquidar e executara sentença coletiva, desistindo do processo individual, e, se 
ele não quiser isso, pode prosseguir com a demanda individual. Havendo a 
desistência, os embargos da União em relação a X devem ser julgados 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 64 
improcedentes, ao passo que na segunda situação deverá haver a 
procedência. 
 Já em relação a Y, a demanda individual foi intentada após transitar 
em julgado a ação coletiva, de forma que carece de interesse de agir no 
processo perante o Juizado Especial Federal, já que a coisa julgada coletiva foi 
erga omnes, beneficiando Y. Logo, os embargos da União devem ser julgados 
improcedentes e o juízo deve o juízo da ação de Y sobre a demanda coletiva e, 
com isso, ocorrer a extinção sem julgamento do mérito da demanda de Y. 
 Acerca do servidor Z, a demanda individual foi intentada após o 
trânsito em julgado da demanda coletiva, que tem coisa julgada erga omnes. 
O enunciado não aponta se transitou em julgado a sentença que reconheceu a 
prescrição ao reajuste, ou seja, sem formação de coisa julgada material. 
Assim, da mesma forma que ocorreu com Y, o juízo da demanda coletiva deve 
comunicar o juízo da demanda de Z. Porém, se tiver ocorrido a coisa julgada 
do processo individual de Z, os embargos da União devem ser procedentes, já 
que terá ocorrido coisa julgada material atinente à prescrição reconhecida no 
feito individual. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. ART. 8º, III, DA LEI MAIOR. 
SINDICATO. LEGITIMIDADE. SUBSTITUTO PROCESSUAL. EXECUÇÃO DE 
SENTENÇA. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO. EXISTÊNCIA DE 
REPERCUSSÃO GERAL. REAFIRMAÇÃO DE JURISPRUDÊNCIA. I – Repercussão 
geral reconhecida e reafirmada a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal 
no sentido da ampla legitimidade extraordinária dos sindicatos para defender 
em juízo os direitos e interesses coletivos ou individuais dos integrantes da 
categoria que representam, inclusive nas liquidações e execuções de 
se te ça,à i depe de te e teà deà auto izaç oà dosà su stituídos à ‘Eà ºà
883.642-AL, j. em 18/6/15). 
(...) - O fato de tratar-se de ação coletiva não representa obstáculo para que o 
interessado, favorecido pela sentença coletiva, promova, ele próprio, desde 
que integrante do grupo ou categoria processualmente substituídos pela 
parte autora, a execução individual desse mesmo julgado. Doutrina. 
P e ede tes à áCà ºà . /P‘-AgR, Segunda Turma, relator o Ministro Celso 
de Mello, DJe de 6/3/14). 
 
NOTÁRIO – TJDFT – 2019 - CESPE 
Em determinado cartório de registro civil de pessoas naturais e de interdições 
e tutelas de um município, foi realizado o registro de óbito de Pedro, servidor 
público daquele município. Em razão de um erro da serventia, houve um 
equívoco na grafia do nome do falecido e, assim, a certidão de óbito emitida 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 65 
não foi considerada pelo município quando Camila, viúva de Pedro, requereu 
a concessão de pensão por morte, o que lhe causou danos. Um ano após o 
ocorrido, foi regularizada a questão documental e concedida a pensão por 
morte a Camila. Mesmo assim, ela ajuizou ação de indenização em desfavor 
do titular da delegação do cartório. Em sentença, com fundamento no art. 22 
da Lei n.º 8.935/1994, o juízo condenou o titular da delegação do cartório ao 
pagamento de monta indenizatória arbitrada em valor correspondente ao 
somatório de doze prestações mensais da pensão que Camila deveria ter 
recebido, devidamente acrescido de juros e correção monetária, e ao 
pagamento de honorários de sucumbência. Com isso, o titular do cartório 
interpôs recurso de apelação, argumentando que não houvera instrução 
probatória suficiente que comprovasse seu dolo ou sua culpa, bem como que 
no valor da indenização deveriam ter sido considerados outros critérios. O 
tribunal de justiça local, sem fazer nenhuma referência em sua 
fundamentação aos valores da condenação ou aos respectivos critérios de 
fixação, negou provimento à apelação interposta, apresentando no dispositivo 
do acórdão a seguinte redação: Vistos e relatados os autos em que são partes 
as acima indicadas, decide a primeira turma do tribunal de justiça do estado X, 
por maioria, conhecer do recurso de apelação interposto pelo titular da 
delegação para negar-lhe provimento, confirmando a sentença de primeiro 
grau. Após o trânsito em julgado do acórdão, Camila propôs cumprimento de 
sentença, na forma do art. 523 do Código de Processo Civil, pleiteando o 
pagamento do valor da condenação da sentença, devidamente corrigido e 
com incidência de juros moratórios. Considerando essa situação hipotética, 
responda, fundamentadamente, aos seguintes questionamentos. 1 O que 
significa e como ocorre o efeito substitutivo das decisões judiciais? Esse efeito 
ocorreu na situação hipotética apresentada? [valor: 0,50 ponto] 2 Seria 
admissível a alegação, pelo executado, de iliquidez do julgado? [valor: 0,45 
ponto] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O efeito substitutivo das decisões judiciais decorre do objeto do 
recurso, o qual é determinado pela matéria efetivamente impugnada pela 
parte em suas razões recursais, consoante regra do art. 1.002 do CPC, que 
esta ele eàpode àaà de is oà se à i pug adaà oà todoàouàe àpa te .à Essaà à aà
definição básica do efeito devolutivo, consagrada pelo brocardo tantum 
devolutum quantum appelatum no sentido de que o recurso abrangerá tão 
somente aquilo que for expressamente impugnado pelo recorrente. 
Portanto, conforme esclarece pacificamente a doutrina, o efeito 
devolutivo decorre da interposição de qualquer recurso, equivalente a um 
efeito de transferência da matéria ou de renovação do julgado para outro ou 
para o mesmo julgador. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 66 
O efeito substitutivo das decisões judiciais encontra fundamento 
positi adoà oàa t.à . àdoàCPC,à ueàestatuià ueà oàjulga e toàp ofe idoàpeloà
t i u alàsu stitui àaàde is oài pug adaà oà ueàti e àsidoào jetoàdeà e u so .à 
De acordo com esse dispositivo, haverá o efeito substitutivo quando: a) 
em qualquer hipótese (error in iudicando ou in procedendo) for negado 
provimento ao recurso; b) em caso de error in iudicando, for dado provimento 
ao recurso. Nesse sentido: Essa substituição opera-se, via de regra, nas 
hip tesesàta toà deàp o i e toà ua toàde improvimento do recurso. 
Na linguagem forense, quando é dado provimento ao recurso, diz-se 
ueàoàT i u alà efo ou àaàde is oà e o ida,àaoàpassoà ue,à ua doà à egadoà
provimento, afirma-seà ueà oà T i u alà o fi ou à aà de is o.à E à a osà osà
casos, o que prevalece é a decisão do Tribunal (...). Assim (...) quando se tratar 
de erro in procedendo e a sentença for de improcedência, o recurso interposto 
pelo autor terá função rescindente quando provido e função substitutiva 
quando improvido. Se, todavia, estivermos diante de sentença de procedência, 
eà fo à egadoà p o i e toà aoà e u soà doà u, à oà es oà te à fu ç oà
substitutiva. 
No entanto, se for dado provimento ao recurso, ele poderá ter função 
tanto substitutiva quanto rescindente, dependendo da possibilidade de vício a 
ser sanado ou não. Se o vício não puder ser sanado, o recurso apresentará 
função substitutiva (por exemplo, condições da ação, litispendência, coisa 
julgada). 
Se, contudo, puder ser sanado, a função será rescindente (sentença 
proferida em audiência irregularmente designada, incompetência do juízo 
etc.). No caso em tela, não houve alegação de error in procedendo, mas sim de 
error judicando, uma vez que o argumento da apelação interposta foi pautado 
nos elementos e nas consequências da responsabilidade civil do titular da 
delegação. Importa considerar que houve o conhecimento do recurso, embora 
ele não tenha sido provido, o que indicaque houve o efeito substitutivo 
previsto no art. 1.008 do CPC. 
Dessa forma, independentemente de o tribunal de justiça local ter 
utilizado a exp ess oà o fi a doà aà se te çaà deà p i ei oà g au ,à oà ueà
transitou em julgado foi o seu acórdão, que apenas reconheceu a obrigação 
de indenizar do titular da delegação, mas não os valores exatos. 
Portanto, no caso, houve o efeito substitutivo na sentença pelo 
acórdão do tribunal de justiça local. 
Saliente-se que não há no caso nenhuma referência aos valores na 
parte dispositiva do acórdão, o que poderia, teoricamente, funcionar como 
uest esà p ejudi iais à aà se e à a o e tadasà pelaà oisaà julgada,à a teà oà que 
dispõe o § 1.º do art. 503 do CPC. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 67 
 
Portanto, pode-se alegar que o título executivo é ilíquido, devendo 
haver a extinção do cumprimento de sentença, consoante a necessidade de 
que as obrigações devam ser certas, líquidas e exigíveis (arts. 783, 803, I, do 
CPC). 
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA: 
ASSIS, Araken de. Manual dos recursos. 9.ª ed. Editora Revista dos Tribunais. 
Ed. São Paulo: 2017. 
JORGE, Flávio Cheim. Teoria geral dos recursos cíveis. Editora Revista dos 
Tribunais. Ed. São Paulo: 2013. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 68 
FAZENDA PÚBLICA EM JUÍZO 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/SP - 2012 - FCC 
O Tribunal de Justiça de São Paulo editou a Súmula 30, aprovada por seu 
Órgão Especial, assim redigida: "Cabível sempre avaliação judicial previa para 
imissão na posse nas desapropriações." Essa Súmula não é vinculante, mas 
todas as Câmaras de Direito Público daquele Tribunal estão aplicando esse 
entendimento, já tendo sido proferidas diversas decisões. O Poder Executivo 
entende que essa Súmula viola o artigo 15, §12 do Decreto-Lei n2 3.365/41, 
norma recepcionada pela Constituição Federal de1988, conforme a Súmula 
àdoà“up e oàT i u alàFede alàassi àeditada:à N oà o t a iaàaàCo stituiç oà
o art. 15, §12, do Decreto-Lei . 3.365/1941 (Lei da Desapropriação por 
Utilidade Pública)." Com base nos fatos apresentados, responda 
fundamentadamente: a. Qual e a medida judicial mais eficaz que pode ser 
proposta para ressalvar o direito do Poder Executivo contra a entendimento 
das Câmaras de Direito Público do Tribunal de Justiça de São Paulo? B. Qual é 
o fundamento que necessariamente deve embasar o cabimento da medida 
interposta? c.Qual(is) o(s) pedido(s) que deve(m) ser formulado(s) nessa 
medida? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 A chamada verticalização de decisões judiciais é uma tendência 
importada dos países de regime jurídico de Common Law. Com institutos como 
a repercussão geral, a súmula vinculante e, mais recentemente, os recursos 
repetitivos e o incidente de resolução de demandas repetitivas, essa tendência 
restou consagrada em nosso ordenamento, buscando prestigiar princípios 
como a segurança jurídica, a impessoalidade e a economicidade. 
 Na presente hipótese, vislumbra-se a possibilidade de quatro 
instrumentos: a) reclamação; b) arguição de descumprimento de preceito 
fundamental; c) suspensão de execução de medida liminar; e d) pedido de 
efeito suspensivo em recurso extraordinário (art. 1029, §5º do CPC/15). 
Analisar-se-ão cada um deles, a fim de atestar sua real eficácia no caso 
concreto. 
 Em primeiro lugar, seria possível pensar no cabimento de reclamação, 
com fulcro no art. 102, I, da CRFB, buscando a garantia da autoridade da 
decisão do STF. No entanto, entende-se que a reclamação não seria cabível, 
uma vez que se trata de um remédio processual excepcionalíssimo e que só 
apresenta previsão expressa de cabimento caso a súmula violada tenha 
caráter vinculante (art. 103-A, §3º da CRFB). 
 Em segundo lugar, é perfeitamente possível aventar o cabimento da 
chamada arguição de descumprimento de preceito fundamental (ADPF), 
prevista no art. 102, §1º da CRFB. A ADPF é uma ação constitucional 
autônoma, com espectro bem amplo, sendo cabível até mesmo em face de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 69 
decisões judiciais. No presente caso, seria um instrumento extremamente 
importante para garantir a incidência da Súmula nº 652 do STF, pois há uma 
relevante controvérsia judicial acerca de sua aplicação, diante do disposto no 
art. 3º, V da Lei nº 9.882/99, além de a decisão da ADPF ter efeitos contra 
todos (art. 10 da mesma lei). 
No entanto, o art. 4º, §1º da Lei nº 9.882/99 traz um requisito 
indispensável para seu cabimento: a subsidiariedade. Considerando-se que se 
está diante de diversos processos individuais, cujas decisões poderiam ter sido 
objeto de recurso especial ou de recurso extraordinário, resta bastante claro 
que, nesse caso, a ADPF seria incabível, justamente pela ausência da 
subsidiariedade. 
 Em terceiro lugar, poder-se-ia tentar ajuizar uma suspensão de 
execução de liminar, caso a decisão do TJ/SP tenha sido proferida em processo 
que julgue o tema em caráter liminar (originariamente ou via agravo de 
instrumento). A suspensão de liminar é tida como uma ação autônoma que 
visa a tutelar o interesse público em sua essência e sua previsão encontra-se 
no art. 4º da Lei nº 8.437/1992. Tendo isso em mente, seria em tese cabível a 
suspensão de execução de liminar perante o Presidente do Supremo Tribunal 
Federal (tribunal competente para conhecer do recurso extraordinário a ser 
interposto contra a decisão do TJ/SP), sob o fundamento do interesse público 
nas imissões provisórias, bem como para salvaguardar a segurança jurídica. O 
instrumento seria interessante na medida em que pode ser estendido a outras 
liminares (art. 4º, §8º Lei nº 8.437/1992). No entanto, ressalva-se que ela só é 
cabível se a decisão do Tribunal de Justiça de São Paulo a ser impugnada 
apresentar caráter precário/liminar, o que, na prática, tende a esvaziar sua 
utilidade prática. 
 Por fim, resta o manejo do pedido de concessão de efeito suspensivo 
nos recursos extraordinários que serão interpostos contra cada uma das 
decisões. Ainda que não seja um instrumento apto a tratar o problema sob 
uma perspectiva ampla (macro), seu cabimento acaba por inviabilizar o uso da 
ADPF. Assim, restaria à Fazenda Estadual interpor os competentes recursos 
extraordinários, com os respectivos pedidos para conferir efeito suspensivo 
àqueles recursos. Seu fundamento, como se sabe, além do poder geral de 
cautela, é o risco de dano irreparável e a plausibilidade do direito (reforçada 
pela existência de súmula do STF). 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
ARGUIÇÃO DE DESCUMPRIMENTO DE PRECEITO FUNDAMENTAL – 
POSTULADO DA SUBSIDIARIEDADE – INOBSERVÂNCIA – INVIABILIDADE DE 
REFERIDA AÇÃO CONSTITUCIONAL – DOUTRINA – PRECEDENTES – 
POSSIBILIDADE DE IMPUGNAÇÃO, MEDIANTE ADPF, DE DECISÕES JUDICIAIS, 
DESDE QUE NÃO TRANSITADAS EM JULGADO – CONSEQUENTE 
OPONIBILIDADE DA COISA JULGADA EM SENTIDO MATERIAL À ADPF – 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 70 
PRECEDENTE – O SIGNIFICADO POLÍTICO-JU‘ÍDICOà Dáà ‘E“à JUDICáTá à – 
RELAÇÕES ENTRE A COISA JULGADA MATERIAL E A CONSTITUIÇÃO – RESPEITO 
PELA AUTORIDADE DA COISA JULGADA MATERIAL, MESMO QUANDO A 
DECISÃO TENHA SIDO PROFERIDA EM CONFRONTO COM A JURISPRUDÊNCIA 
DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL – ADPF: AÇÃO CONSTITUCIONAL QUE NÃO 
DISPÕE DE FUNÇÃO RESCISÓRIA – EXISTÊNCIA DE CONTROVÉRSIA JUDICIAL 
RELEVANTE CARACTERIZADA POR JULGAMENTOS CONFLITANTES DE ÓRGÃOS 
JUDICIÁRIOS DIVERSOS: PRESSUPOSTO NECESSÁRIO E ESSENCIAL AO VÁLIDO 
AJUIZAMENTO DA ADPF – AUSÊNCIA, NO CASO, DE QUALQUER ESTADO DE 
INCERTEZA OU DE INSEGURANÇA NO PLANO JURÍDICO, NOTADAMENTE 
PORQUE JÁ DIRIMIDO O DISSENSO INTERPRETATIVO PELO STF – 
FORMULAÇÃO, NA ESPÉCIE, DA SÚMULA 652/STF – DOUTRINA – RECURSO DE 
AGRAVOIMPROVIDO.(ADPF 249 AgR, Relator(a): Min. CELSO DE MELLO, 
Tribunal Pleno, julgado em 13/08/2014, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-168 
DIVULG 29-08-2014 PUBLIC 01-09-2014) 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
BARROSO, Luís Roberto. O Controle de Constitucionalidade no Direito 
Brasileiro. 4ª ed. Rio de Janeiro, Saraiva, 2009. 
CUNHA, Leonardo José Carneiro da. A Fazenda Pública em Juízo. 16ª ed. São 
Paulo, Forense, 2016. 
LENZA, Pedro. Direito Constitucional Esquematizado. 12ª ed. São Paulo, 
Saraiva, 2008. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 71 
JURISDIÇÃO 
TÉCNICO JUDICIÁRIO - TJDFT - CESPE - 2015 
Quando não havia um Estado organizado, a solução dos conflitos se dava pela 
atuação dos próprios interessados: a força vencia a disputa. No entanto, com 
a consolidação do Estado, atribuiu-se ao Poder Judiciário, imparcial, a função 
de aplicar a lei na busca da pacificação social. Assim, a jurisdição garantiu ao 
Estado a legitimidade para agir em nome do interesse público e, ao 
jurisdicionado, a segurança jurídica para prosperar. Considerando o texto 
acima, de caráter unicamente motivador, redija um texto dissertativo acerca 
da jurisdição. Seu texto deve incluir, necessariamente, 1- o conceito de 
jurisdição; [valor: 10,00 pontos] 2- exposição fundamentada das modalidades 
de resolução dos conflitos: autotutela, autocomposição e heterocomposição; 
[valor: 14,00 pontos] 3- comentários sobre os princípios inerentes à jurisdição: 
investidura, territorialidade, indelegabilidade, inevitabilidade, inafastabilidade 
e juiz natural. [valor: 14,00 pontos] (QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM 
O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Sobre a primeira indagação, o conceito de jurisdição deve ser 
engendrado em conformidade com seus caracteres básicos assumidos pelo 
respectivo Poder Constituinte. Assim, pode-se se dizer que a jurisdição retrata 
a função estatal de realizar o Direito, manifestada processualmente e de 
forma imperativa, através de um órgão independente e imparcial, em prol da 
pacificação social. 
 A palavra jurisdição vem do latim juris e dicere, traduzindo o 
pode /de e à deà dize à oà di eito .à Pode à oà se tidoà deà afi aç oà daà
auto idadeàestatalà deà esol e à o flitos;à de e ,à o oà i pli aç oàdoàdi eitoà
de ação garantido constitucionalmente, impondo a atuação do Judiciário, num 
prazo razoável (art. 5º, LXXVIII, da CRFB). 
 O conceito de jurisdição deve ser redimensionado para guardar 
compatibilidade com o pensamento jurídico contemporâneo, em que a lei não 
vale mais por si, porquanto depende da sua adequação ao texto magno (art. 
1º do CPC). Nessa linha, atribuem-se outros contornos, mais dinâmicos e 
construtivos à atuação do julgador. 
 Sobre a segunda indagação, a jurisdição é monopolizada pelo Poder 
Estatal, mas não é obrigatória. Existem soluções alternativas de controvérsias, 
também conhecidas como alternative dispute resolution (ADR), contrapondo-
se à solução pela jurisdição estatal. Os equivalentes jurisdicionais são formas 
de solução de conflitos sociais sem que haja a participação do Estado-juiz, 
fundados na autonomia da vontade e na liberdade de contratar. Dentre eles: 
i àaàautotutela,àouà justiçaàpelasàp p iasà os ,à à edada pelo ordenamento 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 72 
jurídico, exceto em hipóteses específicas; (ii) a autocomposição, que ocorre 
quando uma das partes aceita abrir mão de parcela ou de todo o seu interesse 
em favor da parte contrária, sendo estimulada fora de juízo ou no curso do 
processo judicial (art. 3º, § 3º, do CPC); (iii) a mediação, que constitui a 
atividade técnica exercida por terceiro imparcial sem poder decisório que, 
escolhido ou aceito pelas partes, as auxilia e estimula a identificar ou 
desenvolver soluções consensuais para a controvérsia (art. 1º, § único, da Lei 
nº 13.140/2015), algo que ganha relevância na nova lei processual (arts. 165, 
§ 3º; e 334 do CPC); e (iv) a arbitragem (Lei nº 9.307/1996), que tem por base 
uma convenção celebrada entre as partes, anteriormente (cláusula 
compromissória) ou posteriormente (compromisso arbitral) ao litígio, que as 
sujeita ao procedimento arbitral e aos efeitos da decisão proferida pelo 
árbitro, que são semelhantes aos efeitos da sentença judicial. 
 Sobre a terceira indagação, são princípios inerentes à jurisdição: (i) 
investidura, no sentido de que só exerce jurisdição quem ocupa o cargo de juiz, 
por ato oficial e legítimo (art. 93, I, da CRFB) e que esteja no efetivo exercício 
deste cargo; (ii) territorialidade, que é a aderência da jurisdição ao território, 
no sentido de que cada órgão jurisdicional está acessível e disponível dentro 
de sua área geográfica (art. 42 do CPC); (iii) indelegabilidade, o que significa 
que os órgãos que podem exercer a função jurisdicional são única e 
exclusivamente aqueles que a Constituição cria e autoriza, nos limites ali 
assinalados, de modo que é vedado que haja alguma forma de delegação 
contrária às disposições constitucionais; (iv) inevitabilidade, no sentido de que 
é ilegítima a recusa à atividade jurisdicional, ou seja, deixar de prestar a 
jurisdição com a alegação de lacuna ou obscuridade do ordenamento jurídico 
(art. 140 do CPC); (v) inafastabilidade, que denota a proteção judiciária ou 
princípio do acesso à justiça, garantia constitucional (art. 5º, XXXV, da CRFB); 
e (vi) juiz natural, em reverência a impessoalidade da jurisdição, extraindo-se 
a ideia é de que os processos devem tramitar perante um órgão julgador pré-
constituído constitucionalmente (art. 5º, XXXVII e LIII, da CRFB). Juiz natural é 
aquele previsto abstratamente, e não para o caso concreto. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
CÂMARA, Alexandre Freitas. O novo processo civil brasileiro. 1ª Ed. São Paulo: 
Atlas, 2015. 
HARTMANN, Rodolfo Kronemberg. Curso Completo de Processo Civil. 3ª Ed. 2ª 
Tiragem. Niterói: Impetus, 2016. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
- Gabarito: Segundo lecionam Cintra, Grinover e Dinamarco, a jurisdição é 
u aàdasà fu ç esàdoàEstado,à edia teàaà ualà esteà seà su stituià aosà titula esà
dos interesses em conflito para, imparcialmente, buscar a pacificação do 
o flitoà ueà osà e ol e,à o à justiça .à E à out asà pala as,à aà ju isdiç oà
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 73 
consiste no poder conferido ao Estado, por meio de seus representantes, de 
atuar no caso concreto, de forma imparcial, para que o conflito estabelecido 
seja solucionado. 1Antônio Carlos de Araújo Cintra, Ada Pellegrini Grinover e 
Cândido Rangel Dinamarco. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros, 
19.ª ed., 2003, p. 131. Os métodos de solução de conflitos classificam-se em 
três grupos: autotutela, autocomposição e heterocomposição. A autotutela 
ocorre quando o próprio sujeito busca afirmar, unilateralmente, seu interesse, 
impondo-o à parte contestante e à própria comunidade que o cerca. O Código 
Civil prevê casos excepcionais em que a autotutela pode ser empregada, quais 
sejam, legítima defesa (art. 188, inciso I, do Código Civil) e desforço imediato 
no esbulho (art. 1.210, § 1.º, do Código Civil). A autocomposição, por sua vez, 
ocorre quando o conflito é solucionado pelas partes, sem a intervenção de 
outros agentes no processo de pacificação da controvérsia. As modalidades de 
autocomposição são as seguintes: renúncia, aceitação (resignação/submissão) 
e a transação. A heterocomposição ocorre quando o conflito é solucionado 
através da intervenção de um agente exterior à relação conflituosa original, 
ou seja, em vez de isoladamente ajustarem a solução de sua controvérsia, as 
partes submetem a terceiro seu conflito em busca de solução. São 
modalidades de heterocomposição: jurisdição, arbitragem, mediação e 
conciliação. São princípios inerentes à jurisdição: investidura,territorialidade, 
indelegabilidade, inevitabilidade, inafastabilidade e juiz natural. princípio da 
investidura: necessidade da pessoa que exercerá a jurisdição estar 
regularmente investida no cargo de juiz e em pleno exercício, de acordo com o 
que prescreve a lei; princípio da territorialidade: a jurisdição é exercida em um 
dado território; princípio da indelegabilidade: a competência atribuída a um 
órgão jurisdicional para analisar uma demanda não poderá ser delegada a 
outro; princípio da inevitabilidade: as partes devem se submeter à decisão do 
órgão jurisdicional; princípio da inafastabilidade: não se pode excluir da 
apreciação do Poder Judiciário nenhuma lesão ou ameaça de direito; princípio 
do juiz natural: deve haver regras objetivas de competência jurisdicional, 
garantindo-se a independência e a imparcialidade do órgão julgador. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 74 
JURISPRUDÊNCIAS E SÚMULAS 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Com a entrada em vigor do novo CPC (Lei n° 13.105/2015) restou estabelecido 
que a jurisprudência deve se manter estável, íntegra e coerente, bem foi 
fixado um rol de decisões que devem obrigatoriamente ser observadas pelos 
juízes e Tribunais. Considerando o caráter vinculativo atribuído a estas 
espécies de decisões, explique como identificar um precedente judicial e de 
que forma é possível afastar sua incidência. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Os precedentes judiciais representam um dos grandes nortes da 
codificação adjetiva, uma vez que buscam garantir a uniformidade das 
decisões judiciais, atendendo, de uma só vez, três direitos fundamentais: a 
isonomia, a celeridade e a segurança jurídica. 
A isonomia decorre do combate à heterogeneidade das decisões 
proferidas em diferentes demandas que versam sobre a mesma questão 
jurídica. De fato, considerando-se que podem existir demandas cujos 
indivíduos encontram-se numa mesma situação fática e jurídica, elas devem 
ser julgadas de forma igual, sob pena de injustiças ou, no mínimo, de criar-se 
um sentimento de descrédito em relação ao Poder Judiciário. Ademais, a 
padronização decisória também, em tese, torna estes mais céleres, pois o 
julgador já conhece de antemão a tese jurídica a ser aplicada ao caso. 
Finalmente, a segurança jurídica é verificada através da previsibilidade do 
desfecho de julgados acerca de questões idênticas (ou até mesmo 
semelhantes), exatamente como no caso da padronização decisória. 
Adiante, deve-se atentar para os elementos que auxiliam na 
identificação dos precedentes. Naturalmente, a moldura fática é essencial 
para delimitar o raio de ação das chamadas ações idênticas. Na prática, 
apresentam diversos pontos em comum, mas não são exatamente idênticas 
no sentido processual (já que, se assim o fossem, seriam consideradas, 
conforme o caso, já propostas – com litispendência – ou já julgadas – com 
coisa julgada). 
Além disso, faz-se necessário analisar quais são os fundamentos 
jurídicos que levaram à decisão judicial e que servirão de norte para a futura 
aplicação do precedente. Os fundamentos principais são denominados de 
atioà de ide di :à asà az esà ueà dete i a a à aà o duç oà doà desfe hoà doà
processo em uma ou outra direção. A par deles, devem ser afastados os 
argumentos que, embora constantes do julgamento do precedente, não foram 
o side adosài e it eisàpa aàseuàdesfe ho,àosà ha adosà o te àdi tu . 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 75 
Finalmente, os precedentes podem ser afastados em duas situações. A 
p i ei aà àde o i adaà disti guishi g ,à a a te iza do-se pela não-aplicação 
do precedente a um determinado caso concreto em virtude da existência de 
diferenças na moldura fática do caso em relação àquela que deu origem ao 
p e ede teào igi io.àE àsegu doàluga ,àh àoà o e uli g ,à ueà àaàsupe aç oà
doà p e ede teà at a sà daà e is oà daà teseà fixadaà o oà atioà de ide di , 
deixando de aplicá-lo aos casos presentes e futuros. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
A identificação de um precedente depende da comparação entre o caso a ser 
decidido e o caso utilizado como padrão decisório anterior (precedente). Além 
da necessária similitude dos aspectos fáticos entre os casos, deve ser 
comparada a ratio decidendi e o obter dictum do precedente. A ratio 
decidendi é o fundamento jurídico (tese/razão de direito) imprescindível para 
justificar a causalidade jurídica entre o fato e a decisão proferida, sendo ela o 
elemento vinculante que servirá como padrão decisório. A ratio decidendi 
(holding) não abrange toda a fundamentação do julgado. Os obter dicta, por 
sua vez, são argumentos que embasam raciocínios que, mesmo relevantes 
para a compreensão do julgamento, não são imprescindíveis para 
fundamentar a decisão. As hipóteses de afastamento do precedente são a 
distinção (distinguishing) e a superação (overruling). Na distinção faz-se um 
exame do plano interno das decisões, verificando se há similitude entre a 
relação material a ser decidida e também a adequação entre as rationes 
decidindi utilizadas nas decisões. Na superação há um exame no plano 
externo, pelo qual o precedente é afastado quando não possuir mais 
conformidade com a realidade social atual ou quando se tornou inconsistente 
em razão de sua superação por uma nova ordem jurídica ou por outra decisão 
judicial posterior com caráter vinculante. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Por que o art. 926, §2º, do Código de P o essoàCivilà [a]oàedita àe u iadosà
de súmula, os tribunais devem ater-se às circunstâncias fáticas dos 
p e ede tesà ueà otiva a àsuaà iaç o àp eo upa-se com a necessidade de 
os enunciados de súmulas dos tribunais atentarem-se às circunstâncias fáticas 
dos precedentes? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 As súmulas são enunciados claros e objetivos, elaborados por tribunais 
em virtude de reiterada jurisprudência acerca de determinado tema. Após 
uma série de decisões proferidas em segundo grau e, logicamente, em um 
mesmo sentido, o tribunal poderá editar um enunciado para orientar e 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 76 
vincular as suas decisões futuras e, em alguns casos, as dos órgãos 
jurisdicionais de graus inferiores. 
Elas sempre representaram uma das formas mais sutis de 
verticalização dos precedentes. Sua função primordial não era a de determinar 
que as instâncias inferiores obrigatoriamente seguissem seu enunciado; 
contudo, servia de orientação para a interpretação do tema e a elaboração de 
decisões. 
Porém, o advento do atual CPC conferiu-lhes um caráter menos 
indicativo e mais vinculante, especialmente por conta do disposto no art. 332. 
O mencionado dispositivo determina que o processo deverá ser julgado 
liminarmente improcedente quando o pedido formulado na inicial contrariar, 
dentre outros: a) enunciado de súmula do STF ou do STJ; b) enunciado de 
súmula de tribunal de justiça sobre direito local. Nessas hipóteses, portanto, o 
feito deverá ser extinto liminarmente, com resolução de mérito, tendo em 
vista a existência de súmula, o que reforça o novo papel vinculante desse 
instrumento editado pelos tribunais. 
Tendo isso em mente, revela-se de suma importância a regra contida 
no art. 926, §2º do CPC, que enfatiza a necessidade de os tribunais se aterem 
às circunstâncias fática dos precedentes que deram origem à edição da 
súmula. Com efeito, a determinação dos contornos fáticos do precedente 
propicia a correta aplicação aos chamados casos idênticos, como são 
consideradas as ações não só com a mesma tese jurídica, mas, também, com 
os mesmos pontos de fato em comum. Logicamente, não necessariamente se 
estará diante de questões absolutamente idênticas, mas com um grau elevado 
de semelhança, sob pena de se aplicar erroneamentea súmula. 
áde ais,à assi à à possí elà ealiza à oà ha adoà disti guishi g à ouà
distinção/diferenciação entre os precedentes e os paradigmas): enumerar os 
elementos fáticos diferentes entre os casos analisados, a fim de se poder 
especificar se a súmula será aplicada ou não a cada processo. Isso tudo 
permite dar coerência ao sistema, uma vez que sua finalidade é tratar casos 
iguais de maneira idêntica, e casos diferentes de maneira diferente, em 
atenção aos princípios da isonomia e da segurança jurídica. Vê-se, portanto, 
que é de suma importância a disposição contida no art. 926, §2º do CPC. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Ao exigir que as súmulas retratem as circunstâncias fáticas do caso, quer o 
Código de Processo Civil permitir a aproximação entre as súmulas e os 
precedentes. A partir da identificação dos fatos, é possível tratar os casos 
iguais de forma igual e os casos diferentes de forma diferente. Nesta última 
hip tese,à oà disti guishi g àouàdisti ç oà se veàpa aàde o st a à ueà oàh à
similaridade ou analogia entre o precedente e o caso em julgamento, o que se 
dá pela comparação entre os fatos materiais identificados pelos juízes. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 77 
 
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-ARACAJU/SE – 2007 - CESPE 
Redija um texto dissertativo acerca do incidente de uniformização de 
jurisprudência, abordando, necessariamente, os pressupostos para a 
instauração, a legitimidade ativa e a eficácia vinculativa da decisão. (QUESTÃO 
ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 De acordo com o CPC de 1973, o incidente de uniformização de 
jurisprudência objetivava conferir uniformidade à interpretação do direito no 
âmbito de um mesmo tribunal, de forma a evitar o descrédito e o ceticismo 
dos jurisdicionados quanto à seriedade da prestação jurisdicional. Além disso, 
ajudava a impedir que o destino dos litigantes ficasse ao sabor da distribuição 
do feito a um ou outro órgão fracionário da corte. 
 Ocorria uma verdadeira cisão no julgamento, pois o plenário teria a 
função de definir a tese jurídica a ser aplicada, enquanto que o órgão 
fracionário de origem julgaria o caso concreto que fez nascer a controvérsia 
levada ao pleno. Com o retorno do acórdão que fixou a interpretação dada 
pelo colegiado maior ao órgão fracionário, este apreciaria as questões de fato 
relativas à satisfação, pelo particular, dos requisitos legais para o gozo do 
direito (verificação da pertinência da alegação de direito subjetivo). Nota-se 
que no incidente de uniformização ocorria vinculação do órgão fracionário à 
interpretação conferida pelo tribunal pleno. 
 Em relação à legitimidade, além de quaisquer dos julgadores com 
assento no tribunal, poderia a parte, ao arrazoar o recurso, ou em petição 
avulsa, requerer que fosse instaurado o incidente de uniformização, conforme 
art. 476 do CPC de 1973. Havia doutrina que defendia que o Ministério Público 
poderia suscitar o referido incidente, tendo em vista sua atuação como fiscal 
da lei. Destaque-se que o requerimento de instauração do incidente não 
vinculava o magistrado ou o órgão fracionário a promovê-lo, sendo, conforme 
entendimento prevalente, mera faculdade conferida ao magistrado, que 
discricionariamente aceitaria ou não a sua instauração. 
 Já o atual CPC defende, em seu art. 926, que os tribunais devem 
uniformizar sua jurisprudência e mantê-la estável, íntegra e coerente. Com 
isso, não são mais aceitáveis as divergências internas sobre questões jurídicas 
idênticas, como se cada juiz, desembargador ou turma julgadora não fizesse 
parte de um sistema. 
 Uniformizar não é a mera edição de súmulas, mas a referência aos 
fatos dos precedentes que formaram a sua criação, conforme dispõe o art. 
926, §§1º e 2º, do CPC atual. A estabilidade correlaciona-se ao dever de 
respeito aos precedentes já firmados e a necessidade de fundamentação 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 78 
adequada para a sua distinção e/ou superação. Para isso, o novo CPC possui 
dois importantes institutos: o Incidente de Assunção de Competência – IAC 
(art. 947) e o Incidente de Resolução de Demandas Repetitivas – IRDR (arts. 
976/987). 
 O IAC aduz que, estando em julgamento uma relevante questão de 
direito, com grande repercussão social e sem múltipla repetição, poderá o 
relator do recurso, da remessa necessária ou do processo de competência 
originária propor a assunção de competência para julgá-lo por órgão 
colegiado que o regimento interno do tribunal deverá indicar. O escopo do IAC 
é prevenir ou dirimir controvérsia a respeito de determinada matéria, 
vinculando os membros do tribunal e os juízes a ele submetidos (através da 
publicação do respectivo acórdão). 
 Contudo, se a questão apresentar múltipla repetição, o IRDR é o 
instituto adequado, pois ele tem por meta a proteção da isonomia e da 
segurança jurídica. Os legitimados para instaurar o IRDR são: juiz ou relator, 
por ofício; partes, por petição; Ministério Público ou Defensoria Pública, 
também por petição. Basta direcionar o pedido ao presidente do tribunal e 
apresentar prova documental da existência da multiplicação de demandas, 
com a mesma questão de direito, indicando o risco à isonomia e à segurança 
jurídica, consoante o art. 977 do novo CPC. 
 O julgamento do IRDR será aplicado, com viés de obrigatoriedade, a 
todos os processos individuais ou coletivos que versem sobre a tese decidida e 
que tramitem na área de jurisdição do respectivo tribunal (abrange também 
os juizados especiais). A tese jurídica fixada deve ser aplicada aos casos 
futuros que tratem da idêntica questão de direito e que venham a tramitar no 
território de competência do tribunal, exceto se houver a revisão da 
orientação firmada no incidente. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil – 
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 79 
MANDADO DE SEGURANÇA 
ADVOGADO - HEMOCENTRO - 2017 - IADES 
Leia, com atenção, o texto a seguir. O Estado cresceu desmedidamente e 
consolidou o reinado da burocracia onipotente, anônima e incontrolável. Em 
todos os países, em maior ou menor percentagem, a vida econômica passou a 
ser controlada, direta ou indiretamente, pelo poder público, que jamais, na 
história do mundo, atuou em setores tão diversos e com tanta intensidade. A 
hipertrofia do Estado fez com que se reconhecesse a inadiável necessidade de 
remédios específicos de direito público que pudessem evitar ou corrigir, com 
rapidez e eficiência, os atos distorcivos da administração, prevenindo ou 
desfazendo ilegalidades e impedindo abusos e os desvios de poder, sob 
qualquer forma. Com o decorrer do tempo, reconheceu-se que as garantias 
individuais não podiam ser asseguradas por simples proclamações platônicas, 
devendo, ao contrário, ser amparadas por adequados remédios jurídicos. 
Verificou-se, outrossim, que as técnicas tradicionais do direito privado não 
tinham a necessária eficiência para restabelecer o equilíbrio nos conflitos 
entre o Estado e o indivíduo. Assim, o mandado de segurança e a ação 
popular surgiram como instrumentos de maior densidade, capazes, pela 
natureza especial do respectivo procedimento, de permitir que o Poder 
Judiciário arbitrasse, em tempo hábil e sem tardança, os litígios entre o 
particular e a administração. WALD, Arnoldo. O mandado de segurança e o 
Estado de Direito. In: Revista de informação legislativa, v. 16, n. 63, 1979. p. 
89-100, jul./set., com adaptações. Considerando que o texto apresentado tem 
caráter meramente motivador, redija um texto dissertativo e (ou) descritivo 
acerca do mandado de segurança individual. Aborde, necessariamente, os 
seguintes tópicos: a) mandadode segurança individual: conceito e natureza 
jurídica; b) tutela de urgência liminar: requisitos; c) possibilidade, ou não, de 
deferimento de pedido liminar por órgão jurisdicional absolutamente 
competente, à luz do novo Código de Processo Civil: a figura da translatio 
iudicii. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O mandado de segurança individual, que se revela como instrumento 
jurídico processual colocado à disposição do jurisdicionado para proteger 
direito subjetivo, líquido e certo, manietado ou ameaçado de lesão por ato de 
autoridade com múnus público, cujo amparo não se possa dar por meio de 
habeas corpus ou habeas data, independentemente da categoria a que 
pertença o agente público coator. 
Segundo o entendimento majoritário, a natureza jurídica do mandado 
de segurança é de ação constitucional, de natureza cível, com rito sumário e 
especial, que tem por finalidade a invalidação de atos de autoridade ou a 
supressão de efeitos de omissões administrativas capazes de lesar direito 
líquido e certo. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 80 
Em relação à liminar em mandado de segurança, cuja base normativa 
encontra-se no artigo 7º, inciso III da Lei 12.016/2009, segundo qual ela 
poderá ser deferida quando houver fundamento relevante e do ato 
impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja finalmente 
deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou depósito, 
com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. Em suma, são 
pressupostos para a concessão da medida liminar o fumus boni iuris 
(plausibilidade do direito) e o periculum in mora (risco de dano grave). 
A competência jurisdicional para a apreciação do mandado de 
segurança decorre da lei ou da própria Constituição, e será definida em razão 
da hierarquia da autoridade pública ou da delegação conferida ao particular. 
Por fim, deve ser mantida a liminar deferida pelo juízo incompetente, 
até que sobrevenha decisão do órgão judicial competente a respeito da 
conservação, ou não, dos efeitos daquele decisum liminar inicialmente 
proferido. 
 
BIBLIOGRAFIA SUGERIDA: 
CUNHA JR, Dirley da. Curso de Direito Constitucional. 10ª. Ed, rev., ampl. e 
atual – Salvador. JusPODIVM, 2016. 
DIDIER JR., Fredie. Curso de Direito Processual Civil: parte geral e processo de 
conhecimento. 17ª. ed., Salvador, JusPODIVM, 2015. 
 
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/GOIANIA-GO – 2016 – CESPE 
Os servidores da Secretaria de Educação do Município X deflagraram greve 
por tempo indeterminado, reivindicando, entre outras pautas, o reajuste 
salarial da categoria. Após dois meses de total paralisação do serviço 
educacional municipal, o Poder Executivo local determinou o corte do 
pagamento dos salários dos grevistas. O sindicato que representa os 
servidores obteve medida liminar, em mandado de segurança coletivo, para 
impedir a municipalidade de realizar o desconto salarial daqueles servidores. 
O Município pretende sustar a eficácia da decisão liminar, mediante pedido 
de suspensão de segurança. Diante de tal quadro, elabore um texto sobre a 
suspensão de segurança em mandado de segurança, abordando os seguintes 
aspectos: (A) Previsão legal (B) Natureza jurídica do pedido de suspensão (C) 
Legitimidade para o ajuizamento (D) Competência para apreciar o pedido de 
suspensão. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 81 
A suspensão de segurança no mandado de segurança está prevista no 
art. 15 da Lei n° 12.016/09, tendo por objetivo, nos termos da legislação, 
conferir efeito suspensivo à execução de provimento liminar ou de sentença, 
nos casos de manifesto interesse público, para evitar grave lesão à ordem, à 
saúde, à segurança e à economia pública. 
Existem posicionamentos na doutrina e na jurisprudência que atribuem 
à suspensão de segurança natureza administrativa, política ou recursal. 
Ocorre, entretanto, que o pedido de suspensão não se encontra previsto em lei 
como recurso, sendo incapaz de gerar a reforma, anulação ou desconstituição 
da decisão suspensa, faltando-lhe o efeito substitutivo. Ele também não 
provoca atividade administrativa ou política, possuindo, então, a natureza 
jurídica de incidente processual, com finalidade de contracautela, destinada a 
tornar ineficaz a decisão que possa lesar interesses públicos relevantes. 
Quanto à legitimidade, o pedido de suspensão pode ser intentado pela 
União, Estados, Distrito Federal, Municípios, Autarquias e Fundações Públicas, 
enfim, todos aqueles que integram o conceito de Fazenda Pública. 
A competência para apreciar o pedido de suspensão é do presidente do 
tribunal que teria competência para julgar o recurso contra a decisão 
concessiva do provimento liminar, antecipatório ou final de mérito. Caso o 
provimento liminar ou antecipatório seja concedido originariamente pelo 
tribunal, o pedido de suspensão deverá ser intentado junto ao Presidente do 
Superior Tribunal de Justiça ou ao Presidente do Supremo Tribunal Federal, a 
depender do fundamento infraconstitucional ou constitucional da causa. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil – 
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016. 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO - STJ - SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA - 2018 – CESPE 
 Para defender os interesses de seus associados, determinada associação 
impetrou mandado de segurança coletivo no STJ contra um ministro de 
Estado. Ao prestar informações no referido mandamus, o ministro indicou e 
comprovou que o seu inferior hierárquico e subordinado imediato foi o 
responsável pela prática do ato administrativo contestado, porém defendeu o 
mérito do ato praticado. Considerando essa situação hipotética, faça o que se 
pede a seguir, à luz da jurisprudência do STJ. 1 Disserte sobre a aplicabilidade 
da teoria da encampação ao presente caso. [valor: 13,00 pontos] 2 Apresente 
os requisitos para a aplicação da teoria da encampação em mandado de 
segurança. [valor: 12,00 pontos] 3 Esclareça se é necessária autorização 
expressa e específica de cada associado para que a associação aja em juízo em 
nome de todos eles. Justifique a sua resposta. [valor: 13,00 pontos] 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 82 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A teoria da encampação aduz que uma autoridade administrativa não 
apontada como coatora pode prestar as informações em relação a uma outra 
autoridade administrativa de menor hierarquia. Porém, existem alguns 
critérios para que a teoria da encampação possa ser aplicada. 
 O primeiro critério é a existência de vínculo hierárquico entre a 
autoridade apontada como coatora e a que seria legitimada para estar no 
polo passivo. O segundo critério é que, ao se verificar quem seja a autoridade 
legitimada, não ocorra mudança de competência constitucionalmente prevista 
e, como terceiro critério, que a autoridade realmente legítima adentre no 
mérito do assunto debatido em juízo. 
 Mandados de segurança contra atos de ministro são processados e 
julgados no STJ, de forma que a autoridade hierarquicamente inferior não 
detém foro especial, ou seja, no caso narrado no enunciado não há como 
aplicar a teoria da encampação. Embora a questão não mencione, é possível 
deduzir que a autoridade tida como coatora não possui foro 
constitucionalmente previsto, ou seja, o mandado de segurança seria 
processado e julgado no juízo comum de primeiro grau se o ministro de estado 
não fosse o legitimado. 
 No que tange à autorização expressa e específica de cada associado, 
verifica-se que as associações, regra geral, dependem de autorização expressa 
para defender seus associados em juízo. Isso ocorre pelo fato de tais entidades 
agirem por representação, e não por substituição processual. No entanto, 
existe exceção quantoà atuação por meio de mandado de segurança coletivo, 
já que, em relação a esse remédio constitucional, não se demanda a 
autorização expressa e específica dos associados, haja vista estar configurada 
a substituição processual, ainda que a pretensão deduzida beneficie apenas 
parte de seus membros, consoante a Súmula 629 do STF. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
1- Aplicação da teoria da encampação Inaplicável a teoria ao caso porque, 
apesar de existir vínculo hierárquico entre a autoridade apontada no 
mandamus e aquela que seria legitimada a figurar no polo passivo e, ainda, de 
ter havido defesa sobre o mérito do ato, a competência constitucionalmente 
prevista será modificada. Nesse contexto, como não praticou o ato, que 
inclusive não era de sua competência, o ministro de Estado não possui 
legitimidade para figurar no polo passivo do presente mandamus, o que, por 
consequência, afasta a legitimidade do STJ para a análise do feito, porquanto 
não compete originariamente ao STJ o julgamento de mandato de segurança 
contra autoridade ministerial de hierarquia inferior a ministro de Estado. 2 
Requisitos para o preenchimento da referida teoria Para que a teoria da 
encampação seja aplicável ao MS, é mister o preenchimento dos seguintes 
requisitos: a) existência de vínculo hierárquico entre a autoridade que prestou 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 83 
informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; b) ausência de 
modificação de competência estabelecida na CF/1988; e c) manifestação a 
respeito do mérito nas informações prestadas. 3 Necessidade de autorização 
expressa para agir em juízo em nome dos associados As associações, em 
regra, dependem de autorização expressa para defender seus associados em 
juízo, pois essas entidades atuam por representação, não por substituição 
processual. No entanto, existe exceção quanto à atuação por meio de 
mandado de segurança coletivo. Isso porque, quanto a esse remédio 
constitucional, não é necessária a autorização expressa e específica dos 
associados, haja vista estar configurada a substituição processual, ainda que a 
pretensão deduzida beneficie apenas parte de seus membros. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
MORAES, Alexandre. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas, 2017, p. 180; e 
FERNANDES, Bernardo Gonçalves. Curso de Direito Constitucional. Salvador: 
JusPODIVM,à ,à p.à à eà :à Teo iaà daà e a paç o:à o aà seà o o eà aà
indicação como autoridade coatora de uma autoridade hierarquicamente 
superior àquela que seria realmente a autoridade coatora responsável pelo 
ato (dentro da pessoa jurídica na qual ambas estão vinculadas), será 
desnecessária a correção da irregularidade, se o agente trazido a lide assume 
aàdefesaàdoàatoài pug ado. à p.à à/à ái daàso eàaàlegitimidade, é mister 
ressaltar que o STF não exige a autorização expressa dos membros da 
entidade para impetração do mandamus. Nesse sentido, a determinação de 
autorização expressa (...) não se aplica no mandado de segurança coletivo 
(hipótese de substituição processual). Aliás, não é outra a dicção contida na 
“ú ulaà .à àdoà“TF:à aà i pet aç oàdoà a dadoàdeàsegu a çaà oletivoàpo à
e tidadeàdeà lasseàe àfavo àdeàasso iadosài depe deàdeàauto izaç oàdestes . à
(p. 616). 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
“ ... 1. São três os requisitos para aplicação da teoria da encampação no 
mandado de segurança: existência de vínculo hierárquico entre a autoridade 
que prestou informações e a que ordenou a prática do ato impugnado; 
ausência de modificação de competência estabelecida na Constituição 
Federal; e manifestação a respeito do mérito nas informações prestadas. 
Precedente da Primeira Seção: MS 10.484/DF, Rel. Min. José Delgado. 
(...)Precedente da Primeira Seção do STJ: MS 12.779/DF, Rel. Ministro Castro 
Meira, Primeira Seção, julgadoàe à . . ,àDJeà . . 
 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AL – 2009 - CESPE 
Redija um texto dissertativo acerca do mandado de segurança individual, 
abordando, necessariamente, os seguintes aspectos: 1- pressupostos para a 
concessão da medida liminar; 2- sentença concessiva: natureza jurídica 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 84 
(classificação); 3- suspensão da execução da medida liminar ou de sentença 
concessiva. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Mandado de segurança é a ação civil de rito sumaríssimo pela qual 
qualquer pessoa física ou jurídica pode provocar o controle jurisdicional 
quando sofrer lesão ou ameaça de lesão a direito líquido e certo, não 
amparado por habeas corpus ou habeas data, em decorrência de ato de 
autoridade praticado com ilegalidade ou abuso de poder. 
Inegavelmente, constitui expressivo pilar de enfrentamento 
relativamente aos atos estatais, de qualquer natureza, assim considerados de 
forma genérica aqueles provenientes de órgãos e pessoas do próprio Estado, 
bem como aqueles oriundos de pessoas privadas no desempenho da função 
pública por delegação. 
Está previsto no art. 5º, LXIX da CRFB e disciplinado pela Lei nº 
12.016/09, a qual dispõe expressamente acerca dos requisitos para concessão 
de medidas liminares. Nesse contexto, o art. 7º, III da Lei do Mandado de 
Segurança aduz que o juiz ordenará, ao despachar a petição inicial, que se 
suspenda o ato que deu motivo ao pedido, quando houver fundamento 
relevante e do ato impugnado puder resultar a ineficácia da medida, caso seja 
finalmente deferida, sendo facultado exigir do impetrante caução, fiança ou 
depósito com o objetivo de assegurar o ressarcimento à pessoa jurídica. 
Esses elementos legais valem como condições para a concessão da 
medida liminar, isto é, antes da oitiva da parte contrária. Em suma, exige-se a 
demonstração de que o pedido tenha plausibilidade jurídica, ou seja, 
fundamento razoável e presumidamente verídico (fumus boni iuris) e, por fim, 
que a demora na solução final pode não assegurar o direito do impetrante 
(periculum in mora), o que violaria o princípio da efetividade do processo. 
No que tange à sentença concessiva da segurança, tem-se que esta é 
de natureza eminentemente mandamental, pois contém uma ordem dirigida à 
autoridade coatora consubstanciada numa obrigação de fazer ou não fazer. 
Adotando-se a classificação ternária das ações, conclui-se que a natureza da 
sentença concessiva da segurança é condenatória, visto que obriga o réu ao 
cumprimento de determinada prestação. Além das ações condenatórias, a 
classificação ternária inclui as ações constitutivas e as meramente 
declaratórias. 
Por outro lado, a teoria quinária, além de admitir a existência das 
ações constitutivas e das meramente declaratórias, subdivide as ações de 
prestação em três espécies: a primeira, de natureza mandamental, 
corresponde aos casos em que a pretensão deduzida em juízo se caracteriza 
por uma obrigação de fazer ou não fazer. A segunda, de natureza 
condenatória, envolve prestações pecuniárias, ao passo que as últimas, de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 85 
natureza executiva em sentido amplo, correspondem a prestações para 
entrega de coisa. Nessa toada, a sentença concessiva da segurança possuiria 
natureza mandamental. 
Finalmente, no que diz respeito ao pedido de suspensão, cumpre frisar, 
inicialmente, que se trata de um incidente processual, conforme doutrina 
majoritária, sendo o referido instituto típico de direito processual público, ou 
seja, está previsto e é destinado exclusivamente ao ente público. Não 
obstante, o Ministério Público também possui legitimidade para apresentar o 
pedido de suspensão. A jurisprudência admite, ainda, o manuseio do instituto 
pelas concessionárias de serviço público, desde que para tutelar interesse 
público primário. 
No âmbito do mandado de segurança, o art. 15 da Lei nº 12.016/09 
delineia os contornos do instituto,do qual podemos extrair como principais 
características: a medida liminar e a sentença podem ser suspensas; deve 
haver requerimento da pessoa jurídica de direito público interessada ou do 
MP; tem como escopo evitar grave lesão à ordem, à saúde, à segurança e à 
economia pública; e é dirigida ao presidente do tribunal competente para 
conhecer do respectivo recurso. 
Além dos atributos conferidos pela lei, insta salientar o teor da Súmula 
nº 626 do STF, segundo a qual a suspensão da liminar em mandado de 
segurança, salvo determinação em contrário da decisão que a deferir, vigorará 
até o trânsito em julgado da decisão definitiva de concessão da segurança ou, 
havendo recurso, até a sua manutenção pelo STF, desde que o objeto da 
liminar deferida coincida, total ou parcialmente, com o da impetração. Vê-se, 
pois, que, via de regra, a suspensão da liminar ou da sentença de concessão 
vigorará até o trânsito em julgado da demanda. 
Por fim, digna de nota a previsão constante no art. 15, §3º da Lei nº 
12.016/09, que preconiza que a interposição de agravo de instrumento contra 
liminar concedida nas ações movidas contra o Poder Público e seus agentes 
não prejudica e nem condiciona o julgamento do pedido de suspensão. Mesmo 
que interposto o agravo de instrumento contra a concessão de liminar, pode 
ser feito o pedido de suspensão previsto no caput do mesmo dispositivo. 
Ressalte-se que o pedido de suspensão não está regulado de forma 
sistemática no ordenamento jurídico brasileiro, sendo previsto em diversas leis 
esparsas, tais como a Lei de Ação Civil Pública, a Lei nº 8.437/92, que 
disciplina a concessão de medidas cautelares contra o Poder Público, e a Lei do 
Habeas Data. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
(...) A pessoa física ou jurídica de direito privado, salvo as exceções 
consagradas na jurisprudência (concessionárias de serviço público na defesa 
do interesse público), não tem legitimidade para interpor recurso contra a 
decisão que, mesmo em juízo de reconsideração, indefere o pedido de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 86 
suspensão formulado pelo ente público, sob pena de subverter o instituto da 
suspensão. Agravo regimental improvido. (STJ, AgRg nos EDcl no AgRg na SLS 
1044 DF , rel. min. Cesar Asfor Rocha, julgamento em 16/06/2010, Corte 
Especial, DJ de 03/08/2010). 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
BARROS, Guilherme Freire de Melo. Poder Público em Juízo para Concursos. 
5. ed. São Paulo: JusPodivm, 2015. 
CARVALHO FILHO, José dos Santos. Manual de direito administrativo. 27. ed. 
São Paulo: Atlas, 2014. 
DI PIETRO, Maria Sylvia Zanella. Direito Administrativo. 27. ed. São Paulo: 
Atlas, 2014. 
 
ANALISTA JUDICIÁRIO – TJCE – 2014 – CESPE 
Lúcio, diagnosticado com artrite reumatoide, necessita de medicamento de 
valor elevado e não possui condições financeiras de suportar o ônus para 
custear o tratamento, sob pena de colocar em risco o próprio sustento e o de 
sua família. Ao tentar obtê-lo gratuitamente na rede pública de saúde, Lúcio 
teve seu pedido negado pelo secretário estadual de saúde. Ato contínuo, ele 
procurou, para defender seus interesses em juízo, um advogado que optou 
por impetrar um mandado de segurança contra o ministro da saúde para 
garantir o acesso aos serviços de saúde, já que se trata da autoridade 
competente para providenciar a correção da conduta que violou o direito do 
impetrante, pois, na condição de gestor federal do Sistema único de Saúde, é 
este quem pode determinar a aquisição do medicamento. Com base na 
situação hipotética apresentada, discorra sobre o mandado de segurança, 
respondendo aos seguintes questionamentos. 1- O remédio constitucional 
impetrado pelo advogado de Lúcio mostra-se capaz de resguardar o direito à 
saúde para que a referida autoridade coatora seja compelida a fornecer o 
medicamento? [valor: 5,00 pontos] 2- A autoridade coatora é somente aquela 
que praticou o ato, isto é, negou o fornecimento da medicação? [valor: 8,00 
pontos] 3- Qual é o juízo competente para apreciar mandado de segurança 
contra o ato da autoridade coatora em questão? [valor: 6,00] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 áà C‘FB,à osà a tigosà º,à aput,à ∕ à ,à ele aà aà saúdeà o oà di eitoà
fundamental social de todos os cidadãos, sendo dever inescusável do Estado, 
cuja regulamentação deu-se de maneira mais detalhada nos artigos 197 e 
seguintes. Além disso, convém destacar que o texto constitucional previu (art. 
23) como competência comum da União, Estados, Municípios e Distrito 
Federal cuidar da saúde e assistência públicas, deferindo aos referidos entes 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 87 
políticos competência concorrente para legislarem sobre a matéria de 
proteção e defesa da saúde (art. 24). 
 Dentro desse contexto, há controvérsia acerca do cabimento do 
mandado de segurança. Importante aduzir que o STF fixou a responsabilidade 
solidária de todos os entes federativos para o cumprimento dessa obrigação 
constitucional. 
 Quanto à legitimidade passiva, infere-se do relato fático que foi o 
Secretário Estadual que indeferiu o pedido de concessão da medicação, não 
tendo o Ministro da Saúde sequer tomado conhecimento do fato. Não 
obstante, cumpre registrar que a autoridade federal não teria competência 
para fazer injunções no âmbito estadual. Assim, temos que a parte indicada é 
ilegítima, pois, de acordo com a jurisprudência do STJ, a autoridade coatora, 
para fins de impetração de Mandado de Segurança, é aquela que pratica ou 
ordena, de forma concreta e específica, o ato ilegal; ou, ainda, que detém 
competência para corrigir a suposta ilegalidade. Ademais, contrariar a 
presunção de que o Ministro não sabia do fato reclama produção probatória, 
o que é incabível no mandado de segurança. 
 Em relação à corrente que aduz pelo não cabimento do mandado de 
segurança, o uso dele como técnica de sumarização do processo deve ser 
harmonizado com os demais direitos e garantias assegurados na CRFB. Neste 
aspecto, a restrição à dilação probatória, embora tenha como fim dinamizar o 
tempo do processo, somente é cabível quando seja realmente desnecessária a 
realização de outros meios de prova para que seja proferida decisão segura a 
respeito dos fatos. Isso porque, a garantia do acesso à justiça pressupõe uma 
decisão não apenas célere, mas também justa, que represente com a maior 
exatidão possível os fatos como ocorridos. 
 O Estado possui a prerrogativa e a competência para traçar políticas 
públicas de atendimento à saúde da população, no que se insere a definição 
dos medicamentos a serem fornecidos gratuitamente. Por sua vez, o cidadão 
tem o direito a receber o tratamento necessário e adequado à sua moléstia. 
Esse direito não é absoluto, sob pena de colocar em risco ou inviabilizar o 
acesso universal e igualitário da população ao serviço público de saúde. 
 É preciso verificar quais questões de fato devem ser dirimidas para se 
solucionar a lide, tendo em vista os fundamentos apresentados pelo 
impetrante (ou por ambas as partes, a depender do momento da decisão) e, 
ainda, as provas existentes nos autos. Se, na maioria das vezes, o mandado de 
segurança se revela inadequado, isso não implica vedar sua utilização para 
todas as hipóteses. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
BARROS, Guilherme Freire de Melo. Poder Público em Juízo para Concursos. 
5. ed. São Paulo: JusPodivm, 2015. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 88 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
O mandado de segurança se enquadra nas hipóteses de tutela jurisdicional 
diferenciada? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Inicialmente, é importante definir o que se entende por tutela 
jurisdicional diferenciada. Ela pode ser compreendida como sendo a proteção 
concedida em via jurisdicional mediante meiosprocessuais particularmente 
ágeis e com fundamento em uma cognição sumá ia.à Oà o eà tutelaà
ju isdi io alàdife e iada àde o eàpeloàfatoàdeàseà o t apo àaoàp o edi e toà
ordinário, reunindo vários procedimentos que são estruturados mediante 
peculiaridades de certas categorias de situações que demandam um 
processamento diferenciado para que ocorra efetivamente justiça em um 
tempo adequado. 
 Nessa senda, o mandado de segurança efetivamente é uma espécie de 
tutela jurisdicional diferenciada, pois além de sua previsão estar bem 
explicitada no texto constitucional e em uma norma específica, com 
peculiaridades próprias, em tese o seu processamento não segue as mesmas 
formalidades do procedimento ordinário. Depreende-se, por exemplo, que a 
CRFB é bem detalhista na competência do mandado de segurança, a depender 
da autoridade coatora, bem como que a Lei nº 12.016/09 aponta vedações e 
permissões próprias para esse tipo de ação, que não são necessariamente 
similares para uma ação ordinária, por exemplo. 
 Talvez, o maior exemplo envolva o fato de que inexiste uma fase de 
produção de provas durante o processamento do mandado de segurança, 
situação que é plenamente viável em uma demanda ordinária. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 89 
MANDADO DE INJUNÇÃO 
DELEGADO DE POLÍCIA - PCGO - 2013 – UEG 
A violação de normas constitucionais pelo poder público pode ocorrer por 
omissão. A Constituição Federal prevê instrumentos para garantir a própria 
supremacia, na ocorrência desses casos. Esses instrumentos, apesar de 
aparentemente semelhantes, possuem características distintas. A partir de 
uma análise comparativa desses instrumentos, apresente-os, identificando as 
diferenças entre eles quanto ao objeto, à legitimidade de partes e aos efeitos 
da decisão. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O descumprimento das normas constitucionais pelo poder público pode 
se dar por omissão. Para assegurar a supremacia constitucional, o art. 5º, 
LXXI, da Constituição Federal, previu a concessão de mandado de injunção 
sempre que a falta de norma regulamentadora tornar inviável o exercício dos 
direitos e liberdades constitucionais e das prerrogativas inerentes à 
nacionalidade, à soberania e à cidadania. 
Trata-se de um instrumento de defesa de direitos subjetivos em face de 
omissão do poder regulatório, na qualidade de controle difuso-concreto de 
constitucionalidade. Para além desse instrumento, a Constituição Federal 
instituiu, no art. 103, § 2°, um sistema de controle abstrato da omissão do 
ente legiferante, pela Ação Direta de Inconstitucionalidade por omissão. 
Tanto o mandado de injunção quanto a ação direta de 
inconstitucionalidade por omissão são cabíveis na omissão inconstitucional do 
Poder Público, que não atua na conformidade da exigência da norma 
constitucional, cuja aplicabilidade depende da vontade integradora de seus 
comandos. 
No que diz respeito ao objeto, o mandado de injunção quer dar 
concretude ao direito abstrato previsto na norma constitucional, enquanto a 
ação direta de inconstitucionalidade por omissão visa a dar ciência ao poder 
competente de sua inércia, para que tome as providências necessárias, e em 
se tratando de órgão administrativo, que o faça em trinta dias (art. 103, § 2°). 
No que diz respeito à legitimidade ativa, o mandado de injunção pode 
ser impetrado por qualquer pessoa física ou jurídica, titular de direito 
constitucionalmente assegurado que tenha o seu exercício impedido por 
ausência de norma regulamentadora. 
O mandado de injunção coletivo pode ser impetrado por partido 
político com representação no Congresso Nacional, organização sindical, 
entidade de classe ou associação constituída e em funcionamento há pelo 
menos um ano, em defesa dos interesses de seus membros ou associados, 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 90 
aplicando-se por analogia o disposto no art. 5°, LXX, da Constituição Federal 
referente ao Mandado de Segurança coletivo. 
Enquanto a legitimidade ativa no mandado de injunção é aberta, a 
legitimidade ativa para propor Ação Direta de Inconstitucionalidade por 
omissão é fechada, e está indicada nos incisos I a IX do artigo 103 da 
Constituição Federal. 
Quanto aos efeitos, a decisão proferida no mandado de injunção não 
transcende os seus sujeitos, enquanto a decisão na Ação Direta de 
Inconstitucionalidade por Omissão, por esta ser instrumento de controle de 
constitucionalidade abstrata, tem eficácia erga omnes. 
 
 
DEFENSORIA PÚBLICA ESTADUAL – DPE/PA - 2015 – FMP 
 "A jurisprudência do Supremo Tribunal Federal firmou-se no sentido de 
admitir a utilização, pelos organismos sindicais e pelas entidades de classe, do 
mandado de injunção coletivo, com a finalidade de viabilizar, em favor dos 
membros ou associados dessas instituições, o exercício de direitos 
assegu adosàpelaàCo stituiç o.àP e ede tesàeàdout i a à MIà /DF,à‘elato àoà
Ministro Celso de Mello, Plenário, DJ de 22/11/96). Tendo em consideração o 
excerto de julgado do Supremo Tribunal Federal que resume o entendimento 
daquela Corte acerca do tema, responda fundamentadamente a questão 
analisando a possibilidade de impetração de mandado de injunção coletivo 
pela Defensoria Pública Estadual e, em caso afirmativo, em que circunstâncias 
tal providência teria cabimento e qual seria o órgão com competência para 
julgar tal demanda. 
 SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
É cabível o mandado de injunção coletivo (STF, MI 20, Relator Min. 
Celso de Mello), em conformidade com a jurisprudência do STF. 
Pode a Defensoria Pública Estadual ajuizar demanda dessa natureza na 
hipótese em que, ausente norma – seja por inexistência de lei, seja por 
inexistência de ato normativo – necessária e suficiente à viabilização do 
exercício de direito constitucionalmente previsto titulado por assistido da DP, 
tenha ele natureza de direito subjetivo de natureza coletiva ou difusa, em vista 
de tratar-se, no caso, de ação coletiva nos termos do art. 5º da Lei da Ação 
Civil Pública para cuja propositura está a DP legitimada. 
A Defensoria Pública Estadual poderá ajuizar MI coletivo junto ao 
Tribunal de Justiça do Estado na hipótese da inexistência de norma municipal 
ou estadual inviabilizar o exercício de um dos direitos elencados no art. 5º, 
LXXI da Constituição Federal, ou na Constituição Estadual, em razão do ente 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 91 
responsável pela elaboração da norma faltante tratar-se de autoridade 
estadual. 
O ajuizamento do MI coletivo pela DPE poderá se dar perante o STF 
(CF, art. 102, I, q) ou o STJ (CF, art. 105, I, h), ou, ainda, o TRE (CF, art. 121, § 
4º, V), a depender de quem seja o responsável pela edição da norma faltante, 
mas, sempre, perante o segundo grau. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 92 
TUTELAS 
PROCURADOR - PGM/PORTO ALEGRE/RS – 2017 - FUNDATEC 
Uma das principais inovações do Código de Processo Civil de 2015 foi 
sistematizar as tutelas provisórias através de um tratamento distinto do 
Código de Processo Civil de 1973. Acerca do relevante papel das tutelas 
provisórias no direito brasileiro, elabore um texto que compreenda, 
necessariamente, as respostas para as seguintes perguntas: A) Quais os 
fundamentos constitucionais da tutela provisória? B) Quais os requisitos para 
a concessão da tutela provisória de urgência? C) Há diferença na concessão da 
tutela provisória quando a parte adversa é a Fazenda Pública? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Dentre as mais relevantes inovações do Novo Código de Processo Civil 
encontra-se a nova sistematização das tutelas provisórias, ora presentes no 
Li oà Và daà Pa teà Ge alà doà odex .à Deà a ei aà ge al,à us a à
efetivar/concretizartutelas que se baseiam em um mero juízo de 
probabilidade, ao invés do juízo de certeza presente na cognição exauriente, 
típico do nosso ordenamento. 
 Tendo isso em mente, fica bem mais simples inferir que a tutela 
provisória apresenta três fundamentos constitucionais: a) razoável duração do 
processo (art. 5º, LXXVIII) - segundo o qual o processo deve se desenvolver 
numa duração adequada e sem maiores delongas, evitando que o tempo do 
processo venha a ser um inimigo das partes; b) devido processo legal (art. 5º, 
LIV) - que prega a necessidade de se observar todas as regras pertinentes ao 
caso, a fim de que o processo tenha uma isonomia entre seus litigantes; e c) 
acesso à justiça (art. 5º, XXXV) - expõe que a tutela deve ser prestada e da 
maneira eficaz para o interesse da parte que a requer. 
 Adiante, é importante notar que a tutela provisória no novo CPC pode 
ser de duas espécies: a tutela de evidência, focada mais na alta probabilidade 
de êxito da demanda proposta; e a tutela de urgência, focada precipuamente 
no grave dano que o tempo levado para o ordinário desenrolar do processo 
pode iaàp o o a .àNoà ueàta geà àtutelaàdeàu g ia,àoàa t.à ,à aput ,àdoà
CPC, enuncia dois de requisitos: a) a probabilidade do direito alegado; b) o 
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. O terceiro requisito 
encontra-se no art. 300, §3º, do CPC: c) a reversibilidade dos efeitos do 
pronunciamento judicial. 
 No entanto, nenhum direito é absoluto, nem mesmo o que rege o 
sistema de tutelas de urgência. Diz-se isso porque um dos motivos de sua 
mitigação refere-se justamente às causas em que é ré a Fazenda Pública, que 
é administradora e curadora do interesse público em juízo. Nesses casos, 
logicamente não se pode adotar um pensamento simplista, sempre tendo em 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 93 
conta que é toda a sociedade que se encontra diante da demanda proposta, 
mesmo que ela contenha um requerimento de tutela de urgência. 
 Para tais casos, nosso ordenamento autoriza que a Fazenda disponha 
de certas prerrogativas para melhor defender o interesse público. Por 
exemplo, pode-se se citar a existência de legislação extravagante que ainda 
permanece em vigor (Lei nº 8.437/92), que tem como um de seus 
instrumentos a suspensão de liminar em mandado de segurança (dirigida ao 
Presidente do Tribunal). 
 Portanto, é claro que a tutela de urgência é um instrumento útil e 
necessário à gestão dos processos judiciais. Contudo, deve se adequar 
também a outros direitos extremamente importante, como aqueles 
patrocinados pela Fazenda Pública. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
ITEM 1 2 pontos – Utilizou a estrutura correta para uma dissertação 
(introdução, desenvolvimento e conclusão); 1 ponto – Utilizou parcialmente a 
estrutura de uma dissertação; 0 pontos – Não utilizou a estrutura para uma 
dissertação. 2,0 ITEM 2 2 pontos – Utilizou as terminologias técnicas, 
conceitos jurídicos, corretamente; 1 ponto – Utilizou parcialmente as 
terminologias técnicas; 0 pontos – Não utilizou as terminologias técnicas 
corretamente. 2,0 ITEM 3 A tutela jurisdicional contemporânea busca 
equacionar os valores efetividade e tempo mediante técnicas processuais que 
permitam a fruição e proteção dos bens jurídicos em conflito. Nesse sentido, a 
tutela provisória desponta como mecanismo idôneo ao cumprimento dos 
desígnios constitucionais. Nem poderia ser diferente, já que ela própria 
encontra respaldo nos direitos fundamentais da CF/88. Nesse sentido, 
destaca-se que a razoável duração do processo, o devido processo legal e, 
fundamentalmente, o acesso à justiça são fundamentos da tutela provisória. 
Com efeito, sem uma tutela tempestiva e efetiva, apta a modificar os efeitos 
negativos do tempo do processo, a função jurisdicional seria, em muitos 
casos, inútil. 5 pontos - Citou os três fundamentos; 4 pontos – Citou apenas 
dois fundamentos; 3 pontos – Citou apenas um fundamento; 1 ponto – 
Discorreu, porém não citou corretamente todos os fundamentos; 0 pontos – 
Discorreu, porém, os fundamentos citados não estão corretos. 5,0 ITEM 4 
Como a regra, porém, é a entrega do objeto do processo somente após 
cognição exauriente e amplo contraditório, a lei processual estabelece certos 
requisitos para a concessão da tutela provisória. Aliás, pelo NCPC, a tutela 
provisória poderá estar fundada em alta probabilidade (evidência) ou situação 
de perigo (urgência). Quanto à tutela de urgência, a sua concessão depende 
de três requisitos: probabilidade do direito alegado; perigo de dano ou risco 
ao resultado útil do processo; reversibilidade dos efeitos do pronunciamento 
judicial. 4 pontos – Citou os três requisitos; 3 pontos – Citou apenas dois 
requisitos; 2 pontos – Citou apenas um requisito; 1 ponto – Discorreu, porém 
não citou corretamente todos os requisitos; 0 pontos – Discorreu, porém, os 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 94 
requisitos citados não estão corretos. ITEM 5 O legislador, porém, não 
desconsiderou a situação diferenciada da Fazenda Pública quando se trata de 
redistribuição do ônus do tempo do processo. Nessa linha, a concessão de 
tutela provisória em face da Fazenda Pública não observa exatamente o 
mesmo regime jurídico dos demais sujeitos. O próprio diploma processual 
aponta que deverão ser observadas certas particularidades previstas na 
legislação extravagante, como, por exemplo, a existência de hipóteses em que 
não é possível a concessão da tutela provisória e, ainda, a autorização para 
que se empregue remédio jurídico específico (o pedido de suspensão de 
segurança). Conclui-se que o NCPC não desconsiderou a relevância de prestar 
a tutela jurisdicional de forma célere e efetiva, inclusive com a possibilidade 
de conceder ou proteger de forma antecipada o bem da vida em litígio. 3 
pontos – Compreende que há diferença na concessão da tutela provisória e 
utiliza os argumentos corretos para essa afirmação; 2 pontos – Compreende 
que há diferença na concessão da tutela provisória, mas não utiliza os 
argumentos corretos para essa afirmação; 1 ponto – Não compreende que há 
diferença na concessão da tutela provisória, mas cria argumentos para tal 
fato; 0 pontos – Não compreende que há diferença na concessão da tutela 
provisória e não utiliza os argumentos. 
 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/MS – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Em respeito à segurança jurídica, as decisões judiciais são dotadas de algum 
grau de estabilidade. Diante disto, explique o instituto da estabilização da 
Tutela Antecipada Antecedente (art. 304 do CPC) e justifique se há ou não 
coisa julgada material neste caso. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 As decisões judiciais, por regra, devem ser dotadas de estabilidade 
para prestigiar a segurança jurídica. Com efeito, de nada adiantaria um 
comando estatal que pudesse ser alterado a qualquer momento (pela mesma 
autoridade que a proferiu ou por outra de mesma hierarquia). 
Em virtude disso, decorrem outros conceitos como a chamada coisa 
julgada.à áà esà iudi ata à epresenta a imutabilidade dos efeitos de uma 
determinada sentença em virtude do esgotamento de todas as instâncias 
possíveis, ou em virtude do transcurso do tempo para poder impugná-la. Diz-
se que a coisa julgada é meramente formal quando só apresenta efeitos 
imutáveis dentro do próprio processo em que foi proferida (aproximando-se, 
quase que totalmente, da preclusão). Por outro lado, denomina-se de coisa 
julgada material a imutabilidade de efeitos para além de seu processo, 
impedindo que a mesma questão seja sequer reapreciada posteriormente. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 95 
Como se pode inferir, apenas determinadas decisões podem ser 
alcançadas pelo manto da coisa julgada material. Em primeiro lugar, asdecisões interlocutórias, por regra, só são abarcadas pela coisa julgada 
formal. Em segundo lugar, mesmo as sentenças nem sempre fazem coisa 
julgada material, pois elas dependem de uma cognição exauriente (ou plena) 
para serem formadas. 
Para se entender melhor essa lógica, convém enunciar as espécies de 
cognição. Segundo a doutrina, existem três graus de cognição em nosso 
ordenamento adjetivo, variando conforme a profundidade com a qual o juiz 
examinou as questões postas para julgamento: a) exauriente ou plena: 
presente na maioria dos processos de conhecimento, uma vez que a instrução 
probatória é completa e exaustiva antes de se chegar à fase decisória; b) 
sumária: presente nas decisões que concedem liminares em processos de 
conhecimento e de procedimento comum (uma vez que demandam instrução 
probatória menos robusta que as sentenças de mérito), bem como nas ações 
cautelares, que serviam à instrumentalização ou preparação de outros 
processos (sem, portanto, demandar uma fase probatória exaustiva quanto ao 
direito material); e c) superficial ou rarefeita: presente nas decisões liminares 
em processos cautelares, tendo em vista que demandam ainda menos provas 
do que o grau anterior. 
A tutela antecipada antecedente, que passou a ser prevista no art. 303 
do Código de Processo Civil, deve ser requerida em demanda cujo pedido 
limita-se à tutela da urgência, sem prejuízo de posteriormente a parte vir 
ajuizar a demanda principal, mediante o aditamento da petição que requereu 
a tutela antecedente. Note-se, assim, que seu objeto está circunscrito a um 
objeto específico e limitado, o que certamente impactará em sua instrução e, 
também, em sua cognição. 
Portanto, pode-se inferir que a cognição presente na decisão que 
concede a tutela antecipada antecedente assemelha-se bastante à da tutela 
cautelar. Não se vislumbra a possibilidade de formação da coisa julgada 
material neste caso, já que se trata de cognição sumária, ao invés de 
exauriente. Corroborando tal entendimento, o art. 304, §6º, do CPC determina 
expressamente que tal decisão não será abrangida pela coisa julgada material 
(podendo, inclusive, ser revista, desde que dentro do prazo previsto no mesmo 
artigo). 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
O instituto da estabilização da tutela provisória de urgência antecipada 
antecedente fixa uma forma de perenização dos efeitos materiais desta tutela 
satisfativa concedida de modo antecedente, resolvendo, com isto, a crise da 
relação jurídica material sem a necessidade do julgamento de mérito. Esta 
estabilização da tutela antecipada se dá mediante o uso da técnica de 
monitorização genérica, pela qual em cognição sumária uma decisão não 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 96 
impugnada torna-se estável, produzindo a permanência de seus efeitos 
mesmo após a extinção do procedimento antecedente. Contudo esta decisão 
estabilizada não faz coisa julgada material, posto que gerada a partir de um 
juízo de mera cognição sumária, enquanto para a formação da coisa julgada 
material exige-se um juízo de cognição exauriente sobre o mérito da causa. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Discorra sobre a técnica da tutela provisória e as hipóteses legais de aplicação 
do instituto do Código de Processo Civil. Em sua resposta, aponte qual é o 
fundamento geral da tutela provisória, diferencie tutela de urgência de tutela 
de evidência, diferencie tutela antecipada de cautelar e explique os 
fundamentos específicos de cada uma das hipóteses legais do Código de 
Processo Civil. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Uma relevante inovação do Novo Código de Processo Civil é a 
minuciosa disciplina conferida à tutela provisória, ora presente em seu Livro V 
(arts. 294 e seguintes). De maneira geral, busca efetivar/concretizar tutelas 
que se baseiam em um mero juízo de probabilidade (sumário, portanto), ao 
invés do juízo de certeza presente na cognição exauriente, típico do nosso 
ordenamento. 
 Tendo isso em mente, fica bem mais simples inferir que a tutela 
provisória apresenta três fundamentos, todos de ordem constitucional: a) 
razoável duração do processo (art. 5º, LXXVIII): o processo deve se desenvolver 
numa duração adequada e sem maiores delongas, evitando que o tempo do 
processo venha a ser um inimigo das partes; b) devido processo legal (art. 5º, 
LIV): devem-se observar todas as regras pertinentes ao caso, a fim de que o 
processo tenha uma isonomia entre seus litigantes; e c) acesso à justiça (art. 
5º, XXXV): a tutela deve ser prestada e da maneira eficaz para o interesse da 
parte que a requer. 
 Nesse prisma, é importante notar que a tutela provisória no novo CPC 
pode ser de duas espécies: a tutela de evidência (art. 311), focada mais na alta 
probabilidade de êxito da demanda proposta; e a tutela de urgência, focada 
precipuamente no grave dano que o tempo levado para o ordinário desenrolar 
do processo poderia provocar. No que tange à tutela de urgência, o art. 300, 
aput ,àdoàCPCàe u iaàdoisà e uisitos:àaàp o a ilidadeàdoàdi eitoàalegadoàe o 
perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo. O terceiro requisito 
encontra-se no art. 300, §3º, do CPC, e se trata da reversibilidade dos efeitos 
do pronunciamento judicial. 
Apesar de se assemelhar bastante à tutela cautelar, com ela não se 
confunde. Presente desde o Código de 1973, a tutela cautelar tem por 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 97 
finalidade garantir um outro processo (ainda que com requisitos semelhantes, 
tal como verificado no art. 305), ao invés do próprio direito material. Por essa 
razão, costuma-se dizer que sua instrumentalidade é qualificada (ou seja: é 
um instrumento para garantir outro instrumento, que, por sua vez, garantirá o 
direito material). 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
A técnica antecipatória tem por função distribuir de forma isonômica o ônus 
do tempo no processo. Essa distribuição pode ocorrer seja pela urgência 
(perigo de dano ou perigo de ilícito) ou em face da evidência do direito posto 
em juízo. O que é comum a todas essas hipóteses é, justamente, o 
equacionamento do tempo no processo. Nesse âmbito é que o Código de 
Processo Civil de 2015 propõe que a tutela provisória pode fundamentar-se em 
urgência ou evidência (art. 294). A técnica antecipatória pode prestar tutela 
satisfativa ou cautelar em face da urgência (art. 300). Nessa linha, visa 
realizar ou acautelar um direito diante do perigo de tardança da tutela 
jurisdicional final. O perigo de ilícito pode ser prevenido ou reprimido 
mediante tutela satisfativa antecipada. O perigo de dano pode ser reprimido 
mediante tutela satisfativa antecipada ou reprimido mediante tutela cautelar 
antecipada. Por probabilidade do direito deve-se compreender que o 
legislador determina uma análise com base em cognição sumária. A 
sumariedade é caracterizada pela incompletude material da cognição da 
causa e não se confunde, aqui, com a sumariedade procedimental, que pode 
abreviar o processo. Ainda, a técnica antecipatória pode ser prestada em face 
da evidência do direito postulado em juízo – sem perigo, portanto (art. 311). 
 
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM/CAMPINAS-SP – 2016 - FCC 
Sobre tutela inibitória em ações coletivas, aborde de forma fundamentada e 
objetiva, os seguintes tópicos: a. Conceito e fundamento jurídico. b. Relação 
entre tutela inibitória, dano e ilícito. c. Métodos de execução da tutela 
inibitória, exemplificando cada uma das espécies. (Elabore sua resposta 
definitiva em até 40 linhas). 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Denomina-se tutela inibitória a espécie de tutela condenatória que visa 
inibir determinada ação (reiteração ou prosseguimento) que implica em ato 
ilícito. Sua principal característica é a prescindibilidade de dano, já que o que 
se visa é exatamente não permitir que o ato ilícito se prolongueno tempo a 
ponto de desaguar em um dano ao interessado. 
 O combate de mera ameaça a direito está tutelado no art. 5º, XXXV, 
da CRFB, que expressamente prevê essa possibilidade. Igualmente, o art. 497, 
parágrafo único, do CPC também contém previsão expressa sobre a tutela 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 98 
inibitória, prestigiando essa modalidade de proteção a direitos (ou sua 
ameaça). 
O conceito de tutela inibitória exposto acima vai ao encontro da teoria 
geral da responsabilidade civil, que concebe perfeitamente a existência de ato 
ilícito sem dano. Com efeito, enquanto sua concepção clássica tratava 
cartesianamente da tríade conduta – nexo causal – dano como requisitos 
indispensáveis para a responsabilização por qualquer ato ilícito, a teoria 
evoluiu para a possibilidade de sua tutela mesmo sem algum desses 
elementos. Por exemplo, através da teoria do risco integral (onde há 
responsabilização mesmo sem conduta) ou, como no caso em tela, da tutela 
inibitória, onde necessariamente ainda não se está diante de um dano efetivo 
(busca-se exatamente evitar que ele não venha a ocorrer). 
Assim como toda tutela de fazer ou não fazer, há três modalidades de 
efetivação da tutela inibitória: a) coerção direta: baseada na busca direta pelo 
bem tutelado (por exemplo, com a paralisação de obra que pode vir a por em 
risco direito do interessado); b) coerção indireta: baseada na indução do 
devedor a manter inviolado o bem ou direito tutelado, sob pena de ser 
obrigado a ser condenado a ressarcir o credor de maneira bem mais 
desvantajosa aos seus interesses (por exemplo, com a cominação de multa em 
caso de descumprimento voluntário da tutela concedida); c) sub-rogação: 
baseada na efetivação do exato bem tutelado, mas por outrem que não o 
devedor (por exemplo, com a demolição de obra ilícita por um terceiro, cujo 
serviço será remunerado pelo devedor). 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
a. A tutela inibitória constitui modalidade de tutela jurisdicional preventiva, 
destinada, precipuamente, à inibição da prática, da continuidade ou da 
reiteração do ilícito. A tutela inibitória encontra fundamento constitucional no 
art. 5o, inciso XXXV, da Carta Política, que protege o acesso à justiça em caso 
de ameaça à direito. Além de previsão expressa no Código de Processo Civil de 
2015 (art. 497, Parágrafo Único), a tutela inibitória nas ações coletivas, de 
acordo com a doutrina prevalecente, já encontrava respaldo legal no art. 11 
da Lei de Ação Civil Pública e no art. 84 do Código de Defesa do Consumidor. 
b. Pode-se sintetizar a relação existente entre a tutela inibitória, dano e ilícito, 
a partir das seguintes premissas: b.1 ilícito não se confunde com dano, 
podendo haver ilícito sem dano; b.2 a tutela inibitória tem por pressuposto a 
conservação da integridade do direito e não a efetivação do dano em si; b.3 a 
tutela inibitória relaciona-se com o ilícito e não necessariamente com o dano, 
tendo por objetivo a prevenção do ilícito e não o ressarcimento do dano. c. 
Sobre as formas de execução da tutela inibitória, pode-se destacar as 
seguintes modalidades: c.1 coerção direta, consistente na promoção de 
medida que tutele o direito por atuação direta de auxiliar do juízo, garantindo 
a abstenção/descontinuidade/remoção do ilícito. Exemplo: a lacração de 
estabelecimentos ou, ainda, designação de administrador judicial; c.2 coerção 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 99 
indireta, consistente na adoção de medida de pressão que torne desvantajosa 
a prática ou continuidade do ilícito. Exemplo: a fixação de multa; c.3 sub-
rogação, consistente na substituição do réu por terceiro, garantindo a 
descontinuidade ou a remoção do ilícito. Exemplo: contratação de empresa 
para demolição de construção irregular em área particular que, por 
determinação judicial, deveria ser realizada pelo proprietário. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-MG - 2017 - MPE-MG 
 Tutela inibitória no processo coletivo: conceito, pressupostos, objetivos, 
relevância, fundamentos constitucionais e legais, diferenças em relação à 
tutela cautelar. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
É a tutela jurisdicional preventiva colocada à disposição da parte 
legitimada ao processo coletivo para evitar a prática, reiteração ou a 
continuação de um ilícito (entendido como a prática contrária ao direito), ou 
sua remoção (tutela de remoção do ilícito). 
Por meio de processo de conhecimento voltado para o futuro, exige do 
réu o cumprimento de uma obrigação de fazer (inibitória positiva) ou não 
fazer (inibitória negativa), sob pena de imputação de multa ou outras medidas 
necessárias que garantam o resultado prático equivalente à inibição do ato 
ilícito. 
Tem por pressupostos a probabilidade da prática de um ilícito, de sua 
repetição ou continuação. É irrelevante a demonstração da ocorrência de 
dano ou da existência de culpa ou dolo. 
Seus objetivos são impedir, de forma direta e principal, a violação do 
direito material, independentemente da ocorrência do dano (art. 497, 
parágrafo único do CPC de 2015), de modo a assegurar a efetividade da tutela 
jurisdicional por meio da implementação do direito fundamental à tutela 
preventiva, encerrada na expressão "ameaça a direito", contida no inciso 
XXXV do artigo 5º da Constituição Federal. 
A tutela inibitória no processo coletivo torna-se relevante diante 
possibilidade de que a prática, a continuação ou a repetição do ilícito 
repercuta sobre direitos e interesses massificados, com impactos sociais de 
grande magnitude. 
O ilícito pode eventualmente ser exteriorizado por meio de danos 
capazes de atingir grandes proporções, de difícil ou impossível reparação in 
natura, ou retorno ao statu quo. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 100 
Fundamentos constitucional e legal: artigo 5º, XXXV da Constituição 
Federal; artigos 83 e 84 do Código de Defesa do Consumidor (Lei n.º 
8.078/90), 213 do Estatuto da Criança e Adolescente (Lei n.º 8.069/90), 83 do 
Estatuto do Idoso (Lei n.º 10.741/03), 11 da Lei n.º 7.347/85, 497 do CPC/15. 
Diferenças em relação à tutela cautelar: embora a tutela cautelar seja 
também preventiva, é medida assecuratória e acessória, pois visa assegurar o 
resultado útil do processo (artigo 305 do CPC/2015). É instrumental e 
provisória. Pressupõe a existência de um perigo de dano iminente e um juízo 
de probabilidade do direito. Já a tutela inibitória é satisfativa, pois não se 
destina a garantir o efetivo resultado de um processo futuro, mas impor 
obrigação de fazer ou não fazer, a fim de evitar a prática, continuação ou 
repetição de um ilícito. Em regra a decisão faz coisa julgada. É principal e, em 
regra, definitiva (salvo quando concedida como medida antecipatória). 
Pressupõe demonstração da probabilidade de ocorrência de um ilícito. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Quais requisitos devem estar preenchidos para o deferimento do pedido de 
indisponibilidade de bens, previsto no artigo 7º da Lei nº 8.429/92? Esses 
requisitos, à luz da sistemática trazida pelo novo Código de Processo Civil, 
amoldam-se aos requisitos necessários à concessão de qual tipo de tutela 
provisória? A resposta deve estar em harmonia com o posicionamento 
consolidado do STJ. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A providência prevista no art. 7º da Lei nº 8.429/92, segundo a 
doutrina e a jurisprudência do STJ, é uma medida de natureza claramente 
cautelar, que se submete aos requisitos do poder geral de cautela. 
O deferimento da indisponibilidade de bens, antes de concluído o 
processo de apuração do ilícito, deve ser praticado na verificação criteriosa da 
sua necessidade, isto é, com a comprovação de que o indiciado se presta a 
alienar (ou a simular alienar) o seu patrimônio ou partedele, a onerar-se (ou a 
simular onerar-se) com dívidas súbitas ou extraordinárias, a transferir (ou 
tentar transferir) a titularidade ou o domínio de bens, além de outras 
iniciativas que denotem a intenção de desfazer-se de patrimônios ou frustrar 
ulteriores ressarcimentos de prejuízos. 
Essa espécie de tutela jurisdicional está na circunstância de fato que 
lhe serve de pressuposto: ela supõe a existência de uma situação de risco ou 
de embaraço à efetividade da jurisdição: risco de dano ao direito, risco de 
ineficácia da execução, obstáculos que o réu maliciosamente põe ao 
andamento normal do processo e assim por diante. A demonstração do 
periculum in mora, o outro requisito da tutela cautelar, até por se tratar de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 101 
requisito de natureza essencialmente factual, não se pode ter por configurada 
com a só aceitação da inicial, devendo ser demonstrado o fundado temor de 
desvio, danificação ou ocultação dos bens do acionado, a fim de gerar a 
convicção do juiz em torno do perigo efetivo de dano ao ente lesionado. 
O art. 7º da Lei nº 8.429/92 prevê como requisitos para o deferimento 
do pedido de indisponibilidade de bens: (i) o ato de improbidade deve causar 
lesão ao patrimônio público ou ensejar enriquecimento ilícito, (ii) a autoridade 
administrativa deverá representar ao Ministério Público para que proceda ao 
pedido de indisponibilidade, (iii) a indisponibilidade deverá recair sobre bens 
que assegurem o integral ressarcimento do dano, ou sobre o acréscimo 
patrimonial resultante do enriquecimento ilícito. 
O CPC de 2015 prevê duas modalidades de tutela provisória: a tutela 
de urgência (art. 300), que pode ser antecipada (art. 303 e seguintes) ou 
cautelar (art. 305 e seguintes); e a tutela de evidência (art. 311 e seguintes). 
Apenas a última modalidade dispensa a demonstração de perigo de dano ou 
risco ao resultado útil do processo pedido de indisponibilidade dos bens. 
Assim, considerando que o pedido de indisponibilidade de bens nos casos de 
improbidade com lesão ao patrimônio público não requer a demonstração do 
periculum in mora, mas apenas demonstração de probabilidade do direito, no 
entender do STJ, trata-se de tutela de evidência. 
Para o STJ, é possível a decretação da indisponibilidade de bens em 
ação de improbidade administrativa independentemente da demonstração do 
risco de dilapidação do patrimônio do demandado. Isso porque, na 
indisponibilidade prevista no art. 7º da Lei 8.429/92, não se vislumbra uma 
tutela de urgência, mas uma tutela de evidência, já que o "periculum in mora" 
não é oriundo da intenção do agente dilapidar seu patrimônio visando frustrar 
a reparação do dano, e, sim, da gravidade dos fatos e do montante do prejuízo 
causado ao erário, o que atinge toda a coletividade. Por ser uma tutela 
sumária fundada em evidência, a medida constritiva não possui caráter 
sancionador e nem antecipa a culpabilidade do agente, sendo reversível o 
provimento judicial que a deferir. Ressalte-se que a decretação da 
indisponibilidade de bens, mesmo sendo desnecessária a demonstração do 
"periculum in mora", não é medida automática, devendo ser adequadamente 
fundamentada pelo magistrado, sob pena de nulidade. 
Entretanto, há corrente no STJ que entende que a medida do art. 7º da 
Lei nº 8.429/92 seria tutela cautelar, e não tutela de evidência. Para esta 
corrente, o pedido cautelar lastreia-se em juízo de plausibilidade, e não de 
evidência, mormente quando a constrição abarca a totalidade dos bens do 
acionado e ainda pendente a demonstração da ocorrência do alegado dano e 
a sua extensão. Já a tutela de evidência assemelha-se àquela prestada na 
ação de Mandado de Segurança, na qual se pressupõe a defesa de um direito 
certo e incontestável, ou seja, suscetível de prova imediata e demonstração 
contundente. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 102 
A indisponibilidade dos bens, como medida assecuratória na ação de 
improbidade, não seria uma tutela de evidência, uma vez que esta é dotada de 
irrevogabilidade e definitividade, devendo estar calcada em provas. Cuida-se, 
para a segunda corrente, de medida acautelatória e provisória, fundamentada 
no fumus boni iuris e periculum in mora, e não em provas incontestáveis. 
Assim, diferentemente da tutela de urgência, na tutela de evidência, 
necessária a comprovação documental das alegações de fato, 
independentemente da demonstração de perigo da demora na prestação 
jurisdicional. 
No caso da ação de improbidade não haveria como se afirmar que a 
medida de indisponibilidade dos bens seja uma tutela de evidência, pois, além 
de não ser medida de caráter definitivo, não se admitiria a existência de prova 
documental incontestável a respeito do ato de improbidade. Isto porque, uma 
vez que, tratando-se de direito sancionador, imprescindível a investigação 
probatória, de modo que a responsabilidade do acusado não pode ser 
presumida: pelo contrário, o que se presume é a sua inocência. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
(...)2. Em questão está a exegese do art. 7º da Lei n. 8.429/1992 e a 
possibilidade de o juízo decretar, cautelarmente, a indisponibilidade de bens 
do demandado quando presentes fortes indícios de responsabilidade pela 
prática de ato ímprobo que cause dano ao Erário. (...) no comando do art. 7º 
da Lei 8.429/1992, verifica-se que a indisponibilidade dos bens é cabível 
quando o julgador entender presentes fortes indícios de responsabilidade na 
prática de ato de improbidade que cause dano ao Erário, estando o periculum 
in mora implícito no referido dispositivo, atendendo determinação contida no 
art. 37, § 4º, da Constituição, segundo a qual 'os atos de improbidade 
administrativa importarão a suspensão dos direitos políticos, a perda da 
função pública, a indisponibilidade dos bens e o ressarcimento ao erário, na 
forma e gradação previstas em lei, sem prejuízo da ação penal cabível'. O 
periculum in mora, em verdade, milita em favor da sociedade, representada 
pelo requerente da medida de bloqueio de bens, porquanto esta Corte 
Superior já apontou pelo entendimento segundo o qual, em casos de 
indisponibilidade patrimonial por imputação de conduta ímproba lesiva ao 
erário, esse requisito é implícito ao comando normativo do art. 7º da Lei n. 
8.429/92. Assim, a Lei de Improbidade Administrativa, diante dos velozes 
tráfegos, ocultamento ou dilapidação patrimoniais, possibilitados por 
instrumentos tecnológicos de comunicação de dados que tornaria irreversível 
o ressarcimento ao erário e devolução do produto do enriquecimento ilícito 
por prática de ato ímprobo, buscou dar efetividade à norma afastando o 
requisito da demonstração do periculum in mora (art. 823 do CPC), este, 
intrínseco a toda medida cautelar sumária (art. 789 do CPC), admitindo que 
tal requisito seja presumido à preambular garantia de recuperação do 
patrimônio do público, da coletividade, bem assim do acréscimo patrimonial 
ilegalmente auferido". (...) (REsp 1366721/BA, Rel. Ministro NAPOLEÃO 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 103 
NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro OG FERNANDES, PRIMEIRA 
SEÇÃO, julgado em 26/02/2014, DJe 19/09/2014) 
(...)4. A jurisprudência pacificada do Superior Tribunal de Justiça orienta no 
sentido de que, para a decretação da medida de indisponibilidade de bens em 
sede de improbidade administrativa, é necessária a demonstração de fumus 
boni iuris, sendo, por sua vez, o periculum in mora presumido na hipótese em 
concreto. (...) (AgInt no REsp 1668636/PR, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL 
MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 24/10/2017, DJe 30/10/2017) 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil – 
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM.2016. 
 
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/RO – 2009 - FMP 
Diferencie tutela inibitória de tutela cautelar abordando, necessariamente, as 
diferenças concernentes à finalidade e ao objeto de cada uma dessas 
proteções jurisdicionais. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Denomina-se tutela inibitória a espécie de tutela condenatória que 
busca inibir determinada ação (reiteração ou prosseguimento) que implica em 
ato ilícito. Sua principal característica é a prescindibilidade de dano, já que o 
que se visa é exatamente não permitir que o ato ilícito se prolongue no tempo 
a ponto de desaguar num dano ao interessado. 
 O combate de mera ameaça a direito está tutelado no art. 5º, XXXV, 
da CRFB, que expressamente prevê essa possibilidade. Igualmente, o art. 497, 
parágrafo único, do CPC também contém previsão expressa sobre a tutela 
inibitória, prestigiando essa modalidade de proteção a direitos (ou sua 
ameaça). 
O conceito de tutela inibitória exposto acima vai ao encontro da teoria 
geral da responsabilidade civil, que concebe perfeitamente a existência de ato 
ilícito sem dano. Com efeito, enquanto sua concepção clássica tratava 
cartesianamente da tríade conduta – nexo causal – dano como requisitos 
indispensáveis para a responsabilização por qualquer ato ilícito, a teoria 
evoluiu para a possibilidade de sua tutela mesmo sem algum desses 
elementos. Por exemplo, através da teoria do risco integral (onde há 
responsabilização mesmo sem conduta) ou, como no caso em tela, da tutela 
inibitória, onde necessariamente ainda não se está diante de um dano efetivo 
(busca-se exatamente evitar que ele não venha a ocorrer). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 104 
 Por sua vez, a tutela cautelar busca assegurar a fruição do direito à 
tutela reparatória, isto é, sua finalidade é assegurar a frutuosidade do direito 
à tutela reparatória. Logo, ela não é uma tutela preventiva, já que seu objeto, 
como dito, é a proteção à aparência do direito à tutela reparatória (direito à 
proteção contra um dano). 
A doutrina diverge quanto à conceituação da tutela cautelar. Nessa 
linha, é possível apontar a tutela cautelar como uma tutela temporária a um 
direito aparente ameaçado por um dano irreparável ou de difícil reparação ou 
como uma tutela que pretende resguardar a eficácia útil do processo principal. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil – 
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016. 
 
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJRS – 2016 - FAURGS 
O Novo Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) tentou concretizar, em 
diversos níveis, a concepção do processo como meio para obtenção da tutela 
adequada, efetiva e tempestiva dos direitos. Nesse sentido, houve uma 
importante alteração no que respeita à sistematização da tutela provisória, 
agora dividida em tutela de urgência e tutela da evidência. Ademais, o Novo 
Código de Processo Civil também disciplinou o julgamento antecipado parcial 
do mérito, detalhando os seus contornos gerais. Diante desse contexto, 
relacione a tutela da evidência e o julgamento antecipado parcial do mérito, 
destacando os seguintes aspectos em relação a cada um dos institutos em 
questão: A) o respectivo fundamento constitucional específico; B) a 
necessidade ou não do prévio contraditório; C) a profundidade da cognição 
judicial; D) a possibilidade ou não de revogação do provimento pelo órgão 
judicial que o concedeu. Adverte-se que as respostas devem ser 
fundamentadas, não se admitindo mera indicação de institutos, dispositivos 
legais e simples afirmação ou negação do enunciado. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O Código de Processo Civil, publicado em 2015, acabou sofrendo uma 
série de influências constitucionais para trazer novos institutos, preocupados 
especialmente com a gestão do tempo do processo (auxiliando, portanto, a 
desafogar o Poder Judiciário e permitindo o trâmite de diversos outros 
processos). Dentre esses institutos, podem ser destacados a tutela da 
evidência e o julgamento antecipado parcial de mérito. 
 A tutela da evidência tem seu regramento previsto no art. 311, que 
determina seu cabimento quando houver: a) abuso do direito de defesa; b) 
prova documental imediatamente produzida e tese fixada em recurso 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 105 
repetitivo ou súmula vinculante; c) ação reipersecutória com prova 
documental do contrato de depósito e do pagamento; d) petição inicial com 
prova documental cabal e sem oposição suficiente pelo réu. Seu fundamento 
constitucional reside no princípio da razoável duração do processo (art. 5º, 
LXXVIII). Consoante disposição expressa do art. 311, parágrafo único, do CPC, 
oà o t adit ioàpodeàse àp ioà asosàdeà a àeà d àouàdife idoà asosàdeà àeà
.à “uaà og iç oà à itida e teà su iaà ouà supe fi ial ,à u a vez que se 
trata de uma espécie de tutela de urgência que, por esse motivo, pode ser 
revogada a qualquer tempo. 
 Por sua vez, o julgamento antecipado parcial de mérito encontra-se 
previsto no art. 356 do CPC e tem aplicação quando: a) um dos pedidos 
revelar-se incontroverso; b) não houver necessidade de instrução probatória 
(notoriamente quando operarem os efeitos da revelia). Tal qual no caso 
acima, seu fundamento constitucional também é a razoável duração do 
processo (art. 5º, LXXVIII). Contudo, o contraditório necessariamente será 
prévio, tendo em vista que o julgamento antecipado parcial de mérito é 
proferido após ser oportunizada a possibilidade de defesa ao réu. Por resolver 
o mérito (ainda que parcialmente) do processo, sua cognição é exauriente (ou 
plena). Assim, por essa razão, não pode ser revogado pelo juiz, em virtude do 
disposto no art. 494 do CPC. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
QUESITO A - Fundamento constitucional específico (0,2 ponto) - Tutela da 
evidência: distribuição isonômica do ônus do tempo no processo (direitos 
fundamentais à duração razoável do processo – processo sem dilatações 
indevidas – e à isonomia) – CF, art. 5º, caput e inciso LXXVIII. - julgamento 
antecipado parcial do mérito: concretização do direito fundamental à duração 
razoável do processo (processo sem dilatações indevidas) – CF, art. 5º, inciso 
LXXVIII. QUESITO B - Contraditório (0,2 ponto) - tutela da evidência: 
contraditório pode ser prévio (NCPC, 311, I e IV) ou postergado (NCPC, 311, II 
e III), conforme previsão do art. 311, parágrafo único, do NCPC. - julgamento 
antecipado parcial do mérito: contraditório é prévio, pois esse julgamento 
deve ser realizado após o decurso do prazo para contestação. QUESITO C - 
Cognição judicial (0,2 ponto) - tutela da evidência: cognição sumária 
(superficial) - julgamento antecipado parcial do mérito: cognição exauriente 
(aprofundada) QUESITO D – Possibilidade de revogação (0,2 ponto) - tutela da 
evidência: revogável; a tutela é provisória e não há coisa julgada material; 
antecipam-se apenas efeitos práticos da futura decisão final. - julgamento 
antecipado parcial do mérito: irrevogável; a tutela é definitiva em relação à 
parte da demanda, havendo formação de coisa julgada material em relação a 
essa parte caso não se interponha recurso; antecipa-se parte do próprio 
julgamento final, ocorrendo o julgamento imediato de parcela da demanda, 
rompendo-se com o princípio da unidade da sentença. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 106 
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF4 – 2012 – TRF4 
Discorra sobre a antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional (art. 273 do 
CPC antigo) relativamente ao processo comum ordinário em 1º grau de 
jurisdição – Deverão ser abordadas as seguintes questões: 1- conceito de 
antecipação dos efeitos da tutela jurisdicional; 2- princípios constitucionais e 
processuais que a justificam; 3- sua distinção da tutela cautelar; 4- 
legitimidadepara requerê-la; 5- requisitos para sua concessão; 6- 
oportunidades em que ela pode ser concedida ou revogada; 7- recursos 
cabíveis da decisão que a defere ou indefere; 8- hipóteses em que seu 
deferimento é vedado por lei. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Inicialmente, cumpre ressaltar que uma das mais relevantes inovações 
do Novo Código de Processo Civil é a sistematização das tutelas provisórias, 
que (assim como as antigas antecipações de tutela) buscam 
efetivar/concretizar tutelas que se baseiam em um mero juízo de 
probabilidade, ao invés do juízo de certeza presente na cognição exauriente 
(típica do nosso ordenamento – em ambos os CPCs). 
 Com efeito, originariamente o Código de 1973 continha apenas o art. 
798 acerca do tema, que previa o poder geral de cautela, permitindo que o juiz 
concedesse medidas provisórias (ainda que não previstas expressamente no 
CPC) quando houvesse receio considerável de o direito da parte sofrer lesão ou 
difícil reparação. Posteriormente, a Lei 8.952/94 alterou art. 273 do Código, 
passando a prever o instituto da tutela antecipada, tornando mais importante 
o tempo do processo (a demora já representaria, em si mesma, um dano a ser 
reparado). Já o Código de 2015 veio à tona com a preocupação voltada para o 
tempo do processo (arts. 294 e seguintes). 
Diante disso, pode-se dizer que a tutela provisória (e sua anterior 
correlata) apresenta três fundamentos constitucionais: a) razoável duração do 
processo (art. 5º, LXXVIII): representado pela necessidade de o processo se 
desenvolver em tempo razoável e sem maiores delongas; b) devido processo 
legal (art. 5º, LIV): representado pela observância das regras pertinentes ao 
caso, a fim de que o processo tenha uma isonomia entre as partes; e c) acesso 
à justiça (art. 5º, XXXV): representado pela disposição de uma tutela justa 
àqueles que dela necessitam. 
Note-se, contudo, que a tutela antecipada sempre se diferenciou da 
cautelar, na medida em que ela pode ser definida como a concessão de um 
provimento de mérito, destinado a tutelar um direito material, em um 
momento liminar do processo. Por sua vez, a cautelar representa um 
provimento instrumental, destinado a tutelar o direito a um outro processo, a 
fim de que não perca sua função precípua em decorrência de qualquer ato ou 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 107 
fato que venha a ameaçar o correto ajuizamento ou trâmite do processo 
principal. 
No que tange à legitimidade, a tutela de urgência do atual Código 
depende de requerimento da parte (arts. 303 e 305), em observância ao 
princípio da demanda, tal como já o era quando vigia a tutela antecipada. Da 
mesma forma, no que toca aos recursos desafiados pela concessão (ou 
denegação) da tutela de urgência, não apresentam grandes diferenças em 
ambos os Códigos: agravo de instrumento, caso a decisão seja interlocutória, 
ou apelação, caso seja sentença. 
 A tutela antecipada requeria a presença dos seguintes requisitos: a) 
prova inequívoca (art. 273); b) verossimilhança das alegações (art. 273); c) 
fundado receio de dano ou abuso no direito de defesa (art. 273, I e II); d) 
possibilidade de reversibilidade da medida (art. 273, §2º), ou pedido total ou 
parcialmente incontroverso (art. 273, § 6º). Já o Código atual requer a 
existência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo 
de dano ou o risco ao resultado útil do processo (art. 300) e a ausência de 
perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º), no caso da tutela de urgência 
antecipada). Veja-se, portanto, que a tutela antecipada (e a tutela de 
urgência) não pode ser concedida quando a medida é irreversível. 
 De forma análoga, poderá haver a revogação quando um dos 
requisitos não mais existir. 
 
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJDFT – 2009 – BANCA PRÓPRIA 
Com a atenção voltada para a teoria geral do processo, tendo como certo que 
o ordenamento jurídico brasileiro garante o direito de ação 
independentemente do direito à sentença favorável, indique as diferenças e 
semelhanças entre tutela cautelar e tutela antecipada. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Não é despiciendo notar que uma das mais relevantes inovações do 
Novo Código de Processo Civil é a sistematização das tutelas provisórias, que 
(assim como as antigas antecipações de tutela) têm por finalidade concretizar 
tutelas que se baseiam em um mero juízo de probabilidade (ao passo que a 
regra geral é a busca pelo juízo de certeza da chamada cognição exauriente. 
 O antigo Código de Processo continha apenas o art. 798 acerca do 
tema, que previa o poder geral de cautela. Esse dispositivo permita que o juiz 
concedesse medidas provisórias (ainda que não previstas expressamente na 
lei) quando houvesse receio considerável de o direito da parte sofrer lesão ou 
difícil reparação. Com o advento da Lei 8.952/94 alterou-se o art. 273 do 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 108 
Código, passando a prever o instituto da tutela antecipada, tornando mais 
importante também a celeridade, e não apenas a efetividade pura e simples. 
Por sua vez, o Código de 2015 já nasceu com a preocupação voltada 
para o tempo do processo (arts. 294 e seguintes), com a busca pela celeridade 
como mote para a efetividade e a segurança jurídica. 
No entanto, a tutela antecipada sempre se diferenciou da cautelar, na 
medida em que ela pode ser definida como a concessão de um provimento de 
mérito, destinado a tutelar um direito material, em um momento liminar do 
processo. Por outro lado, a cautelar representa um provimento de cunho 
instrumental, destinado a tutelar o direito a um outro processo, a fim de que 
não perca na prática sua efetividade em decorrência de qualquer ato ou fato 
que venha a ameaçar o processo originário principal. 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF5 – 2016 – CESPE 
Qual o tratamento doutrinário e jurídico-positivo dado à tutela inibitória no 
direito brasileiro? Fundamente sua resposta. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Tutela inibitória pode ser conceituada como a espécie de tutela 
condenatória que visa inibir determinada ação (reiteração ou prosseguimento) 
ilícita. Sua principal característica é a inexistência apriorística de dano, já que 
o que se visa é exatamente não permitir que o ato ilícito se prolongue no 
tempo a ponto de convolar em um dano ao interessado. 
 O combate de potencial ameaça a direito está tutelado no art. 5º, 
XXXV, da CRFB, que expressamente prevê essa possibilidade. Igualmente, o 
art. 497, parágrafo único, do CPC também contém previsão expressa sobre a 
tutela inibitória, prestigiando essa modalidade de proteção a direitos (ou sua 
ameaça). 
Assim como toda tutela de fazer ou não fazer, há três modalidades de 
efetivação da tutela inibitória: a) coerção direta: baseada na busca direta pelo 
bem tutelado (por exemplo, com a paralisação de obra que pode vir a por em 
risco direito do interessado); b) coerção indireta: baseada na indução do 
devedor a manter inviolado o bem ou direito tutelado, sob pena de ser 
obrigado a ser condenado a ressarcir o credor de maneira bem mais 
desvantajosa aos seus interesses (por exemplo, com a cominação de multa em 
caso de descumprimento voluntário da tutela concedida); c) sub-rogação: 
baseada na efetivação do exato bem tutelado, mas por outrem que não o 
devedor (por exemplo, com a demolição de obra ilícita por um terceiro, cujo 
serviço será remunerado pelo devedor). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 109 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA 
Explique os fundamentos que podem ensejar a concessão de tutela provisória, 
de acordo com a distinção binária prevista expressamente pelo Código de 
Processo Civil de 2015. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A tutela de urgência, de acordo com o CPC/15, exige probabilidade do 
direito,perigo de dano ou risco ao resultado útil do processo. 
A tutela de urgência divide-se, ainda, em antecipada e cautelar. Por 
outro lado, a tutela de evidência independe de urgência e tem como requisitos 
aà o stataç oàdeàsituaç esàju ídi asàp o essuaisà ueà e ide ia àoàdi eitoàdeà
uma das partes (art. 311, CPC). 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 110 
PRECATÓRIOS 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/PB – 2008 - CESPE 
Considerando que os bens públicos federais, estaduais, municipais ou do 
Distrito Federal não se sujeitam a penhora, visto que as pessoas de direito 
público possuem forma específica de pagamento de débitos decorrentes de 
sentença judicial, conforme disposto na Constituição Federal, redija um texto 
dissertativo, de forma fundamentada, em resposta à pergunta a seguir 
formulada. Nos pagamentos devidos pela Fazenda Pública em virtude de 
sentença judicial transitada em julgado, existe submissão dos créditos de 
natureza alimentícia à ordem cronológica referida no texto constitucional? 
(QUESTÃO ADAPTADA DE ACORDO COM O NOVO CPC) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
É cediço que os débitos públicos transitados em julgados são 
adimplidos por meio da ordem cronológica de apresentação do 
correspondente precatório, nos termos do art. 100, caput, da CRFB. De igual 
modo, os créditos alimentares submetem-se ao rito do pagamento dos 
precatórios. Todavia, terão uma fila preferencial de pagamento sobre os 
demais créditos (ditos regulares ou normais), conforme reza o parágrafo 
ventilado, nos moldes do art. 100, §1ª da CRFB. 
Isto porque os débitos de natureza alimentícia cujos titulares, 
originários ou por sucessão hereditária, tenham sessenta anos de idade, ou 
sejam portadores de doença grave, ou pessoas com deficiência, assim 
definidos na forma da lei, serão pagos com preferência sobre todos os demais 
débitos, até o valor equivalente ao triplo fixado em lei para configurar RPVs 
artigo, admitido o fracionamento para essa finalidade, sendo que o restante 
será pago na ordem cronológica de apresentação do precatório. 
Desse modo, em suma, há algumas filas de pagamentos de 
precatórios: I) créditos alimentares que os titulares tenham 60 (sessenta) anos 
de idade ou mais na data de expedição do precatório, ou sejam portadores de 
doença grave, ou pessoas com deficiência, limitados ao triplo do valor do 
Requisição de Pequeno Valor - RPV da Fazenda requerida; II) créditos 
alimentares em geral e o excedente do créditos alimentares dos titulares que 
tenham 60 anos ou doença grave, ou deficiência; e III) créditos normais ou 
regulares. 
Por fim, ratificando o acima esposado, os créditos alimentares devem 
obediência ao pagamento pela ordem cronológica de apresentação de 
precatórios com os privilégios de uma fila mais célere de adimplemento. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 111 
PROCESSO E PROCEDIMENTO 
ADVOGADO - LIQUIGAS - 2018 – CESGRANRIO 
 P promove ação através do procedimento comum em face de T. No prazo de 
defesa, o sujeito passivo apresenta alegação de incompetência relativa, 
aludindo que a comarca J não seria a prevista no contrato. Posteriormente, 
após a designação de audiência de conciliação, passou a presidir o processo o 
magistrado K, esposo da advogada do autor P. Cientificado, o réu apresentou 
a defesa cabível, aduzindo parcialidade do juiz K. As alegações vieram a ser 
rejeitadas por decisão monocrática do juiz K. Não houve interposição de 
recurso contra a referida decisão. Não tendo as partes apresentado outras 
provas, o juiz K proferiu sentença, julgando o pedido formulado pelo autor P 
procedente, em parte. Apresentado o recurso por T, o mesmo veio a ser 
julgado improvido, por maioria, tendo ocorrido a extensão do julgamento, 
com quorum maior, mantido o mesmo resultado. Após o julgamento, não 
havendo mais recursos, ocorreu o trânsito em julgado. A partir do caso 
hipotético exposto, elabore um texto que apresente, com a devida 
fundamentação jurídica, os temas processuais relevantes que estão presentes 
essaàsituaç o,à o side a do:à•ài o pet ia;à•ài pedi e to;à•à e u sos;à•à
ação recisória. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Inicialmente deve ser apontado que o regime da incompetência 
relativa foi modificado, passando a referida alegação a constar de 
contestação, como matéria preliminar. Com o fito de facilitar a atuação do 
réu, havendo alegação de incompetência relativa, pode a peça ser 
apresentada no foro do domicilio do réu, com comunicação imediata ao Juízo 
da causa, de preferência por meio eletrônico. 
Caso a incompetência seja declarada, o Juízo que recebeu a 
contestação será prevento para a ação proposta. O prazo para apresentação 
da defesa continua de quinze dias, com as modificações dos prazos 
diferenciados para os litisconsortes, para a Defensoria Pública, para o 
Ministério Público e para a Fazenda Pública. Continua previsto o foro de 
eleição, agora submetido ao regime de controle do juiz quanto à abusividade 
da cláusula. 
A atuação do magistrado K, esposo da advogada do autor P, 
caracteriza impedimento, expressamente previsto no Código de Processo Civil. 
O impedimento é uma nulidade absoluta que incide independentemente de 
prejuízo para as partes. Deve ser apresentado como preliminar de contestação 
ou a qualquer tempo a partir da data do evento que gera impedimento. 
Havendo decisão proferida por juiz impedido há nulidade absoluta. 
Ocorre que no regime atual do agravo de instrumento, não há previsibilidade 
do referido recurso nessa hipótese, o que poderia levar à aplicação da 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 112 
jurisprudência quanto à possibilidade de impetração de mandado de 
segurança contra ato judicial, previsto na lei especial de regência. Nesse caso, 
a jurisprudência adita a circunstância de ter sido a decisão teratológica, o que 
se revela no caso, pois, havendo alegação de impedimento, o juiz acusado 
não pode decidir o processo nem o tema, cabendo a decisão ao tribunal. 
Independentemente disso, havendo recurso de apelação, o impedimento seria 
matéria passível de conhecimento ex officio por ser nulidade absoluta. 
Havendo julgamento por maioria de votos, aplicou-se a técnica de decisão 
prevista no Código que determina a ampliação do quorum de julgadores. 
 Transitada em julgado a decisão com nulidade absoluta, caberia a 
apresentação de ação rescisória. A referida ação deve ser proposta no prazo 
de dois anos a partir do trânsito em julgado. 
 
DEFENSOR PÚBLICO - DPE/ES – 2017 - FCC 
Maria X divorciou-se de Paulo Y, tendo este sido atribuída a guarda do filho 
menor do casal, Leopoldo Y. percebeu a mãe que o filho passou a ter 
desempenho insatisfatório na escola, em razão da excessiva prática de jogos 
eletrônicos de, especialmente influenciado por publicidade de empresa deste 
ramo, que também incitava a violência, fatos ocultados pelo pai. diante disso, 
ajuizou ação de modificação de guarda, tendo o juiz deferido tutela 
antecipada e determinou a citação do réu Para comparecer à audiência de 
mediação e conciliação, que se dividiu em algumas sessões. Nesse ínterim, o 
réu passou a realizar campanha de desqualificação da conduta da autora no 
exercício da maternidade, ao passo que a altura promoveu falsas denúncias 
contra a avó paterna, dificultando a convivência dela com o neto. a partir 
desses fatos , responda: a. Como se qualifica a publicidade que incitava a 
violência; b. Se no julgamento do recurso cabível da concessão da tutela 
antecipada , admite-se sustentação oral; c. Em que diferem as funções do 
mediador e conciliador; d. O que caracterizam as condutas tanto da autora 
como a do réu no interregno das sessões de audiência de mediação e 
conciliação; e. Reconhecendo o juiz indício de prática desses atos(item d), 
poderá de ofício, determinar alguma providência instrutória e como deverá 
decidir? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Acerca do primeiro item da questão proposta, a publicidade que 
incitava a violência configura a chamada publicidade abusiva, prevista no art. 
37, §2º, do Código de Defesa do Consumidor. 
Qua toà aoà ite à ,à o t aà aà de is oà ueà defe iuà aà a te ipaç oà deà
tutela é cabível a interposição do recurso de agravo de instrumento, 
consoante disposto no art. 1.015, I, do CPC. Esse recurso, em regra, não 
confere direito aos advogados a realizarem sustentações orais quando da 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 113 
realização da sessão, salvo nas hipóteses expressamente consagradas no art. 
937, VIII, do CPC. Justamente uma delas é o agravo de instrumento interposto 
em face das tutelas de urgência, como o presente caso. 
Adiante, a distinção entre as funções de mediador e de conciliador é 
uma das clássicas lições acerca dos meios alternativos de resolução de 
conflitos. Enquanto o mediador é uma figura mais estática, apenas buscando 
tentar fazer com que as partes cheguem naturalmente a um acordo mútuo 
(não por acaso, o Código de Processo Civil determina em seu art. 165, §3º que 
o mediador atuará preferencialmente em casos onde as partes tenham 
vínculos anteriores, onde é mais crível que as partes cheguem a uma solução 
comum). Por sua vez, o conciliador deve ter uma atuação mais direta e 
incisiva, buscando diretamente a composição do conflito (vedada qualquer 
espécie de intimidação, conforme exposto no art. 165, §2º, do CPC). 
Noà ueàto aàaoàite à d ,à à i eg elà ueàasà o dutasàdoàpaiàeàdaà eà
acabam por caracterizar atos de alienação parental, conforme dispõe o art. 
2º, da Lei 12.318/16, uma vez que claramente têm por finalidade induzir o 
menor a repudiar o ex-cônjuge. 
Caso o juiz reconheça indícios de alienação parental, deverá ouvir o 
Ministério Público e zelar para que a integridade psicológica da criança seja 
assegurada (art. 4º, da Lei 12.318/16). Para isso, poderá determinar a 
realização de perícia psicológica ou biopssicossocial (art. 5º da Lei 12.318/16), 
bem como diversos outros atos que visem a amenizar a alienação, como 
aumentar o tempo de guarda com o genitor alienado, estipular multa, 
determinar acompanhamento profissional, etc. (art. 6º da Lei 12.318/16). 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
a. Como se qualifica a publicidade que incitava a violência: trata-se de 
publicidade abusiva (art. 37, § 2o, do CDC). b. No julgamento do recurso 
cabível da concessão da tutela antecipada admite-se sustentação oral: o 
recurso cabível é o de agravo de instrumento e, neste caso, é possível 
sustentação oral (arts. 1015 I e 937, VIII, do CPC). c. Em que diferem as 
funções do mediador e conciliador: o CPC delineou as funções do conciliador e 
do mediador (art. 165, §§ 2o e 3o), nos seguintes termos: Artigo 165 § 2o O 
conciliador, que atuará preferencialmente nos casos em que não houver 
vínculo anterior entre as parte, poderá sugerir soluções para o litígio sendo 
vedada a utilização de qualquer tipo de constrangimento ou intimidação para 
que as partes conciliem. § 3o O mediador, que atuará preferencialmente nos 
casos em que houver vínculo anterior entre as partes, auxiliará aos 
interessados a compreender as questões e os interesses em conflito, de modo 
que eles possam, pelo restabelecimento da comunicação, identificar, por si 
próprias soluções consensuais que gerem benefícios mútuos. d. O que 
caracterizam as condutas tanto da autora como a do réu no interregno das 
sessões de audiência de mediação e conciliação: caracterizam atos de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 114 
alienação parental conforme o artigo 2o da Lei no 12.318, de 26/8/2016. e. 
Reconhecendo o juiz indício da prática desses atos (item d), poderá, de ofício, 
determinar alguma providência instrutória e como deverá decidir: se 
necessário determinará a realização de perícia psicológica ou biopsicossocial, 
ouvido o Ministério Público, e poderá determinar as medidas provisórias 
necessárias para preservação da integridade psicológica da criança ou do 
adolescente, inclusive para assegurar sua convivência com genitor ou 
viabilizar a efetiva reaproximação entre ambos, se for o caso. (arts. 4o a 6o, 
da Lei no 12.318/2010). 
 
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC 
Discorra, fundamentadamente, acerca da cooperação judiciária, abordando o 
tema na sua feição tradicional, nova configuração e atos concertados. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A processualística tradicional brasileira de cooperação jurisdicional 
cingia-se as hipóteses de cartas precatórias, de ordem e rogatórias. O 
Conselho Nacional de Justiça recomendou aos tribunais a criação dos juízes de 
cooperação. 
O Novo CPC trouxe novas feições com a cooperação entre todos os 
sujeitos do processo segundo artigo 6º, a cooperação internacional nos termos 
dos artigos 26 e 27, o auxílio direto previsto nos artigos 28 e 34 do CPC, a 
cooperação nacional previstas nos artigos 67 e 69, a carta arbitral prevista no 
art 237, IV e por fim, as hipóteses de conserto processual previstas no artigo 
69, §2. 
 
PROCURADOR DO MUNICÍPIO - PGM-FORTALEZA/CE – 2017 - CESPE 
A respeito do julgamento de casos repetitivos, conforme previsto no Código 
de Processo Civil, atenda às determinações a seguir. 1 - Identifique as técnicas 
ou os institutos processuais legalmente previstos para formar decisões que 
serão consideradas como julgamento de casos repetitivos. [valor: 5,00 
pontos] 2 - Diferencie os sistemas de causa-piloto e de procedimento-modelo 
e os relacione com as técnicas ou os institutos processuais mencionados no 
tópico anterior. [valor: 4,00 pontos] 3 - Discorra sobre a possibilidade de 
utilização do instituto da reclamação no caso de decisão judicial que 
desrespeite entendimento formado em julgamento de casos repetitivos. 
[valor: 5,25 pontos] 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 115 
A questão versa sobre o julgamento de causas ou demandas 
repetitivas, espécie que vem crescendo exponencialmente nos últimos anos, 
em especial por conta da explosão da litigiosidade. Nesse diapasão, as 
demandas fundamentadas em uma mesma tese jurídica (e, na maioria das 
vezes, em face dos mesmos réus – os chamados litigantes habituais, como a 
Fazenda Pública ou prestadores de serviços bancários, por exemplo) parecem 
ser o novo padrão de nosso sistema processual. 
 Tendo isso em mente, o Código de Processo Civil previu expressamente 
dois instrumentos (um já existente em nosso ordenamento e outro 
absolutamente novo) para o tratamento dessas demandas, conforme leitura 
de seu art. 928: a) recursos especial e extraordinário repetitivos: baseados no 
julgamento, por amostragem de causas paradigmáticas veiculadas em 
recursos de caráter extraordinário (presente, portanto, apenas no STF e no 
STJ); b) incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR): consistente no 
julgamento, também por amostragem, de uma determinada tese jurídica que 
fundamenta diversas causas repetitivas (podendo ser instaurado em qualquer 
tribunal). 
 A doutrina costuma diferenciar dois sistemas de julgamento por 
amostragem de causas repetitivas: causa piloto e procedimento modelo (ou 
causa modelo). O primeiro baseia-se na escolha de uma determinada causa 
para servir de paradigma para todas as demais, idênticas, mediante a 
concepção da tese, além do julgamento efetivo desse processo (ou causa) 
escolhido como paradigmático (considerando todos os seus nuances). Esse 
sistema é adotado, sem maiores discussões, no caso dos recursos especial e 
extraordinário repetitivos (conforme se verifica da leitura do art. 1.037 do 
CPC). 
 Por outro lado, no sistema de procedimentomodelo não há, 
propriamente, o julgamento da causa. Há uma cisão de competência, na qual 
a fixação da tese jurídica é transferida para outro órgão, e que será 
posteriormente aplicada pelo juízo competente originário (tal como já ocorre 
há muito no incidente de arguição de inconstitucionalidade). Por se basear na 
instauração de um incidente para a fixação da tese, parece que o IRDR tem 
por inspiração o sistema de procedimento modelo. No entanto, o art. 978, 
parágrafo único, do CPC determina que o órgão julgador do IRDR também 
analisará o recurso que o deu causa, o que sugere uma confusa adoção do 
sistema de causa piloto. Convém ressaltar que isso vem trazendo diversas 
discussões doutrinárias acerca do sistema adotado pelo nosso ordenamento 
no que toca ao IRDR. 
 Ademais, o CPC previu o cabimento de reclamação caso haja o 
desrespeito a uma decisão proferida em IRDR, conforme se verifica do art. 
988, IV. Logicamente, tal disposição busca prestigiar o precedente firmado no 
julgamento por amostragem, dando força aos princípios da isonomia, da 
segurança jurídica e da celeridade. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 116 
Por outro lado, a disciplina do CPC acerca do paradigma fixado em 
recursos especiais e extraordinários repetitivos é um pouco menos clara, tendo 
em vista que o art. 988, §5º, II determina que a reclamação não será cabível 
nessas hipóteses, salvo se esgotadas todas as instâncias ordinárias. Assim, 
parece que será necessário que a parte maneje todos os recursos possíveis até 
o STF ou STJ (incluindo-se aí eventual agravo interno contra decisão da 
Presidência do Tribunal que verse sobre o regime de recursos repetitivos) até 
poder fazer uso da reclamação. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
1 O CPC, em seu art. 928, considera como julgamento de casos repetitivos o 
precedente decorrente da decisão firmada em (i) recursos especial ou 
extraordinário repetitivos, com fundamento em idêntica questão de direito e 
(ii) incidente de resolução de demandas repetitivas (IRDR). O julgamento tem 
por objeto questão de direito material ou processual. Art. 928. Para os fins 
deste Código, considera-se julgamento de casos repetitivos a decisão 
proferida em: I – incidente de resolução de demandas repetitivas; II – recursos 
especial e extraordinário repetitivos. Parágrafo único. O julgamento de casos 
repetitivos tem por objeto questão de direito material ou processual. 2 No 
sistema de causa-piloto, o órgão jurisdicional seleciona um caso para julgar e, 
no exame do caso concreto, fixa o precedente (tese) a ser seguido nos 
demais. Logo, os recursos repetitivos são processados como causa-piloto (art. 
1.036, CPC) e, uma vez julgado o recurso-paradigma (piloto), fixa-se a tese 
(precedente) para os casos sobrestados. No sistema do procedimento-modelo 
(causa-modelo), por sua vez, instaura-se um incidente apenas para exame de 
tese ou questão jurídica que formará o precedente. No caso do IRDR, o CPC, 
em seu art. 978, parágrafo único, afirma que o órgão que julga o incidente e 
fixa a tese examina também o recurso, a remessa ou a ação originária. A lei 
não deixa claro se o julgamento do caso é concomitante ao da tese ou não. 
Atualmente, existe divergência na doutrina sobre qual o modelo adotado no 
Brasil. 3 O CPC estabelece que a tese aplicada no IRDR deve ser observada em 
todos os processos pendentes e futuros que versem sobre idêntica questão de 
direito. Ainda segundo a lei processual, se não observada a tese adotada no 
incidente, caberá imediata reclamação para o tribunal que julgou o IRDR (vide 
CPC, arts. 985 e 988, IV). Quanto ao julgamento de recursos extraordinário ou 
especial repetitivos, estabelece o CPC que seria inadmissível reclamação se 
não esgotadas as instâncias ordinárias (art. 988, § 5.º, II). Portanto, caso seja 
possível ainda a interposição de algum recurso, como, por exemplo, agravo 
interno contra decisão do presidente ou vice-presidente de tribunal, não 
caberá reclamação. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 117 
A cláusula geral de negociação processual prevista no art. 190, CPC, autoriza 
que as partes convertam qualquer espécie de procedimento especial em 
procedimento comum? Resposta objetivamente fundamentada. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Os procedimentos especiais se subdividirem em opcionais (ou 
facultativos) ou obrigatórios, nos termos dos arts. 190 e 327, §2º, CPC. 
Aos procedimentos especiais opcionais (exs: mandado de segurança, 
ações possessórias, Juizados Especiais Cíveis, ação monitória etc.) se aplicam 
irrestritamente as potencialidades decorrentes da cláusula geral de 
negociação. 
Já procedimentos especiais obrigatórios (exs: inventário e partilha, 
interdição, desapropriação, falência, etc.) conduzem a um regime diverso de 
aplicação da cláusula geral de negociação processual, não se aplicando, em 
regra, a conversibilidade, salvo se se ampliar a garantia do núcleo essencial 
que diferencia e justifica o procedimento especial; nos demais casos, a 
irredutibilidade ao procedimento comum é absoluta. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/SC – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
No denominado Código Buzaid, as tutelas de urgência possuíam uma 
organização estrutural diferente da disposição desse tema no atual Código de 
Processo Civil. O tratamento da referida matéria em ambos os códigos possui 
relevantes diferenças que podem ser consideradas, em muitos aspectos, 
como avanços efetivos e, em outros, como simples manutenção de equívocos 
que já deveriam ter sido superados. Ciente desses pressupostos, discorra 
sobre as diferenças existentes nos referidos códigos quanto ao tema, 
mormente no que tange aos fundamentos; à organização da matéria; aos 
procedimentos; aos requisitos para deferimento; aos prazos para a ação ou o 
pedido principal; aos recursos cabíveis; ao princípio da demanda; e à 
aplicabilidade nas ações destinadas a promover interesses difusos e coletivos. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Não é surpresa para ninguém que o atual Código de Processo Civil, 
publicado em 2015, é fundamentalmente diferente do anterior, o chamado 
Código Buzaid (publicado em 1973). Concebidos em épocas distintas e sob a 
égide de Constituições distintas, não é difícil apontar diferenças significativas 
entre os dois códigos. E umas delas, sem dúvidas, refere-se à disciplina das 
tutelas de urgência, tão em voga atualmente. 
 Com efeito, o Código de 1973 continha apenas uma disposição acerca 
do tema: o art. 798, que tratava do chamado poder geral de cautela. Permitia 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 118 
que o juiz concedesse medidas provisórias (ainda que não previstas 
expressamente no CPC) quando houvesse receio considerável de o direito da 
parte sofrer lesão ou difícil reparação. Note-se que a ênfase recaía sobre a 
possibilidade de dano sobre o direito da parte. Essa metodologia só foi 
alterada com o advento da Lei nº 8.952/94 (mais de vinte após a edição do 
Código), que concedeu nova redação ao art. 273, passando a prever o instituto 
da tutela antecipada, tornando mais importante o tempo do processo (a 
demora já representaria, em si mesma, um dano a ser reparado). Por usa vez, 
o Código de 2015 já nasceu com a preocupação voltada para o tempo do 
processo, inclusive concedendo um livro inteiro para o tema (Livro V da Parte 
Geral – arts. 294 e seguintes). 
 Quanto ao procedimento, as tutelas de urgências no antigo CPC eram 
absolutamente autônomas quando se tratavam de cautelares, apenas vindo a 
ser incidentes quando da mudança que incluiu a antecipação de tutela. Por 
outro lado, o Novo CPC estabelece o caráter sincrético como regra, ressalvada 
a tutela de urgência concedida em caráter antecedente. Para serem deferidas,as cautela esàdoàC digoàBuzaidà e ue ia àaà fu açaàdoà o àdi eitoà fu usà
o iàiu is àeàoàpe igoà aàde o aà pe i ulu ài à o a à- arts. 798 e 801, IV). 
 Já a tutela antecipada requeria a presença dos seguintes requisitos: a) 
prova inequívoca (art. 273); b) verossimilhança das alegações (art. 273); c) 
fundado receio de dano ou abuso no direito de defesa (art. 273, I e II); d) 
possibilidade de reversibilidade da medida (art. 273, §2º) ou pedido total ou 
parcialmente incontroverso (art. 273, § 6º). Já o Código atual, requer a 
existência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito e o perigo 
de dano ou o risco ao resultado útil do processo (art. 300) e a ausência de 
perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º), no caso da tutela de urgência 
antecipada). Já na tutela de evidência não se aplica o último requisito, 
afastando-se a necessidade da demonstração do perigo de dano ou de risco 
ao resultado, acrescendo-se, também, que ela se enquadre em alguns dos 
incisos do art. 311. 
 Com relação aos prazos para propor a demanda principal, o antigo CPC 
estabelecia 30 dias a contar da efetivação cautelar preparatória (art. 806). No 
Código atual o prazo é de 15 dias da concessão da tutela antecedente, 
podendo ser aumentado pelo juiz (art. 303, §1º, I). Os recursos desafiados pela 
concessão (ou denegação) da tutela de urgência, contudo, não apresentam 
grandes diferenças em ambos os Códigos: agravo de instrumento, caso a 
decisão seja interlocutória, ou apelação, caso seja sentença. 
 Ademais, enquanto a cautelar de Buzaid podia ser concedida de ofício 
(art. 798), a tutela de urgência do atual Código depende de requerimento da 
parte (arts. 303 e 305), em observância ao princípio da demanda. Finalmente, 
às cautelares eram aplicáveis as ações coletivas, tendo em vista o disposto no 
art. 4º da Lei 7.347/85. Contudo, o dispositivo parece ter sido revogado 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 119 
tacitamente pela nova disciplina da tutela de urgência do Novo CPC, 
perfeitamente aplicável ao microssistema de tutela coletiva. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
1. Fundamentos - 1.1. Buzaid - Interesse do processo (interesse público e 
exercício de polícia do processo); visava proteger o bem objeto da pretensão 
(798). Apenas com a inserção da antecipação dos efeitos da tutela no art. 273 
é que a ênfase passou a ser o ônus do tempo do processo sofrido pelas partes. 
1.2. CPC - Utilização de técnicas processuais que viabilizem a distribuição 
isonômica do ônus do tempo no processo, volta-se mais para a proteção do 
próprio direito da parte. "[...] a resposta do Poder Judiciário deve ser rápida 
não só em situações em que a urgência decorre do risco de eficácia do 
processo e do eventual perecimento do próprio direito. Também em 
hipóteses em que as alegações da parte se revelam de juridicidade ostensiva 
deve a tutela ser antecipadamente (total ou parcialmente) concedida, 
independentemente de periculum in mora, por não haver razão relevante 
para a espera, até porque, via de regra, a demora do processo gera 
agravamento do dano". (exposição de motivos) 0,050 2. Organização da 
matéria - 2.1. Buzaid - Previsto em livro próprio (Livro III, 796 a 889). Poder 
Geral de Cautela previsto no 798. Cautelares inominadas (798), nominadas 
(813 a 889 arresto, sequestro, caução, busca e apreensão, exibição, produção 
antecipada de provas, alimentos provisionais, arrolamento de bens, 
justificação, protestos, notificações e interpelações, homologação do penhor 
legal, posse em nome do nascituro, atentado, protesto e apreensão de títulos, 
separação de corpos e outras medidas provisórias). Por modificação trazida 
pela lei 8.952/94, foi estabelecido no 273 a possibilidade de se conceder a 
antecipação da tutela, substituindo a prática forense de dar caráter satisfativo 
a algumas cautelares. 0,100 2.2. CPC - Trata a matéria no Livro V (294 a 311), 
sob o título Tutela Provisória como incidente do processo. Trouxe como 
gênero a tutela provisória no 294, estabelecendo com espécies a tutela de 
urgência e a de evidência, sendo aquela dividida ainda em de natureza 
cautelar (294, parágrafo único e 301 - arresto, sequestro, arrolamento de 
bens, registro de protesto contra alienação de bens e qualquer outra medida 
idônea para asseguração do direito), ou de natureza antecipatória (294, 
parágrafo único). 0,100 3. Procedimentos - 3.1. Buzaid - Procedimento 
autônomo (processualmente), vinculado à uma lide principal. Estabelecia um 
rito para as cautelares inominadas (801 a 803) e ritos diferenciados para as 
cautelares nominadas (813 a 889). Possuía previsão expressa quanto à 
fungibilidade no 273, §7º. A antecipação da tutela, por sua vez, deveria ser 
requerida incidentalmente: na inicial da lide ou no transcorrer da lide 
principal. 0,100 3.2. CPC - Consolida o modelo procedimental sincrético, 
interno ao procedimento comum ou de execução. Postulada na inicial (299, 
primeira parte), ou antecipadamente ao juiz competente para conhecer do 
pedido principal (299, segunda parte), havendo, neste caso, custas. Na tutela 
antecipada requerida em caráter antecedente, o rito está nos arts. 303(c/c 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 120 
334 e 335)-304. Na requerida em caráter antecipado, o rito está nos arts. 305-
310 (308 c/c 334 e 335). Concedida a tutela antecipada, ela torna-se estável 
caso não haja recurso, extinguindo-se (arquivando-se) o processo. Este, 
todavia, poderá ser desarquivado mediante pedido de qualquer das partes, 
sendo que este direito de rever, reformar ou invalidar a tutela antecipada, 
extingue-se após dois anos, contados da ciência da decisão que extinguiu o 
processo. No caso da tutela de evidência, obedecerá a norma geral do 299 e 
311, sendo possível a decisão liminar apenas nos casos dos incisos II e III. 
Fungível qualquer uma delas em relação às outras. 4. Requisitos para 
deferimento 4.1. Buzaid - Fumus bonis juris e periculum in mora, no caso das 
cautelares (art. 798 e 801, IV). No tocante a antecipação da tutela, além da 
presença do perigo na demora, exigia-se: . prova inequívoca (273, caput), . 
verossimilhança das alegações (273, caput) . fundado receio de dano ou abuso 
no direito de defesa (273, I e II) . possibilidade de Reversibilidade da Medida 
(273 §2º), ou. pedido(s) total ou parcialmente incontroversos 273, § 6º) 0,100 
4.2. CPC - Existência de elementos que evidenciem a probabilidade do direito 
e o perigo de dano ou o risco ao resultado útil do processo (art. 300). No caso 
da tutela de urgência de natureza antecipada acrescenta-se ausência de 
perigo de irreversibilidade (art. 300, § 3º). No tocante a tutela de evidência, 
afasta-se a necessidade da demonstração do perigo de dano ou de risco ao 
resultado, e exige uma das hipóteses previstas nos incisos do art 311. 0,100 5. 
Prazos para propositura da ação principal ou pedido principal - 5.1. Buzaid - 30 
dias a contar da efetivação da medida cautelar requerida (806). 0,100 5.2. CPC 
- Na tutela antecipada requerida em caráter antecedente, o prazo para 
confirmar o pedido é de até 15 dias, ou maior que o juiz fixar, contados da 
concessão da tutela (303, §1º, I). Na tutela cautelar requerida em caráter 
antecedente, o prazo é de até 30 dias, a contar da efetivação da medida. 
0,100 6. Recursos - 6.1. Buzaid - Apelação civil quando concedida a tutela 
mediante sentença que decide o processo cautelar (520, IV), ou agravo 
quando se tratar de liminar concedida em pedido incidental na ação principal. 
0,100 6.2. CPC - Agravo de instrumento quando tratar-se de decisão 
interlocutória que concede, denega ou posterga indevidamente a tutela 
provisória (1015, I), e apelação quando confirmada, concedida ou revogada 
em capítulo da sentença (1013, § 5º) que julgar denegada na sentença. 0,100 
7. Princípio da demanda 7.1. Buzaid- Tutelacautelar de ofício pelo juiz sob o 
argumento de que estaria protegendo o próprio processo (798). 0,100 7.2. 
CPC- Por compreender a tutela cautelar como uma tutela ao direito da parte, 
seu deferimento submete-se à regra geral que exige requerimento (2º, 295, 
303 e 305), mormente em razão do regime de responsabilidade objetiva 
inerente à sua fruição (302), o qual a parte pode não querer submeter-se. O 
código, todavia, prevê algumas hipótese nas quais esse princípio é mitigado: 
643, parágrafo único, e 830) 0,100 8. Direitos difusos e coletivos - 8.1. Buzaid - 
Havia previsão no art. 4º da Lei da ACP quanto às cautelares. No que tange à 
antecipação da tutela, esta era aplicável em razão do contido nos arts. 19 e 21 
da Lei da ACP, mormente o 84, 3º e § 5º, e 90 do CDC (microssistema da 
tutela coletiva). 0,050 8.2. CPC - Tacitamente revogado o 4º da LACP, as novas 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 121 
tutelas provisórias permanecem aplicáveis em virtude do art. 19 da Lei da ACP 
e 84, 3º e § 5º, e 90 do CDC. 0,050 
 
MAGISTRATURA FEDERAL –TRF2 – 2011 – CESPE 
Qual o fundamento da intervenção de terceiro? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Intervenção de terceiros é uma espécie de fato jurídico processual que 
gera modificação em um processo já existente, de forma que o terceiro entra 
em um feito pendente. O novo CPC promoveu mudanças relevantes na 
intervenção de terceiro e, ante a sua topografia, é possível concluir que ela 
poderá ocorrer em todos os procedimentos. Regra geral, o interesse que 
permite a intervenção é o jurídico, devidamente justificado. 
Assim, o interesse jurídico do terceiro é que, a depender do resultado 
da demanda em que se quer intervir, a repercussão na esfera deste pode ser 
no sentido de criar, modifica ou extinguir direitos e obrigações. Logo, a 
legislação processual permite, ante determinadas situações e com base 
realização de um senso de justiça, que alguém intervenha em um processo 
pendente. 
No CPC anterior eram as seguintes modalidades de intervenção de 
terceiros: assistência; oposição; nomeação à autoria; denunciação da lide; e 
chamamento ao processo. No atual CPC a oposição deixou de ser uma 
modalidade específica de intervenção de terceiros e tornou-se um 
procedimento especial. Por sua vez, a nomeação à autoria deixou de existir 
por conta do art. 339, de forma que quando o réu alegar em sede de 
preliminar a ilegitimidade de parte, deverá indicar o sujeito passivo da relação 
jurídica, sempre que tiver de conhecimento, sob pena de arcar com as 
despesas processuais e de indenizar o autor pelos prejuízos decorrentes da 
falta de indicação. 
Ainda sobre o novo CPC, aponta-se que o amicus curiae também é uma 
espécie de intervenção de terceiros. O amicus curiae é um terceiro que 
ingressa no processo para fornecer subsídios ao órgão jurisdicional para o 
julgamento da causa. Pode ser pessoa natural ou jurídica, e até mesmo um 
órgão ou entidade sem personalidade jurídica, mas deve possuir a 
chamada representatividade adequada, isto é, alguém capaz de representar, 
de forma adequada, o interesse que busca ver protegido no processo. 
Por fim, embora a regra geral da intervenção de terceiros envolva o 
interesse jurídico, o art. 5º, parágrafo único, da Lei nº 9.469/97 prevê a 
possibilidade de a União intervir (intervenção anômala) sem que haja 
necessariamente um interesse jurídico. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 122 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE-RJ - 2018 - MPE-RJ 
Qual o alcance da estabilização da decisão de organização e saneamento do 
processo? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O art. 357 do CPC apresenta a complexidade e, ao mesmo tempo, a 
síntese de um Código que busca o equilíbrio entre o que se denomina na 
doutrina de privatismo e publicismo processual, ainda que seu modelo de 
preclusões rígidas receba crítica de ambas as vertentes. 
O cerne da decisão saneadora, em seu novo dimensionamento 
conferido pelo atual CPC, está na possibilidade de diálogo compartilhado ou 
consensual entre o juiz, as partes e o Ministério Público, caso intervenha como 
fiscal da ordem jurídica. 
A decisão de organização e saneamento do processo somente será 
necessária em caso de prosseguimento do procedimento para uma fase 
instrutória bem especificada, ou seja, desde que não tenha havido extinção do 
processo com ou sem resolução do mérito. 
Com efeito, a denominada fase de saneamento acompanha todo o 
procedimento desde o início (exemplos: arts. 321 e 485, §3º, CPC), mas se 
concentra no momento posterior ao esgotamento do prazo para a resposta do 
réu, quando, então, o juiz, de acordo com as peculiaridades do processo, deve 
adotar providências que possibilitem o julgamento conforme o estado do 
processo (art. 347 do CPC). 
É importante notar que a atividade de saneamento do magistrado não 
se esgota nessa fase, que se caracteriza, apenas, pela concentração de atos de 
regularização do processo. 
Exemplificativamente, são as seguintes algumas das providências 
preliminares que podem ser adotadas pelo juiz, com a ressalva de que há 
outras tantas possibilidades de surgirem incidentes como intervenção de 
terceiros e oferecimento de reconvenção: apresentada defesa indireta, intima-
se o autor para apresentar a réplica, (arts. 350-351 do CPC); em caso de 
defesa direta, não haverá intimação para a réplica, intimando-se o autor 
apenas se houver juntada de documentos; apresentados documentos na 
réplica, o réu deverá ser intimado para manifestar-se sobre eles (§ 1º do art. 
437 do CPC); havendo defeitos processuais, as partes devem ser intimadas 
para regularização (art. 352, CPC). 
Após essas providências preliminares, caso sejam necessárias, o 
processo pode ser extinto sem resolução do mérito ou com resolução do 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 123 
mérito (julgamento antecipado, autocomposição ou decadência, por exemplo) 
ou pode ser proferida a decisão de organização e saneamento do processo. 
Verifica-se, portanto, que a decisão de organização e saneamento 
possui importância central quando necessária, mas não se trata de um 
momento inerente a todos os processos jurisdicionais, já que o procedimento 
comum do processo civil brasileiro apresenta quatro possibilidades de 
percurso para a análise do mérito: improcedência liminar do pedido (art. 332, 
CPC); julgamento antecipado do mérito (arts. 355-356, CPC); extinção do 
processo em razão da não impugnação de tutela provisória satisfativa de 
urgência concedida em caráter antecedente (arts. 303-304, CPC); julgamento 
do mérito após instrução complementar (normalmente com designação de 
audiência de instrução). Somente nessa última hipótese há necessidade de ser 
proferida decisão de organização e saneamento do processo, quando, então, 
serão resolvidas as questões processuais ainda pendentes (art. 357, I, CPC), 
serão delimitadas as questões de fato sobre as quais recairá a atividade 
probatória, especificando os meios de prova admitidos (art. 357, II, CPC); caso 
tenha sido deferida a produção de prova testemunhal, será fixado o prazo 
para as partes apresentem rol de testemunhas (art. 357, § 4º, CPC), cujo 
número não pode ser superior a dez, sendo três, no máximo, para a prova de 
cada fato (art. 357, § 6º, CPC), podendo ser redimensionado diante 
complexidade da causa e dos fatos individualmente considerados (art. 357, § 
7º, CPC); além disso, será definida a distribuição do ônus da prova (art. 357, III, 
CPC); não só as questões fáticas devem ser fixadas nesse momento processual, 
mas também as questões de direito relevantes para a decisão do mérito (art. 
357, IV, CPC); se necessário, será designada audiência de instrução e 
julgamento (art. 357, V, CPC). Entre uma audiência de instrução e outra, 
haveráintervalo mínimo de uma hora (art. 357, § 9º, CPC). 
Evidentemente, os cinco incisos do art. 357 do CPC configuram rol 
meramente exemplificativo e não exaurem o conteúdo possível da decisão de 
saneamento e organização do processo e o próprio CPC se vale desse marco 
procedimental para outras questões, como a estabilização objetiva da 
demanda. 
Ainda sobre a decisão de organização e saneamento, é oportuno 
assinalar que a recorribilidade das decisões afeta a ocorrência de preclusão e 
o recurso cabível será o agravo de instrumento ou a apelação, dependendo da 
análise do rol do art. 1.015, CPC, cuja amplitude ainda é objeto de forte 
divergência doutrinária e jurisprudencial. 
De todo modo, a decisão de saneamento e organização do processo é 
um marco de estabilização do processo, cabendo anotar que o CPC mantém a 
tradição de rigidez temporal e ampliou as possibilidades de situações que 
ensejam estabilizações processuais, como na disciplina da tutela provisória de 
urgência antecedente e ao possibilitar estabilização convencional. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 124 
Em se tratando de convenção processual, a propósito, a decisão de 
organização e saneamento é um momento propício para a incidência de 
convenções processuais e também da promoção de momento de efetiva 
participação das partes, podendo também produzir convenção processual que 
verse especificamente sobre os temas do art. 357, CPC, como didaticamente 
expõem os parágrafos 1º a 3º do referido dispositivo. As matérias 
convencionadas ou decididas nessa fase – sempre a partir do contraditório 
previsto nos arts. 9º e 10, CPC – se tornarão estáveis, de acordo com a parte 
final do parágrafo primeiro do art. 357, CPC. 
 Os limites do conteúdo de convenção processual sobre o saneamento é 
matéria muito ampla e controvertida, não se relacionando diretamente à 
questão da prova, mas deve ser assinalada essa possibilidade, já que a própria 
estabilidade do saneamento pode ser integralmente convencional. 
A eficácia preclusiva da decisão de organização e saneamento costuma 
receber solução diversa se o conteúdo decisório é positivo ou negativo sobre a 
admissibilidade do procedimento. Caso a decisão seja negativa, isto é, o 
processo seja extinto sem resolução do mérito, considera-se preclusa a 
decisão; já quando se trata de decisão com conteúdo positivo, há 
posicionamentos de que não haveria preclusão, sob o argumento de que as 
questões processuais de ordem pública podem ser revistas a qualquer tempo e 
grau de jurisdição (art. 485, §3º, CPC). Há também forte manifestação 
doutrinária no sentido de que é artificial qualquer distinção entre a decisão 
positiva ou negativa sobre a admissibilidade, incidindo a preclusão sobre 
qualquer matéria decidida (arts. 505 e 507, CPC). 
Evidentemente, os fatos supervenientes não estão cobertos pela 
eficácia preclusiva pela singela razão de que não foram – nem poderiam – 
considerados à época, de modo que não se trata a rigor de exceção à 
estabilidade, mas, sim, de impossibilidade lógica de preclusão. 
A recorribilidade das matérias objeto da decisão de saneamento 
reforça a ocorrência da eficácia preclusiva e, portanto, da estabilidade, já que, 
caso não se recorra ou após o julgamento do recurso, a matéria não poderá 
ser mais discutida. 
Enfim, há fortes argumentos para todos esses posicionamentos e, 
ressalvando a existência da controvérsia, parece-nos que a finalidade precípua 
da decisão de organização e de saneamento é exatamente possibilitar a 
estabilidade do processo e, assim, fornecer a segurança jurídica para todos os 
sujeitos que dele participam. 
 Quando se indaga sobre o alcance da estabilização, há pelo menos 
duas possibilidades essenciais de abordagem: a primeira foi anunciada nas 
linhas anteriores e se relaciona com o aspecto externo da decisão, ou seja, 
com a eficácia preclusiva; a outra dimensão desse alcance da estabilização 
relaciona-se com o aspecto interno da decisão, isto é, com seu conteúdo. Esse 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 125 
segundo sentido assume peculiar importância para a resposta da questão, 
quando se tem em vista que o ponto sorteado é critério de balizamento da 
pergunta que, afinal, mostra-se bastante aberta. 
Sendo assim, especificamente sobre o alcance da estabilização da 
decisão de organização e saneamento, quando cotejado com o ponto nº 3 do 
programa, há que se abordar o tema relacionado aos aspectos objetivos e 
subjetivos da demanda. 
Quanto à estabilização objetiva da demanda, o art. 329, II, CPC, dispõe 
que o autor poderá, até o saneamento do processo, aditar ou alterar o pedido 
e a causa de pedir, com consentimento do réu, assegurado o contraditório 
mediante a possibilidade de manifestação deste no prazo mínimo de quinze 
dias, facultado o requerimento de prova suplementar. 
Há, portanto, liberdade total para o autor antes da citação do réu; 
após a citação, somente com a concordância do réu pode haver alteração 
objetiva, desde que até decisão de organização e saneamento, quando, então, 
haverá estabilidade objetiva absoluta. 
Diante da relevância de eventual alteração da causa de pedir e do 
pedido, o dispositivo fixa um prazo mínimo de quinze dias úteis para 
manifestação do réu. Embora o direito positivo confira efeitos positivos ao 
silêncio, no caso da estabilização objetiva da demanda, o CPC parece 
trabalhar com um regime restritivo, de modo que apenas a anuência expressa 
deve autorizar a modificação dos elementos objetivos. 
Seria possível admitir a possibilidade de o silêncio significar anuência 
apenas no caso de intimação específica para essa finalidade, com a devida 
advertência expressa para a parte. No caso de reconvenção, incide a mesma 
regra de estabilidade objetiva, por força do disposto no parágrafo único do 
art. 329, CPC. Essa rigidez tradicionalmente adotada pelo legislador 
processual se mostra inadequada e insuficiente quando se vislumbra a 
dinamicidade das relações veiculadas em processos mais complexos, 
especialmente naqueles que vêm sendo denominados de estruturais, quando 
situações não necessariamente supervenientes justificariam alterações 
objetivas. , 
Já a denominada estabilização subjetiva também deve ser analisada 
não só mirando o processo individual, mas também o coletivo, quando a 
concorrência da legitimação ativa e a dinâmica subjetiva que pode surgir 
nesses processos também não recomendam um sistema rígido e 
aprioristicamente definido. 
Há que se ressaltar, ainda, que a segunda parte do art. 264 do Código 
anterior não foi reproduzida na atual codificação, de modo que a reprodução 
de um sistema de estabilização subjetiva na fase de saneamento mais se deve 
à tradição do que ao direito positivo. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 126 
Note-se que a disciplina da intervenção de terceiros pode subverter 
tranquilamente esse sistema rígido, como no caso da desconsideração da 
personalidade jurídica e do amicus curiae. 
A manutenção de um sistema rígido de estabilidade da decisão de 
organização e saneamento pelo CPC encontra em certa medida contradição 
com o próprio sistema por ele adotado de flexibilização do procedimento pelas 
partes e pelo juiz e inspirado pela boa-fé objetiva, merecendo reflexão se 
todas as matérias que podem ser objeto da referida decisão devem receber 
uniformidade de tratamento sob o aspecto da estabilidade. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 127 
PAPEL DO MINISTÉRIO PÚBLICO 
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/RJ - 2018 – BANCA PRÓPRIA 
Em ação objetivando o fornecimento de medicamentos essenciais à vida de 
indivíduo maior e capaz, por ele ajuizadaem face do Município e do Estado do 
Rio de Janeiro, o juiz deixa de intimar o Ministério Público a intervir no feito 
com fundamento no artigo 178, parágrafo único, do Código de Processo Civil, 
e com amparo na eficiente representação dos entes públicos nos autos. 
Lastreia-se, ainda, no fato de a demanda versar sobre direito individual. Avalie 
a decisão judicial e seus fundamentos. Resposta objetivamente 
fundamentada. 
 SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A decisão judicial viola a prerrogativa institucional do Ministério 
Público que assegura aos seus membros o juízo exclusivo na identificação do 
interesse público, sendo necessária a remessa de vista dos autos. 
Com efeito, o disposto no art. 178, parágrafo único, do Código de 
Processo Civil prevê apenas que a participação da Fazenda Pública não 
configura, por si só, hipótese de intervenção do Ministério Público, de modo 
que a sua eficiente representação não tem o condão de afastar a intervenção 
ministerial quando a participação do Ministério Público se justifica por razão 
diversa. 
Na questão em exame, a intervenção é obrigatória por se tratar de 
demanda objetivando o fornecimento de medicamento essencial à vida de 
indivíduo, o que evidencia a tutela de direito individual indisponível (direito à 
saúde/vida), além de refletir interesse vinculado à prestação do serviço público 
de saúde, sendo irrelevante tratar-se de autor maior e capaz. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2016 – BANCA PRÓPRIA 
Discorra sobre os efeitos da instauração do Inquérito Civil. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A instauração de Inquérito Civil produz vários efeitos jurídicos, seja na 
própria área do direito material atinente à tutela dos interesses 
transindividuais, seja até mesmo nas áreas administrativas e penal. 
Tem como efeitos principais, os seguintes: a) publicidade da própria 
instauração e dos atos praticados no inquérito civil, salvo sigilo legal ou por 
conveniência da instrução; b) possibilidade de praticar atos administrativos 
executórios no curso do Inquérito Civil (v.g., expedição de notificações e 
requisições, determinação de condução coercitiva, realização de vistorias); c) 
óbice à decadência na forma prevista no art. 26, §2º, III do Código de Defesa 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 128 
do Consumidor (Lei nº 8.078/90); d) aproveitamentos dos atos em juízo, seja 
para embasar pedidos de medidas liminares, seja no julgamento da ação, se 
em harmonia com os atos instrutórios; e) utilização dos atos ali colhidos para 
embasar a atuação do Ministério Público (v.g., propositura de ações civis 
públicas, tomada de compromissos de ajustamento de conduta, expedição de 
recomendações); f) impossibilidade de arquivamento, sem controle do órgão 
colegiado competente; g) possibilidade de coleta direta de todas as provas 
admissíveis em Direito, exceto aquelas que dependem de ordem judicial; h) 
respeito aos direitos do investigado. 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 129 
PROVAS 
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF5 – 2018 - CESPE 
Em que consiste a prova diabólica? Quando houver prova bilateralmente 
diabólica, como deve o juiz proceder? A quem cabe o ônus da prova? 
Justifique. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O chamado direito probatório apresenta-se como um dos temas mais 
importantes no Direito Processual Civil. Com efeito, a mera evidência não 
serve ao julgador: não há argumento mais contundente que a prova dos fatos 
(seja ela documental, testemunhal ou de qualquer outra espécie). Os romanos 
dizia à ueàalega àeà oàp o a à à uaseàoà es oà ueà oàalega à allegatioàetà
o àp o atioà uasià o àallegatio . 
 Nesse contexto, é de suma importância estabelecer quais sujeitos 
processuais serão os responsáveis pela produção dessas provas. A distribuição 
do ônus probatório pode ser considerada até mesmo uma decisão política, vez 
que poderá determina a sobreposição de um determinado sujeito processual 
sobre o outro, privilegiando aquele que acusa ou aquele que defende. 
 Em nosso ordenamento, o ônus da prova do fato constitutivo do direito 
incumbe a quem acusa; ao defensor, incumbe a prova de fatos extintivos, 
impeditivos ou modificativos do direito pleiteado (art. 373 do CPC). Contudo, 
podem ocorrer casos em que essa distribuição pré-determinada (e, por conta 
disso, denominada de estática) implicaria em verdadeiras injustiças, 
praticamente subjugando uma das partes envolvida e cerceando 
desproporcionalmente a possibilidade de provar seu direito. 
 Quando uma situação assim ocorre, está-se diante da chamada prova 
diabólica. Essa prova, portanto, está presente nas hipóteses em que se torna 
impossível (ou excessivamente difícil ou desproporcional) para uma das partes 
produzir a prova necessária para se desincumbir de seu ônus. Por exemplo: a 
prova de um fato negativo, ou, ainda, a parte ter o ônus de gravar e acostar 
todas as dezenas de conversas telefônicas que efetuou para um prestador de 
serviço. O tema é regulado pelo Código de Processo Civil que, em seu art. 373, 
§§ 1º e 2º, prevê a redistribuição do ônus caso a prova revele-se diabólica. 
Por fim, conceitua-se como prova duplamente diabólica aquela que 
acaba revelando-se difícil ou impossível para qualquer um dos sujeitos 
processuais que integram a demanda. Surge, portanto, uma discussão acerca 
de sobre qual deles deverá recair o ônus. Majoritariamente entende-se que o 
ônus deve ser da parte que originariamente seria a responsável por ele, a fim 
de evitar que a sua distribuição dinâmica acabe prejudicando a outra parte, 
que não seria normalmente a responsável pela desincumbência daquele ônus. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 130 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
As regras sobre ônus da prova possuem duas dimensões: subjetiva e objetiva. 
Explique cada uma dessas dimensões. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: ver questão abaixo 
 Em processo civil, denomina-se ônus da prova o encargo que deve ser 
assumido pela parte a fim de que possa firmar a convicção do juízo acerca de 
suas alegações, sob pena de sofrer um prejuízo: o julgamento desfavorável 
naquele processo. Por outro lado, considerando que é vedado ao julgador se 
a ste à deà de idi à edaç oà aoà o à li uet ,à aà dist i uiç oà desseà usà à deà
suma importância para o desfecho da demanda. 
 Por regra, cabe ao autor provar os fatos constitutivos de seu direito, ao 
passo que ao réu cabe provar a existência de fato impeditivo, modificativo ou 
extintivo do direito autoral, consoante dispõe o art. 373 do CPC, que é a regra 
geral para a distribuição do ônus da prova. Contudo, a lei excepcionalmente 
dispõe de maneira diferente, procurando tutelar interesses em geral mais 
frágeis ou difíceis de provar: é a chamada inversão do ônus da prova, existente 
no caso de propaganda enganosa (art. 38 do CDC) e de demanda proposta por 
consumidor (art. 6º, VIII do CDC). 
 Ademais, o novo Código de Processo Civil, publicado em 2015, trouxe 
uma disposição ainda mais ousada. Cuida-se da chamada distribuição 
dinâmica do ônus da prova, consagrado no art. 373, §1º. Sua lógica é a de 
consagrar a regra geral, exposta acima e existente no caput do mesmo artigo; 
contudo, conforme o caso concreto, o julgador seria livre para redistribuir esse 
ônus consoante suas peculiaridades. Seu fundamento principal é o princípio do 
acesso à justiça, em sua vertente que prega a proteção às partes que 
apresentam dificuldades (práticas ou financeiras) de conseguir provar seu 
direito pela regra ordinária. 
O CPC expõe alguns requisitos para a aplicação dessa regra específica: 
a) demanda em que a prova seria mais difícil pela regra geral; b) decisão 
fundamentada; c) possibilidade de a parte prejudicada se desincumbir do ônus 
(a distribuição dinâmica não pode ser aplicadana sentença – segundo 
interpretação do art. 357, III do CPC, o despacho saneador seria o momento 
ideal para a sua efetivação, eis que antes da sentença e após a manifestação 
inicial de ambas as partes); d) vedação à redistribuição que provocar, para a 
parte prejudicada, a necessidade excessivamente difícil ou impossível de 
produção da prova (art. 373, §2º). 
Finalmente, não se pode deixar de notar que o art. 373, §§3º e 4º 
permite a aplicação da distribuição dinâmica do ônus da prova mediante 
convenção entre as partes. Ela é vedada, contudo, quando versar sobre 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 131 
direitos indisponíveis (aqueles tutelados pela Fazenda Pública, por exemplo) 
ou quando tornar excessivamente difícil ou impossível a atuação de uma das 
pa tesà oàp o essoàpa aàseàdesi u i àdoà o usàp o a di . 
No que tange às dimensões, a subjetiva estipula a quem cabe o ônus 
de provar em geral. Como dito, ao autor cabe a prova dos fatos constitutivos 
de seu direito, enquanto ao réu cabe a prova dos fatos impeditivos, 
modificativos e extintivos (art. 373 do CPC). A perspectiva subjetiva é 
considerada como regra de instrução, isto é, as partes devem se atentar ao 
ônus da prova no momento de sua produção. Isso também vale para eventual 
alteração na distribuição do ônus pelo juiz: optando o magistrado pela 
distribuição dinâmica, deve às partes ser dada a oportunidade de produzir as 
provas. 
Por sua vez, a perspectiva objetiva busca definir o resultado da causa 
sempre que o juiz não tenha provas suficientes para julgar. Aqui, o ônus da 
prova é visto como regra de julgamento, no sentido de que indica as 
consequências negativas impostas à parte que não cumpriu seu ônus. A 
dimensão objetiva tem aplicação subsidiária, pois só será considerada se, 
mesmo com a produção de todas as provas, o juiz não tiver formado sua 
convicção. Cabe, nesse caso, julgar a causa contra a parte que não se 
desincumbiu do ônus. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil – 
Volume único. 8ª.ed. JUSPODIUM. 2016. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 - MPE-PR 
Qual é a importância do elemento probatório para as hipóteses em que o 
direito brasileiro prevê a incidência de precedentes nas decisões judiciais? 
 SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Quando o Código de Processo Civil trata da aplicação de precedentes, a 
ideia é a de que casos iguais sejam decididos de forma igual. Portanto, a 
identificação das provas é o elemento primário que determina a identidade 
entre os casos. 
Assim, para aplicar a mesma decisão, o magistrado deve apontar a 
relação entre o precedente e o caso atual. Por outro lado, o magistrado pode 
se utilizar dos elementos probatórios para diferenciar o precedente e o caso 
atual. Nessa distinção, ou distinguishing, o elemento probatório é essencial, 
pois é o que permite a comparação e a justificação de que casos diferentes 
podem ser julgados de forma diferente. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 132 
O fundamento legal que pode ser invocado é o art. 489, § 1º, incs. V e 
VI, do CPC. A identificação do quadro fático depende das provas produzidas 
nos autos, logo, aí está a relação entre provas e precedentes. 
 
 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/AC – 2017 - FMP 
Disserte sobre o tema da distribuição dinâmica do ônus da prova no âmbito 
do Código de Processo Civil, esclarecendo seus fundamentos e características. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O ônus da prova é o encargo que deve ser assumido pela parte a fim de 
que possa firmar a convicção do juízo acerca de suas alegações, sob pena de 
sofrer um prejuízo: o julgamento desfavorável naquele processo. Sendo 
vedado ao julgador se abster de decidir, a distribuição desse ônus é de suma 
importância para o desfecho da demanda. 
 Usualmente cabe ao autor provar os fatos constitutivos de seu direito, 
ao passo que ao réu cabe provar a existência de fato impeditivo, modificativo 
ou extintivo do direito autoral, consoante dispõe o art. 373 do CPC, que é a 
regra geral para a distribuição do ônus da prova. Contudo, a lei 
excepcionalmente dispõe de maneira diferente, procurando tutelar interesses 
em geral mais frágeis ou difíceis de provar: é a chamada inversão do ônus da 
prova, existente no caso de propaganda enganosa (art. 38 do CDC) e de 
demanda proposta por consumidor (art. 6º, VIII do CDC). 
 Já o Código de Processo Civil é dotado de uma disposição mais ousada. 
Cuida-se da chamada distribuição dinâmica do ônus da prova, consagrado no 
art. 373, §1º. Sua lógica é a de consagrar a regra geral, exposta acima e 
existente no caput do mesmo artigo; contudo, conforme o caso concreto, o 
julgador seria livre para redistribuir esse ônus consoante suas peculiaridades. 
Seu fundamento principal é o princípio do acesso à justiça, em sua vertente 
que prega a proteção às partes que apresentam dificuldades (práticas ou 
financeiras) de conseguir provar seu direito pela regra ordinária. 
O CPC expõe alguns requisitos para a aplicação dessa regra específica: 
a) demanda em que a prova seria mais difícil pela regra geral; b) decisão 
fundamentada; c) possibilidade de a parte prejudicada se desincumbir do ônus 
(a distribuição dinâmica não pode ser aplicada na sentença – segundo 
interpretação do art. 357, III, do CPC, o despacho saneador seria o momento 
ideal para a sua efetivação, eis que antes da sentença e após a manifestação 
inicial de ambas as partes); d) vedação à redistribuição que provocar, para a 
parte prejudicada, a necessidade excessivamente difícil ou impossível de 
produção da prova (art. 373, §2º). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 133 
Finalmente, não se pode deixar de notar que o art. 373, §§3º e 4º 
permite a aplicação da distribuição dinâmica do ônus da prova mediante 
convenção entre as partes. Ela é vedada, contudo, quando versar sobre 
direitos indisponíveis (aqueles tutelados pela Fazenda Pública, por exemplo) 
ou quando tornar excessivamente difícil ou impossível a atuação de uma das 
partes no processo para se desincumbi àdoà o usàp o a di . 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
A distribuição dinâmica do ônus da prova tem fundamento legal expresso no 
art. 373 parágrafo 1º, do Código de Processo Civil. Devem ser indicado os 
antecedentes e fundamentos históricos da distribuição do ônus de prova no 
direito brasileiro, com menção aos seguintes elementos: 1- A expansão da 
técnica de inversão do ônus da prova para outras hipóteses de tutela de 
direitos ou interesses difusos ou coletivos. 2- A diferença da técnica de 
inversão do ônus da prova e distribuição dinâmica do ônus da prova. 3- A 
recepção da distribuição dinâmica do ônus da prova no âmbito do atual 
Código de Processo Civil: relação entre distribuição estática e distribuição 
dinâmica. Características da distribuição dinâmica do ônus da prova no CPC, 
devendo ocorrer menção aos seguintes elementos: 1- Momento da decisão 
sobre o tema com indicação do art. 357, III do CPC. Caracterização como regra 
de instrução/procedimento ou julgamento. 2- Possibilidade de distribuição do 
ônus da prova por convenção na forma do art. 373, parágrafo 3º e 4º, do 
Código de Processo Civil. 3- Vedação de distribuição do ônus que torne o 
cumprimento do encargo pela parte seja impossível ou excessivamente difícil 
p ovaàdia li a ,à aàfo aàdoàa t.à ,à2º do CPC. 
 
MAGISTRATURA FEDERAL – TRF2 – 2011 - CESPE 
O que você entende por princípio da aquisição em matéria de prova? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O princípio da aquisição em matéria de prova, também denominado de 
princípio da comunhão da prova, aduz que deve o Juiz fundamentar a decisão 
na prova dos autos, pouco importando quem tenha produzido (art. 371 do 
CPC), de forma que a prova pertence aoprocesso e será, pelo seu valor 
intrínseco, sopesada pelo Juiz, independentemente de se ter originado da 
atividade deste ou daquele litigante, ou mesmo de atividade oficiosa do Juiz. 
Com isso, depreende-se que, embora seja o convencimento do juiz que defina 
a valoração da prova, não é ele o destinatário da prova, mas sim o próprio 
processo. A prova não é feita para o Juiz, mas sim produzida para o processo. 
 Logo, o juiz deve julgar segundo o alegado no processo, ou seja, a 
parte faz a prova para que seja adquirida pelo processo. Feita a prova, 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 134 
compete à parte convencer o juiz da existência do fato e do conteúdo da 
prova. Ainda que o magistrado esteja convencido da existência de um fato, 
não pode dispensar a prova se o fato for controvertido, não existir nos autos 
prova do referido fato e, ainda, a parte insistir na prova. 
 Apesar de amplamente aceito na doutrina, apenas com o CPC atual o 
aludido princípio foi positivado, no art. 371 (O juiz apreciará a prova constante 
dos autos, independentemente do sujeito que a tiver promovido, e indicará na 
decisão as razões da formação de seu convencimento). Porém, importante 
destacar um apontamento doutrinário acerca da confissão, com base no art. 
391 do CPC. Segundo esse artigo, a confissão judicial faz prova contra o 
confitente, não prejudicando, todavia, os litisconsortes. 
 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 135 
SENTENÇA 
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSC – 2017 - FCC 
O autor ajuíza ação condenatória em que formula 3 (três) pedidos (A, B e C) 
cada um deles no valor de R$ 10.000,00 (dez mil reais). 1. Ao receber a 
inicial, o juiz verifica que o pedido A dispensa fase instrutória e contraria 
entendimento firmado em incidente de resolução de demandas repetitivas 
(IRDR) julgado pelo Tribunal de Justiça de Santa Catarina. 2. Apresentada a 
contestação, o magistrado verifica que o réu reconhece o direito do autor em 
relação ao pedido B, mas impugna o pedido C, alegando, preliminarmente, 
ilegitimidade do autor e, no mérito, rebate os fatos alegados na inicial, 
requerendo produção de prova pericial e testemunhal no que se refere a tais 
fatos. O réu também contesta o pedido A. 3. Após a instrução, o magistrado 
detecta ilegitimidade ativa em relação ao pedido C. Para cada um dos estágios 
processuais (1, 2 e 3) realize o que se pede: Profira o dispositivo da decisão 
cabível em cada um dos estágios processuais. Em seguida, discorra em 
separado sobre sua natureza jurídica, recorribilidade e possibilidade de 
retratação do juiz após eventual impugnação. (Elabore sua resposta definitiva 
em até 40 linhas) 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 1. DISPOSITIVO: Julgo improcedente liminarmente o pedido A 
formulado, com fulcro no art. 487, I c/c art. 332, III ambos do CPC, por 
contrariar decisão proferida em incidente de resolução de demandas 
repetitivas. Sem honorários advocatícios. Cite-se o réu quanto aos demais 
pedidos. 
 A presente decisão configura uma interlocutória de mérito, consoante 
disposto nos arts. 203, § 2º, c/c art. 356 do CPC, e em especial por não ter 
dado cabo ao processo, uma vez que existiam ainda mais outros dois pedidos 
a serem apreciados. Em virtude disso, desafia o recurso de agravo de 
instrumento (art. 356, § 5º do CPC), podendo o juiz se retratar em até 5 dias 
(interpretação extensiva do art. 332, § 3º do CPC), desde que interposta a 
apelação pela parte autora. 
 2. DISPOSITIVO: Tendo em vista o reconhecimento do pedido B, julgo 
procedente o mencionado pedido, com fulcro no art. 487,à III,à a à doà CPC.à
Condeno o réu ao pagamento de honorários advocatícios, no percentual de 10 
a 20% sobre o valor da condenação (art. 85, §2º do CPC). Quanto ao pedido C, 
declaro saneado o processo e defiro a produção das provas testemunhal e 
pericial requeridas, devendo vir o respectivo rol de testemunhas e de quesitos. 
Ademais, designo audiência para o dia. 
 Quanto à primeira parte da decisão (pedido B), cuida-se de 
interlocutória de mérito (por também não ter encerrado todo o processo), 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 136 
desafiada por agravo de instrumento. Quanto à segunda parte da decisão 
(pedido C), cuida-se de decisão interlocutória saneadora, na forma do art. 357, 
II, do CPC, não desafiando nenhum recurso para o tribunal, uma vez que não 
se encaixa em nenhuma hipótese do art. 1.015 do CPC. A retratação, em 
qualquer um dos casos, não é permitida (na primeira parte, por se tratar de 
preclusão de decisão de mérito, conforme art. 494 do CPC; na segunda, por 
conta da preclusão comum, conforme art. 505 do CPC). 
 3. DISPOSITIVO: Julgo extinto o feito sem julgamento de mérito em 
virtude da ilegitimidade passiva, na forma do art. 485, VI do CPC. Condeno o 
autor ao pagamento de honorários advocatícios, no percentual de 10 a 20% 
sobre o valor da condenação (art. 85, §2º do CPC). Custas pela parte autora, já 
que se sagrou vencida na maior parte dos pedidos. 
 A decisão em tela se caracteriza como uma sentença, pois encerrou 
todo o processo, conforme art. 203, §1º do CPC. É desafiada pelo recurso de 
apelação (art. 1.009 do CPC), podendo haver retratação em até 5 dias (art. 
485, §7º do CPC), caso a parte autora venha a interpor o mencionado recurso. 
GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
Item I Ia. DISPOSITIVO: Julgo improcedente liminarmente o pedido A 
formulado na inicial (CPC, arts. 487, I e 332, III). 0,200 0,200 Ib. Sem 
honorários advocatícios. 0,100 0,100 Ic. Cite-se o réu. 0,100 0,000 Id. 
RESPOSTA: Decisão interlocutória de mérito (CPC, arts. 203, § 2o, 332, III e 
356). 0,100 0,100 Ie. Agravo de instrumento (CPC, art. 1.015, II e c/c art. 356, 
§ 5o). 0,100 0,100 If. Há possibilidade de retratação (CPC, art. 332, § 3o c/c 
1.018, § 1o). 0,100 0,100 Item II IIa. DISPOSITIVO: Homologo o 
reconhecimento da procedência do pedido B / Julgo procedente o pedido B 
para condenar o réu a pagar ao autor a quantia de R$ 10.000,00 (dez mil 
reais). 0,200 0,200 IIb. Condeno o réu ao pagamento de honorários 
advocatícios, os quais fixo em [de 10 a 20]% sobre o valor da 
condenação/pedido B. 0,100 0,000 IIc. Saneio o processo / Defiro a produção 
da prova requerida / Designo audiência e/ou perícia. 0,100 0,000 IId. 
RESPOSTA: Decisão interlocutória (de mérito) / saneadora (CPC, arts. 203, § 
2o, 356 e art. 357, II). 0,100 0,100 IIe. Agravo de instrumento (CPC, art. 
1.015, II e art. 356, § 5o). 0,100 0,100 IIf. Não há possibilidade de retratação 
(CPC, arts. 494 e 505 = preclusão projudicato da decisão de mérito). 0,100 
0,000 Item III IIIa. DISPOSITIVO: Extingo o feito sem resolução do mérito, 
ante a ilegitimidade ativa ad causam. (CPC, art. 485, VI). 0,200 0,200 IIIb. 
Condeno o autor ao pagamento de honorários advocatícios, os quais fixo em 
[de 10 a 20]% sobre o valor do pedido C. 0,100 0,000 IIIc. RESPOSTA: 
Sentença (CPC, arts. 203, § 1o e 485, VI). 0,100 0,100 IIId. Apelação (CPC, art. 
1.009). 0,100 0,100 IIIe. Há possibilidade de retratação (CPC, art. 485, § 7o). 
0,100 0,100 TOTAL 2,000 1,500 Observação: O candidato deve demonstrar 
conhecimento técnico-forense, apontar os dispositivos legais aplicáveis e 
resolver todas as questões no momento processual adequado. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 137 
 
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJSP - 2017 - VUNESP 
Considerada a garantia constitucional da motivação das decisões judiciais, 
discorra sobre os seguintes temas: a) Finalidades endoprocessuais (técnicas) e 
extraprocessuais (políticas) da garantia. b) Possibilidade de motivação 
implícita. c) Exceção constitucional à regra. d) Decisões interlocutóriasrestritivas à liberdade individual. e) Recebimento da denúncia e apreciação da 
resposta à acusação. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Em seu art. 93, IX, a CRFB consagra o dever de motivação, que é uma 
decorrência do princípio do devido processo legal. Como regra, todas as 
decisões devem expor claramente as razões que levaram à sua conclusão, uma 
vez que o jurisdicionado tem o direito de conhecer os motivos que levaram o 
magistrado à tomada daquela decisão. Disso advém o que se convencionou 
chamar de legitimidade pelo procedimento: o processo judicial (e suas 
decisões, logicamente) só seria legítimo caso o procedimento tenha sido 
integralmente observado. 
 Nesse prisma, a garantia da motivação exerce duas finalidades. A 
primeira é denominada de endoprocessual, pois tem por finalidade precípua 
possibilitar que as partes presentes no processo possam pleitear a reforma da 
decisão que lhes foi desfavorável. Essa finalidade, denominada técnica ou 
jurídica, proporciona que o indivíduo saiba as razões da decisão desfavorável e 
maneje o recurso correto e com as razões adequadas. 
 Já a segunda é extraprocessual, tendo em vista que se direciona ao 
exterior do processo, aos indivíduos que nele não se encontram litigando. Sua 
finalidade precípua é permitir que toda a sociedade possa verificar se as 
regras estão sendo seguidas pelo magistrado, evitando arbitrariedades. Veja-
se: se todo poder emana do povo (art. 1º, parágrafo único da CRFB), é 
bastante lógico que por ela possa ser exercida essa sindicabilidade dos atos 
jurisdicionais, em especial porque essa atividade não se submete a controle 
externo de outro Poder (tal qual o Tribunal de Contas fiscaliza os atos 
administrativos e o Judiciário julga a constitucionalidade de atos normativos). 
 No que tange à motivação implícita, ela pode ser definida como aquela 
que não decorre diretamente das palavras expostas na fundamentação, pois 
não foi assertivamente exposta pelo julgador. Decorre de dedução feita acerca 
dos argumentos expressamente postos no texto da decisão. Por exemplo: a 
parte ré alega sua ilegitimidade passiva e o magistrado nada diz sobre o tema; 
contudo, ao analisar o mérito, dá a entender claramente que a parte é 
perfeitamente legítima para responder pelo direito posto em jogo no processo. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 138 
Muito embora não tenha havido a análise detida da preliminar, pode-se notar 
que a questão acabou sendo implicitamente decidida. 
 A juridicidade da motivação implícita é um tema muito sensível, pois 
apresenta duas implicações principais. A primeira é sua diferenciação em 
relação à motivação inexistente, quando temos uma decisão omissa. Isso, por 
certo, leva à invalidade da decisão, devendo ser sanada por embargos de 
declaração. Contudo, no expediente forense, esse recurso não costuma 
apresentar muito resultado prático, o que só pode ser tratado com a 
interposição de recurso que busque reformar propriamente a decisão (agravo 
de instrumento, apelação ou recursos de caráter excepcional). 
 A segunda refere-se à necessidade de prequestionamento para 
alcançar as instâncias superiores, uma vez que a questão objeto do recurso 
deve ter sido decidida. Uma questão implicitamente decidida pode ser 
facilmente não conhecida pelos Tribunais Superiores, deixando as partes 
envolvidas com sérios entraves para fazer valer seus direitos em sede de 
recurso extraordinário ou especial. Assim, pode-se dizer que, embora a 
motivação implícita exista em nosso sistema processual, ela deve ser evitada 
ao máximo, especialmente quando se estiver diante de decisões que desafiem 
recursos de caráter extraordinário, sob pena de tolher o direito de recurso da 
parte sucumbente. 
 Grande exceção a esse princípio pode ser encontrada na instituição do 
Tribunal do Júri, que não se apresenta como um órgão jurisdicional técnico, 
mas como um corpo de indivíduos que representam o senso comum de nossa 
sociedade. Consoante disposto no art. 5º, XXXVIII da CRFB, é assegurada a 
soberania dos veredictos e o sigilo de suas votações, de forma que os crimes 
dolosos contra a vida serão julgados por essa instituição. 
No mais, mesmo no processo penal, a motivação deve ser plenamente 
observada, até porque se está tratando do cerceamento de liberdade dos 
indivíduos. Mesmo quando não se está diante de uma decisão que retira 
completamente a liberdade do acusado (por exemplo, uma interlocutória 
restritiva à liberdade individual), a motivação deve ser elaborada de maneira 
detida, sob pena de se poder cometer uma absurda arbitrariedade. 
 Problema parecido existe quando se está na fase de recebimento da 
denúncia. Consoante disposto no agora revogado art. 43 do Código Penal, a 
denúncia não seria recebida caso: a) o fato não constituir crime; b) já estiver 
extinta a punibilidade; c) faltar alguma condição para o exercício da ação 
pe al.à áà o t a ioà se su ,à e te dia-se que o recebimento da denúncia 
implicaria em reconhecer a inexistência de tais empecilhos. 
 Contudo, a revogação do artigo em 2008 já demonstrava que essa não 
seria a melhor interpretação, especialmente após se considerar as alterações 
efetuadas nos arts. 396 e 396-A do CPP. Ali, revelou-se que a não-rejeição 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 139 
liminar da denúncia levaria à citação do acusado para oferecer resposta à 
peça acusatória, em perfeita harmonia com o princípio do contraditório. E 
mais: a decisão que determina o prosseguimento da instrução probatória 
configura o recebimento da denúncia e deve ser plenamente motivada, sob 
pena de invalidade. 
 
ADVOGADO – CRF/DF – 2017 - IADES 
Leia, com atenção, o texto a seguir. O dever de fundamentar — que é mais do 
que motivar — não é simplesmente um adereço que será posto na decisão. 
Tampouco será uma justificativa para aquilo que o juiz decidiu de forma 
subjetivista-solipsista. O Estado Democrático e a Constituição são 
i o patíveisà o à odelosà deà otivaç oà teleol gi osà doà tipoà p i ei oà
decido e só depoisà us oàoàfu da e to .à“upe adoàoàpa adig aàsu jetivistaà
(filosofia da consciência e suas vulgatas), é a intersubjetividade que será a 
condição para o surgimento de uma decisão. Nesse sentido, o juiz deve 
controlar a sua subjetividade por intermédio da intersubjetividade 
proveniente da linguagem pública (doutrina, jurisprudência, lei e 
Constituição). As suas convicções pessoais são — e devem ser — irrelevantes 
para a decisão. Por isso, a decisão judicial não é fruto do pensamento pessoal 
ou da consciência do julgador. Decisão nesse sentido será nula. Como bem 
lembra Arruda Alvim (2014), o juiz não decide arbitrariamente, em função de 
sua mera vontade. Como se pode ver pela leitura do art. 371, o CPC aboliu a 
livre apreciação da prova e qualquer forma de livre convencimento. No 
projeto original do Senado repetia-se a velha ladainha acerca do livre 
convencimento. Na Câmara, todas as alusões a esse poder de liberdade de 
julgamento foram retiradas. A expulsão do livre convencimento é um 
elemento de extrema relevância para demonstrar o significado desse segundo 
elemento chamado fundamento da sentença. A fundamentação é condição 
para a decisão e não uma justificativa das premissas tomadas para a 
conclusão. Isso quer dizer que o juiz não decide para depois fundamentar. 
Absolutamente não. E, se o faz, está colocando a sua subjetividade acima do 
direito. Na verdade, a decisão deve ser o resultado da fundamentação e não o 
contrário. STRECK, Lenio Luiz. Art. 489. In: NUNES, Dierle; CUNHA, Leonardo 
(orgs.). Comentários ao Código de Processo Civil. São Paulo: Saraiva, 2016. p. 
855-856 versão e-book, com adaptações. Considerando que o texto 
apresentado tem caráter meramente motivador, redija um texto dissertativo 
e (ou) descritivo acerca do dever de fundamentação das decisões judiciais. Otexto deve abordar, necessariamente, os seguintes pontos. a) Dever de 
fundamentação das decisões judiciais à luz do Estado Democrático de Direito: 
raiz constitucional, consequências de sua inexistência e natureza jurídica. b) 
Funções endoprocessual e extraprocessual da fundamentação. c) Necessidade 
de o julgador enfrentar todos os argumentos formulados pelas partes à luz do 
Novo Código de Processo Civil(NCPC) e da iterativa jurisprudência do STJ. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 140 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O dever de motivação, presente em nosso ordenamento de forma 
marcante na Constituição Federal, representa o ponto mais importante do 
princípio do devido processo legal. Por seu intermédio, uma decisão judicial só 
será perfeita e adequada caso preencha alguns requisitos, sendo o principal 
deles a presença de adequada motivação para encadear e fundamentar o 
raciocínio lógico que levou o magistrado às conclusões expostas. 
 E à elaç oàaoàite à a ,àoàde e àdeà oti aç oà e ela-se como um dos 
mais importantes elementos do Estado Democrático de Direito, uma vez que 
permite a todos (partes ou indivíduos externos) saber se determinada decisão 
está sendo tomada com fundamento nas leis e na Constituição (ou se apenas 
em vingança privada inconsistente). Seu fundamento constitucional encontra-
se no art. 93, IX da CRFB, referente ao Poder Judiciário. O próprio dispositivo 
menciona que sua ausência implicará em nulidade. Ademais, a natureza desse 
dever é controvertida, mas prevalece o entendimento de que se trata de um 
direito fundamental, decorrente do devido processo legal, do contraditório da 
ampla defesa. 
 E à elaç oà aoà ite à ,à desta a -se as chamadas funções endo e 
extraprocessual da motivação. A função endoprocessual é aquela voltada para 
dentro do próprio processo e seus autores, principalmente buscando permitir o 
manejo de recursos pelas partes e a reforma das decisões por parte de outros 
órgãos do Poder Judiciário. No que toca à função extraprocessual, ela se dirige 
aos indivíduos externos àquele processo e serve, principalmente, como meio 
de controle dos atos do Poder Judiciário por quem quer que seja. 
 Finalmente, sempre foi muito discutida a necessidade de o órgão 
judicial enfrentar todos os argumentos formulados pela parte. Classicamente, 
o entendimento predominante (especialmente no STJ) ia no sentido de que o 
órgão julgador não necessitava se pronunciar sobre os argumentos expostos 
pelas partes, desde que sua decisão fosse clara e coerente. Contudo, o novo 
Código de Processo Civil trouxe uma disposição mais clara: trata-se do art. 
489, §1º, IV, que determina como não fundamentada a decisão que não 
enfrentar todos os argumentos capazes de infirmar a decisão. Portanto, trata-
se de ônus do julgador verificar se há algum argumento capaz de macular sua 
decisão, e refutá-lo expressamente (mesmo que a decisão tenha sido proferida 
com base noutros). 
 
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP 
O negócio jurídico processual previsto no artigo 190 do Novo CPC permite às 
partes convencionarem, com a concordância do juiz, que seja proferida uma 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 141 
sentença que reconheça uma inconstitucionalidade com efeito ablativo erga 
omnes? Tal ocorrendo, como juiz como procederia? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Denomina-se negócio jurídico processual a convenção realizada entre 
ambas as partes a fim de estabelecer mudanças no procedimento e fixar 
novos ônus ou faculdades processuais. Sua cláusula geral encontra-se no art. 
190 do CPC, que também define que é dever do juiz controlar a validade das 
cláusulas estipuladas pelas partes, negando aplicação quando estiverem 
eivadas de nulidade ou abuso em decorrência de situação vulnerável de uma 
das partes envolvidas. 
 Vê-se que a finalidade do negócio jurídico processual é permitir que as 
partes (desde que em situação de igualdade, sem a prevalência de uma sobre 
a outra) firmem um acordo com o intuito de facilitar o regular trâmite do 
processo, muitas vezes já antecipando o exercício de direitos ou a efetivação 
de ônus, liberando amarras e desatando nós que se formam ao longo da 
marcha processual. Por outro lado, igualmente não podem se sobrepor às 
normas de ordem pública, tendo em vista que a jurisdição é uma atividade 
típica de império, cujas normas cogentes não podem ser derrogadas pela 
vontade das partes. 
 Cabe agora analisar se o tema referido no enunciado se encaixa no 
primeiro caso (norma com possibilidade de derrogação ou convenção pelas 
partes) ou no segundo (norma cogente, de aplicação obrigatória pelas partes 
e sem possibilidade de ser objeto de convenção pelas partes em um negócio 
jurídico processual). 
 No caso em tela, sugere-se que seja proferida uma sentença 
e o he e doà aà i o stitu io alidadeà deà o aà o à efeitoà a lati oà e gaà
o es .à Po à e to,à oà h à o oà seà pe iti à talà e ue i e to.à E à p i ei oà
lugar, a própria convenção que verse sobre a prolação de uma sentença (ou 
qualquer outra decisão judicial) é vedada, pois não se configura um acordo 
acerca do procedimento; o que se pode, sim, é estabelecer um pacto sobre os 
atos instrutórios, o que inevitavelmente levará a uma sentença mais rápida. 
 Em segundo lugar, a declaração de inconstitucionalidade com efeito 
a lati oà e gaào es à s àpodeà se à ealizadaàpeloà“up e oàT i u alà Fede al,à
por conta do disposto no art. 102, §2º da CRFB. Veja-se: o efeito ablativo (cuja 
eti ologiaà e à deà a latio :à o ta ,à exti pa à daà de isão de 
inconstitucionalidade determina que a norma será retirada definitivamente do 
mundo jurídico, a fim de que não possa produzir mais efeitos inconstitucionais 
e,à po ta to,à a tiju ídi os .à Co à efi iaà e gaà o es à ue à dize à ueà essaà
cessação dos efeitos será realizada de todo o mundo jurídico, e não apenas 
entre as partes presentes no processo judicial. Como dito, isso é de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 142 
competência do STF, que teria suas atribuições usurpadas caso o 
requerimento das partes fosse atendido. 
 Portanto, como juiz, exerceria o poder presente no art. 190, parágrafo 
único, do CPC e determinaria a invalidade do negócio jurídico processual 
proposto pelas partes, tendo em vista que seu objeto não estaria inserido nas 
hip tesesàp e istasà oà aput àdoà es oàa tigo. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Qual é a técnica de argumentação jurídica prevista no art. 489, §2º, do Código 
deàP o essoàCivilàdeà :à §à oàNoà asoàdeà olis oàe t eà o as,àoàjuizàdeveà
justificar o objeto e os critérios gerais da ponderação efetuada, enunciando as 
razões que autorizam a interferência na norma afastada e as premissas fáticas 
ueà fu da e ta à aà o lus o ?à ápo te,à e à suaà esposta,à osà est giosà daà
técnica apontada pelo Código e as hipóteses em que essa técnica pode ser 
utilizada. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 O Código faz menção à técnica da ponderação, tida como uma das 
formas de se sanar problemas de interpretação jurídica em que a mera 
dedução não é aplicável – e que, portanto, reclama a ponderação de 
princípios. 
A ponderação é parte de uma teoria maior, consagrada pelo 
pensamento de Robert Alexy, que estabelece três estágios ou subregras para a 
ponderação de princípios (i) adequação, (ii) necessidade e (iii) 
proporcionalidade em sentido estrito. 
 
MAGISTRATURA ESTADUAL – TJRJ – 2016 - VUNESP 
O Novo CPC, ao mencionar, no artigo 489, §§1º, 2º e 3º, novos requisitos de 
validade para os provimentos decisórios, ajusta-seà à ha adaà legiti idadeà
a gu e tativa ?à 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 A questão em comento trata de tema muito em voga nos dias atuais, 
em especial por conta da ativa participação do Poder Judiciário no diaa dia do 
cidadão. A teoria clássica dos três poderes determina que cada um deles deve 
apresentar uma função específica, bem como devem ser independentes e 
harmônicos entre si para que possam executar suas atividades precípuas. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 143 
 Além dessa independência e harmonia, cada poder é dotado de sua 
própria legitimidade para poder atuar, em especial perante a sociedade que o 
remunera. Os poderes Executivo e Legislativo têm sua legitimidade 
proveniente das urnas, tendo em vista que sua cúpula é eleita pelo povo, 
através do voto direto. Ao contrário do que se passa em outros países, o Poder 
Judiciário não é eleito, uma vez que boa parte de seus integrantes (salvo os 
magistrados que atuam na segunda ou terceira instâncias, que são indicados) 
têm sua investidura realizada por meio de concurso público. 
 A legitimidade do Poder Judiciário não é democrática, já que não há 
eleição para seus membros. Sua legitimidade deve advir, segundo a doutrina 
majoritária, de um correto manejo dos processos a ele submetidos. Deve 
existir, assim, uma legitimidade pelo procedimento (teoria do filósofo Niklas 
Luhmann), uma vez que só a observância das regras procedimentais (devido 
processo legal, contraditório, ampla defesa) seria capaz de conferir ao Poder 
Judiciário a isonomia e a ampla participação que mimetizam, ainda que 
hipoteticamente, o voto popular. 
 Uma variante desse entendimento foi popularizada pelo jurista Robert 
Alexy, a chamada legitimidade argumentativa, pela qual as decisões judiciais 
são adequadas e legítimas caso atendam a parâmetros mínimos de 
argumentação e racionalidade, apresentando lógica interna (dentro da 
mesma decisão) e externa (quando comparada com o restante do processo ou 
mesmo com o mundo exterior). Assim, uma atuação legítima do Poder 
Judi i ioà se iaà o oada à o àu aàde is oà ue,à al à deà expo àoàdi eitoàdeà
uma das partes, seria dotada de fundamentação racional, bastante em si 
mesma para ser capaz de convencer seu interlocutor acerca do tema. 
 Neste prisma, o art. 489 do CPC trouxe uma série de novos requisitos 
explí itosà pa aà aà alidadeàdaàde is oà judi ial.à P oi iuà aà fu da e taç oà pe à
elatio e ,à ouà seja,à ueà seà asea aà e à e aà e ç oà aà out aà peçaà ouà
decisão co sta teàdosàautosà po àexe plo:à ádotoà o oà az esàdeàde idi à oà
pa e e àdoàMi ist ioàPú li o/aàde is oà o o ti a .àVedou,àai da,àoàusoàdeà
fundamentação apenas formalmente existente, quando faz menção à 
necessidade de justificar o uso de dispositivo ou de conceitos jurídicos 
indeterminados. 
 Assim, é possível afirmar que esses novos requisitos do art. 489 do CPC 
representam um ônus considerável para o magistrado, ajustando cada vez 
mais as decisões do Judiciário à teoria da legitimidade argumentativa. 
 
MAGISTRATURA ESTADUAL - TJPR - 2017 - CESPE 
Na petição inicial de uma ação de cobrança securitária cumulada com 
indenização por danos morais ajuizada na vigência do CPC/2015, o autor 
descreve que, em razão de um acidente, ficou incapacitado para exercer sua 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 144 
profissão, tendo requerido junto à seguradora a indenização constante de 
l usulaà o t atualà ueàp ev à o e tu aàpo à i apa idadeàpo àa ide te ,àse à
distinção se total ou parcial. Negado o pedido na esfera administrativa, o 
autor pleiteia o pagamento da indenização por incapacidade total ou, caso, 
assim não se entenda, proporcional ao grau de lesão a ser apurado em perícia. 
Em qualquer hipótese, requer o pagamento de indenização por danos morais 
em decorrência da negativa, que lhe teria causado vários percalços e 
constrangimentos. Considerando a situação apresentada, responda as 
seguintes indagações, fundamentando adequadamente. a) Identifique a causa 
de pedir remota e a causa de pedir próxima no caso indicado, conceituando-
as e fazendo a distinção entre ambas. b) Considerando os pedidos formulados 
pelo autor, identifique, conceitue e explique as modalidades de cumulação 
apresentadas e os respectivos pedidos. c) Entendendo ser o caso de 
indeferimento de plano de toda a petição inicial, como deve proceder o 
magistrado? Quais os atos processuais que deverão ser praticados? d) Se, 
diversamente da hipótese anterior, o juiz mandar processar a demanda e, ao 
final, proferir sentença de mérito acolhendo o pedido indenizatório de 
cobertura securitária integral, mas se omitindo em relação à apreciação do 
pedido de indenização por danos morais, mesmo após a oposição de 
embargos de declaração, alegada a omissão, em recurso de apelação, é 
obrigatória a anulação da sentença pelo tribunal caso efetivamente 
constatada? e) Ao proferir a sentença de mérito, o juiz pode incluir juros 
contratuais e correção monetária de ofício no caso de acolhimento dos 
pedidos formulados? Transitada em julgado a sentença e havendo omissão 
quanto aos honorários advocatícios, pode ser pleiteada tal verba 
autonomamente? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A causa de pedir remota é composta pelos fatos ou pelo conjunto de 
fatos narrados pelo autor. No caso, incumbe ao autor demonstrar os fatos 
constitutivos do seu direito (o contrato celebrado com a seguradora e o 
acidente que o deixou incapacitado para exercer sua profissão) e o fato 
praticado pela ré supostamente violador deste direito (a recusa administrativa 
do pagamento da indenização que lhe gerou vários percalços e 
constrangimentos). 
Difere a causa de pedir remota da causa de pedir próxima, que é 
constituída pelos fundamentos jurídicos do pedido, incumbindo ao autor o 
ânus de demonstrar que o fato narrado se enquadra em uma determinada 
categoria jurídica e que as consequências por ele pretendidas são as mesmas 
previstas no ordenamento jurídico (subsunção do fato à norma). 
Não se confunde a fundamentação jurídica com a fundamentação 
(tipificação) legal. Logo, é desnecessária a indicação de dispositivos legais. No 
caso, cabe ao demandante apontar que os fatos narrados configuram 
inadimplemento contratual, o qual gera as consequências pretendidas, ou 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 145 
seja, compelir a seguradora ao adimplemento da obrigação pactuada, além 
dos danos morais suportados. 
A cumulação de pedidos pode ser própria (o autor quer o acolhimento 
de todos os pedidos cumulados) ou imprópria (o autor não pretende o 
acolhimento de todos os pedidos formulados). A cumulação própria, por sua 
vez, pode ser simples (quando o demandante pretende que todos os pedidos 
sejam acolhidos, mas uns não dependem dos outros) ou sucessiva (quando o 
acolhimento de um pedido depende de outro, por haver prejudicialidade entre 
eles). 
Já a cumulação imprópria pode ser alternativa (o autor formula mais 
de um pedido, sendo-lhe indiferente o acolhimento de qualquer um deles) ou 
subsidiária/eventual (o autor pretende o acolhimento do pedido principal, 
sendo que o juiz somente examinará o pedido subsidiário se não acolher o 
principal). 
No caso, foram formulados três pedidos: i) pedido principal: 
pagamento da indenização securitária por incapacidade total; ii) pedido 
subsidiário: pagamento da indenização securitária por incapacidade parcial, 
proporcional ao grau da lesão (art. 326, caput do CPC); iii) pedido sucessivo: 
indenização por danos morais. O autor pretende o acolhimento do pedido 
principal, sendo que somente será examinado o pedido subsidiário se o juiz 
rejeitar o primeiro. 
Acolhido o primeiro, fica prejudicado o segundo. Por outro lado, 
somente se acolhido algum dos dois primeiros pedidos (o principal ou o 
subsidiário), o juiz examinará o pedido sucessivo. 
Em contrapartida, rechaçados os dois primeiros pedidos, fica 
prejudicado o pedido sucessivo. Logo, tem-se no caso apresentado cumulação 
imprópriasubsidiária/eventual e também cumulação própria sucessiva. 
O indeferimento (total) da petição inicial tem natureza de sentença 
(arts. 330 e 485, I do CPC). Antes, porém, verificando que a petição inicial não 
preenche os requisitos legais ou que apresenta defeitos ou irregularidades 
capazes de dificultar o julgamento de mérito, o juiz fixará prazo de quinze dias 
para que o autor emende ou complete a petição inicial, cabendo ao 
magistrado indicar com precisão o que deve ser corrigido ou complementado 
(art. 321, caput do CPC). 
Não sendo cumprida a diligência, a petição inicial será indeferida (art. 
321, parágrafo único do CPC). No entanto, mesmo entendendo ser o caso de 
indeferimento de plano de toda a petição inicial e não ser possível o 
saneamento do vício, nos termos do art. 10 do CPC o juiz deve intimar o autor 
para se manifestar a respeito, sob pena de ofensa à garantia constitucional do 
contraditório ("decisão surpresa"). 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 146 
Aliás, nos termos do art. 317 do CPC, antes de proferir decisão sem 
resolução do mérito, o juiz dev erá conceder oportunidade para a parte, se 
possível, corrigir o vício. Somente depois da manifestação do demandante será 
lícito ao magistrado proferir a sentença. Interposta apelação, o juiz poderá 
retratar-se no prazo de cinco dias (art. 331 do CPC/2015). 
Retratando-se, o processo prosseguirá; caso contrário, o réu será 
citado para responder ao recurso (§ 1°). 
Em caso de omissão na sentença, como consta no enunciado, é cabível 
o manejo dos embargos de declaração (art. 1.022, ll do CPC). Persistindo a 
omissão e interposta apelação, caso efetivamente constatada, o tribunal não 
precisará anular a sentença obrigatoriamente. 
No caso, a sentença é, de fato, nula, por ser citra ou infra petita, pois 
deixou de apreciar o pedido sucessivo formulado (indenização por danos 
morais). Todavia, se o processo estiver em condições de imediato julgamento, 
ou seja, tratando-se de questões unicamente de direito ou, mesmo envolvendo 
questões fáticas, tiver ocorrido a instrução e com o contraditório devidamente 
observado ("causa madura"), o tribunal deve decidir desde logo o mérito 
(art.1.013, § 3° , III do CPC). 
Somente no caso da necessidade de produção de provas se exigirá a 
declaração de nulidade da sentença e o retorno dos autos ao juízo a quo. 
Como regra, o pedido deve ser certo (art. 322, caput do CPC) e 
determinado (art. 324, caput do CPC). Certo é o pedido que é expresso, 
explícito, seja no que tange ao pedido imediato (tutela jurisdicional pleiteada), 
seja no que diz respeito ao pedido mediato (bem da vida postulado). 
Como a jurisdição é inerte e somente atua mediante provocação (art. 
2° do CPC), ou seja, nos limites da pretensão trazida à apreciação judicial, são 
vedados, em regra, os denominados "pedidos implícitos". 
Excepcionalmente, no entanto, são admitidos os "pedidos implícitos", 
que não dependem de formulação expressa. Dentre eles, o art. 322, § 1° do 
CPC, dispõe que são compreendidos no principal os juros legais, a correção 
monetária e as verbas de sucumbência, inclusive os honorários advocatícios. 
Logo, ao proferir a sentença de mérito, o juiz pode incluir a correção 
monetária de ofício, mas não os juros contratuais, que dependem de pedido 
expresso, porquanto o dispositivo legal expressamente prevê a inclusão dos 
juros legais. 
 Quanto aos honorários advocatícios, o art. 85, § 18 do CPC contempla 
a regra de que, transitada em julgado a sentença que foi omissa quanto aos 
honorários advocatícios ou ao seu valor, será cabível demanda autônoma para 
sua definição e cobrança, de modo que tal verba não poderá ser acrescentada 
na liquidação ou no cumprimento de sentença. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 147 
 
MINISTÉRIO PÚBLICO ESTADUAL - MPE-PR - 2017 - MPE-PR 
Tendo em vista a exigência legal de fundamentação das decisões judiciais, 
prevista no art. 489, § 1º, do Código de Processo Civil, explique o que significa 
a determinação do inciso II, de que o magistrado deve explicar o motivo 
concreto da incidência de conceitos jurídicos indeterminados em determinado 
caso. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
Karl Engisch define os conceitos jurídicos indeterminados como aqueles 
"cujo conteúdo e extensão são em larga medida incertos". O autor destaca 
que a atividade do julgador de determinação desses conceitos configura 
interpretação da lei, pois estão delimitados por molduras legais. 
Nessa linha, somente pela fundamentação da decisão é que se torna 
possível compreender o que o magistrado entendeu a partir do conceito 
jurídico indeterminado. 
Para que não haja ausência de fundamentação, é preciso que o juiz 
explique o que ele entende pelo conceito jurídico indeterminado e a sua 
relação com o caso concreto. O dispositivo destaca essa dupla necessidade 
interpretativa e argumentativa: explicar o que significa o conceito e como ele 
se relaciona com o caso sob julgamento. 
 
MAGISTRATURA DO TRABALHO - TST - 2018 - FCC 
Havendo condenação transitada em julgado no Direito Processual Civil, a 
liquidez ou a iliquidez, como sabemos, é da obrigação, não obstante a teoria 
processual comumente associe tais qualidades a decisão. Feita essa ressalva, 
vamos adotar as expressões "decisão líquida" e "decisão ilíquida", para a 
compreensão do tema e para a resposta das questões propostas: em relação a 
decisão condenatória, responda: 1. Qual seu conceito? 2. Quando ele é 
líquida? 3. Quando é ilíquida? Já em relação a liquidação de sentença, 
responda: 4. Qual seu conceito? 5. Qual a sua natureza? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
1- a. O reconhecimento do direito pretendido; b. A imposição ao condenado do 
comprimento de uma prestação( entrega de coisa, fazer ou não fazer, pagar 
quantia certa); c. A eficácia executiva (tutela executiva) em caso de inércia do 
condenado no cumprimento da condenação; d. A decisão condenatória pode 
ser líquida ou ilíquida. 
2. Deve mencionar que a decisão líquida defina integração mente a prestação 
que deve ser cumprida e foi certificada na decisão, especificando os 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 148 
elementos: a. a existência da dívida (an debeatur); b. a quem é devido (cui 
debeatur); c. Quem deve (quis debeat); d. O que é devido ( quid debeatur); e. 
Quando o objeto da prestação for suscetível de quantificação, a quantidade 
devida ( quantum debeatur) 
3. decisão ilíquida: a. Não estabelece o montante da prestação (quando o 
objeto for suscetível de quantificação, deixa de expressar quantidade) ou 
quando deixa de individualizar o objeto da prestação (quid debeatur). 
4. Atividade cognitiva que tem como finalidade determinar, com precisão, a 
integralidade da prestação que deve ser cumprida. 
5. A liquidação pode ser classificada como ação ou procedimento realizado 
ainda na fase de conhecimento, de natureza constitutivo integrativa, com 
vistas a encontrar os elementos definidores da prestação tornando exequível o 
título condenatório, ou de natureza meramente declaratória, com vistas a 
aclamar os elementos ainda não agregados ao título executivo. 
 
 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 149 
RECURSOS 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/PR – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
A doutrina tem afirmado que o recurso de apelação do Código de Processo 
Civil de 2015 configura exceção à regra da unirrecorribilidade das decisões 
judiciais. Por quê? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Denomina-se apelação o recurso que classicamente é utilizado para 
impugnar sentenças que resolvam o processo, enfrentando ou não o seu 
mérito (exceção feita aos procedimentos dos juizados especiais, cujas 
sentenças desafiamrecurso chamado de inominado, já que a lei específica não 
concedeu uma nomenclatura própria). 
 Vale dizer: contra a decisão judicial, proferida pelo juízo de primeira 
instância, que der fim ao processo judicial, deverá ser interposto o recurso de 
apelação, consoante expressa disposição do art. 1.009 do CPC. Essa 
determinação é decorrente de dois princípios da teoria geral dos recursos, 
necessários para manter a coerência de nosso sistema processual: a 
singularidade e a taxatividade. 
 A singularidade recursal determina que deve existir um recurso possível 
para cada decisão judicial recorrível e, também, que cada recurso deve ter por 
objeto uma determinada decisão. Ademais, a taxatividade recursal exprime 
que os recursos passíveis de serem utilizados são aqueles presentes em lei. Em 
conjunto, os dois princípios permitem que as partes tenham segurança para 
saber quais decisões devem ser impugnadas e quando o devem ser 
imediatamente, sob pena da perda do direito à revisão do tema. 
 Note-se que os princípios expostos acima têm por finalidade propiciar o 
bom andamento do processo, proporcionando que a regular marcha 
processual ocorra sem a paralisação contínua para revisão, indefinidamente, 
de todos os temas já decididos. A essa necessidade de estabilização dos 
assuntos decididos dá-se o nome de preclusão, ou seja, a impossibilidade de 
revisão de determinada questão já decidida ao longo do processo. 
 Atualmente, pode-se determinar que a unirrecorribilidade apresenta 
uma clara exceção, por intermédio do novo regramento conferido ao recurso 
de apelação. Com efeito, o art. 1.009, §1º do CPC determina que as questões 
decididas antes da sentença, caso suas decisões não estejam sujeitas a agravo 
de instrumento, não estarão sujeitas à preclusão e deverão ser suscitas em 
preliminar de apelação (ou de contrarrazões). Portanto, caso uma 
determinada questão seja decidida em uma decisão interlocutória, mas não 
seja passível de impugnação por agravo de instrumento (cujo rol taxativo de 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 150 
cabimento encontra-se no art. 1.015 do CPC), ela poderá ser arguida em sede 
de apelação. 
 Dessa maneira, a apelação, no atual CPC, configura exceção à 
unirrecorribilidade por ser capaz de veicular matérias presentes na sentença e, 
também, em decisões interlocutórias não passíveis de ensejar a interposição 
de agravo de instrumento. Trata-se de uma clara inovação do atual CPC, que 
tem por escopo evitar que o processo seja interrompido para se renovar a 
discussão de temas que o legislador considerou menos importantes (os quais 
poderiam esperar o encerramento do processo em primeira instância para 
serem rediscutidos). 
 GABARITO DA BANCA EXAMINADORA: 
A unirrecorribilidade ou singularidade recursal impõe o uso de uma única 
forma recursal para fins de impugnação de cada espécie de pronunciamento 
judicial. Por um lado, esse princípio decorre da taxatividade, pois há um meio 
recursal para cada pronunciamento ou capítulo decisório. De acordo com a 
natureza do provimento, há uma modalidade recursal adequada cabível. No 
entanto, a apelação do Código de 2015 tem fins de impugnação concentrada 
de questões interlocutórias, por força do art. 1.009, § 1º, do Código de 
Processo Civil de 2015. Assim, a insurgência contra duas ou mais decisões (a 
sentença e decisões interlocutórias não agraváveis) se dá com o manejo de 
um único recurso. 
 
ADVOGADO – PETROBRAS/TRANSPETRO - 2018 – CESGRANRIO 
 Um cidadão promoveu ação com pedido condenatório baseado na prática de 
ato ilícito por um agente de trânsito municipal. O réu foi citado e apresentou 
defesa, que teve como um dos fundamentos a intervenção de terceiros. Seu 
requerimento foi rejeitado, havendo recurso. Após efetuada a instrução 
comprovada, restou a responsabilidade do município. A sentença condenou o 
réu em valores separados pela natureza dos danos avaliados, sendo o total 
superior a mil salários mínimos. Além disso, fixou os honorários em quantia 
fixa de R$ 1.000,00. Apresentado o recurso cabível, este foi conhecido e 
improvido. Decorrido o prazo legal, iniciou-se a execução do julgado e foi 
apresentada defesa prevista. Analise o caso exposto e proceda da seguinte 
forma: (valor: 10,0 pontos) a) descreva os recursos que foram apresentados 
b) apresente o modo como se deve proceder à execução c) defina quais são os 
critérios para fixação de honorários no caso em exame d) explique se caberia 
remessa necessária 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
O primeiro recurso foi o agravo de instrumento. O segundo recurso 
apresentado foi a apelação. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 151 
A execução é cumprimento de sentença que reconheça a exigibilidade 
de obrigação de pagar contra a Fazenda Pública, no caso o município. O 
regime de pagamento é o denominado precatório ou requisição de pequeno 
valor. Nesse caso ocorrerá a intimação do representante judicial da Fazenda 
Em relação aos honorários, existe regra específica: a fixação dos 
honorários observará os critérios estabelecidos nos incisos I a IV do § 2o do 
art. 85 do CPC e os seguintes percentuais: o mínimo de dez e máximo de vinte 
por cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido até 
200 (duzentos) salários-mínimos; o mínimo de oito e máximo de dez por cento 
sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 200 
(duzentos) salários-mínimos até 2.000 (dois mil) salários mínimos; o mínimo 
de cinco e máximo de oito por cento sobre o valor da condenação ou do 
proveito econômico obtido acima de 2.000 (dois mil) salários-mínimos até 
20.000 (vinte mil) salários mínimos; o mínimo de três e máximo de cinco por 
cento sobre o valor da condenação ou do proveito econômico obtido acima de 
20.000 (vinte mil) salários-mínimos até 100.000 (cem mil) salários mínimos; o 
mínimo de um e máximo de três por cento sobre o valor da condenação ou do 
proveito econômico obtido acima de 100.000 (cem mil) salários-mínimos. A 
fixação de honorários ocorre em cascata. 
A remessa necessária está sujeita ao duplo grau de jurisdição, não 
produzindo efeito senão depois de confirmada pelo tribunal a sentença. Sendo 
o município réu e a condenação superior a cem salários mínimos, caberá o 
duplo grau de jurisdição obrigatório ou remessa necessária. 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA – MPE/PR - 2016 – BANCA PRÓPRIA 
O Código de Processo Civil de 2015 superou, ou ao menos restringiu, a 
proibição da reformatio in pejus no âmbito recursal? Aponte e explique pelo 
menos dois pontos do Código que sustentam sua resposta. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
A proteção de reformatio in pejus não é mais considerada uma regra 
absoluta no direito processual civil. O Código de Processo Civil oferece, ao 
menos, três hipóteses que confirmam a resposta. São eles: art. 85, § 11º, que 
dispõe sobre a fixação de honorários advocatícios em sede recursal; o art. 
1.009, § 1º, que permite a impugnação de questões não cobertas pela 
preclusão em sede de contrarrazões de apelação; art. 1.013, III, que permite o 
imediato julgamento do mérito, pelos tribunais, ainda que não tenha sido 
apreciado pelo juízo de primeiro grau; art. 1.013, § 4º, que permite o 
julgamento do mérito quando o acórdão reforma sentença que reconheceu 
prescrição ou decadência; dentre outros dispositivos que também podem ser 
apresentados. 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 152 
 
PROMOTOR DE JUSTIÇA - MPE/MG – 2017 – BANCA PRÓPRIA 
Com relação aos recursos interpostos contra decisões publicadas antes de 
17/03/2016 (entrada em vigor do novo Código de Processo Civil), mas cujo 
julgamento ocorrerá após o início da vigência do novo diploma, indaga-se: a) 
No que tange ao juízo de admissibilidade do recurso, qual deveráser o Código 
de Processo Civil aplicado? b) Além disso, devem incidir, à espécie, os 
dispositivos previstos no art. 932, parágrafo único, e 1.029, § 3º, ambos do 
atual Código de Processo Civil? As respostas, além de devidamente 
fundamentadas, deverão trazer o posicionamento atual do STJ a respeito do 
tema em comento. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
E à elaç oàaoàite à a ,àde e àse àapli adoàoàC digoàdeàP o essoàCi ilà
de 1973. No ano de 2016, o STJ aprovou uma série de entendimentos 
administrativos orientadores para a transição do CPC de 1973 para o CPC de 
2015. 
Um primeiro enunciado menciona que o CPC de 2015 entrou em vigor 
em 18/03/16. Outro enunciado aduziu que aos recursos interpostos com 
fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 
2016), devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele 
prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do 
Superior Tribunal de Justiça. 
Esse entendimento baseia-se no princípio tempus regit actum, que veio 
a ser positivado no art. 14 do CPC de 2015. Por ele, as normas de caráter 
processual possuem aplicação imediata aos processos em curso. Assim, 
considerando que a data da publicação da sentença recorrida é o momento 
em que o recorrente tem a exata compreensão da extensão dos fundamentos 
da decisão que buscará impugnar, tem-se que a lei a reger o recurso será a 
vigente na data da citada publicação. Diante disso, as decisões publicadas na 
vigência do CPC de 1973 deverão ser objeto de recurso com base nas 
disposições daquele código. 
A interpretação dada pelo STJ decorre do fato de que o art. 1.045 do 
CPC de 2015 estabeleceu que o código entra em vigor após decorrido um ano 
da data de sua publicação oficial, publicação essa que se operou em 17 de 
março de 2015. A Lei Complementar nº 95/98, que dispõe, dentre outros, 
sobre a elaboração, a redação, a alteração e a consolidação das leis, 
estabelece no art. 8º, §1º, que a contagem do prazo para entrada em vigor 
das leis que estabeleçam período de vacância far-se-á com a inclusão da data 
da publicação e do último dia do prazo, entrando em vigor no dia subsequente 
à sua consumação integral. Já o art. 8º, §2º da mesma norma menciona que 
asàleisà ueàesta eleça àpe íodoàdeà a iaàde e oàutiliza àaà l usulaà estaà
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 153 
lei entra em vigor após decorridos o número de dias de sua publi aç oàofi ial à
Esse comando tem por foco evitar incertezas quanto ao cômputo do período 
de vacatio legis. 
Tendo em vista que o art. 1.045 do CPC se distanciou da regra prevista 
no art. 8º, 2º, da Lei Complementar nº 95/98, convém buscar no ordenamento 
jurídico legal regra que estabeleça a contagem do prazo de um ano. A Lei nº 
810/49 dispõe em seu art. 1º que considera-se ano o período de doze meses 
contado do dia do início ao dia e mês correspondentes do ano seguinte. No 
mesmo sentido, o art. 132, §3º, do CC preconiza que os prazos de meses e 
anos expiram no dia de igual número do de início, ou no imediato, se faltar 
exata correspondência. 
JURISPRUDÊNCIA RELACIONADA: 
(...)1. Observando o disposto na Lei n. 810/1.949 c/c Lei Complementar 
95/1.998, a vigência do novo Código de Processo Civil, instituído pela Lei n. 
13.105, de 16 de março de 2015, iniciou-se em 18 de março de 2016 
(Enunciado Administrativo n. 1, aprovado pelo Plenário do Superior Tribunal 
de Justiça em 2/3/2016). 2. À luz do princípio tempus regit actum, esta Corte 
Superior há muito pacificou o entendimento de que as normas de caráter 
processual têm aplicação imediata aos processos em curso, regra essa que 
veio a ser positivada no ordenamento jurídico no art. 14 do novo CPC. 3. Em 
homenagem ao referido princípio, o Superior Tribunal de Justiça consolidou o 
entendimento de que a lei a reger o recurso cabível e a forma de sua 
interposição é aquela vigente à data da publicação da decisão impugnada, 
ocasião em que o sucumbente tem a ciência da exata compreensão dos 
fundamentos do provimento jurisdicional que pretende combater. 
Precedentes. 4. Esse entendimento foi cristalizado pelo Plenário do Superior 
Tribunal de Justiça, na sessão realizada dia 9/3/2016 (ata publicada em 
11/3/2016), em que, por unanimidade, aprovou a edição de enunciado 
administrativo com a seguinte redação: "Aos recursos interpostos com 
fundamento no CPC/1973 (relativos a decisões publicadas até 17 de março de 
2016) devem ser exigidos os requisitos de admissibilidade na forma nele 
prevista, com as interpretações dadas, até então, pela jurisprudência do 
Superior Tribunal de Justiça" (Enunciado Administrativo n. 2, aprovado pelo 
Plenário do Superior Tribunal de Justiça em 9/3/2016) (...)AgRg no AGRAVO 
EM RECURSO ESPECIAL Nº 849.405 – MG. STJ. 
 
PROCURADOR AUTARQUICO - UNICAMP - 2018 – VUNESP 
 Considere a seguinte situação hipotética: Cássio tomou emprestado de 
Renato R$ 5.000,00 (cinco mil reais), de modo que o mútuo foi formalizado 
por meio de instrumento particular de confissão de dívida. Cássio deveria 
devolver a quantia em 1o de agosto de 2018, mas não o fez. Em 5 de agosto 
de 2018, Renato cobrou Cássio, via e-mail. Cássio respondeu ao e-mail, em 6 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 154 
de agosto de 2018, reconhecendo expressamente a dívida e informando que 
pagaria em 10 de agosto, juntamente com a multa acordada entre as partes. 
a) A cobrança realizada por Renato, em 5 de agosto de 2018, é causa de 
interrupção da prescrição? E o e-mail enviado por Cássio, em 6 de agosto de 
2018? Responda fundamentadamente. b) Suponha que Cássio não pague 
Renato e este opte por ajuizar uma ação para cobrá-lo. Se a pretensão de 
Renato estiver prescrita, poderá o magistrado reconhecer a prescrição de 
ofício, antes mesmo da citação de Cássio? Qual seria o recurso cabível contra 
essa hipotética decisão? Responda fundamentadamente. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
E à elaç oà aoà ite à a ,à aà espostaà à egati a,à aà o a çaà ealizadaà
por Renato, em 5 de agosto de 2018, não é causa de interrupção da 
prescrição, por inexistência de previsão legal. Por outro lado, o e-mail enviado 
por Cássio, em 6 de agosto de 2018, é causa de interrupção da prescrição, por 
força do inciso VI do artigo 202 do CC/2002, in verbis: Art. 202. 
A interrupção da prescrição, que somente poderá ocorrer uma vez, dar-
se-á: [...] VI - por qualquer ato inequívoco, ainda que extrajudicial, que importe 
reconhecimento do direito pelo devedor. 
E à elaç oàaoàite à ,àaà espostaà àpositi a,àoà§à ºàdoàa tigoà àdoà
CPC/ àpe iteà ueàoà juizà julgueà li i a e teà i p o ede teàoàpedidoàseà
verificar, desde logo, a ocorrência de decadência ou de prescrição .à 
Em se tratando de uma sentença, o recurso cabível é o recurso de 
apelação (artigo 332, § 2º, c/c artigo 1.009 do CPC/2015). 
 
PROCURADOR DO ESTADO - PGE/CE – 2004 - CESPE 
Carlos propôs contra Frederico ação de execução de contrato, assinado por 
duas testemunhas, pelo qual este assumira dívida no valor de R$ 5.000,00, 
vencida e não-paga. Citado, o executado, assim tido por advogado do 
sindicato e beneficiário da justiça gratuita, opôs embargos, alegando haverem 
os contratantes firmado outro contrato, posterior àquele, pelo qual 
substituíram a obrigação anterior, e requereu a produção de prova do 
alegado. O juiz indeferiu a produção de provas e julgou antecipadamente a 
lide, dando pela improcedência dos embargos opostos. O réu apelou da 
sentença no 18.º dia do prazo, não tendo o juiz recebido o recurso, por 
considerá-lo intempestivo. Transitada em julgado a sentença, Frederico 
pretende desconstituí-la, seja por violação à lei civil que admite a extinção de 
obrigação quando nova obrigação é assumida em seu lugar, seja porque o juiz 
agiu equivocadamente ao encerrar prematuramente o feito, sem dar 
oportunidade para que o embargante produzisseas provas requeridas. Diante 
da situação hipotética acima relatada, redija um texto dissertativo em 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 155 
resposta aos seguintes questionamentos. 1- O recurso interposto pelo 
embargante contra a sentença que julgou improcedente os embargos no 18.º 
dia do prazo recursal foi interposto tempestivamente? 2- Qual o recurso 
cabível contra a decisão do juiz que inadmitiu o apelo? 3- Após o trânsito em 
julgado da sentença, existe algum procedimento cabível para desconstituir o 
título em comento? Em caso positivo, especifique o nome da medida, o prazo 
para propositura e o órgão judicial perante o qual deverá ser proposta. 4- 
Qual ou quais os fundamentos para a eventual desconstituição da sentença? 
5- Que pedido ou pedidos deverão ser feitos? 
SUGESTÃO DE RESPOSTA 
Os embargos à execução serão julgados por sentença, nos termos do 
art. 920, III do CPC. Sendo julgados por sentença, o recurso cabível para sua 
impugnação será o recurso apelatório, interposto no prazo de quinze dias, 
conforme os arts. 1.003, §5º; e 1.009, caput do CPC. Assim, o recurso de 
apelação interposto no 18º dia do prazo seria intempestivo. 
No que diz respeito ao cabimento de recuso contra decisão do juiz de 
primeiro grau que inadmite apelação, com o advento da novel Legislação 
Processual Civil, o juiz de primeiro grau não possui mais competência funcional 
para proferir qualquer juízo de admissibilidade recursal. Ele deve apenas 
intimar a parte recorrida para contrarrazoar o recurso no prazo de quinze dias 
e, ato contínuo, encaminhar a apelação ao Tribunal para julgamento, nos 
termos do art. 1.010 do CPC. 
Assim, no presente caso, tal decisão seria insusceptível de recurso. 
Todavia, em face da usurpação pelo juiz de primeiro grau da competência do 
Tribunal de Justiça para efetuar o juízo de admissibilidade recursal, seria 
possível o ajuizamento de reclamação no Tribunal para preservação de sua 
competência, nos moldes do art. 988, I do CPC, bem como com supedâneo no 
entendimento doutrinário mais abalizado. 
No caso em comento, da sentença transitada em julgado cabe ação 
rescisória no prazo de dois anos, contados do trânsito em julgado da ação, por 
manifesta violação à norma jurídica, nos termos do art. 966, V e 975 do CPC. 
A ação deverá ter como pedidos a rescisão do julgado impugnado de 
primeiro grau e a proclamação de uma nova sentença, nos termos do art. 968, 
I do CPC. A competência para processar e julgar essa ação será originária do 
Tribunal de Justiça ao qual está vinculado o julgador de primeira instância, 
conforme rezam as Constituições Estaduais e o art. 125, §1º da CFRB. 
Na hipótese em tablado, a violação à norma substantiva civil é 
reluzente, especialmente quando nos deparamos com a redação do art. 360, I 
do CC, proporcionando a extinção da obrigação executada pelo instituto da 
novação, bem como ocasionando a impossibilidade de execução do título em 
razão de sua inexigibilidade, violando o art. 783 do CPC. Outrossim, verifica-se 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 156 
a violação ao art. 370, parágrafo único do CPC, haja vista a 
imprescindibilidade de tal prova para o escorreito julgamento do mérito dos 
embargos à execução, não reputando-se tal requerimento inútil ou 
protelatório. 
Em síntese, será cabível ação rescisória do julgado com supedâneo no 
art. 966, V do CPC, haja vista a manifesta violação aos arts. 783 e 360 do CPC; 
e 360, I do CC. Deve ser requerida a rescisão do julgado de primeiro grau para 
que o Tribunal de Justiça julgue novamente os embargos à execução para lhe 
dar procedência em razão da inexigibilidade do título por ocorrência de 
novação da obrigação, importando em extinção da primeira obrigação 
contratual executada. 
REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA: 
DIDIER JR, Fredie. Curso de Direito Processual Civil. v. 3. 13. Ed. Salvador: 
Editora JusPodvm, 2016. 
 
ADVOGADO – BNDES – 2013 – CESGRANRIO 
Um juiz de direito, ao julgar procedente uma ação ordinária ajuizada pela 
empresa AA & BB contra a empresa CC & DD, declarou, incidenter tantum, a 
inconstitucionalidade da lei estadual X, que, todavia, não havia sido suscitada 
pelas partes, nem pelo representante do Ministério Público. A empresa CC & 
DD interpôs recurso contra a sentença, sustentando a constitucionalidade da 
lei e alegando, ainda, que (i) o juiz não poderia ter declarado a 
inconstitucionalidade de ofício e que, ainda que fosse possível, (ii) não poderia 
ter declarado a inconstitucionalidade daquela lei X, porque o STF já havia 
reconhecido a constitucionalidade de lei de conteúdo idêntico, embora de 
outro Estado. Em segunda instância, a 1ª Câmara Cível do Tribunal de Justiça, 
em cumprimento à regra do art. 97, CRFB, encaminhou a questão 
constitucional ao órgão especial, que, por maioria (absoluta), decidiu pela 
inconstitucionalidade da lei X. Em relação ao caso apresentado, explique se a) 
o juiz poderia ter declarado de ofício a inconstitucionalidade de uma lei. b) o 
juiz poderia ter declarado a inconstitucionalidade da lei X, considerando-se a 
jurisprudência do STF informada pela empresa ré. c) o órgão fracionário 
deveria ter levado a questão ao órgão especial. d) cabe opor embargos 
infringentes da decisão do órgão especial. e) cabe interpor Recurso 
Extraordinário da decisão do órgão especial. 
SUGESTÃO DE RESPOSTA: 
 Inicialmente, importante enfatizar o fato de que o STF possui 
entendimento no sentido de que é possível o uso de ação civil pública para que 
haja a declaração de inconstitucionalidade de uma norma, mas desde que na 
via difusa e que seja imprescindível para o deslinde da demanda. Logo, em 
Questões Discursivas – www.questoesdiscursivas.com.br 
E-book comprado por Júlia Valadão - CPF: 083.403.526-01 
 
 
 157 
sede de ação civil pública ou não, o controle difuso não é possível quando o 
autor deduzir pretensão efetivamente destinada a viabilizar o controle 
abstrato de constitucionalidade de determinada lei ou ato normativo. 
 O controle de constitucionalidade difuso (também denominado 
concreto ou incidental), caracteriza-se pela verificação de uma questão 
concreta de inconstitucionalidade, isto é, de dúvida quanto à 
constitucionalidade a ser aplicado em um caso submetido à apreciação do 
Poder Judiciário. Acerca do controle de ofício, a doutrina majoritária entende 
que o juiz pode sim declarar, de forma incidental, a inconstitucionalidade 
(controle difuso). O juiz singular deve observar o problema e, se encontrar lei 
ou ato normativo contrário à Constituição, que tenha relação com a causa, 
possui a obrigação funcional de se manifestar, decretando a invalidade da lei 
ouà doà atoà o ati o.à Logo,à e à elaç oà aoà ite à a ,à ple a e teà possível a 
declaração de ofício. 
 Noà ueà ta geà aoà ite à ,à i po ta teà f isa à ueà oà h à informação 
quanto ao reconhecimento de constitucionalidade pelo STF: se ocorreu em 
sede de controle abstrato (ADI julgada improcedente) ou concreto (recurso 
extraordinário, mandado de segurança, habeas corpus, etc). De qualquer 
forma, o juiz poderia, como dito, declarar a inconstitucionalidade da lei X. Se a 
decisão do STF ocorreu em controle concreto, o efeito restringe-se às partes. 
Já se a decisão ocorreu em controle abstrato, restringe-se à lei objeto da ação 
(que não foi a lei X), pois o STF não aceita a teoria da transcendência dos 
motivos determinantes. 
 E à elaç oà aoà ite à ,à oà g oà f a io ioà de e iaà te à le adoà aà
questão ao órgão especial. De acordo com o art. 97 da CRFB, somente pelo 
voto da maioria absoluta de seus membros ou dos membros do respectivo 
órgão especial poderão os tribunais declarar a inconstitucionalidade de lei ou 
ato normativo do Poder Público. 
 Noà ueàto aàaoàite à d ,àaàde is oàdoàple ioàouàdoà g oàespe ialà
limita-se ao incidente de inconstitucionalidade.

Mais conteúdos dessa disciplina