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<p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Guia de campo e laboratório</p><p>SÉRIE LIVROS</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Guia de campo e laboratório</p><p>Eduardo Hajdu</p><p>† Solange Peixinho</p><p>Júlio C.C. Fernandez</p><p>Com prefácio de</p><p>Marlene C. Peso-Aguiar</p><p>Museu Nacional</p><p>Rio de Janeiro</p><p>2011</p><p>H129 Hajdu, Eduardo, 1964-</p><p>Esponjas marinhas da Bahia: guia de campo e laboratório / Eduardo</p><p>Hajdu, Solange Peixinho, Júlio C. C. Fernandez ; com prefácio de Marlene</p><p>C. Peso Aguiar. – Rio de Janeiro: Museu Nacional, 2011.</p><p>276 p. : il. color., mapa ; 24 cm. – (Série Livros ; 45)</p><p>Bibliografia: p. 272-276.</p><p>ISBN: 978-85-7427-041-8</p><p>1. Esponjas – Bahia – Identificação. I. Peixinho, Solange. II. Fernandez,</p><p>Júlio C.C. III. Museu Nacional (Brasil). IV. Título. V. Série.</p><p>CDD 593.4098142</p><p>Universidade Federal do Rio de Janeiro</p><p>Reitor – Prof. Carlos Antônio Levi da Conceição</p><p>Museu Nacional</p><p>Diretora – Claudia Rodrigues Ferreira de Carvalho</p><p>Comissão de publicações do Museu Nacional</p><p>Editores – Miguel Angel Monné Barrios e Ulisses Caramaschi</p><p>Editores de Área – Adriano B. Kury, Ciro A. Ávila, Claudia P. Bove, Débora O. Pires, Guilherme</p><p>R.S. Muricy, Izabel C.A. Dias, João A. Oliveira, João W.A. Castro, Marcela L.M. Freire, Marcelo A.</p><p>Carvalho, Marcos Raposo, Maria D.B.G. Oliveira, Marília L.C.F. Soares, Rita S. Ybert, Vânia G.L.</p><p>Esteves</p><p>Normalização – Edson Vargas da Silva e Leandra de Oliveira</p><p>Diagramação e Arte Final – Lia Ribeiro</p><p>Serviços de Secretaria - Thiago Macedo dos Santos</p><p>Para esta obra:</p><p>Revisores – Eduardo L. Esteves (Poecilosclerida), Gisele Lôbo Hajdu (Introdução, Glossário),</p><p>Mariana S. Carvalho (Astrophorida, Halichondrida), Michelle Klautau (Calcarea), Sula Salani</p><p>(Chondrosida, Hadromerida, Spirophorida, 2a revisão completa), Suzi M. Ribeiro (Haplosclerida),</p><p>Ulisses S. Pinheiro (Dictyoceratida, Dendroceratida, Verongida)</p><p>Apoio Editorial – Sula Salani</p><p>Projeto Gráfico – Beatriz Custódio, Eduardo Hajdu</p><p>Diagramação e Arte Final – Beatriz Custódio, Eduardo Hajdu</p><p>Capa – Beatriz Custódio, Eduardo Hajdu</p><p>Desenhos – Júlio C.C. Fernandez, Eduardo Hajdu</p><p>(Eletro)(micro)(foto)grafias – Eduardo Hajdu, Júlio C.C. Fernandez, Gisele Lôbo-Hajdu, Cláudio L.S.</p><p>Sampaio, Carla M. Menegola da Silva, Michelle R.L. Klautau, Bruno Cosme, Márcio R. Custódio,</p><p>Sula Salani, Philippe Willenz, Mariana S. Carvalho</p><p>Coordenadora de DTP – Emma Smith</p><p>MUSEU NACIONAL – Universidade Federal do Rio de Janeiro</p><p>Quinta da Boa Vista, São Cristóvão, 20940-040</p><p>Rio de Janeiro, RJ, Brasil</p><p>Impressão – Sermograf</p><p>Impresso no Brasil / Printed in Brazil</p><p>5</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>AUTORES</p><p>Eduardo Hajdu</p><p>Departamento de Invertebrados, Museu</p><p>Nacional, Universidade Federal do Rio</p><p>de Janeiro, Quinta da Boa Vista, s/n , São</p><p>Cristóvão. 20940–040 Rio de Janeiro, RJ,</p><p>Brasil. E–mail: eduardo.hajdu@gmail.com</p><p>† Solange Peixinho</p><p>Instituto de Biologia, Departamento de</p><p>Zoologia, Universidade Federal da Bahia,</p><p>Campus Universitário, Ondina. 40210–170,</p><p>Salvador, BA, Brasil.</p><p>Júlio C.C. Fernandez</p><p>Instituto de Biologia, Departamento de</p><p>Zoologia, Universidade Federal da Bahia,</p><p>Campus Universitário, Ondina. 40210–170,</p><p>Salvador, BA, Brasil.</p><p>7EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>APRESENTAÇÃO</p><p>O presente trabalho resulta de uma longa convivência com a fauna de esponjas</p><p>marinhas da Bahia, particularmente em zonas rasas de uma região conhecida como</p><p>Recôncavo, a qual circunda a Baía de Todos os Santos. As esponjas aqui descritas</p><p>representam apenas uma parcela, de uma rica e variada fauna de poríferos de regiões</p><p>costeiras da Bahia.</p><p>Estes resultados derivam da colaboração entre pesquisadores das Universidades</p><p>Federais da Bahia (UFBA) e do Rio de Janeiro (UFRJ) no mapeamento da</p><p>biodiversidade de esponjas da Bahia, e nos últimos anos visando também obtenção</p><p>de novos fármacos, em colaboração com a Universidade de São Paulo (São Carlos).</p><p>Vale ressaltar, que entre as aplicações conhecidas das esponjas, sua utilização como</p><p>biomonitoras de qualidade ambiental tem sido bastante divulgada, o que lhes confere</p><p>importante papel como nossas parceiras na preservação dos ambientes marinhos.</p><p>Esperamos com este trabalho suprir uma lacuna no conhecimento deste recurso</p><p>biológico no litoral baiano, facilitando o contato com estes fascinantes organismos, por</p><p>pesquisadores, estudantes, mergulhadores, os mais diversos amantes da natureza, e</p><p>de grande importância para todos, por formadores de opinião e legisladores.</p><p>Na introdução do Guia incluímos uma caracterização do Filo Porifera, elementos</p><p>básicos de sua classificação e filogenia, um apanhado de aspectos ecológicos, uma</p><p>breve caracterização do litoral baiano e dos padrões de distribuição dos poríferos</p><p>na Bahia, no Brasil e no mundo. Ilustrações e descrições curtas, que ressaltam suas</p><p>principais características, são oferecidas para 70 espécies, dentre as mais de 150 já</p><p>registradas para o estado. Este último número inclui algumas espécies de difícil</p><p>acesso, uma vez que ocorrem em maiores profundidades, e não se considerou</p><p>prioritário sua inclusão neste primeiro Guia para as esponjas da Bahia.</p><p>Entretanto, as estimativas do número real de espécies ocorrendo no mar da</p><p>Bahia situam-se na casa das 300, considerando essencialmente aquelas de águas</p><p>relativamente rasas (até os 30-40m de profundidade). Parte significativa destas</p><p>espécies já foi coletada e encontra-se tombada em coleções nacionais de diversidade</p><p>biológica, tais como as do Museu Nacional (UFRJ) e do Museu de Zoologia (UFBA),</p><p>porém permanece desconhecida, no aguardo de mão de obra especializada para sua</p><p>descrição formal e divulgação. Várias das espécies apresentadas neste Guia, apesar</p><p>de sabidamente ocorrendo na Bahia, há tempos, somente agora são pela primeira</p><p>vez apresentadas ao público de forma minimamente detalhada.</p><p>Identificações acuradas de organismos marinhos associam-se geralmente de</p><p>modo íntimo à qualidade de suas descrições originais. Por isso, entre encontrar um</p><p>organismo casualmente, e divulgar à sociedade tal descoberta, pode transcorrer um</p><p>largo período. Descrever detalhadamente uma espécie leva tempo, e mesmo que não</p><p>se constitua apenas em novo registro de ocorrência, tal constatação frequentemente</p><p>depende da interpretação de antigos textos em alemão, francês, inglês e italiano,</p><p>8 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Apresentação</p><p>quando não russo (!), o que por si só já explicaria a demora. Mas no fundo, o maior</p><p>problema resulta de serem muitas as espécies de poríferos, e poucos os taxônomos.</p><p>Como agravante, a Taxonomia é vista por muitos como uma ciência acessória, a tal</p><p>ponto que costumeiramente não se permite que esta seja o cerne de uma tese de</p><p>doutoramento. Como os poucos taxônomos que existem são cobrados pela formação</p><p>e orientação de pós-graduandos que, por sua vez, não podem se concentrar</p><p>exclusivamente em taxonomia (seja porque o curso não permite, seja porque as</p><p>perspectivas de emprego são sombrias), tira-se daí que tampouco o taxônomo</p><p>pode se concentrar naquilo que melhor sabe fazer. Inúmeras vezes, terá de orientar</p><p>em áreas correlatas, como os estudos filogenéticos, ecológicos e biogeográficos,</p><p>essenciais também, mas inevitavelmente reduzindo o ritmo de produção de novas</p><p>descrições.</p><p>Porém, a demanda por identificações acuradas de organismos marinhos vem</p><p>crescendo substancialmente no Brasil, como consequencia da aplicação das leis de</p><p>responsabilidade ambiental, de uma maior conscientização para o valor da natureza</p><p>que nos cerca, e do crescente respeito com as gerações vindouras. Guias de campo</p><p>como o que oferecemos aqui, temos certeza, vêm de encontro à enorme sede de</p><p>informação de nossa sociedade, e esperamos que ressaltem o valor do taxônomo como</p><p>profissional essencial à biodescoberta e ao eficiente (sustentável) aproveitamento</p><p>dos recursos contidos no imenso reservatório da biodiversidade brasileira.</p><p>Eduardo Hajdu</p><p>Solange Peixinho</p><p>Júlio César Cruz Fernandez</p><p>9EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>com maior infestação por</p><p>esponjas escavadoras. Valores semelhantes foram obtidos para o potencial escava-</p><p>dor de Cliona aff. celata Grant, 1826 no litoral norte da Bahia.</p><p>O uso de poríferos como biomonitores de poluição foi proposto em mais de uma</p><p>ocasião, decorrendo de algumas características compartilhadas com outros grupos</p><p>taxonômicos sésseis. Um dos pontos ressaltados é a necessária íntima relação entre</p><p>um organismo filtrador e a qualidade da água filtrada pelo mesmo, sendo comum</p><p>observar-se que ambientes prístinos apresentam maior diversidade, e por vezes me-</p><p>nor abundância de espécies, ao passo que ambientes com algum nível de alteração,</p><p>costumeiramente possuirão menor diversidade, apesar de em alguns casos poder</p><p>abrigar maior abundância destas espécies mais resistentes. Assim, as propostas de</p><p>biomonitoramento incluem tanto o uso de espécies indicadoras, como o de índices</p><p>ecológicos que avaliam a diversidade e representatividade de espécies que integram</p><p>36 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>uma determinada comunidade. Neste caso, alterações nos índices espelhariam alte-</p><p>rações ao meio ambiente.</p><p>Dentre os ambientes mais extremos habitados por esponjas está a região entre-</p><p>marés, sujeita à ampla variação em diversos fatores abióticos. A ocorrência de po-</p><p>ríferos nestes ambientes é mais notável nas partes abrigadas da iluminação direta,</p><p>pois nas marés mais baixas é comum a exposição desta zona à irradiação solar direta.</p><p>Mesmo ao abrigo da luz, estas esponjas ainda precisam estar adaptadas a variações</p><p>significativas na salinidade e no hidrodinamismo. A primeira pode cair drastica-</p><p>mente quando coincidirem chuva e maré baixa, e o segundo, acentua-se a cada maré</p><p>vazante e enchente, potencializado por ventos. Regiões entremarés que se expõe</p><p>regularmente a hidrodinamismo acentuado abrigam esponjas preponderantemente</p><p>sob rochas e blocos calcários, em frestas e túneis nos recifes, ou simplesmente sob</p><p>tufos de algas calcárias de maior rigidez. Neste Guia são apresentadas diversas es-</p><p>pécies que ocorrem na faixa entremarés, como por exemplo Cliona varians, Haliclona</p><p>implexiformis e Tedania ignis.</p><p>Mesmo dentre as comunidades de poríferos de ocorrência restrita ao infralitoral,</p><p>ainda se observa espécies com notada preferência por habitats abrigados da ilumi-</p><p>� Igarapé dos Macacos, Rio Tarumã (afluente do rio Negro – Manaus, AM) na época da seca em</p><p>12/Dez/2006. Espécime da esponja dulciaquícola Drulia browni, de aspecto semelhante a um</p><p>vespeiro preso em um galho (1,5 m acima do solo). Notar abundância de gêmulas (pequenas</p><p>esferas esbranquiçadas). FOTO POR M.R. CUSTÓDIO.</p><p>37EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>nação direta, o que pode decorrer de alguma maior sensibilidade à luz, ou como se</p><p>acredita verdadeiro para a maioria dos casos, por exclusão competitiva. Esponjas</p><p>que crescem expostas à iluminação direta competem com outros grupos faunísti-</p><p>cos e florísticos, dentre os quais muitos se beneficiam diretamente da própria ilu-</p><p>minação para acelerar seu crescimento através da fotossíntese. Algas e macrófitas</p><p>realizam fotossíntese, mas organismos associados a estas também podem se valer</p><p>da técnica para acelerar seu próprio crescimento. Tal feito é uma estratégia bem co-</p><p>nhecida entre os corais hermatípicos (construtores de recifes), mas também entre</p><p>diversas esponjas. A associação com organismos fotossintetizantes observada mais</p><p>comumente entre os poríferos é com as cianobactérias, que costumam atribuir co-</p><p>loração amarronzada ás esponjas. Este é o caso da espécie do complexo Chondrilla</p><p>nucula apresentada neste Guia. Associação com algas eucariotas do tipo zooxantelas,</p><p>como nos corais, se observa na esponja Cliona varians. Em ambos casos, trata-se de</p><p>espécies de ocorrência preponderante em habitats bem iluminados.</p><p>Para uma importante fração das esponjas crescendo nestes ambientes, a defe-</p><p>sa contra predação é possivelmente a conquista mais importante de suas linhagens</p><p>� Ilha do Pati (Madre de Deus, BA) na baixamar de 20/Mai/2008, com diversos espécimes de</p><p>Tedania ignis expostos ao sol. No mesmo ambiente foram observadas ainda outras espécies</p><p>apresentadas neste Guia – Haliclona caerulea, H. implexiformis, H. melana e Tethya maza.</p><p>38 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>evolutivas. Como esponjas não correm, não se retraem rapidamente, e não mordem,</p><p>a defesa precisa ser alcançada por outros meios. E é dentre as plantas, bem como</p><p>entre outros organismos bentônicos sésseis que se encontram adaptações semelhan-</p><p>tes, seja na concha de um molusco ou no veneno de uma planta. As “conchas” dos</p><p>poríferos tratam-se na verdade de crostas espiculares de alta densidade, que visam</p><p>desestimular a predação em consequência de sua dureza. Já os “venenos” são fre-</p><p>quentes entre os metabólitos secundários dos poríferos. A diversidade química é ta-</p><p>manha, que apesar dos 60 anos de estudos mais detalhados sobre o tema, não param</p><p>de surgir novidades. Importantes pesquisas nesta área também são desenvolvidas</p><p>no Brasil, por um lado com uma curiosidade intrínseca pelo ineditismo estrutural de</p><p>diversas moléculas, e por outro, em uma busca incessante por possíveis aplicações</p><p>farmacológicas destas moléculas. Afinal, se o objetivo desta conquista evolutiva foi o</p><p>de proteger as esponjas de seus predadores, porque não verificar se este arsenal não</p><p>poderia proteger a nós também de nossos “predadores” (bactérias, protozoários, ví-</p><p>rus, e até como repelente de tubarões!!)?</p><p>Algumas esponjas encontraram uma solução pitoresca para sua imo-</p><p>bilidade – a epibiose sobre organismos vágeis. As ditas “esponjas móveis”</p><p>ocorrem sobre conchas de moluscos bivalves ou gastrópodes, neste último</p><p>caso frequentemente em conchas habitadas por caranguejos-ermitões, sobre</p><p>caranguejos propriamente ditos, aderidas às carapaças ou carregadas como um cha-</p><p>péu, e sobre espinhos de ouriços. No Brasil, um dos bivalves móveis mais costumei-</p><p>ramente portador de esponjas epibiontes é o pectinídeo (vieira) Lyropecten nodosus</p><p>(Linnaeus, 1758), mas além de raras, as esponjas não ultrapassam 1-2 mm de es-</p><p>pessura. A associação entre esponjas e caranguejos-ermitões é bem conhecida para</p><p>algumas espécies de Suberites Nardo, 1833, principalmente no hemisfério norte. En-</p><p>tretanto, a associação ocorre também no Brasil, já tendo sido registrada do Rio de</p><p>Janeiro até o Rio Grande do Sul. Os caranguejos sobre os quais as esponjas crescem</p><p>aderidas integram principalmente a família Majidae. Não raro, aparentam se tra-</p><p>tar de verdadeiras alegorias, dada a abundância de organismos epibiontes. Já com</p><p>os Dromiidae a relação é diferente, e dotada de sutilezas ainda não perfeitamente</p><p>� Plakortídeo-P, isolado</p><p>da esponja Plakortis</p><p>angulospiculatus (Carter,</p><p>1882) coletada em Salvador</p><p>(BA). A molécula tem</p><p>propriedades antiparasíticas</p><p>(contra Leishmaniose e Mal de</p><p>Chagas), citotóxica moderada e</p><p>antineuroinflamatória. Imagem</p><p>gerada por R.G.S. Berlinck.</p><p>39EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>esclarecidas. Estes caranguejos conseguem recortar esponjas em um formato que</p><p>lhes convenha, segurando-as sobre sua carapaça com auxílio de suas patas posterio-</p><p>res. O interessante é que mesmo esponjas que se danificam marcadamente após sua</p><p>coleta com faca, podem manter-se em aparentem bom estado de saúde sobre estes</p><p>caranguejos. Por exemplo, a espécie Mycale laxissima, apresentada neste Guia, dis-</p><p>solve-se quase que por completo em muco após cortada e manuseada durante uma</p><p>coleta. Entretanto, já foi vista sobre caranguejos dromiideos em bom estado, apesar</p><p>de supostamente terem sido seccionadas pelos mesmos. Outra espécie vista mais de</p><p>uma vez sobre estes caranguejos é Dysidea etheria, também apresentada neste Guia.</p><p>Em resumo, esponjas integram uma intricada teia de relações interdependentes,</p><p>da qual fazem parte desde as bactérias que lhes servem de alimento, passando por</p><p>uma ampla gama de competidores por espaço, com destaque para algas em habitats</p><p>bem iluminados, ou outras esponjas em ambientes semiobscuros, até seus preda-</p><p>dores diretos mais notáveis, como alguns equinodermos, peixes-anjo ou mesmo as</p><p>tartarugas de pente. Estimou-se que os poríferos ocorrendo em um típico recife de</p><p>coral têm a capacidade de filtrar em 24 h, toda a coluna d’água sobre o recife, o</p><p>que dá uma dimensão da importância destes organismos para a comunidade recifal</p><p>como um todo. Como recorrente em diversos outros organismos, esponjas também</p><p>se dividem entre oportunistas e especialistas. As primeiras, frequentemente mais</p><p>abundantes, mais amplamente e homogeneamente distribuídas, e as outras, mais</p><p>raras, com manchas de distribuição intercaladas a grandes lacunas.</p><p>Litoral baiano</p><p>Litoral Norte</p><p>Estendendo-se da divisa com o Estado de Sergipe até a cidade de Salvador, na</p><p>entrada da Baía de Todos os Santos, esta costa praticamente retilínea intercala</p><p>amplas restingas e pequenas barras de rios, e é alvo de intensa pressão imobiliária.</p><p>Importantes trechos de recifes de franja observam-se nas proximidades de Praia do</p><p>Forte, Itacimirim, Guarajuba, Arembepe, Jauá, entre outras localidades. Nas marés</p><p>baixas há boas oportunidades de observação e coleta de poríferos na zona entremarés,</p><p>bem como em piscinas de dimensões variadas, que se observa em diversos recifes.</p><p>Baía de Todos os Santos – BTS (Recôncavo)</p><p>Trata-se de uma das maiores baías brasileiras, com aproximadamente 300 km de</p><p>perímetro, 80 km de penetração continente a dentro, e 1223 km2 de superfície. Sua</p><p>barra tem 14 km de extensão, com profundidades que oscilam entre os 25 e 35 m.</p><p>Em sua borda leste destaca-se a escarpa de Salvador, onde se observa também</p><p>uma preponderância de costões rochosos, característica mais frequente na região</p><p>sudeste. Entretanto, dentre os substratos rochosos mais importantes estão os</p><p>quebramares artificiais de proteção do porto da cidade, um com aproximadamente</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>40 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>A</p><p>C</p><p>E</p><p>G</p><p>B</p><p>D</p><p>F</p><p>H</p><p>41EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>900 m de extensão (Quebramar Sul, ou da Capitania dos Portos), o outro com 1300 m</p><p>(Quebramar Norte), onde a abundância de poríferos é uma das maiores observadas</p><p>em todo o Brasil. Todavia, a maior parte do perímetro da BTS está revestida por</p><p>manguesais, sendo possível encontrar esponjas em planícies de marés, tais como nas</p><p>proximidades da Ilha do Pati (ver Aspectos Ecológicos), da Ilha das Fontes e da Ilha</p><p>do Medo. As duas principais ilhas no interior desta baía são a Ilha de Itaparica e a</p><p>Ilha dos Frades. A primeira abriga os únicos e importantes recifes de coral da Baía de</p><p>Todos os Santos – Recife das Pinaúnas e Recife das Caramuanas, respectivamente em</p><p>suas faces leste/sudeste e sul. O Canal de Itaparica, situado entre a ilha e o continente</p><p>a oeste, afunila em rumo sudoeste, apresentando amplos manguesais especialmente</p><p>em suas porções mais estreitas. Algumas espécies de poríferos só foram encontradas</p><p>nesta área.</p><p>É importante assinalar que até a década de 70 o interesse pelas questões</p><p>ambientais no Brasil ainda era muito incipiente, assim, numerosas indústrias se</p><p>A – Piscina do Papagente na Praia do Forte (Mata de São João) em 07/Jun/2009, ilustrando a</p><p>vulnerabilidade das piscinas de maré. Apenas neste dia foram dezenas de visitantes.</p><p>B – Maré baixa e recife arenítico na Praia de Arembepe (Camaçari) em 25/Jul/2006. Sobre o</p><p>recife encontram-se poças e pequenas piscinas de maré, e entre aquele e a praia forma-se</p><p>um ambiente lagunar. Comumente se observa fauna de poríferos distinta nas faces oceânica,</p><p>superior e continental destes recifes, o que se explica em parte pelo menor hidrodinamismo</p><p>enfrentado pela face continental, porém associado a maiores flutuações de temperatura,</p><p>salinidade e turbidêz.</p><p>C – Vista aérea do Porto de Salvador e cercanias, onde estão visíveis alguns dos principais</p><p>pontos de coleta dos materiais apresentados neste Guia: Quebramar Sul (perpendicular à</p><p>costa), Quebramar Norte (paralelo à costa) e Ponta de Humaitá (no canto superior direito).</p><p>D – Quebramar Sul e Ilha de Itaparica (ao fundo), vistos do alto do Elevador Lacerda, na cidade</p><p>alta de Salvador. O acesso a este quebramar necessita de permissão da Capitania dos Portos.</p><p>E – Vista aérea do trecho de costões localizado entre o Farol da Barra (canto inferior</p><p>esquerdo) e a praia do Porto da Barra (canto superior direito) em Salvador, ideal para</p><p>amostragens em apnéia. A maior parte das esponjas apresentadas neste Guia ocorre</p><p>neste setor. Notar recifes paralelos à Praia da Barra (indicados pelo quebrar das ondas –</p><p>extremo inferior da imagem).</p><p>F – Praia do Porto da Barra (Salvador) em 02/Dez/2010, onde se tem o mais fácil acesso ao maior</p><p>número de espécies de poríferos em Salvador, seja para coletas em apnéia seja com SCUBA.</p><p>G – Vista aérea da porção norte da Ilha de Itaparica (Itaparica) em 13/Jun/2009, com Canal de</p><p>Itaparica ao fundo, e Recife das Pinaúnas, uma APA, visível como uma linha clara paralela à</p><p>costa. Esta área foi amostrada muito superficialmente para a realização deste Guia. Supomos</p><p>que a riqueza de poríferos aí seja comparável àquela de Salvador.</p><p>H – Praia do Forte (Itaparica) em 05/Dez/2010. Águas claras e quentes, nutridas por manguesais</p><p>relativamente próximos, localizados ao fundo da BTS e na face continental do Canal de</p><p>Itaparica, fazem da face insular deste canal um ambiente propício ao desenvolvimento de</p><p>poríferos em abundância.</p><p>42</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>A – Ilha do Sapinho na Baía de Camamu (Maraú), em 30/Jul/2009. Localizada próxima à barra da baía,</p><p>a influência do mar aberto atenua as oscilações de salinidade e a alta turbidêz, típicas dos manguesais,</p><p>tornando o local propício ao desenvolvimento de poríferos.</p><p>B – Ilha da Pedra Furada na Baía de Camamu (Maraú), em 30/Jul/2009, ilustrando a mescla de mangue,</p><p>substrato rochoso e águas claras, característico deste setor da Baía de Camamu. Foto por G. Lôbo Hajdu.</p><p>C – Ilha Grande ou Ilha Pequena na Baía de Camamu (Maraú), em 30/Jul/2009, com promontórios</p><p>rochosos conspícuos e mangue pouco desenvolvido. Área de ocorrência de diversas espécies</p><p>apresentadas neste Guia.</p><p>D – Piscinas de Taipú de Fora (Maraú), em 26/Jul/2009, com túneis, canais e amplo habitat lagunar.</p><p>Uma fauna rica, porém pouco abundante, pode ser encontrada no local, que inclui diversas espécies</p><p>apresentadas neste Guia, e diversas outras sequer identificadas.</p><p>estabeleceram em torno da BTS, dentre as quais grandes empresas do setor petroquímico,</p><p>onde vêm lançando dejetos de natureza muito variada. Às atividades industriais somam-se</p><p>outras de origem portuária, turística, e despejos de esgotos domésticos, que vêm causando</p><p>impactos importantes nas comunidades marinhas. Um estudo que avaliou a estrutura de</p><p>comunidades bentônicas de substrato inconsolidado da zona entremarés no fundo da BTS,</p><p>observou um gradiente de estresse, particularmente nas proximidades de uma refinaria</p><p>localizada no município de Madre de Deus.</p><p>A</p><p>C</p><p>B</p><p>D</p><p>43EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>Litoral Sul</p><p>Este é o segmento mais longo da costa da Bahia, com mais de 500 km de extensão e importantes</p><p>feições geomorfológicas. O Litoral Sul abriga os recifes coralinos mais desenvolvidos do</p><p>país, mas também a foz de importantes rios, e os manguesais associados aos estuários que</p><p>aí se formam. Assim como no Litoral Norte, a pressão imobiliária é grande, e o turismo</p><p>crescente. Aí estão alguns dos destinos mais cobiçados do litoral brasileiro – Morro de São</p><p>Paulo, Maraú, Itacaré, Comandatuba, Porto Seguro, Corumbau, Caravelas, dentre outros. Os</p><p>principais rios que deságuam neste setor são o Rio das Contas, o Rio Pardo, o Jequitinhonha</p><p>e o Buranhém. A presença destes rios perenes implica em alterações significativas dos</p><p>parâmetros ambientais, especialmente carga de sedimentos em suspensão, as quais, por sua</p><p>vez, se traduzem em alterações no encaixe dos ecossistemas</p><p>costeiros. Próximo à foz dos rios,</p><p>quando há recifes, estes são costumeiramente areníticos, e não raro, de baixa biodiversidade.</p><p>À relativa distância, a existência dos rios pode ser benéfica por um incremento no aporte de</p><p>nutrientes minerais e orgânicos, e seu efeito em cascata ascendente sobre os diversos elos</p><p>da cadeia alimentar. Estes recifes mais afastados têm maior presença de um componente</p><p>biológico construtor, como corais e algas coralinas. As principais formações recifais neste</p><p>trecho do litoral baiano são as da Costa do Descobrimento (Coroa Alta, de Fora, Itacolomis)</p><p>e as da região de Abrolhos (das Timbebas, Paredes, Abrolhos, Sebastião Gomes, Coroa</p><p>Vermelha, Viçosa). A riqueza de poríferos neste setor está absolutamente subavaliada, com</p><p>apenas alguns poucos registros apresentados neste Guia.</p><p>Padrões de Distribuição de Poríferos</p><p>O entendimento dos padrões atuais de distribuição de poríferos passa pelo estudo de seu</p><p>potencial de dispersão, que aparenta ser bastante limitado na maioria das espécies. Isto</p><p>porque observou-se diversas vezes que as larvas de esponjas, além de ter vida curta, com</p><p>fase livre natante muito rápida, logo em seguida tornam-se demersais, ou seja, rastejantes</p><p>sobre o fundo. Isto explicaria, em parte, a existência de agrupamentos (cenoses) distintos</p><p>de esponjas, mesmo em escala bastante reduzida, também conhecido como padrão de dis-</p><p>tribuição do tipo “colcha de retalhos”, ou em manchas.</p><p>Distribuição Geográfica Global de esponjas marinhas</p><p>Assim como observado em diversos outros grupos de organismos marinhos (táxons), os</p><p>centros de maior riqueza e diversidade de esponjas também estão nos trópicos, e em es-</p><p>pecial, no triângulo formado pelas Filipinas, Papua Nova Guiné e Indonésia, área que</p><p>abarca milhares de ilhas, entre minúsculas e enormes (p.ex. Sumatra, Bornéu), e também</p><p>conhecida como Triângulo dos Corais. Em meados dos anos de 1990, já haviam sido re-</p><p>gistradas cerca de 1000 espécies de poríferos marinhos nesta área, mas a estimativa é que</p><p>o número de espécies que efetivamente ocorrem aí seja no mínimo o dobro ou o triplo.</p><p>Outras grandes áreas notáveis por sua alta riqueza de espécies de poríferos são todo o pe-</p><p>rímetro australiano, o Oceano Índico Ocidental (costa leste da África, Madagascar e uma</p><p>44 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>série de pequenos arquipélagos), o Mar do Caribe e o Mar Mediterrâneo, em ordem</p><p>decrescente de número de espécies. Esta alta diversidade observada neste cinturão</p><p>circumtropical é sugestiva de uma história evolutiva relacionada ao Oceano Tethys,</p><p>que se estendia entre o sul do supercontinente de Laurásia e o norte do superconti-</p><p>nente de Gondwana na Era Mesozóica. De fato, cerca de metade dos gêneros mari-</p><p>nhos da Classe Demospongiae conhecidos atualmente, têm distribuição circumtro-</p><p>pical ou quase (com algumas lacunas). Outros padrões de distribuição observados</p><p>dentre os gêneros desta Classe são o austral, o boreal, o bipolar, o australiano e o des-</p><p>contínuo. Padrões de distribuição gritantemente descontínuos são explicáveis por</p><p>três alternativas principais – (1) insuficiência amostral (o padrão não é descontínuo,</p><p>apenas incompletamente conhecido), (2) considerável extinção ao longo da história</p><p>evolutiva do táxon em questão (o padrão não era descontínuo, e a tendência é que</p><p>estas populações isoladas venham a ser reconhecidas como espécies distintas em</p><p>algum momento nos próximos milhares ou milhões de anos), ou (3) falha na iden-</p><p>tificação (a distribuição não é descontínua, na verdade trata-se de um complexo</p><p>de espécies crípticas). Infelizmente, o registro fóssil de poríferos com esqueletos de-</p><p>sarticulados (não fusionados) é ínfimo, de tal forma que as investigações acerca de</p><p>sua história evolutiva devem, necessariamente, basear-se em grande parte nas rela-</p><p>ções inferidas a partir do estudo de espécies recentes. A ampla maioria das espon-</p><p>jas viventes apresenta esqueletos não fusionados, e portanto apenas precariamente</p><p>fossilizáveis.</p><p>No mar profundo ainda não há uma regionalização detalhada, pois o conheci-</p><p>mento nesta área caminha a passos mais lentos, por razões óbvias. Entretanto, em</p><p>termos gerais, repetem-se algumas regras observadas em águas mais rasas. Esponjas</p><p>preferem regiões de substratos consolidados (ou semi-consolidados), como junto aos</p><p>bancos de corais e esponjas, com ocorrência preponderante em áreas de declive mais</p><p>acentuado, como em montes submarinos, cânions e alguns setores dos taludes conti-</p><p>nentais. Um dos grupos taxonômicos presentes nestes locais, cujo conhecimento tem</p><p>avançado possivelmente mais rápido que o dos demais é o das esponjas carnívoras</p><p>(Cladorhizidae), com mais de 20 espécies novas registradas na última década, entre</p><p>descritas e por descrever.</p><p>Distribuição de esponjas marinhas no Brasil</p><p>Historicamente, a espongiofauna marinha brasileira foi considerada uma versão em-</p><p>pobrecida da caribenha, apesar de seu notório endemismo, situado na casa dos 30%</p><p>do total de espécies registradas. Esta fauna de afinidade marcantemente caribenha,</p><p>que integra uma fauna maior denominada de Atlântica Tropical Ocidental, estende-</p><p>se até algum ponto da costa brasileira, a depender do táxon em consideração. Assim,</p><p>dentre as espécies de poríferos registradas para nosso litoral, e também conhecidas</p><p>da região do Caribe, algumas têm o limite sul de sua distribuição conhecida na Bahia</p><p>(p.ex. Callyspongia vaginalis); outras no Espírito Santo (p.ex. Cliona varians); na Baía</p><p>45EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>de Ilha Grande, no Estado do Rio de Janeiro (p.ex. Desmapsamma anchorata); no Esta-</p><p>do de São Paulo, área do Canal de São Sebastião (p.ex. Aplysina fulva, Haliclona mela-</p><p>na); e por fim, algumas se estendem até o litoral do Estado de Santa Catarina (p.ex.</p><p>Dragmacidon reticulatum, Hymeniacidon heliophila, Tedania ignis). Esses múltiplos limi-</p><p>tes de distribuição austral de espécies tropicais fizeram com que toda a área ao sul</p><p>da Bahia (ou do ES, do RJ, ...) fosse considerada como uma área de transição entre</p><p>a Província Brasileira (tropical) e uma fauna patagônica (subtropical). Entretanto,</p><p>esta sugestão ignora o fato de que os costões rochosos encontrados em boa parte do</p><p>SE e S do país abrigam uma espongiofauna de características particulares, ainda em</p><p>boa parte desconhecida, haja vista que o grosso dos materiais disponíveis em cole-</p><p>ções ainda não foi formalmente descrito. Apesar da precariedade deste inventário,</p><p>o número de espécies de poríferos provisoriamente endêmicas desta faixa do litoral</p><p>que se estende da Região do Cabo Frio até a cidade de Florianópolis, já é conside-</p><p>rável (> 10). E como tal, justificativa para o reconhecimento de uma área de ende-</p><p>mismo, para a qual se propôs no passado o termo de Província Paulista, e hoje inte-</p><p>gra o mapa global de ecorregiões marinhas como a Ecorregião Marinha do Sudeste</p><p>do Brasil.</p><p>Um aspecto importante a ressaltar é que esta marcada afinidade da espongiofau-</p><p>na marinha brasileira com a caribenha, que ultrapassa 50% de espécies compartilha-</p><p>das mesmo no litoral do Estado de São Paulo (75% – 52/70 – das espécies apresenta-</p><p>das neste Guia), é indicativa da existência de um fluxo relativamente grande entre as</p><p>duas áreas. Isto, a despeito da suposta barreira exercida pelo imenso aporte de água</p><p>doce e sedimentos em suspensão na foz do Amazonas. Sabe-se que, possivelmente</p><p>em decorrência de sua menor dependência de boa luminosidade (ao contrário das</p><p>algas e dos corais zooxantelados), poríferos não encontraram maiores dificuldades</p><p>em se estabelecer mais fundo, ao largo do Amazonas, abaixo da influência desta</p><p>pluma amazônica de água-doce, criando assim um corredor para intercâmbio de es-</p><p>pécies entre a Província do Caribe e a Brasileira. É notória, por exemplo, a ocorrência</p><p>de peixes recifais nesta área, valendo-se deste corredor de esponjas como se fora um</p><p>recife de água rasas. Dentre as espécies aqui descritas do Estado da Bahia, algumas</p><p>também foram registradas deste “corredor</p><p>sub-amazônico”, p.ex. Monanchora arbus-</p><p>cula e Xestospongia muta.</p><p>Em 2007 foram listadas 110 espécies de poríferos conhecidos de águas brasileiras</p><p>com mais de 100 m de profundidade, registrados ao largo de dez estados costeiros.</p><p>Os estados onde este conhecimento está mais avançado são São Paulo (40 spp), Rio</p><p>de Janeiro (19 spp), Rio Grande do Sul (17 spp) e Espírito Santo (16 spp). Este pano-</p><p>rama já sofreu algumas alterações em decorrência da recente publicação de novos</p><p>registros para a cadeia de montes submarinos Vitória-Trindade (ES), o monte sub-</p><p>marino Almirante Saldanha (ES/RJ) e a Bacia de Campos (setor RJ), com base em</p><p>materiais coletados pelo Programa REVIZEE (Avaliação do Potencial Sustentável</p><p>dos Recursos Vivos da Zona de Exclusão Econômica) e pela Petrobrás.</p><p>46 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>Distribuição de esponjas marinhas na Bahia</p><p>O Estado da Bahia é privilegiado no contexto nacional quando o assunto é litoral:</p><p>trata-se do maior litoral dentre os estados brasileiros, com 932 km de extensão em</p><p>linha reta. Porém, não é só a extensão deste litoral que chama a atenção, mas também</p><p>algumas de suas feições, como a presença de duas das maiores baías brasileiras, Baía</p><p>de Todos os Santos e Baía de Camamu, do Banco e Arquipélago dos Abrolhos, e do</p><p>trecho, ao largo de Salvador, onde a plataforma continental brasileira é mais estreita,</p><p>com apenas 8 km de largura, facilitando sobremaneira o acesso e estudo do talude</p><p>continental.</p><p>Ambas grandes baías baianas são “paraísos” espongiológicos. Os dados de Ca-</p><p>mamu apenas começam a surgir, e deverão ser motivo de estudos futuros mais de-</p><p>talhados. Entretanto, o acúmulo de dados acerca da Baía de Todos os Santos já vai</p><p>completando 40 anos, e podemos afirmar com convicção que há no Atlântico poucos</p><p>locais que rivalizem em termos de abundância de poríferos. Conhecem-se cerca de</p><p>100 espécies de esponjas desta baía, mas estima-se que o número real situe-se na</p><p>casa das 200, o que poderia vir a ser confirmado caso se obtivesse os meios para</p><p>estudo das coleções já disponíveis em instituições brasileiras que abrigam coleções</p><p>biológicas. As maiores coleções de poríferos da Bahia estão na Universidade Federal</p><p>do Rio de Janeiro e na Federal da Bahia, totalizando alguns milhares de espécimes</p><p>coligidos, principalmente dos anos 1960 até o momento atual. A última grande co-</p><p>leta ocorreu em dezembro de 2007, no âmbito de projeto voltado para o estudo da</p><p>química de produtos naturais marinhos, encabeçado por pesquisadores do Estado</p><p>de São Paulo, da qual alguns de nós tiveram o prazer de participar.</p><p>Com o conhecimento acumulado ao longo destes anos no que tange à distribui-</p><p>ção de poríferos na Baía de Todos os Santos, pode-se afirmar que há ao menos três</p><p>principais comunidades marinhas com significativa ocorrência de poríferos na área: o</p><p>litoral rochoso raso de Salvador até a região da Ribeira, as áreas com preponderância</p><p>de mangues marinhos no fundo da baía e no Canal de Itaparica, e os fundos arenosos</p><p>inconsolidados, presentes em boa parte da baía. No caso dos dois primeiros, as espon-</p><p>jas são frequentemente o elemento dominante da comunidade. Porém nos fundos are-</p><p>nosos têm distribuição mais esparsa, e restrita a algumas poucas espécies adaptadas</p><p>a estas condições (p.ex. Oceanapia sp., Tribrachium schmidti). Dentre as espécies mais</p><p>abundantes do litoral próximo à Salvador estão Callyspongia sp. 1, Desmapsamma ancho-</p><p>rata, Ircinia felix e I. strobilina; e nas regiões de mangue, Haliclona caerulea e Tedania ignis.</p><p>Os ambientes recifais não foram ainda estudados, mas supomos que a diversidade e</p><p>abundância de poríferos aí, equipare-se àquela dos costões rochosos.</p><p>Observados ainda nas proximidades de Salvador, porém presentes ao longo de</p><p>todo o litoral do estado estão os fundos de rodolitos, um ambiente parcialmente</p><p>acessível ao mergulho livre e autônomo, pois pode ser observado mesmo em locais</p><p>bastante rasos. Nestes casos, observa-se frequentemente uma marcante cobertura de</p><p>algas, cabendo às esponjas colonizar os interstícios destas “pedras vivas”. Porém,</p><p>47EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>em locais mais fundos, especialmente abaixo dos 30 m, já em uma área de acesso</p><p>mais restrito aos mergulhadores, poríferos passam mais uma vez a ser o elemento</p><p>dominante da comunidade, como bem exemplificado pelas quantificações efetuadas</p><p>no âmbito do Programa REVIZEE. Algumas das estações de maior riqueza e abun-</p><p>dância de espécies de poríferos deste grande projeto nacional foram encontradas</p><p>na Bahia, especialmente na faixa dos 50-60 m de profundidade. Dentre estas, desta-</p><p>que para duas estações, uma situada em frente à Salvador (do navio avistavam-se</p><p>os prédios da Barra e de Ondina) e outra no Banco Royal Charlotte, ao largo de</p><p>Canavieiras (16º19’S). Algumas das esponjas mais frequentemente encontradas nas</p><p>dragagens efetuadas neste ambiente foram Aiolochroia crassa, diversas espécies de</p><p>Aplysina, Cinachyrella kuekenthali e Topsentia ophiraphidites.</p><p>� Mapa do estado da Bahia, ressaltando seu litoral. O mesmo encontra-se dividido em setores</p><p>– Litoral Norte, Baía de Todos os Santos e Litoral Sul.</p><p>Bahia Litoral Norte</p><p>38º30’ O</p><p>13º S</p><p>Bahia de Todos os Santos</p><p>Litoral Sul</p><p>200 km</p><p>48 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>Passando ao talude continental, mais uma vez o Estado da Bahia esteve à fren-</p><p>te, uma vez que a vinda do Navio Oceanográfico francês, N/O Thalassa, em 2000,</p><p>possibilitou a realização de arrastos a profundidades praticamente jamais visitadas</p><p>no Brasil. Obteve-se destes cruzeiros esponjas de até 2137 m de profundidade. Nesta</p><p>expedição foram coletados alguns espécimes de poríferos da Classe Hexactinellida,</p><p>dentre os quais uma Euplectella suberea Thomson, 1876, espécie que, coincidentemen-</p><p>te, já havia sido registrada para o Brasil, há mais de um século atrás, após estu-</p><p>do publicado em 1887 dos materiais coligidos pela expedição britânica do H.M.S.</p><p>Challenger, transcorrida entre 1873 e 1876.</p><p>Por fim, merece destaque também a região dos Abrolhos, onde melhor se de-</p><p>senvolvem recifes de corais no litoral brasileiro. Esponjas são abundantes tanto nas</p><p>ilhas que compõem o arquipélago, quanto nos bancos de corais próximos, notórios</p><p>pela formação de chapeirões - formações colunares, grandes, em forma de cogumelo</p><p>com o topo aplanado. Algumas espécies particularmente comuns são compartilha-</p><p>das com Salvador, tais como Aplysina fulva, Ircinia felix e I. strobilina.</p><p>� Esponjas diversas coletadas arribadas na Ilha da Pedra Furada (Marau, Baía de Camamu),</p><p>entremarés, 30/Jul/2009. Esponja vermelha à esquerda – Desmapsamma anchorata (Carter,</p><p>1882). Esponja verde no centro – Amphimedon viridis Duchassaing & Michelotti, 1864. Esponja</p><p>roxa ramificada à direita – Mycale angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864).</p><p>49EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>IDENTIFICAÇÃO DE ESPONJAS</p><p>Coleta</p><p>As esponjas podem ser coletadas em todos os ambientes das zonas costeiras,</p><p>predominantemente fixas a substratos duros, como rochas, pilares, cordas e garrafas</p><p>de vidro, assim como o fazem a maioria das espécies apresentadas neste Guia.</p><p>Porém, em regiões lodosas algumas se fixam nas raízes de mangues (p.ex. Tedania</p><p>ignis), e umas poucas espécies estabelecem–se no sedimento inconsolidado, seja pelo</p><p>desenvolvimento de espículas especiais de ancoragem (p.ex. Craniella quirimure),</p><p>seja pelo recurso de enterramento de parte de seu corpo (p.ex. Tribrachium schmidti).</p><p>Estas últimas são denominadas psamófilas.</p><p>As espécies pequenas (da ordem de poucos milímetros) devem ser procuradas</p><p>com cuidado sob ou sobre pedras e manuseadas com pinça, de preferência</p><p>plástica. Formas maiores, incrustantes, arborescentes ou globosas são melhor</p><p>coletadas com o auxílio de uma faca, que auxilia em destacá-las do substrato, ou</p><p>em seccionar um fragmento para trazer, deixando o resto da esponja a cicatrizar-</p><p>se (elas são surpreendentemente boas nisso!). As incrustantes devem ser coletadas</p><p>juntamente</p><p>com o substrato, o que por vezes obriga o uso de marreta e talhadeira.</p><p>Do contrário, convertem-se em pequenos flocos ou pó após a coleta, tornando seu</p><p>estudo taxonômico subsequente deveras mais difícil, dentre outros motivos, pela</p><p>enorme dificuldade de separar eventuais espécies distintas que se tenham mesclado</p><p>inadvertidamente durante a coleta. Algumas esponjas produzem substâncias tóxicas</p><p>ou possuem espículas em forma de farpas projetando-se de seus corpos, que podem</p><p>causar dermatites, sendo portanto recomendado o uso de luvas no manuseio destes</p><p>animais, no campo, e posteriormente no laboratório.</p><p>Como algumas espécies podem ser identificadas pelos caracteres – cor, forma</p><p>consistência, presença de muco e ornamentação da superfície, é muito importante</p><p>que estes sejam anotados antes da fixação, sendo altamente recomendável a tomada</p><p>de fotos in situ, ou o mais imediatamente possível após a coleta. É bom ressaltar</p><p>que tanto a coloração como a morfologia podem mudar bastante após o manuseio e</p><p>especialmente após imersão em etanol.</p><p>Uma sequência típica de imagens tomada de um espécime que se pretende</p><p>coletar inclui: (1) duas, três, ou mais imagens do espécime in situ, em diferentes</p><p>ângulos e aproximações, se possível ilustrando também seu habitat; (2) uma ou mais</p><p>imagens do espécime ao lado de uma escala de tamanho (temos utilizado braçadeiras</p><p>plásticas para tal fim, com resultados satisfatórios); (3) uma ou mais imagens do</p><p>computador de mergulho, de forma a registrar profundidade e temperatura no local</p><p>da coleta; (4) uma ou mais imagens do código de campo ou número de registro na</p><p>coleção que caberá ao espécime coletado.</p><p>IMPORTANTE! - É essencial que a partir deste momento, espécime e seu número de</p><p>registro não se separem mais. Colocar vários espécimes e seus respectivos números</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>50 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>A – coleta no entremarés lamoso da Ilha do Pati (Madre de Deus, BA) em 04/Jun/2004. FOTO POR</p><p>C.P. SANTOS.</p><p>B – coleta com tomada de fotografias in situ através de mergulho em apnéia, em Taipú de Fora</p><p>(Maraú, BA) em 27/Jul/2009. FOTO POR G. LÔBO HAJDU.</p><p>C-F – sequência mínima necessária de imagens que antecedem a coleta de um espécime, aqui</p><p>no caso, Ptilocaulis walpersi, apresentada no Guia.</p><p>C – espécime em seu habitat. D – espécime em seu habitat, junto à escala com dimensão de 5</p><p>cm (parte branca). E – computador de mergulho indicando a profundidade da coleta (4,9 m) e a</p><p>temperatura da água (26°C). F – código de registro na coleção do Museu Nacional.</p><p>Guia da BahiaA</p><p>C</p><p>E</p><p>B</p><p>D</p><p>F</p><p>51EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Identificação de esponjas</p><p>soltos no interior de uma bolsa de coleta, não serve, pois os espécimes se fragmentam,</p><p>contraem e mudam de cor, de forma que ao final é impossível saber ao certo a qual</p><p>número corresponde cada um dos fragmentos que se têm. Nós utilizamos sacos</p><p>plásticos previamente numerados, quando possível com etiquetas plastificadas. Em</p><p>situações emergenciais, números podem ser escritos com caneta de retroprojetor no</p><p>saco plástico, o que resiste bastante bem à água do mar. Entretanto, a primeira gota</p><p>de etanol é suficiente para borrar estes números por completo. Assim, no laboratório,</p><p>antes de qualquer ação com as amostras coletadas desta forma, preparam-se etiquetas</p><p>a lápis ou nanquim, para que se possa então começar a abrir os sacos e trabalhar com</p><p>etanol. O uso de potes plásticos previamente numerados também funciona, porém</p><p>ocupam muito espaço, independentemente de quantos espécimes efetivamente</p><p>sejam coletados. O excesso de volume acaba atrapalhando a tomada de imagens.</p><p>Por fim, não custa lembrar que os dados de coleta devem ser sempre anotados o</p><p>mais detalhadamente possível, o que nos dias de hoje inclui o georeferenciamento</p><p>da localidade de coleta.</p><p>Fixação e conservação</p><p>Animais que se destinam ao estudo taxonômico com base em arquitetura esquelética</p><p>e componente espicular, ou para coleções científicas ou didáticas, devem ser</p><p>colocados imediatamente após a coleta em etanol a 80–90%, onde devem permanecer</p><p>por 24 horas ao menos. A conservação a largo prazo é feita com etanol a 70–80% que</p><p>deve sempre cobrir a amostra por completo. Para tal, a revisão do nível do fixador</p><p>é uma tarefa constante em curadoria de coleções fixadas em etanol, devendo-se</p><p>adotar as melhores práticas para minimizar a evaporação do etanol. Um aspecto que</p><p>salientamos é que com o passar do tempo, mesmo uma coleção bem gerida quanto à</p><p>reposição do fixador, necessitará da verificação da concentração do mesmo, uma vez</p><p>que a água misturada ao etanol evapora mais lentamente que este.</p><p>A fixação em formol deve se restringir a fins específicos, como quando se almeja</p><p>obtenção de preparações histológicas, e por curto período de tempo (24 horas), pois</p><p>a formalina macera as esponjas. Para fins de microscopia mais detalhada, existem</p><p>ainda outros fixadores que podem ser utilizados, como o Bouin, e o glutaraldeido</p><p>pós-fixado com tetróxido de ósmio. Recomendamos consulta a manuais de histologia</p><p>ou artigos científicos que detalhem estes métodos, que apenas muito raramente se</p><p>utilizam em estudos taxonômicos. Algumas esponjas que requerem tais preparações</p><p>mais complexas são as Homosclerophorida e Chondrosida desprovidas de espículas,</p><p>bem como as Halisarcida.</p><p>Para estudos ao nível molecular, cada dia mais difundidos entre os taxônomos e</p><p>filogeneticistas, inúmeras alternativas de preservação de espécimes existem, sempre</p><p>com a preocupação de manter ADN e ARN o mais intactos possível. Dentre as que</p><p>já utilizamos constam (1) inserção imediata de microfragmentos (diâmetro 1–2</p><p>mm, altura 5–10 mm) da esponja alvo em etanol 96%; (2) inserção de fragmentos</p><p>52 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Identificação de esponjas</p><p>comparáveis, porém picotados adicionalmente, em tampão de lise (contendo</p><p>hidrocloreto de guanidina); (3) inserção de microfragmentos picotados em silica-gel</p><p>em pó; e (4) congelamento imediato de microfragmentos em gelo-seco ou nitrogênio</p><p>líquido. Recentemente sugeriu-se que o uso de uma salmoura (300 g/L de NaCl em</p><p>água) é um bom fixador temporário para a morfologia e moléculas das esponjas. Em</p><p>todas estas opções, faz-se normalmente uso de tubos do tipo Eppendorf™ para o</p><p>acondicionamento dos microfragmentos.</p><p>Preparação de lâminas para microscopia óptica</p><p>Espículas calcárias isoladas</p><p>Coloque um microfragmento da esponja sobre lâmina e cubra com uma lamínula.</p><p>de uma pipeta Pasteur ou conta-gotas, e deixe dissolver totalmente a peça.</p><p>líquidos com tiras de papel de filtro dispostas na borda oposta da lamínula</p><p>passar roupa em temperatura mínima, etc, ...) e retire cuidadosamente a lamínula.</p><p>Araldite) e cubra com uma lamínula limpa. Obs. o Bálsamo do Canadá pode se</p><p>acidificar com o tempo e dissolver as espículas calcárias.</p><p>Espículas silicosas isoladas (lâmina rápida)</p><p>Coloque um microfragmento da esponja sobre lâmina.</p><p>pinça de madeira, e preferencialmente fazendo uso de óculos de proteção e guarda-</p><p>pó. O material deve ser fervido até desintegrar-se por completo, ou até pouco antes</p><p>que o ácido forme uma crosta esturricada, de difícil remoção subsequente.</p><p>orgânica aparente estar totalmente dissolvida. A fumaça exalada ao ferver-se o</p><p>ácido se tornará mais clara.</p><p>com etanol, sempre levando à chama para secar a água ou queimar o etanol –</p><p>até que a preparação pareça satisfatoriamente limpa e seca. CUIDADO!</p><p>A aplicação de etanol sobre a lâmina quente pode gerar uma explosão se isso se</p><p>der demasiadamente próximo da lamparina acesa. Afaste a lâmina da lamparina,</p><p>40–50 cm, goteje o etanol, e então retorne a preparação à chama. A preparação deve</p><p>ser mantida em movimento constante sobre a chama, na horizontal, para evitar a</p><p>ruptura da lâmina.</p><p>53EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Identificação de esponjas</p><p>calcárias, tendo em mente que com as silicosas a acidificação do Bálsamo do</p><p>Canadá no longo prazo não oferece desvantagem, e este é um meio de montagem</p><p>de baixo custo e baixa toxicidade.</p><p>Espículas silicosas isoladas (lâmina lenta)</p><p>Coloque um microfragmento da esponja (2–5 vezes maior que nas preparações</p><p>sobre lâmina) em um tubo de ensaio refratário.</p><p>e goteje ácido adicional (5–10 gotas).</p><p>com uma pinça de madeira, com os cuidados sugeridos acima. O material deve ser</p><p>fervido até desintegrar-se totalmente, o que ocorrerá muito antes que o ácido seque</p><p>por completo, ou do contrário seu material não será dissolvido sob hipótese alguma.</p><p>DICA! Fixe duas pinças de madeira para tubos de ensaio, uma de costas para a outra.</p><p>Desta forma você poderá levar dois tubos de ensaio por vez à chama da lamparina.</p><p>o jato d’água para suspender e misturar bem as espículas.</p><p>centrífuga clínica), ou deixe-o decantar por 1–2 h.</p><p>para não perder parte do precipitado de espículas.</p><p>com etanol 92–96%. O etanol descartado é guardado para uso na alimentação da</p><p>lamparina.</p><p>suspenda as espículas, e aplique com uma pipeta Pasteur limpa 1–2 gotas da</p><p>suspensão espicular sobre uma lâmina para microscopia. A abertura da pipeta</p><p>deve ser condizente com o tamanho das espículas que se pretende pipetar. Desta</p><p>forma, não raro é necessário quebrar ou cortar a ponta da pipeta para conseguir</p><p>um maior calibre na sucção. Em alguns casos, faz-se uso de um pincel para retirar</p><p>espículas do precipitado, especialmente quando estas estão demasiadamente</p><p>enoveladas. Obs. Este método pode parecer muito demorado, mas a possibilidade</p><p>de se trabalhar com uma linha de montagem, com 20, 30, 50 tubos ao mesmo tempo,</p><p>pode ser vantajosa, especialmente em função da alta qualidade obtida ao final.</p><p>por completo sobre uma placa aquecedora.</p><p>Fibras de espongina isoladas</p><p>Maceração em água morna: coloque um fragmento da esponja (aproximadamente 1</p><p>cm3) em água a 30–37°C e observe sua decomposição dia após dia até que se alcance</p><p>54 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Identificação de esponjas</p><p>o efeito desejado. Só troque a água se o cheiro estiver demasiadamente forte, o que</p><p>também pode ser minimizado ampliando-se o volume de água relativo ao tamanho</p><p>do fragmento da esponja. Uma vez concluído o processo, lava-se as fibras com água</p><p>limpa, desidrata-se com etanol 80–96% e passa-se à montagem sobre lâmina.</p><p>� Maceração em água-sanitária (hipoclorito de sódio) a 10–20%: coloque um</p><p>fragmento da esponja (aproximadamente 1 cm3) em solução diluída de água-sanitária</p><p>a frio (1 parte de água-sanitária + 4–9 partes de água, a depender da delicadeza do</p><p>material). Trabalhe em ambiente bem ventilado ou em capela de exaustão. A amostra</p><p>poderá ser pressionada repetidas vezes, porém com suavidade (pinça de ponta</p><p>larga) para facilitar o acesso do cloro às partes internas da amostra. Também se pode</p><p>utilizar uma siringa, não para perfurar a amostra, mas para gerar jatos de solução</p><p>que auxiliarão no desmantelamento do mesoílo da esponja, desprendendo-o das</p><p>fibras de espongina. O procedimento deve ser observado de perto, com intervalos</p><p>não superiores a alguns poucos minutos, especialmente no caso de amostras mais</p><p>delicadas, ou do contrário pode-se perder toda a amostra. Alcançado o efeito</p><p>desejado lava-se a amostra com água limpa, desidrata-a com etanol 80–96% e passa-</p><p>se a cortá-la, se for o caso, para aplicação sobre lâmina e montagem.</p><p>� Maceração enzimática (papaína): incube um fragmento da esponja com 1–2 cm3</p><p>em 3 mL de tampão de digestão (100 mM de acetato de sódio; pH 5,0; cisteína 5 mM;</p><p>EDTA 5 mM) por 24 horas a 4º C. Adicione 1 mL de solução de papaína a 3% (feita</p><p>com tampão de digestão fresco) ao tubo contendo o fragmento, e incube por novas</p><p>24h, agora a 60°C. Lave o fragmento digerido com jatos de água para desprender</p><p>sobras de mesoílo das fibras. Alcançado o efeito desejado lava-se a amostra com</p><p>água limpa, desidrata-a com etanol 80–96% e passa-se a cortá-la, se for o caso, para</p><p>aplicação sobre lâmina e montagem.</p><p>� Maceração sob lupa (microscópio estereoscópico): procedimento que pode ser</p><p>utilizado só, ou combinado aos demais, que consiste em auxiliar o desprendimento</p><p>das fibras com uma pinça de ponta fina. Se estiver trabalhando com água-sanitária</p><p>faça-o em ambiente bem ventilado ou em capela de exaustão. Conclua a limpeza,</p><p>desidratação e montagem como descrito acima.</p><p>Cortes espessos rápidos (Demospongiae e Hexactinellida)</p><p>Com lâmina de barbear ou bisturi, corte a esponja em seções perpendiculares e</p><p>tangenciais, não misturando os dois tipos de cortes. Por vezes pode ser mais cômo-</p><p>do separar da amostra um fragmento com ângulos retos, a partir do qual se ensaia</p><p>a obtenção das seções perpendiculares e tangenciais. Algumas esponjas são mais</p><p>fáceis de cortar. Para outras, pode ser preferível secá-las primeiro por completo, ou</p><p>até mesmo congelá-las, de modo a obter-se estrutura mais firme para o corte. Os</p><p>cortes devem ter preferencialmente menos de 0,5 mm de espessura.</p><p>perpendiculares, e indicando na etiqueta quais são uns e quais são os outros.</p><p>55EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Identificação de esponjas</p><p>60°C) ou sob lâmpada incandescente. DICA! Caso os cortes estejam nitidamente se</p><p>enrolando ao secar, reidrate-os com etanol e reaplique-os sobre a lâmina, desta vez</p><p>cobertos por uma ou mais lamínulas, sobre a qual se apoiará um pequeno peso</p><p>(por exemplo – chumbo de pesca, parafuso com porcas – 20–40 gr por lamínula de</p><p>18x18 mm).</p><p>acima.</p><p>Cortes espessos lentos (Demospongiae e Hexactinellida)</p><p>Corte com auxílio de lâmina de barbear ou bisturi um pequeno bloco da esponja</p><p>fixada, prestando atenção para não confundir a superfície externa da esponja</p><p>(ectossoma) com as superfícies internas (coanossomais) obtidas através do corte.</p><p>DICA! Em algumas esponjas você pode conseguir fazer uma marca a lápis no</p><p>ectossoma. Em outras, pode marcá-lo com uma pincelada de fucsina ácida 1% em</p><p>solução alcoólica a 80%.</p><p>banhos em xilol, de mesma duração, sob exaustão constante. IMPORTANTE! O xilol</p><p>usado deve ser mantido em um recipiente de vidro, fechado hermeticamente com</p><p>uma tampa resistente aos vapores deste solvente, para descarte futuro através de</p><p>empresa especializada no manejo de resíduos químicos.</p><p>de papel toalha.</p><p>e repita o procedimento com parafina nova. A parafina usada pode ser utilizada</p><p>para o primeiro banho de outras amostras. Costumamos usar pequenos frascos de</p><p>vidro para os banhos</p><p>preferencialmente desmontável (mas forma de empada também serve),</p><p>preencha metade de seu volume com parafina líquida nova (pode ser a parafina</p><p>utilizada no segundo banho); e imediatamente a seguir, coloque na forma o</p><p>bloco de esponja (sem perder a noção de qual é sua superfície ectossomal),</p><p>e cubra-o com parafina líquida adicional até completar o volume da forma.</p><p>DICA! O volume do emblocador deve ser bem maior que o da amostra a emblocar,</p><p>ou do contrário, com a retração da parafina durante seu esfriamento, surgirão</p><p>superfícies expostas do material biológico onde será mais difícil obter-se uma seção</p><p>de qualidade. Os emblocadores que utilizamos são constituídos de uma placa de</p><p>metal com 7x7 cm e dois “L” de metal, que deslizam sobre a placa, permitindo a</p><p>montagem de blocos maiores ou menores, de acordo com o encaixe eleito para os</p><p>“L”. Alternativamente, se pode montar um cubinho de papel de alumínio com</p><p>uma face aberta, utilizando papel de alumínio dobrado em 3 ou 4 camadas para</p><p>56 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Identificação de esponjas</p><p>maior firmeza. É recomendável que seu bloco esteja etiquetado, e um jeito eficiente</p><p>de fazê-lo é com uma etiqueta autoadesiva dobrada sobre um fio dental com 5–10</p><p>cm de comprimento (ou barbante fino), aderida em si própria, inserindo-se a</p><p>extremidade do fio na forma com a parafina ainda líquida, de maneira que fique</p><p>preso após o endurecimento do bloco.</p><p>geladeira, e solte-o da forma.</p><p>para não cortar o material emblocado, nem tampouco quebrar o bloco. Este des-</p><p>baste deve ser feito de modo a aproximar as superfícies que se deseja seccionar na</p><p>esponja, da superfície do bloco de parafina – lembrando que mantém-se aqui o</p><p>objetivo</p><p>de obter-se seções transversais e tangenciais.</p><p>-</p><p>me descrito acima na técnica rápida.</p><p>ciais para desparafinização, com dois banhos de xilol de 30 min, o primeiro com sol-</p><p>vente usado, o último com solvente novo. Nesta fase costumamos utilizar pequenas</p><p>placas de petri cobertas, com 4 cm de diâmetro. O resultado final deve ser monito-</p><p>rado visualmente, sendo importante que a os cortes permaneçam no solvente por ao</p><p>menos 10 min ainda, após não ser mais possível detectar-se visualmente a presença</p><p>de parafina. Lembramos que todo o trabalho com solventes deve ser feito sob exaus-</p><p>tão, ou na pior das hipóteses, em ambiente extremamente bem ventilado.</p><p>Cortes espessos: Calcarea</p><p>Corte longitudinalmente um exemplar conservado em etanol.</p><p>Core ½ ou ¼ do espécime com fucsina ácida 1% em solução alcoólica a 80%, por 20</p><p>min., removendo o excesso em etanol 80%.</p><p>Desidrate em etanol a 92–96% (20 min) e xilol normal (2x, 30 min).</p><p>Coloque o bloco em um banho de parafina histológica líquida (60°C) por 90–120</p><p>min, e repita o procedimento com parafina nova.</p><p>Siga os passos listados acima em Cortes espessos lentos</p><p>(Demospongiae e Hexactinellida)</p><p>para emblocamento, desbaste, corte,</p><p>desparafinização e montagem dos</p><p>cortes.</p><p>� Placa metálica e dois “L” de metal</p><p>utilizados para emblocamento em parafina</p><p>de fragmentos de esponjas,conforme</p><p>detalhamento no texto acima.</p><p>57EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Identificação de esponjas</p><p>Preparação de lâminas para Microscopia Eletrônica de Varredura (MEV)</p><p>Espículas silicosas isoladas para MEV</p><p>Siga todos os passos listados acima para</p><p>, até o estádio da fervura em ácido nítrico do fragmento do qual se pretende</p><p>isolar as espículas.</p><p>Com o volume do ácido bem reduzido pela fervura, acrescente nova dose de ácido</p><p>e siga fervendo por ao menos mais 30 seg.</p><p>Na fase da lavagem e desidratação com etanol, repita os passos, porém aumentando</p><p>o número de lavagens com água e posteriormente com etanol. O último banho</p><p>de etanol deve ser com etanol absoluto (99%), preferencialmente de grau P.A. de</p><p>qualidade.</p><p>A suspensão espicular final é aplicada sobre um suporte metálico apropriado para</p><p>o equipamento que se pretende utilizar, seguindo-se os seguintes passos: cole uma</p><p>lamínula de vidro sobre o suporte metálico, assegurando-se que suas bordas não</p><p>ultrapassem as do suporte; a colagem é feita idealmente com fita carbônica de dupla</p><p>face, mas fita dupla face comum também costuma ser utilizada, da mesma forma</p><p>que resinas acrílicas de montagem e secagem rápida; aplique uma ou mais gotas</p><p>da suspensão espicular sobre a lamínula, deixando secar sob luz incandescente,</p><p>com o suporte e a amostra cobertos por uma placa de petri para proteção; uma vez</p><p>alcançada a quantidade almejada de espículas sobre a lamínula (o que pode ser</p><p>verificado em microscópio estereoscópico) e estando esta bem seca, aplique uma</p><p>pequena camada de cola de prata ou de carbono no entorno da lamínula, com</p><p>o objetivo de fechar a condutividade entre a superfície superior da lamínula e o</p><p>suporte metálico (se optou por uso da resina, espere até que esteja 100% seca antes</p><p>de aplicar a cola de prata); após alguns minutos o suporte e amostra estão prontos</p><p>para a metalização a vácuo. CUIDADO! Tanto as resinas acrílicas (meios de</p><p>montagem), quanto a cola de prata devem idealmente ser utilizados sob exaustão.</p><p>A aplicação da cola de prata deve ter a cautela de não lambuzar a superfície da</p><p>lamínula, pois aí não se conseguirá analisar as espículas. O transporte dos suportes</p><p>até o metalizador deve ser feito com cuidado para evitar perda de muitas espículas</p><p>em decorrência de vento ou queda, mas também para evitar a mistura de espículas</p><p>entre distintos suportes, o que é tão mais grave quão mais próximas forem as</p><p>espécies estudadas, quando tais deslizes podem acarretar descrições espúrias.</p><p>Espículas calcárias isoladas para MEV</p><p>Utilize o mesmo procedimento descrito para espículas silicosas, substituindo o</p><p>ácido nítrico por hipoclorito de sódio, e centrifugando as espículas a não mais que</p><p>1000 rpm em centrífuga clínica.</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Ordem Spirophorida Bergquist & Hogg, 1969</p><p>Classe Demospongiae Sollas 1885</p><p>NOTA Em sua ampla maioria, os valores micrométricos apresentados neste</p><p>Guia para as megascleras compreendem comprimento / espessura, e para</p><p>as microscleras apenas comprimento.</p><p>Cinachyrella apion (Uliczka, 1929). Ilha das Fontes (São Francisco do Conde),</p><p>entremarés, 21/Mai/2008.</p><p>FILO PORIFERA Grant, 1836</p><p>60</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Subesférica com cerca de 40 mm de</p><p>diâmetro e 25 mm de altura, a coloração</p><p>da esponja viva é amarelo ouro ou bege,</p><p>e creme ou ocre quando preservada em</p><p>álcool. Superfície áspera, com aberturas</p><p>rasas (porocálices) circulares a ovais de</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 6 m de profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>Gênero Cinachyrella Wilson, 1925</p><p>O gênero compreende 39 espécies no mundo, das quais três ocorrem</p><p>no Brasil. Não há distinção na morfologia externa de C. alloclada,</p><p>C. apion e C. kuekenthali em vários locais. Os tipos espiculares</p><p>confirmam os status específicos e em geral as dimensões das</p><p>espículas são maiores dentro das baías. Em habitats mais profundos</p><p>da Baía de Todos os Santos, 15–20 m, C. kuekenthali predomina, e</p><p>alcança dimensões maiores que as demais espécies, com espécimes</p><p>frequentemente maiores que 10 cm de diâmetro.</p><p>1 a 2 mm de diâmetro. A consistência</p><p>é muito firme ou levemente compres-</p><p>sível em vida. Esqueleto ectossomal</p><p>com 180–840 μm de espessura, onde la-</p><p>cunas subdermais estão presentes, com-</p><p>posto pelas terminações dos feixes co-</p><p>anossomais que se projetam através da</p><p>1. Cinachyrella alloclada (Uliczka, 1929)</p><p>Família Tetillidae Sollas, 1886</p><p>61EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Cinachyrella alloclada (Uliczka, 1929)</p><p>superfície da esponja. Esqueleto coanos-</p><p>somal formado por feixes de triênios e</p><p>óxeas em disposição radial, confuso em</p><p>sua porção central. Espículas: protriênios</p><p>ou prodiênios, rabdomas com 1296–3197</p><p>/ 5–14 μm e cládios com 30–190 / 2–5 μm;</p><p>anatriênios, rabdomas com 1051–2900 /</p><p>3–5 μm e cládios com 36–72 / 2–14 μm;</p><p>óxeas I (lisas), 1900–4500 / 14–38 μm;</p><p>óxeas II (lisas), 1144–1440 / 11–14 μm;</p><p>óxeas III (lisas), 63–172 / 7–11 μm; sig-</p><p>maspiras, 7–11 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Cinachyrella alloclada se estabelece em</p><p>rochas cobertas de areia, frequentemente</p><p>sob uma fina camada de sedimento, com</p><p>apenas algumas aberturas visíveis. A es-</p><p>pécie ocorre exposta à luz no entremarés</p><p>de praias com afloramentos rochosos na</p><p>Baía de Todos os Santos, inclusive em</p><p>áreas urbanas de Salvador, bem como</p><p>em todo litoral da Bahia até seu extremo</p><p>sul. Foi também coletada em 28–30 m de</p><p>profundidade no litoral norte, em sub-</p><p>strato composto de areias e cascalhos</p><p>biodetríticos.</p><p>Distribuição geográfica</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Flórida, Dry Tortugas, Bahamas,</p><p>Cuba, Jamaica, México, Panamá, Ven-</p><p>ezuela). Brasil [CE, Atol das Rocas, PE,</p><p>AL, BA (Mata de São João, Salvador,</p><p>Vera Cruz, Itaparica, Baía de Camamu,</p><p>Porto Seguro), RJ, SP].</p><p>� Arquitetura radial, notando-se grandes</p><p>óxeas e protriênios projetando-se além da</p><p>superfície da esponja.</p><p>� A, óxea I; B, óxea II; C, óxea III; D, protriênio</p><p>e detalhe de seu cladoma; E, anatriênio e</p><p>detalhe de seu cladoma; F, sigmaspira.</p><p>62 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Cinachyrella alloclada (Uliczka, 1929)</p><p>Eletromicrografias das</p><p>sigmaspiras de Cinachyrella spp.</p><p>da Bahia. Acima, à esquerda –</p><p>C. alloclada; acima, C. apion; ao</p><p>lado, C. kuekenthali.</p><p>63EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Subesférica à esférica (raramente), com</p><p>diâmetro de 40–100 mm. Cor em vida</p><p>amarelo–ouro ou bege externamente,</p><p>bege ao marrom no álcool. Superfície</p><p>é híspida, contendo porocálices com</p><p>diâmetros de 1–7 mm. A consistência é</p><p>compressível. Córtex fino, fibroso, indis-</p><p>tinguível do ectossoma. Esqueleto ectos-</p><p>somal indiferenciado. Esqueleto coanos-</p><p>somal formado por feixes de triênios e</p><p>óxeas em disposição radial que se pro-</p><p>jetam através da superfície da esponja,</p><p>confuso em sua porção central. Espícu-</p><p>las: protriênios a prodiênios I, rabdomas</p><p>com 961–5760 / 7–14 μm e cládios com</p><p>78–155 μm; protriênios a prodiênios II,</p><p>rabdomas com 83–1256 / 2–3,5 μm e clá-</p><p>dios com 18–39 μm; anatriênios, rabdo-</p><p>mas com 1891–2064 / 3,5–7 μm e cládios</p><p>� Ilha das Fontes (São Francisco do Conde), entremarés, 21/Mai/2008.</p><p>com 47–78 μm; óxeas (lisas), 2200–5480</p><p>/ 10–110 μm; sigmaspiras, 11–35 μm;</p><p>ráfides (às vezes em tricodragmas), 212–</p><p>259 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Idêntica à Cinachyrella alloclada, espécie</p><p>que frequentemente ocorre em simpa-</p><p>tria. Na região de Madre de Deus, ao</p><p>norte da Baía de Todos os Santos, só C.</p><p>apion foi assinalada.</p><p>Distribuição geográfica</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermudas, Flórida, Bahamas,</p><p>Ilhas Virgens, Belize, Panamá). Bra-</p><p>sil [CE, Fernando de Noronha, PE, AL,</p><p>BA (São Francisco do Conde, Madre de</p><p>Deus, Salvador), SP].</p><p>2. Cinachyrella apion (Uliczka, 1929)</p><p>64 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Cinachyrella apion (Uliczka, 1929)</p><p>� Ilha das Fontes (São Francisco do Conde), entremarés, 21/Mai/2008, cohabitando o mangue</p><p>com o molusco mitilídeo Mytella falcata (D’Orbigny, 1846) (sururu).</p><p>� Arquitetura radial, notando-se grandes</p><p>óxeas, protriênios e anatriênios projetando-se</p><p>além da superfície da esponja.</p><p>� A, óxea; B, protriênio I; C, protriênio</p><p>II e detalhe de seu cladoma; D, ana-</p><p>triênio e detalhe de seu cladoma; E,</p><p>sigmaspira; F, ráfide.</p><p>65EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Subesférica, às vezes em forma de pêra,</p><p>podendo atingir 20 cm de diâmetro. Cor</p><p>em vida amarela alaranjada e creme no</p><p>álcool. Superfície levemente híspida,</p><p>com porocálices. Esqueleto ectossomal</p><p>composto pelas terminações dos feixes</p><p>coanossomais que se projetam através da</p><p>superfície da esponja, e por abundantes</p><p>micróxeas dispersas. Esqueleto coanos-</p><p>somal formado por feixes de triênios</p><p>e óxeas em disposição radial, confuso</p><p>em sua porção central. Espículas: pro-</p><p>triênios, rabdomas com 2268–3852 / 11–</p><p>18 μm e cládios com 32–65 / 8–15 μm;</p><p>anatriênios, rabdomas com 2340–3960 /</p><p>5–7 μm e cládios com 29–50 / 6–8 μm;</p><p>óxeas I (lisas), 2916–5040 / 29–47 μm; óx-</p><p>eas II (lisas), 1944–2808 / 11–29 μm; óx-</p><p>eas III (microespinadas), 119–194 / 3,5–5</p><p>μm; sigmaspiras, 7–18 μm.</p><p>3. Cinachyrella kuekenthali (Uliczka,1929)</p><p>Ecologia</p><p>Esta esponja só foi encontrada no infrali-</p><p>toral. Na Baía de Todos os Santos, inclu-</p><p>sive nas proximidades de áreas urbanas</p><p>de Salvador, ocorrem em profundidades</p><p>maiores que 10 metros e neste caso as di-</p><p>mensões dos exemplares podem variar</p><p>de 10 a 20 cm de diâmetro, sendo bem</p><p>maiores que os indivíduos coletados no</p><p>litoral norte (Camaçari).</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Flórida, Dry Tortugas, Bahamas,</p><p>Cuba, Jamaica, Porto Rico, Ilhas Virgens,</p><p>Belize, Barbados, Colômbia, Venezuela).</p><p>Brasil [PA, RN, PB, PE, BA (Camaçari,</p><p>Salvador), ES, RJ].</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6,2 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007. Notar abundância</p><p>de epibiontes.</p><p>66 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Cinachyrella kuekenthali (Uliczka,1929)</p><p>Quebramar Norte (Salvador),</p><p>11 m de profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>Epibiose pela esponja Niphates</p><p>erecta (acima, à esquerda).</p><p>Superfície com abundantes</p><p>porocálices (acima). Tonalidade</p><p>levemente mais pálida do</p><p>coanossoma (à esquerda).</p><p>� Arquitetura radial, notando-se grandes</p><p>óxeas e protriênios projetando-se além</p><p>da superfície da esponja. Notar grande</p><p>quantidade de óxeas III dispersas.</p><p>�A, óxea I; B, óxea II; C, óxea III e detalhe</p><p>de sua microespinação; D, protriênio e</p><p>detalhe de seu cladoma; E, anatriênio e</p><p>detalhe de seu cladoma; F, sigmaspira.</p><p>67EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Gênero Craniella Schmidt, 1870</p><p>O gênero compreende 45 espécies no mundo, das quais quatro</p><p>ocorrem no Brasil. Tratam-se de esponjas adaptadas à vida</p><p>em substratos areno-lamosos, ao qual se fixam por projeções</p><p>radiculares constituídas de feixes de espículas longas e com</p><p>garras na ponta.</p><p>Morfologia</p><p>Irregularmente ovóide, elíptica a quase</p><p>esférica, com altura máxima de 25 mm</p><p>e diâmetro máximo de 23 mm. Cor em</p><p>vida verde externamente, particular-</p><p>mente quando submersos, e amarelados</p><p>internamente. Cor marrom no álcool.</p><p>Em geral a superfície é lisa, porém pode</p><p>apresentar algumas partes rugosas.</p><p>Geralmente há um único ósculo apical e</p><p>na porção basal apresenta longas exten-</p><p>sões espiculares destinadas a mantê–la</p><p>ancorada ao substrato. A consistência</p><p>varia de facilmente compressível a quase</p><p>incompressível. Esqueleto radial quase</p><p>perfeito, com feixes espirais. Espículas:</p><p>protriênios I (prodiênios e promonênios),</p><p>rabdomas com 1434–3156 / 4–8 μm e</p><p>4. Craniella quirimure Peixinho, Cosme & Hajdu, 2005</p><p>� Espécimes da Barra do Jacuruna (Nazaré),</p><p>fotografados em aquário na UFBA. O maior</p><p>espécime tem 3 cm de altura.</p><p>68 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Craniella quirimure Peixinho et al., 2005</p><p>� Espécime recém coletado na Barra do Jacuruna. Observar o tufo radicular de espículas,</p><p>enovelado após a coleta, porém ainda com abundante lama do manguesal.</p><p>cladomas com 21–54 / 13–33 μm; pro-</p><p>triênios II, rabdomas com 210-908 / 1-2</p><p>μm e cladomas com 15–65 / 5–44 μm;.</p><p>anatriênios, rabdomas com até 9600 /</p><p>4–9 μm e cladomas com 18–41 μm; óxeas</p><p>I, 1363–2705 / 7–26 μm; óxeas II, 493–</p><p>1221 / 12–32 μm; óxeas III, 381–1221 /</p><p>12–32 μm; óxeas IV, 269–881 / 6–25 μm;</p><p>sigmaspiras, 6–12 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Essas esponjas são abundantes em</p><p>uma região de manguezal da Baía de</p><p>Todos os Santos, a Barra do Jacuru-</p><p>na, onde sua densidade foi calculada</p><p>em aproximadamente 12 indivíduos</p><p>por metro quadrado. A espécie tam-</p><p>bém foi assinalada no infralitoral, em</p><p>frente à marina de Itaparica e na Baía de</p><p>Camamu.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (provisoriamente endêmica da</p><p>Bahia – Itaparica, Vera Cruz, Camamu,</p><p>Maraú).</p><p>69EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Craniella quirimure Peixinho et al., 2005</p><p>� A, óxea I; B, óxea II; C, óxea III; D, óxea IV; E, protriênio I e</p><p>modificações em prodiênios; F, protriênio II; G, anatriênio; H,</p><p>sigmaspira.</p><p>� Organização radial do esqueleto com</p><p>feixes ascendentes de óxeas maiores.</p><p>� Tufos corticais de óxeas menores.</p><p>Ordem Astrophorida Sollas, 1888</p><p>Microsclera esterraster do tipo de Geodia neptuni (Sollas, 1886) –</p><p>adaptado de eletromicrografia obtida por S. Salani."</p><p>71</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Maciça, ereta, irregularmente cilíndrica</p><p>(lobada), com 3–4 cm de diâmetro e até 15</p><p>cm de comprimento. Cor em vida, exter-</p><p>na cinza escura e interna bege. No álcool</p><p>as tonalidades tonam-se mais esmaeci-</p><p>das. Superfície geralmente coberta por</p><p>sedimentos e/ou epibiontes variados.</p><p>Ósculos circulares, apicais, raros, com</p><p>cerca de 4 mm de diâmetro. Consistên-</p><p>cia rígida, incompressível. O esqueleto</p><p>ectossomal é formado externamente por</p><p>uma camada de oxiásteres, e interna-</p><p>mente pelos cladomas dos dicotriênios</p><p>dispostos lado a lado e entremeados às</p><p>terminações dos feixes radiais coanos-</p><p>somais formados por óxeas grandes e</p><p>algumas óxeas menores. Grande quan-</p><p>tidade de óxeas dispersas mascara o</p><p>padrão de organização. Microrrábdos e</p><p>oxiásteres distribuídos aleatoriamente</p><p>por todo o coanossoma. Espículas: di-</p><p>cotriênios (ocasionalmente ortotriênios),</p><p>rabdomas com 602–1050 / 42–56 μm e</p><p>cládios com 70–168 / 42–56 μm; óxeas I,</p><p>1190–1372 / 56–70 μm; óxeas II, 187–237 /</p><p>3,6 μm; microrrábdos, 68–79 / 7,2–10,8</p><p>μm; oxiásteres com 4–8 raios, 5,4–7,2 μm.</p><p>Gênero Ecionemia Bowerbank, 1864</p><p>O gênero compreende 39 espécies no mundo, das quais apenas uma</p><p>ocorre no Brasil.</p><p>5. Ecionemia sp</p><p>Família Ancorinidae Schmidt, 1870</p><p>Comentário</p><p>Este é o primeiro registro deste gênero</p><p>para a costa brasileira. A relativa raridade</p><p>dos triênios torna esta espécie facilmente</p><p>confundível com um Melophlus</p><p>Thiele,</p><p>1899, gênero que se distingue de Ecione-</p><p>mia principalmente pela ausência destas</p><p>espículas. Como ambos gêneros ocorrem</p><p>no litoral brasileiro, deve-se prestar re-</p><p>dobrada atenção em sua identificação.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie é rara, e apresenta esponjas e</p><p>cnidários frequentemente aderidos em</p><p>sua superfície. Espécimes do interior</p><p>da Baía de Todos os Santos ocorrem em</p><p>áreas com considerável sedimentação.</p><p>Foi encontrada entre os 5 e 11 m de pro-</p><p>fundidade, inclusive próximo às áreas</p><p>urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (BA – Salvador).</p><p>72 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Ecionemia sp.</p><p>� Boião de sinalização naval entre Salvador e Ilha dos Frades, Bahia de Todos os Santos, 5 m de</p><p>profundidade, 21/Jun/2004, em habitat sujeito à forte sedimentação.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, óxea I; B, óxea II; C, dicotriênio e</p><p>detalhe de seu cladoma; D, microrrabdo; E,</p><p>oxiáster.</p><p>73EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Ecionemia sp.</p><p>� Espécime recém coletado em frente ao bairro de Ondina (Salvador), fotografado sobre a</p><p>bancada do laboratório (UFBA).</p><p>� Microrrabdos eletromicrografados em Microscópio Eletrônico de Varredura (espécime do</p><p>boião de sinalização naval entre Salvador e Ilha dos Frades, Bahia de Todos os Santos). A maior</p><p>espícula tem 84 μm de comprimento.</p><p>74 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Maciça, irregular à arredondada, po-</p><p>dendo atingir cerca de 7 cm no maior</p><p>diâmetro. Cor em vivo, externa é branca,</p><p>marrom, verde ou violeta, no álcool é</p><p>bege clara a escura. Superfície híspida</p><p>e frequentemente recoberta por algas.</p><p>Ósculos localizados no topo e na later-</p><p>al da esponja, 1–3 por exemplar, e com</p><p>diâmetros de 1–8 mm. Consistência</p><p>dura, pouco compressível. A arquitetura</p><p>esquelética inclui um córtex rico em co-</p><p>lágeno e com espículas isoladas ou em</p><p>feixes oriundos da região coanossomal,</p><p>além de uma fina camada de oxiásteres</p><p>na sua porção mais interna. O coanos-</p><p>soma tem feixes radiais de plagiotriênios</p><p>e óxeas. Espículas: plagiotriênios I, rab-</p><p>domas com 910–1920 / 28–42 μm e cla-</p><p>domas com 140–294 / 18–25 μm; pla-</p><p>giotriênios II, rabdomas com 476–1092</p><p>/ 14–28 μm e cladomas com 56–140 /</p><p>15–18 μm; plagiotriênios III, rabdomas</p><p>com 126–406 / 4–14 μm e cladomas com</p><p>20–50 / 5–10 μm; óxeas I, 630–1806 /</p><p>6–21 μm; óxeas II, 910–1414 / 14–31 μm;</p><p>oxiásteres, 7–18 μm.</p><p>Gênero Stelletta Schmidt, 1862</p><p>O gênero compreende 146 espécies no mundo, das quais dez</p><p>ocorrem no Brasil. Do Estado da Bahia conhecem-se ainda S.</p><p>anasteria (Esteves & Muricy, 2005), S. crassispicula (Sollas, 1886),</p><p>S. kallitetilla (de Laubenfels, 1936) e S. soteropolitana Cosme &</p><p>Peixinho, 2007.</p><p>6. Stelletta anancora (Sollas, 1886)</p><p>Comentário</p><p>Esta espécie foi registrada pela primeira</p><p>vez para o Brasil em 1886 a partir de ma-</p><p>terial coletado na Bahia pela expedição</p><p>de circumnavegação global do navio in-</p><p>glês H.M.S. Challenger, ocorrida entre os</p><p>anos de 1873 e 1876.</p><p>Ecologia</p><p>Na Baía de Todos os Santos a espécie foi</p><p>observada principalmente em substrato</p><p>consolidado, especialmente costões rocho-</p><p>sos, com apenas um espécime encontrado</p><p>em manguezais. Sua profundidade de</p><p>ocorrência foi do entremarés aos 10 m. Os</p><p>demais exemplares foram coletados no</p><p>litoral norte em substrato inconsolidado,</p><p>com sedimento de areia e cascalho bio-</p><p>detrítico, em profundidades de 23–25 m.</p><p>Esta espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Caribe (registros duvidosos). Brasil [PE,</p><p>SE, Bahia (Arembepe, Camaçari, Salva-</p><p>dor), ES].</p><p>75EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Stelletta anancora (Sollas, 1886)</p><p>� Iate Clube (Salvador), 2–3 m de profundidade, 04/Dez/2006. Notar</p><p>abundância de epibiontes, incluindo ao menos três espécies de esponjas.</p><p>76 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Stelletta anancora (Sollas, 1886)</p><p>� A, óxea I; B, óxea II; C, plagiotriênio I; D,</p><p>plagiotriênio II; E, plagiotriênio III; F, oxiáster.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3,8 m de</p><p>profundidade, 09/Dez/2007. Notar a</p><p>camuflagem do espécime, traída apenas por</p><p>seu ósculo apical com 1 cm de diâmetro.</p><p>77EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Stelletta anancora (Sollas, 1886)</p><p>� Mesmo espécime, recém coletado. Coanossoma com canais aquiferos de distintos calibres,</p><p>com destaque para os maiores, que rumam para os ósculos.</p><p>� Arquitetura esquelética com feixes radiais de plagiotriênios e óxeas, formando um</p><p>escudo protetor na região ectossomal. MICROFOTOGRAFIA POR B. COSME.</p><p>78 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja em formato de pirulito invertido,</p><p>onde a base esférica está enterrada no</p><p>substrato, da qual parte um tubo oscular</p><p>cilíndrico (fístula) que projeta-se alguns</p><p>centímetros acima do substrato. O compri-</p><p>mento total (bulbo e tubo) dos espécimes</p><p>observados é de 6–82 mm. Diâmetro</p><p>Gênero Tribrachium Bowerbank, 1864</p><p>O gênero compreende duas espécies no mundo, das quais</p><p>uma ocorre no Brasil. Trata-se de esponjas adaptadas à</p><p>vida em substratos arenosos, ao qual se fixam pela inserção</p><p>da porção esférica de seu corpo.</p><p>7. Tribrachium schmidti Weltner, 1882</p><p>do bulbo 1,4–13,5 mm, e do tubo oscu-</p><p>lar 0,12–5,64 mm. Cor em vida, branca a</p><p>marrom escura na base, e branca a mar-</p><p>rom amarelado no tubo. No álcool a cor</p><p>é branca a amarelada. Superfície da base</p><p>microhíspida e do tubo lisa. O único óscu-</p><p>lo visível é o do ápice do tubo. Consistên-</p><p>cia pouco compressível, notadamente na</p><p>base, tubo frágil. O esqueleto do bulbo é</p><p>radial com uma camada pigmentada e</p><p>abundantemente preenchida por sanidás-</p><p>teres. O esqueleto do tubo é uma malha de</p><p>ortodiênios justapostos com sanidásteres</p><p>entremeadas. Espículas: ortodiênios (tubo</p><p>oscular), rabdomas com 2808–3456 / 29–</p><p>54 μm e cládios com 288–648 / 25–32 μm;</p><p>dicotriênios (bulbo), rabdomas com 1260–</p><p>3132 / 29–72 μm e cládios com 108–468 /</p><p>11–36 μm; anatriênios (bulbo), rabdomas</p><p>com 826–1680 / 7–14 e cládios com 27–49</p><p>/ 7–14 μm; óxeas, 2844–3528 / 14–36 μm;</p><p>sanidásteres I (ectossoma do bulbo e tubo</p><p>oscular), 13 / 2 μm; sanidásteres II (co-</p><p>anossoma do bulbo), 7 / 1 μm.</p><p>Comentário</p><p>Esta espécie também foi registrada pela</p><p>primeira vez para o Brasil em 1886 a</p><p>partir de material coletado na Bahia pela</p><p>expedição de circumnavegação global</p><p>do navio inglês H.M.S. Challenger, ocor-</p><p>rida entre os anos de 1873 e 1876.</p><p>� Hábito de espécime do Litoral Norte da</p><p>Bahia, após preservação em álcool.</p><p>79EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Tribrachium schmidti Weltner, 1882</p><p>� Arquitetura esquelética do tubo com</p><p>ortodiênios justapostos.</p><p>� Arquitetura esquelética da base, com feixes</p><p>radiais de dicotriênios e óxeas.</p><p>� A, óxea; B, ortodiênio; C, dicotriênio e detalhe</p><p>de seu cladoma; D, anatriênio; E, sanidáster.</p><p>Ecologia</p><p>Esponja psamófila. Todos os espécimes</p><p>observados foram provenientes de</p><p>areia, lama ou cascalho biodetrítico em</p><p>profundidades de 26–91 m. O primeiro</p><p>registro da espécie para a Bahia apontou</p><p>sua ocorrência já a partir dos 7 m de pro-</p><p>fundidade.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México (Cuba). Brasil [AP, PA, BA (Ca-</p><p>maçari, Salvador, Cairu, Belmonte), RJ].</p><p>80 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Tribrachium schmidti Weltner, 1882</p><p>� Prancha XVII de Sollas (1888) – apenas algumas figuras estão legendadas aqui. 1, hábito; 2,</p><p>óxea; 3, ortotriênio pequeno; 4, anatriênio; 5, cladoma do anatriênio; 6, cladoma de um anatriênio</p><p>reduzido a anamonênio; 7, ortodiênio do tubo; 8, sanidásteres; 9, seção vertical mediana da porção</p><p>basal da esponja; 10, detalhe da região de fusão do tubo com a base da esponja em seção vertical</p><p>mediana; 11, esqueleto da parte basal do tubo.</p><p>81</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Maciça com lóbulos, às vezes com pre-</p><p>domínio de crescimento vertical. Es-</p><p>pécimes usualmente recobrindo áreas</p><p>inferiores a 5 x 5 cm, esporadicamente</p><p>até 10 x 15 cm. Lóbulos com até 5 cm de</p><p>altura. Cor em vida, roxo ou roxo amar-</p><p>ronzado externamente, às vezes</p><p>com</p><p>manchas avermelhadas, branca interna-</p><p>mente e, quando em álcool, bege escu-</p><p>Gênero Erylus Lamarck, 1815</p><p>O gênero compreende 67 espécies no mundo, das quais dez ocorrem</p><p>no Brasil, e apenas uma é conhecida do litoral do Estado da Bahia.</p><p>8. Erylus formosus Sollas, 1886</p><p>Família Geodiidae Gray, 1867</p><p>ro acinzentado, interna e externamente.</p><p>Superfície irregular, lisa a discretamente</p><p>híspida, com processos lobulares peque-</p><p>nos. Ósculos preponderantemente api-</p><p>cais, circulares, com 0,5–4 mm de diâme-</p><p>tro. Consistência firme e compressível,</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 8,5 m de</p><p>profundidade, 10/Mai/2008. O espécime tem</p><p>14 cm de comprimento.</p><p>82 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Erylus formosus Sollas, 1886</p><p>� Arquitetura esquelética em</p><p>seção transversal.</p><p>� A, óxea; B, ortotriênio; C, microestrôngilo</p><p>centrotiloto; D, aspidáster; E, estrongiláster;</p><p>F, oxiáster.</p><p>facilmente deformável e rasgável quando</p><p>pressionada. Esqueleto ectossomal com</p><p>crosta de microestrôngilos centrotilotos</p><p>e aspidásteres. A região subectossomal</p><p>possui triênios justapostos, com os cla-</p><p>domas sustentando a crosta ectossomal.</p><p>Esqueleto coanossomal radial com feixes</p><p>ascendentes de óxeas, estrongilásteres</p><p>em uma camada de densidade variável</p><p>logo abaixo dos cladomas dos triênios,</p><p>microestrôngilos centrotilotos disper-</p><p>sos, e mais abaixo oxiásteres também em</p><p>densidade variável. Espículas: ortotriê-</p><p>nios, rabdomas com 308–616/ 14–28 μm</p><p>e cládios com 120–180 / 11–28 μm; óxeas,</p><p>742–1064 / 14–28 μm; aspidásteres, 140–</p><p>224 / 14–42 μm; microestrôngilos centro-</p><p>tilotos, 32–68 / 2–4 μm; oxiásteres, 36–68</p><p>μm; estrongilásteres, 11–18 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Observada em substrato rochoso na Baía</p><p>de Todos os Santos em profundidades</p><p>inferiores a 10 m, também foi encontra-</p><p>da no litoral norte da Bahia, a mais de 20</p><p>m de profundidade, em fundos de areia</p><p>e detritos. A espécie pode ser encontrada</p><p>próxima das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Flórida, Bahamas, Jamaica, Panamá,</p><p>Barbados, Antilhas Holandesas). Brasil</p><p>[MA, CE, RN, Atol das Rocas, PB, PE,</p><p>Fernando de Noronha, BA (Camaçari,</p><p>Salvador), ES].</p><p>83EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Erylus formosus Sollas, 1886</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 3,5 m de profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>Notar sedimentação mais acentuada e aparente epibiose por algas</p><p>filamentosas.</p><p>84 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Maciças–globosas a lamelares e eretas,</p><p>variavelmente cerebriformes, com até</p><p>7 cm de altura. Cor em vida alaranjada</p><p>brilhante ou mais pálida, quando no</p><p>álcool laranja clara ou bege. Superfície</p><p>levemente híspida, ósculos simples com</p><p>1–2 mm de diâmetro ou em crivos. Con-</p><p>sistência geralmente firme. Córtex com</p><p>estilos e óxeas em sua camada mais ex-</p><p>terna, esterrásteres e oxiásteres II logo</p><p>abaixo, em seguida uma camada rica em</p><p>colágeno e pobre em espículas, e por fim</p><p>os cladomas dos ortotriênios sustentan-</p><p>do o ectossoma. Esqueleto coanossomal</p><p>radial com feixes de óxeas e ortotriênios,</p><p>com oxiásteres I nos espaços inter-</p><p>mediários. Espículas: ortotriênios, rab-</p><p>domas com 392–1190 / 3–28 μm e cládios</p><p>com 132–163 / 8–11 μm; óxeas, 100–1414</p><p>/ 1,5–28 μm; estilos, 238–1134 / 4–20 μm;</p><p>esterrásteres, 22–68 μm; oxiásteres I, 11–</p><p>43 μm; oxiásteres II, 4–10 μm.</p><p>Comentários</p><p>Geodia corticostylifera vem sendo estudada</p><p>intensamente com um foco químico-far-</p><p>macológico. Já foi revelada em seus extra-</p><p>tos, atividade antitumoral seletiva (câncer</p><p>de mama), e fungos isolados desta espon-</p><p>ja mostraram-se com potencial para uso</p><p>na degradação do pesticida DDT.</p><p>Gênero Geodia Lamarck, 1815</p><p>O gênero compreende mais de 120 espécies no mundo, das quais</p><p>nove ocorrem no Brasil. Afora as espécies descritas a seguir, estão</p><p>registradas para a Bahia G. glariosa (Sollas, 1886) e G. papyracea</p><p>Hechtel, 1965.</p><p>9. Geodia corticostylifera Hajdu, Muricy, Custódio, Russo & Peixinho, 1992</p><p>Ecologia</p><p>A espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador, tendo sido</p><p>observada na Baía de Todos os Santos</p><p>em profundidades de 2–16 m. Também</p><p>foram obtidos espécimes dos fundos are-</p><p>no-detríticos do litoral norte (Camaçari),</p><p>em profundidades de até 63 m.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Venezuela, Trinidad & Tobago). Brasil</p><p>[CE, RN, PE, AL, BA (Camaçari, Salva-</p><p>dor), ES, RJ, SP].</p><p>� Espécime recém coletado em frente ao</p><p>bairro de Ondina (Salvador), fotografado</p><p>sobre a bancada do laboratório (UFBA).</p><p>Diâmetro máximo = 5,5 cm.</p><p>85EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Geodia corticostylifera Hajdu, Muricy, Custódio, Russo & Peixinho, 1992</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 7,7 m de profundidade, 03/Jun/2009. Altura do espécime = 2,5 cm.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal</p><p>� A-B, óxeas; C, estilos corticais; D-E, or-</p><p>totriênios; F, esterráster; G, oxiesferáster; H,</p><p>oxiáster I; I, oxiáster II.</p><p>86 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Maciça irregular à maciça globosa, po-</p><p>dendo ultrapassar 50 cm2 de área. Cor</p><p>em vida, geralmente branca externa-</p><p>mente, eventualmente com manchas</p><p>roxas, esverdeadas ou marrons, e inter-</p><p>namente sempre creme. Superfície com</p><p>regiões mais ou menos híspidas ao tato</p><p>e com ósculos geralmente agrupados em</p><p>crivos, com diâmetro de 0,5–1 mm. Ex-</p><p>ternamente a esponja é dura, com uma</p><p>capa coriácea, internamente é macia e</p><p>quebradiça. Córtex, que pode ultrapas-</p><p>sar 1 mm de espessura, com camada mais</p><p>externa fina e descontínua com estrongi-</p><p>lásteres e óxeas pequenas, e espessa ca-</p><p>mada de esterrásteres logo abaixo. Nesta</p><p>última há poros inalantes circundados</p><p>por estrongilásteres e oxiásteres. Amplas</p><p>cavidades subcorticais estão circunda-</p><p>das preponderantemente por oxiásteres.</p><p>Esqueleto coanossomal com feixes radi-</p><p>ais de óxeas e triênios que atravessam</p><p>todo o córtex. Espículas: ortotriênios,</p><p>rabdomas com 370–1480 / 6–43 μm e clá-</p><p>dios com 71–163 / 8–15 μm; anatriênios,</p><p>rabdomas com 1321–1341 / 5–10 μm e</p><p>cládios com 2,5–6; óxeas I, 73–200/ 1,5–9</p><p>μm; óxeas II, 1040–1680 / 25–40 μm; es-</p><p>terrásteres, 43–71 μm; oxiásteres 12–36</p><p>μm; estrongilásteres, 5–11 μm.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador. Em cer-</p><p>tas regiões de manguezais são abundan-</p><p>tes sob, sobre e entre blocos de folhelhos</p><p>(p.ex. Ilha do Medo), participando do</p><p>concrecionamento destes blocos; tam-</p><p>bém ocorrem nas faces internas de blo-</p><p>cos rochosos (graníticos, areníticos) no</p><p>entremarés e zonas infralitorâneas rasas,</p><p>particularmente na Baía de Todos os</p><p>Santos.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba, Méxi-</p><p>co, Jamaica, Belize, Costa Rica, Panamá,</p><p>Colômbia, Venezuela, Barbados, Gui-</p><p>anas). Brasil [CE, RN, PE, BA (Mata de</p><p>São João, Salvador, Vera Cruz, Maraú),</p><p>ES, RJ, SP]. Registros que necessitam de</p><p>validação - Pacífico Tropical Ocidental</p><p>(Panamá), África Ocidental, Patagônia.</p><p>10. Geodia gibberosa Lamarck, 1815</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>87</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Esponja branca – Praia do Forte (Mata de</p><p>São João), entremarés, 07/Jun/2009. Habitat</p><p>críptico, recifal, onde caracteristicamente</p><p>observam-se poríferos em intensa competição</p><p>por espaço.</p><p>� A, óxea I; B, óxea II; C, ortotriênio; D,</p><p>esterráster; E, oxiásrter; F, estrongiláster.</p><p>Ordem Hadromerida Topsent, 1894</p><p>Timea sp., espécie não apresentada neste Guia, reconhecível por suas</p><p>fendas porais e hábito incrustante. Outra espécie com hábito semelhante é</p><p>Placospongia sp., porém esta é muito mais dura. Praia do Forte (Mata de São</p><p>João), 1-2 m de profundidade, 07/Jun/2009.</p><p>89</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante (perfurante de subs-</p><p>tratos calcários) com papilas. Por vezes</p><p>apenas as papilas (2–5 mm de diâmetro,</p><p>1-4 mm de altura) estão visíveis, estádio</p><p>de crescimento conhecido como alfa, por</p><p>vezes os espécimes recobrem também o</p><p>substrato entre as papilas,</p><p>Esta é uma das partes de uma obra onde imperfeições são mais notadas. Infelizmente,</p><p>com um trabalho que se arrasta há mais de duas décadas, inevitavelmente algumas</p><p>participações instrumentais para sua conclusão terão sido esquecidas. Para estas,</p><p>nosso sincero pedido de desculpas. Dentre as que lembramos, Ana V. Madeira,</p><p>Bruno C.S. Gomes, Carla M. Menegola da Silva, Claudio Sampaio, Cristiana Castelo-</p><p>Branco, Cristina P. Santos, Eduardo L. Esteves, Fernanda Cavalcanti, George J.G.</p><p>Santos, Gisele Lôbo Hajdu, Guilherme R.S. Muricy, Josiane G. Rocha, Laura P. Kremer,</p><p>Louis Barrows, Maíra V. Oliveira, Mariana S. Carvalho, Mike Leblanc, Pablo R.D.</p><p>Rodrigues, Renata G. Silvano, Roberto G.S. Berlinck, Rosana M. Rocha, Sula Salani,</p><p>Ulisses S. Pinheiro e Viviane P. Santos auxiliaram com as coletas, ao nosso lado, ou</p><p>conduzindo-as de forma independente. Pelo auxílio nas descrições e identificações,</p><p>bem como na diagramação, de forma presencial ou trocando “figurinhas” pelo correio</p><p>eletrônico, temos de agradecer à Carla Zilberberg, Claudio L.S. Sampaio, Eduardo L.</p><p>Esteves, Fábio V. Araujo, Fernanda C. Azevedo, Henry M. Reiswig, José L. Carballo,</p><p>Klaus Rützler, Maíra V. Oliveira, Márcio R. Custódio, Mariana S. Carvalho, Marc</p><p>Laflamme, Michael Nickel, Michelle L.R. Klautau, Pedro M. Alcolado, Rob W.M. van</p><p>Soest, Roberto G.S. Berlinck, Sula Salani, Sven Zea, Thiago S. de Paula, Ulisses S.</p><p>Pinheiro e Vinicius Padula. Tal ajuda se deu com a preparação de lâminas para estudo</p><p>ao microscópio, com a observação das mesmas, com a obtenção de micrometrias,</p><p>comparação com descrições da literatura, discussão de preferências alimentares</p><p>de predadores de esponjas, menção a novos locais onde se encontrou algumas das</p><p>espécies incluídas no Guia, e de muitas outras formas, mais ou menos sutis. Molly</p><p>Ryan é autora de boa parte dos desenhos utilizados para ilustrar o glossário, e como tal</p><p>merece um agradecimento especial. Pelo apoio financeiro na forma de bolsas e auxílios</p><p>temos de agradecer à CAPES, ao CENPES/Petrobras, ao CNPq, à FAPERJ, à FAPESB</p><p>e à FAPESP, porém também a nós mesmos, importantes contribuidores financeiros</p><p>para a viabilização desta obra, que foi diagramada e impressa com recursos do projeto</p><p>Desenvolvimento da Taxonomia de Esponjas Marinhas (Porifera) do Brasil (Petrobras–</p><p>Agência Nacional do Petróleo SAP 4600177470), coordenado pelo Prof. Dr. Guilherme</p><p>Ramos da Silva Muricy, e integrante da Rede de Monitoramento Ambiental Marinho</p><p>da Petrobras. Graças a nossos excelentes parceiros na área ambiental da Petrobras,</p><p>Ana Paula Falcão, Guarani de Hollanda Cavalcanti e Márcia de França Rocha, temos</p><p>conseguido elevar nossa ciência a patamares de disseminação com os quais sequer</p><p>sonhávamos há pouco mais de uma década. De suma importância para a conclusão</p><p>desta obra foi também nossa moeda afetiva. O tempo em que estivemos longe de casa</p><p>colhendo informações para este Guia – ou mesmo quando estávamos em casa, porém</p><p>100% absortos em sua preparação – foi subtraído daqueles que mais o mereciam,</p><p>nossas famílias. Para com eles nossa dívida é impagável, e nosso agradecimento o</p><p>maior e mais sincero.</p><p>Eduardo Hajdu</p><p>Solange Peixinho</p><p>Júlio César Cruz Fernandez</p><p>10 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>11EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Solange Peixinho</p><p>(27.01.1946 - 11.11.2010)</p><p>Solange, natural de Monte Santo (BA), cursou História Natural entre 1967 e 1970</p><p>na Universidade Federal da Bahia (UFBA). Seu Mestrado também seria cursado no</p><p>Brasil, tendo defendido sua Dissertação em 1973, pelo curso de Ciências Biológi-</p><p>cas da Universidade de São Paulo (USP), sobre o tema Esponjas Calcarias do Bra-</p><p>sil. Em 1974 ingressou no quadro de docentes da UFBA, mas já em 1976 partiu em</p><p>busca de conhecimentos aprofundados em esponjas marinhas, tomando o rumo</p><p>de Paris. Ali obteve o Diploma de Estudos Aprofundados em 1977, e em sequência</p><p>seu Doutorado, em 1980, ambos pela Université Pierre et Marie Curie. Com esta</p><p>pós-graduação ela especializava-se em Histologia e Citologia. Após este período no</p><p>exterior, Solange retornaria à Bahia, onde exerceu a carreira de professora universi-</p><p>tária e pesquisadora até 2010. Em 1986, Solange se prontificaria a orientar, à distân-</p><p>cia, um grupo entusiasmado de estudantes cariocas que enfrentavam os percalços</p><p>de iniciar estudos com esponjas na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ),</p><p>quase que por conta própria. Desta iniciativa surgiu uma longa amizade e profunda</p><p>admiração em mão dupla. Passo a passo estes estudantes foram encontrando onde</p><p>se apoiar, obtendo assim a confiança necessária para seguir especializando-se, e hoje</p><p>compreendem quatro professores da UFRJ e um da USP. Solange foi co-autora de 13</p><p>trabalhos em química e farmacolo-</p><p>gia de produtos naturais marinhos,</p><p>12 em taxonomia, e um em biomo-</p><p>nitoramento. Afora suas publica-</p><p>ções, Solange participou de inúme-</p><p>ros projetos de biomonitoramento</p><p>e consultorias ambientais, onde sua</p><p>ampla experiência com as esponjas</p><p>da Bahia conferiam uma qualidade</p><p>difícil de igualar em outras partes</p><p>do país.</p><p>Mas Solange sempre foi muito</p><p>mais que uma parceira de profis-</p><p>são. Seu amor pela natureza, em</p><p>especial aquela da Bahia, contagia-</p><p>va a todos, e sem dúvida terá in-</p><p>fluenciado gerações de estudantes</p><p>a respeitar o mundo que nos cerca,</p><p>e em várias ocasiões, a seguir es-</p><p>tudos aprofundados em ciências</p><p>marinhas, ou mesmo esponjas em</p><p>12 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>particular. A celebração deste amor alcançava seu ápice frente ao por do sol na Praia</p><p>de Itapoã. Este livro era um sonho que vinha sendo perseguido “a passos de cága-</p><p>do”, como ela gostava de dizer. Nos últimos anos, sua liderança neste projeto foi</p><p>decisiva para que “o cágado alçasse um vôo mais pretensioso” e finalmente o sonho</p><p>aterrissasse entre nós. Solange nos deixou em 11 de Novembro de 2010. Sua mãe e</p><p>seu filho, moradores de Salvador, seu ex-marido, que vive na França, e todos nós que</p><p>a conhecemos mais de perto, sentiremos enorme falta de sua companhia.</p><p>Eduardo Hajdu</p><p>Júlio César Cruz Fernandez</p><p>13EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>PREFÁCIO</p><p>A partir do ano 2000 têm surgido publicações importantes que tratam da divulgação</p><p>científica de invertebrados marinhos da Costa Brasileira, dentre as quais guias de</p><p>identificação para ascídias, para esponjas do sudeste do país.</p><p>Neste contexto, a publicação do livro Esponjas Marinhas da Bahia – guia de campo</p><p>e laboratório, premia o esforço do trabalho empreendido pela saudosa Dra. Solange</p><p>Peixinho (†2010), desde o inicio de sua dedicação ao filo, quando se incorporou ao</p><p>Departamento de Zoologia da Universidade Federal da Bahia (UFBA). Ao longo de</p><p>sua vida acadêmica, Solange agregou uma crescente participação de colaboradores</p><p>e orientandos, destacando-se a presença constante do Dr. Eduardo Hajdu, de sua</p><p>colega Dra. Carla M. Menegola da Silva e mais recentemente do Biólogo Júlio C. C.</p><p>Fernandez.</p><p>Esta obra representa um marco para o registro e divulgação da espongiofauna</p><p>da Bahia e de uma forma especial para a Baía de Todos os Santos. Esta última é</p><p>relatada através de sua biodiversidade, ainda muito pouco conhecida, registrada na</p><p>multiplicidade de ecossistemas disponíveis no seu entorno. Esta riqueza encontra</p><p>nesta obra um oportuno destaque para a Zoologia de Invertebrados marinhos</p><p>brasileiros.</p><p>O envolvimento da UFBA em trabalhos de gestão ambiental realizados na costa</p><p>baiana, com a participação de seu corpo acadêmico (pesquisadores, estudantes de</p><p>graduação e pós-graduação) tem contribuído, sobremaneira, para a oportunidade</p><p>de acesso aos ecossistemas oceânicos costeiros e de baías, permitindo a ampliação</p><p>do conhecimento da biodiversidade zoobentônica e o registro de novas ocorrências</p><p>de Porifera, algumas das quais estão integradas neste Guia. Este é o caso de espécies</p><p>por um lado abundantes, mas por outro ainda não registradas em publicações até</p><p>o presente para o Brasil como Clathria schoenus, Clathria venosa, Haliclona caerulea e</p><p>outras.</p><p>estádio beta.</p><p>Foram observados espécimes com área</p><p>superior a 30 x 30 cm. Em estádios mais</p><p>avançados, espécimes aparentemente</p><p>incrustantes, revelam–se com até 1 cm</p><p>de espessura, já tendo dissolvido porção</p><p>considerável do substrato calcário. Cor</p><p>em vida amarelo–vivo ou mais pálido.</p><p>No fixador a cor torna–se marrom. Su-</p><p>perfície híspida, áspera ao toque. Óscu-</p><p>los distribuídos aleatoriamente ao nível</p><p>da superfície, com até 5 mm de diâme-</p><p>tro. Aberturas inalantes agrupadas em</p><p>Gênero Cliona Grant, 1825</p><p>O gênero compreende 76 espécies no mundo, das quais sete</p><p>ocorrem no Brasil. Além das três espécies descritas a seguir, está</p><p>também registrada para a Bahia C. dyorissa (de Laubenfels, 1950).</p><p>Esta família inclui espécies adaptadas à perfuração de substratos</p><p>calcários (conchas, corais, rodolitos), o que é alcançado através</p><p>de mecanismos celulares que liberam pequenos chips de formato</p><p>característico. Mais de 90% do substrato perfurado é convertido</p><p>em chips. Cálculos efetuados em ambientes recifais na região</p><p>do Caribe estabeleceram o valor de 256 g / m2 / ano como a</p><p>produção de sedimento calcário por estas esponjas, gerando cerca</p><p>de 40% de todo o sedimento em alguns setores destes recifes.</p><p>Estimou-se que a taxa de bioerosão poderia alcançar 3 kg / m2</p><p>/ ano em locais com maior infestação por esponjas escavadoras.</p><p>Valores semelhantes foram obtidos para o potencial escavador de</p><p>Cliona aff. celata Grant, 1826 no litoral norte da Bahia.</p><p>11. Complexo Cliona celata Grant, 1826</p><p>Família Clionaidae D’Orbigny, 1851</p><p>papilas. Consistência firme, pouco com-</p><p>pressível, em parte em decorrência de</p><p>fragmentos de substrato em seu interior.</p><p>Esqueleto ectossomal com uma contínua</p><p>paliçada de espículas perpendiculares à</p><p>superfície. Esqueleto coanossomal desor-</p><p>denado com espículas em feixes densos.</p><p>Espículas: tilóstilos, 252–378 / 7–11μm.</p><p>Comentários</p><p>Cliona celata é um caso clássico de espé-</p><p>cie de porífero até a pouco considerada</p><p>notoriamente cosmopolita. Resultados</p><p>recentes revelaram a existência de um</p><p>complexo de espécies crípticas, inclusi-</p><p>ve nas ilhas britânicas, localidade tipo</p><p>da espécie. No Brasil, aparentemente</p><p>as populações do NE e do SE não per-</p><p>tenceriam à mesma espécie (T. de Paula,</p><p>com. pess.).</p><p>90 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Complexo Cliona celata Grant, 1826</p><p>Ecologia</p><p>O complexo pode ser encontrado próxi-</p><p>mo das áreas urbanas de Salvador, onde</p><p>é relativamente comum no mesolitoral e</p><p>raro no infralitoral consolidado. Costu-</p><p>ma ocorrer em densas manchas popula-</p><p>cionais, frequentemente distribuídas por</p><p>vários metros quadrados de sedimento</p><p>� Ilha da Pedra Furada, Baía de Camamu (Maraú), 1 m de profundidade, 30/Jul/2009.</p><p>calcáreo (p.ex. ao largo de Jiribatuba, Ca-</p><p>nal de Itaparica, região de manguezal).</p><p>Distribuição</p><p>Provisoriamente cosmopolita. Brasil</p><p>[CE, RN, PE, AL, BA (Camaçari, Salva-</p><p>dor, Maraú), ES, RJ, SP].</p><p>91</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6,3 m de profundidade, 10/Dez/2007. Notam-se apenas as</p><p>papilas exalantes (com ósculos) e inalantes (fechadas). O resto da esponja habita o</p><p>interior do substrato.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal. No detalhe, ponto</p><p>de ruptura do corte, ilustrando as bases dos tilóstilos dispostos</p><p>aleatoriamente (não se trata da superfície da esponja).</p><p>� A, tilóstilo; B,</p><p>tilóstilo jovem</p><p>92 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante (perfurante) com pa-</p><p>pilas grandes (até 20 mm de diâmetro).</p><p>Por vezes apenas as papilas (2–5 mm de</p><p>diâmetro, 1-4 mm de altura) estão visí-</p><p>veis, estádio de crescimento alfa, por</p><p>vezes os espécimes recobrem também o</p><p>substrato entre as papilas, estádio beta.</p><p>Foram observados espécimes com área</p><p>superior a 50 x 50 cm. Normalmente per-</p><p>fura cavidades com alguns centímetros</p><p>de profundidade, permitindo a retirada</p><p>de grandes pedaços de esponja durante</p><p>a coleta. Cor em vida laranja–avermelha-</p><p>do. No fixador a cor torna-se marrom-es-</p><p>cura. Superfície híspida, áspera ao toque.</p><p>Aberturas exalantes dispersas e pouco</p><p>abundantes, com 5–20 mm de diâmetro,</p><p>permitem ampla visualização da cavida-</p><p>de atrial. Aberturas inalantes agrupadas</p><p>em papilas semi–translúcidas, muito</p><p>12. Cliona delitrix Pang, 1973</p><p>mais abundantes, com discreta reticula-</p><p>ção superficial. Um espécime da Ilha do</p><p>Frade tinha cerca de 100 papilas inalan-</p><p>tes, e apenas duas exalantes (ósculos),</p><p>enquanto outro exibia uma proporção de</p><p>cerca de 50 / 5. Papilas, tanto inalantes</p><p>quanto exalantes, contraem–se bastante</p><p>após a coleta. Consistência mais macia</p><p>que C. celata, possivelmente em decor-</p><p>rência das amplas cavidades interiores</p><p>(forma mais cavernosa). Esqueleto ectos-</p><p>somal radial com feixes se formando na</p><p>região mais externa do coanosssoma e</p><p>atravessando o ectossoma. As espículas</p><p>estão organizadas com o tilo orientado</p><p>para o coanossoma e a extremidade fina</p><p>para o ectossoma. Esqueleto coanosso-</p><p>mal completamente preenchido por ti-</p><p>lóstilos, sem uma organização evidente.</p><p>Espículas: tilóstilos, 364–420 / 8–14 μm.</p><p>� Arquitetura</p><p>esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>93</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador), 2 m de profundidade, 02/Dez/2006.</p><p>� A, tilóstilo.</p><p>Comentários</p><p>A espécie é bastante conspícua em toda a</p><p>Bahia, em decorrência de sua abundân-</p><p>cia, tamanho e cor chamativa, à exceção</p><p>de áreas de manguesal.</p><p>Ecologia</p><p>Cliona delitrix pode ser encontrada per-</p><p>furando corais, especialmente os mortos,</p><p>e outros substratos calcários diversos. A</p><p>espécie ocorre também próxima das áre-</p><p>as urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Flórida, Bahamas, Cuba, México, Ilhas</p><p>Cayman, Jamaica, Belize, Honduras, Pa-</p><p>namá, Colômbia, Antilhas Holandesas).</p><p>Brasil (RN, PE, BA – Madre de Deus, Sal-</p><p>vador, Maraú, Abrolhos).</p><p>94 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça, com até 5 cm de espessu-</p><p>ra, podendo recobrir metros e metros de</p><p>substrato, porém frequentemente os es-</p><p>pécimes não ultrapassam 50 x 50 cm. Cor</p><p>em vida marrom, externamente, e bege</p><p>internamente. No fixador a cor é bege.</p><p>Superfície híspida, aveludada. Aberturas</p><p>exalantes pequenas (1–4 mm de diâme-</p><p>tro), distribuidas aleatoriamente; aber-</p><p>turas inalantes não visíveis a olho nu, e</p><p>não agrupadas em papilas. Consistência</p><p>firme, pouco compressível. Esqueleto</p><p>ectossomal com feixes densos de megas-</p><p>cleras e coanossomal com espículas em</p><p>desordem, frequentemente entrecruza-</p><p>13. Cliona varians (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>das. Espículas: tilóstilos, 392–476 / 9–18</p><p>μm; espirásteres, 11–18 μm.</p><p>Comentários</p><p>Os maiores espécimes observados ocor-</p><p>riam nas proximidades do Farol da Barra</p><p>(Salvador) e na Coroa Vermelha (Santa</p><p>Cruz de Cabrália).</p><p>Ecologia</p><p>Cliona varians pode ser encontrada próxi-</p><p>ma das áreas urbanas de Salvador. A es-</p><p>pécie é relativamente comum no mesoli-</p><p>� Taipú de Fora (Maraú), entremarés,</p><p>26/Jul/2009.</p><p>95EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Cliona varians (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Recife da</p><p>Pituba (Salvador),</p><p>entremarés, 26/</p><p>Set/2004.</p><p>� A, tilóstilo; B, espirásteres.</p><p>� Quebramar Norte</p><p>(Salvador), 8 m de</p><p>profundidade, 05/</p><p>Mar/2009; FOTO POR C.M.</p><p>MENEGOLA DA SILVA.</p><p>toral e no infralitoral da Bahia recobrindo</p><p>substratos areno–calcários consolidados.</p><p>Exemplares desta espécie costumam</p><p>abrigar cracas (Membranobalanus declivis)</p><p>como hóspedes, as quais se alojam nas</p><p>aberturas osculares. Na praia de Pituba</p><p>foi determinada uma densidade de 0,6</p><p>cracas/ cm2 de superfície da esponja.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Bahamas, Méxi-</p><p>co, Honduras, Jamaica, República Domi-</p><p>nicana, Porto Rico, Panamá, Colômbia).</p><p>Brasil [CE, RN, Atol das Rocas, PE, Fer-</p><p>nando de Noronha, AL, BA (Salvador,</p><p>Maraú, Porto Seguro, Santa Cruz de Ca-</p><p>brália, Abrolhos), ES].</p><p>96</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma normalmente incrustante</p><p>espessa</p><p>(2–5 mm de espessura), com placas rígi-</p><p>das justapostas, delineadas por fendas</p><p>que suprem a água ao sistema aquífero</p><p>Gênero Placospongia Gray, 1867b</p><p>O gênero compreende sete espécies no mundo, das quais quatro</p><p>estão citadas para o Brasil. Apenas P. cristata Boury-Esnault, 1973</p><p>está citada para a Bahia. Estudos recentes revelaram a ampla</p><p>ocorrência de especiação críptica neste gênero, sugerindo que o</p><p>número de espécies viventes é bem maior que o que se conhece.</p><p>O casamento de descrições morfológicas detalhadas e revisões</p><p>ao nível molecular de populações em diversas partes do mundo</p><p>estão em curso, e deverão ampliar consideravelmente o número</p><p>de espécies conhecidas.</p><p>14. Placospongia sp.</p><p>Família Placospongiidae Gray, 1867b</p><p>da esponja, mas que podem fechar-se</p><p>completamente quando os espécimes</p><p>são coletados ou sujeitos a maior hidro-</p><p>dinamismo. Fendas recobertas por uma</p><p>rede delicada, somente observada em</p><p>espécimes não contraídos. Cor em vida</p><p>marrom escuro externamente, e bege-</p><p>esbranquiçado por dentro. Superfície</p><p>áspera. Aberturas inalantes e ósculos</p><p>(raros, diâmetro 1 mm) concentradas</p><p>nas fendas. Consistência rígida. Esque-</p><p>leto ectossomal formado por uma gros-</p><p>sa camada de selenasteres, atravessada</p><p>por feixes de tilóstilos. Esqueleto coa-</p><p>nossomal radial com densos feixes de</p><p>tilóstilos. Espículas: tilóstilos I, 568–1097</p><p>/ 10–13 (largura da haste) / 13–20 μm</p><p>(largura da cabeça); tilóstilos II, 53–233 /</p><p>2,5–5 (largura da haste) / 5 (largura da</p><p>cabeça) μm; selenásteres, 56–84 μm; es-</p><p>ferásteres, 11–18 μm; espirásteres, 13–23</p><p>μm; microestrôngilos, 5–12 μm.</p><p>� Praia do Forte (Mata de São João), 1 m de</p><p>profundidade, 06/Jun/2009.</p><p>97EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Placospongia sp.</p><p>� Taipú de Fora (Maraú), entremarés, 26/</p><p>Jul/2007. As aberturas inalantes e um ósculo</p><p>(seta) estão visíveis no interior das fendas.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, tilóstilos; B, selenáster; C, esferáster;</p><p>D, espiráster (desenho por Erik Hajdu); E,</p><p>microestrôngilos.</p><p>Comentário</p><p>A descrição apresentada aqui é uma</p><p>composição de mais de um espécime,</p><p>possivelmente englobando mais de uma</p><p>espécie</p><p>Ecologia</p><p>Placospongia sp. é pouco comum no in-</p><p>fralitoral consolidado da Baía de Todos</p><p>os Santos e proximidades desta. A es-</p><p>pécie é mais facilmente encontrada sob</p><p>blocos de substrato calcário e arenítico,</p><p>em águas rasas ou piscinas de marés. Al-</p><p>guns indivíduos foram vistos ao largo de</p><p>Jiribatuba (Canal de Itaparica) formando</p><p>ramas rasteiras com mais de 20 cm de</p><p>comprimento.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (CE, PB, PE, Fernando de Noro-</p><p>nha, AL, BA – Mata de São João, Salva-</p><p>dor, Vera Cruz, Maraú, Mucuri).</p><p>98</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante (2–3 mm de espessu-</p><p>ra), de contorno irregular. Alguns espéci-</p><p>mes foram observados recobrindo áreas</p><p>de até 50 cm2. Coloração salmão claro a</p><p>cor de tijolo, tornando–se bege no fixador.</p><p>Superfície lisa, podendo apresentar canais</p><p>subdermais confluindo para os ósculos,</p><p>visíveis apenas em exemplares vivos. Ós-</p><p>culos dispersos, pouco abundantes, com</p><p>2–3 mm de diâmetro. Consistência geral-</p><p>mente firme. Esqueleto ectossomal cons-</p><p>tituído por uma camada de espirásteres e</p><p>alguns tilóstilos que atravessam a super-</p><p>fície, enquanto o coanossomal é constituí-</p><p>do pelos tilóstilos, às vezes subtilóstilos, e</p><p>espirásteres em menor densidade que no</p><p>ectossoma. Espículas: tilóstilos, 213–514 /</p><p>2,5–16 μm; espirásteres I, 12–46 / 18–30</p><p>μm; espirásteres II, 4-9 μm.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador, sendo re-</p><p>lativamente rara no infralitoral consoli-</p><p>dado da Baía de Todos os Santos, porém</p><p>comum em águas rasas e piscinas costei-</p><p>ras da Bahia (Mata de São João, Maraú),</p><p>onde costuma ficar ao abrigo da luz, sob</p><p>blocos de rochas e corais.</p><p>Gênero Spirastrella Schmidt, 1868</p><p>O gênero compreende 14 espécies no mundo, das quais</p><p>duas ocorrem no Brasil. Apenas uma espécie foi encontrada</p><p>na Bahia.</p><p>15. Spirastrella hartmani Boury-Esnault, Klautau, Bézac, Wulff & Solé-Cava, 1999</p><p>Família Spirastrellidae Ridley & Dendy,1886</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Bermudas, Flórida, Bahamas, Cuba,</p><p>Ilhas Cayman, Jamaica, Belize, Panamá,</p><p>Colômbia, Venezuela). Brasil (Arquipé-</p><p>lago São Pedro e São Paulo, RN, Atol das</p><p>Rocas, PE, Fernando de Noronha, AL,</p><p>BA – Mata de São João, São Francisco do</p><p>Conde, Salvador, Maraú).</p><p>� Praia do Forte (Mata de São João), 1–2 m de</p><p>profundidade, 06/Jun/2009. A tonalidade mais</p><p>clara é típica dos ambientes mas abrigados</p><p>da luz.</p><p>99EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Spirastrella hartmani Boury-Esnault, Klautau, Bézac, Wulff & Solé-Cava, 1999</p><p>� Praia do Forte (Mata de São João), 1–2 m de profundidade, 06/Jun/2009. Notar que há dois</p><p>ósculos em 1º plano e outro um pouco à esquerda (setas), mas os orifícios restantes, apesar</p><p>do diâmetro similar, indicam a presença de cirripédios associados. A área compreendida na</p><p>imagem tem 10 cm de largura.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>� A, tilóstilos;</p><p>B, espirásteres.</p><p>100</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma variando entre esférica, semi-es-</p><p>férica e maciça, e espécimes frequente-</p><p>mente atingindo 15–20 cm de diâmetro</p><p>e 10 cm de espessura. Cor em vida ama-</p><p>rela-viva por fora, com frequentes man-</p><p>Gênero Aaptos Gray, 1867</p><p>O gênero compreende 20 espécies no mundo, das quais duas</p><p>ocorrem no Brasil. Está citada para a Bahia também A. bergmanni de</p><p>Laubenfels, 1950.</p><p>16. Aaptos spp.</p><p>Família Suberitidae Schmidt, 1870</p><p>chas amarronzadas, e pálida por dentro.</p><p>No fixador a cor torna–se marrom-es-</p><p>cura. Superfície com montículos bai-</p><p>xos dispersos. Ósculos conspícuos (3–5</p><p>mm de diâmetro) que podem ocorrer</p><p>dispersos ou agrupados (até 15 mm de</p><p>� Ilha Maria Guarda (Madre de Deus), 2-3 m de profundidade, 20/Mai/2008. O espécime tem</p><p>10 cm de diâmetro máximo. Notar a alta sedimentação no local."</p><p>101EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aaptos spp.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, estrongilóxea I; B, estrongilóxea II; C,</p><p>modificação da estrongilóxea I</p><p>diâmetro máximo), contraindo-se bastan-</p><p>te após a coleta. Consistência dura, pouco</p><p>compressível. Esqueleto ectossomal com-</p><p>posto de megascleras menores dispostas</p><p>perpendicularmente à superfície, pratica-</p><p>mente formando uma paliçada. O arranjo</p><p>se confunde com as terminações dos den-</p><p>sos feixes de megascleras coanossomais</p><p>que alcançam a superfície. Esqueleto co-</p><p>anossomal denso, confuso nas porções</p><p>mais distantes da superfície, e adquirindo</p><p>padrão radial à medida que se aproxima</p><p>do ectossoma. Espículas: estrongilóxeas I,</p><p>1046–1320 / 23–30 μm; estrongilóxeas II,</p><p>208–950 / 5–25 μm; estilos (raros), 549–</p><p>569 / 15 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Aaptos spp. são comuns no infralitoral</p><p>consolidado da Baía de Todos os Santos</p><p>e proximidades desta, tendo sido obser-</p><p>vados até os 15 m de profundidade.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil [RN, Atol das Rocas, PE, AL, BA</p><p>(Madre de Deus, Salvador, Cairu, Porto</p><p>Seguro), ES, RJ, SP].</p><p>102 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Maciça à ramosa com ramificações sim-</p><p>ples, ramos cilíndricos, irregulares com</p><p>poucas bifurcações, eventualmente com</p><p>lobos achatados. Os espécimes podem</p><p>ultrapassar 10 cm de altura e 20 cm de</p><p>largura. Coloração externa em vida azul,</p><p>laranja, vermelho alaranjado, vermelha</p><p>ou uma mistura destas; e interna amare-</p><p>la à laranja. Consistência firme, mas fle-</p><p>xível. O ectossoma não possui especiali-</p><p>zação, sendo atravessado por buquês de</p><p>tilóstilos formados nas terminações dos</p><p>feixes ascendentes coanossomais, que</p><p>podem ainda formar malhas grosseiras</p><p>no coanossoma. Superfície levemente</p><p>híspida, com ósculos dispersos, medin-</p><p>do 2–5 mm de diâmetro. Espículas: tilós-</p><p>tilos, 121–833 / 5–15 (largura da haste) /</p><p>5–15 μm (largura da cabeça).</p><p>Comentários</p><p>Esta espécie já foi referida com diversos</p><p>nomes na bibliografia especializada: La-</p><p>xosuberites</p><p>aurantiaca, Laxosuberites sp.,</p><p>Suberites aurantiaca, Terpios sp., Terpios</p><p>aurantiacus. Por vezes se reconhecem</p><p>duas categorias de tilóstilos na espécie.</p><p>Ecologia</p><p>Estabelecem–se em substratos rochosos,</p><p>fragmentos de folhelho e conchas, par-</p><p>ticularmente em manguezais na porção</p><p>norte da Baía de Todos os Santos. Nesta</p><p>área costumam ser abundantes na zona</p><p>entremarés de locais mais poluídos, prin-</p><p>cipalmente nas proximidades da refina-</p><p>ria Landulfo Alves. Um estudo recente</p><p>feito nesta região por pesquisadores da</p><p>Universidade Federal da Bahia, suge-</p><p>riu esta espécie como bioindicadora de</p><p>Gênero Suberites Nardo, 1833</p><p>O gênero compreende 72 espécies no mundo, das quais três</p><p>ocorrem no Brasil. Apenas uma espécie foi encontrada na Bahia.</p><p>17. Suberites aurantiacus (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>103EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Suberites aurantiacus (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador), Jan/1997.</p><p>� Salvador, infralitoral, Ago/1999.</p><p>� A-C, tilóstilos compondo uma única</p><p>categoria de dimensões muito variadas.</p><p>ambientes fortemente impactados por</p><p>petróleo. A espécie também pode ser en-</p><p>contrada próxima das áreas urbanas de</p><p>Salvador, porém em abundância bastan-</p><p>te reduzida.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida,</p><p>Cuba, México, Belize, Jamaica, Ilhas</p><p>Virgens, Panamá, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas, Guianas). Brasil [CE, PE,</p><p>BA (Mataripe, Salvador), RJ, SP, SC]. A</p><p>espécie também foi citada para o Pacífi-</p><p>co Central (Havaí), onde é considerada</p><p>uma espécie invasora, e Pacífico Tropical</p><p>Oriental (Panamá).</p><p>104 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma finamente incrustante, com di-</p><p>mensões frequentemente inferiores a 5 x</p><p>5 cm, mas podendo por vezes ultrapas-</p><p>sar os 20 x 20 cm em área. Cor em vida</p><p>azul (cobalto a marinho), e azul–cobalto</p><p>no etanol. Superfície híspida, áspera ao</p><p>toque. Aberturas não visíveis. Consis-</p><p>tência macia. Esqueleto ectossomal não</p><p>especializado, constituido das termina-</p><p>ções dos vagos feixes espiculares coa-</p><p>nossomais. Esqueleto coanossomal com</p><p>feixes pauciespiculares ascendentes e</p><p>esparsos, além de megascleras eretas no</p><p>substrato ou dispersas. Espículas: tilósti-</p><p>los, 108–365 / 3,6–8 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Terpios fugax é relativamente comum no</p><p>entremarés e infralitoral consolidado da</p><p>Baía de Todos os Santos e adjacências,</p><p>onde apresenta uma preferência por am-</p><p>bientes abrigados da iluminação intensa.</p><p>A espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida,</p><p>Cuba, Porto Rico, Ilhas Virgens, Belize,</p><p>Venezuela, Antilhas Holandesas). Brasil</p><p>[PE, BA (Salvador), RJ, SP]. Registros</p><p>efetuados para outras partes do mun-</p><p>do são considerados duvidosos, tais</p><p>como para a Irlanda, Mônaco e as Ilhas</p><p>Seychelles.</p><p>Gênero Terpios Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>O gênero compreende 14 espécies no mundo, das quais três</p><p>ocorrem no Brasil. Apenas uma espécie foi encontrada na Bahia.</p><p>18. Terpios fugax Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2 m de</p><p>profundidade, 01/Dez/2010.</p><p>105EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Terpios fugax Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 2 m de profundidade, 02/Dez/2006. O espécime é uma crosta com</p><p>fração de milímetro de espessura.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal. � A, tilóstilos e detalhes</p><p>de suas bases.</p><p>106</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma esférica ou subesférica, com 10 a</p><p>30 mm de diâmetro. Cor em vida é ala-</p><p>ranjada, avermelhada ou rosada. No eta-</p><p>nol a cor é bege clara ou um pouco mais</p><p>escura. Superfície verrucosa, eventual-</p><p>mente com filamentos basais, podendo</p><p>apresentar brotos pedunculados. Um ou</p><p>mais ósculos que se contraem bastante</p><p>após a coleta, localizados na região su-</p><p>perior ou próxima à base. Quando viva</p><p>a consistência é mole e elástica, mas con-</p><p>servada é apenas levemente elástica ou</p><p>pouco compressível à dura. O esqueleto</p><p>ectossomal é composto por um córtex</p><p>(0,5–3 mm de espessura) com duas ca-</p><p>madas, a mais superficial com numero-</p><p>sos tilásteres e a mais interna contendo</p><p>esferásteres e tilásteres. Este córtex é</p><p>atravessado por feixes radiais densos</p><p>de estrongilóxeas que se originam no</p><p>coanossoma. Cavidades sub dermais</p><p>estão presentes nos espécimes pouco</p><p>contraídos. Coanossoma com feixes de</p><p>estrongilóxeas, e entre estes densos tufos</p><p>Gênero Tethya Lamarck, 1814</p><p>O gênero compreende 90 espécies no mundo, das quais dez</p><p>ocorrem no Brasil. Da Bahia conhecem-se ainda T. brasiliana</p><p>Ribeiro & Muricy, 2004, T. cyanae R. & M., 2004, T. ignis R. & M.,</p><p>2004 e T. rubra R. & M., 2004, todas oriundas de Abrolhos. A</p><p>identificação de Tethya requer estudo detalhado da morfologia</p><p>de suas microscleras. No estádio atual do inventário destas</p><p>espécies na Bahia, faz-se necessário uso intensivo de microscopia</p><p>eletrônica de varredura. Espera-se que uma vez avançado este</p><p>estudo, passe a ser possível reconhecer as espécies valendo-se</p><p>apenas do microscópio óptico.</p><p>19. Tethya maza Selenka, 1879</p><p>Família Tethyidae Gray, 1848</p><p>confusos de estrongilóxeas. No entorno</p><p>dos canais mais internos, são visíveis</p><p>inúmeras tilásteres. Espículas: anisoes-</p><p>trongilóxeas I, 1476–1548 / 20–25 μm;</p><p>anisoestrongilóxeas II, 756–910 / 7–14</p><p>μm; esferásteres, 35–42 μm; oxiásteres I,</p><p>28–43 μm; oxiásteres II, 8–10 μm; estron-</p><p>gilásteres, 10–14 μm; tilásteres, 10–13</p><p>μm. As esferásteres são megásteres e as</p><p>demais ásteres, micrásteres.</p><p>Ecologia</p><p>Tethya maza é relativamente comum, po-</p><p>rém pouco numerosa, no entremarés e</p><p>infralitoral consolidado, inclusive próxi-</p><p>ma das áreas urbanas de Salvador, bem</p><p>como em áreas de manguezal da Baía de</p><p>Todos os Santos e suas cercanias. Obser-</p><p>vações efetuadas em aquário evidencia-</p><p>ram como funciona o brotamento nesta</p><p>espécie, que consiste no alongamento e</p><p>adelgaçamento dos pedúnculos até seu</p><p>ponto de ruptura, o que não raro ocorre</p><p>apenas após que uma superfície favo-</p><p>rável a sua fixação tenha sido alcança-</p><p>107EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Espécime recém coletado, ainda dentro da água do mar, em seção longitudinal (Ponta</p><p>de Humaitá, Salvador, Jan/1997). Notar disposição radial do esqueleto evidenciada pelo</p><p>contraste entre a cor branca das espículas silicosas e o amarelo e vermelho do restante</p><p>da esponja. A crosta de esferásteres que circunda a totalidade da esponja sob as lacunas</p><p>subdermais e apóia-se nos feixes radias de megascleras, confere uma maior resistência a</p><p>estas esponjas.</p><p>Tethya maza Selenka, 1879</p><p>da. Entretanto, locais mais afastados da</p><p>esponja-mãe podem ser alcançados pelo</p><p>“lançamento” de brotos ao sabor das</p><p>correntes, ou pela migração dos brotos</p><p>que haviam se fixado próximos à espon-</p><p>ja-mãe. O movimento em Tethya é clara-</p><p>mente visível em escala de dias, já tendo</p><p>sido mensurado em algumas espécies –</p><p>pode alcançar 3 mm ao dia em vidro, e</p><p>um pouco menos em substratos naturais</p><p>(M. Nickel, com. pess.).</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe (Ja-</p><p>maica, Ilhas Virgens, Colômbia). Brasil</p><p>[AL, BA (São Francisco do Conde, Salva-</p><p>dor), ES, RJ, SP, SC].</p><p>108 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Tethya maza Selenka, 1879</p><p>� Arquitetura</p><p>esquelética em seção</p><p>transversal. Notar</p><p>arranjo radial, lacunas</p><p>subdermais e crosta</p><p>de esferásteres na</p><p>base do córtex.</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 10,6 m de profundidade, 11/Dez/2007</p><p>109EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Tethya maza Selenka, 1879</p><p>� Ilha do Pati (São Francisco do Conde),</p><p>entremarés, 04/Jun/2004.</p><p>� A, anisoestrongilóxea I;</p><p>B, anisoestrongilóxea II; C, esferáster;</p><p>D, oxiáster I; E, estrongiliáster; F,</p><p>tiláster; G, oxiáster II.</p><p>110 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma subesférica com a porção basal</p><p>achatada, diâmetro máximo 20-25 mm.</p><p>Cor em vida alaranjada, tornando-se</p><p>bege em etanol. Superfície</p><p>com cônulos</p><p>baixos e brotos ovais pedunculados, dis-</p><p>persos, e de tonalidade um pouco mais</p><p>clara. Ósculos não foram observados.</p><p>Consistência em vida macia, no eta-</p><p>nol mais firme. Arquitetura esquelética</p><p>composta de córtex e coanossoma, em</p><p>disposição radial. Córtex com cerca de</p><p>1 mm de espessura, composto de cama-</p><p>da mais externa de micrásteres peque-</p><p>nas, camada subdermal com marcada</p><p>presença de canais aquíferos (200–300</p><p>μm de diâmetro), localizada sobre uma</p><p>densa capa basal de megásteres (400–500</p><p>μm de espessura). O córtex é perfurado a</p><p>cada 500 μm por feixes multiespiculares</p><p>coanossomais (diâmetro 200 μm), que se</p><p>abrem em buquês (diâmetro 700 μm), e</p><p>sustentam os cônulos da superfície. Os</p><p>buquês estão entremeados a abundantes</p><p>micrásteres e megásteres, e observa-se</p><p>algumas megascleras dispersas de forma</p><p>confusa. O coanossoma também apre-</p><p>senta arquitetura complexa. Além dos</p><p>feixes multiespiculares radiais já men-</p><p>cionados, há tufos densos de megascle-</p><p>ras na região subcortical, aparentemente</p><p>20. Tethya sp.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal – detalhe da região cortical.</p><p>desvinculados dos feixes radiais. Atra-</p><p>vessadas nos tufos e nos feixes, se vêem</p><p>megascleras transversais, fechando a es-</p><p>tratégia destas esponjas por uma maior</p><p>resistência à ruptura. Espículas: anisoes-</p><p>trongilóxeas I, 680–1200 μm / 17–30 μm;</p><p>anisoestrongilóxeas II, 300–500 μm / 3–4</p><p>μm; esferásteres, 25–50 μm; oxiásteres I,</p><p>16–32 μm; oxiásteres II, 7–8 μm; estrongi-</p><p>lásteres, 8–10 μm; tilásteres, 8–9 μm. As</p><p>esferásteres são megásteres e as demais</p><p>ásteres, micrásteres.</p><p>Ecologia</p><p>Tethya sp. foi coletada em uma pequena</p><p>poça de maré no recife da Praia da Pitu-</p><p>ba (Salvador), um ecossistema sujeito a</p><p>ampla variação no que tange à eutrofi-</p><p>zação.</p><p>Distribuição</p><p>Desconhecida.</p><p>111EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Tethya sp.</p><p>� Recife da Pituba (Salvador), entremarés, 08/Mai/2008.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal. Notar arranjo radial, lacunas</p><p>subdermais e crosta de esferásteres na base</p><p>do córtex.</p><p>� A, anisoestrongilóxea I; B,</p><p>anisoestrongilóxea II; C, esferáster;</p><p>D, oxiáster I; E, oxiáster II; F,</p><p>estrongiláster; G, tiláster.</p><p>Ordem Chondrosida Boury-Esnault</p><p>& Lopès, 1985</p><p>Chondrosia sp. sensu Lazoski et al. (2001), Farol da Barra (Salvador),</p><p>1,5 m de profundidade, 04/Dez/2010.</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>Morfologia</p><p>Incrustante com cerca de 2–5 mm de es-</p><p>pessura, cor externa cinza, bege ou ne-</p><p>gra, às vezes bege com manchas escuras,</p><p>e interna bege; geralmente os exempla-</p><p>res encontrados ao abrigo da luz são</p><p>mais claros; a coloração em etanol é</p><p>bege. Superfície lisa, brilhante. Ósculos</p><p>com 1–2 mm de diâmetro em vida, e bas-</p><p>tante contraídos quando o exemplar é</p><p>coletado. Consistência elástica, às vezes</p><p>cartilaginosa. O esqueleto ectossomal</p><p>forma um córtex muito pigmentado,</p><p>com grande concentração de espículas.</p><p>No coanossoma a densidade de espícu-</p><p>las é costumeiramente menor. Espículas:</p><p>oxiesferásteres, 7–34 μm de diâmetro.</p><p>Gênero Chondrilla Schmidt, 1862</p><p>O gênero compreende 17 espécies no mundo, das quais apenas</p><p>uma está registrada para o Brasil. Entretanto, estudos genéticos</p><p>já apontaram para a existência de ao menos quatro espécies no</p><p>litoral brasileiro e ilhas oceânicas, às quais, infelizmente, ainda</p><p>não foi possível associar caracteres morfológicos diagnósticos.</p><p>Os resultados mais recentes apontam para a ocorrência de ao</p><p>menos duas espécies geneticamente isoladas em Salvador (C.</p><p>Zilberberg, com. pess.).</p><p>21. Complexo Chondrilla nucula Schmidt, 1862</p><p>Família Chondrillidae Gray, 1872</p><p>� Espécime em vida (Farol da Barra,</p><p>Salvador, 1 m de profundidade,</p><p>04/Dez/2010).</p><p>Ecologia</p><p>Frequente no entremarés e zonas infra-</p><p>litorâneas rasas, onde podem ser encon-</p><p>tradas tanto na condição fotófila como</p><p>ciáfila. A espécie é abundante mesmo na</p><p>proximidade de áreas urbanas de Salva-</p><p>dor, tais como o Farol da Barra e o Porto</p><p>da Barra.</p><p>Distribuição</p><p>O complexo tem distribuição cosmopoli-</p><p>ta (Mediterrâneo, Caribe, África do Sul,</p><p>Austrália). Brasil [AP, RN, Rocas, Fer-</p><p>nando de Noronha, PE, AL, SE, BA (Sal-</p><p>vador, Itaparica), ES, Ilha da Trindade,</p><p>RJ, SP, SC].</p><p>114</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>115EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Complexo Chondrilla nucula Schmidt, 1862</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2 m de profundidade, 07/Mai/2008. O espécime em 1º plano tem</p><p>6 cm de diâmetro máximo.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal. � A, esferásteres em</p><p>distintos graus de</p><p>desenvolvimento.</p><p>� Espécime em vida (Farol da Barra, Salvador, 1 m de</p><p>profundidade, 04/Dez/2010).</p><p>116 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Incrustante à maciça com cerca de 2–10</p><p>mm de espessura, por vezes com grandes</p><p>projeções lobulares pendentes. Alguns</p><p>dos espécimes observados ultrapassa-</p><p>vam 20 cm de diâmetro. Cor externa em</p><p>vida branca a bege, frequentemente com</p><p>manchas marrons ou cinzas. Cor interna</p><p>branca. Superfície lisa, com ósculos (2–8</p><p>Gênero Chondrosia Nardo, 1847</p><p>O gênero compreende 10 espécies no mundo, das quais duas</p><p>ocorrem no Brasil. Apenas uma espécie está registrada para a Bahia,</p><p>porém ainda desprovida de um nome. Esta situação decorre de ter</p><p>sido revelado por um estudo genético que populações do Atlântico</p><p>Tropical Ocidental, outrora atribuídas à C. reniformis Nardo, 1847,</p><p>eram geneticamente isoladas das populações do Mediterrâneo, de</p><p>onde a espécie foi descrita originalmente.</p><p>22. Chondrosia sp. sensu Lazoski et al. (2001)</p><p>mm de diâmetro) dispostos preponde-</p><p>rantemente no topo de chaminés curtas,</p><p>distribuídas aleatoriamente. Os ósculos</p><p>contraem-se completamente após a co-</p><p>leta. Consistência elástica, às vezes carti-</p><p>laginosa. A anatomia caracteriza-se pela</p><p>presença de um córtex bem evidente,</p><p>atravessado por alguns canais do siste-</p><p>ma aquífero, e podendo apresentar tam-</p><p>bém um sistema de pequenas lacunas</p><p>subectossomais. No coanossoma, afora</p><p>os canais, pode-se notar a presença de</p><p>abundantes câmeras coanocitárias caso</p><p>a preparação tenha sido fixada e corada</p><p>adequadamente.</p><p>Comentário</p><p>Os maiores espécimes estão em locas,</p><p>onde frequentemente observam-se pro-</p><p>jeções lobulares pendentes. A ruptura</p><p>de tais projeções após certo tamanho</p><p>viabiliza uma reprodução assexuada por</p><p>fissão gravitacional. A ausência de ilus-</p><p>tração da anatomia da espécie decorre</p><p>da falta de estruturas conspícuas tanto</p><p>no ectossoma quanto no coanossoma. É</p><p>relativamente comum confundir-se al-</p><p>guns tunicados coloniais com espécies</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 3,7 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>117EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Chondrosia sp. sensu Lazoski et al. (2001)</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2 m de</p><p>profundidade, 01/Dez/2010.</p><p>� Taipu de Fora (Marau), entremarés,</p><p>28/Jul/2009.</p><p>� Anatomia em seção transversal. Notar o</p><p>córtex fibrilar e a ausência de espículas.</p><p>de Chondrosia, porém a presença de zoói-</p><p>des nos primeiros é facilmente detectada</p><p>em um microscópio estereoscópico, caso</p><p>a amostra esteja bem preservada.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador, onde</p><p>ocorre exclusivamente em ambientes</p><p>abrigados da iluminação direta.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe (Ber-</p><p>mudas). Brasil [Arquipélago São Pedro e</p><p>São Paulo, Atol das Rocas, Fernando de</p><p>Noronha, PE, BA (Salvador, Maraú), Ilha</p><p>da Trindade, RJ, SP].</p><p>Ordem Halichondrida Gray 1867</p><p>Halichondria cf. melanadocia (de Laubenfels, 1936), espécie não apresentada</p><p>neste guia, reconhecível por sua cor verde-escura à preta, superfície reticulada</p><p>e consistência firme. Quebramar Norte (Salvador), aproximadamente 7,5 m de</p><p>profundidade, 14/Dez/2007.</p><p>119</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Esponja maciça, usualmente com menos</p><p>de 10 cm em seu maior diâmetro. Apre-</p><p>senta um morfotipo globoso em alguns</p><p>setores da Baía de Todos os Santos, com</p><p>3-5 cm de diâmetro. Cor em vida ver-</p><p>melha</p><p>escarlate ou laranja-avermelhado.</p><p>Superfície rugosa, áspera, levemente</p><p>híspida. Ósculos circundados por uma</p><p>membrana com 2 mm de diâmetro mé-</p><p>dio. Consistência pouco compressível. O</p><p>esqueleto ectossomal é composto pelas</p><p>terminações em buquê dos feixes coanos-</p><p>somais ascendentes e multiespiculares.</p><p>O esqueleto coanossomal possui adicio-</p><p>nalmente uma rede secundária confusa e</p><p>sobreposta. Espículas: estilos, 188–342 /</p><p>6–13 μm; óxeas, 230–367 / 6–13 μm.</p><p>Comentários</p><p>Registros desta espécie para o Brasil já</p><p>foram efetuados na bibliografia especia-</p><p>lizada com os nomes Pseudaxinella luna-</p><p>echarta e P. reticulata. O morfotipo subes-</p><p>férico (“esponja-bola”) de D. reticulatum</p><p>é comercializado para fins ornamentais.</p><p>Informações obtidas de um atacadista</p><p>do setor de aquariofilia de Salvador di-</p><p>zem que 757 exemplares coletados entre</p><p>a Praia de Cantagalo e a Ribeira (Salva-</p><p>dor) foram comercializados entre julho</p><p>Gênero Dragmacidon Hallman, 1917</p><p>O gênero compreende 24 espécies no mundo, das quais apenas uma</p><p>ocorre no Brasil.</p><p>23. Dragmacidon reticulatum (Ridley & Dendy, 1886)</p><p>Família Axinellidae Carter, 1875</p><p>de 2001 e junho de 2002 (C. Sampaio,</p><p>com. pess.). A mesma é relativamente</p><p>fácil de confundir com Acarnus innomi-</p><p>natus Gray, 1867 em vida, porém facil-</p><p>mente distinguível pelo exame de suas</p><p>espículas, muito mais diversas nesta úl-</p><p>tima. Outras peculiaridades decorrem da</p><p>produção de algum muco pela Dragma-</p><p>cidon, bem como consistência um pouco</p><p>mais firme, enquanto o Acarnus esfarela-</p><p>se com maior facilidade, e agarra-se às</p><p>luvas de algodão como um velcro.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie é comum em todo o litoral</p><p>baiano, estando frequentemente situada</p><p>em locais com alta sedimentação, espe-</p><p>cialmente por areia. Pode também ser</p><p>encontrada próxima das áreas urbanas</p><p>de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Cuba, México, Jamaica, Repúbli-</p><p>ca Dominicana, Belize, Costa Rica, Pana-</p><p>má, Colômbia, Venezuela, Antilhas Ho-</p><p>landesas). Brasil [AP, PA, MA, CE, RN,</p><p>Atol das Rocas, Fernando de Noronha,</p><p>PE, AL, BA (Salvador, Maraú), ES, RJ, SP,</p><p>SC, RS].</p><p>120</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>121EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Dragmacidon reticulatum (Ridley & Dendy, 1886)</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2 m de profundidade, 07/Mai/2008. O espécime tem 4 cm de</p><p>largura na horizontal.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>� Praia do Forte (Mata de São João), 1 m de profundidade, 06/Jun/2009. � A, óxea; B, estilo.</p><p>122 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Arbustiva com pedúnculo curto, com</p><p>ramos curtos fusionados longitudinal-</p><p>mente, provistos de inúmeras projeções</p><p>espatuliformes (bico de pato). Os es-</p><p>pécimes observados na Baía de Todos</p><p>os Santos não ultrapassavam os 5 cm de</p><p>altura. Cor em vida laranja, e bege no</p><p>etanol. Superfície híspida, áspera, com</p><p>ósculos dispersos em pequeno número</p><p>(1 mm de diâmetro). Consistência firme,</p><p>um pouco flexível. O esqueleto ectos-</p><p>somal é composto pelas terminações em</p><p>buquê dos feixes coanossomais primári-</p><p>os. Esqueleto coanossomal com feixes</p><p>primários ascendentes, pauci- ou multi-</p><p>espiculares, e secundários interligando</p><p>os feixes primários. O padrão geral de</p><p>organização é plumorreticulado, e nota-</p><p>se expressiva quantidade de espongina.</p><p>Espículas: estilos I (raros), 610–798 / 10–</p><p>11 μm; estilos II, 265–350 / 5–15 μm.</p><p>Comentário</p><p>Confundível com Axinella corrugata (Ge-</p><p>orge & Wilson, 1919) no campo, dife-</p><p>renciando-se facilmente no laboratório.</p><p>Ptilocaulis walpersi possui apenas esti-</p><p>los e torna-se bege no álcool, enquanto</p><p>A. corrugata possui óxeas e estrôngilos,</p><p>Gênero Ptilocaulis Carter, 1883</p><p>O gênero compreende 13 espécies no mundo, das quais cinco</p><p>ocorrem no Brasil. Esta é sua primeira citação para a Bahia. Três</p><p>espécies foram registradas por Hechtel (1983) exclusivamente</p><p>para Pernambuco: P. bystila, P. braziliensis e P. fosteri. Ptilocaulis</p><p>marquezi (Duchassaing & Michelotti, 1864) foi registrada para São</p><p>Paulo em uma Dissertação de Mestrado.</p><p>24. Ptilocaulis walpersi (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>além dos estilos, e escurece marcada-</p><p>mente no álcool.</p><p>Ecologia</p><p>Ocorrem mais frequentemente em subs-</p><p>trato consolidado recoberto por fina capa</p><p>de areia, inclusive próxima das áreas ur-</p><p>banas de Salvador.</p><p>� A, estilos I; B, estilos II.</p><p>123</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 8,5 m de</p><p>profundidade, 10/Mai/2008.</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 4,9 m de</p><p>profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>� Arquitetura</p><p>esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermudas, Flórida, Bahamas,</p><p>México, Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica,</p><p>República Dominicana, Porto Rico, Ilhas</p><p>Virgens, Belize, Honduras, Costa Rica,</p><p>Panamá, Colômbia, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil [RN, BA (Salvador)].</p><p>124</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja incrustante à maciça, por vezes</p><p>com projeções arbustivas, usualmente</p><p>com diâmetro inferior a 10 cm, porém</p><p>espécimes com mais de 1 m2 já foram</p><p>observados no infralitoral. Quando viva</p><p>sua cor é laranja brilhante ou mais pá-</p><p>lido, tornando-se bege no álcool. Super-</p><p>fície lisa, conulosa com uma reticulação</p><p>característica visível nos espécimes vi-</p><p>vos. Espécimes mais espessos ou ar-</p><p>bustivos apresentam dobras e projeções</p><p>irregulares. Ósculos pequenos (2–4 mm</p><p>de diâmetro) e circulares dispersos ale-</p><p>atoriamente. Consistência muito macia,</p><p>frágil e com muito muco. Esqueleto ec-</p><p>tossomal não especializado, composto</p><p>das terminações dos feixes espiculares</p><p>coanossomais, projetando-se no interior</p><p>dos cônulos da superfície. Esqueleto co-</p><p>anossomal com feixes ascendentes pau-</p><p>ciespiculares, esparsos e sinuosos, com</p><p>espongina conspícua. Espículas: estilos</p><p>(por vezes modificados em estrôngilos</p><p>ou óxeas), 574–840 / 7–11 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Comum em costões rochosos da Baía de</p><p>Todos os Santos e adjacências, onde cos-</p><p>tuma fixar-se em locais semiprotegidos</p><p>da luz. A espécie pode ser encontrada</p><p>próxima das áreas urbanas de Salvador,</p><p>mas também em áreas recifais de todo os</p><p>estado da Bahia.</p><p>Gênero Scopalina Schmidt, 1862</p><p>O gênero compreende 12 espécies no mundo, das quais apenas uma</p><p>está registrada para o Brasil.</p><p>25. Scopalina ruetzleri (Wiedenmayer, 1977)</p><p>Familia Dictyonellidae van Soest, Diaz & Pomponi, 1990</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bahamas, Cuba, México, Belize,</p><p>Costa Rica, Colômbia, Ilhas Cayman, Ja-</p><p>maica, República Dominicana, Panamá,</p><p>Venezuela, Antilhas Holandesas). Brasil</p><p>[Arquipélago de São Pedro e São Paulo,</p><p>Atol das Rocas, PE, Fernando de No-</p><p>ronha, AL, BA (Mata de São João, Madre</p><p>de Deus, Salvador, Itaparica, Maraú,</p><p>Abrolhos), RJ, SP, SC].</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>Microfotografia por M. de S. Carvalho, a partir de</p><p>material coletado no litoral de São Paulo, após</p><p>tratamento enzimático com papaína.</p><p>125EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Scopalina ruetzleri (Wiedenmayer, 1977)</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 09/Dez/2007.</p><p>� A, estilos a estrôngilos, e</p><p>detalhes de seu ápice.</p><p>� Praia do Forte (Mata de São João),</p><p>2 m de profundidade, 06/Jun/2009;</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador) – 2 m de profundidade,</p><p>02/Dez/2006.</p><p>126</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Base espessa (até 1–2 cm), maciça, da</p><p>qual se projetam fístulas cegas de contor-</p><p>no irregular, isoladas ou variavelmente</p><p>fusionadas, com até 12x2 cm (altura vs.</p><p>maior diâmetro), porém geralmente</p><p>não ultrapassando 6x0,7 cm. Cor em</p><p>vida branco-amarelado, amarelo-claro,</p><p>um pouco translúcida nas fístulas. No</p><p>etanol mantém praticamente a mesma</p><p>coloração. Textura da fístula levemente</p><p>áspera ao toque, e a da base variando de</p><p>acordo com a quantidade de sedimento</p><p>aderido. A superfície é lisa, levemente</p><p>híspida. Ósculos não visíveis nem no</p><p>campo nem após a coleta. Consistência</p><p>das fístulas macia e elástica, e da base</p><p>quebradiça, com algumas porções mais</p><p>Gênero Petromica Topsent, 1898</p><p>O gênero compreende nove espécies no mundo, das quais duas</p><p>ocorrem no Brasil. Na hipótese mais recente acerca das relações</p><p>evolutivas entre espécies de Petromica, ambas as espécies brasileiras</p><p>agruparam-se com uma espécie australiana. Há dois cenários</p><p>evolutivos principais para explicar tais relações: 1) decorrente da</p><p>fragmentação do supercontinente Gondwana, ou 2) decorrente de</p><p>dispersão por longa distância. No primeiro, uma alta improbabilidade</p><p>deriva do longo tempo transcorrido, e a relativamente baixa</p><p>diversidade do táxon refletida em sua distribuição descontínua.</p><p>O segundo também é altamente improvável, em consequência da</p><p>imensidão a percorrer nesta rota de dispersão, e a associada suposta</p><p>necessidade de que o trânsito tenha se dado várias vezes. Do contrário,</p><p>se estaria postulando o surgimento de uma nova espécie a partir de</p><p>um único evento fortuito de dispersão por apenas um, ou alguns</p><p>poucos indivíduos. Por mais improvável que aparente ser, é possível</p><p>que esse capítulo da evolução da biota marinha brasileira não seja</p><p>totalmente fictício (p.ex. artefato da análise filogenética), uma vez que</p><p>outros gêneros ilustram afinidades semelhantes.</p><p>26. Petromica ciocalyptoides (van Soest & Zea, 1986)</p><p>Familia Halichondriidae Vosmaer, 1887</p><p>rígidas, devido à incorporação de sedi-</p><p>mento. Esqueleto ectossomal uma con-</p><p>fusa reticulação tangencial, sustentada</p><p>por espículas desordenadas na base da</p><p>esponja. Esqueleto coanossomal denso,</p><p>confuso, com desmas na região subec-</p><p>tossomal da porção basal das esponjas.</p><p>Nas fístulas observam-se tufos de óxeas</p><p>vagos, porém densos, perpendiculares à</p><p>superfície. Uma camada descontínua de</p><p>óxeas tangenciais reveste a luz das fístu-</p><p>las. Espículas: óxeas, 392–614 / 8–21 μm;</p><p>desmas, 384–726 (comprimento total) /</p><p>80–213 (comprimento da epirrábde) /</p><p>26–51 (diâmetro da epirrábde) / 130–375</p><p>μm (comprimento dos cládios); ráfides,</p><p>221–307 μm.</p><p>127EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Petromica ciocalyptoides (van Soest & Zea, 1986)</p><p>Ecologia</p><p>Fixada em substrato duro sob camada de</p><p>areia de espessura variável (2–10 mm).</p><p>Comum no infralitoral raso de Salvador</p><p>próximo à abertura da Baía de Todos os</p><p>Santos (2–17 m de profundidade) e no</p><p>Litoral Norte (Mata de São João, 21 m).</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Saba, Colômbia, Venezuela). Brasil [PE,</p><p>Fernando de Noronha, BA (Mata de São</p><p>João, Salvador), RJ].</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 10/Mai/2008.</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transver-</p><p>sal. No detalhe, uma desma.</p><p>� A, óxeas; B, desmas; C, ráfides.</p><p>128 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça, irregular, com base espes-</p><p>sa (0,5–2 cm) e projeções baixas, irregula-</p><p>res. Por vezes apresentam pequenas pro-</p><p>jeções fistulares (8 / 1 mm). Cor em vida</p><p>amarelo, esmaecendo consideravelmente</p><p>no álcool. Superfície híspida, com pro-</p><p>jeções conulosas e verrucosas. Ósculos</p><p>apicais, raros, com 3–4 mm de diâmetro.</p><p>Consistência mais firme na base que nas</p><p>projeções. Esqueleto ectossomal uma re-</p><p>ticulação tangencial de óxeas, irregular,</p><p>com alguns feixes sinuosos pauciespicu-</p><p>lares destas mesmas espículas. Esquele-</p><p>to coanossomal com feixes ascendentes</p><p>sinuosos, que atravessam o ectossoma</p><p>projetando-se no interior dos cônulos e</p><p>frequentemente perfurando a superfí-</p><p>cie. Desmas isoladas estão presentes nas</p><p>27. Petromica citrina Muricy, Hajdu, Minervino, Madeira & Peixinho, 2001</p><p>porções mais internas da esponja. Espícu-</p><p>las: óxeas (por vezes estilos e estrôngilos),</p><p>199–1020 / 5–25 μm; desmas, 278–557 μm</p><p>(comprimento total). Micróxeas, possivel-</p><p>mente rugosas, ocorrem mas não está cla-</p><p>ro se são próprias, 73–75 / < 1 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Espécie aparentemente rara na Baía de</p><p>Todos os Santos, ocorrendo em substra-</p><p>to duro recoberto por fina camada de</p><p>areia. Os espécimes observados, todos</p><p>próximos à abertura da Baía de Todos os</p><p>Santos, ocorriam em 6–17 m de profun-</p><p>didade.</p><p>Distribuição</p><p>Endêmica do Brasil [BA (Salvador), RJ,</p><p>SP, SC].</p><p>129EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Petromica citrina Muricy, Hajdu, Minervino, Madeira & Peixinho, 2001</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 6 m de profundidade, 07/Mai/2008. O espécime tem 5,5 cm de</p><p>largura na horizontal.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>No detalhe, uma desma.</p><p>� A, óxeas e suas modificações a</p><p>estilos e estrôngilos; B, desma.</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 13 m de profundidade, 03/</p><p>Jun/2004.</p><p>130 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja maciça, de forma variada. Fo-</p><p>ram observados espécimes em camada</p><p>espessa (até 20 cm de diâmetro máximo),</p><p>com projeções cilíndricas robustas, cur-</p><p>tas (até 3 cm de comprimento) e sinuo-</p><p>sas, com ramas rasteiras irregulares, ou</p><p>sem quaisquer projeções; e outros, eretos</p><p>(até 20 / 10 cm), lobulares de seção irre-</p><p>gular, com projeções apicais longas, del-</p><p>gadas e de ápice afilado (até 10 / 1 cm).</p><p>Cor externa em vida, branca a vermelho</p><p>escuro (vinho tinto), ambas podendo ser</p><p>a tonalidade majoritária. Espécimes acin-</p><p>zentados também foram vistos. Interna-</p><p>mente a coloração é esbraquiçada. No</p><p>álcool torna-se bege, com a maioria das</p><p>manchas desaparecendo por completo.</p><p>Superfície microhíspida com relevo osci-</p><p>lando do quase liso ao monticulado. Ós-</p><p>culos pequenos (2–5 mm de diâmetro),</p><p>dispersos, rasteiros ou situados no topo</p><p>de pequenas projeções vulcaniformes.</p><p>Consistência firme, quebradiça, apenas</p><p>levemente compressível nas porções ma-</p><p>ciças. Mais frágil nas fístulas. Esqueleto</p><p>ectossomal formado por tufos de óxeas</p><p>frouxos e justapostos. Esqueleto coanos-</p><p>somal denso e confuso. Espículas: óxeas,</p><p>239–1126 / 7–30 μm.</p><p>Gênero Topsentia Berg, 1899</p><p>O gênero compreende 34 espécies no mundo, apenas uma encontrada</p><p>no Brasil.</p><p>28. Topsentia ophiraphidites (de Laubenfels, 1934)</p><p>Ecologia</p><p>Topsentia ophiraphidites foi encontrada</p><p>em substratos duros da Baía de Todos</p><p>os Santos, nas profundidades de 5–16 m.</p><p>Alguns espécimes foram observados em</p><p>locais com alta sedimentação, tendo em</p><p>alguns casos pouco mais que suas fístu-</p><p>las livres de uma capa de sedimento fino.</p><p>Epibiontes diversos puderam ser obser-</p><p>vados por vezes, especialmente tunica-</p><p>dos e outras esponjas. A espécie pode ser</p><p>encontrada próxima das áreas urbanas</p><p>de Salvador.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>131EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Topsentia ophiraphidites (de Laubenfels, 1934)</p><p>� A, óxeas.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Bahamas, Cuba, Belize, Ilhas Cayman,</p><p>Jamaica, República Dominicana, Porto</p><p>Rico, Barbados, Colômbia, Venezuela,</p><p>Antilhas Holandesas). Brasil [MA, CE,</p><p>RN, Atol das Rocas, PE, Fernando de No-</p><p>ronha, BA (Salvador), Ilha da Trindade].</p><p>� Quebramar Norte, Salvador, 8 m de</p><p>profundidade, 14/Dez/2007. Esponja ereta,</p><p>branca, com sua metade inferior recoberta</p><p>por epibiontes e sedimento.</p><p>Ordem Poecilosclerida Topsent 1928</p><p>Mycale angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864) – naufrágio</p><p>Blackadder, Praia de Boa Viagem (Salvador), aprox. 8,0 m de</p><p>profundidade, 14/Dez/2007.</p><p>133</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Gênero Clathria Schmidt, 1862</p><p>O gênero compreende aproximadamente 350 espécies no mundo, das</p><p>quais dez ocorrem no Brasil. As duas espécies apresentadas a seguir</p><p>são novos registros para a Bahia e para o Brasil. Outras duas espécies</p><p>foram registradas para o Estado da Bahia, C. calypso Boury-Esnault,</p><p>1973 e C. procera (Ridley, 1884). Esta última espécie, originalmente</p><p>encontrada na Austrália, é muito provavelmente um registro equivocado</p><p>para o Brasil. A opção de se tratar de uma espécie invasora, lá ou cá,</p><p>só deve ser aventada uma vez que se proceda à revisão detalhada de</p><p>populações oriundas destas e de outras localidades de onde a espécie já</p><p>foi registrada (p.ex.</p><p>África do Sul, Seychelles, Mar Vermelho, Índia, Sri</p><p>Lanka, Indonésia, Havaí).</p><p>Morfologia</p><p>Incrustante à maciça, podendo ultrapas-</p><p>sar 1 cm de espessura e recobrir áreas</p><p>superiores a 30x15 cm. Cor em vida</p><p>vermelha escarlate, passando a bege</p><p>acinzentada no álcool. Superfície lisa</p><p>à monticulada, com ósculos (1–3 mm</p><p>de diâmetro) dispersos, rasteiros ou</p><p>situados no topo de pequenas projeções</p><p>vulcaniformes. Consistência macia. Es-</p><p>29. Clathria schoenus (de Laubenfels, 1936)</p><p>Subordem Microcionina Hajdu, van Soest & Hooper, 1994</p><p>Família Microcionidae Carter, 1875</p><p>queleto ectossomal composto por uma</p><p>densa paliçada de buquês justapostos de</p><p>subtilóstilos auxiliares. Esqueleto coanos-</p><p>somal com feixes ascendentes plumor-</p><p>reticulados de subtilóstilos principais,</p><p>equinados por acantóstilos acessóri-</p><p>os. Espículas: subtilóstilos principais,</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 6 m de</p><p>profundidade, 16/Dez/2007.</p><p>134</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 4,6 m de profundidade, 13/Dez/2007.</p><p>430–500 / 5 μm; subtilóstilos auxiliares,</p><p>190–230 / 3,5 μm; acantóstilos acessóri-</p><p>os, 60–80 / 10–12 μm; isoquelas palma-</p><p>das I, 15–27 μm; isoquelas palmadas II,</p><p>9–12 μm; toxas, 10–34 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Observada na Baía de Todos os Santos,</p><p>pode ser encontrada próxima das áreas</p><p>urbanas de Salvador, sobre substrato</p><p>� Arquitetura</p><p>esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>duro, em locais com boa circulação de</p><p>água (correntes de maré), em profundi-</p><p>dades de 3–13 m, onde é relativamente</p><p>comum.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Flórida, Cuba, Jamaica, Belize,</p><p>Panamá, Antilhas Holandesas). Brasil</p><p>(BA – Salvador).</p><p>135EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Clathria schoenus (de Laubenfels, 1936)</p><p>Eletromicrografias do componente</p><p>espicular: A, subtilóstilo principal;</p><p>B, base de um subtilóstilo auxiliar;</p><p>C, acantóstilos acessórios; D,</p><p>isoquelas I; E, isoquelas II; F, toxas.</p><p>136 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Incrustante à maciça, podendo ultrapas-</p><p>sar 1 cm de espessura e recobrir áreas su-</p><p>periores à 40x40 cm. Cor em vida branca</p><p>acinzentada, passando a bege no álcool.</p><p>Superfície lisa, de textura aveludada,</p><p>com finos canais radiais convergindo</p><p>para os ósculos (1–5 mm de diâmetro),</p><p>que estão dispersos, situados no topo</p><p>de pequenas chaminés membranosas.</p><p>Aberturas inalantes abundantes, for-</p><p>mando uma microrreticulação na su-</p><p>perfície da esponja. Consistência macia,</p><p>frágil. Esqueleto ectossomal composto</p><p>por buquês justapostos e entrecruzados</p><p>de subtilóstilos auxiliares. Esqueleto</p><p>coanossomal com feixes sinuosos as-</p><p>cendentes de subtilóstilos principais,</p><p>com acantóstilos acessórios localizados</p><p>preponderantemente junto à placa basal</p><p>de espongina. Espículas: estilos (a sub-</p><p>tilóstilos) principais, 150–256 / 5–7 μm;</p><p>subtilóstilos auxiliares I, 198–302 / 4–5</p><p>μm; subtilóstilos auxiliares II, 90–153 /</p><p>30. Clathria venosa (Alcolado, 1984)</p><p>2 μm; acantóstilos acessórios, 40–72 / 3–5</p><p>μm; isoquelas palmadas, 4–10 μm; toxas</p><p>I, 106–294 μm; toxas II, 6–10 μm.</p><p>Comentários</p><p>No Caribe C. venosa é aparentemente</p><p>oportunista, com maiores abundâncias</p><p>registradas em ambientes alterados e</p><p>expostos a enriquecimento orgânico.</p><p>Nestes locais, sua cor prevalescente in-</p><p>clui diversos tons de laranja.</p><p>Ecologia</p><p>Na Baía de Todos os Santos é comum em</p><p>substratos duros, naturais e artificiais</p><p>próximos à abertura da baía, da região</p><p>entre marés à 3-4 m de profundidade. A</p><p>espécie ocorre em abundância, próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Cuba, Belize, Martinica?, Panamá, Antil-</p><p>has Holandesas). Brasil (BA – Salvador).</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 1,5 m de profundidade, 05/Dez/2010.</p><p>137</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2 m de profundidade, 05/Dez/2010. Outras esponjas ao fundo são</p><p>Desmapsamma anchorata (rosada) e Tedania ignis (avermelhada).</p><p>� A, subtilóstilo principal; B, subtilóstilo</p><p>auxiliar I; C, subtilóstilo auxiliar II, e detalhe</p><p>de sua base; D, acantóstilo acessório; E,</p><p>isoquela palmada; F, toxas I; G, toxa II.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>138</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma arbustiva, mais comumente alon-</p><p>gada, cavernosa, com até 15 cm de altura,</p><p>mas frequentemente não ultrapassando</p><p>os 10 cm. Consistência firme porém com-</p><p>pressível e elástica. Cor em vida marrom–</p><p>escuro a preto externamente e marrom–</p><p>amarelado internamente. No fixador, a</p><p>cor permanece marrom–escura por fora e</p><p>mais clara por dentro. Superfície irregu-</p><p>lar, devido às projeções das terminações</p><p>das fibras coanossomais. Ósculos circu-</p><p>Gênero Echinodictyum Ridley, 1881</p><p>O gênero compreende 29 espécies no mundo, das quais duas ocorrem</p><p>no Brasil. Apenas uma espécie foi encontrada na Bahia.</p><p>31. Echinodictyum dendroides Hechtel, 1983</p><p>Família Raspailiidae Hentschel, 1923</p><p>lares com cerca de 3 mm de diâmetro, e</p><p>localizadas no topo de chaminés membra-</p><p>nosas. Arquitetura ectossomal composta</p><p>por camada delgada de óxeas tangenci-</p><p>ais dispostas confusamente em uma fina</p><p>membrana, separada do sistema esquelé-</p><p>tico coanossomal por um delgado lençol</p><p>aquífero. Coanossoma com reticulação</p><p>de feixes multiespiculares de óxeas, com</p><p>diâmetro de até 300 μm na região peri-</p><p>férica da esponja. Estes feixes estão equi-</p><p>nados por acantóstilos, mais frequentes</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 5 m de profundidade, 31/Mai/2009. A esponja</p><p>azulada ao fundo é uma Mycale angulosa.</p><p>139EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Echinodictyum dendroides Hechtel, 1983</p><p>� Arquitetura</p><p>esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, estilo; B, óxeas; C, acantóstilo.</p><p>na região periférica, com seus ápices per-</p><p>furando levemente a superfície ou situa-</p><p>dos logo abaixo desta. Espículas: estilos,</p><p>650–1138 / 5–10 μm; óxeas, 183–691 / 3–8</p><p>μm; acantóstilos, 80–121 / 5–7 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Echinodictyum dendroides é relativamente</p><p>rara no infralitoral de costões rochosos da</p><p>Baía de Todos os Santos, e pode ser en-</p><p>contrada próxima das áreas urbanas de</p><p>Salvador. Os maiores espécimes obser-</p><p>vados ocorriam no Canal de Itaparica. A</p><p>espécie assemelha-se quanto ao hábito a</p><p>Pandaros sp., registrada para o Rio Grande</p><p>do Norte. Porém, ao microscópio é facil-</p><p>mente distinguível pela posse de estilos</p><p>que ultrapassam os 1000 μm de compri-</p><p>mento, ao passo que a espécie potiguar</p><p>apresenta como suas maiores megas-</p><p>cleras, óxeas pouco maiores que 500 μm.</p><p>Distribuição</p><p>Endêmica do Brasil [CE, RN, PE, AL, BA</p><p>(Salvador), RJ].</p><p>140 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça com projeções vulcanifor-</p><p>mes, no topo das quais se situam os óscu-</p><p>los, caracteristicamente circundados por</p><p>um anel de pigmentação mais clara. Os</p><p>espécimes podem alcançar mais de 40 cm</p><p>de comprimento e 15 a 20 cm de largura,</p><p>e a espessura, frequentemente supera os</p><p>4 cm. A consistência é macia, compres-</p><p>sível, e a superfície é lisa, com textura</p><p>aveludada, estando perfurada por mirí-</p><p>ades de aberturas inalantes. Os ósculos</p><p>possuem 2 à 5 mm de diâmetro. A colo-</p><p>ração em vida é um laranja–avermelha-</p><p>do ou amarronzado que lembra cor de</p><p>Gênero Ectyoplasia Topsent, 1930</p><p>O gênero compreende quatro espécies no mundo, uma das quais</p><p>ocorre no Brasil.</p><p>32. Ectyoplasia ferox (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>telhas de barro. No fixador os espécimes</p><p>tornam–se beges. Esqueleto ectossomal</p><p>indistinto do coanossomal, perfurando</p><p>levemente a superfície. Coanossoma for-</p><p>mado por feixes paucispiculares ascen-</p><p>dentes de subtilóstilos/rabdóstilos, com</p><p>pouca ramificação e anastomoses. Em al-</p><p>guns trechos a espongina envolve com-</p><p>pletamente as espículas. Megascleras</p><p>são estilos com algumas modificações a</p><p>óxeas, 250–410 / 5–20μm.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 6 m de profundi-</p><p>dade, 13/Dez/2007.</p><p>Quebramar Norte (Salvador), 5 m de</p><p>profundidade, 31/Mai/2009.</p><p>141EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Ectyoplasia ferox (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, estilos.</p><p>Ecologia</p><p>Ectyoplasia ferox é relativamente rara</p><p>na Bahia. Na Baía de Todos os Santos</p><p>foi observada mais frequentemente em</p><p>paredes verticais de grandes rochas, em</p><p>locais de grande riqueza de espécies. A</p><p>espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Bahamas, Méxi-</p><p>co, Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica, Repúbli-</p><p>ca Dominicana, Ilhas Virgens, Barbados,</p><p>Belize, Panamá, Colômbia, Venezuela,</p><p>Antilhas Holandesas). Brasil [CE, Atol</p><p>das Rocas, Fernando de Noronha, PE, BA</p><p>(Salvador), Ilha da Trindade].</p><p>� Quebramar N (Salvador), 5, 0 m de profundidade, 31/Mai/2009.</p><p>142 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma alongada, cilíndrica (como uma</p><p>corda), mas levemente fusiforme, afilan-</p><p>do rumo ao ápice. A esponja se deita so-</p><p>bre o substrato ao sabor das correntes de</p><p>maré. Os indivíduos podem alcançar 40</p><p>cm de comprimento e ser compostos de</p><p>várias projeções alongadas (“cordas”),</p><p>ramificadas a partir de uma base comum,</p><p>Gênero Thrinacophora Ridley, 1885</p><p>O gênero compreende sete espécies no mundo, uma das</p><p>quais ocorre no Brasil.</p><p>33. Thrinacophora funiformis (Ridley & Dendy, 1886)</p><p>com até 3 cm de diâmetro cada projeção.</p><p>Sua consistência é flexível e bastante</p><p>compressível em vida, adquirindo maior</p><p>firmeza quando contraídos após a coleta.</p><p>Sua superfície é irregular, salpicada de</p><p>inúmeras projeções acantosas. Ósculos</p><p>não são visíveis nos espécimes fixados. A</p><p>cor em vida é um laranja–avermelhado,</p><p>tornando–se bege ou marrom–escuro</p><p>no fixador. Seu esqueleto coanossomal</p><p>é composto de um eixo central longi-</p><p>tudinal com uma densa reticulação de</p><p>óxeas curtas sem espongina aparente, e</p><p>um arranjo extra–axial plumoso/radial</p><p>de feixes paucispiculares de estilos e</p><p>anisóxeas longos, que se projeta através</p><p>da superfície, conferindo–lhe o aspecto</p><p>acantoso mencionado. Circundando os</p><p>feixes, próximo à superfície, buquês ere-</p><p>tos, ou quase, de estilos ectossomais. Es-</p><p>pículas: estilos I, 840–1260 / 10–20 μm;</p><p>anisóxeas, 960–1400 / 15–25 μm (pos-</p><p>sivelmente pertencentes à mesma classe</p><p>espicular dos estilos); estilos II, 410–480</p><p>/ 5–10 μm; óxeas, 260–490 / 10–20 μm;</p><p>tricodragmas, 51–81 / 8 – 16 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Thrinacophora funiformis só foi obser-</p><p>vada no Canal de Itaparica, ao largo de</p><p>Jiribatuba, em uma localidade submeti-</p><p>da a intenso fluxo de maré, alta turbidez</p><p>e associada farta alimentação, onde</p><p>� Prancha XXIV de Ridley & Dendy (1887) –</p><p>as três esponjas alongadas e de superfície</p><p>erissada representam o material tipo da</p><p>espécie apresentada aqui.</p><p>143EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Thrinacophora funiformis (Ridley & Dendy, 1886)</p><p>� Barra do Jacuruna (Nazaré), 3 m de</p><p>profundidade, 05/Jun/2004. Grande quantidade</p><p>de material em suspensão decorrente da maré</p><p>vazante e proximidade a manguesais.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, estilo I e detalhes de suas extremidades;</p><p>B, estilo II e detalhes de suas extremidades;</p><p>C, óxeas; D, ráfides em tricodragmas.</p><p>ocorreu apenas nos primeiros metros</p><p>do infralitoral. Neste local a espécie é</p><p>bastante abundante.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Colômbia). Brasil (BA –</p><p>Nazaré).</p><p>144</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja incrustante, o único exemplar</p><p>observado não ultrapassando 6 cm de</p><p>diâmetro, de cor azul cobalto em vida</p><p>e branco acinzentado no fixador. Super-</p><p>fície com características áreas porais em</p><p>depressões (crivos, cribriporos) e abun-</p><p>dantes ósculos (1–3 mm de diâmetro).</p><p>Consistência macia, frágil. Arquitetura</p><p>ectossomal constituída de tufos de tilo-</p><p>tos. Coanossoma com uma reticulação de</p><p>estilos. Microscleras dispersas por toda a</p><p>esponja. Espículas: tilotos, 182–228 / 5</p><p>μm; estilos, 157–190 / 2,5–5 μm; sigmas,</p><p>16–21 μm; isoquelas, 21–26 μm.</p><p>Ecologia</p><p>O espécime observado incrustava a su-</p><p>perfície superior, irregular, exposta à luz,</p><p>de uma placa rígida, aparentemente de</p><p>recife algálico. O mesmo encontrava-se</p><p>entremeado a pólipos de zoantídeos, em</p><p>uma profundidade de 3 m.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida, Ba-</p><p>hamas, Cuba, Belize, Panamá, Colômbia,</p><p>Venezuela). Brasil (PE, AL, BA - Salvador).</p><p>Registros da espécie para outros mares e</p><p>oceanos precisam ser confirmados.</p><p>Gênero Lissodendoryx Topsent, 1892</p><p>O gênero compreende mais de 100 espécies no mundo, das quais três</p><p>ocorrem no Brasil. Foram encontradas duas espécies na Bahia, uma das</p><p>quais é apresentada aqui. A espécie adicional, de coloração rosada em</p><p>vida, é uma Lissodendoryx sp. coletada em Salvador.</p><p>34. Lissodendoryx isodictyalis (Carter, 1882)</p><p>Subordem Myxillina Hajdu, van Soest & Hooper, 1994</p><p>Família Coelosphaeridae Dendy, 1922</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal (acima) e tangencial (abaixo).</p><p>145</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 03/Dez/2006.</p><p>� A, tiloto; B, estilo; C, sigma; D, isoquela</p><p>arcuada.</p><p>146</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma variando de finamente incrustan-</p><p>te, com pequenas elevações cônicas digi-</p><p>tiformes ou vulcaniformes dispersas, a</p><p>capas mais espessas com cristas e sulcos,</p><p>ou mesmo formas ramificadas ou eretas,</p><p>com variados graus de fusão dos ramos.</p><p>Alguns espécimes recobrem mais de 1</p><p>m2, porém a maioria não ultrapassa os 20</p><p>cm de diâmetro. A cor em vida é tipica-</p><p>mente vermelha–carmim ou vermelha–</p><p>alaranjada, mas espécimes amarelados,</p><p>quase brancos também existem. A su-</p><p>perfície é lisa e costuma apresentar uma</p><p>marca registrada da espécie, seus canais</p><p>vermelhos, ou mais frequentemente, es-</p><p>branquiçados. Estes canais, mais nítidos</p><p>em espécimes carmim, convergem em</p><p>padrão estrelado aos ósculos da esponja</p><p>(diâmetro, 1–3 mm), dispersos na super-</p><p>fície. A consistência é macia e facilmente</p><p>rasgável. A arquitetura coanossomal com-</p><p>preende megascleras mais robustas com</p><p>suas bases inseridas em lâmina basal de</p><p>espongina, a partir de onde, a depender</p><p>da espessura do espécime, podem partir</p><p>feixes espiculares ascendentes, com es-</p><p>pongina bem visível, especialmente em</p><p>suas porções mais basais. Por cima destes,</p><p>as mesmas megasleras podem estar dis-</p><p>postas aleatoriamente. Em espécimes mais</p><p>Gênero Monanchora Carter, 1883</p><p>O gênero compreende 14 espécies no mundo, das quais duas foram</p><p>registradas para o Brasil. Entretanto, o gênero foi revisto em escala</p><p>mundial no âmbito de uma Tese de Doutorado, onde foi constatada a</p><p>existência de diversas espécies novas no Brasil, inclusive na Bahia, e</p><p>no mundo.</p><p>35. Monanchora arbuscula (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>Família Crambeidae Lévi,1963</p><p>espessos, estes feixes se ramificam e anas-</p><p>tomosam, formando uma plumorreticula-</p><p>ção coanossomal. O esqueleto ectossomal</p><p>situa-se sobre as terminações dos feixes</p><p>coanossomais ascendentes, e constitui-se</p><p>de tufos ou pequenos feixes ascendentes</p><p>de megascleras mais delgadas. Isoquelas</p><p>unguiferadas são muito raras, e sigmóides</p><p>relativamente comuns. Espículas: subti-</p><p>lóstilos coanossomais, 181–412 / 5–10 μm;</p><p>subtilóstilos ectossomais, 191–342 / 2–5</p><p>μm; isoquelas unguiferadas, 18–25 μm;</p><p>isoquelas sigmóides, 9–13 μm.</p><p>Comentários</p><p>Estudos químico–farmacológicos reve-</p><p>laram que esta espécie é possuidora de</p><p>toxinas poderosas, com atividades anti-</p><p>bacteriana, antimicobacteriana (contra</p><p>o bacilo da tuberculose) e citotóxica. A</p><p>espécie pode, às vezes, ser confundida</p><p>com Desmapsamma anchorata (ver abai-</p><p>xo) por seu hábito. Ao microscópio, pode</p><p>ser confundida com espécies do gênero</p><p>Desmacella Schmidt, 1870, em virtude da</p><p>raridade ou até mesmo ausência de suas</p><p>isoquelas ancoradas, bem como ocasional</p><p>dificuldade no reconhecimento de uma</p><p>� Praia da Paciência (Salvador), 2 m de pro-</p><p>fundidade, 01/Dez/2006."</p><p>147EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Monanchora arbuscula (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>148 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Monanchora arbuscula (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 5 m de profundidade, 31/Mai/2009.</p><p>das categorias de megascleras. Um ob-</p><p>servador incauto pode ter a falsa impres-</p><p>são de estar frente a uma esponja com</p><p>uma única categoria de (sub)tilóstilos</p><p>como megascleras e uma de sigmas, na</p><p>verdade isoquelas sigmóides, como mi-</p><p>croscleras.</p><p>Ecologia</p><p>Monanchora arbuscula é muito comum</p><p>em Salvador e Abrolhos. Ocorre nos sub-</p><p>stratos mais diversificados, tais como</p><p>rochas areníticas, graníticas, cascos sos-</p><p>sobrados de embarcações e ampla gama</p><p>de substratos calcários. É conhecida da</p><p>faixa infralitoral dos 2 aos 15 m de pro-</p><p>fundidade. Formas incrustantes são</p><p>preponderantes em águas mais rasas,</p><p>e as ramosas em águas mais fundas. A</p><p>espécie pode ser encontrada em grande</p><p>abundância nas proximidades de áreas</p><p>urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Cuba, Jamaica,</p><p>República Dominicana, Porto Rico, Il-</p><p>has Virgens, México, Belize, Costa Rica,</p><p>Panamá, Barbados, Colômbia, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil [PA, CE, PE, Fernan-</p><p>do de Noronha, BA (Salvador, Belmonte,</p><p>Abrolhos), RJ, SP].</p><p>149EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Monanchora arbuscula (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 9 m de profundidade,</p><p>11/Dez/2007.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>� A, subtilóstilo coanossomal; B,</p><p>subtilóstilo ectossomal; C, isoquela</p><p>unguiferada; D, isoquela sigmóide.</p><p>150 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Monanchora arbuscula (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 07/</p><p>Mai/2008. FOTOGRAFIA POR G. LOBO-</p><p>HAJDU.</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 4 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>151</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>Morfologia</p><p>Forma ramosa com ramos cilíndricos irre-</p><p>gulares (até 60x3 cm), ou maciça em cris-</p><p>tas, recobrindo até 40x40 cm. As primeiras</p><p>são características de locais abrigados,</p><p>enquanto as últimas se observam em am-</p><p>bientes sujeitos a maior hidrodinamismo.</p><p>A cor em vida é vermelha–rosada exter-</p><p>namente, por vezes quase branca, e aver-</p><p>melhada por dentro. No fixador torna–se</p><p>bege. Alguns espécimes apresentam ca-</p><p>nais esbranquiçados na superfície, que é</p><p>lisa e aveludada. Ósculos se dispõem nos</p><p>ápices das ramificações ou sobre peque-</p><p>nas elevações nas formas maciças. Con-</p><p>sistência macia, facilmente rasgável. Ar-</p><p>quitetura ectossomal composta por uma</p><p>densa reticulação de óxeas avulsas</p><p>ou em feixes, acrescida de variável</p><p>quantidade de grãos de areia e</p><p>espículas exógenas. Esqueleto</p><p>Gênero Desmapsamma Burton, 1934</p><p>O gênero compreende três espécies no mundo, uma das quais</p><p>ocorre no Brasil.</p><p>36. Desmapsamma anchorata (Carter, 1882)</p><p>Família Desmacididae Schmidt, 1870</p><p>coanossomal reticulado a plumorreticula-</p><p>do formado por feixes multiespiculares</p><p>irregulares e óxeas avulsas, com malhas</p><p>de formas e dimensões variadas. Alguns</p><p>feixes primários ascendentes são reconhe-</p><p>cíveis, e areia está presente em pequena</p><p>quantidade. Espículas: óxeas, 127–198 /</p><p>2,5–5 μm; isoquelas ancoradas I, 15–21</p><p>μm; isoquelas ancoradas II, 7–12 μm; sig-</p><p>mas I, 35–40 μm; sigmas II, 8–20 μm.</p><p>Comentários</p><p>Alguns espécimes podem apresentar um</p><p>sistema de canais na superfície que lem-</p><p>bra o aspecto de Monanchora arbuscula (ver</p><p>acima). Porém o contraste entre um ectos-</p><p>soma claro e coanossoma vermelho nor-</p><p>malmente denota tratar-se de D. anchorata.</p><p>Em alguns casos, a certeza na identificação</p><p>só se consegue no laboratório, com estudo</p><p>do componente espicular.</p><p>Ecologia</p><p>Desmapsamma anchorata é uma das espon-</p><p>jas mais abundantes na Baía de Todos os</p><p>Santos, onde pode ser encontrada com</p><p>facilidade próxima das áreas urbanas de</p><p>Salvador. Pode estar firmemente aderida</p><p>ao substrato, formar projeções flamulan-</p><p>tes ao sabor das correntes, ou, por vezes</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 3-5 m</p><p>de profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>152 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Desmapsamma anchorata (Carter, 1882)</p><p>ainda, recobrir seus vizinhos através de</p><p>um crescimento reptante, sendo uma das</p><p>principais esponjas epibiontes sobre ou-</p><p>tros organismos (inclusive outras espon-</p><p>jas). A espécie foi observada do entrema-</p><p>rés até 13 m de profundidade, mas em</p><p>outros estados já foi coletada abaixo dos</p><p>20 m. Estudos recentes identificaram D.</p><p>anchorata como sendo uma das esponjas</p><p>preferidas na dieta do peixe-anjo Hola-</p><p>canthus tricolor em Salvador.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 5 m de profundidade, 07/Mai/2008.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Flórida, Cuba, Jamaica, Repú-</p><p>blica Dominicana, Antigua, Barbados,</p><p>Belize, Costa Rica, Panamá, Colômbia,</p><p>Venezuela, Antilhas Holandesas). Bra-</p><p>sil [RN, PE, Bahia (Salvador, Itaparica,</p><p>Vera Cruz), RJ]. Há também uma série de</p><p>registros para os Oceanos Índico e Pací-</p><p>fico que carecem de confirmação de sua</p><p>coespecificidade.</p><p>153EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Desmapsamma anchorata (Carter, 1882)</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção tangencial.</p><p>� A, óxea; B, sigma I; C, sigma II; D,</p><p>isoquela ancorada I; E, isoquela ancorada II.</p><p>154 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Desmapsamma anchorata (Carter, 1882)</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 5 m de</p><p>profundidade, 07/Mai/2008.</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 1,5 m de profundidade, 04/Dez/2010.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 1,5 m de</p><p>profundidade, 01/Dez/2010.</p><p>155</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante à maciça ou ereta com</p><p>projeções alongadas irregulares. Con-</p><p>sistência firme nos espécimes maciços e</p><p>eretos. Superfície irregular devido à pro-</p><p>jeção de feixes espiculares subjacentes,</p><p>com padrão de cristas e sulcos. Cor</p><p>em vida preto, por vezes com nuances</p><p>verde–escuras ou amarelas. No fixador,</p><p>torna–se roxo mais ou menos escuro. Es-</p><p>queleto ectossomal composto de espícu-</p><p>las dispersas e alguns feixes irregulares.</p><p>Coanossoma com reticulação de feixes</p><p>multiespiculares, com maior ou menor</p><p>quantidade de espongina. Espículas</p><p>dispersas também abundam no coanos-</p><p>soma, e uma densa pigmentação escura</p><p>dificulta a visualização dos padrões com</p><p>clareza. A abundância de birrótulas é</p><p>variável, porém frequentemente muito</p><p>baixa. Espículas: estrôngilos, 93–216 /</p><p>3-7 μm; estilos, 133–226 / 4–5 μm; bir-</p><p>rótulas, 11–22 μm.</p><p>Gênero Iotrochota Ridley, 1884</p><p>O gênero compreende 14 espécies no mundo, apenas uma das</p><p>quais ocorre no Brasil. A espécie I. bistylata Boury-Esnault, 1973,</p><p>originalmente registrada de Sergipe e da Bahia, é atualmente</p><p>considerada sinônima de I. birotulata (descrita a seguir).</p><p>37. Iotrochota birotulata (Higgin, 1877)</p><p>Família Iotrochotidae Dendy, 1922</p><p>� Iate Clube (Salvador), 3 m de profundi-</p><p>dade, 04/Dez/2006.</p><p>Ecologia</p><p>Iotrochota birotulata é relativamente rara</p><p>em águas rasas da Bahia. A espécie in-</p><p>tegra a dieta do ouriço-satélite, Eucidaris</p><p>tribuloides (Lamarck, 1816), em Salvador.</p><p>156 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Iotrochota birotulata (Higgin, 1877)</p><p>� Praia de Cantagalo (Salvador), 7,9 m</p><p>de profundidade, 14/Dez/2007.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, estrôngilo; B, estilo; C, birrótula.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba,</p><p>Ilhas Cayman, Jamaica, República Do-</p><p>minicana, Porto Rico, Barbados, México,</p><p>Belize, Costa Rica, Colômbia, Antilhas</p><p>Holandesas, Venezuela). Brasil [PE, Fer-</p><p>nando de Noronha, AL, SE, BA (Salva-</p><p>dor, Belmonte)].</p><p>157</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Gênero Tedania Gray, 1867</p><p>O gênero compreende mais de 70 espécies no mundo, das quais cinco</p><p>ocorrem no Brasil, e uma está citada para a Bahia. Há um morfotipo</p><p>em Salvador que poderia se tratar de uma segunda</p><p>espécie. Sua</p><p>espiculação, à primeira vista, é idêntica àquela de T. ignis (descrita</p><p>abaixo), porém sua cor em vida é singular – vermelho mais escuro e</p><p>com pontos esbranquiçados.</p><p>38. Tedania ignis (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>Família Tedaniidae Ridley & Dendy, 1886</p><p>Morfologia</p><p>Forma frequentemente maciça com ou</p><p>sem projeções cônicas ou vulcaniformes.</p><p>Os espécimes podem alcançar 10 cm de</p><p>espessura e cobrir áreas superiores a</p><p>0,5 m2. A cor em vida é tipicamente</p><p>vermelho–alaranjada. No fixador tor-</p><p>nam–se bege ou branco–amarelado.</p><p>Sua superfície é lisa, levemente áspera.</p><p>Ósculos estão localizados dispersamen-</p><p>te ou no topo das projeções, e possuem</p><p>até 1 cm de diâmetro, e membrana pe-</p><p>rioscular em forma de chaminé. Con-</p><p>sistência facilmente rasgável e com-</p><p>pressível, ou mais resistente, podendo</p><p>tornar–se esfarelenta no material fixado.</p><p>� Espécime contraído, exposto ao sol na maré</p><p>baixa. Ilha do Pati (São Francisco do Conde),</p><p>entremarés, 20/Mai/2008.</p><p>158 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Tedania ignis (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>A arquitetura ectossomal se constitui de</p><p>tilotos dispostos lado a lado como em</p><p>uma palissada, perpendicularmente à</p><p>superfície, que é perfurada por essas es-</p><p>pículas. O arranjo coanossomal consiste</p><p>de feixes primários de estilos, frequente-</p><p>mente inconspícuos, e de uma reticulação</p><p>secundária destas mesmas espículas, que</p><p>também pode estar mascarada por gran-</p><p>de quantidade de espículas dispostas ale-</p><p>atoriamente, megascleras e microscleras.</p><p>A forma e espesura das megascleras, em</p><p>especial dos estilos, pode variar conside-</p><p>ravelmente. Espículas: estilos (raramente</p><p>estrôngilos), 218–273 / 2,5–14 μm; tilotos,</p><p>217–245 / 2–6 μm; oniquetas I, 125–239</p><p>μm; oniquetas II, 40–74 μm.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), infralitoral,</p><p>02-05/Dez/2010.</p><p>159EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Tedania ignis (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>Ecologia</p><p>Tedania ignis é comum em todo o lito-</p><p>ral da Bahia, podendo atingir grande</p><p>abundância em áreas mais quentes e de</p><p>menor circulação, tais como o fundo da</p><p>Baía de Todos os Santos. Nestes locais,</p><p>grandes espécimes maciços se desen-</p><p>volvem sobre os menores fragmentos</p><p>de substrato consolidado, literalmente</p><p>inseridos em um “mar de lama” cir-</p><p>cundante. A espécie também pode ser</p><p>encontrada em abundância nas prox-</p><p>imidades das áreas urbanas de Salvador.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, estilo; B, tiloto; C, oniqueta</p><p>I; D, oniqueta II; E, extremidade</p><p>da oniqueta I; F, extremidade da</p><p>oniqueta II.</p><p>� Porto da Barra (Salvador),</p><p>infralitoral, 02-05/Dez/2010.</p><p>160 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Tedania ignis (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>Tedania ignis costuma causar dermatite</p><p>em contato direto com a pele humana,</p><p>podendo gerar inchaço e vermelhidão</p><p>da palma das mãos que a tenham manu-</p><p>seado. Em um estudo de monitoramen-</p><p>to ambiental mostrou-se uma possível</p><p>biomonitora de ambientes poluídos.</p><p>Estudos recentes identificaram também</p><p>que T. ignis é uma das esponjas preferi-</p><p>das na dieta dos peixes-anjo Holacanthus</p><p>tricolor e Pomacanthus paru, em Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Bahamas,</p><p>Flórida, Cuba, Jamaica, República Domi-</p><p>nicana, Porto Rico, Ilhas Virgens, Méxi-</p><p>co, Panamá, Belize, Antigua, Colômbia,</p><p>Antilhas Holandesas, Venezuela). Brasil</p><p>[AP, MA, PI, CE, RN, Fernando de No-</p><p>ronha, PE, AL, Bahia (Salvador, Madre</p><p>de Deus, Maraú, Porto Seguro), ES, RJ,</p><p>SP, SC].</p><p>� Espécime contraído, exposto ao sol na maré. Ilha do Pati (São Francisco do</p><p>Conde), entremarés, 20/Mai/2008.</p><p>161</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça ou ereta com projeções ci-</p><p>líndricas irregulares, ramificantes, sinu-</p><p>osas, de até 75x3 cm (altura x diâmetro).</p><p>Os espécimes maciços podem alcançar</p><p>mais de 5 cm de espessura. A cor em vida</p><p>é mais costumeiramente roxo, por ve-</p><p>zes amarronzado, mas espécimes azuis,</p><p>vermelhos, amarelos e brancos também</p><p>já foram vistos ao longo do litoral brasi-</p><p>leiro. A superfície é lisa, aveludada, com</p><p>um conspícuo padrão reticulado visível</p><p>a olho nu, e facilmente destacável do res-</p><p>to do organismo. Ósculos dispersos pela</p><p>superfície (diâmetro 2–5 mm), portando</p><p>pequenas chaminés membranosas pe-</p><p>riosculares, situados ao final de curtos,</p><p>porém amplos canais subsuperficiais. A</p><p>consistência é macia e os espécimes são</p><p>relativamente fáceis de rasgar. A arqui-</p><p>tetura ectossomal constitui-se de uma</p><p>nítida reticulação de feixes espiculares</p><p>tangenciais formando malhas tri- ou</p><p>quadrangulares (diâmetro 200–500 μm),</p><p>apoiadas sobre as terminações dos feixes</p><p>Gênero Mycale Gray, 1867</p><p>O gênero compreende mais de 230 espécies no mundo, das quais</p><p>14 ocorrem no Brasil. Estão registradas para a Bahia seis espécies,</p><p>o que inclui, afora as espécies descritas a seguir, M. escarlatei</p><p>Hajdu, Zea, Kielman & Peixinho, 1995, M. laevis (Carter, 1882) e</p><p>M. quadripartita Boury-Esnault, 1973. Adicionalmente, a coleção do</p><p>Museu Nacional possui alguns novos registros, os quais carecem de</p><p>identificação completa e/ou descrição detalhada: M. arenaria Hajdu</p><p>& Desqueyroux-Faúndez, 1994, de Salvador; M. cf. arcuiris Lerner &</p><p>Hajdu, 2002, de Mata de São João (Praia do Forte); e Mycale spp., de</p><p>Caravelas (Abrolhos).</p><p>39. Mycale angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>Subordem Mycalina Hajdu, van Soest & Hooper, 1994</p><p>Família Mycalidae Lundbeck, 1905</p><p>coanossomais ascendentes. Rosetas de</p><p>anisoquelas I estão sempre presentes.</p><p>O esqueleto coanossomal é plumorre-</p><p>ticulado, composto de densos feixes de</p><p>subtilóstilos com abundante espongina,</p><p>dentre os quais se percebe feixes pri-</p><p>mários ascendentes, que divergem em</p><p>buquês na região subectossomal. Espí-</p><p>culas: subtilóstilos, 224–305 / 6–10 μm;</p><p>anisoquelas I, 40–51 μm; anisoquelas II,</p><p>15–20 μm; isoquelas, 10–13 μm; sigmas</p><p>I, frequentemente contorcidas, 78–94</p><p>μm; sigmas II, 13–40 μm; toxas com cur-</p><p>vatura central suave, 53–83 μm; ráfides,</p><p>75–232 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Esta espécie é bastante comum em subs-cie é bastante comum em subs-</p><p>tratos consolidados da Baía de Todos os</p><p>Santos, podendo ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador. Em locais</p><p>sujeitos a maiores taxas de sedimenta-</p><p>ção, como nas proximidades do porto de</p><p>Salvador, ou nos canais entre as ilhas do</p><p>fundo da Baía de Todos os Santos, pode</p><p>162 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Mycale angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>desenvolver–se notavelmente mesmo se</p><p>ancorada apenas por pequenos seixos ou</p><p>conchas.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Cuba, Jamaica, Ilhas Vir-</p><p>gens, Antilhas Holandesas, Venezuela).</p><p>Brasil [RN, PE, BA (Salvador, São Francis-</p><p>co do Conde, Madre de Deus, Itaparica,</p><p>Maraú), RJ, SP]. Registros desta espécie</p><p>para a costa Tropical Atlântica da África</p><p>são duvidosos e carecem de revisão.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções</p><p>transversal (a esquerda) e tangencial (a</p><p>direita).</p><p>� A, subtilóstilo; B, sigma I; C, sigma II; D,</p><p>anisoquela palmada I; E, anisoquela palmada</p><p>II; F, isoquela palmada; G, toxa; H, ráfides</p><p>organizadas em tricodragma; I, roseta de</p><p>anisoquelas I.</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 5 m de</p><p>profundidade, 31/Mai/2009. A escala branca</p><p>(bastão plástico) tem 5 cm de comprimento.</p><p>A esponja azul tem mais de 60 cm de altura.</p><p>No detalhe, aspecto reticulado da superfície</p><p>de outro espécime na mesma localidade.</p><p>163</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>164 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Mycale angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Praia de Cantagalo (Salvador), 5 m de profundidade, 31/Mai/2009.</p><p>165EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça com projeções cônicas</p><p>ou lobadas, podendo recobrir áreas de</p><p>20x20 cm e possuir altura de até 10 cm.</p><p>A cor em vida mais comum é o vermelho</p><p>a vermelho-carmim com características</p><p>pintas claras (brancas, verdes, amarelas,</p><p>turquesas). A superfície é</p><p>A descrição cuidadosa e detalhada da morfologia, a ampla e primorosa</p><p>documentação fotográfica associada à sucinta descrição da ecologia acompanhada</p><p>do registro da distribuição geográfica das ocorrências das espécies, torna este Guia</p><p>um estímulo para pesquisadores e pós-graduandos quanto à apreciação e desafio</p><p>dos estudos com esponjas, contribuindo para a ampliação do conhecimento científico</p><p>destes componentes da biodiversidade marinha, bem como para sua preservação.</p><p>Março de 2011</p><p>Marlene Campos Peso-Aguiar</p><p>Prof. Titular</p><p>Departamento de Zoologia - UFBA</p><p>14 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>ÍNDICE</p><p>Introdução ........................................................................................................................................ 19</p><p>Caracterização do Filo Porifera ............................................................................... 19</p><p>Classificação e caracterização das Classes e Ordens ........................................... 26</p><p>Filogenia ..................................................................................................................... 33</p><p>Aspectos ecológicos .................................................................................................. 33</p><p>Litoral baiano ............................................................................................................. 39</p><p>Padrões de distribuição de Porifera........................................................................ 43</p><p>Identificação de esponjas ............................................................................................................ 49</p><p>Coleta .......................................................................................................................... 49</p><p>Fixação e conservação .............................................................................................. 51</p><p>Preparação de lâminas para microscopia óptica .................................................. 52</p><p>Preparação de lâminas para microscopia de varredura ...................................... 57</p><p>DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES</p><p>Filo Porifera Grant, 1836 ................................................................................................................ 59</p><p>Classe Demospongiae Sollas, 1885 ....................................................................................... 59</p><p>Ordem Spirophorida Bergquist & Hogg, 1969 .................................................................. 59</p><p>Família Tetillidae Sollas, 1886 .......................................................................................... 60</p><p>1 – Cinachyrella alloclada (Uliczka, 1929) ........................................................... 60</p><p>2 – Cinachyrella apion (Uliczka, 1929) ................................................................. 63</p><p>3 – Cinachyrella kuekenthali (Uliczka, 1929) ....................................................... 65</p><p>4 – Craniella quirimure Peixinho, Cosme & Hajdu, 2005 ................................... 67</p><p>Ordem Astrophorida Sollas, 1888 ....................................................................................... 70</p><p>Família Ancorinidae Schmidt, 1870................................................................................. 71</p><p>5 – Ecionemia sp. ................................................................................................... 71</p><p>6 – Stelletta anancora (Sollas, 1886) .................................................................... 74</p><p>7 – Tribrachium schmidti Weltner, 1882 ............................................................... 78</p><p>Família Geodidae Gray, 1867 ................................................................................. 81</p><p>8 – Erylus formosus Sollas, 1886 .......................................................................... 81</p><p>9 – Geodia corticostylifera Hajdu, Muricy, Custódio,</p><p>Russo & Peixinho, 1992 ................................................................................. 84</p><p>10 – Geodia gibberosa Lamarck, 1815.................................................................... 86</p><p>Ordem Hadromerida Topsent, 1894 ................................................................................... 88</p><p>Família Clionaidae D’Orbigny, 1851 ...................................................................... 89</p><p>11 – Complexo Cliona celata Grant, 1826 ........................................................... 89</p><p>12 – Cliona delitrix Pang, 1973 ............................................................................. 92</p><p>13 – Cliona varians (Duchassaing & Michelotti, 1864) ....................................... 94</p><p>Família Placospongiidae Gray, 1867 .............................................................................. 96</p><p>14 – Placospongia sp. ............................................................................................ 96</p><p>Família Spirastrellidae Ridley & Dendy, 1886 ............................................................... 98</p><p>15EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Índice</p><p>15 – Spirastrella hartmani Boury–Esnault, Klautau, Bézac,</p><p>Wulff & Solé–Cava, 1999 ............................................................................... 98</p><p>Família Suberitidae Schmidt, 1870 ................................................................................. 100</p><p>16 – Aaptos spp. ................................................................................................... 100</p><p>17 – Suberites aurantiacus (Duchassaing & Michelotti,1864) ............................ 102</p><p>18 – Terpios fugax Duchassaing & Michelotti, 1864 ........................................... 104</p><p>Família Tethyidae Gray, 1867 ........................................................................................... 106</p><p>19 – Tethya maza Selenka, 1879 ............................................................................ 106</p><p>20 – Tethya sp. ....................................................................................................... 110</p><p>Ordem Chondrosida Boury–Esnault & Lopès, 1985 ........................................................ 112</p><p>Família Chondrillidae Gray, 1872 .................................................................................... 113</p><p>21 – Chondrilla aff. nucula Schmidt, 1862 ........................................................... 113</p><p>22 – Chondrosia sp. Nardo, 1847 ......................................................................... 116</p><p>Ordem Halichondrida Gray, 1867 ....................................................................................... 118</p><p>Família Axinellidae Carter, 1875 ..................................................................................... 119</p><p>23 – Dragmacidon reticulatum (Ridley & Dendy, 1886) ..................................... 119</p><p>24 – Ptilocaulis walpersi (Duchassaing & Michelotti, 1864) ............................... 122</p><p>Família Dictyonellidae van Soest, Diaz & Pomponi, 1990 .......................................... 124</p><p>25 – Scopalina ruetzleri (Widenmayer, 1977) ....................................................... 124</p><p>Família Halichondriidae Vosmaer, 1887 ........................................................................ 126</p><p>26 – Petromica ciocalyptoides (van Soest & Zea, 1986)......................................... 126</p><p>27 – Petromica citrina Muricy, Hajdu, Minervino, Madeira & Peixinho, 2001 ....... 128</p><p>28 – Topsentia ophiraphidites de Laubenfels, 1934 .............................................. 130</p><p>Ordem Poecilosclerida Topsent, 1928 .............................................................................. 132</p><p>Subordem Microcionina Hajdu, van Soest & Hooper, 1994 ....................................... 133</p><p>Família Microcionidae Carter, 1875 ............................................................................... 133</p><p>29 – Clathria schoenus (de Laubenfels, 1936) ...................................................... 133</p><p>30 – Clathria venosa Alcolado, 1984 .................................................................... 136</p><p>Família Raspaillidae</p><p>geralmente</p><p>dotada de inúmeros cônulos macios, ter-</p><p>minações dos feixes espiculares coanos-</p><p>somais que se projetam além da superfí-</p><p>cie. Os ósculos, frequentemente situados</p><p>no topo das projeções cônicas, podem</p><p>alcançar 3 cm de diâmetro, e estão en-</p><p>voltos por delicada e transparente mem-</p><p>brana perioscular. A consistência é extre-</p><p>mamente macia. Não há especialização</p><p>ectossomal do esqueleto. A arquitetura</p><p>coanossomal se constitui de uma reticu-</p><p>lação quadrangular de feixes robustos,</p><p>formando malhas com 640–1690 μm de</p><p>diâmetro. Raras rosetas de anisoquelas</p><p>podem ser vistas em placa de espongi-</p><p>na rente ao substrato. Espículas: subti-</p><p>lóstilos, 241–283 / 3–8 μm; anisoquelas,</p><p>19–36 μm; sigmas, 70–90 μm.</p><p>Comentários</p><p>Na última década surgiram espécimes</p><p>quase incrustantes, azuis claros, que se</p><p>assemelham muito a espécimes de My-</p><p>cale mirabilis observados na Grande Bar-</p><p>reira de Corais (Austrália). Um estudo de</p><p>revisão é necessário para compreender o</p><p>real limite da variabilidade morfológica</p><p>nesta espécie, que ademais, não forma</p><p>no Brasil os tubos tão característicos</p><p>40. Mycale laxissima (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Quebramar Sul (Salvador), anos 1980 ou</p><p>1990.</p><p>166 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Mycale laxissima (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>que ocorrem em espécimes da região do</p><p>Caribe. Esta espécie foi registrada pela</p><p>primeira vez para o Brasil em 1886 a</p><p>partir de material coletado na Bahia pela</p><p>expedição de circumnavegação global</p><p>do navio inglês H.M.S. Challenger, ocor-</p><p>rida entre os anos de 1873 e 1876. Este</p><p>material original foi identificado como</p><p>Esperella nuda Ridley & Dendy, 1886, es-</p><p>pécie que atualmente integra a lista de</p><p>sinônimas de M. laxissima.</p><p>� Praia de Cantagalo</p><p>(Salvador), 8 m de</p><p>profundidade, 14/</p><p>Dez/2007.</p><p>Ecologia</p><p>Esta espécie é relativamente comum</p><p>em áreas abrigadas da Baía de Todos os</p><p>Santos, podendo ser encontrada próx-</p><p>ima das áreas urbanas de Salvador. Ao</p><p>ser manuseada, e especialmente após a</p><p>coleta, desmancha-se rapidamente em</p><p>muco. Ao final resta apenas o esqueleto</p><p>reticulado de feixes espiculares envoltos</p><p>em espongina.</p><p>� Boião de</p><p>sinalização naval</p><p>entre Salvador e Ilha</p><p>dos Frades (Bahia de</p><p>Todos os Santos), 5</p><p>m de profundidade,</p><p>21/Jun/2004.</p><p>167EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Mycale laxissima (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� A, subtilóstilo e detalhes de suas bases; B,</p><p>sigma; C, anisoquelas palmadas desenhadas</p><p>a partir de eletromicrografias (p.ex. espícula</p><p>à direita) obtidas do holótipo de M. nuda</p><p>(Ridley & Dendy, 1886) (= M. laxissima).</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal, com fibras isoladas após</p><p>tratamento com hipoclorito de sódio diluído.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 5,3 m de</p><p>profundidade, 16/Dez/2007.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Anfi–atlântica. Golfo do Méxi-</p><p>co. Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba, Ja-</p><p>maica, Porto Rico, Ilhas Virgens, México,</p><p>Honduras, Belize, Antilhas Holandesas,</p><p>Colômbia). Brasil [BA (Salvador), RJ,</p><p>SP]. África Tropical Ocidental.</p><p>168 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma geralmente incrustante, salvo se</p><p>associada a endobiontes quando pode</p><p>alcançar maior espessura (até 2–3 cm).</p><p>Sua cor em vida é vermelho-carmim, ou</p><p>mais raramente alaranjado ou amarelo,</p><p>adquirindo cor bege no fixador. Sua su-</p><p>perfície é geralmente lisa e desprovida</p><p>de reticulação visível ao olho nu, mas</p><p>pode apresentar-se irregular em decor-</p><p>rência da presença de endobiontes. Ós-</p><p>culos (diâmetro até 1 cm) estão dispos-</p><p>tos aleatoriamente, por vezes no topo de</p><p>discretas elevações, e usualmente estão</p><p>circundados por membrana peri–oscu-</p><p>lar. A consistência é normalmente com-</p><p>pressível e rasgável, mas pode ser firme</p><p>em decorrência de endobiontes. Não há</p><p>especialização ectossomal do esquele-</p><p>to, observando-se apenas umas poucas</p><p>espículas dispersas tangencialmente</p><p>na membrana superficial. O esqueleto</p><p>coanossomal é composto por feixes as-</p><p>cendentes de espessura e sinuosidade</p><p>variável, ramificantes, ou por vezes se</p><p>anastomosando em um padrão plumor-</p><p>reticulado. Estes feixes se constituem de</p><p>subtilóstilos e variável quantidade de</p><p>espongina, e divergem acentuadamente</p><p>próximo à superfície, formando tufos</p><p>que sustentam o ectossoma e perfuram</p><p>levemente a superfície. Megascleras e</p><p>microscleras isoladas estão dispersas por</p><p>toda a esponja, porém as sigmas possuem</p><p>abundância muito variável, enquanto as</p><p>41. Mycale microsigmatosa Arndt, 1927</p><p>anisoquelas são frequentemente muito</p><p>raras. Espículas: subtilóstilos, 183–264 /</p><p>2,5–5 μm; anisoquelas, 8–13 μm; sigmas,</p><p>18–43 μm.</p><p>Comentários</p><p>A espécie pode ser confundida no cam-</p><p>po com Monanchora arbuscula (p. 146)</p><p>quando esta não apresenta seus carac-</p><p>terísticos canais dispostos em padrão</p><p>estrelado. O exame ao microscópio da</p><p>amostra em mãos, contrastado às des-</p><p>crições aqui apresentadas para ambas as</p><p>espécies, não deixará dúvidas quanto a</p><p>sua identidade.</p><p>Ecologia</p><p>Mycale microsigmatosa é relativamente</p><p>comum nas águas mais rasas da Baía de</p><p>Todos os Santos, podendo ser encontra-</p><p>da próxima das áreas urbanas de Salva-</p><p>dor, onde ocorre preponderantemente</p><p>em ambientes expostos à iluminação, de</p><p>boa circulação de água e baixa sedimen-</p><p>tação. Está frequentemente associada a</p><p>endobiontes tais como os poliquetos da</p><p>família Spionidae e crustáceos anfípo-</p><p>dos.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Cuba, Jamaica,</p><p>Belize, Colômbia, Antilhas Holandesas,</p><p>Venezuela). Brasil [BA (Salvador, Ma-</p><p>raú), RJ, SP, SC].</p><p>169</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2 m de profundidade, 07/Dez/2010.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal, com</p><p>fibras isoladas após tratamento com hipoclorito de</p><p>sódio diluído.</p><p>� A, subtilóstilo; B, sigma; C,</p><p>anisoquela palmada.</p><p>Ordem Haplosclerida Topsent 1928</p><p>Haliclona manglaris Alcolado, 1984. Porto da Barra (Salvador), 2-3 m</p><p>de profundidade, 03/Dez/2010.</p><p>171</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma ereta-ramosa-tubular ou mais</p><p>raramente cilíndrica–reptante com até</p><p>15–20 cm de altura e 3–4 cm de diâme-</p><p>tro dos tubos. Os tubos se ramificam ou</p><p>anastomosam, e podem estar totalmen-</p><p>te coalescidos longitudinalmente. A cor</p><p>em vida é muito variável, mas a predo-</p><p>minância é de espécimes roxos ou rosa-</p><p>dos. Outras tonalidades observadas são</p><p>o azul, o vermelho e o laranja. Em etanol</p><p>assume cor bege escura. A superfície é</p><p>cravejada de grandes espinhos fibro-</p><p>sos, em forma de cônulos, sustentados</p><p>por fibras esqueletais, e uma reticulação</p><p>subjacente é nitidamente visível a olho</p><p>nu. Os ósculos, normalmente no ápice</p><p>dos tubos, podem ter até 4 cm de diâ-</p><p>metro, e permitem observar o interior</p><p>de ampla cavidade atrial em cada tubo.</p><p>Alguns ósculos menores (diâmetro até</p><p>5 mm) situam–se no topo de pequenas</p><p>projeções em forma de lobos, possivel-</p><p>mente tubos em formação. A consistência</p><p>é firme, porém compressível, e os espéci-</p><p>mes são bastante flexíveis e elásticos. A</p><p>arquitetura ectossomal compreende uma</p><p>Gênero Callyspongia Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>O gênero compreende mais de 180 espécies no mundo, das</p><p>quais 13 ocorrem no Brasil. Além das espécies descritas a seguir,</p><p>também ocorrem na Bahia C. fibrosa (Ridley & Dendy, 1886),</p><p>C. laboreli Hechtel, 1983, C. pallida Hechtel, 1965 e C. pseudotoxa</p><p>Muricy & Ribeiro, 1999.</p><p>42. Callyspongia sp. 1</p><p>Subordem Haplosclerina Topsent, 1928</p><p>Família Callyspongiidae de Laubenfels, 1936</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2-3 m de</p><p>profundidade, 03/Dez/2010.</p><p>172</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>reticulação tangencial dupla, com um re-</p><p>tículo primário mais grosseiro, formando</p><p>amplas malhas poligonais irregulares, e</p><p>um secundário mais delgado, entremea-</p><p>do com o primeiro. O esqueleto coanos-</p><p>somal se compõe de feixes longitudinais</p><p>principais robustos e uma reticulação</p><p>que diverge destes feixes rumo à super-</p><p>fície, interconectada irregularmente por</p><p>fibras terciárias. Espículas: óxeas, 93–106</p><p>/ 1–3 μm; toxas, 12–43 μm.</p><p>Comentários</p><p>A comparação desta espécie com todas</p><p>as demais Callyspongia com toxas do</p><p>Atlântico Tropical Ocidental não en-</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 4-5 m de profundidade, 07/Mai/2008. FOTOGRAFIA DE G. LÔBO-HAJDU.</p><p>controu nenhuma que se assemelhe, de</p><p>modo que o material examinado deve se</p><p>tratar de uma espécie nova.</p><p>Ecologia</p><p>Callyspongia sp. 1 é relativamente comum</p><p>no infralitoral com substrato consolida-</p><p>do da Baía de Todos os Santos, podendo</p><p>ser um dos elementos mais conspícuos</p><p>do bentos em alguns setores, tais como</p><p>a área do Porto da Barra, Forte de São</p><p>Marcelo e quebra-mares portuários.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (provisoriamente endêmica da Ba-</p><p>hia – Salvador, Madre de Deus, Itaparica).</p><p>173EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Callyspongia sp. 1</p><p>� Iate Clube (Salvador), 3 m de profundidade,</p><p>04/Dez/2006.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3-4 m de</p><p>profundidade, 07/Mai/2008. FOTOGRAFIA DE G.</p><p>LÔBO-HAJDU.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>tangencial, em visão panorâmica (A) e em</p><p>detalhe (B).</p><p>� A, óxeas; B, terminações das óxeas;</p><p>C, toxas.</p><p>174 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Os espécimes são ramosos e reptantes,</p><p>frequentemente se ramificando em</p><p>padrão radial. Os ramos são cilíndricos,</p><p>delgados (até 1,5 cm de espessura) e ir-</p><p>regulares, terminando em extremidades</p><p>afiladas. Os maiores espécimes observa-</p><p>dos tinham 20–30 cm de diâmetro, mas</p><p>no geral não passam de 10–15 cm. A cor</p><p>em vida é geralmente verde acinzentado,</p><p>mas espécimes com manchas laranja são</p><p>comuns. No fixador, assumem coloração</p><p>bege. A superfície é levemente áspera. Ós-</p><p>culos (diâmetro 2–5 mm) foram observa-</p><p>dos no topo de pequenas projeções vulca-</p><p>niformes, na parte superior dos ramos. A</p><p>43. Callyspongia sp. 2</p><p>consistência é esponjosa, facilmente com-</p><p>pressível, porém um pouco resistente ao</p><p>dano. A arquitetura ectossomal é reticula-</p><p>da, com fibras primárias (diâmetro 45–90</p><p>μm), secundárias (20–30 μm e terciárias</p><p>(8–10 μm). O esqueleto coanossomal tam-</p><p>bém possui fibras primárias (diâmetro</p><p>45–80 μm), secundárias (30–40 μm) e ter-</p><p>ciárias (15 μm). As fibras primárias apre-</p><p>sentam fasciculação ao aproximar-se da</p><p>superfície. Espículas: óxeas, 88–104 μm /</p><p>1,5–4 μm.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 02/Dez/2010. A esponja</p><p>azul-cobalto é uma Dysidea etheria.</p><p>175EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Callyspongia sp. 2</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6,3 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007. Escala vermelha</p><p>do espécime com 5 cm de largura.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções tangencial (A) e transversal (B). � A, óxeas; B,</p><p>terminações das óxeas.</p><p>Comentários</p><p>Ao comparar esta espécie com todas as</p><p>demais Callyspongia do Atlântico Tro-</p><p>pical Ocidental não foi encontrada ne-</p><p>nhuma que se assemelhe, de modo que</p><p>o material examinado deve se tratar de</p><p>uma espécie nova.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie pode ser encontrada próxima</p><p>das áreas urbanas de Salvador, e é mais</p><p>comum em superfícies planas, bem ilu-</p><p>minadas e cobertas por areia ou algas fi-</p><p>lamentosas. Seus limites batimétricos co-</p><p>nhecidos são 3–15 m de profundidade.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (provisoriamente endêmica da</p><p>Bahia – Salvador).</p><p>176 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja reptante, lamelar, com até 10</p><p>cm de comprimento. As duas únicas</p><p>lamelas observadas apresentavam 2–3</p><p>cm de largura e 0,5 cm de espessura,</p><p>e formavam um arco. A cor em vida</p><p>era bege rosado, tornando-se bege no</p><p>fixador. A superfície é um pouco áspera,</p><p>nitidamente reticulada e relativamente</p><p>fácil de destacar, sendo absolutamente</p><p>plana à exceção da margem oscular,</p><p>que apresenta agumas curtas projeções</p><p>conferindo-lhe contorno irregular.</p><p>Ósculos (diâmetro 1 mm) estão dispostos</p><p>de forma alinhada nas margens</p><p>interna e externa dos arcos lamelares.</p><p>Consistência elástica, compressível. A</p><p>arquitetura ectossomal é reticulada, com</p><p>fibras secundárias (diâmetro 20–81) e</p><p>terciárias (8–20), que se sustentam em</p><p>44. Callyspongia pergamentacea (Ridley, 1881)</p><p>um arcabouço subectossomal robusto de</p><p>fibras primárias (41–102). No coanossoma</p><p>observam-se fibras primárias ascententes</p><p>(41–112) e secundárias transversais</p><p>(31–102). As últimas, frequentemente</p><p>desprovidas de espículas. Espongina é</p><p>abundante em todos os segmentos do</p><p>esqueleto e cada fibra possui um feixe</p><p>uniespicular de óxeas em seu interior.</p><p>Espículas: óxeas, 57–83 / 3–5 μm.</p><p>Comentários</p><p>A descrição original da espécie baseou-se</p><p>em espécime praticamente idêntico ao</p><p>encontrado em Salvador, porém prove-</p><p>niente do Banco Hotspur.</p><p>� Espécime logo após à coleta, ainda debaixo</p><p>d’água.</p><p>177EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Callyspongia pergamentacea (Ridley, 1881)</p><p>Ecologia</p><p>A espécie foi coletada entre 15 e 64 m</p><p>de profundidade. Em Salvador ocorre</p><p>próxima das áreas urbanas da cidade,</p><p>em substrato vertical, junto à rica</p><p>comunidade bentônica séssil.</p><p>Distribuição</p><p>Endêmica do Brasil [Fernando de</p><p>Noronha, BA (Salvador, Banco Hotspur,</p><p>Abrolhos)].</p><p>� Bóia de sinalização naval do Farol da</p><p>Barra (Salvador), 13,3 m de profundidade,</p><p>12/Dez/2007. A esponja vermelha epibionte</p><p>é uma Monanchora arbuscula.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções transversal (A) e</p><p>tangencial (B), esta última também em detalhe (C).</p><p>� A, óxeas e detalhes de suas</p><p>terminações.</p><p>178 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Espécimes com tubos curtos (altura até</p><p>5 cm), anastomosados, com pseudo-óscu-</p><p>los apicais grandes (2–5 cm de diâmetro)</p><p>e irregulares. Estes frequentemente se</p><p>fundem formando longas estruturas exa-</p><p>lantes (com até 10 x 2 cm), marca regis-</p><p>trada desta espécie, que alcança até 30 cm</p><p>de diâmetro máximo. A parede dos tubos</p><p>não ultrapassa 1 cm de espessura, afinan-</p><p>do-se na direção do pseudo-ósculo, que é</p><p>bordeado por uma margem bastante deli-</p><p>cada (espessura 1–2 mm). A cor em vida</p><p>é sempre verde claro, levemente acinzen-</p><p>tado, que se altera para marrom em eta-</p><p>nol. Sua superfície é majoritariamente lisa</p><p>tanto na face externa dos tubos quanto na</p><p>interna, mas cônulos grandes (altura 1–3</p><p>mm) costumam ocorrer na parte externa.</p><p>Consistência um pouco firme, elástica.</p><p>Arquitetura ectossomal reticulada, com</p><p>fibras primárias (diâmetro 25–90 μm);</p><p>secundárias (11–20 μm); e terciárias (4–12</p><p>μm). No esqueleto coanossomal, obser-</p><p>vam-se fibras primárias (diâmetro 30–110</p><p>μm), secundárias (10–40 μm), e terciárias</p><p>(10–15 μm). Espículas: óxeas, 68–109 /</p><p>1.3–7 μm.</p><p>Comentários</p><p>Espécimes manchados de laranja foram</p><p>vistos entre as incrustações sobre um</p><p>naufrágio, o que poderia ser decorrente</p><p>dos processos de corrosão ocorrendo em</p><p>seu substrato.</p><p>45. Callyspongia vaginalis (Lamarck, 1814)</p><p>Ecologia</p><p>A espécie é relativamente rara no litoral</p><p>raso da Bahia, tendo sido encontrada</p><p>em profundidades de 5–17 m. A espécie</p><p>pode ser encontrada próxima das áreas</p><p>urbanas de Salvador. Na região do Cari-</p><p>be pode formar tubos com mais de 1 m</p><p>de altura.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermudas, Flórida, Bahamas,</p><p>Cuba, Jamaica, República Dominicana,</p><p>Porto Rico, Ilhas Virgens, St. Martin, Gua-</p><p>dalupe, México, Belize, Panamá, Colôm-</p><p>bia, Venezuela, Antilhas Holandesas,</p><p>Trinidad & Tobago). Brasil [CE, RN, Atol</p><p>das Rocas, BA (Salvador, Abrolhos)].</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 6 m de</p><p>profundidade, 16/Dez/2007. O pseudo-ósculo</p><p>alongado tem cerca de 15 cm de comprimento.</p><p>179EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Callyspongia vaginalis (Lamarck, 1814)</p><p>� Bóia de sinalização naval do Farol da Barra (Salvador), 13 m de profundidade, 12/Dez/2007.</p><p>A esponja cinza-escura é possivelmente uma Dysidea robusta.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções tangencial (A) e transversal (B). � A, óxeas; B,</p><p>terminações das óxeas.</p><p>180</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja maciça com projeções lobu-</p><p>lares ou vulcaniformes irregulares cur-</p><p>tas, alcançando 15 x 9 x 5 cm (maior x</p><p>menor diâmetro x espessura/altura).</p><p>As</p><p>projeções são em sua maioria coales-</p><p>centes, mas ramos delgados irregulares</p><p>também foram observados e poderiam</p><p>Gênero Haliclona Grant, 1835</p><p>O gênero compreende mais de 400 espécies no mundo, das quais</p><p>dez ocorrem no Brasil. Dentre as cinco espécies apresentadas a</p><p>seguir, H. caerulea e H. implexiformis são novos registros para o</p><p>Brasil; H. manglaris é um novo registro para a Bahia; e Haliclona sp.</p><p>é possivelmente uma espécie nova.</p><p>46. Haliclona caerulea (Hechtel, 1965)</p><p>Família Chalinidae Gray, 1867</p><p>representar estruturas adaptadas para</p><p>reprodução assexuada por fissura. A cor</p><p>em vida é um azul-turqueza fosco, que</p><p>se torna bege no fixador. A superfície é</p><p>áspera, podendo ser bastante irregular</p><p>� Ilha do Pati (São Francisco do</p><p>Conde), entremarés, 20/Mai/2008.</p><p>181EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Haliclona caerulea (Hechtel, 1965)</p><p>� A, óxeas e detalhes de suas</p><p>terminações; B, sigma.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções tangencial</p><p>(no topo) e transversal (acima), esta última em</p><p>vista panorâmica (A) e em detalhe (B).</p><p>em algumas partes. Ósculos (diâmetro</p><p>2–5 mm) estão dispersos, porém sempre</p><p>localizados no ápice das projeções. Con-</p><p>sistência firme. Arquitetura ectossomal</p><p>composta de uma reticulação regular,</p><p>uniespicular e tangencial, com espículas</p><p>unidas por suas extremidades. Esqueleto</p><p>coanossomal com reticulação similar, um</p><p>pouco mais densa, sem feixes espiculares</p><p>nítidos. A arquitetura é cavernosa com</p><p>grande número de canais de diâmetros</p><p>variados. Espículas: óxeas, 112–213 /</p><p>3–10 μm; sigmas 18–23 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Haliclona caerulea é relativamente rara no</p><p>infralitoral de costões rochosos da Baía</p><p>de Todos os Santos.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Cuba, Jamaica, Porto</p><p>Rico, Panamá, Colômbia, Antilhas Ho-</p><p>landesas). Novo registro para o Brasil</p><p>(BA – São Francisco do Conde). Regis-</p><p>tros duvidosos: Pacífico Tropical Orien-</p><p>tal (México, Panamá).</p><p>182 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja maciça com cristas e tubos cilín-</p><p>dricos curtos, alcançando 6 x 5 x 3 cm</p><p>(maior x menor diâmetro x espessura/</p><p>altura). Quando viva sua cor é rosa in-</p><p>tenso brilhante. No fixador, assume uma</p><p>cor bege pálida. Sua superfície é lisa,</p><p>ocasionalmente tuberculada, e possui</p><p>ósculos simples (diâmetro até 3 mm),</p><p>47. Haliclona implexiformis (Hechtel, 1965)</p><p>regularmente distribuídos no topo das</p><p>cristas. Sua consistência é muito ma-</p><p>cia. Arquitetura ectossomal composta</p><p>de uma reticulação regular, uniespicu-</p><p>lar e tangencial, com espículas unidas</p><p>por seus ápices. Esqueleto coanossomal</p><p>com reticulação similar, um pouco mais</p><p>densa, sem feixes espiculares nítidos. Es-</p><p>pículas: óxeas, 133–173 / 3–8 μm.</p><p>� A, óxeas e detalhes de</p><p>suas extremidades.</p><p>� Arquitetura esquelética em</p><p>seções tangencial (acima)</p><p>e transversal (à direita), esta</p><p>última em detalhe (A) e em vista</p><p>panorâmica (B).</p><p>183EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Haliclona implexiformis (Hechtel, 1965)</p><p>� Ilha do Pati (São Francisco do Conde),</p><p>entremarés, 20/Mai/2008.</p><p>A esponja vermelha é uma Tedania ignis.</p><p>Ecologia</p><p>Encontrada principalmente em poças ra-</p><p>sas de maré, em afloramentos rochosos</p><p>em áreas de manguezais ao norte da Baía</p><p>de Todos os Santos.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo</p><p>do México. Caribe (Bermudas, Flóri-</p><p>da, Bahamas, Cuba, Jamaica, República</p><p>Dominicana, Porto Rico, Ilhas Virgens,</p><p>Barbuda, Guadalupe, Martinica, Belize,</p><p>Colômbia, Venezuela, Antilhas Holande-</p><p>sas). Brasil (BA – São Francisco do Con-</p><p>de, Madre de Deus, Itaparica, Salvador,</p><p>Cairú).</p><p>184 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante-reptante, ramificada,</p><p>com prolongamentos cilíndricos delga-</p><p>dos, que podem apresentar um padrão</p><p>reticulado em função do frequente fu-</p><p>sionamento de ramos sobrepostos ou</p><p>adjacentes. A área de cobertura total</p><p>pode superar os 15 x 15 cm, porém com</p><p>grandes lacunas entremeadas. A altura</p><p>dos espécimes geralmente não ultra-</p><p>passa 2 cm. Cor em vida verde–clara; no</p><p>fixador, bege-amarelada. Superfície leve-</p><p>mente híspida, por vezes com pequenas</p><p>projeções em forma de vulcão. Ósculos</p><p>circulares relativamente alinhados no</p><p>dorso dos ramos rasteiros, pequenos</p><p>(diâmetro 1–3 mm), delineados por cur-</p><p>48. Haliclona manglaris Alcolado, 1984</p><p>tas membranas periosculares. Consistên-</p><p>cia extremamente macia e facilmente ras-</p><p>gável, um pouco esfarelável. Arquitetura</p><p>ectossomal composta de uma reticulação</p><p>regular, uniespicular e tangencial, com</p><p>espículas unidas por suas extremidades.</p><p>Esqueleto coanossomal mais denso,</p><p>porém também formado preponderante-</p><p>mente por uma reticulação uniespicular.</p><p>Apenas alguns feixes frouxos são dis-</p><p>cerníveis. Além de amplas lacunas co-</p><p>anossomais (diâmetro geralmente de 500</p><p>μm), há também um sistema de peque-</p><p>nas lacunas subectossomais formando</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 6-7 m de</p><p>profundidade, 07/Mai/2008.</p><p>185EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Haliclona manglaris Alcolado, 1984</p><p>� A, óxeas e detalhes de suas</p><p>terminações.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>tangencial.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal,</p><p>com vista em detalhe (A) e panorâmica (B).</p><p>um vasto lençol aquífero imediatamente</p><p>sob a superfície da esponja (cerca de 50</p><p>μm de altura). Espículas: óxeas, 50–72 /</p><p>3,5 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Haliclona manglaris é bastante comum no</p><p>entremarés e infralitoral da Baía de To-</p><p>dos os Santos, podendo ser encontrada</p><p>próxima das áreas urbanas de Salva-</p><p>dor. Foi observada com frequência em</p><p>manguezais, recifes e enseadas rasas.</p><p>Esta espécie foi apontada como poten-</p><p>cial biomonitora de poluição.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba,</p><p>Martinica, Granada, Granadinas, Belize,</p><p>Panamá, Colômbia, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil [AL, BA (Madre de</p><p>Deus, Salvador, Nazaré, Maraú)].</p><p>186 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Esponja geralmente incrustante, com</p><p>ou sem projeções em forma de dedos</p><p>curtos (altura 2–3 cm), as quais se fusio-</p><p>nam umas às outras em distintos graus.</p><p>Também se encontram espécimes em ca-</p><p>mada espessa, de aspecto monticulado.</p><p>Sua cor, quando viva é preta, passando</p><p>a preta amarronzada no fixador. Apre-</p><p>senta superfície lisa, porém frequente-</p><p>mente de contorno irregular. Os ósculos</p><p>são abundantes (diâmetro 1–3 mm) e</p><p>estão geralmente localizados no ápice</p><p>das projeções ou dos montículos. Con-</p><p>sistência macia, sendo muito fácil rasgar</p><p>estas esponjas. A arquitetura ectossomal</p><p>consiste de uma reticulação uniespicular</p><p>e alguns feixes pauciespiculares espar-</p><p>sos, entremeados a ampla rede de canais</p><p>circulares que conferem aspecto alveo-</p><p>lado à construção. Espongina é visível</p><p>nos nós da reticulação. Células pigmenta-</p><p>das são abundantes, e por vezes alinham-</p><p>49. Haliclona melana Muricy & Ribeiro, 1999</p><p>se em maior número junto aos feixes</p><p>espiculares. O esqueleto coanossomal</p><p>consiste de uma reticulação uniespicu-</p><p>lar atravessada por alguns poucos feixes</p><p>pauciespiculares ascendentes. O sistema</p><p>aquífero se faz presente, não como um</p><p>sistema alveolar regular, mas como canais</p><p>isolados e pequenas lacunas subdermais.</p><p>Células pigmentadas formam traços frou-</p><p>xos paralelos à superfície. Espículas: óxe-</p><p>as, 105–159 / 4–6 μm; toxas 31–76 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Haliclona melana é frequente no mesolito-</p><p>ral e infralitoral da Baía de Todos os San-</p><p>tos, particularmente em costões rocho-</p><p>sos, mas também pode ocorrer em áreas</p><p>de manguezais da baía. A espécie pode</p><p>ser encontrada próxima das áreas urba-</p><p>nas de Salvador.</p><p>� Iate Clube (Salvador), 2-3 m de</p><p>profundidade, 04/Dez/2006.</p><p>187EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Haliclona melana Muricy & Ribeiro, 1999</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2,5 m de profundidade, 07/Mai/2008.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções tangencial</p><p>(topo) e transversal (acima), com vista em</p><p>detalhe (A) e panorâmica (B).</p><p>� A, óxeas e detalhes de suas terminações;</p><p>B, toxas.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Santa</p><p>Lúcia). Brasil [AL, BA (São Fran-</p><p>cisco do Conde, Salvador, Maraú), SP].</p><p>188 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma reptante, tubular. Espécimes al-</p><p>cançam 25 x 15 x 5 cm (maior x menor di-</p><p>âmetro x espessura/altura). Tubos eretos</p><p>projetam-se a partir de um tubo horizon-</p><p>tal, basal, e podem estar densamente jus-</p><p>tapostos em arranjo que remete às flautas</p><p>andinas. Os tubos costumam apresentar</p><p>projeções delgadas na forma de grandes</p><p>espinhos (altura até 1 cm). A cor em vida</p><p>é o bege, do rosado ao amarelado, pouco</p><p>se alterando no fixador, onde se mantêm</p><p>em tom bege-claro. Sua superfície é lisa,</p><p>todo relevo sendo decorrente de tubos</p><p>em início de formação ou dos espinhos</p><p>já mencionados. Nota-se um intrincado</p><p>50. Haliclona sp.</p><p>sistema de veios subsuperficiais, dispos-</p><p>to em padrão reticulado e visível a olho</p><p>nu, que desaparece no decorrer da pre-</p><p>paração de seções anatômicas para exa-</p><p>me do esqueleto. Ósculos abundantes,</p><p>grandes (diâmetro 1–15 mm), geralmen-</p><p>te circulares e localizados no ápice dos</p><p>tubos eretos, mas também nos tubos ho-</p><p>rizontais. Consistência macia, facilmente</p><p>rasgável. Arquitetura ectossomal com-</p><p>posta por uma reticulação uniespicular,</p><p>observando-se feixes pauci- a multies-</p><p>piculares irregulares, curtos e dispersos.</p><p>Um sistema alveolar de malhas está de-</p><p>limitado pela reticulação. Esqueleto coa-</p><p>nossomal idêntico ao ectossomal, porém</p><p>os feixes espiculares agora são ascenden-</p><p>tes, oscilando entre uni- e pauciespicu-</p><p>lares. Espículas: óxeas, 47–99 / 1–5 μm;</p><p>toxas, 14–27 μm.</p><p>Comentários</p><p>Ao se comparar esta espécie com todas</p><p>as demais Haliclona com toxas do Atlân-</p><p>tico Tropical Ocidental não foi encontra-</p><p>da nenhuma que se assemelhe, de modo</p><p>que o material examinado deve se tratar</p><p>de uma espécie nova.</p><p>� Taipú de Fora (Maraú), 1 m de</p><p>profundidade, 27/Jul/2009. O maior ósculo</p><p>tem 1 cm de diâmetro.</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador), 3-5 m de</p><p>profundidade, Jan/1997.</p><p>189</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>190 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Haliclona sp.</p><p>Ecologia</p><p>Espécie rara, do infralitoral superior, em</p><p>locais de boa iluminação e circulação</p><p>de água, porém hidrodinamismo rela-</p><p>tivamente baixo. Os maiores espécimes</p><p>foram encontrados em Taipú de Fora</p><p>(Maraú). Foi observada nas profundi-</p><p>dades de 1–5 m.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (provisoriamente endêmica da</p><p>Bahia – Salvador, Maraú).</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador), 3-5 m</p><p>de profundidade, Jan/1997.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções tangencial</p><p>(topo) e transversal (acima), esta última em</p><p>detalhe (A) e em vista panorâmica (B).</p><p>� A-B, óxeas e detalhe de sua extremidade;</p><p>C, eletromicrografia de uma toxa.</p><p>191</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Gênero Amphimedon Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>O gênero compreende cerca de 50 espécies no mundo, das quais cinco</p><p>ocorrem no Brasil. Apenas uma espécie foi encontrada na Bahia.</p><p>Na Região do Caribe há outra espécie verde, Amphimedon erina (de</p><p>Laubenfels, 1936), que também já foi citada para a costa brasileira.</p><p>Entretanto, em ambas as vezes, acreditamos tratar-se de A. viridis, uma</p><p>vez que a localidade de origem dos registros, litoral norte do Estado de</p><p>São Paulo, foi intensamente amostrada por E. Hajdu, sendo A. viridis a</p><p>única espécie do gênero encontrada. Por sinal, trata-se de uma espécie</p><p>comum naquela região.</p><p>51. Amphimedon viridis Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>Família Niphatidae van Soest, 1980</p><p>isoladas ou em feixes secundários in-</p><p>terconectando os primários. Canais do</p><p>sistema aquífero (diâmetro 280–420 μm)</p><p>ocorrem de forma dispersa. Espículas:</p><p>óxeas, 108–140 / 1,5–10 μm.</p><p>Comentários</p><p>Esta espécie possui um complexo de</p><p>moléculas tóxicas conhecido como Hali-</p><p>toxina, para o qual já foram apontadas</p><p>diversas atividades biológicas, tais como</p><p>inibidora da mitose, antibacteriana, he-</p><p>molítica, ictiotóxica, neurotóxica e cito-</p><p>tóxica (antitumoral).</p><p>Ecologia</p><p>Amphimedon viridis era uma esponja co-</p><p>mum no infralitoral com substrato conso-</p><p>lidado da Baía de Todos os Santos, onde</p><p>ocorria preferencialmente exposta à luz.</p><p>Porém, em uma série de mergulhos reali-</p><p>zados em Dezembro de 2010, essa espécie</p><p>não foi encontrada nas proximidades do</p><p>Porto da Barra (Salvador), donde se su-</p><p>põe que ao menos sua frequência tenha</p><p>diminuído drasticamente.</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante espessa, maciça de</p><p>contorno irregular ou até mesmo com</p><p>projeções como dedos ou pequenos vul-</p><p>cões. Pode alcançar 20 x 30 x 4 cm (maior</p><p>x menor diâmetro x espessura/altura). A</p><p>cor em vida é mais frequentemente verde,</p><p>mas espécimes verde–azulados também</p><p>já foram observados na Bahia. De Alagoas</p><p>conhecem-se espécimes amarronzados</p><p>também. No fixador adquire coloração</p><p>bege. Sua superfície é finamente rugosa,</p><p>com ósculos circulares (diâmetro 1–3</p><p>mm) mais frequentemente situados no</p><p>topo das projeções. Poros abundantes em</p><p>toda a superfície formam uma conspícua</p><p>malha visível a olho nú. Sua consistência</p><p>é macia, compressível e um pouco elás-</p><p>tica, porém rompe–se facilmente. Produz</p><p>muco em abundância quando manipula-</p><p>da. A arquitetura ectossomal consiste de</p><p>uma reticulação multiespicular formando</p><p>malhas arredondadas, com moderada</p><p>quantidade de espongina. O esqueleto</p><p>coanossomal inclui feixes primários as-</p><p>cendentes com variável quantidade de</p><p>espículas, além das mesmas espículas</p><p>192 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Amphimedon viridis Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermudas, Flórida, Bahamas,</p><p>Cuba, Porto Rico, Ilhas Virgens, Marti-</p><p>nica, Guadalupe, México, Belize, Costa</p><p>Rica, Panamá, Colômbia, Antilhas Ho-</p><p>landesas, Venezuela). Brasil (Atol das</p><p>Rocas, Fernando de Noronha, PE, AL,</p><p>BA – Mata de São João, São Francisco do</p><p>Conde, Madre de Deus, Salvador, Itapa-</p><p>rica, Maraú – RJ, SP). Registros efetuados</p><p>para outros oceanos, em sua maioria, já</p><p>foram assinalados a outras espécies.</p><p>� Ilha Maria Guarda (Madre de Deus), 2-3 m</p><p>de profundidade, 20/Mai/2008.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal.</p><p>� A, óxeas.</p><p>193</p><p>Morfologia</p><p>Forma frequentemente reptante. Espéci-</p><p>mes constituídos preponderantemente de</p><p>ramos delgados e/ou placas irregulares,</p><p>rentes ao substrato. Os maiores espécimes</p><p>com esta forma alcançavam 15 x 10 x 5 cm</p><p>e 20 x 5 x 3 cm (maior x menor diâme-</p><p>tro x espessura/altura). Espécimes eretos</p><p>também ocorrem, com ramos alcançando</p><p>20 x 2 cm (altura x diâmetro), por vezes</p><p>alargando-se um pouco apicalmente. Em</p><p>ambos casos pode haver elevações em</p><p>forma de vulcões ou chaminés na super-</p><p>fície. A cor em vida é variável, havendo</p><p>indivíduos roxos, rosados, verde–azula-</p><p>dos e quase brancos. No fixador tornam-</p><p>se marrom-claro-alaranjado. A superfície</p><p>pode ser quase absolutamente lisa, ou</p><p>apresentar cônulos espinhosos, seme-</p><p>lhantes aos de Callyspongia sp. 1 (descrita</p><p>acima). Ósculos circulares (diâmetro 1–5</p><p>mm) situados nas elevações ou rentes à</p><p>superfície. A consistência é firme, flexível</p><p>Gênero Niphates Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>O gênero compreende 19 espécies no mundo, das quais quatro</p><p>ocorrem no Brasil. Apenas uma espécie foi encontrada na Bahia.</p><p>52. Niphates erecta Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>e elástica. A arquitetura ectossomal con-</p><p>siste de uma reticulação paratangencial</p><p>irregular de fibras multiespiculares for-</p><p>mando malhas poligonais. O esqueleto</p><p>coanossomal é composto de uma reticu-</p><p>lação de feixes multiespiculares formado-</p><p>ra de malhas circulares ou poligonais. Os</p><p>feixes primários (diâmetro 100–200 μm),</p><p>ascendentes, frequentemente fusionam-</p><p>se, dando origem a fascículos (diâmetro</p><p>300 μm ou mais). Os secundários (diâme-</p><p>tro 20–60 μm), interconectantes, podem</p><p>por vezes formar malhas secundárias.</p><p>Espículas: óxeas, 195–258 / 5–15 μm; sig-</p><p>mas não foram observadas nos espécimes</p><p>analisados.</p><p>Ecologia</p><p>Niphates erecta é uma esponja relativa-</p><p>mente comum no infralitoral com subs-</p><p>trato consolidado da Baía de Todos os</p><p>Santos, tendo sido observada em diver-</p><p>sos pontos</p><p>próximos a Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermuda, Flórida, Bahamas,</p><p>Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica, República</p><p>Dominicana, Porto Rico, Ilhas Virgens,</p><p>Barbados, México, Belize, Costa Rica,</p><p>Panamá, Colômbia, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil (Atol das Rocas, Fer-</p><p>nando de Noronha, PE, BA – Salvador,</p><p>Itaparica, Abrolhos).</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>194</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>195EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Niphates erecta Duchassaing & Michelotti, 1864</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 5-6 m de</p><p>profundidade, 07/Mai/2008.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções tangencial</p><p>(topo) e transversal (acima).</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2-3 m de profundidade, 02/Dez/2010.</p><p>� Ilha do Frade (Salvador), aproximadamente</p><p>4 m de profundidade, 15/Dez/2007.</p><p>� A, óxeas.</p><p>196</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 13 m de</p><p>profundidade, 21/Jun/2004.</p><p>Morfologia</p><p>Espécimes em forma de camada espessa,</p><p>podendo superar dimensões de 20 x 15 x</p><p>1 cm (maior x menor diâmetro x espes-</p><p>sura/altura), frequentemente beges (café</p><p>com leite) em vida e branco-acinzentados</p><p>no etanol. Espécimes cinza-escuros com</p><p>manchas mais claras também foram vis-</p><p>tos. Sua superfície é essencialmente lisa,</p><p>porém a textura é bastante áspera. Óscu-</p><p>los (diâmetro 1–3 mm) estão distribuídos</p><p>regularmente, situando-se no topo de</p><p>pequenas elevações em forma de vulcão,</p><p>e caracteristicamente de bordas esbran-</p><p>quiçadas. A consistência é dura, apenas</p><p>levemente compressível. Os espécimes</p><p>são quebradiços, porém não esfarelam</p><p>com facilidade. A arquitetura ectossomal</p><p>consiste de uma rede confusa de espícu-</p><p>las dispostas tangencialmente, apoiada</p><p>sobre uma reticulação subectossomal</p><p>de feixes multiespiculares formando</p><p>malhas arredondadas. O esqueleto coa-</p><p>nossomal também apresenta tais malhas</p><p>circulares delineadas pelos feixes robus-</p><p>tos, porém o arranjo geral é obscurecido</p><p>Gênero Petrosia Vosmaer, 1885</p><p>O gênero compreende 55 espécies no mundo, das quais apenas uma foi</p><p>encontrada no Brasil.</p><p>53. Petrosia weinbergi van Soest, 1980</p><p>Subordem Petrosina BouryEsnault & van Beveren, 1982</p><p>Família Petrosiidae van Soest, 1980</p><p>consideravelmente pela ocorrência de</p><p>grande quantidade de espículas avulsas</p><p>dispostas confusamente. Espículas: óxe-</p><p>as I, 213–325 / 8–13 μm; óxeas II, 71–178</p><p>/ 8–13 μm; oxea III: 31–71 / 2,5–8 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Espécie relativamente rara, tendo sido</p><p>observada apenas em ambientes crípti-</p><p>cos da Baía de Todos os Santos (superfí-</p><p>cies verticais no interior de locas), inclu-</p><p>sive nas proximidades de áreas urbanas</p><p>de Salvador.</p><p>197EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Petrosia weinbergi van Soest, 1980</p><p>� Praia de Cantagalo (Salvador), 7,9 m de profundidade, 31/Mai/2009.</p><p>� Óxeas I, II e III.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Caribe</p><p>(Bahamas, Cuba, Jamaica, México, Be-</p><p>lize, Panamá, Colômbia, Antilhas Ho-</p><p>landesas). Brazil [MA, Atol das Rocas,</p><p>Fernando de Noronha, BA (Salvador),</p><p>Ilha da Trindade].</p><p>198 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Espécimes relativamente pequenos, o</p><p>maior dos quais não ultrapassando 20 x</p><p>10 cm (diâmetro x altura). Em forma de</p><p>vulcão, com uma grande cratera apical.</p><p>A cor em vida compreende uma série</p><p>de tonalidades entre rosa e vermelho-vi-</p><p>nho, que formam manchas em degradê</p><p>por toda a superfície externa da esponja.</p><p>A superfície interna (cratera) apresenta</p><p>coloração mais homogênea e próxima</p><p>do vermelho-vinho. No fixador adqui-</p><p>re coloração bege. Superfície externa</p><p>reticulada ao olho nu, bastante áspera,</p><p>com alguma rugosidade e com cônulos</p><p>grandes, bastante conspícuos (altura até</p><p>1 cm). A superfície no interior da crate-</p><p>ra também é reticulada e áspera, porém</p><p>com padrão lobular, não conuloso. Óscu-</p><p>los, supostamente no interior da cratera,</p><p>porém não observados. Consistência fir-</p><p>me, porém compressível e esfarelante. A</p><p>arquitetura ectossomal consiste de uma</p><p>reticulação multiespicular formando</p><p>malhas arredondadas. O esqueleto coa-</p><p>nossomal compreende feixes primários</p><p>ascendentes com quantidade variável de</p><p>espículas, e as mesmas espículas isoladas</p><p>ou em feixes menores interconectando</p><p>os feixes primários. Canais do sistema</p><p>Gênero Xestospongia de Laubenfels, 1932</p><p>O gênero compreende 33 espécies no mundo, das quais duas</p><p>ocorrem no Brasil. Além da espécie apresentada a seguir, outra</p><p>Xestospongia da Bahia, uma esponja branca de arquitetura</p><p>cavernosa, coletada próximo ao Porto de Salvador, aguarda</p><p>identificação completa e descrição detalhada.</p><p>54. Xestospongia muta (Schmidt, 1870)</p><p>aquífero com 280–420 μm de diâmetro</p><p>podem ser vistos esparsamente. Espícu-</p><p>las: óxeas, 320–427 / 8–15 μm.</p><p>Comentários</p><p>Novo registro para a Bahia. Esta espécie</p><p>possui compostos inibitórios da repro-</p><p>dução do HIV. Espécimes com mais de</p><p>1m de altura podem ter mais de 100 anos</p><p>de idade, e estimativas de até 2.300 anos</p><p>foram obtidas para os maiores espécimes</p><p>conhecidos na Região do Caribe.</p><p>Ecologia</p><p>Xestospongiae muta é uma esponja apa-</p><p>rentemente rara no infralitoral conso-</p><p>lidado da Baía de Todos os Santos. Os</p><p>poucos indivíduos observados ocorriam</p><p>abaixo de 15 m de profundidade na en-</p><p>trada da baía.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba,</p><p>Ilhas Cayman, República Dominicana,</p><p>Porto Rico, México, Belize, Costa Rica,</p><p>Panamá, Colômbia, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil (Fernando de Noro-</p><p>nha, BA – Salvador).</p><p>199</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Bóia de sinalização naval próxima ao Farol</p><p>da Barra (Salvador), 17 m de profundidade,</p><p>03/Jun/2004.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções</p><p>tangencial (ao lado, no topo: A, detalhe; B,</p><p>panorâmica) e transversal (ao lado).</p><p>� A, óxeas.</p><p>Ordem Dictyoceratida Minchin, 1900</p><p>Dysidea janiae (Duchassaing & Michelotti, 1864) - Porto da</p><p>Barra (Salvador), 3,5 m de profundidade, 09/Dez/2007.</p><p>201EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>Morfologia</p><p>Forma irregular, maciça ou ereta, com</p><p>lobos mais ou menos proeminentes, fre-</p><p>quentemente alcançando 15 cm de diâ-</p><p>metro e 10 cm de altura. Sua cor em vida</p><p>é tipicamente azul, variando de tons</p><p>cobalto a azul-claro pálido ou lilás, com</p><p>alguns espécimes quase brancos. Tons</p><p>acinzentados ou rosados também po-</p><p>dem aparecer, e são os prevalecentes no</p><p>material fixado em etanol. Superfície co-</p><p>nulosa e quase sempre visivelmente reti-</p><p>culada. Os cônulos são esbranquiçados,</p><p>mais claros que a película dermal que os</p><p>cerca, o que é tão mais visível, quão mais</p><p>escuro o espécime. Ósculos variam de 1</p><p>a mais de 5 mm, e podem estar circun-</p><p>dados por uma chaminé membranosa</p><p>transparente. Consistência extremamen-</p><p>te macia e relativamente fácil de rasgar.</p><p>Arquitetura ectossomal sem especiali-</p><p>zação, composta apenas das termina-</p><p>ções dos feixes primários ascendentes,</p><p>formadores dos cônulos da superfície.</p><p>Coanossoma com uma reticulação irre-</p><p>gular de malhas preponderantemente</p><p>quadrangulares, composta de fibras pri-</p><p>márias ascendentes e secundárias trans-</p><p>versais. Sedimento pode estar incluído</p><p>em ambas as fibras. A espécie apresenta</p><p>uma aparente preferência por incorporar</p><p>espículas e fragmentos de espículas em</p><p>suas fibras. Espículas próprias ausentes.</p><p>Ecologia</p><p>Geralmente exposta á luz, em substratos</p><p>duros sujeitos à maior ou menor sedi-</p><p>mentação. Ocorre associada a diversos</p><p>organismos, tendo sido observada do</p><p>entremarés aos 18 m de profundidade,</p><p>inclusive próxima das áreas urbanas de</p><p>Salvador.</p><p>� Porto da Barra (Salvador),</p><p>2-3 m de profundidade, 02/Dez/2010.</p><p>Gênero Dysidea Johnston, 1842</p><p>O gênero compreende cerca de 60 espécies no mundo, das quais</p><p>seis ocorrem no Brasil. Afora as espécies apresentadas a seguir,</p><p>Dysidea fragilis (Montagu, 1818) também foi registrada para a</p><p>Bahia. Trata-se de um registro duvidoso, uma vez que a espécie</p><p>foi</p><p>originalmente descrita do nordeste do Atlântico, área de ínfima</p><p>afinidade faunística com o setor tropical da costa brasileira.</p><p>55. Dysidea etheria de Laubenfels, 1936</p><p>Família Dysideidae Gray, 1867</p><p>202 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Dysidea etheria de Laubenfels, 1936</p><p>� Ilha Maria Guarda (Madre de Deus),</p><p>3 m de profundidade, 20/Mai/2008.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Bahamas,</p><p>Flórida, Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica,</p><p>República Dominicana, Ilhas Virgens,</p><p>México, Belize, Costa Rica, Panamá,</p><p>Colômbia, Venezuela, Antilhas Holande-</p><p>sas). Brasil [Arquipélago de São Pedro e</p><p>São Paulo, CE, Fernando de Noronha, PE,</p><p>AL, BA (Salvador, São Francisco do Conde,</p><p>Itaparica, Prado, Abrolhos), ES, RJ, SP].</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal com fibras isoladas após</p><p>tratamento com hipoclorito de sódio diluido.</p><p>A, panorâmica da arquitetura; B, detalhe das</p><p>fibrasmostrando inclusão de detritos.</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 0,5 m de</p><p>profundidade, 04/Dez/2010.</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 8 m de</p><p>profundidade, 14/Dez/2007. Espécime com</p><p>10 cm de altura.</p><p>203</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>204 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 03/Dez/2010.</p><p>Morfologia:</p><p>Forma tubular com agregados irregula-</p><p>res de tubos curtos, a fusão longitudi-</p><p>nal dos quais pode ser tal que o hábito</p><p>adquire aspecto maciço ou de crista. Os</p><p>espécimes frequentemente superam os</p><p>10 cm de diâmetro, porém raramente</p><p>ultrapassam 5 cm de altura. Cada tubo</p><p>tem costumeiramente menos de 1 cm</p><p>de diâmetro. A cor em vida e no álcool é</p><p>praticamente branca em decorrência da</p><p>densidade de esqueletos da alga calcária</p><p>Jania sobre os quais a esponja se desen-</p><p>volve. Tonalidades rosadas, azuladas</p><p>ou esverdeadas também podem ocorrer</p><p>em vida. Mais frequentemente, a su-</p><p>perfície da esponja está completamente</p><p>mascarada pelas algas que a perfuram.</p><p>Em pequenos trechos aparenta ser lisa.</p><p>Ósculos situam-se principalmente nas</p><p>porções apicais dos tubos, mas onde a</p><p>fusão destes é completa, estão alinhados</p><p>56. Dysidea janiae (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>205EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Dysidea janiae (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Arquitetura esquelética</p><p>em seção transversal, com</p><p>preponderância da alga Jania</p><p>adherens como elemento de</p><p>sustentação. No detalhe, fibras</p><p>de espongina com fragmentos</p><p>de espículas inseridos,</p><p>envolvendo talos da alga. A,</p><p>panorâmica da arquitetura. B,</p><p>detalhe das fibras mostrando</p><p>inclusão de detritos.</p><p>sobre cristas ou dispersos. Seu diâmetro</p><p>varia de 2 a 5 mm, sendo regulado por</p><p>uma membrana transparente contrátil.</p><p>Consistência frágil, facilmente rasgável,</p><p>porém um pouco enrigecida pela pre-</p><p>sença das algas calcárias. Não se obser-</p><p>vou qualquer especialização ectossomal</p><p>do esqueleto, e no coanossoma a estrutu-</p><p>ra é amplamente dependente das algas</p><p>para sustentação, que desempenham o</p><p>papel de uma densa paliçada de fibras</p><p>primárias, com um pouco de anastomo-</p><p>se e ramificação. Fibras de espongina</p><p>com inclusão de sedimentos são visíveis</p><p>apenas com dificuldade, o que decorre</p><p>de sua raridade e dimensões reduzidas.</p><p>Espículas próprias ausentes.</p><p>Ecologia</p><p>Associação obrigatória com a alga ver-</p><p>melha Jania adherens Lamouroux, 1816,</p><p>que por sua vez pode ocorrer isolada da</p><p>esponja. Ocorre em águas rasas expostas</p><p>à luz, e suporta hidrodinamismo mode-</p><p>rado. A espécie pode ser encontrada pró-</p><p>xima das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida,</p><p>Bahamas, Jamaica, República Dominica-</p><p>na, Porto Rico, Ilhas Virgens, Martinica,</p><p>México, Belize, Costa Rica, Colômbia,</p><p>Venezuela, Antilhas Holandesas). Brasil</p><p>[BA (Salvador, Abrolhos), RJ, SP].</p><p>206 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça, lobada, bastante irregular.</p><p>Lobos eretos, de contorno irregular, cilín-</p><p>dricos ou levemente lamelares, com 2–3</p><p>cm de diâmetro máximo, e normalmente</p><p>fusionados em agregados de dois ou mais</p><p>lobos. Espécimes com até 25–30 x 10 cm</p><p>(diâmetro x altura). Sua cor em vida é</p><p>cinza-amarronzado, mantendo-se prati-</p><p>camente inalterada no álcool, o qual ad-</p><p>quire tonalidade verde-escura. Espécimes</p><p>com superfície rugosa/conulosa e quase</p><p>sempre visivelmente reticulada. Cônu-</p><p>los frequentemente não ultrapassando</p><p>1 mm de altura, e com seus ápices vi-</p><p>sivelmente mais claros, esbranquiçados.</p><p>57. Dysidea robusta Vilanova & Muricy, 2001</p><p>Ósculos circulares dispersos com 1–4 mm</p><p>de diâmetro, circundados por pequenas</p><p>chaminés membranosas transparentes.</p><p>Consistência firme, pouco compressível,</p><p>algo elástica. Arquitetura ectossomal não</p><p>especializada, constituída apenas das</p><p>terminações das fibras coanossomais as-</p><p>cendentes. Coanossoma com reticulação</p><p>irregular de fibras difíceis de classificar</p><p>em primárias e secundárias. Fibras com</p><p>abundante detrito incluído, frequente-</p><p>mente alcançando 500 μm de diâmetro.</p><p>Malhas de geometria irregular, circulares,</p><p>quadrangulares e poligonais. Espículas</p><p>próprias ausentes.</p><p>Ecologia</p><p>Geralmente associada a al-</p><p>gas e exposta à luz. Supor-</p><p>ta hidrodinamismo mo-</p><p>derado e mesmo a fricção</p><p>com areia, característica do</p><p>infralitoral raso em que ha-</p><p>bita, por exemplo, nas pro-</p><p>ximidades do Cristo e do</p><p>Farol da Barra (Salvador).</p><p>Já foi observada também</p><p>no entremarés.</p><p>Distribuição</p><p>Endêmica do Brasil [BA</p><p>(Salvador, Abrolhos), RJ].</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 1 m</p><p>de profundidade, 04/Dez/2010.</p><p>� Arquitetura esquelética em</p><p>seção transversal, em vista</p><p>panorâmica (A) e em detalhe (B).</p><p>Fibras isoladas após tratamento</p><p>com hipoclorito de sódio diluído.</p><p>207</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça globular, lobada ou ramo-</p><p>sa. O diâmetro dos espécimes raramente</p><p>ultrapassa os 20 cm, mas indivíduos com</p><p>mais de 50 cm já foram vistos várias ve-</p><p>zes. Idem com a altura, normalmente in-</p><p>ferior a 5 cm, mas até 15–20 cm sendo en-</p><p>contrado com frequencia. Lobos grandes</p><p>e irregulares, com 2–3 x 2–4 cm. A cor em</p><p>vida é tipicamente o marrom, porém em</p><p>diversas tonalidades, do beje ao marrom-</p><p>escuro, e por vezes puxando para o acin-</p><p>zentado. Sua superfície é reticulada, co-</p><p>nulosa, com cônulos baixos, normalmente</p><p>de até 1 mm de altura, e frequentemente</p><p>mais claros que seu entorno. Ósculos com</p><p>1–5 mm de diâmetro, frequentemente</p><p>agrupados em pequenas projeções em</p><p>forma de vulcão, de topo mais escuro que</p><p>seu entorno. Consistência firme, com-</p><p>pressível, elástica e muito resistente ao</p><p>corte. Arquitetura ectossomal reticulada</p><p>no entorno das aberturas inalantes, algo</p><p>Gênero Ircinia Nardo, 1833</p><p>O gênero compreende mais de 70 espécies no mundo, das quais</p><p>cinco ocorrem no Brasil. Além das duas apresentadas abaixo,</p><p>também foi registrada para a Bahia I. ramosa (Keller, 1889). Trata-se</p><p>de um registro duvidoso, uma vez que a espécie foi originalmente</p><p>descrita do sul do Mar Vermelho (Eritreia), área de ínfima afinidade</p><p>faunística com a costa brasileira. Observaram-se alguns espécimes</p><p>mais esféricos, com ósculos situados em pequenos lobos com 1 cm</p><p>de altura e 0,5 cm de diâmetro. Os lobos costumam estar alinhados,</p><p>como em uma crista. Esses espécimes são quase brancos (beje claro,</p><p>acinzentado), e acima de tudo, a região perioscular é ainda mais clara</p><p>que seu entorno. Faz-se necessária uma revisão taxonômica de Ircinia</p><p>do Brasil, pois o muito que se vem observando em termos de hábito</p><p>de populações em vida acompanha-se de muito pouco em termos de</p><p>estudos anatômicos aprofundados.</p><p>58. Ircinia felix (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>Família Irciniidae Gray, 1867</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3-4 m de</p><p>profundidade, 07/Mai/2008. FOTOGRAFIA POR G.</p><p>LÔBO HAJDU.</p><p>radiada a partir dos cônulos, e com pre-</p><p>sença de sedimento incluido. Coanosso-</p><p>ma com abundância de filamentos sinu-</p><p>osos de espongina (diâmetro 4–6 μm),</p><p>consideravelmente entrelaçados, e com</p><p>208 ESPONJAS</p><p>MARINHAS DA BAHIA</p><p>209EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Ircinia felix (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>uma das extremidades terminando em</p><p>uma esfera quase perfeita (diâmetro 10</p><p>μm). Estes filamentos conferem a grande</p><p>resistência ao corte desta espécie. Em me-</p><p>nor proporção observam-se fibras de es-</p><p>pongina formando uma reticulação, onde</p><p>as primárias, ascendentes, fusionam-se</p><p>em agregados denominados fascículos.</p><p>Estes podem ultrapassar 500 μm de es-</p><p>pessura, carregam sedimento incluído e</p><p>sustentam os cônulos da superfície. Espí-</p><p>culas próprias ausentes.</p><p>Ecologia</p><p>Espécie comum no infralitoral raso de</p><p>Salvador, especialmente junto à abertura</p><p>da Baía de Todos os Santos. Sua superfí-</p><p>cie está mais frequentemente livre de epi-</p><p>biontes, porém pequenos ofiuros cor de</p><p>laranja podem ser vistos com facilidade.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermudas, Flórida, Bahamas,</p><p>Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica, República</p><p>Dominicana, Porto Rico, Ilhas Virgens,</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 2-3 m de</p><p>profundidade, 1987.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções transversais – vista panorâmica (A),</p><p>fascículo formado pela fusão de fibras (B) e filamentos de espongina (C).</p><p>Barbados, México, Belize, Costa Rica,</p><p>Panamá, Colômbia, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil [CE, RN, Atol das</p><p>Rocas, Fernando de Noronha, BA (Salva-</p><p>dor, Maraú), Ilha da Trindade].</p><p>210 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Hábito maciço, em forma de vulcão,</p><p>frequentemente alcançando grandes di-</p><p>mensões (até 40x65x30 cm, altura x lar-</p><p>gura x espessura). Projeções colunares</p><p>podem estar presentes, frequentemente</p><p>representando 20–50% da altura total</p><p>de um espécime. Sua cor em vida é tipi-</p><p>camente negra, porém espécimes cinza,</p><p>de tonalidade diversa, também foram</p><p>observados. A cor externa frequente-</p><p>mente está mascarada por epibiontes,</p><p>tais como algas filamentosas. Em álcool</p><p>mantêm-se acinzentados. Sua superfície</p><p>é conulosa, com cônulos de até 2–3 mm</p><p>de altura, mais afastados entre si, e mais</p><p>obtusos que os de Ircinia felix (descrita</p><p>acima). Ósculos com 1–5 mm de diâ-</p><p>metro, frequentemente agrupados em</p><p>áreas de contorno irregular, no topo das</p><p>projeções, ou alinhados em cristas. Con-</p><p>sistência firme, compressível, elástica e</p><p>muito resistente ao corte. Arquitetura ec-</p><p>tossomal com significativa presença de</p><p>sedimento. Coanossoma cavernoso, com</p><p>59. Ircinia strobilina (Lamarck, 1816)</p><p>� Bióloga, mergulhadora,</p><p>ao lado de espécime</p><p>de Ircinia strobilina em</p><p>vida (bóia de sinalização</p><p>naval próxima ao</p><p>Farol da Barra, 16 m</p><p>de profundidade, 03/</p><p>Jun/2009).</p><p>amplos canais aquíferos. Filamentos si-</p><p>nuosos de espongina (diâmetro 4–6 μm)</p><p>também são abundantes nesta espécie,</p><p>dispõem-se consideravelmente entrela-</p><p>çados e apresentam uma das extremi-</p><p>dades com uma cabeça de contorno ir-</p><p>regular (diâmetro 10 μm). Aqui também</p><p>são os filamentos que conferem grande</p><p>resistência ao corte. Fibras de espongina</p><p>são abundantes, formando uma reticula-</p><p>ção, onde as primárias, ascendentes, fu-</p><p>sionam-se em agregados denominados</p><p>fascículos. Estes podem ultrapassar 500</p><p>μm de espessura, carregam sedimento</p><p>incluído e sustentam os cônulos da su-</p><p>perfície. Espículas próprias ausentes.</p><p>Ecologia</p><p>Espécie comum no infralitoral raso de</p><p>Salvador (até os 15–20 m de profundi-</p><p>dade), especialmente junto à abertura da</p><p>Baía de Todos os Santos. Sua superfície</p><p>está mais frequentemente livre de epibi-</p><p>ontes, porém ocorre entremeada a diver-</p><p>sos outros organismos bentônicos.</p><p>211EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Ircinia strobilina (Lamarck, 1816)</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida,</p><p>Bahamas, Cuba, Ilhas Cayman, Jamai-</p><p>ca, República Dominicana, Porto Rico,</p><p>Ilhas Virgens, Guadalupe, México, Beli-</p><p>ze, Costa Rica, Panamá, Colômbia, Ve-</p><p>nezuela, Antilhas Holandesas, Guianas).</p><p>Brasil [AP, CE, RN, Atol das Rocas, PB,</p><p>Fernando de Noronha, PE, AL, BA (Sal-</p><p>vador, Abrolhos), ES, Ilha da Trindade].</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3,5 m de</p><p>profundidade, 02/Dez/2010. Esponja com 35 cm</p><p>de largura, quase integralmente recoberta por</p><p>algas.</p><p>� Arquitetura esquelética em seções</p><p>transversais. A, vista panorâmica; B,</p><p>fascículos e filamentos; C, fibras primárias e</p><p>secundárias; D, fascículos e fibras primárias.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3-4 m de</p><p>profundidade, 07/Mai/2008. FOTOGRAFIA POR G.</p><p>LÔBO HAJDU.</p><p>212</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Ordem Dendroceratida Minchin, 1900</p><p>Chelonaplysilla cf. erecta (Row, 1911) - Quebramar Norte (Salvador),</p><p>aproximadamente 6 m de profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>213</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante à maciça delgada,</p><p>com ou sem projeções lobadas irregula-</p><p>res, com até 10–15 cm de diâmetro má-</p><p>ximo e altura de 0,5–2 cm. Cor em vida</p><p>rosa vivo, tornando-se beje no álcool.</p><p>Superfície com reticulação visível a olho</p><p>nu, frequentemente também com cônu-</p><p>los conspícuos. Estes são agudos, por</p><p>Gênero Aplysilla Schulze, 1878</p><p>O gênero compreende nove espécies no mundo, das quais</p><p>apenas uma está registrada para o Brasil. Porém, a coleção do</p><p>Museu Nacional possui alguns novos registros, os quais ainda</p><p>carecem de identificação completa e/ou descrição detalhada.</p><p>Dentre estes, os mais comuns são espécimes que eram amarelos</p><p>em vida, portanto aproximando-se de A. sulfurea Schulze, 1878,</p><p>um provável complexo de espécies já registrado em diversas</p><p>partes do mundo.</p><p>60. Aplysilla aff. rosea (Barrois, 1876)</p><p>Família Darwinellidae Merejkowsky, 1879</p><p>vezes perfurados pelas fibras de espon-</p><p>gina que os sustentam, e possuem 0,5–5</p><p>mm de altura. Alguns cônulos podem</p><p>ser bífidos ou trífidos. Ósculos circulares,</p><p>dispersos, frequentemente providos de</p><p>uma chaminé membranosa, com 1–5 mm</p><p>� Naufrágio Cavo Artemidi (Salvador), 18,7 m</p><p>de profundidade, 16/Dez/2007.</p><p>214 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Aplysilla aff. rosea (Barrois, 1876)</p><p>de diâmetro. Consistência extremamen-</p><p>te macia e fácil de rasgar. Arquitetura</p><p>ectossomal consistindo de uma reticu-</p><p>lação delicada, com fibras primárias</p><p>radiais a partir dos cônulos, interconec-</p><p>tadas por secundárias transversais, que</p><p>também se conectam entre si. As malhas</p><p>assim formadas têm dimensões bastante</p><p>homogênias, porém forma irregular. Co-</p><p>� Porto da Barra (Salvador), aproximadamente</p><p>2 m de profundidade, 02/Dez/2010.</p><p>anossoma com feixes dendríticos de es-</p><p>pongina (de tom ocre translúcido), pou-</p><p>co ramificados, esparsos, ascendentes,</p><p>com cerca 280 μm na base, 100–220 μm</p><p>em sua porção central, e afilando ainda</p><p>mais rumo a seus ápices.</p><p>� Quebramar Sul (Salvador), 7,2 m de profundidade, 14/Dez/2007.</p><p>215</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>216</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>217</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Comentários</p><p>Espécie impossível de diferenciar da</p><p>espécie caribenha Darwinella rosacea He-</p><p>chtel, 1965 sem exame ao microscópio</p><p>para verificar a presença de espiculóides</p><p>de espongina. Como a última espécie já</p><p>foi reconhecida do litoral do Estado de</p><p>São Paulo, é provável que também ocor-</p><p>ra no litoral da Bahia. O material exami-</p><p>nado em detalhe aqui não possui espi-</p><p>culóides e, portanto, pertence ao gênero</p><p>Aplysilla. Porém, é muito pouco provável</p><p>que o material do Brasil seja coespecífico</p><p>à A. rosea, que apesar de tida como cos-</p><p>mopolita, foi originalmente descrita do</p><p>Mar do Norte.</p><p>� Arquitetura esquelética com fibras isoladas após tratamento com hipoclorito de sódio</p><p>diluído. No detalhe a laminação de uma fibra.</p><p>� Ponta do Humaitá (Salvador), 2–3 m de profundidade, 03/Dez/2006.</p><p>Ecologia</p><p>Esponja comum dentro e fora da Baía de</p><p>Todos os Santos, até os 20 m de profun-</p><p>didade, exposta à iluminação moderada,</p><p>podendo ser encontrada próxima das</p><p>áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Brasil [BA (Salvador), RJ, SP].</p><p>A coes-</p><p>pecíficidade de populações isoladas em</p><p>diferentes mares e oceanos precisa ser</p><p>comprovada.</p><p>218 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>com microrreticulação visível a olho nu e</p><p>abundantes cônulos (1–3 mm de altura),</p><p>sobre os quais se pendura uma membra-</p><p>na dermal. Ósculos circulares dispersos,</p><p>especialmente nas regiões apicais, com</p><p>Morfologia</p><p>Forma incrustante à maciça, com cristas</p><p>abauladas e/ou pequenas projeções lo-</p><p>badas, ou até tendendo a arbustiva. São</p><p>frequentes também cavidades calicifor-</p><p>mes na superfície. Espécimes normal-</p><p>mente com 5–10 cm de diâmetro e altura</p><p>inferior a 1 cm, alcançando 3 cm apenas</p><p>quando o hábito é arbustivo. Cor em</p><p>vida roxo-escura, que se mantém prati-</p><p>camente inalterado no álcool. Superfície</p><p>Gênero Chelonaplysilla de Laubenfels, 1948</p><p>O gênero possui 12 espécies no mundo, e até o presente apenas</p><p>uma, de identificação incerta, está citada para o Brasil. A espécie</p><p>C. violacea é um item predileto na dieta de diversos nudibrânquios</p><p>no Indo-Pacífico.</p><p>61. Chelonaplysilla cf. erecta (Row, 1911)</p><p>� Quebramar Sul (Salvador), 7,8 m de</p><p>profundidade, 14/Dez/2007. A esponja rosada</p><p>é uma Desmapsamma anchorata e a verde-</p><p>azulada, uma Haliclona manglaris.</p><p>219EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Chelonaplysilla cf. erecta (Row, 1911)</p><p>aspectos a resolver é se C. erecta (Row,</p><p>1911), do Mar Vermelho, é coespecífica</p><p>com sua homônima do Mediterrâneo</p><p>Oriental (C. erecta Tsurnamal, 1967).</p><p>Ecologia</p><p>Esta espécie já foi mais comum em Sal-</p><p>vador (Baía de Todos os Santos), mas</p><p>atualmente é relativamente rara. Ocorre</p><p>em substrato duro, exposta à luz direta</p><p>(mais frequentemente) ou indireta. Um</p><p>dos espécimes fotografados em vida pos-</p><p>suía número considerável de poliquetos</p><p>tubícolas associados, com seus tubos</p><p>perfurando a superfície da esponja. Já</p><p>se observou predação do nudibrânquio</p><p>Chromodoris binza Marcus & Marcus,</p><p>1963 sobre Chelonaplysilla aff. erecta (V.</p><p>Padula, com. pess.).</p><p>Distribuição</p><p>Brasil [CE, BA (Salvador), RJ, SP]. A es-</p><p>pécie C. erecta foi originalmente descrita</p><p>do Mar Vermelho, e já foi registrada tam-</p><p>bém do Mediterrâneo e Caribe.</p><p>1–4 mm de diâmetro e circundados por</p><p>chaminés membranosas translúcidas de</p><p>tom violeta. Consistência extremamente</p><p>macia e fácil de rasgar. Arquitetura ectos-</p><p>somal composta de uma reticulação de</p><p>feixes de espongina com sedimento in-</p><p>cluído, cuja tonalidade mais clara facilita</p><p>sua visualização a olho nu. As malhas</p><p>formadas têm 200–500 μm de diâmetro.</p><p>Coanossoma com feixes dendríticos de</p><p>espongina (de tom violeta), pouco rami-</p><p>ficados, esparsos, ascendentes, com cer-</p><p>ca 80–100 μm em sua porção central.</p><p>Comentários</p><p>É muito pouco provável que as popula-</p><p>ções do Atlântico Tropical Ocidental se-</p><p>jam coespecíficas com as dos Mares Me-</p><p>diterrâneo e Vermelho, como sugerido</p><p>por diversos autores. Por isso, o uso do</p><p>“cf.” aqui. Esta espécie necessita de re-</p><p>visão, possivelmente incluindo também</p><p>C. violacea (Lendenfeld, 1883) (da Austrá-</p><p>lia), que in situ se assemelha marcante-</p><p>mente ao material do Atlântico. Um dos</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>tangencial.</p><p>� Arquitetura esquelética com</p><p>fibras isoladas após tratamento com</p><p>hipoclorito de sódio diluído.</p><p>220</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Ordem Verongida Bergquist, 1978</p><p>NOTA Espécies pertencentes a esta Ordem frequentemente tingem seu</p><p>fixador com uma tonalidade escura, quase negra, muito intensa. A</p><p>consequência mais direta disto é o semelhante tingimento de outras</p><p>esponjas que se encontrem no mesmo recipiente, e mesmo da etiqueta,</p><p>que por vezes pode se tornar ilegível com o passar do tempo. Já tivemos</p><p>sucesso em recuperar a legibilidade de etiquetas colocando-as em um</p><p>recipiente com hipoclorito de sódio diluído à 5-10%. É necessário portanto</p><p>cuidado na interpretação da coloração após a fixação de espécimes</p><p>provenientes de grandes expedições, que podem ter sido fixados a bordo</p><p>em conjunto com espécimes desta Ordem.</p><p>Aplysina sp. Naufrágios próximos ao Farol da Barra (Salvador),</p><p>aproximadamente 6 m de profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>221</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça lobada, globular ou com</p><p>projeções tubulares um pouco cônicas, al-</p><p>cançando 15–20 cm de diâmetro máximo</p><p>e até 8–10 cm de altura. Sua cor em vida</p><p>é mais comumente amarelo vivo, mas</p><p>tons esverdeados e amarronzados (ocre)</p><p>também ocorrem. No fixador, torna-se</p><p>roxo-escura, idem para o álcool. Superfí-</p><p>cie conulosa ou monticulada/verrucosa.</p><p>Nem cônulos, nem montículos costumam</p><p>ter mais que 1 mm de altura. Alguns seg-</p><p>mentos da superfície são totalmente lisos,</p><p>em especial nas áreas que concentram</p><p>ósculos. Estes são majoritariamente cir-</p><p>culares, com 1–5 mm de diâmetro, pro-</p><p>vidos de membrana perioscular plana, e</p><p>costumam estar situados nas porções api-</p><p>cais da esponja. Em segmentos diversos,</p><p>sejam entremeados aos ósculos, ou não,</p><p>notam-se áreas porais, cujo padrão reti-</p><p>culado é visível a olho nu. A consistência</p><p>é firme, compressível, pouco elástica. A</p><p>arquitetura ectossomal é desprovida de</p><p>qualquer especialização. O coanossoma</p><p>apresenta fibras robustas e nodosas de</p><p>espongina, de córtex fino, amarelado;</p><p>medula espessa, geralmente negra, sem</p><p>inclusões. Estas fibras apresentam padrão</p><p>dendrítico de organização, e não formam</p><p>um arcabouço muito denso. Seu diâme-</p><p>tro frequentemente ultrapassa os 500 μm,</p><p>50–90% dos quais se referem à medula.</p><p>Gênero Aiolochroia Wiedenmayer, 1977</p><p>O gênero compreende apenas três espécies no mundo, uma das</p><p>quais ocorre no Brasil.</p><p>62. Aiolochroia crassa (Hyatt, 1875)</p><p>Família Aplysinidae Carter, 1875</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 6–8 m de</p><p>profundidade, 16/Dez/2007.</p><p>223EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aiolochroia crassa (Hyatt, 1875)</p><p>Comentários</p><p>Esta espécie produz uma série de com-</p><p>postos brominados, dentre os quais a fis-</p><p>tularina-3 isolada de espécimes de Belize</p><p>mostrou-se seletivamente tóxica contra o</p><p>bacilo da tuberculose.</p><p>Ecologia</p><p>Espécie relativamente comum em águas</p><p>rasas da Baía de Todos os Santos, assim</p><p>como na plataforma continental do esta-</p><p>do, de onde é conhecida até os 100 m de</p><p>profundidade, através de coletas efetu-</p><p>adas pelo Programa REVIZEE. É comum</p><p>observar epibiontes, principalmente al-</p><p>gas, outras esponjas e tunicados. A es-</p><p>pécie pode ser encontrada próxima das</p><p>áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Bermudas, Flórida, Bahamas,</p><p>Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica, República</p><p>Dominicana, Porto Rico, Ilhas Virgens,</p><p>Antigua, México, Belize, Honduras,</p><p>Costa Rica, Panamá, Colômbia, Venezu-</p><p>ela, Antilhas Holandesas). Brasil [Foz do</p><p>Amazonas, Arquipélago de São Pedro</p><p>e São Paulo, CE, RN, Atol das Rocas,</p><p>Fernando de Noronha, PB, PE, BA (Sal-</p><p>vador, ao largo de Cairu, Itacaré, Prado,</p><p>ao largo de Caravelas, Banco Hotspur,</p><p>Banco Minerva, Banco Rodgers), ES, Ilha</p><p>da Trindade, RJ].</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 2–3 m de</p><p>profundidade, 05/Dez/2010. A esponja</p><p>vermelha, acima da Aiolochroia (marrom), é</p><p>uma Tedania ignis (Duchassaing & Michelotti,</p><p>1864).</p><p>� Quebramar Norte (Salvador), 9,2 m</p><p>de profundidade, 11/Dez/2007.</p><p>� Arquitetura esquelética com fibra isolada</p><p>após tratamento com hipoclorito de sódio</p><p>diluído.</p><p>224 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma ramosa, com ramos cilíndricos,</p><p>delgados e de diâmetro regular. Os ra-</p><p>mos ocorrem solitários ou em peque-</p><p>nos grupos, ramificando-se ou não. O</p><p>comprimento máximo observado foi de</p><p>50–60 cm, com diâmetro de 1,5–2,5 cm.</p><p>A cor em vida desta esponja é mais fre-</p><p>quentemente marrom, mas também se</p><p>observaram espécimes ocre e amarelo–</p><p>pálidos. Estes últimos, em locais abriga-</p><p>dos de iluminação direta. Em álcool as-</p><p>sume coloração marrom–arroxeada. Sua</p><p>superfície é mais frequentemente lisa,</p><p>com ósculos (diâmetro 1–3 mm) prepon-</p><p>derantemente alinhados e quase equi-</p><p>distantes (a cada 2–3 cm). Consistência</p><p>firme, pouco compressível, algo elástica.</p><p>Arquitetura ectossomal</p><p>não especiali-</p><p>Gênero Aplysina Nardo, 1834</p><p>O gênero compreende 37 espécies no mundo, das quais 15 ocorrem</p><p>no Brasil. São apresentadas cinco espécies a seguir, mas outras sete</p><p>espécies já foram encontradas na Bahia: A. alcicornis Pinheiro, Hajdu</p><p>& Custódio, 2007, A. cristagallus P., H. & C., 2007, A. lactuca P., H. &</p><p>C., 2007, A. lacunosa (Lamarck, 1814), A. lingua P., H. & C., 2007, A.</p><p>orthoreticulata P., H. & C., 2007 e A. pseudolacunosa P., H. & C., 2007.</p><p>Coletas recentes efetuadas na Baía de Todos os Santos já revelaram ao</p><p>menos uma nova espécie, ainda por descrever. Aplysina é o primeiro</p><p>gênero de Porifera a contradizer a noção corrente de que a fauna</p><p>marinha brasileira é uma versão empobrecida daquela da região</p><p>do Caribe. Até recentemente, as espécies A. fistularis, A. fulva e A.</p><p>insularis eram consideradas meras formas de uma única espécie, A.</p><p>fistularis. O uso de marcadores moleculares ainda não conseguiu</p><p>clarificar essa questão, mas é a esperança quando se associam poucos</p><p>caracteres morfológicos disponíveis e grande variabilidade dos</p><p>mesmos, como ocorre neste gênero.</p><p>63. Aplysina cauliformis (Carter, 1882)</p><p>zada. Coanossoma com reticulação de</p><p>fibras de espongina, formando malhas</p><p>tridimensionais irregulares. Fibras com</p><p>córtex e medula facilmente reconhecí-</p><p>veis, o primeiro de coloração âmbar e a</p><p>última mais frequentemente negra. Diâ-</p><p>metro das fibras de cerca 20–200 μm, das</p><p>medulas de cerca 10–120 μm, sendo as</p><p>maiores seções observadas nas porções</p><p>mais internas das esponjas.</p><p>Comentários</p><p>Esta espécie produz a fistularina-3 e a</p><p>11-deoxi-fistularina-3, substâncias com</p><p>potencial para guiar o desenvolvimento</p><p>de novos agentes para o combate ao bac-</p><p>ilo da tuberculose. O material utilizado</p><p>nestas pesquisas foi coletado na Baía de</p><p>Todos os Santos.</p><p>225EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aplysina cauliformis (Carter, 1882)</p><p>� Espécimen em vida (Quebramar Norte, Salvador, 5,3 m de</p><p>profundidade, 11/Dez/2007).</p><p>226 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Aplysina cauliformis (Carter, 1882)</p><p>Ecologia</p><p>Exemplares ou fragmentos de A. caulifor-</p><p>mis são comuns ao longo das praias da</p><p>zona costeira de Salvador, notadamente</p><p>em Itapuã, Stella Maris e adjacências. Na</p><p>Baía de Todos os Santos é relativamente</p><p>rara. A espécie já foi registrada em 3–15</p><p>m de profundidade na Bahia. Em outros</p><p>estados é conhecida de até 100 m de pro-</p><p>fundidade, tendo estes registros mais</p><p>profundos sido obtidos pelo Programa</p><p>REVIZEE em bancos submarinos da re-</p><p>gião sudeste.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba,</p><p>Jamaica, Porto Rico, Ilhas Virgens, Anti-</p><p>gua, Barbuda, Belize, Panamá, Colôm-</p><p>bia, Antilhas Holandesas). Brasil [Foz do</p><p>Amazonas, CE, RN, PE, BA (Salvador, ao</p><p>largo de Belmonte, Porto Seguro, Prado,</p><p>Caravelas, Abrolhos), ES, RJ].</p><p>� Espécimen em vida (Quebramar Norte, Salvador, 5,3 m de profundidade, 11/Dez/2007).</p><p>� Arquitetura esquelética com fibras isoladas</p><p>após tratamento com hipoclorito de sódio</p><p>diluído.</p><p>227EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma tubular, cilíndrica, com tubos</p><p>solitários ou em grupos pequenos (2–4</p><p>tubos), eretos, por vezes com consid-</p><p>erável anastomose. Seu comprimento</p><p>pode ultrapassar 1 m, porém o mais fre-</p><p>quente em águas rasas é que não passe</p><p>de 30 cm. O diâmetro dos tubos é pro-</p><p>porcional ao seu comprimento, podendo</p><p>alcançar 9 cm ou mais nos maiores es-</p><p>pécimes, porém frequentemente não ul-</p><p>trapassando 5 cm. A cor em vida é usual-</p><p>mente amarelo-viva, às vezes marrom, e</p><p>no álcool, quase sempre roxo–escura ou</p><p>preta. A superfície da esponja pode ser</p><p>notadamente lisa ou conulosa, e também</p><p>se observou tubos com projeções laterais</p><p>diversas, as mais comuns consistindo de</p><p>pequenos cilindros, cristas ou lobos de</p><p>contorno irregular. As aberturas exalan-</p><p>tes consistem de pseudo-ósculos apicais</p><p>com 1–8 cm de diâmetro, circundados</p><p>por membranas periosculares planas, do</p><p>tipo diafragma, e por vezes também por</p><p>uma palissada contínua ou descontínua</p><p>de pequenas projeções fistulares. Rara-</p><p>mente se observaram pequenos ósculos</p><p>laterais. A consistência é firme, porém</p><p>facilmente compressível e elástica. Ar-</p><p>quitetura ectossomal não especializada.</p><p>64. Aplysina fistularis (Pallas, 1766)</p><p>� Quebramar Sul (Salvador), 7,6 m de</p><p>profundidade, 14/Dez/2007</p><p>228 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Aplysina fistularis (Pallas, 1766)</p><p>229EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aplysina fistularis (Pallas, 1766)</p><p>� Boião de sinalização naval entre Salvador e Ilha dos Frades (Bahia</p><p>de Todos os Santos), 21/Jun/2004.</p><p>Coanossoma com reticulação de fibras</p><p>de espongina, formando malhas tridi-</p><p>mensionais irregulares. Fibras com cór-</p><p>tex e medula facilmente reconhecíveis, o</p><p>primeiro de coloração âmbar e a última</p><p>mais frequentemente negra. Diâmetro</p><p>das fibras 30–280 μm, das medulas 10–60</p><p>μm, sendo as maiores seções observadas</p><p>nas porções mais internas das esponjas.</p><p>Comentários</p><p>Esta espécie produz a fistularina-3 e a</p><p>11-cetofistularina-3, substâncias com po-</p><p>tencial para guiar o desenvolvimento de</p><p>� Arquitetura esquelética com fibras isoladas</p><p>após tratamento com hipoclorito de sódio</p><p>diluído.</p><p>novos agentes para o combate ao bacilo</p><p>da tuberculose. O material utilizado nes-</p><p>tas pesquisas foi coletado na Baía de To-</p><p>dos os Santos.</p><p>Ecologia</p><p>Esta espécie é relativamente rara em boa</p><p>parte da Baía de Todos os Santos, prefer-</p><p>indo locais de baixo hidrodinamismo e</p><p>águas relativamente claras. Também foi</p><p>encontrada em 3–15 m de profundidade</p><p>na Bahia e em 20 m no Ceará. Alguns dos</p><p>epibiontes observados mais frequent-</p><p>emente foram outras esponjas, especial-</p><p>mente Desmapsamma anchorata (descrita</p><p>acima). Aplysina fistularis pode ser en-</p><p>contrada próxima das áreas urbanas de</p><p>Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida, Ba-</p><p>hamas, Cuba, Ilhas Cayman, Jamaica,</p><p>República Dominicana, Porto Rico,</p><p>Ilhas Virgens, Guadalupe, México,</p><p>Belize, Costa Rica, Panamá, Venezu-</p><p>ela, Antilhas Holandesas). Brasil [Foz</p><p>do Amazonas, CE, RN, Fernando de</p><p>Noronha, PE, BA (Salvador, Prado,</p><p>Abrolhos)].</p><p>230 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma extremamente variada. A maior</p><p>frequência é de indivíduos compostos</p><p>por grupos de ramos cilíndricos de con-</p><p>torno irregular, onde ramificações são re-</p><p>lativamente raras, e anastomoses relativa-</p><p>mente comuns. Os ramos cilíndricos são</p><p>preponderantemente eretos, mas formas</p><p>reptantes também são vistas, especial-</p><p>mente em ambientes de maior hidrodina-</p><p>mismo. A seção dos ramos pode ser qua-</p><p>se circular ou marcadamente lamelar. O</p><p>comprimento destes ramos pode chegar</p><p>a 2 m, mas o mais comum é que não pas-</p><p>sem dos 20–30 cm. O diâmetro dos ramos</p><p>situa-se geralmente entre 2 e 3 cm. A cor</p><p>em vida inclui diversas tonalidades de</p><p>amarelo, ocre e marrom. No álcool mais</p><p>frequentemente torna-se negra, roxa ou</p><p>marrom-escura, mas algumas exceções fi-</p><p>caram rosadas. Superfície lisa ou conulosa,</p><p>por vezes discretamente monticulada ou</p><p>rugosa. Ósculos com 0,5–2 mm de diâme-</p><p>tro, distribuídos aleatoriamente, e apenas</p><p>rararamente localizados na porção apical</p><p>dos ramos. Ósculos apicais ocorrem prin-</p><p>cipalmente em formas reptantes, quando</p><p>podem ainda estar alinhados como em</p><p>A. cauliformis. Consistência variando de</p><p>macia à dura. Arquitetura ectossomal não</p><p>especializada. Coanossoma com reticu-</p><p>lação de fibras de espongina, formando</p><p>malhas tridimensionais irregulares. Fi-</p><p>bras com córtex e medula facilmente reco-</p><p>65. Aplysina fulva (Pallas, 1766)</p><p>nhecíveis, o primeiro de coloração âmbar</p><p>e a última mais frequentemente negra.</p><p>Diâmetro das fibras de cerca 30–210 μm,</p><p>das medulas de cerca 10–60 μm, sendo as</p><p>maiores seções observadas nas porções</p><p>mais internas das esponjas.</p><p>Comentários</p><p>Essa espécie é a de morfologia mais va-</p><p>riável dentre as Aplysina brasileiras. Em</p><p>parte, isso decorre por ser também pos-</p><p>sivelmente a mais abundante, ou pelo</p><p>menos a mais acessível, o que se traduz</p><p>em maior número de observações. Entre-</p><p>tanto, uma suposta grande variabilidade</p><p>morfológica sugere a necessidade de con-</p><p>firmação destas identificações por outros</p><p>meios. Um estudo químico recente verifi-</p><p>cou a distribuição de 19 compostos em es-</p><p>pécimes de A. fulva da Georgia (E.U.A.),</p><p>além de Salvador e Nazaré, na Bahia, e</p><p>Arraial do Cabo, Angra dos Reis e São</p><p>� Arquitetura esquelética com fibras isoladas</p><p>após tratamento com hipoclorito de sódio</p><p>diluído.</p><p>231EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aplysina fulva (Pallas, 1766)</p><p>Sebastião, na Região Sudeste. A variabili-</p><p>dade química observada foi notável, com</p><p>um composto presente em três amostras,</p><p>três compostos presentes em duas amos-</p><p>tras, e os demais 15 compostos presentes</p><p>cada qual em uma única amostra. Por</p><p>outro lado, um estudo citológico não ob-</p><p>servou diferenças ao nível celular em dis-</p><p>tintas populações do sudeste.</p><p>Ecologia</p><p>Na Bahia a espécie foi observada em pro-</p><p>fundidades de 1–40 m, e no restante do</p><p>país até os 78 m. A espécie é conhecida de</p><p>ampla gama de ambientes no que tange</p><p>ao hidrodinamismo e às taxas de sedi-</p><p>mentação, está associada à grande núme-</p><p>ro de endo-, bem como ectosimbiontes, e</p><p>ainda integra a dieta alimentar de vários</p><p>organismos entre equinodermos, peixes e</p><p>tartarugas. Aplysina fulva pode ser encon-</p><p>trada próxima das áreas urbanas de Sal-</p><p>vador. Um estudo recente observou que</p><p>as comunidades bacterianas associadas à</p><p>A. fulva em Búzios (RJ) são ricas, além de</p><p>distintas daquelas presentes na água do</p><p>mar próxima das esponjas, bem como da-</p><p>quelas registradas para outras espécies de</p><p>esponjas, conforme estudos publicados</p><p>para outras partes do mundo.</p><p>Distribuição</p><p>Noroeste do Atlântico. Golfo do México.</p><p>Caribe (Flórida, Bahamas, Cuba, Ilhas</p><p>Cayman, Jamaica, República Dominica-</p><p>na, Porto Rico, Ilhas Virgens, St. Martin,</p><p>Barbados, México, Belize, Costa Rica,</p><p>Panamá, Colômbia, Venezuela, Antilhas</p><p>Holandesas). Brasil [AP, Arquipélago de</p><p>São Pedro e São Paulo, CE, RN, Fernan-</p><p>do de Noronha, PE, AL, BA (Salvador,</p><p>Itaparica, Cairu, Maraú, Itacaré, Prado,</p><p>Caravelas, Abrolhos, Nova Viçosa), ES,</p><p>RJ, SP].</p><p>� Porto da Barra</p><p>(Salvador), 6,5 m de</p><p>profundidade, 09/</p><p>Dez/2007.</p><p>232 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Aplysina fulva (Pallas, 1766)</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 2 m de profundidade, 02/Dez/2006.</p><p>233EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma tubular, com tubos baixos, fre-</p><p>quentemente anastomosados em amplas</p><p>áreas de contato, até o ponto de não se</p><p>reconhecer mais cada unidade em se-</p><p>parado. Tubos geralmente com altura</p><p>inferior a 10 cm, e diâmetro de até 5 cm</p><p>de diâmetro, ou mais, no caso de tubos</p><p>integralmente fusionados. Os tubos têm</p><p>geralmente contorno irregular, frequente-</p><p>mente expandindo-se apicalmente, e por</p><p>vezes possuem pequenos lobos perifé-</p><p>ricos. A cor em vida é amarela ou ocre,</p><p>tornando-se negra no álcool. A superfí-</p><p>cie da esponja é lisa ou rugosa. Ósculos</p><p>são apicais, geralmente com 2–10 mm de</p><p>diâmetro. Consistência bastante macia.</p><p>Arquitetura ectossomal não especiali-</p><p>zada. Coanossoma com reticulação de</p><p>fibras de espongina, formando malhas</p><p>tridimensionais irregulares. Fibras com</p><p>córtex e medula facilmente reconhecí-</p><p>veis, o primeiro de coloração âmbar e a</p><p>última mais frequentemente negra. Diâ-</p><p>metro das fibras de cerca 30–120 μm, das</p><p>medulas de cerca 10–40 μm, sendo as</p><p>maiores seções observadas nas porções</p><p>mais internas das esponjas.</p><p>Comentários</p><p>Alguns espécimes mais esféricos apre-</p><p>sentavam ósculos com até 2–3 cm de</p><p>diâmetro, mas sua coespecificidade com</p><p>o presente material é incerta. Frequente-</p><p>66. Aplysina insularis (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>� Iate Clube (Salvador), 3–4 m de profundidade,</p><p>04/Dez/2006 – a esponja amarelo-clara, ao fundo,</p><p>é uma Aplysina fulva.</p><p>234</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>235EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aplysina insularis (Duchassaing & Michelotti, 1864)</p><p>mente a cavidade interna destas espon-</p><p>jas estava repleta de areia.</p><p>Ecologia</p><p>Espécimes provenientes de 3–12 m de</p><p>profundidade. Pode ser encontrada próxi-</p><p>ma das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Distribuição</p><p>Tropical Atlântica Ocidental. Golfo do</p><p>México. Caribe (Bermudas, Flórida, Ba-</p><p>hamas, Cuba, Jamaica, Porto Rico, Ilhas</p><p>Virgens, México, Belize, Costa Rica, Pan-</p><p>amá, Colômbia, Venezuela). Brasil (BA –</p><p>Salvador, Abrolhos).</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3,5 m de profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>� Arquitetura esquelética com fibras isoladas</p><p>após tratamento com hipoclorito de sódio</p><p>diluído.</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6 m de profundidade, 10/Dez/2007;</p><p>236 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>de fibras de espongina, formando malhas</p><p>tridimensionais irregulares. Fibras com</p><p>córtex e medula facilmente reconhecíveis,</p><p>o primeiro de coloração âmbar, e a últi-</p><p>ma mais frequentemente negra. Diâmetro</p><p>das fibras de cerca 30–140 μm, das medu-</p><p>las de cerca 5–75 μm, sendo as maiores</p><p>seções observadas nas porções mais in-</p><p>ternas das esponjas.</p><p>Comentários</p><p>Alguns espécimes com forma lamelar</p><p>mais delgada situavam-se em posição</p><p>intermediária ao conceito corrente de</p><p>Aplysina solangeae e o de A. lactuca. Em</p><p>se tratando de esponjas desprovidas de</p><p>esqueleto mineral, e portando arquite-</p><p>tura esquelética muito variável, resta a</p><p>morfologia externa para ensaiar o reco-</p><p>nhecimento de espécies. Porém, parâme-</p><p>tros ambientais, especialmente no que</p><p>concerne ao hidrodinamismo e às taxas</p><p>de sedimentação, oscilam de forma drás-</p><p>tica próximo à costa, podendo acarretar</p><p>67. Aplysina solangeae Pinheiro, Hajdu & Custódio, 2007</p><p>Morfologia</p><p>Forma maciça de contorno variável, de-</p><p>corrente da anastomose de lamelas e pro-</p><p>jeções digitiformes em distintos graus. É</p><p>comum o afilamento rumo às porções api-</p><p>cais, bem como a presença de uma franja</p><p>de pequenas projeções fistulares (altura 2</p><p>mm) no bordo apical de cada lamela ou</p><p>dígito. Estas pequenas fístulas tendem a</p><p>se desprender do espécime após o manu-</p><p>seio e fixação. Suas dimensões raramente</p><p>ultrapassam os 10 cm de altura, e esta,</p><p>normalmente não ultrapassa muito a</p><p>maior largura da esponja. Em vida estas</p><p>esponjas têm coloração entre o amarelo e</p><p>o ocre, por vezes com nuances roxas, tor-</p><p>nando-se marrom-escuras após a fixação</p><p>com álcool. Superfície lisa a levemente</p><p>rugosa, passando a conulosa no fixador.</p><p>Ósculos com 1–2mm de diâmetro, espa-</p><p>lhados por toda a esponja. Sua consistên-</p><p>cia é macia e compressível, e um pouco</p><p>elástica. Arquitetura ectossomal não es-</p><p>pecializada. Coanossoma com reticulação</p><p>� Arquitetura esquelética com</p><p>fibras isoladas após tratamento com</p><p>hipoclorito de sódio diluído.</p><p>� Porto da Barra (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 04/Dez/2010.</p><p>237</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>238 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Aplysina solangeae Pinheiro, Hajdu & Custódio, 2007</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>� Ponta de Humaitá (Salvador), 3 m de</p><p>profundidade, 03/Dez/2006.</p><p>239EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Aplysina solangeae Pinheiro, Hajdu & Custódio, 2007</p><p>adaptações morfológicas que venham a</p><p>dificultar o reconhecimento de espécies</p><p>próximas. Portanto, por um lado o co-</p><p>nhecimento morfológico destas espécies</p><p>precisa avançar através da observação de</p><p>populações em distintas profundidades,</p><p>e por outro, novos caracteres, tais como</p><p>os moleculares, devem ser utilizados na</p><p>busca por congruência e maior confiabi-</p><p>lidade nas diagnoses propostas.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie só foi observada em águas ra-</p><p>sas, até 5 m de profundidade, ocorrendo</p><p>� Farol da Barra (Salvador), 6 m de</p><p>profundidade, 10/Dez/2007.</p><p>� Iate Clube (Salvador), 4 m de profundidade,</p><p>04/Dez/2006.</p><p>próxima das áreas urbanas de Salvador.</p><p>Epibiontes são relativamente comuns,</p><p>sendo que algas filamentosas podem</p><p>recobri-la quase que por completo. As</p><p>fístulas presentes em seu ápice devem</p><p>estar associadas à reprodução assexuada</p><p>por brotamento, uma vez que tendem</p><p>Hentschel, 1923 ............................................................................ 138</p><p>31 – Echinodictyum dendroides Hechtel, 1983 ..................................................... 138</p><p>32 – Ectyoplasia ferox (Duchassaing & Michelotti, 1864) .................................... 140</p><p>33 – Thrinacophora funiformis Ridley & Dendy, 1886 ........................................ 142</p><p>Subordem Myxillina Hajdu, van Soest & Hooper, 1994 ............................................... 144</p><p>Família Coelosphaeridae Lévi, 1963 ............................................................................... 144</p><p>34 – Lissodendoryx isodictyalis (Carter, 1882) ..................................................... 144</p><p>Família Crambeidae Lévi, 1963 ........................................................................................ 146</p><p>35 – Monanchora arbuscula (Duchassaing & Michelotti, 1864) ......................... 146</p><p>Família Desmacididae Schmidt, 1870 ............................................................................ 151</p><p>36 – Desmapsamma anchorata (Carter, 1882) ....................................................... 151</p><p>16 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Índice</p><p>Família Iotrochotidae Dendy, 1922 ................................................................................. 155</p><p>37 – Iotrochota birotulata (Higgin, 1877) ............................................................. 155</p><p>Família Tedaniidae Ridley & Dendy, 1886 ...................................................................... 157</p><p>38 – Tedania ignis (Duchassaing & Michelotti, 1864) ......................................... 157</p><p>Subordem Mycalina Hajdu, van Soest & Hooper, 1994 ............................................... 161</p><p>Família Mycalidae Lundbeck, 1905 ................................................................................ 161</p><p>39 – Mycale angulosa (Duchassaing & Michelotti, 1864) ................................... 161</p><p>40 – Mycale laxissima (Duchassaing & Michelotti, 1864) ................................... 165</p><p>41 – Mycale microsigmatosa Arndt, 1927 ............................................................. 168</p><p>Ordem Haplosclerida Topsent, 1928 ................................................................................. 170</p><p>Subordem Haplosclerina Topsent, 1928 ........................................................................ 171</p><p>Família Callyspongiidae De Laubenfels, 1936............................................................... 171</p><p>42 – Callyspongia sp. 1 .......................................................................................... 171</p><p>43 – Callyspongia sp. 2 ......................................................................................... 174</p><p>44 – Callyspongia pergamentacea (Ridley, 1881) .................................................. 176</p><p>45 – Callyspongia vaginalis (Lamarck, 1814) ....................................................... 178</p><p>Família Chalinidae Gray, 1867 ......................................................................................... 180</p><p>46 – Haliclona caerulea (Hechtel, 1965) ............................................................... 180</p><p>47 – Haliclona implexiformis (Hechtel,1965) ....................................................... 182</p><p>48 – Haliclona manglaris Alcolado, 1984 ............................................................. 184</p><p>49 – Haliclona melana Muricy & Ribeiro, 1999 ................................................... 186</p><p>50 – Haliclona sp.................................................................................................... 188</p><p>Família Niphatidae van Soest, 1980 ............................................................................... 191</p><p>51 –Amphimedon viridis Duchassaing & Michelotti, 1864 ................................. 191</p><p>52 –Niphates erecta Duchassaing & Michelotti, 1864 ......................................... 193</p><p>Subordem Petrosina Boury–Esnault & van Beveren, 1982 ......................................... 196</p><p>Família Petrosiidae van Soest, 1980 .............................................................................. 196</p><p>53 – Petrosia weinbergi van Soest, 1980 ............................................................... 196</p><p>54 – Xestospongia muta (Schmidt, 1870) .............................................................. 198</p><p>Ordem Dictyoceratida Minchin, 1900 ................................................................................ 200</p><p>Família Dysideidae Gray, 1867 ......................................................................................... 201</p><p>55 – Dysidea etheria de Laubenfels, 1936 ........................................................... 201</p><p>56 – Dysidea janiae (Duchassaing & Michelotti, 1864) ....................................... 204</p><p>57 – Dysidea robusta Villanova & Muricy, 2001 .................................................. 206</p><p>Família Irciniidae Gray, 1867 ........................................................................................... 208</p><p>58 – Ircinia felix (Duchassaing & Michelotti, 1864) ............................................ 208</p><p>59 – Ircinia strobilina (Lamarck, 1816) ................................................................ 210</p><p>Ordem Dendroceratida Minchin, 1900 .............................................................................. 212</p><p>Família Darwinellidae Merejkowsky, 1879 ................................................................... 213</p><p>17EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Índice</p><p>60 – Aplysilla aff. rosea (Barrois, 1876) ................................................................ 213</p><p>61 – Chelonaplysilla aff. erecta (Row, 1911) .......................................................... 218</p><p>Ordem Verongida Bergquist, 1978 ........................................................................... 220</p><p>Família Aplysinidae Carter, 1875 ........................................................................... 221</p><p>62 – Aiolochroia crassa (Hyatt, 1875) ................................................................... 221</p><p>63 – Aplysina cauliformis (Carter,1882) ............................................................... 224</p><p>64 – Aplysina fistularis (Lamarck,1814) .............................................................. 227</p><p>65 – Aplysina fulva (Pallas,1766) ......................................................................... 230</p><p>66 – Aplysina insularis (Duchassaing & Michelotti, 1864) ................................. 233</p><p>67 – Aplysina solangeae Pinheiro, Hajdu & Custódio, 2007 ............................... 236</p><p>Classe Calcarea Bowerbank, 1864 ........................................................................................ 240</p><p>Ordem Leucosolenida Minchin, 1900................................................................................. 241</p><p>Família Amphoriscidae Dendy, 1892 .............................................................................. 242</p><p>68 – Leucilla spp. ................................................................................................... 242</p><p>Família Heteropiidae Dendy, 1893 .................................................................................. 244</p><p>69 – Grantessa sp. ................................................................................................. 244</p><p>Ordem Clathrinida Hartman, 1958 ...................................................................................... 248</p><p>Família Clathrinidae Dendy, 1892 ................................................................................... 249</p><p>70 – Clathrina spp. ............................................................................................... 249</p><p>Glossário .............................................................................................................................. 252</p><p>Literatura recomendada ................................................................................................... 270</p><p>Referências bibliográficas ...............................................................................................</p><p>a</p><p>formar pequenas bolinhas, semelhantes</p><p>às observadas em Tethya spp. (descritas</p><p>acima).</p><p>Distribuição</p><p>Endêmica do Brasil [CE, BA (Salvador)].</p><p>240 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA240</p><p>241EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Ordem Leucosolenida Minchin, 1900</p><p>Classe Calcarea Bowerbank, 1864</p><p>Grantessa sp. (esponja branca) e Leucascus roseus Lanna, Rossi,</p><p>Cavalcanti, Hajdu & Klautau, 2007. Parque Nacional Marinho dos Abrolhos</p><p>(Caravelas), 4-5 m de profundidade, Fev/1987. O Leucascus não foi</p><p>apresentado neste guia. Trata-se de uma Clathrinida não reencontrada</p><p>desde a tomada desta imagem.</p><p>242</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma ovóide ou de barril, com até 5 x</p><p>3 mm. A cor no álcool é branca ou bege</p><p>e supõe-se que não difira muito da cor</p><p>em vida. Superfície áspera, com um úni-</p><p>co ósculo apical de contorno irregular e</p><p>inteira ou parcialmente circundado por</p><p>uma coroa oscular de diactinas grandes</p><p>(tricóxeas). Consistência relativamente</p><p>firme. Sistema aquífero de padrão leu-</p><p>conoide. Córtex formado por grandes</p><p>tetractinas com actinas basais dispostas</p><p>tangencialmente à superfície, e actina</p><p>apical apontando para o centro da es-</p><p>ponja. Estas actinas corticais internal-</p><p>izadas integram também o esqueleto co-</p><p>anossomal inarticulado junto às actinas</p><p>ímpares das tetractinas subatriais, e de</p><p>algumas triactinas. O esqueleto atrial é</p><p>Gênero Leucilla Haeckel, 1872</p><p>O gênero compreende 10 espécies no mundo, das quais duas estão</p><p>registradas para o Brasil. O primeiro registro de Leucilla para a</p><p>Bahia foi da espécie L. australiensis (Carter, 1886), originária da</p><p>Austrália e subsequentemente considerada uma espécie cosmopolita.</p><p>Há dúvidas, entretanto, quanto à identificação dos espécimes da</p><p>Bahia, em decorrência de dois aspectos principais: 1) distribuições</p><p>cosmopolitas de espécies de poríferos, inclusive em Calcarea, são</p><p>altamente improváveis; e 2) mencionou-se importante variabilidade</p><p>no material brasileiro estudado (das latitudes 1–24°S), mas essa não</p><p>foi caracterizada em detalhe. A descrição a seguir ilustra um espécime</p><p>com paliçada bem desenvolvida, porém a anatomia é derivada de</p><p>outro espécime, possuidor de uma paliçada mais rudimentar. Estudos</p><p>em andamento encontraram significativa diversidade de espécies</p><p>de Leucilla na Bahia, a maioria provavelmente espécies novas (M.</p><p>Klautau, com. pess.), sugerindo também que a descrição a seguir</p><p>derive na verdade de duas espécies distintas.</p><p>68. Leucilla spp.</p><p>Família Amphoriscidae Dendy, 1892</p><p>composto somente de tetractinas. Es-</p><p>pículas: tricóxeas, ultrapassam 1000 μm;</p><p>tetractinas corticais, actinas basais 400 /</p><p>30 μm, actina apical, 550 / 50 μm; tetrac-</p><p>tinas subatriais, actinas basais 370 / 35</p><p>μm, actina apical, 490 / 30 μm; triactinas</p><p>subatriais, actinas pares 250 / 20, actinas</p><p>ímpares 350 / 15 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Encontrada no sedimento de áreas adja-</p><p>centes à Baía de Todos os Santos, sobre</p><p>pequenas rochas soltas ou em cascalhos</p><p>biogênicos. No litoral norte da Bahia</p><p>(município de Camaçari) a espécie foi</p><p>coletada a cerca de 20 m de profundi-</p><p>dade, em placas de alumínio e em sub-</p><p>strato biogênico, apresentando hábito</p><p>tanto fotófilo quanto ciáfilo.</p><p>243</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Distribuição</p><p>Material estudado aqui: Brasil (BA – Ca-</p><p>maçari). O gênero distribui-se ampla-</p><p>mente nos três principais oceanos.</p><p>� Espécime fixado, fotografado</p><p>sobre a bancada do laboratório</p><p>(UFBA). Altura: 25 mm.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção</p><p>transversal. A coloração vermelho-escura</p><p>deve-se ao uso de fucsina ácida com o</p><p>objetivo de realçar o componente celular.</p><p>FOTOMICROGRAFIA POR M. KLAUTAU.</p><p>� A, tetractina subatrial; B, tetractina</p><p>cortical; C, triactina subatrial.</p><p>244 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Morfologia</p><p>Forma tubular agregada, com tubos de</p><p>dimensões variadas, conectados em seu</p><p>terço inferior, e portando uma base ir-</p><p>regular. Os agregados podem compre-</p><p>ender mais de 40 tubos, com altura de</p><p>3–20 mm, diâmetro de 1,5–4,5 mm e es-</p><p>pessura da parede de aproximadamen-</p><p>te 0,5 mm. Alguns tubos foram vistos</p><p>ramificando-se. Cor in vivo branca ou</p><p>levemente amarelada, mantendo-se inal-</p><p>terada em álcool. O perímetro oscular</p><p>costuma ser ainda mais branco. Super-</p><p>fície externa levemente áspera devido</p><p>às microdiactinas implantadas vertical-</p><p>mente e distribuídas de forma espar-</p><p>ça ou agrupada. Ósculos apicais, um</p><p>para cada tubo, circundados por uma</p><p>coroa baixa (altura 0,5 mm) compos-</p><p>ta de microdiactinas. Sistema aquífero</p><p>em padrão siconóide sem que os cones</p><p>distais sejam visíveis na superfície ex-</p><p>terna. Consistência macia, quebradiça.</p><p>Arquitetura esquelética complexa, com</p><p>padrão radial de organização em seção</p><p>transversal. Coroa oscular composta por</p><p>Gênero Grantessa Lendenfeld,1885</p><p>O gênero compreende cerca de 25 espécies no mundo, das quais</p><p>apenas uma foi registrada para o Brasil até o presente, G. anisactina</p><p>Borojevic & Peixinho, 1976, obtida na Paraíba. Esta espécie difere</p><p>do material apresentado aqui por uma série de caracteres, dentre os</p><p>quais os mais notáveis são a presença de triactinas que superam os</p><p>1000 μm de comprimento, enquanto aquelas observadas no material</p><p>da Bahia sequer alcançam os 500 μm, assim como a completa</p><p>ausência de tetractinas em G. anisactina. Praticamente todas as</p><p>demais espécies de Grantessa são originais do Indo-Pacífico, o que</p><p>sugere que a espécie baiana seja nova.</p><p>69. Grantessa sp.</p><p>Família Heteropiidae Dendy, 1893</p><p>microdiactinas mais espessas e triactinas</p><p>sagitais. Porção mediana de um tubo</p><p>em seção transversal – cinco regiões de</p><p>fora para dentro. (1) O esqueleto corti-</p><p>cal apresenta diactinas mais delgadas e</p><p>dispostas perpendicularmente, entreme-</p><p>adas a triactinas em sagitais organizadas</p><p>em 3–4 camadas. O esqueleto cortical se</p><p>sustenta sobre (2) triactinas sudermais</p><p>sagitais dos cones distais, com uma ac-</p><p>tina par disposta centripetamente. Esta</p><p>actina se emparelha às actinas ímpares</p><p>(centrífugas) (3) das triactinas e tetracti-</p><p>nas tubares. Estas últimas estão dispos-</p><p>tas em diversas camadas articuladas, em</p><p>um padrão que remete àquele ilustrado</p><p>neste Guia para o tubo de Tribrachium</p><p>schmidti. As triactinas pseudossagi-</p><p>tais também ocorrem entre as camadas</p><p>de triactinas tubares. (4) Na região suba-</p><p>trial, logo abaixo das triactinas tubares,</p><p>está o esqueleto subatrial, formado por</p><p>triactinas sagitais e situado sobre (5) as</p><p>triactinas e tetractinas (iguais propor-</p><p>ções) atrais. Superfície atrial levemente</p><p>híspida com apópilos amplos. Espículas:</p><p>245</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>diactinas da coroa oscular e da superfí-</p><p>cie 60–165 / 4–6 μm; triactinas da região</p><p>oscular, actina ímpar 120–140 / 8 μm,</p><p>actina par 100 / 8 μm; triactinas corti-</p><p>cais, actina ímpar 25–55 / 9 μm, actina</p><p>par 60–65 / 8 μm; triactinas pseudosagi-</p><p>tais do cone distal, actina ímpar retilínea</p><p>60–175 / 8–9 μm, actina par radial 70–75</p><p>/ 8 μm, actina par cortical 25–35 / 3–8</p><p>μm; triactinas tubares, actina ímpar 180</p><p>/ 12 μm, actina par 80 / 8 μm; tetracti-</p><p>nas tubares, actina ímpar 120–230 / 7–8</p><p>μm, actina par 60–90 / 7–8 μm; triacti-</p><p>nas subatriais, actina ímpar 180 / 8 μm,</p><p>actina par 100–110 / 8 μm; triactinas</p><p>atriais sagitais, actina ímpar 130 / 7 μm,</p><p>actina par 80 / 6–7 μm; tetractinas atriais</p><p>� Parque Nacional Marinho dos Abrolhos</p><p>(Caravelas), 4–5 m de profundidade, Fev/1987.</p><p>As esponjas vermelha e rosada pertencem ao</p><p>gênero Monanchora.</p><p>sagitais, actina ímpar 135 / 7 μm, actina</p><p>par 80 / 5–7 μm.</p><p>Ecologia</p><p>Exposta à luz, preponderantemente</p><p>em substratos verticais, na faixa de</p><p>6–19 m de profundidade (C. Sampaio,</p><p>com. pess.).</p><p>Distribuição</p><p>Brasil (provisoriamente endêmica da</p><p>Bahia – Salvador, Vera Cruz, Maraú,</p><p>Abrolhos).</p><p>246</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>� A, diactinas da superfície; B,</p><p>triactinas da região oscular; C,</p><p>triactinas corticais; D, triactinas</p><p>pseudossagitais; E, triactinas</p><p>tubares;</p><p>F, tetractinas tubares; G, triactinas</p><p>subatriais; H, triactinas atriais sagitais;</p><p>I, tetractinas atriais sagitais.</p><p>� Arquitetura esquelética em seção transversal. A, seção de um tubo (a cavidade interna se</p><p>denomina atrial); B, detalhe do esqueleto cortical e do cone distal; C, detalhe do esqueleto</p><p>subatrial e atrial.</p><p>247</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>� Barra Grande de Camamu (Maraú), 14–19 m de profundidade, 05/Out/2009.</p><p>FOTO DE C.L.S. SAMPAIO.</p><p>248</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Ordem Clathrinida Hartman, 1958</p><p>Clathrina sp. Farol da Barra (Salvador), 6,5 m de profundidade, 03/Jun/2009.</p><p>249</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Morfologia</p><p>Forma de novelo de contorno irregular,</p><p>composto por tubos delgados (até 1 mm</p><p>de diâmetro), longos, frequentemente</p><p>anastomosando-se. Paredes dos tubos</p><p>com menos de 0,1 mm de espessura. Os</p><p>maiores espécimes observados alcança-</p><p>vam 2,5 cm de diâmetro máximo e 1 cm</p><p>de altura. Os menores, praticamente in-</p><p>crustantes, assemelhavam-se a uma rede</p><p>ou teia de aranha. Cor em vida branca</p><p>ou amarela, e branca em álcool. Super-</p><p>fície lisa a olho nu, ou miroespinada ao</p><p>microscópio. Ósculos circulares peque-</p><p>nos e dispersos, com 1 mm de diâmetro</p><p>ou menos, por vezes situados no topo</p><p>de pequenas chaminés coletoras para</p><p>as quais convergem diversos tubos.</p><p>Gênero Clathrina Gray, 1867</p><p>O gênero compreende mais de 60 espécies no mundo, das quais 12 já</p><p>foram registradas para o Brasil. Destas, apenas C. atlantica (Thacker,</p><p>1908); C. aurea Solé-Cava, Klautau, Boury-Esnault, Borojevic &</p><p>Thorpe, 1991; e C. reticulum (Schmidt, 1862) haviam até o presente</p><p>sido citadas para a Região Nordeste. A real diversidade de Clathrina</p><p>só veio à tona com o início do uso de abordagens moleculares no</p><p>estudo de populações, ocorrido no final da década de 1980. Desde</p><p>então, toda distribuição postuladamente muito ampla de espécies</p><p>de Clathrina passou a ser suspeita, em especial quando transpondo</p><p>grandes barreiras biogeográficas, tornando-se candidata natural</p><p>à verificação por métodos moleculares associados a revisões</p><p>minuciosas da morfologia. Este é o caso de C. atlantica e C. reticulum,</p><p>originalmente registradas para Cabo Verde e a costa mediterrânea</p><p>da França, respectivamente, agora na fila da revisão. Sem sombra de</p><p>dúvidas, o gênero compreende mais de uma espécie na Bahia, haja</p><p>vista as marcantes diferenças morfológicas observadas mesmo a olho</p><p>nu em diferentes espécimes, com destaque para a cor em vida, que</p><p>pode ser branca ou amarela.</p><p>70. Clathrina spp.</p><p>Família Clathrinidae Minchin, 1900</p><p>Consistência extremamente macia e</p><p>frágil. Arquitetura esquelética con-</p><p>fusa, com espículas dispersas nas finas</p><p>paredes dos tubos. Espículas: triactinas</p><p>robustas equiangulares, actina ímpar</p><p>� A, triactinas robustas; B, triactinas delgadas.</p><p>250</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>� Taipú de Fora (Maraú), 0,5 m de profundidade,</p><p>28/Jul/2009</p><p>190 / 25 μm, actinas pares 150 / 25 μm;</p><p>triactinas delgadas equiangulares e</p><p>equirradiadas, actinas 120 / 15 μm.</p><p>Comentários</p><p>Espécies de Clathrina podem apresentar</p><p>como espículas uma combinação de tri-</p><p>e tetractinas, às quais podem estar agre-</p><p>gadas diactinas e tripódios. No material</p><p>da Bahia, somente diactinas não foram</p><p>ainda encontradas. Porém, no espécime</p><p>cujas espículas são apresentadas aqui,</p><p>proveniente do Litoral Norte do Estado,</p><p>ocorrem apenas triactinas.</p><p>� Parque Nacional Marinho dos Abrolhos</p><p>(Caravelas), 2–3 m de profundidade, Fev/1987.</p><p>A esponja vermelha é uma Monanchora</p><p>arbuscula.</p><p>Ecologia</p><p>A espécie é fotófila em placas de alumí-</p><p>nio, porém de hábito ciáfilo em ambiente</p><p>natural. No litoral norte da Bahia (muni-</p><p>cípio de Camaçari) a espécie foi coletada</p><p>a 25m de profundidade, em placas de</p><p>alumínio.</p><p>Distribuição</p><p>Material apresentado aqui: Brasil (BA –</p><p>Camaçari, Salvador, Maraú, Abrolhos).</p><p>O gênero está amplamente distribuido</p><p>nos três oceanos.</p><p>251</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>252 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>GLOSSÁRIO</p><p>O foco deste glossário foi nos termos técnicos constantes das descrições apre-</p><p>sentadas neste Guia. Outros termos, como por exemplo, aqueles que constam da</p><p>seção Classificação e caracterização das classes e ordens, não estão todos repre-</p><p>sentados aqui. A maior parte das ilustrações utilizadas neste glossário veio da</p><p>obra Thesaurus of Sponge Morphology, editada por Boury-Esnault et al. (1997).</p><p>Acanto (prefixo) Possuidor de espinhos</p><p>Acantóstilo Estilo espinado (p.ex Clathria</p><p>schoenus).</p><p>Actina Um raio partindo do centro de uma megasclera, contendo um eixo ou</p><p>canal axial.</p><p>Actina apical</p><p>(Calcarea)</p><p>A quarta actina de uma tetractina,</p><p>que se une ao sistema trirradial</p><p>basal.</p><p>Actina ímpar</p><p>(Calcarea)</p><p>Em espículas tri e tetractinas sagitais</p><p>e parassagitais (A), é a actina (ai) do</p><p>sistema basal que se diferencia por</p><p>ser mais longa ou mais curta, ou por</p><p>ser oposta a um ângulo diferente</p><p>dos demais, o qual se forma entre</p><p>as actinas pares. Em espículas</p><p>pseudossagitais (B), é a actina (ai)</p><p>que se projeta para a superfície da</p><p>esponja, juntamente com uma das</p><p>actinas pares, formando com esta</p><p>um ângulo sempre menor que o</p><p>formado entre a actina par voltada</p><p>para a superfície e a projetada para</p><p>o interior.</p><p>Actinas pares</p><p>(Calcarea) Um ou dois raios equivalentes de uma espícula sagital.</p><p>Algálica(o) Relativo às algas.</p><p>253EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Anastomosado,</p><p>esqueleto</p><p>Tratos, linhas ou fibras são</p><p>interconectadas (= reticulado).</p><p>Anatriênio</p><p>Triênio no qual os cládios são</p><p>fortemente curvados para trás. (p.ex.</p><p>Cinachyrella spp.).</p><p>Ancorada, quela</p><p>Quela com três ou mais alas livres</p><p>em cada extremidade, em forma de</p><p>garras (unguiferadas) ou lâminas</p><p>(espatulíferas), e duas alas laterais</p><p>incipientes ao longo do eixo.</p><p>Anfiblástula</p><p>(Calcarea)</p><p>Larva ovóide, oca, com a porção</p><p>anterior flagelada e a posterior não</p><p>flagelada. Típica de Calcaronea.</p><p>Anfidisco</p><p>(Amphidiscophora)</p><p>Diactina com ambas as extremidades</p><p>umbeladas, frequentemente de</p><p>tamanhos iguais.</p><p>Aniso (prefixo) Desigual, diferente.</p><p>Anisoquela Quela com duas extremidades</p><p>desiguais (p.ex. Mycale spp.).</p><p>Apical Superior.</p><p>Apópilo</p><p>Abertura na qual a câmara</p><p>coanocitária se abre para o átrio</p><p>ou em um canal exalante. As setas</p><p>indicam o fluxo de água.</p><p>Arcabouço</p><p>primário</p><p>Parte de um esqueleto dictional formado na margem de crescimento;</p><p>um esqueleto secundário pode ser adicionado nas superfícies interna e</p><p>externa.</p><p>254 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Asconóide</p><p>(Calcarea)</p><p>Sistema aquífero no qual a cavidade</p><p>interna principal da esponja é</p><p>totalmente recoberta por coanócitos.</p><p>Não há canais inalantes nem exalantes</p><p>(p.ex. Clathrina spp.). As setas indicam</p><p>o fluxo de água.</p><p>Aspidáster</p><p>Microsclera alongada e achatada, com</p><p>numerosos raios fusionados e com</p><p>minúsculas projeções estreladas (p.ex.</p><p>Erylus formosus).</p><p>Áster</p><p>Termo coletivo para microscleras</p><p>portadoras de centro (euásteres)</p><p>ou eixo central (p.ex. espirásteres,</p><p>sanidásteres), de onde se projetam</p><p>espinhos/raios.</p><p>Átrio Cavidade localizada antes do ósculo. Este termo é usado para designar</p><p>especificamente a cavidade central exalante.</p><p>Aulocalicoide,</p><p>esqueleto</p><p>Arquitetura com raios uniaxiais das</p><p>hexactinas dictionais, ou sinaptículos</p><p>anaxiais, como elementos de conexão</p><p>do arcabouço; elementos estruturais</p><p>primários usualmente extensões</p><p>longitudinais conspícuas de raios</p><p>dictionais avulsos. Redesenhado a</p><p>partir de Reiswig (2002).</p><p>Aveludado Superfície: com projeções espiculares curtas e densas, macia e suave</p><p>ao toque (p.ex. Cliona varians, Ectyoplasia ferox).</p><p>Axial, esqueleto</p><p>Organização típica de esqueleto</p><p>no qual alguns elementos estão</p><p>condensados formando uma região</p><p>central ou um eixo (p.ex. Thrinacophora</p><p>funiformis).</p><p>Basalia</p><p>Espículas que se projetam da superfície</p><p>inferior (basal) da esponja, para fixação</p><p>no substrato.</p><p>Basifitosa</p><p>(Hexactinellida) Esponjas que se fixam em substrato duro através da placa basal.</p><p>Bentônico Organismos aquáticos que vivem na superfície do substrato.</p><p>255EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Birrótula</p><p>Tipo de microsclera que possui</p><p>um eixo fino e as terminações com</p><p>múltiplos dentes dispostos lado a</p><p>lado, em forma de guarda-chuva (p.ex.</p><p>Iotrochota birotulata).</p><p>Buquê</p><p>Escova ectossomal de espículas</p><p>perpendiculares à superfície da</p><p>esponja, com final pontiagudo saindo</p><p>do ectossoma. (p.ex. Suberites</p><p>aurantiacus).</p><p>Caliciforme Depressão em forma de cálice (p.ex. Chelonaplysilla cf. erecta).</p><p>Caltrops Megasclera tetraxônica equiangular e</p><p>equirradial.</p><p>Câmara</p><p>coanocitária</p><p>Câmaras discretas, dispersas</p><p>no mesoílo, com coanócitos.</p><p>Eletromicrografia retirada do Atlas of</p><p>Sponge Morphology, de De Vos et al.</p><p>(1991).</p><p>Cavernoso Tipo de coanossoma amplamente perfurado por grandes canais</p><p>aquíferos (p.ex. Ircinia strobilina).</p><p>Centrotiloto Quando o tilo encontra-se no centro</p><p>da espícula (p.ex. Erylus formosus).</p><p>Cerebriforme Forma arredondada com sulcos e cristas, que se assemelha a um</p><p>cérebro (p.ex. Geodia corticostylifera).</p><p>Ciáfilos Organismos que crescem na sombra.</p><p>Cinctoblástula</p><p>Larva oca, inteiramente flagelada, com</p><p>um anel central de células pigmentadas</p><p>(Homoscleromorpha).</p><p>Cládio</p><p>Qualquer raio ou ramo axial, com eixo ou canal axial confluente com o</p><p>do protocládio ou protorabdo em qualquer tipo espicular; termo usado</p><p>principalmente em triênios e seus derivados, para denominar um dos</p><p>raios menores.</p><p>Cladoma</p><p>O conjunto de cládios (raios mais curtos</p><p>e simétricos) em um triênio, em oposição</p><p>ao rabdoma (raio mais longo).</p><p>Coanossoma Região interna da esponja aonde se concentram as câmaras de</p><p>coanócitos.</p><p>256 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Coanossomal,</p><p>esqueleto</p><p>Esqueleto do corpo principal, que dá suporte ao sistema de canais e é</p><p>responsável pela forma da esponja.</p><p>Coeloblástula</p><p>Larva oca composta por células</p><p>equipotentes; com células maiores não</p><p>flageladas em seu pólo posterior.</p><p>Colágeno Proteína estrutural mais importante nos animais. Principal componente</p><p>da matriz extracelular e das fibras de espongina das esponjas.</p><p>Confuso,</p><p>esqueleto</p><p>Megascleras desordenadas no</p><p>esqueleto (p.ex. Aaptos sp., Petromica</p><p>ciocalyptoides).</p><p>Cônulo,</p><p>conuloso Superfície com numerosas projeções em forma de cone.</p><p>Cormus Corpo formado por uma massa de tubos anastomosados (p.ex.</p><p>Clathrina)</p><p>Córtex</p><p>Uma região superficial da esponja</p><p>reforçada por um esqueleto orgânico</p><p>ou inorgânico diferente daquele do</p><p>coanossoma (p.ex. Geodia spp.,Tethya</p><p>spp.).</p><p>Cosmopolita Diz-se da espécie que se encontra dispersa por todo o mundo.</p><p>Costão rochoso Ambiente costeiro formado por rochas.</p><p>Cribriporal</p><p>Área especializada do ectossoma com</p><p>vários poros formando uma rede de</p><p>contorno circular.</p><p>Dendrítico,</p><p>esqueleto</p><p>Tipo de esqueleto em que as fibras se</p><p>ramificam como em uma árvore, mas</p><p>nunca formam malhas.</p><p>Desma</p><p>Espícula com formas ramificadas e</p><p>irregulares, por vezes rugosas ou</p><p>espinadas. Podem estar fusionadas ou</p><p>dispersas na base da esponja (p.ex.</p><p>Petromica spp.).</p><p>Glossário</p><p>257EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Diactina</p><p>(Hexactinellida)</p><p>Espícula birradiada com raios alinhados</p><p>em um único eixo; ambos os raios</p><p>frequentemente possuem terminações</p><p>similares.</p><p>Diodo</p><p>(Homosclerophorida)</p><p>Espícula diactinal, geralmente de</p><p>contorno irregular, com uma dupla</p><p>dobra central.</p><p>Diplodal</p><p>Câmara coanocitária que se conecta</p><p>com os canais inalantes através de um</p><p>canalículo chamado prósodo, e com o</p><p>canal exalante através de uma apópila</p><p>prolongada com outro canalículo, o</p><p>áfodo. As setas indicam o fluxo de</p><p>água.</p><p>Discohexactina</p><p>(Hexasterophora)</p><p>Espícula hexarradiada com</p><p>terminações discoidais; equivalente ao</p><p>hexadisco em Amphidiscophora.</p><p>Ectossoma Região superficial da esponja que não possui câmaras coanocitárias.</p><p>Ectossomal,</p><p>esqueleto</p><p>Esqueleto da região superficial</p><p>da esponja, distinto do esqueleto</p><p>coanossomal.</p><p>Elástica,</p><p>consistência</p><p>Capacidade de voltar à forma original após uma deformação. (p.ex.</p><p>Callyspongia pergamentacea, Echinodictyum dendroides).</p><p>Endobionte Qualquer organismo que vive no interior do corpo ou das células de</p><p>outro organismo.</p><p>Epibionte Qualquer organismo que vive na superfície de outros seres vivos.</p><p>Equinante,</p><p>espícula</p><p>Megasclera que se projeta</p><p>perpendicularmente da superfície</p><p>da esponja, de uma fibra ou de um</p><p>trato espicular. (p.ex. Echinodictyum</p><p>dendroides).</p><p>258 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Ereto, hábito Termo generalizado para crescimento vertical (p.ex. Aplysina fistularis).</p><p>Esferáster</p><p>Euáster com raios curtos e centro</p><p>espesso, cujo diâmetro (> 50% do</p><p>diâmetro total) excede o comprimento</p><p>dos raios (p.ex. Chondrilla nucula).</p><p>Esferoxiáster</p><p>Euáster com um centro discreto que</p><p>é maior que um terço do diâmetro</p><p>total da espícula (p.ex. Tethya spp.).</p><p>Eletromicrografia por P. Willenz.</p><p>Especiação Processo evolutivo pelo qual as espécies vivas se formam.</p><p>Espícula Componente mineral do esqueleto. Tipicamente composta de sílica</p><p>(Demospongiae e Hexactinellida) ou carbonato de cálcio (Calcarea).</p><p>Espícula regular</p><p>(Calcarea)</p><p>Espícula triactina ou tetractina com</p><p>raios basais de tamanhos e ângulos</p><p>iguais entre eles (120o), quando</p><p>projetados em um plano perpendicular</p><p>ao eixo óptico.</p><p>Espícula</p><p>tangencial Espícula disposta paralelamente á superfície.</p><p>Espiculóide</p><p>(Dendroceratida)</p><p>Espícula de espongina, diactinal ou triactinal, geralmente de contorno</p><p>irregular.</p><p>Espiráster</p><p>Microsclera em forma de vareta com</p><p>curvaturas helicoidais ou em zigue-</p><p>zague, com espinhos periféricos (p.ex.</p><p>Spirastrella hartmani).</p><p>Espongina</p><p>Substância esquelética em Demospongiae composta por microfibrilas</p><p>de colágeno com cerca de 10 μm de diâmetro, observada mais</p><p>frequentemente como fibras ou placa basal.</p><p>Estauractina Hexactina reduzida, com quatro raios,</p><p>todos dispostos em um plano.</p><p>Esterráster</p><p>Microsclera esférica, oval ou elipsóide</p><p>com numerosos raios fusionados e</p><p>com terminações estreladas. (p.ex.</p><p>Geodia spp.). Eletromicrografia por S.</p><p>Salani.</p><p>259EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Estilo</p><p>Megasclera monaxônica com uma</p><p>extremidade pontiaguda e a outra</p><p>arredondada (p.ex. Dragmacidon</p><p>reticulatum, Iotrochota birotulata).</p><p>Estrongiláster</p><p>Áster com raios isodiamétricos,</p><p>livres e de pontas arredondadas</p><p>(p.ex. Erylus formosus, Tethya maza).</p><p>Eletromicrografia por P. Willenz.</p><p>Estrôngilo</p><p>Megasclera monaxônica com ambas</p><p>pontas arredondadas (p.ex. Iotrochota</p><p>birotulata).</p><p>Euáster Termo coletivo para microscleras asterosas onde os raios irradiam de</p><p>um ponto central (p.ex. esterráster, estrongiláster, oxiáster).</p><p>Euripilosa</p><p>Câmara coanocitária que se conecta</p><p>diretamente com canais inalantes</p><p>através de prosópilos e com canais</p><p>exalantes através de apópilas; muitas</p><p>câmaras conectam-se no mesmo canal</p><p>exalante. As setas indicam o fluxo de</p><p>água.</p><p>Feixe Coluna de megascleras alinhadas.</p><p>Fibra</p><p>Coluna de espongina que forma um</p><p>esqueleto dendrítico ou reticulado,</p><p>com ou sem inclusão de espículas ou</p><p>material externo. (p.ex. Aplysina spp.,</p><p>Callyspongia spp.).</p><p>Fístula</p><p>Protuberância digitiforme delicada,</p><p>projetando-se da superfície da esponja</p><p>(p.ex. Petromica ciocalyptoides,</p><p>Tribrachium schmidti).</p><p>Fotófilo Organismo com preferência por ambientes iluminados.</p><p>Fusiforme Espícula monaxônica cuja forma afina gradualmente rumo as pontas.</p><p>260 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Hexactina</p><p>Espícula triaxônica, hexarradiada,</p><p>com raios de comprimentos iguais e</p><p>perpendiculares uns aos outros.</p><p>Hexadisco</p><p>(Amphidiscophora)</p><p>Hexadictina cujos raios possuem</p><p>terminações discoidais; em</p><p>Hexasterophora, denomina-se a</p><p>mesma espícula de discohexactina.</p><p>Hidrodinamismo Neste Guia refere-se ao embate das ondas e velocidade das correntes</p><p>marinhas.</p><p>Hipodermalia</p><p>Pentactinas grandes cujos</p><p>raios tangenciais se situam</p><p>paratangencialmente logo abaixo da</p><p>superfície dermal, cada qual com o</p><p>raio proximal dirigido para o interior</p><p>da esponja; sustentam a camada de</p><p>espículas dermais; raios centrais e</p><p>tangenciais podem estar projetados</p><p>além da superfície dermal, mas ainda</p><p>se denominam hipodermalia como</p><p>reflexo de sua origem.</p><p>Inarticulado,</p><p>esqueleto</p><p>(Calcarea)</p><p>Esqueleto coanossomal composto</p><p>somente pelos raios ímpares das</p><p>espículas subatriais e um dos raios</p><p>das espículas subcorticais ou corticais.</p><p>Sem espículas específicas do esqueleto</p><p>coanossomal (p.ex. Leucilla).</p><p>Incrustante,</p><p>hábito</p><p>Forma de crescimento como fina camada aderida ao substrato (p.ex.</p><p>Clathria schoenus, C. venosa, Terpios fugax).</p><p>Infralitoral Zona litorânea sempre submersa, inclusive nas marés baixas de sizígia.</p><p>Iso (prefixo) Igual.</p><p>Isodictial,</p><p>reticulação</p><p>Reticulação isotrópica com malhas</p><p>triangulares; laterais com apenas</p><p>uma espícula de comprimento (p.ex.</p><p>Haliclona spp.).</p><p>Isoquela Quela com extremidades iguais.</p><p>261EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Isotrópica,</p><p>reticulação</p><p>Reticulação onde não se diferenciam</p><p>feixes primários ou secundários.</p><p>Lamelar Em forma de lamela(s) – placas eretas (p.ex. Aplysina solangeae).</p><p>Leuconóide</p><p>Sistema aquífero onde os coanócitos</p><p>estão restritos a câmaras discretas,</p><p>dispersas no mesoílo, interligadas com</p><p>os poros e ósculos através de canais</p><p>inalantes e exalantes (p.ex. Demospon-</p><p>giae). A seta indica o fluxo de água.</p><p>Licnisco</p><p>Espículas hexactinais com um octaedro</p><p>de 12 suportes silicosos fusionados,</p><p>formado ao redor do centro ou nó</p><p>dictional.</p><p>Lóbulo Diminutivo de lobo, semelhante à porção basal das orelhas (p.ex.</p><p>Chondrosia sp., Erylus formosus).</p><p>Lofofitosa</p><p>(Hexactinellida)</p><p>Esponjas que se fixam em substrato duro ou mole através de espículas</p><p>da basália, com o corpo suspenso acima ou parcialmente embebido no</p><p>substrato.</p><p>Medula (fibra)</p><p>Parte central de uma fibra de espongina,</p><p>feita de colágeno granular ou em forma</p><p>de fibras difusas. Fotomicrografias por</p><p>U. dos S. Pinheiro.</p><p>Megasclera Espícula relativamente grande, principal componente do esqueleto da</p><p>esponja, frequentemente com função estrutural.</p><p>Megásteres Ásteres grandes, formando uma crosta com função estrutural – termo</p><p>de uso exclusivo em Tethyidae (p.ex. Tethya spp.).</p><p>Mesolitoral</p><p>(entre marés)</p><p>Região sujeita às flutuações da maré, submersa nas marés altas e</p><p>exposta durante a maré baixa.</p><p>Micráster Ásteres pequenas, geralmente não formando uma crosta – termo de</p><p>uso exclusivo em Tethyidae (p.ex. Tethya spp.).</p><p>Microdiactina</p><p>(Calcarea) Espícula diactinal pequena.</p><p>Microsclera Espícula relativamente pequena, mais frequentemente desprovida de</p><p>função estrutural óbvia.</p><p>Micróxea Microsclera com forma de óxea pequena, frequentemente</p><p>microacantosa.</p><p>262 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Nó dictional Pontos de fusão de um esqueleto</p><p>dictional.</p><p>Nodosa, fibra Fibra que forma caroços (p.ex. Aiolochroia crassa).</p><p>Olintus</p><p>(Calcarea)</p><p>Estádio jovem de desenvolvimento</p><p>com um sistema aquífero funcional que</p><p>possui uma câmara coanocitária aberta</p><p>diretamente no ósculo.</p><p>Oniqueta</p><p>Microsclera semelhante a uma ráfide</p><p>ou uma óxea finíssima, com farpas</p><p>(p.ex. Tedania ignis). Eletromicrografias</p><p>por P. Willenz.</p><p>Ortotriênio</p><p>Triênio onde os cládios são</p><p>perpendiculares (ou quase) ao rabdoma</p><p>(p.ex. Geodia corticostylifera).</p><p>Ósculo</p><p>Abertura através da qual a água sai</p><p>da esponja; porta de saída do sistema</p><p>aquífero.</p><p>Óstio / Poro</p><p>Abertura através da qual a água</p><p>entra na esponja; porta de entrada do</p><p>sistema aquífero. A imagem ilustra</p><p>papilas inalantes providas de inúmeros</p><p>óstios ou poros.</p><p>Óxea</p><p>Espícula monaxônica diactinal com ambas extremidades pontiagudas.</p><p>Diferentes tipos são distinguíveis pela forma e tipo morfológico.</p><p>angulada</p><p>centrotilota</p><p>curvada</p><p>flexuosa ou sinuosa</p><p>fusiforme</p><p>263EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Óxea</p><p>Papila</p><p>Protuberância mamiliforme que se</p><p>projeta da superfície da esponja,</p><p>contendo ósculos, poros, ou ambos.</p><p>Paratangencial,</p><p>esqueleto</p><p>Arranjo das espículas ectossomais</p><p>intermediário entre os tipos paliçádico</p><p>e tangencial; ou das fibras ectossomais</p><p>entre o tangencial e o perpendicular</p><p>(p.ex. Niphates erecta).</p><p>Parenquimela</p><p>Larva composta por uma massa de</p><p>células internas envolvidas por células</p><p>flageladas.</p><p>Paucispicular,</p><p>feixe</p><p>Feixe espicular com poucas fileiras</p><p>de espículas (p.ex. Haliclona melana,</p><p>Petromica citrina, Scopalina ruetzleri).</p><p>Pentactina</p><p>(Hexactinellida)</p><p>Espícula triaxônica com raio ímpar</p><p>perpendicular aos pares e os</p><p>raios pares formando dois eixos</p><p>perpendiculares entre si.</p><p>Perioscular Em volta do ósculo.</p><p>acerada assimétrica arredondada cônica</p><p>hastada mucronada telescópica simétrica</p><p>264 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Placa basal</p><p>(placa</p><p>basidictional)</p><p>Arcabouço silicoso formado pela</p><p>primeira camada (basal) de espículas</p><p>hexactinais, elementos espiculares</p><p>irregulares e sinaptículos, os quais</p><p>servem para a fixação em substrato</p><p>duro; disco basal.</p><p>Plagiotriênio</p><p>Triênio com cládios formando um</p><p>ângulo de 135o (ou quase) com o</p><p>rabdoma (p.ex. Stelletta anancora).</p><p>Plumorreticulado,</p><p>esqueleto</p><p>Tipo de esqueleto plumoso no qual</p><p>ocorrem feixes conectantes cruzados</p><p>(p.ex. Clathria schoenus, Mycale</p><p>angulosa).</p><p>Plumoso,</p><p>esqueleto</p><p>Organização semelhante à dendrítica,</p><p>com feixes ascendentes primários cujas</p><p>espículas se irradiam obliquamente, e</p><p>anastomoses ocorrem com frequência.</p><p>Poça de maré Locais, maiores ou menores, com água</p><p>represada durante as marés baixas.</p><p>Porocálice</p><p>Depressão na superfície em forma</p><p>de cálice na qual se concentram os</p><p>poros inalantes (p.ex. Cinachyrella</p><p>kuekenthali).</p><p>Primário(a), feixe</p><p>ou fibra</p><p>Feixes ou fibras ascendentes que</p><p>formam um ângulo reto com o</p><p>ectossoma; normalmente são mais</p><p>espessos que os demais, e este é o</p><p>único critério para seu reconhecimento</p><p>no esqueleto ectossomal (p.ex.</p><p>Callyspongia spp.).</p><p>Prodiênio</p><p>Diênio com cládios formando um</p><p>ângulo > 135º com o rabdoma</p><p>(p.ex. Cinachyrella apion, Craniella</p><p>quirimure).</p><p>265EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Prosópilo</p><p>Abertura de um canal inalante em uma</p><p>câmara coanocitária. As setas indicam</p><p>o fluxo de água.</p><p>Protriênio</p><p>Triênio com cládios formando um</p><p>ângulo > 135º com o rabdoma (p.ex.</p><p>Cinachyrella spp., Craniella quirimure).</p><p>Psamófila Adaptada à vida em substratos não consolidados como areia e areia-</p><p>lodosa (p.ex. Craniella quirimure, Tribrachium schmidti).</p><p>Pseudossagital,</p><p>espícula</p><p>(Calcarea)</p><p>Triactina subcortical essencialmente</p><p>sagital, porém com raios de</p><p>comprimento e curvatura distintos</p><p>em cada lado dos ângulos ímpares; a</p><p>actina mais longa, pareada, se dirige ao</p><p>interior (p.ex. Grantessa spp.).</p><p>Pugiole</p><p>(Baerida)</p><p>Pequenas tetractinas em forma de</p><p>adaga.</p><p>Quela</p><p>Microsclera com eixo curvado e uma</p><p>ala recurvada em cada final. Veja:</p><p>Isoquela e anisoquela.</p><p>Rabdoma Eixo principal (raio mais longo) de um</p><p>triênio, diênio ou monênio.</p><p>Rabdóstilo Estilo com curvatura acentuada na</p><p>metade basal (p.ex. Ectyoplasia ferox).</p><p>Radial,</p><p>esqueleto</p><p>Arquitetura cujos componentes</p><p>estruturais divergem de uma região</p><p>central rumo à superfície da esponja</p><p>(p.ex. Craniella quirimure, Tethya spp.).</p><p>266 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Ráfide</p><p>Microsclera muito fina, similar a um fio</p><p>de cabelo, frequentemente agrupada</p><p>em tricodragmas (p.ex. Cinachyrella</p><p>apion, Mycale angulosa).</p><p>Reticulado,</p><p>esqueleto</p><p>Arquitetura tridimensional formada</p><p>por fibras, feixes ou espículas isoladas</p><p>(p.ex. Aplysina spp., Callyspongia</p><p>spp., Haliclona spp., Desmapsamma</p><p>anchorata)</p><p>Risofitosa Esponjas com processos (prolongamentos) corporais basais ao invés de</p><p>tufos espiculares projetados.</p><p>Roseta</p><p>Grupo de quelas unidas por uma</p><p>extremidade, formando um círculo ou</p><p>esfera (p.ex. Mycale angulosa).</p><p>Sagital, espícula</p><p>(Calcarea)</p><p>Triactina ou tetractina com dois</p><p>ângulos iguais (pares) e um diferente</p><p>(ímpar),</p><p>visíveis quando a espícula é</p><p>projetada em um plano perpendicular</p><p>ao eixo óptico (p.ex. Grantessa sp.).</p><p>Sanidáster</p><p>Microsclera monaxônica reta, com</p><p>espinhos transversais dispostos</p><p>em intervalos regulares ao longo</p><p>do eixo, e espinhos oblíquos nas</p><p>extremidades (p.ex. Tribrachium</p><p>schmidti). Eletromicrografia por M. de</p><p>S. Carvalho.</p><p>Secundário(a),</p><p>feixe ou fibra</p><p>Feixes ou fibras que conectam os feixes</p><p>ou fibras primários (p.ex. Callyspongia</p><p>spp.).</p><p>Selenáster</p><p>Espiráster que se aproxima da forma</p><p>de uma esterráster (p.ex. Placospongia</p><p>sp.). Eletromicrografia retirada do Atlas</p><p>of Sponge Morphology, de De Vos et</p><p>al. (1991).</p><p>267EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Siconóide</p><p>Sistema aquífero com câmaras de</p><p>coanócitos (cc) alongadas dispostas</p><p>radialmente, com cones distais livres</p><p>ou estendendo-se do átrio ao córtex</p><p>(p.ex. Sycon sp.). Eletromicrografia</p><p>retirada do Atlas of Sponge</p><p>Morphology, de De Vos et al. (1991).</p><p>Sigma</p><p>Microsclera em forma de “C” ou “S”</p><p>(p.ex. Lissodendoryx isodictyalis,</p><p>Monanchora arbuscula, Mycale</p><p>angulosa). Eletromicrografia retirada</p><p>do Atlas of Sponge Morphology, de De</p><p>Vos et al. (1991).</p><p>Sigmancistra</p><p>(Poecilosclerida)</p><p>Sigma com seção transversal em</p><p>forma de gota; por vezes com sulcos</p><p>subterminais discretos em sua face</p><p>interna. Eletromicrografia por D.A.</p><p>Lopes.</p><p>Sigmaspira</p><p>Microsclera sigmóide contorcida e</p><p>espinada (p.ex. Craniella quirimure,</p><p>Cinachyrella spp.)</p><p>Sileibide</p><p>Sistema aquífero com câmaras</p><p>coanocitárias alongadas organizadas</p><p>radialmente em torno da cavidade atrial</p><p>Simpatria Coexistência. Espécies que habitam uma mesma área são ditas</p><p>simpátridas.</p><p>Sinaptículo</p><p>São as ligações (pontes) que unem as</p><p>espículas, compostas por um cimento</p><p>silicoso.</p><p>Sistema</p><p>aquífero</p><p>Sistema de canais (inalantes e exalantes) e câmaras de coanócitos por</p><p>onde a água circula no interior da esponja.</p><p>Subcortical Adjacente à base do córtex.</p><p>Substrato</p><p>inconslidado Relativamente fluido – cascalho, areia, lama.</p><p>268 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Glossário</p><p>Subtilóstilo</p><p>Tilóstilo com uma extremidade</p><p>pontiaguda e a outra levemente</p><p>expandida, formando uma "cabeça"</p><p>mal-definida (p.ex. Clathria venosa,</p><p>Monanchora arbuscula, Mycale</p><p>angulosa). Eletromicrografias por E.L.</p><p>Esteves.</p><p>Tauactina</p><p>(Amphidiscophora)</p><p>Espícula diaxônica com tres raios</p><p>situados em um único plano; em forma</p><p>de T.</p><p>Telescópica Termo usado para designar o final da espícula que possui constrições</p><p>escalonadas (p.ex. Scopalina ruetzleri). Veja Óxea.</p><p>Terciária, fibra</p><p>Fibra que interconecta as fibras</p><p>secundárias (ou estas com as</p><p>primárias) em um esqueleto reticulado</p><p>(p.ex. Callyspongia pergamentacea).</p><p>Tetractina</p><p>(Calcarea)</p><p>Espícula calcária com quatro raios</p><p>(p.ex. Grantessa sp., Leucilla sp.).</p><p>Tiláster</p><p>Euáster com raios livres, com a</p><p>ponta expandida (p.ex. Tethya maza).</p><p>Eletromicrografia por P. Willenz.</p><p>Tilo</p><p>Espessamento semi-esférico no eixo</p><p>de uma espícula; em uma ou ambas</p><p>extremidades; ou ao longo do eixo,</p><p>uma ou múltiplas vezes.</p><p>Tilóstilo</p><p>Megasclera monactinal com tilo basal</p><p>bem delineado (p.ex. Cliona celata,</p><p>Spirastrella hartmani, Suberites</p><p>aurantiacus).</p><p>Tiloto</p><p>Megasclera diactinal com tilos</p><p>em ambas extremidades (p.ex.</p><p>Lissodendoryx isodictyalis, Tedania</p><p>ignis).</p><p>269EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Glossário</p><p>Toxa</p><p>Microsclera em forma de arco</p><p>(p.ex. Clathria schoenus, C. venosa</p><p>Haliclona melana, H. rodriguesi).</p><p>Eletromicrografias por B. Cosme.</p><p>Triactina</p><p>(Calcarea)</p><p>Uma espícula de três raios. Veja</p><p>parasagital, pseudosagital, regular, and</p><p>espícula sagital, parasagital, pseudo</p><p>sagital e regular (p.ex. Clathrina sp.,</p><p>Grantessa sp., Leucilla sp.).</p><p>Tricodragma Feixe de ráfides (p.ex. Mycale angulosa, Thrinacophora funiformis).</p><p>Tricóxea Óxea muito fina e comprida (p.ex. Leucilla).</p><p>Triênio</p><p>Termo coletivo para megascleras tetraxônicas com um raio desigual</p><p>(rabdoma), muito mais longo que os outros três (os cládios, que</p><p>coletivamente formam o cladoma).</p><p>Triodo</p><p>(Homosclerophorida)</p><p>Triactina em que os raios são iguais,</p><p>retos, em um plano, e divergentes em</p><p>um ângulo de 120º.</p><p>Tripódio</p><p>(Calcarea)</p><p>Triactina regular, cujo centro está</p><p>em um plano distinto daquele das</p><p>extremidades dos raios.</p><p>Unguiferada,</p><p>isoquela</p><p>Uma isoquela ancorada com alas</p><p>livres delgadas e pontiagudas</p><p>(p.ex. Monanchora arbuscula).</p><p>Eletromicrografias por Eduardo L.</p><p>Esteves.</p><p>Uniespicular,</p><p>feixe</p><p>Feixe com uma única fileira de</p><p>espículas (p.ex. Haliclona spp.).</p><p>Verticilado Diz-se dos acantóstilos com espinhos</p><p>organizados em anéis.</p><p>Vulcaniforme Projeções cônicas ou abauladas baixas; em forma de vulcão (p.ex.</p><p>Haliclona caerulea, Xestospongia muta).</p><p>270 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Bergquist, P.R. 1978. Sponges. Hutchinson & Co,</p><p>London. 268 p.</p><p>Berlinck, R.G.S.; Hajdu, E.; da Rocha, R.M.;</p><p>de Oliveira, J.H.H.L.; Hernandez, I.L.C.;</p><p>Seleghim, M.H.R.; Granato, A.C.; de Almeida,</p><p>E.V.R.; Nunez, C.V.; Muricy, G.; Peixinho, S.;</p><p>Pessoa, C.; Moraes, M.O.; Cavalcanti, B.C.;</p><p>Nascimento, G.G.F.; Thiemann, O.; Silva, M.;</p><p>Souza, A.O.; Silva, C.L. & Minarini, P.R.R. 2004.</p><p>Challenges and rewards of research in marine</p><p>natural products chemistry in Brazil. Journal</p><p>of Natural Products 67: 510-522.</p><p>Borojevic, R. & Peixinho, S. 1976. Éponges</p><p>calcaires du nord-nord-est du Brésil. 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Smithsonian</p><p>Institution Press, Washington D.C. i-xi, 117 p.</p><p>[disponível em http://si-pddr.si.edu/jspui/</p><p>handle/10088/7829]</p><p>Hajdu, E.; Muricy, G.; Berlinck, R.G.S. & Freitas,</p><p>J.C. 1996. Marine porifera diversity in Brazil:</p><p>through knowledge to management. In:</p><p>Bicudo, C.E.M. & Menezes, N.A. (Eds).</p><p>Biodiversity in Brazil: a first approach.</p><p>Conselho Nacional de Desenvolvimento</p><p>Científico e Tecnológico, São Paulo. p. 157-172.</p><p>LITERATURA RECOMENDADA PARA APROFUNDAMENTO DO TEMA</p><p>Hajdu, E.; Berlinck, R.G.S. & Freitas, J.C.1999.</p><p>Porifera. In: Migotto, A.E., Tiago, C.G. (Eds),</p><p>Biodiversidade no estado de São Paulo,</p><p>Brasil: Síntese do conhecimento ao final</p><p>do século XX. 3: Invertebrados marinhos.</p><p>FAPESP. cap. 4, p. 21-31. [disponível em</p><p>http://www.biota.org.br/pdf/v3cap04.pdf]</p><p>Hajdu, E.; Santos, C.P.; Lopes, D.A.; Oliveira,</p><p>M.V.; Moreira, M.C.F.; Carvalho, M.S. &</p><p>Klautau, M. 2004. Filo Porifera. In: Amaral,</p><p>A.C.Z.; Carmen Lúcia Del Bianco Rossi-</p><p>Wongtschowski. (Org.). Biodiversidade</p><p>Bentônica da Região Sudeste-Sul do Brasil –</p><p>Plataforma Externa e Talude Superior. Série</p><p>Documentos REVIZEE – Score Sul. São</p><p>Paulo: Instituto Oceanográfico. p. 49-56.</p><p>Hechtel, G.J. 1976. Zoogeography of Brazilian</p><p>marine Demospongiae. In: Harrison, F.W.</p><p>& Cowden, R.R., eds. Aspects of sponge</p><p>biology. Nova Iorque: Academic Press. p.</p><p>237-260.</p><p>Hooper, J.N.A. & van Soest, R.W.M. 2002.</p><p>Systema Porifera: A Guide to the</p><p>Classification of Sponges, vol. 1-2.</p><p>Nova Iorque: Kluwer Academic/Plenum</p><p>Publishers. xlviii + 1810 p.</p><p>Moraes, F.; Ventura, M.; Klautau, M.; Hajdu,</p><p>E. & Muricy, G. 2006. Biodiversidade de</p><p>esponjas das Ilhas Oceânicas Brasileiras.</p><p>In: Alves, R.J.V. & Castro, J.W. de A., orgs.</p><p>Ilhas Oceânicas Brasileiras – da pesquisa</p><p>ao manejo. Brasília: Ministério do Meio</p><p>Ambiente. cap. 6, 147-177 p.</p><p>Mothes, B.; Lerner, C. &</p><p>Silva, C.M.M. 2006.</p><p>Esponjas Marinhas: Costa Sul-Brasileira.</p><p>Guia Ilustrado. 2ª edição Coleção Manuais</p><p>de Campo USEB 1. Pelotas: USEB. 124 p.</p><p>Muricy, G.; Esteves, E.L., Moraes, F., Santos,</p><p>J.S.,da Silva, S.M.S., Klautau, M. & Lanna,</p><p>E. 2008. Biodiversidade marinha da bacia</p><p>Potiguar: Porifera. Museu Nacional, Série</p><p>Livros 29. 156 pags.</p><p>Muricy, G. & Hajdu, E. 2006. Porifera Brasilis:</p><p>guia de identificação das esponjas marinhas</p><p>mais comuns do sudeste do Brasil. Rio de</p><p>Janeiro: Museu Nacional, Série Livros 17,</p><p>1-104 p.</p><p>271EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Literatura Recomendada</p><p>Muricy, G.; Moraes, F.; Klautau, M.; Menegola,</p><p>C.; Lopes, D.A.; Pinheiro, U.S.; Hajdu, E.</p><p>& Carvalho, M.S. Catalogue of Brazilian</p><p>Porifera. A ser submetido à Zootaxa.</p><p>Muricy, G.; Santos, C.P.; Batista, D.; Lopes, D.A.;</p><p>Pagnoncelli, D.; Monteiro, L.C.; Oliveira,</p><p>M.V.; Moreira, M.C.F.; Carvalho, M. de S.;</p><p>Melão, M.; Klautau, M.; Rodriguez, P.R.D.;</p><p>Costa, R.N.; Silvano, R.G.; Schwientek, S.;</p><p>Ribeiro, S.M.; Pinheiro, U.S. & Hajdu, E. 2006.</p><p>Filo Porifera. In: Lavrado, H.P. & Ignácio,</p><p>B.L., orgs. Biodiversidade bentônica da</p><p>região central da Zona Econômica Exclusiva</p><p>brasileira. Museu Nacional, Série Livros 18,</p><p>Rio de Janeiro, pp. 109-145.</p><p>Seleghim, M.H.R.; Lira, S.P.; Kossuga, M.H.;</p><p>Batista, T.; Berlinck, R.G.S.; Hajdu, E.; Muricy,</p><p>G.; Rocha, R.M.; Nascimento, G.G.F.; Silva,</p><p>M.; Pimenta, E.F.; Thiemann, O.H.; Oliva, G.;</p><p>Cavalcanti, B.C.; Pessoa, C.; Moraes, M.O.;</p><p>Galetti, F.C.S.; Silva, C.L.; Souza, A.O. &</p><p>Peixinho, S. 2007. Antibiotic, cytotoxic and</p><p>enzyme inhibitory activity of crude extracts</p><p>from Brazilian marine invertebrates. Revista</p><p>Brasileira de Farmacognosia 17: 287-318.</p><p>Zea, A. 1987. Esponjas del Caribe Colombiano.</p><p>Bogotá: Catálogo Científico. 286 p.</p><p>Zilberberg, C.; Klautau, M.; Menegola, C.;</p><p>Berlink, R.G.S. & Hajdu, E. 2009. Porifera.</p><p>In: Zoologia no Brasil. Estado da arte</p><p>e perspectivas. Congresso Brasileiro de</p><p>Zoologia, Curitiba. Curitiba: UFPR. 17-28 p.</p><p>272 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ORIGINAIS PARA AS ESPÉCIES INCLUIDAS</p><p>NESTE GUIA, OU CONSULTADAS PARA ELABORAÇÃO DOS COMENTÁRIOS</p><p>Ab’Sáber, A.N. 2001. Litoral do Brasil.</p><p>Metalivros, São Paulo. 287 p.</p><p>Alander, H. 1935. Additions to the Swedish</p><p>sponge fauna. Arkiv för Zoologi 28B (5): 1-6.</p><p>Alcolado, P.M. 1984. Nuevas especies de</p><p>esponjas encontradas en Cuba. Poeyana 271:</p><p>1-22.</p><p>Alcolado, P. 2007. Reading the code of coral</p><p>reef sponge community composition and</p><p>structure for environmental biomonitoring:</p><p>some experiences from Cuba. In: Custódio,</p><p>M.R.; Lôbo-Hajdu, G.; Hajdu, E. & Muricy,</p><p>G. (Eds). Porifera Research: Biodiversity,</p><p>Innovation and Sustainability. Museu</p><p>Nacional, Rio de Janeiro. p.3-10.</p><p>Andrea, B.; Batista, D.; Sampaio, C.L.S &</p><p>Muricy, G. 2007. 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Revisão taxonômica</p><p>e filogenia de Crambe Vosmaer, 1880 e</p><p>Monanchora Carter, 1883 (Crambeidae,</p><p>Poecilosclerida, Demospongiae). Tese de</p><p>doutorado. Museu Nacional, Rio de Janeiro.</p><p>313p.</p><p>Gandolfi, R.; Medina, M.B.; Berlinck, R.G.S.;</p><p>Lira, S. P. de; Galetti, F.C.S.; Silva, C.L.;</p><p>Veloso, K.; Ferreira, A.G.; Hajdu, E. &</p><p>Peixinho, S. 2010. Metabólitos secundários</p><p>das esponjas Aplysina fistularis e Dysidea</p><p>sp. e atividade antituberculose da</p><p>11-cetofistularina-3. Química Nova 33: 1853-</p><p>1858.</p><p>Gao, H.; Kelly, M. & Hamann, M.T. 1999.</p><p>Bromotyrosine-derived metabolites from the</p><p>sponge Aiolochroia crassa. Tetrahedron 55:</p><p>9717-9726.</p><p>George, W.C. & Wilson, H.V. 1919. Sponges of</p><p>Beaufort (N.C.) Harbor and Vicinity. Bulletin</p><p>of the Bureau of Fisheries 36: 129-179, pls</p><p>LVI-LXVI.</p><p>Grant, R.E. 1826. 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Molecular</p><p>Phylogenetics and Evolution 56 (1): 13-20</p><p>Referências Bibliográficas</p><p>276 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>272</p><p>18</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Poças de maré em ambiente misto na Praia de Ondina (Salvador),</p><p>Jul/2006. Diversas espécies de esponjas podem ser encontradas no local,</p><p>principalmente em fendas e pequenas cavidades abrigadas do embate direto</p><p>das ondas e do pisoteio dos visitantes. Este ambiente inclui rochas graníticas</p><p>e areníticas, além de corais e algas coralináceas como principais frações do</p><p>substrato consolidado.</p><p>19EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O interesse pelos organismos marinhos, particularmente algas, esponjas, cnidários,</p><p>briozoários e ascídias, cresceu significativamente nas últimas décadas, principalmente</p><p>pelo fato de terem servido como fonte de numerosos metabólitos com atividades</p><p>farmacológicas. Apenas as esponjas e seus microorganismos associados geraram</p><p>mais de 5000 compostos até 2008. Alguns destes metabólitos deram origem a</p><p>substâncias comercializadas na atualidade para o tratamento de enfermidades que</p><p>afligem grande número de pessoas em todo o mundo. Dentre estes, o Aciclovir (Ara</p><p>A), utilizado no tratamento da Herpes do tipo 2, a Citarabina (Ara C), um potente</p><p>tratamento para algumas leucemias e linfomas, e o AZT, que compõe um dos</p><p>primeiros coquetéis anti-AIDS.</p><p>Além do rico espectro de substâncias bioativas que produzem, esponjas são</p><p>potenciais bioindicadoras de poluição, o que decorre de serem sésseis e filtradoras, e</p><p>em sua maioria, sensíveis a alterações da qualidade ambiental. As esponjas são também</p><p>excelentes modelos para a pesquisa básica, em função de sua organização relativamente</p><p>simples e preponderantemente de grau celular, o que contribui para tornar este</p><p>grupo uma das prioridades no estudo da biodiversidade do bentos marinho.</p><p>Caracterização do Filo Porifera</p><p>As esponjas formam um grupo bem sucedido nos mares atuais e sua história</p><p>geológica é muito antiga, com registro fóssil no Vendiano superior, cerca de 600</p><p>milhões de anos atrás. Ao longo de dezenas de milhões de anos, estes organismos</p><p>foram os principais construtores de recifes, desempenhando, portanto papel</p><p>estrutural essencial, marcadamente associado ao incremento da biodiversidade.</p><p>Semelhante contraste se observa no presente, quando comparamos um recife de</p><p>coral ao fundo de areia ou lama que o cerca.</p><p>Nos ambientes marinhos costeiros, as esponjas chamam a atenção</p><p>principalmente por suas cores e formas variadas. Porém, menos alardeadas no</p><p>dia a dia das salas de aula e noticiários, o mais comum é que sejam confundidas</p><p>com algas, corais ou mesmo rochas, como consequência de seu hábito séssil,</p><p>aparentemente estático. Seu tamanho também varia muito, pois há esponjas que</p><p>se mede em milímetros, enquanto outras ultrapassam um ou mais metros, seja</p><p>em comprimento, altura ou diâmetro. São notoriamente assimétricas, porém</p><p>há exceções. Organizações anatômicas em disposição radial são relativamente</p><p>comuns, e em casos mais raros, geralmente no mar profundo, pode-se observar</p><p>padrões que assemelham-se superficialmente ao bilateral e até mesmo ao</p><p>metamérico.</p><p>O nome do Filo – Porifera (do latim porus = poro; e ferre = portador) significa</p><p>poroso, esponjoso, e deve-se à presença de numerosos poros na superfície destes</p><p>animais. Apesar de o termo esponjoso dar idéia de macio, não há apenas espécies</p><p>20</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>21EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>moles ou muito moles (p.ex. Aplysilla aff. rosea), existem também espécies tão duras</p><p>que podem ser confundidas com rochas (p.ex. Ecionemia sp., Placospongia sp.). No BOX</p><p>1 (p 22) estão incluídos diversos aspectos que caracterizam o Filo de forma sucinta.</p><p>O corpo de uma esponja está organizado em três camadas: a pinacoderme, o</p><p>mesoílo e a coanoderme. As células superficiais, os pinacócitos, revestem tanto a</p><p>superfície externa como a basal de uma esponja, assim como a superfície dos canais</p><p>internos, presentes na maioria das esponjas, e próximo dos quais se encontram os</p><p>coanócitos. Estes estão organizados em uma monocamada contínua, em grandes</p><p>sacos, ou em pequenas câmaras. Entre as camadas de pinacócitos e de coanócitos</p><p>há o mesoílo com sua matriz fundamental de fibrilas de colágeno, frequentemente</p><p>associada a outros elementos esqueléticos, sejam de natureza orgânica ou inorgânica,</p><p>bem como alguns tipos celulares coletivamente denominados “amebócitos”. Entre</p><p>esses se destacam os arqueócitos com funções de digestão, reprodução e regeneração,</p><p>cujo grau de totipotência é muito alto, ou seja, estas células indiferenciadas são</p><p>capazes de se transformar em todos os outros tipos celulares – são “as células tronco</p><p>das esponjas”!</p><p>O sistema aquífero das esponjas pode apresentar três tipos básicos de orga-</p><p>nização, do mais simples para o mais complexo – asconóide, siconóide e leuconóide,</p><p>mas com alguns padrões intermediários, por exemplo, sileibide, transição de</p><p>siconóide para leuconóide. O padrão mais complexo é o presente na ampla maioria</p><p>das esponjas, ampliando suas superfícies de contato com o meio, o que facilita o</p><p>desempenho de diversas funções fisiológicas, ao mesmo tempo em que permite</p><p>a algumas destas esponjas alcançar grandes dimensões. O percurso da água em</p><p>uma esponja leuconóide é o seguinte: entrada por pequenos orifícios inalantes</p><p>(poros, óstios, ostíolos), passagem por uma rede de canais inalantes até atingir os</p><p>motores do sistema, as câmaras coanocitárias, onde o batimento dos flagelos dos</p><p>coanócitos geram uma corrente de água que sai por uma rede de canais exalantes</p><p>que convergem aos ósculos da esponja, para retorno ao meio circundante. A página</p><p>eletrônica Porifera Brasil apresenta uma animação deste processo em http://www.</p><p>poriferabrasil.mn.ufrj.br/8-ferramentas/animacoes/aquifero.htm.</p><p>As esponjas mais simples, do tipo asconóide, têm canais ou uma câmara única</p><p>� Formas de crescimento e típicos relevos da superfície frequentemente observados entre</p><p>as esponjas: 1, arborecente; 2, areolada; 3, caliciforme; 4, rendada; 5, clavada; 6, colunar;</p><p>7, conulosa; 8, corrugada; 9, digitiforme; 10, incrustante; 11, endopsâmica; 12, excavadora;</p><p>13, ficiforme (em forma de figo); 14, fistulosa; 15, flabelada; 16, flageliforme; 17, foliácea; 18,</p><p>globular; 19, híspida; 20, em forma de colméia; 21, infundibuliforme (afunilada); 22, oval; 23,</p><p>palmada; 24, papilada; 25, pedunculada; 26, peniforme; 27, reptante (paralela ao substrato,</p><p>tocando-o em diversos pontos, como uma serpente em movimento); 28, estriado; 29, rugosa;</p><p>30, espinada; 31, cauliforme (sustentada por pedúnculo longo); 32, sulcada; 33, tubular; 34,</p><p>turbinada (em forma de cone invertido); 35, verrucosa; 36, hirsuta. Retirado de Boury-Esnault &</p><p>Rützler (1997, Thesaurus of Sponge Morphology. Smithsonian Contributions to Zoology 596).</p><p>22</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>1 - Metazoários sésseis no estádio adulto;</p><p>2 - Dimensões variando da ordem de milímetros a metros;</p><p>3 - Preponderantemente assimétricos;</p><p>4 - Plasticidade acentuada: uma mesma espécie pode ter diferentes formas</p><p>em resposta às condições ambientais (p.ex. hidrodinamismo, taxas de</p><p>sedimentação);</p><p>5 - Coloração variada, inclusive em uma mesma espécie;</p><p>6 - Nível celular de organização prevalece, à exceção dos epitélios, que</p><p>funcionam como tecidos verdadeiros, inclusive com lâmina basal em</p><p>alguns táxons;</p><p>7 - Coanócitos, pinacócitos e “amebócitos”, formam respectivamente</p><p>a coanoderme, a pinacoderme (exo-, endo-, e basopinacoderme; =</p><p>epitélios) e o mesoílo (este último ainda com elementos adicionais</p><p>diversificados);</p><p>8 - Sistema aquífero bastante variado: múltiplos poros inalantes (óstios)</p><p>e uma ou muitas aberturas exalantes (ósculos), câmaras coanocitárias</p><p>reduzidas ou numerosas, com presença ou ausência de canais;</p><p>9 - Esqueleto formado por elementos minerais, e/ou orgânicos, como</p><p>fibras, fibrilas e/ ou espiculóides;</p><p>10 - Filtradores ativos do tipo micrófago, excetuando–se algumas esponjas</p><p>carnívoras;</p><p>os coanócitos capturam diminutas partículas (p.ex.</p><p>bactérias) nas microvilosidades do colarinho da célula;</p><p>11 - Digestão intracelular nos amebócitos do tipo arqueócito, que receberam</p><p>o alimento dos coanócitos;</p><p>12 - Os produtos de excreção são geralmente nitrogenados,</p><p>13 - Respiração por simples difusão entre células e a água circundante;</p><p>14 - Respostas coordenadas a estímulos na forma de contração oscular,</p><p>interrupção e mesmo reversão do fluxo de água;</p><p>15 - Grande capacidade de regeneração – em alguns casos a esponja pode</p><p>ter suas células dissociadas mecanicamente e reassumir a forma de</p><p>uma esponja funcional em seguida (passados alguns dias);</p><p>16 - Reprodução assexuada por brotamento, gemulação ou fissão;</p><p>17 - Reprodução sexuada em padrão monóico ou dióico; do tipo ovíparo ou</p><p>vivíparo, com larvas no estádio blástula (anfiblástulas, calciblástulas,</p><p>cinctoblástulas, clavablástulas, disférulas, hoplitomelas, parenquimelas</p><p>e triquimelas).</p><p>Características gerais das esponjas</p><p>23EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>(átrio), revestidos por uma monocamada de coanócitos. Neste caso, o fluxo de água</p><p>gerado para fora da esponja força a entrada de água nos canais, o que em alguns casos</p><p>se dá através de células especializadas, denominadas porócitos, que funcionam como</p><p>um “microcano” (canalículo) de contato entre o interior dos tubos e o meio externo.</p><p>A distribuição das células e do esqueleto são testemunhos da integração de todo o</p><p>sistema corporal. As diferentes categorias celulares não se distribuem ao acaso, mas</p><p>obedecem a um esquema relacionado ao funcionamento do animal, estruturado em</p><p>função do sistema aquífero.</p><p>Há três famílias que incluem espécies carnívoras – Cladorhizidae, Guitarridae</p><p>e Esperiopsidae, as duas últimas com apenas uma espécie supostamente carnívora</p><p>registrada para cada. Estas esponjas usam espículas especiais, distribuídas de forma a</p><p>atuar como um velcro, com as quais elas capturam suas presas, geralmente pequenos</p><p>crustáceos. A digestão inicia-se extracelularmente e se completa no interior das células.</p><p>Portanto, é nessas esponjas que surge pela primeira vez a digestão extracelular, e não</p><p>nos cnidários como se pensava até então.</p><p>� Plano básico de organização de uma esponja (as setas indicam o caminho percorrido</p><p>pela corrente de água no interior da esponja): 1, exopinacócito (revestimento externo); 2,</p><p>actinócito (célula contrátil); 3, esclerócito (secreção de espiculas); 4, coanócitos (corrente</p><p>de água); 5, espongina; 6, basopinacócito (revestimento basal); 7, célula esferulosa;</p><p>8, espongócito (secreção de fibras de espongina); 9, lofócito (tipo de colêncito com</p><p>um tufo de fibrilas de colágeno presas em seu pólo posterior); 10, arqueócito (célula</p><p>totipotente); 11, endopinacócito (revestimento interno); 12, colêncito (secreção de</p><p>colágeno). Retirado de Boury-Esnault & Rützler (1997, Thesaurus of Sponge Morphology.</p><p>Smithsonian Contributions to Zoology 596).</p><p>24</p><p>Esponjas Marinhas da Bahia</p><p>ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>A maioria das esponjas possui um esqueleto interno, secretado por células do</p><p>mesoílo ou “roubado” ao meio. Os esqueletos secretados compreendem elementos</p><p>silicosos ou calcários, e elementos orgânicos. Elementos silicosos podem ser</p><p>espículas isoladas ou em distintos graus de fusionamento, até tornar a esponja dura</p><p>feito uma rocha, como no caso de muitas espécies litistídeas e algumas “esponjas</p><p>de vidro” (Classe Hexactinellida, ver a seguir). Já se conhece no Brasil exemplos</p><p>dos dois casos. Elementos calcários também podem ocorrer como espículas isoladas,</p><p>ou formar arcabouços sólidos em algumas espécies conhecidas como esponjas</p><p>coralinas. Este tipo de organização ainda não foi observado em nenhuma esponja</p><p>brasileira. Os elementos orgânicos são principalmente na forma de fibras de</p><p>espongina, mas há também alguns poucos casos com notáveis reforços estruturais</p><p>de colágeno fibrilar, e em outros, espiculóides de espongina isolados. A espongina é</p><p>uma escleroproteína, um composto orgânico semelhante à quitina, ao colágeno e à</p><p>queratina, presente notadamente nas esponjas de banho, principalmente dos gêneros</p><p>Spongia e Hippospongia, comuns no mar Mediterrâneo. Conhece-se algumas espécies</p><p>de esponjas de banho do mar brasileiro, mas ainda não se detectou alguma em</p><p>quantidade minimamente satisfatória para viabilizar sua exploração comercial. Este</p><p>� Eletromicrografia de um</p><p>arranjo siconóide do sistema</p><p>aquífero de Sycon sycandra</p><p>(Lendenfeld, 1895). CC, câmara</p><p>coanocitária. A, cavidade atrial.</p><p>Retirado de De Vos et al. (1991),</p><p>Atlas of Sponge Morphology.</p><p>Smithsonian Institution Press,</p><p>Washington D.C.</p><p>� Microscleras do tipo anisoquela palmada, dispostas</p><p>sobre feixes de megascleras, formando um arranjo</p><p>similar ao do velcro, utilizado aqui para captura</p><p>de presas. Eletromicrografia de uma esponja de</p><p>profundidade da Bacia de Campos (RJ).</p><p>25EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>Guia apresenta diversas espécies com abundante ocorrência de espongina em seus</p><p>esqueletos, com destaque para aquelas dos gêneros Aplysina, Callyspongia e Ircinia.</p><p>Por fim, nem sempre a esponja secreta a integralidade de seu esqueleto, sendo</p><p>comum apoderar-se especialmente de componentes minerais do meio circundante.</p><p>Estes podem ser sedimentos, frequentemente selecionados, e em alguns casos com</p><p>uma curiosa preferência por espículas ou fragmentos de espículas, ou hastes de</p><p>sustentação construídas por outros organismos, como no caso dos esqueletos da</p><p>alga Jania adherens. São nestes componentes do esqueleto das esponjas que se baseia</p><p>preponderantemente a classificação do Filo, uma consequência natural da observada</p><p>plasticidade dos aspectos externos, associada ao mau estado de preservação de boa</p><p>parte das amostras estudadas antes do advento do mergulho autônomo em meados</p><p>do século XX.</p><p>A respiração é feita por difusão, sendo o processo facilitado pela enorme su-</p><p>perfície de contato com o meio líquido, decorrente do amplo sistema de canais e</p><p>lacunas. Este sistema permite que cada célula supra suas necessidades de oxigênio e</p><p>de eliminação de gases e excretas nitrogenados, seja por estar em contato direto com</p><p>o meio, ou à curta distância do mesmo. Esponjas não têm nem células sensoriais,</p><p>nem células nervosas. No entanto, são capazes de respostas coordenadas, como no</p><p>fechamento de óstios e ósculos, interrupção e reversão de fluxo de água, na libera-</p><p>ção sincronizada de gametas, e em outras distintas situações. Nestes casos, tal feito</p><p>é atingido através da transmissão célula à célula por actinócitos, ou por transmissão</p><p>de substâncias mensageiras, chamadas alomônios. Apenas as esponjas de ambientes</p><p>dulciaquícolas necessitam de um sistema de osmorregulação, e este é constituído</p><p>por vacúolos contráteis, à semelhança de protozoários que vivem nestes mesmos</p><p>ambientes.</p><p>As esponjas marinhas podem se reproduzir assexuada ou sexuadamente. No</p><p>primeiro caso as formas mais comuns são o brotamento, que pode ocorrer o ano</p><p>todo, e a fissão. Esta última pode estar mais atrelada a fenômenos naturais de grande</p><p>escala como as tempestades tropicais e os furacões. Especialmente nas esponjas dul-</p><p>ciaquícolas, períodos de seca ou maior frio podem induzir a produção de gêmulas,</p><p>que são corpos de resistência.</p><p>São conhecidas numerosas espécies monóicas ou dióicas, embora a primeira</p><p>estratégia seja a mais frequente, normalmente com produção de células masculinas</p><p>e femininas em períodos alternados. A formação de gametas é geralmente sazonal e</p><p>implica na desdiferenciação e rediferenciação de arqueócitos e coanócitos, tanto na</p><p>ovogênese como na espermatogênese. Em muitas esponjas a fecundação é externa,</p><p>contudo, nas esponjas vivíparas o espermatozóide é eliminado para o ambiente,</p><p>de onde será capturado acidentalmente por outra esponja. Ao penetrar no sistema</p><p>aquífero desta outra esponja de sua espécie, será capturado por um coanócito,</p><p>que sob a forma amebóide o transferirá para o óvulo.</p><p>Esta fecundação é indireta e</p><p>absolutamente original.</p><p>26 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Classificação e caracterização das classes e ordens</p><p>As diagnoses apresentadas para Classes, Subclasses e Ordens são traduções e em</p><p>alguns casos adaptações daquelas oferecidas por diversos autores na obra Systema</p><p>Porifera (ver Hooper e Van Soest nas referências, uma compilação de dados de</p><p>distintos autores).</p><p>CLASSE CALCAREA Bowerbank, 1864. Esponjas com esqueleto mineral composto</p><p>inteiramente de carbonato de cálcio, consistindo de espículas di-, tri-, e/ou tetracti-</p><p>nais livres, raramente conectadas ou cimentadas, às vezes com um esqueleto calcíti-</p><p>co basal sólido, e com larvas do tipo blástula e reprodução vivípara. Duas subclasses</p><p>recentes são reconhecidas, contendo cinco ordens, 22 famílias e 75 gêneros válidos,</p><p>com espécies exclusivamente marinhas e distribuição global. Apresenta a maior di-</p><p>versidade de planos de organização básica do sistema aquífero – ascon, sicon e leu-</p><p>con, e estádios intermediários.</p><p>SUBCLASSE CALCINEA Bidder, 1898. Calcarea com triactinas regulares (equian-</p><p>gulares e equirradiadas) ou excepcionalmente parassagitais ou sagitais, e/ou um</p><p>sistema basal de tetractinas. Em adição às espículas livres pode haver um esqueleto</p><p>calcário basal não espicular. Em termos de ontogenia, as triactinas são as primeiras</p><p>espículas secretadas. Os coanócitos possuem núcleos basais esféricos. O corpo basal</p><p>do flagelo não é adjacente ao núcleo. Espécies desta subclasse incubam larvas do</p><p>tipo coeloblástula.</p><p>Ordem Clathrinida Hartman, 1958. Calcinea com o esqueleto composto exclusi-</p><p>vamente de espículas livres, sem reforços hipercalcificados não espiculares, fei-</p><p>xes espiculares, escamas ou placas calcárias. Inclui seis famílias e 16 gêneros.</p><p>Ordem Murrayonida Vacelet, 1981. Calcinea com esqueleto reforçado consistindo</p><p>de uma rede de calcita, placas calcárias, ou de feixes espiculares geralmente</p><p>compostos de triactinas do tipo diapasão. Sistema leuconóide de canais. Inclui</p><p>três famílias, três gêneros recentes válidos, e apenas três espécies recentes de</p><p>cavidades em recifes de corais. Não há registros para o Brasil.</p><p>SUBCLASSE CALCARONEA Bidder, 1898. Calcarea com diactinas e/ou triactinas</p><p>e tetractinas sagitais, raramente também com espículas regulares. Em adição às es-</p><p>pículas livres, pode haver um esqueleto calcário basal não espicular, no qual espícu-</p><p>las basais estão cimentadas umas às outras, ou completamente imersas no cimento</p><p>calcário circundante. Em sua ontogenia as primeiras espículas produzidas em larvas</p><p>assentadas são diactinas. Os coanócitos possuem núcleos apicais, e o sistema basal</p><p>do flagelo é adjacente à região apical do núcleo. Espécies desta subclasse incubam</p><p>larvas do tipo anfiblástula.</p><p>27EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>Classificação das esponjas recentes</p><p>Filo Porifera</p><p>Classe Calcarea</p><p>Subclasse Calcinea</p><p>Ordem Clathrinida</p><p>Ordem Murrayonida</p><p>Subclasse Calcaronea</p><p>Ordem Leucosolenida</p><p>Ordem Lithonida</p><p>Classe Demospongiae</p><p>Ordem Agelasida</p><p>Ordem Astrophorida</p><p>Ordem Chondrosida</p><p>Ordem Dendroceratida</p><p>Ordem Dictyoceratida</p><p>Ordem Hadromerida</p><p>Ordem Halichondrida</p><p>Ordem Halisarcida</p><p>Ordem Haplosclerida</p><p>Ordem Homosclerophorida</p><p>Ordem Poecilosclerida</p><p>Ordem Spirophorida</p><p>Ordem Verongida</p><p>“Lithistida”</p><p>Classe Hexactinellida</p><p>Subclasse Amphidiscophora</p><p>Ordem Amphidiscosida</p><p>Subclasse Hexasterophora</p><p>Ordem Aulocalycoida</p><p>Ordem Hexactinosida</p><p>Ordem Lychniscosida</p><p>Ordem Lyssacinosida</p><p>28 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>Ordem Leucosolenida Hartman, 1958. Calcaronea com um esqueleto composto</p><p>exclusivamente de espículas livres, sem reforços hipercalcificados não espicula-</p><p>res. O sistema aquífero é asconóide, siconóide, sileibide ou leuconóide. No últi-</p><p>mo caso, a organização radial em torno de um átrio central pode ser geralmente</p><p>detectada por um esqueleto atrial bem formado tangencial à parede do átrio, e/</p><p>ou um esqueleto subatrial consistindo de tri- ou tetractinas subatriais com as</p><p>actinas pares tangenciais à parede do átrio e a actina ímpar perdendicular à esta.</p><p>O desenvolvimento pós-larval passa (presumivelmente sempre) por um estádio</p><p>olintus. Inclui nove famílias e 52 gêneros.</p><p>Ordem Lithonida Vacelet, 1981. Calcaronea com esqueleto reforçado consistindo</p><p>ou de tetractinas com suas actinas basais unidas ou cimentadas, ou de uma mas-</p><p>sa rígida de calcita. Espículas do tipo diapasão geralmente presentes. Sistema</p><p>leuconóide de canais. Inclui duas famílias e seis gêneros recentes válidos. Não há</p><p>registros para o Brasil.</p><p>Ordem Baerida Borojevic, Boury-Esnault & Vacelet, 2000. Calcaronea leuconói-</p><p>des, com o esqueleto composto ou exclusivamente de microdiactinas, ou no qual</p><p>as microdiactinas constituem exclusiva ou predominantemente um setor espe-</p><p>cífico do esqueleto, assim como o coanossomal ou atrial. Espículas grandes ou</p><p>gigantes estão frequentemente presentes no esqueleto cortical, a partir do qual</p><p>elas podem invadir parcial ou completamente o coanossoma. Em esponjas com</p><p>córtex reforçado, os poros inalantes podem estar restritos a regiões portadoras</p><p>de óstios, semelhantes a uma peneira. Pequenas tetractinas em forma de adaga</p><p>(pugioles) são frequentemente o único esqueleto do sistema aquífero exalante.</p><p>Inclui três famílias e oito gêneros recentes válidos.</p><p>CLASSE DEMOSPONGIAE Sollas, 1885. Porifera com espículas silicosas e/ou um</p><p>esqueleto fibroso, ou ocasionalmente sem esqueleto. Hipercalcificações basais são ra-</p><p>ras, assim como hipersilicificações. Espículas são monaxonais (monactinas ou diacti-</p><p>nas) ou tetraxônicas (tetractinas), nunca triaxônicas. O filamento axial está inserido em</p><p>uma cavidade triangular ou hexagonal. Compreende cerca de 85% de todas as espécies</p><p>recentes descritas, incluindo 13 ordens, 88 famílias e aproximadamente 500 gêneros.</p><p>Ordem Agelasida Hartman, 1980. Demospongiae com megascleras monactinais</p><p>com espinhos verticilados.</p><p>Ordem Astrophorida Sollas, 1888. Demospongiae com microscleras asterosas, as</p><p>vezes com micróxeas e microrráfides, e com megascleras tetractinais e óxeas dis-</p><p>postas radialmente ao menos na periferia. Megascleras tetractinais ou microscle-</p><p>ras asterosas podem estar ausentes.</p><p>29EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>Ordem Chondrosida Boury-Esnault & Lopès, 1985. Demospongiae, incrustantes</p><p>ou maciças, com um córtex distinto, enriquecido com colágeno fibrilar, com aber-</p><p>turas inalantes localizadas em redes-porais ou cones cribriporais e um esqueleto</p><p>frequentemente ausente, composto quando presente por fibras nodulares de es-</p><p>pongina ou microscleras asterosas apenas (nunca megascleras). Colágeno sem-</p><p>pre muito abundante. Ovíparas. Inclui uma família.</p><p>Ordem Dendroceratida Minchin, 1900. Demospongiae nas quais um esqueleto</p><p>de fibras de espongina está sempre presente, mas se comparado ao de Dictyo-</p><p>ceratida, é reduzido em relação ao volume total da esponja. O esqueleto pode</p><p>ser dendrítico ou anastomosante, mas nunca se observa clara distinção entre</p><p>componentes primários e secundários. As fibras sempre contêm medula e são</p><p>fortemente laminadas. Espículas fibrosas livres (espiculóides) podem suplemen-</p><p>tar o esqueleto. Câmaras coanocitárias são euripilosas. Esponjas frequentemente</p><p>macias e frágeis. As larvas são grandes parenquimelas incubadas, de estrutura</p><p>complexa, histologia diferenciada e um tufo terminal de cílios longos. Inclui duas</p><p>famílias.</p><p>Ordem Dictyoceratida Minchin, 1900. Demospongiae nas quais um esqueleto de</p><p>fibras de espongina, que representa uma porção significativa do volume corpo-</p><p>ral, está universalmente presente e é construído em um plano anastomosante. O</p><p>esqueleto se desenvolve de múltiplos pontos de fixação e, exceto em dois gêneros</p><p>onde as fibras primárias estão ausentes, é organizado em uma hierarquia de ele-</p><p>mentos primários, secundários, e às vezes terciários. Em uma família, o esqueleto</p><p>reticulado é suplementado por filamentos colagenosos dispersos pelo mesoílo. A</p><p>construção das fibras ou é homogênia, sem medula, com lâminas</p><p>de crescimento</p><p>firmemente aderidas e apenas detectáveis, ou com medula e fortemente lamina-</p><p>das, com medula se transformando em córtex. Neste, lâminas consecutivas estão</p><p>marcadas mas permanecem aderidas umas às outras. Inclui quatro famílias.</p><p>Ordem Hadromerida Topsent, 1894. Demospongiae com megascleras monaxôni-</p><p>cas (tilóstilos, subtilóstilos, óxeas ou derivados) formando um arranjo esqueléti-</p><p>co radial ou subradial, às vezes visível apenas na região periférica; espículas do</p><p>ectossoma frequentemente menores que as do coanossoma, e quando presentes</p><p>podem produzir um esqueleto cortical; espongina muitas vezes esparsa, produ-</p><p>zindo consistência não elástica; microscleras podem incluir várias formas de eu-</p><p>ásteres, espirásteres, microrrabdos, micróxeas e/ou ráfides em tricodragmas, ou</p><p>estar ausentes em vários táxons. Inclui 13 famílias.</p><p>Ordem Halichondrida Gray, 1867. Demospongiae com estilos, óxeas, estrôngi-</p><p>los ou espículas intermediárias, de tamanhos amplamante divergentes, e não</p><p>30 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>localizadas funcionalmente; esqueleto plumorreticulado, dendrítico ou confuso;</p><p>microscleras se presentes micróxeas e/ou tricodragmas. Inclui cinco famílias.</p><p>Ordem Halisarcida Bergquist, 1996. Demospongiae nas quais as câmaras coano-</p><p>citárias são tubulares, ramificadas ou de boca-larga. Larvas são parenquimelas</p><p>incubadas (disférulas) com histologia simples, não diferenciada e cílios de com-</p><p>primento uniforme. O esqueleto se constitui de colágeno fibrilar apenas, não há</p><p>elementos fibrosos ou minerais; o colágeno ectossomal e subectossomal é alta-</p><p>mente organizado. Inclui uma família, e um único gênero.</p><p>Ordem Haplosclerida Topsent, 1928. Demospongiae nas quais o esqueleto princi-</p><p>pal é parcialmente ou inteiramente composto por uma reticulação isodictial ani-</p><p>sotrópica ou isotrópica, ocasionalmente alveolada, de fibras de espongina e/ou</p><p>espículas, com feixes uni- a multiespiculares de espículas diactinais formando</p><p>malhas triangulares, retangulares ou poligonais. Megascleras são exclusivamente</p><p>óxeas ou estrôngilos, unidas com espongina ou incluídas em fibras de espongina;</p><p>microscleras, se presentes, podem incluir sigmas e/ou toxas (ambas frequente-</p><p>mente centroanguladas), micróxeas ou microestrôngilos, e em um grupo anfidis-</p><p>cos. Inclui seis famílias marinhas e sete dulciaquícolas. No esquema classificató-</p><p>rio vigente, todas as esponjas dulciaquícolas classificam-se nesta ordem.</p><p>Ordem Homosclerophorida Dendy, 1905. Demospongiae com exo- e endopinacó-</p><p>citos flagelados, uma membrana basal revestindo tanto a coanoderme quanto a</p><p>pinacoderme, câmaras coanocitárias ovais a esféricas, com organização leuconóide</p><p>ou semelhante à sileibide, e um tipo larval único, a cinctoblástula. Espículas, quan-</p><p>do presentes, são tetractinas peculiares (caltrops) e derivativos através de redu-</p><p>ção (diodos e triodos) ou através de ramificação de uma a todas as quatro actinas</p><p>(caltrops lofosos). Atualmente debate-se a elevação deste táxon ao nível de Classe.</p><p>Ordem Poecilosclerida Topsent, 1928. Demospongiae com esqueleto composto</p><p>de espículas silicosas discretas; esqueleto principal composto de megascleras</p><p>(monactinais, diactinais ou ambas) e fibras de espongina em vários estádios de</p><p>desenvolvimento. Tanto as fibras quanto o esqueleto mineral sempre exibem di-</p><p>ferenciação regional de tal forma que as megascleras são frequentemente dife-</p><p>renciadas em componentes ectossomais e coanossomais. Microscleras incluem</p><p>formas meniscóides como quelas (restritas à ordem), sigmas e derivativos de</p><p>sigmancistras, e outras formas diversas como toxas, ráfides, micróxeas e micror-</p><p>rabdos com discos. A ordem é predominantemente vivípara com larvas paren-</p><p>quimelas incompletamente ciliadas (uma família ovípara – Raspailiidae, e outra</p><p>possivelmente ovípara – Rhabderemiidae, são incluídas também). É a maior or-</p><p>dem em Demospongiae, incluindo 25 famílias.</p><p>31EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>Ordem Spirophorida Bergquist & Hogg, 1969. Demospongiae com megascleras</p><p>do tipo triênio e microscleras sigmaspiras. Inclui três famílias recentes.</p><p>Ordem Verongida Bergquist, 1978. Demospongiae nas quais o esqueleto anas-</p><p>tomosante é composto por malhas poligonais, e não se observa distinção entre</p><p>fibras primárias e secundárias. As fibras podem se organizar em um plano por</p><p>toda a esponja, ou em lamelas próximas à superfície; e por vezes fascículos fibro-</p><p>sos emaranhados enfatizam esta especialização da superfície. A típica organiza-</p><p>ção das fibras inclui uma medula de fibrilas finas envolta por um córtex marca-</p><p>damente laminar e concêntrico. Ambos podem estar praticamente perdidos em</p><p>alguns gêneros. Fibras secas parecem ocas. As câmaras coanocitárias são diploi-</p><p>dais ou euripilosas, e a matriz do mesoílo é densamente infiltrada por colágeno</p><p>fibrilar. Uma pigmentação muito comum é amarelo sulfúreo com nuances verdes,</p><p>que se oxida rapidamente para marrom-escuro/preto. A reprodução é ovípara e</p><p>a estrutura da larva é desconhecida. Compostos brominados ocorrem em todos</p><p>os gêneros que já foram estudados. Inclui quatro famílias.</p><p>Ordem incerta (ex-Lithistida). Demospongiae caracterizadas por espículas coa-</p><p>nossomais articuladas denominadas desmas, formando um esqueleto rígido na</p><p>maioria dos gêneros. Inclui 13 famílias.</p><p>CLASSE HEXACTINELLIDA Schmidt, 1870. Porifera com espículas silicosas de si-</p><p>metria triaxônica (cúbica) ou derivações desta forma básica. Espículas típicas são he-</p><p>xactinais em forma, os três eixos se interceptando em ângulos retos; perda de um ou</p><p>mais raios resulta em espículas de forma pentactinal, tetractinal, triactinal, diactinal</p><p>ou monactinal. O filamento axial é quadrado em seção transversal.</p><p>SUBCLASSE AMPHIDISCOPHORA Schulze, 1886. Hexactinellida lofofitosas que</p><p>sempre contêm microscleras do tipo anfidisco ou alguma variação destes, e microscle-</p><p>ras triaxônicas que nunca possuem ramificações terminais em seus raios (nunca mi-</p><p>croscleras asterosas). O esqueleto coanossomal consiste de megascleras livres, nunca</p><p>fusionadas, na forma de hexactinas, pentactinas, estauractinas, tauactinas, diactinas</p><p>ou uma combinação destas. Hipodermalia usualmente como pentactinas, raramente</p><p>hexactinas e estauractinas. Inclui apenas uma ordem recente e três famílias.</p><p>Ordem Amphidiscosida Schrammen, 1924. Idêntica à Subclasse.</p><p>SUBCLASSE HEXASTEROPHORA Schulze, 1886. Hexactinellida basifitosas, rizo-</p><p>fitosas ou lofofitosas, nas quais as microscleras são principalmente asterosas, tipica-</p><p>mente hexásteres. Anfidiscos ocorrem apenas raramente como variações de disco-</p><p>hexactinas. Esqueletos coanossomais podem se constituir inteiramente de espículas</p><p>32 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>livres, às vezes irregularmente agrupadas por sinaptículos ou sílica cimentante nos</p><p>pontos de contato, ou de hexactinas fusionadas de maneira regular, formando um</p><p>arcabouço dictional. Nós dictionais, onde presentes, podem ser inteiramente sim-</p><p>ples ou como licniscos (nós tipo lampião).</p><p>Ordem Aulocalycoida Tabachnick & Reiswig, 2000. Hexasterophora basifitosas</p><p>nas quais um arcabouço dictional rígido é construído ao redor de uma série de</p><p>linhas primárias longitudinais formadas a partir de longas extensões dos raios</p><p>dictionais. Estas linhas são uniaxiais, cada qual composta de um único raio dic-</p><p>tional de comprimento ilimitado (padrão aulocalicóide), ou multiaxiais, cada</p><p>qual composta de raios sobrepostos de uma série dictional longitudinal (padrão</p><p>para-aulocalicóide).</p><p>Ordem Hexactinosida Schrammen, 1903. Hexasterophora basifitosas nas quais</p><p>um arcabouço dictional rígido é formado pela fusão de hexactinas simples. Dic-</p><p>tionalias fusionadas ao longo dos raios dispostos lado a lado, nas junções das</p><p>pontas dos raios e dos nós de outras dictionalias, ou nas pontas dos raios com as</p><p>pontas dos raios de outros raios dictionais. O comprimento dos raios dictionais é</p><p>limitado ao comprimento das laterais das malhas.</p><p>Ordem Lyssacinosida Zittel, 1877. Hexasterophora nas quais as</p><p>megascleras co-</p><p>anossomais permanecem como componentes esqueléticos separados, ou, onde</p><p>fusão ocorre, esta é por deposição de sílica em pontos de contato, ou como sinap-</p><p>tículos entre megascleras diactinas, tauactinas ou estauractinas levemente sepa-</p><p>radas. Não se forma um arcabouço dictional de hexactinas fusionadas.</p><p>Ordem Lychniscosida Schrammen, 1903. Hexasterophora nas quais o arcabouço</p><p>dictional rígido deriva da fusão de hexactinas dictionais formando licniscos.</p><p>� Callyspongia sp.</p><p>1 – Praia do Porto da</p><p>Barra (Salvador), 5 m</p><p>de profundidade, 16/</p><p>Dez/2007. Notar quatro</p><p>tonalidades distintas: azul</p><p>(canto superior esquerdo),</p><p>esverdeado (esquerda,</p><p>centro, topo), laranja</p><p>(centro) e avermelhado</p><p>(canto inferior direito).</p><p>33EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Filogenia</p><p>Esponjas já “passearam” bastante em termos de hipóteses evolutivas, mas seu</p><p>posicionamento atual em Metazoa está firmemente estabelecido. Os primeiros</p><p>registros fósseis de poríferos datam de 750 milhões de anos atrás, o que lhes confere o</p><p>status de anciãs dentre os animais, e, curiosamente, seu plano básico de organização</p><p>pouco mudou desde o Cambriano Superior (509 MAA). Tanto dados moleculares</p><p>como morfológicos sustentam a inclusão de Porifera em Metazoa. Dentre estes</p><p>últimos podemos listar cinco aspectos compartilhados pelas esponjas e os demais</p><p>animais metazoários: (1) multicelularidade diplóide, (2) meiose, (3) padrão da</p><p>oogênese, (4) padrão da espermatogênese, e (5) plano básico da célula do esperma.</p><p>Apesar de bem definidas quanto ao seu conteúdo, as relações filogenéticas</p><p>das três classes de Porifera mantêm-se em intenso debate, com diversas hipóteses</p><p>conflitantes. A secreção mineral sugere maior proximidade de Demospongiae e</p><p>Hexactinellida (“Silicea”). A organização celular aponta para afinidade de Calcarea</p><p>e Demospongiae (“Cellularia”). Dados ultraestruturais derivados dos coanócitos,</p><p>corroborados por uma base cada vez mais ampla de dados moleculares apontam</p><p>para a parafilia de Porifera, com Calcarea mais próxima dos eumetazoários</p><p>diploblásticos. Em mais de um trabalho, Calcarea aproximou-se de Cnidaria ou</p><p>de Ctenophora. Estudos recentes vêm encontrando novas evidências da parafilia</p><p>do filo, agora apontando para maior proximidade de Homosclerophorida aos</p><p>demais Eumetazoa, o que já se suspeitava desde a descoberta da membrana basal</p><p>nestas esponjas, conferindo às suas pinacodermes o status de epitélio verdadeiro.</p><p>Entretanto, também com relação ao posicionamento de Homosclerophorida não há</p><p>consenso, com maior proximidade à Calcarea tendo sido proposta mais de uma vez,</p><p>inclusive recentemente. Esta hipótese decorre de aspectos da morfologia larval, bem</p><p>como de alguns dados moleculares.</p><p>Estas questões evolutivas acerca dos metazoários basais continuam sendo amplas</p><p>avenidas para pesquisa, e as três classes de Porifera, bem como as Homosclerophorida,</p><p>estão no cerne do problema. A velocidade com que novas abordagens moleculares</p><p>surgem, bem como os cada vez maiores volumes de dados analisados em tempos</p><p>cada vez menores, permitem antever grandes novidades nesta arena ao longo dos</p><p>próximos anos.</p><p>Aspectos ecológicos</p><p>Como dito acima, o plano organizacional básico de uma esponja pouco se alterou</p><p>ao longo do último ½ bilhão de anos. Entretanto, o papel ecológico preponderante</p><p>exercido teve alteração mais drástica, uma vez que no Paleozóico e Mesozóico os</p><p>principais construtores de recifes eram esponjas, e não corais e algas como em nosso</p><p>tempo. Os poríferos que ocorrem em recifes hoje desempenham diversos papéis en-</p><p>tre filtragem da água, ampliação de complexidade tridimensional (> tridimensiona-</p><p>lidade = + nichos = + biodiversidade), bioerosão e cimentação do arcabouço recifal,</p><p>Introdução</p><p>34 ESPONJAS MARINHAS DA BAHIA</p><p>Introdução</p><p>dentre outros. Porém, não são mais os principais construtores deste arcabouço.</p><p>Poríferos ocorrem em todos os principais mares e oceanos, entre os polos e o</p><p>Equador, e do entremarés às grandes profundezas oceânicas (> 8800 m de profun-</p><p>didade!). Sua relativa simplicidade estrutural é comumente associada a uma su-</p><p>posta alta adaptabilidade, o que lhes confere papel de destaque na competição por</p><p>substrato, especialmente consolidados (substrato duro) e de iluminação modera-</p><p>da à ausente. Nesses ambientes, os poríferos são frequentemente dominantes. Em</p><p>ambientes profundos, a situação se repete, estando as maiores riquezas conheci-</p><p>das de poríferos associadas a locais de maior complexidade estrutural, usualmen-</p><p>te encontrados em setores de declividade mais acentuada (talude, cânions, montes</p><p>submarinos), onde os substratos são mais consolidados. Nesses “oásis” profundos,</p><p>poríferos podem desempenhar papel estruturador, conferindo maior complexida-</p><p>de tridimensional como fazem em ambientes rasos também. O sistema aquífero</p><p>de inúmeras esponjas funciona como uma casa labiríntica para muitos inquilinos,</p><p>alguns dos quais aí encontrados pela primeira vez, quando não exclusivos deste</p><p>habitat.</p><p>� Equinodermo (crinóide, lírio do mar) habitando o interior de uma esponja em forma de</p><p>vaso em Carrie Bow Cay (barreira de recifes de coral de Belize). A esponja é uma Callyspongia</p><p>plicifera (Lamarck, 1814), com cerca de 10 cm de diâmetro na porção apical de sua cavidade</p><p>atrial, e o crinóide Davidaster rubiginosa (Pourtalès, 1869). A ampla maioria dos inquilinos</p><p>das esponjas se constitui de organismos de menores dimensões, como, por exemplo,</p><p>outros equinodermos (ofiúros) que aparecem em mais de uma ilustração neste Guia (p.ex.</p><p>Callyspongia sp. 1, Haliclona melana, Monanchora arbuscula).</p><p>35EDUARDO HAJDU, † SOLANGE PEIXINHO, JÚLIO C.C. FERNANDEZ</p><p>Introdução</p><p>Poríferos estão representados por cerca de 150 espécies em habitats dulciaquíco-</p><p>las, aproximadamente 1/3 das quais ocorre no Brasil, literalmente do Oiapoque ao</p><p>Chuí. Estão distribuídas em lagos, brejos e rios, em distintas altitudes, por vezes com</p><p>poucos milímetros de diâmetro, às vezes do tamanho de bolas de basquetebol. Nes-</p><p>tes ambientes frequentemente apresentam ciclos anuais de crescimento, regressão,</p><p>encistamento e renascimento. Na época das vazantes em bacias como a Amazônica e</p><p>a do São Francisco, não raro, observam-se esponjas fixadas em galhos e troncos loca-</p><p>lizados a alguns metros acima do nível da água. Uma das espécies que ocorre nestes</p><p>habitats é Drulia browni (Bowerbank, 1863), que se assemelha a um ninho de vespa</p><p>às margens de diversos rios. Na época das secas estas esponjas regridem ao estádio</p><p>de gêmula, que são pequenos corpos (geralmente < 0,5 mm de diâmetro) resistentes</p><p>ao ressecamento, providos de células totipotentes e adaptados para dispersão. Esta</p><p>pode se dar simplesmente por queda e transporte pela correnteza, ou através de</p><p>aderência às penas de aves e pelos de mamíferos. Esta última opção é a explicação</p><p>encontrada para as amplas distribuições de algumas espécies, por vezes registradas</p><p>em mais de um continente. A quantidade de gêmulas flutuantes em alguns rios pode</p><p>ser tal que constituem um problema de saúde pública, tendo sido relatados casos de</p><p>infecções oculares de variados níveis de gravidade.</p><p>Algumas famílias de poríferos compreendem espécies adaptadas ao modo de</p><p>vida escavador, o que desempenham com surpreendente eficiência. Espécies dos</p><p>gêneros Aka de Laubenfels, 1936 (Phloeodictyidae), Cliona Grant, 1826 e Pione Gray,</p><p>1867 (ambos Clionaidae), dentre outros, ocorrem em todos os oceanos, perfurando</p><p>maiores ou menores galerias em substratos calcários, tais como conchas, corais, e</p><p>mesmo rochas calcárias. Seu ritmo de perfuração inicia-se acelerado, porém espon-</p><p>jas adultas o apresentam estabilizado em valores relativamente baixos. Cálculos efe-</p><p>tuados em ambientes recifais na região do Caribe estabeleceram o valor de 256 g /</p><p>m2 / ano como a produção de sedimento calcário por estas esponjas, gerando cerca</p><p>de 40% de todo o sedimento em alguns setores destes recifes. Estimou-se que a taxa</p><p>de bioerosão poderia alcançar 3 kg / m2 / ano em locais</p>

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