Prévia do material em texto
<p>NOME DA UNIVERSIDADE</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 12)</p><p>NOME SOBRENOME</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 12)</p><p>ALÉM DAS ESTRADAS: A PSICOLOGIA POR TRÁS DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO</p><p>CIDADE</p><p>2023</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 12)</p><p>NOME SOBRENOME</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 12)</p><p>GRUPO EDUCACIONAL FAVENI</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 12)</p><p>ALÉM DAS ESTRADAS: A PSICOLOGIA POR TRÁS DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à Faculdade Futura – Grupo Educacional Faveni, como requisito parcial para obtenção do título de (NOME DO CURSO)</p><p>Orientador: Prof. DsC. Ana Paula Rodrigues</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 12, espaçamento simples)</p><p>CIDADE</p><p>ANO</p><p>(Arial ou Times New Roman, fonte 14)</p><p>ALÉM DAS ESTRADAS: A PSICOLOGIA POR TRÁS DOS ACIDENTES DE TRÂNSITO</p><p>Autor1, (digitada em letra tamanho 10)</p><p>1Função (formação educacional do aluno), Faculdade Futura, e-mail;</p><p>Declaro que sou autor¹ deste Trabalho de Conclusão de Curso. Declaro também que o mesmo foi por mim elaborado e integralmente redigido, não tendo sido copiado ou extraído, seja parcial ou integralmente, de forma ilícita de nenhuma fonte além daquelas públicas consultadas e corretamente referenciadas ao longo do trabalho ou daqueles cujos dados resultaram de investigações empíricas por mim realizadas para fins de produção deste trabalho.</p><p>Assim, declaro, demonstrando minha plena consciência dos seus efeitos civis, penais e administrativos, e assumindo total responsabilidade caso se configure o crime de plágio ou violação aos direitos autorais.</p><p>RESUMO - A psicologia do trânsito desempenha um papel fundamental na sociedade, buscando melhorar a segurança e o comportamento dos condutores. Este estudo teve como objetivo analisar os diferentes aspectos relacionados à psicologia do trânsito. Foram discutidos temas como a importância da conscientização e da educação no trânsito, o papel do psicólogo nesse contexto e a necessidade de uma formação adequada para os profissionais da área. A revisão da literatura mostrou que a psicologia do trânsito possui um impacto significativo na segurança viária, auxiliando na prevenção de acidentes e na promoção de comportamentos mais responsáveis. Foi ressaltada a importância de se incluir a disciplina de psicologia do trânsito nos currículos de graduação em psicologia, bem como de se promover congressos e cursos voltados para essa área. Além disso, foi destacada a relevância da avaliação psicológica para identificar problemas de comportamento e emoções nos condutores, e a necessidade de programas de intervenção para conscientização e reflexão sobre a segurança no trânsito. A participação da sociedade, por meio de fóruns e seminários, também foi enfatizada como forma de engajamento e compromisso social. Em suma, a psicologia do trânsito é uma área em crescimento e reconhecida pela sua importância na promoção da segurança viária. A atuação do psicólogo, aliada a uma formação adequada e ao uso de técnicas especializadas, contribui para a melhoria dos comportamentos no trânsito e para a construção de políticas mais eficazes nesse campo.</p><p>PALAVRAS-CHAVE: Psicologia do Trânsito. Segurança Viária. Comportamento dos Condutores.</p><p>ABSTRACT - Traffic psychology plays a fundamental role in society, aiming to improve the safety and behavior of drivers. This study aimed to analyze different aspects related to traffic psychology. Topics such as the importance of awareness and education in traffic, the role of psychologists in this context, and the need for adequate training for professionals in the field were discussed. The literature review showed that traffic psychology has a significant impact on road safety, helping to prevent accidents and promote more responsible behaviors. The importance of including traffic psychology as a discipline in undergraduate psychology curricula, as well as promoting conferences and courses focused on this area, was emphasized. Additionally, the relevance of psychological assessment in identifying behavioral problems and emotions in drivers, as well as the need for intervention programs for awareness and reflection on traffic safety, was highlighted. The participation of society through forums and seminars was also emphasized as a means of engagement and social commitment. In summary, traffic psychology is a growing field recognized for its importance in promoting road safety. The work of psychologists, combined with adequate training and the use of specialized techniques, contributes to improving behaviors in traffic and the development of more effective policies in this field.</p><p>KEYWORDS: Traffic Psychology. Road Safety. Driver Behavior.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>No cenário atual, os acidentes de trânsito representam um desafio significativo para a segurança viária em todo o mundo. As estatísticas alarmantes desses eventos destacam a necessidade urgente de uma compreensão aprofundada dos fatores subjacentes a esses incidentes e a busca de medidas eficazes para preveni-los. Nesse contexto, a psicologia desempenha um papel fundamental, oferecendo insights valiosos sobre os fatores psicológicos que contribuem para a ocorrência de acidentes de trânsito.</p><p>Este artigo tem como objetivo analisar a psicologia por trás dos acidentes de trânsito, explorando os fatores psicológicos envolvidos e sua influência no comportamento dos motoristas. Compreender como a distração, habilidades de condução, comportamentos de risco e estado emocional dos motoristas afetam a segurança viária é essencial para desenvolver estratégias de prevenção eficazes.</p><p>Para alcançar esses objetivos, este estudo se baseia em uma revisão abrangente da literatura existente sobre psicologia do trânsito. Teorias de comportamento humano no trânsito, fatores de distração, habilidades de condução, comportamentos de risco e estado emocional dos motoristas serão examinados em detalhes, a fim de fornecer uma compreensão sólida dos fatores psicológicos relacionados aos acidentes de trânsito.</p><p>A relevância deste trabalho é indiscutível, tendo em vista as consequências negativas dos acidentes de trânsito para a sociedade, o governo e as empresas. Além das perdas de vidas humanas, esses incidentes acarretam custos econômicos significativos, sobrecarregando os sistemas de saúde e afetando negativamente o desenvolvimento social e econômico.</p><p>Ao entender melhor os fatores psicológicos que contribuem para os acidentes de trânsito, este estudo pretende fornecer insights valiosos para o desenvolvimento de estratégias de prevenção mais eficazes. Através do reconhecimento e da compreensão desses fatores, será possível promover uma conscientização maior sobre a importância de uma condução segura, bem como implementar intervenções adequadas para minimizar o risco de acidentes e suas consequências devastadoras.</p><p>No decorrer deste artigo, serão apresentados estudos e pesquisas relevantes que contribuem para uma compreensão aprofundada dos fatores psicológicos envolvidos nos acidentes de trânsito. Por meio dessa análise, espera-se fornece uma base sólida para futuras discussões e intervenções no campo da psicologia do trânsito, com o objetivo último de tornar nossas vias mais seguras e proteger vidas preciosas.</p><p>DESENVOLVIMENTO</p><p>Psicologia no Trânsito: Breve Histórico</p><p>A Psicologia do Trânsito é uma área específica da Psicologia que se dedica ao estudo do comportamento humano, seus processos mentais e interações no contexto do trânsito. Ela busca compreender as atitudes, percepções e decisões dos indivíduos em relação ao trânsito e seu impacto na segurança e convivência social.</p><p>O objetivo principal da Psicologia do Trânsito é compreender o comportamento dos cidadãos envolvidos no trânsito e buscar a formação de comportamentos mais seguros por meio de métodos científicos e didáticos (Rozestraten, 2003).</p><p>Alves (2014) destaca que essa área estuda o comportamento e a relação do homem com o veículo e a via, considerando a influência desses elementos no comportamento do comportamento humano no trânsito. Essa análise</p><p>envolve aspectos cognitivos, emocionais e sociais, visando entender como esses fatores influenciam as decisões e ações dos indivíduos nas vias.</p><p>A importância da psicologia no trânsito está diretamente relacionada à saúde pública e mental, uma vez que essa área busca prevenir e amenizar acidentes e conflitos associados ao trânsito (Rozestraten, 2003). O desenvolvimento dessa disciplina no Brasil ocorreu ao longo do século XX, passando por quatro fases distintas, de acordo com Silva e Gunther (2009). A primeira fase teve início em meados de 1910, com a promulgação do Decreto-lei n° 8.324, que estabelecia medidas de segurança para os motoristas e marcou o surgimento da preocupação com o comportamento humano diante dos veículos.</p><p>A segunda fase da evolução da Psicologia do Trânsito no Brasil ocorreu com a consolidação da disciplina como área de atuação, enquanto a terceira fase se caracterizou pelo seu desenvolvimento no meio interdisciplinar, estabelecendo conexões com outras áreas de conhecimento. Já a quarta fase foi marcada pela aprovação do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) em 1997 e pela discussão sobre políticas públicas relacionadas ao trânsito.</p><p>O CTB desempenhou um papel fundamental ao destacar as contribuições dos psicólogos especializados em trânsito para lidar com os problemas relacionados à circulação humana. Ele organiza as normas legais de avaliação do comportamento humano no trânsito, buscando uma circulação mais humanizada (Alves, 2014).</p><p>Inicialmente, a atuação da psicologia estava restrita à aplicação de testes psicológicos em perícia de trânsito. No entanto, ao longo dos anos, essa área se expandiu e ganhou visibilidade acadêmica e científica, passando a abordar aspectos internos e externos do comportamento humano, desenvolver ações educativas, propor políticas públicas e realizar pesquisas (Veríssimo, 2018).</p><p>A psicologia utiliza diversos métodos e técnicas para investigar o comportamento humano no contexto do trânsito. Alguns desses métodos incluem a aplicação de questionários, entrevistas, observação direta, análise de dados estatísticos, simulações de direção e análise de acidentes de trânsito. Através dessas abordagens, os psicólogos buscam compreender as causas dos comportamentos de risco, os fatores que contribuem para acidentes e os aspectos que influenciam a segurança e a convivência no trânsito.</p><p>Além da investigação do comportamento humano, a psicologia desempenha um papel importante na promoção da educação e conscientização no trânsito. Os psicólogos desenvolvem programas de educação e treinamento que visam melhorar o conhecimento, as habilidades e as atitudes dos motoristas, pedestres e demais usuários das vias. Essas intervenções podem incluir campanhas de conscientização, palestras, treinamento de habilidades de direção defensiva, entre outras atividades que visam promover um comportamento mais seguro no trânsito.</p><p>Outro aspecto relevante é o suporte psicológico às vítimas de acidentes de trânsito e seus familiares. A ocorrência de acidentes pode gerar traumas e impactos emocionais significativos nas pessoas envolvidas. Nesse sentido, os psicólogos oferecem apoio psicológico, auxiliando no processo de recuperação emocional e na adaptação às consequências físicas e psicológicas desses eventos.</p><p>É importante ressaltar que a psicologia quando aplicada no contexto do trânsito, não se limita apenas ao comportamento individual, mas também considera o contexto social e as políticas públicas relacionadas ao trânsito. Os psicólogos trabalham em conjunto com outros profissionais, como engenheiros de tráfego, urbanistas e legisladores, para propor medidas e intervenções que promovam a segurança viária e a qualidade de vida nas cidades.</p><p>Papel da Psicologia para a Redução de Acidentes de Trânsito</p><p>A avaliação psicológica é um processo fundamental para o psicólogo tomar decisões em diferentes contextos, incluindo o trânsito. Esse processo envolve a coleta de dados por meio de métodos e estratégias específicas, utilizando instrumentos técnicos e científicos, conforme respaldado pelo código de ética do Conselho Federal de Psicologia (CFP, 2013).</p><p>A avaliação psicológica pode ser realizada de forma individual ou coletiva, e utiliza diversos métodos, técnicas e instrumentos selecionados de acordo com a especificidade do contexto. No caso do trânsito, os objetivos dessa avaliação são avaliar a inteligência geral, a capacidade de percepção, previsão e tomada de decisões, além de habilidades psicomotoras, equilíbrio emocional, sociabilidade, controle de agressividade, tolerância, frustrações e personalidade (Alves & Gomes, 2014, p. 63).</p><p>No contexto da obtenção da Carteira Nacional de Habilitação (CNH), é necessário passar por testes de avaliação psicológica, que determinarão se o indivíduo está apto ou inapto para dirigir (CFP, 2019). Essas avaliações psicológicas são realizadas em diversos contextos, como saúde, escolar, jurídico, organizacional, orientação profissional, sendo que o uso de testes psicológicos é exclusivo do psicólogo.</p><p>A avaliação psicológica para a CNH não se resume apenas aos testes, mas também inclui entrevistas individuais, que devem estar em conformidade com as resoluções do CFP, além de escuta e intervenções verbais e dinâmicas de grupo (Silva, 2016, p. 382). O psicólogo responsável pela avaliação deve seguir as normas e procedimentos do CFP no contexto do trânsito e afins (CFP, 2013).</p><p>Para realizar uma avaliação adequada, o profissional deve estar capacitado, embasado em fundamentos teóricos e conceitos éticos, garantindo a precisão e fidedignidade das informações coletadas (CFP, 2013). A avaliação investiga os fenômenos psicológicos, as capacidades gerais e específicas do indivíduo, fornecendo indicadores para tomar decisões sobre sua aptidão para dirigir (Sampaio & Nakano, 2011, p. 16).</p><p>É importante que o psicólogo especializado avalie todos os aspectos relevantes, buscando resultados precisos e intervindo quando necessário para garantir a segurança do condutor e de outras pessoas no trânsito. O CFP regula a atuação do psicólogo em várias áreas, protegendo e legitimando sua importância para agir de forma crítica nas relações de poder em que atua (CFP, 2013).</p><p>O processo de escolha das técnicas de avaliação é crucial para compreender suas vantagens e limitações, e o bom senso e a criticidade dos profissionais garantirão que o diagnóstico seja baseado em princípios éticos. É essencial que o psicólogo utilize instrumentos de avaliação validados e padronizados, respeitando os critérios de confiabilidade e validade.</p><p>Além da avaliação inicial para obtenção da CNH, a avaliação psicológica também pode ser realizada em situações específicas, como após infrações de trânsito graves, acidentes ou em casos de suspeita de problemas psicológicos que possam comprometer a capacidade de dirigir de forma segura.</p><p>É importante ressaltar que a avaliação psicológica não tem como objetivo punir ou discriminar os indivíduos, mas sim garantir a segurança no trânsito, tanto para o próprio condutor quanto para os demais usuários das vias. O psicólogo deve basear suas conclusões em critérios técnicos e científicos, levando em consideração a individualidade de cada pessoa avaliada.</p><p>Em casos em que são identificados problemas psicológicos ou comportamentais que possam comprometer a segurança no trânsito, o psicólogo pode recomendar medidas terapêuticas, como acompanhamento psicológico, encaminhamento para outros profissionais da saúde ou programas de reeducação no trânsito.</p><p>É importante destacar que a avaliação psicológica no contexto do trânsito é uma medida preventiva e de proteção, visando reduzir os riscos de acidentes e promover um ambiente mais seguro para todos. Por isso, é fundamental que os profissionais da psicologia estejam atualizados, capacitados e comprometidos com a ética e a responsabilidade no exercício de suas atividades.</p><p>Monitoramento Contínuo de Motoristas Através da Avaliação Psicológica</p><p>A ocorrência de acidentes de trânsito no Brasil tem aumentado progressivamente ao longo</p><p>dos anos. Isso se deve ao crescente fluxo de veículos nas estradas e rodovias, bem como aos fatores humanos que envolvem riscos físicos, sociais e psicológicos dos condutores. Nesse contexto, é essencial compreender as causas, consequências e a contribuição da psicologia para lidar com os acidentes de trânsito.</p><p>Segundo Oshira (2017), os acidentes de trânsito no Brasil acarretam custos sociais, ambientais, psicológicos e uma alta demanda por leitos hospitalares, além das faltas relacionadas ao trabalho, indenizações e gastos materiais. Somente nas rodovias federais brasileiras, ocorreram 170 mil acidentes de trânsito em um ano, gerando um custo de R$ 12,3 bilhões, sendo que 64,7% desses gastos estão relacionados às vítimas dos acidentes, e 34,7% referem-se aos danos materiais nos veículos e cargas. Quando consideradas todas as rodovias federais, estaduais e municipais, os custos com acidentes chegam a R$ 45 bilhões anualmente.</p><p>É importante ressaltar que o comportamento dos motoristas e pedestres no trânsito reflete a sociedade em que estão inseridos. Conforme Czerwonka (2015), as pessoas agem no trânsito da mesma forma como vivem em outros aspectos de suas vidas. Aqueles que são cautelosos levam essa postura para o trânsito, enquanto aqueles que têm propensão a correr riscos também adotam comportamentos perigosos ao dirigir.</p><p>Nesse sentido, são estabelecidas normas e regras de trânsito para regular os deslocamentos e garantir a integridade dos usuários das vias. No entanto, a transgressão dessas regras contribui para as fatalidades no trânsito. Torquato e Bianchi (2015) afirmam que os pedestres também devem seguir o Código de Trânsito Brasileiro, especialmente em relação às precauções de segurança. A percepção de risco pode variar conforme a hora do dia, as características do ambiente e o modo de transporte utilizado.</p><p>Matt, Vasconcellos e Pandolfi (2010) destacam que a falta de cumprimento das leis de trânsito, tanto por parte dos condutores quanto dos pedestres, está relacionada ao prestígio e ao poder de liberdade que o carro proporciona, transformando os pedestres em vítimas desse espaço onde o carro deixa de ser um meio de locomoção e se torna um símbolo de superioridade social. Essa visão de superioridade pode levar à chamada "fadiga do condutor". A fadiga é um estado de cansaço extremo que afeta a capacidade de concentração e os reflexos do motorista, tornando-o mais propenso a cometer erros e se envolver em acidentes. Oshira (2017) ressalta que a fadiga do condutor é responsável por aproximadamente 20% dos acidentes nas estradas brasileiras.</p><p>Outro comportamento de risco mencionado é o excesso de velocidade. O desejo de chegar mais rápido ao destino, a pressa ou a sensação de poder e controle ao dirigir em alta velocidade podem levar o motorista a ignorar os limites de velocidade estabelecidos, colocando em risco a sua própria vida e a de outros usuários das vias. A Associação Brasileira de Prevenção dos Acidentes de Trânsito (FATORES..., 2017) destaca que o excesso de velocidade é um dos principais fatores contribuintes para acidentes graves e fatais.</p><p>Além disso, a pressão do tempo também é citada como um comportamento de risco no trânsito. Oshira (2017) menciona que a sensação de estar atrasado ou a necessidade de cumprir prazos pode levar o motorista a adotar comportamentos arriscados, como ultrapassagens perigosas, desrespeito às sinalizações e direção agressiva. A pressão do tempo pode comprometer a tomada de decisões conscientes e seguras, aumentando as chances de acidentes.</p><p>Outra questão importante abordada pelos autores é a distância entre os veículos na rodovia. Manter uma distância adequada em relação ao veículo da frente é essencial para evitar colisões traseiras e garantir tempo suficiente de reação em caso de imprevistos. No entanto, muitos motoristas não seguem essa recomendação, seja por falta de conhecimento ou por negligência. Oshira (2017) destaca a importância de manter uma distância de segurança, especialmente em condições adversas de trânsito ou de clima.</p><p>A ultrapassagem arriscada é outro comportamento perigoso no trânsito mencionado por Oshira (2017). Realizar ultrapassagens de forma imprudente, em locais proibidos, em curvas ou sem visibilidade adequada, aumenta significativamente o risco de acidentes. A falta de paciência e a imprudência ao realizar ultrapassagens são fatores que contribuem para a ocorrência de colisões frontais e colisões com veículos que estão sendo ultrapassados.</p><p>Considerando todos esses comportamentos de risco, é fundamental compreender a influência dos fatores psicológicos no contexto dos acidentes de trânsito. Julieta Arsênio, psicóloga especialista em comportamento de trânsito e diretora do departamento de crimes de trânsito e perícias da Associação Brasileira de Medicina de Tráfego (ABRAMET), destaca a importância da educação para o trânsito, tanto para motoristas quanto para pedestres. Segundo ela, a educação deve abordar aspectos cognitivos, emocionais e comportamentais, visando desenvolver atitudes responsáveis e seguras.</p><p>Outra abordagem da psicologia no trânsito é o estudo da percepção e do comportamento dos condutores. A psicologia do tráfego investiga como os motoristas percebem as informações no ambiente de trânsito, como tomam decisões e como suas atitudes influenciam seu comportamento ao volante. Esses estudos contribuem para o desenvolvimento de estratégias de segurança viária, como a melhoria das sinalizações e a conscientização sobre os riscos e consequências dos comportamentos inadequados.</p><p>MATERIAL E MÉTODOS</p><p>Em relação à metodologia, de acordo com Severino (2011, p. 123), a pesquisa exploratória é considerada uma etapa preparatória para a pesquisa explicativa. Ou seja, seu objetivo é obter dados sobre um objeto de estudo com um escopo limitado, buscando compreender a essência desse elemento. Nesse sentido, foi realizada uma revisão bibliográfica abrangendo publicações em revistas científicas, artigos, monografias e dissertações relacionadas à psicologia do trânsito, sua história e sua relevância na sociedade contemporânea.</p><p>Para abordar essa pesquisa, adotou-se um método que combina abordagens quantitativas e qualitativas, seguindo as orientações descritas por Gil (2010), Richardson (2011) e Severino (2011). Esses autores serviram como referência para o desenvolvimento deste estudo.</p><p>CONCLUSÃO</p><p>Com base nas reflexões apresentadas, torna-se evidente o benefício significativo que a psicologia do trânsito oferece à sociedade. O trânsito é um bem social compartilhado por todos, e essa consciência de que cada indivíduo possui direitos e deveres em relação aos outros é fundamental para a construção de práticas e conhecimentos nessa área.</p><p>A importância da psicologia do trânsito é inegável, e é fundamental que seja discutida em diversos espaços, como congressos e cursos, além de se tornar uma disciplina obrigatória nos cursos de graduação em Psicologia. Essa abordagem permitirá o desenvolvimento de um olhar profissional cada vez mais capacitado para lidar com os desafios que essa área apresenta.</p><p>A formação adequada e competente dos profissionais é um requisito essencial para garantir a credibilidade da psicologia do trânsito. Os psicólogos devem ser embasados por uma formação profissional sólida e possuir os instrumentos necessários para realizar ações qualificadas nesse contexto complexo. A formação na área da avaliação psicológica desempenha um papel crucial nesse sentido, contribuindo para minimizar e auxiliar no processo de avaliação do comportamento humano no trânsito.</p><p>É imprescindível que os psicólogos sejam incluídos em todos os organismos relacionados ao sistema nacional de trânsito, visando à representação da categoria na elaboração de políticas de segurança do condutor e à divulgação do papel social e dos serviços prestados pelos psicólogos do trânsito. Esses aspectos reforçam a necessidade de realizar avaliações psicológicas com qualidade, exigindo dos profissionais a utilização de todos os recursos técnicos dentro de rigorosos</p><p>critérios, considerando sua responsabilidade e ação como profissionais nessa área.</p><p>Além da avaliação de candidatos, os psicólogos podem desempenhar um papel importante na estruturação de programas de intervenção, por meio de oficinas psicoeducativas voltadas para a conscientização e reflexão sobre a direção segura. É fundamental desenvolver atividades de conscientização sobre o trânsito e o exercício da cidadania, envolvendo a participação da sociedade em fóruns, seminários e escolas, para criar um compromisso social coletivo.</p><p>Um trabalho efetivo na área do trânsito requer uma atuação conjunta com outros campos de conhecimento, multiplicando olhares, conceitos e percepções diferentes em relação ao mesmo foco. Isso contribui para uma melhor atuação do condutor, considerando os aspectos emocionais, sociais e políticas de trânsito. A psicologia do trânsito avança em direção a um futuro promissor, sendo cada vez mais reconhecida pela sociedade e autoridades, devido à sua necessidade em um cenário de trânsito turbulento e caótico. Um trânsito seguro depende não apenas do conhecimento técnico, mas, acima de tudo, do respeito humano.</p><p>Para compreender os problemas relacionados à saúde e ao bem-estar causados pelo trânsito, é necessário visualizá-lo como um fenômeno humano. Portanto, além da presença de psicólogos na avaliação dos indivíduos, é crucial que existam profissionais competentes engajados nas políticas de trânsito e mobilidade humana, comprometidos com seu papel como cidadãos.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>Alves, C. A., Gomes, J. O. (2014). Contribuições da psicologia do trânsito: considerações sobre educação para o trânsito e formação profissional. Revista científica da FAMINAS, 10(3), pp. 65-74. Recuperado de http://periodicos.faminas.edu.br/index.php/RCFaminas/article/view/352/327. Acesso e: 24 mai. 2023.</p><p>ALVES, C. A. Contribuições da psicologia do trânsito: considerações sobre educação para o trânsito e formação profissional. Revista Científica da Faminas,Muria é, v. 2, n.3, p.: 61-74, set./dez. 2014 Disponível em: <http://www.faminas.edu.br/upload/downloads/20150409151107_138511.pdf>. Acesso em: 24 mai. 2023.</p><p>CFP (2013). Conselho Federal de psicologia. Cartilha Avaliação Psicológica – 2013 Brasília: Conselho Federal de Psicologia. Recuperado de http://satepsi.cfp.org.br/docs/cartilha.pdf.</p><p>CFP (2019). Conselho Federal de Psicologia. Institui normas e procedimentos para a perícia psicológica no contexto do trânsito e revoga as Resoluções CFP nº 007/2009 e 009/2011. Recuperado de http://www.in.gov.br/materia/- /asset_publisher/Kujrw0TZC2Mb/content/id/62976927/do1-2019-02-12-resolucao-n-1-de-7-de-fevereiro-de-2019-62976886.</p><p>CZERWONKA, Mariana. Comportamentos de risco podem tornar o trânsito a 5ª causa de morte. Portal do Trânsito, Rio de Janeiro, 27 jan. 2015. Disponível em: . Acesso em: 26 mai. 2023.</p><p>FATORES humanos de risco. Vias Seguras, Rio de Janeiro, 2017. Disponível em: . Acesso em: 26 mai. 2023</p><p>MATTA, Roberto da; VASCONCELLOS, João G. M.; PANDOLFI, Ricardo. Fé em Deus e pé na tábua: ou como e por que o trânsito enlouquece no Brasil. Rio de Janeiro: Rocco, 2010.</p><p>OSHIIRA, Ana Paula. Riscos comportamentais que causam acidentes de trânsito. São Paulo: Veltec, 2017. E-book. Disponível em: . Acesso em: 26 mai. 2023.</p><p>ROZESTRATEN, R. J. A. Ambiente, trânsito e psicologia. In: ALCHIERI, J. C.; CRUZ,</p><p>R. M.; HOFFMANN, M. H. (Orgs.). Comportamento humano no trânsito</p><p>. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2003.p. 31-46.</p><p>SAMPAIO, M. H. L., Nakano, T. C. (2011). Avaliação psicológica no contexto do trânsito: revisão de pesquisas brasileiras. Psicologia: teoria e prática, 13(1), 15-33. Recuperado de http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1516- 36872011000100002&lng=pt&tlng=pt.</p><p>SILVA, M. A. (2016). Uso da Técnica de Dinâmica de Grupo na Avaliação Psicológica no Contexto do Trânsito: Relato de Experiência, 36(2), pp. 380-388. Disponível em: . ISSN 1414-9893. http://dx.doi.org/10.1590/1982- 3703001392014.</p><p>SILVA, F. H. V. C.; GÜNTHER, H. Psicologia do trânsito no Brasil: de onde veio e para onde caminha? Temas em Psicologia, Ribeiro Preto, v. 17, n. 1, p. 163-175, jan./jun. 2009. Disponível em: <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413389X2009000100014>. Acesso em: 24 mai. 2023.</p><p>TORQUATO, Renata J.; BIANCHI, Alessandra S. Uma análise da percepção de risco de pedestres e dos comportamentos de risco de travessia. In: GÜNTHER, Hartmut et al. Pesquisa sobre comportamento no trânsito. São Paulo: Casa do Psicólogo, 2015.</p><p>VERÍSSIMO, C. S. Psicologia do trânsito: considerações sobre avaliação psicológica e educação para o trânsito. Revista Ciência (In) Cena,Salvador, v. 1, n. 6, p. 69-79, jun. 2018.</p><p>4</p><p>image1.png</p>