Prévia do material em texto
<p>2024</p><p>As LinguAgens ArtísticAs</p><p>e A ressignificAção do</p><p>ensinAr e Aprender</p><p>Profª. Adriana Beatriz Pacher Raach</p><p>Copyright © UNIASSELVI 2024</p><p>Elaboração:</p><p>Profª. Adriana Beatriz Pacher Raach</p><p>Revisão, Diagramação e Produção:</p><p>Centro Universitário Leonardo da Vinci – UNIASSELVI</p><p>Ficha catalográfica elaborada na fonte pela Biblioteca Dante Alighieri</p><p>UNIASSELVI – Indaial.</p><p>Impresso por:</p><p>Bibliotecária: Leila Regina do Nascimento - CRB- 9/1722.</p><p>Ficha catalográfica elaborada de acordo com os dados fornecidos pelo(a) autor(a).</p><p>Núcleo de Educação a Distância. RAACH, Adriana Beatriz Pacher.</p><p>As Linguagens Artísticas e a Ressignificação do Ensinar e Aprender /</p><p>Adriana Beatriz Pacher Raach. - Florianópolis, SC: Arqué, 2024.</p><p>230 p.</p><p>ISBN papel 978-65-6137-351-7</p><p>ISBN digital 978-65-6137-348-7</p><p>1. Linguagens 2. Artísticas 3. Ressignificação 4. Ensinar 5. Aprender</p><p>6. EaD. I. Título.</p><p>CDD - 371.9</p><p>N964</p><p>III</p><p>ApresentAção</p><p>Olá, acadêmico! É com grande prazer que desejo boas-vindas e me</p><p>apresento como autora desta disciplina. Formada em Artes Plásticas, com</p><p>pós-graduação em História da Arte, Mídias na Educação e Mestrado em</p><p>Educação. Como professora conteudista, apresentamos este livro com teorias</p><p>e práticas importantes para serem estudadas e desenvolvidas em sala de</p><p>aula. Como professora atuante na disciplina de Arte, nossa prática diária é</p><p>lecionar arte para alunos desde a educação infantil até o ensino médio, com</p><p>isso desenvolvendo aulas teórico-práticas sempre embasadas numa teoria,</p><p>fazendo referência à abordagem triangular de Barbosa, que será apresentada</p><p>neste livro de estudos.</p><p>A disciplina AS LINGUAGENS ARTÍSTICAS E A RESSIGNIFICAÇÃO</p><p>DO ENSINAR E APRENDER trata de diversas proposições pedagógicas</p><p>em artes visuais e tem como principais objetivos trazer reflexões sobre as</p><p>ações didático-pedagógicas atuais, com abordagens teóricas e práticas,</p><p>a fim de ampliar as experiências educacionais na formação do docente de</p><p>Artes. Também estudar as diferentes concepções de arte e da sua relação</p><p>com o ensino para criar ambientes de aprendizagem a partir de projetos</p><p>que contemplam propostas pedagógicas embasadas na criação/produção;</p><p>percepção/análise; conhecimento e contextualização conceitual-histórico-</p><p>cultural da produção artístico-estético da humanidade.</p><p>Assim, caro acadêmico, ao final desta disciplina, é preciso que</p><p>tenha conhecimento sobre as abordagens teóricas e práticas do ensino</p><p>de artes; ter conhecido as propostas pedagógicas atuais em artes; saber</p><p>compreender os modos de aprender dos educandos; entender o processo</p><p>criativo; ter conhecido os projetos de ensino de arte; conhecer o processo</p><p>de criação das diversas ferramentas que são utilizadas nas aulas de artes;</p><p>estudar os materiais visuais e as visualidades da escola; entender os espaços</p><p>e práticas de criação, de percepções, de identidades, de subjetividades e de</p><p>reflexão crítica; explorar outras áreas da Arte, outras linguagens artísticas</p><p>desenvolvendo assim, a transversalidade; e aprender práticas metodológicas</p><p>voltadas para a Educação Básica.</p><p>Para isso, acadêmico, é preciso fazer as leituras e atividades propostas</p><p>e aproveitar as leituras complementares para auxiliar em sua prática diária de</p><p>sala de aula. Organize seu tempo, faça sua agenda semanal para aproveitar ao</p><p>máximo esta disciplina. Se precisar de ajuda ou mesmo dúvidas, fale com seu</p><p>IV</p><p>tutor. Temos muitas inquietações que se manifestam no cotidiano das aulas, nas</p><p>leituras e atividades, mas estamos aqui para proporcionar subsídios de leituras</p><p>e atividades que possam ajudar você, que são adaptadas sempre ao espaço</p><p>escolar e a sua realidade de ensino e aprendizagem. Assim, o livro de estudos</p><p>está dividido em três unidades, com seus tópicos e subtópicos que abordam as</p><p>propostas pedagógicas em Arte, que são direcionadas para a sala de aula.</p><p>Na primeira unidade será apresentado o conhecimento artístico através</p><p>dos conceitos referentes à contextualização, fruição e produção, subdivididos</p><p>em dois tópicos. O primeiro tópico descreve a teoria e a prática do ensino</p><p>de artes, conhecendo as abordagens teóricas e práticas, as linguagens da</p><p>arte e os campos conceituais a partir da abordagem triangular de Barbosa, a</p><p>contextualização, fruição e produção. O segundo tópico apresenta experiências</p><p>educacionais na formação do docente em Arte, trazendo os modos de aprender</p><p>dos educandos através de uma reflexão crítica.</p><p>Na segunda unidade, você, acadêmico, encontra os projetos no ensino</p><p>de Arte, descritos em três tópicos. O primeiro se refere aos projetos de ensino,</p><p>os projetos na escola, os projetos artísticos em ação. No segundo tópico,</p><p>encontramos as experiências práticas na elaboração de projetos de pesquisa</p><p>em educação sobre a própria experienciação na prática artística, os espaços</p><p>de práticas artísticas com sugestões de atividades, além da transversalidade</p><p>do conhecimento. No terceiro tópico, você estudará o processo criativo, os</p><p>espaços de práticas artísticas através da subjetividade.</p><p>Na terceira unidade, veremos as propostas pedagógicas em Artes,</p><p>desenvolvidas em três tópicos. No primeiro, as propostas pedagógicas atuais</p><p>em arte para serem desenvolvidas na educação básica, desde a educação</p><p>infantil até o ensino médio, com propostas pedagógicas inclusivas e sobre a</p><p>metodologia de ensino e aprendizagem. No segundo tópico, você conhecerá</p><p>as propostas sobre a cultura visual. No terceiro tópico, encontra-se o processo</p><p>de criação das ferramentas e materiais utilizados nas aulas de artes.</p><p>Lembramos que todas as unidades apresentam resumos dos tópicos</p><p>e autoatividades para serem desenvolvidas, sugestões em UNIs, além de</p><p>leituras complementares.</p><p>Desejamos a você, acadêmico, bons estudos, boas leituras, para que</p><p>surjam novas ideias e muita criação para as práticas em sala de aula!</p><p>Prof. Ma. Adriana Beatriz Pacher Raach</p><p>V</p><p>Você já me conhece das outras disciplinas? Não? É calouro? Enfim, tanto</p><p>para você que está chegando agora à UNIASSELVI quanto para você que já é veterano, há</p><p>novidades em nosso material.</p><p>Na Educação a Distância, o livro impresso, entregue a todos os acadêmicos desde 2005, é</p><p>o material base da disciplina. A partir de 2017, nossos livros estão de visual novo, com um</p><p>formato mais prático, que cabe na bolsa e facilita a leitura.</p><p>O conteúdo continua na íntegra, mas a estrutura interna foi aperfeiçoada com nova</p><p>diagramação no texto, aproveitando ao máximo o espaço da página, o que também</p><p>contribui para diminuir a extração de árvores para produção de folhas de papel, por exemplo.</p><p>Assim, a UNIASSELVI, preocupando-se com o impacto de nossas ações sobre o ambiente,</p><p>apresenta também este livro no formato digital. Assim, você, acadêmico, tem a possibilidade</p><p>de estudá-lo com versatilidade nas telas do celular, tablet ou computador.</p><p>Eu mesmo, UNI, ganhei um novo layout, você me verá frequentemente e surgirei para</p><p>apresentar dicas de vídeos e outras fontes de conhecimento que complementam o assunto</p><p>em questão.</p><p>Todos esses ajustes foram pensados a partir de relatos que recebemos nas pesquisas</p><p>institucionais sobre os materiais impressos, para que você, nossa maior prioridade, possa</p><p>continuar seus estudos com um material de qualidade.</p><p>Aproveito o momento para convidá-lo para um bate-papo sobre o Exame Nacional de</p><p>Desempenho de Estudantes – ENADE.</p><p>Bons estudos!</p><p>NOTA</p><p>VI</p><p>VII</p><p>UNIDADE 1 – CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO,</p><p>FRUIÇÃO E PRODUÇÃO .........................................................................................1</p><p>TÓPICO 1 – TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES .......................................................3</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................3</p><p>2 CONHECENDO AS ABORDAGENS TEÓRICAS E PRÁTICAS DO</p><p>ENSINO DE ARTES ...........................................................................................................................4</p><p>de</p><p>São Paulo – MAC.</p><p>FONTE: <http://www.iea.usp.br/pessoas/pasta-pessoaa/ana-mae-barbosa>. Acesso em: 28</p><p>nov. 2018.</p><p>No entanto, na sala de aula era preciso mais que o fazer artístico, era necessário</p><p>ter momentos de análise e discussão das criações feitas pelos alunos, relacionando</p><p>teoria e enfatizando o sentido das criações. Segundo Barbosa (2002, p. 34-35):</p><p>A produção de arte faz a criança pensar inteligentemente acerca da</p><p>criação de imagens visuais, mas somente a produção não é suficiente</p><p>para a leitura e o julgamento de qualidade das imagens produzidas por</p><p>artistas ou do mundo cotidiano que nos cerca [...]. Temos que alfabetizar</p><p>para a leitura da imagem. Através da leitura das obras de artes plásticas,</p><p>estaremos preparando a criança para a decodificação da gramática</p><p>visual, da imagem fixa e, através da leitura do cinema e da televisão,</p><p>a prepararmos para aprender a gramática da imagem em movimento.</p><p>Essa decodificação precisa ser associada ao julgamento da qualidade do</p><p>que está sendo visto aqui e agora e em relação ao passado.</p><p>Para Barbosa (1991), os três eixos da abordagem triangular são articulados</p><p>como: leitura de imagem ou apreciação; o fazer artístico ou produção; história da</p><p>arte ou reflexão. Assim, a abordagem triangular é contemplada nas aulas de arte</p><p>através de ações interligadas. “Os três eixos de aprendizagem artística delimitam</p><p>claramente conjuntos possíveis de ações complementares e interconectadas”</p><p>(BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 64).</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>36</p><p>Os campos conceituais de arte caminham para processos de criação, de</p><p>análise e de contextualização. Criamos algo relacionando com o que aprendemos,</p><p>assim, contextualizando através de uma leitura crítica do que estamos</p><p>desenvolvendo. Segundo Barbosa (2010, p. 33):</p><p>O que a arte/educação contemporânea pretende é formar o</p><p>conhecedor, fruidor, decodificador da obra de arte. Uma sociedade</p><p>só é artisticamente desenvolvida quando ao lado de uma produção</p><p>artística de alta qualidade há também uma alta capacidade de</p><p>entendimento desta produção pelo público.</p><p>O professor de arte precisa explorar em sala de aula a história da arte,</p><p>os conteúdos essenciais por faixa etária através dos eixos de aprendizagem que</p><p>norteiam a prática artística. Para Barbosa (2010, p. 36):</p><p>Um currículo que interligasse o fazer artístico, a análise da obra de arte</p><p>e a contextualização estaria se organizando de maneira que a criança,</p><p>suas necessidades, seus interesses e seu desenvolvimento estariam</p><p>sendo respeitados e, ao mesmo tempo, estaria sendo respeitada a</p><p>matéria a ser aprendida, seus valores, sua estrutura e sua contribuição</p><p>específica para a cultura.</p><p>A prática do fazer artístico é a própria produção do aluno. No momento</p><p>da leitura de imagem, na análise e observação, os alunos aprendem conceitos, a</p><p>própria história da arte. “Esse eixo trata das ações que envolvem o exercício da</p><p>percepção” (BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 65).</p><p>DICAS</p><p>Abordagem triangular no ensino das artes e culturas</p><p>visuais (2010).</p><p>Este livro foi organizado por Ana Mae Barbosa e Fernanda Pereira</p><p>da Cunha. O livro traz as principais pesquisas, teorias e discussões a</p><p>respeito da abordagem triangular em qualquer área do conhecimento</p><p>que também era chamada de metodologia ou proposta.</p><p>Prezado acadêmico, a seguir será apresentada, em subtópicos, a</p><p>descrição sobre os campos conceituais da arte, os três eixos de aprendizagem da</p><p>abordagem triangular de Barbosa, com atividades que podem ser desenvolvidas</p><p>nas aulas de artes.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>37</p><p>4.1 LEITURA DE IMAGEM (FRUIÇÃO/ANÁLISE)</p><p>Ler é apreciar, observar, analisar, conhecer. Nas aulas de arte, a leitura de</p><p>imagem está por toda parte, desde as obras artísticas até imagens do cotidiano.</p><p>Estamos analisando, apreciando, lendo, imaginando sobre tudo o que vemos. A</p><p>apreciação/análise/fruição fazem parte da aula de arte, conhecer a obra e o artista,</p><p>saber como foi feita, quais materiais utilizados.</p><p>Precisamos educar o olhar do nosso estudante, mostrando e conhecendo</p><p>as diversas linguagens e manifestações artísticas. Assim, para você acadêmico,</p><p>apresentamos sugestões relacionadas às leituras de imagem, levando o aluno para:</p><p>• Ver sites de museus virtuais, visitando e apreciando obras de artistas.</p><p>• Visita pedagógica a museus, galerias e exposições da própria cidade ou estado.</p><p>• Mostrar filmes e reproduções de obras de arte (imagens impressas ou</p><p>projetadas).</p><p>• Convidar artistas para visita em uma escola em uma aula de arte para mostrar</p><p>seu trabalho e dialogar sobre sua criação artística.</p><p>• Analisar imagens de livros, revistas, redes sociais, outdoors, TV, arte na rua e</p><p>entre outros, expandindo o campo de visualidade cultural.</p><p>No entanto, o eixo artístico da leitura de imagem refere-se à contemplação,</p><p>fruição, análise e interpretação. Para Iavelberg (2003, p. 75):</p><p>[...] o desenvolvimento da compreensão estética é saber apreciar</p><p>objetos de arte com a propriedade que é possível a cada momento</p><p>conceitual dos sujeitos que compõem o público de apreciadores. Ainda</p><p>podemos supor que, quando o fazer arte está associado à apreciação,</p><p>ela se enriquece e amplia os conhecimentos de arte do público.</p><p>Portanto, para Iavelberg (2003), destacam-se os seguintes níveis de</p><p>desenvolvimento da compreensão estética de leitura de imagem:</p><p>a) Para Edmund Feldman (1970), o processo de leitura envolve a descrição, a</p><p>análise, a interpretação e o julgamento da obra.</p><p>b) Para Abigail Housen (1983), o processo é narrativo, construtivo, classificatório,</p><p>interpretativo e recreativo.</p><p>c) Robert William Ott (1984) sugere descrever, analisar, interpretar, fundamentar</p><p>e revelar a leitura da obra.</p><p>d) Para Michael Parsons (1987), a leitura envolve a preferência, beleza e realismo,</p><p>expressividade, estilo e forma, autonomia.</p><p>Para entender melhor, temos a seguir um exemplo de proposta prática</p><p>referente à leitura de imagem. A leitura de imagem foi apresentada por Barbosa</p><p>em seu livro A imagem no ensino da arte (2010) e adaptada à obra de Pablo Picasso.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>38</p><p>FIGURA 24 – OBRA DE ARTE: TRÊS MÚSICOS DE PABLO PICASSO (1921)</p><p>FONTE: <https://www.moma.org/collection/works/78630>. Acesso em: 8 jun. 2018.</p><p>A obra Os três músicos, de Pablo Picasso, pode ser apresentada instigando</p><p>o processo de leitura que envolve a descrição, a análise, a interpretação e o</p><p>julgamento da obra como Feldman sugere. Para o desenvolvimento da atividade</p><p>de leitura de imagem, o professor poderá instigar o grupo de alunos fazendo</p><p>perguntas como:</p><p>• Descrição: o que você vê? O que identifica na imagem? Observe a ficha técnica</p><p>do trabalho. Descreva tudo o que identifica organizando uma lista de coisas.</p><p>• Análise: como a obra está organizada? Quais são as cores e formas que se</p><p>destacam? Que personagens são retratados na pintura? Verifique os elementos</p><p>visuais usados na obra.</p><p>• Interpretação: o que está acontecendo na imagem? O que será que o artista</p><p>queria dizer nesta criação? É possível ouvir alguma coisa ou identificar a</p><p>música que estão tocando? Escreva contando o que acha.</p><p>• Julgamento: você gosta da temática da criação? O que pensas acerca da obra de</p><p>Pablo Picasso?</p><p>As perguntas ajudam os alunos a analisar e refletir sobre a imagem. Assim,</p><p>“a leitura da obra de arte deve propor problemas e não somente dar soluções”</p><p>(BARBOSA, 2010, p. 67). A leitura de imagem faz pensar, fruir, e é um exercício</p><p>que exige muita atenção.</p><p>Barbosa (2010, p. 66) sugere ainda a seguinte atividade do fazer artístico:</p><p>“proporia aos alunos experimentarem representar um objeto da mesma maneira</p><p>que Picasso representou a mesa, colocando na representação vários momentos da</p><p>percepção do objeto à medida que andamos em volta dele”.</p><p>Portanto, a leitura de imagem abrange a interpretação e contextualização</p><p>em seu fazer artístico. “Cada pessoa, em cada época, tem direito à interpretação,</p><p>desde que</p><p>justificável formalmente; portanto, é necessário ler claramente os</p><p>elementos formais e de composição primeiro” (BARBOSA, 2010, p. 79).</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>39</p><p>Os elementos formais e de composição são os chamados elementos da</p><p>linguagem visual como: o ponto, a linha, as formas, as texturas, as cores, as direções,</p><p>os tons, o contraste, a escala, as dimensões, o movimento. A seguir apresentamos</p><p>um quadro de análise estética que pode ser utilizado com os alunos em sala de aula.</p><p>FIGURA 25 – QUADRO DE ANÁLISE ESTÉTICA</p><p>A N Á L I S E E S T É T I C A</p><p>1. CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>Título da obra: Autor:</p><p>Local / Ano da obra: Dimensão:</p><p>Técnica: Suporte:</p><p>Movimento artístico: Função / Gênero da obra:</p><p>Fatos destacáveis da época:</p><p>Outras Influências:</p><p>2. DESCRIÇÃO</p><p>3. BREVE ANÁLISE DOS ELEMENTOS FORMAIS</p><p>Ponto:</p><p>Linha:</p><p>Forma:</p><p>Direção:</p><p>Luz:</p><p>Cor:</p><p>Textura</p><p>Escala:</p><p>Perspectiva:</p><p>Movimento do olhar:</p><p>Volume (escultura):</p><p>Superfície:</p><p>Planos:</p><p>Principais elementos:</p><p>Disposição dos elementos:</p><p>4. INTERPRETAÇÃO</p><p>Qual a sua apreciação diante desta obra de arte?</p><p>(Justifique sua resposta através do seu conhecimento técnico, da sua interpretação e do seu gosto pessoal).</p><p>Todos os direitos reservados: www.historiadasartes.com FONTE: <http://www.historiadasartes.com/wp-content/uploads/2016/02/AnaliseEstetica-1.pdf>.</p><p>Acesso em: 5 nov. 2018.</p><p>Caro acadêmico! Para aprofundar suas leituras sobre a leitura de imagem,</p><p>leia mais neste artigo – Leitura de Imagem na Prática Pedagógica, de Daniele Rizental de</p><p>Paula. FONTE: <http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/pde/arquivos/1577-8.pdf>.</p><p>Acesso em: 28 nov. 2018.</p><p>UNI</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>40</p><p>4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO</p><p>A contextualização (conhecimento e contextualização conceitual-histórico-</p><p>cultural da produção artístico-estética da humanidade) na aula de artes é um</p><p>campo conceitual que remete à reflexão e às relações dos aspectos históricos,</p><p>sociais e culturais. As relações são feitas a partir da leitura de uma obra de arte e</p><p>contextualizadas por meio de um fazer artístico, de uma escrita ou de uma conversa.</p><p>Para Barbosa e Cunha (2010, p. 110), “a contextualização da obra de arte</p><p>é um dos eixos da abordagem triangular que recebe grande influência de Paulo</p><p>Freire [...]. É a ideia de que nunca se deve descontextualizar o ensino. O ensino</p><p>deve estar sempre referido ao seu contexto”.</p><p>Vamos a um exemplo de atividade através da obra chamada “O retorno</p><p>de um proprietário”, do artista Debret. A partir da leitura de imagem foi possível</p><p>realizar a contextualização por meio do fazer artístico. Jean Baptiste Debret, que é</p><p>um artista francês que chegou ao Brasil no ano de 1816, pintou retratos de pessoas</p><p>da nobreza e grandes acontecimentos da Corte. Ele foi uma espécie de fotógrafo,</p><p>pois foi às ruas com papel e lápis e, assim, fez muitos desenhos de cenas do</p><p>cotidiano das pessoas nobres e comuns do Rio de Janeiro.</p><p>FIGURA 26 – OBRA O RETORNO DE UM PROPRIETÁRIO DE JEAN BAPTISTE DEBRET (1768-1848)</p><p>FONTE: <http://alunosonline.uol.com.br/historia-do-brasil/o-periodo-regencial-estado-</p><p>excludente.html>. Acesso em: 9 jun. 2016.</p><p>Na obra, é possível perceber que o pintor retratou sobre como os nobres</p><p>eram levados pelas pessoas mais simples, talvez por escravos. Com os alunos, é</p><p>importante questionar o seu cotidiano, seus costumes, se nos dias atuais ainda as</p><p>pessoas são levadas de tal maneira, ou seja, carregadas em uma rede.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>41</p><p>FIGURA 27 – TELA VIVA FOTOGRÁFICA DA OBRA O RETORNO DE UM PROPRIETÁRIO</p><p>FONTE: Raach (2016, p. 93)</p><p>Segundo Barbosa (2010, p. 38), “a história da arte ajuda a criança a entender</p><p>algo do lugar e tempo nos quais as obras de arte são situadas. Nenhuma força de arte</p><p>existe no vácuo: parte do significado de qualquer obra depende do entendimento</p><p>de seu contexto”. Assim, a importância de conhecimentos históricos, culturais, das</p><p>relações do cotidiano do aluno faz parte do ensino de artes visuais.</p><p>Portanto, a contextualização da obra de arte é uma maneira de se aproximar</p><p>da realidade do aluno, trazendo resultados significados que fazem parte da história</p><p>de vida, isto é, “não são diferentes significados, mas diferentes implicações ou</p><p>significações” que os alunos trazem em seu fazer artístico (BARBOSA, 2010, p. 40).</p><p>DICAS</p><p>Leitura de artigo: A proposta triangular de arte. Este artigo traz um resumo das</p><p>pesquisas de Maria Cristina Monteiro, um material didático que traz trechos significativos dos</p><p>PCN e resumos de teses/dissertações. É um texto de referência para todos os professores</p><p>que estão atuando no ensino escolar. FONTE: <https://siaiap32.univali.br/seer/index.php/rc/</p><p>article/viewFile/830/681>. Acesso em: 28 nov. 2018.</p><p>Portanto, com a leitura de imagem e contextualização da obra, o fazer</p><p>artístico foi de um grupo de alunos que dramatizou a cena, fazendo uma espécie</p><p>de tela viva. Houve o registro em fotografia e posteriormente foi editada,</p><p>melhorando a qualidade da composição artística. O resultado da contextualização</p><p>pode ser observado no fazer artístico que se encontra na figura a seguir:</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>42</p><p>4.3 FAZER ARTÍSTICO (CRIAÇÃO/ PRODUÇÃO)</p><p>O fazer artístico na aula de artes não é apenas o “fazer por fazer”, por isso,</p><p>neste eixo temático da criação, temos algumas dicas e sugestões de como dialogar</p><p>sobre as produções com os estudantes. Assim, “a prática sozinha tem se mostrado</p><p>impotente para formar o apreciador e fruidor da arte” (BARBOSA, 2010, p. 42). Como</p><p>primeiro exemplo, o professor chega e pergunta aos estudantes: Alunos! A atividade</p><p>de hoje é fazer uma casa e uma árvore no caderno de desenho. Podem começar.</p><p>A partir da proposição, os alunos provavelmente irão fazer seus desenhos</p><p>por meio da memória. As criações se tornam simples, faltando repertório</p><p>imagético, isto é, para as criações serem mais abrangentes e não ficarem sempre</p><p>nos mesmos resultados, os estudantes precisam ter conhecimentos sobre diversos</p><p>materiais, técnicas e suportes.</p><p>Trazer obras de arte ou imagens sobre a questão solicitada aos alunos faz</p><p>com que os desenhos não sejam iguais, esteriotipados. Procure obras de arte ou</p><p>imagens do cotidiano que explorem a variedade de casas e árvores e apresente</p><p>aos alunos.</p><p>Para alcançar os objetivos das atividades que são propostas em sala de</p><p>aula, o professor precisa de um planejamento que apresente formas de trabalho,</p><p>estimulando realizar criações com embasamento teórico, ajudando a entender o</p><p>processo do fazer.</p><p>Assim, “do ensino das artes correspondem as quatro mais importantes</p><p>coisas que as pessoas fazem com a arte. Elas a produzem, elas a veem, elas</p><p>procuram entender seu lugar na cultura através do tempo, elas fazem julgamento</p><p>de sua qualidade” (BARBOSA, 1991, p. 36-37). Fazer artístico é produzir, criar</p><p>algo, onde se procura refletir sobre ele. Na imagem a seguir, temos um exemplo</p><p>a partir da escolha de uma imagem do cotidiano.</p><p>FIGURA 28 – PROPAGANDA DO CHINELO HAVAIANAS</p><p>FONTE: <http://marcas.meioemensagem.com.br/havaianas/>. Acesso em: 5 nov. 2018.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>43</p><p>É preciso relacionar uma imagem do cotidiano, um objeto como o chinelo</p><p>que todos os alunos devem ter em casa ou usam na escola. Como leitura de imagem</p><p>e contextualização poderão ser propostas algumas perguntas que instigam a análise</p><p>da imagem, como os elementos visuais (cores, linhas, texturas), a história do chinelo</p><p>relacionado com a moda, o que destaca na imagem para ser propaganda, ou por</p><p>quais caminhos podemos</p><p>caminhar em nossas vidas, entre outras perguntas.</p><p>Para o fazer artístico, pode-se propor a criação de desenhos/pinturas sobre</p><p>chinelos velhos usados ou até sapatos usando tintas e materiais diversos. Cada</p><p>aluno poderá escrever uma palavra que gostaria que estivesse em seu trabalho,</p><p>como palavras que incentivem os seus caminhos como: saúde, alegria, fé, amor,</p><p>paz, explorando os sentimentos dos alunos em relação as suas vidas, ao seu</p><p>convívio familiar, por exemplo. Quando prontas as criações, criar uma instalação</p><p>artística, pendurando e recriando um novo espaço com os objetos.</p><p>FIGURA 29 – EXEMPLO DE INSTALAÇÃO ARTÍSTICA EM ESPAÇOS DIVERSOS</p><p>FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/300685712592572758/>. Acesso em: 7 nov. 2018.</p><p>DICAS</p><p>No site Portal do Professor do MEC, encontramos planos de aula através dos</p><p>eixos temáticos do fazer, ler e contextualizar. Aproveite e pesquise para construir seus planos</p><p>de aula! FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=7886>.</p><p>Acesso em: 28 nov. 2018.</p><p>44</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• As abordagens teóricas e práticas no ensino de arte ajudam a aprimorar as</p><p>habilidades, competências e conhecimentos dos alunos.</p><p>• Os professores de arte precisam ter conhecimentos teóricos/práticos acerca dos</p><p>conteúdos de arte, fazendo leituras, pesquisas e exercícios práticos.</p><p>• As linguagens da arte se subdividem em áreas de conhecimento como: visuais,</p><p>teatro, dança e música.</p><p>• Os campos conceituais (a criação/produção, a percepção/análise e o</p><p>conhecimento e contextualização conceitual-histórico-cultural da produção</p><p>artístico-estética da humanidade) estão apresentados por meio da abordagem</p><p>triangular de Ana Mae Barbosa.</p><p>• A abordagem triangular de Barbosa acontece pelos campos conceituais ou eixos</p><p>de aprendizagem do fazer artístico, da leitura de imagem e da contextualização.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>45</p><p>1 A linguagem das artes se apresenta em diversas manifestações artísticas.</p><p>Responda quais são as manifestações artísticas que contemplam as artes visuais.</p><p>a) ( ) pintura, luz, cinema, música.</p><p>b) ( ) cinema, teatro, pintura, escultura.</p><p>c) ( ) dança, teatro, fotografia, cor.</p><p>d) ( ) desenho, pintura, escultura, gravura.</p><p>2 Nas aulas de artes, é preciso que o professor possibilite aos alunos na</p><p>linguagem das artes visuais o acesso aos campos conceituais da criação/</p><p>produção, da percepção/análise e o conhecimento e contextualização</p><p>conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade.</p><p>Verifique as questões a seguir respondendo verdadeiro (V) ou falso (F) e</p><p>qual resposta está correta:</p><p>( ) Criação/produção é o fazer artístico, produzir, criar algo, em que se</p><p>procura refletir sobre ele.</p><p>( ) Percepção/análise é observar, analisar, conhecer. Assim, a apreciação/</p><p>análise/fruição fazem parte da aula de arte, conhecer a obra e o artista,</p><p>saber como foi feita, quais materiais utilizados.</p><p>( ) A contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-</p><p>estética da humanidade refere-se a relações que são feitas ao contexto</p><p>atual, e que nunca se deve descontextualizar o ensino. O ensino deve estar</p><p>sempre referido ao seu contexto.</p><p>a) V – V – F.</p><p>b) F – F – V.</p><p>c) V – V – V.</p><p>d) F – F – F.</p><p>3 Organize e elabore um plano de aula que apresente os campos conceituais</p><p>através de um conteúdo escolhido por você. Escolha uma turma para</p><p>posteriormente aplicar. Não se esqueça de elaborar seus objetivos,</p><p>procedimentos metodológicos e avaliação.</p><p>Sugestão para o plano através dos campos conceituais, o que deve contemplar</p><p>na elaboração:</p><p>Turma:</p><p>Tema:</p><p>Conteúdo:</p><p>Objetivos:</p><p>Metodologia:</p><p>Campos conceituais: Descrever as ações/atividades que serão exploradas.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>46</p><p>47</p><p>TÓPICO 2</p><p>EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO</p><p>DOCENTE EM ARTES</p><p>UNIDADE 1</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>A arte está presente na escola através de experiências educacionais,</p><p>artísticas e culturais diversas. Como professores precisamos dispor aos nossos</p><p>alunos o contato com as diversas linguagens artísticas, mas para isso, caro</p><p>acadêmico de artes visuais, é preciso também realizar criações, atividades, fazer</p><p>experimentações, ter a vivência artística que poderá ser proposta em sala de aula</p><p>com seus alunos.</p><p>O contato cultural se apresenta desde o início da história da humanidade.</p><p>A arte já se fazia presente através dos desenhos feitos nas paredes das cavernas,</p><p>chamados de arte rupestre. Assim, a produção artística manifestou-se em todos os</p><p>períodos da história da arte, e todos com grande potencial criativo, continuando</p><p>ainda nos dias atuais. Nas crianças menores, na educação infantil, por exemplo,</p><p>são feitos estímulos mais significativos, através de atividades lúdicas que tragam</p><p>aprendizagens significativas.</p><p>Como docentes, precisamos criar maneiras e métodos para o ensino</p><p>de arte, mostrando a arte, as linguagens artísticas para os alunos através da</p><p>curiosidade, por meio de perguntas, instigando o aluno a pensar e refletir.</p><p>Assim, querido acadêmico, futuro ou atual professor de arte, é preciso sempre</p><p>se atualizar, estudando, buscando conhecimento nas diferentes áreas artísticas.</p><p>Neste tópico, você, acadêmico, refletirá sobre o papel do docente, suas formações</p><p>e experiências educacionais com os educandos.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>48</p><p>2 MODOS DE APRENDER DOS EDUCANDOS</p><p>O papel do docente na disciplina de arte é fazer com que os estudantes</p><p>participem, reflitam sobre o fazer artístico. Precisamos estar atentos para aulas</p><p>que instigam a curiosidade, a sensibilidade, trazendo significados para as suas</p><p>criações, vivenciando todos os momentos da sua produção e compreendendo a</p><p>arte num todo. Para Iavelberg (2003, p. 79):</p><p>Ensinar a criar requer maturidade e experiência de criação na área</p><p>em que se ensina; requer generosidade, conhecimento sobre o ensino</p><p>e sobre aprendizagem, conhecimento de arte e, ainda, desejo e</p><p>entusiasmo com o desenvolvimento do outro. Ensinar a criar é uma</p><p>prática nova – ainda que muito antiga- e preciosa. Hoje, nenhuma</p><p>mudança em educação pode ocorrer em larga escala sem um grande</p><p>número de formadores habilitados, competentes, que dominem e</p><p>articulem saberes de diversas procedências.</p><p>No entanto, o professor de artes precisa dominar os conteúdos, fazer</p><p>leituras e, assim, pensar em articulações com os campos conceituais em sala</p><p>de aula. Para isso, os modos de aprender dos educandos referem-se a práticas</p><p>educativas. É quando o professor apresenta um conteúdo de maneira que a</p><p>aprendizagem se torne significativa.</p><p>Segundo Freire (1996, p. 69), “toda prática educativa demanda a existência</p><p>de sujeitos, um que, ensinando, aprende, outro que aprendendo, ensina”. Assim,</p><p>há uma troca de saberes em sala de aula. Os alunos e professores aprendem e</p><p>ensinam juntos, dialogam sobre os saberes.</p><p>Para uma prática educativa nas aulas de artes, trazer o cotidiano do aluno</p><p>para dentro da sala de aula faz mais sentido e, assim, suas experiências artísticas</p><p>se tornam relevantes, como:</p><p>Quando as obras são apresentadas às crianças que também</p><p>fazem atividades artísticas, percebe-se que elas adquirem novos</p><p>repertórios, principalmente aqueles referentes à sua região, seu país,</p><p>sua comunidade e são capazes de fazer relações com suas próprias</p><p>experiências (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 74).</p><p>Como docente, é importante propor atividades nas aulas de arte, nas</p><p>suas diversas linguagens, que se aproximam da realidade do aluno, ao contexto</p><p>escolar a que está atendendo. Os educandos precisam de diferentes espaços, com</p><p>um ensino voltado para a realidade, trazendo qualidade na formação cultural dos</p><p>estudantes. Para Raach (2016, p. 44):</p><p>A arte na escola se faz com o diálogo entre as imagens, evidenciando</p><p>os diversos momentos que remetem à construção cultural. A aula</p><p>de arte acontece por meio de seus diferentes espaços: a sala de aula,</p><p>os ambientes digitais virtuais, a visita a um espaço cultural e ao ar</p><p>livre. A partir do significado da palavra arte, e de</p><p>como se apresenta</p><p>no currículo escolar, temos a técnica, a disciplina, os conteúdos, as</p><p>linguagens artísticas, as representações do mundo, em suma, uma</p><p>área de conhecimento.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>49</p><p>Assim, percebe-se que o conhecimento artístico pode ser ampliado a</p><p>partir de experiências em espaços alternativos, como levando os alunos para</p><p>museus e galerias ou nas cidades menores, que não possuem espaços culturais;</p><p>levar os alunos para observarem e realizarem desenhos de observação de alguma</p><p>arquitetura da cidade ou até mesmo pinturas ao ar livre.</p><p>FIGURA 30 – ARTE EM SEUS DIVERSOS ESPAÇOS</p><p>FONTE: Raach (2016, p. 44)</p><p>A imagem mostra um pouco da arte em seus diversos espaços, do sair</p><p>da sala de aula. É preciso levar o estudante para poder visitar outros locais da</p><p>cidade, conversar sobre as praças, por exemplo, conhecer sua história. Pode-se</p><p>também propor análise de imagens culturais como placas, outdoors, propagandas.</p><p>Explorar o cotidiano do aluno é um modo de aprender.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>50</p><p>FIGURA 31 – OUTDOOR CRIATIVO</p><p>FONTE: <http://keitesoares.blogspot.com/2012/10/outdoor-criativo.html>.</p><p>Acesso em: 5 nov. 2018.</p><p>Os conteúdos e conceitos de artes visuais devem ser ensinados através</p><p>de propostas pedagógicas, com orientações que alcancem os modos de aprender</p><p>dos educandos. Assim, devem assegurar a participação de todos na aula de artes.</p><p>Segundo Raach (2016, p. 44):</p><p>O estudante cria composições artísticas através da pesquisa, da</p><p>vivência e do coletivo. Dessa forma, a construção do conhecimento em</p><p>arte instiga momentos de diálogo com o objeto de conhecimento, o</p><p>fazer, o ler e o contextualizar em sala de aula.</p><p>Retomando novamente a abordagem triangular de Barbosa (o fazer artístico,</p><p>a leitura de imagem e a contextualização se mostram importantes nos modos de</p><p>aprender dos educandos), é relevante instigar o aluno através de perguntas ao</p><p>olhar imagens, objetos, refletindo a partir de alguns questionamentos como:</p><p>[...] esta obra muda alguma coisa na forma de representar o que ela</p><p>pretende representar? Esta obra muda algo em mim? Esta obra muda</p><p>algum conceito de arte? Esta obra opera alguma mudança na arte</p><p>hoje? Qual a mudança que ela significa para a arte de outros tempos</p><p>ou para a arte em diversos outros tempos? (BARBOSA, 2010, p. 44).</p><p>A partir das perguntas que podem nortear um modo de aprendizagem dos</p><p>educandos, a obra de arte a seguir, chamada “A noite estrelada”, de Vincent Van</p><p>Gogh, sugere para observar o ritmo e movimento que encontramos na pintura.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>51</p><p>FIGURA 32 – OBRA A NOITE ESTRELADA DO ARTISTA VINCENT VAN GOGH (1889)</p><p>FONTE: <http://www.arte.seed.pr.gov.br/modules/galeria/detalhe.php?foto=410>.</p><p>Acesso em: 8 jun. 2018.</p><p>A obra chamada “A noite estrelada” foi pintada por um grande artista</p><p>holandês, Vincent van Gogh (1853-1890), que pertenceu a um período de arte</p><p>chamado impressionismo. Alguns estudiosos até dizem que o artista já faz parte</p><p>de outro período, o pós-impressionismo.</p><p>Assim, o artista desenvolveu a pintura “A noite estrelada” a partir da sua</p><p>memória e não por meio de uma observação, isto é, olhando uma paisagem, um</p><p>local, por exemplo. A pintura foi feita quando o artista tinha 37 anos de idade e</p><p>estava em um asilo que se localizava em Saint-Rémy-de-Provence. O quadro foi</p><p>pintado com tinta a óleo e feito em junho de 1889.</p><p>Com os alunos em sala de aula, é possível desenvolver a leitura de imagem</p><p>e contextualização, analisando os dados técnicos, os elementos da linguagem</p><p>visual (cor, ritmo, textura e movimento), fazendo relações com o cotidiano. Assim,</p><p>como sugestão, no fazer artístico é possível realizar trabalhos que enfatizam os</p><p>conteúdos de arte, como os elementos visuais, o uso de linhas, texturas e cores, a</p><p>materialidade expressada na obra.</p><p>Além disso, a apreciação artística de uma obra de arte é também composta</p><p>pelos créditos, que são os dados principais da obra que são encontrados nas fichas</p><p>técnicas, isto é, em museus (exposições). As fichas localizam-se do lado das obras</p><p>de arte, ou em obras impressas. Estas devem estar no verso da imagem ou no</p><p>decorrer de um texto.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>52</p><p>Nesse sentido, continuando a observar a pintura “A noite estrelada”, de</p><p>Vincent van Gogh, é possível realizar a seguinte descrição através de perguntas,</p><p>que podem ser usadas como um roteiro para aperfeiçoar a análise crítica reflexiva,</p><p>ou melhor, a leitura e contextualização de uma obra de arte.</p><p>Observe os créditos de A noite estrelada por Vincent Van Gogh [...].</p><p>Qual mistura foi usada para criar esta pintura? Qual o tamanho desta</p><p>pintura? Observe a maneira como a tinta foi aplicada à tela. O que</p><p>você vê? Agora descreva tudo o que você vê na pintura. Para ajudá-</p><p>lo a organizar seus pensamentos, comece listando as coisas que você</p><p>reconhece no primeiro plano. Então liste as coisas que você vê no plano</p><p>do meio, ao fundo e no céu (BARBOSA, 2009, p. 74).</p><p>Para isso, a ficha técnica ou chamados créditos de uma obra de arte ajudam</p><p>a pensar, refletir e responder às perguntas sugeridas anteriormente.</p><p>Agora, seguindo para outra etapa de análise da mesma obra, “A noite</p><p>estrelada”, de Vincent van Gogh, podemos verificar como a obra está organizada</p><p>e estruturada através de perguntas motivadoras, que instigam o nosso olhar</p><p>para a imagem.</p><p>Antes de você estudar a maneira que Van Gogh utiliza o ritmo,</p><p>observe os diferentes elementos artísticos que ele usa. Agora olhe a</p><p>maneira como o artista arranjou as sombras, formas e espaço. Existe</p><p>algum espaço negativo totalmente vazio? Qual o efeito expressivo das</p><p>sombras maiores? As cores neste trabalho são importantes. Onde você</p><p>encontra as cores mais brilhantes? A seguir estude as texturas. Van</p><p>Gogh está tentando imitar as texturas reais dos objetos? A textura das</p><p>pinceladas é mostrada? Agora você está pronto para observar os ritmos</p><p>visuais em A noite estrelada. Quais os elementos e objetos usados</p><p>como motivo neste trabalho? Descreva-os. Que tipos de ritmos Van</p><p>Gogh utilizou? Você pode encontrar exemplos de ritmos regulares?</p><p>Você vê algum ritmo alternativo? (BARBOSA, 2009, p. 74).</p><p>Após a análise da obra de arte por meio de perguntas, seguimos para a</p><p>interpretação da imagem, com mais alguns questionamentos, indagando:</p><p>O que está acontecendo? O que o artista está tentado dizer? [...]</p><p>coloque-se na posição do artista, imagine os pensamentos que</p><p>estavam correndo através de sua mente enquanto ele pintava. Escreva</p><p>palavras ou frases que ele devia estar pensando. Escreva um parágrafo</p><p>explicando sua interpretação (BARBOSA, 2009, p. 74 -75).</p><p>Novamente pensando e analisando um pouco mais da obra de arte através</p><p>da contextualização, referindo sobre o julgamento desta obra, reflita: O que você</p><p>pensa acerca da, pintura? Você gosta do assunto desta pintura? Você gosta da</p><p>maneira pela qual o artista organizou os elementos de arte? A pintura toca seus</p><p>sentimentos? (BARBOSA, 2010).</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>53</p><p>Com isso, o exemplo sobre a obra “A noite estrelada”, de Vincent van Gogh,</p><p>traz possibilidades de estudos de uma imagem através de muitas perguntas que</p><p>norteiam a sua análise. Segundo Barbosa (2010, p. 44), “a obra de arte deve ser</p><p>saboreada, e requer para isto uma concentração de significados que advêm de sua</p><p>complexidade. A obra para ter qualidade estética deve ter o poder de sumarizar</p><p>múltiplos significados”.</p><p>Modos de aprender é saborear uma imagem, isto é, o espectador precisa</p><p>desenvolver a capacidade de criar múltiplas interpretações, tudo por meio de</p><p>perguntas que instigam a curiosidade. Os educandos precisam ser convidados,</p><p>motivados, provocados a exercitar o olhar através de práticas de aprender a</p><p>observar, ouvir, ver, tocar e assim, refletir sobre as imagens. Segundo Martins,</p><p>Picosque e Guerra (2010, p. 119), “ensinar – que epistemologicamente significa</p><p>apontar signos – é deixar que o outro construa sentidos, isto é, viva a experiência e</p><p>construa signos internos na busca de compreender conceitos, processos e valores”.</p><p>Como professor de arte, é preciso de mediação para trazer a imagem</p><p>para ser observada e saboreada numa aula. A participação do aluno irá motivar</p><p>e decidir os caminhos que irá percorrer na análise de uma obra, como vemos</p><p>segundo Iavelberg (2003, p. 77):</p><p>Fazer a mediação entre o público e a obra é ensinar arte, apresentar</p><p>objetos artísticos específicos é também educar com arte. Do ponto de</p><p>vista da didática da arte, o educador cria ao fazer a mediação das obras</p><p>e, nesse sentido, vive momentos análogos aos do artista em seu espaço</p><p>de trabalho. Nada ou muito pouco em sua prática é preconcebido.</p><p>No entanto, a aula de arte, o planejamento de um conteúdo pelo professor,</p><p>muitas vezes, percorre outros caminhos, dependendo da turma de alunos. Através</p><p>da leitura e contextualização da imagem poderemos remeter ao fazer artístico de</p><p>outra maneira, isto é, uma prática que não é preconcebida, ela surge da necessidade,</p><p>dos interesses e curiosidades dos alunos a partir da mediação do professor.</p><p>Na linguagem da arte, há criação, construção, invenção. O ser humano,</p><p>por meio dela, forma, transforma a matéria oferecida pelo mundo da</p><p>natureza e da cultura em algo significativo. Atribui significados a sons,</p><p>gestos, cores, com uma intenção, num exercício que mais parece um</p><p>jogo de armar, um quebra-cabeça no qual se busca a forma justa. Vários</p><p>caminhos são percorridos, várias soluções são experimentadas, num</p><p>processo de ir e vir, um fazer/construir lúdico-estético (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 47).</p><p>Assim, a aula de arte acontece por meio da criação, de exercícios de</p><p>construção e reconstrução, de processos de ir e vir, de experimentações, de</p><p>momentos artísticos diversos.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>54</p><p>IMPORTANTE</p><p>Projeto Arte na Escola</p><p>O Instituto Arte na Escola é uma associação</p><p>civil sem fins lucrativos que, desde 1989,</p><p>qualifica, incentiva e reconhece o ensino</p><p>da arte, por meio da formação continuada</p><p>de professores da Educação Básica. Tem</p><p>como premissa que a arte, enquanto objeto</p><p>do saber, desenvolve nos alunos habilidades</p><p>perceptivas, capacidade reflexiva e incentiva a</p><p>formação de uma consciência crítica, sem se</p><p>limitar à autoexpressão e à criatividade.</p><p>FONTE: <http://artenaescola.org.br/</p><p>institucional/>. Acesso em: 5 nov. 2018.</p><p>3 APRENDENDO A APRENDER</p><p>Neste momento, vamos conversar sobre o aprender como docente. O professor</p><p>deve estar disposto a conhecer, a experimentar, a criar e, assim, a poder explorar em</p><p>sala de aula com os educandos o conhecimento de maneira mais significativa.</p><p>DICAS</p><p>Aprender a aprender</p><p>O Vídeo “Aprender a aprender” encontramos</p><p>no site do YOUTUBE no seguinte link: <https://</p><p>www.youtube.com/watch?v=Pz4vQM_</p><p>EmzI>. Acesso em: 11 dez. 2018.</p><p>O vídeo nos traz uma reflexão sobre a</p><p>arte de ensinar e aprender através de uma</p><p>animação que mostra a relação entre o</p><p>mestre e seu aprendiz.</p><p>FONTE: <http://animacurtas.blogspot.com/2011/08/aprender-aprender.html>. Acesso em:</p><p>11 dez. 2018.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>55</p><p>Para se dedicar como professor de arte no século XXI, é preciso estar</p><p>sempre se atualizando, fazendo leituras, visitando exposições, buscando</p><p>formação e conhecimento na área em que atua. Muitas ideias e estratégias de</p><p>ensino são necessárias e também maneiras de como lidar com os alunos que vêm</p><p>com atitudes, hábitos, valores que muitas vezes precisamos ensinar ou rever.</p><p>“Cada aula, como um jogo de aprender e ensinar, é um instante mágico.</p><p>Requer preparação e coordenação especiais, de mãos habilidosas que tocam, que</p><p>apontam, que escolhem contextos significativos para o aprendiz tecer sua rede de</p><p>significações” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 119).</p><p>O professor de arte precisa ter autonomia e capacidade de decisão em</p><p>momentos diversos da aula de artes e muita criatividade. A aprendizagem</p><p>dos alunos é um processo contínuo, e nas aulas de artes o fazer não é apenas o</p><p>resultado de uma atividade, e sim, são todas as etapas da criação que fazem parte</p><p>da aula e da avaliação. Para Barbosa (1975, p. 94):</p><p>[...] os professores de arte precisam, em primeiro lugar, de sólidos</p><p>conhecimentos teóricos acerca das teorias da Arte-Educação, e de</p><p>um modo de pensar acerca da arte que possa ajudá-los a definir as</p><p>atividades artísticas na escola e a arte na sociedade moderna, sua</p><p>função e praticalidade.</p><p>Aprender a aprender é estar constantemente fazendo avaliações e reflexões</p><p>de suas práticas de sala de aula, e podendo mudar e melhorar suas ações, seu</p><p>planejamento, seu jeito de ser, suas estratégias de ensino. Muitas vezes, como</p><p>professores de arte, realizamos um planejamento de conteúdos para determinada</p><p>turma de alunos, mas na prática diária, no dia a dia da sala de aula, precisamos</p><p>fazer alterações, mudanças de atividades, conteúdos, observando a realidade da</p><p>turma, os questionamentos e curiosidades que aparecem no decorrer das aulas.</p><p>Para isso, os professores precisam superar limites na busca de novas</p><p>aprendizagens, revendo seus modos de aprender, suas competências para uma</p><p>prática mais reflexiva, observando também os educandos. Segundo Barbosa</p><p>(1975, p. 94):</p><p>É igualmente importante para o arte-educador desenvolver ideias</p><p>acerca de prioridades relacionadas com objetivos e métodos, e</p><p>acerca das imposições do mundo exterior sobre a substância da Arte-</p><p>Educação, assim como a óbvia necessidade de conhecer a criança,</p><p>seu desenvolvimento físico, neurológico, intelectual, emocional,</p><p>perceptivo e expressivo-comunicativo.</p><p>Assim, professores de arte, desde o início de sua formação, de seus estudos,</p><p>precisam estar engajados em uma formação continuada, na busca do aprender</p><p>a aprender, pois é preciso adaptar muitas vezes as aulas de arte, dependendo</p><p>de situações ocorridas com os alunos. Devemos ter sabedoria, postura crítica e</p><p>tomada de decisões.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>56</p><p>O professor de arte pode promover espaços de reflexão, sendo</p><p>multiplicador de ideias, motivador de estímulos para os alunos enfrentarem os</p><p>trabalhos propostos em sala de aula. Ser um profissional reflexivo, estimulando</p><p>e mediando os alunos na construção do conhecimento em arte. Assim, segundo</p><p>Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51):</p><p>Nesse sentido, arte é conteúdo e forma. Ambos são inseparáveis, um</p><p>não vive sem o outro, são processos simultâneos. Se ao conteúdo está</p><p>associada a temática, à forma está associada a marca do autor, a sua</p><p>poética, o seu modo de fazer/ mostrar/expressar esse conteúdo.</p><p>Na figura a seguir encontramos exemplos de obras de arte que retratam</p><p>a mesma temática por meio de vários artistas. Aprender e ensinar aos alunos</p><p>modos diferentes de fazer e expressar arte.</p><p>FIGURA 33 – EXEMPLOS DE OBRAS DE ARTE COM A MESMA TEMÁTICA POR MEIO</p><p>DE VÁRIOS ARTISTAS</p><p>Obra: Os corredores”, do pintor</p><p>francês Robert Delaunay (1885-1941.</p><p>O óleo sobre canvas foi produzido em</p><p>1924.</p><p>O Time”, do cearense Aldemir Martins</p><p>(1922-2006), acrílica sobre tela produzida</p><p>em 1966.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>57</p><p>Mural do inglês Bansky, criado</p><p>por ocasião da realização dos Jogos</p><p>Olímpicos de Londres, em 2012.</p><p>“Os jogadores de Futebol”, do russo</p><p>Nicolas de Stael (1914-1955). Óleo</p><p>sobre canvas, produzido pelo artista</p><p>em 1952.</p><p>“Pipas e sonhos”, do grafiteiro paulista</p><p>Kobra, um dos pôsteres produzidos</p><p>por artistas brasileiros para os Jogos</p><p>Olímpicos 2016.</p><p>FONTE: <https://www.metropoles.com/entretenimento/exposicao/10-obras-de-arte-de-</p><p>diferentes-epocas-inspiradas-pelos-esportes-olimpicos>. Acesso em: 14 jul. 2018.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>58</p><p>As imagens</p><p>mostram a mesma temática, obras de arte com o tema futebol</p><p>de maneiras diferentes, sendo possível ver as diferenças através das marcas dos</p><p>próprios artistas, seu jeito de criar e retratar, assim, pinturas que mostram em</p><p>diferentes perspectivas a temática. Por isso, podemos perceber que, “tudo na</p><p>obra de arte tem uma intenção. Há uma intenção em cada gesto, cor, movimento,</p><p>postura” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 48).</p><p>4 REFLEXÃO CRÍTICA</p><p>A reflexão crítica faz parte do ensino de artes. Os professores, em sua</p><p>docência, precisam ter o hábito de analisar e refletir sobre sua prática, suas ações</p><p>em sala de aula, os resultados obtidos de um planejamento aplicado.</p><p>Cada docente, com o passar do tempo, em suas experiências cria seu</p><p>próprio percurso de sala de aula. É preciso formar alunos que vejam a arte em</p><p>suas vidas através de novos olhares. Segundo Raach (2016, p. 47), “a arte convida</p><p>a um novo olhar, para pensar um ensino voltado para a formação de estudantes</p><p>mais conscientes sobre a importância das artes em suas vidas, para a construção</p><p>de valores e desenvolvimento da criatividade e mudanças no contexto atual”.</p><p>As aulas de artes devem ser um espaço de reflexão. O professor poderá</p><p>trazer provocações, questionamentos acerca das diversas manifestações artísticas.</p><p>As obras de arte ou imagens do cotidiano estão presentes e trazem conceitos</p><p>e ideias, trazem interação com o artista. Observando as imagens, as obras de</p><p>arte, temos contato com diversos elementos históricos, artísticos, culturais de</p><p>determinado tempo/época que estão em constante transformação.</p><p>Se o conhecimento está sujeito à perpétua transformação ao longo do</p><p>tempo, a formação do educador também deve ser constante. Nesse</p><p>sentido, a formação inicial é revisitada pelo imaginário do monitor</p><p>contemporâneo, à medida que realiza sua formação contínua. Como</p><p>um historiador de si mesmo, o educador reescreve sua biografia</p><p>profissional todos os dias e a reconstrói conforme seu imaginário se</p><p>transforma, orientado por suas experiências de aprendizagem em</p><p>sentido lato (IAVELBERG, 2003, p. 78).</p><p>Assim, os professores necessitam estar atentos às transformações diárias</p><p>e dar importância às leituras em arte, atualizações, cursos, estar como docente</p><p>sempre aprendendo, buscando novos conhecimentos.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>59</p><p>DICAS</p><p>O livro Iniciação à docência em artes visuais,</p><p>um guia com experiências, contém 144 páginas da editora</p><p>Oikos e foi produzido pela professora Paola Zordan, junto</p><p>com estagiários e bolsistas de arte no ano de 2011. O livro</p><p>fala do planejamento nas aulas de arte, sugestões, relatos de</p><p>angústias e dúvidas de ser professor de artes visuais.</p><p>Segundo Tati e Machado (2004, p. 5), “um grande artista não é</p><p>necessariamente um grande professor, e vice-versa. Mas para ser um bom</p><p>professor é muito importante vivenciar a proposta antes de trazê-la”.</p><p>Assim, o professor de arte precisa observar a faixa etária dos alunos que</p><p>irá atender, planejando seu conteúdo através da realização de atividades, estas,</p><p>que se puder, sejam experienciadas antes, vivenciadas talvez pelo professor</p><p>para perceber as futuras dificuldades ou imaginar o processo desta criação, dos</p><p>materiais necessários e de como será executada a atividade em sala de aula com</p><p>os alunos. Lembrando que cada aluno tem seu tempo de criação, por isso, não</p><p>usar como modelo apenas sua experiência pessoal, deixando surgir a liberdade</p><p>de expressão de cada aluno.</p><p>Segundo Barbosa (2010, p. 118), nas aulas de arte “o importante é</p><p>que o professor não exija representação fiel, pois a obra observada é suporte</p><p>interpretativo e não modelo para os alunos copiarem”. Trazer embasamento</p><p>teórico é importante para análise e reflexão para as criações do fazer artístico.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>60</p><p>DICAS</p><p>A imagem no ensino da Arte, de Ana Mae Barbosa (2010)</p><p>Este livro apresenta sobre a didática das artes no Brasil, promovendo</p><p>leituras de obras de arte relacionando com metodologias de ensino.</p><p>Aproveite e leia!</p><p>O ensino de arte voltado para momentos de experimentação artística</p><p>traz acesso a diversas linguagens e materiais, sempre mostrando que através dos</p><p>tempos a arte foi se aperfeiçoando, mudando, e que sempre estamos aprendendo</p><p>no processo da criação.</p><p>Um professor de arte renascentista que fez uso de criação não foi nem</p><p>mais nem menos avançado do que um professor contemporâneo que</p><p>hoje cria suas aulas. Apenas se utilizam de recursos distintos. Trabalhar</p><p>com têmpera ou com tinta acrílica, com construção ou desconstrução,</p><p>com beleza ou estranhamento é uma decorrência de época. O problema</p><p>reside na difícil compreensão de que é possível ensinar a criar, mesmo</p><p>que isso tenha ocorrido de modos distintos ao longo da história.</p><p>Hoje, podemos compreender que os homens aprendem como sujeitos</p><p>do processo, a partir de experiências de aprendizagem significativa</p><p>(IAVELBERG, 2003, p. 78).</p><p>Caro acadêmico, nas próximas unidades do livro de estudos, você</p><p>encontrará mais reflexões, mais motivações para ensinar seu aluno a criar, ou</p><p>seja, possibilidades de propostas pedagógicas em artes visuais.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>61</p><p>DICAS</p><p>Filme O sorriso de Monalisa</p><p>Este filme americano foi produzido em 2003. O título é uma</p><p>referência à pintura famosa de Leonardo da Vinci, a Monalisa.</p><p>O filme trata de uma professora de História da Arte, que leciona</p><p>numa escola feminina e em suas aulas tenta “abrir a mente</p><p>de suas alunas” enfatizando a livre expressão e a consciência</p><p>crítica e não apenas a reprodução de conhecimento, falando</p><p>sobre a mulher ter também seus sonhos e pensamentos.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>62</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>ABORDAGEM TRIANGULAR E CULTURA VISUAL</p><p>Possibilidades no ensino da arte complementares ou excludentes?</p><p>Sylvia Bojunga</p><p>Ao preparar planos de ensino e conceber projetos educativos nas diferentes</p><p>linguagens artísticas, os professores de arte deparam-se com a necessidade de</p><p>fazer escolhas. Diante da multiplicidade de tendências pedagógicas no campo do</p><p>ensino das artes, que convergem conceitos e elementos constitutivos dessa área de</p><p>conhecimento, que caminho escolher? Que pressupostos teóricos, metodológicos</p><p>e político-pedagógicos estariam mais sintonizados com a contemporaneidade e</p><p>a realidade escolar? Nesse cenário, fazemos a seguinte provocação: a abordagem</p><p>triangular e a cultura visual se excluem?</p><p>Com a palavra, os especialistas que convidamos para expor seus pontos</p><p>de vista são:</p><p>FERNANDO HERNÁNDEZ-HERNÁNDEZ</p><p>Professor da Unidade de Pedagogias Culturais da Faculdade de Belas Artes da</p><p>Universidade de Barcelona, Espanha, é coordenador da Pós-graduação em Artes e Educação.</p><p>“Nada começa do zero:</p><p>as tendências em ensino da arte</p><p>se entrecruzam e transitam</p><p>por espaços de diálogo.”</p><p>Aprendi com Bruno Lattour que enfrentar perspectivas científicas esconde,</p><p>na realidade, uma armadilha estratégica: enquanto se reafirma a existência de um</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>63</p><p>foco através da negação de uma tendência anterior ou se defende a superação do</p><p>que essa posição representava, o que se pretende, de fato, é reconhecer que ‘o novo’</p><p>emerge e acontece, porque aquilo que se rejeita, em algum momento, existiu.</p><p>Se fosse reconhecido, como defende Lattour, que nada parte do zero, seria</p><p>possível assumir que não faz sentido ontológico ou epistemológico constituir um</p><p>campo de conhecimento, uma perspectiva científica, uma tendência Educação das</p><p>Artes Visuais contra… Isso pode ser feito, mas será uma estratégia para reafirmar</p><p>posições de poder e controle e delimitar espaços de influência pessoais ou do</p><p>grupo. Vejamos um exemplo.</p><p>Durante anos, a orientação predominante nas escolas foi o ensino do</p><p>desenho (à mão livre, cópia…), posto que cumpria uma função social vinculada,</p><p>principalmente,</p><p>ao desenvolvimento de diferentes práticas industriais. Depois</p><p>da Segunda Guerra Mundial, a perspectiva foi questionada por aqueles que</p><p>sustentavam a importância de se permitir que os indivíduos se ‘expressassem’</p><p>sem quaisquer limitações a normas e métodos.</p><p>Posteriormente, nos anos 1970, pela influência do cognitivismo e de um</p><p>movimento favorável às disciplinas no currículo, principalmente nos Estados</p><p>Unidos, foi colocada uma questão fundamental para uma virada na Educação das</p><p>Artes, qual seja, é válido que os indivíduos se expressem, mas, o que aprendem</p><p>quando assim o fazem? Isto levou à configuração da perspectiva da Educação</p><p>Artística baseada nas disciplinas, a qual está relacionada à ‘proposta triangular’</p><p>apresentada pela professora Ana Mae Barbosa, em 1987.</p><p>Contudo, chega-se a um ponto em que a arte contemporânea ultrapassa</p><p>os limites da representação, e a reflexão cultural pós-moderna convida ao</p><p>questionamento dos relatos hegemônicos sobre a arte e a própria história da arte.</p><p>Além disso, surge uma crítica, a partir de posições relacionadas ao multiculturalismo</p><p>e à justiça social, a algumas das contribuições da perspectiva disciplinar.</p><p>Este movimento articula-se de forma díspar, em torno daquilo que Paul</p><p>Duncum viria a chamar posteriormente de Educação Artística para a cultura</p><p>visual. Cada uma das perspectivas, o desenho, o expressionismo, a perspectiva</p><p>disciplinar ou a educação da cultura visual, surgem porque outras perspectivas</p><p>oferecem elementos para o diálogo. Porque abrem caminhos para outras formas</p><p>de pensamento, as quais possibilitam outras práticas.</p><p>Os movimentos, as tendências dentro dos campos do saber ou das práticas</p><p>sociais, sempre fazem parte de um diálogo entrecruzado. Ainda que não se</p><p>reconheça, ainda que nos esforcemos em negar a existência do outro. Somos o que</p><p>somos, abrimos caminho através das nossas ações, porque outros, anteriormente,</p><p>abriram uma trilha que agora permite que continuemos a nossa. Sem o caminho</p><p>aberto, não poderíamos avançar, ainda que esse caminho siga em outra direção.</p><p>Por isso sempre avançamos em companhia, inclusive de onde que já consideramos</p><p>que não fazemos mais parte, mas que foi um local onde aprendemos a explorar o</p><p>território diverso e complexo das relações entre as artes e a educação.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>64</p><p>Mas o fato é que, além disso, os caminhos coexistem, renovam-se e adquirem</p><p>novo vigor a partir do surgimento de uma perspectiva que, inicialmente, pode até</p><p>questioná-los. O desenho hoje é um valor em alta como forma de pensamento</p><p>e representação, resgatada pela perspectiva das multimodalidades. A expressão</p><p>foi revalorizada no campo das terapias criativas e adquiriu nova força junto a</p><p>práticas performativas de expressão.</p><p>A perspectiva disciplinar se expandiu, incorporando novos conhecimentos</p><p>e saberes, e ampliando os sentidos das artes mais além dos limites inicialmente</p><p>definidos a partir dos princípios modernistas que deram o impulso inicial. A</p><p>educação da cultura visual é cada vez mais híbrida e superou a fase de ampliação</p><p>de formas de representação, focando em formas de relação que dialogam não</p><p>apenas com a complexidade das práticas artísticas contemporâneas, mas que</p><p>incorporam formas de fazer decorrentes de outras tendências.</p><p>Por tudo isso, posicionar-se no enfrentamento pode ser entendido como</p><p>necessidade de delimitar espaços de influência e poder. Mas perde o sentido</p><p>quando se olha a partir da perspectiva que mencionei aqui: não se trata de clãs</p><p>que vão a guerras estéreis para a conquista de novos territórios. Uns e outros</p><p>fecundam se a atuação emana de posições não excludentes. Afinal de contas,</p><p>todos nós perseguimos um mesmo fim: que seja reconhecido o valor cívico da</p><p>educação desde as artes, para que dessa forma seja alcançada uma sociedade</p><p>mais justa, na qual os indivíduos são livres para contar suas próprias histórias e</p><p>reconhecidos como autores e portadores de saber.</p><p>BELIDSON DIAS</p><p>Prof. associado do Departamento de Artes Visuais do Instituto de Artes da</p><p>Universidade de Brasília, é pós-doutor pela Universidade de Barcelona, Espanha, doutor</p><p>em Estudos Curriculares em Arte Educação – Artes Visuais pela British Columbia</p><p>University, Canadá e líder do Grupo de Pesquisa do CNPq – Transviações: Educação e</p><p>Visualidade (UnB/DF).</p><p>A Abordagem Triangular e a Educação da Cultura Visual, embora</p><p>apresentem pontos de contatos e justaposições de práticas pedagógicas, contrastam</p><p>categoricamente em seus projetos políticos e ideológicos. A Abordagem Triangular</p><p>foca na busca por uma instituição que incluirá e ensinará arte como disciplina. Já</p><p>na Educação da Cultura Visual, o foco está nas questões da visualidade da vida</p><p>cotidiana como objetos materiais essenciais para os sujeitos em busca de seus</p><p>empoderamentos individuais e de grupo.</p><p>A Abordagem Triangular propõe um currículo abrangente ao oferecer</p><p>aos participantes um envolvimento com as artes, ensinando-lhes a olhar a arte, a</p><p>utilização de técnicas de estúdio, aprendizagem das linguagens, o fazer e entender</p><p>as obras de arte em seus contextos culturais e históricos.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO DOCENTE EM ARTES</p><p>65</p><p>Já a Educação da Cultura Visual destaca representações visuais do cotidiano</p><p>como os elementos centrais que estimulam práticas de produção, apreciação e</p><p>crítica de artes e que desenvolvem processos de pensamento simbólico, conceitual,</p><p>crítico, cognição, imaginação, consciência social e sentimento de justiça com</p><p>temáticas de gênero, sexualidade, raça, etnia, necessidades especiais, religião,</p><p>entre outras.</p><p>Desse modo, elas estariam apostas em relação ao uso multifacetado de</p><p>práticas de ensino. Mas nem tanto! Apesar de ter pontos fortes, a Abordagem</p><p>Triangular frustra na integração entre teoria e prática. De fato, ela ainda concentra</p><p>excessivamente conteúdos curriculares formalistas e modernistas da arte, que</p><p>não lidam assaz com as realidades, os contextos e as subjetividades pelas quais os</p><p>estudantes veem, visualizam e constroem seus universos.</p><p>Ao contrário, na Educação da Cultura Visual questões pedagógicas</p><p>centradas em um currículo fundamentado no cotidiano expandido dos sujeitos</p><p>os conduzem à consciência crítica social como um diálogo preliminar, que leva</p><p>à compreensão e, então, à ação. Ela é uma concepção aberta para as criações</p><p>pedagógicas de professores e alunos.</p><p>FONTE: BOJUNGA, Sylvia. Possibilidades no ensino da arte complementares ou excludentes?</p><p>2015. Disponível em: <http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=75450>. Acesso em:</p><p>26 maio 2018.</p><p>66</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• O papel do docente na disciplina de Artes é fazer com que os estudantes</p><p>participem, reflitam sobre o fazer artístico. Precisamos estar atentos para aulas</p><p>que instigam a curiosidade, a sensibilidade, trazendo significados para as suas</p><p>criações, vivenciando todos os momentos da sua produção e compreendendo</p><p>a arte como um todo.</p><p>• Modos de aprender é saborear uma imagem, isto é, o espectador ter a capacidade</p><p>de criar múltiplas interpretações, tudo isso por meio de perguntas que instigam</p><p>a curiosidade. Os educandos precisam ser convidados, motivados, provocados</p><p>a exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar, ouvir, ver, tocar</p><p>e refletir sobre as imagens.</p><p>• Aprender a aprender é fazer constantemente avaliações e reflexões de suas</p><p>práticas de sala de aula. É poder mudar e melhorar suas ações, seu planejamento,</p><p>seu jeito de agir, suas estratégias de ensino em sala de aula.</p><p>• A reflexão crítica faz parte do ensino de artes. Os professores em sua docência</p><p>precisam ter o hábito de analisar e refletir sobre sua prática, suas ações em sala</p><p>de aula e os resultados obtidos de um planejamento aplicado.</p><p>67</p><p>1 Responda qual é a questão correta que se refere aos modos de aprender dos</p><p>educandos:</p><p>a) ( ) É poder criar espaços em sala de aula de maneira tradicional, onde</p><p>apenas o</p><p>professor direciona o conteúdo e as atividades.</p><p>b) ( ) É saborear uma imagem, isto é, o espectador ter a capacidade de</p><p>criar múltiplas interpretações, tudo isso por meio de perguntas que</p><p>instigam a curiosidade.</p><p>c) ( ) É convidar e motivar para atividades de reprodução de obras de arte.</p><p>d) ( ) É poder exercitar o olhar através de práticas de aprender a observar,</p><p>copiar, ouvir e assim, refletir sobre as imagens.</p><p>2 O professor de Artes precisa:</p><p>( ) Ter autonomia e capacidade de decisão em momentos diversos da sala de</p><p>aula e muita criatividade.</p><p>( ) Observar a aprendizagem dos alunos, pois é um processo contínuo.</p><p>( ) Ver que nas aulas de artes o fazer artístico não é apenas o resultado de</p><p>uma atividade, e sim, todas as etapas da criação fazem parte da aula e da</p><p>avaliação.</p><p>( ) De sólidos conhecimentos teóricos acerca das teorias da arte.</p><p>a) V, V, V, V.</p><p>b) V, F, V, F.</p><p>c) F, F, V, V.</p><p>d) V, V, F, V.</p><p>3 Pesquise sobre uma temática (escolha a temática, exemplos, casas, animais,</p><p>retratos etc.). Escolhida a temática, pesquise obras de arte que mostrem qual</p><p>é o artista que desenvolveu a obra. Observe e anote as diferenças de cada</p><p>obra relacionando-as ao artista e à época. Olhe o exemplo de temáticas no</p><p>tópico Aprender a Aprender. Faça anotações, organize um plano de ensino</p><p>ou uma leitura de imagem (análise estética) e discuta com seus colegas.</p><p>Sucesso em sua pesquisa!</p><p>Exemplo de site sobre leitura de imagem:</p><p>FONTE: <http://www.historiadasartes.com/wp-content/uploads/2016/02/AnaliseEstetica-1.</p><p>pdf>. Acesso em: 12 dez. 2018.</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>68</p><p>69</p><p>UNIDADE 2</p><p>PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS</p><p>PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:</p><p>• conhecer projetos de ensino de arte;</p><p>• identificar possibilidades de criar e realizar práticas de criação nos</p><p>projetos de ensino de arte;</p><p>• reconhecer os espaços e práticas de criação, de percepções, de identidades,</p><p>de subjetividades e de reflexão crítica;</p><p>• analisar a arte e seus espaços criativos;</p><p>• refletir e vivenciar o processo criativo para o ensino de arte.</p><p>Esta unidade de estudos será apresentada em três tópicos. Em cada um</p><p>deles, você encontrará, ao final dos tópicos, um resumo e autoatividades</p><p>que auxiliarão na compreensão dos conteúdos estudados.</p><p>TÓPICO 1 – PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>TÓPICO 3 – ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO</p><p>PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>70</p><p>71</p><p>TÓPICO 1</p><p>PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Na primeira unidade do livro de estudos mencionamos constantemente</p><p>os campos conceituais do fazer artístico, da contextualização e da leitura de</p><p>imagem no ensino de arte.</p><p>Assim, nesta segunda unidade, você, acadêmico, encontrará leituras e</p><p>sugestões de atividades sobre projetos no ensino de arte. Os projetos ajudam os</p><p>alunos a terem maior grau de significação de um determinado tema/conteúdo em</p><p>sua aprendizagem, proporcionando momentos de pesquisa e reflexão em torno</p><p>de uma temática escolhida. Para Iavelberg (2003, p. 63):</p><p>A aprendizagem é um processo complexo, não linear, com idas e</p><p>vindas. É preciso saber avaliar em vez de controlar as aprendizagens</p><p>dos alunos. É preciso também que esse professor esteja consciente de</p><p>que nem toda atividade que ele planeja transforma-se necessariamente</p><p>em aprendizagem. A orientação do processo é sua tarefa.</p><p>Portanto, neste primeiro tópico, o texto evidencia possíveis aprendizagens</p><p>por meio de temáticas/conteúdos, isto é, teremos atividades com orientações no</p><p>decorrer de um projeto, como os projetos na escola, projetos artísticos e projetos</p><p>em ação, que se apresentam através de exemplos práticos.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>72</p><p>2 PROJETOS NA ESCOLA</p><p>Os projetos na escola promovem diálogos entre os alunos, os professores</p><p>e a comunidade escolar. Na disciplina de arte é possível o diálogo entre imagens,</p><p>entre as próprias linguagens artísticas, entre técnicas, entre conteúdos de diferentes</p><p>áreas, que podem ser explorados em um projeto de escola. O projeto pode surgir</p><p>de diferentes preocupações, indagações ou curiosidades que se apresentam em</p><p>um grupo de alunos ou de maneira individual, de apenas um aluno, ou também</p><p>pelo professor. Assim,</p><p>a principal tarefa da escola é ajudar o aluno a desenvolver a capacidade</p><p>de construir relações e conexões entre os vários nós da imensa rede de</p><p>conhecimento que nos enreda a todos. Somente quando elaboramos</p><p>relações significativas entre objetos, fatos, conceitos podemos dizer</p><p>que aprendemos (KLEIMAN, 1999, p. 91).</p><p>Portanto, os projetos na escola são uma técnica de aprendizagem, uma</p><p>opção de trabalho que envolve estratégias de ensino com regras preestabelecidas,</p><p>isto é, ele é organizado a partir de uma problemática, de outra forma de planejar</p><p>as aulas, incentivando o aluno a construir relações significativas na construção do</p><p>seu conhecimento. Assim,</p><p>um projeto é uma intenção, que precisa ser continuamente avaliado</p><p>e replanejado. Pode ser transformado durante sua concretização,</p><p>na medida em que novas ações precisem ser inseridas a fim de que</p><p>os objetivos e os conteúdos possam ser alcançados (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 148).</p><p>Organizar as propostas pedagógicas em artes desenvolvidas em sala</p><p>de aula. As atividades são construídas em uma sequência ou não, interligando</p><p>saberes e temáticas e podem ser um caminho de aprendizagem, um futuro</p><p>projeto. O projeto não é um método, é sim uma atitude pedagógica que está</p><p>sendo construída e adaptada a cada realidade escolar, a cada turma de alunos</p><p>que está sendo atendida, pois as indagações que surgem são diferentes e novas</p><p>ideias serão germinadas.</p><p>Precisamos nos manter e manter nossos aprendizes da arte em estado</p><p>de invenção, abertos e sensíveis, instigando com ideias germinadoras,</p><p>nutrindo com imagens visuais, sonoras, cinestésicas/coreográficas,</p><p>cênicas e desafiando a ousadia de buscar novas perspectivas, novos</p><p>modos de ver, ouvir e agir, de conhecer outras épocas e culturas. E</p><p>novas ideias fluirão em rede de múltiplas conexões (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 150).</p><p>Em sala de aula, o projeto poderá ter vários ritmos de entendimento e</p><p>participação dos alunos, pois alguns se motivam de início e buscam conhecimento,</p><p>empenham-se nos estudos, outros demoram a entender a proposta de estudos.</p><p>Também, muitas vezes, a problemática e tema escolhido para o projeto não têm</p><p>surgido do grande grupo de alunos e sim, de uma minoria, que demonstrou</p><p>interesse ou até do professor, que sentiu a necessidade de trazer a temática para</p><p>a turma de alunos.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>73</p><p>Como professores no desenvolvimento de um projeto, precisamos</p><p>ser persistentes e não desistir no meio do caminho. Nós somos responsáveis</p><p>em provocar nossos alunos na busca de conhecimento e, assim, desenvolver</p><p>suas habilidades e competências. O projeto acontece aos poucos, e os alunos</p><p>desenvolvem suas pesquisas e atividades com “uma intencionalidade, que ainda</p><p>é um vir a ser” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 147).</p><p>A sala de aula torna-se um espaço mais dinâmico. O objeto de estudo</p><p>apresenta-se interativo, estudando-o através de questões, mas com mudanças de</p><p>ações da própria escola. O professor precisa organizar instrumentos de observação</p><p>e avaliação dos alunos, como Iavelberg (2003, p. 63) relata:</p><p>O professor precisa desenvolver instrumentos de avaliação e</p><p>observação dos alunos para saber, por exemplo, como a criança</p><p>formula suas representações, suas hipóteses sobre os conteúdos</p><p>apresentados, como trabalha com o erro, que estratégias constrói</p><p>para aprender. Dessa forma, mesmo não tendo controle de todas as</p><p>aprendizagens, o professor pode criar instrumentos para observar as</p><p>ideias e as ações dos alunos.</p><p>Projetos demandam mais tempo e organização, implicam um trabalho em</p><p>equipe, sendo pensados de maneira coletiva,</p><p>estudando conteúdos que muitas</p><p>vezes saem do espaço da sala de aula. “A criança estabelece relações com muitos</p><p>aspectos de seus conhecimentos anteriores, enquanto que, ao mesmo tempo, vai</p><p>integrando novos conhecimentos significativos” (HERNANDEZ, 1998, p. 50).</p><p>Assim, o projeto desenvolvido em sala de aula integra novos</p><p>conhecimentos, pois ensina o aluno a buscar as informações, a solucionar os</p><p>problemas, a aprender pela pesquisa.</p><p>Os projetos permitem aos alunos a assumirem as próprias responsabilidades,</p><p>produzindo conhecimentos que tragam significado a sua realidade e, para isso,</p><p>o professor tem papel importante, pois pode criar estratégias, mediando as ações</p><p>do objeto de conhecimento (tema a ser estudado).</p><p>DICAS</p><p>Caro Acadêmico! No site do “Instituto Arte na Escola” podemos encontrar</p><p>diversos projetos vencedores. O “Instituto Arte na Escola” realiza anualmente um evento</p><p>que abre espaço para divulgar os projetos desenvolvidos em sala de aula, selecionando</p><p>os melhores projetos e premiando-os. Aproveite e explore o espaço, conhecendo alguns</p><p>projetos desenvolvidos nas escolas de todo o Brasil.</p><p>Acesse: Projetos vencedores – Instituto Arte na Escola.</p><p>FONTE: <artenaescola.org.br/premio/projeto.php?id=71769>. Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>74</p><p>No projeto, o aluno aprende a fazer “fazendo”, tomando decisões, fazendo</p><p>pesquisas, realizando experiências práticas, construindo sua autonomia. Assim,</p><p>um projeto necessita de:</p><p>• Tema: escolher uma temática para estudar, que pode ser escolhida pelo</p><p>professor ou pelos alunos.</p><p>• Conteúdos: definir conteúdos que possam ser estudados na temática escolhida.</p><p>• Tempo do projeto: organizar as aulas (datas) para aplicação do projeto. A</p><p>duração do projeto poderá ser de algumas aulas ou no decorrer de um ano</p><p>letivo.</p><p>• Objetivos: organizar os objetivos a serem atingidos no projeto. Ideal organizar</p><p>um objetivo geral que abrange o todo do projeto e os específicos relacionados</p><p>com as ações a serem desenvolvidas.</p><p>• Justificativa: justificar a temática escolhida, de que maneira surgiu interesse ao</p><p>assunto que será estudado.</p><p>• Problema: levantamento através de perguntas problematizadoras da temática</p><p>escolhida.</p><p>• Desenvolvimento do projeto: ações e atividades que atendam aos objetivos e às</p><p>perguntas problematizadoras.</p><p>• Fechamento do projeto: mostrar o resultado através de exposições,</p><p>apresentações, diálogos etc. Pode conter anexos com fotos e atividades do</p><p>projeto.</p><p>Lembrando que o projeto deve ser estruturado, mas não necessariamente</p><p>sendo feito seguindo como regra fixa, isto é, desde que as atividades venham a</p><p>responder à problemática apontada e seus objetivos. Assim, os projetos podem</p><p>ser individuais (que favorecem a autonomia do aluno) ou coletivos (o grupo de</p><p>alunos aprende a lidar com conflitos e troca de ideias).</p><p>Portanto, os projetos auxiliam na aprendizagem dos alunos,</p><p>proporcionando momentos de atividades individuais e coletivas. É uma prática</p><p>pedagógica que incentiva os alunos através da pesquisa, da expressão, do</p><p>pensamento crítico, de uma construção conjunta da aprendizagem.</p><p>Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51), “no jogo do fazer/</p><p>construir da criação artística, somos conduzidos por um pensamento que espreita</p><p>a nossa mente: um pensamento projetante. Pensamento que pensa o “depois”,</p><p>pensando a mudança do que é para o que será”.</p><p>É preciso pensar e planejar ao fazer um projeto, pois parte de uma</p><p>problematização, de algum tema ou assunto que esteja instigando os alunos,</p><p>assim, também promove a interdisciplinaridade, em que os alunos buscam</p><p>pesquisas em outras áreas de conhecimento.</p><p>Segundo Hernández (1998, p. 720), “aprender a pensar criticamente</p><p>requer dar significado à informação, analisá-la, sintetizá-la, planejar ações,</p><p>resolver problemas, criar novos materiais ou ideias e envolver-se mais na tarefa de</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>75</p><p>aprendizagem”. Assim, projetos realizados na escola de maneira interdisciplinar</p><p>fazem com que várias disciplinas conversem sobre uma mesma temática, trazendo</p><p>diversos conhecimentos aos alunos.</p><p>Como exemplo de um projeto interdisciplinar, apresentamos o que foi</p><p>desenvolvido pela professora Islene Leal, em uma turma do 2º ano do ensino</p><p>fundamental no estado de Minas Gerais. A professora iniciou o projeto através</p><p>de uma curiosidade dos alunos, que desejavam conhecer o Pantanal. Com isso, a</p><p>professora teve uma ideia, propor uma viagem a distância para todos os alunos</p><p>poderem explorar a natureza do Pantanal. Para isso, a professora, a equipe da</p><p>escola e outros professores planejaram as atividades de maneira integrada,</p><p>observando o currículo do 2º ano. O projeto contemplou quatro disciplinas e teve</p><p>duração de três meses.</p><p>Na disciplina de ciências, os alunos conheceram o ecossistema do</p><p>Pantanal, tipos de animais, através de vídeos, imagens e textos, fazendo relações</p><p>com o ambiente em que vivem. Na língua portuguesa, os textos que foram usados</p><p>em ciências foram retomados e, assim, os alunos conheceram o gênero textual</p><p>informativo produzindo outros tipos de textos. Nas artes visuais, os alunos</p><p>observaram em imagens as plantas e animais. Como atividade, foram feitos</p><p>trabalhos sobre texturas. Em matemática, os alunos registraram em tabelas os</p><p>números dos animais, como peso e altura. Em todas as disciplinas, os materiais</p><p>produzidos foram apresentados em uma coletânea final. Relato completo se</p><p>encontra em: <https://gestaoescolar.org.br/conteudo/1586/um-exemplo-real-de-</p><p>projeto-interdisciplinar>. Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>DICAS</p><p>Outro projeto interdisciplinar você encontra no link a seguir.</p><p>FONTE: <http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/06/volume_2_</p><p>artigo_091.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>Assim, o professor, ao desenvolver projetos em sala de aula, não precisa</p><p>aplicar e desenvolver todos os conteúdos previstos, e sim, deixar os alunos</p><p>participarem, buscando através das pesquisas com orientação do próprio</p><p>professor. Vamos agora conhecer outro projeto para as aulas de artes, que poderá</p><p>ser ampliado, recriado e atualizado ao grupo de alunos que cada professor atende.</p><p>• Tema: Criando com linhas e formas</p><p>• Disciplina: Arte</p><p>• Conteúdos: Arte abstrata, arte figurativa, elementos da linguagem visual</p><p>(ponto linhas, formas)</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>76</p><p>• Turma: Ensino médio</p><p>• Tempo do projeto: 10 aulas de 45 minutos cada.</p><p>• Objetivos: Conhecer a arte figurativa e abstrata, relacionando com práticas</p><p>artísticas através dos elementos da linguagem visual. Proporcionar novas</p><p>manifestações artísticas, mostrando sobre o desenho, fotografia, instalação.</p><p>• Justificativa: Os alunos nas aulas de artes não queriam mais desenhar e pintar</p><p>usando o lápis de cor. Assim, o projeto retoma o fazer artístico do desenho</p><p>e da pintura de uma maneira simples, apresentando o que é visto como arte</p><p>figurativa e arte abstrata.</p><p>• Problema: Como instigar os alunos pelo gosto do desenho e da pintura?</p><p>• Desenvolvimento do projeto: Os alunos podem realizar exercícios abstratos de</p><p>composição com linhas e formas, desenvolvendo a pintura degradê, utilizando</p><p>o lápis de cor. Na imagem a seguir, tem-se um exemplo de composição feita</p><p>com linhas e pintura em degradê com lápis de cor.</p><p>FIGURA 1 – COMPOSIÇÃO ABSTRATA COM LINHAS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>DICAS</p><p>Logo após, como sugestão, apresente aos alunos o vídeo arte figurativa e arte</p><p>abstrata. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=0caiC_X9Edo>. Acesso em: 8 fev.</p><p>2019. Discuta sobre o vídeo com os alunos e peça para que registrem em forma de mapa</p><p>conceitual. Explique o que é um mapa conceitual.</p><p>O vídeo foi feito para o ensino médio e inicia com uma pergunta, se as imagens enganam,</p><p>fazendo relações com a arte e realidade. Também relata, na história das civilizações, as</p><p>imagens consideradas mais ou menos figurativas ou abstratas.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>77</p><p>FONTE:</p><p>A autora (2018)</p><p>DICAS</p><p>O projeto poderá seguir para outro vídeo, chamado Lixo Extraordinário, com</p><p>o artista Vik Muniz, que realiza composições fotográficas a partir do preenchimento de</p><p>imagens com materiais diversos retirados do lixo. Você encontra o vídeo acessando o site:</p><p><https://www.youtube.com/watch?v=qyFDC-r9zlA>. Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>Como mais uma atividade, desenvolva desenhos com imagens de</p><p>revista. A própria imagem é utilizada como base, seus contornos principais são</p><p>desenhados em uma folha A4, e o preenchimento do desenho será de tipos de</p><p>linhas, formas e texturas.</p><p>FIGURA 2 – PREENCHENDO A IMAGEM COM TEXTURAS</p><p>Para o fechamento do projeto poderá ser proposta a criação de composições</p><p>com materiais diversos pelo chão da sala em grupos de alunos. Os grupos de</p><p>alunos poderão utilizar os materiais da mochila, como cadernos, estojos, canetas</p><p>e, assim, montar de maneira coletiva com registro fotográfico da produção.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>78</p><p>FIGURA 3 – COMPOSIÇÃO COM CADERNOS E ESTOJOS FORMANDO UMA FLOR</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>É preciso explorar a leitura de imagem das obras, analisando os materiais</p><p>que o artista utilizou para compor a imagem e contextualizar com os alunos</p><p>perguntando sobre como foi a proposta de vivência artística. Finalizar o projeto</p><p>com exposições pela escola das atividades realizadas.</p><p>A seguir, será apresentado um projeto desenvolvido pela autora Adriana</p><p>Raach no ano de 2016, contendo um planejamento de atividades aplicadas</p><p>com alunos dos anos finais do Ensino Fundamental nas aulas de artes. Foram</p><p>utilizados os celulares dos alunos, as tecnologias móveis sem fio (TMSF) e também</p><p>os recursos analógicos, cadernos e livros.</p><p>• Tema: Criando releituras usando as tecnologias móveis sem fio (celulares).</p><p>• Disciplina: Artes</p><p>• Turma: 7º ano do ensino fundamental</p><p>• Conteúdos: Missão artística francesa, obras do artista Jean Baptiste Debret</p><p>• Tempo do projeto: 8 aulas de artes</p><p>• Objetivo geral: Analisar o processo de construção do conhecimento dos</p><p>estudantes, na disciplina de Arte, por meio de práticas pedagógicas, dando</p><p>ênfase ao uso das tecnologias móveis sem fio.</p><p>• Justificativa: O projeto emergiu da observação da professora nas aulas de artes,</p><p>verificando o uso dos celulares pelos alunos apenas para jogos e redes sociais.</p><p>• Problema: Como ocorre a construção do conhecimento na disciplina de Arte</p><p>por meio de práticas pedagógicas que utilizam as tecnologias móveis sem fio?</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>79</p><p>• Desenvolvimento do projeto: 1ª Semana – Conteúdo: Missão artística francesa</p><p>Objetivo: Identificar as características da missão artística francesa, observando</p><p>as obras do artista Debret. Atividades: Ler: Leitura e pesquisa sobre o contexto</p><p>histórico (Missão Artística Francesa) e sobre o artista Debret, através dos</p><p>recursos analógicos e digitais, conforme a escolha dos estudantes. Fazer: Registro</p><p>das pesquisas nos cadernos de arte de maneira individual. Contextualizar:</p><p>Conversas entre os estudantes e professora sobre as pesquisas desenvolvidas.</p><p>Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF. Avaliação: Registro da pesquisa</p><p>incluindo: contexto histórico da missão, contexto artístico da obra e a vida</p><p>do artista. Utilização de recursos analógicos e digitais (TMSF). Participação</p><p>nas conversas sobre as pesquisas realizadas contemplando: expressão oral,</p><p>interação entre os estudantes e a professora, crítica argumentativa.</p><p>• 2ª Semana: Conteúdo: Missão Artística Francesa e releituras das obras de</p><p>Debret. Objetivo: Interferir esteticamente em obras, produzindo releituras a</p><p>partir da compreensão da arte e de seu contexto. Atividades: Contextualizar:</p><p>explanação sobre os registros no caderno e correção oral sobre o capítulo Missão</p><p>Artística Francesa com participação dos estudantes. Ler: Observar as obras do</p><p>artista Debret, destacando os elementos da linguagem visual (leitura formal)</p><p>e o que a obra suscita (leituras objetivas e subjetivas). Fazer: Planejamento de</p><p>uma releitura em grupos de estudantes. Escolher a obra do artista Debret,</p><p>definir um esboço de releitura (desenho) e escolher a linguagem artística da</p><p>criação. Materiais: Caderno de arte, livro de arte, TMSF. Avaliação: Participação</p><p>nas conversas sobre as pesquisas realizadas contemplando: expressão oral,</p><p>interação entre os estudantes e a professora, crítica argumentativa. Registro</p><p>no caderno de arte do esboço da releitura planejada incluindo os seguintes</p><p>aspectos: apresentação da obra escolhida, definição das linguagens artísticas e</p><p>criar o esboço da releitura.</p><p>• 3ª Semana: Conteúdo: Releituras das obras de Debret. Objetivos: Reconhecer</p><p>diferentes funções da arte e do trabalho da produção dos artistas em seus meios</p><p>culturais, observando diferentes releituras. Criar, em grupo, uma releitura do</p><p>artista Debret, utilizando diferentes linguagens artísticas e recursos. Atividades:</p><p>Fazer: Em grupos, criar releitura de uma obra do artista Debret, trazendo a</p><p>mistura de linguagens artísticas. Manter a originalidade da obra sem ser cópia,</p><p>recriando e transformando. Ler: Observar as obras do artista Debret, destacando</p><p>os elementos da linguagem visual (leitura formal) e o que a obra suscita (leituras</p><p>objetivas e subjetivas). Contextualizar: Pesquisa na internet (TMSF) de obras do</p><p>artista e sobre releituras existentes de outros artistas. Materiais: Caderno de arte,</p><p>livro de arte, TMSF, papéis, lápis de cor, tintas. Avaliação: Participação do grupo</p><p>de estudantes na criação da releitura por meio: ação (desenhar, pintar, fotografar,</p><p>pesquisar) e cooperação (entre os participantes), identificação de linguagens e</p><p>recursos híbridos para criação artística.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>80</p><p>• 4ª Semana: Conteúdo: Releituras das obras de Debret. Objetivo: Apresentar</p><p>as releituras criadas, observando a obra original a partir da compreensão da</p><p>arte e de seu contexto. Atividades: Fazer: Finalização das criações referentes à</p><p>releitura de uma obra de Debret nos grupos de estudantes. Realizar ações como</p><p>desenhar, pintar ou fotografar com a participação do grupo de estudantes.</p><p>Ler e Contextualizar: Apresentação das criações realizadas, relacionando a</p><p>releitura com a obra original. Cada grupo de estudantes comenta qual foi a obra</p><p>escolhida no seu trabalho e mostra sua criação referente à releitura, ao grande</p><p>grupo. Materiais: TMSF, papéis, lápis de cor, tintas. Avaliação: Apresentação das</p><p>releituras observando: expressão oral, crítica argumentativa e interação entre os</p><p>estudantes e a professora. Registro no caderno de arte sobre as aprendizagens</p><p>vivenciadas durante as atividades (diário de bordo) contemplando: leitura da</p><p>imagem, releitura e as linguagens artísticas (RAACH, 2016).</p><p>• Fechamento do projeto: Apresentação das releituras projetadas quando cada</p><p>equipe de alunos dialoga sobre a criação. Exposição das releituras feitas.</p><p>Os alunos tinham o desafio de pensar em uma composição artística e</p><p>o fazer da releitura não seria apenas desenhar e pintar. Portanto, nas figuras a</p><p>seguir, é possível visualizar o resultado de um trabalho feito por um grupo de</p><p>alunas. Registraram a cena com seus celulares e retrataram a cena encenando nas</p><p>posições dos personagens da obra escolhida. Com a fotografia feita, realizaram a</p><p>edição da fotografia com um aplicativo de edição de fotos e alteraram o cenário</p><p>na imagem. Visualize o resultado:</p><p>FIGURA 4 – VENDEDOR DA FLOR FORA DE UMA PORTA DA IGREJA, DE JEAN BAPTISTE DEBRET</p><p>FONTE: <http://veja.abril.com.br/idade/exclusivo/vejarj/teatro_debret/galeria/07.jpg>.</p><p>Acesso em: 7 maio 2016.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>81</p><p>FIGURA 5 – REGISTRANDO A CENA COM O CELULAR</p><p></p><p></p><p></p><p>FONTE: Raach (2016, p. 86)</p><p>FIGURA 6 – EDIÇÃO DA FOTO COM UM APLICATIVO</p><p></p><p></p><p></p><p>FONTE: Raach (2016, p. 87)</p><p>Seguindo o texto, você, acadêmico, encontrará mais sobre projetos.</p><p>3 PROJETOS ARTÍSTICOS</p><p>Os projetos artísticos visam instigar exercícios</p><p>3 AS LINGUAGENS DA ARTE ..........................................................................................................14</p><p>3.1 A LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS .....................................................................................18</p><p>3.2 A LINGUAGEM DAS ARTES CÊNICAS (TEATRO E DANÇA) ............................................30</p><p>3.3 A LINGUAGEM DA MÚSICA ....................................................................................................31</p><p>4 CAMPOS CONCEITUAIS DA ARTE .............................................................................................33</p><p>4.1 LEITURA DE IMAGEM (FRUIÇÃO/ANÁLISE).......................................................................37</p><p>4.2 CONTEXTUALIZAÇÃO .............................................................................................................40</p><p>4.3 FAZER ARTÍSTICO (CRIAÇÃO/ PRODUÇÃO) .......................................................................42</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................44</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................45</p><p>TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO</p><p>DOCENTE EM ARTES ..................................................................................................47</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................47</p><p>2 MODOS DE APRENDER DOS EDUCANDOS ...........................................................................48</p><p>3 APRENDENDO A APRENDER .......................................................................................................54</p><p>4 REFLEXÃO CRÍTICA .........................................................................................................................58</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................62</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................66</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................67</p><p>UNIDADE 2 – PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE .............69</p><p>TÓPICO 1 – PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM ........................................................71</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................71</p><p>2 PROJETOS NA ESCOLA ..................................................................................................................72</p><p>3 PROJETOS ARTÍSTICOS .................................................................................................................81</p><p>4 PROJETOS EM AÇÃO .......................................................................................................................86</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................92</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................93</p><p>TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES ......................95</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................95</p><p>2 EXPERIENCIAÇÃO NA PRÁTICA ARTÍSTICA .........................................................................95</p><p>3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS ................................................................................99</p><p>4 TRANSVERSALIDADE DO CONHECIMENTO .......................................................................112</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................120</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................121</p><p>sumário</p><p>VIII</p><p>TÓPICO 3 – ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO</p><p>PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO .....................................................................123</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................123</p><p>2 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS .......................................................................................123</p><p>3 PROCESSO CRIATIVO .....................................................................................................................126</p><p>4 PROCESSO DE SUBJETIVIDADE .................................................................................................133</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR .............................................................................................................137</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................142</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................143</p><p>UNIDADE 3 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES .........................................................145</p><p>TÓPICO 1 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES .............................................147</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................147</p><p>2 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DE ARTES NA EDUCAÇÃO BÁSICA ................................147</p><p>3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS .............................................................................178</p><p>4 METODOLOGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM ARTE .............................................182</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1......................................................................................................................188</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................189</p><p>TÓPICO 2 – CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ..........................................191</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................191</p><p>2 CONHECENDO AS IMAGENS .....................................................................................................191</p><p>3 PROCESSOS CULTURAIS ..............................................................................................................195</p><p>4 RECURSOS REFERENTES À CULTURA VISUAL .....................................................................199</p><p>5 CONHECENDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE ENVOLVEM A</p><p>CULTURA VISUAL ...........................................................................................................................200</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2......................................................................................................................203</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................204</p><p>TÓPICO 3 – PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS</p><p>UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES ....................................................................205</p><p>1 INTRODUÇÃO ...................................................................................................................................205</p><p>2 CONHECENDO AS FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS ............................................205</p><p>3 PRODUZINDO FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS .....................................................210</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>criativos, que podem ser</p><p>realizados de maneira individual com o aluno ou em grupos. Tais exercícios</p><p>criativos contemplam as diferentes manifestações artísticas.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>82</p><p>Alguns estudos que as autoras Martins, Picosque e Guerra (2010) realizaram</p><p>relatam desenhos simplificados que foram feitos por alguns alunos, desenhos</p><p>como de árvores simples, com tronco marrom, com copa verde arredondada e</p><p>maçã vermelha. Um padrão feito pela maioria dos alunos nas escolas, desenhos</p><p>parecidos uns dos outros, estereotipados e simplificados.</p><p>Assim, o professor, como mediador, precisa intervir e trazer outras</p><p>maneiras de desenhar árvores a partir de outros olhares, de outras imagens, obras</p><p>de arte, pois não seria mais interessante criar uma nova forma de representação de</p><p>uma árvore, talvez uma árvore fantasiosa, que não exista? O copiar não constrói</p><p>conhecimento, é preciso gerar novas experiências artísticas, novos exercícios</p><p>criativos, isto é, um desafio para o professor, que é provocar os alunos para a</p><p>observação do seu cotidiano, em seu próprio fazer artístico.</p><p>Nas imagens a seguir, encontraremos obras do artista holandês Piet</p><p>Mondrian. O artista fez uma série de desenhos e pinturas da temática árvore, e</p><p>recria pelo seu traçado e pelo uso da cor.</p><p>FIGURA 7 – OBRA: A ÁRVORE VERMELHA, PIET MONDRIAN, C. 1909/1910, ÓLEO SOBRE TELA</p><p>70 X 99 CM, GEMEENTE MUSEUM, HAIA, HOLANDA</p><p>FONTE: <http://virusdaarte.net/mondrian-a-arvore-vermelha/>. Acesso em: 10 ago. 2018.</p><p>A composição é referente à “Árvore Vermelha”, uma pintura que surge</p><p>da observação de uma árvore, mas afasta-se da imitação real, deformando e</p><p>alterando pela técnica o seu desenho, lembrando um pouco do período de arte</p><p>chamado pós-impressionismo. Podemos perceber que, na pintura, ele utilizou as</p><p>três cores primárias (azul, amarelo e vermelho).</p><p>Outra obra que o artista produziu é a pintura da “Árvore Prateada”,</p><p>levemente na forma oval, usando as cores cinza, branco e castanho. A impressão</p><p>revela uma luz branca refletindo entre os galhos da árvore, e assim, o artista cria</p><p>uma pintura que remete ao período do cubismo.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>83</p><p>FIGURA 8 – OBRA: A ARVORE PRATEADA DO ARTISTA PIET MONDRIAN, 1911, ÓLEO SOBRE</p><p>TELA, 78,5 X 107,5 CM. GEMEENTE MUSEUM, HAIA, HOLANDA</p><p>FONTE: <http://aodisseiadepenelope.blogspot.com/2011/11/mondrian-serie-das-arvores.html>.</p><p>Acesso em: 10 ago. 2018.</p><p>DICAS</p><p>Como sugestão, apresentamos um projeto com a temática árvore, do artista</p><p>Piet Mondrian, trabalhando a observação e o desenho:</p><p>Disciplina: Arte – Educação Artística</p><p>Ciclo: Anos Iniciais do Ensino Fundamental</p><p>Assunto: Observação e desenho</p><p>Tipo: Artes visuais</p><p>Nas produções artísticas de alunos do 4° ano são comuns alguns desenhos estereotipados</p><p>como a casinha, a árvore de maçãs, o “homem palito”, pássaros em forma de um “v”, sol</p><p>com carinha etc.</p><p>O desenho estereotipado se justifica porque as crianças identificam como aceito, um tipo</p><p>de desenho que elas “não erram” ao realizá-lo. Tais desenhos estereotipados, no entanto,</p><p>acabam por limitar as descobertas visuais e a capacidade de expressão das crianças,</p><p>reduzindo seu repertório visual e expressivo. Assim, propor desafios para os alunos</p><p>desenharem, descobrindo, com o professor, novas maneiras de realizar esses desenhos.</p><p>Propomos um trabalho, em três aulas, sobre o tema “árvore”, pois é um dos desenhos</p><p>frequentemente realizados pelos alunos a partir do estereótipo. Quando solicitados a</p><p>desenhar uma árvore, costumam apresentá-la com copa verde e maçãs vermelhas.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>84</p><p>Na primeira aula, converse com os alunos sobre as variedades de árvores que existem, leve-</p><p>os a perceber que cada tipo de árvore tem formas, linhas, cores, folhas, tamanhos, flores e</p><p>frutos diferentes. Em seguida, convide-os a dar uma volta no quarteirão da escola ou em</p><p>algum outro lugar próximo, descobrindo e observando pausadamente as diferentes árvores</p><p>existentes. Conversem sobre os detalhes, as semelhanças e diferenças entre uma e outra.</p><p>Os alunos podem registrar as observações com rascunhos de desenhos ou anotações</p><p>descritivas. Se não houver árvore nas proximidades da escola, passa-se para a etapa</p><p>seguinte, que é a de observação de árvores em fotografias etc. Se for possível, peça aos</p><p>alunos que tragam de casa recortes de revistas e jornais, calendários, fotografias ou selos</p><p>que contenham imagens de árvores para a próxima aula.</p><p>Leve reproduções de diferentes épocas com imagens de árvores que mostrem os vários</p><p>momentos da História da Arte como os antigos egípcios, os artistas japoneses, os africanos,</p><p>as árvores no Renascimento e na Arte Contemporânea. Pode ser interessante trazer a série</p><p>de árvores criadas por Mondrian, que pode ser encontrada em livros de arte.</p><p>Mostre as imagens aos alunos e compare-as entre si e com as que os alunos trouxeram;</p><p>proponha a observação de semelhanças e diferenças entre elas, as diversas cores que existem,</p><p>quantos tons de verde conseguem identificar, as muitas formas, texturas, tipos de folha, flores,</p><p>galhos, troncos e as variadas formas que os artistas usam para representar uma árvore.</p><p>Cole as imagens que você trouxe no centro de cartolinas grandes e peça para que cada</p><p>aluno escolha uma imagem de árvore que ele trouxe e cole em uma das cartolinas,</p><p>justificando para a classe por que as imagens devem ficar juntas. Monte, assim, vários painéis</p><p>que poderão ser colocados nas paredes da sala. Conversem sobre os painéis e os detalhes</p><p>que impressionaram. Procure demonstrar que, em Arte, não existem duas árvores iguais, a</p><p>não ser que usemos um tipo de reprodução para copiar o modelo.</p><p>Na aula seguinte, com os painéis expostos, proponha a cada aluno escolher um detalhe de</p><p>árvore para ser desenhado, como os galhos, as folhas, a forma externa da árvore, a forma</p><p>dos galhos etc. É interessante que eles utilizem todo o espaço da folha. Depois, organize</p><p>os desenhos, agrupando-os pelos temas desenhados: folhas, galhos, raízes, formatos etc.</p><p>Exponha os trabalhos para que todos observem os resultados dos temas tratados que, em</p><p>geral, são bons, bens diferentes das eternas árvores com maçãs.</p><p>Discuta com os alunos sobre a possibilidade de fazer o desenho de um modo novo, que fuja</p><p>ao lugar comum. Reveja com eles as condições do trabalho de arte – procurar conhecer</p><p>o que se vai representar, observar ou mesmo imaginar o objeto ou situação de um jeito</p><p>diferente do habitual, buscar novas formas de representar.</p><p>Referência</p><p>Ticuna. O livro das árvores. Benjamin Constant: Global, 2000.</p><p>Programa “Um pé de quê?” – Canal Futura, apresentado por Regina Casé.</p><p>Texto original: Maria Terezinha Teles Guerra</p><p>Consultoria pedagógica: Anamélia Bueno Buoro</p><p>Edição: Equipe EducaRede</p><p>FONTE: <http://www.aberta.org.br/educarede/2013/05/21/fugindo-do-estereotipo-i-projeto-</p><p>arvore/>. Acesso em: 10 ago. 2018.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>85</p><p>DICAS</p><p>Piet Mondrian – A Journey</p><p>Through Modern Art.</p><p>Como sugestão, o vídeo mostra as obras</p><p>(pinturas) do artista Piet Mondrian.</p><p>FONTE: <https://www.youtube.com/</p><p>watch?time_continue=317&v=9fmiK</p><p>OOvLUo>. Acesso em: 18 set. 2018.</p><p>Os projetos artísticos abrem possibilidades de criação. A poética pessoal é</p><p>expressada através do fazer artístico, trazendo significados para quem produziu,</p><p>como as autoras mencionam:</p><p>Para compreender a relação forma-conteúdo, é preciso provocar</p><p>experiências estéticas em nossos aprendizes para que tenham a</p><p>experiência do fazer artístico como marca e poética pessoal, pois</p><p>trabalhos iguais não apresentam formas expressivas, mas somente</p><p>“formas” repetitivas sem significado (MARTINS; PICOSQUE;</p><p>GUERRA, 2010, p. 53).</p><p>Uma sequência de atividades possíveis e que seja viável transformar em</p><p>um projeto é experimentar novas linguagens, ferramentas, materialidades, novos</p><p>meios de criar.</p><p>DICAS</p><p>Veja outro projeto chamado “Árvores da minha vida”, organizado pela autora</p><p>Claudia Matos Pereira, aplicado nos anos iniciais do ensino fundamental.</p><p>FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=6839>. Acesso</p><p>em: 10 ago. 2018.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>86</p><p>Vamos trazer novos significados nas propostas pedagógicas em artes, os</p><p>projetos são caminhos possíveis e instigam os alunos a participarem na construção</p><p>do conhecimento.</p><p>4 PROJETOS EM AÇÃO</p><p>Os projetos em ação desenvolvem-se através de conteúdos da linguagem</p><p>da arte sendo conduzidos no fazer artístico, na contextualização e na leitura de</p><p>imagem. É preciso saber compreender e saber fazer articulando tais ações. Assim,</p><p>por meio dos projetos em ação, a linguagem artística poderá contemplar:</p><p>A produção artístico-estética da humanidade por meio de suas</p><p>modalidades artísticas.</p><p>A gramática das linguagens artísticas por meio de seus códigos verbais</p><p>e não verbais.</p><p>A produção e a leitura de um sistema simbólico utilizado artisticamente</p><p>para ressignificação do mundo e das coisas (MARTINS; PICOSQUE;</p><p>GUERRA, 2010, p. 178).</p><p>Assim, os assuntos e temáticas trazidos pelos alunos em sala de aula</p><p>podem ser interligados aos conteúdos previstos pelo professor no planejamento</p><p>anual. O projeto em ação pode proporcionar ao grupo diversas aprendizagens,</p><p>pois as habilidades desenvolvidas devido às escolhas, opiniões, discussões fazem</p><p>com que o aprendizado entre professor e alunos se torne concreto enfatizando</p><p>situações de aprendizagem.</p><p>Muitas vezes o aprendiz ainda não viveu encontros felizes com a</p><p>arte, talvez tenha dificuldades em explorar e comunicar ideias de</p><p>pensamentos/sentimentos e pode ter aprendido apenas a seguir a</p><p>lição dos outros. Silenciado do seu próprio pensar/sentir, repetidor</p><p>do pensamento de outro, esse aprendiz terá de ser envolvido na rede</p><p>da linguagem da arte por outros caminhos. É preciso abrir espaço</p><p>para que possa desvelar o que pensa, sente e sabe, ampliando sua</p><p>percepção para uma compreensão de mundo mais rica e significativa</p><p>(MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 120).</p><p>Os projetos em ação, para serem desenvolvidos na escola, precisam ser</p><p>referentes a uma temática, que venha evidenciar alguma dificuldade ou interesse</p><p>da turma de alunos. No entanto, é preciso:</p><p>Um objeto de pesquisa e estudo, isto é, uma temática, um conjunto de</p><p>perguntas e ideias que se articulam a partir da leitura de necessidades,</p><p>interesses e faltas apresentadas pelos alunos. Existem temáticas</p><p>mais amplas ou mais restritas, centradas na construção da própria</p><p>linguagem, na sua história, ou relacionadas à natureza, à vida social</p><p>etc.</p><p>Uma sequência de situações de aprendizagem que instiga o aprendiz</p><p>de arte a perseguir respostas às perguntas e ideias germinais,</p><p>problematizando, desvelando pensamentos/sentimentos e ampliando</p><p>referências. Essa sequência não é definida previamente, mas vai se</p><p>estruturando pela análise dos seus resultados, levando as novas ações,</p><p>como exercício do pensamento projetante.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>87</p><p>A utilização dos códigos da linguagem da arte como meio não só de</p><p>concretizar o que se quer expressar e comunicar, mas também de ler e</p><p>conhecer os objetos da produção artística da Humanidade.</p><p>Os atos de desvelar e ampliar como ações que se alimentam</p><p>dialeticamente. É preciso aflorar o que está velado e abrir horizontes de</p><p>possibilidades e potencialidades (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA,</p><p>2010, p. 154-155).</p><p>O trabalho com projetos na escola vem propiciar aos alunos uma nova</p><p>maneira de aprender os conteúdos e assim proporciona uma inter-relação com</p><p>o todo. A seguir, conheça um projeto realizado pelo professor Jayse Antonio, de</p><p>Pernambuco, fazendo com que a aula de arte e outras disciplinas melhorassem a</p><p>autoestima dos alunos e diminuíssem o preconceito.</p><p>DICAS</p><p>DICAS</p><p>Projeto: EU SOU UMA OBRA DE ARTE: ETNIAS DO MUNDO</p><p>O projeto vem ao encontro dos alunos, fala da autoestima através da arte e do conhecimento</p><p>das várias etnias do mundo: esta foi a proposta do professor Jayse Antonio, da Escola de</p><p>Referência em Ensino Médio Frei Orlando, em Itambé, Pernambuco.</p><p>O projeto EU SOU UMA OBRA DE ARTE: Etnias do Mundo, criado em 2014 pelo professor</p><p>de Arte, nasceu de uma conversa em sala de aula, quando ele notou que a maioria dos seus</p><p>alunos tinha dificuldades em responder a uma parte do questionário do Exame Nacional</p><p>do Ensino Médio (Enem), não querendo se identificar como negros ou pardos. Foi assim</p><p>que o professor resolveu mostrar o quanto a diversidade é bonita e instigou os alunos a</p><p>pesquisarem sobre o assunto.</p><p>As propostas práticas foram de fotografias dos próprios alunos representando uma etnia e o</p><p>resultado foi uma exposição aberta para a comunidade. O projeto faz relações com a BNCC</p><p>(a nova Base Nacional Curricular Comum) e relatando a igualdade, diversidade e equidade,</p><p>pois as necessidades dos alunos são diferentes. Assim, no projeto, se percebe o cuidado em</p><p>reverter uma situação de exclusão referente aos povos negros e indígenas.</p><p>FONTE:<https://novaescola.org.br/conteudo/12865/como-a-aula-de-arte-aumentou-a-</p><p>autoestima-e-diminuiu-preconceitos acesso em 10/12/2018>. Acesso em: 1 fev. 2019.</p><p>Será apresentado um projeto desenvolvido pelo “Instituto Net Claro Embratel”,</p><p>referente a instalações no espaço escolar, um projeto que amplia o trabalho de artes</p><p>utilizando novos espaços da escola.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>88</p><p>• Projeto: Instalações artísticas.</p><p>• Objetivo: Desenvolver uma proposta prática de instalação no espaço escolar, conhecendo</p><p>os conceitos e artistas contemporâneos.</p><p>• Conteúdos: Conceito de instalação, obras e artistas da arte contemporânea.</p><p>• Sugestão de artistas: Cildo Meireles, Nelson Leirner, Ernesto Neto, Tunga, Hélio Oiticica</p><p>etc.</p><p>• Ações: Pesquisas sobre o conceito de instalação e o tridimensional. Pesquisa da vida e</p><p>obra de artistas contemporâneos.</p><p>• Materiais: Escolhidos pelos alunos como sucatas, roupas, barbantes.</p><p>• Relato: É preciso que o professor dialogue com a direção escolar para verificar em quais</p><p>espaços da escola é possível criar instalações e, assim, planejar o tempo de duração da</p><p>criação. A instalação necessita de visitantes que vão até o espaço conhecer e apreciar,</p><p>participando e dialogando com a obra. Lembre-se de registrar em foto ou vídeo a</p><p>instalação criada. Dialogue com os alunos sobre o resultado, mas também sobre todo o</p><p>processo de criação das instalações.</p><p>FONTE:<https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/planos-de-</p><p>aula/artes-visuais-instalacoes/>. Acesso em: 20 ago. 2018.</p><p>DICAS</p><p>O site, a seguir, serve como sugestão para proporcionar o estudo sobre</p><p>conceito de instalação.</p><p>FONTE: <http://www.itaucultural.org.br/aplicexternas/enciclopedia_ic/index.</p><p>cfm?fuseaction=termos_texto&cd_verbete=3648>.</p><p>Conheça também artistas contemporâneos. Acesse o site! FONTE: <http://pt.wikipedia.</p><p>org/wiki/Instala%C3%A7%C3%A3o_(arte)>.</p><p>Para conhecer mais sobre obras contemporâneas, acesse o site. FONTE: <http://www.</p><p>inhotim.org.br/index.php/p/v/172>. Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>O trabalho do professor no projeto em ação, segundo Martins, Picosque e</p><p>Guerra (2010, p. 155), está pautado na “ação-reflexão-ação”. Assim, o projeto se</p><p>desenvolve em três momentos, com atividades, objetivos e ações:</p><p>1º momento: avaliação iniciante – sondagem para o levantamento de</p><p>repertório;</p><p>2º momento: encaminhamento de ações – levantamento de propostas</p><p>possíveis, avaliações e replanejamentos;</p><p>3º momento: sistematização – apropriação do conhecimento construído.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>89</p><p>O professor de arte na ação do dia a dia tem um olhar de observação</p><p>diante os seus alunos a cada atividade realizada. Diante de um grupo grande</p><p>de alunos é preciso reorganizar, fazendo rodízios de observação para identificar</p><p>as individualidades de cada aluno. Para a sondagem será necessário observar o</p><p>grupo de alunos que está participando de um projeto.</p><p>Para Martins, Picosque e Guerra</p><p>(2010, p. 178), os alunos participantes de</p><p>um projeto podem:</p><p>• Agir poeticamente sobre um objeto/temática de pesquisa e estudo, aprofundando</p><p>suas investigações por meio de suas próprias escolhas expressivas.</p><p>• Construir o seu sentido sobre tal objeto/temática, dialogando, confrontando,</p><p>percebendo semelhanças e diferenças com o ponto de vista de parceiros e de</p><p>outras pessoas.</p><p>• Aprender a dar forma poética – ordenar, reordenar e criar suas imagens, ideias,</p><p>pensamentos, sentimentos e emoções sobre o objeto/temática de pesquisa e</p><p>estudo, por meio dos códigos e elementos das linguagens artísticas.</p><p>• Conceituar e conhecer a forma específica de a arte significar o mundo e as</p><p>coisas, expondo o que pensam sobre a forma expressiva que veem e o sentido</p><p>que elaboram em relação ao rendimento da produção artística.</p><p>Para o projeto em ação é preciso ter uma meta, o professor imagina</p><p>alcançar suas intenções pelas ações desenvolvidas. Assim, também segundo</p><p>Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 177-178), é preciso cuidar e não perder de</p><p>vista algumas intenções que são:</p><p>• Instigar a percepção estética e a imaginação criadora no exercício do pensamento</p><p>que se concretiza.</p><p>• Despertar o prazer de conhecer, compreender, refletir e aprender também pela</p><p>troca com seus parceiros.</p><p>• Levantar possibilidades para processos educativos, articuladores da</p><p>aprendizagem inventiva dos códigos e elementos das linguagens artísticas. É</p><p>preciso potencializar a competência simbólica do grupo de aprendizes.</p><p>• Possibilitar o acesso dos aprendizes às obras artísticas de diferentes modalidades,</p><p>épocas, lugares e movimentos artísticos que enfocam o mesmo objeto/temática</p><p>de pesquisa e estudo. Deve haver o desenvolvimento de habilidades, hábitos</p><p>e atitudes de observação, percepção, comparação, conexão e conhecimento da</p><p>produção do artista e suas soluções expressivas.</p><p>• Em resumo, aguçar a curiosidade de querer poetizar, fruir e conhecer o mundo</p><p>e as coisas através das linguagens da arte.</p><p>Assim, o projeto terá muitas ideias, e estas “são hipóteses, potenciais de ação.</p><p>São mutantes, frágeis, nebulosas” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 156).</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>90</p><p>A partir da sondagem do repertório que os alunos já têm, muitas vezes</p><p>o projeto poderá trazer situações que trazem medo, insegurança, e a temática</p><p>escolhida não consegue envolver os alunos e assim não consegue trazer bons</p><p>resultados. O professor tem o desafio de escolher e direcionar as ações do projeto</p><p>para melhor aproveitamento de todos e, assim, realizar com êxito e motivação.</p><p>DICAS</p><p>O texto a seguir é um projeto ganhador do XIII Prêmio Arte na Escola realizado</p><p>em 2012, na categoria da educação fundamental I. A professora premiada foi Maria da Paz</p><p>Melo de Santa Rita de Sapucaí (MG), da Escola Municipal Valéria Junqueira Paduan, que pode</p><p>servir de inspiração para a criação de um projeto nas aulas de artes.</p><p>Arte contemporânea: produção e fruição no Fundamental I</p><p>Projeto ganhador do XIII Prêmio Arte na Escola (realizado em 2012) na categoria: Educação</p><p>Fundamental I</p><p>O projeto</p><p>Buscou a construção de uma consciência estética em relação à arte contemporânea, como</p><p>linguagem e forma de comunicação. Trabalhou o sensível e a percepção, entendendo o</p><p>aprendizado a partir do fazer pensando (em que a produção versus a criatividade foram</p><p>adequadas ao desenvolvimento de cada criança). Linguagem: Artes Visuais.</p><p>Objetivo</p><p>Possibilitar à criança ser responsável pela própria produção, desenvolvendo a sensibilidade</p><p>e a criatividade ao conciliar a imaginação e a vivência do aluno no processo voltado para a</p><p>arte contemporânea.</p><p>Conteúdos da arte</p><p>O livro “Teoria e prática do ensino de arte” e os ensinamentos de Gisa Picosque e Ana Mae</p><p>Barbosa fundamentaram o projeto. Técnicas e materiais envolvendo simultaneamente a</p><p>colagem, o desenho e a pintura.</p><p>Como fazer</p><p>- Pesquisar a linha de trabalho em toda a sua potencialidade.</p><p>- Dialogar com os alunos sobre materiais e suportes.</p><p>TÓPICO 1 | PROJETOS DE ENSINO E APRENDIZAGEM</p><p>91</p><p>- Desenvolver a linguagem do desenho usando canetas, gravetos ou marcadores para que</p><p>as crianças adquiram segurança no traço.</p><p>- Apresentar a arte produzida nas últimas décadas, de forma que os alunos assimilem estilos</p><p>diferentes de se trabalhar com materiais não padronizados. A pintura abstrata de Tapiés,</p><p>Mondrian e Matisse, com suas linhas, manchas e formas, funciona como uma introdução</p><p>à arte contemporânea.</p><p>- Solicitar, aos pais, comunidade do entorno e empresas, materiais recicláveis, papelões,</p><p>plásticos, tecidos, imagens de livros ou revistas, embalagens de todo tipo, fios diversos,</p><p>anilina, tintas, pigmentos, durex e colas.</p><p>- Explorar a liberdade da contemporaneidade a partir de algum artista plástico que tenha</p><p>relação com a proposta de incentivar o imaginário, a concentração e a tomada de decisões.</p><p>O que aprenderam</p><p>As crianças aprenderam ser possível fazer arte a partir de elementos aparentemente</p><p>antagônicos e a observar os trabalhos, seus e dos colegas. Com a utilização das técnicas</p><p>mistas adquiriram vários conhecimentos quanto aos inúmeros tipos de suportes, pastéis,</p><p>tintas, pigmentos. Esqueceram conceitos como feio e bonito. Desaprenderam a desenhar</p><p>corações e casinhas padronizadas e aprenderam que é preciso pensar antes de começar</p><p>a produção. As respostas deverão ser dadas pelos alunos, os construtores do próprio</p><p>conhecimento.</p><p>Assista ao vídeo sobre o projeto. FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=3lgw-</p><p>R0ire8>. Acesso em: 21 set. 2018.</p><p>FONTE: <http://artenaescola.org.br/boletim/materia.php?id=69535&>. Acesso em: 21 set. 2018.</p><p>92</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• Um projeto é aquilo que se pretende fazer, mas pode ser constantemente</p><p>replanejado e avaliado, pois a cada ação desenvolvida com os alunos é preciso</p><p>observar se os objetivos e conteúdos estão sendo alcançados.</p><p>• Projetos demandam mais tempo e organização e implicam um trabalho em equipe.</p><p>Podem-se ter projetos com conteúdos que saem do espaço da sala de aula.</p><p>• Os projetos permitem aos alunos assumirem as próprias responsabilidades,</p><p>produzindo conhecimentos que tragam significado para a sua realidade.</p><p>Assim, o professor tem um papel importante, pois pode criar estratégias de</p><p>ensino/aprendizagem mediando as ações do objeto de conhecimento (tema a</p><p>ser estudado).</p><p>• Um projeto necessita de: tema; conteúdos; tempo do projeto; objetivos;</p><p>justificativa; problema; desenvolvimento do projeto e fechamento do projeto.</p><p>• Os projetos em ação que se desenvolvem devem ser conduzidos no fazer</p><p>artístico, na contextualização e na leitura.</p><p>93</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Em conformidade com Martins, Picosque e Guerra (2010), é CORRETO</p><p>afirmar que os alunos participantes de um projeto podem:</p><p>a) Agir poeticamente sobre um objeto/temática de pesquisa e estudo.</p><p>b) Construir o seu sentido sobre o objeto/temática, dialogando, confrontando.</p><p>c) Aprender a dar forma poética – ordenar, reordenar e criar suas imagens.</p><p>d) Conceituar e conhecer, através do contato com o mundo da cultura, a forma</p><p>específica de a arte significar o mundo e as coisas.</p><p>Assim, escolha a alternativa correta:</p><p>1 Correta é a afirmativa B.</p><p>2 Correta é a afirmativa C.</p><p>3 Nenhuma alternativa está correta.</p><p>4 Todas as alternativas estão corretas.</p><p>2 Complete a coluna com a resposta correta:</p><p>Um projeto é uma _______________. Precisa ser continuamente avaliado e</p><p>replanejado. Pode ser transformado durante sua concretização, na medida em</p><p>que novas _______ precisem ser inseridas a fim de que os ____________ e os</p><p>conteúdos possam ser alcançados.</p><p>a) ( ) intenção – ações – objetivos</p><p>b) ( ) ideia – situações – problemas</p><p>c) ( ) intenção – oportunidades – resultados</p><p>d) ( ) ação – criações – temas</p><p>3 Construa um projeto de alguma temática relevante e que acredite ser</p><p>possível desenvolver em uma turma do Ensino Fundamental. Escolha</p><p>a turma, siga o roteiro e mãos à obra! Lembrando que, para a atividade,</p><p>um projeto necessita</p><p>de: tema; conteúdos; tempo do projeto; objetivos;</p><p>justificativa; problema; desenvolvimento e fechamento do projeto.</p><p>94</p><p>95</p><p>TÓPICO 2</p><p>EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>As aulas de artes devem apresentar diversas experiências/vivências</p><p>práticas, oportunizando ao aluno o contato com as diversas linguagens artísticas</p><p>e suas manifestações.</p><p>Cada aluno traz consigo uma bagagem cultural, um repertório imagético</p><p>devido aos estímulos a que foi submetido. Assim, nós, professores, somos</p><p>mediadores, somos estimuladores do conhecimento teórico e prático.</p><p>Neste tópico, caro acadêmico, você irá encontrar informações sobre</p><p>experiências práticas na elaboração de projetos de pesquisa em educação.</p><p>2 EXPERIENCIAÇÃO NA PRÁTICA ARTÍSTICA</p><p>A experienciação na prática artística é considerada um momento de grande</p><p>importância a todos envolvidos na aula de artes, ou seja, os alunos esperam muito</p><p>pelas práticas artísticas, pelas novas experiências que terão nas aulas.</p><p>É preciso “explorar o que a palavra experiência permite pensar, dizer e</p><p>fazer no campo pedagógico” (LARROSA, 2015, p. 38). Inserir práticas artísticas</p><p>que remetem à experienciação é um desafio ao professor, pois envolve espaço</p><p>físico para produzir arte, conhecer técnicas e materiais.</p><p>Algumas práticas artísticas que podem ser desenvolvidas em sala de aula</p><p>remetem ao estudo de obras de arte, ou atividades que explorem a imagem, o</p><p>recorte e colagem, a intervenção artística, as diversas manifestações artísticas, o</p><p>próprio fazer artístico. Então:</p><p>“O fazer” é mais praticado na escola, embora muitas vezes faltem</p><p>clareza e objetividade às ações dos professores que orientam a</p><p>produção de arte. No passado, o fato até contribuiu para que</p><p>existissem, inclusive, repetições e cópias pouco refletidas. A formação</p><p>inicial e contínua do professor que trabalha com a arte precisa ter bem</p><p>clara a amplitude do fazer, com experiências em que o pensamento, a</p><p>sensibilidade e a emoção concorrem para a criação (FERRAZ; FUSARI,</p><p>2009, p. 28).</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>96</p><p>Assim, o professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está</p><p>planejando, com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico. Um fazer</p><p>artístico que instigue a reflexão, contextualização e não traga criações referentes</p><p>a repetições de obras de arte.</p><p>Um exemplo de prática artística que pode ser feito com alunos da educação</p><p>infantil é a experienciação através de um conteúdo como as cores. Pode ser mostrada</p><p>a mistura das cores através de várias ações, como o uso de tintas e pincéis, pintura</p><p>com dedos ou mãos, mistura com a massinha de modelar e descobrindo a mistura</p><p>do amarelo com vermelho, trazendo o resultado da cor laranja.</p><p>As descobertas, para as crianças, são muito marcantes pela experimentação,</p><p>são momentos únicos que desenvolvem a curiosidade e imaginação. Assim,</p><p>precisam de estímulos do professor de arte para o acesso à variedade de práticas.</p><p>A seguir será apresentada uma proposta artística, uma prática realizada</p><p>com alunos da educação infantil nas aulas de artes relacionada ao estudo das</p><p>cores, observando o resultado das misturas feitas a partir da técnica da pintura</p><p>soprada. A atividade foi realizada com um canudinho para soprar a tinta que</p><p>estava bem diluída com água.</p><p>FIGURA 9 – CRIANDO CABELOS MALUCOS COLORIDOS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>97</p><p>DICAS</p><p>Livro: Artur faz Arte, de Patrick</p><p>McDonnell (2007), editora Girafinha.</p><p>O livro mostra um menino de 5-6 anos chamado Artur,</p><p>que mostra seu processo criativo até a exposição. A</p><p>capa do livro já é convidativa. O menino se mistura</p><p>com as tintas e todo livro é uma explosão artística de</p><p>cores, linhas, experimentação.</p><p>FONTE: <https://repensandomuseus.blogspot.</p><p>com/2011/07/falando-de-literatura-e-museu.html>.</p><p>Acesso em: 25 set. 2018.</p><p>Continuando a conversa sobre experienciação na prática artística, um</p><p>artista que pode ser estudado nas aulas de artes e trazer o conceito da arte</p><p>abstrata é Jackson Pollock (1912-1956). O artista Pollock faz a chamada pintura de</p><p>ação (ActionPainting), em que realizava suas produções em gigantescas telas que</p><p>ficavam no chão. Jogava a tinta direto das latas, derramando, respingando com</p><p>pincéis, jogando com o auxílio de varetas.</p><p>FIGURA 10 – JACKSON POLLOCK (1950) – PINTURA DE ACTIONPAINTING</p><p>FONTE: <https://terrylongimagery.files.wordpress.com/2013/04/pollock2.jpeg>.</p><p>Acesso em: 30 nov. 2018.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>98</p><p>Uma atividade que pode ser inserida na aula de artes para o uso de tintas</p><p>e remeter a uma pintura em ação é a criação em camisetas.</p><p>FIGURA 11 – CRIANDO EM CAMISETA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Na figura anterior, o aluno explorou linhas, cores através do uso de</p><p>pincéis e também carimbou suas próprias mãos com as tintas, trazendo a pintura</p><p>em ação e gestual. Lembrando que as atividades propostas neste livro podem ser</p><p>transformadas em projetos, que contemplem mais ações e instiguem os alunos a</p><p>fazerem relações com outras áreas do conhecimento.</p><p>DICAS</p><p>Acesse o site que apresenta planos de aula, recursos e temas especiais que</p><p>podem ser desenvolvidos em sala de aula. Aproveite e explore o espaço!</p><p>FONTE: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/para-ensinar/>.</p><p>Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>99</p><p>3 SUGESTÕES DE ATIVIDADES PRÁTICAS</p><p>Neste espaço do livro de estudos, apresentaremos sugestões de atividades</p><p>práticas que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes.</p><p>Iniciamos a conversa sobre um conteúdo muito estudado nas aulas de</p><p>artes, a arte rupestre, que são os desenhos feitos nas paredes de cavernas. O</p><p>conteúdo pode ser desenvolvido em todas as faixas etárias.</p><p>FIGURA 12 – PINTURAS DE RINOCERONTES E CAVALOS NA CAVERNA DE CHAUVET,</p><p>NO SUL DA FRANÇA, C.28.000 AEC.</p><p>FONTE: Bell (2008, p. 14-15)</p><p>A obra mostra desenhos feitos pelos homens da caverna usando o carvão.</p><p>Para uma atividade em sala de aula, a busca de texturas com o giz de cera sobre</p><p>áreas da escola, como no chão, pedras, paredes e, assim, simular tais texturas</p><p>encontradas sobre folhas de papel A4 como sendo uma base, que lembre uma</p><p>parede de caverna. Assim, sobre a folha cheia de marcas e texturas, desenhar com</p><p>um pedaço de carvão ou lápis 6B alguns desenhos que remetam aos tempos atuais.</p><p>Instigar a reflexão. Como foi o tempo de arte rupestre, onde os primeiros homens</p><p>da caverna não tinham quase nada, onde seus desenhos feitos nas paredes eram</p><p>de caças de animais. E o que nós como seres humanos de hoje em dia temos? Se</p><p>tivéssemos que deixar marcas sobre uma parede nos dias de hoje para as futuras</p><p>gerações, que marcas, que desenhos seriam?</p><p>Os alunos podem desenhar tudo que acham ser do momento atual que</p><p>estão vivendo, por exemplo, desenhar celulares (tecnologia) ou comidas, como</p><p>pizza, bebida como Coca-Cola. Organizar uma instalação, como uma parede, que</p><p>remeta à caverna com arte rupestre, colando todas as folhas juntas, uma do lado</p><p>da outra, sem deixar espaços.</p><p>Continuando o conteúdo sobre arte rupestre, outra sugestão de atividade</p><p>é desenhar com cola colorida sobre pedras, como mostra a figura a seguir.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>100</p><p>FIGURA 13 – LEITURA DE IMAGEM DE OBRAS SOBRE A ARTE RUPESTRE</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>O desenvolvimento da atividade pode ser iniciado por uma roda de</p><p>conversa com todos os alunos a partir do contato de imagens. As imagens podem</p><p>ser passadas de mão em mão, e assim, os alunos vão apreciando e dialogando sobre</p><p>o que veem. A prática artística pode ser desenvolvida em pequenos grupos de</p><p>alunos. Eles deixam suas marcas, seus desenhos nas pedras, usando a cola colorida.</p><p>FIGURA 14 – PINTANDO PEDRAS COM COLA COLORIDA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>As atividades práticas podem ser adaptadas de acordo com a faixa etária</p><p>dos alunos através de diferentes</p><p>propostas, níveis de complexidade, como vamos</p><p>conhecer uma sugestão sobre o conteúdo retrato e autorretrato.</p><p>Para trabalhar o assunto em sala de aula é necessário mostrar muitas</p><p>imagens, muitas obras de arte que relatam as diferenças entre o retrato e o</p><p>autorretrato. Mostrar obras de artistas que fizeram seus autorretratos, como Tarsila</p><p>do Amaral, Frida Kahlo, Van Gogh, Portinari. Escolha obras de arte de diferentes</p><p>períodos históricos que mostrem autorretratos e retratos criados. Como exemplo de</p><p>retrato, pode-se citar uma pintura de Vincent van Gogh, que retratou um carteiro.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>101</p><p>FIGURA 15 – VINCENT VAN GOGH: RETRATO DO CARTEIRO ROULIN (1888); TELA, 0,79X0,63</p><p>M. BOSTON, MUSEUMOF FINE ARTS</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 126)</p><p>Uma atividade adorada pelos alunos é a de desenhar o outro lado da</p><p>fotografia, continuar seu retrato, sua foto. Primeiro, você, professor, fotografa o</p><p>rosto de cada aluno. A fotografia deve ser impressa preto e branco e cortada ao</p><p>meio. Cada metade da foto poderá ser explorada de alguma maneira.</p><p>Na imagem a seguir a proposta foi de uma parte da foto ser realista</p><p>(desenhar, de forma parecida, a outra metade da foto) e outra foto ser surrealista</p><p>(a metade da foto que sobrou desenhar continuando de maneira maluca, usando</p><p>a imaginação, com cores diferentes, algo não realista). Assim, a proposta é que o</p><p>aluno criará, através de uma foto impressa, dois autorretratos, o real e o surreal.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>102</p><p>FIGURA 16 – DESENHANDO COM A METADE DA FOTOGRAFIA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>O autorretrato e retrato também podem ser estudados a partir das obras</p><p>de Giuseppe Arcimboldo, que é um artista pertencente ao movimento artístico</p><p>maneirista. Suas pinturas retratam rostos de maneiras diferentes, usando frutas,</p><p>flores, objetos em suas criações.</p><p>FIGURA 17 – IMPERADOR RODOLFO II, GIUSEPPE ARCIMBOLDO (1527-1593)</p><p>FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/giuseppe-arcimboldo/#jp-</p><p>carousel-4750>. Acesso em: 29 set. 2018.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>103</p><p>Os retratos compostos, na proposta a seguir, mostram a criação através de</p><p>recortes de revistas e realizando a colagem formando rostos, ou seja, compor um</p><p>rosto por fragmentos retirados de revistas e colados sobre uma folha. A atividade</p><p>pode ser realizada em grupos de alunos dos anos iniciais do ensino fundamental.</p><p>É interessante que sejam realizadas exposições dos trabalhos criados, que podem</p><p>ser por meio de murais, bem como instalações.</p><p>FIGURA 18 – RETRATOS FEITOS COM RECORTES DE REVISTAS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Outra proposta explora os conceitos de retrato e autorretrato, que</p><p>pode ser feita com alunos dos anos finais (8º e 9º anos) ou ensino médio. Na</p><p>atividade, o aluno traz um retrato de alguma pessoa famosa, algum artista que</p><p>seja fã ou que admire. A imagem será a base, ficará abaixo de uma transparência</p><p>(de retroprojetor) e usará uma caneta preta permanente, delineando o retrato</p><p>escolhido, contornando com a caneta as principais partes do rosto sobre a</p><p>transparência. Após, o aluno irá colorir com pincel usando nanquim colorido,</p><p>mas é importante ter muito cuidado, pois o nanquim é muito líquido, e assim,</p><p>evitar que extrapole a cor em áreas indevidas do retrato.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>104</p><p>FIGURA 19 – RETRATOS DE FAMOSOS COM NANQUIM SOBRE TRANSPARÊNCIA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>O trabalho desenvolvido em transparências poderá ser mostrado a toda</p><p>turma através do uso de um retroprojetor. A transparência pronta poderá ser</p><p>visualizada por todos quando projetada sobre uma parede branca.</p><p>DICAS</p><p>Vídeo: Autorretrato</p><p>O documentário é da coleção do Instituto Arte</p><p>na Escola e mostra uma exposição chamada</p><p>“Autorretrato: espelho de artista”, uma mediação</p><p>cultural organizada pelo MAC/USP. O tema é</p><p>apresentado em seis módulos sob a curadora</p><p>Katia Canton, feito no ano de 2001. A indicação do</p><p>filme é a partir do 1º ano do ensino fundamental,</p><p>duração de 23 minutos.</p><p>FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/catalogo/dvd/74/>. Acesso em: 5 fev. 2018.</p><p>Também se encontra, neste site, o material educativo para ser desenvolvido com os alunos</p><p>do vídeo.</p><p>FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_pdf_74.pdf>. Acesso em: 5</p><p>fev. 2018.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>105</p><p>A seguir, será apresentada uma proposta, um de plano de aula que pode ser</p><p>desenvolvido com alunos da Educação Infantil e readaptado para um futuro projeto.</p><p>Plano de aula: conhecendo as obras do artista Aldemir Martins</p><p>• Conteúdo: Cores primárias; leitura de imagem.</p><p>• Tempo de realização do projeto: 6 aulas com 50 minutos cada.</p><p>• Objetivo geral: Despertar nos alunos o gosto pela arte através das obras do</p><p>artista Aldemir Martins.</p><p>• Objetivos específicos:</p><p>• Conhecer a biografia do artista Aldemir Martins.</p><p>• Analisar as obras de arte do artista a partir da leitura de imagem, observando</p><p>elementos da visualidade (cor, forma, linha, textura etc.);</p><p>• Observar a temática abordada nas obras.</p><p>• Identificar as cores primárias.</p><p>• Desenvolver a expressão artística através do desenho, pintura e/ou dobradura.</p><p>• Utilizar materiais diversos para a criação de composições artísticas.</p><p>• Desenvolvimento:</p><p>• Trazer para a aula algumas imagens das obras do artista Aldemir Martins (obra</p><p>dos gatos – azul, amarelo e vermelho).</p><p>FIGURA 20 – OS GATOS DE ALDEMIR MARTINS (1922-2006)</p><p>FONTE: <http://www.fortalezaemfotos.com.br/2010/10/aldemir-martins.html>.</p><p>Acesso em: 1 set. 2018.</p><p>• Roda de conversa com os alunos: Quem foi o artista Aldemir Martins? O que</p><p>pintou? Quais cores mais usava? A conversa com os alunos deve ser de maneira</p><p>lúdica e dinâmica, contando sobre a vida do artista e realizando a leitura de</p><p>imagens com os alunos (poderão estar sentados em um grande círculo), e</p><p>assim, explorar no coletivo os detalhes das imagens.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>106</p><p>• Criar desenhos de seus animais preferidos e/ou de estimação (pintar com</p><p>tintas, lápis de cor, canetinhas ou giz de cera usando as cores primárias).</p><p>• Criar dobradura da cabeça de um gato e posteriormente colar a dobradura</p><p>em outra folha, completando com o desenho do corpo e o cenário (pintar com</p><p>tintas, lápis de cor, canetinhas ou giz de cera usando as cores primárias).</p><p>FIGURA 21 – DOBRADURA DO GATO E A CRIAÇÃO DO DESENHO</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>• Exposição final das atividades criadas para apreciação da comunidade escolar</p><p>e família.</p><p>• Recursos e materiais:</p><p>• Projeção de imagens pelo uso do projetor e notebook.</p><p>• Imagens impressas das obras do artista Aldemir Martins.</p><p>• Lápis de cor, giz de cera, canetinhas, tinta guache.</p><p>• Folhas brancas A4 e A3.</p><p>• Cola branca.</p><p>• Tesoura.</p><p>• Pincel.</p><p>• Avaliação: a avaliação do projeto acontece diariamente, é processual, isto</p><p>é, no transcorrer das atividades é feita a observação, além do registro do</p><p>desenvolvimento dos alunos.</p><p>Agora vamos conhecer o estudo de arte geométrica do artista Piet</p><p>Mondrian. Como sugestão de atividade, mostrar suas composições abstratas</p><p>geométricas, relatar sua vida e obras instigando os alunos nas leituras de imagem.</p><p>O objetivo da atividade foi conhecer a vida e as obras do pintor, observando o</p><p>desenvolvimento cromático.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>107</p><p>FIGURA 22 – PIET MONDRIAN: COMPOSIÇÃO EM VERMELHO, AMARELO, AZUL (1927); TELA,</p><p>0,61X 0,41 M. AMSTERDÃ, STEDELIJKMUSEUM</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 411)</p><p>Em relação às maneiras do artista Mondrian compor, podem ser feitas dentro</p><p>de silhuetas desenhadas em papel, imagens figurativas que são preenchidas com</p><p>quadrados e retângulos de vários tamanhos e pintadas nas cores que o aluno escolher.</p><p>FIGURA 23 – SILHUETAS MONDRIAN</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Desenhos de observação também são atividades que podem ser</p><p>desenvolvidas com os alunos, trazendo objetos ou observando</p><p>locais. As</p><p>atividades desenvolvidas instigam os alunos na observação de detalhes, tamanho,</p><p>cor. A obra Bica de cobre, de Jean-SiméonChardin, é uma pintura figurativa.</p><p>Percebemos detalhes nos objetos da obra.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>108</p><p>FIGURA 24 – ARTISTA JEAN-SIMÉONCHARDIN, BICA DE COBRE, 1734</p><p>FONTE: Bell (2008, p. 271)</p><p>Como atividade referente ao desenho de observação, podem-se trazer</p><p>para a sala de aula plantas, objetos, frutas e flores, assim, explorar o que é a</p><p>natureza-morta (gênero da pintura que retrata seres inanimados). Na figura a</p><p>seguir, existem bromélias que foram observadas por alunos dos anos iniciais,</p><p>sendo desenhados os detalhes da planta em folha A4.</p><p>FIGURA 25 – DESENHO DE OBSERVAÇÃO DE PLANTAS (BROMÉLIAS)</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>109</p><p>O desenho de observação também poderá ser a partir de uma imagem de</p><p>revista, que pode ser ampliada, isto é, escolher uma parte e colocar uma janelinha</p><p>de papel, e assim, desenhar apenas o que está se vendo da pequena ampliação.</p><p>Pode ser explorada a pintura e um dos desenhos pode ser monocromático (preto</p><p>e branco) e o outro desenho pode ser policromático (muitas cores). Seguem</p><p>imagens que ilustram a proposta sugerida:</p><p>FIGURA 26 – DESENHO DE OBSERVAÇÃO DE UMA IMAGEM DE REVISTA</p><p>(AMPLIAÇÃO DE FRAGMENTO)</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Os alunos gostam muito de desenhar. Assim, atividades que desenvolvem</p><p>os elementos da linguagem visual, como linhas, formas, cores e texturas, podem</p><p>ser exploradas nas aulas de artes. Na proposta “criando as texturas”, os alunos</p><p>recortam de revistas partes de imagens que mostram texturas. Tais recortes devem</p><p>ser em formato de quadrado e são colados sobre uma folha. Em outra folha, o</p><p>aluno realiza o desenho de observação de cada quadrado da textura encontrada,</p><p>usando caneta nanquim preta ou canetinha.</p><p>FIGURA 27 – CRIANDO AS TEXTURAS VISUALIZADAS EM REVISTAS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>110</p><p>Estudando o artista Edvard Munch, podemos relatar situações sobre o</p><p>desenho de memória. O que é um desenho de memória? Um desenho que remete a</p><p>lembranças boas e ruins, desenhos que surgem de rabiscos, de algo que lembramos</p><p>e está na memória. Assim, na pintura “o grito”, observa-se também um desenho</p><p>referente à memória, às lembranças. É um momento de desespero que se evidencia</p><p>na expressão do rosto, e não como um desenho da realidade como ela é.</p><p>FIGURA 28 – EDVARD MUNCH: O GRITO (C.1893); MADEIRA, 0,83X0,66 M. OSLO, MUNCH-MUSEET</p><p>FONTE: <https://multiplasoralidades.wordpress.com/construcao-do-blog-2/o-grito-1893-de-</p><p>edvard-munch/>. Acesso em: 29 set. 2018.</p><p>Como proposta de atividade para os anos finais do ensino fundamental,</p><p>pode ser feito o desenho de memória com base na obra “O grito (1893)”,</p><p>relacionando com momentos registrados na memória do aluno. O desenho pode</p><p>expressar angústias do cotidiano ou outros gritos da vida.</p><p>Outra atividade é desenvolver com os alunos algumas placas escritas</p><p>com pedidos, gritos da sociedade ou da vida dos alunos. Assim, com as placas</p><p>prontas, os alunos podem encenar a cena da obra de arte, produzindo pequenas</p><p>esquetes teatrais que podem ser filmadas e fotografadas.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>111</p><p>FIGURA 29 – RELEITURA CRÍTICA DA OBRA O GRITO DE MUNCH</p><p>FONTE: <https://segundosanosinacio.blogspot.com/2010_08_01_archive.html>.</p><p>Acesso em: 29 set. 2018.</p><p>A sala de aula é considerada um espaço de práticas artísticas. Alunos e</p><p>professores vão construindo sua história, trocando conhecimentos, explorando e</p><p>vivenciando o fazer artístico.</p><p>DICAS</p><p>Livro: Descobrindo grandes</p><p>artistas: a prática da arte para crianças</p><p>Autoras: Mary Ann F. Kohl e Kim Solga</p><p>Editora: Artmed</p><p>Ano: 2001</p><p>Este livro apresenta um conjunto de atividades</p><p>de artes que podem ser aplicadas para</p><p>estudantes de 4 até 12 anos de idade. São 110</p><p>atividades que fazem o aluno experimentar</p><p>diferentes técnicas, conhecendo artistas e</p><p>movimentos artísticos.</p><p>IPTU, IPVA, ICMS</p><p>IMPOSTO DE</p><p>RENDA, IOF -</p><p>Aaaaaaa!!!</p><p>não aguento mais</p><p>tanto Imposto... Eu</p><p>vou me jogar dessa</p><p>ponte...</p><p>Aposto cinquenta</p><p>que ele pula.</p><p>Que cara</p><p>maluco.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>112</p><p>4 TRANSVERSALIDADE DO CONHECIMENTO</p><p>Os projetos que são desenvolvidos nas aulas de artes podem incluir</p><p>conhecimentos teóricos e práticos de outras áreas, de outras disciplinas.</p><p>Os temas transversais são propostos em todas as disciplinas da escola, que</p><p>podem ser intercalados aos conteúdos específicos de cada área. Os temas transversais</p><p>permitem que os alunos tenham um maior diálogo sobre ética e cidadania, meio</p><p>ambiente, pluralidade cultural, saúde e orientação sexual, aprendendo sobre</p><p>condutas, diferenças entre as pessoas e, assim, observando as diferentes realidades</p><p>regionais e locais. Portanto, a transversalidade do conhecimento</p><p>diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma</p><p>relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados</p><p>(aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua</p><p>transformação (aprender na realidade e da realidade). A forma</p><p>de sistematizar o trabalho e incluí-lo impactam na organização</p><p>curricular, garantindo sua continuidade e aprofundamento ao longo da</p><p>escolaridade (PCN, 1998, p. 30).</p><p>A transversalidade agrega questões sobre a realidade de vida, a ética e a</p><p>cidadania.</p><p>A educação para a cidadania requer que questões sociais sejam</p><p>apresentadas para a aprendizagem e a reflexão dos alunos, buscando</p><p>um tratamento didático que contemple sua complexidade e sua</p><p>dinâmica, dando a mesma importância das áreas convencionais. O</p><p>currículo ganha em flexibilidade e abertura, uma vez que os temas</p><p>podem ser priorizados e contextualizados de acordo com as diferentes</p><p>realidades locais e regionais e que novos temas sempre podem ser</p><p>incluídos. O conjunto de temas aqui proposto – Ética, Meio Ambiente,</p><p>Pluralidade Cultural, Saúde, Orientação Sexual, Trabalho e Consumo –</p><p>recebeu o título geral de Temas Transversais, indicando a metodologia</p><p>proposta para sua inclusão no currículo e seu tratamento didático</p><p>(PCN, 1998, p. 25).</p><p>Um tema transversal como o meio ambiente poderá ser inserido no</p><p>planejamento das aulas de artes como um projeto ou sequência didática. Assim,</p><p>a arte se mostra importante na abordagem do tema em sala de aula e explora</p><p>estratégicas de conscientização, fazendo com que o aluno reflita e tenha uma</p><p>compreensão e um olhar crítico sobre sua realidade de vida, bem como a realidade</p><p>coletiva, havendo respeito e conscientização.</p><p>DICAS</p><p>Leia mais em: <http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/ttransversais.pdf e</p><p>http://portal.mec.gov.br/seb/arquivos/pdf/livro081.pdf>. Acesso em: 5 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>113</p><p>Um projeto desenvolvido a partir de um tema transversal, que contemple</p><p>várias áreas do conhecimento, que instigue os alunos a pensarem sobre suas</p><p>comunidades, sobre sua realidade de vida. Tais projetos podem propor uma maior</p><p>criticidade aos alunos, fazendo refletir sobre a vida comunitária, por exemplo,</p><p>sobre o meio ambiente, verificar o que sua cidade faz com o recolhimento do lixo</p><p>ou como o lixo está sendo separado na escola.</p><p>Seguem algumas sugestões de como inserir o conhecimento transversal</p><p>nas aulas de artes através dos temas transversais: atividades que explorem os</p><p>temas de trabalho e consumo podem ser referentes à violência, como no trânsito,</p><p>e às bebidas (alcoolismo), drogas e cigarros. Todos os assuntos podem ser</p><p>trabalhados em sala de aula junto com algum conteúdo previsto e os resultados</p><p>poderão ser: encenações teatrais, criações de histórias em quadrinhos ou outras</p><p>composições artísticas como os trípticos de papel.</p><p>FIGURA 30 – ANUNCIAÇÃO, 1333, DE SIMONE MARTINI</p><p>FONTE: Bell (2008, p. 150)</p><p>A partir do conhecimento do que é um tríptico, os alunos podem</p><p>criar</p><p>sua própria produção usando papelão. Uma proposta sugerida para alunos dos</p><p>anos finais do ensino fundamental é o debate e discussão do tema Consumo-</p><p>alcoolismo junto ao trânsito. A partir da temática, os alunos criam, nas três partes</p><p>do tríptico, uma história em quadrinhos, que representa a conscientização sobre</p><p>os temas transversais estudados.</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>114</p><p>FIGURA 31 – TRÍPTICO EM PAPELÃO (TEMA ALCOOLISMO NO TRÂNSITO)</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Exposições que apresentem desenhos e criações diversas que tenham</p><p>explorado algum tema transversal, como outro exemplo, o meio ambiente. Nas</p><p>imagens a seguir, encontram-se uma obra do artista e a atividade de alunos. A</p><p>utilização das caixas vazias, sendo abertas, desmontadas e remontadas utilizando</p><p>o verso da caixa para desenhar e criar. Assim, a parte interna da caixa vira a parte</p><p>externa e sendo possível criar composições figurativas ou abstratas. O artista</p><p>Carlos Asp faz assim, cria trabalhos sobre o verso das caixas vazias.</p><p>FIGURA 32 – ARTISTA CARLOS ASP. CAMPO VERDE FRANCÊS, 2008 | DESENHO SOBRE</p><p>EMBALAGEM| 41,5 X 23,8 CM</p><p>FONTE: <http://www.ufrgs.br/acervoartes/obras/desenho/desenho/carlos-asp/view>.</p><p>Acesso em: 29 set. 2018.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>115</p><p>FIGURA 33 – CRIANDO NO VERSO DAS EMBALAGENS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Os materiais recicláveis também podem ser trabalhados em oficinas.</p><p>Têm o objetivo de refletir e conscientizar sobre o lixo produzido atualmente,</p><p>preservando o meio ambiente. Existe uma infinidade de propostas de criação</p><p>artística com materiais recicláveis. Uma proposta é usar jornais velhos que serão</p><p>cortados em pedaços e enrolados.</p><p>FIGURA 34 – COLAGEM DE ROLINHOS DE JORNAL</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>116</p><p>Uma artista paulistana contemporânea é Debora Muszkat, artista</p><p>multimídia que faz uso de fotografia e se apropriou da reciclagem de vidro, um</p><p>material cortante, perigoso, mas que precisa ser reaproveitado. Artista reconhecida</p><p>atualmente por seu trabalho com vidros 100% reciclados, pois divulga várias</p><p>possibilidades de reaproveitamento do material e tendo a preocupação com o</p><p>meio ambiente.</p><p>FIGURA 35 – ARTISTA DEBORA MUSZKAT, OBRA “DIAMANTE DE VIDRO”, 2015, INSTALAÇÃO</p><p>FONTE: <http://glorinhacohen.com.br/?p=30020>. Acesso em: 12 dez. 2018.</p><p>Já a pluralidade cultural pode ser inserida através da arte indígena,</p><p>mostrando exemplos de artesanato, de pinturas, que evidenciam os costumes e</p><p>as tradições do povo. O trançado, por exemplo, é uma atividade que faz refletir</p><p>como os índios produziam suas cestarias.</p><p>Segue uma proposta de trançado de papel que pode ser feito de forma</p><p>bidimensional e outra proposta que se refere ao trançado com rolinhos de jornal</p><p>para desenvolver uma produção tridimensional.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>117</p><p>FIGURA 36 – TRANÇADOS DE PAPEL E DE JORNAL</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>DICAS</p><p>Temática:</p><p>O artesanato como estratégia de ensino/aprendizagem</p><p>Conteúdos relacionados:</p><p>- Português: gênero carta, bilhete e e-mail, escrita e reescrita.</p><p>- Matemática: geometria: retas paralelas, medidas.</p><p>- Artes: cestaria.</p><p>- História: índios, primeiros artesãos.</p><p>- Geografia: localidades que usam o artesanato como subsistência.</p><p>Ano escolar: Alunos do 5º e 6º ano do ensino fundamental</p><p>Objetivo geral:</p><p>- Reconhecer as várias formas de conhecimento existentes nos trabalhos artesanais.</p><p>Objetivos específicos:</p><p>- Conhecer diversos tipos de artesanato.</p><p>- Identificar os costumes e tradições presentes no trabalho artesanal.</p><p>- Identificar semelhanças e diferenças entre os termos: cultura, cultura popular, saber</p><p>popular, costumes, tradições etc.</p><p>- Conhecer os tipos de artesanato típicos da nossa região.</p><p>- Explorar conteúdos específicos das diversas áreas de conhecimento (português,</p><p>matemática, história, geografia e artes)</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>118</p><p>Procedimentos:</p><p>1º Momento:</p><p>- Através de textos e exposição de imagens no data show, reconhecer os índios como os</p><p>primeiros artesãos no Brasil, suas produções em cerâmica, cestaria, tecelagem, esculturas etc.</p><p>2º Momento:</p><p>- Identificar os diferentes tipos de tecelagem de fibras como do capim dourado, que é muito</p><p>procurado no exterior em bolsas, chapéus etc. No sertão da Bahia há um grande número</p><p>de pessoas que sobrevivem da trançagem da fibra de uma árvore chamada licuri (que</p><p>produz o coquinho), esteiras, chapéus, balaios etc.</p><p>- Fazer a trançagem com tiras de papel colorido que pode ser usado para confeccionar</p><p>cartões: explorar aspectos geométricos, como retas paralelas e sistema de medidas (metro</p><p>e centímetro).</p><p>3º Momento:</p><p>- Construir, com os alunos, pequenos cestos com canudos de jornal explorando os</p><p>conceitos geométricos de retas paralelas e perpendiculares, ao mesmo tempo explorar a</p><p>origem da trança, como o homem começou a usar a trançagem na construção de suas</p><p>casas ou cabanas a, aproximadamente, 6000 anos a.C.</p><p>4º Momento:</p><p>- Utilizar a trançagem para confeccionar o cartão do dia das mães: explorar o gênero textual</p><p>bilhete, carta e e-mail.</p><p>Recursos:</p><p>- Data show</p><p>- Textos</p><p>- Livros e revistas sobre o tema</p><p>- Internet (se possível)</p><p>- Jornal (para os canudos)</p><p>- Papel colorido</p><p>- Cola</p><p>- Estilete</p><p>- Régua</p><p>- Lápis</p><p>- Canetas coloridas</p><p>- Hidrocor</p><p>- Lápis de cor</p><p>- Verniz</p><p>A aplicação de oficinas possibilita que os alunos desenvolvam conhecimentos interdisciplinares</p><p>ao mesmo tempo em que se efetivam práticas sociais de leitura e escrita. Por meio da oficina,</p><p>os alunos realizam leituras de conteúdos que são atraentes e despertam conhecimentos de</p><p>mundo, visto que é comum encontrarmos em nosso cotidiano algum tipo de artesanato.</p><p>Também foram explorados, na mesma oficina, aspectos da matemática que são importantes</p><p>e fazem parte da vida de todos: retas, paralelismo e sistema de medidas. O conhecimento</p><p>de leitura está em todas as áreas e fica mais evidente a sua presença por meio da atuação</p><p>dos projetos desenvolvidos. Ainda, conteúdos de Língua Portuguesa também são abordados</p><p>junto às práticas sociais de leitura e escrita, considerando que todos necessitam, em algum</p><p>momento, escrever um bilhete, carta ou e-mail (na contemporaneidade).</p><p>FONTE: <http://www.ileel.ufu.br/anaisdosielp/wp-content/uploads/2014/06/volume_2_</p><p>artigo_091.pdf>. Acesso em: 6 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 2 | EXPERIÊNCIAS NA ELABORAÇÃO DE PROJETOS DE ARTES</p><p>119</p><p>Portanto, a disciplina de arte contribui para o estudo dos temas</p><p>transversais, pois permite estabelecer múltiplas conexões com diferentes áreas do</p><p>conhecimento, conectando o aluno aos saberes populares e científicos, de forma</p><p>a promover a conscientização e o compromisso com a construção da cidadania.</p><p>DICAS</p><p>Livro: “A imagem da arte e os temas transversais”,</p><p>da autora Aurora Ferreira (2008).</p><p>O livro mostra projetos didáticos para o ensino fundamental</p><p>com obras de arte que abordam os temas transversais. Os temas</p><p>são abordados com obras de arte como: sobre saúde, a obra</p><p>Mamão e melancia (1860), de Agostinho da Mota; Pluralidade</p><p>cultural – redenção de Cã (1895), de Modesto Brocos e</p><p>Engenho de mandioca (1892) do mesmo autor; Meio ambiente</p><p>– vista de uma mato virgem que se está reduzindo a carvão</p><p>(1843), de Félix Emile Taunay; Ética e cidadania – a caminho da</p><p>escola (1925), de Eliseu Visconti; Relações de gênero – postura,</p><p>crenças, tabus e valores bom tempo ou idílio campestre (1893),</p><p>de Belmiro de Almeida.</p><p>120</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• O professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando,</p><p>com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico.</p><p>• O artista Pollock fez a chamada pintura de ação (ActionPainting). Realizava</p><p>suas produções em gigantescas telas que ficavam no chão, onde jogava a tinta</p><p>direto das latas, derramando, respingando com pincéis, jogando a tinta com o</p><p>auxílio de</p><p>varetas.</p><p>• A transversalidade do conhecimento diz respeito à possibilidade de se</p><p>estabelecer, na prática educativa, uma relação entre aprender conhecimentos</p><p>teoricamente sistematizados (aprender a realidade) e as questões da vida real e</p><p>de sua transformação (aprender na realidade e da realidade).</p><p>• Os temas transversais são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural, saúde,</p><p>orientação sexual, trabalho e consumo.</p><p>121</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Assinale a alternativa que preenche a lacuna CORRETAMENTE:</p><p>O artista Pollock faz a chamada __________________. Realizava suas produções</p><p>em gigantescas telas que ficavam no chão e jogava a tinta direto das latas.</p><p>a) pintura em tela com tinta a óleo</p><p>b) pintura com tinta acrílica</p><p>c) pintura com cores monocromáticas</p><p>d) pintura de ação ActionPainting</p><p>2 Sobre a transversalidade do conhecimento:</p><p>I- O professor precisa ter clareza sobre a prática artística que está planejando,</p><p>com orientações claras para os alunos em seu fazer artístico.</p><p>II- Diz respeito à possibilidade de se estabelecer, na prática educativa, uma</p><p>relação entre aprender conhecimentos teoricamente sistematizados</p><p>(aprender sobre a realidade) e as questões da vida real e de sua transformação</p><p>(aprender na realidade e da realidade).</p><p>III- Os temas transversais são: ética, meio ambiente, pluralidade cultural,</p><p>saúde, orientação sexual, trabalho e consumo.</p><p>Está(ão) CORRETO(S):</p><p>a) Somente o item I.</p><p>b) Somente o item II.</p><p>c) Os itens I e III.</p><p>d) Os itens II e III.</p><p>3 Escreva uma sugestão de atividade prática através do tema transversal</p><p>“Meio Ambiente”. Escolha uma turma de alunos e organize suas ações,</p><p>seu planejamento de conteúdos e atividades sobre a temática. Apresente</p><p>para os colegas!</p><p>122</p><p>123</p><p>TÓPICO 3</p><p>ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM</p><p>NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>UNIDADE 2</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste tópico, você, acadêmico, encontrará propostas que envolvem</p><p>o processo criativo explorando diferentes espaços de práticas artísticas. As</p><p>propostas de atividades são proposições que podem ser ampliadas, adaptadas e</p><p>recriadas conforme a faixa etária atendida pelo professor nas aulas de artes.</p><p>Assim, o processo criativo acontece por meio das linguagens artísticas,</p><p>nos campos conceituais do fazer artístico, da leitura e da contextualização.</p><p>O processo criativo e o processo de subjetividade acontecem em sua</p><p>multiplicidade de vivências e experiências, momentos diversos. Assim, os</p><p>conhecimentos são construídos a partir do contato e desenvolvimento de práticas</p><p>artísticas nos vários espaços, como o espaço da sala de artes.</p><p>2 ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS</p><p>Os espaços para as práticas artísticas tornam-se muitas vezes restritos, isto é,</p><p>a sala de aula da própria turma é a sala de criação da aula de artes. Percebe-se que a</p><p>maioria das escolas não disponibiliza espaço físico específico para o ensino de artes.</p><p>As práticas artísticas necessitam de espaços para termos atividades mais</p><p>estimulantes e motivadoras para os alunos. Assim, no ambiente escolar, “o espaço</p><p>de arte deve ser o espaço de criação e conhecimento cultural” (FERRAZ; FUSARI,</p><p>2009, p. 156).</p><p>Uma sala é um espaço físico para os alunos produzirem e guardarem suas</p><p>criações, além de materiais para a aula. O espaço é</p><p>[...] algo dinâmico e unitário, onde se reúnem materialidade e ação</p><p>humana. O espaço seria o conjunto indissociável de sistemas de</p><p>objetos, naturais ou fabricados, e de sistemas de ações, deliberadas ou</p><p>não. A cada época, novos objetos e novas ações vêm juntar-se às outras,</p><p>modificando o todo, tanto formal quanto substancialmente (SANTOS,</p><p>2008, p. 46).</p><p>124</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>O espaço nem sempre precisa ser fechado, com paredes em todos os lados</p><p>como uma sala tradicional, pode ser um espaço externo e aberto, aproveitando a</p><p>própria natureza que existe ao redor da escola. Assim,</p><p>a sala de arte pode ter marcas pessoais e estéticas, e se transformar em</p><p>uma pequena sede cultural que guarda documentos, imagens, livros,</p><p>objetos e a torna distinta de outros espaços impessoais, como ainda se vê</p><p>em muitas escolas. E isto só é possível quando a instituição e o professor</p><p>conseguem demonstrar a importância da sala ambiente e sua utilização</p><p>como ateliê e oficina de arte (FERRAZ; FUSARI, 2009, p.157).</p><p>Uma sala de artes que tenha mesas e cadeiras, onde os alunos ficam</p><p>sentados em grupos, que tenha torneira e tanques para limpeza dos materiais</p><p>seria ideal. Contudo, que também possam ser colocadas, coladas nas paredes</p><p>algumas imagens como obras de arte, desenhos e pinturas dos alunos. Um espaço</p><p>de organização dos materiais, secagem de produções artísticas, de visualidade</p><p>estética, que promova aprendizagem e contato com diferentes imagens.</p><p>FIGURA 37 – SALA AMBIENTE DE ARTES</p><p>FONTE: <http://www.amocuritiba.com.br/acontece-em-curitiba/soma-abre-inscricoes-para-</p><p>programa-de-residencias-artisticas.html>. Acesso em: 14 set. 2018.</p><p>Os espaços de práticas artísticas retratam também a cultura visual,</p><p>o cotidiano. A pintura e a escultura abrem espaços para outras possibilidades</p><p>de trabalho e produção. Os alunos têm a possibilidade de participar trazendo</p><p>imagens para refletir sobre o que veem, escutam e sentem, ou seja, sobre tudo que</p><p>está ao seu redor, que faz parte da sua vida.</p><p>A sala de arte precisa ser pensada como um espaço físico que pode</p><p>oferecer vivências para a formação estética do aluno, um espaço de interação</p><p>entre pessoas, objetos, materiais, promovendo um maior repertório imagético,</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>125</p><p>ampliando experiências estéticas. Um espaço diferenciado que vem proporcionar</p><p>vivências/experiências, maneiras de ver, sentir e perceber o mundo ao seu redor.</p><p>Também é importante destacar outros espaços de criações artísticas que</p><p>podem ser as galerias, museus, espaços culturais em livrarias.</p><p>FIGURA 38 – ESPAÇO ALTERNATIVO DE PRÁTICA ARTÍSTICA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>São espaços alternativos que podem promover a aprendizagem por meio</p><p>de oficinas de artes e a comunidade em geral também participa.</p><p>Os mais diversos espaços físicos influenciam diretamente na prática</p><p>artística, no processo criativo dos alunos. Podem influenciar de maneira positiva,</p><p>enfatizando o gosto pela arte, por aprender, desenvolvendo e aprimorando</p><p>seus conhecimentos. No espaço, o professor orienta e organiza momentos e o</p><p>aluno é produtor de arte e apreciador, estimulando os campos conceituais de</p><p>arte (criação/produção; percepção/análise; conhecimento e contextualização</p><p>conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da humanidade).</p><p>O espaço, seja a sala de aula ou outro local, simula ser uma espécie de</p><p>ateliê do próprio artista, fazendo com que o aluno seja, por um momento, o artista,</p><p>criando e vivenciando sua produção, seu fazer artístico. Sabemos que muitas</p><p>escolas não possuem um espaço físico específico para as aulas de artes, sendo</p><p>que elas acontecem na própria sala de aula da turma. Assim, é importante que</p><p>os professores de artes sejam criativos em desenvolver as práticas artísticas nos</p><p>diferentes espaços disponíveis, outros lugares como galpão da escola, área aberta</p><p>como um parque, ou mesmo visitação de algum lugar da cidade e/ou região.</p><p>126</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>É preciso possibilitar o conhecimento artístico, por exemplo: uma obra de</p><p>arte exposta em algum lugar (arte urbana) para apreciação a fim de provocar a</p><p>experiência, criando ambientes prazerosos que possibilitam realizar as atividades</p><p>da melhor forma possível.</p><p>3 PROCESSO CRIATIVO</p><p>O processo criativo está presente em todas as linguagens artísticas. Na</p><p>escola, em especial nas aulas de artes visuais, o processo criativo do aluno está</p><p>imbricado ao planejamento do professor, isto é, as criações artísticas são feitas</p><p>pelos alunos a partir de conteúdos propostos em cada faixa etária, sendo que,</p><p>raramente, as atividades são livres e sem direcionamento</p><p>do professor.</p><p>Assim, olhando para a linha do tempo, para a história da arte, muitos</p><p>artistas eram considerados gênios em sua arte, apresentando um talento em</p><p>suas criações, um dom, como muitos dizem. Tais artistas, muitas vezes, foram</p><p>autodidatas, construindo seu processo criativo de maneira individual e não em</p><p>espaços escolares.</p><p>Podemos dizer que, na contemporaneidade, no momento atual que</p><p>estamos vivendo, cada sujeito poderá desenvolver-se criativamente. O ser criativo</p><p>é um processo contínuo, se aprende todos os dias, ao longo de toda a vida, em</p><p>momentos da época escolar ou por conta própria, buscando aperfeiçoar-se em</p><p>cursos ou autoestudos.</p><p>O professor pode explorar conteúdos que vão além das artes clássicas e,</p><p>assim, percorrer em novos caminhos que façam o processo criativo se desenvolver</p><p>de maneira mais ousada, isto é, levar para a sala de aula obras de arte que mostrem</p><p>outras manifestações artísticas, como a instalação, performance ou propostas</p><p>de artistas atuais, artistas vivos que estão produzindo e expondo em galerias e</p><p>museus. Contudo, é importante salientar o cuidado que o professor precisa ter</p><p>em elaborar um planejamento, que proporcione experiências embasadas em</p><p>conteúdos e atividades de artes com significado para o aluno.</p><p>Para Pougy (2011), o desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-</p><p>los para que possam descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação, sua</p><p>criatividade. É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas</p><p>criações do fazer artístico, assim, a marca pessoal de cada aluno pode surgir através</p><p>do predomínio de cores, formas, texturas ou outro elemento visual. Portanto, a</p><p>criatividade é a capacidade ou habilidade humana de unir elementos</p><p>díspares (imagens, sons, gestos, movimentos, ideias, conceitos e teorias)</p><p>“estocados” no imaginário e na memória de quem cria. É a fonte de</p><p>invenção artística, bem como científica e filosófica. Quanto mais</p><p>repertório, mais “matéria-prima” de criação (POUGY, 2011, p. 67).</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>127</p><p>Assim, o aluno, para construir seu repertório imagético, cultural e criativo,</p><p>necessita das seguintes ações na construção do seu conhecimento em sala de aula:</p><p>A aprendizagem de fatos e conceitos envolve: analisar, interpretar,</p><p>conhecer, explicar, descrever, comparar, relacionar, identificar, situar</p><p>(no tempo e no espaço), reconhecer, classificar, recordar, inferir,</p><p>generalizar etc.;</p><p>A aprendizagem de procedimentos envolve: construir, simbolizar,</p><p>representar, observar, experimentar, elaborar, manejar, compor,</p><p>confeccionar, utilizar, simular, reconstruir, planejar etc.;</p><p>A aprendizagem de atitudes, valores, normas envolve: apreciar, valorizar</p><p>(positiva e negativamente), ser consciente de estar sensibilizado a sentir,</p><p>a perceber-se, prestar atenção, deleitar-se com, brincar com, preferir etc.</p><p>(MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 129).</p><p>As ações de aprendizagem instigam o aluno em seu processo criativo.</p><p>Analisar, construir e apreciar se tornam indispensáveis em qualquer criação</p><p>artística de todas as linguagens.</p><p>Muitas vezes, o processo criativo não é contemplado nas aulas de artes</p><p>devido a um planejamento fechado. Muitas vezes a aula não condiz com o</p><p>desenvolvimento e interesse do aluno, bem como no seu processo de criação e,</p><p>negando assim, as sugestões e situações que surgem no andamento das aulas</p><p>pelos próprios alunos.</p><p>A imagem a seguir mostra um processo criativo. O grupo de alunos</p><p>descobriu uma nova composição artística a partir da sombra dos objetos. Os</p><p>alunos projetaram a luz da lanterna do celular e observaram o contorno dos</p><p>objetos projetados. Esta ação dos alunos não estava prevista no planejamento da</p><p>aula do professor, a proposta era apenas fotografar cada personagem fazendo</p><p>uma animação, assim, foi o próprio grupo de alunos que registrou a imagem,</p><p>relatando o fazer artístico.</p><p>FIGURA 39 – DESCOBRINDO SILHUETAS PELAS SOMBRAS PROJETADAS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>128</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>Retomando propostas que contemplem as diferentes manifestações artísticas</p><p>nas aulas de artes visuais, o processo criativo contempla os diferentes espaços de</p><p>práticas artísticas. “Uma aprendizagem em arte só é significativa quando o objeto</p><p>de conhecimento é a própria arte” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 9).</p><p>O aluno que tem acesso aos espaços culturais, às exposições, aos</p><p>espetáculos de música, às apresentações de dança e de teatro será instigado,</p><p>provocado a pensar mais sobre a arte, contribuindo para um processo criativo</p><p>que contemple um repertório cultural maior.</p><p>Tudo faz parte do processo criativo e, como professor de arte, é preciso</p><p>trazer reflexões sobre a criação do aluno, ou seja, analisar se a produção artística</p><p>contém a sua expressão e cuidar com cópia de trabalhos já prontos.</p><p>Outra contribuição significativa para o processo de aprendizagem criativa</p><p>é proporcionar o contato do aluno com as galerias e museus virtuais, sendo que</p><p>muitas escolas se localizam longe desses espaços.</p><p>Atualmente, é possível explorar um espaço virtual de arte chamado Google Art</p><p>Project, uma ferramenta que nos ajuda a conhecer e a visitar vários museus no mundo todo,</p><p>simulando, muitas vezes, uma visita real. Acesse o link e descubra obras impressionantes de arte,</p><p>aprimorando seus conhecimentos e seu processo criativo como professor. FONTE: <https://</p><p>artsandculture.google.com/asset/untitled/nwEWnMaur6L4jQ?hl=pt-BR>. Acesso em: 6 fev. 2018.</p><p>UNI</p><p>FIGURA 40 – ESPAÇO VIRTUAL DO GOOGLE ART PROJECT</p><p>FONTE: <https://artsandculture.google.com/explore?hl=pt-BR>. Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>129</p><p>Ter conhecimento das diversas linguagens artísticas, das diferentes</p><p>produções de diversos artistas permite ter outros modos de fazer e pensar arte,</p><p>estimulando o processo criativo tanto do professor quanto dos alunos.</p><p>Vamos conhecer mais uma proposta pedagógica que envolve criatividade.</p><p>A partir de um estudo sobre moda na arte, surgiu a ideia de criação usando</p><p>materiais diferentes. O exemplo a seguir foi criado por uma aluna que criou a</p><p>partir de seu repertório imagético e do seu processo criativo.</p><p>FIGURA 41 – TINGIR A CAMISETA COM TINTA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>A aluna criou um trabalho na aula de artes que proporcionou a</p><p>experimentação de uma técnica que potencializou a sua marca pessoal por meio</p><p>da cor e da forma. Segundo Pougy (2011, p. 72):</p><p>A fim de estimular o estilo e a marca pessoal dos alunos, promova</p><p>oficinas de percurso, momentos de experimentação e criação que</p><p>podem constar regularmente no seu planejamento anual. Trata-se de</p><p>deixar à disposição dos alunos pincéis, tintas, lápis, giz de cera, papéis,</p><p>argila, instrumentos musicais, fantasias, marionetes, fantoches, etc.,</p><p>e de orientá-los a decidir como utilizá-los, se vão fazer o trabalho</p><p>individualmente ou em grupo.</p><p>Toda a arte desenvolvida pelos alunos não acontece de maneira estática,</p><p>o poetizar, fruir e o conhecer se manifestam nas ações do fazer artístico, no ato</p><p>de criar. Segundo Barbosa (1998, p. 18), "através da apreciação e da decodificação</p><p>de trabalhos artísticos, desenvolvemos fluência, flexibilidade, elaboração e</p><p>originalidade - processos básicos da criatividade".</p><p>130</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>Assim, é necessário que o professor de arte reflita sobre: quais são as</p><p>referências artísticas que podem ser contextualizadas na aula de artes? Quais</p><p>imagens, materiais visuais, gestuais e sonoros são relevantes para desenvolver o</p><p>pensamento crítico e criativo dos alunos? De que maneira procedem as minhas</p><p>escolhas enquanto professor? Tais escolhas estão motivando o processo criativo e</p><p>a aprendizagem dos alunos? Pense sobre isto!</p><p>O professor precisa ser o mediador entre os alunos e do conhecimento</p><p>artístico, sendo importante:</p><p>Escolher cuidadosamente as obras,</p><p>levando em consideração o</p><p>repertório dos aprendizes e o conteúdo curricular, tendo clareza da</p><p>intenção da escolha que fez. É preciso cuidar da apresentação das</p><p>obras, com boas reproduções. Em relação às artes visuais, cobrir texto</p><p>e ilustrações que desviem o olhar é uma boa estratégia;</p><p>Desafiar leituras com a mesma profundidade, tanto para os trabalhos</p><p>de artistas como os de aprendizes;</p><p>Promover o acesso a artistas vivos, contemporâneos, brasileiros,</p><p>não só pintores, como também escultores, gravadores, músicos,</p><p>compositores, bailarinos, atores;</p><p>Estar consciente de que nem sempre a leitura da obra precisa gerar</p><p>produções que a focalizam. Ela pode ampliar referências para outros</p><p>trabalhos em um sentido mais amplo;</p><p>Promover visitas aos museus e galerias, ruas, parques e praças,</p><p>teatros, sala de concerto. São atividades especialmente provocantes,</p><p>quando o caráter de passeio ou visita é transformado em expedição</p><p>– artística, exploratória, científica – planejada anteriormente com os</p><p>alunos (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 130).</p><p>Uma atividade que é muito interessante para os alunos perceberem seu</p><p>processo criativo e de aprendizagem é fazer um “Diário de bordo” (também é</p><p>conhecido como “livro de memória artística”, “registro de experiências estéticas”).</p><p>O diário se apresenta no formato de um caderno e o aluno ou o professor registram,</p><p>a cada semana, as atividades e conceitos aprendidos.</p><p>Ainda, é um material que também pode ter colagens de obras ou de</p><p>exposições encontradas em revistas, de fotografias da turma ou outros registros</p><p>que apresentem momentos de experiências artísticas. Também é um local no qual</p><p>o aluno ou o professor possam realizar seus esboços, seus desenhos, suas criações</p><p>e suas ideias, ou seja, o próprio processo criativo.</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>131</p><p>FIGURA 42 – EXEMPLOS DE REGISTROS NO DIÁRIO DE BORDO</p><p>FONTE: <https://agorav4i.wordpress.com/tag/destrua-este-diario/>. Acesso em: 10 dez. 2018.</p><p>Como exemplo de processo criativo ousado, vamos conhecer as obras do</p><p>artista brasileiro Guto Lacaz (1948), que se aproximam desta abordagem, criando</p><p>com humor e ironia suas obras. O documentário “As máquinas de Guto Lacaz”,</p><p>do Arte na Escola, é um vídeo que mostra o artista em seu ateliê, produzindo e</p><p>apresentando alguns trabalhos como instalações e performance. A produção do</p><p>artista se dá através do design gráfico, criação de objetos do cotidiano e exploração</p><p>das possibilidades tecnológicas na arte.</p><p>FIGURA 43 – FRAGMENTO DO VÍDEO “AS MÁQUINAS DE GUTO LACAZ” – DVDTECA</p><p>ARTE NA ESCOLA (2006)</p><p>FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/catalogo/dvd/32/>. Acesso em: 15 set. 2018.</p><p>132</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>DICAS</p><p>Podemos encontrar na internet os trabalhos do artista Guto Lacaz, sendo</p><p>possível explorar um material educativo que se encontra no site arte na escola, que foi</p><p>produzido a partir do vídeo das máquinas do Guto Lacaz. Acesse e aproveite as dicas.</p><p>FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_pdf_32.pdf>. Acesso em: 6 fev. 2019.</p><p>Outro material didático que apresenta um artista brasileiro é o DVDteca</p><p>Arte na Escola. O documentário mostra a artista Leda Catunda (1961), chamado</p><p>“Recortes de Leda Catunda”. O vídeo foi feito na casa-ateliê da artista, mostrando</p><p>obras, materiais e seu processo criativo.</p><p>A artista Leda Catunda explora texturas e superfícies de materiais</p><p>industrializados, utilizando materiais como tecidos com referência aos elementos</p><p>da natureza, visando despertar as sensações táteis. Suas obras apresentam o</p><p>processo criativo a partir do uso de materiais populares, do cotidiano, criando</p><p>até moldes com papel Kraft.</p><p>DICAS</p><p>Assista ao vídeo: “Recortes de Leda Catunda”.</p><p>FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=HY3ebDwkGgc>. Acesso em: 6 fev. 2019.</p><p>FIGURA 44 – OBRA: CAMINHO DOM FLORES – 2005 – LEDA CATUNDA – COLAGEM</p><p>FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/leda-catunda/#jp-</p><p>carousel-8619>. Acesso em: 10 dez. 2018.</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>133</p><p>DICAS</p><p>Sobre a artista, você encontra materiais nos seguintes links: <http://</p><p>artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/recortes_de_leda_catunda.pdf> e <https://www.</p><p>historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/leda-catunda/>. Acesso em: 6 fev. 2019.</p><p>E agora, vamos pensar? Como professor de arte que pretende desenvolver</p><p>atividades abordando um projeto artístico, é necessário que se façam reflexões</p><p>e análises constantes sobre: observar o processo de criação dos alunos, ou seja,</p><p>perceber se foi semelhante uns dos outros ou teve destaques nas criações? No</p><p>desenvolvimento da proposta pedagógica de artes, surgiram novas descobertas</p><p>e possibilidades sobre o assunto que estudaram? Tais perguntas podem nortear</p><p>as propostas pedagógicas em artes e, com elas, o surgimento de propostas</p><p>inovadoras e um processo criativo que contemple a liberdade de expressão e o</p><p>conhecimento artístico, cultural e estético.</p><p>DICAS</p><p>Aproveite e se inspire em um plano de aula que se encontra no site da nova</p><p>escola. É possível desenvolver um projeto que explore as manifestações artísticas, o processo</p><p>criativo, como o grafite em espaços não convencionais.</p><p>Acesse o link!</p><p>FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/7768/manifestacoes-artisticas-em-espacos-</p><p>nao-convencionais>. Acesso em: 6 fev. 2019.</p><p>4 PROCESSO DE SUBJETIVIDADE</p><p>A arte está na vida das pessoas, no cotidiano, e cada um se identifica, se</p><p>sensibiliza de forma diferente, ou seja, cada ser humano tem empatia com alguma</p><p>arte, com alguma manifestação artística. Assim, a arte é também subjetiva, sendo</p><p>que as pessoas sentem e contemplam a arte de maneira distinta, gostam ou se</p><p>opõem a ela, sendo diferentes as reações de pessoa para pessoa, e isto também</p><p>acontece no espaço da sala de aula com imagens de obras de arte e/ou com</p><p>imagens visuais do cotidiano. Assim,</p><p>134</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>o conhecimento em arte abre perspectivas para que o aluno tenha uma</p><p>compreensão do mundo no qual a dimensão poética esteja presente: a</p><p>arte ensina que é possível transformar continuamente as existências,</p><p>que é preciso mudar referências a cada momento, ser reflexível. Isso</p><p>quer dizer que criar e conhecer são indissociáveis e a flexibilidade é</p><p>condição fundamental para aprender (BRASIL, 1997, p. 21).</p><p>A atividade de desenho pode ser uma boa proposta para revelar a</p><p>subjetividade das pessoas. Nos desenhos das “mochilas da vida”, os alunos</p><p>do ensino médio realizaram, inicialmente, um desenho de observação de sua</p><p>mochila/bolsa, analisando os detalhes. Após, o professor indagou sobre o que</p><p>teria dentro da mochila, caso fosse aberta, o que sairia dela sobre cada aluno? Que</p><p>escolhas, gostos, preferências, sonhos podem sair do objeto desenhado?</p><p>FIGURA 45 – MOCHILAS DA VIDA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>O processo de subjetividade é expresso através do desenho de maneira</p><p>particular e única, retrata os pensamentos e a visão de mundo. Na perspectiva,</p><p>durante as aulas de artes, o processo criativo e subjetivo do próprio aluno se</p><p>baseia em suas experiências e vivências, seu repertório imagético. Assim, quando</p><p>o aluno realiza uma atividade artística, este vivencia a técnica ou o processo</p><p>criativo de um determinado período de arte ou de artista.</p><p>A composição abstrata a seguir foi desenvolvida por alunos do 3º ano do</p><p>ensino fundamental. Os alunos estudaram a arte abstrata observando várias obras</p><p>de diversos artistas. O processo de criação da prática artística é percebido como</p><p>subjetivo, isto é, a subjetividade está na obra, na leitura e na contextualização de</p><p>todas as obras de arte, seja figurativa ou abstrata, pois não é possível definir o que</p><p>cada aluno estava sentindo e/ou pensando no momento de sua criação.</p><p>O conceito de subjetividade está relacionado com o mundo interno de</p><p>qualquer ser humano, através dos pensamentos e sentimentos.</p><p>.............................................................................................................215</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3......................................................................................................................217</p><p>AUTOATIVIDADE ...............................................................................................................................218</p><p>REFERÊNCIAS .......................................................................................................................................219</p><p>1</p><p>UNIDADE 1</p><p>CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO</p><p>CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E</p><p>PRODUÇÃO</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:</p><p>• conhecer as abordagens teóricas e práticas do ensino de Artes;</p><p>• refletir sobre as diversas linguagens da Arte;</p><p>• compreender sobre os campos conceituais da Arte: produção, fruição e</p><p>contextualização;</p><p>• identificar os modos de aprender dos educandos;</p><p>• refletir sobre a formação do docente em Artes através da reflexão crítica.</p><p>Esta unidade de estudos será apresentada em dois tópicos. Em cada um</p><p>deles, você encontrará, ao final dos tópicos, um resumo e autoatividades</p><p>para auxiliá-lo na compreensão dos conteúdos estudados.</p><p>TÓPICO 1 – TEORIA E PRÁTICA DO ENSINO DE ARTES</p><p>TÓPICO 2 – EXPERIÊNCIAS EDUCACIONAIS NA FORMAÇÃO DO</p><p>DOCENTE EM ARTES</p><p>2</p><p>3</p><p>TÓPICO 1</p><p>UNIDADE 1</p><p>TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Estamos iniciando a disciplina chamada Propostas Pedagógicas em Artes.</p><p>Assim, caros acadêmicos, precisamos conversar sobre a teoria e a prática do ensino</p><p>de Artes e o conhecimento artístico nos campos conceituais da contextualização,</p><p>fruição e produção artística.</p><p>Lembramos que o ensino de artes se tornou disciplina obrigatória no</p><p>currículo escolar nos diversos níveis de ensino desde a Lei de Diretrizes e Bases da</p><p>Educação (LDB) n° 9.394, de dezembro de 1996, referenciando sobre a formação</p><p>específica nas diversas linguagens da arte (visual, cênica e musical).</p><p>Os professores têm o desafio de atender aos currículos propostos nas</p><p>escolas, mas não serem polivalentes, cada um com sua formação específica irá</p><p>trazer a arte para dentro da sala de aula. Assim, a formação em artes acontece</p><p>pela pesquisa, pelo ensino, por estudos diários. A aprendizagem acontece pelas</p><p>indagações, pela busca do novo.</p><p>Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres</p><p>se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino, continuo</p><p>buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei e me</p><p>indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo</p><p>educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e</p><p>comunicar ou anunciar a novidade (FREIRE, 1996, p. 32).</p><p>Assim, o ensino de arte, através da teoria e da prática, da pesquisa</p><p>intermitente, vem aprimorar as diversas habilidades, competências e</p><p>conhecimentos. Como professores, precisamos planejar e organizar as propostas</p><p>pedagógicas relacionadas ao ensino de artes. O processo deve ser significativo,</p><p>trazendo sentido ao que está sendo desenvolvido e criado em sala de aula.</p><p>É necessário desenvolver práticas de ensino de artes em uma perspectiva</p><p>que contemple a Proposta Triangular de Ana Mae Barbosa, que envolva a</p><p>produção artística, a fruição e a contextualização.</p><p>Neste primeiro tópico dedicaremos nossos estudos às abordagens teóricas</p><p>e práticas do ensino de artes, ajudando você, acadêmico, em suas reflexões e</p><p>pesquisas, pois não há ensino sem pesquisa, como Freire já nos falava.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>4</p><p>2 CONHECENDO AS ABORDAGENS TEÓRICAS E PRÁTICAS</p><p>DO ENSINO DE ARTES</p><p>As aulas de artes desenvolvidas nas escolas nos remetem aos bons</p><p>momentos da realização do fazer artístico, quando os alunos demonstram gosto</p><p>pelas atividades que realizam, pelas produções feitas na sala de aula. Segundo</p><p>Barbosa (2010, p. 27), “se a arte não fosse importante não existiria desde os tempos</p><p>das cavernas, resistindo a todas as tentativas de menosprezo”.</p><p>São as propostas de práticas artísticas que se tornam destaque em sala de</p><p>aula, resultando em muitas produções artístico-visuais. Para isso, vale lembrar</p><p>de enfatizar com os alunos o embasamento teórico da atividade que é proposta,</p><p>por exemplo, referenciando uma obra de arte, relatando, muitas vezes, a vida de</p><p>um artista, de um período histórico, ou obras produzidas, fazendo relações ao</p><p>momento atual em que vivemos. Para Bell (2008, p. 6):</p><p>Os seres humanos contam histórias e fabricam objetos que fascinam os</p><p>olhos. Por vezes suas histórias dizem respeito a esses objetos. Esse tipo</p><p>de narrativa, a história da arte, é habitualmente motivado pelo desejo</p><p>de uma pessoa de imaginar como seria viver numa outra época e de</p><p>refletir sobre o que outras mãos fizeram. Além disso, os historiadores</p><p>da arte por vezes tentam explicar por que os objetos são feitos de</p><p>diferentes maneiras, segundo a época e o lugar.</p><p>Assim, estamos diante de muitos objetos, muitas imagens visuais em nosso</p><p>cotidiano que trazem diversas interpretações de mundo, que nos fazem associar</p><p>com nossa realidade, criando sentidos e maneiras de pensar, nos concedendo</p><p>uma imaginação criadora. Tudo relacionando com eixos de aprendizagem.</p><p>Barbosa (2010, p. 33) fala o seguinte: “Quando falo de conhecer arte, falo de</p><p>um conhecimento que nas artes visuais se organiza inter-relacionando o fazer</p><p>artístico, a apreciação da arte e a história da arte”.</p><p>Contudo, o ensino da arte não ocorre de maneira isolada, é todo um</p><p>conjunto de ações e aprendizagens que transcorrem entre alunos e professores,</p><p>todos aprendem e ensinam, trocam ideias, como podemos ver na pintura de</p><p>Chardin, a seguir, um afeto entre aprendiz e educador.</p><p>Há um cuidado no ato de ensinar, e a imagem a seguir, faz refletir em um</p><p>ensino solitário. O professor apenas ensina e transmite o conhecimento. Contudo,</p><p>atualmente, o ensino acontece de maneira coletiva, com muitos alunos em sala de</p><p>aula e o professor se torna mediador nas propostas pedagógicas.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>5</p><p>FIGURA 1 – OBRA: A JOVEM PROFESSORA, C. 1736/7, ÓLEO SOBRE TELA, 62 X 66 CM, JEAN-</p><p>BAPTISTE SIMEÓN CHARDIN, NATIONAL GALLERY, LONDRES</p><p>FONTE: <https://meilycass.wordpress.com/2011/09/10/video-aula-1-as-revolucoes-</p><p>educacionais/a-jovem-professora-chardin/>. Acesso em: 26 maio 2018.</p><p>DICAS</p><p>Caro acadêmico! Acesse e explore este site do Arte na escola, aproveite as</p><p>dicas de leitura! Vamos lá! Lembre-se de que como professores precisamos estar sempre</p><p>atualizados, pesquisando, estudando, divulgando e mostrando as criações artísticas</p><p>desenvolvidas nas aulas de artes. FONTE: <http://artenaescola.org.br/sala-de-leitura/>.</p><p>Acesso em: 12 dez. 2018.</p><p>Nas escolas, o ensino de arte é apresentado em diferentes métodos e</p><p>sistemas. As aulas acontecem em grupos de alunos que, dependendo da faixa</p><p>etária, tem-se um número máximo por turma, por exemplo, uma turma de 1º ano</p><p>do ensino médio terá até 40 alunos na sala de aula. Pensando nisso, as atividades</p><p>de artes podem ser desenvolvidas de diversas maneiras, como atividades</p><p>individuais e atividades coletivas.</p><p>Portanto, as atividades que atualmente se encontram no ensino de arte se</p><p>mostram muito variadas e acontecem por meio de abordagens teóricas ou apenas</p><p>práticas, dependendo da formação do professor, das suas experiências e da sua</p><p>realidade escolar, como podemos perceber a seguir:</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>6</p><p>• As atividades consideradas como propostas de arte de temáticas livres, os</p><p>chamados “desenhos livres” são feitos por meio de desenhos e pinturas em</p><p>folhas de tamanho A4 ou A3.</p><p>• As apresentações teatrais realizadas na escola acontecem relacionadas a um</p><p>tema didático, por exemplo, teatros especialmente criados para homenagens</p><p>ao dia das mães ou dia dos pais.</p><p>• Professores trazendo desenhos prontos, impressos ou mimeografados apenas</p><p>Assim, o subjetivo</p><p>não é sinônimo de abstração. A subjetividade está na obra, na leitura e na</p><p>contextualização de todas as obras de arte.</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>135</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>FIGURA 46 – COMPOSIÇÃO ABSTRATA COM USO DE GIZ DE CERA</p><p>Portanto, a arte é subjetiva, e conteúdos de artes trabalhados em sala de</p><p>aula sempre terão percepções e resultados diferentes, ou seja, uma subjetividade</p><p>que se apresenta no fazer artístico do criador. A arte continua até hoje sendo</p><p>indagada, questionada, pois o criador e o observador poderão ter respostas</p><p>diferentes de um determinado objeto artístico, principalmente se tratando da</p><p>compreensão da arte contemporânea. E assim, o que é arte e para que serve?</p><p>FIGURA 47 – OBRA: O QUE É ARTE? PARA QUE SERVE?, DE PAULO BRUSCKY,1978.</p><p>DOCUMENTAÇÃO DE AÇÃO DA IMPRESSÃO EM PAPEL FOTOGRÁFICO FOSCO, 40 CM 329</p><p>CM. NA IMAGEM, UMA DAS QUATRO FOTOGRAFIAS EXPOSTAS NA 29ª BIENAL DE ARTE DE</p><p>SÃO PAULO, EM 2010</p><p>FONTE: <https://bombmagazine.org/articles/paulo-bruscky/>. Acesso em: 29 set. 2018.</p><p>136</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>Na obra do artista Paulo Bruscky percebemos o que é arte e para que serve,</p><p>de uma maneira crítica e subjetiva. Cada espectador, ao olhar a produção, terá</p><p>uma resposta, um questionamento, uma reflexão. O artista iniciou sua carreira</p><p>publicando desenhos em jornais e depois estudou jornalismo. Sua arte indaga</p><p>sobre informação, protesto e denúncia.</p><p>DICAS</p><p>Leia “O livro de arte para criança”, da editora artmed,</p><p>escrito por Amanda Renshaw, em 2006. No livro encontramos 30</p><p>artistas que apresentam um pouco das obras de arte. Muitas obras</p><p>são pinturas, esculturas, gravuras, fotografias, instalações que</p><p>exploram a imaginação e a criatividade das crianças através da</p><p>análise de cores, formas e texturas.</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>137</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>Este plano de aula foi elaborado por participantes do programa</p><p>Educonexão, que forma professores para o uso de tecnologias digitais no processo</p><p>de ensino e aprendizagem.</p><p>Disciplinas/Áreas do Conhecimento:</p><p>• Linguagem Oral e Escrita; Linguagem Corporal; Linguagem Artística.</p><p>Competência(s)/Objetivo(s) de Aprendizagem</p><p>• Interagir com as diferentes linguagens, incluindo registros verbais e não</p><p>verbais.</p><p>• Perceber relações entre o tema e seu cotidiano.</p><p>• Desenvolver a sensibilidade, a curiosidade e o gosto pela arte.</p><p>• Ampliar os conhecimentos gerais sobre o assunto.</p><p>• Participar das atividades artísticas baseadas nas obras estudadas.</p><p>Conteúdos:</p><p>• Obras de arte de Portinari.</p><p>• Brinquedos e brincadeiras.</p><p>• Múltiplas linguagens.</p><p>Para Organizar o seu Trabalho e Saber Mais</p><p>O filme pode ser encontrado no YouTube, por meio do seguinte link:</p><p><https://youtu.be/BTs5i3PIp6I>.</p><p>A biografia de Cândido Portinari segue no link: <https://pt.wikipedia.org/</p><p>wiki/Candido_Portinari>.</p><p>É possível ao educador, também, consultar o link: <www.portinari.org.</p><p>br/> –Projeto Portinari – para saber mais de sua vida e obra.</p><p>A canção “Loja do Mestre André”, da turma Galinha Pitadinha, apresenta</p><p>os diferentes tipos de instrumentos musicais que podem ser explorados de forma</p><p>lúdica com a vida e obra de Portinari. A canção pode ser encontrada no link:</p><p><https://youtu.be/j0Q7MG3kZ0o>.</p><p>O livro literário Encontro com Portinari também pode ser adquirido pelo</p><p>link: <www.saraiva.com.br/encontro-com-portinari-5-ed-2001-brochura-3987>.</p><p>138</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>História de Cândido Portinari</p><p>Sinopse: A biografia de Portinari encontra-se em forma de documentário,</p><p>com linguagem clara e objetiva para Educação Infantil. A obra de Portinari foi</p><p>intensa e diversificada. Pintou diferentes temas: tipos regionais do Brasil, como</p><p>cangaceiros e índios; retratos; músicos; o homem do campo; e, principalmente,</p><p>crianças. Portinari adorava pintar crianças brincando, e dizia: "Sabem por que</p><p>eu pinto tanto menino em gangorra e balanço? Para botá-los no ar, feito anjos”.</p><p>Crianças brincando em mangueiras frondosas ou participantes de "peladas" de</p><p>futebol e de festas de São João, trazendo a lembrança da vida rural. A criança,</p><p>agrupada em bandos, é apresentada com roupas claras e rústicas, geralmente</p><p>em movimento, com gestos largos ou de posse de brinquedos manufaturados.</p><p>Espantalhos, pipas, luas e estrelas são elementos recorrentes que refletem o apego</p><p>à cultura rural e à paisagem do interior.</p><p>O universo infantil é povoado de elementos lúdicos, como brinquedos,</p><p>brincadeiras e jogos: “Nossos brinquedos eram variados, conforme o mês, e</p><p>também existiam os para o dia e os para a noite”. Para o dia eram: gude, pião,</p><p>arco, avião, papagaio, bilboquê, ioiô, botão, balão, malha e futebol. Para a noite:</p><p>pique, barra-manteiga, pulando carniça etc.</p><p>Ficha técnica:</p><p>Título: História de Portinari</p><p>Gênero: Documentário</p><p>Duração: 4:38 min.</p><p>Publicado por: Ines Braitt</p><p>Classificação: Livre</p><p>Ano/País de Produção: Publicado em: 26 dez. 2012/Brasil.</p><p>Proposta de Trabalho</p><p>1ª Etapa: Exibição do Filme</p><p>Antes de iniciar o trabalho, consulte os links sugeridos na aba “Para</p><p>organizar o trabalho e saber mais”.</p><p>O documentário disponível no link 1, na aba Para organizar o trabalho e</p><p>saber mais, pode ser apresentado às crianças durante um projeto de trabalho na</p><p>Educação Infantil e/ou como forma de apresentar um artista que adorava pintar</p><p>crianças brincando. É curto e objetivo, o que facilita a compreensão pelas crianças</p><p>e as atrai pelo fato de conter elementos lúdicos como brinquedos e brincadeiras.</p><p>2ª Etapa: Debate sobre o filme</p><p>Após a exibição, converse com as crianças sobre as primeiras impressões</p><p>que tiveram. Proponha que comparem a relação das brincadeiras contidas nas</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>139</p><p>obras de Portinari com as brincadeiras do cotidiano. Para suscitar o debate é</p><p>interessante retomar com o grupo:</p><p>• Quem era Cândido Portinari?</p><p>• Quais obras pintadas por ele que eles mais gostaram? Por quê?</p><p>• Que brincadeiras aparecem na biografia que eles desconhecem?</p><p>• Por que Portinari gostava de desenhar crianças brincando?</p><p>• Do que Portinari tinha medo? Por quê?</p><p>Elucidar tais questões auxiliará as crianças a compreenderem as diversas</p><p>obras pintadas pelo artista contidas no documentário e a relação entre os</p><p>brinquedos e brincadeiras de antigamente com os brinquedos e brincadeiras da</p><p>atualidade. É necessário, também, expor a questão do medo tão presente na vida</p><p>do pintor que visivelmente era retrato em suas obras. É uma boa oportunidade</p><p>para o professor ater-se aos desenhos das crianças de forma reflexiva e preventiva.</p><p>140</p><p>UNIDADE 2 | PRÁTICAS DE CRIAÇÃO NOS PROJETOS DE ENSINO DE ARTE</p><p>3º Etapa: Desenvolvimento das múltiplas linguagens</p><p>Durante o trabalho com a obra de Portinari o professor poderá auxiliar os</p><p>alunos a desenvolverem diversas linguagens:</p><p>Linguagem oral – conversa informal sobre a vida e a obra do artista, roda</p><p>de músicas, roda de conversa após realizarem o “Roteiro para o olhar” definido por</p><p>Robert William Ott. Para a leitura das imagens, existem diferentes métodos, mas</p><p>o abordado neste projeto será o roteiro criado pelo pesquisador norte-americano</p><p>Robert William Ott. Ele criou o roteiro para treinar o olhar sobre obras de arte.</p><p>Roteiro para o olhar (Robert William Ott)</p><p>1) Descrever</p><p>Para aproveitar tudo o que uma imagem pode oferecer, os olhos precisam</p><p>percorrer o objeto de estudo com atenção. Mostre a imagem e dê um tempo para</p><p>que a criança a observe cuidadosamente.</p><p>Em sala de aula, peça para que as crianças descrevam o que veem. A</p><p>partir do exercício de ver, elas poderão, posteriormente, identificar e interpretar</p><p>os detalhes visuais.</p><p>2) Analisar</p><p>É hora de perceber os detalhes. As perguntas feitas pelo professor devem</p><p>ter por objetivo estimular o aluno a prestar atenção na linguagem visual, com</p><p>seus elementos,</p><p>texturas, dimensões, materiais, suportes e técnicas.</p><p>3) Interpretar</p><p>A partir das ideias colocadas pelos alunos, o professor poderá aproveitá-</p><p>las para as possibilidades pedagógicas. Liste-as e eleja, com as crianças, as que</p><p>correspondem aos objetivos de ensino.</p><p>Todos devem ter espaço para expressar as próprias interpretações, bem</p><p>como sentimentos e emoções. Mostre outras manifestações visuais que tratem do</p><p>mesmo tema e estimule comparações (cores, formas, linhas, texturas, organização</p><p>espacial etc.).</p><p>4) Fundamentar</p><p>Com as questões definidas que balizarão o trabalho, é tarefa do aluno</p><p>buscar respostas. Elabore, junto com eles, uma lista com os aspectos que provocam</p><p>curiosidade sobre a obra, o autor, o processo de criação, a época etc. De acordo</p><p>com a faixa etária, os interesses e o nível de conhecimento da classe, ofereça textos</p><p>de diversas áreas do conhecimento para pesquisa e indique bibliografia e sites</p><p>para consulta.</p><p>TÓPICO 3 | ESPAÇOS DE PRÁTICAS ARTÍSTICAS QUE RESULTAM NO PROCESSO CRIATIVO E SUBJETIVO</p><p>141</p><p>5) Revelar</p><p>Com tantas novidades e aprendizados, a criança certamente estará</p><p>estimulada a produzir. Discuta com todas como gostariam de expor suas</p><p>ideias. Quais são e como comunicá-las? É hora de criar por meio do desenho,</p><p>encorajar a atividade criadora em grupo, experimentar com representações em</p><p>três dimensões, investigar materiais plásticos, formas, cores, texturas e linhas,</p><p>exercitar as habilidades para recorte, colagem, modelagem, pintura etc.</p><p>Linguagem Artística: Aproveite para introduzir os conceitos de cores</p><p>primárias, secundárias e terciárias (experiência com as cores), a releitura e</p><p>reprodução das obras por meio de diferentes recursos didáticos e solicitar que</p><p>criem diferentes instrumentos musicais recicláveis etc.</p><p>Linguagem Musical: Apresente os diferentes instrumentos musicais</p><p>e proponha que relacionem com a obra que Portinari pintou de seu pai Batista</p><p>tocando um instrumento. Vocês podem brincar com os instrumentos construídos</p><p>com materiais recicláveis e cantar a música: loja do mestre André (Galinha</p><p>Pitadinha), disponível no link 4, na aba Para organizar seu trabalho e saber mais,</p><p>além de buscar na internet outras músicas etc.</p><p>Linguagem Corporal: Crie, com os alunos, danças ou peças de teatro com</p><p>movimentos curtos e amplos.</p><p>Linguagem Escrita: Escrita de lista coletiva ou individual com os nomes</p><p>das brincadeiras citadas na obra e/ou outras citadas por eles. Pode pedir que</p><p>realizem pesquisas sobre os instrumentos musicais e o histórico sobre o Café no</p><p>Brasil, por exemplo.</p><p>Linguagem Lógica da Matemática: Construa a linha do tempo com as</p><p>crianças sobre a criação das obras até os dias de hoje, adição e subtração em</p><p>relação à data de nascimento e morte do pintor, conceitos de igual e diferente.</p><p>4º Etapa: Construindo um vídeo</p><p>Faça um vídeo com o aplicativo Viva Vídeo sobre a releitura das obras de</p><p>Portinari com as crianças brincando ou por meio das produções artísticas delas.</p><p>Plano de aula: Leila de Fátima Soares e Rosa Maria Matos de Lima da Silva.</p><p>E-mail: <rosa_mmls@hotmail.com>.</p><p>Edição final: Portal NET Educação</p><p>FONTE: SOARES, Leila de Fátima; SILVA, Rosa Maria Matos de Lima da. Artes plásticas: encontro</p><p>com Portinari. 2018. Disponível em: <https://www.institutonetclaroembratel.org.br/educacao/</p><p>para-ensinar/planos-de-aula/artes-plasticas-encontro-com-portinari./>. Acesso em: 10 set. 2018.</p><p>142</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>• O espaço é algo dinâmico e unitário, onde se reúnem materialidade e ação</p><p>humana. O espaço é o conjunto indissociável de sistemas de objetos, naturais</p><p>ou fabricados, e de sistemas de ações, deliberadas ou não.</p><p>• As práticas artísticas necessitam de espaços para serem desenvolvidas.</p><p>As atividades podem ser estimulantes e motivadoras, fazendo os alunos</p><p>vivenciarem experiências práticas na elaboração de projetos de artes.</p><p>• O processo criativo acontece pelas vivências e experiências adquiridas nos</p><p>vários espaços, como na escola, museus, galerias, teatros, espaços virtuais etc.</p><p>• O desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-los para que possam</p><p>descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação, estimulando sua</p><p>criatividade.</p><p>• É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações do</p><p>fazer artístico, assim, a marca pessoal de cada aluno pode surgir através do</p><p>predomínio de cores, formas, texturas ou outro elemento visual.</p><p>• A fim de estimular o estilo e a marca pessoal dos alunos, o professor de arte</p><p>precisa promover oficinas de percurso, momento de experimentação e criação</p><p>que podem constar regularmente no planejamento anual.</p><p>• A arte é subjetiva. Os conteúdos de artes trabalhados em sala de aula sempre</p><p>terão percepções diferentes, uma subjetividade que se apresenta no fazer</p><p>artístico do criador.</p><p>143</p><p>1 Sobre o processo criativo, analise os itens a seguir:</p><p>I- O processo criativo se dá no sujeito pelas vivências e experiências</p><p>adquiridas em um único espaço.</p><p>II- O processo criativo se dá no sujeito pelas vivências e experiências</p><p>adquiridas nos vários espaços.</p><p>III- É no processo criativo que os gostos e preferências aparecem nas criações</p><p>do fazer artístico.</p><p>IV- O desafio do professor é estimular os alunos, auxiliá-los para que possam</p><p>descobrir e desenvolver seu estilo próprio de criação.</p><p>Estão CORRETOS:</p><p>a) Os itens I e II.</p><p>b) Os itens I e III.</p><p>c) Os itens I, III e IV.</p><p>d) Os itens II, III e IV.</p><p>2 Sob a perspectiva de Martins, Picosque e Guerra (2010), responda à questão</p><p>correta:</p><p>a) Escolher cuidadosamente as obras, levando em consideração o repertório</p><p>dos aprendizes e o conteúdo curricular.</p><p>b) Estar consciente de que sempre a leitura da obra de arte precisa gerar</p><p>produções que a focalizam.</p><p>c) Promover visitas aos museus e galerias apenas de maneira presencial,</p><p>levando os alunos até os locais.</p><p>d) Não é preciso cuidar da apresentação das obras e nem observar o repertório</p><p>dos aprendizes.</p><p>3 Segundo Pougy (2011), referente ao conceito da criatividade, assinale a</p><p>alternativa que apresenta a sequência CORRETA:</p><p>Criatividade é a capacidade ou habilidade humana de unir elementos díspares</p><p>(imagens, sons, gestos, movimentos, ideias, conceitos e teorias) “estocados” no</p><p>________________ e na memória de quem cria. É a fonte de invenção artística,</p><p>bem como ___________ e filosófica. Quanto mais repertório, mais “matéria-</p><p>prima” de criação.</p><p>a) imaginário – científica</p><p>b) cérebro – física</p><p>c) imaginário – cotidiana</p><p>d) fazer – científica</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>144</p><p>145</p><p>UNIDADE 3</p><p>PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM</p><p>ARTES</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>PLANO DE ESTUDOS</p><p>A partir dos estudos desta unidade, você será capaz de:</p><p>● conhecer as propostas pedagógicas atuais em Artes;</p><p>● conhecer sobre a cultura visual e possíveis propostas pedagógicas;</p><p>● identificar as ferramentas e materiais que são utilizados nas aulas de</p><p>Artes.</p><p>Esta unidade de estudos será apresentada em três tópicos. Em cada um</p><p>deles, você encontrará, ao final dos tópicos, resumo e autoatividade para o</p><p>auxílio na compreensão dos conteúdos estudados.</p><p>TÓPICO 1 – PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>TÓPICO 2 – CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>TÓPICO 3 – PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E</p><p>MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>146</p><p>147</p><p>TÓPICO 1</p><p>PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste primeiro tópico serão abordadas as propostas pedagógicas atuais</p><p>em arte, trazendo sugestões de atividades para a Educação Básica, ou seja,</p><p>desde a educação infantil até o ensino médio. As atividades serão explanadas</p><p>com exemplos práticos, enfatizando os campos conceituais da arte, do ler,</p><p>contextualizar e fazer artístico.</p><p>As propostas pedagógicas de arte envolvem momentos de experiência, de</p><p>criação, de sensibilização, de interação com a obra, com o espaço e com o outro.</p><p>Assim, também se faz necessário planejar propostas pedagógicas inclusivas para</p><p>as aulas de artes, fazendo com que os alunos vivenciem as diversas manifestações</p><p>artísticas e tenham</p><p>oportunidades de conhecer e respeitar as diferenças.</p><p>Também serão abordadas as metodologias de ensino e aprendizagem,</p><p>considerando a sociointeracionista, que é a tendência atual do ensino de arte, em</p><p>que as aulas acontecem através dos campos conceituais do ler, contextualizar e</p><p>fazer artístico. Na metodologia, o professor se torna mediador em sala de aula.</p><p>2 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS DE ARTES NA EDUCAÇÃO</p><p>BÁSICA</p><p>As propostas pedagógicas de artes na educação básica devem ser</p><p>apresentadas aos alunos através de planejamentos que possam enfatizar</p><p>conceitos, períodos de arte, ou mostrando artistas e suas obras através dos campos</p><p>conceituais da arte (fazer, ler e contextualizar). Na exploração de uma proposta</p><p>é preciso ter um planejamento que contenha todas as ações, todas as atividades e</p><p>objetivos que desejamos atingir com determinada turma de alunos, enfatizando</p><p>os campos conceituais da arte.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>148</p><p>Assim, a mediação do professor é essencial para os procedimentos artísticos</p><p>realizados em sala de aula com os alunos. Como professor de arte, observe os</p><p>alunos, a faixa etária atendida e planeje temas adequados, que atendam a todos</p><p>os alunos. Como exemplo na educação infantil, a escolha das temáticas remete ao</p><p>mundo da fantasia, com atividades que exploram as brincadeiras, as histórias, os</p><p>temas como família, natureza, cotidiano etc.</p><p>Portanto, propostas pedagógicas de artes devem envolver momentos de</p><p>experiência, de criação e de interação com a obra e com tudo que faz parte dela.</p><p>Martins, Picosque e Guerra (2010) nos trazem sobre a palavra interação, que se</p><p>faz necessária em um planejamento ou projeto de escola, pois é na interação com</p><p>o outro que se constrói conhecimento, a interação do aluno com as linguagens da</p><p>arte, o seu contato direto.</p><p>Os Parâmetros Curriculares Nacionais – Arte (1997, p. 25) mencionam que</p><p>a interação envolve:</p><p>A experiência de fazer formas artísticas e tudo o que entra em jogo na</p><p>ação criadora: recursos pessoais, habilidades, pesquisa de materiais e</p><p>técnicas, a relação entre perceber, imaginar e realizar um trabalho de arte.</p><p>A experiência de fruir formas artísticas, utilizando informações e qualidades</p><p>perceptivas e imaginativas para estabelecer um contato, uma conversa em</p><p>que as formas signifiquem coisas diferentes para cada pessoa.</p><p>A experiência de refletir sobre a arte como objeto de conhecimento.</p><p>Importam dados sobre a cultura em que o trabalho artístico foi realizado,</p><p>a história da arte e os elementos e princípios formais que constituem a</p><p>produção artística, tanto de artistas quanto dos próprios alunos.</p><p>Assim, a interação em sala de aula se torna importante entre professor e</p><p>os alunos para terem os momentos de experiência através dos campos conceituais</p><p>da arte, do fazer, fruir e refletir. Tais experiências podem ser contempladas com</p><p>propostas pedagógicas que proporcionem a criação artística, com interação entre</p><p>os alunos, professores e comunidade, trazendo uma aprendizagem significativa.</p><p>A criação artística envolve aprendizagem. Todo fazedor de arte se</p><p>forma trabalhando em processos de criação, com as informações,</p><p>deformações e formações que os atos de criação propõem durante a</p><p>procura incansável de uma poética pessoal de tal forma que, enquanto</p><p>a obra se faz, se inventa o seu próprio modo de fazer (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 192).</p><p>Para tanto, as experiências artísticas que são planejadas no ensino de artes</p><p>ampliam o olhar do aluno, seu pensamento criativo e imagético, e assim, seu</p><p>próprio percurso artístico, o seu fazer com marcas pessoais e tudo isso acontece</p><p>por um processo, um percurso no qual surgem ideias e muita invenção, não tendo</p><p>lugar para o permanente.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>149</p><p>A processualidade se faz no percurso e no modo como o percurso é</p><p>percorrido. Nas condições, professor e aprendizes vivem uma vida</p><p>pedagógica que poderíamos nomear de nômade, porque não há lugar</p><p>para ideias de permanência ou estabilidade. Ou seja, o aprender-</p><p>ensinar deixa de ser tarefa entediante de execução e reprodução de</p><p>saberes para vir a ser um ato de investigação, de invenção (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 201).</p><p>Propostas pedagógicas em artes podem ser planejadas e executadas por</p><p>meio de conexões transdisciplinares, isto é, organizando um mapa conceitual ou</p><p>uma cartografia com intenções, fazendo conexões entre os conteúdos e até com</p><p>outras áreas do conhecimento.</p><p>Assim, conteúdos e conceitos de arte podem ser relacionados com outras</p><p>áreas do conhecimento, como estudar o período de arte rupestre nas aulas de</p><p>artes junto com as disciplinas de história e geografia, cartografando e mapeando</p><p>outros caminhos de aprendizagem.</p><p>Cartografar seu próprio fazer pedagógico, como um professor-</p><p>propositor, é elevar-se à condição de criador dos próprios percursos</p><p>de aprendizagem junto aos alunos, de tecer a coautoria do seu pensar/</p><p>fazer pedagógico com escolha de caminhos que possam abrigar e</p><p>expressar também os desejos de seus alunos (MARTINS; PICOSQUE;</p><p>GUERRA, 2010, p. 195).</p><p>Assim, desenvolver planejamentos através de uma cartografia, de um</p><p>mapa conceitual com ações possíveis, mas não fixas e únicas, de maneira que não</p><p>sejam ideias permanentes, são possibilidades. O professor precisa estar aberto</p><p>ao diálogo, à aceitação do novo e sujeito a mudanças de percurso, de caminhos</p><p>a seguir nas ações da sala de aula. O professor planeja os conteúdos para sua</p><p>turma, organiza as propostas pedagógicas e precisa estar disposto a abrigar</p><p>outras sugestões dos próprios alunos no percorrer das aulas de artes.</p><p>Na figura a seguir, temos um exemplo de mapa conceitual que trata dos</p><p>caminhos que a arte percorreu por meio dos movimentos artísticos, trazendo</p><p>rupturas históricas através da ciência, tecnologia e, ainda, as influências do</p><p>patrimônio histórico da humanidade. Os mapas conceituais são utilizados para</p><p>registrar os principais conceitos de determinado tema e, assim, de maneira visual</p><p>é mais fácil entender o assunto a ser estudado.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>150</p><p>FIGURA 1 – EXEMPLO DE UM MAPA CONCEITUAL DE ARTE</p><p>FONTE: <https://photos1.blogger.com/blogger/6659/3207/1600/Noemicursop%3F%3Fs%20</p><p>-%20Arte%20e%20Tecnologia2.1.jpg>. Acesso em: 20 out. 2018.</p><p>Com o exemplo de mapa conceitual ilustrado anteriormente, você, acadêmico</p><p>e futuro professor, poderá organizar seu planejamento através de anotações simples.</p><p>É uma atividade que instigará seus conhecimentos na área artística, fazendo ligações</p><p>por meio de conceitos, obras e artistas de uma maneira clara e objetiva.</p><p>DICAS</p><p>Caro acadêmico! Tente desenvolver um mapa conceitual de arte organizando as</p><p>ações/conteúdos que deseja aplicar em uma turma de alunos. Escolha um tema e faça o exercício.</p><p>A seguir, conheça várias propostas pedagógicas de artes para a educação</p><p>básica que irão enfatizar os campos conceituais da arte no planejamento e nas</p><p>ações das aulas.</p><p>• Pensando na educação infantil</p><p>As propostas pedagógicas de artes na educação infantil são planejadas a</p><p>partir dos vários estímulos que as crianças necessitam por meio das experiências</p><p>que as linguagens artísticas possibilitam. O professor de arte interage e faz</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>151</p><p>mediação a partir das propostas, incentivando a criança em suas diversas formas</p><p>de expressão. Esta adquire seus conhecimentos em arte, desenvolve o pensamento</p><p>criativo e estético, além da formação afetiva, social e intelectual.</p><p>Como professor de arte, é importante ter o cuidado de não fazer</p><p>comparações entre os alunos ou selecionar trabalhos que valorizam apenas os que</p><p>se destacaram em suas produções artísticas. Todas as crianças têm condições de</p><p>se expressar através das linguagens visuais: cada uma do seu jeito, com seu ritmo,</p><p>deixando suas próprias marcas e, por isso, devem ter suas produções artísticas</p><p>respeitadas e valorizadas (BRASIL, 2006).</p><p>Na educação infantil, é preciso analisar as atividades</p><p>apresentadas para</p><p>cada faixa etária, ou seja, não realizar atividades muito complexas em que as</p><p>crianças terão dificuldade de realização e compreensão. Assim, é interessante</p><p>desenvolver propostas pedagógicas que utilizem materiais como o giz de</p><p>cera, tintas atóxicas, colagem de papéis, rasgadura de papéis, modelagem com</p><p>massinha etc. Quando realizar atividades em grupo, desenvolver a proposta</p><p>envolvendo todos os alunos, podendo ser um aluno de cada vez, desde que todos</p><p>participem do processo de criação coletiva.</p><p>A arte na educação infantil contribui para o desenvolvimento da criança,</p><p>e as emoções são reveladas através do fazer artístico dos desenhos, das pinturas,</p><p>das colagens ou de modelagens. Na educação infantil é preciso o equilíbrio nas</p><p>propostas pedagógicas, isto é, deixar as crianças terem momentos de trabalhos/</p><p>desenhos livres, mas também com atividades que sejam mediadas a partir da</p><p>inspiração em conceitos artísticos e/ou obras de arte.</p><p>Cada criança cria sua arte, manifesta suas marcas, seus gostos em seu</p><p>fazer artístico. As crianças têm acesso à arte desde pequenas, muitas vezes não</p><p>intencional, por meio das músicas cantadas pelos familiares, dos desenhos, das</p><p>brincadeiras, dos vídeos, dos jogos, das contações de estórias, e vivenciam cores,</p><p>formas ou traços sem saber identificá-los.</p><p>Por meio de diálogos, apresentação de imagens e análise de ilustrações</p><p>(reproduções gráficas), objetos etc., e usando uma linguagem acessível,</p><p>é possível explicar às crianças de todas as idades as técnicas, o jeito de</p><p>ver o mundo e (se for o caso) as maneiras de que se valem os artistas</p><p>para produzi-las (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 179).</p><p>O lúdico e a fantasia fazem parte das aulas de artes. Propostas pedagógicas</p><p>podem contemplar tais momentos com as crianças através da criação artística.</p><p>Assim, é possível verificar o processo criativo expresso no desenho pelos</p><p>sentimentos compartilhados oralmente pela criança.</p><p>Muitas vezes, após a criação dos desenhos, quando o professor estimula</p><p>a apresentação oral, as crianças costumam dialogar com as suas criações e, é no</p><p>momento, que elas usam sua imaginação e fantasia para explicar e falar sobre a sua</p><p>produção. Assim, “o fazer e a apreciação em cada uma das linguagens artísticas</p><p>devem estar ligados a atividades criativas e lúdicas” (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 172).</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>152</p><p>Na educação infantil, o ensino de arte oferece momentos de descobertas</p><p>através de experiências e vivências com atividades que utilizam materiais como</p><p>tintas, pincéis, massa de modelar, giz, lápis, pois são muito atraentes para as</p><p>crianças pequenas. Por meio do manuseio de tais materiais é possível desenvolver</p><p>percepções sensíveis.</p><p>Nas crianças, desde bebês, a sensibilidade de cores, formas, sons</p><p>e movimentos é bem nítida e está sempre presente [...]. Todos,</p><p>indistintamente, são perfeitamente capazes de selecionar formas e</p><p>objetos que são prazerosos e que mais atraem (FERRAZ; FUSARI,</p><p>2009, p. 172).</p><p>Na educação infantil os elementos da linguagem visual podem ser</p><p>muito explorados em diversas atividades. Pensar em propostas pedagógicas,</p><p>que contemplam o uso de cores e suas misturas, pode ocasionar a experiência</p><p>da transformação das cores. Lembrar que, ao trabalhar uma atividade artística</p><p>com as crianças pequenas, sempre é bom trazer um exemplo, uma prática</p><p>já desenvolvida. Isto não quer dizer que exemplos sejam modelos para serem</p><p>seguidos e sim, tornam-se uma ampliação do repertório visual através de cores,</p><p>formas, linhas, expressões.</p><p>Como professor de arte é necessário também apresentar uma variedade</p><p>de imagens do cotidiano, de obras de arte, além de oportunizar a exploração de</p><p>elementos visuais, pois ajudam a criança na sua inicial formação estética artística.</p><p>Antes dos 3 anos a criança já sabe o que é desenhar, pintar, cantar,</p><p>dançar e tais conceitos constituem-se no primeiro repertório de arte. Da</p><p>idade em diante, nota-se que elas também sabem manifestar opiniões</p><p>estéticas de gostar, desgostar, achar bonito, feio. Nós, professores, é</p><p>que devemos saber como dar continuidade a esse início de formação</p><p>artística e estética (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 173).</p><p>Portanto, ao explorarmos atividades que usam diferentes técnicas como</p><p>pintura, colagem e gravura, podemos perceber o uso de cores, formas e texturas. Assim</p><p>com a busca de uma construção formal por meio de recortes, rasgos</p><p>e junções, os educandos exercitam o olhar, a coordenação motora e</p><p>vivenciam suas composições. O percurso individual de cada criança</p><p>ficará evidente quando o docente tiver clareza das ações que foram</p><p>utilizadas nas atividades de perceber, expressar e comunicar as formas</p><p>visivas (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 178).</p><p>Outro aspecto a se destacar nas aulas de artes na educação infantil são os</p><p>estímulos às expressões e sensações. A pintura com tintas, utilizando pincéis, é</p><p>uma técnica que permite observar os sentimentos e as expressões das crianças em</p><p>suas criações.</p><p>A seguir serão apresentadas sugestões de diversas atividades que podem</p><p>ser aplicadas na educação infantil considerando conceitos artísticos.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>153</p><p>• Objetivos:</p><p>- Conhecer materiais diversos.</p><p>- Conhecer e manipular suportes e agentes gráficos.</p><p>- Explorar diversas texturas.</p><p>- Adquirir habilidades com materiais diversos.</p><p>- Aprender técnicas variadas de pintura e impressão.</p><p>• Atividades:</p><p> Apresentar o papel sulfite e o que se pode fazer com a folha de papel: abanar,</p><p>dobrar, proteger, acenar, usar para banho, lavar, torcer, tocar música, fazer um</p><p>chapéu etc.</p><p> Apresentar diversos tipos de papéis para perceber a textura, o barulho que</p><p>cada um faz e identificar as sensações.</p><p> Transformar o papel em um objeto. Motivar através de uma história e concluir</p><p>colocando o objeto criado.</p><p> Criar desenhos a partir de histórias contadas.</p><p> Usar a folha sulfite branca e dar uma forma colorida usando tinta. Dobrar o</p><p>papel e ver a imagem que forma.</p><p> Montar uma imagem com os papéis usados.</p><p> Criar gravuras na areia, farinha etc. com a própria mão ou utilizando palitos.</p><p>Transportar a areia ou similar para o papel.</p><p> Desenhar com giz de lousa no chão (formas figurativas geométricas etc.). Criar</p><p>brincadeiras e jogos com os desenhos.</p><p> Pintar com giz de cera as cores primárias no papel kraft.</p><p> Desenhar com giz de cera no papel sulfite branco, colorido, camurça, crepon.</p><p>Comparar as diferenças.</p><p> Pintar as cores primárias com diferentes brochinhas sobre o papel.</p><p> Pintar com os dedos, fazendo representações no papel.</p><p> Pintar com cola colorida em papéis diversos.</p><p> Rasgadura de papel com a mão, de diferentes formas, e colar no papel branco.</p><p> Contornar a mão na folha sulfite e colar papel colorido fazendo um mosaico.</p><p> Criar formas com diferentes papéis utilizando várias técnicas como: dobraduras,</p><p>recortes, colagens.</p><p> Misturar as cores usando cola colorida sobre o papel branco.</p><p> Colar materiais diversos (semente, algodão, palitos, botões, folhas, barbantes)</p><p>em papéis diferentes.</p><p> Modelar com massa própria e/ou argila.</p><p> Estampar com carimbos feitos com legumes.</p><p> Carimbar com materiais como algodão, pedações de madeira etc.</p><p> Pintar usando cotonetes.</p><p> Criar a técnica da monotipia utilizando a matriz no azulejo e impressão no papel.</p><p> Imprimir com rolinhos de espuma, formando desenhos abstratos.</p><p> Pintar utilizando barbantes.</p><p> Criar desenhos e pinturas em painel coletivo explorando formas, linhas e cores.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>154</p><p>Todas as atividades que foram apresentadas no planejamento de artes</p><p>devem ser pensadas de maneira contextualizada, isto é, quando realizar uma</p><p>pintura na tela, dependendo do mês da atividade que ela será aplicada, podemos</p><p>trabalhar a mistura de cores, o gênero da natureza morta (desenhando flores)</p><p>e até realizar a pintura para, posteriormente, presentear em alguma data</p><p>comemorativa. Assim é necessário realizar as propostas pedagógicas através dos</p><p>campos conceituais</p><p>da arte, ou seja, do ler, do contextualizar e do fazer artístico.</p><p>Na imagem a seguir, encontra-se um exemplo de atividade lúdica, que</p><p>explora um jogo de equilíbrio, de coordenação, de atenção, de observação entre a</p><p>cor da parede com o chão. O aluno precisa ligar seu corpo com as cores.</p><p>FIGURA 2 – JOGO DO CORPO E DAS CORES</p><p>FONTE: <http://www.criandocomapego.com/60-jogos-educativos-para-ensinar-as-cores-as-</p><p>criancas/o-corpo-e-as-cores/>. Acesso em: 20 out. 2018.</p><p>Atividades que trazem o jogo e a brincadeira abrem novas possibilidades</p><p>de conhecimento aos alunos. Assim, é importante criar jogos que enfatizam</p><p>elementos visuais. Um jogo como o quebra-cabeça, por exemplo, revela imagens</p><p>de obras de arte, também é boa opção para garantir uma aula de arte interessante</p><p>e com muita aprendizagem.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>155</p><p>DICAS</p><p>Caro acadêmico! Aproveite e baixe o aplicativo “Pinterest” em seu celular ou</p><p>acesse pelo computador a página virtual. O espaço contempla muitas atividades artísticas</p><p>que podem inspirar as suas propostas pedagógicas como professor de artes! Lembre-se dos</p><p>campos conceituais da arte em cada atividade realizada. Acesse: <https://br.pinterest.com/</p><p>explore/atividades-de-artes-visuais/>.</p><p>A releitura também é uma proposta pedagógica em artes que é feita por</p><p>meio de uma nova interpretação, mantendo o tema original da imagem. Assim,</p><p>a releitura não é fazer uma cópia do que já está criado, mas é ler novamente a</p><p>imagem escolhida através de um novo contexto, realizar a compreensão da obra</p><p>e criar uma produção artística, um novo trabalho, ou seja, desenvolver uma nova</p><p>criação. Na releitura não é necessário utilizar a mesma técnica usada pelo artista</p><p>na obra original, desta forma, deve-se exercitar a criatividade.</p><p>• Proposta prática: dobradura do barco – releitura da obra do artista Alfredo Volpi</p><p>Trazer a obra intitulada “Barco com bandeiras e pássaros” do artista</p><p>Alfredo Volpi e instigar as crianças a observarem e falarem oralmente sobre o que</p><p>elas estão vendo, como observam as cores, as formas, as figuras, ou seja, explorar</p><p>os signos visuais da imagem.</p><p>FIGURA 3 – OBRA BARCO COM BANDEIRINHAS E PÁSSAROS (1950), DE ALFREDO VOLPI.</p><p>TÊMPERA SOBRE TELA, 54.20 CM X 73.00 CM, COLEÇÃO MUSEU DE</p><p>FONTE: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra1783/barco-com-bandeirinhas-e-passaros>.</p><p>Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>156</p><p>● Como professor, levar uma folha A3 e realizar a dobradura do barco com todas</p><p>as crianças visualizando o fazer artístico, o passo a passo da dobradura. O</p><p>professor fará apenas uma dobradura maior para, assim, todos compreenderem</p><p>e visualizarem o barco de papel.</p><p>● Em um passe de mágica, lembrando de maneira lúdica, retirar, de uma caixa ou</p><p>bolsa, vários barcos menores já feitos antes, pois na idade como o maternal (2-3</p><p>anos) e jardim (4 anos), as crianças ainda não conseguem fazer as dobraduras</p><p>sozinhas.</p><p>● Cada criança retira o seu barco da caixa mágica e decora sua dobradura,</p><p>pintando, desenhando e fazendo também colagem de bandeirinhas.</p><p>● A exposição deve ser montada com todas as crianças participando, levando seu</p><p>barco no espaço proposto pelo professor.</p><p>● Realizar uma conversa informal, olhando a obra do artista com o resultado</p><p>dos barcos das crianças, fazendo relações, observando as semelhanças com a</p><p>produção do artista Alfredo Volpi.</p><p>● Criar uma exposição com os trabalhos dos alunos. Pode ser feita em forma de</p><p>instalação ou sobre alguma base.</p><p>FIGURA 4 – EXPOSIÇÃO DOS BARCOS DE PAPEL</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>• Proposta prática: Obra Viva – interpretando uma obra de arte</p><p>● Inicie a conversa com os alunos sobre uma folha de papel A3: que cor é a folha</p><p>que a professora tem? Ela está na horizontal e/ou vertical? (de maneira lúdica,</p><p>conversar que horizontal lembra de deitado e vertical é estar de pé, assim,</p><p>podemos pedir para as crianças que fiquem de pé ou deitem-se, mostrando a</p><p>folha nas posições como se fosse uma brincadeira).</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>157</p><p>● Nesta atividade, a folha A3 será utilizada para fazer uma dobradura do</p><p>chapéu. Nos passos da dobradura aparecerá a forma triângulo que poderá ser</p><p>enfatizada, e assim, mostrando aos alunos o passo a passo.</p><p>● Traga as dobraduras de chapéu já prontas para, assim, cada criança receber</p><p>o seu chapéu de papel. Lembrando que crianças de 2, 3 e 4 anos ainda não</p><p>conseguem realizar as suas dobraduras.</p><p>● Brinque com o chapéu de papel, instigando as crianças sobre quem usa, para</p><p>que serve o chapéu, quem tem o chapéu em casa. Provavelmente algumas</p><p>crianças irão lembrar do chapéu, que é cantado na música marcha soldado.</p><p>● Cante a música: “Marcha soldado”, caminhando pela sala, em fila com os</p><p>alunos, segurando o chapéu sobre a cabeça, brincando de maneira lúdica.</p><p>● Mostre a obra “Menino com pião” e instigue os alunos a pensarem sobre a</p><p>imagem: o que aparece na imagem? O menino está triste ou alegre? Está em</p><p>pé ou sentado? Quais objetos aparecem na imagem? O que ele está segurando?</p><p>Está de chapéu? Como é o chapéu?</p><p>FIGURA 5 – OBRA MENINO COM PIÃO (1947) DO ARTISTA CANDIDO PORTINARI</p><p>FONTE: <https://www.arteeeducacao.net/candido-portinari---httpwww/menino-com-</p><p>piao---1947---.html>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>● Peça às crianças para escolherem um brinquedo de que gostam, um brinquedo</p><p>da escola.</p><p>● Chame cada criança com seu brinquedo e seu chapéu e peça para encenar,</p><p>sentar na cadeira e observar seu brinquedo. Registre a cena com uma câmera</p><p>fotográfica (pode ser a do celular).</p><p>● Sugestão: com as fotos feitas, é possível editá-las, alterando a cor da imagem</p><p>para representar, da forma mais parecida possível, a obra de arte. Após, faça</p><p>uma exposição das fotografias.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>158</p><p>As atividades que foram citadas trazem um pouco do conceito de</p><p>ressignificação, isto é, um elemento muito importante para o processo criativo.</p><p>Ressignificar uma imagem, uma obra de arte é poder atribuir novos significados,</p><p>dependendo do contexto que os alunos estão vivenciando.</p><p>DICAS</p><p>Livro: A rainha das cores (2003). A</p><p>autora do livro é Jutta Bauer, que realizou ilustrações</p><p>com giz de cera, publicado pela editora Cosac</p><p>Naify e premiado na Alemanha. Um livro infantil</p><p>que mostra as cores, enfatizando os diferentes</p><p>momentos que passamos em nossas vidas, como a</p><p>tristeza e a alegria. O livro convida para uma reflexão</p><p>por meio das cores, como ficar vermelho de raiva ou</p><p>cinza de triste.</p><p>Podemos encontrar o livro na íntegra no site a seguir.</p><p>FONTE:<https://pt.slideshare.net/cruchinho/a-rainha-das-cores-100441683?from_action</p><p>=save>. Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>• Ensino fundamental</p><p>No ensino fundamental, o atendimento dos alunos é do 1º ao 9º ano, sendo</p><p>que o percurso de criação pessoal só é desenvolvido através de uma variedade</p><p>de experiências artísticas que consideram a observação e a análise das diferentes</p><p>imagens e obras de arte, bem como o estudo de conceitos e de contato com as</p><p>linguagens artísticas.</p><p>Assim, o professor é o responsável nas escolhas de conceitos e materiais</p><p>que apresenta em sala de aula, observando também os interesses dos alunos e o</p><p>que a escola oferece de recursos. As propostas pedagógicas em artes no ensino</p><p>fundamental devem ser organizadas observando a faixa etária dos alunos para o</p><p>desenvolvimento de atividades que se apresentam através dos campos conceituais</p><p>da arte (ler, fazer e contextualizar). Vamos conhecer algumas sugestões de propostas.</p><p>Intervenção com fragmento de imagem ou obra de artista</p><p>Estudar com os alunos o conceito de intervenção é mostrar as diversas</p><p>possibilidades de criação artística. Assim, as intervenções são manifestações</p><p>artísticas que podem ser feitas em imagens, obras de arte, ou ainda, em espaços</p><p>urbanos que interagem com objetos e pessoas.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>159</p><p>DICAS</p><p>Leia mais sobre intervenção urbana utilizando espaços públicos. FONTE:</p><p><https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/intervencao-artistica-urbana/>.</p><p>Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>Como uma atividade de intervenção, utilize, com os alunos, fragmentos de</p><p>uma obra de um artista (podem ser fotocópias da imagem). Os alunos irão criar novos</p><p>contextos iniciando pelo fragmento. Peça para os alunos relacionarem suas criações</p><p>de intervenção com o intertexto, isto é, irão procurar imagens que façam relação com</p><p>a obra ou fragmento, verificando as semelhanças. A proposta prática também pode</p><p>ser realizada através de imagens de revistas ou dos livros da literatura.</p><p>Para exemplificar, será apresentada a intervenção de imagem criada pelo</p><p>artista de rua britânico Banksy (1974).</p><p>FIGURA 6 – INTERVENÇÃO ARTÍSTICA EM UMA OBRA DE ARTE FEITA PELO ARTISTA BANKSY</p><p>FONTE: <http://www.banksy.co.uk/in.asp>. Acesso em: 22 dez. 2018.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>160</p><p>O artista Banksy desenvolveu intervenções artísticas em imagens,</p><p>refletindo criticamente temas que revelam a autoridade e o poder, e em relação a</p><p>assuntos sociais, políticos e comportamentais. O artista busca provocar reflexões</p><p>em seus observadores por meio das suas criações. Que tal propor aos alunos</p><p>pequenas intervenções diretamente em imagens de revistas, dizendo que poderão</p><p>desenhar sobre ela e pintar?</p><p>• Criando trajes caipiras ou das diferentes festas populares regionais</p><p>Como leitura e contextualização, apresente o conteúdo sobre a arte Naif</p><p>para alunos do 1º ao 6º ano do ensino fundamental (fale sobre a simplicidade da</p><p>arte, o seu colorido). Mostre diversas obras de artistas brasileiros e contextualize</p><p>com as de sua região, relacionando e observando as festas locais, suas tradições e</p><p>costumes, bem como os trajes (roupas) usados.</p><p>Observando a obra “Festa de São João”, do artista Nerival Rodrigues da</p><p>Silva, podem-se perceber o colorido e os detalhes nas vestimentas dos personagens.</p><p>FIGURA 7 – OBRA: FESTA DE SÃO JOÃO – ARTE NAIF DO ARTISTA NERIVAL RODRIGUES</p><p>FONTE: <https://criandoartecommagia.blogspot.com/2013/06/trabalhando-obras-de-arte-na-</p><p>festa.html>. Acesso em: 20 dez. 2018.</p><p>Como proposta pedagógica sugere-se a criação de um boneco que evidencie</p><p>a cultura e os costumes de um determinado povo por meio das vestimentas. O</p><p>boneco pode ser feito usando uma base (molde de figura humana). Assim, os alunos</p><p>fazem o preenchimento desenhando os detalhes do rosto e criando sua roupa.</p><p>Os trajes são feitos com colagem de retalhos de tecido, pedaços de papel</p><p>colorido, botões, sementes, lantejoulas ou outros materiais que a escola e os alunos</p><p>dispuserem. As atividades podem ser individuais ou coletivas, e um aluno poderá</p><p>deitar sobre o papel pardo, contornar seu corpo e, quando o desenho da silhueta</p><p>estiver pronto, realizar a colagem fazendo o preenchimento de uma roupa.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>161</p><p>FIGURA 8 – CRIANDO TRAJES CAIPIRAS OU DAS DIFERENTES FESTAS REGIONAIS</p><p>(ATIVIDADE INDIVIDUAL)</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>FIGURA 9 – TRAJES CAIPIRAS GIGANTES (TAMANHO DO ALUNO – ATIVIDADE COLETIVA)</p><p>• Painel coletivo de animais</p><p>A proposta prática pode ser realizada com os alunos dos 2º e 3º anos do ensino</p><p>fundamental. Como leitura e contextualização, apresentar a obra “Animais entrando</p><p>na Arca de Noé” e conhecer a vida do artista italiano Jacopo Bassano (1510-1592).</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>162</p><p>FIGURA 10 – OS ANIMAIS ENTRANDO NA ARCA DE NOÉ, 1570. JACOPO BASSANO</p><p>FONTE: <https://institutopoimenica.com/2012/09/30/os-animais-entrando-na-arca-de-no-</p><p>jacopo-bassano/>. Acesso em: 20 out. 2018.</p><p>Desde jovem, o artista Jacopo Bassano revelou-se um excelente desenhista</p><p>e sempre utilizava giz de cores vivas em suas obras para ajudar a colorir. Na obra,</p><p>o artista mostra Noé, sua família e os bichos entrando, aos pares, na arca, antes</p><p>do amanhecer. A arca, contudo, não é o elemento principal dessa composição.</p><p>O enfoque total é dado aos animais que atingem a perfeição com as cores e o</p><p>movimento de vivacidade que o artista deu a cada espécie. Bassano deve ter</p><p>estudado minuciosamente a anatomia desses seres para pintá-los com tamanha</p><p>perfeição. A pintura é relacionada com a história da bíblia do dilúvio. Noé constrói</p><p>uma barca e salva levando um casal de cada animal.</p><p>Inicialmente, na proposta pedagógica, é importante realizar a leitura de</p><p>imagem por meio de questionamentos: quantos animais diferentes são possíveis</p><p>ver no quadro? Será possível que todos os animais estejam juntos em um mesmo</p><p>lugar? Será que não iriam brigar uns com os outros? Como são os animais hoje em</p><p>dia? Podem ficar todos juntos? Quais animais são calmos e quais são agitados?</p><p>Será que o artista pintou todos os animais do mundo? Quais estão faltando? Você</p><p>tem animais em sua casa? Quais são esses animais? Você gosta de animais? De</p><p>quais animais você mais gosta?</p><p>Depois da conversa realizada com a turma sobre a obra, é possível realizar</p><p>um painel coletivo, no qual cada aluno desenha um animal que gostaria que</p><p>fizesse parte da arca, que fosse salvo do dilúvio que cobriu a Terra. Desenhar o</p><p>animal em papel, pintar e recortar. Montar coletivamente o painel em um mural.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>163</p><p>FIGURA 11 – FRAGMENTO DO PAINEL COLETIVO</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>• Releitura da obra Monalisa através de um vídeo de animação</p><p>Como proposta prática sugere-se a técnica de stop motion, que pode ser</p><p>realizada com os alunos dos 7º, 8º e 9º anos do ensino fundamental. Como leitura</p><p>e contextualização, apresentar a obra Monalisa, do artista Leonardo da Vinci,</p><p>explorando a vida do artista, a leitura de imagem e os dados da obra.</p><p>Para a contextualização e seu fazer artístico, instigar os alunos a criarem</p><p>uma Monalisa dos tempos atuais: como seria a Monalisa nos dias de hoje?</p><p>Quais roupas ela usaria? Como seria seu cabelo (cor, corte, penteado)? Usaria</p><p>maquiagem? Usaria algum acessório? Como seria a paisagem de fundo da obra?</p><p>Após a análise, os alunos poderão criar roupas e acessórios para a sua</p><p>Monalisa, mas sempre mantendo a estrutura básica da obra. Para a criação da</p><p>releitura, faz-se o desenho de retrato da Monalisa e acessórios e outros objetos</p><p>separadamente (peças recortadas). Para realizar um vídeo de animação da obra</p><p>de arte com a técnica do stop motion, é preciso fazer as fotos uma a uma com</p><p>pequenas alterações na cena principal, isto é, fotos mostrando o desenho da</p><p>Monalisa e, aos poucos, entram na cena os detalhes nos cabelos com acessórios,</p><p>como podemos observar no exemplo a seguir.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>164</p><p>FIGURA 12 – TÉCNICA DE ANIMAÇÃO - STOP MOTION - RELEITURA DA OBRA MONALISA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>Contudo, o que seriam animações usando a Técnica Stop Motion? Stop Motion</p><p>(termo que pode ser traduzido como “movimento parado”) é uma técnica cinematográfica que</p><p>utiliza a disposição sequencial de diferentes fotografias de um objeto, simulando seu movimento.</p><p>Cada fotografia, comumente chamada de quadro, difere minimamente da anterior, e</p><p>geralmente são tiradas por uma câmera estática. O que deve ser movido é o objeto em</p><p>questão. Na verdade, o movimento produzido pela técnica, nada mais é do que uma ilusão</p><p>de óptica. FONTE: <https://recursoscomputacionais.wordpress.com/2011/04/14/a-tecnica-</p><p>do-stop-motion/>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>Pesquise e leia mais nos seguintes links:</p><p><https://pt.wikihow.com/Criar-uma-Anima%C3%A7%C3%A3o-em-Stop-Motion>.</p><p><https://novaescola.org.br/conteudo/5746/como-fazer-animacoes-stop-motion>.</p><p><http://www.cafecomgalo.com.br/a-tecnica-do-stop-motion/>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Neste exemplo, temos apenas algumas fotos para mostrar o processo da</p><p>técnica da animação, mas para ser um vídeo é preciso de muitas fotografias para</p><p>assim mostrar o movimento, os acontecimentos na imagem.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>165</p><p>• Artista: Max Ernst e a técnica da frottage</p><p>A proposta prática da técnica da frottage pode ser realizada com alunos</p><p>dos 1º aos 5º anos do ensino fundamental. A técnica da frottage</p><p>é usada para obter</p><p>as diferentes texturas e marcas sobre uma superfície por meio da fricção, ou seja,</p><p>é necessário esfregar com lápis ou giz colocando a folha sobre um local e, assim,</p><p>obter os contornos e relevos existentes.</p><p>Como leitura e contextualização, apresentar o artista Max Ernst (1891-</p><p>1976), que empregou a técnica em suas pinturas em tela, utilizando tecidos</p><p>rugosos ou outras marcas como das folhas. O artista Max, que foi percursor da</p><p>técnica, reinventou outra forma de expressão.</p><p>FIGURA 13 – OBRA O EVADIDO (1925), HISTÓRIA NATURAL, FOLHA 30, FROTTAGE,</p><p>LÁPIS S/ PAPEL MAX ERNST</p><p>FONTE: <http://shortyart.blogspot.com/2013/02/frottage.html>. Acesso em: 17 out. 2018.</p><p>Para vivenciar a experiência da frottage, no fazer artístico, pode-se realizar</p><p>a técnica com papéis e giz de cera, buscando texturas/marcas pelo espaço da</p><p>escola. Também é possível a frottage em tecidos, como mostra a figura a seguir:</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>166</p><p>FIGURA 14 – FROTTAGE EM TECIDO</p><p>FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/495607133986135496/>. Acesso em: 21 out. 2018.</p><p>Nas criações foram usadas texturas e marcas da cidade, isto é, as tampas</p><p>de bueiro ou paredes de um muro. Nos exemplos, é preciso passar a tinta (tecido</p><p>ou outra) com um rolinho sobre o local e pressionar o tecido sobre as marcas,</p><p>esfregando para retirar o desenho de maneira impressa.</p><p>• Artista: Sebastião Salgado e as fotografias</p><p>Nesta proposta prática, o estudo do artista e suas obras podem ser</p><p>apresentados nas turmas de 6º ao 9º ano. Como leitura e contextualização,</p><p>apresentar as fotografias do artista Sebastião Salgado, bem como explanar sobre</p><p>a sua vida e carreira profissional. O artista Sebastião Salgado é um fotógrafo</p><p>conhecido mundialmente com suas fotografias em preto e branco, nascido em</p><p>Aimorés (MG), em 1944.</p><p>Como sugestão, assista ao vídeo produzido pelo instituto Arte Na Escola,</p><p>de Sebastião Salgado: cidadão do mundo. FONTE: <http://artenaescola.org.br/dvdteca/</p><p>catalogo/dvd/48/>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>No vídeo, as fotografias mostram as diferentes migrações, povos que todos os dias estão</p><p>fugindo de guerras, migrando para outros lugares legalmente ou ilegalmente. Leia mais</p><p>e baixe o material educativo sobre o artista. FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/</p><p>dvdteca/pdf/arq_pdf_48.pdf>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>UNI</p><p>Para o fazer artístico temos vários caminhos, como pedir aos alunos para</p><p>fazerem fotos em preto e branco com seus celulares mostrando seu bairro, suas</p><p>casas, ou seja, a realidade em que vivem.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>167</p><p>Outra possibilidade de atividade é criar um fanzine com fotografias da</p><p>vida do aluno (cópias de xerox) e recortes de revistas que apresentem um pouco</p><p>da vida do aluno, isto é, seus gostos, sua família, sua idade ou o local onde nasceu.</p><p>Você sabe o que é fanzine (ou zine para os íntimos)? É toda publicação feita</p><p>pelo fã. Seu nome vem da contração de duas palavras inglesas e significa, literalmente,</p><p>“revista do fã” (fanatic magazine).</p><p>Alguns estudiosos do assunto consideram fanzine somente a publicação que traz textos,</p><p>informações, matérias sobre algum assunto. Quando a publicação traz produção artística</p><p>inédita seria chamada revista alternativa. No entanto, o termo fanzine se disseminou de tal</p><p>forma que hoje engloba todo tipo de publicação que tenha caráter amador, que seja feita</p><p>sem intenção de lucro, pela simples paixão pelo assunto enfocado.</p><p>Assim são fanzines as publicações que trazem textos diversos, histórias em quadrinhos,</p><p>reprodução de HQs antigas, poesias, divulgação de bandas independentes, contos,</p><p>colagens, experimentações gráficas, enfim, tudo que o editor julgar interessante. Os fanzines</p><p>são o resultado da iniciativa e esforço de pessoas que se propõem a veicular produções</p><p>artísticas ou informações, que possam ser reproduzidas e enviadas a outras pessoas, fora</p><p>das estruturas comerciais de produção cultural. FONTE: <https://fanzineexpo.wordpress.</p><p>com/o-que-e-fanzine/>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>IMPORTANTE</p><p>A criação artística poderá ter frases, letras de músicas e desenhos, tudo que</p><p>remeta ao aluno que está produzindo seu fanzine. Para a produção do material,</p><p>serão necessárias apenas uma folha A4 ou A3 e uma tesoura ou estilete para o</p><p>corte central da folha.</p><p>FIGURA 15 – CRIANDO UM FANZINE DA PRÓPRIA VIDA COM CÓPIAS DE FOTOGRAFIAS</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>168</p><p>Após feita a base do fanzine, dobrando a folha, cortando e montando uma</p><p>espécie de “caderninho de páginas”, a criação poderá ser de variadas maneiras,</p><p>contendo desenhos, recortes, colagens, palavras, impressões etc.</p><p>• Criando vitrais na escola</p><p>A proposta prática da criação de um vitral pode ser realizada com alunos</p><p>de 6º ao 9º ano do ensino fundamental. Os vitrais se referem a uma técnica artística</p><p>muito usada em vidros, janelas de templos e igrejas, sendo muito característica</p><p>da arte gótica. Como leitura e contextualização, apresentar aos alunos exemplos</p><p>de vitrais de diferentes períodos de arte, podendo explorar a arte gótica com</p><p>exemplos de catedrais como Chartres e Notre Dame de Paris.</p><p>FIGURA 16 – A ANUNCIAÇÃO E A VISITAÇÃO, DETALHE DA JANELA NA</p><p>SAINTE-CHAPELLE, PARIS, 1243-48</p><p>FONTE: Bell (2008, p. 123)</p><p>Existem diversas possibilidades de materiais para que possamos criar a</p><p>técnica do vitral em sala de aula. Pode-se propor uma atividade utilizando celofane</p><p>e palitos. No exemplo de vitral a seguir, foram criadas estrelas com a montagem de</p><p>palitos e colagem de pedaços de celofane coloridos nos espaços da estrela.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>169</p><p>FIGURA 17 – VITRAL COM CELOFANE EM FORMA DE ESTRELA</p><p>FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/445856431851081437/>. Acesso em: 18 out. 2018.</p><p>A exposição que simboliza e valoriza a técnica do vitral pode ser feita em</p><p>frente a uma janela ou locais que tenham passagem de luz.</p><p>• Criando sua escultura com sabonete</p><p>A proposta prática de criação de uma escultura com sabonete poderá</p><p>ser realizada com alunos do 5º ao 9º ano do ensino fundamental. Para leitura e</p><p>contextualização, podemos explorar conceitos referentes às formas bidimensional</p><p>e tridimensional.</p><p>Como exemplo de artista que trabalha a escultura, pode ser apresentado</p><p>o brasileiro Antônio Francisco Lisboa (1730-1814), mais conhecido como</p><p>Aleijadinho, que criou obras que representam a arte barroca brasileira.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>170</p><p>FIGURA 18 – ESCULTURAS DE ALEIJADINHO (1730)</p><p>FONTE: <http://www.iarq.com.br/aleijadinho/>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>Outras obras de diferentes épocas podem ser apresentadas aos alunos</p><p>para poderem analisar as semelhanças e diferenças no passar dos tempos, como</p><p>a obra “Última Ceia”, feita em 1250, e a escultura de Edgar Degas, feita em 1886.</p><p>FIGURA 19 – A ÚLTIMA CEIA, ESCULTURA NO ARCO CRUZEIRO DA CATEDRAL DE NAUMBURG, C.1250</p><p>FONTE: Bell (2008, p. 141)</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>171</p><p>FIGURA 20 – EDGAR DEGAS: DANSEUSE (C.1886); BRONZE. PARIS, MUSÉE D`ORSAY</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 107)</p><p>Ao analisar as obras de diferentes épocas, cada aluno cria sua escultura.</p><p>Poderá fazê-la compreendendo os conceitos bidimensionais e/ou tridimensionais.</p><p>O material utilizado será sabão ou sabonete e uma colher.</p><p>FIGURA 21 – ESCULTURA COM SABÃO OU SABONETE</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>• Jogando e criando com objetos – conhecendo a arte conceitual</p><p>A proposta prática sobre a arte conceitual poderá ser realizada com alunos</p><p>do 8º e 9º ano do ensino fundamental. Para leitura e contextualização, é necessário</p><p>apresentar, primeiramente, o conceito de arte conceitual.</p><p>A arte conceitual é uma expressão artística que instiga a reflexão. Algumas</p><p>manifestações artísticas que podem expressar a arte conceitual são: readymade,</p><p>performance e happening. Como proposta prática para o readymade é possível fazer</p><p>em forma de um jogo, ou seja, pedir aos alunos que retirem da mochila algum</p><p>objeto, como</p><p>uma cola, uma chave, uma garrafa de água.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>172</p><p>Pensar sobre o objeto escolhido de maneira poética, isto é, propondo uma</p><p>reflexão, trazendo outros significados, retirando sua função tradicional do dia</p><p>a dia. Assim, peça aos alunos anotarem em seus cadernos o novo significado</p><p>em forma de poesia. Como proposta teórica, pode-se estudar o artista Marcel</p><p>Duchamp, apresentando a obra “A fonte”, que é uma réplica de um mictório de</p><p>porcelana que foi originalmente comprado e inscrito em uma exposição de arte.</p><p>FIGURA 22 – FONTE, 1917, PORCELANA, ALTURA 33,5 CM, MARCEL DUCHAMP</p><p>FONTE: <https://artefontedeconhecimento.blogspot.com/2010/11/fonte-marcel-duchamp.</p><p>html>. Acesso em: 18 out. 2018.</p><p>Os alunos poderão inventar títulos para os objetos escolhidos, relacionando</p><p>a sua prática artística com a obra do artista Duchamp. A exposição pode ser</p><p>realizada nas próprias mesas, potencializando diálogo com todos os alunos, de</p><p>forma que eles poderão caminhar e observar os objetos e seus novos títulos e suas</p><p>poesias, com o objetivo de propor novos significados a objetos do cotidiano.</p><p>DICAS</p><p>Arte – Descubra as conexões através de perguntas</p><p>e respostas de Caroline Grimshaw, da editora Callis (1998).</p><p>O livro mostra 50 questões sobre arte, como: por que o mundo</p><p>precisa de arte? Podemos pintar sem pincel? Quais são as</p><p>decisões de um artista? O que a arte nos diz sobre a história?</p><p>Como conseguimos ver as transformações do mundo através da</p><p>arte? E muito mais...</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>173</p><p>• Ensino médio</p><p>Para o Ensino Médio, as propostas pedagógicas precisam ser pensadas</p><p>e organizadas de tal forma que explorem e apresentem a articulação entre a</p><p>teoria com a prática, proporcionando vivências/experiências das diferentes</p><p>manifestações artísticas. Os alunos do ensino médio costumam apresentar</p><p>autonomia no uso das tecnologias digitais, como o computador ou o celular, que</p><p>pode ser benéfico para a realização de algumas propostas. Contudo, também</p><p>é importante que o professor esteja atento à utilização dos meios tecnológicos,</p><p>mediando o uso nas aulas.</p><p>As sugestões de atividades para o ensino médio também estão pautadas</p><p>nos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar).</p><p>• Fotografia através da técnica da perspectiva forçada</p><p>A proposta prática da técnica da perspectiva forçada por meio de</p><p>fotografias poderá ser realizada com alunos do 1º e 2º ano do ensino médio.</p><p>Para leitura e contextualização, explorar os conceitos da fotografia (história da</p><p>fotografia) e a técnica da perspectiva forçada, que é uma ilusão feita aproximando</p><p>o objeto ou a pessoa à câmera do celular.</p><p>FIGURA 23 – EXEMPLO DE FOTOGRAFIA DE PERSPECTIVA FORÇADA</p><p>FONTE: <https://deixadefrescura.com/2012/05/fotografia-perspectiva-forcada.html>.</p><p>Acesso em: 21 dez. 2018.</p><p>No fazer artístico, proponha aos alunos formarem grupos de trabalho e</p><p>escolherem objetos para serem registrados por uma câmera fotográfica que pode</p><p>ser a do celular. Os alunos também podem escolher quais espaços da escola</p><p>querem para produzirem suas fotografias em perspectiva forçada. Faça uma</p><p>exposição do resultado das fotografias feitas pelos alunos.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>174</p><p>FIGURA 24 – PERSPECTIVA FORÇADA FEITA PELOS ALUNOS NOS ESPAÇOS DA ESCOLA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>DICAS</p><p>Conheça o site com dicas da técnica. FONTE: <https://www.tecmundo.com.</p><p>br/internet/12400-fotografia-como-criar-ilusoes-com-perspectiva.htm>.</p><p>• Criando seu tênis gigante – desenho surrealista</p><p>A proposta prática desenhando um tênis gigante poderá ser realizada com</p><p>alunos do 1º ano do ensino médio. Para a leitura e a contextualização, explorar o</p><p>movimento artístico de arte surrealista e conhecer as obras dos artistas Salvador</p><p>Dalí, Joan Miró, Frida Kahlo e René Magritte.</p><p>Veja a obra do artista René Magritte (1898-1967). Sua arte está além da realidade.</p><p>FIGURA 25 – RENÉ MAGRITTE: A CONDIÇÃO HUMANA II (1935); TELA</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 482)</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>175</p><p>O artista é considerado surrealista e pintou objetos do dia a dia, como a obra</p><p>A Condição Humana II. Faz com a gente pare para olhar a imagem e pensar no que</p><p>tem nela de surreal. O artista transforma seus desenhos, como se fosse uma mágica,</p><p>muitas vezes desenhava as coisas maiores ou menores do que o normal.</p><p>Com os alunos, é possível desenvolver uma proposta pedagógica através</p><p>da observação do próprio calçado, ou seja, do seu tênis e/ou sapato que está usando</p><p>no momento. Peça para o aluno tirar do seu pé e colocar sobre a mesa. Assim, fará</p><p>a criação pela observação, mas escolhendo desenhar o tênis bem maior ou bem</p><p>menor do que o tamanho original. Podemos acrescentar outros elementos à cena,</p><p>como pessoas escalando o tênis ou outros objetos de maneira surreal.</p><p>FIGURA 26 – DESENHANDO SEU TÊNIS SURREALISTA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>• Artista Vik Muniz e a série “postcards”</p><p>A proposta prática usa a técnica da colagem utilizando recortes de postais,</p><p>revistas, jornais, podendo ser realizada com alunos do 1º e 2º ano do ensino</p><p>médio. Para a leitura e a contextualização, apresentar as obras e a vida do artista</p><p>brasileiro Vik Muniz (1961), da série “Postcards”.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>176</p><p>FIGURA 27 – OBRA DA SÉRIE “POSTCARDS” RIO DE JANEIRO DE VIK MUNIZ (2013)</p><p>FONTE: <http://vikmuniz.net/gallery/postcards-from-nowhere>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>A atividade poderá ser feita em grupos de alunos realizando uma</p><p>composição figurativa em cartolina, composta de recortes de imagens de revistas/</p><p>jornais. A ideia é que se escolha uma imagem figurativa e, assim, desenhe os</p><p>traços básicos de um lugar, de uma paisagem ou de um personagem de jogos ou</p><p>de desenhos animados. Após, deve-se montar a imagem com recortes diversos</p><p>retirados de revistas/jornais, colando-os.</p><p>FIGURA 28 – COLAGEM DE PEDAÇOS DE REVISTA</p><p>FONTE: A autora (2018)</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>177</p><p>• Criando uma proposta de arte contemporânea</p><p>A proposta prática poderá ser realizada com as turmas do ensino médio,</p><p>mas desenvolvida em grupos de alunos. Para leitura e contextualização, explorar</p><p>o conceito de arte contemporânea, de landart e de instalação artística.</p><p>A arte contemporânea articula as diferentes linguagens artísticas, não</p><p>tendo mais definições próprias, são as criações atuais, as que estão surgindo</p><p>trazendo reflexões subjetivas nas obras. Assim, a arte contemporânea propõe</p><p>reflexões ao olhar uma obra, uma criação artística.</p><p>A land art é considerada uma arte contemporânea que apresenta obras</p><p>que têm a utilização de recursos da própria natureza, que têm como característica</p><p>a efemeridade e é uma arte que critica a industrialização. Já a instalação é uma</p><p>manifestação artística contemporânea, que explora diferentes espaços, amplia</p><p>cenários que saem dos ambientes convencionais da arte.</p><p>FIGURA 29 – ROBERT SMITHSON: SPIRAL JETTY (1970). UTAH. GRANDE LAGO SALGADO</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 583)</p><p>Como atividade prática, os grupos de alunos irão escolher um espaço da</p><p>escola que tenha a possibilidade de criação de uma instalação, como é o caso de</p><p>uma tela ou uma cerca, que permita sair da ideia tradicional de espaço artístico. A</p><p>proposta é de uma instalação coletiva dentro do contexto contemporâneo da land art.</p><p>Outro fato importante é verificar se a escola autoriza a interferência no</p><p>espaço escolhido. Após a escolha e autorização do uso do espaço, os alunos irão criar</p><p>sua instalação utilizando copos descartáveis que já foram usados, estes podem ser</p><p>pintados com tintas como esmaltes, PVA, tecido, acrílica etc. A montagem e a imagem</p><p>a ser retratada ficam a critério da imaginação e criatividade do grupo de alunos.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>178</p><p>FIGURA 30 – INSTALAÇÃO ARTÍSTICA COM COPINHOS PLÁSTICOS</p><p>FONTE: <https://br.pinterest.com/pin/412079434628876650/>. Acesso em: 26 dez. 2018.</p><p>DICAS</p><p>Conheça mais sobre a arte contemporânea – a instalação</p><p>como nova forma</p><p>de produção artística.</p><p>FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5296>.</p><p>Também conheça mais sobre os móbiles de Calder como possibilidades de explorar novas</p><p>poéticas em sala de aula.</p><p>FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=5314>.</p><p>Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>3 PROPOSTAS PEDAGÓGICAS INCLUSIVAS</p><p>Para o contexto da inclusão é de grande importância que os alunos</p><p>vivenciem as diferentes expressões artísticas e tenham oportunidades adequadas</p><p>para cada faixa etária, bem como respeitando as individualidades de cada aluno.</p><p>Com isso, nos PCN – Arte (BRASIL, 1993, p. 15):</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>179</p><p>A educação em arte propicia o desenvolvimento do pensamento</p><p>artístico, que caracteriza um modo particular de dar sentido às</p><p>experiências das pessoas: o aluno amplia a sensibilidade, a percepção,</p><p>a reflexão e a imaginação de aprender, pois a arte envolve, basicamente,</p><p>fazer trabalhos artísticos, apreciar e refletir sobre eles. Envolve,</p><p>também, conhecer, apreciar, refletir sobre as formas da natureza e sobre</p><p>as produções artísticas individuais e coletivas de distintas culturas e</p><p>épocas. Para tanto, a escola deve saber aproveitar a diversidade de</p><p>recursos humanos e materiais disponíveis na comunidade em que ela</p><p>esteja inserida, a fim de que o aluno, ao longo da escolaridade, tenha a</p><p>oportunidade de vivenciar o maior número de formas de arte.</p><p>Levando em consideração que a aula de artes é um espaço de troca de</p><p>conhecimento, de oportunidade, de reflexão e de estímulo das percepções sensíveis,</p><p>é imprescindível que todos os alunos tenham a oportunidade de participar, de</p><p>interagir e de contribuir com o momento significativo do contexto escolar.</p><p>Na escola regular, o aluno com necessidades especiais convive no</p><p>mesmo ambiente que os demais alunos, com o objetivo de ter oportunidades</p><p>de convivência e de aprendizagem. Assim, Mantoan (2003, p. 70), afirma que “a</p><p>inclusão não prevê a utilização de práticas de ensino escolar para esta ou aquela</p><p>deficiência e/ou dificuldade de aprender”, assim, que tenham práticas que tragam</p><p>oportunidades a todos os envolvidos.</p><p>Planejar propostas pedagógicas inclusivas nas aulas de artes é propor</p><p>atividades que estimulem a criação e a criatividade, com adaptações levando em</p><p>consideração a necessidade especial de cada aluno. Sabemos que todos os alunos são</p><p>diferentes, mas é importante lembrar que alguns apresentam maiores dificuldades,</p><p>que cada aluno tem seu ritmo de aprendizagem, demonstrando suas limitações</p><p>e potencialidades. Para Mittler (2003, p. 20), “a inclusão depende do trabalho</p><p>cotidiano do professor na sala de aula e do seu sucesso em garantir que todas as</p><p>crianças possam participar de cada aula e da vida da escola como um todo”.</p><p>Nas aulas de artes, o desenvolvimento cognitivo dos alunos é ampliado</p><p>conforme os estímulos recebidos, influenciando muito as crianças com</p><p>necessidades especiais. Na comunicação verbal e não verbal, o desenho expressa</p><p>os sentimentos, suas necessidades e limitações, e muitas vezes tornando-se um</p><p>diagnóstico terapêutico. A escola precisa ser pensada como um espaço para a</p><p>diversidade, para a inclusão, trazendo oportunidade de estabelecer vínculos</p><p>entre professores, alunos e comunidade.</p><p>A escola, como espaço tempo de ensino e aprendizagem sistemático</p><p>e intencional, é um dos locais onde os alunos têm a oportunidade</p><p>de estabelecer vínculos entre os conhecimentos construídos e os</p><p>sociais e culturais. Por isso, é também o lugar e o momento em que</p><p>podemos verificar e estudar os modos de produção e difusão da</p><p>arte na própria comunidade, região, país, ou na sociedade em geral.</p><p>Assim, o aprendizado da arte vai incidir sobre a elaboração de formas</p><p>de expressão e comunicação artística (pelos alunos e por artistas) e</p><p>o domínio de noções sobre a arte derivativa da cultura universal</p><p>(FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 19).</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>180</p><p>A escola é um lugar de aprendizagens, de formas de expressão, de saberes</p><p>culturais e seus espaços devem estar aptos para recebimento dos alunos com</p><p>necessidades especiais, garantindo a acessibilidade. Para propormos atividades</p><p>inclusivas, também precisamos conhecer a turma de alunos, para isso, desenvolver</p><p>um trabalho que realmente seja inclusivo e tenha seus objetivos alcançados. Como</p><p>proposta, podem-se explorar as sensações por meio do contato com diferentes</p><p>materiais e texturas, assim como oportunizar atividades que explorem sons,</p><p>movimentos corporais, favorecendo a integração entre alunos e professores e</p><p>ampliando o conhecimento de mundo.</p><p>DICAS</p><p>Como exemplo, a cartilha de inclusão escolar (feita em 2014 e lançada no</p><p>Congresso Aprender Criança) apresenta a deficiência visual, ressaltando o seguinte:</p><p>O professor de Artes, em cuja sala existem deficientes visuais,</p><p>deve lembrar que:</p><p>• Os alunos com deficiência visual podem fazer muitas</p><p>das coisas que se faz com a visão, valendo-se do tato e</p><p>dos demais sentidos, embora nenhum deles, ou eles em</p><p>conjunto, substituirão a visão.</p><p>• Os alunos cegos não podem ver cores, todavia é importante</p><p>que as cores sejam ensinadas, por exemplo, falando de</p><p>suas variações de tonalidade, azul claro, verde escuro,</p><p>onde aparecem, na maçã vermelha, no cabelo amarelo</p><p>do amiguinho; que elas se combinam quando juntas, por</p><p>exemplo, na blusa e na sandália rosa da amiguinha.</p><p>• Os alunos terão grande proveito ao usarem diferentes</p><p>materiais, com diferentes texturas, que permitam diferentes</p><p>temperaturas, que provocam diferentes odores; esses</p><p>materiais devem fazer parte dos trabalhos de todos os alunos.</p><p>• O trabalho que não for possível fazer sem a visão, deverá</p><p>contemplar o aluno cego, por exemplo, permitindo com</p><p>que ele participe de fases do trabalho, cortando, dobrando,</p><p>colando ou dando ideias.</p><p>• Todos se beneficiarão quando o professor propiciar o</p><p>trabalho em grupo, o trabalho participativo na sala.</p><p>• O desenho e o desenhar devem fazer parte do ensino do</p><p>aluno com deficiência, com prioridade para as orientações</p><p>de como representar as coisas na maneira como são vistas,</p><p>na perspectiva, de frente, atrás etc.</p><p>• Colagens e outras técnicas devem ser ensinadas, cuidando</p><p>para que o aluno cego possa oferecer, ao seu trabalho, a</p><p>mesma beleza visual que oferecerá com a estética tátil. A</p><p>beleza e a estética visual precisam ser ensinadas e estar</p><p>presentes nas produções dos alunos para que sejam</p><p>apreciadas, também nesse particular.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>181</p><p>DICAS</p><p>• Elogios e similares sempre são positivos para a criança,</p><p>porém, o excesso de elogios quando o trabalho merece</p><p>maior cuidado poderá ser danoso, uma vez que o aluno</p><p>pode, de fato, achar que o que fez já está bom, não buscando</p><p>aprimorar-se. Não se trata de fazer do aluno um artista, mas</p><p>se for essa sua habilidade, ajudá-lo a tirar o máximo dela.</p><p>• Para a produção dos trabalhos escolares, o aluno deve</p><p>receber informações que, por vezes, já estão disponíveis para</p><p>as pessoas que enxergam. A observação e a exploração de</p><p>objetos, animais, flores, ambientes reais, concretos e/ou sua</p><p>descrição devem compor a educação artística e visual do</p><p>aluno com deficiência.</p><p>Leia na íntegra o texto, acessando a cartilha no site Aprender Criança. FONTE: <http://</p><p>www.aprendercrianca.com.br/index.php/cartilha-da-inclusao/385-cartilha-da-inclusao-3>.</p><p>Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>Assim, precisamos organizar e preparar os materiais de maneira ampliada,</p><p>onde se utilizam as cores preto ou vermelho para destacar melhor a atividade.</p><p>Também lembrar que as atividades não são visualizadas, por isso, propor criações</p><p>em alto relevo, ou que explorem os outros sentidos, como olfato, auditivo e tátil.</p><p>Acadêmico, explore os espaços virtuais! É</p><p>possível encontrar muitos materiais explicativos sobre a</p><p>inclusão em sala de aula. Acesse a cartilha que apresenta</p><p>sugestões de atividades de inclusão na escola:</p><p>Aproveite e baixe seu material. FONTE: <http://iparadigma.org.</p><p>br/arquivos/cartilha%20atividades%20inclusivas.pdf>. Acesso</p><p>em: 29 out. 2018.</p><p>Seguem mais alguns materiais para leituras complementares.</p><p>FONTE:<https://novaescola.org.br/conteudo/1370/alunos-</p><p>surdos-cantam-dancam-e-interpretam-na-aula-de-arte>.</p><p><http://portal.aprendiz.uol.com.br/2013/09/27/arte-inspira-</p><p>tres-experiencias-de-inclusao/>.</p><p><http://tribunadoceara.uol.com.br/noticias/educacao/</p><p>projeto-promove-arte-de-forma-inclusiva-para-pessoas-com-</p><p>deficiencia-visual/>.</p><p><http://playtable.com.br/blog/conheca-e-aplique-jogos-didaticos-para-criancas-com-</p><p>deficiencia-visual/>.</p><p><https://www.pragentemiuda.org/2011/01/especial-educacao-especial-inclusiva.html>.</p><p><http://www.fmss.org.br/seis-curtas-metragens-animados-sobre-inclusao-para-assistir-em-</p><p>qualquer-lugar/>.</p><p><http://emiliofigueira.com/colecao-gratuita-a-educacao-especial-na-perspectiva-</p><p>da- inclusao-escolar/?fbcl id=IwAR1sCqSZbNPm_jd-wZUDrgbntpmYL7bywcs_</p><p>rcQzjLyJZVdQ7Sj17CpCxx8>. Acesso em: 29 out. 2018.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>182</p><p>4 METODOLOGIA DE ENSINO E APRENDIZAGEM EM ARTE</p><p>Iniciamos nossos estudos sobre as metodologias de ensino e aprendizagem</p><p>em arte com reflexões sobre atividades práticas. Contudo, o que significa a</p><p>palavra metodologia? Vamos pensar juntos. A palavra metodologia estuda os</p><p>diferentes métodos, classificando e descrevendo, ajudando o professor em sala</p><p>de aula, indicando as ações e maneiras para ensinar um conteúdo e observando</p><p>os objetivos a atingir. Assim, as metodologias mais comuns no ensino de arte são</p><p>a tradicional, livre expressão e sociointeracionismo.</p><p>Na metodologia tradicional o professor é um transmissor de</p><p>conhecimentos. As atividades desenvolvidas em sala enfatizam as habilidades</p><p>manuais, a repetição de técnicas, memorização e cópia de modelos de desenhos</p><p>prontos. Para Ferraz e Fusari (2009, p. 47),</p><p>o ensino e aprendizagem concentram-se apenas na “transmissão” de</p><p>conteúdos reprodutivistas, desvinculando-se da realidade social e das</p><p>diferenças individuais. Os conteúdos eram percebidos e trabalhados</p><p>como um fim em si mesmos. O conhecimento continua centrado</p><p>no professor, que procura desenvolver em seus alunos também a</p><p>memorização, habilidades manuais e hábitos de precisão, organização</p><p>e limpeza, mas sem deixá-los criar ou explorar essas habilidades.</p><p>Os alunos apenas atendem às orientações do professor, sem poder</p><p>questionar ou contribuir com opiniões na aula. Um exemplo, com relação às</p><p>atividades artísticas, é a pintura de imagens de obras de arte impressas, xerocadas</p><p>e ou mimeografadas.</p><p>Na metodologia de livre expressão, que teve influências da Escola Nova,</p><p>as experiências em aula eram mais importantes do que o resultado final. As</p><p>atividades resumiam-se, principalmente, em desenho livre, sendo que não tinha</p><p>o que era certo e errado e eram utilizados diversos materiais. Assim,</p><p>o ensino e aprendizagem de arte referem-se às experimentações</p><p>artísticas, inventividade e ao conhecimento de si próprio, concentrando-</p><p>se na figura do aluno e na aquisição de saberes vinculados à realidade</p><p>e diversidade individual. Essa mudança de foco foi muito importante,</p><p>pois colocou ênfase no educando – ou ser que aprende – e não apenas</p><p>no conhecimento (FERRAZ; FUSARI, 2009, p. 51).</p><p>O professor não podia apresentar obras de outros artistas, pois o aluno</p><p>era para ser livre em sua expressão, era visto como um ser criativo. Segundo o</p><p>PCN – Arte (1997, p. 25):</p><p>Da conscientização profissional, que predominou no início do</p><p>movimento ArteEducação, tivemos evoluções para discussões</p><p>que geraram concepções e novas metodologias para o ensino e a</p><p>aprendizagem de arte nas escolas. É com determinado cenário que</p><p>chegamos ao final da década de 90, mobilizando novas tendências</p><p>curriculares em Arte, pensando no terceiro milênio. São características</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>183</p><p>desse novo marco curricular as reivindicações de identificar a área por</p><p>Arte (e não mais por Educação Artística) e de incluí-la na estrutura</p><p>curricular como área, com conteúdos próprios ligados à cultura</p><p>artística e não apenas como atividade. Dentre as várias propostas</p><p>que estão sendo difundidas no Brasil na transição para o século</p><p>XXI, destacam-se aquelas que têm se afirmado pela abrangência e</p><p>por envolver ações que, sem dúvida, estão interferindo na melhoria</p><p>do ensino e da aprendizagem de arte. São estudos sobre a educação</p><p>estética, a estética do cotidiano, complementando a formação artística</p><p>dos alunos. Ressalta-se ainda o encaminhamento pedagógico-artístico,</p><p>que tem por premissas básicas a integração do fazer artístico, a</p><p>apreciação da obra de arte e sua contextualização histórica.</p><p>Já a metodologia do sociointeracionismo, considerada a tendência atual</p><p>do ensino de arte, vem ao encontro do que os PCN – Arte apresentam. O aluno</p><p>tem contato com as linguagens artísticas, conhecendo os conteúdos e não apenas</p><p>atividades. O aluno poderá participar da aula trazendo suas experiências e o</p><p>professor se torna o mediador. As aulas acontecem através dos campos conceituais</p><p>integrando o fazer artístico, a leitura e a contextualização, que é a atual abordagem</p><p>triangular de Ana Mae Barbosa. Segundo Ferraz e Fusari (2009, p. 58),</p><p>as novas diretrizes metodológicas procuram encaminhar a organização</p><p>de currículos a partir da reflexão e discussão conjunta na unidade</p><p>escolar, de maneira a integrar outros projetos, em uma visão inter e</p><p>transdisciplinar. Os objetivos da área são sintetizados na busca do</p><p>conhecimento de arte como cultura e linguagem e caminho para o</p><p>desenvolvimento de potencialidades dos educandos (percepção,</p><p>observação, imaginação, sensibilidade). Os conteúdos se organizam</p><p>a partir de eixos norteadores de aprendizagem, a saber: produção</p><p>em arte – desenvolvimento do percurso de criação pessoal; fruição</p><p>– apreciação significativa da arte e reflexão – sobre a arte enquanto</p><p>produto pessoal e pertencente à multiplicidade das culturas humanas,</p><p>de todas as épocas. Esta talvez seja uma das principais e inovadoras</p><p>metas do ensino de arte, que busca o diálogo com todas as culturas</p><p>e formas de arte, do erudito ao popular. A proposição da área, como</p><p>consta nos PCN de Arte, passou a incorporar as quatro linguagens:</p><p>artes visuais, dança, música e teatro, de modo que os educandos, ao</p><p>longo do curso, possam ter acesso fundamentado a essas modalidades</p><p>artísticas. Mas não significa que o documento esteja sugerindo a</p><p>retomada da polivalência, como foi entendido por muitos professores,</p><p>ou seja, que o professor de Arte integre em sua prática essas</p><p>modalidades artísticas e, sim, que a escola possibilite a presença de</p><p>professores habilitados para assumirem as diversas linguagens de arte.</p><p>Cada uma dessas linguagens pressupõe conhecimentos específicos,</p><p>que foram analisados e sistematizados também por especialistas,</p><p>autores do documento.</p><p>Atividades que instiguem os campos conceituais da arte devem ser</p><p>planejadas e propostas em sala de aula. Segue um exemplo de atividade</p><p>contextualizada da obra “Abaporu”, da artista Tarsila do Amaral (1886-1973),</p><p>para as aulas de artes:</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>184</p><p>FIGURA 31 – OBRA ABAPORU, 1928, DA ARTISTA TARSILA DO AMARAL. TÉCNICA: ÓLEO SOBRE TELA</p><p>FONTE: <https://pt.wikipedia.org/wiki/Abaporu#/media/File:Abaporu.jpg>. Acesso em: 10 jan. 2019.</p><p>• Objetivo: contextualizar sobre a temática da obra “Abaporu” e criar releituras</p><p>que consideram o conhecimento adquirido.</p><p>• Proposta pedagógica:</p><p> Pesquisar sobre quem foi Tarsila do Amaral, em que época ela viveu e o que</p><p>acontecia no mundo daquela época (Modernismo), como eram suas obras, suas</p><p>fases artísticas, as cores que ela usava, as linhas, enfim, trazer o máximo de</p><p>informações.</p><p> Fazer uma roda de conversa, na qual cada aluno fala um pouco sobre o que foi</p><p>pesquisado.</p><p> Propor que escrevam um texto coletivo sobre a artista e suas obras.</p><p> Mostrar a obra “Abaporu” para os alunos e pedir que falem o que veem.</p><p> Fazer com os alunos a leitura formal: Que cores vocês</p><p>para serem pintados.</p><p>• Também encontramos atividades de pesquisa sobre a vida e obra de artistas ou</p><p>de períodos da história da arte.</p><p>• Encontramos releituras de obras de artistas famosos por meio das linguagens</p><p>da arte.</p><p>• A criação de murais, na maioria das vezes, é feita referente às datas</p><p>comemorativas e não de um conteúdo desenvolvido em aula.</p><p>• As músicas que são inseridas nas aulas, como cantos para rotina, por exemplo,</p><p>são cantadas na hora do lanche.</p><p>Lembrando que a linguagem da música já está inserida nas escolas. Assim,</p><p>o professor de artes visuais apenas se apropria de alguns conceitos das outras</p><p>linguagens artísticas e desenvolve nas suas aulas.</p><p>Pensando mais sobre o ensino de arte, as abordagens teóricas e práticas</p><p>precisam ser desenvolvidas com fundamento teórico/prático, sem esquecer-se de</p><p>falar da importância da arte fora dos muros escolares, como é o caso da cultura</p><p>visual que está em nosso cotidiano, em nosso dia a dia, nas ruas, nos parques etc.</p><p>A arte é importante na escola, principalmente porque é importante</p><p>fora dela. Por ser um conhecimento construído pelo homem através</p><p>dos tempos, a arte é um patrimônio cultural da humanidade, e todo</p><p>ser humano tem direito ao acesso a esse saber (MARTINS; PICOSQUE;</p><p>GUERRA, 2010, p. 12).</p><p>Assim, cada atividade proposta em sala de aula precisa ter objetivo,</p><p>trazendo sua teoria, seu conteúdo. Apenas realizar uma prática sem embasamento</p><p>acaba esvaziando a importância da arte no contexto escolar. Para Barbosa (2010,</p><p>p. 33), “o conhecimento em artes se dá na interseção da experimentação, da</p><p>decodificação e da informação”. É preciso deixar a arte passar de mera atividade</p><p>para uma disciplina que apresente objetivos, conteúdos, metodologias e avaliação,</p><p>através de ações que tragam vivências práticas.</p><p>É necessário que o professor de artes traga a teoria e a prática com reflexão</p><p>e ação, pois entende-se que os dois princípios de formação profissional precisam</p><p>caminhar juntos para desenvolver a criação, a percepção, o imaginário, a intuição</p><p>e demais conhecimentos sensíveis e inteligíveis.</p><p>É importante ressaltar que o ensino de artes tem sua relevância no</p><p>currículo escolar, como todas as outras disciplinas curriculares, sendo que não</p><p>está em menor nível. Os professores precisam:</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>7</p><p>[...] em primeiro lugar, de sólidos conhecimentos teóricos acerca das</p><p>teorias da Arte Educação, e de um modo de pensar acerca da Arte que</p><p>possa ajudá-los a definir as atividades artísticas na escola e a Arte na</p><p>sociedade moderna, sua função e praticalidade (BARBOSA, 1975, p. 94).</p><p>Lembramos que murais e enfeites podem ser feitos com fundamento</p><p>teórico, ou seja, trabalhando com os alunos conteúdos, obras de artistas,</p><p>contextualizando-as. O fazer artístico é apresentado em forma de uma exposição</p><p>ou em um mural, por exemplo.</p><p>DICAS</p><p>Livro: A reflexão e a prática no ensino – Artes (2013).</p><p>Este livro foi organizado por Dália Rosenthal e Maria Christina de</p><p>Souza Lima Rizzi. É uma coleção que tem várias disciplinas, em</p><p>que o volume 9 apresenta Artes. O livro orienta com práticas</p><p>para o professor e, trazendo para o ensino fundamental, teorias</p><p>e práticas, numa linguagem simples e direcionando dicas para o</p><p>trabalho em sala de aula.</p><p>No caso, as abordagens teóricas e práticas nas aulas de arte devem</p><p>caminhar juntas, trazendo significado e relacionando ao cotidiano, fazendo com</p><p>que os estudantes reflitam, pensem sobre suas criações e exposições. Segundo</p><p>Raach (2016, p. 29):</p><p>Evidenciamos a necessidade de ressignificar as práticas pedagógicas a</p><p>fim de propormos uma educação que abra espaços para a comunicação,</p><p>a curiosidade e a criatividade, para que os sujeitos possam fazer das</p><p>suas construções, também reconstruções.</p><p>Os alunos, sujeitos ativos, curiosos, precisam de espaço para suas criações,</p><p>construções artísticas e o professor precisa dispor de práticas que contemplem</p><p>a produção, fruição e contextualização. Nos Parâmetros Curriculares Nacionais</p><p>(PCN), a teoria e a prática no ensino de arte demonstram que:</p><p>Na prática das salas de aula, observa-se que os eixos do produzir e</p><p>do apreciar já estão de alguma maneira contemplados, mesmo que</p><p>o professor o faça de maneira intuitiva e assistemática. Entretanto,</p><p>a produção e a apreciação ganham níveis consideravelmente mais</p><p>avançados de articulação na aprendizagem dos alunos quando estão</p><p>complementadas pela contextualização (BRASIL, 1997, p. 50).</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>8</p><p>O professor de arte tem acesso aos conteúdos e, assim, pode fazer escolhas</p><p>de conceitos e atividades essenciais para a aula e para determinada turma. A</p><p>teoria e a prática podem transformar e trazer resultados, podendo contribuir para</p><p>um processo de aprendizagem mais significativo.</p><p>Assim, Barbosa (1978, p. 15) diz que “o ensino artístico no Brasil só agora,</p><p>e muito lentamente, se vem libertando do acirrado preconceito com a qual a</p><p>cultura brasileira o cercou durante quase 150 anos que sucederam à implantação”.</p><p>É preciso mostrar o ensino de arte com propriedade, com fundamentação teórica,</p><p>trazendo seu significado, sua importância para a sala de aula, não apenas o fazer</p><p>por fazer uma atividade.</p><p>DICAS</p><p>Acadêmico! Para que aprofunde seus conhecimentos</p><p>sobre teoria e prática, recomendamos este livro para leitura:</p><p>O livro Teoria e prática do ensino de Arte foi produzido pelas</p><p>autoras Mirian Celeste Martins, Gisa Picosque e Maria Terezinha</p><p>Telles Guerra, em 2010. O livro contém 208 páginas que percorrem</p><p>nas linguagens da arte, trazendo obras de artistas e produções</p><p>próprias que enfatizam a teoria e prática no ensino de Arte.</p><p>Segundo Iavelberg (2003, p. 10), “aprender arte envolve a ação em</p><p>distintos eixos de aprendizagem: fazer, apreciar e refletir sobre a produção social</p><p>e histórica da arte, contextualizando os objetos artísticos e seus conteúdos”.</p><p>Nesse sentido, surge a abordagem triangular de Barbosa (1998), nas</p><p>palavras do fazer artístico, leitura de imagem e contextualização, sem estarem em</p><p>uma ordem linear, mas que sugerem como prática em sala de aula, relacionando</p><p>com a teoria. São campos conceituais que nos ajudam a desenvolver nossas</p><p>propostas pedagógicas em sala de aula.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>9</p><p>DICAS</p><p>DICAS</p><p>Caro acadêmico! Segue mais uma dica de espaço de pesquisa virtual. Estão</p><p>disponíveis os períodos históricos da arte, leituras de imagens, dicas de filmes, entre outros</p><p>conteúdos. Aproveite! Explore este espaço virtual. FONTE: <https://www.historiadasartes.</p><p>com/>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>É preciso muita pesquisa, muita leitura, estudos teóricos para uma prática</p><p>embasada, não deixando acontecer o fazer artístico de maneira livre, sem mediação.</p><p>Como sugestão leia este livro que traz o conceito</p><p>do que é Arte para um aprofundamento teórico.</p><p>O que é arte, de Jorge Coli</p><p>O livro foi escrito por Jorge Coli, em 1995, e editado pela</p><p>Editora Brasiliense e apresenta a pergunta o que é arte fazendo</p><p>relações com obras renomadas de todos os tempos, instigando</p><p>sobre o que é e o que não é arte. Vale a pena conferir!</p><p>Continuando a conversa sobre teoria e prática em sala de aula, veremos</p><p>a seguir algumas sugestões e explanações sobre situações de aprendizagem que,</p><p>por vezes, acontecem no cotidiano escolar. Segundo Raach (2016, p. 30):</p><p>Faz-se necessária a socialização em espaços de compartilhamento de</p><p>informações, contextualizando esses conhecimentos com o cotidiano,</p><p>rompendo as fronteiras entre escola e sociedade, fazendo conexões</p><p>com o mundo.</p><p>Você já deve ter ouvido falar sobre atividades de releitura, revisitação ou</p><p>até reprodução de obras de arte desenvolvidas em sala de aula. Com isso, vale</p><p>lembrar do cuidado com a atividade, para que não seja solicitado aos alunos para</p><p>“copiarem” a obra de arte e sim instigá-los a pensar sobre a obra, com perguntas</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>10</p><p>como:</p><p>veem? Quais as linhas</p><p>que aparecem na obra? As formas? Existe perspectiva? Texturas? Quais</p><p>são os elementos que aparecem na obra? (Se preferir, poderá inserir outros</p><p>questionamentos).</p><p> Realizar a leitura interpretativa: O que a obra quer dizer? Que mensagem ela</p><p>está representando? Como era o Brasil e o mundo na época em que que a obra</p><p>foi realizada? Qual a intenção de Tarsila representar a cabeça do homem tão</p><p>pequena e os pés tão grandes?</p><p> Obs.: No momento, os alunos já conhecem Tarsila, suas obras, o momento</p><p>histórico que ela viveu e o que a obra Abaporu representa.</p><p> Pedir para que os alunos se apropriem da obra e criem sua própria produção</p><p>artística:</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>185</p><p>- Representem uma parte dela (zoom).</p><p>- Representem a obra, trazendo-a para os dias atuais, inserindo outros elementos.</p><p>- Juntem a obra com outra obra da Tarsila ou de outro artista que represente o</p><p>mesmo tema.</p><p>- Represente a obra mudando os elementos de lugar.</p><p>- Represente-a com diferentes técnicas, materiais e bases.</p><p>- Represente-a de forma tridimensional etc.</p><p> Promover uma exposição dos trabalhos dos alunos e apresentação sobre o que</p><p>aprenderam com o tema.</p><p>Agora, vamos conhecer uma obra/objeto e pensar como desenvolver</p><p>uma atividade contextualizada no atual ensino de arte. A obra Objeto é da</p><p>artista chamada Meret Oppenheim (1913-1985), nascida em Berlim-Alemanha,</p><p>mas considerada artista plástica e fotógrafa suíça que apresentava traços do</p><p>movimento surrealista em seus trabalhos.</p><p>FIGURA 32 – MERET OPPENHEIM, OBJECT, 1936</p><p>FONTE: Holm (2005, p. 36)</p><p>Como proposta prática, converse sobre a artista, sua vida e obra, realizando</p><p>momentos de pesquisa, leitura e contextualização, relacionando com o cotidiano</p><p>dos alunos, instigando sobre o objeto que a artista utilizou. Questione os alunos</p><p>se existem xícaras decoradas dessa maneira e como seria se cada aluno criasse</p><p>a sua. Proponha o fazer artístico pedindo aos alunos para trazerem para a aula</p><p>de artes algumas xícaras velhas e materiais diversos para poderem realizar uma</p><p>colagem ou mesmo uma pintura. Instigue práticas diferentes e deixe os alunos</p><p>participarem com sugestões.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>186</p><p>DICAS</p><p>Livro: HOLM, Anna Marie. Fazer e pensar arte.</p><p>São Paulo: Museu de Arte Moderna, 2005.</p><p>O livro Fazer e Pensar Arte surgiu pela artista contemporânea</p><p>Anna Marie Holm. Ela organizou em seu livro uma coleção</p><p>de atividades que registrou em seu trabalho cotidiano,</p><p>mostrando os desafios que propôs às crianças e fazendo</p><p>refletir sobre as escolhas estéticas.</p><p>Outra proposta prática é realizar uma atividade de observação considerando</p><p>o gênero natureza-morta. A atividade poderá ser realizada com a leitura de imagem</p><p>de obras, como a obra “Vaso de flor”, de Giorgio Morandi (1890-1964). Explorar a</p><p>leitura de imagem e a vida do artista. Trazer um vaso com flores naturais e organizar</p><p>em uma mesa para os alunos analisarem com a pintura do artista.</p><p>É importante instigar os alunos a refletirem, a fazerem relações com a obra</p><p>e o vaso de flor natural. Quais semelhanças e diferenças podemos observar? Após</p><p>ter realizada a análise, com o fazer artístico, criar com os alunos desenhos de</p><p>observação do vaso de flores exposto sobre a mesa da sala de aula, desenhando os</p><p>detalhes dele. Converse com os alunos sobre os desenhos de observação, fazendo</p><p>uma exposição pela sala.</p><p>TÓPICO 1 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS ATUAIS EM ARTES</p><p>187</p><p>FIGURA 33 – FLORES (VASO DE FLORES), 1951, GIORGIO MORANDI, ÓLEO SOBRE TELA, 43,4 X 37,3</p><p>FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_</p><p>Giorgio-Morandi-no-Brasil-1.pdf>. Acesso em: 26 out. 2018.</p><p>Como professor de artes, e mediador do conhecimento, é importante</p><p>propor práticas pedagógicas enfatizando conceitos que os alunos tenham</p><p>interesse de aprender, explorando-os através dos campos conceituais.</p><p>188</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>● As propostas pedagógicas de artes envolvem momentos de vivência,</p><p>experiência, de conhecimento, de criação, de reflexão, de compreensão, de</p><p>interação com o outro, com a obra e com os elementos visuais do cotidiano</p><p>através dos campos conceituais da arte (ler, fazer e contextualizar).</p><p>● As propostas pedagógicas de artes devem ser planejadas através dos campos</p><p>conceituais da arte: ler, contextualizar e fazer. Na escolha de uma temática de</p><p>estudo, é relevante propor leituras das obras de arte ou imagens, contextualizar</p><p>com os dias de hoje e propor o fazer artístico enfatizando o que foi estudado.</p><p>● Cada aluno cria sua produção artística, manifestando suas percepções sensíveis,</p><p>seus conhecimentos, suas marcas, seu estilo e seus gostos. As crianças têm</p><p>acesso à arte desde pequenas, muitas vezes não intencional, por meio das</p><p>músicas cantadas pelos familiares, dos desenhos, das brincadeiras, dos vídeos,</p><p>dos jogos, das contações de estórias. Desde muito cedo elas têm contato com</p><p>as cores e com as formas por meio de imagens ilustrativas em livros, revistas,</p><p>televisão, placas, computadores etc. e reais como objetos, lugares etc.</p><p>● Para o contexto da inclusão, é de grande importância que os alunos vivenciem</p><p>as diferentes manifestações artísticas. Assim, planejar propostas pedagógicas</p><p>inclusivas nas aulas de artes é propor atividades que estimulem a criação e</p><p>a criatividade, e com adaptações, levando em consideração a necessidade</p><p>especial de cada aluno.</p><p>● As metodologias mais comuns usadas são a tradicional, de livre expressão</p><p>e o sociointeracionismo. Atualmente, as aulas de arte têm influência do</p><p>sociointeracionismo, isto é, aulas com professores mediadores, com propostas</p><p>práticas através dos campos conceituais da arte e os alunos sendo protagonistas</p><p>em busca da construção do conhecimento.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 1</p><p>189</p><p>1 Sobre as metodologias mais comuns no ensino de Arte, enumere a 2ª coluna</p><p>de acordo com a 1ª e assinale a alternativa CORRETA:</p><p>(1) Tradicional.</p><p>(2) Livre expressão.</p><p>(3) Sociointeracionismo.</p><p>( ) É a tendência atual do ensino de arte. As aulas são planejadas através dos</p><p>campos conceituais da arte: ler, contextualizar e fazer e o professor se</p><p>torna mediador em sala de aula.</p><p>( ) Os alunos fazem apenas desenhos livres, sem a interferência do professor.</p><p>( ) O professor é o transmissor do conhecimento e os alunos realizam muitos</p><p>desenhos impressos e utilizam modelos prontos.</p><p>a) 1 – 2 – 3.</p><p>b) 3 – 2 – 1.</p><p>c) 2 – 3 – 1.</p><p>d) 2 – 1 – 3.</p><p>2 Segundo Ferraz e Fusari (2009), assinale a alternativa que preenche a lacuna</p><p>corretamente:</p><p>Antes dos 3 anos a criança já sabe o que é desenhar, pintar, cantar, dançar e</p><p>estes ___________ constituem-se no primeiro repertório de arte. Dessa idade</p><p>em diante, notamos que elas também sabem manifestar opiniões estéticas de</p><p>gostar, desgostar, achar bonito, feio. Nós, professores, devemos saber como</p><p>dar continuidade a esse início de formação artística e estética.</p><p>a) fazeres</p><p>b) conceitos</p><p>c) exercícios</p><p>d) momentos</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>190</p><p>3 Analise os itens a seguir sobre o contexto da inclusão, verificando quais são</p><p>os itens corretos:</p><p>I- Para o contexto da inclusão é de grande importância que os alunos</p><p>vivenciem as diferentes expressões artísticas e tenham oportunidades</p><p>adequadas a cada necessidade, respeitando as diferenças.</p><p>II- Planejar propostas pedagógicas nas aulas de artes é apresentar atividades</p><p>que estimulem a criação e a criatividade, mas sem adaptações no contexto</p><p>da inclusão.</p><p>III- A inclusão depende do trabalho cotidiano dos professores na sala de aula</p><p>e do seu sucesso em garantir que todas as crianças possam participar de</p><p>cada aula e da vida da escola como um todo.</p><p>Estão CORRETOS:</p><p>a) Somente o item I.</p><p>b) Somente o item II.</p><p>c) Os itens I e III.</p><p>d) Os itens II e III.</p><p>191</p><p>TÓPICO 2</p><p>CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Neste segundo tópico, caro acadêmico, você irá conhecer propostas</p><p>pedagógicas referentes à cultura visual, que tanto se faz presente na vida dos</p><p>alunos através das</p><p>mais variadas imagens e plataformas digitais. A cultura visual</p><p>pode ser apresentada nas aulas de artes por meio da reflexão sobre a cultura e as</p><p>imagens que influenciam o dia a dia das pessoas.</p><p>A cultura visual é apresentada na televisão (filmes, novelas), nos jogos,</p><p>na rua, nos locais, nas redes sociais (Facebook, Instagram) etc. Assim, os alunos</p><p>fazem parte da sociedade contemporânea e precisam ser instigados a refletir</p><p>criticamente sobre todas as imagens visualizadas diariamente que resultam na</p><p>cultura visual para compreenderem melhor o mundo em que vivem.</p><p>2 CONHECENDO AS IMAGENS</p><p>Os alunos estão diante de um turbilhão de imagens, sejam elas fotografias,</p><p>imagens de livros, revistas, jornais, imagens dos outdoors e placas, das revistas,</p><p>dos sites e redes sociais, da televisão e tudo o que está ao seu alcance visualmente.</p><p>Grande parte dos alunos tem seus próprios celulares, computadores e</p><p>interagem constantemente nas redes sociais, acessando imagens, vídeos e textos.</p><p>Compartilham nas redes sociais diversos materiais que mostram suas preferências,</p><p>opiniões e gostos. As interações, muitas vezes, acabam influenciando e afetando</p><p>a vida deles. As imagens se tornam, de alguma maneira, parte das escolhas,</p><p>vivências, preferências dos alunos. Assim, podemos conhecer três definições</p><p>sobre a cultura visual:</p><p>1) uma condição cultural na qual a experiência humana é</p><p>profundamente afetada por imagens, novas tecnologias do olhar e</p><p>diversas práticas do ver, mostrar e retratar; 2) um conjunto inclusivo</p><p>de imagens, objetos e aparatos; 3) um campo de estudo crítico que</p><p>examina e interpreta díspares manifestações de experiências visuais</p><p>em uma cultura (TAVIN, 2009, p. 226).</p><p>192</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>Percebe-se que as imagens afetam a vida dos alunos, tanto de maneira</p><p>positiva quanto negativa. Assim, os significados e sentidos produzidos pelas</p><p>imagens no campo da cultura visual fazem com que seja necessária a discussão</p><p>com os alunos em sala de aula, uma vez que tais concepções afetam a todos.</p><p>Assim, é importante apresentar diversas imagens em sala de aula e</p><p>instigar as diferentes opiniões, interpretações e compreensões sobre a maneira</p><p>que foi representada socialmente, sobre seu signos e significados, sobre aspectos</p><p>culturais, sociais, políticos, econômicos, históricos, estéticos, ou outro campo de</p><p>estudo que permeia a imagem.</p><p>A cultura visual possibilita as diferentes leituras, experiências subjetivas,</p><p>fazendo o aluno sentir, pensar, construir novos conhecimentos a partir das imagens</p><p>que são visualizadas no cotidiano. Seguem algumas imagens para serem analisadas:</p><p>FIGURA 34 – IMAGENS DIVERSAS</p><p>FONTE: <http://julian-arte.blogspot.com/p/planejamento.html>. Acesso em: 28 dez. 2018.</p><p>Quando falamos em imagens, podemos viajar em um mundo visual</p><p>e sonoro. No exemplo retratado sobre o corpo e a arte, percebemos diferentes</p><p>representações com temáticas distintas que consideram aspectos culturais e sociais.</p><p>A partir das imagens, é possível criarmos propostas pedagógicas que estimulam o</p><p>pensar sobre os diferentes campos visuais da imagem, proporcionando aos alunos</p><p>pesquisas sobre diferentes tatuagens, pinturas corporais indígenas, maquiagens,</p><p>sobre a festa carnavalesca e sua representação alegórica, bem como a bodyart (que</p><p>é a arte que utiliza o próprio corpo). Tudo isso pensando no cotidiano dos alunos,</p><p>na cultura visual, fazendo relações e propondo novas produções artísticas.</p><p>TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>193</p><p>DICAS</p><p>Como proposta prática de trabalhar com imagens, conheça uma sugestão</p><p>de atividade encontrada no site: <https://novaescola.org.br/conteudo/1018/um-mundo-de-</p><p>imagens-para-ler>. Acesso em: 15 fev. 2019. Um exercício de análise que poderá ser feito</p><p>com qualquer imagem do cotidiano do aluno.</p><p>A cultura visual já faz parte dos diferentes períodos da história da arte.</p><p>Por exemplo, na Idade Média, a cultura visual se apresentava nos temas religiosos</p><p>retratados nas imagens sacras. Assim, o tempo atual é marcado pela variedade de</p><p>imagens, representadas pelas culturas, e cada época é vista de uma maneira.</p><p>Quando o estudante realiza uma atividade vinculada ao conhecimento</p><p>artístico ele não só desenvolve uma habilidade manual ou um</p><p>dos sentidos, mas, sobretudo, delineia e fortalece sua identidade</p><p>em relação às capacidades de discernir, valorizar, interpretar,</p><p>compreender, respeitar, imaginar etc. o que lhe cerca e também a si</p><p>mesmo (HERNÁNDEZ, 2000, p. 42).</p><p>A cultura visual está nas imagens da publicidade, da moda e também da</p><p>arquitetura. Como professor de arte, observe a sua turma de alunos, que tipos de</p><p>imagens estão circulando nas aulas, verifique quem são os personagens de jogos</p><p>que aparecem nos desenhos. Será que as imagens exercem alguma influência nos</p><p>alunos? Instigue atividades artísticas que façam os alunos mostrarem tudo que</p><p>gera sentido a eles. Após, realize reflexões sobre os diferentes significados, sobre</p><p>as concepções estéticas existentes.</p><p>FIGURA 35 – CULTURA VISUAL PELA PUBLICIDADE</p><p>FONTE: <https://poracaso.com/sera-voce-pertence-geracao-so-cabecinha/>.</p><p>Acesso em: 28 dez. 2018.</p><p>194</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>DICAS</p><p>Leia este projeto: Cultura visual: as imagens da cidade a partir do olhar dos</p><p>alunos do Ensino Médio do Colégio Estadual Profª Cléia Godoy Fabrini da Silva, de autoria</p><p>de Aida Rosa Dieguez Sábio, de Londrina-PR.</p><p>Resumo: O presente trabalho se justifica ao destacar a Cultura Visual, que se encontra</p><p>enraizada na sociedade contemporânea, juntamente com os elementos visuais que estão</p><p>no entorno da escola e que devem contribuir para a compreensão de mundo, na produção</p><p>de significados visuais, estéticos, sonoros de nossos alunos. Os conteúdos programáticos,</p><p>aliados às mídias audiovisuais e à mediação do professor, devem contribuir com o processo</p><p>ensino e aprendizagem desses alunos, trazendo, assim, resultados imagéticos concretos</p><p>que ampliam os saberes e os conhecimentos na disciplina Arte.</p><p>Os objetivos principais desta pesquisa são: desenvolver nos alunos a competência crítica</p><p>de refletir a Cultura Visual partindo das diversas linguagens, identificando assim os aspectos</p><p>dessa Cultura Visual que está no entorno da escola e da cidade em que vivem. A abordagem</p><p>metodológica do projeto será a pesquisa-ação e, para o desenvolvimento do trabalho,</p><p>teremos como principal fio condutor Fernando Hernández, educador espanhol, estudioso</p><p>do campo da Cultura Visual e do Ensino da Arte. A aplicabilidade do trabalho será feita através</p><p>do método do estudioso que é o Projeto de Trabalho. A avaliação do referido trabalho será</p><p>feita através do Portfólio criado pelos alunos e da apresentação do produto final.</p><p>FONTE:<http://www.diaadiaeducacao.pr.gov.br/portals/cadernospde/pdebusca/producoes_</p><p>pde/2013/2013_uel_arte_pdp_aida_rosa_de_paula_dieguez.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>Martins (2004) mostra, a seguir, como observar objetos do cotidiano e</p><p>aprender com eles. No exemplo, ela usou xícaras.</p><p>FIGURA 36 – OBSERVANDO DIFERENTES XÍCARAS</p><p>FONTE: <https://educacao-em-foco02.webnode.com/artes/>. Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>195</p><p>Se você escolher outros materiais para explorar com seus alunos, é preciso</p><p>adaptar as questões. O primeiro passo é fazer uma descrição detalhada, para</p><p>conhecer as características e funções. Em seguida, passe às perguntas.</p><p>• Em sua casa as pessoas têm o hábito de tomar café e/ou oferecê-lo às visitas?</p><p>• Quais são as semelhanças e diferenças entre as xícaras ao lado? Descreva-as.</p><p>• Para que serve cada um de seus elementos? Por que foram desenhados assim?</p><p>• Todas as xícaras são utilizadas hoje? Onde? Por quem?</p><p>• É possível estimar em que época elas foram feitas? Quais elementos levam a</p><p>essas hipóteses? Por quem foram produzidas? Em que época?</p><p>• O que as imagens provocam em você? Perceba suas emoções e sensações.</p><p>• Como seu corpo reage às três xícaras e à obra de Regina Silveira?</p><p>• O que podemos pensar</p><p>sobre os hábitos de nossa cultura?</p><p>• Outros povos têm costume de tomar café? Eles produzem outros tipos de</p><p>xícara?</p><p>• Por que os americanos tomam a bebida em xícaras grandes? Por que os árabes</p><p>costumam ler a borra do café que fica no fundo da xícara?</p><p>• Como seria nosso autorretrato como xícara? Que tipo de xícara seríamos?</p><p>• O que se pode criar com base nas imagens anteriores? É possível inventar</p><p>histórias para cada uma, criar personagens com as mesmas características das</p><p>xícaras? Escrever, desenhar, dramatizar, dançar, esculpir uma cena da história?</p><p>Criar um novo desenho de xícara, pensando em quem tem um grande bigode</p><p>ou um enorme nariz?</p><p>Portanto, a cultura visual propõe levar o cotidiano do aluno, seu</p><p>conhecimento, suas experiências visuais para dentro da sala de aula. Você, futuro</p><p>professor, aproveite os interesses dos alunos e explore as imagens nas aulas com</p><p>pesquisas, reflexões e análises aprofundadas.</p><p>3 PROCESSOS CULTURAIS</p><p>A cultura visual é apresentada em sala de aula por meio de propostas</p><p>que envolvem o conhecimento cultural que se dá através das tradições, dos</p><p>hábitos e dos costumes de diferentes povos. Assim, é imprescindível saber que</p><p>os processos culturais trazem diferentes sentidos, significados, tudo isso em</p><p>meio às relações humanas.</p><p>A cultura visual se configura como um campo amplo, múltiplo, em que</p><p>se abordam espaços e maneiras como a cultura se torna visível e visível</p><p>se torna cultura. Corpus de conhecimento emergente, resultante de</p><p>um esforço acadêmico proveniente dos Estudos Culturais. A cultura</p><p>visual é considerada um campo novo em razão do foco no visual com</p><p>prioridade da experiência do cotidiano (MARTINS, 2004, p. 160).</p><p>A cultura visual apresentada na escola poderá abordar aspectos como o</p><p>pensar e o agir dos alunos, bem como dos diferentes povos. Conhecer outras</p><p>culturas, além da sua, possibilita respeito e valorização, distanciando pensamentos</p><p>preconceituosos e discriminatórios.</p><p>196</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>DICAS</p><p>Como proposta prática, segue uma sugestão da arte educadora e pedagoga</p><p>Ivete Raffa:</p><p>Postagem – "Arte Africana" – Colégio Canadá – Guarulhos – SP</p><p>Prof. Walkyria (Arte) e Marileide (Língua Portuguesa) - 7ºs, 8ºs e 9ºs anos.</p><p>Objetivo: Demonstrar uma nova forma de olhar a África, identificar seus valores culturais que tanto</p><p>influenciaram e influenciam a Cultura Brasileira (música, dança, pintura, espiritualidade etc.).</p><p>FIGURA 37 – EXPOSIÇÃO SOBRE ARTE AFRICANA</p><p>FONTE: <http://iveteraffa.blogspot.com/2016/08/arte-nas-escolas-arte-africana.html>.</p><p>Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>Atividade: Abayomi - Boneca de nós</p><p>Material: TNT preto ou papel crepom impermeável (Novaprint), tecido (Chitão estampado),</p><p>fita de cetim nº 01, guarda-chuva (suporte), barbante e tesoura.</p><p>FIGURA 38 – BONECAS DE NÓS DE TECIDO</p><p>TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>197</p><p>Modo de fazer:</p><p>• Fale para os alunos sobre as bonecas que eram feitas pelas mães das crianças nos navios</p><p>de escravos enquanto atravessavam o mar.</p><p>• Corte tiras de TNT ou papel crepom impermeável (preto ou marrom). Faça nós para</p><p>montar a boneca conforme imagem anterior.</p><p>• Com tecido (Chita) ou crepom faça a roupa. Amarre a fita na cintura.</p><p>• Pendure com barbante em sombrinhas para expor.</p><p>FONTE: <http://iveteraffa.blogspot.com/p/arte-nas-escolas.html>. Acesso em: 7 jan. 2019.</p><p>Pensar na cultura visual de maneira transdisciplinar, isto é, trazer para</p><p>a sala de aula a variedade de representações visuais que instigam e perpassam</p><p>as diferentes áreas e não apenas as artes visuais. Potencializa um exercício mais</p><p>amplo da cognição humana. Também é necessário confrontar imagens atuais</p><p>com imagens e obras antigas, para produzir conhecimentos históricos e novos</p><p>significados e saberes.</p><p>Como proposta prática referente à cultura visual, vamos conversar sobre o</p><p>artista Siron Franco (1947), pois suas obras estabelecem diálogos sobre contextos</p><p>sociais, políticos e ecológicos. Assim, o artista apresenta um discurso visual com</p><p>várias técnicas e processos culturais. Vamos conhecer a obra.</p><p>FIGURA 39 – OBRA SALVAI NOSSAS ALMAS 1, DA SÉRIE CÉSIO, 1999, DE SIRON FRANCO</p><p>FONTE: <https://artenaescola.org.br/ecoart/material/siron-franco/#/de-olho-no-artista-no-</p><p>brasil-e-no-mundo>. Acesso em: 27 dez. 2018.</p><p>198</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>O artista criou um grande painel em lona denunciando a contaminação</p><p>do meio ambiente pelo material radioativo césio 137, em Goiânia, em 1987,</p><p>composto por colagem de roupas, radiografias e pinturas. A criação é considerada</p><p>uma assemblage, que é um tipo de colagem. A criação é feita sobre um suporte</p><p>qualquer, escolhido pelo artista.</p><p>Como atividade, instigue os alunos sobre objetos e imagens que retratem a</p><p>sua vida, que contem histórias da família ou da comunidade em que vivem. Assim,</p><p>peça que tragam caixas vazias, imagens de revistas, fotografias, personagens que</p><p>gostam, tudo que envolva seus gostos e preferências.</p><p>A criação deve ser individual, construindo uma caixa assemblage, que</p><p>reúna vários objetos, recortes de imagens ou fotografias, ou tudo que faça trazer</p><p>algum sentido e significado em sua criação artística. Explore leituras e diálogos</p><p>em grande grupo apresentando os resultados das caixas da vida. Por fim, cada</p><p>aluno apresenta os sentidos e significados das escolhas mostradas em sua criação.</p><p>FIGURA 40 – CRIANDO CAIXAS DA VIDA</p><p>FONTE: <http://julian-arte.blogspot.com/p/planejamento.html>. Acesso em: 28 dez. 2018.</p><p>Portanto, as representações visuais, elencadas por cada aluno, têm relação</p><p>direta com as formas de socialização, do seu pensar e agir na sociedade, sendo</p><p>influenciadas pelo que veem, ouvem e/ou escutam no seu dia a dia.</p><p>DICAS</p><p>Leia o artigo: O desafio de fazer História com imagens: arte e cultura visual, de</p><p>Paulo Knauss. FONTE: <http://www.artcultura.inhis.ufu.br/PDF12/ArtCultura%2012_knauss.</p><p>pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>199</p><p>4 RECURSOS REFERENTES À CULTURA VISUAL</p><p>A cultura visual está por toda a parte na humanidade e deve</p><p>provocar pensamentos e reflexões. Imagens mostram o mundo, revelam seus</p><p>comportamentos, suas atitudes e formas de pensar. Imagens podem transformar</p><p>os pensamentos das pessoas e também instigam novas criações. Vamos pensar</p><p>sobre a imagem a seguir, chamada “Fatia de neve”, do artista britânico Andy</p><p>Goldsworthy (1956). O que seria a imagem? Onde foi feita? Qual foi o material</p><p>usado na criação? Tais materiais existem onde você mora?</p><p>FIGURA 41 – FATIA DE NEVE, 1987. ARTISTA ANDY GOLDSWORTHY. INSTALAÇÃO COM NEVE E</p><p>PEDAÇOS FINOS DE BAMBU. IZUMI-MURA (JAPÃO)</p><p>FONTE: <https://lugarnenhum.net/arte/esculturas-com-gelo/>. Acesso em: 27 dez. 2018.</p><p>A obra utiliza elementos naturais da natureza, como o gelo e o bambu, e é</p><p>considerada uma criação efêmera. O artista registra suas produções por meio da</p><p>fotografia, pois a obra tem pouco tempo de duração.</p><p>Pensando um pouco mais em criações efêmeras, que tal propor uma</p><p>prática aos alunos com montagens de elementos colhidos no caminho de casa</p><p>até a escola? Organize grupos de alunos e peça para comporem suas criações</p><p>em um espaço da escola. Lembre-se de registrar por meio da fotografia e, após,</p><p>desmontar e reorganizar os materiais. Lembre os alunos de não arrancarem</p><p>elementos da natureza, mas colherem o que está caído pelo chão.</p><p>A cultura visual está expressa na experiência cotidiana do ser humano e</p><p>assim vem discutir significados. As práticas educativas que são apresentadas em</p><p>sala de aula, que enfatizam a cultura visual, podem trazer discussões e fazer o</p><p>aluno pensar os significados para suas produções e possíveis escolhas.</p><p>200</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>Trabalhar com fotografia na escola também é uma boa opção para analisar</p><p>espaços, objetos e, consequentemente, conceitos estéticos, principalmente quando</p><p>houver a apreciação de fotografias antigas e atuais.</p><p>As propostas pedagógicas por meio da fotografia que buscam analisar</p><p>a cultura</p><p>visual podem ser interessantes para os alunos, justamente porque são</p><p>imagens do cotidiano, imagens atuais e que expressam significados culturais</p><p>relativos à vivência. Fotografias que retratam as pessoas (familiares, amigos,</p><p>festas, encontros), fotografia de paisagens, lugares e objetos trazem ricas</p><p>reflexões, mostrando as transformações do tempo, dialogando sobre as posturas,</p><p>comportamentos, hábitos e costumes.</p><p>DICAS</p><p>Leia o artigo: A arte contemporânea e a cultura visual na sala de aula, de</p><p>autoria de Ana Beatriz Campos Vaz.</p><p>Resumo: Tem a finalidade de discutir a arte contemporânea e a cultura visual e sua presença</p><p>na sala de aula, amparado em autores que refletem sobre a imagem, como mediadora,</p><p>dentro de uma perspectiva crítica.</p><p>FONTE: <https://seminarioculturavisual.fav.ufg.br/up/778/o/2014-eixo3_a_arte_contempo-</p><p>ranea_e_a_cultura.pdf>. Acesso em: 12 fev. 2019.</p><p>5 CONHECENDO PROPOSTAS PEDAGÓGICAS QUE</p><p>ENVOLVEM A CULTURA VISUAL</p><p>O campo da cultura visual é amplo, transdisciplinar e propõe uma análise</p><p>reflexiva sobre questões que estão relacionadas ao desenvolvimento humano</p><p>dentro dos diversos contextos sociais e culturais que demandam um conhecimento</p><p>abrangente dos signos e seus significados.</p><p>A seguir, serão apresentadas propostas sobre a cultura visual que podem ser</p><p>desenvolvidas nas aulas de artes tendo como objetivo estimular a percepção visual</p><p>e, consequentemente, a reflexão crítica dos alunos sobre os mais diversos conteúdos,</p><p>assuntos e temas. Veja uma sugestão de plano de aula sobre a cultura visual:</p><p>Objetivos:</p><p>• Discutir o papel das imagens na contemporaneidade.</p><p>• Realizar a semana da cultura visual na escola por um viés crítico-educativo.</p><p>TÓPICO 2 | CULTURA VISUAL E PROPOSTAS PEDAGÓGICAS</p><p>201</p><p>• Analisar a cultura do ver na experiência dos alunos.</p><p>Estratégias e recursos da aula:</p><p>• Aula sobre leitura de imagens (escolha imagens diversas sobre a temática que</p><p>você deseja trabalhar):</p><p>• Apresente aos alunos uma série de imagens e pesquise o que elas provocam</p><p>neles: sentimentos, impressões, pensamentos, ideias etc.</p><p>• Peça para que eles registrem em seus cadernos.</p><p>• Terminada a sessão de imagens, peça que socializem o que registraram em</p><p>seus cadernos com toda a turma.</p><p>• Aulas que irão trabalhar com as imagens:</p><p>• Após a análise das imagens, será desenvolvida uma produção visual sobre o</p><p>entorno da escola e da comunidade. Antes dos alunos iniciarem o trabalho</p><p>de campo, reúna os professores de diferentes disciplinas para a construção da</p><p>proposta de trabalho. Cada área, a partir de seus conhecimentos, irá contribuir</p><p>para a construção do projeto de produção visual dos grupos.</p><p>• Promova, com os alunos, uma excursão pela comunidade e entorno da escola e</p><p>peça que registrem as imagens diversas percebidas por eles: cenas do cotidiano,</p><p>o dia a dia da comunidade, os movimentos, a arquitetura, flora e fauna, aspectos</p><p>culturais dos hábitos daquela comunidade que são marcantes. Tais imagens</p><p>serão registradas em formato de vídeo, fotos, desenhos, esboços etc.</p><p>• Os grupos trarão para a sala de aula as imagens registradas e a leitura que</p><p>fizeram de tais registros, suas impressões, emoções, sentimentos envolvidos ao</p><p>manusearem tais imagens.</p><p>• Cada grupo socializará suas imagens e suas impressões registradas para toda</p><p>a turma.</p><p>• Aulas de organização da Semana da Cultura Visual</p><p>• Cada grupo organizará a apresentação da pesquisa realizada por meio de</p><p>cartazes, folders, panfletos etc. Também precisará se organizar com relação ao</p><p>espaço da exposição, horário etc.</p><p>• A comunidade poderá ser convidada a participar do evento. Solicite uma</p><p>avaliação da comunidade com feedback para os alunos.</p><p>• Aula: Conclusão do projeto</p><p>202</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>• Reserve um dia para que a atividade tenha uma avaliação conjunta entre alunos</p><p>e professores participantes do projeto.</p><p>Segue mais uma proposta por Paola Gentile, intitulada “Grande Viagem</p><p>Cultural”:</p><p>No início do ano passado, Célia Maria Meirelles começou a estudar</p><p>a formação do povo brasileiro por meio da arte com suas turmas de</p><p>7ª série na Escola Municipal Governador Ildo Meneghetti, em Porto</p><p>Alegre. Ninguém imaginava que o trabalho se estenderia por mais</p><p>de um ano – só está previsto para terminar em junho. Tudo começou</p><p>com um anúncio que a professora viu em uma revista. A página,</p><p>dividida em quatro faixas horizontais (nas cores vermelha, amarela,</p><p>branca e preta), tinha os dizeres: "Quando você mistura as cores</p><p>das quatro raças, você tem a cor da Terra". Ela usou o material para</p><p>cutucar a garotada e convidar a todos para uma longa viagem cultural.</p><p>Antes do embarque, uma reflexão sobre a palavra viagem, ilustrada</p><p>com imagens de jornais e revistas. Os alunos descreveram e justificaram</p><p>suas escolhas, falaram sobre as sensações ao apreciar os trabalhos. A</p><p>primeira escala foi no Brasil antes da chegada dos portugueses. Os</p><p>jovens estudaram o significado das formas geométricas presentes nas</p><p>pinturas corporais e em cestas e potes. Em seguida, produziram peças</p><p>de cerâmica e madeira.</p><p>Aproveitando o interesse provocado pela Copa do Mundo na Coreia</p><p>do Sul e no Japão, a Ásia virou foco de estudo. Durante uma semana,</p><p>todos anotaram o que viram nos jornais e ouviram na televisão sobre</p><p>o Oriente, para compartilhar dúvidas em classe. Depois, os alunos</p><p>participaram de oficinas de origâmis e chapéus típicos de papel-machê</p><p>e, junto com outros professores, tomaram chá verde em silêncio, como</p><p>em um típico ritual oriental.</p><p>A cultura negra rendeu estudos sobre tecidos e joias, com direito à re-</p><p>produção de estamparias e adereços – devidamente acompanhados de</p><p>textos explicativos. Neste ano, o trabalho recomeçou com os europeus.</p><p>Contudo, o grande barato é mesmo o produto final bolado por Célia</p><p>e seus alunos: a montagem de malas que revelassem todas as cultu-</p><p>ras estudadas, tal qual um turista que guarda objetos dos lugares que</p><p>visitou para nunca se esquecer do que aprendeu na viagem. FONTE:</p><p><https://novaescola.org.br/conteudo/1018/um-mundo-de-imagens-pa-</p><p>ra-ler>. Acesso em: 19 fev. 2019.</p><p>203</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>● A cultura visual possibilita diferentes leituras, compreensões, experiências</p><p>e percepções subjetivas, fazendo o aluno sentir, pensar, construir novos</p><p>conhecimentos a partir das imagens do cotidiano.</p><p>● As imagens da publicidade, da moda, da arquitetura, do dia a dia dos alunos</p><p>fazem parte da cultura visual.</p><p>● A cultura visual está expressa na experiência cotidiana do ser humano e, assim,</p><p>vem discutir significados e seus sentidos.</p><p>● As práticas educativas que são apresentadas em sala de aula, enfatizando</p><p>a cultura visual, podem trazer discussões e fazer o aluno pensar sobre os</p><p>significados existentes socialmente e culturalmente, promovendo escolhas,</p><p>opiniões e saberes diversos.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 2</p><p>204</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Segundo Martins (2004), sobre a cultura visual, assinale a alternativa</p><p>que preenche a lacuna corretamente: A cultura visual é considerada um</p><p>campo novo em razão do foco no visual com prioridade da experiência do</p><p>______________________.</p><p>a) cotidiano.</p><p>b) fazer artístico.</p><p>c) contextualizar.</p><p>d) imagético.</p><p>2 Sobre a cultura visual, segundo Tavin (2009), analise os itens a seguir:</p><p>I- Uma condição cultural na qual a experiência humana é profundamente</p><p>afetada por imagens, novas tecnologias do olhar e diversas práticas do</p><p>ver, mostrar e retratar.</p><p>II- Um conjunto inclusivo de imagens, objetos e aparatos.</p><p>III- Um campo de estudo crítico que examina e interpreta díspares</p><p>manifestações de experiências visuais em uma cultura.</p><p>IV- Uma condição cultural na qual a experiência humana não é afetada por</p><p>imagens e sim por práticas visuais.</p><p>Estão CORRETOS os seguintes itens:</p><p>a) Os itens II e III.</p><p>b) Os itens I e III.</p><p>c) Os itens I, III e IV.</p><p>d) Os itens I, II e III.</p><p>3 Organize uma proposta prática enfatizando os campos conceituais da arte</p><p>referentes à cultura visual nas aulas. Como exemplo, leve revistas para</p><p>recorte e peça para os alunos retirarem</p><p>uma imagem que mais chama a</p><p>atenção. Pense com os alunos no que seria feito com tal imagem. Por que</p><p>escolheram as imagens? Instigue os alunos a olharem. Que proposta prática</p><p>poderia ser feita? Anote suas ideias e monte um planejamento pensando</p><p>sobre a temática da cultura visual.</p><p>205</p><p>TÓPICO 3</p><p>PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E</p><p>MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>UNIDADE 3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>No terceiro tópico serão apresentadas as ferramentas, além dos materiais</p><p>visuais utilizados nas aulas de artes. O assunto se faz necessário, pois quando for</p><p>utilizar determinada ferramenta e material com os alunos, deve-se observar para</p><p>que é utilizado e como usar, principalmente em relação ao uso das tintas, uma vez</p><p>que nem todas as tintas são adequadas a todos os tipos de bases e/ou materiais.</p><p>Na produção de ferramentas e materiais visuais, os procedimentos serão</p><p>no “fazer” da criação, trazendo no texto o passo a passo de como organizar na</p><p>aula de artes.</p><p>2 CONHECENDO AS FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS</p><p>Nas aulas de artes, as ferramentas utilizadas são o quadro, giz, livros,</p><p>multimídia, obras de arte impressas, pincéis etc. As ferramentas são utilizadas</p><p>como apoio nos conteúdos de artes e nas criações do fazer artístico. Já os materiais</p><p>visuais são as tintas, os papéis, a tela.</p><p>Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial quando</p><p>se inicia a lecionar em uma escola. É importante verificar o que a escola oferece</p><p>de ferramentas e materiais, bem como o que os alunos podem trazer nas aulas.</p><p>Geralmente, a escola dispõe de uma lista de materiais para cada turma de alunos,</p><p>assim, providenciam para uso nas aulas.</p><p>É interessante organizar uma caixa, que pode ser uma caixa de sapato</p><p>usada, com os materiais de cada aluno para que seja utilizada durante o ano</p><p>letivo. Essa caixa pode ficar na sala de aula para que seja usada em todas as aulas,</p><p>não somente na aula de artes, mas sim, quando alguma aula sentir a necessidade</p><p>de desenvolver trabalhos artísticos como desenho, pintura, colagem, gravura</p><p>etc. Já para o professor, como sugestão de organizar os seus materiais, poderia</p><p>utilizar uma caixa maior, ou usar um armário ou até em uma mala antiga, e se a</p><p>mala tiver rodinha, é possível levar de sala em sala.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>206</p><p>Pensando sobre as ferramentas e materiais nas aulas de artes, para um</p><p>bom andamento de uma atividade artística, é preciso deixar organizado o que irá</p><p>utilizar com a turma de alunos. Assim, verifique com a escola ou com os alunos os</p><p>seguintes materiais para a realização da atividade, ou seja, se temos papéis (que</p><p>tipo de papéis), tintas (verificar as cores), os pincéis (verificar o tamanho), potes</p><p>para lavar os pincéis, panos para limpeza, jornais velhos, tesoura, cola, lápis de</p><p>cor (verificar as cores) e demais materiais que forem necessários. Tudo é essencial</p><p>para a realização das atividades artísticas.</p><p>Assim, os materiais que são considerados como itens básicos para as aulas de</p><p>artes são: pincéis, tintas, lápis de cor, giz de cera, canetinhas, papéis A4 e A3 (branco</p><p>e coloridos), tesoura, cola etc. Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 192), os</p><p>materiais fazem parte da obra, da criação, do suporte, da poética apresentada.</p><p>O estudo da materialidade das obras de artes nos aproxima da poética</p><p>dos materiais, do sentido que brota e de que modo brota da própria</p><p>matéria pela sua simbolização. Matéria, procedimentos com a matéria,</p><p>suportes e ferramentas estão envolvidos intrinsecamente.</p><p>Assim, se a escola não disponibiliza uma sala específica de artes e as aulas</p><p>acontecem na própria sala da turma, é preciso ter o cuidado com as mesas no</p><p>momento de atividades práticas, sendo necessário, muitas vezes, forrar as mesas</p><p>com jornais ou papéis velhos.</p><p>Durante o ano letivo, as aulas podem necessitar de outros materiais como</p><p>os recicláveis (garrafas pet vazias, caixas, rolinhos de papel higiênico etc.) ou</p><p>materiais orgânicos/naturais (folhas secas, pedras, sementes etc.). O professor</p><p>precisa se organizar antecipadamente para solicitar esse tipo de material para os</p><p>alunos. É importante estimular os alunos a reutilizarem e criarem produções a</p><p>partir de materiais recicláveis.</p><p>Para desenvolver produções artísticas, nada mais interessante que ter uma</p><p>sala de artes organizada que pode ser chamada de “ateliê escolar”. Segue uma</p><p>dica de como organizar um ateliê e quais atividades podem ser desenvolvidas.</p><p>O ateliê escolar, por mais modesto que seja, sempre será um local que</p><p>pode ser prazeroso tanto para o profissional como para os seus alunos ficarem à</p><p>vontade para usar a Arte como expressão.</p><p>Professor, prepare o seu palco!</p><p>• Viver a arte</p><p>As experiências em artes visuais são fundamentais na educação infantil.</p><p>O mais importante e básico é a criança ter espaço para viver a arte na escola.</p><p>TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>207</p><p>• Espaço</p><p>Previamente preparado com riqueza de materiais para que a criança possa</p><p>escolher o material para a sua expressão artística.</p><p>• Professor</p><p>Aula preparada sempre, se não conhece a técnica faz a sua experimentação</p><p>anteriormente. Explicar a proposta, incentivar o aluno para experimentar, trazer</p><p>informações, mostrar as possibilidades e deixar o aluno criar.</p><p>• Registro</p><p>Documentar o suporte (papel, caixa, sucata, tela) que será utilizado com</p><p>logo da escola, nome da criança, tema e técnica.</p><p>Caso o suporte seja a parede de azulejos, o chão etc., registre através da</p><p>fotografia.</p><p>O artista precisa ser valorizado, cuidando que a sua obra seja sempre</p><p>identificada, exposta para todos da escola e para os pais.</p><p>FIGURA 42 – GARFOS SENDO USADOS COMO PINCÉIS NA AULA DE ARTES</p><p>FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/como-montar-seu-atelie-</p><p>escolar/>. Acesso em: 18 fev. 2019.</p><p>• Sugestões de materiais para ateliê</p><p>• Tintas variadas e espessas (todas solúveis em água).</p><p>• Pincéis de variados tamanhos (chatos, redondos, brochas pequenas).</p><p>• Rolinhos de espuma.</p><p>• Lápis de cor, giz de cera e outros.</p><p>• Papéis canson, paraná, sulfite, kraft, revistas coloridas e outros.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>208</p><p>• Tela para pintura.</p><p>• Cola líquida para atividades diversas.</p><p>• Cola em bastão para uso no papel.</p><p>• Sucatas divididas por materiais: garrafas grandes, garrafas pequenas, retalhos</p><p>de papelão, retalhos de papéis coloridos, retalhos de madeira, caixas de ovos,</p><p>caixas grandes, caixas pequenas etc.</p><p>• Potes contendo: botões, pastilhas, lixas, folhas secas, sementes, serragem,</p><p>conchinhas, pedras pequenas, pedras lisas e rugosas, tampinhas variadas,</p><p>argolas grandes e pequenas, retalhos de tecidos, giz de lousa e de costura,</p><p>carvão para desenho, borrifadores, linhas, barbantes ou outros tipos de fios,</p><p>canudos de refresco, palitos de sorvete, rolhas de diversos tamanhos, cones de</p><p>linha e carreteis vazios, massa de modelar, argila, areia, farinha…</p><p>• E o que mais a criatividade imaginar.</p><p>Assim, vamos conhecer um relato escrito na revista Nova Escola, que</p><p>enfatiza sobre fabricar materiais apontando possibilidades artísticas, intitulado</p><p>“Meu pincel, minha tinta”, reportagem de Luiza Andrade (2009). FONTE:</p><p><https://novaescola.org.br/conteudo/1046/meu-pincel-minha-tinta>. Acesso em:</p><p>19 fev. 2019.</p><p>Considerado um dos maiores pintores do século 20, o francês Henri</p><p>Matisse (1869-1954) não era um artista de materiais convencionais.</p><p>Na década de 1940, para vivenciar um novo jeito de pintar, realizou</p><p>uma famosa série de obras com um pincel preso a uma longa vareta.</p><p>Isso transformou também o suporte de sua pintura: em vez da tela</p><p>tradicional, ele optou por um mural preso a uma parede. O francês não</p><p>está só: assim como Matisse, muitos artistas lançam mão de recursos</p><p>parecidos, utilizando galhos, folhas, escovas de dente e até vassouras</p><p>como ferramentas para realizar diversos quadros.</p><p>A sala de aula pode ser palco de um processo semelhante, que se</p><p>estende por todo o Ensino Fundamental.</p><p>Desenvolver esse tipo de</p><p>atividade com a classe permite explorar inúmeras formas de fazer arte.</p><p>"É experimentando que o artista descobre cada vez mais ferramentas,</p><p>suportes e procedimentos. Na escola, contemplar essa variação amplia</p><p>o leque de possibilidades expressivas dos alunos", diz Mirian Celeste</p><p>Martins. Para o professor, o trabalho começa antes mesmo de se propor</p><p>a atividade aos alunos. "É importante investigar materiais variados e</p><p>dedicar especial atenção aos recursos naturais próximos à escola que</p><p>podem servir de base para as ferramentas", explica Marisa Szpigel.</p><p>Em seguida, é o momento de convidar toda a turma para embarcar na</p><p>exploração.</p><p>Ao apresentar os exemplos que havia pesquisado, Silvanete Pereira</p><p>Lima, professora da 3ª série da EM Roseana Sarney, em Pindaré</p><p>Mirim, à 180 quilômetros de distância de São Luís, pediu que os</p><p>alunos trouxessem ideias de casa. O grupo soltou a imaginação e criou</p><p>ferramentas com gravetos, cabos de vassoura, bambus, canos, escovas</p><p>de dente e palitos de sorvete e de churrasco. Pelos, espumas, buchas</p><p>e penas, entre outros, foram presos aos suportes com barbante, linha</p><p>ou fita adesiva. No levantamento das matérias-primas para tintas, a</p><p>mesma avalanche de sugestões: areia colorida, argila, borra de café,</p><p>açaí, buriti, carvão, urucum, giz, cenoura, espinafre e beterraba.</p><p>TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>209</p><p>O conteúdo do 6º ao 9º ano – Nas séries finais do Ensino Fundamental,</p><p>os conteúdos já estudados nas aulas de Arte ficam mais complexos.</p><p>"É importante, sim, que o que já foi visto seja retomado, com</p><p>aprofundamento e ampliação do repertório", afirma Mirian Celeste</p><p>Martins. A fabricação de tintas e pincéis pode voltar, então, como uma</p><p>aliada de novos projetos. Um bom exemplo é incentivar os alunos</p><p>a encontrarem modos particulares de trabalhar com a cor. "Para</p><p>isso, você pode mostrar, como referência, obras de vários artistas</p><p>contemporâneos, como as do pintor e ilustrador paulista Paulo Pasta,</p><p>que revelam tons com contrastes sutis e brincam com a percepção da</p><p>cor; as do gaúcho Iberê Camargo (1914-1994), com grossas camadas e</p><p>muita tinta; e as do paulista Thomaz Ianelli (1932-2001), mais diluídas",</p><p>sugere Mirian. Nessa fase, a ideia é que as novas ferramentas e o</p><p>maior conhecimento de arte contemporânea possibilitem a cada aluno</p><p>a chance de desenvolver melhor uma forma própria de se relacionar</p><p>com as cores.</p><p>O ato de fabricar ferramentas é, por si só, conteúdo curricular: É</p><p>preciso ter em mente que a fabricação de pincéis e tintas não é</p><p>mera preparação para a aula. A atividade já é um conteúdo, pois o</p><p>aspecto final da obra depende diretamente da forma e da qualidade</p><p>das ferramentas. Você pode e deve pontuar o processo com questões</p><p>relativas ao produto final: que tipo de pincelada o pelo escolhido</p><p>para o pincel vai produzir? O que acontece se eu usar mais ou menos</p><p>pigmento na tinta? "Esse tipo de indagação estética faz todo sentido,</p><p>pois a ferramenta é um artefato com forma e função. A fabricação</p><p>não deve ser entendida como uma linha de produção, mas como</p><p>um processo de desenvolvimento de estratégias artísticas pessoais",</p><p>explica Marisa. A turma de 4º ano da EM Deputado José Carlos Vaz</p><p>de Miranda, em Vassouras, à 89 quilômetros de distância do Rio de</p><p>Janeiro, percebeu isso na prática. Entre a diversidade de pincéis criados</p><p>– com mato, pedaços de flores ou enfeites de durex colorido –, uma</p><p>das crianças escolheu um modelo com folhas de árvores bem grandes</p><p>e surpreendeu-se com o efeito. "Ela notou que bastava uma pincelada</p><p>para cobrir uma folha inteira de papel. Por isso, acabou precisando</p><p>encontrar um suporte maior para pintar", conta a professora Solange</p><p>Maria da Silva Guimarães. Instrumentos prontos, chega a hora de</p><p>utilizá-los para as pinturas, sempre no plural. É que, como explica</p><p>Mirian, um projeto de Arte não visa gerar apenas uma produção,</p><p>mas uma série que traduza as intenções de cada criança. "Ocorre o</p><p>mesmo com os artistas. Para pintar Guernica, Pablo Picasso (1881-</p><p>1973) fez uma série de esboços, que, além de servirem de base para o</p><p>quadro, são tão importantes que foram considerados obras acabadas,</p><p>inspirando outras criações do artista", afirma.</p><p>Propor uma série de pinturas para amadurecer a produção: O tema</p><p>dessa série de produções é bastante variável. "Pode ser livre, de</p><p>observação, de imaginação. O que será feito com os materiais é um</p><p>novo conteúdo e estimulará o debate sobre o que essa ferramenta</p><p>pode ajudar a produzir. É ainda uma boa hora para testar suportes</p><p>diferentes para a pintura, como mesa, parede e chão", diz Marisa.</p><p>A professora Silvanete optou pelo tema livre, do qual saíram cores,</p><p>texturas e formas surpreendentes. Já Solange escolheu o desenho de</p><p>observação de árvores do pátio da escola – isso depois de apresentar</p><p>referências variadas. Em todos os casos, o resultado é sempre diverso</p><p>daquele em que são usados materiais convencionais, pois introduz</p><p>não apenas ferramentas diferentes, mas também novos jeitos de pintar</p><p>e pensar a Arte.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>210</p><p>DICAS</p><p>Leia na íntegra o texto e conheça as imagens. FONTE: <https://novaescola.</p><p>org.br/conteudo/1046/meu-pincel-minha-tinta>. Acesso em: 7 jan. 2019.</p><p>3 PRODUZINDO FERRAMENTAS E MATERIAIS VISUAIS</p><p>Como sugestão, ao realizar uma atividade em sala de aula, com alunos que</p><p>já a terminaram e para não ficarem ociosos e andando pela sala, apresente a caixa</p><p>de ideias. Pode ser produzido o material colocando em uma sacola ou caixa. Dentro</p><p>da caixa colocar as palavras de temas que os alunos poderão desenhar. A atividade</p><p>será por sorteio, isto é, o aluno coloca a mão na sacola ou caixa e retira dela um</p><p>bilhete, no qual está escrito algum tema. O desenho será construído a partir do</p><p>sorteio do assunto. Os alunos gostam, muitas vezes sorteiam mais de um tema, e</p><p>assim, a cena se constrói com mais detalhes, misturando as temáticas sorteadas.</p><p>DICAS</p><p>Temas/palavras para o sorteio:</p><p>Parque de diversões, navio de piratas, casa assombrada, loja de brinquedos, supermercado,</p><p>sorveteria, caverna do dragão, circo, fazenda, piquenique, zoológico, aquário, templo oriental,</p><p>convenção das bruxas, consultório de dentista, nave extraterrestre, festival de música, noite</p><p>de natal, baile de carnaval, morada de anjos celestiais, mundo submarino, lançamento de</p><p>foguete, praia, vale dos dinossauros, casamento, estúdio de televisão, floresta selvagem,</p><p>fábrica de automóveis, jardim florido, estação de trem, corrida de fórmula 1, piscina do clube,</p><p>banda de rock, palácio do imperador, confeitaria, salão de beleza, cinema, tribo de índios,</p><p>castelo medieval, vampiros, colmeia, missa católica, cemitério, festa de aniversário, super-</p><p>heróis, restaurante, barcos, mundo de gnomos, tendas de ciganos, bombeiros, antigo Egito,</p><p>país das maravilhas, corrida de balões, desfile de moda, acampamento, mapa do tesouro,</p><p>exposição de artes, corrida de cavalos, terra da fantasia, inferno, pizzas e saladas, hospital,</p><p>páscoa, festa junina, bebê chorando, bicicleta, cachorro e gato, castelo, dinossauro, Mickey</p><p>e Minnie, Bob esponja, Peppa, borboletas azuis, panelas e xícaras, vassoura, sofá e abajur.</p><p>As palavras como temas de desenho e criação podem ser escritas em</p><p>papéis e recortadas uma a uma, dobradas e colocadas em uma caixa ou bolsa</p><p>de sorteio. Mantenha o material sempre em mãos para usar quando necessário.</p><p>Outros materiais podem ser produzidos para as aulas de artes, a seguir alguns</p><p>exemplos com passo a passo:</p><p>TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>211</p><p>DICAS</p><p>Leia o plano de aula.</p><p>FONTE: <http://marinatanzi.blogspot.com/2016/07/plano-de-aula-com-massinha-de-mde</p><p>lar.html>. Acesso em: 15 fev. 2019.</p><p>• Massa de modelar caseira:</p><p> Materiais necessários: 1 xícara de sal de cozinha, 4 xícaras de farinha de trigo, 2</p><p>colheres de óleo de cozinha, 1 colher de vinagre branco, 1 xícara e meia de água.</p><p> Como fazer:</p><p>Misture todos os ingredientes e amasse-os. Para colorir utilize</p><p>corantes alimentícios de várias cores. Guarde cada cor em um pote e coloque</p><p>na geladeira para não estragar.</p><p> Proposta pedagógica: é possível criar inúmeras formas figurativas e/ou</p><p>abstratas tridimensionais.</p><p>FIGURA 43 – RECEITA E PASSO A PASSO DA MASSINHA DE MODELAR CASEIRA</p><p>FONTE: <http://www.mamaetagarela.com/massinha-de-modelar-caseira/>. Acesso em: 28 dez. 2018.</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>212</p><p>• Cola colorida:</p><p> Materiais necessários: precisamos de corantes como anelina ou guache e cola</p><p>branca.</p><p> Como fazer: misturar bem a cola com o corante.</p><p> Proposta pedagógica: é possível criarmos pinturas diversas, bem como</p><p>trabalharmos com linhas inspiradas em várias obras de arte, por exemplo,</p><p>obras abstratas.</p><p>DICAS</p><p>Livro de técnicas da Faber Castell. FONTE: <http://educacao.faber-castell.</p><p>com.br/wp-content/uploads/2014/07/livrotecnicas-parte2.pdf>. Acesso em: 29 dez. 2018.</p><p>● Papel reciclado:</p><p> Materiais necessários: balde, água, bacias/vasilhas plásticas, molduras com</p><p>tela (que podem ser substituídas por peneiras), papéis usados, jornal, cola ou</p><p>grude, liquidificador.</p><p> Como fazer: 1) preparar as mesas da sala de aula forrando-as com jornal; 2)</p><p>disponibilize os materiais aos alunos: balde, água, bacias/vasilhas plásticas,</p><p>molduras com tela (que podem ser substituídas por peneiras), papéis usados,</p><p>jornal, cola ou grude; 3) solicite aos alunos para que piquem os retalhos de papel</p><p>coletados e coloquem de molho em uma bacia/balde com água; 4) coloquem o</p><p>papel amolecido no liquidificador com água e batam a mistura para obtenção</p><p>da polpa; 5) despejem a polpa em uma vasilha grande e quadrada com água;</p><p>6) colham a polpa com a moldura (ou peneira) de baixo para cima, no sentido</p><p>de criar uma película sobre a tela; 7) coloquem para secagem em local seguro e</p><p>de fácil ventilação.</p><p> Proposta pedagógica: é possível aproveitar o papel reciclado como tela, moldura,</p><p>capa etc., criando sobre ele pinturas, desenhos, gravuras, colagens etc.</p><p>TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>213</p><p>FIGURA 44 – RESULTADO DO PAPEL RECICLADO</p><p>FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=19338>.</p><p>Acesso em: 2 jan. 2019.</p><p>Leia na íntegra um plano de aula sobre o papel reciclado. O plano conta</p><p>em detalhes o processo de produção de papel, desde pesquisas com os alunos com</p><p>sugestões de leituras. Acesse o link a seguir. FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/</p><p>fichaTecnicaAula.html?aula=19338>. Acesso em: 15 fev. 2019.</p><p>UNI</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>214</p><p>• Criando pincéis: que tal produzir pincéis com esponjas usadas?</p><p> Materiais necessários: esponja de espuma (tipo de lavar louça), tesoura,</p><p>grampos de roupa.</p><p> Como fazer: corte em pequenos pedaços a esponja e prenda cada pedaço em</p><p>um grampo de roupa. Criar vários pincéis de esponja para utilizar todas as</p><p>cores.</p><p> Proposta pedagógica: a pintura poderá ser de carimbar ou esfregar sobre</p><p>diversos tipos de papéis.</p><p>FIGURA 45 – PINCÉIS COM GRAMPO E ESPONJA</p><p>FONTE: <https://trabalhosdaprofivani.blogspot.com/2012/09/jogos-e-atividades-ludicas-com.</p><p>html>. Acesso em: 17 jan. 2019.</p><p>DICAS</p><p>Leia na íntegra um plano sobre uso de pincéis como a esponja explorando o</p><p>estudo das cores.</p><p>FONTE: <https://planosdeaula.blogspot.com/2006/10/aula-de-artes.html>.</p><p>Acesso em: 15 fev. 2019.</p><p>TÓPICO 3 | PROCESSO DE CRIAÇÃO DAS FERRAMENTAS E MATERIAIS UTILIZADOS NAS AULAS DE ARTES</p><p>215</p><p>LEITURA COMPLEMENTAR</p><p>QUE MATERIAIS SÃO USADOS NA ARTE MODERNA?</p><p>Na Arte Moderna, os materiais utilizados variam conforme as preferências</p><p>do artista. Se for pintor, escultor, cinegrafista ou fotógrafo, o meio determinará os</p><p>tipos de materiais que serão utilizados. Praticamente qualquer coisa imaginável</p><p>pode ser usada dentro de todos os distintos ramos da arte visual.</p><p>Pintura</p><p>Pintores usam a tinta para expressar suas ideias no mundo real, de uma</p><p>maneira que a fotografia não é capaz. Pinturas são vivas. A tinta pode ser aplicada</p><p>em toda superfície tratada. Tudo o que é necessário são algumas demãos de gesso,</p><p>o qual é um fundo especialmente desenvolvido para a pintura. É necessário lixar</p><p>entre as camadas. Pintores usam tinta a óleo, acrílica ou guache. Todas as três</p><p>têm o poder de fazer obras de arte incríveis. Cada uma é diferente das outras e</p><p>possui características particulares. Artistas de aquarela usam um papel especial</p><p>para esse tipo de tinta. Pintores também podem utilizar bisnagas de tinta a óleo,</p><p>que são específicas para a pintura.</p><p>Desenho</p><p>Pintores devem ser capazes de desenhar bem para fazer pinturas de</p><p>qualidade. Em retratos usa-se caneta, carvão, pastel, hidrocor, giz, lápis e</p><p>lápis de cor. Qualquer uma das ferramentas pode ser usada em conjunto ou</p><p>individualmente para fazer uma obra de arte. Caneta e tinta normalmente são</p><p>compradas separadamente e a caneta é de um tipo especial. O carvão vegetal</p><p>é utilizado em folhas maiores, geralmente papel-jornal para o esboço e papel</p><p>de qualidade superior para a obra final. O carvão pode aparecer em uma</p><p>variedade de cores. Por vezes, no entanto, apenas o preto é utilizado. Artistas</p><p>usam canetas hidrocor para preencher com cor, e para criar renderizações e</p><p>desenhos requintados. Giz colorido é popular entre artistas de rua, que criam</p><p>representações brilhantes nas calçadas. Já o lápis de cor deve ser pressionado</p><p>para fazer renderizações mais escuras, que têm mais apelo do que desenhos</p><p>levemente sombreados. Desenhistas podem recorrer a qualquer superfície que</p><p>desejam. Podem desenhar na cartolina, prancheta, papel branco, papel colorido,</p><p>ou na superfície mais adequada.</p><p>Mistura de materiais</p><p>Artistas que misturam materiais usam imagens, padrões, tecidos,</p><p>papel, plástico, formas tridimensionais, materiais secos. Os artistas podem usar</p><p>praticamente qualquer coisa para poderem fazer uma obra de arte. Eles juntam</p><p>materiais sobre madeira, tela emoldurada, ou sobre qualquer superfície plana ou</p><p>UNIDADE 3 | PROPOSTAS PEDAGÓGICAS EM ARTES</p><p>216</p><p>curva com a qual seja possível fazer uma obra de arte. Esses artistas se inspiram</p><p>em sua experiência pessoal e em outros artistas para formular uma obra de arte.</p><p>Selecionam materiais que se relacionam com a ideia que desejam transmitir.</p><p>Às vezes, também podem utilizar itens aparentemente desconexos e deixar o</p><p>admirador fazer associações entre os materiais. Ainda, por vezes, os materiais</p><p>são combinados meramente pelo efeito estético que proporcionam.</p><p>Escultura</p><p>No contexto da arte tridimensional, nada vai tão longe quanto os materiais</p><p>usados nela. Escultores já fizeram esculturas de tudo, desde peças de automóveis</p><p>até pétalas de flores. Eles adicionam ou removem materiais quando fazem</p><p>esculturas. Também podem fazê-las em moldes. Em um processo subtrativo, eles</p><p>esculpem removendo partes dos materiais. Também usam madeira, pedra-sabão,</p><p>mármore, e qualquer coisa que possa ser esculpida com um cinzel ou ferramentas</p><p>elétricas. Quando criam suas esculturas, alguns artistas fazem um molde de</p><p>plástico, borracha ou gesso. O molde pode ser preenchido com resina, bronze ou</p><p>qualquer material passível de ser fundido.</p><p>Fotografia e vídeo</p><p>Fotógrafos usam uma variedade de dispositivos e acessórios para poderem</p><p>criar imagens incríveis. Eles podem escolher uma vasta gama de modelos de</p><p>câmeras, das baratas às mais caras. Podem usar lentes grande-angular para</p><p>capturar imagens a uma grande distância. Ainda, podem usam filtros de luz</p><p>para capturar um brilho específico. Uma gama de lentes está disponível para fins</p><p>específicos. E eles ainda podem usar Photoshop para ajustar e modificar imagens.</p><p>Já os videomakers usam o Adobe Premiere para editar, combinar e adicionar</p><p>som a produções de vídeo. Ambos usam tripés para equilibrar e estabilizar suas</p><p>câmeras. Kits de iluminação são usados para fornecer a quantidade certa de luz</p><p>no lugar exato em que se deseja.</p><p>Leia o texto na íntegra acessando o</p><p>link a seguir.</p><p>FONTE: <https://www.ehow.com.br/materiais-usados-moderna-sobre_6407/>. Acesso em: 30 out. 2018.</p><p>217</p><p>Neste tópico, você aprendeu que:</p><p>● As ferramentas são utilizadas como apoio nos conteúdos de artes e nas criações</p><p>do fazer artístico.</p><p>● Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial para desenvolver</p><p>produções artísticas.</p><p>● Verificar o que a escola oferece de materiais e o que os alunos podem trazer nas</p><p>aulas são boas estratégias para iniciar o planejamento.</p><p>● Os materiais que são considerados itens básicos para as aulas de artes são:</p><p>pincéis, tintas, lápis de cor, giz de cera, canetinhas, papéis A4 e A3 (brancos e</p><p>coloridos), tesoura, cola, entre outros.</p><p>● Se a escola não disponibiliza uma sala de artes específica, e as aulas acontecem</p><p>na própria sala da turma, é preciso ter o cuidado com as mesas no momento de</p><p>atividades práticas.</p><p>● Durante o ano letivo, as aulas podem necessitar de outros materiais como</p><p>recicláveis ou materiais orgânicos/naturais.</p><p>● Crie com os alunos os materiais em sala de aula desenvolvendo o estudo de</p><p>conteúdos de arte.</p><p>RESUMO DO TÓPICO 3</p><p>218</p><p>AUTOATIVIDADE</p><p>1 Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010), assinale a alternativa que</p><p>preenche a lacuna a seguir CORRETAMENTE:</p><p>“Combinações de materiais. Cada material, uma _____________ que dá</p><p>consistência física à obra de arte”.</p><p>a) criação</p><p>b) exposição</p><p>c) combinação</p><p>d) matéria</p><p>2 Assinalar a alternativa que preenche a lacuna CORRETAMENTE:</p><p>Conhecer os materiais visuais para as aulas de artes é essencial quando se</p><p>inicia a lecionar em uma escola. É importante verificar o que a escola oferece</p><p>de ferramentas e materiais, bem como, o que os alunos podem trazer nas aulas.</p><p>Geralmente, a escola dispõe de uma ___________ para cada turma de alunos,</p><p>assim, os mesmos providenciam estes materiais para uso nas aulas de artes.</p><p>a) lista de materiais</p><p>b) caixa de materiais</p><p>c) caixa de ferramentas</p><p>d) lista de livros</p><p>3 Crie uma proposta prática para a aula de artes produzindo um material</p><p>com os alunos, como produção de tintas. Observe no texto do Tópico 3 as</p><p>sugestões já utilizadas. Vamos lá!</p><p>219</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ARGAN, Giulio Carlo. Arte moderna. São Paulo. Companhia das Letras, 1992.</p><p>BARBOSA Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: Editora C/Arte. 1998.</p><p>BARBOSA, Ana Mae. A imagem no ensino da Arte: anos 1980 e novos tempos.</p><p>8. ed. São Paulo: Perspectiva, 2010.</p><p>BARBOSA, Ana Mae. Arte-educação: leitura no subsolo. Editora Cortez 2. ed.</p><p>São Paulo, 1991.</p><p>BARBOSA, Ana Mae. Inquietações e mudanças no ensino de arte. São Paulo:</p><p>Cortez, 2002.</p><p>BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo: Cultrix,</p><p>1978.</p><p>BARBOSA, Ana Mae. Teoria e prática da educação artística. São Paulo: Cultrix,</p><p>1975.</p><p>BARBOSA, Ana Mae. Tópicos utópicos. Belo Horizonte: C/Arte, 1998.</p><p>BARBOSA, Ana Mae; CUNHA, Fernanda Pereira da (Orgs.). Abordagem</p><p>triangular: no ensino</p><p>das artes e culturas visuais. São Paulo: Cortez, 2010.</p><p>BARBOSA, Ana. Mae. Dilemas da arte/educação como mediação cultural em</p><p>namoro com as tecnologias contemporâneas. In: BARBOSA, Ana Mae (Org.).</p><p>Arte/educação contemporânea: consonâncias internacionais. São Paulo: Cortez,</p><p>2005. p. 98-112.</p><p>BELL, Julian. Uma nova história da arte. Martins fontes. São Paulo, 2008.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e Desporto. Secretaria de Educação</p><p>Fundamental. Parâmetros Curriculares Nacionais: arte. Brasília: MEC/SEF, 1997.</p><p>BRASIL, Ministério da Educação e Desportos. Secretária da Educação</p><p>Fundamental. Referencial Curricular Nacional para a Educação Infantil:</p><p>conhecimento de mundo. v. 3. Brasília: MEC/SEF, 1998.</p><p>BRASIL. Ministério da Educação, Cultura e do Desporto. Secretaria do Ensino</p><p>Fundamental. SEF. Parâmetros Curriculares Nacionais: Artes. Brasília: MEC/</p><p>SEF, 1993.</p><p>220</p><p>BRASIL. Ministério da Educação. Secretaria de Educação a Distância. Coleção</p><p>Proinfantil: módulo IV: unidade 5. Brasília, 2006.</p><p>BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros Curriculares</p><p>Nacionais: arte. Secretaria de Educação Fundamental. Brasília: MEC/SEF,</p><p>1998a.116 p.</p><p>BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares</p><p>nacionais: terceiro e quarto ciclos: apresentação dos temas transversais /</p><p>Secretaria de Educação Fundamental. – Brasília : MEC/SEF, 1998b. 436 p.</p><p>BRASIL. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares</p><p>nacionais: apresentação dos temas transversais, ética / Secretaria de Educação</p><p>Fundamental. – Brasília: MEC/SEF, 1997.</p><p>BUENO, Luciana Estevam Barone. Linguagem das artes visuais. Curitiba:</p><p>Ibpex, 2008.</p><p>COLI, Jorge. O que é arte. São Paulo: Brasiliense, 1995.</p><p>FERRAZ, MARIA Heloísa; FUSARI, Maria F. de Rezende. Metodologia do</p><p>ensino de arte: fundamentos e proposições. São Paulo: Cortez, 2009.</p><p>FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática</p><p>educativa. 23. ed. São Paulo: Paz e Terra, 1996.</p><p>HERNÁNDEZ, Fernando. Catadores da cultura visual: proposta para uma</p><p>nova narrativa educativa. Porto Alegre: Mediação, 2007.</p><p>HERNÁNDEZ, Fernando. Cultura visual, mudança educativa e projeto de</p><p>trabalho. Porto Alegre: Artmed, 2000.</p><p>HERNÁNDEZ, Fernando. Transgressão e Mudança na Educação: os projetos</p><p>de trabalho. Porto Alegre: Artmed, 1998</p><p>HOLM, Anna Marie. Fazer e pensar arte. São Paulo: Museu de Arte Moderna,</p><p>2005.</p><p>IAVELBER, Rosa. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de</p><p>professor. Porto Alegre: Artmed, 2003.</p><p>IAVELBER, Rosa. Para gostar de aprender arte: sala de aula e formação de</p><p>professor. Porto Alegre: Artmed, 2003.</p><p>INSTITUTO ARTE NA ESCOLA. As máquinas de Guto Lacaz. DVDteca Arte</p><p>na Escola. São Paulo: Instituto Arte na Escola, 2006.</p><p>221</p><p>KLEIMAN, Ângela B. Leitura e interdisciplinaridade: tecendo redes nos</p><p>projetos da escola/ Ângela B. Kleiman, Silvia E. Moraes. – Campinas, SP:</p><p>Mercado das Letras, 1999. (Coleção Ideias sobre Linguagem).</p><p>KOHL, Mary Ann; SOLGA, Kim. Descobrindo grandes artistas: a prática da</p><p>arte para crianças. Ed. Artmed, 2001</p><p>LARROSA, Jorge. Tremores: escritos sobre experiência. Autêntica Editora,</p><p>2015.</p><p>LOPES, Patrícia. Arte Cênica. S.d. https://brasilescola.uol.com.br/artes/arte-</p><p>cenica.htm. Acesso em: 12 mar. 2019.</p><p>MANTOAN, Maria Tereza Égler. Inclusão escolar: O que é? Por quê? Como</p><p>fazer? São Paulo: Moderna, 2003.</p><p>MARTINS, Miriam Celeste (Org.). Teoria e prática do ensino de arte: a língua</p><p>do mundo. São Paulo: FTD, 2010.</p><p>MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria</p><p>Terezinha Telles. Didática do ensino de arte: a língua do mundo, poetizar, fruir</p><p>e conhecer arte. São Paulo: FTD, 1998.</p><p>MARTINS, Mirian Celeste Ferreira Dias; PICOSQUE, Gisa; GUERRA, Maria</p><p>Terezinha Telles. Teoria e prática do ensino de arte: a língua do mundo. São</p><p>Paulo: FTD, 2010.</p><p>MARTINS, Raimundo. Cultura visual: imagem, subjetividade e cotidiano. In:</p><p>MEDEIROS, Maria Beatriz. Arte em pesquisa: especialidades. Brasília: Editora</p><p>de Pós-Graduação em Arte da Universidade de Brasília, 2004.</p><p>MITTLER, Peter. Educação inclusiva: contextos sociais. São Paulo: Artmed,</p><p>2003.</p><p>PARÂMETROS CURRICULARES NACIONAIS: Arte. Secretaria de Educação</p><p>Fundamental. Brasília: MEC/SEF, 1997.</p><p>PEREIRA, Katia Helena. Como usar as artes visuais na sala de aula. 2. ed., São</p><p>Paulo: Contexto, 2009.</p><p>POUGY, Eliana Gomes Pereira. Arte: soluções para dez desafios do professor.</p><p>São Paulo: Ática, 2011.</p><p>PROPOSTA CURRICULAR DE SANTA CATARINA. Arte. Disponível em:</p><p>http://www.uniedu.sed.sc.gov.br/index.php/graduacao/proesde/curso-de-</p><p>extensao/midiateca/proposta-curricular-de-santa-catarina/359-2014-proposta-</p><p>curricular-de-santa-catarina-formacao-integral-na-educacao-basica/file. Acesso</p><p>em: 16 jul. 2018.</p><p>222</p><p>RAACH, Adriana Beatriz Pacher. A construção do conhecimento na disciplina</p><p>de arte: práticas pedagógicas por meio das tecnologias móveis sem fio. 2016.</p><p>135 f. Dissertação (mestrado em Educação) – Centro Universitário La Salle,</p><p>Canoas, 2016. Disponível em: http://biblioteca.unilasalle.edu.br/docs_online/tcc/</p><p>mestrado/educacao/2016/abpraach.pdf.</p><p>Acesso em: 10 fev. 2018.</p><p>ROSENTHAL, Dália. Artes. São Paulo: Blucher, 2013. v. 9 (Série A reflexão e a</p><p>prática no ensino).</p><p>SANTOS, Milton. Técnica, espaço, tempo: globalização e meio técnico científico</p><p>informacional. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008.</p><p>TATI, Ana; MACHADO, Maria Silvia Monteiro. 300 Propostas de artes visuais.</p><p>São Paulo: Loyola, 2004.</p><p>TAVIN, Kevin M. Contextualizando a visualidade na vida cotidiana: problemas</p><p>e possibilidades do ensino de cultura visual. In: MARTINS, Raimundo;</p><p>TOURINHO, Irene. Educação da cultura visual: narrativas de ensino e pesquisa.</p><p>Santa Maria: UFSM, 2009.</p><p>ZORDAN, Paola (Org.). Iniciação à docência em artes visuais – guia e</p><p>experiências. São Leopoldo: Oikos, 2011.</p><p>o que poderia ser de outra maneira na imagem, talvez outro cenário? Sobre</p><p>a época que foi pintada ou criada, como seria esta obra nos dias de hoje? Discutir</p><p>com os alunos sobre a imagem, suas características, fazendo novas leituras,</p><p>novas interpretações. Assim, é possível criar uma nova composição artística, uma</p><p>releitura da obra apresentada de maneira contextualizada.</p><p>Podemos utilizar como exemplo uma atividade desenvolvida de maneira</p><p>contextualizada em sala de aula. Os alunos de uma turma de anos iniciais do</p><p>ensino fundamental e outra do ensino médio conheceram a obra “Natureza-morta</p><p>com maçãs e laranjas” (1895-1900) do artista francês Paul Cézanne, uma pintura</p><p>em óleo sobre tela com dimensões de 74x93 cm. O artista Cézanne, ao pintar suas</p><p>naturezas-mortas, estudava os detalhes dos objetos que iria desenhar e pintar.</p><p>FIGURA 2 – NATUREZA MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS, DE PAUL CÉZANNE. 1895-1900,</p><p>OST, 74 X 93CM</p><p>FONTE: <http://artenarede.com.br/blog/wp-content/uploads/2014/08/Macas-e-laranjas-</p><p>Cezanne.png>. Acesso em: 1 nov. 2018.</p><p>A obra “Natureza morta com maçãs e laranjas”, do artista Paul Cézanne,</p><p>foi apresentada em uma atividade de gincana, quando os alunos do ensino</p><p>médio tinham o desafio de montar o quebra-cabeça da obra. Depois de montado,</p><p>tinham que utilizar seus celulares para pesquisa e realizar a busca da imagem na</p><p>internet, verificando qual foi o artista que pintou, explicando a vida e a obra como</p><p>atividade de gincana escolar.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>11</p><p>FIGURA 3 – MONTANDO QUEBRA-CABEÇA DA OBRA “NATUREZA MORTA COM MAÇÃS E</p><p>LARANJAS” DO ARTISTA PAUL CÉZANNE</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>Outra atividade que foi desenvolvida com o ensino fundamental nos</p><p>anos iniciais apresentava a obra através da leitura de imagem, conversando com</p><p>a turma de alunos sobre a vida do artista e características da obra. Os alunos</p><p>realizaram a dobradura de papel no formato que lembrasse uma maçã.</p><p>FIGURA 4 – RELEITURA COLETIVA DA OBRA NATUREZA-MORTA COM MAÇÃS E LARANJAS</p><p>(1895-1900) DO ARTISTA PAUL CÉZANNE</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>12</p><p>Na figura, percebemos relações com a obra original. Os alunos seguiram</p><p>os passos da construção de uma dobradura em que a forma lembrasse uma maçã,</p><p>a fruta que mais aparece na obra de arte estudada. Assim, cada aluno criou suas</p><p>maçãs imaginárias, usando tipos de linhas, cores e formas. Estas maçãs não</p><p>poderiam existir para comprar. Todas as maçãs criadas através da dobradura</p><p>foram mostradas na composição coletiva, um painel único com a participação dos</p><p>alunos, compondo assim uma releitura da obra analisada.</p><p>Barbosa (2010, p. 20) relata que “nossa ideia de leitura da imagem é</p><p>construir uma metalinguagem da imagem. Não é falar sobre uma pintura, mas</p><p>falar a pintura num outro discurso, às vezes silencioso, algumas vezes gráfico, e</p><p>verbal somente na sua visibilidade primária”.</p><p>Assim, atividades contemplam a leitura de imagem utilizando materiais</p><p>simples do cotidiano, como criações com materiais recicláveis, por exemplo, utilizando</p><p>rolinhos de papel higiênico ou pratos de papelão. Vejamos, a seguir, alguns exemplos</p><p>de atividades que mostram criações feitas com determinados materiais.</p><p>FIGURA 5 – SILHUETAS PINTADAS EM PRATOS DE PAPELÃO</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>Para a criação foi usada uma silhueta (apenas contorno de uma imagem</p><p>recortada), prato de papelão e uma esponja, fazendo esponjado com a tinta</p><p>guache. O uso do prato de papelão mostrou um ótimo resultado, e a tinta guache</p><p>aderiu muito bem. Lembramos que o material é de fácil acesso. Em realidades</p><p>mais distantes podem até usar pedaços de papelão, como retirar partes de uma</p><p>caixa, por exemplo.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>13</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>Na figura a seguir, as crianças construíram pássaros com rolinhos de papel</p><p>higiênico. A atividade foi desenvolvida através da observação e contextualização</p><p>das pinturas do artista brasileiro Aldemir Martins, analisando a obra pássaro e</p><p>outros animais que o artista pintou usando as cores primárias.</p><p>FIGURA 6 – PÁSSARO COM ROLINHOS DE PAPEL HIGIÊNICO</p><p>Na atividade do pássaro, o próprio corpo do animal foi construído com</p><p>um rolinho de papel higiênico. Os alunos da educação infantil montaram seu</p><p>próprio pássaro com partes já pré-desenhadas, depois pintaram, recortaram e</p><p>montaram seu trabalho, assim, o pássaro criado pode ser um brinquedo ou até</p><p>um móbile.</p><p>Os alunos precisam de oportunidades de contato com outros materiais em</p><p>sala de aula, variando as atividades de arte, não apenas só o uso dos lápis de cores e</p><p>dos papéis. Segundo Raach (2016, p. 31), “os sujeitos reconstroem o conhecimento,</p><p>os professores têm o desafio de reconstruir as práticas pedagógicas”. Para Barbosa</p><p>(2010, p. 20):</p><p>Nossa concepção de história da arte não é linear, mas pretende</p><p>contextualizar a obra de arte no tempo e explorar suas circunstâncias</p><p>em lugar de estarmos preocupados em mostrar a chamada “evolução”</p><p>das formas artísticas através do tempo. Pretendemos mostrar que a</p><p>arte não está isolada de nosso cotidiano, de nossa história pessoal.</p><p>A partir das abordagens teóricas e práticas trazidas pelo professor em sala</p><p>de aula, são nas produções artísticas que os alunos têm possibilidade de escolhas,</p><p>tanto de cores, materiais, e assim, testar tudo isto, ter ideias e muitas vezes, até</p><p>mudando a ideia inicial pensada. São momentos de experimentações quando aos</p><p>poucos os alunos descobrem seus próprios gostos e estilos de criações, criando seu</p><p>próprio percurso artístico. Tudo isso remete ao aluno o contato com as diferentes</p><p>linguagens da arte que estudaremos a seguir.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>14</p><p>3 AS LINGUAGENS DA ARTE</p><p>A disciplina de arte é subdividida em áreas de conhecimento. As diferentes</p><p>áreas estão subdivididas em: artes visuais, artes cênicas (teatro), dança e música.</p><p>Agora, caro acadêmico, veremos um pouco de cada linguagem artística com</p><p>sugestões de atividades, mas em especial iremos observar estratégias pedagógicas</p><p>nas artes visuais.</p><p>Assim, “são as linguagens da arte que fazem vivenciar na vida e na sala</p><p>de aula a emoção, a sensibilidade, o pensamento, a criação, seja através de nossa</p><p>própria produção, seja através das obras dos mais diversos autores e artistas”</p><p>(MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 9).</p><p>Contudo, o que seria a linguagem? Para Martins, Picosque e Guerra (2010,</p><p>p. 32), “pode-se dizer que linguagem é um sistema simbólico e toda linguagem é</p><p>um sistema de signos”. A linguagem é uma representação do mundo, refletindo</p><p>a nossa realidade. Por exemplo, a palavra casa. Temos sobre determinado objeto</p><p>a própria casa, desenhos de casas, fotografias de casas, maquetes de casas. São</p><p>signos ou símbolos da palavra casa.</p><p>“Arte é uma forma de criação de linguagens – a linguagem visual, a</p><p>linguagem musical, a linguagem do teatro, a linguagem da dança e a linguagem</p><p>cinematográfica, entre outras” (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 35).</p><p>Temos muitas linguagens que se cruzam nas linguagens artísticas, que se</p><p>articulam, que se transformam. “Toda linguagem artística é um modo singular</p><p>de o homem refletir– reflexão/reflexo – seu estar no mundo. Quando o homem</p><p>trabalha nessa linguagem, seu coração e sua mente atuam juntos em poética</p><p>intimidade (MARTINS; PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 35). E o que você, caro</p><p>acadêmico, entende das linguagens artísticas? Reflita um pouco!</p><p>ATENCAO</p><p>Pense sobre a pergunta “O que são linguagens artísticas?” e converse com</p><p>seus colegas sobre a questão. Anote em seu caderno as suas reflexões e compartilhe-as.</p><p>Pensando mais nas linguagens artísticas, iniciamos com a fala de Barbosa</p><p>(2010, p. 4), que diz que a “arte não é enfeite. Arte é cognição”. Assim, a arte</p><p>apresenta-se em seus diversos espaços e tempos, através das diversas linguagens</p><p>que propõem novos diálogos, novas</p><p>poéticas.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>15</p><p>A linguagem da arte nos permite ver o mundo mostrando-o de</p><p>modo condensado e sintético, extrapolando o que é previsível e o</p><p>que é conhecido. É no modo de pensamento do fazer da linguagem</p><p>da arte que a intuição, a percepção, o sentimento/pensamento e o</p><p>conhecimento se condensam. Nessa construção, o artista percebe, relê</p><p>e repropõe o mundo, a vida e a própria arte, produzindo imagens</p><p>únicas, inconfundíveis e insubstituíveis, imagens poéticas (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 39).</p><p>Na imagem a seguir, podemos perceber a materialidade de maneira</p><p>diferente, as poéticas possíveis, fazendo referência à linguagem das artes visuais.</p><p>FIGURA 7 – MARIO CEROLI: CHINA (1966). MADEIRA PERFILADA. 10X10M. ROMA.</p><p>PROPRIEDADE DO AUTOR</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 585)</p><p>A arte surge a partir da criação humana. Os primeiros registros foram feitos</p><p>nas paredes de cavernas, considerada como arte rupestre. Assim, a arte comunica-</p><p>se pela estética, pelo visual, trazendo emoções e sensações ao espectador, como</p><p>na pintura, na escultura, no teatro e na dança.</p><p>Criar arte é uma necessidade do ser humano, muitas vezes também é o</p><p>reflexo de uma situação social, registrando e mostrando algo histórico ou cultural</p><p>ocorrido em uma determinada sociedade/época.</p><p>A Arte está presente no cotidiano da vida infantil. Ao rabiscar e desenhar</p><p>no chão, na areia e nos muros, ao utilizar materiais encontrados ao</p><p>acaso (gravetos, pedras, carvão), ao pintar os objetos e até mesmo seu</p><p>próprio corpo, a criança pode utilizar-se das linguagens da arte para</p><p>expressar experiências sensíveis (BRASIL, 1998a, p. 85).</p><p>Portanto, a arte está presente no cotidiano do ser humano. No início, a arte</p><p>era apenas imitação da realidade, mas com o passar do tempo, surgiram os diversos</p><p>períodos artísticos que influenciaram nas produções do ser humano. As produções</p><p>apresentaram transformações com o passar do tempo que continuam até os dias</p><p>de hoje, como podemos ver na pintura a seguir, considerada arte contemporânea.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>16</p><p>FIGURA 8 – ARTISTA BEATRIZ MILHAZES: PINTURA, 1997. ACRÍLICA SOBRE TELA, 179.50 CM X</p><p>300.00 CM. ACERVO BANCO ITAÚ (SÃO PAULO, SP)</p><p>FONTE: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/obra36295/menino-pescando>.</p><p>Acesso em: 25 jun. 2018.</p><p>Como sugestão, a atividade referente à pintura da artista Beatriz Milhazes</p><p>é uma pintura de flores diversas com tintas e pincel sobre pratos de papelão,</p><p>fazendo relações com tipos de flores, cores, formas e linhas. Temos o resultado</p><p>tanto para o figurativo quanto para o abstrato, como podemos observar na</p><p>imagem a seguir.</p><p>FIGURA 9 – FLORES PINTADAS COM TINTAS NO PRATO DE PAPELÃO A PARTIR DAS OBRAS DA</p><p>ARTISTA BEATRIZ MILHAZES</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>17</p><p>Arte contemporânea: O que é? Diversos estudos mostram que em 1960 iniciam-</p><p>se os movimentos artísticos chamados pop art e minimalismo, criações artísticas diversas,</p><p>rompendo com a arte moderna. As barreiras se rompem, não são apenas pinturas ou esculturas,</p><p>mas articulam diversas linguagens, que se cruzam, como a dança, música, pintura, teatro,</p><p>escultura etc., desafiando os padrões de arte tradicionais, surgindo a arte contemporânea.</p><p>Você encontra mais informações no link a seguir: FONTE <http://enciclopedia.itaucultural.</p><p>org.br/termo354/arte-contemporanea>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>Também fica como sugestão um vídeo do Youtube chamado Arte Contemporânea – Isso é</p><p>arte? FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=c7WAbSnINuQ>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>IMPORTANTE</p><p>No entanto, para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 47):</p><p>Na linguagem da arte, há criação, construção, invenção. O ser humano,</p><p>por meio dela, forma, transforma a matéria oferecida pelo mundo da</p><p>natureza e da cultura em algo significativo. Atribui significados a</p><p>sons, gestos, cores, com uma intenção, num exercício que mais parece</p><p>um jogo de armar, um quebra-cabeça no qual se busca a forma justa.</p><p>Vários caminhos são percorridos, várias soluções são experimentadas,</p><p>num processo de ir e vir, um fazer/construir lúdico/estético.</p><p>Os vários caminhos da criação, experimentação, dos processos de construir</p><p>e desconstruir são vistos nas obras da artista Lygia Clark, como no exemplo da</p><p>imagem a seguir.</p><p>FIGURA 10 – OBRA “SÉRIE BICHOS” DA ARTISTA LYGIA CLARK (1960)</p><p>FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/lygia-clark/>. Acesso em: 25 maio 2018.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>18</p><p>A obra de Lygia Clark traz o novo conceito, uma arte participativa, que</p><p>dialoga. O processo de experimentação pode ser apreciado, manipulado pelo</p><p>espectador, surgindo novas criações/composições.</p><p>DICAS</p><p>Como sugestão, é possível encontrar mais sobre a trajetória da artista Lygia</p><p>Clark no seguinte material: FONTE: <http://artenaescola.org.br/uploads/dvdteca/pdf/arq_</p><p>pdf_51.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>Seguindo as leituras, veremos mais sobre as particularidades das</p><p>linguagens das artes visuais, das artes cênicas (teatro), dança e da música.</p><p>3.1 A LINGUAGEM DAS ARTES VISUAIS</p><p>Vamos iniciar um diálogo pela linguagem das artes visuais, também</p><p>conhecidas como Artes Plásticas. Você, acadêmico, irá se identificar com algumas</p><p>práticas já desenvolvidas e outras servem de inspiração para que em sua trajetória</p><p>como educador possa explorar e adaptar para cada realidade de escola e alunos.</p><p>Segundo Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 51):</p><p>A criação artística desvela em imagens – sonoras, visuais, cênicas – o</p><p>nosso modo singular de captar e poetizar a realidade. Cada um de nós,</p><p>combinando percepção, imaginação, repertório cultural e histórico, lê</p><p>o mundo e o apresenta à sua maneira, sob o seu ponto de vista, por</p><p>meio de formas, cores, sons, movimentos, ritmo, cenário.</p><p>A linguagem das artes visuais apresenta o mundo imagético, as criações</p><p>artísticas através das cores e das formas. Contudo, não engloba apenas os desenhos</p><p>e as pinturas em si, apresenta também a expressão, a visualidade, isto é, não só</p><p>a área da plasticidade. Está relacionada a tudo que se vê, como as esculturas,</p><p>arquiteturas, fotografias, entre tantas outras.</p><p>Lembramos que o surgimento da tecnologia e o desenvolvimento da</p><p>sociedade fizeram com que muitas criações novas aparecessem e consideradas</p><p>também como linguagem das artes visuais. Podemos ver na arte digital, nas</p><p>histórias em quadrinhos, entre outras. Segundo Martins, Picosque e Guerra</p><p>(2010, p. 125-126), para que o aluno consiga “poetizar, fruir e conhecer” a</p><p>linguagem das artes visuais, o professor necessita propiciar:</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>19</p><p>• O pensamento visual tornado visível, materializado, por meio da</p><p>forma e da materialidade.</p><p>• A pesquisa e a leitura da estrutura da linguagem visual e da</p><p>articulação de seus elementos constitutivos: ponto, linha, forma,</p><p>cor, textura, dimensão, movimento, volume, luz, planos, espaços,</p><p>equilíbrio, ritmo, profundidade etc...</p><p>• A experimentação e a leitura dos diferentes modos da linguagem</p><p>visual: assemblage, bodyart, cerâmica, colagem, desenho, escultura,</p><p>fotografia, grafite, gravura (metal, xilogravura, serigrafia etc.),</p><p>happening, HQ, instalação, landart, livro de artista ou livro-objeto,</p><p>performance, pintura (mural, têmpera, óleo, acrílico, aquarela etc.),</p><p>ready-made, site specific, tapeçaria, videoarte, webart, desenho de</p><p>animação etc...</p><p>• O manuseio e a seleção de matérias, ferramentas, suportes e</p><p>procedimentos e suas especificidades como recursos sígnicos</p><p>expressivos.</p><p>• Os processos de criação em artes visuais, percebendo os trajetos,</p><p>as escolhas, o perseguir ideias, os repertórios pessoais e culturais</p><p>tanto em poéticas pessoais como em processos colaborativos como</p><p>se vê hoje na arte contemporânea com a autoria dos denominados</p><p>“coletivos”.</p><p>• O patrimônio cultural das artes visuais, incluindo monumentos,</p><p>edifícios, museus e seus acervos, sítios arqueológicos etc...</p><p>• As relações com outras linguagens, como arquitetura, cenografia,</p><p>cinema, design gráfico, figurino, moda, ourivesaria, publicidade etc.</p><p>No entanto, apresentaremos algumas definições (conceitos) com práticas já</p><p>desenvolvidas em sala de aula. Lembramos que todo livro de estudos referenciará</p><p>as propostas pedagógicas em artes, em especial, nas artes visuais.</p><p>DICAS</p><p>Linguagem das Artes Visuais (2012)</p><p>O livro faz parte de uma coleção chamada</p><p>Metodologia do ensino de artes, da editora IBPEX,</p><p>contém 152 páginas e foi escrito por Luciana</p><p>Estevam Barone Bueno. A autora propõe reflexões a</p><p>respeito das imagens que estão ao nosso redor, das</p><p>inúmeras informações que encontramos através</p><p>dos elementos da linguagem visual, fazendo assim,</p><p>ter um novo olhar para as artes.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>20</p><p>Nas aulas de arte, é preciso que os professores tragam propostas</p><p>diferenciadas. Não deve ser comum ficar sempre nas mesmas manifestações</p><p>artísticas. É preciso mostrar e deixar o aluno experienciar. As artes visuais na</p><p>educação, no espaço escolar, despertam os alunos para uma análise estética mais</p><p>crítica, estimulando a criatividade e a reflexão.</p><p>A seguir será apresentada uma sequência de manifestações artísticas da</p><p>linguagem visual que pode ser direcionada ao espaço escolar, trabalhadas nas</p><p>aulas de arte:</p><p>Desenho: a linguagem do desenho se constrói através do uso da linha,</p><p>pelas direções e intensidades, mostrando a ideia, a composição. É parte do</p><p>processo artístico. Muitas vezes são realizados desenhos (esboços ou rascunhos)</p><p>para uma pintura ou escultura, por exemplo. Um artista que usa muito o desenho</p><p>é Escher, como podemos ver na imagem:</p><p>FIGURA 11 – DESENHOS DE ESCHER</p><p>FONTE: <http://webpages.fc.ul.pt/~ommartins/seminario/escher/desenhando-se.html>.</p><p>Acesso em: 2 jun. 2018.</p><p>Para as aulas de artes, o desenho pode ser apresentado de diversas</p><p>maneiras, sendo dirigido e mediado pelo professor ou não. Apresente materiais</p><p>diferentes, explore as possibilidades com os alunos. O uso de imagens de revistas</p><p>ajuda a trabalhar o desenho, trazendo os elementos da linguagem visual, como</p><p>linhas, formas, texturas.</p><p>A figura a seguir é um exemplo de desenho feito a partir de uma imagem</p><p>de revista e o preenchimento foi com uso de linhas, formas, texturas.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>21</p><p>FIGURA 12 – DESENHOS PRODUZIDOS A PARTIR DA IMAGEM DE REVISTA</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>DICAS</p><p>No canal YOUTUBE encontramos um vídeo chamado: O DESENHO NÃO</p><p>TEM FIM.</p><p>Este vídeo mostra a partir da desmontagem de uma instalação da artista Sandra Cinto. O</p><p>documentário fala sobre questões que movem seu trabalho. A temporalidade de projetos</p><p>contemporâneos inspira uma discussão poética sobre o início e o fim das coisas. A origem</p><p>da expressão do artista e o valor do que vai ser necessariamente apagado.</p><p>FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=DQyZARscYAk>. Acesso em 3 nov. 2018.</p><p>• Pintura: é uma prática muito desenvolvida, em que se exploram as cores,</p><p>diferentes tons, formas, linhas e texturas. É possível realizar em diferentes</p><p>superfícies e materiais. Temos muitas pinturas em destaque, mas a obra a</p><p>seguir, uma pintura de Toulouse Lautrec, nos remete a observar as luzes e</p><p>texturas que a tinta (cor) apresenta.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>22</p><p>FIGURA 13 – HENRI DE TOULOUSE-LAUTREC: A TOALETE (1896); ÓLEO SOBRE PAPELÃO,</p><p>0,67X0,54M. PARIS, MUSÉE D`ORSAY</p><p>FONTE: Argan (1992, p. 129)</p><p>Para criar pinturas em sala de aula com os alunos, explore o uso das tintas</p><p>e materiais. Como sugestão, use caixas de tampa de sapato vazias para serem</p><p>“telas” e explore uma pintura com tintas e cotonetes. É possível fazer criações</p><p>relacionando com períodos e estilos artísticos, como é o caso da técnica do</p><p>pontilhismo do artista Georges Seurat.</p><p>FIGURA 14 – PONTILHISMO COM COTONETES E TINTA</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>23</p><p>• Escultura: para a linguagem da escultura, explora-se o uso da matéria, ou seja,</p><p>os altos e baixos relevos, os volumes e, assim, faz-se a moldagem. A escultura</p><p>pode ser feita com diversos materiais, como: argila, madeira, gesso, sabão,</p><p>massinha de modelar.</p><p>DICAS</p><p>O escultor australiano Ron Mueck, que faz esculturas gigantes de fibra de</p><p>vidro, é considerado um artista hiper-realista.</p><p>FONTE: <http://artesemfronteiras.com/esculturas-gigantes-de-ron-mueck/>.</p><p>Acesso em: 25 jun. 2018.</p><p>Encontre mais sobre o trabalho do artista no Youtube: “Ron Mueck – Esculturas humanas –</p><p>Genial – Jornal Hoje”.</p><p>FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=Im6goyEZYPw>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>Para explorar a escultura em sala de aula, temos algumas possibilidades</p><p>de uso do sabonete, sabão ou argila. Na imagem a seguir, temos esculturas de</p><p>argila feitas por alunos do ensino fundamental. Após secagem natural das peças,</p><p>pintaram com tinta guache. Os alunos exploraram a argila através da modelagem</p><p>do alto e baixo relevo e, assim, vivenciaram também os conceitos do bidimensional</p><p>e tridimensional.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>24</p><p>FIGURA 15 – ESCULTURA DE ARGILA FEITA POR ALUNOS DO ENSINO FUNDAMENTAL</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>O que é bidimensional e tridimensional?</p><p>Bidimensionalidade: são criações como desenhos e pinturas, pois apresentam altura e largura.</p><p>Tridimensionalidade: é uma criação que apresenta largura, altura e profundidade. A criação</p><p>pode ser observada de todos os lados, ângulos, como um objeto por exemplo.</p><p>IMPORTANTE</p><p>• GRAVURA: consiste no uso de uma matriz (base). São feitas várias impressões,</p><p>várias cópias da matriz. Lembra inicialmente um carimbo, e é usada a tinta</p><p>para impressão do desenho que está na matriz. A gravura é feita de diferentes</p><p>materiais, como xilogravura (madeira) gravura em metal (placa de metal);</p><p>litogravura (pedra calcária).</p><p>Na escola, a técnica artística poderá ser trabalhada com bandejas de</p><p>isopor, relacionando com a técnica da xilogravura, pois o desenho precisa ser</p><p>bem marcado na matriz. O desenho é feito diretamente na bandeja de isopor,</p><p>apertando o lápis, fazendo marcas de baixo relevo. Depois é só passar um rolinho</p><p>de tinta e fazer a impressão.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>25</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>FIGURA 16 – ISOPORGRAVURA FEITO NA ESCOLA POR UMA ALUNA</p><p>A partir da proposta da técnica da gravura feita em isopor, podemos fazer</p><p>relações com as outras técnicas de gravura, como é o caso do artista Iberê Camargo,</p><p>que fez criações com diversas técnicas, como mostra a figura da gravura de metal.</p><p>FIGURA 17 – IBERÊ CAMARGO – CARRETÉIS, GRAVURA EM METAL</p><p>FONTE: <http://www.bolsadearte.com/oparalelo/o-carretel-de-ibere-camargo>.</p><p>Acesso em: 25 jun. 2018.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>26</p><p>DICAS</p><p>Neste link encontra-se um material educativo das obras do artista Iberê</p><p>Camargo! Aproveite e baixe seu material! FONTE: <http://www.iberecamargo.org.br/site/</p><p>uploads/multimediaExposicao/270320130044_Ibere%20Camargo%20o%20carretel%20</p><p>meu%20personagem.pdf>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>• Fotografia: é uma linguagem artística atual. O registro do momento é o</p><p>resultado de uma composição artística. Há um artista brasileiro muito</p><p>conhecido chamado Vik Muniz, sendo que seu trabalho é mostrado através do</p><p>registro da fotografia. Em sala de aula, a fotografia poderá ser feita através do</p><p>uso dos aparelhos celulares.</p><p>FIGURA 18 – VIK MUNIZ – SÉRIE CATADORES DE LIXO DE GRAMACHO QUE ORIGINOU O</p><p>DOCUMENTÁRIO “LIXO EXTRAORDINÁRIO” – DUQUE DE CAXIAS – RIO DE JANEIRO – BRASIL</p><p>FONTE: <https://www.historiadasartes.com/prazer-em-conhecer/vik-muniz/#jp-carousel-5929>.</p><p>Acesso em: 25 jun. 2018.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>27</p><p>DICAS</p><p>A partir das composições que Vik Muniz</p><p>realizou na série catadores de lixo,</p><p>pode-se explorar com os alunos a observação das imagens e construir em grupos de</p><p>alunos composições com diversos materiais. Após o desenvolvimento do trabalho</p><p>é necessário realizar o registro do resultado final utilizando a fotografia.</p><p>FIGURA 19 – MONTAGEM DE UMA COMPOSIÇÃO COM MATERIAIS DIVERSOS</p><p>FONTE: Acervo pessoal da autora. (2018)</p><p>Filme Lixo extraordinário</p><p>O filme Lixo extraordinário é um documentário</p><p>de 99 minutos, que foi produzido no ano de</p><p>2010, mostrando um dos maiores aterros</p><p>sanitários do mundo, o Jardim Gramacho, no</p><p>Rio de Janeiro, com a participação do artista</p><p>plástico Vik Muniz. O artista explora o espaço</p><p>e constrói obras a partir do lixo com a ajuda</p><p>dos catadores e o resultado se dá através das</p><p>fotografias.</p><p>Veja o filme completo no Youtube.</p><p>FONTE: <https://www.youtube.com/watch?v=61eudaWpWb8>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>28</p><p>• Arquitetura: é a linguagem da arte que se apresenta no uso de espaços e está</p><p>presente em nosso cotidiano. Como importante arquitetura atual, temos o</p><p>prédio da Fundação Iberê Camargo – localizada em Porto Alegre/RS, feito pelo</p><p>arquiteto contemporâneo português Álvaro Siza Vieira.</p><p>FIGURA 20 – FUNDAÇÃO IBERÊ CAMARGO</p><p>FONTE: <https://www.historiadasartes.com/sala-dos-professores/fundacao-ibere-camargo/>.</p><p>Acesso em: 25 jun. 2018.</p><p>Como sugestão de atividade, apresente em sala de aula uma retrospectiva</p><p>em imagens sobre a arquitetura desde a pré-história até a atualidade. No fazer</p><p>artístico, deixe os alunos produzirem com papéis, dobraduras, recorte e colagem</p><p>ou até técnica mista, isto é, mistura de vários materiais.</p><p>FIGURA 21 – CRIAÇÃO FEITA POR ALUNOS NO ANO DE 2018</p><p>FONTE: Acervo Clara Schley, (2018).</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>29</p><p>• Artes gráficas: criadas pelo surgimento da tecnologia, referem-se às criações por</p><p>meio de programas e aplicativos de computador. Atualmente são considerados</p><p>como artes gráficas animações, videoarte, performances, entre outros.</p><p>FIGURA 22 – OBRA: UBU TELLS THE TRUTH [UBU CONTA A VERDADE], 1997, FILME DE</p><p>ANIMAÇÃO EM 35 MM COM FOTOS DOCUMENTAIS E FILME DE ARQUIVO EM 16 MM</p><p>TRANSFERIDO PARA VÍDEO</p><p>FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_</p><p>William-Kentridge-%E2%80%93-fortuna.pdf>. Acesso em: 18 ago. 2018.</p><p>DICAS</p><p>No material educativo a seguir, encontramos a biografia do artista William</p><p>Kentridge e obras de arte que estavam na exposição do museu em Porto Alegre no ano de</p><p>2013. Também há sugestões de atividades que podem ser desenvolvidas em sala de aula</p><p>com os alunos. Uma atividade que se encontra neste material e que pode ser adaptada às</p><p>artes gráficas é o uso de revistas e jornais.</p><p>Os alunos desenham a cada dia ou nas aulas de artes um personagem sobre uma folha de</p><p>jornal, criando desenhos (personagens) com pequenos movimentos, isto é, são pequenas</p><p>alterações no personagem do desenho. Após uma série de desenhos é possível fotografar</p><p>um a um e colocar movimento, usando um aplicativo (de sua escolha) para transformar</p><p>as fotos em um vídeo de animação. FONTE: <http://iberecamargo.org.br/wp-content/</p><p>uploads/2018/07/Material-Dida%CC%81tico_William-Kentridge-%E2%80%93-fortuna.pdf>.</p><p>Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>30</p><p>DICAS</p><p>Caro acadêmico! É preciso pesquisar sempre, pois a cada dia surgem novas</p><p>obras de arte com a utilização de novos materiais em espaços diversos.</p><p>3.2 A LINGUAGEM DAS ARTES CÊNICAS (TEATRO E DANÇA)</p><p>As artes cênicas envolvem o corpo em sua expressão, em seus movimentos</p><p>e apresenta-se através de um palco, de um cenário. O fato se refere ao teatro, que</p><p>se subdivide em trágico (imita a vida), comédia (lado irônico e contraditório),</p><p>dramático (refere-se aos conflitos humanos), musical (através de músicas) e dança</p><p>(expressões vindas da mímica). Acontece por meio da representação, através de</p><p>um espaço e, assim, é visto pela plateia, pelos espectadores. (LOPES, s.d.)</p><p>Para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 50), o teatro e a dança remetem</p><p>ao corpo. “O corpo projeta imagens, sensações, pensamentos. O corpo é ao mesmo</p><p>tempo autor e intérprete que, em cena, apresenta ações-movimentos por meio das</p><p>mediações e nas relações entre o externo e o interno”. Qualquer que seja o tipo</p><p>de apresentação é preciso ter alguém que coordena, que seja um diretor de cena.</p><p>Tornar sensível a criança aos signos da linguagem teatral é também</p><p>criar contextos significativos para a conversa sobre conceitos do teatro</p><p>e de sua história, bem como sobre aqueles que exercem o ofício teatral,</p><p>como o ator, o dramaturgo, o diretor, o encenador, o cenógrafo, o</p><p>figurinista e tantos outros que mantêm viva a magia teatral (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 124).</p><p>São atividades que podem ser desenvolvidas nas aulas de artes como esquetes</p><p>teatrais, teatros de sombras, teatro com fantoches. Como sugestão de atividade na</p><p>educação infantil e anos iniciais, uma proposta pedagógica como teatro de fantoches</p><p>poderá contemplar o fazer artístico pela confecção de fantoches de meia.</p><p>FIGURA 23 – FANTOCHES DE MEIA</p><p>FONTE: <https://www.artesanatopassoapassoja.com.br/como-fazer-fantoches-de-meia/>.</p><p>Acesso em: 25 jun. 2018.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>31</p><p>DICAS</p><p>Quer um plano da linguagem teatral na pré-escola? Acesse o link e veja!</p><p>FONTE: <https://novaescola.org.br/conteudo/6451/linguagem-teatral-na-pre-escola>.</p><p>Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>Como linguagem artística, o teatro se expressa pela cenografia, pela</p><p>contação de histórias, pela dramatização, pela performance, pelo teatro de</p><p>bonecos, tudo através da representação teatral.</p><p>Na linguagem da dança, percebemos atualmente um distanciamento</p><p>das aulas de artes. A disciplina de educação física, muitas vezes, abre o espaço e</p><p>realiza situações de aprendizagem com a dança, como em eventos escolares, com</p><p>apresentações dos alunos.</p><p>Assim, para Martins, Picosque e Guerra (2010, p. 128), “o acesso a</p><p>espetáculos de dança erudita, popular, clássica, moderna, contemporânea ou</p><p>qualquer outro modo de dança permitirá ao aprendiz uma experiência estética,</p><p>além de proporcionar-lhe a apreciação significativa da arte do movimento”.</p><p>3.3 A LINGUAGEM DA MÚSICA</p><p>A linguagem musical se expressa através das músicas, suscitando</p><p>pensamentos e emoções que muitas vezes nem compreendemos pela letra da</p><p>canção que se está ouvindo ou cantando. Faz parte da cultura humana e em</p><p>diferentes épocas foi vista em rituais, com funções distintas.</p><p>A música é a linguagem que se traduz em formas sonoras capazes</p><p>de expressar e comunicar sensações, sentimentos e pensamentos, por</p><p>meio da organização e relacionamento expressivo entre o som e o</p><p>silêncio. A música está presente em todas as culturas, nas mais diversas</p><p>situações: festas e comemorações, rituais religiosos, manifestações</p><p>cívicas, políticas etc. Faz parte da educação desde há muito tempo,</p><p>sendo que, já na Grécia antiga, era considerada como fundamental</p><p>para a formação dos futuros cidadãos, ao lado da matemática e da</p><p>filosofia. A integração entre os aspectos sensíveis, afetivos, estéticos</p><p>e cognitivos, assim como a promoção de interação e comunicação</p><p>social, conferem caráter significativo à linguagem musical. É uma das</p><p>formas importantes de expressão humana, o que por si só justifica sua</p><p>presença no contexto da educação, de um modo geral, e na educação</p><p>infantil, particularmente (BRASIL, 1998a, p. 45).</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>32</p><p>Assim, a melodia, o ritmo e a harmonia se compõem na linguagem</p><p>musical, pois os sons só acontecem e necessitam sempre de alguém que execute,</p><p>que tenha intenções. Sobre as intenções da arte, Martins, Picosque e Guerra (2010,</p><p>p. 48) vão dizer que:</p><p>[...] tudo na obra de arte tem uma intenção. Há uma intenção em cada</p><p>gesto, cor, movimento, postura. Com alguma intenção, um</p><p>compositor</p><p>faz predominar os sons graves sobre os agudos em determinada</p><p>composição. A ação intencional do autor/artista é que define seu</p><p>trabalho, mesmo quando opta pela música aleatória ou por jogar tinta</p><p>sobre a tela.</p><p>A atmosfera criada através da música pode estar junto às representações</p><p>teatrais e da dança. Em sala de aula, a música precisa ser desenvolvida além de</p><p>canções de cantigas de roda ou outros cantos com gestos. Precisa também explorar</p><p>a sonoridade, trazendo o contato com os instrumentos musicais, mostrar e ouvir</p><p>produções musicais que já existem através dos tempos. Para o ensino de arte em</p><p>música, é interessante apresentar compositores clássicos como Bach e Beethoven,</p><p>oportunizando aos alunos ouvirem e conhecerem suas músicas.</p><p>DICAS</p><p>Sugestões de planos de aula. Os links a seguir falam da música erudita e</p><p>popular no Brasil, enfatizando a apreciação significativa da linguagem musical. Leia e imagine</p><p>sua aula também!</p><p>FONTE: <http://portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23297> e <http://</p><p>portaldoprofessor.mec.gov.br/fichaTecnicaAula.html?aula=23295>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>Como sugestão de atividade para sala de aula, podemos usar conceitos sobre</p><p>o que é arte e para que ela serve, explorando o assunto através de uma apresentação</p><p>feita por uma paródia. A paródia é uma nova interpretação, uma releitura de uma</p><p>composição musical ou literária podendo ter ironia ou deboche. Os alunos escolhem</p><p>a música favorita e organizam a escrita da letra da música trazendo conceitos</p><p>estudados. A apresentação do grupo através da paródia criada é uma maneira de</p><p>realizar uma aprendizagem mais significativa de um conteúdo estudado.</p><p>Conhecer e compreender a música como uma produção cultural supõe</p><p>também a criação de contextos significativos para a conversa sobre os</p><p>conceitos e a história da linguagem musical – nas diferentes culturas,</p><p>no decorrer do tempo – e sobre seus produtores – compositor,</p><p>intérprete (instrumentista ou cantor), maestro, disc-jóquei etc., muitos</p><p>deles habitantes do universo da criança (MARTINS; PICOSQUE;</p><p>GUERRA, 2010, p.122).</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>33</p><p>DICAS</p><p>Explore e aproveite para conhecer mais sobre a história da música.</p><p>FONTE: <http://www.portaldarte.com.br/linguagemmusica.htm>. Acesso em: 23 nov. 2018.</p><p>O importante é estar atento às diversas linguagens artísticas e propor</p><p>maneiras diferentes de explorar em sala de aula. “A instalação, o videoclipe e a</p><p>performance, por exemplo, são algumas das produções artísticas que combinam</p><p>elementos do teatro, dança, música e artes visuais” (MARTINS; PICOSQUE;</p><p>GUERRA, 2010, p. 128).</p><p>Caro acadêmico! Use a criatividade e explore as linguagens artísticas,</p><p>lendo, pesquisando, criando e mostrando o que aprendeu!</p><p>4 CAMPOS CONCEITUAIS DA ARTE</p><p>Neste tópico serão apresentados os três campos conceituais que envolvem</p><p>o ensino da arte: a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento e</p><p>contextualização conceitual-histórico-cultural da produção artístico-estética da</p><p>humanidade, que trazem considerações importantes que permeiam a abordagem</p><p>triangular de Barbosa, nos eixos de aprendizagem do fazer artístico, da leitura e</p><p>contextualização.</p><p>Assim, também os “três campos conceituais estão presentes nos PCN-Arte</p><p>e, respectivamente, denominados de produção, fruição e reflexão” (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 12). No ensino da arte também é preciso planejar</p><p>e pensar sobre as aulas:</p><p>Pensar na leitura e produção na linguagem da arte é um modo único</p><p>de despertar a consciência e novos modos de sensibilidade. Isso</p><p>pode nos tornar mais sábios, seja sobre nós mesmos, o mundo ou as</p><p>coisas do mundo, seja sobre a própria linguagem da arte (MARTINS;</p><p>PICOSQUE; GUERRA, 2010, p. 39).</p><p>No processo de ensino e aprendizagem nas aulas de artes, o professor</p><p>junto com os alunos fará associações ao cotidiano, buscando na memória</p><p>múltiplas leituras e percepções, novos modos de sensibilidade. Portanto,</p><p>independentemente do conteúdo escolhido para ser desenvolvido na aula de</p><p>artes, ele poderá propor o fazer artístico com associações à realidade do aluno,</p><p>estimulando a criação artística através da fruição e da contextualização.</p><p>UNIDADE 1 | CONHECIMENTO ARTÍSTICO COMO CONTEXTUALIZAÇÃO, FRUIÇÃO E PRODUÇÃO</p><p>34</p><p>Lembramos também da importância de mostrar atividades realizadas</p><p>nas aulas de arte em exposições internas ou externas, painéis, murais ou de</p><p>registrar os momentos criativos, fotografando e postando em espaços virtuais,</p><p>compartilhando os conhecimentos construídos e estimulando o aluno pelo</p><p>gosto por sua criação artística. Assim, os três campos conceituais podem ser</p><p>contemplados e ensinados nas aulas de arte.</p><p>Neste livro de estudos, a conversa acontecerá por meio da exploração dos</p><p>campos conceituais da arte a partir da abordagem triangular de Barbosa. Os campos</p><p>conceituais ou eixos de aprendizagem, como também são chamados, se referem ao</p><p>fazer artístico, à leitura de imagem e à contextualização. A abordagem é uma ótima</p><p>referência de apoio para o professor em seu planejamento e nas ações da sala de aula.</p><p>Através da abordagem triangular de Barbosa, explanando os termos do</p><p>fazer artístico, da leitura de imagem e da contextualização, estes não são aplicados</p><p>nas aulas de arte de maneira linear, isto é, não têm uma ordem. Lembrando que</p><p>os campos conceituais podem ser aplicados às diversas linguagens da arte, em</p><p>especial nas artes visuais.</p><p>Assim, o ensino de arte, para ser desenvolvido nas escolas de maneira</p><p>efetiva, necessita que os professores trabalhem a partir de sua formação específica</p><p>(artes visuais, música, teatro e dança), trazendo suas experiências e pesquisas.</p><p>Para Barbosa (2010, p. 33), “só um fazer consciente e informado torna possível</p><p>a aprendizagem em arte”, isto é, a partir de sua formação específica é possível a</p><p>construção do conhecimento. Segundo Barbosa (2010, p. 33):</p><p>Nem a arte/educação como investigação dos modos pelos quais se</p><p>aprende arte nem a arte/educação como facilitadora entre a arte e</p><p>público podem prescindir da inter-relação entre história da arte,</p><p>leitura da obra de arte, fazer artístico e contextualização.</p><p>Agora, iniciamos nossa conversa sobre os principais termos que encontramos</p><p>nas leituras dos livros de arte, que trazem as terminologias da metodologia ou da</p><p>proposta, que atualmente é vista como Abordagem Triangular de Barbosa (1998).</p><p>A Abordagem Triangular foi divulgada com o nome de Metodologia</p><p>Triangular através do livro A imagem do Ensino da Arte publicado</p><p>pela Editora Perspectiva em 1991. Posteriormente, em 1998, publicou-</p><p>se um capítulo revisando-a no livro Tópicos Utópicos. As revisões</p><p>da Metodologia Triangular, em 1998, foram conceituais, práticas e</p><p>bastante incisivas, mudando até o nome para Abordagem Triangular</p><p>(BARBOSA; CUNHA, 2010, p. 9).</p><p>A abordagem triangular surge de uma preocupação que os profissionais</p><p>de arte sentiram em sua prática diária, pois na década de 1970, apenas tinham-</p><p>se produções artísticas, o fazer por fazer, surgindo as chamadas escolinhas de</p><p>arte. Para Barbosa (1998, p. 35), a abordagem triangular vem para atender a uma</p><p>necessidade na educação, nas aulas de arte, isto é, a de “instrumentalizar o aluno</p><p>para o momento em que vivemos”.</p><p>TÓPICO 1 | TEORIA E PRÁTICA NO ENSINO DE ARTES</p><p>35</p><p>IMPORTANTE</p><p>Vamos conhecer um pouco mais</p><p>sobre a autora Ana Mae Barbosa:</p><p>Professora de pós-graduação da Escola de</p><p>Comunicações e Artes da Universidade de</p><p>São Paulo – ECA, Ana Mae Barbosa é uma das</p><p>principais referências brasileiras em arte-educação</p><p>e, embora já aposentada, ainda é disputada</p><p>pelos alunos da instituição como orientadora.</p><p>Desenvolveu, influenciada diretamente por Paulo</p><p>Freire, o que chamou de abordagem triangular</p><p>para o ensino de artes, concepção sustentada sobre a contextualização da obra, sua</p><p>apreciação e o fazer artístico. A pesquisadora foi, também, a primeira a sistematizar o ensino</p><p>de arte em museus, quando dirigiu o Museu de Arte Contemporânea da Universidade</p>