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<p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>COMPLEXO ESCOLAR PRIVADO NOSSA SENHORA DA ANUNCIAÇÃO</p><p>(VILA-SEDE)</p><p>ORAÇÃO E EDUCAÇÃO</p><p>MATERIAL DE APOIO</p><p>DE</p><p>EDUCAÇÃO MORAL E CÍVICA</p><p>8ª Classe</p><p>LUANDA, SETEMBRO DE 2023</p><p>2 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>ORIGEM DA E.M.C</p><p>ETIMOLOGIA DAS PALAVRAS</p><p> Educação: é uma palavra de origem latina “Educere” que tem como significado fazer</p><p>crescer, sair ou puxar de dentro, ou ainda, desenvolver algo que está a crescer na pessoa.</p><p>Portanto, educação é acto de educar, instruir e ensinar uma pessoa, e tem como</p><p>fundamento o desenvolvimento integral da pessoa, desde o aspecto físico-sanitário,</p><p>moral, intelectual, religioso, afectivo-sexual, cívico, vocacional, profissional, etc.</p><p> Moral: vem do latim, da palavra “mos ou moris”, que vem a significar um conjunto de</p><p>costumes e hábitos que um indivíduo ou um grupo de indivíduos possuem, relativamente</p><p>a um comportamento.</p><p> Cívica: é a ciência de origem latina, na palavra “civitas”, significando multidão de</p><p>cidadãos que habita numa determinada comunidade linguística. No entanto, educação</p><p>cívica pretende que o homem compartilhe as suas qualidades com os demais membros da</p><p>sociedade.</p><p>Conceito de E.M.C</p><p>A Educação Moral e Cívica é a disciplina que visa a formação do carácter e civismo, preparando</p><p>o indivíduo para um bom desempenho das suas tarefas ou obrigações, fomentando no seu</p><p>carácter as virtudes básicas para o bem comum do meio onde vive.</p><p>Objecto de estudo da E.M.C</p><p>O objecto de estudo da Educação Moral e Cívica é o carácter do indivíduo, ou seja, estuda o</p><p>comportamento do próprio homem.</p><p>Importância da Educação Moral e Cívica</p><p>A Educação Moral e Cívica é muito importante, porque visa formar no homem, qualidades e</p><p>valores éticos, morais, cívicos, estéticos, etc., que actuarão positivamente na formação da</p><p>personalidade e do carácter do indivíduo, preparando-o para a vida.</p><p>A E.M.C surge para: ajudar-nos a construir uma sociedade que saiba respeitar e aceitar as</p><p>pessoas diferentes e a estar no caminho da solidariedade e da coesão social; valorizar a cidadania</p><p>como direito que permite viver numa sociedade onde a dignidade de cada indivíduo é respeitada</p><p>e reconhecida; amar a vida, utilizando mecanismos para preservar a própria saúde e a dos outros;</p><p>colaborar activamente na mudança dos comportamentos não desejáveis, em relação ao ambiente</p><p>natural; utilizar procedimentos para aprender dentro e fora da sala de aulas.</p><p>Deveres morais</p><p>1) Amor no seio familiar;</p><p>2) Respeito pelos mais velhos;</p><p>3) Auxílio aos cegos;</p><p>4) Socorro aos acidentados;</p><p>5) Socorro aos necessitados;</p><p>6) Solidariedade com o próximo.</p><p>3 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>Deveres cívicos</p><p>1) Exercer o direito de voto</p><p>2) Cumprir ao seu superior hierárquico</p><p>3) Respeito pela lei do país (A constituição)</p><p>4) Ingresso a um grupo juvenil.</p><p>Alguns valores fundamentais para a vida</p><p>1) Honestidade</p><p>Um dos valores éticos mais importantes. A forma de ensinar é com paciência e bom</p><p>exemplo. Dizer sempre a verdade e ser sincero é um bom começo. Ensine a criança o</p><p>conceito de propriedade. Se ela pegar o brinquedo do amiguinho e levar para casa, vá com</p><p>ela devolver e pedir desculpas.</p><p>2) Amor próprio</p><p>Ajuda a construir a autoestima e a autoconfiança da criança de que é capaz de enfrentar</p><p>situações novas. Elogios e incentivos dos pais são essenciais. Se ela errou, critique o erro,</p><p>não a personalidade nem a própria criança.</p><p>3) Responsabilidade</p><p>Cumpra suas obrigações: chegue no horário e respeite acordos. Maturidade e</p><p>responsabilidade não podem ser confundidas com chatice ou arcaísmo.</p><p>4) Humildade</p><p>Ouça críticas de coração aberto. Admita quando estiver errado e não sinta vergonha de pedir</p><p>desculpas. Errar é humano! E aprender com os erros é uma das maiores bênçãos da vida.</p><p>5) Cortesia</p><p>Trate todos com educação. Peça licença, diga “por favor” e “obrigado”, sorria sempre. Sendo</p><p>gentil, a gente consegue as coisas com mais facilidade. Sempre que possível, ofereça ajuda.</p><p>Não custa nada dar uma mão para o vizinho com as compras de supermercado, né?</p><p>6) Optimismo</p><p>Tente enxergar o lado bom das coisas. Prefira ver o copo meio cheio, em vez de meio vazio!</p><p>Isso é um exercício de vida! Aceite que os conflitos, por piores que sejam, permitem que a</p><p>gente cresça. Diga mais SIM do que NÃO. Procure mais razões para agir, em vez de</p><p>desculpas para ficar parado.</p><p>7) Solidariedade</p><p>Compartilhe. Divida o que tem com os outros. Quando você doa, o velho vira novo.</p><p>Qualquer armário esconde mil coisas que não nos servem mais. E elas podem fazer outras</p><p>pessoas felizes, como no dia em que você as comprou ou ganhou. Ser generoso não custa</p><p>nada e ainda preenche o coração.</p><p>8) Flexibilidade</p><p>Balance ao sabor do vento. Ser maleável permite se curvar sem quebrar, adaptar-se às</p><p>situações, aguentar a pressão sem perder a elegância. E saber a hora de ceder não significa</p><p>covardia ou falta de convicção. É sabedoria!</p><p>4 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>9) Tolerância às diferenças</p><p>É natural que o diferente pegue a criança de surpresa. Cor da pele, altura, religião, cabelo etc.</p><p>Mostre que a beleza do mundo está nessas diferenças e seja exemplo, não falando mal das</p><p>pessoas na frente dos filhos.</p><p>10) Perseverança</p><p>Sabia que antes de inventar a lâmpada, Thomas Edison fez inúmeros testes que deram</p><p>errado? Se você tem uma ideia e acredita nela, persista! Tenha força de vontade suficiente</p><p>para não desistir nos primeiros obstáculos.</p><p>5 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>1ª COMPONENTE: AUTO E MÚTUO CONHECIMENTO</p><p>TEMA I: EU, UMA PESSOA ÚNICA E COM GRANDES POSSIBILIDADES</p><p>A prática de se conhecer melhor faz com que uma pessoa tenha controlo sobre as suas emoções,</p><p>independentemente de serem positivas ou negativas.</p><p>Na adolescência, em cada um de nós há um jardim secreto que só nós conhecemos; sentimo-nos</p><p>felizes e às vezes estranhos. É como se fôssemos uma outra pessoa. Mas, ao mesmo tempo e com</p><p>os adultos (família, professores e amigos) que nos rodeiam, de certeza que conseguimos</p><p>conhecer e descobrir um pouco melhor a cada dia a pessoa que está a surgir dentro de nós.</p><p>Quando te encontras neste processo, estás a descobrir-te e a descobrir a tua personalidade.</p><p>Este exercício ajuda-te a aceitar as alterações que experimentas durante a adolescência e</p><p>perceber a nova e interessante pessoa em que te vais tornando, valorizando os teus aspectos</p><p>positivos, alternando aqueles de que gostas menos e reconhecendo a importância da valorização</p><p>da tua história pessoal.</p><p>1.1. Eu como adolescente</p><p>A adolescência e suas transformações;</p><p>Minhas qualidades e defeitos.</p><p>Etimologicamente, a palavra adolescência vem do latim “ad” (para) + “olescere” (crescer);</p><p>significaria “crescer para”.</p><p>Pensar na etimologia desta palavra nos remete à ideia de desenvolvimento, de preparação para o</p><p>que está a vir, algo estabelecido mais à frente. É uma preparação para que a pessoa se enquadre</p><p>neste “à frente” que está colocado (Pereira Pinto, 2003).</p><p>Portanto, adolescência é o período de desenvolvimento humano entre</p><p>e ajudar a ter comportamentos não discriminatórios relativamente aos</p><p>dois sexos.</p><p>30 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>14ª COMPONENTE: EDUCAÇÃO AMBIENTAL E QUALIDADE DE VIDA</p><p>TEMA XIV: EU E A QUALIDADE DE VIDA</p><p>Devemos ter consciência de que o meio ambiente é o património de todos e assim alterar hábitos</p><p>pessoais que se tornam prejudicial para o ambiente não é a forma adequada de cuidar o ambienta.</p><p>Devemos contribuir para o desenvolvimento de uma consciência crítica sobre os problemas</p><p>ambientais e compreender que os espaços verdes são fontes de bem-estar para todos. Devemos</p><p>intervir face às necessidades ambientais.</p><p>14.1. O ambiente como património de todos</p><p>Hábitos prejudiciais ao ambiente</p><p>Problemas ambientais e possíveis soluções</p><p>O ser humano não tem usado a sua capacidade de modificar o meio ambiente da melhor maneira.</p><p>Os recursos naturais começam a estar em risco, o ambiente está cada vez mais degradado, a</p><p>reciclagem ainda não faz parte do quotidiano da maior parte das pessoas, o desperdício e a</p><p>poluição ainda são uma constante no nosso dia-a-dia. Está na hora de cada um de nós começar a</p><p>tomar algumas medidas, por mais irrelevantes que possam ser.</p><p>Para que as questões ambientes se resolvam ou caminhem para a sua solução, é necessário que</p><p>cada um de nós sinta essas situações como suas e que não se limite a ser crítico, mas contribua,</p><p>dentro das suas possibilidades, para as solucionar ou, pelo menos, para não as originar.</p><p>Se cada um de nós fizesse alguma coisa, se cada um, no seu comportamento quotidiano, tivesse a</p><p>preocupação de salvaguardar a qualidade do ambiente, não existiriam, por exemplo, ruas, praias,</p><p>matas e outros locais públicos contaminados pelo lixo. Mas, haveria sim, respeito pela vida</p><p>selvagem, cumprindo as leis da caça, da pesca e do comércio de animais; seria reduzido o ruído</p><p>nas ruas, sem ser necessária a intervenção da polícia; não se escreveria nas paredes de edifícios</p><p>ou de outras construções desnecessariamente; podia-se evitar o consumo exagerado, que é fonte</p><p>de desperdícios difíceis de eliminar; haveria poupança de energia, etc.</p><p>Não faz sentido manifestarmos preocupação por problemas globais se não nos preocuparmos</p><p>também em conhecer e procurar resolver aqueles que temos nas nossas localidades, ao pé da</p><p>nossa porta. A Educação Ambiental nas Escolas deve começar pela discussão e procura de</p><p>soluções dos problemas locais.</p><p>O comemorar também se aprende</p><p>A cada ano celebra-se o dia do ambiente, mas por onde vivemos e passamos vão sendo</p><p>destruídos muitos espaços verdes. Os poucos jardins que existem estão secos, os bairros são</p><p>grandes e há muito poucas árvores.</p><p>Para recuperarmos os espaços verdes das nossas localidades, temos de realizar um trabalho de</p><p>Projecto de Intervenção Ambiental, que obedece à seguinte estrutura:</p><p> Identificação e descrição completa do problema ou da necessidade detectada;</p><p> Realização de uma investigação sobre a melhor forma de alcançar os objectivos</p><p>propostos. A procura de respostas e a apresentação das ideias devem ser criativas e bem</p><p>fundamentadas. Para tal, é necessário observar e recolher informações (elaborar registo,</p><p>fazer entrevista, recolher testemunhas, consultar livros...);</p><p>31 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p> Apresentação das propostas de solução, mais adequadas à resolução do problema ou à</p><p>satisfação da necessidade;</p><p> Concretização do projecto, aproveitando novas oportunidades de reflexão e</p><p>aprendizagem relativas à situação de matérias, adequação e reformulação de ideias, etc.</p><p> Avaliação do Projecto de Intervenção Ambiental e reflexão sobre todo o processo até ao</p><p>final face à situação inicialmente identificada: Que resultados se obtiveram? Os</p><p>objectivos foram alcançados?</p><p>a infância e o estado</p><p>adulto. É a passagem da infância para a idade adulta. É o período da vida do ser humano mais</p><p>rico em transformações.</p><p>As mudanças na adolescência consistem numa passagem de uma situação para outra, havendo,</p><p>por isso, uma ruptura com a situação anterior. Estas transformações, às vezes provocam confusão</p><p>e insegurança. É natural que esta ruptura te provoque alguma confusão e insegurança, pois ficas</p><p>sem saber em que te apoiares. Porém, deves perceber que sem mudança, não há crescimento: é</p><p>necessário que passes pela adolescência de forma a descobrires a tua identidade.</p><p>O mundo que te rodeia está cheio de mudanças. Tu próprio estás em mudança: ora estás alegre,</p><p>ora estás triste; por vezes, queres estar com os teus amigos, outras vezes preferes estar sozinho; o</p><p>teu corpo está muito diferente…O ser diferente não implica ser inferior ou superior a outrem,</p><p>mas sim saber aceitar que as diferenças constituem variação da composição corporal, em função</p><p>da genética familiar.</p><p>Para vivermos a adolescência sem grandes dificuldades precisamos do apoio dos nossos mais</p><p>velhos (pais, tios, irmãos, avós, etc.). Precisamos estar atentos, pois o comportamento que</p><p>tivermos diante das dificuldades da adolescência têm um grande impacto na construção do nosso</p><p>futuro.</p><p>As principais etapas da adolescência são:</p><p>6 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>1) A puberdade ou fase inicial (dos 11 aos 14 anos) – nesta fase, ocorrem as grandes</p><p>transformações a nível físico e psicológico, sem que se tenha grande consciência do que</p><p>está a acontecer. Nesta fase o eu do adolescente apresenta as seguintes características: o</p><p>aparecimento da menstruação (meninas) e da ejaculação (rapazes), mudanças nos seios,</p><p>mudança da voz, tonificação das ancas e do tórax…</p><p>2) A fase intermédia (dos 14 aos 17 anos) – começa-se a ter grande consciência das</p><p>transformações e prefere-se o isolamento, causando insegurança e agressividade. Nesta</p><p>fase as características frequentes são: aproximação ou afastamento das demais pessoas,</p><p>para analisar certas diferenças e semelhanças, torna-se egocêntrico, activo nas suas</p><p>participações mesmo sem certeza.</p><p>3) A fase final (dos 18 anos aos 21 anos) – A pessoa compreende-se a si mesmo e integra-se</p><p>melhor na sociedade em que vive. Esta é a fase da formação da identidade e do carácter.</p><p>As características presentes nesta fase são: os posicionamentos certos e decisórios quanto</p><p>as situações que aparecerem no dia-a-dia, fazendo um enquadramento para o seu</p><p>propósito e construção da identidade pessoal. Este amadurecimento precisa de um bom</p><p>acompanhamento dos adultos.</p><p>1.2. Eu sou único/a</p><p>A minha auto-estima.</p><p>Auto-estima: é a opinião que cada um tem sobre si mesmo, a avaliação que cada um faz de si</p><p>próprio, reconhecendo as suas qualidades, os seus erros e as suas fraquezas.</p><p>Uma pessoa com boa auto-estima é alguém que se conhece bem e se avalia correctamente,</p><p>estabelece relações mais agradáveis com os que a rodeiam e se sente mais solidária e responsável</p><p>na sua relação com os outros e consigo mesma.</p><p>A auto-estima não surge da noite para o dia. Ela vai-se adquirindo desde a infância, lentamente,</p><p>sendo fruto de uma aprendizagem, tendo os adultos como orientadores. A tua opinião positiva</p><p>sobre ti próprio aumenta a tua auto-estima e, ao mesmo tempo, leva as outras pessoas a</p><p>avaliarem-te positivamente e quando melhor te conheceres, mais preparado estarás para enfrentar</p><p>os desafios e conflitos com que irás encontrar ao longo da tua vida, mais capaz serás de</p><p>modificar as tuas características pessoais que não favorecem a boa convivência.</p><p>Ter auto-estima é dar valor a ti próprio, é gostar do próprio corpo, das tuas características físicas,</p><p>do teu nome, da tua cultura; é apreciar as modificações que ocorrem contigo e aceitares-te a ti</p><p>próprio. Quando por dentro te sentes bem contigo próprio, ou seja, quando tens a tua paz interior,</p><p>se sabes do que gostas em ti, se te valorizares, independentemente da tua condição de vida, se te</p><p>reconheces como pessoa capaz de fazer e for amável para as outras pessoas que te rodeiam, tens</p><p>forte auto-estima.</p><p>Se pelo contrário, te desvalorizas, se gostas pouco da tua identidade pessoal, que faz de ti uma</p><p>pessoa singular, se te encarares negativamente, se te reconheces incompletamente, se pensas que</p><p>a tua cultura é a melhor ou pior de todas, então tens fraca auto-estima.</p><p>Tenta descobrir o que gostas mais em ti. Por exemplo, uns pensam que são bons ouvintes; outros</p><p>acham que têm sentido de humor; outros têm uma boa imaginação; outros ainda têm hábitos</p><p>diferentes, etc.</p><p>7 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>Todos nós passamos por etapas caracterizadas por conflitos e tensões, desafios que temos de</p><p>vencer, especialmente na adolescência, que é a fase da construção da nossa personalidade.</p><p>Para melhoramos a nossa imagem pessoal, é muito importante conhecermos as nossas qualidades</p><p>de forma a tirarmos maior proveito delas e reconhecermos os nossos aspectos negativos para que</p><p>possamos modificá-los. Se melhoras a tua imagem pessoal, poderás vencer mais facilmente os</p><p>obstáculos que surgem durante a adolescência.</p><p>Os obstáculos são tudo o que impede ou faz parar o crescimento. Quando estes ocorrem, é</p><p>importante que tenhas uma actitude de confiança, procurando descobrir a melhor forma de</p><p>ultrapassá-los.</p><p>Para não te deixares vencer nem desanimar, é importante que estejas atento ao que vai</p><p>acontecendo e que adoptes atitudes positivas. O comportamento que tiveres face aos obstáculos</p><p>ajuda-te a construir o teu futuro. Para conseguirmos vencer estes desafios, é muito importante</p><p>sentirmo-nos bem na nossa pele. Este bem-estar relaciona-se com a satisfação de necessidades</p><p>básicas, tais como:</p><p>1) O bem-estar físico;</p><p>2) A identidade pessoal;</p><p>3) A auto-estima;</p><p>4) A estima dos outros;</p><p>5) A confiança em nós;</p><p>6) A confiança nos outros.</p><p>1.3. Direito ao reconhecimento da personalidade jurídica</p><p>Reconhecimento da personalidade jurídica.</p><p>A caminhada que tens vindo a realizar na tua vida resulta da tua hereditariedade, da tua história</p><p>pessoal, dos costumes e do estilo de vida da tua família. Tudo isso significa a construção e o</p><p>desenvolvimento da tua identidade pessoal, que inclui as tuas características físicas e sociais. É</p><p>tudo isto que faz a tua natureza como pessoa. Uma pessoa com características próprias. É esta</p><p>identidade que forma a tua personalidade jurídica.</p><p>A nossa herança cultural e a hereditariedade combinam-se desde o nascimento. É esta</p><p>combinação que permite o desenvolvimento de cada indivíduo como um ser social.</p><p>Personalidade jurídica: é um direito reconhecido pela lei, que nos confere protecção desde o</p><p>ventre, defendendo-nos como pessoa. Se não valorizares este direito, será difícil conseguires o</p><p>respeito pelos outros direitos que tens.</p><p>A protecção que a Lei nos confere pode ser encontrada em vários documentos. À nível nacional</p><p>o documento é a Constituição da República de Angola (C.R.A) e à nível mundial é a Declaração</p><p>Universal dos Direitos Humanos (D.U.D.H).</p><p>O artigo 6º da D.U.D.H diz: “Todos têm direito ao reconhecimento da sua personalidade jurídica,</p><p>em toda a parte.”</p><p>O artigo 20 da C.R.A diz: “Todo cidadão tem direito ao livre desenvolvimento da sua</p><p>personalidade.”</p><p>8 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>Após o nosso nascimento nós somos registados, tornando-nos cidadãos que o Estado deve-se</p><p>responsabilizar, mas esta responsabilidade do Estado já começa antes do registo. Portanto, o</p><p>reconhecimento</p><p>da personalidade jurídica é um direito que devemos ter desde o nascimento e</p><p>reforçado com o registo civil.</p><p>O reconhecimento da personalidade jurídica tem uma grande importância, uma vez que desde o</p><p>seu nascimento, cada pessoa é considerada e protegida pela lei, defendendo seus direitos e</p><p>deveres.</p><p>1.4. Descobrindo a minha identidade pessoal</p><p>A identidade pessoal e cultural.</p><p>Os jovens querem descobrir quem são e de onde vêm. É uma preocupação válida, porque é</p><p>através deste questionamento que descobrem a sua auto – estima e a sua identidade. Ao</p><p>valorizarmos a nossa história pessoal, consolidamos o direito de mantermos a nossa identidade e</p><p>a nossa cultura e, sobretudo, afirmamos a nossa auto – estima.</p><p>Na realidade, ao longo do nosso crescimento, todos nós nos confrontamos com muitos</p><p>«porquês». Por que razão tenho este nome e não outro? Porque os meus olhos são pretos e não</p><p>castanhos? Etc. As respostas encontram-se à nossa volta, pois herdamos factores biológicos e</p><p>culturais da família e da sociedade em que vivemos – factores que fazem de cada um de nós um</p><p>ser humano único. Por isso é tão importante evitar o processo de desaculturação, como optar por</p><p>um nome de origem diferente e sem afinidades com a cultura do grupo a que se pertence,</p><p>perdendo assim, as suas características particulares.</p><p>Todos os nomes têm um significado único e são escolhidos de acordo com as circunstâncias que</p><p>os pais vivem no momento do nascimento do filho. Por essa razão, nunca devemos mudar de</p><p>nome.</p><p>Cada grupo étnico tem as suas características próprias, produto de um processo histórico e</p><p>adquiridas também no seio da família. Este passado faz parte da nossa cultura, devendo, por isso,</p><p>ser preservado e está diversidade não pode ser motivo de discriminação. Por esta razão, temos o</p><p>direito e o dever de divulgar de formas a defendermos a dignidade que todos merecemos. Para</p><p>isso, a Declaração Universal dos Direitos Humanos valida e defende a singularidade de cada ser</p><p>humano, onde quer que ele se encontre e reconhece a sua personalidade.</p><p>Não importa se és negro ou branco, alto ou baixo, homem ou mulher, etc., o importante é</p><p>apreciares a tua história pessoal e descobrires junto da tua família aquilo que diz respeito à tua</p><p>existência, para que a possas afirmar onde quer que estejas. Defende sempre o teu lugar, no teu</p><p>país e no mundo, sem actitudes preconceituosas. Assim, serás um cidadão livre e responsável.</p><p>9 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>2ª COMPONENTE: EDUCAÇÃO CÍVICA E DEMOCRÁTICA</p><p>TEMA II: A IMPORTÂNCIA DO REGULAMENTO ESCOLAR</p><p>Devemos reconhecer a escola como uma instituição cuja estrutura e o funcionamento se</p><p>assumem como garantia dos direitos, deveres e liberdades fundamentais de todos os seus</p><p>integrantes. Todos devem assumir de forma consciente e solidária o regulamento interno da</p><p>escola, de acordo com o espírito participativo que presidiu a sua elaboração; têm de compreender</p><p>a importância da construção de um código de convivência para a comunidade.</p><p>2.1. O regulamento escolar</p><p>O que é regulamento escolar?</p><p>A nossa aprendizagem, enquanto alunos, não se limita a demonstrar um bom desempenho na</p><p>aquisição dos conteúdos das várias disciplinas. Ou seja, a escola não se preocupa só com o nosso</p><p>desenvolvimento intelectual, mas também e sobretudo com o nosso desenvolvimento</p><p>psicológico, social e moral.</p><p>Este desenvolvimento relaciona-se com o nosso convívio com os outros e a nossa participação</p><p>em grupos. Para facilitar a convivência entre os vários elementos de um grupo, é necessário</p><p>estabelecer um conjunto de regras e normas a seguir.</p><p>Regulamento interno da escola: é um documento com várias regras, que têm o objectivo de</p><p>definir o funcionamento da escola, acautelando as diferenças entre todos os membros da</p><p>comunidade educativa.</p><p>Alguns conceitos relacionados:</p><p> Normas: lei, regra de procedimento ou fórmula porque se deve reger os elementos de um</p><p>grupo.</p><p> Regulamento: conjunto de normas.</p><p>2.2. Situações problemáticas na escola</p><p>O regulamento e os problemas escolares</p><p>A democracia na escola</p><p>Estar continuamente a mascar pastilha na sala de aula; fazer balões e conversar com os colegas,</p><p>perturbando o exercício do direito à educação e ao ensino dos outros; chegar atrasado às aulas;</p><p>nunca fazer trabalhos de casa; não respeitar as instruções do professor, são alguns exemplos de</p><p>situações mostram desrespeito ao regulamento interno da escoa.</p><p>Porém, nem sempre é fácil cumprir as regras, sobretudo quando são impostas por outros, pois</p><p>queremos libertar-nos, afirmar a nossa personalidade, manifestar as nossas convicções. Assim, é</p><p>preciso que saibas que, se não cumpres as normas, isolas-te do grupo a que pertences, podendo</p><p>até colocar a tua vida em perigo.</p><p>As normas são necessárias porque formam e orientam os teus comportamentos. Existem para te</p><p>ajudar a crescer. Porém, se cumprires as normas sem teres compreendido de facto a sua função,</p><p>estás a contribuir para uma falsa harmonia.</p><p>Os direitos próprios da vida em comunidade, por exemplo, são todos aqueles que se baseiam no</p><p>respeito mútuo: à noite, os condutores não podem buzinar para não incomodar os outros; não se</p><p>10 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>pode obrigar alguém a pertencer a uma organização ou partido político que não seja do seu</p><p>agrado… são direitos que dizem respeito a necessidades naturais dos seres humanos.</p><p>Como cidadão, deves ainda relembrar que, para além da constituição, há documentos universais,</p><p>como a Convenção dos Direitos da Criança e a Declaração Universal dos Direitos Humanos, que</p><p>estabelecem direitos e deveres para a vida em sociedade.</p><p>Participar na vida e gestão da escola para que as intenções da constituição e as necessidades de</p><p>uma sociedade democrática sejam um facto e não fiquem apenas em documentos escrito, é um</p><p>dever e um direito de todo o cidadão.</p><p>As regras de conduta na comunidade escolar têm a finalidade de assegurar que a vida escolar</p><p>decorra com o sucesso e promover o bem-estar de todos. Não são imposições com fim de retirar</p><p>direito aos alunos, mas uma condição indispensável para se manter o respeito mútuo e a justiça,</p><p>como por exemplo: esperar pela sua vez de falar, não interromper as intervenções dos outros</p><p>colegas, colocar o lixo nos lugares apropriados, cuidar dos bens escolares… são regras que</p><p>regulam o nosso espírito individualista e nos obrigam a pensar nos outros, procurando não</p><p>ofender ninguém, nem destruir ou danificar aquilo que é dos outros.</p><p>As sanções escolares deverão ser justas, punindo os que transgredem as regras. Mas nenhuma</p><p>sanção pode ir contra a integridade física e moral da pessoa em causa, assim como não é justo,</p><p>por exemplo, punir toda a turma quando não se conhece o autor de determinada infracção.</p><p>As sanções consideradas justas são aquelas que estão relacionadas com a acção repreensível do</p><p>aluno. Por exemplo, punir um aluno que pinta e risca paredes ou cadeiras na escola; expulsa-lo</p><p>por alguns dias. Nesse período, nada de útil fará, porém se a sanção consistir em reparar os danos</p><p>causados, o aluno toma consciência das dimensões e das consequências dos seus actos.</p><p>Para que os alunos não se sintam injustiçados com as possíveis sanções escolares, todos devem</p><p>participar na colaboração das regras e sanções.</p><p>11 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>3ª COMPONENTE: RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>TEMA III: CONVIVÊNCIA, COESÃO SOCIAL E FRATERNIDADE</p><p>A vida em</p><p>sociedade é feita das relações de fraternidade e harmonia entre as pessoas. O</p><p>ser humano é feliz na companhia dos outros e na comunhão das ideias e pensamentos com os</p><p>outros. No entanto, devemos ter o espírito de conviver com os outros e pôr de parte a</p><p>desvalorização e a discriminação. Devemos debater essas discriminações (de raça, de sexo, de</p><p>origem, de religião/crenças, de deficiência, etc) e adquirir informação para defender as</p><p>liberdades individuais.</p><p>Convivência é a acção de conviver (viver em companhia de outro ou outros). No seu sentido</p><p>mais largo, trata-se de um conceito relacionado com a coexistência pacífica e harmoniosa de</p><p>grupos humanos num mesmo espaço.</p><p>Coesão social é um termo da Sociologia que representa política de cooperação adoptada pela</p><p>União Europeia, por exemplo, que reúne e analisa acções nas áreas social, económica e</p><p>territorial, impostas sob regulamento comum para todos. Quando um indivíduo ou grupo sofre</p><p>pressão, se sentindo obrigado a agir de determinada forma imposta pela sociedade, estamos</p><p>diante de uma coerção social. Exemplo: seguir um padrão de beleza estabelecido pela mídia e</p><p>sociedade.</p><p>Na vida em sociedade, há circunstâncias em que um indivíduo age independente da sua vontade.</p><p>Isso recebe o nome de exterioridade. Exemplo: obedecer às normas jurídicas.</p><p>Fraternidade é um conceito filosófico profundamente ligado às ideias de liberdade e igualdade</p><p>e com as quais forma o tripé que caracterizou grande parte do pensamento revolucionário</p><p>francês: "Liberdade, Igualdade e Fraternidade". É um termo oriundo do latim “frater”, que</p><p>significa "irmão". Por esse motivo, fraternidade significa parentesco entre irmãos. A fraternidade</p><p>universal designa a boa relação entre os homens, em que se desenvolvem sentimentos de afecto</p><p>próprios dos irmãos de sangue.</p><p>3.1 Somos diferentes, mas temos a mesma dignidade</p><p>As diferenças sociais</p><p>Como sabes, a sociedade não é um corpo homogéneo, isto é, dela fazem parte indivíduos que</p><p>apresentam entre si, diferenças a nível fisiológico, psicológico, socioeconómico e cultural. Longe</p><p>de prejudicar a sociedade em que vivemos, esta pluralidade (diversidade de característica,</p><p>valores, opinião, etc), é um facto de enriquecimento cultural, permitindo-nos alargar o nosso</p><p>conhecimento sobre o mundo que nos rodeia.</p><p>Apesar das diferenças que existem entre os vários grupos ou elementos de uma sociedade, todos</p><p>os indivíduos fazem parte dela, isto é, todos são cidadãos; têm por isso os mesmos direitos,</p><p>deveres e privilégios. Se lutarmos contra a coesão social, ou seja, pela união entre todos, estamos</p><p>a pôr em perigo o exercício de cidadania.</p><p>Por isso, é muito importante pormos fim a comportamentos que revelam racismo, preconceitos e</p><p>discriminação, relativamente a outros membros da sociedade.</p><p>3.2 A turma combate as discriminações</p><p>As várias discriminações</p><p>12 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>O racismo consiste em crer que certas pessoas são superiores as outras por pertencerem a uma</p><p>raça específica, com características próprias como cor da pele e tipo de cabelo. Na realidade, a</p><p>existências de várias raças não tem qualquer fundamento biológico, pois só existe uma raça: a</p><p>raça humana.</p><p>A palavra racismo é igualmente usada para descrever um comportamento agressivo para com os</p><p>membros de um determinado grupo pelo simples facto de serem diferentes.</p><p>Os comportamentos e as ideologias racistas provocam insegurança e medo, degradando a</p><p>convivência e a coesão na sociedade. Traduzem-se em vários comportamentos discriminatórios</p><p>relativamente a um grupo:</p><p>1) Excluir: desprezar o grupo, recompensá-lo menos do que os outros grupos;</p><p>2) Evitar: não falar para o grupo, não querer encontrá-lo;</p><p>3) Abusar verbalmente: falar negativamente do grupo ou chamar nomes de sentido pejorativo;</p><p>4) Abusar com violência: ameaçando e atacando;</p><p>5) Eliminar: isolando, matando (podendo chegar ao genocídio).</p><p>Devemos pôr fim a comportamentos que revelem racismo, preconceito e discriminação, para o</p><p>bem das sociedades e para afirmar valores como paz, fraternidade e respeito mútuo.</p><p>Na luta pelos direitos, Martin Luther King, continua a ser um símbolo inesquecível de</p><p>bravura. Ele marcou a luta Afro-Americana pelos direitos cívicos, honrando o nome da não</p><p>violência, com a sua magnifica e famosa obra “I have a dream” (Eu tenho um sonho).</p><p>Algumas palavras de Luther King, na sua obra:</p><p>“O meu sonho é de que um dia esta nação se levantará e viverá o verdadeiro significado do seu</p><p>credo: todos os seres humanos foram criados iguais. É uma verdade inquestionável. O meu</p><p>sonho é o de que um dia nas colinas vermelhas da Geórgia, os filhos de antigos escravos e filhos</p><p>de antigos esclavagistas sentarão juntos à mesma mesa da fraternidade.</p><p>Tenho um sonho de que um dia, até mesmo o estado de Mississipi, um estado oprimido pela</p><p>injustiça e pelo calor da opressão, será transformado numa liberdade e justiça. Eu tenho o</p><p>sonho de que um dia, os meus quatro filhos viverão num país onde não serão julgados pela cor</p><p>da sua pele, mas pelo seu carácter.”</p><p>13 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>4ª COMPONENTE: RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>TERMA IV: COESÃO E DIVERSIDADE SOCIAL</p><p>Sabemos, que devemos aprender a aceitar e a respeitar as diferenças de cada um, valorizando a</p><p>dignidade humana; cultivar valores e actitudes para a convivência social; compreender que a</p><p>igualdade de oportunidades é a chave para a harmonia social; perceber que o diálogo é essencial</p><p>na vida das pessoas e compreender a importância de viver bem contigo próprio e com os outros.</p><p>4.1. Fundamentos da dignidade humana</p><p>Valor da dignidade humana</p><p>Todos os seres humanos têm características particulares e necessidades que devem ser</p><p>respeitadas. A dignidade humana é, pois, a grandeza de um ser humano pelas características que</p><p>lhe são próprias.</p><p>Daí a importância de reconhecermos que somos diferentes, mas também iguais. Compreendemos</p><p>que todas as pessoas têm o seu valor, mesmo que vivem numa casa pobre, falem uma língua</p><p>diferente, tenham outra cor da pele, outra religião, mesmo que tenham ficado pelo caminho na</p><p>realização dos seus próprios projectos. Para se ter dignidade, não é preciso pertencer a uma</p><p>família rica, nem nascer num país desenvolvido e rico em recursos naturais.</p><p>Os laços de solidariedade devem ser amplos, porque a nossa vida está dependente da cooperação</p><p>de pessoas que não conhecemos. Como tal, é importante que dobremos os esforços para</p><p>colaborarmos na melhoria das condições de vida de todos, ajudando a dizer não às desigualdades</p><p>e às injustiças sociais que resultam da má distribuição de oportunidades.</p><p>Precisamos de habitação, conforto, paz interior, emprego… de melhorar condições de vida para</p><p>termos a nossa dignidade e a nossa auto-estima. Assim, cabe ao Estado redistribuir os bens</p><p>básicos materiais e não materiais para que todos possam intervir e melhorar a qualidade de vida</p><p>dos angolanos. Não se trata da repartir dinheiro, nem riqueza, mas atender às necessidades</p><p>básicas de todos: a educação escolar obrigatória, o emprego, o salário compatível com os preços</p><p>no mercado, a saúde, a igualdade de oportunidades para todos. Só com a satisfação dessas</p><p>necessidades os seres humanos se tornam pessoas úteis e deixam de ser marginalizados, pobres e</p><p>excluídos.</p><p>Quando esta partilha acontecer, vamos descobrir que cada um de nós saberá utilizar os próprios</p><p>recursos, fruto do seu trabalho, para melhorar a sua qualidade de vida, reforçando assim a sua</p><p>auto-estima e valor próprio. O bem-estar económico oferecer-nos prazer verdadeiro quando é</p><p>obtido com “o suor do nosso rosto”.</p><p>Comprometendo-se</p><p>a pôr fim aos obstáculos sociais e a garantir a equidade, as sociedades e</p><p>sobretudo os Estados, constroem a coesão na diversidade.</p><p>14 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>5ª COMPONENTE: AUTO E MÚTUO CONHECIMENTO</p><p>TEMA V: TEMA: SOLIDARIEDADE – BASE DE UMA CONVIVÊNCIA JUSTA</p><p>Reconhecer formas de solidariedade e aprender a resolver conflitos sociais e a ter actitudes de</p><p>solidariedade, respeito e tolerância são maneiras de viver de qualquer um, independentemente da</p><p>sua cor, raça, religião, condição social, partido político, etc.</p><p>5.1. Solidariedade, respeito e tolerância no meio onde vivo</p><p>Diversas formas de solidariedade, respeito e tolerância</p><p>O voluntariado</p><p>Um acto de solidariedade é uma participação construtiva na vida dos nossos semelhantes. É uma</p><p>ajuda desinteressada, motivada pelo sentimento de respeito e amor pelo próximo; uma</p><p>responsabilidade pessoal e colectiva por situações comuns, dando o melhor de si pelo bem-estar</p><p>dos outros.</p><p>Somos solidários quando, por exemplo, participamos voluntariamente em campanhas de socorro</p><p>às pessoas necessitadas (depois de um terramoto, cheia de inundações...). Mas há outras formas</p><p>de solidariedades que se tornam fundamentais com o exercício da cidadania, como a participação</p><p>no espaço público e na vida política. A consciência de que todos temos direito a uma vida digna</p><p>contribui para pôr fim a preconceitos, actitudes discriminatórias e injustiças.</p><p>Voluntário é todo aquele que, livre e gratuitamente, cede o seu tempo e o seu trabalho a uma</p><p>instituição ou organização, sem esperar receber nenhum tipo de gratificação por isso.</p><p>Voluntários são pessoas que, por motivação pessoal, espiritual ou cívica, dedicam parte do seu</p><p>tempo a projectos e actividades em benefício da comunidade. Os voluntários, na regra geral, são</p><p>pessoas generosas com disponibilidade, alegres, dedicadas e com vontade de ajudar os outros.</p><p>Para os voluntários, é muito gratificante ver reconhecida a sua utilidade e o seu carácter</p><p>imprescindível. O voluntário sente satisfação e realização pessoal, sente-se membro de um</p><p>grupo, porque integra um projecto colectivo e conta com pessoas com interesses comuns.</p><p>Os voluntários da AMI</p><p>A AMI – fundação de Assistência Médica Internacional é uma organização de ajuda humanitária</p><p>que conta com o trabalho e dedicação daqueles que trabalham em regime de voluntariado. O</p><p>principal objectivo desta organização é agir do ponto de vista médico contra o</p><p>subdesenvolvimento, a fome e as sequências de guerra, em qualquer parte do mundo onde a</p><p>presença de equipas seja o único recurso para as vítimas.</p><p>A AMI organiza missões compostas por equipas de médicos, enfermeiros e logísticos, todos</p><p>voluntários, que se deslocam por período de semanas, meses ou anos, para os países mais</p><p>carenciados, vítimas de situações de vária ordem (guerras, problemas económicos ou sociais,</p><p>ciclones, sismos, terramotos, etc).</p><p>As equipas da AMI são, geralmente compostas por profissionais de saúde que asseguram as</p><p>intervenções médicas e paramédicas. No entanto, os logísticos que também seguem em missão</p><p>podem não ter nenhum tipo de formação académica.</p><p>15 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>6ª COMPONENTE: RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>TEMA VI: TOMADA DE DECISÃO</p><p>A adolescência é uma época de grandes mudanças e, por consequência, de tomadas de decisões.</p><p>Portanto, é preciso aumentar a tua capacidade de decisão pessoal e de aceitação das decisões dos</p><p>outros e estar disposto a defender os teus valores.</p><p>6.1. Eu e as minhas decisões</p><p>As minhas decisões</p><p>Como sabes, há muitas situações de mudanças: mudança de casa, de escola, de amigos e também</p><p>mudanças que abrangem o mais íntimo de ti próprio, a descoberta da sexualidade, a passagem da</p><p>infância à adolescência.</p><p>Cada uma das situações de mudança que abordaste é composta por vários elementos, que são</p><p>também várias etapas:</p><p>1) Em primeiro lugar surge o desejo de uma vida melhor: com mais conforto, mais alegria,</p><p>mais harmonia, mais responsabilidade e liberdade…</p><p>2) Este desejo de uma vida melhor é sempre acompanhado por desejo de segurança: ter uma</p><p>vida mais segura, um emprego bem remunerado, saber mais coisas, crescer mais e ter mais</p><p>maturidade para enfrentar os problemas que vão surgindo no dia-a-dia.</p><p>3) Mas, logo a seguir a estes desejos, surge uma situação de dilema – mudar ou não mudar?</p><p>Aqui é preciso saber se deve ou não optar por essa mudança, pensando os prós e os contras.</p><p>4) Esta situação de dilema, comporta sempre uma situação de risco que pode vir com a</p><p>mudança: posso desejar mais responsabilidade e depois não ser capaz de assumir…</p><p>5) E por fim, o último elemento é a tomada de uma decisão: decidir pela mudança ou contra a</p><p>mudança.</p><p>6.2. Nem sempre é fácil aceitar ou negar algo</p><p>Decidir diante de várias escolhas</p><p>Decidir é, por vezes, complicado. Quando te deparas com várias escolhas, podes optar por uma</p><p>que pode não ser do teu agrado. Existe, pois, um conflito dentro de ti. Porém, se tiveres</p><p>consciência desse conflito, é possível resolvê-lo mais facilmente. Aliás, a existência e a</p><p>resolução de conflitos ajudam-te a crescer. Ao longo da vida tens de tomar muitas decisões:</p><p> Decisões pessoais, mas com repercussões sociais, como, por exemplo, ser pai ou mãe na</p><p>adolescência, casar ou não...;</p><p> Decisões pessoais, mas com repercussões para a saúde, como ter um ou mais parceiros</p><p>sexuais, ter relações sexuais sem o uso de preservativo...</p><p>Todas as decisões são naturalmente tomadas por ti, mas acabam por envolver outras pessoas.</p><p>Não podem ser tomadas de um dia para o outro, muito menos sem orientação.</p><p>16 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>7ª COMPONENTE: AUTO E MÚTUO CONHECIMENTO</p><p>TEMA VII: SEXUALIDADE E COMPORTAMENTOS</p><p>O corpo do adolescente passa por uma série de mudanças que não estão sob o controlo da sua</p><p>própria vontade e essas mudanças exigem uma readaptação do novo corpo que ainda é</p><p>desconhecido, pois perde-se o corpo infantil e um novo corpo começa a surgir, mudando a cada</p><p>dia.</p><p>Cada um deve compreender a sua sexualidade e deve entender também que a maternidade e a</p><p>paternidade devem resultar de uma opção voluntária e consciente e identificar soluções para</p><p>evitar a gravidez e a maternidade não desejadas e precoces.</p><p>7.1. Eu, os outros e a sexualidade</p><p>A vivência da sexualidade</p><p>De acordo com o dicionário de Língua Portuguesa, Sexualidade é conjunto de características</p><p>fisiológicas e psicológicas relacionadas com o sexo. A sexualidade é uma energia que nos motiva</p><p>a procurar um amor, contacto, ternura e intimidade e influencia o modo como nos sentimos, nos</p><p>movemos, tocamos e somos tocados. “A sexualidade influencia os nossos pensamentos,</p><p>sentimentos, as nossas acções na interação com os outros e, por isso, influencia também a nossa</p><p>saúde física e moral (Conceito da OMS).”</p><p>Todos nós, desde que nascemos até que morremos, precisamos de estar próximos de outras</p><p>pessoas. Esta necessidade é uma das razões que levam a que muitas das relações familiares e de</p><p>amizade existam, durem muito tempo e, às vezes, nunca acabem.</p><p>Precisamos estar próximos de outras pessoas, pois todos nós gostamos de receber ternura, de nos</p><p>sentir amados e protegidos. Enquanto somos bebés, esta necessidade é maior e é nesta idade que</p><p>dependemos totalmente dos adultos que cuidam de nós.</p><p>Com o passar do tempo, a nossa dependência dos outros diminui, vamos ficando mais</p><p>independentes, ou seja, pouco a pouco ganhamos autonomia, mas a necessidade de estar perto</p><p>do</p><p>outro continua durante a vida toda.</p><p>A sexualidade permite-nos ter também um maior conhecimento de nós próprios, do que</p><p>pensamos e sentimos e perceber das coisas que gostamos mais ou menos, no nosso corpo e na</p><p>relação que estabelecemos com os outros.</p><p>Regras de conduta para viver uma sexualidade responsável:</p><p>1) Procurar informações que possam melhorar a vivência sexual e a saúde reprodutiva;</p><p>2) Interagir com ambos os géneros, respeitando as diferenças;</p><p>3) Exprimir o afecto e a sexualidade de forma adequada;</p><p>4) Tomar decisões informadas;</p><p>5) Comunicar e dialogar com a família, com parceiros e colegas;</p><p>6) Evitar comportamentos que facilitem a transmissão de infecções e doenças transmissíveis</p><p>sexualmente;</p><p>7) Prevenir o abuso sexual;</p><p>8) Realizar os exames periódicos para avaliar a sua saúde sexual.</p><p>17 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>7.2. Mamãs e papás de ‘palmo e meio’: um problema de muitos países</p><p>Gravidez precoce</p><p>(Trabalho de pesquisa em grupos)</p><p>7.3. Diferentes maneiras de expressar ensinamentos sobre a sexualidade na adolescência</p><p>Ensinamentos sobre a sexualidade</p><p>É na escola que passas grande parte do teu tempo. Por isso, cabe também aos professores</p><p>orientarem-te nesta fase da descoberta, esclarecendo as tuas dúvidas e evitando que cresças com</p><p>ideias erradas sobre a sexualidade.</p><p>No entanto, é junto da família que existe a primeira orientação sexual. De facto, a adolescência é</p><p>vivida de acordo com a cultura (costumes, valores e crenças) da família a que se pertence, que é</p><p>responsável por educar o adolescente no campo da sexualidade. Quando as famílias garantem</p><p>este acompanhamento, estaremos mais seguros quando nos depararmos com condutas que</p><p>correspondem aos costumes das nossas famílias.</p><p>7.4. Eu, a comunidade e o Ministério da Família: os adolescentes procuram soluções</p><p>As inquietações dos adolescentes e busca de soluções</p><p>A adolescência é uma fase de transformações e com muitas preocupações. Cabe aos pais ou</p><p>encarregados de educação conversar com os filhos profundamente, de maneiras a educá-los</p><p>sexualmente, quando estes atingem a puberdade. Devem transmitir ensinamentos e demostrar</p><p>formas de comportamento relacionadas com as novas transformações do corpo.</p><p>É preciso saber que ter relações sexuais sem proteção do preservativo pode dar origem a uma</p><p>gravidez indesejada ou a uma doença sexualmente transmissível. Uma gravidez, que tem</p><p>implicações muito sérias, pode acontecer na primeira relação sexual, se a rapariga estiver no</p><p>período fértil, e até mesmo sem penetração. Tudo isso pode ser evitado, se houver transparência,</p><p>cumplicidade entre o adolescente e a família.</p><p>7.5. Rituais e valores da minha cultura</p><p>Ritos de iniciação à vida adulta</p><p>Todos nós vivemos de acordo com a cultura da nossa sociedade, classe socioeconómica, filiação</p><p>religiosa ou grupo familiar. Cada um destes agrupamentos estabelece as suas normas de vida,</p><p>expectativas e exigências relativamente aos seus membros (jovens adultos e velhos).</p><p>Duas das grandes características muito importantes da adolescência são: o aparecimento da</p><p>maturação sexual e o desejo de fazer parte do mundo dos adultos. Estas duas características</p><p>permitem que o adolescente reconheça os seus impulsos sexuais, tendo criado respostas para</p><p>ajudar a lidar com essa descoberta, proporcionando uma vivência saudável e consciente, que</p><p>minimiza os problemas típicos da adolescência. Além disso, também permite exercer desde logo</p><p>as suas responsabilidades e assumir o papel de adulto, facilitando que a maturidade do</p><p>adolescente ocorra mais cedo.</p><p>Em Angola podemos encontrar três padrões relactivos à educação dos adolescentes. É assim que,</p><p>em grande parte das culturas angolanas, a iniciação é (ou era) o processo criado para facilitar a</p><p>comunicação baseada num conjunto de ensinamentos relativos à adolescência.</p><p>18 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>Por exemplo, na Lunda Sul, assim que a jovem se apercebe da primeira menstruação (em regra,</p><p>aos 13-14 anos), dá a conhecer a «boa-nova» a uma mulher adulta e de idade avançada. Esta</p><p>mulher torna-se a sua madrinha. A partir deste momento, a jovem entra no processo de iniciação,</p><p>denominado por Mukanda. Mukanda é o nome do ritual da puberdade/adolescência, tanto para as</p><p>raparigas como para os rapazes. Os rapazes são submetidos à Mukanda dos 13 aos 14 anos.</p><p>Neste processo, transmitem-se aos jovens ensinamentos que vão desde a sexualidade até a vida</p><p>social da sua cultura.</p><p>Na parte Sul (Huila...) encontramos um acto quase semelhante, mas com o nome de “efico”.</p><p>Aqui, as meninas são levadas para um lugar fora da família, onde receberá instruções ou</p><p>ensinamentos sobre a vida que tem de levar na fase adulta, conhecimentos sociais e até referentes</p><p>ao casamentos. Quanto aos rapazes, também são levados fora da família e passam pela</p><p>circuncisão, que consiste em cortar alguma particularidade do pénis, e recebe ensinamentos de</p><p>homem para homem, sobre como viver socialmente e como casado.</p><p>.</p><p>Depois de passarem pela iniciação, que é uma verdadeira escola de aprendizagem, os jovens são</p><p>aceites como adultos. Com isso, estes:</p><p>1) Participam na vida adulta;</p><p>2) São responsáveis pelas suas horas de tempo livre;</p><p>3) Cumprem tarefas comunitárias;</p><p>4) Devem obter parte do seu sustento;</p><p>5) Obedecem às normas e convenções dos adultos relativos à vida social e sexual.</p><p>19 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>8ª COMPONENTE: RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>TEMA VIII: RELAÇÕES FAMILIARES</p><p>É muito interessante sabermos a importância dos rituais para um bom funcionamento da família</p><p>e para um saudável desenvolvimento da criança ou do adolescente, reconhecer a importância dos</p><p>modelos paterno e materno, reflectir sobre as situações problemáticas relacionadas com a</p><p>violência familiar, reconhecer valores que favorecem a harmonia na família e perceber que o</p><p>bem-estar da família passa necessariamente pela harmonia familiar.</p><p>8.1. Os rituais familiares que promovem a união familiar</p><p>Celebrações e tradições familiares</p><p>Os rituais familiares são comportamentos repetitivos, simbólicos, interactivos, que caracterizam</p><p>a vida de um agregado familiar e são executados de forma típica por cada família. Muitas vezes</p><p>são transgeracionais, isto é, mantêm-se através da família, sendo trazido pelos avôs, que os</p><p>passam aos filhos e estes por sua vez aos netos. Os rituais são importantes para manter a coesão</p><p>da família e reforçam o sentimento de pertença dos seus membros. Têm funções organizativas</p><p>importantes para a vida familiar que conservam e transmitem a identidade da família.</p><p>Existem três categorias de rituais familiares: as celebrações familiares, as tradições familiares e</p><p>as rotinas ritualizadas.</p><p>Celebrações familiares: são ocasiões de interação organizada com características de uma</p><p>cultura, com a larga expressão na comunidade envolvente. Por exemplo, o natal, a páscoa e a</p><p>passagem de ano, possuem uma simbologia universal e estranhamos claramente a família que de</p><p>alguma forma não os assinala.</p><p>Tradições familiares: são mais típicas de jantar, podendo incluir a forma de passar as férias, os</p><p>projectos de aniversários ou refeições especiais. É uma característica que marca a vida da</p><p>família.</p><p>Rotinas familiares: dizem respeito à hora de jantar, ao deitar dos filhos quando são pequenos, à</p><p>forma de convidar amigos para jantar ou a entretenimentos de fim-de-semana. Variam ao longo</p><p>do ciclo de vida da família e contribuem</p><p>para a definição de papéis intrafamiliares.</p><p>8.2. Problemas na adolescência: causas e soluções possíveis</p><p>Estabilidade na família</p><p>As famílias disfuncionais perderam os rituais e as famílias do futuro, se não se acautelarem,</p><p>também os perderão. Uma família onde o álcool ou droga entraram desorganizou-se, a tal ponto</p><p>que já não há equilíbrio, tempo e espaço para os rituais. A família apressada dos dias de hoje</p><p>caminha para uma mudança tão persistente que já ninguém tem tempo para olhar no outro. É</p><p>necessário preservar em cada agregado os rituais organizadores da vida familiar, que em cada</p><p>momento fazem sentido para os seus membros. As tradições familiares reforçam o papel de cada</p><p>um, aclaram a identidade e permitem a visão de continuidade ao longo dos tempos que dá</p><p>sentido à vida.</p><p>Quando o amor entre um casal acaba e os conflitos se tornam cada vez mais frequentes, acontece</p><p>muitas vezes a separação. Este é o momento difícil da vida dos filhos, que sofrem muito com a</p><p>separação dos pais e, por vezes, sonham durante vários anos com o seu reecontro.</p><p>20 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>Normalmente, os filhos ficam a viver na casa materna (constituindo uma família monoparental) e</p><p>podem perder o habitual contacto com o pai após a separação. A ausência da figura paterna ou</p><p>materna tem, pois, grandes consequências no desenvolvimento dos filhos, que precisam dos dois</p><p>modelos para crescer saudavelmente. Quando os pais entram para uma relação nova, é difícil,</p><p>para os filhos aceitarem sem reservas o novo companheiro; se há filhos de um casamento</p><p>anterior, o relacionamento entre os vários membros da família nem sempre é fácil.</p><p>As consequências, para a criança ou para o adolescente, da ausência de uma das figuras parentais</p><p>podem ser:</p><p>1) Estado depressivo;</p><p>2) Agressividade (normalmente exterior à família);</p><p>3) Problemas de aprendizagem;</p><p>4) Sentimento de culpa.</p><p>A violência na família</p><p>Existe violência familiar quando há agressão física ou psicológica sobre um cônjuge, um filho ou</p><p>outro elemento do agregado familiar. As situações de violência familiar podem ocorrer em todas</p><p>as classes sociais, culturas e idades.</p><p>Quando falamos de violência na família, pensamos quase sempre naquelas onde predomina a</p><p>pobreza e onde há carências económicas assustadoras. Nesses casos, e como se os maus tratos</p><p>fossem naturais, adoptamos uma posição de banalização da violência, que é a principal forma de</p><p>legitimá-la.</p><p>Noutras famílias, a violência é mais subtil. O pai continua a ler o jornal, enquanto a mãe prepara</p><p>o jantar. O pai às vezes diz: “lavei-te a louça ou tirei-te a roupa da corda”; como se a louça e a</p><p>roupa são pertença da mulher.</p><p>Há casas em que os rapazes são poupados nas tarefas domésticas, enquanto as meninas juntam-se</p><p>às mães num ciclo de disponibilidade doméstica permanente. Noutros locais de convivência</p><p>familiar, as conversas dos filhos adolescentes são escutadas às escondidas pelos pais e irmãos</p><p>mais velhos. A correspondência é frequentemente violada.</p><p>São exemplos de uma violência menos visíveis, em famílias cujos membros estão de costas uns</p><p>para os outros e em que os pais pretendem controlar tudo que se passa. Vivem na esperança de</p><p>que se tudo for conhecido e disciplinado, tudo correrá bem. No fundo, exercem a maior violência</p><p>de todas: a de quererem moldar os filhos, afastando-se pouco a pouco.</p><p>21 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>9ª COMPONENTE: RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>TEMA IX: AS RELAÇÕES NA FAMÍLA NO TEMPO DOS MEUS AVÓS</p><p>9.1. Inquérito: as relações familiares em tempos idos</p><p>Vivencias familiares em tempos idos</p><p>Para reconheceres as relações familiares do tempo dos teus avós, sugerimos-te a realização de</p><p>um inquérito junto das famílias da tua comunidade. É uma técnica de recolha de dados que serve</p><p>para conseguir de modo rápido informações de um grupo de pessoas: alunos, sócios de um clube,</p><p>habitantes de uma localidade, camponeses, etc.</p><p>Através dos resultados dos inquéritos, podem realizar-se quadros estatísticos. Em Angola, o</p><p>Instituto Nacional de Estatística (INE) realiza vários inquéritos à população e, a partir dos dados</p><p>que obtém, organiza estatísticas sobre diversos temas: a situação da criança, o nível de vida da</p><p>população, o número de crianças vacinadas, etc. São as estatísticas do INE que servem de base a</p><p>elaboração de muitos dos gráficos e quadros estatísticos publicados em vários livros, revistas ou</p><p>jornais.</p><p>Para realizar um inquérito, é necessário:</p><p>1) Fazer uma apresentação do inquérito claro e agradável, de modo a interessar as pessoas</p><p>que queremos que se interessem com as informações;</p><p>2) Elaborar uma introdução, em que se dá conta da finalidade do inquérito;</p><p>3) Formular perguntas cujas respostas não tenham de ser muito extensas;</p><p>4) Não utilizar palavras ambíguas. Por exemplo, em vez de perguntar «qual é a sua</p><p>ocupação? », deves perguntar «qual é a sua profissão? »;</p><p>5) Construir fichas de tratamento de dados do inquérito, que ajudam a resumir e classificar</p><p>informações reconhecidas. Assim, é possível analisá-las de forma organizada e formular</p><p>convenientemente as condições.</p><p>22 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>10ª COMPONENTE: EDUCAÇÃO CÍVICA E DEMOCRÁTICA</p><p>TEMA X: EU E A CIDADANIA DEMOCRÁTICA</p><p>Os jovens devem apreciar valores para uma convivência que se pretende em liberdade e</p><p>reconhecer a importância do exercício da cidadania numa sociedade democrática.</p><p>10.1. Sou um cidadão</p><p>Conceito de cidadão e de cidadania</p><p>Direitos e deveres do cidadão</p><p>Participação activa na vida social</p><p>Não é fácil definir a cidadania, porque não é uma coisa palpável, porque não tem forma nem</p><p>cheiro, porque pode estar em toda a parte e em parte nenhuma, porque, no fundo só existe</p><p>verdadeiramente no espírito e na acção de cada um de nós. A soma do que cada um faz pensando</p><p>no tempo e no espaço em que vive e na forma de torná-los melhor é que conduz à verdadeira</p><p>cidadania.</p><p>A cidadania é o exercício dos direitos e deveres civis, políticos e sociais estabelecidos na</p><p>Constituição de um país, por parte dos seus cidadãos.</p><p>- É o exercício de direitos e deveres, de maneira interligada, de forma a contribuir para uma</p><p>sociedade mais equilibrada e justa.</p><p>Na vivência da cidadania pode sempre haver conflitos, por causa das diferanças dos cidadãos.</p><p>Desta forma, é preciso cultivar hábitos que sejam reconhecidos colectivamente. A cidadania</p><p>deve ser ampla, garantindo a todos os mesmos direitos e os mesmos deveres.</p><p>A cidadania é afinal o conjunto de muitas coisas que, habitualmente nem sequer relacionamos</p><p>com ela. É o caso da solidariedade, da tolerância, da cooperação, da responsabilidade, do</p><p>civismo, do respeito pela liberdade alheia, da participação na vida colectiva e do conhecimento</p><p>rigoroso dos direitos e dos valores. É o cumprimento de tudo isso que transforma os indivíduos</p><p>em cidadãos.</p><p>Exercer a cidadania é ter consciência dos teus direitos e deveres, garantindo que estes sejam</p><p>postos em prática. A verdadeira cidadania implica acção, participação, envolvimento e</p><p>contribuição. A cidadania não se resume a fazer coisas que achamos correctas, mas fazer aquilo</p><p>que irá realmente ajudar a mim e aos outros.</p><p>Quando intervéns na vida associativa da tua escola, quando aderes a uma associação ecologista</p><p>ou cultural, quando te juntas a amigos e colegas para dares sentido à palavra «solidariedade»,</p><p>estás a ser cidadã ou cidadão.</p><p>Se conheceres bem</p><p>os teus direitos e deveres, será mais e melhor cidadão e não terás medo da</p><p>autoridade sempre que ela não tiver razão na forma como se relaciona contigo. No fundo, vais</p><p>aprender que a tua liberdade começa onde termina a dos outros e que a soma dessas liberdades</p><p>individuais é que é a verdadeira base da democracia.</p><p>Cidadão é aquele que sabe que tem o direito e dever de ajudar a tornar o seu país melhor e mais</p><p>moderno e que sabe também que, para que isso aconteça, tem de participar, fazendo ouvir a sua</p><p>voz, a sua opinião, formando associações exigindo aos sindicatos que defendam os seus</p><p>interesses, lutando para que se respeitem as diferenças, para que se proteja o património, para</p><p>23 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>que os que têm menos não sejam excluídos só porque estão pobres ou doentes. Portanto, ser</p><p>cidadão é uma forma de participar na vida da comunidade.</p><p>Mesmo que não podemos, o nosso dever enquanto cidadãos é juntar esforços para que os</p><p>problemas tenham uma solução. A cidadania é a base de um velho sonho: o de os homens e as</p><p>mulheres poderem estar cada vez mais próximos da igualdade de direitos e poderem cada vez</p><p>mais governar-se a si próprios, em tudo aquilo que depender deles e da sua vontade</p><p>democraticamente expressa através do voto e da expressão da opinião.</p><p>A pior ameaça da cidadania, é a diferença dos cidadãos perante a vida pública, a indiferença</p><p>perante o conjunto de deveres e direitos que fazem deles cidadãos e a ideia perigosa de que a</p><p>melhor maneira de se resolver os problemas é cada um tratar de si e governar-se como pode.</p><p>A cidadania é um direito universal e implica que todos os cidadãos, sem qualquer excepção de</p><p>raça, credo, sexo, ideologia ou condição física e psíquica, tenham os mesmos direitos e iguais</p><p>oportunidades no acesso à educação, à cultura, à saúde, ao bem-estar, ao lazer, ao trabalho, etc. É</p><p>viver numa cidade sem barreiras de nenhuma espécie, onde todos podem olhar o presente e o</p><p>futuro com as mesmas expectativas.</p><p>Ergue-te para participares, porque a construção de uma sociedade democrática depende da</p><p>participação colectiva dos seus membros junto do poder social. O poder social tem de fazer valer</p><p>a vontade geral (a maioria) sobre a vontade particular (de cada um). Ajude a construir o teu país,</p><p>para que o país também te possa ajudar.</p><p>Importância da Cidadania</p><p>A cidadania é bastante importante por garantir uma boa organização da sociedade.</p><p>Alguns Direitos dos Cidadãos</p><p>1) Direito à saúde;</p><p>2) Direito à educação;</p><p>3) Direito à habitação;</p><p>4) Direito à liberdade de pensamento;</p><p>5) Direito à religião;</p><p>6) Direito à manifestação;</p><p>7) Direito ao trabalho;</p><p>8) Direito ao lazer;</p><p>9) Direito a deslocar-se livremente.</p><p>Alguns Deveres dos Cidadãos</p><p>1) Votar para escolher governantes;</p><p>2) Cumprir as leis;</p><p>3) Educar e proteger os seus semelhantes;</p><p>4) Proteger a natureza;</p><p>5) Proteger o património público do país.</p><p>24 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>11ª COMPONENTE: EDUCAÇÃO CÍVICA E DEMOCRÁTICA</p><p>TEMA XI: LIBERDADE/LIBERDADES</p><p>Deve-se relacionar os conceitos de liberdade e democracia, recordar que a liberdade só existe se</p><p>houver respeito por regras reais que convêm a todos, reconhecer o direito às liberdades de</p><p>pensamentos, consciência/religiosa e opinião/expressão e expressar e defender publicamente as</p><p>tuas próprias opiniões e valores.</p><p>A liberdade é o cumprimento da democracia. É o direito que cada um de nós tem de exercer as</p><p>suas faculdades e de decidir e agir segundo a sua convicção e determinação.</p><p>Muita gente pensa que ser livre é fazer o quisermos. Mas, por vivermos em sociedade o exercício</p><p>da liberdade só é possível com o respeito por regras simples, claras e justas. A liberdade é,</p><p>portanto, a busca constante da convivência harmoniosa e pacífica e que não prejudique o</p><p>interesse comum.</p><p>Quando o conceito de liberdade é distorcido, causando transgressão aos direitos e aos deveres, a</p><p>liberdade dá lugar à libertinagem (desordem), o que complica o bom funcionamento da</p><p>democracia.</p><p>11.1. Liberdade de expressão e de pensamentos</p><p>A conquista da liberdade</p><p>11.2 . Limites da liberdade</p><p>Diversas formas de liberdade</p><p>A liberdade de opinião é uma forma de exercer a liberdade de pensamento e de consciência e de</p><p>contribuir para a resolução de assuntos de interesse comum. O direito à opinião requer o direito à</p><p>informação, pois sem a informação todo o debate ou análise perde o seu sentido. O uso deste</p><p>direito exige, porém, que a informação seja sempre verdadeira, respeitando a dignidade de todos.</p><p>Temos liberdade de expressão quando podemos trocar ideias com os outros, independentemente</p><p>das nossas convicções, manifestando as nossas próprias opiniões sem medo, em particular ou em</p><p>público, recebendo ou dando informação por meio de reunião, cartas, revistas, jornais, rádio...</p><p>Vão contra este direito: a proibição de exprimir as próprias opiniões; a proibição de ler e</p><p>escrever para comunicar e conhecer o pensamento dos outros; impedir a crítica; usar os meios de</p><p>comunicação e a escola para propagar uma única maneira de pensar; escutar conversas privadas;</p><p>condenar as pessoas que tiverem a coragem de manifestar as suas ideias.</p><p>O intelecto é uma caraterística do ser humano que o distingue de todos os outros seres. Todo ser</p><p>humano tem o direito de pensar livremente e de se desenvolver intelectualmente, o que lhe</p><p>permite não só enriquecer-se, mas também dar um contributo valioso à sociedade em que vive.</p><p>Segundo a Declaração Universal dos Direitos Humanos:</p><p> Toda a pessoa tem direito à liberdade de pensamento, de consciência e de religião; este</p><p>direito implica a liberdade de mudar de religião ou de convicção, assim como a liberdade</p><p>de manifestar a religião ou convicção, sozinho ou em comum, tanto em público, como em</p><p>privado, pelo ensino, pela prática, pelo culto e pelos ritos. Artigo 18º</p><p> Todo o indivíduo tem direito à liberdade de opinião e de expressão, o que implica o</p><p>direito de não ser inquietado pelas suas opiniões e o de procurar, receber e difundir, sem</p><p>25 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>consideração de fronteiras, informações e ideias por qualquer meio de expressão. Artigo</p><p>19º</p><p>A consciência é a parte mais íntima e profunda de nós próprios. É de acordo com a consciência</p><p>que formamos as nossas convicções e as nossas crenças acerca do mundo. Orientados pelas</p><p>nossas convicções e crenças (religião), pensamos, decidimos e agimos. A formação da</p><p>consciência fica limitada quando não temos possibilidade de criar e manter ou desenvolver</p><p>relações livres com os outros.</p><p>A liberdade de opinião (em casa, na escola, no trabalho ou em qualquer outro lugar público) é</p><p>uma forma de exercer a liberdade de pensamento e de consciência e de contribuir para a</p><p>resolução de assuntos de interesse comum. Quando uma sociedade defende ideias democráticas,</p><p>é desejável que a liberdade de opinião, seja a base da vida em sociedade. Ao restringirmos a</p><p>liberdade de opinião, podemos viver revoltas.</p><p>11.2 . Limites da liberdade</p><p>As máximas da liberdade</p><p>Algumas máximas da liberdade</p><p> Não concordo com uma só palavra do que dizes, mas defenderei até à morte o teu direito de</p><p>dizê-la. – Voltaire.</p><p> Liberdade significa responsabilidade. É por isso que tanta gente tem medo dela. – George</p><p>Bernard Shaw.</p><p> Acima de todas as liberdades, dê-me a de saber, de me expressar, de debater com autonomia,</p><p>de acordo com a minha consciência. – John Milton.</p><p> Não há liberdade a não ser a de alguém que vai para algum sítio.</p><p>– Saint-Exupéry.</p><p>26 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>12ª COMPONENTE: EDUCAÇÃO PARA A SAÚDE</p><p>TEMA XII: SAÚDE SEXUAL E REPRODUTIVA</p><p>Sabemos que a saúde é um bem precioso que todos desejamos e devemos manter. Mas na</p><p>realidade, mesmo que os adultos alertem os adolescentes sobre determinados riscos, estes muito</p><p>ignoram os conselhos, o que compromete a sua saúde. As actitudes que muitos adolescentes</p><p>apresentam são pouco satisfatórios face à prevenção das doenças.</p><p>Nos últimos 30 anos, o comportamento sexual de um grande número de pessoas mudou demais.</p><p>Muitos passaram a iniciar a vida sexual mais cedo, com parceiros variados e que não se</p><p>conhecem bem. Este comportamento teve como consequência um aumento das doenças</p><p>sexualmente transmissíveis.</p><p>Em grande parte dos casos, juntamente com essa maior liberdade sexual, as pessoas não</p><p>receberam educação sexual, não sabiam e não sabem como prevenir as doenças que se</p><p>transmitem por sexo e têm vergonha de procurar um médico ou de falar com os pais ou outros</p><p>mais velhos em casa, para pedir ajuda. Muitos fazem automedicação com remédios indicados por</p><p>amigos e que depois não curam a doença, pelo contrário pioram e até levam mesmo à morte,</p><p>porque tomam medicamentos com dose errada.</p><p>12.1. O que são as DST?</p><p>As DST e seus cuidados</p><p>As Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST) são infecções que se transmitem através de</p><p>algum tipo de contacto sexual.</p><p>O adolescente deve conhecer as DST, saber os meios preventivos das DST, adquirir</p><p>conhecimentos sociais sobre o contágio do HIV-SIDA, saber o quanto é importante a sua</p><p>prevenção e tirar as suas dúvidas acerca do HIV e da Sida.</p><p>Por isso, quando os adultos alertam os jovens para os cuidados a terem com a sua própria saúde,</p><p>estão preocupados com a qualidade de vida dos membros da nossa sociedade. É o bom</p><p>funcionamento da «máquina humana» que está em causa. É o bem-estar. É a própria busca de</p><p>sentido para viver.</p><p>As DST são causadas por organismos que vivem nas membranas mucosas e macias do corpo</p><p>humano, isto é, em lugares como a boca, os órgãos sexuais e o recto.</p><p>As DST são:</p><p>1) O Herpes Genital – doença provocada por vírus que afectam os orgãos genitais e as zonas</p><p>envolventes;</p><p>2) A Candidíase – doença provocada por fungos que se desenvolvem no ambiente quente e</p><p>húmido da vagina;</p><p>3) A Gonorreia – infecção das vias genitais provocada por bactérias e que tanto afecta a</p><p>uretra do homem como da mulher;</p><p>4) A Sífilis – doença provocada por bactérias e que origina grandes perturbações dos</p><p>sistemas nervoso e circulatório, podendo provocar a morte;</p><p>27 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>5) A Hepatite B – doença provocada por vírus que atacam o fígado e que, se não for tratada,</p><p>pode provocar a morte;</p><p>6) A Sida (Síndrome da ImunoDeficiência Adquirida) – doença mortal provocada por um</p><p>vírus chamado HIV ou VIH (Vírus de Imunodeficiência Humana) que ataca e destrói o</p><p>sistema imunitário.</p><p>12.2. Comportamentos de prevenção</p><p>A prevenção das DST</p><p>Embora as DST possam ser contraídas de outros modos, nas relações sexuais o risco pode ser</p><p>maior e, por isso, deve haver um especial cuidado.</p><p>A prevenção destas doenças exige:</p><p>1) Um bom conhecimento do parceiro sexual;</p><p>2) Uma rigorosa higiene íntima (nomeadamente o cuidado de nunca partilhar com ninguém</p><p>as escova de dentes, a lâmina e outros objectos de uso pessoal);</p><p>3) O uso do preservativo durante as relações sexuais (às vezes pode não garantir segurnaça);</p><p>4) O conhecimento dos sintomas das DST;</p><p>5) Idas regulares ao médico (e tomar vacina, no caso da Hepatite B).</p><p>Por serem muito perigosas e por causarem uma elevada mortalidade, a Hepatite B e a Sida são as</p><p>DST que devem merecer uma maior atenção da nossa parte no que diz respeito a</p><p>comportamentos de prevenção.</p><p>12.3. Comportamentos de risco face ao contágio por HIV: seropositividade</p><p>HIV e os comportamentos de risco</p><p>Apesar de já se saber muito sobre o HIV/SIDA e a medicação já conseguir controlar a doença em</p><p>alguns casos. É importante que se divulgue o mais possível o seu modo de transmissão e o passo</p><p>simples que a pode prevenir ao nível das relações sexuais: o uso de preservativo. É também</p><p>importante que se passe essa mensagem simples ao maior número de pessoas, para que elas não</p><p>se deixem enganar por indivíduos de má-fé que prometem a cura total (que ainda não existe),</p><p>mas que no fundo pretendem apenas obter poder e ascendente sobre os infelizes que contraíram</p><p>HIV/SIDA.</p><p>Na dúvida, deve-se jogar pelo seguro e não pôr em risco a vida de outros, incluindo de crianças</p><p>que podem ser geradas por uma relação sexual desprotegida. Essas crianças, para além de risco</p><p>de nascerem infectadas, correm o risco ainda maior de ficarem órfãs, dado que as perspectivas de</p><p>sobrevivência dos seus pais são reduzidas. Essas crianças e adultos infectados são muitas vezes</p><p>abandonados pelas famílias e outras pessoas próximas e depois vivem nas ruas sem esperança de</p><p>apoio.</p><p>28 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>Transmissão/infecção do HIV/SIDA</p><p>Tal como já foi dito, é fundamental transmitir a informação ao maior número de pessoas de que</p><p>o HIV/SIDA é:</p><p>1) Uma doença sem cura, mas que pode ser controlada por medicamentos;</p><p>2) Uma doença grave;</p><p>3) Uma doença contagiosa;</p><p>4) Uma doença que se transmite pelo contacto de fluidos corporais infectados (esperma,</p><p>sangue, saliva, leite materno).</p><p>5) Uma doença que se transmite também pelos objectos cortantes e injectados como: a</p><p>seringa, a lâmina, o gilete, a faca, a agulha usada por pessoa infectada por HIV/SIDA.</p><p>29 – Material em fase experimental</p><p>Material organizado por Nelsinho Nbada, tendo como bases principais o Manual e o Programa de E.M.C – 8ª Classe</p><p>13ª COMPONENTE: RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>TEMA XIII: OS COMPORTAMENTOS SEXUAIS NA COMUNIDADE</p><p>13.1. Estereótipos sexuais</p><p>A discriminação entre homens e mulheres</p><p>Os estereótipos sexuais são construções sociais e expressões de actitudes discriminatórias e</p><p>intolerantes. Todas as formas de preconceito entre as pessoas devem ser revistas e evitadas,</p><p>entendendo que todos têm valor e dignidade e merecem respeito igual.</p><p>Ao longo do tempo, a sociedade tem construído valores que estabelecem comportamentos</p><p>normais, aceitáveis e esperados para cada sexo: são os estereótipos sexuais. Aos homens ensina-</p><p>se a masculinidade, isto é, valores relacionados com a competição, agressividade, frieza, força,</p><p>segurança e a independência. Às mulheres ensina-se a feminilidade, isto é, valores relacionados</p><p>com a passividade, delicadeza, fragilidade, decência e vaidade.</p><p>Estes valores vão sendo transmitidos de geração em geração, tendendo a tornar-se, erradamente,</p><p>verdades inquestionáveis.</p><p>No entanto, uma visão demasiado rígida do que é «próprio de um homem ou de uma mulher»</p><p>tem efeitos negativos no modo como as pessoas vivem a sua sexualidade, o seu corpo, os seus</p><p>comportamentos e os comportamentos dos outros.</p><p>Apesar de, nas últimas décadas, se terem verificado menos desigualdades entre homens e</p><p>mulheres, existem ainda condutas e oportunidades diferenciadas para cada sexo. Muitas das</p><p>situações problemáticas do nosso dia-a-dia (nas famílias, no trabalho, na escola, etc) são</p><p>consequências de modelos sexuais rígidos e da dificuldade de os questionar de forma crítica.</p><p>É muito importante ter</p>