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<p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 FATORES QUE INFLUENCIAM AS MUDANÇAS CULTURAIS ................. 2</p><p>2 SOCIALIZAÇÃO: UMA APRENDIZAGEM PERMANENTE ........................ 6</p><p>2.1 O Papel Socializador Da Família .......................................................... 7</p><p>2.2 Parceria Entre Familia E Escola ........................................................... 8</p><p>2.3 O Papel Socializador Da Escola ......................................................... 11</p><p>3 IDEOLOGIA .............................................................................................. 13</p><p>3.1 A ideologia e a dominação capitalista ................................................ 14</p><p>3.2 A ideologia e a normatização do cotidiano ......................................... 17</p><p>3.3 O processo de internalização e a condição humana .......................... 18</p><p>4 A DOMINAÇÃO IDEOLÓGICA E O INTERESSE DO INDIVÍDUO ........... 19</p><p>5 TODOS NECESSITAM DE AMOR ........................................................... 22</p><p>5.1 O que é o Amor? ................................................................................ 23</p><p>5.2 A Relação Homem-Mulher ................................................................. 25</p><p>6 O AMOR MANIPULADO SOCIALMENTE ................................................ 27</p><p>7 FATORES QUE IMPOSSIBILITAM DO AMOR ........................................ 28</p><p>8 LENDO E REFLETINDO A REALIDADE .................................................. 31</p><p>BIBLIOGRAFIA ............................................................................................... 32</p><p>2</p><p>1 FATORES QUE INFLUENCIAM AS MUDANÇAS CULTURAIS</p><p>Fonte: s3-sa-east-1.amazonaws.com</p><p>Por outro lado, a continuidade cultural tem seus custos. No campo da</p><p>tecnologia, por exemplo, a inovação leva, em geral, a uma maior eficiência no uso</p><p>da energia e do tempo humano, a uma melhoria no padrão de vida e amplia as</p><p>possibilidades em diversas áreas. Da mesma forma podem ser grandes os</p><p>benefícios com as mudanças no campo das organizações sociais. Nenhuma</p><p>sociedade é perfeita ou adquiriu uma forma acabada e definitiva para a vida em</p><p>comum. Especialmente no mundo moderno e contemporâneo, após a Revolução</p><p>Industrial e o desenvolvimento da ciência moderna, a mudança sociocultural tornou-</p><p>se permanente e intensa. Nos dias de hoje, as sociedades que incluem um mais</p><p>amplo componente de mudança, tendem a favorecer uma melhor qualidade de vida</p><p>para uma parcela cada vez maior da sua população.</p><p>São vários os fatores que contribuem para a mudança e inovação em uma</p><p>sociedade: fatores internos à própria sociedade ou fatores externos do ambiente que</p><p>a cerca. Em nossos dias, tornou-se muito clara a extrema importância da relação</p><p>entre a sociedade e o seu ambiente. O meio ambiente não é somente uma fonte</p><p>crucial para o sustento da sociedade com suas características climáticas e</p><p>geográficas em geral, suas riquezas naturais, suas fontes de energia, sua flora e</p><p>fauna, tudo isso funcionando como um conjunto de condições em relação ao qual a</p><p>sociedade deve se adaptar. Nesse processo, a sociedade pode interagir com o seu</p><p>3</p><p>ambiente em diferentes formas e direções: seja contribuindo para melhorar ou para</p><p>piorar e prejudicar suas condições de vida. As mudanças no ambiente acabam por</p><p>forçar mudanças na sociedade. As sociedades, ao longo da história, tiveram</p><p>necessidade de ajustar-se às mudanças no ambiente. Esse é um processo de</p><p>adaptação inquestionável.</p><p>O ambiente a que uma sociedade deve adaptar-se inclui, também, outras</p><p>sociedades com as quais ela mantém contato. Uma mudança maior em uma</p><p>costuma desencadear um processo em cadeia gerando consequências para as</p><p>outras e obrigando a ajustamentos e inovações. Mas há outras fontes de mudanças.</p><p>A dinâmica das forças no interior das sociedades, que fazem parte da própria</p><p>condição do ser humano, impede que a sociedade permaneça estável</p><p>permanentemente. Em primeiro lugar, na transmissão da herança cultural de uma</p><p>geração para outra ocorrem alterações de vários tipos.</p><p>Como vimos anteriormente, os indivíduos não são passivos na formação dos</p><p>hábitos, na aprendizagem dos costumes e na recepção das informações ao longo de</p><p>seu crescimento e desenvolvimento. Os seres humanos aparentemente, por sua</p><p>própria natureza, são motivados a tentar novos padrões de ação. Muitas vezes, a</p><p>motivação é a simples curiosidade que pode ser intensificada pelo mundo cultural.</p><p>Ou, então, a motivação pode ser o simples auto interesse material. Os homens</p><p>buscam maximizar suas recompensas, isto é, ganhar mais e melhor como resultado</p><p>de suas ações. Dessa forma, a experimentação e as inovações são inevitáveis.</p><p>O acaso ou as “chances” desempenham uma parte importante no processo</p><p>da inovação e das descobertas, mas o conhecimento, a inteligência e a ação com</p><p>propósito, que movem a disposição maior para a pesquisa, são essenciais. As novas</p><p>descobertas e as inovações resultam da combinação de “chance”, conhecimento e</p><p>persistência em uma ação com propósito.</p><p>A quantidade de informação acumulada por um grupo social é, talvez, o fator</p><p>mais importante para a capacidade de inovação e mudança positiva para a vida de</p><p>seus membros. As invenções que constituem um dos processos básicos de</p><p>inovação são essencialmente recombinações de elementos existentes da cultura.</p><p>Outro fator dos mais importantes no mundo atual é o contato com outras</p><p>sociedades. Quanto maior for o relacionamento com outros povos e culturas maiores</p><p>4</p><p>são as oportunidades para incorporar suas descobertas e inovações. É sempre</p><p>possível incorporar a herança cultural de outras sociedades.</p><p>É importante assinalar que esses fatores mencionados, que estimulam e</p><p>promovem as mudanças e a inovação nas sociedades, são mutuamente</p><p>interdependentes. Há outro aspecto na relação entre diferentes sociedades e</p><p>culturas que devemos considerar. É um engano pensar que a paz entre nações seja</p><p>um estado normal e que a hostilidade, o conflito e a guerra são condições anormais.</p><p>Gostaríamos que fosse verdade, mas os registros históricos e a realidade de nosso</p><p>tempo indicam que é diferente.</p><p>São várias as razões para explicar porque as guerras e outros confrontos são</p><p>tão comuns. A causa básica parece ser a mesma que motiva a competição no</p><p>mundo biológico de maneira geral, isto é, a escassez de recursos. Tanto Malthus</p><p>quanto Darwin reconheceram que uma oferta finita de recursos, independente de</p><p>seu tamanho, nunca seria suficiente para uma população com uma infinita</p><p>capacidade para o crescimento.</p><p>A não ser que uma população, animal ou humana, controle seu crescimento,</p><p>em algum momento ela esgotaria seus recursos. Isso ajuda a explicar as ações de</p><p>invasão de territórios e apropriação de recursos de outros grupos sociais, ou povos</p><p>ou nações. Na medida em que esses recursos são essenciais, a sociedade atingida</p><p>reage. O conflito, assim, torna-se inevitável.</p><p>Fonte: saraazzo.files.wordpress.com</p><p>5</p><p>No caso dos humanos o problema tornou-se especialmente complicado pela</p><p>existência da cultura. O problema da escassez torna-se mais agudo nas sociedades</p><p>humanas porque a cultura multiplica enormemente nossos desejos e necessidades.</p><p>Os desejos dos animais são limitados enquanto os dos seres humanos quanto mais</p><p>os realizam mais, de um modo geral, desejam. O cientista social americano</p><p>Thorstein Veblen viu isso com clareza. Em um livro publicado no final do século IXX</p><p>ele desenvolveu a tese de que uma vez que uma sociedade é capaz de produzir</p><p>mais do que o necessário para viver, seus membros lutam para adquirir bens e</p><p>serviços não essenciais por causa de seu valor de prestigio.</p><p>Um pouco antes, na metade do mesmo século, Karl Marx havia diagnosticado</p><p>esse mesmo problema ao descrever as sempre novas necessidades criadas</p><p>artificialmente pelo processo de desenvolvimento da sociedade moderna.</p><p>Considerando que o prestígio é sempre, para as diferentes</p><p>pessoas das diversas</p><p>classes sociais, uma questão relativa (é uma medida da posição social de alguém</p><p>em relação aos demais), é impossível satisfazer a demanda por bens e serviços</p><p>gerada pela permanente busca de sempre mais prestígio. A escassez seria,</p><p>portanto, inevitável não importando o quanto de tecnologia se desenvolva e em</p><p>quanto se aumente a produção.</p><p>Guerras podem destruir culturas e civilizações. E, com isso, acabam gerando</p><p>grandes transformações sociais e culturais. Formas não militares de poder também</p><p>acarretam destruição de culturas através de um processo de incorporação de</p><p>sociedades culturalmente mais vulneráveis porque tecnologicamente menos</p><p>desenvolvidas. É o caso de muitas sociedades, tribos e etnias antigas, que acabam</p><p>abandonando sua cultura tradicional, minando sua autonomia como grupo social.</p><p>Isso acontece especialmente com a cultura de sociedades menores e</p><p>economicamente menos desenvolvidas quando entram em contato com sociedades</p><p>maiores e economicamente mais fortes. Considerem como exemplo o que ocorreu, e</p><p>continua ocorrendo, com as culturas indígenas e as de etnias africanas, tanto no</p><p>Brasil como em outros países.</p><p>6</p><p>2 SOCIALIZAÇÃO: UMA APRENDIZAGEM PERMANENTE</p><p>O processo através do qual aprendemos a cultura da sociedade em que</p><p>vivemos é o que chamamos de socialização. De um modo geral, os seres humanos</p><p>são dotados de uma grande capacidade para aprender a agir de maneira</p><p>socialmente responsável. A socialização é um processo sócio psicológico bastante</p><p>complexo que se inicia no momento do nascimento. O objetivo principal de tal</p><p>processo é adaptar o indivíduo aos costumes, comportamentos e modos da cultura</p><p>do seu ambiente social para que possa aprender a sobreviver por si mesmo e ser</p><p>capaz de, gradativamente, controlar seu comportamento de acordo com as</p><p>exigências da vida em sociedade.</p><p>Ao aprender o significado que a Sociologia atribui ao processo de</p><p>socialização e as maneiras como este processo se desenvolve, podemos ampliar</p><p>nossa visão e conhecimento sobre os mecanismos que operam nas sociedades e</p><p>que dizem respeito à vida cultural. Isso possibilita uma melhor compreensão do</p><p>modo e estilos de vida da sociedade em que nascemos e no qual nossas</p><p>identidades, pessoal e de grupo, se desenvolvem.</p><p>Através do processo de socialização nos tornamos, gradualmente, pessoas</p><p>autoconscientes e capazes de lidar de forma competente com o mundo a nossa</p><p>volta. O estudo dos processos de socialização pode contribuir para uma melhor</p><p>compreensão de fatores que influenciam na construção das identidades pessoais</p><p>(auto identidade) e das identidades dos grupos sociais a que pertencemos como a</p><p>família, o gênero, o grupo religioso, o grupo de convivência social, o profissional e</p><p>outros.</p><p>O processo de socialização é o principal mecanismo que uma sociedade</p><p>possui para a transmissão da cultura através do tempo e das gerações. A</p><p>socialização, além de estar diretamente relacionada com as identidades sociais,</p><p>deve ser vista como um processo que dura à vida toda na medida em que as nossas</p><p>ideias e o nosso comportamento são continuamente influenciados pelos</p><p>relacionamentos sociais e pelo ambiente em que vivemos. É através da socialização</p><p>que aprendemos e incorporamos os hábitos, os costumes, valores e normas da vida</p><p>cultural de nossa sociedade. Desde o nascimento, através da infância e da</p><p>7</p><p>adolescência e mesmo na vida adulta, estamos continuamente a aprender</p><p>comportamentos e formas de interagir em diversos e novos ambientes a que somos</p><p>expostos em nossa trajetória de vida. Nossa identidade se modifica ao atingirmos</p><p>diferentes estágios de desenvolvimento e ao assumirmos papéis sociais diversos</p><p>que se alternam e multiplicam ao longo da vida.</p><p>2.1 O Papel Socializador Da Família</p><p>É importante reconhecer como desde o nascimento somos socializados na</p><p>cultura de nossa família e como a infância é um período de intensa aprendizagem</p><p>cultural. Aprendemos a falar com aqueles que cuidam de nós na primeira infância.</p><p>Nesse primeiro período da vida é quando as crianças aprendem a língua e os</p><p>padrões básicos de comportamento que formam a base para toda a socialização</p><p>posterior. É de destaque a importância da família nessa fase primária da</p><p>socialização.</p><p>Os relatos dos estudos de casos de crianças que vivenciaram o isolamento</p><p>social evidenciam o quanto essas crianças foram incapazes de adquirir as</p><p>habilidades humanas básicas e tenderam a se parecer mais com os animais. É o</p><p>caso de um menino encontrado em um bosque no sul da França, em 1800. “Ele</p><p>estava sujo, nu, era incapaz de falar e não aprendera a usar o sanitário. (...) Nenhum</p><p>pai ou mãe jamais o procurou. Tornou-se conhecido como o menino selvagem de</p><p>Aveyron. Um exame médico completo não encontrou quaisquer anormalidades</p><p>físicas ou mentais importantes.</p><p>Por que, então, o menino parecia mais animal que humano?” (caso citado no</p><p>livro, de vários autores, Sociologia – sua Bússola para um Novo Mundo, p. 106). São</p><p>vários os casos semelhantes relatados na literatura de ciências sociais. O filme</p><p>alemão O enigma de Kaspar Hause apresenta outro caso de isolamento social na</p><p>infância e que acarretou sérios danos para o desenvolvimento pessoal de um ser</p><p>humano, aparentemente, com capacidades normais.</p><p>Devemos, aqui, mencionar Freud como um dos principais estudiosos da</p><p>formação da identidade pessoal (o self) que, há mais de cem anos, reconheceu na</p><p>família o agente mais importante da socialização primária. Em nossos dias, questões</p><p>8</p><p>importantes têm sido levantadas em relação à transformação das famílias nas</p><p>últimas décadas e ao crescimento das taxas de divórcio. Tais transformações podem</p><p>estar afetando o cuidado com as crianças e, portanto, a forma de sua socialização,</p><p>sem ainda termos clareza sobre as suas consequências.</p><p>2.2 Parceria Entre Familia E Escola</p><p>Fonte: levy.blog.br</p><p>A parceria família e escola deu certo e sempre dará, desde que haja</p><p>realmente a parceria. A família é a base principal na formação e desenvolvimento da</p><p>criança e do adolescente. A partir do nascimento, começam a receber a educação</p><p>básica para viver em sociedade e exercer a sua cidadania, como: pedir licença, pedir</p><p>desculpas, agradecer, obedecer, pedir por favor, dividir, compartilhar, respeitar-se,</p><p>respeitar os pais, os colegas os mais velhos, aprende a se comportar</p><p>adequadamente nos lugares, a esperar a sua vez.</p><p>A escola por sua vez, dará continuidade a esse processo educativo vindo da</p><p>família (a chamada educação de berço) e introduzirá a formação acadêmica</p><p>indispensável para a formação intelectual e profissional, além de caminhar lado a</p><p>lado com a família, favorecendo e fortalecendo a formação de valores.</p><p>9</p><p>O que vem acontecendo ultimamente é que as famílias muitas vezes, estão</p><p>perdendo a noção da sua importância e estão deixando toda a responsabilidade de</p><p>educar para a escola, sendo que a verdadeira educação se da no seio da família,</p><p>principalmente através dos exemplos vivenciados pelos pais e familiares próximos,</p><p>exemplos estes responsáveis pela conduta das crianças, como por exemplo: De</p><p>nada adiantaria falar para o filho não fumar, não falar palavrões, não falar da vida</p><p>dos outros se eles próprios o fazem.</p><p>Ao efetuar um pagamento e receber o troco errado para mais a seu favor e</p><p>não devolver, burlar as leis de trânsito avançando sinais, enfim, serão esses</p><p>exemplos que ficarão como verdades na cabecinha de nossos filhos, serão os que</p><p>eles reproduzirão.</p><p>A educação familiar é à base de todo cidadão, a escola sozinha não faz</p><p>milagres, até porque ele permanece na escola apenas por quatro horas e as outras</p><p>vinte horas do dia, são com a família.</p><p>O que vemos hoje, por conta da correria atual, é que os pais estão delegando</p><p>a outros essa tarefa tão importante que é EDUCAR, sendo esta tarefa de</p><p>responsabilidade exclusiva dos pais e não de babás, tias, avós,</p><p>sendo estas</p><p>pessoas muito importantes, como apoio desse processo educativo quando seguem</p><p>a mesma linha de educação.</p><p>Os pais precisam entender que o filho será amanhã o que eles ‘pais’, fizerem</p><p>hoje por seus filhos. Muitas vezes a escola é responsabilizada mas, não depende</p><p>apenas dela a tarefa de educar. Para haver realmente parceria entre a família e a</p><p>escola, é preciso que cada um saiba exatamente quais as suas atribuições, ou seja</p><p>o que é responsabilidade da escola e o que é responsabilidade da família.</p><p>Nesta parceria é importantíssimo que a família “vista a camisa” da escola</p><p>escolhida para colocar seu filho e a partir daí caminhar juntos sem ter atitudes</p><p>adversárias, como por exemplo: Quando o filho comenta em casa que o professor</p><p>chamou sua atenção por causa de comportamento inadequado, a mãe</p><p>precipitadamente diz que o professor que é enjoado, chato, não tem o que fazer....</p><p>com essa atitude estará motivando o filho a desrespeitar o professor, sendo que o</p><p>ideal é se interar melhor sobre o acontecimento e fazer a intervenção correta, da</p><p>mesma forma quando o filho não realiza uma atividade de casa por que esqueceu,</p><p>10</p><p>ou preferiu ficar na Internet, orkut, ou saiu com o colega, e ao ser cobrado pelo</p><p>professor, a mãe ou o pai escreve um bilhete a pedido do filho, dando uma desculpa</p><p>convincente como: ele (a) não estava passando bem, ou precisou sair com ele de</p><p>última hora, enfim, abonando erradamente a falta, ou melhor, a irresponsabilidade</p><p>do filho perdendo assim, a oportunidade de ensinar a responsabilidade, o</p><p>compromisso, à verdade, valores fundamentais para a formação do seu caráter.</p><p>Nessa parceria, ambos tem o mesmo objetivo que é EDUCAR a criança e o</p><p>adolescente num todo. Muitas vezes na escola, ouvimos os pais preocupados e</p><p>reclamando: “Eu não sei mais realizar essas tarefas, não me lembro mais desses</p><p>conteúdos que estudei há tantos anos, como vou fazer para ensinar meu filho em</p><p>casa? Como é que eu vou acompanhá-lo nos estudos?”.</p><p>A escola não quer que a família ensine conteúdos, pois isso é pertinente à</p><p>escola fazê-lo, o que ela precisa é que os pais acompanhem seus filhos no sentido</p><p>de organizá-los quanto aos horários de estudo, descanso e lazer, sendo o hábito de</p><p>estudo diário, fundamental para que ele possa realizar suas tarefas com</p><p>responsabilidade e autonomia. Cabe à família, apenas cobrá-lo as responsabilidades</p><p>e orientá-lo, no caso de dúvidas tirá-las com o professor na escola e também</p><p>orientá-lo quanto à importância da escola e dos estudos para sua vida no futuro.</p><p>Outro aspecto muito importante é a vigilância dos materiais levados para a</p><p>escola e trazidos para casa. Atualmente é grande o número de “sumiços” na escola,</p><p>porque não há controle dos pais no sentido de verificar e investigar o que seus filhos</p><p>carregam em suas mochilas, levando a escola a utilizar o recurso de câmeras para</p><p>fiscalizar os alunos, sendo esta uma instituição de ensino.</p><p>É muito importante também, que a família valorize os trabalhos e os</p><p>compromissos de seus filhos, sendo estes pertinentes a sua faixa etária e o seu</p><p>nível de escolaridade, pois são nesses momentos que eles estarão desenvolvendo</p><p>seus conceitos de responsabilidade, assiduidade, respeito, pontualidade. Se for</p><p>banalizado seu compromisso, o que ficará registrado para ele é que não precisa ter</p><p>importância e atenção com os mesmos. Como é que esse aluno se transformará</p><p>num cidadão consciente e responsável com suas atribuições pessoais e</p><p>profissionais?</p><p>11</p><p>É preciso que a família ajude seu filho a se programar, tendo como prioridade</p><p>sua responsabilidade com seus estudos, pois essa é a sua ocupação atual enquanto</p><p>criança e adolescente que é ser “estudante”, e precisa ser valorizada e motivada</p><p>para que seja uma atividade prazerosa e com motivos de orgulho para seus pais e</p><p>familiares.</p><p>2.3 O Papel Socializador Da Escola</p><p>Outro agente fundamental na socialização é o sistema escolar. O papel</p><p>socializador da educação escolar está relacionado com a formação intelectual e</p><p>cultural das novas gerações no sentido de prepará-las para a vida social, seu</p><p>desenvolvimento pessoal mais amplo e para o mundo do trabalho.</p><p>A educação escolar tem sido analisada criticamente por alguns estudiosos</p><p>que identificam no sistema escolar uma organização devotada principalmente a</p><p>reproduzir o sistema de valores e padrões de vida estabelecidos. Entretanto,</p><p>podemos observar como são frequentes as situações de tensão e conflito no</p><p>ambiente escolar, do nível fundamental até o nível superior, quando</p><p>questionamentos e atividades críticas são desenvolvidas, tanto por estudantes como</p><p>por professores, visando a superação das limitações identificadas no processo de</p><p>socialização. A aprendizagem de hábitos, costumes e valores culturais é um</p><p>processo de natureza complexa, como já foi mencionado anteriormente, na medida</p><p>em que as influências culturais que recebemos e a que estamos submetidos em</p><p>nosso ambiente são confrontadas com reações e orientações de caráter</p><p>propriamente individual ou grupal e que podem ser mais ou menos conscientes.</p><p>Não podemos desconsiderar que é através do processo de socialização que</p><p>as sociedades se tornam um sistema viável, isto é, capaz de existir de forma</p><p>previsível e de durar no tempo, e que as características de vida que são</p><p>distintamente humanas só aparecem como resultado de nossa vida em comum, em</p><p>associação com outros seres humanos. Podemos então dizer, como afirma o</p><p>sociólogo Gerhard Lenski, que “o potencial genético que cada indivíduo possui só é</p><p>realizado quando compartilhamos com os outros indivíduos na vida da sociedade”.</p><p>12</p><p>Ao sistema escolar é atribuída, pela sociedade, a tarefa de ensinar as novas</p><p>gerações a aprender com os meios disponíveis o que as culturas acumularam de</p><p>fundamental através dos tempos – nas artes, nas ciências, desenvolvendo</p><p>habilidades e proporcionando atividades que contribuam para a formação nos</p><p>modos do bem viver com os outros. Esses são conteúdos, valores e costumes</p><p>culturais que expressam as formas civilizadas da vida.</p><p>Ao comentar agressões violentas e assassinatos descabidos ocorridos em</p><p>principais cidades de nosso país, o sociólogo José de Souza Martins, em artigo</p><p>publicado em jornal, escreveu que tais fatos “confirmam a deterioração dos valores</p><p>sociais que, de algum modo, têm assegurado a ordem nesta nossa sociedade</p><p>minada. Ordem superficial constantemente ameaçada, não só em relação à vida,</p><p>mas também em relação a tudo que possa ser violado quando não há princípios</p><p>sólidos regulando a conduta de cada um.” Esses assassinatos praticados por</p><p>pessoas aparentemente “normais”, “dão bem as indicações de quanto todos nós</p><p>estamos ameaçados”. E indica que talvez não se trate de casos que possam ser</p><p>resolvidos com mais segurança, dizendo -“o que se precisa é de mais educação”.</p><p>(publicado no jornal O Estado de São Paulo; 15/08/2010).</p><p>Fonte: 2.bp.blogspot.com</p><p>13</p><p>Pesquisas em Psicologia e na Neurociência têm mostrado que a criança</p><p>recém nascida carrega necessidades imperiosas e a determinação de satisfazê-las</p><p>sem muita preocupação com as outras pessoas. Mas mostram, também, a</p><p>existência da dependência de base genética de um sistema sociocultural, isto é, os</p><p>seres humanos possuem um potencial genético para a construção de ambientes</p><p>culturais o que os faz, ao mesmo tempo, seres individuais auto interessados e seres</p><p>sociais preocupados e identificados com os outros. Essa talvez seja a principal razão</p><p>porque a vida das sociedades humanas seja feita de cooperação, solidariedade e</p><p>harmonia, por um lado, e de conflitos, violência e guerras, por outro.</p><p>3 IDEOLOGIA</p><p>Fonte: racismoambiental.net.br</p><p>Você já parou para refletir por que agimos desta ou daquela maneira, quando</p><p>estamos na escola, no trabalho, nas festas familiares? Ou por que você se veste</p><p>deste ou daquele modo e por que quer comprar</p><p>um celular ou um tênis novos que</p><p>você viu na televisão?</p><p>As propagandas que aparecem na TV, nos jornais e nas revistas mostram</p><p>imagens bonitas com a intenção de cativar o telespectador. Elas podem ser da</p><p>seguinte forma: a imagem representa uma paisagem bonita, que pode ser uma</p><p>praia, estrada de terra, deserto, cidade – e o automóvel é dirigido por pessoas</p><p>14</p><p>sorridentes e felizes, vivendo situações surpreendentes. Ou ainda em um ambiente</p><p>animado, cheio de jovens, sorridentes, dançando, todos com um celular sofisticado</p><p>com novas funções. E assim elas encantam as pessoas, pois as propagandas têm a</p><p>tarefa de cativar para vender o produto e estimular um comportamento que é</p><p>característico da sociedade capitalista: o consumismo.</p><p>Esse comportamento aparece como máximo que todos – jovens, adultos,</p><p>idosos, crianças e adolescentes devem seguir ao criar necessidades que estão além</p><p>daquelas que são básicas – comer, ter acesso à água potável, moradia segura,</p><p>educação, lazer, saúde e transporte. Assim, as propagandas, os programas</p><p>televisivos, os filmes e as novelas passam a ideia de que com a posse de objetos –</p><p>celulares, tênis, roupas, mochilas, bonés, chaveiros, cosméticos, acessórios,</p><p>eletrodomésticos – todos terão uma satisfação imediata e universal. Como se o fato</p><p>de consumir fosse suficiente para garantia de uma vida plena e feliz.</p><p>3.1 A ideologia e a dominação capitalista</p><p>O pensador alemão Karl Marx (1818-1883) afirmou que a ideologia dominante</p><p>será aquela advinda da classe que domina a sociedade, ela representará, então, as</p><p>ideias, a forma de pensar e explicar o mundo provenientes desta mesma classe.</p><p>Essas afirmações encontramos na obra A Ideologia Alemã escrita em 1845-</p><p>1846:</p><p>“As ideias (...) da classe dominante são, em cada época, as ideias</p><p>dominantes; isto é, a classe que é a força material dominante da sociedade</p><p>é, ao mesmo tempo, sua força espiritual dominante” (MARX, 1996: 72).</p><p>E essas ideias possuem a característica de aparecerem para todos como</p><p>universais e racionais “(...) cada nova classe que toma o lugar da que</p><p>dominava antes dela é obrigada, para alcançar os fins a que se propõe, a</p><p>apresentar seus interesses como sendo o interesse comum de todos os</p><p>membros da sociedade, isto é, para expressar isso mesmo em termos</p><p>ideais: é obrigada a emprestar às suas ideias a forma de universalidade, a</p><p>apresentá-las como sendo as únicas racionais, as únicas universalmente</p><p>válidas” (MARX, 1996: 74).</p><p>Para Marx, na sociedade capitalista a produção de objetos é a atividade</p><p>essencial, pois é com ela que a divisão em classes e a exploração do trabalho</p><p>ocorrem. Essa divisão impulsiona a classe dominante em manter o controle sobre o</p><p>conjunto da sociedade. Na análise que Marx realiza sobre o capitalismo, que</p><p>15</p><p>encontramos na obra O Capital, de 1867, há uma crítica à forma como essas</p><p>relações entre patrões e empregados vão ocorrendo na sociedade.</p><p>Quando compramos alguma coisa não nos importamos em saber em quais</p><p>condições de trabalho e com qual salário aquele objeto foi produzido. Por exemplo,</p><p>se você está com frio e tem que comprar uma blusa, vai se preocupar com a</p><p>utilidade que ela terá para você. Não se preocupará com as condições de trabalho</p><p>dos operários da indústria têxtil.</p><p>A propaganda irá atuar sobre você e o consumo ocorrerá via esta ação</p><p>misteriosa e mágica que revela somente a utilidade do produto. Isso ocorre com</p><p>qualquer objeto produzido no capitalismo, pois todos eles podem ser igualados.</p><p>Veja: se as horas gastas para produzir a sua blusa forem igualadas às horas para</p><p>produzir um CD, eles vão ter o mesmo preço. É por isto que muitas vezes um CD</p><p>custa o mesmo que uma lata de ervilha. Quanto menos tempo leva, dentro da</p><p>jornada, para produzir um objeto, mais lucro tem o capitalista, que com uma</p><p>determinada produção paga os gastos que tem com o trabalhador. Essa igualdade</p><p>de horas trabalhadas vai equiparar as mercadorias e na hora do consumo só vai</p><p>importar o preço das coisas. Este é o caráter mágico cheio de “argúcias teológicas”</p><p>que Marx está indicando no seu texto que vamos citar a seguir:</p><p>“A primeira vista, a mercadoria parece ser coisa trivial, imediatamente</p><p>compreensível. Analisando-a, vê-se que ela é algo muito estranho, cheio de</p><p>sutilezas metafísicas e argúcias teológicas. Como valor de uso, nada há de</p><p>misterioso nela, quer a observemos sob o aspecto que se destina a</p><p>satisfazer necessidades humanas, com suas propriedades, quer sob o</p><p>ângulo de que só adquire essas propriedades em consequência do trabalho</p><p>humano. É evidente que o ser humano, por sua atividade, modifica do modo</p><p>que lhe é útil a forma dos elementos naturais. (...) A mercadoria é misteriosa</p><p>simplesmente por encobrir as características sociais do próprio trabalho dos</p><p>homens, apresentando-as como característica materiais e propriedades</p><p>sociais inerentes aos produtos do trabalho”. (MARX, K., 1994: 82).</p><p>Nesta obra, O Capital, Marx, demonstra o Valor de todo e qualquer objeto que</p><p>no capitalismo possui a forma de Mercadoria. Estes objetos vão possuir uma</p><p>utilidade, que está localizada no consumo, e algo mais que está localizado na hora</p><p>que a blusa, no caso do exemplo, for produzida. Analisar e desvendar o processo</p><p>produtivo e a organização da sociedade foi a sua intenção.</p><p>Ao consumirmos somos influenciados pela necessidade e utilidade – básica</p><p>ou supérflua – que temos de possuir determinado objeto. Em geral, não nos</p><p>16</p><p>preocupamos em compreender o que ocorre com a realidade do trabalhador e seu</p><p>modo de vida. Assim, o valor de uso, a utilidade possui uma força ao despertar a</p><p>nossa atenção para o consumo.</p><p>Então a Mercadoria possui um VALOR DE USO que é a utilidade do produto,</p><p>o que nos leva a consumi-lo para suprir essa necessidade. Já o que Marx chamou</p><p>de VALOR é o processo de fabricação deste objeto (no caso do exemplo, a blusa),</p><p>que tem um lugar determinado, na fábrica, quando durante a jornada de trabalho,</p><p>ocorre o processo de exploração do trabalho no capitalismo. Vejamos, no exemplo a</p><p>seguir: Quando um (a) trabalhador (a) é contratado por uma determinada jornada de</p><p>trabalho de 8 horas diárias, estamos considerando, que dentro desta jornada,</p><p>existem três momentos:</p><p> Uma primeira parcela em que com duas horas de atividade em que</p><p>este trabalhador (a) executou a sua função, ele paga o seu salário.</p><p> Outra parcela, de duas horas em que a sua atividade paga os custos</p><p>da produção – matérias-primas, impostos, transporte do produto, a</p><p>compra de novas máquinas.</p><p> Uma terceira parcela de quatro horas em que este trabalhador continua</p><p>produzindo e estes produtos são o lucro ou um valor a mais – MAIS-</p><p>VALIA – que o proprietário da fábrica vai se apropriar.</p><p>Esse processo configura o que Marx chamou de essência da sociedade,</p><p>quando ocorre a produção de objetos, pois é neste momento que o trabalhador vai</p><p>reproduzindo a sociedade ao aceitar as disposições legais do seu contrato de</p><p>trabalho e se submete à jornada nele estipulada.</p><p>Em outros momentos também ocorrem determinações sobre os indivíduos</p><p>quando vão estabelecendo uma ação de conformidade frente à “dureza” que é o</p><p>cotidiano da busca do emprego, de pagar as contas, de ser atendido pelo médico,</p><p>de poder ir ao cinema, enfim, resolver as necessidades materiais – ter acesso à</p><p>comida, à água potável, a um abrigo seguro, ao conhecimento, e as necessidades</p><p>subjetivas - sentimentos, desejos, questionamentos, aspirações.</p><p>E na hora em que vive este cotidiano, ele vai sendo sugado pela necessidade</p><p>de garantir que as metas estabelecidas, no emprego sejam cumpridas: prazos,</p><p>cotas, produtividade que estão na fábrica, na loja, no banco, na gráfica, no trabalho</p><p>17</p><p>do cobrador e do motorista de ônibus. No campo a realidade não é diferente, há a</p><p>exigência de melhor rentabilidade na colheita de tantos alqueires no dia, nas</p><p>exigências de colher tantas toneladas de cana no dia,</p><p>enfim. Prazos são</p><p>estabelecidos e para garanti-los nós não pensamos muito, vamos fazendo,</p><p>executando e obedecendo, sem questionar.</p><p>3.2 A ideologia e a normatização do cotidiano</p><p>Continuando a análise sobre a relação da ideologia com o cotidiano, e</p><p>considerando a reprodução e manutenção da sociedade como um processo social,</p><p>apresentamos o pensamento da filósofa Marilena Chauí sobre esta questão:</p><p>“Como sabemos, a ideologia não é apenas a representação imaginária do</p><p>real para servir ao exercício da dominação em uma sociedade fundada na</p><p>luta de classes, como não é apenas a inversão imaginária do processo</p><p>histórico na qual as ideias ocupariam o lugar dos agentes históricos reais. A</p><p>ideologia, forma específica do imaginário social moderno, é a maneira</p><p>necessária pela qual os agentes sociais representam para si mesmos o</p><p>aparecer social, econômico e político, de tal sorte que essa aparência (que</p><p>não devemos simplesmente tomar como sinônimo de ilusão ou falsidade),</p><p>por ser o modo imediato e abstrato de manifestação do processo histórico, é</p><p>o ocultamento ou a dissimulação do real. Fundamentalmente, a ideologia é</p><p>um corpo sistemático de representações e de normas que nos “ensina” a</p><p>conhecer e a agir”. (CHAUÍ, 1997: 3-4).</p><p>Portanto, as nossas escolhas estão ligadas à ideologia que de acordo com os</p><p>interesses daqueles que dominam a sociedade, vai organizando o mundo à nossa</p><p>volta. Ao observar cenas na televisão que mostram as pessoas andando na rua indo</p><p>para o trabalho em ônibus lotados, em caminhões precários, as filas e os grupos que</p><p>se formam à volta de uma oferta de emprego ou de vagas na colheita de algum</p><p>produto, você já parou para pensar porque isto ocorre? O que faz com que as</p><p>pessoas todos os dias, realizem esta busca cotidiana, incessantemente? Por que as</p><p>pessoas vão repetindo estas ações cotidianas? Há um conformismo nesta</p><p>repetição? O que pensar sobre isto nos indica?</p><p>Voltando ao ponto de partida do conceito vamos observar que ao</p><p>reafirmarmos a necessidade de fazermos “aquilo que se espera de nós” vamos</p><p>reproduzindo a sociedade. Esta reprodução está justamente no que foi descrito</p><p>acima quando as pessoas aceitam a situação sem questioná-la. Mas, a</p><p>18</p><p>responsabilidade deste conformismo não está nas pessoas isoladamente, nos</p><p>indivíduos. Está nas ideias contidas na ideologia, que ao serem disseminadas na</p><p>sociedade vão garantindo que a aceitemos nos moldes em que ela está organizada.</p><p>Fazemos isto porque recebemos um conjunto de informações que vão atuar sobre a</p><p>nossa forma de pensar sobre o mundo, as pessoas e as coisas. Faça a tarefa a</p><p>seguir e analise sobre o papel da ideologia e a ação dos seres humanos.</p><p>3.3 O processo de internalização e a condição humana</p><p>Sabemos que se faltarmos na escola, no trabalho, na consulta médica vamos</p><p>sofrer uma punição. Se não cumprirmos as regras de organização da sociedade, a</p><p>mesma vai atuando sobre nós na forma de advertências, desemprego, perda da</p><p>vaga, no caso das situações indicadas acima. E existem outras situações, como</p><p>chegar atrasado na prova de um concurso e não podermos entrar mesmo que a</p><p>responsabilidade sobre o atraso não seja nossa. Ou melhor, imagine que você está</p><p>observando o pôr-do-sol e pensando sobre como esta cena é bonita; ou pensando</p><p>na sua vida – familiares, amigos, namorados e namoradas, emprego, escola,</p><p>futebol... enfim, tudo que diz respeito a você. O que isso tem haver com a</p><p>dominação e a reprodução na sociedade?</p><p>O seu pensamento não ocorreu sem você estar ligado à sociedade em que</p><p>vive. Você não começou a pensar naquele momento, pois tudo que você sentiu não</p><p>surgiu de repente. Você o trouxe consigo, pois realizou a experiência de ser punido</p><p>pelos códigos de conduta, e aprendeu ao longo de sua vida o que significa ser</p><p>punido de alguma forma. Assim, você sabe quando está na hora de ir para o</p><p>emprego, pois se não for vai ser no mínimo repreendido, podendo até ser demitido.</p><p>Assim você se levanta e deixa de ver o nascer do Sol e vai para a empresa, o</p><p>banco, a loja, o mercado, a colheita, o armazém, o escritório da cooperativa.</p><p>Você já ouviu falar da trilogia do filme Matrix? Nessa trilogia, segundo o</p><p>enredo, as pessoas vivem em um mundo que a máquina criou. Tudo que o ser</p><p>humano é e deseja está nesta história, ligado a esta dominação. Alguns</p><p>personagens se revoltam contra esta situação e se organizam para romper com ela.</p><p>A frase a seguir está no primeiro filme da trilogia: “Você vivia em um mundo de</p><p>19</p><p>sonhos, Neo”. Ela, dentro da história é o momento em que é demonstrado a um dos</p><p>personagens, o Neo, que o mundo em que ele vivia era criado pela máquina. Já</p><p>observou também, na televisão, as propagandas de carros que mostram todos</p><p>felizes, vivendo aventuras, satisfeitos e realizados com a posse do automóvel? Ou</p><p>ainda as propaganda de celulares (você têm um?) em que a satisfação se realiza</p><p>tendo em vista a posse de um celular mais e mais sofisticado?</p><p>É como se vivemos em um outro mundo controlado por outras pessoas e</p><p>objetos, e que vamos aceitando como se ele fosse normal e universal. Considerando</p><p>que ideologia é este processo de identificação e aceitação de um comportamento</p><p>universalizado e ao mesmo tempo individualizado você já pensou como é que de</p><p>fato ela atua organizando a vida cotidiana. Afinal, somos ou não somos livres para</p><p>organizá-la de acordo com a nossa vontade? Essa discussão envolve uma reflexão</p><p>muito interessante que é realizada dentro da Filosofia e que diz respeito ao que os</p><p>filósofos chamam de CONDIÇÃO HUMANA.</p><p>Sendo assim, as pessoas não são conformistas porque querem livremente,</p><p>mas porque a existência de um complexo que atua sobre elas vai conformando as</p><p>suas ações e ideias. Este complexo, que é a ideologia vai conservar o grupo que</p><p>controla as decisões, como a classe que domina a sociedade. Assim, há uma</p><p>dominação ideológica, que se desenvolve com a intenção de reproduzir a sociedade</p><p>e fazer com que as regras e o lugar que cada um ocupa – os que dominam e os</p><p>dominados – continue o mesmo, ou que as mudanças ocorram dentro do controle</p><p>daqueles que têm interesse em manter tudo como está.</p><p>4 A DOMINAÇÃO IDEOLÓGICA E O INTERESSE DO INDIVÍDUO</p><p>Mas este processo ideológico que atinge a todos os indivíduos, transformando</p><p>a nossa maneira de entender e pensar e, portanto agir, não é somente um processo</p><p>de dominação. É possível encontrar no nosso dia-a-dia, manifestações de ruptura</p><p>desta ideologia. Vejamos como isso poderia ocorrer:</p><p>Imagine que você e seus amigos resolveram reivindicar mais luz e</p><p>infraestrutura de lazer no seu bairro. Vocês vão ter que se organizar, fazer abaixo</p><p>assinado, entrar em contato com a prefeitura, exigir a presença dos vereadores.</p><p>20</p><p>Mas, o terreno que vocês estão pensando em utilizar para construir uma praça com</p><p>bancos, quadra, iluminação, palco para apresentações, um galpão para reuniões é</p><p>alvo de interesse de uma construtora e de imobiliárias. Existem outros terrenos, mas</p><p>para vocês este é o melhor porque está localizado ao lado de um bosque de mata</p><p>nativa. E é por isso que a construtora está também interessada.</p><p>Vai construir um condomínio de luxo na região. Vejam só a disputa que vai</p><p>ser para convencer a prefeitura que o terreno deve ser destinado para o lazer do</p><p>bairro. Assim como vocês, a construtora vai se organizar.</p><p>De um lado vocês e seus amigos e do outro a construtora. No meio está o</p><p>poder público, representado pela prefeitura. Será uma boa briga, se vocês de fato</p><p>tivessem interesse e disposição para organizar esta luta. Então, não são somente os</p><p>interesses daqueles que detêm o capital e o controle das decisões que vão se</p><p>organizar e se manifestar. Aqueles que não são proprietários do capital, mas da sua</p><p>força de trabalho – energia e conhecimento, também vão ter os seus interesses</p><p>expressos nos embates dentro da sociedade. Não esqueça que capital é a riqueza –</p><p>fábricas,</p><p>máquinas, matéria-prima, prédios, ações – que é propriedade do capitalista</p><p>que deve ser constantemente investida para gerar mais capital.</p><p>Entenda e fique atento para a questão a seguir, que na sociedade capitalista,</p><p>o poder público está a serviço da classe dominante, via seus representantes nos</p><p>governos. O governo de um município é realizado por pessoas que possuem</p><p>identificações políticas com as mais diferentes propostas sobre como administrar e</p><p>governar uma cidade. Isso ocorre porque nesta sociedade não existe neutralidade</p><p>nas ações que as pessoas desenvolvem, pois como a ação humana é uma ação</p><p>histórica e política, ela sempre vai representar os interesses das classes sociais, das</p><p>mais variadas formas, em meio aos confrontos entre a ideologia dominante e os</p><p>interesses dos dominados.</p><p>Assim, estes interesses – dos dominados – expressam-se das mais variadas</p><p>formas, sejam organizados nos sindicatos, nos partidos políticos ligados às lutas</p><p>democráticas e dos trabalhadores, sejam nos movimentos sociais – feministas,</p><p>negros, étnicos, estudantil, ecológicos, do campo e da cidade, pelo direito ao</p><p>emprego, à terra, por moradia e por infraestrutura básica.</p><p>21</p><p>Por exemplo, você já deve ter ouvido falar em greve! Este é um direito, que no</p><p>Brasil é assegurado por lei a partir de 1988 com a promulgação da Constituição.</p><p>Esse direito é exercido pelos trabalhadores organizados nos seus sindicatos, nos</p><p>momentos em que precisam pressionar mais os seus empregadores – no meio rural</p><p>e urbano, no setor de serviços ou produtivo, no setor público ou no privado, no Brasil</p><p>e em muitos lugares do mundo.</p><p>Quando exercem este direito estão defendendo os seus interesses por</p><p>melhores salários e melhores condições de trabalho. Esses interesses são</p><p>diferentes dos seus empregadores, que no capitalismo, buscam economizar com o</p><p>trabalho e aumentar o capital. Esse modo de confrontação ao ser exercida pelos</p><p>trabalhadores na forma de greve faz com que os seus interesses se contraponham</p><p>aos dos empregadores.</p><p>Como vimos acima, aqueles que dominam a sociedade querem que sejamos</p><p>conformistas, que aceitemos as regras que a ideologia dissemina na sociedade.</p><p>Com a greve ou outra forma de contestação – manifestações, passeatas, operações</p><p>para diminuir o ritmo do trabalho, faltas coletivas, denúncias na imprensa e no</p><p>ministério público – os trabalhadores abrem brechas na ideologia dominante,</p><p>possibilitando que outra forma de pensar e agir no cotidiano possa se desenvolver, o</p><p>que pode possibilitar que um questionamento sobre a organização da sociedade</p><p>ocorra.</p><p>Este desenvolvimento enfrentará a dominação ideológica pela ação da classe</p><p>dominante, que ao utilizar todos os meios de comunicação, o aparato militar e</p><p>disseminação de ideias, vai reforçar a ideologia predominante de que as pessoas</p><p>“são baderneiras, gostam de confusão e querem prejudicar o país”.</p><p>Veja que deste modo muitas vezes essas lutas localizadas dentro da</p><p>sociedade podem assumir um caráter mais econômico, ou mais político ou cultural</p><p>ou social, enfim, o que é importante é saber que essas lutas existem na medida em</p><p>que as pessoas vão se deparando com contradições, isto é com problemas não</p><p>resolvidos da humanidade. Assim há um embate entre a ideologia dominante e os</p><p>interesses dos dominados.</p><p>Se buscarmos na história vamos encontrar muitos exemplos destas situações</p><p>como por exemplo: A Revolução Francesa (1789) e a Revolução Russa (1917) são</p><p>22</p><p>também momentos históricos diferentes, mas que podem demonstrar como os</p><p>confrontos, de forma diferenciada pelo momento histórico em que ocorreram, são</p><p>elementos importantes para que possamos entender este conflito entre a classe que</p><p>domina a sociedade e a classe dominada.</p><p>Os movimentos hippie, feminista e pelos direitos civis nos EUA, nos anos</p><p>1960 são exemplos de lutas que realizam reivindicações além das questões entre o</p><p>trabalho e o capital – como liberdade de expressão e de manifestação cultural,</p><p>contra o machismo, o autoritarismo patriarcal e contra o preconceito étnico.</p><p>Em fins dos anos 70 e início dos anos 80, no Brasil, houve um crescimento da</p><p>luta sindical. Esta atingiu o patamar de luta política ao contribuir para o movimento</p><p>democrático pelo fim da Ditadura Militar (1964-1984).</p><p>5 TODOS NECESSITAM DE AMOR</p><p>Somos diferentes de todos os seres existentes! Essa é a conclusão a que</p><p>chega o ser humano através da sua tomada de conhecimento acerca de si mesmo</p><p>como um ser capaz (dotado) de consciência e liberdade. Por ser diferente o ser</p><p>humano percebe-se como um “solitário” face à suas (in) possibilidades.</p><p>“(...) Essa consciência de si mesmo como entidade separada, a consciência</p><p>de seu curto período de vida, do fato de haver nascido sem ser por vontade</p><p>própria e de ter de morrer contra sua vontade, de ter de morrer antes</p><p>daqueles que ama, ou estes antes dele, a consciência de sua solidão e</p><p>separação, de sua impotência ante as forças da natureza e da sociedade</p><p>(...)”. (FROMM, Erich. A arte de amar. Belo Horizonte: Itatiaia, 1976, p.28)</p><p>A solução para tal sentimento [solidão, angústia] é relacionar-se com os</p><p>demais seres humanos (homens e mulheres) e com a natureza ao seu redor. Dessa</p><p>necessidade de união nasce o amor. O amor torna-se o meio buscado e</p><p>desenvolvido pelo ser humano para vencer o isolamento e escapar da loucura. Sem</p><p>amor o ser humano torna-se insensível, incapaz de encantar-se (admirar-se) com a</p><p>vida e de envolver-se com os outros. Sem amor não há encontro (relacionamento),</p><p>persiste o individualismo e a incapacidade de aproximação, de vinculação.</p><p>23</p><p>5.1 O que é o Amor?</p><p>Na mitologia grega o amor, Eros, é um desejo (ânsia) de qualquer coisa que</p><p>não se tem e que se deseja ter. Filho de Póros (engenhosidade, artifício) e de Pénia</p><p>(pobreza), Eros herdou de seus pais a inquietude de procurar sair da situação de</p><p>pobreza (penúria) e a engenhosidade para alcançar aquilo que deseja.</p><p>Segundo Sócrates, no diálogo platônico O Banquete, o amor é o desejo</p><p>(necessidade) em primeiro lugar, de alguma coisa, em segundo lugar, somente de</p><p>coisas que lhe estejam faltando. O amor é capaz de desabrochar e de viver, morrer</p><p>e ressuscitar em um mesmo dia. Dá e derrama e nunca está rico ou pobre.</p><p>Amar é estar sempre a caminho. Amor é um buscar incessante.</p><p>O amor significa a procura do outro que nos completa. Eros leva o indivíduo a</p><p>sair de si para que na relação com os outros possa realizar o encontro</p><p>(relacionamento) e, assim, realizar-se como ser. Amar é preservar a identidade e a</p><p>diferença do outro, sem perder a sua própria. É estar comprometido com a</p><p>realização do outro, é querer sempre seu bem.</p><p>O amor é uma força de aproximação, união, envolvimento e responsabilidade.</p><p>Essa força dinamiza a vivência entre as pessoas, derruba fronteiras, estabelece</p><p>contatos. A capacidade de amar pode expandir-se e atingir um envolvimento e um</p><p>compromisso universal com todos os seres vivos. Exemplo disso são os movimentos</p><p>ecológicos, movimentos de ajuda e solidariedade entre povos e nações etc.</p><p>Formas de Amor</p><p>O amor é uma vivência que se manifesta de várias maneiras: amor materno,</p><p>amor paterno, amor pela pátria, amor a si mesmo, amor erótico, amor a Deus,</p><p>amizade, amor pela natureza etc.</p><p>Amor Erótico</p><p>24</p><p>É a forma de amor mais lembrada, pois essa forma de amar envolve o desejo,</p><p>a busca de união e desenvolvimento a dois.</p><p>Do ponto de vista biológico, o amor erótico consiste na relação sexual e na</p><p>procriação. O erotismo é a transformação da energia sexual, biológica, em energia</p><p>psíquica, o que amplia consideravelmente a sexualidade. O ser humano é ao</p><p>mesmo tempo corpo e psiquismo (faculdades mentais). As solicitações do corpo</p><p>expressam-se também de maneira psíquica através das artes, ciências, no trabalho,</p><p>na política e no envolvimento prazeroso com as pessoas e com o mundo.</p><p>O amor erótico se destaca</p><p>porque pressupõe o retorno (devolução) do</p><p>sentimento vivido: é um dar e receber que se manifesta no prazer da convivência</p><p>com o outro tanto no plano físico quanto no psicológico. Essa forma de amor quer</p><p>exclusividade, porque os amantes pretendem ser únicos um para o outro, e querem</p><p>reciprocidade, pois buscam alimentar um no outro o amor que sentem.</p><p>Amizade</p><p>É uma forma mais abrangente de amor. Os amigos partilham a vida com suas</p><p>angústias e alegrias, que assinalam (marcam) a condição humana. A empatia é a</p><p>forma de comunicação que mais caracteriza a amizade. Na amizade a compreensão</p><p>é maior que as exigências, as cobranças e as críticas, por isso, colocarem-se no</p><p>lugar do outro minimiza os conflitos, os impulsos agressivos e apara arestas.</p><p>Fonte: cdn.mensagenscomamor.com</p><p>25</p><p>A amizade é um sentimento que deveria chegar ao íntimo (penetrar) todas as</p><p>relações e estender-se à humanidade, porque os amigos se aceitam em suas</p><p>limitações. O amor presente na amizade possibilita a solidariedade e a compaixão. A</p><p>principal característica da amizade é o compromisso com o outro.</p><p>5.2 A Relação Homem-Mulher</p><p>“Necessito de ti porque te amo”</p><p>Erich Fromm</p><p>Em tudo que compõe a natureza percebe-se uma força de atração e repulsão,</p><p>isto é, uma força de aproximação e afastamento. Entre as plantas, a força atrativa se</p><p>revela nas cores e perfumes das flores, preparando-se para a geração de frutos e</p><p>sementes.</p><p>Entre os animais, essa força se expressa em rituais, danças e disputas que</p><p>culminam no acasalamento. A função sexual nos animais é instintiva. Nos seres</p><p>humanos a função sexual se transforma em erotismo. Através do erotismo o ser</p><p>humano abandona o puro instinto da genitalidade e conquista de vez a sexualidade</p><p>erótica. Mulher e homem posicionam-se como iguais: parceiros, companheiros que</p><p>se enriquecem no convívio mútuo. Tornam-se iguais em humanidade e diferentes</p><p>em relação ao sexo.</p><p>O relacionamento entre mulher e homem tem de ser um encontro de seres</p><p>autônomos e independentes. A relação homem-mulher é um relacionamento</p><p>suplementar, onde cada um dos membros busca a partir de si e da parceria com o</p><p>outro o desenvolvimento máximo de suas potencialidades.</p><p>“(...) Assim, inteiros e juntos, começariam a viver sensações inéditas,</p><p>extraordinárias, impossíveis de se viver sozinho (...).” (FREIRE, Roberto;</p><p>BRITO, Fausto. Utopia e paixão. Rio de Janeiro: Rocco, 1988, p.100)</p><p>O papel masculino X O papel feminino</p><p>26</p><p>Apesar de o amor ser uma relação entre iguais, culturalmente tem-se</p><p>manifestado quase sempre como dependência e dominação. Ao se assumir como</p><p>macho, o homem cria a dominação; e a mulher, ao aceitar o machismo, cria a</p><p>dependência. A origem de tudo isso está na luta pela sobrevivência que homem e</p><p>mulher enfrentaram desde os primeiros tempos.</p><p>Fonte: wallpaper.ultradownloads.com.br</p><p>Hoje, mulher e homem defrontam-se (deparam-se) com o desafio de</p><p>equilibrar os aspectos masculino e feminino de suas personalidades. O equilíbrio é</p><p>precário e não há fórmulas prontas capazes de garanti-lo. O machismo,</p><p>representado pela dominação do homem e a submissão da mulher, impede uma</p><p>relação autêntica. Por outro lado, o conflito dos papéis sexuais e sociais, com a</p><p>inserção da mulher no mercado de trabalho e na vida pública, exercendo as mais</p><p>variadas funções, gerou um clima de competição com os homens, que passaram a</p><p>vê-las como rivais.</p><p>Homens e mulheres ficaram extremamente exigentes uns com os outros.</p><p>Querem dos companheiros novos papéis e modos de ser, aos quais ainda não estão</p><p>adaptados culturalmente. Por exemplo, a mulher espera que o homem seja ao</p><p>mesmo tempo provedor, amigo, amante; que seja sensível, terno com ela e com os</p><p>filhos, bem-sucedido e agressivo na luta pela vida; o homem, por sua vez, espera</p><p>que a mulher divida com ele as responsabilidades econômicas da família, ao mesmo</p><p>27</p><p>tempo em que sonha com uma parceira disponível, submissa, amante fogosa</p><p>(animada, calorosa) e esposa recatada (sensata, decente).</p><p>A ascensão da mulher como ser autônomo confundiu o homem, provocando</p><p>insegurança na identidade masculina: estava acostumado ao poder e à hegemonia,</p><p>e de repente é solicitado a dividi-los com a mulher. Esta, por sua vez, acostumada à</p><p>submissão, agora é obrigada a competir na luta por sua sobrevivência.</p><p>6 O AMOR MANIPULADO SOCIALMENTE</p><p>“A sociedade neoliberal investe no amor erótico, porque nele encontra</p><p>excelente meio de atingir seu objetivo: vender.”</p><p>A sociedade neoliberal permite que a indústria da diversão e a propaganda</p><p>explorem o amor erótico. O sexo, por seu potencial de sedução, tornou-se um</p><p>produto de mercado. É hoje um instrumento com o qual se tenta manipular o desejo</p><p>das pessoas. A mídia associa o desejo sexual a objetos neutros, procurando erotizá-</p><p>los. Por exemplo: a imagem de uma mulher atraente associada a um automóvel. Ao</p><p>assim fazer, mostra o produto como necessário. Por esse método, as pessoas são</p><p>induzidas a perder o contato com suas necessidades reais: passam a desejar aquilo</p><p>que ao mercado interessa vender. A mídia empenha-se em exercer um poder de</p><p>controle sobre o próprio ato de desejar, contribuindo para o surgimento do ser</p><p>humano hedonista (que busca o prazer individual), consumidor e acrítico.</p><p>O amor erótico é empobrecido ao ser limitado unicamente ao ato e aos</p><p>órgãos sexuais, como nos mostram todos os dias os mais variados meios de</p><p>comunicação de massa.</p><p>A banalização do erótico</p><p>O apelo sexual está sempre presente na propaganda, na moda, nos clipes,</p><p>nos filmes, nos outdoors, nas revistas, nas novelas. A propaganda parece erotizar os</p><p>objetos que ela divulga, ligando-os a imagens de homens e mulheres belos, ricos e</p><p>sexualmente sedutores. A mídia cria e estabelece padrões para corpos, rostos,</p><p>28</p><p>roupas, comidas, gostos, utilizando-se de imagens e frases de efeito com apelo</p><p>sexual.</p><p>Tudo parece erotizado, mas é só aparência, porque se trata na verdade de</p><p>uma deserotização do erótico, uma banalização do sexo, desvinculando-o dos</p><p>projetos e da afetividade de cada um. A banalização do sexo produz um pseudo-</p><p>erotismo que reduz a sexualidade ampla, erótica, envolvente, ao exercício sexual</p><p>restrito, ao sexo ligado somente à genitália e ao corpo.</p><p>Esse empobrecimento do erotismo rouba do ser humano a capacidade de</p><p>envolvimento amoroso. As relações entre as pessoas tornam-se relações de uso e</p><p>de troca. Nessa espécie de relação, comum na sociedade neoliberal, o lucro e o</p><p>benefício pessoal sobrepõem-se à entrega, ao compromisso e à doação. As</p><p>relações tornam-se, portanto, superficiais, impedindo o crescimento e o</p><p>amadurecimento do indivíduo.</p><p>7 FATORES QUE IMPOSSIBILITAM DO AMOR</p><p>O egoísmo</p><p>O egoísmo caracteriza-se como ausência de autoestima. Aparentemente, o</p><p>indivíduo egoísta ama, sobretudo a si mesmo e autovaloriza-se ao extremo. O</p><p>indivíduo egoísta aparenta ter uma boa dose de amor-próprio, mas, na verdade,</p><p>trata-se de uma pessoa carente que busca retirar dos outros aquilo que lhe falta.</p><p>Por ser uma personalidade exploradora que “quer” tudo para si, o egoísta não</p><p>desenvolve a amizade. O egoísta é incapaz de perceber a presença de outros “eus”</p><p>com expectativas e projetos próprios, diferentes dos seus. Na relação a dois</p><p>transforma o parceiro em objeto. O egoísta não sabe conviver de maneira sadia,</p><p>pois torna os outros apêndices (anexos, acréscimos) de seus desejos.</p><p>O narcisismo</p><p>29</p><p>O narcisismo caracteriza-se por ser um comportamento patológico gerado</p><p>pelo reforço social do individualismo em nível de um egocentrismo infantil</p><p>exarcebado (agravado).</p><p>O mito de Narciso</p><p>Em tempos idos, na Grécia, o rio Cefiso engravidou a ninfa Liríope. Meses</p><p>depois, Liríope, apesar de não desejar a gravidez, deu à luz uma criança de beleza</p><p>extraordinária. Por causa disso, Liríope consultou o adivinho Tirésias sobre</p><p>o futuro</p><p>de seu filho, e ele previu (vaticinou) que Narciso viveria, desde que nunca visse sua</p><p>própria imagem.</p><p>Sob essa condição, ele cresceu e tornou-se um moço tão belo quanto o fora</p><p>quando criança. Não havia quem não se apaixonasse por ele. Narciso, entretanto,</p><p>permanecia indiferente. Um dia, porém, estando sedento, Narciso aproximou-se das</p><p>águas plácidas de um lago e, ao curvar-se para beber, viu sua imagem refletida no</p><p>espelho das águas. Maravilhado com sua própria figura, apaixonou-se por si mesmo.</p><p>Desesperadamente, passou a precisar do objeto de seu amor, viu que não</p><p>conseguiria mais viver sem aquele ser deslumbrante. Sua vida reduziu-se à</p><p>contemplação daquele jovem tão belo: desejava-o, queria possuí-lo. Desvairado</p><p>(alucinado), inclinando-se cada vez mais ao encontro do ser amado, mergulhou nos</p><p>braços frios da morte.</p><p>Às margens do lago, nasceu uma entorpecedora flor: o narciso. Ela relembra</p><p>para sempre o destino trágico daquele que, aparentemente apaixonado por si</p><p>mesmo, era, na verdade, incapaz de amar.</p><p>A psicologia distingue duas formas de narcisismo: o narcisismo primário e o</p><p>narcisismo secundário. No narcisismo primário, a criança nos primeiros meses de</p><p>vida não se distingue do mundo exterior. A criança se percebe como unida à mãe:</p><p>as duas são uma só. Unida com a mãe, sente-se um ser completo e feliz. Somente</p><p>aos poucos é que vai percebendo que ela é uma pessoa e a mãe, outra.</p><p>Quando o rompimento do vínculo narcisista primário é rompido de modo</p><p>brusco, a criança dá entrada no narcisismo secundário. A criança, e mais tarde o</p><p>adulto, criará um ego idealizado que se confundirá com seu próprio eu. Irá imaginar-</p><p>30</p><p>se poderosa, sem necessidade dos outros, e ficará envaidecida com sua pseudo-</p><p>perfeição (falsa perfeição). Não poderá, então, interessar-se de verdade pelos</p><p>outros, simplesmente os usará para o enaltecimento (exaltação, engrandecimento)</p><p>de suas “qualidades”.</p><p>O amor na sociedade narcísica</p><p>O narcisismo revela a incapacidade de relação amorosa autêntica. O</p><p>narcisismo só se interessa por quem alimenta a imagem engrandecida e</p><p>envaidecida que ele faz de si mesmo.</p><p>A sociedade contemporânea, individualista, sem espírito comunitário e</p><p>dependente do consumo, desenvolve condições para que o narcisismo aflore (venha</p><p>à tona). As propagandas investem nos indivíduos, alisando-lhes o ego e tratando-os</p><p>como onipotentes e merecedores de ver todos os seus desejos satisfeitos.</p><p>A pessoa se sente engrandecida, à medida que adquire e possui coisas. Não</p><p>admite mais as frustrações da vida, reagindo a elas de maneira infantil e destrutiva.</p><p>Na sociedade narcísica, quase não há lugar para valores como justiça,</p><p>honestidade e integridade. Vigora a lei do mais esperto, que procura levar vantagens</p><p>em tudo.</p><p>Os membros dessa sociedade comportam-se como se estivessem</p><p>constantemente diante das câmeras, dos holofotes, representando, buscando o</p><p>melhor ângulo, exibindo o melhor sorriso, o melhor e o mais comercial de si; essa é</p><p>uma outra característica da personalidade narcísica: a necessidade constante da</p><p>admiração alheia.</p><p>O desejo permanente da fama, sucesso e beleza levam os indivíduos a temer</p><p>e rejeitar a velhice; por isso, a eterna juventude é glorificada e a velhice, execrada</p><p>(detestada). Na sociedade narcísica, as pessoas são vazias, incapazes de relações</p><p>profundas e verdadeiras. O verbo da moda é “ficar”, “ficar com alguém” ao invés de</p><p>namorar, amar.</p><p>31</p><p>8 LENDO E REFLETINDO A REALIDADE</p><p>Amar se aprende amando</p><p>Carlos Drummond de Andrade</p><p>Como nos enganamos fugindo ao amor!</p><p>Como o desconhecemos, talvez com receio de enfrentar sua espada</p><p>coruscante [reluzente], seu formidável poder de penetrar o sangue e nele imprimir</p><p>uma orquídea de fogo e lágrimas.</p><p>Entretanto, ele chegou de manso e me envolveu em doçura e celestes</p><p>amavios [encantos].</p><p>Não queimava, não siderava [atordoava]; sorria.</p><p>Mal entendi, tanto que fui, esse sorriso.</p><p>Feri-me pelas próprias mãos, não pelo amor que trazias para mim e que teus</p><p>dedos confirmavam ao se juntarem aos meus, na infantil procura do Outro, o Outro</p><p>que eu me supunha, o Outro que te imaginava, quando – por esperteza do amor –</p><p>senti que éramos um só.</p><p>32</p><p>BIBLIOGRAFIA</p><p>BAUMAN, Michael. Moralidade Legisladora. In: BECKWITH, Francis J. et. al.</p><p>eds., Ensaios Apologéticos: um estudo para uma cosmovisão cristã, São Paulo:</p><p>Hagnos, 2006.</p><p>BIÉLER, André. O Pensamento Econômico e Social de Calvino. São</p><p>Paulo: Casa Editora Presbiteriana, 1990.</p><p>BOBBIO, Norberto. Os Intelectuais e o Poder: dúvidas e opções dos</p><p>homens de cultura na sociedade contemporânea. São Paulo: UNESP., 1997.</p><p>BOURDIEU, Pierre. Os Usos Sociais da Ciência. São Paulo: UNESP., 2004.</p><p>CALVINO, João. As Institutas da Religião Cristã: edição especial com</p><p>notas para estudo e pesquisa. São Paulo: Cultura Cristã, 2006, 4 Vols.</p><p>COLSON, Charles; PEARCEY, Nancy. O Cristão na Cultura de Hoje. Rio de</p><p>Janeiro: Casa Publicadora das Assembléias de Deus, 2006.</p><p>COMPARATO, Fábio Konder. Ética: Direito, moral e religião no mundo</p><p>moderno. São Paulo: Companhia das Letras, 2006.</p><p>GEISLER, Norman L. Ética Cristã: alternativas e questões</p><p>contemporâneas. São Paulo: Vida Nova, 1984.</p><p>GUINESS, Os. O Chamado. São Paulo: Editora Cultura Cristã, 2003.</p><p>HOOYKAAS, R. A Religião e o Desenvolvimento da Ciência Moderna.</p><p>Brasília, DF.: Editora Universidade de Brasília, 1988.</p><p>HORTON, Michael. O Cristão e a Cultura. São Paulo: Cultura Cristã, 1998.</p><p>33</p><p>JOHNSON, Phillip L. Como Derrotar o Evolucionismo com Mentes</p><p>Abertas. São Paulo: Cultura Cristã, 2000.</p><p>KUYPER, Abraham. Calvinismo. São Paulo: Cultura Cristã, 2002. MONDIN,</p><p>Battista. O Homem, quem é Ele? São Paulo: Paulus, 1997.</p><p>LOPES, Augustus N. Calvino e a Educação. São Paulo: Universidade</p><p>Presbiteriana Mackenzie, 2009.</p><p>LOPES, Augustus N. Verdade e Pluralidade. São Paulo: Universidade</p><p>Presbiteriana Mackenzie, 2008.</p><p>MACARTHUR, Jr., John F. Princípios para uma Cosmovisão Bíblica: uma</p><p>mensagem exclusivista para um mundo pluralista. São Paulo: Cultura Cristã,</p><p>2003.</p><p>MCGRATH, Alister E. Fundamentos do Diálogo entre Ciência e Religião.</p><p>São Paulo: Loyola, 2005.</p><p>MORELAND, J.P.; CRAIG, William Lane. Filosofia e Cosmovisão Cristã.</p><p>São Paulo: Vida Nova, 2005.</p><p>NIEBUHR, H. Richard. Cristo e Cultura. São Paulo: Paz e Terra, 1967.</p><p>PEARCEY, Nancy R. A Alma da Ciência: Fé Cristã e Filosofia Natural. São</p><p>Paulo: Cultura Cristã, 2005.</p><p>SCHAEFFER, Francis. Como Viveremos. São Paulo: Cultura Cristã, 2003.</p>