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<p>TRADICIONAL</p><p>Ciclo menstrual</p><p>GUIA PARETO</p><p>Olá, aluno Aristo!</p><p>Neste guia, cuidadosamente elaborado, você terá acesso a um conteúdo de</p><p>extrema qualidade seguindo a nossa metodologia, baseada no Princípio de</p><p>Pareto. Isso significa que você estudará especialmente o que mais cai em</p><p>provas.</p><p>Mapa da Mina</p><p>Nesta página, você vê a distribuição geográfica da cobrança deste tema nas provas pelo</p><p>Brasil, bem como as dez instituições em que ele mais apareceu nos últimos cinco anos.</p><p>Alta</p><p>Moderada</p><p>Baixa⚫</p><p>⚫</p><p>⚫</p><p>As 10 provas em que este tema é mais cobrado</p><p>Instituição SES-DF SES-PE UNICAMP INEP-Revalida USP-SP AMRIGS HCPA UERJ HUOL USP-RP</p><p>Questões 827 776 733 667 564 548 520 520 518 516</p><p>As informações mais importantes são sublinhadas, conforme abaixo:</p><p>Exemplo</p><p>Nossa lista de ícones foi cuidadosamente criada para oferecer uma experiência visual</p><p>intuitiva e informativa. Veja.</p><p>Questão CCQ</p><p>Questão de prova oficial, selecionada</p><p>com base no conteúdo Pareto de</p><p>cada grande área.</p><p>Zoom</p><p>Dê zoom para ver mais detalhes.</p><p>Box de destaque</p><p>Compreenda as informações</p><p>mais importantes.</p><p>Legenda da Aristo</p><p>Para além do Pareto</p><p>É o assunto que mais cai em prova</p><p>dentro de um determinado tema, ou</p><p>seja, você não pode deixar de vê-lo.</p><p>TOP 5</p><p>A secreção pulsátil de GnRH é o maestro que comanda o ciclo menstrual</p><p>A ovulação acontece em até 36 horas após o início do pico de LH</p><p>A fase folicular do ciclo menstrual é caracterizada pelo predomínio</p><p>de FSH e estradiol e pelo recrutamento dos folículos ovarianos</p><p>Sob estímulo do LH, o colesterol é convertido em progesterona e</p><p>androgênios nas células da teca; ao atingirem as células da granulosa,</p><p>são transformados em estrogênios pela ação do FSH e da aromatase</p><p>A camada funcional do endométrio sofre alterações em</p><p>decorrência da ação do estrogênio e da progesterona</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>5</p><p>O nosso TOP 5 CCQ reúne os conteúdos-chave mais relevantes nos últimos cinco anos.</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=627e54cb60170460e21bf9dd</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=63768bc1e5596872174ac3d6</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=638661817c5e11569a86c71c</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=627e54cb60170460e21bf9df</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=6410b0d986a2f186e7798c08</p><p>Ciclo menstrual - Sumário</p><p>1. Eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO) 7</p><p>Questão 01 7</p><p>1.1 Secreção pulsátil do GnRH 9</p><p>2. Os ovários 10</p><p>2.1 Foliculogênese 11</p><p>2.2 Teoria das duas células e duas gonadotrofinas 13</p><p>Questão 02 13</p><p>2.3 Fase folicular 14</p><p>Questão 03 14</p><p>2.4 Fase ovulatória 16</p><p>Questão 04 16</p><p>2.5 Fase lútea 19</p><p>2.5.1 Dinâmica hormonal do ciclo menstrual 20</p><p>3. O ciclo uterino 21</p><p>Questão 05 21</p><p>3.1 Fase menstrual 22</p><p>3.2 Fase proliferativa: a fase do estrogênio 23</p><p>3.3 Fase secretora: a fase da progesterona 24</p><p>Ciclo menstrual - Sumário</p><p>4. Os efeitos do ciclo menstrual no muco cervical 24</p><p>5. Os efeitos do ciclo menstrual no epitélio vaginal 25</p><p>6. Os efeitos do ciclo menstrual na temperatura basal 26</p><p>7. O ciclo menstrual normal 26</p><p>8. Síndrome pré-menstrual (SPM) 27</p><p>9. Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) 28</p><p>6</p><p>Ciclo menstrual</p><p>O corpo feminino opera de maneira notavelmente cíclica, manifestando mudanças regulares</p><p>que constituem uma preparação periódica para a gestação. O ciclo menstrual, embora</p><p>intrigante, pode se tornar um tema confuso, por conta de sua simultaneidade de diversos</p><p>eventos. Compreender a fisiologia, especialmente o controle neuroendócrino do ciclo</p><p>menstrual, é de fundamental importância, pois estabelece uma sólida base para abordar</p><p>inúmeros outros aspectos nas áreas de Ginecologia e Obstetrícia. Vamos explorar juntos?</p><p>No âmbito biológico, a mulher, a partir da menarca (início de sua primeira menstruação),</p><p>atravessa uma fase cíclica. Durante esse período, os hormônios realizam oscilações dinâmicas</p><p>e se equilibram em pulsos, em uma intrincada sincronia de feedbacks. Essa dança hormonal</p><p>visa preparar o útero para uma possível gestação. Tal período é denominado menacme, e</p><p>perdura até a menopausa, marcada pelo último ciclo menstrual. É importante ressaltar que</p><p>o diagnóstico da menopausa é estabelecido retrospectivamente, sendo confirmado após um</p><p>ano sem menstruação.</p><p>A contagem de um ciclo menstrual se inicia no primeiro dia da menstruação, estendendo-se</p><p>até o dia anterior à próxima menstruação. Esta perspectiva temporal é essencial para uma</p><p>compreensão abrangente do ciclo, e também é crucial para a avaliação e monitoramento da</p><p>saúde reprodutiva feminina.</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Fonte: adaptado de SCHORGE & Col. Ginecologia de Williams. Ed. AMGH LTDA, 4.ª edição, 2020.</p><p>Hende</p><p>Destacar</p><p>Hende</p><p>Sublinhar</p><p>Hende</p><p>Destacar</p><p>7</p><p>Ciclo menstrual</p><p>1. Eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO)</p><p>A compreensão do funcionamento do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano é o primeiro passo</p><p>para entender corretamente as questões sobre o ciclo menstrual. A ativação desse eixo é</p><p>responsável pelo início da vida reprodutiva da mulher, ou seja, sua ativação marca o início</p><p>da puberdade.</p><p>É importante notar que o padrão de atividade desse eixo varia durante as diferentes fases</p><p>da vida, sendo controlado pela secreção pulsátil do hormônio liberador das gonadotrofinas</p><p>(GnRH) pelo hipotálamo. Sabe-se que a ativação do eixo hipotálamo-hipófise-ovariano é</p><p>influenciada por uma interação complexa entre fatores genéticos, nutricionais, ambientais e</p><p>socioeconômicos. Esses fatores reduzem o tônus inibitório e aumentam o tônus estimulatório</p><p>sobre a secreção pulsátil do GnRH, levando ao início da puberdade.</p><p>Responder na plataforma</p><p>Questão 01</p><p>Eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO)</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Hipotálamo</p><p>GnRH</p><p>Hipotálamo</p><p>GnRH</p><p>Hipó�se anterior</p><p>FSH</p><p>LH</p><p>Hipó�se anterior</p><p>FSH</p><p>LH</p><p>ÚteroÚtero</p><p>Ovário</p><p>Estrogênio</p><p>Progesterona</p><p>Ovário</p><p>Estrogênio</p><p>Progesterona</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=627e54cb60170460e21bf9dd</p><p>8</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Como acontece o início da puberdade na mulher?</p><p>O ponto inicial desse processo é a gonadarca (ativação das gônadas pelos hormônios</p><p>hipofisários: hormônio folículo-estimulante - FSH - e hormônio luteinizante - LH). Este</p><p>fenômeno é impulsionado pelo aumento da secreção pulsátil do hormônio liberador</p><p>das gonadotrofinas (GnRH) pelo hipotálamo, que, ao se ligar aos gonadotrofos na</p><p>hipófise anterior, desencadeia a liberação de FSH e LH. Estes hormônios, por sua vez,</p><p>estimulam a esteroidogênese sexual e, eventualmente, a gametogênese nas gônadas.</p><p>Anote para não esquecer: a pulsatilidade da liberação do GnRH é o que faz a</p><p>coordenação da liberação de FSH e LH pela hipófise. Quando o GnRH é secretado</p><p>de forma contínua, existe uma inibição do eixo HHO.</p><p>Variações de LH e FSH durante as diferentes fases da vida</p><p>Fonte: adaptado de SCHORGE & Col. Ginecologia de Williams. Ed. AMGH LTDA., 4.ª edição, 2020.</p><p>Observa-se que um sinal precoce do início da puberdade é o aumento da secreção</p><p>de LH associada ao sono. Ao longo do tempo, nota-se um aumento na secreção de</p><p>gonadotrofinas durante o dia.</p><p>Durante a puberdade feminina, o FSH estimula o crescimento dos folículos ovarianos</p><p>e, em conjunto com o LH, promove a produção de estradiol pelos ovários. No início da</p><p>Para além do Pareto</p><p>Hende</p><p>Destacar</p><p>Hende</p><p>Destacar</p><p>9</p><p>Ciclo menstrual</p><p>1.1 Secreção pulsátil do GnRH</p><p>O hipotálamo é responsável por secretar, de forma pulsátil (esse é um conceito muito</p><p>importante, não esqueça!), o hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH), que atua na</p><p>hipófise anterior, controlando simultaneamente a secreção de dois hormônios: o hormônio</p><p>folículo-estimulante (FSH) e o hormônio luteinizante (LH).</p><p>“Mas para que servem esses hormônios?”</p><p>• Hormônio folículo-estimulante (FSH): promove o recrutamento e crescimento folicular</p><p>ovariano, além de selecionar o folículo dominante.</p><p>• Hormônio luteinizante (LH): induz a luteinização das células da teca e da granulosa,</p><p>estimula a maturação do óvulo e promove a ovulação.</p><p>Na primeira fase do ciclo menstrual, há uma predominância na secreção de FSH, razão</p><p>pela qual é denominada fase</p><p>folicular. Já na segunda fase do ciclo menstrual, predomina a</p><p>secreção de LH, sendo denominada fase lútea.</p><p>Durante a fase folicular, a pulsatilidade da GnRH é caracterizada por uma alta frequência de</p><p>pulso e menor amplitude, resultando em uma maior liberação de FSH. Por outro lado, na fase</p><p>lútea, observamos uma baixa frequência e maior amplitude, favorecendo a secreção de LH.</p><p>Os ovários, em resposta ao eixo hipotálamo-hipófise, produzem os esteroides sexuais</p><p>estrogênio e progesterona. O hipotálamo sofre retroação (o feedback, assim como outros</p><p>eixos hormonais do nosso corpo) dos esteroides ovarianos (estrógeno e progesterona) de</p><p>forma variável ao longo do ciclo.</p><p>• O estrogênio atua sobre a hipófise estimulando a produção e o armazenamento das</p><p>gonadotrofinas (FSH e LH) - guarde esse conceito.</p><p>• A progesterona, no entanto, tem um papel importante no estímulo à liberação das</p><p>gonadotrofinas armazenadas.</p><p>puberdade, o estradiol desencadeia o desenvolvimento das mamas e o crescimento</p><p>esquelético, contribuindo para a aceleração do crescimento puberal.</p><p>Em fases posteriores, a interação entre a secreção de FSH e LH pela hipófise e a secreção</p><p>de estradiol pelos folículos ovarianos resultam na ovulação e no estabelecimento dos</p><p>ciclos menstruais. Além disso, o estradiol induz a maturação do esqueleto, culminando</p><p>na fusão das placas de crescimento e na cessação do crescimento linear.</p><p>Adicionalmente, é importante notar que, durante os anos reprodutivos, os níveis de</p><p>LH ultrapassam os níveis de FSH, resultando em uma relação LH/FSH aumentada.</p><p>Esses níveis elevados de gonadotrofinas estimulam a produção ovariana de estradiol.</p><p>Por outro lado, uma relação aumentada de FSH/LH é típica em meninas na pré-</p><p>menarca e mulheres na pós-menopausa.</p><p>Hende</p><p>Destacar</p><p>Hende</p><p>Destacar</p><p>10</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Lembre-se:</p><p>Fase Folicular Frequência ALTA Amplitude baixa</p><p>Fase lúteA Frequência baixa Amplitude ALTA</p><p>“E como o LH e o FSH agem no ovário?”</p><p>É preciso ter muita atenção a partir de agora. Dividiremos o ciclo menstrual em duas perspectivas:</p><p>o ciclo ovariano e o ciclo uterino. Essas perspectivas são muito importantes, pois dentro de</p><p>cada uma delas há conceitos-chave que, além de serem relevantes em provas, auxiliam na</p><p>compreensão de vários outros temas em Ginecologia e Obstetrícia.</p><p>2. Os ovários</p><p>Os ovários têm, basicamente, duas funções:</p><p>• Produzir os óvulos para serem fecundados (foliculogênese).</p><p>• Produzir hormônios que controlam o organismo feminino (esteroidogênese).</p><p>Ou seja, possuem funções reprodutivas e endócrinas.</p><p>Antes de começarmos a falar propriamente do ciclo ovariano, vamos relembrar um</p><p>pouco o desenvolvimento das células germinativas nos ovários?</p><p>O desenvolvimento folicular ovariano tem início ainda no útero materno. Por volta</p><p>da quinta semana de gestação, o ovário de um feto feminino contém cerca de 500</p><p>a 1.300 células germinativas primordiais. Essas células passam por mitose e, por</p><p>volta da vigésima semana de gravidez, o feto feminino possui entre 6 e 8 milhões de</p><p>células germinativas. Após a conclusão da mitose, as células germinativas entram</p><p>em meiose e permanecem na prófase I meiótica. Durante o período intrauterino,</p><p>aproximadamente ¾ dessas células são perdidas e, ao nascimento, restam cerca</p><p>de 1 a 2 milhões de óvulos.</p><p>No momento do nascimento, cada óvulo dá origem a um folículo primordial contendo</p><p>um oócito primário e uma única camada de células da granulosa.</p><p>Para além do Pareto</p><p>11</p><p>Ciclo menstrual</p><p>As duas funções ovarianas, foliculogênese e esteroidogênese, são intimamente</p><p>relacionadas, uma vez que a produção dos esteroides gonadais depende do recrutamento e</p><p>desenvolvimento folicular.</p><p>2.1 Foliculogênese</p><p>A foliculogênese se inicia com o recrutamento folicular, marcando o despertar de folículos</p><p>primordiais quiescentes. Quando ativado, o folículo primordial passa por uma transformação</p><p>morfológica – as células da granulosa que o envolvem se tornam cuboides e o folículo passa</p><p>a ser denominado folículo primário.</p><p>Ao completar duas camadas de células da granulosa, o folículo primário se transmuta em folículo</p><p>secundário, iniciando a formação das células da teca, derivadas do estroma perifolicular.</p><p>1</p><p>2</p><p>3</p><p>4</p><p>4 8 12 16 20 24 28 32 36 40 Puberdade</p><p>Nascimento</p><p>Idade gestacional</p><p>N</p><p>úm</p><p>er</p><p>o</p><p>(m</p><p>ilh</p><p>õe</p><p>s)</p><p>Início da</p><p>Oogênese</p><p>Oogônia</p><p>Oócitos</p><p>Início do</p><p>desenvolvimento</p><p>folicular</p><p>Menopausa</p><p>5</p><p>6</p><p>Número de células germinativas nos ovários</p><p>Fonte: Adaptado de SCHORGE & Col. Ginecologia de Williams. Ed. AMGH LTDA, 4.ª edição, 2020.</p><p>Ocorre um processo de atresia dos folículos primordiais durante a infância. Ao</p><p>atingir a puberdade, de 400.000 a 500.000 folículos primordiais permanecem. Após</p><p>a menarca, aproximadamente 1.000 folículos são perdidos mensalmente.</p><p>A cada mês, os folículos recrutados pelo estímulo do FSH reiniciam a progressão</p><p>meiótica e a meiose I é completada no oócito destinado à ovulação, em resposta ao</p><p>estímulo do pico de LH. A meiose II irá ser completada após o processo de fertilização.</p><p>12</p><p>Ciclo menstrual</p><p>No estágio secundário, o folículo fica mais sensível à ação do FSH, estimulando a proliferação</p><p>das células da granulosa e elevando-o ao estágio terciário, com três camadas celulares. A</p><p>dependência clara do FSH inicia neste ponto, culminando no desenvolvimento do folículo</p><p>pré-antral multilamelar, com quatro ou mais camadas.</p><p>Ao atingir o estágio multilamelar, as células da granulosa começam a secretar o fluido</p><p>folicular, formando a cavidade antral e marcando o estágio de folículo antral. O acúmulo de</p><p>fluido propicia um crescimento rápido, possibilitando que o folículo alcance de 15 a 20 mm</p><p>em cerca de 10 dias. O crescimento do fluido direciona-se à superfície do ovário, facilitando</p><p>a extrusão do óvulo para a cavidade pélvica durante o estágio pré-ovulatório.</p><p>No estágio antral inicial, os folículos (com diâmetro de 2 a 8 mm) são dependentes do FSH</p><p>para crescimento e possuem receptores autorregulados positivamente. O aumento da ação do</p><p>FSH resulta em uma maior sensibilidade do folículo, estabelecendo uma conexão proporcional</p><p>entre o tamanho do folículo e sua responsividade ao hormônio.</p><p>Contudo, em um cenário de competição intrafolicular, um folículo se destaca, apresentando</p><p>crescimento acelerado e maior sensibilidade ao FSH. A produção máxima de estradiol</p><p>promove feedback negativo sobre a hipófise, reduzindo parcialmente a liberação de FSH</p><p>na circulação. Esse declínio afeta todos os folículos, exceto o dominante, que continua seu</p><p>desenvolvimento e ovulação, enquanto os demais enfrentam a desaceleração do crescimento,</p><p>culminando eventualmente na atresia. Surge assim a dominância folicular, um fenômeno</p><p>Foliculogênese</p><p>Fonte: adaptado de Regulation of Gonadotropin Responses during Folliculogenesis. International Journal of Molecular Sciences. 2021.</p><p>13</p><p>Ciclo menstrual</p><p>crucial no qual apenas um folículo completará seu ciclo de desenvolvimento, enquanto os</p><p>demais enfrentam a inevitável atresia.</p><p>2.2 Teoria das duas células e duas gonadotrofinas</p><p>Durante o desenvolvimento folicular, acontece também o desenvolvimento de duas</p><p>importantes camadas de células: as células da granulosa e as células da teca, que interagem</p><p>entre si através do famoso mecanismo das "duas células, duas gonadotrofinas”.</p><p>Responder na plataforma</p><p>Questão 02</p><p>Folículo ovariano</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>"A teoria das 'duas células, duas gonadotrofinas'” é um conceito crucial na regulação hormonal</p><p>do sistema reprodutor feminino. Nesse contexto, as células da teca e da granulosa trabalham</p><p>de maneira coordenada para converter o colesterol em estrogênios.</p><p>As células da teca, localizadas na camada mais externa do folículo ovariano, expressam</p><p>receptores para o hormônio luteinizante (LH). Quando estimuladas pelo LH, essas células</p><p>começam a converter o colesterol em androgênios, como a androstenediona. Esses androgênios</p><p>são liberados e se difundem em direção às células da granulosa, que constituem a camada</p><p>interna do folículo e expressam receptores para o hormônio folículo-estimulante</p><p>(FSH).</p><p>Sob a influência do FSH, as células da granulosa convertem os androgênios recebidos em</p><p>estrogênios, principalmente em estradiol. Este processo é mediado pela enzima aromatase,</p><p>que converte os androgênios em estrogênios biologicamente ativos.</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=627e54cb60170460e21bf9df</p><p>14</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Resumindo:</p><p>• Nas células da teca do folículo ovariano: o colesterol é convertido em androstenediona e</p><p>testosterona por estímulo de LH.</p><p>• Nas células da granulosa do folículo ovariano: a androstenediona e a testosterona são</p><p>convertidas em estrona e estradiol pelo processo de aromatização, via enzima aromatase</p><p>e estímulo do FSH.</p><p>O estradiol é o estrogênio mais potente, e será o mais presente na menacme. A estrona,</p><p>menos potente e produzida principalmente pelo processo de aromatização periférica no</p><p>tecido adiposo, será mais prevalente na pós-menopausa.</p><p>As bancas adoram cobrar essa cascata, então é importante que você saiba quais são os</p><p>metabólitos e os precursores de cada tipo de célula. Atenção especial à enzima aromatase.</p><p>Para lembrar: TELHADO → a teca é o telhado do folículo e sofre ação do LH. Nela, ocorre a</p><p>produção de androstenediona.</p><p>Mecanismo de duas células e duas gonadotrofinas</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>2.3 Fase folicular</p><p>Responder na plataforma</p><p>Questão 03</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=638661817c5e11569a86c71c</p><p>15</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Agora que já comentamos sobre o processo de formação dos folículos ovarianos e sobre a</p><p>teoria das "duas células, duas gonadotrofinas", podemos voltar ao ciclo ovariano, o qual é</p><p>dividido em três fases no ciclo menstrual:</p><p>a) Folicular</p><p>b) Ovulatória*</p><p>c) Lútea</p><p>*Alguns autores incluem a fase ovulatória na folicular. Nesses casos, o ciclo fica dividido em</p><p>apenas duas fases (folicular e lútea).</p><p>Ao final do ciclo menstrual anterior, o corpo lúteo começa a regredir e, com isso, existe uma</p><p>diminuição da secreção de progesterona juntamente com a diminuição dos níveis de estradiol</p><p>e inibina A. Assim, o estímulo inibitório que existia sobre o FSH diminui e seus níveis começam</p><p>a aumentar antes do início do novo ciclo.</p><p>Ciclo menstrual e o papel das inibinas</p><p>Fonte: adaptado de STRAUSS. Jerome F. Yen & Jaffe’s Reproductive Endocrinology:</p><p>Physiology, Pathophysiology, And Clinical Management. 7.ª edição, 2014.</p><p>A fase folicular é marcada pelo aumento progressivo do FSH, quando temos maior estímulo</p><p>para produzir estrogênio e inibina B. Os folículos ovarianos possuem receptores para FSH que</p><p>sofrem autorregulação positiva; isso significa que, quanto maior for o estímulo pelo FSH, mais</p><p>receptores serão expressos.</p><p>O folículo dominante, ou seja, aquele que irá se destacar entre o pool de folículos recrutados, é</p><p>o que apresenta maior expressão de receptores de FSH. Assim, quando a produção de estradiol</p><p>e inibina B for máxima, existirá (por feedback negativo) uma diminuição da liberação de FSH, e o</p><p>seu desenvolvimento não será afetado, enquanto os demais folículos involuem e sofrem atresia.</p><p>16</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Lembre-se que, por apresentar mais receptores de FSH, o folículo dominante tem maior</p><p>atividade da enzima aromatase e, por isso, produz mais estrogênio que os demais.</p><p>Saiba que essa fase tem duração variável, sendo decisiva para a duração do próprio ciclo</p><p>menstrual.</p><p>Para ficar fácil de lembrar:</p><p>• Inibina A: after ovulation (secretada pelas células do corpo lúteo sob controle do LH).</p><p>Responsável pela inibição do FSH após a ovulação. Sua queda no final da fase lútea/início</p><p>da fase folicular permite a elevação dos níveis de FSH e o início de um novo ciclo.</p><p>• Inibina B: before ovulation (secretada pelas células da granulosa na fase folicular sob</p><p>controle do FSH). A inibina B secretada pelas células da granulosa promove um feedback</p><p>negativo na hipófise, inibindo a liberação de FSH. Esse é um método importante para</p><p>garantir a dominância de um dos folículos.</p><p>2.4 Fase ovulatória</p><p>Responder na plataforma</p><p>Questão 04</p><p>No final da fase folicular, as concentrações séricas de estradiol continuam a aumentar</p><p>até atingirem o pico aproximadamente um dia antes da ovulação. Em seguida, ocorre um</p><p>fenômeno neuroendócrino único: o pico de LH e, em menor proporção, o de FSH.</p><p>Conforme você já sabe, os hormônios ovarianos (estrogênio e progesterona) exercem</p><p>classicamente um feedback negativo na hipófise, inibindo a liberação das gonadotrofinas.</p><p>No entanto, para ocorrer o pico de LH, há uma transição do feedback negativo para um</p><p>repentino efeito de feedback positivo, por um mecanismo ainda não totalmente estabelecido.</p><p>Esse fenômeno resulta em um aumento de até 10 vezes nas concentrações séricas de LH e</p><p>em um aumento menor nas concentrações séricas do hormônio folículo-estimulante (FSH).</p><p>“Mas como isso acontece?”</p><p>Você já sabe, mas não custa relembrar:</p><p>• O estrogênio também atua sobre a hipófise, estimulando a produção e o</p><p>armazenamento das gonadotrofinas (FSH e LH).</p><p>• A progesterona, no entanto, tem um papel importante no estímulo à liberação</p><p>das gonadotrofinas armazenadas.</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=63768bc1e5596872174ac3d6</p><p>17</p><p>Ciclo menstrual</p><p>No final da fase folicular, quando já temos o folículo na fase pré-ovulatória, ocorre uma</p><p>mudança importante nas células da granulosa: agora, elas expressam receptores para o LH,</p><p>anteriormente presentes apenas nas células da teca.</p><p>Com o aumento dos receptores de LH na superfície das células da granulosa, inicia-se a</p><p>transformação luteínica dessas células e das células da teca. O folículo libera pequenas</p><p>quantidades de progesterona, influenciando a hipófise, que anteriormente sensibilizada pelas</p><p>altas concentrações de estradiol (ou seja, ela já armazenou bastante LH), agora libera todas</p><p>essas gonadotrofinas, especialmente o LH – eis o famoso pico de LH. Portanto, o pico de</p><p>estradiol na fase folicular é essencial para desencadear o pico de LH e a ovulação.</p><p>Ciclo menstrual: explicando o processo de ovulação</p><p>Fonte: adaptado de SCHORGE & Col. Ginecologia de Williams. Ed. AMGH LTDA, 4.ª edição, 2020.</p><p>Além de exercer seu papel na ovulação, o LH estimula a neovascularização local e influencia a</p><p>produção de substâncias proteolíticas e prostaglandinas. Enquanto as substâncias proteolíticas</p><p>atuam na digestão da parede folicular, tornando-a mais fina e distensível, as prostaglandinas</p><p>promovem a contração das células de musculatura lisa que circundam o folículo, provocando</p><p>a ruptura do estigma ovulatório.</p><p>18</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Esse evento libera o óvulo na cavidade peritoneal, o qual é captado pelas fímbrias da tuba</p><p>ovariana, iniciando sua jornada em direção ao útero. Além disso, o LH reativa a meiose do</p><p>óvulo, que só será concluída em caso de fecundação.</p><p>Portanto, você já deve ter percebido que o marcador mais importante aqui é o pico de LH,</p><p>precedido pelo aumento rápido dos níveis de estradiol. O resultado é a ovulação.</p><p>Atenção! O que você deve saber para sua prova é:</p><p>• Tempo entre o início da elevação dos níveis de LH e ovulação: 30 a 36 horas (algumas</p><p>referências apontam entre 24 horas e 36 horas).</p><p>• Tempo entre o pico de LH e a ovulação: 10 a 12 horas.</p><p>• Tempo entre o pico de estradiol e o pico de LH: 14 a 24 horas.</p><p>• Tempo entre o pico de estradiol e a ovulação: 24 a 36 horas.</p><p>Estigma folicular: região enfraquecida da parede folicular que rompe</p><p>durante a ovulação, liberando o óvulo para possível fertilização</p><p>Fonte: Histologia, texto e atlas. 8.ª edição, 2021.</p><p>19</p><p>Ciclo menstrual</p><p>2.5 Fase lútea</p><p>Essa fase é estável, com duração de 14 dias na maioria das mulheres. Durante esse período,</p><p>as células da granulosa acumulam luteína, um pigmento amarelo que dá nome à fase.</p><p>O corpo lúteo é responsável principalmente pela produção de progesterona. Há um aumento</p><p>significativo da progesterona, que, juntamente com o estradiol e a inibina A, suprime as</p><p>gonadotrofinas. Assim, essa fase é marcada pela presença predominante de progesterona e</p><p>inibina A.</p><p>A regressão do corpo lúteo promove a diminuição dos níveis dessas substâncias</p><p>e, com o</p><p>fim da inibição pela inibina A, o FSH volta a aumentar alguns dias antes da menstruação. A</p><p>redução dos níveis de estradiol e progesterona reajusta os pulsos de GnRH pelo hipotálamo,</p><p>no qual:</p><p>• Com maior frequência e menor amplitude de pulsos de GnRH, o FSH é liberado.</p><p>• O aumento do FSH resulta na seleção de um novo folículo dominante.</p><p>Assim, o ciclo menstrual reinicia.</p><p>Pico de estrogênio e pico de LH</p><p>Fonte: adaptado de Speroff´s Clinical Gynecologic Endocrinology and Inferlity, 2019.</p><p>O</p><p>vu</p><p>la</p><p>çã</p><p>o</p><p>14 - 24</p><p>horas</p><p>10 - 12</p><p>horas</p><p>LH</p><p>E2</p><p>20</p><p>Ciclo menstrual</p><p>2.5.1 Dinâmica hormonal do ciclo menstrual</p><p>Abaixo temos um gráfico importante, demonstrando a variação dos quatro principais hormônios</p><p>ao longo do ciclo menstrual. É essencial que você decore essa variação, pois tanto a descrição</p><p>quanto a imagem são fundamentais para a sua prova. Os principais links mentais são:</p><p>• Hormônio hipofisário que começa mais alto: FSH.</p><p>• Hormônio hipofisário que se eleva antes da ovulação: LH.</p><p>• Hormônio gonadal que se eleva antes da ovulação: estrogênio (E2).</p><p>• Hormônio gonadal que se eleva depois da ovulação: progesterona (P4).</p><p>Acompanhe a visualização do corpo lúteo na ultrassonografia:</p><p>Cisto de corpo lúteo</p><p>Fonte: adaptado de Radiopaedia.org.</p><p>Os cistos de corpo lúteo podem ser visualizados em ultrassonografias pélvicas</p><p>e transvaginais realizadas na fase lútea do ciclo menstrual. Na ultrassonografia,</p><p>esses cistos apresentam um aspecto característico, manifestando-se como</p><p>estruturas císticas de paredes ecogênicas e conteúdo geralmente hipoecogênico.</p><p>O Doppler colorido não mostra vascularização dentro do cisto, ou então mostra</p><p>fluxo sanguíneo de baixa resistência ao redor dele, também conhecido como ‘’anel</p><p>de fogo’’ hipervascular.</p><p>Tais cistos também podem estar presentes em ultrassonografias obstétricas. Isso</p><p>é frequente durante o primeiro trimestre da gestação, período no qual atingem</p><p>um tamanho máximo em torno da 10.ª semana, regredindo espontaneamente por</p><p>volta da 16.ª semana de gestação. Constitui uma manifestação normal e transitória</p><p>do processo de ovulação no ciclo menstrual, uma vez que o cisto de corpo lúteo</p><p>assume um papel crucial na gravidez inicial, produzindo progesterona até que a</p><p>placenta assuma tal função.</p><p>Para além do Pareto</p><p>21</p><p>Ciclo menstrual</p><p>3. O ciclo uterino</p><p>Dinâmica hormonal do ciclo ovariano</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Tempo</p><p>C</p><p>on</p><p>ce</p><p>nt</p><p>ra</p><p>çã</p><p>o</p><p>sa</p><p>ng</p><p>uí</p><p>ne</p><p>a</p><p>FSH</p><p>E</p><p>LH</p><p>P</p><p>Responder na plataforma</p><p>Questão 05</p><p>A variação hormonal também promove, paralelamente, alterações específicas no útero, e</p><p>também dividiremos o ciclo uterino em três fases. É importante lembrar que o endométrio é,</p><p>ao microscópio, dividido em três camadas:</p><p>• Camada basal: é aquela mais próxima ao miométrio. Ela é responsável pela regeneração</p><p>endometrial após cada ciclo de descamação e não sofre grande influência com as</p><p>variações hormonais.</p><p>• Camada funcional: é aquela mais próxima à cavidade uterina. Essa camada sofre influência</p><p>direta das alterações hormonais do ciclo menstrual. Além disso, pode ser dividida em uma</p><p>camada superficial, chamada estrato compacto (composta por diversas glândulas e um</p><p>estroma denso), e uma camada mais profunda, chamada estrato esponjoso (onde se</p><p>encontram o colo das glândulas endometriais e um estroma frouxo).</p><p>As alterações que ocorrem no endométrio durante o ciclo menstrual visam preparar o útero</p><p>para a implantação de um possível embrião.</p><p>https://aristoclass.com.br/viewer/questao?id=6410b0d986a2f186e7798c08</p><p>22</p><p>Ciclo menstrual</p><p>3.1 Fase menstrual</p><p>Representa o término da vida funcional do corpo lúteo quando não ocorre uma gestação, com</p><p>redução dos níveis de estrogênio e progesterona. A queda nos níveis de progesterona inicia</p><p>a liberação de enzimas líticas e prostaglandinas que estimulam vasoespasmos dos vasos</p><p>endometriais, levando a camada funcional a um processo de isquemia e necrose. Ocorre,</p><p>portanto, a descamação, a qual chamamos de menstruação.</p><p>Repare na imagem abaixo como, nesse momento, o endométrio ao ultrassom é visto como</p><p>uma faixa fina e ecogênica, composta pela camada basal:</p><p>Camadas do endométrio</p><p>Fonte: PAWLINA, Wojciech; ROSS, Michael H. Ross - histologia, texto e atlas. 8.ª edição. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2021.</p><p>23</p><p>Ciclo menstrual</p><p>3.2 Fase proliferativa: a fase do estrogênio</p><p>Corresponde à fase folicular no ovário. Inicialmente temos glândulas curtas e pequenas que,</p><p>por estímulo estrogênico, vão se desenvolvendo. Para você conseguir imaginar o quanto há</p><p>de crescimento, o endométrio passa de 2 mm de espessura na fase inicial para cerca de 10</p><p>mm no período pré-ovulatório. Há intensa atividade mitótica e, ao fim da fase proliferativa,</p><p>teremos o famoso endométrio trilaminar, momento perfeito para a nidação.</p><p>Endométrio no ultrassom: fase menstrual</p><p>Fonte: Dr. Praveen Jha, Radiopaedia.org.</p><p>Endométrio no ultrassom: fase proliferativa tardia - trilaminar</p><p>Fonte: Dra. Alexandra Stanislavsky, Radiopaedia.org.</p><p>24</p><p>Ciclo menstrual</p><p>3.3 Fase secretora: a fase da progesterona</p><p>Corresponde à fase lútea no ovário. Aqui, as glândulas endometriais ficam mais longas e</p><p>dilatadas e surgem vacúolos contendo glicogênio no citoplasma. Além disso, as arteríolas se</p><p>tornam mais enrodilhadas, preparando-se para a invasão trofoblástica.</p><p>Repare na imagem abaixo como, no ultrassom, o endométrio se torna mais espesso e</p><p>uniformemente ecogênico.</p><p>Endométrio no ultrassom: fase secretora</p><p>Fonte: Dr. Alexandra Stanislavsky, Radiopaedia.org.</p><p>4. Os efeitos do ciclo menstrual no muco cervical</p><p>Na fase folicular (atente-se aos “Fs”), o muco se torna mais fino, com capacidade de filância</p><p>(formar fios) e se cristaliza. Ao microscópio, possui aspecto de folha de samambaia. Como o</p><p>líquido amniótico é rico em estrogênio, temos essa mesma cristalização em casos de ruptura</p><p>prematura de membranas ovulares.</p><p>Filância do muco cervical na fase folicular</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>25</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Na fase lútea, regida pela progesterona, o muco perde tais características e se torna espesso</p><p>e viscoso.</p><p>Filância do muco cervical na fase lútea</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Cristalização do muco cervical em “folha de samambaia”; à esquerda, não há cristalização em folha de</p><p>samambaia do muco cervical, como se espera na fase lútea (muco espesso, viscoso, em grumos); à</p><p>direita, cristalização em folha de samambaia típica do momento final da fase folicular (pré-ovulatória)</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>5. Os efeitos do ciclo menstrual no epitélio vaginal</p><p>Na fase reprodutiva, o epitélio escamoso estratificado da vagina apresenta as seguintes</p><p>camadas: basal, parabasal, intermediária e superficial, que sofrem alterações com o ciclo</p><p>menstrual. Durante a fase folicular, em resposta aos níveis elevados de estrogênio, as células</p><p>epiteliais vaginais produzem e acumulam glicogênio.</p><p>As células superficiais são as mais comuns nos esfregaços vaginais no período ovulatório do</p><p>ciclo menstrual, e as questões podem trazer sua descrição como células poligonais, com o</p><p>citoplasma geralmente eosinofílico e o núcleo picnótico.</p><p>Já durante no período pós-ovulatório do ciclo menstrual, durante a gravidez e na menopausa</p><p>precoce, as células intermediárias são as mais comuns nos esfregaços vaginais. O seu</p><p>predomínio está relacionado com a ação da progesterona. Diferentemente da célula superficial,</p><p>a célula intermediária possui o núcleo vesicular e não picnótico. O citoplasma das células</p><p>26</p><p>Ciclo menstrual</p><p>intermediárias habitualmente se cora em azul ou verde (cianofílico). Apesar de o epitélio</p><p>vaginal sofrer descamação contínua, na fase secretora essa descamação pode ser acentuada.</p><p>6. Os efeitos do ciclo menstrual na temperatura basal</p><p>A temperatura corporal, normalmente medida no início da manhã ao acordar, antes de</p><p>qualquer atividade, é de 0,3 °C a 0,7 °C mais alta na fase lútea em comparação com a fase</p><p>folicular. Esse aumento da temperatura corporal pode ser atribuído ao efeito termogênico da</p><p>progesterona.</p><p>7. O ciclo menstrual normal</p><p>Mesmo havendo divergência na literatura médica quanto aos parâmetros</p><p>que classificariam</p><p>um ciclo menstrual normal, os mais recentes adotados pela FIGO (Federação Internacional de</p><p>Ginecologia e Obstetrícia) consideram o seguinte:</p><p>Fonte: FIGO (International Federation of Gynecology and Obstetrics), 2018.</p><p>Padrões de normalidade do sangramento de acordo com a Figo (2018)</p><p>Frequência</p><p>Infrequente: > 38 dias</p><p>Normal: entre 24 e 38 dias</p><p>Frequente: < 24 dias</p><p>Duração</p><p>Normal: até 8 dias</p><p>Prolongado: > 8 dias</p><p>Regularidade</p><p>Normal: variação entre o mais curto e o mais longo dos ciclos</p><p>inferior a 7 a 9 dias*</p><p>Irregular: variação entre o mais curto e o mais longo dos ciclos</p><p>superior a 8 a 10 dias</p><p>Volume sanguíneo</p><p>(referido pela mulher)</p><p>Leve</p><p>Normal</p><p>Intenso</p><p>* ≤ 7 dias entre 26 e 41 anos e ≤ 9 dias entre 18 e 25 anos e entre 42 e 45 anos.</p><p>Abaixo, temos um resumo esquemático de tudo o que vimos até aqui.</p><p>27</p><p>Ciclo menstrual</p><p>8. Síndrome pré-menstrual (SPM)</p><p>Ao conjunto de sintomas emocionais, comportamentais e físicos que surgem recorrentemente</p><p>na fase lútea do ciclo menstrual e que desaparecem com o início da menstruação, damos o</p><p>nome de síndrome pré-menstrual.</p><p>Trata-se de uma condição comum, que pode afetar até 80% das mulheres. Entre os sintomas</p><p>mais comuns, observamos: irritabilidade, tensão, depressão, inchaço, mastalgia e cefaleia.</p><p>Não se sabe ainda a etiologia do surgimento desses sintomas.</p><p>Uma das definições da síndrome pré-menstrual é a presença de sintomas que surgem na</p><p>fase lútea do ciclo menstrual e que interferem nas atividades diárias da mulher, durando pelo</p><p>menos cinco dias antes da menstruação nos últimos três ciclos consecutivos.</p><p>O tratamento da SPM deve ser multidisciplinar e individualizado, abrangendo desde mudanças</p><p>de estilo de vida até o uso de medicações. Atividade física regular e dieta saudável, com</p><p>diminuição do consumo de cafeína, açúcar, carne vermelha e álcool, fazem parte dessas</p><p>mudanças. Intervenções psicossociais são recomendadas, mas o que as questões mais</p><p>costumam cobrar é o tratamento farmacológico.</p><p>Ciclo menstrual, em suas distintas fases e perspectivas</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>28</p><p>Ciclo menstrual</p><p>No entanto, nas pacientes que apresentam sintomas pré-menstruais associados a sofrimento</p><p>clinicamente significativo ou que interferem no trabalho, na escola, em atividades sociais ou</p><p>nas relações com outras pessoas, ou seja, naquelas pacientes cuja gravidade dos sintomas é</p><p>maior e debilitante, diagnosticamos o transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM).</p><p>9. Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)</p><p>O transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) pode ser diferenciado da síndrome pré-menstrual</p><p>pela presença de sintomas incapacitantes e por, necessariamente, precisar de ao menos cinco</p><p>sintomas para o diagnóstico. Aqui, é importante excluir outros distúrbios psiquiátricos. Entre</p><p>os sintomas, temos:</p><p>• Labilidade afetiva acentuada.</p><p>• Irritabilidade ou raiva acentuadas, ou aumento nos conflitos interpessoais.</p><p>• Humor deprimido acentuado, sentimentos de desesperança ou pensamentos autodepreciativos.</p><p>• Ansiedade acentuada, tensão e/ou sentimentos de estar nervosa ou “no limite”.</p><p>• Interesse diminuído pelas atividades habituais (por exemplo, trabalho, escola, amigos,</p><p>passatempos).</p><p>• Sentimento subjetivo de dificuldade em se concentrar.</p><p>• Letargia, fadiga fácil ou falta de energia acentuada.</p><p>• Alteração acentuada do apetite – comer em demasia ou avidez por alimentos específicos.</p><p>• Hipersonia ou insônia.</p><p>• Sentir-se sobrecarregada ou fora de controle.</p><p>• Sintomas físicos como sensibilidade ou inchaço das mamas, dor articular ou muscular,</p><p>sensação de “inchaço” ou ganho de peso.</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Opções de tratamento da síndrome pré-menstrual</p><p>Anticoncepcionais hormonais (preferencialmente contraceptivos combinados orais)</p><p>Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)</p><p>Fitoterápicos</p><p>Diuréticos</p><p>Análogos de GnRH (nos casos refratários)</p><p>Referências bibliográficas</p><p>1. FERNANDES, César Eduardo. Tratado de Ginecologia Febrasgo. 1.ª edição, Revinter: 2019.</p><p>2. PAL, Lubna; TAYLOR. Hugh S.; SELL Emre. Speroff´s Clinical Gynecologic Endocrinology and Infertility.</p><p>9.ª edição, 2019.</p><p>3. SCHORGE & Col. Ginecologia de Williams. Ed. AMGH LTDA, 4.ª edição, 2020.</p><p>4. STRAUSS. Jerome F. Yen & Jaffe’s Reproductive Endocrinology: Physiology, Pathophysiology, And Clinical</p><p>Management. 7.ª edição, 2014.</p><p>30</p><p>Ciclo menstrual</p><p>(PSU-MG - 2022) O ciclo reprodutivo feminino é controlado pelo eixo hipotálamo-hipófise-</p><p>ovariano (HHO). Sobre esse eixo é CORRETO afirmar:</p><p>a) A progesterona é o principal esteroide sexual, responsável pelo feedback positivo no eixo</p><p>gonadal, estimulando o pico do hormônio luteinizante (LH).</p><p>b) Níveis circulantes altos e contínuos de estradiol, que ocorrem no final da fase folicular,</p><p>são importantes para o controle do eixo HHO e inibem (feedback negativo) a secreção do</p><p>hormônio luteinizante (LH).</p><p>c) O aumento inicial do estradiol, que ocorre no início da fase folicular, exerce feedback negativo</p><p>no eixo hipotálamo-hipofisário, inibindo a secreção de hormônio folículo-estimulante (FSH).</p><p>d) O hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) é produzido, principalmente, por neurônios</p><p>localizados no hipotálamo médio-basal e secretado no sistema porta-hipofisário de maneira</p><p>contínua, modulando a liberação de gonadotrofinas.</p><p>Questão 01</p><p>CCQ: O aumento do estradiol produzido pelos folículos pré-antrais faz</p><p>feedback negativo no FSH, ocasionando a redução de seus níveis</p><p>A primeira fase do ciclo menstrual é a folicular – uma fase variável que pode ter duração de</p><p>sete a 21 dias. A fase lútea, segunda fase, tem um período fixo de 14 dias.</p><p>No ovário, através da secreção do GnRH com frequência ALTA e amplitude baixa, há um</p><p>aumento do FSH na primeira fase. A inibina B tem um aumento progressivo, inibindo a</p><p>secreção do FSH. A queda do FSH estimula a seleção do folículo dominante e este, por sua</p><p>vez, leva a um aumento progressivo do estrogênio.</p><p>31</p><p>Ciclo menstrual</p><p>O aumento progressivo do estrogênio estimula o LH até atingir o seu pico, desencadeando</p><p>a ovulação. Nessa segunda fase do ciclo, a amplitude do GnRH é baixa, porém com alta</p><p>amplitude. A inibina A predomina, sendo liberada pelo corpo lúteo juntamente com um</p><p>aumento progressivo da progesterona.</p><p>No útero, o endométrio tem sua primeira fase do ciclo (proliferativa), estimulada pelo estrogênio.</p><p>Já a segunda fase é secretora, pela ação da progesterona, para estabilização do endométrio.</p><p>Eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO)</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Hipotálamo</p><p>GnRH</p><p>Hipotálamo</p><p>GnRH</p><p>Hipó�se anterior</p><p>FSH</p><p>LH</p><p>Hipó�se anterior</p><p>FSH</p><p>LH</p><p>ÚteroÚtero</p><p>Ovário</p><p>Estrogênio</p><p>Progesterona</p><p>Ovário</p><p>Estrogênio</p><p>Progesterona</p><p>Ciclo menstrual, em suas distintas fases e perspectivas</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>32</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Retornar ao tópico Pular tópico</p><p>É importante lembrar que o tempo entre o início da elevação dos níveis de LH e a ovulação é</p><p>de 24 a 36 horas (algumas referências apontam entre 32 e 36 horas), e que o tempo entre o</p><p>pico de LH e a ovulação é de 10 a 12 horas.</p><p>Vamos analisar as alternativas:</p><p>Alternativa A – Incorreta: O estrogênio é que estimula o pico do LH.</p><p>Alternativa B – Incorreta: Pelo contrário, a elevação dos níveis de estradiol tem um efeito</p><p>paradoxal no eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, acabando por estimular o pico do LH.</p><p>Alternativa C – Correta: O folículo pré-antral possui duas camadas de células: as células</p><p>da granulosa, mais internas, capazes de produzir estrogênios sob o estímulo do FSH; e as</p><p>células da teca, mais externas, capazes de produzir androgênios pelo estímulo do LH. Com a</p><p>elevação da produção de estradiol pelos folículos, os níveis de FSH se reduzem e apenas o</p><p>folículo dominante consegue manter seu desenvolvimento e a produção de estradiol.</p><p>Alternativa D – Incorreta: A secreção do GnRH é pulsátil e não contínua.</p><p>Portanto, o gabarito é a alternativa C.</p><p>33</p><p>Ciclo menstrual</p><p>(PSU - MG - 2022) O manejo e diagnóstico de anormalidades do ciclo menstrual baseia-se</p><p>na compreensão dos mecanismos fisiológicos envolvidos na regulação do ciclo menstrual</p><p>normal. Sobre esses mecanismos é ERRADO afirmar:</p><p>a) A enzima aromatase converte androgênios em progesterona, processo que ocorre,</p><p>principalmente, nas células da granulosa, estimulado pela ação do FSH.</p><p>b) A multiplicação das células germinativas começa por volta de 6 a 8 semanas de gravidez,</p><p>atingindo o pico máximo entre 16 e 20 semanas de gestação.</p><p>c) O crescimento do folículo primordial e sua atresia é um processo contínuo, não sendo</p><p>interrompido em nenhuma circunstância fisiológica, incluindo gravidez, ovulação ou períodos</p><p>de anovulação.</p><p>d) O início do desenvolvimento folicular envolve diversos mecanismos que são independentes</p><p>das gonadotrofinas.</p><p>Questão 02</p><p>CCQ: As células da granulosa por estímulo do FSH, e pela ação</p><p>da aromatase, convertem androgênios em estrogênios</p><p>Esse é um tema considerado complicado por muitos devido a uma certa dificuldade de</p><p>visualização. Mas é com a repetição por meio das questões que você conseguirá entender</p><p>melhor este conteúdo.</p><p>Vamos relembrar:</p><p>O início do ciclo ocorre no primeiro dia da menstruação, quando todos os hormônios estão</p><p>em níveis próximos aos basais. A menstruação em si não é uma fase hormonal, mas marca o</p><p>início de um novo ciclo.</p><p>O GnRH estimula a hipófise para a produção das gonadotrofinas (LH e FSH). Esses hormônios,</p><p>por sua vez, estimulam o crescimento e o desenvolvimento dos folículos nos ovários,</p><p>marcando a fase folicular.</p><p>À medida que os folículos são estimulados, um deles se destaca com um desenvolvimento</p><p>maior, tornando-se o folículo dominante capaz de produzir altos níveis de estrogênio.</p><p>O pico de estrogênio estimula o pico de LH, responsável pela ruptura do folículo dominante.</p><p>Essa fase é conhecida como fase ovulatória.</p><p>Após a ovulação, o corpo lúteo formado produz progesterona. No entanto, ele tem uma</p><p>duração fixa de, aproximadamente, 14 dias. Após esse período, a progesterona começa a</p><p>34</p><p>Ciclo menstrual</p><p>declinar, ocasionando a menstruação. Essa fase, influenciada pelo corpo lúteo, é chamada de</p><p>fase lútea.</p><p>Quanto à teoria das duas células, ela se desenrola da seguinte forma:</p><p>• Células da teca: contêm uma abundância de receptores de hormônio luteinizante (LH).</p><p>A ligação do LH a esses receptores resulta na ativação do AMP cíclico e na síntese de</p><p>androstenediona a partir do colesterol.</p><p>• Células da granulosa (aromatização): a androstenediona atravessa a membrana basal</p><p>das células da teca para entrar nas células da granulosa do ovário. Aqui, sob a influência</p><p>do hormônio folículo-estimulante (FSH), a androstenediona é convertida em estrona e</p><p>estradiol pela enzima aromatase.</p><p>Teca</p><p>Colesterol</p><p>Androstenediona Testosterona</p><p>FSH</p><p>LH</p><p>Androstenediona Testosterona</p><p>Granulosa</p><p>Aromatização</p><p>EstradiolEstrona</p><p>Esquema representando a teoria das “duas células, duas gonadotrofinas”</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Visto isso, vamos analisar cada alternativa:</p><p>Alternativa A - Incorreta: As células da teca captam o colesterol e, sob o estímulo do LH,</p><p>produzem androgênios. Esses, por sua vez, entram nas células da granulosa por difusão e,</p><p>por estímulo do FSH, convertem-se em estrogênios pela atividade da enzima aromatase.</p><p>Alternativa B - Correta: As células precursoras das células germinativas se multiplicam,</p><p>iniciam um processo de meiose e dão origem aos óvulos. Já entre 16 e 20 semanas de</p><p>gestação, cada ovário atinge um total de 6 a 8 milhões de folículos e não há mais produção</p><p>de óvulos na mulher, apenas perda deles. A partir daí, essas células entram em degeneração,</p><p>de forma que, ao nascimento, o feto feminino nasce com 1 a 2 milhões de óvulos.</p><p>35</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Retornar ao tópico Pular tópico</p><p>Alternativa C - Correta: Do nascimento à puberdade, a velocidade de atresia folicular</p><p>diminui para 300-500 folículos por dia. Na puberdade, a mulher tem apenas 400 mil folículos</p><p>primordiais, que serão destinados a todo o período de vida fértil dela. Nos anos reprodutivos,</p><p>ocorre um consumo de mil folículos a cada ciclo, sendo essa perda um processo contínuo.</p><p>Alternativa D - Correta: Os folículos necessitam do FSH para seu desenvolvimento, porém, é</p><p>importante notar que o início do desenvolvimento folicular envolve diversos mecanismos que,</p><p>de fato, são independentes das gonadotrofinas. A foliculogênese, ou seja, o desenvolvimento</p><p>folicular, tem início na parte mais interna do ovário durante o período embrionário. Nessa estrutura</p><p>e nessa ocasião, as células precursoras se multiplicam por volta da 15.ª semana de gestação.</p><p>Portanto, o gabarito é a alternativa A.</p><p>36</p><p>Ciclo menstrual</p><p>(UNESP - SP - 2023) A respeito da fisiologia normal do ciclo menstrual, é correto afirmar que:</p><p>a) O hipotálamo secreta o hormônio liberador de gonadotrofina (GnRH) que regula a liberação</p><p>do hormônio folículo-estimulante (FSH), o qual libera o hormônio luteinizante (LH).</p><p>b) No início de cada ciclo menstrual, os níveis de esteroides gonadais são altos e vêm</p><p>aumentando desde o final da fase lútea do ciclo anterior.</p><p>c) O recrutamento inicial e o crescimento dos folículos primordiais são independentes das</p><p>gonadotrofinas.</p><p>d) O LH estimula a aromatização nas células da teca.</p><p>Questão 03</p><p>CCQ: O recrutamento inicial e o crescimento dos folículos primordiais</p><p>são processos independentes das gonadotrofinas</p><p>Didaticamente, o ciclo menstrual pode ser dividido em duas partes, que ocorrem</p><p>concomitantemente. São elas: o ciclo ovariano e o ciclo endometrial. Ambas são divididas</p><p>em duas fases. Veja a seguir:</p><p>• Ciclo ovariano: fase folicular e fase lútea.</p><p>Durante a fase folicular, os folículos ovarianos são recrutados e crescem em resposta à ação</p><p>do hormônio folículo-estimulante (FSH). Quando um folículo dominante é selecionado, ele</p><p>libera o hormônio luteinizante (LH), ocasionando a ovulação. Na fase lútea, o folículo ovulado</p><p>se transforma em corpo lúteo, que secreta progesterona para preparar o útero para uma</p><p>possível gravidez. Se a fecundação não ocorrer, o corpo lúteo se degenera e os níveis</p><p>hormonais caem, iniciando um novo ciclo menstrual.</p><p>• Ciclo endometrial: fase proliferativa e fase secretora.</p><p>Na fase proliferativa, que ocorre logo após a menstruação, o endométrio começa a se</p><p>regenerar e a crescer em resposta ao aumento dos níveis de estrogênio secretados pelos</p><p>folículos ovarianos em desenvolvimento. O estrogênio estimula o crescimento das células</p><p>do endométrio, o aumento do fluxo sanguíneo e a proliferação das glândulas uterinas. Após</p><p>a ovulação, ocorre a fase secretora, em que o endométrio se prepara para a implantação</p><p>do embrião. Nessa fase, o folículo ovulado se transforma em corpo lúteo, que secreta</p><p>progesterona em resposta ao LH secretado pela hipófise. A progesterona age sobre o</p><p>endométrio, induzindo o desenvolvimento das glândulas uterinas e o acúmulo de glicogênio</p><p>e lipídios nas células do endométrio, para fornecer nutrientes ao possível embrião em</p><p>37</p><p>Ciclo menstrual</p><p>desenvolvimento. Novamente, caso não haja fecundação, o corpo lúteo se degenera, dando</p><p>início a um novo ciclo menstrual.</p><p>Para facilitar o entendimento, relembremos uma ilustração que já trouxemos no início deste</p><p>guia, mostrando um ciclo menstrual de 28 dias. Perceba que os ciclos ovariano e endometrial</p><p>ocorrem de forma simultânea:</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Fonte: adaptado de SCHORGE & Col. Ginecologia de Williams. Ed. AMGH LTDA, 4.ª edição, 2020.</p><p>Algo a mais: a fase lútea do ciclo ovariano tem duração fixa de 14 dias, na maioria das mulheres.</p><p>Agora que entendemos o tema, vamos às alternativas?</p><p>Alternativa A - Incorreta: De fato, o hipotálamo secreta GnRH, mas ele regula a liberação</p><p>tanto do FSH quanto do LH pela hipófise.</p><p>Alternativa B - Incorreta: Os níveis de esteroides estão reduzidos no início de cada ciclo</p><p>menstrual, não aumentados.</p><p>38</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Retornar ao tópico Pular tópico</p><p>Alternativa C - Correta: O processo de foliculogênese tem início com o recrutamento folicular.</p><p>Nesse momento, folículos primordiais quiescentes desde o sexto mês da vida intrauterina são</p><p>ativados e recrutados. Essa fase não depende das gonadotrofinas.</p><p>Alternativa</p><p>D - Incorreta: O LH estimula a conversão de colesterol em testosterona e</p><p>androstenediona. O processo de aromatização ocorre nas células da granulosa, sob</p><p>estímulo do FSH.</p><p>Portanto, o gabarito é a alternativa C.</p><p>39</p><p>Ciclo menstrual</p><p>(ABC - SP - 2023) Conhecer a relação temporal da ovulação com os hormônios é fundamental</p><p>para entender o processo reprodutivo, mas também, para aplicação prática no seguimento de</p><p>uma mulher desejosa de engravidar. A esse respeito, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A ovulação ocorre 24-36 horas após o pico de estradiol e 10-12 horas após o pico de LH.</p><p>b) A ovulação ocorre 24 -36 horas antes do pico de FSH e 48 horas após o pico de LH.</p><p>c) O pico de FSH e LH está associado temporalmente com o aumento dos níveis de estradiol,</p><p>ocorrendo concomitante.</p><p>d) O corpo lúteo só se formará e será visualizado à ultrassonografia se houver a fecundação</p><p>do óvulo.</p><p>e) Quando se acompanha com curva térmica basal, o pico de FSH determina uma elevação de</p><p>temperatura que persiste até a menstruação.</p><p>Questão 04</p><p>CCQ: A ovulação ocorre 24-36 horas após o pico de</p><p>estradiol e 10-12 horas após o pico de LH</p><p>Aqui temos uma questão conceitual sobre o ciclo menstrual.</p><p>A ovulação é dependente principalmente de dois hormônios, o estradiol e o LH. A</p><p>concentração do estradiol e o tempo de duração de sua elevação são determinantes para a</p><p>liberação de LH. Para tanto, a concentração de estradiol deve ser maior do que 200 pg/ml, e</p><p>deve persistir por, aproximadamente, 50 horas. A ovulação ocorre aproximadamente de 32 a</p><p>36 horas após o início da elevação dos níveis de LH e cerca de 10 a 12 horas após seu pico</p><p>máximo. Veja a imagem a seguir:</p><p>40</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Retornar ao tópico Pular tópico</p><p>Relação entre os ciclos ovariano e uterino</p><p>Fonte: Aristo.</p><p>Um pequeno aumento da progesterona ocorre de 12 a 24 horas antes da ovulação. Esse</p><p>aumento antes da ovulação tem importância na indução das ondas de FSH e LH. O pico do FSH</p><p>acompanhado do de LH não ocorre sem um aumento pré-ovulatório nos níveis da progesterona.</p><p>O pico máximo da progesterona ocorre em torno do oitavo dia após a ovulação, pelo corpo lúteo,</p><p>coincidente com os maiores níveis estrogênicos e com a maior vascularização do endométrio.</p><p>Vamos analisar as alternativas e discuti-las?</p><p>Alternativa A – Correta: Conforme revisado acima.</p><p>Alternativa B – Incorreta: A ovulação ocorre após pico de LH.</p><p>Alternativa C – Incorreta: Não ocorre concomitantemente, pois o pico de estradiol é</p><p>necessário para estimular o pico de LH. Os níveis de estrogênio atingem o pico cerca de três</p><p>dias antes da ovulação.</p><p>Alternativa D – Incorreta: Uma vez liberado o oócito, a estrutura dominante passa a ser</p><p>chamada de corpo lúteo ou corpo amarelo, e pode ser vista na ultrassonografia. Caso não</p><p>haja fecundação, o corpo lúteo sofre luteólise e entra em regressão.</p><p>Alternativa E - Incorreta: O hormônio responsável pelo aumento na temperatura basal na</p><p>ovulação é a progesterona.</p><p>Portanto, o gabarito é a alternativa A.</p><p>41</p><p>Ciclo menstrual</p><p>(SES - GO - 2023) Analise a imagem ultrassonográfica a seguir.</p><p>A via de realização dessa ultrassonografia e a fase do ciclo menstrual na qual se encontra o</p><p>útero são, respectivamente:</p><p>a) A via abdominal e a fase progestagênica.</p><p>b) A via abdominal e a fase estrogênica.</p><p>c) A via endovaginal e a fase progestagênica.</p><p>d) A via endovaginal e a fase estrogênica.</p><p>Questão 05</p><p>CCQ: A imagem de uma USG abdominal mostra a bexiga, mas não a vagina e o colo do</p><p>útero; o aspecto trilaminar é característico da fase estrogênica do ciclo menstrual</p><p>Temos uma questão cobrando a interpretação de um exame de imagem. É um conteúdo cada</p><p>vez mais presente nas provas atuais.</p><p>A avaliação ultrassonográfica do aparelho reprodutor feminino pode ser feita mediante</p><p>duas vias principais: a via abdominal e a via transvaginal (endovaginal). Para diferenciá-las,</p><p>podemos utilizar a bexiga, que é bem visível na via abdominal, assim como a ausência da</p><p>vagina e do colo do útero. Já na via transvaginal, podemos visualizar a vagina e o colo do</p><p>útero (enquanto a bexiga não é visível).</p><p>Em relação à fase do ciclo, podemos identificar um endométrio com aspecto trilaminar,</p><p>com uma linha hipoecoica fina na camada interna (endométrio), seguida por uma camada</p><p>miometrial espessa e hipoecoica e uma camada perimetrial hiperecoica. Logo, o útero se</p><p>encontra em fase proliferativa do ciclo menstrual. Na fase proliferativa, o endométrio começa</p><p>a crescer sob a influência do estrogênio, tornando-se mais espesso e trilaminar. Veja na</p><p>imagem abaixo um exemplo de endométrio trilaminar.</p><p>42</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Endométrio trilaminar visualizado por UGS-TV durante a fase proliferativa (estrogênica)</p><p>Fonte: Febrasgo, 2022.</p><p>Endométrio espessado visualizado por USG-TV durante a fase secretora (progestagênica)</p><p>Fonte: case courtesy of Dr. Alexandra Stanislavsky, Radiopaedia.org.</p><p>Algo a mais: no USG abdominal, a bexiga mais cheia permite a melhor visualização do</p><p>útero, por deslocar as alças intestinais (as quais possuem ar em seu interior e atrapalham a</p><p>transmissão das ondas sonoras).</p><p>43</p><p>Ciclo menstrual</p><p>Retornar ao tópico Pular tópico</p><p>Agora que entendemos o tema, vamos às alternativas?</p><p>Alternativa A - Incorreta: A presença do aspecto trilaminar é característica da fase</p><p>estrogênica.</p><p>Alternativa B - Correta: De fato, conforme discutido acima, esta é a resposta correta.</p><p>Alternativa C - Incorreta: É uma imagem por via abdominal e na fase estrogênica.</p><p>Alternativa D - Incorreta: É uma imagem por via abdominal.</p><p>Portanto, o gabarito é a letra B.</p><p>Sumário</p><p>_heading=h.78re3ovef6hh</p><p>_heading=h.l4yyuslyf729</p><p>_heading=h.rvm534nw30dg</p><p>_heading=h.zbxjzi67z29k</p><p>_heading=h.jtx44p2v9wcl</p><p>_heading=h.2et92p0</p><p>_heading=h.1d3x42d8rvhq</p><p>_heading=h.3dy6vkm</p><p>_heading=h.2uu6r0n1jsjc</p><p>_heading=h.1t3h5sf</p><p>_heading=h.acs2iqv5jric</p><p>_heading=h.2s8eyo1</p><p>_heading=h.17dp8vu</p><p>_heading=h.3rdcrjn</p><p>_heading=h.26in1rg</p><p>_heading=h.lnxbz9</p><p>_heading=h.35nkun2</p><p>_heading=h.1ksv4uv</p><p>_heading=h.t93dit9150xp</p><p>_heading=h.t93dit9150xp</p><p>_heading=h.44sinio</p><p>1. Eixo hipotálamo-hipófise-ovariano (HHO)</p><p>Questão 01</p><p>1.1 Secreção pulsátil do GnRH</p><p>2. Os ovários</p><p>2.1 Foliculogênese</p><p>2.2 Teoria das duas células e duas gonadotrofinas</p><p>Questão 02</p><p>2.3 Fase folicular</p><p>Questão 03</p><p>2.4 Fase ovulatória</p><p>Questão 04</p><p>2.5 Fase lútea</p><p>2.5.1 Dinâmica hormonal do ciclo menstrual</p><p>3. O ciclo uterino</p><p>Questão 05</p><p>3.1 Fase menstrual</p><p>3.2 Fase proliferativa: a fase do estrogênio</p><p>3.3 Fase secretora: a fase da progesterona</p><p>4. Os efeitos do ciclo menstrual no muco cervical</p><p>5. Os efeitos do ciclo menstrual no epitélio vaginal</p><p>6. Os efeitos do ciclo menstrual na temperatura basal</p><p>7. O ciclo menstrual normal</p><p>8. Síndrome pré-menstrual (SPM)</p><p>9. Transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)</p>