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<p>1</p><p>AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM: UMA ANÁLISE À LUZ DA</p><p>TEORIA SÓCIO-INTERACIONISTA DE VYGOTSKY</p><p>1</p><p>DAIANA AZEVEDO FALCÃO</p><p>2</p><p>SHEILA GOMES RANGEL</p><p>3</p><p>RESUMO</p><p>Na sociedade informacional, é verificada a aplicação cada vez mais frequente de ambientes</p><p>virtuais de aprendizagem, inclusive no contexto educacional presencial, como recurso</p><p>metodológico. Tal fato motivou o presente artigo, que enfocou o ambiente Moodle,</p><p>especificamente suas ferramentas fórum e chat, correlacionando-o à teoria sócio-interacionista</p><p>de Vygotsky. Os procedimentos metodológicos utilizados foram o levantamento bibliográfico</p><p>sobre a referida temática, bem como a realização de um experimento, no qual o Moodle foi</p><p>utilizado em sala de aula e fora dela, a fim de analisar, a partir de uma abordagem qualitativa,</p><p>se este ambiente virtual de aprendizagem se faz um recurso eficiente, no que tange à</p><p>interatividade entre os sujeitos envolvidos no processo ensino/aprendizagem, permitindo aos</p><p>alunos se tornarem sujeitos ativos nessa relação. Os resultados obtidos apontaram que, o uso</p><p>do Moodle, enquanto recurso metodológico permite integrar o processo ensino/aprendizagem</p><p>às Tecnologias da Informação e Comunicação de maneira satisfatória; possibilita o diálogo, a</p><p>troca de opiniões, o compartilhamento de saberes, a construção do conhecimento de forma</p><p>coletiva.</p><p>1</p><p>Esse artigo é o Trabalho de Conclusão de Curso da Pós-graduação lato sensu em Docência no século XXI,</p><p>cursada pelas autoras no Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense, Campus Campos-</p><p>Centro, concluída no ano de 2013, sob a orientação da Dr. Suzana da Hora Macedo.</p><p>2</p><p>Licenciada em Geografia/IFF. Professora de Geografia da Rede Pública Estadual de Ensino do Rio de Janeiro</p><p>na cidade de Campos dos Goytacazes.</p><p>3</p><p>Licenciada em Geografia/IFF. Professora de Geografia da Rede Pública Estadual de Ensino do Rio de Janeiro</p><p>na cidade de Campos dos Goytacazes.</p><p>2</p><p>PALAVRAS-CHAVE: Tecnologias da Informação e Comunicação; Ambientes Virtuais de</p><p>Aprendizagem; Moodle; Teoria Sócio-interacionista.</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>É verificada cada vez mais no contexto escolar, a necessidade de superação da ideia do</p><p>professor centralizador da relação ensino/aprendizagem, no qual o aluno deixa de ser apenas</p><p>um receptáculo de informação, e passa a buscar seu conhecimento, a ser um sujeito ativo</p><p>nesse processo.</p><p>Isso acarreta para o professor novas responsabilidades, uma nova forma de lidar com</p><p>sua prática docente, e a necessidade de inserir novos recursos metodológicos, capazes de</p><p>estimular os alunos.</p><p>No contexto de transformações pedagógicas, passa-se a questionar o papel da escola e</p><p>do próprio professor, nessa “sociedade informacional” (CASTELLS, 1999), marcada pelo</p><p>advento cada vez maior das Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) no contexto</p><p>escolar.</p><p>Agora, a informação está mais acessível e a escola não é mais a única fonte de</p><p>obtenção de conhecimento. No entanto, a mesma não pode ignorar essa nova realidade, ao</p><p>contrário, precisa se transformar num lugar de análises críticas, atribuindo significado à</p><p>informação (LIBÂNEO, 2000). Cabe então ao professor assumir a mediação da interação</p><p>aluno/tecnologia, de modo que possa criar um ambiente desafiador, desenvolvendo nos alunos</p><p>autonomia e criatividade.</p><p>Candau (2000) afirma que a escola precisa se reinventar; construir novos meios de</p><p>interação professor-aluno, uma vez que o professor deixou de ser o ator principal. Para tal,</p><p>esta autora defende a construção de “ecossistemas educativos”, nos quais o processo de</p><p>escolarização não segue um padrão único e sim pluralista, em diferentes espaços de</p><p>conhecimento, seja ele formal ou popular, presencial ou virtual, sistemático ou assistemático.</p><p>Em confluência com essas ideias e tendo em vista as crescentes e divergentes</p><p>discussões acadêmicas acerca do uso das TIC no contexto escolar, este artigo visa analisar o</p><p>Ambiente Moodle, a partir da teoria Sócio-interacionista de Vygotsky. O objetivo é identificar</p><p>se este ambiente, considerando a aplicação das ferramentas fórum e chat, se faz um recurso</p><p>3</p><p>eficiente, no que tange à interatividade entre alunos e professores, possibilitando aos alunos</p><p>compartilhar suas ideias, seus conhecimentos, suas experiências. Espera-se, com isso, que este</p><p>trabalho possa contribuir para o incentivo da utilização das TIC, especificamente da</p><p>plataforma Moodle, no ambiente de educação, incentivando cada vez mais a inserção de</p><p>alunos e professores nesse novo contexto social.</p><p>Criado pelo australiano Martin Dougiamas, em 1999, o Moodle é um Ambiente</p><p>Virtual de Aprendizagem composto por um conjunto de ferramentas, tais como fóruns,</p><p>diários, chats, lições, questionários, textos, wiki, tarefas, glossários e vídeos. Estas</p><p>ferramentas podem ser selecionadas pelo professor, que no ambiente assume o papel também</p><p>de administrador, de acordo com seus objetivos pedagógicos. Segundo Franciosi (2003) é um</p><p>"Ambiente Colaborativo de Aprendizagem", cujo conceito evoca o modo como a</p><p>aprendizagem ocorre, uma vez que possibilita o compartilhamento de ações, onde todos são</p><p>agentes ativos no processo ensino/aprendizagem.</p><p>Faz-se importante discutir essa temática, tendo em vista o crescente uso das</p><p>tecnologias informacionais no campo educacional. Nesse contexto de novas exigências</p><p>educacionais, faz-se necessário repensar a prática docente. Os professores da “sociedade</p><p>informacional” devem criar meios para se adequarem às TIC, introduzir novos recursos em</p><p>suas aulas, enriquecer sua metodologia, propiciando a interação cada vez maior dos agentes</p><p>envolvidos no processo ensino/aprendizagem.</p><p>Assim, essa pesquisa, ao propor o uso do Moodle, enquanto recurso metodológico</p><p>pode contribuir para as discussões teórico-metodológicas, acerca da inserção das novas TIC</p><p>no contexto escolar, especialmente os Ambientes Virtuais de Aprendizagem.</p><p>A metodologia empregada consistiu no levantamento bibliográfico acerca da referida</p><p>temática, buscando elucidar sobre os conceitos de TIC e Ambientes Virtuais de</p><p>aprendizagem, correlacionando-os à teoria sócio-interacionista de Vygotsky. Também foi</p><p>realizado um experimento fazendo uso do ambiente Moodle, enquanto ferramenta</p><p>educacional. O trabalho é fruto de uma das atividades propostas na disciplina Construção de</p><p>práticas educativas em ambiente virtual, do curso de Pós-graduação em Docência no Século</p><p>XXI, do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia Fluminense (IFF Campus</p><p>Campos-Centro). Os resultados desse trabalho serão apresentados ao longo desse artigo.</p><p>O artigo estrutura-se em cinco seções. A primeira busca fazer uma breve apresentação</p><p>das tendências pedagógicas e seus pressupostos, destacando a importância destas nas</p><p>4</p><p>mudanças ocorridas no papel da escola e do professor, frente à realidade social que os</p><p>circundam.</p><p>A segunda seção visa apresentar a teoria Sócio-interacionista de Vigotsky, que norteou</p><p>o presente trabalho, destacando suas principais características. A terceira, por sua vez levanta</p><p>uma discussão sobre as TIC no contexto escolar, evidenciando a importância de se repensar a</p><p>prática docente na sociedade informacional. A quarta seção busca caracterizar os Ambientes</p><p>Virtuais de Aprendizagem, especialmente o ambiente Moodle, objeto de pesquisa deste</p><p>trabalho. A última seção, por sua vez, relata sobre o experimento trabalhado na pesquisa,</p><p>apresentando a metodologia utilizada, bem como os resultados e discussões do trabalho.</p><p>1 AS TENDÊNCIAS PEDAGÓGICAS E A PRÁTICA DOCENTE</p><p>A prática escolar consiste na concretização de diferentes tendências pedagógicas, com</p><p>diferentes proposições sobre o papel da escola, da aprendizagem e da relação professor-aluno.</p><p>Tais pressupostos levam alguns professores a se organizarem em função delas ou, pelo</p><p>menos, a basearem suas</p><p>práticas docentes. Outros ainda seguem modismos, condicionando</p><p>suas práticas a alguma tendência, sem nem mesmo refletir sobre a mesma (LIBÂNEO, 1994).</p><p>À medida que as tendências foram se apresentando, diferentes concepções de homem</p><p>e de sociedade foram sendo formuladas e, consequentemente, diferentes pressupostos sobre o</p><p>papel da escola e da aprendizagem passaram a ser objeto de análise, repercutindo na prática</p><p>docente, no ato de ensinar e aprender.</p><p>Libâneo (1994) classifica as tendências pedagógicas em dois grupos, considerando os</p><p>condicionantes sociopolíticos da escola. São elas, a Pedagogia Liberal e Pedagogia</p><p>Progressista. A primeira sustenta-se na ideia de que a escola tem a função de preparar os</p><p>indivíduos para desempenho de papéis sociais, de acordo com suas aptidões individuais. Na</p><p>segunda, por sua vez, a escola passa a ser vista não mais como redentora, mas como</p><p>reprodutora da classe dominante. Esta tendência parte de uma análise crítica das realidades</p><p>sociais, sustentando as finalidades sociais e políticas da educação.</p><p>Ambas as tendências pedagógicas apresentadas se subdividem, de acordo com</p><p>Libâneo (1994). A liberal abarca as tendências tradicional, renovada progressivista, renovada</p><p>não-diretiva e tecnicista. Assim, para a tendência liberal tradicional, o aluno é educado para</p><p>atingir sua plena realização por meio de seu próprio esforço, cabendo à escola preparar os</p><p>5</p><p>alunos para desenvolverem suas capacidades individuais. A pedagogia é centrada no</p><p>professor, e o aluno desenvolve uma atitude receptiva e mecânica.</p><p>Desse modo, Libâneo (1994) caracteriza também as demais tendências pedagógicas. A</p><p>pedagogia renovada progressista é aquela que o aluno aprende fazendo. A mesma valoriza as</p><p>tentativas experimentais dos alunos, seus interesses, a autoaprendizagem, privilegiando os</p><p>estudos independentes e também em grupo. O meio é apenas um ambiente estimulador. Nesse</p><p>contexto, o professor deve dar as condições para que o aluno, estimulado pelo ambiente,</p><p>possa buscar o conhecimento.</p><p>A tendência renovada não-diretiva, segundo Libâneo (1994) defende que o papel da</p><p>escola baseia-se na formação de atitudes do aluno. Sua preocupação está mais centrada nos</p><p>problemas psicológicos do que nos pedagógicos ou sociais do aluno. Todo o esforço deve</p><p>visar a uma mudança dentro do indivíduo. O conhecimento ocorre a partir de um processo</p><p>ativo de busca do aluno, sendo, por isso, o sujeito da ação. O professor é apenas um</p><p>facilitador do processo educativo. Ele não ensina, e sim orienta.</p><p>A pedagogia liberal tecnicista, por sua vez, tem como pressuposto produzir indivíduos</p><p>competentes para o mercado de trabalho, atendendo aos anseios da sociedade industrial. Seus</p><p>métodos de ensino são baseados na transmissão e recepção de informação, sendo o professor</p><p>o elo entre o conhecimento e o aluno.</p><p>No grupo das tendências progressistas encontram-se a pedagogia libertadora, libertária</p><p>e crítico-social dos conteúdos (LIBÂNEO, 1994).</p><p>A tendência pedagógica libertadora, também conhecida como pedagogia de Paulo</p><p>Freire, sustenta os fins sociopolíticos da educação. No bojo dessa tendência a educação é vista</p><p>como uma ferramenta contra toda forma de autoritarismo e dominação. Centra-se na ideia de</p><p>que, o conhecimento só é adquirido por meio de representações da realidade concreta, da</p><p>situação real vivida pelo educando.</p><p>Na tendência progressista libertária, a ênfase é dada à aprendizagem informal,</p><p>preconizando a participação em grupos, em discussões e ações práticas sobre questões da</p><p>realidade social em que estão inseridos. Assim, as atividades são centradas na discussão de</p><p>temas sociais e políticos, pois acredita que a educação deve ir além dos muros da escola,</p><p>trazendo para dentro dela a necessidade de concretizar a democracia e formas de gestão</p><p>participativa. Nesse processo, o professor é apenas um orientador da aprendizagem dos</p><p>alunos.</p><p>6</p><p>E por último, Libâneo (1994) entende que na tendência pedagógica crítico-social dos</p><p>conteúdos, a escola é mediadora entre o individual e o social, dando um passo a frente no</p><p>papel transformador da escola, preparando o aluno para o mundo adulto e suas contradições.</p><p>Enfatiza a articulação entre o domínio dos conteúdos científicos por parte do aluno, com sua</p><p>prática social.</p><p>De acordo com o exposto, no que se refere às tendências pedagógicas, é enfatizada a</p><p>superação da ideia do professor centralizador do processo ensino/aprendizagem, delegando ao</p><p>aluno um novo posicionamento nessa relação. Isso acarreta para o professor novas</p><p>responsabilidades, uma nova forma de lidar com sua prática docente e uma nova maneira da</p><p>escola se impor na sociedade.</p><p>2 A TEORIA SÓCIO-INTERACIONISTA DE VYGOTSKY</p><p>A fim de compreender o modo como às pessoas aprendem, quais as condições</p><p>necessárias para que isso aconteça, bem como o papel do professor e do aluno neste processo,</p><p>diferentes teorias da aprendizagem foram se delineando, todas as quais apresentando seus</p><p>pressupostos.</p><p>Dentre as diversas teorias da aprendizagem elaboradas, ganha destaque nesse artigo a</p><p>teoria construtivista de Vigotsky, médico russo que se dedicou ao estudo dos distúrbios de</p><p>aprendizagem e de linguagem, fundando o Laboratório de Psicologia da Escola de Professores</p><p>de Gomel, Rego (2001), e publicando obras</p><p>4</p><p>na área.</p><p>A teoria vygotskiana compartilha de ideias construtivistas “onde a única aprendizagem</p><p>significativa é aquela que ocorre através da interação sujeito, objeto e outros sujeitos”</p><p>(COELHO; PISONI, 2012, p. 144). Nesse sentido, compreende que o ato de ensinar envolve</p><p>estabelecer interações entre alunos e professores, favorecendo a possibilidade de observar e de</p><p>intervir nas necessidades dos alunos.</p><p>Seus estudos enfatizaram o papel da interação social ao longo do desenvolvimento do</p><p>indivíduo, atribuindo o termo sócio-cultural a sua teoria. Desse modo, o mesmo buscou</p><p>4</p><p>Dentre suas diversas obras podemos citar: A formação Social da Mente; Construção do Pensamento e da</p><p>Linguagem; Desenvolvimento Psicológico na Infância; Estudos Sobre a História do Comportamento; Psicologia</p><p>Pedagógica e Teoria e Método em Psicologia.</p><p>7</p><p>explicar os processos mentais baseados na imersão social do homem (ARGENTO, s.d.), pois</p><p>o indivíduo está inserido em um grupo social, e aprende o que seu grupo produz.</p><p>Rego (2001) ressalta que, para Vygotsky, o desenvolvimento pleno do ser humano está</p><p>diretamente relacionado ao aprendizado que se realiza em um determinado grupo cultural, a</p><p>partir da interação com outros indivíduos da sua espécie.</p><p>Assim, de acordo com esse pressuposto, a aprendizagem ocorre no relacionamento do</p><p>aluno com o professor e com outros alunos, pela mediação feita com outros sujeitos, do</p><p>mundo cultural que o rodeia, uma vez que “a cultura é parte constitutiva da natureza humana,</p><p>pois o desenvolvimento mental humano não é passivo, nem tão pouco independente do</p><p>desenvolvimento histórico e das formas sociais da vida” (COELHO; PISONI, 2012, p. 145).</p><p>A cultura fornece ao indivíduo os sistemas simbólicos de representação da</p><p>realidade, ou seja, o universo de significações que permite construir a</p><p>interpretação do mundo real. Ela dá o local de negociações no qual seus</p><p>membros estão em constante processo de recriação e reinterpretação de</p><p>informações, conceitos e significações (ARGENTO, s.d.).</p><p>A questão central é a aquisição de conhecimentos pela interação do sujeito com o</p><p>meio, logo, o conhecimento é sempre mediado (ARGENTO, s.d.). Assim, é através das</p><p>relações estabelecidas com os outros, da interação entre os sujeitos, trocando experiências e</p><p>ideias, que construímos o conhecimento. Sob essa ótica, a aprendizagem é uma experiência</p><p>social, na qual a mediação é fator preponderante para Vygotsky. Essa mediação ocorre por</p><p>meio de instrumentos e signos, especialmente a linguagem.</p><p>Segundo Coelho e Pisoni (2012,</p><p>p. 145), “a linguagem é um signo mediador por excelência, por isso Vygotsky a confere papel</p><p>de destaque no processo de pensamento”.</p><p>Para Argento (s.d.):</p><p>A linguagem, sistema simbólico dos grupos humanos, representa um salto</p><p>qualitativo na evolução da espécie. É ela que fornece os conceitos, as formas</p><p>de organização do real, a mediação entre o sujeito e o objeto do</p><p>conhecimento. É por meio dela que as funções mentais superiores são</p><p>socialmente formadas e culturalmente transmitidas, portanto, sociedades e</p><p>culturas diferentes produzem estruturas diferenciadas.</p><p>8</p><p>Para Vygotsky, o desenvolvimento cultural da criança se dá por meio de uma dupla</p><p>formação: primeiro a nível social, e depois, a nível individual. A aprendizagem ocorre pela</p><p>interação entre os sujeitos e pela internalização do indivíduo, ou seja, por assimilações</p><p>exteriores e interiores. Nessa premissa, a aprendizagem do aluno se dá a partir a relação entre</p><p>aluno/professor, bem como entre aluno/aluno.</p><p>Vygotsky acreditava em uma escola onde houvesse a possibilidade de dialogar,</p><p>discutir, duvidar e compartilhar saberes, em que professores e alunos têm autonomia, pensam</p><p>e refletem sobre o processo de construção do conhecimento (REGO, 2001).</p><p>Para tanto, o professor deve criar estratégias capazes de promover a interação social</p><p>em suas aulas, possibilitar aos alunos compartilhar ideias, trocar experiências, construir o</p><p>conhecimento de modo coletivo. Inserir atividades capazes de incentivar os alunos ao diálogo</p><p>e ao convívio social, transformando-os em sujeitos ativos, que interagem com o ambiente</p><p>onde estão inseridos. Uma estratégia a ser adotada, é fazer uso das TIC no contexto escolar,</p><p>por estas fornecerem uma gama de ferramentas capazes de promover essa interação, como os</p><p>fóruns e os chats.</p><p>3 AS TECNOLOGIAS DA INFORMAÇÃO E COMUNICAÇÃO NO CONTEXTO</p><p>EDUCACIONAL</p><p>Uma das discussões mais levantadas, tanto no meio acadêmico, como no cerne da</p><p>sociedade civil é sobre a crise pela qual passa a educação brasileira nesse novo cenário</p><p>mundial, marcado por profundas transformações ocorridas nos pilares econômicos, político e</p><p>social. Essas mudanças foram possibilitadas graças ao advento das tecnologias, iniciado a</p><p>partir do século XVIII, com a I Revolução Industrial, que modificou a relação</p><p>homem/natureza e aumentou a capacidade de transformação do meio ambiente (SENE, 2004).</p><p>Mais tarde, já no final do século XIX, isso se intensificou com a eclosão da II</p><p>Revolução Industrial, baseada na descoberta de novas matrizes energéticas, tais como o</p><p>petróleo e a eletricidade. Mas foi a III Revolução, a chamada científica-tecnológica, a partir</p><p>de 1970, que se disseminaram as tecnologias informacionais (SENE, 2004), dentre as quais</p><p>estão os computadores, satélites, cabos de fibra ótica, telefones digitais, internet, e uma</p><p>variada gama de recursos técnico-científicos que hoje se fazem presente em nosso cotidiano.</p><p>9</p><p>Por Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) compreende-se a “conjugação da</p><p>tecnologia computacional ou informática com a tecnologia das comunicações” (MIRANDA,</p><p>2007, p. 43).</p><p>Inúmeras são as vantagens do uso das TIC em diversos ramos da sociedade, na</p><p>medicina, na ciência, nas comunicações, e por que não dizer também na educação. Seu uso</p><p>nesse último se manifesta como possibilidade de um novo estímulo, uma oportunidade para a</p><p>educação superar seus tradicionais paradigmas de ensino/aprendizagem, onde o professor é o</p><p>centro do processo. É imprescindível a superação do modelo educacional vigente em busca da</p><p>qualidade do ensino e inserção da escola no contexto informacional, e o uso das TIC</p><p>manifesta-se como possibilidade de inserção da escola num novo paradigma.</p><p>O advento das TIC aumentou as possibilidades de efetivação desses novos</p><p>ecossistemas educacionais, a partir de um ensino que valorize o aluno enquanto sujeito ativo</p><p>no conhecimento (ALMEIDA, 2003).</p><p>Dessa forma, dessas tecnologias tornou-se cada vez mais incentivado para fins</p><p>educacionais, visto o crescente uso das tecnologias nessa sociedade, intitulada de “sociedade</p><p>informacional” (CASTELLS, 1999, p. 38), tendo em vista que a escola não é neutra, pois está</p><p>sempre inserida num contexto sócio-histórico, sofrendo influência direta de seu contexto</p><p>social, repassando valores e condutas da sociedade. Conforme Almeida:</p><p>As Tecnologias da Informação e Comunicação (TIC), a partir das</p><p>potencialidades e características que lhe são inerentes, apresenta-se como</p><p>estratégia para democratizar e elevar o padrão de qualidade da formação de</p><p>profissionais e a melhoria de qualidade da educação brasileira (ALMEIDA,</p><p>p.2, 2003).</p><p>De acordo com o mencionado, é possível os educadores utilizarem-se das novas</p><p>tecnologias da comunicação como metodologia de ensino, para facilitar a relação</p><p>ensino/aprendizagem, melhorar a comunicação entre professores e alunos, deixando-os mais</p><p>próximos da realidade social. Por outro lado, isso não significa que o uso desses recursos</p><p>possa suprir a deficiência do ensino. É notório também que muitos professores resistem às</p><p>mudanças e muitos deles sequer sabem interagir com esses meios (ALMEIDA, 2003). É</p><p>preciso que a escola se adeque às novas exigências da sociedade informacional, que os</p><p>professores se atualizem, se informem, se insiram nesse novo contexto social, mas não adianta</p><p>apenas ter o acesso a esses recursos; eles sozinhos não farão milagre. De acordo com Pontes:</p><p>10</p><p>A utilização das TIC como ferramenta tanto pode ser perspectiva no quadro</p><p>de atividades de projetos e como recurso de investigação e comunicação,</p><p>como pode ser reduzido a uma simples aprendizagem, por processos formais</p><p>e repetitivos, de uns tantos softwares e programas utilitários. Ficam, ainda,</p><p>por equacionar novos papéis para a escola, novos objetivos educacionais e</p><p>novas culturas de aprendizagem. (PONTES, 2000, p. 73)</p><p>4 MOODLE: UM AMBIENTE VIRTUAL DE APRENDIZAGEM</p><p>No tocante aos ambientes virtuais de aprendizagem, é necessário retroceder no tempo</p><p>para entender como as TIC foram inseridas na educação. Verifica-se que o uso do computador</p><p>no ambiente educacional teve início na década 1960, como meio de apresentação e controle</p><p>de instrução. Com isso, era dada uma ênfase expressiva na individualização da aprendizagem</p><p>e na redução de custos, as vantagens atribuídas eram: instrução individualizada, treinamento</p><p>uniforme, apresentado no ritmo do aprendiz, feedback imediato, apresentação no próprio</p><p>ambiente de trabalho do aprendiz, disponibilidade permanente, conteúdo facilmente</p><p>atualizável, reduzido tempo de estudo e material distribuído geograficamente. Assim, na</p><p>ocasião os conteúdos eram apresentados apenas na forma textuais devido às limitações</p><p>tecnológicas existentes (BECHARA, 2006).</p><p>Nesse sentido, as interfaces gráficas, no decorrer do tempo apresentaram um grande</p><p>desenvolvimento e trouxeram novas possibilidades para os materiais digitais. Assim,</p><p>desenvolvedores passaram a produzir softwares educacionais que suportam diferentes mídias,</p><p>tais como imagens, sons, vídeos, entre outros. Nesse compasso, a internet foi se</p><p>disseminando, inicialmente em acessos mais restritos, por meio da linha telefônica até chegar</p><p>à banda larga, se popularizando permitindo maior velocidade na transmissão de imagens e</p><p>vídeos (HAGUENAUER, 2007).</p><p>Com efeito, os ambientes virtuais de aprendizagem, criados a partir de recursos das</p><p>novas tecnologias digitais e utilizando como meio de difusão e comunicação a internet, dispõe</p><p>de uma gama de recursos, que vão desde o gerenciamento das atividades acadêmicas, como</p><p>criação de turmas e inscrição de alunos, passando pelo fornecimento de ferramentas para a</p><p>comunicação entre os participantes, até a criação, em tempo real, de ambientes imersivos e</p><p>interativos, como no caso dos jogos.</p><p>Uma definição possível para ambientes virtuais de aprendizagem</p><p>consiste em:</p><p>11</p><p>Sistemas computacionais disponíveis na internet, destinados ao suporte de</p><p>atividades mediadas pelas tecnologias de informação e comunicação.</p><p>Permite integrar múltiplas mídias e recursos, apresentar informações de</p><p>maneira organizada, desenvolver interações entre pessoas e objetos de</p><p>conhecimento, elaborar e socializar produções tendo em vista atingir</p><p>determinados objetivos. As atividades se desenvolvem no tempo, ritmo de</p><p>trabalho e espaço em que cada participante se localiza, de acordo com uma</p><p>intencionalidade explícita e um planejamento prévio denominado design</p><p>educacional1, o qual constitui a espinha dorsal das atividades a realizar,</p><p>sendo revisto e reelaborado continuamente no andamento da atividade.</p><p>(ALMEIDA, 2003, p.5).</p><p>Não obstante, uma vez constituído, o AVA oportuniza a colaboração/interação entre</p><p>os participantes, que, depois de familiarizados, passam a explorar as ferramentas disponíveis</p><p>(tais como fórum, biblioteca, tira-dúvidas, chat, FAQ, bibliografia, arquivos para download,</p><p>mural de avisos etc.), adquirindo uma visão geral do funcionamento da plataforma</p><p>(HAGUENAUER, 2007).</p><p>Diante desta perspectiva, o mercado de tecnologia oferece uma série de plataformas,</p><p>ou ambientes virtuais, ou ainda sistemas de gestão da aprendizagem que podem dar suporte a</p><p>atividades educacionais colaborativas como o Teleduc e o blackboard.</p><p>O Moodle surge com a ideia de colaboração, isto é, os usuários da plataforma mantém</p><p>um portal na internet para colaboração e aprimoramento da ferramenta. Esse portal facilita a</p><p>troca de informação e, consequentemente, o aperfeiçoamento constante do Moodle enquanto</p><p>ferramenta de educação. Isso significa dizer que qualquer instituição que utilize o Moodle está</p><p>colaborando com o seu desenvolvimento, apenas o divulgando ou mesmo identificando e</p><p>solucionando problemas e ainda propondo novas ferramentas e possibilidades para a atuação</p><p>dos professores ou tutores, mediadores da aprendizagem (DELGADO, 2009).</p><p>É importante ressaltar que este software oferece toda a estrutura administrativa, que é</p><p>acessada apenas pelo administrador, que pode ser o professor e quem mais ele delegar esta</p><p>função (dados cadastrais, relatório, lista de presença, calendário). Também possui a estrutura</p><p>acadêmica que permite a propor pesquisas, disciplinas, glossários, roteiros de estudo, bem</p><p>como ferramentas de interação (e-mail, chat, wiki e fórum), permitindo uma ampla gama de</p><p>canais de comunicação entre os participantes, que podem ser selecionadas pelo professor, de</p><p>acordo com seus objetivos pedagógicos.</p><p>Sendo assim, o Moodle é um software altamente flexível e adaptável, os professores</p><p>têm a possibilidade de criar cursos utilizando as diversas ferramentas de interação e de</p><p>12</p><p>comunicação, de publicação de materiais de diferentes formatos e uma diversidade de</p><p>recursos que os permitem criarem atividades como exercícios de múltipla escolha com</p><p>autocorreção, entre outros. da maneira que cada um considerar mais eficiente para a</p><p>aprendizagem dos seus aluno (DELGADO, 2009).</p><p>De acordo com o exposto, sendo o Moodle ou Objeto Modular Orientado ao Ensino,</p><p>um ambiente virtual de aprendizagem, é pertinente salientar que:</p><p>Um ambiente virtual de aprendizagem - AVA - é um sistema de software</p><p>que constitui um espaço virtual educativo e interativo baseado na WEB,</p><p>tratando temas específicos e reconfigurando-se a partir das interações entre</p><p>os usuários, e destes com o sistema (MADSEN, 2001 apud DIAS, 2003, p.</p><p>37).</p><p>Nesse sentido, o processo educacional constituído nesse tipo de ambiente, promove</p><p>uma aprendizagem mais dinâmica e participativa, voltado para a aprendizagem que</p><p>transcende a sala de aula. Esta pode ocorre em diferentes espaços, presencial ou virtualmente.</p><p>No entanto, envolve uma postura cooperativa, determinada por atitudes de interação e tomada</p><p>de decisão em grupo, dado as responsabilidades tanto do aprendiz, quanto do grupo que</p><p>participa do ambiente.</p><p>Na concepção de Santos (2003, p. 2), um ambiente virtual “é um espaço fecundo de</p><p>significação onde seres humanos e objetos técnicos interagem potencializando assim, a</p><p>construção de conhecimentos, logo a aprendizagem”. Dessa maneira, os AVA, dado a</p><p>interatividade que promove entre os sujeitos envolvidos (alunos com alunos; alunos com</p><p>professores; professores com professores), possibilita um meio eficaz no processo de</p><p>aquisição de conhecimento, uma vez que no ambiente os alunos tendem a ser também</p><p>protagonistas do processo ensino/aprendizagem. Assim,</p><p>A aprendizagem mediada por AVA pode permitir que através dos recursos</p><p>da digitalização várias fontes de informações e conhecimentos possam ser</p><p>criadas e socializadas através de conteúdos apresentados de forma</p><p>hipertextual, mixada, multimídia, com recursos de simulações. Além do</p><p>acesso e possibilidades variadas de leituras o aprendiz que interage com o</p><p>conteúdo digital poderá também se comunicar com outros sujeitos de forma</p><p>síncrona e assíncrona em modalidades variadas de interatividade (SANTOS,</p><p>2003, p. 4).</p><p>Neste processo, os papéis de aluno e professor se integram, uma vez que os sujeitos</p><p>envolvidos podem ser emissores e receptores das informações publicadas.</p><p>13</p><p>Cabe ressaltar que o advento das novas tecnologias, sobretudo, no contexto</p><p>educacional torna imprescindível sua utilização com objetivo de estender o espaço da sala de</p><p>aula, tendo em vista a inserção da TIC no processo de ensino-aprendizagem, na perspectiva de</p><p>maior interação entre professor e aluno, bem como dinamizar a relação do aluno com os</p><p>conteúdos e temas estudados, os tornando coautores deste processo.</p><p>De acordo com o contexto, é relevante salientar que:</p><p>Os ambientes virtuais de aprendizagem são espaços fecundos de</p><p>significações, onde agentes humanos e objetos tecnológicos interagem entre</p><p>si, potenciando a construção colaborativa do conhecimento em comunidades</p><p>de aprendizagem. Sendo mais do que simples conjuntos de páginas da web,</p><p>não se trata apenas de ferramentas tecnológicas, mas antes de elementos</p><p>técnicos e principalmente humanos relacionados no ciberespaço (Internet ou</p><p>Intranet) e que possuem uma identidade e um contexto específicos (Santos et</p><p>al. 2001, apud Correia; Lencastre p. 47).</p><p>Desse modo, “Ambiente Virtual de Aprendizagem” relaciona-se com as condições de</p><p>aprendizagem, enriquecida pelos recursos da tecnologia, a fim de estimular a construção dos</p><p>conceitos e a interação do aluno com o professor, com os colegas e com os recursos</p><p>disponibilizados e em construção (CORREIA; LENCRASTE, 2013).</p><p>É notório que nos últimos anos, os AVA, estão sendo cada vez mais incorporados no</p><p>âmbito acadêmico, como possibilidade tecnológica para atender a demanda educacional. E</p><p>conforme afirma Moran (2003, p.1), ensinar e aprender, hoje, não se limita ao trabalho dentro</p><p>da sala de aula. Esse processo sugere uma transformação do que fazemos dentro e fora dela,</p><p>no presencial e no virtual, além de um planejamento das ações de pesquisa e de comunicação</p><p>que possibilitem continuar aprendendo em ambientes virtuais, acessando páginas na internet,</p><p>pesquisando textos, recebendo e enviando novas mensagens, problematizando questões em</p><p>fóruns ou em salas de aula virtuais, divulgando pesquisas e projetos.</p><p>5 MOODLE: UMA EXPERIÊNCIA SOCIO-INTERACIONISTA</p><p>5.1 Quanto à metodologia do experimento</p><p>14</p><p>No curso de Pós-graduação em Docência no Século XXI, na disciplina Construção de</p><p>práticas educativas em ambiente virtual, foi proposta a plataforma Moodle como recurso</p><p>metodológico, a fim de promover maior interação entre aluno e professor no processo de</p><p>ensino-aprendizagem. Neste curso, criado na disciplina, ocorrido entre os meses de maio e</p><p>junho de 2013, os 26 alunos participantes tinham acesso à plataforma não só nas aulas, mas</p><p>em qualquer lugar com acesso à internet.</p><p>O curso,</p><p>como parte da disciplina, fez uso de diversas ferramentas contidas na</p><p>plataforma Moodle, enfocando suas funcionalidades, tais como tarefas, fóruns de discussão,</p><p>publicação de aulas e arquivos, chats, enfim, a mais variada gama de recursos que a</p><p>plataforma dispõe. Com isso, diversas atividades foram propostas, dentre as quais podem-se</p><p>destacar os seminários apresentados pelos alunos, a partir das orientações publicadas pelos</p><p>professores. Assim, cada grupo realizava suas pesquisas, produzia os trabalhos, publicava na</p><p>plataforma e finalmente apresentava para a turma. Dessa forma, o Moodle não foi utilizado</p><p>somente à distância, facilitando a comunicação entre professores e alunos, mas foi bem</p><p>requisitado durante o curso presencial.</p><p>Após a realização das tarefas, os professores propuseram que os alunos assumissem o</p><p>papel de professores no ambiente. Assim, durante duas aulas</p><p>5</p><p>, foi realizada a capacitação dos</p><p>alunos para assumirem esse novo perfil. Após essa capacitação, os alunos deveriam propor</p><p>seus próprios cursos na plataforma.</p><p>Como no Moodle é possível o usuário ser cadastrado em diversos cursos e com</p><p>diferentes perfis, os alunos puderam, ao mesmo tempo, e com o mesmo usuário, ter o perfil de</p><p>professor e de aluno. Caberia, assim, aos alunos, tomarem o papel de professores, e proporem</p><p>um curso aos colegas da turma, com temas variados, à escolha de cada grupo, desde que fosse</p><p>voltado à educação, e composto por conteúdo, metodologia, tarefas, fórum e chat. Todos</p><p>deveriam participar das atividades e, ao final, apresentar os resultados do trabalho numa</p><p>culminância.</p><p>O curso proposto pelas autoras deste trabalho teve como tema O uso das TIC na</p><p>educação, com o intuito de oferecer uma contribuição às discussões acerca do uso dessas</p><p>tecnologias em sala de aula, como recurso metodológico, e levantar questões que se colocam</p><p>frente os limites e possibilidades destas na educação. Ele foi estruturado em três aulas,</p><p>conforme metodologia apresentada na figura 1:</p><p>5</p><p>Cada aula teve uma carga horária de três horas.</p><p>15</p><p>Figura 1: estrutura do curso proposto</p><p>Fonte: Tela capturada no Moodle</p><p>No primeiro encontro a aula foi expositiva, fazendo uso de slides que tratam da</p><p>referida temática. Estes estavam publicados no ambiente Moodle, onde os alunos puderam ter</p><p>acesso a todo instante. Após, foi apresentado um vídeo que elucidava sobre a ideia central do</p><p>curso (uso das TIC em sala de aula), de forma que os alunos puderam expor suas ideias acerca</p><p>do assunto durante a aula.</p><p>No segundo encontro a aula foi baseada nos textos disponibilizados na plataforma</p><p>(conforme figura 2) e, por meio deles, os alunos realizaram um trabalho, que deveria ser</p><p>publicado também na plataforma. Este consistia de apresentação e discussão dos textos.</p><p>16</p><p>Figura 2: textos disponibilizados aos alunos para a elaboração das atividades</p><p>Fonte: Tela capturada no Moodle</p><p>Após as apresentações, os alunos participaram do fórum de discussão (figura 3), que</p><p>continha a seguinte pergunta: A partir do exposto em sala, através das discussões e dos textos,</p><p>vocês acham que o uso das TIC na educação ainda se apresenta como um grande desafio?</p><p>Quais são seus limites e possibilidades? As discussões foram realizadas durante 10 dias,</p><p>compreendidos entre 17 e 27 de maio de 2013, tempo em que o fórum ficou aberto.</p><p>Figura 3: página do fórum de discussão</p><p>Fonte: Tela capturada no Moodle</p><p>17</p><p>No último encontro, os alunos elaboraram um texto, a partir do mapa conceitual</p><p>referente à temática, O uso das TIC na educação, elaborado pelas autoras e postado na</p><p>plataforma como base para a elaboração de textos que propiciasse a discussão do tema em</p><p>questão. Para tirar dúvidas sobre a atividade, foi proposto um chat no qual alunos e</p><p>professores poderiam conversar sobre tal atividade. Depois de prontos, esses textos foram</p><p>apresentados em sala, em uma culminância, na qual finalizariam as discussões acerca da</p><p>temática exposta.</p><p>Com base nessa estrutura o curso foi executado, tendo como moderadores três</p><p>professoras, duas das quais são autoras do presente artigo. Os moderadores são atores</p><p>fundamentais no processo ensino/aprendizagem por meio de ferramentas tecnológicas</p><p>educacionais, uma vez que são os articuladores dessa relação. Para tanto, precisam ter</p><p>capacidades imprescindíveis, tais como liderança, boa comunicação, habilidades para</p><p>solucionar de conflitos, além de habilidades técnicas (LOPES et al 2008, p. 68).</p><p>Ainda que essas características se façam presentes nos moderadores, isso não garante</p><p>que todos os objetivos esperados sejam alcançados, uma vez que outros fatores estão</p><p>envolvidos, tais como a efetiva participação dos alunos, recursos técnicos eficientes, apoio</p><p>acadêmico, entre outros. Para que a proposta consiga atingir os objetivos esperados é</p><p>necessária uma intrínseca relação de cooperação entre todos os atores envolvidos (LOPES et</p><p>al 2008, p. 68).</p><p>E foi a partir deste trabalho que se delineou o presente artigo, baseado no</p><p>levantamento da participação da turma nas atividades propostas no curso formulado sobre as</p><p>TIC, enfatizando as duas ferramentas do Moodle: o fórum de discussão e o chat, por estes</p><p>servirem bem às proposições deste trabalho, que é analisar a interação de alunos e</p><p>professores, a partir do uso deum AVA, com base na teoria sócio-interacionista de Vygotsky.</p><p>Os resultados obtidos nessa experiência apresentam-se na seção seguinte.</p><p>5.2 Resultados e discussões</p><p>As análises se fixaram em duas etapas principais do curso: as discussões no fórum e o</p><p>chat, propostos na segunda e terceira etapa do curso. A turma tinha um quantitativo de 26</p><p>alunos. Dentre estes, todos tiveram acesso ao fórum e ao chat proposto, entretanto, nem todos</p><p>os alunos participaram. O gráfico, a seguir (figura 4), apresenta o quantitativo da participação</p><p>dos alunos.</p><p>18</p><p>Figura 4: gráfico da participação dos alunos no fórum de discussão</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>Apesar de nem todos os alunos aderirem à proposta de trabalho, a grande maioria</p><p>participou, e fez contribuições bem significativas no fórum de discussão, onde eles puderam</p><p>expor suas opiniões acerca da temática proposta, contribuindo com o raciocínio do outro,</p><p>compartilhando seus conhecimentos e suas práticas cotidianas. Alguns fragmentos das</p><p>discussões ocorridas no fórum são apresentados, a seguir:</p><p>A utilização das TIC na Educação é um grande desafio para nós,</p><p>professores, tanto na questão de capacitação quanto na disponibilidade de</p><p>recursos que deveríamos ter a disposição. Nesse contexto, devemos</p><p>considerar a questão da metodologia no ensino quando utiliza ferramentas</p><p>tecnológicas. Não adianta utilizar ferramentas tecnológicas inovadoras se</p><p>não utilizar nova metodologia, com estratégias criativas no processo de</p><p>ensino e aprendizagem. É preciso alcançar, as necessidades dos nossos</p><p>alunos que nasceram na sociedade do conhecimento com bom planejamento</p><p>que envolva os mesmos. Que faça o aluno, de fato, construir o</p><p>19</p><p>conhecimento. Conforme Paulo Freire, "ensinar não é transferir</p><p>conhecimento, mas criar possibilidades para a sua própria produção ou a</p><p>sua construção" (...). (trecho do texto publicado por uma participante do</p><p>fórum)</p><p>Os ambientes educacionais suportados pelas TIC apresentam para a</p><p>educação desafios de diversa ordem, desde o “simples” uso das ferramentas</p><p>técnicas até à verdadeira apropriação do conteúdo simbólico que as</p><p>adequa. Ao mesmo tempo em que se constituem num universo estimulante e</p><p>motivador para a aprendizagem, trazem o mundo (virtual) para dentro da</p><p>sala de aula, disponibilizando oportunidades infinitas de desenvolvimento</p><p>cognitivo e sócio-afetivo dos alunos. (texto publicado por uma participante</p><p>do fórum).</p><p>Outra característica observada</p><p>nessa atividade foi o grau de envolvimento dos</p><p>participantes. Consideramos importante o fato deles não responderam à questão</p><p>simplesmente, mas estarem atentos às colocações dos outros participantes, apresentando</p><p>seus posicionamentos frente às ideias expostas.</p><p>Concordo com as colocações dos colegas, e acredito que um novo ambiente</p><p>escolar deve ser construído sim. Claro, contando com a participação de</p><p>todos os sujeitos envolvidos nesse processo. Gosto de pensar que as novas</p><p>TIC certamente irão se desenvolver de forma acelerada e com custos cada</p><p>vez mais baixos. Isso me leva a acreditar que nos próximos anos as mesmas</p><p>caminharão lado a lado com as iniciativas pedagógicas, e ainda</p><p>contribuirão muito mais para o processo de ensino aprendizagem. (Trecho</p><p>do texto publicado por um participante do fórum).</p><p>Nesse sentido, os alunos foram além de responder às perguntas propostas, como</p><p>possivelmente ocorreria, caso fosse sido proposto numa atividade em sala, por meio de</p><p>provas ou testes. Por meio do fórum, os alunos puderam ler o posicionamento dos colegas e</p><p>exporem suas opiniões, sem vergonha de se expressarem. Enfim, no fórum eles ficaram</p><p>abertos às discussões, livres para darem suas opiniões, e principalmente, contribuir para a</p><p>construção do saber coletivo, atuando como sujeitos ativos no processo</p><p>20</p><p>ensino/aprendizagem, o que corrobora com a proposição da teoria vygotskiana, a qual</p><p>compreende que a aprendizagem ocorre no relacionamento do aluno com o professor e com</p><p>outros alunos, pela mediação feita com outros sujeitos.</p><p>(…) Vygotsky acreditava em uma escola onde seria possível dialogar,</p><p>discutir, duvidar e compartilhar saberes, onde professores e alunos têm</p><p>autonomia e pensam e refletem sobre o processo de construção do</p><p>conhecimento (DELGADO, 2009, p.29).</p><p>As discussões realizadas no fórum se estenderam de modo a contribuir efetivamente</p><p>com o curso, contando com uma grande interação entre os agentes envolvidos, o que nos leva</p><p>a considerar que a experiência com o fórum foi muito positiva. Os alunos tiveram uma boa</p><p>participação e as discussões foram bem colaborativas. Ademais, a interatividade, foco deste</p><p>experimento, ocorreu de forma eficiente, permitindo os alunos a atuarem de forma ativa no</p><p>processo ensino/aprendizagem.</p><p>Quanto ao uso do chat, apenas dois alunos participaram, somente uma vez, conforme</p><p>apresentado no gráfico (figura 5) abaixo:</p><p>Figura 5: gráfico da participação dos alunos no chat</p><p>Fonte: Elaboração própria</p><p>Alguns fatores contribuíram para que isso acontecesse. Em primeiro lugar destacamos</p><p>a pouca efetividade da proposta do chat, ou seja, ele foi elaborado apenas para tirar dúvidas</p><p>21</p><p>dos alunos com relação à produção do texto. Isso talvez tenha feito com que os alunos dessem</p><p>pouca importância a essa ferramenta.</p><p>O segundo motivo pode ser por conta dos horários disponibilizados para os bate-</p><p>papos. A maior parte dos alunos trabalha em diferentes turnos, sobrando pouco tempo para</p><p>participação dos chats, uma vez que o mesmo tinha horário para começar e terminar.</p><p>O terceiro motivo pode ser pelo excesso de chats abertos ao mesmo tempo, pois</p><p>diversos cursos foram abertos com a mesma proposta de participação de fóruns e chats. Como</p><p>todos os chats estavam programados nos mesmos horários, acabou ocorrendo muitos</p><p>desencontros entre os moderadores e alunos, pois até mesmo os moderadores tinham que</p><p>participar dos outros chats. Enfim, diversos fatores contribuíram para o insucesso desta</p><p>ferramenta.</p><p>Entre erros e acertos o experimento proposto se desenrolou, e revelou a necessidade de</p><p>aprimoramento do uso do Moodle, principalmente no que tange à elaboração das atividades e</p><p>escolha das ferramentas que melhor atendam aos objetivos propostos. Contudo, o</p><p>experimento demonstrou que é possível os professores se utilizarem dele para dinamizarem</p><p>suas aulas, propor recursos metodológicos que ultrapassem a uso do quadro e giz, que coloque</p><p>os alunos numa posição ativa no processo ensino/aprendizagem.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>As tecnologias estão sendo cada vez mais utilizadas no contexto educacional, por</p><p>propiciarem um leque de possibilidades na construção do conhecimento e nas tentativas de</p><p>mudança no processo ensino/aprendizagem.</p><p>Diversos recursos tecnológicos podem ser utilizados para dar suporte nas atividades de</p><p>ensino, fornecendo textos, imagens, livros, revistas, vídeos, novos ambientes de aprendizagem</p><p>que ultrapassam a sala de aula e os muros da escola. Essas tecnologias permitem um novo</p><p>encantamento e novas funções para a escola, ao abrir suas paredes e possibilitar que alunos</p><p>conversem e pesquisem com outros atores educacionais na mesma cidade, país ou do exterior.</p><p>O Moodle, objeto dessa pesquisa, é um exemplo disso. Uma de suas grandes</p><p>qualidades é possibilitar uma maior interação entre os agentes envolvidos no processo</p><p>ensino/aprendizagem, por apresentar uma gama de ferramentas capazes de propiciar essa</p><p>22</p><p>interação (educação/tecnologia), o que pode tornar o processo ensino/aprendizagem mais</p><p>interativo, dinâmico e colaborativo.</p><p>Seu uso, enquanto recurso metodológico permite integrar o processo</p><p>ensino/aprendizagem às TIC de maneira satisfatória; possibilita o diálogo, a troca de opiniões,</p><p>o compartilhamento de saberes, a construção do conhecimento de forma coletiva. Tal fato nos</p><p>remete à teoria sócio-interacionista de Vygotsky, em que o mesmo defende a presença e a</p><p>implicação do macrossocial nas interações completas entre os sujeitos e as considera</p><p>fundamentais desde o primeiro momento para a constituição do pensamento (DELGADO</p><p>2009).</p><p>Entretanto, conciliar tecnologia e educação ainda consiste num grande desafio, pois a</p><p>tecnologia subsidia o processo ensino-aprendizagem, mas não o substitui. A máquina pode ser</p><p>uma importante aliada da educação, porém a relação professor-aluno jamais será substituída</p><p>pela mesma. Cabe à escola ser mediadora entre tecnologia, informação e aprendizagem. É</p><p>insuficiente valorizar a informação unicamente e sim as relações que as norteiam, seja no</p><p>tocante à ciência, cultura, moral ou a ética e, nesta função a máquina é insuficiente. Portanto,</p><p>tecnologia e educação devem caminhar juntas, tendo em vista que uma não se sobrepõe à</p><p>outra, mas ambas são integrantes do modelo social em vigor. Tal fato não isenta a escola do</p><p>contexto social, ao contrário legitima sua importância e necessidade de se reinventar.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ALMEIDA, Maria Elizabeth Bianconcini de. Tecnologia e educação à distância:</p><p>abordagens e contribuições dos ambientes digitais e interativos de aprendizagem.</p><p>Disponível em http://www.anped.org.br/reunioes/26/trabalhos/mariaelizabethalmeida.rtf</p><p>Acesso em 8 de Fevereiro de 2014.</p><p>ARGENTO, Heloísa. Teoria sócio-construtivista ou sócio-histórica. Archivo del portal de</p><p>recursos para Estudiantes. Disponível em:</p><p>http://carlosrobertodasvirgens.wikispaces.com/file/view/TEORIA%20S%C3%93CIO-</p><p>contrutivista.doc/240548193/TEORIA%20S%C3%93CIO-contrutivista.doc. Acesso em:</p><p>03/04/2014.</p><p>BECHARA, João José Bignetti. 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Acesso em: 15 de Jun.</p><p>2013.</p><p>DELGADO, Laura Maria Miranda. Uso da Plataforma Moodle como Apoio ao Ensino</p><p>Presencial: Um Estudo de Caso. Rio de Janeiro: UFRJ / Faculdade de Letras, 2009.</p><p>Disponível em: http://www.lingnet.pro.br. Acesso em: 8 de Fevereiro de 2014.</p><p>DIAS, Rosana de Fátima. Ambientes Virtuais de Aprendizagem – Uma metodologia para</p><p>avaliação de software. Dissertação de Mestrado em Engenharia de Produção. Florianópolis:</p><p>2003. Disponível em:</p><p>http://repositorio.ufsc.br/bitstream/handle/123456789/84931/224826.pdf?sequence=1 Acesso</p><p>em: 15 de jun. 2013.</p><p>FRANCIOSI, B.R.T.I.; MEDEIROS, M. F.; COLLA, A. L. Caos, Criatividade e Ambientes de</p><p>Aprendizagem. In: MEDEIROS, Marilú F.; FARIA Elaine T. (Orgs.). Educação a Distância</p><p>Cartografias Pulsantes em Movimento. EDIPUCRS. Cap. 7, p. 129-149. 2003. 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