Prévia do material em texto
<p>Confecção e liberação de laudos</p><p>Apresentação</p><p>As análises laboratoriais são extremamente úteis no acompanhamento de indivíduos e populações,</p><p>auxiliando no diagnóstico diferencial e confirmatório de doenças. Além disso, ajudam no</p><p>estadiamento da gravidade e do prognóstico de condições clínicas e na escolha de qual tratamento</p><p>será executado, bem como na avaliação da resposta a ele.</p><p>Para que tudo isso ocorra, é necessário que seja feita a interpretação dos resultados dos exames</p><p>laboratoriais na forma de laudos diagnósticos. Dessa forma, um laudo sem qualidade tem impacto</p><p>direto na segurança do paciente.</p><p>Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai aprender um pouco mais sobre como devem ser feitos</p><p>os laudos laboratoriais, incluindo as informações mínimas requeridas e as especificidades para os</p><p>diferentes setores de um laboratório de análises. Conhecerá também os parâmetros de qualidade</p><p>com vistas à emissão desses documentos.</p><p>Bons estudos.</p><p>Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:</p><p>Descrever as informações necessárias em um laudo de exame laboratorial.•</p><p>Listar os parâmetros presentes nos laudos dos diferentes setores de análises clínicas.•</p><p>Identificar os padrões de qualidade na liberação de um laudo.•</p><p>Infográfico</p><p>As análises clínicas laboratoriais são importantes aliadas nos serviços de saúde. Trata-se</p><p>de procedimentos minimamente invasivos com uma boa relação custo-efetividade e que permitem</p><p>obter informações relevantes sobre a condição clínica do paciente, auxiliando no diagnóstico, no</p><p>prognóstico, na prevenção e até na estratificação de risco para diferentes doenças. Além disso, elas</p><p>também contribuem para a personalização do tratamento correto a ser oferecido ao indivíduo</p><p>atendido. Se utilizados da forma correta, exames laboratoriais podem até mesmo diminuir a</p><p>necessidade de realização de outros mais complexos.</p><p>Quando corretamente interpretados, esses exames são fundamentais para a atenção em saúde.</p><p>Para que isso aconteça, a elaboração de um laudo laboratorial correto e claro é condição</p><p>obrigatória.</p><p>Neste Infográfico, você vai conhecer um pouco mais a respeito dos requisitos de cada fase da</p><p>análise laboratorial, bem como da atenção especial que precisa ser prestada para a liberação de</p><p>laudos diagnósticos.</p><p>Aponte a câmera para o</p><p>código e acesse o link do</p><p>conteúdo ou clique no</p><p>código para acessar.</p><p>https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9eb5db85-a6d9-4bed-a619-cbb9b1d54916/da3cf01a-f5ee-4a40-8aec-70f2d1c0091d.jpg</p><p>Conteúdo do livro</p><p>As análises clínicas são complexas e ocorrem em várias etapas, realizadas por diversos profissionais.</p><p>Ao final, são produzidos e liberados os laudos diagnósticos. Há alguns requisitos mínimos comuns</p><p>aos laudos de diferentes setores, no entanto existem especificidades que precisam ser reiteradas</p><p>de acordo com as análises feitas; por exemplo, um laudo de hematologia é distinto de outro, de</p><p>bioquímica.</p><p>No capítulo Confecção e liberação de laudos, base teórica desta Unidade de Aprendizagem, você</p><p>vai aprender um pouco mais sobre os requisitos gerais de confecção de resultados de exames, além</p><p>das exigências individuais de cada setor. Também conhecerá os parâmetros de qualidade</p><p>requeridos para a produção de um bom laudo.</p><p>Boa leitura.</p><p>CONTROLE DE</p><p>QUALIDADE E</p><p>GERENCIAMENTO</p><p>LABORATORIAL</p><p>OBJETIVOS DE APRENDIZAGEM</p><p>> Descrever as informações necessárias em um laudo de exame laboratorial.</p><p>> Listar os parâmetros presentes nos laudos dos diferentes setores de análises</p><p>clínicas.</p><p>> Identificar os padrões de qualidade na liberação de um laudo.</p><p>Introdução</p><p>Os métodos diagnósticos são distintos, mas se complementam. O diagnóstico</p><p>clínico é feito pela análise dos sinais e sintomas apresentados por um paciente,</p><p>e o diagnóstico epidemiológico avalia a ocorrência de determinadas doenças</p><p>em uma população ou em um determinado período. Tangenciando essas duas</p><p>formas de diagnóstico, encontramos o diagnóstico laboratorial, no qual exames</p><p>complementares de análises clínicas fornecem informações sobre um indivíduo</p><p>ou uma população.</p><p>A análise laboratorial é parte fundamental do atendimento de saúde, e os</p><p>dados fornecidos pelos exames executados são cruciais para a avaliação do estado</p><p>geral de saúde de um indivíduo, bem como para afastar ou confirmar suspeitas</p><p>diagnósticas baseadas na investigação clínica apresentada por um paciente.</p><p>Um exame bem solicitado e bem orientado é um diferencial importante para um</p><p>bom atendimento em saúde.</p><p>Para que a análise correta de um exame laboratorial possa ser realizada por um</p><p>profissional de saúde, é fundamental que a forma pela qual os resultados serão</p><p>apresentados sejam claras e contenham informações suficientes para a tomada de</p><p>Confecção e</p><p>liberação de laudos</p><p>Helem Ferreira Ribeiro</p><p>decisões. Neste capítulo, serão apresentadas informações necessárias nos laudos</p><p>laboratoriais, os requerimentos para laudos de diferentes setores do laboratório,</p><p>bem como os padrões de qualidade envolvidos na liberação de um laudo.</p><p>Importância da análise laboratorial</p><p>O laboratório de análises clínicas é um serviço de saúde que pode ser tanto</p><p>independente quanto vinculado a um hospital ou consultório médico que</p><p>realiza exames auxiliares para a detecção de patologias e condições fisioló-</p><p>gicas por meio de exames em materiais biológicos, como sangue, urina, fezes,</p><p>amostras de tecido e diferentes líquidos corporais (ESTRIDGE; REYNOLDS,</p><p>2011). Nesse local, diferentes profissionais atuam em conjunto para garantir</p><p>a confiabilidade do resultado e a segurança do paciente, executando diversas</p><p>técnicas laboratoriais, e os resultados dessas análises interferem diretamente</p><p>no atendimento recebido por um paciente.</p><p>O objetivo final das análises laboratoriais é a obtenção de informações</p><p>clínicas úteis para o diagnóstico, para a prevenção e para o tratamento de</p><p>diferentes doenças (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Essas informações incluem</p><p>a detecção e a quantificação de risco futuro do desenvolvimento de uma do-</p><p>ença ou a detecção de uma doença subclínica, a definição de um diagnóstico,</p><p>a avaliação de gravidade e o prognóstico de uma doença, além de auxílio na</p><p>seleção da terapia adequada e do monitoramento da evolução da doença e</p><p>da resposta ao tratamento (XAVIER; DORA; BARROS, 2016) (Figura 1).</p><p>O início da análise laboratorial ocorre no momento da solicitação do exame,</p><p>quase sempre feita por um médico, dando início à fase pré-analítica, que</p><p>engloba tudo o que ocorre — desde a solicitação dos exames laboratoriais,</p><p>a preparação do paciente e a coleta da amostra até a aliquotagem, a separação</p><p>e o armazenamento das amostras —, e é nessa fase que ocorre a maior parte</p><p>dos erros (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORA-</p><p>TORIAL, 2018). A fase analítica se refere à análise laboratorial propriamente</p><p>dita, às técnicas e aos equipamentos utilizados nessa fase, enquanto a fase</p><p>pós-analítica lida com os resultados dos exames, incluindo a preparação dos</p><p>laudos diagnósticos, a entrega do resultado ao médico ou ao paciente e a</p><p>interpretação desses resultados (MCPHERSON; PINCUS, 2012).</p><p>Confecção e liberação de laudos2</p><p>Figura 1. Relação entre o diagnóstico clínico e as análises laboratoriais. Os sinais e sintomas,</p><p>junto à história clínica do paciente, devem guiar a solicitação dos exames laboratoriais</p><p>que são executados, e os resultados, enviados ao médico solicitante, orientando, assim, a</p><p>tomada de decisão clínica.</p><p>Fonte: Xavier, Dora e Barros (2016, p. 5).</p><p>A elaboração, a liberação, a emissão, a entrega e a interpretação de um</p><p>laudo laboratorial constituem a fase final da atuação de um laboratório de</p><p>análises clínicas, congregando as informações necessárias para informar os</p><p>achados laboratoriais de forma clara e precisa para o médico, de forma a</p><p>subsidiar a tomada de decisão, caso seja necessário. Assim, é preciso ter em</p><p>mente que laudos errôneos ou incompletos podem gerar problemas diretos</p><p>ao paciente.</p><p>Confecção e</p><p>liberação de laudos 3</p><p>Fase pós-analítica e componentes de</p><p>um laudo laboratorial</p><p>A ocorrência de erros na fase pós-analítica é significantemente menor do</p><p>que na fase pré-analítica, variando entre 25 a 33% do total. A fonte mais</p><p>comum de erros pós-analíticos é a transcrição dos resultados, especialmente</p><p>a digitação dos laudos diagnósticos, momento no qual podem ocorrer falhas</p><p>na digitação. Esses erros tendem a diminuir em laboratórios que utilizam</p><p>métodos automatizados que transferem diretamente os resultados dos exa-</p><p>mes para o sistema de informática do laboratório (XAVIER; DORA; BARROS,</p><p>2016). A automação laboratorial diminui a ocorrência de erros por fadiga em</p><p>exames manuais repetitivos, além de aumentar a eficiência, a acurácia e a</p><p>reprodutibilidade de resultados, mas requer maior atenção às calibrações e</p><p>a quaisquer desvios excessivos nos resultados esperados (HOLLAND; DAVIES,</p><p>2020). Um estudo realizado em 2007, na Itália, mostrou que a automação</p><p>laboratorial diminui em 35% a ocorrência de erros laboratoriais, e esses erros</p><p>não foram diminuídos apenas em etapas que não dependem da automação,</p><p>como a comunicação de resultados alterados (CARRARO; PLEBANI, 2007).</p><p>É importante que os laudos produzidos sejam claros, diretos e que conte-</p><p>nham as informações necessárias para a identificação do paciente, da amostra</p><p>e do teste realizado, bem como uma série de parâmetros necessários para</p><p>a análise laboratorial, como possíveis interferentes presentes na amostra,</p><p>os valores de referência do teste e quaisquer outros parâmetros que possam</p><p>interferir na análise do resultado. Atenção especial deve ser dada aos laudos</p><p>produzidos em formato de gráfico para evitar problemas de interpretação de</p><p>resultado (ESTRIDGE; REYNOLDS, 2011; XAVIER; DORA; BARROS, 2016).</p><p>A utilização de códigos de barra e números de identificação das amostras,</p><p>bem como a automação laboratorial, diminui consideravelmente a ocorrência</p><p>de erros na liberação dos laudos. No entanto, setores laboratoriais nos quais</p><p>a maior parte das análises é realizada de forma manual, como parasitolo-</p><p>gia e microbiologia, são mais sensíveis a esses erros, e atenção especial</p><p>deve ser direcionada à liberação desses laudos (MCPHERSON; PINCUS, 2012).</p><p>Em análises automatizadas, os aparelhos sinalizam as amostras que apresen-</p><p>tam resultado fora dos valores de referência (chamados flags), que precisam</p><p>ser avaliados individualmente e, por vezes, a análise laboratorial pode até ser</p><p>repetida, para só então liberar um resultado com alterações (LARSON, 2016).</p><p>Por muitas vezes, os sistemas automatizados sinalizam, ainda, problemas nas</p><p>amostras, como lipemia, hemólise ou quantidade insuficiente de amostra.</p><p>Confecção e liberação de laudos4</p><p>Laudos manuscritos e relatados por telefone devem ser desencorajados</p><p>porque estão sujeitos a erros de transcrição (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).</p><p>Os valores de referência são cruciais para a liberação de um laudo de qua-</p><p>lidade, haja vista que será o parâmetro utilizado para identificar o paciente</p><p>como saudável ou não — esses valores refletem a variação encontrada em</p><p>95% de indivíduos sadios em uma população que foram avaliados para esse</p><p>determinado parâmetro (MCPHERSON; PINCUS, 2012), servindo, portanto,</p><p>como parâmetro principal de análise.</p><p>Algumas análises apresentam um valor de referência único. Valores acima</p><p>ou abaixo da referência serão considerados anormais. Outras análises apre-</p><p>sentam um intervalo de referência com valores duplos, superior e inferior,</p><p>separando os pacientes em três categorias: pacientes anormais com valores</p><p>diminuídos, pacientes normais e pacientes anormais com valores elevados.</p><p>Um exemplo de exame com valor de referência único seria a dosagem de</p><p>antígeno prostático específico (PSA), para a qual valores acima da referência</p><p>são sugestivos de doença prostática, enquanto exames bioquímicos são, em</p><p>sua maioria, do tipo que apresentam um intervalo de referência com limites</p><p>superior e inferior (MCPHERSON; PINCUS, 2012).</p><p>Atenção especial também deve ser dada aos valores de referência e às</p><p>unidades utilizadas para reportar os laudos, especialmente no que tange</p><p>às dosagens bioquímicas e sorológicas. É recomendado que sejam sempre</p><p>seguidas as unidades do Sistema Internacional de medidas (SI), que dá prefe-</p><p>rência às unidades de medida utilizadas no sistema métrico. É absolutamente</p><p>necessário que os valores de referência estejam indicando a unidade de</p><p>medida utilizada, sob risco de causar alarmes desnecessários e graves falhas</p><p>de interpretação dos resultados (ESTRIDGE; REYNOLDS, 2011; LARSON, 2016).</p><p>A parametrização das unidades de medida utilizadas permite uma melhor</p><p>interpretação de resultados obtidos por laboratórios diferentes.</p><p>As informações necessárias para um laudo diagnóstico podem variar</p><p>conforme o exame solicitado, mas um conjunto de informações</p><p>mínimas é comum a todos:</p><p>� nome e endereço do laboratório realizando a análise — caso seja utilizado</p><p>um laboratório de apoio ou de referência, deve estar indicado;</p><p>� nome completo do paciente, data de nascimento, gênero e número de</p><p>identificação;</p><p>� nome do médico ou de outro profissional que solicitou o exame;</p><p>Confecção e liberação de laudos 5</p><p>� data e hora da coleta da amostra;</p><p>� data e hora da liberação do resultado;</p><p>� número da página seguido do número total de páginas contidas no exame;</p><p>� tipo de amostra ou espécime;</p><p>� método de análise realizado;</p><p>� resultado dos testes e unidades de medida utilizados, preferencialmente</p><p>utilizando-se as unidades preconizadas pelo SI;</p><p>� valores de referência;</p><p>� comentários relativos a qualquer interferência na amostra ou no paciente</p><p>que possam alterar a interpretação correta.</p><p>Laudos laboratoriais para diferentes</p><p>setores</p><p>Os laboratórios de análises clínicas são ambientes complexos, com vários</p><p>profissionais atuando com diferentes funções e que manipulam um grande</p><p>número de amostras biológicas distintas. Assim, geralmente, ocorre a sepa-</p><p>ração do ambiente laboratorial em alguns setores, como:</p><p>� hematologia;</p><p>� bioquímica;</p><p>� urinálise;</p><p>� parasitologia;</p><p>� imunologia;</p><p>� microbiologia;</p><p>� biologia molecular.</p><p>Alguns laboratórios, especialmente em hospitais grandes, apresentam</p><p>um setor específico para a imuno-hematologia ou banco de sangue, onde</p><p>são realizadas tipagens sanguíneas e testes pré-transfusionais. Laboratórios</p><p>maiores também podem apresentar um setor específico para as dosagens</p><p>hormonais que pode estar junto ao setor de imunologia em laboratórios me-</p><p>nores (MCPHERSON; PINCUS, 2012). Além disso, em locais onde há um grande</p><p>volume de amostra, é comum que exista um setor de triagem, responsável</p><p>pela separação e pelo encaminhamento das amostras para os setores cor-</p><p>retos, bem como pelo armazenamento e pelo acondicionamento correto das</p><p>amostras até que elas possam ser encaminhadas para os setores responsáveis</p><p>(ESTRIDGE; REYNOLDS, 2011).</p><p>Confecção e liberação de laudos6</p><p>Como os setores do laboratório são diferentes entre si, as amostras recebi-</p><p>das por cada um também são distintas, bem como as análises realizadas. Dessa</p><p>maneira, as informações contidas nos laudos expedidos variam conforme o</p><p>tipo de amostra e o setor de análise, e o conhecimento dessas diferenças é</p><p>importante para a garantia da qualidade diagnóstica e para a segurança do</p><p>paciente, objetivo final do atendimento em saúde.</p><p>Exames hematológicos</p><p>O setor de hematologia de um laboratório é responsável por análises</p><p>quantitativas e qualitativas de células e outros componentes sanguíneos;</p><p>as análises quantitativas incluem a contagem total e diferencial de eritrócitos,</p><p>leucócitos e plaquetas, bem como a avaliação do hematócrito e da dosagem</p><p>de hemoglobina, enquanto as análises qualitativas avaliam parâmetros como</p><p>tamanho e forma das células, além do grau de maturação das células presentes</p><p>(HOFFBRAND; MOSS, 2018).</p><p>As análises de coagulação do sangue também são responsabilidade do</p><p>setor de hematologia. Em laboratórios menores, as provas de tipagem san-</p><p>guínea e</p><p>os testes de Coombs também são realizados por este setor.</p><p>A hematologia é uma parte do laboratório em que a automação está muito</p><p>presente e os principais aparelhos utilizam a citometria de fluxo para análise</p><p>do padrão de tamanho e complexidade interna das células, separando as</p><p>populações hematológicas em diferentes subgrupos, incluindo a contagem</p><p>diferencial de populações de leucócitos. Há, ainda, a possibilidade da utiliza-</p><p>ção de impedância elétrica, o que permite a medição da concentração total de</p><p>hemoglobina, bem como a concentração de hemoglobina corpuscular média</p><p>(CHCM), e a difração de luz possibilita a análise dos granulócitos (BACALL, 2009).</p><p>Caso a análise automatizada sugira alterações, é necessária, ainda,</p><p>a confecção de lâminas hematológicas para análise microscópica pós-co-</p><p>loração, sendo útil especialmente na detecção de populações anormais de</p><p>leucócitos ou de alterações no formato das hemácias (HOFFBRAND; MOSS,</p><p>2018). No Quadro 1, confira alguns exames hematológicos acompanhados de</p><p>comentários sobre as informações que devem constar nos laudos.</p><p>Confecção e liberação de laudos 7</p><p>Quadro 1. Exames do setor de hematologia e as informações para os laudos</p><p>emitidos</p><p>Exame Comentário</p><p>Hemograma completo Atenção especial deve ser dada aos valores de</p><p>referência, que variam muito em relação à idade do</p><p>paciente, especialmente em crianças. Outro ponto</p><p>importante é a unidade de medida utilizada para a</p><p>dosagem de hemoglobina, que pode ser tanto g/dL</p><p>quanto µmol/L, conforme preconizado pelo SI</p><p>(utilizar fator de conversão g/dL × 1,6). Variações</p><p>na forma, no tamanho e na quantidade das células</p><p>devem ser indicadas no laudo diagnóstico, bem</p><p>como se foi feita análise automatizada apenas ou</p><p>também a visualização de lâmina.</p><p>Agregação plaquetária Os resultados desse exame geralmente são</p><p>expressos na forma de gráfico, exigindo uma</p><p>atenção especial na sua confecção para clareza</p><p>dos resultados. Como esse exame geralmente é</p><p>utilizado para a avaliação de terapia anticoagulante,</p><p>é fundamental que seja notado caso o paciente</p><p>esteja fazendo uso de medicação, bem como o tipo</p><p>de agonista utilizado.</p><p>Tempo de sangramento</p><p>(TS)</p><p>Parte do coagulograma. Deve-se indicar o método</p><p>utilizado, bem como o tempo, em minutos,</p><p>até o resultado.</p><p>Tempo de protrombina</p><p>(TP), tempo de</p><p>tromboplastina parcial</p><p>ativado (TTPA) e tempo</p><p>de trombina (TT)</p><p>Parte do coagulograma. O resultado deve</p><p>ser expresso em segundos, e a utilização de</p><p>medicamentos anticoagulantes pode interferir no</p><p>resultado, devendo constar no laudo.</p><p>Tipagem sanguínea Laudo deve indicar se foi realizada a prova completa</p><p>(tipagem direta + reversa) ou apenas a tipagem</p><p>direta, bem como o método utilizado. A tipagem</p><p>em lâmina não deve ser realizada. Pacientes que</p><p>apresentem tipagem Rh como D fraco devem ter</p><p>laudo liberado como Rh positivo com pesquisa de D</p><p>fraco. Para crianças menores de seis meses,</p><p>é importante que o laudo apresente a informação</p><p>de que os antígenos e anticorpos sanguíneos ainda</p><p>não estão plenamente formados, o que pode alterar</p><p>os resultados.</p><p>Fonte: Adaptado de Xavier, Dora e Barros (2016); McPherson e Pincus (2012); Williamson e Snyder</p><p>(2016).</p><p>Confecção e liberação de laudos8</p><p>Bioquímica e hormônios</p><p>O setor de bioquímica de um laboratório geralmente é o maior e com maior</p><p>quantidade de exames, realizando análises no soro, mas também na urina e</p><p>em outros líquidos corporais, conforme necessário. As análises desse setor</p><p>incluem glicose, colesterol, triglicerídeos e outros que avaliam a função</p><p>cardíaca, hepática, renal, pancreática, entre outros, além de eletrólitos</p><p>(WILLIAMSON; SNYDER, 2016).</p><p>Os exames realizados nesse setor são extremamente sensíveis a varia-</p><p>ções pré-analíticas intrínsecas e extrínsecas ao paciente. Assim, os laudos</p><p>devem contar com campos para designar medicações que o paciente esteja</p><p>ingerindo que possam interferir nos resultados. Como são várias as drogas</p><p>capazes de alterar o resultado de exames, é recomendado que sempre se</p><p>pergunte ao paciente se faz uso de algum medicamento e que, se possível,</p><p>essa informação conste no laudo diagnóstico.</p><p>Fatores como hemólise e lipemia interferem diretamente no resultado de</p><p>dosagens bioquímicas e devem ser reportados. A presença de lipemia, além</p><p>de interferir nas análises feitas na amostra, é de importância clínica e deve</p><p>constar obrigatoriamente no laudo diagnóstico, quando presente (SOCIEDADE</p><p>BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2018).</p><p>As dosagens hormonais apresentam intensa variação pré-analítica,</p><p>incluindo ritmo circadiano, fase do ciclo menstrual, idade do paciente, entre</p><p>outras, além do uso de medicamentos. No Quadro 2, você confere exames</p><p>bioquímicos e hormonais e as possíveis variações que podem constar neles de</p><p>acordo com o uso de fármacos ou outros fatores pré-analíticos que precisam</p><p>ser considerados nos laudos diagnósticos.</p><p>Quadro 2. Variações em exames bioquímicos e hormonais</p><p>Exame Comentário</p><p>Gama GT Aumento em usuários de fentoína</p><p>Ácido úrico Diminui em pacientes com uso de alopurinol</p><p>Colinesterase Reduzida em pacientes em uso de ciclofosfamida</p><p>Bilirrubina indireta Aumentada no uso de novobiocina</p><p>Ceruloplasmina Aumentada em mulheres que usam contraceptivos</p><p>orais</p><p>(Continua)</p><p>Confecção e liberação de laudos 9</p><p>Exame Comentário</p><p>Digoxina Elevada em pacientes que usam espirolactona</p><p>Creatinina Elevada em pacientes com uso de cefalotinas.</p><p>Há uma importante variação étnica entre indivíduos</p><p>afrodescendentes e indivíduos de outras origens</p><p>étnicas, sendo importante que o laudo apresente</p><p>os valores de referência para essas populações</p><p>distintas.</p><p>Hemoglobina glicada Aumentada em pacientes usuários de salicilatos</p><p>Bilirrubina Aumentada em pacientes que utilizam propanolol</p><p>Enzimas hepáticas Alguns indivíduos podem apresentar alterações</p><p>mesmo após a ingesta de pequenas quantidades</p><p>de álcool, além de estatinas, analgésicos e alguns</p><p>antidepressivos.</p><p>Cortisol Pode ser alterado pelo fumo, além de apresentar</p><p>importante variação na liberação de acordo com</p><p>o ritmo circadiano. A variação circadiana pode não</p><p>ocorrer em indivíduos cegos.</p><p>Aldosterona Pode ser alterado pelo fumo. Há um aumento em até</p><p>100% na concentração deste hormônio em mulheres</p><p>em fase pré-ovulatória.</p><p>Renina Há um aumento em até 100% na concentração deste</p><p>hormônio em mulheres em fase pré-ovulatória.</p><p>Fonte: Adaptado de Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (2018, 2020);</p><p>Williamson e Snyder (2016).</p><p>Urinálise</p><p>O setor de urinálise realiza avaliações físicas, bioquímicas e microscópicas em</p><p>amostras de urina e outros líquidos corporais, quando necessário, incluindo</p><p>amostras de urinas rotineiras ou coletadas ao longo de 24 horas. Essas análises</p><p>podem ser manuais ou automatizadas, e o laudo analítico precisa ser claro</p><p>quanto ao tipo de método utilizado (ESTRIDGE; REYNOLDS, 2011).</p><p>O exame rotineiro de urina é chamado de urina EAS (elementos anormais</p><p>e sedimentos) e geralmente utiliza uma combinação de tiras reagentes para</p><p>(Continuação)</p><p>Confecção e liberação de laudos10</p><p>a análise bioquímica e microscópica ou para a análise automatizada dos</p><p>sedimentos (NICOLL; MARK LU; MCPHEE, 2019). Para a confecção do laudo</p><p>diagnóstico, aspectos físicos da urina, como cor, turbidez e densidade, pre-</p><p>cisam ser apresentados. Caso sejam utilizadas tiras reagentes para análise</p><p>bioquímica ao invés de dosagens, é importante que o laudo apresente os</p><p>resultados como uma estimativa dentro de um intervalo esperado, e não</p><p>como valores exatos (WILLIAMSON; SNYDER, 2016).</p><p>Os elementos anormais que podem ser encontrados na urina incluem</p><p>proteínas, glicose, cetonas, nitritos, bilirrubina, urobilinogênio, leucócitos,</p><p>hemácias, cilindros e cristais, e o valor de referência para eles é a sua ausência.</p><p>Há diferentes tipos de cristais que podem ser encontrados na urina e, mesmo</p><p>que alguns não sejam indicativos de alterações patológicas, é obrigatório que</p><p>a sua presença seja reportada no laudo diagnóstico</p><p>(MCPHERSON; PINCUS,</p><p>2012). Não é recomendado que os laudos de exames de urina apresentem</p><p>resultados para os elementos anormais na forma de cruzes, preferindo-se</p><p>a utilização de intervalos estimados (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA</p><p>CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Imunologia</p><p>O setor de imunologia é responsável pelo diagnóstico de doenças infecciosas</p><p>a partir da detecção de antígenos e anticorpos específicos, além de testes</p><p>de gravidez e outras doenças autoimunes. Preconiza-se a utilização dos ter-</p><p>mos reagente/não reagente ou presente/ausente ao reportar os resultados</p><p>dos exames produzidos por esse departamento (SOCIEDADE BRASILEIRA DE</p><p>PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2018).</p><p>No setor de imunologia, ao se utilizar exames quantitativos, como dosa-</p><p>gens de anticorpos contra doenças infecciosas, que apresentem resultado</p><p>indeterminado, é imprescindível que as análises sejam repetidas. Resultados</p><p>indeterminados podem ocorrer, pois algumas amostras apresentam resul-</p><p>tado alterado, mas não o suficiente para ultrapassar o limiar de reatividade</p><p>definido para o teste e, nessas condições, é recomendado que o laudo seja</p><p>liberado como indeterminado e que uma nova amostra seja colhida para</p><p>repetição do exame ou para realização de método mais específico, como os</p><p>testes de biologia molecular (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/</p><p>MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Confecção e liberação de laudos 11</p><p>Parasitologia</p><p>Este setor geralmente lida com a detecção de parasitas a partir de amostras</p><p>de fezes, que são investigadas para a presença de ovos, cistos e larvas de</p><p>organismos como amebas, tênias, giárdias, entre outros — a pesquisa de para-</p><p>sitas sanguíneos normalmente é realizada no setor de hematologia (ESTRIDGE;</p><p>REYNOLDS, 2011). Nos laudos desse setor, devem constar informações como o</p><p>método utilizado e a intensidade da parasitose encontrada, preferencialmente</p><p>na forma de quantidade de material encontrado por cada campo (SOCIEDADE</p><p>BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Microbiologia</p><p>É o setor responsável pelo cultivo e pela identificação de microrganismos</p><p>patogênicos, incluindo vírus, fungos e bactérias, a partir de amostras como</p><p>escarro, pontas de cateter, fezes, urina, sangue, raspados de feridas e di-</p><p>ferentes fluidos corporais, que são expostos a diferentes métodos de en-</p><p>riquecimento e meios de cultura específicos para o isolamento e para a</p><p>identificação desses microrganismos (ESTRIDGE; REYNOLDS, 2011). Por lidar</p><p>com organismos patogênicos vivos, é importante que os funcionários desse</p><p>setor tomem medidas rígidas de biossegurança para evitar a contaminação</p><p>ambiental e dos funcionários deste setor.</p><p>Além da identificação de microrganismos patogênicos, uma das principais</p><p>funções desse setor é a determinação do perfil de sensibilidade desses</p><p>patógenos a drogas antimicrobianas, um exame conhecido como antibio-</p><p>grama (Figura 2). Em muitas situações, o resultado desse exame é ainda mais</p><p>importante que a identificação do organismo causador da doença, pois é</p><p>essa análise que definirá o curso de tratamento possível para o paciente</p><p>(SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL,</p><p>2015). Dessa forma, os laudos produzidos por esse setor precisam ser precisos</p><p>e facilmente interpretáveis. O antibiograma auxilia a definir não só a droga</p><p>a ser utilizada para tratamento, mas também a dose recomendada. O teste</p><p>de sensibilidade a antibióticos (TSA) não deve ser utilizado para organismos</p><p>integrantes da microbiota normal humana.</p><p>Confecção e liberação de laudos12</p><p>Figura 2. Antibiograma, ou teste de sensibilidade a antibióticos (TSA): (a) discos</p><p>com concentrações conhecidas de diferentes antibióticos são depositados sobre</p><p>o meio, após a inoculação da cultura bacteriana; (b) após a incubação, as zonas de</p><p>inibição são observadas e medidas; a sensibilidade do organismo é determinada</p><p>a partir da comparação com um quadro interpretativo de tamanho de zonas.</p><p>Fonte: Madigan (2016, p. 803).</p><p>A realização de antibiogramas pode ser feita de modo manual ou auto-</p><p>matizado, e essa informação deve constar no laudo, assim como a espécie</p><p>identificada e a quantidade de unidades formadoras de colônia (UFCs) encon-</p><p>tradas no isolamento bacteriano. Os laudos devem conter o princípio ativo</p><p>do antibiótico utilizado e a concentração inibitória mínima (MIC) — parâmetro</p><p>que auxilia na determinação da dose a ser utilizada no tratamento. Caso mais</p><p>de um organismo seja identificado, essas informações devem estar dispostas</p><p>de forma clara para os diferentes patógenos. É necessário, ainda, indicar caso</p><p>uma droga não tenha sido testada contra o patógeno identificado (SOCIEDADE</p><p>BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2015).</p><p>A identificação da sensibilidade do patógeno deve ser expressa em laudos</p><p>de acordo com o Comitê Brasileiro de Testagem da Sensibilidade a Antimicro-</p><p>bianos (BrCAST), que segue as normas do European Committee on Antimicrobial</p><p>Susceptibility Testing (EUCAST), conforme preconizado pela Anvisa (BRASIL,</p><p>2018). De acordo com a versão mais atual, a sensibilidade microbiana deve</p><p>ser expressa da seguinte maneira (KAHLMETER; EUROPEAN COMMITTEE ON</p><p>ANTIMICROBIAL SUSCEPTIBILITY TESTING, 2019):</p><p>� sensível (S) — o organismo é inibido em dose padrão, alta probabilidade</p><p>de sucesso terapêutico;</p><p>� intermediário (I) — há uma alta probabilidade de sucesso terapêutico</p><p>quando a dose de exposição for aumentada, ajustando-se o regime</p><p>de dosagem ou sua concentração;</p><p>Confecção e liberação de laudos 13</p><p>� resistente (R) — falha terapêutica, não há inibição do crescimento.</p><p>A determinação das drogas a serem testadas são de responsabilidade</p><p>do laboratório e devem basear-se, também, nas drogas utilizadas para o</p><p>patógeno em questão. Laboratórios que atendem pacientes hospitalizados</p><p>e/ou imunodeprimidos precisam testar rotineiramente antimicrobianos de</p><p>maior espectro quando comparados com aqueles que só atendem pacien-</p><p>tes ambulatoriais (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA</p><p>LABORATORIAL, 2015).</p><p>Atenção especial deve ser dada aos laudos que utilizam metodologias</p><p>manuais para realização do antibiograma, especialmente no momento da</p><p>digitação dos resultados, para diminuir a ocorrência de erros de digitação</p><p>e troca de resultados; uma possibilidade é a revisão e a conferência dos</p><p>laudos liberados por um profissional qualificado antes da liberação final do</p><p>resultado (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORA-</p><p>TORIAL, 2015). Em situações de plantões e urgências, o antibiograma pode</p><p>e deve ser liberado para o médico assim que possível, podendo mesmo se</p><p>tratar de comunicação verbal ou laudos provisórios, desde que sejam regis-</p><p>tradas a data, a hora da comunicação, o responsável pela comunicação e a</p><p>pessoa notificada (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA</p><p>LABORATORIAL, 2015).</p><p>Observe no exemplo simplificado a seguir como deve ser emitido um laudo</p><p>hipotético de TSA realizado pelo setor de microbiologia.</p><p>Laboratório de ensino Sagah — setor de microbiologia</p><p>� Nome do paciente: Maria Silva.</p><p>� Número de identificação: 123456789.</p><p>� Tipo de amostra: urina.</p><p>� Data de coleta da amostra: 01/12/2020, 13h35 (coleta realizada pelo próprio</p><p>paciente).</p><p>� Método: automatizado (BD Phoenix UNMIC-407).</p><p>� Microrganismos isolados: 1.</p><p>� Identificação: Escherichia coli > 100.000 UFC/mL.</p><p>Teste de sensibilidade a antimicrobianos</p><p>Confecção e liberação de laudos14</p><p>Fármaco CIM* Perfil de sensibilidade</p><p>Amicacina < = 8 S</p><p>Amoxililina-clavucanato < = 4/2 S</p><p>Ampicilina < = 4 S</p><p>Cefazolina < = 2 S</p><p>Cefepima < = 1 S</p><p>Cefoxitina < = 4 S</p><p>Ceftazidina < = 1 S</p><p>Ciprofloxacina 0,25 S</p><p>Ertapenem < 0,25 S</p><p>Gentamicina < 2 S</p><p>Levofloxacina < 1 S</p><p>Meropenem < 0,5 S</p><p>Nitrofurantoína < 16 S</p><p>Norfloxacina < 2 S</p><p>Piperaciclina-tazobactam < 4/4 S</p><p>Trimetoprim-sulfametoxazol < 0,5/9,5 S</p><p>*A concentração inibitória mínima (CIM) indica a menor concentração do fármaco necessária</p><p>para inibir o crescimento bacteriano. A</p><p>decisão de qual droga deverá ser utilizada deve levar</p><p>em consideração tanto a CIM quanto a clínica do paciente e deve ser definida pelo médico.</p><p>Biologia molecular</p><p>Este é um setor cada vez mais comum em laboratórios e que requer alta</p><p>tecnologia em equipamentos e profissionais extremamente bem treinados.</p><p>O setor de biologia molecular é responsável pela manipulação de material</p><p>genético para fins diagnósticos, realizando análises como testes de paterni-</p><p>dade, determinação de carga viral, detecção de patógenos, identificação de</p><p>mutações associadas a doenças, entre outros (MCPHERSON PINCUS, 2012).</p><p>Exames de determinação de paternidade apresentam resultados que po-</p><p>dem mudar a vida dos envolvidos, com consequências inclusive jurídicas. Por</p><p>Confecção e liberação de laudos 15</p><p>conta disso, o cuidado com essas análises começa ainda na fase pré-analítica,</p><p>inclusive recomendando-se que as amostras sejam colhidas somente se todas</p><p>as partes comparecerem no mesmo horário — alguns laboratórios requerem</p><p>a assinatura das partes interessadas confirmando a presença uma da outra</p><p>e autorizando a coleta de material e o registro em fotografia. O material</p><p>utilizado pode ser o sangue, mas também é possível usar um suabe oral para</p><p>a retirada das células da mucosa.</p><p>O laudo desse exame requer as seguintes informações (SANTA RITA, 2013):</p><p>� tabela do sistema genético, em que são mostrados os lócus analisados</p><p>e as repetições encontradas para todos os investigados;</p><p>� índice de paternidade combinado (IPC), que demonstra a razão entre a</p><p>probabilidade do suposto pai ter transmitido o alelo e a possibilidade</p><p>de outro homem ter transmitido o alelo para todos os alelos analisados;</p><p>� probabilidade de paternidade, que é a divisão da probabilidade cal-</p><p>culada pelo IPC por si mesma mais um (IPC/IPC+1);</p><p>� conclusões do teste, nas quais serão expressos se há vínculo genético</p><p>entre os indivíduos testados ou não.</p><p>A identificação de mutações associadas a doenças genéticas é importante</p><p>para o diagnóstico de doenças monogênicas e para a identificação de mu-</p><p>tações associadas ao metabolismo de drogas ou que podem alterar o curso</p><p>de um tratamento oncológico (RODRIGUES, 2017).</p><p>De acordo com a Sociedade Brasileira de Genética Médica e Genômica,</p><p>devem ser reportadas nos laudos as variantes encontradas, seguindo-se as</p><p>seguintes normas (SOCIEDADE BRASILEIRA DE GENÉTICA MÉDICA E GENÔMICA,</p><p>2020):</p><p>� posição genômica e respectiva referência;</p><p>� posição no DNA codificante e proteína, considerando um transcrito de</p><p>referência, usando preferencialmente a nomenclatura HGVS;</p><p>� zigosidade;</p><p>� nome oficial do gene conforme HGNC, doenças associadas (de acordo</p><p>com o OMIM) e padrão de herança;</p><p>� classificação de patogenicidade de acordo com referência do ACMG 2015;</p><p>� no campo de interpretação, explicitar os critérios apresentados pela</p><p>variante que sugerem a classificação atribuída a mesma;</p><p>� abordar sucintamente a questão do fenótipo associado à variante</p><p>encontrada no paciente;</p><p>Confecção e liberação de laudos16</p><p>� sugerir avaliação de segregação quando essa for importante para</p><p>mudar a classificação de patogenicidade da variante;</p><p>� nos casos de variantes modificadoras de risco, deixar claro na inter-</p><p>pretação que essa variante não estabelece o diagnóstico de doença</p><p>monogênica;</p><p>� a figura do eletroferograma mostrando a presença ou ausência da</p><p>variante em ambas as fitas deve estar disponível para o médico soli-</p><p>citante, seja no próprio laudo ou sob demanda;</p><p>� as limitações da técnica devem estar presentes.</p><p>Qualidade na liberação de laudos</p><p>diagnósticos</p><p>A fase pós-analítica representa o final das análises laboratoriais e engloba</p><p>desde a confecção do laudo diagnóstico até a entrega do resultado ao pa-</p><p>ciente e a interpretação do resultado dos exames pelo profissional de saúde</p><p>responsável (ESTRIDGE; REYNOLDS, 2011). Embora a maior parte dos erros</p><p>laboratoriais ocorram na fase pré-analítica, até 33% de todas as falhas ocorrem</p><p>na fase pós-analítica, com o diferencial de que os erros que surgem nessa</p><p>fase podem ser minimizados quase que à totalidade (MCPHERSON; PINCUS,</p><p>2012; WILLIAMSON; SNYDER, 2016). A automação laboratorial e a utilização de</p><p>sistemas de informação que preenchem automaticamente as informações</p><p>dos laudos são cruciais para a diminuição de erros pós-analíticos.</p><p>Segundo estudo realizado em 2017 em um laboratório hospitalar de refe-</p><p>rência no Quênia, 23,4% do total de erros do laboratório ocorreram na fase</p><p>pós-analítica, sendo a maior parte deles causada por resultados não recebidos</p><p>pelo médico ou pelo paciente, o que prejudica o atendimento, seguidos de</p><p>falta na comunicação de valores críticos (exames que apresentam grandes</p><p>alterações e que requerem atenção médica imediata), o que pode levar a</p><p>atrasos no tratamento e morte. A terceira fonte de erros pós-analíticos se</p><p>refere a resultados perdidos, juntamente a resultados alterados liberados sem</p><p>a revisão dos técnicos responsáveis. Foram verificadas, ainda, ocorrências</p><p>como exames sendo realizados em amostras inadequadas ou incorretas,</p><p>falha na realização de todos os exames solicitados, resultados trocados,</p><p>entre outros (KIMENGECH et al., 2017).</p><p>Para diminuir a ocorrência dessas falhas, há diversas recomendações</p><p>feitas por diferentes sociedades científicas e entidades de classe ao redor</p><p>do mundo, incluindo o Clinical Laboratory Standards Institute (CLSI), nos</p><p>Estados Unidos, e a Sociedade Brasileira de Patologia Clínica e Medicina</p><p>Confecção e liberação de laudos 17</p><p>Laboratorial (SBPC/ML), no Brasil. Os procedimentos da fase pós-analítica</p><p>incluem (KRLEZA et al., 2019):</p><p>� avaliação dos resultados dos testes;</p><p>� decisão de liberação dos resultados;</p><p>� preparação do laudo;</p><p>� liberação do laudo;</p><p>� comunicação do laudo;</p><p>� armazenamento ou descarte das amostras;</p><p>� arquivamento dos dados laboratoriais;</p><p>� análise dos indicadores de qualidade pós-analítica.</p><p>Em relação à avaliação dos resultados dos testes, a principal recomen-</p><p>dação é que todos os resultados sejam analisados duas vezes de forma</p><p>mutuamente independente: comparando os resultados com os intervalos</p><p>de referência ou os valores críticos, bem como o diagnóstico do paciente</p><p>e resultados prévios, caso disponíveis, e a confirmação desses resultados.</p><p>A recomendação é que essas confirmações sejam feitas por dois profissionais</p><p>independentes e é possível, ainda, automatizar a primeira confirmação dos</p><p>resultados (KRLEZA et al., 2019; SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/</p><p>MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Os intervalos de referência ou os valores críticos para a análise devem</p><p>estar presentes junto ao resultado do teste e exibidos de acordo com a idade</p><p>e o sexo do paciente. Caso não haja intervalo de referência, é necessário que</p><p>isso conste na forma de comentário do resultado (SOCIEDADE BRASILEIRA DE</p><p>PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Em sistemas automatizados que fazem delta checks automaticamente</p><p>(diferença significante entre o resultado atual e resultados anteriores de</p><p>um mesmo paciente) e enviam alertas aos profissionais de análise, as ações</p><p>recomendadas incluem: revisão dos dados clínicos do paciente, reteste na</p><p>amostra atual e nas anteriores, caso possível, verificar se a amostra apresenta</p><p>hemólise, lipemia, se está ictérica ou se apresenta coágulos (WILLIAMSON;</p><p>SNYDER, 2016; KRLEZA et al., 2019, SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA</p><p>CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Caso uma amostra apresente uma dosagem que exceda o limite analítico</p><p>superior do método, uma diluição deve ser feita e os resultados obtidos</p><p>multiplicados pelo fator de diluição. Dados referentes à diluição devem ser</p><p>reportados no laudo diagnóstico (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA</p><p>CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL, 2020).</p><p>Confecção e liberação de laudos18</p><p>A utilização de comentários referentes à fase pré-analítica adicionais aos</p><p>laudos vem tornando-se cada vez mais recomendada, incluindo inconformi-</p><p>dades na amostra, falhas no armazenamento ou quaisquer</p><p>condições que</p><p>possam interferir na análise. Caso o profissional responsável pelas análises</p><p>considere que outros exames adicionais são necessários, é recomendada a</p><p>comunicação com o profissional médico para informar a situação e acelerar</p><p>a análise solicitada (SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA</p><p>LABORATORIAL, 2020).</p><p>Referências</p><p>BACALL, N. S. Analisador automático hematológico e a importância de validar novos</p><p>equipamentos em laboratórios clínicos. Revista Brasileira de Hematologia e Hemote-</p><p>rapia, v. 31, n. 4, p. 218–220, 2009.</p><p>BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde. Portaria nº 64, de</p><p>11 de dezembro de 2018. Determina aos laboratórios da rede pública e rede privada,</p><p>de todas as Unidades Federadas, a utilização das normas de interpretação para os</p><p>testes de sensibilidade aos antimicrobianos (TSA), tendo como base os documentos</p><p>da versão brasileira do European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing.</p><p>Diário Oficial da União: seção 1, Brasília, DF, n. 240, p. 59, 14 dez. 2018. Disponível em:</p><p>http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/svs/2018/prt0064_14_12_2018.html. Acesso</p><p>em: 8 fev. 2021.</p><p>CARRARO, P.; PLEBANI, M. Errors in a stat laboratory: types and frequencies 10 years</p><p>later. Clinical Chemistry, v. 53, n. 7, p. 1338–1342, 2007.</p><p>ESTRIDGE, B. H.; REYNOLDS, A. P. Técnicas básicas de laboratório clínico. 5. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2011.</p><p>HOFFBRAND, A. V.; MOSS, P. A. H. Fundamentos em hematologia de Hoffbrand. 7. ed.</p><p>Porto Alegre: Artmed, 2018.</p><p>HOLLAND, I.; DAVIES, J. A. Automation in the Life Science Research Laboratory. Frontiers</p><p>in Bioengineering and Biotechnology, v. 8, 2020.</p><p>KAHLMETER, K.; EUROPEAN COMMITTEE ON ANTIMICROBIAL SUSCEPTIBILITY TESTING.</p><p>Redefinição das categorias dos testes de sensibilidade S, I e R. [S. l.]: EUCAST, 2019.</p><p>Disponível em: http://brcast.org.br/documentos/. Acesso em: 8 fev. 2021.</p><p>KIMENGECH, K. K. et al. Determination of errors that compromise the quality of la-</p><p>boratory service in a tertiary hospital. Asian Journal of Medical Sciences, v. 8, n. 1,</p><p>p. 64–70, 2017.</p><p>KRLEZA, J. L. et al. Post-analytical laboratory work: national recommendations from</p><p>the Working Group for Post-analytics on behalf of the Croatian Society of Medical</p><p>Biochemistry and Laboratory Medicine. Biochemia Medica, v. 29, n. 2, 2019.</p><p>LARSON, D. L. (ed.). Clinical chemistry: fundamentals and laboratory techniques. Saint</p><p>Louis: Elsevier, 2016.</p><p>MADIGAN, M. T. et al. Microbiologia de Brock. 14. ed. Porto Alegre: Artmed, 2016.</p><p>MCPHERSON, R. A.; PINCUS, M. R. Diagnósticos clínicos e tratamento por métodos</p><p>laboratoriais de Henry. 21. ed. Barueri: Manole, 2012.</p><p>Confecção e liberação de laudos 19</p><p>NICOLL, D.; MARK LU, C.; MCPHEE, S. J. Manual de exames diagnósticos. 7. ed. Porto</p><p>Alegre: AMGH, 2019.</p><p>RODRIGUES, F. G. Identificação de moduladores genéticos em pacientes com anemia</p><p>aplástica por sequenciamento de nova geração. 2017. Tese (Doutorado em Diferenciação</p><p>Celular Normal e Neoplásica) – Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto, Universi-</p><p>dade de São Paulo, Ribeirão Preto, 2017. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/</p><p>disponiveis/17/17154/tde-25072018-110641/publico/FERNANDAGUTIERREZRODRIGUES.</p><p>pdf. Acesso em: 8 fev. 2021.</p><p>SANTA RITA, T. H. Frequências alélicas de 15 STRs autossômicos em uma amostra popula-</p><p>cional do Distrito Federal do Brasil: um território que surgiu do nada. 2013. Dissertação</p><p>(Mestrado em Ciências da Saúde) – Faculdade de Ciências da Saúde, Universidade</p><p>de Brasília, Brasília, DF, 2013. Disponível online em https://repositorio.unb.br/bits-</p><p>tream/10482/15265/1/2013_TicianeHenriquesSantaRita.pdf. Acessado em: 8 fev. 2021.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE GENÉTICA MÉDICA E GENÔMICA. Parecer técnico da So-</p><p>ciedade Brasileira de Genética Médica e Genômica sobre testes genéticos. Porto</p><p>Alegre: SBGM, 2020. v. 1. Disponível online em https://www.sbgm.org.br/uploads/</p><p>PARECER%20T%C3%89CNICO%20DA%20SOCIEDADE%20BRASILEIRA%20DE%20</p><p>GEN%C3%89TICA%20M%C3%89DICA%20E%20GEN%C3%94MICA%20SOBRE%20TESTES%20</p><p>GEN%C3%89TICOS%20FINAL.pdf. Acesso em: 8 fev. 2021.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL. Recomen-</p><p>dações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML):</p><p>boas práticas em laboratório clínico. Barueri: Manole, 2020.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL. Recomen-</p><p>dações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML):</p><p>boas práticas em microbiologia clínica. Barueri: Manole, 2015.</p><p>SOCIEDADE BRASILEIRA DE PATOLOGIA CLÍNICA/MEDICINA LABORATORIAL. Recomen-</p><p>dações da Sociedade Brasileira de Patologia Clínica/Medicina Laboratorial (SBPC/ML):</p><p>fatores pré-analíticos e interferentes em ensaios laboratoriais. Barueri: Manole, 2018.</p><p>WILLIAMSON, A. M.; SNYDER, M. L. Wallach: interpretação de exames laboratoriais.</p><p>10. ed. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2016.</p><p>XAVIER, R. M.; DORA, J. M.; BARROS, E. (org.). Laboratório na prática clínica. 3. ed. Porto</p><p>Alegre: Artmed, 2016.</p><p>Os links para sites da web fornecidos neste capítulo foram todos</p><p>testados, e seu funcionamento foi comprovado no momento da</p><p>publicação do material. No entanto, a rede é extremamente dinâmica; suas</p><p>páginas estão constantemente mudando de local e conteúdo. Assim, os editores</p><p>declaram não ter qualquer responsabilidade sobre qualidade, precisão ou</p><p>integralidade das informações referidas em tais links.</p><p>Confecção e liberação de laudos20</p><p>Dica do professor</p><p>As doenças infecciosas constituem uma causa considerável de morbidade e mortalidade no mundo</p><p>inteiro e são provocadas por fungos, vírus, bactérias e parasitas. Assim, é fundamental identificar o</p><p>tipo de patógeno causador e qual a espécie responsável pelo quadro clínico.</p><p>Quando se trata de infecções bacteriantes, isso não é diferente. Entretanto, muitas vezes,</p><p>mais importante do que descobrir a espécie que provoca a doença é determinar a sensibilidade aos</p><p>antibióticos, o que é feito por um teste conhecido como antibiograma. Ele pode salvar vidas,</p><p>pois identifica qual droga é mais eficiente para tratar determinada infecção.</p><p>Nesta Dica do Professor, você vai conhecer um pouco mais sobre esse teste e o motivo de ele ser</p><p>tão importante no contexto em que a resistência a antibióticos aumenta em todo o mundo.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/741a10e04c3d59adaf06d423933401bc</p><p>Exercícios</p><p>1) Os laudos produzidos para os testes laboratoriais são de absoluta importância, e o principal</p><p>parâmetro a ser utilizado para a interpretação deles é o valor de referência. Entender o que</p><p>este significa é a base não apenas para a análise de exames, mas para a compreensão da</p><p>ocorrência de variações entre indivíduos que não são necessariamente patogênicas.</p><p>Assinale a alternativa que explica corretamente o que são os valores de referência.</p><p>A) A variação encontrada dentro do desvio-padrão é o que caracteriza os valores de referência.</p><p>B) A variação encontrada em 95% dos indivíduos saudáveis em uma população</p><p>para determinado analito é o que se chama valores de referência.</p><p>C) Os valores de referência são a variação que engloba 95% de indivíduos afetados por uma</p><p>doença em uma população.</p><p>D) Os valores de referência representam o intervalo de resultados mais comuns,</p><p>correspondendo à média encontrada na população.</p><p>E) A variação encontrada para um analito em toda a população, incluindo doentes e saudáveis, é</p><p>o que compõe os valores de referência.</p><p>2) A informação da unidade de medida a ser utilizada é importante para que possam ser feitas</p><p>comparações de dosagens similares por laboratórios diferentes.</p><p>Caso não haja nenhuma padronização, como as unidades devem ser expressas? Marque a</p><p>alternativa correta.</p><p>A) A partir do sistema métrico, conforme definido pelo Sistema Internacional de medidas (SI).</p><p>B) Conforme a tradição do exame, a fim de facilitar o entendimento</p><p>de diferentes laboratórios.</p><p>C) De acordo com a unidade laboratorial, por conta da responsabilidade técnica.</p><p>D) As unidades de medida de um mesmo exame podem variar na mesma unidade laboratorial,</p><p>conforme o profissional responsável.</p><p>E) A partir de diluições seriadas e expressas na forma de título, o que é um resultado</p><p>quantitativo.</p><p>3) O setor de hematologia é um dos mais movimentados de um laboratório de análises clínicas.</p><p>Ele é responsável por análises morfológicas e quantitativas de células sanguíneas, além de</p><p>provas de coagulação e de tipagem sanguínea.</p><p>Sobre os exames realizados nesse local e os respectivos laudos, leia as seguintes afirmativas:</p><p>I. No laudo de um hemograma com alterações, não é necessário expressar se estas foram</p><p>confirmadas por análise microscópica.</p><p>II. Os laudos de tipagem sanguínea para crianças com menos de 6 meses precisam de</p><p>comentários referentes à imaturidade de antígenos e anticorpos desses indivíduos, que</p><p>podem afetar o resultado do exame.</p><p>III. Os laudos de agregação plaquetária não devem ser expressos em gráfico nem trazer</p><p>informações sobre o uso de medicamentos.</p><p>Qual(is) afirmativa(s) acima está(ão) correta(s)?</p><p>A) I, II e III.</p><p>B) I e III.</p><p>C) Somente II.</p><p>D) I e II.</p><p>E) Somente III.</p><p>4) De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os laudos de</p><p>antibiograma emitidos por todos os laboratórios do Brasil precisam seguir o padrão</p><p>recomendado pelo Comitê Brasileiro de Testagem da Sensibilidade a Antimicrobianos</p><p>(BrCAST), que obedece às normas do comitê europeu.</p><p>Segundo essa norma, que informação(ões) os laudos de antibiograma precisam ainda</p><p>apresentar além da classificação em sensível (S), resistente (R) ou sensibilidade intermediária</p><p>(I)?</p><p>A) Os componentes necessários são espécie identificada e concentração inibitória mínima para</p><p>cada antibiótico.</p><p>B) Resultados expressos na forma de diluição devem ser utilizados somente para exames feitos</p><p>manualmente.</p><p>C) Os padrões intermediários devem vir com um comentário em que não recomendam sua</p><p>utilização.</p><p>D) Os laudos devem mostrar apenas os resultados para bactérias sensíveis aos antibióticos, a fim</p><p>de evitar confusão.</p><p>E) Mesmo em situações de urgência, a liberação de laudos diagnósticos não pode ser feita por</p><p>meio de laudos provisórios.</p><p>5) A automação laboratorial auxilia na diminuição de falhas pós-analíticas, incluindo a liberação</p><p>de laudos diagnósticos que são preenchidos automaticamente. Esses sistemas são</p><p>programados para sinalizar aos profissionais de laboratório caso as amostras apresentem</p><p>inconformidades nos resultados.</p><p>Com base nesse contexto, leia as seguintes afirmativas:</p><p>I. Sinalizações automáticas do sistema de automação são suficientes, portanto não precisam</p><p>sempre de uma confirmação por profissional habilitado.</p><p>II. É necessário revisar dados do paciente, como doenças de base ou uso de medicamentos.</p><p>III. É recomendado que dois profissionais diferentes avaliem um resultado alterado antes da</p><p>liberação.</p><p>Qual(is) afirmativa(s) acima está(ão) correta(s)?</p><p>A) Somente II.</p><p>B) I e III.</p><p>C) I e II.</p><p>D) I, II e III.</p><p>E) II e III.</p><p>Na prática</p><p>Os laudos de exames laboratoriais são primordiais para a tomada de decisão médica. Quando</p><p>confusos ou incompletos, podem provocar erros de diagnóstico e atrasos no tratamento,</p><p>prejudicando a saúde do paciente.</p><p>Neste Na Prática, você vai conhecer a história de Ana, uma mulher que precisou passar por dois</p><p>exames para, finalmente, receber o tratamento correto.</p><p>Conteúdo interativo disponível na plataforma de ensino!</p><p>Saiba +</p><p>Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja a seguir as sugestões do professor:</p><p>Comitê Brasileiro de Teste de Sensibilidade a Antibióticos</p><p>(BrCAST)</p><p>Para conhecer um pouco mais sobre o Comitê Brasileiro de Teste de Sensibilidade a Antibióticos</p><p>(BrCAST) e as ações desenvolvidas por essa instituição, acesse o site oficial.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Não conformidades em laboratórios clínicos de Macapá,</p><p>Amapá, Brasil, com base na RDC no 302/2005/Anvisa</p><p>Neste artigo, você vai conhecer um pouco mais sobre o controle de qualidade em laboratórios</p><p>clínicos e como isso se dá na prática.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>Laudo laboratorial: o que é obrigatório conter?</p><p>Assista a este vídeo e entenda o que dispõe a norma RDC no 302/2005 da Anvisa sobre as</p><p>informações que devem estar presentes nos laudos laboratoriais.</p><p>Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.</p><p>http://brcast.org.br/</p><p>https://www.scielo.br/pdf/jbpml/v56/pt_1676-2444-jbpml-56-e1802020.pdf</p><p>https://www.youtube.com/embed/EW0dFRfI0xA</p>