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<p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Volume único Métodos e Técnicas</p><p>de Pesquisa em Turismo</p><p>Apoio:</p><p>Material Didático</p><p>A584</p><p>Angelo, Elis Regina Barbosa.</p><p>Métodos e técnicas de pesquisa em turismo / Elis</p><p>Regina Barbosa Angelo. - Rio de Janeiro : Fundação</p><p>CECIERJ, 2013.</p><p>350p. ; 19 x 26,5 cm.</p><p>ISBN: 978-85-7648-813-2</p><p>1. Pesquisa em turismo. 3. Inventário turístico. I. Título.</p><p>CDD 338.4791</p><p>Referências Bibliográfi cas e catalogação na fonte, de acordo com as normas da ABNT.</p><p>Texto revisado segundo o novo Acordo Ortográfi co da Língua Portuguesa.</p><p>Copyright © 2012, Fundação Cecierj / Consórcio Cederj</p><p>Nenhuma parte deste material poderá ser reproduzida, transmitida e gravada, por qualquer meio</p><p>eletrônico, mecânico, por fotocópia e outros, sem a prévia autorização, por escrito, da Fundação.</p><p>ELABORAÇÃO DE CONTEÚDO</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>COORDENAÇÃO DE DESENVOLVIMENTO</p><p>INSTRUCIONAL</p><p>Cristine Costa Barreto</p><p>SUPERVISÃO DE DESENVOLVIMENTO</p><p>INSTRUCIONAL</p><p>Fabio Peres</p><p>DESENVOLVIMENTO INSTRUCIONAL</p><p>E REVISÃO</p><p>Gabriel Ramos</p><p>Paulo César Alves</p><p>AVALIAÇÃO DO MATERIAL DIDÁTICO</p><p>Thaïs de Siervi</p><p>Departamento de Produção</p><p>EDITOR</p><p>Fábio Rapello Alencar</p><p>COORDENAÇÃO DE</p><p>REVISÃO</p><p>Cristina Freixinho</p><p>REVISÃO TIPOGRÁFICA</p><p>Carolina Godoi</p><p>Cristina Freixinho</p><p>Elaine Bayma</p><p>Patrícia Sotello</p><p>Thelenayce Ribeiro</p><p>COORDENAÇÃO DE</p><p>PRODUÇÃO</p><p>Ronaldo d'Aguiar Silva</p><p>DIRETOR DE ARTE</p><p>Alexandre d'Oliveira</p><p>PROGRAMAÇÃO VISUAL</p><p>Filipe G. Cunha</p><p>ILUSTRAÇÃO</p><p>Bianca Giacomelli</p><p>CAPA</p><p>Bianca Giacomelli</p><p>PRODUÇÃO GRÁFICA</p><p>Verônica Paranhos</p><p>Fundação Cecierj / Consórcio Cederj</p><p>Rua da Ajuda, 5 – Centro – Rio de Janeiro, RJ – CEP 20040-000</p><p>Tel.: (21) 2333-1112 Fax: (21) 2333-1116</p><p>Presidente</p><p>Carlos Eduardo Bielschowsky</p><p>Vice-presidente</p><p>Masako Oya Masuda</p><p>Coordenação do Curso de Turismo</p><p>UFRRJ - William Domingues</p><p>UNIRIO - Camila Moraes</p><p>Universidades Consorciadas</p><p>Governo do Estado do Rio de Janeiro</p><p>Secretário de Estado de Ciência e Tecnologia</p><p>Governador</p><p>Gustavo Reis Ferreira</p><p>Sérgio Cabral Filho</p><p>UENF - UNIVERSIDADE ESTADUAL DO</p><p>NORTE FLUMINENSE DARCY RIBEIRO</p><p>Reitor: Silvério de Paiva Freitas</p><p>UERJ - UNIVERSIDADE DO ESTADO DO</p><p>RIO DE JANEIRO</p><p>Reitor: Ricardo Vieiralves de Castro</p><p>UNIRIO - UNIVERSIDADE FEDERAL DO ESTADO</p><p>DO RIO DE JANEIRO</p><p>Reitor: Luiz Pedro San Gil Jutuca</p><p>UFRRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL</p><p>DO RIO DE JANEIRO</p><p>Reitora: Ana Maria Dantas Soares</p><p>UFRJ - UNIVERSIDADE FEDERAL DO</p><p>RIO DE JANEIRO</p><p>Reitor: Carlos Levi</p><p>UFF - UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE</p><p>Reitor: Roberto de Souza Salles</p><p>CEFET/RJ - CENTRO FEDERAL DE EDUCAÇÃO</p><p>TECNOLÓGICA CELSO SUCKOW DA FONSECA</p><p>Diretor-geral: Carlos Henrique Figueiredo Alves</p><p>Métodos e técnicas</p><p>de pesquisa em turismo Volume único</p><p>SUMÁRIO</p><p>Aula 1 – Como o homem começou a construir o conhecimento? ____________ 7</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 2 – Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca ___________ 41</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 3 – A interdisciplinaridade no Turismo:</p><p>quais são os paradigmas da investigação? ____________________ 65</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 4 – Como se processa a investigação na área de Turismo ____________ 93</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 5 – Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo __________ 117</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 6 – Tipos de pesquisa em Turismo _____________________________ 143</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 7 – Pesquisa qualitativa e quantitativa _________________________ 163</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 8 – Coleta, análise e interpretação dos dados ____________________ 187</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 9 – Amostragem __________________________________________ 203</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 10 – Pesquisa de Mercado em turismo _________________________ 219</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 11 – Como fazer um inventário turístico ________________________ 243</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 12 – Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I) ________ 265</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 13 – Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte II) ________ 283</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Aula 14 – Como fazer um Plano de Carreira e um Business Plan? _________ 317</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Referências _______________________________________________ 339</p><p>1 Como o homem começou a</p><p>construir o conhecimento?</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Apresentar conceitos sobre o conhecimento,</p><p>partindo da Filosofi a, distinguindo Ciência e senso</p><p>comum.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 conceituar lógica e raciocínio;</p><p>2 reconhecer os aspectos de construção do conheci-</p><p>mento, a partir da Filosofi a;</p><p>3 relacionar a construção do conhecimento, a par-</p><p>tir das distinções entre Ciência e senso comum.</p><p>8</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos a esta viagem!</p><p>Nesta nossa primeira aula, você começará a reconhecer</p><p>certos conceitos já estabelecidos pela Filosofi a sobre o conheci-</p><p>mento, bem como diferenciar Ciência de senso comum. Vamos</p><p>partir do princípio de que a Ciência é algo refutável por meio de</p><p>pesquisa e métodos específi cos com rigor acadêmico. Já o senso</p><p>comum é algo estabelecido na sociedade por meio de elementos</p><p>passados por gerações e são ideias não comprovadas cientifi ca-</p><p>mente, apesar de funcionais de certa maneira no cotidiano co-</p><p>mum das pessoas.</p><p>A Ciência moderna nasceu há apenas algumas centenas de</p><p>anos e alterou profundamente quase todos os aspectos da vida</p><p>no mundo ocidental, sendo que os progressos na agricultura, na</p><p>indústria, nos transportes, na saúde, na comunicação, entre ou-</p><p>tros, resultaram todos da aplicação do conhecimento científi co.</p><p>Contudo, as aplicações práticas da Ciência não constituem o úni-</p><p>co valor da ciência. A eletricidade, por exemplo, já foi tida como</p><p>mera curiosidade e não possuía nenhuma utilidade prática, sen-</p><p>do apenas investigada em meios acadêmicos, e hoje é essencial</p><p>para a nossa vida.</p><p>A Ciência é conhecimento e as leis e princípios descober-</p><p>tos na investigação científi ca têm valor intrínseco, distinto de</p><p>qualquer utilidade estreita que acaso possuam.</p><p>As perguntas que naturalmente surgem, quando falamos</p><p>de conhecimento científi co são: Qual é a concepção de conheci-</p><p>mento? E como classifi camos algo como científi co?</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>9</p><p>Qual é a concepção de conhecimento?</p><p>O estudo do conhecimento tem sua origem na Filosofi a,</p><p>sendo que nela existe uma disciplina que pode ser chamada de</p><p>“Teoria do Conhecimento”.</p><p>Figura 1.1: Como conceber conhecimento? Esta é uma indagação feita</p><p>ao longo dos tempos que serviu para temos as mais variadas formas de</p><p>saber e pensar, partindo de construções teóricas fi losófi cas.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/683864</p><p>Figura 1.2: As primeiras indagações sobre Teoria do Conhecimento vie-</p><p>ram da busca pela compreensão do universo.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/483321</p><p>10</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>O que é Teoria do Conhecimento? A Teoria do Conhecimen-</p><p>to ou Epistemologia estuda a origem, a estrutura, os métodos e</p><p>a validade do conhecimento, motivo pelo qual também é tipica-</p><p>mente conhecida por Filosofi a do Conhecimento.</p><p>A palavra fi losofi a é de origem grega e compõe-se de philo</p><p>e sophia, que signifi cam respectivamente amizade, amor frater-</p><p>no, respeito entre os iguais e sabedoria. De sophia advém a pala-</p><p>vra sophos, sábio. Filosofi a signifi ca amor pela sabedoria, afeto</p><p>e respeito pelo saber.</p><p>Pitágoras acreditava que apenas os deuses teriam a sabe-</p><p>doria plena e completa, mas os homens poderiam desejá-la ou</p><p>amá-la, tornando-se fi lósofos, ou amantes do saber. “Quem qui-</p><p>ser ser fi lósofo necessita infantilizar-se, transformar-se em meni-</p><p>no” (Manuel Garcia Morente).</p><p>Um ponto importante sobre a Filosofi a é que ela é antes de</p><p>tudo uma “autorrefl exão do espírito” sobre seu comportamento</p><p>teórico e prático, em que a autorrefl exão do espírito não é um fi m</p><p>em</p><p>aos dois já existentes.</p><p>É considerada testemunho de um passado recente, de um</p><p>ciclo econômico de suma importância para o seu desenvolvi-</p><p>mento. Possui valor excepcional por sua composição e pelo pre-</p><p>núncio da racionalização da construção. É um bem que, apesar</p><p>de sua relativa juventude, é digno de intervenções acuradas e</p><p>de fazer parte de uma programação de gestão de bens culturais.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>59</p><p>A Estação da Luz foi tombada pelo Condephaat (Conselho</p><p>da Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Tu-</p><p>rístico do Estado de São Paulo), em 1982.</p><p>Após muitas tentativas de melhorar a imagem do local,</p><p>alguns órgãos públicos e privados estão elaborando e também</p><p>aplicando alguns projetos para revitalização da Estação da Luz e</p><p>também de seu entorno.</p><p>Até setembro de 2012, deverá estar concluído o Projeto In-</p><p>tegração Centro — orçado em R$ 190 milhões, que dará origem à</p><p>ligação com as estações Brás e Barra Funda. Em seguida, virá a</p><p>reforma da gare da Luz, que prevê, com o apoio da Fundação Ro-</p><p>berto Marinho, a criação do Centro Cultural da Língua Portuguesa.</p><p>Para iniciar a obra, a Companhia Paulista de Trens Metro-</p><p>politanos (CPTM) está negociando a saída dos estabelecimentos</p><p>comerciais em funcionamento no interior da estação — dois ba-</p><p>res, uma cabine de fotografi a para documentos, um guarda-vo-</p><p>lumes e uma engraxataria.</p><p>Projeto Usuários do Amanhã — desde 1996 — promove vi-</p><p>sitas monitoradas para a conscientização dos usuários do futuro.</p><p>(normalmente escolas).</p><p>Projeto Um Século de Luz — abrange iniciativas da RFFSA</p><p>(Rede Ferroviária Federal) , Escritório Regional de São Paulo (Ersap):</p><p>• Restauração da Estação da Luz.</p><p>• Centro de documentação ferroviária de São Paulo.</p><p>• Livro 100 anos de Luz.</p><p>• Inventário histórico, arquitetônico e fotográfi co da antiga São</p><p>Paulo Railway Company;</p><p>• Inventário histórico, arquitetônico e fotográfi co da RFFSA;</p><p>• Inventário histórico, arquitetônico e fotográfi co da Fepasa;</p><p>Visualizando a contribuição que os projetos pretendem es-</p><p>tabelecer, fi ca evidenciada a relevância da imagem que o local</p><p>projeta a toda população e a preocupação em refl etir sobre as</p><p>raízes dos problemas que hoje interferem no aproveitamento do</p><p>local em respeito a seu patrimônio histórico.</p><p>60</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>5. Objetivos</p><p>a. Objetivo geral</p><p>Refl etir sobre a possibilidade de tornar a Estação da Luz</p><p>(em São Paulo) um espaço voltado para o lazer da população</p><p>paulistana, evocando sua memória e seu entorno, ressaltando a</p><p>importância histórica e cultural.</p><p>b. Objetivos específi cos</p><p>• Analisar a problemática do entorno em relação à segurança,</p><p>prostituição, comércio, dependentes de drogas, fl uxos de pes-</p><p>soas que utilizam a Estação da Luz como ponto de partida para</p><p>o transporte urbano, rodoviário e ferroviário.</p><p>• Analisar a necessidade da reutilização da Estação da Luz como</p><p>espaço cultural, voltado para o lazer da população.</p><p>• Refl etir sobre como sensibilizar a população em relação à his-</p><p>tória e memória da Estação da Luz, como patrimônio histórico,</p><p>através da educação e reeducação da cidadania.</p><p>6. Hipóteses de estudo</p><p>• A prostituição, o comércio, os usuários de drogas e o fl uxo de</p><p>pessoas interferem na utilização da Estação da Luz como espa-</p><p>ço cultural para o lazer da população.</p><p>• A problemática do encontro refere-se ao período de segunda-</p><p>feira a sábado. Na probabilidade de se utilizar a Estação da Luz</p><p>e seu encontro para o lazer, fi ca evidenciado o domingo (dia de</p><p>menor fl uxo de pessoas).</p><p>• A falta de conscientização da população em geral, a respeito</p><p>da memória da Estação da Luz.</p><p>• A descaracterização local, devido às mudanças socioculturais</p><p>da população.</p><p>• A desarticulação entre o patrimônio histórico e as necessidades</p><p>socioeconômicas da população que usufrui dos serviços locais.</p><p>• A difi culdade de transformação do espaço físico e seu entorno,</p><p>devido a fatores políticos, sociais, econômicos e culturais.</p><p>• A falta de integração entre os interesses da comunidade e os</p><p>interesses políticos.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>61</p><p>• A descaracterização cultural, devido à miscigenação e ao des-</p><p>controle populacional que gerou a diversidade de interesses e</p><p>a falta de infraestrutura.</p><p>• As mudanças de interesses gerais da população em termos de</p><p>lazer.</p><p>Conclusão</p><p>A partir desta aula, tivemos as orientações sobre o que</p><p>vem a ser método, quem foi o grande pensador da metodologia</p><p>científi ca e os princípios do que vem a ser Ciência, conhecimen-</p><p>to, conhecimento científi co e senso comum, ideias abordadas</p><p>também na primeira aula.</p><p>Ao partirmos da teoria do conhecimento, organizamos nos-</p><p>sos pensamentos, criando objetivos e metas capazes de transfor-</p><p>mar o curso de nosso tempo na área do saber escolhida, ou seja,</p><p>o Turismo e seus segmentos.</p><p>Os direcionamentos capazes de fornecer subsídios para a</p><p>construção de uma pesquisa foram trabalhados sob a perspec-</p><p>tiva da escolha do objeto e posteriormente das técnicas apro-</p><p>priadas. Esses conhecimentos serão essenciais para que você</p><p>continue aprendendo sobre as outras etapas da Metodologia</p><p>Científi ca nas próximas aulas.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende ao Objetivo 3</p><p>Agora é a sua vez de colocar a mão na massa! Com todo o co-</p><p>nhecimento que você adquiriu nesta aula, qual método você uti-</p><p>lizaria para o exemplo da pesquisa da Estação da Luz? Não se</p><p>esqueça de justifi car sua escolha, futuro pesquisador!</p><p>62</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para o objeto de estudo em questão, uma pesquisa dentro da área</p><p>de humanas, você poderia fazer uma pesquisa qualitativa no entor-</p><p>no, que corresponde aos comerciantes regulares e irregulares, aos</p><p>subempregados, aos usuários do sistema de transportes urbano,</p><p>rodoviário e ferroviário, e aos usuários da estação para o lazer. A</p><p>coleta de dados seria feita a partir de entrevistas abertas e/ou apli-</p><p>cação de questionários abertos e pela observação documental e de</p><p>monumentos de campo.</p><p>Fonte: http://www.fl ickr.com/photos/xfer/3119361/sizes/s/in/photostream/</p><p>M</p><p>ar</p><p>ce</p><p>lo</p><p>A</p><p>lv</p><p>es</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>63</p><p>Resumo</p><p>A discussão sobre a pesquisa faz-se necessária em todas as áreas</p><p>do conhecimento, tanto para seu aprimoramento como para atua-</p><p>lização e busca constante de novos olhares e saberes.</p><p>Tanto a discussão quanto a análise da linha de raciocínio sobre o</p><p>que vem a ser o método, a investigação científi ca e seu desenrolar</p><p>é imprescindível para o desenvolvimento do conhecimento.</p><p>Assim, a aula foi dividida em:</p><p>• Como se iniciam nossas ideias.</p><p>• Partindo da realidade.</p><p>• Método.</p><p>• Metodologia científi ca.</p><p>• Pesquisa científi ca.</p><p>As futuras contribuições ao estudo da teoria e prática de métodos</p><p>de investigação científi ca, aplicado à pesquisa em qualquer área</p><p>do conhecimento, servirão para mudarmos seu rumo e fomentar</p><p>novas visibilidades para os fatos atualmente postos.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, iniciaremos as discussões sobre a inves-</p><p>tigação científi ca no Turismo, a partir do conceito de interdisci-</p><p>plinaridade, comparando elementos de outras áreas do conhe-</p><p>cimento.</p><p>3</p><p>A interdisciplinaridade</p><p>no Turismo:</p><p>quais são os paradigmas da</p><p>investigação?</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Apresentar as possibilidades de investigação cientí-</p><p>fi ca no turismo, a partir do conceito de interdiscipli-</p><p>naridade.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 reconhecer mudanças de paradigma na pesqui-</p><p>sa científi ca;</p><p>2 aplicar o conceito de interdisciplinaridade aos seus</p><p>possíveis objetos de investigação científi ca;</p><p>3 relacionar a possibilidade de pesquisa em Turis-</p><p>mo com outras áreas do conhecimento.</p><p>66</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos à nossa terceira</p><p>aula!</p><p>Após as duas primeiras aulas, já temos uma noção dos</p><p>conceitos de conhecimento e de método científi co para a inves-</p><p>tigação de problemas de pesquisa. Vamos então, a partir desta</p><p>aula, buscar novos rumos para o nosso pensamento!</p><p>A primeira discussão que vamos estabelecer será a iden-</p><p>tifi cação dos usos de outras áreas do conhecimento, para efeti-</p><p>vamente podermos usar métodos específi cos posteriormente na</p><p>construção de uma pesquisa turística.</p><p>Comecemos então com o conceito de paradigma, a fi m de</p><p>repensar os modelos já cristalizados nas áreas do conhecimento</p><p>e as possibilidades de ampliarmos o universo do Turismo como</p><p>área de pesquisa. Tentaremos incluir os conceitos de pesquisa</p><p>em Turismo e exemplifi car as possibilidades de investigação, a</p><p>partir da criação de problemas.</p><p>Para entender o paradigma, pense na história do Shrek.</p><p>O ogro é criticado, desengonçado, feio, socialmente ina-</p><p>dequado, sem controle do próprio corpo: arrota, peida,</p><p>suja-se todo. Ora, estes desastres a criança conhece bem,</p><p>principalmente a da cidade, sem direito ao contato saudá-</p><p>vel com a terra, a lama, o rio, os bichos, a “sujeira”; enfi m,</p><p>obrigada a um precoce treinamento higiênico em creches</p><p>e pré-escolas. A maior parte de nossas crianças desconhe-</p><p>ce a agradável manipulação da natureza, ou tem acesso a</p><p>ela em horários rigidamente regulados, como a ida à praia</p><p>aos domingos, pela manhã, mas “lave bem as mãos” e</p><p>‘não coloque o dedo sujo de areia na boca, senão...” Ora.</p><p>em Shrek, a sujeira não é necessariamente ruim, pode ser</p><p>divertida e o ogrozinho enlameia-se, transforma sapos em</p><p>bolas de gás, faz caretas etc. (RODRIGUES, S., 2011).</p><p>Paradigma</p><p>É um “modelo” que defi -</p><p>ne as respostas a serem</p><p>procuradas em primeiro</p><p>lugar.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>67</p><p>Segundo a autora Sonia Regina Rocha Rodrigues, a mu-</p><p>dança se dá em um mundo onde o homem busca cada vez mais</p><p>aceitar-se e não adaptar-se ao que existe. Essa visão quebra algo</p><p>que era cristalizado e passa a englobar novas visões de mundo</p><p>e indivíduo.</p><p>Paradigma: como estabelecer suas relações</p><p>com as áreas do conhecimento científi co?</p><p>A defi nição do conceito de paradigma não é algo fácil de</p><p>representar.</p><p>Paradigmas e crenças podem subsistir por séculos. O Sol</p><p>girou em torno da Terra por 1.400 anos. A Física até o início</p><p>do século tinha as leis de Newton como um de seus prin-</p><p>cipais paradigmas. Com a Teoria da Relatividade, esse pas-</p><p>sou a ser um caso especial de outro paradigma. E continua</p><p>mudando; no livro Universo elegante, Brian Greene diz,</p><p>Figura 3.1: O que seria esse paradigma de mudança nos desenhos ani-</p><p>mados, iniciado pelo fi lme Shrek?</p><p>Fonte: http://www.shrek.com/assets/downloads/wallpaper/shrek/chr_shrek_</p><p>p3_1280.jpg</p><p>68</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>por exemplo, que a sugestão de que o nosso universo po-</p><p>deria ter mais de três dimensões pode parecer supérfl ua,</p><p>bizarra ou mística. Na realidade, contudo, ela é concreta</p><p>e perfeitamente plausível. A teoria das supercordas, que</p><p>unifi ca a Relatividade e a Mecânica Quântica, requer que</p><p>existam 9 dimensões espaciais, além de uma temporal.</p><p>Não vemos as outras seis, porque elas estariam recurva-</p><p>das (VILELA, 2011).</p><p>Isso signifi ca dizer que as pessoas agem de acordo com os</p><p>axiomas de um paradigma, ou seja, estão unidas, identifi cam-se ou</p><p>simplesmente há um consenso sobre uma maneira de entender,</p><p>de interpretar, de perceber, de agir, a respeito do mundo.</p><p>As pessoas que partilham de um determinado paradigma</p><p>aceitam a descrição de mundo que lhes é apresentada sem criti-</p><p>car seus fundamentos. Isto signifi ca que seus olhares estão es-</p><p>truturados de forma a perceber só uma determinada constata-</p><p>ção de fatos e relações entre estes. Qualquer coisa que não seja</p><p>coerente com tal descrição passa despercebida; é vista como</p><p>elemento irrelevante.</p><p>Como exemplifi car o paradigma? O mundo perfeito, re-</p><p>pleto de recursos naturais era algo idealizado por todos, no en-</p><p>tanto, o fi m desses recursos naturais não. A falta de água ou a</p><p>possibilidade de acabar esse recurso era algo impensado pelas</p><p>pessoas. Todos, inclusive o Brasil, gozavam de abundância em</p><p>recursos naturais, sendo a natureza considerada inesgotável.</p><p>Ela era vista como um grande supermercado cujas mercado-</p><p>rias nunca acabariam. As pessoas achavam que bastava pegar</p><p>um pouco de energia, de água, ou de qualquer coisa, e que era</p><p>preciso apenas pagar por isso para as empresas que exploram</p><p>esses recursos. Se por acaso acabassem, era só esperar pela</p><p>reposição e pagar, ou seja, o meio ambiente se encarregaria</p><p>dessa reposição e as concessionárias de água e energia conti-</p><p>nuariam o seu trabalho. Este pode ser considerado um paradig-</p><p>ma que orientava a visão de mundo com relação ao consumo</p><p>de energia e não havia outra construção de pensamento que</p><p>refutasse essa ideia, pelo menos para a maioria das pessoas.</p><p>Axioma</p><p>Algo tido como certo</p><p>sem necessariamente</p><p>ser comprovado. Por</p><p>exemplo: o céu é azul.</p><p>Esta afi rmação não</p><p>precisa de prova, pois é</p><p>claro para todos, ou seja,</p><p>é um consenso que o céu</p><p>é azul.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>69</p><p>Com a possibilidade da falta de energia e água, houve uma</p><p>mudança de paradigma, ou seja, as pessoas passaram a ver as</p><p>fontes como esgotáveis e não como inesgotáveis, como vinham</p><p>visualizando até então.</p><p>A falta de água e energia, em momentos de apagão, mu-</p><p>dou os conceitos preestabelecidos de energia infi nita e todos</p><p>passaram a conhecer mais sobre a possibilidade de esgotamen-</p><p>to dos recursos naturais de qualquer tipo e forma. As pessoas</p><p>então passaram a usar formas de economizar a energia, não ape-</p><p>nas para poupar recursos fi nanceiros, mas conscientes de que</p><p>a energia é fi ndável e que os recursos acabam. Essa mudança</p><p>na direção do pensamento pode ser considerada uma quebra de</p><p>paradigma, na qual a ideia anteriormente estabelecida é refutada</p><p>pela lógica do fi nal dos recursos naturais. Os exemplos mais sim-</p><p>ples são os países nos quais há falta de água, comida, energia</p><p>e demais recursos advindos da natureza, no que diz respeito à</p><p>construção do recurso, ou seja, de onde viria a água, a energia,</p><p>alimento, entre outros? Neste ponto, desconsideramos a questão</p><p>fi nanceira, pois se ele não existir passa a ser algo intangível, não</p><p>há como adquiri-lo. O paradigma de novas ideias advindas do</p><p>fi m de bens naturais modifi cou a visão que havia de que somen-</p><p>te o dinheiro compra qualquer coisa, se elas não existirem não</p><p>há como adquiri-las.</p><p>Para ilustrar o conceito de paradigma, veja este vídeo sobre o para-</p><p>digma: http://www.youtube.com/watch?v=g5G0qE7Lf0A</p><p>Pensemos que a pesquisa científi ca tem por objetivo pro-</p><p>mover mudanças na maneira pela qual entendemos o mundo. Na</p><p>maioria das vezes, as mudanças são incrementais, ou seja, envol-</p><p>vem pequenas mudanças, inovações, reformas, deixando virtual-</p><p>mente intocada a estrutura do conhecimento da área em questão.</p><p>70</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>No entanto, na história da construção das áreas da ciên-</p><p>cia, às vezes foram realizadas mudanças que não foram apenas</p><p>incrementais, mas representaram uma ruptura com o passado</p><p>e assim se abriu uma nova página na compreensão da nature-</p><p>za, com sua assimilação. Isso exigiu a reconstrução das teorias</p><p>anteriormente defendidas e uma reelaboração das constatações</p><p>antes realizadas.</p><p>Alguns pensadores são exemplos destas rupturas:</p><p>Copérnico explicou os movimentos dos planetas, supondo sua mo-</p><p>vimentação em torno do Sol em vez da Terra.</p><p>Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Solar_sys.jpg</p><p>Darwin, explicou a origem das espécies.</p><p>Fonte: http://www.fl ickr.com/photos/spidermandragon5/2922128673/sizes/s/</p><p>in/photostream/</p><p>Já Einstein, apresentou-nos a relatividade na observação de fenô-</p><p>menos físicos.</p><p>N</p><p>A</p><p>S</p><p>A</p><p>B</p><p>ry</p><p>an</p><p>W</p><p>ri</p><p>g</p><p>h</p><p>t</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>71</p><p>Novos paradigmas, novos rumos</p><p>A estrutura de revoluções científi cas foi uma obra escrita</p><p>em 1962, por Thomas Kuhn. Nela obtemos referências em rela-</p><p>ção às rupturas de linha de pensamento na evolução científi ca</p><p>como “mudanças de paradigma”, um termo que atualmente se</p><p>usa a fi m de descrever uma modifi cação profunda em nossos</p><p>pontos de referência já cristalizados sobre determinados assun-</p><p>tos, que podem mudar de direção a qualquer momento.</p><p>Um dos exemplos de quebra de paradigmas é a História,</p><p>que teve com a Escola dos Annales, a criação de novos rumos na</p><p>investigação científi ca. A Nova História, por exemplo, quebrou</p><p>os paradigmas de estudar a história apenas pelos caminhos da</p><p>documentação e passou a aceitar os novos estudos que pensam</p><p>na pesquisa sob outras formas metodológicas, como a História</p><p>do Amor.</p><p>A Escola dos Annales foi uma revolução na ciência histórica, pois en-</p><p>quanto uma corrente inovadora (Annales) tem o intuito de desprezar o</p><p>acontecimento ou fato histórico, considerado a história dos vencedo-</p><p>res que se cria na “longa duração” ao derivar seu foco da vida política</p><p>para a atividade econômica, a organização social e a psicologia coletiva</p><p>(BOURDÉ; MARTIM, 2000, p. 119).</p><p>Depois de sua criação, outros estudos com novas visibilidades co-</p><p>meçaram a surgir, como é o caso dos estudos da vida cotidiana,</p><p>estudos da mulher, do amor, entre outros impensados até essa rup-</p><p>tura com as escolas rígidas que a História seguia.</p><p>Nova História – A Nouvelle Histoire surgiu a partir da Escola dos An-</p><p>nales como uma nova abordagem das particularidades históricas.</p><p>“Os historiadores tradicionais pensam na história como essencial-</p><p>mente uma narrativa dos acontecimentos, enquanto a nova história</p><p>está mais preocupada com a análise das estruturas” (BURKE, 1992,</p><p>p. 12).</p><p>Exemplos de paradigmas:</p><p>• Na História:</p><p>72</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Repensar a História pela história de vida contada, observa-</p><p>da e sentida por sujeitos vivos, que trazem em suas memórias,</p><p>fatos, ações e lembranças do passado para reconstruir a história</p><p>viva, ou a história do tempo presente seria uma forma de para-</p><p>digma, pois a História só havia sido contada pelos documentos.</p><p>As questões da direção dessa mudança tangenciam novos ru-</p><p>mos para a investigação, partindo de fatos e histórias de vidas</p><p>comuns que também fazem parte da História da humanidade.</p><p>Como entender os sentimentos? De onde partir para essa inves-</p><p>tigação? Isso seria um dos exemplos de quebra de paradigmas</p><p>na História.</p><p>Cada área do conhecimento traz seus paradigmas e formu-</p><p>la questionamentos acerca das mudanças temporal e espacial-</p><p>mente. Os paradigmas no turismo podem ser defi nidos a partir</p><p>da construção de novos rumos para as viagens. Um exemplo</p><p>seria a viagem virtual. Conforme colocado pelos futuristas do tu-</p><p>rismo, as viagens podem ser sentidas por meio de novos equipa-</p><p>mentos sem que o indivíduo saia do local, usando apenas uma</p><p>máquina que o faça ser transportado no tempo e no espaço, com</p><p>sensações, aromas e sentimentos advindos dessa experiência.</p><p>Ainda neste exemplo, usemos a Disney World, que no uso</p><p>da fantasia quebra a noção do dia a dia e entra num mundo criado</p><p>especialmente para os turistas. Como virtual, peguemos o exem-</p><p>plo dos cinemas 3D, em que, ao assistirmos a um fi lme, sentimos,</p><p>por meio de ações criadas neste espaço para entrarmos no fi lme,</p><p>as sensações, advindas de uma realidade virtual. No fi lme, quan-</p><p>do uma cobra sai da tela (virtualmente) parece que vai nos pegar</p><p>e, ao correr atrás dos ratos que vêm em nossa direção, sentimos</p><p>nas pernas e pés um vento seguido de pequenas bolinhas como</p><p>se eles estivessem realmente correndo entre nós.</p><p>As sensações fazem parte de um universo imaginário e ao</p><p>mesmo tempo sentido, no qual o paradigma de apenas assistir ao</p><p>fi lme dá lugar à entrada física no espaço e no tempo. Esse é um</p><p>dos exemplos do que se pode fazer em termos virtuais do Turismo.</p><p>Imaginemos entrar em uma máquina que nos carrega para</p><p>uma ilha qualquer, ao colocarmos os óculos e sentarmos na ca-</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>73</p><p>deira, vemos, ouvimos e sentimos o lugar, andamos pela areia e</p><p>o calor passa pela pele como se estivéssemos realmente ali.</p><p>Esse é um paradigma a ser quebrado, sairmos do corpo e</p><p>sentirmos o lugar sem estar nele, como se fosse uma forma de</p><p>viagem no tempo.</p><p>Algumas ideias sobre os paradigmas em Turismo podem ser vistas</p><p>no link a seguir, relacionando a partir da área, a ligação com as mu-</p><p>danças conceituais no tempo e no espaço.</p><p>Fonte: http://www.univercidade.br/uc/cursos/graduacao/tur/pdf/artigos/no-</p><p>vos_paradigmas.pdf</p><p>Ao buscar novos olhares para o Turismo, os paradigmas co-</p><p>meçam a surgir. Dos problemas para investigação, quase sempre</p><p>existem os oriundos da própria atividade como prejudicial ao lu-</p><p>gar. No entanto, considerando a natureza fi ndável, o que se pode</p><p>fazer é exatamente tentar construir recursos para a sustentabilidade</p><p>e também para minimizar os efeitos trazidos pelos turistas.</p><p>Dos problemas advindos do Turismo, podemos pensar a</p><p>questão social, cultural e econômica, além da ambiental, confor-</p><p>me o exemplo dado sobre o fi m da água. Os impactos do Turis-</p><p>mo sobre as localidades estão ligados a muitos fatores, como é</p><p>o caso dos confl itos gerados em uma população ribeirinha, por</p><p>exemplo. Pensando na questão social, quais seriam os confl itos</p><p>gerados desse encontro entre turista e morador? Neste mesmo</p><p>exemplo, o que geraria na cultura local? E, quais seriam os bene-</p><p>fícios e malefícios da atividade para a economia local? Regional?</p><p>Nacional?</p><p>Essas perguntas não possuem resposta imediata, isso se-</p><p>ria um foco para produzir uma pesquisa em Turismo. Mas, pen-</p><p>semos ainda antes da construção de uma pesquisa na área de</p><p>Turismo, como funciona a interdisciplinaridade na área.</p><p>Sustentabilidade</p><p>Defi nida por meio de</p><p>princípios de pre-</p><p>servação e melhoria</p><p>do ambiente natural.</p><p>Signifi ca sustentar; de-</p><p>fender; favorecer, apoiar;</p><p>conservar, cuidar.</p><p>74</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1.</p><p>(...) a hospitalidade e humanização em instituições de saú-</p><p>de, como um dos principais meios de tornar a estada do</p><p>doente menos traumática e gerar alguma forma de co-</p><p>nhecimento e enriquecimento cultural, durante a conva-</p><p>lescença. Também aborda como profi ssionais de outras</p><p>áreas, como Hotelaria e Turismo, podem estar se inserin-</p><p>do nesse mercado, gerando uma nova infraestrutura em</p><p>hospitais e tornando o hospital um local mais agradável</p><p>à permanência, e aproximando-o da estrutura de hotéis,</p><p>com comprovados benefícios à saúde do paciente. Enfo-</p><p>ca como essa alteração refl ete positivamente na imagem</p><p>do hospital, gerando uma maior demanda por serviços de</p><p>maior qualidade. Outro aspecto é a criação de uma agenda</p><p>de atividades a serem realizadas diariamente pelos pacien-</p><p>tes, assim como os envolvendo com atividades culturais e</p><p>recreativas. O futuro é abordado como sendo promissores</p><p>ao se incorporar novos serviços, sendo o resultado alta-</p><p>mente valorizado e reconhecido pela sociedade como um</p><p>todo (GODOI, 2008).</p><p>Hospitalidade: ação de acolhimento por caridade ou cortesia.</p><p>Humanização: conceito repensado sobre técnicas de percepção</p><p>do doente no ambiente hospitalar, cuida da dimensão física em</p><p>seu componente social, psíquico e emocional.</p><p>Partindo deste texto, como podemos reconhecer o que é um pa-</p><p>radigma na pesquisa científi ca, considerando as relações entre</p><p>hospitalidade, humanização e Turismo?</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>75</p><p>Resposta Comentada</p><p>A hospitalidade oferece diversas e variadas opções para o consu-</p><p>midor de serviços de saúde, considerando o ambiente hospitalar</p><p>um local de difi culdades e medo em um ambiente</p><p>mais agradável e</p><p>atraente aos olhos de quem fi ca hospitalizado. Ao fornecer serviços</p><p>hoteleiros como diversidade gastronômica, serviços de copa e cozi-</p><p>nha, mensageiros, manobristas e capitão porteiro pode-se ampliar o</p><p>bem-estar de quem precisa fi car no ambiente hospitalar. Ao prover</p><p>ambientes de maior facilidade e comodidade, a estada hospitalar</p><p>pode fi car menos desgastante.</p><p>O paradigma do hospital como um lugar frio, amedrontador e sem</p><p>serviços humanizados ou hospitaleiros acabou dando lugar a um</p><p>ambiente com maior possibilidade de melhoria na qualidade do</p><p>atendimento de saúde. Esse paradigma foi quebrado com a inserção</p><p>de serviços de hospitalidade dentro dos hospitais e é uma das áreas</p><p>com grande possibilidade de ascensão no país e no mundo.</p><p>A interdisciplinaridade em Turismo</p><p>A interdisciplinaridade pode ser entendida como uma com-</p><p>preensão holística de determinado problema, analisado sob dife-</p><p>rentes perspectivas, na qual se interpõem conceitos de diversas</p><p>disciplinas a ponto dos mesmos fundirem-se numa nova unida-</p><p>de. Ela:</p><p>compreende um processo de integração interna e concei-</p><p>tual que rompe a estrutura de cada disciplina para consti-</p><p>tuir um conjunto axiomático novo e comum a todas elas,</p><p>Holístico</p><p>Abrangência da com-</p><p>preensão integral dos</p><p>fenômenos, não apenas</p><p>das suas partes</p><p>individualizadas.</p><p>Interdisciplinar</p><p>Relação entre áreas do</p><p>conhecimento indiferente</p><p>às similaridades.</p><p>76</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>com a fi nalidade de dar uma visão unitária de um setor do</p><p>saber (PIAGET apud DENCKER, 1998, p. 32).</p><p>Uma das ideias sobre a interdisciplinaridade no Turismo é</p><p>exatamente a construção de vertentes, surgidas a partir do uso</p><p>de outras áreas do conhecimento e da apropriação de seus ele-</p><p>mentos. O turismo passou a ser um problema quando deteriorou</p><p>os meios onde foi implantado, destruindo recursos e trazendo</p><p>prejuízos aos moradores ou ao meio ambiente.</p><p>As demais áreas do conhecimento começaram uma ver-</p><p>dadeira luta contra o turismo predador, inserindo novos olhares</p><p>sobre a construção de uma forma de turismo sustentável, na</p><p>qual o lugar deve ter o mínimo de prejuízo ou até transformar</p><p>os recursos negativos em positivos. Assim, as áreas apropriadas</p><p>pelo turismo começaram a se revelar preocupadas com as atitu-</p><p>des dos turistas e com as atividades que trazem deterioração aos</p><p>objetos usados.</p><p>Como então começa a interdisciplinaridade do Turismo? O</p><p>Turismo já é interdisciplinar por si mesmo. Não há Turismo sem o</p><p>uso de outras áreas, pois ele precisa de outras áreas para existir.</p><p>Segundo a Organização Mundial do Turismo, nos estudos</p><p>turísticos são utilizados os referenciais teóricos das mais varia-</p><p>das disciplinas, como a Psicologia; a Antropologia; a Sociologia;</p><p>a Economia; a Administração; a Geografi a; o Direito; a Educação;</p><p>a Estatística; a Ecologia, entre outros.</p><p>Quando o Turismo é analisado de forma individual, se-</p><p>parando cada disciplina que compõe o quadro de estudos, por</p><p>exemplo, há uma desarticulação de informações, por isso bus-</p><p>camos a inter e a multidisciplinaridade na academia e na prestação</p><p>de serviços, assim, obtemos de forma global a temática e não de</p><p>forma separada e incipiente.</p><p>Sendo assim, é preciso uma abordagem interdisciplinar</p><p>no Turismo, buscando atingir a prática transdisciplinar, usando a</p><p>inserção das atividades turísticas e relacionado-as com todas as</p><p>áreas do conhecimento e não as estudando de forma separada.</p><p>Multidisciplinar</p><p>Direcionado para</p><p>muitas áreas do saber,</p><p>escolhidas mediante</p><p>similaridades.</p><p>Transdisciplinar</p><p>É a forma de mediação</p><p>entre todas as áreas,</p><p>buscando nas aborda-</p><p>gens a união destas para</p><p>a construção de uma</p><p>nova forma do saber.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>77</p><p>Alguns pesquisadores, como Beni (1998), já entraram nes-</p><p>se campo, propondo fundamentos a uma teoria dos sistemas,</p><p>aplicada ao Turismo, de forma a completar as interligações de</p><p>cada especifi cidade da atividade (veja mais sobre isso no boxe</p><p>a seguir).</p><p>O conceito de Sistema Turístico (Sistur) foi criado por Mário Carlos</p><p>Beni e defi ne em linhas gerais quais são as estruturas que compõem</p><p>o Turismo de forma ampla. “É um conjunto de procedimentos, dou-</p><p>trinas, ideias ou princípios logicamente ordenados e coesos, com</p><p>intenção de descrever, explicar ou dirigir o funcionamento de um</p><p>todo” (BENI, 2001, p. 23).</p><p>Entre essas estruturas ele dividiu:</p><p>Elementos do sistema</p><p>• Meio ambiente</p><p>• Unidades ou elementos</p><p>• Relações</p><p>• Atributos</p><p>• Entradas – inputs</p><p>• Saídas – outputs</p><p>• Realimentação – feedback</p><p>• Modelo</p><p>Fonte: Beni (1998, p. 48).</p><p>78</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Como metodologia de trabalho, a interdisciplinaridade</p><p>busca:</p><p>• Integração dos conteúdos, nas quais existe uma lógica de gra-</p><p>de curricular a exemplo dos cursos de graduação no Brasil.</p><p>• Concepção abrangente e total do conhecimento (apesar de se</p><p>falar no que concerne à totalidade, ou verdade universal, mas</p><p>busca a totalidade).</p><p>• Superação das visões unilaterais ao buscar tangenciar as li-</p><p>nhas de raciocínio.</p><p>• Pensar de forma progressista e libertadora, com o intuito de</p><p>não amarrar a visão a correntes específi cas do pensamento.</p><p>Pensar de forma a integrar os conteúdos é repensar as</p><p>mais variadas áreas do conhecimento que interagem direta ou</p><p>indiretamente com o Turismo.</p><p>Se pensarmos, por exemplo, a Antropologia e o Turismo,</p><p>temos de enfatizar as relações estabelecidas entre o homem, seu</p><p>meio e as trocas econômicas entre eles, não de forma separada,</p><p>mas de forma a relacionar esse encontro de áreas. O objetivo</p><p>fi nal é utilizar os resultados desse encontro e como entendê-lo e</p><p>transportá-lo para a melhoria dos relacionamentos.</p><p>Transdisciplinar: signifi ca mobilizar as disciplinar e observar os di-</p><p>recionamentos possíveis, por exemplo, além de analisar o Turismo</p><p>sob a perspectiva econômica, temos de instigar a Matemática como</p><p>vertente e as demais disciplinas a fi m de repensarmos a sua lógica.</p><p>A transdisciplinaridade surge como possibilidade para o alargamento</p><p>da compreensão do real, como renascimento do espírito e de uma nova</p><p>consciência, de uma nova cultura para enfrentar os perigos e horrores</p><p>desta época. Instiga a tomar consciência da gravidade do momento e</p><p>a colocar em conexão os conhecimentos e as capacidades de pensar</p><p>para transformar a si mesmo e o mundo em que vivemos, levando a</p><p>termo uma nova práxis. Ser histórico e compreender-se historicamente</p><p>não signifi cam somente o entendimento de uma lógica cuja razão crítica</p><p>está na base de explicações conjunturais e econômicas, mas sim e tam-</p><p>bém reconhecer-se trans-histórico e responsável por um pensamento</p><p>de si, do contexto e do complexo (RODRIGUES, M., 2011).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>79</p><p>A investigação interdisciplinar</p><p>A investigação interdisciplinar busca a todo o momento in-</p><p>termediar correntes de pensamento das mais variadas áreas e</p><p>disciplinas. O método da interdisciplinaridade surge no fi nal do</p><p>século XIX como uma necessidade de mudança na investigação</p><p>científi ca e em seus rumos.</p><p>Os neopositivistas — como foram chamados os defensores</p><p>deste método — queriam alcançar a totalidade do conhe-</p><p>cimento, entendendo melhor o todo e suas partes, a partir</p><p>da lógica que busca em uma linguagem sistematizada a</p><p>linha de raciocínio da investigação. Ou seja, visavam rom-</p><p>per a epistemologia positivista, mas permanecer fi éis aos</p><p>seus princípios. Após a segunda metade do século XX, a</p><p>interdisciplinaridade torna-se a grande preocupação das</p><p>Ciências Humanas, fazendo surgir várias correntes de pen-</p><p>samento (CORDEIRO, 2004).</p><p>Atualmente, de acordo com Gadotti (2000):</p><p>No plano teórico, busca-se fundar a interdisciplinaridade na</p><p>ética e no antropocentrismo (grifo do autor), ao mesmo tem-</p><p>po em que, no plano prático, surgem projetos que reivindi-</p><p>cam uma visão</p><p>interdisciplinar no campo e no currículo.</p><p>Esse questionamento signifi ca a busca, na teoria por uma</p><p>interposição de argumentos sobre a necessidade de uma visão</p><p>multilateral e, na prática, por novos desafi os de pesquisa que se</p><p>tornarão novas teorias e quebras de paradigmas.</p><p>A metodologia do trabalho interdisciplinar tem como prin-</p><p>cipal enfoque integrar e adaptar os conteúdos, além de buscar a</p><p>totalidade na investigação e a visão multidirecional.</p><p>Esse tipo de método não busca a desfragmentação do sa-</p><p>ber, como é o caso das especialidades, mas uma integração destas</p><p>especialidades para um novo saber mais abrangente e holístico.</p><p>O estudo do Turismo ainda é muito recente, na Europa ain-</p><p>da se fi gura nos estudos aplicados às técnicas e de formação de</p><p>Neopositivistas</p><p>Filósofos agrupados em</p><p>diversas doutrinas que</p><p>buscam o progresso</p><p>científi co e a linguagem</p><p>lógica na pesquisa,</p><p>especialmente usando os</p><p>princípios da Matemática</p><p>(principais represen-</p><p>tantes: M. Schlick, R.</p><p>Carnap, H. Reichenbach).</p><p>80</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>profi ssionais. No Brasil, ele foi criado com o intuito de descrever</p><p>as práticas profi ssionais, mas ao longo das décadas de 1970 a</p><p>1990 foi se adequando à necessidades mais teóricas da área com</p><p>a criação dos cursos de graduação e pós-graduação.</p><p>O ensino do Turismo até mea-</p><p>dos de 1970 tinha como enfoque a</p><p>inserção na vida profi ssional, com</p><p>um ensino pragmático, não havendo</p><p>preocupação com a investigação cien-</p><p>tífi ca. A preocupação era a formação</p><p>técnica de pessoas que prestariam os</p><p>serviços. Assim, surgem os manuais</p><p>de profi ssões, como: camareira, gar-</p><p>çom, sommelier, entre outros.</p><p>A partir da década de 1980, iniciou-se uma nova fase da</p><p>educação em Turismo, que passou do nível aplicado tecnicamente</p><p>para o universitário, expandindo seus objetivos. Dessa forma, a</p><p>pesquisa em Turismo passou a incorporar alguns objetivos, como:</p><p>• Colocar o Turismo em um contexto mais amplo.</p><p>• Examinar avaliações disciplinares alternativas para o estudo.</p><p>• Focalizar um número de problemas críticos no Turismo.</p><p>Fonte: Cordeiro (2004)</p><p>A partir dos anos 1990, inicia-se uma nova fase no estudo</p><p>do Turismo, a partir da globalização e do avanço da tecnologia</p><p>da informação (digitalização). Este novo contexto mundial trans-</p><p>formou o Turismo, tradicionalmente um setor com enfoque local,</p><p>numa indústria global. Assim, a competitividade no Turismo exi-</p><p>ge cada vez mais qualidade no conhecimento, tendo como foco</p><p>um profi ssional fl exível, capaz de adaptar-se à dinâmica mundial,</p><p>com amplos conhecimentos, inserido na segmentação do merca-</p><p>do cada vez mais abrangente e ao mesmo tempo necessitado de</p><p>especialização nos serviços.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/</p><p>photo/1151761</p><p>M</p><p>ic</p><p>h</p><p>al</p><p>Z</p><p>ac</p><p>h</p><p>ar</p><p>ze</p><p>w</p><p>sk</p><p>i</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>81</p><p>O Turismo não tem um método científi co independente,</p><p>não possui uma metodologia própria, aplicada à suas fragmen-</p><p>tações e segmentos. Seu estudo se dá a partir do conjunto de</p><p>várias disciplinas de outras ciências, estando com isso sujeito à</p><p>infl uência de diferentes paradigmas. A cada momento surgem</p><p>novos segmentos e áreas com temáticas abrangentes e específi -</p><p>cas, o que redireciona os estudos e métodos também apropria-</p><p>dos de outras áreas.</p><p>Esse caráter multidisciplinar do estudo do Turismo leva a</p><p>um conhecimento mais abrangente, mas acaba por resultar em</p><p>estudos fragmentados, muitas vezes insufi cientes, levando seus</p><p>investigadores a agir apenas dentro dos limites de suas discipli-</p><p>nas, o que desarticula a ideia de transdisciplinaridade que tende</p><p>a agrupar as disciplinas e rever seus direcionamentos.</p><p>Nos mais diversifi cados estudos e pesquisas publicados</p><p>no Brasil (MOESCH, 2000), percebe-se um certo reducionismo ao</p><p>objeto pesquisado, nos quais o Turismo é analisado sob a abor-</p><p>dagem individual de cada disciplina, o que desarticula os resulta-</p><p>dos e difi culta a construção de um referencial teórico específi co.</p><p>Dessa forma, há a necessidade de uma abordagem interdis-</p><p>ciplinar no ensino do Turismo, buscando atingir a prática transdis-</p><p>ciplinar e não apenas direcionada como vem ocorrendo na área</p><p>acadêmica, na qual os estudos direcionam-se para especifi cida-</p><p>des do Turismo. Ao estudar Geografi a, por exemplo, precisamos</p><p>entendê-la dentro do contexto do Turismo e não apenas a Geogra-</p><p>fi a que já é algo que deve ser sabido como geral, social, humano,</p><p>entre outras. A Geografi a voltada para a construção do território,</p><p>entendendo as articulações com a Antropologia, por exemplo, dá</p><p>uma visão do que se pretende com a articulação das áreas.</p><p>Alguns pesquisadores, como Beni (1998), propõem funda-</p><p>mentos a uma teoria dos sistemas aplicada ao Turismo, de forma</p><p>completa e interligando as especifi cidades da atividade, o que</p><p>vem ao encontro das necessidades de se pensar o Turismo de</p><p>forma mais ampla e redirecionada.</p><p>82</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2. Como podemos aplicar o conceito de interdisciplinaridade nos</p><p>objetos de investigação científi ca?</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para gerenciar pesquisas interdisciplinares, é preciso formar algu-</p><p>mas proposições baseadas em temas comuns, originadas em de-</p><p>bates que travam uma discussão para a formação da pesquisa in-</p><p>terdisciplinar. Entender e organizar essas proposições representa a</p><p>chave para defi nir a interdisciplinaridade da pesquisa. Essa forma de</p><p>pesquisa requer contribuições de mais de uma disciplina que pode</p><p>ser conduzida, usando diferentes formas organizacionais. No Turis-</p><p>mo, teoricamente, já temos a interdisciplinaridade, pois precisamos</p><p>de outras áreas para construirmos nossa base teórica e de pesquisa.</p><p>As relações entre as áreas de pesquisa</p><p>Sendo os paradigmas valores e conceitos capazes de dire-</p><p>cionar investigações em períodos históricos distintos, nos quais</p><p>prevaleceram como formas de explicação da realidade, tome-</p><p>mos os valores embutidos na cultura e, consequentemente, dire-</p><p>cionemos essa questão para o conhecimento científi co.</p><p>Ao considerarmos as defi nições sobre ciência e a impor-</p><p>tância da utilização do método, é possível perceber que o Turis-</p><p>mo não é uma ciência social com um conhecimento ordenado</p><p>metodicamente. No entanto, apesar de não ser uma ciência, o</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>83</p><p>Turismo também é utilizado por outras ciências para desvendar</p><p>fenômenos, nas mais variadas pesquisas científi cas, como é o</p><p>caso da Economia, entre muitas outras áreas.</p><p>O Turismo é um fenômeno social, fenômeno porque é em-</p><p>piricamente observável e social, porque diz respeito ao homem</p><p>em sociedade e dentro de um processo histórico. Barreto pro-</p><p>põe que, à ciência que o estuda se dê o nome de Turismologia,</p><p>ou Turismosofi a, para estabelecer diferenças inteligíveis entre o</p><p>fenômeno e a pesquisa a seu respeito (BARRETTO, 2004, p. 85).</p><p>As relações entre as áreas de pesquisa encontram-se em</p><p>um universo que compreende ligar as teorias e criar novas pos-</p><p>sibilidades de investigação. No Turismo, a dependência de outras</p><p>áreas está intimamente ligada à interpretação do que se quer</p><p>apresentar como fato novo. A exemplo disso, pensemos na cria-</p><p>ção de possibilidades:</p><p>1. Turismo x Antropologia: como pensar na relação Homem x</p><p>atividade turística?</p><p>2. Turismo x Sociologia: como entender o Turismo e as rela-</p><p>ções criadas a partir do contato social? Ou: como entender o</p><p>processo do fenômeno turístico com o contexto, criado para</p><p>essa fi nalidade?</p><p>3. Turismo x Economia: como o Turismo promove-se e traz benefí-</p><p>cios e fl uxo econômico para a localidade, região e para o país?</p><p>4. Turismo x História: como se constrói o Turismo numa locali-</p><p>dade em tempos distintos?</p><p>5. Turismo x Direito: quais são as respectivas legislações, apli-</p><p>cadas à atividade turística nas mais variadas localidades</p><p>em</p><p>termos de legislação municipal, estadual e federal, no Brasil</p><p>e no mundo?</p><p>Essas indagações permitem que pensemos na relação do</p><p>Turismo com as mais variadas áreas do conhecimento. Muitas são</p><p>as formas de se pensar na ligação da interdisciplinaridade e na</p><p>formação de um novo conhecimento, a partir da visão turística.</p><p>84</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>A possibilidade de pesquisa interdisciplinar: um estu-</p><p>do de caso em Santa Catarina</p><p>Na pesquisa interdisciplinar, devemos atentar para a cons-</p><p>trução de novas possibilidades de investigação a partir de um</p><p>dado problema encontrado em destinos turísticos, por exemplo.</p><p>Neste estudo que iremos apresentar, atente para a relação criada</p><p>entre a atividade, a comunidade, a tradição e o lugar.</p><p>Neste estudo de caso sobre as rendas de bilro, como possi-</p><p>bilidade de manutenção da identidade e da tradição açoriana em</p><p>Florianópolis, demonstra-se como podemos relacionar algumas</p><p>áreas do conhecimento à formação do conceito de interdiscipli-</p><p>naridade e ao mesmo tempo criar novas formas de aperfeiçoar a</p><p>dinâmica do turismo no local.</p><p>Tradição açoriana: são formas de manifestação da cultura popular</p><p>que vieram das ilhas açorianas (Corvo, Pico, Faial, Terceira, São Mi-</p><p>guel, Santa Maria, Flores, São Jorge e Graciosa) com os imigrantes</p><p>que se instalaram no Brasil. Açores são as ilhas que vemos no re-</p><p>tângulo maior:</p><p>Fonte: http://commons.wikimedia.org/wiki/File:Portugal_NUTS_II.svg</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>85</p><p>Rendas de bilros: rendas tradicionalmente açorianas, feitas por mu-</p><p>lheres imigrantes, por meio da troca manual de bilros para a confec-</p><p>ção de toalhas, ornamentos e outras forma artesanais.</p><p>Figura 3.2: Mulher rendeira na lagoa da Conceição, Florianópolis — SC.</p><p>Neste estudo, podemos destacar que:</p><p>A ideia de estudar a lagoa da Conceição em Florianópolis,</p><p>visualizando o turismo, o artesanato e a identidade cultu-</p><p>ral, decorreu primeiro da constatação da relativa negligên-</p><p>cia da sociedade em relação à preservação do patrimônio</p><p>imaterial constituído entre outros, pelas rendas de bilros,</p><p>produzidas pelas mulheres daquela localidade.</p><p>A carência de estudos sobre as inter-relações do Turismo</p><p>com a preservação do patrimônio cultural em geral — e,</p><p>mais especifi camente, em Florianópolis — determinaram</p><p>a necessidade de explorar a cultura açoriana, presente na</p><p>lagoa da Conceição, e seus elementos étnicos que permi-</p><p>tem abordar de maneira substancial as rendas de bilros.</p><p>A busca pelo equilíbrio entre a atividade turística e a pre-</p><p>servação da identidade local propiciou a formulação de</p><p>questionamentos acerca da etnologia das rendeiras.</p><p>O trabalho artesanal da produção de rendas de bilros, cal-</p><p>cado na descendência açoriana, foi escolhido como objeto</p><p>de estudo para a discussão sobre o destino das caracterís-</p><p>ticas do produto, devido às prováveis mudanças, oriundas</p><p>da apropriação pela atividade turística (ANGELO, 2005).</p><p>86</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Para ver o artigo na íntegra, acesse o site:</p><p>http : / /www.fami l iaangelo .com/ index.php?opt ion=com_</p><p>content&view=article&id=4:a-identidade-cultural-e-o-tu-</p><p>rismo-nas-discussoes-sobre-o-artesanato-das-rendas-de-</p><p>bilros&catid=1:historia-oral&Itemid=2</p><p>A identidade cultural e o Turismo nas discus-</p><p>sões sobre o artesanato das rendas de bilros</p><p>Na relação com o lugar, a comunidade, o trabalho artesanal</p><p>e a manutenção das tradições femininas encontraram algumas</p><p>áreas do conhecimento, como: História, Geografi a, Antropologia,</p><p>Marketing e Economia.</p><p>As relações constroem-se na medida em que o pesquisa-</p><p>dor vai construindo o universo da investigação e acaba por cons-</p><p>truir um novo olhar sobre o objeto proposto.</p><p>Neste caso, pensamos em criar formas de organizar a ati-</p><p>vidade turística por meio da união entre comunidade, artesanato</p><p>e identidade cultural, fazendo com que as tradições sejam apro-</p><p>priadas pelo Turismo, mas não desgastem ou não as transfor-</p><p>mem em simples mercadoria, mantendo de alguma forma suas</p><p>singularidades primárias, ou seja, sua essência, história e vínculo</p><p>tradicional de diversas gerações.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 3</p><p>3. Faça uma relação da pesquisa em Turismo com outras áreas</p><p>do conhecimento.</p><p>Para construir esta relação, pense no exemplo do Caso Rondon</p><p>Minas e explique sobre as disciplinas estabelecidas na constru-</p><p>ção do objeto pesquisado, organizando as áreas nele relaciona-</p><p>das que você observou.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>87</p><p>Rondon Minas: é um projeto que atua em municípios mineiros do</p><p>Norte e vales do Jequitinhonha e Mucuri com baixo Índice de De-</p><p>senvolvimento Humano — IDH com a fi nalidade fomentar o de-</p><p>senvolvimento local por meio da formação de agentes multiplica-</p><p>dores. (O texto completo sobre o projeto está no boxe multimídia.)</p><p>Veja alguns trechos para facilitar sua análise.</p><p>(...) por meio Projeto Rondon Minas, é possível estabelecer</p><p>uma relação entre universidade e municípios dos Vales de</p><p>Jequitinhonha e Mucuri e Norte de Minas, oportunidade</p><p>de vivenciar, conhecer novas realidades e atuar nessas co-</p><p>munidades como pesquisadores, praticando intercâmbio</p><p>de saberes tanto com as pessoas do local quanto com a</p><p>equipe, tudo isso favorece na formação profi ssional, pois</p><p>possibilita desenvolver habilidades adquiridas dentro da</p><p>academia e ao longo da vida o que contribui para um co-</p><p>nhecimento teórico e prático para o aluno e dá oportuni-</p><p>dade de mudança para esses municípios, com as ações e</p><p>projetos propostas que contribuem no desenvolvimento</p><p>de formas inovadoras e sustentáveis (p. 8).</p><p>(...) voluntários do projeto Rondon Minas desenvolvem ati-</p><p>vidades e prestam serviços para a comunidade nas áreas</p><p>de arte e educação, saúde, geração de emprego e renda e</p><p>assistência social, entre elas, capacitação de professores,</p><p>ofi cinas, caminhadas ecológicas, assessoria a pequenos</p><p>criadores e agricultores (p. 8).</p><p>O Turismo Solidário é puro intercâmbio. Mágico contato</p><p>dos diferentes num desejo frenético de aprender, trocar,</p><p>vivenciar, respeitar o inusitado vindo de todas as partes e</p><p>de todos os lados. Do turista solidário ao anfi trião, existem</p><p>desejos envoltos de cidadania, cada um tentando compre-</p><p>ender, conhecer e entender toda a diversidade destes gro-</p><p>tões, veredas, rios e suas barrancas, cachoeiras, sertões,</p><p>parques e matas, culinária rica e farta de sabores, boa hos-</p><p>pitalidade, folclore de muitos sons, movimentos e cores,</p><p>artesanato que se expressa em arte que é a mutação do</p><p>barro, madeira, bambus, fi bras e algodão, tramas, tape-</p><p>tes, fl ores do campo e pedras em múltiplos objetos que</p><p>dão corpo e existência à criação e a criaturas sagradas e</p><p>profanas com singularidade, autenticidade e genuinidade</p><p>(FIGUEIREDO, 2006).</p><p>88</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para exemplifi car essa relação, peguemos um projeto em ação. “O</p><p>Rondon Minas. A ideia desse projeto foi levar às comunidades o co-</p><p>nhecimento gerado em sala de aula na academia, a fi m de propor-</p><p>cionar um intercâmbio entre o saber popular e o saber científi co.</p><p>Neste projeto, inclui-se o Turismo solidário, a interdisciplinaridade</p><p>e a cidadania, essa união de áreas faz parte do que chamamos de</p><p>interdisciplinaridade e relaciona a atividade turística com a comuni-</p><p>dade, a economia local, a troca de conhecimentos e a formação de</p><p>projetos sociais.</p><p>Para ver o projeto na íntegra, acesse:</p><p>http://www1.pucminas.br/proex/arquivos/rondonturismo.pdf</p><p>Conclusão</p><p>A mudança de paradigmas e a interdisciplinaridade permi-</p><p>tem rever e repensar o mundo e suas visões pré-defi nidas e, des-</p><p>sa forma, construir formas de compreensão de fatos históricos,</p><p>estruturas político-sociais, processos de interação, ritos sociais,</p><p>manifestações artísticas, avanços tecnológicos, entre outros.</p><p>As-</p><p>sim, a diversidade dos processos e suas variadas manifestações</p><p>podem ser discutidas por diferentes campos discursivos, entre</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>89</p><p>os quais se podem citar a História, a Comunicação, a Arte, a Culi-</p><p>nária, a Economia e o Marketing, entre muitos outros. Ainda que</p><p>resguardem sua especifi cidade, esses campos articulam-se e</p><p>acabam por se complementar na análise dos mais variados pro-</p><p>cessos, a partir de uma perspectiva interdisciplinar.</p><p>O Turismo abre caminhos para muitas pesquisas interdis-</p><p>ciplinares, fomentando a ampliação do conhecimento e gerando</p><p>novas possibilidades de interação e desenvolvimento para o lo-</p><p>cal, a região e o país.</p><p>A investigação deve partir de um contexto a ser analisado e</p><p>interligado com as mais variadas áreas, para que não fi que sim-</p><p>plista e amplie suas abordagens, tanto na área acadêmica quanto</p><p>mercadológica.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1, 2 e 3</p><p>Veja este vídeo para a construção dessa resposta:</p><p>http://www.myspace.com/video/vid/47620098</p><p>Como podemos exemplifi car as relações do Turismo com outras</p><p>áreas do conhecimento de forma a quebrar paradigmas e usar</p><p>a interdisciplinaridade? Marque as possíveis áreas usadas para</p><p>construir essa relação nos casos listados a seguir e explique as</p><p>escolhas.</p><p>Turismo de aventura</p><p>( ) Geografi a________________________________________________</p><p>( ) História__________________________________________________</p><p>( ) Antropologia_____________________________________________</p><p>( ) Matemática______________________________________________</p><p>( ) Física____________________________________________________</p><p>( ) Química_________________________________________________</p><p>( ) Anatomia________________________________________________</p><p>( ) Educação Física__________________________________________</p><p>( ) Biologia_________________________________________________</p><p>90</p><p>Aula 3 • A interdisciplinaridade no Turismo: quais são os paradigmas da investigação?</p><p>Você pode ler o texto extra para auxiliá-lo na construção da res-</p><p>posta.</p><p>Resposta Comentada</p><p>As relações do Turismo com outras áreas do conhecimento propi-</p><p>ciam a visão de novas investigações mais amplas e múltiplas. A ideia</p><p>de quebrar paradigmas e usar a interdisciplinaridade vem da própria</p><p>visão de como entender o Turismo sem pensar em aspectos espe-</p><p>cífi cos. Das possíveis áreas usadas para construir essa relação nos</p><p>casos listados, podemos exemplifi car a Antropologia, a Geografi a,</p><p>a História, a Biologia e a atividade física que juntas podem esboçar</p><p>como a atividade de aventura se constrói. No entanto, poderíamos</p><p>usar muitas outras áreas, a fi m de ampliarmos a visão do Turismo</p><p>de aventura e criar novos estudos e investigações. Por exemplo: Na</p><p>Educação Física, poderíamos pegar a Fisiologia e aplicar às ativida-</p><p>des desenvolvidas a fi m de pensar sobre como os corpos agem com</p><p>as atividades de impacto e relacionam-se no bem-estar das pessoas,</p><p>buscando a qualidade de vida e o lazer nesta modalidade de Turismo.</p><p>Resumo</p><p>Para identifi car as possibilidades de investigação científi ca no Tu-</p><p>rismo, a partir do conceito de interdisciplinaridade, há a necessi-</p><p>dade de comparar elementos de outras áreas do conhecimento,</p><p>focalizando novas ligações com mais de uma área, de forma am-</p><p>pla e não fragmentada. A proposta para a ampliação do conheci-</p><p>mento na área é a interdisciplinaridade e a transdisciplinaridade,</p><p>nas quais as disciplinas devem ser ligadas em enfoques holísticos.</p><p>Nessa perspectiva, surge a necessidade da quebra dos paradig-</p><p>mas, ou seja, a mudança no rumo das concepções preestabele-</p><p>cidas, que além de fornecer subsídios para novas concepções do</p><p>objeto Turismo ainda fornece a possibilidade de ligar as mais varia-</p><p>das áreas e criar um conhecimento progressivo e não linear.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>91</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, tentaremos desvendar como se processa</p><p>a investigação na área de Turismo.</p><p>4 Como se processa a investigação</p><p>na área de Turismo</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Apresentar o processo de investigação na área de</p><p>Turismo, a fi m de iniciar a construção de problemas</p><p>de pesquisa.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 defi nir objetos de pesquisa e contextualizá-los;</p><p>2 construir problemas de investigação em turismo;</p><p>3 partir da viabilidade na formulação do problema</p><p>de investigação.</p><p>Pré-requisito</p><p>Reveja o conceito de interdisciplinaridade, na Aula 3.</p><p>94</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos à nossa quarta aula!</p><p>Até o presente momento, já vimos a construção do conhecimen-</p><p>to, os interesses em descobrir novos caminhos para a pesquisa</p><p>e como o Turismo como área interdisciplinar pode quebrar para-</p><p>digmas para a construção de novas teorias.</p><p>Nesta aula, vamos começar a entender como se inicia a pesquisa</p><p>em Turismo, como pensar o objeto a ser investigado, a construção</p><p>de um problema de pesquisa e as possibilidades de desdobrar uma</p><p>investigação na área e suas possíveis ligações com as demais.</p><p>Desde a construção do objeto da pesquisa, que deve ter como</p><p>elementos constitutivos o interesse, o desejo de saber, as inquie-</p><p>tações sobre aspectos da realidade experienciada, ou seja, de ex-</p><p>periências individuais, teremos suas questões fundamentais na</p><p>construção da problemática em si.</p><p>Das questões que fundamentam o objeto, o problema e o proces-</p><p>so que nele se inscrevem, traçaremos a possibilidade de enten-</p><p>dermos a investigação científi ca na área de Turismo.</p><p>A investigação em Turismo</p><p>A produção do conhecimento em Turismo constitui um</p><p>conjunto de iniciativas, que primeiro advém do setor pri-</p><p>vado/empresarial e em menor escala na produção acadê-</p><p>mica, que inclui trabalhos produzidos pelas universidades</p><p>e/ou faculdades, públicas ou privadas. Assim, esse conhe-</p><p>cimento ou saber é reduzido às informações e sistemáticas</p><p>sobre seu setor produtivo. Nesse contexto observa-se que</p><p>se tornou um fazer-saber (MOESCH, 2000, p. 13).</p><p>Ou seja, primeiro se faz e depois se estuda o que foi feito,</p><p>ao contrário do que a própria história nos ensina que é saber-</p><p>fazer, primeiro há a teoria e depois a prática.</p><p>No turismo, as empresas fazem experiências para ver se</p><p>dão certo ou não, muitas vezes sem estabelecer um estudo de</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>95</p><p>campo e de mercado para saber estrategicamente se o negócio</p><p>é viável ou não.</p><p>Para mudar essa perspectiva, por meio da investigação</p><p>científi ca, do levantamento de dados, da interdisciplinaridade,</p><p>embasada em teorias já existentes, o Turismo tende a buscar a</p><p>cientifi cidade e assim chegar a ser uma ciência.</p><p>A criação de espaços, laboratórios e mecanismos de pes-</p><p>quisa dentro das Universidades, justifi ca-se por esta necessida-</p><p>de, que se esforça para aprofundar os conhecimentos a respeito</p><p>de todas as ligações e relações entre o Turismo e as demais teo-</p><p>rias já defendidas e publicadas, auxiliando na busca da ligação</p><p>entre o setor empresarial e a academia.</p><p>Com essa especifi cidade, a área de Turismo busca na ca-</p><p>deia interdisciplinar suas relações com a realidade, almejando</p><p>unir o empírico às teorias já estabelecidas e formar novos estu-</p><p>dos e processos de investigação que trarão benefícios à transfor-</p><p>mação da área.</p><p>Das pesquisas já efetuadas na área, pode-se dizer que vi-</p><p>mos assistindo a uma investigação multidisciplinar em um deter-</p><p>minado campo de estudo – o Turismo – no qual cada disciplina</p><p>envolvida usa seus próprios conceitos e métodos, separadamen-</p><p>te e de forma múltipla e no qual o tema geral da investigação é o</p><p>mesmo, mas os resultados obtidos só podem ser interpretados</p><p>separadamente, no nível de cada disciplina.</p><p>Ao pensarmos sobre a construção histórica da investiga-</p><p>ção turística, suas vertentes se prontifi caram a analisá-la sob três</p><p>disciplinas específi cas – Economia, Geografi a e Antropologia,</p><p>na</p><p>qual a atividade foi, ao longo do tempo, investigada de forma</p><p>muito abrangente, o que de certa forma defi niu uma trajetória</p><p>específi ca de temas, distintamente do que se vê na atualidade,</p><p>temas sendo reelaborados em forma de releituras e em âmbitos</p><p>mais fl exíveis e áreas correlatas.</p><p>96</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>As disciplinas Economia, Geografi a e Antropologia acabaram</p><p>abrangendo a maioria dos estudos turísticos até meados dos anos</p><p>de 1990. As investigações acabavam tendo um viés econômico pela</p><p>própria relação com a prestação de serviços e geração de emprego</p><p>e renda, por isso se adequava a essa perspectiva. A Geografi a era</p><p>um dos enfoques mais tratados, especialmente pela questão do ter-</p><p>ritório, do espaço usado e suas formas de uso que acarretavam em</p><p>trabalhos de Antropologia nos quais as relações entre homem, na-</p><p>tureza e espaço traduzem-se em críticas à atividade, especialmente</p><p>em relação aos impactos que o turismo sempre causou no meio.</p><p>Desses problemas que abrangem a Geografi a, a Antropo-</p><p>logia e a Economia, indagamos até então sobre:</p><p>• Impactos e previsões econômicas: nestes enfoques, a realida-</p><p>de local, regional, nacional e internacional era percebida sob</p><p>a perspectiva do que era causado pelo Turismo, tendo como</p><p>base a Economia. As previsões direcionavam pelos dados es-</p><p>tatísticos quais seriam os direcionamentos da atividade nos</p><p>mais variados âmbitos.</p><p>• Impactos culturais: a análise feita neste tópico diz respeito ao</p><p>próprio conceito de cultura que segue, via de regra, aos com-</p><p>portamentos, hábitos, costumes e padrões cotidianos, entre</p><p>outros para compreensão do Turismo.</p><p>• Destino e imagem: a análise era feita de forma quantitativa</p><p>para analisar quais destinos eram mais visitados no Brasil e</p><p>no mundo.</p><p>• Atributos dos viajantes: nesta abordagem, buscavam-se per-</p><p>ceber quais eram as condições do viajante, seus dados, esco-</p><p>laridade, classe social, preferências, entre outros.</p><p>• Sustentabilidade e impacto ambiental: a abordagem dizia res-</p><p>peito especifi camente aos problemas no meio, criado a partir</p><p>do Turismo e sua capacidade de deterioração do ambiente.</p><p>• Política turística: direcionamentos de políticas para o Turismo e</p><p>sua potencialização e desenvolvimento.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>97</p><p>Apesar de direcionarmos os problemas em linhas gerais,</p><p>absorvendo os impactos econômicos, culturais, em especial a</p><p>imagem da localidade e os destinos mais escolhidos, além de</p><p>políticas públicas direcionadas, obviamente, outros subtemas</p><p>dessas perspectivas surgiram. A unidade da análise, ou seja, o</p><p>objeto de estudo, foi por muito tempo direcionado ao turista, a</p><p>segmentos de mercado específi cos ou a destinos específi cos. As-</p><p>sim, buscamos a cada momento novos rumos para a investiga-</p><p>ção, a fi m de revermos elementos fundamentais e fomentarmos</p><p>debates sobre as direções gerais, para as quais a investigação</p><p>em Turismo avança.</p><p>O que buscamos estudar em Turismo e quais os meios para</p><p>isso? Esta é uma indagação que podemos responder com a de-</p><p>nominação do que vem a ser uma investigação turística.</p><p>A investigação em Turismo implica:</p><p>• a formulação de perguntas;</p><p>• o recolhimento de informação, para responder a estas perguntas;</p><p>• a organização e a análise dos dados, de forma que sejam obti-</p><p>dos por meio desses dados os padrões de comportamento, as</p><p>tendências e relações que visam à compreensão do sistema.</p><p>Assim, procura-se com isso estratégias para a tomada de de-</p><p>cisões que incluem previsões, a partir dos vários cenários criados.</p><p>Para entender a formação de destinos turísticos como forma de investi-</p><p>gação, ver o vídeo: Transformando lugares em destinos turísticos:</p><p>http://www.dailymotion.com/video/x6rpf6_video-aula-02-turismo_school</p><p>Para ampliarmos essas discussões, recorreremos à OMT</p><p>– Organização Mundial do Turismo —, que defi niu etapas do pro-</p><p>cesso de investigação turística, em que dois deles são basica-</p><p>mente os caminhos a serem escolhidos para iniciarmos a pes-</p><p>quisa:</p><p>(a)</p><p>98</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>• Dedutivo — que defi ne a partir da teoria os objetivos a serem</p><p>alcançados. Neste processo, partimos de referencial bibliográ-</p><p>fi co e de trabalhos científi cos para construirmos a análise do</p><p>objeto/tema/problema de investigação e alcançarmos os obje-</p><p>tivos da pesquisa.</p><p>Exemplo: como entender a relação da comunidade ribeiri-</p><p>nha que vive em Mongaguá, litoral de São Paulo com o desen-</p><p>volvimento da Arqueologia subaquática que está sendo desen-</p><p>volvida na região?</p><p>Se escolhêssemos o caminho da dedução, partiríamos de</p><p>um embasamento teórico antropológico e sociológico para com-</p><p>preender essas relações e não levaríamos em consideração as</p><p>experiências desses sujeitos sociais.</p><p>• Indutivo — que parte dos dados empíricos para formar concei-</p><p>tos. Ao escolhermos esse caminho, seguiríamos o inverso do</p><p>exemplo da dedução acima, ou seja, partiríamos das experi-</p><p>ências dos ribeirinhos para compreendermos essa relação e</p><p>encontrarmos um caminho com a teoria já estabelecida, seja</p><p>pelo viés da Antropologia, da Sociologia ou de qualquer outra</p><p>categoria possível de análise.</p><p>Defi nição do objeto de pesquisa</p><p>O objeto de pesquisa em Turismo é, dentro do tema pro-</p><p>posto, a imagem central que se quer compreender, ou seja, ao</p><p>relacionarmos o tema, o problema e suas relações, um objeto é</p><p>foco central para a investigação.</p><p>Uma forma de exemplifi car o objeto seria partir de seus</p><p>questionamentos: o turista que frequentava a praia Grande, em</p><p>Santos, nas décadas de 1970 a 1990, acabava criando uma ima-</p><p>gem negativa da localidade? Isto se estendeu para a cidade?</p><p>Objeto: praia Grande, em Santos.</p><p>Tema: relação entre turistas e o turismo de sol e praia na</p><p>cidade de Santos.</p><p>Dados empíricos</p><p>Dados que se baseiam</p><p>na experiência e na</p><p>observação, e não em</p><p>uma teoria.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>99</p><p>Problema: quais os impactos e efeitos do turismo em San-</p><p>tos, nas décadas de 1970 a 1990.</p><p>Essas relações favorecem a ilustração de como se interpre-</p><p>ta o objeto, tema e problema na investigação. No entanto, preci-</p><p>samos ir um pouco atrás para compreendermos a criação de um</p><p>objeto; assim, ao defi nirmos esse objeto de pesquisa em turis-</p><p>mo temos de fundamentar sua construção. Ao utilizarmos como</p><p>teoria a “construção do objeto científi co”, proposta por Gastón</p><p>Bachelard temos:</p><p>• Análise empírica do objeto: nesta fase, procura-se onde se</p><p>encontra o objeto no mundo da realidade e, ao encontrá-lo,</p><p>verifi camos sua relevância para o desenvolvimento do conhe-</p><p>cimento na área. Esta é uma primeira fase a ser superada pela</p><p>pesquisa (MOESCH, 2002, p. 97).</p><p>• Quando falamos em empírico, queremos dizer que as experiên-</p><p>cias e a realidade são formas de entender o objeto dentro do</p><p>universo da pesquisa, sendo a fonte escolhida o próprio docu-</p><p>mento, seja em forma de entrevistas, histórias de vida, histó-</p><p>rias temáticas, imagens, mapas, entre muitos outros.</p><p>• Análise histórica do objeto: esta fase remete às determinações</p><p>históricas, que possibilitam conhecer o objeto apresentado no</p><p>passado e no presente, a fi m de analisar as mudanças e rumos</p><p>percebidos; nesta análise observamos temporalmente a traje-</p><p>tória histórica do caminho percorrido por esse objeto ou por</p><p>suas perspectivas.</p><p>• Análise fi losófi ca do objeto: fase que tem como princípio sua</p><p>empiricidade e sua história, signifi cando observar e retirar do</p><p>objeto o seu caráter ideológico, político e social, por meio de</p><p>uma análise crítica da sua realidade e do seu papel social. Aqui</p><p>tentamos interpretar o objeto dentro do contexto de análise</p><p>sem esquecer a amplitude que ele pode tomar.</p><p>• Análise econômica do objeto: compreensão dos impactos eco-</p><p>nômicos, tanto para a população receptora como para o sistema</p><p>turístico em geral. Na análise econômica, está incluso tanto a</p><p>comunidade quanto a localidade, a região</p><p>e o país, por exemplo.</p><p>100</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>• Análise cultural do objeto: compreende focalizar o contexto</p><p>onde se insere esse objeto e como se relaciona com o meio</p><p>social nele produzido; o meio cultural refere-se aos padrões de</p><p>comportamento, regras, costumes, hábitos e valores estabele-</p><p>cidos no lugar.</p><p>• Análise tecnológica do objeto: tende a focalizar em que espa-</p><p>ço esse objeto encontra-se frente às tendências tecnológicas e</p><p>como se condensa e transforma-se nele. A tecnologia faz com</p><p>que o objeto mude muitas vezes de perspectiva, um dos exem-</p><p>plos é a facilidade de locomoção atual e a de 20 anos atrás,</p><p>outras formas são os meios de comunicação que facilitaram</p><p>muito a construção das viagens pelos próprios turistas.</p><p>Por mais parcial e parcelar que seja um objeto de pesquisa,</p><p>ele só pode ser defi nido e construído em função de uma</p><p>problemática teórica que permita submeter a uma interro-</p><p>gação sistemática os aspectos da realidade colocados em</p><p>relação entre si pela questão que lhes é formulada (BOUR-</p><p>DIEU, 1999, p. 48).</p><p>Bourdieu quis dizer que o objeto, o problema e o tema só</p><p>terão validade científi ca se forem contextualizados dentro de um</p><p>universo amplo como é o caso de todas estas formas de análise</p><p>representadas.</p><p>A realidade ao ser investigada precisa necessariamente de</p><p>focos de abordagem que permitam contextualizar o todo e pos-</p><p>teriormente indagar as partes, ou pode-se partir das partes para</p><p>o todo, mas sempre discorrendo sobre os aspectos que fazem</p><p>parte deste todo.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>101</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Estudo de caso:</p><p>A reconstrução do Pelourinho em Salvador, na Bahia, teve um</p><p>impacto relevante na comunidade, pois as pessoas que habita-</p><p>vam as casas foram destituídas do espaço e alocadas em outras</p><p>regiões, favorecendo a reconstrução física do espaço, das facha-</p><p>das dos edifícios históricos e criando galerias, lojas, restaurantes</p><p>e lugares voltados para o turismo. Considerando que ali habi-</p><p>tavam prostitutas e pessoas de rua, e era um local pobre que</p><p>amedrontava turistas e visitantes além da população local, seja</p><p>por conta das imagens criadas seja pela violência instalada, as</p><p>ações políticas efetivadas modifi caram além da estrutura social e</p><p>econômica do lugar, as relações entre turistas e visitantes. Moral</p><p>da história: os antigos moradores acabaram sendo transferidos</p><p>para as periferias, mudando com isso suas relações de trabalho,</p><p>moradia e sociabilidade, e redefi niu-se com isso a imagem da</p><p>localidade.</p><p>Partindo deste caso, assinale a mais adequada entre as três alter-</p><p>nativas e construa sua defesa do porquê.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/434246</p><p>Jo</p><p>se</p><p>M</p><p>ig</p><p>u</p><p>el</p><p>H</p><p>er</p><p>n</p><p>án</p><p>d</p><p>ez</p><p>102</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>a) ( ) As ações de retirada dos problemas sociais (pessoas) e de</p><p>limpeza, e reorganização do lugar trouxe outro cartão postal para</p><p>a cidade, indiferente dos impactos sociais, culturais e econômi-</p><p>cos que isso possa ter trazido à comunidade, ao lugar, à região e</p><p>ao município.</p><p>b) ( ) Um espaço com problemas econômicos difi cilmente terão</p><p>receptividade ao turista, não importa quais ações sejam tomadas</p><p>para inseri-los no novo lugar.</p><p>c) ( ) A construção dessa relação depende de como as mudanças</p><p>foram inseridas na comunidade, considerando quais foram os</p><p>impactos causados e quais os benefícios trazidos ao local. No</p><p>caso Pelourinho, as mudanças deveriam ter sido feitas com to-</p><p>das as vertentes que apontamos sobre a construção do objeto,</p><p>seja de cunho cultural, fi losófi co, tecnológico, ambiental, social,</p><p>entre outros, o que favoreceria uma aceitação do turismo local.</p><p>Resposta Comentada</p><p>C) A construção dessa relação depende de como o objeto se insere</p><p>na comunidade, considerando quais serão os impactos causados e</p><p>quais os benefícios que poderão trazer ao local. Essa análise deve</p><p>ser feita com todas as vertentes que apontamos sobre a construção</p><p>do objeto, seja de cunho cultural, fi losófi co, tecnológico, ambiental,</p><p>social, entre outros. Em termos econômicos, há que se pensar que,</p><p>no Turismo, os impactos e efeitos, tanto para a população receptora</p><p>como para o sistema turístico, estão sempre em estreita ligação. A</p><p>análise econômica nos coloca frente a categorias de análise rele-</p><p>vantes para a compreensão da complexidade que é a atividade. A</p><p>esta estão relacionadas as questões de classe social, capital, con-</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>103</p><p>tradição, ideologia e demais conceitos que nos possibilitam uma</p><p>análise aprofundada da economia dessa sociedade, no sentido de</p><p>entendê-la em seu funcionamento produtivo. Essa relação se dá de</p><p>forma ampla e sistemática, na qual o objeto está em estreita ligação</p><p>com a comunidade receptora. O caso do Pelourinho foi sem dúvida</p><p>uma das maiores evidências de transformação do lugar, excluindo</p><p>elementos da comunidade e reordenando as relações do ambiente</p><p>por conta do Turismo.</p><p>A construção do problema</p><p>Um problema de pesquisa é aquele que não possui respos-</p><p>ta imediata, necessitando de respostas organizadas a partir de</p><p>um processo investigativo.</p><p>O problema é uma questão que pode ser respondida por</p><p>meio da pesquisa e sua formulação requer conhecimen-</p><p>to teórico. Os problemas surgem de questões de natureza</p><p>prática, na percepção de alguma difi culdade teórica, ou da</p><p>frustração de expectativas. Toda pesquisa inicia-se com a</p><p>formulação de um problema e tem por objetivo a sua solu-</p><p>ção (DENCKER, 2000, p. 63).</p><p>Um problema é a mesma coisa que defi nir questões não</p><p>resolvidas, passíveis de tratamento científi co. No Turismo, a ob-</p><p>servação prática pode trazer à tona qualquer referência possível</p><p>de se tornar um problema.</p><p>Os problemas devem ser defi nidos com claridade, atentan-</p><p>do para os objetivos específi cos que correspondem às necessi-</p><p>dades e exigências do sistema turístico.</p><p>104</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>Os problemas devem respeitar algumas fases, que in-</p><p>cluem:</p><p>a) Análise descritiva: trata da descrição da realidade turís-</p><p>tica e suas características; não tem como fi nalidade estabelecer</p><p>causalidade entre as variáveis e, portanto, não serve para tomar</p><p>decisões.</p><p>b) Planejamento e avaliação de políticas alternativas: esta</p><p>seria a investigação estratégica, que é uma forma de analisar os</p><p>riscos e potencialidades de uma ação. Exemplos deste tipo de in-</p><p>vestigação: formulação de novas políticas, voltadas para os proble-</p><p>mas de uma localidade; análise de situações a níveis estratégicos,</p><p>ou seja, como analisar riscos e benefícios do turismo; estabeleci-</p><p>mento de prioridades de acordo com um objetivo fi nal; alterações</p><p>nas preferências da procura; as avaliações de custos etc.</p><p>c) Previsão e controle das variáveis que podem afetar as</p><p>futuras decisões: o objetivo é prever ações. Pressupõe um con-</p><p>tínuo feedback entre a previsão e a ação, ou seja, uma ação pode</p><p>trazer outros riscos a um objeto e esse feedback traria a articula-</p><p>ção de novas ações em relação ao que foi encontrado. Um exem-</p><p>plo: variável sazonalidade:</p><p>Fontes: http://www.sxc.hu/photo/680529; http://www.sxc.hu/photo/967211; http://</p><p>www.sxc.hu/photo/620532</p><p>Sazonalidade</p><p>Refere-se geralmente à</p><p>alternância de períodos</p><p>previsíveis de baixas e</p><p>altas, seja de preços, de</p><p>estação climática, de</p><p>temporada, em decorrên-</p><p>cia, respectivamente, de</p><p>aumentos e diminuições</p><p>na oferta de bens, de cli-</p><p>ma, de férias escolares,</p><p>entre outras.</p><p>Feedback</p><p>Segundo o Houaiss,</p><p>é a informação que o</p><p>emissor obtém da reação</p><p>do receptor à sua mensa-</p><p>gem e que serve para</p><p>avaliar os resultados da</p><p>transmissão.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>105</p><p>• Poder aquisitivo: ao tratar dessa variável, considerando que a</p><p>fatia da demanda que frequenta a localidade seja X e tornou-</p><p>se por algum motivo Y, como deveria ser a ação depois da mu-</p><p>dança? Aqui poderia mudar a direção da previsão</p><p>e ação.</p><p>d) Tomada de decisões: esta constituiria a investigação-</p><p>ação, que signifi ca buscar no campo de pesquisa os pontos for-</p><p>tes e fracos para constituição de um planejamento adequado. O</p><p>exemplo no campo turístico seria avaliar o grau de êxito de um</p><p>novo plano, criando segmentos específi cos de oferta turística,</p><p>como: turismo rural, de aventura, agroturismo, entre outros.</p><p>Investigação-ação: geralmente se defi ne pela ação de tentar aprimo-</p><p>rar a prática pela oscilação sistemática entre agir no campo dessa</p><p>prática e investigar a seu respeito.</p><p>A pesquisa-ação é um termo aplicado em projetos nos quais os pes-</p><p>quisadores buscam efetuar transformações em suas próprias práti-</p><p>cas, um dos exemplos é a área de Educação. Na sala de aula, esse</p><p>tipo de pesquisa é muito favorecido, pois a intervenção do profes-</p><p>sor é de suma relevância para a mudança de rumo dos problemas.</p><p>Gil (2002) considera que para elaboração correta de um</p><p>projeto é fundamental a defi nição de forma clara do problema. A</p><p>partir daí, pode-se então prever os passos, etapas e procedimen-</p><p>tos possíveis e desejáveis da pesquisa, pois fazer investigação</p><p>passa pela capacidade de problematizar os diferentes fenôme-</p><p>nos existentes. A defi nição de um problema indica a área de inte-</p><p>resse a ser investigada, bem como aponta os caminhos a serem</p><p>aprofundados na temática. Sua formulação deve ser em forma</p><p>de pergunta, clara e precisa, devendo ser delimitado a uma di-</p><p>mensão variável e possível.</p><p>106</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>• Criando um problema:</p><p>Os parques temáticos da Disney podem ser considerados</p><p>alternativos para a valorização socioeconômica das paisagens</p><p>culturais, criados ou inventados?</p><p>Este problema precisa de metodologia apropriada, funda-</p><p>mentação teórica, hipóteses e variáveis para sua construção e</p><p>tematização. Assim, ao estabelecermos questões para formular-</p><p>mos problemas, precisamos pensar no conjunto de ações me-</p><p>todológicas que usaremos para esse fi m, e se essa temática é</p><p>viável em todos os sentidos.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2. Disserte sobre a ampliação da demanda em períodos de baixa</p><p>estação turística em uma localidade (escolher o destino).</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para fazer uma pergunta que pode se transformar em problema de</p><p>investigação em Turismo, ela não pode ter resposta imediata, precisa</p><p>de uma investigação e de conhecimento teórico sobre o assunto.</p><p>Este problema precisa de metodologia apropriada, fundamentação</p><p>teórica, hipóteses e variáveis para sua construção e tematização, as-</p><p>sim, ao estabelecermos questões para formularmos problemas, pre-</p><p>cisamos pensar no conjunto de ações metodológicas que usaremos</p><p>para esse fi m e se essa temática é viável em todos os sentidos.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>107</p><p>Fontes de pesquisa</p><p>As fontes de pesquisa ou fontes documentais são os ele-</p><p>mentos de base para a construção da investigação.</p><p>No Turismo, são consideradas fontes documentais: “Qual-</p><p>quer objeto material que contenha informação turística registra-</p><p>da e possível de ser transmitida” (DENKER, 1998, p. 249).</p><p>Das fontes, temos:</p><p>• Fontes primárias: constituem-se a partir de material encontra-</p><p>do em revistas, informes de investigação, atas, produção aca-</p><p>dêmica e livros.</p><p>Destas fontes, temos:</p><p>• Revistas científi cas: publicações específi cas, periódicos, me-</p><p>moriais, anuários, revistas, entre outros.</p><p>Para conhecer algumas revistas científi cas em Turismo, acesse seus</p><p>respectivos links:</p><p>http://www.revistas.univerciencia.org/turismo/index.php/rbtur</p><p>http://www.revistas.univerciencia.org/turismo/index.php/hospitalidade</p><p>• Fontes secundárias: são aquelas que contêm material conhe-</p><p>cido e organizado, segundo um esquema determinado. For-</p><p>mam-se a partir do resultado do desenvolvimento de fontes</p><p>primárias e da extração, condensação ou qualquer outro tipo</p><p>de reorganização da documentação, de modo a torná-la aces-</p><p>sível aos usuários. Entre elas, encontram-se:</p><p>a) revistas de resumos: nas quais apenas os resumos dos</p><p>trabalhos são publicados;</p><p>b) índices bibliográfi cos: são índices de bibliografi as es-</p><p>pecífi cas ou gerais. Exemplo: bibliografi a sobre Santa Catarina;</p><p>bibliografi a sobre rendas de bilros; bibliografi as sobre o patrimô-</p><p>nio cultural do Brasil, entre outros;</p><p>108</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>c) índices permutados: permuta entre instituições deve ser</p><p>solicitada entre as bibliotecas;</p><p>d) índices de conteúdos: índice que aborda quais os conteú-</p><p>dos de pesquisas, trabalhos acadêmicos, entre outros;</p><p>e) índices de autores: indica todos os autores de uma de-</p><p>terminada área ou assunto. Exemplo: autores de Teoria do Co-</p><p>nhecimento, autores sobre turismo de aventura, ente outros;</p><p>f) bases de dados: base que contempla assuntos, como:</p><p>autores, resumos, referências bibliográfi cas, entre outros;</p><p>g) banco de dados: banco de informações, criado com um</p><p>fi m. Exemplo: banco de dados sobre turismo regional, turismo lo-</p><p>cal, codifi cação de renda etc. Atualmente, os bancos de dados são</p><p>informatizados, facilitando a busca por informações específi cas.</p><p>Conceitos, hipóteses e variáveis</p><p>A defi nição de conceitos tem como fi nalidade a homoge-</p><p>neização de critérios na comunidade científi ca que investiga so-</p><p>bre o mesmo tema. O conceito pode ser defi nido como algo que</p><p>porta um signifi cado, uma essência, um sentido.</p><p>No Turismo, temos muitos conceitos defi nidos e reconheci-</p><p>dos pela academia, um dos exemplos é o Sistema Turístico, (Sis-</p><p>tur), desenvolvido por Beni (1998). Quando falamos em sistema,</p><p>não se pode deixar de lado a teoria por ele criada.</p><p>A hipótese é uma suposição que fazemos na tentativa de</p><p>responder ao problema da pesquisa. Não pode ser uma opinião,</p><p>mas uma afi rmação advinda de bases sólidas fundamentadas</p><p>cientifi camente.</p><p>As variáveis podem ser denominadas como valores ou atri-</p><p>butos assumidos dentro de uma pesquisa. Em Estatística, temos</p><p>as variáveis qualitativas, que não podem ser expressas por meio</p><p>de números, mas têm a função de relacionar situações. Como</p><p>exemplos, podemos citar as preferências e escolhas dos turistas</p><p>por determinados lugares, por clima, região, países, entre ou-</p><p>tros. Elas podem ser divididas em ordinais e nominais.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>109</p><p>As variáveis qualitativas ordinais não são numéricas, no</p><p>entanto estabelecem ordenamentos, como conceitos, como clas-</p><p>se social, grau de instrução, entre outros. Já as variáveis qua-</p><p>litativas nominais não estabelecem ordem e são identifi cadas</p><p>nominalmente, por exemplo, as marcas de roupas, acessórios,</p><p>operadoras, agências de viagens especializadas, companhias aé-</p><p>reas, nome de pratos, drinks, entre outros.</p><p>As variáveis quantitativas são representadas numerica-</p><p>mente e classifi cam-se em discretas e contínuas. As discretas re-</p><p>lacionam-se a situações limitadas, que podem ser mensuráveis.</p><p>Por exemplo: número de destinos turísticos vendidos, quantida-</p><p>de de carros alugados, número de fi lhos que viajam juntos etc.</p><p>No caso das variáveis quantitativas contínuas, a característica</p><p>fundamenta-se nos valores infi nitos, como exemplo a velocida-</p><p>de dos meios de transportes, que podem variar de acordo com o</p><p>motorista, apesar dos limites nas mais variadas esferas munici-</p><p>pais, estaduais e federais; a altura e peso dos turistas em deter-</p><p>minadas regiões, entre outras.</p><p>Em Turismo, as variáveis vão sendo construídas, a partir</p><p>das hipóteses de estudo e da problemática de investigação. Elas</p><p>podem ser:</p><p>• “Variáveis quanto ao nível de abstração; o caráter escalar e a</p><p>posição que ocupam em suas relações” (BARROS; LEHFELD,</p><p>1986, p. 202).</p><p>Ao descrever essas variáveis, temos:</p><p>1. Nível de abstração</p><p>• Gerais: não podem ser mensuradas imediatamente.</p><p>• Intermediárias: mais concretas e próximas da realidade empírica.</p><p>• Empíricas: indicam de imediato as características observadas</p><p>nas experiências.</p><p>2. Caráter escalar</p><p>si, mas um meio para atingir a visão do mundo.</p><p>Figura 1.3: Pitágoras de Samos foi fundador de uma escola de pensa-</p><p>mento grega.</p><p>Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Kapitolinischer_Pythagoras_adjusted.</p><p>jpg</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>11</p><p>Quanto às refl exões sobre a Teoria do Conhecimento Cien-</p><p>tífi co ou Teoria da Ciência podemos dizer que há uma divisão em</p><p>teoria formal, chamada de Lógica e doutrina material da Ciência,</p><p>que é chamada “Teoria do Conhecimento”.</p><p>A Lógica estuda os métodos e princípios usados para dis-</p><p>tinguir o raciocínio correto do incorreto, sendo que ela não está</p><p>interessada nos obscuros caminhos pelos quais a mente chega</p><p>às suas conclusões durante os processos concretos de raciocínio</p><p>e sim, na correção do processo, uma vez completado. Uma das</p><p>perguntas que devemos aplicar quando utilizamos a lógica será</p><p>sempre: a conclusão a que cheguei está de acordo com as pre-</p><p>missas usadas? Se as premissas fornecem bases ou provas para</p><p>a conclusão e a afi rmação da verdade destas premissas, garan-</p><p>tirão a afi rmação de que a conclusão também será verdadeira,</p><p>então o raciocínio é correto. A distinção entre o raciocínio correto</p><p>e o incorreto é o problema central que incumbe à Lógica tratar,</p><p>pois seus métodos e técnicas foram desenvolvidos primordial-</p><p>mente para distinguir se o raciocínio é válido ou inválido, e isso</p><p>independente do seu conteúdo. Podemos usar, para ilustrar essa</p><p>ideia, o seguinte exemplo:</p><p>Premissa 1. Todo jogador de basquete é alto.</p><p>Premissa 2. João é jogador de basquete.</p><p>Conclusão: Então João é alto.</p><p>A conclusão acima está logicamente válida, pois está de</p><p>acordo com as premissas. Mas, e se o jogador João tiver apenas</p><p>1m de altura? Neste ponto, refl ita sobre esta declaração de Aris-</p><p>tóteles:</p><p>Quer nossa discussão diga respeito aos negócios públicos</p><p>ou a qualquer outro tema, devemos conhecer alguns, ou</p><p>todos os fatos sobre o tema de que estamos falando ou a</p><p>cujo propósito discutimos. Caso contrário, não teremos os</p><p>materiais de que os argumentos são construídos (ARISTÓ-</p><p>TELES, 2005).</p><p>12</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>A base da retórica de Aristóteles nos dá o caminho da inda-</p><p>gação. Para isso, devemos conhecer todas as informações acerca</p><p>do objeto antes de pensar em refutá-la ou não. A argumentação</p><p>consitui-se a partir do conceito de totalidade de informações.</p><p>Aristóteles (384-322 a.C.)</p><p>Filósofo e sábio universal da Grécia Antiga, foi professor de Ale-</p><p>xandre, fi lho do rei Filipe da Macedônia, que mais tarde se distin-</p><p>gue como um dos maiores gênios militares e políticos de todos os</p><p>tempos, conquistando para a Grécia todo o Oriente, desde o Egito</p><p>até a Índia, passando a ser conhecido na História como Alexandre</p><p>o Grande.</p><p>Figura 1.4: Imagem de Aristóteles, o Grande Pensador.</p><p>Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Aristoteles_Louvre.jpg</p><p>Enquanto a Lógica pergunta a respeito da correção formal</p><p>do pensamento sobre sua concordância consigo, a Teoria do Co-</p><p>nhecimento pergunta sobre a verdade do pensamento, sobre a</p><p>sua concordância com o objeto de estudo. Também podemos,</p><p>por isso, defi nir a Teoria do Conhecimento como a teoria do pen-</p><p>samento verdadeiro, por oposição à Lógica, defi nida como a teo-</p><p>ria do pensamento correto.</p><p>E</p><p>ri</p><p>c</p><p>G</p><p>ab</p><p>a</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>13</p><p>Na Teoria do Conhecimento, o fenômeno apresenta uma</p><p>defrontação entre conhecimento e objeto, sujeito e objeto. O co-</p><p>nhecimento aparece como uma relação entre esses dois elemen-</p><p>tos. Nessa relação, sujeito e objeto permanecem eternamente</p><p>separados. No dualismo sujeito e objeto permanece a essência do</p><p>conhecimento, ou seja, a relação estabelecida entre sujeito e ob-</p><p>jeto depende da concepção das realidades observadas, pois são</p><p>opostas, antagônicas.</p><p>Ao mesmo tempo, a relação entre os dois elementos é uma</p><p>relação recíproca (correlação). O sujeito só é sujeito para um ob-</p><p>jeto e o objeto só é objeto para um sujeito. Eles só “são”, por</p><p>assim dizer, apenas na medida em que um é para o outro. Essa</p><p>correlação, porém, não é reversível. Ser sujeito é algo comple-</p><p>tamente diverso de ser objeto. A função do sujeito é apreender</p><p>o objeto; a função do objeto é ser apreensível e ser apreendido</p><p>pelo sujeito.</p><p>Quando o sujeito vai apreender o objeto, traz as impressões</p><p>deste para sua esfera. Não traz o objeto em si, mas a “fi gura” que</p><p>contém as determinações deste objeto como uma imagem. Nesse</p><p>ato, o objeto tem preponderância sobre o sujeito. O objeto é o de-</p><p>terminante, o sujeito é o determinado, e por isso o conhecimento</p><p>pode ser defi nido como uma “determinação do sujeito pelo obje-</p><p>to”. Devemos ter em mente que não é o objeto que causa a deter-</p><p>minação e sim a sua imagem, e esta, por sinal, é o meio pelo qual</p><p>a consciência cognoscente apreende seu objeto.</p><p>Dizer que o conhecimento é uma determinação do sujei-</p><p>to pelo objeto é dizer que o sujeito comporta-se receptivamente</p><p>com respeito ao objeto. Essa receptividade, contudo, não signifi -</p><p>ca passividade, pois a “imagem” relacionada ao objeto pode ter</p><p>uma participação do sujeito na sua criação.</p><p>Um exemplo simples da interação sujeito-objeto e a gera-</p><p>ção do conhecimento a partir da construção da “imagem” pode</p><p>ser ilustrada neste exemplo:</p><p>Dualismo</p><p>É uma concepção</p><p>fi losófi ca ou teológica</p><p>do mundo. Pode-se dizer</p><p>que se baseia em dois</p><p>princípios ou realidades</p><p>opostas, por exemplo,</p><p>corpo e alma.</p><p>Cognoscente</p><p>É a consciência ou o que</p><p>tem a capacidade de</p><p>conhecer.</p><p>14</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>Ao observar a maçã ela recebe a imagem da maçã azul,</p><p>sua mente interage de alguma forma com esta imagem sendo</p><p>que ela poderia interagir com a maçã sentido a textura, o peso</p><p>e, se for corajosa até o sabor. No fi nal deste processo, ela tira</p><p>suas conclusões e esta “imagem” passa a ser um conhecimento</p><p>acerca desta maçã azul.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Como podemos diferenciar lógica de raciocínio?</p><p>Figura 1.5: Uma pessoa pega uma maçã azul... E aí? (considere esta</p><p>maçã como azul).</p><p>Fonte: http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/1/15/Red_Apple.jpg</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>15</p><p>Resposta Comentada</p><p>A Lógica é o ramo da Filosofi a que cuida das regras do bom pensa-</p><p>mento, ou do pensar correto, sendo assim, um instrumento do pen-</p><p>sar. A Lógica fi losófi ca trata das descrições formais da linguagem</p><p>natural. Os fi lósofos assumem que a maior parte do raciocínio “nor-</p><p>mal” pode ser capturada pela Lógica, desde que seja possível en-</p><p>contrar o método certo para traduzir a linguagem corrente para essa</p><p>lógica. O raciocínio é considerado um mecanismo da inteligência</p><p>que gerou a convicção nos humanos de que a razão unida à imagi-</p><p>nação constituem os instrumentos fundamentais para a compreen-</p><p>são do universo, cuja ordem interna, aliás, tem um caráter racional.</p><p>Como classifi camos algo como científi co?</p><p>A Ciência é, antes de tudo, um modo de conhecimento</p><p>que busca objetividade, tentando atingi-la de diversas maneiras.</p><p>Para entender o conhecimento científi co, partiremos de algumas</p><p>defi nições de sua base de investigação; assim, temos os seguin-</p><p>tes critérios:</p><p>• sempre desconfi ar de nossas certezas, de nossa adesão ime-</p><p>diata às coisas, da ausência de crítica ou formulação de ques-</p><p>tionamentos;</p><p>• onde o senso comum vê muitas vezes fatos e acontecimentos,</p><p>o conhecimento científi co vê problemas e obstáculos a serem</p><p>desvendados por meio de pesquisa;</p><p>• ele busca leis gerais para os fenômenos, a fi m de interpretá-los,</p><p>já que busca o sentido das coisas.</p><p>Ex.: “A queda dos corpos é explicada pela lei da gravidade.“</p><p>16</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>Não acredita em milagres, mas acredita na regularidade,</p><p>constância, frequência dos fenômenos e a explicação é algo que</p><p>vai defi nir o fenômeno por si no seu sentido.</p><p>• É generalizador, pois reúne</p><p>• Nominais: denominadas pelas características de distinção;</p><p>como sexo, idade.</p><p>• Ordinais: classifi catórias, por exemplo, a condição socioeco-</p><p>nômica.</p><p>110</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>• Intervalares: encontram-se entre as duas, ou seja, em função de</p><p>alguma unidade de análise, como: faixa etária, renda individual</p><p>e familiar, gastos com determinados produtos, entre outros.</p><p>3. Posição</p><p>• Antecedente: explica o aparecimento da variável independente.</p><p>• Independente: determina a variável dependente.</p><p>• Interveniente: altera as relações entre as variáveis dependen-</p><p>tes e independentes.</p><p>• Dependente: determinada pela variável independente.</p><p>Fonte: Dencker (1998, p. 78-79).</p><p>Para saber mais sobre exemplos de variáveis em estudos de Turis-</p><p>mo, leia o texto: “Estudo de competitividade dos 65 destinos in-</p><p>dutores do desenvolvimento turístico regional — Relatório Brasil”.</p><p>Acesse o link:</p><p>http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/programas_</p><p>acoes/regionalizacao_turismo/downloads_regionalizacao/Estudo_</p><p>de_Competitividade.pdf</p><p>As principais hipóteses usadas em investigação do Turismo</p><p>são as seguintes:</p><p>• Hipóteses casuísticas: que se referem a um único caso. Uma</p><p>afi rmação referente a um objeto, pessoa ou fato. Exemplo:</p><p>os argentinos da classe A viajam para a Europa Central com</p><p>maior frequência do que os brasileiros.</p><p>• Relação das hipóteses de causalidade: conjunto de fatores que</p><p>determina a ocorrência ou não de alguns fenômenos. Exem-</p><p>plo: quando faz frio em julho, no Brasil, os turistas da classe A</p><p>buscam as cidades turísticas mais frias.</p><p>• Relação das hipóteses assimétricas: a ocorrência de um fenô-</p><p>meno depende da infl uência de outros. Exemplo: os jovens</p><p>preferem turismo de aventura.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>111</p><p>Exemplo de hipóteses:</p><p>1. Os empresários de Turismo de Petrópolis não têm conheci-</p><p>mento sobre:</p><p>• a Legislação Turística;</p><p>• os impactos e efeitos do Turismo na cidade e na região.</p><p>2. Os empresários de Petrópolis têm conhecimento sobre o</p><p>Comtur (Conselho Municipal de Turismo), mas não partici-</p><p>pam das reuniões.</p><p>3. Os empresários não participam das reuniões, porque não</p><p>acreditam nas ações políticas municipais.</p><p>4. Os empresários não querem mudar, nem buscam a amplia-</p><p>ção de sua demanda.</p><p>Ao defi nirmos as hipóteses e variáveis, vamos respondendo</p><p>aos questionamentos, ou seja, ao nosso problema de pesquisa.</p><p>Assim, para criarmos um projeto de pesquisa e formular-</p><p>mos um problema, verifi cando sua viabilidade, podemos pensar</p><p>de forma ampla e direcionarmos algumas questões básicas, como:</p><p>1. O que fazer?</p><p>2. Por que fazer?</p><p>3. Para que fazer?</p><p>4. Quando fazer?</p><p>5. Onde fazer?</p><p>6. Com o que fazer?</p><p>7. Como fazer?</p><p>8. Quem vai fazer?</p><p>Destas indagações surge o projeto de pesquisa.</p><p>112</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>Viabilidade da pesquisa</p><p>Para o sucesso do processo de investigação e da formu-</p><p>lação do problema, precisamos saber se ele é viável de forma</p><p>econômica, temporal, pessoal, teórica e especialmente se atende</p><p>às necessidades da área. A investigação a partir da necessidade</p><p>emergente de um paradigma holístico sobre o tema, sem prejuí-</p><p>zo da evolução futura, desejável em muitos sentidos é a forma de</p><p>se pensar nas articulações possíveis.</p><p>Partimos da viabilidade na formulação do problema de in-</p><p>vestigação em Turismo, que implica a formulação de perguntas; o</p><p>recolhimento de informação para obtenção das respostas; e o es-</p><p>tabelecimento de hipóteses e variáveis para a criação do projeto.</p><p>Assim, temos:</p><p>1. Viabilidade técnica: verifi ca a adequação dos meios téc-</p><p>nicos e de tecnologias, além de competências individuais e cole-</p><p>tivas, para aplicar os recursos em determinados projetos.</p><p>Figura 4.1: Como saber se o projeto é viável?</p><p>Fonte: http://www.fl ickr.com/photos/brizaskateboard/5009025904/sizes/s/in/pho-</p><p>tostream/</p><p>b</p><p>ri</p><p>za</p><p>sk</p><p>at</p><p>eb</p><p>o</p><p>ar</p><p>d</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>113</p><p>2. Econômica: verifi ca qual o custo-benefício para quem faz</p><p>e quem recebe a contribuição do projeto.</p><p>3. Financeira: verifi ca especifi camente os custos/gastos</p><p>com o projeto.</p><p>4. Pessoal: verifi ca a disponibilidade pessoal em executar</p><p>tarefas específi cas do projeto ou gerenciamento do mesmo.</p><p>5. Temporal: verifi ca em quanto tempo o projeto fi cará</p><p>pronto até sua implantação.</p><p>6. Social: verifi ca qual a relevância para a sociedade do</p><p>projeto a ser criado.</p><p>7. Cultural: verifi ca a constituição dentro de uma cultura,</p><p>ordenando o projeto pelos padrões de comportamento, hábitos,</p><p>costumes e leis da localidade.</p><p>Outras formas de viabilidade vão se adequando ao proble-</p><p>ma a ser investigado.</p><p>Conclusão</p><p>Percebemos que o conhecimento científi co é um processo</p><p>que acompanha a evolução histórica do saber ao retratar visões</p><p>de mundo predominantes em diferentes épocas, seja na constru-</p><p>ção de vertentes sobre a economia, sobre o homem ou sobre a</p><p>natureza. Essas inquietações da realidade são, na maioria das ve-</p><p>zes, questionadas e modifi cadas, e provocam rupturas sobre os</p><p>paradigmas nas mais diversas áreas, inclusive sobre o Turismo.</p><p>O Turismo ainda não se estabeleceu como ciência, no entan-</p><p>to, é uma das áreas que mais promove investigações, apropriando-</p><p>se de outras e tentando consolidar suas vertentes próprias, com</p><p>métodos próprios e com certa ampliação do objeto de pesquisa.</p><p>Por ser uma área abrangente e de grande diversidade, a questão</p><p>da interdisciplinaridade é fundamental no estudo turístico.</p><p>A produção científi ca em Turismo é ainda incipiente, mas</p><p>tem buscado na área acadêmica, por meio de suas mais varia-</p><p>das publicações, a ampliação do conhecimento, investigado nos</p><p>campos do saber e seus segmentos. Dessa forma, o conhecimen-</p><p>to vai ampliando suas vertentes de investigação.</p><p>114</p><p>Aula 4 • Como se processa a investigação na área de Turismo</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1, 2 e 3</p><p>Como podemos perceber se um problema de investigação é viável?</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para entender o processo de investigação e formular o problema,</p><p>precisamos saber se ele é viável de forma econômica, temporal, pes-</p><p>soal, teórica e especialmente se atende às necessidades da área. A</p><p>investigação a partir da necessidade emergente de um paradigma</p><p>holístico sobre o tema, sem prejuízo da evolução futura, desejável</p><p>em muitos sentidos, é a forma de se pensar nas articulações pos-</p><p>síveis. Assim, podemos pensar de forma ampla, concentrando os</p><p>questionamentos para verifi carmos se é ou não possível criar uma</p><p>pesquisa partindo do problema.</p><p>Resumo</p><p>Vimos nesta aula a defi nição de objetos de pesquisa; ou seja,</p><p>como defi nimos e delimitamos as vertentes de pesquisa, a inves-</p><p>tigação em Turismo propriamente dita; a construção de problemas</p><p>de investigação em Turismo; e exemplifi camos as hipóteses e va-</p><p>riáveis da pesquisa, além da formação das fontes e a viabilidade</p><p>de escolha de determinados temas e objetos de investigação, a</p><p>fi m de contextualizarmos novas possibilidades para a pesquisa em</p><p>Turismo na área acadêmica.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>115</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, veremos o desenvolvimento de um pro-</p><p>jeto de pesquisa em Turismo e suas aplicações.</p><p>5 Como desenvolver um projeto de</p><p>pesquisa em Turismo</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Defi nir os parâmetros para a criação de um projeto</p><p>de pesquisa na área de Turismo.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 defi nir a proposta de uma pesquisa, partindo</p><p>dos primeiros passos para construção de um</p><p>trabalho acadêmico;</p><p>2 construir problemas de investigação em turismo</p><p>para delimitação da pesquisa e sua temática;</p><p>3 criar um projeto de pesquisa em Turismo, pen-</p><p>sando em suas áreas correlatas.</p><p>118</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos à nossa Aula 5!</p><p>Na aula passada, começamos a esboçar a construção</p><p>do</p><p>objeto de pesquisa, a criação de problemas de investigação e as</p><p>etapas deste processo. Essa etapa foi crucial para descobrirmos</p><p>novos caminhos para a pesquisa em Turismo, como área interdis-</p><p>ciplinar, na construção de novas teorias.</p><p>Nesta aula, vamos iniciar, de forma mais efetiva, a constru-</p><p>ção de projetos de pesquisa em Turismo, pensando o objeto a ser</p><p>investigado, a construção de um problema de pesquisa e as pos-</p><p>sibilidades de desdobrar uma investigação na área e suas possí-</p><p>veis ligações com as demais, da mesma forma com que fi zemos</p><p>na aula anterior, mas aprofundando a metodologia do projeto.</p><p>Desde a construção do objeto da pesquisa, que deve ter</p><p>como elementos constitutivos o interesse, o desejo de saber, as</p><p>inquietações sobre aspectos da realidade experienciada, ou seja,</p><p>de experiências individuais, teremos as questões fundamentais</p><p>para a construção da problemática de pesquisa em si e a focali-</p><p>zação nas novas diretrizes de formulação do projeto.</p><p>Etapas da pesquisa</p><p>Toda pesquisa parte de etapas que implicam em desdobra-</p><p>mentos e necessitam de procedimentos específi cos. A primeira</p><p>coisa a ser feita é a escolha do assunto ou tema a ser investigado.</p><p>Uma vez escolhido o tema, partimos para a defi nição do objeto e</p><p>do problema de pesquisa.</p><p>Ressaltamos que:</p><p>• O tema é o contexto de onde se escolhe o objeto e posterior-</p><p>mente o problema.</p><p>Exemplo: imigração espanhola.</p><p>• O objeto é a delimitação do tema de quem será o foco da in-</p><p>vestigação.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>119</p><p>Exemplo: mulheres viúvas da imigração espanhola.</p><p>• O problema está no enfoque do que vai ser investigado dentro</p><p>da temática e não tem resposta imediata a uma indagação.</p><p>Exemplo: como a imigração espanhola feminina (de mu-</p><p>lheres viúvas), nos anos de 1940, para o Brasil, contribuiu no tra-</p><p>balho das fábricas?</p><p>Para entender esta abordagem, os princípios norteadores</p><p>da pesquisa acontecem naturalmente quando se tem uma temá-</p><p>tica almejada, ou seja,</p><p>a matéria ou o objeto que se deseja pesquisar e analisar. O</p><p>trabalho de escolha pode ser redefi nido no andamento na-</p><p>tural da pesquisa. Isso faz parte de um desafi o que teremos</p><p>do princípio ao fi m da investigação proposta (LAKATOS;</p><p>MARCONI, 1995, p. 126).</p><p>Figura 5.1: O que será investigado? Esta deve ser a principal pergunta</p><p>para se chegar ao tema.</p><p>Fonte: www.sxc.hu/photo/685141</p><p>120</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>O projeto de pesquisa engloba as etapas, os recursos ne-</p><p>cessários e o cronograma das atividades a serem desenvolvidas.</p><p>Assim, ao começar a pensar no seu projeto de pesquisa, tenha</p><p>em mente que precisará estabelecer:</p><p>1. Projeto ou Planejamento: neste momento, elaboramos</p><p>em linhas gerais quais serão as diretrizes e a metodologia a ser</p><p>adotada mediante a temática escolhida.</p><p>2. Coleta de dados: após defi nirmos qual será a temática, o</p><p>objeto e o problema, partimos para campo, a fi m de observar os</p><p>dados e posteriormente defi nimos qual será a metodologia ado-</p><p>tada, assim como o planejamento da coleta de dados, análise e</p><p>interpretação. Neste caso, os dados serão as respostas às nossas</p><p>indagações, ou seja, a observação de campo vai dando indícios</p><p>de respostas, a partir de nossas indagações.</p><p>3. Elaboração escrita: esta fase é a construção fi nal do tra-</p><p>balho, uma vez que já possui material e fontes necessárias para</p><p>a investigação.</p><p>Conforme a aula anterior, vejamos novamente quais são os questio-</p><p>namentos que devem ser levados em consideração para a constru-</p><p>ção de uma temática de pesquisa:</p><p>1. O que pesquisar?</p><p>2. Por quê?</p><p>3. Para quê?</p><p>4. Quando?</p><p>5. Onde?</p><p>6. Com o quê?</p><p>7. Como?</p><p>8. Quem vai pesquisar?</p><p>Destas indagações surgirá seu projeto de pesquisa. Comece sem-</p><p>pre com as perguntas, isso facilitará o andamento de todo o seu</p><p>trabalho.</p><p>A escolha do objeto de pesquisa pode surgir de elemen-</p><p>tos da vida cotidiana, do trabalho, de inquietações acadêmicas</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>121</p><p>ou até mesmo de necessidades do mercado. Em uma das aulas,</p><p>pode despertar-lhe o interesse em estudar alguma coisa que você</p><p>imagina ser interessante. Assim, ao ter esse insight, coloque no</p><p>papel suas ideias.</p><p>• Existem critérios para criarmos um projeto?</p><p>• Afi nidade e conhecimento na área de pesquisa: o pesqui-</p><p>sador precisa gostar do tema e conhecer o assunto para</p><p>desenvolver um projeto de pesquisa na área escolhida.</p><p>• Tempo para executar a pesquisa: a organização do tempo</p><p>é fundamental para a defi nição da temática. Um crono-</p><p>grama com atividades que serão desenvolvidas por dia,</p><p>semana, mês e ano são viáveis neste momento.</p><p>• Delimitação do tema: a viabilidade pessoal, técnica, tec-</p><p>nológica, entre outras defi nem o rumo do trabalho.</p><p>Figura 5.2: Critérios para a construção de um projeto: como usá-los?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1269437</p><p>122</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Para relembrar o conteúdo que vimos na Aula 4, seguem algumas</p><p>indicações sobre a viabilidade. Assim, temos:</p><p>1. Viabilidade técnica: verifi ca a adequação dos meios técnicos e</p><p>de tecnologias, além de competências individuais e coletivas, para</p><p>aplicar os recursos em determinados projetos.</p><p>2. Econômica: verifi ca qual o custo-benefício para quem faz e quem</p><p>recebe a contribuição do projeto.</p><p>3. Financeira: verifi ca especifi camente os custos/gastos com o pro-</p><p>jeto.</p><p>4. Pessoal: verifi ca a disponibilidade pessoal para executar tarefas</p><p>específi cas do projeto ou gerenciá-lo.</p><p>5. Temporal: verifi ca em quanto tempo o projeto fi cará pronto até</p><p>sua implantação.</p><p>6. Social: verifi ca qual a relevância, para a sociedade, do projeto a</p><p>ser criado.</p><p>7. Cultural: verifi ca a constituição dentro de uma cultura, ordenando</p><p>o projeto pelos padrões de comportamento, hábitos, costumes e</p><p>leis da localidade.</p><p>Outras formas de viabilidade vão se adequando ao problema a ser</p><p>investigado.</p><p>• Relevância do tema: qual a necessidade do público aten-</p><p>dido? Algumas temáticas são inviáveis pelo conteúdo</p><p>apresentado. É importante justifi car qual a relevância do</p><p>tema: pessoalmente, para a comunidade, para a acade-</p><p>mia e demais públicos específi cos.</p><p>Sobre a relevância, vejamos os fatores:</p><p>Fatores internos: são considerados os primordiais para de-</p><p>senvolver um tema.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>123</p><p>• Afi nidade emocional com a temática: ao escolher um</p><p>tema é necessário ter prazer em estudá-lo. A relação pes-</p><p>soal com a temática ajuda no andamento da pesquisa,</p><p>pois gera satisfação ao fazê-la. A pesquisa de campo e até</p><p>a metodologia escolhida não podem ser um peso e sim,</p><p>um estímulo prazeroso de dedicação e conveniência em</p><p>todos os aspectos, incluindo a parte emocional de quem</p><p>investiga.</p><p>Figura 5.3: Afetividade e afi nidade com o tema.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1153857</p><p>124</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>• Tempo: é necessário fazer um cronograma para ver a via-</p><p>bilidade da construção da pesquisa. O tempo é um fator</p><p>imprescindível para o andamento do projeto. Por exemplo:</p><p>quanto tempo levarei para fazer cada etapa da minha pes-</p><p>quisa de campo? E para organizar os dados e escrever o</p><p>trabalho fi nal? Quem vai me ajudar? Essas perguntas são</p><p>necessárias para a adequação dos rumos da investigação.</p><p>Figura 5.4: Ter tempo para executar.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1146273</p><p>Figura 5.5: Dar conta do trabalho.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>125</p><p>• Capacidade: é necessário que o investigador tenha co-</p><p>nhecimento de suas potencialidades e de suas limita-</p><p>ções em todos os sentidos, mas em relação ao tempo,</p><p>principalmente. A temática precisa ser adequada à sua</p><p>área de atuação ou de conhecimento teórico para que</p><p>menos tempo seja despendido para isso. Imagine que</p><p>estudando Turismo você resolva fazer um trabalho vol-</p><p>tado para a área de Política Econômica. Você terá de ler</p><p>muito sobre o assunto, para dissertar sobre ele. Tenha</p><p>cuidado na escolha da temática e atente para esta de</p><p>forma coerente.</p><p>• Fatores externos:</p><p>• O interesse do tema: é necessário perceber a necessidade</p><p>que a sua escolha tem, ou seja, se é algo que precisa de</p><p>observação de campo e de investigação dos interessados.</p><p>• Fontes: é necessário verifi car onde encontrar as fontes</p><p>que irá usar em cada etapa. Onde elas estão? Bibliotecas,</p><p>museus, pessoas (entrevistas), entre outros, pois a difi cul-</p><p>dade em conseguir alguns dados na pesquisa inviabiliza</p><p>sua trajetória.</p><p>As fontes são consideradas o arcabouço de elementos que</p><p>temos para a base da construção de nossa pesquisa.</p><p>Figura 5.6: Fontes são a base da pesquisa.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1279612</p><p>126</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Dentre elas, estão:</p><p>• Fontes primárias: são fontes originais que apresentam a infor-</p><p>mação a ser analisada e discutida. Vai depender do tema, do</p><p>objeto e do problema de pesquisa. Nela estão documentos,</p><p>obras de arte, manuscritos, ou seja, tudo o que pode vir a ser</p><p>relevante para a pesquisa do tema.</p><p>Para compreender um pouco mais sobre as fontes</p><p>primárias, você pode assistir ao fi lme O escritor fan-</p><p>tasma.</p><p>Nesse fi lme, um escritor fantasma é contratado</p><p>para terminar a autobiografi a de Adam Lang, um</p><p>ex-primeiro ministro britânico. Durante o trabalho,</p><p>uma trama de suspense se desenrola, quando o es-</p><p>critor descobre segredos que colocam sua vida em perigo.</p><p>Das fontes primárias, temos o manuscrito que serve de direciona-</p><p>mento para a trama, podemos usá-lo como uma das fontes da pes-</p><p>quisa.</p><p>Fonte: http://t2.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcR9vm6KUejYsd41ZEL0V9</p><p>BvkZRVEp9qSC6o_2ZzoCwjAlH-4_U</p><p>• Fontes secundárias: são as fontes posteriores aos aconteci-</p><p>mentos que servem para analisar melhor os direcionamen-</p><p>tos da pesquisa. Uma pesquisa pode ser feita toda a partir de</p><p>fontes secundárias, por exemplo. Basta que o pesquisador</p><p>decida adotar como fonte documentos que discutam/apresen-</p><p>tem análises, generalizações, interpretações de informações</p><p>apresentadas originalmente em outros lugares/documentos.</p><p>Exemplos: anuários, estatísticas, entre outros.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>127</p><p>Em Turismo, temos nos sites governamentais exemplos de fontes</p><p>primárias e secundárias para os direcionamentos de pesquisa. Tente</p><p>fazer um exercício de visualização de fontes dentro das pesquisas</p><p>efetuadas.</p><p>Exemplo: estatísticas das entradas no Brasil em 2010, entre outros.</p><p>Ministério do Turismo: www.turismo.gov.br/</p><p>Embratur: www.embratur.gov.br/</p><p>• Fontes terciárias: são publicações, enciclopédias, periódicos</p><p>especializados, teses e dissertações entre outros. Eles servem</p><p>para a verifi cação de tudo que foi feito sobre o tema e quais as</p><p>direções tomadas pelos autores. Isso dá uma dimensão sobre</p><p>o objeto que escolheu. Diferentemente das fontes primárias e</p><p>secundárias, essas fontes demonstram como os documentos</p><p>já foram usados por outros pesquisadores e podem ser usados</p><p>também no contexto do trabalho e da pesquisa.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Vamos começar a colocar a “mão na massa”. A primeira coisa a</p><p>ser feita é a escolha do assunto ou tema a ser investigado. Uma</p><p>vez escolhido o tema, partimos para a defi nição do objeto e do</p><p>problema a ser pesquisado.</p><p>Assim, nesta atividade, você deve:</p><p>a) escolher uma temática de pesquisa;</p><p>b) defi nir qual será o objeto de sua pesquisa;</p><p>c) defi nir o problema de sua pesquisa.</p><p>Nesta tarefa, é importante começar usando as questões que</p><p>apontamos na aula: o que pesquisar? Por quê? Para quê? Quan-</p><p>do? Onde? Com o quê? Como? Quem vai executar?</p><p>128</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para escolher um tema, um objeto e um problema pertinente à sua</p><p>área de conhecimento, você deve levar em consideração suas in-</p><p>quietações, motivação pessoal, tempo para esse processo, material</p><p>disponível, atendimento às necessidades do mercado, entre outras</p><p>variáveis que englobam os fatores determinantes para sua escolha,</p><p>para facilitar a construção de sua proposta. Nesse sentido, os fatores</p><p>externos e internos serão imprescindíveis para a escolha/delimita-</p><p>ção do que quer fazer.</p><p>Roteiro básico</p><p>Quando pensamos em criar um projeto, devemos atentar</p><p>para um roteiro básico de informações, juntamente com as ques-</p><p>tões do objeto, tema e problema que deverão ser apresentados.</p><p>Neste roteiro, defi nimos:</p><p>1. Introdução e justifi cativa da escolha do tema.</p><p>2. Formulação do problema.</p><p>3. Marco teórico.</p><p>4. Objetivos gerais e específi cos.</p><p>5. Hipóteses de estudo.</p><p>6. Indicação e defi nição das variáveis.</p><p>7. Plano de pesquisa (Metodologia).</p><p>8. Coleta de dados.</p><p>8.1 Escolha da técnica de investigação.</p><p>8.2 Fases da coleta de dados.</p><p>9. Análise dos resultados.</p><p>10. Cronograma.</p><p>11. Orçamento.</p><p>12. Bibliografi a.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>129</p><p>Desvendando as etapas do projeto</p><p>Agora é só partir para o trabalho e realizar as pesquisas que</p><p>você quiser, certo? Não? Como assim, não sabe exatamente por</p><p>onde começar? Entendo e não se preocupe. A seguir, vou mos-</p><p>trar a estrutura de um projeto de pesquisa. Seguir este modelo</p><p>organizado, a partir do estudo feito por você, além de permitir</p><p>que você o apresente em moldes científi cos, trará uma facilidade</p><p>para defi nir qualquer tipo de pesquisa que venha a fazer na sua</p><p>vida acadêmica, pessoal ou profi ssional.</p><p>Introdução/Justifi cativa do tema</p><p>A introdução é o começo do que você pretende apresentar.</p><p>Sua criação. Neste momento, você inicia a apresentação do pro-</p><p>blema, ou seja, explica suas motivações para escolher o tema, o</p><p>objeto e o problema, assim como pode começar uma pequena</p><p>descrição de hipóteses já levantadas.</p><p>Há algumas considerações que você deve fazer para aju-</p><p>dar, neste momento. Vejamos algumas perguntas a serem feitas:</p><p>• O que devo estudar? Aqui entra seu tema, a escolha de seu ob-</p><p>jeto e possível problema (que você já defi niu na Atividade 1).</p><p>• Como surgiu este problema? Neste momento, você argumen-</p><p>ta a observação do objeto que fez para resolver a escolha.</p><p>• Quais foram as motivações que me fi zeram chegar a esse pro-</p><p>blema? Aqui você começa a inserir o porquê, ou seja, partindo</p><p>de suas observações.</p><p>Exemplo: em uma aula de Hotelaria Hospitalar, escolhi um</p><p>hospital para compreender o funcionamento da hospitalidade.</p><p>Ou seja, além de ser algo que vem crescendo muito no Brasil, e</p><p>repensando o conceito de humanização, despertou-me a curiosi-</p><p>dade para saber seu funcionamento exato.</p><p>Tema da aula: Hotelaria Hospitalar</p><p>Objeto de estudo: funcionamento da hospitalidade em</p><p>um hospital.</p><p>Problema: conhecer o funcionamento exato da hospitali-</p><p>dade em um hospital selecionado, levando em consideração o</p><p>conceito de humanização.</p><p>130</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>• Autores consultados: neste item é necessário buscar as refe-</p><p>rências de tudo que já existe publicado sobre o assunto.</p><p>• Uso dessa pesquisa: aqui começa sua defesa e argumentação</p><p>do tema, ou seja, justifi que sua escolha.</p><p>Não precisa ter receio, o importante é começar e a introdu-</p><p>ção é a parte mais importante do seu projeto. A partir dela, você</p><p>deverá demonstrar a importância e necessidade do que quer fa-</p><p>zer e direcionar toda sua investigação. A fi nalização da introdu-</p><p>ção deve ser uma declaração clara e objetiva sobre qual hipótese</p><p>você pretende comprovar.</p><p>Resumidamente, a introdução de um projeto de pesquisa</p><p>deve conter:</p><p>• Uma clara explanação, desencadeando a cronologia do que</p><p>obteve na literatura consultada, formando uma ligação entre a</p><p>escolha do seu tema com a justifi cativa da pesquisa.</p><p>• A criação de uma ou mais hipóteses de trabalho e sua impor-</p><p>tância para entender a temática e defender a causa que pre-</p><p>tende.</p><p>• Uma conclusão que exponha claramente o objetivo que pre-</p><p>tende alcançar com a pesquisa.</p><p>Problema</p><p>Um problema de pesquisa é aquele que não possui res-</p><p>posta imediata,</p><p>necessitando de respostas organizadas, a partir</p><p>de um processo investigativo. Deve ser defi nido com claridade a</p><p>partir dos objetivos específi cos e corresponder às necessidades</p><p>e exigências da temática em que se insere.</p><p>Marco teórico</p><p>O marco teórico pressupõe a indicação de como será abor-</p><p>dado o problema, ou seja, sob qual perspectiva ele será analisa-</p><p>do. Assim, ele apresenta conceitos que serão questionados e de-</p><p>limita a maneira como a questão será elaborada, como se fosse</p><p>uma linha norteadora de pensamento.</p><p>Muitos confundem marco teórico com revisão bibliográfi -</p><p>ca, mas, apesar da estreita ligação entre eles, a diferença é que</p><p>o marco teórico baseia-se na bibliografi a para defi nir hipóteses</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>131</p><p>e conceitos fundamentados numa linha de raciocínio, e a revi-</p><p>são bibliográfi ca é todo arcabouço de teóricos que falaram sobre</p><p>esse tema.</p><p>É importante fazer um recorte no tema para abordar ape-</p><p>nas os aspectos mais relevantes nesse diálogo entre teoria, pro-</p><p>blema e conceitos de autores que serão usados. Pode-se dizer</p><p>que o marco é uma concepção teórica da realidade concebida na</p><p>obra de determinado pesquisador escolhido para dialogar sobre</p><p>a temática.</p><p>Objetivos gerais e específi cos</p><p>Os objetivos gerais defi nem o propósito do estudo.</p><p>Exemplo: estudar a demanda turística de Petrópolis na bai-</p><p>xa estação.</p><p>Os objetivos específi cos caracterizam as etapas ou fases</p><p>do projeto, ou seja, detalham o objetivo geral formulado.</p><p>Exemplo:</p><p>1. avaliar a demanda por faixas etárias;</p><p>2. avaliar a demanda por motivações de viagem;</p><p>3. descobrir o que ampliaria essa demanda.</p><p>Hipóteses e variáveis</p><p>As hipóteses são formulações temporárias e provisórias</p><p>que têm como premissa demonstrar e verifi car suposições.</p><p>Quando fazemos um questionamento ou colocamos um</p><p>problema a ser testado e investigado, criamos hipóteses sobre</p><p>como aquilo pode estar ocorrendo. A hipótese a ser testada vai</p><p>direcionar o rumo das respostas ou não, isso vai depender da</p><p>investigação e dos resultados obtidos.</p><p>As variáveis têm a função de descrever as características</p><p>do atributo a ser mensurado. Por exemplo: as motivações dos</p><p>turistas em escolher determinados lugares.</p><p>Para saber mais sobre as hipóteses e variáveis, acesse o link:</p><p>http://www.socio-estatistica.com.br/Edestatistica/glossario.htm</p><p>132</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Material e métodos: técnicas, instrumentos e coleta.</p><p>Os materiais a serem utilizados na pesquisa incluem todo</p><p>arcabouço a ser desvendado. Aqui você vai informar com o que</p><p>vai trabalhar, como fontes primárias, secundárias e terciárias.</p><p>Por exemplo: quais os textos, questionários, referenciais, entre</p><p>outros. Neste material, você defi nirá a geração dos dados a se-</p><p>rem analisados e quais serão os métodos utilizados durante o</p><p>desenvolvimento do projeto. Para isso, você deverá seguir uma</p><p>lógica de atos, como:</p><p>1. Detalhamento e organização do material:</p><p>• Pesquisa de fontes: quais serão as fontes que você vai</p><p>usar?</p><p>• Identifi cação das fontes: documentos, textos, manuais,</p><p>iconografi a, entre outros.</p><p>• Acesso às fontes: onde e como vai conseguir esse material.</p><p>• Levantamento de informações: pesquisar sobre onde</p><p>conseguir os documentos e de que forma. Algumas insti-</p><p>tuições pedem documentos da universidade, para libera-</p><p>rem a consulta a materiais.</p><p>Após defi nir as fontes e coletá-las, você deve começar a</p><p>organizá-las para a interpretação, assim você pode criar formas</p><p>de agrupá-las em separação por cores, separação de fi chas, de</p><p>pastas, ou outra forma que achar conveniente. Cada um cria sua</p><p>própria forma de organizar os documentos.</p><p>Veja algumas ideias para essa organização:</p><p>• Fichamentos: por palavra-chave ou por referência biblio-</p><p>gráfi ca.</p><p>Ficha de citação/transcrição: são elaboradas a partir da</p><p>extração de trechos citados ou transcritos da fonte documental,</p><p>destacando sua localização nas páginas de onde foram tirados.</p><p>Citação: trecho de até 3 linhas de matéria textual, retirado</p><p>da fonte consultada. Transcrição: trecho de mais de 3 linhas de</p><p>matéria textual, retirada da fonte consultada.</p><p>• Resumos: sinopses sobre os documentos, organizados</p><p>por categorias ou subtemas.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>133</p><p>Ficha-resumo: são fi chas nas quais resumimos o conteúdo</p><p>da fonte documental pesquisada. Têm como cabeçalho a refe-</p><p>rência bibliográfi ca completa. Pode ter o resumo por capítulo ou</p><p>texto integral.</p><p>2. Escolha do seu caminho de pesquisa:</p><p>• Comparação: estabelece as formas de comparação entre</p><p>elementos iguais e distintos.</p><p>• Histórico ou revisão teórica: busca a organização sincrô-</p><p>nica e temporal dos fatos ou teorias no mesmo período</p><p>ou época.</p><p>• Monográfi co ou estudo de caso: dedicado a uma minucio-</p><p>sa descrição de uma teoria ou caso, descrevendo o trajeto</p><p>da temática, desde seu início até o momento da pesquisa.</p><p>• Estatístico: faz uso dos mais variados processos e proce-</p><p>dimentos da Estatística como base para análise das infor-</p><p>mações desejadas.</p><p>Tipos de raciocínio, utilizados pelo pesquisador:</p><p>O raciocínio usado pelo pesquisador é o caminho para des-</p><p>vendar a pesquisa. Nessa fase se escolhe a metodologia da pes-</p><p>quisa, ou seja, como fazê-la. Cada área do conhecimento possui</p><p>seus métodos de investigação. Atente para a escolha e veja, den-</p><p>tro de sua temática, qual o melhor método a ser seguido.</p><p>Um exercício que pode ajudá-lo nesse momento é pegar</p><p>trabalhos sobre o tema e observar qual a metodologia usada com</p><p>mais frequência. Outra forma é tentar entender o objeto, suas ne-</p><p>cessidades e a melhor forma de coletar os dados e interpretá-los.</p><p>Assim, temos os caminhos metodológicos: “dedutivo, in-</p><p>dutivo e hipotético-dedutivo” que apresentam as seguintes ca-</p><p>racterísticas:</p><p>• Dedutivo: a escolha pelo método dedutivo é uma forma de</p><p>demonstrar, mediante a lógica, a conclusão na sua totali-</p><p>dade a partir de premissas, de forma a garantir a veraci-</p><p>dade das conclusões. As teorias serão o ponto de partida,</p><p>criação do fato ou fenômeno analisado e, a partir desse</p><p>ponto, surgem as hipóteses e variáveis da pesquisa.</p><p>134</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>• Indutivo: o método indutivo cria direções a partir da ob-</p><p>servação dos fatos, ou seja, a partir de generalizações que</p><p>faz do comportamento observado, para chegar às conclu-</p><p>sões. Neste se acumulam informações até atingir a teoria,</p><p>ou seja, a complexidade buscada.</p><p>• Hipotético-dedutivo: o método hipotético-dedutivo ou de</p><p>verifi cação de hipóteses tem sua validade a partir dos re-</p><p>sultados da própria verifi cação, pois formula caminhos</p><p>que possam dedutivamente testar as hipóteses criadas.</p><p>Além dos caminhos de campo, devemos escolher as técni-</p><p>cas de pesquisa, que fornecerão os subsídios para alcançarmos</p><p>os dados que queremos.</p><p>Das técnicas, temos:</p><p>1. Observação: nesta técnica, o pesquisador vai a campo e</p><p>observa o objeto e anota tudo o que teve de impressões.</p><p>2. Entrevistas: esta técnica é a sequência da observação de</p><p>campo, onde você levantou o que queria questionar. Ela deve</p><p>ser adequada metodologicamente ao objeto por meio de pa-</p><p>drões. Aqui se usam as mais variadas formas de entrevistas: es-</p><p>truturadas, semiestruturadas e não estruturadas e ainda histórias</p><p>de vida e temáticas.</p><p>3. Testes: são instrumentos padronizados para análise de</p><p>dados quantitativos. Estes são encontrados em literatura estatís-</p><p>tica básica.</p><p>4. Pesquisa de mercado: nesta técnica, geralmente usamos</p><p>grupos de entrevistas e observação.</p><p>Análise dos dados</p><p>Para efetivar a análise dos dados coletados, é necessário</p><p>um planejamento de quais as principais operações usadas a par-</p><p>tir da coleta e do que nela obteve, a fi m de atingir os objetivos da</p><p>pesquisa. Ao escolher como será feita a análise dos dados, há de</p><p>se considerar cada hipótese da pesquisa.</p><p>Cronograma</p><p>Neste item, devemos claramente colocar</p><p>em dias, sema-</p><p>nas, meses ou anos todas as etapas do que vamos fazer. Sua</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>135</p><p>criação deve partir de um esboço, contendo todos os dados ne-</p><p>cessários para a execução temporal do trabalho.</p><p>Você pode fazer uma tabela, inserindo todos os dados ne-</p><p>cessários para a execução das tarefas, isso facilitará o andamen-</p><p>to da pesquisa.</p><p>Exemplo: tabela referente a 1 ano de trabalho, contendo o</p><p>que se espera em cada mês e quais as atividades descritivas para</p><p>o andamento das tarefas.</p><p>Tabela 5.1: Cronograma referente aos meses de agosto de 2010 a julho de 2011</p><p>Atividade Mês/Ano</p><p>Levantamento</p><p>bibliográfi co</p><p>Agosto</p><p>de 2010</p><p>Avaliação da</p><p>localidade</p><p>Agosto</p><p>de 2010</p><p>Treinamento</p><p>geral</p><p>Setembro</p><p>de 2010</p><p>Treinamento</p><p>teórico</p><p>Setembro</p><p>de 2010</p><p>Treinamento</p><p>em campo</p><p>Outubro</p><p>de 2010</p><p>Resultados</p><p>preliminares</p><p>Novem-</p><p>bro de</p><p>2010</p><p>Roteiro Dezem-</p><p>bro de</p><p>2010</p><p>Avaliação do</p><p>roteiro</p><p>Fevereiro</p><p>de 2011</p><p>Apresentação</p><p>do trabalho</p><p>na Jornada</p><p>de Iniciação</p><p>Científi ca</p><p>Março de</p><p>2011</p><p>Organização</p><p>do relatório</p><p>fi nal</p><p>Abril de</p><p>2011</p><p>Mostra de</p><p>imagens</p><p>Maio de</p><p>2011</p><p>Ajustes no</p><p>relatório</p><p>Junho de</p><p>2011</p><p>Entrega do</p><p>relatório</p><p>Julho de</p><p>2011</p><p>136</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Planejamento de atividades</p><p>Peguemos um exemplo de planilha aplicada a um projeto</p><p>de pesquisa acadêmica.</p><p>Projeto:</p><p>Relevância e justifi cativa</p><p>A proposta de identifi cação dos espaços/territórios, construí-</p><p>dos pelos imigrantes na cidade de Petrópolis, encontra-se imbricada</p><p>à formatação do turismo receptivo na cidade. O roteiro que se quer</p><p>formular debruça-se sobre as questões de desenvolvimento e di-</p><p>versifi cação dos atrativos locais e da facilitação de novos empreen-</p><p>dimentos na cidade, a fi m de proporcionar geração de emprego,</p><p>renda e visibilidade para os grupos inseridos na construção socio-</p><p>cultural, econômica e identitária do turismo local.</p><p>Objetivos da pesquisa</p><p>A pesquisa tem por objetivo levantar os espaços e grupos</p><p>de imigrantes em fazendas e propor em tempo oportuno uma</p><p>possibilidade de inserção em roteiros históricos e culturais no</p><p>plano de turismo da cidade.</p><p>Objetivos específi cos</p><p>a) Realizar um levantamento físico das fazendas de imi-</p><p>grantes.</p><p>b) Identifi car as áreas com maior incidência de grupos.</p><p>c) Classifi car os grupos por áreas/países de emigração.</p><p>d) Formular direcionamentos de atividades e possibilida-</p><p>des de roteiros.</p><p>A pesquisa propõe a ampliação de atrativos para a cidade</p><p>de Petrópolis e a ampliação da atividade para o estado do Rio de</p><p>Janeiro.</p><p>Metodologia</p><p>Alguns métodos de pesquisa serão selecionados para a</p><p>identifi cação das áreas e grupos e, num segundo momento, ela-</p><p>borar a articulação das possibilidades de formatação do roteiro.</p><p>As atividades desenvolvidas pelo bolsista durante a vigên-</p><p>cia do projeto de pesquisa compreendem:</p><p>1ª atividade – realizar levantamento físico das fazendas e</p><p>grupos;</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>137</p><p>2ª atividade – elaboração de um banco de dados com os</p><p>grupos e identifi cá-los;</p><p>3ª atividade – análise dos dados e formulação de organiza-</p><p>ções dos atrativos;</p><p>4ª atividade – organizações dos atrativos;</p><p>5ª atividade – identifi cação dos potenciais pontos turísticos;</p><p>6ª atividade – sensibilização das comunidades com cursos</p><p>de formação para o turismo;</p><p>7ª atividade – documentação histórica; inventário do patri-</p><p>mônio histórico; organização dos empreendedores; treinamento</p><p>e qualifi cação dos empreendedores, apoiadores e colaborado-</p><p>res; planejamento de atividades dinamizadoras;</p><p>8ª atividade – redação de um resumo sobre o estudo para co-</p><p>municação em evento de relevância científi co-acadêmica na área;</p><p>9ª atividade – produção de um artigo científi co para publi-</p><p>cação em revista indexada;</p><p>10ª atividade – apresentação dos resultados do estudo na</p><p>Jornada de Iniciação Científi ca;</p><p>11ª atividade – identifi cação visual dos equipamentos e</p><p>acessos; elaboração do material de divulgação do roteiro; articu-</p><p>lação junto às operadoras do trade e órgãos públicos; lançamen-</p><p>to ao público; elaboração do relatório fi nal do projeto.</p><p>Orçamento</p><p>Todo projeto demanda um orçamento, ou seja, quanto vai</p><p>custar cada coisa. Neste passo, devemos relacionar todos os gas-</p><p>tos que temos em cada etapa:</p><p>• livros;</p><p>• visitas aos lugares;</p><p>• material de escritório, entre outros.</p><p>Bibliografi a</p><p>Na bibliografi a, colocamos tudo que foi usado de referên-</p><p>cia bibliográfi ca e documental no trabalho.</p><p>138</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Para exemplifi car algumas formas de investigação de destinos turís-</p><p>ticos, ver: Vídeo institucional do parque ecológico Arthur Thomas”:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=9eCLnvR1vyk</p><p>Este boxe multimídia permite pensar sobre possíveis projetos a se-</p><p>rem desenvolvidos na área de turismo. Um parque ecológico como</p><p>o do exemplo pode ser uma inesgotável fonte de pesquisas e inves-</p><p>tigações em diversas áreas, em especial na área de Turismo.</p><p>Atividade</p><p>Atende aos Objetivos 2 e 3</p><p>2. Construa, a partir da formulação da Atividade 1, um esboço do</p><p>que deve conter em seu projeto de pesquisa em Turismo, consi-</p><p>derando as partes: introdução, levantamento de literatura, pro-</p><p>blema, hipótese, objetivos, justifi cativa e metodologia.</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para construir um projeto de pesquisa, é necessário que este siga</p><p>procedimentos específi cos e reúna áreas correlatas ao seu conteúdo.</p><p>Assim, após defi nir o tema, objeto e problema, a introdução traz ele-</p><p>mentos que auxiliam na descrição dos seus objetivos e dão indicati-</p><p>vos de respostas prévias; a literatura ou aportes teóricos direcionam</p><p>o seu marco teórico, que é o uso de teorias ou direções que vai usar</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>139</p><p>na sua pesquisa. A justifi cativa defi ne os caminhos tomados e sua</p><p>realidade, focalizando as motivações e a fi nalidade da investigação</p><p>por meio de determinados métodos e procedimentos. O problema,</p><p>as hipóteses e as variáveis formatarão um quadro de elementos que</p><p>você busca responder com o corpo metodológico, ou seja, com as</p><p>direções que sua pesquisa tomou após a escolha do campo de pes-</p><p>quisa que permitirá a construção de suas respostas.</p><p>Conclusão</p><p>Faz-se necessário, ao iniciarmos uma investigação, esco-</p><p>lher o tema que mais se aproxima de nossa realidade, tendo uma</p><p>aderência à área de conhecimento, possibilidades de pesquisa,</p><p>interesse pessoal e facilidades em execução.</p><p>Após respondermos a algumas questões, a forma com que</p><p>devemos construir um projeto de pesquisa parte de procedimen-</p><p>tos que permitam prever e rever a investigação a cada momento.</p><p>A proposta de pesquisa deve atender à empatia pessoal,</p><p>às viabilidades técnica, política, lógica e fi nanceira, além de ser</p><p>socialmente relevante.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1, 2 e 3</p><p>Agora que você já fez parte de seu projeto, termine de preencher</p><p>as lacunas que faltam, considerando que a primeira coisa que</p><p>fez foi escolher um tema e um objeto pertinente à sua área de</p><p>conhecimento. Respondeu às questões apontadas para facilitar</p><p>a construção de sua proposta e, nesse sentido, os fatores exter-</p><p>nos e internos foram imprescindíveis para a escolha/delimitação</p><p>do que fazer. Na Atividade 2, você defi niu sua problemática e a</p><p>metodologia a ser usada. Agora, ao terminar seu projeto, você</p><p>deverá inserir técnicas e instrumentos de coleta de dados, aná-</p><p>lise e interpretação dos mesmos e por fi m o cronograma e a bi-</p><p>bliografi a.</p><p>140</p><p>Aula 5 • Como desenvolver um projeto de pesquisa em Turismo</p><p>Resposta Comentada</p><p>As hipóteses e variáveis darão os direcionamentos de respostas às</p><p>suas indagações. Os instrumentos e procedimentos metodológicos</p><p>serão o caminho para responder às suas hipóteses e a coleta e inter-</p><p>pretação de dados formarão as premissas de respostas que você irá</p><p>construir de sua temática e objeto escolhido. A interpretação depen-</p><p>derá do seu objeto, pois a pesquisa sendo qualitativa</p><p>ou quantitativa</p><p>forma uma direção na análise subjetiva ou objetiva de dados.</p><p>Resumo</p><p>A proposta de como fazer um projeto inicia-se na escolha do tema</p><p>ou assunto da pesquisa, e este deve atender às necessidades pes-</p><p>soais e individuais além de ter viabilidade social, técnica, política,</p><p>fi nanceira e de interesse coletivo.</p><p>A construção de um projeto de pesquisa precisa levar em conside-</p><p>ração procedimentos que farão sua descrição e revisão, e atentar</p><p>para os procedimentos da área acadêmica. O esboço do projeto é</p><p>um padrão de ações a serem seguidas logicamente. Assim, defi ni-</p><p>mos os tópicos: introdução e justifi cativa da escolha do tema, for-</p><p>mulação do problema, marco teórico, criação de objetivos gerais e</p><p>específi cos, hipóteses de estudo, o que são variáveis, como se faz a</p><p>coleta de dados, a escolha da técnica de investigação, a análise dos</p><p>resultados, o cronograma, o orçamento e a bibliografi a.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>141</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, trataremos dos tipos de pesquisa na área</p><p>de Turismo, a fi m de iniciar a construção de projetos de investi-</p><p>gação turística.</p><p>6 Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Defi nir os tipos de pesquisa na área de Turismo, a</p><p>fi m de iniciar a construção de projetos de investiga-</p><p>ção turística.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 defi nir os tipos de pesquisa em Turismo;</p><p>2 escolher tipos de pesquisa apropriadas ao estudo</p><p>turístico.</p><p>144</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos à nossa sexta aula! Nesta aula, veremos quais</p><p>os tipos de pesquisa em Turismo e qual sua aplicabilidade.</p><p>A pesquisa tem o intuito de investigar algo. Você já teve</p><p>vontade de descobrir por que uma determinada coisa acontece?</p><p>Isto seria o princípio de qualquer investigação.</p><p>É importante ressaltar que o projeto de pesquisa tem a</p><p>função de solucionar o problema proposto para a investiga-</p><p>ção. Os tipos de pesquisa são direcionados a essa resposta,</p><p>tentando adequar a melhor técnica ao problema e tema pro-</p><p>postos. Tendo em vista o mercado turístico, buscaremos ade-</p><p>quar exemplos para que a construção da pesquisa seja o mote</p><p>de novas perspectivas.</p><p>Pesquisa em Turismo</p><p>A Ciência está dividida por áreas do conhecimento. Temos</p><p>na contemporaneidade os mais variados tipos de conhecimen-</p><p>tos, gerados pelas diversas ciências, como: as Ciências Humanas,</p><p>Sociais, Biológicas, Exatas, entre outras. Mesmo estas divisões</p><p>têm outras subdivisões cuja defi nição varia segundo conceitos</p><p>de muitos autores.</p><p>Nas Ciências Sociais, por exemplo, as áreas dividem-se</p><p>em: Direito, História, Sociologia, Antropologia, entre outras. Es-</p><p>tas mesmas áreas podem, ainda, ser divididas em Direito do Tu-</p><p>rismo (e ainda especifi cadas em Direito do Turismo Internacional,</p><p>Direito do Consumidor etc.); História do Turismo (dividida tam-</p><p>bém em História do Turismo no Rio de Janeiro e ainda especifi car</p><p>História do Turismo nos Hotéis cariocas, entre outras); e assim</p><p>por diante. As demais áreas seguem este perfi l de divisões.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>145</p><p>Dentro da área especifi cada, devemos seguir alguns ti-</p><p>pos de pesquisa que são efetivadas, a partir do objeto e temá-</p><p>tica escolhidos.</p><p>Dos tipos, temos:</p><p>• Pesquisa experimental: é toda pesquisa que envolve algum</p><p>tipo de experimento. Exemplo: muda-se o cardápio de um res-</p><p>taurante, para ver qual o resultado frente às exigências e ne-</p><p>cessidades dos hóspedes.</p><p>• Pesquisa exploratória: é toda pesquisa que busca constatar</p><p>algo num objeto ou num fenômeno. Exemplo: saber como fun-</p><p>ciona a escolha de segmentos turísticos.</p><p>• Pesquisa social: é toda pesquisa que busca respostas de um</p><p>grupo social. Exemplo: saber quais os hábitos alimentares de</p><p>uma comunidade específi ca.</p><p>• Pesquisa histórica: é toda pesquisa que estuda fatos do pas-</p><p>sado. Exemplo: saber de que forma se deu o desenvolvimento</p><p>do turismo em uma determinada localidade.</p><p>• Pesquisa teórica: é toda pesquisa que analisa uma determina-</p><p>da teoria. Exemplo: saber como usar o Sistema Turístico.</p><p>Mas o que seria esse Sistema Turístico?</p><p>O Sistema Turístico caracteriza-se pelo “(...) conjunto de</p><p>procedimentos, doutrinas, ideias ou princípios logicamente or-</p><p>denados e coesos com intenção de descrever, explicar ou dirigir</p><p>o funcionamento de um todo” (BENI, 2001, p. 23).</p><p>Vejamos o gráfi co desenvolvido por Beni para dinamizar as</p><p>atividades nele contidas:</p><p>146</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>O gráfi co apresentado sobre o Sistema Turístico, apesar de</p><p>dividir os conjuntos das relações ambientais, estruturais e ope-</p><p>racionais da atividade turística, mostra como elas se unem no</p><p>conjunto e não podem ser repensadas individualmente.</p><p>Assim, se optarmos por desenvolver uma pesquisa, partin-</p><p>do das relações ambientais com o consumo (exemplo: consumo</p><p>de lazer dentro do parque estadual do Rio de Janeiro), estamos</p><p>condicionando dois conjuntos dentro do sistema. Podemos fa-</p><p>zer várias sistematizações da pesquisa com as áreas propostas</p><p>dentro do sistema, mas pensando que elas se unem aos outros</p><p>componentes desse sistema e não devem ser analisadas de for-</p><p>ma unilateral.</p><p>Além dessas junções de áreas dentro do sistema turís-</p><p>tico, precisamos ter em mente alguns critérios para a divisão</p><p>da pesquisa.</p><p>Figura 6.1: O gráfi co representa o modelo referencial, proposto por Beni (2001, p. 48), para expli-</p><p>car o Sistema do Turismo.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>147</p><p>De acordo com Montejano (1996, p. 202), dos critérios a</p><p>serem analisados, temos: fi nalidade, administração, conteúdo,</p><p>dimensão espacial e temporal, formas de perguntas e natureza.</p><p>Descrevendo cada um, temos:</p><p>• Finalidade:</p><p>Fins científi cos: descritivos e explicativos. Nesta opção, o</p><p>trabalho pode ser de cunho explicativo ou uma forma de descri-</p><p>ção de um objeto específi co. Os fi ns científi cos não são especifi -</p><p>camente delimitados para a área acadêmica, podendo ter outras</p><p>fi nalidades, como: comerciais, políticas, de investigação policial,</p><p>entre outras.</p><p>• Administração:</p><p>Segundo sua administração ou aplicação, pode ser feita</p><p>por meio de entrevista pessoal, questionário, telefone, internet,</p><p>entre outras.</p><p>• Conteúdo:</p><p>Segundo seu conteúdo: fatos, opiniões, atitudes, motiva-</p><p>ções e sentimentos.</p><p>• Dimensão espacial e temporal:</p><p>Segundo sua dimensão espacial: secional (sobre um dado</p><p>momento e localidade. Exemplo: o 11 de setembro nos Estados</p><p>Unidos); longitudinal (momentos distintos do atual ou a evolu-</p><p>ção temporal. Exemplo: trajetória dos desgastes religiosos entre</p><p>muçulmanos, árabes e judeus.)</p><p>• Forma das perguntas:</p><p>Segundo a forma e o tipo de perguntas: abertas ou fechadas.</p><p>• Natureza:</p><p>Segundo sua natureza: perguntas sobre fatos, atividades,</p><p>informativas, de opinião, de escalas, de valorização, de aspira-</p><p>ção, de motivação, de identifi cação ou fi liação, de motivações e</p><p>necessidades.</p><p>As especifi cadas da pesquisa declinam sobre sua forma, ou</p><p>seja, sobre como será pensada e descrita metodologicamente.</p><p>148</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>Pesquisas quanto aos objetivos: exploratórias, descri-</p><p>tivas, explicativas e experimentais</p><p>• Pesquisa exploratória</p><p>Todo trabalho científi co deve inicialmente começar pela</p><p>pesquisa exploratória, pois, por meio dela, adquirimos embasa-</p><p>mento para ampliarmos nossas ideias e também podemos re-</p><p>pensar a nossa temática e seus possíveis direcionamentos. Tam-</p><p>bém podemos conseguir novos rumos para o recorte abordado.</p><p>Pode-se dizer que a pesquisa exploratória tem como ob-</p><p>jetivo principal o aprimoramento de ideias ou a descoberta de</p><p>outras propostas de investigação.</p><p>A pesquisa exploratória divide-se em:</p><p>1. Levantamento bibliográfi co.</p><p>2. Entrevistas direcionadas (especialmente com pessoas</p><p>que já pesquisaram o tema).</p><p>3. Análise e interpretação de exemplos já estudados sobre</p><p>o</p><p>assunto.</p><p>Por meio da pesquisa exploratória, podemos repensar o</p><p>tema e o recorte a fi m de não propor redundâncias e pensar em</p><p>algo inédito ou pelo menos uma releitura sobre o mesmo assunto</p><p>já investigado por outro autor, mas com outros direcionamentos.</p><p>A pesquisa exploratória também tem a fi nalidade de traba-</p><p>lhar o tempo todo com outras formas de pesquisa, pois, assim,</p><p>favorece a compreensão e remanejamento de dados e também</p><p>fl exibiliza os rumos que a mesma pode tomar.</p><p>Quase sempre acaba tomando a forma de levantamento</p><p>bibliográfi co e, assim, vai construindo uma base de dados sobre</p><p>a temática com o intuito de organizar o que já foi publicado sobre</p><p>o assunto.</p><p>Dentro desta pesquisa bibliográfi ca, estão concentrados</p><p>todos os tipos de publicações, desde documentos, revistas, jor-</p><p>nais, livros, periódicos, monografi as, teses, gravações (pesqui-</p><p>sas de campo), entre outras capazes de abordar um tema em</p><p>sua amplitude.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>149</p><p>• Pesquisa descritiva</p><p>Este tipo de pesquisa visa descrever os fenômenos, por</p><p>meio de observação, registro, classifi cação e interpretação dos</p><p>dados. Procura ao descrevê-lo, com precisão, a frequência com</p><p>que um fenômeno ocorre, sua relação e conexão com outros fe-</p><p>nômenos, sua natureza e características.</p><p>Exemplo: descrever a distribuição da ocupação dos turis-</p><p>tas por áreas do hotel: sexo, procedência, nível de escolaridade,</p><p>motivação de ocupação, entre outros.</p><p>Esse tipo de pesquisa utiliza técnicas específi cas de coleta</p><p>de dados, como a aplicação de questionários ou o preenchimen-</p><p>to de formulários desenvolvidos para a captação de respostas</p><p>diretas, por exemplo.</p><p>Um dos exemplos mais comuns é o preenchimento de um</p><p>formulário que se encontra no hotel no momento da saída. Ge-</p><p>ralmente, são propostas questões sobre a satisfação do cliente</p><p>na prestação dos serviços, mas contém a descrição de dados</p><p>que serão porventura utilizados na compilação e análise dos da-</p><p>dos, por exemplo, faixa etária, motivações, descontentamentos,</p><p>procedência, entre outros que podem ser usados para respos-</p><p>tas a muitas indagações distintas sobre mercado, trade turístico e</p><p>marketing. Serve como um levantamento de dados para futuros</p><p>ajustes em relação às variáveis encontradas, formalizando uma</p><p>atuação prática dos envolvidos com o gerenciamento do serviço.</p><p>Esse tipo de pesquisa é usado em escolas, empresas,</p><p>instituições públicas e privadas e também em Turismo. Um</p><p>dos exemplos da pesquisa descritiva em Turismo é a inves-</p><p>tigação da relação entre visitantes e visitados, que pode ser</p><p>analisada por meio da Antropologia ou da Sociologia e suas</p><p>relações com o Turismo.</p><p>• Pesquisa explicativa</p><p>Tem por fi nalidade analisar e interpretar os dados dos fe-</p><p>nômenos. Estes fenômenos serão analisados para se entender</p><p>como se deram, isto é, a causa de sua ocorrência.</p><p>Trade turístico</p><p>São os equipamentos</p><p>que fazem parte do siste-</p><p>ma turístico como: meios</p><p>de hospedagem, bares</p><p>e restaurantes; centros</p><p>de convenções e feiras</p><p>de negócios; agências</p><p>de viagens e turismo;</p><p>empresas de transporte;</p><p>lojas de suvenir e todas</p><p>as atividades comer-</p><p>ciais periféricas ligadas</p><p>direta ou indiretamente à</p><p>atividade turística.</p><p>150</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>Um dos exemplos seria a aplicação da pesquisa explicativa</p><p>na análise da informação em agências e operadoras de turismo,</p><p>com base em análise nas formas de comunicação, ou ainda na</p><p>análise ocupacional, ou seja, como a exemplo de agências de</p><p>viagens os clientes procuram os serviços de agenciamento? Para</p><p>que e em que condições, esse enfoque seria a descrição do uso</p><p>de agências em uma determinada localidade. Pegando o foco da</p><p>comunicação, como os clientes conheceram os serviços de agen-</p><p>ciamento do bairro, região? E ainda, quem são os agenciadores</p><p>dentro da escala profi ssional do trade? Turismólogos, guias de</p><p>turismo, entre outros.</p><p>• Pesquisa experimental</p><p>As características da pesquisa experimental são a mani-</p><p>pulação e o controle das variáveis. Nela se analisam experimen-</p><p>tos. Em Turismo, podemos criar uma pesquisa experimental,</p><p>fazendo um tour com pessoas para conhecerem um ambiente</p><p>específi co. A isso damos o nome de estratégia de marketing e</p><p>também Fam Tour.</p><p>Variáveis independentes e dependentes: o que são?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1228834</p><p>Fam Tour</p><p>Uma visita de pessoas</p><p>do trade (agentes,</p><p>operadores de viagens,</p><p>jornalistas, guias, entre</p><p>outros) para conhecerem</p><p>um novo lugar ou produto</p><p>comercializado.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>151</p><p>Variável dependente: verifi ca o fenômeno que se pretende estudar.</p><p>Pode-se dizer que são aquelas cujos efeitos são esperados de acor-</p><p>do com as causas. Exemplo: dados que medem a percepção do tu-</p><p>rista quanto à qualidade global de um destino. “O que achou de</p><p>modo geral da cidade de Petrópolis?”</p><p>Variável independente: verifi cam os fenômenos a partir das variá-</p><p>veis dependentes e tentam averiguar seus efeitos mensurando-os.</p><p>Exemplo: “Como é a gastronomia oferecida na cidade de Petrópolis?”</p><p>O experimento serve de base para tomada de decisões</p><p>acerca de mudanças, como o exemplo dado sobre os cardápios,</p><p>no qual podem ser feitos ajustes em relação ao que é oferecido.</p><p>O experimento serve de base para saber os pontos fortes e fracos</p><p>do que era e da nova proposta.</p><p>Na pesquisa experimental, o problema a ser pesquisado,</p><p>como em qualquer outra pesquisa, precisa ser delimitado de for-</p><p>ma clara e objetiva, a fi m de garantir os passos do seu planeja-</p><p>mento, que inclui:</p><p>• a construção das hipóteses de estudo;</p><p>• a operacionalização das variáveis;</p><p>• descrição do problema a ser experimentado;</p><p>• defi nição dos sujeitos da pesquisa;</p><p>• defi nição do ambiente a ser analisado;</p><p>• coleta, análise e interpretação dos dados;</p><p>• leitura e apresentação dos resultados.</p><p>Fazendo um paralelo entre História e Turismo, usamos este</p><p>tipo de pesquisa para analisar grupos com dados referentes ao</p><p>passado. Por exemplo: “A História do Turismo em Salvador.” Ao</p><p>estabelecer esta temática, podemos trabalhar com histórias de</p><p>grupos que viveram na localidade, considerando a metodolo-</p><p>gia da história oral, que trabalharam na localidade, entre outros,</p><p>como documentos de pontos de entrada e saída de funcionários</p><p>de fábricas, comércio, ou outras categorias de análise, estabele-</p><p>cendo, assim, uma relação coesa para averiguação dos dados.</p><p>152</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Quais são os critérios necessários para defi nirmos os tipos de</p><p>pesquisa em Turismo?</p><p>Resposta Comentada</p><p>A tipologia da pesquisa defi ne a metodologia a ser adotada pelo</p><p>pesquisador. Ao defi nir a temática, o projeto tende a apresentar as-</p><p>pectos que vão direcionando a necessidade do tipo de pesquisa a</p><p>ser aplicada.</p><p>No Turismo, temos alguns tipos de pesquisa, a saber: experimental,</p><p>exploratória, social, histórica e teórica. Cada um desses tipos realiza</p><p>verifi cações pautadas em métodos específi cos de observação e tra-</p><p>tamento dos dados.</p><p>Pesquisas quanto aos procedimentos técnicos</p><p>Apesar da denominação, estes tipos de pesquisa já foram</p><p>analisados anteriormente, façamos apenas um resumo de suas</p><p>qualidades:</p><p>• Pesquisa bibliográfi ca: usa o arcabouço de publicações sobre</p><p>o assunto. Necessária a todos os tipos de investigação.</p><p>• Pesquisa documental: usa documentos de qualquer tipo para</p><p>a análise de seu objeto.</p><p>• Pesquisa experimental: usa o experimento para analisar o</p><p>tema/objeto.</p><p>• Pesquisa ex-post-facto: podemos defi nir como “a partir do fato</p><p>passado” para iniciarmos a investigação.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>153</p><p>• Levantamento: signifi ca ordenar todo o material sobre o as-</p><p>sunto/tema a ser investigado.</p><p>• Estudo de caso: trabalha com um objeto específi co e trata as</p><p>informações de forma aprofundada.</p><p>• Pesquisa-ação: signifi ca planejar, observar, agir e refl etir de</p><p>maneira mais consciente,</p><p>mais sistemática e mais rigorosa o</p><p>que fazemos na nossa experiência diária.</p><p>A pesquisa-ação caracteriza-se pela imediata ação tomada</p><p>diante dos procedimentos da pesquisa. Um dos exemplos seria</p><p>manipular os dados da pesquisa imediatamente ao detetar o pro-</p><p>blema. Exemplo: um hotel verifi ca que o motivo de reclamações</p><p>está na potência do ar-condicionado dos quartos e o corrige ime-</p><p>diatamente após a análise dos questionários.</p><p>• Pesquisa participante: segundo Grossi (1981),</p><p>pesquisa participante é um processo de pesquisa no qual</p><p>a comunidade participa na análise de sua própria realida-</p><p>de, com vistas a promover uma transformação social em</p><p>benefício dos participantes que são oprimidos. Portanto,</p><p>é uma atividade de pesquisa educacional orientada para</p><p>Figura 6.2: Etapas da pesquisa-ação.</p><p>Fonte: Susman; Evered (1978).</p><p>154</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>a ação. Em certa medida, a tentativa da pesquisa partici-</p><p>pante foi vista como uma abordagem que poderia resol-</p><p>ver a tensão contínua entre o processo de geração de co-</p><p>nhecimento e o uso deste conhecimento, entre o mundo</p><p>“acadêmico” e o “irreal”, entre intelectuais e trabalhadores,</p><p>entre ciência e vida.</p><p>Exemplos: estabelecimento de programas públicos — pla-</p><p>taformas políticas; elaboração de conteúdos programáticos de</p><p>aulas, de programas de ação; priorização e determinação de</p><p>ações básicas de grupos de trabalho em lojas, fábricas, indús-</p><p>trias, comércio, entre outros.</p><p>Tipos de pesquisa para estudos de mercado</p><p>Alguns tipos de pesquisa defi nem no mercado os direcio-</p><p>namentos do produto, ou seja, qual a sua missão, comportamen-</p><p>to, ações e mudanças de cenários. Para a efetiva orientação do</p><p>produto, os estudos defi nem em linhas gerais quais serão as di-</p><p>retrizes corretas para o melhor funcionamento e ampliação das</p><p>condições de oferta dos mesmos.</p><p>Temos então:</p><p>• Estudos exploratórios: são formados a partir da exploração</p><p>do que já existe sobre o assunto. Podemos pegar trabalhos já</p><p>publicados, revistas, periódicos, documentos públicos e priva-</p><p>dos, estatísticas, entre muitos outros. Neste caso, buscamos</p><p>conhecer tudo que envolve a atividade ou o produto, como</p><p>forma de conhecimento.</p><p>• Estudos descritivos: buscam informar sobre a distribuição de</p><p>um problema específi co em termos quantitativos. Eles bus-</p><p>cam identifi car grupos na especifi cidade, por exemplo, de-</p><p>manda turística em um determinado espaço, ou seja, dados</p><p>capazes de informar sobre as necessidades e as características</p><p>dos segmentos que poderiam benefi ciar-se de alguma forma</p><p>nesse campo.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>155</p><p>• Estudos descritivos estatísticos: são usados para analisar cau-</p><p>sas e efeitos. Por exemplo:</p><p>Causas Efeitos</p><p>Restaurantes Gastronomia</p><p>Agências de viagens Forfait (tipo de viagem feita sob me-</p><p>dida para o cliente)</p><p>Transportes aéreos Agilidade</p><p>• Estudos descritivos de caso: partem dos efeitos para se che-</p><p>gar às causas, é o contrário do estudo descritivo estatístico.</p><p>Neste caso, buscamos entender uma especifi cidade para pos-</p><p>teriormente encontrar soluções para os possíveis problemas</p><p>encontrados.</p><p>• Estudos experimentais: são estudos que buscam respostas em</p><p>experimentos, por exemplo: mudamos o menu num restau-</p><p>rante mediterrâneo para saber a aprovação e reprovação dos</p><p>clientes.</p><p>Para conhecer o mercado onde o produto ou serviço está</p><p>instalado, precisamos conhecer as técnicas para demarcação</p><p>dessas informações, que serão usadas nos tipos de pesquisa a</p><p>serem traçadas.</p><p>Técnicas de pesquisa</p><p>As técnicas de pesquisa são os meios para se chegar às</p><p>respostas. Ou seja, como vou descobrir se algo está errado no</p><p>meu hotel? Para isso, existem formas de conseguir as respostas,</p><p>a essas formas denominamos técnicas.</p><p>As técnicas são específi cas em cada área e compõem-se,</p><p>segundo Lakatos e Marconi (1991), de:</p><p>• Questionário: uma série de perguntas que devem ser respon-</p><p>didas por escrito, sem a presença do pesquisador.</p><p>• Formulário: é um roteiro de perguntas, enunciado pelo entre-</p><p>vistador e preenchido por ele com as respostas do pesquisado.</p><p>• Medidas de opinião e de atitudes: é um instrumento de padroni-</p><p>zação que visa assegurar a equivalência de diferentes opiniões</p><p>e atitudes, com a fi nalidade de compará-las.</p><p>156</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>• Testes: são instrumentos utilizados com a fi nalidade de obter da-</p><p>dos que permitam medir o rendimento, a frequência, a capaci-</p><p>dade ou o comportamento de indivíduos, de forma quantitativa.</p><p>• Sociometria: é uma técnica quantitativa que procura explicar</p><p>as relações pessoais entre indivíduos de um grupo.</p><p>• Análise de conteúdo: técnica que permite a descrição sistemá-</p><p>tica, objetiva e quantitativa do conteúdo da comunicação.</p><p>• História da vida: tenta obter dados relativos à experiência pes-</p><p>soal de alguém que tenha signifi cado importante para o co-</p><p>nhecimento do objeto de estudo.</p><p>• Pesquisa de mercado: visa à obtenção de informações sobre o</p><p>mercado, para ajudar o processo decisivo nas empresas.</p><p>As técnicas e os métodos adotados deverão ser adequados</p><p>ao problema a ser investigado. Cada área do conhecimento utili-</p><p>za métodos e técnicas específi cos para aplicação em determina-</p><p>dos tipos de pesquisa. Muitas delas são compostas de mais de</p><p>um método e várias técnicas.</p><p>Na pesquisa, o uso da descrição faz a ponte entre a fase</p><p>de observação dos dados e a fase de interpretação dos mesmos,</p><p>assim parte de combinações entre técnicas e métodos para uma</p><p>análise mais confi ável.</p><p>A descrição implica:</p><p>• tratamento estatístico, ou seja, fazer tabulações para en-</p><p>contrar concentrações, frequências e tendências na do-</p><p>cumentação coletada. Exemplo: levantamento da oferta</p><p>turística em Morungaba;</p><p>• assegurar o domínio sobre a massa de dados coletados,</p><p>identifi cando e selecionando fatos de signifi cação para o</p><p>tratamento analítico. Exemplo: quantidade de atrativos</p><p>viáveis para uso;</p><p>• conseguir um conhecimento prévio das possibilidades da</p><p>documentação, em relação aos objetivos da investigação.</p><p>Exemplo: saber a localização dos atrativos por meio de</p><p>uma investigação prévia.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>157</p><p>Para analisar algumas áreas de Turismo, procuramos abor-</p><p>dar alguns métodos viáveis pela execução da tarefa de interpreta-</p><p>ção da técnica. Alguns autores utilizam o método hipotético-dedu-</p><p>tivo e usam as técnicas do questionário e da análise de conteúdo.</p><p>Essa é uma das formas usuais na área, mas podemos utilizar dife-</p><p>rentes metodologias e técnicas para construirmos uma pesquisa.</p><p>Depende do foco a ser investigado e o direcionamento que dare-</p><p>mos aos dados coletados.</p><p>Análise de conteúdo</p><p>Análise de conteúdo é uma técnica de pesquisa usada, a</p><p>fi m de descrever objetiva e sistematicamente um conteúdo, geral-</p><p>mente de dados quantitativos. Analisar mensagens espontâneas</p><p>é uma das formas mais usuais. Nesta técnica, podemos organizar</p><p>as mensagens de hóspedes, por exemplo, para tentar identifi car</p><p>grupos e subgrupos de indivíduos pelas categorias: necessidades,</p><p>difi culdades, constrangimentos, queixas e/ou sugestões, e tam-</p><p>bém como meio de controlar onde a propaganda do hotel foi mais</p><p>efetiva e posteriormente tentar descobrir o porquê.</p><p>Questionário online</p><p>Nesta técnica, faz-se necessário o uso de um planejamento,</p><p>integrando desde sua elaboração, aplicação e formas de feedback.</p><p>Segundo Schneiderman (1998), na pesquisa da Interação</p><p>Humano-Computador (HCI), usuários de interfaces podem ser</p><p>questionados sobre suas impressões a respeito de aspectos</p><p>subjetivos, como objetos ou ações relacionadas às tarefas, en-</p><p>tre as quais traçamos posteriormente as informações para ajus-</p><p>tes e mudanças.</p><p>Neste tipo de pesquisa, os questionários a serem usados</p><p>podem ser formatados de dois tipos:</p><p>• questionário autoaplicado, no qual o investigado responde</p><p>sem interrupção de um interlocutor;</p><p>• questionário aplicado por pesquisadores, no qual o pesquisa-</p><p>158</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>dor/interlocutor faz perguntas e ele mesmo anota respostas</p><p>para posterior análise.</p><p>Para ver mais sobre pesquisa em Turismo, acesse o link:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=_uUxBoT14Nw</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2. Considerando que você já tenha um problema de pesquisa em</p><p>Turismo, descreva em linhas gerais o que considera necessário</p><p>para a escolha das técnicas de pesquisa apropriadas. Leve em</p><p>consideração: as técnicas e tipos de pesquisa.</p><p>Resposta Comentada</p><p>Na investigação turística, devemos organizar nossas pesquisas por</p><p>meio de procedimentos que visem à sistematização dos dados, des-</p><p>de sua coleta até a organização e análise da informação obtida.</p><p>A busca de informações acerca de comportamentos, tendências,</p><p>formas e relações que permitam prever e analisar o funcionamento</p><p>do sistema turístico em contextos distintos traz os próximos passos</p><p>para o sucesso da investigação proposta.</p><p>Quanto à escolha das técnicas e instrumentos a serem usados na</p><p>investigação, devemos seguir a metodologia aplicada ao objeto/</p><p>tema/problema, podendo ser usada mais de uma técnica, seguindo</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>159</p><p>as necessidades do problema a ser investigado, bem como o uso</p><p>de alterações à medida que que novas indagações forem surgindo.</p><p>Conclusão</p><p>A pesquisa sempre possui um caráter de exploração, des-</p><p>coberta, questionamentos e indagações sobre algo a ser desven-</p><p>dado. Para acertar o caminho das respostas, devemos nos munir</p><p>de métodos e técnicas específi cos para cada tema/problema.</p><p>A Ciência tem como princípios aproximar-se da verdade e o</p><p>seu objetivo é criar condições que possibilitem prever o compor-</p><p>tamento dos fatos que ocorrem no mundo a partir de alternativas</p><p>determinadas e viáveis, que podemos escolher com base em crité-</p><p>rios de probabilidade de ocorrência (GASTAL, 2001, p. 39).</p><p>O método pode ser defi nido, de acordo com Chauí (1994,</p><p>p. 354), como:</p><p>(...) Métodos signifi ca uma investigação que segue um</p><p>modo ou uma maneira planejada e determinada para co-</p><p>nhecer alguma coisa; procedimento racional para o conhe-</p><p>cimento, seguindo um percurso fi xado.</p><p>Portanto, para escolher o método que deverá ser empre-</p><p>gado, é necessário seguir critérios rigorosos, pois é ele que vai</p><p>desencadear as hipóteses de pesquisa durante a coleta de dados</p><p>e vai fazer com que o projeto tenha caráter científi co.</p><p>Surge então uma importante indagação: seria possível</p><p>coletar informações acerca de problemas específi cos? Essas</p><p>respostas dependem da organização da pesquisa, partindo de</p><p>procedimentos concretos na busca de levantamento e coleta de</p><p>dados e informações, a fi m de trazer à luz dos resultados a com-</p><p>provação de sua veracidade.</p><p>160</p><p>Aula 6 • Tipos de pesquisa em Turismo</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1 e 2</p><p>Faça a ligação entre o tipo de pesquisa com os exemplos defi ni-</p><p>dos nas colunas da direita.</p><p>(a) Pesquisa experimental ( ) Desenvolvida a partir de material já elabo-</p><p>rado, como livros, revistas, periódicos, entre</p><p>outros, cuja fi nalidade é o levantamento de</p><p>informações acerca do assunto.</p><p>(b) Pesquisa ex-post-facto ( ) Faz uma análise das características de um</p><p>produto, objeto ou grupo, a partir de um fator</p><p>estimulante e usa como ponto de partida a</p><p>aplicação de um estimulante para verifi car a</p><p>reação dos consumidores.</p><p>(c) Pesquisa bibliográfi ca ( ) Tem-se um experimento que se realiza</p><p>após o fato. São tomadas como experimen-</p><p>tais situações que se desenvolveram natu-</p><p>ralmente e trabalha-se sobre elas como se</p><p>estivessem submetidas a controles.</p><p>(d) Estudo de caso ( ) Estudo minucioso e profundo sobre deter-</p><p>minados objetos e situações.</p><p>(e) Levantamento ( ) Usa dados mais descritivos do que expli-</p><p>cativos e refere-se à coleta de dados de um</p><p>produto, serviço dentro de uma amostra de</p><p>população.</p><p>(f) Pesquisa documental ( ) Usa estreita ligação entre ação e resolu-</p><p>ção. Envolve cooperação e participação.</p><p>(g) Pesquisa participante ( ) Usa material ainda não analisado, como</p><p>formulários, diários, relatos de viagens, entre</p><p>outros.</p><p>(h) Pesquisa ação ( ) Integração do pesquisador e do pes-</p><p>quisado, a fi m de obter conhecimento mais</p><p>aprofundado sobre o grupo.</p><p>Resposta Comentada</p><p>As respostas corretas são c, a, b, d, e, h, f, g.</p><p>Resumo</p><p>Fazer um projeto de pesquisa é traçar um caminho efi caz que con-</p><p>duza ao fi m que se pretende atingir, livrando o pesquisador do</p><p>perigo de se perder, antes de tê-lo alcançado. O projeto trata do</p><p>intento, do desígnio, do propósito do que será feito. É o plano de</p><p>um estudo ou de uma pesquisa. É o primeiro passo na realização</p><p>de uma monografi a.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>161</p><p>Assim, ao escolher o tema, o objeto e o problema a ser investiga-</p><p>do teremos os tipos de pesquisa que serão direcionados a essa</p><p>resposta, tentando adequar a melhor técnica ao problema e tema</p><p>propostos. Tendo em vista o mercado, devemos adequar técnicas</p><p>para que a construção da pesquisa seja o mote de novas motiva-</p><p>ções e perspectivas na área de Turismo.</p><p>Dos tipos de pesquisa mais usados em Turismo, estão as pesqui-</p><p>sas descritivas, exploratórias, de ação, experimental, estudo de</p><p>caso e participante. No entanto, qualquer tipo pode ser usado, de-</p><p>pendendo do objeto a ser investigado.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, veremos a construção da pesquisa quali-</p><p>tativa e quantitativa, enquanto ferramenta metodológica aplica-</p><p>da ao Turismo.</p><p>7 Pesquisa qualitativa</p><p>e quantitativa</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Evidenciar o uso da pesquisa qualitativa e quantita-</p><p>tiva em turismo.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz</p><p>de:</p><p>1 defi nir o uso da pesquisa qualitativa em turis-</p><p>mo;</p><p>2 defi nir o uso da pesquisa quantitativa em turismo.</p><p>164</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindo à nossa Aula 7! Nesta aula, veremos as pesqui-</p><p>sas qualitativa e quantitativa em turismo e sua aplicabilidade.</p><p>Para iniciarmos o diálogo sobre qual o melhor método a</p><p>ser utilizado, temos de distinguir as denominações metodologia</p><p>e método. Método é a justifi cativa para o tipo de procedimento</p><p>(quantitativo ou qualitativo) empregado na pesquisa, ao passo</p><p>que metodologia é o conjunto de procedimentos empregado na</p><p>realização do estudo.</p><p>O termo qualitativo implica uma partilha densa com pes-</p><p>soas, fatos e locais que constituem objetos de pesquisa,</p><p>para extrair desse convívio os signifi cados visíveis e laten-</p><p>tes que somente são perceptíveis a uma atenção sensível</p><p>(CHIZZOTTI, 2006).</p><p>Isso signifi ca dizer que o sentido e os signifi cados das rela-</p><p>ções entre os indivíduos e os objetos trazem em seu bojo ques-</p><p>tões pouco aprofundadas e que, mediante observações e pesqui-</p><p>sas empíricas, acabam por signifi car algo mais denso.</p><p>Na pesquisa qualitativa questões e problemas para a pes-</p><p>quisa advêm de observações no mundo real, dilemas e</p><p>questões. Elas são formuladas como hipóteses se-então</p><p>[se variável independente, então variável dependente] de-</p><p>rivadas da teoria (MARSCHALL; ROSSMAN, 1989).</p><p>A pesquisa quantitativa é um método de pesquisa social</p><p>que utiliza técnicas estatísticas, ou seja, busca nos números as</p><p>informações para entender e descrever processos e fenômenos.</p><p>Usa para isso questionários, tentando agrupar o máximo de pes-</p><p>soas para a fi delidade da informação desejada.</p><p>Pesquisa qualitativa</p><p>Pesquisa qualitativa é uma forma de investigação que bus-</p><p>ca desvendar e compreender fenômenos, partindo da premissa</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>165</p><p>de que a subjetividade da ação social permeia a criação de novas</p><p>atitudes e perspectivas.</p><p>A pesquisa qualitativa, na maioria das vezes, busca nas en-</p><p>trevistas sua base de dados empírica. Os critérios para a efetiva</p><p>seleção dos sujeitos que vão compor o universo de investigação</p><p>é o passo mais importante, que naturalmente terá como resposta</p><p>a qualidade das informações</p><p>adquiridas para posterior compreen-</p><p>são do problema defi nido.</p><p>A defi nição de quem fará parte dessa fase que inclui a se-</p><p>leção dos entrevistados e sua representatividade dentro do gru-</p><p>po constitui o primeiro grande problema da pesquisa; logo após</p><p>essa fase, outras interferências advindas das questões postula-</p><p>das pelos sujeitos farão a continuidade dos próximos ajustes a</p><p>serem elaborados.</p><p>A quantidade de entrevistados não deve ser defi nida ime-</p><p>diatamente, mas dependerá da qualidade e profundidade dos da-</p><p>dos obtidos. Para resolver a mostra, devemos inicialmente sentir</p><p>os primeiros resultados e impressões da pesquisa. Isso se faz por</p><p>meio de um teste. Em geral, na primeira entrevista, podemos ter</p><p>uma noção da quantidade necessária de entrevistados. No entan-</p><p>to, com os resultados preliminares fecharemos quando for hora de</p><p>parar com a amostra, para que não fi que nem extensa nem pobre</p><p>de informações acerca da problemática a ser investigada.</p><p>A pesquisa qualitativa busca entender os fenômenos, par-</p><p>tindo de distintas situações:</p><p>• Os resultados da investigação qualitativa substituem as esta-</p><p>tísticas sobre épocas ou atitudes específi cas.</p><p>• Os dados são revelados por meio de informações não obser-</p><p>vadas em pesquisas quantitativas, especialmente os que se</p><p>direcionam para analisar atitudes, motivos e referências de</p><p>determinados produtos ou serviços. (Por exemplo: por que</p><p>compramos determinado produto em vez de outro de marca</p><p>distinta?)</p><p>• Os dados que não são analisados pelas estatísticas são favo-</p><p>recidos na análise qualitativa, ou seja, dados psicológicos e</p><p>166</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>demais afi nidades de valor aprofundado, como sensações, ex-</p><p>periências e atitudes motivadas por comportamentos, modas,</p><p>entre outros.</p><p>Na pesquisa qualitativa, pode-se dizer que:</p><p>• A fonte de dados é o seu ambiente natural, ou seja, quan-</p><p>do focalizamos as referências motivacionais de uma ação,</p><p>temos na fonte de pesquisa as respostas iniciais.</p><p>• O pesquisador é o instrumento principal, pois, a partir de</p><p>suas interações com o objeto, geralmente pessoas, vai ao</p><p>encontro das variáveis e hipóteses e as defi ne no momen-</p><p>to da pesquisa.</p><p>• É descritivo-analítica, no que se refere à descrição do pes-</p><p>quisador e análise posterior do que foi coletado.</p><p>• Valoriza muito o processo e não apenas o resultado, pois</p><p>todo o ambiente da pesquisa é analisado, desde os sons,</p><p>as sensações, sentimentos e demais peculiaridades não</p><p>sentidas nos dados estatísticos.</p><p>• Pode-se dizer que a pesquisa qualitativa analisa aspectos</p><p>escondidos ou relevantes para uma forma de investiga-</p><p>ção subjetiva.</p><p>Figura 7.1: Qual a chave para escolha da pesquisa?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1310970</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>167</p><p>Na maioria das vezes, há a necessidade de retomar às en-</p><p>trevistas para fechar lacunas sobre assuntos distintos. Voltar a</p><p>campo nesse sentido é algo bastante comum. Pode-se dizer que,</p><p>numa entrevista sobre história temática, por exemplo, o entrevis-</p><p>tador muitas vezes volta cerca de três ou quatro vezes a campo</p><p>para tomar partes dos depoimentos, a fi m de ampliar sua coleta</p><p>e melhor interpretar os dados posteriormente.</p><p>Por esse motivo, temos na pesquisa qualitativa o entrevis-</p><p>tador como interlocutor da mesma. Ele será o responsável pelo</p><p>direcionamento e pela veracidade do que foi dito pelos entrevis-</p><p>tados, e as lacunas que surgirem só ele será capaz de fechar.</p><p>A pesquisa qualitativa requer a participação direta do pes-</p><p>quisador, que, ao vivenciar as situações que investiga, atua tan-</p><p>to como pesquisador quanto como pesquisado ao se colocar na</p><p>ação, trata os dados subjetivamente, mas ao mesmo tempo busca</p><p>nas respostas uma adequação às características dos sujeitos que</p><p>vivem e interagem diretamente na realidade daquele fenômeno.</p><p>Os conhecimentos gerados nessa interação (pesquisando</p><p>e pesquisado) certamente terão êxito porque foram produzidos</p><p>para atender às necessidades, aos anseios e às expectativas da-</p><p>queles que fornecem vida e existência àquele fenômeno. Assim,</p><p>para evidenciar o que é essencial, é preciso pensar relacional-</p><p>mente (ou seja, relacionar as áreas, objetos e temas).</p><p>Devemos levar em consideração na pesquisa de campo de</p><p>caráter qualitativo, nas Ciências Sociais, o princípio da interpre-</p><p>tação subjetiva. Ou seja, enquanto conversamos com os investi-</p><p>gados, devemos levar em conta os “constructos da sua vida coti-</p><p>diana”, se quisermos compreender os signifi cados atribuídos às</p><p>nossas perguntas (GUIMARÃES, 1990, p. 110).</p><p>Como instrumentos, usamos geralmente redes de conheci-</p><p>dos (sobre o assunto pertinente) das quais defi nimos quem serão</p><p>os entrevistados. A sua profundidade dependerá do foco a ser tra-</p><p>tado (entenda-se aqui a profundidade do assunto referente aos en-</p><p>trevistados), ao passo que, ao tratarmos os dados, devemos tam-</p><p>bém intermediá-los numa discussão com as pesquisas já feitas</p><p>Constructos</p><p>Construções mentais</p><p>ou sínteses feitas a</p><p>partir da combinação de</p><p>vários elementos, sendo</p><p>necessário interpretar a</p><p>realidade do outro.</p><p>168</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>sobre o assunto que inclui livros, periódicos, teses e dissertações,</p><p>imagens, entre muitos outros documentos de investigação.</p><p>Em turismo, a pesquisa qualitativa procura entender a ati-</p><p>vidade em circunstâncias particulares, ou seja, busca interpretar</p><p>os signifi cados de ações específi cas do mercado. Vejamos a se-</p><p>guir algumas ponderações sobre isso.</p><p>Pesquisa qualitativa em turismo</p><p>Nos estudos do mercado turístico, são usadas algumas</p><p>técnicas pertinentes à obtenção dos dados de forma mais abran-</p><p>gente. No estudo qualitativo, a análise dos dados segue um pro-</p><p>cesso de indução do pesquisador.</p><p>Os dados coletados são na maioria das vezes descritivos,</p><p>pois o material possui uma vasta fonte de relatos em que as si-</p><p>tuações, acontecimentos, fotografi as, desenhos e depoimentos</p><p>revelam um processo de análise subjetivo.</p><p>O interesse do pesquisador é verifi car como o problema</p><p>manifesta-se no cotidiano. No caso de um estudo relativo</p><p>à atitude hostil do turista quando se depara com costumes</p><p>locais, é mais importante a descrição da atitude do que o</p><p>resultado da pesquisa (DENCKER & DA VIÁ, 2001, p. 186).</p><p>Na análise qualitativa, que muitas vezes pode vir a com-</p><p>plementar as pesquisas quantitativas, o pesquisador considera</p><p>aspectos relacionados às questões menos imediatas e mais den-</p><p>sas, ao considerar aspectos relacionados às sensações e às sen-</p><p>sibilidades das pessoas.</p><p>A ênfase dessas pesquisas não se restringe aos efeitos</p><p>multiplicadores do turismo em relação à geração de renda, mas</p><p>aos impactos e efeitos naturais, sociais e culturais da atividade.</p><p>Geralmente, as pesquisas focalizam a determinação do ponto</p><p>de equilíbrio entre o desenvolvimento da atividade turística e o</p><p>desenvolvimento da comunidade, criando estudos, pesquisas da</p><p>capacidade de cargas locais, entre outros, a fi m de integrar os</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>169</p><p>estudos de viabilidade em igualdade de condições com taxas de</p><p>retorno nos investimentos.</p><p>Veja no quadro a seguir, as principais características da</p><p>pesquisa qualitativa por alguns dos autores que tratam dessa</p><p>forma de investigação:</p><p>Quadro 7.1: Características da pesquisa qualitativa</p><p>Autor Características</p><p>Bryman (1984) Compromisso em ver o mundo</p><p>social do ponto de vista do ator</p><p>Denzin e Lincoln (2006) Ênfase sobre as qualidades das</p><p>entidades e sobre processos e</p><p>signifi cados</p><p>Cassell e Simon (1994) Permite que o pesquisador, com</p><p>o avanço de sua pesquisa, altere</p><p>a natureza de sua intervenção</p><p>em resposta à natureza mutante</p><p>do contexto</p><p>Wolcott (1975) apud Borman et</p><p>al. (1986)</p><p>O pesquisador é notadamente o</p><p>instrumento de pesquisa</p><p>Patton (2002) Os dados tipicamente eclodem</p><p>durante a ida a campo</p><p>Silverman (2000) Os métodos utilizados exemplifi -</p><p>cam a crença de que eles</p><p>individualidades sob as mesmas</p><p>leis, sob as mesmas medidas.</p><p>Ex.: “A Química revela-nos que a enorme variedade de cor-</p><p>pos reduz-se a um número limitado de corpos simples que se</p><p>combinam de modos variados.”</p><p>• Aspira à objetividade enquanto o senso comum caracteriza-se</p><p>pela subjetividade, algo que pode ou não ser, dependendo da</p><p>perspectiva a ser analisada.</p><p>• Dispõe de uma linguagem rigorosa cujos conceitos são defi ni-</p><p>dos de modo a evitar qualquer ambiguidade, mas que, pode</p><p>ser refutado a qualquer momento por uma nova abordagem,</p><p>desde que seja comprovada.</p><p>É quantitativo, pois busca medidas, padrões, critérios de</p><p>comparação e de avaliação para coisas que parecem ser diferen-</p><p>tes. Nesse sentido, a Matemática e a Estatística constituem ins-</p><p>trumentos importantes na busca por padrões de várias Ciências.</p><p>• Tem método rigoroso para a observação, experimentação e</p><p>verifi cação dos fatos, que comprovados seguem um padrão</p><p>de abordagem.</p><p>• Diferente do senso comum, que muitas vezes é marcado pelo</p><p>sentimento, o conhecimento científi co busca em si a razão,</p><p>sendo dela a análise fi nal.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2. Como podemos reconhecer os aspectos de construção do co-</p><p>nhecimento, a partir da Filosofi a?</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>17</p><p>Resposta Comentada</p><p>O conhecimento é o ato ou efeito de abstrair uma ideia ou noção de</p><p>alguma coisa. Temos alguns tipos de conhecimento cujas especifi -</p><p>cidades são leis, documentos, Medicina, entre outros. É absorvido</p><p>por meio de informações, para um determinado fi m ou não. O co-</p><p>nhecimento distingue-se da mera informação porque está associado</p><p>a uma intencionalidade. Tanto o conhecimento como a informação</p><p>consistem em declarações verdadeiras, mas o conhecimento pode</p><p>ser considerado informação com um propósito ou uma utilidade.</p><p>Ao relacionar o conhecimento à Filosofi a, devemos partir do princí-</p><p>pio de que ele se liga à construção de ideias e conceitos na busca de</p><p>verdades do mundo por meio da indagação e do debate; do que se</p><p>conhece como “fi losofar”. Trata de questões imensuráveis, metafísi-</p><p>cas e, a partir da razão do homem, o conhecimento fi losófi co prioriza</p><p>seu olhar sobre a condição humana.</p><p>Como defi nir senso comum</p><p>O senso comum pode ser compreendido através das coisas</p><p>entremeadas pelo saber social, ou seja, por meio das experiências</p><p>vividas no cotidiano, como costumes, hábitos, tradições, normas</p><p>éticas e todo o processo do viver de forma organizada, mas sim-</p><p>ples, sem rigor científi co.</p><p>Dentre suas conotações, encontram-se alguns critérios, a</p><p>saber:</p><p>• o senso comum não necessita de parecer científi co para com-</p><p>provar o que foi dito, basta a crença individual e coletiva, pois</p><p>seu enfoque advém de fontes a ele confi áveis;</p><p>• é um saber acrítico, pois, não tem interesse em comprovar o</p><p>que foi dito;</p><p>18</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>• todas as receitas caseiras podem ser entendidas por senso co-</p><p>mum, pois são formas de experiências e de verbalidades pas-</p><p>sadas geracionalmente;</p><p>• o senso comum difere-se em alguns aspectos da Ciência, pois</p><p>a Ciência busca a “verdade” em todas as coisas por meio de</p><p>testes e comprovações, enquanto o senso comum é utilizado</p><p>antes mesmo que se saiba se o método empregado traz o que</p><p>se espera, não requerendo a verdade a qualquer custo, mas</p><p>apenas acredita no que foi dito sobre aquele assunto;</p><p>• a Ciência é objetiva, sempre em busca de critérios, avaliações,</p><p>busca leis de funcionamento, renova-se e principalmente se</p><p>modifi ca e busca de forma intermitente se fi rmar no conheci-</p><p>mento, por isso buscamos na academia critérios de pesquisa e</p><p>de entendimento nas mais variadas formas do pensar.</p><p>Figura 1.6: “Conhecimento é poder”, segundo Francis Bacon.</p><p>Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Francis_Bacon.jpg</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>19</p><p>Como interpretar o conhecimento?</p><p>Sabemos que o senso comum parte de fatos cotidianos</p><p>muitas vezes sem lógica. Já o conhecimento precisa de algu-</p><p>mas indagações para se tornar algo mais aprofundado. Tome-</p><p>mos como exemplo a arte de Leonardo da Vinci que, a fi m de</p><p>tentar conhecer o homem e suas dimensões, elaborou o dese-</p><p>nho conhecido como “Homem Vitruviano”, demonstração da</p><p>busca pelo conhecimento, a partir do estudo das proporções</p><p>do ser humano. O artista, por meio de seus estudos, chegou a</p><p>uma conclusão, a partir da investigação minuciosa e do deta-</p><p>lhamento e mensuração do corpo humano. Dessa forma, cada</p><p>cientista e cada pesquisador, dentro de sua área de conheci-</p><p>mento, foi ao longo de sua história buscando o conhecimento</p><p>a partir de uma lógica de construção do saber, seja pela Arte,</p><p>pela História, pela prática, pela técnica, ou por outras catego-</p><p>rias capazes de comprovar suas teorias.</p><p>20</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>O homem proporcional de Da Vinci</p><p>Figura 1.7: Homem Vitruviano (Leonardo Da Vinci, 1490).</p><p>Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Da_Vinci_Vitruve_Luc_Viatour.jpg</p><p>A união dos interesses de Leonardo pela Ciência e pela arte da pro-</p><p>porção é representada neste famoso desenho, em que duas imagens</p><p>sobrepostas de um homem nu estão contidas em um círculo e um qua-</p><p>drado. A inspiração para este desenho veio do tratado De arquitetura,</p><p>do arquiteto romano Marcus Vitruvius Pollio. A obra defendia que os</p><p>edifícios deveriam se basear na simetria e proporção da forma humana.</p><p>Segundo o arquiteto, o corpo humano, com os braços e pernas estendi-</p><p>dos, ajustava-se perfeitamente ao círculo e ao quadrado. Muitos artistas</p><p>da Renascença tentaram traçar o ideal de Vitruvius, façanha plenamente</p><p>realizada por Leonardo. O desenho talvez seja um dos mais famosos de</p><p>seu legado. Nele, ele insere suas próprias observações sobre a forma</p><p>humana, corrigindo algumas medidas inconsistentes de Vitruvius (DA</p><p>VINCI, 2011).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>21</p><p>O que possibilita ao ser humano pensar, sentir, problema-</p><p>tizar e agir é a inteligência simbólica, que diferentemente da sis-</p><p>tematizada, organizada por meio de métodos de pesquisa, pos-</p><p>sibilita a busca da investigação de novos saberes e formas de</p><p>conhecer objetos e gerar novos conhecimentos.</p><p>Algumas formas de saber são relevantes para sistemati-</p><p>zarmos as ideias que geram as mais variadas formas do pensar.</p><p>Assim, temos:</p><p>1. O saber da vida</p><p>É a forma de saber baseada na experiência que começa</p><p>assim que nascemos. Esse processo ocorre do momento em que</p><p>nascemos até a nossa morte. Essa é a razão de criar possibilida-</p><p>des de exploração de tudo que diz respeito à vida na Terra. As</p><p>principais características desse tipo de saber compreendem a</p><p>simples ordenação da vida cotidiana sem rigor metodológico. O</p><p>resultado dessa relação cotidiana com o mundo é um saber que</p><p>muitos chamam de empírico, vulgar, ou senso comum (exemplo:</p><p>saber das mães sobre o aleitamento).</p><p>Figura 1.8: O saber da vida.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/789125</p><p>M</p><p>ar</p><p>ek</p><p>B</p><p>er</p><p>n</p><p>at</p><p>22</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>2. O conhecimento mítico</p><p>Baseia-se na intuição e deriva do entendimento de que pos-</p><p>sam existir modelos naturais e sobrenaturais dos quais advém o</p><p>sentido de tudo que existe. É uma forma de entender as coisas</p><p>mundanas por meio das representações que não são logicamente</p><p>racionais, nem resultantes de experimentações científi cas, mas de</p><p>uma forma de linguagem fantasiosa e de crença (exemplo: crença</p><p>em santos e padroeiros que curam e fazem milagres).</p><p>Figura 1.9: Conhecimento mítico.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/216930</p><p>R</p><p>o</p><p>d</p><p>ri</p><p>g</p><p>o</p><p>F</p><p>o</p><p>n</p><p>se</p><p>ca</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>23</p><p>3. Conhecimento teológico</p><p>É a forma de saber que se fundamenta na fé. É dedutivo</p><p>por partir de uma realidade universal para representar e atribuir</p><p>sentido a realidades particulares, no entanto, colocam à prova</p><p>verdades, que se caracterizam por ser indiscutíveis,</p><p>podem</p><p>sustentar um entendimento</p><p>mais profundo do fenômeno</p><p>social que os métodos quantita-</p><p>tivos</p><p>Creswell (2003) É fundamentalmente interpre-</p><p>tativo, o que permite que o</p><p>pesquisador conduza a interpre-</p><p>tação dos dados</p><p>Miles e Huberman (1994) A narrativa não possui formatos</p><p>fi xos, deve combinar elegância</p><p>teórica a uma descrição credível</p><p>do objeto</p><p>Patton (2002) A confi abilidade recai sobre a</p><p>competência, a habilidade e o</p><p>rigor do pesquisador</p><p>170</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>Autor Características</p><p>Creswell (2003) A validade é utilizada para</p><p>sugerir, estabelecendo se as</p><p>descobertas estão em conformi-</p><p>dade com o ponto de vista do</p><p>pesquisador, do participante ou</p><p>dos leitores</p><p>Fonte: Elaborado pela autora com base em Bryman (1984), Denzin e Lincoln</p><p>(2006), Cassell e Simon (1994), Wolcott (1975) apud Borman et al. (1986), Patton</p><p>(2002), Silverman (2000), Creswell (2003), Miles e Huberman (1994), Patton (2002).</p><p>Fonte: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/turismo/article/view/11922/8410</p><p>Exemplo de um estudo de caso, utilizando a pesquisa qualitativa:</p><p>http://www.periodicodeturismo.com.br/site/artigo/pdf/Turismo%20</p><p>Rural%20como%20diferencial%20competitivo.pdf</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Faça uma relação entre a pesquisa qualitativa em turismo e</p><p>suas características.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>171</p><p>Resposta Comentada</p><p>Considerando-se que na pesquisa qualitativa as questões e os pro-</p><p>blemas para a investigação advêm de observações no mundo real,</p><p>dilemas, questões e fenômenos, o turismo pode utilizar esse método</p><p>para analisar subjetivamente seus fenômenos. Essa forma de pes-</p><p>quisa tenta perceber as qualidades intrínsecas do objeto, focalizan-</p><p>do dados e não números, (por exemplo, analisar o comportamento</p><p>do turista em uma região). Também focalizar as relações entre em-</p><p>presas e sua demanda, entre outros que atentam às qualifi cações</p><p>das relações, e não as estatísticas ou formas quantifi cáveis. São as</p><p>formas de entender o mundo sob a perspectiva de abordagem das</p><p>entrelinhas, ou seja, como entender os processos mentais que cer-</p><p>cam nossas motivações, anseios, e sensações? Isso seria uma ma-</p><p>neira de entender a qualifi cação dos objetos e serviços.</p><p>Distintas abordagens na pesquisa qualitativa</p><p>Na pesquisa qualitativa, os critérios interpretativos e a pos-</p><p>terior análise dos dados seguem uma forma de indução, na qual</p><p>o interlocutor ou o pesquisador é a fi gura responsável pelo an-</p><p>damento e pelas abordagens da investigação. As fontes são sub-</p><p>jetivas e a ação do pesquisador é que fará toda a diferença para</p><p>analisar os dados a serem tanto levantados quanto analisados.</p><p>A principal característica da pesquisa qualitativa é a com-</p><p>preensão e a interpretação dos dados, especialmente pelo olhar</p><p>do investigador.</p><p>Na área de turismo, temos algumas abordagens mais co-</p><p>mumente usadas, como é o caso da etnográfi ca e o estudo de</p><p>caso. Também são utilizadas outras técnicas, como: a pesqui-</p><p>sa-ação, participativa, fenomenológica e as histórias de vida.</p><p>Vejamos algumas considerações sobre essas formas de in-</p><p>vestigação:</p><p>• Abordagem etnográfi ca</p><p>A etnografi a pode ser considerada uma forma de descrição</p><p>e interpretação de um grupo cultural e/ou social ou ainda um</p><p>sistema qualquer. Nesta abordagem, o pesquisador inicia seu</p><p>172</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>estudo examinando as pessoas e suas interações em locais co-</p><p>muns de sua vida cotidiana, ou seja, lugares onde como, durmo,</p><p>rezo, entre outros, tentando observar padrões presentes no dia</p><p>a dia, como ciclos de vida, eventos, religião, culinária, formas</p><p>de relacionamento, entre outros assuntos culturais. A partir daí,</p><p>podem surgir indagações acerca da descrição desses lugares ou</p><p>fatos, de forma a interpretá-los de forma signifi cativa, densa e</p><p>minuciosa.</p><p>• Estudo de caso</p><p>O estudo de caso é uma estratégia de pesquisa que focaliza</p><p>a compreensão da dinâmica presente em um determinado lugar.</p><p>A existência de múltiplas fontes de evidência no estudo de caso</p><p>se deve à combinação de métodos de coleta de dados, como:</p><p>arquivos, entrevistas, questionários e observações de uma forma</p><p>geral. É uma abordagem muito usada em turismo, pois favorece</p><p>a interpretação de um foco específi co de análise.</p><p>• Abordagem fenomenológica</p><p>De acordo com Merleau-Ponty (2002), a fenomenologia é</p><p>o estudo da essência, dos sentidos das coisas. Por exemplo, a</p><p>essência da percepção ou a essência da consciência. Na pesquisa</p><p>em turismo, a fenomenologia poderia ser aplicada à resolução</p><p>de problemas que questionassem como é ser um turista. Busca</p><p>o sentido de captar a essência da experiência de ser um turista,</p><p>um empreendedor ou qualquer outro dentro da área de estudos.</p><p>A fenomenologia analisa os sentidos do fenômeno, ou</p><p>seja, como eles se formam mediante o entorno. A consciência</p><p>do objeto e da experiência é considerada como a fonte da inves-</p><p>tigação.</p><p>Sendo a fenomenologia o estudo da consciência e dos ob-</p><p>jetos da consciência ou de experiências de consciência e de vi-</p><p>vências, pode ser caracterizada como:</p><p>• coisas;</p><p>• imagens;</p><p>• fantasias;</p><p>• atos;</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>173</p><p>• relações;</p><p>• pensamentos;</p><p>• eventos;</p><p>• memórias;</p><p>• sentimentos, entre outros.</p><p>Para a fenomenologia, um objeto é como o sujeito o per-</p><p>cebe, pois tendo como objeto de estudo o fenômeno em si, estu-</p><p>da-se, literalmente, o que aparece; sendo assim, as coisas, ima-</p><p>gens, memórias, pensamentos e demais assuntos são tratados</p><p>conforme percebidos pelos sujeitos que deles falam.</p><p>• Pesquisa-ação</p><p>A parcialidade é uma das características da pesquisa-ação.</p><p>O maior objetivo da pesquisa é produzir novas informações, es-</p><p>truturar conhecimentos e delinear ações. Nesta forma de pes-</p><p>quisa, organizam-se a prática diária e a teoria existente num</p><p>processo de produção de conhecimentos e de intervenções na</p><p>realidade dos sujeitos sociais.</p><p>• Observação participante</p><p>A utilização da observação participante como meio de</p><p>adentrar o mundo social do indivíduo já é de grande conhecimen-</p><p>to de antropólogos e sociólogos. Em empresas e organizações,</p><p>a ação é crescente e fértil, pois facilita o acesso do pesquisador</p><p>no campo escolhido. Ou seja, o pesquisador está entre o pesqui-</p><p>sado em suas ações e pode dessa forma sentir suas reações e</p><p>sensações no momento em que são criadas a fi m de entendê-las</p><p>e porventura modifi cá-las no ambiente propício.</p><p>• Histórias de vida</p><p>A metodologia da história oral não é meramente importan-</p><p>te para checar a confi abilidade das fi tas de reminiscências</p><p>de velhas senhoras e senhores. Um aspecto importante da</p><p>história dos movimentos populares é aquilo que as pes-</p><p>soas comuns lembram-se dos grandes acontecimentos,</p><p>em contraste com aquilo que seus superiores acham que</p><p>deveriam se lembrar, ou com o que os historiadores con-</p><p>seguem defi nir como tendo acontecido e na medida em</p><p>que convertem a memória em mito, como tais mitos são</p><p>formados (HOBSBAWM, 1998, p. 22).</p><p>174</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>Nessa forma de pesquisa, damos ênfase aos aspectos</p><p>abordados pela visão dos sujeitos entrevistados. É comum a in-</p><p>vestigação ser tratada por meio de histórias de vida, histórias</p><p>temáticas ou ainda mistas, nas quais os direcionamentos vão da</p><p>consideração de aspectos de vida a direcionamentos do tema</p><p>proposto.</p><p>Atualmente, a história oral tornou-se algo necessário para</p><p>desvendar aspectos da vida, do cotidiano e da própria história de</p><p>lugares, como meio mais apropriado de sentir nas experiências</p><p>o valor do fenômeno a ser observado.</p><p>Para ver a aplicação da história oral em uma cidade turística, assista</p><p>ao vídeo em espanhol:</p><p>Córdoba — Argentina</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=cpJO5xd-ILc</p><p>No campo de pesquisa, o pesquisador precisa atentar para</p><p>os instrumentos:</p><p>• fala;</p><p>• observação;</p><p>• documentos.</p><p>Esses elementos favorecem a confi guração da pesquisa</p><p>empírica, ao propor</p><p>dados para análise.</p><p>Nas entrevistas, pode-se utilizar a seguinte formatação:</p><p>• contato face a face;</p><p>• questionários;</p><p>• enquetes telefônicas;</p><p>• internet.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>175</p><p>A escolha da forma como vai fazer a interpretação depende</p><p>do seu foco de investigação; isso determinará a melhor forma de</p><p>aplicar a entrevista e colher os dados necessários à sua pesquisa.</p><p>Tipos de entrevistas</p><p>As entrevistas podem ser feitas de forma individual ou em</p><p>grupo e são defi nidas como:</p><p>• Estruturadas: realizadas através de questionários aplicados di-</p><p>reta ou indiretamente ao entrevistado. Geralmente, as pergun-</p><p>tas são fechadas.</p><p>• Semiestruturadas: organizadas a partir de questões abertas e</p><p>fechadas nas quais o pesquisador tem a possibilidade de abor-</p><p>dar aspectos que considera relevantes para as indagações e</p><p>age como protagonista da pesquisa, além de escrever simples</p><p>respostas e poder enfatizar aspectos não considerados nas</p><p>questões.</p><p>• Abertas: são formas de respostas nas quais o entrevistado dita as</p><p>regras do jogo. Geralmente, ele disserta sobre os aspectos que</p><p>achar relevante, sem questionamentos fechados ou perguntas.</p><p>Por exemplo: histórias de vida, biografi as e narrativas.</p><p>O que usamos como instrumentos na pesquisa?</p><p>Geralmente, dispomos de gravadores, vídeos e outras for-</p><p>mas de gravação da imagem ou da voz do pesquisado.</p><p>176</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>Os instrumentos são as formas de chegarmos aos dados</p><p>que levarão às respostas da pesquisa. Quanto mais informações</p><p>tivermos sobre o assunto, melhor será a apresentação e interpre-</p><p>tação dos dados.</p><p>Pesquisa quantitativa</p><p>A pesquisa quantitativa é um método que utiliza técnicas</p><p>estatísticas. Implica a construção de investigações por meio de</p><p>questionários. Normalmente, são contatados os participantes da</p><p>amostra em números, ou seja, em quantidade. Em um mercado</p><p>turístico, normalmente os profi ssionais usam a informação obti-</p><p>da para desenhar estratégias e planos estratégicos.</p><p>Figura 7.2: Exemplos de instrumentos que podem ser utilizados para a</p><p>coleta de dados em pesquisas qualitativas.</p><p>Fontes: http://www.sxc.hu/photo/379916 (papel, lápis e gravador)</p><p>http://www.sxc.hu/photo/220187 (Mp3)</p><p>http://www.sxc.hu/photo/370243 (gravador de fi ta)</p><p>http://www.sxc.hu/photo/772647 (câmera)</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>177</p><p>Os métodos de pesquisa quantitativa são utilizados quan-</p><p>do se quer medir opiniões, reações, sensações, hábitos e atitu-</p><p>des, e pormenores em um universo (público-alvo), através de</p><p>uma amostra que o represente de forma estatisticamente com-</p><p>provada.</p><p>Isso não signifi ca que ela não possa ter indicadores quali-</p><p>tativos, pois estes podem vir intrinsecamente ligados aos dados</p><p>coletados; considerando que o estudo permita, sempre será pos-</p><p>sível.</p><p>Tanto na pesquisa qualitativa quanto na quantitativa, par-</p><p>timos da escolha do melhor instrumento para a coleta de dados,</p><p>que podem ser defi nidos por:</p><p>1. entrevistas pessoais;</p><p>2. entrevistas por telefone;</p><p>3. cartas;</p><p>4. questionário estruturado fechado;</p><p>5. questionário semiestruturados e perguntas abertas;</p><p>6. apresentação de cartões, objetos, material promocional, en-</p><p>tre outros.</p><p>A construção da pesquisa quantitativa</p><p>A pesquisa quantitativa considera que tudo pode ser quan-</p><p>tifi cável, ou seja, traduzido em números, sejam opiniões ou</p><p>informações, para classifi cá-las e analisá-las. Requer o uso de</p><p>recursos e de técnicas estatísticas (percentagem, média, moda,</p><p>mediana, desvio-padrão, coefi ciente de correlação, análise de</p><p>regressão, entre outros dados a serem investigados). Pensemos</p><p>que, para defi nir o problema, é necessário ter em mente o tipo de</p><p>amostragem que será utilizado.</p><p>As amostras podem ser classifi cadas em duas categorias</p><p>principais: as não probabilísticas e as probabilísticas.</p><p>• Probabilística: amostragem cujos elementos totais da popula-</p><p>ção tiverem probabilidade conhecida e diferente de zero.</p><p>178</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>As técnicas probabilísticas garantem a possibilidade de</p><p>criar afi rmações acerca da população com base nas amostras co-</p><p>lhidas. Nesse caso, todos os elementos da população possuem a</p><p>mesma probabilidade de serem selecionados, sendo essas técni-</p><p>cas a garantia do acaso na escolha.</p><p>A amostragem probabilística implica um sorteio com re-</p><p>gras bem determinadas, nas quais a realização só é possível con-</p><p>siderando que a população é fi nita e totalmente acessível.</p><p>Para exemplifi car o seu uso, partamos para algumas das</p><p>principais técnicas de amostragem probabilística:</p><p>1. Casual simples: também conhecida como simples, alea-</p><p>tória, casual, ao acaso ou elementar, parte do pressuposto de um</p><p>sorteio, como um jogo de loteria. Nela, todos os elementos da</p><p>população têm igual probabilidade de pertencer à amostra com</p><p>igual probabilidade de ocorrer dentro de uma população.</p><p>2. Sistemática: quando os elementos contidos em uma</p><p>dada população apresentam-se ordenados e a retirada dos ele-</p><p>mentos da amostra é feita periodicamente, de forma sistemática.</p><p>3. Por conglomerados: quando a população apresenta di-</p><p>visões em pequenos grupos, conhecidos por conglomerados;</p><p>nesse caso, é possível fazer-se a amostragem por meio desses</p><p>conglomerados, sob a forma de sorteio. As unidades de amostra-</p><p>gem, das quais é feito o sorteio, passam a ser os conglomerados</p><p>e não mais os elementos individuais da população.</p><p>4. Estratifi cada: quando a população está dividida em subpo-</p><p>pulações ou estratos, sorteia-se dos elementos da amostra em cada</p><p>subpopulação a amostra para entender a ocorrência de tal fato.</p><p>5. Múltipla: numa amostragem múltipla, a amostra é reti-</p><p>rada em diversas etapas sucessivas. A fi nalidade desse tipo de</p><p>amostragem é diminuir o número médio de itens inspecionados</p><p>a longo prazo, baixando assim o custo da inspeção.</p><p>• Não probabilística: são técnicas que se baseiam na escolha de-</p><p>liberada dos elementos da população; isso não permite gene-</p><p>ralizar os resultados das pesquisas para a população, conside-</p><p>rando que essas amostras não garantem a representatividade</p><p>da população.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>179</p><p>Apresentamos a seguir alguns tipos de amostragem não</p><p>probabilística:</p><p>1. Inacessibilidade a toda a população: parte da população</p><p>não tem existência real, ou uma parte da população é ainda hipo-</p><p>tética, sem necessariamente ter valor e forma exatos. Exemplo:</p><p>os turistas que visitarão determinada cidade na alta temporada.</p><p>2. Amostragem sem norma: para facilitar o processo, pro-</p><p>cura ser aleatória, sem realizar o sorteio, fazendo uso de algum</p><p>dispositivo aleatório confi ável. Exemplo: os turistas com faixa</p><p>etária entre 12 e 30 anos de idade.</p><p>3. A população contínua: nesse caso, é impossível realizar</p><p>amostragem probabilística, devido à impraticabilidade de um</p><p>sorteio rigoroso. Exemplo: uso das instalações hoteleiras por de-</p><p>terminada época do ano (considerando que as instalações são</p><p>usadas intermitentemente de forma contínua).</p><p>4. Amostragens intencionais: são diversos casos nos quais</p><p>há deliberadamente a escolha de certos elementos para perten-</p><p>cer à amostra, por serem representativos da população. Exem-</p><p>plo: turistas que compraram certo pacote para viajar para uma</p><p>determinada destinação.</p><p>As amostras devem ser adequadas ao tipo de pesquisa que</p><p>se busca fazer; no entanto, devem ser testadas para melhor apro-</p><p>veitamento e fi delidade da informação.</p><p>Questionário</p><p>O questionário deve seguir regras básicas de confecção,</p><p>na qual deve haver uma sequência lógica que represente os ob-</p><p>jetivos e tenha uma estrutura de aplicação, tabulação e interpre-</p><p>tação dos dados.</p><p>O primeiro passo é confeccionar a identifi cação dos entre-</p><p>vistados e conter: nome da instituição à qual o entrevistador está</p><p>vinculado para fazer a pesquisa e, junto com o professor, o su-</p><p>pervisor, entre outros, está vinculado para fazer o controle de da-</p><p>dos e o seu número</p><p>(os questionários devem ser numerados). Na</p><p>180</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>sequência, usamos a identifi cação do entrevistado com nome,</p><p>endereço, sexo, faixa etária, profi ssão etc.</p><p>Em seguida, fazemos as questões que selecionam o uni-</p><p>verso a ser pesquisado e organizam-se, dependendo das caracte-</p><p>rísticas do estudo, como se fossem verdadeiros fi ltros:</p><p>• jovens entre 13 e 17 anos (2 fi ltros);</p><p>• mulheres que pertençam à classe B, entre 21 e 35 anos</p><p>(3 fi ltros), entre outros que deseje alcançar em forma de</p><p>dados.</p><p>A sequência de informações deve ter perguntas claras e</p><p>objetivas, evitando com isso interpretações equivocadas, e elas</p><p>não devem ser invasivas. As questões podem ser abertas ou fe-</p><p>chadas; as abertas não restringem a resposta do entrevistado e</p><p>têm cunho de subjetividade; as fechadas fornecem certo número</p><p>de opções codifi cadas (incluindo outras).</p><p>As vantagens de um ou outro tipo de questão vão depen-</p><p>der dos objetivos da pesquisa e respectivamente de sua análise.</p><p>Exemplo:</p><p>1. “Você vai para a Disney nos próximos três anos?”</p><p>• Sim</p><p>• Não (questão fechada)</p><p>2. “Se ‘Não’, por quê?” (questão aberta)</p><p>Nesse momento, o entrevistador pode, além de sugerir</p><p>uma lista de razões, registrar a resposta codifi cada em uma tabe-</p><p>la, para analisar posteriormente. A escolha depende da proposta</p><p>da pesquisa.</p><p>Realização no campo da investigação por meio de entrevistas</p><p>Para a realização da investigação no campo, sugere-se que</p><p>o material esteja pré-testado de forma que o seu planejamento</p><p>use critérios já defi nidos, como o universo a ser investigado, as</p><p>áreas a serem pesquisadas; os mapas de controle das áreas; o</p><p>número dos componentes que farão a pesquisa e quem são os</p><p>profi ssionais envolvidos.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>181</p><p>Das técnicas, encontramos as mais usadas como:</p><p>• Entrevistas: consideradas das mais efi cientes na obtenção das</p><p>informações, conhecimentos ou opiniões sobre o assunto.</p><p>A abordagem estatística na pesquisa quantitativa é uma</p><p>das mais usadas para a compilação e interpretação dos dados,</p><p>pois favorece a leitura e a visualização das respostas quantifi ca-</p><p>das pelo entrevistador, que devem compor gráfi cos para legibili-</p><p>dade das informações.</p><p>É importante ressaltar que as pesquisas estruturadas por</p><p>meio de questionários devem ser montadas tendo em vista a ta-</p><p>bulação e interpretação dos dados. Exemplo:</p><p>Índice turístico do Brasil por vias de acesso</p><p>Confi ra uma análise quantitativa e qualitativa sobre dados</p><p>atuais e essenciais do turismo estrangeiro no país.</p><p>Figura 7.3: Gráfi cos de interpretação de dados quantitativos.</p><p>Fontes: http://www.sxc.hu/photo/967211 (lupa)</p><p>http://www.sxc.hu/photo/875590 (gráfi co)</p><p>182</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>O índice do turismo receptivo brasileiro está aumentando</p><p>no que tange a chegada de turistas por vias de acesso. Em</p><p>2010 o valor foi de 5.161.379 turistas embarcados em terras</p><p>nacionais. Houve um aumento para mais de 200 mil pes-</p><p>soas, se for levado em conta o dado computado em 2009,</p><p>com 4.802.217 estrangeiros em terras tropicais.</p><p>As condições do clima, a procura de uma nova vida traba-</p><p>lhista, o baixo custo de vida, o ecoturismo com suas as be-</p><p>lezas naturais e o contato direito com os descendentes são</p><p>grandes razões do aumento estatístico. Os números são</p><p>divulgados pelo Anuário Estatístico de Turismo, Volume 38,</p><p>ano base de 2010, documento ligado à Secretária Nacional</p><p>de Políticas de Turismo.</p><p>Apesar do caos que vivemos nos aeroportos nacionais, a</p><p>maioria dos turistas englobados na pesquisa quantitativa</p><p>utilizou transporte aéreo, são 3.609.979 passageiros, um</p><p>aumento de mais de 250 mil pessoas, se for levado em</p><p>conta à contabilidade do Anuário de 2009 que possui uma</p><p>marcação de 3.348.906.</p><p>Os meses que contaram com maior número de fl uxo de tu-</p><p>ristas que desembarcam de avião foram: março como uma</p><p>variação de 358.038 (2009) para 362.756 (2010); novembro</p><p>com 292.835 (2009) / 329.763 (2010); e dezembro com uma</p><p>variável de 261.766 (2009) e 388.813 (2010). Pode-se dizer</p><p>que o americano é o povo que mais voa para cá (571.365,</p><p>2009 e 611.386, 2010), estando acima até mesmo da Argen-</p><p>tina no que tange ao rumo com transportes aéreos (567.868</p><p>em 2010).</p><p>Porém, se fomos levar em conta todos os tipos de trans-</p><p>portes e vias de acesso, os argentinos são disparados os</p><p>estrangeiros que mais visitam o país com quase um mi-</p><p>lhão e meio de pessoas. Os americanos estão na segunda</p><p>posição com 641.377. Certamente que o Brasil é o princi-</p><p>pal roteiro turístico dos argentinos. A título de informação</p><p>vale notar que os países da América do Sul são os que</p><p>mais visitam o Brasil, com 2.384.186 visitas somente no</p><p>ano passado, seguidos da Europa (1.614.864) e América do</p><p>Norte (734.998).</p><p>Existem outras variações destacáveis nas diversas vias de</p><p>acesso. O número de turistas de todo o mundo que chega</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>183</p><p>de navio diminuiu de 115.705 (2008) para 114.894 (2010);</p><p>fruto do descaso governamental no que tange a investi-</p><p>mentos em infraestrutura para turismo marítimo que só</p><p>cresce mesmo entre brasileiros e argentino. Em contra</p><p>partida, a chegada de turistas estrangeiros via terrestre au-</p><p>mentou quase em 150 mil pessoas, atingindo o destacável</p><p>número de 1.400.483 no ano de 2010.</p><p>(Fonte: http://viagemhoje.com/indice-turistico-do-brasil-por-vias-de-acesso.html)</p><p>Nos dados apresentados, observamos os índices por nú-</p><p>mero de entradas de turistas no Brasil, a fi m de verifi carmos</p><p>como estão atualmente expostos quantitativamente os nossos</p><p>turistas. No anuário estatístico do Ministério do Turismo, por</p><p>exemplo, estão alocados os números anualmente, a fi m de de-</p><p>fi nirmos quem são e de onde vêm nossos turistas. Esses dados</p><p>podem porventura apresentar elementos que favorecerão estra-</p><p>tégias de captação de novos turistas de forma qualitativa.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2.</p><p>Em termos estatísticos, a história da Oktoberfest pode ser</p><p>dividida em vários capítulos marcantes, com base em da-</p><p>dos ofi ciais, divulgados pela prefeitura de Blumenau. O</p><p>crescimento de 102 mil participantes da primeira edição</p><p>em 1984 e os 1.009.057 visitantes da quinta edição em 1988</p><p>mostrou o forte apelo turístico do evento. O número de</p><p>visitantes apresentou pequenas oscilações até a nona edi-</p><p>ção (1992), quando 1.010.060 pessoas circularam pelo par-</p><p>que da festa, o maior número registrado até 2008.</p><p>Fonte: Revista Turismo: visão e ação: Balneário Camboriú: Univale, v. 12, n. 3,</p><p>set./dez. 2010.</p><p>184</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>Com base no texto anterior, pode-se dizer que:</p><p>a. ( ) As estatísticas servem para demonstrar dados intrinseca-</p><p>mente ligados com os números de turistas e avaliar estratégias</p><p>de mercado.</p><p>b. ( ) As estatísticas servem para fomentar o número de turistas</p><p>por ano.</p><p>c. ( ) As estatísticas garantem o nível de satisfação da festa.</p><p>d.( ) As estatísticas têm confi abilidade, mediante dados coleta-</p><p>dos qualitativamente.</p><p>Resposta Comentada</p><p>a. As estatísticas servem para demonstrar dados intrinsecamente</p><p>ligados com os números de turistas e avaliar estratégias de merca-</p><p>do cujo objetivo é quantifi car fenômenos em função da frequência</p><p>em que ocorrem, dando maior objetividade aos resultados, como</p><p>o uso da estatística. Um dos exemplos que podem ser usados em</p><p>turismo diz respeito à pesquisa de mercado, cujo objetivo pode ser</p><p>a identifi cação de alguns aspectos do trade turístico, como: imagem</p><p>e posicionamento; fatia de comercialização do destino dentre todos</p><p>os produtos vendidos; razões que levam um passageiro a escolher</p><p>viajar (ou não viajar) para o lugar; por que comercializa (ou não).</p><p>A pesquisa quantitativa pode ser usada com a qualitativa sem gran-</p><p>des entraves.</p><p>Conclusão</p><p>Após seu estudo, você deve ter percebido que a metodo-</p><p>logia pode ser compreendida como uma explicação minuciosa,</p><p>detalhada, rigorosa e exata de toda ação desenvolvida no méto-</p><p>do (caminho) de trabalho de pesquisa. Quando escolhido o cami-</p><p>nho, qualitativo ou quantitativo, inicia-se a escolha do instrumen-</p><p>tal utilizado (questionário, entrevista etc.), do tempo previsto, da</p><p>equipe ou do pesquisador, das formas de tabulação e tratamento</p><p>dos dados, enfi m, aquilo que se utilizou no trabalho de pesquisa.</p><p>Como você viu nesta aula, dentre os caminhos metodoló-</p><p>gicos possíveis, temos, na pesquisa qualitativa, a busca por uma</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>185</p><p>análise subjetiva, na qual o pesquisador trata os dados de forma</p><p>indutiva; na pesquisa quantitativa, a análise é mais objetiva, na</p><p>qual numericamente se formam as respostas às indagações.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1 e 2</p><p>Identifi que o tipo de pesquisa, decifrando qual a ideia central da</p><p>mesma, a partir dos exemplos a seguir:</p><p>Tipo de pesquisa Exemplo Defi nição</p><p>1. Pesquisa</p><p>qualitativa</p><p>Análise do turismo</p><p>sob a perspectiva da</p><p>demanda turística:</p><p>aspectos motivacio-</p><p>nais e emocionais</p><p>referentes à escolha</p><p>do destino turístico</p><p>2. Pesquisa</p><p>quantitativa</p><p>Entradas e saídas</p><p>do Brasil, no mês de</p><p>julho de 2010, pelo</p><p>IBGE</p><p>3. Pesquisa mista Análise da cons-</p><p>trução da oferta</p><p>turística no Vale do</p><p>Jequitinhonha</p><p>Resposta Comentada</p><p>Tipo de pesquisa Exemplo Defi nição</p><p>1. Pesquisa</p><p>qualitativa</p><p>Análise do turismo</p><p>sob a perspectiva da</p><p>demanda turística:</p><p>aspectos motivacio-</p><p>nais e emocionais</p><p>referentes à escolha</p><p>do destino turístico</p><p>Pesquisa qualita-</p><p>tiva: neste tipo de</p><p>pesquisa, obser-</p><p>vamos subjetiva-</p><p>mente os dados</p><p>coletados</p><p>2. Pesquisa</p><p>quantitativa</p><p>Entradas e saídas</p><p>do Brasil, no mês de</p><p>julho de 2010, pelo</p><p>IBGE</p><p>Pesquisa quantita-</p><p>tiva: neste tipo de</p><p>pesquisa, obser-</p><p>vamos os dados</p><p>numericamente</p><p>186</p><p>Aula 7 • Pesquisa qualitativa e quantitativa</p><p>Tipo de pesquisa Exemplo Defi nição</p><p>3. Pesquisa mista Análise da cons-</p><p>trução da oferta</p><p>turística no Vale do</p><p>Jequitinhonha</p><p>Pesquisa mista:</p><p>neste tipo de pes-</p><p>quisa, podemos</p><p>contar com a his-</p><p>tória oral temática</p><p>e interpretação de</p><p>dados estatísticos,</p><p>por exemplo</p><p>Resumo</p><p>A pesquisa qualitativa busca ordenar, nas informações, dados re-</p><p>ferentes à subjetividade do fenômeno, a fi m de conhecer os sen-</p><p>timentos, as sensações e as emoções traduzidos na decodifi cação</p><p>de fenômenos.</p><p>A pesquisa quantitativa tende a tratar numericamente os proble-</p><p>mas, analisando os fenômenos por meio de dados estatísticos,</p><p>a fi m de utilizar-se de critérios mais objetivos, como é o caso da</p><p>pesquisa de mercado, que focaliza aspectos específi cos dos quais</p><p>precisa de números para tomar decisões e criar estratégias.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, veremos como se processa a coleta de</p><p>dados dos mais variados tipos de pesquisa.</p><p>8 Coleta, análise e</p><p>interpretação dos dados</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Avaliar como se analisa, interpreta e ordena a cole-</p><p>ta de dados em uma pesquisa.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 defi nir como se faz a coleta de dados na pesqui-</p><p>sa de campo: qualitativa e quantitativa;</p><p>2 analisar e interpretar os dados dessa coleta.</p><p>188</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindo à nossa Aula 8! Até o momento, descobrimos</p><p>como se faz a pesquisa de campo, as entrevistas, os instrumentos</p><p>usados e os tipos a serem usados nas mais variadas formas de</p><p>ir a campo. A partir desta aula, vamos começar a sistematizar os</p><p>dados, desde a coleta, análise até a interpretação dos mesmos.</p><p>Muitas vezes, partimos para o campo sem saber o que</p><p>realmente vamos fazer com os dados a serem investigados e</p><p>como aplicá-los em nossas pesquisas. Nesta aula, vamos exem-</p><p>plifi car todas estas etapas para o bom funcionamento de uma</p><p>coleta e interpretação, a fi m de facilitar a organização de qual-</p><p>quer tipo de pesquisa que venha a ser escolhida.</p><p>Independentemente do objeto, tema ou problema a ser in-</p><p>vestigado, a coleta e a interpretação são as formas com as quais va-</p><p>mos chegar às respostas para as indagações ou questionamentos.</p><p>Figura 8.1: Pesquisa de campo: como fazer?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/141341</p><p>Iv</p><p>an</p><p>F</p><p>er</p><p>re</p><p>r</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>189</p><p>Coleta de dados: como fazer?</p><p>A pesquisa de campo e a coleta de dados dão a caracterís-</p><p>tica ao trabalho, e, para isso, faz-se necessária uma observação</p><p>assistida, que chamamos de uso de técnicas metodológicas. A</p><p>coleta de dados é a parte mais importante da pesquisa, pois com</p><p>os dados é que vamos dar o caminho para a interpretação dos</p><p>dados e posteriormente a cara do trabalho.</p><p>Uma vez escolhido o caminho da pesquisa, fi ca mais fácil</p><p>fechar as arestas que vamos descobrindo. A coleta dos dados</p><p>é uma fase de escolha da delimitação do como e onde vamos</p><p>buscar os dados.</p><p>Nesta fase da investigação de campo, fazem-se necessários:</p><p>1.1 - Estudo piloto:</p><p>• Pesquisa qualitativa: o investigador é o sujeito da ação. Ele</p><p>é o instrumento de coleta e análise dos dados, pois interfere</p><p>diretamente na pesquisa.</p><p>• Pesquisa quantitativa: a aplicação dos questionários fl exibiliza a</p><p>ação do entrevistador, pois ele não é o principal interlocutor do</p><p>levantamento de dados, como ocorre na pesquisa qualitativa.</p><p>Também podem ser feitas entrevistas e podem ser utiliza-</p><p>dos dados secundários, advindos de materiais informativos, como</p><p>jornais, revistas especializadas, periódicos, dissertações, teses,</p><p>publicações e documentos próprios (fotos, cartas etc.), os quais,</p><p>inclusive, orientaram as entrevistas. Esses dados também visam</p><p>retratar o ambiente da pesquisa e do tema/objeto de estudo.</p><p>1.2 - Seleção do Sujeito:</p><p>• Pesquisa qualitativa: os sujeitos são escolhidos por similarida-</p><p>de ou aproximação de dados, a critério do interlocutor, que é</p><p>o investigador da pesquisa. Exemplo: para saber a história da</p><p>imigração japonesa, escolhemos para pesquisa 10 japoneses,</p><p>vindos na década de 1950, e mais 10 de seus fi lhos, nascidos</p><p>no Brasil. Essa amostra é escolhida pelo autor do trabalho e</p><p>não representa números e sim a qualidade das informações e</p><p>histórias de vida.</p><p>190</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>• Pesquisa quantitativa: a amostra é feita por meio de percentuais</p><p>de uma população temática. Exemplo: quantos japoneses vieram</p><p>em 1950 para o Brasil. Nessa pesquisa, focalizamos a quantidade</p><p>e podemos usar dados de outras fontes, como anuários estatísti-</p><p>cos, banco de dados da imigração, entre outros.</p><p>1.3 - Acesso ao ambiente da pesquisa</p><p>Tanto na pesquisa qualitativa quanto na quantitativa, o aces-</p><p>so às informações, ou seja, aos depoentes ou ainda aos entrevis-</p><p>tados, é feita criteriosamente, selecionando onde, como e por que</p><p>fazê-las. O modo de se chegar aos sujeitos deve levar em consi-</p><p>deração aspectos ligados à forma de fazer. Ética, respeito e bom-</p><p>senso são imprescindíveis para a aplicação correta da coleta.</p><p>1.4 - Entrevistas</p><p>O método mais utilizado nas pesquisas qualitativas é a en-</p><p>trevista. O encontro face a face é adotado para a coleta dos dados.</p><p>Por meio de questões estruturadas, semiestruturadas ou abertas</p><p>estabelece-se o conteúdo e a interpretação posterior dos dados.</p><p>É imprescindível, para uma boa coleta, obter a confi ança</p><p>dos entrevistados. O uso de instrumentos, como o gravador, a fi l-</p><p>madora e a máquina fotográfi ca, é de suma importância para a</p><p>interpretação do que foi coletado. Antes do seu uso, é necessário</p><p>verifi car se os mesmos estão em funcionamento e em bom esta-</p><p>do, pois esses elementos podem difi cultar ou facilitar a coleta.</p><p>A escolha dos instrumentos é feita pelo pesquisador, mas</p><p>deve ser levado em conta como isso será analisado para inter-</p><p>pretação e fi nalização do trabalho. Alguns trabalhos precisam</p><p>de informações visuais que devem ser inseridas no texto a ser</p><p>apresentado. As imagens, como fotografi as e demais detalhes,</p><p>devem facilitar a explicação na hora do</p><p>fechamento do texto. Al-</p><p>gumas imagens são meramente ilustrativas, mas outras podem</p><p>ser interpretadas como documentos; isso depende do foco do</p><p>trabalho.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>191</p><p>2.1 - Instrumentos de coletas de dados</p><p>• Questionário</p><p>O questionário, em uma pesquisa, é um instrumento ou</p><p>programa de coleta de dados. Sua confecção pode ser ou não fei-</p><p>ta pelo pesquisador. A linguagem utilizada no questionário deve</p><p>ser simples e direta para que o entrevistado possa compreender</p><p>com clareza o que está sendo perguntado. Não é recomendado</p><p>o uso de gírias, mas a linguagem deve se adequar à fonte. Por</p><p>exemplo: para empresários do ramo hoteleiro, há uma lingua-</p><p>gem específi ca, para pessoas leigas nesse assunto, deve-se usar</p><p>outra forma de linguagem, e assim por diante. Todo questionário</p><p>a ser enviado deve passar por uma etapa de pré-teste, num uni-</p><p>verso reduzido, para que se possam corrigir eventuais erros de</p><p>formulação e ele seja adaptado às necessidades da observação.</p><p>• Conteúdo do questionário</p><p>Inicialmente, deve ter uma carta de explicação, contendo:</p><p>proposta da pesquisa, instruções de preenchimento, instruções</p><p>de devolução, agradecimento.</p><p>Os itens a serem preenchidos primeiro devem conter: o</p><p>nome completo, o endereço, contatos e a assinatura com data,</p><p>e horário. Posteriormente, deve-se inserir as questões relativas à</p><p>pesquisa. Dos itens sobre as questões da pesquisa, estão:</p><p>Formulário de itens sim-não, certo-errado e verdadeiro-falso;</p><p>Ex.: Trabalha? ( ) Sim ( ) Não</p><p>Respostas livres, abertas ou curtas;</p><p>Ex.: Local onde mora: ______________________________</p><p>Formulário de múltipla escolha:</p><p>Ex.: Renda familiar:</p><p>( ) Menos de 1 salário mínimo</p><p>( ) 1 a 3 salários mínimos</p><p>( ) 4 a 6 salários mínimos</p><p>( ) 7 a 11 salários mínimos</p><p>( ) Mais de 11 salários mínimos</p><p>192</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>Questões mistas.</p><p>Ex.: Quem mora com você?</p><p>( ) Pai ou mãe</p><p>( ) Outro parente</p><p>( ) Outra pessoa</p><p>( ) O próprio aluno</p><p>Outro: _____________________________________</p><p>Entrevista:</p><p>Sempre que fazemos uma entrevista, é necessário ter um</p><p>plano ou planejamento das atividades nela contidas. Algumas</p><p>informações podem não ser efetivamente solicitadas para evitar</p><p>o retorno ao campo. É preciso ter esquematizadas as questões</p><p>centrais e periféricas necessárias à temática a ser estudada. As</p><p>entrevistas, além do caráter exploratório, podem também ser in-</p><p>formativas, bem como privilegiar histórias de vida e temáticas.</p><p>• Sugestões de planejamento</p><p>• Quem entrevistar? Aqui entram as pessoas que você es-</p><p>colheu para aplicar a entrevista. Isso depende de qual for-</p><p>ma de pesquisa vai ser utilizada.</p><p>• Pré-teste: aplicar em alguém conhecido antes de ir a cam-</p><p>po. Podem ser usados familiares, colegas ou grupos de</p><p>pesquisa.</p><p>• Relatório: fazer sempre mediante as observações impor-</p><p>tantes recolhidas e enfatizar os objetivos da pesquisa.</p><p>• Observação: anotar tudo que pode ser interessante para</p><p>a temática.</p><p>• Registro fotográfi co ou vídeo: é importante para não es-</p><p>quecer alguns detalhes que porventura venham a ser ne-</p><p>cessários.</p><p>• Relatório das imagens, fi tas e vídeos: facilitam o que ob-</p><p>servar posteriormente, no momento em que se for rever a</p><p>aplicação da pesquisa e organização dos dados.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>193</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Como fazer a coleta de dados numa pesquisa qualitativa com</p><p>entrevistas de história oral? E como fazer a coleta de dados na</p><p>pesquisa quantitativa?</p><p>O que é História Oral?</p><p>A história oral é uma metodologia de pesquisa que con-</p><p>siste em realizar entrevistas gravadas com pessoas que</p><p>podem testemunhar sobre acontecimentos, conjunturas,</p><p>instituições, modos de vida ou outros aspectos da história</p><p>contemporânea...</p><p>As entrevistas de história oral são tomadas como fontes</p><p>para a compreensão do passado, ao lado de documentos</p><p>escritos, imagens e outros tipos de registro. Caracterizam-</p><p>se por serem produzidas a partir de um estímulo, pois o</p><p>pesquisador procura o entrevistado e faz-lhe perguntas,</p><p>geralmente depois de consumado o fato ou a conjuntura</p><p>que se quer investigar...</p><p>O trabalho com a metodologia de história oral compreen-</p><p>de todo um conjunto de atividades anteriores e posteriores</p><p>à gravação dos depoimentos. Exige, antes, a pesquisa e o</p><p>levantamento de dados para a preparação dos roteiros das</p><p>entrevistas. Quando a pesquisa é feita por uma instituição</p><p>que visa a constituir um acervo de depoimentos aberto ao</p><p>público, é necessário cuidar da duplicação das gravações,</p><p>da conservação e do tratamento do material gravado...</p><p>(Fonte: http://cpdoc.fgv.br/acervo/historiaoral)</p><p>194</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>Resposta Comentada</p><p>Na pesquisa qualitativa, os dados são quebrados em unidades me-</p><p>nores e reagrupados em categorias que se relacionam entre si de</p><p>forma a ressaltar padrões, temas e conceitos. Sua interpretação en-</p><p>volve a atribuição de signifi cado à análise, explicando os padrões</p><p>encontrados e procurando por relacionamentos entre as dimensões</p><p>descritivas. Na história oral, podem-se mesclar as entrevistas com</p><p>histórias de vida e história temática, nas quais o entrevistador faz</p><p>questões abertas e analisa os conteúdos, separando em subcatego-</p><p>rias de análise.</p><p>Na pesquisa qualitativa, o instrumento de coleta de dados é sempre</p><p>um questionário estruturado, com uma lista de perguntas fi xas, que</p><p>deve ser seguida à risca pelo entrevistador.</p><p>Classifi cação, organização, categorização e</p><p>análise dos dados</p><p>Quando temos os dados em mãos, devemos primeiro or-</p><p>ganizá-los de forma a facilitar nosso trabalho. A análise dos da-</p><p>dos deve ser feita durante e depois da coleta dos mesmos, para</p><p>que nenhum detalhe fi que perdido.</p><p>Classifi car os dados signifi ca organizá-los em categorias,</p><p>ou seja, dividir os documentos ou dados por áreas ou subáreas.</p><p>Pode ser feito por meio de pastas, fi chários, cores, estantes, ou</p><p>outras formas que se achar conveniente. Cada um separa seus</p><p>documentos conforme os classifi ca. Uma vez separados e cate-</p><p>gorizados, eles facilitam muito a análise e interpretação.</p><p>• Fontes:</p><p>As fontes de pesquisa podem ser divididas em primárias e</p><p>secundárias.</p><p>• Fontes primárias: dados que foram levantados diretamen-</p><p>te pelo pesquisador, como as entrevistas e gravações, e</p><p>posteriormente analisados. Podemos dizer que vão gerar</p><p>informações.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>195</p><p>• Fontes secundárias: os dados secundários podem ser os</p><p>documentos a serem analisados, como decretos, leis,</p><p>fotografi as, anuários, monografi as, entre muitos outros.</p><p>São considerados elementos que já foram de algum modo</p><p>analisados e que serão reutilizados para a sua pesquisa.</p><p>• Como devemos buscar e analisar os documentos?</p><p>Os documentos devem ser analisados a partir do foco de-</p><p>terminado. A escolha de onde estão, de como copiá-los para aná-</p><p>lise e de como interpretá-los deve ser fi gura, a partir da área do</p><p>conhecimento geral e específi ca.</p><p>Assim, podemos dividir em:</p><p>• Locais de coleta e registros: onde faremos nossas pesqui-</p><p>sas, ou seja, bibliotecas, institutos, igrejas, entre muitos</p><p>outros, como onde moram meus entrevistados. Também</p><p>é determinado nesta fase como buscar os registros.</p><p>• Organização dos registros: constitui-se na separação e di-</p><p>visão dos documentos por categorias de análise ou temas</p><p>da pesquisa.</p><p>• Fichamentos: facilita a organização e posterior interpreta-</p><p>ção dos dados. Neles se separam as temáticas por áreas,</p><p>cores, fundamentos, entre outros. Podem ser criados ban-</p><p>co de dados a partir dos fi chamentos que também ajudam</p><p>na análise dos dados.</p><p>Observação: Os fi chamentos podem ser bibliográfi cos, nos</p><p>quais se busca a descrição da obra no todo ou em partes. Re-</p><p>sumo, no qual se extraem as partes objetivas para a pesquisa.</p><p>Citações, as quais se extraem parágrafos para uso posterior</p><p>no</p><p>texto a ser confeccionado.</p><p>A análise dos dados ou a tabulação é uma forma de examinar</p><p>ou analisar os dados coletados, cujo objetivo é buscar compreen-</p><p>der, esclarecer, validar ou refutar os objetivos propostos no estudo.</p><p>Na temática escolhida, pode-se analisar e interpretar as</p><p>informações, tendo como base toda a teoria contida na biblio-</p><p>grafi a escolhida, a qual norteou e encaminhou o desenvolvi-</p><p>mento do estudo.</p><p>196</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>A experiência profi ssional e pessoal do entrevistador tam-</p><p>bém é um aspecto muito importante para a aplicação da pesqui-</p><p>sa de campo, pois tende a facilitar as possíveis interferências no</p><p>momento da pesquisa.</p><p>Interpretação dos dados</p><p>Após ter defi nido o processo e coletado dados de desem-</p><p>penho para servirem de parâmetros de referência, você pode co-</p><p>meçar a organizar as informações. Esta etapa ajuda a obter uma</p><p>compreensão melhor sobre o desempenho e as questões atuais.</p><p>Parte-se do princípio de que, quando vamos interpretar os dados,</p><p>eles já devem ter sido categorizados e organizados para melhor</p><p>compreensão dos aspectos mais relevantes da temática escolhida.</p><p>Interpretação dos dados na pesquisa qualitativa</p><p>Nas formas de pesquisa qualitativa, estruturamos os da-</p><p>dos em unidades menores de forma que reagrupamos os mes-</p><p>mos em categorias, a fi m de ressaltar padrões, temas e concei-</p><p>tos. Assim, podem ser defi nidos:</p><p>• Análise: processo de ordenação dos dados, organização em</p><p>padrões, categorias e unidades descritivas. A interpretação en-</p><p>volve a atribuição de signifi cado à análise, explicando os pa-</p><p>drões encontrados e procurando por relacionamentos entre as</p><p>dimensões descritivas (PATTON, 1980).</p><p>• A análise dos dados em pesquisas qualitativas consiste em três</p><p>atividades iterativas e contínuas (MILES; HUBERMAN, 1984):</p><p>• Redução dos dados – processo de seleção, simplifi cação</p><p>e transformação dos dados originais, advindos das obser-</p><p>vações de campo.</p><p>• Apresentação dos dados – organização dos dados para</p><p>que o pesquisador tome a decisão de redefi nir a linha de</p><p>raciocínio e tire suas conclusões, a partir dos dados (tex-</p><p>tos narrativos, matrizes, gráfi cos, esquemas etc.).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>197</p><p>• Verifi cação da conclusão – identifi cação de padrões, expli-</p><p>cações e confi gurações, seguida da verifi cação, retornan-</p><p>do às anotações de campo e à literatura, ou ainda reor-</p><p>ganizando o conjunto de informações, obtido com outras</p><p>que achar conveniente.</p><p>Para ver um exemplo de pesquisa qualitativa, acesse o vídeo:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=2V42vrCpzPg</p><p>Interpretação dos dados na pesquisa quantitativa</p><p>Para interpretarmos os dados na pesquisa quantitativa, te-</p><p>mos sempre como foco o número de questionários aplicados e</p><p>sua forma de apresentação. Sendo o instrumento de coleta qua-</p><p>se sempre as questões estruturadas, o pesquisador precisa or-</p><p>ganizar as respostas e tabulá-las de acordo com seus critérios</p><p>metodológicos.</p><p>Figura 8.2: Dados para análise.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/875590</p><p>D</p><p>o</p><p>m</p><p>in</p><p>ik</p><p>G</p><p>w</p><p>ar</p><p>ek</p><p>198</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>Quando elaboramos um questionário estruturado, deve-</p><p>mos levar em conta seis premissas básicas:</p><p>1. delimitação da informação a ser recolhida no campo;</p><p>2. formulação das perguntas;</p><p>3. sequência das perguntas;</p><p>4. revisão das questões;</p><p>5. pré-teste do questionário (a ser aplicado e ajustado);</p><p>6. redação da entrevista e ajustes fi nais.</p><p>Exemplo:</p><p>“Questionário estruturado, não disfarçado, com predomí-</p><p>nio de questões fechadas e de autopreenchimento”.</p><p>Veja o questionário abaixo:</p><p>Qual(is) revista(s) de turismo você lê com regularidade?</p><p>(Indique de 0 até 3.)</p><p>Qual(is) periódico(s) científi co(s) você lê com regularida-</p><p>de? (Indique de 0 até 3.)</p><p>Você costuma acessar a internet? ( ) Não ( ) Sim</p><p>Você usa e-mail com que frequência?</p><p>( ) Nunca ( ) Raramente ( ) Às vezes ( ) Sempre</p><p>(Fonte: http://www.scribd.com/doc/2582088/No-caso-da-pesquisa-quantitativa-o</p><p>instrumento-de-coleta-de-dados-e-sempre-um-questionario-estruturado)</p><p>Entre outras questões, a interpretação dos dados pode ser</p><p>averiguada por meio de análise estatística, na qual se inserem os</p><p>dados em planilhas, gráfi cos, organogramas, fl uxogramas e eles</p><p>são interpretados, a partir dos números. Exemplo:</p><p>• População – conjunto de elementos provenientes da totalidade</p><p>de informações necessárias, como: pessoas, coisas e objetos,</p><p>entre outros, que possuem as mesmas características comuns</p><p>num determinado conjunto.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>199</p><p>A população pode ser:</p><p>• Finita: quando apresentar um número limitado de indiví-</p><p>duos.</p><p>Ex.1: A população constituída por todos os turistas que</p><p>entram em um museu em um dia.</p><p>Ex. 2: Nascimento de crianças na cidade onde se localiza</p><p>esse museu.</p><p>• Infi nita: quando o número de observações for infi nito.</p><p>Ex.: A população constituída de todos os resultados em su-</p><p>cessivos momentos da entrada de turistas nesse museu.</p><p>• Amostra – é o conjunto de elementos retirados da população,</p><p>sufi cientemente representativos dessa população. Através da</p><p>análise dessa amostra, estamos aptos a analisar os resulta-</p><p>dos da mesma forma que se estudássemos toda a população.</p><p>Obs.: A amostra é sempre fi nita. Quanto maior for a amostra,</p><p>mais signifi cativa será a fi delidade da investigação.</p><p>• Parâmetro – característica numérica estabelecida para toda</p><p>uma população.</p><p>• Estimador – característica numérica estabelecida para uma</p><p>amostra.</p><p>• Dado estatístico – compõe-se sempre de um número real.</p><p>Figura 8.3: Gráfi co estatístico.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1091846</p><p>M</p><p>o</p><p>h</p><p>am</p><p>m</p><p>ad</p><p>S</p><p>al</p><p>m</p><p>an</p><p>E</p><p>h</p><p>sa</p><p>n</p><p>200</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>Para ver um exemplo de pesquisa quantitativa em marketing, acesse:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=eSOSO4FABVU</p><p>Os questionários podem ser aplicados pelo pesquisador,</p><p>por pessoas designadas por ele ou ainda via e-mail, carta, entre</p><p>outros. A forma de aplicação depende da localização geográfi ca</p><p>onde estão seus pesquisados e também da forma como o pes-</p><p>quisador escolheu aplicá-la, seguindo seus próprios critérios.</p><p>A pesquisa de campo é adaptável durante todo o processo,</p><p>desde a criação da temática, seu recorte, até a aplicação da coleta</p><p>e interpretação dos dados.</p><p>Conclusão</p><p>Para coletar, analisar e interpretar os dados da pesquisa,</p><p>todo o referencial anteriormente construído é de suma importân-</p><p>cia, ou seja, o projeto de pesquisa. Após defi nirmos a temática,</p><p>objeto e problema deverão partir para a coleta, separação, orga-</p><p>nização, análise e interpretação. Um exemplo prático: na prepa-</p><p>ração do roteiro de entrevistas, a pesquisa exploratória é de fun-</p><p>damental importância. Segundo Yin (1984), nos estudos de caso</p><p>devem-se utilizar múltiplas fontes de evidências, tendo estas vá-</p><p>rias formas de apresentação de evidências relevantes. Os dados</p><p>primários podem ser coletados através de entrevistas, por ser</p><p>esta a forma de coleta mais importante neste tipo de pesquisa.</p><p>As entrevistas podem ser realizadas diretamente com os</p><p>profi ssionais que ocupam posições estratégicas dentro de cada</p><p>empresa. Podem ser realizadas entrevistas com ramos distintos</p><p>da empresa. Por exemplo: pessoas das áreas de diretoria, ge-</p><p>rências diversas, planejamento, recursos humanos, marketing,</p><p>administrativa e fi nanceira etc. Em alguns casos, há a necessida-</p><p>de de reformular perguntas antes que uma resposta satisfatória</p><p>para cada uma seja obtida.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>201</p><p>Na pesquisa quantitativa, o instrumento de coleta de da-</p><p>dos é sempre um questionário estruturado, ou seja, com uma</p><p>lista de perguntas fi xas, que deve ser seguida à risca pelo en-</p><p>trevistador. Nas pesquisas qualitativas, dinamizamos os dados</p><p>em formas menores de apresentação, a fi m de reagruparmos em</p><p>categorias novas categorias para compilação e interpretação</p><p>dos</p><p>dados. Exemplo: entender o processo de relações entre os usu-</p><p>ários do setor de eventos em um hotel. Apesar de a pesquisa</p><p>ser qualitativa, pode usar elementos da pesquisa qualitativa para</p><p>fi delizar os dados e ter melhor interpretação dos mesmos.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1, 2 e 3</p><p>Como levantamos, analisamos e interpretamos os dados em</p><p>pesquisas de campo?</p><p>Resposta Comentada</p><p>Para coletar, analisar e posteriormente interpretar os dados, devemos</p><p>atentar para os documentos criados na coleta. Os documentos, como</p><p>fontes de pesquisa, podem ser primários ou secundários. As fontes</p><p>primárias são os documentos que gerarão análises para posterior</p><p>criação de informações. Podem ser decretos ofi ciais, fotografi as, car-</p><p>tas, artigos etc. As fontes secundárias são as obras nas quais as infor-</p><p>mações já foram elaboradas, como livros, periódicos, entre outros.</p><p>202</p><p>Aula 8 • Coleta, análise e interpretação dos dados</p><p>Para essa construção, deve-se:</p><p>– Reduzir os dados: seleção, simplifi cação e transformação dos da-</p><p>dos originais advindos das observações de campo.</p><p>– Apresentação dos dados: organização dos dados para redefi nição</p><p>da linha de raciocínio.</p><p>– Verifi cação da conclusão: identifi cação de padrões, explicações e</p><p>confi gurações, seguida da verifi cação, retornando às anotações de</p><p>campo e à literatura ou ainda reorganizando o conjunto de informa-</p><p>ções obtido com outras que se achar conveniente.</p><p>Essa análise serve tanto para as pesquisas qualitativas quanto as</p><p>quantitativas.</p><p>Resumo</p><p>Nesta aula, apresentamos algumas formas mais frequentes de</p><p>aplicação da pesquisa de campo e como se dá a coleta de dados.</p><p>Focalizamos os trabalhos de campo no que diz respeito ao uso de</p><p>metodologias de base qualitativa e quantitativa. No decorrer do</p><p>texto, procuramos enfatizar problemas que envolvem a delimita-</p><p>ção da pesquisa, a defi nição de critérios para a seleção dos sujei-</p><p>tos a serem entrevistados, a elaboração de roteiros de entrevistas</p><p>e sua realização, organização e análise de dados, entre outros, vi-</p><p>sando sinalizar para como se aplicar no campo a coleta dos dados.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, veremos como construir a amostragem</p><p>nas pesquisas.</p><p>9 Amostragem</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Analisar a amostragem em função do tipo de pes-</p><p>quisa pretendida, considerando o fato de que em</p><p>turismo as estatísticas são sempre atualizadas e</p><p>que esse movimento deve seguir uma delimitação</p><p>anual, mensal, semanal ou de temporada.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz</p><p>de:</p><p>1 distinguir elementos para uma amostragem em</p><p>pesquisa qualitativa;</p><p>2 distinguir elementos para a escolha da amostra em</p><p>pesquisa quantitativa.</p><p>204</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos à nossa Aula 9! Nesta aula, veremos como se</p><p>processa a escolha da amostra a ser usada na pesquisa. A amos-</p><p>tra parte de princípios de escolha das características do objeto</p><p>de estudo com o universo em que se insere, ou seja, toda a te-</p><p>mática.</p><p>A amostra defi ne quem será pesquisado e sua respectiva</p><p>quantidade ou qualidade, dependendo de a pesquisa ser quanti-</p><p>tativa ou qualitativa.</p><p>Na pesquisa qualitativa, a amostra parte de características</p><p>subjetivas do objeto, ou seja, a essência do que se quer pesquisar.</p><p>Pensemos nas qualidades do que se quer pesquisar. Quan-</p><p>do busco saber como as pessoas optam por uma determinada</p><p>região turística, suas motivações e desejos, estou direcionando</p><p>para a qualidade do objeto. Assim, defi no dentro de um recorte</p><p>temporal, histórico e de localização quem serão meus protago-</p><p>nistas. A quantidade de pessoas dependerá das informações co-</p><p>lhidas com cada entrevista.</p><p>Quando faço opção pela quantidade de pessoas, devo se-</p><p>guir uma porcentagem para melhor aproveitamento dos dados.</p><p>Por exemplo, quantos turistas optaram pelo Turismo no segmen-</p><p>to histórico de uma cidade específi ca. Na pesquisa quantitativa,</p><p>escolhemos a amostragem a partir da quantidade necessária</p><p>para construir o universo a ser pesquisado, ou seja, um número</p><p>que seja possível para averiguarmos numericamente a expres-</p><p>são da mesma dentro do todo.</p><p>Característica da amostra</p><p>Em turismo, a amostra deve ser delimitada em função das</p><p>unidades do universo da pesquisa para que ela possa ser anali-</p><p>sada em função do seu processo de seleção e tenha como produ-</p><p>to fi nal uma probabilidade aceitável.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>205</p><p>O universo da pesquisa dependerá do que se pretende es-</p><p>tudar. Se a temática de estudos for sobre os serviços de lazer em</p><p>Petrópolis, deveremos analisar o universo a partir da visitação</p><p>de todos os turistas e moradores locais sobre o uso dos espaços</p><p>de lazer na cidade. As variáveis desse universo dizem respeito</p><p>às características dos elementos a serem pesquisados. Nesse</p><p>exemplo, as variáveis seriam os espaços de lazer na cidade de</p><p>Petrópolis.</p><p>Qualidades de uma amostra considerada correta:</p><p>• Precisão: são medidas exatas dos resultados de medições, ob-</p><p>tidos na delimitação dos dados estatísticos referentes aos re-</p><p>sultados que seriam obtidos se medíssemos toda a população,</p><p>ou seja, os parâmetros, utilizando-se os mesmos métodos, ins-</p><p>trumentos, ou procedimentos que foram utilizados na amostra.</p><p>• Efi ciência: dados comparativos entre projetos amostrais. De-</p><p>monstra as condições em que os dados foram colhidos, mas</p><p>há projetos cujos dados são mais efi cientes para os resultados</p><p>que se quer conseguir.</p><p>• Correção: compensação dos dados amostrais a partir do prin-</p><p>cípio de que, organizados e controlados por meio de medidas,</p><p>sejam fechadas as arestas.</p><p>Amostragem</p><p>A amostragem ou a quantidade de elementos dentro de</p><p>um universo amplo será probabilística quando todos os elemen-</p><p>tos de uma população (do universo a ser estudado) tiverem pro-</p><p>babilidade conhecida e diferente de zero, de pertencer à amostra.</p><p>Caso contrário, a amostragem será não probabilística.</p><p>A partir desse conceito, pode-se dizer que a amostragem</p><p>probabilística parte de um sorteio com padronização defi nida e</p><p>só se torna possível a partir de um universo fi nito e acessível.</p><p>Exemplo: numa cidade, escolhemos três atrativos entre uma di-</p><p>versidade de opções de uma localidade. A escolha é aleatória e</p><p>não depende do prestígio, da capacidade, dos anos de serviço</p><p>etc. Temos uma amostragem probabilística.</p><p>206</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>Dentro do universo da amostragem, devemos partir do</p><p>pressuposto de que as respectivas amostras sejam probabilísti-</p><p>cas, isso encaminha o esforço para a utilização do método esta-</p><p>tístico. Neste sentido, garantirá a representatividade da amostra,</p><p>pois a única coisa a interferir no processo seria o acaso ou algo</p><p>que não foi representado.</p><p>Para tentar esclarecer melhor a amostragem probabilística,</p><p>vejamos alguns exemplos:</p><p>• Amostragem por conglomerado: neste caso, dividimos os</p><p>conglomerados (grupos) dentro de um universo que deve</p><p>necessariamente representar o grupo total. Essa delimitação</p><p>pode ser feita por escolha de regiões, geografi a, rede hotelei-</p><p>ra, atrativos naturais, artifi ciais, entre outros.</p><p>Fonte: http://www.pucrs.br/famat/barbara/aplicada/Amostragem_estimacao.doc</p><p>• Amostragem estratifi cada: a amostragem estratifi cada prede-</p><p>termina quantos elementos da amostra deverão ser retirados</p><p>de cada estrato ou grupo. Essa predeterminação pode ser defi -</p><p>nida de inúmeras maneiras, mas deve representar um univer-</p><p>so homogêneo para a fi delidade dos dados obtidos.</p><p>• Amostragem aleatória simples: é uma forma de selecionar</p><p>a probabilidade de um grupo/universo total. Podemos obter</p><p>uma amostra ao defi nirmos cada elemento numa folha, colo-</p><p>cando-as numa urna e sorteando tantas quantas desejamos na</p><p>amostra. Esse procedimento só é inviável quando a população</p><p>é numericamente expressiva. Também pode ser feito aleatoria-</p><p>mente, sorteando números representativos desse grupo.</p><p>• Amostragem sistemática: é uma forma de leitura</p><p>de univer-</p><p>sos já ordenados periodicamente. Um dos exemplos são as li-</p><p>nhas de produção, que para separar uma amostra de produção</p><p>mensal, semanal e diária seria necessário retirar um número</p><p>de informação ou itens e analisá-los de forma sistemática para</p><p>compor o universo estatístico total.</p><p>As amostras não probabilísticas são geralmente emprega-</p><p>das em trabalhos estatísticos e pesquisas quantitativas.</p><p>Fonte: http://www.pucrs.br/famat/cecilia/Amostragem_e_estimacao.doc</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>207</p><p>Apresentamos a seguir algumas técnicas de amostragem</p><p>não probabilística:</p><p>• Inacessibilidade a toda população: nesta forma, deparamo-nos</p><p>com um universo de informações não acabado, no qual a pes-</p><p>quisa prontifi ca-se a investigar dados não produzidos, além dos</p><p>já efetivados. A esse exemplo, pensemos na produção de ali-</p><p>mentos industrializados para restaurantes da cidade do Rio de</p><p>Janeiro. A pesquisa feita com toda população seria direcionada</p><p>aos que já foram produzidos e aos que ainda estão em produção</p><p>e ainda vão ser produzidas. Ou seja, há uma inacessibilidade de</p><p>toda a população, devendo ser feito de forma não probabilística.</p><p>Neste caso, temos um impasse: retirar a amostra de uma parte</p><p>acessível, ou seja, dos produtos que já foram produzidos.</p><p>• Amostragem a esmo: é uma forma de retirar da população to-</p><p>tal uma amostra a esmo, sem defi nir um grupo ou sorteio. Para</p><p>exemplifi car, é feita a escolha num universo de objetos sem es-</p><p>tratifi car, simplesmente se escolhe um número para a análise. De</p><p>50 mil objetos, 500 são escolhidos e analisados aleatoriamente.</p><p>• Amostragens intencionais: neste caso, existe uma represen-</p><p>tatividade dentro do universo. A escolha é por elementos que</p><p>darão margem para a análise, por exemplo, cor da embalagem</p><p>de um produto, fi xação do emblema, entre outros.</p><p>• Amostragem por voluntários: buscam-se, neste caso, volun-</p><p>tários para analisar. É um tipo comum entre testes de novos</p><p>produtos, marcas e vantagens.</p><p>Fonte: http://www.pucrs.br/famat/barbara/aplicada/Amostragem_estimacao.doc</p><p>Amostra na pesquisa qualitativa</p><p>Sendo a pesquisa qualitativa, a forma de mensurar os da-</p><p>dos subjetivamente, interpretando suas qualifi cações, devemos</p><p>necessariamente escolher com cuidado a amostra para um me-</p><p>lhor aproveitamento da informação.</p><p>Os entrevistados serão as fontes de informação que indi-</p><p>carão os resultados, por isso devem representar a população da</p><p>pesquisa. O que difere esse tipo de amostragem é a representa-</p><p>208</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>ção simbólica e argumentativa. A escolha equivocada pode gerar</p><p>incoerência de informações. Para ser fi el nos resultados, deve</p><p>representar características gerais da população pesquisada e o</p><p>número de sujeitos a serem investigados.</p><p>Dada a subjetividade de análise, a preocupação está na</p><p>qualidade da informação, que deve gerenciar o desenrolar do</p><p>tema. Um exemplo seria atentar para dados não mensuráveis,</p><p>por exemplo, para sentidos, sentimentos, gostos, aptidões e an-</p><p>seios quanto ao objeto estudado.</p><p>Quanto à escolha do número de entrevistados, o critério</p><p>de representatividade da amostragem é exatamente o sentido</p><p>da questão a ser representada. Na subjetividade da amostra, a</p><p>exemplo de uma análise antropológica ou histórica do turismo,</p><p>a escolha dos entrevistados fi ca a critério do pesquisador, que</p><p>encontra um denominador comum entre o estabelecimento do</p><p>número que irá representar a pesquisa, mas isso não é relevante,</p><p>pois não se trabalha com números e sim, com a qualidade e a</p><p>análise aprofundada da temática.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Distinguir os elementos para a escolha da amostra na pesquisa</p><p>qualitativa, partindo deste parágrafo:</p><p>A amostra foi constituída por sete hotéis da cidade, empresa</p><p>de receptivo turístico. Os sujeitos de pesquisa foram constitu-</p><p>ídos por pessoas de maior contato com o turista e gestores,</p><p>considerados como “chave” de tais instituições. A amostra,</p><p>conforme Marconi e Lakatos (2002), é uma parte represen-</p><p>tativa da população. Foi utilizada uma entrevista estruturada</p><p>que, segundo Vergara (2004), na coleta de dados, o leitor deve</p><p>ser informado como o informante pretende obter os dados de</p><p>que precisa para responder ao problema. Baseada em Mar-</p><p>coni e Lakatos (2002), a entrevista é um encontro entre duas</p><p>pessoas, a fi m de que uma delas obtenha informações a res-</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>209</p><p>peito de determinado assunto, mediante uma conversação de</p><p>natureza profi ssional. A análise dos dados ocorreu através da</p><p>interpretação e descrição em forma de análise de conteúdo.</p><p>Segundo Marconi e Lakatos (2002), na análise dos resultados,</p><p>o pesquisador dá os detalhes sobre os dados decorrentes do</p><p>trabalho, a fi m de conseguir respostas às suas indagações.</p><p>Fonte: DAMASCENO, Iklena; COUTINHO, Helen Rita Menezes.</p><p>“Os setores de agenciamento e hoteleiro da cidade de Manaus e</p><p>preparação para a copa 2014”. Revista Eletrônica Aboré — Publi-</p><p>cação da Escola Superior de Artes e Turismo Manaus — Edição 5</p><p>dez/2010. p. 5-6 in: http://www.revistas.uea.edu.br/old/abore/arti-</p><p>gos/artigos_5/82.pdf).</p><p>Resposta Comentada</p><p>O pesquisador deve ser capaz de identifi car e analisar profundamen-</p><p>te dados não mensuráveis, como: sentimentos, sensações, percep-</p><p>ções, pensamentos, intenções, comportamentos passados, enten-</p><p>dimento de razões, signifi cados e motivações de um determinado</p><p>grupo de indivíduos em relação a um problema específi co.</p><p>Esta pesquisa é qualitativa, pois coletou dados junto a profi ssionais</p><p>que atuam na prestação de serviços hoteleiros, tendo maior contato</p><p>com o turista e sendo atuantes em hotéis da cidade de Manaus que</p><p>podem responder, adequando as necessidades junto às informações.</p><p>Validade da amostra</p><p>A validade da amostra depende da natureza dos dados</p><p>investigados; do método empregado na seleção dos dados; da</p><p>homogeneidade dos dados; no caso dos não homogêneos (ge-</p><p>210</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>Figura 9.1: Como fazer a opção correta?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/727335</p><p>ralmente na pesquisa qualitativa), qualquer parte tem sua repre-</p><p>sentatividade – neste caso, deve ser usado o método da amostra-</p><p>gem para construir uma ideia de como se confi gura o todo.</p><p>A melhor opção é ouvir a sua temática e encontrar a melhor</p><p>forma de uso dos instrumentos para a amostragem. Ela depen-</p><p>derá das necessidades da investigação. Melhor dizendo, como</p><p>responder às indagações feitas pelo seu problema de pesquisa.</p><p>Também há a necessidade de interpretar a validade da pes-</p><p>quisa que pode ter um cunho interno ou externo, dependendo</p><p>da questão a ser respondida. Geralmente, são percebidas como:</p><p>• Validade externa: forma de generalizar os resultados para toda</p><p>população pesquisada.</p><p>• Validade interna: forma de direcionar a validade apenas</p><p>para o universo da amostra, ou seja, para sua representa-</p><p>ção na pesquisa.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>211</p><p>Tipos de formação da amostra</p><p>Os tipos de formação da amostra dependerão da persona-</p><p>lidade da população, ou seja, como essa população se apresenta</p><p>e quais os recursos a serem investigados para responder às in-</p><p>dagações de sua pesquisa. Assim, pode ser defi nida ao acaso,</p><p>intencionalmente, por cotas e mista.</p><p>• Seleção ao acaso: deve-se levar em conta a garantia de que to-</p><p>dos os componentes da população a serem pesquisados pos-</p><p>suam a mesma chance de participar. Pode-se utilizar para isso</p><p>o sorteio referente a algum registro como anuários, censos,</p><p>fi chários, entre outros.</p><p>• Seleção intencional (proporcional estratifi cada): usa característi-</p><p>cas conhecidas do universo total, com o propósito de garantir</p><p>que a amostra tenha uma distribuição semelhante. Para essa de-</p><p>fi nição, há alguns procedimentos a serem usados: dividir o cole-</p><p>tivo em estratos; escolher aleatoriamente dentro destes estratos</p><p>ou ainda, usar o sistema de cotas pelo método probabilístico.</p><p>• Seleção intencional (método de</p><p>seleção por cotas): é efetuado</p><p>em primeiro lugar com um modelo reduzido da população que</p><p>se pretende estudar e depois fi xado o número de pessoas a</p><p>serem interrogadas em cada categoria ou cota.</p><p>• Amostras mistas: é um tipo de amostra que combina a seleção</p><p>ao acaso e seleção intencional a fi m de garantir uma análise</p><p>por diferenças (DENCKER; DA VIÁ, 2001, p. 117-119).</p><p>Procedimentos da amostragem</p><p>• Escolha efetiva da amostra.</p><p>• Coleta de dados, referentes às unidades de amostra.</p><p>• Tabulação e análise dos dados.</p><p>• Aplicação dos dados da amostra ao problema objeto de estudo.</p><p>• Verifi cação de novas situações: novas amostras necessárias.</p><p>Método</p><p>probabilístico</p><p>Meio usado para</p><p>provar teoremas que</p><p>têm diversas aplica-</p><p>ções em combinatória,</p><p>álgebra, teoria dos</p><p>números e computação.</p><p>Normalmente, utiliza-se</p><p>o método para provar a</p><p>existência de determina-</p><p>das entidades matemá-</p><p>ticas, provando que tais</p><p>entidades ocorrem, com</p><p>probabilidade positiva,</p><p>num dado sorteio.</p><p>Fonte: http://www.linux.</p><p>ime.usp.br/~lucasmmg/</p><p>mac499/poster.pdf</p><p>212</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>Amostragem na pesquisa quantitativa</p><p>A população, na pesquisa quantitativa, é delimitada de for-</p><p>ma exata. Caso deseje estudar, por exemplo, os tipos de proble-</p><p>mas que estão presentes nos hotéis cinco estrelas da cidade de</p><p>São Paulo, o investigador deverá determinar, exatamente, quan-</p><p>tos são os hotéis, quais são e qual o seu público. Poderá chegar à</p><p>conclusão que são, digamos 11.720 clientes em 50 hotéis. Esse nú-</p><p>mero representará a população e servirá de base para seu estudo.</p><p>Caso o investigador, por qualquer razão, acrescente a esse</p><p>número alguns hotéis quatro estrelas, a população tornar-se-ia in-</p><p>fi el e os resultados estariam prejudicados. A amostra dessa popu-</p><p>lação, fi cando o estudo exclusivamente com os 11.720 clientes nos</p><p>50 hotéis, sem estabelecer outras especifi cações, é determinada</p><p>estatisticamente e representa uma medida, uma quantidade exata</p><p>da população, e é determinada através de fórmulas estatísticas.</p><p>Isso representaria toda a população onde cada cliente teve a</p><p>função de representar parte na amostra. O número a ser escolhido</p><p>daria o desenho da temática, fomentando generalizações, objetivo</p><p>maior da pesquisa qualitativa, para sua interpretação posterior.</p><p>Se, hipoteticamente, a amostra de clientes foi de 1.172 e es-</p><p>tes foram estudados, os resultados que caracterizam essa amos-</p><p>tra são válidos, aproximadamente, para os 11.720 clientes que</p><p>constituem a população defi nida.</p><p>Assim que for defi nida a amostra, o pesquisador deve op-</p><p>tar pelo tipo de instrumentos de coleta dos dados. Do uso de</p><p>questionários, podemos considerar: questões abertas, fechadas</p><p>e de múltipla escolha, defi nidas pelas necessidades do objeto/</p><p>temática e de observação posterior do entrevistador.</p><p>Observação: para relembrar esses usos, veja a aula anterior.</p><p>Veja a seguir o gráfi co que ilustra uma pesquisa quantitati-</p><p>va e como ela deve ser gerada.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>213</p><p>Para exemplifi car a pesquisa quantitativa, pegamos o gráfi -</p><p>co de Chegadas de turistas internacionais por continentes, no ano</p><p>de 2008 da OMT — Organização Mundial de Turismo. Por meio de</p><p>um elemento como passaportes de entrada no país, pode-se le-</p><p>vantar toda população a ser pesquisada. Após esse levantamento,</p><p>analisa-se o número de países a visitarem as regiões do país e as</p><p>probabilidades do porquê dessas escolhas.</p><p>A quantidade por regiões forma uma pesquisa quantitati-</p><p>va que pode, porventura, transformar-se em qualitativa após a</p><p>análise dos dados. Na amostra, poderíamos defi nir um universo</p><p>para pesquisa, por exemplo, quantos italianos chegaram ao Bra-</p><p>sil no período? De que regiões? Qual a faixa etária dos mesmos?</p><p>Desses questionamentos, poderíamos iniciar uma pesqui-</p><p>sa de cunho qualitativo ou apenas apresentar os gráfi cos estatís-</p><p>ticos para análise quantitativa.</p><p>Para ver um exemplo de amostragem, acesse o vídeo: Adventure</p><p>Sports Fair 2001 (Dados Estatísticos) em:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=d07kjKCQiC8&feature=related</p><p>Gráfi co 9.1: Chegada de turistas internacionais no ano de 2008 ao Brasil.</p><p>Fonte: http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/o_ministerio/</p><p>publicacoes/downloads_publicacoes/Turismo_no_Brasil_2011_-_2014_sem_mar-</p><p>gem_corte.pdf (p.26.)</p><p>África 5%</p><p>6% Oriente Médio</p><p>20% Ásia e Pacífi co</p><p>53% Europa</p><p>Américas 16%</p><p>214</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>A partir da tabela de fl uxo de chegada dos turistas, descreva a</p><p>necessidade de analisar os dados quantitativamente.</p><p>Fonte: http://www.turismo.gov.br/export/sites/default/turismo/o_ministerio/publi-</p><p>cacoes/downloads_publicacoes/Turismo_no_Brasil_2011_-_2014_sem_margem_</p><p>corte.pdf (p.26).</p><p>Resposta Comentada</p><p>Na pesquisa quantitativa, os elementos escolhidos são delimitados</p><p>de forma exata. É importante ressaltar que os dados são descritos</p><p>de forma exata e não interpretativa, mas podem ser cruzados com</p><p>outros e defi nirem uma nova investigação.</p><p>Dos elementos a serem distinguidos:</p><p>a. Quantos?</p><p>b. Quem?</p><p>c. Como?</p><p>d. Por quanto tempo?</p><p>e. Motivos?</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>215</p><p>Essas indagações são os elementos que diferem da pesquisa quali-</p><p>tativa, pois elencam dados para posterior análise e servem de base</p><p>para interpretação econômica das entradas e saídas do país.</p><p>Para ver um exemplo de amostragem em pesquisas quantitativas,</p><p>veja os dados estatísticos do Ministério do Turismo:</p><p>http://www.dadosefatos.turismo.gov.br/export/sites/default/dadose-</p><p>fatos/estatisticas_indicadores/downloads_estatisticas/Estatxsticas_</p><p>Bxsicas_do_Turismo_-_Brasil_2004_a_2009.pdf</p><p>Conclusão</p><p>Uma pesquisa de campo precisa de uma amostra para justifi -</p><p>car como será feita. A amostra é parte do universo a ser pesquisado.</p><p>Na abordagem qualitativa, a pesquisa tem o ambiente</p><p>como fonte direta dos dados. O pesquisador mantém contato di-</p><p>reto com o ambiente e o objeto de estudo em questão, necessi-</p><p>tando de um trabalho mais intensivo de campo.</p><p>Assim sendo, as questões são estudadas no ambiente em</p><p>que eles se apresentam sem qualquer manipulação intencional</p><p>do pesquisador. A utilização deste tipo de abordagem difere da</p><p>abordagem quantitativa pelo fato de não utilizar dados estatísti-</p><p>cos como o centro do processo de análise de um problema, não</p><p>tendo, portanto, a prioridade de numerar ou medir unidades.</p><p>Os dados coletados nessas pesquisas são descritivos, re-</p><p>tratando o maior número possível de elementos existentes na</p><p>realidade estudada. Preocupa-se muito mais com o processo do</p><p>que com o produto.</p><p>Na análise dos dados coletados, não há preocupação em</p><p>comprovar hipóteses previamente estabelecidas, porém não eli-</p><p>minam a existência de um quadro teórico que direcione a coleta,</p><p>a análise e interpretação dos dados.</p><p>216</p><p>Aula 9 • Amostragem</p><p>A abordagem quantitativa está relacionada ao emprego de</p><p>recursos e técnicas estatísticas que visem quantifi car os dados</p><p>coletados. No desenvolvimento da pesquisa de natureza quan-</p><p>titativa, devem-se formular hipóteses e classifi car a relação en-</p><p>tre as variáveis para garantir a precisão dos resultados, evitando</p><p>contradições no processo de análise e interpretação.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1, 2 e 3</p><p>Como características da amostra, temos:</p><p>i. Precisão</p><p>ii. Efi ciência</p><p>iii. Correção</p><p>Para tratar uma população, devemos levar em conta as caracte-</p><p>rísticas e também a questão posta para investigação. Pensemos</p><p>na seguinte colocação:</p><p>O transporte aéreo é um dos setores que frequentemen-</p><p>te são apontados como “estratégicos”, tanto por governos</p><p>quanto por analistas setoriais. Esta qualifi cação é, em ge-</p><p>ral, devido a algumas de suas principais características</p><p>econômicas. Por exemplo, o transporte aéreo é um ver-</p><p>dadeiro “insumo produtivo” para centenas de milhares de</p><p>empresas pelo Brasil afora, dado que as maiores corpora-</p><p>ções o utilizam intensamente para deslocamento rápido de</p><p>empresários,</p><p>executivos, técnicos, carga, correspondência.</p><p>Deslocamento nesse caso signifi ca mobilidade, agilidade,</p><p>efi ciência e, por decorrência, a indução de negócios, o fe-</p><p>chamento de contratos; enfi m, o crescimento econômico</p><p>(TRANSPORTE, 2011).</p><p>Para encontrar dentro do segmento aéreo, especifi camente as</p><p>empresas aéreas que trabalham e defi nem no país a maior con-</p><p>centração econômica com tráfego comercial, qual seria a melhor</p><p>opção de pesquisa e amostra?</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>217</p><p>Resposta Comentada</p><p>Como partimos de um universo especifi cado, Brasil, e de um recor-</p><p>te, segmento aéreo comercial, devemos indagar sobre a quantidade</p><p>de empresas existentes dentro do território nacional que fazem esse</p><p>trajeto. A pesquisa quantitativa seria a melhor forma de investiga-</p><p>ção, pois validaria quais e onde estão essas empresas do segmento.</p><p>A amostragem deveria partir da população total do segmento e de-</p><p>limitar economicamente as que mais representam expressivamente</p><p>os lucros aéreos do PIB nacional. Podemos partir da amostra por</p><p>seleção intencional, aglomerando quais as mais rentáveis do seg-</p><p>mento e defi nirmos uma análise econômica dos dados.</p><p>Resumo</p><p>A primeira coisa a ser feita para entender a amostragem é a esco-</p><p>lha e a seleção da mesma. A seleção da amostra inclui dois tipos</p><p>de decisões principais: a dimensão e o método de amostragem.</p><p>A quantidade da amostra, que inclui a decisão do nível de profun-</p><p>didade do estudo que pretende efetuar e os recursos disponíveis.</p><p>Há duas coisas a serem respeitadas na escolha da amostra; quanto</p><p>maior for a quantidade absoluta da amostra, maior a exatidão do</p><p>resultado; e, a partir de uma determinada quantidade, as vanta-</p><p>gens com o aumento da amostra são cada vez mais diminutas, não</p><p>compensando os respectivos custos.</p><p>Na pesquisa qualitativa, a escolha fi ca a critério do pesquisador,</p><p>pois não necessita de um universo mensurável e numérico, na</p><p>quantitativa há a necessidade de coleta dentro do universo a ser</p><p>pesquisado.</p><p>10 Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Discutir como se processa a investigação no merca-</p><p>do turístico.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz</p><p>de:</p><p>1 identifi car a necessidade de pesquisas de mer-</p><p>cado;</p><p>2 avaliar a necessidade de aplicar a pesquisa de</p><p>campo no mercado turístico.</p><p>220</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Introdução</p><p>Sendo o turismo uma atividade multidisciplinar e interdis-</p><p>ciplinar, considerando sua multidisciplinaridade pela exigência</p><p>do concurso de uma ampla variedade de áreas de conhecimento</p><p>e a interdisciplinaridade pela ligação de todas as demais áreas,</p><p>seu mercado possui uma ampla e múltipla possibilidade de in-</p><p>vestigação.</p><p>A cada momento esse universo alarga-se, tornando-se ne-</p><p>cessário o auxílio de mais ramos do conhecimento e mais pes-</p><p>quisas na área, favorecendo a extensão do conhecimento.</p><p>A atividade turística abrange uma complexidade de produ-</p><p>tos e serviços, sendo a investigação do mercado necessária tanto</p><p>a novos lançamentos quanto às melhorias na qualidade de pres-</p><p>tação de serviços. Algumas empresas contratam pesquisas para</p><p>defi nirem linhas de ação para melhorar seus serviços, e outras</p><p>para lançarem algo no mercado.</p><p>Para conhecer algumas ações do Ministério do Turismo para valori-</p><p>zação do seu mercado interno, assista ao vídeo:</p><p>http://www.turismo.gov.br/turismo/multimidia/galeria_videos/vide-</p><p>os_embratur_brasil.html</p><p>Figura 10.1: De onde partiremos para a pesquisa de mercado? Viajemos</p><p>nessas ideias!</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1342969</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>221</p><p>Iniciando a pesquisa de mercado em turismo</p><p>Dentro das expectativas empresariais, algumas considera-</p><p>ções sobre o produto devem ser levadas em consideração, pois</p><p>a pesquisa de mercado é “o elo entre a empresa e o ambiente no</p><p>qual se insere. Os dados obtidos, mediante a pesquisa, permitem</p><p>a segurança na tomada de decisões” (DENCKER, 2000, p. 186).</p><p>Das tendências mercadológicas e das estratégias utilizadas</p><p>para o melhor desempenho das empresas, precisamos descobrir</p><p>o potencial e as tendências do mercado e suas modifi cações na</p><p>evolução da economia, ou seja, qual o comportamento neste meio</p><p>e tentar com isso perceber as medidas tomadas pela concorrência.</p><p>Assim, defi nimos quais serão as perspectivas de trabalho.</p><p>O turismo orienta-se a partir da componente da oferta em</p><p>relação à componente da procura, pois, se não oferecermos, não</p><p>há como o consumidor saber que existimos. Signifi ca que, en-</p><p>quanto outros produtos são concebidos após uma intensa pes-</p><p>quisa junto aos mercados-alvo, com experimentos, degustações,</p><p>aprovações, entre outros meios, em turismo, o marketing desen-</p><p>volve-se, sobretudo, com base num destino já existente que, por</p><p>sua vez, proporciona um produto, determinando-se depois os</p><p>mercados-alvo a atingir.</p><p>Nesta perspectiva de marketing, pensemos no que é o es-</p><p>tudo de mercado em turismo, no qual devemos considerar que,</p><p>para servir os clientes de forma efi ciente, devemos estar certos</p><p>de quais são as múltiplas necessidades do mesmo, qual a melhor</p><p>maneira de satisfazê-las e como comunicar efi cazmente a natu-</p><p>reza dos bens ou serviços que oferece, fazendo com isso uma</p><p>promoção de ideias e atividades.</p><p>Os objetivos dos estudos de mercado incluem essas ques-</p><p>tões e com isso permitem reduzir o risco nas decisões de gestão,</p><p>além de detetar problemas de percurso e criar novas oportunida-</p><p>des de negócio. Também são considerados ponto de partida para</p><p>controlar e avaliar o grau de inserção de um produto inédito ou já</p><p>existente no mercado, atentando para sua imagem e ao mesmo</p><p>tempo para a criação de uma imagem.</p><p>222</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Passos para análise do mercado</p><p>Formule o problema de estudo</p><p>Defi nir o problema consiste em identifi car a população</p><p>para estudo e buscar os tipos de informações que deverão ser</p><p>recolhidas sobre ela. As principais informações a obter sobre os</p><p>consumidores dividem-se em quatro grandes categorias:</p><p>• Características externas dos consumidores: inclui as informa-</p><p>ções de caráter genérico sobre o cliente, como o sexo, a idade,</p><p>o rendimento, a nacionalidade, a localização geográfi ca, o ní-</p><p>vel de instrução, a atividade profi ssional, o número de pessoas</p><p>do seu convívio familiar, entre outras convenientes ao estudo.</p><p>• Comportamentos de consumo: são os dados relativos à forma</p><p>como os consumidores interagem com os produtos ou servi-</p><p>ços. Questões: O que, quanto, quando, onde e para que eles</p><p>consomem. A busca aqui se refere aos hábitos e motivos de</p><p>compra de um determinado produto ou serviço.</p><p>Figura 10.2: Passos para análise de mercado.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/750005</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>223</p><p>• Atitudes dos consumidores: estas informações pretendem de-</p><p>fi nir não só o que os clientes fazem, mas, sobretudo, o que</p><p>pensam sobre a marca. Nesta categoria, é comum fazer-se uma</p><p>distinção entre as atitudes (os juízos de valor sobre a marca).</p><p>• Processo de decisão de compra: pretende-se descobrir quais</p><p>são as verdadeiras motivações do comportamento dos clien-</p><p>tes; quais são os critérios de escolha que mais valorizam, qual</p><p>o grau de envolvimento afetivo e de lealdade que têm com a</p><p>marca e, por fi m, a que fontes de informação recorrem.</p><p>Preparação da pesquisa</p><p>Ao iniciar o estudo de mercado, devemos preparar um pla-</p><p>no de pesquisa, que deixará bem claro os objetivos do estudo,</p><p>os recursos disponíveis, as pessoas responsáveis, os prazos e os</p><p>custos. Mas antes de avançar para estudos mais complexos e ca-</p><p>ros, devemos começar sempre pela pesquisa de secretaria, que</p><p>consiste na procura e seleção de informações de caráter público</p><p>que podem ser de grande utilidade, como: Instituto Nacional de</p><p>Estatística; ministérios; imprensa especializada e generalista; as-</p><p>sociações setoriais; a sua própria empresa; relatórios</p><p>inquestio-</p><p>náveis. Nesse sentido, não é preciso compreender e investigar,</p><p>mas aceitar como dogmas, sem explicação científi ca (exemplo: a</p><p>Bíblia como fundamento de fé para os católicos).</p><p>Figura 1.10: Conhecimento teológico.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/162055</p><p>Je</p><p>sp</p><p>er</p><p>N</p><p>o</p><p>er</p><p>24</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>4. Conhecimento fi losófi co</p><p>O conhecimento fi losófi co é racional, sistemático, mas não</p><p>experimental. Vai à raiz das coisas e é produzido segundo o rigor</p><p>lógico que a razão exige de um conhecimento que se quer, bus-</p><p>cando a verdade do existente. Essa forma de pensar busca “por-</p><p>quês” de tudo o que existe. Um dos exemplos seria o questiona-</p><p>mento de qual o real sentido da vida (exemplo: a comprovação</p><p>por meio de experimentos nas mais variadas formas de Ciência,</p><p>como: a Biologia, a Física, a Matemática, entre outras).</p><p>Figura 1.11: Conhecimento fi losófi co.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1138723</p><p>Iv</p><p>a</p><p>V</p><p>ill</p><p>i</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>25</p><p>5. Conhecimento científi co</p><p>Neste tipo de conhecimento, busca-se produzir algo me-</p><p>diante a investigação da realidade, seja por meio de experimen-</p><p>tos, seja por meio da busca do entendimento lógico de fatos,</p><p>fenômenos, relações, coisas, fatos, verdades, curiosidades, as-</p><p>suntos, seres e acontecimentos que ocorrem na realidade cós-</p><p>mica, humana e natural. É sistemático, metódico, realizado por</p><p>meio da experimentação, validação e comprovação daquilo que</p><p>se quer provar.</p><p>Figura 1.12: Conhecimento científi co.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/574983</p><p>H</p><p>. B</p><p>er</p><p>en</p><p>d</p><p>s</p><p>26</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>6. Conhecimento técnico</p><p>O fundamento básico deste tipo de conhecimento é o sa-</p><p>ber fazer, a operacionalização. No mundo atual, é um tipo de sa-</p><p>ber que se aplica a quase tudo, pois em todas as áreas temos as</p><p>técnicas, desde a simples formatação do ato de dirigir até a com-</p><p>pilação de dados científi cos (exemplo: técnico em Informática,</p><p>técnico em Enfermagem etc.).</p><p>Figura 1.13: Conhecimento técnico.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1071720</p><p>S</p><p>an</p><p>ja</p><p>G</p><p>je</p><p>n</p><p>er</p><p>o</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>27</p><p>7. O saber das artes</p><p>Esta forma de saber valoriza as experiências estéticas do</p><p>humano, proporcionando-lhe o refi namento do espírito ao ofere-</p><p>cer-lhe a relação com o senso do gosto, do bonito e do grotesco.</p><p>Experimentar a beleza e extrair dela a matéria fundamental para</p><p>o refi namento de si é a fi nalidade maior de tudo aquilo que se</p><p>produz em termos de artes e sem as quais o ser humano se vê</p><p>empobrecido e pequeno (exemplo: conhecer artes, estilos, esté-</p><p>ticas, arquitetura, paisagismo, entre outras coisas).</p><p>Figura 1.14: O saber das artes.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/598643</p><p>A</p><p>n</p><p>a</p><p>B</p><p>el</p><p>en</p><p>28</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>8. Conhecimento sensorial</p><p>É o conhecimento comum entre seres humanos e animais.</p><p>Obtido a partir de nossas experiências sensitivas e fi siológicas</p><p>(exemplo: tato, visão, olfato, audição e paladar).</p><p>Figura 1.15: Conhecimento sensorial.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/587215</p><p>M</p><p>ar</p><p>co</p><p>M</p><p>ic</p><p>h</p><p>el</p><p>in</p><p>i</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>29</p><p>9. Conhecimento intelectual</p><p>Esta categoria é exclusiva ao ser humano; trata-se de um</p><p>raciocínio mais elaborado do que a mera comunicação entre cor-</p><p>po e ambiente. Aqui já se pressupõe um pensamento, uma lógica</p><p>(conhecimento aplicado em qualquer área do saber, direcionado,</p><p>específi co: Direito do trabalho, Direito público, entre outros).</p><p>Figura 1.16: Conhecimento intelectual.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/581730</p><p>M</p><p>ax</p><p>im</p><p>e</p><p>Pe</p><p>rr</p><p>o</p><p>n</p><p>C</p><p>ai</p><p>ss</p><p>y</p><p>30</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>10. Conhecimento intuitivo</p><p>Inato ao ser humano, o conhecimento intuitivo diz respeito</p><p>à subjetividade, a tudo que percebemos e apreendemos do mun-</p><p>do exterior e à racionalidade humana. Essa manifestação pode</p><p>se concretizar por meio da epifania, compreendida como uma</p><p>“manifestação espiritual” (exemplo: sentir que algo vai aconte-</p><p>cer e realmente acontece...).</p><p>Figura 1.17: Conhecimento intuitivo.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/801003</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>31</p><p>Na intuição, há duas correntes, entendidas como:</p><p>1 - Intuição sensorial/empírica:</p><p>A intuição empírica é o conhecimento direto e imediato das qualidades</p><p>sensíveis do objeto externo: cores, sabores, odores, paladares, texturas,</p><p>dimensões, distâncias. É também o conhecimento direto e imediato de</p><p>estados internos ou mentais: lembranças, desejos, sentimentos, ima-</p><p>gens (CHAUÍ, 2000).</p><p>2 - Intuição intelectual: a intuição com uma base racional. A partir da</p><p>intuição sensorial, você percebe o odor da margarida e o da rosa. A</p><p>partir da intuição intelectual você percebe imediatamente que são</p><p>diferentes. Não é necessário demonstrar que a “parte não é maior</p><p>que o todo”, é a lógica em seu estado mais puro; a razão que se com-</p><p>preende de maneira imediata.</p><p>Para saber mais sobre a Filosofi a e as formas de conhecimento,</p><p>acesse:</p><p>http://www.brasilescola.com/</p><p>Recomendações específi cas:</p><p>Conhecimento</p><p>http://www.brasilescola.com/fi losofi a/conhecimento.htm</p><p>O conceito de Filosofi a</p><p>http://www.brasilescola.com/fi losofi a/a-fi losofi a-grega.htm</p><p>Condições para o surgimento da Filosofi a</p><p>http://www.brasilescola.com/filosofia/condicoes-historicas-surgi-</p><p>mento-fi losofi a.htm</p><p>O confl ito entre fé e razão</p><p>http://www.brasilescola.com/fi losofi a/o-confl ito-entre-fe-razao.htm</p><p>Caixa de Pandora</p><p>http://www.brasilescola.com/fi losofi a/caixa-de-pandora.htm</p><p>32</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>Ciência, conhecimento e atitude: como aprender</p><p>Ao analisar o conhecimento científi co, faz-se necessário al-</p><p>guns elementos de apoio, como responder a: o que se entende</p><p>por conhecimento? O que entendemos por Ciência?</p><p>Para Marilena Chauí, em Convite à Filosofi a, cada um dos</p><p>campos do conhecimento é uma Ciência e a fi losofi a das Ciên-</p><p>cias é a epistemologia (em grego, Ciência é episteme).</p><p>Teoria do conhecimento ou estudo das diferentes modali-</p><p>dades de conhecimento humano: o conhecimento senso-</p><p>rial ou sensação e percepção; a memória e a imaginação;</p><p>o conhecimento intelectual; a ideia de verdade e falsidade;</p><p>a ideia de ilusão e realidade; formas de conhecer o espa-</p><p>ço e o tempo; formas de conhecer relações; conhecimento</p><p>ingênuo e conhecimento científi co; diferença entre conhe-</p><p>cimento científi co e fi losófi co etc. (CHAUÍ, 2000, p. 66-67).</p><p>Por conhecimento científi co, entende-se uma produção</p><p>que se efetiva através da técnica, da Ciência, da observação e</p><p>da certeza. Já na atitude científi ca veem-se os problemas e obs-</p><p>táculos, as aparências que precisam ser explicadas e, em certos</p><p>casos, afastadas.</p><p>A atitude científi ca busca sempre desconfi ar das verdades</p><p>já estabelecidas e, assim, gera novas discussões e argumentações</p><p>ao que já foi criado por outros cientistas no decorrer do tempo.</p><p>Até aqui, vimos os primeiros passos do conhecimento para</p><p>em seguida entendermos os processos pelos quais passam as</p><p>atividades acadêmicas de pesquisa nas mais variadas formata-</p><p>ções. O conhecimento e o senso comum são imprescindíveis</p><p>para iniciar as discussões de construção de novas áreas, pesqui-</p><p>sas e busca do saber, sendo a academia a grande responsável</p><p>pela geração do conhecimento na atualidade.</p><p>Na fi losofi a de Platão, há forte infl uência no conhecimento</p><p>científi co e no conhecimento das Ciências que se dedicam ao es-</p><p>tudo do Homem e a todos os aspectos materiais e imateriais da</p><p>vida cotidiana.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>33</p><p>Figura 1.18: Quem foi Platão? Platão foi fi lósofo, fundador da primei-</p><p>ra instituição de ensino superior.</p><p>Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Platonismo</p><p>Filosofi a de Platão</p><p>Platão buscava em métodos de debate e conversação as formas de</p><p>alcançar o conhecimento. Os indivíduos para</p><p>de estudos</p><p>de mercado já efetuados; internet, entre outros, dependendo do</p><p>produto ou serviço a ser investigado.</p><p>Escolha da Metodologia a ser aplicada</p><p>• Investigação sobre os hábitos e atitudes: são estudos porme-</p><p>norizados e morosos especialmente úteis para recolher infor-</p><p>mações sobre um mercado que se conhece mal ou que evoluiu</p><p>muito rapidamente. Este tipo de investigação fornece informa-</p><p>ções sobre os hábitos de consumo e compra de produtos; o</p><p>grau de envolvimento dos consumidores com os produtos; a</p><p>notoriedade e a imagem das marcas e os critérios de escolha</p><p>dos clientes. Necessitam de amostras com uma dimensão con-</p><p>siderável (acima das 500 pessoas) e de questionários longos e</p><p>precisos.</p><p>224</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>• Inquéritos repetitivos: consistem em colocar periodicamente as</p><p>mesmas questões junto a uma determinada população de modo</p><p>a seguir a evolução das suas respostas ao longo do tempo.</p><p>• Inquéritos qualitativos: os estudos qualitativos visam compreen-</p><p>der as necessidades, motivações e comportamentos dos con-</p><p>sumidores. Distinguem-se dos quantitativos (investigação por</p><p>questionário) pela maior complexidade e profundidade dos</p><p>seus métodos de análise. São exemplos deste tipo de estudos</p><p>as entrevistas livres (em que se deixa o entrevistado falar livre-</p><p>mente sobre um dado tema) ou as discussões em grupo — em</p><p>que um moderador lidera o grupo e apresenta os tópicos a dis-</p><p>cutir, observando depois as reações dos participantes.</p><p>• Métodos de experimentação: são testes de mercado que visam</p><p>prever as reações dos consumidores às ações de marketing</p><p>que a empresa tenciona efetuar. Para tal, as empresas imple-</p><p>mentam estas ações a uma escala reduzida para serem medi-</p><p>dos os seus efeitos junto de um determinado público-alvo. Os</p><p>testes tanto podem incidir numa única variável do marketing-</p><p>mix (preço, ponto de venda, produto e publicidade) como po-</p><p>dem ser relativos a toda a estratégia de marketing da empresa.</p><p>Seleção da amostra</p><p>A seleção da amostra inclui dois tipos de decisões prin-</p><p>cipais: a dimensão e o método de amostragem. A dimensão da</p><p>amostra é uma decisão que dependerá do nível de profundida-</p><p>de do estudo que pretende efetuar e dos recursos disponíveis.</p><p>No entanto, há duas normas básicas a serem seguidas: quanto</p><p>maior for a dimensão absoluta da amostra, maior a exatidão do</p><p>resultado. E, a partir de uma determinada dimensão, as vanta-</p><p>gens com o aumento da amostra são cada vez mais diminutas,</p><p>não compensando os respectivos custos.</p><p>• O método de amostragem:</p><p>Amostra aleatória — consiste num sorteio absolutamente</p><p>aleatório da amostra. Este método é, em teoria, o mais indica-</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>225</p><p>do, uma vez que dá iguais possibilidades a todas as unidades da</p><p>população a estudar. No entanto, este é o método mais caro e</p><p>complexo de executar.</p><p>Amostra por quotas</p><p>Este é o método mais utilizado atualmente, baseado na</p><p>regra de que a amostra deverá ter sensivelmente as mesmas</p><p>características da população a estudar. Nestas características,</p><p>incluem-se variáveis, como: o sexo, a idade, a região, o nível de</p><p>instrução etc.</p><p>Elaboração do questionário</p><p>Tendo a amostra defi nida, deve passar à elaboração do</p><p>questionário propriamente dito. Trata-se de um passo funda-</p><p>mental para assegurar que os resultados são representativos da</p><p>população a estudar. Os aspectos principais que deverá ter em</p><p>conta são a dimensão e estrutura do questionário.</p><p>Para isso, veja algumas dicas úteis:</p><p>• Escreva uma introdução que permita ao inquirido perceber a</p><p>razão do estudo de mercado.</p><p>• Comece por questões fáceis para minorar a eventual resistên-</p><p>cia do entrevistado.</p><p>• Divida o questionário por tópicos, tendo o cuidado de os mes-</p><p>mos obedecerem a uma estrutura lógica e de fácil percepção.</p><p>• Elabore questões claras e específi cas. Use uma linguagem fa-</p><p>cilmente compreensível por todos os entrevistados.</p><p>• Varie o tipo de questões para evitar a confusão e a irritação do</p><p>entrevistado.</p><p>Como elaborar as perguntas:</p><p>• Abertas — o entrevistado decide a forma e a extensão da sua</p><p>resposta.</p><p>• Fechadas — o inquirido deve escolher entre um número redu-</p><p>zido de respostas possíveis.</p><p>• Formatadas — além de optar por uma das respostas possíveis,</p><p>o entrevistado pode expressar a sua própria opinião.</p><p>226</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>• Escala de atitudes — o inquirido classifi ca o seu grau de acor-</p><p>do ou de desacordo com uma dada afi rmação.</p><p>Método de aplicação dos questionários</p><p>• Vias postais: consiste no envio de um questionário pelo correio</p><p>às pessoas que fazem parte da amostra, adicionando um enve-</p><p>lope fechado para a resposta. É um método econômico e cômo-</p><p>do, mas que raramente obtém taxas de resposta elevadas.</p><p>• Por telefone: são igualmente econômicos, mas pressupõe que</p><p>seja de curta duração e de resposta imediata. Têm a vantagem</p><p>de ter taxas de resposta mais altas, mas não possibilitam a</p><p>apresentação de quaisquer elementos de caráter visual.</p><p>• Via e-mail ou internet: são cada vez mais populares, devido</p><p>ao seu baixo custo, comodidade e rapidez de utilização. Antes</p><p>de iniciar um inquérito via correio eletrônico, procure obter a</p><p>permissão do potencial entrevistado.</p><p>Figura 10.3: Como devemos buscar as informações?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1208124</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>227</p><p>• Face a face: as entrevistas pessoais, na rua ou em domicílio,</p><p>são o método mais seguro (mas também o mais caro) para se</p><p>obter uma maior quantidade e fi abilidade de respostas.</p><p>• Por observação: são os que pressupõem a recolha de informa-</p><p>ção através da observação direta por parte do entrevistador.</p><p>Implementação do estudo</p><p>Após todos os preparativos, chega o momento de imple-</p><p>mentar o seu estudo de mercado no ambiente empresarial. Nes-</p><p>ta fase é necessário contar com uma equipe de profi ssionais ca-</p><p>pazes e qualifi cados para a realização das investigações com a</p><p>premissa de qualidade e respeito, quanto aos custos e aos prazos</p><p>acordados.</p><p>Na formação desta equipe, partimos do princípio de que</p><p>cada entrevistador deverá ter um número reduzido de entrevis-</p><p>tas a realizar, de forma a diminuir o risco de eventuais erros e,</p><p>se mesmo assim existirem, fi ca mais fácil de refazer cada uma</p><p>delas. Com o mesmo propósito, deverá ter entre 5 a 10% de en-</p><p>trevistas a mais do que as estritamente necessárias. Na seleção</p><p>dos entrevistadores, não se deve esquecer que eles estarão re-</p><p>presentando a empresa.</p><p>Análise dos resultados</p><p>Para satisfazer este item, é importante deter alguns conhe-</p><p>cimentos de estatística. De qualquer forma, qualquer software</p><p>de folha de cálculo permite um tratamento preliminar dos da-</p><p>dos, nomeadamente ao nível da apuração dos valores absolutos</p><p>para cada resposta. Para obter resultados mais detalhados (por</p><p>exemplo, relacionando os resultados entre várias respostas), re-</p><p>comendamos a utilização de um software estatístico específi co</p><p>de estudos de mercado.</p><p>228</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Como podemos entender as necessidades da aplicação de</p><p>uma pesquisa de mercado?</p><p>Resposta Comentada</p><p>Escolha um tema para a realização de sua pesquisa. O tema deve</p><p>ser instigante, novo, desafi ador, de modo a justifi car a realização da</p><p>pesquisa. Lembre-se que fazer uma pesquisa apenas para se obter</p><p>informações óbvias ou já disponíveis em sites, livros e revistas não</p><p>torna a pesquisa imprescindível, ela precisa ter um teor inédito. Uma</p><p>pesquisa só se justifi ca se houver um assunto relativamente novo ou</p><p>se houver a necessidade de se atualizar alguma informação. Exem-</p><p>plos de temas instigantes em comunicação e marketing podem ser:</p><p>uma campanha publicitária que não surtiu o resultado esperado;</p><p>as vendas que caíram em determinada região; uma empresa que</p><p>quer conhecer a receptividade de seu público, quanto a determinado</p><p>nome de marca; uma empresa que quer conhecer</p><p>a receptividade</p><p>de seu público, quanto à determinada embalagem ou logomarca;</p><p>uma peça de comunicação, cuja mensagem não foi percebida pelo</p><p>público-alvo como a empresa desejava; entre outras.</p><p>Deve ser iniciada pelo estudo exploratório, considerando o produto</p><p>turístico como a base para a investigação, no entanto, podem-se di-</p><p>recionar estudos mercadológicos para segmentos específi cos, análi-</p><p>se de objetos também específi cos, da demanda, da oferta e demais</p><p>critérios, seguindo as necessidades de cada setor/empresa.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>229</p><p>Como analisar a melhor forma de fazer uma</p><p>pesquisa de mercado?</p><p>Ou abrir um negócio?</p><p>Quando pensamos em desenvolver uma pesquisa sobre</p><p>mercados específi cos ou mesmo sobre que negócio daria certo</p><p>em determinados lugares, devemos partir para o campo de atua-</p><p>ção e o retorno do mesmo.</p><p>As pesquisas de mercado servem para organizarmos as</p><p>ideias a respeito das necessidades dos usuários e criarmos com</p><p>isso novos produtos, e também para melhorar a qualidade dos</p><p>já existentes.</p><p>As questões que permeiam essas respostas encontram-se</p><p>na escolha do mercado, do segmento e do produto específi co, e</p><p>também da concorrência. Para isso, temos alguns instrumentos</p><p>de pesquisa de mercado e abertura de empresas contidas em</p><p>instituições específi cas, como é o caso do Sebrae – Serviço Bra-</p><p>sileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas — que promove</p><p>ações diretas e indiretas na construção de micro e pequenas em-</p><p>presas, além de fomentarem a busca de novos mercados.</p><p>Das questões, temos:</p><p>1. Qual o público a ser atingido?</p><p>2. Com quais fornecedores devemos trabalhar?</p><p>3. Como deve ser a comunicação visual da empresa (esco-</p><p>lha do logotipo, nome, nome fantasia, marca etc.)?</p><p>4. Qual o interesse dos consumidores por esse determina-</p><p>do produto ou serviço?</p><p>Esses são alguns aspectos decisivos a serem solucionados</p><p>com uma pesquisa de mercado.</p><p>230</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Exemplo de questionário:</p><p>1. O senhor(a) sabe dizer se existe alguma agência de via-</p><p>gens neste bairro?</p><p>2. Já usou os serviços desta agência?</p><p>3. Para quais lugares já viajou com ela?</p><p>4. Qual é a principal vantagem da agência onde o(a)</p><p>senhor(a) costuma comprar?</p><p>5. E as desvantagens? O(a) senhor(a) tem fi lhos? Quantos?</p><p>6. Qual a renda mensal aproximada das pessoas que mo-</p><p>ram na sua casa?</p><p>7. Por favor, qual o ano do seu nascimento?</p><p>A pesquisa de mercado serve para abrir uma empresa e</p><p>para analisar o mercado e também para criar ações efetivas para</p><p>orientações de melhorias em geral.</p><p>• Onde e como fazer as entrevistas?</p><p>Assim como utilizamos critérios para defi nição do tama-</p><p>nho da amostra, também utilizamos critérios para defi nição do</p><p>local, incluindo quais são os meios e de que forma vamos coletar</p><p>as respostas da pesquisa.</p><p>Figura 10.4: Pesquisa de mercado serve para conhecermos as necessida-</p><p>des dos clientes e melhorarmos nossos produtos.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>231</p><p>Essas, por sinal, dependerão do objetivo vinculado à pes-</p><p>quisa e da característica da população a ser pesquisada.</p><p>No exemplo apresentado, a pesquisa será realizada com o</p><p>público-alvo que mora em um raio de 5km do local onde se pre-</p><p>tende abrir uma agência de viagens.</p><p>Após a análise das ruas existentes na região, considerando</p><p>o número de redes comerciais, trânsito e tráfego de pessoas, fo-</p><p>ram delimitadas algumas ruas que servirão de amostra.</p><p>O pesquisador abordará as pessoas nas ruas próximas ao</p><p>local onde se pretende abrir o negócio, após a abordagem fará</p><p>sua apresentação pessoal e os objetivos da pesquisa e pergun-</p><p>tará se o(a) entrevistado(a) mora naquela região. Se não mora, o</p><p>pesquisador não continuará a entrevista.</p><p>O interesse é específi co em relação aos moradores locais,</p><p>podendo ser estendido aos demais em outra oportunidade.</p><p>No site do Sebrae, encontramos algumas indicações de como abrir</p><p>um negócio:</p><p>http://www.sebrae.com.br/momento/quero-abrir-um-negocio</p><p>Links de interesse:</p><p>Educação Sebrae – neste site, é possível matricular-se em nove cur-</p><p>sos online e gratuitos sobre gestão do negócio.</p><p>Lei Geral da Micro e Pequena Empresa – acesse o site e conheça os</p><p>benefícios que esta lei trouxe para os empreendedores brasileiros.</p><p>SBRT – por meio do Serviço Brasileiro de Respostas Técnicas, espe-</p><p>cialistas respondem gratuitamente dúvidas técnicas.</p><p>Bolsa de Negócios – ámbiente digital de negócios para as micro e</p><p>pequenas empresas.</p><p>Problematizando a Pesquisa em Turismo</p><p>Após defi nirmos quais as fases de uma pesquisa de merca-</p><p>do, vamos apresentar um exemplo, direcionando a um problema</p><p>específi co de turismo.</p><p>232</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Variáveis consideradas nos estudos de motivação</p><p>da viagem</p><p>Segundo a Embratur, os fatores determinantes para a es-</p><p>colha do destino referem-se a:</p><p>• belas paisagens;</p><p>• coisas diferentes para ver;</p><p>• custo razoável;</p><p>• condições sanitárias;</p><p>• fraternidade do povo;</p><p>• segurança pessoal;</p><p>• custo de tarifa aérea;</p><p>• coisas diferentes para fazer;</p><p>• lugares históricos;</p><p>• clima;</p><p>• clima político;</p><p>• comidas típicas;</p><p>• museus e galerias de arte;</p><p>• lugares exóticos;</p><p>• música e dança;</p><p>• praias e pesca submarina;</p><p>• compras;</p><p>• vida noturna;</p><p>• cultura primitiva.</p><p>Além dessas motivações, devem ser levados em conside-</p><p>ração os contextos econômicos, sociais e culturais dos indivíduos</p><p>(DENCKER, 2000, p. 205-206).</p><p>Outras variáveis podem ser pesquisadas, como: a deman-</p><p>da, a oferta, a concorrência, os segmentos e, em geral, a solução</p><p>de problemas.</p><p>A principal relevância da pesquisa der mercado é identifi -</p><p>car novas oportunidades e riscos, e também rever posições con-</p><p>solidadas.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>233</p><p>Para ver um trabalho de análise de mercado turístico, acesse o link:</p><p>http://www.pa.sebrae.com.br/arquivos/pesquisa_mercado_turis-</p><p>mo_norte.pdf</p><p>Conclusão</p><p>A pesquisa de mercado é algo de grande importância para</p><p>o setor turístico, pois fornece o direcionamento e o impulso ne-</p><p>cessários para melhoria e aprimoramento dos serviços ofereci-</p><p>dos pelos micro e pequenos empresários, envolvidos na ativida-</p><p>de turística.</p><p>Na rede empresarial, as pesquisas são de suma importân-</p><p>cia para integração da cadeia produtiva, composta por muitos</p><p>segmentos da economia, que serão benefi ciários diretos do pro-</p><p>cesso de desenvolvimento da atividade, que movimenta a eco-</p><p>nomia local, regional, nacional e mundial.</p><p>Toda forma de pesquisa deve ser iniciada pelo estudo ex-</p><p>ploratório, considerando o produto turístico como a base para a</p><p>investigação. No entanto, podem-se direcionar estudos mercado-</p><p>lógicos para segmentos específi cos, análise de objetos também</p><p>específi cos, da demanda, da oferta e demais critérios, seguindo</p><p>as necessidades de cada setor/empresa.</p><p>As pesquisas têm seu foco muitas vezes na identifi cação</p><p>do perfi l do visitante que vai à cidade, fazendo uso de critérios</p><p>de segmentação por base demográfi ca, em que as pessoas são</p><p>separadas de acordo com suas características semelhantes, fai-</p><p>xa etária, renda, escolaridade, idade, ou até mesmo por grau de</p><p>instrução, podendo, assim, realizar uma identifi cação de grupos</p><p>bem defi nidos a princípio. Também se pode encontrar nesses</p><p>grupos, pessoas que possuam desejos e necessidades completa-</p><p>mente diferentes umas das outras.</p><p>234</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Atividade Final</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>Avalie a importância deste tipo de material para uma pesquisa de</p><p>mercado de turismo.</p><p>1. Qual a sua procedência?</p><p>1. ( ) Brasil / Estado: ______________________________________</p><p>2. ( ) País: _______________________________________________</p><p>2. Qual a sua faixa de idade?</p><p>( ) até 20 ( ) 21 a 40 ( ) 41 a 65 ( ) acima de 65</p><p>3. Sexo:</p><p>( ) Masculino ( ) Feminino</p><p>4. Qual o seu nível de escolaridade?</p><p>1. ( ) sem instrução formal</p><p>2. ( ) fundamental completo/médio incompleto</p><p>3. ( ) médio completo/superior incompleto</p><p>4.</p><p>( ) superior completo</p><p>5. ( ) pós-graduação (mestrado/doutorado)</p><p>6. ( ) outro ______________________________________________</p><p>5. Qual o meio de transporte utilizado para o(a) Sr.(a) chegar a</p><p>esta cidade?</p><p>1. ( ) ônibus</p><p>2. ( ) automóvel</p><p>3. ( ) avião</p><p>4. ( ) navio</p><p>5. ( ) outro ______________________________________________</p><p>6. Qual o motivo de sua viagem?</p><p>1. ( ) lazer</p><p>2. ( ) manifestações populares</p><p>3. ( ) negócios ou trabalho</p><p>4. ( ) religioso</p><p>5. ( ) visita a parentes/amigos</p><p>6. ( ) ecologia /ecoturismo</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>235</p><p>7. ( ) atrativos naturais</p><p>8. ( ) esportes náuticos</p><p>Se respondeu lazer, vá para a pergunta 6.1 (Respostas múltiplas);</p><p>Se respondeu ecologia/ecoturismo, vá para a pergunta 6.2</p><p>(Respostas múltiplas).</p><p>Se respondeu atrativos naturais, vá para a pergunta 6.3.</p><p>Se respondeu manifestações populares, vá para a pergunta 6.4.</p><p>6.1. Se o motivo for lazer, qual o fator que mais infl uenciou sua</p><p>viagem?</p><p>1. ( ) clima</p><p>2. ( ) gastronomia</p><p>3. ( ) proximidade com Rio/São Paulo</p><p>4. ( ) praias</p><p>5. ( ) beleza natural</p><p>6. ( ) esporte náutico</p><p>7. ( ) visitas as ilhas</p><p>8. ( ) outro: ______________________________________________</p><p>6.2. Qual (is) a(s) modalidade(s) de ecoturismo ou esporte ligado</p><p>à natureza que lhe atraíram à Angra? (Respostas múltiplas)</p><p>1. ( ) contemplação/observação da natureza</p><p>2. ( ) caminhadas por trilhas (trekking)</p><p>3. ( ) pesca esportiva</p><p>4. ( ) mergulho submarino</p><p>5. ( ) alpinismo/montanhismo</p><p>6. ( ) outra: ______________________________________________</p><p>Projeto TurisAngra – Pesquisa de demanda turística</p><p>6.3. Se foram os atrativos naturais, indique o tipo que mais mo-</p><p>tivou o Sr.(a): (Respostas múltiplas)</p><p>1. ( ) litoral/praias</p><p>2. ( ) manguezais</p><p>3. ( ) vegetação</p><p>4. ( ) rios</p><p>5. ( ) quedas d’água</p><p>236</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>6. ( ) parques/reservas</p><p>7. ( ) áreas de caça/pesca</p><p>8. ( ) outro: ______________________________________________</p><p>6.4. Se foram as manifestações populares, indique o tipo que</p><p>mais motivou o Sr.(a):</p><p>1. ( ) folclore</p><p>2. ( ) música/dança</p><p>3. ( ) artesanato</p><p>4. ( ) religiosidade</p><p>5. ( ) culinária</p><p>6. ( ) outro:______________________________________________</p><p>7. Qual(is) o(s) local(is) deste estado que o Sr.(a) já conhece ou</p><p>pretende conhecer, indicado para a prática de ecoturismo?</p><p>8. A infl uência desta viagem deveu-se a (Respostas múltiplas):</p><p>1. ( ) comentários de parentes/amigos</p><p>2. ( ) sugestão de agência de viagens</p><p>3. ( ) propaganda na mídia</p><p>4. ( ) já conhecer o local</p><p>5. ( ) propaganda na internet</p><p>6. ( ) promoção em eventos/stand/feiras</p><p>7. ( ) mostra rodoviária itinerante (road show)</p><p>8. ( ) curtir a beleza natural</p><p>9. ( ) qualidade das pousadas</p><p>10. ( ) outro: ___________________________________</p><p>Se indicou propaganda na mídia, vá para a pergunta 8.1. Se não,</p><p>vá para a pergunta 9.</p><p>8.1. Qual o veículo de infl uência?</p><p>1. ( ) jornal</p><p>2. ( ) revista</p><p>3. ( ) rádio</p><p>4. ( ) televisão</p><p>5. ( ) folheto de agência de viagens</p><p>6. ( ) internet</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>237</p><p>7. ( ) outros: _____________________________________________</p><p>9. Qual a sua estimativa de gasto nesta cidade?</p><p>(registrar na moeda declarada pelo entrevistado)</p><p>1. ( ) até R$ 500,00</p><p>2. ( ) de R$ 500,00 até R$ 1.000,00</p><p>3. ( ) de R$ 1.000,00 a R$ 1.500,00</p><p>4. ( ) de R$ 1.500,00 a R$ 2.000,00</p><p>5. ( ) acima de R$ 2.000,00</p><p>10. Quantas pessoas estão incluídas neste gasto, inclusive o</p><p>Sr.(a)?</p><p>1. ( ) apenas o próprio</p><p>2. ( ) duas</p><p>3. ( ) três</p><p>4. ( ) quatro</p><p>5. ( ) acima de quatro</p><p>11. Como o Sr.(a) avalia os preços dos bens e serviços que consu-</p><p>miu nesta cidade?</p><p>1. ( ) baixos</p><p>2. ( ) razoáveis</p><p>3. ( ) elevados</p><p>4. ( ) exorbitantes</p><p>5. ( ) não soube avaliar</p><p>Projeto TurisAngra – Pesquisa de demanda turística</p><p>12. Indicar se a condição da viagem foi:</p><p>1. ( ) sem pacote</p><p>2. ( ) com pacote simples (passageiro + hóspede)</p><p>3. ( ) com pacote completo</p><p>4. ( ) programa de incentive</p><p>5. ( ) cortesia ou prêmio</p><p>6. ( ) outra condição especial: ____________________________</p><p>238</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>13. Utilizou cartão de crédito nesta cidade?</p><p>1. ( ) sim</p><p>2. ( ) não</p><p>14. Com que antecedência planejou esta viagem?</p><p>1. ( ) menos de 3 meses</p><p>2. ( ) de 3 a 6 meses</p><p>3. ( ) de 6 a 12 meses</p><p>4. ( ) mais de 1 ano</p><p>5. ( ) não sabe avaliar</p><p>15. Em que época do ano o Sr.(a) costuma viajar com mais fre-</p><p>quência?</p><p>Jan - Fev - Mar - Abr - Mai - Jun - Jul - Ago - Set - Out Nov - Dez</p><p>16. É a primeira vez que visita a cidade de Angra? Se não, vá para</p><p>a pergunta 18. Se sim, vá para a 19.</p><p>sim ( ) não ( )</p><p>17. Quantas vezes mais já visitou Angra, incluindo esta visita?</p><p>( ) 2 a 5 ( ) 6 a 10 ( ) acima de 10</p><p>18. Qualifi que os atrativos turísticos da cidade:</p><p>ATRATIVOS:</p><p>ÓTIMO (5)</p><p>BOM (4)</p><p>REGULAR (3)</p><p>RUIM (2)</p><p>PÉSSIMO (1)</p><p>NÃO SABE ( 0 )</p><p>Atrativos naturais</p><p>Patrimônio histórico/cultural</p><p>Manifestações populares</p><p>Hospitalidade/povo</p><p>19. Qualifi que os equipamentos e serviços turísticos da cidade:</p><p>EQUIPAMENTOS E SERVIÇOS:</p><p>ÓTIMO (5)</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>239</p><p>BOM (4)</p><p>REGULAR (3)</p><p>RUIM (2)</p><p>PÉSSIMO (1)</p><p>NÃO SABE (0)</p><p>Equipamentos de lazer</p><p>Passeios oferecidos</p><p>Empresas/serviços de receptivo</p><p>Centro de informações turísticas</p><p>Informações prestadas no município</p><p>Sinalização turística nas estradas</p><p>Guias de turismo</p><p>Hotéis e pousadas</p><p>Bares/restaurantes</p><p>Comércio</p><p>Diversões noturnas</p><p>Serviços de táxis</p><p>Embarcações marítimas</p><p>Projeto TurisAngra – Pesquisa de demanda turística</p><p>20. Qualifi que a infraestrutura da cidade:</p><p>ASPECTOS:</p><p>ÓTIMO (5)</p><p>BOM (4)</p><p>REGULAR (3)</p><p>RUIM (2)</p><p>PÉSSIMO (1)</p><p>NÃO SABE (0)</p><p>Serviços médicos</p><p>Comunicações (correios/telefone)</p><p>Sinalização urbana</p><p>Segurança pública</p><p>Limpeza pública</p><p>240</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Ônibus urbano</p><p>Terminal marítimo(ferry-boat/balsa)</p><p>Estradas de acesso</p><p>21. Recomendaria esta cidade à outra pessoa?</p><p>1. ( ) sim</p><p>2. ( ) não</p><p>3. ( ) não sabe</p><p>22. Esta viagem alterou a imagem que o Sr.(a) tinha em relação a</p><p>Angra dos Reis?</p><p>1. ( ) melhorou</p><p>2. ( ) caiu</p><p>3. ( ) manteve</p><p>4. ( ) não sabe avaliar</p><p>23. Como o Sr.(a) considerou Angra em relação às suas expecta-</p><p>tivas de viagem?</p><p>1. ( ) Superou minhas expectativas.</p><p>2. ( ) Atendeu plenamente às minhas expectativas.</p><p>3. ( ) Atendeu em parte às minhas expectativas.</p><p>4. ( ) Decepcionou minhas expectativas.</p><p>24. O Sr.(a) pretende voltar a Angra?</p><p>1. ( ) Sim, dentro das próximas duas semanas.</p><p>2. ( ) Sim, dentro de três a quatro semanas.</p><p>3. ( ) Sim, dentro de um mês.</p><p>4. ( ) Sim, dentro de dois meses.</p><p>5. ( ) Sim, em um prazo de três a seis meses.</p><p>6. ( ) Sim, de seis meses a um ano.</p><p>7. ( ) Não pretendo voltar.</p><p>8. ( ) Não sei avaliar.</p><p>25. Cite 3 (três) aspectos desta cidade que mais lhe agradaram:</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>241</p><p>26. Cite 3 (três) aspectos desta cidade que mais lhe desagrada-</p><p>ram:</p><p>27. O que o Sr.(a) sugere para a melhoria dos serviços e da infra-</p><p>estrutura desta cidade?</p><p>28. Com sua experiência em viagens, o que encontrou em outras</p><p>cidades que gostaria de ver em Angra dos Reis?</p><p>Fonte: http://www.angra.rj.gov.br/downloads/turisangra/Pesquisa_de_Demanda_</p><p>Tur.pdf</p><p>Resposta Comentada</p><p>A pesquisa de demanda implica a identifi cação de clientes, poden-</p><p>do ser atuais e potenciais, a localização geográfi ca dos mesmos, a</p><p>segmentação de mercado a partir de diferentes critérios, a renda e o</p><p>consumo e as motivações de viagem. Seu conhecimento é de suma</p><p>relevância para o planejamento turístico de uma localidade e pode</p><p>ser feito a partir de alguns critérios, como: fatores demográfi cos, so-</p><p>ciológicos, econômicos, turísticos e a sazonalidade, conforme abor-</p><p>dado no questionário modelo.</p><p>242</p><p>Aula 10 • Pesquisa de mercado em turismo</p><p>Resumo</p><p>A atividade turística abrange uma complexidade</p><p>de produtos e</p><p>serviços, sendo a investigação do mercado necessária tanto para</p><p>lançamentos de novos produtos e serviços quanto para a melhoria</p><p>na qualidade de prestação de serviços já existentes. Muitas empre-</p><p>sas também contratam pesquisas para defi nirem linhas de ação</p><p>a fi m de ampliarem seus serviços e melhorar a concorrência. A</p><p>pesquisa de mercado surge como um fundamento para orientar as</p><p>ações da empresa e seus direcionamentos futuros.</p><p>11 Como fazer um</p><p>inventário turístico</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Apresentar os elementos necessários à construção</p><p>de um inventário turístico.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz</p><p>de:</p><p>1 identifi car as etapas de construção do inventá-</p><p>rio turístico;</p><p>2 exemplifi car a aplicabilidade do inventário</p><p>turístico.</p><p>244</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>Introdução</p><p>Para entender o processo de um inventário turístico, é pre-</p><p>ciso entender o que é um inventário. Pensemos então em todas</p><p>as coisas que temos em casa. Como podemos saber o que temos</p><p>no quarto, no escritório, na sala, na lavanderia? É necessário fa-</p><p>zer uma espécie de listagem por cômodos da casa.</p><p>Para entender nossas necessidades, devemos conhecer</p><p>tudo o que temos. Na localidade turística, é a mesma coisa. Pre-</p><p>cisamos saber quanto e onde temos cada coisa para depois pen-</p><p>sarmos em qualquer interferência para sanar problemas.</p><p>Assim, temos de considerar as necessidades de cada loca-</p><p>lidade como se fossem as nossas necessidades pessoais. Qual-</p><p>quer que seja a necessidade do município, o inventário servirá</p><p>de base para a construção de investimentos para potencializar a</p><p>história, o clima, a vegetação; enfi m, os recursos naturais e arti-</p><p>fi ciais que são a essência da atividade turística.</p><p>Para planejar, é necessário inventariar primeiro, ou seja,</p><p>fazer um check list de tudo, a fi m de usarmos depois os recursos,</p><p>oriundos de cada item, além de sabermos como estão conside-</p><p>rando a vida útil e a manutenção de cada um.</p><p>Considerando que nem sempre defi nimos os problemas,</p><p>oriundos da saúde, do clima, e da temperatura, entre outros, tra-</p><p>çamos um plano das atividades para conhecermos e entender-</p><p>mos o nosso próprio processo diário.</p><p>Ainda que corra tudo bem no nosso planejamento diário,</p><p>temos interferências externas que corroboram para a tomada de</p><p>decisões. No inventário é a mesma coisa: precisamos adequar o</p><p>que existe e o que pleiteamos para a localidade.</p><p>Inventário de um município</p><p>O inventário é uma forma de listar tudo que existe em uma</p><p>localidade, como a primeira etapa que comporá o planejamento</p><p>turístico.</p><p>Check list</p><p>Listagem de tudo o que</p><p>é necessário para uma</p><p>viagem, por exemplo:</p><p>o que vai na mala, quanti-</p><p>dades, necessidades, do-</p><p>cumentos, informações</p><p>etc. Pode ser dividido em</p><p>níveis e elaborado para</p><p>verifi car as atividades</p><p>já efetuadas e ainda a</p><p>serem feitas.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>245</p><p>O inventário forma-se a partir do levantamento de infor-</p><p>mações e dados imprescindíveis para se conhecer o potencial</p><p>turístico de um atrativo, de uma cidade e até mesmo de um país.</p><p>Por meio do inventário, defi nimos a elaboração do diag-</p><p>nóstico e do planejamento turístico municipal, estadual, regio-</p><p>nal, nacional e até mundial.</p><p>O inventário turístico, além de ser uma exigência do Mi-</p><p>nistério do Turismo para os municípios (Lei 11.771/08), facilita e</p><p>fomenta o acesso a recursos federais para incentivo ao turismo,</p><p>pois capacita a leitura das informações, a fi m de transformá-las</p><p>em problema para posteriormente tentar solucioná-los da me-</p><p>lhor forma possível.</p><p>Serve como base de orientação a possíveis investidores</p><p>que desejam investir em localidades ou atrativos, além de ser-</p><p>vir como base de conhecimento das minúcias do que a locali-</p><p>dade pode oferecer ao mercado. A partir da análise dos dados</p><p>levantados, pode-se avaliar a real possibilidade de crescimento</p><p>do destino, de formas de sanar problemas e de propor novas</p><p>possibilidades de uso.</p><p>A partir do inventário, podemos ter a ideia de construção</p><p>dos mais variados produtos, como: roteiro de atrativos, guias de</p><p>gastronomia, calendário de eventos turísticos, roteiro específi cos</p><p>do que cada localidade contém em termos naturais e artifi ciais,</p><p>mapas ilustrativos do município/estado, roteiros de restaurantes</p><p>por especialidade, além de muitos segmentos do mercado turís-</p><p>tico, considerando que cada segmento da atividade merece um</p><p>olhar direcionado.</p><p>O Ministério do Turismo criou o Invtur — Inventário da</p><p>Oferta Turística — a fi m de padronizar os planos de turismo local,</p><p>municipal e regional, cujo objetivo é facilitar a compreensão e</p><p>nortear o processo da inventariação da oferta turística no país.</p><p>Em âmbito nacional, o Projeto Inventário da Oferta Turís-</p><p>tica será coordenado pelo Ministério do Turismo (Coordenação</p><p>Geral de Regionalização), com o apoio do Conselho Nacional de</p><p>Turismo (Câmara Temática de Regionalização). Os órgãos ofi ciais</p><p>246</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>de turismo das unidades da Federação, com o apoio dos Fóruns</p><p>Estaduais de Turismo, são os responsáveis pela coordenação do</p><p>projeto em âmbito estadual, assim como, em níveis regionais e</p><p>municipais, a coordenação cabe às Instâncias de Governança re-</p><p>gionais, quando existirem, e aos Órgãos Municipais de Turismo,</p><p>apoiados pelos conselhos locais de turismo. Todos esses órgãos</p><p>terão o amparo das instituições de ensino superior.</p><p>Para entender o processo, fazemos sempre um estudo pre-</p><p>liminar, que tem o intuito de verifi car a aptidão da localidade para</p><p>a atividade turística e se isso persistirá em curto, médio e longo</p><p>prazos. Para isso, precisamos defi nir uma equipe que fará um</p><p>diagnóstico de viabilidade turística, defi nindo a(s) modalidade(s)</p><p>turística(s) que poderão ser desenvolvidas e, nesse momento,</p><p>aplicamos a observação de alguns aspectos, como:</p><p>• a capacidade de gestão do produtor — o mesmo que como se</p><p>administra a localidade;</p><p>• a capacidade fi nanceira do interessado para promover as ade-</p><p>quações necessárias — quem pagará pelo trabalho?</p><p>• a sustentabilidade ambiental — como serão feitos os recortes</p><p>em relação ao meio? Os recursos podem ser reaproveitados?</p><p>• avaliação mercadológica/localização da viabilidade econômica</p><p>— como está o mercado de turismo? Existe uma viabilidade</p><p>para o que se quer fazer?</p><p>Dentro do inventário, dividimos etapas para que consiga-</p><p>mos levantar aspectos do local, tentando abranger todos os da-</p><p>dos possíveis do que se liga direta ou indiretamente ao turismo.</p><p>Vejamos os aspectos a seguir.</p><p>— Estudo preliminar</p><p>O estudo preliminar traz elementos para a construção dos</p><p>dados efetivos do inventário, pois fornece dados que constroem</p><p>o ambiente da pesquisa. Pode ser entendido como a verifi cação</p><p>da viabilidade de uma solução. Nesse momento, organizamos as</p><p>diretrizes ou orientações do anteprojeto.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>247</p><p>Nestas orientações, estão descritos:</p><p>1. Ordenação geopolítica e administrativa</p><p>Neste momento, vamos defi nir como a localidade se inse-</p><p>re no contexto da região, política e administrativamente.</p><p>2. Inventário dos recursos ambientais naturais, artifi ciais e</p><p>culturais</p><p>Aqui organizamos os dados referentes à natureza, à cultura</p><p>e à sociedade, formando uma base de conhecimento dos recursos</p><p>existentes para a população e para o turismo. Muitos recursos são</p><p>usados primeiro, como equipamentos de lazer e depois são apro-</p><p>priados pelo turismo.</p><p>3. Perfi l socioeconômico</p><p>Ao investigarmos o perfi l socioeconômico do local, dete-</p><p>tamos quais as condições fi nanceiras por faixas etárias e condi-</p><p>cionamos os dados a partir do perfi l apontado na pesquisa, para</p><p>termos uma margem de gastos da população com cada ativida-</p><p>de/atrativo.</p><p>4. Estágio do turismo</p><p>Neste tópico, entendemos a atual fase em que o turismo</p><p>se encontra, os problemas dele advindos e pensamos preliminar-</p><p>mente</p><p>nas possibilidades de ampliar ou desenvolver questões</p><p>específi cas de cada base de dados organizada.</p><p>5. Tendências do tráfego turístico</p><p>Nesta etapa, conhecemos o cenário em que o turismo se</p><p>insere e como está atualmente organizado na base local.</p><p>— Estudo da base econômica</p><p>Segundo a teoria da base econômica, a atividade total de</p><p>uma região (ou de uma cidade) apresenta uma dicotomia</p><p>bastante nítida, tendo-se, de um lado, as atividades bási-</p><p>cas (de exportação) e as atividades locais (ou de mercado</p><p>local) (SOUZA, 1980, p. 1-2).</p><p>Pensaremos então na investigação da base econômica</p><p>para questionarmos posteriormente os pontos fortes e fracos da</p><p>atividade turística de uma localidade.</p><p>248</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>• Análise da infraestrutura: saneamento, energia, comunica-</p><p>ções, segurança, transportes, sinalização e urbanização.</p><p>• Análise da superestrutura turística: hospitalidade, alimenta-</p><p>ção, entretenimento, parques temáticos, tecnologia e do lazer</p><p>e equipamentos.</p><p>• Atrações turísticas: conscientização, capacitação institucional</p><p>e gerencial, tecnologia e informação e comunicação.</p><p>• Fomento e investimentos: captação de negócios, captação de</p><p>mercados, captação de fi nanciamentos, incentivos e orienta-</p><p>ções de investimentos.</p><p>• Parcerias: órgãos governamentais, fóruns de turismo, coope-</p><p>ração de ONGs (Organizações Não Governamentais), universi-</p><p>dades, agentes públicos e privados, nacionais e internacionais.</p><p>Todos estes dados servirão como ponto de partida para co-</p><p>nhecermos a localidade e apontarmos possíveis soluções para</p><p>os problemas do turismo local. A partir daí, podemos partir para</p><p>as etapas do planejamento turístico.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. O Inventário da Oferta Turística consiste no levantamento, na</p><p>identifi cação e no registro dos atrativos turísticos, dos serviços e</p><p>equipamentos turísticos e da infraestrutura de apoio ao turismo</p><p>como instrumento base de informações para fi ns de planejamen-</p><p>to, gestão e promoção da atividade turística, possibilitando a de-</p><p>fi nição de prioridades para os recursos disponíveis e o incentivo</p><p>ao turismo sustentável. Partindo desse conceito, é correto afi r-</p><p>mar que seus objetivos são:</p><p>a ( ) Disponibilizar aos visitantes, planejadores e gestores dados</p><p>confi áveis sobre a oferta turística brasileira e permitir a análise</p><p>do signifi cado econômico do turismo e seu efeito multiplicador</p><p>no desenvolvimento municipal.</p><p>b ( ) Permitir a identifi cação e a classifi cação de municípios tu-</p><p>rísticos e com potencial turístico e o diagnóstico de defi ciências,</p><p>pontos críticos e estrangulamentos e os desajustes existentes</p><p>entre a oferta e a demanda; coletar informações que subsidiem a</p><p>elaboração de roteiros turísticos.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>249</p><p>c ( ) Defi nir a curto prazo os ideais políticos da região, focalizan-</p><p>do lucros.</p><p>d ( ) Eliminar a comunidade local da tomada de decisões.</p><p>Resposta Comentada</p><p>As respostas a e b estão corretas mediante as diretrizes do Invtur</p><p>que buscam criar um padrão de análise nacional.</p><p>As respostas c e d estão erradas, porque defi nir os lucros a curto pra-</p><p>zo por meio de ideais políticos é eticamente errado, e a comunidade</p><p>local deve estar sempre inserida na tomada de decisões.</p><p>Etapas do planejamento</p><p>As etapas do planejamento turístico formam uma rede de</p><p>informações acerca do que será aplicado como benfeitorias no</p><p>local, desde a concepção da missão do lugar até especifi cidades</p><p>de cada um dos atrativos, ou seja, como podem funcionar melhor</p><p>depois do entendimento de suas fraquezas e potencialidades.</p><p>Então, vamos partir de algumas perguntas:</p><p>Como fazer um planejamento?</p><p>Seria como planejar uma viagem?</p><p>Figura 11.1: Pensando em um inventário.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1182879</p><p>ja</p><p>n</p><p>-w</p><p>ill</p><p>em</p><p>250</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>As respostas dessas questões servem de base para enten-</p><p>dermos o problema de cada item e posteriormente traçar diretri-</p><p>zes de ação.</p><p>Partimos então do diagnóstico. Como diagnosticamos os</p><p>problemas? Seria como descobrirmos qual doença temos em de-</p><p>terminados momentos. Para isso, vamos ao médico da especia-</p><p>lidade desejada e fazemos os exames; assim, ao descobrirmos o</p><p>problema e se o mesmo tem tratamento curativo ou paliativo, ou</p><p>seja, se há cura ou apenas amenização dos seus efeitos.</p><p>Partamos então para o diagnóstico do turismo.</p><p>— Diagnóstico do município</p><p>Esse diagnóstico do município pode ser comparado ao de</p><p>um indivíduo, que foi ao médico fazer um check up, verifi car seu</p><p>condicionamento físico, ou tratar de algum mal.</p><p>Em turismo, fazemos o mesmo, diagnosticamos o perfi l da</p><p>localidade e fazemos referência à melhor utilização de suas po-</p><p>tencialidades.</p><p>O diagnóstico é uma forma de descobrirmos os problemas</p><p>da cidade, do atrativo ou da região e divide-se em algumas par-</p><p>tes. Tem início com estudos preliminares, como análise macro,</p><p>que abrange uma área maior e mais densa, e, posteriormente</p><p>micro, uma área menor, que contém menos recursos ou informa-</p><p>ções. Essa cadeia de relatos vai afunilando os desdobramentos</p><p>da análise até chegarmos aos problemas e às possíveis soluções.</p><p>Para saber mais sobre a aplicação de um inventário turísti-</p><p>co, seus objetivos e ações veja o link: http://www.youtube.com/</p><p>watch?v=8ViQLyZogWU</p><p>No diagnóstico, temos o macroambiente, que contém da-</p><p>dos referentes a uma amplitude de área, ou seja, que condensa</p><p>informações acerca da localização, demografi a, história, cultura</p><p>e economia.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>251</p><p>Dessa análise temos:</p><p>— Análise macroambiental</p><p>O macroambiente inclui toda a região e o entorno onde se</p><p>localiza o atrativo ou a cidade em questão. Sua abordagem deve</p><p>ser criteriosa, analisando os seguintes aspectos:</p><p>• Localização: indicação de mapas, vias de acesso, sinalização</p><p>convencional e turística, e condições ambientais gerais.</p><p>• Elementos históricos e culturais: fases principais do desenvol-</p><p>vimento, momentos e personagens principais, principais cul-</p><p>turas envolvidas no processo.</p><p>• Elementos demográfi cos: dados da população em relação ao</p><p>número de habitantes, características e índices de faixa etária,</p><p>nível de escolaridade.</p><p>• Elementos socioeconômicos: distribuição das atividades eco-</p><p>nômicas pelos setores primário, secundário e terciário, popu-</p><p>lação ativa, renda média da população, índices de criminali-</p><p>dade.</p><p>• Análise organizacional: infraestrutura urbana — luz, água en-</p><p>canada, saneamento, segurança, comunicação, limpeza urba-</p><p>na, transporte urbano.</p><p>• Infraestrutura de apoio: análise dos serviços médico-hospitala-</p><p>res, farmácias, assistência mecânica, postos de abastecimen-</p><p>to, emissoras de rádio e TV, jornais, locadoras de equipamen-</p><p>tos, bancos e postos de atendimento, comércio.</p><p>252</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>Setor primário: é composto pelas atividades produtivas, como: a</p><p>agricultura, a pecuária e o extrativismo (mineral, animal e vegetal),</p><p>relacionados à exploração dos recursos naturais e à produção de</p><p>matéria-prima.</p><p>Setor secundário: é composto pelas atividades industriais, produ-</p><p>ção de bens de consumo, construção civil e geração de energia.</p><p>Setor terciário: relaciona-se à prestação de serviços e ao comércio.</p><p>Esse setor de atividade é o que mais cresce, tanto em países de-</p><p>senvolvidos quanto em desenvolvimento e, por esse motivo a po-</p><p>pulação economicamente ativa (aquela que exerce algum tipo de</p><p>atividade econômica) concentra-se no setor terciário.</p><p>— Análise microambiental</p><p>A análise microambiental serve como um raio x dos recur-</p><p>sos específi cos, ou seja, como devemos conhecer cada atrativo</p><p>em escala menor, dentro de um espaço amplo e regional.</p><p>O ambiente é aqui pensado em termos de produto, incluin-</p><p>do o seu entorno, os recursos necessários e o que nele deve ser</p><p>analisado.</p><p>Destes recursos, temos:</p><p>• Defi nição e caracterização.</p><p>• Especifi cidades (sítios naturais; museus e manifestações</p><p>cul-</p><p>turais; folclore etc.).</p><p>• Realizações técnicas, científi cas e artísticas contemporâneas</p><p>(calendário de eventos).</p><p>• Serviços e equipamentos turísticos: meios de hospedagem;</p><p>alimentação; agenciamento e transportes; animação; espaços</p><p>e empresas organizadores de eventos.</p><p>A defi nição e a caracterização dos recursos darão margem</p><p>para aprimorarmos os problemas deles advindos e direcionar</p><p>possíveis soluções.</p><p>— Análise da demanda</p><p>A análise da demanda serve para conhecermos nossos tu-</p><p>ristas. Neste momento, verifi camos quantos, quem são e como</p><p>vêm os turistas para a localidade.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>253</p><p>Análise quantitativa:</p><p>• Número de visitantes/ano;</p><p>• Sazonalidade.</p><p>Análise qualitativa:</p><p>• Pesquisa o perfi l dos visitantes.</p><p>— Análise administrativa</p><p>Nesta análise, defi nimos como funciona o atrativo e como</p><p>está sendo usado em termos qualitativos, além de conhecer suas</p><p>fraquezas, manutenção, entre outros.</p><p>• Estrutura organizacional do atrativo, análise do organograma</p><p>e dos principais setores envolvidos com as atividades turísti-</p><p>cas e de lazer, projetos em andamento e não viabilizados.</p><p>— Análise promocional</p><p>Nesta análise, verifi camos de que forma os turistas estão</p><p>conhecendo a localidade/atrativo, ou seja, a campanha foi efetiva?</p><p>• Campanha publicitária: programa de conscientização; progra-</p><p>ma externo.</p><p>— Análise dos municípios concorrentes</p><p>Aqui verifi camos a missão dos nossos concorretes.</p><p>• Diretos.</p><p>• Indiretos.</p><p>— Análise SWOT</p><p>• Análise dos pontos fortes.</p><p>• Análise dos pontos fracos.</p><p>• Análise das oportunidades.</p><p>• Análise das ameaças.</p><p>Na análise SWOT, determinamos as diretrizes para tomada</p><p>de decisões acerca de novos rumos para o local/atrativo/cidade/</p><p>região.</p><p>— Defi nição dos objetivos e metas do município</p><p>Essa etapa refere-se ao que a cidade deseja em termos de</p><p>ampliação ou inserção das atividades turísticas, são seus crité-</p><p>rios levados em consideração no conjunto de ações determina-</p><p>das no diagnóstico.</p><p>254</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>— Diagnóstico fi nanceiro e orçamentário/distribuição de verbas</p><p>Nesta etapa, fazemos um orçamento a partir do que o po-</p><p>der público e privado está de acordo em oferecer para a amplia-</p><p>ção do turismo.</p><p>— Prognóstico do município</p><p>O prognóstico é algo que obtemos a partir do diagnóstico.</p><p>Na Medicina, se o diagnóstico detecta possíveis problemas, por</p><p>exemplo, o prognóstico é o desenvolvimento futuro, o resultado</p><p>do processo que depende das medidas tomadas para solucionar</p><p>os problemas. Em turismo, é a mesma coisa, a pergunta é: como</p><p>resolver as questões a partir do diagnóstico?</p><p>• Formular políticas e diretrizes de reorientação e programas de</p><p>ação.</p><p>• Estabelecer metas e projetos específi cos para sustentabilidade</p><p>do desenvolvimento econômico.</p><p>• Adotar programas para o desenvolvimento sustentável do</p><p>produto turístico.</p><p>• Fomentar as demandas atuais e futuras.</p><p>• Avaliar desequilíbrios entre oferta e demanda do turismo da</p><p>região.</p><p>• Avaliar a situação atual.</p><p>• Projetar cenários para o comportamento de mercado.</p><p>Neste tópico, criaremos as ferramentas para o alicerce de</p><p>novas diretrizes acerca do local, a partir do diagnóstico.</p><p>— Determinação de objetivos</p><p>Os objetivos só serão determinados a partir da projeção do</p><p>diagnóstico e do prognóstico e as ações também dependerão da</p><p>verba defi nida para essa fi nalidade.</p><p>— Estratégias e meios</p><p>A partir dos objetivos, traçamos esse tópico.</p><p>— Planos de trabalho</p><p>Também precisamos da defi nição das metas, objetivos e</p><p>orçamento para defi nirmos essa etapa.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>255</p><p>— Controle e implementação</p><p>O controle e a implementação dependerão exclusivamente</p><p>dos tópicos acima, dos quais ainda não temos uma visão clara,</p><p>pois dependem do diagnóstico e do prognóstico.</p><p>Aspectos operacionais</p><p>Os aspectos operacionais visam determinar a parte prática</p><p>do trabalho, como quem vai trabalhar, os custos, o tempo e a</p><p>logística em geral.</p><p>— Cronograma</p><p>O cronograma defi ne tempo/atividades a serem desenvol-</p><p>vidas e quem irá desenvolvê-las. Segue um exemplo:</p><p>Atividades Ago Set Out Nov Dez</p><p>Planejamento (FASE 1) X</p><p>Inventário do</p><p>município (FASE 1)</p><p>X</p><p>Diagnóstico do</p><p>município (FASE 2)</p><p>X</p><p>Prognóstico do</p><p>município (FASE 2)</p><p>X</p><p>Determinação de</p><p>objetivos (FASE 2)</p><p>X</p><p>Estratégias e</p><p>meios (FASE 2)</p><p>X</p><p>Planos de</p><p>trabalho (FASE 2)</p><p>X</p><p>Controle (FASE 2) X</p><p>Implementação do</p><p>plano (FASE 3)</p><p>Indeterminado</p><p>— Recursos humanos</p><p>A escolha dos profi ssionais que trabalharão no projeto</p><p>também dependerá da verba a ser defi nida na primeira fase.</p><p>— Estimativa de custos</p><p>Estimamos os custos após a verifi cação e delimitação do</p><p>espaço a ser investigado. O que é? Como se faz?</p><p>256</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>Exemplo: dividimos por fases; vejamos uma das fases qual</p><p>a estimativa de custos:</p><p>FASE 1:</p><p>Pré-planejamento: plano das visitas = R$ 1.600,00</p><p>Inventário:</p><p>4 Gestores - R$ 50,00 X 32 horas X 4 = R$ 6.400,00 (em</p><p>campo)</p><p>2 secretárias R$ 150,00 X 2 = R$ 300,00 (por fi nal de sema-</p><p>na) X 2 = 600,00</p><p>Custos de viagem:</p><p>Pedágio: R$ 200,00 (ida e volta para 2 fi nais de semana)</p><p>Gasolina: R$ 500,00 (2 fi nais de semana)</p><p>Custos com carros: R$ 400,00</p><p>Alimentação: R$ 720,00 (6 pessoas para 2 fi nais de semana)</p><p>Hospedagem: R$ 960,00 (6 pessoas para 2 fi nais de semana)</p><p>Total da 1ª fase: R$ 11.380,00</p><p>Todas as estimativas são feitas mediante análise do que</p><p>será necessário e o tempo gasto em cada atividade, assim, mul-</p><p>tiplicamos pelas pessoas e dias necessários.</p><p>As estimativas são fl exíveis, a partir do ponto de análise.</p><p>Algumas modifi cações poderão ser feitas no percurso e por isso</p><p>devem ser fl exibilizadas.</p><p>Para ver vídeos sobre inventário turístico, acesse:</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=V0jhRPs3s48</p><p>http://www.youtube.com/watch?v=UOdA7iGXtlY</p><p>http://www.inventario.turismo.gov.br/invtur/downloads/projInvtur/</p><p>projInvtur.pdf</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>257</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2. Considerando a notícia a seguir, defi na qual foi o intuito do</p><p>Ministério do Turismo com essa ação e descreva como foi ade-</p><p>quado aos objetivos do inventário.</p><p>Turismo lança inventário turístico de Petrópolis</p><p>18/02/2011 19:27 — Portal Brasil</p><p>O Ministério do Turismo lançou nesta sexta-feira (18) o in-</p><p>ventário turístico de Petrópolis, região serrana do Rio de</p><p>Janeiro, abalada pelas fortes chuvas de janeiro. Disponí-</p><p>vel na internet, o inventário é uma ferramenta para gestão</p><p>do turismo local com mapeamento de empreendimentos,</p><p>atrativos naturais e culturais e dos serviços oferecidos ao</p><p>turista. O lançamento contou com a presença do Ministro</p><p>do Turismo, Pedro Novais, e autoridades da região serrana</p><p>do estado.</p><p>A iniciativa faz parte da ação do Ministério do Turismo</p><p>para retomada da atividade turística da região. O órgão vai</p><p>atuar em três frentes principais: apoio à recuperação da</p><p>infraestrutura turística, capacitação de trabalhadores das</p><p>cidades afetadas e ações de promoção dos destinos no</p><p>mercado interno e externo.</p><p>No início da semana, o ministério anunciou a liberação de</p><p>R$ 60 milhões para reconstrução de pontes e estradas em</p><p>reunião com os prefeitos de Petrópolis, Teresópolis e Nova</p><p>Friburgo. No que se refere à qualifi cação, a ideia é dar prio-</p><p>ridade aos artesãos e trabalhadores do turismo, nos cursos</p><p>ofertados pelo Ministério do Turismo.</p><p>Fonte: http://www.brasil.gov.br/noticias/arquivos/2011/02/18/turismo-lan-</p><p>ca-inventario-turistico-de-petropolis</p><p>258</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>Resposta Comentada</p><p>O Ministério do Turismo buscou com essa ação conhecer a atual situa-</p><p>ção das cidades envolvidas na tragédia climática que assolou a re-</p><p>gião no início do ano. Com o diagnóstico e o prognóstico envolvidos</p><p>no inventário, poderá criar um cenário de ações que promoverão a</p><p>melhoria da atividade pós-calamidade. O inventário pode e deve ser</p><p>modifi cado em todos os tempos com objetivos</p><p>distintos, a fi m de</p><p>solucionar problemas de ordens administrativas, como foi o caso da</p><p>região afetada.</p><p>Planejamento turístico: algumas informações</p><p>O planejamento turístico pode ser dividido em vários ní-</p><p>veis, obedecendo a critérios de complexidade crescente.</p><p>• Planejamento de primeiro nível - eventos, excursões, viagens.</p><p>• Planejamento de segundo nível - transformação de cidades em</p><p>núcleos turísticos; ativação de núcleos turísticos preexisten-</p><p>tes; criação de complexos ou cidades turísticas (construção de</p><p>equipamentos turísticos).</p><p>• Planejamento de terceiro nível - políticas nacionais para incen-</p><p>tivar a atividade turística no país e organizá-la, abrangendo os</p><p>outros dois níveis.</p><p>— Etapas do planejamento</p><p>• Escolha e delimitação - defi nir o tipo de evento e o tema que</p><p>será abordado.</p><p>• Estudo/diagnóstico - identifi cação e análise dos participantes</p><p>(nível socioeconômico, hábitos, problemas psicológicos e/ou</p><p>clínicos). Revisão de experiências anteriores.</p><p>• Formulação de propostas de intervenção - defi nir local e data</p><p>em virtude do público e do clima (para eventos ao ar livre,</p><p>sempre ter uma alternativa) e estratégia de comunicação. De-</p><p>fi nir, com os especialistas da área, o temário e o calendário.</p><p>• Defi nição de objetivos - verifi car o que serão usados (fazer um</p><p>check list padrão facilita). Providenciar recursos audiovisuais,</p><p>material de escritório, pessoal de apoio. Treinar mão de obra,</p><p>se necessário.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>259</p><p>• Execução e controle - supervisão in loco e relatório posterior.</p><p>O planejamento de uma viagem ou excursão não difere</p><p>muito do planejamento de um evento. Faz-se necessário:</p><p>• Escolha e delimitação - defi nição do destino.</p><p>• Estudo diagnóstico - revisão de experiências anteriores, infor-</p><p>mações sobre o público e sobre o local de destino.</p><p>• Formulação de alternativas - escolha de datas e de estratégias</p><p>de comunicação.</p><p>• Defi nição de objetivos - número de pessoas, lucro esperado ou</p><p>outros benefícios.</p><p>• Implementação - divulgação e venda. Defi nição de itinerários.</p><p>Contratação/treinamento de pessoal. Revisão dos equipamen-</p><p>tos de uso ou reserva de equipamentos turísticos, verifi cação</p><p>da rede de apoio.</p><p>• Implantação - confecção da lista de passageiros, instrumen-</p><p>talização legal (documentos de menores, fi scalização de es-</p><p>tradas, etc.).</p><p>O planejamento de turismo também pode estar destinado</p><p>a ativar um núcleo em crescimento e este tipo de planejamento</p><p>deverá ser feito através do marketing.</p><p>Para desenvolver um núcleo turístico serão fundamentais</p><p>três etapas, segundo Barretto (1996): pesquisa de necessidades,</p><p>verifi cação da infra-estrutura e o envolvimento efetivo das pes-</p><p>soas das redondezas no movimento progressivo deste processo.</p><p>1. Pesquisa de necessidades - situação, acessos, população,</p><p>características da atração principal, praia, bosque etc.), valores</p><p>biológicos, problemas com insetos, valores históricos, difi culda-</p><p>des de aquisição de terras, características físicas do solo etc.;</p><p>2. Verifi cação da infraestrutura básica das redondezas no</p><p>movimento de progresso tecnológico, a fi m de que possam, de</p><p>um lado, benefi ciar-se do empreendimento e, de outro, ser um</p><p>apoio real ao mesmo.</p><p>3. O envolvimento efetivo das pessoas das redondezas no</p><p>movimento progressivo deste processo signifi ca trazer à luz do</p><p>processo a inclusão de opiniões da comunidade, núcleo e socie-</p><p>dade a participarem na tomada das decisões.</p><p>260</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>Esse processo seria defi nido como crucial para o núcleo</p><p>turístico.</p><p>O desenvolvimento de um núcleo começa com a urbani-</p><p>zação. Chama-se urbanização a ocupação de um território, com</p><p>edifícios, jardins, habitantes permanentes e temporários.</p><p>Para entendermos a necessidade de inventariar, vejamos</p><p>o quadro a seguir especifi cado com as respectivas etapas e sua</p><p>descrição.</p><p>Etapas/descrição</p><p>Escolha e delimitação da zona</p><p>Estudo dos fatores físicos, informações sobre fatores sociológicos,</p><p>demográfi cos, administrativos, economia, infraestrutura, inventário</p><p>dos recursos e da demanda.</p><p>Estudo diagnóstico</p><p>Determinação da vocação, previsão da demanda, estudo da evolu-</p><p>ção das correntes turísticas, estudo socioeconômico dos turistas da</p><p>região, estudo das normas de urbanização.</p><p>Defi nição de objetivos e metas</p><p>Determinação dos setores primários de intervenção, dividindo os</p><p>objetivos em fundamentais e secundários, determinação de prazos,</p><p>determinação do número de alojamentos necessários.</p><p>Escolha das alternativas de intervenção</p><p>Estudos de viabilidade econômico-social, relação custo-benefício,</p><p>análise das repercussões sociais.</p><p>Implementação</p><p>Zoneamento, construção de infraestrutura, equipamentos e serviços</p><p>de apoio turístico, adequação dos recursos turísticos.</p><p>Execução e controle</p><p>Comercialização do novo produto turístico, verifi cação da concor-</p><p>dância entre o planejado e o executado.</p><p>Fonte: http://www.projetur.com.br/artigos/planejamento.pdf</p><p>Conclusão</p><p>O inventário serve para direcionar atitudes, metas e objeti-</p><p>vos ao alcance de novas oportunidades e de acertos em proble-</p><p>mas novos e antigos.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>261</p><p>Constitui a base de orientar a possíveis investidores que de-</p><p>sejem se instalar no local e conhecer as minúcias do que a loca-</p><p>lidade pode oferecer no mercado, além de defi nir estratégias de</p><p>melhoria na qualidade da prestação de serviços. A Inventariação</p><p>compreende levantamento, identifi cação e registro de tudo que é</p><p>potencial, dos serviços e equipamentos turísticos e da infraestru-</p><p>tura de apoio ao turismo como instrumento base de informações</p><p>para fi ns de planejamento e gestão da atividade turística.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>A partir do site www.destinopetropolis.com.br, obtivemos a se-</p><p>guinte questão sobre inventário:</p><p>A realização do Inventário da Oferta Turística, além de es-</p><p>tar prevista na Lei 11.771/08, a Lei Geral do Turismo, é uma</p><p>importante ferramenta de planejamento para os gestores</p><p>públicos e para os empresários por apresentar dados que</p><p>permitem a análise do signifi cado econômico do turismo e</p><p>seu efeito multiplicador no desenvolvimento do município.</p><p>Um bom inventário, além de apresentar o cenário atual</p><p>do turismo, e possibilitar a defi nição de prioridades para</p><p>os recursos disponíveis nas áreas de gestão e promoção,</p><p>permite um diagnóstico das defi ciências, pontos críticos e</p><p>os necessários ajustes entre a oferta e a demanda, iden-</p><p>tifi cando inclusive novas oportunidades de negócios e o</p><p>incentivo ao turismo sustentável.</p><p>A metodologia desenvolvida pela equipe de técnicos e</p><p>consultores do Instituto IDEIAS em parceria com o Minis-</p><p>tério do Turismo, ampliou e qualifi cou o conjunto de infor-</p><p>mações até então pesquisadas, permitindo a aplicação de</p><p>aproximadamente 50 questionários de temas diferencia-</p><p>dos, de acordo com as especifi cidades de cada destino tu-</p><p>rístico. A pesquisa de campo para o inventário, a partir da</p><p>visitas técnicas, realizadas por pesquisadores e estudan-</p><p>262</p><p>Aula 11 • Como fazer um inventário turístico</p><p>tes de turismo, consiste no levantamento, identifi cação e</p><p>registro fotográfi co de atrativos turísticos, de serviços e</p><p>equipamentos e da infraestrutura de apoio ao turismo.</p><p>Após as pesquisas, as informações coletadas foram adicio-</p><p>nadas em um sistema de banco de dados que as disponibi-</p><p>liza em um portal específi co na Internet. Desta forma, tudo</p><p>o que diz respeito à oferta turística da cidade fi ca acessível</p><p>gratuitamente aos empresários e gestores locais.</p><p>O Projeto de Inventário da Oferta Turística vai além ao dis-</p><p>ponibilizar o acesso as informações na Internet, fazendo</p><p>com que o turista tenha a possibilidade de conhecer mais</p><p>detalhes e curiosidades sobre o destino que pretende visi-</p><p>tar, montando seu próprio roteiro de viagem, escolhendo</p><p>o melhor hotel, onde pretende almoçar e que locais vai</p><p>visitar. Os portais de cada</p><p>destino oferecem ainda roteiros</p><p>turísticos temáticos, que sugerem visitações autoguiadas a</p><p>pontos turísticos importantes de cada cidade.</p><p>Fonte: http://www.destinopetropolis.com.br/saiba-mais/</p><p>Considerando o conteúdo da aula, qual a importância de um in-</p><p>ventário turístico e quando devemos aplicá-lo?</p><p>Resposta Comentada</p><p>O inventário turístico, além de ser uma exigência do Ministério do</p><p>Turismo para os municípios, Lei 11.771/08, facilita o acesso a recur-</p><p>sos federais para incentivo ao turismo.</p><p>Com um inventário, podemos construir produtos como roteiro de</p><p>atrativos, guia de gastronomia, calendário de eventos turísticos,</p><p>roteiros específi cos do que cada localidade contém em termos na-</p><p>turais e artifi ciais, mapas ilustrativos do município/estado, roteiros</p><p>de restaurantes por especialidade, além de muitos segmentos do</p><p>mercado turístico.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>263</p><p>Retratando o inventário feito para a cidade de Petrópolis, vemos que</p><p>o inventário traz consigo a importância de diagnosticar problemas</p><p>para o sucesso dos negócios, através da utilização de portais pelos</p><p>turistas, que podem planejar e traçar sua viagem, e das políticas pú-</p><p>blicas, que impulsionarão o desenvolvimento consciente do muni-</p><p>cípio.</p><p>Ao trazermos o conhecimento de tudo que está inserido numa locali-</p><p>dade, temos informações que serão valiosas, para traçarmos futuros</p><p>planejamentos turísticos.</p><p>Resumo</p><p>Inventariar signifi ca registrar, relacionar, contar e co-</p><p>nhecer aquilo de que se dispõe e, a partir disso, ge-</p><p>rar informações para pensar de que maneira se pode</p><p>atingir determinada meta (BRASIL, 2004, p. 11).</p><p>Partindo deste princípio, traçamos as metas para registro de to-</p><p>das as informações acerca do turismo de uma localidade, a fi m de</p><p>garantirmos que, a partir delas, possamos desenvolver planos e</p><p>planejamentos de turismo cooperativo e organizado.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, veremos a estrutura de trabalhos acadê-</p><p>micos em turismo.</p><p>12 Estrutura de trabalhos</p><p>acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Apresentar metodologicamente a forma escrita de</p><p>um trabalho acadêmico.</p><p>Objetivo</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 aplicar o modelo de confecção de trabalhos aca-</p><p>dêmicos.</p><p>266</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>Introdução</p><p>Você já pensou no que vai apresentar no seu trabalho</p><p>de conclusão de curso? Sabe como vai apresentá-lo? E como</p><p>se estrutura um trabalho acadêmico? Esta aula serve para nor-</p><p>tear os trabalhos de conclusão de curso, trabalhos de graduação</p><p>interdisciplinares, projetos de pesquisa e demais trabalhos aca-</p><p>dêmicos. Trata-se de um guia prático, baseado nas normas da</p><p>Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), encarregada</p><p>da normatização de trabalhos escritos, bem como de suas atuali-</p><p>zações, em âmbito nacional, conforme os padrões estabelecidos</p><p>pela International Standard Organization (ISO). Visa suprir as ne-</p><p>cessidades práticas na elaboração de trabalhos, ao apresentar a</p><p>sequência, os exemplos e os modelos para diferentes situações</p><p>inerentes à confecção de um projeto de pesquisa, monografi a ou</p><p>dissertação, incluindo outros tópicos de interesse nas ciências</p><p>sociais para a execução de tais trabalhos.</p><p>Estrutura de apresentação do trabalho cientí-</p><p>fi co</p><p>Todos os trabalhos acadêmicos seguem um padrão de or-</p><p>ganização, com uma estrutura a ser seguida. Na próxima aula,</p><p>descreveremos com exemplos cada um dos tópicos, mas nesse</p><p>primeiro momento veremos qual a ordem a seguir na construção</p><p>do trabalho.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>267</p><p>Estrutura Elemento</p><p>Pré-textuais capa (*)</p><p>folha de rosto</p><p>folha de aprovação</p><p>dedicatória (*)</p><p>agradecimentos (*)</p><p>epígrafe (*)</p><p>resumo em língua portuguesa</p><p>resumo em língua estrangeira</p><p>lista de ilustrações (*)</p><p>lista de tabelas (*)</p><p>lista de abreviações e siglas (*)</p><p>sumário</p><p>Textuais introdução</p><p>desenvolvimento</p><p>conclusão</p><p>Pós-textuais referências</p><p>glossário (*)</p><p>anexos ou apêndices (*)</p><p>(*) Elementos inseridos de acordo com as necessidades de cada trabalho.</p><p>Temos então, como construção, os elementos pré-textuais</p><p>que condensam informações sobre as primeiras confi gurações a</p><p>serem apresentadas, ou seja, a apresentação do trabalho, como</p><p>nome, data, local, agradecimentos, epígrafe, sumário, resumo e</p><p>listas de imagens, tabelas, entre outros.</p><p>Os elementos textuais representam o corpo do trabalho,</p><p>contendo introdução, desenvolvimento dos capítulos e consi-</p><p>derações fi nais. E os elementos pós-textuais são representados</p><p>pela bibliografi a usada no trabalho, anexos quando necessário e</p><p>glossário, se for o caso.</p><p>Todos os trabalhos acadêmicos possuem essa construção</p><p>física. Veremos a seguir quais são as etapas para a elaboração</p><p>dos itens da pesquisa em si.</p><p>Epígrafe</p><p>É uma frase curta,</p><p>colocada no início de</p><p>uma obra, que resume</p><p>o pensamento do autor</p><p>e serve como inscrição</p><p>solene para iniciar</p><p>um livro.</p><p>Glossário</p><p>Reúne os signifi cados</p><p>dos mais variados termos</p><p>usados no texto. É quase</p><p>um verbete, que, no</p><p>entanto, vem no fi m</p><p>do livro.</p><p>268</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>Como elaborar projetos de pesquisa?</p><p>Um projeto de pesquisa é o plano de trabalho a ser aplica-</p><p>do na investigação. Ele visa traçar os caminhos que o pesquisa-</p><p>dor deverá seguir, otimizando o tempo, os custos e os materiais</p><p>necessários para cada etapa.</p><p>Assim, quando for elaborar um projeto de pesquisa, será</p><p>necessário, antes de qualquer coisa, efetivar um planejamento,</p><p>detalhando cada etapa e discriminando como todas serão feitas.</p><p>Na formatação do seu projeto de pesquisa, devem ser uti-</p><p>lizadas as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas,</p><p>apresentando o mesmo com capa, folha de rosto e sumário, obe-</p><p>decendo aos mesmos modelos para Trabalhos de Conclusão de</p><p>Curso — TCC.</p><p>Trabalhos de Conclusão de Curso são aqueles feitos no fi nal de cur-</p><p>sos de graduação e pós-graduação lato sensu, nos quais se deve ter</p><p>um objeto/temática a ser desenvolvido por um grupo de estudantes</p><p>que irão se formar em seus cursos de bacharelado, licenciatura ou</p><p>fi nalizar a especialização lato sensu.</p><p>Independentemente de o trabalho ser monografi a, TCC,</p><p>dissertação, tese ou projetos acadêmicos ou ainda mercadológi-</p><p>cos, pode-se dizer que todo projeto de pesquisa deve conter as</p><p>seguintes etapas:</p><p>1. tema;</p><p>2. justifi cativa;</p><p>3. problema;</p><p>4. hipótese;</p><p>5. objetivos;</p><p>6. marco teórico;</p><p>7. procedimentos metodológicos;</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>269</p><p>8. cronograma;</p><p>9. bibliografi a.</p><p>A partir dessas etapas elencadas, vejamos quais os atribu-</p><p>tos de cada uma:</p><p>• Tema: é o ponto de partida da pesquisa e envolve a seleção do</p><p>fato, fenômeno ou assunto a ser investigado. Durante a esco-</p><p>lha do tema, deve-se atentar para algumas questões bastante</p><p>relevantes:</p><p>• O assunto escolhido é de interesse científi co?</p><p>• Há a possibilidade de ser investigado?</p><p>• Há material bibliográfi co disponível sobre o assunto es-</p><p>colhido?</p><p>• O(s) pesquisador(es) tem(têm) familiaridade com o tema?</p><p>• Há tempo disponível para a execução da pesquisa?</p><p>• Há recursos fi nanceiros para realizar a investigação?</p><p>A delimitação do tema faz-se necessária para associar o</p><p>tema ao fenômeno, fato ou ideia tornando-o mais específi co, ou</p><p>seja, fazer um recorte que seja possível de investigação para não</p><p>ampliar demasiadamente a temática. Desta especifi cidade surgi-</p><p>rá o título da pesquisa. Exemplos:</p><p>Tema: Marketing turístico</p><p>Título: Plano de marketing turístico para o município de Se-</p><p>ropédica, RJ.</p><p>Após a delimitação do tema, tornar a ponderar sobre as</p><p>especifi cidades do mesmo, preocupando-se com sua relevância</p><p>nas mais variadas esferas:</p><p>• Qual a contribuição social e científi ca?</p><p>• Viabilidade de materiais e recursos humanos.</p><p>• Há disponibilidade tempo para cumprir a pesquisa dentro</p><p>do prazo?</p><p>• Originalidade do tema.</p><p>A escolha do tema, bem como a sua delimitação, pode ser</p><p>feita a partir de uma revisão da literatura, que é pesquisar o que</p><p>já foi estudado e publicado sobre o assunto em questão. Porém,</p><p>uma vez escolhido o tema ou o título do trabalho, a revisão bi-</p><p>270</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>bliográfi ca e a visita à área de estudo tornam-se imprescindíveis</p><p>para o desenvolvimento das etapas seguintes, considerando que</p><p>cada explanação deverá ser mediada por autores que já têm al-</p><p>guma consolidação na área da pesquisa/temática.</p><p>• Justifi cativa: compreende a apresentação das razões pelas</p><p>quais se pretende realizar a pesquisa, e deve ser apresenta-</p><p>da de forma ampla, seguindo critérios de prioridades sobre a</p><p>abrangência e relevância da sua temática. Deve:</p><p>• relatar o estágio de desenvolvimento em que o tema se</p><p>encontra na esfera científi ca, ou seja, a sua evolução his-</p><p>tórica;</p><p>• explicar o contexto em que o fenômeno ocorre;</p><p>• destacar as contribuições sociais e científi cas que os re-</p><p>sultados da pesquisa poderão trazer;</p><p>• responder sobre a importância do estudo e a sua necessi-</p><p>dade para a sociedade.</p><p>• Problema: para a sua elaboração, o pesquisador necessita co-</p><p>nhecer a teoria sobre o assunto escolhido e a sua realidade, ou</p><p>seja, buscar o conhecimento na literatura e abordar pessoas</p><p>que tenham envolvimento com a área. A identifi cação de um</p><p>problema é a etapa mais importante da pesquisa.</p><p>Toda pesquisa inicia-se com a formulação de um problema</p><p>que se pretende solucionar. Trata-se de uma questão não resol-</p><p>vida que surge de uma lacuna do conhecimento, de uma dúvida</p><p>em relação a uma afi rmação aceita pelo senso comum; da von-</p><p>tade de testar uma suposição ou da vontade de investigar uma</p><p>situação do cotidiano.</p><p>O problema deve:</p><p>• ser formulado como uma pergunta clara e precisa;</p><p>• representar o objeto da pesquisa (o que será estudado);</p><p>• especifi car e reduzir o assunto da pesquisa, de modo a</p><p>permitir a sua investigação;</p><p>• ser observável e mensurável;</p><p>• ser passível de solução.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>271</p><p>• Hipótese: é a ideia central que a pesquisa pretende demons-</p><p>trar, ou seja, é a formulação da solução de um determinado</p><p>problema. Deve ser formulada em uma sentença afi rmativa,</p><p>como uma verdade provisória que será testada e, ao fi nal da</p><p>pesquisa, será rejeitada ou aceita.</p><p>Em turismo, as pesquisas que envolvem levantamento de dados,</p><p>como diagnóstico e inventário turístico de uma determinada loca-</p><p>lidade, não necessitam hipótese, pois têm como objetivo apenas o</p><p>conhecimento do local (DENCKER, 2003).</p><p>O inventário turístico serve como documento para que o atrativo, a</p><p>localidade ou região sejam criteriosamente organizadas, a fi m de se</p><p>ter os dados de quantos elementos existem acerca da esfera turísti-</p><p>ca, numerando-os e quantifi cando-os.</p><p>O diagnóstico tem a fi nalidade de relacionar informações que foram</p><p>inventariadas através de critérios de avaliação e análise, e poste-</p><p>riormente elaborado um prognóstico do problema, ou seja, como</p><p>devem ser feitos os direcionamentos para a melhoria e ampliação</p><p>dos recursos.</p><p>• Objetivos: divididos em objetivo geral e objetivos específi cos,</p><p>devem ser redigidos a partir da defi nição do problema, ou</p><p>seja, estabelecem o que o pesquisador pretende com a sua</p><p>investigação, em função do assunto escolhido.</p><p>Precisamente, deverão ser redigidos de modo claro, direto,</p><p>e sempre iniciados com verbos no infi nitivo.</p><p>272</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>Objetivo geral: o objetivo geral deve ser formulado em</p><p>uma única frase, iniciado por um verbo no infi nitivo que deter-</p><p>mine uma ampla interpretação. Exemplos: adquirir, desenvolver,</p><p>compreender, conhecer, melhorar.</p><p>Objetivos específi cos: os objetivos específi cos são os des-</p><p>dobramentos do objetivo geral, organizados em uma sequência</p><p>lógica, de modo a favorecer o desenvolvimento da pesquisa.</p><p>Cada objetivo específi co deve ser formulado em uma frase, inicia-</p><p>do por um verbo no infi nitivo que determine uma interpretação</p><p>mais restrita, ou seja, que limite a sua interpretação. Exemplos:</p><p>aplicar, distinguir, enumerar, identifi car, investigar, classifi car,</p><p>descrever, comparar, conceituar, contrastar, relacionar. Exemplo:</p><p>OBJETIVO GERAL</p><p>Desenvolver um plano de marketing para o município de</p><p>Seropédica, visando ao turismo sustentável.</p><p>OBJETIVOS ESPECÍFICOS</p><p>• Aplicar a análise de SWOT para a identifi cação do potencial</p><p>turístico do município.</p><p>• Relacionar as atratividades turísticas, os meios de hospeda-</p><p>gem e outros serviços do segmento turístico para a elaboração</p><p>do plano de marketing.</p><p>• Identifi car o público-alvo e a segmentação de mercado por</p><p>atratividade.</p><p>• Elaborar o plano de marketing turístico para o município, vi-</p><p>sando à sustentabilidade.</p><p>Na aula anterior, vimos que análise de SWOT signifi ca: S de Streng-</p><p>ths — os pontos fortes; W de Weaknesses — os pontos fracos; O de</p><p>Opportunities — as oportunidades; T de Threats — os riscos.</p><p>Cada um destes pontos deve ser analisado e ponderado, mediante</p><p>o problema, tema e objeto de pesquisa.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>273</p><p>• Marco teórico: envolve a situação atual do conhecimento so-</p><p>bre o assunto que será pesquisado, através de uma revisão</p><p>da literatura disponível; portanto, envolve citações dos autores</p><p>consultados que fundamentam a pesquisa.</p><p>Nesta etapa, o pesquisador sai do conhecimento empírico</p><p>para encontrar os pressupostos teóricos que sustentam as ideias.</p><p>Deve ser construído um texto refl exivo (envolvendo conceitos e</p><p>explicações clássicas), crítico (indicando as lacunas e falhas me-</p><p>todológicas dos estudos anteriores), enredando de forma coe-</p><p>rente e consistente os fundamentos teóricos consultados.</p><p>• Procedimentos metodológicos: são escolhidos pelo pesquisa-</p><p>dor, de acordo com a natureza do problema e o tipo de pesqui-</p><p>sa que será desenvolvida.</p><p>Devem explicitar o método que será utilizado (na pesquisa</p><p>em turismo, geralmente utilizam-se os métodos hipotético-dedu-</p><p>tivo e dialético).</p><p>Método hipotético-dedutivo: busca por meio de tentativas e elimi-</p><p>nação de erros, que não leva à certeza, pois o conhecimento abso-</p><p>lutamente certo e demonstrável não é alcançado, mas possui suas</p><p>bases mediadas por hipóteses. Em turismo, o método hipotético-</p><p>dedutivo pode ser usado para comprovar hipóteses sobre relações</p><p>causa-efeito. Por exemplo: analisar as causas do uso de espaços</p><p>geográfi cos e os efeitos desse tipo de uso no solo, no ambiente, no</p><p>entorno, na paisagem, entre outros.</p><p>Método dialético: formado pelo diálogo entre a contraposição e a</p><p>contradição de ideias que leva a outras ideias. Em turismo, pode ser</p><p>usado para avaliar as contradições entre visitantes e visitados no</p><p>que tange à ocupação de espaços pelo turismo.</p><p>274</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>• defi nir o tipo de pesquisa que será utilizado ou suas com-</p><p>binações (em turismo podem ser combinadas pesquisas</p><p>quantitativas com qualitativas);</p><p>• descrever as técnicas ou instrumentos de operacionaliza-</p><p>ção mais adequados à pesquisa (questionário, formulário,</p><p>entrevista, com os detalhamentos dos tipos de perguntas</p><p>— abertas, fechadas etc.);</p><p>• determinar o tipo e o número da amostra e o local onde</p><p>será aplicado o instrumento;</p><p>• esclarecer a tabulação dos dados (na forma de quadros,</p><p>tabelas, gráfi cos, com ou sem tratamento estatístico etc.).</p><p>Para projetos com os dois tipos de pesquisa combinados, ou seja,</p><p>qualitativa e quantitativa, o método será designado pelo tipo de pes-</p><p>quisa predominante, ou seja, se predominar a quantitativa, será o</p><p>hipotético-dedutivo, e se predominar a qualitativa, será o dialético.</p><p>• Tipos de pesquisa: alguns tipos de pesquisa, utilizados no âm-</p><p>bito do turismo:</p><p>• Teórica ou bibliográfi ca — é desenvolvida a partir de fontes</p><p>literárias, quando o pesquisador acredita que estas fontes</p><p>são</p><p>sufi cientes para responder o problema formulado. A</p><p>pesquisa bibliográfi ca não exclui a possibilidade de se en-</p><p>trevistar especialistas sobre o assunto a ser pesquisado.</p><p>• Pesquisa de campo quantitativa — envolve a decisão do</p><p>pesquisador sobre a defi nição da amostragem, da coleta de</p><p>dados e da análise dos dados coletados. Por tratar de parâ-</p><p>metros mensuráveis, permite a utilização da estatística.</p><p>• Amostragem — quando não é possível realizar uma pes-</p><p>quisa com todo o conjunto de pessoas envolvidas no pro-</p><p>blema, o pesquisador defi ne um número representativo</p><p>destas pessoas para entrevistar.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>275</p><p>• Pesquisa de campo qualitativa — está relacionada com o</p><p>estudo de problemas que não podem ser quantifi cados,</p><p>como as ações e relações humanas. Os dados são cole-</p><p>tados a partir de entrevistas, questionários, formulários,</p><p>depoimentos, censo, anuários, portarias, leis, pesquisas</p><p>ofi ciais etc. Envolve a decisão do pesquisador sobre a or-</p><p>ganização dos dados coletados na pesquisa para a cons-</p><p>trução de um quadro teórico geral; exige experiência do</p><p>pesquisador no assunto.</p><p>• Estudo de caso — é um tipo de pesquisa de campo quali-</p><p>tativa, em que o pesquisador estuda em profundidade um</p><p>objeto restrito; envolve o levantamento bibliográfi co e o</p><p>uso de entrevistas com pessoas que já tiveram experiên-</p><p>cia com o objeto a ser investigado.</p><p>• Pesquisa descritiva — é uma pesquisa qualitativa de le-</p><p>vantamento; utiliza coleta de dados a partir de entre-</p><p>vistas, questionários ou formulários para descrever as</p><p>características de uma população, de um fenômeno ou</p><p>estabelecer relações entre fenômenos.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. Complete as colunas da direita de acordo com a pesquisa mais</p><p>adequada encontrada na coluna da esquerda.</p><p>( 1 ) Pesquisa bibliográfi ca ( ) Levantamento descritivo</p><p>( 2 ) Pesquisa qualitativa ( ) Construída por fontes refe-</p><p>renciais teóricas</p><p>( 3 ) Pesquisa por amostragem ( ) Defi nida por um número</p><p>representativo dentro de uma</p><p>população.</p><p>( 4 ) Estudo de caso ( ) Explora dados estatísticos.</p><p>( 5 ) Pesquisa quantitativa ( ) Estudo minucioso de uma</p><p>temática.</p><p>276</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>Resposta Comentada</p><p>2, 1, 3, 5, 4.</p><p>A pesquisa bibliográfi ca é uma construção de fontes de referência</p><p>sobre a temática a ser abordada. A pesquisa qualitativa visa à des-</p><p>crição densa e minuciosa do fato/objeto; a amostragem é a escolha</p><p>de elementos dentro de uma população, a fi m de analisar aspectos</p><p>similares e comuns entre eles. O estudo de caso visa à promoção de</p><p>analise exaustiva de um objeto ou tema específi co. E, fi nalmente a</p><p>pesquisa quantitativa avalia os dados pela quantidade na amostra,</p><p>buscando elementos comuns dentro do universo estatístico.</p><p>• Amostragem: as pesquisas de campo devem se utilizar de</p><p>todo o universo de estudo; no entanto, faz-se necessária uma</p><p>amostra, que colherá elementos para interpretação e apresen-</p><p>tação estatística.</p><p>O tamanho da amostra deverá ser adequado, para que os</p><p>dados sejam estatisticamente signifi cativos.</p><p>A dimensão da amostra, mediada por diversos cálculos,</p><p>é elaborada por gráfi cos estatísticos, exemplifi cando cada caso</p><p>particularmente. No entanto, é possível fazer uma estimativa do</p><p>número de elementos da amostra, conforme mostra o coefi cien-</p><p>te de confi ança, com diferentes margens de erro.</p><p>Fica a critério do orientador a escolha da amostra a ser uti-</p><p>lizada, em função do número de integrantes do grupo de TCC e</p><p>do grau de difi culdade de realização da pesquisa.</p><p>• Cronograma: trata-se da elaboração de um quadro que engloba</p><p>todas as etapas da pesquisa. Neste quadro, relacionam-se todas</p><p>as atividades a serem cumpridas com o tempo de execução das</p><p>mesmas.</p><p>O cronograma deve:</p><p>• detalhar os meses em que as atividades ocorrerão;</p><p>• estimar o tempo necessário para a realização de cada</p><p>uma das atividades propostas;</p><p>• contemplar (dependendo da pesquisa): planejamento da</p><p>pesquisa, estudos exploratórios (revisão da literatura, vi-</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>277</p><p>sitas técnicas), elaboração do instrumento de coleta de</p><p>dados, realização de pré-teste do instrumento, seleção</p><p>da amostra, aplicação do instrumento em campo, análise</p><p>dos dados, elaboração dos resultados da pesquisa, con-</p><p>clusões, revisão geral, apresentação pública.</p><p>Dependendo da necessidade, o cronograma pode conter a elabora-</p><p>ção e entrega de relatórios sobre o andamento da pesquisa, interca-</p><p>lados nas etapas descritas.</p><p>Exemplo:</p><p>Atividades Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez</p><p>Levantamento</p><p>da literatura</p><p>X X</p><p>Visita técnica X</p><p>Elaboração do</p><p>projeto</p><p>X X</p><p>Elaboração do</p><p>instrumental de</p><p>pesquisa</p><p>X</p><p>Redação da</p><p>introdução mais</p><p>dois capítulos</p><p>X X</p><p>Aplicação da</p><p>pesquisa de</p><p>campo</p><p>X X</p><p>Tabulação dos</p><p>dados</p><p>X X</p><p>Elaboração dos</p><p>resultados</p><p>X X</p><p>Redação da</p><p>discussão</p><p>X X</p><p>Redação das</p><p>conclusões</p><p>X X</p><p>Revisão geral,</p><p>formatação e</p><p>encadernação</p><p>X X</p><p>Defesa do TCC X</p><p>278</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>As atividades do cronograma devem ser moldadas confor-</p><p>me o tipo de pesquisa que será executado, porém, sempre em</p><p>sequência lógica de execução e, principalmente, deve ser rigoro-</p><p>samente cumprido.</p><p>• Bibliografi a: corresponde à lista de títulos, sejam livros, arti-</p><p>gos, documentos ou demais publicações utilizadas nas dife-</p><p>rentes fases da elaboração do projeto de pesquisa. Escolha</p><p>fontes seguras, confi áveis, principalmente quando se tratar</p><p>daquelas obtidas em meio eletrônico.</p><p>Deve ser relacionada em ordem alfabética, no fi nal do</p><p>trabalho, respeitando-se as normas da Associação Brasileira de</p><p>Normas Técnicas.</p><p>Para compreender a importância da metodologia científi ca, veja</p><p>este artigo de uma revista de turismo:</p><p>http://www.unisantos.br/pos/revistapatrimonio/artigos.php?cod=14</p><p>Você terá uma base ou exemplo da necessidade da metodologia</p><p>para cursos de graduação e pós-graduação. Na graduação, fazemos</p><p>trabalhos mais recortados e vamos aumentando cada escala de</p><p>grau pelas quais passamos na vida acadêmica.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>2. As afi rmações a seguir fazem referência às etapas de planeja-</p><p>mento e execução de uma pesquisa científi ca. Marque a alterna-</p><p>tiva INCORRETA, considerando as etapas da aula:</p><p>a) Na escolha do tema, é necessário levar em consideração sua</p><p>relevância, bem como o conhecimento e a aptidão pessoal do</p><p>pesquisador.</p><p>b) A revisão de literatura favorece a defi nição de contornos mais</p><p>precisos do problema a ser estudado, além de evitar a duplica-</p><p>ção e as redundâncias de pesquisas sobre o mesmo enfoque do</p><p>tema.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>279</p><p>c) A justifi cativa é a parte do trabalho científi co na qual o pesqui-</p><p>sador deverá utilizar argumentos para convencer o leitor sobre a</p><p>importância e relevância da pesquisa proposta.</p><p>d) Os objetivos são formas de sintetizar o que se pretende alcan-</p><p>çar com a pesquisa proposta.</p><p>e) A metodologia é informativa no que se refere aos resultados</p><p>que se pretende alcançar ou, ainda, informa sobre a contribuição</p><p>da pesquisa.</p><p>Resposta Comentada</p><p>Resposta(e), porque a metodologia não é informação e sim a forma</p><p>como será defi nida, organizada e apresentada a investigação.</p><p>As demais respostas estão corretas porque:</p><p>Na escolha do tema é necessário levar em consideração sua relevân-</p><p>cia, bem como o conhecimento e a aptidão pessoal do pesquisador;</p><p>essa questão foi bastante referenciada nas nossas aulas.</p><p>A revisão de literatura favorece a defi nição de contornos mais pre-</p><p>cisos do problema a ser estudado, além de evitar a duplicação e as</p><p>redundâncias de pesquisas sobre o mesmo enfoque do tema, o que</p><p>auxilia na formação de novos olhares sobre temas ainda inéditos.</p><p>Na justifi cativa, a utilização de argumentos para convencer o leitor</p><p>sobre a importância e relevância da pesquisa proposta é imprescin-</p><p>dível para conquistar o leitor.</p><p>E, fi nalmente,</p><p>ele deveriam desco-</p><p>brir as coisas, superando os problemas impostos pela vida. A educa-</p><p>ção deveria funcionar como forma de desenvolver o homem moral,</p><p>tendo como princípio básico alcançar por meio de seus esforços,</p><p>o desenvolvimento intelectual e físico, e ter na base educacional</p><p>o aprendizado de Retórica, Debates, Educação musical, Geometria,</p><p>Astronomia e Educação militar.</p><p>Frases de Platão:</p><p>“O belo é o esplendor da verdade”.</p><p>“O que mais vale não é viver, mas viver bem”.</p><p>“Vencer a si próprio é a maior de todas as vitórias”.</p><p>“O amor é uma perigosa doença mental”.</p><p>“Praticar injustiças é pior que sofrê-las”.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 3</p><p>3. Como vimos até o momento, o senso comum é a compreen-</p><p>são das coisas por meio do saber social, ou seja, por meio das</p><p>experiências vividas no cotidiano, como: costumes, hábitos, tradi-</p><p>34</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>ções, normas éticas e todo o processo do viver. Já o conhecimento</p><p>científi co é quantitativo, pois busca medidas, padrões, critérios de</p><p>comparação e de avaliação para coisas que parecem ser diferentes.</p><p>Sendo assim, descreva como foi construída a ideia do conheci-</p><p>mento a partir das colocações a seguir de Evans-Pritchard, um</p><p>antropólogo que estudou profundamente a crença de um grupo</p><p>africano na feitiçaria, e analise a questão do senso comum para</p><p>explicar a ideia do infortúnio neste contraponto.</p><p>A princípio, achei estranho viver entre os Azande e ouvir</p><p>suas ingênuas explicações de infortúnios que, para nós, têm</p><p>causas evidentes. Depois de certo tempo, aprendi a lógica</p><p>do seu pensamento e passei a aplicar noções de feitiçaria de</p><p>forma tão espontânea quanto eles mesmos, nas situações</p><p>em que o conceito era relevante. Um menino bateu o pé</p><p>num pequeno toco de madeira que estava no seu caminho</p><p>– coisa que acontece frequentemente na África – e a ferida</p><p>doía e incomodava. O corte era no dedão e era impossível</p><p>mantê-lo limpo. Infl amou. Ele afi rmou que bateu o dedo</p><p>no toco por causa da feitiçaria. Como era meu hábito argu-</p><p>mentar com os Azande e criticar suas declarações, foi o que</p><p>fi z. Disse ao garoto que ele batera o pé no toco de madeira</p><p>porque ele havia sido descuidado e que o toco não havia</p><p>sido colocado no caminho por feitiçaria, pois ele ali cres-</p><p>cera naturalmente. Ele concordou que a feitiçaria não era</p><p>responsável pelo fato de o toco estar no seu caminho, mas</p><p>acrescentou que ele tinha os seus olhos bem abertos para</p><p>evitar tocos – como, na verdade, os Azande fazem cuidado-</p><p>samente – e que, se ele não tivesse sido enfeitiçado, ele teria</p><p>visto o toco. Como argumento fi nal para comprovar o seu</p><p>ponto de vista, ele acrescentou que cortes não demoram</p><p>dias e dias para cicatrizar, mas que, ao contrário, cicatrizam</p><p>rapidamente, pois esta é a natureza dos cortes. Por que, en-</p><p>tão, sua ferida havia infl amado e permanecido aberta, se</p><p>não houvesse feitiçaria atrás dela? (EVANS-PRITCHARD,</p><p>1976, p. 64-67 apud ALVES, 1981, p. 17).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>35</p><p>Resposta Comentada</p><p>O senso comum parte de analogias que muitas vezes nada têm de</p><p>lógico, sendo suas conclusões ou deduções a tradução de um con-</p><p>junto incompleto de atos de conhecimento, não aspirando ao conhe-</p><p>cimento universalmente válido nem atingindo a realidade profunda</p><p>das coisas. O conhecimento científi co parte em contrapartida, busca</p><p>o procedimento compreensivo por meio do qual o pensamento cap-</p><p>tura representativamente um objeto qualquer, utilizando recursos</p><p>investigativos dessemelhantes – intuição, contemplação, classifi ca-</p><p>ção, mensuração, analogias, experimentação, observação empírica,</p><p>entre outros, para conseguir obter resultados de forma ordenada e</p><p>comprovadamente aceita dentro de uma lógica de cada área.</p><p>O texto sobre o ritual menciona a forma com que o senso comum</p><p>vê, sente e experiencia os fatos, distintamente de como o conheci-</p><p>mento científi co faria com os dados da situação em si. O fato real de</p><p>pisar num objeto perfurocortante não signifi ca para a Ciência que de</p><p>forma direcionada e simplista a ferida não teria fechado por conta</p><p>da feitiçaria, mas teria de obter por meio de pesquisas, observação</p><p>e comprovação de dados os fatos mencionados.</p><p>Para compreender melhor a análise do conhecimento no turismo,</p><p>leia o texto indicado:</p><p>http://www.pasosonline.org/Publicados/6108/PS0108_9.pdf</p><p>36</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>Conclusão</p><p>Como você pôde notar, a fi nalidade de nossa primeira aula</p><p>foi criar vínculos por meio das ideias da Filosofi a do que vem a</p><p>ser Ciência e como ela se constrói no percurso do tempo. O turis-</p><p>mo, sendo uma atividade ainda em construção na área do saber,</p><p>precisa de novos olhares e novas formas de compreensão para</p><p>se tornar uma Ciência. A partir disso, você como um novo profi s-</p><p>sional dessa área pode pensar na construção de suas primeiras</p><p>indagações a respeito da atividade turística, como uma Ciência,</p><p>uma nova forma do saber.</p><p>Na nossa vida quotidiana, necessitamos de um vasto con-</p><p>junto de conhecimentos, relacionados com a realidade em que</p><p>vivemos e seu funcionamento, assim, temos de saber como tra-</p><p>tar as pessoas com as quais nos relacionamos, como nos com-</p><p>portarmos frente às adversidades e demais circunstâncias do</p><p>nosso dia a dia e quaisquer outras situações.</p><p>Estamos inseridos em complexos contextos que mudam</p><p>cotidianamente no que se refere à informação de qualquer rea-</p><p>lidade, como: manejo de sistemas bancários, transporte, apare-</p><p>lhos eletrônicos com os quais temos de saber lidar e aprender</p><p>constantemente. Estes conhecimentos, no seu conjunto, formam</p><p>um tipo de saber a que chamamos de senso comum.</p><p>O conhecimento científi co transformou-se numa prática</p><p>constante, procurando tratar as informações por meio de mé-</p><p>todos rigorosos, para produzir um conhecimento sistemático,</p><p>preciso e objetivo que garanta prever o acontecimento e agir de</p><p>forma contundente. Dessa maneira, o que diferencia o senso co-</p><p>mum do conhecimento científi co é o rigor na fi delidade das infor-</p><p>mações e no uso de métodos para sua comprovação.</p><p>Enquanto o senso comum é acrítico, fragmentado, preso a</p><p>preconceitos e a tradições conservadoras, a Ciência preocupa-se</p><p>com as pesquisas sistemáticas que produzam teorias que reve-</p><p>lem a verdade sobre a realidade, uma vez que a Ciência produz o</p><p>conhecimento, a partir da razão. Por isso, surge a importância do</p><p>conhecimento científi co.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>37</p><p>Se formos capazes de gerar novos conhecimentos, a partir</p><p>de indagações próprias, seremos capazes de mudar o curso da</p><p>história nessa área, na qual estamos inseridos e na qual também</p><p>somos sujeitos na sua construção e reconstrução.</p><p>Veja no texto indicado quais foram os recursos metodológicos uti-</p><p>lizados e tente descobrir o que faz parte do senso comum e o que</p><p>pode ser considerado científi co.</p><p>http://www.eca.usp.br/turismocultural/05.Açores_Elis.pdf</p><p>Atividade Final</p><p>Atende aos Objetivos 1, 2 e 3</p><p>Faça uma relação da coluna direita com a esquerda, inserindo os</p><p>aspectos ligados a cada item.</p><p>(a) Ciência ( ) adquirido por meio de tradi-</p><p>ção oral, gerações e não precisa de</p><p>comprovação científi ca.</p><p>(b) Senso comum ( ) transforma a história da huma-</p><p>nidade nas suas mais variadas con-</p><p>cepções.</p><p>(c) Lógica ( ) pode ser defi nida como um</p><p>sistema de conhecimento objetivo</p><p>com base no método científi co.</p><p>(d) Conhecimento ( ) estudo dos métodos e princí-</p><p>pios usados para a distinção do ra-</p><p>ciocínio correto do incorreto.</p><p>38</p><p>Aula 1 • Como o homem começou a construir o conhecimento?</p><p>Resposta Comentada</p><p>(a) Ciência (b) adquirido por meio de</p><p>tradição oral, gerações e</p><p>não precisa de comprovação</p><p>científi ca.</p><p>(b) Senso comum (d) transforma a história da</p><p>humanidade nas suas mais</p><p>variadas concepções.</p><p>(c) Lógica (a) pode ser defi nida como</p><p>um sistema de conhecimen-</p><p>to objetivo com base no mé-</p><p>todo científi co.</p><p>(d) Conhecimento (c) estudo</p><p>os objetivos são formas de sintetizar o que se preten-</p><p>de alcançar com a pesquisa proposta.</p><p>Conclusão</p><p>Os trabalhos acadêmicos devem seguir padrões defi nidos</p><p>tanto pelas normas da ABNT quanto pelas normas da escola, fa-</p><p>culdade, universidade e curso. No entanto, os padrões organiza-</p><p>dos nesta aula são referentes à maioria das normas seguidas por</p><p>todos os trabalhos elaborados na área acadêmica. A sequência</p><p>de atos e descrições, incluindo medidas e formas de apresenta-</p><p>ção, seguem, via de regra, essa padronização, que serve para dar</p><p>um ordenamento aos trabalhos produzidos no país de forma a</p><p>estabelecer regras e formas de organização.</p><p>280</p><p>Aula 12 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte I)</p><p>A fi m de nortear os trabalhos de conclusão de curso, tra-</p><p>balhos de graduação interdisciplinares, projetos de pesquisa e</p><p>demais trabalhos acadêmicos, este guia prático foi baseado nas</p><p>normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), en-</p><p>carregada da normatização de trabalhos escritos, bem como de</p><p>suas atualizações em âmbito nacional. Fica o modelo a ser segui-</p><p>do em todos os seus trabalhos de pesquisa acadêmica, precisan-</p><p>do atentar apenas para as normas da ABNT do ano em questão.</p><p>Atividade Final</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>Desenvolva um projeto de pesquisa em turismo aplicando o mo-</p><p>delo de confecção de trabalhos acadêmicos da aula.</p><p>Fonte: http://www.assis.unesp.br/PIIC/metcien.htm</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>281</p><p>Resposta Comentada</p><p>Um trabalho acadêmico deve conter:</p><p>Após desenvolver o trabalho contendo essas informações, você de-</p><p>verá seguir as normas da ABNT do ano em processo.</p><p>Resumo</p><p>Para estruturar trabalhos acadêmicos, usamos uma estrutura espe-</p><p>cífi ca e organizada a partir de uma sequência lógica de atos. Nesta</p><p>aula, apresentamos metodologicamente a forma como deve ser ela-</p><p>borado um trabalho acadêmico, construindo passo a passo a temá-</p><p>tica, os objetivos, a justifi cativa, o desenvolvimento e a conclusão</p><p>do trabalho, ilustramos cada etapa e, dessa forma, exemplifi camos</p><p>a aplicabilidade de modelos da área metodológica.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, continuaremos a exemplifi car a aplicabi-</p><p>lidade gráfi ca de trabalhos científi cos, a fi m de exemplifi car o uso</p><p>dos métodos e da editoração da pesquisa.</p><p>13 Estrutura de trabalhos</p><p>acadêmicos em Turismo (parte II)</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Organizar grafi camente os trabalhos acadêmicos de</p><p>qualquer tipo.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 defi nir aspectos ligados ao seu trabalho de con-</p><p>clusão de curso: como fazer resumo, introdução</p><p>e demais elementos textuais;</p><p>2 facilitar a elaboração de temáticas de estudo;</p><p>3 aplicar o modelo de confecção de trabalhos acadê-</p><p>micos.</p><p>284</p><p>Aula 13 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte II)</p><p>Introdução</p><p>Bem-vindos à nossa 13ª aula!</p><p>A partir de agora, você já pode começar a confeccionar de</p><p>forma correta seus trabalhos acadêmicos. Este manual dará su-</p><p>porte para suas dúvidas sobre como organizar grafi camente as</p><p>pesquisas e apresentá-las. Assim, os elementos gráfi cos facilita-</p><p>rão a organização de seus trabalhos acadêmicos nas mais varia-</p><p>das modalidades. Os exemplos contidos são referentes à área de</p><p>turismo e seu mercado de trabalho.</p><p>Todo trabalho científi co (acadêmico, dissertação ou tese)</p><p>apresenta elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. A par-</p><p>te pré-textual corresponde às informações de identifi cação do</p><p>trabalho, cuja estrutura envolve elementos obrigatórios e facul-</p><p>tativos. A parte textual envolve a organização sequencial lógica</p><p>do conteúdo do trabalho, de acordo com a sua natureza. A parte</p><p>pós-textual possui elementos que complementam o trabalho, fa-</p><p>cilitando a sua compreensão.</p><p>Dessa forma, foi elaborado um manual para que você pos-</p><p>sa aplicar a todos os trabalhos acadêmicos.</p><p>Manual para elaboração de trabalhos de con-</p><p>clusão de curso, trabalhos de graduação inter-</p><p>disciplinares, monografi as, dissertações e teses</p><p>Pensemos que a confi guração do trabalho possui um cará-</p><p>ter obrigatório; assim, isso facilita a sua construção, e dessa forma</p><p>você passará a seguir os exemplos de forma simples e recorrente.</p><p>A seguir, estão enumerados os componentes necessários à</p><p>elaboração de um trabalho científi co, juntamente com os aspec-</p><p>tos relativos à apresentação gráfi ca e seus modelos.</p><p>Elementos pré-textuais e de formatação</p><p>Esses elementos são considerados editoriais para a entre-</p><p>ga de todo e qualquer trabalho a ser entregue na academia.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>285</p><p>Comecemos pelo papel:</p><p>PAPEL</p><p>Todo o trabalho deve ser confeccionado em folha branca,</p><p>lisa ou texturizada, tamanho A4. Fotos em anexos ou no corpo do</p><p>trabalho podem ser impressas tanto em sulfi te como em papel</p><p>fotográfi co.</p><p>MARGENS</p><p>Todas as páginas do trabalho devem estar confi guradas</p><p>com as seguintes medidas de margem:</p><p>Superior 3,0cm</p><p>Inferior 2,0cm</p><p>Esquerda 3,0cm</p><p>Direita 2,0cm</p><p>FONTE</p><p>As normas ABNT determinam as fontes Times New Roman</p><p>ou Arial, tamanho 12 para textos. Para efeito de padronização</p><p>dos trabalhos, convencionou-se a fonte Arial, tamanho 12 para</p><p>textos.</p><p>• Títulos de capítulos devem ser escritos em fonte Arial 12, caixa-</p><p>alta, negrito.</p><p>• Subtítulos devem estar em fonte Arial 12, caixa-alta, sem negrito.</p><p>• Subdivisões dos subtítulos devem vir em fonte Arial 12, caixa-</p><p>baixa com a primeira letra de cada palavra em maiúscula, sem</p><p>negrito.</p><p>Os títulos, subtítulos e subdivisões de subtítulos devem es-</p><p>tar a uma barra de espaço dos seus respectivos números.</p><p>Referências, glossário e anexos não são numerados.</p><p>Títulos não numerados devem vir centralizados nas mar-</p><p>gens, em negrito, fonte Arial 14.</p><p>A folha de abertura dos anexos deve vir em fonte Arial 28,</p><p>em negrito, centralizado na folha.</p><p>Títulos e subtítulos dos elementos pré-textuais apresentam</p><p>outras especifi cações detalhadas nos referidos tópicos a seguir.</p><p>286</p><p>Aula 13 • Estrutura de trabalhos acadêmicos em Turismo (parte II)</p><p>PAGINAÇÃO</p><p>A numeração das páginas começa a partir da primeira fo-</p><p>lha textual, ou seja, a partir da Introdução. É colocada em algaris-</p><p>mos arábicos, no canto superior direito da folha, obedecendo os</p><p>limites das margens.</p><p>Após a parte textual, a numeração continua nas páginas</p><p>das referências. Caso o trabalho possua anexos, estas páginas</p><p>também devem dar continuidade à numeração.</p><p>ESPAÇOS</p><p>• Entre título e início de texto: 1 espaço duplo.</p><p>• Entre texto e subtítulo: 2 espaços duplos.</p><p>• Entre linhas de texto: 1 espaço duplo.</p><p>• Entre texto e citação com mais de três linhas: 2 espaços duplos</p><p>para iniciar a citação e 2 espaços duplos para reiniciar o texto.</p><p>• Espaço entre um parágrafo e outro: 1 espaço duplo.</p><p>• Entre o número do capítulo e o título do capítulo: 1 barra de es-</p><p>paço (válido também para subtítulos e subítens de subtítulos).</p><p>• Nas referências: espaço simples de entre linhas e espaço du-</p><p>plo entre uma referência e outra.</p><p>• Lista de anexos: 1 espaço duplo.</p><p>• Sumário: 1 espaço duplo.</p><p>TÍTULOS E SUBTÍTULOS</p><p>• Os títulos dos capítulos devem ser numerados em algarismos</p><p>arábicos sem ponto, hífen ou qualquer outro sinal.</p><p>• A numeração dos subtítulos e as subdivisões dos subtítulos</p><p>devem estar separadas por pontos. Porém, ao fi nalizar o últi-</p><p>mo dígito, não deve ser acrescido nenhum sinal.</p><p>• Títulos de capítulos devem ser escritos em fonte Arial 12, caixa-</p><p>alta, negrito.</p><p>• Subtítulos devem estar em fonte Arial 12, caixa-alta, sem negrito.</p><p>• Subdivisões dos subtítulos devem vir em fonte Arial 12, caixa-</p><p>baixa, com a primeira letra de cada palavra em maiúscula, sem</p><p>negrito.</p><p>• Os títulos, subtítulos e subdivisões de subtítulos devem estar a</p><p>uma barra de espaço dos seus respectivos números.</p><p>• Referências, glossário e anexos não são numerados.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>287</p><p>• Títulos não numerados devem vir centralizados nas</p><p>dos métodos e</p><p>princípios usados para a dis-</p><p>tinção do raciocínio correto</p><p>do incorreto.</p><p>Resumo</p><p>O conhecimento é resultado de atividade investigativa que, se for</p><p>científi co, requer ser organizado de forma analítica ou sintética.</p><p>As indagações sobre o conhecimento têm sido uma constante na</p><p>história da humanidade, sendo um grande passo para a aquisição</p><p>de novos saberes e formas de interpretar o mundo.</p><p>O conhecimento, por diferir do senso comum nas práticas da bus-</p><p>ca pelas novas interpretações da realidade, fatos, interpretações e</p><p>formas de pensar, transforma a história da humanidade nas suas</p><p>mais variadas concepções.</p><p>A partir dessa diferenciação, pode o iniciante dos estudos acadêmi-</p><p>cos saber quais são os procedimentos de um estudo científi co, bem</p><p>como estar em contato com as inovações ocorridas até o momento</p><p>e que foram de grande importância para o estado atual das Ciências.</p><p>Outra questão tratada na aula foi em relação à Filosofi a e suas</p><p>principais correntes, dentre elas a platônica, considerada uma das</p><p>mais importantes correntes do pensamento ocidental.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>39</p><p>Platão elevou o método de investigação fi losófi ca à forma literária</p><p>de expressão da conversação socrática. Nos seus diálogos, ponde-</p><p>ra-se a liberdade de espírito e seu pensamento movimenta-se por</p><p>meio de um grande empenho na busca da verdade.</p><p>Em suas obras, são claramente observados os impulsos para al-</p><p>cançar o conhecimento, a aspiração à Ciência e também a contra-</p><p>partida na qual se insere a concepção racional e objetiva do mun-</p><p>do e do homem.</p><p>A sua extrema vontade de busca orienta todo objetivo de respeito</p><p>ao homem e à sua natureza. Nesta relação entre Ciência e vida ou</p><p>entre teoria e prática, estão fundamentados seus apontamentos.</p><p>Na Ciência platônica, o conhecimento tem de ser inserido em to-</p><p>dos os contextos, a fi m de reger todas as determinações da vida,</p><p>não sendo assim, pura teoria. Em seus diálogos, emerge a ideia de</p><p>que a alma, numa vida anterior, conviveu de alguma forma com</p><p>o mundo inteligível, e teve, por isso, a percepção de coisas nas</p><p>quais “resplandecem” as qualidades das ideias, pois, assim, tende</p><p>a despertar o conhecimento destas, pelo que, o verdadeiro conhe-</p><p>cimento seria um recordar, uma rememoração de atos e fatos.</p><p>Informação sobre a próxima aula</p><p>Na próxima aula, iniciaremos a discussão sobre métodos</p><p>de pesquisa e sua respectiva aplicabilidade, e ainda voltaremos</p><p>a pensar um pouco nas correntes da Filosofi a que deram início</p><p>ao método científi co.</p><p>2 Ideias + realidade + metodologia</p><p>= pesquisa científi ca</p><p>Elis Regina Barbosa Angelo</p><p>Meta da aula</p><p>Apresentar a construção do conhecimento cien-</p><p>tífi co, evidenciando o método, a metodologia e a</p><p>pesquisa científi ca.</p><p>Objetivos</p><p>Esperamos que, ao fi nal desta aula, você seja capaz de:</p><p>1 exemplifi car o conceito de metodologia científi ca;</p><p>2 identifi car o uso do método em pesquisas;</p><p>3 aplicar o conceito de método a um exemplo</p><p>prático de pesquisa.</p><p>42</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>Introdução</p><p>A partir desta aula, poderemos esboçar algumas ideias do</p><p>que pretendemos fazer na vida acadêmica e na vida cotidiana,</p><p>seguindo os princípios do que vem a ser ciência, conhecimen-</p><p>to, conhecimento científi co e senso comum, ideias abordadas na</p><p>primeira aula.</p><p>Partindo da teoria do conhecimento, pensemos em estru-</p><p>turas capazes de organizar nossos pensamentos, criando obje-</p><p>tivos e metas capazes de formular pesquisas na área do saber</p><p>escolhida.</p><p>A primeira discussão que vamos estabelecer será o princí-</p><p>pio das ideias que fomentarão a análise da realidade do objeto a</p><p>ser pesquisado e posteriormente o uso da metodologia científi ca</p><p>para a construção de uma investigação científi ca.</p><p>Como se iniciam nossas ideias?</p><p>Ideia é um termo que pode ser usado por meio de duas</p><p>acepções: como sinônimo de conceito ou, num sentido mais am-</p><p>plo, como expressão que traz implícita uma intenção.</p><p>O ser humano tem vários modos de apreender, organizar e</p><p>representar a realidade, gerando com isso os conhecimentos da</p><p>Filosofi a, da Arte, da Religião e da Ciência. Também há níveis ou</p><p>graus de conhecimento:</p><p>1. Senso comum (conhecimento vulgar e pouco rigoroso): cons-</p><p>truído espontânea e imediatamente.</p><p>2. Ciência (racionalmente fundamentado): conhecimento siste-</p><p>mático e metódico. Utiliza raciocínios, provas e demonstra-</p><p>ções. Tem processos metodológicos próprios para explicar os</p><p>fenômenos naturais ou sociais.</p><p>As ideias podem surgir de qualquer observação da realida-</p><p>de, partindo tanto do conhecimento vulgar ou senso comum, até</p><p>sua fundamentação em ciência, ou seja, o conhecimento científi co.</p><p>Ideia</p><p>A palavra deriva do</p><p>grego idea ou eidea,</p><p>cuja raiz etimológica é</p><p>eidos – imagem. O seu</p><p>signifi cado implica a</p><p>teoria da representação</p><p>do real (realidade).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>43</p><p>Pensemos então, a partir da realidade, quais seriam as</p><p>construções do conhecimento.</p><p>Partindo da realidade</p><p>A realidade pode ser concebida como tudo que realmente</p><p>é, ou seja, a totalidade das informações acerca do objeto a ser</p><p>pensado. O real é o caráter absoluto do ser, ou seja, é a verdade</p><p>sobre a realidade.</p><p>Realidade é o mesmo que verdade?</p><p>Figura 2.1: A ideia pode partir da realidade?</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1178168</p><p>Figura 2.2: Esta foto de família, por exemplo, é uma apreensão da</p><p>realidade vivida no momento em que foi tirada.</p><p>Fonte: http://www.sxc.hu/photo/1193711</p><p>Iv</p><p>an</p><p>P</p><p>ro</p><p>le</p><p>M</p><p>ar</p><p>in</p><p>a</p><p>A</p><p>vi</p><p>la</p><p>44</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>A realidade é, para nós, uma realidade apreendida. A apreen-</p><p>são para um ser fi nito, limitado espaço-temporalmente, implica</p><p>sempre um ponto de vista.</p><p>A realidade, para nós, é a realidade conhecida (apreendida,</p><p>representada) e não a realidade em si mesma. A realidade, mes-</p><p>mo a nossa realidade apreendida, é multidimensional, ou seja,</p><p>possui múltiplas facetas, nem sempre todas são apreendidas por</p><p>nós. Quando nos deparamos com um problema, buscamos ime-</p><p>diatamente o conceito de verdade inscrito nele, ou seja, qual é a</p><p>verdade? Ou melhor, ela existe?</p><p>Na criação do problema, fi ca uma indagação: é, então, im-</p><p>possível se chegar à verdade?</p><p>A verdade é uma qualidade das próprias coisas e o ver-</p><p>dadeiro está nas próprias coisas. Conhecer é ver e dizer a</p><p>verdade que está na própria realidade e, portanto, a ver-</p><p>dade depende de que a realidade manifeste-se, enquanto</p><p>a falsidade depende de que ela se esconda ou dissimu-</p><p>le-se em aparências. Em Latim, verdade se diz veritas e</p><p>refere-se à precisão, ao rigor e à exatidão de um relato,</p><p>no qual se diz com detalhes, pormenores e fi delidade o</p><p>que aconteceu. Verdadeiro refere-se, portanto, à lingua-</p><p>gem, enquanto narrativa de fatos acontecidos, refere-se</p><p>a enunciados que dizem fi elmente as coisas tais como</p><p>foram ou aconteceram. Um relato é veraz ou dotado de</p><p>veracidade, quando a linguagem enuncia os fatos reais.</p><p>Em Hebraico, verdade diz-se emunah e signifi ca confi an-</p><p>ça. Agora são as pessoas e é Deus quem são verdadeiros.</p><p>Um Deus verdadeiro ou um amigo verdadeiro são aque-</p><p>les que cumprem o que prometem, são fi éis à palavra</p><p>dada ou a um pacto feito; enfi m, não traem a confi ança</p><p>(CHAUÍ, 2000, p. 123).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>45</p><p>Neste fl uxograma, vemos a declaração de níveis e hierar-</p><p>quias nos quais estão inscritos os conceitos de verdade. Pode-</p><p>mos observar que cada um contém aspectos que ao todo tentam</p><p>defi nir a verdade em si, mas de forma multidimensional, aplicá-</p><p>veis ao conceito de verdade.</p><p>Sendo a realidade uma totalidade complexa, então, o co-</p><p>nhecimento para uma vida melhor impõe a cooperação dos vá-</p><p>rios tipos de saber. Surge assim a necessidade de comunicação</p><p>entre os saberes e, para isso, a metodologia científi ca busca es-</p><p>clarecer a forma de indagar sobre as verdades ou refutá-las.</p><p>Figura 2.3: Há uma multiplicidade no conceito de verdade e/ou as múltiplas acepções de verdade,</p><p>como vemos no esquema.</p><p>46</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>Método e metodologia: como usá-los?</p><p>Método</p><p>Do grego methodos, o método signifi ca caminho para se</p><p>chegar a um fi m, ou seja, a forma de se chegar a uma realidade</p><p>(HOUAISS, 2001).</p><p>Partindo do conceito de que método é o caminho para se</p><p>chegar a um fi m, Descartes, fi lósofo iluminista, desenvolveu uma</p><p>das obras mais usadas em metodologia de pesquisa, o Discurso</p><p>sobre o método, obra de 1619, momento relevante do Iluminismo,</p><p>considerado o caminho para a ciência moderna e para o método</p><p>científi co em geral, propõe um modelo quase matemático para</p><p>conduzir o pensamento humano, usando a matemática como</p><p>Figura 2.4: Método científi co.</p><p>Fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Metodo_cientifi co.svg</p><p>Iluminismo</p><p>É um conceito que sin-</p><p>tetiza diversas tradições</p><p>fi losófi cas, sociais,</p><p>políticas, correntes</p><p>intelectuais e atitudes</p><p>religiosas, pois defi ne</p><p>um dos mais importantes</p><p>períodos da história</p><p>intelectual e cultural do</p><p>Ocidente. No Iluminismo,</p><p>a busca pelo saber e a</p><p>liberdade de pensamento</p><p>formam as premissas</p><p>básicas. Os iluministas</p><p>preocuparam-se em</p><p>denunciar a injustiça,</p><p>a dominação religiosa,</p><p>o Estado absolutista</p><p>e os privilégios como</p><p>problemas da sociedade</p><p>que, a cada momento,</p><p>afastava os homens do</p><p>seu “direito natural” à</p><p>felicidade.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>47</p><p>base, considerando sua principal característica: a certeza, ausên-</p><p>cia de dúvidas.</p><p>O método é um conjunto de instrumentos usado para ini-</p><p>ciarmos a pesquisa. Sem método não há pesquisa e sem pesqui-</p><p>sa não há geração de conhecimento científi co. Na vida acadê-</p><p>mica e na vida pessoal, precisamos sempre estabelecer metas,</p><p>objetivos e formas de se chegar a algum lugar. Os métodos são</p><p>as formas sistematizadas de desenvolvermos uma pesquisa e</p><p>apresentarmos os resultados.</p><p>É importante conhecermos um pouco mais sobre o discur-</p><p>so do método de René Descartes, considerado um dos mais ilus-</p><p>tres pensadores sobre a metodologia científi ca e as formas de</p><p>conduzir diretrizes para o conhecimento.</p><p>Para conhecer na íntegra o Discurso sobre o método de Descartes,</p><p>leia as seis partes defi nidas deste conceito.</p><p>http://www.intratext.com/X/POR0305.HTM</p><p>O método científi co tem como premissas básicas:</p><p>– efi cácia da investigação;</p><p>– credibilidade dos resultados;</p><p>– critério de distinção dos conhecimentos científi cos e não</p><p>científi cos.</p><p>Para uma compreensão do que vem a ser conhecimento</p><p>científi co, partiremos das seguintes premissas:</p><p>1 – Os problemas são o ponto de partida do método cien-</p><p>tífi co.</p><p>2 – As teorias são elaboradas através de um processo de</p><p>criação de conjecturas.</p><p>–</p><p>48</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>3 – As teorias, depois de elaboradas, devem ser subme-</p><p>tidas a um processo que teste a sua falseabilidade (ou possível</p><p>refutação).</p><p>4 – Devem ser identifi cados os novos problemas criados</p><p>pelas teorias.</p><p>Quando (ou enquanto) não surgem provas contra uma teo-</p><p>ria, ou seja, enquanto ela resiste ao teste da falseabilidade, a teoria</p><p>é corroborada e tem sucesso. Neste sentido, temos a ideia de rati-</p><p>fi car, comprovar o que foi elaborado ou ainda refutá-la, contrarian-</p><p>do e comprovando uma nova teoria.</p><p>Descartes propôs chegar à verdade através da dúvida sis-</p><p>temática e da decomposição do problema em pequenas partes</p><p>características. Esta decomposição é o que defi ne a base da pes-</p><p>quisa científi ca.</p><p>A Ciência, por meio da evolução de seus conceitos, divide-</p><p>se em áreas do conhecimento, como: Ciências Humanas, Sociais,</p><p>Biológicas, Exatas, entre outras; e para cada área temos instru-</p><p>mentos metodológicos distintos na busca da verdade. O método</p><p>científi co é um caminho para pesquisa, indiferente da área do</p><p>conhecimento, que compreende quatro passos principais, orga-</p><p>nizados logicamente:</p><p>1 – fazer observações;</p><p>2 – formar uma hipótese testável para explicar as observa-</p><p>ções;</p><p>3 – deduzir observações a partir das hipóteses; ou seja, de-</p><p>pois de criar as hipóteses por meio da observação, deduzimos</p><p>outras, a fi m de conduzir a pesquisa;</p><p>4 – buscar confi rmações das observações; se contradizem</p><p>ou condizem com as observações empíricas. Neste momento,</p><p>defi nimos se as observações são pertinentes ao objetivo da in-</p><p>vestigação, por exemplo, observamos que todos os membros</p><p>de uma família são loiros, ao confi rmarmos as observações por</p><p>meio de perguntas aos membros, tivemos a confi rmação de que</p><p>todos são realmente loiros e ninguém pintou o cabelo para fi car</p><p>loiro. Depois disso, discorremos sobre o problema e as observa-</p><p>ções a serem testadas e/ou refutadas.</p><p>Hipótese</p><p>É uma formulação pro-</p><p>visória, com intenções</p><p>de ser posteriormente</p><p>demonstrada ou verifi -</p><p>cada, constituindo uma</p><p>suposição admissível ou</p><p>não de ideias.</p><p>Falseabilidade</p><p>Para uma acepção ser</p><p>refutável ou falseável, em</p><p>princípio, será possível</p><p>fazer uma observação</p><p>ou fazer uma experiência</p><p>física que tente mostrar</p><p>que esta acepção é falsa.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>49</p><p>Os diferentes métodos são usados nas mais variadas ciên-</p><p>cias, dependendo das peculiaridades de cada uma e da melhor</p><p>forma de usá-los nas pesquisas de campo. Assim, dos métodos</p><p>científi cos, temos:</p><p>• Método dedutivo: método racionalista, que pressupõe a razão</p><p>como única forma de chegar ao conhecimento verdadeiro;</p><p>utiliza uma cadeia de raciocínio descendente, da análise geral</p><p>para a particular, até a conclusão; utiliza o silogismo.</p><p>Exemplo: na frase: “Todos os homens morrem. João é um</p><p>homem. Logo, Pedro é mortal”. Todos os homens morrem (pre-</p><p>missa maior); João é um homem (premissa menor); Logo, Pedro</p><p>é mortal (conclusão). Neste exemplo, a premissa maior, “todos</p><p>os homens morrem”, é algo tido como óbvio, verdadeiro e in-</p><p>contestável, por isso maior. “João é um homem”, esta afi rmação</p><p>torna-se uma premissa menor com relação à maior por ser in-</p><p>contestável e advém da premissa maior da mortalidade e, “Pedro</p><p>é mortal” seria uma conclusão simples da relação estabelecida</p><p>entre as três colocações, ou seja, sendo Pedro uma terceira pes-</p><p>soa, todos os homens são mortais indifere de quem é a terceira</p><p>pessoa.</p><p>• Método indutivo: método empirista, considera a experiência</p><p>como base para o conhecimento; a generalização deriva de</p><p>observações de casos da realidade concreta e são elaboradas</p><p>a partir de constatações particulares.</p><p>Exemplo: “Pedro é um ser mortal; João é um ser mortal;</p><p>José é um ser mortal; Christian é um ser mortal. Assim, Pedro,</p><p>João, José e Christian são homens e obviamente também são</p><p>mortais.” Neste caso, há uma indução de que todos obviamente</p><p>sendo homens, são mortais.</p><p>• Método hipotético dedutivo: se o conhecimento é insufi ciente</p><p>para explicar um fenômeno, surge um problema; deste, surgem</p><p>difi culdades a fi m de se formularem as suposições provisórias,</p><p>ou seja, as hipóteses; das hipóteses deduzem-se consequências</p><p>que serão testadas ou falseadas. “Enquanto o método deduti-</p><p>vo procura confi rmar a hipótese, o hipotético-dedutivo procura</p><p>evidências empíricas para refutá-las” (POPPER, 1985).</p><p>Silogismo</p><p>É a argumentação</p><p>que, baseada em duas</p><p>premissas, propõe uma</p><p>terceira logicamente</p><p>decorrente.</p><p>50</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>O método implica deduzir conclusões de premissas que</p><p>são hipóteses, em vez de deduzir de fatos que o sujeito tenha</p><p>realmente verifi cado.</p><p>Exemplo: “O Turismo é algo fascinante porque engloba a</p><p>saída do seu lugar comum de habitação”. Para testar esta afi r-</p><p>mação, teríamos de usar o método em questão e podemos criar</p><p>hipóteses, como: o turismo é a saída de casa, por isso diferente?</p><p>O turismo é fascinante porque engloba a fuga da realidade? A</p><p>realidade do local de moradia não é boa? Entre outras hipóteses.</p><p>Para refutar ou aceitar as hipóteses, é necessário testar por meio</p><p>da pesquisa.</p><p>• Método dialético:</p><p>Fundamenta-se na dialética proposta por Hegel, na qual</p><p>as contradições transcendem-se, dando origem a novas</p><p>contradições que passam a requerer solução. É um mé-</p><p>todo de interpretação dinâmico e totalizante da realidade.</p><p>Considera que os fatos não podem ser considerados fora</p><p>de um contexto social, político, econômico etc. Empregado</p><p>em pesquisa qualitativa (LAKATOS; MARCONI, 1993).</p><p>Exemplo: Eu gostaria de colocar meu computador embai-</p><p>xo da janela enquanto escrevo, para tomar sol (Tese). Minha fi lha</p><p>quer colocar o meu computador perto da casinha de bonecas,</p><p>para fi car perto de mim (Antítese). No fi nal da conversa entre nós</p><p>duas, resolvemos colocar o computador perto do sol, mas do</p><p>lado oposto ao que eu pensei, assim fi camos próximas, tomo sol</p><p>e as duas ganham com isso (Síntese).</p><p>• Método fenomenológico:</p><p>Preconizado por Husserl, o método fenomenológico não é</p><p>dedutivo nem indutivo. Preocupa-se com a descrição dire-</p><p>ta da experiência tal como ela é. A realidade é construída</p><p>socialmente e entendida como o compreendido, o inter-</p><p>pretado, o comunicado. Então, a realidade não é única:</p><p>existem tantas quantas forem as suas interpretações e co-</p><p>municações. O sujeito/ator é reconhecidamente importan-</p><p>te no processo de construção do conhecimento (GIL, 1999).</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>51</p><p>Esse método é empregado em pesquisa qualitativa, não é</p><p>dedutivo nem indutivo, pois preocupa-se com a descrição direta</p><p>da experiência como ela é. Exemplo:</p><p>Desde os ensinamentos de Platão, a fi losofi a diz-nos que,</p><p>por infl uência dos sentidos (a construção das ideias que</p><p>o homem tem em sua mente faz-se por informação dos</p><p>sentidos, como dito por Locke) existem várias imagens</p><p>possíveis de um objeto, porém todas elas signifi cando</p><p>a mesma coisa, ou seja, todas elas redutíveis ao mesmo</p><p>signifi cado, todas se referindo ao mesmo objeto ideal,</p><p>contendo a mesma ideia, constituídas da mesma essên-</p><p>cia. Todas as imagens de mesa (o exemplo mais frequente</p><p>nos textos) têm uns certos componentes que fazem com</p><p>que cada uma das imagens signifi que “mesa”, uma mesa</p><p>maior, menor, alta ou baixa, vista de cima ou de baixo, por</p><p>uma pessoa míope ou por outra daltônica, não importa,</p><p>terá sempre aqueles componentes básicos que garantirão</p><p>a aquele objeto o signifi cado de mesa (COBRA, 2005).</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 1</p><p>1. No exercício a seguir, faça uma distinção de métodos e sua</p><p>aplicabilidade.</p><p>( a )</p><p>Método indutivo</p><p>( ) faz uso da dedução para obter uma con-</p><p>clusão a respeito de suas premissas.</p><p>Exemplo: “Todo vertebrado possui vérte-</p><p>bras. Todos os leões são vertebrados. Logo,</p><p>todos os leões têm vértebras.”</p><p>( b )</p><p>Método dedutivo</p><p>( ) parte de questões particulares até che-</p><p>gar a conclusões generalizadas.</p><p>Exemplo: “Retirando uma amostra de um</p><p>recipiente de feijão, observa-se que, apro-</p><p>ximadamente 80% dos grãos são do tipo</p><p>grosso. Conclui-se, então, que o saco de</p><p>feijão é do tipo grosso.”</p><p>52</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>( c )</p><p>Método</p><p>hipotético-dedu-</p><p>tivo</p><p>( ) processo pelo qual tudo é informado</p><p>pelos sentidos e mudado em uma experi-</p><p>ência de consciência, em um fenômeno que</p><p>consiste em estar consciente de algo.</p><p>Fonte: http://www.webartigos.com/articles/40562/1/</p><p>REFLEXOES-A-RESPEITO-DA-FENOMENOLOGIA-</p><p>E-DO-METODO-FENOMENOLOGICO/pagina1.</p><p>html#ixzz1PMO0FlL8</p><p>( d )</p><p>Método fenome-</p><p>nológico</p><p>( ) Composto de tentativa de erros e acer-</p><p>tos:</p><p>1. Observação: momento de recolhimento</p><p>sistemático dos dados, objetivamente.</p><p>2. Formulação de hipóteses: aplicar hipóte-</p><p>ses para tentar explicar um fenômeno qual-</p><p>quer.</p><p>3. Dedução: surge a partir dos pressupostos</p><p>verifi cáveis, ou seja, previsões.</p><p>4. Verifi cação: se os pressupostos são veri-</p><p>fi cados em muitos casos, assumimos o nú-</p><p>mero total para todas as situações, assim,</p><p>tornamos as situações similares.</p><p>( e )</p><p>Método dialético</p><p>( ) consiste em um modo esquemático de</p><p>explicação da realidade, basedo em oposi-</p><p>ções e confl itos entre situações diversas ou</p><p>antagônicas.</p><p>Resposta Comentada</p><p>b, a, d, c, e.</p><p>A escolha do método científi co a ser aplicado depende do problema,</p><p>tema e objeto a ser investigado. Os dados coletados e a forma com</p><p>que serão tratados defi nem a escolha do método adequado à pes-</p><p>quisa que se quer fazer.</p><p>Dos diversos tipos de métodos, temos a seguinte simplifi cação:</p><p>Método indutivo – é aquele que parte de questões particulares até</p><p>chegar a conclusões generalizadas;</p><p>Método dedutivo – os raciocínios dedutivos caracterizam-se por</p><p>apresentar conclusões que devem ser verdadeiras, caso todas as</p><p>premissas sejam verdadeiras, partindo de questões gerais para as</p><p>particulares.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>53</p><p>Método hipotético-dedutivo – caracteriza-se por fazer testes e elimi-</p><p>nar erros e não procura levar às certezas, mas organizar ideias.</p><p>Método fenomenológico – parte da construção dos sentidos e sensa-</p><p>ções para a observação dos fenômenos.</p><p>Método dialético – baseado no diálogo cujo foco é a contraposição e</p><p>contradição de ideias que leva a outras ideias.</p><p>Metodologia científi ca</p><p>A metodologia científi ca é um conjunto de abordagens,</p><p>técnicas, formas e processos utilizados pela ciência para formu-</p><p>lar e resolver problemas de aquisição objetiva do conhecimento,</p><p>de uma maneira sistemática e organizada.</p><p>Para Dencker (2000, p. 18), metodologia é a maneira concre-</p><p>ta como se realiza a busca de conhecimento, ou o que se deve fa-</p><p>zer para adquirir o conhecimento desejado de maneira racional e</p><p>efi ciente. Assim, o conceito de Ciência, é um conhecimento racio-</p><p>nal, metódico e sistemático, capaz de ser submetido à verifi cação.</p><p>A metodologia científi ca pode ser entendida como a forma</p><p>do funcionamento do conhecimento científi co.</p><p>A partir do conjunto de ideias sobre metodologia científi -</p><p>ca, vamos entender um pouco mais sobre a organização de uma</p><p>pesquisa. Algumas ideias são extremamente relevantes para en-</p><p>tender a elaboração de uma pesquisa, assim, temos:</p><p>• Por pesquisa, entende-se a busca por respostas às indagações</p><p>propostas. Exemplo: por que os turistas de determinadas fai-</p><p>xas etárias buscam a montanha para fi car próximo à natureza?</p><p>• A pesquisa científi ca é a realização concreta de uma investi-</p><p>gação planejada, desenvolvida e redigida de acordo com as</p><p>normas da metodologia, consagradas pela ciência. Exemplo:</p><p>pesquisa qualitativa, quantitativa, entre outras.</p><p>• A pesquisa é uma atividade voltada para a solução de proble-</p><p>mas, através do emprego de processos científi cos, que são con-</p><p>juntos de procedimentos sistemáticos, baseados no raciocínio</p><p>54</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para os pro-</p><p>blemas propostos, mediante o emprego de métodos científi cos.</p><p>Pesquisa científi ca</p><p>Pesquisa é o mesmo que a procura de algo. Pesquisar; por-</p><p>tanto, é buscar ou procurar resposta para alguma coisa. Em se</p><p>tratando de Ciência, a pesquisa é a busca de solução a um pro-</p><p>blema que alguém queira saber a resposta.</p><p>Fazer ciência é o mesmo que produzir conhecimento atra-</p><p>vés de uma pesquisa. Pesquisa é, portanto, o caminho para se</p><p>chegar à ciência, ao conhecimento.</p><p>É na pesquisa que utilizamos diferentes instrumentos para</p><p>se chegar a uma resposta mais precisa. O instrumento ideal deve</p><p>ser estipulado pelo pesquisador, para se atingir os resultados</p><p>ideais. A Ciência, através da evolução de seus conceitos, está di-</p><p>vidida por áreas do conhecimento. Assim, hoje temos conheci-</p><p>mento das Ciências Humanas, Sociais, Biológicas, Exatas, entre</p><p>outras. Mesmo estas divisões têm outras subdivisões cuja defi -</p><p>nição varia conceitualmente. Nas Ciências Sociais, por exemplo,</p><p>pode-se dividir em Direito, História, Sociologia etc.</p><p>Vamos tentar descomplicar os tipos de pesquisa; assim, te-</p><p>mos como</p><p>classifi cação das pesquisas:</p><p>Do ponto de vista de sua natureza:</p><p>• Pesquisa básica: objetiva gerar conhecimentos novos para</p><p>avanço da ciência, sem aplicação prática prevista.</p><p>• Pesquisa aplicada: objetiva gerar conhecimentos para aplica-</p><p>ções práticas, dirigidos à solução de problemas específi cos.</p><p>Do ponto de vista da forma de abordagem ao problema:</p><p>• Pesquisa quantitativa: considera que tudo é quantifi cável, o</p><p>que signifi ca traduzir opiniões e números em informações as</p><p>quais serão classifi cadas e analisadas.</p><p>• Pesquisa qualitativa: considera que existe uma relação entre o</p><p>mundo e o sujeito, que não pode ser traduzida em números;</p><p>a pesquisa é descritiva, o pesquisador tende a analisar seus</p><p>dados indutivamente.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>55</p><p>Do ponto de vista dos objetivos:</p><p>• Pesquisa exploratória: objetiva proporcionar maior familiarida-</p><p>de com um problema; envolve levantamento bibliográfi co, en-</p><p>trevistas com pessoas que tiveram experiências práticas com o</p><p>problema pesquisado e análise de exemplos; assume em geral</p><p>a forma de pesquisas bibliográfi cas e estudos de caso.</p><p>• Pesquisa descritiva: objetiva descrever as características de certa</p><p>população ou fenômeno, ou estabelecer relações entre variáveis;</p><p>envolvem técnicas de coleta de dados padronizadas (questioná-</p><p>rio, observação); assume em geral a forma de levantamento.</p><p>• Pesquisa explicativa: objetiva identifi car os fatores que determi-</p><p>nam fenômenos, explica o porquê das coisas; assume em geral</p><p>as formas de pesquisa experimental e pesquisa ex-post-facto.</p><p>Do ponto de vista dos procedimentos técnicos:</p><p>• Pesquisa bibliográfi ca: elaborada a partir de material já publi-</p><p>cado, como livros, artigos, periódicos, internet etc.</p><p>• Pesquisa documental: elaborada a partir de material que não</p><p>recebeu tratamento analítico.</p><p>• Pesquisa experimental: pesquisa em que se determina um</p><p>objeto de estudo, selecionam-se variáveis que o infl uenciam,</p><p>defi nem-se as formas de controle e de observação dos efeitos</p><p>que as variáveis produzem no objeto.</p><p>• Levantamento: pesquisa que envolve questionamento direto</p><p>das pessoas cujo comportamento deseja-se conhecer.</p><p>• Estudo de caso: envolve o estudo profundo e exaustivo de um</p><p>ou poucos objetos de maneira que se permita o amplo e deta-</p><p>lhado conhecimento.</p><p>• Pesquisa ex-post-facto: quando o experimento realiza depois</p><p>dos fatos.</p><p>• Pesquisa ação: pesquisa concebida em associação com uma</p><p>ação; os pesquisadores e participantes da situação ou proble-</p><p>ma estão envolvidos de modo cooperativo ou participativo.</p><p>• Pesquisa participativa: pesquisa que busca na interação entre</p><p>pesquisadores e membros das situações investigadas, a des-</p><p>crição do fato.</p><p>56</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>A pesquisa científi ca tem a função de encontrar respostas</p><p>às indagações elaboradas com métodos e que busquem respos-</p><p>tas na ciência.</p><p>Atividade</p><p>Atende ao Objetivo 2</p><p>2. Relacione os tipos de pesquisa na tabela a seguir:</p><p>De acordo com seus conhecimentos sobre os diversos tipos de</p><p>pesquisa, relacione as colunas, considerando os procedimentos</p><p>técnicos.</p><p>(1) Pesquisa ação ( ) Pesquisa elaborada a partir</p><p>do arcabouço documental já</p><p>produzido e publicado.</p><p>(2) Pesquisa bibliográfi ca ( ) Pesquisa que possui em seu</p><p>centro a cooperação entre os</p><p>grupos pesquisados.</p><p>(3) Pesquisa documental ( ) Pesquisa de material ainda</p><p>não analisado.</p><p>(4) Pesquisa ex-post-facto ( ) Pesquisa que busca a inte-</p><p>ração entre pesquisadores e</p><p>pesquisados.</p><p>( 5 ) Estudo de caso ( ) Estudo posterior aos fatos.</p><p>( 6 ) Pesquisa participativa ( ) Pesquisa exaustiva de um</p><p>objeto específi co.</p><p>( 7 ) Levantamento ( ) Busca conhecer o comporta-</p><p>mento direto do entrevistado.</p><p>Resposta Comentada</p><p>2,1,3,6,4,5,7.</p><p>A construção da pesquisa pelo viés dos procedimentos técnicos pos-</p><p>sui uma confi guração postulada em formas de organizar as ideias</p><p>e facilita também a tabulação dos dados e a construção dos mais</p><p>variados textos.</p><p>Cada problema de pesquisa necessita de uma ou mais formas de</p><p>uso dos instrumentos. Devemos, então, articular as necessidades do</p><p>problema aos instrumentos, por exemplo, todas as pesquisas preci-</p><p>sam de bibliografi a e documentos sobre o assunto, mas nem todas</p><p>precisam da pesquisa ação para trabalhar com o tema proposto.</p><p>Métodos e Técnicas de Pesquisa em Turismo</p><p>57</p><p>Exemplo de pesquisa científi ca em turismo</p><p>1. Introdução</p><p>Para descrever a introdução, buscamos indicar a localida-</p><p>de a ser estudada, os problemas advindos desse objeto e onde</p><p>pretendemos chegar com a pesquisa.</p><p>Por exemplo:</p><p>A região da Luz que compreende o Parque e a Estação da</p><p>Luz, além de fazer parte da história de São Paulo, é um dos mar-</p><p>cos da ferrovia brasileira. A região é hoje considerada uma ponte</p><p>entre o centro e os bairros da periferia norte de São Paulo, como:</p><p>Bom Retiro, Casa Verde, Santana e outros; também é ponto de</p><p>deslocamento nos meios de transporte ferroviário, rodoviário e</p><p>urbano da população que mora na cidade de São Paulo e nos</p><p>municípios vizinhos da capital, como: Jundiaí e Paranapiacaba.</p><p>A estação da Luz já foi palco de muitos elogios e também</p><p>considerada “sala de visitas” da cidade, com as mudanças e</p><p>transformações na área dos transportes foi ao longo dos anos</p><p>perdendo sua atratividade.</p><p>A reutilização deste espaço que hoje se caracteriza pelo</p><p>funcionamento de algumas linhas férreas, ponto de referência e</p><p>meios de transporte diversos, tem seu entorno comprometido</p><p>pela comercialização inadequada de produtos em área não propí-</p><p>cia, seguida de prostituição nas ruas, usuários de drogas e degra-</p><p>dação do meio, causando comprometimento na imagem do local.</p><p>O patrimônio, a memória e a história da cidade, em parte,</p><p>pode ser contada pela imagem refl etida nos anos de 1920-1940. A</p><p>população acaba demonstrando suas características no patrimônio</p><p>e assim se torna necessário repensar os conceitos de cidadania.</p><p>2. Justifi cativa</p><p>A Estação da Luz tornou-se objeto de estudo, devido à po-</p><p>tencialização de sua área, como Patrimônio Histórico Ferroviário,</p><p>sendo possível refl etir sobre a reutilização deste espaço como</p><p>centro cultural, voltado para o lazer da população paulistana, que</p><p>é carente destes tipos de espaços públicos.</p><p>58</p><p>Aula 2 • Ideias + realidade + metodologia = pesquisa científi ca</p><p>Pensando na necessidade de ampliar, preservar e apreciar</p><p>a memória e a história da cidade de São Paulo, a Estação da Luz</p><p>contribui com seus relevantes aspectos arquitetônicos, sociais e</p><p>econômicos, que poderão ser ressaltados, tornando possível sua</p><p>reutilização.</p><p>Sua confi guração conta hoje com uma complicada situa-</p><p>ção visual, demonstrada na imagem que o local projeta a toda</p><p>população.</p><p>3. Formulação do problema</p><p>A degradação da Estação da Luz e a probabilidade de recupe-</p><p>ração para o lazer: utopia, realidade ou uma questão de cidadania.</p><p>4. Marco teórico</p><p>Associado ao capital inglês, o barão de Mauá construiu en-</p><p>tre 1860 a 1867 a “Railway Company”, com a extensão de 139km.</p><p>Em 1865, foi inaugurada a primeira Estação da Luz. Em 1901, no</p><p>mesmo local, ocupando uma área de 7.520km2, a atual estação</p><p>foi projetada e construída de acordo com padrões tecnológicos</p><p>ingleses, assim como as arcadas e as duas pequenas pontes que</p><p>uniam a rua Mauá ao Jardim da Luz.</p><p>Tornou-se marco do desenvolvimento ferroviário de São</p><p>Paulo, viabilizado pelo dinheiro do café, de arquitetura inglesa e</p><p>proporções monumentais, que durante muitos anos foi conside-</p><p>rada uma das mais nobres da cidade. Devido ao movimento co-</p><p>mercial entre o interior, a capital e o porto de Santos, surgiram no</p><p>seu entorno armazéns, ofi cinas, pequenas fábricas e vilas operá-</p><p>rias, que contribuíram para a instalação de estabelecimentos de</p><p>serviços e segurança pública.</p><p>Encampada pelo governo federal em 1946, a Estação da</p><p>Luz foi parcialmente destruída por um incêndio. Na reconstru-</p><p>ção, acrescentou-se mais um pavimento</p>