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<p>1</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO .................................................................................................. 3</p><p>2 O QUE É ARTE? .............................................................................................. 4</p><p>2.1 As definições de arte ao longo da história ........................................................ 4</p><p>2.2 Cronologia e estilos .......................................................................................... 5</p><p>3 ARTES VISUAIS ............................................................................................. 11</p><p>3.1 Conceito .......................................................................................................... 11</p><p>3.2 Breve histórico da imagem ............................................................................. 12</p><p>3.3 A imagem como linguagem ............................................................................ 14</p><p>4 AS ARTES VISUAIS NA CONTEMPORANEIDADE ...................................... 16</p><p>4.1 Artes visuais na educação .............................................................................. 17</p><p>4.2 Linguagem visual aplicada à publicidade ....................................................... 18</p><p>4.2.1 Gestalt ............................................................................................................ 20</p><p>5 APLICAÇÕES E TENDÊNCIAS DA LINGUAGEM VISUAL ........................... 26</p><p>5.1 Elementos gráficos que constituem uma imagem .......................................... 27</p><p>5.2 Elementos da imagem e simbolismo .............................................................. 29</p><p>5.3 A cor como representatividade da imagem ..................................................... 29</p><p>6 O USO DAS TENDÊNCIAS PARA A LINGUAGEM VISUAL .......................... 30</p><p>6.1 Logos Flexíveis (Responsivo) ......................................................................... 30</p><p>6.2 Assimetria ....................................................................................................... 30</p><p>6.3 Cores vibrantes ............................................................................................... 30</p><p>6.4 Fontes ousadas .............................................................................................. 31</p><p>2</p><p>6.5 Ilustração vintage e minimalismo .................................................................... 31</p><p>6.6 Formas geométricas ....................................................................................... 31</p><p>6.7 Sobreposição de elementos ........................................................................... 31</p><p>7 PERCEPÇÕES SENSÍVEIS NA ARTE CONTEMPORÂNEA ......................... 32</p><p>7.1 Concepção estética de Gilles Deleuze e Félix Guattari .................................. 32</p><p>7.1.1 Categorias estéticas de Deleuze e Guattari .................................................... 34</p><p>7.2 O pensamento estético de Herbert Marcuse .................................................. 37</p><p>7.2.1 Independência e libertação da Arte na dimensão estética de Marcuse .......... 38</p><p>8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 42</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI esclarece que o material virtual é semelhante ao</p><p>da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro - quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora que</p><p>lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 O QUE É ARTE?</p><p>‘Arte’ vem do latim ars, que significa técnica ou habilidade. É uma manifestação</p><p>de comunicação muito antiga da espécie humana, possuindo importante função</p><p>social, à medida que revela as características históricas e culturais de uma</p><p>determinada sociedade, já que existe em todas as culturas, e se torna um reflexo da</p><p>natureza humana, com sua definição tendo sido e continuado incansavelmente</p><p>debatida.</p><p>A arte tem um caráter estético e está intimamente relacionada com as</p><p>sensações e emoções dos indivíduos. A exemplo, temos a música, a dança, a</p><p>literatura, o cinema, a arquitetura, dentre outros.</p><p>2.1 As definições de arte ao longo da história</p><p>Para o filósofo grego Aristóteles, a arte era uma imitação da realidade, conceito</p><p>que mais tarde foi fortemente refutado por várias correntes artísticas, que entendiam</p><p>que a arte se baseava não apenas na imitação da realidade, mas também na criação.</p><p>Durante a Idade Média haviam duas vertentes sobre ela:</p><p>- Artes manuais (ou mecânicas)</p><p>- Artes liberais (ou intelectuais)</p><p>Considerava-se a primeira inferior à segunda, pois era criada a partir do</p><p>intelecto.</p><p>Refletindo sobre isso nos dias de hoje, nota-se que é mais desenvolvido; no</p><p>entanto, o trabalho manual continua sendo subjugado pelo intelectual. A exemplo</p><p>temos o artesão e um artista plástico, que produzem um tabalho mental e ao mesmo</p><p>tempo uma criação artística, mas o primeiro é considerado majoritariamente como um</p><p>indivíduo que produz uma “arte menor” em relação ao outro. Esta analogia entre arte</p><p>“erudita” e "popular" persiste até hoje e é objeto de muito debate.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>5</p><p>2.2 Cronologia e estilos</p><p>A história da arte é um ramo da ciência que estuda os processos artísticos no</p><p>contexto em que foram realizados. Para facilitar o estudo, é dividida em períodos:</p><p>- Arte Pré-Histórica: período anterior a 3000 a.e.c. (ex: arte rupestre).</p><p>- Arte Antiga: de 3000 a.e.c. até 1000 a.e.c. (ex: arte egípcia).</p><p>- Arte Clássica: de 1000 a.e.c. a 300 a.e.c. (ex: arte greco-romana).</p><p>- Arte Medieval: de 300 a 1350 (ex: arte gótica).</p><p>- Arte Moderna: 1350 a 1850 (ex: arte neoclássica).</p><p>- Arte Contemporânea: de 1850 aos dias atuais (ex: arte conceitual).</p><p>Arte Rupestre</p><p>Pinturas rupestres (região de Tadrart Acacus, Líbia) - 12.000 a.e.c a 100 d.e.c. Fonte: bit.ly/3t6Ne6j</p><p>A arte rupestre representa uma das manifestações artísticas mais antigas,</p><p>originada há milhões de anos no contexto da pré-história. Trata-se de desenhos ou</p><p>pinturas feitas principalmente em cavernas por vários povos antigos.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>6</p><p>Além dessas pinturas, sabe-se que a escultura, a dança e a música também</p><p>começaram nessa época.</p><p>Podemos, portanto, refletir sobre a necessidade humana de se expressar, de</p><p>revelar suas ideias, pois através do trabalho artístico o homem libera suas emoções.</p><p>No Paleolítico, por volta de 30.000 a.e.c., os desenhos criados tinham muito a</p><p>ver com a natureza. As linhas usadas para retratar os temidos animais eram cheias</p><p>de movimento e força, os animais mais dóceis como renas e cavalos eram</p><p>representados com forma delicada, demonstrando leveza e fragilidade.</p><p>Arte Sacra</p><p>A Crucificação. De Pietro Perugino - 1494-96. Fonte: bit.ly/3sjQWKF</p><p>A Arte Sacra é conjunto de obras que têm a religião como principal temática.</p><p>Foi muito usada antes da Renascença (na idade antiga, clássica e medieval), como</p><p>uma das formas mais importantes de expressão por séculos.</p><p>Como exemplo temos as ilustrações, esculturas de santos e arquiteturas</p><p>encontradas</p><p>GOMBRICH, E. A história da arte. Rio de Janeiro: LTC, 1999.</p><p>HULBURT, Allen. Layout: O design da página. São Paulo: Nobel, 2002.</p><p>JANSON, H. W; JANSON, A. F. Iniciação à História da Arte. 2 ed. São Paulo: Martins</p><p>Fontes, 1996.</p><p>MARCUSE, Herbert. Der deutsche Künstlerroman. In: Schriften Band I. (pp. 7- 344).</p><p>Springe: Zu Klampen.</p><p>43</p><p>MARCUSE, Herbert. The Aeshetic Dimension (Die Permanenz der Kunst), Carl</p><p>Hauser Verlag. Tradução de Maria Elisabete Costa. Munique: Edições 70, 1977.</p><p>MUNARI, Bruno. Design e comunicação visual. São Paulo: Martins Fontes, 2001.</p><p>PAREYSON, Luigi. Os problemas da estética. Martins Fontes. 3 ed. São Paulo,</p><p>1997.</p><p>SOUZA, Jair de Soares. Independência: libertação da arte na dimensão estética</p><p>de Herbert Marcuse. 2018.</p><p>STRICKLAND, Carol. Arte comentada: da pré-história ao pós-moderno. Rio de</p><p>Janeiro: Ediouro, 2004.</p><p>VINHOSA, Luciano. Obra de arte e experiência estética: arte contemporânea em</p><p>questão. Apicuri. Rio de Janeiro, 2011.</p><p>em várias igrejas e templos.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>7</p><p>Arte Barroca</p><p>Judite decapitando Holofernes. De Artemisia Gentileschi - 1614-20. Fonte: bit.ly/3Hluo0g</p><p>Com a renascença, mudanças significativas ocorreram na Europa no século</p><p>XV, tais como:</p><p>- Surgimento da burguesia</p><p>- Contrarreforma</p><p>- Cientificismo</p><p>- Antropocentrismo</p><p>- Humanismo</p><p>Neste contexto, a arte é o local que o artista barroco encontra para exposição</p><p>da confusão causada pela mudança de paradigmas. Por isso a arte barroca,</p><p>distanciou-se em partes da arte sacra, criando uma arte cotidiana e profana, logo, não</p><p>tão idealizada.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>8</p><p>Arte Moderna</p><p>Criança Morta. De Candido Portinari - 1944-45. Fonte: bit.ly/3vcDs5w</p><p>A arte moderna surgiu no contexto da Revolução Industrial a partir do século</p><p>XVIII. Aqui o conceito sobre arte amplia-se e chega até a ser considerada uma</p><p>"antiarte", ou seja, ela não se preocupa com o teor estético e sim com a mensagem a</p><p>ser transmitida.</p><p>O marco para a introdução da arte moderna no Brasil foi a Semana de Arte</p><p>Moderna de 1922.</p><p>Nesse sentido, podemos pensar que a arte tem uma função importante além</p><p>da catarse (purgação de sensações). A obra também pode envolver um conteúdo</p><p>ideológico e político, fazendo com que o público pense sobre o conceito e não apenas</p><p>visualize as obras.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>9</p><p>Arte Abstrata</p><p>Amarelo-Vermelho-Azul. De Wassily Kandinsky - 1925. Fonte: glo.bo/3pamjpa</p><p>Uma das características das artes visuais dos tempos modernos foi o</p><p>surgimento do movimento artístico chamado Abstracionismo.</p><p>Dessa forma, a arte abstrata propõe um trabalho visual não representacional,</p><p>isto é, prioriza as formas abstratas em detrimento das figuras que fazem parte da</p><p>realidade.</p><p>Esta corrente surge no contexto do Modernismo, através da liberdade de</p><p>expressão e da refutação do academismo. Está relacionada com movimentos</p><p>vanguardistas.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>10</p><p>Arte Contemporânea</p><p>Painel ‘Etnias’ (Rio de Janeiro). De Eduardo Kobra - 2016. Fonte: bit.ly/3h8TxRc</p><p>A arte contemporânea - ou arte pós-moderna - surgiu no século XX, embora</p><p>muitos estudiosos indiquem suas origens no final do século XIX.</p><p>A arte contemporânea engloba um conceito de arte mais aberto, que se baseia</p><p>na originalidade, na experimentação artística e nas técnicas inovadoras.</p><p>Portanto, permite diferentes modalidades e linguagens artísticas, bem como a</p><p>mistura entre elas. Hoje se fala arte performática, multimídia, étnica, entre outras.</p><p>Da mesma forma que a arte moderna, a arte contemporânea se concentra na</p><p>ideia a ser transmitida em vez de apenas o valor estético da obra.</p><p>Sua principal função é induzir os pensamentos das pessoas, não apenas com</p><p>obras que contêm conceitos estéticos de harmonia e beleza, mas também com obras</p><p>que muitas vezes ultrapassam os limites da consciência humana.</p><p>A ideia é que as pessoas entrem em contato com as obras de arte por meio de</p><p>"choque estético" e evoquem processos catárticos favoráveis à reflexão.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>11</p><p>3 ARTES VISUAIS</p><p>3.1 Conceito</p><p>Fonte: bit.ly/35oED73</p><p>O conceito de artes visuais tem gerado bastante confusão, pois algumas</p><p>pessoas elas incluem apenas as pinturas.</p><p>No entanto, seu conceito é muito mais amplo e está intimamente relacionado</p><p>com o conceito de visualizar "ver" e, portanto, inclui as artes em que a fruição ocorre</p><p>por meio da visão. Isto é, representa uma série de manifestações artísticas, tais como:</p><p>pintura, desenho, escultura, artesanato, fotografia, teatro, cinema, dança, design, arte</p><p>urbana, arquitetura, entre outros.</p><p>Dada a sua importância e abrangência, existe atualmente o curso superior em</p><p>“Artes Visuais”, onde o aluno sai com o título de artista visual, capacitado a criar,</p><p>avaliar e participar no mercado cultural e artístico.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>12</p><p>3.2 Breve histórico da imagem</p><p>Imagem vem do latim ‘imago’ e quer dizer a representação visual de algo ou</p><p>alguém. No grego antigo corresponde ao termo ‘eidos’, origem etimológica do termo</p><p>idea ou eidea, de conceito desenvolvido por Platão. O Idealismo de Platão</p><p>considerava a ideia da coisa - a imagem - como uma projeção da mente. Já Aristóteles</p><p>a considerava uma aquisição pelos sentidos, o simulacro de um objeto real pela</p><p>mente, fundando a teoria do Realismo.</p><p>Muito antes da linguagem verbal, há evidências de que os humanos pré-</p><p>históricos se comunicavam visualmente através de imagens deixadas nas paredes</p><p>das cavernas no período Paleolítico (40.000 a.C). As manifestações artísticas mais</p><p>antigas são encontradas na Europa, mormente na Espanha e no sul da França.</p><p>As imagens mais incríveis do Paleolítico são as de animais nas superfícies</p><p>rochosas das cavernas, como as da caverna de Lascaux, na região francês de</p><p>Dordogne. Há representações de cavalos, veados, bois e bisões que parecem estar</p><p>em movimento. Alguns apenas com contorno e outros com cores brilhantes, todos</p><p>revelando a mesma sensação fantástica. (JANSON; JANSON, 1996)</p><p>Caverna de Lascaux. Fonte: bit.ly/3vi805H</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>13</p><p>Essas imagens representavam cenas cotidianas, momentos vivenciados pelas</p><p>pessoas que ali viviam. Neste período, usava-se sangue de animais para fazer as</p><p>pinturas nas cavernas. Acredita-se que eram feitos como uma espécie de ritual, onde</p><p>ter a presa sob seu domínio facilitaria na hora da caça.</p><p>A explicação mais provável para tais pinturas continua sendo de que são os</p><p>vestígios mais antigos da crença universal de que as imagens geram poder; em outras</p><p>palavras, esses caçadores primitivos parecem ter imaginado que se fizessem imagens</p><p>de suas presas, os animais reais também sucumbiriam ao seu poder. (GOMBRICH,</p><p>1999)</p><p>No Brasil também existem pinturas deixadas por nossos ancestrais em rochas,</p><p>e cavernas. Em Minas Gerais, as expressões artísticas mais famosas e estudadas</p><p>estão em Lagoa Santa, na Serra do Cipó e na Serra do Espinhaço. As pinturas</p><p>retratam principalmente animais caçados como veados, tatus e, em algumas áreas,</p><p>peixes e pássaros. Símbolos geométricos também são comuns. Só mais tarde as</p><p>cenas de caça foram substituídas por relações familiares, e surgiram cenas de</p><p>acasalamento, gravidez e parto.</p><p>Pedra Pintada (Barão de Cocais, MG). Fonte bit.ly/35ekBMy</p><p>14</p><p>3.3 A imagem como linguagem</p><p>- Comunicação visual</p><p>Possuímos a necessidade de compartilhar conhecimentos e o fazemos por</p><p>meio da comunicação que, como ferramenta de integração, informação e</p><p>desenvolvimento, sempre foi essencial para a sobrevivência. Para isso utilizamos</p><p>simbolismos para a troca de experiências, e nosso principal suporte de comunicação</p><p>é a linguagem, através da qual transmitimos ideias e sentimentos.</p><p>Para o educador Ronan Cardozo Couto, as linguagens ocupam um lugar</p><p>importante na aprendizagem humana, pois atuam como veículo na elaboração e</p><p>construção do pensamento por armazenar e transmitir informações:</p><p>As linguagens são recursos expressivos de representação da realidade e de</p><p>comunicação. Elas funcionam como veículo para o intercâmbio de ideias e</p><p>forma de interlocução. Portanto, é ilusória a exclusividade da linguagem</p><p>verbal como forma de linguagem e meio de comunicação privilegiados. Essa</p><p>ilusória exclusividade se deve muito intensamente a um condicionamento</p><p>histórico que nos faz crer que as únicas formas válidas de conhecimento e</p><p>interpretação do mundo são aquelas veiculadas pela língua, na sua</p><p>manifestação como linguagem verbal, oral e escrita, e que essa linguagem é</p><p>o meio mais apropriado para se chegar a uma forma de pensamento superior.</p><p>O saber analítico que a linguagem verbal permite conduziu à legitimação</p><p>consensual e institucional de que essa é a linguagem de primeira ordem, em</p><p>detrimento e relegando para uma segunda</p><p>ordem todas as outras linguagens,</p><p>as linguagens não verbais. (COUTO, 2000)</p><p>Por necessidade, o ser humano organiza sinais, formas, cores, gestos, olhares,</p><p>objetos, sons, luzes, cheiros, expressões para transmitir uma mensagem. Tal</p><p>organização ocorre através dos diferentes sistemas de linguagem que utilizamos para</p><p>codificar, armazenar e decodificar informações.</p><p>É comum apresentar a linguagem verbal como a principal fonte de informação,</p><p>talvez por ser uma convencional e formal maneira de compartilhamento de</p><p>conhecimento, mas conseguimos interagir uns com os outros de formas diferentes,</p><p>por isso as linguagens não verbais de representação do mundo também fazem parte</p><p>do nosso cotidiano e não podem ser considerados secundárias, devendo ser</p><p>conhecidas, estudadas e discutidas. Cada uma passa uma mensagem com seus</p><p>recursos particulares, as múltiplas linguagens estão em prol da comunicação.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>15</p><p>É notável que as imagens estão cada vez mais presentes, as interações verbais</p><p>verbais e não verbais interagem para chegar ao espectador. O visual vai além das</p><p>palavras e atinge um grande número de pessoas. A maioria tem em casa televisores</p><p>e computadores, utilizam fotografias e quadros como decoração. As propagandas</p><p>investem fortemente nas imagens para atingirem os consumidores em casa ou nas</p><p>ruas.</p><p>No decorrer do séc. XX acompanhamos uma significativa mudança nos meios</p><p>modernos de comunicação: a mensagem visual tem se sobressaído à mensagem</p><p>verbal, e a maior parte do que sabemos, aprendemos, reconhecemos, acreditamos e</p><p>desejamos é quase sempre determinado pelo domínio da imagem sobre nós.</p><p>(COUTO, 2000)</p><p>O sentido da visão realiza um grande trabalho, sendo bombardeada</p><p>diariamente por uma enorme quantidade de imagens de numerosos fins, tantas que</p><p>chegam a gerar poluição. O computador e a televisão são fortes difusores de imagens,</p><p>fora as inúmeras cenas que observamos em placas nas ruas, anúncis e propagandas.</p><p>Esses meios colocam o observante em proximidade com uma variedade de figuras, o</p><p>quão não ocorria algumas décadas atrás. Hoje as imagens reais, virtuais e artísticas</p><p>estão presentes no cotidiano, sendo as artísticas diferentes das outras por ser uma</p><p>representação que faz uso de técnicas específicas em sua produção.</p><p>Tendo em conta a influencia que as imagens têm sobre nós e sua difusão nos</p><p>tempos atuais, é necessário buscar compreender através das quais regras ou</p><p>conceitos elas se formam. A alfabetização visual permite o estudo da linguagem</p><p>visual, possibilitando o contato com os conceitos básicos usados na preparação de</p><p>uma imagem, visando o entendimento do que se apresenta à nossa visão.</p><p>O exame da linguagem visual na educação deve contribuir exatamente para</p><p>escapar da pressão da passividade e, por outro lado, expor as convenções, história</p><p>e cultura mais ou menos internalizadas que estão em jogo em cada imagem. Ao</p><p>conhecer a linguagem visual, podemos analisar e entender com maior profundidade</p><p>uma das ferramentas mais predominantes na comunicação contemporânea. (COUTO,</p><p>2000)</p><p>16</p><p>A mensagem visual pode ser específica, a presente em nossas necessidades</p><p>básicas a fim de registrar, reproduzir, preservar e identificar pessoas, objetos, lugares</p><p>e disseminar sentimentos, seja em ações cotidianas ou em criações elaboradas, o</p><p>formato visual visa informar ao espectador, porquanto necessita ser conhecido e</p><p>explorado. Donis Dondis (1997) propõe a socialização da linguagem visual para além</p><p>dos especialistas através da ideia de alfabetismo, onde a capacidade visual pe</p><p>ampliada expandindo as possibilidades de entender e produzir uma mnsagem visual.</p><p>São três os níveis expressão e recepção dos dados visuais:</p><p>- Representacional: O que vemos e identificamos com base no ambiente e na</p><p>experiência;</p><p>- Abstrato: A qualidade sinestésica de um fato visual reduzido a seus componentes</p><p>visuais elementares, destacando os meios mais diretos, emocionais e primitivos de</p><p>criar mensagens;</p><p>- Simbólico: O amplo universo de sistemas simbólicos codificados que o a humanidade</p><p>arbitrariamente criou e ao qual atribuiu significados.</p><p>Os três níveis servem como um resgate de informações, embora estejam</p><p>interconectados e sobrepostos, é possível distinguir entre eles, o que permite a análise</p><p>do seu potencial para a criação de mensagens.</p><p>4 AS ARTES VISUAIS NA CONTEMPORANEIDADE</p><p>Importante destacar que o conceito de arte foi se ampliando com o passar do</p><p>tempo. No entanto, já é certo que a arte é uma manifestação humana essencial que</p><p>sempre esteve presente nas culturas desde a antiguidade, tal qual a arte rupestre.</p><p>De tal modo, além do conceito, as temáticas, técnicas e materiais empregados</p><p>na arte foram se ampliando e atualmente torna-se tarefa difícil identificar como elas</p><p>surgem.</p><p>17</p><p>Com o desenvolvimento da tecnologia e dos computadores, a arte visual</p><p>também pode ser produzida através de ferramentas tecnológicas. Podemos citar as</p><p>artes gráficas, criadas por meio de programas de computador (softwares) denominada</p><p>de web art.</p><p>As artes modernas e contemporâneas foram responsáveis por abranger ainda</p><p>mais o conceito de arte. Pois com elas a ideia torna-se mais importante do que o</p><p>caráter estético e visual do objeto artístico.</p><p>Atualmente, podemos encontrar diversos tipos de artes:</p><p>4.1 Artes visuais na educação</p><p>Nas últimas décadas, as artes visuais passaram a ser importantes ferramentas</p><p>de aprendizagem desde a infância. Isso porque ela desperta a sensibilidade estética</p><p>e estimula a criatividade. Além disso, propõe a reflexão a partir de outro tipo de</p><p>linguagem, “a linguagem visual”, que agrega valor à linguagem escrita.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>18</p><p>Décadas atrás, a disciplina sobre arte era chamada de "educação artística" e</p><p>envolvia conceitos sobre a história da arte e basicamente a criação de desenhos e</p><p>pinturas.</p><p>No entanto, o conceito de arte nas escolas se expandiu e atualmente podemos</p><p>encontrar colégios em que disciplinas de arte visuais são mais abrangentes. Elas</p><p>incluem, por exemplo, a dança, o teatro, a fotografia e o cinema.</p><p>4.2 Linguagem visual aplicada à publicidade</p><p>Para melhor contextualizar a importância da percepção visual para o</p><p>profissional de Publicidade e Propaganda é importante estudar alguns conceitos da</p><p>teoria da Gestalt, porque, conforme relata Dondis (2003), “alguns dos trabalhos mais</p><p>significativos nesse campo foram realizados pelos psicólogos da Gestalt, cujo principal</p><p>interesse tem sido os princípios da organização perceptiva, o processo da</p><p>configuração de um todo a partir das partes”. De todos os sentidos humanos a visão</p><p>é, sem dúvida, o sentido no qual mais confiamos. Como vimos, muito antes da fala e</p><p>da escrita, o homem já se comunicava visualmente através de desenhos deixados nas</p><p>paredes das cavernas, retratando aquilo que viam ao seu redor. A visão é o nosso</p><p>principal meio para reconhecer os objetos e situações a nossa volta e guiar nossa</p><p>interação para com eles.</p><p>Todos os outros sentidos são muito importantes em nossa vida, mas eles</p><p>parecem abstratos diante da relevância do olhar para a civilização ocidental atual e,</p><p>mesmo depois do surgimento da linguagem escrita, a comunicação através de</p><p>imagens não deixou de existir. Porém, o seu uso se reduziu a uma função auxiliar</p><p>junto às palavras, pois, conforme Dondis:</p><p>O alfabetismo visual jamais poderá ser um sistema tão lógico e preciso</p><p>quanto a linguagem. As linguagens são sistemas inventados pelo homem</p><p>para codificar, armazenar e decodificar informações. Sua estrutura, portanto,</p><p>tem uma lógica que o alfabetismo visual é incapaz de alcançar. (DONDIS,</p><p>2003)</p><p>Desde a Revolução Industrial, a sociedade requer muita velocidade, e</p><p>velocidade também na informação. Na correria do dia-a-dia as pessoas muitas vezes</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>19</p><p>não têm tempo para leituras longas, então os meios de comunicação acabam</p><p>recorrendo ao uso de muitas</p><p>imagens e de uma linguagem iconográfica. Na</p><p>atualidade, o maior consumo de imagens se dá no setor da mídia.</p><p>Uma única imagem pode ser carregada de muitas informações, e ainda tem o</p><p>poder de transmitir sua mensagem de maneira muito rápida, em frações de segundos,</p><p>ou de provocar a imaginação de quem a vê, em busca de significados.</p><p>Desde os primeiros pôsteres dos cabarés parisienses no final do século XIX,</p><p>até os anúncios na Internet mais atuais, a criação de imagens como meio de</p><p>comunicação comercial se transformou em um negócio e cada vez mais os</p><p>profissionais buscam conhecimentos especializados para melhorar suas imagens e</p><p>obter respostas de seus públicos.</p><p>A publicidade reconheceu o valor comunicativo das imagens, a grande maioria</p><p>dos anúncios baseia-se em fotos ou ilustrações para transmitir os conteúdos</p><p>propostos pelas organizações para seus públicos de maneira mais rápida e eficiente.</p><p>As agências de publicidade, os designers gráficos e as marcas são os maiores</p><p>usuários da descoberta dos símbolos que possuem alto poder de atração do olhar</p><p>humano. Muitos autores acreditam que, para que se possa antecipar uma resposta do</p><p>público diante das informações, é preciso conhecê-lo, além de descobrir como essas</p><p>mensagens são recebidas e interpretadas por todos os seres humanos.</p><p>Isso nos leva novamente à percepção visual. Conforme Dondis (2003), ver é</p><p>um ato muito simples, que não demanda muita energia. No entanto, a percepção</p><p>visual é algo muito complexo e está diretamente relacionada com cada pessoa e sua</p><p>experiência com o mundo a sua volta.</p><p>Ver não é somente abrir os olhos diante de determinada coisa ou situação;</p><p>abarca muitas outras questões, como saber interpretar, olhar mais a fundo,</p><p>contemplar e analisar.</p><p>Muitas áreas do conhecimento, entre elas a psicologia, estudam a percepção</p><p>visual humana em busca de explicações sobre a complexidade do nosso processo</p><p>visual.</p><p>20</p><p>4.2.1 Gestalt</p><p>Por volta do século XIX, a Psicologia começou a se desenvolver como ciência</p><p>e várias correntes de pensamento começaram a surgir, entre eles, a “Psicologia da</p><p>Forma” - o termo alemão Gestalt possui difícil tradução para o português, as</p><p>expressões mais próximas segundo Hurlburt (2002), são “imagem” e “forma”.</p><p>Gestalt, ou Psicologia da Forma, é uma teoria que considera os fenômenos</p><p>psicológicos como um conjunto autônomo, indivisível e articulado na sua</p><p>configuração, organização e lei interna. A teoria foi criada pelos psicólogos alemães</p><p>Max Wertheimer, Wolfgang Köhler e Kurt Koffka, na universidade de Frankfurt, no</p><p>início do século XX. Fundamenta-se na ideia de que o todo é mais do que a simples</p><p>soma de suas partes. Para Alves (2010), essa corrente de pensamento busca</p><p>compreender como as pessoas recebem os estímulos do mundo e do ambiente que</p><p>as rodeiam.</p><p>Ainda conforme Alves (2010), o termo Gestalt significa “boa forma” para o</p><p>design industrial e para o design gráfico, e é compreendido como uma tendência da</p><p>função cerebral ao dar uma forma compreensível, completa, sequencial e coerente</p><p>aos estímulos que chegam ao cérebro.</p><p>Conforme Samara e Morsch (2005, apud ALVES, 2010), o formato de uma</p><p>embalagem, as imagens apresentadas em um anúncio, uma etiqueta ou o preço</p><p>poderão induzir a diferentes comportamentos conforme são construídos e integrados.</p><p>Nesse sentido a teoria da Gestalt vai sugerir uma resposta do por que algumas formas</p><p>agradam mais e outras não. Essa teoria vem opor-se ao subjetivismo, pois a</p><p>Psicologia da forma se apoia na fisiologia do sistema nervoso quando procura explicar</p><p>a relação sujeito-objetivo no campo da percepção. Todo o processo consciente, toda</p><p>forma psicologicamente percebida, está estreitamente relacionado com as forças</p><p>integradoras do processo fisiológico cerebral atribuído ao sistema nervoso central,</p><p>responsável por um processo autorregulador que visa à estabilidade organizando as</p><p>formas em um todo coerente e unificado, as quais são espontâneas arbitrárias e</p><p>independem de nossa vontade. (ALVES, 2010)</p><p>21</p><p>Para Hurlburt (2002), compreende “o princípio enunciado por Wertheimer sobre</p><p>a organização perceptiva (que) demonstra que o olho humano tende a agrupar as</p><p>várias unidades de um campo visual para formar um todo”.</p><p>A Gestalt defende que o processo visual funciona como um todo. Para os</p><p>gestaltistas, desde o momento em que vemos uma imagem até que esta chegue ao</p><p>nosso cérebro existe um único fenômeno evolvido nesse processo, a percepção, que</p><p>se inicia através da captação da imagem pelos sentidos e depois é enviada ao cérebro</p><p>para que ocorra a interpretação.</p><p>Os estudos da psicologia Gestalt definem alguns pontos que conduzem a</p><p>maneira como as percepções são organizadas. São eles:</p><p>- Figura e fundo</p><p>Dondis (2003), referindo-se a figura e fundo como positivo e negativo, explica:</p><p>“o que domina o olho na experiência visual seria visto como elemento positivo, e como</p><p>elemento negativo consideraríamos tudo aquilo que se apresenta de maneira mais</p><p>passiva”. No princípio da figura e fundo, as pessoas tendem a organizar as percepções</p><p>a partir de dois planos, o da figura, que constitui o elemento central da atenção, e o</p><p>do fundo, que é diferenciado. Geralmente, representam contraste. Para Alves (2010),</p><p>“o contexto no qual é apresentado um objeto pode influenciar nossa percepção, os</p><p>objetos são percebidos em relação ao seu fundo, e essa relação faz que o indivíduo</p><p>chegue a um julgamento.”</p><p>- Reagrupamento</p><p>Ocorre quando os estímulos são numerosos e distintos e, portanto, não são</p><p>organizados imediatamente numa figura única, as pessoas tendem a organizá-lo,</p><p>associando os objetos em função da sua proximidade, semelhança e continuidade.</p><p>- Proximidade</p><p>Os elementos são agrupados de acordo com a distância a que se encontram</p><p>uns dos outros. Conforme Dondis (2003), “quanto maior for sua proximidade, maior</p><p>será sua atração”. Existe, portanto, uma tendência a perceber os elementos mais</p><p>22</p><p>próximos como um grupo distinto dos demais elementos. Da mesma forma, para</p><p>Alves, a proximidade provoca a sensação de pertinência. Se um produto de uma</p><p>determinada marca for oferecido a bom preço, juntamente com outro produto da</p><p>mesma marca, os dois serão percebidos como favoráveis. Da mesma forma, quando</p><p>um produto é considerado como suspeito, outros produtos da mesma marca sofrem</p><p>com essa generalização. Também a proximidade de tempo faz que as marcas sejam</p><p>confundidas quando lançadas ao mesmo tempo. (ALVES, 2010)</p><p>- Semelhança ou similaridade</p><p>Define que os objetos similares tendem a se agrupar. Essa similaridade pode</p><p>acontecer devido à cor, à textura, à forma dos objetos. Para Alves (2010), “o princípio</p><p>que afirma que o ser humano tem tendência a organizar estímulos semelhantes como</p><p>pertencentes a uma mesma categoria. Adquirimos artigos de qualidade inferior</p><p>misturados com os de qualidade superior e preço alto se forem semelhantes”.</p><p>- Continuidade</p><p>Está relacionada ao alinhamento e as direções dos objetos dispostos. Essa</p><p>tendência à continuidade facilita a comunicação possibilitando harmonia entre os</p><p>elementos. Ocorre, geralmente, quando o desenho do elemento sugere alguma</p><p>extensão lógica, como um arco de quase 360° sugere um círculo. Consiste na</p><p>tendência do ser humano em completar algo incompleto e dar continuidade. Uma vez</p><p>que algo é sentido como incompleto, resultará em tensão que diminuirá ao se realizar</p><p>o fechamento.</p><p>A publicidade frequentemente faz uso desse princípio quando apresenta peças</p><p>na íntegra inicialmente, e, após uma exposição suficiente para a fixação na memória,</p><p>reduz a exposição da peça apresentando apenas detalhes mais significativos,</p><p>permitindo que essa estimulação desencadeie o todo da informação completa em</p><p>nível já internalizado anteriormente. (ALVES, 2010)</p><p>23</p><p>- Estímulo ambíguo</p><p>Um estímulo é reconhecido como ambíguo quando apresenta mais de uma</p><p>forma, ou</p><p>seja, ele permite que sejam realizadas várias leituras. Dondis, ao referir-se</p><p>ao estímulo ambíguo, diz que é o</p><p>[...] estado em que o olho precisa esforçar-se por analisar os componentes</p><p>no que diz respeito a seu equilíbrio. A esse estado dá se o nome de</p><p>ambiguidade (sic), e embora a conotação seja a mesma que a da linguagem,</p><p>a forma pode ser visualmente descrita em termos ligeiramente diferentes.</p><p>(DONDIS, 2003)</p><p>No início da Psicologia científica, as conclusões da escola Gestalt foram</p><p>consideradas tão interessantes e completas que teorizam a maior parte dos livros</p><p>sobre design gráfico até hoje.</p><p>- Percepção</p><p>Para Aumont (1995), “a percepção visual é o processamento, em etapas</p><p>sucessivas, de uma informação que nos chega por intermédio da luz que entra em</p><p>nossos olhos”.</p><p>O processo perceptivo inicia-se com a captação de um estímulo que é enviado</p><p>ao cérebro através dos órgãos dos sentidos. A percepção pode, então, ser definida</p><p>como a recepção, por parte do cérebro, da chegada de um estímulo, ou como o</p><p>processo através do qual um indivíduo seleciona, organiza e interpreta esses</p><p>estímulos.</p><p>Assim, compreende-se que a criação da imagem visual provém da atividade</p><p>do cérebro, porém este é parte integrante de organismos que interagem em meios</p><p>físicos biológicos e sociais e que resultam em experiências subjetivas e</p><p>representações com conteúdos de projeções pessoais e individuais. (ALVES, 2010)</p><p>Este processo pode ser decomposto em duas fases distintas: a sensação,</p><p>mecanismo fisiológico através dos quais os órgãos sensoriais registram e transmitem</p><p>os estímulos externos; e a interpretação, que permite organizar e dar um significado</p><p>aos estímulos recebidos.</p><p>24</p><p>A percepção é uma questão de extrema importância nos estudos da Psicologia</p><p>da Gestalt. Em termos gerais, a percepção pode ser descrita como a forma como</p><p>vemos o mundo à nossa volta, o modo segundo o qual o indivíduo constrói em si a</p><p>representação e o conhecimento que possui das coisas, das pessoas e das situações.</p><p>Esse sujeito não é de definição simples, e muitas determinações diferentes e</p><p>até contraditórias intervêm em sua relação com uma imagem: além da capacidade</p><p>perceptiva, entram em jogo o saber, os afetos, as crenças, que, por sua vez, são muito</p><p>modelados pela vinculação a uma região da história (a uma classe social, a uma</p><p>época, a uma cultura). (AUMONT, 1995)</p><p>A percepção visual por mais que pareça um tema simples é extremamente</p><p>complexo. Essa complexidade se dá porque ainda temos uma ideia muito básica</p><p>sobre o processo visual, é como se não explorássemos todo o potencial que temos.</p><p>A visão é uma função que desenvolvemos assim como a fala, o tato, a audição</p><p>como sendo muito simples, sugerindo então que ela, assim como os outros não tenha</p><p>a necessidade de um desenvolvimento mais apurado. O que muitas vezes se torna</p><p>no “ver por ver” sem entender o sentido ou ao menos perceber a quantidade de</p><p>informações que determinada imagem está transmitindo, pois no processo visual tudo</p><p>é muito rápido. A atenção é parcialmente determinada pelo que o indivíduo deseja e</p><p>pela importância que lhe dá. Há então uma percepção consciente que realiza uma</p><p>prévia seleção do que o indivíduo quer ver no meio de tudo o que o rodeia.</p><p>Nos dias de hoje, com tanta informação ao mesmo tempo numa velocidade</p><p>arrebatadora, desenvolver a percepção é uma tarefa muito importante para os</p><p>profissionais de comunicação, a comunicação visual é assim, em certos casos, um</p><p>meio insubstituível de passar informações de um emissor a um receptor, mas as</p><p>condições fundamentais do seu funcionamento são a exatidão das informações, a</p><p>objetividade dos sinais, a codificação unitária e a ausência de falsas interpretações.</p><p>Só será possível atingir essas condições se ambas as partes entre as quais ocorre a</p><p>comunicação tiverem conhecimento instrumental do fenômeno. (MUNARI, 2001)</p><p>Para que se possa saber a reação de determinado público a determinada</p><p>mensagem, antes mesmo de conhecer características desse público é preciso</p><p>25</p><p>conhecer como essas mensagens são recebidas e interpretadas por todos os</p><p>indivíduos em todos os lugares.</p><p>Segundo Dondis (2003), “o que vemos é uma parte fundamental do que</p><p>sabemos, o alfabetismo visual pode nos ajudar a ver o que vemos e saber o que</p><p>sabemos”.</p><p>Para que ocorra entendimento por parte do receptor as mensagens devem ser</p><p>claras e objetivas. A partir do momento em que o emissor conhece o seu público a</p><p>interação para com ele se torna mais fácil. Além de selecionar a informação, o</p><p>indivíduo a organiza e a interpreta, dando-lhe um determinado significado. Segundo</p><p>Alves (2010), o corpo e a mente estão em contato direto com o meio ambiente, e o</p><p>caminho para esta interação é o aparelho sensorial.</p><p>No mesmo sentido, Hurlburt (2002) afirma que “a capacidade do olho e da</p><p>mente humana de reunir e ajustar elementos e de entender seu significado constitui a</p><p>base do processo de design e proporciona o princípio que torna possível o layout de</p><p>uma página”.</p><p>Compreender a percepção humana é um desafio muito grande, tendo em vista,</p><p>que cada indivíduo, possui suas particularidades. A percepção visual possui um</p><p>campo de estudos muito vasto e por vezes, complexo, impossível de ser abordado em</p><p>apenas algumas páginas.</p><p>Para desenvolver uma boa composição visual é necessário saber direcionar</p><p>os olhos de quem está vendo para pontos importantes do layout, esse direcionamento</p><p>deve ser consciente e planejado, saber equilibrar e dar movimento à composição</p><p>serão os principais objetivos dos profissionais da área da criação.</p><p>Muitas vezes, quando os profissionais estão criando, se depararam com o</p><p>problema da distribuição dos elementos gráficos. Portanto, devem estar atentos e</p><p>tomar conhecimento dos elementos básicos da composição de um layout. Os</p><p>resultados dessas decisões determinam o objetivo e o significado do que é recebido</p><p>e interpretado pelo espectador. Assim sendo, o profissional exerce controle sobre o</p><p>trabalho e direciona o projeto para o público que ele quer atingir. E, para obter um</p><p>26</p><p>resultado compositivo satisfatório é preciso conhecer, pelo menos um pouco, sobre</p><p>como funciona a percepção humana.</p><p>Entretanto, conforme Hurlburt (2002), “somente um olho experiente e uma</p><p>mente alerta é que nos possibilitarão na maioria das vezes, alcançar soluções de</p><p>design verdadeiramente emocionantes”.</p><p>Daí a importância de estudar e compreender a percepção na composição</p><p>visual, para os profissionais de comunicação.</p><p>5 APLICAÇÕES E TENDÊNCIAS DA LINGUAGEM VISUAL</p><p>A Linguagem Visual é o uso de recursos gráficos para expressar um sentimento</p><p>ou ideia para aquele que visualiza uma imagem. É a organização das representações</p><p>de ideias de acordo com aquilo que se quer passar.</p><p>A Linguagem Visual está presente desde os primórdios da humanidade, usada</p><p>sempre para comunicar e expressar mensagens. Desde a pré-história, o homem sente</p><p>a necessidade de comunicar através de mensagens. E antes mesmo da invenção da</p><p>escrita, usavam-se imagens para descrever atividades e instruções sobre um</p><p>determinado acontecimento. Assim, o uso da imagem tornou-se parte da construção</p><p>humana.</p><p>A imagem, usada para expressar todos os acontecimentos da humanidade e</p><p>suas invenções, ainda tem seu objetivo principal “alcançar o objetivo da expressão</p><p>humana”. Portanto, durante logos períodos da história seu uso foi a principal forma de</p><p>comunicação. Logo, após o surgimento da escrita. A Linguagem Visual foi surgindo e</p><p>junto com a escrita foi se reinventando e usando a criatividade para ilustrar</p><p>acontecimentos e mensagens ao seu povo durante o cotidiano.</p><p>Casa</p><p>Realce</p><p>27</p><p>5.1 Elementos gráficos que constituem uma imagem</p><p>As linguagens contam com um conjunto organizado de símbolos para facilitam</p><p>a troca de informações. Dondis (2003) apresenta uma sintaxe da linguagem visual</p><p>com ideia de expansão da capacidade ótica, que</p><p>amplia a capacidade de entender e</p><p>de produzir uma mensagem visual. Ela propõe um alfabetismo que implica na</p><p>compreensão dos modos de ver e compartilhar o significado da imagem, em uma</p><p>leitura do que está sendo observado. As possibilidades de assimilação vão além das</p><p>práticas visuais inatas do organismo humano, da capacidade perceptiva, das</p><p>preferências individuais, envolve outros processos, entre eles o conhecimento da</p><p>sintaxe visual.</p><p>Sabemos que o estudo da linguagem visual proporciona uma melhor</p><p>compreensão das mensagens visuais. O conhecimento da linguagem visual</p><p>e de sua alfabetização é fundamental no desenvolvimento de critérios de</p><p>leitura da imagem visual e tem por objetivo ultrapassar a resposta natural dos</p><p>sentidos e os gostos e preferências condicionados. (COUTO, 2000)</p><p>A sintaxe visual apresenta linhas gerais de criação e composição, há elementos</p><p>básicos que podem ser apreendidos e compreendidos por todos, eles podem ser</p><p>usados em conjunto com técnicas para a criação de mensagens visuais claras. O</p><p>alfabetismo da linguagem visual mesmo que não seja tão lógico e preciso como o</p><p>verbal pode levar a uma melhor compreensão das mensagens visuais.</p><p>Do ponto de vista de Dondis, a substancia visual da obra é composta de uma</p><p>lista básica de elementos, seja ela projetada, rabiscada, desenhada esculpida ou</p><p>gesticulada, esses elementos constituem a substância básica daquilo que vemos e</p><p>podemos classifica-los em ponto, linha, forma, direção, tom, cor textura, escala e</p><p>movimento. Os elementos visuais estabelecem a matéria prima para os vários níveis</p><p>de produção da imagem visual, a partir deles se planeja e expressa às variedades de</p><p>manifestações visuais desenhos, pinturas, escultura, arquitetura, etc. A escolha dos</p><p>elementos visuais que serão enfatizados e sua manipulação, para obter o efeito</p><p>pretendido, depende do artista, eles são os visualizadores e contam com uma vasta</p><p>opção de combinações.</p><p>28</p><p>Os elementos visuais são manipulados com técnicas específicas, apresentam</p><p>objetivos associado ao caráter do que esta sendo concebido e à finalidade da</p><p>mensagem produzida. Conhecer a linguagem visual, seus elementos básicos facilita</p><p>a compreensão do significado daquilo que vemos, independente de sua natureza e</p><p>mesmo que tragam varias significações e contextualizações. Para uma análise e</p><p>compreensão da estrutura de uma linguagem convém conhecer seus elementos em</p><p>particular, visando um aprofundamento de suas qualidades específicas.</p><p>A comunicação é uma ferramenta de sobrevivência para o ser humano, a</p><p>transmissão e troca de informações é essencial para a vida em sociedade. Nesse</p><p>processo de comunicação contamos com uma variedade de recursos como: a fala, a</p><p>escrita, os sinais, gestos, objetos, sons e expressões, para repassar uma mensagem.</p><p>Empregamos sistemas simbólicos como suporte para a comunicação, que constituem</p><p>as linguagens, um sistema de sinais utilizados para codificar e decodificar</p><p>informações.</p><p>Na comunicação visual temos imagens comuns e imagens artísticas que</p><p>apresentam características diferenciadas o desenho, a pintura, a fotografia, a</p><p>escultura, a arquitetura, o cinema e a televisão são alguns exemplos de ofícios visuais</p><p>que abrange uma linguagem comunicativa mais específica. Dentre esses meios</p><p>destacamos a pintura que em sua composição conta com elementos básicos como</p><p>ponto, linha, formas, textura, tom, cores, dimensão, escala, movimento e direção que</p><p>podem ser aprendidos através de um alfabetismo visual. As abordagens desses</p><p>fundamentos podem variar dependendo da visão de quem relata suas características,</p><p>o artista os apresenta a partir de suas experiências pessoais e cria conclusões que</p><p>não são possíveis de aplicar a qualquer composição artística, isso porque ele cria de</p><p>acordo com o que considera apropriado e esteticamente agradável, sem se preocupar</p><p>com o modismo, já o teórico apresenta conclusões baseadas em estudos da</p><p>percepção visual que pode atingir a todos.</p><p>Na atualidade nos deparamos constantemente com informações que nos exige</p><p>aprimorar a capacidade de ler e interpretar várias linguagens, as diversas formas de</p><p>leitura são instrumentos valiosos para a apropriação de novos conhecimentos. O</p><p>alfabetismo visual nos proporciona mais uma maneira de ler em nossa sociedade, nos</p><p>29</p><p>colaca em contato com o mundo artístico, seja pela espontaneidade e simplicidade</p><p>dos nossos antepassados ou pelo exagero e ousadia da contemporaneidade a</p><p>linguagem visual, com seu embate entre emocional e racional é uma ferramenta</p><p>poderosa da comunicação.</p><p>5.2 Elementos da imagem e simbolismo</p><p>A imagem é capaz de transmitir de forma simbólica o nosso objetivo de</p><p>comunicar através dos elementos de ponto, linha, plano, textura, cor, forma, tom que</p><p>fazem parte da estrutura morfológica de uma imagem e através desses elementos</p><p>podemos remontar a compreensão humana da observação da imagem. Contudo,</p><p>todos esses elementos podem nos ajudar a ter uma dimensão da mensagem e a</p><p>representatividade através dos sentidos que o ser humano possui.</p><p>Além dos elementos importantes na construção de uma imagem, apesar da</p><p>existência de vários recursos dentro da construção de uma imagem, as cores podem</p><p>ajudar entender o comportamento da imagem de acordo com o objetivo dela, ou seja,</p><p>seu público, e a marca para quem as desenvolvemos. É importante salientar que o</p><p>uso da imagem é essencial para passar nossas ideias e estar de acordo com o Briefing</p><p>é essencial. Dentro dessa ideia, as cores podem remontar as emoções e de forma</p><p>lúdica serem usadas nas mais diversas estratégias de venda, por exemplo.</p><p>5.3 A cor como representatividade da imagem</p><p>Marcas diversas usam as cores como principal representante de sua aparência,</p><p>cores frias e cores quentes se unidas podem representar os mais variados usos</p><p>podem significar grandes resultados. Considerando o uso dos elementos morfológicos</p><p>da construção da imagem que você pode ver melhor, considere usar a Linguagem</p><p>Visual como um dos elementos importantes para o seu negócio. É com ele, que você</p><p>poderá alcançar os objetivos de forma concreta e incisiva.</p><p>30</p><p>O recurso da Imagem é o que nos ajuda a construir uma Identidade Visual, de</p><p>forma original, coerente e capaz de passar ponto a ponto do objetivo de planejamento</p><p>de uma Marca.</p><p>A Linguagem Visual quando bem aplicada pode obter excelentes resultados,</p><p>portanto é necessário que a conheçamos de forma inteligente e faça o uso da mesma</p><p>de forma equilibrada. Com o planejamento adequado se torna a melhor ferramenta</p><p>que você pode utilizar em seu design.</p><p>6 O USO DAS TENDÊNCIAS PARA A LINGUAGEM VISUAL</p><p>6.1 Logos Flexíveis (Responsivo)</p><p>Os logotipos, servem não somente para representar uma marca no mercado,</p><p>mas também como a porta de entrada de qualquer empresa. Os logos flexíveis têm</p><p>sido usados não só pela sua capacidade de adaptação, como também pelas suas</p><p>chances de obter sucesso à longo prazo. Os logos flexíveis são usados em qualquer</p><p>tipo de design, para sites ou cards e até mesmo para outras finalidades.</p><p>6.2 Assimetria</p><p>É a composição de elementos de forma desigual, mas que cria uma coerência</p><p>visual e textual, assim criando a atenção do público para a imagem em questão.</p><p>Quando bem utilizada a assimetria pode mostrar um conteúdo original com estilo e</p><p>personalidade.</p><p>6.3 Cores vibrantes</p><p>O uso das cores na construção da imagem é inegável, como já fora explicado</p><p>acima. O uso das cores vibrantes está na expressão das emoções humanas, é através</p><p>da vibração das cores que podemos determinar e exprimir os sentimentos que está</p><p>http://alexandria.marketing/por-que-identidade-visual-e-mais-importante-que-apenas-logotipo/</p><p>31</p><p>na mensagem simbólica que a mensagem comum, esse elemento assim como nos</p><p>anteriores irá perdurar na lista de tendências por um bom tempo.</p><p>É importante tomar cuidado, pois os usos das cores vibrantes podem acarretar</p><p>em desconforto visual</p><p>e até tirar o objetivo inicial que a imagem expressa.</p><p>6.4 Fontes ousadas</p><p>A tipografia está, por muitas vezes, substituindo o uso de imagens na</p><p>composição. O uso de fontes divertidas e irreverentes pode favorecer muito qualquer</p><p>imagem e pode ajudar passar uma imagem totalmente positiva e confortável à visão.</p><p>6.5 Ilustração vintage e minimalismo</p><p>O minimalismo é um dos conceitos mais simples que existem e pode dar uma</p><p>mensagem mais objetiva à imagem. Se esse for o intuito, esta é a melhor opção para</p><p>seu uso. Assim como as ilustrações vintage que podem ser excelentes para negócios</p><p>de moda e design de interiores, por exemplo.</p><p>6.6 Formas geométricas</p><p>Se usadas corretamente podem dar ideia de logicismo ao contexto. Criando</p><p>uma mensagem harmônica e compositiva, podendo passar a ideia de rapidez,</p><p>modernidade e/ou inovação.</p><p>6.7 Sobreposição de elementos</p><p>É uma prática usada, onde os elementos podem ser dispostos da forma a ficar</p><p>harmônico onde podemos sobrepor imagens, textos, linhas, formas geométricas e</p><p>outros recursos visuais de forma a imagem ficar única.</p><p>A Linguagem Visual é o recurso no qual podemos aproveitar de diversas formas</p><p>sua objetividade e obter ótimos resultados em seu uso. Com ela podemos criar peças</p><p>32</p><p>únicas e tirar proveito da emoção humana, assim exprimindo em peças únicas com</p><p>as principais tendências.</p><p>Esta condição deve ser usada com sabedoria e que deve ser incluída sempre</p><p>no planejamento. Portanto, a melhor forma para encontrar o uso perfeito da imagem</p><p>é estudando onde os elementos serão aplicados e como eles serão usados, assim,</p><p>não haverá erros e os resultados serão surpreendentes.</p><p>7 PERCEPÇÕES SENSÍVEIS NA ARTE CONTEMPORÂNEA</p><p>7.1 Concepção estética de Gilles Deleuze e Félix Guattari</p><p>O conceito de arte vem sendo discutido historicamente por muitos autores e</p><p>muitas considerações já foram publicadas. Segundo Pareyson (1997),</p><p>tradicionalmente a arte é definida de três formas distintas. As definições mais</p><p>conhecidas da arte, recorrentes na história do pensamento, podem ser: como um</p><p>fazer, ora como um conhecer, ora como um exprimir. Mas, de acordo com o autor,</p><p>certamente a arte é expressão. Mas é importante que se perceba que todas as</p><p>operações humanas são expressivas, portanto é necessário dizer que a arte também</p><p>tem um caráter expressivo. Ainda segundo Pareyson (1997): Dizer, por exemplo, que</p><p>a arte é “expressão de sentimentos” pode ter importância no plano da poética, mas é</p><p>uma perigosa asserção no plano da estética. Pode existir o programa de uma arte</p><p>lírica, que consista no exprimir afetos e emoções, o que, no entanto, não esgota a</p><p>essência da arte, já que não se compreende qual sentimento um arabesco, ou uma</p><p>música abstrata, ou uma obra arquitetônica possam exprimir, enquanto neles se</p><p>exprimiu toda uma espiritualidade.</p><p>Dessa forma, a arte é expressiva quando a ela se referir enquanto forma,</p><p>enquanto linguagem artística. Para Pareyson (1997), a obra de arte é expressiva</p><p>quando se atribui a ela um organismo que vive por conta própria e contém tudo quanto</p><p>deve conter. Assim, ela irá exprimir a personalidade do seu autor. A arte</p><p>contemporânea, como todas as demais artes retratadas historicamente, sofre</p><p>influências sociais que fazem compreender a sua estética por meio de características</p><p>33</p><p>próprias como o hibridismo, o efêmero e o conceitual. Isto porque a arte atual tem</p><p>como proposta a utilização de diferentes materiais que permitem provocar a reflexão</p><p>crítica no apreciador.</p><p>A arte contemporânea, não estando mais preocupada com a beleza do objeto,</p><p>nem exclusivamente com sua forma, mas com os significados que os objetos e os</p><p>materiais podem produzir no observador, ou ao se propor como reflexão sobre o</p><p>homem e o seu tempo, não permite uma contemplação rápida e inconsciente. Ela quer</p><p>justamente se opor à velocidade do mundo atual e provocar instantes de fruição</p><p>intelectual, não mais os pequenos prazeres dos grupos sociais afortunados, mas uma</p><p>arte possível a todos, que traga consigo os problemas que afligem o homem</p><p>contemporâneo. (BINI, 2018)</p><p>A arte atual é criada a partir do tempo e do espaço no qual se manifesta,</p><p>passando por um processo de questionamento constante, propondo novas ideias,</p><p>novas concepções artísticas que rompem com a ideologia do passado, que retratava</p><p>a arte por meio de uma abordagem ritualística, religiosa e decorativa. A partir de então,</p><p>o belo na arte passa a ser contestado e a compreensão de arte passa a ter novos</p><p>paradigmas estéticos.</p><p>A arte contemporânea se torna desafiadora para artistas e público que a</p><p>aprecia, uma vez que as obras deveriam ter originalidade, afastando-se das meras</p><p>novidades que até o momento se privilegiava no mundo artístico. Para Strickland</p><p>(2004) a arte vai se tornando mais intencional, sem uma área geográfica dominante,</p><p>e mais diversificada que nunca. Depois de muito tempo de experimentação, o legado</p><p>é de liberdade total.</p><p>Com essa nova perspectiva artística, a arte não pode mais ser pensada sem</p><p>considerar o subjetivo, o abstrato, ou seja, as sensações existentes entre a obra, o</p><p>artista e o público. Neste sentido, é importante questionar quais as percepções</p><p>sensíveis que as obras de arte contemporânea provocam a partir das concepções</p><p>estéticas?</p><p>34</p><p>7.1.1 Categorias estéticas de Deleuze e Guattari</p><p>Os filósofos franceses Deleuze e Guattari (1997), em sua obra “O que é a</p><p>filosofia”, discorrem sobre a arte numa perspectiva de análise referente as categorias</p><p>estéticas. Eles compreendem a arte a partir das sensações, considerando a</p><p>linguagem sensível uma alternativa para entrar nas palavras, nas cores, nos sons ou</p><p>nas pedras. Segundo esses dois autores, “a obra de arte é um ser de sensação, e</p><p>nada mais: ela existe em si” (1997). Este tema propõe compreender a relação das</p><p>percepções sensíveis a partir das obras de arte criadas historicamente.</p><p>A arte, para eles, se conserva, existe por si só, o que significa que não está</p><p>relacionada somente ao material ou à técnica utilizada pelo artista, mas a um bloco</p><p>de sensações que é composto de “perceptos e afectos”, e é esta intenção que faz dela</p><p>arte e a faz existir para além do seu tempo. Para os autores, a denominação de</p><p>perceptos e afectos está na arte e no afetamento que a contemplação da obra pode</p><p>provocar no artista e no espectador. Por isso, independentemente do tempo em que</p><p>a obra foi criada, a sensação existente está nela, está no seu material, está na sua</p><p>forma, está na sua técnica, está no seu significado, está na sensação que ela causa,</p><p>está no espaço que ela ocupa, ou seja, está em tudo que persiste na obra de arte.</p><p>Nessa perceptiva, a arte é criadora de sensações, pois toda matéria se torna</p><p>expressiva. Assim, quando Deleuze e Guattari descrevem as sensações existentes,</p><p>consideram as diferenciações entre perceptos e afectos. Segundo eles:</p><p>O afecto não ultrapassa menos as afecções que o percepto, as percepções.</p><p>Não é a passagem de um estado vivido a um outro, mas um devir não humano do</p><p>homem. [...] não é uma imitação, uma simpatia vivida, nem mesmo uma identificação</p><p>imaginária. Não é a semelhança, embora haja semelhança. É antes uma extrema</p><p>contiguidade, num enlaçamento entre duas sensações sem semelhança [...] (1997).</p><p>Para Deleuze e Guattari (1997) são os perceptos e afectos que fazem com que</p><p>a arte resista o tempo. Fazem com que ela crie e recrie no passado, presente e futuro.</p><p>O afecto, citado dentro do bloco de sensação, está presente naquilo que a arte</p><p>proporciona, a partir do que está na obra, sua forma, cor, som, bem como o que se</p><p>vê, o que se ouve, o que se sente. A sensação está na criação e o percepto é</p><p>35</p><p>considerado o motivo, ou seja, os perceptos não mais são percepções, são</p><p>independentes do estado daqueles que os experimentam; os afectos não são mais</p><p>sentimentos ou afectos, transbordam a força daqueles que são atravessados por eles.</p><p>As sensações,</p><p>perceptos e afectos, são seres que valem por si mesmos e excedem</p><p>qualquer vivido. Existem na ausência do homem. (DELEUZE; GUATTARI, 1997)</p><p>Corroborando os autores, a arte está carregada de perceptos e afectos, ela</p><p>não precisa necessariamente do Homem para existir, ela por si só é o bloco se</p><p>sensação, que pode ou não atingir e ou afetar o ser humano. Este bloco de sensações,</p><p>composto por perceptos e afectos, aparecerá como a unidade ou a reversibilidade</p><p>daquele que sente e do que é sentido, podendo ser percebido como seu íntimo</p><p>entrelaçamento. Este bloco também precisa de bolsões de ar e de vazio, pois mesmo</p><p>o vazio é considerado sensação. Segundo Deleuze e Guattari (1997):</p><p>Toda sensação se compõe no vazio, compondo-se consigo, tudo se mantém</p><p>sobre a terra e no ar, conserva o vazio conservando-se a si mesmo. Uma tela pode</p><p>ser inteira preenchida, a ponto de que mesmo o ar não passe mais por ela; mas algo</p><p>só é uma obra de arte se, como diz o pintor chinês, guarda vazios suficientes para</p><p>permitir que neles saltem cavalos.</p><p>Portanto, a arte vai muito além da tinta, da cor, da tela, ou de qualquer coisa</p><p>real, concreta que a faça existir. A arte proporciona enxergar o que não está visível</p><p>aos olhos. É necessário que o momento da apreciação provoque sensações capazes</p><p>de enxergar os mais diversos signos associados a condição de vida, ao</p><p>acontecimento, ao diálogo e as relações de encontro entre o objeto, o material, a</p><p>técnica e as intencionalidades existentes a partir da criação da obra pelo artista.</p><p>O artista contemporâneo não está mais em busca da beleza da forma: ele</p><p>está em busca de uma nova sensibilidade, que pode se afastar dos ideais</p><p>estéticos da beleza. Mas ele quer provocar o observador a refletir sobre si</p><p>mesmo e sobre seu papel no mundo. A arte contemporânea está voltada</p><p>principalmente para as questões existenciais, para o fazer pensar. (BINI,</p><p>2018)</p><p>Deleuze e Guattari (1997) vão dizer que “a visão existe pelo pensamento, e o</p><p>olho pensa, mais ainda do que escuta”. Isto porque toda obra de arte, seja ela uma</p><p>36</p><p>pintura, um desenho, uma gravura, uma escultura, ela é percebida como pensamento,</p><p>entregando ao olho do espectador tudo que for possível.</p><p>Neste sentido, o que se conserva na obra de arte são os perceptos e afectos,</p><p>não o material ou a obra em si, mas as sensações que ela causa, fazendo com que o</p><p>material se integre na sensação. Para Deleuze e Guattari (1997) mesmo se o material</p><p>só durasse alguns segundos, daria à sensação o poder de existir e de se conservar</p><p>em si, na eternidade que coexiste com esta curta duração. Nesta perspectiva, os</p><p>autores consideram que “o objetivo da arte, com os meios do material, é arrancar o</p><p>percepto das percepções do objeto e dos estados de um sujeito percipiente, arrancar</p><p>o afecto das afecções, como passagem de um estado a um outro” (1997). Isto é</p><p>interpretado como um bloco de sensações, ou seja, um puro ser de sensações.</p><p>A arte também é analisada como independente do criador, pois os artistas são</p><p>percebidos como filósofos, como aqueles que viram algo na vida grande demais para</p><p>qualquer um, até mesmo para eles. Os artistas, ao criar uma obra de arte, passam</p><p>pelo percepto, ou seja, buscam um motivo para sua obra. Para Deleuze e Guattari</p><p>(1997), os artistas são aqueles que inventam o não conhecido e desconhecido,</p><p>associam o afecto a força de criação. O artista é mostrador, inventor e criador de</p><p>afectos, em relação com os perceptos ou as visões que nos dá. O artista, por meio da</p><p>sua obra, pode proporcionar modificações nos sujeitos afetados pela experiência</p><p>estética.</p><p>Mas não é somente em sua obra, representada pelo objeto em si, que o artista</p><p>cria, ele vai além, ou seja, ele pode transformar o público, fazer o público pensar e</p><p>refletir diferente. Este pressuposto categórico composto por técnica e estética, integra</p><p>o público na manifestação artística. Para Deleuze e Guattari (1997).</p><p>É assim, de um escritor a um outro, os grandes afectos criadores podem se</p><p>encadear ou derivar, em compostos de sensações que se transformam, vibram, se</p><p>enlaçam ou se fendem: são estes seres de sensação que dão conta da relação do</p><p>artista com o público, da relação entre as obras de um mesmo artista ou mesmo de</p><p>uma eventual afinidade de artistas entre si. O artista acrescenta sempre novas</p><p>variedades ao mundo.</p><p>37</p><p>A criação que traz a luz do dia são os perceptos e afectos, são os devires não</p><p>humanos do Homem. Isto porque, para estes filósofos, o olho pensa e esta visão traz</p><p>à tona o invisível, ou seja: Como ver e pintar os sons? Como ouvir as cores latentes?</p><p>São perguntas que dialogam com a invisibilidade da arte. É tornar sensível as forças</p><p>insensíveis que povoam o mundo, é permitir que a arte provoque, que sensibilize, que</p><p>afete, e por meio destas sensações, faz surgir o devir. É ir além do que é julgado real</p><p>e concreto. Outro aspecto a destacar é que, para Deleuze e Guattari, a arte não tem</p><p>opinião, mas ela é capaz de abstrair a sensação da opinião.</p><p>Estes compostos de sensações são provocados pelas categorias estéticas que</p><p>a arte pode expressar. Categorias estas que estão associadas às sensações</p><p>presentes na apreciação artística, no contato com a arte, na experiência provocada.</p><p>7.2 O pensamento estético de Herbert Marcuse</p><p>A noção estética que Marcuse propõe é compreendida em dois momentos. No</p><p>primeiro, não há distinção entre estética e arte; já, no segundo, as linguagens da arte</p><p>constituem-se como componentes que fazem parte da forma estética. Neste sentido,</p><p>a relação presente entre ambas estará em todo nosso percurso de exposição no</p><p>interior de um movimento dialético que envolve afirmação, negação e efetividade.</p><p>Seu ponto de partida é a literatura do século XVIII e XIX, sem excluir as</p><p>linguagens da música, teatro, artes plásticas etc. Sua tese de doutoramento intitulada:</p><p>Der Deutsche Künsterroman (O romance do artista alemão), apresentada em 1922 na</p><p>Universidade de Freiburg, é a segunda experiência sistemática sobre arte. Neste</p><p>estudo, Marcuse separa a experiência da arte e do artista da totalidade das relações,</p><p>a fim de compreender que existe um poder existente na experiência da arte que está</p><p>além da vida concreta.</p><p>O poder existente na arte está situado no rompimento que ela faz com o mundo</p><p>estabelecido contido na concentração econômica, meios de comunicação de massa,</p><p>mercado internacional, racionalidade tecnológica, personalidade tecnológica e razão</p><p>instrumental. A estética e as linguagens da arte, possibilitam que os indivíduos</p><p>38</p><p>percebam as coisas de forma diferente. Segundo Marcuse, a estética e a arte</p><p>possuem o imperativo categórico segundo o qual “as coisas precisam mudar”.</p><p>É fundamental perceber que, para Marcuse, é clara a aproximação da arte no</p><p>contexto das relações sociais. Todavia, a experiência da arte não é “restritamente”</p><p>ligada à vida cotidiana, visto que, o mundo da arte e do artista é outro. Fantasia,</p><p>subjetividade e criatividade são constituintes da experiência da arte e assim,</p><p>diferenciam-se da totalidade. A própria sociedade identifica o artista e a arte como</p><p>tipos sociais distintos. É Marcuse (1977) que ao citar Dieter Wellershoff (1925- 2018),</p><p>nos adverte sobre a distinção da arte e o artista da vida comum. O esforço</p><p>desesperado do artista para fazer da arte uma expressão direta da vida pode vencer</p><p>a separação da arte da vida. Wellershoff aponta o fato decisivo: “existem diferenças</p><p>sociais intransponíveis entre a fábrica de conservas e o estúdio do artista: a fábrica</p><p>de Warho; entre o ato de pintar e a verdadeira vida que gira à sua volta”.</p><p>A relação do pensamento estético de Marcuse com a conjuntura histórica, seus</p><p>estudos sobre teoria crítica da sociedade, a política radical das forças de rebelião,</p><p>onde a arte se faz presente como dimensão acusadora enquanto arte pela arte,</p><p>motiva-nos a perceber e compreender toda a amplitude de seu estatuto</p><p>estético e a</p><p>sua contribuição em relação à filosofia e à arte. A experiência da arte na compreensão</p><p>marcusiana possibilita a consciência de si a partir do momento em que produz uma</p><p>outra imagem, para além da realidade concreta e estabelecida.</p><p>A dimensão estética pressupõe um constante movimento da arte, em</p><p>rompimento com as estruturas da sociedade estabelecida. A arte desperta a</p><p>possibilidade dos indivíduos continuarem o esforço de “ser,” e, principalmente aquilo</p><p>que “poderiam ser”. Esse processo só é possível inicialmente pela fantasia, que</p><p>confronta a sociedade administrada do estado estabelecido de coisas.</p><p>7.2.1 Independência e libertação da Arte na dimensão estética de Marcuse</p><p>A Independência da arte ocorre dentro da estrutura da própria arte, destacando</p><p>as diversas formas existentes como uma espécie de transfiguração, tanto na obra,</p><p>como no estilo e na técnica. Temos, como exemplo, as transformações e</p><p>transgressões ocorridas nos movimentos literários como: surrealismo, dadaísmo,</p><p>39</p><p>expressionismo. Sua independência também ocorre em contraposição à estrutura da</p><p>totalidade compreendendo que, mesmo fazendo parte desta esfera, a arte possui a</p><p>capacidade de suplantar o dado concreto e as suas relações mistificadas.</p><p>É com a possibilidade da libertação ideal dada pela arte ao artista, através de</p><p>sua manifestação que, enfim, se consegue escapar de uma realidade opressora vindo</p><p>a construir a possibilidade de romper com automatismos e subjugações do fazer,</p><p>alcançando, dessa forma, a ativa condição de sujeito pensante, sujeito de si.</p><p>A separação da arte do processo da produção material deu–lhe a possibilidade</p><p>de desmistificar a realidade reproduzida neste processo. A arte desafia o monopólio</p><p>da realidade estabelecida em determinar o que é real e falo criando um mundo fictício</p><p>que, no entanto, é mais real que a própria realidade. (MARCUSE, 1977)</p><p>A libertação e a transcendência da arte surgem a partir de sua tensão imediata</p><p>com a “estrutura política” (práxis política radical). Doravante, o momento em que</p><p>relacionam sua experiência com a “estrutura política”, ela (arte) passa a não fazer o</p><p>movimento de recusa. Na esfera política, a própria arte findaria apenas como um</p><p>aparato dentro das estruturas dominantes do estabelecido.</p><p>Para comprovar a reflexão, lembramos aqui a utilização da arte como</p><p>instrumento (apenas apêndice) de comunicação, sendo, pois, apropriada como</p><p>aparato dominante de manipulação das consciências. E, isso, seja nas campanhas</p><p>publicitárias do nazi fascismo, seja na indústria da propaganda dominante na Rússia,</p><p>Alemanha, China, Itália ou EUA. Sob esse prisma, a arte, uma vez empregada dentro</p><p>de uma ótica da razão instrumental, se alicerça na estrutura política do estado, como</p><p>forma de anestesiar e, concomitantemente, reprimir os indivíduos. A arte é conduzida</p><p>como forma de aniquilação e destruição da consciência, e não como libertação.</p><p>Não obstante, a arte e sua dimensão estética conservam possibilidades para</p><p>um avanço qualitativo do ser humano. Segundo Marcuse (1977), “no centro desta</p><p>discussão, está a ideia de uma arte autônoma em confronto com a indústria de arte</p><p>capitalista por um lado, e a parte da propaganda radical, por outro”. A arte para além</p><p>das experiências e relações de produção cerceadas, ela enquanto tal, é produto da</p><p>subjetividade, criatividade e transcendência. Destarte, limitar a experiência da arte a</p><p>40</p><p>base material, como fizeram os estetas marxistas ortodoxos, seria destruir as</p><p>possibilidades de transformação constituintes da arte.</p><p>Marcuse defende na dimensão estética a revitalização da arte, enquanto</p><p>subversão da percepção dos indivíduos em meio à realidade estabelecida. O mundo</p><p>concreto das relações sociais, uma vez conduzido por uma razão instrumental</p><p>alicerçada no desenvolvimento das sociedades industriais avançadas, rege a vida</p><p>social, fazendo com que os indivíduos, inclusive os intelectuais, permaneçam</p><p>obedecendo às ordens do estado de coisas.</p><p>Esta é uma das questões que levam Marcuse a preocupar-se com a defesa das</p><p>faculdades mentais, bem como, da própria arte. Por isso, ele eleva a arte como</p><p>componente essencial para o pensar negativo. Trata-se de pensar a arte enquanto</p><p>negadora de um mundo que contradiz a si mesmo, e que, ao mesmo tempo, que se</p><p>contradiz, é nele, que se construirá as possibilidades com a arte. É na forma estética</p><p>que é possível surgir a oposição diante da realidade estabelecida através da catarse</p><p>reconciliadora da arte.</p><p>Isso pode soar romântico, e muitas vezes me censuro por ser talvez demasiado</p><p>romântico, em avaliar o poder radical, libertador da arte. Recordo a observação usual,</p><p>expressa há muito tempo, acerca da futilidade e talvez mesmo da culpabilidade da</p><p>arte: o Parthenon não valia o sangue e as lágrimas de um só escravo grego.</p><p>Igualmente leviana é a afirmação contrária de que somente o Parthenon justificou a</p><p>sociedade escravocrata. Bem, qual das duas afirmações é a correta? Se observo a</p><p>sociedade e a cultura ocidentais de hoje, o massacre e a brutalidade totais em que ela</p><p>se empenha, parece-me que a primeira afirmação é, talvez mais correta que a</p><p>segunda. Entretanto, a sobrevivência da arte poder vir a ser o único elo frágil que hoje</p><p>conecta o presente com a esperança do futuro.</p><p>Por fim, percebemos que os estudos iniciais de Marcuse, bem como sua</p><p>preocupação com as questões da arte e da estética, apresentam-se com objetivos</p><p>concretos. Ou seja, como possibilidades reais, onde a dialética se faz presente como</p><p>caminho de superação das situações reais. Sua defesa da arte nos faz perceber a</p><p>41</p><p>força que as linguagens possuem em contraposição às imagens da sociedade</p><p>estabelecida.</p><p>Mas essa afirmação tem a sua própria dialética. Não existe obra em que não</p><p>evoque, em sua própria estrutura, as palavras, as imagens, a música de uma outra</p><p>realidade, de uma outra ordem repelida pela ordem existente e, entretanto, viva na</p><p>memória e na antecipação, viva no que acontece aos homens e mulheres, e na</p><p>rebelião contra isso.</p><p>Compreender uma estética verdadeiramente marxista é trazer para seu campo</p><p>de estudo uma visão heterodoxa da arte. Levando em consideração que, diante das</p><p>sociedades estabelecidas, a única possibilidade de ruptura é por meio da fantasia e</p><p>da subjetividade dos indivíduos, talvez, esse ainda seja nosso primeiro movimento de</p><p>acusação do estabelecido. A ideologia ortodoxa na arte, levantada por parte de alguns</p><p>estetas marxistas, deixou-a na condição de simples objeto concreto, sem vida e</p><p>perspectivas de mudança radical. Como bem escreve Marcuse (1977), “a arte abre</p><p>uma dimensão inacessível a outra experiência, uma dimensão em que os seres</p><p>humanos, a natureza e as coisas deixam de se submeter à lei do princípio de</p><p>realidade, hoje dominante”.</p><p>42</p><p>8 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ALVES, Marina. Criação Visual e Multimídia. São Paulo: Cengage/Thonson learning,</p><p>2010.</p><p>AUMONT, Jacques. A imagem. São Paulo: Papirus, 1995.</p><p>BARBOSA, Ana Clarisse Alencar. Percepções sensíveis na arte contemporânea:</p><p>Concepção estética de Gilles Deleuze e Félix Guattari. 2018.</p><p>BINI, Fernando A. F. A frágil e complexa noção da arte contemporânea. In:</p><p>CONRADO, Marcelo (org.). Dilemas da Arte Contemporânea. Curitiba, 2018.</p><p>BINI, Fernando A. F. A frágil e complexa noção da arte contemporânea. In:</p><p>CONRADO, Marcelo (org.). Dilemas da Arte Contemporânea. Curitiba, 2018.</p><p>COUTO, Ronan Cardoso. A Escolarização da Linguagem Visual: Uma Leitura dos</p><p>Documentos ao professor. 2000. 160 f. Dissertação (Mestrado em Educação) –</p><p>Faculdade de Educação, Universidade Federal de Minas Gerais, Belo Horizonte.</p><p>2000.</p><p>DELEUZE, Gilles; GUATTARI, Félix. O que é a filosofia. 2 ed. Rio de Janeiro, RJ:</p><p>Editora 34, 1997.</p><p>DONDIS, Donis A. Sintaxe da linguagem visual. Tradução de Jefferson Luiz</p><p>Camargo. 2 ed. São Paulo: Martins Fontes, 2003.</p>

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