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<p>SISTEMA DE ENSINO PRESENCIAL CONECTADO</p><p>CURSO DE SERVIÇO SOCIAL</p><p>ROSÂNGELA SOUSA RIBEIRO</p><p>COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER:</p><p>Medidas Preventivas e Protetivas</p><p>Ruy Barbosa</p><p>2014</p><p>ROSÂNGELA SOUSA RIBEIRO</p><p>COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER:</p><p>Medidas Preventivas e Protetivas</p><p>Trabalho de Conclusão de Curso apresentado à UNOPAR - Universidade Norte do Paraná, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Serviço social.</p><p>Tutor Orientador: Bruna Castro da Silva Galeano</p><p>Professor Supervisor : Clarice da Luz Kernkamp</p><p>Ruy Barbosa</p><p>2014</p><p>DEDICATÓRIA:</p><p>Dedico este trabalho a toda minha família, e também a todas as pessoas que contribuíram direta ou indiretamente com a minha realização. Meu muito obrigado!</p><p>AGRADECIMENTOS</p><p>Agradeço a Deus pela a vida e pela força,pela vida e saúde, para trilhar essa caminhada durante esses quatro anos.</p><p>Agradeço, a minha família, que sempre me apoiou e esteve ao meu lado em todos os momentos.</p><p>Agradeço a meu amigo José Bonifacio Marques Dourado, a Assistente Social Ana Paula Rodrigues pelo o incentivo , amiga Wiviane Cerqueira Santos, e a todos colegas.</p><p>Agradeço a Secretaria de Ação Social,CREAS;</p><p>Agradeço a todos os funcionários e professores da Unopar na pessoa da tutora eletrônica Bruna Castro da Silva Galeano e de turma Abelice Narde Alexandrino, meu obrigado.</p><p>RIBEIRO, Rosângela. S.Trabalho de Conclusão de curso:Combate a Violência Contra a Mulher:Medidas Preventivas e Protetivas.2014. 40 folhas. Trabalho de Conclusão de curso (GRADUAÇÃO EM BACHAREL EM SERVIÇO SOCIAL) Sistema de Ensino Presencial Conectado,UNOPAR- Universidade Norte do Paraná, Ruy Barbosa , 2014.</p><p>RESUMO</p><p>O Trabalho de Conclusão de Curso com a temática : Combate a violência contra a mulher : Medidas preventivas e protetivas, pretende mostrar que essa realidade social, cresce cada vez mais em nosso país, onde se faz necessário conhecer um pouco mais sobre essa questão.Deste modo a violência contra a mulher , ocorre com maior incidência dentro de seus próprios lares, onde na sua maioria os agressores são maridos, namorados , ou companheiros.Assim a razão maior das agressões se justificam pelo o álcool, drogas, desemprego, ciúmes , e outros fatores.. Nesta perspectiva o estudo tem como objetivo demonstrar que a violência contra a mulher é um fenômeno social, que precisa ser combatido com ações preventivas e protetivas, advindas das políticas públicas, bem como por meio da Lei Maria da Penha sendo esta um marco importante nessa questão.Assim quanto aos suportes metodológicos , utilizou-se a pesquisa bibliográfica, interpretando-a como a busca de significação do conteúdo teórico exposto pelo os pesquisadores da área.Nesse contexto reflexivo ao finalizar o estudo monográfico, será possível uma nova compreensão desse grande desafio, que precisa ser combatido e vencido , por meio de uma atuação contundente do poder publico e da sociedade civil.</p><p>PALAVRAS-CHAVE: Lei Maria da Penha. Mulher. Sociedade. Violência.</p><p>SUMÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO .............................................................................................................4</p><p>CAPITULO 1-. A VIOLÊNCIA E SEU SIGNIFICADO............................................................7</p><p>1.1.Violência e sociedade.............................................................................................9</p><p>1.1.1.Violência de gênero............................................................................................11</p><p>CAPITULO 2- VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E SUAS CARACTERÍSTICAS...13</p><p>2.1 Tipos de violência cometidos contra a mulher...............................................17</p><p>2.1.1Conseqüências física e psicológica da violência contra a mulher.........20</p><p>2.2 A violência contra a mulher: um fenômeno social .......................22</p><p>2.2.1 Perfil das vitimas e do agressor da violência doméstica..........24</p><p>2.2.2 Principais razões da vitima permanecer na relação abusiva......................28</p><p>CAPITULO 3- POLITICAS PÚBLICAS NO COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER ...................................................................................................................31</p><p>3.1 Lei Maria da Penha e sua contribuição.........................................................34</p><p>3.1.1Inovações trazidas pela a Lei 11.340/06 e sua Constitucionalidade........37</p><p>3.1.2 A atuação do Assistente Social no processo de combate a violência contra a mulher..............................................................................................................40</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS.......................................................................................42</p><p>REFERENCIAS..........................................................................................................44</p><p>INTRODUÇÃO</p><p>O estudo monografico com o tema : Combate a violência contra a mulher : medidas preventivas e protetivas, pretende trazer a baila que medidas precisam se intensificar cada vez mais no trato dessa questão, para promover uma transformação social nesse sentido e mudar a realidade de muitas mulheres que sofrem com a violência.</p><p>De forma contundente a violência contra as mulheres é um fenômeno universal que atinge todas as classes sociais, etnias, religiões e culturas, sendo qualquer conduta, ação ou omissão de discriminação, agressão ou coerção, ocasionada pelo o simples fato de a vitima ser mulher e que cause dano, morte, constrangimento, limitação, sofrimento físico, sexual, moral, psicológico, social, politico ou econômico e perda patrimonial.</p><p>A violência contra a mulher pode se manifestar de várias formas, com diferentes graus de gravidades, geralmente, com episódios repetitivos e que na maior parte das vezes, costuma ficar encobertos pelo o silêncio.</p><p>Diante dessa premissa a violência contra a mulher ocorre, com maior incidência dentro de seus próprios lares e os agressores são na sua grande maioria maridos, namorados companheiros, onde a razão maior das agressões se justifica pelo o álcool, drogas, desemprego, ciúmes, inseguranças, impotência ou pelo o próprio machismo.</p><p>Assim a violência praticada contra a mulher em todos os contextos sociais é matéria de grande relevância tanto da sociedade em geral, como do poder jurídico com a criação da Lei Maria da Penha, tentando dessa forma minimizar suas ocorrências.</p><p>Objetivo Geral: Demonstrar que a violência contra a mulher é um fenômeno social, que precisa ser combatido com ações preventivas e protetivas, onde a criação da Lei Maria da penha é marco muito importante nesse sentido.</p><p>Objetivos Específicos :</p><p>- Saber que a violência contra a mulher pode ser combatida com ações eficazes das políticas publicas sociais;</p><p>-Descrever as causas e as conseqüências da violência contra a mulher.</p><p>-Conhecer a lei Maria da Penha e seus efeitos positivos no combate a violência contra a mulher;</p><p>-Analisar a atuação do assistente social dentro deste contexto.</p><p>Nesse sentido a problemática que situa-se essas questões se formulam no seguinte questionamento: Como a sociedade pode contribuir para o combate e a superação da violência contra a mulher ?, acredita-se que somente com políticas publicas eficazes no trato dessa questão onde a Lei Maria da Penha já é um caminho positivo para a sua minimização.</p><p>Desse modo a escolha deste tema justifica-se plenamente devido as observações feitas durante o período de estagio no CREAS do município onde constatou-se que existe um alto índice de mulheres que sofrem com a violência em todos os aspectos, desde físico, emocional e psicológico, bem com à violação de direitos, como sendo algo que acontece freqüentemente em nossa sociedade, gerando um problema grave que aos poucos tem chegado ao conhecimento da população.</p><p>Dessa forma o estudo tem grande relevância e importância , uma vez que permitirá</p><p>a violência domestica e familiar contra a mulher, cumprido assim o parágrafo 8º do art.226 da Constituição Federal:</p><p>Art. 226 A família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado. [...]§8º O Estado assegurará a assistência à família na pessoa de cada um dos que a integram, criando mecanismos para coibir a violência contra a mulher na forma da lei específica;</p><p>Assim anteriormente a criação da Lei 11.340/06, não existia em nosso país uma lei especifica para julgar os casos de violências domésticas contra a mulher,sendo que alguns casos eram processados e julgados nos Juizados Especiais Criminais.</p><p>Diante dessa demanda a Lei Maria da Penha foi promulgada no dia 07 de agosto de 2006, a Lei Maria da Penha foi um marco decisivo e importante e até hoje o que se tem de recente no que diz respeito às respostas do Estado contra violência doméstica contra a mulheres, mesmo que esta tenha sido sancionada sob pressão internacional.</p><p>Portanto compreende-se que essa veio garantir por Lei , a punição da vergonhosa e reincidente história da violência doméstica contra a mulher, ocorridas no Brasil, para que tenha fim ou ao menos , uma Lei que garanta efetivamente penalidades a quem cometer tais infrações.</p><p>Ainda de acordo coma Revista da Prática Jurídica (2008): “ as ações afirmativas são medidas imprescindível no Estado Democrático de Direito para fazer mais curta a espera de milhões de pessoas que almejam sentir-se parte da sociedade, fruindo da igualdade de pontos de partida.</p><p>Só uma ação positiva suficientemente proporcionará que não produza dano desproporcional, a terceira será constitucional e poderá implantar –se com êxito na sociedade atual.Nesse sentido a Lei 11.340/06 , Lei Maria da Penha é exemplo de ação afirmativa.</p><p>Assim é importante lembrar que não se faz necessário apenas a elaboração dessa Lei no papel, seu cumprimento deve ser articulado com integrações de ações e políticas públicas desenvolvidas na sociedade e garantido por todas as esferas públicas, tornando-as abrangente e garantindo suas eficiências.</p><p>De acordo com Souza (2007,p.55) : o legislador da Lei 11.340/06 foi sensível a essa orientação e também estabeleceu a obrigatoriedade de o País priorizar o política pública voltada para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher, dispondo que essa política deve consistir em um “conjunto articulado” de ações , ou seja , uma integração das ações do poder público envolvendo a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios, bem como, de ações a serem desenvolvidas no âmbito da sociedade, ou seja, em âmbito não governamental.</p><p>Assim sua aplicação dada sua concepção para a criação de mecanismos de proteção e defesa da mulher vitima de violência domestica , encontra-se focada primordialmente na seara penal e assistencial, com, dispositivos mais enérgicos para o combate de agressões e a penalização dos agressores , bem como instrumentos de tratamento e recolocação social das vitimas.</p><p>Desta forma essa lei é uma reação à situação de indignação da violação dos direitos fundamentais da mulher, onde os caminhos a percorrer são acabarem com o silêncio da violência sofrida pedindo soluções que punam os agressores, considerando crime os atos violentos cometidos e estimulando as denuncias; pedir amparo à lei para a construção de políticas publicas que favoreçam as mulheres vitimadas.</p><p>3.1 Inovações trazidas pelo a Lei 11.340/06 e sua Constitucionalidade</p><p>A Lei 11.340/06, apelidada de Maria da Penha , mesmo não sendo perfeita, apresenta-se como um marco na história do combate a violência domestica contra a mulher.</p><p>Essa lei traz em sua essencial, uma estrutura adequada e especifica para bem atender a complexidade do fenômeno da violência, trazendo além de mecanismo de proteção , os de prevenção, assistências às vitimas , políticas públicas e punição mais rigorosa para os agressores.</p><p>È uma lei que tem mais cunho educacional e de promoção de políticas públicas e assistenciais , tanto para a vitima como para o agressor, onde sua intenção não é apenas punitiva , mas de proporcionar meios de proteção e promoção de assistência mais eficiente a salvaguardar os direitos humanos das mulheres.</p><p>Em seu Titulo I, denominado Disposições Preliminares, a Lei Maria da Penha estabelece suas fundamentações ; os direitos fundamentais da mulher, anuncia as condições para o exercício desses direitos; o comprometimento do Poder para desenvolver políticas garantidoras do referido direito, as condições para tanto e reconhece, de plano a hipossuficiência da mulher.Em seu Art. 1º a Lei 11.340/06 deixa expresso para que veio:</p><p>Art. 1º Esta Lei cria mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher nos termos do § 8º do art. 226 da Constituição federal, da Convenção sobre a Eliminação de todas as Formas de Violência contra a Mulher, da Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e erradicar a Violência contra a mulher e de outros tratados internacionais ratificados pela República Federativa do Brasil; dispõe sobre a criação dos Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher; e estabelece medidas de assistência e proteção às mulheres em situação de violência doméstica e familiar.</p><p>No aspecto objetivo a lei direciona-se especialmente a combater os atos de violência ocorridos no âmbito doméstico, familiar, ou intra familiar, ao passo que no contexto subjetivo a preocupação da lei é a proteção da mulher contra os atos de violência praticados por homens, ou mulheres com os quais ela tenha ou haja tido uma relação marital ou de afetividade ou ainda por qualquer pessoa com as quais conviva no âmbito familiar ou doméstico.</p><p>Assim há que salientar que com advento da Lei Maria da Penha , vieram algumas inovações, assim como , vantagens trazidas e introduzidas no contexto social de nosso país, onde percebe-se também que foi um marco jurídico da transição democrática e da institucionalização dos direitos humanos no país, consagrando dentre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil “ promover o bem de todos sem preconceitos de origem, raça, sexo , cor idade e quaisquer outras formas de discriminação, conforme dispõe o artigo 1º, IV.</p><p>Prevê também, no universo de direitos e garantias fundamentais que “ homens e mulheres são iguais em direitos e obrigações nos termos da Constituição”.</p><p>Assim estudos e pesquisas revelam a existência de uma grande desigualdade estrutural de poder entre homens e mulheres e grande vulnerabilidade social das mulheres, muito no que se refere à esfera da vida privada de suas vidas.</p><p>De forma contundente há ainda uma grande discussão a respeito da constitucionalidade da Lei Maria da Penha, pois com dois anos de vigência , a referida lei ainda tem sido destaque de muitas discussões pelo motivo de apenas focar a mulher como vitima da violência doméstica , o que estaria criando um privilégio e estabelecendo uma desigualdade injustificada.</p><p>O principio da igualdade é consagrado enfática e repetidamente na Constituição Federal. Logo no preâmbulo está o compromisso de assegurar a igualdade e a justiça, sendo que a igualdade o primeiro dos direitos e garantias fundamentais, conforme dispõe o artigo 5º.</p><p>Assim, alguns defensores da inconstitucionalidade da Lei Maria da Penha, afirmam que esta estaria ferindo não só o principio da igualdade, como também , o principio da isonomia entre os sexos, estabelecido no artigo 5º, inciso I da Constituição da República Federativa do Brasil.</p><p>Porém existe outros estudiosos que defendem a constitucionalidade, como Stela Valéria:</p><p>A Lei “Maria da Penha” atribui à mulher tratamento diferenciado, promovendo sua proteção de forma especial em cumprimento às diretrizes constitucionais e aos tratados ratificados pelo Brasil, tendo em vista que, a mulher é a grande vítima da violência doméstica, sendo as estatísticas com relação ao sexo masculino tão pequenas que não chegam a ser computadas .</p><p>Assim percebe-se que a igualdade não oculta as diferenças, a Constituição</p><p>é bem clara no que diz respeito aos termos de proteção ao trabalho, no artigo 7º, xx ; “em que há um tratamento diverso entre homem e mulher.</p><p>Vale ressaltar que a diferença previdenciária é outro ponto importante, pois assegura no § 7º, do artigo 201 da Constituição Federal, que será de trinta e cinco anos a contribuição se for homem, e de trinta anos , de contribuição se for mulher.</p><p>Conclui-se então que a Lei Maria da Penha, não seria inconstitucional sendo a própria constituição atentada quando ao dever do Estado de criar mecanismos para coibira violência no âmbito das relações familiares, conforme o artigo 226, § 8º, e o mecanismo, no caso, criado para coibir a violência doméstica e familiar foi a Lei 11.340/06, que além de gerar mecanismos para coibir e prevenir a violência doméstica e familiar contra a mulher, harmonizou-se com a Convenção Interamericana para prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher.</p><p>Assim essa Lei se tornou uma poderosa arma no combate a violência que tão de perto assola a vida de milhões de mulheres em nosso país, contribuindo para que mudanças aconteça de forma eficaz no trato dessa questão, onde por meio de sua prática e aplicabilidade teremos um novo contexto social.</p><p>3.1.2 A atuação do Assistente Social no processo de combate a violência contra a mulher</p><p>O Assistência Social tem na sua atuação, como objeto de trabalho a questão social, que se constitui nas expressões de desigualdade social, gestadas por uma sociedade capitalista neoliberal.</p><p>Frente a essas expressões, o profissional utiliza do conhecimento teórico-metodológico ético- político e técnico-operativo para pensar formas eficazes de intervenção.O objetivo profissional é viabilizar direitos e ampliar a cidadania, por meio de uma melhor qualidade de vida.</p><p>Dessa forma o Serviço Social atua no combate à violência doméstica inserido nas instituições que prestam atendimento à mulher vitima de violência, após a reconceituação da profissão e a defesa de um projeto ético-político em favor da construção de uma sociedade mais justa.</p><p>Nesse contexto a dimensão ética-política tem orientado a profissão a exercer um papel no sentido de orientar as mulheres discutindo com estas seus direitos, e se posicionando a favor da luta por políticas que venham a suprir as necessidades reais da vitima da violência contra a mulher.</p><p>Os profissionais de Serviço Social possui uma responsabilidade muito grande no trato da questão da violência doméstica contra a mulher, pois ele deve atuar a partir de seu local de trabalho , direcionando suas ações para proteger e orientar estas mulheres, vítimas de violência , a buscarem seus direitos, pois como diz Yazbek ( 1999:150): “ o assistente social é o intermediador direto tanto no atendimento concreto às necessidades apresentadas, como responde pelo componente sócio educativo que permeia a produção dos serviços assistenciais”.</p><p>Assim o profissional de Serviço Social, conforme o seu Código de Ética, tem suas ações comprometidas com o ideal de emancipação humana, de “ defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e do autoritarismo”(Bonetti, 1998:218).</p><p>Desta forma os assistentes sociais devem encontrar limites concretos para ação ética em defesa da realização dos direitos humanos impostos pelas contradições da sociedade brasileira capitalista , em a desigualdade social e as diversas formas de exclusão ( moral, social, cultural econômica ) sobrepõem-se à plena realização dos indivíduos.</p><p>A superação desses limites supõe o estabelecimento de atitudes críticas da parte dos profissionais, enquanto agentes éticos, de avançarem em suas práticas, no compromisso com a democracia, com a sociedade civil, na garantia de realização dos direitos humanos e na construção de uma sociedade justa e igualitária para todos. Ou seja, o Código de Ética do Serviço Social aponta em seus princípios fundamentais a “opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção de uma nova ordem societária, sem dominação exploração de classe, etnia e gênero”. (BONETTI,1998:218).</p><p>Assim os desafios para os assistentes sociais contribuem com a construção da cidadania das mulheres, vitimas de violência , não é tarefa simples. Nesta perspectiva Dessa forma a assistente social tem em sua formação até atuação nessa questão social especifica da violência doméstica.Assim é importante salientar a Lei que regulariza a profissão, deixando de lado um passado de cunho assistencialista, assim De acordo com Maciel (2002, p. 131-132):</p><p>A Lei Orgânica da Assistência Social - LOAS (1993) considera em seus objetivos “a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência e à velhice”, e compreende também que “assistência social realiza-se de forma integrada a políticas setoriais, visando ao enfrentamento da pobreza, à garantia dos mínimos sociais, ao provimento de condições para atender contingências sociais e à universalização dos direitos sociais”. De acordo com Maciel (2002, p. 131-132):</p><p>Nesse contexto podemos crer que a LOAS elege a família como um dos focos da atenção desta política pública, ou seja, a proteção à família se torna um eixo importante a ser considerado pela política setorial da assistência social.</p><p>Assim sabendo que a violência doméstica ocorre no âmbito familiar, fica a cargo do Assistente Social , juntamente com a equipe interdisciplinar , psicólogo, pedagogo e próprio assistente social, promover as famílias incidentes par a que não se torne reincidente aumentando assim os índices desse fenômeno.</p><p>CONSIDERAÇÕES FINAIS</p><p>A violência contra a mulher é algo cada vez mais discutido e comum nos dias atuais e muitas vezes acontecem com pessoas próximas e não percebemos devido a correria cotidiana.</p><p>O Trabalho de Conclusão de Curso enfatizou de forma clara a agressão sofrida pelas as mulheres , maiores vitimas, conforme as estatísticas bem como o seu combate, por meio de medidas protetivas e preventivas.</p><p>Dessa forma a pesquisa apresentou vários fatores na tentativa de entender a violência contra a mulher, onde alguns casos ocorrem devido a não aceitação ao fim de relacionamento, ambiente em que vivem e renda familiar, pois a maioria dos casos de violência são registrados em famílias de baixa renda, outro item é o consumo exagerado de bebidas alcoólicas e uso de drogas.</p><p>Nesse sentido nos últimos vinte anos a sociedade brasileira reconheceu a violência doméstica contra a mulher como um problema público e não apenas privado.</p><p>Décadas atrás a violência doméstica ficava restrita ao lar, não sendo questionada por quem a presenciava, só mais tarde este silêncio foi rompido, devido às conquistas do movimento feminista e às publicações de autores que dedicaram suas reflexões sobre a violência cometida contra a mulher. A divulgação das pesquisas sociais, a publicação de livros e artigos pode evitar o domínio patriarcal.</p><p>Diante desse contexto por meio da pressão da sociedade sobre o poder público , criou-se a Lei 11.340/2006, popularmente conhecida por Lei Maria da Penha, fruto da inércia da Justiça de nosso país em um caso grave e de repercussão na comunidade internacional, sendo agraciado como uma das três melhores leis do mundo sobre o tema.</p><p>Assim foi enfocado que medidas efetivas, multidisciplinares, das áreas médicas, jurídicas,econômicas, sociais e de líderes comunitários, serão fundamentais na prevenção da violência contra a mulher.</p><p>Mudar o comportamento social e cultural da sociedade não será fácil, mas com muito trabalho e medidas educativas que busquem a conscientização, a população ganhará novas forças para dizer não a violência doméstica e conjugal.</p><p>Nesse sentido compreendeu-se que a violência de gênero é o resultado político do medo e da insegurança que os homens têm das mulheres ocuparem seu espaço na sociedade.</p><p>Para que se resolva o problema da violência contra a mulher é necessário conscientização da sociedade no intuito de não mais reproduzi-la, quebra do silêncio quando este ocorrer, qualificação no seu</p><p>atendimento quando solicitado e principalmente estruturas disponíveis e adequadas para a realização do seu atendimento quando necessário.</p><p>Considera-se que é de suma importância o debate e o aprofundamento da questão , principalmente pelo profissional de Serviço Social, tendo em vista que este pode e deve atuar na proposição, elaboração e execução de políticas públicas que venham ao encontro das reivindicações destas mulheres, orientando as mesmas sobre seus direitos por meio de articulações e rede social na comunidade em que as usuárias estão inseridas e coloca-se como parceiro na busca efetiva de soluções, bem como participar de movimentos sociais para propor novas políticas públicas e acompanhar a efetivação das mesmas.</p><p>4</p><p>39</p><p>referências</p><p>AGUIAR, Cristina et al. Guia de serviços de atenção a pessoas em situação de violência.Salvador: Fórum Comunitário de Combate a Violência/Grupo de Trabalho Rede de Atenção, 2002</p><p>AZEVEDO, Maria Amélia. Violência física contra a mulher: dimensão possível da condição feminina, braço forte do machismo, face oculta da família patriarcal ou efeito perverso da educação diferenciada? In: ______. Mulheres espancadas: a violência denunciada. São Paulo: Cortez, 1985. p. 45-75.</p><p>BONETTI, Dilséa Adeodata “et alii”. Serviço Social e Ética: convite a uma</p><p>nova práxis. São Paulo: Cortez, 2ª ed. 1998.</p><p>BRASIL. Lei n. 11.340, de 7 de agosto de 2006. Cria mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher e dá outras providências. Diário Oficial da União: Poder Legislativo, Brasília, DF, 8 ago. 2006. p.1.</p><p>BOURDIEU, P. O poder simbólico. Rio de Janeiro: Bertrand Russel, 1989.</p><p>_____. A dominação masculina. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1999.</p><p>CARDOSO, N.M.B. 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Acesso em: 3 ago 2011.</p><p>GOMES, Orlando. Direito de família. Rio de Janeiro: Forense, 1981.</p><p>GROSSI, Patrícia Krieger. Violência contra a mulher: implicações para os profissionais de saúde. In: LOPES, Meyer de Waldow. Gênero e Saúde. Porto Alegre: Artes Médicas, 1996.p. 133-149.</p><p>MACIEL, Carlos Alberto Batista. A família na Amazônia: desafios para assistência social. Revista Serviço Social e Sociedade. São Paulo: Cortez, Ano XXIII, n. 71, p. 131-132, Set. 2002</p><p>MICHAUD, Y. A violência. São Paulo: Ática, 1989. 119p.</p><p>OMS. Relatório mundial sobre violência e saúde. Genebra: OMS, 2002</p><p>SAFFIOTI, H. I. B. Violência contra a mulher e violência doméstica. (Artigo).</p><p>_______. Gênero, Violência e Patriarcado. São Paulo: Fundação Perseu Abramo, 2004 (Coleção Brasil Urgente).</p><p>ONU. Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação Contra as Mulheres (1979) – CEDAW Adotada pela Resolução n. 34/180 da Assembléia Geral das Nações Unidas, em 18 de dezembro de 1979 e ratificada pelo Brasil em 1º de fevereiro de1984. Disponível em:<http://www.unifem.org.br/005/00502001.asp?ttCD_CHAVE=8466>; acesso em 24 de abril de 2010.</p><p>image1.png</p><p>por meio da revisão bibliográfica que novos conhecimentos sejam adquiridos. Para esse estudo foi adotado a metodologia direta com pesquisa bibliográfica, e analise de conteúdo sobre o tema: combate a violência contra a mulher: medidas preventivas e protetivas.</p><p>Para a busca bibliográfica empregou-se como sujeito de pesquisa livros e documentos virtuais e material de pesquisa nas bases de dados do Scielo, Lilacs e Google acadêmico na perspectiva da temática: violência contra a mulher, Lei Maria da Penha, Violência domestica , bem como documentos do CREAS do município.</p><p>Assim foram organizados seguindo os seguintes passos para a sua elaboração: realização de leitura e aprofundamento do tema; organização dos textos e por fim redação final</p><p>Neste contexto está abordagem pretende proporcionar uma visão critica dessa realidade, bem como trazer resultados significativos na área do serviço social proporcionando ao pesquisador um entendimento mais amplo do cotidiano, contribuindo para a transformação dessa realidade tão brutal em nossa sociedade.</p><p>Nesse sentido o embasamento teórico do estudo basea-se nas pesquisas de :Prado, Saffioti, Gomes, Ramos, Silva, Souza , Chauí, Hermann, Costa, Soares, dentre outros.</p><p>Sendo assim a pesquisa acadêmica está estruturado em três capítulo onde o primeiro capítulo será: A violência e seu significado, subdivididos em: Violência e sociedade e Violência de gênero.</p><p>O segundo capitulo falará sobre: Violência contra a mulher e suas características mostrando os tipos de violência , as conseqüências e perfil das vitimas e do agressor da violência doméstica, apresentando as principais razões da vitima permanecer na relação abusiva.</p><p>Já o terceiro capitulo abordará sobre:As políticas públicas no combate a violência contra a mulher, discorrendo sobre Lei Maria da Penha e sua contribuição mostrando suas inovações no campo jurídico e social, bem como deve ser a atuação do Assistente Social no processo de combate a violência contra a mulher.</p><p>Desse modo o estudo proporciona resultados significativos na área do serviço social visto que a violência contra a mulher se constitui uma violação aos direitos humanos, onde o drama dessa violência é uma questão importante a ser estudada, pois à medida que permite a construção de novos conhecimentos e melhor compreensão de suas causas e efeitos, também pode orientar intervenções profissionais mais seguras e apoiadas em conhecimentos teóricos mais atualizados, onde o Serviço Social possui um papel importantíssimo para a mudança dessa realidade social tão cruel e desumana.</p><p>CAPITULO 1- A VIOLÊNCIA E SEU SIGNIFICADO</p><p>A violência é um comportamento de uma pessoa contra um ser vivo ou um objeto, estando inserida em todos os segmentos da nossa sociedade, podendo acontecer em qualquer lugar.</p><p>A palavra violência vem do latim violentia, que quer dizer caráter violento ou bravio , o verbo violare , significa tratar com violência , profanar , transgredir, onde estes termos devem ser referidos a vis, que mais profundamente, significa dizer a força em ação, o recurso de um corpo para exercer a sua força, e portanto , a potencia, valor , a força vital.</p><p>È ainda um ato de brutalidade, abuso, constrangimento, desrespeito, discriminação, impedimento, imposição, ofensa, invasão, sevícia, agressão física, psíquica, moral ou patrimonial contra alguém e caracteriza relações intersubjetivas e sociais definidas pela ofensa e intimidação pelo medo e terror. Dessa forma ocorre violência quando :</p><p>(...) há violência quando, numa situação de interação, um ou vários atores agem de maneira direta ou indireta, maciça ou esparsa, acusando danos a uma ou varias pessoas em graus variáveis, seja em sua integridade física, seja em sua integridade moral, em suas posses, ou em suas participações simbólicas e culturais.(MICHAUD 1989:10)</p><p>A violência é considerada um fenômeno biopsicossocial cuja complexidade dinâmica emerge na vida em sociedade, sendo que esta noção de violência não faz parte da natureza humana por não possuir raízes biológicas .</p><p>Por isso a compreensão desta leva a analise histórica , sociológica e antropológica, levando em consideração as interfaces das questões sociais , morais econômicas, psicológicas e institucionais.</p><p>Algumas visões adotam uma posição maniqueísta da violência , que ajudam a explicar o uso abusivo da força sobre o outro, mas há também visões do ato violento como algo ligado ao poder, tal como argumenta Chauí:</p><p>Em primeiro lugar, como conversão de uma diferença e de uma assimetria numa relação hierárquica de desigualdade, com fins de dominação, de exploração e opressão. Em segundo lugar, como a ação que trataria um ser humano não como sujeito, mas como coisa. Esta se caracteriza pela inércia, pela passividade e pelo silêncio de modo que, quando a atividade e a fala de outrem são impedidas ou anuladas, há violência (CHAUÍ, 1985, p. 23-26).</p><p>Na visão de Chauí ( 1985), a violência é uma relação de forças caracterizada em um pólo pela dominação e no outro pela coisificação.</p><p>O pressuposto dessa definição é a idéia de liberdade , que pode ser entendida não como escolha voluntaria, opção, mas a capacidade de autodeterminação para pensar, quere, sentir e agir.</p><p>Nesse contexto Santos (2002), define a violência como um dispositivo de poder, composto por diversas linhas de realização, que realiza uma relação especifica com o outro, utilizando para isso,a força a coerção, produzindo-se assim, um prejuízo social.</p><p>Dessa forma nos dias atuais a preocupação com a violência coloca-se hoje como uma questão central para quase e porque não dizer a maioria das sociedade e se expressa de diferentes maneiras e sob vários aspectos.</p><p>O termo violência é geralmente associado a agressões físicas ou sexuais, resultado em lesões corporais, traumas psicológicos ou mortes, mas é importante chamara atenção para o fato de que a violência inclui também agressões que afetam a autoestima e a capacidade de relação de decisão da pessoa agredida.</p><p>Porém o tipo de violência que tem mais visibilidade para os registros de delegacias de policia e para as materiais jornalísticas é a violência corporal.</p><p>Não existe , pois, a menor duvida quando se afirma que a violência na contemporaneidade , está presente nas relações entre os indivíduos, grupos, nações ou povos, a tal ponto , que filósofos e tratadistas consideram que o ser humano se define essencialmente por e para a violência.</p><p>Supunha-se que com o advento da modernidade, dos processos de racionalização a ela inerente e o estabelecimento internalizado do direito e das normas institucionais entre a população superariam as violências clássicas e tradicionais em suas variadas manifestações; no entanto os dados extraídos dos acontecimentos sociais em suas distintas dimensões demonstram que este problema não será superado em curto prazo.</p><p>As violências apresentam um lastro negativo, porquanto tendem a submeter ou desarticular a vontade do outro, subtrair sua autonomia, eliminá-lo, expatriá-la ou simplesmente retirar sua posse, situações que denotam decomposição e perda de vigência das instituições que regulam o tecido social contemporâneo.</p><p>E por isso que as violências se expressam de diversas maneiras, incluindo a insegurança pública. Nesse sentido, a violência se revela não como potencia e força, mas com sinal de impotência, de insensibilidade, de decadência da vida e de intolerância. È produto da frustração individual e coletiva e, em sua essência negativa, sendo mais do que produto de condições objetivas da sociedade.</p><p>1.1. Violência e a sociedade</p><p>A violência sempre esteve presente na história da humanidade, sendo um dos graves problemas da sociedade, estando entre as principais causas de morte de pessoas com idade entre 15 e 44 anos.</p><p>O uso intencional da força física, ou abuso de poder , contra outra pessoa, grupo ou comunidade, traz impactos e conseqüenciais danosas à humanidade.A cada ano que passa a violência reduz a vida de milhares de pessoas em todo o mundo,</p><p>e com isso prejudica a vida de muitas outras, desestruturando famílias e a sociedade em geral.</p><p>Ela passou a fazer de nossas vidas de tal modo que pensar e agir em função dela se transformou em uma rotina diária , estando este fenômeno enraizado na vida do homem moderno.</p><p>Nesse contexto reflexivo de acordo com o Relatório mundial sobre Violência e Saúde citado por Dahlberg e Krug ( 2007), as formas de violências pode ser : autoinfligida, interpessoal e coletiva , onde essas modalidades fornece estrutura útil para a compreensão dos diversos tipos de violência , segundo as características daqueles que cometem o ato violente considerando a violência na vida cotidiana de indivíduos , famílias, e comunidades, na medida em que capta a natureza doa dos violentos, a relevância do cenário, a relação entre agente e vitima e, no caso da violência coletiva as possíveis motivações para a mesma.</p><p>A violência auto-infligidas é entendida como aquela que compreende o comportamento suicida e agressão auto-infligida; enquanto a violência interpessoal compreende tanto a violência intra-familiar, que ocorre usualmente nos lares, principalmente entre os membros da família ou entre parceiros íntimas , quanto a violência na comunidade , entre indivíduos sem relação pessoas , que podem ou não se conhecerem .Por outro lado a violência coletiva é subdividida em violência social, política e econômica.</p><p>Dentre todos os tipos de violência existentes, a intra-familiar , que envolve principalmente mulheres, crianças e pessoas idosas, é uma das mais cruéis e perversas , pois o lar é geralmente identificado como um local acolhedor e de conforto, que no entanto, em casos de violência , passa a ser um ambiente de perigo continuo que resulta em medo, ansiedade permanente e terríveis frustrações.</p><p>Dessa forma Saffioti (1995 ) ressalta que : “há uma tendência à rotinização da violência intrafamiliar, principalmente contra a mulher , em que a violência física chega a ser duas vezes superior à sofrida por homens”, vemos que a violência doméstica e a de gênero , ignora os limites entre as classes sociais , raça ou etnia.</p><p>Ainda segundo a autora o fato das classes mais pobres representarem um maior contingente da sociedade faz com que o número de registros apresente mais incidência entre elas, embora possa ocorrer violência em outras classes sociais, onde o índice de ocultação parece ser mais elevado, como uma forma de preservar “ status”.</p><p>Pode-se afirmar que a conseqüência imediata disto, é que a violência é percebida de forma heterogênea e multifacetada, a partir da própria estrutura simbólica vigente na sociedade.</p><p>Pode-se verificar também que a percepção contemporânea da violência foi ampliada não apenas do ponto de vista de sua intensidade, mas igualmente na perspectiva de sua própria extensão conceitual.</p><p>Convém então, dizer que as noções de violento e violência estão relacionadas á maldade humana, ou ao uso da força contra o fraco, o pobre ou destituído.</p><p>Nesse âmbito, o pobre, o fraco e o destituído surgem quase como que inocentes (como por exemplo, a criança que é espancada ou a mulher que é violentada), sendo um questão de categorização moral do que de pertinente classificação econômica ou política.</p><p>Segundo alguns autores pode-se firmar que a violência, assim como a dor, a doença, a inveja, tem uma distribuição desigual na sociedade.</p><p>Tem uma distribuição apenas associativa com certas categorias sociais. Elas sorriem para os pobres, muito mais do que para os ricos.</p><p>A violência em suas mais variadas formas de manifestação afeta as saúde por que representa um risco maior para a realização do processo vital humano: ameaça a vida, produz enfermidade, danos psicológicos que pode provocar a morte.</p><p>Assim a violência gera uma preocupação em inúmeras dimensões sociais e políticas por ser um comportamento inesperado, que causa sérios prejuízos de ordem física, moral e psicológica e social.</p><p>1.1.1 Violência de Gênero</p><p>O conceito de violência de gênero deve ser entendido como uma relação de poder de dominação do homem e de submissão das mulheres, onde os papeis impostos às mulheres e aos homens, consolidados ao longo da historia e reforçados pelo patriarcado e sua ideologia, induzem relações violentas entre os sexos e identifica que a prática desse tipo de violência não é fruto da natureza, mais sim do processo de socialização das pessoas.</p><p>Assim não é a natureza a responsável pelos padrões e limites sociais que determinam comportamentos agressivos aos homens e dóceis e submissos às mulheres.</p><p>Desse modo os costumes , a educação e os meios de comunicação , tratam de criar e preservar estereótipos que reforçam a idéia de que o sexo masculino tem o poder de controlar desejos e as opiniões e a liberdade de ir e vir das mulheres.</p><p>A violência de gênero produz e reproduz-se e reproduz-se nas relações de poder onde se entrelaçam as categorias de gênero , classe e raça/etnia, onde vem expressar-se uma forma particular de violência global mediatizada pela a ordem patriarcal, que delega aos homens o direito de dominar e controlar suas mulheres, podendo para isso fazer uso da força e da violência.</p><p>Neste aspecto, a ordem patriarcal é vista como um fator preponderante na produção da violência de gênero, uma vez que está na base das representações de gênero que legitimam a desigualdade e dominação masculina internalizadas por homens e mulheres.</p><p>“A “dominação “masculina, segundo Bourdieu (1999)” exerce uma” dominação simbólica” sobre todo o tecido social, corpos e mentes, discursos e práticas sociais e institucionais; diferenças e naturaliza desigualdades entre homens e mulheres.</p><p>Ainda para esse autor o domínio masculino, estrutura a percepção e a organização concreta e simbólica de toda a vida social. Nesse contexto compreende-se que :</p><p>No caso da violência contra a mulher ou violência de gênero, pode-se dizer que embora a dominação masculina seja um privilégio que a sociedade patriarcal concede aos homens, nem todos a utilizam da mesma maneira, assim como nem todas as mulheres se submetem igualmente a essa dominação. Se o poder se articula segundo o "campo de forças", e se homens e mulheres detêm parcelas de poder, embora de forma desigual, cada um lança mão das suas estratégias de poder, dominação e submissão (Araújo, 2008; Saffioti, 2001).</p><p>Dessa forma , pode-se dizer que a violência contra a mulher não é um fenômeno único e não acontece da mesma forma nos diferentes contextos, ela tem aspectos semelhantes , mas também diferentes em função da singularidade dos sujeitos envolvidos.</p><p>Apesar da presença comum do fator predominante- a desigualdade de poder nas relações de gêneros – cada situação tem uma dinâmica própria relacionada com os contextos específicos e as histórias de vida de seus protagonistas.</p><p>Por isso, na analise e compreensão da violência contra a mulher é fundamental levar em conta esses aspectos universais e particulares de forma a aprender a diversidade do fenômeno.</p><p>CAPITULO 2- VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER E SUAS CARACTERÍSTICAS</p><p>A violência contra a mulher não é nenhuma novidade na sociedade atual, acontecendo de diversas maneiras sob diferentes perspectivas, onde se faz necessário conhecer suas características para que possa combater.</p><p>Este tipo de violência contra a mulher é um fenômeno histórico , que dura a milênios , pois a mulher era tida com um ser sem expressão ,uma pessoa que não possuía vontade própria dentro da ambiente familiar e na própria sociedade, servindo apenas para ser dona de casa e procriar.</p><p>A violência contra a mulher é uma forma de discriminação e uma violação de direitos humanos, que causa sofrimentos indizíveis e perdas em vidas humanas, e devido a ela, um grande números de mulheres em todo o mundo vive o sofrimento e medo.</p><p>A violência impede-as de alcançar a sua realização como pessoa, entrava o crescimento econômico e compromete o desenvolvimento, onde a amplitude e a dimensão da violência são um reflexo do grau de persistência</p><p>da discriminação que as mulheres continuam a enfrentar.</p><p>A violência não é episódica, pelo o contrário, é corrente, socialmente tolerada e escondida pela a vitima em nome da sacralidade da instituição familiar.</p><p>Infelizmente, essa manifestação desumana e preocupante que se desenvolve no plano microssocial e ganha , a cada dia, mais adesão no interior de diversos lares brasileiros.</p><p>Nesse sentido a origem da violência contra as mulheres reside na desigualdade histórica das relações de poder entre homens e mulheres e na discriminação geral de que as mulheres são objeto tanto na esfera pública como privada.</p><p>Desse modo as disparidades patriarcais de poder , as normas culturais discriminatórias e as desigualdades econômicas negam às mulheres os seus direitos fundamentais e perpetuam a violência.</p><p>No contexto mais vasto da subordinação das mulheres, as causas específicas incluem o recurso à violência para resolver conflitos, as doutrinas sobre a vida privada e ao inércia do Estado, onde os padrões de comportamento individual ou familiar , nomeado de maus tratos, estão igualmente relacionados como um aumento do risco da violência.</p><p>Nesse contexto a violência contra as mulheres não se limita a uma cultura, região ou país , nem a um grupo especifico de mulheres numa sociedade.</p><p>As diversas manifestações dessa violência e as experiências pessoais das mulheres dependem , porém de fatores como origem étnica, classe social,a idade, a orientação sexual , a incapacidade , a nacionalidade e a religião.</p><p>Dessa forma entre as várias características, que se associam com a perpetração da violência contra a mulher se destacam : ciúme, necessidade de poder e controle sobre a figura feminina e ainda a assertividade reduzida.</p><p>Além dos aspectos mencionados, pesquisas apontam que outras características proeminentes como a expressão da raiva ou hostilidade merecem atenção, onde existem ainda fatores agravantes dessa situação quando associado ao consumo e abuso de substancias como álcool e drogas.</p><p>Assim a violência acometida contra a mulher é considerada como um fenômeno social, pois suas conseqüências, vão muito além do domínio privado, podendo em muitos casos gerar crimes mais violentos como assassinatos.</p><p>Dessa forma a violência sofrida põe elas no seu cotidiano causa-lhe além de agressão física , problemas emocionais , constrangimentos sociais e traumas que prejudicam seu bem estar, assim para SAFFIOTI, (2002)“a violência contra a mulher pode ser cometida não apenas por parentes ou pessoas do mesmo convívio domiciliar, já a violência domestica é aquela cometida por alguém que de alguma forma sente-se parente da vitima ou que vivem na mesma residência e tem com ela laços afetivos”.</p><p>Neste contexto reflexivo a Assembléia Geral das Nações Unidas, de 1993, definiu oficialmente a violência contra as mulheres como :</p><p>“qualquer ato de violência de gênero que resulte ou possa resultar em dano físico, sexual, psicológico, ou sofrimento para a mulher, inclusive ameaças de tais atos, coerção ou privação arbitrária da liberdade, quer ocorra em público ou na vida privada” (THE JOHNS HOPKINS BLOOBERG SCHOOL OF PUBLIC HEALTH, 1999; apud DAY et al 2003).</p><p>Diante desse quadro de terror , as conseqüências desses atos atingem a saúde física e psicológica da mulher , onde dentro dos quadros orgânicos estão lesões, obesidade, fumo , invalidez, como aconteceu com Dona Maria da Penha, que ficou paraplégica.</p><p>já as seqüelas psicológicas podem ser ainda mais grave que seus efeitos físicos levando a mulher ao risco de sofrer problemas mentais graves como depressão , fobia, estresses e propensão ao consumo de drogas.</p><p>Nessa exposição de teorias e pensamentos de diversos autores que Walker (1979 apud AGUIAR, 2002)aponta três fases distintas, constituintes do ciclo da violência as quais variam tanto em intensidade como no tempo, para o mesmo casal e entre diferentes casais, não aparecendo, necessariamente , em todos os relacionamentos.</p><p>A primeira fase é de construção, em ocorrem incidentes verbais e espaçamentos em menor escala, como chutes e empurrões.Nesse momento , as vitimas, usualmente , tentam acalmar o agressor, aceitando a responsabilidade pelos problemas dele.</p><p>A segunda fase é caracterizada por uma incontrolável descarga de tensão, sendo a mulher espancada, independente de seu comportamento diante do homem que sempre utiliza armas e objetos para a agredi-la.</p><p>Já a terceira fase corresponde a uma temporária reconciliação, que é marcada por um extremo amor e comportamento gentil do agressor, que tem consciência de ter exagerado em suas ações e, subsumindo-se no arrependimento, pede perdão , prometendo controlar sua raiva e não feri-la.</p><p>Diante disso, por existir o medo de prestar queixa quando se é violentada, e a esperança de que essas não voltem a se repetir, fazem com elas se submetam a novos episódios de violência ainda mais freqüentes e intensos.</p><p>Assim segundo Day (2003), esse tipo de violência é mais comumente parte de um padrão repetitivo do que um único ato de agressão física, em casos extremos esse tipo de violência leva á morte da mulher.</p><p>Golpes, chutes e surras, tentativas de estrangulamento e queimaduras, intimidação, humilhações, coerção sexual e a tentativa de homicídio são as varias formas que o parceiro intimo pode tomar para agredi-la.</p><p>O autor ainda cita que um em cada três mulheres já foi espancada, coagida ao sexo ou já sofreu alguma forma de abuso durante a vida.</p><p>Dessa forma muitas mulheres enfrentam a violência nas variadas condições sociais, sendo importante ressaltar que o motivo econômico nem sempre acaba sendo o fator determinante.</p><p>Os autores do fragmento seguinte acreditam ser sim está somente a condição favorável ao acontecimento, mais não o fator principal, como alguns acreditam que sejam , assim:</p><p>O fenômeno da violência conjugal ocorre em todos os níveis sócios econômicos, sobretudo naqueles de baixa renda, pelo fato de que as dificuldades financeiras, a miséria e as desestruturações familiares,favorecem o clima de instabilidade no humor, exacerbando os comportamentos agressivos nos indivíduos. (Lystad, 1975; Prado & Oliveira, 1982; Oliveira et al.,1984; Azevedo, 1985).</p><p>Diante dessa citação percebe-se de forma clara que a violência doméstica é um problema de alta complexidade e como tal, necessita de uma atuação eficiente tanto do Estado como da própria sociedade.</p><p>Diante dessas explanações contundentes compreende-se que a violência contra a mulher perpetrada no ambiente domestico pode ser dominada como violência domestica ou violência intrafamiliar. Entre representantes da denominação de violência doméstica, está Silva que diz :</p><p>,...que compreende como aquela violência ocorrida na âmbito familiar entre pessoas com vinculo consangüíneo ou não, como no caso de pais e filhos, entre irmãos, primos, padrastos e enteados. E se fora dele, por pessoas que possuem ou já possuíram relações afetivas sexuais entre si, como no caso dos namorados, amantes , amásios, maridos companheiros ou ex...( SILVA, 2002 p.69)</p><p>Nesse contexto esse tipo violência é o que causa mais dor, mais tristeza, pois o lar, deveria ser o lugar de aconchego, apoio, mas ao contrario acaba se transformando em local de tristeza, e de revolta, deixando marcas permanentes na vitima, sendo difícil de arrancar.</p><p>A desconsideração da violência doméstica contra a mulher como um grave atentado aos direitos humanos, e sua concepção como parte inexorável das relações de casal, potencializa a dificuldade de intervenção estatal no espaço privado e a conseqüente repressão penal.</p><p>Assim é necessário que medidas sejam intensificadas , e que o poder público atue de forma mais acentuada, para a minimização dessa mazela, que cresce sem precedentes no seio da sociedade.</p><p>2.1 Tipos de violência cometidos contra a mulher</p><p>As tipificações de violências que são praticadas contra a mulher são diversificadas, onde cada uma deve ser conhecida para ser combatida de forma eficaz.</p><p>Desse modo com o advento da Lei nº 11.340/2006</p><p>propiciou ao ordenamento jurídico ema visão completa dos malefícios da violência doméstica e familiar contra a mulher, vistos agora como um complexo de atitudes transgressoras.</p><p>Assim os tipos de violência foram divididos e classificados, onde segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a divisão dos tipos de violência pode ser feita segundo a fase vital em que a mulher encotra-se abarcado, daí os mais variados tipos possíveis, apresentando-se portanto :</p><p>Na fase pré-natal, [...] abortos seletivos segundo o sexo e os efeitos sobre o recém nascido da violência sofrida durante a gravidez. Na infância [...] infanticídios femininos, abusos físicos, sexuais e psicológicos. Na puberdade, [...] incesto, prostituição infantil e pornografia. Na fase da adolescência e vida adulta, descreve as</p><p>agressões durante o período de namoro ou noivado [...] violência conjugal, estupro marital, [...] abuso psicológico, abuso de mulheres com incapacidades e gravidez forçada. Por fim, na fase da velhice [...] suicídios forçados ou homicídios de viúvas por razões econômicas. (OMS, 2002 apud ROVINSKI, 2004, p.6).</p><p>Ao ser elaborada essa planificação, traçaram-se mais objetivamente os perfis das vitimas e dos agentes agressores, ampliando a visão das autoridades responsáveis no auxilio, onde a idéia de que só a violência visível- a física- seria o principal foco a ser coibido cai por terra, pois percebe-se que existe uma variedade de violências sob diversas formas praticadas contra a mulher.</p><p>Diante desse contexto expositivo, às formas de violência mais comuns em sociedade são a física, que é o ato de provocar lesões corporais possivelmente diagnosticáveis , tais como cutâneas, neurológicas, oculares e ósseas, provocadas por queimaduras, mordidas , tapas, espaçamento, ou qualquer ação que ponha em risco a integridade física da mulher.</p><p>Outra forma de violência é a sexual , que corresponde a qualquer forma de atividade e prática sexual sem consentimento , com o uso de força, intimidações , chantagens, ameaças, manipulações, ou qualquer mecanismo que anule ou limite a vontade pessoas, como por exemplo, forçar a prática de atos sexuais que lhe desagradem ou criticar seu desempenho sexual, e até obrigá-la a ter relações sexuais com outras pessoas.</p><p>A violência emocional ou psicológica também é outra forma de violência contra a mulher, sendo evidenciada pelo prejuízo à competência emocional da mulher, expresso por meio de tentativas de controlar suas ações , crenças e decisões , por meio de intimidação, manipulação e ameaças dirigidas a ela ou a seus filhos, sendo acompanhada de humilhações, isolamento, rejeição, exploração e agressão verbal, sendo no intuito de menosprezar e diminuir a mulher.</p><p>Assim sendo é considerado violento todo e qualquer ato que cause danos à saúde psicológica, à autodeterminação ou ao desenvolvimento pessoas, como por exemplo negar carinho, impedi-la de trabalhar , ter amizades ou até mesmo de sair de casa, sendo atos de hostilidades e agressividade que podem influenciar na motivação, na auto-imagem e na auto –estima feminina.</p><p>Outro tipo de violência é a patrimonial , que resulta em danos, perdas, subtração ou retenção de objetos, documentos pessoais, bens e valores da mulher, onde esta forma de violência pode ser visualizada através de situações como quebrar de móveis ou eletrodomésticos , rasgar roupas e documentos, ferir ou matar animais de estimação, tomar imóveis e dinheiro , ou até não pagar pensão alimentícia.</p><p>No que se refere à violência psicológica, o isolamento é uma de suas principais formas de manifestações, nesta pratica , o homem busca , através de ações que enfraqueçam sua rede de apoio, afastar a mulher de seu convívio social, proibindo-a de manter relacionamentos com familiares e amigos, trabalhar ou estudar.</p><p>Dessa forma o objetivo primário do isolamento social é o controle absoluto da mulher, já que , ao restringir seu contato com o mundo externo, ela dependerá única e exclusivamente de seu parceiro, tornando-se submissa a ele de forma forçada.</p><p>As primeiras tentativas do homem para efetuar isolamento da mulher se dão por meio da manipulação , arranjando situações como, por exemplo, marcar outros compromissos, para impedi-la de ir a reuniões familiares ou de amigos, ou por acusações de não estar cuidando bem da casa ou dos filhos.</p><p>Outro fator importante para a continuidade da violência é quando há uma dependência financeira em relação ao homem, seja pelo fato de ser proibida de trabalhar por ele, ou mesmo pela dificuldade ou comodidade de não ter emprego, esta se torna obrigada a recorrer ao marido, sempre que necessitar de dinheiro, situação que favorece a violência, pois em muitos casos, o homem utiliza de seu poder econômico como forma de ameaçá-la e humilhá-la, como disse o jurista baiano Gomes ( 1981,p.9) : “ Enquanto a mulher permaneceu sob a total dependência do homem , aceitou sua dominação absoluta.”</p><p>Assim ressalta-se que a violência psicológica , através de ameaças, é dirigida tanto à mulher como a outros membros da família, fazendo-se por meio de promessas de agressões e gestos intimidativos.</p><p>Uma característica comum àqueles que praticam este tipo de violência é a habilidade de encontrar o ponto fraco da mulher, que, em muitos casos, são os filhos, utilizando os como alvo todas as vezes que desejar feri-la.</p><p>Por ultimo existe a violência Social, onde se manifesta em oferecer menor salário a mulher do que ao homem, para o mesmo trabalho;Discriminar por atributos de gênero ou por aparência;Assediar sexualmente;Exigir atestado de laqueadura ou negativo de gravidez para emprego;Promover e explorar a prostituição e o turismo sexual de meninas e de adultas.</p><p>Como pode-se perceber pela classificação da violência praticada contra as mulheres, além de violar os direitos destas pessoas,ainda instaura agravos á saúde, instaurando uma situação problemática na vida da vitima.</p><p>Logo, este quadro requer políticas de intervenção social, ações de caráter interdisciplinar e intersetorial, compondo-se redes de varias assistências: á saúde, á segurança publica e pessoal, á justiça e ao bem-estar social.</p><p>Neste sentido, a visibilidade proposta por Shcraiberet al. (2005) seria, então, “tornar a violência contra a mulher, em todos os ângulos, dos interpessoais ou éticos aos políticos, como violação dos direitos humanos da pessoa mulher, seria também torná-la como questão de na sociedade”.</p><p>2.1.1 Conseqüências física e psicológica da violência contra a mulher</p><p>A violência contra a mulher é considerada grave violação de direitos humanos, as evidencias científicas mostram incidência elevada entre as mulheres com impactos severas para a saúde física, e psicológica .</p><p>Assim a Organização Mundial de Saúde ( OMS), reconhece a violência domestica contra a mulher como uma questão de saúde pública, que acaba por afetar negativamente a integridade física e emocional da vítima, seu sendo de segurança, configurada por circulo vicioso de “idas e vindas” aos serviços de saúde e o conseqüente aumento com os gastos neste âmbito . ( GROSSI, 1996).</p><p>Dessa forma cada tipo de violência gera, segundo Kashani e Alan ( 1998), “ prejuízos nas esferas do desenvolvimento físico, cognitivo, social, moral, emocional ou afetivo.</p><p>Assim as manifestações físicas da violência podem ser agudas, como inflamações, contusões, hematomas ou crônicas, deixando seqüelas para toda a vida, com limitações no movimento motor, traumatismos, a instalação de deficiências físicas, como veremos mais a frente no caso de Maria da Penha que ficou paraplégica devido as agressões sofridas por seu marido durante anos, entre outras.</p><p>As mulheres ainda apresentam riscos de traumas físicos, doenças sexualmente transmissíveis, infecção pelo HIV, e a gravidez resultante do estupro.</p><p>Diante disso e observando estudos acerca deste tema pode-se afirmar que além das marcas físicas, o aumento da pressão arterial, dores no corpo, principalmente na cabeça e dificuldades para dormir, que são sintomas descritos,</p><p>existe também em grandes escalas as marcas psicológicas como sentimento de culpa, de tristeza, ansiedade, medo que influência na realização de suas atividades, tanto no trabalho como no ambiente doméstico.</p><p>Desse modo os sintomas psicológicos freqüentemente encontrados em vitimas de violência domesticam são : insônia, pesadelos, irritabilidade, falta de apetite, falta de concentração , e até o aparecimento de sérios problemas mentais como depressão, ansiedade, síndrome do pânico , estresse pós-traumatico, além de comportamentos auto-destrutivos como o uso de álcool e drogas ou até mesmo tentativa de suicídio.</p><p>A violência contra a mulher rompe com as paredes do ambiente doméstico, não escolhendo classe, raça, idade. Uma mulher pode permanecer durante anos vivenciando esse tipo de relação que lhe traz dor e sofrimento, sem nunca prestar queixa das agressões sofridas.</p><p>No que se refere a estes aspectos pode-se observar por meio de leituras bibliográficas, que as vitimas permanecem em media 2 a 5 anos no relacionamento.</p><p>Essa demora de denunciar se da talvez pelo medo que o agressor impõe a vitima, pela vergonha de está passando por esse tipo de situação ou até mesmo por dependência financeira.</p><p>Assim existe nesse sentido uma diferença marcante, onde mulheres com maior poder financeiro tem uma tendência a denunciar com maior facilidade seus agressores do que as mulheres que dependem financeiramente dos seus parceiros e assim acabam se calando contra a violência recebida.</p><p>Assim para as Para as Nações Unidas a violência contra a mulher engloba especialmente as ameaças:</p><p>Qualquer ato de violência baseado na diferença de gênero, que resulte em sofrimentos e danos físicos, sexuais e psicológicos da mulher; inclusive ameaças de tais atos, coerção e privação da liberdade seja na vida pública ou privada. (Conselho Social e Econômico, Nações Unidas, 1992)</p><p>Sendo assim percebe-se que se faz necessário que medidas sejam tomadas por meio de objeto de intervenções que melhorem o convívio social e privado das pessoas, que não dizem respeito apenas á ordem ou á legalidade do viver em sociedade, mas sobretudo á ética da igualdade entre humanos, sejam quais pessoas forem, a ao estimulo á ética da solidariedade, tanto social quanto interindividual.</p><p>Nesses sentido é dever de toda a sociedade buscar mecanismos para coibir esse tipo de violência, que tem deixado graves conseqüências na vida de milhões de mulheres , não só em nosso país mais em todo o mundo.</p><p>2.2 A violência contra a mulher: um fenômeno social</p><p>A violência acometida contra a mulher se constitui como um fenômeno social, pois ao analisar sua s conseqüências percebe-se que atinge proporções que vão além do ambiente familiar, ou seja do domínio privado da família, podendo em muitos casos gerar crimes mais violentos como assassinatos.</p><p>È importante compreender que a perspectiva feminina e marxista\ do patriarcado que domina e explora, foi introduzida no Brasil dor Heleieth Saffioti, uma famosa socióloga brasileira que estuda a sociedade e seus comportamentos, ao definir violência como expressão da dominação masculina resultando em violência contra as mulheres.</p><p>Desse modo vincula a dominação masculina aos sistemas capitalista e racista, onde para essa socióloga ““ a violência contra a mulher pode ser cometida não apenas por parentes, ou pessoas do mesmo convívio do domicilio, , onde esta violência pode ocorrer , por estranhos que nem sequer tenham relação com a vitima.</p><p>Já a violência domestica é aquela cometida por alguém que de alguma forma sente-se parente da vitima ou vivem na mesma residência e tem com ela laços afetivos, podendo ser parentes, empregados , esposos etc.</p><p>Nesse sentido o poder dado ao homem como patriarca é fruto de suas interações , bem como , uma autorização social para subordinar as vitimas que nesse caso são as mulheres.</p><p>Nesta perspectiva segundo o entedimento de Fraser (2001) “ a violência entre homens e mulheres persiste baseada em formas da sociabilidades ancoradas, na desvalorização que independe da condição econômica, social de paradigmático feminino , ou fragilizado socialmente”.</p><p>Dessa forma analisando o pensamento do autor acima compreende-se que a violência como fenômeno social torna-se expressão da supremacia do homem, gerada pela a ideologia do patriarcado, onde a ordem patriarcal de gênero é o resultado da organização social de gênero também.</p><p>Nesse contexto percebe-se que as mulheres vivem em situação de violência por seu companheiro , raramente ou quase nunca reage contra seu agressor, pois sentem-se intimidade impotente diante dos seus ataques.</p><p>Contudo, em muitos casos vingam-se dominando aqueles que tem menos força, como crianças, adolescentes, jovens do convívio familiar reproduzindo nesse sentido a dominação que ela própria sofre, porém é muito raro as mulheres que abusam sexualmente e são agressoras do marido.</p><p>Diante desse contexto foi feito uma pesquisa intitulada” Violencia Domestica : questão de policia e da sociedade”, mostra que apenas 1% das mulheres é apontada como agressora na violência conjugal.</p><p>Assim diante desse quadro Saffioti aponta para um fato interessante descoberto nesta pesquisa, onde relata o caso de uma mulher que sofreu durante muitos anos a agressão do marido, na esperança de mudá-lo.</p><p>Vendo que não mudaria as atitudes agressivas dele, ela resolve separar-se, segue com sua vida , entra na acadêmica de policia e se torna policia militar.</p><p>Contudo , seu ex-marido , continua a persegui-la, só que com uma diferença, agora ela estava a serviço do Estado, e tem poder e autonomia para agir de maneira que a Lei lhe permite.Assim, quando o ex-agressor procurou-a para incomodar ela deu-lhe um susto, e ele nunca mais apareceu.</p><p>Por meio desse relato vê-se que homens que são violentos, podem revela-se medrosos diante de uma autoridade , mesmo que seja feminina.Nesse sentido Mackinnom ( 1989) diz que : “ a sociedade só pune a violência cometida por homens contra mulheres, quando ela resulta em excessos como lesões”.Esta atitude errônea mostra certa tolerância que a sociedade tem para alguns práticas, como por exemplo, a violência simbólica e moral.</p><p>Assim ao descriminalizara violência sofre pela mulher, considerando-a de menor potencial ofensivo, deixa de realizar um trabalho preventivo que evitasse novas casos com a mesma vitima, onde as penas alternativas deveriam servir com caráter pedagógico que ofereça atendimento multidisciplinar aos envolvidos no “fenômeno”.</p><p>Dessa forma é imprescindível enfatizar que a violência contra a mulher é violência contra a família e as intervenções do Estado, precisam ir muito alem da responsabilização criminal do autor, sendo preciso que se faça valer o exercício da cidadania das mulheres , as possibilidades a de acesso à rede de serviços e à justiça, buscando ações educativas de prevenção.</p><p>2.2.1 Perfil das vitimas e do agressor da violência doméstica</p><p>Ao tentar traçar o perfil das vitimas da violência na âmbito familiar, percebe-se que os diferentes estudos sobre mulheres vitimas de maus-tratos afirmam que não existe um perfil determinado tanto da vitima como do agressor.</p><p>Porém, algumas conclusões extraídas das diversas pesquisas analisadas mostram alguns padrões comportamentais que se exteriorizam freqüentemente nos diversos casos de violência domestica</p><p>Dessa forma a violência se manifesta de maneira reiterada, sendo um padrão de conduta continuado; os agressores são geralmente homens, maridos, ex-maridos, companheiros ou ex-companheiros das vitimas.</p><p>Percebe-se ainda que os indivíduos que foram vitimas de maus-tratos na infância reproduzem estas condutas, e, por, isso , tem mais possibilidades de serem agressores, agredindo sua própria companheira, onde as agressões sofridas não são conhecidas até transcorrer um período de tempo, onde o crime doméstico se manifesta como violência física, psicológica, sexual, patrimonial ou moral.</p><p>Nesta perspectiva as mais diversas pesquisas sobre as vitimas da violência doméstica e familiar quanto</p><p>à caracterização da vitima, percebe-se que:</p><p>-a maioria das mulheres tem uma união consensual ;</p><p>-mais da metade delas tem filhos com o parceiro agressor;</p><p>-sua idade varia de 15 a 60 anos, mas a maioria é jovem (21 a 35 anos);</p><p>- são brancas.</p><p>Diante desses enfoques estudos brasileiros salientam, com maior ênfase, a baixa renda das mulheres vitimas de violência doméstica, onde a renda familiar predominante é entre um a três salários mínimos ( 42,6%)seguida pela a faixa de quatro a seis salários(36,1%) e uma categoria de 39,3% que não exercia atividades remuneradas .</p><p>As pesquisas também demonstraram que a mulher que trabalha fora de casa é mais consciente da situação,isto porque o exercício de atividade profissional assegura-lhe independência econômica encorajando-a a reagir e buscar soluções para o seu problema.</p><p>Os índices da violência contra a mulher nos grandes centros urbanos, coincidem com as do interior do pais, estando provado que a violência é um fenômeno global , presente tanto em países desenvolvidos, como nos subdesenvolvidos e nos que estão em desenvolvimento como é o caso do Brasil.</p><p>Dessa forma o caso brasileiro está correlacionado à pobreza, baixa escolaridade e a dependência econômica da mulher, onde os homens aparecem como maiores agressores, por outro lado as vítimas, são na sua maioria mulheres, ou o elemento mais frágil da relação, mas também :</p><p>As crianças são também vítimas mesmo que não sejam diretamente objeto de agressões físicas: ao testemunharem a violência entre os pais, as crianças iniciam um processo de aprendizagem da violência como um modo de estar e de viver e, na idade adulta, poderão reproduzir o modelo, para além de que a violência lhes provoca sofrimento emocional e os correspondentes problemas. (MACHADO E GONÇALVES, 2003, Pág.03)</p><p>Diante dessa citação vê-se que também as crianças sofrem com a violência praticada no contexto familiar , onde a violência traz conseqüências gravíssimas para as vitimas, que vão muito além de traumas óbvios das agressões físicas.</p><p>Desse modo Compreende-se que “a vítima tende a apresentar um perfil comum: serem envergonhadas, com dificuldade em reagir, caladas, conformadas, passivas, deprimidas e altamente dependentes sob o ponto de vista emocional” (Lynch, 2006).</p><p>O agressor nesse tipo de violência em sua grande maioria é o homem, não que não tenha mulheres agressoras,mas na maioria absoluta dos casos , o homem se configura o agressor, onde as mulheres quase sempre aparecem como vitimas da violência domestica.</p><p>O agressor possui características predominante,o fato de manter ou ter mantido relação afetiva intima coma vitima.</p><p>Assim o perfil do agressor é caracterizado por autoritarismo, falta de paciência, irritabilidade, grosserias e xingamentos constantes, ou acompanhados de alcoolismo e o uso de outras drogas. Complementando tais fatos Costa (2003 ) diz que :</p><p>Normalmente, o homem agressivo apresenta características comuns: “alcoolismo (álcool não só como circunstância, mas como hábito); desemprego (nível ocupacional reduzido); autoestima baixa; experiência com maus-tratos (as estatísticas colocam este fator entre os 40% e os 50% em termos de relação com essa prática); depressão; progressão da violência (a agressividade vai aumentando gradualmente, ao ponto de a violência, ao atingir o limiar físico, se juntar à violência psicológica); e precocidade (surgem algumas reações durante a juventude, como que predizendo o que vai suceder no futuro) ”. (Costa, 2003, pág. 78)</p><p>Por meio dessa citação vê-se que homem que é agressor, possui um Por meio dessa citação vê-se que homem que é agressor, possui um histórico de vida marcada por frustrações e problemas, o que não justifica tal ato.</p><p>Dessa forma o agressor pode ser qualquer tipo de homem, desde o mais sério e culto ao menos favorecido, porém em sua grande maioria absoluta , os que mais violentam as mulheres são os mais cultos em que, aparentemente, é um homem acima de qualquer suspeita.</p><p>Aparente ser um cavalheiro, de reputação ilibada e idônea, tanto no seu ambiente social e de trabalho, não demonstrando nenhuma atitude violenta, esta que só aparece dentro de casa.</p><p>Assim quando a mulher que foi vitima da violência pede algum tipo de ajuda, alguns vizinhos não acreditam que este “ homem cavalheiro “, tenha sido capaz de tal atitude, pois é difícil associar a imagem pública do homem respeitável à do espancador.</p><p>Do ponto de vista psicológico, esses homens têm uma insegurança muito grande em relação à própria virilidade, ao papel masculino, onde são possessivos e ciumentos, vendo as mulheres como propriedade e não suportam perder o controle sobre elas.</p><p>Em geral, de acordo com o relatório final da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a questão da violência contra a mulher no país, agressores são na sua maioria filhos de pais excessivamente autoritários e eles próprios foram em algum momento da vida vitimas de violência física na infância.</p><p>Diante desse contexto pode percebe-se então, que inexiste um perfil característico de um home agressor em que a sociedade possa apontar quem é um, não está escrito na testa deles; apesar de ser difícil determinar as razões ou motivações que podem desencadear este tipo de violência pode-se destacar que : a maioria dos homens têm necessidade de controle ou dominação sobre a mulher; a maioria deles liberam a raiva em resposta à percepção de que estaria perdendo a posição de chefe de família.</p><p>Eles acham-se donos delas porque escolheram aquela mulher , seduziram-na e elas têm que fazer o que eles querem , onde a mulher é encarada como um objeto de desejo, um objeto de posse.</p><p>Há ainda estudos que indicam que não existe coincidência significativa em relação à idade, nível social, educação, trata-se apenas de um grupo heterogêneo.</p><p>Apesar disso , é possível a firmar , segundo as diferentes investigações, que o maior índice de agressores se detecta na classe média baixa. Tratando-se de violência doméstica praticada pela mulher é estaticamente inexpressiva, inferior a 1% dos casos registrados.</p><p>Assim até hoje ainda não foram publicadas pesquisas cientificas significativas sobre patologias psiquiátricas dos agressores, mas é fato que eles se dividem entre portadores de diversos tipos de transtornos como por exemplo, transtorno explosivo da personalidade, dependentes químicos e alcoólatras.</p><p>Um agressor é sempre um agressor, eles batem, humilham, prendem, fecham à chave, tiram dinheiro , violam,a vulnerabilidade da vítima perante o agressor deve-se sobretudo ao fato de as mulheres quererem ser perfeitas e, como não são , passa a vida a se culpar.</p><p>Outro aspecto interessante e muito característico nos agressores é, a tendência à minimização da agressão e negação do comportamento agressivo, ou seja, muitos homens que batem em suas companheiras, afirmam que não o fazem, onde outro aspecto é atribuir à vitima a culpa por ter agido com extrema violência a tal comportamento.</p><p>Dessa forma a vitima de violência doméstica , levará anos a encontrar o seu equilíbrio e a encontra-se a si própria, carregando dentro de si marcas que ficarão eternizadas dentro de si.</p><p>Nesse contexto se faz necessário que estudos e pesquisas psiquiátricas sejam realizadas em torno dessa problema, para que possa-se saber com maior detalhes o perfil tanto da vitima como do agressor, para que a ciência possa também intervir na busca de tratamentos, para ao diminuir as estatísticas.</p><p>2.2.2 Principais razões da vitima permanecer na relação abusiva</p><p>Apesar dos movimentos das ultimas décadas a favor dos direitos humanos das mulheres, a violência domestica ainda é uma realidade bastante freqüente entre as mulheres do mundo, e também entre as brasileiras.</p><p>Assim surgem vários questionamentos como por exemplo: Porque tantas mulheres se envolvem e ainda permanecem em relações afetivas recheadas de violência? Porque a mulher simplesmente não sai da relação violenta assim que as agressões se iniciam? .</p><p>Desse modo não resta dúvidas que estas questões não admitem</p><p>respostas simples e nem descontextualizadas, afinal a dificuldade de transformação destas situações, por vezes, acirra a idéia de que algumas mulheres estariam optando, livre e conscientemente , por permaneceram em situação de violência, e que, portanto, é melhor como se diz no velho ditado popular “ em briga de marido e mulher ninguém mete a colher.Dessa forma colaborando com essas concepções Cardoso nos diz que :</p><p>Os motivos que levam a mulher a manter-se num relacionamento conjugal violento são vários. Dentre esses, merece especial atenção a manipulação mental em quer o agressor envolve a vitima.Se no contexto da violência ou mesmo após a agressão a mulher decide separar-se, ela acaba sendo convencida pelo o agressor, por meio de promessas , a não denunciá-lo e permanecer na relação abusiva. ( CARDOSO, 1997 apud SOUZA; ROS,2006)</p><p>Desse modo outro autor discorre que existem diversas situações em que levam as vitimas a continuarem no relacionamento que são, na visão Soares (2005) :</p><p>-Vergonha e medo : imagine a dificuldade que uma mulher tem para denunciar seu próprio parceiro. Não é a mesma coisa que apontar um ladrão que lhe rouba, além disso , há o perigo dele se tornar ainda mais violento, por tê-lo denunciado, considerando ainda a vergonha de reconhecer que seu romance fracassou e que sua meta de felicidade acabara em uma delegacia de policia;</p><p>-Esperança de mudança de comportamento: o agressor, além de pedir perdão ( durante a fase de lua de mel ), demonstra a mor, admiti erros, procura ajuda de profissionais como psicólogos e psiquiatras, ou uma igreja com o objetivo de mudar;</p><p>-Risco de rompimento : O que vemos é casos de mulheres que são mortas quando tentam deixar o agressor, onde a violência e as ameaças contra a vida da mulher e dos filhos tornam mais intensas no período de separação;</p><p>-Isolamento : as vitimas perdem seus laços familiares e sócias, pois os agressores são ciumentos, e controlam os movimentos da parceira, onde em alguns casos para a mulher , tornar a violência sofrida um fato público, significa vergonha e redução de esperanças de recompor a união.</p><p>-Barreiras que impedem o rompimento : percebendo a disposição da vitima em romper a relação, o agressor recorre a todo o, tipo de chantagem e ameaça com mulher ou filhos;</p><p>-Dependência econômica : muitas mulheres não tem uma capacitação profissional para o mercado de trabalho, para prover seu próprio sustento longe do agressor, ter sua própria renda;</p><p>-Deixar a relação e um longo processo: Preparação emocionalmente e economicamente, segurança para fuga. Tais iniciativas podem levar anos, principalmente se a mulher não contar com nenhum apoio.</p><p>-Negação social : quando pede ajuda, muitas vezes se deparam com indivíduos despreparados e desinformados acerca da situação, com isso perdem esperanças de encontrar apoio e acabam retornando a situação vivida, assim complementando com a esse contexto temos:</p><p>Outro forte motivador para que a mulher permaneça na relação violenta é a banalização com que o assunto da violência contra a mulher ainda é encarado pela a sociedade. Essa visão distorcida minimiza as agressões por meio de um entendimento dos acontecimentos como oriundos de estereótipos impostos à mulher , entendida como um ser frágil e sujeito as expectativas sociais... . Nessa concepção a violência contra a mulher torna-se um fato visto como impossível de não existir na sociedade (KOLLER, 2006, GROSSI, 1994 apud SOUZA; ROS, 2006).</p><p>Nesta perspectiva vê-se claramente segundo essa citação que os motivos são diversos, onde torna-se importante salientar que as escolhas de cada individuo dependem não apenas de sua consciência e vontade individual vistas de formas isoladas, mas da cultura, da situação social, do acesso a serviços, da opinião da comunidade, amigos , familiares,aspectos que fazem parte da construção e reconstrução cotidiana desses indivíduos.</p><p>Na concepção de Silva (1992) “ a violência contra a mulher é uma atitude cultural. A questão da violência está diretamente ligada ao problema da democracia e do autoritarismo.</p><p>A violência contra a mulher está afetando todas as classes sociais embora isso seja uma questão pouco divulgada, pouco conhecida, onde a impressão que se tem é a de pobre apanha a classes média ou rica na apanha</p><p>Apesar da luta feminista ter evoluído, levando a mulher a conquistar novos espaços, o processo de violência contra a mulher continua.</p><p>Em todos os lugares onde tenha que competir de forma mais aberta com os homens , no ar, no trabalho , na política, a mulher é violentada, onde as formas de violência retratam, a influência dos fatores psicossociais na formação de atitudes sociais no que diz respeito aos estereótipos de homem e mulher.</p><p>Na concepção de Silva (1992) “ a violência contra a mulher é uma atitude cultural. A questão da violência está diretamente ligada ao problema da democracia e do autoritarismo.</p><p>Assim a violência contra a mulher está afetando todas as classes sociais embora isso seja uma questão pouco divulgada, pouco conhecida, onde a impressão que se tem é a de pobre apanha a classes média ou rica na apanha.</p><p>No entanto, a violência é uma questão muito mais cultural do que economia. A vida da mulher e constituída dentro de padrões de comportamentos específicos cobrados pela sociedade em que vivem, o que somente varia de acordo com a situação econômica e sociocultural.</p><p>Diante do que foi discorrido , apesar dos avanços em torno da superação da violência contra a mulher, muito ainda resta por fazer, principalmente no que tange ao preparo dos profissionais do poder público para lidar adequadamente com o desafio de auxiliar e proteger as vitimas da violência.</p><p>Dessa forma apenas sentindo-se seguras e aparadas, alguns dessas mulheres poderão vencer o medo que as domina e denunciar, ultrapassando as barreiras que as impedem e obrigam a permanecer ao lado de seus agressores.</p><p>CAPITULO 3-POLITICAS PÚBLICAS NO COMBATE A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER</p><p>Na década de 70, a Assembléia Geral das Nações Unidas adotaram a Convenção para a eliminação de todas as formas de discriminação contra a mulher (CEDAW).Essa convenção visou a promoção dos direitos da mulher na busca da igualdade de gênero. Bem como, a repressão de quaisquer discriminação.</p><p>Desse modo a década de 70 é marcada no Brasil pelo o surgimento dos primeiros movimentos feministas organizados e politicamente engajados em defesa dos direitos da mulher contra o sistema social opressor- o machismo.</p><p>Nesse sentido a política sexista reinante até então , deixava impune muitos assassinatos de mulheres sob o argumento de legitima defesa da honra.</p><p>A partir do engajamento do movimento de mulheres e de movimento feminista contra essa forma de violência , que em 1981, surge no Rio de Janeiro, o SOS Mulher; seu objetivo era construir um espaço de atendimento às mulheres vitimas de violência , além de ser um espaço de reflexão e mudanças das condições de vida destas mulheres.</p><p>O SOS Mulher não se restringiu apenas ao estado do Rio, mas também foi implementada em outras capitais do país como São Paulo e Porto Alegre.” A então forte e bem sucedida politização da temática da violência contra a mulher pelo o SOS Mulher e pelo movimento de mulheres em geral faz com que, em São Paulo, o Conselho Estadual da Condição Feminina (...) priorizasse essa temática , entre outras”. ( SANTOS, 2001).</p><p>Diante desses movimentos com a parceria do Estado para a implementação de políticas públicas resultou na criação do Conselho Estadual da Condição Feminina em 1983; na ratificação pelo o Brasil da CEDAW em 1984,na criação do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, e da primeira Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), onde a criação das delegacias de Defesa da Mulher foi uma iniciativa pioneira no Brasil que anos depois foi adotada por outros países da America latina.</p><p>Ao ratificar a CEDAW, o Estado brasileiro se comprometeu perante o sistema global a coibir todas as formas de violência contra a mulher e</p><p>adotar políticas destinadas a prevenir, punir e erradicar a violência de gênero.</p><p>A Constituição Federal de 1988 incorpora aos direitos e garantias do seu texto original, os estabelecimentos em decorrência de acordos e tratados internacionais . Dessa forma , as Resoluções da convenção de Belém do Pará e da CEDAW são também garantias constitucionais, como expressa o artigo 5º parágrafo 2º, da Constituição Federal: ‘Os direitos e garantias expressos nesta Constituição não excluem outros decorrentes do regime e dos princípios por ela adotados, ou dos tratados internacionais em que a República Federativa do Brasil seja parte’. (BRASIL, 2006, p. 15-16)</p><p>Desta maneira com a criação das Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher ( DEAMs), vêem efetivar o compromisso assumido perante os sistemas internacionais, onde essa iniciativa contribuiu para dar maior visibilidade a problemática da violência contra a mulher, favorecendo a discussão da natureza criminosa da violência, perpetrada só questões de gênero e machismo, além de criar uma via de enfrentamento e erradicação ainda que seja difícil.</p><p>Diante desses exposto pode-se dizer também que as políticas públicas se constitui de fundamental importância , porque visa atender reivindicações em nome da ampliação da cidadania.</p><p>Assim faz parte da luta política ir além da denúncia da existência da violência contra as mulheres. È necessário criar condições para a mudança de mentalidade, para o reconhecimento e superação das condições sociais, culturais, institucionais e políticas que mantêm a mulher no lugar subalterno.</p><p>Desse modo cabe registrar que a conquista dos direitos políticos, pela mulher, constitui um elemento básico na conformação dos seus direitos de cidadania. Ao longo dos séculos, essa conquista se processo através de árduas lutas, algumas vitorias e muitas derrotas.</p><p>Nesse sentido as mulheres conquistaram vários avanços como em critério de desempenho profissional, a licença maternidade é uma importante medida de política publica em beneficio da mulher, inserida no mercado de trabalho.</p><p>Dentro da política de saúde, a conquista do direito ao acesso universal estabelecido na Constituição Federal, de 1988, é de grande importância para a sociedade brasileira.</p><p>Nesse sentido é também necessário a existência de programas destinados especificamente para a saúde da mulher.</p><p>È de conhecimento público que a ausência ou deficiência de programas tem levado muitas mulheres à morte prematura,onde deve-se destacar que programas emergenciais são indispensáveis para assegurar condições humanas a mulheres vitimas de violência, seja em Pronto Socorro, Delegacias de Mulheres, Abrigos e outros estabelecimentos do gênero.</p><p>Assim a luta da mulher não é um simples processo reivindicatório para ocupar espaço no mercado de trabalho ou ter sucesso profissional reconhecido, onde é importante lembrar que , a partir da luta, das organizações e movimentos de mulheres, surgem organizações voltadas a assegurar e defender seus direitos.</p><p>Nesse sentido a função de responsabilizar e punir o agressor, restrita à Justiça , apoiada pela a policia , e a função de diagnosticar , assistir, dimensionar impactos à saúde e ao desenvolvimento dos envolvidos, enfim toda a multiplicidade de ações implicadas, devem ser assumidas por outros órgãos,e , serviços , agente sociais</p><p>O impacto social das políticas públicas de combate à violência está intimamente relacionado à capacidade de desvelamento de seus vínculos e articulações sociais, políticas e sua imbricação estrutural.</p><p>Dessa forma a articulação é reforçada a partir dos dizeres de Camargo e Aquino ( 2003, p.48):</p><p>As políticas de proteção e segurança são essenciais para o enfrentamento à violência, mas é preciso avançar tanto em políticas de prevenção como na ampliação de políticas que articuladamente trabalhe para uma reversão da dependência financeira, elevação da autoestima das mulheres, fortalecimento da capacidade de representação e participação na sociedade, enfim, criem condições favoráveis à autonomia pessoal e coletiva.</p><p>Nesse contexto é colocado a responsabilidade do Estado na implementação de políticas públicas enquanto estratégias na luta contra a violência, entretanto é preciso atender as mulheres em suas mais diferentes necessidades .</p><p>Nesta perspectiva , duas novas questões devem ser apontadas no combate à violência : de um lado , é preciso valorizar a dinâmica de construção da violência , como um processo relacional, desmistificando os papeis de vitima e de algoz atribuídos a mulheres e homens e do outro lado o diálogo com desejo e o sentimento dos envolvidos, onde o questionamento a vitimização são conteúdos fundamentais nas políticas e ações públicas de combate a violência contra a mulher.</p><p>Só assim com políticas eficazes, teremos uma sociedade mais justa, onde a mulher deixará de vista como objeto, mas como cidadãos que tem direitos e que devem ser respeitados e cumpridos.</p><p>.</p><p>3.1 Lei Maria da Penha e sua contribuição</p><p>Durante muito tempo as militantes dos movimentos de mulheres lutaram para que as punições mais severas fossem dadas àqueles que agredissem suas mulheres, no intuito de alcançar penas realmente eficientes que combatessem a problemática da violência contra a mulher, porém , como a violência domestica não era considerada e nem aceita com um crime, medidas relevantes para o combate a esse tipo de violência demoraram a ocorrer, contribuindo para o aumento dos casos de violência e da impunidade para com os agressores.</p><p>A Lei 11.340/06 , representa uma ousada proposta de mudança cultural e jurídica a ser implantada no ordenamento jurídico brasileiro e busca a erradicação da violência praticadas contra as mulheres no Brasil.A Lei Maria da penha não trata da violência de gênero, no seu aspecto mais abrangente, mas tão somente àquela praticada pelo o homem contra a mulher.</p><p>Para falar dessa Lei é preciso antes de tudo conhecera história da mulher que deu o nome a tal lei, Maria da Penha Maia Fernandes, vitima de homicídio por parte de seu marido, sendo uma das milhares de vitimas de violência doméstica no país, sofreu , durante 6( seis ) anos, agressões de seu companheiro. Este, em maio de 1993, atentou contra sua vida com disparos de armas de fogo enquanto dormia. Ela ficou hospitalizada algumas semanas e retornou para seu lar com paraplegia nos membros inferiores.</p><p>Desse modo diante da morosidade da justiça e da luta de Maria Penha , por quase 20 ( vinte ) anos, para ver o ex-marido condenado, o seu foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA ( caso nº12.051/OEA). A República Federativa do Brasil foi responsabilizada por negligência e omissão em relação à violência doméstica.</p><p>Assim ela foi vitimada não só por ele mais pela negligência do Estado que se omitia mediante crimes praticados dentro do âmbito familiar.Assim segundo Souza (2007,p.30):</p><p>Este nome atribuído à Lei 11.340/06, encontra sua razão de ser na luta desenvolvida pela vitima Maria da Penha Fernandes, que diante da inoperância da legislação brasileira sofreu reiteradas violências no âmbito familiar , culminando por ser vitima de uma tentativa de homicídio por parte de seu então marido o qual tentou desviar sua responsabilidade através da simulação de que a vítima teria sido atacada por ladrões desconhecidos e que haviam fugido.(Souza 2007,p.30):</p><p>Desse modo a Lei Maria da Penha vem para suprir à falha da lei 9.099/95 sobrepondo o que antes só previa como pena de pagamento de uma cesta básica , quando muito duas cestas, e, privação da liberdade de três meses a um ano, sendo este ultimo difícil de ocorrer.</p><p>Esta Lei cumpria um papel social em nome da preservação da família e do casamento, ou seja na tentativa da conciliação do que na idéia de punição aos agressores.</p><p>No final de 2004, o próprio Poder Executivo apresentou ao Congresso Nacional o Projeto de Lei nº 4.559, o qual foi encaminhado e aprovado na Câmara dos Deputados e no Senado Federal, criando desta forma mecanismos para coibir</p>