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Presidência da República Jair Messias Bolsonaro Ministério da Justiça e Segurança Pública Anderson Gustavo Torres Secretaria de Gestão e Ensino em Segurança Pública Ana Cristina Melo Santiago Diretoria de Ensino e Pesquisa Coordenação-Geral de Ensino Coordenação de Ensino a Distância Juliana Antunes Barros Amorim Coordenação-Geral de Gerenciamento de Projetos Pedagógicos e Inovação Coordenação de Inovação e Tecnologia Aplicada Alessandra Verissimo Lima Santos Coordenação Pedagógica Gisele Matos Gervásio Conteudistas Adriana Romana Dolis Bierings Karina Duarte Rocha da Silva Gerente de Curso Maria de Fátima de Souza Moreno Revisão Pedagógica Joyce Cristine da Silva Carvalho Programação e Edição / Designer Renato Antunes dos Santos Designer Instrucional Luana Manuella de Sales Mendes SEGURANÇA DE GRUPOS VULNERÁVEIS: PRINCÍPIOS DE ATENDIMENTO ÀS MULHERES EM SITUAÇÃO DE VIOLÊNCIA Sumário Apresentação do Curso .................................................................................................................... 4 Objetivos do Curso ............................................................................................................................ 4 Objetivo Geral ................................................................................................................................. 4 Objetivos Específicos ................................................................................................................... 5 Estrutura do Curso ........................................................................................................................ 6 Módulo 1 – O QUE É A VIOLÊNCIA DE GÊNERO? BREVES APONTAMENTOS DA HISTÓRIA DOS DIREITOS DA MULHER NO BRASIL ................................................................ 8 Apresentação do módulo ............................................................................................................. 8 Objetivos do módulo ..................................................................................................................... 8 Estrutura do módulo...................................................................................................................... 9 1. Conceito, origem e características da violência de gênero ......................................... 10 1.1 Características da violência de gênero: .......................................................................... 11 2. Linha histórica dos direitos da mulher no Brasil ............................................................ 14 3. Causas e fatores de risco para a violência ................................................................... 17 3.1 Violência contra mulheres baseada na raça/cor ...................................................... 18 3.2 Vulnerabilidade social e econômica ........................................................................... 18 3.3 Violência contra mulheres com deficiência .............................................................. 20 3.4 Violência contra mulheres homossexuais, bissexuais e transgêneros ............ 25 Finalizando ..................................................................................................................................... 27 Módulo 2 - OS TIPOS DE VIOLÊNCIA E O CICLO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO ............. 28 Apresentação do módulo ........................................................................................................... 28 Objetivos do módulo ................................................................................................................... 28 Estrutura do módulo.................................................................................................................... 28 1. A violência contra as mulheres ........................................................................................ 30 2. A Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da Penha ......................................................................... 31 3. Tipos de violência contra a mulher ..................................................................................... 32 3.1. Violência física .................................................................................................................. 33 3.2 Violência psicológica............................................................................................................ 33 3.3 Violência sexual ..................................................................................................................... 38 3.4 Violência patrimonial ............................................................................................................ 40 3.5 Violência moral ....................................................................................................................... 42 3.6. Violência institucional ......................................................................................................... 42 4. O ciclo da violência.............................................................................................................. 44 4.1 Fases do ciclo da violência ................................................................................................. 44 4.2. Fatores que contribuem para o ciclo da violência ...................................................... 46 Finalizando ..................................................................................................................................... 49 Módulo 3 - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER E OS MECANISMOS DE PROTEÇÃO ..................................................................................................... 51 Apresentação do módulo ........................................................................................................... 51 Objetivos do módulo ................................................................................................................... 51 Estrutura do módulo.................................................................................................................... 52 1. Medidas Protetivas de Urgência .......................................................................................... 53 1.1 Em relação ao agressor ....................................................................................................... 54 1.2 Em relação à mulher e a seu patrimônio ........................................................................ 56 1.3 Outras Medidas Protetivas possíveis ............................................................................. 57 2. Necessidade da devida informação à vítima ................................................................ 58 3. Do Formulário Nacional de Avaliação de Risco .............................................................. 59 4. Da possibilidade de afastamento do agressor do lar pela Autoridade Policial ...... 60 5. Do Banco Nacional de Medidas Protetivas de Urgência ............................................... 60 6. Consequências do descumprimento de medida protetiva de urgência ................... 61 Finalizando ..................................................................................................................................... 62 Módulo 4 - O PLANO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO AO FEMINICÍDIO. REDE DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER. ..... 64 Apresentação do módulo ........................................................................................................... 64 Objetivos do módulo ................................................................................................................... 64 Estrutura do módulo.................................................................................................................... 65 1. Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio ..........................................................66 2. Redes de atendimento e de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher .......................................................................................................................................... 69 3. A importância da capacitação continuada dos profissionais que compõem a rede de proteção às mulheres ............................................................................................................ 81 Finalizando ..................................................................................................................................... 83 Referências Bibliográficas ............................................................................................................. 84 4 Apresentação do Curso Caro(a) aluno(a), Seja bem-vindo(a) ao Curso Segurança de Grupos Vulneráveis: Princípios de Atendimento às Mulheres em Situação de Violência! Trabalhar com o atendimento às mulheres em situação de violência requer o prévio conhecimento acerca de várias questões, para que o profissional de segurança pública tenha condições de compreender o fenômeno da violência de gênero em toda sua complexidade. O profissional, com o olhar superficial sobre o tema, é capaz de achar que as situações de violência contra as mulheres são questões menores, de pouca importância, e reproduzir em seu atendimento diversas violências, desestimulando que a vítima busque o Estado ou impedindo que meios lhe sejam oferecidos para que consiga romper com o ciclo de violência a que está submetida. Assim, faz-se necessário a capacitação dos agentes públicos que trabalham com a temática, apresentando-lhes conceitos basilares e essenciais no tocante à violência de gênero, para que eles tenham plenas condições de oferecer atendimento digno às mulheres em situação de violência. Público-alvo: Profissionais do Sistema Único de Segurança Pública. Objetivos do Curso Objetivo Geral Apresentar conceitos principiológicos e basilares acerca da violência de gênero, de modo a garantir que o profissional de Segurança Pública compreenda essa violência em sua complexidade, conheça os principais marcos legislativos sobre o tema e os mecanismos vigentes no Brasil que estão à disposição mulher em situação de violência. 5 Objetivos Específicos • Introduzir o conceito de gênero, as origens e as características da violência de gênero; • Apresentar a evolução histórica acerca dos direitos da mulher no Brasil; • Refletir sobre as principais causas e os principais fatores de risco para a violência contra a mulher; • Apontar os tipos de violência de gêneros, em todas as suas formas; • Apresentar o ciclo da violência e suas fases • Discorrer sobre a Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha • Aprofundar sobre o estudo das Medidas Protetivas de Urgência • Trazer linhas gerais sobre o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio; • Apresentar as redes de enfrentamento e de atendimento à violência doméstica e familiar contra a mulher; • Discorrer sobre a importância de se instituir protocolos de atendimento à mulher vítima de violência e a capacitação dos agentes públicos 6 Estrutura do Curso Este curso possui 30 horas e compreende os seguintes módulos: Módulo 1 - O QUE É A VIOLÊNCIA DE GÊNERO? BREVES APONTAMENTOS DA HISTÓRIA DOS DIREITOS DA MULHER NO BRASIL 1. Conceito, origem e características da violência de gênero 1.2 Características da violência de gênero 2 Linha histórica dos direitos da mulher no Brasil 3 Causas e fatores de risco para a violência 3.1 Violência contra mulheres baseada na raça/cor 3.2 Vulnerabilidade social e econômica 3.3 Violência contra mulheres com deficiência 3.4 Violência contra mulheres homossexuais, bissexuais e transgêneros Módulo 2 – OS TIPOS DE VIOLÊNCIA DE GÊNERO E O CICLO DA VIOLÊNCIA 1. A violência contra as mulheres 2. A Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da Penha 3. Tipos de violência contra a mulher 3.1 Violência física 3.2 Violência psicológica 3.3 Violência sexual 3.4 Violência patrimonial 3.5 Violência moral 3.6. Violência institucional 4. O ciclo da violência 4.1 Fases do ciclo da violência 4.2 Fatores que contribuem para o ciclo da violência 7 Módulo 3 – VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER E OS MECANISMOS DE PROTEÇÃO 1. Medidas Protetivas de Urgência 1.1 Em relação ao agressor 1.2 Em relação à mulher e a seu patrimônio 1.3 Outras Medidas Protetivas possíveis 2. Necessidade da devida informação à vítima 3. Do Formulário Nacional de Avaliação de Risco 4. Da possibilidade de afastamento do lar do agressor pela Autoridade Policial 5. Do Banco Nacional de Medidas Protetivas de Urgência 6. Consequências do descumprimento de medida protetiva de urgência Módulo 4 – O PLANO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO AO FEMINICÍDIO. REDE DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER 1. Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio 2. Redes de enfrentamento e de atendimento à violência doméstica e familiar contra a mulher 3. A importância da capacitação dos profissionais que compõem a rede de proteção às mulheres Referências Bibliográficas 8 Módulo 1 – O QUE É A VIOLÊNCIA DE GÊNERO? BREVES APONTAMENTOS DA HISTÓRIA DOS DIREITOS DA MULHER NO BRASIL Apresentação do módulo Neste módulo, você vai estudar o que é a violência de gênero, sua origem e características. Para compreender esse panorama, é importante entender o contexto histórico-social e a breve evolução legislativa que acompanhou a garantia de direitos e proteção especial às mulheres em situação de violência, nas suas mais diversas formas, seja no setor público ou privado. Compreender a violência de gênero não é simples, pois, muitas vezes, essa violência se revela por meio de comportamentos que foram socialmente aceitáveis durante décadas, pelos mais diversos núcleos sociais. A violência, por não ser física, é invisível e, por isso, a própria vítima tem dificuldade em compreender que está sendo vítima nessa situação. Assim, aqui você irá compreender esse fenômeno e conseguirá identificar a violência de gênero, por mais sutil que seja, mas que precisa ser repelida, pois sua continuidade e permanência podem resultar em crimes mais graves, que se pretende com este estudo prevenir. Objetivos do módulo Este módulo tem por objetivos: • Apresentar o conceito de gênero, discorrer sobre a origem e as características da violência de gênero, oportunizando o conhecimento necessário para a compreensão da existência de leis especiais para proteção das mulheres; • Demonstrar um breve panorama histórico, bem como a evolução legislativa dos direitos das mulheres no Brasil, para melhor entendimento do fenômeno da violência de gênero; 9 • Apontar as principais causas e os principais fatores de risco que potencializam a violência de gênero. Estrutura do módulo Este módulo compreende as seguintes aulas: 1. Conceito, origem e características da violência de gênero 1.1 Características da violência de gênero 2. Linha histórica dos direitos da mulher no Brasil 3. Causas e fatores de risco para a violência 3.1 Violência contra mulheres baseada na raça/cor 3.2 Vulnerabilidade social e econômica 3.3 Violência contra mulheres com deficiência 3.4 Violência contra mulheres homossexuais, bissexuais e transgêneros 10 1. Conceito, origem e características da violência de gênero O que é o gênero? São os atributos socialmente construídos e atribuídos aos gêneros, seja feminino ou masculino. É aquilo que, historicamente, foi identificado pela sociedade como sendo o papel do feminino e do masculino. O gênero é uma criaçãosocial e qualquer pessoa, seja ela do sexo biológico feminino ou masculino, se identifica com um gênero. Existem pessoas que não se identificam com nenhum dos dois gêneros: são as não binárias. Histórica e culturalmente, os papéis designados para o masculino se referiam ao forte, laborativo, provedor, portador da virilidade sexual, impositivo etc. O feminino, por sua vez, era vinculado aos papéis da submissão, compreensão, docilidade. O masculino assumiu papéis do universo público, de provedor, claramente de poder de mando no núcleo familiar, enquanto o feminino se limitou social e culturalmente às tarefas privadas de cuidados com a família, do ambiente privado, submissa ao modelo denominado patriarcal. A submissão do feminino ao masculino, que permeia gerações e está estruturada em nossa sociedade, é o fundamento dos mais diversos tipos de violência praticados contra as mulheres, não somente os que ocorrem no ambiente doméstico e familiar, mas também os que ocorrem nas ruas, em ambientes públicos. As mulheres, pelo simples fato de seu gênero, estão em situação de vulnerabilidade e são vítimas de crimes específicos. Aqui exemplificamos os mais comuns: importunação sexual, estupro, estupro de vulnerável. A violência de gênero é qualquer tipo de agressão contra alguém em situação de vulnerabilidade devido à sua identidade de gênero ou orientação sexual. 11 1.1 Características da violência de gênero1: Agora você irá estudar quais são as características da violência de gênero, aprofundando a violência opressora do feminino. - Invisibilidade2 – Muitos comportamentos decorrentes de diferenças biológicas resultam na repetição de condutas opressoras, que são socialmente naturalizadas. Ações violentas e abusivas, aceitas pelos núcleos sociais, principalmente familiares e os mais íntimos, em que os comportamentos são reforçados e repetidos por gerações. Exemplos: 1. Durante o namoro, a adolescente aceita ser ofendida moralmente, pois na sua casa presenciava seu pai ofender sua genitora. Para essa adolescente, a ofensa é natural, pois é aquilo que ela vivenciou e aprendeu como aceitável. 2. No núcleo familiar, é natural que a mulher e os filhos não opinem sobre as decisões familiares, pois esse é o papel do masculino, do líder, do pai da família. - Transversal/Estrutural3 – Está em todas as relações sociais, em diversos níveis, independentemente da classe social. Está enraizada nos estereótipos, modelos socialmente criados para papéis do feminino e do masculino. Assim, está presente na casa dos mais e menos favorecidos socialmente e também não distingue nível educacional. Quase que cotidianamente os noticiários nos informam sobre casos de feminicídios que atingem mulheres de todas as classes sociais e nível educacional. - Legitima privilégios4 – a estrutura da violência de gênero, pautada na submissão do feminino ao masculino, legitima a conduta sexista, em que o homem é autoritário e a mulher dócil e compreensiva, como se houvesse o papel do protetor e da protegida, legitimando qualquer conduta que justifique a manutenção desse modelo. 1 PIEROBOM, Thiago. Violência Psicológica: Aspectos Protetivos e de Tipicidade Criminal. Youtube, 14 fev. 2022. Disponível em: <youtu.be/xSpmGb4dskQ>. Acesso em: 02, mai. 2022. 2 Idem 3 Idem 4 Idem 12 Quando há uma ruptura ou uma subversão desse modelo, a mulher pode perder o caráter de vítima nessa relação e se tornar a culpada, mesmo que ela seja a pessoa que sofra a violência. Exemplos: 1. A mulher que comete traição conjugal pode sofrer consequência violentas, pois o papel de “traição” não está atribuído ao feminino, uma vez que a virilidade é um papel masculino. Nesse caso, houve uma inversão de papéis, por isso é legitimado que ela sofra consequências negativas de seu ato. Quando o homem trai, ele pode ser perdoado, pois faz parte do seu papel social na relação extraconjugal. 2. Às mulheres são definidas determinadas tarefas domésticas, ainda que elas também trabalhem fora de casa e contribuam financeiramente com as despesas da casa, o que desencadeia em exaustiva dupla ou tripla jornada de trabalho. Muitos homens, nessas condições, não assumem qualquer serviço doméstico, simplesmente por argumentar que é “trabalho de mulher”, sobrecarregando suas parceiras. O questionamento desse modelo pode resultar em atos de violência no ambiente doméstico. Figura 1 - A legitimação de privilégios Fonte: Reprodução/Internet, 2022. 13 - Psicologicamente interiorizada5 – os papéis do feminino e masculino são internalizados na mulher no desempenho do papel amoroso e materno, dócil, compreensivo, submisso e, no homem, a virilidade sexual e laborativa, de provedor. Socialmente, homens e mulheres permanecem replicando papéis que resultam numa sociedade sexista. E, nesse aspecto, é perceptível a invisibilidade, pois o cumprimento desses papéis é tão definido, que, diante de um ato de violência, ainda que grave, ele é aceitável por determinado núcleo social. Quantas mulheres são agredidas em seus lares, na frente dos familiares, sem que nenhuma providência punitiva seja tomada, ainda que pela denúncia? Por que aceitamos esse comportamento de violência? - Violência disciplinar6 – na sociedade com modelo patriarcal historicamente instituído, o homem precisa provar entre os seus iguais o poder da masculinidade, isso quer dizer que é necessário constantemente reafirmar suas qualidades masculinas para ser aceito como um homem de verdade. E isso se faz por meio da virilidade, de ser o provedor, entre outros papéis atribuídos ao masculino. Se o homem não consegue desempenhar essa função, ele é julgado pelos pares, diminuído, humilhado e enfraquecido. Legitima-se até o uso da força física, para que o modelo sexista seja normalizado. Nesse modelo, se a mulher não cumpre seu papel predeterminado, ainda que ela seja vítima de violência, a sua condição de vítima passa a ser questionada. Exemplos: 1.“Ela revidou a agressão”. Não é papel da mulher submissa a própria defesa. 2. “Ela não limpou a casa e foi ofendida”. A violência passa a ser legítima? O resultado que se obtém é o jogo de desigualdade de poder entre homens e mulheres. - Transgeracional7: o legado da violência fundada no gênero ultrapassa gerações, é historicamente enraizado na sociedade e esse aprendizado não está apenas nos homens, mas também nas mulheres. O pensamento sexista, machista, 5 PIEROBOM, Thiago. Violência Psicológica: Aspectos Protetivos e de Tipicidade Criminal. Youtube, 14 fev. 2022. Disponível em: <youtu.be/xSpmGb4dskQ>. Acesso em: 02, mai.2022. 6 Idem. 7 PIEROBOM, Thiago. Violência Psicológica: Aspectos Protetivos e de Tipicidade Criminal. Youtube, 14 fev. 2022. Disponível em: <youtu.be/xSpmGb4dskQ>. Acesso em: 02, mai.2022. 14 está presente na sociedade em geral e precisa ser descontruído, para que tenhamos uma sociedade igualitária, com mais respeito e sem violência. Exemplo: O marido que agride a mulher durante discussões domésticas, que repete a conduta de seu pai, que também agredia a companheira em casa durante qualquer discussão. Este, por sua vez, também reproduziu a conduta do próprio pai, na mesma circunstância. Vemos uma conduta geracional na resolução de conflitos. Figura 2 - O patriarcado Fonte: Revista Miga, 2022. 2. Linha histórica dos direitos da mulher no Brasil Quando se pensa em violência de gênero, precisamos entender o contexto histórico em que a sociedade brasileira evoluiu e quais foram as batalhas travadas no tempo, para compreender o papel da mulher na sociedade, que a retrata como um ser de menor importância, com menos direitos do que os homens. Veja a realidade destacada por período e a evolução legislativa citada: 1. No período em que o Brasil foi colônia de Portugal,do ano de 1532 a 1822, quando vigorou o Código Filipino, o marido tinha o direito de matar a esposa adúltera ou suspeita. “E toda mulher que fizer adúltera a seu marido, morra por isso” (Portugal, Ordenações Filipinas, livro 5, título 5). https://areademulher.r7.com/curiosidades/patriarcado-significado/ 15 2. Durante o Brasil Império, 1830, pelo Código Penal Brasileiro, a pena era atenuada quando houvesse adultério da mulher (justificado pela desonra, artigo 18, 4º). 3. O direito ao voto das mulheres foi reconhecido somente em 1932, pelo Decreto nº 21.076, que instituiu o Código Eleitoral Brasileiro. 4. O Código Civil de 1916 retrata de forma significativa o modelo patriarcal. Veja alguns exemplos, que vigoraram até o advento da Constituição Federal de 1988: - o homem era o chefe de família e administrador dos bens comuns e particulares (artigos 233 e seguintes); - a mulher era tutelada pelo marido, passando a ser relativamente capaz após o casamento (artigos 240 e seguintes); - o fato de a mulher não ser virgem e isso ser descoberto após o casamento, poderia causar a anulação do casamento, pois era considerado erro essencial sobre a pessoa do cônjuge (artigo 219, IV). 5. Em 1985, é criado o Conselho Nacional de Direitos das Mulheres e a 1ª DEAM – Delegacia Especial de Atendimento à Mulher no Brasil, em São Paulo. 6. Em 1988, é promulgada a Constituição Federal, em que estão previstos vários direitos fundamentais e cláusulas pétreas, que impõem ao Estado a criação e implementação de políticas públicas para promover a igualdade de direitos entre homens e mulheres. 7. O Código Penal Brasileiro, em vários artigos, utilizava a expressão “MULHER HONESTA”, que significava o recato e sexualidade controlada e restrita à convivência conjugal, determinando um padrão de comportamento socialmente aceito, para que a mulher pudesse estar na condição de “vítima”. Somente com a Lei nº 11.106, promulgada em 2005, tal expressão pré-julgadora foi retirada do Código Penal. 8. Até o ano de 2005, o casamento era excludente da culpabilidade nos crimes contra os costumes, atualmente denominados crimes contra a dignidade sexual. O artigo 107 do Código Penal assim previa: “VII – pelo casamento do agente com a vítima nos crimes contra os costumes, definidos nos Capítulos I, II e III do Título VI da Parte Especial deste código”, e, VIII - pelo casamento da vítima com terceiro, nos crimes referidos no inciso anterior, se cometidos sem violência real ou grave ameaça e de que a 16 ofendida não requeira o prosseguimento do inquérito policial ou da ação penal no prazo de sessenta dias a contar da celebração;”. 9. Apenas em 2009, com Lei nº 12.015, os crimes que atingem a liberdade sexual deixaram de serem nominados de “Crimes Contra os Costumes” para “Crimes Contra a Dignidade Sexual”. 10. Em 1994, foi concluída a Convenção Interamericana de Belém do Pará, em que foi definido o que é violência contra a mulher e suas formas, promulgada no Brasil em 1996 através do Decreto nº 1973 de 1º de agosto. 11. Em 29 de maio de 1983, Maria da Penha Maia Fernandes, farmacêutica, na cidade Fortaleza/CE, foi vítima de feminicídio tentado, mediante disparo de arma de fogo realizado por seu marido, o economista Marco Antônio Heredia Viveros, colombiano, naturalizado brasileiro. Na ação, ele simulou um assalto que deixou a esposa paraplégica. Após uma semana do retorno da vítima para casa, ela, ao tomar banho, foi novamente vítima de seu marido, quando recebeu uma descarga elétrica, numa nova tentativa de feminicídio. Marco Antônio foi denunciado pelo Ministério Público em 28 de setembro de 1984 e condenado pelo júri em 04 de maio de 1991. Ele recorreu da decisão, tendo o julgamento ocorrido em 15 de março de 1996, sendo condenado a 10 anos e 6 meses de prisão. Após novos recursos, somente em setembro de 2002 ele foi preso, iniciando o cumprimento da pena. O caso de Maria da Penha foi denunciado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos, órgão da Organização dos Estados Americanos - OEA. A própria Maria da Penha, o Centro pela Justiça e o Direito Internacional e o Comitê Latino- Americano e do Caribe para a Defesa dos Direitos da Mulher recorreram à Corte em 20 de agosto de 1998. Em 16 de abril de 2001, a Comissão publicou o Relatório 54/2001 declarando em relação ao Brasil “a ineficácia judicial, a impunidade e a impossibilidade de a vítima obter uma reparação mostra a falta de cumprimento do compromisso de reagir adequadamente ante a violência doméstica”. Veja um vídeo em que a Maria da Penha conta a sua história (Disponível em: youtu.be/TRSfTdaBbvs). 12. O Brasil promulga em 2002 a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher (CEDAW), de 1979-ONU, através do Decreto nº 4.377 de 13 de setembro de 2002. 13. Criação do Ligue 180 – Central de Atendimento em âmbito nacional para receber denúncias de violência contra a mulher em 13 de agosto de 2002 através da 17 Lei nº 10.714/2002. Importante instrumento de recebimento de denúncias das mais diversas violações de direitos das mulheres. 14. No dia 08 de agosto 2006, é promulgada a Lei nº 11.340/2006, conhecida por Lei Maria da Penha, cuja vigência se iniciou no dia 22 de setembro de 2006 em todo território nacional. Essa lei foi um divisor de águas na instituição de direitos, proteção, e direcionamento para a aplicação da própria lei, pautado no olhar diferenciado e acolhedor, com o reconhecimento explícito da vulnerabilidade e subjugação da mulher na relação de violência gênero. 15. A Lei do Feminicídio, Lei nº 13.104, promulgada em 9 de março de 2015, tecnicamente, criou uma qualificadora do homicídio (artigo 121, § 2º, inciso VI, do Código Penal Brasileiro). Aplica-se a duas circunstâncias em proteção à mulher por razões da condição do gênero feminino, assim consideradas: - quando envolverem violência doméstica e familiar (Lei nº 11.340/2006); - e/ou menosprezo ou discriminação à condição de mulher, assim definidos no § 2º-A do art. 121 do Código Penal. Aqui deve ser feita a pergunta: essa mulher morreu pela sua condição de ser mulher? 16. A Lei nº 14.132, promulgada em de 31 de março de 2021, inseriu o artigo 147-A no Código Penal Brasileiro, denominado crime da perseguição, do qual nos aprofundaremos ainda nesse curso. 17. A Lei nº 14.188 de 28 de julho de 2021 foi outro avanço da legislação, pois previu o crime específico de violência psicológica, sobre o qual também nos aprofundaremos no curso. Para ampliar seus conhecimentos, estude no Código Penal o Capítulo “Dos Crimes Contra a Dignidade Sexual”, especialmente a evolução legislativa, através do link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto- lei/del2848compilado.htm 3. Causas e fatores de risco para a violência Causas e fatores de risco para a violência são circunstâncias que podem justificar a violência ou trazer elementos que potencializam e aumentam o risco da mulher se tornar uma vítima em potencial, a colocando em maior vulnerabilidade, como viver em determinado local, em determinadas condições e circunstâncias, http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm 18 pertencer a grupos étnicos e sociais específicos. São os recortes sociais que tornam determinados grupos mais vulneráveis a serem vítimas de determinados crimes. Neste caso, os fatores podem, além de aumentar o risco, causar a própria violência ou contribuir para uma maior frequência dela. 3.1 Violência contra mulheres baseada na raça/cor A raça e a cor tem sido fator preponderante para justificar e potencializar o risco da violência contra mulheres, principalmente, as mulheres negras sofrem por pertencerem a esse grupo, devido à desigualdade racial existentedecorrente da histórico sociocultural brasileiro. As mulheres negras e suas descendentes sofrem com muito mais frequência e intensidade de atos de violências, como “feminicídio, racismo, importunação sexual, violência física, injúria qualificada pela raça/cor, etc.”. Os dados do último mapa da violência de 2021 mostram que 67% das vítimas de homicídio em 2019 eram mulheres negras. Do total de 3.737 mulheres assassinadas, 2.468 eram negras. Cumpre ressalvar que, na análise e coleta dos dados do mapa da violência, é considerado o total de mulheres vítimas da violência letal, em que se inclui os crimes de feminicídio e de outros crimes letais, tais como latrocínio e homicídio (quando não há questão de gênero como causa da morte). Chama a atenção, em relação ao recorte específico relativo à raça/cor, no referido relatório, o estado de Alagoas, onde todas as vítimas eram negras, alcançando a cifra assustadora de 100%. Enriqueça seus estudos e conheça o Atlas a Violência 2021 na íntegra através do link: https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/1375- atlasdaviolencia2021completo.pdf 3.2 Vulnerabilidade social e econômica https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/1375-atlasdaviolencia2021completo.pdf https://www.ipea.gov.br/atlasviolencia/arquivos/artigos/1375-atlasdaviolencia2021completo.pdf 19 A vulnerabilidade social e econômica é outro fator que potencializa a ocorrência de violência contra mulheres, principalmente a intrafamiliar e doméstica, é a falta de recursos financeiros, de trabalho e renda, da mulher que depende financeiramente do autor da agressão. A dependência financeira é fator de risco e motivador da permanência da vítima no ciclo da violência, que será estudado durante o curso. Mulheres em vulnerabilidade social, especialmente as que dependem de transporte público, também são vítimas de importunação sexual, especialmente em transportes públicos (ônibus, trens e metrôs). As mulheres que vivem nas periferias são a maioria das usuárias de transporte público no país, que, em geral, sofrem esse tipo de violência. Para reflexão: Assista ao vídeo “Vida de Maria”: ➢ https://www.youtube.com/watch?v=T9d7g8TdwQs O uso abusivo de álcool e drogas também tem sido fator que potencializa o cenário de violência doméstica e intrafamiliar, em que as mulheres e crianças têm sido os maiores alvos das condutas violentas por parte do autor que usa essas substâncias. Ainda, notícias que tratam de questões relacionadas à segurança das mulheres no transporte público: ➢ https://expresso.estadao.com.br/naperifa/transporte-publico-e- espaco-em-que-as-mulheres-mais-temem-sofrer-assedio/ ➢ https://noticias.r7.com/sao-paulo/sp-pelo-4-ano-seguido- transporte-publico-e-o-espaco-de-maior-risco-de-assedio-para- mulheres-29062022 ➢ https://g1.globo.com/mg/minas- gerais/noticia/2022/09/28/homem-e-preso-suspeito-de- importunacao-sexual-dentro-de-onibus-em-belo-horizonte.ghtml ➢ https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/mais-de-30-das-mulheres- ja-sofreram-assedio-no-transporte-publico-diz-pesquisa-12092022 ➢ https://summitmobilidade.estadao.com.br/guia-do-transporte- urbano/mulher-no-transporte-publico-dificuldades-e-solucoes/ ➢ ASSÉDIO NO TRANSPORTE PÚBLICO: O que as experiências com o vagão rosa nos ensinaram até agora. Disponível em http://files.antp.org.br/2019/4/10/rtp151-3.pdf https://expresso.estadao.com.br/naperifa/transporte-publico-e-espaco-em-que-as-mulheres-mais-temem-sofrer-assedio/ https://expresso.estadao.com.br/naperifa/transporte-publico-e-espaco-em-que-as-mulheres-mais-temem-sofrer-assedio/ https://noticias.r7.com/sao-paulo/sp-pelo-4-ano-seguido-transporte-publico-e-o-espaco-de-maior-risco-de-assedio-para-mulheres-29062022 https://noticias.r7.com/sao-paulo/sp-pelo-4-ano-seguido-transporte-publico-e-o-espaco-de-maior-risco-de-assedio-para-mulheres-29062022 https://noticias.r7.com/sao-paulo/sp-pelo-4-ano-seguido-transporte-publico-e-o-espaco-de-maior-risco-de-assedio-para-mulheres-29062022 https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/mais-de-30-das-mulheres-ja-sofreram-assedio-no-transporte-publico-diz-pesquisa-12092022 https://noticias.r7.com/jr-na-tv/videos/mais-de-30-das-mulheres-ja-sofreram-assedio-no-transporte-publico-diz-pesquisa-12092022 https://summitmobilidade.estadao.com.br/guia-do-transporte-urbano/mulher-no-transporte-publico-dificuldades-e-solucoes/ https://summitmobilidade.estadao.com.br/guia-do-transporte-urbano/mulher-no-transporte-publico-dificuldades-e-solucoes/ 20 3.3 Violência contra mulheres com deficiência No Brasil temos a Lei nº 13.146, de 6 de julho de 2015, que instituiu a Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Estatuto da Pessoa com Deficiência). E em seu artigo 2º há a tipificação das deficiências: Considera-se pessoa com deficiência aquela que tem impedimento de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou sensorial, o qual, em interação com uma ou mais barreiras, pode obstruir sua participação plena e efetiva na sociedade em igualdade de condições com as demais pessoas. No caso de violência contra as mulheres um dos problemas enfrentados é a subnotificação e pulverização de dado. E quando se trata de ataques a mulheres com deficiência: Registros de 2019 sobre violência contra pessoas com deficiência apontam que, a cada grupo de 10 mil pessoas, houve 56,9 notificações contra mulheres com deficiência intelectual, 17,8 com deficiência física, 5 com deficiência auditiva e 1,6 com deficiência visual. Os números são bem superiores aos de homens com deficiência, que apresentam índices, respectivamente, de 21,9; 7,3; 2,3; e 1,2. A maioria das pessoas que sofrem com a violência doméstica são as que possuem deficiência intelectual, seguidas das que possuem deficiência física, múltipla, visual e auditiva. As que possuem deficiência intelectual sofrem em maior proporção a violência física, psicológica e sexual. (Fonte: Agência Senado, 2021). A deficiência é um fator de risco para potencializar a violência de gênero. Os mais diversos tipos de deficiência trazem para mulheres, meninas e adolescentes, especial situação de alerta sobre a sua vulnerabilidade para serem destinatárias de qualquer ato de violência. Motivos que despertam para ações afirmativas de prevenção e segurança. Figura 3 - Mensagem em Libras para Mulheres Surdas http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm#:~:text=Art.%202%C2%BA%20Considera%2Dse%20pessoa,condi%C3%A7%C3%B5es%20com%20as%20demais%20pessoas. https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/12/07/debate-cobra-acoes-mais-efetivas-no-combate-a-violencia-contra-mulheres-com-deficiencia https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2021/12/07/debate-cobra-acoes-mais-efetivas-no-combate-a-violencia-contra-mulheres-com-deficiencia 21 Fonte: Não se cale MS, 2019. O autor da agressão se aproveita da vulnerabilidade decorrente da deficiência para praticar os mais diversos crimes contra essa mulher, que está, por vezes, impossibilitada de falar, ouvir, ver, se locomover, e, portanto, oferecer resistência e se defender. Figura 4 - Violência sexual contra mulheres com deficiência https://www.naosecale.ms.gov.br/violencia-contra-mulheres-com-deficiencia/ 22 Fonte: Sistema de Informação de Agravos de Notificação - Sinam, generonumero.media, 2021. Serão citados dois exemplos reais para ilustrar essa circunstância: https://www.generonumero.media/reportagens/violencia-sexual-mulheres-deficiencia/ 23 Uma mulher de classe social de média alta, estava muito feliz em seus trinta e pouco anos, pois tinha se casado, então, com o “príncipe encantado”, quando passou a desenvolver Esclerose Lateral Amiotrófica (ELA), doença que causa degeneração progressiva de neurônios motores. Assim que o fato foi levado ao conhecimento dapolícia por intermédio de seus familiares, a vítima já não tinha mais nenhum movimento motor, se comunicava com auxílio de um programa de computador, apenas com o movimento dos olhos. A vítima era assistida por serviço médico de “home care”. Nesse contexto, seu marido, aproveitava de quando estava sozinho com vítima para praticar os mais diversos atos de violência, dentre eles a tortura, e a vítima não tinha como se defender. Em outro caso, o autor da agressão mantinha amizade há mais de 30 anos com o pai da vítima, a qual era deficiente intelectual. Em razão da confiança, o agressor tinha livre acesso à casa da família e se aproveitava dos momentos em que a vítima estava em casa sozinha para ir ao local e praticava atos libidinosos com ela. A vítima passou a apresentar comportamento agressivo, diminuição de sua autoestima e revelou os abusos sexuais aos pais. Conheça um pouco mais do assunto: Acesse aqui o link O site “pcdlegal.com.br” disponibiliza, em LIBRAS com áudio e legendas, todo o conteúdo da Lei Maria da Penha. Acesse: http://www.pcdlegal.com.br/leimariadapenha/libras-mobile/ Alteração na Lei Maria da Penha amplia proteção de mulheres com deficiência – A juíza Adriana Ramos de Mello, em reportagem concedida ao programa Fantástico (Rede Globo, junho/2019), fala sobre a inovação trazida pela Lei nº 13.836, que determina constar no boletim de ocorrência se a vítima tinha ou ficou com alguma deficiência por causa da agressão. Assista ao programa na íntegra: https://globoplay.globo.com/v/7835516/ Precisamos falar sobre violência contra mulheres com deficiência. Leia a matéria no link http://www.justificando.com/2016/11/21/precisamos-falar- sobre-violencia-contra-mulheres-com-deficiencia/ https://www.youtube.com/watch?v=_d2KXcOAwTo http://www.pcdlegal.com.br/leimariadapenha/libras-mobile/ https://globoplay.globo.com/v/7835516/ http://www.justificando.com/2016/11/21/precisamos-falar-sobre-violencia-contra-mulheres-com-deficiencia/ http://www.justificando.com/2016/11/21/precisamos-falar-sobre-violencia-contra-mulheres-com-deficiencia/ 24 "Vozes de mulheres com deficiência e a violência de gênero: análise discursiva de narrativas de vida em Campo Grande" - dissertação de mestrado apresentado ao Programa de Pós-Graduação em Letras, na UEMS - Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul, por Flávia Pieretti Cardoso: http://www.uems.br/assets/uploads/cursos_pos/edc4fb6d0115090bccaa916 7bb1cda17/teses_dissertacoes/1_edc4fb6d0115090bccaa9167bb1cda17_2019-11- 26_10-58-52.pdf Assista ao documentário “Silenciadas: em busca de uma voz” (33 min). Um documentário que tem como propósito "dar voz" e visibilidade às mulheres com deficiência sobreviventes de violência de gênero. https://m.youtube.com/watch?v=xa9moW4WawY&feature=youtu.be O quadro seguinte demonstra as violências a que estão sujeitas as mulheres, meninas e adolescentes, motivadas pelo fato de serem portadoras de alguma deficiência, seja ela visível ou não. Quadro 1 - Violências sofridas por mulheres deficientes Fonte: CITA/Segen, 2022. Para saber mais, veja ainda: O trabalho publicado nos anais do Pesquisasus: Coletânea de Trabalhos e Experiências da Mostra da Escola de Governo Fiocruz-Brasília - “AQUI NÓS SOMOS https://m.youtube.com/watch?v=xa9moW4WawY&feature=youtu.be file:///C:/Users/Angelica/Downloads/https/www.even3.com.br/anais/mostraescolafiocruzbsb/471505-AQUI-NOS-SOMOS-ASSIM--UMA-LEVANTA-E-PUXA-A-OUTRA--O-APOIO-SOCIAL-COMO-FERRAMENTA-DE-PROMOCAO-DA-SAUDE-EM-UM-GR file:///C:/Users/Angelica/Downloads/https/www.even3.com.br/anais/mostraescolafiocruzbsb/471505-AQUI-NOS-SOMOS-ASSIM--UMA-LEVANTA-E-PUXA-A-OUTRA--O-APOIO-SOCIAL-COMO-FERRAMENTA-DE-PROMOCAO-DA-SAUDE-EM-UM-GR 25 ASSIM: UMA LEVANTA E PUXA A OUTRA” – O APOIO SOCIAL COMO FERRAMENTA DE PROMOÇÃO DA SAÚDE EM UM GRUPO DE MULHERES COM DEFICIÊNCIA NO DISTRITO FEDERAL. 3.4 Violência contra mulheres homossexuais, bissexuais e transgêneros Como já vimos, a violência de gênero é desencadeada pela não aceitação de que mulheres não desempenhem papéis que lhes são socialmente designados (submissão, cuidado, docilidade, beleza, entre outros). Esses papéis se constroem com base na visão heteronormativa e biológica do sexo, ou seja, reconhece como “normal” e adequada a mulher que nasce com sexo feminino e se relaciona sexual e afetivamente com homens. A violência se agrava quando as mulheres têm orientação sexual ou identidade de gênero diferentes daquela designada no momento do seu nascimento e imposta socialmente. Uma pessoa que nasceu biologicamente masculina, mas que se identifica com o gênero feminino, ou que nasceu biologicamente feminina, mas se identifica com o gênero masculino é chamada de transgênero. É importante ressalvar que o respeito à identidade de gênero não impõe a necessidade de qualquer intervenção cirúrgica ou hormonal para modificação das características físicas desse indivíduo que se identifica com gênero diverso a do seu sexo biológico. Basta a sua própria identificação para que o respeito a essa escolha tenha que acontecer. No entanto, não é o ocorre na prática. Nossa sociedade, preconceituosa, marcada pelo modelo patriarcal, não aceita que as pessoas, homens e mulheres, possam ter escolhas diferentes do padrão heteronormativo, e a reação são atos de violência dos mais diversos tipos, sendo os crimes praticados motivados pelo ódio, pelo desamor, pela intolerância, pelo desrespeito, sendo as violências mais recorrentes as agressões físicas, torturas, injúrias qualificadas, estupros corretivos, feminicídios, homicídios, ameaças etc. 26 Fazer parte do grupo LGBTQIA+ (lésbicas, gays, bissexuais, travestis, trans, queers, pansexuais, agêneros, pessoas não binárias e intersexo) é causa e fator de risco potencializador da violência contra mulheres. Veja a seguir a Tabela 1, publicada no Relatório da Pesquisa: Discriminação e Violência contra a População LGBTQIA+, pelo Conselho Nacional de Justiça, 2022, que aponta os tipos de crimes e a identidade das vítimas: Tabela 1 - Distribuição em percentual de cada crime sofrido entre as identidades LGBTQIA+ das vítimas Fonte: CNJ, 2022. Recentemente, a Sexta Turma do STJ estabeleceu que a Lei Maria da Penha se aplica aos casos de violência doméstica ou familiar contra mulheres transexuais. Veja a notícia sobre o julgado, cujo número do processo segue em segredo judicial, no site do STJ, através do link: https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Notici as/05042022-Lei-Maria-da-Penha-e-aplicavel-a-violencia- contra-mulher-trans--decide-Sexta-Turma.aspx Assim, você estudou que essas são as principais causas e fatores que potencializam a violência contra as mulheres, seja no ambiente público ou privado. https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2022/08/relatorio-pesquisa-discriminacao-e-violencia-contra-lgbtqia.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2022/08/relatorio-pesquisa-discriminacao-e-violencia-contra-lgbtqia.pdf https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/05042022-Lei-Maria-da-Penha-e-aplicavel-a-violencia-contra-mulher-trans--decide-Sexta-Turma.aspx https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/05042022-Lei-Maria-da-Penha-e-aplicavel-a-violencia-contra-mulher-trans--decide-Sexta-Turma.aspx https://www.stj.jus.br/sites/portalp/Paginas/Comunicacao/Noticias/05042022-Lei-Maria-da-Penha-e-aplicavel-a-violencia-contra-mulher-trans--decide-Sexta-Turma.aspx 27 No módulo a seguir, você vai prosseguir nos seus estudos, e os fundamentos obtidos até momento o ajudará a compreender os tipos da violência e o ciclo da violência. Finalizando Nesse módulo você aprendeu que: • o conceito de gênero, de violência de gênero e suas características, com o foco para a violência praticada em desfavor dasmulheres em razão do gênero feminino. Discutimos a complexidade do tema e a importância do conhecimento desses conceitos pelos profissionais que irão atuar na rede de enfrentamento, principalmente os profissionais de segurança pública, • que a violência de gênero está enraizada em nossa sociedade, é mascarada pela invisibilidade, transpassa gerações e está presente na mente de homens e mulheres, indistintamente. Para melhor compreensão do tema, você estudou um breve panorama histórico social e a evolução legislativa, no que diz respeitos as batalhas travadas no tempo, as conquistas e os direitos adquiridos pelas mulheres desde os tempos do Brasil Império até os dias atuais; • em continuação, você estudou as principais causas e os principais fatores risco que potencializam a violência contra as mulheres, seja ela praticada nos espaços públicos ou nos ambientes mais íntimos, privados, intrafamiliar e/ou doméstico. 28 Módulo 2 - OS TIPOS DE VIOLÊNCIA E O CICLO DA VIOLÊNCIA DE GÊNERO Apresentação do módulo Neste módulo, você estudará os diversos tipos e as definições de violências contra as mulheres, que ocorrem no âmbito privado e público. Será abordado que a violência doméstica e familiar não significa apenas a violência física, mas se manifesta por diversos outros tipos de violência. Por fim, entenderemos que a violência contra as mulheres é um fenômeno complexo, estando presente nos tipos de violência as características da invisibilidade, transgeracionalidade e autorizativa de privilégios. Objetivos do módulo Este módulo tem por objetivos: • Diferenciar os diversos tipos de violência contra as mulheres; • definir violência doméstica e familiar contra a mulher e seu âmbito de aplicabilidade; • reconhecer e identificar a existência do ciclo da violência contra as mulheres; • identificar as dependências e outras causas que alimentam e mantém o ciclo da violência. Estrutura do módulo 1. A violência contra as mulheres 2. A Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da Penha 3. Tipos de violência contra a mulher 3.1 Violência física 3.2 Violência psicológica 3.3 Violência sexual 3.4 Violência patrimonial 3.5 Violência moral 29 3.6 Violência Institucional 4. O ciclo da violência 4.1 Fases do ciclo da violência 4.2 Fatores que contribuem para o ciclo da violência 30 1. A violência contra as mulheres A Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher prevê em seu artigo 1º que a violência contra a mulher é entendida como: “qualquer ação ou conduta, baseada no gênero, que Ihe cause morte, dano ou sofrimento físico, sexual ou psicológico a mulher, tanto na esfera pública quanto na privada.” A conceituação legal é ampla e alcança todas as esferas sociais que a mulher possa ser vítima, em razão do gênero. A violência contra a mulher independe de sua natureza, pode acontecer em vários contextos, tais como no âmbito familiar, na comunidade ou perpetrada ou tolerada pelo Estado e seus agentes. Além das violências praticadas no âmbito doméstico e familiar, em contextos diversas, a violência contra a mulher é suportada, silenciada, e, por vezes, tida como “normal” nos ambientes sociais. Exemplo são os assédios sexuais, praticados, na grande maioria, no ambiente de trabalho, onde a mulher é exposta às mais diversas situações constrangedoras. Ainda temos em nosso sistema penal uma penalização branda e a cultura de aceitação desse tipo de ato nos ambientes de trabalho. É comum piadinhas de cunho sexual, elogios constrangedores e, se há repulsa imediata e enérgica da vítima, a mulher ainda é chamada de nervosa, destemperada, que não aceita descontração no ambiente de trabalho. Outro questionamento que temos a obrigação de fazer nesse curso: Por que alguém se sente no direito de tocar uma mulher em partes íntimas ou de roçar o corpo contra ela, quando estão em um ônibus, trem ou transporte similar? Por que não há o respeito pelo corpo da mulher, pela sua intimidade, individualidade e escolhas, pela sua sexualidade? Neste tópico, é importante ressalvar a evolução legislativa ao prever a importunação sexual como crime, passível de prisão em flagrante, conforme será estudado no tópico violência sexual. Antes do advento da Lei nº 13.718/2018, o ato era tido como mera contravenção penal, submetido ao rito do Juizado Especial Criminal, com penalização mais branda. 31 2. A Lei nº 11.340/2006 - Lei Maria da Penha A Lei nº 11.340/2006, popularmente chamada de Lei Maria da Penha, é o maior marco legislativo de combate à violência doméstica e/ou familiar contra a mulher no Brasil. Em seu artigo art. 5º, esta lei previu a violência doméstica e familiar contra a mulher como sendo qualquer ação ou omissão baseada no gênero que lhe cause morte, lesão, sofrimento físico, sexual ou psicológico e dano moral ou patrimonial, que ocorra em uma dessas circunstâncias, individual ou concomitantemente: I - no âmbito da unidade doméstica, compreendida como o espaço de convívio permanente de pessoas, com ou sem vínculo familiar, inclusive as esporadicamente agregadas. O espaço doméstico é entendido como residência, ponto focal de identificação da violência praticada. Aqui são incluídos todos os tipos de residências, das mais simples às mais sofisticadas. Uma barraca pode ser uma residência, no caso de pessoas que vivem em situação de rua. Também se inclui os esporadicamente agregados, que são as pessoas autorizadas a permanecer na casa da família. Exemplo: empregada doméstica que dorme da residência e sofre agressão física do patrão. II - no âmbito da família, compreendida como a comunidade formada por indivíduos que são ou se consideram aparentados, unidos por laços naturais, por afinidade ou por vontade expressa; A identificação da violência ocorre pelo vínculo familiar existente entre a vítima e o autor da agressão, seja ele decorrente de algum ato legalmente constituído ou por consideração. Aqui se incluem os familiares com vínculos consanguíneos (irmãos, pais, tios, sobrinhos etc.), afins (cunhados, sogros etc.), por afinidade ou por vontade expressa (casamento, união estável). III - em qualquer relação íntima de afeto, na qual o agressor conviva ou tenha convivido com a ofendida, independentemente de coabitação. Incluem-se todas as relações afetivas que fundamentam um ato de violência contra a mulher, independentemente de ter ocorrido durante ou depois do término do 32 relacionamento. Também não necessita da convivência sob o mesmo teto entre os envolvidos. A exemplo, podemos citar os companheiros, ex-companheiros, namorados, ex- namorados, amantes, ex-amantes e até mesmo “ficantes”, ou seja, pessoas com quem se tem envolvimento afetivo ou sexual sem vínculo de compromisso. A lei não exige tempo mínimo de relacionamento para reconhecimento da relação íntima de afeto. Assim, caberá ao Poder Judiciário fazer a análise de cada caso concreto sobre a aplicação da lei, que sempre deverá se pautar nos seus princípios norteadores, de proteção da mulher em situação de vulnerabilidade e submissão, em razão do gênero. Nos dias atuais, não é incomum os relacionamentos afetivos se iniciarem e se manterem durante muito tempo e, às vezes, até exclusivamente pela rede mundial de computadores. Muitos e diversos são os aplicativos que conectam pessoas por todo o mundo. Em caso de violência, ainda que praticado pela internet, a aplicação da Lei Maria da Penha também é devida. A Lei nº 11.340/2006 ainda ressalva que as relações pessoais enunciadas os nessa norma independem de orientação sexual. Assim, a lei protege da mesma forma as mulheres heterossexuais, homossexuais, bissexuais, pansexuais etc., pertencentes ao grupo LGBTQIA+. Reforçando os tratados internacionais ratificadospelo Brasil, o artigo 6º da Lei Maria da Penha explicita que esse tipo de violência, contra o grupo LGBTQI+, constitui uma das formas de violação dos direitos humanos. 3. Tipos de violência contra a mulher Agora, vamos nos aprofundar sobre os tipos de violências contra a mulher. A Lei Maria da Penha, em seu art. 7º, enumera algumas formas de violência doméstica e/ou familiar contra a mulher. Contudo, consideremos que a violência de gênero é mais ampla do que a violência doméstica e/ou familiar. Assim, há situações em que nos deparamos com casos de violência contra a mulher, mas não serão em todos eles que incidirão a Lei Maria da Penha. 33 PARA REFLETIR! Veja a lista de filmes que tratam de violência contra a mulher: ➢ https://ibdfam.org.br/index.php/noticias/7590/10+filmes+para+refl etir+sobre+a+viol%C3%AAncia+contra+a+mulher ➢ https://educacaointegral.org.br/reportagens/16-filmes-para- debater-os-direitos-das-mulheres/ Debruçar-nos emos sobre os tipos de violências: 3.1. Violência física A violência física ocorre quando há qualquer conduta por parte do autor da violência que ofenda a integridade ou a saúde corporal da vítima. Esse tipo de violência é de fácil identificação e compreensão por parte da vítima ou de terceiros. A mulher consegue se enxergar na condição de vítima, pois são atos que, geralmente, deixam marcas, vestígios. Exemplos clássicos são os crimes de feminicídio, tortura, lesão corporal e a contravenção de vias de fato. Os atos em si se referem a espancamentos, atirar objetos, apertões de braços, estrangulamentos, sufocamentos, golpes com objetos cortantes ou perfurantes, queimaduras, disparo de armas de fogo etc. 3.2 Violência psicológica Figura 5 - Violência psicológica https://ibdfam.org.br/index.php/noticias/7590/10+filmes+para+refletir+sobre+a+viol%C3%AAncia+contra+a+mulher https://ibdfam.org.br/index.php/noticias/7590/10+filmes+para+refletir+sobre+a+viol%C3%AAncia+contra+a+mulher 34 Fonte: Diário do Nordeste, 2020. A violência psicológica é entendida como qualquer conduta que cause dano emocional, que diminua a autoestima ou que prejudique e perturbe o pleno desenvolvimento da mulher ou que vise degradar ou controlar as ações, os comportamentos, as crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, vigilância constante, perseguição contumaz, insulto, chantagem, violação de sua intimidade, ridicularizarão, exploração e limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que lhe cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação. A violência psicológica estava prevista desde a promulgação da Lei Maria da Penha como um tipo de violência que a mulher poderia estar sujeita, na subjugação de gênero nas relações domésticas e familiares. No entanto, os operadores do direito e demais profissionais que trabalham na rede de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra as mulheres comumente encontravam entraves quando se deparam com essa situação, não havendo, muitas vezes, consequências penais para os atos de violência psicológica, mas apenas de natureza extrapenal. Com o a advento da Lei nº 14.188, de 28 de julho de 2021, passou a haver um tipo criminal específico para a violência psicológica (art. 147-B do Código Penal), sendo facilitado um atendimento ininterrupto em rede, em que a vítima receberá acolhimento e lhe serão ofertadas e garantidas, por exemplo, as Medidas Protetivas de Urgência. https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/metro/pesquisa-revela-predominio-de-violencia-psicologica-contra-mulheres-1.2201894 35 O conceito amplo de violência psicológica compreende também os demais tipos penais de ameaça, o constrangimento ilegal, a perseguição, outra inovação trazida pela Lei nº 14.132 de 31 de março de 2021, todos previstos no Código Penal Brasileiro, e toda e qualquer conduta que cause prejuízo à saúde psicológica e à autodeterminação da mulher vítima. Vamos falar um pouco sobre um tipo específico de violência psicológica: os relacionamentos abusivos. - Relacionamentos abusivos Figura 6 - Relacionamento abusivo Fonte: Rede Sina, 2018. Os relacionamentos baseados no sentimento de posse e/ou propriedade do de um dos envolvidos na relação sobre o outro, de controle sobre a sua vida. Embora tanto o homem quanto mulher possam exercer o papel de abusador na relação abusiva, tendo em vista o contexto do presente curso, vamos considerar situações em que os homens figurem no papel de abusador. Os atos exercidos na relação abusiva podem ou não ser configurados como ilícito penal, a depender do caso concreto. A exemplo: a proibição de falar com os familiares e/ou amigos; proibição de sair de casa; proibição da mulher de usar determinadas roupas, por julgá-las https://redesina.com.br/vamosfalarsobre-relacionamento-abusivo-por-nikelenwitter/ 36 inadequadas; proibição de usar o aparelho celular; de participar de redes sociais; ridicularização perante terceiros; etc... Nesses exemplos citados, em geral, a mulher não percebe que está sendo vítima, pois confunde tais atos com demonstração de carinho, cuidado, proteção, e tais atos de controle passam a ser aceitos e justificados. A violência é sutil e romantizada, e podemos notar as características de invisibilidade, legitimação de privilégios e autorização social do modelo patriarcal de sociedade. O relacionamento abusivo pode ocorrer desde o início do relacionamento, em todas as faixas etárias, inclusive entre adolescentes. Quando a vítima, enfim, percebe estar numa situação abusiva, os atos de controle aumentam e outros tipos de violência passam a existir. - Crime de perseguição ou stalking Art. 147-A. Perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade. Pena – reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa. A Lei nº 14.132/2021 tipificou o crime de perseguição ou stalking. A partir de então, passou-se a ser consideradas crime condutas que até então não eram. Por exemplo, podemos citar a situação em que o ex-companheiro, inconformado com o término do relacionamento, passa diversas vezes em frente à casa da ex-companheira, para vigiá-la; instala sorrateiramente rastreador no carro dela para acompanhar seus horários e trajetos; entra em contato com os amigos íntimos da ex-companheira para saber detalhes da vida privada dela. Esses comportamentos, muitas vezes, trazem grandes abalos psicológicos à mulher. Embora seja uma evidente situação de violência psicológica, até a vigência dessa lei, não havia tipo penal específico aplicável às condutas citadas no exemplo acima. O termo stalking vem do inglês stalk, que significa perseguir. Refere- se à situação da perseguição incessante, contínua, reiterada, em que o autor invade a esfera de privacidade da vítima, causando-lhe medo, abalo e restringindo ou tolhindo sua liberdade de locomoção. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art147a 37 É uma forma de violência psicológica, que, sem dúvida, pode trazer severos danos à vítima. A perseguição não precisa ser física. Hoje em dia, com a sociedade cada vez mais hiperconectada, é possível perseguir alguém também virtualmente, pela internet. É muito comum que o crime no ambiente virtual ocorra em contexto de violência doméstica e/ou familiar contra a mulher, mas não esteja restrito a ele. Pode acontecer também em situações em que autor e vítima não têm qualquer relação íntima ou sequer se conheçam pessoalmente. Pode-se citar o exemplo cada dia mais comum na atualidade em que pessoas criam uma obsessão por alguém que conhece apenas pela internet, e passam apersegui-la virtualmente, enviando e-mails e mensagens nas redes sociais, criando perfis fakes para evitar de serem bloqueadas, tentando acompanhá-las em locais públicos, dentre outros comportamentos perseguidores. Por fim, destacamos que, embora homens e mulheres possam ser vítimas do crime de perseguição, o legislador previu uma causa de aumento de pena quando o crime for cometido contra mulher por razões de sexo feminino. - Crime de violência psicológica contra a mulher Os estudos sobre a violência de gênero tem sido cada vez mais focados para as situações de violência psicológica. Nesse contexto, recentemente, o legislador trouxe diversas inovações para punir situações relacionadas à violência psicológica. Assim, a Lei nº 14.132/2021 previu este tipo penal: Violência psicológica contra a mulher Art. 147-B. Causar dano emocional à mulher que a prejudique e perturbe seu pleno desenvolvimento ou que vise a degradar ou a controlar suas ações, comportamentos, crenças e decisões, mediante ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou qualquer outro meio que cause prejuízo à sua saúde psicológica e autodeterminação: Pena - reclusão, de 6 (seis) meses a 2 (dois) anos, e multa, se a conduta não constitui crime mais grave. Como percebemos, o legislador trouxe um tipo penal abrangente, que protege as mulheres contra ameaça, constrangimento, humilhação, manipulação, isolamento, chantagem, ridicularização, limitação do direito de ir e vir ou quaisquer outras condutas que visem controlá-la ou lhe causem danos emocionais e perturbem seu pleno desenvolvimento. http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Decreto-Lei/Del2848.htm#art147b 38 A doutrina tem lançado questionamentos acerca da constitucionalidade do tipo penal, diante de sua abrangência. Também se tem questionado sobre a necessidade ou não de laudo pericial que comprove o dano psicológico da vítima. Tendo em vista o tipo penal ser ainda muito recente, para os dois questionamentos acima, ainda não temos posicionamentos dos tribunais superiores. Em todo caso, o que nós, enquanto profissionais de segurança pública, temos que considerar é que o legislador está cada vez mais preocupado em trazer proteção para mulheres vítimas de violência psicológica. Assim, ao atender mulheres que narram situações relacionadas no tipo penal, os profissionais de segurança pública devem acolhê-las, assisti-las e tomar todas as medidas que estiverem à sua disposição para protegê-las. Assista à palestra do Dr. Ben-Hur, Juiz de Direito do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios sobre violência psicológica - https://www.youtube.com/watch?v=qD6N- F3XFzc&t=145s 3.3 Violência sexual A violência sexual compreende qualquer conduta que constranja a mulher a presenciar, manter ou participar de relação sexual não desejada, mediante intimidação, ameaça, coação ou uso da força; que a induza a comercializar ou a utilizar, de qualquer modo, a sua sexualidade; que a impeça de usar qualquer método contraceptivo ou que a force ao matrimônio, à gravidez, ao aborto ou à prostituição, mediante coação, chantagem, suborno ou manipulação; ou que limite ou anule o exercício de seus direitos sexuais e reprodutivos. Se busca a ampla proteção da liberdade, intimidade e privacidade da mulher. Destaca-se que qualquer ato de natureza sexual praticado contra criança ou adolescente menor de 14 anos é considerado estupro de vulnerável, previsto no artigo 217-A do Código Penal Brasileiro. Nesse caso, o direito à liberdade sexual é indisponível e inegociável. Ainda, para menores de 18 anos, há proteções penais específicas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, por exemplo, no que se refere à produção e divulgação de cenas de pornografia ou cenas de sexo que envolva criança ou adolescente (artigos 240 e 241, https://www.youtube.com/watch?v=qD6N-F3XFzc&t=145s https://www.youtube.com/watch?v=qD6N-F3XFzc&t=145s 39 241-A, 241-B, 241-C, 241-D, 241-E, todos do Estatuto da Criança e do Adolescente). O Código Penal Brasileiro, desde 2005, vem sofrendo inúmeras reformas no que diz respeito à proteção à dignidade sexual. Alguns crimes que tratavam a mulher de forma discriminatória, como o termo “mulher honesta”, sobre o qual já falamos, foram abolidos e substituídos por outros que ampliaram sua esfera de proteção. Antes desta reforma legal de 2009, tais crimes eram nominados crimes contra os costumes. Nos crimes de violar a intimidade sexual de alguém, que podem trazer traumas para toda uma vida toda, o bem protegido era o “costume”, ou seja, a maneira de agir da sociedade em uma determinada época e não a liberdade e dignidade sexual da vítima que fora violada, ferida, desalmada. Também foi incluída como violência sexual a gravidez forçada, o matrimônio forçado, o aborto forçado. Igualmente, o induzimento ou qualquer tipo de exploração sexual, qualquer ato que limite ou anule os direitos à liberdade sexual ou reprodutivos (como os casos de esterilizações forçadas). O Fórum Brasileiro de Segurança Pública publicou nota técnica sobre Violência Contra as Mulheres em 20218: “O ano de 2021 marca a retomada do crescimento de registros de estupros e estupros de vulnerável contra meninas e mulheres no Brasil, que apresentaram redução após a chegada da pandemia de Covid-19 no país. Foram registrados 56.098 boletins de ocorrência de estupros, incluindo vulneráveis, apenas do gênero feminino. Isso significa dizer que, no ano passado, uma menina ou mulher foi vítima de estupro a cada 10 minutos, considerando apenas os casos que chegaram até as autoridades policiais.” Nesse cenário, precisamos atuar veementemente na proteção de mulheres, meninas e adolescentes vítimas de crimes contra a dignidade sexual, pois o não registro de tais crimes, a subnotificação (cifras negras) e a não apuração dos fatos é fator que não contribui para a manutenção da ordem atual, não mais aceitável. Para complementar seus conhecimentos acesse a publicação do Fórum Brasileiro de Segurança Pública: violencia-contra-mulher- 2021-v5.pdf (forumseguranca.org.br) 8 FORUM BRASILEIRO DE SEGURANÇA PUBLICA. Violência contra mulheres em 2021. 2022. Disponível em: <violencia-contra-mulher-2021-v5.pdf (forumseguranca.org.br) >. Acesso em: 14, mai. 2022. https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/03/violencia-contra-mulher-2021-v5.pdf https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/03/violencia-contra-mulher-2021-v5.pdf https://forumseguranca.org.br/wp-content/uploads/2022/03/violencia-contra-mulher-2021-v5.pdf 40 3.4 Violência patrimonial Figura 7 - Violência patrimonial Fonte: Jusbrasil, 2019. A violência patrimonial é entendida como qualquer conduta que configure retenção, subtração, destruição parcial ou total de seus objetos, instrumentos de trabalho, documentos pessoais, bens, valores e direitos ou recursos econômicos, incluindo os destinados a satisfazer as necessidades do agressor. O dispositivo da lei visa à proteção dos bens patrimoniais das mulheres. Engloba os crimes patrimoniais propriamente ditos, tais como furto, apropriação indébita, estelionato, dentre outros, previstos no Código Penal Brasileiro. Também inclui os atos de dano e destruição de objetos pessoais, que, às vezes, não tem valor econômico, mas sentimental. - Violência patrimonial contra idosa A realidade nos mostra que a mulher idosa, no momento de sua vida em que deveria descansar, sendo cuidada pelos familiares e estar cuidando de si mesma, não https://leobinoneto.jusbrasil.com.br/noticias/654304892/violencia-patrimonial-contra-a-mulher 41 raro, com seus parcos rendimentos sustenta toda sua família e é vítima dos mais diversos tipos de violência, como ofensas morais, ameaças, agressões físicase a apropriação de seu patrimônio. Deparamo-nos com muitas situações em que os proventos das idosas são utilizados por seus familiares para interesses pessoais, enquanto a idosa é negligenciada em seus cuidados básicos. É comum, nesses casos, a vítima proteger seus algozes e, por isso, a intervenção necessária é complexa, sendo importante a atuação em rede, muito cuidadosa, para se ter sucesso. - Estelionato sentimental ou amoroso O estelionato sentimental ou amoroso é uma classificação doutrinária de uma modalidade de estelionato, previsto no artigo 171 do Código Penal. Nessa modalidade, o autor se vale da confiança conquistada em um suposto relacionamento amoroso, para obter vantagem econômica, financeira e patrimonial às custas da vítima. A vítima acredita estar vivenciando uma história de amor, que não é verdadeira. No geral o perfil das vítimas são mulheres carentes emocionalmente, que transparecem o desejo de ter uma companhia. Os criminosos costumam procurar mulheres de meia idade, que têm recursos financeiros, independência e disponibilidade afetiva. Embora se dê, comumente, em relações pela internet, não é somente nesse contexto que esse crime ocorre, podendo haver também em relacionamentos com encontros presenciais. O resultado, muitas vezes, é devastador, pois a vítima pode ter todo o seu patrimônio dilapidado. Quando a vítima não tem patrimônio, ele a convence a fazer empréstimos e lhe entregar o dinheiro e desaparece, deixando a dívida com a vítima. Durante investigações policiais, já foram descobertas organizações criminosas que procuram as vítimas em redes sociais. Essas organizações, muitas vezes, praticam esse crime estando fora do Brasil, para dificultar ou impossibilitar as investigações no âmbito nacional e a recuperação dos prejuízos causados. O autor é sempre muito convincente, conquistador e direciona os atos das vítimas para os seus interesses particulares. Uma das artimanhas é criar histórias envolventes para justificar os pedidos de dinheiro ou compras com o cartão de crédito da vítima. Os depósitos, em geral, são em contas de terceiros ou para o exterior. 42 Um sinal de alerta para identificar esse golpe é quando o homem coloca dificuldades para realizar videochamadas, sempre inventando uma desculpa. A vítima procura ajuda quando já está em uma situação financeira difícil, quando perdeu parte ou todo o seu patrimônio ou está com dívidas insolúveis. Diante desse cenário, os danos psicológicos são imensuráveis. Leia a notícia de estelionato sentimental aplicado por organizações criminosas através do link: https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/04/4919658- nigerianos-sao-suspeitos-de-aplicar-o-golpe-do-amor-on-line.html 3.5 Violência moral A violência moral é entendida como qualquer conduta que configure calúnia, difamação ou injúria. A injúria (artigo 140, caput, do CP) é ofender a honra subjetiva, sendo o exemplo clássico as ofensas morais e os xingamentos. Calúnia é imputar à vítima fato definido como crime, que se sabe não verdadeiro. Exemplo: falar que a mulher furtou um aparelho celular, que ela comete maus tratos contra o filho em comum. A difamação é ofender a honra objetiva da mulher; é imputar fato ofensivo à honra da vítima; desmoralizá-la socialmente, contando a terceiros fatos ofensivos à sua reputação. Exemplo: divulgar nas redes sociais que a mulher não cuida direito dos filhos e que teve um amante durante um casamento. Não interessa se o fato é verdadeiro ou não, a intenção é a desmoralização social. 3.6. Violência institucional Infelizmente, a mulher, a menina, a adolescente e a idosa, além de serem vítimas dos mais diversos crimes, seja no ambiente privado ou público, quando procuram ajuda nos órgãos públicos que deveriam assisti-la, não encontram o atendimento devido. O atendimento a ser realizado precisa ser feito com acolhimento, sem preconceito, proporcionando conforto e o mínimo dano, pois, quando a vítima procura https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/04/4919658-nigerianos-sao-suspeitos-de-aplicar-o-golpe-do-amor-on-line.html https://www.correiobraziliense.com.br/cidades-df/2021/04/4919658-nigerianos-sao-suspeitos-de-aplicar-o-golpe-do-amor-on-line.html 43 a rede de enfrentamento para pedir ajuda, ela terá que contar a história que vivenciou, que nunca gostaria que tivesse ocorrido, ou seja, o acolhimento deve buscar ao máximo evitar a revitimização. Os profissionais de segurança pública, da rede de enfrentamento e que atuam no sistema de justiça, como um todo, necessitam de capacitação constante para compreender o fenômeno e a complexidade da violência de gênero e estarem preparados para, de fato, realizar uma oitiva empática, sem julgamentos e estarem predispostos para essa função de ajudar a mulher a romper o ciclo da violência. A capacitação e a adoção de protocolos de atendimento são muito importantes, pois traz a uniformidade de atendimento em determinadas circunstâncias e segurança para o profissional, fluidez e eficiência ao trabalho. Pode-se citar o caso midiático da jovem Mariana Ferrer, vítima de possível estupro, a qual foi humilhada, durante audiência de instrução e julgamento pelo advogado de defesa, sem que houvesse qualquer interferência do Ministério Público ou do Poder Judiciário para resguardá-la. Nesse cenário, foi promulgada a Lei nº 14.245/2021, criada para coibir a prática de atos atentatórios à dignidade da vítima e de testemunhas. Referido dispositivo legal alterou o Código de Processo Penal, que passou a proibir durante audiências questionamentos e manifestações sobre circunstâncias ou elementos alheios aos fatos objeto de apuração no processo e a utilização de linguagem, de informações ou de material que ofendam a dignidade da vítima ou de testemunhas. Para ampliar seus conhecimentos, estude a Lei nº 14.245/2021 através do link: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019- 2022/2021/lei/L14245.htm Com vistas à coibição da violência institucional, o legislador, ainda, previu o crime específico de violência institucional na Lei de Abuso de Autoridade. Violência Institucional Art. 15-A. Submeter a vítima de infração penal ou a testemunha de crimes violentos a procedimentos desnecessários, repetitivos ou invasivos, que a leve a reviver, sem estrita necessidade: I - a situação de violência; ou II - outras situações potencialmente geradoras de sofrimento ou estigmatização: Pena - detenção, de 3 (três) meses a 1 (um) ano, e multa. § 1º Se o agente público permitir que terceiro intimide a vítima de crimes violentos, gerando indevida revitimização, aplica-se a pena aumentada de 2/3 (dois terços). http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14245.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2021/lei/L14245.htm https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2019-2022/2019/Lei/L13869.htm#art15a 44 § 2º Se o agente público intimidar a vítima de crimes violentos, gerando indevida revitimização, aplica-se a pena em dobro. 4. O ciclo da violência 4.1 Fases do ciclo da violência São consideradas fases do ciclo da violência, conforme pode ser observada na Figura 8: Fase 1: Evolução de tensão; Fase 2: Explosão (incidente de agressão) e Fase 3: Lua de mel (comportamento gentil e amoroso). Figura 8 - Fases do ciclo da violência Fonte: Ministério Público de São Paulo, 2022. Fase 1 – Evolução da Tensão A primeira fase é marcada pelo aumento da tensão, quando acontece a mudança de comportamento do autor da agressão. 45 Ocorre a transformação daquele homem que a mulher escolheu para ser seu companheiro para a vida. Antes carinhoso, atencioso e prestativo, ele passa a ser crítico, controlador e apresentar atos de violência, ainda que implícitos. É nesse momento que se iniciam as agressões invisíveis, dedifícil identificação, pois não deixam vestígios. Cita-se como exemplos, quando a mulher é extremamente controlada pelo seu namorado, que não a deixa ir sozinha à academia, ter vida social com amigos, participar de redes sociais; usar determinadas roupas por julgá-las inadequadas. Muitas vezes o autor justifica seus atos de “controle” como cuidado, zelo, amor, mas, na verdade, é o início de uma vida sem liberdade, de desrespeito, que culminará em atos mais gravosos no futuro. É nessa fase que surgem as violências psicológicas e morais, em que as mulheres suportam humilhações das mais diversas ordens, que diminuem sua autoestima e as fazem adoecer. Fase 2 – Explosão É o momento mais extremo do ciclo. Na fase de explosão o autor pratica atos que se tornam insuportáveis para vítima, que a farão buscar ajuda na rede de apoio. Esse ato pode ser uma agressão física ou sexual ou outro ato de violência que se torne insuportável para a mulher, que a faça pedir socorro aos amigos, familiares ou à polícia, para o registro da ocorrência policial ou outro órgão vinculado à Rede de Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher. Nessa fase, a vítima toma a decisão de não querer mais viver naquele relacionamento; pois quer viver sem violência. Está certa de que esse é o caminho e toma uma atitude no sentido de tentar mudar a sua realidade. Fase 3 – Lua de Mel Na fase conhecida como Lua de Mel, a mulher vítima está decidida e se movimentando para mudar a realidade, que, muitas vezes, significa tirar o agressor de sua vida. O abusador, então, passa a demonstrar arrependimento pelos atos praticados, por mais violentos e devastadores que tenham sido. Passa a apresentar o comportamento conquistador do início do relacionamento, de docilidade e 46 amorosidade; compra presentes; faz promessas de mudanças, que, provavelmente nunca vão ocorrer se não houver um investimento verdadeiro nesse sentido. A mulher revive os momentos de alegria com o abusador e acredita que ele irá mudar. Especialistas também chamam esse ciclo de “calmaria” e, por vezes, é nessa fase que podem ocorrer as renúncias junto ao Poder Judiciário das representações criminais já oferecidas anteriormente. No entanto, algum tempo depois, por não ter ocorrido mudança e intervenção substancial naquela relação, os atos de violência se repetem, saindo da lua de mel e voltando para a fase de tensão, em um movimento cíclico. Por isso, é comum, nas delegacias de polícia, ser verificado o registro de várias ocorrências policiais envolvendo as mesmas partes, no mesmo contexto de violência. Nesse ponto, é importante lembrar que a renúncia formal somente pode ser convalidada na Justiça (artigo 16 da Lei nº 11.340/2006). Assim, a partir da compreensão desses fenômenos, é tão importante a capacitação de todos os profissionais que atuam na Rede de Enfrentamento de Violência Doméstica e Familiar contra as Mulheres, para se evitar o pré-julgamento da mulher nessas condições e não a revitimizar. Deve-se saber ouvi-la com empatia e ajudá-la naquilo que estiver ao alcance dos profissionais de segurança pública. 4.2. Fatores que contribuem para o ciclo da violência A mulher, diante do contexto social, cultural e histórico já estudado, ainda tem dificuldade de compreender que é detentora de direitos individuais, de lidar com a sua liberdade, lutar por ela, se enxergar como um alguém que tem direitos iguais e pode exercê-los nessa igualdade. Os direitos individuais são estabelecidos constitucionalmente, podendo e devendo ser exigido o seu cumprimento, no entanto, verifica-se que a transgeracionalidade imperativa do masculino sobre o feminino dificulta a concretização deles. As dependências da mulher com relação ao homem são situações de aprisionamento que dificultam a compreensão e são fatores impeditivos para que a mulher saia do ciclo da violência. 47 Os fatores a seguir apresentados podem ser a motivação única ou conjugada com vários outros para justificar ou impedir o rompimento do ciclo. - Dependência emocional: fator psicológico que gera vínculo de dependência e necessidade da presença do autor da agressão. A mulher se sente culpada pelas ações agressivas do autor. Ela inverte os papéis e se responsabiliza pelas ações do outro. Exemplos: 1. A mulher apanhou do marido, mas ela não tinha feito a comida no horário certo, não tinha limpado a casa. Era o papel de esposa fazer. A vítima justifica a agressão, por não ter feito as tarefas domésticas. 2. O agressor chega em casa embriagado, agressivo, xinga e empurra a mulher. A vítima justifica “Eu provoquei também, briguei com ele, questionei por que ele chegou tarde em casa. Quando ele não ingere bebidas alcoólicas, é uma pessoa maravilhosa.” A mulher vítima aceita essa justificativa, interioriza e se culpabiliza pela violência. Muitas mulheres têm dificuldade de recomeçar, de interromper um ciclo e iniciar outro. O agressor tem domínio sobre as ações da mulher, desde as mais simples até as mais complexas. Muitas têm dificuldades de escolher o próprio caminho, pois, talvez, nunca tenham feito isso, e a busca pela liberdade é algo que precisa ser superada, se necessário, com ajuda de profissionais capacitados. Para ajudar a vítima a resolver questões que envolvam a dependência emocional, é importante a articulação e a disponibilização de serviços de psicologia e assistência social na Rede de Enfrentamento. - Dependência econômica: Muitas mulheres não têm autonomia financeira e condições materiais mínimas para viver sozinha e/ou com seus filhos, e consequentemente, dependem financeiramente do parceiro. Esse fato dificulta que a mulher saia do ciclo da violência. A ausência de profissionalização para o mercado de trabalho potencializa a dependência econômica. A mulher, muitas vezes, foi preparada apenas para cuidar da casa e dos filhos e fez isso a vida toda. Figura 9 - Dependência econômica 48 Fonte: Dimitri Soares, 2014. - Falta de rede de apoio: o distanciamento da família e dos amigos faz com a mulher não se sinta segura para sair de um relacionamento por falta de apoio e acaba se tornando prisioneira do relacionamento abusivo. - Filhos menores e/ou adolescentes: não podemos ignorar que o autor da agressão é, muitas das vezes, o pai dos filhos da vítima. Pode ser muito difícil para ela romper a relação violenta, pois ela não tem condições de educar os filhos sozinha, por falta de condições emocionais, financeiras, rede de apoio, tempo para todas as tarefas diárias. - Baixa autoestima: dificuldade de se ver como uma pessoa que mereça ser amada e que tem valor. Ela está intimamente relacionado com a dependência emocional, sendo, em muitos casos, resultado de uma relação violenta marcada pela violência psicológica. - Medo do novo: medo de encarar uma vida nova é um dos obstáculos que precisa ser vencido para a mulher retomar sua identidade e se reencontrar com sua essência. É uma das facetas da dependência emocional, que precisa ser trabalhada internamente. Além dos principais fatores citados, muitos outros justificam e mantêm as mulheres vítimas aprisionadas no ciclo da violência. Romper o ciclo não significa que todas as mulheres devam se separar de seus parceiros, mas que o respeito deve ser exigido e cultivado nas relações afetivas e em qualquer relação familiar, seja qual a for a orientação sexual. Lembramos que, quando uma mulher sofre violência doméstica, seus filhos também sofrem. Todos sofrem. http://www.dimitresoares.com.br/2014/09/violencia-patrimonial-contra-mulher.html 49 É importante lembrar que é responsabilidade de TODOS o enfrentamento da violência doméstica e familiar contra a mulher, pois a Lei Maria da Penha, em seu artigo 3º, §2º, assim dispõe: “Cabe à família, à sociedade e ao poder público criaras condições necessárias para o efetivo exercício dos direitos enunciados no caput.” E os direitos enunciados: “Serão asseguradas às mulheres as condições para o exercício efetivo dos direitos à vida, à segurança, à saúde, à alimentação, à educação, à cultura, à moradia, ao acesso à justiça, ao esporte, ao lazer, ao trabalho, à cidadania, à liberdade, à dignidade, ao respeito e à convivência familiar e comunitária.” Todos esses direitos juntos, se respeitados, significam uma vida sem violência. Finalizando Neste módulo, você aprendeu que: • a violência contra as mulheres é um tema complexo e, em defesa dos direitos das mulheres, houve uma evolução legislativa para proteção deles. Neste tópico você estudou uma breve apresentação da Lei Maria da Penha, principal instrumento legal de proteção às mulheres, meninas, adolescentes em situação de violência doméstica e familiar, e as hipóteses de sua aplicação. • em continuidade, você aprendeu os tipos de violência previstos no artigo 7º da Lei nº 11.340/2006, com a ressalva de que os conceitos apresentados na referida lei também são utilizados para a compreensão das demais infrações penais e violências praticadas em circunstâncias em que não é aplicada a Lei Maria da Penha. Você também estudou, em destaque, as recentes previsões legais dos crimes de perseguição, violência psicológica e institucional. • foi abordado que o ciclo da violência é um fenômeno complexo, composto por três fases distintas, e que a mulher vítima pode permanecer aprisionada em um relacionamento abusivo por muitos anos. Além disso, existem fatores, e que existem fatores que individualmente ou concomitantemente contribuem para a permanência da vítima nesse ciclo. • por fim, estudou que a violência contra as mulheres é uma violação dos direitos humanos e que é responsabilidade de todos participar do 50 enfrentamento da violência contra às mulheres, meninas, adolescentes e idosas. 51 Módulo 3 - VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER E OS MECANISMOS DE PROTEÇÃO Apresentação do módulo Agora que você já estudou sobre o que é gênero e em que consiste a violência de gênero, além de ter sido apresentado à Lei nº 11.340/2006 – Lei Maria da Penha, vamos nos aprofundar um pouco sobre um poderoso mecanismo de proteção às mulheres vítimas de violência doméstica e familiar: as medidas protetivas de urgência. Esse instrumento de proteção foi uma importante inovação em nosso ordenamento jurídico. Mas, para que ele, de fato, proteja a vítima em sua plenitude, é importante que os agentes que trabalham na rede de atendimento à violência, conheçam em profundidade as medidas protetivas de urgência e utilizem todas as possibilidades da decretação delas. Objetivos do módulo Este módulo tem por objetivos, no que refere às medidas protetivas de urgência: • Apresentar as previsões legais trazidas pela Lei Maria da Penha; • Aprofundar o estudo com considerações críticas e da prática cotidiana no que toca às medidas protetivas de urgência; • Informar sobre as inovações legais, a fim de que se tenha maior efetividade e eficiência, tais como o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, o Banco Nacional de Medidas Protetivas de Urgência, dentre outros; • Analisar as possibilidades jurídicas decorrentes do descumprimento, para se ter maior efetividade na adoção das providências cabíveis. 52 Estrutura do módulo Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 - Medidas Protetivas de Urgência; Aula 2 - Necessidade da devida informação à vítima; Aula 3 - Do Formulário Nacional de Avaliação de Risco; Aula 4 - Da possibilidade de afastamento do lar do agressor pela Autoridade Policial; Aula 5 - Do Banco Nacional de Medidas Protetivas de Urgência; Aula 6 - Consequências do descumprimento de medida protetiva de urgência. 53 1. Medidas Protetivas de Urgência Como vimos no curso, a Lei Maria da Penha não se aplica para todos os casos de violência de gênero. Para os que se aplica, ela traz um instrumento poderoso de proteção: as Medidas Protetivas de Urgência. Essa lei traz um rol de medidas que podem ser decretadas, em regra, pelo juiz a pedido da mulher, por intermédio do delegado de polícia, por meio de requerimento do Ministério Público. Desde 2019, existe a possibilidade legal de, na ausência de juiz na comarca, a autoridade determinar o afastamento do agressor do lar, como veremos em mais detalhes ainda neste módulo. O afastamento do agressor do lar visa garantir maior efetividade à lei e proteger a mulher em situação de violência, resguardando sua integridade física e psicológica, além de proteger seus bens. A fim de conferir uma proteção plena à vítima, é possível, inclusive, que seus familiares e testemunhas também sejam abrangidos pelas medidas protetivas. Além disso, diante da urgência para que a mulher tenha um instrumento jurídico de proteção, a lei impõe que o requerimento de medida protetiva seja encaminhado ao Poder Judiciário no prazo máximo de 48 horas (conforme inciso Il do artigo 12 da Lei Maria da Penha). Esse prazo é impositivo (48h) e deve ser fielmente observado. Tendo em vista as peculiaridades do Brasil sabe-se que nem todos os municípios são sede de Comarca ou que, fora do horário ordinário de expediente forense, o juiz de plantão é sediado em municípios distantes. Nesses casos, deve-se dar especial atenção para que o prazo legal não seja extrapolado. Hoje em dia, com a expansão dos processos judiciais eletrônicos, muitos juízes ou plantões judiciários já recebem o requerimento de medidas protetivas eletronicamente, o que é um grande facilitador para a celeridade da tramitação e contribui para a maior eficiência do sistema de proteção às mulheres. E, mesmos nas Comarcas onde os processos ainda não tramitam eletronicamente com sistema próprio, pode ser feito o ajuste direto entre as Delegacias de Polícia e os Juízos, para que seja disponibilizado meio eletrônico 54 idôneo, tal como e-mail institucional, e os requerimento de medidas protetivas sejam encaminhados digitalmente, sem ser necessário o deslocamento físico dos policiais para tanto. 1.1 Em relação ao agressor O juiz pode aplicar ao agressor as medidas protetivas de urgência, conforme o disposto no art. 22 da Lei, que traz um rol exemplificativo. Convém nos aprofundarmos em alguns desses pedidos: Art. 22. Constatada a prática de violência doméstica e familiar contra a mulher, nos termos desta Lei, o juiz poderá aplicar, de imediato, ao agressor, em conjunto ou separadamente, as seguintes medidas protetivas de urgência, entre outras: I - suspensão da posse ou restrição do porte de armas, com comunicação ao órgão competente, nos termos da Lei nº 10.826, de 22 de dezembro de 2003; Quando do atendimento, o policial deve sempre ficar muito atento: assim que se deparar com situações em que o ofensor possui acesso legal à arma de fogo. Devemos lembrar que os atos de violência doméstica têm uma progressão em suas formas, o que é potenciado, muitas vezes, pelo uso abusivo de álcool e drogas. Um contexto que se inicia com atos de violência moral pode, em pouco tempo, passar para violência física e chegar a um feminicídio. Por isso, mesmo nas situações concretas em que não se vislumbra um risco imediato à vida da vítima, deve ser considerado que, em pouco tempo, aquela situação pode se agravar e o acesso à arma de fogo facilita que tragédias aconteçam. Nos casos em que o agressor, em razão de seu ofício (profissionais de segurança pública, integrantes das Forças Armadas, dentre outros) ou por motivos particulares, tem acesso a armas de fogo é importante que a vítima seja informada sobre a possibilidade de ela requerer a suspensão da posse ou restrição do porte, nos termosdo item I do art. 22. Lembramos que a legislação prevê várias hipóteses para que particulares tenham acesso legal à arma de fogo, como é o caso dos Colecionadores, Atiradores e Caçadores (CAC) ou dos cidadãos em geral, para a mera posse da arma (Lei nº 10.826/2003). Assim, quando do atendimento à vítima, ela sempre deve ser questionada se o ofensor tem acesso à arma de fogo e, caso positivo, ser orientada sobre a http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/2003/L10.826.htm 55 possibilidade prevista no inciso II: afastamento do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida. Considere-se que, para ser decidido pelo afastamento do agressor, de seu lar verifica-se apenas se tal medida é necessária para fazer cessar os atos de violência contra a mulher, vulnerável naquela relação. Assim, mesmo que o imóvel onde o casal resida seja de propriedade exclusiva do agressor ou de terceira pessoa, ainda assim, pode ser determinado o afastamento do agressor. Esse afastamento, contudo, tem natureza cautelar e, como tal, é provisório e não faz com que o agressor perca eventuais direitos cíveis sobre o imóvel. Assim, no caso de vítima e agressor serem casados ou viver em união estável, a vítima deve ser orientada a procurar advogado ou a Defensoria Pública, para tomar as medidas necessárias, com base no Direito de Família. III - proibição de determinadas condutas, entre as quais: a) aproximação da ofendida, de seus familiares e das testemunhas, fixando o limite mínimo de distância entre estes e o agressor; b) contato com a ofendida, seus familiares e testemunhas por qualquer meio de comunicação; c) frequentação de determinados lugares a fim de preservar a integridade física e psicológica da ofendida; A prática nos mostra que as medidas previstas nesse inciso são as mais comuns de serem deferidas. Destaca-se que as proibições em questão abrangem não apenas a vítima, mas também seus familiares e testemunhas dos atos de violência, para que a proteção à vítima seja realmente efetiva. Em relação à proibição de contato, ela inclui também os meios digitais, como mensagens por redes sociais, e-mails ou quaisquer outros meios. A proibição delineada no item “c” se aplica, por exemplo, às situações em que a vítima e o agressor frequentem, ordinariamente, algum lugar em comum, como clubes, Igrejas, faculdade. Assim, nesses casos, é importante que, no requerimento, seja especificado o lugar (nome e endereço) que se pretende que o agressor seja proibido de frequentar. IV - restrição ou suspensão de visitas aos dependentes menores, ouvida a equipe de atendimento multidisciplinar ou serviço similar; V - prestação de alimentos provisionais ou provisórios. 56 O inciso IV visa preservar a vida e integridade física e psicológica tanto dos dependentes menores, quanto da vítima, quando elas estão colocadas em risco pelas visitas do agressor. De modo similar, o inciso V visa dar amparo material à vítima de violência doméstica, em especial quando existe a situação de dependência econômica. Contudo, por tais medidas terem natureza cautelar e provisória, a vítima deve ser orientada a procurar advogado ou a Defensoria Pública, para tomar as medidas cíveis necessárias quanto à guarda dos filhos, pensão alimentícia e demais direitos cíveis, conforme o caso. VI – comparecimento do agressor a programas de recuperação e reeducação; VII – acompanhamento psicossocial do agressor, por meio de atendimento individual e/ou em grupo de apoio. Essas hipóteses visam conscientizar o agressor acerca violência doméstica e, a partir disso, diminuir a reincidência e romper com o ciclo de violência. Contudo, sabemos que, na prática, existem poucos programas à disposição que oferecem esse atendimento. Nesse sentido, destacamos a importância de iniciativas do próprio Poder Judiciário, Ministério Público, Defensorias Públicas, outros órgãos público e da própria sociedade civil organizada, na criação de grupos reflexivos para autores de violência doméstica. 1.2 Em relação à mulher e a seu patrimônio Em relação à mulher, o juiz poderá, segundo o art. 23 da Lei: I - encaminhar a ofendida e seus dependentes a programa oficial ou comunitário de proteção ou de atendimento; II - determinar a recondução da ofendida e a de seus dependentes ao respectivo domicílio, após afastamento do agressor; III - determinar o afastamento da ofendida do lar, sem prejuízo dos direitos relativos a bens, guarda dos filhos e alimentos; IV - determinar a separação de corpos. V - determinar a matrícula dos dependentes da ofendida em instituição de educação básica mais próxima do seu domicílio, ou a transferência deles para essa instituição, independentemente da existência de vaga. Destacamos que a vítima de violência doméstica que, para se proteger, deixa o lar conjugal não pode sofrer qualquer prejuízo tipo de prejuízo, no que toca a seus direitos cíveis. 57 Para a proteção patrimonial da vítima, tenham sido eles adquiridos na constância na sociedade conjugal ou particulares da ofendida, a Lei nº 11.340/2006 também prevê a possibilidade de se requerer algumas medidas: I - restituição de bens indevidamente subtraídos pelo agressor à ofendida; II - proibição temporária para a celebração de atos e contratos de compra, venda e locação de propriedade em comum, salvo expressa autorização judicial; III - suspensão das procurações conferidas pela ofendida ao agressor; IV - prestação de caução provisória, mediante depósito judicial, por perdas e danos materiais decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a ofendida. 1.3 Outras Medidas Protetivas possíveis Deve-se destacar que o rol de medidas trazidas pela Lei Maria da Penha não é taxativo, mas exemplificativo. Ou seja, não existe restrição aos representantes legais ou do próprio Ministério Público em solicitar e nem mesmo ao juiz em conceder somente as medidas elencadas na lei. A partir de avaliações, pode-se adotar outras medidas como forma de assegurar a eficiência daquelas previstas expressamente pelo legislador. Nesse sentido, destacamos o projeto VIVA FLOR, programa da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal em parceria com outros órgãos, que consiste em um sistema de segurança preventiva para mulheres que estejam em risco extremo. As mulheres abrangidas no programa recebem um dispositivo eletrônico, similar a um smartphone, que lhe possibilita fazer ligações para números pré- cadastrados, enviar mensagens de texto prontas, gravar imagens, vídeos e som ambiente, que podem ser usados como prova em juízo. Em situações de emergência, com apenas um clique, a vítima aciona a Polícia Militar e é atendida com absoluta prioridade, tendo sua localização rastreada em tempo real. 58 2. Necessidade da devida informação à vítima Como se viu, a Lei nº 11.340/2006 traz um rol extenso de medidas que podem ser decretadas, liminarmente, para proteção das mulheres em situação de violência doméstica e/ou familiar. Contudo, de nada adianta a Lei conferir tantas formas de proteções à vítima, se ela não tiver conhecimento de cada um desses direitos. Por isso, é muito importante que o policial, ao atender a vítima, lhe explique em que consiste a medida protetiva, para que serve cada uma dessas proteções, para que, assim, a vítima tenha condições de saber quais dessas medidas tem interesse em requerer ao Juízo. Reforço que é a própria vítima que faz o requerimento de medida protetiva de urgência e não a Autoridade Policial, que apenas encaminha o termo ao juízo. Assim, é a vítima que deve ser devidamente esclarecida durante seu atendimento sobre as várias possibilidades de proteção, para que ela tenha condições de decidir quais pedidos ela tem interesse. Nesse atendimento,a vítima deve ser orientada também, especialmente, sobre como proceder caso haja o descumprimento da medida protetiva ou como ela deverá proceder caso ela já não mais tenha interesse na proteção. Na prática policial, é muito comum nos depararmos com situações de mulheres que dizem que “as medidas protetivas não servem para nada”, pois sabem de situações em que houve o seu descumprimento e, segundo elas, “nada aconteceu”. O que ocorre é que, em muitos casos, quando há o descumprimento da medida protetiva, a ofendida não comunica essa situação à polícia. E, muitas vezes, isso se dá por desinformação. Assim, sempre que a vítima requerer a medida protetiva de urgência, ela deve ser devidamente orientada a, caso ela seja decretada e descumprida, procurar a Polícia para comunicar esse fato, para que as providências possam ser tomadas pela Autoridade Policial de modo a resguardar a efetiva segurança dessa mulher. Por fim, a vítima também deve ser esclarecida sobre o que deve fazer, caso já não mais tenha interesse na proteção conferida pela medida protetiva vigente. Em razão do ciclo da violência, é comum a vítima se reconciliar com o agressor e voltarem a morar juntos. Nesses casos, não faz sentido estar vigente, por exemplo, 59 uma decisão judicial que determine que o autor não se aproxime fisicamente da ofendida ou que não mantenha qualquer tipo de contato com ela. E, ainda, essas situações contribuem para que, na percepção dos envolvidos, a medida protetiva “não sirva para nada”. Por isso, a vítima também deve ser cuidadosamente orientada em seu atendimento sobre o ciclo da violência e que, mesmo assim, caso, por alguma circunstância ela não tenha mais interesse na proteção, ela deve procurar o Poder Judiciário e pedir a revogação das medidas. E, ainda, que, caso ela volte a sofrer qualquer violência, ela poderá procurar novamente a Polícia e formular novo pedido de medida protetiva de urgência. 3. Do Formulário Nacional de Avaliação de Risco Para decidir acerca do requerimento de Medidas Protetivas de Urgência, o Juiz considera as provas que já tenham sido produzidas. Assim, como esse requerimento, em regra, é feito no primeiro atendimento à vítima, não é raro que a única prova que se tenha, naquele momento, sejam as declarações da ofendida. Assim, para que o julgador tenha maiores elementos para verificar a gravidade da situação de risco dessa vítima, em 2020, o Conselho Nacional de Justiça e o Conselho Nacional do Ministério Público instituíram o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, o qual se tornou de aplicação obrigatória em 05.05.2021, com a Lei Federal nº 14.149. O Formulário visa colher maiores detalhes acerca das situações de violência, de circunstâncias que a potencializem e de indícios de maior vulnerabilidade da vítima, a fim de subsidiar a atuação dos órgãos de segurança pública, do Ministério Público, do Poder Judiciário e da rede de proteção para gerenciar o risco do aumento das agressões. Ele é composto de duas partes. A primeira parte possui 27 perguntas objetivas, que deve ser preenchido pela vítima, e a segunda parte, de natureza subjetiva, deve ser preenchido por profissional capacitado. O Formulário deve ser aplicado pela Polícia Civil, no momento do registro da Ocorrência. https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/2020/03/Resolu%C3%A7%C3%A3o-Conjunta-n%C2%BA-5-2020-CNJ-CNMP.pdf 60 Clique aqui para acessar o Formulário e a Resolução Conjunta nº 5 do CNJ: https://atos.cnj.jus.br/files/original215815202003045e6024773b7dc.pdf 4. Da possibilidade de afastamento do agressor do lar pela Autoridade Policial Em 13 de maio de 2019, foi incluído o art. 12-C à Lei Maria da Penha que possibilitou o imediato afastamento do agressor do lar, domicílio ou local de convivência com a ofendida por outras autoridades, que não apenas a judicial. Isso se dá quando houver risco atual ou iminente à vida ou à integridade física ou psicológica da mulher em situação de violência doméstica e familiar, ou de seus dependentes, e o local não for sede de comarca. Nesse caso, a atribuição para determinar o afastamento será do Delegado de Polícia. Caso também não haja Delegado disponível, qualquer policial poderá fazê-lo. Na hipótese abordada, o Juiz deverá ser comunicado em 24 horas sobre o afastamento do agressor e decidirá sobre a manutenção ou revogação da medida. O Supremo Tribunal Federal, em decisão unânime, na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 6138, de 23.03.2022, decidiu pela constitucionalidade dessa previsão legal. Segundo dados consolidados pelo Conselho Nacional de Justiça, desde a vigência da lei (maio de 2019) até abril de 2022, em todo o Brasil, houve a homologação pelo Poder Judiciário de 434 afastamentos dos agressores de seus lares determinados por Autoridade Policial. 5. Do Banco Nacional de Medidas Protetivas de Urgência Uma das dificuldades que os profissionais de segurança pública se deparam é no tocante à verificação da vigência ou não de medidas protetivas de urgência em favor da vítima. É de grande importância que os profissionais de segurança pública tenham fácil e rápido acesso a essa informação, até mesmo porque ela é imprescindível para que https://atos.cnj.jus.br/files/original215815202003045e6024773b7dc.pdf 61 decisões urgentes sejam tomadas, como, por exemplo, a prisão em flagrante do ofensor, a representação por sua prisão preventiva ou por outra medida cautelar. Para resolver essa questão, o art. 38-A da Lei Maria da Penha previu o registro das medidas protetivas em banco de dados. Assim, o Conselho Nacional de Justiça instituiu o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0), que consiste em um sistema eletrônico de consulta pública, em que, dentre outros documentos, serão cadastrados mandados de medidas protetivas e de revogação. O BNMP 3.0 está ainda em fase de implantação e será essencial para fins de fiscalização, acompanhamento e efetividade pelos órgãos de segurança pública e da rede de proteção. Ainda sobre a temática, destacamos o Painel de Monitoramento das Medidas Protetivas de Urgência, criado pelo Conselho Nacional de Justiça, que apresenta dados estatísticos referentes às decisões de medidas protetivas de todo o Brasil, por cada Tribunal. Tais dados são importantes para analisarmos a realidade social de cada unidade da federação e planejarmos políticas públicas de combate à violência doméstica. Acesse o Painel de Monitoramento das Medidas Protetivas de Urgência, do Conselho Nacional de Justiça - https://medida- protetiva.cnj.jus.br/s/violencia-domestica/app/dashboards#/view/5ff5ddea- 55e6-42a6-83fa-710d40507c3f?_g=h@2463b39 Leia a Resolução nº 417 de 20/09/2021, do Conselho Nacional de Justiça, que instituiu o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP 3.0): https://atos.cnj.jus.br/files/original15570020210921614a00ccb7cfb.pdf 6. Consequências do descumprimento de medida protetiva de urgência O descumprimento das medidas protetivas de urgência traz diversas consequências jurídicas. A primeira delas é que constitui crime autônomo, previsto no art. 24-A da Lei Maria da Penha. https://medida-protetiva.cnj.jus.br/s/violencia-domestica/app/dashboards#/view/5ff5ddea-55e6-42a6-83fa-710d40507c3f?_g=h@2463b39 https://medida-protetiva.cnj.jus.br/s/violencia-domestica/app/dashboards#/view/5ff5ddea-55e6-42a6-83fa-710d40507c3f?_g=h@2463b39 https://medida-protetiva.cnj.jus.br/s/violencia-domestica/app/dashboards#/view/5ff5ddea-55e6-42a6-83fa-710d40507c3f?_g=h@2463b39 https://atos.cnj.jus.br/files/original15570020210921614a00ccb7cfb.pdf 62 Assim, caso o agressor desobedeça à ordem imposta, ele poderá ser preso em flagrante e, em tal hipótese, apenas a autoridade judicial poderá conceder fiança. Outra consequência é a possibilidade de imposição de medidas cautelaresdiversas de prisão, em especial, a monitoração eletrônica do agressor, a qual tem se mostrado bastante eficiente para assegurar o distanciamento entre agressor e ofendida. Sobre o assunto, citamos o programa Dispositivo de Monitoramento de Pessoas Protegidas (DMPP), da Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal. Nele, agressores e vítimas são monitorados diariamente, 24 horas por dia, por tecnologia de georreferenciamento; os agressores, por meio de tornozeleira eletrônica e as vítimas, por um dispositivo de segurança que recebem. O programa monitora, assim, se o agressor está adentrando zonas de exclusão ou se aproximando fisicamente da vítima, considerando a localização instantânea dela. Caso isso seja detectado, o agressor é alertado, via SMS ou ligação, a deixar o espaço e, caso descumpra, a viatura policial mais próxima é imediatamente acionada. O mesmo ocorre se a vítima, em caso de emergência, acionar o dispositivo. Por fim, o descumprimento das medidas também enseja a decretação da prisão preventiva do agressor, nos termos do art. 312 e seguintes, do Código de Processo Penal. Essas consequências demonstram que o nosso ordenamento jurídico prevê diversos meios para fazer com que as medidas protetivas sejam efetivas, e a vítima tenha sua integridade física e psicológica resguardada. Mas, para tanto, é fundamental que a vítima seja orientada a procurar a polícia para comunicar o descumprimento da medida. Os policiais que a atendem, em tais casos, deve considerar que está diante de uma situação de risco mais elevado e tomar as providências para que medidas de proteção mais drásticas sejam efetivadas, como as listadas acima, de modo a evitar a escalada criminosa e, até mesmo, o feminicídio. Finalizando 63 Neste módulo, você aprendeu que: • A Lei Maria da Penha traz um rol exemplificativo com várias medidas que podem ser judicialmente decretadas para proteger a mulher vítima de violência doméstica; • As medidas protetivas de urgência, determinadas judicialmente, podem trazer ações relacionadas ao agressor ou à própria vítima; • É necessário que a vítima seja devidamente orientada sobre seus direitos, sobre em que consiste as medidas protetivas de urgência e como deve proceder, no caso de haver seu descumprimento, para que sua segurança seja resguardada; • Conhecer o Formulário Nacional de Avaliação de Risco, instituído pelo Conselho Nacional de Justiça e, hoje, de aplicação obrigatória, por força de lei, que deve ser preenchido por todas as mulheres quando fazem o requerimento por medidas protetivas de urgência; • Conhecer o Banco Nacional de Medidas Protetivas de Urgência; • Saber quais consequências jurídicas decorrentes do descumprimento das medidas protetivas de urgências e quais medidas devem ser adotadas pelos atores que compõem a rede de atendimento à mulher vítima de violência nesses casos, para proteger a vítima. 64 Módulo 4 - O PLANO NACIONAL DE ENFRENTAMENTO AO FEMINICÍDIO. REDE DE ENFRENTAMENTO À VIOLÊNCIA DOMÉSTICA E FAMILIAR CONTRA A MULHER. Apresentação do módulo Diante da necessidade pungente de se adotar ações governamentais para se enfrentar a violência contra as mulheres, em dezembro de 2020, foi instituído, pelo Executivo Federal, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. Nas próximas páginas, você para que o plano criado e conhecerá suas linhas gerais. Nesse cenário, de necessidade de ações de toda a sociedade para mudar a situação de violência de gênero, você conhecerá as redes de enfrentamento e de atendimento à violência doméstica e familiar contra a mulher, as quais se propõem a trazer medidas articuladas e interdisciplinares, para assistir a mulher vítima de violência. E, para que o atendimento dos órgãos públicos possa, efetivamente, transformar a realidade da mulher vítima de violência e lhe apresentar uma nova possibilidade de vida, é imprescindível que cada órgão tenha protocolos de atendimento, para que os agentes públicos saibam como atendê-la e quais serviços lhe colocar à disposição. Nesse sentido, é importante a capacitação dos servidores públicos que atuam na área da segurança pública para que estejam atualizados acerca dos protocolos exigidos. Objetivos do módulo Este módulo tem por objetivos: • Apresentar, em linhas gerais, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, tais como seus objetivos, diretrizes e princípios. • Apresentar o conceito de redes de atendimento e de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher, discriminando a que se destina e quais órgãos que as compõem. 65 • Fazer com que o aluno saiba identificar o seu papel de órgão público na rede de atendimento à violência doméstica e familiar contra a mulher. • Refletir sobre a importância e necessidade de se adotar protocolos padronizados de atendimento à mulher em situação de violência, bem como de se capacitar os agentes públicos para atuar em observância a esses protocolos. Estrutura do módulo Este módulo compreende as seguintes aulas: Aula 1 - Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio Aula 2 - Redes de atendimento e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher; Aula 3 - A importância da capacitação dos profissionais que compõem a rede de atendimento e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher. 66 1. Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio No ano de 2019, 3.737 mulheres foram mortas no Brasil, segundo o Atlas da Violência 2021. Figura 10: Taxa de homicídios por 100 mil mulheres nas unidades da federação (2019) Fonte: Atlas da Violência, 2021. Pelo gráfico acima, percebemos a grande diferença da quantidade de mortes em cada estado. Assim, é importante que as peculiaridades e realidades sociais de cada unidade federativa sejam consideradas quando da elaboração de políticas públicas para combater a morte por feminicídio. A fim de garantir os direitos e a assistência às mulheres e a seus familiares em situação de violência, bem como a prevenir o feminicídio, foi instituído pelo Governo Federal, com a publicação do Decreto Federal nº 10.906, de 20 de dezembro de 2021, o Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, com previsão de vigência até 31.12.2023. O feminicídio é a última e mais drástica violência contra a mulher. Para reprimi- lo, é imprescindível ações voltadas ao combate à violência contra a mulher em todas as suas formas, seja moral, psicológica, sexual, patrimonial. 67 Por isso, as medidas previstas no Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio não são voltadas exclusivamente ao fenômeno do feminicídio, mas a todas as formas de violência contra a mulher. Esse documento prevê uma série de ações governamentais com os seguintes objetivos: - implementar medidas de ampliação, articulação e integração entre os atores da rede de enfrentamento à violência contra as mulheres; - promover ações de conscientização da sociedade sobre a violência contra as mulheres, produzir e gerir dados sobre o tema; - fomentar ações de monitoramento de autores de violência contra as mulheres; - garantir direitos e assistência integral, humanizada e não revitimizadora às mulheres em situação de violência e às vítimas indiretas de tais crimes. Nele, são previstas diretrizes a serem seguidas pelas políticas públicas a serem implementadas, as quais elencamos: I - o reconhecimento da violência contra as mulheres como um fenômeno multidimensional e multifacetado relacionado a fatores individuais, comunitários e socioculturais; II - o uso de abordagem integrada no enfrentamento à violência contra as mulheres, a fim de possibilitar-lhes o desenvolvimento de um projeto de vida autônomo e livre de qualquer tipo de violência; III - o incentivo à denúncia de todas as formasde violência e ao ingresso na rede de atendimento às mulheres em situação de violência; IV - a assistência intersetorial, integrada, humanizada e não revitimizadora prestada pela rede de atendimento às mulheres em situação de violência; V - a construção de modelos de gestão integrados entre a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios; VI - a integração com as políticas e os planos que atendem aos princípios do Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio; VII - a capacitação dos agentes públicos que atuam no enfrentamento à violência contra as mulheres e VIII - a existência e a interação de potenciais fatores de agravamento de situações de violência e vulnerabilidade como raça, etnia, idade, inserção social, situação econômica e regional, e condição de pessoa com deficiência. 68 Citamos, ainda, os princípios elencados pelo Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio: Art. 4º São princípios do Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio: I - primazia dos direitos humanos e reconhecimento da violência contra as mulheres como violação a esses direitos; II - assistência integral; III - atendimento humanizado e não revitimizador; IV - acesso à justiça; V - segurança das mulheres; VI - respeito às mulheres em situação de violência; VII - confidencialidade; VIII - cooperação ou abordagem em rede; IX - interdisciplinaridade; X - transversalidade; e XI - transparência. As diversas ações governamentais previstas no Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio seguem cinco eixos estruturantes: articulação, prevenção, dados e informações, combate e garantia de direitos e assistência. Para assegurar a articulação, o monitoramento e a avalição das ações governamentais previstas no citado plano, foi criado o Comitê Gestor do Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio, o qual funciona no âmbito do Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos. Esse Comitê, por sua vez, é composto por representantes de diversos órgãos, como Secretaria Nacional de Políticas para as Mulheres, Secretaria Nacional de Segurança Pública, Secretaria Nacional de Justiça, Secretaria Nacional de Assistência Social do Ministério da Cidadania, Ministério da Saúde e Ministério da Educação. A pluralidade de órgãos representados no Comitê decorre da complexidade do tema e da necessidade de se adotar medidas transversais e interdisciplinares e a atuação em rede dos diversos atores que trabalham no combate a esse fenômeno social. E o que significa atuação em rede? É sobre isso que falaremos no próximo tópico. Para conhecer as ações governamentais previstas, leia a íntegra do Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio. Decreto nº 10.906, de 20 de dezembro de 2021: https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.906-de-20-de-dezembro-de-2021-368988173 https://www.in.gov.br/en/web/dou/-/decreto-n-10.906-de-20-de-dezembro-de-2021-368988173 69 https://www.in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-10.906-de-20-de- dezembro-de-2021-368988173 2. Redes de atendimento e de enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher O enfrentamento da violência contra as mulheres exige o envolvimento da sociedade em seu conjunto: os três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário), todos os entes federativos (União, Estados, Distrito Federal e Municípios), os movimentos sociais e as comunidades. Isso significa construir uma rede, a que chamamos de Rede de Enfrentamento a Mulher em Situação de Violência: uma ação que reúne recursos públicos e comunitários em um esforço comum para enfrentar a violência doméstica e contra a mulher em nosso país. Por sua vez, a Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência faz referência ao conjunto de ações e serviços de diferentes setores (em especial, da assistência social, do sistema de justiça, da segurança pública e da saúde), que visam à ampliação e à melhoria da qualidade do atendimento, à identificação e ao encaminhamento adequado das mulheres em situação de violência e à integralidade e humanização do atendimento. Acesse esta série de vídeos produzidos pelo Observatório da Mulher contra a Violência, vinculado ao Instituto de Pesquisa Data Senado, do Senado Federal, para conhecer alguns órgãos que compõem a rede de enfrentamento à violência contra as mulheres: INTRODUÇÃO https://www.youtube.com/watch?v=-4CEMeskIxI SEGURANÇA PÚBLICA https://www.youtube.com/watch?v=t9gXbY9vk1Y JUSTIÇA https://www.youtube.com/watch?v=UHlQyBdGCgw SAÚDE https://www.youtube.com/watch?v=qlj_fXhmy7g ASSISTÊNCIA SOCIAL https://www.youtube.com/watch?v=f- UCrQweZEo GESTÃO PÚBLICA https://www.youtube.com/watch?v=fHZetAmxJJE MONITORAMENTO https://www.youtube.com/watch?v=KcjhZsPGXBE https://www.in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-10.906-de-20-de-dezembro-de-2021-368988173 https://www.in.gov.br/web/dou/-/decreto-n-10.906-de-20-de-dezembro-de-2021-368988173 https://www.youtube.com/watch?v=-4CEMeskIxI https://www.youtube.com/watch?v=t9gXbY9vk1Y https://www.youtube.com/watch?v=UHlQyBdGCgw https://www.youtube.com/watch?v=qlj_fXhmy7g https://www.youtube.com/watch?v=f-UCrQweZEo https://www.youtube.com/watch?v=f-UCrQweZEo https://www.youtube.com/watch?v=fHZetAmxJJE https://www.youtube.com/watch?v=KcjhZsPGXBE 70 Ilustrando iniciativas da rede de enfrentamento à violência doméstica, destacamentos a campanha Sinal Vermelho Contra a Violência Doméstica, lançado em junho de 2020, pela Associação dos Magistrados Brasileiros em parceria com o Conselho Nacional de Justiça. A campanha foi lançada durante a pandemia do Coronavírus (Covid 19), ao se perceber a necessidade de se ampliar os canais de denúncia para mulheres em situação de violência doméstica, haja vista as restrições de isolamento e distanciamento social impostas pela pandemia, que dificultavam o acesso das mulheres à rede de atendimento à mulher vítima de violência. Assim, um X desenhado em vermelho na palma da mão da mulher passou a ser um símbolo não verbal para um pedido de socorro decorrente de violência doméstica. Estabelecimentos comerciais que aderiram à campanha, tais como farmácias, foram orientadas a chamar a polícia para atender a mulher, quando percebessem o pedido de ajuda. Em 2021, a campanha tornou-se lei (Lei nº 14.188/2021) e repartições públicas passaram a ser um dos locais onde as mulheres podiam mostrar o sinal em X na palma da mão e pedir socorro, devendo as providências serem tomadas para viabilizar assistência e segurança à vítima. Figura 11 - Campanha Sinal Vermelho Fonte: Reprodução/Internet. 71 Agora que você já sabe o que é a Rede de Atendimento à Mulher em Situação de Violência e conheceu vários de seus atores, vamos conhecer mais um pouco alguns desses órgãos. - Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher (DEAMs) As Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher – DEAMs são unidades especializadas da Polícia Civil, voltadas a prestar atendimento e serviço qualificados de polícia judiciária, às mulheres vítimas de crimes relacionados à violência de gênero. Assim, investigam crimes cometidos contra as mulheres pelo simples fato de serem mulheres, tais como feminicídios, violência doméstica e familiar e crimes contra a dignidade sexual. É um importante instrumento de política pública voltado à proteção da mulher. A Lei nº 11.340/2006 destaca a importância das DEAMs, nesse sentido ao prever que os Estados e o Distrito Federal priorizarão, na formulação de suas políticas públicas, a criação de DEAM (art. 12-A). Nas Delegacias Especializadas, é possível que a vítima faça o registro de ocorrências policiais e, no caso de violência doméstica e/ou familiar contra a mulher, solicite medidas protetivas de urgência, nos termos da Lei nº 11.340/2006, cujo requerimento será enviado ao Poder Judiciário em até 48 horas. As DEAMs realizam a investigação dos crimesde sua atribuição, que é documentada e materializada no inquérito policial (art. 4º e seguintes, do Código de Processo Penal), o qual, ao final, é encaminhado ao Ministério Público e ao Judiciário, com o relatório final do Delegado de Polícia. A partir de então, com base nos elementos de convicção que são produzidos no inquérito policial, o autor poderá ser responsabilizado criminalmente por seus atos perante a Justiça. Considerando seu lugar de atendimento especializado, os policiais que atuam na rede de enfrentamento à violência contra as mulheres devem ter qualificação diferenciada e receber capacitação continuada – em formato EaD ou presencial – para poderem atuar frente à complexidade do fenômeno da violência de gênero. A primeira Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher no Brasil foi inaugurada em 1985, em São Paulo. Como consequência da política pública de 72 incentivo de criação de novas Delegacias Especializadas, atualmente, existe cerca de 500 DEAMs em todo o Brasil. Naturalmente, cada estado tem autonomia para disciplinar o funcionamento de suas delegacias conforme suas peculiaridades e necessidades. Assim, em alguns Estados, as DEAMs funcionam ininterruptamente, 24 horas por dia, enquanto em outras unidades, elas funcionam no horário ordinário de expediente. Em todo caso, é importante que essas delegacias sejam um espaço de atendimento diferenciado, onde a mulher seja e se sinta acolhida e encorajada a procurar ajuda da polícia para mudar sua realidade de violência. PARA REFLETIR! Existem quantas Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher no seu estado? E o município? Ele é sede de Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher? - Delegacias Eletrônicas Com a expansão e democratização da internet, impõe-se que as polícias civis se modernizem e ofereçam à população a possibilidade de fazerem o registro de ocorrência pela rede mundial de computadores. Há alguns anos, essa possibilidade já era uma realidade em muitos estados, no que diz respeito, especialmente, ao registro de crimes de menor complexidade, como os de menor potencial ofensivo (Lei nº 9.099/1995) ou de fatos extrapenais, como extravio de documentos e acidentes de trânsito sem vítima. Contudo, desde 2020, com a pandemia Covid 19, a sociedade se deparou com uma realidade muito específica de medidas restritivas, como distanciamento e isolamento social. Considerando as peculiaridades do fenômeno da violência doméstica, que ocorre, na maior parte das vezes, na intimidade do lar, se impôs a necessidade se ampliar os canais à disposição da mulher vítima de violência doméstica, para registro dos crimes. Assim, as Delegacias Eletrônicas passaram a ser um importante aliado no combate aos crimes contra a mulher. Nesse sentido, destacamos o trabalho pioneiro da Polícia Civil do Distrito Federal, que possibilita que a mulher, pela internet, não apenas registre a ocorrência para comunicar crime relacionado à violência doméstica, mas também requeira as 73 medidas protetivas de emergência, sem ser necessário o deslocamento a uma unidade policial. Pela própria Delegacia Eletrônica, no Distrito Federal, a vítima registra a ocorrência, assinala as medidas protetivas que tem interesse em requerer e preenche o Formulário de Avaliação de Risco. A Polícia Civil do Distrito Federal é imediatamente comunicada desse registro e faz o encaminhamento do requerimento ao Poder Judiciário, também de maneira online. Se for necessário, a Polícia Civil contata a vítima, para obter informações complementares que serão úteis à investigação. Destacamos também a iniciativa do Governo Federal, que, por intermédio do Ministério da Justiça e Segurança Pública, desenvolveu e disponibilizou plataforma própria para funcionamento da Delegacia Virtual aos Estados interessados. Atualmente, os Estados do Acre, Alagoas, Amazonas, Amapá, Bahia, Piauí, Rio Grande do Norte, Roraima, Sergipe e Tocantins se valem desse serviço. As Delegacias Virtuais desses estados podem ser acessadas pelo endereço eletrônico https://delegaciavirtual.sinesp.gov.br/portal/, onde se pode registrar, inclusive, crimes relacionados à violência doméstica e/ou familiar contra a mulher. - Casa da Mulher Brasileira A Casa da Mulher Brasileira é um projeto do Governo Federal, que, em parceria com os estados, reúne, em um só lugar, diversos serviços públicos de atendimento especializado às mulheres em situação de violência. Nela, há serviços de acolhimento, atendimento psicossocial, alojamento de passagem, e serviços oferecidos por órgãos públicos, como Polícia Civil, Defensoria Pública, dentre outros. Também são oferecidos cursos profissionalizantes, para que a mulher seja capacitada para o mercado de trabalho e consiga meios de alcançar autonomia financeira. Busca-se, em um só lugar, disponibilizar um espaço seguro, de atendimento multidisciplinar e integrado, onde a mulher seja atendida de maneira não fragmentada, evitando sua revitimização. Assim, visa ao resgate da autoestima e empoderamento da mulher. Atualmente, existem unidades da Casa da Mulher Brasileira em Brasília/DF, Curitiba/PR, São Luís/MA, Campo Grande/MS, Fortaleza/CE, São Paulo/SP e Boa Vista/RR. https://delegaciavirtual.sinesp.gov.br/portal/ 74 - Central de Atendimento à Mulher - Ligue 180 A Central de Atendimento à Mulher funciona por atendimento telefônico (número 180) e presta escuta e acolhida qualificadas às mulheres em situação de violência e qualquer violação de direitos. O serviço registra as denúncias e presta informações sobre os direitos da mulher, como o fornecimento dos locais de atendimento mais próximos e apropriados para cada caso, e as legislações especializadas. O Ligue 180 registra e encaminha denúncias dos seguintes grupo e subgrupos de violações de direitos humanos das mulheres: violência doméstica e familiar, assédio, feminicídio, importunação sexual, tráfico de mulheres, cárcere privado, violência contra diversidade religiosa, violência no esporte, homicídio, violência institucional, violência física, violência moral, violência patrimonial, violência policial, violência psicológica, violência obstétrica, violência sexual, violência virtual, trabalho escravo, atendimento internacional, violência contra mulheres negras - discriminação racial ou étnico-racial, violência contra mulheres idosas, violência contra mulheres lésbicas, bissexuais e transexuais, violência contra mulheres com deficiência, violência contra mulheres em restrição de liberdade, violência contra mulheres em situação de rua, violência contra mulheres comunicadoras e jornalistas, violência contra mulheres imigrantes, emigrantes e refugiadas, violência contra mulheres de comunidades: das águas, árabes, do campo, ciganas, da floresta, indígenas, judaicas, quilombolas, rurais, tradicionais entre outras. Pelo Ligue 180, uma terceira pessoa, que não a própria vítima, também pode fazer a denúncia, bastando informar os fatos e elementos mínimos que possam levar à identificação dos envolvidos. Após o registro, a denúncia é devidamente encaminhada aos órgãos competentes, como Conselho Tutelar, Polícia Civil e Ministério Público. Nenhum dado do denunciante é divulgado, sendo, portanto, um serviço confidencial. A ligação é gratuita e o serviço funciona 24 horas, todos os dias, inclusive feriados. Funciona em todo território nacional e pode ser acionado também de outros 16 países (Argentina, Bélgica, Espanha, EUA (São Francisco e Boston), França, Guiana Francesa, Holanda, Inglaterra, Itália, Luxemburgo, Noruega, Paraguai, Portugal, Suíça, Uruguai e Venezuela). 75 - Casas-Abrigo Como vimos, grande parte das violências cometidas contra as mulheres são praticadas no ambiente em que deveria ser o mais seguro e sagrado: o próprio lar. Assim, quando a mulher toma providências paracessar com o ciclo de violência, muitas vezes, ela se vê materialmente desamparada, desassistida, literalmente sem ter para onde ir e levar seus filhos. Ainda, é comum situações em que a mulher vítima de violência doméstica esteja isolada, morando em cidade diferente de seus familiares e não tem rede de apoio de amigos, que possa acolhê-la materialmente. Em outros casos, a violência é tamanha que os familiares e amigos da vítima não querem “se envolver”, por medo de se colocarem também em risco e virem a sofrer retaliação pelo agressor. Diante desse cenário, muitas mulheres que pedem ajuda do Estado para romper com a violência a que estão submetidas precisam de um local seguro, para onde elas possam ir, provisoriamente, junto com sua prole. Nesse contexto, surgem as casas-abrigo: locais seguros que oferecem moradia protegida e atendimento integral e especializado a mulheres em risco de vida iminente em razão da violência doméstica. Assim, as casas-abrigo são sediadas em local sigiloso, acessível somente a pessoas e órgãos autorizadas. O abrigamento se dá em caráter temporário, no qual as usuárias permanecem por um período determinado, durante o qual deverão reunir condições necessárias para retomar o curso de suas vidas. A Lei nº 11.340/2006 prevê que as casas-abrigo podem ser criadas tanto pela União, Distrito Federal, Estados e Municípios (art. 35, II), ante a importância do tema. Contudo, o Brasil ainda tem muito a avançar no que se refere à criação desse serviço. Conforme pesquisa feita pelo IBGE, em 2018, somente 2,4% dos municípios possuíam casas-abrigo de gestão municipal para mulheres em situação de violência doméstica. No nível estadual, naquele ano, existiam 43 casas-abrigo em todo o Brasil. Assim, nós, enquanto profissionais de segurança pública, temos que estar atentos à necessidade de implementação desse serviço, que é direito de todas as mulheres. 76 PARA REFLETIR! Existe Casa-Abrigo no seu município? Para onde são encaminhadas as mulheres em situação de violência doméstica que não têm local seguro para ir? Caso não exista Casa-Abrigo, a necessidade de implementação desse serviço já foi discutido no Conselho de Segurança do seu município? - Casas de Acolhimento Provisório Casas de Acolhimento Provisório são casas de abrigamento temporário de curta duração (até 15 dias), não sigilosas, para mulheres em situação de violência que não correm risco iminente de morte (acompanhadas ou não de seus filhos). Vale destacar que as Casas de Acolhimento Provisório não se restringem ao atendimento de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, devendo acolher também mulheres que sofrem outros tipos de violência. O abrigamento provisório deve garantir a integridade física e emocional das mulheres, bem como realizar diagnóstico da situação da mulher para encaminhamentos necessários. - Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher Juizados de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher são órgãos da Justiça Comum, cuja previsão de criação foi trazida em nosso ordenamento jurídico pela Lei nº 11.340/2006, com competência para o processo e julgamento das causas decorrentes da prática de violência doméstica e familiar contra a mulher (art. 14). Isso porque a complexidade do fenômeno da violência doméstica impõe que inclusive o Poder Judiciário tenha olhar especializado para lidar com as demandas que lhe são postas. Destaca-se a previsão legal de que os Juizados tenham competência híbrida, ou seja, cível e criminal. Contudo, nesse ponto já surge a primeira controvérsia entre o que é normatizado e a realidade prática. Conforme projeto de pesquisa feita pelo CNJ, apesar da previsão legal, dentre as varas que foram visitadas no projeto, apenas uma 77 exercia a competência nos termos previsto na Lei nº 11.340/2006. Nas demais, a competência cível se restringia às medidas protetivas de urgência9. Segundo a Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), os Juizado poderão contar com equipe de atendimento multidisciplinar a ser integrada por profissionais especializados nas áreas psicossocial, jurídica e da saúde. Nesse campo, destaca-se a possibilidade de que esses atendimentos sejam feitos por servidores do próprio Poder Judiciário ou por convênios com núcleos universitários ou de parceria com o Poder Executivo. Além disso, é importante que se observe que, no âmbito judicial, a mulher tenha oportunidade ser devidamente informada, orientada e escutada. Por não se tratar de vítimas de crimes comuns, é comum que as mulheres tenham necessidade de falar mais do que sobre simples questões técnicas relacionadas à materialidade do crime, e o Poder Judiciário também deve ser local para essa escuta. No tocante à importância dos Juizados Especiais de Violência Doméstica, destacamos o trecho do Projeto de Pesquisa do Conselho Nacional de Justiça10: A pesquisa mostrou que a especialização na matéria tende a garantir que os ritos previstos na Lei Maria da Penha, como a realização de audiências de retratação, sejam observados com mais atenção; que os espaços físicos estejam mais adequados ao atendimento das mulheres em situação de violência, garantindo-lhes privacidade e escuta sensível; e que as equipes multiprofissionais estejam disponíveis e sejam acionadas pelo juízo em diferentes momentos do processo. Contudo, embora não haja dúvidas de que a especialização das unidades na matéria é um ganho para o tratamento dos casos, a pesquisa evidenciou o fato de que o perfil do/a magistrado/a que responde pela vara/juizado é fator decisivo na qualidade do atendimento prestado às mulheres. Para se aprofundar sobre o papel do Judiciário na rede de apoio, leia o projeto de pesquisa O Poder Judiciário no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra as Mulheres, do Conselho Nacional de Justiça: <https://www.cnj.jus.br/wp- content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84 449e36d3374.pdf>. 9 Conselho Nacional de Justiça, 2019. O Poder Judiciário no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra as Mulheres. p. 18 Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp- content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf>. Acesso em 03.05.2022 10 Conselho Nacional de Justiça, 2019. O Poder Judiciário no Enfrentamento à Violência Doméstica e Familiar Contra as Mulheres. p. 18 Disponível em: <https://www.cnj.jus.br/wp- content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf>. Acesso em 03.05.2022 https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf https://www.cnj.jus.br/wp-content/uploads/conteudo/arquivo/2019/08/7918e2dc8e59bde2bba84449e36d3374.pdf 78 - Ministério Público O Ministério Público tem por função, dentre outros, de promover a ação penal pública e zelar pelos direitos assegurados pela Constituição Federal. Ante a complexidade da violência doméstica, a fim de poderem desempenhar essas funções com excelência, assim como é importante a criação de Juizados Especializados de Violência Doméstica, da mesma forma, é importante a criação de Promotorias de Justiça Especializadas para lidar com a matéria. Ressalta-se que, no dia a dia, é comum nos depararmos com situações de grande complexidade, cujas demandas superam o poder de atuação imediata dapolícia. Nesses casos, é sempre salutar o contato com o Ministério Público que, como fiscal da lei, pode intermediar para que as providências multidisciplinares ou judiciais sejam tomadas. Como exemplos, citamos situações em que a vítima está incapacitada por alguma enfermidade, e os familiares não adotaram as medidas cíveis relacionadas à curatela; quando os filhos menores da vítima estão tendo seus direitos de filiação negligenciados e nenhuma providência judicial foi tomada; quando a vítima não consegue ter acesso a atendimento médico. Nessas situações, é possível que o Ministério Público adote providências em defesa dos direitos dessa mulher e, por isso, é importante que ela seja orientada a procurar o Ministério Público ou, até mesmo, a própria polícia poderá intermediar essa provocação. Além disso, destacamos, também, ações de iniciativa dos Ministérios Públicos dos Estados no combate à violência doméstica ou familiar contra a mulher, como a criação de grupos reflexivos de homens, autores de violência, tal como os promovidos pelo Ministério Público do Paraná. PARA REFLETIR! Na sua comarca, existe Promotoria de Justiça Especializada em Violência Doméstica ou Familiar Contra a Mulher? O Ministério Público é integrado aos outros órgãos da rede de enfrentamento à violência doméstica? 79 Tem interesse em saber diretrizes para implementação de grupos reflexivos destinados a homens autores de violência? Conheça o Manual de Orientação para Integrantes do Ministério Público: <https://direito.mppr.mp.br/arquivos/File/NUPIGE/manual_orientacao _Nupige.pdf>. - Defensoria Pública As questões relacionadas à violência doméstica e familiar contra a mulher transbordam a esfera meramente criminal. A maior parte dos conflitos tangenciam também a questões de natureza cível, principalmente relacionadas ao direito de família, como divórcio, guarda de filhos em comum, alimentos, dentre outros. Assim, a resposta meramente criminal é insuficiente para o apaziguamento social que a Lei Maria da Penha se propõe. Por isso, deve ser colocado à serviço da mulher meios de acesso à Justiça para solucionar os outros conflitos relacionados e, para tanto, é fundamental a atuação da Defensoria Pública (art. 28 da Lei nº 11.340/2006). Contudo, sabemos que o funcionamento da Defensoria Pública ainda não está plenamente estabelecido em muitas comarcas do país. Para contornar esse entrave, uma alternativa é o estabelecimento de convênios entre o Poder Executivo e Universidades para prestação de assistência judiciária gratuita às mulheres, a fim de que os conflitos de natureza civil possam ser solucionados por meio do ajuizamento de ações próprias. Além disso, também no âmbito criminal, é importante que a vítima tenha a devida assistência de um defensor. Isso porque o defensor zelará para que a vítima seja devidamente esclarecida sobre as fases do processo criminal e suas repercussões. Do contrário, é possível que a persecução penal tenha todo o seu desenrolar e a vítima não compreenda se houve ou não responsabilização criminal do agressor e tenha a sensação de que sua denúncia “não deu em nada nada”. Ademais, lembramos também que os crimes contra a honra – onde se enquadram a maior parte dos casos de violência moral – em regra, se procedem mediante ação penal privada, ou seja, é necessário que um defensor ajuíze queixa- crime, no prazo decadencial de seis meses, para que o autor seja criminalmente responsabilizado. Logo, também por esse motivo, destaca-se a importância de que o https://direito.mppr.mp.br/arquivos/File/NUPIGE/manual_orientacao_Nupige.pdf https://direito.mppr.mp.br/arquivos/File/NUPIGE/manual_orientacao_Nupige.pdf 80 serviço da Defensorias Públicas seja colocado à disposição das vítimas de violência doméstica ou familiar contra a mulher. Assim, diante da importância de que a vítima de violência doméstica ou familiar tenha a devida assistência jurídica, nas comarcas maiores onde a Defensoria Pública é mais bem estruturada, existem Núcleos Especializados para a prestação desse serviço. PARA REFLETIR! Por quem é desempenhado o serviço de assistência judiciária gratuita na comarca onde você trabalha? Onde esse serviço funciona e como a vítima pode ter acesso a ele? É muito importante que nós, enquanto agentes de segurança pública, tenhamos essas informações em mãos para orientarmos as vítimas quando elas precisarem. - Centro de Referência de Assistência Social A dependência econômica em relação ao agressor e a vulnerabilidade social estão intimamente ligadas a muitos casos de violência de gênero. Por isso, ao lidar com tais crimes, os agentes públicos devem estar atentos para reconhecer se a vítima e seus familiares necessitam da oferta e disponibilização dos serviços públicos de assistência social. O CRAS – Centro de Referência de Assistência Social é a porta de entrada para os serviços de assistência social no Brasil. Nele, o cidadão realiza seu Cadastro Único e pode ter orientação e acesso a serviços, benefícios – como o Auxílio Brasil – e projetos de assistência social. Assim, ao se deparar com situações em que se perceba a vulnerabilidade social dos envolvidos, os agentes de segurança pública podem orientá-los a procurar o CRAS do Município ou, se for o caso, entrar em contato com o próprio órgão e solicitar a busca ativa da família. PARA REFLETIR! Onde funciona o CRAS no seu município? Você conhece alguma família em situação de vulnerabilidade social que não seja atendida pelo CRAS? 81 PARA REFLETIR! Onde você está situado na rede de atendimento à mulher em situação de violência doméstica? No seu município, quais organismos que compõem as redes de atendimento e de enfrentamento você conhece? Existe integração entre o órgão em que você trabalha e os demais que compõem a rede? 3. A importância da capacitação continuada dos profissionais que compõem a rede de proteção às mulheres As mais conceituadas polícias brasileiras passaram a adotar as regulamentações das principais atividades de suas corporações, reunindo em um documento único, protocolos, roteiros padronizados, com o objetivo de amparar a atuação do policial e buscar a excelência nos serviços prestados. A normatização desse procedimento possibilita um atendimento de excelência, que contribua para que a mulher vítima de violência tenha meios de romper com o ciclo de violência. Além disso, permite um atendimento mais profissional e uniforme dos atores públicos, diminuindo as chances de que situações iguais ou semelhantes sejam direcionadas de maneiras diferentes pelo mesmo órgão, contribuindo para que a vítima se sinta devidamente atendida e com seus direitos respeitados. Nesse sentido, o atendimento da vítima à margem do que é previsto legal e protocolarmente poderá implicar o processo de revitimização ou até mesmo de violência institucional. Assim, é fundamental que o agente público esteja devidamente capacitado, para que tenha condições e segurança de atuar respeitando todas as diretrizes impostas. Ainda sobre o tema, destaca-se a autonomia de cada órgão e corporação para instituir protocolos próprios, que estejam em sintonia com suas próprias peculiaridades e com a realidade de cada estado. É sempre importante e saudável o intercâmbio de informações entre os diversos órgãos, inclusive de diferentes unidades 82 da federação, para que cada qual tenha acesso a outras experiências e, a partir disso, se construa normatizações mais adequadas a cada realidade. Diante da importância de se estabelecer padronizações, em nível federal, temos o Protocolo Nacional de Investigação e Perícias nos Crimes de Feminicídio, lançado no ano de 2020, pelo Ministério da Justiça e Segurança Pública, que visa harmonizar procedimentos investigativos entre os profissionais desegurança pública de todo o país (polícias civis, polícias militares, órgãos de perícias criminais e de medicina legal). Por sua vez, para ajudar na implementação desse Protocolo Nacional, destacamos a publicação do documento “Diretrizes para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres”, pela ONU Mulheres em parceria com a Secretaria de Polícias para Mulheres, cujo objetivos citamos11: Promover a inclusão da perspectiva de gênero na investigação criminal e processo judicial em casos de mortes violentas de mulheres para seu correto enquadramento penal e decisão judicial isenta de estereótipos e preconceitos de gênero que sustentam a impunidade, criam obstáculos ao acesso à justiça e limitam as ações preventivas nos casos de violência contra as mulheres. Oferecer orientações gerais e linhas de atuação para aprimorar a prática de profissionais da segurança pública, da justiça e qualquer pessoal especializado que intervenha durante a investigação, o processo e o julgamento das mortes violentas de mulheres por razões de gênero, com vistas a punir adequadamente os responsáveis e garantir reparações para as vítimas e seus familiares. Proporcionar elementos, técnicas e instrumentos práticos com uma abordagem intersetorial e multidisciplinar para ampliar as respostas necessárias durante a investigação policial, o processo e o julgamento e as reparações às vítimas diretas, indiretas e seus familiares. Assim, ressaltamos a importância da capacitação continuada não apenas dos profissionais de segurança pública, mas de todos os atores que compõem a rede, para que eles tenham a sensibilidade necessária para socorrer a mulher vítima de violência, bem como estejam atualizados sobre as normas e protocolos operacionais vigentes em sua instituição. 11 Diretrizes Nacionais para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes violentas de mulheres (feminicídios). Brasília-DF, 2016, Disponível em: <https://oig.cepal.org/sites/default/files/diretrizes_para_investigar_processar_e_julgar_com_perspectiv a_de_genero_as_mortes_violentas_de_mulheres.pdf>. Acesso em: 14, mai. de 2022. https://oig.cepal.org/sites/default/files/diretrizes_para_investigar_processar_e_julgar_com_perspectiva_de_genero_as_mortes_violentas_de_mulheres.pdf https://oig.cepal.org/sites/default/files/diretrizes_para_investigar_processar_e_julgar_com_perspectiva_de_genero_as_mortes_violentas_de_mulheres.pdf 83 PARA REFLETIR! Na sua instituição, há protocolos específicos de atendimento para crimes relacionados à violência contra a mulher. Caso exista, você os conhece e os aplica? Finalizando Neste módulo, você aprendeu que: • O Plano Nacional de Enfrentamento ao Feminicídio implementa, pelo Executivo Federal, políticas públicas no que se refere ao combate à violência contra a mulher; • O referido plano traz medidas que visam implementar medidas de ampliação e articulação entre os atores da rede de enfretamento à violência contra as mulheres; promover a conscientização da sociedade acerca do tema; produzir e gerir dados estatísticos; fomentar ações de monitoramentos de autores de violência e garantir direitos às vítimas e seus dependentes; • A atuação em rede no atendimento e enfrentamento à violência doméstica e familiar contra a mulher possibilita que diferentes serviços (relacionados à saúde, assistência social, justiça, educação, dentre outros) sejam oferecidos à mulher, para que ela tenha condições de superar a situação de violência; • Os agentes públicos que atendem a mulher em situação de violência devem conhecer os protocolos de atendimento do órgão em que atua, para que tenham condições de oferecer atendimento digno e de excelência a essa mulher. 84 Referências Bibliográficas AGÊNCIA BRASÍLIA. Secretaria de Segurança lança “Mulher Mais Segura”. 2021. Disponível em: <https://www.agenciabrasilia.df.gov.br/2021/03/08/secretaria- de-seguranca-lanca-mulher-mais-segura/>. Acesso em: 14, mai. 2022. BRASIL. Código Civil de 1916. Lei nº 3.071, de 1º de janeiro de 1916. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l3071.htm>. Acesso em: 16, mai. 2022. ______. Código Criminal de 1830. Lei de 16 de dezembro de 1830. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/lim/lim-16-12-1830.htm>. Acesso em: 16, mai. 2022. ______. Código Penal. Decreto-Lei nº 2.848, de 7 de dezembro de 1940. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto-lei/del2848compilado.htm>. Acesso em: 14, mai. 2022. ______. Constituição da República Federativa do Brasil: promulgada em 5 de outubro de 1988. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm>. Acesso em: 14, mai. 2022. ______. Decreto nº 1.973, de 1º de agosto de 1996. Promulga a Convenção Interamericana para Prevenir, Punir e Erradicar a Violência contra a Mulher, concluída em Belém do Pará, em 9 de junho de 1994. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1996/d1973.htm>. Acesso em: 14, mai. 2022. ______. Decreto n° 4.377, de 13 de setembro de 2002. Promulga a Convenção sobre a Eliminação de Todas as Formas de Discriminação contra a Mulher, de 1979, e revoga o Decreto no 89.460, de 20 de marco de 1984. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/2002/d4377.htm>. Acesso em: 14, mai. 2022. ______. Decreto nº 6.949, de 25 de agosto de 2009. Promulga a Convenção Internacional sobre os Direitos das pessoas com deficiência e seu Protocolo, assinados em Nova York, em 30 de marco de 2007. Disponível em: <http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2007-2010/2009/decreto/d6949.htm>. Acesso em: 14, mai. 2022. ______. Decreto nº 8.727, de 28 de abril de 2016. 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