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<p>PROJETO INTEGRADOR:</p><p>LITERATURA INFANTOJUVENIL</p><p>Prof. Dr. LUIZ FERNANDO MARTINS DE LIMA</p><p>Reitor</p><p>Márcio Mesquita Serva</p><p>Vice-reitora</p><p>Profª. Regina Lúcia Ottaiano Losasso Serva</p><p>Pró-Reitor Acadêmico</p><p>Prof. José Roberto Marques de Castro</p><p>Pró-reitora de Pesquisa, Pós-graduação e Ação Comunitária</p><p>Profª. Drª. Fernanda Mesquita Serva</p><p>Pró-reitor Administrativo</p><p>Marco Antonio Teixeira</p><p>Direção do Núcleo de Educação a Distância</p><p>Paulo Pardo</p><p>Coordenadora Pedagógica do Curso</p><p>Fabiana Arf</p><p>Designer Educacional</p><p>Juliana Spadoto</p><p>Edição de Arte, Diagramação, Design Gráfico</p><p>B42 Design</p><p>*Todos os gráficos, tabelas e esquemas são creditados à autoria, salvo quando indicada a referência. Informamos</p><p>que é de inteira responsabilidade da autoria a emissão de conceitos.</p><p>Nenhuma parte desta publicação poderá ser reproduzida por qualquer meio ou forma sem autorização. A</p><p>violação dos direitos autorais é crime estabelecido pela Lei n.º 9.610/98 e punido pelo artigo 184 do Código Penal.</p><p>Universidade de Marília</p><p>Avenida Hygino Muzzy Filho, 1001</p><p>CEP 17.525–902- Marília-SP</p><p>Imagens, ícones e capa: ©envato, ©pexels, ©pixabay, ©Twenty20 e ©wikimedia</p><p>G915b Sobrenome, Nome autor</p><p>Titulo Disciplina [livro eletrônico] / Nome completo autor. -</p><p>Marília: Unimar, 2020.</p><p>PDF (XXX p.) : il. color.</p><p>ISBN XXX-XX-XXXXX-XX-X</p><p>1. palavra 2. palavra 3. palavra 4. palavra 5. palavra 6.</p><p>palavra 7. palavra 8. palavra I. Título.</p><p>CDD – 610.6952017</p><p>2</p><p>005 Aula 01:</p><p>013 Aula 02:</p><p>020 Aula 03:</p><p>026 Aula 04:</p><p>A Dupla Existência da Literatura Infantojuvenil</p><p>A Ilha Perdida</p><p>A Bolsa Amarela</p><p>Círculo de Leitura</p><p>3</p><p>Introdução</p><p>A Escola deveria ser o local por excelência da criação de leitores, de sua formação e</p><p>incentivo, mas isso não tem acontecido. Pesquisas e testes internacionais têm</p><p>demonstrado o fracasso da educação escolar no Brasil quanto à formação de�nitiva de</p><p>leitores, daqueles leitores que não apenas continuarão leitores quando as leituras</p><p>obrigatórias não mais estiverem presentes em sua vida, como lerão ativamente e</p><p>criticamente o que quer que lhes seja posto diante dos olhos.</p><p>Boa parte do problema está no mundo contemporâneo, sem dúvidas. Obras do</p><p>universo audiovisual são uma competição pesada para os livros. Os jovens têm</p><p>preferido assistir séries de TV, �lmes, desenhos animados, ou mesmo jogar vídeo</p><p>games. Diante dessas poderosas mídias, o livro tem parecido pouco atraente para</p><p>crianças e adolescentes.</p><p>O desa�o do professor nesse cenário é fazer do livro algo mais atraente. Poucos,</p><p>contudo, têm ideia de como sequer tentar. Assim, nosso objetivo é rastrear as raízes</p><p>dos principais problemas quanto à falta de atratividade dos livros que circulam em</p><p>ambientes escolares, de maneira a propor caminhos diversi�cados em detrimento de</p><p>práticas consagradas, porém ine�cazes.</p><p>O formador de leitores deve usar de criatividade na hora de promover a leitura junto a</p><p>seus alunos. Acima de tudo, é o conhecimento íntimo de seus pupilos que dará as</p><p>principais informações sobre como proceder. Contudo, é possível aprender também</p><p>com pesquisas altamente informativas, e repetir, com as devidas adaptações a</p><p>contextos especí�cos, técnicas já comprovadamente e�cazes na promoção da leitura e</p><p>da vida literária não apenas na escola, mas em qualquer outro ambiente propício.</p><p>Nosso objetivo é rastrear o surgimento da Literatura Infantojuvenil a partir do trabalho</p><p>de Regina Zilberman, para em seguida aplicar uma distinção da autora (autoritarismo x</p><p>emancipação) na leitura de duas obras consagradas da tradição de livros para crianças</p><p>do Brasil, distinguindo-as no que diz respeito às suas possibilidades de formação de</p><p>leitores críticos e perenes. Ao �m, trataremos de Círculo de Leitura – um dos meios</p><p>mais funcionais para a promoção da leitura fora da escola – e quais são as</p><p>possibilidades quanto à sua instrumentalização dentro de uma sala de aula.</p><p>Com isso, desejamos que o professor formador de leitores tenha ciência de alternativas</p><p>que possam desestabilizar o ambiente escolar que, quanto à formação de leitores,</p><p>encontra-se estagnado.</p><p>Aproveitem – enquanto leitores e enquanto alunos!</p><p>4</p><p>01</p><p>A Dupla Existência da</p><p>Literatura Infantojuvenil</p><p>5</p><p>Hoje, o mercado editorial brasileiro é extremamente rico em livros voltados para</p><p>crianças e jovens. Isso não é à toa. Os maiores compradores de livros são os governos</p><p>municipais, estaduais e federais, cujo objetivo é enriquecer as bibliotecas e salas de</p><p>leituras das escolas públicas. Com isso, processos de seleção são abertos para fazer a</p><p>escolha das obras que serão compradas de maneira massiva, garantindo lucros</p><p>elevados para as editoras em que os livros foram publicados. Tudo isso para garantir</p><p>ambiente enriquecedor de contato com a cultura dos livros para as nossa crianças e</p><p>adolescentes. A�nal de contas, a literatura é uma forma de arte, o que</p><p>necessariamente deveria fazer com que a literatura infantojuvenil tivesse, como</p><p>aquela voltada para os adultos, finalidades estéticas.</p><p>Com a literatura infantojuvenil, contudo, as coisas não são assim. Diante dos livros</p><p>para jovens, muitas atitudes tidas normalmente como inaceitáveis às vezes são</p><p>praticadas com a maior naturalidade – como a censura, por exemplo, seja por parte</p><p>de governantes, pais ou educadores. Aparentemente, é necessário aplicar um �ltro</p><p>que possibilite a proteção de nossas crianças e nossos jovens, para que eles não</p><p>entrem em contato com obras que venham a expô-los a temas inadequados ou a</p><p>imagens e descrições excessivamente grá�cas, ou mesmo a ideias corrosivas. Tudo</p><p>isso pelo bem dos alunos e das alunas, incapazes de julgar os livros que forem</p><p>colocados diante deles.</p><p>Esta é a justi�cativa da qual todo adulto lançará mão com o intuito de controlar não</p><p>apenas o universo da criança, mas a própria criança. Por mais que as boas intenções</p><p>surjam como justi�cativa e o controle seja parte da tarefa de pais e responsáveis, essa</p><p>tarefa entra em con�ito direto com a natureza da própria literatura que, por ser uma</p><p>forma de expressão artística, deve ter a liberdade para ser subversiva – o que não</p><p>quer dizer que ela necessariamente será.</p><p>6</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>Acesse o link: Disponível aqui</p><p>O professor João Luís Ceccantini, grande especialista em Literatura</p><p>Infantojuvenil, em entrevista à Revista Veja tratou da censura à obra do</p><p>escritor Monteiro Lobato, criador do Sítio do Pica-pau Amarelo, em</p><p>decorrência de suposto racismo encontrando em um de seus livros. Leia a</p><p>entrevista em:</p><p>Deste modo são vislumbrados dois modos de existência da literatura infantojuvenil: a</p><p>primeira diz respeito ao fato de ela ser literatura; a segunda concerne seu público, as</p><p>crianças, e é daí que surge o ímpeto de toda a sociedade adulta em impor limites a</p><p>algo que potencialmente não teria limites. Esse ímpeto está historicamente ligado ao</p><p>surgimento do próprio conceito de infância na Modernidade.</p><p>O surgimento da literatura</p><p>infantil</p><p>Regina Zilberman (1948), uma das maiores intelectuais brasileiras do século XX,</p><p>dedicou boa parte de sua carreira ao estudo da literatura infantojuvenil. Em A</p><p>Literatura Infantil na Escola, ela aborda, entre outros assuntos, a ascensão da literatura</p><p>para crianças, delineando uma relação íntima do texto para crianças e a escola – daí</p><p>que percebemos mais claramente como a literatura infantojuvenil possui tanto uma</p><p>instância artística quanto uma função formativa, da qual trataremos mais adiante.</p><p>Segundo Zilberman, a ideia de infância – uma idade de fragilidade e necessidade de</p><p>cuidado – surge a partir do momento em que se estabelece o que podemos chamar</p><p>de família burguesa. Diferentemente da família de amplos laços de sangue que</p><p>7</p><p>https://veja.abril.com.br/educacao/censurar-monteiro-lobato-e-analfabetismo-historico/</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>conectava pessoas para além do espaço contido de um lar, essa nova forma de</p><p>organização familiar é ao mesmo tempo mais estreita e mais reservada.</p><p>Temos a tradicional formação que compreende apenas pais e �lhos,</p><p>os quais devem</p><p>viver em um espaço particular, isolados não apenas de outros núcleos dessa mesma</p><p>família, como do restante da sociedade. Valoriza-se a privacidade dos membros,</p><p>assim como um sentimento de cumplicidade entre eles. A vida doméstica ganha</p><p>prioridade, e as fronteiras entre o lar e a comunidade são delimitadas.</p><p>Para que esse sentimento de cumplicidade e valorização entre os membros fosse</p><p>cultivado, seria necessária a criação de mecanismos ideológicos que garantissem a</p><p>coesão do seio familiar, ao mesmo tempo em que fosse designado também o tipo de</p><p>indivíduo sobre o qual esses mecanismos atuariam.</p><p>É fundada, desta maneira, a ideia de infância, essa época da vida pelo qual todo ser</p><p>humano passaria. Seria uma “faixa etária a ser cuidada”, e o lar familiar o ambiente</p><p>para que esse cuidado ocorresse, fosse ele físico ou intelectual. A cisão com o mundo</p><p>adulto é marcada pela fragilidade biológica e falta de maturidade intelectual das</p><p>crianças:</p><p>Assim, um fator de ordem fisiológica e transitória determina uma</p><p>teoria sobre a dependência da criança, o que legitima o estreita</p><p>vínculo dessa aos mais velhos. Enquanto isto, sua falta de experiência</p><p>existencial converte-se no sintoma de uma inocência natural, que</p><p>tanto se deve preservar idealmente (…) como destruir aos poucos, por</p><p>meio da ação pedagógica predatória, que justifica a necessidade de</p><p>preparar os pequenos para os duros embates com a realidade</p><p>(ZILBERMAN, 2003, p. 18)</p><p>Para intervir, portanto, nessa situação temporária de fragilidade e ignorância, são</p><p>criadas, a partir do século XVIII, tanto a escola como a literatura infantil, ambas</p><p>estreitamente conectadas uma com a outra. Segundo Zilberman, a escola burguesa</p><p>isola as crianças do social, plani�cando seus contatos e relações, já que elas verão</p><p>principalmente outras crianças. Em outras palavras, elas são retiradas de uma</p><p>situação de multiplicidade de sentidos, normas, pontos de vista, para adentrar um</p><p>ambiente homogeneizado, propício para o controle de transmissão de normas,</p><p>normalmente aquelas defendidas pela classe dominante.</p><p>8</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>Em suma, a escola acaba por se tornar um ambiente de controle da criança, em prol</p><p>da conformidade com os ideais burgueses, usando como justi�cativa para tal sua</p><p>proteção e seu cuidado. A literatura infantil surge para se juntar à escola nessa</p><p>missão.</p><p>Segundo Regina Zilberman, com a ascensão da classe burguesa, era</p><p>necessário cultivar seus ideais, e a designação da infância como época em</p><p>que esse cultivo ocorreria foi determinante para o surgimento da escola e da</p><p>literatura infantil na Modernidade.</p><p>Uma literatura autoritária</p><p>O intuito da literatura infantil seria substituir o adulto em seus momentos de</p><p>privacidade, quando estivessem voltados para sua existência interior. Em um universo</p><p>de fantasia e imaginação, o livro reproduziria o mundo do adulto, sua visão de</p><p>mundo, suas normas. Isso se daria por um narrador autoritário, que condena de</p><p>maneira explícita ou implícita as ações indesejáveis de personagens infantis, ou</p><p>mesmo pela simples e pura declaração da norma a ser defendida. Mesmo a</p><p>linguagem das crianças passaria por um controle, na medida em que o livro, cuja</p><p>matéria-prima é o verbo, a palavra, ditaria as regras quanto à adequação e correção</p><p>linguística.</p><p>Dessa maneira, o livro serviria para “educar” as crianças, no pior sentido possível. Ele</p><p>se tornaria instrumento para a imposição autoritária de normas por meio da invasão</p><p>da privacidade interior da criança, a qual o adulto não tem acesso diretamente. Diante</p><p>de obra infantojuvenil desprovida de qualquer inocência, cuja missão é puramente</p><p>pedagogizante, as crianças acabam se vendo como seres frágeis e indefesos, situação</p><p>na qual só podem se ver protegidos se aceitaram a norma adulta.</p><p>9</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>mikaela.lazarin</p><p>Destacar</p><p>Uma literatura emancipatória</p><p>A literatura infantojuvenil é sim um fenômeno de caráter formativo, mas não</p><p>pedagogizante. Ou seja, assim como a escola, ela deve acompanhar as crianças em</p><p>seu processo formativo, mas sem o autoritarismo inerente a instituições de controle e</p><p>conformidade ideológica. É nesse con�ito que entra o trabalho do professor.</p><p>Segundo Zilberman, é necessário entender que tanto a escola como o livro devem</p><p>atuar de maneira dinâmica, de maneira que as crianças tenham papel ativo em sua</p><p>própria formação. Assim, a interação e contato com o texto literário, e todo e</p><p>qualquer efeito dali advindo, devem ser valorizados em detrimento de uma</p><p>mensagem, moral, lição, ou qualquer outro aspecto impositivo e pedagogizante que o</p><p>livro pretenda veicular.</p><p>A obra literária representa um mundo �ccional que pode tanto entrar em con�ito</p><p>quando em conformidade com o universo de cada criança, o que engendra um sem</p><p>número de possibilidades de interação diferentes. E é isso que faz dela algo resistente</p><p>à ação do tempo, já que ela consegue se comunicar de maneiras diferentes com</p><p>leitores diferentes.</p><p>10</p><p>Imagem 1 – O contato com o livro</p><p>Fonte: Freepik.</p><p>Desta maneira, o professor que deseja trabalhar com o livro infantojuvenil deve</p><p>escolher livros que atribuam papel ativo ao leitor, algo que sua prática igualmente</p><p>deve estimular. A leitura não pode ser vista como uma ferramenta para a transmissão</p><p>de uma mensagem, ou como meio de absorção de normas gramaticais. Ela é um ato</p><p>de comunhão com um universo imaginário (ZILBERMAN, 2003, p. 28). Diante disso, o</p><p>professor deve ser capaz de provocar seus alunos a assumirem o papel de agentes</p><p>em face do livro, de maneira a trazer à tona as múltiplas possibilidades de fruição</p><p>estética e ampliação do real que o bom livro infantojuvenil pode proporcionar a cada</p><p>criança:</p><p>É a partir daí que se pode falar em leitor crítico (…). Integrando-se a</p><p>esse projeto liberador, a escola rompe suas limitações, inerentes à</p><p>situação com a qual se comprometeu em sua gênese. É essa</p><p>possibilidade de superação de um estreitamento o que a literatura</p><p>infantil oferta à educação (ZILBERMAN, 2003, p. 29).</p><p>11</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>“Uma versão em quadrinhos do livro O Diário de Anne Frank causou</p><p>polêmica em uma escola particular em Vitória. O clássico literário juvenil foi</p><p>indicado como material de ensino paradidático para as turmas do 7ª ano do</p><p>ensino fundamental, mas para os pais de alunos, apresenta trechos com</p><p>conteúdo ligado à sexualidade que não deveria ser lido por jovens na faixa</p><p>dos 12 anos de idade (…). O livro é uma releitura do Diário de Anne Frank,</p><p>que teve a primeira edição publicada em 1947. É um clássico da literatura do</p><p>século XX em que uma adolescente judia de 15 anos conta a tensão que a</p><p>família sofreu durante a Segunda Guerra Mundial. A obra indicada pelo</p><p>colégio é uma versão em quadrinhos, adaptada para uma leitura mais leve</p><p>(…) Em nota, o colégio disse que nem todos os pais desaprovaram o livro,</p><p>mas a direção achou melhor suspender a leitura do livro para as turmas do</p><p>7º ano por causa do desconforto que foi gerado”.</p><p>12</p><p>https://g1.globo.com/es/espirito-santo/noticia/versao-em-quadrinhos-de-o-diario-de-anne-frank-causa-polemica-em-escola-de-vitoria.ghtml</p><p>02</p><p>A Ilha Perdida</p><p>13</p><p>Olá a todos!</p><p>Vamos falar de uma obra que certamente lhe trará boas lembranças da infância: “A</p><p>ilha perdida”.</p><p>Maria José Dupré (1898-1984)</p><p>Maria José Dupré foi uma escritora paulista nascida no município de Botucatu. Se</p><p>formou professora na cidade de São Paulo e iniciou sua carreira de escritora em 1941</p><p>com o livro O romance de Teresa Bernard. Dois anos depois publicou seu melhor livro,</p><p>Éramos seis. A ilha perdida é seu livro para o público jovem mais célebre, tendo</p><p>circulado nas escolas do Brasil desde sua década de publicação.</p><p>14</p><p>A Ilha Perdida (1945)</p><p>“A ilha perdida” conta a história de dois irmãos, Henrique e Eduardo, e suas férias na</p><p>casa dos padrinhos na cidade de Taubaté. Ambos gostavam muito de se aventurar, e</p><p>acabavam desobedecendo à madrinha, que buscava mantê-los</p><p>por perto. Mas,</p><p>escondidos dos outros membros da família, eles partem para uma ilha numa canoa</p><p>abandonada.</p><p>Na ilha, perdem a canoa e acabam presos lá, o que lhes causa extremo</p><p>arrependimento:</p><p>Não falavam; cada um pensava com tristeza no erro que haviam</p><p>cometido. Nunca deviam ter feito isso às escondidas do padrinho.</p><p>Nunca. Que estariam pensando ele, madrinha e os primos naquele</p><p>instante? Quem sabe estariam aflitos, desesperados mesmo, ao ver</p><p>que os meninos não voltavam e já era noite fechada? Que</p><p>arrependimento! (DUPRÉ, 1992, p. 28)</p><p>Mesmo depois de duras tentativas de encontrar meios para voltar à casa dos</p><p>padrinhos, os meninos fracassam, tendo que passar mais tempo na ilha, onde</p><p>começar a sentir fome e sede. Mesmo as frutas encontradas lhes �zeram mal.</p><p>Eduardo se separa de Henrique, e este é abordado por um habitante da ilha, Simão, o</p><p>auto intitulado dono da ilha, que toma Henrique como prisioneiro.</p><p>Henrique descobre que Simão vive na ilha há vinte anos, sozinho com os animais.</p><p>Deste modo, passa a ensinar Henrique como é possível viver em harmonia com os</p><p>animais e as plantas. Henrique passa a viver com Simão na gruta, comendo a comida</p><p>que Simão prepara e brincando com os animais. Contudo, ele nunca desistiu da ideia</p><p>de fugir e encontrar Eduardo.</p><p>Henrique testemunha um julgamento de macacos feito por macacos, cada qual</p><p>representando seu papel, numa cena que enxerta elementos fantasiosos na história.</p><p>Após o julgamento, Henrique arrisca uma tentativa infrutífera de fuga. Depois de mais</p><p>um fracasso na tentativa de fuga – Henrique deixa a gruta de Simão e alcança a</p><p>�oresta, mas se machuca e acaba tendo de ser levado de volta à gruta pelos macacos.</p><p>Simão cura os ferimentos de Henrique com o uso de plantas: “rara é a árvore que não</p><p>15</p><p>fez benefício à humanidade; de cada uma delas tira-se ou uma fruta ou uma �or ou</p><p>um remédio ou um bálsamo para alimentar ou curar os homens” (DUPRÉ, 1992, p.</p><p>82). Depois, Henrique pede desculpas a Simão por ter tentado fugir.</p><p>Em um outro episódio, Simão tenta ajudar um veado, Lucas, em vão. Uma �lhote de</p><p>veado fora baleada por um caçador e acaba perecendo. Simão faz constatações sobre</p><p>caçadores:</p><p>Os caçadores não têm coração. Matam um pobre animal inofensivo</p><p>pelo prazer de matar. Veja você: mataram um bichinho tão inocente,</p><p>tão bonito, tão delicado... Para quê? Se fosse para saciar a fome,</p><p>ainda bem, mas é para se divertir que eles matam. Matam por</p><p>crueldade. Querem apostar para ver quem mata melhor, quem mata</p><p>primeiro”. (DUPRÉ, 1992, p. 89-90)</p><p>Simão �nalmente deixa Henrique partir quando percebe a tristeza do garoto, não sem</p><p>antes lhe dar mais uma lição:</p><p>Quero ainda fazer um pedido a você, um pedido muito sério: Ouça</p><p>bem, nunca maltrate os animais; seja sempre bom e caridoso para</p><p>com eles, principalmente para esses que vivem conosco e nos</p><p>prestam serviços. Nunca os maltrate. Ouviu bem? (DUPRÉ, 1992, p.</p><p>95).</p><p>Henrique volta à prainha onde estivera com o irmão. Lá encontra Eduardo, que estava</p><p>magro, seminu, cansado e de aspecto doentio. Eduardo, sozinho, havia construído</p><p>uma jangada enquanto esperava Henrique retornar. No dia seguinte, eles usam essa</p><p>jangada para saírem da ilha, mas não conseguem levar a jangada até a outra margem,</p><p>e acabam sendo salvos pelo padrinho.</p><p>Quando os meninos reencontram o padrinho, eles se sentem muito envergonhados</p><p>pelo que haviam feito. Levam uma bronca do padrinho, que conta aos meninos como</p><p>todos estavam morrendo de preocupação. Os meninos pedem desculpas e prometem</p><p>nunca mais deixarem a fazenda sozinhos. No dia seguinte, depois de mais</p><p>admoestações e de mais pedidos de desculpas, os meninos contam sua história para</p><p>a família, que permanece cética. O padrinho resolve ir à ilha para encontrar Simão,</p><p>mas em vão. Na volta, Henrique promete um dia voltar sozinho para poder</p><p>reencontrar ele e os animais.</p><p>16</p><p>Capa de uma das primeiras edições, quando Maria José ainda usava o pseudônimo de</p><p>Senhora Leandro Dupré e a edição mais recente, de 2015</p><p>Acesse o link: Disponível aqui</p><p>A ilha perdida é o livro mais vendido da</p><p>famosa série Vaga-Lume, uma coleção de</p><p>livros infantojuvenis que circularam nas</p><p>escolas por mais de quatro décadas. Além</p><p>de “A ilha”, saiba quais são os mais</p><p>vendidos e o impacto que a coleção tem ao</p><p>longo de várias gerações de leitores mirins</p><p>e adultos.</p><p>17</p><p>Uma leitura autoritária</p><p>Na Ilha perdida, de Maria José Dupré, as crianças, Henrique e Eduardo, violam a</p><p>estrutura hierárquica familiar, desobedecendo seus padrinhos, e são duramente</p><p>punidos por isso. Embora tenha a estrutura de uma narrativa de aventuras, o livro</p><p>não funciona enquanto tal, uma vez que os heróis são absolutamente impotentes.</p><p>Sendo crianças, apenas no ato de desobediência eles apresentam características</p><p>funcionais – e muito pouco plausíveis. São garotos da cidade que conseguem navegar</p><p>numa canoa abandonada sem nenhum tipo de preparação ou apoio.</p><p>Depois do ato da desobediência ser consumado, se tornam seres indefesos e</p><p>incapazes, sendo ajudados somente por eventos circunstâncias ou por adultos.</p><p>Ambos provavelmente teriam morrido sem a intervenção de Simão ou dos padrinhos,</p><p>em momentos espalhados pelo enredo. O narrador, em discurso indireto livre, revela</p><p>um arrependimento brutal dos meninos por terem quebrado as regras –</p><p>curiosamente, ambos pensam de maneira idêntica, mais uma representação</p><p>igualmente pouco plausível. O autoritarismo do livro se apresenta como uma trama</p><p>que mostra ser um erro de vida e morte desobedecer às regras do mundo adulto. A</p><p>submissão plena dos meninos às admoestações do padrinho ao �m do livro apenas</p><p>rati�ca o que o enredo delineou: a vida pune crianças desobedientes.</p><p>A presença de Simão é outra marca autoritária do livro: ele é o portador de um</p><p>discurso ecológico que deve ser absorvido pelos meninos e, portanto, também pelas</p><p>crianças que estão lendo o livro. Não há �ltro algum ou mesmo possibilidade de</p><p>contestação. Simão é o portador de uma voz semirreligioso sobre a comunhão do ser</p><p>humano com a natureza, o que, em vista dos elementos de fantasia, tornam esse</p><p>discurso o mais absurdo: a�nal de contas, fazer amizades com animais</p><p>antropomór�cos é muito mais simples do que com animais de verdade.</p><p>Em suma, A ilha perdida acaba impondo ao jovem leitor uma visão da realidade</p><p>excessivamente paternalista e autoritária, que vê na criança um ser absolutamente</p><p>indefeso que só pode se manter a salvo sob o cuidado do adulto. Ademais, o livro</p><p>serve também para a veiculação de uma propaganda ecológica que fere a própria</p><p>percepção da realidade da criança, na medida em que representa uma natureza pura,</p><p>arcádica, de características civilizadas. Quando olha ao seu redor, a criança sente</p><p>di�culdade em reconhecer essa natureza edênica defendida por Simão.</p><p>18</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>““Éramos Seis” (Ática) foi o segundo</p><p>romance lançado pela escritora paulista</p><p>nascida em Botucatu no �nalzinho do</p><p>século XIX. A obra conquistou o Prêmio</p><p>Raul Pompéia de 1944, honraria oferecida</p><p>pela Academia Brasileira de Letras ao</p><p>melhor romance publicado no ano</p><p>anterior. Não é errado dizer que este livro</p><p>se tornou um clássico da literatura</p><p>brasileira. É quase impossível hoje um</p><p>adulto em nosso país não se lembrar deste</p><p>título ou não ter ouvido ao menos uma</p><p>menção sobre ele ao longo de sua vida. É</p><p>claro que (…) as várias adaptações da trama</p><p>de “Éramos Seis” para a televisão e para o</p><p>cinema ajudaram substancialmente na</p><p>popularização da narrativa de Maria José</p><p>Dupré. Há quatro décadas, a TV tem um</p><p>poder disseminador da cultura no Brasil</p><p>muito mais forte do que a literatura. O livro</p><p>ainda é, infelizmente, um artigo raro no</p><p>cotidiano nacional independentemente da</p><p>classe social da família, da região do país e</p><p>da faixa etária do indivíduo”.</p><p>19</p><p>https://www.bonashistorias.com.br/single-post/2020/05/06/Livros-Eramos-Seis-A-obra-prima-de-Maria-Jose-Dupre</p><p>03</p><p>A Bolsa Amarela</p><p>20</p><p>Fonte: wikimedia.</p><p>Lygia Bojunga Nunes (1932)</p><p>Lygia Bojunga Nunes é uma escritora gaúcha nascida na cidade de Pelotas. Se</p><p>arriscou na carreira de atriz, mas foi na literatura que teve sucesso</p><p>estrondoso, sendo</p><p>considerada hoje uma das maiores escritoras de literatura para crianças e jovens do</p><p>Brasil, comparada muitas vezes a Monteiro Lobato. Entre outros prêmios, em 1982 foi</p><p>concedido à Lygia o Hans Christian Andersen, considerado o Nobel da literatura</p><p>infantil.</p><p>A bolsa amarela (1976)</p><p>A bolsa amarela conta a história de Raquel, uma menina em constantes con�itos com</p><p>sua família, o que faz com que ela se volte para sua vida interior, cultivando suas</p><p>vontades e criando mundos imaginários. Seus maiores desejos são deixar de ser</p><p>criança, ter nascido menino, e se tornar escritora.</p><p>21</p><p>Esta última teve origem nas cartas que Raquel escrevia para André, uma espécie de</p><p>amigo imaginário e correspondente. Raquel conta a André histórias reais e</p><p>inventadas, e isso faz com que o amigo a aconselhe a se tornar escritora. Mas a</p><p>prática da troca de cartas é frustrada quando o irmão de Raquel intercepta uma delas</p><p>e termina por proibir Raquel de escrever para André.</p><p>Raquel cria outra amiga imaginária, Lorelai, para quem escreve combinando uma</p><p>possível fuga de casa. Dessa vez, é a irmã de Raquel que encontra as cartas de Lorelai</p><p>e, assim como seu irmão, não acredita quanto Raquel lhe explica que Lorelai é</p><p>inventada, assim como o plano de fugir. A irmã mostra as cartas ao resto da família e</p><p>os pais de Raquel brigam com ela por causa das cartas e de seu suposto plano de</p><p>fuga. Como não pode mais escrever cartas, Raquel decide escrever histórias e</p><p>inventar personagens, como o galo Rei. Mas ao ser ridicularizada pela família por</p><p>causa das histórias que inventava, Raquel decide escrever apenas quando se tornar</p><p>adulta.</p><p>Um dia Raquel recebe da tia – uma tia rica que enviava itens usados para sua família –</p><p>uma bolsa amarela. Dentro da bolsa Raquel resolve esconder os nomes que ela</p><p>inventava, um al�nete que um dia encontrara na rua, desenhos do quintal da roça e</p><p>suas três grandes vontades. O galo Rei de suas histórias é rebatizado de Afonso e</p><p>passa a viver também na bolsa, assim como outros seres imaginários: uma Guarda-</p><p>Chuva (sim, ela era mulher), e Terrível, o primo de Afonso que era galo de briga.</p><p>Numa visita à sua tia Brunilda, Raquel tem de lidar com diversos con�itos familiares</p><p>que a magoam, fazendo com que suas vontades cresçam, de maneira que ela</p><p>visualize imaginativamente sua bolsa inchando.</p><p>Raquel decide escrever a história de Terrível, o que faz com que sua vontade de ser</p><p>escritora murche um pouco. Por isso, Raquel resolve escrever sempre que quisesse,</p><p>mesmo se rissem dela, pois era melhor que rissem do que ela carregar aquela</p><p>vontade gorda e pesada dentro da bolsa.</p><p>Ao buscar um meio de consertar a Guarda-Chuva, Raquel conhece Lorelai e sua</p><p>família, que vivem uma vida familiar mais saudável. Um dia, depois de passar o dia</p><p>com Lorelai e sua família, Raquel volta para casa e é posta de castigo, por ter �cado o</p><p>dia todo fora. Naquela noite, sem poder dormir, Raquel pensa como Lorelai e sua mãe</p><p>gostam de ser mulheres, e não desejam ter nascido garoto, como ela. De castigo,</p><p>Raquel imagina outras histórias envolvendo o galo Afonso e a Guarda-Chuva.</p><p>22</p><p>A escrita se torna mais recorrente conforme Raquel é cada vez menos antagonizada</p><p>por sua família. Mais desprendida, ela não mais desejava ser adulta ou ter nascido</p><p>garoto. Sempre que desejava escrever, escrevia. Aos poucos os itens e seres</p><p>imaginários partem, deixando a bolsa de Raquel praticamente vazia.</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>O podcast do G1, Livro Falado, discute o legado do livro A bolsa amarela, de</p><p>Lygia Bojunga Nunes. É abordado o seu contexto de publicação, assim como</p><p>o seu impacto nos leitores da contemporaneidade.</p><p>23</p><p>https://g1.globo.com/educacao/noticia/2018/12/13/como-lygia-bojunga-fez-de-a-bolsa-amarela-de-1976-um-livro-atual-sobre-aventura-de-menina-em-tempos-de-ditadura.ghtml</p><p>Uma literatura emancipatória</p><p>A bolsa amarela, de Lygia Bojunga Nunes, mostra um universo imaginativo sem</p><p>limites. É difícil acompanhar a imaginação de Raquel, quem, diante de con�itos</p><p>familiares, recorre a sua vida interior para passar por eles. No livro não há coesão e</p><p>conformidade de ideias. Modelos familiares distintos são justapostos de maneira a</p><p>criar um contraste ideológico.</p><p>A �lha mais jovem não consegue, mesmo porque não pode e não quer, se adequar ao</p><p>seu ambiente familiar. O con�ito, a princípio, é entendido como uma impossibilidade</p><p>de convívio, a�nal de contas, Raquel pensa em fugir de casa. Ao �m, depois de um</p><p>processo de amadurecimento simbolizado pelo esvaziamento da bolsa, a menina</p><p>entende que muitas vezes as diferenças são incontornáveis, e que mesmo assim é</p><p>possível conviver com pessoas de temperamento e visão de mundo distintas.</p><p>O espírito da protagonista se mostra implacável diante das tentativas de controle e</p><p>constrangimento aos quais era submetida pela sua família. Raquel a cada revés,</p><p>imaginativamente traduzia suas frustrações em efeitos imagísticos, ou recorria a</p><p>narrativas �ccionais de sua criação, evitando assim o contato com o mundo exterior.</p><p>No jogo entre exterior e interior – entre a realidade e a vida imaginativa de Raquel – a</p><p>liberdade era buscada e alcançada interiormente, enquanto os meios de busca-la</p><p>exteriormente não eram descobertos. Era necessário encontrar alguma saída que não</p><p>o conformismo, a resignação diante de um ambiente familiar inóspito.</p><p>A bolsa amarela de Raquel simboliza esse interior, a vida imaginativa vivenciada por</p><p>todo o ser humano, mas que, na vida da criança tem papel especial, na medida em</p><p>que a realidade lhe é negada ou ao menos limitada pelos adultos, pela sua rotina,</p><p>pelas suas obrigações.</p><p>24</p><p>O espetáculo “Bolsa amarela” é uma montagem teatral do grupo Porto Cênico de</p><p>2017 livremente inspirada em “A bolsa amarela”</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>“A escritora brasileira de livros infantis Lygia Bojunga Nunes será agraciada</p><p>com o prêmio Astrid Lindgren 2004, que homenageia a criadora sueca do</p><p>personagem Píppi Meialonga, informou nesta quarta-feira o Astrid Lindgren</p><p>Memorial Award. A princesa Victoria, herdeira do trono sueco, entregará o</p><p>prêmio a Lygia, junto com um cheque no valor de cinco milhões de coroas</p><p>suecas (655 mil dólares ou 530 mil euros) em cerimônia o�cial a ser</p><p>realizada em Estocolmo, no dia 26 de maio, informou a organização do</p><p>evento. ‘Lygia Bojunga dissolve facilmente a fronteira entre a fantasia e a</p><p>realidade de uma forma tão vertiginosa como uma criança brincando’,</p><p>escreveu a organização do prêmio em um comunicado. ‘Nas suas histórias</p><p>dramáticas, cunhadas pelos contos narrados, tudo é possível. De uma forma</p><p>profundamente original, reúne o riso, a beleza poética e um humor absurdo,</p><p>realçando a liberdade, a crítica social e uma forte solidariedade pelas</p><p>crianças desprotegidas’, acrescentou”.</p><p>25</p><p>http://diarinho.com.br/arteeopiniao/2017/06/03/bolsa-amarela-e-avessa-na-programacao-do-11o-itajai-em-cartaz/</p><p>04</p><p>Círculo de Leitura</p><p>26</p><p>Saber escolher um bom livro para os nossos alunos é uma tarefa importante e crucial,</p><p>mas é apenas a primeira etapa no trabalho do mediador de leitura. Falaremos em</p><p>mediador de leitura em vez de professor porque julgamos um termo mais abrangente,</p><p>como veremos nesta aula. Um professor pode ser um mediador de leituras na</p><p>medida em que ele estabelece e facilita o contato de seus alunos com o livro, mas</p><p>essa tarefa não é exercida apenas dentro da escola, embora usualmente se pense</p><p>assim.</p><p>O modelo do professor de leitura é aquele do sujeito que explica o livro para seus</p><p>alunos. Igualmente, o professor avalia os seus alunos, ou faz a verificação de leitura,</p><p>por meio de uma �cha de leituras que o aluno deve preencher corretamente, com</p><p>dados do livro como resumo, personagens principais, personagens secundárias, narrador,</p><p>etc. Esse processo centra o ensino da leitura tanto no texto quanto no professor.</p><p>Desta maneira, o processo de leitura do aluno se con�gura como um jogo de certo e</p><p>errado, o que trai a própria natureza do bom texto, do leitor, e daquilo que ocorre</p><p>quando um jovem leitor entra em contato com o bom</p><p>texto.</p><p>Desde a década de 1960 tem havido uma mudança de foco do texto para o processo</p><p>da leitura e, consequentemente, para o leitor. Análises linguísticas e estruturais do</p><p>livro acabaram cedendo espaço para a investigação das possibilidades interpretativas</p><p>do texto, assim como o exame das respostas individuais e coletivas aos livros lidos.</p><p>Calcado especialmente na Estética da Recepção, uma corrente alemã de estudo da</p><p>27</p><p>literatura, mas igualmente em toda e qualquer abordagem que olhe mais para o leitor</p><p>do que para o autor, práticas de mediação de leitura evoluíram para tornar o contato</p><p>com o livro mais livre.</p><p>Aqui, é importante ressaltar mais uma vez o termo “mediação de leitura”, uma vez que</p><p>práticas de leitura concorrentes fora da escola têm sido cultivadas e dado muito certo</p><p>no trabalho de promover a cultura dos livros. Enquanto isso, os leitores escolares,</p><p>mesmo passando por um longo processo de formação, não se interessam, ou deixar</p><p>de ler os livros logo que deixam das escolas, quando não mais são coagidos a ler os</p><p>livros (CECCANTINI, 2009). O que está acontecendo fora das escolas que pode servir</p><p>de modelo para que a instituição escolar possa se renovar e mais uma vez reivindicar</p><p>para si o lugar por excelência da promoção da leitura?</p><p>Clubes do livro</p><p>Um dos fenômenos sociais que tem servido como meio para a criação de identidade,</p><p>estabelecimento de laços, aprimoramento da vida intelectual e desenvolvimento da</p><p>prática da leitura é o Círculo de Leitura. Essa atividade, que se concretiza usualmente</p><p>como um Clube do Livro, no século XX, tomou conta dos mais diferentes segmentos</p><p>da sociedade norte-americana, como podemos conferir no livro de Rildo Cosson</p><p>sobre o tema, Círculos de Leitura e Letramento Literário (2014).</p><p>No livro, Cosson não apenas apresenta vasta pesquisa em que demonstra como</p><p>di�cilmente será encontrado meio mais atraente e motivador para desenvolver o</p><p>hábito da leitura, como delineia parâmetros para que professores possam adotar tal</p><p>prática em sua sala de aula, de modo criar ambiente democrático de contato com o</p><p>livro.</p><p>O princípio de um Clube do Livro é o resgate do leitor da solidão da leitura. O</p><p>momento íntimo de contato do leitor com o livro é por de�nição solitário, o que faz</p><p>com que um leitor estimulado automaticamente busque parceiros de leitura com</p><p>quem partilhar sua experiência. De onde surgem redes sociais de leitores, como o</p><p>Skoob ou o Good Reads. Um círculo de leitura bem conduzido, contudo, é mais do</p><p>que um ponto de encontro para aqueles que leram o mesmo livro. É um momento de</p><p>compartilhamento da experiência íntima da leitura, que deve vir à público e valorizada</p><p>por um mediador de leitura.</p><p>28</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>Leia Mulheres é um Clube do Livro cujo objetivo é a promoção das obras de</p><p>escritoras. Difundido em todo Brasil, o clube foi fundado em 2015 por</p><p>Juliana Gomes, Juliana Leuenroth e Michelle Henriques, em vista de um</p><p>mercado editorial ainda restrito e resistente à vasta produção escrita por</p><p>mulheres.</p><p>29</p><p>https://leiamulheres.com.br/</p><p>A seleção de obras pode adquirir os mais variados aspectos. O Clube do Livro pode</p><p>ter um sistema de votação, ou pode escolher a obra por meio de um rodízio. Pode</p><p>haver uma temática ou parâmetros centralizadores, como livros escritos apenas por</p><p>autores negros ou imigrantes de alguma origem – a escolha por per�l étnico é muito</p><p>comum em círculos de leitura em que existe a busca por o autoconhecimento e por</p><p>identidade. Ou pode reunir amantes de um determinado gênero literário, como a</p><p>narrativa policial ou o romance gótico.</p><p>O Círculo de Leitura dentro da</p><p>Escola</p><p>Não importa qual seja a con�guração do Círculo de Leitura. O importante é que ele</p><p>promova a interação entre seus membros de maneira a incentivar o engajamento</p><p>com a leitura. A �gura de um líder – o mediador de leitura – é importantíssima,</p><p>embora num Clube do Livro possa haver um revezamento na função entre os</p><p>membros. Numa sala de aula, o Círculo de Leitura terá como mediador de leitura o</p><p>professor. Ele deverá conduzir as atividades do grupo de leitores – seus alunos – de</p><p>maneira a propiciar uma experiência de leitura que cause impacto em sua formação.</p><p>Desta maneira, a escola do livro passará pelo crivo inicial do professor. Ele não pode</p><p>abrir para sugestões logo de saída, pois seus alunos supostamente não possuem um</p><p>repertório de leitura equivalente ao do professor, mas por que não acatar uma</p><p>sugestão pertinente? Muitos jovens estão se interessando por livros fora da escola. Se</p><p>um aluno ou aluna sugerir a leitura de um Crepúsculo ou de um Harry Potter, o</p><p>professor deve considerar com carinho a sugestão. Ainda assim, não deve se ver</p><p>surpreso se, pedindo sugestões, encontrar apenas um silêncio constrangedor.</p><p>Por isso, o professor, enquanto mediador de leitura de um Círculo de Leitura, deve</p><p>estar preparado. Uma seleção prévia, pensando no per�l de sua turma deve incluir</p><p>mais de um livro relevante, de modo que ele possa, se possível proporcionar aos seus</p><p>alunos a possibilidade de fazer uma escolha. Assim, o papel de protagonismo dentro</p><p>da atividade já estará insinuado. E é esse o objetivo do Círculo de Leitura: fazer de</p><p>seus integrantes os protagonistas do ato da leitura.</p><p>30</p><p>O condutor temporário</p><p>Uma vez dado início às sessões do Círculo de Leitura, os alunos estarão naturalmente</p><p>mais à vontade. Assim, o professor pode delegar a função de condutor das sessões a</p><p>algum aluno, dependendo da faixa etária e do grau de maturidade da turma.</p><p>Naturalmente, turmas mais introvertidas serão resistentes a essa prática, e o</p><p>professor terá de ter discernimento na hora de decidir se terá condutores</p><p>temporários ou não. Contudo, se tal mecanismo for utilizado, os alunos se sentirão</p><p>mais ainda agentes no ato de sua própria formação. O sentimento de autonomia e</p><p>protagonismo será fomentado, e o sentimento de liberdade – necessário para a</p><p>fruição artística – será maximizado.</p><p>31</p><p>O professor assumirá o papel de mediador de leitura do Círculo de Leitura</p><p>dentro de uma sala de aula. Ele pode designar um aluno como condutor da</p><p>discussão temporário, mas esse costume pode encontrar resistência em</p><p>uma turma de alunos muito introvertidos.</p><p>O diário de leitura</p><p>Em um contexto de sala de aula, é interessante que o professor promova a prática de</p><p>manter um diário de leitura. Não apenas ele pode utilizar os registros dos alunos</p><p>como instrumento material de avaliação – o que não quer dizer que precisa ser o</p><p>único – como ajudará os alunos mais introvertidos que, numa sessão de discussão do</p><p>livro, se sintam intimidados a falar. Com um diário, ele poderá ler as entradas em voz</p><p>alta, ou mesmo o professor, tendo acesso ao diário, pode trazer à tona as impressões</p><p>dos alunos de maneira anônima.</p><p>32</p><p>As sessões</p><p>As sessões de discussão são o cerne do Círculo de Leitura. Evidentemente os alunos</p><p>terão de ter lido a obra escolhida de antemão, o que faz da sessão um momento não</p><p>apenas de testemunhos, como de administração de con�itos, já que necessariamente</p><p>um livro emancipatório estará aberto a muitas interpretações. Leituras discordantes</p><p>devem ser estimuladas.</p><p>Acima de tudo o professor enquanto mediador de leitura deve saber engajar-se na</p><p>experiência de leitura de seus alunos, fazendo-lhes questões, estimulando-os a</p><p>prestarem atenção em momentos especí�cos do livro, ou mesmo problematizando</p><p>suas opiniões e impressões. Tudo isso enquanto administra também o tempo e</p><p>tomada de turnos que, numa sala de aula estimulada pela atividade, trará grandes</p><p>transtornos, uma vez que muitos irão querer falar ao mesmo tempo.</p><p>A preparação do professor pode incluir uma lista de perguntas fundamentais, �xas,</p><p>mas elas não devem fechar as portas para outros tipos de interação. É recomendável</p><p>que o professor crie as perguntas como uma forma de salvaguarda. Nunca é demais</p><p>lembrar que a experiência de leitura dos alunos deve ser o centro da atividade.</p><p>33</p><p>Círculo de leitura na biblioteca</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>É possível preparar mais de uma sessão para falar do mesmo livro, ou cada sessão se</p><p>voltar para apenas</p><p>uma obra. Tudo vai depender dos objetivos pedagógicos do</p><p>professor. A administração do Círculo de Leitura na escola sempre estará sujeita a</p><p>questões burocráticas relativas aos planos de ensino das turmas, à carga horária</p><p>disponível, ao currículo previsto para aquele período escolar.</p><p>34</p><p>https://visualhunt.com/f4/photo/27325068306/43638539b7/</p><p>Fonte: Disponível aqui</p><p>“Formado em 2016, o Clube de Leitura de Brasília teve de se reinventar para</p><p>se adaptar aos novos tempos. Os integrantes abriram mão dos tradicionais</p><p>encontros com direito a cenários, booktrailers e brindes — que os levavam</p><p>ao clima da obra-tema—, e apostaram em reuniões virtuais, porém ‘não</p><p>menos empolgantes’, segundo o fundador do grupo, Claiperon Fernandes</p><p>De Sousa, 38 anos (…) Antes com uma média de 30 pessoas por reunião, o</p><p>Clube de Leitura de Brasília tem visto o número de integrantes aumentar</p><p>graças às rodas literárias virtuais. ‘Acabou abrindo o nosso alcance. Pessoas</p><p>de outros estados se interessaram, aderiram ao grupo e já se tornaram</p><p>nossos amigos em tão pouco tempo’, ressalta o fundador”.</p><p>35</p><p>https://www.metropoles.com/entretenimento/literatura/clubes-de-leitura-on-line-e-lives-reunem-amantes-das-letras-na-quarentena</p><p>Conclusão</p><p>Como é possível notar, os desa�os são imensos, e um mediador de leitura deve ser um</p><p>educador na acepção mais nobre possível da palavra: um indivíduo que cria espaços</p><p>para seus alunos aprenderem com liberdade. Para isso, em primeiro lugar ele deverá</p><p>adquirir um repertório de leitura que lhe permita fazer escolhas no mínimo</p><p>pertinentes.</p><p>O mercado editorial volta para crianças e adolescentes está repleto de obras</p><p>descartáveis. Nunca se produziu tantos livros para crianças como hoje, e isso é uma</p><p>falta de dois gumes: por um lado, a maior produção aumenta a competitividade, o que</p><p>naturalmente aumenta a qualidade das obras; por outro lado, é necessário um</p><p>trabalho pesado de garimpagem para encontrar as obras realmente boas em meio a</p><p>um mar de publicações cheias de boas intenções, mas que cujo objetivos por vezes é</p><p>apenas o de colonizar as crianças de adolescentes.</p><p>O pior é que essa capacidade de dominação e controle é bem-vindo por alguns pais e</p><p>educadores. Com essas obras não se formarão leitores. Na melhor das hipóteses,</p><p>formarão cidadãos bem-comportados que esperam alguém lhes dizer o que fazer; na</p><p>pior, um adulto ressentido do excesso de manipulação a qual foi submetido em sua</p><p>infância ou adolescência.</p><p>Uma sociedade com discernimento nunca será alcançada sem a formação massiva de</p><p>bons leitores, e isso só é possível a partir da leitura de obras que emancipem o sujeito.</p><p>Mas não apenas isso, como a maneira de entrar em contato com essas obras</p><p>igualmente deve acontecer com qualidade. Aqui continua o trabalho do mediador de</p><p>leitura.</p><p>É ele quem explorará da melhor forma possível a experiência de leitura de seus alunos,</p><p>estimulando-os a cada passo a se tornarem conscientes dos mecanismos que</p><p>permitem a ele o envolvimento com a obra literária. É dessa forma que, mesmo depois</p><p>de concluir sua trajetória escolar, o bom leitor sentirá liberdade e autonomia quando</p><p>resolver ler um livro de maneira completamente solitária.</p><p>36</p><p>Material Complementar</p><p>Livro</p><p>Mediação de Leitura: Discussão e Alternativas para a</p><p>formação de leitores</p><p>Autor: Fabiano dos Santos, José Castilho Marques Neto e Tânia</p><p>M. K. Rösing (organizadores)</p><p>Editora: Global</p><p>Sinopse: O objetivo deste livro é estimular uma re�exão sobre o</p><p>signi�cado da mediação da leitura no contexto da escola, da</p><p>biblioteca e dos espaços comunitários. Os artigos reunidos</p><p>apresentam uma série de ações que buscam formar uma rede</p><p>voltada para promover a leitura como prática cotidiana.</p><p>Comentário: Livro que aborda problemas especí�cos sobre a</p><p>formação do leitor na escola, como a questão do incentivo à</p><p>leitura na era do audiovisual, a formação do leitor iniciante ou a</p><p>formação do próprio professor enquanto leitor.</p><p>Filme</p><p>Encontrando Forrester</p><p>Ano: 1989</p><p>Sinopse: Jamal Wallace ganha uma bolsa de estudos em uma</p><p>escola de elite de Manhattan devido ao seu desempenho nos</p><p>testes de seu antigo colégio no Bronx. Ele conhece William</p><p>Forrester, um talentoso e recluso escritor com quem desenvolve</p><p>uma profunda amizade. Percebendo o talento para a escrita de</p><p>Jamal, Forrester procura incentivá-lo a seguir este caminho, mas</p><p>termina recebendo de Jamal algumas boas lições de vida.</p><p>Comentário: Filme sobre a marginalidade da literatura entre o</p><p>público jovem e como certos estímulos podem promover o amor</p><p>pelos livros.</p><p>37</p><p>Web</p><p>Fruto de uma abrangente pesquisa sobre livros publicados para</p><p>o público jovem no Brasil, o site Interstícios é uma ótima fonte</p><p>de pesquisa para professoras que querem encontrar o livro</p><p>certo para a sua turma. Detalhes como temática, projeto grá�co,</p><p>número de páginas etc. auxiliam na escolha</p><p>Acesse o link</p><p>38</p><p>http://literaturajuvenilempauta.com.br/</p><p>CECCANTINI, João Luís C. T. Leitores iniciantes e comportamento perene de leitura. In:</p><p>SANTOS, Fabiano; MARQUES NETO, José Castilho; RÖSIG, Tania M.K (orgs.). Mediação</p><p>de Leitura: discussões e alternativas para a formação de leitores. São Paulo: Global,</p><p>2009.</p><p>COSSON, Rildo. Círculos de Leitura e Letramento Literário. São Paulo: Contexto,</p><p>2014.</p><p>DUPRÉ, Maria José. A ilha perdida. 28ª Ed. São Paulo: Ática, 1992.</p><p>BOJUNGA, Lygia. A bolsa amarela. 22ª Ed. Rio de Janeiro: Agir, 1993.</p><p>ZILBERMAN, Regina. A Literatura Infantil na Escola. 11ª Ed. São Paulo: Global, 2003.</p><p>Referências</p><p>39</p><p>aula-01</p><p>aula-02</p><p>aula-03</p><p>aula-04</p>

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