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<p>1</p><p>TEMA: A DIFÍCIL INCLUSÃO DIGITAL NA TERCEIRA IDADE</p><p>TEXTO 01</p><p>PESQUISA TENTA ENTENDER A COMPLICADA</p><p>RELAÇÃO ENTRE IDOSOS E TECNOLOGIA</p><p>Pesquisa desenvolvida na Faculdade de</p><p>Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) chama a</p><p>atenção para a necessidade de mais iniciativas</p><p>voltadas à inclusão digital que desmistifiquem</p><p>os aparelhos tecnológicos para todos os</p><p>interessados e não só para uma classe privilegiada.</p><p>À mesma proporção em que aumenta a média de</p><p>idade da população em todo o planeta, o mundo</p><p>parece estar ficando cada vez mais tecnológico. Mas</p><p>a relação entre idosos e eletrônicos nem sempre</p><p>é das mais amistosas. Saber em que medida isso</p><p>acontece – e o que influencia a aceitação destas</p><p>ferramentas – é o primeiro passo para tentar</p><p>aproximar os dois. Foi com esta premissa que a</p><p>terapeuta ocupacional Taiuani Marquine Raymundo</p><p>realizou sua pesquisa de mestrado na Faculdade</p><p>de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da USP.</p><p>Em um estudo com 100 indivíduos com mais de 65</p><p>anos escolhidos ao acaso, ela analisou o nível de</p><p>aceitação da tecnologia por parte dos entrevistados,</p><p>e quais fatores poderiam fazer diferença para que</p><p>um idoso encarasse os dispositivos modernos</p><p>como aliados.</p><p>Segundo Taiuani, o universo amostral do estudo,</p><p>que incluía idosos da região de Ribeirão Preto e de</p><p>Olímpia, foi estruturado a partir de um questionário</p><p>socioeconômico, de uma metodologia já consagrada</p><p>de avaliação das atividades da vida diária, de uma</p><p>escala para avaliação da aceitação de tecnologias e</p><p>de um questionário sobre os possíveis fatores que</p><p>interferem no uso de aparelhos eletrônicos. Tais</p><p>fatores foram levados em consideração para avaliar</p><p>como e com que frequência este público está</p><p>disposto a se relacionar com a tecnologia. Aqueles</p><p>que possuem uma renda financeira maior, por</p><p>exemplo, possuem mais facilidade de compreender</p><p>as funcionalidades, o uso e a linguagem das novas</p><p>tecnologias se comparados aos de renda inferior.</p><p>(...)Fonte: https://www5.usp.br/35129/pesquisa-tenta-</p><p>entender-a-complicada-relacao-entre-idosos-e-tecnologia/</p><p>TEXTO 02</p><p>Internet, o novo espaço dos seniores</p><p>A carga tributária varia de país para país – assim</p><p>A internet proporciona a inclusão social do idoso,</p><p>pois ele passa a integrar o meio em que todos</p><p>estão. Através de recursos como mensagens</p><p>de texto, chamada por vídeo e redes sociais ele</p><p>pode se atualizar sobre a vida de seus familiares e</p><p>amigos, além de ter a possibilidade de conversar a</p><p>hora que desejar.</p><p>O uso da rede pela terceira idade vai além da</p><p>comunicação. O que hoje consideramos simples,</p><p>como buscas no google, jogos online, vídeos e</p><p>leitura de textos e livros digitais, ajudam a exercitar</p><p>a leitura, escrita e memória. Isso é bastante</p><p>importante, já que são os fatores que podem ser</p><p>perdidos em idades mais avançadas. Esses avanços</p><p>também são uma grande fonte de informação, de</p><p>onde os idosos podem aprender com dicas sobre</p><p>diversos assuntos como culinária, lazer e saúde.</p><p>Fonte: http://tnh.health/blog/seniors-e-tecnologia-2/</p><p>TEXTO 03</p><p>DESAFIOS DO PROCESSO DE INCLUSÃO</p><p>DOS IDOSOS FRENTE ÀS TECNOLOGIAS DE</p><p>INFORMAÇÃO: UM ESTUDO REFLEXIVO</p><p>“A população idosa vem sendo estereotipada</p><p>como uma geração que teoricamente não</p><p>possuiria tamanho desempenho para acompanhar</p><p>o desenvolvimento tecnológico atual. Esse ponto</p><p>de vista é decorrente de um pensamento advindo</p><p>de épocas antigas, em que tais pessoas quando</p><p>mais jovens não tinham acesso a determinadas</p><p>tecnologias de informação. Não obstante, isso é</p><p>algo que deve ser mudado. Apesar das dificuldades</p><p>cognitivas e motoras do idoso, este não pode ser</p><p>excluído dessa sociedade modernizada”. (...)</p><p>Fonte: http://www.editorarealize.com.br/revistas/cieh/trabalhos/</p><p>TRABALHO_EV040_MD2_SA13_ID1850_27072015182325.pdf</p><p>SIMULADO</p><p>ESPECIAL 03</p><p>2</p><p>TEXTO 04</p><p>Fonte: https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/23445-pnad-continua-tic-</p><p>-2017-internet-chega-a-tres-em-cada-quatro-domicilios-do-pais</p><p>3</p><p>1. (UNCISAL/2019)</p><p>Algumas comidas curam, outras condenam o me-</p><p>tabolismo. Inúmeras enfermidades estão associa-</p><p>das aos vários tipos de alimentos. Assim como o</p><p>sal é proibitivo para quem sofre de problemas car-</p><p>diovasculares e o açúcar é fatal para o diabético,</p><p>leites e derivados, por exemplo, embora naturais,</p><p>vêm se mostrando diretamente relacionados a</p><p>doenças crônicas e prosaicas, como a asma. Ma-</p><p>nifestada a doença, o passo seguinte é consumir</p><p>remédios para neutralizar sua ação. Para a química</p><p>Conceição Trucom, que estuda temas voltados à</p><p>alimentação natural, esse é um caminho perigoso:</p><p>“A doença nos indica que algo está errado. Deverí-</p><p>amos enxergá-la não como uma inimiga que deve</p><p>ser combatida, mas sim como uma amiga sincera,</p><p>que tem coragem de nos dizer que alguma coisa</p><p>está errada”. Quando a doença aparece, é hora de</p><p>entender a quais fatores ela está relacionada e fa-</p><p>zer uma investigação minuciosa da alimentação.</p><p>Disponível em: http://planetasustentavel.abril.com.br. Acesso em: 1</p><p>nov. 2018 (adaptado).</p><p>No texto anterior, garante a progressão textual</p><p>a) a comparação da doença a uma amiga.</p><p>b) a estruturação do texto em um único parágrafo.</p><p>c) o emprego das aspas para destacar a fala da</p><p>química.</p><p>d) o emprego das expressões “Assim como” e “o</p><p>passo seguinte”.</p><p>e) a menção a uma pessoa de referência na área de</p><p>conhecimento tratada no texto.</p><p>2. (UNIFESP/2013)</p><p>O constante diálogo</p><p>Há tantos diálogos</p><p>Diálogo com o ser amado</p><p>o semelhante</p><p>o diferente</p><p>o indiferente</p><p>o oposto</p><p>o adversário</p><p>o surdo-mudo</p><p>o possesso</p><p>o irracional</p><p>o vegetal</p><p>o mineral</p><p>o inominado</p><p>Diálogo consigo mesmo</p><p>com a noite</p><p>os astros</p><p>os mortos</p><p>as ideias</p><p>o sonho</p><p>o passado</p><p>o mais que futuro</p><p>Escolhe teu diálogo</p><p>e</p><p>tua melhor palavra</p><p>ou</p><p>teu melhor silêncio</p><p>Mesmo no silêncio e com o silêncio</p><p>dialogamos.</p><p>(Carlos Drummond de Andrade. Discurso de primavera e algumas</p><p>sombras, 1977.)</p><p>O silêncio é a matéria significante por excelência,</p><p>um continuum significante. O real da comunicação</p><p>é o silêncio. E como o nosso objeto de reflexão é</p><p>o discurso, chegamos a uma outra afirmação que</p><p>sucede a essa: o silêncio é o real do discurso.</p><p>O homem está “condenado” a significar. Com ou</p><p>sem palavras, diante do mundo, há uma injunção</p><p>à “interpretação”: tudo tem de fazer sentido (qual-</p><p>quer que ele seja). O homem está irremediavelmen-</p><p>te constituído pela sua relação com o simbólico.</p><p>Numa certa perspectiva, a dominante nos estudos</p><p>dos signos, se produz uma sobreposição entre lin-</p><p>guagem (verbal e não-verbal) e significação.</p><p>Disso decorreu um recobrimento dessas duas no-</p><p>ções, resultando uma redução pela qual qualquer</p><p>matéria significante fala, isto é, é remetida à lingua-</p><p>gem (sobretudo verbal) para que lhe seja atribuído</p><p>sentido.</p><p>Nessa mesma direção, coloca-se o “império do ver-</p><p>bal” em nossas formas sociais: traduz-se o silêncio</p><p>em palavras. Vê-se assim o silêncio como lingua-</p><p>gem e perde-se sua especificidade, enquanto ma-</p><p>téria significante distinta da linguagem.</p><p>(Eni Orlandi. As formas do silêncio, 1997.)</p><p>A ideia comum entre o poema de Drummond e o</p><p>texto de Eni Orlandi diz respeito ao fato de que o</p><p>silêncio</p><p>a) consiste em repressão ao diálogo.</p><p>b) é sinônimo de ausência de sentido.</p><p>c) é também uma forma de comunicação.</p><p>d) permite a interpretação mais objetiva.</p><p>e) reconstrói a comunicação verbal.</p><p>4</p><p>3. (G1 – IFSC/2011 - Adaptada)</p><p>Mercado Público</p><p>O atual Mercado Público Municipal de Florianópolis</p><p>foi construído em duas etapas: a primeira, em 1899,</p><p>contava com apenas uma ala. Em 1915, foi construí-</p><p>da em cima de um aterro a segunda ala, bem como</p><p>as torres, as pontes que as interligam e o vão cen-</p><p>tral.</p><p>A totalidade da construção conta com 140 boxes,</p><p>onde encontramos roupas, utensílios, alimentos e</p><p>trabalhos de artesanato em cerâmica, palha e vime.</p><p>O prédio, com os diversos bares do vão central, é</p><p>um ponto de encontro, tanto para os nativos, quan-</p><p>to para os turistas, bem como palco de manifesta-</p><p>ções populares.</p><p>Lá, o visitante pode se deliciar com diversos</p><p>– Estou muito contente, disse ele.</p><p>8– Notícias do nosso povo?, perguntou o boticário</p><p>com a voz trêmula.</p><p>O alienista fez um gesto magnífico, e respondeu:</p><p>9– Trata-se de coisa mais alta, trata-se de uma ex-</p><p>periência científica. 10Digo experiência, porque não</p><p>me atrevo a assegurar desde já a minha ideia; nem</p><p>a ciência é outra coisa, Sr. Soares, senão uma inves-</p><p>21</p><p>tigação constante. Trata-se, pois, de uma experiên-</p><p>cia, mas uma experiência que vai mudar a face da</p><p>terra. A loucura, objeto dos meus estudos, era até</p><p>agora uma ilha perdida no oceano da razão; come-</p><p>ço a suspeitar que é um continente.</p><p>11Disse isto, e calou-se, para ruminar o pasmo do</p><p>boticário. 12Depois explicou compridamente a sua</p><p>ideia. No conceito dele a insânia abrangia uma vas-</p><p>ta superfície de cérebros; e desenvolveu isto com</p><p>grande cópia de raciocínios, de textos, de exem-</p><p>plos. 13Os exemplos achou-os na história e em Ita-</p><p>guaí mas, como um raro espírito que era, 14reconhe-</p><p>ceu o perigo de citar todos os casos de Itaguaí e</p><p>refugiou-se na história. Assim, apontou com espe-</p><p>cialidade alguns célebres, Sócrates, que tinha um</p><p>demônio familiar, Pascal, que via um abismo à es-</p><p>querda, Maomé, Caracala, Domiciano, Calígula etc.,</p><p>uma enfiada de casos e pessoas, em que de mis-</p><p>tura vinham entidades odiosas, e entidades ridícu-</p><p>las. 15E porque o boticário se admirasse de uma tal</p><p>promiscuidade, o alienista disse-lhe que era tudo a</p><p>mesma coisa, e até acrescentou sentenciosamente:</p><p>16– A ferocidade, Sr. Soares, é o grotesco a sério.</p><p>– Gracioso, muito gracioso!, exclamou Crispim Soa-</p><p>res levantando as mãos ao céu.</p><p>17Quanto à ideia de ampliar o território da loucura,</p><p>achou-a o boticário extravagante; mas a modés-</p><p>tia, principal adorno de seu espírito, não lhe sofreu</p><p>confessar outra coisa além de um nobre entusias-</p><p>mo; 18declarou-a sublime e verdadeira, e acres-</p><p>centou que era “caso de matraca”. Esta expressão</p><p>não tem equivalente no estilo moderno. 19Naquele</p><p>tempo, Itaguaí, que como as demais vilas, arraiais e</p><p>povoações da colônia, não dispunha de imprensa,</p><p>tinha dois modos de divulgar uma notícia: ou por</p><p>meio de cartazes manuscritos e pregados na porta</p><p>da Câmara, e da matriz; – ou por meio de matraca.</p><p>Eis em que consistia este segundo uso. 20Contrata-</p><p>va-se um homem, por um ou mais dias, 21para andar</p><p>as ruas do povoado, com uma matraca na mão.</p><p>De quando em quando tocava a matraca, reunia-</p><p>-se gente, 22e ele anunciava o que lhe incumbiam, –</p><p>um remédio para sezões, umas terras lavradias, um</p><p>soneto, um donativo eclesiástico, a melhor tesoura</p><p>da vila, o mais belo discurso do ano etc. O sistema</p><p>tinha inconvenientes para a paz pública; mas era</p><p>conservado pela grande energia de divulgação que</p><p>possuía. Por exemplo, um dos vereadores, – aquele</p><p>justamente que mais se opusera à criação da Casa</p><p>Verde, – desfrutava a reputação de perfeito edu-</p><p>cador de cobras e macacos, e aliás nunca domes-</p><p>ticara um só desses bichos; mas, tinha o cuidado</p><p>de fazer trabalhar a matraca todos os meses. 23E</p><p>dizem as crônicas que algumas pessoas afirmavam</p><p>ter visto cascavéis dançando no peito do vereador;</p><p>afirmação perfeitamente falsa, mas só devida à ab-</p><p>soluta confiança no sistema. 24Verdade, verdade,</p><p>nem todas as instituições do antigo regime mere-</p><p>ciam o desprezo do nosso século.</p><p>– Há melhor do que anunciar a minha ideia, é pra-</p><p>ticá-la, respondeu o alienista à insinuação do boti-</p><p>cário.</p><p>E o boticário, não divergindo sensivelmente deste</p><p>modo de ver, disse-lhe que sim, que era melhor co-</p><p>meçar pela execução.</p><p>25– Sempre haverá tempo de a dar à matraca, con-</p><p>cluiu ele.</p><p>Simão Bacamarte refletiu ainda um instante, e dis-</p><p>se:</p><p>– Suponho o espírito humano uma vasta concha, o</p><p>meu fim, Sr. Soares, é ver se posso extrair a pérola,</p><p>que é a razão; por outros termos, demarquemos</p><p>definitivamente os limites da razão e da loucura. A</p><p>razão é o perfeito equilíbrio de todas as faculda-</p><p>des; fora daí insânia, insânia e só insânia.</p><p>O Vigário Lopes, a quem ele confiou a nova teoria,</p><p>declarou lisamente que não 26chegava a entendê-</p><p>-la, que era uma obra absurda, e, se não era ab-</p><p>surda, era de tal modo colossal que não merecia</p><p>princípio de execução.</p><p>– Com a definição atual, que é a de todos os tem-</p><p>pos, acrescentou, a loucura e a razão estão perfei-</p><p>tamente delimitadas. Sabe-se onde uma acaba e</p><p>onde a outra começa. Para que transpor a cerca?</p><p>27Sobre o lábio fino e discreto do alienista roçou a</p><p>vaga sombra de uma intenção de riso, em que o</p><p>desdém vinha casado à 28comiseração; mas nenhu-</p><p>ma palavra saiu de suas egrégias entranhas.</p><p>A ciência contentou-se em estender a mão à teolo-</p><p>gia, – com tal segurança, que a teologia não soube</p><p>enfim se devia crer em si ou na outra. Itaguaí e o</p><p>universo à beira de uma revolução.</p><p>ASSIS, Machado de. O Alienista. Biblioteca Virtual do Estudan-</p><p>te Brasileiro / USP. Disponível em: <http://www.dominiopubli-</p><p>co.gov.br/pesquisa/DetalheObraForm.do?select_action=&co_</p><p>obra=1939>. Acesso em: 12/08/2019.</p><p>“Crispim empalideceu. Que negócio importante</p><p>podia ser, se não alguma notícia da comitiva, e es-</p><p>pecialmente da mulher? Porque este tópico deve</p><p>ficar claramente definido, visto insistirem nele os</p><p>cronistas;” (ref. 3)</p><p>A oração “visto insistirem nele os cronistas’’</p><p>a) evidencia que o narrador inventou completa-</p><p>mente a história do alienista.</p><p>b) indica que o autor, Machado de Assis, baseou-</p><p>-se em cronistas da época para elaborar o conto O</p><p>Alienista.</p><p>c) anuncia que os temores de Crispim foram abor-</p><p>dados de forma superficial pelos cronistas.</p><p>22</p><p>d) mostra que o narrador do conto se baseou nas</p><p>crônicas da cidade de Itaguaí para contar a história</p><p>de Simão Bacamarte.</p><p>e) revela que o conto O Alienista se encontra nas</p><p>crônicas de época de Itaguaí.</p><p>37. (FUVEST/2020)</p><p>Cantiga de enganar</p><p>(...)</p><p>O mundo não tem sentido.</p><p>O mundo e suas canções</p><p>de timbre mais comovido</p><p>estão calados, e a fala</p><p>que de uma para outra sala</p><p>ouvimos em certo instante</p><p>é silêncio que faz eco</p><p>e que volta a ser silêncio</p><p>no negrume circundante.</p><p>Silêncio: que quer dizer?</p><p>Que diz a boca do mundo?</p><p>Meu bem, o mundo é fechado,</p><p>se não for antes vazio.</p><p>O mundo é talvez: e é só.</p><p>Talvez nem seja talvez.</p><p>O mundo não vale a pena,</p><p>mas a pena não existe.</p><p>Meu bem, façamos de conta.</p><p>De sofrer e de olvidar,</p><p>de lembrar e de fruir,</p><p>de escolher nossas lembranças</p><p>e revertê-las, acaso</p><p>se lembrem demais em nós.</p><p>Façamos, meu bem, de conta</p><p>– mas a conta não existe –</p><p>que é tudo como se fosse,</p><p>ou que, se fora, não era.</p><p>(...)</p><p>Carlos Drummond de Andrade, Claro Enigma.</p><p>Em Claro Enigma, a ideia de engano surge sob a</p><p>perspectiva do sujeito maduro, já afastado das ilu-</p><p>sões, como se lê no verso-síntese “Tu não me en-</p><p>ganas, mundo, e não te engano a ti.” (“Legado”). O</p><p>excerto de “Cantiga de enganar” apresenta a rela-</p><p>ção do eu com o mundo mediada</p><p>a) pela música, que ressoa em canções líricas.</p><p>b) pela cor, brilhante na claridade solar.</p><p>c) pela afirmação de valores sólidos.</p><p>d) pela memória, que corre fluida no tempo.</p><p>e) pelo despropósito de um faz-de-conta.</p><p>38. (UFRGS/2017)</p><p>Leia o poema José, de Carlos Drummond de</p><p>Andrade.</p><p>E agora, José?</p><p>A festa acabou,</p><p>a luz apagou,</p><p>o povo sumiu,</p><p>a noite esfriou,</p><p>e agora, José?</p><p>e agora, você?</p><p>Você que é sem nome,</p><p>que zomba dos outros,</p><p>Você que faz versos,</p><p>que ama, protesta?</p><p>e agora, José?</p><p>Está sem mulher,</p><p>está sem discurso,</p><p>está sem carinho,</p><p>já não pode beber,</p><p>já não pode fumar,</p><p>cuspir já não pode,</p><p>a noite esfriou,</p><p>o dia não veio,</p><p>o bonde não veio,</p><p>o riso não veio,</p><p>não veio a utopia</p><p>e tudo acabou</p><p>e tudo fugiu</p><p>e tudo mofou,</p><p>e agora, José?</p><p>(...)</p><p>Se você gritasse,</p><p>se você gemesse,</p><p>se você tocasse,</p><p>a valsa vienense,</p><p>se você dormisse,</p><p>se você cansasse,</p><p>se você morresse....</p><p>Mas você não morre,</p><p>você é duro, José!</p><p>Sozinho no escuro</p><p>qual bicho-do-mato,</p><p>sem teogonia,</p><p>sem parede nua</p><p>para se encostar,</p><p>sem cavalo preto</p><p>que fuja a galope,</p><p>você marcha, José!</p><p>José, para onde?</p><p>23</p><p>Assinale a alternativa correta sobre o poema.</p><p>a) O diálogo com José, interlocutor, pode ser lido</p><p>como uma forma de o sujeito-lírico refletir</p><p>sobre o</p><p>desamparo existencial.</p><p>b) O poema em versos curtos apresenta o caminho</p><p>para superação dos impasses de José.</p><p>c) As repetições indicam a monotonia da existên-</p><p>cia do trabalhador comum, José, em crise com sua</p><p>condição operária.</p><p>d) O sujeito-lírico, na ausência de respostas, não</p><p>consegue decifrar para onde José marcha, embora</p><p>este saiba seu caminho.</p><p>e) A expressão “e agora, José?” põe em relevo a</p><p>indignação do sujeito-lírico com seu interlocutor,</p><p>incapaz de se definir.</p><p>39. (UNIFESP/2007)</p><p>Leia versos da primeira e da quarta estrofe de po-</p><p>ema de Hilda Hilst, publicados no livro Do desejo</p><p>em 1992.</p><p>I</p><p>Porque há desejo em mim, é tudo cintilância.</p><p>Antes, o cotidiano era um pensar alturas</p><p>Buscando Aquele Outro decantado</p><p>Surdo à minha humana ladradura.</p><p>Visgo e suor, pois nunca se faziam.</p><p>Hoje, de carne e osso, laborioso, lascivo</p><p>Tomas-me o corpo. E que descanso me dás</p><p>Depois das lidas. Sonhei penhascos</p><p>Quando havia o jardim aqui ao lado.</p><p>Pensei subidas onde não havia rastros.</p><p>IV</p><p>... Por que não posso</p><p>Pontilhar de inocência e poesia</p><p>Ossos, sangue, carne, o agora</p><p>E tudo isso em nós que se fará disforme?</p><p>Leia a Entrevista de Adélia Prado, em “O coração</p><p>disparado”, para responder.</p><p>Um homem do mundo me perguntou:</p><p>O que você pensa de sexo?</p><p>Uma das maravilhas da criação, eu respondi.</p><p>Ele ficou atrapalhado, porque confunde as coisas</p><p>E esperava que eu dissesse maldição,</p><p>Só porque antes lhe confiara: o destino do homem</p><p>é a santidade.</p><p>Comparando os poemas de Adélia Prado e de Hil-</p><p>da Hilst, pode-se afirmar que sexo, para o eu-lírico</p><p>de cada um deles, representa, respectivamente</p><p>a) maldição e inocência.</p><p>b) confusão e poesia.</p><p>c) santidade e poesia.</p><p>d) maldição e poesia.</p><p>e) poesia e santidade.</p><p>40. (PUCCAMP/2017)</p><p>José de Alencar retratou o seu herói goitacá em</p><p>prosa, a exemplo do que o escocês Walter Scott</p><p>havia feito com os cavaleiros medievais na célebre</p><p>novela Ivanhoé. Para evocar um mítico passado na-</p><p>cional, na falta dos briosos cavaleiros medievais de</p><p>Scott, o índio seria o modelo de que Alencar lança-</p><p>ria mão. (...) O índio entrara como tema na literatu-</p><p>ra universal por influência das ideias dos filósofos</p><p>iluministas e especialmente, da obra de Jean-Jac-</p><p>ques Rousseau (...). As teses de Rousseau sobre o</p><p>“bom selvagem”, por sua vez, bebiam na fonte das</p><p>narrativas de viajantes do século XVI, os primei-</p><p>ros europeus que haviam colocado os pés no chão</p><p>americano. Foram esses viajantes os responsáveis</p><p>pela propagação do juízo de que, do outro lado do</p><p>oceano, existia um povo feliz, vivendo sem lei nem</p><p>rei (...).</p><p>(NETO, Lira. O inimigo do Rei. Uma biografia de José de Alencar.</p><p>São Paulo: Globo, 2006. p. 166-167)</p><p>A afirmação de que José de Alencar valeu-se do</p><p>modelo heroico dos cavaleiros medievais para</p><p>compor personagens de cunho nacionalista fez</p><p>com que concebesse e apresentasse Peri, protago-</p><p>nista de O Guarani, como um</p><p>a) autêntico guerreiro goitacá.</p><p>b) explorador aliado do colonizador.</p><p>c) nativo com qualidades aristocráticas.</p><p>d) lacaio valente de um nobre português.</p><p>e) pajé dotado de poderes sobrenaturais.</p><p>pratos</p><p>da gastronomia local, com destaque para a porção</p><p>de camarão e de peixe frito, sempre acompanhado</p><p>de um chope gelado. Este, inclusive é um dos pro-</p><p>gramas mais populares entre os manezinhos que,</p><p>frequentemente, se encontram no local para cur-</p><p>tir uma tarde animada com muito samba e pago-</p><p>de, discutir política, jogar dominó ou apenas bater</p><p>papo com os amigos e conhecidos.</p><p>Dizem que o Mercado Público é um dos espaços</p><p>mais democráticos da Ilha, talvez pelo fato de reu-</p><p>nir em um só endereço artistas, políticos, boêmios</p><p>e pessoas simples, sem distinção. O vão do Mer-</p><p>cado Público também é usado para apresentações</p><p>folclóricas. Em uma visita ao local, o visitante pode</p><p>se deparar com boi de mamão, maricota, maracatu</p><p>e muitas outras expressões da cultura regional.</p><p>Fonte: Guia Floripa. Disponível em <http://www.guiafloripa.com.</p><p>br/turismo/patrimonio/mercado.php3>. Acesso em: 19. jul. 2010</p><p>Ao ler “Mercado Público”, pode-se dizer que</p><p>a) no texto, o termo “manezinhos”, refere-se àque-</p><p>les visitantes que vêm do interior para visitar o</p><p>Mercado Público e a capital do Estado.</p><p>b) segundo o texto, a gastronomia do Mercado Pú-</p><p>blico Municipal de Florianópolis destina-se a deli-</p><p>ciar exclusivamente os visitantes.</p><p>c) a expressão “um dos espaços mais democráti-</p><p>cos da Ilha” equivale, em termos de sentido, a “um</p><p>dos espaços insulares mais democráticos”.</p><p>d) o texto destaca-se pela quantidade de informa-</p><p>ções que apresenta sobre o Mercado Público. Uma</p><p>dessas informações é a existência de um ‘palco’ no</p><p>vão central para manifestações populares.</p><p>e) pela descrição do texto, pode-se afirmar que o</p><p>Mercado Público Municipal constitui-se de um cen-</p><p>tro comercial, gastronômico, político, cultural e de</p><p>lazer. Essas condições, no entanto, impedem que</p><p>ele seja considerado como um patrimônio históri-</p><p>co.</p><p>4. (G1 - EPCAR – CPCAR/2019 - Adaptada)</p><p>Rap: uma linguagem dos guetos</p><p>Entre as vozes que se cruzam na cacofonia urbana</p><p>da sociedade globalizada, há uma que se sobres-</p><p>sai pela sua radicalidade marginal: o rap. A moder-</p><p>na tradição negra dos guetos norte-americanos é,</p><p>hoje, cantada pelos jovens das periferias de todos</p><p>os quadrantes do globo. Mas diferentemente das</p><p>estereotipias produzidas pela nação hegemônica e</p><p>difundidas em escala planetária, a cultura hip-hop</p><p>costuma ser assimilada como uma fala histórica</p><p>essencialmente crítica por uma juventude com tão</p><p>escassas vias de fuga ao sempre igual. Quando,</p><p>por exemplo, jovens de uma favela brasileira incor-</p><p>poram esta linguagem tornada universal, por mais</p><p>que a sua realidade seja diferente daquela dos mar-</p><p>ginalizados do país de origem, a forma permanece</p><p>associada a um conteúdo crítico – uma visão de</p><p>mundo subalterna e frequentemente subversiva.</p><p>1O rap é hoje uma forma de expressão comunitá-</p><p>ria, por meio da qual se comunicam e afirmam sua</p><p>identidade habitantes dos morros e comunidades</p><p>populares. /.../</p><p>O surgimento do movimento hip-hop nos remete</p><p>ao contexto no qual estavam inseridos os Estados</p><p>Unidos dos anos 60 e 70, no auge da Guerra Fria.</p><p>Foram anos de tensão e muita agitação política. 2O</p><p>descontentamento popular com a guerra do Vietnã</p><p>5</p><p>somava-se à pressão das comunidades negras se-</p><p>gregadas, 3submetidas a leis similares às do apar-</p><p>theid sul-africano. O clima de revolta e inconfor-</p><p>mismo tomava conta dos guetos negros.</p><p>/.../</p><p>Na trilha da agitação política ocorriam inovações</p><p>culturais. Nos guetos, o que se ouvia era o soul,</p><p>que foi importante para a organização e conscien-</p><p>tização daquela população. /.../ No mesmo perío-</p><p>do surge uma variedade de outros ritmos, como</p><p>o funk, marcados por pancadas poderosas que</p><p>causavam estranhamento aos brancos, letras que</p><p>invocavam a valorização da cultura negra e 4de-</p><p>nunciavam as condições às quais eram submetidas</p><p>as populações dos guetos. O soul e o funk foram</p><p>as bases musicais que permitiram o surgimento do</p><p>rap, que virá a ser um dos elementos do movimen-</p><p>to hip-hop.</p><p>5Por essa época ou um pouco antes, jovens negros</p><p>já dançavam [o break] nas ruas ao som do soul e</p><p>do funk de uma forma inovadora, executando pas-</p><p>sos que lembravam ao mesmo tempo uma luta e os</p><p>movimentos de um robô. /.../</p><p>Finalmente, 6além da música e da dança, propaga-</p><p>va-se pelos guetos, ainda, o hábito de desenhar e</p><p>escrever em muros e paredes. /.../ Nesse contexto</p><p>de efervescência político-cultural, grafiteiros, bre-</p><p>akers e rappers começaram a se reunir para realizar</p><p>eventos juntos, 7afinal suas artes estavam relacio-</p><p>nadas a uma experiência comum, a 8cultura de rua.</p><p>/.../</p><p>9Por volta de 1982, o rap chegou ao Brasil, fixando-</p><p>-se, sobretudo, em São Paulo. /.../</p><p>Nos últimos anos da década de 90, o rap brasilei-</p><p>ro ultrapassou os limites da periferia dos grandes</p><p>centros e chegou à classe média. /.../ 10O rap de</p><p>caráter mais comercial passou então a ser ampla-</p><p>mente difundido pelo país, ao mesmo tempo em</p><p>que, em sua forma marginal, a linguagem continua-</p><p>va a se desenvolver nos espaços populares.</p><p>Há que se destacar o caráter inovador do rap na-</p><p>cional, que reelabora, de forma criadora, a partir</p><p>de tradições populares brasileiras, a linguagem dos</p><p>guetos norte-americanos, mesclando o ritmo do</p><p>Bronx a gêneros como o samba e a embolada.</p><p>/.../</p><p>Não se trata, no entanto, de idealizar o hip-hop</p><p>como forma de conhecimento. 11O movimento, se-</p><p>guramente, não é homogêneo: possui tendências</p><p>mais ou menos politizadas, mais ou menos enga-</p><p>jadas e críticas. Há, por assim dizer, uma vertente</p><p>cuja tônica é a denúncia, a agitação e o protesto.</p><p>Outra, espontânea, sem uma linha política coeren-</p><p>te e definida. 12E outra ainda, talvez hegemônica, já</p><p>assimilada pelo mercado, que reproduz o modelo</p><p>de comportamento, aspirações e ideais dominan-</p><p>tes (consumismo, individualismo e exaltação da</p><p>vida privada), como a maioria das canções ditas</p><p>“de massa”.</p><p>(COUTINHO, Eduardo Granja, ARAÚJO, Marianna. Rap: uma lin-</p><p>guagem dos guetos. In: PAIVA, Raquel, TUZZO, Simone Antoniaci</p><p>(Orgs.). Comunidade, mídia e cidade: possibilidades comunitárias</p><p>na cidade hoje. Goiânia: FIC/UFG, 2014.)</p><p>Considerando o contexto em que foi empregada, a</p><p>expressão “cultura de rua” (ref. 8) pode ser defini-</p><p>da como</p><p>a) conjunto de ritmos musicais típicos dos guetos</p><p>negros dos anos de 1960 e 1970.</p><p>b) dança apresentada nas ruas, cujos movimentos</p><p>lembram os passos de um robô.</p><p>c) conjunto de artes (música, dança e grafite) que</p><p>se expressa no espaço público, na rua.</p><p>d) linguagem artística que mistura vários ritmos,</p><p>como o funk, o samba e a embolada.</p><p>e) mainstream, bastante ouvida pela burguesia e</p><p>pelos chamados hipsters.</p><p>5. (ENEM – PPL/2016)</p><p>Argumento</p><p>Tá legal</p><p>Eu aceito o argumento</p><p>Mas não me altere o samba tanto assim</p><p>Olha que a rapaziada está sentindo a falta</p><p>De um cavaco, de um pandeiro e de um tamborim</p><p>Sem preconceito</p><p>Ou mania de passado</p><p>Sem querer ficar do lado</p><p>De quem não quer navegar</p><p>Faça como o velho marinheiro</p><p>Que durante o nevoeiro</p><p>Leva o barco devagar.</p><p>PAULINHO DA VIOLA. Disponível em: www.paulinhodaviola.com.</p><p>br. Acesso em: 6 dez. 2012.</p><p>Na letra da canção, percebe-se uma interlocução.</p><p>A posição do emissor é conciliatória entre as tradi-</p><p>ções do samba e os movimentos inovadores desse</p><p>ritmo. A estratégia argumentativa de concessão,</p><p>nesse cenário, é marcada no trecho</p><p>a) “Mas não me altere o samba tanto assim”.</p><p>b) “Olha que a rapaziada está sentindo a falta”.</p><p>c) “Sem preconceito / Ou mania de passado”.</p><p>d) “Sem querer ficar do lado / De quem não quer</p><p>navega”.</p><p>e) “Leva o barco devagar”.</p><p>6</p><p>6. (ENEM PPL/2016)</p><p>É uma partida de futebol</p><p>A bandeira no estádio é um estandarte</p><p>A flâmula pendurada na parede do quarto</p><p>O distintivo na camisa do uniforme</p><p>Que coisa linda é uma partida de futebol</p><p>Posso morrer pelo meu time</p><p>Se ele perder, que dor, imenso crime</p><p>Posso chorar se ele não ganhar</p><p>Mas se ele ganha, não adianta</p><p>Não há garganta que não pare de berrar</p><p>REIS, N; ROSA. 5. Samba poconé. São Paulo: Sony,</p><p>1996 (fragmento).</p><p>No Brasil, além de um esporte de competição, o</p><p>futebol é um</p><p>meio de interação social que desperta</p><p>paixão nas pessoas. No trecho da letra da canção,</p><p>esse esporte é apresentado como um(a)</p><p>a) modalidade esportiva técnica.</p><p>b) forma de controle da violência.</p><p>c) esporte organizado com regras.</p><p>d) elemento da identidade nacional.</p><p>e) fator de alienação social do povo.</p><p>7. (UFU/2015 - Adaptada)</p><p>Acender as velas</p><p>Zé Keti (1965).</p><p>Acender as velas</p><p>Já é profissão</p><p>Quando não tem samba</p><p>Tem desilusão</p><p>É mais um coração</p><p>Que deixa de bater</p><p>Um anjo vai pro céu</p><p>Deus me perdoe</p><p>Mas vou dizer</p><p>O doutor chegou tarde demais</p><p>Porque no morro</p><p>Não tem automóvel pra subir</p><p>Não tem telefone pra chamar</p><p>E não tem beleza pra se ver</p><p>E a gente morre sem querer morrer.</p><p>Disponível em: http://letras.mus.br/ze-keti/197272/</p><p>Ao ler a canção, pode-se inferir que</p><p>a) este samba, gravado em 1965, quando o Brasil</p><p>vivia sob a ditadura de Getúlio Vargas, se utiliza</p><p>da simbologia das velas acesas para denunciar de</p><p>forma metafórica a morte prematura de crianças</p><p>da periferia.</p><p>b) este samba, gravado em 1965, quando o Brasil</p><p>vivia sob o regime da ditadura militar, denuncia em</p><p>suas estrofes ritmadas o abandono e o descaso do</p><p>poder público com a saúde de crianças pobres dos</p><p>morros e favelas.</p><p>c) neste samba, Zé Keti, aproveitando-se do fim da</p><p>censura às artes com a extinção da ditadura mili-</p><p>tar em 1965, faz uma crítica severa às políticas de</p><p>saúde no Brasil, bem como a dramática morte de</p><p>crianças faveladas.</p><p>d) neste samba, Zé Keti já alertava, em 1965, em</p><p>pleno governo de Juscelino Kubitschek, para os</p><p>graves problemas da saúde no Brasil, principal-</p><p>mente em morros e favelas cariocas.</p><p>e) neste samba, Zé Keti compõe uma letra comple-</p><p>tamente despreocupada com qualquer ideal, as-</p><p>sim, não faz referência qualquer a nenhum período</p><p>histórico.</p><p>8. (EFOMM/2018)</p><p>O homem deve reencontrar o Paraíso...</p><p>Rubem Alves</p><p>Era uma família grande, todos amigos. Viviam</p><p>como todos nós: moscas presas na enorme teia de</p><p>aranha que é a vida da cidade. Todos os dias a ara-</p><p>nha que é a vida da cidade. Todos os dias a aranha</p><p>lhes arrancava um pedaço. Ficaram cansados. Re-</p><p>solveram mudar de vida: um sonho louco: navegar!</p><p>Um barco, o mar, o céu, as estrelas, os horizontes</p><p>sem fim: liberdade. Venderam o que tinham, com-</p><p>praram um barco capaz de atravessar mares e so-</p><p>breviver tempestades.</p><p>Mas para navegar não basta sonhar. É preciso sa-</p><p>ber. São muitos os saberes necessários para se na-</p><p>vegar. Puseram-se então a estudar cada um aquilo</p><p>que teria de fazer no barco: manutenção do casco,</p><p>instrumentos de navegação, astronomia, meteoro-</p><p>logia, as velas, as cordas, as polias e roldanas, os</p><p>mastros, o leme, os parafusos, o motor, o radar, o</p><p>rádio, as ligações elétricas, os mares, os mapas...</p><p>Disse cero o poeta: Navegar é preciso, a ciência da</p><p>navegação é saber preciso, exige aparelhos, nú-</p><p>meros e medições. Barcos se fazem com precisão,</p><p>astronomia se aprende com o rigor da geometria,</p><p>7</p><p>velas se fazem com saberes exatos sobre tecidos,</p><p>cordas e ventos, instrumentos de navegação não</p><p>informam mais ou menos. Assim, eles se tornaram</p><p>cientistas, especialistas, cada um na sua – juntos</p><p>para navegar.</p><p>Chegou então o momento de grande decisão –</p><p>para onde navegar. Um sugeria as geleiras do sul do</p><p>Chile, outro os canais dos fiordes da Noruega, um</p><p>outro queria conhecer os exóticos mares e praias</p><p>das ilhas do Pacífico, e houve mesmo quem quises-</p><p>se navegar nas rotas de Colombo. E foi então que</p><p>compreenderam que, quando o assunto era a es-</p><p>colha do destino, as ciências que conheciam para</p><p>nada serviam.</p><p>De nada valiam, tabelas, gráficos, estatísticas. Os</p><p>computadores, coitados, chamados a dar seu pal-</p><p>pite, ficaram em silêncio. Os computadores não</p><p>têm preferências – falta-lhes essa sutil capacidade</p><p>de gostar, que é a essência da vida humana. Per-</p><p>guntados sobre o porto de sua escolha, disseram</p><p>que não entendiam a pergunta, que não lhes im-</p><p>portava para onde se estava indo.</p><p>Se os barcos se fazem com ciência, a navegação fa-</p><p>z-se com sonhos. Infelizmente a ciência, utilíssima,</p><p>especialista em saber como as coisas funcionam,</p><p>tudo ignora sobre o coração humano. É preciso</p><p>sonhar para se decidir sobre o destino da navega-</p><p>ção. Mas o coração humano, lugar dos sonhos, ao</p><p>contrário da ciência, é coisa preciosa. Disse certo</p><p>poeta: Viver não é preciso. Primeiro vem o impreci-</p><p>so desejo. Primeiro vem o impreciso desejo de na-</p><p>vegar. Só depois vem a precisa ciência de navegar.</p><p>Naus e navegação têm sido uma das mais pode-</p><p>rosas imagens na mente dos poetas. Ezra Pound</p><p>inicia seus Cânticos dizendo: E pois com a nau no</p><p>mar/ assestamos a quilho contra as vagas... Cecília</p><p>Meireles: Foi, desde sempre, o mar! A solidez da</p><p>terra, monótona/ parece-nos fraca ilusão! Quere-</p><p>mos a ilusão do grande mar / multiplicada em suas</p><p>malhas de perigo. E Nietzsche: Amareis a terra de</p><p>vossos filhos, terra não descoberta, no mar mais</p><p>distante. Que as vossas velas não se cansem de</p><p>procurar esta terra! O nosso leme nos conduz para</p><p>a terra dos nossos filhos... Viver é navegar no gran-</p><p>de mar!</p><p>Não só os poetas: C. Wright Mills, um sociólogo sá-</p><p>bio, comparou a nossa civilização a uma galera que</p><p>navega pelos mares. Nos porões estão os remado-</p><p>res. Remam com precisão cada vez maior. A cada</p><p>novo dia recebem novos, mais perfeitos. O ritmo da</p><p>remadas acelera. Sabem tudo sobre a ciência do</p><p>remar. A galera navega cada vez mais rápido. Mas,</p><p>perguntados sobre o porto do destino, respondem</p><p>os remadores: O porto não nos importa. O que im-</p><p>portada é a velocidade com que navegamos.</p><p>C Wright Mills usou esta metáfora para descrever</p><p>a nossa civilização por meio duma imagem plásti-</p><p>ca: multiplicam-se os meios técnicos e científicos</p><p>ao nosso dispor, que fazem com que as mudanças</p><p>sejam cada vez mais rápidas; mas não temos ideia</p><p>alguma de para onde navegamos. Para onde? So-</p><p>mente um navegador louco ou perdido navegaria</p><p>sem ter ideia do para onde. Em relação à vida da</p><p>sociedade, ela contém a busca de uma utopia. Uto-</p><p>pia, na linguagem comum, é usada como sonho im-</p><p>possível de ser realizado. Mas não é isso. Utopia é</p><p>um ponto inatingível que indica uma direção.</p><p>Mário Quintana explicou a utopia com um verso: Se</p><p>as coisas são inatingíveis... ora!/ não é um motivo</p><p>para não querê-las... Que tristes os caminho, se não</p><p>fora/ A mágica presença das estrelas! Karl Man-</p><p>nheim, outro sociólogo sábio que poucos leem, já</p><p>na década de 1920 diagnosticava a doença da nos-</p><p>sa civilização: Não temos consciência de direções,</p><p>não escolhemos direções. Faltam-nos estrelas que</p><p>nos indiquem o destino.</p><p>Hoje, ele dizia, as únicas perguntas que são feitas,</p><p>determinadas pelo pragmatismo da tecnologia (o</p><p>importante é produzir o objeto) e pelo objetivis-</p><p>mo da ciência (o importante é saber como funcio-</p><p>na), são: Como posso fazer tal coisa? Como posso</p><p>resolver este problema concreto em particular? E</p><p>conclui: E em todas essas perguntas sentimos o</p><p>eco intimista: não preciso de me preocupar com o</p><p>todo, ele tomará conta de si mesmo.</p><p>Em nossas escolas é isso que se ensina: a preci-</p><p>sa ciência da navegação, sem que os estudantes</p><p>sejam levados a sonhar com as estrelas. A nau na-</p><p>vega veloz e sem rumo. Nas universidades, essa</p><p>doença assume a forma de peste epidêmica: cada</p><p>especialista se dedica com paixão e competência,</p><p>a fazer pesquisas sobre o seu parafuso, sua polia,</p><p>sua vela, seu mastro.</p><p>Dizem que seu dever é produzir conhecimento. Se</p><p>8</p><p>forem bem-sucedidas, suas pesquisas serão publi-</p><p>cadas em revistas internacionais. Quando se lhes</p><p>pergunta: Para onde seu barco está navegando?,</p><p>eles respondem: Isso não é científico. Os sonhos</p><p>não são objetos de conhecimento científico.</p><p>E assim ficam os homens comuns abandonados</p><p>por aqueles que, por conhecerem mares e estrelas,</p><p>lhes poderiam mostrar o rumo. Não posso pensar</p><p>a missão das escolas, começando com as crianças</p><p>e continuando com os cientistas, como outra que</p><p>não a da realização do dito poeta: Navegar é preci-</p><p>so. Viver não é preciso.</p><p>É necessário ensinar os precisos saberes</p><p>da nave-</p><p>gação enquanto ciência. Mas é necessário apontar</p><p>com imprecisos sinais para os destinos da navega-</p><p>ção: A terra dos filhos dos meus filhos, no mar dis-</p><p>tante... Na verdade, a ordem verdadeira é a inversa.</p><p>Primeiro, os homens sonham com navegar. Depois</p><p>aprendem a ciência da navegação. É inútil ensinar</p><p>a ciência da navegação a quem mora nas monta-</p><p>nhas.</p><p>O meu sonho para a educação foi dito por Bache-</p><p>lard: O universo tem um destino de felicidade. O</p><p>homem deve reencontrar o Paraíso. O paraíso é o</p><p>jardim, lugar de felicidade, prazeres e alegrias para</p><p>os homens e mulheres. Mas há um pesadelo que</p><p>me atormenta: o deserto. Houve um momento em</p><p>que se viu, por entre as estrelas, um brilho chama-</p><p>do progresso. Está na bandeira nacional... E, qui-</p><p>lha contra as vagas, a galera navega em direção</p><p>ao progresso, a uma velocidade cada vez maior, e</p><p>ninguém questiona a direção. E é assim que as flo-</p><p>restas são destruídas, os rios se transformam em</p><p>esgotos de fezes e veneno, o ar se enche de gases,</p><p>os campos se cobrem de lixo – e tudo ficou feio e</p><p>triste.</p><p>Sugiro aos educadores que pensem menos nas</p><p>tecnologias do ensino – psicologias e quinquilha-</p><p>rias – e tratem de sonhar, com os seus alunos, so-</p><p>nhos de um Paraíso.</p><p>Obs.: O texto foi adaptado às regras do Novo Acor-</p><p>do Ortográfico.</p><p>No remate do texto, o autor insinua que as tecno-</p><p>logias de ensino com que tanto de preocupam os</p><p>educadores devem ser</p><p>a) ignoradas.</p><p>b) idealizadas.</p><p>c) desprezadas.</p><p>d) relativizadas.</p><p>e) glorificadas.</p><p>9. (ENEM LIBRAS/2017)</p><p>Essa tirinha revela que um dos impactos sociais</p><p>provenientes do uso das Tecnologias de Informa-</p><p>ção e Comunicação tem como consequência o(a)</p><p>a) falta de percepção da realidade.</p><p>b) crítica da sociedade aos poderes midiáticos.</p><p>c) contestação das informações disponibilizadas.</p><p>d) questionamento sobre a reputação das grandes</p><p>mídias.</p><p>e) indignação do telespectador com os meios de</p><p>comunicação.</p><p>10. (G1 – CFTMG/2017 - Adaptada)</p><p>O Facebook é, de longe, a maior rede da história</p><p>da humanidade. Nunca existiu, antes, um lugar</p><p>onde bilhão de pessoas se reunissem – e milhões</p><p>entrassem todo santo dia (só no Brasil, milhões).</p><p>Metade de todas as pessoas com acesso à internet,</p><p>no mundo, entra no Facebook pelo menos uma vez</p><p>por mês. Ele tem mais adeptos do que a maior das</p><p>religiões (a católica, com bilhão de fiéis), e mais</p><p>usuários do que a internet inteira tinha dez anos</p><p>atrás. Em suma: é o meio de comunicação mais</p><p>poderoso do nosso tempo, e tem mais alcance do</p><p>que qualquer coisa que já tenha existido. A maior</p><p>parte das pessoas o adora, não consegue conce-</p><p>9</p><p>ber a vida sem ele. Também pudera: o Facebook</p><p>é ótimo. Nos aproxima dos nossos amigos, ajuda</p><p>a conhecer gente nova e acompanhar o que está</p><p>acontecendo nos nossos grupos sociais. Mas essa</p><p>história também tem um lado ruim. Novos estudos</p><p>estão mostrando que o uso frequente do Facebook</p><p>produz alterações físicas no cérebro. Quando esta-</p><p>mos nele, ficamos mais impulsivos, mais narcisis-</p><p>tas, mais desatentos e menos preocupados com os</p><p>sentimentos dos outros. E, de quebra, mais infeli-</p><p>zes.</p><p>SANTI, A. Superinteressante, ed. 348, jun. 2015. Disponível em:</p><p><http://super.abril.com.br/tecnologia/>. Acesso em: 27 de set.</p><p>2016. (Fragmento).</p><p>O modo como o texto apresenta e organiza as in-</p><p>formações permite inferir seu objetivo de</p><p>a) destacar os efeitos negativos da rede social.</p><p>b) questionar os benefícios das novas tecnologias.</p><p>c) apresentar dados quantitativos sobre o Face-</p><p>book.</p><p>d) manifestar opiniões pessoais sobre o mundo vir-</p><p>tual.</p><p>e) informar somente os benefícios do Facebook.</p><p>11. (EBMSP/2017)</p><p>Um novo app promete usar a tecnologia para apro-</p><p>ximar médicos e pacientes. Batizado de Docpad,</p><p>o aplicativo criado por brasileiros foi lançado no</p><p>começo do mês.</p><p>Quem quiser usar o Docpad deve informar dados,</p><p>como tipo sanguíneo e plano de saúde. Após o ca-</p><p>dastro inicial, o usuário pode usar seu perfil para</p><p>salvar e compartilhar exames, criar uma lista de</p><p>médicos de sua confiança e marcar consultas com</p><p>profissionais que também usem o aplicativo.</p><p>“Nossa ideia era criar um app que ajudasse as pes-</p><p>soas a cuidar da saúde de amigos e familiares”,</p><p>explicou em entrevista a EXAME.com o diretor de</p><p>tecnologia da ThinkTank, startup que está por trás</p><p>do app.</p><p>BRASILEIROS criam app que aproximam médicos e pacientes.</p><p>Disponível em: <http://exame.abril.com.br/tecnologia/noticias/</p><p>brasileiros-criam-app-que-aproxima-medicos-e-pacientes>.</p><p>Acesso em: 23 set. 2016.</p><p>Da leitura do texto, é correto afirmar que as novas</p><p>tecnologias de informação e comunicação permi-</p><p>tem que as pessoas</p><p>a) possam acompanhar, de forma mais sistemática,</p><p>a sua saúde, tendo acesso mais rápido e prático</p><p>aos seus médicos e seus exames.</p><p>b) tenham maior possibilidade de estar atentas ao</p><p>bem-estar de seus familiares, por meio de um con-</p><p>tato direto com os profissionais que os assistem.</p><p>c) se aproximem mais dos especialistas de sua</p><p>confiança, podendo tirar dúvidas e conferir os ser-</p><p>viços oferecidos em seu plano de assistência médi-</p><p>co-hospitalar, sem sair de casa.</p><p>d) compartilhem os resultados das investigações a</p><p>que foram submetidas, e até mesmo o tipo sanguí-</p><p>neo nas redes sociais, para que sejam orientadas</p><p>quanto aos melhores tratamentos e a quem podem</p><p>recorrer.</p><p>e) socializem com sua rede de amigos uma lista</p><p>de personagens renomadas na área médica e de</p><p>sistemas de saúde que são considerados os mais</p><p>atualizados.</p><p>12. (UCPEL/2017)</p><p>Médico debocha de paciente na internet e é de-</p><p>mitido Pacientes e internautas ficaram indignados</p><p>com a postura do funcionário Um médico planto-</p><p>nista do hospital público Santa Rosa de Lima, ad-</p><p>ministrado pela Santa Casa de Serra Negra, em São</p><p>Paulo, foi afastado do trabalho após ter uma foto</p><p>divulgada em seu Facebook em que debocha de</p><p>um paciente que não falou corretamente as pala-</p><p>vras “pneumonia” e “Raio-X” em uma consulta.</p><p>O médico em questão publicou em sua rede social</p><p>a imagem de um receituário em que se lê: “Não</p><p>existe peleumonia e nem raôxis”. A postagem foi</p><p>comentada pelas funcionárias do hospital, que</p><p>também foram demitidas.</p><p>O Conselho Regional de Medicina de São Paulo</p><p>(Cremesp) informou que vai instaurar uma sindi-</p><p>cância para avaliar a postura do profissional.</p><p>O caso ganhou repercussão depois que a denún-</p><p>cia foi publicada na coluna “Comentando”, e outros</p><p>pacientes e internautas ficaram indignados com a</p><p>postura do clínico geral. A diretoria do Hospital</p><p>Santa Rosa de Lima publicou uma nota em que re-</p><p>pudia o comportamento dos ex-funcionários.</p><p>Texto adaptado. Disponível em: <http://noticias.band.uol.com.br/</p><p>cidades/noticia/100000816630/medico-debocha-depaciente-</p><p>-na-internet-e-e-demitido-de-hospital.html>. Acesso em: 07 nov.</p><p>2016.</p><p>10</p><p>A língua varia no tempo, no espaço e em diferentes</p><p>classes socioculturais, assim, a atitude do médico</p><p>demonstra</p><p>a) o preconceito racial.</p><p>b) a importância do estudo da língua.</p><p>c) o preconceito linguístico.</p><p>d) a importância da linguagem coloquial.</p><p>e) o preconceito pela classe social prestigiada.</p><p>13. (UNESP/2018)</p><p>Leia o trecho do livro Bem-vindo ao deserto do</p><p>real!, de Slavoj Žižek, para responder à(s) ques-</p><p>tão(ões) a seguir.</p><p>Numa antiga anedota que circulava na hoje fale-</p><p>cida República Democrática Alemã, um operário</p><p>alemão consegue um emprego na Sibéria; sabendo</p><p>que toda correspondência será lida pelos censores,</p><p>ele combina com os amigos: “Vamos combinar um</p><p>código: se uma carta estiver escrita em tinta azul,</p><p>o que ela diz é verdade; se estiver escrita em tinta</p><p>vermelha, tudo é mentira.” Um mês depois, os ami-</p><p>gos recebem uma carta escrita em tinta azul: “Tudo</p><p>aqui é maravilhoso: as lojas vivem cheias, a comida</p><p>é abundante, os apartamentos são grandes e bem</p><p>aquecidos, os cinemas exibem filmes do Ocidente,</p><p>há muitas garotas, sempre prontas para um progra-</p><p>ma – o único senão é que não se consegue encon-</p><p>trar tinta vermelha.” Neste caso, a estrutura é mais</p><p>refinada do que indicam as aparências: apesar de</p><p>não ter como usar o código combinado para indi-</p><p>car que tudo o que está dito é mentira, mesmo as-</p><p>sim ele consegue passar a mensagem. Como? Pela</p><p>introdução da referência ao código, como um de</p><p>seus elementos, na própria mensagem codificada.</p><p>(Bem-vindo ao deserto do real!, 2003.)</p><p>A “introdução da referência ao código, como um</p><p>de seus elementos, na própria mensagem codifica-</p><p>da” constitui um exemplo de</p><p>a) eufemismo.</p><p>b) metalinguagem.</p><p>c) intertextualidade.</p><p>d) hipérbole.</p><p>e) pleonasmo.</p><p>14. (UFJF-PISM/2017)</p><p>Texto I</p><p>A televisão</p><p>(Arnaldo Antunes, Marcelo Fromer e Tony Belloto)</p><p>A televisão</p><p>Me deixou burro</p><p>Muito burro demais</p><p>Oh! Oh! Oh!</p><p>Agora todas coisas</p><p>Que eu penso</p><p>Me parecem iguais</p><p>Oh! Oh! Oh!</p><p>O sorvete me deixou gripado</p><p>Pelo resto da vida</p><p>E agora toda noite</p><p>Quando deito</p><p>É boa noite, querida</p><p>Oh! Cride, fala pra mãe</p><p>Que eu nunca li num livro</p><p>Que o espirro</p><p>Fosse um vírus sem cura</p><p>Vê se me entende</p><p>Pelo menos uma vez</p><p>Criatura!</p><p>Oh! Cride, fala pra mãe!</p><p>A mãe diz pra eu fazer</p><p>Alguma coisa</p><p>Mas eu não faço nada</p><p>Oh! Oh! Oh!</p><p>A luz do sol me incomoda</p><p>Então deixa</p><p>A cortina fechada</p><p>Oh! Oh! Oh!</p><p>É que a televisão</p><p>Me deixou burro</p><p>Muito burro demais</p><p>E agora eu vivo</p><p>Dentro dessa jaula</p><p>Junto dos animais</p><p>Oh! Cride, fala pra mãe</p><p>Que tudo que a antena captar</p><p>Meu coração captura</p><p>Vê se me entende</p><p>Pelo menos uma vez</p><p>Criatura!</p><p>Oh! Cride, fala pra mãe!</p><p>Titãs. Televisão. Lp. Gravadora WEA, 1985.</p><p>Texto II</p><p>Estorvo (fragmento)</p><p>Vejo tumulto defronte ao edifício do meu amigo.</p><p>Aglomeração, um camburão, duas joaninhas, um</p><p>rabecão, vários carros de reportagem, guardas des-</p><p>viando o trânsito. No meio do povo, compreendo</p><p>que houve um crime, alguém morreu esfaqueado</p><p>e estrangulado. Vem chegando a sirene de um se-</p><p>gundo camburão, e o empurra-empurra acaba por</p><p>11</p><p>me levar ao miolo do acontecimento. Uma corda</p><p>vermelha isola a calçada do velho prédio, forman-</p><p>do uma espécie de ringue. A televisão entrevista</p><p>o zelador sob a marquise da portaria. Deve estar</p><p>ruim de filmar, pois o zelador olha para o chão e</p><p>não fala direito, parece um condenado. Penso que</p><p>é ele o criminoso, mas em seguida me convenço</p><p>de que está somente muito envergonhado pelo seu</p><p>edifício. O repórter pergunta se a vítima costumava</p><p>receber rapazes, e o zelador faz sim com a cabe-</p><p>ça, mais confessando que assentindo. A entrevista</p><p>é prejudicada por uma baixinha com cara de ín-</p><p>dia e lenço na cabeça, que se desvencilha de um</p><p>policial e investe contra o zelador, gritando “diga</p><p>que conhece meu filho, miserável!”. O policial le-</p><p>vanta a índia baixinha e deposita-a fora do cordão</p><p>de isolamento. Ela passa outra vez sob o cordão e</p><p>agora se dirige ao público. Diz “não tem televisão</p><p>aí?” e diz “ninguém vai me entrevistar?”. Um rapaz</p><p>que se apresenta como repórter do Diário Vigilante</p><p>pergunta o que fazia o suspeito no local do crime.</p><p>Ela diz “que suspeito o quê” e “que local do cri-</p><p>me o quê”, e diz “meu filho veio me ver, foi detido</p><p>entrando no prédio, se fosse suspeito estaria fu-</p><p>gindo”, e diz “onde é que já se viu suspeito fugir</p><p>para dentro?”. Sem mais nem mais, começo a ficar</p><p>a favor da mãe índia. O do Diário Vigilante vai fa-</p><p>zer outra pergunta, mas ela o interrompe e diz que</p><p>trabalha no 204 há quinze anos, que todo mundo</p><p>sabe quem ela é, que aquele miserável ali conhece</p><p>o filho dela e não o defende porque tem precon-</p><p>ceito de cor. Vai atacar de novo o zelador, mas é</p><p>suspensa pelo policial. Outro repórter de tevê in-</p><p>daga ao zelador se a vítima era homossexual. O</p><p>zelador resmunga “isso aí eu não sei porque nunca</p><p>vi”. A índia responde à Rádio Primazia que pren-</p><p>deram o filho porque ele estava sem documento.</p><p>Diz “meu filho estava voltando da praia, não é cri-</p><p>me ir na praia, ninguém vai na praia com carteira</p><p>de trabalho metida no calção”. Um sujeito atrás de</p><p>mim diz que também é de jornal e pergunta “afi-</p><p>nal a bichona era artista ou o quê?”. Ela responde</p><p>“a bichona sei lá, parece que era professor de gi-</p><p>nástica”. Aproxima-se o repórter da TV Promontó-</p><p>rio dizendo “ouvimos também a mãe do principal</p><p>suspeito”. Aí a índia perde a razão, agarra as lape-</p><p>las do repórter e desata a chorar no microfone e</p><p>berrar “ele não é criminoso!, meu filho é um moço</p><p>decente!”, mas o cameraman, que está trepado no</p><p>capô da camionete, grita “não valeu, não gravou</p><p>nada, troca a bateria!”. A índia para de chorar, olha</p><p>para o setor da imprensa e diz “imagine meu filho,</p><p>que até é doente, estrangulando um professor de</p><p>ginástica”. Volta o repórter da TV Promontório e</p><p>pede-lhe para repetir a fala anterior, que ele achou</p><p>bem forte.</p><p>BUARQUE, Chico. Estorvo. São Paulo: Cia. das Letras, 1991.</p><p>Os textos I e II possibilitam a reflexão sobre a TV</p><p>como meio de comunicação. Os enfoques de cada</p><p>um desses textos são, respectivamente, sobre:</p><p>a) a recepção e a produção.</p><p>b) o canal e o referente.</p><p>c) o código e a mensagem.</p><p>d) o sinal e a recepção.</p><p>e) o símbolo e a entrevista.</p><p>15. (ENEM-PPL/2016)</p><p>Baião é um ritmo popular da Região Nordeste do</p><p>Brasil, derivado de um tipo de lundu, denomina-</p><p>do “baiano”, cujo nome é corruptela. Nasceu sob</p><p>a influência do cantochão, canto litúrgico da Igre-</p><p>ja Católica praticado pelos missionários, e tornou-</p><p>-se expressiva forma modificada pela inconsciente</p><p>influência de manifestações locais. Um dos gran-</p><p>des sucessos veio com a música homônima, Baião</p><p>(1946), de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira.</p><p>CASCUDO, C. Dicionário do folclore brasileiro. Rio de Janeiro:</p><p>Ediouro, 1998 (adaptado).</p><p>Os elementos regionais que influenciaram cultural-</p><p>mente o baião aparecem em outras formas artísti-</p><p>cas e podem ser verificados na obra</p><p>a)</p><p>b)</p><p>c)</p><p>12</p><p>d)</p><p>e)</p><p>16. (ENEM/2011)</p><p>A dança é um importante componente cultural da</p><p>humanidade. O folclore braseiro é rico em danças</p><p>que representam as tradições e a cultura de várias</p><p>regiões do país. Estão ligadas aos aspectos religio-</p><p>sos, festas, lendas, fatos históricos, acontecimentos</p><p>do cotidiano e brincadeiras e caracterizam-se pe-</p><p>las músicas animadas (com letras simples e popu-</p><p>lares), figurinos e cenários representativos.</p><p>SECRETARIA DA EDUCAÇÃO. Proposta Curricular do Estado de</p><p>São Paulo, Educação Física. São Paulo, 2009 (adaptado).</p><p>A dança, como manifestação e representação da</p><p>cultura rítmica, envolve a expressão corporal pró-</p><p>pria de um povo. Considerando-a como elemento</p><p>folclórico, a dança revela</p><p>a) manifestações afetivas, históricas, ideológicas,</p><p>intelectuais e espirituais de um povo, refletindo seu</p><p>modo de expressar-se no mundo.</p><p>b) aspectos eminentemente afetivos, espirituais e</p><p>de entretenimento de um povo, desconsiderando</p><p>fatos históricos.</p><p>c) acontecimentos do cotidiano, sob influência mi-</p><p>tológica e religiosa de cada região, sobrepondo as-</p><p>pectos políticos.</p><p>d) tradições culturais de cada região, cujas mani-</p><p>festações rítmicas são classificadas em um ranking</p><p>das mais originais.</p><p>e) lendas, que se sustentam em inverdades históri-</p><p>cas. uma vez que são inventadas, e servem apenas</p><p>para a vivência lúdica de um povo.</p><p>17. (G1 – CMRJ/2018)</p><p>Na linguagem não verbal do cartaz, a representa-</p><p>ção dos quatro animais que formam as principais</p><p>fontes de proteína da alimentação tem a intenção</p><p>de</p><p>a) disfarçar a verdadeira aparência deles.</p><p>b) caracterizá-los como seres sem emoções.</p><p>c) provocar efeito de humor a partir da imagem.</p><p>d) apresentá-los como o mesmo produto de con-</p><p>sumo.</p><p>e) sugerir a modernidade e os avanços obtidos no</p><p>projeto.</p><p>18. (UEPB/2013)</p><p>A charge de Lila pode ser compreendida como um</p><p>discurso dialógico que</p><p>a) representa uma perspectiva equivocada sabre a</p><p>manutenção da reserva florestal no Brasil.</p><p>b) simplifica a temática ambiental sobre a polêmi-</p><p>ca do novo código florestal.</p><p>c) critica a atitude humana em relação à preserva-</p><p>ção florestal do território brasileiro.</p><p>d) humoriza o tema do novo código florestal em</p><p>relação à exploração da vegetação no mundo in-</p><p>teiro.</p><p>e) defende, por meio da linguagem</p><p>não verbal, as</p><p>garantias do direito à propriedade rural.</p><p>13</p><p>19. (UFPE/2005)</p><p>TEXTO 1</p><p>A língua do Brasil amanhã</p><p>Ouvimos com frequência opiniões alarmantes a</p><p>respeito do futuro da nossa língua. Às vezes se diz</p><p>que ela vai simplesmente desaparecer, em bene-</p><p>fício de outras línguas supostamente expansionis-</p><p>tas (em especial o inglês, atual candidato número</p><p>um a língua universal); ou que vai se misturar com</p><p>o espanhol, formando o “portunhol”; ou, simples-</p><p>mente, que vai se corromper pelo uso da gíria e das</p><p>formas populares de expressão (do tipo: o casaco</p><p>que cê ia sair com ele tá rasgado). Aqui pretendo</p><p>trazer uma opinião mais otimista: a nossa língua,</p><p>estou convencido, não está em perigo de desapa-</p><p>recimento, muito menos de mistura. Por outro lado</p><p>(e não é possível agradar a todos), acredito que</p><p>nossa língua está mudando, e certamente não será</p><p>a mesma.</p><p>O que é que poderia ameaçar a integridade ou a</p><p>existência da nossa língua? Um dos fatores, fre-</p><p>quentemente citado, é a influência do inglês - o</p><p>mundo de empréstimos que andamos fazendo</p><p>para nos expressarmos sobre certos assuntos.</p><p>Não se pode negar que o fenômeno existe; o que</p><p>mais se faz hoje em dia é surfar, deletar ou tratar</p><p>do marketing. Mas isso não significa o desapareci-</p><p>mento da língua portuguesa. Empréstimos são um</p><p>fato da vida, e sempre existiram. Hoje pouca gente</p><p>sabe disso, mas avalanche, alfaiate, tenor e pingue-</p><p>-pongue são palavras de origem estrangeira; hoje</p><p>já se naturalizaram, e certamente ninguém vê ame-</p><p>aça nelas.</p><p>Quero dizer que não há o menor sintoma de que os</p><p>empréstimos estrangeiros estejam causando lesões</p><p>na língua portuguesa; a maioria, aliás, desaparece</p><p>em pouco tempo, e os que ficam se assimilam. O</p><p>português, como toda língua, precisa crescer para</p><p>dar conta das novidades sociais, tecnológicas e cul-</p><p>turais; para isso, pode aceitar empréstimos - ravióli,</p><p>ioga, chucrute, balé - e também pode (e com maior</p><p>frequência) criar palavras a partir de seus próprios</p><p>recursos - como computador, ecologia, poluição -</p><p>ou estender o uso de palavras antigas a novos sig-</p><p>nificados - executivo ou celular, que significam hoje</p><p>coisas que não significavam há vinte anos.</p><p>Mas isso não quer dizer que a língua esteja em pe-</p><p>rigo. Está só mudando, como sempre mudou, se</p><p>não ainda estaríamos falando latim. Achar que a</p><p>mudança da língua é um perigo é como achar que</p><p>o bebê está “em perigo” de crescer.</p><p>Não estamos em perigo de ver nossa língua sub-</p><p>mergida pela maré de empréstimos ingleses. A lín-</p><p>gua está aí, inteira: a estrutura gramatical não mu-</p><p>dou, a pronúncia é ainda inteiramente nossa, e o</p><p>vocabulário é mais de 99% de fabricação nacional.</p><p>Uma atitude mais construtiva é, pois, reconhecer</p><p>os fatos, aceitar nossa língua como ela é, e des-</p><p>frutar dela em toda a sua riqueza, flexibilidade, ex-</p><p>pressividade e malícia.</p><p>(Mário A. Perini. A língua do Brasil amanhã e outros mistérios. São</p><p>Paulo: Parábola Editorial, 2004, pp. 11-24. Adaptado).</p><p>TEXTO 2</p><p>Não há dúvida que as línguas se aumentam e al-</p><p>teram com o tempo e as necessidades dos usos e</p><p>costumes. Querer que a nossa pare no século de</p><p>quinhentos é um erro igual ao de afirmar que a sua</p><p>transplantação para a América não lhe inseriu ri-</p><p>quezas novas. A esse respeito, a influência do povo</p><p>é decisiva. Há, portanto, certos modos de dizer, lo-</p><p>cuções novas, que de força entram no domínio do</p><p>estilo e ganham direito de cidade.</p><p>Mas isto é um fato incontestável, e se é verdadeiro</p><p>o princípio que dele se deduz, não me parece acei-</p><p>tável a opinião que admite todas as alterações da</p><p>linguagem, ainda aquelas que destroem as leis da</p><p>sintaxe e a essencial pureza do idioma. A influência</p><p>popular tem um limite; e o escritor não está obri-</p><p>gado a receber e a dar curso a tudo o que o abuso,</p><p>o capricho e a moda inventam e fazem correr. Pelo</p><p>contrário, ele exerce também uma grande parte de</p><p>influência a este respeito, depurando a linguagem</p><p>do povo e aperfeiçoando-lhe a razão.</p><p>Feitas as exceções devidas, não se leem muito os</p><p>clássicos no Brasil. Entre as exceções, poderia eu</p><p>citar até alguns escritores cuja opinião é diversa da</p><p>minha neste ponto, mas que sabem perfeitamente</p><p>os clássicos. Em geral, porém, não se leem, o que é</p><p>um mal. Escrever como Azurara ou Fernão Mendes</p><p>seria hoje um anacronismo insuportável. Cada tem-</p><p>po tem seu estilo.</p><p>(Machado de Assis)</p><p>Pela compreensão global do texto, podemos admi-</p><p>tir, como conclusão geral, que</p><p>a) existem línguas passíveis de serem assimiladas e</p><p>de se tornarem línguas universais.</p><p>b) a influência do inglês é frequentemente reco-</p><p>nhecida como fator de mudança.</p><p>c) são inconsistentes as previsões negativas acerca</p><p>do futuro da língua portuguesa.</p><p>d) o fenômeno dos empréstimos linguísticos se na-</p><p>turaliza e pode passar despercebido.</p><p>e) o latim teria sobrevivido historicamente, se fosse</p><p>uma língua mais rica, mais flexível e expressiva.</p><p>14</p><p>20. (UEG GO/2018 - Adaptada)</p><p>O mundo como pode ser: uma outra globalização</p><p>Podemos pensar na construção de um outro mun-</p><p>do a partir de uma globalização mais humana. As</p><p>bases materiais do período atual são, entre outras,</p><p>a unicidade da técnica, a convergência dos mo-</p><p>mentos e o conhecimento do planeta. É nessas</p><p>bases técnicas que o grande capital se apoia para</p><p>construir uma globalização perversa. Mas essas</p><p>mesmas bases técnicas poderão servir a outros ob-</p><p>jetivos, se forem postas a serviço de outros funda-</p><p>mentos sociais e políticos. Parece que as condições</p><p>históricas do fim do século XX apontavam para esta</p><p>última possibilidade. Tais novas condições tanto se</p><p>dão no plano empírico quanto no plano teórico.</p><p>Considerando o que atualmente se verifica no pla-</p><p>no empírico, podemos, em primeiro lugar, reconhe-</p><p>cer um certo número de fatos novos indicativos</p><p>da emergência de uma nova história. O primeiro</p><p>desses fenômenos é a enorme mistura de povos,</p><p>raças, culturas, gostos, em todos os continentes.</p><p>A isso se acrescente, graças ao progresso da in-</p><p>formação, a “mistura” de filosofia, em detrimento</p><p>do racionalismo europeu. Um outro dado de nossa</p><p>era, indicativo da possibilidade de mudanças, é a</p><p>produção de uma população aglomerada em áreas</p><p>cada vez menores, o que permite um ainda maior</p><p>dinamismo àquela mistura entre pessoas e filoso-</p><p>fias. As massas, de que falava Ortega y Gasset na</p><p>primeira metade do século (A rebelião das mas-</p><p>sas, 1937), ganham uma nova qualidade em virtude</p><p>de sua aglomeração exponencial e de sua diversi-</p><p>ficação. Trata-se da existência de uma verdadeira</p><p>sociodiversidade, historicamente muito mais sig-</p><p>nificativa que a própria biodiversidade. Junte-se a</p><p>esses fatos a emergência de uma cultura popular</p><p>que se serve dos meios técnicos antes exclusivos</p><p>da cultura de massas, permitindo-lhe exercer sobre</p><p>esta última uma verdadeira revanche ou vingança.</p><p>É sobre tais alicerces que se edifica o discurso da</p><p>escassez, afinal descoberta pelas massas. A popu-</p><p>lação, aglomerada em poucos pontos da superfície</p><p>da Terra, constitui uma das bases de reconstrução</p><p>e de sobrevivência das relações locais, abrindo a</p><p>possiblidade de utilização, ao serviço dos homens,</p><p>do sistema técnico atual.</p><p>No plano teórico, o que verificamos é a possiblida-</p><p>de de produção de um novo discurso, de uma nova</p><p>metanarrativa, um grande relato. Esse novo discur-</p><p>so ganha relevância pelo fato de que, pela primei-</p><p>ra vez na história do homem, se pode constatar a</p><p>existência de uma universalidade empírica. A uni-</p><p>versalidade deixa de ser apenas uma elaboração</p><p>abstrata na mente dos filósofos para resultar da</p><p>experiência ordinária de cada pessoa. De tal modo,</p><p>em mundo datado como o nosso, a explicação do</p><p>acontecer pode ser feita a partir de categorias de</p><p>uma história concreta. É isso, também, que permi-</p><p>te conhecer as possiblidade existentes e escrever</p><p>uma nova história.</p><p>SANTOS, Milton. Por uma outra globali-zação. 13. ed. São Paulo:</p><p>Record, 2006. p. 20-21. (Adaptado).</p><p>O processo argumentativo do texto é construído</p><p>de modo que</p><p>a) são expostas, de forma detalhada, duas</p><p>conse-</p><p>quências econômicas de um determinado modelo</p><p>de organização de produção.</p><p>b relata-se o conjunto de ações desenvolvidas por</p><p>uma instituição pública como fundamento e justifi-</p><p>cativa de um projeto de lei.</p><p>c) elabora-se um quadro comparativo, no qual se</p><p>apresentam a aproximação e os contrastes de dois</p><p>tipos de pesquisa social.</p><p>d) faz-se a explanação dos dados de um relatório</p><p>técnico-científico de uma pesquisa desenvolvida</p><p>por dois cientistas sociais.</p><p>e) são apresentadas, de forma paralela, duas di-</p><p>mensões teórico-conceituais como argumentos</p><p>em defesa de uma tese.</p><p>21. (G1 – CPS/2017 - Adaptada)</p><p>Um patrimônio cultural é uma referência para um</p><p>grupo de pessoas.</p><p>No Brasil, o Instituto do Patrimônio Histórico e Ar-</p><p>tístico Nacional (IPHAN), órgão do Ministério da</p><p>Cultura, é um dos organismos que identificam es-</p><p>ses referenciais – que podem ser materiais ou não</p><p>– e também os divulgam, por meio de ações que</p><p>possibilitam o reconhecimento e a preservação de</p><p>tais referenciais.</p><p>No ano de 2010, o IPHAN registrou como patrimô-</p><p>nio imaterial o sistema de agricultura do Alto Rio</p><p>Negro, na região amazônica, reconhecendo assim</p><p>os saberes de mais de vinte povos indígenas sobre</p><p>as formas apropriadas de cultivo e manejo flores-</p><p>tal.</p><p>A difusão desses conhecimentos é fundamental</p><p>para que a sociedade brasileira possa aprender a</p><p>desenvolver atividades agrícolas menos danosas</p><p>ao meio ambiente.</p><p>De acordo com o texto, é possível inferir que</p><p>a) o sistema agrícola do Alto Rio Negro permitiu a</p><p>conservação de áreas de mata nativa da caatinga</p><p>brasileira, constantemente ameaçadas por inunda-</p><p>ções.</p><p>b) o registro desses conhecimentos indígenas</p><p>como patrimônio e a sua divulgação possibilitam o</p><p>aprendizado e a prática de técnicas agrícolas sus-</p><p>tentáveis.</p><p>15</p><p>c) as tecnologias de agricultura sustentável de ex-</p><p>portação foram implantadas a partir dos conheci-</p><p>mentos desses povos indígenas do Centro-Sul do</p><p>Brasil.</p><p>d) os conhecimentos agrícolas dos povos indí-</p><p>genas do Maranhão, registrados há décadas pelo</p><p>IPHAN, permitiram conter o desmatamento da flo-</p><p>resta amazônica.</p><p>e) o IPHAN reconheceu como danosas à natureza</p><p>as práticas agrícolas realizadas nas últimas déca-</p><p>das pelos povos indígenas do Alto Rio Negro, re-</p><p>comendando a adoção de outras.</p><p>22. (ENEM/2011)</p><p>Guardar</p><p>Guardar uma coisa não é escondê-la ou trancá-la.</p><p>Em cofre não se guarda coisa alguma.</p><p>Em cofre perde-se a coisa à vista.</p><p>Guardar uma coisa é olhá-la, fitá-la, mirá-la por</p><p>admirá-la, isto é, iluminá-la ou ser por ela ilumina-</p><p>do.</p><p>Guardar uma coisa é vigiá-la, isto é, fazer vigília por</p><p>ela, isto é, velar por ela, isto é, estar acordado por</p><p>ela,</p><p>isto é, estar por ela ou ser por ela.</p><p>Por isso melhor se guarda o voo de um pássaro</p><p>Do que um pássaro sem voos.</p><p>Por isso se escreve, por isso se diz, por isso se pu-</p><p>blica,</p><p>por isso se declara e declama um poema:</p><p>Para guardá-lo:</p><p>Para que ele, por sua vez, guarde o que guarda:</p><p>Guarde o que quer que guarda um poema:</p><p>Por isso o lance do poema:</p><p>Por guardar-se o que se quer guardar.</p><p>MACHADO, G. In: MORICONI, I. (org.). Os cem melhores poemas</p><p>brasileiros do século. Rio de Janeiro: Objetiva, 2001.</p><p>A memória é um importante recurso do patrimô-</p><p>nio cultural de uma nação. Ela está presente nas</p><p>lembranças do passado e no acervo cultural de um</p><p>povo. Ao tratar o fazer poético corno uma das ma-</p><p>neiras de se guardar o que se quer, o texto</p><p>a) ressalta a importância dos estudos históricos</p><p>para a construção da memória social de um povo.</p><p>b) valoriza as lembranças individuais em detrimen-</p><p>to das narrativas populares ou coletivas.</p><p>c) reforça a capacidade da literatura em promover</p><p>a subjetividade e os valores humanos.</p><p>d) destaca a importância de reservar o texto literá-</p><p>rio àqueles que possuem maior repertório cultural.</p><p>e) revela a superioridade da escrita poética como</p><p>forma ideal de preservação da memória cultural.</p><p>23. (FUVEST/2020)</p><p>Os textos literários são obras de discurso, a que</p><p>falta a imediata referencialidade da linguagem cor-</p><p>rente; poéticos, abolem, “destroem” o mundo cir-</p><p>cundante, cotidiano, graças à função irrealizante</p><p>da imaginação que os constrói. E prendem-nos na</p><p>teia de sua linguagem, a que devem o poder de</p><p>apelo estético que nos enleia; seduz-nos o mun-</p><p>do outro, irreal, neles configurado (...). No entanto,</p><p>da adesão a esse “mundo de papel”, quando re-</p><p>tornamos ao real, nossa experiência, ampliada e</p><p>renovada pela experiência da obra, à luz do que</p><p>nos revelou, possibilita redescobri-lo, sentindo-o</p><p>e pensando-o de maneira diferente e nova. A ilu-</p><p>são, a mentira, o fingimento da ficção, aclara o real</p><p>ao desligar-se dele, transfigurando-o; e aclara-o já</p><p>pelo insight que em nós provocou.</p><p>Benedito Nunes, “Ética e leitura”, de Crivo de Papel.</p><p>O argumento de Benedito Nunes, em torno da na-</p><p>tureza artística da literatura, leva a considerar que</p><p>a obra só assume função transformadora se</p><p>a) estabelece um contraponto entre a fantasia e o</p><p>mundo.</p><p>b) utiliza a linguagem para informar sobre o mun-</p><p>do.</p><p>c) instiga no leitor uma atitude reflexiva diante do</p><p>mundo.</p><p>d) oferece ao leitor uma compensação anestesian-</p><p>te do mundo.</p><p>e) conduz o leitor a ignorar o mundo real.</p><p>24. (G1 – IFPE/2017)</p><p>UM DOADOR UNIVERSAL</p><p>Tomo um táxi e mando tocar para o hospital do</p><p>Ipase. Vou visitar um amigo que foi operado. O mo-</p><p>torista volta-se para mim:</p><p>- O senhor não está doente e agora não é hora de</p><p>visita. Por acaso é médico? Ultimamente ando sen-</p><p>tindo um negócio esquisito aqui no lombo...</p><p>- Não sou médico.</p><p>Ele deu uma risadinha.</p><p>- Ou não quer dar uma consulta de graça, hein,</p><p>doutor? É isso mesmo, deixa para lá. Para dizer a</p><p>verdade, não tem cara de médico. Vai doar sangue.</p><p>- Quem, eu?</p><p>- O senhor mesmo, quem havia de ser? Não tem</p><p>mais ninguém aqui.</p><p>- Tenho cara de quem vai doar sangue?</p><p>- Para doar sangue não precisa ter cara, basta ter</p><p>sangue. O senhor veja o meu caso, por exemplo.</p><p>Sempre tive vontade de doar sangue. E doar mes-</p><p>16</p><p>mo de graça, ali no duro. Deus me livre de vender</p><p>meu próprio sangue: não paguei nada por ele. Es-</p><p>cuta aqui uma coisa, quer saber o que mais, vou</p><p>doar meu sangue e é já.</p><p>Deteve o táxi à porta do hospital, saltou ao mesmo</p><p>tempo que eu, foi entrando:</p><p>- E é já. Esse negócio tem de ser assim: a gente</p><p>sente vontade de fazer uma coisa, pois então faz e</p><p>acabou-se. Antes que seja tarde: acabo desperdi-</p><p>çando esse sangue meu por aí, em algum desastre.</p><p>Ou então morro e ninguém aproveita. Já imaginou</p><p>quanto sangue desperdiçado por aí nos que mor-</p><p>rem?</p><p>- E nos que não morrem? - limitei-me a acrescentar.</p><p>- Isso mesmo. E nos que não morrem! Essa eu gos-</p><p>tei. Está se vendo que o senhor é moço distinto.</p><p>Olhe aqui uma coisa, não precisa pagar a corrida.</p><p>Deixei-me ficar, perplexo, na portaria (e ele tinha</p><p>razão, não era hora de visitas) enquanto uma se-</p><p>nhora reclamava seus serviços:</p><p>- Meu marido está saindo do hospital, não pode an-</p><p>dar direito...</p><p>- Que é que tem seu marido, minha senhora?</p><p>- Quebrou a perna.</p><p>- Então como é que a senhora queria que ele an-</p><p>dasse direito?</p><p>- Eu não queria. Isto é, queria... Por isso é que estou</p><p>dizendo - confundiu- se a mulher. - O seu táxi não</p><p>está livre?</p><p>- O táxi está livre, eu é que não estou. A senhora</p><p>vai me desculpar, mas vou doar sangue. Ou hoje</p><p>ou nunca.</p><p>E gritou para um enfermeiro que ia passando e que</p><p>nem o ouviu:</p><p>- Você aí, ô, branquinho, onde é que se doa sangue?</p><p>Procurei intervir:</p><p>- Atenda a freguesa... O marido dela...</p><p>- Já sei: quebrou a perna e não pode andar direito.</p><p>- Teve alta hoje. - acudiu a mulher, pressentindo</p><p>simpatia.</p><p>- Não custa nada – insisti. - Ele precisa de táxi. A</p><p>esta hora...</p><p>- Eu queria doar sangue - vacilou ele. - A gente não</p><p>pode nem fazer uma caridade, poxa!</p><p>- Deixa de fazer uma e faz outra, dá na mesma.</p><p>Pensou um pouco, acabou concordando:</p><p>- Está bem. Mas então faço o serviço completo: vai</p><p>de graça. Vamos embora. Cadê o capenga?</p><p>Afastou-se com a mulher, e em pouco passava de</p><p>novo por mim, ajudando-a</p><p>a amparar o marido, que</p><p>se arrastava, capengando.</p><p>- Vamos, velhinho: te aguenta aí. Cada uma!</p><p>Ainda acenou para mim, de longe, se despedindo.</p><p>SABINO, Fernando. Um doador universal. Disponível em: <<http://</p><p>www.otempo.com.br/opini%C3%A3o/fernando-sabino/fernando-</p><p>-sabino-um-doador-universal-1.538>>. Acesso: 08 maio 2017.</p><p>Em relação à linguagem, podemos afirmar que o</p><p>texto</p><p>a) embora se apresente escrito, possui uma lingua-</p><p>gem mais informal e próxima da oralidade, pouco</p><p>preocupada com a rigidez da norma culta.</p><p>b) foi escrito com total respeito à norma culta da</p><p>língua portuguesa, não sendo possível encontrar-</p><p>mos trechos em desacordo com as variedades de</p><p>prestígio.</p><p>c) embora apresente expressões coloquiais como</p><p>“capenga”, “de graça”, “no duro”, a abordagem do</p><p>assunto “doação de sangue” dá ao texto um tom</p><p>sóbrio e científico</p><p>d) apresenta uma linguagem técnica, porém, de fá-</p><p>cil compreensão, uma vez que associa elementos</p><p>coloquiais a termos formais no decorrer do texto.</p><p>e) expõe o preconceito linguístico praticado pelo</p><p>motorista ao chamar o passageiro de “moço dis-</p><p>tinto”, discriminando a variedade linguística falada</p><p>por ele.</p><p>25. (ENEM - PPL/2012)</p><p>Em 1697, publicou–se, em Lisboa, “A arte da língua</p><p>de Angola”, a mais antiga gramática de uma língua</p><p>banto, escrita na Bahia, para uso dos jesuítas, com</p><p>o objetivo de facilitar a doutrinação de negros an-</p><p>golanos. Os aportes bantos ou “bantuismos”, pa-</p><p>lavras africanas que se incorporaram à língua por-</p><p>tuguesa no Brasil, estão associados ao regime da</p><p>escravidão (senzala, mucama, banguê, quilombo).</p><p>A maioria dessas palavras está completamente in-</p><p>tegrada ao sistema linguístico do português brasi-</p><p>leiro, formando derivados da língua com base na</p><p>raiz banto (esmolambado, dengoso, sambista, xin-</p><p>gamento, mangação, molequeira, caçulinha, qui-</p><p>lombola).</p><p>CASTRO, Yeda P. de. Das línguas africanas ao português brasileiro.</p><p>Revista eletrônica do IPHAN. Dossiê Línguas do Brasil, nº 6 – jan/</p><p>fev. 2007. Disponível em: . Acesso em: 09 fev.2009 (adaptado).</p><p>Dado o fato histórico-linguístico de incorporação</p><p>de “bantuismos” na língua portuguesa, conclui-se</p><p>que</p><p>a) os grupos dominantes recusam a cultura de se-</p><p>tores menos favorecidos da sociedade.</p><p>b) a língua é um fenômeno orgânico e histórico</p><p>cuja dinâmica impossibilita seu controle.</p><p>c) os jesuítas foram os responsáveis pela difusão</p><p>da língua banto no Brasil.</p><p>d) o idioma dos escravos tinha prestígio social, a</p><p>ponto de merecer um estudo gramatical no século</p><p>XVII.</p><p>e) os vocábulos portugueses derivados das línguas</p><p>banto evidenciam a ocorrência de uma ruptura en-</p><p>tre essas línguas.</p><p>17</p><p>26. (UPE-SSA 3/2017)</p><p>Em 1971, Tonico e Tinoco elogiaram os militares,</p><p>cantando os versos “um governo varonil/vamos</p><p>pra frente Brasil”. Zezé di Camargo acusava os ser-</p><p>tanejos universitários de “mentira marqueteira”,</p><p>mas depois afirmou que não há diferença entre seu</p><p>estilo e o deles. Nelson Pereira dos Santos, pai do</p><p>Cinema Novo, dirigiu um filme sobre Milionário &</p><p>José Rico. O sertanejo Dalvan teve papel impor-</p><p>tante na primeira eleição de Lula como deputado</p><p>federal. Leandro, Leonardo e Sula Miranda apoia-</p><p>ram Collor quando a sociedade brasileira pedia seu</p><p>impeachment.</p><p>ALONSO, Gustavo. Cowboys do asfalto. Música sertaneja e mo-</p><p>dernização brasileira. Rio de Janeiro: Record, 2015.</p><p>O final do texto se remete a um período da história</p><p>recente do Brasil em que a música sertaneja ficou</p><p>marcada pela</p><p>a) crítica ao regime civil-militar que acabara de ser</p><p>destituído.</p><p>b) rejeição ao mundo rural, defendendo os benefí-</p><p>cios da urbanização.</p><p>c) defesa da modernização do Brasil, dando ênfase</p><p>às novas tecnologias.</p><p>d) associação com os grandes industriais paulistas</p><p>na promoção do gênero.</p><p>e) aliança com a política, apoiando um presidente</p><p>que viria a ser impedido pelo congresso.</p><p>27. (UERJ/2019 - Adaptada)</p><p>O álbum de músicas Tropicália ou Panis et circen-</p><p>sis foi lançado em 1968. A fotografia que estampou</p><p>sua capa foi realizada na casa de Oliver Perroy, fo-</p><p>tógrafo da Editora Abril, em São Paulo. Cada um</p><p>levou seus apetrechos, até um penico, comicamen-</p><p>te usado por Rogério Duprat como se fosse uma</p><p>xícara. A imagem ficou tão famosa que se tornou</p><p>uma espécie de cartão-postal do movimento tro-</p><p>picalista.</p><p>Adaptado de f508.com.br.</p><p>No contexto do final da década de 1960, o Tropica-</p><p>lismo, que causou polêmicas com produções como</p><p>a do álbum citado, tornou-se símbolo de</p><p>a) purismo estético</p><p>b) extremismo político</p><p>c) tradicionalismo artístico</p><p>d) experimentalismo cultural</p><p>e) mímese de outro movmento artístico</p><p>28. (UPE-SSA 1/ 2018 - Adaptada)</p><p>Observando os grafismos, é possível afirmar, com</p><p>toda certeza, que</p><p>a) não havia animais nesse período específico.</p><p>b) essas manifestações culturais não podem ser</p><p>consideradas arte.</p><p>c) nada sabemos sobre essas populações humanas.</p><p>d) inexistiam técnicas para produção de pigmen-</p><p>tos.</p><p>e) há grande relevância histórica e artística advin-</p><p>das deles.</p><p>29. (UPE-SSA 3/2017)</p><p>Essas duas importantes produções cinematográfi-</p><p>cas, Blade Runner (1982) e Brazil (1985), ícones da</p><p>visão de um mundo caótico, representam os ideais</p><p>do pensamento</p><p>a) utópico, por ser um objetivo desejado</p><p>b) distópico, por ser uma antítese da utopia</p><p>c) dialético, defendendo a luta de classes</p><p>d) fenomenológico, voltado aos estudos empíricos</p><p>e) existencial, em que o bem comum prevalece nas</p><p>relações sociais</p><p>18</p><p>30. (G1 – CFTMG/2017 - Adaptada)</p><p>A Pampulha se tornou Patrimônio Cultural da Hu-</p><p>manidade. A decisão foi tomada durante a 40ª ses-</p><p>são do Comitê do Patrimônio Mundial da Organi-</p><p>zação das Nações Unidas para a Educação, Ciência</p><p>e Cultura (UNESCO) em Istambul, na Turquia, em</p><p>julho de 2016.</p><p>Disponível em http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2016/07.</p><p>Acesso em 18 set. 2016.</p><p>A decisão da UNESCO sobre a Pampulha demons-</p><p>tra o(a)</p><p>a) apoio ao movimento artístico dos mineiros</p><p>b) valorização imobiliária da região da lagoa</p><p>c) influência da política cultural brasileira</p><p>d) importância da arquitetura modernista</p><p>e) relevância do local para o estado de Minas Ge-</p><p>rais</p><p>31. (ESPM-2017)</p><p>No ano de 1917, o evento artístico que mais reper-</p><p>cutiu e mais levantou questões quanto à necessi-</p><p>dade de uma revolução na arte e cultura brasilei-</p><p>ra, foi a nova exposição da pintora Anita Malfatti,</p><p>em São Paulo, no dia 12 de dezembro. A exposição</p><p>marcava o coroamento dos anos de estudo da pin-</p><p>tora pela Europa e Estados Unidos.</p><p>Francisco Alambert. A Semana de 1922: A Aventura</p><p>Modernista no Brasil.</p><p>Em cartaz entre 07/02/2017 e 30/04/2017, no MAM</p><p>(Museu de Arte Moderna), a mostra sobre Anita</p><p>Malfatti é uma homenagem ao centenário da polê-</p><p>mica exposição de 1917. Dividida em três núcleos, a</p><p>exposição reúne cerca de setenta obras, entre de-</p><p>senhos e pinturas, sendo que dez telas estavam na</p><p>exposição de 1917.</p><p>guia.folha.uol.com.br/exposições/2017/02.</p><p>A obra “O Farol” traz à tona as influências apren-</p><p>didas por Anita Malfatti durante o tempo em que</p><p>passou estudando na Alemanha.</p><p>A base dessas influências seria o</p><p>a) expressionismo</p><p>b) romantismo</p><p>c) surrealismo</p><p>d) cubismo</p><p>e) impressionismo</p><p>32. (G1 – IFCE/2014)</p><p>Estas mãos</p><p>Olha para estas mãos</p><p>de mulher roceira,</p><p>esforçadas mãos cavouqueiras.</p><p>Pesadas, de falanges curtas,</p><p>sem trato e sem carinho.</p><p>Ossudas e grosseiras.</p><p>(...) Mãos que varreram e cozinharam.</p><p>Lavaram e estenderam</p><p>roupas nos varais.</p><p>Pouparam e remendaram.</p><p>Mãos domésticas e remendonas.</p><p>Minhas mãos doceiras...</p><p>jamais ociosas.</p><p>Fecundas. Imensas e ocupadas.</p><p>Mãos laboriosas.</p><p>Abertas sempre para dar,</p><p>ajudar, unir e abençoar.</p><p>Mãos de semeador...</p><p>Afeitas à sementeira do trabalho</p><p>Caminheira de uma longa estrada.</p><p>[...]</p><p>(Cora Coralina – 1889-1985 – “Meu livro de cordel”)</p><p>19</p><p>A tirinha e o poema “Estas mãos”, embora perten-</p><p>çam a gêneros textuais diferentes, são semelhan-</p><p>tes no que se refere</p><p>a) à abordagem da mesma temática, ainda que</p><p>com diferentes intenções comunicativas.</p><p>b) às tarefas exercidas</p><p>pelas mãos femininas.</p><p>c) à redução do termo mão à questão do trabalho</p><p>doméstico.</p><p>d) à denúncia da exploração do trabalho domésti-</p><p>co feminino.</p><p>e) às mãos como conotação de pedido de casa-</p><p>mento.</p><p>33. (G1 – IFPE/2017)</p><p>DE ONDE VEM A EXPRESSÃO “SERÁ O BENEDI-</p><p>TO”?</p><p>De Minas, uai.</p><p>Em 1933, Getúlio Vargas estava indicando novos</p><p>governadores, e chefes políticos mineiros temiam</p><p>que o presidente nomeasse alguém indesejado.</p><p>Para não desagradar seus apoiadores, dizia-se que</p><p>o escolhido de Getúlio seria Benedito Valadares,</p><p>jornalista, político local e candidato neutro. Mui-</p><p>tos, surpresos com a provável escolha, que acabou</p><p>acontecendo, perguntavam-se: “Será o Benedito?”.</p><p>Assim, a questão ficou conhecida por expressar</p><p>contrariedade, surpresa, desalento e perplexidade</p><p>frente a acontecimentos inusitados.</p><p>MARQUES, E. De onde vem a expressão “Será o Benedito?”. Dis-</p><p>ponível em: <http://super.abril.com.br/blog/oraculo/de-onde-</p><p>-vem-a-expressao-sera-o-benedito/>. Acesso em: 09 maio 2017.</p><p>Os gêneros textuais apresentam finalidade comu-</p><p>nicativa e organização recorrentes. Podemos afir-</p><p>mar que o texto “De onde vem a expressão ‘será o</p><p>Benedito’?” consiste em um(a)</p><p>a) crônica, já que parte da narração e da descrição</p><p>de um fato para explicar o significado de uma pa-</p><p>lavra ou expressão.</p><p>b) artigo de opinião, já que o autor se utiliza de</p><p>estratégias argumentativas para explicar o sentido</p><p>de uma expressão.</p><p>c) notícia, uma vez que a tipologia narrativa é utili-</p><p>zada para explicar o sentido de uma expressão por</p><p>meio de uma história real.</p><p>d) verbete de dicionário, pois apresenta o conceito</p><p>ou significado de uma palavra ou expressão atra-</p><p>vés da tipologia injuntiva.</p><p>e) texto informativo, pois se utiliza principalmente</p><p>da tipologia expositiva para explicar o sentido de</p><p>uma palavra ou expressão.</p><p>34. (G1 – IFCE/2014)</p><p>Entendendo-se que os gêneros textuais são os</p><p>textos correntes na sociedade, no gênero aviso da</p><p>placa acima</p><p>a) a compreensão da mensagem foi totalmente</p><p>prejudicada por conta dos desvios gramaticais.</p><p>b) o termo “do zoto” corresponde ao “dos outros”,</p><p>reportando, assim, apenas a um desvio de concor-</p><p>dância entre artigo e substantivo.</p><p>c) caso permutasse a expressão jogar lixo por a jo-</p><p>gada de lixo, nada afetaria em termos de concor-</p><p>dância com o substantivo “proibido”.</p><p>d) a linguagem do texto está inapropriada para a</p><p>linguagem do gênero “aviso”.</p><p>e) a forma como se encontra a palavra “Zoto” pa-</p><p>rece ser um substantivo próprio, referindo-se ao</p><p>nome do dono da casa proibida de jogar lixo.</p><p>35. (EBMSP/2017)</p><p>Era uma galinha de domingo. Ainda viva porque</p><p>não passava de nove horas da manhã. Foi, pois,</p><p>uma surpresa quando a viram abrir as asas de curto</p><p>voo, inchar o peito e, em dois ou três lances, alcan-</p><p>çar a murada do terraço. Afinal, numa das vezes em</p><p>que parou para gozar sua fuga, o rapaz alcançou-a.</p><p>Entre gritos e penas, ela foi presa. Em seguida car-</p><p>regada em triunfo por uma asa através das telhas</p><p>e pousada no chão da cozinha com certa violência.</p><p>Ainda tonta, sacudiu-se um pouco, em cacarejos</p><p>roucos e indecisos. Foi então que aconteceu. De</p><p>pura afobação a galinha pôs um ovo. Só a menina</p><p>estava perto e assistiu a tudo estarrecida. Mal, po-</p><p>rém, conseguiu desvencilhar-se do acontecimento,</p><p>despregou-se do chão e saiu aos gritos:</p><p>– Mamãe, mamãe, não mate mais a galinha, ela</p><p>pôs um ovo! Ela quer o nosso bem! Inconsciente</p><p>da vida que lhe fora entregue, a galinha passou</p><p>a morar com a família. Uma vez ou outra, sempre</p><p>20</p><p>mais raramente, lembrava de novo a galinha que</p><p>se recortara contra o ar à beira do telhado, prestes</p><p>a anunciar. Nesses momentos enchia os pulmões</p><p>com o ar impuro da cozinha e, se fosse dado às</p><p>fêmeas cantar, ela não cantaria, mas ficaria muito</p><p>mais contente. Embora nem nesses instantes a ex-</p><p>pressão de sua vazia cabeça se alterasse. Na fuga,</p><p>no descanso, quando deu à luz ou bicando milho</p><p>– era uma cabeça de galinha, a mesma que fora</p><p>desenhada no começo dos séculos.</p><p>Até que um dia mataram-na, comeram-na e passa-</p><p>ram-se anos.</p><p>LISPECTOR, Clarice. Uma galinha. Laços de Família. Rio de Janei-</p><p>ro: Rocco, 1998, p. 30. Disponível em: <http://www.releituras.com/</p><p>clispector_galinha.asp>. Acesso em: 20 set. 2016. Adaptado.</p><p>No fragmento adaptado do conto “A galinha”, de</p><p>Clarice Lispector, o elemento figurativo “ovo” tor-</p><p>na-se marco importante na narrativa, pois</p><p>a) traz para aquele grupo familiar o valor dessa ave</p><p>doméstica, uma vez que ela viva poderia continuar</p><p>dando alimento para todos.</p><p>b) é um momento de epifania para a menina, que</p><p>percebe o quanto o animal poderia transformar a</p><p>realidade de sua vida, atribuindo-lhe outro signifi-</p><p>cado.</p><p>c) se caracteriza como a simbologia de uma nova</p><p>existência, contribuindo para tornar o viver de sua</p><p>espécie ainda mais insignificante.</p><p>d) se constitui como um elemento fundamental</p><p>para a mudança da percepção da galinha pela fa-</p><p>mília, passando aquela a ter, por algum tempo, uma</p><p>nova condição existencial.</p><p>e) se transforma no acontecimento revelador para</p><p>a própria ovípara, que nota a sua incapacidade de</p><p>reagir, mediante a crença de que nasceu para ali-</p><p>mentar o ser humano.</p><p>36. (IME - 2020)</p><p>A primeira publicação do conto O Alienista, de Ma-</p><p>chado de Assis, ocorreu como folhetim na revista</p><p>carioca A Estação, entre os anos de 1881 e 1882.</p><p>Nessa mesma época, uma grande reforma educa-</p><p>cional efetuou-se no Brasil, criando, dentre outras,</p><p>a cadeira de Clínica Psiquiátrica. É nesse contexto</p><p>de uma psiquiatria ainda embrionária que Macha-</p><p>do propõe sua crítica ácida, reveladora da escas-</p><p>sez de conhecimento científico e da abundância</p><p>de vaidades, concomitantemente. A obra deixa ver</p><p>as relações promíscuas entre o poder médico que</p><p>se pretendia baluarte da ciência e o poder político</p><p>tal como era exercido em Itaguaí, então uma vila,</p><p>distante apenas alguns quilômetros da capital Rio</p><p>de Janeiro. O conto se desenvolve em treze breves</p><p>capítulos, ao longo dos quais o alienista vai fazen-</p><p>do suas experimentações cientificistas até que ele</p><p>mesmo conclua pela necessidade de seu isolamen-</p><p>to, visto que reconhece em si mesmo a única pes-</p><p>soa cujas faculdades mentais encontram-se equili-</p><p>bradas, sendo ele, portanto, aquele que destoa dos</p><p>demais, devendo, por isso, alienar-se.</p><p>Capítulo IV</p><p>UMA TEORIA NOVA</p><p>1Ao passo que D. Evarista, em lágrimas, vinha bus-</p><p>cando o Rio de Janeiro, Simão Bacamarte estudava</p><p>por todos os lados uma certa ideia arrojada e nova,</p><p>própria a alargar as bases da psicologia. 2Todo o</p><p>tempo que lhe sobrava dos cuidados da Casa Ver-</p><p>de era pouco para andar na rua, ou de casa em</p><p>casa, conversando as gentes, sobre trinta mil as-</p><p>suntos, e virgulando as falas de um olhar que metia</p><p>medo aos mais heroicos.</p><p>Um dia de manhã, – eram passadas três semanas,</p><p>– estando Crispim Soares ocupado em temperar</p><p>um medicamento, vieram dizer-lhe que o alienista</p><p>o mandava chamar.</p><p>– Tratava-se de negócio importante, segundo ele</p><p>me disse, acrescentou o portador. 3Crispim empa-</p><p>lideceu. Que negócio importante podia ser, se não</p><p>alguma notícia da comitiva, e especialmente da</p><p>mulher? 4Porque este tópico deve ficar claramen-</p><p>te definido, visto insistirem nele os cronistas; Cris-</p><p>pim amava a mulher, e, desde trinta anos, nunca</p><p>estiveram separados um só dia. 5Assim se explicam</p><p>os monólogos que fazia agora, e que os fâmulos</p><p>lhe ouviam muita vez: – “Anda, bem feito, quem te</p><p>mandou consentir na viagem de Cesária? Bajulador,</p><p>torpe bajulador! Só para adular ao Dr Bacamarte.</p><p>Pois agora aguenta-te; anda; aguenta-te, alma de</p><p>lacaio, fracalhão, vil, miserável. Dizes amém a tudo,</p><p>não é? Aí tens o lucro, biltre!”. – E muitos outros</p><p>nomes feios, que um homem não deve dizer aos</p><p>outros, quanto mais a si mesmo. Daqui a imaginar</p><p>o efeito do recado é um nada. 6Tão depressa ele o</p><p>recebeu como abriu mão das drogas e voou à Casa</p><p>Verde.</p><p>7Simão Bacamarte recebeu-o com a alegria própria</p><p>de um sábio, uma alegria abotoada de circunspe-</p><p>ção até o pescoço.</p>