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<p>1</p><p>282</p><p>AULA 00: ANTIGUIDADE</p><p>ENEM</p><p>Exasiu</p><p>Exasiu</p><p>EXTENSIVO</p><p>HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>AULA 21</p><p>estretegiavestibulares.com.br</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>2</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Sumário</p><p>Parte 1: Regime Civil Militar (1964-1985)................................................................. 4</p><p>1. O governo de Castello Branco (1964-1967) ..................................................... 7</p><p>1.1 - Aspectos Políticos ....................................................................................................... 8</p><p>1.1.1. Atos Institucionais (AI)............................................................................................ 10</p><p>1.1.2. A Lei de Segurança Nacional, de 1967 ..................................................................... 13</p><p>1.1.3. Órgãos de vigilância, censura e repressão ................................................................ 15</p><p>1.2 - Aspectos econômicos ............................................................................................... 18</p><p>2. O Governo de Costa e Silva (1967-1968) ........................................................ 19</p><p>3. O Governo de Emílio Garrastazu Médici (1969-1974) ................................. 22</p><p>3.1 Aspectos Econômicos e Sociais do Governo Médici .................................................. 23</p><p>Parte 2: O longo processo da redemocratização ................................................ 26</p><p>4. 1974-1979: O governo Geisel e os primeiros sinais da abertura .............. 26</p><p>4.1. Aspectos Econômicos ................................................................................................ 26</p><p>4.2. Aspectos Políticos ...................................................................................................... 29</p><p>4.3. Aspectos sociais ......................................................................................................... 32</p><p>5. 1979-1985: O Governo de João Figueiredo – transição para a</p><p>democracia ............................................................................................................................... 35</p><p>5.1. A Campanha das Diretas Já ....................................................................................... 40</p><p>5.2. Eleições de 1985: os Civis voltam ao Poder .............................................................. 47</p><p>6. O Governo de José Sarney (1985 a 15 de março 1989) .............................. 49</p><p>7. A Constituição Federal de 1988, o ponto final da transição ...................... 51</p><p>Parte 3: Nova República ............................................................................................. 59</p><p>8. As eleições de 1989 .............................................................................................. 61</p><p>9. O Governo Collor 1990-1992 ............................................................................. 66</p><p>10. O Governo de Itamar Franco: 1992- 1994 ...................................................... 72</p><p>10.1- Eleições de 1994 ...................................................................................................... 75</p><p>11. Os Governos de Fernando Henrique Cardoso: 1995-2002 ........................ 76</p><p>12. Os Governo de Luiz Inácio Lula da Silva: 2003-2010 ................................... 83</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>3</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>13. Lista de Questões ................................................................................................ 104</p><p>14. Gabarito ................................................................................................................. 159</p><p>15. Questões comentadas ....................................................................................... 161</p><p>16. Considerações Finais .......................................................................................... 281</p><p>Queridas e Queridos Alunos,</p><p>Sejam bem-vindos e bem-vindas a mais uma aula, na verdade, nossa última, né?. É sempre</p><p>um grande prazer compartilhar com vocês nosso trabalho e participar dessa batalha dura e</p><p>constante na luta pela conquista da sua vaga na Universidade. E claro, se você chegou até aqui é</p><p>porque tomou uma decisão importante: continuar na batalha por uma vaga na sua Universidade. Isso tem</p><p>uma importância enorme. E falta pouco!!!</p><p>Esta é a terceira aula que trata sobre a República Brasileira. Quero lhes dizer que esse</p><p>assunto tem sido muito cobrado nos últimos anos. Ou seja, é muito muito muito provável que isso</p><p>caia na sua prova. Os aspectos econômicos e políticos continuam sendo os mais abordados, então</p><p>atenção a eles.</p><p>Nas aulas anteriores, tratamos sobre as experiências políticas, filosóficas e econômicas da</p><p>República Velha, da Era Vargas e dos governos democráticos – dois momentos essenciais para a</p><p>formação econômica. E gente, olha que blocos históricos de experiências humanas tão distintas,</p><p>não é mesmo?</p><p>Na reta final do nosso curso, não me canso de afirmar, para você toda questão de história</p><p>é imperdível! Você precisa estar preparado para TUDO! Não esquece: “o segrego do sucesso é a</p><p>constância no objetivo”. Vamos seguir juntos!</p><p>Se você tiver dúvidas, utilize o Fórum de Dúvidas! Eu vou te responder bem rapidinho. Ah,</p><p>não tem pergunta boba, Ok? Vamos começar? Já sabe: pega seu café e sua ampulheta. Bora!!</p><p>1964</p><p>1979</p><p>1985</p><p>1988 -</p><p>Promulgação da</p><p>Constituição</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>4</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>PARTE 1: REGIME CIVIL MILITAR (1964-1985)</p><p>Quero começar essa aula dizendo que esse assunto faz parte da história recente que</p><p>chamamos de “História do tempo presente”.</p><p>Sabendo disso, quero que você tenha noção de que os assuntos do “tempo presente” são</p><p>mais polêmicos social e conceitualmente, sobretudo, porque as pesquisas estão em andamento e</p><p>porque muitos interesses políticos continuam em evidência. Isso acontece no mundo inteiro</p><p>porque a memória é poder e, por isso, as batalhas pela memória dos processos do tempo presente</p><p>acabam ficando em evidência.</p><p>Então, profe, como ficamos nós, relés vestibulandos?</p><p>Pois é, meus amores, você tem que entender os debates existentes e adotar a concepção</p><p>da banca! Por isso, fazer questões é mais necessário do que nunca, ok.</p><p>Na aula anterior terminamos falando do cenário e dos elementos políticos que levaram à</p><p>ruptura institucional, ou o golpe civil-militar, para utilizar a abordagem do professor Daniel Araão</p><p>Reis. Vamos relembrar alguns pontos para pegar o fio da meada e seguimos caracterizando o</p><p>longo período de 21 anos.</p><p>Com a tensão política e social no limite, em 31 de março de 1964, as Forças Armadas</p><p>promoveram um golpe (ruptura institucional), com apoio de vários setores sociais - o que deu</p><p>origem a um regime civil-militar que durou até 1985.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>5</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O AI-1 modificou a Constituição em vigor, a de 1946, e atribui ao Poder Executivo,</p><p>portanto, ao Comando Militar, os seguintes poderes:</p><p>No dia 09 de Abril, O Comando Supremo decretou o Ato Institucional n. 1 -</p><p>(AI.1)</p><p>No dia 2 de abril, foi organizado o autodenominado "Comando Supremo da Revolução", composto</p><p>por três membros: o brigadeiro Francisco de Assis Correia de Melo (Aeronáutica), o vice-almirante</p><p>Augusto Rademaker (Marinha) e o general Artur da Costa e Silva, representante do Exército. Essa junta</p><p>permaneceria no poder por duas semanas.</p><p>Sem condições de conter o levante militar, Jango decidiu deixar Brasília em 1º de abril de</p><p>1964. E, assim, foi consumado o Golpe Militar e iniciado o Regime Militar no Brasil.</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>No fim do Governo Figueiredo, em 1985, a inflação superava a marca dos 110% anuais.</p><p>Outro ponto negativo na economia foi o crescimento da dívida externa, a qual, a essa altura era</p><p>paga com outros empréstimos no exterior.</p><p>Nesse cenário, com o fim do AI-5 e com o Regime desgastado por conta da situação</p><p>econômica, diversos setores da sociedade começaram a se manifestar, para além do jogo Arena</p><p>versus MDB que havia no Congresso Nacional : empresários, Igreja Católica, sindicatos,</p><p>estudantes, entidades culturais e artísticas e a imprensa passaram a pressionar pela</p><p>redemocratização.</p><p>Dentre essas forças sociais, destacaram-se as greves sindicais dos trabalhadores contra o</p><p>arrocho salarial. No ano de 1979, em todo o país, mais de 3 milhões de trabalhadores fizeram</p><p>greves. Foi nesse processo que Luiz Inácio Lula da Silva se destacou como liderança no ABC</p><p>paulista. Desse movimento, posteriormente surgiram o Partido dos Trabalhadores (PT) e a CUT</p><p>(Central Única dos Trabalhadores)</p><p>Sob o Governo Figueiredo, então, o primeiro ato no sentido da redemocratização política</p><p>foi a Lei da Anistia.</p><p>Em novembro de 1979, mais uma iniciativa no sentido da redemocratização, o fim do</p><p>bipartidarismo e o reestabelecimento do pluripartidarismo por meio da promulgação da Lei</p><p>Orgânica dos Partidos Políticos. A Arena e o MDB foram dissolvidos e, logo em seguida, de forma</p><p>independente e autônoma do Estado, foram criados 6 novos partidos:</p><p>Partido Democrático Social (PDS): sucessor da Arena.</p><p>Partido Popular (PP): formado por dissidentes da Arena.</p><p>Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB): sucessor do MDB.</p><p>Partido Trabalhista Brasileiro (PTB): resgatado e fundado pela sobrinha de Getúlio Vargas.</p><p>Lei da Anistia,</p><p>de 1979</p><p>Ampla e irrestrita, ou</p><p>seja, valeu para"todo</p><p>mundo": a oposição e os</p><p>militares que torturaram</p><p>foram anistiados.</p><p>Presos políticos foram</p><p>soltos; exilados puderam</p><p>voltar ao país; devolução</p><p>dos direitos poíticos; e,</p><p>os militares acusados de</p><p>práticas de torturas e</p><p>assassintos foram</p><p>perdoados.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>37</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Partido Democrático Trabalhista (PDT): fundado por Leonel Brizola, considerava-se o</p><p>legítimo sucessor do trabalhismo dos anos 1930, 1940, 1950 e 1960.</p><p>Partido dos Trabalhadores (PT): fundado por sindicalistas, ativistas de movimentos sociais</p><p>e por intelectuais.</p><p>Em 1982, ocorreram as eleições para Governador dos Estados regionais. As oposições</p><p>conseguiram eleger um número expressivo de Governadores, fato que ampliou a campanha por</p><p>eleições diretas para Presidente da República.</p><p>Nesse cenário de recuos e avanços, o governo do General João Figueiredo deu passos</p><p>decisivos no processo de redemocratização, ou seja, avanços:</p><p>• a lei da anistia em 1979;</p><p>• a lei orgânica dos partidos, restabelecendo o pluripartidarismo.</p><p>Sobre isso, vamos fazer um fio da meada e revisar um aspecto que mencionei na Aula 02.</p><p>Sobre a lei de Anistia, de 1979 é importante ressaltar que houve uma grande</p><p>mobilização popular que reuniu diversas classes sociais, organizações da sociedade</p><p>civil, entidades profissionais (como a OAB), a Igreja Católica, artistas e muitas</p><p>lideranças partidárias progressistas. Em diversos Estados brasileiros foram</p><p>organizados os chamados Comitês Brasileira pela Anistia (CBA’s).</p><p>No Congresso Nacional formou-se uma Comissão Especial para analisar a questão da</p><p>Anistia. Ela foi presidida por Teotônio Vilela, ex-arenista. Dissidente da Arena, o senador alagoano</p><p>Teotônio Vilela foi um dos políticos que liderou a campanha pela anistia. Em julho de 1979 iniciou-</p><p>se uma onda de visitas de Teotônio Vilela - acompanhado por diversas personalidades populares</p><p>do mundo político e artístico - a presos políticos. Naquele momento, muitos presos realizavam</p><p>uma greve de fome para pressionar o governo por uma Anistia Ampla, Geral e Irrestrita.</p><p>Havia uma disputa entre duas propostas, uma da sociedade e outra do Governo:</p><p>1Cinelândia - Rio de Janeiro. Campanha pela Anistia, 1979.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>38</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>LEI No 6.683, DE 28 DE AGOSTO DE 1979.</p><p>O PRESIDENTE DA REPÚBLICA: Faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a</p><p>seguinte Lei:</p><p>Art. 1º É concedida anistia a todos quantos, no período compreendido entre 02 de setembro de</p><p>1961 e 15 de agosto de 1979, cometeram crimes políticos ou conexo com estes, crimes eleitorais,</p><p>aos que tiveram seus direitos políticos suspensos e aos servidores da Administração Direta e</p><p>Indireta, de fundações vinculadas ao poder público, aos Servidores dos Poderes Legislativo e</p><p>Judiciário, aos Militares e aos dirigentes e representantes sindicais, punidos com fundamento em</p><p>Atos Institucionais e Complementares (vetado).</p><p>§ 1º - Consideram-se conexos, para efeito deste artigo, os crimes de qualquer natureza</p><p>relacionados com crimes políticos ou praticados por motivação política.</p><p>§ 2º - Excetuam-se dos benefícios da anistia os que foram condenados pela prática de crimes de</p><p>terrorismo, assalto, seqüestro e atentado pessoal.26</p><p>Sobre a Lei orgânica dos partidos. Em novembro de 1979, ocorreu mais uma</p><p>iniciativa decisiva no sentido da redemocratização do país: o fim do bipartidarismo</p><p>e o reestabelecimento do pluripartidarismo. A Arena e o MDB foram dissolvidos e,</p><p>logo em seguida, de forma independente e autônoma do Estado, foram criados 6</p><p>novos partidos.</p><p>É importante você se atentar para as pegadinhas da banca: o AI2 não proibiu a</p><p>existência de partidos políticos. O que ela fez foi extinguir os partidos que</p><p>existiam em 1966 e, na sequência, criou outros dois: ARENA e MDB. Por isso,</p><p>dizemos que a característica do sistema partidário durante o regime militar foi</p><p>o BIPARTIDÁRISMO. Assim, não existia livre associação partidária porque só</p><p>poderiam existir ARENA e MDB, mas eles existiam, por isso é errada toda</p><p>afirmação que diz que os partidos foram proibidos. Atenção, hein, Corujas!</p><p>Veja o esquema a seguir que mostra a volta do PLURIPARTIDARISMO.</p><p>26 Lei da Anistia. Fonte: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/L6683.htm</p><p>1- Ampla Geral e</p><p>Irrestrita</p><p>Com restrições</p><p>para quem tinha</p><p>cometido "crimes</p><p>de sangue"</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/Mensagem_Veto/anterior_98/vep267-L6683-79.pdf</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>39</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>A conclusão dessas ações no Governo de Figueiredo é de que houve uma organização mais</p><p>plural da vida política no país, de modo a vida político-partidária ser reorientada a partir de</p><p>pressupostos democráticos. Isso porque os embates entre diferentes visões de mundo voltaram a</p><p>ser permitido.</p><p>O processo de abertura conduzido pelo governo encontrava forte resistência por</p><p>alguns grupos de militares e por civis defensores do Regime Militar. Foram feitos</p><p>25 atentados nos oito primeiros meses de 1980 contra líderes sindicais, políticos</p><p>de oposição, contra a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), contra creches</p><p>judaicas e bancas de jornais, entre outros.</p><p>O saldo de um morto e 15 feridos parecia não ser suficiente para os contrários ao processo de</p><p>abertura.</p><p>PLURIPARTIDAR</p><p>IMO</p><p>Partido</p><p>Democrático Social</p><p>(PDS): sucessor da</p><p>Arena, bem</p><p>diferente do PDS</p><p>pré-64.</p><p>Partido Popular</p><p>(PP): formado por</p><p>dissidentes da</p><p>Arena.</p><p>Partido do</p><p>Movimento</p><p>Democrático</p><p>Brasileiro</p><p>(PMDB): sucessor</p><p>do MDB.</p><p>Partido</p><p>Trabalhista</p><p>Brasileiro (PTB):</p><p>resgatado e</p><p>fundado pela</p><p>sobrinha de</p><p>Getúlio Vargas.</p><p>Partido</p><p>Democrático</p><p>Trabalhista (PDT):</p><p>fundado por</p><p>Leonel Brizola,</p><p>considerava-se o</p><p>legítimo sucessor</p><p>do trabalhismo</p><p>dos anos 1930,</p><p>1940, 1950 e</p><p>1960.</p><p>Partido dos</p><p>Trabalhadores</p><p>(PT): fundado por</p><p>sindicalistas,</p><p>ativistas de</p><p>movimentos</p><p>sociais e por</p><p>intelectuais.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>40</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Em 1º de maio de 1981, a explosão de duas bombas que estavam com militares no estacionamento</p><p>do centro de convenções da cidade do Rio de Janeiro, o chamado atentado Riocentro, assinalou</p><p>o ápice dos ataques contra a redemocratização do país. Uma catástrofe poderia ter ocorrido, caso</p><p>as bombas tivessem sido detonadas em meio ao espetáculo cultural que reunia milhares de</p><p>participantes.</p><p>O episódio do atentando do Riocentro jamais foi totalmente esclarecido. De toda forma, ele</p><p>indicava que a ala mais radical dos militares não era favorável à abertura democrática.</p><p>5.1. A CAMPANHA DAS DIRETAS JÁ</p><p>No início da década de 1980, diversas forças políticas da sociedade civil pressionavam pela</p><p>aceleração da redemocratização do país:</p><p>Nesse clima, em 1982 ocorreram as eleições para Governador. Recorda que o Pacote de</p><p>Abril de Geisel, determinava que essa eleição deveria ser realizada de forma indireta? Contudo,</p><p>devido ao nível de pressão por mais democracia, elas acabaram sendo de forma direta, ou seja,</p><p>os cidadãos votaram para Governador!! A oposição ao Regime Militar, MDB, ganhou em dez</p><p>Estados – e nos mais populosos, sobretudo, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de janeiro.</p><p>Juntamente com as eleições para Governador, ocorreram outras eleições nas instâncias</p><p>municipal, estadual e federal. Foram renovadas todas as Câmaras de Vereadores, as Assembleias</p><p>Legislativas estaduais, a Câmara dos Deputados, um terço do Senado e foram eleitos os prefeitos</p><p>municipais em todo o interior do país, à exceção das chamadas “áreas de segurança”, como a</p><p>cidade de Santos, no Estado de São Paulo.</p><p>Em suma, pela primeira vez desde 1965, seriam eleitos pelo voto popular direto diversos cargos</p><p>para mandato eletivo. Menos para Presidente da República ☹</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>41</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Neste clima de eleições, somada à efervescência do começo dos anos 1980, as lideranças</p><p>políticas da oposição aproveitaram para lançar uma campanha por eleições diretas para</p><p>Presidente da República. Esse movimento começou com a apresentação de uma emenda</p><p>constitucional para reestabelecer as eleições diretas para o Poder Executivo Federal.</p><p>Em março de 1983, o Deputado Dante de Oliveira (PMDB do Mato Grosso), eleitos em 1982,</p><p>apresentou a proposta de Emenda à Constituição de 1967, a que estava vigente no Brasil. Se</p><p>aprovada, essa alteração provocaria o fim do Colégio Eleitoral, um dos órgãos de controle dos</p><p>processos políticos utilizada pelo Regime Militar e que era responsável por escolher o Presidente</p><p>da República. Isso porque, essa Proposta de Emenda à Constituição Brasileira (PEC nº05/1983)</p><p>determinava o restabelecimento das eleições diretas para a Presidência da República para eleger,</p><p>já em 1985, o sucessor do então Presidente general João Figueiredo. A PEC ficou conhecida como</p><p>EMENDA DANTE DE OLIVEIRA ou EMENDAS DAS DIRETAS JÁ!</p><p>De janeiro a abril de 1984, a campanha pela aprovação da Emenda Dante reuniu milhares</p><p>de pessoas em comícios, praças, palestras em diferentes cidades do Brasil, aulas públicas em</p><p>Universidade. O mote da Campanha era: “Eu quero votar pra Presidente!”</p><p>Essas manifestações populares estão entre as maiores da história brasileira. Confira algumas</p><p>imagens27:</p><p>27 Disponível em: http://memorialdademocracia.com.br/card/diretas-ja. Acesso em: 08/08/2019.</p><p>http://memorialdademocracia.com.br/card/diretas-ja</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>42</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Mais de 1</p><p>milhão de</p><p>pessoas se</p><p>reúne na</p><p>Candelária, no</p><p>Rio de Janeiro,</p><p>pedindo</p><p>Diretas-Já, em</p><p>10 de abril de</p><p>1984. Até</p><p>então, esse</p><p>evento foi</p><p>considerado a</p><p>maior</p><p>manifestação</p><p>de rua da</p><p>história do</p><p>país.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>43</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O último e maior comício por Diretas-Já reuniu mais de 1,5 milhão</p><p>no vale do Anhangabaú, centro de São Paulo</p><p>De um lado, Ulysses Guimarães (do PMDB) e Leonel Brizola (do PDT e Governador do Rio de</p><p>Janeiro) foram as personalidades do meio político que mais se destacaram nesta campanha das</p><p>Diretas Já! Ulysses, por exemplo, recebeu o título informal de Senhor Diretas. Do outro lado, vindo</p><p>dos movimentos sindical e social, Luiz Inácio Lula da Silva (do PT) foi outro protagonista dessa</p><p>campanha.</p><p>Já o consagrado narrador esportivo e apresentador de televisão Osmar Santos foi o locutor oficial</p><p>dos comícios da campanha das Diretas-Já! Veja Osmar abaixo, ao microfone, juntamente com</p><p>Brizola (ao lado direito de Osmar, em primeiro plano), seguido, atrás, de Ulysses Guimarães e de</p><p>Lula.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>44</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O meio artístico também participou dessa campanha, com destaque para: Fafá de Belém</p><p>("a musa das Diretas"); Chico Buarque; Milton Nascimento; Fernanda Montenegro; Christiane</p><p>Torlon; Gianfrancesco Guarnieri; Dina Sfat; Maitê Proença; Renata Sorrah; Martinho da Vila; Jards</p><p>Macalé; o cartunista Ziraldo; entre outros.</p><p>Vale destacar que a grande imprensa, no início da campanha das Diretas Já! não fez a</p><p>cobertura dos protestos de rua. A Rede Globo de Televisão ignorou os primeiros comícios em</p><p>seus telejornais. O primeiro grande comício de São Paulo, na praça da Sé, que reuniu mais de 300</p><p>mil pessoas, foi apresentado rapidamente, junto com outros eventos relacionados ao aniversário</p><p>da cidade, que se comemorava naquele dia, como se fosse apenas mais um acontecimento do</p><p>aniversário de São Paulo.</p><p>O espaço mais efetivo na imprensa só aconteceu a partir do grande comício da Candelária,</p><p>no Rio de Janeiro.</p><p>Para você sentir o clima da época e “pegar” a ideia das Diretas Já, deixei uma reportagem</p><p>de época lá no meu canal no Youtube. Não deixe de conferir!!! Segue o link:</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=xlkeZqPpb-U</p><p>https://www.youtube.com/watch?v=xlkeZqPpb-U</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>45</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Aí eu te pergunto, caro e cara aluna: no final das contas a Emenda Dante foi aprovada? O</p><p>que você acha?</p><p>Uma semana antes da votação da Proposta de Emenda Constitucional, marcada para 25 de</p><p>abril de 1984, o governo decretou as Medidas de Emergências - dispositivo de força legal que</p><p>substituiu o AI-5 para ser acionado em casos de ameaça à ordem pública.</p><p>Na véspera da votação da Emenda Dante de Oliveira, Figueiredo decretou Estado de Emergência</p><p>em Brasília e forças militares cercaram o Congresso Nacional.</p><p>Antes da votação, um blecaute no Distrito Federal e em alguns municípios limítrofes durou</p><p>duas horas. Os manifestantes das caravanas de diversos estados, que estavam em Brasília para</p><p>acompanhar a votação, foram violentamente reprimidos pela polícia.</p><p>Apenas ao final daquele dia a votação iniciou e....</p><p>Hummm!!! Não, não foi aprovada!</p><p>Contudo, observe o gráfico a seguir. Ele mostra que a maioria votou SIM. Mas, apesar disso,</p><p>não atingiu o número suficiente de votos na Câmara para mudar a Constituição. Eram necessários</p><p>320 votos para atingir o quórum de 2/3, conforme regras da época. Ou seja, a PEC Dante de</p><p>Oliveira obteve 22 votos a menos do que o mínimo necessário para ser aprovada.</p><p>A favorContra</p><p>Ausentes</p><p>RESULTADO VOTAÇÃO EMENDA</p><p>A favor</p><p>Contra</p><p>Ausentes</p><p>113</p><p>298 65</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>46</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Acima, expliquei que o Pacote de Abril de 1977 alterou quórum para mudar a</p><p>Constituição para maioria simples. Pois é, agora, no momento de aprovar uma</p><p>medida que iria contrariar o Regime Militar o quórum voltou a ser de 2/3, para</p><p>ficar mais difícil de aprovar uma mudança que colocasse em risco os planos dos</p><p>militares.</p><p>O principal articulador para inviabilizar a aprovação da Emenda Dante foi o Deputado</p><p>paulista Paulo Maluf (PDS), membro da antiga Arena. Isso porque, Maluf estava de olho na</p><p>possibilidade de se eleger por meio da eleição indireta, a qual estava prevista para 1985. Dessa</p><p>forma, diversos parlamentares do PDS não compareceram à votação para não dar seu voto, mas</p><p>também para não cair em descrédito frente à opinião pública, que era favorável ao direito da</p><p>população de votar para escolher o Presidente da República.</p><p>28</p><p>Apesar dessa derrota, a sociedade brasileira continuou muito ativa e acompanhando mais</p><p>de perto como seria essa eleição indireta. A sociedade civil organizada continuou seus</p><p>movimentos de exigência e pressão por mais direitos democráticos.</p><p>Na superestrutura institucional da política nacional, grandes personalidades que tinham</p><p>liderado a Campanha pelas Diretas Já, como Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, Franco Montoro</p><p>e Tancredo Neves, começaram a construir um acordo para a eleição de 1985. Como ela seria</p><p>indireta, a escolha passaria pelo Colégio Eleitoral. A ARENA e os militares também entraram nesse</p><p>28 Disponível em: http://memorialdademocracia.com.br/card/diretas-ja. Acesso em: 08/08/2019.</p><p>Manchete do "Jornal</p><p>do Brasil" de 26 de</p><p>abril de 1984</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>47</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>processo para fechar uma chapa que pudesse ser o desfecho de uma transição “lenta, gradual e</p><p>segura”.</p><p>5.2. ELEIÇÕES DE 1985: OS CIVIS VOLTAM AO PODER</p><p>No dia 15 de março de 1985, o último general a governar o Brasil, João Figueiredo,</p><p>recusou-se a entregar a faixa presidencial ao seu sucessor e a descer solenemente a</p><p>rampa do Planalto como previa o cerimonial – escolheu sair do palácio pela porta dos</p><p>fundos. Menos de dois meses antes, em janeiro, em uma entrevista para a televisão, ela</p><p>havia feito um balanço muito pessoal do seu governo, no qual mandou um recado curto</p><p>e grosso para os brasileiros: “Quero que me esqueçam”29.</p><p>Pois bem, querido e querida aluna, o governo João Figueiredo terminou com o resultado</p><p>das eleições indiretas de 1985. Do ponto de vista geral, essa frase do General Figueiredo mostra</p><p>que existia um clima de “silêncio e esquecimento” sobre as cenas, os episódios e os</p><p>acontecimentos mais tristes e violentos da história brasileira. Historiadores e especialistas afirmam</p><p>que o “esquecimento sobre o passado de violências” foi o princípio de onde se partiram todos os</p><p>acordos da redemocratização. Até por isso que também há a tese de que a redemocratização foi</p><p>uma saída negociada.</p><p>Tendo esse aspecto mais geral, vejamos os candidatos que disputaram a Presidência do</p><p>Brasil em 1985:</p><p>A estratégia de lançar Tancredo Neves, conhecido por seu espírito conciliador, resultou em</p><p>diversas rupturas na base de apoio dos militares. Um desses rachas foi protagonizado por José</p><p>Sarney, que fora membro da ARENA e Presidente do PDS, partido que substituiu a antiga sigla</p><p>governista. Sarney aderiu à chapa de Tancredo como Vice-Presidente. Para tanto, precisou se</p><p>filiar ao PMDB.</p><p>29 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2018,</p><p>p. 467.</p><p>Candidatos em 1985</p><p>Paulo Maluf (PDS):</p><p>candidato que representava</p><p>o Governo Militar</p><p>Tancredo Neves (PMDB):</p><p>candidato pela Aliança</p><p>Democrática, a oposição ao</p><p>Regime Militar.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>48</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Por um lado, isso mostra que uma parte importante dos conservadores ex-arenistas</p><p>articulavam uma saída de transição negociada e com conciliações - e não de rupturas radicais</p><p>como era o modelo do fim da Ditadura na Argentina, por exemplo. Por outro lado, depois da</p><p>derrota da Emenda Dante de Oliveira, os setores oposicionistas perceberam que precisariam</p><p>constituir um arco de alianças maior e mais flexível do ponto de vista ideológicos e de interesses.</p><p>Do contrária, podiam sofrer uma derrota igual quando a Emenda Dante não foi aprovada.</p><p>Assim, o grande desafio da oposição ao Regime Militar era constituir uma articulação</p><p>política suficientemente ampla a ponto de isolar os radicais e os extremos mais conservadores da</p><p>base de apoio dos militares. Essa foi o caminho escolhido para reforçar o reestabelecimento de</p><p>um regime democrático.</p><p>Neste momento, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)30 o Colégio Eleitoral</p><p>contava com 686 membros, sendo:</p><p>- 356 do PDS;</p><p>- 330 dos partidos de oposição, entre os quais o PMDB, PDT, PTB e o PT.</p><p>Com uma votação acachapante no Colégio Eleitoral, a chapa Neves/Sarney saiu vencedora com</p><p>480 votos, contra 180 dados a Paulo Maluf.</p><p>Na véspera de tomar posse, em 14 de março daquele ano, Tancredo, o líder da Aliança</p><p>Democrática, foi internado em estado grave, no Hospital de Base de Brasília.</p><p>Dessa forma, José Sarney tomou posse como Presidente da República em 15 de março de</p><p>1985. 31</p><p>30 Eleição de 1985: fidelidade partidária no Colégio Eleitoral. TSE. Disponível em:</p><p>http://www.tse.jus.br/jurisprudencia/julgados-historicos/eleicao-de-1985-fidelidade-partidaria-no-</p><p>colegio-eleitoral. Acesso em: 10/08/2019.</p><p>31 Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/03/13/sarney-tancredo-ainda-</p><p>nao-recebe-do-pais-o-devido-reconhecimento. Acesso em: 10/08/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>49</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Em 21 de Março de 1985 Tancredo Neves morre! Sarney assumiu definitivamente a</p><p>Presidência da República.</p><p>Ironicamente, atestando o caráter conciliatório e continuísta da transição, um líder da</p><p>ditadura (ex-ARENA), embora já dissidente e adaptado à nova realidade política, foi encarregado</p><p>de presidir o Brasil na última fase da transição democrática.</p><p>6. O GOVERNO DE JOSÉ SARNEY (1985 A 15 DE MARÇO 1989)</p><p>O mandato de José Sarney iniciou-se com a missão de:</p><p>✓ controlar a inflação, que em 1985 chegou a 218,24% ao ano.</p><p>✓ resolver a crise do endividamento externo, que chegou a 59 bilhões de dólares e</p><p>cujos juros absorviam 86% do PIB nacional.</p><p>✓ colocar fim aos “entulhos autoritários” – expressão utilizada na época para falar da</p><p>ainda vigente Constituição autoritária que organizava a vida brasileira. A</p><p>Constituição de 1967.</p><p>Apesar da vitória da chapa de oposição ao Regime Militar, as lideranças da Aliança</p><p>Democrática não esconderam a decepção de o primeiro Presidente da Redemocratização ter sido</p><p>alguém que ofereceu apoio direto aos militares enquanto ex-membro da Arena.</p><p>Desse modo, para se distanciar dessa imagem do passado, logo no início de seu governo,</p><p>Sarney sinalizou com as medidas prometidas por Tancredo Neves em torno da consolidação da</p><p>redemocratização e de soluções para a crise econômica.</p><p>Assim, em maio de 1985, Sarney sanciona as seguintes medidas reformadoras:</p><p>Eleições diretas, em dois turnos, para Presidente do país, para prefeituras de capitais</p><p>e para municípios considerados, ainda naquele momento, com “área de segurança</p><p>nacional”;</p><p>Maior liberdade para a criação de partidos políticos, fato que favoreceu o retorno</p><p>de partidos anteriormente cassados, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a</p><p>criação de outro partido comunista, o Partido Comunista do Brasil</p><p>(PCdoB);</p><p>Direito de voto para os analfabetos. Sarney promulgou a Emenda Constitucional nº</p><p>25, de 15 de maio de 1985, segundo a qual os analfabetos passaram a ter o direito</p><p>de votar, em caráter facultativo.</p><p>Do ponto de vista econômico, em 28 de fevereiro de 1986, o Governo Sarney decretou</p><p>feriado bancário e lançou o Plano Cruzado. Esse plano contou com as seguintes medidas:</p><p>Congelamento dos preços das mercadorias, como alimentos e combustíveis;</p><p>Congelamento dos salários, os quais passaram a ser reajustados automaticamente</p><p>assim que a inflação chegasse em 20%. Essa medida ficou conhecida como “gatilho</p><p>salarial”;</p><p>O fim da correção monetária.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>50</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O fim da moeda Cruzeiro e a criação da nova moeda, o CRUZADO. Veja que</p><p>pegaram a moeda Cruzeiro (Cr$) e cortaram três zeros para virar cruzado (Cz$)</p><p>Alguém aí lembra dessa nota?</p><p>O Plano Cruzado respondeu ao problema da Inflação, o principal ponto sentido pelos</p><p>brasileiros desde a década de 1970. Este plano surgiu como uma esperança para a população</p><p>brasileira que, na época, se defrontava com uma trajetória ascendente da inflação, que atingiu</p><p>uma taxa anual de 517% nos meses de janeiro e fevereiro de 1986, de acordo com o índice geral</p><p>de preços da Fundação Getúlio Vargas32. Nos dias atuais – a depender do índice utilizado – ela</p><p>varia entre 8 e 15%, para que vocês tenham uma ideia.</p><p>Também foi criada a "tabela da Sunab", publicada nos jornais e fixada nos supermercados,</p><p>mostrando quanto cada coisa deveria custar. É dessa época o surgimento dos “Fiscais do Sarney”,</p><p>isto é, o povo ia para os estabelecimentos comerciais conferir se os preços estavam seguindo as</p><p>tabelas. Se houvesse descumprimento da tabela o povo denunciava e o estabelecimento corria o</p><p>risco de fechar.</p><p>Essas medidas de econômicas deram certo no início, pois a população saiu às compras e</p><p>atuou ativamente para conter a inflação. Mas, rapidamente, o processo inflacionário voltou e os</p><p>produtores e comerciante não queriam fazer negócios sob aquelas condições. O congelamento</p><p>de preços foi aos poucos sendo derrubado pelos fabricantes e comerciantes. Eles forçaram o</p><p>desabastecimento do mercado e os produtos sumiam das prateleiras. Filas foram sendo formadas</p><p>para compra de mercadorias essenciais e o povo foi ficando revoltado com Sarney.</p><p>Em meados de 1986 um novo pacote econômico foi anunciado, denominado Plano de</p><p>Metas, que na época ficou conhecido como Cruzadinho. Este pacote criou o Fundo Nacional de</p><p>Desenvolvimento (FND). O resultado deste pacote foi praticamente nenhum.</p><p>Ainda em novembro de 1986, o Governo Sarney lançou outro plano, agora conhecido como</p><p>Plano Cruzado II. Na divulgação do pacote, o Ministério da Fazenda classificou as medidas em 6</p><p>categorias:</p><p>32 Plano Cruzado. Verbete. FGV-CPDOC. Disponível em:</p><p>http://www.fgv.br/Cpdoc/Acervo/dicionarios/verbete-tematico/plano-cruzado. Acesso em10/08/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>51</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>a) medidas de estímulo à poupança;</p><p>b) medidas fiscais com correção de preços;</p><p>c) outras medidas fiscais;</p><p>d) medidas de estímulo à exportação;</p><p>e) medidas de desindexação;</p><p>f) medidas de redução da participação do Estado na economia.</p><p>O pacote do Plano Cruzado II também aumentou impostos indiretos, reajustou preços de</p><p>bens e serviços que estavam completamente defasados, concedeu alguns subsídios para as</p><p>exportações, e expurgou do índice da inflação as variações de preços de produtos considerados</p><p>supérfluos, como cigarros e bebidas.</p><p>Contudo, segundo a FGV, o fracasso desta última tentativa de salvar o Plano Cruzado</p><p>deveu-se única e exclusivamente ao fato de que as origens do processo inflacionário brasileiro não</p><p>foram atacadas33.</p><p>No primeiro bimestre de 1987 a taxa anual de inflação já estava em 337%. Mais dois planos</p><p>econômicos foram tentados por Sarney, o Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989).</p><p>Conclusão, de um lado, Sarney não conseguiu resolver os problemas econômicos do país,</p><p>principalmente a questão da inflação, e o país chegou a uma dívida com credores internacionais</p><p>na casa dos 107 bilhões de dólares.</p><p>Por outro lado, do ponto de vista político, o principal compromisso de Sarney foi adiante.</p><p>E qual era esse compromisso?</p><p>A convocação de eleições para eleger os parlamentares que iriam escrever uma nova</p><p>Constituição da República a partir de uma Assembleia Constituinte!!!</p><p>7. A CONSTITUIÇÃO FEDERAL DE 1988, O PONTO FINAL DA</p><p>TRANSIÇÃO</p><p>Pode-se considerar a Constituição de 1988 como o marco que eliminou os últimos</p><p>vestígios formais do regime autoritário, processo de abertura que, iniciado em 1974,</p><p>levou mais de treze anos para desembocar em um regime democrático. Por que a</p><p>transição foi tão longa e quais as consequências produzidas pela forma como se</p><p>realizou? Vale lembrar que a estratégia adotada para a transição foi a de ser “lenta,</p><p>gradual e segura”. Ela só poderia ser modificada, no seu ritmo e na sua amplitude, se a</p><p>oposição tivesse força suficiente para tanto ou se o desgaste do próprio regime</p><p>33 Idem, ibidem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>52</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>autoritário provocasse seu colapso. Nem uma coisa nem outra aconteceu. Tivemos</p><p>assim uma longa “transição transada”, cheia de limites e incertezas34.</p><p>De acordo com a análise do professor Boris Fausto, também podemos incluir a Constituição</p><p>Federal de 1988 (CF/1988) como parte do processo de redemocratização. Com efeito, podemos</p><p>considerá-la nesses termos, pois a nova Constituição, ou Carta Magna, teve duas frentes básicas:</p><p>Substituir os instrumentos jurídicos criados pela ditadura militar</p><p>Conferir amplos direitos aos cidadãos</p><p>Repare que, ainda entre 1985 e 1988 vigorava a Constituição de 1967. Como o Brasil iniciava a</p><p>reconstrução democrática, muitos dispositivos legais precisavam ser ajustados. Como diz o</p><p>professor Marco Antônio Vila, havia uma “parafernália legal autoritária”, pois os militares tiveram</p><p>a ambição de legalizar todos os atos de arbítrio.</p><p>Por esse motivo, Sarney enviou ao Congresso Nacional a proposta de convocação de</p><p>Assembleia Nacional Constituinte.</p><p>Bem, a Assembleia Nacional Constituinte foi instalada em 1ª de fevereiro de 1987 e foi</p><p>composta por membros eleitos em novembro de 1986. Esses membros eram parlamentares da</p><p>Câmara dos Deputados e do Senado Federal.</p><p>Os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte duraram cerca de 20 meses e contou</p><p>com debates, grupos de trabalho, comissões, muitas polêmicas e ampla participação da popular.</p><p>Sobre a participação popular, destaco que muitas pessoas iam a Brasília para levar suas</p><p>propostas de emendas, principalmente os movimentos sociais. Dá uma conferida nas fotos desse</p><p>momento de apresentação de emendas populares35.</p><p>34 FAUTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, p. 526.</p><p>35 Para todas as 5 imagens a referência é:</p><p>http://www.senado.leg.br/noticias/especiais/constituicao25anos/exposicao-senado-</p><p>galeria/participacao-popular.htm. Acesso em 18/09/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>53</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Veja que a sociedade civil participou ativamente, afinal, tratou-se de um momento de</p><p>efervescência democrática no país e todo mundo queria participar da nova Constituição. Ulisses</p><p>Guimarães, que foi o parlamentar que Presidiu a sessão que promulgou a Constituição chegou a</p><p>dizer o seguinte sobre a participação popular em seu discurso no dia 5 de outubro de 1988:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula</p><p>21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>54</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>“Há, portanto, representativo e oxigenado sopro de gente, de rua, de praça, de favela,</p><p>de fábrica, de trabalhadores, de cozinheiros, de menores carentes, de índios, de</p><p>posseiros, de empresários, de estudantes, de aposentados, de servidores civis e</p><p>militares, atestando a contemporaneidade e autenticidade social do texto que ora passa</p><p>a vigorar. (...)”36</p><p>Atenção: não foi o Sarney quem promulgou a Constituição de 1988, pois essa ação é uma</p><p>competência do Poder Legislativo, sem a participação do Poder Executivo. OK?</p><p>De uma maneira geral, a nova Carta Constitucional, estabeleceu, dentre outras questões:</p><p>Eleições diretas, em dois turnos, para Presidente do país, governadores e prefeituras</p><p>de cidades com mais de 200 mil eleitores;</p><p>Voto facultativo para jovens entre 16 e 18 anos e para pessoas com mais de 70 anos;</p><p>Reafirmação do direito de voto aos analfabetos (facultativo), porém, os analfabetos</p><p>são inelegíveis, isto é, não podem se candidatar.</p><p>A Medida Provisória como instrumento do Poder Executivo, com força de lei, para</p><p>casos de relevância e urgência, tal como preceitos constitucionais;</p><p>Projeto de lei de iniciativa popular;</p><p>Igualdade jurídica entre todos os cidadãos: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei,</p><p>sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros</p><p>residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à</p><p>segurança e à propriedade, nos termos seguintes (...)”.</p><p>Sobre o artigo 5º da CF/1988, também destaco os incisos que, em muitos sentidos,</p><p>asseguraram direitos democráticos anteriormente negados pelo Regime Militar. Vejamos o que</p><p>mais nos trouxe o artigo 5o:</p><p>Proibição de tortura e tratamento desumano ou degradante;</p><p>Liberdade de manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato;</p><p>A inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre</p><p>exercício dos cultos religiosos;</p><p>Não privação dos direitos por motivo de crença religiosa ou por convicção filosófica</p><p>ou política;</p><p>Inviolabilidade da casa dos cidadãos;</p><p>Acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte para o exercício da profissão</p><p>(jornalismo);</p><p>36 Exposição no Senado Federal destaca a Participação Popular. Jornal da Constituinte. Brasília, de 29 de</p><p>outubro a 8 de novembro de 2013.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>55</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Possibilidade de reunião pacífica, sem armas, em locais aberto ao público,</p><p>independentemente de autorização, desde que essas reuniões não frustrem outra</p><p>reunião já convocada para o mesmo local. Apenas passou-se a exigir prévio aviso à</p><p>autoridade competente.</p><p>Concessão de habeas corpos sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de</p><p>sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso</p><p>de poder;</p><p>Do ponto de vista social, a CF/1988 também estabeleceu uma série de direitos aos</p><p>trabalhadores rurais e urbanos. Uma dessas conquista foi a jornada de trabalho de 44 horas</p><p>semanais. Lembro-lhes que somente recentemente parte desses direitos sociais foi estendida às</p><p>trabalhadoras domésticas.</p><p>Outro ponto a se destacar da CF/1988 são os direitos dos Índios. Como a questão indígena</p><p>está bem atual e o Ministério Público tem atuação direta nesses processos, vale a pena atenção a</p><p>esse ponto.</p><p>CAPÍTULO VIII DOS ÍNDIOS (arts. 231 e 232)</p><p>Além de definir que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da</p><p>União, a CF/88 dedicou um capítulo à questão indígena. Neste capítulo, os índios</p><p>passaram a ser considerado como grupos autônomos dotados de língua, costumes e</p><p>tradições. Os índios também tiveram assegurado o direito constitucional sobre suas</p><p>terras:</p><p>Art. 231 (...)</p><p>§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter</p><p>permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos</p><p>recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e</p><p>cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.</p><p>§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse permanente,</p><p>cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos nelas existentes.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>56</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Por tudo isso, a CF/1988 também ficou</p><p>conhecida como a Constituição Cidadã. Em</p><p>particular, destaco que a ideia de cidadania,</p><p>na Ciência Política, pressupõe um</p><p>permanente processo de construção de</p><p>direitos, mecanismos estes previsto e</p><p>garantidos no texto constitucional.</p><p>O filme mostra a trajetória de Tancredo Neves</p><p>(1910-1985) ao longo de fatos importantes da história</p><p>política brasileira, como a relação com Getúlio Vargas, o</p><p>trabalho para permitir a posse de João Goulart logo após</p><p>a renúncia de Jânio Quadros, o contato com Castello</p><p>Branco e sua participação na campanha das Diretas Já!</p><p>Bem, queridas e queridos alunos chegamos segunda</p><p>parte da nossa aula o processo de transição democrática. Na</p><p>próxima parte tomaremos contato com o processo de</p><p>consolidação da democracia e o início da chamada Nova</p><p>república.</p><p>(Estratégia Vestibulares/2021/Professora Ale Lopes)</p><p>Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em</p><p>juízo em defesa de direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do</p><p>processo.</p><p>Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.</p><p>Conforme se lê no texto constitucional, o dispositivos faz parte de um conjunto normativo</p><p>que alterou a relação estabelecida entre os indígenas e o Estado, após a promulgação da</p><p>Constituição de 1988, e</p><p>a) Garantiu o direito de propriedade sobre as terras indígenas.</p><p>b) Rompeu a lógica tutelar que considerava os índios seres incapazes para vida civil e para o</p><p>exercício de seus direitos.</p><p>c) Garantiu a diversidade étnica e as práticas culturais que caracterizam cada povo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>57</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>d) Protegeu o direito originário ao reconhecer que os indígenas sofreram com inúmeros</p><p>processo de violência.</p><p>e) Ampliou os direitos de ir e vir, até então, restritos aos territórios indígenas.</p><p>Comentário</p><p>O comando da questão pergunta sobre as alterações entre indígenas e Estado provocadas</p><p>pela Constituição. Assim, primeiro, vejamos o contexto da própria elaboração da constituição</p><p>para entender essa temática:</p><p>O processo de redemocratização no Brasil altera muitas estruturas institucionais e rompe com</p><p>velhas estruturas paradigmáticas. Já no final da década de 1970, intelectuais e líderes</p><p>religiosos e grupos da sociedade civil formaram entidades de apoio aos povos indígenas,</p><p>como o Cimi (Conselho Indigenista Missionário) que passaram a questionar as políticas</p><p>oficiais. Também foi fundada da UNI (União das Nações Indígenas).</p><p>Essa mobilização da sociedade civil e de diferentes grupos sociais gerou um destacado papel</p><p>destes grupos na formulação de propostas que repercutiu nos trabalhos da Assembleia</p><p>Constituinte entre 1987 e 1988. Isso contribuiu para que a Constituição fosse bastante</p><p>inovadora no que se refere à proteção e garantia de direitos. Por isso, inclusive, ela é</p><p>apelidada de Constituição Cidadã.</p><p>Assim, a redemocratização é o marco temporal e a Constituição Federal o marco jurídico</p><p>da implantação do PARADIGMA DA AMPLIAÇÃO DE DIREITOS que marca a “questão</p><p>indígena” a partir de então.</p><p>Agora veja, o artigo</p><p>constitucional trazido na questão fala sobre “Os índios, suas comunidades e organizações</p><p>são partes legítimas</p><p>para ingressar em juízo em defesa de direitos e interesses”. Isso significa</p><p>que a partir da promulgação da Constituição os indígenas conquistas a chamada capacidade</p><p>civil plena.</p><p>Essa é a mudança, porque antes eles ficavam tutelados pelo Estado que, por isso, definiam</p><p>os rumos das vidas dos povos indígenas. Antes da CF/1988 não havia escolha para os</p><p>indígenas, na medida em que sua condição jurídica definida pelo Código Civil, de 1916,</p><p>Respeito à</p><p>diversidade</p><p>étnica</p><p>Reconhecimento</p><p>da pluralidade</p><p>das culturas</p><p>Garantia de</p><p>proteção</p><p>especial às</p><p>minorias</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>58</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>determinada que estavam sujeito ao regime tutelar. Olha o que dizia Código dizia sobre os</p><p>silvícolas:</p><p>“Os silvícolas ficarão sujeitos ao regime tutelar, estabelecido em leis e regulamentos</p><p>especiais, o qual cessará à medida que se forem adaptando à civilização do país.”</p><p>Tendo tudo isso em mente, vamos analisar cada alternativa:</p><p>a) errado, pois as terras indígenas pertencem à União. Porém, essa propriedade está</p><p>associada à posse permanente e ao usufruto exclusivo pelos indígenas.</p><p>b) correto, pois há o reconhecimento do indígenas enquanto agentes legítimos para atuarem.</p><p>c) falso, pois a afirmação, embora reconhece a diversidade cultura, não está diretamente</p><p>relacionada com o dispositivo constitucional reproduzido no enunciado.</p><p>d) falso, pois a afirmação, não está diretamente relacionada com o dispositivo constitucional</p><p>reproduzido no enunciado.</p><p>e) errado, pois restrições ao direito de ir e vir não foram formalmente impostas aos indígenas.</p><p>Gabarito: B</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>59</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>PARTE 3: NOVA REPÚBLICA</p><p>Na aula passada, enceramos nossos estudos no momento da Promulgação da Constituição</p><p>Federal de 1988. O próximo passo rumo à consolidação da democracia no Brasil foi a eleição</p><p>direta para Presidente da República de 1989. Reforço que, diferentemente da eleição de 1985, a</p><p>de 1989 foi de forma direta. Por isso, podemos falar que esta eleição também fez parte da</p><p>redemocratização.</p><p>Esse momento, que se inicia com a eleição direta de 1989, seguiu com outras 6 eleições</p><p>gerais para o poder executivo e o legislativo. Foram 7 presidentes, sendo que dois deles se</p><p>reelegeram e 2 sofreram impeachment.</p><p>Você saberia me dizer de cabeça quem são eles? Veja a seguir a linha sucessória</p><p>presidencial. Em vermelho são os presidentes que não terminaram seus mandatos.</p><p>Da eleição de 1989 para frente, falamos em consolidação da democracia. Ou seja, a</p><p>transição se completou e daí em diante a questão passou a ser a consolidação da democracia. E</p><p>consolidar a democracia, meu caro e minha cara, tem três aspectos: político, econômico e social!</p><p>Naqueles anos de 1980, as eleições, como instrumento de participação política da</p><p>democracia, pareciam estar garantidas. Mas apenas eleições não garantem a estabilidade da</p><p>democracia. Os dois grandes obstáculos para efetivar e estabilizar a democracia eram justamente:</p><p>• a crise da economia brasileira, representada pelos altos índices inflacionários;</p><p>• a miséria, a desigualdade e a falta de oportunidades para a ampla maioria da</p><p>população, as quais, juntas, são um dado real.</p><p>Além disso, e não menos importante, surgiu o desafio para que os brasileiros aprendessem</p><p>a construir a democracia. Diz um cientista político português, Boaventura Sousa Santos: “não há</p><p>democracia sem democratas”; isto quer dizer que seria necessário criar uma ética e um valor</p><p>democráticos. Assim, a recém-nascida democracia brasileira teria muito o que aprender e fazer</p><p>pela frente!</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>60</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Como panorama político, econômico e social desse período que vai de 1989 até 2019</p><p>podemos levantar alguns elementos que norteiam as características mais gerias.</p><p>Vejamos.</p><p>Em 1989, o Presidente José Sarney (PMDB) estava em vias de terminar o mandato</p><p>presidencial e, logo mais, passaria a faixa presidencial para o vencedor do pleito de 1989. Uma</p><p>sucessão presidencial importante em meio aos debates da “endêmica crise econômica” e da</p><p>“inflação galopante” – nos dizeres do professor Daniel Arão Reis37.</p><p>Se, por um lado, a economia não ia bem, por outro, o avanço democrático fazia surgir novos</p><p>partidos, como o Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB, fundado em 1988 fruto de uma</p><p>dissidência do PMDB. No mesmo sentido, a efervescência democrática do período pode ser</p><p>expressa na quantidade de candidatos na eleição de 1989, foram 22 no total.</p><p>Outro aspecto que precisamos considerar, nesse período da década de 1990 e dos anos</p><p>2000, é a entrada no Brasil das políticas ditas “neoliberais”, caracterizadas pela abertura comercial,</p><p>reforma da administração pública, pela diminuição da intervenção do Estado na economia, pelo</p><p>ajuste fiscal e por privatizações das empresas estatais.</p><p>Ainda sobre esse momento de consolidação democrática, podemos mencionar a criação</p><p>do Plano Real, que permitiu a estabilidade da economia e a volta dos investimentos. Com isso,</p><p>nos anos 2000, foi possível a implantação de políticas sociais de largo escopo, como o programa</p><p>Bolsa Família e a ampliação do acesso ao ensino superior. Entrava-se na fase de “democratização</p><p>da democracia” com a chamada ampliação de acesso aos direitos sociais.</p><p>Contudo, a consolidação democrática também foi marcada por amplas críticas sociais aos</p><p>governos, partidos políticos e instituições públicas a partir da segunda década do século XXI. Isso</p><p>demonstra, de certa forma, que os brasileiros foram cada vez mais se envolvendo com assuntos</p><p>políticos ao longo desse processo.</p><p>Veremos essas questões ao longo a aula. De toda forma, já fique com essas indicações em</p><p>mente!</p><p>Por fim, quero saiba que, para fins pedagógicos, vamos dividir a aula em capítulos de modo</p><p>que cada Presidente eleito de 1989 a 2019 fique com uma seção específica. Assim, organizamos</p><p>nossos estudos. OK?</p><p>Pegue aí seu cafezinho e bora lá!</p><p>37 REIS, Daniel Aarão. A Vida Política. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio</p><p>de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p. 110.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>61</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>8. AS ELEIÇÕES DE 1989</p><p>Após quase 30 anos sem votar para Presidente da República, os brasileiros decidiram, nos</p><p>dias 15 de novembro (1º turno) e 17 de dezembro (2º turno) de 1989 quem governaria o país até</p><p>31 de dezembro de 1994.</p><p>Essa eleição contou com muitos candidatos, sendo que é possível categorizá-los entre</p><p>representantes do campo da esquerda, do centro e da direita. Veja só:</p><p>Esquerda Centro Direita</p><p>Representada principalmente</p><p>por Lula da Silva, do PT, e por</p><p>Leonel Brizola, do PDT.</p><p>Representado por Ulysses</p><p>Guimarães, do PMDB, e Mario</p><p>Covas, do PSDB.</p><p>Representado por Paulo</p><p>Maluf, do PDS, e por</p><p>Fernando Collor, do PRN.</p><p>Durante a campanha eleitoral, Collor, que era Governador de Alagoas, se apresentou como</p><p>o político da renovação e fez um discurso centrado na moralização do serviço público e no</p><p>combate aos marajás.</p><p>Os marajás seriam os funcionários públicos que recebiam altos salários e vantagens aos</p><p>olhos da população. Na verdade, tratava-se de uma forma pejorativa para se referir a uma parcela</p><p>do serviço público, a minoria, pois o grosso do funcionalismo recebe, em média R$ 44.000 por</p><p>ano38. O termo marajás é uma referência aos antigos príncipes indianos.</p><p>Como proposta de Governo, Collor, que se tornou o candidato favorito, defendia a</p><p>modernização da administração pública e da economia do país a partir de um</p><p>projeto neoliberal.</p><p>Isso significava, entre outras medidas, uma reforma administrativa, ou, como falavam os servidores</p><p>públicos à época: a demissão de servidores públicos e a estagnação de concursos públicos. Além</p><p>disso, propunha privatizar empresas estatais e abrir a economia nacional para a concorrência</p><p>internacional.</p><p>38 Servidor público ganha 67% a mais que o privado no Brasil, diz Banco Mundial. Estadão, 21 de nov/2-</p><p>17. https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,servidor-publico-ganha-67-a-mais-que-o-privado-</p><p>no-brasil-diz-banco-mundial,70002091605</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>62</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O que é o neoliberalismo?39</p><p>O neoliberalismo é uma doutrina político-econômica que preconiza a mínima intervenção do</p><p>Estado na economia. Para os neoliberais o mercado se autorregula e não necessita do Estado. Sua</p><p>implantação pelos governos de vários países iniciou-se na década de 1970, nos Estados Unidos</p><p>com o Presidente Ronald Reagan e na Inglaterra com a 1ª Ministra Margareth Thatcher. Era uma</p><p>das principais respostas à crise mundial do petróleo. Desde então, as políticas neoliberais se</p><p>tornaram uma tendência dominante na ordem econômica internacional, com a defesa do Estado</p><p>Mínimo. Veja que é uma retomada do liberalismo na sua vertente econômica.</p><p>O impulso das orientações neoliberais para as economias mundiais ocorreu em 1989 com as</p><p>diretrizes do Consenso de Washington (reunião dos principais economistas do Banco Mundial,</p><p>Fundo Monetário Internacional, Tesouro dos Estados Unidos, etc.). Por isso que é comum nos</p><p>discursos políticos ouvirmos que o neoliberalismo pressupõe, por exemplo, “seguir a cartilha do</p><p>FMI” ou “as diretrizes do Consenso de Washington”.</p><p>O neoliberalismo acabou favorecendo o capital bancário-financeiro (bancos, seguradoras, fundos</p><p>de pensão, corretoras, agências de rating etc.).</p><p>Outra premissa básica do neoliberalismo é o desaparelhamento do Estado em setores da</p><p>economia ou da administração, ou seja, as privatizações ou concessões de serviços públicos.</p><p>Como a corrente neoliberal defende a não intervenção estatal na economia, isso também impacta</p><p>as leis trabalhistas. Ou seja, para o neoliberalismo o mercado de trabalho deve ser</p><p>desregulamentado. Isso ocorre porque a “compra e venda da força de trabalho” é entendida</p><p>como uma mercadoria, passível de contratos como os que fazemos como vamos comprar um</p><p>carro, uma casa, ou seja, relações civis que demandam contrato entre particulares.</p><p>No caso do Brasil, isso significa, na prática, flexibilizar as leis trabalhistas formuladas a partir da</p><p>CLT (desde o Governo Vargas).</p><p>Por fim, por assumir um caráter sistémico, isto é, afetar todas as esferas da vida das pessoas, a</p><p>ponto de influenciar modos de vida, fala-se na existência de uma racionalidade neoliberal. Ou seja,</p><p>um jeito racional de pensar e organizar não apenas a economia, mas todas as esferas da vida</p><p>social. Um exemplo disso, é a cultura do empreendedorismo em tudo, as “coisas” passaram a ser</p><p>concebidas, primeiro, como mercadoria, depois a partir da sua própria finalidade.</p><p>39 DARDOT, Pierre. LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São</p><p>Paulo: Boitempo. 2015.; GALVÃO. Andreia. Neoliberalismo e reforma trabalhista no Brasil. Rio de Janeiro:</p><p>Ed. Renavan/FAPESP. 2007.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>63</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Duas dicas de filmes para visualizarmos os efeitos do neoliberalismo na Europa: um filme inglês e</p><p>outro espanhol.</p><p>Em “Eu Daniel Blake,” após sofrer um ataque cardíaco e ser</p><p>desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, Daniel Blake (Dave</p><p>Johns) busca receber os benefícios concedidos pelo governo a todos que</p><p>estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na extrema burocracia</p><p>instalada pelo governo, amplificada pelo fato dele ser um analfabeto</p><p>digital. Numa de suas várias idas a</p><p>departamentos governamentais, ele conhece</p><p>Katie (Hayley Squires), a mãe solteira de duas</p><p>crianças, que se mudou recentemente para a</p><p>cidade e também não possui condições</p><p>financeiras para se manter. Após defendê-la, Daniel se aproxima de</p><p>Katie e passa a ajudá-la.</p><p>Já no filme “Segunda-feira ao Sol”, uma cidade costeira no norte da</p><p>Espanha sofre com seu isolamento quando seus estaleiros começam a</p><p>ser fechados, deixando vários trabalhadores desempregados à mercê</p><p>de pequenas ocupações temporárias. Entre eles está Santa (Javier</p><p>Bardem), um machão rebelde e autossuficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a verdade</p><p>é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna uma espécie de líder, são perdedores</p><p>completos, mergulhados no alcoolismo e em crises familiares</p><p>O candidato Collor também se dizia representante dos “descamisados”, o povo pobre.</p><p>Dessa forma, é comum vincular a imagem de Collor à tentativa de reconstrução do populismo.</p><p>Collor conseguiu agregar setores conservadores da sociedade que temiam uma vitória da</p><p>esquerda representado sobretudo por Lula e o PT. Além disso, seu discurso de “sujeito novo na</p><p>política”, lançava-o como uma figura diferente do tradicional e velho esquema de poder dos</p><p>políticos mais velhos (PMDB, PDS e PFL).</p><p>Repare que essa fórmula “o novo na política” sempre gera bons resultados eleitorais em</p><p>diferentes momentos da história brasileira. Vimos isso com Jânio Quadros, agora Collor e,</p><p>recentemente, diversas figuras se destacaram no cenário brasileiro, como João Doria e Jair</p><p>Bolsonaro.</p><p>É comum alguns historiadores compararem a postura de Collor nas eleições com a de Jânio</p><p>Quadros, pois ambos souberam usar a mídia e explorar um discurso contra a corrupção. Lembra</p><p>da campanha do Jânio Quadros varrendo a bandalheira, lembra dele e seus apoiadores com</p><p>vassouras nas mãos?</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>64</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>No primeiro debate eleitoral, realizado pela Rede Bandeirantes, Collor não compareceu.</p><p>Em outros debates do primeiro turno ele também não compareceu. Mas, como eram muitos</p><p>candidatos todos os debates acorreram, apesar da ausência daquele que se tornaria líder das</p><p>pesquisas.</p><p>Já o seu maior adversário nas eleições, Luís Inácio Lula da Silva, que era líder sindical e</p><p>fundador do Partido dos Trabalhadores (PT) defendia o nacional-estatismo e um conjunto de</p><p>reformas estruturais na economia e na sociedade:</p><p>a anulação da dívida externa;</p><p>a reforma agrária;</p><p>mudanças nas bases do modelo de desenvolvimento nacional;</p><p>aprofundamento de direitos sociais, entre outros</p><p>Em muitos sentidos, Collor e Lula, cada qual representando programas opostos,</p><p>canalizavam as frustrações, os protestos e as esperanças da maioria da população brasileira. Não</p><p>por menos, foram os dois candidatos mais votados no 1º turno. Nesse sentido, os partidos e as</p><p>lideranças vinculados aos projetos econômicos que vinham sendo aplicados até então, os mais</p><p>tradicionais da política nacional, acabaram se desgastando e deram espaço para o surgimento e</p><p>o fortalecimento de alternativas políticas que eram novidade naquele contexto, no caso, Fernando</p><p>Collor de Mello (do Partido da Reconstrução Nacional, PRN) e Luiz Inácio Lula da Silva (do PT).</p><p>Não por menos, foram estes que venceram o 1º Turno e disputaram o 2º turno da eleição de 1989.</p><p>Pois bem, o resultado do primeiro turno (apenas os mais bem colocados) foi:</p><p>Para o 2º turno, Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB) apoiaram Lula. Collor recebeu o apoio</p><p>do PFL, do PDS e PTB.</p><p>Fernando Collor (PRN)</p><p>32%</p><p>Luiz Inácio Lula da</p><p>Silva (PT)</p><p>18%</p><p>Leonel Brizola (PDT)</p><p>18%</p><p>Mário Covas (PSDB)</p><p>12%</p><p>Paulo Maluf (PDS)</p><p>10%</p><p>Guilherme Afif</p><p>Domingos(PL)</p><p>5%</p><p>Ulysses</p><p>Guimarães (PMDB)</p><p>5%</p><p>PRIMEIRO TURNO 1989</p><p>Fernando Collor (PRN)</p><p>Luiz Inácio Lula da Silva</p><p>(PT)</p><p>Leonel Brizola (PDT)</p><p>Mário Covas (PSDB)</p><p>Paulo Maluf (PDS)</p><p>Guilherme Afif Domingos(PL)</p><p>Ulysses Guimarães (PMDB)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>65</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Às vésperas da votação, uma semana antes do pleito, havia um empate técnico: Lula com</p><p>46% e Collor com 47%.</p><p>Nesta última semana, os principais meios de comunicação passaram a apoiar Collor, em</p><p>especial o dono da Rede Globo, Roberto Marinho. Com o Grupo Globo a favor de Collor, o jogo</p><p>ficou desequilibrado e, na última semana de campanha, iniciou-se uma propaganda de terror</p><p>sobre a candidatura Lula. É bom lembrar que os meios de comunicação, à época, não eram</p><p>horizontais como hoje em que há twitter, whatsassp, facebook. Aliás, querido e querida aluna, tá</p><p>aí um bom tema para ser explorado em provas, principalmente em redações: “política e meios de</p><p>comunicação”. Em história, já vimos o papel do Rádio, depois da TV e, mais recentemente, há as</p><p>redes sociais. Fica ligado!!!</p><p>Assim, as mensagens transmitidas pelo grupo Rede Globo de Comunicação acabavam se</p><p>tornando a única fonte de comunicação que atingia a ampla maioria dos eleitores. Uma parcela</p><p>importante da sociedade, sobretudo as classes médias, ficou em pânico e com medo das</p><p>chamadas propostas “revolucionárias” de Lula.</p><p>Segunda as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling,</p><p>“A classe média, que se sentia expropriada diariamente pela inflação, entrou em pânico</p><p>quando Collor soprou as brasas do anticomunismo visceral de largos setores da</p><p>sociedade brasileira e associou Lula à desapropriação de imóveis e ao confisco das</p><p>cadernetas de poupança.”40</p><p>Ironicamente, quem confiscou a poupança foi o próprio Collor, como veremos a seguir.</p><p>A título de análise histórica comparativa, já vimos que o discurso anticomunista “vira-e-</p><p>mexe” é usado com fins eleitorais. Mas a maioria da sociedade brasileira não tem a menor ideia</p><p>das diferenças entre os diferentes tipos de sistemas e regimes políticos.</p><p>Veja o clima horas antes da votação:</p><p> O Presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Mario</p><p>Amato, declarou que 800 mil empresários deixariam o Brasil caso Lula ganhasse.</p><p> No sábado, às vésperas da votação, quando a polícia paulista acabou com o</p><p>sequestro do empresário Abílio Diniz (do grupo Pão de Açúcar), foi sugerido que os</p><p>envolvidos eram do PT. (as investigações policiais deixaram claro não haver qualquer</p><p>indício de tal relação).</p><p> No domingo, dia da eleição, o jornal O Estado de São Paulo chegou às bancas e</p><p>apresentou o relato do irmão de Abílio Diniz sustentando que o PT havia participado</p><p>do sequestro.</p><p>40 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.</p><p>2018, p. 492.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>66</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Vejam que fake news políticas não são “coisas de whatsapp”, mas sim um comportamento</p><p>“do vale-tudo eleitoral” no mercado de votos. Na Ciência Política isso é analisado desde a Roma</p><p>antiga....</p><p>DIANTE DESSE CENÁRIO MIDIÁTICO, O RESULTADO FOI...</p><p>9. O GOVERNO COLLOR 1990-1992</p><p>Collor, jovem bom de verbo e de voto, empolgava as massas populares e seduzia as</p><p>elites, a quem convencia pelo passado (jovem líder da Arena), pelas alianças políticas,</p><p>pela posição social (proprietário de terras e de meio de comunicação em Alagoas, seu</p><p>estado natal) e, sobretudo, pelas propostas de abrir o país para o mercado internacional</p><p>e enfraquecer o Estado regulamentador e intervencionista, núcleo da tradição nacional-</p><p>estatista41.</p><p>O primeiro problema a ser enfrentado pelo Presidente eleito,</p><p>Fernando Collor, foi o controle da inflação já que esta continuava alta,</p><p>a ponto de atingir uma média de 84,2% ao mês. Por isso, precisaria</p><p>agir rápido! Assim, começou seu mandato com ações enérgicas.</p><p>No dia seguinte à posse, em 15 de março de 1990, Collor editou</p><p>um plano de combate à inflação, o Plano Brasil Novo, mais conhecido</p><p>como Plano Collor42.</p><p>41 Idem, p. 113.</p><p>42 Fernando, CARNEIRO, José Alan Dias & RAMOS, Plínio de Abreu. A Imprensa faz e Desfaz um</p><p>Presidente, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1994.</p><p>53,03%</p><p>46,97%</p><p>RESULTADO SEGUNDO TURNO 1989</p><p>Fernando Collor (PRN) Luiz Inácio Lula da Silva(PT)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>67</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O Plano Collor incluía:</p><p>O</p><p>O objetivo do Governo, com o Plano Collor, era diminuir a quantidade de moeda em</p><p>circulação e, com isso, tentar controlar os preços. Segundo o economista Paul Singer,</p><p>Na realidade, o sequestro do dinheiro se destinava a impedir que a população pudesse</p><p>fazer gastos acima de uma quantia irrisória durante um ano e meio, com a finalidade de</p><p>cortar a demanda para forçar uma baixa dos preços. O efeito foi paralisar todas as</p><p>transações e, portanto, a vida econômica do país, o que inverteu o curso dos preços: a</p><p>hiperinflação de 15 de março se tornou em deflação em 16 de março. Os preços caíam,</p><p>porque os vendedores ofereciam as mercadorias por preços mais baixos para conseguir</p><p>algum dinheiro por elas. Era o que o plano almejava – derrubar a hiperinflação com “um</p><p>único golpe de caratê” (expressão usada por Collor, que praticava o esporte).43” (grifos</p><p>nossos)</p><p>43 SINGER, Paul. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio de Janeiro: Mapere e</p><p>Editora Objetiva. 2016, p. 220.</p><p>Congelar preços e salários;</p><p>Sequestrar todas as somas em dinheiro, depositadas</p><p>nos bancos, que excedessem a casa dos 50 mil</p><p>cruzados. Proibiu saques acima de 50 mil cruzados.</p><p>Essa medida, também conhecida como confisco das</p><p>poupanças, durou 18 meses;</p><p>Extinguir a moeda vigente, o cruzado, e reestabelecer</p><p>o Cruzeiro.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>68</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Segundo cálculos da imprensa, dos cerca de 120 bilhões de dólares que estavam em contas-</p><p>correntes, aplicações e poupanças, 95 bilhões foram confiscados. Isso representava 80% de todo</p><p>o dinheiro que circulava nos bancos. Apesar do Plano Collor, não houve respostas positivas na</p><p>esfera econômica. Pelo contrário, ninguém podia comprar, o consumo paralisou, o desemprego</p><p>aumentou e empresas faliram.</p><p>Ainda no início do Governo, Collor editou o Programa Nacional de Desestatização (PND) e</p><p>medidas de abertura do país ao mercado internacional.</p><p>Sobre o PND, a partir de uma política fiscal rígida, que objetivava a busca do equilíbrio nas</p><p>contas públicas, a ideia era diminuir o déficit público. Assim, baseado na proposta de estabilidade</p><p>de preços, o Governo tinha três alternativas para pagar esse déficit:</p><p>I. a redução das despesas;</p><p>II. o aumento das receitas tributárias;</p><p>III. a alienação das empresas estatais:</p><p>O PND respondia a essa terceira alternativa.</p><p>As empresas estatais selecionadas para serem vendidas estavam localizadas em setores da</p><p>base da estrutura industrial, como a siderurgia, a petroquímica e a produção de fertilizantes.</p><p>Das dezoito empresas incluídas no PND em 1990, somente quatro foram privatizadas até</p><p>dezembro de 1991, dentre elas, a USIMINAS.</p><p>Em 1992, o PND foi intensificado: 16 empresas foram à leilão e transferidas ao setor</p><p>privado, como a Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).</p><p>Na prática, uma boa parte da estrutura produtiva estatal montada desde Getúlio Vargas e</p><p>intensificado durante o regime militar foi privatizada, ou seja, seu controle passou das mãos do</p><p>Estado para as da iniciativa privada formada por grandes grupos empresariais.</p><p>Além do PND, Collor também realizou corte de gastos públicos e aumento os impostos.</p><p>O PND apresentou, até 1992, um valor de um pouco mais de US$ 4 bilhões com as vendas das</p><p>empresas</p><p>estatais.</p><p>Contudo, as medidas iniciais do Governo Collor não domaram a inflação e uma onda de</p><p>greves salarias explodiu no país. Os petroleiros da Petrobras, por exemplo, fizeram uma forte</p><p>greve em 1991.</p><p>Com isso, a popularidade do Presidente começava a se desgastar. Isso pode ser percebido</p><p>nas eleições para Governadores e o Congresso Nacional (Deputados Federais e Senadores),</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>69</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>realizadas em novembro de 1990. Collor não conseguiu eleger nenhum candidato a Governador</p><p>que chegou a indicar.</p><p>Em 1991, o Governo Federal lançou o Plano Collor II. Aplicava as mesmas e tradicionais</p><p>políticas: congelamento de preços e salários e elevação de taxas de juros. Ocorria que, a lógica</p><p>inflacionária parecia não ter solução e as medidas até então aplicadas estavam longe de solucionar</p><p>o problema.</p><p>Para piorar a situação de Fernando Collor, em maio de 1992, denúncias começavam a</p><p>aparecer, ligando-o a casos de corrupção. O irmão de Collor, sócio das empresas da família, veio</p><p>a público confirmar as denúncias e acrescentou outras, como aquelas que envolviam a esposa do</p><p>Presidente, Roseane Collor.</p><p>Pedro Collor, o irmão, concedeu entrevista à revista Veja, na qual explicou como Fernando</p><p>mantinha uma sociedade com o empresário Paulo César Farias (o PC Farias), tesoureiro de</p><p>campanha de Collor. As transações ilegais chegavam a 60 milhões de dólares.</p><p>A resposta imediata partiu do Congresso Nacional e dos protestos nas ruas.</p><p>Os parlamentares formaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as</p><p>acusações. Descobriu-se que PC Farias atuava para nomear pessoas em cargos de comissão nos</p><p>diversos níveis da administração federal.</p><p>Além disso, a CPI apurou o funcionamento do “Esquema PC”: os empresários forneciam</p><p>dinheiro a PC Farias, em troca de favores do Governo; o dinheiro obtido era enviado ao exterior</p><p>e depositado em contas nos “paraísos fiscais”. Por meio de laranjas, o dinheiro retornava para</p><p>contas no Brasil e, depois, era distribuído, inclusive para familiares de Collor.</p><p>A CPI chegou a confirmar que PC Farias pagava as contas particulares de Collor e projetou</p><p>que os depósitos do esquema Collor-PC Farias poderiam variar entre 300 milhões e 1 bilhão de</p><p>dólares.</p><p>Apesar de fazer apelos públicos para</p><p>o povo sair às ruas e defendê-lo, Collor</p><p>conseguiu estimular os estudantes a saíram</p><p>às ruas contra seu governo. Liderados pela</p><p>União Nacional dos Estudantes (UNE),</p><p>presidida pelo então estudante de</p><p>medicina Lindbergh Farias, formou-se o</p><p>Movimento “Caras-pintadas”, o qual exigia</p><p>a deposição de Collor por meio de</p><p>impeachment. O nome do movimento é</p><p>porque os jovens saiam em passeatas com as caras pintadas de verde e amarelo.</p><p>Impeachment: é uma palavra de origem inglesa que significa</p><p>impedimento. No sentido jurídico-político, é um processo que pune</p><p>um representante político com o afastamento do cargo público.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>70</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Em agosto de 1992, começaram a ser feitas grandes passeatas, reunindo inicialmente 10</p><p>mil pessoas, depois 30 mil, até chegar à marca de 400 mil pessoas em uma passeata em São Paulo,</p><p>no dia 25 de agosto. Uma dessas manifestações mais marcantes ocorreu no dia 16 de agosto</p><p>daquele ano, um domingo, dois dias depois de Collor aparecer em cadeia nacional para pedir que</p><p>o povo fosse às ruas de verde e amarelo para defendê-lo. Só que não!!!! As pessoas foram sim às</p><p>ruas, porém de preto.</p><p>As manifestações continuaram a crescer no mês de setembro, quando um pedido de</p><p>impeachment foi elaborado e entregue à Câmara dos Deputados. No dia 29 de setembro, a</p><p>Câmara aprovou o pedido por ampla maioria e o processo foi aberto. Naquele dia, estima-se que</p><p>milhões de pessoas haviam aderido ao movimento dos caras-pintadas, saindo às ruas com o rosto</p><p>pintado de verde e amarelo para pedir a saída do presidente.</p><p>Votação na Câmara dos Deputados Manifestação pelo impeachment de Collor</p><p>44</p><p>Conforme pesquisas da época, no bojo do Movimento “Fora Collor”, o Presidente chegou</p><p>a 68% de rejeição e a 9% de aprovação. Vale registrar que não houve manifestações de rua para</p><p>defender o Governo Collor.</p><p>Se, porventura, cair na prova algum tipo de comparação entre o impeachment de Collor e o de</p><p>Dilma Rousseff (este ainda vermos nesta aula) fique atento: no caso de Collor, não houve</p><p>manifestações de defesa do Governo; no caso de Dilma, houve manifestações de rua a seu favor,</p><p>o que demonstra a polarização política naquele contexto de 2015 e 2016. Veremos mais diferenças</p><p>entre os dois processos quando estivermos estudando o governo dessa Presidente.</p><p>44 Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/485506-camara-se-prepara-para-votacao-de-</p><p>impeachment-24-anos-pos-collor/.Acesso em: 03/09/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>71</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Com a condenação iminente no Senado Federal, Collor resolveu renunciar ao cargo, no dia</p><p>29 de dezembro de 1992, para evitar a inelegibilidade nos oito anos seguintes.</p><p>Mesmo com a renúncia, o Congresso votou a favor da perda dos direitos políticos do ex-</p><p>presidente, afastando-o de cargos eletivos pelo resto da década de 1990.</p><p>Votação do impeachment de Collor no Senado:</p><p>A favor do impeachment Contra o impeachment</p><p>76 3</p><p>Collor ficou impedido de exercer funções públicas até o ano 2000. Já PC Farias, fugiu do</p><p>país, mas foi localizado na Tailândia. Em 1996, após cumprir curto período da pena, PC foi</p><p>encontrado morto em Maceió (AL).</p><p>Vale mencionar que, 22 anos após esses fatos, Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal</p><p>Federal (STF) das acusações de peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica.</p><p>Desde o afastamento de Collor pelo Congresso Nacional, ainda no processo de</p><p>impeachment, quem assumiu a presidência do país foi Itamar Franco, o vice-Presidente.</p><p>Após a renúncia de Collor, Itamar Franco assumiu definitivamente, até o término do</p><p>mandato em 1994.</p><p>Antes de passarmos para o Governo Itamar Franco, vejamos mais algumas informações que</p><p>podem ser tratadas em uma perspectiva comparativa com temas que continuam atuais:</p><p>Em 1992, além de tudo o que vimos, também foi comemorado 500 anos da conquista da</p><p>América por Cristóvão Colombo. Nessa comemoração, os povos indígenas do Brasil aproveitaram</p><p>para debater a realidade dos índios, em particular, a falta de política em torno da demarcação de</p><p>terras indígenas.</p><p>No Brasil, foi encaminhado ao Presidente da República, no caso Collor, um abaixo-assinado</p><p>com milhares de assinatura exigindo a demarcação das terras indígenas e o respeito à autonomia</p><p>político-cultural dos povos indígenas.</p><p>Neste mesmo ano, de forma inédita, o Pavilhão da Bienal do Parque do Ibirapuera, em São</p><p>Paulo, realizou a exposição Índios no Brasil: alteridade, diversidade e diálogo cultural. Foi um</p><p>marco das sociedades urbanas brasileiras no contato com as sociedades indígenas do Brasil.</p><p>No que diz respeito à política externa e acordos comerciais, em 1991 foi fundado o</p><p>Mercado Comum do Sul (MERCOSUL). É uma organização intergovernamental fundada a partir</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>72</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>do Tratado de Assunção de 1991. Estabelece uma integração, inicialmente econômica, mas,</p><p>configurada atualmente em uma união aduaneira. O MERCOSUL é formado por Brasil, Argentina,</p><p>Paraguai e Uruguai. A Venezuela chegou a fazer parte, mas está suspensa do Mercosul devido à</p><p>situação política em curso naquele país.</p><p>10. O GOVERNO DE ITAMAR FRANCO: 1992- 1994</p><p>Itamar Franco (1930-2011), mineiro, oriundo do</p><p>PMDB, precisou</p><p>se filiar ao PRN de Collor para sair como vice-Presidente. A rigor, a</p><p>trajetória política de Itamar estava mais próxima ao nacional-estatismo,</p><p>que atribuía um papel forte ao Estado na regulação da econômica, do</p><p>que ao neoliberalismo de Collor.</p><p>Itamar assumiu definitivamente em 29 de dezembro de 1992. O</p><p>país estava em uma situação calamitosa, do ponto de vista econômico.</p><p>No início de suas atribuições presidenciais, diante do cenário adverso, logo após o</p><p>afastamento de Collor, o Presidente Itamar propôs um novo Governo, baseado na União Nacional</p><p>de todas as forças políticas. O PSDB, que havia apoiado Lula no 2º turno de 1989, entrou nessa</p><p>unidade. Assim, Itamar fez um Governo de Coalizão.</p><p>O começo do Governo Itamar coincidiu com a realização do Plebiscito – em abril de 1993-</p><p>para decidir a forma de governo (república ou monarquia) e o sistema de governo</p><p>(presidencialismo ou parlamentarismo). A realização desse plebiscito foi um acerto dos debates</p><p>da Constituição de 1988, ou seja, ele estava previsto no próprio texto constitucional. Vejamos o</p><p>quadro geral desse Plebiscito:</p><p>PIB em</p><p>queda</p><p>Desemprego</p><p>a 15%</p><p>Inflação</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>73</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>República Monarquia</p><p>66% dos votos 10% dos votos</p><p>Presidencialismo Parlamentarismo</p><p>55% 25%</p><p>Conclusão, o Brasil continuaria como um país Republicano baseado no sistema</p><p>Presidencialista.</p><p>Neste cenário de dificuldades para consolidar a democracia brasileira, uma das grandes</p><p>contradições desse período foi o Brasil atingir um certo nível de desenvolvimento das regras do</p><p>regime democrático e, ao mesmo tempo, conviver com a elevada injustiça social.</p><p>A propósito, foi nesse no contexto político, econômico e social desigual do início da década</p><p>de 1990 que duas chacinas entraram para a história do país:</p><p>23 de julho de 1993: seis policiais militares abriram fogo contra 40 crianças</p><p>moradoras de rua em frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro;</p><p>29 de agosto de 1993: 36 homens armados e encapuzados fuzilaram 21 pessoas,</p><p>todas jovens, na favela do Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro.</p><p>Assim, o cenário social ficou cada vez mais pesado e não era mais possível tratar problemas</p><p>sociais como casos de polícia, como sempre foi tratado no país.</p><p>Dessa forma, os desafios do Governo Federal eram: organizar a economia para tentar</p><p>resolver problemas mais gerais do país, inclusive a desigualdade social, com o objetivo de diminuir</p><p>a concentração de renda. Nesse sentido,</p><p>o maior mérito do governo Itamar foi tentar entender o desvio que tornava a</p><p>democracia refém da injustiça social e que tinha na inflação uma aliada poderosa”45.</p><p>Foi nesse momento que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, assumiu</p><p>o Ministério da Fazenda com o objetivo de elaborar um novo plano econômico. Antes de FHC,</p><p>outros três Ministros haviam tentado elaborar planos econômicos, porém, sem sucesso. FHC,</p><p>então, deixou a pasta de Ministro das Relações Exteriores e virou o Ministro da Fazenda do</p><p>Governo Itamar Franco.</p><p>FHC propôs o Plano Real. Esse Plano, diferentemente das propostas anteriores, foi à debate</p><p>público e no Congresso Nacional, pois, para o povo não ser pego de surpresa, a sociedade</p><p>precisava entender qual seria a lógica prevista para o ajuste econômico.</p><p>45 Idem, p. 496.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>74</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O Congresso Nacional aprovou o Plano e foi dado o início à sua implementação. O primeiro</p><p>passo foi a criação, no final de 1993, da Unidade Real de Valor (URV), um indexador provisório de</p><p>inflação para reajustar preços de mercadorias e salários. Em seguida, veio a nova moeda: o Real.</p><p>Com a implementação do Real, em 1º de julho de 1994, novas regras foram estabelecidas:</p><p>Essas mudanças, somadas ao aumento das importações, trouxeram dólares para o país o</p><p>que levou a um câmbio em que 1 dólar equivalia a 0,90 centavos de Real, e, logo em seguida, 1</p><p>dólar = 1 real (paridade). Portanto, a moeda brasileira foi valorizada.</p><p>O Banco Central passou a ser grande protagonista no controle da emissão de moeda e na</p><p>flutuação do câmbio, elementos centrais para combater a inflação. O ano de 1994 terminou com</p><p>uma inflação a 20% ao ano, contra mais de 2000% ao ano em 1993.</p><p>Assim, o Plano Real conseguiu estabilizar a moeda.</p><p>Concomitantemente à implementação do Real, houve uma progressiva queda nas taxas de</p><p>juros do mercado internacional, fato que fez diminuir as remessas de dinheiro do Brasil para pagar</p><p>credores internacionais. A economia nacional começava a crescer novamente.</p><p>Em 1994, a economia cresceu 5% ao ano, o melhor resultado desde o início dos anos 1980.</p><p>No início do Plano Real houve aumento de até 28% no poder aquisitivo da população de baixa</p><p>renda por causa da queda da inflação.</p><p>Contudo, a partir de 1997, esse ganho foi praticamente anulado devido ao aumento dos</p><p>índices de desemprego e a falta de valorização do salário mínimo.</p><p>fim da indexação, ou seja, o fim do repasse automático da</p><p>inflação mensal para os salários, para as prestações, para os</p><p>aluguéis e contratos em geral;</p><p>a vinculação da nova moeda ao dólar.</p><p>A regra também previa: emissão de novos Reais na mesma</p><p>proporção de dólares nos cofres do Banco Central (BC).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>75</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Em suma, o Plano Real foi considerado um sucesso, fato que tornou Fernando Henrique Cardoso</p><p>uma pessoa conhecida e forte candidato para as eleições Presidenciais, que ocorreram em 1994.</p><p>10.1- ELEIÇÕES DE 1994</p><p>Mas e o Itamar profe, ele não podia se candidatar? Afinal, foi a coalizão política que ele</p><p>montou que melhorou os índices econômicos!</p><p>Não, queridos, ele não podia se candidatar. A Constituição de 1988 não previa a reeleição daquele</p><p>que estava em pleno exercício do cargo de chefia do Poder Executivo. Atenção a isso, hein!!!</p><p>Como Itamar assumiu plenamente as atribuições de Presidente da República, ele não podia se</p><p>candidatar. Assim, os “louros” do Plano Real ficaram com FHC. Daqui a pouco veremos quando</p><p>passou a ser possível a reeleição!</p><p>O PSDB articulou uma aliança com o PFL (atual DEM) e Fernando Henrique ganhou as</p><p>eleições no 1º turno, derrotando o principal candidato da oposição, Lula.</p><p>Veja os votos do primeiro e do segundo colocados:</p><p>Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Luiz Inácio Lula da Silva (PT)</p><p>14, 7 milhões de votos, 55,2% 9,8 milhões de votos, 39,9%</p><p>falências e</p><p>desemprego</p><p>(sentidos a</p><p>médio prazo)</p><p>inflação</p><p>(efeito imediato)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>76</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Agora, no final do Governo Itamar Franco, também houve uma CPI, a CPI do Orçamento.</p><p>A investigação da Comissão Parlamentar apontou um esquema de corrupção no Orçamento da</p><p>União. Por meio de influências políticas, verbas federais eram destinadas a entidade filantrópicas</p><p>fantasmas. A acusação envolveu mais de 20 parlamentares, 6 Ministros e ex-Ministros. Esse caso</p><p>ficou conhecido como “Anões do Orçamento”. No final das contas, apenas 6 Deputados Federais</p><p>tiveram os mandatos cassados pelo Plenário da Câmara dos Deputados.</p><p>É meus queridos, casos de corrupção não faltam na história do Brasil, né!</p><p>11. OS GOVERNOS DE FERNANDO HENRIQUE CARDOSO: 1995-</p><p>2002</p><p>Fernando Henrique Cardoso, FHC, que além de Ministro de</p><p>Itamar também era Senador da República, governou o país por 8</p><p>anos. Foi no seu primeiro mandato que conseguiu aprovar no</p><p>Congresso Nacional, em junho de 1997, a Emenda à Constituição</p><p>que autorizou a reeleição para Presidente da República e para os</p><p>Findava-se</p><p>o Período Democrático, iniciado em 1946.</p><p>Antes mesmo de Jango deixar o país, o presidente do Senado, Auro de Moura Andrade, já havia</p><p>declarado vaga a presidência da República. O presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli,</p><p>assumiu interinamente a presidência</p><p>Em seguida, as unidades militares de São Paulo, Rio Grande do Sul e de parte do Rio de Janeiro</p><p>também aderiram. Carlos Lacerda também saiu na defesa da movimentação militar.</p><p>A movimentação dos militares começou em Minas Gerais e recebeu o apoio do Governador do</p><p>Estado, Magalhães Pinto.</p><p>Momentos decisivos da Arquitetura do Golpe:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>6</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Uma parte dos parlamentares do Congresso Nacional achava que os militares convocariam</p><p>novas eleições. Só que não. #SQN!</p><p>Entre abril de 1964 e março de 1967, cerca de 400 parlamentares eleitos tiveram os</p><p>mandatos cassados. Inclusive JK, que era parlamentar.</p><p>No Congresso, em 11 de abril de 1964, o Congresso Nacional elegeu, via eleições indiretas, o</p><p>único candidato à Presidência, o General Alencar Castello Branco. A votação foi nominal e</p><p>pronunciada em microfone.</p><p>Em seu pronunciamento, o Presidente Castelo Branco prometeu completar o mandato de Jango</p><p>e entregar o cargo ao sucessor nas eleições que deveriam ocorrer em 1965, jurou defender a</p><p>Constituição de 1946 e prometeu não haver mais cassações políticas. De novo, #SQN!!</p><p>Apenas 25 anos depois o Brasil teria novas eleições diretas presidenciais, em 1989!</p><p>Veja abaixo os presidentes que governaram durante a</p><p>Cassar mandatos parlamentares</p><p>Suspender direitos políticos de qualquer cidadão</p><p>Decretar ESTADO de sítio sem aprovação do Congresso</p><p>Realizar novas modificações na Constituição</p><p>Primeiro</p><p>Presidente</p><p>do Regime</p><p>Militar</p><p>Eleito pelo</p><p>Congresso</p><p>Nacional</p><p>Humberto</p><p>de Alencar</p><p>Castelo</p><p>Branco</p><p>(1964-1966)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>7</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Agora atenção, o fato desses presidentes terem sido militares não</p><p>significou que pensavam da mesma maneira no que se refere ao seu papel</p><p>político e o modo como deveria se governar o Brasil; A verdade é que dentro</p><p>das Forças Armadas, como apontam os estudiosos sobre o assunto, havia</p><p>muitas divergências.</p><p>Desde o início havia uma nítida diferenciação entre, de</p><p>um lado, militares que clamavam por medidas mais</p><p>radicais contra a "subversão" e apoiavam uma</p><p>permanência dos militares no poder por um longo</p><p>período e, de outro lado, aqueles que se filiavam à</p><p>tradição de intervenções militares "moderadoras" na</p><p>política, seguidas de um rápido retorno do poder aos</p><p>civis. Os mais radicais aglutinaram-se em torno do</p><p>general Costa e Silva; os outros, do general Humberto</p><p>de Alencar Castelo Branco.1</p><p>1. O GOVERNO DE CASTELLO BRANCO (1964-1967)</p><p>A posse do general Castello Branco era o prelúdio de uma completa mudança no</p><p>sistema político, moldada através da colaboração ativa entre militares e setores civis</p><p>interessados em implantar um projeto de modernização impulsionado pela</p><p>industrialização e pelo crescimento econômico, e sustentado por um formato</p><p>abertamente ditatorial. A interferência na estrutura do Estado foi profunda. Exigiu a</p><p>configuração de um arcabouço jurídico, a implantação de um modelo de</p><p>desenvolvimento econômico, a montagem de um aparato de informação e repressão</p><p>1 Disponível em: https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964. Acesso em:</p><p>30/07/2019.</p><p>Militares</p><p>radicais</p><p>Defendiam</p><p>poder de longo</p><p>prazo</p><p>agiam mais por</p><p>fora das leis</p><p>Militares</p><p>moderados</p><p>Defendiam uma</p><p>intervenção</p><p>rápida</p><p>eram resistentes</p><p>às medidas de</p><p>exceção</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>8</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>política, e a utilização da censura como ferramenta de desmobilização e supressão do</p><p>dissenso2.</p><p>Castelo Branco foi eleito Presidente da República pelo Congresso Nacional, em eleição no dia 11</p><p>de abril de 1964, obtendo 361 votos contra 72 abstenções, 37 faltas, 3 votos para Juarez Távora</p><p>e 2 votos para Eurico Gaspar Dutra. Assumiu a Presidência da República em 15 de Abril de 1964.</p><p>1.1 - ASPECTOS POLÍTICOS</p><p>De acordo com o historiador Boris Fausto3, uma das</p><p>características do Regime Militar brasileiro foi o autoritarismo,</p><p>pois o regime político não previa mecanismos de diálogos com os</p><p>diferentes setores da sociedade, nem mesmo com o Congresso</p><p>Nacional. Mandava a alta cúpula militar e os órgãos de informação</p><p>e de repressão. Aos poucos, no Brasil, as liberdade democráticas</p><p>- como os direitos civis e políticos – foram sendo cercadas.</p><p>Os militares que assumiram o poder em 1964 acreditavam</p><p>que o regime democrático que vigorara no Brasil desde o fim</p><p>da Segunda Guerra Mundial havia se mostrado incapaz de</p><p>deter a "ameaça comunista". Com o golpe, deu-se início à</p><p>implantação de um regime político marcado pelo</p><p>"autoritarismo", isto é, um regime político que privilegiava</p><p>a autoridade do Estado em relação às liberdades individuais,</p><p>e o Poder Executivo em detrimento dos poderes Legislativo</p><p>e Judiciário.4</p><p>A arquitetura do poder autoritário dos Governos Militares</p><p>foi sendo moldada a partir dos Atos Institucionais (AI), da Lei de</p><p>Segurança Nacional, de 1967, e da formação de um conjunto de</p><p>órgãos burocrático militar-policial-administrativo de censura,</p><p>monitoramento e implementação das normas autoritárias</p><p>Por meio desses arquitetura de poder autoritário, as</p><p>liberdades democráticas foram sendo suprimidas. Disso, decorre a instalação o fim da democracia</p><p>e a implantação progressiva de uma Ditadura.</p><p>2 Idem, pp. 448-449.</p><p>3 FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 1955, p. 513.</p><p>4 ttps://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/Golpe1964.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>9</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Aqueles que se opunham ao novo Regime, ou foram perseguidos, ou foram cassados, ou</p><p>foram exilados, ou torturados, ou mortos, ou uma combinação dessas medidas repressivas. A</p><p>charge do Ziraldo, feita em 1968, expressa bem o contexto5.</p><p>Do que exatamente estamos tratando quando falamos em democracia?</p><p>Essa pergunta já moveu grande quantidade de teóricos e líderes políticos. É longa a história</p><p>pela efetivação da democracia, bem como do debate teórico acerca da questão.</p><p>De um modo geral, em perspectiva histórica, a democracia está relacionada com o</p><p>reconhecimento e a proteção dos direitos dos homens.</p><p>Mas que direitos são esses, Profe?</p><p>Anota aí: direitos de liberdade, igualdade e de participação política, ou os chamados</p><p>direitos civis e políticos.</p><p>Além disso, ao longo do Século XX, a democracia foi sendo entendida como um “método</p><p>ou um conjunto de regras de procedimento para a constituição de Governo e para a formação</p><p>das decisões políticas (ou seja, das decisões que abrangem a toda a comunidade)”6</p><p>O consenso sobre a validade e a necessidade da democracia foi expresso, do ponto de</p><p>vista quantitativo, em um número maior de países com sistemas de representatividade e de</p><p>alternância de poder, em que predomina o pluripartidarismo político-partidário e imprensa livre.</p><p>Esses quatro elementos, que compõem um regime democrático, são indicadores da amplitude</p><p>da democracia no mundo. Veja o esquema</p><p>5 Charge de Ziraldo, publicada no Correio da Manhã, edição de 23/6/1968. “O ministro quer dialogar com</p><p>você”.</p><p>6 BOBBIO, Norberto. Dicionário de Política, p. 326.</p><p>Democracia no</p><p>mundo</p><p>contemporâneo</p><p>Eleições</p><p>Periódicas</p><p>Partidos</p><p>Políticos livres</p><p>Alternância de</p><p>Poder</p><p>Imprensa Livre</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>10</p><p>282</p><p>AULA 18:</p><p>outros cargos do Executivo do país (Governadores e Prefeitos).</p><p>Por sinal, há controvérsias sobre a campanha da aprovação</p><p>dessa Emenda, pois há suspeitas de compra de votos, denúncias</p><p>de métodos antidemocráticos para sua aprovação (distribuição de</p><p>cargos, liberação de orçamentos, etc.).</p><p>Fernando Henrique Cardoso</p><p>concluiu o curso de Ciências Sociais pela</p><p>USP, realizou os estudos de pós-</p><p>graduação na Universidade de Paris. Na</p><p>década de 1960, com o Regime Militar,</p><p>foi exilado no Chile e posteriormente na</p><p>França, onde realizou seus estudos de</p><p>pós-graduação, retornou para o Brasil</p><p>como professor da USP no ano de 1968,</p><p>com o decreto do Ato Institucional (AI-5)</p><p>foi aposentado de suas atribuições</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>77</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Do ponto de vista econômico, o Governo de FHC continuou combatendo a inflação. Para</p><p>você ter uma ideia, com a implantação do Real, de julho de 1994 a maio de 2000, a taxa média</p><p>de inflação caiu para uma média de 11,4% ao ano (com base no Índice de Preços ao Consumidor</p><p>Amplo – IPCA, medido pelo IBGE).</p><p>FHC também seguiu com uma linha neoliberal e ampliou o modelo de Estado não</p><p>interventor na economia, ou seja, privatizou os serviços públicos e aprofundou a ruptura do</p><p>modelo de Estado criado láaaa com Getúlio Vargas, lembra-se?</p><p>Não esqueça de que o modelo varguista era o nacional-desenvolvimentismo: o Estado</p><p>como impulsionador da economia e o de FHC é neoliberal! Vai que cai, né?</p><p>Fernando Henrique Cardoso teria feito essa escolha por entender que o modelo de</p><p>substituição de importação baseado no desenvolvimentismo teria se esgotado:</p><p>O propalado esgotamento do modelo de substituição de importações foi, por sua vez,</p><p>fruto também da crise fiscal do Estado desenvolvimentista, o que também abriu espaço</p><p>para a convergência entre as ideias de Cardoso [FHC] e o receituário neoliberal:</p><p>Cardoso passou a ver no Estado uma máquina ineficiente e que estava presa aos</p><p>interesses corporativos das empresas estatais e dos setores sindicalizados da</p><p>burocracia, os quais seriam uma força de resistência contra a abertura da</p><p>economia.46(grifos nossos)</p><p>Para tanto, o Governo Federal lançou mão de uma Reforma Administrativa do Estado para</p><p>buscar eficiência na administração pública. Dentre as medidas, algumas delas impactaram os</p><p>servidores públicos, como a extinção de cargos para priorizar áreas consideras “fim” da máquina</p><p>pública. Iniciou-se um processo de terceirização das atividades “meio” no serviço público.</p><p>A Reforma Administrativa também fez parte do conjunto mais geral reformas pró-mercado</p><p>para eliminar a capacidade intervencionista do Estado na economia.</p><p>Com FHC, então, o Estado brasileiro diminuiu seu papel de produtor de bens e serviços.</p><p>Foram privatizadas, por exemplo, as seguintes empresas estatais:</p><p>46 TEIXIERA, Rodrigo Alves. PINTO, Eduardo Costa. A economia política dos governos FHC, Lula e Dilma:</p><p>dominância financeira, bloco no poder e desenvolvimento econômico. In: Economia e Sociedade,</p><p>Campinas, v. 21, n. 3 (46), dez. 2012, p. 915.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>78</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Dentro desse modelo de redução do papel do Estado diretamente na economia, FHC criou</p><p>as Agências Reguladoras. Estas têm a finalidade de regular e fiscalizar esses setores estratégicos</p><p>para o país. São exemplos de Agências Reguladoras:</p><p>• Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL);</p><p>• Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).</p><p>Política de FHC</p><p>No setor de telecomunicações, o Sistema Telebrás;</p><p>No setor de geração e distribuição de energia elétrica, a</p><p>Eletrobras;</p><p>No setor de mineração, a Companhia Vale do Rio Doce;</p><p>No setor de siderurgia, a Companhia Siderúrgica</p><p>Nacional (CSN);</p><p>No setor químico, a Copesul.</p><p>Fortalecimento</p><p>do Estado</p><p>regulador</p><p>Enfraquecimento</p><p>do Estado</p><p>empresário</p><p>(economia estal)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>79</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Sobre esse esquema, veja o que nos diz a perspectiva histórica do professor Daniel Aarão</p><p>Reis47,</p><p>Tratava-se de enfraquecer as tradições nacionais-estatistas, quebrando reservas de</p><p>mercado, diminuindo tarifas protecionistas, privatizando atividades e setores</p><p>econômicos. Nesse sentido, houve uma espécie de continuidade entre os governos</p><p>Collor, Itamar e FHC que, em perspectiva histórica, retomaram, redefinindo-as, algumas</p><p>ideias básicas que animavam as forças que participaram da vitória do Golpe de 1964,</p><p>presentes sobretudo no governo Castelo Branco e que seriam abandonadas, depois,</p><p>pelos governos ditatoriais que se seguiram.(grifos nossos)</p><p>A justificativa para as privatizações estava baseada na ideia de que, com as vendas, o capital</p><p>estrangeiro seria atraído para o Brasil, mantendo a valorização do Real e a estabilidade da</p><p>economia. Além disso, a economia nacional seria modernizada com a entrada de capital e</p><p>tecnologia estrangeira, o que dinamizaria a economia. Ademais, o dinheiro arrecado com a venda</p><p>do patrimônio nacional seria utilizado para pagar parte das dívidas interna e externa que a União</p><p>detinha.</p><p>Contra as privatizações de FHC, pelo menos duas forças de oposição criticaram as medidas:</p><p>No final do 2º mandato de Fernando Henrique, o país passou por uma crise no fornecimento</p><p>de energia elétrica. Esse evento ficou conhecido como a crise do “Apagão”. Parte dos</p><p>especialistas atribuiu a origem dessa crise à falta de investimentos e às privatizações.</p><p>Dentro da lógica neoliberal e da diminuição do papel do Estado como interventor na</p><p>economia, FHC também conseguiu aprovar no Congresso Nacional, em 1995, a Emenda à</p><p>Constituição que “quebrou” o monopólio estatal sobre a exploração do petróleo. O fim do</p><p>47 REIS, Daniel Aarão. A Vida Política. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio</p><p>de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p.117.</p><p>criticavam a venda do</p><p>patrimonio nacioal, a</p><p>lógica neoliberal e</p><p>defendiam um modelo</p><p>de Estado</p><p>intervencionista;</p><p>alegavam que o</p><p>argumento para pagar a</p><p>dívida externa era</p><p>falacioso.</p><p>Movimentos</p><p>Sociais e</p><p>Partidos de</p><p>esquerda</p><p>a liquidação do</p><p>patrimônio público teria</p><p>sido por um preço muito</p><p>abaixo do mercado; as</p><p>privatizações não</p><p>tiveram como</p><p>contrapartida a melhora</p><p>dos serviços.</p><p>Analistas</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>80</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>monopólio só pode ser estabelecido efetivamente em 1997, com a regulamentação da abertura</p><p>do mercado por uma lei e com a criação da Agência Nacional do Petróleo (ANP).</p><p>Outro ponto de atenção do Governo Fernando Henrique foi o ajuste das contas públicas,</p><p>na verdade, o ajuste dos gastos públicos. Para evitar excessivos gastos, FHC apresentou e o</p><p>Congresso Nacional aprovou a Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). A LRF foi aprovada em 4 de</p><p>maio de 2000. Esta lei passou a estabelecer regras para os gastos públicos, tanto em âmbito</p><p>federal, quanto em estadual e municipal.</p><p>Com a LRF, por exemplo, os Governos não puderam mais criar despesas sem indicar</p><p>corretamente as receitas que pagariam os gastos. A LRF, juntamente com a linha mais geral</p><p>macroeconômica do Governo, ajudou a manter a meta do superávit-primário (percentual</p><p>reservado da receita da União para pagar juros e encargos da dívida pública).</p><p>Além disso, para continuar atraindo capital estrangeiro ao país, a política monetária de FHC</p><p>foi caracterizada por manter altas taxas de juros. Segundo especialistas, isso beneficia o capital de</p><p>investimento especulativo e não o capital produtivo. Isso significa que é um tipo</p><p>de política que</p><p>não gera muitos empregos e, por isso, não intensifica o mercado interno.</p><p>No que diz respeito à política externa, o destaque foi para a tentativa de se</p><p>estabelecer uma zona de livre comércio nas Américas, em parceria com os Estados</p><p>Unidos. Com FHC, seguindo a linha de abertura comercial, a proposta de criação da</p><p>Associação de Livre Comércio das Américas (ALCA), a qual contaria com 34 países</p><p>americanos, ganhou fôlego. Porém, a ALCA não foi para frente, pois encontrou</p><p>resistência em diversos países latino-americanos por considerarem que se tratava de</p><p>uma submissão aos interesses de Washington48. Além dessa tentativa, a integração</p><p>com os países do Mercosul também foi intensificada.</p><p>No que diz respeito à área social, houve avanços em pontos específicos, como no</p><p>acesso à escola para crianças com idade entre 7 e 14 anos de idade. Em 2002, último</p><p>ano de FHC, o Brasil praticamente alcançou a universalização do Ensino</p><p>Fundamental, 97% dessas crianças.</p><p>O índice de analfabetismo também caiu, pois, em 1990, cerca de 18,3% das pessoas com</p><p>idade superior a 10 anos eram analfabetas; em 2002, esse percentual caiu para 12,8%.</p><p>Algumas reformas mais gerais no setor da Educação também foram feitas, sendo aprovadas</p><p>no ano de 1996 as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), em 1996, e, posteriormente,</p><p>a criação dos Parâmetros Curriculares para o Ensino Básico.</p><p>Porém, muitos especialistas afirmam que o compromisso do estado em gastar apenas o limite</p><p>fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e o compromisso de pagar a dívida pública fez com</p><p>que os recursos advindos do equilíbrio das contas públicas não conseguissem diminuir o déficit</p><p>social existente no Brasil.</p><p>48 SILVA, Francisco Carlos Teixeira. O Brasil no Mundo. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-</p><p>2010. Vol 5. Rio de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p. 159.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>81</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Na área da saúde, FHC ampliou as campanhas de vacinação. Houve uma queda na</p><p>taxa de mortalidade infantil: em 1994, a taxa era de 36,5 mortes para cada mil</p><p>crianças nascidas; em 2002, o índice caiu para 27,8 mortes para cada mil crianças</p><p>nascidas.</p><p>No que diz respeito ao conflito agrário, embora houvesse previsão específica na</p><p>Constituição Federal de 1988, pouco avanço foi feito na política da Reforma Agrária.</p><p>Na verdade, a gestão de FHC ficou marcada por diversos conflitos no campo. O mais</p><p>conhecido foi o Massacre de Eldorado dos Carajás (sudeste do Pará), em 1996. 19</p><p>trabalhadores rurais sem-terra foram mortos pela polícia militar no episódio que ficou</p><p>mundialmente conhecido.</p><p>Os trabalhadores do Movimento dos Sem Terra (MST) faziam uma caminhada até a cidade</p><p>de Belém, quando foram impedidos pela polícia de prosseguir. Mais de 150 policiais – armados</p><p>de fuzis, com munições reais e sem identificação nas fardas – foram destacados para interromper</p><p>a caminhada, o que levou a uma ação repressiva extremamente violenta e na morte dos</p><p>trabalhadores. Vinte anos depois, dois comandantes da operação foram condenados – Coronel</p><p>Mario Colares Pantoja, condenado a 258 anos, e Major Oliveira, condenado a 158 anos – e estão</p><p>presos desde 2012.</p><p>49</p><p>Já a concentração de renda foi ampliada, assim, a base da desigualdade social do Brasil</p><p>não foi alterada. A renda dos 20% da população mais rica continuou cerca de 30 vezes maior que</p><p>a dos 20% da população mais pobre. O Brasil ficou em excessiva dependência do Fundo</p><p>Monetário Internacional (FMI) e a dívida externa aumentou.</p><p>O aumento dos juros e a política de investimento das importações para o país geraram o</p><p>fechamento de empresas e a demissão de muitos trabalhadores. Tal situação, em certo sentido,</p><p>49 Bolsonaro dará indulto a policiais de Eldorado dos Carajás, Carandiru e ônibus 174. Uol, 31/08/2019.</p><p>Disponível em: https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/agencia-estado/2019/08/31/bolsonaro-</p><p>dara-indulto-a-policias-de-eldorado-dos-carajas-carandiru-e-onibus-174.htm.Acesso em: 02/09/2019.</p><p>Sobre esse assunto de Eldorado dos Carajás, fique</p><p>sabendo que o Presidente Jair Bolsonaro,</p><p>recentemente, 31 de agosto de 2019, disse que</p><p>pretende conceder indulto (perdão) aos policiais</p><p>envolvidos no caso, além de conceder a mesma medida</p><p>aos policiais envolvidos no Massacre do Carandiru</p><p>(1992) e aqueles envolvidos no caso do ônibus 174</p><p>(2000).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>82</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>fez com que a elite econômica nacional atingisse a condição de sócia menor dos interesses</p><p>estrangeiros50.</p><p>Neste cenário, a pressão de uma crise inflacionária voltou e as taxas de desemprego começaram</p><p>a subir. A renda média despencou.</p><p>Em suma, o namoro do Brasil com o Plano Real estava terminando bem no final do 2º</p><p>mandato de FHC. O modelo neoliberal mostrava desgastes essenciais no processo de</p><p>consolidação democrática. Nas eleições de 2002 esse foi um dos principais temas: a dificuldade</p><p>de as políticas neoliberais em reduzirem as desigualdades sociais.</p><p>Profe, e corrupção no governo FHC? Teve algum caso?</p><p>Durante os mandatos de FHC surgiram algumas denúncias de corrupção envolvendo</p><p>parlamentares, assessores, empresários ligados ao governo e a Ministros. Algumas das denúncias</p><p>chegaram a motivar a abertura de CPIs, como a CPI do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia)</p><p>e a CPI dos Bancos. A base governista no Congresso, contudo, levou ao arquivamento das</p><p>investigações.</p><p>Também houve a CPI da Corrupção, a qual investigou a suposta compra de votos de</p><p>parlamentares para a aprovação da Emenda à Constituição que estabeleceu a possibilidade de</p><p>reeleição do Presidente da República.</p><p>FHC sofreu uma campanha conhecida como “Fora FHC”, a ponto de em 1999 um pedido</p><p>de impeachment ter sido apresentado contra ele. Mas o processo foi arquivado. Manifestações</p><p>de rua também foram feitas contra o Governo do PSDB.</p><p>No senso-comum muita gente chamava os Promotores do Ministério Público de</p><p>“engavetadores da república” porque nenhuma denúncia ia para frente.</p><p>Mas não dava para engavetar a insatisfação popular. No final das contas, a tensão política</p><p>gerada pelo desgaste do Governo FHC foi resolvida nas eleições de 2002, com a eleição da</p><p>oposição.</p><p>50 TEIXIERA, Rodrigo Alves. PINTO, Eduardo Costa. A economia política dos governos FHC, Lula e Dilma:</p><p>dominância financeira, bloco no poder e desenvolvimento econômico. In: Economia e Sociedade,</p><p>Campinas, v. 21, n. 3 (46), dez. 2012.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>83</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>FHC se destacou por controlar a inflação, problema histórico do Brasil. O Plano Real e a</p><p>estabilização da moeda fizeram dos destaques da política econômica de FHC. O Presidente</p><p>também se destacou por aplicar e ampliar as políticas neoliberais no país, com privatizações e</p><p>abrindo o mercado brasileiro para o capital internacional. Seu Governo foi marcado por denúncias</p><p>de corrupção que permaneceram sem investigação.</p><p>12. OS GOVERNO DE LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA: 2003-2010</p><p>Lula, como é mais conhecido, chegou ao cargo de Presidente</p><p>da República após três tentativas: 1989, 1994 e 1998.</p><p>Segundo análises políticas de alguns especialistas, além do</p><p>desgaste das gestões do PSDB, como afirmei acima, outro elemento</p><p>contribuiu para a vitória da frente liderada pelo PT, qual seja: uma</p><p>mudança de estratégia político-programática. O vice de Lula foi o</p><p>empresário José de Alencar, do Partido Liberal (PL), fato que</p><p>expressava a abertura do programa da tradicional do Partido dos</p><p>Trabalhadores em direção a uma aliança com setores do</p><p>empresariado. A ideia era sinalizar ao mercado e aos investidores</p><p>que eles não precisavam temer o Partido dos Trabalhadores e seu</p><p>líder.</p><p>Em 2002, durante a campanha eleitoral, Lula divulgou a Carta aos brasileiros na qual ficou</p><p>claro que o candidato do PT mudava de um discurso radical para um “reformismo moderado”51.</p><p>Lula foi se apresentando como um político conciliador, tanto que Lula ganhou um apelido no meio</p><p>político e na imprensa de “Lulinha paz e amor”.</p><p>Em 2002, então, Lula ganhou de José Serra (PSDB) no 2º turno. Ele obteve 61,3% dos votos</p><p>válidos. Em 2006, novamente no 2º turno, Lula ganhou de Geraldo Alckmin (PSDB), com pouco</p><p>mais de 60% dos votos válidos.</p><p>Pela primeira vez na história do Brasil uma personalidade de origem genuinamente popular</p><p>(nordestino de origem pobre, ex-torneiro mecânico, ex-líder sindical) chegou à Presidência da</p><p>República. A crítica à desigualdade social e ao elitismo das instituições políticas do Brasil ajudaram</p><p>a impulsionar a candidatura de Lula.</p><p>Como fenômeno histórico, a eleição de Luiz Inácio era uma representação do fortalecimento da</p><p>democracia na medida em que pode ser entendida como um regime político aberto a todas as</p><p>classes sociais e a todos os partidos.</p><p>Em alguns aspectos, o programa de Lula mantinha parte da político-econômica de</p><p>Fernando Henrique Cardoso, uma vez que prometia preservar a ordem econômica vigente e</p><p>51 REIS, Daniel Aarão. A Vida Política. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio</p><p>de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p. 119.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>84</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>manter os compromissos do Brasil com os credores internacionais, tal como escrito na Carta aos</p><p>brasileiros.</p><p>A manutenção da linha macroeconômica de FHC também pode ser expressa na nomeação</p><p>de Henrique Meirelles, ex-presidente do Banco de Boston e Deputado Federal eleito pelo PSDB,</p><p>para Presidente do Banco Central.</p><p>Assim, no primeiro Governo Lula (2003-2006), ele manteve a base da político-econômica</p><p>de FHC,</p><p>Mas, ao contrário de FHC, Lula não continuou com as privatizações e nem com concessões</p><p>de serviços públicos submetidas a uma lógica neoliberal pura. O Governo Lula estimulou as PPPs</p><p>(Parcerias Público-Privado).</p><p>Esse primeiro mandato ainda ficou marcado pelo estímulo às exportações e pelo</p><p>crescimento do emprego. Mesmo com uma política econômica considerada tímida, durante o</p><p>Governo do petista 8,6 milhões de pessoas saíram da condição de miséria absoluta.</p><p>Em uma comparação entre FHC e Lula, o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro (a soma de</p><p>todos os bens e serviços produzidos no país) foi ligeiramente maior com Lula do que com FHC.</p><p>Veja só:</p><p>Média do PIB por período de cada Governo (FHC e Lula)</p><p>Governo Período PIB médio (%)</p><p>Fernando Henrique 1999-2002 2,20% ao ano</p><p>Lula 2003-2006 3,40% ao ano</p><p>Fonte: IBGE</p><p>sistemas de controle da</p><p>inflação: altas taxas de</p><p>juros e metas para</p><p>inflação</p><p>garantia do superávit</p><p>primário: controle de</p><p>gastos do Estado</p><p>câmbio flutuante</p><p>Garantia de</p><p>cumprimento dos</p><p>contratos</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>85</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Já no 2º Governo Lula (2007-2010),</p><p>(...) verificou-se certa flexibilização da política econômica por meio (i) da adoção de</p><p>medidas voltadas à ampliação do crédito ao consumidor e ao mutuário, (ii) do aumento</p><p>real no salário mínimo, (iii) da adoção de programas de transferência de renda direta,</p><p>(iv) da criação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e da ampliação da</p><p>atuação do BNDES para estimular o investimento público e privado e (v) das medidas</p><p>anticíclicas de combate à crise internacional a partir de 200952.</p><p>Os dados também indicam que, entre 2003 e 2010, o Brasil atravessou o maior ciclo de</p><p>crescimento das últimas três décadas. Vejamos alguns dados:</p><p>➢ O PIB cresceu 4,1% ao ano, quase o dobro do observado entre 1980 e 2002 (2,4% ao</p><p>ano).</p><p>➢ As contas externas da economia brasileira apresentaram resultados muito positivos</p><p>expressos nos superávits do balanço de pagamentos entre 2003 e 2010 (US$231,8</p><p>bilhões no acumulado).</p><p>➢ Isso permitiu ao governo saldar os empréstimos com o FMI, diminuir o endividamento</p><p>público externo e acumular reservas. Contudo, a dívida interna se ampliou.</p><p>No que diz respeito às questões sociais, estudiosos afirmam que a essência</p><p>dos programas dos Governos Lula foi tentar saldar dívidas sociais históricas (questão</p><p>racial, violência doméstica, problemas no campo, fome e educação) e proporcionar</p><p>maior inclusão social por meio de políticas de transferência de renda à população</p><p>carente. Ou seja, repare que o centro desse programa era atacar a “concentração de</p><p>renda”, tentar diminui-la.</p><p>Essa combinação, de acordo com o economista Paul Singer, teria favorecido o mercado</p><p>interno:</p><p>Em seguida, a instituição do Programa Bolsa Família, a expansão do crédito consignado</p><p>e outras políticas redistributivas expandiram o mercado interno e a economia passou a</p><p>crescer a taxas em média duas vezes maiores do que durante os dois mandatos de</p><p>FHC.” 53</p><p>52 TEIXIERA, Rodrigo Alves. PINTO, Eduardo Costa. A economia política dos governos FHC, Lula e Dilma:</p><p>dominância financeira, bloco no poder e desenvolvimento econômico. In: Economia e Sociedade,</p><p>Campinas, v. 21, n. 3 (46), dez. 2012, p. 923.</p><p>53 Op. Cit. p. 228.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>86</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Outra característica dos Governos Lula foi o estímulo formalização do mercado de trabalho,</p><p>isto é, empregos com carteira assinada. Mas também houve estímulo ao empreendedorismo por</p><p>meio de financiamento aos pequenos empreendedores feitos pelo BNDES.</p><p>Diante de melhorias, não só para os “de baixo”, como para os “de cima”, Lula começou a</p><p>ser comparado pelos empresários brasileiros como um Getúlio do século XXI, pois seria “pai dos</p><p>pobres” e “mãe dos ricos”. Em encontro com Presidentes do mundo, Obama, então Presidente</p><p>dos EUA, chegou a elogiar Lula: “This is the man”.</p><p>Mas veja, segundo os economistas Rodrigo A. Teixeira e Eduardo C. Pinto54, os resultados</p><p>positivos nos Governos Lula foram beneficiados pelo contexto internacional e não apenas por</p><p>políticas nacional-reformistas:</p><p>✓ de crescimento mundial com o superconsumo da China e estabilidade dos EUA, depois</p><p>do atentado das Torres Gêmeas (até a crise de 2008);</p><p>✓ ampla liquidez dos mercados financeiros;</p><p>✓ elevação dos preços internacionais das commodities;</p><p>✓ queda dos preços das manufaturas decorrentes do efeito direto e indireto da China.</p><p>Em razão desses dados, houve aumento do superávit comercial e as reservas internacionais</p><p>superaram o montante da dívida externa.</p><p>O “Bolsa Família” consiste em um valor que é fornecido a famílias em</p><p>situação de pobreza ou extrema pobreza. Esse auxílio já existia no Governo</p><p>de Fernando Henrique Cardoso, porém ele era dividido em quatro</p><p>programas (auxílios para compra de gás, alimentação, e artigos escolares),</p><p>no governo Lula eles foram unificados e ampliados. Por esse motivo, diz que, por um lado,</p><p>Lula manteve a “origem” de alguns programas sociais anteriores, por outro ele mudou a</p><p>“natureza” desses programas. Essa mudança visou utilizar a renda desse programa social</p><p>para estimular a economia e não somente para garantir condições de subsistência. Algo</p><p>um pouco mais estrutural, para atacer raízes das desigualdades. Os critérios de</p><p>permanencia no programa também mudaram: passou-se a exigir a permanência das</p><p>crianças pobres na escola e o acompanhamento das condições de saúde.</p><p>Outro marco social importante no Primeiro Governo Lula foi a sanção à Lei Maria da Penha.</p><p>A Lei Maria da Penha (Lei 11.340/06) tornou mais rigorosa a punição para agressões contra a</p><p>mulher quando ocorridas no âmbito doméstico e familiar. A lei entrou em vigor no dia 22 de</p><p>setembro de 2006 e</p><p>o primeiro caso de prisão com base nas novas normas - a de um homem que</p><p>tentou estrangular sua mulher - ocorreu no Rio de Janeiro. O nome da lei é uma homenagem a</p><p>Maria da Penha Maia, que foi agredida pelo marido durante seis anos até se tornar paraplégica,</p><p>depois de sofrer atentado com arma de fogo, em 1983.</p><p>54 Op. Cit, p. 924.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>87</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Agora, ainda no primeiro mandato, o Governo Lula sofreu denúncias de corrupção.</p><p>Algumas delas foram investigadas em CPIs, como a CPI dos Bingos e a CPI dos Correios. Contudo,</p><p>a principal denúncia girou em torno da suposta compra de votos para a aprovação da Reforma da</p><p>Previdência de 2003. Denúncias sugeriam que líderes do Governo Lula no Congresso compravam</p><p>votos para aprovar, além da Reforma da Previdência, outras propostas. Esse caso ficou conhecido</p><p>como o escândalo do “mensalão”, fato que levou à CPI do Mensalão. Essa questão ficou em</p><p>destaque durante o ano de 2005. As denúncias foram feitas por Roberto Jefferson, líder do PTB.</p><p>Como desdobramento desse escândalo, um líder histórico do PT foi preso, José Dirceu, pois seria</p><p>ele quem articulava as compras de votos.</p><p>Lula, ao mesmo tempo em que se defendeu, convocou os órgãos policiais e judiciais para</p><p>apurar as denúncias. A Procuradoria Geral da República (PGR) levou muitas das denúncias para o</p><p>STF, órgão responsável por julgar parlamentares federais por crimes.</p><p>Das personalidades políticas condenadas no caso do “Mensalão”, lembro as seguintes:</p><p>✓ o publicitário Marcos Valério</p><p>✓ o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu (PT)</p><p>✓ o ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares</p><p>✓ o ex-presidente do Partido Progressista (PP) Paulo Corrêa, partido do Maluf.</p><p>✓ o ex-presidente da Câmara dos Deputados João Paulo Cunha</p><p>✓ e o delator, deputado Roberto Jefferson (PTB).</p><p>Apesar da campanha da oposição e da grande imprensa contra Lula, ele conseguiu se</p><p>reeleger em 2006.</p><p>Nessas eleições de 2006, a política de conciliação do PT foi mais ampla e o arco de alianças passo</p><p>a incluir até o PMDB, partido que, até então, era aliado preferencial do PSDB.</p><p>O segundo mandato de Lula pegou a crise econômica mundial de 2008. Apesar disso, o</p><p>Brasil registrou índices de crescimento e de desenvolvimento, como já adiantei acima.</p><p>Uma das formas que o Governo encontrou para fazer frente ao cenário de crise mundial foi</p><p>reforçar o papel do Estado como interventor na economia, em particular, com o lançamento do</p><p>Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), destinado ao planejamento e execução de</p><p>grandes obras de infraestrutura social, urbana, logística e energética. O PAC foi criado em 2007,</p><p>ou seja, no 2º Governo Lula. Em 2011 foi lançada a 2ª versão do PAC (durante o Governo Dilma</p><p>Rousseff).</p><p>Em 2006, sob a liderança do geólogo da Petrobras Guilherme Estrella, a Petrobras</p><p>descobriu a reserva de petróleo da camada Pré-Sal (petróleo localizado abaixo da camada de sal,</p><p>no fundo do mar no litoral brasileiro). Segundo a empresa estatal:</p><p>As descobertas no pré-sal estão entre as mais importantes em todo o mundo na última</p><p>década. Essa província é composta por grandes acumulações de óleo leve, de excelente</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>88</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>qualidade e com alto valor comercial. Uma realidade que nos coloca em uma posição</p><p>estratégica frente à grande demanda de energia mundial.55</p><p>Diante dessa descoberta, o Governo Lula elaborou projetos tanto para a exploração desse</p><p>recurso natural, quanto para utilizar a riqueza que poderia ser proporcionada ao país, como o</p><p>“Fundo Soberano para a Educação”.</p><p>Ainda sobre os recursos do Pré-Sal, é importante lembrar que houve um debate entre os</p><p>Governadores Estaduais a respeito da divisão dos royalties. O Estado no Rio de Janeiro, por</p><p>exemplo, não aceitava a proposta de repartir os royalties do petróleo explorado do Pré-Sal com</p><p>outros Estados.</p><p>Veja essa articulação queridos e queridas alunas. Ao longo de nossas aulas, vimos que a Petrobras</p><p>foi criada em 1953, com o projeto nacional-desenvolvimentista de Getúlio Vargas. Depois ela se</p><p>estabeleceu e se expandiu. Nos anos 1990, com os projetos neoliberais para o país, a Petrobras</p><p>entrou na rota das privatizações. Ela deixou de ter protagonismo na economia nacional. Por mais</p><p>que Collor e FHC indicassem a privatização da empresa, isso não chegou a acontecer. Depois,</p><p>com o Governo Lula, a Petrobras voltou a ter protagonismo para o aquecimento da economia.</p><p>Agora, com o Governo Jair Bolsonaro, a Petrobras volta para o programa de privatizações. Paulo</p><p>Guedes, por exemplo, o atual Ministro da Economia (2019) frequentemente diz que a empresa</p><p>será totalmente vendida. Por sinal, 8 Refinarias da Petrobras já estão em fase de privatização. Já</p><p>o Pré-Sal, desde o Governo Temer vem sendo vendido a ponto de a Petrobras diminuir sua</p><p>participação na exploração desse recurso energético.</p><p>Diante dessa articulação que atravessa muitos Governos, fique atento e atenta para o que</p><p>efetivamente uma questão de prova pode cobrar!!!</p><p>Na área ambiental, Lula se destacou com protagonismos como na Cúpula Ambiental</p><p>(COP 15), em 2009, realizada em Copenhague, e, em 2010, em Cancun. Nesses</p><p>encontros, o Brasil assumiu compromissos de redução de gases contribuidores para</p><p>o efeito estufa. Isso ocorreu em um contexto de desmatamentos e queimas na</p><p>Amazônia. Apesar dessas iniciativas de Lula, muitos ambientalistas criticaram o</p><p>Governo porque as grandes obras de infra-instrutura, na verdade, acabaram</p><p>afetando o meio-ambiente, como a Transposição do Rio São Francisco (um projeto</p><p>de 1985, mas que só se efetivou no Governo Lula) e as obras da Usina de Belo-</p><p>Monte, no Pará.</p><p>Percebe que o problema em torno da Amazônia não é de hoje! Uma questão de prova</p><p>pode contextualizar por meio de um Governo, mas, veja, o problema é mais estrutural e contínuo,</p><p>pois desmatamentos, pressão de garimpeiros e agronegócio não são exclusivos do contexto atual.</p><p>Se liga!!</p><p>55 Disponível em: http://www.petrobras.com.br/pt/nossas-atividades/areas-de-atuacao/exploracao-e-</p><p>producao-de-petroleo-e-gas/pre-sal/. Acesso em: 05/09/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>89</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Outro fato sob a gestão do Presidente Lula se deu com as escolhas do Brasil para receber</p><p>a Copa do Mundo, em 2014, o os Jogos Olímpicos, em 2016. A despeito das compras de votos</p><p>do ex-governador Sergio Cabral, do Rio de Janeiro, para obter apoio no Comitê Olímpico</p><p>Internacional para que o Rio de Janeiro fosse escolhido para os jogos de 2016, o prestígio</p><p>internacional que o Brasil conquistou contribuiu para as das escolhas.</p><p>Quanto à política externa do Brasil nesse período (2003-2010) o elemento novo foi</p><p>a presença do Brasil no grupo dos principais países emergentes: Brasil, Rússia, Índia,</p><p>China e África do Sul. Não se trata de um bloco econômico, mas os acordos</p><p>comerciais desses países, fora do eixo EUA e União Europeia os fez conhecido como</p><p>BRICS, um mercado em potencial. Além dessa questão, segundo analistas, no</p><p>período de Lula, o Brasil também se destacou junto à Organização das Nações</p><p>Unidas, principalmente nos debates das questões humanitárias, como a missão no</p><p>Haiti, e como um país que ajudou a amenizar conflitos entre países, como a questão</p><p>nuclear no Irã.</p><p>Por fim, sobre o período em que Lula esteve na Presidência também ocorreu o Referendo do</p><p>Desarmamento, em 2005. Como o tema sobre o porte de arma voltou à tona, vale muito a pena</p><p>lembrar desse Referendo.</p><p>Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE),</p><p>“Foi no dia 23 de outubro de 2005 que mais de 95 milhões de eleitores brasileiros compareceram</p><p>às urnas para se manifestar sobre o comércio de armas de fogo. Na ocasião, os eleitores</p><p>precisaram responder à seguinte pergunta: “o comércio de armas de fogo e munição deve ser</p><p>proibido no Brasil?”. A maioria dos eleitores – 59 milhões – escolheu o não e, por essa razão, o</p><p>artigo 35 que previa a proibição foi excluído do Estatuto do Desarmamento (Lei nº</p><p>10.826/2003).”56 (grifos nossos)</p><p>Interessante notar que do Plano Real (1994), de FHC, até o começo do 2º mandato de Lula,</p><p>os setores indústria de Commodities (soja, milho, boi/carne) e capital Financeiro (Bancos) tiveram</p><p>lucros em ascensão. Confira aí:</p><p>56 Brasil Eleitor: referendo sobre o desarmamento completa 10 anos. TSE. 23/10/2015. Disponível em:</p><p>http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2015/Outubro/brasil-eleitor-referendo-sobre-o-</p><p>desarmamento-completa-10-anos. Acesso em: 04/09/2019.</p><p>http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2015/Outubro/brasil-eleitor-referendo-sobre-o-desarmamento-completa-10-anos</p><p>http://www.tse.jus.br/imprensa/noticias-tse/2015/Outubro/brasil-eleitor-referendo-sobre-o-desarmamento-completa-10-anos</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>90</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>57</p><p>Ou seja, cada governante a seu modo favoreceu interesses econômicos do agronegócio e</p><p>dos setores financeiros. Isso representou algum tipo de ruptura com a história do Brasil? Reflita,</p><p>faça uma revisão mental desde a República Velha para cá.</p><p>Como conclusão dos anos de Lula à frente da Presidência do país, pode-se dizer que ele combinou</p><p>políticas neoliberais de contenção inflacionária – algo próximo ao realizado por FHC – com</p><p>políticas expansivas e redistributivas de renda. Na área social, Lula se destacou com o Programa</p><p>Fome Zero, Bolsa Família, ampliação das Universidades Federais e com o PROUNI. Na área</p><p>econômica: PAC; Pré-sal. Seu Governo foi marcado por casos de corrupção.</p><p>57 TEIXEIRA e PINTO, op. cit. p. 930.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>91</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>13. OS GOVERNOS DE DILMA ROUSSEFF: 2011-2016</p><p>Com o término do Governo Lula, em 2010, tivemos eleições Presidenciais no mesmo ano. A</p><p>sucessora de Lula foi a economista Dilma Rousseff, do PT. Antes do PT, em 1979, Dilma ajudou a</p><p>fundar o PDT, partido de Leonel Brizola, lembra?</p><p>No pleito de 2010, o resultado do 2º turno foi:</p><p>Dilma Rousseff (PT) José Serra (PSDB)</p><p>56% dos votos válidos 44% dos votos válidos</p><p>Com isso, Dilma se tornou a primeira mulher a chegar à</p><p>Presidência da República.</p><p>Uma curiosidade Histórica: antes dela, o único candidato que</p><p>conseguiu se eleger Presidente sem ter disputado uma única</p><p>eleição foi o marechal Eurico Dutra, em 1945, o qual teve apoio de</p><p>Getúlio Vargas. Ou seja, o fenômeno da transferência de votos de</p><p>um candidato muito popular para uma pessoa pouco conhecida</p><p>tende a funcionar.</p><p>A eleição de Dilma representou a continuidade do projeto da</p><p>aliança liderada pelo PT com o PMDB. Nesse sentido, os programas</p><p>sociais do período de Lula foram mantidos e a político-econômica</p><p>mais geral, também. Mas, os ventos positivos internacionais não</p><p>estavam mais a favor da economia brasileira. Foi um momento de recessão internacional com</p><p>crédito internacional caro e baixos investimentos. Os reflexos da crise econômica de 2008 (aquela</p><p>iniciado nos EUA) estavam chegando em terras brasileiras.</p><p>Entre os programas sociais, aqueles que envolviam a parceria com a iniciativa privada (via</p><p>subsídios, por exemplo) ganharam maior destaque, como:</p><p>Minha Casa Minha Vida (programa habitacional);</p><p>Prouni (programa de acesso ao ensino superior em parceria com a inciativa privada).</p><p>Em 2011, Dilma lançou o PAC 2 (a segunda fase do programa) para tentar aquecer a</p><p>economia e enfrentar os efeitos da crise econômica mundial no Brasil. Porém, o crescimento do</p><p>PIB foi pequeno58:</p><p>2,7% em 2011</p><p>58 BRESSER-PEREIRA, Luiz Carlos. O governo Dilma frente ao "tripé macroeconômico" e à direita liberal</p><p>e dependente. Novos estud. - CEBRAP [online]. 2013, n.95 [cited 2019-09-04], pp.5-15. Available from:</p><p><http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0101-</p><p>33002013000100001&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0101-3300. http://dx.doi.org/10.1590/S0101-</p><p>33002013000100001.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>92</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>cerca de 1% em 2012</p><p>Além disso, Dilma deu continuidade à expansão do crédito via bancos públicos: Banco do</p><p>Brasil, Caixa Econômica Federal, BNDES. A ampliação do crédito seria para seguir com um modelo</p><p>conhecido como “crescimento baseado na expansão do crédito”. Porém,</p><p>A redução dos juros adotada pelo Banco do Brasil e Caixa Econômica e o discurso contundente da</p><p>presidenta Dilma Rousseff no dia 1º de maio de 2012, cobrando mudanças dos bancos privados</p><p>em relação aos elevados juros e spreads, sinalizaram mudanças nas relações entre o sistema</p><p>financeiro e o Estado brasileiro.59</p><p>Não sei se você se lembra desse discurso de Dilma no dia do Trabalhador. Ela chegou a ser</p><p>dura contra os bancos e disse que eles têm uma “lógica perversa” e complementou: “A Selic baixa,</p><p>a inflação permanece estável, mas os juros do cheque especial, das prestações ou do cartão de</p><p>crédito não diminuem”60. A partir de então, ela começou a perder uma base de apoio político</p><p>importante junto ao capital financeiro (os Bancos). Parte dos analistas políticos dizem que, nesse</p><p>momento, o Sistema Financeiro começou a construir a deposição de Dilma.</p><p>Uma confluência de fatores contribuiu para começar a desgastar a imagem do primeiro</p><p>Governo Dilma:</p><p>Disputa com os Bancos;</p><p>Denúncias de corrupção envolvendo a Petrobras;</p><p>Propostas que não eram aprovadas pelo Congresso Nacional;</p><p>Mobilizações contra as políticas do Governo a partir de Junho de 2013.</p><p>Como assim, junho de 2013, professora?</p><p>Sim, isso foi beeeeem recente. A juventude saiu às ruas para protestar contra o aumento da</p><p>passagem de ônibus, lembra-se? Tipo o que ocorreu no Chile, agorinha, no final de 2019.</p><p>Contudo, os protestos se espalharam e tomaram dimensões que passaram a denunciar a falta de</p><p>investimento na educação, na saúde, enfim, todos que tinham algum tipo de reivindicação levaram</p><p>seus cartazes para os protestos.</p><p>O parâmetro dos manifestantes era mais ou menos o seguinte: de um lado a corrupção e os</p><p>grandes gastos nos eventos esportivos (Copa, Olimpíadas, etc.), do outro, a falta de vida digna e</p><p>os culpados por isso tudo era o governo, os partidos políticos e as instituições públicas. Todos</p><p>corrompidos!</p><p>59 TEIXEIRA e PINTO, op. cit. p. 933.</p><p>60 Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/poder/1083760-leia-integra-do-discurso-de-dilma-pelo-</p><p>dia-do-trabalho.shtml. Acesso em: 03/09/2019.</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/poder/1083760-leia-integra-do-discurso-de-dilma-pelo-dia-do-trabalho.shtml</p><p>https://www1.folha.uol.com.br/poder/1083760-leia-integra-do-discurso-de-dilma-pelo-dia-do-trabalho.shtml</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>93</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Manifestação em Pernambuco (2013)</p><p>Com a organização por meio das redes sociais o Brasil vivenciou uma onda dos maiores</p><p>protestos registrados em sua História. A tecnologia dos meios de comunicação, como os eventos</p><p>de facebook, foi um grande destaque na mobilização popular, pois ela auxiliou na divulgação das</p><p>manifestações. A grande imprensa também passou a divulgar os protestos.</p><p>Nesse contexto, a insatisfação popular com o Governo Dilma cresceu significativamente.</p><p>Em seguida, em 2014, ano da disputa eleitoral para Presidente, surgiram as primeiras notícias</p><p>dos casos de corrupção na Petrobras, a partir da “Operação Lava Jato”.</p><p>Dessas</p><p>eleições de 2014 acredito que você já lembre mais</p><p>facilmente, não?</p><p>Apesar do clima adverso, Dilma foi para o segundo turno</p><p>contra Aécio Neves, do PSDB. E veja como ficou o resultado:</p><p>Dilma (PT) Aécio Neves (PSDB)</p><p>51,64% dos votos válidos 48,36% dos votos válidos</p><p>O resultado das eleições expressou a polarização política que começava a se intensificar</p><p>no país. Alguma coisa muito grande se movia no Brasil. A situação política entrou em</p><p>completa crise. Nenhum analista político conseguia definir com precisão os rumos da</p><p>política nacional. O PT, que era, até então, o maior partido da América Latina, sofria</p><p>fortes contestações. Mas não apenas ele. Todo jogo político, lideranças tradicionais e</p><p>partidos consolidados entraram em forte crise frente à opinião pública.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>94</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Neste segundo mandato de Dilma a situação econômica se agravou ainda mais e, no ano</p><p>de 2015, o Brasil entrou em recessão.</p><p>✓ foi registrado um PIB negativo (-3,8%)</p><p>✓ taxas de desemprego maior de 10% da população economicamente ativa</p><p>✓ inflação de 10,7%</p><p>✓ taxas de juros de 14,25</p><p>Nesse sentido, de um discurso feito nas eleições em que Dilma prometeu manter o</p><p>emprego e a renda, ela mudou para um programa de ajustes de viés neoliberal: contenção de</p><p>gastos e uma tentativa de resgatar a confiança do sistema financeiro.</p><p>Assim, a adoção do ajuste neoliberal [por Dilma] parece ter sido também uma tentativa de ser</p><p>"aceita" pelo grupo político derrotado e seus eleitores frustrados61.</p><p>Desgastada e com baixa popularidade - a rejeição de Dilma chegou a 71% e aprovação 8%,</p><p>em 2016 Dilma sofreu o impeachment. Veja essas duas fotos que expressão a polarização na</p><p>sociedade:</p><p>As duas manifestações ocorreram na Av. Paulista (em São Paulo)</p><p>Agora, você saberia dizer quais as acusações levaram ao impedimento de Dilma?</p><p>Diferentemente de Collor, não se tratou de corrupção, mas de crime político-administrativo</p><p>na condução da administração pública ou crimes de responsabilidade fiscal na condução e</p><p>execução do Orçamento Público.</p><p>Basicamente dois pontos que caracterizam esse crime:</p><p>excesso de concessão de subsídios, via BNDES, aos pequenos agricultores, seguido do</p><p>não repasse do dinheiro do caixa da União para reembolsar o BNDES;</p><p>61 CARLEIAL, LIANA MARIA DA FROTA. Política econômica, mercado de trabalho e democracia: o</p><p>segundo governo Dilma Rousseff. Estud. av. [online]. 2015, vol.29, n.85 [cited 2019-09-04], pp.201-</p><p>214. Available from: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-</p><p>40142015000300014&lng=en&nrm=iso>. ISSN 0103-4014. http://dx.doi.org/10.1590/S0103-</p><p>40142015008500014</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>95</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>e, as chamadas “Pedaladas Fiscais”: transferência de recursos de uma conta para a</p><p>outra sem a devida autorização do Congresso Nacional.</p><p>Dilma não renunciou, tal como Collor, ela foi lá no Senado apresentar sua defesa e suas</p><p>justificativas dos atos acima.</p><p>Outra pergunta para ver se você está esperto/a e não ser surpreendido na prova: tiveram duas</p><p>votações feitas pelo Senado no final do processo de impeachment de Dilma. Correto? Você sabe</p><p>quais foram?</p><p>1-) Se ela deveria, de fato, perder o cargo, ou seja, sofrer o impeachment: sim, os Senadores</p><p>resolveram que sim;</p><p>2-) Se ela, tal como Collor, deveria perder os direitos políticos e ficar afastada 8 anos da vida</p><p>pública: não, os Senadores decidiram que não.</p><p>Dessa forma, Dilma pode concorrer ao Senado nas eleições de 2018. Ela se candidatou, mas</p><p>não ganhou.</p><p>Atente-se: no caso de Collor foi uma votação só “perda do cargo e perda</p><p>temporária dos direitos políticos (por 8 anos)” de uma vez. Na verdade, nem precisou</p><p>ser considerada a perda do cargo, pois ela já havia renunciado.</p><p>Outra diferença em relação ao processo de impeachment de Collor, é que Dilma contou com</p><p>manifestações de rua a seu favor.</p><p>Atente-se: no processo do Collor, a crítica ao governo era generalizada, um</p><p>pequena parcela da população defendeu Collor; no caso da Dilma havia uma</p><p>polarização na sociedade.</p><p>A julgar pelo tipo de questão que têm sido cobrada sobre a História do Tempo Presente,</p><p>pode haver uma pergunta do tipo: assinale a alternativa que contém o nome de dois</p><p>Presidentes que sofreram impeachment. Aí você corre para o abraço, porque uma</p><p>questão dessas não dá para perder.</p><p>Antes de encerrarmos os Governo Dilma, vou pontuar alguns acontecimentos apenas para você</p><p>saber que esses eventos ocorreram enquanto ela estava no poder. Veja aí:</p><p>Comissão Nacional da Verdade: Essa Comissão foi um colegiado instituído pelo</p><p>governo do Brasil para investigar as graves violações de direitos humanos ocorridas</p><p>entre 18 de setembro de 1946 e 5 de outubro de 1988. A lei foi promulgada em 2011</p><p>e o Relatório Final saiu ao final de 2014.</p><p>entrada em vigor de um Novo Código Florestal: 2012.</p><p>aprovação da lei nº 12.711, de agosto de 2012, conhecida também como Lei de Cotas.</p><p>Por meio dela, as instituições de ensino superior federais têm até agosto de 2016 para</p><p>destinarem metade de suas vagas nos processos seletivos para estudantes oriundos de</p><p>escolas públicas. A distribuição dessas vagas também leva em conta critérios raciais e</p><p>sociais.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>96</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Lei de Cotas, Lei 12.990, sancionada em junho de 2014 pela Presidenta Dilma. A norma</p><p>reserva 20% das vagas em concursos públicos federais para pessoas que se declarem</p><p>de cor preta ou parda.</p><p>Vai que cai algo do tipo: sobre a popularidade dos ex-Presidentes podemos dizer que....</p><p>Você saberia responder de “bate pronto”? Então, anote aí:</p><p>• Dilma Rousseff é a presidente reeleita com maior queda de popularidade na transição de</p><p>um mandato para o outro, segundo pesquisa CNI-Ibope62. Isso durante a os Governos pós-</p><p>Regime Militar.</p><p>• Tanto Fernando Henrique Cardoso (PSDB) como Luiz Inácio Lula da Silva (PT) iniciaram o</p><p>segundo mandato com popularidade reduzida, mas Lula foi o que caiu menos.</p><p>• Anote também que, de todos os Presidentes pós-democratização, Lula foi o que atingiu</p><p>popularidade recorde no final do mandato, com 87% de aprovação63.</p><p>14. O GOVERNO DE MICHEL TEMER: 2016-2018</p><p>Assim como Itamar Franco, Michel Temer (do PMDB), que era</p><p>vice-Presidente de Dilma, assumiu o cargo definitivamente após o</p><p>impeachment. Acredito que, desse fato, vocês se lembram bem, né?</p><p>Ao assumir, sua meta foi controlar a economia. Para tanto</p><p>retomou uma política econômica de maior austeridade fiscal. Isso</p><p>significa ajustes fiscais no Orçamento Público, com cortes em</p><p>determinadas áreas.</p><p>O lema do Governo Temer foi: “O Brasil voltou, 20 anos em</p><p>2”. Não vá confundir com o lema do Presidente JK, que já</p><p>estudamos, o qual tinha o lema “50 anos em 5”.</p><p>Em 2017, a inflação caiu para quase 3% e os juros foram</p><p>reduzidos a 6,25%. Paralelamente à redução dos juros e da queda da inflação, o governo</p><p>conseguiu aprovar, em dezembro de 2016, a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) do Teto</p><p>62 Dilma x Lula x FHC: 3 quedas de popularidade em 2 gráficos. Brasil. Revista Exame. 2/08/2017.</p><p>Disponível em: https://exame.abril.com.br/brasil/dilma-tem-a-maior-queda-de-popularidade-entre-</p><p>reeleitos/. Acesso em: 04/09/2019.</p><p>63 Popularidade de Lula bate recorde e chega a 87%, diz Ibope. Política. G1. 16/12/2010. Disponível em:</p><p>http://g1.globo.com/politica/noticia/2010/12/popularidade-de-lula-bate-recorde-e-chega-87-diz-</p><p>ibope.html. Acesso em: 04/09/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>97</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>de Gastos. Por 20 anos, os gastos públicos ficarão limitados</p><p>ao crescimento das despesas dos três</p><p>Poderes. Isso vai ao encontro da proposta de “austeridade fiscal” e significou redução de gastos</p><p>em áreas como saúde e educação. Em educação, por exemplo, houve a diminuição de vagas</p><p>ofertadas pelo programa do Fies, de 325 mil em 2016 para 225 mil em 2017.</p><p>No contexto do Governo Temer, o desemprego continuou muito alto e isso não</p><p>possibilitou crescimento do país e nem melhoria de vida da população.</p><p>Outra medida significativa do Governo Temer, foram as mudanças na legislação trabalhista.</p><p>Aprovada em julho de 2017, a reforma trabalhista, também considerada importante pelo governo,</p><p>alterou mais de 100 pontos da Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). Sobre essas mudanças,</p><p>o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz,</p><p>afirmou que a reforma foi um avanço.</p><p>“Foi positiva não somente pela modernização da legislação brasileira, mas também pelo fato que</p><p>você tira do Estado a intermediação entre a negociação entre trabalhador e empregador. Toda a</p><p>indústria vê isso de uma maneira muito positiva”64</p><p>Com a ampla reforma na legislação trabalhista, Temer lançou o programa “Uma ponte</p><p>para o futuro”.</p><p>Outra ação de destaque do Presidente Temer que merece ser lembrada para efeitos de</p><p>prova foi a nomeação de Alexandre de Moraes para uma vaga de Ministro do STF. Então, se cair</p><p>na prova algo do tipo: qual dos Presidente abaixo foi o último a indicar um Ministro para o STF?</p><p>Não se esqueça, foi Michel Temer.</p><p>Ao longo do Governo Temer, os noticiários e a atenção política nacional estiveram, em</p><p>grande parte, direcionadas para os desdobramentos da operação Lava-Jato. Essa operação</p><p>prendeu:</p><p>• funcionários e proprietários de empreiteiras do ramo da construção civil;</p><p>• funcionários da Petrobras;</p><p>• operadores financeiros;</p><p>• e agentes políticos. Lula, por exemplo, foi preso em 7 de abril de 2018, condenado</p><p>por ter recebido um apartamento (Triplex) em troca de favores a empreiteiras. Mais</p><p>adiante, Temer também seria preso, em 21 de março de 2019, acusado de receber</p><p>propinas em obras da Usina Nuclear Angra 3 e por ter trocado favores no Porto de</p><p>Santos. Porém , Temer foi solto após 6 dias de prisão.</p><p>Outro político que foi acusado no âmbito da Operação Lava-Jato e já disputou a Presidência</p><p>do Brasil é Aécio Neves, do PSDB.</p><p>Acho difícil algum tipo de pergunta detalhando os casos de corrupção cair nas provas, pois</p><p>são temas polêmicos e muito recentes. De toda forma, você tem que se preparar para uma</p><p>64 Veja fatos que marcaram os dois anos do governo Temer. 15/05/2018. EXAME. Disponível em:</p><p>https://exame.abril.com.br/brasil/veja-fatos-que-marcaram-os-dois-anos-do-governo-temer/. Acesso</p><p>em: 05/09/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>98</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>possível pergunta mais geral sobre corrupção, lava-jato e ex-Presidentes. OK? Dessa forma é bom</p><p>sabermos mais algumas informações sobre a Lava-Jato.</p><p>Nada melhor do que as informações do próprio site do Ministério Público</p><p>Federal. Vamos ler um trecho bem explicativo:</p><p>O nome do caso, “Lava Jato”, decorre do do uso de uma rede de postos de</p><p>combustíveis e lava a jato de automóveis para movimentar recursos ilícitos pertencentes a uma das</p><p>organizações criminosas inicialmente investigadas. Embora a investigação tenha avançado para</p><p>outras organizações criminosas, o nome inicial se consagrou.</p><p>A operação Lava Jato é a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já teve.</p><p>Estima-se que o volume de recursos desviados dos cofres da Petrobras, maior estatal do país, esteja</p><p>na casa de bilhões de reais. Soma-se a isso a expressão econômica e política dos suspeitos de</p><p>participar do esquema de corrupção que envolve a companhia.</p><p>No primeiro momento da investigação, desenvolvido a partir de março de 2014, perante a Justiça</p><p>Federal em Curitiba, foram investigadas e processadas quatro organizações criminosas lideradas por</p><p>doleiros, que são operadores do mercado paralelo de câmbio. Depois, o Ministério Público Federal</p><p>recolheu provas de um imenso esquema criminoso de corrupção envolvendo a Petrobras65.</p><p>Humm, mais uma articulação que podemos fazer, agora sobre a questão trabalhista. Vimos que</p><p>Vargas foi o responsável por implantar a CLT. Depois disso, somente nos anos 1990 e 2000, todos os</p><p>Presidentes desse período chegaram a fazer mudanças pontuais na legislação trabalhista. Com</p><p>efeito, sob o governo do Presidente Temer, em 2017, foi o momento em que mais se alterou a</p><p>histórica legislação trabalhista brasileira. Com o Presidente Jair Bolsonaro, também há previsões de</p><p>mudanças na legislação trabalhista, o próprio Bolsonaro já declarou que é um entusiasta do trabalho</p><p>informal. Isso significa que a legislação baseada no varguismo tenderá a acabar. Sacou?</p><p>Ah sim, antes passarmos para eleição do Presidente Bolsonaro, vale lembrar que Temer</p><p>terminou o mandato como o Presidente mais impopular desde a redemocratização. A campanha</p><p>65 Entenda o caso. MPF. Disponível em: http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-lava-jato/entenda-o-</p><p>caso. Acesso em: 05/09/2019.</p><p>http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-lava-jato/entenda-o-caso</p><p>http://www.mpf.mp.br/grandes-casos/caso-lava-jato/entenda-o-caso</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>99</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>“Fora Temer”, que chegou a virar “meme” nas redes sociais ficou conhecida com a seguinte</p><p>expressão: “Primeiramente, Fora Temer”. Era comum artistas e pessoas que davam entrevistas</p><p>em redes de TV anunciarem esse bordão antes de começarem a falar. Também tiveram</p><p>manifestações de rua contra o Temer, mas elas não atingiram a mesma magnitude que as</p><p>manifestações de rua contra Dilma Rousseff.</p><p>15. O GOVERNO DE JAIR BOLSONARO: 2019-2022</p><p>Jair Bolsonaro foi deputado federal por sete mandatos até 2018,</p><p>sendo eleito através de diferentes partidos ao longo de sua carreira. Foi</p><p>eleito para o cargo de Presidente da República após vencer o 2º turno em</p><p>uma disputa contra o candidato Fernando Haddad (PT).</p><p>Sua campanha eleitoral foi marcada por polêmicas e pela ausência</p><p>de Bolsonaro nos debates televisivos. Porém, o fato mais marcante da</p><p>campanha foi a tentativa de assassinato que ele sofreu.</p><p>No final do processo eleitoral, o resultado ficou o seguinte:</p><p>Jair Bolsonaro (PSL) Fernando Haddad (PT)</p><p>55,13% dos votos válidos 44,87% dos votos válidos</p><p>Atenção!!! Se uma questão sugerir uma pergunta sobre quais dos Presidentes eleitos</p><p>não compareceram aos debates durante a campanha, o que você assinalaria? Sim, Collor, FHC,</p><p>Lula, Dilma e Bolsonaro. Veja só:</p><p>Collor, faltou em todos os debates do 1º turno. No 2º turno foi em todos.</p><p>FHC, só compareceu a 1 debate no 1º turno de 1994. No 2º turno foi em todos.</p><p>Lula, na campanha pela reeleição de 2006, só compareceu nos debates do 2º turno.</p><p>Em 2010, Dilma faltou a dois debates no 1º turno. Foi a todos do 2º turno.</p><p>Por fim, Bolsonaro não compareceu nem no 1º turno, nem no 2º turno.</p><p>Ou seja, para mais ou para menos, todo mundo que chegou à Presidência desde 1989 já faltou</p><p>em debate (os eleitos como Presidente, vice aqui não conta). Agora, faltar em todos (1º e 2º turno)</p><p>só Bolsonaro.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>100</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Ainda sobre a eleição de Jair Bolsonaro, ela representou uma quebra de paradigma não</p><p>apenas pelo formato da disputa eleitoral do Brasil - com o protagonismo das redes sociais -, como</p><p>também pela ruptura da polarização entre PT e PSDB.</p><p>Quanto as ações em si do Governo Jair Bolsonaro, vamos focar nos primeiros meses do</p><p>governo. OK?</p><p>Nos primeiros 100 dias do governo, houve uma incerteza quanto aos nomes que ocupariam</p><p>os Ministérios.</p><p>O presidente perdeu, em três meses, dois ministros. Gustavo Bebianno (Secretaria</p><p>Geral da Presidência), o advogado que conduziu sua campanha eleitoral e o PSL, partido ao qual</p><p>se filiou, caiu após o escândalo de candidaturas laranjas de mulheres pela legenda. Na véspera</p><p>dos 100 dias, o presidente comunicou pelo Twitter que Ricardo Vélez Rodríguez deixaria a pasta</p><p>da Educação, que passou a ser comandada por Abraham Weintraub.</p><p>O nome de destaque do Governo Bolsonaro, sem dúvidas, é o Ministro da Justiça Sergio</p><p>Moro. Moro adquiriu protagonismo na cena jurídico-política brasileira por ser o juiz responsável</p><p>pelos processos da Lava-Jato. Moro se demitiu da magistratura para assumir a função de Ministro</p><p>de Bolsonaro. Moro apresentou um pacote anticrime ao Congresso Nacional. O Ministro sugere</p><p>mudança em 14 legislações e propõe, inclusive, a criminalização do caixa dois. Uma das ideias</p><p>centrais é assegurar a prisão em segunda instância.</p><p>Atualmente, está se formando uma relação conflituosa entre Bolsonaro e Moro, pois</p><p>Bolsonaro chegou a desautorizar publicamente algumas ações de Moro.</p><p>No que diz respeito à ocupação de cargos no Governo, nesse primeiro semestre de 2019,</p><p>Bolsonaro nomeou inúmeros membros das Forças Armadas para cargos estratégicos. Segundo</p><p>dados do Ministério da Defesa, das forças militares, o Exército é a força com maior presença no</p><p>Poder Executivo. São 962 integrantes no governo, contra 164 da Marinha e 145 da Aeronáutica .</p><p>Em 2018, o Exército representava 76% dos militares no governo.</p><p>O astronauta e tenente-coronel da Força Aérea, Marcos Pontes, é ministro das Ciência,</p><p>Tecnologia, Inovações e Comunicações.</p><p>De acordo com contagem feita pelo jornal Estadão, o número de militares na cúpula da</p><p>gestão é maior que o do governo do general Castelo Branco (1964-1967), que deu a largada do</p><p>ciclo ditatorial no Brasil somando cinco ministros com esse perfil66.</p><p>Alguns analistas identificam um processo de militarização do Governo, outros, como Carlos</p><p>Fico, doutor em história social e professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, analisam</p><p>que o aumento de militares na administração pública se relaciona com a falta de quadros no PSL,</p><p>partido do Presidente, e não com uma militarização do governo67.</p><p>Com relação à agenda econômica, a principal medida encaminhada pelo Governo</p><p>Bolsonaro é a Reforma da Previdência, a qual ainda não foi finalizada no Congresso Nacional.</p><p>66 Disponível em: https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,numero-de-militares-no-1-escalao-e-o-</p><p>maior-desde-1964,70002647839. Acesso em: 06/09/2019.</p><p>67 Disponível em: https://oglobo.globo.com/brasil/numero-de-militares-da-ativa-no-governo-federal-</p><p>cresce-13-com-bolsonaro-23854701, Acesso em: 06/09/2019.</p><p>https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,numero-de-militares-no-1-escalao-e-o-maior-desde-1964,70002647839</p><p>https://politica.estadao.com.br/noticias/geral,numero-de-militares-no-1-escalao-e-o-maior-desde-1964,70002647839</p><p>https://oglobo.globo.com/brasil/numero-de-militares-da-ativa-no-governo-federal-cresce-13-com-bolsonaro-23854701</p><p>https://oglobo.globo.com/brasil/numero-de-militares-da-ativa-no-governo-federal-cresce-13-com-bolsonaro-23854701</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>101</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Sobre o mercado de trabalho, o Presidente Jair Bolsonaro, em diversas ocasiões, tem se</p><p>manifestado um entusiasta do trabalho informal. A proposta de criação da Carte de Trabalho</p><p>Verde e Amarelo reforça esse discurso. Isso porque o Governo pretende criar categorização de</p><p>trabalhadores com níveis de direitos trabalhistas diferenciados, conforme o modelo da Carteira</p><p>de Trabalho.</p><p>No que diz respeito às promessas de campanha, Bolsonaro cumpriu a promessa de editar</p><p>o decreto que facilita a posse de armas.</p><p>No tocante à corrupção, o filho de Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, tem sido acusado de</p><p>receber depósitos bancários por conta de um esquema da Câmara dos Vereadores do Rio de</p><p>Janeiro. O principal nome envolvido nesse caso e de seu ex-assessor Fabrício Queiroz. O Ministro</p><p>do Turismo do Governo Bolsonaro, também foi acusado de impulsionar um esquema de</p><p>candidatos Laranjas pelo PSL de Minas Gerais.</p><p>Repare que, direta ou indiretamente, em todos os Governos que vimos até agora, desde</p><p>1989, algum caso de corrupção apareceu. Ou seja, se for afirmado que “apesar do problema crônico</p><p>da corrupção no Brasil, pelo menos 1 governo está livre desse problema, blá, blá, blá” e fizer</p><p>referência a Governo X, Y, Z, a afirmação está errada. Não vai achar que só porque você votou neste</p><p>ou naquele candidato ele está imune. Maquiavel e J. Locke diriam que na política não há ingenuidade</p><p>e mais, não estamos aqui para fazer cálculos políticos, e sim cálculos de como matar uma questão</p><p>de Prova, apenas isso!!! OK? Vamos que vamos!!!</p><p>Sobre as relações internacionais, o Brasil volta a ter como parceiro preferencial das relações</p><p>comerciais os Estados Unidos. Por diversas ocasiões, Bolsonaro e seu filho, Carlos Bolsonaro, o</p><p>qual chegou a ser indicado pelo Presidente para ocupar o principal cargo na embaixada brasileira</p><p>nos EUA, já manifestaram apreço por Donald Trump (Presidente dos EUA). Um apreço que</p><p>demonstra a preferência por fazer negociações comerciais com os EUA.</p><p>Sobre a parceria Brasil-EUA, o jornal Valor econômico nos informa que:</p><p>Trump dá apoio ao Brasil para ingressar na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento</p><p>Econômico (OCDE), o "clube dos países ricos". Mas, em troca, presidente americano exige que</p><p>Brasil deixe a lista de países mais favorecidos da Organização Mundial de Comercial (OMC). A</p><p>participação na OMC confere ao Brasil vantagens e flexibilidades nos acordos comerciais, mas</p><p>governo vê lucros maiores com ingresso na OCDE68.</p><p>68 Disponível em: https://www.valor.com.br/especial/cem-dias-do-governo-bolsonaro. Acesso em:</p><p>05/06/2019.</p><p>https://www.valor.com.br/especial/cem-dias-do-governo-bolsonaro</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>102</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Todavia, a tentativa de o Brasil fazer parte da OCDE fracassou, pois os EUA – pelo menos</p><p>neste momento (2019)-, não concordaram.</p><p>Haveria muitos assuntos para levantarmos sobre o início do Governo Jair Bolsonaro, porém,</p><p>não há parâmetros de cobrança em provas, bem como corremos o risco de sair de um estudo</p><p>típico de História para entrar em um conteúdo mais de Atualidades/Geografia. Por isso, não vou</p><p>me alongar muito.</p><p>De cobranças mais recentes, o tema do meio ambiente é o que mais tem sido cobrado nas</p><p>provas. Algo possível de ser relacionado ao Governo Bolsonaro. Sobre isso, o Governo Jair</p><p>Bolsonaro também tem sido polêmico, pois suas declarações têm estimulado práticas de</p><p>desmatamento e das queimadas. As críticas mais frequentes do Presidente são em torno dos</p><p>dados sobre a quantidade de queimadas e desmatamentos no Brasil69.</p><p>É claro que o problema das queimadas e do desmatamento não surgiram no Governo de</p><p>Bolsonaro, porém, a proximidade dele com os setores do agronegócio levanta críticas sobre a</p><p>seriedade das ações do Governo Federal na contenção de práticas que destroem o meio</p><p>ambiente.</p><p>Para fechar a parte teórica de nossa aula, quero aproveitar essa questão das queimadas,</p><p>meio ambiente, etc. para lembrar de que os conflitos no campo e nas zonas de fronteira agrícola</p><p>têm crescido. Recentemente, o líder indígena da etnia Wajãpi, o cacique Emyra Wajãpi foi atacado</p><p>enquanto voltava da casa da filha e o corpo foi encontrado dentro de um rio. Os índios atribuem</p><p>a morte ao conflito com madeireiros. Porém, a polícia concluiu o inquérito e disse não ser possível</p><p>confirmar se houve motivações políticas no assassinato.</p><p>Outro assassinato recente foi do líder indígena Paulo Paulino Guajajara, morto a tiros</p><p>(novembro de 2019) enquanto caçava na terra Arariboia (Maranhão).</p><p>Estava com outra liderança,</p><p>Laercio Guajajara, que conseguiu fugir. Ele era conhecido como Guardião da Floresta.</p><p>Agora, do ponto de vista mais histórico, outras lideranças foram mortas em conflitos desse</p><p>tipo, vou mencionar os dois mais conhecidos:</p><p>- Fevereiro de 2005: a missionária Irmã Dorothy Stang foi assassinada, com seis tiros, um</p><p>na cabeça e cinco ao redor do corpo. Ela foi morta em uma estrada rural do município de Anapu</p><p>(PA), no local conhecido como Projeto de Desenvolvimento Sustentável Esperança (PDS). Ela era</p><p>a maior liderança do projeto, atraindo a inimizade de fazendeiros da região que se diziam</p><p>proprietários das terras que seriam utilizadas no projeto.</p><p>- Dezembro de 1988: Chico Mendes foi morto a tiros em 1988, no município de Xapuri,</p><p>interior do Acre. Chico Mendes era um seringueiro que passou a defender a preservação da</p><p>floresta amazônica e dos povos que vivem nela e dela. O trabalho de Mendes passou a ser</p><p>reconhecido mundialmente e, após sua morte, uma reserva com seu nome foi constituída pelo</p><p>69 Bolsonaro ironiza críticas sobre desmatamento: “Sou o capitão moto serra”. UOL. Disponível em:</p><p>https://noticias.uol.com.br/meio-ambiente/ultimas-noticias/redacao/2019/08/06/bolsonaro-ironiza-</p><p>criticas-sobre-desmatamento-sou-o-capitao-motosserra.htm?cmpid=copiaecola. Acesso em:</p><p>05/09/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>103</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Governo Federal. Atualmente, o desmatamento para a criação de gados ameaça a Reserva Chico</p><p>Mendes.</p><p>Perceba, então, que a questão da terra no Brasil é algo historicamente não resolvida, sejam</p><p>os conflitos com os indígenas, com os quilombolas, com os trabalhadores rurais, enfim, a disputa</p><p>pela terra motiva diversos conflitos.</p><p>O debate mais recente, recentíssimo mesmo (2021), é a questão do julgamento no STF em</p><p>torno da teses do “Marco Temporal”, o qual ainda não terminou (outubro de 2021).</p><p>Sobre a questão indígena, lembro-lhe de que postei um complemento, um pequeno Livro</p><p>Digital, a respeito. Esta nesta Aula 21. Não deixe de conferir.</p><p>Por fim, a respeito do governo de Jair Bolsonaro, há muitas temáticas a serem abordadas,</p><p>porém dificilmente algo específico sobre as ações do Presidente cairá em perguntas de História,</p><p>pois não é próprio da disciplina de História cobrar acontecimentos ainda não concluídos. De toda</p><p>forma, vale a pena lembrar, e isso todos nós temos acompanhado via notícias ou mesmo por meio</p><p>das disciplinas de Sociologia, Geografia e Biologia, que o governo Bolsonaro tem sido marcado</p><p>pela Pandemia do Coronavírus. Do ponto de vista histórico, até porque é possível fazer reflexões</p><p>com outros momentos da História do Brasil, algum tipo de questão relacionando a posição de</p><p>governos brasileiros diante de campanhas de vacinação é algo a ser explorado. Então, fica a #dica</p><p>sobre essa reflexão.</p><p>XXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXXX</p><p>É isso, fico por aqui. Você segue até a última questão. Aproveita TODAS as QUESTÕES,</p><p>pois fizemos observando cada detalhe para fazer você mentalizar, aprender a responder a questão</p><p>sem escorregar nas artimanhas do examinador.</p><p>Gabaritar história não é só saber o conteúdo é ser safo para adotar as melhores</p><p>ESTRATEGIAS para responder cada questão! E lembrando: esse assunto tem muita incidência no</p><p>seu vestibular!!!</p><p>Espero por você no Fórum de Dúvidas, se elas aparecerem!</p><p>Um beijo, um abraço apertado e um suspiro dobrado de amor sem fim!</p><p>Alê</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>104</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>16. LISTA DE QUESTÕES</p><p>(Enem 2020)</p><p>É difícil imaginar que nos anos 1990, num país com setores da população na pobreza</p><p>absoluta e sem uma rede de benefícios sociais em que se apoiar, um governo possa abandonar o</p><p>papel de promotor de programas de geração de emprego, de assistência social, de</p><p>desenvolvimento da infraestrutura e de promoção de regiões excluídas, na expectativa de que o</p><p>mercado venha algum dia a dar uma resposta adequada a tudo isso.</p><p>SORJ, B. A nova sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000 (adaptado).</p><p>Nesse contexto, a criticada postura dos governos frente à situação social do país coincidiu com</p><p>a priorização de que medidas?</p><p>a) Expansão dos investimentos nas empresas públicas e nos bancos estatais.</p><p>b) Democratização do crédito habitacional e da aquisição de moradias populares.</p><p>c) Enxugamento da carga fiscal individual e da contribuição tributária empresarial.</p><p>d) Reformulação do acesso ao ensino superior e do financiamento científico nacional.</p><p>e) Reforma das políticas macroeconômicas e dos mecanismos de controle inflacionário.</p><p>(Enem 2018)</p><p>São Paulo, 10 de janeiro de 1979.</p><p>Exmo. Sr. Presidente Ernesto Geisel.</p><p>Considerando as instruções dadas por V. S. de que sejam negados os passaportes aos</p><p>senhores Francisco Julião, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Luis Prestes, Paulo Schilling, Gregório</p><p>Bezerra, Márcio Moreira Alves e Paulo Freire.</p><p>Considerando que, desde que nasci, me identifico plenamente com a pele, a cor dos</p><p>cabelos, a cultura, o sorriso, as aspirações, a história e o sangue destes oito senhores.</p><p>Considerando tudo isto, por imperativo de minha consciência, venho por meio desta</p><p>devolver o passaporte que, negado a eles, me foi concedido pelos órgãos competentes de seu</p><p>governo.</p><p>Carta do cartunista Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil. In: HENFIL. Cartas</p><p>da mãe. Rio de Janeiro: Codecri, 1981 (adaptado).</p><p>No referido contexto histórico, a manifestação do cartunista Henfil expressava uma crítica</p><p>ao(à)</p><p>a) censura moral das produções culturais.</p><p>b) limite do processo de distensão política.</p><p>c) interferência militar de países estrangeiros.</p><p>d) representação social das agremiações partidárias.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>105</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>e) impedimento de eleição das assembleias estaduais.</p><p>(Enem 2017)</p><p>Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e</p><p>tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à</p><p>União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:</p><p>www.planalto.gov. br. Acesso em: 27 abr. 2017.</p><p>A persistência das reivindicações relativas à aplicação desse preceito normativo tem em</p><p>vista a vinculação histórica fundamental entre</p><p>a) etnia e miscigenação racial.</p><p>b) sociedade e igualdade jurídica.</p><p>c) espaço e sobrevivência cultural.</p><p>d) progresso e educação ambiental.</p><p>e) bem-estar e modernização econômica.</p><p>(Enem 2017)</p><p>No período anterior ao golpe militar de 1964, os documentos episcopais indicavam para</p><p>os bispos que o desenvolvimento econômico, e claramente o desenvolvimento capitalista,</p><p>orientando-se no sentido da justa distribuição da riqueza, resolveria o problema da miséria rural</p><p>e, consequentemente, suprimiria a possibilidade do proselitismo e da expansão comunista entre</p><p>os camponeses. Foi nesse sentido que o golpe de Estado, de 31 de março de 1964, foi acolhido</p><p>pela igreja.</p><p>MARTINS, J. S. A política do Brasil: lúmpen e místico. São Paulo: Contexto. 2011</p><p>(adaptado).</p><p>Em que pesem as divergências no interior do clero após a instalação da ditadura civil-militar,</p><p>o posicionamento mencionado no texto fundamentou-se no entendimento da hierarquia católica</p><p>de que o(a)</p><p>a) luta de classes é estimulada pelo livre mercado.</p><p>b) poder oligárquico é limitado pela ação do Exército.</p><p>c) doutrina cristã é beneficiada pelo atraso do interior.</p><p>d) espaço político é dominado pelo interesse empresarial.</p><p>e) manipulação ideológica é favorecida pela privação material.</p><p>(Enem 2016)</p><p>Batizado por Tancredo Neves de “Nova República”, o período que marca o reencontro</p><p>do Brasil com os governos civis e a democracia ainda não completou seu quinto ano e já viveu dias</p><p>de grande comoção. Começou com a tragédia de Tancredo, seguiu pela euforia do Plano</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>106</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Cruzado, conheceu as depressões da inflação e das ameaças da hiperinflação e desembocou na</p><p>movimentação que antecede as primeiras eleições diretas para presidente em 29 anos.</p><p>O álbum dos presidentes: a história vista pelo JB. Jornal do Brasil. 15 nov. 1989.</p><p>O período descrito apresenta continuidades e rupturas em relação à conjuntura histórica</p><p>anterior. Uma dessas continuidades consistiu na</p><p>a) representação do legislativo com a fórmula do bipartidarismo.</p><p>b) detenção de lideranças populares por crimes de subversão.</p><p>c) presença de políticos com trajetórias no regime autoritário.</p><p>d) prorrogação das restrições advindas dos atos institucionais.</p><p>e) estabilidade da economia com o congelamento anual de preços.</p><p>(Enem 2016)</p><p>A Operação Condor está diretamente vinculada às experiências históricas das ditaduras</p><p>civil-militares que se disseminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do</p><p>Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai</p><p>e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 1976). Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-</p><p>militares (em menor ou maior medida) com base na Doutrina de Segurança Nacional e tendo como</p><p>principais características um anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno, a</p><p>imposição do papel político das Forças Armadas e a definição de fronteiras ideológicas.</p><p>PADRÓS, E. S. et al. Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985):</p><p>história e memória. Porto Alegre: Corag, 2009 (adaptado).</p><p>Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a referida operação tinha como objetivo</p><p>coordenar a</p><p>a) modificação de limites territoriais.</p><p>b) sobrevivência de oficiais exilados.</p><p>c) interferência de potências mundiais.</p><p>d) repressão de ativistas oposicionistas.</p><p>e) implantação de governos nacionalistas.</p><p>(Enem 2015)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>107</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>No período de 1964 a 1985, a estratégia do Regime Militar abordada na charge foi</p><p>caracterizada pela</p><p>a) priorização da segurança nacional.</p><p>b) captação de financiamentos estrangeiros.</p><p>c) execução de cortes nos gastos públicos.</p><p>d) nacionalização de empresas multinacionais.</p><p>e) promoção de políticas de distribuição de renda.</p><p>(Enem 2014)</p><p>A Comissão Nacional da Verdade (CNV) reuniu representantes de comissões estaduais e</p><p>de várias instituições para apresentar um balanço dos trabalhos feitos e assinar termos de</p><p>cooperação com quatro organizações. O coordenador da CNV estima que, até o momento, a</p><p>comissão examinou, “por baixo”, cerca de 30 milhões de páginas de documentos e fez centenas</p><p>de entrevistas.</p><p>Disponível em: www.jb.com.br. Acesso em: 2 mar. 2013 (adaptado).</p><p>A notícia descreve uma iniciativa do Estado que resultou da ação de diversos movimentos</p><p>sociais no Brasil diante de eventos ocorridos entre 1964 e 1988. O objetivo dessa iniciativa é</p><p>a) anular a anistia concedida aos chefes militares.</p><p>b) rever as condenações judiciais aos presos políticos.</p><p>c) perdoar os crimes atribuídos aos militantes esquerdistas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>108</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>d) comprovar o apoio da sociedade aos golpistas anticomunistas.</p><p>e) esclarecer as circunstâncias de violações aos direitos humanos.</p><p>(Enem 2013)</p><p>A imagem foi publicada no jornal Correio da Manhã, no dia de Finados de 1965. Sua relação</p><p>com os direitos políticos existentes no período revela a</p><p>a) extinção dos partidos nanicos.</p><p>b) retomada dos partidos estaduais.</p><p>c) adoção do bipartidarismo regulado.</p><p>d) superação do fisiologismo tradicional.</p><p>e) valorização da representação parlamentar.</p><p>(Enem 2011)</p><p>O movimento representado na imagem, do início dos anos de 1990, arrebatou milhares de jovens</p><p>no Brasil. Nesse contexto, a juventude, movida por um forte sentimento cívico,</p><p>a) aliou-se aos partidos de oposição e organizou a campanha Diretas Já.</p><p>b) manifestou-se contra a corrupção e pressionou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa.</p><p>c) engajou-se nos protestos relâmpago e utilizou a internet para agendar suas manifestações.</p><p>d) espelhou-se no movimento estudantil de 1968 e protagonizou ações revolucionárias armadas.</p><p>e) tornou-se porta-voz da sociedade e influenciou processo de impeachment do então presidente</p><p>Collor.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>109</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>(CÁSPER LÍBERO – 2020)</p><p>Durante o regime militar (1964-1985), o governo brasileiro adotou medidas de exceção,</p><p>especialmente a partir de 1968, quando foi publicado o quinto Ato Institucional (AI-5) e</p><p>quando o Conselho de Segurança Nacional assumiu preponderância nas decisões de</p><p>governo. A respeito do período referido, é correto afirmar que ocorreram:</p><p>a) ampliação dos programas voltados à saúde e à educação, abandono da indústria e</p><p>favorecimento do agrobusiness.</p><p>b) fortalecimento do poder executivo, relativo enfraquecimento do legislativo e do judiciário</p><p>e aumento da participação do governo na economia.</p><p>c) fim do intervencionismo estatal na economia, ampliação da autonomia dos estados e</p><p>controle militar do sistema de informações.</p><p>d) crescimento dos investimentos estrangeiros do país, erradicação da inflação e fim da</p><p>dívida externa brasileira.</p><p>e) modernização tecnológica da infraestrutura de comunicação, incremento do transporte</p><p>ferroviário e abandono do transporte rodoviário.</p><p>(IFBA – 2019)</p><p>No relato da professora Lúcia Guedes Mello, nos “anos de chumbo” da ditadura militar no</p><p>Brasil, a agressão ao direito de manifestação era uma constante:</p><p>“Os meus universitários não poderiam estar longe do burburinho. Conta Cristina que numa</p><p>passeata, na Avenida Sete, Rua Chile, Praça da Sé, ao passar pela Praça Municipal chega a</p><p>polícia para dispersá-los. Ela corre para uma das ruas transversais e, de repente, um policial</p><p>a intimida com um fuzil em riste. Noutra ocasião, sempre movimento de rua, na Avenida Sete,</p><p>exatamente na Ladeira de São Bento, chega a polícia montada. Não sei como souberam. A</p><p>turminha joga milhares de bolinhas de gude nas patas dos cavalos que começam a escorregar</p><p>e sem estabilidade, os policiais caem. Os estudantes aproveitam e correm para o Mosteiro</p><p>de São Bento que os abriga.”</p><p>MELLO, Lúcia Guedes. Sobradão.</p><p>Salvador, Omar G, 2002. p. 287.</p><p>A ditadura militar no Brasil teve o seu início:</p><p>a) com o pacote de abril do Presidente Ernesto Geisel.</p><p>b) com o suicídio de Getúlio Vargas.</p><p>c) com a eleição indireta de Tancredo Neves.</p><p>d) com o golpe ao governo constitucional de João Goulart.</p><p>e) com o Ato Institucional nº 5 de 13 de dezembro de 1968.</p><p>(IFBA – 2018)</p><p>A ditadura implantada desde 1964 até 1985 se autoproclamava como uma revolução que</p><p>retomou a democracia no Brasil, ameaçada pelo comunismo, pela corrupção e pela inflação.</p><p>No entanto, os historiadores caminham para um entendimento de que o que aconteceu em</p><p>1964 foi um golpe de Estado de caráter “Civil-Militar”. Por quê?</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>110</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>a) Contou com o apoio de toda a sociedade que saiu às ruas em marchas contra o</p><p>comunismo e silenciou-se frente a tortura de</p><p>HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>1.1.1. Atos Institucionais (AI)</p><p>É um conjunto de normas que se sobrepunham até mesmo à Constituição Federal, ou seja,</p><p>era uma lei que só o Poder Executivo poderia fazer e que tinha o poder de modificar até mesmo</p><p>a Constituição Federal. Os AI, como ficaram conhecidos os atos institucionais, eram</p><p>complementados pelos Atos Complementares (AC)7 que, em geral, estabeleciam as formas de</p><p>implementação dos AI.</p><p>Veja, na prática, o Poder Executivo, na mão dos militares, acumulou a função executiva com</p><p>a Legislativa. Por meio dos AI’s e AC’s o Poder Executivo Federal interveio nas Assembleias</p><p>Legislativas dos Estados, nas Câmaras de Vereadores de várias cidades e até mesmo fechou o</p><p>Congresso mais de 1 vez. Entre 1968 e 1969, o Congresso Nacional ficou fechado por 10 meses</p><p>sendo reaberto na ocasião da eleição indireta para Presidente da República.</p><p>O AI1 foi, segundo a lógica jurídico-legal de uma Estado democrático de Direito, o mais ilegal dos</p><p>atos porque foi decretado, no dia 09 de Abril, pelos comandantes do Exército, Marinha e</p><p>Aeronáutica dirigiram o processo de ruptura constitucional, autointitulado Comando Supremo da</p><p>Revolução. Ou seja, não tinham qualquer legitimidade jurídica para tal ato. Mesmo assim</p><p>argumentaram que tinham o poder constituinte originários (aquele que pode legitimamente</p><p>escrever uma Constituição) e, assim, modificaram a Constituição, de modo que as eleições</p><p>presidenciais passaram a ser indiretas. Além disso, puderem expedir ordens de cassação de</p><p>mandatos dos parlamentares que se opusessem às inciativas dos governos, bem como suspender</p><p>direitos políticos de qualquer cidadão por 10 anos</p><p>Os militares chamaram de Revolução esse movimento de ruptura institucional. O</p><p>argumento foi de quem os poderes da Nação não funcionaram para impedir o processo de</p><p>bolchevização e implantação de ideias comunistas que já tomavam conta do Estado Brasileiro.</p><p>Assim, por meio das justificativas macartistas (como vimos na aula anterior) que marcaram o</p><p>cenário mundial da Guerra Fria.</p><p>Na acepção das Forças Armadas, Revolução se distingue de qualquer outro movimento</p><p>armado porque usa a força e rompe com a institucionalidade vigente em benefício dos interesses</p><p>e da vontade da Nação – muito embora, pensemos bem, seja difícil medir a vontade geral da</p><p>Nação por outro meio que não seja uma eleição, afinal, como podemos medir essa “vontade</p><p>geral”?</p><p>7 Nesse link do site do Planalto, vocês encontram as disposições dos Atos Complementares.</p><p>http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/ACP/_ACPs_CF_Anterior1988.htm</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>11</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Jornal Folha de São Paulo sobre o Ato Institucional No. 1 (AI-1).</p><p>Leia abaixo o preâmbulo do Ato Institucional número 1.</p><p>ATO INSTITUCIONAL Nº 1, DE 9 DE ABRIL DE 1964.</p><p>Dispõe sobre a manutenção da Constituição Federal de 1946 e as Constituições Estaduais e</p><p>respectivas Emendas, com as modificações introduzidas pelo Poder Constituinte originário da</p><p>revolução Vitoriosa.</p><p>À Nação</p><p>É indispensável fixar o conceito do movimento civil e militar que acaba de abrir ao Brasil uma nova</p><p>perspectiva sobre o seu futuro. O que houve e continuará a haver neste momento, não só no</p><p>espírito e no comportamento das classes armadas, como na opinião pública nacional, é uma</p><p>autêntica revolução.</p><p>A revolução se distingue de outros movimentos armados pelo fato de que nela se traduz, não o</p><p>interesse e a vontade de um grupo, mas o interesse e a vontade da Nação.</p><p>A revolução vitoriosa se investe no exercício do Poder Constituinte. Este se manifesta pela</p><p>eleição popular ou pela revolução. Esta é a forma mais expressiva e mais radical do Poder</p><p>Constituinte. Assim, a revolução vitoriosa, como Poder Constituinte, se legitima por si mesma. Ela</p><p>destitui o governo anterior e tem a capacidade de constituir o novo governo. Nela se contém a</p><p>força normativa, inerente ao Poder Constituinte. Ela edita normas jurídicas sem que nisto seja</p><p>limitada pela normatividade anterior à sua vitória. Os Chefes da revolução vitoriosa, graças à ação</p><p>das Forças Armadas e ao apoio inequívoco da Nação, representam o Povo e em seu nome</p><p>exercem o Poder Constituinte, de que o Povo é o único titular. O Ato Institucional que é hoje</p><p>editado pelos Comandantes-em-Chefe do Exército, da Marinha e da Aeronáutica, em nome da</p><p>revolução que se tornou vitoriosa com o apoio da Nação na sua quase totalidade, se destina a</p><p>assegurar ao novo governo a ser instituído, os meios indispensáveis à obra de reconstrução</p><p>econômica, financeira, política e moral do Brasil, de maneira a poder enfrentar, de modo direto e</p><p>imediato, os graves e urgentes problemas de que depende a restauração da ordem interna e do</p><p>prestígio internacional da nossa Pátria. A revolução vitoriosa necessita de se institucionalizar e se</p><p>apressa pela sua institucionalização a limitar os plenos poderes de que efetivamente dispõe.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>12</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O presente Ato institucional só poderia ser editado pela revolução vitoriosa, representada pelos</p><p>Comandos em Chefe das três Armas que respondem, no momento, pela realização dos objetivos</p><p>revolucionários, cuja frustração estão decididas a impedir. Os processos constitucionais não</p><p>funcionaram para destituir o governo, que deliberadamente se dispunha a bolchevizar o País.</p><p>Destituído pela revolução, só a esta cabe ditar as normas e os processos de constituição do novo</p><p>governo e atribuir-lhe os poderes ou os instrumentos jurídicos que lhe assegurem o exercício do</p><p>Poder no exclusivo interesse do País. Para demonstrar que não pretendemos radicalizar o processo</p><p>revolucionário, decidimos manter a Constituição de 1946, limitando-nos a modificá-la, apenas, na</p><p>parte relativa aos poderes do Presidente da República, a fim de que este possa cumprir a missão</p><p>de restaurar no Brasil a ordem econômica e financeira e tomar as urgentes medidas destinadas a</p><p>drenar o bolsão comunista, cuja purulência já se havia infiltrado não só na cúpula do governo como</p><p>nas suas dependências administrativas. Para reduzir ainda mais os plenos poderes de que se acha</p><p>investida a revolução vitoriosa, resolvemos, igualmente, manter o Congresso Nacional, com as</p><p>reservas relativas aos seus poderes, constantes do presente Ato Institucional.</p><p>Fica, assim, bem claro que a revolução não procura legitimar-se através do Congresso. Este é que</p><p>recebe deste Ato Institucional, resultante do exercício do Poder Constituinte, inerente a todas as</p><p>revoluções, a sua legitimação.</p><p>Em nome da revolução vitoriosa, e no intuito de consolidar a sua vitória, de maneira a assegurar a</p><p>realização dos seus objetivos e garantir ao País um governo capaz de atender aos anseios do povo</p><p>brasileiro, o Comando Supremo da Revolução, representado pelos Comandantes-em-Chefe do</p><p>Exército, da Marinha e da Aeronáutica resolve editar o seguinte.</p><p>Esses foram os Atos Institucionais editados pelo Presidente Castelo Branco</p><p>AI - 2</p><p>Out/1965: ampliação</p><p>dos poderes do</p><p>Presidente para cassar</p><p>mandatos políticos;</p><p>confirmação de eleição</p><p>indireta para</p><p>Presidente;</p><p>Extinção de TODOS os</p><p>partidos políticos.</p><p>AI-3</p><p>Fev/1966: fim das</p><p>eleições diretas para</p><p>Governadores e</p><p>Prefeitos.</p><p>O Presidente indicava os</p><p>Governadores e as</p><p>Assembleias Legislativas</p><p>dos Estados deveriam</p><p>aprovar os nomes.</p><p>AI-4</p><p>dez/1966: concedeu</p><p>poderes para o Governo</p><p>Federal elaborar a nova</p><p>Constituição. Essa nova</p><p>Constituição, outurgada</p><p>em 1967, consolidou as</p><p>medidas autoritárias</p><p>anteriores e</p><p>enfraqueceu os Poderes</p><p>Judiciário e Legislativo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>13</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Repare, caro aluno e aluna, que</p><p>militantes contrários à ditadura.</p><p>b) Porque parte dos militares golpistas estavam na Reserva.</p><p>c) Porque pretendia devolver o governo para os civis assim que o “inimigo interno” fosse</p><p>vencido.</p><p>d) Porque, como toda revolução, não pode ser feita sem a participação do povo, apoiando</p><p>a tomada de poder.</p><p>e) Porque setores do alto empresariado, associados a empresas internacionais, e grandes</p><p>proprietários de terra financiaram e organizaram associações conspiratórias e</p><p>desestabilizadoras durante o governo João Goulart e depois dele apoiaram o regime.</p><p>(IFRS – 2016)</p><p>Ao longo da década de 1980, a sociedade brasileira viveu uma síntese de esperança e</p><p>desilusão devido a avanços e retrocessos no campo político, econômico e social que</p><p>marcaram os primeiros anos da Nova República.</p><p>Nessa conjuntura surgiram</p><p>a) a Lei de Anistia, a mobilização de movimentos sociais, a crise inflacionária, o retorno da</p><p>democracia plena, a carta constitucional de 1988.</p><p>b) a Lei de Anistia, o retorno do pluripartidarismo, a crise inflacionária, o retorno da</p><p>democracia plena, o Plano Real.</p><p>c) a campanha das Diretas Já, o retorno do pluripartidarismo, a crise inflacionária, a</p><p>reabertura democrática consentida pelas forças civil-militares da ditadura, a carta</p><p>constitucional de 1988.</p><p>d) a Lei de Anistia, a mobilização de movimentos sociais, a crise inflacionária, a reabertura</p><p>democrática consentida pelas forças civil-militares da ditadura, o Plano Real.</p><p>e) a campanha das Diretas Já, a Lei de Segurança Nacional, a crise inflacionária, a reabertura</p><p>democrática consentida pelas forças civil-militares da ditadura, a carta constitucional de</p><p>1988.</p><p>(IFSC– 2015)</p><p>“[...]</p><p>Que sonha com a volta do irmão do Henfil</p><p>Com tanta gente que partiu</p><p>Num rabo de foguete</p><p>Chora</p><p>A nossa Pátria mãe gentil</p><p>Choram Marias e Clarisses</p><p>No solo do Brasil</p><p>Mas sei que uma dor assim pungente</p><p>Não há de ser inutilmente</p><p>A esperança</p><p>Dança na corda bamba de sombrinha</p><p>E em cada passo dessa linha</p><p>Pode se machucar”</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>111</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>(O bêbado e a equilibrista. Aldir Blanc e João Bosco)</p><p>A letra da canção acima está presente em um disco de Elis Regina de 1979 e faz referência</p><p>ao regime então vigente no Brasil, a ditadura civil-militar. Nesse período, entre 1964 e 1985,</p><p>os cidadãos brasileiros não podiam eleger diretamente o presidente da República e muitos</p><p>tiveram que deixar o país, metaforicamente citados nos versos de Blanc e Bosco.</p><p>Sobre os movimentos artísticos, políticos, sociais e culturais dos governos militares no Brasil,</p><p>leia e analise as afirmações abaixo:</p><p>I. A partir do Ato Institucional Nº 5, AI-5, a censura aumentou, atingindo as artes e a</p><p>imprensa em geral.</p><p>II. Nas décadas de 1960 e 1970, o país assistiu a diversos movimentos artísticos, dentre</p><p>eles, a Tropicália.</p><p>III. A censura brasileira proibia a execução de música e arte estrangeira em território</p><p>nacional.</p><p>IV. O ano de lançamento do disco de Elis Regina, 1979, coincide com o ano da Lei de Anistia.</p><p>Por meio dela, prisioneiros políticos, bem como torturadores, foram anistiados pelo regime</p><p>militar-civil.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) Apenas as afirmações I e II são verdadeiras.</p><p>b) Apenas as afirmações I, II e III são verdadeiras.</p><p>c) Apenas as afirmações I, II e IV são verdadeiras.</p><p>d) Apenas a afirmação I é verdadeira.</p><p>e) Todas as afirmações são verdadeiras.</p><p>(IFSC – 2013)</p><p>Quando O período conhecido no Brasil como Ditadura Militar estende-se de 1964 a 1985 e</p><p>tem como característica a grande repressão sobre a população. Leia e analise as proposições</p><p>abaixo sobre algumas leis presentes neste período da história do País.</p><p>I. O presidente Castelo Branco institui, em 1965, o Ato Institucional nº 2, pelo qual o</p><p>governo podia cassar e suspender os direitos políticos, censurar meios de comunicação e a</p><p>produção intelectual.</p><p>II. Em 1968, o governo decreta o Ato Institucional nº 5, considerado o mais opressor</p><p>instrumento dos militares, dando poder quase absoluto ao Poder Executivo.</p><p>III. Apesar de ter o poder de fechar o Congresso através de uso do Ato Institucional nº 5,</p><p>nenhum Presidente chegou a usar este poder; mesmo assim, cassaram-se alguns políticos</p><p>contrários às leis.</p><p>IV. Tendo por base o Ato Institucional nº 5, o governo passou a perseguir vários artistas</p><p>brasileiros e muitos tiveram que se refugiar fora do País, como Caetano Veloso e Gilberto</p><p>Gil.</p><p>Assinale a alternativa CORRETA.</p><p>a) Apenas a proposição III é verdadeira.</p><p>b) Apenas as proposições I, II e III são verdadeiras.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>112</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) Apenas as proposições I, II e IV são verdadeiras.</p><p>d) Apenas a proposição IV é verdadeira.</p><p>e) Todas as proposições são verdadeiras.</p><p>(IFCE – 2015)</p><p>Quando Em 28 de fevereiro de 1986, a equipe econômica do governo Sarney, liderada pelo</p><p>ministro da Fazenda, Dílson Funaro, tomou medidas de grande impacto para o tratamento</p><p>de economia brasileira. Tratava-se do Plano cruzado. Sobre suas principais medidas,</p><p>considere as proposições abaixo.</p><p>I. Extinção do Cruzeiro e a criação de uma nova moeda: o Cruzado.</p><p>II. Congelamento dos preços das mercadorias e serviços.</p><p>III. Reajuste automático dos salários, sempre que a inflação atingisse 20%.</p><p>IV. Criação do salário mínimo regionalizado.</p><p>V. Equiparação do valor da moeda ao Euro.</p><p>Estão corretas</p><p>a) I, II e III.</p><p>b) I, III e V.</p><p>c) somente II e IV.</p><p>d) II, III, IV e V.</p><p>e) I, IV e V.</p><p>(UEA – 2015)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>113</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Disponível em: <http://blogs.estadao.com.br/arquivo/files/</p><p>2012/03/1977.09.01_p1.jpg>. Acesso em: 23 out. 2014.</p><p>A manchete do Jornal da Tarde, de 13 de abril de 1977, refere-se à expectativa sobre as</p><p>medidas a serem impostas pelo então presidente Ernesto Geisel através do chamado Pacote</p><p>de Abril. Entre tais medidas estaria a criação dos senadores biônicos, a ampliação do</p><p>mandato presidencial para seis anos, a manutenção da eleição indireta para presidente da</p><p>república, governadores e prefeitos de municípios em áreas de segurança nacional e o</p><p>fechamento temporário do Congresso Nacional. Diante dos fatos ocorridos nas eleições de</p><p>1974, o Pacote de Abril visava</p><p>a) favorecer uma maior imparcialidade nas eleições de 1978 e preparar o caminho para a</p><p>abertura política a partir de 1979.</p><p>b) impedir uma nova vitória da oposição nas eleições de 1978 e assegurar para o governo</p><p>militar a maioria no Congresso Nacional.</p><p>c) evitar o risco de alas mais conservadoras e reacionárias da política brasileira ocuparem o</p><p>espaço conquistado pela oposição no Congresso Nacional nas eleições de 1974.</p><p>d) atender às exigências dos EUA e da classe média brasileira que viam o governo Geisel</p><p>como fraco e incapaz de tocar o projeto iniciado em 1964 com a eclosão do golpe civil-</p><p>militar.</p><p>e) controlar o crescimento da oposição nos estados, municípios e Congresso Nacional, já</p><p>que o projeto dos militares era reconstruir a estrutura política que havia no Brasil antes da</p><p>Revolução de 1930.</p><p>(UEA – 2014)</p><p>Quando uma seca devastadora se abateu sobre o nordeste em 1970, Médici voou para Recife</p><p>para uma inspeção pessoal, e ficou profundamente chocado. Dezenas de milhares de</p><p>flagelados rumavam para as cidades costeiras. Médici concluiu o óbvio: a região nordestina,</p><p>considerados os seus recursos, tinha excesso de população. De volta do Recife, Médici</p><p>decidiu que o Nordeste e a Amazônia deviam ser atacados como um só problema. O Brasil</p><p>construiria uma estrada transamazônica que abriria o “despovoado” vale amazônico. O</p><p>excesso de população do Nordeste seria levado para a Amazônia atraída pelas terras férteis</p><p>e baratas. Médici chamou a isso “a solução de dois problemas: homens</p><p>sem terra do</p><p>Nordeste e terras sem homens na Amazônia”.</p><p>(Thomas Skidmore. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985, 1988. Adaptado.)</p><p>O projeto da Transamazônica tinha múltiplos significados para o governo do general Emílio</p><p>Garrastazu Médici. Mas, em certa medida, a Transamazônica repetia um projeto</p><p>reiteradamente aplicado pelos governantes brasileiros que</p><p>a) ignoravam a miséria social provocada por secas periódicas e a questão da tênue presença</p><p>do Estado em algumas regiões brasileiras.</p><p>b) procuravam resolver problemas sociais do Nordeste por meio do desenvolvimento da</p><p>Amazônia e, ao mesmo tempo, proteger um território de importância geopolítica.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>114</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) favoreciam a elite social agrária do Nordeste brasileiro, deslocando, para a selva</p><p>amazônica, militantes políticos e camponeses ligados aos sindicatos rurais.</p><p>d) atendiam aos apelos das populações das cidades litorâneas brasileiras, preocupadas com</p><p>a periódica invasão de flagelados e retirantes oriundos da Amazônia.</p><p>e) insistiam na divisão, entre os camponeses sem terra, dos latifúndios nordestinos e, nesse</p><p>meio tempo, transferiam parte da mão de obra excedente para o território amazonense.</p><p>TEXTO: 1 - Comuns às questões:</p><p>A apreensão do livro Torturas e torturados, do Deputado Márcio Moreira Alves, foi</p><p>aconselhada ao Presidente da República pelo Serviço Nacional de Informações, cujas antenas</p><p>terão captado nos meios militares decidido desgosto e inconformismo com a publicação.</p><p>Terá, assim, a providência, executada antes de divulgada a portaria do Ministro da Justiça,</p><p>[…] visado a prevenir uma crise que se configuraria pela ameaça de ação direta na ausência</p><p>de ação governamental para impedir a circulação de uma obra que os militares têm como</p><p>injuriosa.</p><p>(Carlos Castelo Branco. Os militares no poder, 1978.)</p><p>(UEA – 2014)</p><p>O jornalista Carlos Castelo Branco era titular de uma coluna política no Jornal do Brasil,</p><p>publicado no Rio de Janeiro. A informação do excerto, de 1.º de junho 1967, revela bem a</p><p>situação política naquele momento de</p><p>a) proibição, pelo regime, de publicações de livros e suspensão das eleições para o</p><p>legislativo federal.</p><p>b) controle estatal sobre a economia do país e diminuição do crescimento industrial devido</p><p>à crise do petróleo.</p><p>c) promoção governamental da abertura política e democratização gradual do Estado</p><p>brasileiro.</p><p>d) restrições à liberdade de expressão e resistência democrática aos governos militares.</p><p>e) concessão de anistia política aos exilados e controle policial de suas atividades no Brasil.</p><p>(UEA – 2014)</p><p>Pelo que se pode depreender do conteúdo do excerto, o exercício do poder político</p><p>a) restringia-se à presidência da República e ao Ministério da Justiça.</p><p>b) deslocava-se do parlamento para as organizações sociais.</p><p>c) era controlado pelos representantes locais dos Estados Unidos da América.</p><p>d) concentrava-se inteiramente no Serviço Nacional de Informações.</p><p>e) extrapolava os quadros institucionais, dotados de alguma legalidade.</p><p>(UEA – 2014)</p><p>O Acre era, em 1971, o maior produtor de borracha no Brasil. A sua produção, no entanto,</p><p>foi diminuindo sensivelmente nos anos seguintes, com graves consequências sociais, como o</p><p>crescimento das periferias das cidades e o aprofundamento dos conflitos políticos. Esse</p><p>conjunto de transformações econômicas e sociais deveu-se, sobretudo,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>115</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>a) às mudanças climáticas provocadas pelos desmatamentos, resultantes da exploração das</p><p>seringueiras.</p><p>b) ao início do plantio de mudas de seringueira e da produção da borracha em regiões do</p><p>Extremo-Oriente.</p><p>c) ao processo de rápido desenvolvimento da indústria pesada e automobilística na capital</p><p>do estado.</p><p>d) à criação de bancos de investimento e de financiamento das atividades extrativistas no</p><p>Sul do país.</p><p>e) à estratégia governamental e aos interesses comerciais de madeireiros e grandes</p><p>proprietários de terra.</p><p>(UEA – 2014)</p><p>Ao Ato Institucional de ontem não deverá seguir-se nenhum outro ato institucional. Ele é</p><p>completo e não deixou de fora, aparentemente, nada em matéria de previsão de poderes</p><p>discricionários expressos. O Congresso, posto em recesso por tempo indeterminado, está</p><p>praticamente fechado e tudo indica que se cumprirão as profecias de expurgo do Poder</p><p>Judiciário. Os partidos não foram expressamente suprimidos, mas perderam a função. A</p><p>Arena está praticamente dissolvida, pois nos considerandos do Ato se afirma que ela falhou</p><p>em sua missão de defender no Congresso o movimento revolucionário. (Carlos Castello</p><p>Branco. Os militares no poder, 1978. Adaptado.)</p><p>O jornalista Carlos Castello Branco assinava uma prestigiosa coluna no Jornal do Brasil e foi</p><p>testemunha e analista de acontecimentos importantes da história do Brasil, como o que é</p><p>referido no texto, que trata</p><p>(A) do ato de derrubada do Estado Novo varguista pelos oficiais formados nas escolas</p><p>militares norte-americanas.</p><p>(B) da imposição, no país, de uma ditadura de inspiração comunista e apoiada pelos</p><p>sindicatos pelegos de operários.</p><p>(C) do aumento do poder do presidente da República com a finalidade de dar-lhe mais</p><p>instrumentos para o combate aos setores governistas dentro do Exército.</p><p>(D) do primeiro decreto, assinado pela Junta Militar, de extinção do pluripartidarismo na</p><p>política eleitoral brasileira.</p><p>(E) da instauração de uma fase ainda mais ditatorial do regime militar com a decretação de</p><p>novo Ato Institucional.</p><p>(UEA – 2014)</p><p>Na primeira reunião ministerial, Geisel anunciou que as altas taxas de crescimento da</p><p>economia seriam a “prioridade número um” do governo. A ideia de refrear o Milagre não</p><p>passava pela cabeça dos hierarcas de Brasília. Como a legitimidade da ditadura derivava do</p><p>desempenho econômico, qualquer coisa que ferisse o desempenho feriria também a</p><p>legitimidade do regime. (Elio Gaspari. A ditadura derrotada, 2003. Adaptado.)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>116</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O argumento apresentado pelo excerto pode ser ilustrado com alguns fatos históricos,</p><p>considerando que</p><p>(A) a baixa produtividade econômica facilitaria ao Estado adquirir novos empréstimos no</p><p>exterior.</p><p>(B) o apoio ao regime foi diminuindo gradualmente a partir dos efeitos da crise do petróleo</p><p>no país.</p><p>(C) o desequilíbrio das contas públicas implicou o fechamento de empresas estatais e a</p><p>dispensa em massa de funcionários.</p><p>(D) a justificativa do regime ditatorial era garantida somente pelo apoio do exército ao</p><p>presidente.</p><p>(E) a burguesia brasileira sustentaria o movimento operário se o crescimento econômico fosse</p><p>baixo.</p><p>(UEA – 2013)</p><p>O Acre era, em 1971, o maior produtor de borracha no Brasil. A sua produção, no entanto,</p><p>foi diminuindo sensivelmente nos anos seguintes, com graves consequências sociais, como o</p><p>crescimento das periferias das cidades e o aprofundamento dos conflitos políticos. Esse</p><p>conjunto de transformações econômicas e sociais deveu-se, sobretudo,</p><p>(A) às mudanças climáticas provocadas pelos desmatamentos, resultantes da exploração das</p><p>seringueiras.</p><p>(B) ao início do plantio de mudas de seringueira e da produção da borracha em regiões do</p><p>Extremo-Oriente.</p><p>(C) ao processo de rápido desenvolvimento da indústria pesada e automobilística na capital</p><p>do estado.</p><p>(D) à criação de bancos de investimento e de financiamento das atividades extrativistas no</p><p>Sul do país.</p><p>(E) à estratégia governamental e aos interesses comerciais de madeireiros e grandes</p><p>proprietários de terras.</p><p>(UEA – 2013)</p><p>Quando uma seca devastadora se abateu sobre o nordeste em 1970, Médici voou para Recife</p><p>para uma inspeção pessoal, e ficou profundamente chocado.</p><p>Dezenas de milhares de</p><p>flagelados rumavam para as cidades costeiras. Médici concluiu o óbvio: a região nordestina,</p><p>considerados os seus recursos, tinha excesso de população. De volta do Recife, Médici</p><p>decidiu que o Nordeste e a Amazônia deviam ser atacados como um só problema. O Brasil</p><p>construiria uma estrada transamazônica que abriria o “despovoado” vale amazônico. O</p><p>excesso de população do Nordeste seria levado para a Amazônia atraída pelas terras férteis</p><p>e baratas. Médici chamou a isso “a solução de dois problemas: homens sem-terra do</p><p>Nordeste e terras sem homens na Amazônia”.</p><p>(Thomas Skidmore. Brasil: de Castelo a Tancredo, 1964-1985, 1988. Adaptado.)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>117</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O projeto da Transamazônica tinha múltiplos significados para o governo do general Emílio</p><p>Garrastazu Médici. Mas, em certa medida, a Transamazônica repetia um projeto</p><p>reiteradamente aplicado pelos governantes brasileiros que</p><p>(A) ignoravam a miséria social provocada por secas periódicas e a questão da tênue presença</p><p>do Estado em algumas regiões brasileiras.</p><p>(B) procuravam resolver problemas sociais do Nordeste por meio do desenvolvimento da</p><p>Amazônia e, ao mesmo tempo, proteger um território de importância geopolítica.</p><p>(C) favoreciam a elite social agrária do Nordeste brasileiro, deslocando, para a selva</p><p>amazônica, militantes políticos e camponeses ligados aos sindicatos rurais.</p><p>(D) atendiam aos apelos das populações das cidades litorâneas brasileiras, preocupadas com</p><p>a periódica invasão de flagelados e retirantes oriundos da Amazônia.</p><p>(E) insistiam na divisão, entre os camponeses sem terra, dos latifúndios nordestinos e, nesse</p><p>meio tempo, transferiam parte da mão de obra excedente para o território amazonense.</p><p>(UEA – 2012)</p><p>O projeto de construção da usina hidrelétrica de Belo Monte no rio Xingu, no estado do</p><p>Pará, foi pensado e elaborado ao longo de muitos anos por governos brasileiros sucessivos</p><p>desde o regime militar. A construção da hidrelétrica tem sido objeto de controvérsias e de</p><p>grandes debates, em que são considerados o</p><p>(A) dispêndio faraônico do Estado e a pouca importância do empreendimento.</p><p>(B) enfraquecimento da economia do país e o favorecimento do capital estrangeiro.</p><p>(C) projeto de instalação de usinas nucleares e a manutenção da área de floresta.</p><p>(D) mito e a ideologia do Brasil potência, entendidos como heranças do autoritarismo.</p><p>(E) impacto ambiental e o deslocamento de milhares de pessoas daquele território.</p><p>(UNITINS 2017)</p><p>36 - No período de 1964 a 1985, o Brasil foi governado por militares, que impuseram uma</p><p>cruel ditadura. Cinco militares sucederam-se no poder: Castelo Branco, Costa e Silva, Médici,</p><p>Geisel e Figueiredo. Quanto ao período da ditadura militar, pode-se afirmar que:</p><p>I. João Batista Figueiredo foi o segundo presidente da República no período da ditadura</p><p>militar.</p><p>II. Castelo Branco assinou o decreto conhecido como Ato Institucional nº 2, que conferia mais</p><p>poderes ao presidente para cassar mandatos e direitos políticos.</p><p>III. Costa e Silva decretou o Ato Institucional nº 5 (AI-5), que conferia ao presidente da</p><p>República poderes totais para reprimir e perseguir as oposições.</p><p>IV. O plano econômico do governo Médici foi caracterizado por significativo</p><p>desenvolvimento. Por tais avanços, a propaganda oficial o denominou de milagre econômico.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>118</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>V. Castelo Branco recebeu apoio dos Estados Unidos e das empresas multinacionais. Em</p><p>troca, assumiu posições favoráveis aos interesses do capitalismo norte-americano.</p><p>Está correta APENAS a alternativa</p><p>a) I, II e IV b) II, III, IV e V c) II, III e V d) III, IV e V</p><p>(UNITINS 2019)</p><p>A política econômica durante os primeiros anos dos governos militares tinha como meta a</p><p>produção de bens de consumo, o desenvolvimento industrial e o rodoviário, visando a</p><p>provocar um surto de desenvolvimento econômico, o “milagre brasileiro”. Considere as</p><p>seguintes afirmações a respeito dessa política.</p><p>I – A economia do “milagre brasileiro” apoiava-se em três pilares básicos: na empresa estatal,</p><p>na empresa nacional, no capital estrangeiro.</p><p>II – São características do “milagre brasileiro”: expansão da agricultura, incentivo ao</p><p>consumo, aumento da infraestrutura de base (energia, transporte, indústria).</p><p>III – Para a viabilidade desse projeto econômico, os militares adotaram planos nacionais que</p><p>tinham por objetivo o aumento das exportações, o ingresso de capitais estrangeiros e o</p><p>desenvolvimento de mercado de capitais.</p><p>IV – Com o objetivo de incrementar o consumo, os governos militares desenvolveram</p><p>políticas de valorização da classe trabalhadora em consonância com a pauta reivindicatória</p><p>do movimento sindical.</p><p>V – Ao mesmo tempo em que consolidou a base industrial do País, o “milagre brasileiro”</p><p>gerou alto endividamento externo, internacionalização da economia nacional e</p><p>aprofundamento da desigualdade de renda.</p><p>É correto APENAS o que se afirma em:</p><p>a) I, II, III e IV b) I, IV e V c) II, III e IV d) I, II, III e V e) I, II, IV e V</p><p>(UNCISAL – 2020)</p><p>Esta ideia de que a ditadura é uma questão apenas dos militares, e não da sociedade, é uma</p><p>construção dos anos 1970. É importante perceber que a ditadura não foi só militar, mas civil</p><p>e militar. Isso deve ser pensado para compreender porque a luta armada ficou tão isolada.</p><p>Foi porque a sociedade foi muito participante da ditadura.</p><p>ROLLEMBERG, Denise. Entrevista especial com Denise Rollemberg.</p><p>Revista IHU Online, nov. 2009. Disponível em:</p><p>http://www.ihu.unisinos.br. Acesso em: out. 2019 (adaptado).</p><p>Melhor seria que, em vez de “civil-militar”, nos habituássemos a utilizar outra caracterização,</p><p>que talvez capture com mais precisão a natureza daquele regime: uma ditadura empresarial-</p><p>militar implantada a partir de uma insurreição contrarrevolucionária das classes dominantes.</p><p>MELO, Demian Bezerra de. Ditadura “civil-militar”?:</p><p>controvérsias historiográficas sobre o processo político brasileiro no pós-1964 e os</p><p>desafios do tempo presente. Espaço plural, v. 13, n.º 27, 2012 (adaptado).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>119</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Na abordagem do regime político que vigorou no Brasil entre 1964 e 1985, os textos</p><p>apresentados exprimem pontos de vista que</p><p>a) divergem quanto à melhor forma de definir a natureza do regime militar.</p><p>b) concordam que a sociedade civil aliou-se aos militares no combate à luta armada.</p><p>c) salientam o papel das elites empresariais na instituição e na manutenção do regime.</p><p>d) opõem-se quanto ao papel desempenhado pela luta armada ao longo do regime militar.</p><p>e) abordam o caráter contrarrevolucionário dos grupos que estabeleceram o regime militar.</p><p>(UNCISAL 2019)</p><p>A grande concentração de trabalhadores em um pequeno número de fábricas e a</p><p>concentração geográfica na região do ABC paulista foram fatores materiais importantes para</p><p>a organização do novo movimento operário. Por exemplo, em 1978 existiam em São</p><p>Bernardo cerca de 125 mil operários na indústria mecânico-metalúrgica, com forte</p><p>predominância da indústria automobilística. (...) Em 1979, cerca de 3,2 milhões de</p><p>trabalhadores entraram em greve no país. (…) As greves tinham por objetivo um amplo leque</p><p>de reivindicações: aumento de salários, garantia de emprego, reconhecimento das comissões</p><p>de fábrica, liberdades democráticas.</p><p>FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Edusp, 2000, p. 499-500 (adaptado).</p><p>A atuação do movimento sindicalista da década de 70 do século XX</p><p>A) interrompeu-se com a repressão da ditadura militar,</p><p>como outras organizações de</p><p>oposição.</p><p>B) restringiu-se a influenciar os trabalhadores do estado de São Paulo, a partir da região em</p><p>que surgiu.</p><p>C) levou à adoção de um programa sindicalista de governo, com a eleição de vários de seus</p><p>líderes a cargos públicos.</p><p>D) resultou na instalação de uma ditadura bolivariana, com a ascensão de seu principal líder</p><p>ao cargo de presidente da República.</p><p>E) fortaleceu, junto com a igreja católica, a capacidade de mobilização contra a ditadura</p><p>militar, o que acelerou o processo de abertura política.</p><p>(UNCISAL – 2012)</p><p>Leia o texto abaixo.</p><p>Para que existam hoje os direitos políticos, de votar e ser votado, de escolher seus</p><p>governantes e representantes, a sociedade lutou muito.</p><p>A política foi inventada pelos humanos como o modo pelo qual pudessem expressar suas</p><p>diferenças e seus conflitos sem transformá-los em guerra total, em uso da força e extermínio</p><p>recíproco [...].</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>120</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>De outra forma, a política foi inventada como o modo pelo qual a sociedade, internamente</p><p>dividida, discute, delibera e decide em comum para aprovar ou reiterar ações que dizem</p><p>respeito a todos os seus membros.</p><p>(Adaptado de: CHAUÍ, Marilena. Convite à filosofia. São Paulo: Ática, 1994.)</p><p>No Brasil, ocorre que nem sempre esses direitos foram garantidos. Falamos do período</p><p>denominado de Ditadura Militar. Quanto ao fim deste período, dadas as sentenças seguintes,</p><p>I. A abertura política durante o governo Figueiredo foi “lenta, gradual e segura”,</p><p>absolvendo os condenados por crimes políticos através da Lei da Anistia.</p><p>II. A maior novidade da época foi a criação do Partido dos Trabalhadores (PT), liderado</p><p>pelo ex-metalúrgico Luiz Inácio Lula da Silva, representando o ABC Paulista.</p><p>III. O movimento de resistência da sociedade civil à ditadura formou uma frente única</p><p>reunindo alguns partidos e instituições no Brasil e deu início à campanha dos Caras Pintadas.</p><p>IV. Ao mesmo tempo em que Leonel Brizola assume o governo no Rio de Janeiro, Luiz Inácio</p><p>Lula da Silva assume a Câmara dos Deputados.</p><p>verifica-se que apenas</p><p>a) I e II estão corretas.</p><p>b) I e III estão corretas.</p><p>c) II e III estão corretas.</p><p>d) a II está correta.</p><p>e) a IV está correta.</p><p>(UNCISAL – 2009)</p><p>Leia os versos da canção:</p><p>Noventa milhões em ação,</p><p>Pra frente Brasil,</p><p>Do meu coração;</p><p>Todos juntos vamos,</p><p>Pra frente Brasil,</p><p>Salve a seleção;</p><p>De repente é aquela</p><p>Corrente pra frente,</p><p>Parece que todo Brasil deu a mão,</p><p>Todos ligados na mesma emoção,</p><p>Tudo é um só coração;</p><p>Todos juntos vamos,</p><p>Pra frente Brasil, Brasil,</p><p>Salve a seleção...</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>121</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>(Miguel Gustavo)</p><p>Assinale a alternativa que indica corretamente uma das conseqüências da conquista do Brasil</p><p>na Copa do Mundo de 1970.</p><p>a) Não teve qualquer repercussão no campo político, por se tratar de um acontecimento</p><p>estritamente esportivo.</p><p>b) Favoreceu as oposições, que deram destaque à capacidade criativa do povo brasileiro.</p><p>c) Propiciou uma operação de propaganda do governo Médici, tentando associar a</p><p>conquista ao regime autoritário.</p><p>d) Favoreceu o projeto de abertura do general Geisel, ao criar um clima de otimismo pelas</p><p>realizações do governo.</p><p>e) Alcançou repercussão muito limitada, pois os meios de comunicação eram censurados.</p><p>(UNCISAL – 2011)</p><p>Sobre a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988, é correto afirmar que</p><p>a) criou a Lei da Ficha Limpa, que impede que os cidadãos condenados à prisão sejam</p><p>admitidos como candidatos a cargos públicos.</p><p>b) estabeleceu que a legislação relacionada aos direitos humanos deve ser de</p><p>responsabilidade dos estados da federação.</p><p>c) restringiu o direito de greve entre os funcionários públicos e proibiu esse mesmo direito</p><p>aos trabalhadores da área de saúde.</p><p>d) ampliou os direitos políticos, pois instituiu o voto facultativo para os analfabetos e para</p><p>os jovens entre 16 e 18 anos.</p><p>e) anulou importantes conquistas sociais, como a licença paternidade e a possibilidade de</p><p>habeas corpus para crimes políticos.</p><p>(UNCISAL – 2008)</p><p>Após o término do período da ditadura militar, foram convocadas eleições de parlamentares</p><p>que tinham, como uma de suas atribuições, de elaborar a nova Carta Constitucional do Brasil.</p><p>Essa Carta apresentou algumas conquistas no tocante aos direitos individuais e coletivos,</p><p>dentre os quais pode-se destacar a</p><p>I. restauração do habeas-corpus e a instituição do habeasdata.</p><p>II. aplicação de uma reforma agrária em terras consideradas improdutivas.</p><p>III. desapropriação dos latifúndios do país para fins de reforma agrária.</p><p>IV. obrigatoriedade do voto universal para a população analfabeta.</p><p>É correto o que se apresenta apenas em</p><p>a) I e II.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>122</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>b) I e III.</p><p>c) II e III.</p><p>d) II e IV.</p><p>e) III e IV.</p><p>(UEL – 2019)</p><p>Leia os textos a seguir.</p><p>Como dois e dois são quatro</p><p>Sei que a vida vale a pena</p><p>Embora o pão seja caro</p><p>E a liberdade, pequena</p><p>Ferreira Gullar, Dois e Dois: Quatro, 1966.</p><p>Meu amor,</p><p>tudo em volta está deserto, tudo certo</p><p>tudo certo como dois e dois são cinco</p><p>Caetano Veloso, Como Dois e Dois, 1971.</p><p>Os textos fazem críticas explícitas e implícitas à ditadura civil-militar que governou o Brasil</p><p>entre 1964-1984.</p><p>Com base nos textos e nos conhecimentos históricos sobre o período, considere as</p><p>afirmativas a seguir.</p><p>I. A ditadura civil-militar estabeleceu a censura de cunho político e moral-comportamental</p><p>às manifestações artísticas, atingindo os veículos de cultura.</p><p>II. A Tropicália fazia a crítica aos costumes assim como disseminava os ideais libertários</p><p>pregados pelos movimentos de contracultura.</p><p>III. A ditadura civil-militar declinou de produzir propaganda sobre o regime, deixando as</p><p>campanhas publicitárias aos custos da indústria automobilística.</p><p>IV. A Jovem Guarda sofreu forte impacto da censura devido à defesa da utilização dos</p><p>instrumentos elétricos e da vestimenta folk.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e II são corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.</p><p>e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.</p><p>(UEL – 2010)</p><p>A Com base nos conhecimentos sobre a política de desenvolvimento do regime militar,</p><p>considere as afirmativas a seguir:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>123</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>I. No período conhecido como “milagre brasileiro”, o país passou por um acelerado</p><p>desenvolvimento econômico caracterizado pela elevação contínua do PIB, expansão do setor</p><p>industrial e aumento da concentração populacional nas cidades.</p><p>II. Nesse período, o governo buscou ampliar seu controle sobre a economia, investindo em</p><p>setores considerados estratégicos, a exemplo da energia elétrica, pelo acordo assinado com</p><p>o Paraguai, em 1973, para a construção da Usina de Itaipu.</p><p>III. Entre os pontos problemáticos relacionados ao acelerado desenvolvimento econômico</p><p>do período estão: a dependência do sistema financeiro e do comércio internacionais, o</p><p>aumento na importação de petróleo e da concentração de renda.</p><p>IV. Para combater o surto inflacionário e aumentar as reservas cambiais, o governo adotou,</p><p>a partir de 1980, uma política de privatizações de empresas estatais de grande porte, entre</p><p>elas as companhias Siderúrgica Nacional e Vale do Rio Doce.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e III são corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas II e IV são corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.</p><p>e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.</p><p>(UEL – 2011)</p><p>Números totais de transferências de jogadores brasileiros de futebol por região de destino</p><p>– 2007-2009</p><p>*Dados referentes ao primeiro semestre do ano.</p><p>(RUGGI, L. ; RESENDE, R.; CARNIEL, F. Em campo com passaporte:</p><p>notas sobre as transferências internacionais de jogadores de futebol brasileiros.</p><p>Disponível em: <www.humanas.ufpr.br/evento/SociologiaPolitica>. Acesso em: 27 jun. de</p><p>2010.)</p><p>A flexibilização das relações trabalhistas, nos termos do neoliberalismo, chegou ao futebol</p><p>brasileiro com a Lei Pelé (Lei nº 9.615/98), a qual suprimiu a lei do passe e permitiu ao jogador</p><p>ter controle sobre sua vinculação a um ou outro clube, em regra, por meio de um procurador-</p><p>empresário.</p><p>279253111761085Total</p><p>2282711289Médio Oriente</p><p>2881010Oceania</p><p>1250185565500Ocidental Europa</p><p>34460149135Oriental Europa</p><p>492127152213Ásia</p><p>2396210572Sul do América</p><p>86293423Norte do América</p><p>76143527Central América</p><p>49191416África</p><p>Total*200920082007Destino de Região</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>124</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Com base no texto e nos conhecimentos sobre flexibilização nas relações de trabalho,</p><p>considere as afirmativas a seguir.</p><p>I. A flexibilização das relações trabalhistas no futebol profissional introduziu também, neste</p><p>terreno, as políticas de informalização das relações contratuais de trabalho.</p><p>II. A flexibilização das relações contratuais, característica da Lei Pelé, reforça iniciativas</p><p>neoliberais já presentes em outros setores da economia.</p><p>III. A relação de compra e venda dos direitos sobre os atletas, em sua versão flexibilizada,</p><p>acentua a tendência ao individualismo dentro das relações sociais burguesas.</p><p>IV. O pragmatismo característico da flexibilização das relações contratuais fortaleceu ainda</p><p>mais as relações afetivas e de identidade entre clube e atleta no futebol profissional.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e IV são corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas II e III são corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.</p><p>e) Somente as afirmativas I, II e IV são corretas.</p><p>(UEL – 2005)</p><p>“Art. 3º. – Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:</p><p>I. Construir uma sociedade livre, justa e solidária;</p><p>II. Garantir o desenvolvimento nacional;</p><p>II. Erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades sociais e regionais;</p><p>III. Promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e</p><p>quaisquer formas de discriminação.”</p><p>(Constituição do Brasil de 1988. Brasília: Equipe Técnico-jurídica, s.d. p.1.)</p><p>O texto constitucional subsidia a ação dos movimentos sociais brasileiros atuais que</p><p>defendem:</p><p>a) A globalização como saída para eliminar ou atenuar as diferenças regionais, uma vez que</p><p>os países globalizados são verdadeiros blocos econômicos supranacionais.</p><p>b) O respeito à liberdade, como direito formal, ignorando os ideais de justiça social, uma</p><p>vez que o direito de ser livre é o ponto central dos regimes revolucionários.</p><p>c) O nacionalismo extremado voltado para o desenvolvimento interno, à revelia dos</p><p>mercados financeiros globais.</p><p>d) Um conceito de cidadania que consiga afirmar critérios de justiça, os quais corrijam e</p><p>superem as grandes desigualdades econômicas, étnicas e culturais que assolam o país.</p><p>e) A integração dos movimentos sociais em um partido de oposição às políticas nacionais</p><p>de cunho racista e discriminatório.</p><p>(Uel 2009)</p><p>Considere as afirmativas a seguir sobre o Brasil contemporâneo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>125</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>I. Em 1974, assumiu a presidência o general Ernesto Geisel. Em seu governo deu-se o início</p><p>da abertura política de uma forma lenta e gradual. Foi no final de seu mandato, no ano de</p><p>1979, que o AI-5 foi revogado, permitindo que os cidadãos tivessem liberdade relativa para</p><p>voltar a se manifestar politicamente.</p><p>II. A partir de 1980, a política econômica do país foi marcada pelas benesses do milagre</p><p>econômico. Delfim Neto, então ministro do Planejamento, conseguiu baixar a inflação,</p><p>aumentar o valor dos salários e pagar mais da metade do valor da dívida externa do Brasil.</p><p>III. Com o processo de abertura política, as eleições no Brasil voltaram a ser democráticas.</p><p>As diferenças ideológicas e pessoais ficaram mais explícitas no pleito de 1982, quando o PT</p><p>(Partido dos Trabalhadores) colocou o nome de Luis Inácio Lula da Silva para concorrer à</p><p>presidência.</p><p>IV. O General João Batista Figueiredo foi o sucessor do presidente Ernesto Geisel e deu</p><p>continuidade ao processo de abertura política do Brasil. A eleição de Figueiredo mostrou</p><p>que o país começava a seguir uma outra orientação política ao derrotar o candidato linha</p><p>dura das Forças Armadas.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I e II são corretas.</p><p>b) Somente as afirmativas I e IV são corretas.</p><p>c) Somente as afirmativas III e IV são corretas.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e III são corretas.</p><p>e) Somente as afirmativas II, III e IV são corretas.</p><p>(UEL 2007)</p><p>Observe a figura a seguir:</p><p>Com base na figura e nos conhecimentos sobre o Brasil Contemporâneo, a manifestação</p><p>visava a reivindicar:</p><p>a) Eleições diretas de modo a instituir o regime parlamentarista.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>126</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>b) Derrubada do poder então vigente conforme exigência dos operários.</p><p>c) O impeachment do presidente da república, denunciado por corrupção.</p><p>d) A convocação de eleições diretas, após vinte anos de regime ditatorial.</p><p>e) A participação dos estudantes no governo, na forma de democracia direta.</p><p>(UFRR 2018)</p><p>“Os chanceleres do Mercosul decidiram no dia 05/08/2017, por consenso, suspender a</p><p>Venezuela do bloco – formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai – por ruptura da</p><p>ordem democrática. A sanção foi aplicada com base nas cláusulas do Protocolo de Ushuaia,</p><p>assinado em 1998. Entre as exigências para que a questão seja revista estão a libertação dos</p><p>presos políticos, a restauração das competências do Poder Legislativo, a retomada do</p><p>calendário eleitoral e anulação da convocação da Assembleia Constituinte‘, diz o documento</p><p>assinado durante o encontro”. (Disponível em . Acesso em 08/08/2017).</p><p>Sobre o processo de formação do Mercosul, é CORRETO afirmar que:</p><p>A) Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai decidiram seguir a liderança da Venezuela e</p><p>estabelecer por meio do Mercosul a concretização do projeto de Simón Bolívar de uma</p><p>América Unida.</p><p>B) A Venezuela como membro fundador do Mercosul estabeleceu convênios com o Brasil no</p><p>sentido de garantir o fornecimento de energia para a região do estado de Roraima,</p><p>recebendo como contrapartida uma série de investimentos brasileiros na PDVSA (Petróleos</p><p>de Venezuela).</p><p>C) Em virtude do auge da Guerra Fria em 1998, o Protocolo de Olivos estabeleceu que para</p><p>fazer parte do Mercosul os países deveriam assumir compromissos como a cláusula</p><p>democrática e de desarmamento de suas forças armadas.</p><p>D) Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Venezuela assinaram o Tratado de Assunção em</p><p>1991 no sentido de estabelecer um processo de aproximação que culminou com a criação</p><p>em 2002 do grupo chamado “Amigos da Venezuela”.</p><p>E) A partir do Tratado de Assunção em 1991, Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai decidiram</p><p>instituir o Mercado Comum do Sul.</p><p>(UFRR 2020)</p><p>Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e</p><p>tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à</p><p>União</p><p>demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens. § 1º São terras tradicionalmente</p><p>ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas</p><p>atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu</p><p>bem-estar e as necessárias à sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e</p><p>tradições. (Trecho da Constituição Federal do Brasil. In</p><p>https://www.senado.leg.br/atividade/const/con1988/con1988_08.09.2016 /art_231_.asp. Acesso:</p><p>06/09/2019).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>127</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>A Constituição brasileira, promulgada no ano de 1988, pode ser considerada um marco na</p><p>conquista e garantia de direitos pelos indígenas no país, ao estabelecer novos paradigmas para</p><p>as relações entre o Estado, a sociedade brasileira e os povos indígenas. A partir do exposto,</p><p>analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. Enquanto o “Estatuto do Índio”, promulgado em 1973, previa prioritariamente que essas</p><p>populações deveriam ser integradas ao restante da sociedade brasileira, a atual Carta</p><p>Constitucional passou a garantir a proteção à cultura e às reservas indígenas.</p><p>II. Após a promulgação da Constituição de 1988, os povos indígenas da região conhecida como a</p><p>“Amazônia Legal”, mas também tribos como os tupinambás e os pataxós, não mais sofreram com</p><p>tentativas de invasões das suas terras.</p><p>III. Os direitos dos índios sobre suas terras são definidos como “originários”, isto é, são anteriores</p><p>à criação do próprio Estado brasileiro, levando em consideração, dessa forma, o histórico processo</p><p>de dominação colonial.</p><p>IV. O atual texto constitucional brasileiro determina que o Estado deve proteger as manifestações</p><p>culturais indígenas, promovendo exclusivamente, nas escolas indígenas, o ensino público do</p><p>idioma nacional, ou seja, da língua portuguesa.</p><p>É CORRETO afirmar que é (são) verdadeira(s) somente:</p><p>A) I. B) II. C) I e III. D) II e III. E) IV.</p><p>(UFRR – 2016)</p><p>Sobre a ditadura civil/militar brasileira instituída em 1964, pode-se afirmar que:</p><p>a) o executivo federal era ocupado por militares que não tinham seus mandatos legitimados</p><p>pelo voto direto;</p><p>b) ao longo do período dos governos militares as liberdades individuais e de imprensa</p><p>foram respeitadas;</p><p>c) no plano externo, os governos militares se associaram de forma firme à extinta União</p><p>Soviética;</p><p>d) nos governos militares, a prática de torturas não existia e os direitos humanos eram</p><p>completamente respeitados;</p><p>e) ao final do ciclo dos governos militares a inflação encontrava-se em índices muito baixos.</p><p>(UFSC – 2018)</p><p>Sobre o governo José Sarney e as relações econômicas brasileiras no final da década de</p><p>1980, é correto afirmar que:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>128</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>01. a imagem acima é uma alusão ao apoio que a sociedade brasileira deu a José Sarney</p><p>após as eleições diretas que o levaram ao cargo de presidente, o primeiro após o fim da</p><p>ditadura civil-militar.</p><p>02. apesar da instabilidade econômica, mas fortalecido pela aprovação da Carta</p><p>Constitucional de 1988, a chamada “Constituição Cidadã”, o governo de José Sarney</p><p>consegue eleger Fernando Henrique Cardoso como sucessor no Poder Executivo.</p><p>04. após o congelamento de preços pelo governo, os brasileiros foram convocados a operar</p><p>como “fiscais do Sarney”, ficando atentos aos preços e denunciando a sua remarcação.</p><p>08. a hiperinflação tornou-se um problema crônico para o governo, que não conseguiu</p><p>contê-la, e alcançou no último ano da gestão o acumulado de mais de 2.000%.</p><p>16. como reflexo das medidas governamentais, houve desabastecimento (ausência da oferta</p><p>de mercadorias) e vendas clandestinas de produtos com preços maiores.</p><p>32. atendendo ao chamado do governo, houve apoio popular às medidas que procuravam</p><p>controlar a inflação, tais como o confisco dos recursos depositados em contas bancárias e</p><p>em cadernetas de poupança.</p><p>64. para enfrentar a inflação no começo da gestão Sarney, recorreu-se a planos de</p><p>estabilização com “choques econômicos”, como o “Plano Cruzado”, que procurava congelar</p><p>preços de mercadorias, aluguéis, salários, tarifas públicas e passagens pelo prazo de um ano.</p><p>(UFSC – 2014)</p><p>QUINO. Toda Mafalda. 2.</p><p>ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 372.</p><p>Sobre meios de comunicação na história, é CORRETO afirmar que:</p><p>01. os aparelhos de televisão estavam entre os bens duráveis cujo consumo foi favorecido</p><p>pelo “milagre econômico” durante a ditadura militar brasileira.</p><p>02. no Brasil da década de 1960, os programas de televisão dedicados às atrações musicais,</p><p>como o “Programa Jovem Guarda”, foram referência de moda e comportamento para os</p><p>jovens.</p><p>04. uma cena bastante conhecida veiculada pela televisão foi a chegada do homem na Lua,</p><p>em 1969. O desenvolvimento da tecnologia espacial fez parte da chamada Guerra Fria.</p><p>08. durante o governo de Getúlio Vargas, foi criado o Departamento de Imprensa e</p><p>Propaganda (DIP), cuja função principal era promover a pluralidade partidária, o debate</p><p>político e a liberdade de imprensa.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>129</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>16. a censura, ocorrida durante a ditadura militar brasileira, atingiu somente o cinema e o</p><p>teatro, pois ambos eram veículos de divulgação artística. Veículos de informação, como os</p><p>jornais, não foram afetados.</p><p>32. no Brasil do início do século XX, a imprensa jornalística tinha importante papel como</p><p>palco de debates políticos. Por este motivo, ficou concentrada nas mãos da elite, não</p><p>existindo jornais operários no país.</p><p>64. o rádio teve sucesso no Brasil na década de 1930 como veículo de notícias e</p><p>entretenimento, sendo utilizado pelo Estado Novo como meio para a construção de uma</p><p>identidade nacional.</p><p>(UFSC – 2014)</p><p>Manifestações 2013</p><p>A partir do início de junho de 2013, testemunhamos no Brasil intensas manifestações nas</p><p>principais capitais e regiões metropolitanas do país para protestar contra o aumento das</p><p>passagens de ônibus, trem e metrô e reclamar contra o aumento dos alimentos, dos aluguéis,</p><p>e contra o empobrecimento da qualidade dos serviços públicos no Brasil (saúde, educação,</p><p>moradia e respeito aos direitos civis).</p><p>Sem lideranças unânimes, sem predomínio de grandes partidos políticos, as manifestações</p><p>surgiram como uma forte onda social nas principais praças e ruas, reunindo milhares de</p><p>pessoas que compartilhavam a pergunta já presente no consciente coletivo há tempo:</p><p>“Como um país que financia 20 bilhões de reais para construção de estádios para a Copa</p><p>2014 não pode financiar e investir a nossa verba para construção de escolas de alto nível,</p><p>hospitais de excelência e segurança pública?”.</p><p>Fernando Rebouças</p><p>Disponível em: <http://www.infoescola.com/atualidades/ensaio-</p><p>sobre-as-manifestacoes-no-brasil-em-2013/> [Adaptado]</p><p>Acesso em: 16 out. 2013.</p><p>Sobre as manifestações populares ao longo da história do Brasil e suas consequências, é</p><p>CORRETO afirmar que:</p><p>01. em 1964, a “Marcha da Família com Deus pela Liberdade” levou cerca de 500 mil pessoas</p><p>às ruas da cidade de São Paulo com o objetivo de defender o governo de João Goulart e</p><p>evitar um golpe militar no país.</p><p>02. a campanha “Diretas Já”, de 1984, articulou diversos setores da sociedade brasileira em</p><p>grandes comícios populares por todo o país. A enorme mobilização foi decisiva para a</p><p>aprovação da emenda Dante de Oliveira, que restabeleceu o voto direto nas eleições para a</p><p>Presidência do Brasil em 1985.</p><p>04. o processo de impeachment contra o presidente Fernando Collor ganhou força com o</p><p>movimento “Fora Collor”, promovido em 1992 por jovens que ficaram conhecidos como</p><p>caras-pintadas.</p><p>08. nas primeiras décadas do século XX, o movimento operário brasileiro começou a se</p><p>articular em sindicatos. Estimulados principalmente pelos ideais de anarquistas italianos,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>130</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>realizaram uma série de mobilizações e greves pelas ruas de cidades como São Paulo e Rio</p><p>de Janeiro.</p><p>16. por causa da enorme e violenta repressão durante o período da ditadura militar (1964-</p><p>1985), não ocorreram grandes mobilizações populares de resistência contra o regime.</p><p>32. o movimento conhecido como “Novembrada”, ocorrido em 1979, colocou Santa</p><p>Catarina no cenário político nacional por expressar apoio ao então presidente general João</p><p>Baptista Figueiredo.</p><p>(UFSC – 2008)</p><p>Isso não podia acontecer. O que vai ser do Brasil, vendendo assim seus melhores craques?</p><p>[...] O interesse das pessoas, daqueles que pagam impostos, parece que não vale mais nada</p><p>mesmo neste país miserável. Uma vergonha, uma vergonha nacional. Caso de polícia. Tem</p><p>gente andando faceira por aí que merecia estar atrás das grades. Traidor é pouco para esse</p><p>pessoal – e bruscamente, quase como se estivesse falando sobre o mesmo assunto: –</p><p>Escute, além daquela firma do Paraná e do governo do Maranhão, já tenho bem</p><p>entabulado um negócio com o governo do Pará. Este ano está prometendo para nós.</p><p>NEVES, Amilcar. Relatos de sonhos e de lutas. São Paulo: Estação Liberdade:</p><p>Fundação Nestlé de Cultura, 1991. p. 67-68.</p><p>Onda após onda de escândalos, numa sucessão aparentemente infindável, tem invadido o</p><p>palco da política nacional. [...] O próprio governo calculou em R$ 40 bilhões o rombo anual</p><p>nos cofres públicos.</p><p>Folha de São Paulo, 03 jun. 2007. Caderno MAIS, p. 4.</p><p>Sobre o tema CORRUPÇÃO na história brasileira, é correto afirmar que:</p><p>01. Collor assumiu a presidência do Brasil na década de 1990 e sua propaganda política foi</p><p>baseada na “caça aos marajás”, ou seja, no combate à corrupção.</p><p>02. no passado, a concentração de poderes nas mãos do soberano evitava a rede de</p><p>influências, apadrinhamentos políticos e favorecimento econômico.</p><p>04. mesmo com o amplo debate e mobilizações contra o seu governo, como as</p><p>manifestações dos “caras-pintadas”, Collor não foi levado ao impeachment.</p><p>08. o termo “mensalão” surgiu durante o governo de Arthur Bernardes, a partir da prática</p><p>corrente na política brasileira de distribuir dinheiro aos eleitores em vésperas de eleição.</p><p>16. Juscelino Kubitschek construiu sua campanha eleitoral tendo como símbolo uma</p><p>vassoura, destinada a varrer a corrupção, a inflação e o comunismo do Brasil.</p><p>32. intérpretes clássicos da História do Brasil, tais como Sérgio Buarque de Holanda e Caio</p><p>Prado Júnior, são unânimes em apontar a corrupção como uma realidade endêmica ao</p><p>longo de nossa história, na qual a espoliação e a confusão entre o público e o privado</p><p>estão presentes desde o período colonial.</p><p>(UFSC – 2004)</p><p>Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEI-RA(S) referente(s) a acontecimentos históricos</p><p>relevantes ocorridos no Brasil nos primeiros anos do século XXI.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>131</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>FOLHA DE SÃO PAULO. São Paulo: 29 jun. 2003. p. A2.</p><p>01. No Brasil um cidadão nordestino e metalúrgico foi eleito pelo Partido dos Trabalhadores,</p><p>aliado a outros partidos, para ocupar o cargo de Presidente da República.</p><p>02. Com a eleição de um presidente filiado ao Partido dos Trabalhadores, as mulheres</p><p>passaram a ter seus salários equiparados aos dos homens quando no exercício da mesma</p><p>profissão. E os estudantes negros passaram a ter direito a cotas nas universidades públicas.</p><p>04. Os servidores públicos descontentes com a proposta de reforma da Previdência,</p><p>encaminhada ao Congresso Nacional pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, manifestaram</p><p>publicamente o seu descontentamento.</p><p>08. Mesmo pertencendo aos quadros do Partido dos Trabalhadores, Luiz Inácio Lula da Silva,</p><p>já no exercício da presidência, não conseguiu impedir que as lideranças do Movimento dos</p><p>Trabalhadores Sem Terra, descontentes com o ritmo da reforma agrária, promovessem</p><p>invasões de propriedades rurais.</p><p>16. Os trabalhadores, empresários e o Movimento dos Trabalhadores Sem Terra</p><p>demonstraram publicamente seu apoio ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva evitando</p><p>críticas, greves e invasões de propriedades rurais após sua posse.</p><p>(UFSC – 1999)</p><p>Em 1994, Fernando Henrique Cardoso, na qualidade de Ministro da Fazenda, implantou o</p><p>Plano Real. Assumindo como presidente da República em 1995, além de manter o referido</p><p>plano, implementou uma política econômica denominada neoliberal pelos seus adversários</p><p>políticos.</p><p>Assinale a(s) proposição(ões) que é(são) considerada(s) conseqüência(s) da referida política</p><p>econômica.</p><p>01. Aumento significativo do número de empregos e da remuneração dos assalariados, de</p><p>modo especial, dos servidores públicos.</p><p>02. Privatização de empresas públicas como a Companhia Siderúrgica Nacional, Vale do Rio</p><p>Doce e Telebrás.</p><p>04. Queda da inflação, alto índice de desemprego e juros elevados.</p><p>08. Investimentos maciços nos sistemas públicos de educação e saúde, e facilidade de</p><p>financiamentos ao consumidor.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>132</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>16. Balança comercial invariavelmente favorável.</p><p>(UFSC – 2010)</p><p>Sobre a Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso em 28 de agosto de 1979, e os debates</p><p>que suscitou, é CORRETO afirmar que:</p><p>01. trinta anos depois de sancionada pelo general João Baptista Figueiredo, a Lei da Anistia</p><p>atendeu os apelos da população brasileira ao processar e condenar os torturadores e</p><p>reconhecer os direitos dos torturados, desaparecidos e mortos pelo regime militar.</p><p>02. a Lei da Anistia permitiu a volta ao país de milhares de exilados políticos. Os debates</p><p>jurídicos continuam, pois há torturadores que nunca foram julgados. Alguns juristas</p><p>defendem uma nova interpretação da lei, que permita o julgamento dos agentes do Estado</p><p>que praticaram tortura e assassinato durante o regime militar.</p><p>04. o projeto apresentado no Congresso pela ARENA, partido que apoiava o regime militar,</p><p>não atendia os interesses do MDB, partido de oposição. Este partido apresentou um</p><p>substitutivo no qual não se previa a punição dos torturadores pois, sendo minoria, desejava</p><p>aprovar o que considerava possível no momento.</p><p>08. os críticos de uma nova interpretação da Lei da Anistia afirmam que os crimes de tortura</p><p>cometidos durante o regime militar prescreveram e a lei não pode ter efeito retroativo,</p><p>exceto para os casos de morte comprovada.</p><p>16. durante o regime militar houve cassações de mandatos de opositores, extinção de</p><p>partidos políticos, torturas, perda de cargos públicos e prisões por crimes políticos. A Lei da</p><p>Anistia, sancionada pelo general Figueiredo, perdoava todos, exceto os torturadores.</p><p>32. Ulysses Guimarães, José Sarney, Paulo Salim Maluf e Luís Inácio Lula da Silva foram</p><p>defensores de uma anistia "ampla, geral e irrestrita", e da revisão constante da Lei da Anistia.</p><p>(UFSC – 2009)</p><p>Sobre o regime militar instalado no Brasil em 1964 e os desdobramentos históricos</p><p>posteriores, é CORRETO afirmar que:</p><p>01. o país passou a viver em um regime democrático, no qual as grandes manifestações</p><p>políticas eram incentivadas.</p><p>02. a vitória da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1970 foi utilizada pelo regime militar</p><p>na propaganda do governo. Slogans como “Este é um país que vai pra frente” e “Ninguém</p><p>segura este país” foram difundidos nesse momento.</p><p>04. o Brasil, em 1970, era governado por Tancredo Neves, o último presidente militar do</p><p>país.</p><p>08. o ano de 1964 é conhecido pelo estabelecimento do pluripartidarismo, importante passo</p><p>para a consolidação da democracia no Brasil durante o regime militar.</p><p>16. durante o governo Costa e Silva, em 1968, foi decretado o AI-5 (Ato Institucional no 5)</p><p>que, entre outras decisões, estabeleceu o fechamento do Congresso Nacional.</p><p>32. no período ocorreu o chamado “milagre econômico brasileiro”, que favoreceu a classe</p><p>média, possibilitando-lhe maior acesso ao consumo.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>133</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>64. foi o período de construção da Rodovia Transamazônica, responsável pelo sucesso da</p><p>integração entre o norte e o sul do Brasil.</p><p>(UFSC – 2008)</p><p>Os homens sucumbem por sua própria vaidade, a isca ideal para dominá-los. Fazem com eles</p><p>o mesmo que fazem com cada um de nós, quando nos apanham: batem, torturam, mutilam,</p><p>asfixiam, enforcam, escamam as unhas e devastam os cabelos, castram e matam: só que no</p><p>nosso caso eles precisam literalmente sujar as mãos, eles escondem os cadáveres, atiram-</p><p>nos em valas de indigentes e apresentam depois, quando se dão a este trabalho, falsos</p><p>laudos assinados por falsos legistas, pequenos indivíduos que vivem perguntando aos chefes</p><p>quais os resultados a que desejam chegar [...].</p><p>NEVES, Amilcar. Relatos de sonhos e de lutas. São Paulo: Estação Liberdade:</p><p>Fundação Nestlé de Cultura, 1991. p. 94-95.</p><p>Sobre o governo militar no Brasil, ocorrido entre 1964 e 1985, é CORRETO afirmar que:</p><p>01. em 1964 foi decretado o estado de sítio no Brasil por meio do Ato Institucional no 1, o</p><p>que suspendia direitos e garantias individuais previstos na Constituição Federal.</p><p>02. durante este período foi lançado no Rio de Janeiro o jornal O Pasquim, o qual</p><p>representava um jornalismo independente, crítico e bem-humorado, angariando por isto</p><p>simpatias do governo militar.</p><p>04. o Ato Institucional no 5, decretado em 1968, concedeu plenos poderes aos partidos</p><p>políticos para perseguir e reprimir quaisquer oposições à democracia.</p><p>08. diante do regime ditatorial instaurado no Brasil, vários grupos de esquerda promoveram</p><p>a resistência por meio da luta armada e de ações de guerrilha, como o seqüestro do</p><p>embaixador norte-americano para a troca por presos políticos.</p><p>16. na década de 1980 Tancredo Neves foi eleito presidente, mas morreu antes de tomar</p><p>posse, tendo assumido, como vice, Fernando Henrique Cardoso.</p><p>32. entre o final da década de 1960 e o início da década de 1970 a economia brasileira</p><p>apresentou grande crescimento, período que passou a ser conhecido como “milagre</p><p>econômico”.</p><p>(UFSC – 2004)</p><p>Assinale a(s) proposição(ões) VERDADEI-RA(S) referente(s) a acontecimentos históricos</p><p>ocorridos entre 1960 e 1985.</p><p>01. A Marcha da Família com Deus pela Liberdade reuniu aproximadamente 500 mil pessoas</p><p>que saíram às ruas de São Paulo manifestando-se contra o governo de João Goulart (Jango).</p><p>02. Em resposta às manifestações operárias e estudantis, o presidente Costa e Silva</p><p>decretou o Ato Institucional no 5 e ordenou o fechamento do Congresso Nacional.</p><p>04. A eleição de Tancredo Neves para a presidência da República, em 1985, marcou o fim</p><p>do regime militar. Ao concluir seu mandato, Tancredo Neves promulgou a Constituição</p><p>Cidadã.</p><p>08. Parte da população descontente com a atuação dos presidentes militares organizou</p><p>passeatas, bem como guerrilhas rurais e urbanas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>134</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>16. Foi fundado o Partido dos Trabalhadores, um dos símbolos do movimento operário do</p><p>Brasil, com a participação do líder Luís Inácio da Silva.</p><p>(UFSC – 2003)</p><p>“Hoje você é quem manda</p><p>Falou, tá falado</p><p>Não tem discussão</p><p>A minha gente hoje anda</p><p>Falando de lado</p><p>E olhando pro chão, viu</p><p>Você que inventou esse estado</p><p>E inventou de inventar</p><p>Toda a escuridão</p><p>Você que inventou o pecado</p><p>Esqueceu-se de inventar</p><p>O perdão</p><p>Apesar de você</p><p>Amanhã há de ser</p><p>Outro dia</p><p>Eu pergunto a você</p><p>Onde vai se esconder</p><p>Da enorme euforia ...”</p><p>HOLANDA, Chico Buarque de. Rio de Janeiro: Phillips / Polygram, 1978. Lado 2, faixa 6.</p><p>Apesar de Você foi editada e fez grande sucesso em 1978.</p><p>Com base no fragmento da canção e levando em conta os seus conhecimentos sobre o</p><p>período da História do Brasil em que foi escrita, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).</p><p>01. A canção de Chico Buarque retrata um momento de grande euforia na sociedade</p><p>brasileira, em virtude da redemocratização do país.</p><p>02. Apesar de Você foi sucesso no período dos governos militares, quando a militância</p><p>política sofreu restrições e existia a censura da produção artística e musical.</p><p>04. Apesar de Você é um libelo contra a escravidão. Chico Buarque e outros intelectuais</p><p>defendiam o fim da escravatura que ainda persistia no Brasil em meados do século passado.</p><p>08. A canção mencionada foi escrita num momento em que as liberdades democráticas</p><p>tinham sido cerceadas e processos estavam sendo instaurados contra os que se opunham ao</p><p>sistema vigente.</p><p>16. Os versos de Chico Buarque retratam uma época de restrição às liberdades, o “Estado</p><p>Novo”: A minha gente hoje anda falando de lado e olhando pro chão.</p><p>(UESB 2016)</p><p>O domingo 16 de agosto foi o começo do fim do governo. Em duas dezenas de cidades</p><p>brasileiras, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas, “para protestar contra a</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>135</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>corrupção, o abuso do poder, os privilégios, o tráfico de influência, a mentira” [...] a data que</p><p>entrou para a história como “domingo negro”. Calma gente! Estamos falando de 1992, o fim</p><p>da Era Collor, o presidente afastado do poder por um processo de impeachment. Vinte e</p><p>três anos depois, de novo um domingo em 16 de agosto, milhares de brasileiros estarão nas</p><p>ruas para protestar contra o governo, dessa vez o de Dilma Rousseff.</p><p>(BARROS; ZALIS; COURA, 2015, p. 56).</p><p>O que possibilitou politicamente a deposição de Fernando Collor de Mello da presidência</p><p>da República foi</p><p>01) a denúncia de fraudes eleitorais cometidas por seu partido, o PNM, em todo o país.</p><p>02) a atuação dos partidos comunistas e de organizações de esquerda, apoiados pela Rússia,</p><p>Inglaterra e Alemanha, descontentes com rumos da política econômica do governo.</p><p>03) a ausência de uma base parlamentar sólida no Congresso e a forte pressão dos</p><p>movimentos urbanos.</p><p>04) a imagem de “garoto irresponsável e incompetente”, transmitida à nação, quando impôs</p><p>o retorno do bipartidarismo adotado no governo de Juscelino Kubitschek (1955-1960).</p><p>05) o rompimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, por conta da</p><p>implantação de usinas atômicas no país.</p><p>(UESB 2017)</p><p>A conquista dos direitos sociais foi um longo processo, que se instalou no Brasil com momentos</p><p>de grande tensão política e de acirramento do conflito de classe. Nessa perspectiva,</p><p>01) o discurso de liberdade da empregada doméstica, na obra cinematográfica Doméstica, de</p><p>Gabriel Mascaro, se assemelha aos escravos, no Império brasileiro, por ambos aceitarem a</p><p>condição de trabalhadores explorados.</p><p>02) o movimento operário, na Primeira República, defendia uma posição conciliatória entre os</p><p>trabalhadores e o governo, o que permitiu a elaboração das primeiras leis de caráter trabalhista.</p><p>03) a criação da Consolidação das Leis Trabalhistas enfraqueceu o movimento operário, ao atender</p><p>os principais anseios da classe trabalhadora e do Partido Comunista Brasileiro, que perdeu, em</p><p>consequência, prestígio político.</p><p>04) o crescimento econômico estabelecido com o Milagre Econômico, ao ampliar as vagas de</p><p>emprego e fortalecer o poder de compra do salário-mínimo, contribuiu para o aumento da adesão</p><p>popular ao governo.</p><p>05) a adoção de medidas de caráter neoliberais, como as privatizações e a tentativa de</p><p>desmontagem da legislação social</p><p>populista, no governo Fernando Henrique Cardoso, contribuiu</p><p>para o fortalecimento das ações do MST.</p><p>(UESB – 2016)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>136</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O domingo 16 de agosto foi o começo do fim do governo. Em duas dezenas de cidades</p><p>brasileiras, centenas de milhares de pessoas saíram às ruas, “para protestar contra a</p><p>corrupção, o abuso do poder, os privilégios, o tráfico de influência, a mentira” [...] a data que</p><p>entrou para a história como “domingo negro”. Calma gente! Estamos falando de 1992, o fim</p><p>da Era Collor, o presidente afastado do poder por um processo de impeachment. Vinte e</p><p>três anos depois, de novo um domingo em 16 de agosto, milhares de brasileiros estarão nas</p><p>ruas para protestar contra o governo, dessa vez o de Dilma Rousseff. (BARROS; ZALIS;</p><p>COURA, 2015, p. 56).</p><p>BARROS, Mariana; ZALIS, Pieter; COURA,</p><p>Kalleo. De volta pra rua. Veja. São Paulo: A-</p><p>bril, Ed. 2439, ano 48, n.33, 19 ago. 2015.</p><p>O que possibilitou politicamente a deposição de Fernando Collor de Mello da presidência</p><p>da República foi</p><p>01. a denúncia de fraudes eleitorais cometidas por seu partido, o PNM, em todo o país.</p><p>02. a atuação dos partidos comunistas e de organizações de esquerda, apoiados pela Rússia,</p><p>Inglaterra e Alemanha, descontentes com rumos da política econômica do governo.</p><p>03. a ausência de uma base parlamentar sólida no Congresso e a forte pressão dos</p><p>movimentos urbanos.</p><p>04. a imagem de “garoto irresponsável e incompetente”, transmitida à nação, quando impôs</p><p>o retorno do bipartidarismo adotado no governo de Juscelino Kubitschek (1955-1960).</p><p>05. o rompimento das relações diplomáticas com os Estados Unidos, por conta da</p><p>implantação de usinas atômicas no país.</p><p>(UESB – 2014)</p><p>“Declaro promulgado o documento da liberdade, da democracia e da justiça social do</p><p>Brasil”, disse, há 25 anos [1988] o então presidente da Assembleia Nacional Constituinte,</p><p>Ulysses Guimarães, ao promulgar a nova Constituição Federal, em vigor até hoje. O Brasil</p><p>rompia de vez com a Constituição de 1967, elaborada pelo regime militar, que governou o</p><p>país de 1964 até 1985.</p><p>O trabalho que resultou na “Constituição Cidadã” começou muito antes da Assembleia</p><p>Constituinte e do fim da ditadura. A luta para acabar com o chamado “entulho autoritário”</p><p>ganhou força com a derrota da Emenda das Diretas-Já, ou Emenda Dante de Oliveira,</p><p>rejeitada por faltarem 22 votos, no dia 25 de abril de 1984. (CONSTITUIÇÃO... 2013).</p><p>CONSTITUIÇÃO DE 1988. Disponível em:</p><p><http://atarde.uol.com.br/brasil/materias/1538435-constituicao-de-</p><p>1988-completa-25-anos>. Acesso em: 1 out. 2013.</p><p>A Constituição Federal de 1988 é mais um símbolo do fim do regime militar, que governou</p><p>o país de 1964 até 1985.</p><p>Sobre esse período e seus desdobramentos, pode-se afirmar:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>137</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>01. A ameaça de estabelecimento do comunismo, com a proposta da Reforma de Base do</p><p>governo João Goulart, que previa o fim da propriedade privada no campo e a nacionalização</p><p>de todas empresas estrangeiras, provocou o apoio dos Estados Unidos ao golpe militar de</p><p>1964.</p><p>02. Uma parte significativa da classe média, ao se beneficiar com o milagre econômico, em</p><p>função da elevação momentânea do padrão de vida, se calou em relação ao apogeu da</p><p>ditadura militar e aos crimes de tortura cometidos pelos órgãos de repressão, principalmente</p><p>no governo Médici.</p><p>03. O processo de abertura lenta, gradual e segura, proposta pela Escola Superior de</p><p>Guerra, visava ao retorno à democracia, com restrições à participação dos civis no processo</p><p>eleitoral, enquanto a Linha Dura defendia a punição imediata para todos participantes de</p><p>crimes de tortura e da luta armada.</p><p>04. O Plano Cruzado, concebido no governo Sarney, recebeu forte crítica da oposição, ao</p><p>reproduzir os alicerces da política econômica liberal do regime militar de respeito às leis do</p><p>mercado, à livre concorrência e à liberdade de produção e comercialização.</p><p>05. O impeachment do presidente Collor ocorreu em função da publicação de suas ligações</p><p>com o regime ditatorial militar, enquanto prefeito indireto de Maceió, sendo então acusado</p><p>de cometer crime eleitoral, por ter omitido essas informações à população, se apresentando</p><p>como um político jovem sem vinculações partidárias.</p><p>(UFMS – 2009)</p><p>Leia com atenção o fragmento de texto abaixo, relacionado a questões decorrentes da Lei</p><p>de Anistia, decretada durante o regime militar brasileiro.</p><p>“É uma legislação feita em causa própria, durante um governo ditatorial. Esses acusados não</p><p>eram políticos, mas agentes públicos envolvidos em torturas. É verdade que outros países</p><p>seguiram o mesmo caminho durante um tempo. Era necessário evitar o conflito. Mas a</p><p>Argentina e o Chile estão punindo seus repressores. No Brasil, a situação está muito aquém</p><p>dos vizinhos do Cone Sul. Até agora, nem sequer conseguimos responsabilizar na área civil</p><p>um único agente de repressão. Que dirá colocá-los na cadeia. Nós, 20 anos após a</p><p>redemocratização, nem sequer abrimos os arquivos da ditadura. A Comissão Especial de</p><p>Mortos e Desaparecidos, por exemplo, insiste há anos na abertura desses arquivos. O</p><p>brasileiro tem uma tradição de conciliação absolutamente exagerada [...]”.</p><p>(Carta Capital, 25 de junho de 2008, adaptado)</p><p>Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o assunto, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A Lei de Anistia foi decretada em dezembro de 1968 juntamente com o Ato Institucional</p><p>nº 5 (AI-5), que fechou o Congresso Nacional e ampliou a repressão, obrigando parte da</p><p>esquerda a procurar asilo político no exterior ou optar pela clandestidade e pela luta armada.</p><p>b) O texto aponta uma contradição da Lei de Anistia, decretada em agosto de 1979, que</p><p>estendeu o indulto a todos os agentes a serviço do Estado, envolvidos em práticas de tortura</p><p>durante o regime militar brasileiro, o que torna difícil a punição desses agentes pela Justiça.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>138</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) O texto discute a contradição presente na Constituição Federal de 1988, que anistiou os</p><p>crimes de motivação política, cometidos durante a ditadura militar, pela oposição armada,</p><p>mas vedou a possibilidade dos agentes públicos envolvidos em tortura abrirem processos</p><p>contra ex-guerrilheiros ligados à esquerda.</p><p>d) O texto defende a tese de que, a exemplo do que ocorre na Argentina e no Chile, a Lei</p><p>de Anistia brasileira deve estender o indulto aos agentes públicos, denunciados por</p><p>envolvimento em práticas de torturas durante o regime militar brasileiro, uma vez que tais</p><p>agentes não eram políticos.</p><p>e) O texto deixa claro que, apesar das dificuldades enfrentadas pela Comissão Especial de</p><p>Mortos e Desaparecidos, para abrir os arquivos da ditadura a fim de responsabilizar, na área</p><p>civil, os agentes da repressão, nos últimos 20 anos após a redemocratização, o Brasil, assim</p><p>como seus vizinhos do Cone Sul, tem punido os agentes públicos denunciados por</p><p>envolvimento em práticas de torturas durante o regime militar.</p><p>(UFMS – 2009)</p><p>“Editado há 40 anos pelo General Costa e Silva, o AI-5, o principal símbolo da ditadura</p><p>militar, é totalmente ignorado por 82% dos brasileiros a partir de 16 anos. E, dos 18% que</p><p>ouviram falar algo sobre ele, apenas um terço (32%) respondeu corretamente que a sigla se</p><p>referia ao Ato Institucional nº 5 (...) O conhecimento sobre o AI 5 cresce à medida que avança</p><p>a escolaridade formal. Só 8% das pessoas com ensino fundamental ouviram falar do AI-5. A</p><p>taxa sobe para 53% para quem tem nível superior, mas só 12% desse grupo se diz bem</p><p>informado(...) Para o sociólogo Leôncio Martins Rodrigues, professor aposentado da USP e</p><p>da Unicamp, ‘a variável decisiva é a escolaridade</p><p>(...) Isso não é só no Brasil. Foi feita uma</p><p>pesquisa com jovens da Alemanha, e a grande maioria nunca tinha ouvido falar de Hitler’</p><p>(...)”.</p><p>(PULS, Mauricio e PAIVA, Natália – “Oito a cada dez brasileiros nunca ouviram falar do AI-</p><p>5”. Folha On Line, 13/12/2008).</p><p>Com base no texto e nos seus conhecimentos sobre o assunto, assinale a alternativa correta.</p><p>a) A falta de informação sobre o AI-5 explica-se em razão do fato de que, editado em 1968,</p><p>num momento em que a ditadura militar vivia uma crise motivada pelo início do processo de</p><p>abertura lenta e gradual implantado pelo presidente Costa e Silva, seu impacto político e</p><p>social foi relativamente pequeno, só atingindo elementos diretamente vinculados às</p><p>organizações de extrema esquerda partidárias da luta armada.</p><p>b) Decretado em dezembro de 1968, considera-se que o AI-5 deu ao regime militar a marca</p><p>definitiva de ditadura, uma vez que, estabelecendo as bases do Estado Novo, aboliu o Poder</p><p>Legislativo em todos os níveis, extinguiu os partidos políticos, cancelou as eleições</p><p>presidenciais e implantou, sob o estrito controle do Departamento de Imprensa e</p><p>Propaganda (DIP), a censura sobre os meios de comunicação, a produção intelectual e</p><p>cultural.</p><p>c) O fato de 82% dos brasileiros a partir dos 16 anos ignorarem, ou pouco saberem, a</p><p>respeito do AI-5 deve-se ao baixo acesso dessa parcela da sociedade ao ensino fundamental.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>139</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Fenômeno que se repete na Alemanha, o que explica o fato da grande maioria dos jovens</p><p>daquele país jamais terem ouvido falar de Hitler.</p><p>d) Considera-se o AI-5 o principal símbolo da ditadura militar porque facultava ao</p><p>presidente da República, em nome da segurança nacional e do combate à ameaça comunista,</p><p>amplos poderes para intervir nos estados e municípios, decretar estado de sítio, cassar</p><p>mandatos e suspender direitos políticos, fechar o Congresso a qualquer momento, extinguir</p><p>a garantia de habeas corpus, proibir qualquer reunião de cunho político e instituir a censura</p><p>prévia nos meios de comunicação, bem como sobre a produção intelectual e cultural.</p><p>e) Os baixos níveis de informação da maioria dos brasileiros em relação ao AI-5 estão</p><p>intimamente ligados aos altos níveis educacionais e de politização atingidos pela população,</p><p>os quais tiveram início na década de 1980 com o processo de redemocratização, atingindo</p><p>o auge nos governos de Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva.</p><p>(UFMS – 2009)</p><p>A fotografia acima, mostrando o capitão da Seleção Brasileira de 1970, Carlos Alberto Torres,</p><p>e o general Garrastazu Médici erguendo a Taça Jules Rimet sob o olhar atento do general</p><p>João Batista Figueiredo, à época chefe do Serviço Nacional de Informações (SNI), indicia a</p><p>relação entre o esporte e a política. Tomando como referência a imagem e os seus</p><p>conhecimentos sobre o assunto, assinale a(s) proposição(ões) correta(s).</p><p>Disponível em http://educacao.uol.com.br/historia</p><p>01. No plano interno, a ligação entre futebol e política, empreendida pelo governo Médici,</p><p>objetivava a afirmação do sentimento nacionalista concretizado na conquista da Copa do</p><p>Mundo de 1970 pela Seleção Brasileira, tida como um elemento fundamental para atrair o</p><p>apoio popular ao projeto nacional desenvolvimentista do regime militar. No plano externo,</p><p>essa ligação objetivava, exclusivamente, criar um ambiente favorável aos interesses da</p><p>diplomacia brasileira, de fazer com que o país ocupasse um lugar de membro permanente</p><p>do Conselho de Segurança da ONU.</p><p>02. Na Copa de 70, momento do auge do milagre econômico e em que a Seleção Brasileira</p><p>se consagrava como a maior vencedora em Copas do Mundo, o governo Médici buscou se</p><p>apropriar do futebol na tentativa de colar o esporte ao regime militar e aumentar o prestígio</p><p>internacional do país, construindo uma imagem do Brasil como referência de modelo de</p><p>desenvolvimento nacional e de solidariedade com os países do terceiro-mundo.</p><p>http://educacao.uol.com.br/historia</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>140</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>04. Na primeira metade da década 1970, período do auge da repressão e da tortura aos</p><p>presos políticos, o futebol entra em cena como máscara pacificadora da ditadura militar,</p><p>servindo à proliferação da ideologia de nação monumentalizada e homogênea, veiculada na</p><p>metáfora povo/time expressa em hinos como o “Prá Frente Brasil”, ou em lemas como</p><p>“Ninguém segura este país" e "Brasil: ame-o ou deixe-o".</p><p>08. Médici não foi o único representante de um regime ditatorial a utilizar o futebol brasileiro</p><p>como instrumento de propaganda política. Na Copa do Mundo de 1938, disputada logo</p><p>após a instauração do Estado Novo, Getulio Vargas tornou-se o primeiro governante</p><p>brasileiro a se apropriar do esporte como mecanismo ideológico de coesão social, um meio</p><p>de aproximar as diferentes regiões e uniformizar práticas em todo o território nacional.</p><p>16. No governo Médici, período marcado por profunda crise econômica e pelo avanço das</p><p>forças de oposição constatado na vitória do MDB nas eleições parlamentares de 1974, a</p><p>ligação entre futebol e política objetivava reforçar o sentimento nacionalista e atrair o apoio</p><p>popular à política de distensão, que previa uma série de alterações políticas visando à</p><p>flexibilização do regime ditatorial, a exemplo do abrandamento da censura e da repressão e</p><p>a abertura de negociações com os setores oposicionistas.</p><p>(UFMS – 2008)</p><p>Leia a letra da música abaixo, composta por Caetano Veloso e apresentada pelo próprio</p><p>autor durante o III Festival Internacional da Canção, em 1968.</p><p>É Proibido Proibir</p><p>A mãe da virgem diz que não</p><p>E o anúncio da televisão</p><p>E estava escrito no portão</p><p>E o maestro ergueu o dedo</p><p>E além da porta</p><p>Há o porteiro, sim...</p><p>E eu digo não</p><p>E eu digo não ao não</p><p>Eu digo: É!</p><p>É proibido proibir</p><p>É proibido proibir</p><p>É proibido proibir...</p><p>Me dê um beijo meu amor</p><p>Eles estão nos esperando</p><p>Os automóveis ardem em chamas</p><p>Derrubar as prateleiras</p><p>As estantes, as estátuas</p><p>As vidraças, louças</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>141</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Livros, sim...</p><p>E eu digo sim</p><p>E eu digo não ao não</p><p>Eu digo: É!</p><p>É Proibido proibir</p><p>É proibido proibir</p><p>É proibido proibir...</p><p>Sobre o processo histórico em que essa música se inseriu, assinale a alternativa correta.</p><p>a) Caracterizou-se pelos protestos que assolaram o mundo na década de 1960, que</p><p>culminaram nas greves gerais e rebeliões de trabalhadores e estudantes franceses em maio</p><p>de 1968, nos protestos contra a Guerra do Vietnã e em favor dos direitos civis das minorias,</p><p>nos EUA, e nas manifestações, nos países com regimes políticos de feições autoritárias do</p><p>Leste Europeu e da América Latina, em defesa de liberdade e democracia.</p><p>b) Caracterizou-se pelos protestos que assolaram o mundo no contexto da Globalização,</p><p>que culminaram nas rebeliões de jovens pobres e descendentes de imigrantes das periferias</p><p>de Paris e de diversas cidades norte-americanas, contrários à segregação étnico-social e à</p><p>rigidez das leis de controle e proibição da imigração.</p><p>c) Caracterizou-se pelos protestos que assolaram o mundo no contexto da Guerra Fria, que</p><p>culminaram com levantes estudantis e populares em Paris, São Francisco, Praga e diversas</p><p>cidades da América Latina contra a invasão do Iraque e a proibição, por parte do governo</p><p>norte-americano, da entrada em massa de imigrantes cubanos refugiados do regime</p><p>autoritário implantado por Fidel Castro após a crise dos mísseis, em 1962.</p><p>d) Caracterizou-se pelos protestos que assolaram o mundo no contexto da Guerra Fria, que</p><p>culminaram com os levantes populares, em Praga, contra a reforma do secretário-geral do</p><p>Partido Comunista Tcheco, Alexander Dubceck,</p><p>os primeiros Atos Institucionais foram medidos muito parecidas</p><p>com as feita por Getúlio na Ditadura do Estado Novo. Por isso, atenção, para não se confundir na</p><p>hora da prova se o examinador se referirá ao Estado Novo ao Regime Militar iniciado em 1964.</p><p>Minha dica é: analise o CONTEXTO. OK?</p><p>Após o AI-2, o Governo determinou (por meio de Ato Complementar) que o Congresso</p><p>funcionasse apenas com 2 partidos, sendo um “da situação” e outro “da oposição”. Esse</p><p>bipartidarismo foi formado por:</p><p>Aliança Renovadora Nacional (Arena): partido de apoio do Governo Militar.</p><p>Movimento Democrático Brasileiro (MDB): partido de oposição ao Governo, mas</p><p>uma oposição controlada.</p><p>Outra medida para reprimir opositores</p><p>ao Governo Militar foi a Lei de Segurança</p><p>Nacional, de 1967 que tornava crime diversos</p><p>atos políticos de oposição ao governo.</p><p>Quero que você preste atenção agora</p><p>porque foi fazer uma “reflexão forte”</p><p>1.1.2. A Lei de Segurança Nacional, de</p><p>1967</p><p>De certa forma, queridos alunos, essa Lei – que na verdade é um decreto-lei, o que significa</p><p>que ela não foi votada no âmbito do Poder Legislativo, mas sim foi feita pelo Presidente da</p><p>República, no caso, Castelo Branco – foi uma importante peça na arquitetura autoritária porque</p><p>foi ela quem transformou alguns atos políticos em crime, como, por exemplo, distribuir panfletos,</p><p>jornais ou fazer greves.</p><p>Há dois conceitos chaves nessa lei que mostram o ponto de partida e a concepção dos</p><p>militares sobre o que ocorria no Brasil e como deveriam tratar os atos de crítica e resistência à</p><p>implementação de suas decisões:</p><p> guerra psicológica adversa;</p><p> guerra revolucionária ou subversiva.</p><p>Digo para os militares porque eles estavam no governo e estavam fazendo essas leis. Assim,</p><p>para os militares que governavam o Brasil a segurança nacional passava pela repressão e</p><p>prevenção dessas duas “guerras”.</p><p>Mas, Profe, o que são essas guerras?</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>14</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Podemos explicar essa pergunta, meus caros vestibulandos, usando as definições trazidas</p><p>na própria lei, vamos ler o artigo?</p><p>Art. 3º A segurança nacional compreende, essencialmente, medidas destinadas à preservação da</p><p>segurança externa e interna, inclusive a prevenção e repressão da guerra psicológica adversa e da</p><p>guerra revolucionária ou subversiva.</p><p>§ 1º A segurança interna, integrada na segurança nacional, diz respeito às ameaças ou pressões</p><p>antagônicas, de qualquer origem, forma ou natureza, que se manifestem ou produzam efeito no</p><p>âmbito interno do país.</p><p>§ 2º A guerra psicológica adversa é o emprego da propaganda, da contrapropaganda e de ações</p><p>nos campos político, econômico, psicossocial e militar, com a finalidade de influenciar ou provocar</p><p>opiniões, emoções, atitudes e comportamentos de grupos estrangeiros, inimigos, neutros ou</p><p>amigos, contra a consecução dos objetivos nacionais.</p><p>§ 3º A guerra revolucionária é o conflito interno, geralmente inspirado em uma ideologia ou</p><p>auxiliado do exterior, que visa à conquista subversiva do poder pelo controle progressivo da</p><p>Nação.</p><p>Há um elemento histórico importante para acrescentar. Apesar de os Estados Unidos</p><p>terem forte influência nesse contexto, por conta da Guerra Fria, as Forças Armadas, no</p><p>Brasil, sempre tiveram como referência de formação militar a França, isso desde a</p><p>própria ideia francesa de positivismo. O próprio Presidente Castelo Branco estudou na</p><p>Escola Militar Especial de Saint-Cyr, a aprincipal academia militar da França.</p><p>Assim, essa ideologia de Guerra Revolucionária, ou “Doutrina de Contrainsurgência”, foi</p><p>elaborada por militares franceses que enfrentaram as guerrilhas nacionalistas locais na suas ex-</p><p>colônias na Indochina e na Argélia, organizadas por grupos que queriam a libertação dessas</p><p>regiões do domínio colonial francês.</p><p>Nessa doutrina, o inimigo subversivo é invisível, pode ser qualquer um infiltrado em qualquer</p><p>lugar. Ele atuaria de maneira propagandística, uma espécie de “propaganda subversiva”. Por isso,</p><p>seria preciso identificá-lo, pegá-lo e “eliminá-lo”, não fisicamente, necessariamente, mas sua</p><p>capacidade de influenciar.</p><p>A lei segue tipificando (definindo) cada um dos atos que eles consideram crime. Preste</p><p>atenção: muitas ações políticas foram transformadas em crime. Quero pegar um trecho para</p><p>mostrar a vocês a base para a PROMOÇÃO DA CENSURA aos meios de comunicação:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>15</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Art. 38. Constitui, também, propaganda subversiva, quando importe em ameaça ou atentado à</p><p>segurança nacional:</p><p>I - a publicação ou divulgação de notícias ou declaração;</p><p>II - a distribuição de jornal, boletim ou panfleto;</p><p>III - o aliciamento de pessoas nos locais de trabalho ou de ensino;</p><p>IV - comício, reunião pública, desfile ou passeata;</p><p>V - a greve proibida;</p><p>VI - a injúria, calúnia ou difamação, quando o ofendido for órgão ou entidade que exerça</p><p>autoridade pública, ou funcionário em razão de suas atribuições;</p><p>VII - a manifestação de solidariedade a qualquer dos atos previstos nos itens anteriores; Pena</p><p>- detenção, de 6 meses a 2 anos.</p><p>Art. 39. Se a responsabilidade pela propaganda subversiva couber a diretor ou a responsável de</p><p>jornal ou periódico, o Juiz poderá impor, ao receber a denúncia, a suspensão da circulação deste</p><p>até trinta dias, sem prejuízo de outras comunicações previstas em lei.</p><p>Parágrafo único. Em se tratando de estação de radiodifusão ou televisão, a suspensão será</p><p>imposta, nas mesmas condições, pelo Presidente do Conselho Nacional de Telecomunicações.</p><p>Art. 40. A responsabilidade penal ou civil pela propaganda subversiva é autônoma e não exclui a</p><p>dos autores ou responsáveis por outros crimes, na forma deste decreto-lei ou de outras leis.</p><p>1.1.3. Órgãos de vigilância, censura e repressão</p><p>Para identificar aqueles considerados perigosos para a segurança nacional, desenvolveu-se</p><p>um sistema de vigilância. Isso significou, na prática investigação, espionagem e o desenvolvimento</p><p>de uma série de órgãos de informação.</p><p>Cada uma das 3 Armas, dispunha de um sistema de informação que funcionava de maneira</p><p>integrada cujos resultados eram centralizados pelo Serviço Nacional de Informações (SNI), órgão</p><p>diretamente ligado à Presidência da República.</p><p>Além disso, as polícias forma integradas nesse sistema de vigilância e as já existentes</p><p>Delegacias de Ordem Política e Social (DEOPS) – um departamento das polícias civis dos Estados</p><p>– ocuparam um espaço muito grande na vigilância e repressão aos considerados criminosos,</p><p>sobretudo, por meio da chamada “Operação Bandeirante” (Oban)que integrou essas polícias,</p><p>entre 1968 e 1969, devido ao crescimento das ações dos grupos de luta armada contra o regime.</p><p>Em 1970, a Oban foi transformada numa estrutura mais organizada, hierarquizada e</p><p>submetida formalmente aos comandos militares de cada Exército. Criou-se, assim, o sistema “DOI-</p><p>Codi” (Destacamentos de Operações e Informações-Centro de Operações de Defesa Interna).</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>16</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Não foi o regime que criou os DEOPS. Em São Paulo, foi criado em</p><p>1924 e extinto em 1983. Mas os documentos produzidos por esse</p><p>departamento só pode ser acessado livremente a partir de 1994, depois</p><p>de longa batalha dos familiares de mortos e desaparecidos sob a custódia</p><p>do estado brasileiro.</p><p>A censura também era promovida por órgãos da Polícia, no caso, a Polícia Federal. Seus</p><p>agentes públicos não eram necessariamente policiais, mas estavam alojados nessa corporação,</p><p>oficialmente a partir de 1972. Há uma ´serie de instrumentos jurídicos que foram editados para</p><p>criar o que poderia ou não</p><p>que proibiu a liberalização da economia e</p><p>as liberdades de expressão e de organização política fora do controle do Partido Comunista.</p><p>e) Caracterizou-se pelos protestos que assolaram o Brasil na década de 1960, que</p><p>culminaram na Marcha da Família com Deus pela Liberdade, que reuniu mais de 200 mil</p><p>manifestantes contra a ditadura militar e a favor do retorno das liberdades democráticas,</p><p>suspensas com a decretação, em dezembro de 1968, do Ato Institucional Número 5.</p><p>(UFMS – 2006)</p><p>O fim do regime militar legou ao Brasil uma profunda crise social e econômica. No âmbito</p><p>da economia, a inflação chegava a 200% ao ano, em 1983, e a dívida externa gravitava na</p><p>órbita dos 95 bilhões de dólares. O Governo liderado por José Sarney, candidato a vice-</p><p>presidente, que assumiu a presidência em decorrência da doença de Tancredo Neves,</p><p>adotou medidas que não produziram bons resultados. Em face dessa situação, em 1986 o</p><p>Governo federal inaugurou o período dos “planos econômicos”, que procuravam enfrentar</p><p>os problemas da inflação, dívida externa e crise orçamentária. Indique a(s) alternativa(s) que</p><p>corresponde(m) ao primeiro desses planos, implantado no Governo Sarney, em 1986, e</p><p>algumas de suas características mais conhecidas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>142</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>01. Plano Cruzado: congelamento de preços, o qual motivou pessoas a se organizarem</p><p>contra o reajuste dos valores das mercadorias, autodenominando-se “Fiscais do Sarney”.</p><p>02. Plano Verão: eliminação de três zeros da moeda, reintrodução do congelamento de</p><p>preços e pretensão de fazer contenção de gastos.</p><p>04. Plano Bresser: congelamento de preços por 60 dias, extinção do gatilho salarial e</p><p>suspensão da moratória da dívida externa.</p><p>08. Política do “Arroz com Feijão”: abertura da economia para o mercado externo e</p><p>privatizações de empresas estatais.</p><p>16. Plano Cruzado: substituição do Cruzeiro pelo Cruzado, congelamento dos preços e</p><p>introdução do gatilho salarial.</p><p>(FGV 2016)</p><p>Na primeira metade da década de 1980, começaram a surgir as propostas iniciais de política</p><p>anti-inflacionária alternativa. Esses estudos constituíram o pano de fundo para o Plano</p><p>Cruzado, lançado em 1986. Em 1994, o Plano Real enfim conseguiria domar a inflação. No</p><p>intervalo desses dois planos, houve uma sucessão de outros (...).</p><p>VIDAL LUNA, F. e KLEIN, H. S., O Brasil desde 1980. São Paulo: A Girafa Editora, 2007, p.</p><p>75.</p><p>A respeito de um dos planos econômicos implementados no Brasil no período citado pelo</p><p>texto acima, é correto afirmar:</p><p>a) O Plano Collor, de 1990, caracterizou-se pelo confisco de valores monetários das contas</p><p>correntes e por uma política econômica protecionista.</p><p>b) O Plano Real, de 1994, caracterizou-se pela estabilização da moeda e pela ampliação de</p><p>medidas protecionistas.</p><p>c) O Plano Bresser, de 1987, caracterizou-se pelo rompimento com o FMI (Fundo Monetário</p><p>Internacional) e por seu caráter liberal.</p><p>d) O Plano Verão, de 1989, caracterizou-se pela nacionalização das empresas estrangeiras e</p><p>pelo controle da remessa de divisas ao exterior.</p><p>e) O Plano Cruzado, de 1986, caracterizou-se pelo tabelamento de preços e pela intervenção</p><p>do Estado na economia.</p><p>(FGV 2013)</p><p>O Plano Bresser visava conter a aceleração inflacionária após o fracasso do Plano Cruzado.</p><p>Em relação a esses planos, assinale V para a afirmativa verdadeira e F para a falsa.</p><p>( ) O Plano Bresser eliminou o congelamento de preços, visto que este foi uma das fontes</p><p>principais da hiperinflação gerada pelo Plano Cruzado.</p><p>( ) O fracasso do Plano Bresser se deveu principalmente à reposição salarial obtida por</p><p>diversos setores, pois um dos pilares do plano era o congelamento salarial.</p><p>( ) Ao contrário do Plano Cruzado, o Plano Bresser adotou uma política de austeridade fiscal</p><p>logrando êxito devido à redução de transferências às esferas subnacionais.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>143</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>As afirmativas são, respectivamente,</p><p>a) V, V e V.</p><p>b) V, V e F.</p><p>c) V, F e V.</p><p>d) F, V e F.</p><p>e) F, F e F.</p><p>(FGV 2013)</p><p>A imagem acima retrata um ato de protesto contra as alterações do Código Florestal</p><p>realizado por estudantes, em 2011 nas ruas de Cuiabá. Em um dos cartazes dos</p><p>manifestantes, lê-se: "Novo Código? Vôte!", indicando o desgosto dos cuiabanos com a</p><p>votação das alterações do Código Florestal. A expressão "vôte" é uma gíria local, que</p><p>significa algo como "cruzes!" ou "nossa!". (Adaptado de: http://www. oeco.org.br/salada-</p><p>verde/ 25167-cuiaba-vai-as-ruas-contra-alteracoes-no-codigo-florestal)</p><p>Com relação ao conteúdo desses protestos, analise as afirmativas a seguir.</p><p>I. Os manifestantes, criticam o projeto votado, que possibilita a redução da área de Reserva</p><p>Legal, ou seja, da área de mata nativa que deve ser preservada dentro das propriedades.</p><p>II. Os manifestantes, criticam a redução das Áreas de Preservação Permanente, como beira</p><p>de rios, topo de morros encostas.</p><p>III. Os manifestantes se opõem à conversão das multas por desmatamento ilegal em</p><p>reflorestamento, inclusive para os grandes proprietários.</p><p>Assinale:</p><p>a) se somente a afirmativa I estiver correta.</p><p>b) se somente a afirmativa II estiver correta.</p><p>c) se somente a afirmativa III estiver correta.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>144</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>d) se somente a afirmativa I e II estiverem corretas.</p><p>e) se todas as afirmativas estiverem corretas.</p><p>(FGV 2012)</p><p>Recentemente, em julho de 2011, faleceu o ex-presidente Itamar Franco. A respeito da sua</p><p>chegada ao poder e do seu governo, é correto afirmar:</p><p>a) Venceu Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições disputadas em 1994, graças</p><p>ao sucesso do Plano Real, implementado no governo de Fernando Henrique Cardoso.</p><p>b) Venceu Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989 e organizou um governo de coalizão</p><p>nacional, do qual participaram todos os demais partidos políticos brasileiros, inclusive o PT.</p><p>c) Assumiu a presidência após o processo de impeachment do presidente Fernando Collor</p><p>de Mello e, com seu ministro Fernando Henrique Cardoso, implementou o Plano Real.</p><p>d) Foi eleito em janeiro de 1985, em eleição direta pelo colégio eleitoral, e organizou um</p><p>governo de reformas políticas e econômicas que permitiram sua reeleição em 1994.</p><p>e) Foi eleito em 1994 devido ao sucesso do Plano Real em uma disputa contra Fernando</p><p>Henrique Cardoso.</p><p>(FGV 2009)</p><p>"O Plano Collor foi o mais violento ato de intervenção estatal na economia brasileira, na</p><p>segunda metade do século. No entanto, ao estrangular a inflação, ele abriu as portas para</p><p>uma ampla liberalização".</p><p>(Jayme Brener, "Jornal do século XX")</p><p>Sobre esse plano, inserido em uma ordem neoliberal, é correto afirmar que:</p><p>a) se pautou pela ampliação do meio circulante, por meio do aumento dos salários e das</p><p>aposentadorias; liquidou empresas públicas e de economia mista que geravam prejuízo;</p><p>estabeleceu uma política fiscal de proteção à indústria nacional.</p><p>b) criou um imposto compulsório sobre os investimentos especulativos para o financiamento</p><p>da infraestrutura industrial; liberou a importação dos insumos industriais e restringiu a</p><p>importação de bens de consumo não-duráveis.</p><p>c) estabeleceu-se uma nova política cambial, com um controle mais rígido realizado pelo</p><p>Banco Central; demissão em massa de funcionários públicos concursados; aumentou a renda</p><p>tributária por meio da criação do Imposto sobre Valor Agregado.</p><p>d) objetivou a privatização de empresas estatais; diminuiu as restrições à presença do capital</p><p>estrangeiro no Brasil; gerou a ampliação das importações e eliminaram-se subsídios,</p><p>especialmente das tarifas públicas.</p><p>e) aumentou a</p><p>liberdade sindical com uma ampla reforma na CLT e revogou a opressiva lei</p><p>de greve; recriou empresas estatais ligadas à exploração e refino de petróleo; congelou os</p><p>capitais especulativos dos bancos e dos investidores estrangeiros.</p><p>(UDESC 2019)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>145</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Caracterizado pelo uso da violência e do autoritarismo, o período conhecido como Ditadura</p><p>Militar no Brasil terminou, institucionalmente, em 1985. Dentre os movimentos que</p><p>contribuíram de forma determinante para este fim, cita-se o:</p><p>a) Movimento Tenentismo que era composto por militares descontentes com a exacerbação</p><p>da violência experienciada neste período.</p><p>b) Movimento do Custo de Vida que era encabeçado por donas de casa da periferia sul de</p><p>São Paulo e que se mobilizavam contra a carestia provocada por uma política econômica</p><p>excludente.</p><p>c) Movimento Comunista, fundado em 1983, responsável pela consolidação das bandeiras</p><p>que originaram o movimento das Direitas Já.</p><p>d) Movimento Operário que, já nos anos 20, reivindicava um governo democrático e o fim</p><p>da ditadura militar no Brasil.</p><p>e) Movimento Guerrilheiro que determinou o fim da ditadura no Brasil, por meio da vitória</p><p>exercida em enfrentamento armados, os quais ocorreram no Rio de Janeiro, entre 1982 e</p><p>1985.</p><p>(UDESC 2018)</p><p>A Constituição de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, foi elaborada por meio de</p><p>uma assembleia nacional constituinte e marca o período que se convencionou chamar “Nova</p><p>República”.</p><p>Analise as proposições, segundo este Texto Constitucional.</p><p>I. É vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios estabelecer cultos</p><p>religiosos ou igrejas ou manter com eles, ou com seus representantes, relações de</p><p>dependência ou aliança.</p><p>II. São reconhecidos quatro poderes: Executivo, Legislativo, Judiciário e Moderador.</p><p>III. Homens e mulheres são iguais, em direitos e obrigações.</p><p>IV. Ninguém será submetido à tortura, ao tratamento desumano ou degradante.</p><p>Assinale a alternativa correta.</p><p>a) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.</p><p>b) Somente as afirmativas I, II e III são verdadeiras.</p><p>c) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.</p><p>d) Somente as afirmativas I, II e IV são verdadeiras.</p><p>e) Somente a afirmativa I é verdadeira.</p><p>(UDESC 2017)</p><p>“Um, dois, três, quatro, cinco, mil... Queremos eleger o presidente do Brasil!”</p><p>Estas palavras foram entoadas por grande parcela da população que, no primeiro semestre</p><p>de 1984, foi às ruas reivindicar eleições diretas para a presidência da República. Este</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>146</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>movimento, conhecido como “Diretas já!”, tornou-se um marco do processo de</p><p>redemocratização política no Brasil.</p><p>Analise a alternativa correta sobre este processo.</p><p>a) A emenda constitucional Dante de Oliveira, que restabeleceria as eleições diretas para</p><p>presidência da República, teve sua votação iniciada em 25 de abril de 1984, na Câmara dos</p><p>Deputados. Houve grande mobilização popular, apoio de lideranças políticas e intelectuais</p><p>que tomaram as galerias do congresso para acompanhar a votação. Ao final, perante a</p><p>aprovação da emenda, as multidões entoaram o Hino Nacional pelas ruas de várias capitais</p><p>do país.</p><p>b) As eleições diretas para presidente e para governador no Brasil foram restabelecidas</p><p>simultaneamente, em 1985, por meio de uma medida provisória outorgada pelo então</p><p>presidente Figueiredo, seguindo a política de uma abertura lenta, gradual e segura,</p><p>promovida na gestão de Ernesto Geisel. O primeiro presidente eleito democraticamente</p><p>após a instauração desta medida foi Tancredo Neves.</p><p>c) Estima-se que no dia 25 de janeiro de 1984 cerca de 200 mil pessoas se reuniram na Praça</p><p>da Sé, em São Paulo, para apoiar o comício organizado por lideranças oposicionistas em</p><p>nome das eleições diretas, o qual contou com a participação de Lula, Ulisses Guimarães e</p><p>Leonel Brizola. Apesar da adesão popular, a emenda que restabeleceria as eleições diretas</p><p>para presidência não obteve o número de votos necessários na Câmara dos Deputados.</p><p>d) O movimento das “Diretas Já!” obteve como resultado imediato o restabelecimento das</p><p>eleições diretas para a presidência da República. O primeiro presidente eleito</p><p>democraticamente foi Tancredo Neves, em 1985 e afastado do cargo dois anos depois, pelo</p><p>processo de impeachment, o qual contou com forte adesão popular e, em especial, dos</p><p>jovens que foram às ruas como “caras pintadas”.</p><p>e) A aprovação da emenda Dante de Oliveira na Câmara dos Deputados, em 1984, foi</p><p>resultado direto da pressão popular. Apesar disso vale lembrar que, em 1982, o então</p><p>presidente Figueiredo já havia reintroduzido eleições diretas para governador e criado, desta</p><p>maneira, grande expectativa a respeito das eleições presidenciais.</p><p>(Udesc 2009)</p><p>Entre as décadas de 1970 e 1980 aconteceu uma série de questões que marcou a história do</p><p>passado recente brasileiro.</p><p>Assinale a alternativa INCORRETA em relação ao conjunto de questões e acontecimentos</p><p>que caracterizaram este período.</p><p>a) É possível observar a existência de dois processos de redemocratização no Brasil neste</p><p>período: um a partir do próprio governo militar, que passou a prever a impossibilidade de</p><p>manter o autoritarismo e as leis de exceção no longo prazo; e outro com foco na sociedade</p><p>civil, que reuniu diferentes atores e organizações na luta pela democracia.</p><p>b) Em 1985, Fernando Collor de Mello venceu a eleição para presidente da República e foi o</p><p>primeiro presidente civil depois de 21 anos de regime militar.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>147</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) A Lei de Anistia (1979), embora sancionada pelo regime militar, foi sobretudo resultado</p><p>da campanha pela Anistia promovida por diversos setores da sociedade civil brasileira que</p><p>se opunham ao governo militar, ocorrida no período conhecido como de redemocratização.</p><p>d) A campanha Diretas Já marcou o período de redemocratização no Brasil, mas a eleição</p><p>para presidente em 1985 ainda seria decidida pelo Colégio Eleitoral e não pelo voto popular.</p><p>e) A Constituição de 1988, ao expressar a organização de uma sociedade democrática,</p><p>marcaria definitivamente o fim do autoritarismo do regime militar no Brasil.</p><p>(UDESC 2002)</p><p>O sistema de governo presidencialista e a forma republicana, mantidos na atual Constituição,</p><p>foram:</p><p>a) referendados por um plebiscito, em 21 de abril de 1993.</p><p>b) instituídos na época do Império, através da primeira Constituição</p><p>c) criados por meio de um decreto lei assinado por Getúlio Vargas, após a Revolução de</p><p>1930.</p><p>d) resultado de um amplo debate popular, juntamente com o movimento das Diretas Já, no</p><p>final da ditadura militar.</p><p>(URCA 2020)</p><p>“A ‘caça às bruxas’ da ‘Operação Limpeza’, na qual a tortura, como instrumento de domínio,</p><p>adquiriu uma importância crescente, primeiro visava às instituições ‘marxistóides’ como o</p><p>Movimento pela Educação Básica (MEB) e a Juventude Universitária Católica (JUC), mas logo</p><p>a ‘ação limpeza’ tornou-se para alguns a oportunidade bem-vinda de acerto de velhas contas</p><p>com inimigos particulares ou adversários e concorrentes políticos. Observações como a do</p><p>ministro da Guerra – ‘esse é meu’ – referente à punição de certos personagens, confirma</p><p>abertamente essa noção.”</p><p>(DRESSEL, Heinz F. Brasil: de Getúlio a Itamar – Quatro décadas de História Vivida. Ijuí: Ed,</p><p>UNIJUÍ, 1997, p. 103)</p><p>O texto acima refere-se a um dos períodos bastante conturbado da História do Brasil ao qual</p><p>muitos historiadores denominam de Ditadura Militar. Sobre este período, assinale a</p><p>alternativa correta:</p><p>A) Um</p><p>dos movimentos contrários ao regime de 1964 foi o conhecido como Tradição, Família</p><p>e Propriedade (TFP), que tinha como principais bandeiras o fim da propriedade privada e a</p><p>defesa do Estado Laico;</p><p>B) A “caça às bruxas” teve como objetivo perseguição, tortura e exílio exclusivamente de</p><p>pessoas ligadas às ideias comunistas, recebendo apoio de políticos importantes como</p><p>Juscelino Kubitscheck, Carlos Lacerda e João Goulart que se beneficiaram com a Operação</p><p>Limpeza”;</p><p>C) Após as eleições para governador de 3 de outubro de 1965 e o fortalecimento da oposição</p><p>ao regime militar, o Presidente General Humberto de Alencar Castelo Branco, através do Ato</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>148</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Institucional N° 2, dissolveu os partidos existentes, estabelecendo-se o bipartidarismo: a</p><p>Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB);</p><p>D) Com a eleição direta de Costa e Silva, um típico general da chamada “linha dura”, Castelo</p><p>Branco e sua “política legalista” perdeu espaço para a corrente militarista, iniciando-se a</p><p>escalada autoritária do regime militar;</p><p>E) Estudantes, professoras(es), atrizes e atores, compositoras(es), cantoras(es) foram</p><p>perseguidos, torturados e exilados, exceto os que tinham grande respaldo junto à sociedade,</p><p>poupados de perseguições para evitar maiores desgastes políticos, como Caetano Veloso,</p><p>Gilberto Gil, Chico Buarque, José Serra e o líder estudantil Edson Luís.</p><p>(URCA 2020)</p><p>“Em primeiro de abril de 1964, o país acordou debaixo do ruído insano de uma trombeta</p><p>militar. Antes desse episódio, contudo, a burguesia entrou em um estado de confusão que</p><p>apenas aos poucos ela conseguiu mudar. Quando o seu estado-maior restaurou a ordem,</p><p>entre as diversas frações das classes dominantes, estavam dados os requisitos para lançar</p><p>mão da corporação militar, ainda que a mencionada petição houvesse de custar caro: o</p><p>estrangulamento de frações minoritárias das classes preponderantes”. (QUEIROZ, Fábio</p><p>José C. de. 1964: O dezoito Brumário da burguesia brasileira. São Paulo. Sundermann, 2015,</p><p>p.140).</p><p>De acordo com o trecho acima o período da ditadura militar no Brasil, é incoerente:</p><p>I) A classe trabalhadora foi uma das maiores vítimas do governo ditatorial;</p><p>II) As pessoas que se opuseram ao sistema ditatorial eram perseguidas, presas, torturadas e</p><p>em alguns casos assassinadas.</p><p>III) Durante o período de Ditadura a economia vivenciou um fenômeno denominado de</p><p>“milagre econômico”.</p><p>IV) A classe burguesa, não se beneficiou em nada com o golpe militar e desde o princípio se</p><p>opôs ao regime ditatorial, sendo uma de suas principais vítimas.</p><p>Entre estas afirmativas estão corretas:</p><p>A) Apenas a I. B) Apenas a II. C) Apenas III e IV. D) Apenas a IV. E) Apenas</p><p>a II, III e a IV.</p><p>(URCA/2021.1)</p><p>"A globalização econômica, como expressão mais acabada do modelo neoliberal, se</p><p>caracteriza por uma perspectiva que tem como finalidade, a partir da abertura internacional do</p><p>livre comércio, que pretende alcançar a eficiência econômica, desfraldando noções de</p><p>modernidade e democracia como elemento organizador da humanidade"(CATTANE e MOTA</p><p>DIAZ, 2005 pag. 74, 75).</p><p>A globalização se organiza a partir de um conjunto de fatores que produziram e produzem</p><p>uma reconfiguração em nível mundial que impacta o plano econômico, político e social. Assinale</p><p>a alternativa que apresenta um desses fatores.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>149</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>A) Processo de terceirização da economia com a primazia do setor de serviços sobre os</p><p>setores primário e secundário;</p><p>B) Processo de concentração da industrialização em regiões tradicionalmente líderes;</p><p>C) Retrocesso dos avanços da informática, robótica e telecomunicações;</p><p>D) Manutenção do sistema de trabalho onde o trabalhador não muda sua condição laboral;</p><p>E) Novos mercados financeiros jamais podem ser integrados a escala mundial.</p><p>(UVA 2020)</p><p>Ao completar seus 40 anos, a Lei de Anistia de 1979 ainda suscita muitos debates, por proteger</p><p>também os agentes da repressão. As primeiras manifestações em prol da criação dessa li se</p><p>deram em 1975 com:</p><p>a) A volta do Pluripartidarismo.</p><p>b) A passeata dos cem mil.</p><p>c) A Campanha Diretas Já.</p><p>d) O Movimento Feminino pela Anistia.</p><p>(UVA 2020)</p><p>“Varre, varre, varre vassourinha! Varre, varre a bandalheira. Que o povo já tá cansado de</p><p>sofrer dessa maneira. [...]” Esse é um trecho do jingle de campanha que elegeu Jânio</p><p>Quadros à presidência da República nos anos de 1960, que entretanto não conseguiu</p><p>concluir o mandato. Esse apelo ao “saneamento moral da nação” foi repetido em fins dos</p><p>anos de 1980, na campanha de outro candidato à presidência, que embora tenha ganhado</p><p>bastante popularidade, também não concluiu o mandato. Identifique-o:</p><p>a) Fernando Henrique Cardoso.</p><p>b) Fernando Collor de Melo.</p><p>c) Luís Inácio Lula da Silva.</p><p>d) Tancredo Neves.</p><p>(UECE 2020)</p><p>Durante a Nova República, estabelecida após o período dos governos militares encerrado</p><p>em 1985, o Brasil só teve sua primeira eleição presidencial em 1989. Desde então,</p><p>registraram-se oito pleitos e muitos percalços no caminho da jovem democracia. Sobre a</p><p>política presidencial no Brasil da Nova República, é correto afirmar que</p><p>A) apenas Luís Inácio Lula da Silva e Fernando Collor de Mello conseguiram concluir seus</p><p>dois mandatos presidenciais.</p><p>B) o governo de Dilma Vana Roussef foi o único a não ser concluído, pelo fato de a mandatária</p><p>ter sofrido processo de impeachment pelo Congresso Nacional.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>150</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>C) Fernando Henrique Cardoso, Luís Inácio Lula da Silva e Dilma Vana Roussef foram os</p><p>únicos a ser reeleitos presidentes do Brasil na Nova República.</p><p>D) José Sarney, Itamar Franco, José Alencar e Michel Temer são exemplos de vice-</p><p>presidentes que assumiram definitivamente o mandato presidencial.</p><p>(UECE 2019)</p><p>Há 50 anos, em 13 de dezembro de 1968, o regime militar, então sob governo do general</p><p>Costa e Silva, baixou o Ato Institucional nº 5. O AI-5, como ficou conhecido, vigorou por 10</p><p>anos, até dezembro de 1978, sendo a expressão mais clara da ditadura militar brasileira, e</p><p>resultou</p><p>a) na cassação de deputados, prefeitos e vereadores de oposição ao governo e na</p><p>decretação de recesso do Congresso Federal, como demonstração de intolerância dos</p><p>militares em um momento de grande polarização ideológica.</p><p>b) na intervenção no Congresso Federal, contudo ficaram preservadas a autonomia dos</p><p>estados e municípios, o direito à livre expressão e a plena garantia do direito ao habeas-</p><p>corpus.</p><p>c) no aumento da popularidade do regime militar e na ampliação das garantias</p><p>constitucionais e dos direitos individuais e sociais, que não foram alterados em nenhum</p><p>aspecto com a publicação do AI-5.</p><p>d) na criação de um sistema político único, baseado no bipartidarismo, em que havia apenas</p><p>o partido do governo, a Aliança Renovadora Nacional ou ARENA, e o Movimento</p><p>Democrático Brasileiro ou MDB, que era a oposição permitida.</p><p>(UECE 2019)</p><p>“O general Emílio Garrastazu Médici deu poucas declarações durante seu governo, mas,</p><p>todas as vezes em que o fez, disse coisas memoráveis. Em 22 de março de 1973, por</p><p>exemplo, comentou: "sintome feliz, todas as noites, quando ligo a televisão para assistir ao</p><p>jornal. Enquanto as notícias dão conta de greves, agitações, atentados e conflitos em várias</p><p>partes do mundo, o Brasil marcha em paz, rumo ao desenvolvimento. É como se eu tomasse</p><p>um tranquilizante após um dia de trabalho.”</p><p>BUENO, Eduardo. Brasil: uma história. 2 ed. rev. São Paulo: Ática, 2003, p.393.</p><p>Considerando o comentário do General Emílio</p><p>Garrastazu Médici sobre sua aparente</p><p>tranquilidade em relação ao Brasil na época em questão, é correto afirmar que</p><p>A) a felicidade que o Gal. Médici sentia era baseada em uma perspectiva real da sociedade</p><p>brasileira, já que os órgãos de imprensa eram totalmente livres para noticiar o que quer que</p><p>ocorresse no Brasil naquele tempo.</p><p>B) por não existir nenhum tipo de censura ou restrição à atuação do jornalismo naquele</p><p>período, que foi de 1º de abril de 1964 até 15 de março de 1985, o Brasil viveu um tempo</p><p>de plena democracia, liberdade e paz social.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>151</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>C) a sensação de que o Brasil era uma ilha de tranquilidade, em um mundo de agitações e</p><p>conflitos, devia-se à censura aos veículos de comunicação estabelecida pela Lei de Imprensa,</p><p>em 1967, pelo AI-5, em 1968, e pela nova Lei de Segurança Nacional, em 1969.</p><p>D) na época, enquanto as produções artísticas tais como músicas, peças de teatro e até</p><p>mesmo novelas de TV eram submetidas à censura, a atuação da imprensa era poupada por</p><p>ser atividade protegida por lei.</p><p>(UECE 2018)</p><p>Atente ao seguinte enunciado: “Iniciado com a paralisação de cerca de 2.000 metalúrgicos</p><p>da fábrica de caminhões da Saab-Scania, em São Bernardo do Campo (SP), que reivindicavam</p><p>20% de aumento salarial em maio de 1978, em pleno período do arrocho salarial após o</p><p>fracasso do “milagre econômico” proposto pelos governos militares, o movimento espalhou-</p><p>se para outras fábricas da região como a Volkswagen, a Ford e a Mercedes-Benz. Nos anos</p><p>seguintes, os movimentos grevistas expandiram-se para outras cidades da região industrial</p><p>do ABC em São Paulo e contribuíram para o enfraquecimento ainda maior do governo”.</p><p>O enunciado acima faz referência</p><p>a) ao período da formação do anarcossindicalismo oriundo da grande imigração de</p><p>trabalhadores europeus que trouxeram para o Brasil o pensamento anarquista e o difundiram</p><p>em seus sindicatos.</p><p>b) à atuação do Comando Geral dos Trabalhadores (CGT), que apoiou João Goulart, em</p><p>meio à crise política e financeira que abalava seu governo e que foi fundamental para sua</p><p>queda e consequente instauração do regime civil-militar que se seguiu por 21 anos.</p><p>c) ao final do governo do Presidente José Sarney, quando a inflação atingiu patamares</p><p>altíssimos e levou os trabalhadores e a população em geral a realizar no Brasil um movimento</p><p>que uniu greves e manifestações de rua.</p><p>d) ao movimento do novo sindicalismo que resulta na formação, em 1980, do Partido dos</p><p>Trabalhadores, em que se destacou o líder sindical Luiz Inácio Lula da Silva, e na criação da</p><p>Central Única dos Trabalhadores (CUT) em 1983.</p><p>(UECE 2018)</p><p>Leia atentamente os seguintes excertos:</p><p>“A imprensa nacional pôde conhecer melhor o governador de Alagoas a partir dos ataques</p><p>violentos que ele começou a fazer contra Sarney. A imagem do homem público ‘moderno’,</p><p>campeão de luta contra a corrupção e ‘caçador de marajás’ passou a ser amplamente divulgada</p><p>pelos meios de comunicação. O político rico, bem vestido, bronzeado, esportista e que</p><p>dominava o inglês e o francês fez sucesso no Brasil. (...)”</p><p>MOTA, Miriam B., BRAICK, Patrícia R. História: das cavernas ao terceiro milênio. 1ª ed. São</p><p>Paulo: Moderna, 2005, p.191.</p><p>“(...) Milhões de dólares captados durante a campanha foram desviados por PC, que arcava até</p><p>com as despesas particulares do presidente e sua esposa. Todos os dias circulavam notícias</p><p>sobre desvio de dinheiro, uso de verbas públicas com fins particulares, superfaturamento de</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>152</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>obras, propinas cobradas por empreiteiras e concorrências fraudulentas. Ministros deixaram</p><p>seus cargos e a primeira-dama, afastada da presidência de honra da Legião Brasileira de</p><p>Assistência (LBA), foi acusada de corrupção”.</p><p>BARBEIRO, Heródoto; CANTELE, Bruna R.; SCHNEEBERGER, Carlos Alberto. História: volume</p><p>único para o ensino médio. São Paulo: Scipione, 2004, p.465</p><p>Apesar de abordarem temas bem atuais, os trechos acima foram publicados em 2005 e 2004,</p><p>respectivamente, e fazem menção</p><p>a) à condição de extrema popularidade do mandato de Luís Inácio Lula da Silva que apesar de</p><p>todas as acusações, foi reeleito para um segundo mandato em 2006.</p><p>b) ao apoio da mídia e da classe média ao governo de José Sarney, em 1985, após a morte de</p><p>Tancredo Neves e depois a crise devido à situação econômica e ao escândalo das concessões</p><p>públicas sem licitação.</p><p>c) ao governo de Itamar Franco que, apesar de ser vice de Collor, rompeu com o presidente</p><p>angariando apoio popular, mas que depois o perdeu em função da crise econômica.</p><p>d) ao apoio da grande mídia a Fernando Collor de Mello que, depois de eleito presidente em</p><p>1989, renunciou devido um processo de impeachment, em meio a acusações feitas pela mídia</p><p>e por seu próprio irmão.</p><p>(UECE 2018)</p><p>Atente aos seguintes excertos sobre a década de 1970:</p><p>“A padronização do ‘moderno’ chegava ao auge no Brasil dos anos 70 em meio a flagrantes</p><p>contrastes e desigualdades sociais, regionais, culturais”</p><p>“Depois do vendaval dos anos 60 que atingiu ‘corações e mentes’ de uma geração inteira,</p><p>os anos 70 começaram sob a égide da fragmentação: desdobramentos da contracultura,</p><p>movimentos underground, punk, misticismo oriental, vida em comunidades religiosas ou</p><p>naturalistas, valorização do individualismo, expansão do uso de drogas”.</p><p>HABERT, N. A década de 70: apogeu e crise da ditadura militar brasileira. São Paulo: 3ª Ed.</p><p>Editora Ática, 1996, p.71 e 74.</p><p>Assinale a opção que apresenta exemplo(s) da cultura da década de 1970 no Brasil.</p><p>a) Aparecimento dos “Novos Baianos”: Moraes Moreira, Baby Consuelo, Pepeu Gomes; além</p><p>de artistas como Belchior, Ednardo, Fagner, Zé Ramalho, Alceu Valença, entre outros</p><p>representantes nordestinos.</p><p>b) Apogeu da ‘Era do Rádio’, com grandes intérpretes da música nacional, como Emilinha</p><p>Borba, Cauby Peixoto e Nelson Gonçalves, e as radionovelas escritas por Janete Clair e Dias</p><p>Gomes.</p><p>c) Popularização do Rock Nacional, com o aparecimento de bandas como ‘Titãs’, ‘Paralamas</p><p>do Sucesso’, ‘Legião Urbana’, entre outras, que cantavam críticas aos governos militares.</p><p>d) Popularização do ‘Rap’ e do ‘Hip-Hop’ como formas artísticas de expressão das periferias</p><p>brasileiras, destacando-se nomes como Racionais MC, Emicida, MV Bill e Marcelo D2.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>153</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>(UECE 2017)</p><p>O Ato Institucional Nº 5, ou AI-5, de 1968, caracterizou, a partir de sua emissão, os governos</p><p>brasileiros durante o regime militar. Sobre o AI-5, é correto afirmar que</p><p>a) marcou uma distensão dos governos militares, promovendo direitos sociais, liberdade de</p><p>manifestação e representação política, além da garantia plena dos Direitos Humanos.</p><p>b) representou o estabelecimento das metas de reformas estruturais do governo do</p><p>presidente João Goulart, o que conduziria o país ao golpe militar que implantaria um governo</p><p>ditatorial.</p><p>c) promoveu a transição, lenta e gradual, do regime autoritário e ditatorial para o regime</p><p>democrático chamado Nova República, uma vez que estabeleceu eleições diretas para</p><p>presidente para o ano de 1970.</p><p>d) iniciou a fase mais dura do regime militar, pois deu, aos presidentes militares, poderes</p><p>como decretar o recesso do congresso, cassar mandatos de parlamentares e suspender o</p><p>direito ao habeas corpus para alguns crimes.</p><p>(UECE 2017)</p><p>Atente ao seguinte excerto: “[...] Várias figuras importantes tiveram seus direitos políticos</p><p>cassados. Muitas prisões, apreensões e queima de livros considerados subversivos foram</p><p>feitos pelos órgãos repressivos. Reformas na máquina administrativa</p><p>e mudanças nas leis</p><p>trabalhistas foram promovidas logo no início do governo Castelo Branco: as greves foram</p><p>praticamente proibidas e os salários arrochados, isto é, mantidos em níveis bastante baixos”.</p><p>Antônio Pedro e Lizânias de Souza Lima. História sempre presente. v. 3. 1ª ed. São Paulo,</p><p>FTD, 2010. p. 280.</p><p>O momento da História Republicana do Brasil a que o excerto acima se refere é</p><p>a) a implantação do Estado Novo, em 1937, quando o regime ditatorial se fez notar com</p><p>todas as suas características.</p><p>b) o início do período da Nova República, em 1985, marcado pela liberdade de mercado e</p><p>pelo forte controle social por parte do Estado.</p><p>c) o início do período dos Governos Militares instalados após o golpe de 1964 que depôs o</p><p>Presidente João Goulart e que durou até 1985.</p><p>d) o período posterior à morte do Presidente Getúlio Vargas, em 1954, quando as forças</p><p>opositoras alcançaram o poder e impuseram sua política.</p><p>(UECE 2017)</p><p>O Governo José Sarney (PMDB), 15 de março de 1985 a 15 de março de 1990, foi uma</p><p>transição do período militar para o período de eleições diretas para Presidente da República,</p><p>pois a eleição da chapa Tancredo-Sarney foi realizada pelo colégio eleitoral. Sarney, mesmo</p><p>sendo vice, foi empossado, já que o Presidente eleito, Tancredo Neves, adoentado, não</p><p>pôde tomar posse, vindo a falecer em 21 de abril de 1985.</p><p>O Governo Sarney caracterizou-se por</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>154</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>a) implantar o Plano Real, que controlou a inflação originada no período militar e criou uma</p><p>nova moeda, além de ter abolido o bipartidarismo.</p><p>b) ter enfrentado uma inflação altíssima, não controlada pelos planos econômicos, e</p><p>convocado eleições para a Assembleia Nacional Constituinte que promulgaria a atual</p><p>constituição do Brasil.</p><p>c) ter tentado controlar a inflação através de um plano lançado no dia seguinte à sua posse</p><p>e que congelou contas e poupanças por 18 meses, além de abrir o país aos produtos</p><p>importados, com redução dos impostos.</p><p>d) ter promovido o acesso de milhões de brasileiros à classe média e realizado um conjunto</p><p>de políticas sociais que serve de referência para diversos países.</p><p>(UECE 2017)</p><p>Durante o governo do Presidente Fernando Henrique Cardoso – marcado positivamente pela</p><p>contenção da desenfreada inflação que dominou os governos anteriores – ocorreu uma</p><p>alteração na Constituição de 1988, que possibilitou a reeleição para cargos majoritários do</p><p>poder executivo nos três níveis: federal, estadual e municipal. O processo de aprovação da</p><p>Emenda Constitucional Nº16/1997, entretanto, não foi tranquilo, pois enfrentou acusações</p><p>de corrupção, veiculadas a partir de grandes órgãos da imprensa nacional como o Jornal</p><p>Folha de São Paulo, em 13 de maio de 1997, e a revista Veja, em 21 de maio de 1997, ambos</p><p>referindo-se à denúncia de compra de votos de deputados federais para que estes</p><p>aprovassem a referida Emenda Constitucional Nº16, que, publicada em 04 de junho de 1997,</p><p>permitiu a reeleição para cargos de chefia do Poder Executivo; e mais, tornou possível a</p><p>reeleição já a partir das eleições para presidente e governadores dos estados e Distrito</p><p>Federal que ocorreriam no ano seguinte. Em 1998, após vencer o pleito presidencial, FHC</p><p>tornou-se o primeiro presidente reeleito do Brasil.</p><p>Sobre a Emenda Constitucional Nº16/1997, que modificou o texto constitucional, permitindo</p><p>reeleição para cargos majoritários do poder executivo nos níveis federal, estadual e</p><p>municipal, é correto afirmar que</p><p>a) surtiu pouco efeito, pois nenhum governador dela se beneficiou e somente a Presidente</p><p>Dilma Roussef conseguiu de fato ser reeleita para um segundo mandato.</p><p>b) apesar de o Presidente Fernando Henrique Cardoso ter sido reeleito, essa emenda à</p><p>Constituição não possibilitou a reeleição a nenhum outro presidente desde então.</p><p>c) transformou profundamente a política, pois diversos gestores locais (prefeitos e</p><p>governadores) e dois presidentes da república que se seguiram a FHC (Lula e Dilma) foram</p><p>reeleitos para um segundo mandato.</p><p>d) essa Emenda à Constituição foi revogada após o Governo do Presidente Fernando</p><p>Henrique Cardoso, por isso, nenhum outro presidente, governador ou prefeito foi reeleito</p><p>no Brasil.</p><p>(UECE 2016)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>155</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Dentre os fatores que contribuíram para a queda do regime militar no Brasil (1964-1985),</p><p>pode-se apontar corretamente</p><p>a) o aumento da inflação, a recessão, o desemprego e, do ponto de vista político, a</p><p>campanha Diretas Já.</p><p>b) a moratória, os acordos com o FMI e, no âmbito político, a aprovação da anistia ampla,</p><p>geral e irrestrita.</p><p>c) a união das oposições ao regime, a reforma partidária e o apoio ao regime das</p><p>comunidades eclesiais de base.</p><p>d) a crise do petróleo, a candidatura de candidatos de esquerda a Presidente da República</p><p>e a revogação do AI-5.</p><p>(UECE 2016)</p><p>Analise os itens a seguir, considerando as características do período brasileiro de exceção</p><p>política iniciado em 1964:</p><p>I. práticas políticas repressivas;</p><p>II. reações dos movimentos de esquerda;</p><p>III. crises econômicas;</p><p>IV. massiva propaganda política do governo;</p><p>V. eleições diretas para os cargos eletivos.</p><p>Pode-se afirmar corretamente que correspondem às características do período brasileiro de</p><p>exceção política iniciado em 1964 somente os itens</p><p>a) I, II e V.</p><p>b) I, III, IV e V.</p><p>c) II, III, IV e V.</p><p>d) I, II, III e IV.</p><p>(UECE 2016)</p><p>No dia 05 de outubro de 1988, foi promulgada a nova Constituição brasileira. No que tange</p><p>a algumas disposições do novo texto constitucional, é correto afirmar que</p><p>I. foi estendido o direito de voto aos analfabetos e aos adolescentes a partir dos 16 anos de</p><p>idade.</p><p>II. a tortura e o racismo foram reconhecidos como crimes inafiançáveis.</p><p>III. foram determinadas medidas de proteção ao meio ambiente e aos grupos indígenas.</p><p>Estão corretas as complementações contidas em</p><p>a) I e II apenas.</p><p>b) II e III apenas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>156</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) I, II e III.</p><p>d) I e III apenas.</p><p>(UECE 1999)</p><p>Em 1968, o governo militar do Presidente Costa e Silva editou o Ato Institucional no5 (AI-5)</p><p>com o objetivo de combater a subversão, sob pretexto de defender a "segurança nacional".</p><p>Sobre este mecanismo jurídico do regime autoritário, é correto afirmar:</p><p>a) foi aprovado com apoio total do Congresso Nacional, já que expressava a convicção geral</p><p>de que a luta armada precisava ser derrotada.</p><p>b) submetia ao Congresso todas as decisões do Presidente, evitando assim os desmandos</p><p>que tinham levado o País ao caos e à ditadura.</p><p>c) apesar de ter fechado o Congresso e suspendido o processo eleitoral, tornou a tortura e</p><p>a perseguição aos comunistas em crimes inafiançáveis.</p><p>d) permitia uma concentração de poder ainda maior nas mãos do Executivo, favorecendo a</p><p>tortura e a ação de grupos paramilitares de perseguição aos comunistas.</p><p>(UECE 1996)</p><p>Na década de 70, slogans ufanistas (do tipo "Brasil: ame-o ou deixe-o") evidenciavam uma</p><p>tentativa do regime militar em ganhar popularidade e apoio popular. Marque a alternativa</p><p>que expressa corretamente o contexto político em que estas iniciativas aconteceram:</p><p>a) era o momento da "abertura", em que já se havia decretado a anistia aos presos políticos</p><p>e se admitiu a eleição direta de governadores e prefeitos.</p><p>b) o AI-5 proporcionou ao governo militar a habilidade de derrotar politicamente seus</p><p>adversários, sem os recursos da repressão, o que ocasionou grande euforia popular.</p><p>c) após 1968 e o AI-5, a repressão aos opositores políticos aumentou,</p><p>assim como a</p><p>resistência armada aos militares, colocando a opinião pública contra o governo.</p><p>d) sem base parlamentar e sem apoio popular, o governo partiu para uma campanha de</p><p>massas para obter o apoio da população ao processo de abertura política.</p><p>(UECE 1996)</p><p>A morte do advogado Paulo César Farias trouxe à tona uma intensa discussão a respeito dos</p><p>esquemas de corrupção instalados no governo brasileiro e denunciados após a eleição</p><p>presidencial de 1989. A respeito disso, marque a alternativa correta:</p><p>a) o esquema de corrupção comandado por P.C. Farias foi denunciado pelo próprio</p><p>Presidente Collor logo após a sua posse</p><p>b) as eleições de 1989 ficaram marcadas pelas denúncias de corrupção por parte dos dois</p><p>candidatos que chegaram ao 2o turno, Collor e Brizola .</p><p>c) as denúncias de corrupção levaram à renúncia do Presidente Fernando Collor, que mesmo</p><p>assim acabou sendo absolvido pelo Supremo Tribunal Federal</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>157</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>d) tanto o "esquema P.C." quanto a "máfia do orçamento" já foram esclarecidas pela Justiça</p><p>e seus responsáveis julgados e presos</p><p>(UNEB 2018)</p><p>Criado em 30 de novembro de 1964, sendo, portanto, uma obra do regime militar que</p><p>acabava de ser instalado no Brasil, através do golpe militar de 31 de março de 1964. A</p><p>informação refere-se</p><p>01) às Ligas Camponesas, um movimento de luta pela reforma agrária, que tinha como</p><p>objetivo, dentre outros, prestar assistência médica aos camponeses.</p><p>02) ao Estatuto da Terra, cuja criação estava intimamente ligada ao clima de insatisfação</p><p>reinante no meio rural.</p><p>03) à Lei de Terras, uma iniciativa no sentido de organizar a propriedade privada por compra</p><p>e venda ou por doação do Estado.</p><p>04) ao Estatuto do Trabalhador Rural, que estabelecia normas para criação de sindicatos</p><p>agrícolas mistos que englobassem empregados e empregadores.</p><p>05) ao movimento dos trabalhadores rurais sem-terra, organizado em todos os estados do</p><p>país, que priorizava a colonização de terras devolutas e de latifúndios improdutivos.</p><p>(UNEB 2018)</p><p>Ao invés de perceber-se como sujeito político, que pode atuar para a transformação social,</p><p>o cidadão potencial prefere fechar-se em seu mundo privado, desiludido com a política. Esse</p><p>aparente desinteresse político no fundo indica distanciamento crítico da política</p><p>governamental, mas acaba paradoxalmente por reforçá-la: quem cala consente. Todos</p><p>sofrem os atos políticos do governo, que tendem a se perpetuar caso não surja uma oposição</p><p>organizada e combativa contra eles. (RIDENTE. 2011. p. 91).</p><p>A mobilização social e a participação mais ativa do cidadão brasileiro na política variaram, na</p><p>história republicana do país, como se pode inferir</p><p>01) nos movimentos messiânicos de Canudos e Contestado, cuja defesa de uma reforma</p><p>agrária radical mobilizou centenas de camponeses na luta armada contra os coronéis da</p><p>Primeira República e o governo oligárquico.</p><p>02) no apoio da classe média, da Igreja Católica e dos sindicatos rurais e urbanos à proposta</p><p>de reformas de base do governo João Goulart, que propunha uma política redistributiva de</p><p>renda, com a estatização dos meios de produção.</p><p>03) na comoção nacional provocada pela morte de Getúlio Vargas, fruto de um complô</p><p>realizado pela elite industrial e financeira, associada ao capital estrangeiro, precipitando o</p><p>estabelecimento do regime ditatorial militar.</p><p>04) no estabelecimento do movimento das Diretas Já, em apoio à emenda Dante de Oliveira,</p><p>que, através de uma ação suprapartidária, culminou em uma grande frustração nacional, com</p><p>a permanência das eleições indiretas para presidente.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>158</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>05) no movimento dos Caras Pintadas, que, manipulado pelos grandes órgãos de</p><p>comunicação, pressionava pela deposição de Fernando Collor de Mello, em decorrência da</p><p>sua política nacionalista e estatizante.</p><p>(UNEB 2014)</p><p>Sobre os diversos planos econômicos implantados no Brasil, é correto afirmar que o</p><p>a) plano de Metas conseguiu eliminar as desigualdades regionais e promover a</p><p>industrialização das regiões periféricas.</p><p>b) “milagre econômico” ocorreu na década de 80 do século passado e provocou uma grande</p><p>mobilidade social.</p><p>c) Plano Collor fracassou porque se limitou a conter a inflação e a incentivar as indústrias de</p><p>bens de consumo não duráveis.</p><p>d) Plano Verão criou uma nova moeda, o cruzeiro, tendo sido registrado, no período de sua</p><p>implantação, o menor pico de inflação do país em toda sua história.</p><p>e) sucesso do Plano Real esteve relacionado, entre outros fatores, à criação de um indexador</p><p>transitório da URV.</p><p>(VUNESP 2014)</p><p>Com o fim da ditadura e o restabelecimento da normalidade democrática, a escolha do</p><p>Presidente da República passou a ocorrer por meio do voto popular, exigindo que os</p><p>candidatos expusessem suas propostas e o histórico de sua Atuação política. Nos anos 1980</p><p>e 1990, respectivamente, o Brasil conheceu um candidato popularmente chamado de “O</p><p>caçador de marajás” e outro que, enquanto foi Ministro da Fazenda, ganhou notoriedade</p><p>pela implantação do Plano Real, responsável pela estabilização da economia nacional.</p><p>Esses presidentes foram, respectivamente,</p><p>a) Fernando Collor de Mello e Fernando Henrique Cardoso.</p><p>b) Itamar Franco e Luiz Inácio Lula da Silva.</p><p>c) José Sarney e Fernando Henrique Cardoso.</p><p>d) Fernando Collor de Mello e Tancredo Neves.</p><p>e) Tancredo Neves e Itamar Franco.</p><p>(VUNESP 2010)</p><p>Considere as afirmações sobre o governo Collor.</p><p>I. Como medida populista, Fernando Collor intitulava-se “caçador de marajás”.</p><p>II. Durante todo o período que governou, Collor reduziu a inflação de forma significativa.</p><p>III. Collor deu início ao processo de privatização das empresas estatais.</p><p>Está correto somente o que se afirma em</p><p>a) I.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>159</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>b) I e II.</p><p>c) I e III.</p><p>d) II.</p><p>e) II e III.</p><p>(VUNESP 2008)</p><p>Em 1989, depois de 29 anos, a sucessão presidencial foi realizada por eleições diretas, num</p><p>contexto histórico de redemocratização do Brasil. No entanto, grande parte da população</p><p>ficou decepcionada porque o presidente eleito</p><p>a) usou a máquina do Estado para favorecer deputados e senadores em troca da aprovação</p><p>de emenda constitucional para garantir sua reeleição.</p><p>b) fez acordos políticos com os parlamentares visando aumentar, de quatro para cinco anos,</p><p>o seu mandato no poder executivo federal.</p><p>c) não pôde assumir o cargo, pois na véspera da posse foi internado às pressas, cabendo ao</p><p>vice-presidente o efetivo exercício do poder político.</p><p>d) teve seu mandato interrompido pelo Congresso Nacional, após as denúncias da existência</p><p>de um esquema de corrupção que favorecia o presidente.</p><p>e) fechou o Congresso Nacional, ampliando os poderes do executivo que passou a legislar</p><p>por meio de decretos-lei e de medidas provisórias.</p><p>(VUNESP 2010)</p><p>Desde a década de 1980 vários governos brasileiros adotaram planos econômicos que</p><p>pretendiam controlar a inflação. Entre as características destes planos, podemos destacar</p><p>a) o Plano Cruzado, implementado em 1986, que eliminou a inflação, congelou preços,</p><p>proporcionou aumento salarial e gerou recursos para o pagamento integral da dívida</p><p>externa.</p><p>b) o Plano Collor, implementado em 1990, que determinou o confisco de ativos financeiros</p><p>e eliminou incentivos fiscais em vários setores da economia.</p><p>c) o Plano Real, implementado em 1994, que reduziu as taxas inflacionárias, estabilizou o</p><p>valor da moeda, proibiu aumentos de preços no varejo e provocou forte crescimento</p><p>industrial.</p><p>d) o Plano de Metas, implementado em 2006, que projetou um desenvolvimento</p><p>industrial</p><p>acelerado e a inserção ativa do Brasil no mercado internacional.</p><p>e) o Plano de Aceleração do Crescimento, implementado em 2007, que apoiou projetos</p><p>imobiliários, determinou investimentos em infraestrutura e estimulou o crédito.</p><p>17. GABARITO</p><p>1. E 2. B</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>160</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>3. C</p><p>4. E</p><p>5. C</p><p>6. D</p><p>7. B</p><p>8. E</p><p>9. C</p><p>10. E</p><p>11. B</p><p>12. D</p><p>13. E</p><p>14. C</p><p>15. C</p><p>16. C</p><p>17. A</p><p>18. B</p><p>19. B</p><p>20. D</p><p>21. E</p><p>22. E</p><p>23. E</p><p>24. B</p><p>25. E</p><p>26. B</p><p>27. E</p><p>28. B</p><p>29. D</p><p>30. A</p><p>31. E</p><p>32. A</p><p>33. C</p><p>34. D</p><p>35. A</p><p>36. A</p><p>37. D</p><p>38. B</p><p>39. D</p><p>40. B</p><p>41. D</p><p>42. E</p><p>43. C</p><p>44. A</p><p>45. 92</p><p>46. 71</p><p>47. 12</p><p>48. 33</p><p>49. 13</p><p>50. 06</p><p>51. 06</p><p>52. 50</p><p>53. 41</p><p>54. 27</p><p>55. 10</p><p>56. 03</p><p>57. 05</p><p>58. 03</p><p>59. 02</p><p>60. B</p><p>61. D</p><p>62. 14</p><p>63. A</p><p>64. 17</p><p>65. E</p><p>66. D</p><p>67. E</p><p>68. C</p><p>69. D</p><p>70. B</p><p>71. A</p><p>72. C</p><p>73. B</p><p>74. A</p><p>75. C</p><p>76. D</p><p>77. A</p><p>78. D</p><p>79. B</p><p>80. C</p><p>81. A</p><p>82. C</p><p>83. D</p><p>84. D</p><p>85. A</p><p>86. D</p><p>87. C</p><p>88. B</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>161</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>89. C</p><p>90. A</p><p>91. D</p><p>92. C</p><p>93. D</p><p>94. C</p><p>95. C</p><p>96. 02</p><p>97. 04</p><p>98. E</p><p>99. A</p><p>100. C</p><p>101. D</p><p>102. B</p><p>18. QUESTÕES COMENTADAS</p><p>(Enem 2020)</p><p>É difícil imaginar que nos anos 1990, num país com setores da população na pobreza</p><p>absoluta e sem uma rede de benefícios sociais em que se apoiar, um governo possa abandonar o</p><p>papel de promotor de programas de geração de emprego, de assistência social, de</p><p>desenvolvimento da infraestrutura e de promoção de regiões excluídas, na expectativa de que o</p><p>mercado venha algum dia a dar uma resposta adequada a tudo isso.</p><p>SORJ, B. A nova sociedade brasileira. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2000 (adaptado).</p><p>Nesse contexto, a criticada postura dos governos frente à situação social do país coincidiu com</p><p>a priorização de que medidas?</p><p>a) Expansão dos investimentos nas empresas públicas e nos bancos estatais.</p><p>b) Democratização do crédito habitacional e da aquisição de moradias populares.</p><p>c) Enxugamento da carga fiscal individual e da contribuição tributária empresarial.</p><p>d) Reformulação do acesso ao ensino superior e do financiamento científico nacional.</p><p>e) Reforma das políticas macroeconômicas e dos mecanismos de controle inflacionário.</p><p>Comentário</p><p>Em primeiro lugar, note que o texto se refere aos governos brasileiros da década de 1990.</p><p>Esse período começa com a eleição de Fernando Collor, em 1989, a primeira eleição presidencial</p><p>com voto direto desde 1960. Em 1985, o último presidente militar deixou o cargo. Em 1988, foi</p><p>promulgada uma nova Constituição, mais democrática tanto em seu processo de elaboração</p><p>quanto no ordenamento jurídico que estabelecia. Entretanto, o país enfrentava uma alta</p><p>inflacionária sem precedentes e uma enorme desigualdade social. Assim, enquanto as forças</p><p>políticas se reorganizavam em um novo contexto, os governos dos anos 1990 tiveram como</p><p>principal desafio resolver a crise econômica e conduzir as reformas democráticas tão ansiadas pela</p><p>população. Os governos dessa década em geral estiveram mais alinhados com as classes</p><p>proprietárias e empresariais, entre as quais havia muitos herdeiros do liberal-conservadorismo.</p><p>Nesse sentido, propuseram como solução para a crise a abertura da economia brasileira ao capital</p><p>internacional, a privatização das empresas estatais, o equilíbrio das contas públicas e a adesão à</p><p>política fiscal do Fundo Monetário Internacional (FMI). Lembre-se que nos anos 1990 os</p><p>presidentes do Brasil foram: Fernando Collor (1990-1992); Itamar Franco (1992-1994); Fernando</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>162</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Henrique Cardoso (1995-2002). Com isso em mente, vejamos com quais medidas esses governos</p><p>priorizaram:</p><p>a) Incorreta. Como mencionei, os governos dos ano 1990 estavam alinhados às classes</p><p>proprietárias e empresariais. Para estas, não era interessante que o Estado interferisse demais na</p><p>economia, dando-lhes espaço para expandir seus próprios negócios. Inclusive, foi nessa década</p><p>que teve início o movimento de privatizações de empresas estatais.</p><p>b) Incorreta. Apesar da Constituição de 1988 estabelecer o direito à moradia a todos os</p><p>brasileiros e prever uma série de protocolos para efetivá-lo, ainda era necessário empreender</p><p>várias reformas para que isso fosse possível, como a criação de instituições e órgãos públicos</p><p>específicos, redirecionamento de verbas, elaboração de formas de arrecadação para cobrir os</p><p>gastos, etc. No entanto, como os governos dos anos 1990 estavam mais alinhados às classes</p><p>proprietárias e empresariais, não fizeram esforço em dar andamento a essas reformas. Tanto é que</p><p>os movimentos de camponeses e trabalhadores sem terras ou moradia cresceu bastante no</p><p>período, pressionando para que as medidas previstas pela Constituição fossem executadas.</p><p>c) Incorreta. Mesmo defendendo menor interferência do Estado na economia, os governos</p><p>dos anos 1990 não diminuíram a carga fiscal e tributária sobre indivíduos nem sobre empresas.</p><p>Extinguir impostos não é um processo tão simples, pois ao fazer isso o Estado perde parte de sua</p><p>arrecadação que seria destinada a cobrir gastos com uma série de serviços públicos. Além disso,</p><p>a dívida externa brasileira sempre foi alta e cresceu significativamente ao longo dos anos 1980 e</p><p>1990. Por fim, há também a corrupção praticada por setores que se profissionalizaram na política</p><p>e que, por mais que estivessem alinhados às classes proprietárias e empresariais, detinham seus</p><p>próprios interesses que envolviam não diminuir a receita do Estado.</p><p>d) Incorreta. De fato, houve algumas reformas relativas à educação especificamente durante</p><p>os mandatos de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), como a criação de programas de bolsa</p><p>para estudantes. No entanto, isso não representou uma reformulação significativamente do acesso</p><p>ao ensino superior ou do financiamento científico. O programa social relativo à educação que mais</p><p>se destacou na época foi o Bolsa-Escola, voltado para estudantes da educação básica, não</p><p>superior. Somente durante os governos do Partido dos Trabalhadores (2003-2016) podemos</p><p>observar uma reformulação mais proeminente do ensino superior, com a criação e ampliação de</p><p>universidades públicas, lançamento de programas de bolsas de estudo no exterior, oferecimento</p><p>de financiamento para estudar em universidades privadas, entre outras medidas.</p><p>e) Correta! Como mencionei antes, um dos maiores desafios para os governos dos anos</p><p>1990 foi controlar a inflação deixada pelos governos militares e pela gestão de José Sarney. A</p><p>resposta encontrada foi a abertura do mercado brasileiro, a privatização de empresas estatais e a</p><p>criação de uma nova moeda nacional (o real).</p><p>Gabarito: E</p><p>(Enem 2018)</p><p>São Paulo, 10 de janeiro de 1979.</p><p>Exmo. Sr. Presidente Ernesto Geisel.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>163</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Considerando as instruções dadas por V. S. de que sejam negados os passaportes aos</p><p>senhores Francisco Julião, Miguel Arraes, Leonel Brizola, Luis Prestes, Paulo Schilling, Gregório</p><p>Bezerra, Márcio Moreira Alves e Paulo Freire.</p><p>Considerando que, desde que nasci, me identifico plenamente com a pele, a cor dos</p><p>cabelos, a cultura, o sorriso, as aspirações, a história e o sangue destes oito senhores.</p><p>Considerando tudo isto, por imperativo de minha consciência, venho por meio desta</p><p>devolver o passaporte que, negado a eles, me foi concedido pelos órgãos competentes de seu</p><p>governo.</p><p>Carta do cartunista Henrique de Souza Filho, conhecido como Henfil. In: HENFIL. Cartas</p><p>da mãe. Rio de Janeiro: Codecri, 1981 (adaptado).</p><p>No referido contexto histórico, a manifestação do cartunista</p><p>Henfil expressava uma crítica</p><p>ao(à)</p><p>a) censura moral das produções culturais.</p><p>b) limite do processo de distensão política.</p><p>c) interferência militar de países estrangeiros.</p><p>d) representação social das agremiações partidárias.</p><p>e) impedimento de eleição das assembleias estaduais.</p><p>Comentário</p><p>Antes de tudo, repare na data do documento: 10 de janeiro de 1979. Como citado na</p><p>própria carta, o Brasil era governado pelo general Ernesto Geisel, o penúltimo presidente militar</p><p>que ainda naquele ano passaria a faixa presidencial para o general João Baptista de Oliveira</p><p>Figueiredo. De qualquer forma, na presidência desde 1974, o governo Geisel foi responsável pelas</p><p>primeiras medidas que iniciaram um movimento de distensão do regime militar. Em outras</p><p>palavras, foi nesse período que foram dados os primeiros passos para a abertura democrática.</p><p>Entretanto, como vemos na carta do cartunista Henfil, várias personalidades políticas tiveram seus</p><p>passaportes negados, o que refletia a continuidade de protocolos opressivos que caracterizavam</p><p>a ditadura militar. Com isso em mente, vejamos ao que a crítica do cartunista se direcionava:</p><p>a) Incorreta. Realmente, a censura ainda era uma prática corrente do governo Geisel.</p><p>Lembre-se da Lei Falcão, de 1976, que proibia a livre propaganda política no rádio e na televisão.</p><p>No entanto, o AI-5, principal decreto que permitia a violação de direitos humanos e as</p><p>perseguições políticas, foi extinto em 1978. Além disso, repare que o cartunista não menciona</p><p>nada sobre censura. Ele se refere ao cerceamento do direito de ir e vir, limitado pela não</p><p>concessão de passaportes.</p><p>b) Correta! Como chamei atenção no comentário, o governo Geisel se destacou pelo início</p><p>do processo de distensão. O próprio AI-5 havia sido extinto. Todavia, o Estado perpetuava uma</p><p>série de protocolos que violavam os direitos humanos e sustentavam a ditadura militar. Já citei a</p><p>Lei Falcão de 1976. Também houve o Pacote de Abril, de 1977, o qual estabelecia que um terço</p><p>do Senado seria indicado diretamente pelo presidente da república e não eleito pelo voto popular.</p><p>Ainda, o DOI-CODI continuou operando, prendendo e silenciando diversos críticos e opositores</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>164</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>do regime. Por exemplo, em 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi preso, torturado e executado</p><p>nas instalações do DOI-CODI. Em 1976, foi a vez do metalúrgico Manoel Fiel Filho, que passou</p><p>pela mesma situação, no mesmo local. Assim, podemos ver que o processo de distensão tinha</p><p>limites bem demarcados.</p><p>c) Incorreta. Não houve interferência militar de nenhum país estrangeiro no Brasil durante</p><p>a ditadura militar. Note também que nada disso é mencionado na carta. Na verdade, Henfil</p><p>menciona que os senhores citados tiveram seus passaportes negados, o que sugere que estavam</p><p>tentando sair do país. De fato, todos eles foram críticos ao regime ou fizeram coisas que levantava</p><p>suspeitas de subversão.</p><p>d) Incorreta. De fato, havia uma insatisfação popular a respeito da representação social dos</p><p>partidos políticos. Como disse, a Lei Falcão limitava a propaganda política. Além disso, o sistema</p><p>político era bipartidário, ou seja, só permitia a existência de dois partidos políticos que podiam</p><p>disputar os cargos eletivos no Estado. Entretanto, nada disso é mencionado pela carta.</p><p>e) Incorreta. Não havia impedimento de eleições para as assembleias estaduais. Como</p><p>mencionei, o Pacote de Abril incluía apenas a reforma no Senado Federal, segundo a qual um</p><p>terço dos senadores não seria mais eleito pelo voto popular, mas sim indicado pelo presidente da</p><p>república. As demais instâncias do Legislativo permaneceram com o mesmo sistema de eleições.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Enem 2017)</p><p>Art. 231. São reconhecidos aos índios sua organização social, costumes, línguas, crenças e</p><p>tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à</p><p>União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens.</p><p>BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Disponível em:</p><p>www.planalto.gov. br. Acesso em: 27 abr. 2017.</p><p>A persistência das reivindicações relativas à aplicação desse preceito normativo tem em</p><p>vista a vinculação histórica fundamental entre</p><p>a) etnia e miscigenação racial.</p><p>b) sociedade e igualdade jurídica.</p><p>c) espaço e sobrevivência cultural.</p><p>d) progresso e educação ambiental.</p><p>e) bem-estar e modernização econômica.</p><p>Comentário</p><p>A Constituição de 1988 é a sétima do Brasil e a sexta da república. Ela se destaca por ser</p><p>considerada a constituição mais democrática, por ter contato com ampla participação da</p><p>sociedade civil na sua elaboração e ampliar consideravelmente os direitos civis, políticos e sociais</p><p>da população como um todo. Nesta última característica, deve-se destacar que foi o primeiro</p><p>texto constitucional do país que passou a considerar quilombolas e indígenas como sujeitos de</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>165</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>direito. Ser um sujeito de direito significa ser alguém a quem a lei pode imputar direitos e</p><p>obrigações. Em outras palavras, quilombolas e indígenas passaram a ter direitos e obrigações por</p><p>serem quilombolas e indígenas, não simplesmente por serem brasileiros. Na verdade, os indígenas</p><p>não eram considerados cidadãos até 1988 pelas diferentes Constituições, tinham um estatuto</p><p>paralelo e órgãos específicos lidavam com sua situação. Quanto aos quilombolas, juridicamente</p><p>eram iguais a qualquer outro cidadão, mas por sua situação muitas vezes precária e o racismo</p><p>disseminado na sociedade, frequentemente tinham seus direitos mais básicos desrespeitados.</p><p>Entretanto, com a Constituição de 1988, esses sujeitos passam a ter direito à demarcação de terras</p><p>e recursos para a preservação de tradições como patrimônios culturais. Inclusive, o texto</p><p>constitucional previa a criação de instituições específicas para lidar com esses processos, criadas</p><p>ao longo dos anos 1990 e 2000, como a INCRA e a Fundação Palmares. Sabendo disso, vejamos</p><p>qual vinculação histórica fundamental o Art. 231 reconhece:</p><p>a) Incorreta. Ao tratar de organização social, costumes, línguas, crenças e tradições é</p><p>evidente que o artigo aborda etnia. No entanto, não necessariamente se trata de miscigenação</p><p>racial. Note que o texto simplesmente reconhece que os indígenas tem direito a viver segundo</p><p>suas próprias tradições e costumes na sua própria terra. Não é mencionado nada a respeito de</p><p>miscigenação.</p><p>b) Incorreta. Esta alternativa é muito ampla, uma vez que qualquer texto constitucional</p><p>carrega uma vinculação entre sociedade e igualdade jurídica, uma vez que rege a vida coletiva</p><p>dos indivíduos considerados parte de determinada sociedade.</p><p>c) Correta! Note que o artigo menciona elementos culturais (organização social, costumes,</p><p>línguas, crenças e tradições) e direito a terra de modo que há uma interdependência entre as duas</p><p>coisas. Para que os indígenas possam manter sua cultura viva, eles precisam ter condições para</p><p>tanto, ou seja, um espaço onde possam não apenas gerir seu sustento, mas também operar a</p><p>manutenção de suas tradições.</p><p>d) Incorreta. A vinculação entre terra e cultura nas tradições indígenas realmente envolvem</p><p>educação ambiental. Todavia, o conceito de progresso é algo relativo e não é entendido da</p><p>mesma forma pela sociedade ocidental e pelas epistemologias indígenas. Ainda, repare que o</p><p>artigo não trata de “levar o progresso aos índios”, mas procura garantir meios para eles preservem</p><p>suas tradições e modos de vida.</p><p>e) Incorreta, pela mesma razão que a anterior. De certa forma, a preservação das tradições</p><p>e o direito a terra podem ser considerados uma forma de bem-estar. Contudo, a modernização</p><p>econômica como entendida pela sociedade capitalista contemporânea</p><p>representa um grande</p><p>risco às tradições indígenas e mesmo ao seu direito às suas próprias terras. Tanto é que atualmente</p><p>setores ligados ao agronegócio e aos maiores grupos empresariais do país se mobilizam na política</p><p>para reformular a política de terras indígenas a seu favor, com o interesse de explorar recursos</p><p>naturais desses locais.</p><p>Garabito: C</p><p>(Enem 2017)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>166</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>No período anterior ao golpe militar de 1964, os documentos episcopais indicavam para</p><p>os bispos que o desenvolvimento econômico, e claramente o desenvolvimento capitalista,</p><p>orientando-se no sentido da justa distribuição da riqueza, resolveria o problema da miséria rural</p><p>e, consequentemente, suprimiria a possibilidade do proselitismo e da expansão comunista entre</p><p>os camponeses. Foi nesse sentido que o golpe de Estado, de 31 de março de 1964, foi acolhido</p><p>pela igreja.</p><p>MARTINS, J. S. A política do Brasil: lúmpen e místico. São Paulo: Contexto. 2011</p><p>(adaptado).</p><p>Em que pesem as divergências no interior do clero após a instalação da ditadura civil-militar,</p><p>o posicionamento mencionado no texto fundamentou-se no entendimento da hierarquia católica</p><p>de que o(a)</p><p>a) luta de classes é estimulada pelo livre mercado.</p><p>b) poder oligárquico é limitado pela ação do Exército.</p><p>c) doutrina cristã é beneficiada pelo atraso do interior.</p><p>d) espaço político é dominado pelo interesse empresarial.</p><p>e) manipulação ideológica é favorecida pela privação material.</p><p>Comentário</p><p>O texto selecionado faz referência ao contexto do golpe militar no Brasil, ocorrido em 1964.</p><p>É importante lembrar que o cenário internacional era marcado pela bipolaridade gerada pela</p><p>rivalidade entre os Estados Unidos da América e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas. O</p><p>Brasil historicamente se alinhava aos norte-americanos, mas com ressalvas. Em geral, os governos</p><p>brasileiros uma certa autonomia diplomática, para negociar tratados econômicos com qualquer</p><p>país do mundo. Entretanto, nas décadas de 1950 e 1960 a Guerra Fria ficou um pouco mais</p><p>acirrada, sobretudo com a difusão do macarthismo, uma ideologia ferrenhamente anticomunista</p><p>promovida pelo senador norte-americano Joseph McCarthy. Basicamente, ele e seus aliados</p><p>promoveram uma grande “caça às bruxas” contra comunistas e todos que criticassem demais o</p><p>capitalismo. Essa ideologia teve bastante eco no Brasil, principalmente entre os setores liberais-</p><p>conservadores, nos quais estavam representados as elites agrárias, parte dos industriais, do clero</p><p>e das forças armadas. Esses grupos estiveram por traz da organização e apoio ao golpe militar de</p><p>1964, que teve como pretexto a suposta “ameaça comunista” representada pelas reformas de</p><p>base propostas pelo então presidente João Goulart. Apesar de não romper com a ordem</p><p>capitalista, nem se propor a isso, Goulart preparava um conjunto de reformas profundas que</p><p>envolviam uma das coisas mais temidas pelas elites brasileiras em toda a história do país: a reforma</p><p>agrária, tanto no campo quanto na cidade. Vale dizer que o campo e seus trabalhadores vinham</p><p>se mobilizando cada vez mais desde os anos 1950, formando as Ligas Camponesas e reivindicando</p><p>a distribuição de terras e mais direitos políticos. Paralelamente, foi nesse período que a</p><p>concentração fundiária aumentou a mecanização da agricultura agravou o desemprego no campo.</p><p>Conhecendo esse contexto, vejamos que entendimento é expresso do trecho:</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>167</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>a) Incorreta. A Igreja Católica nunca reconheceu a existência da luta de classes. Ela sempre</p><p>pregou uma cooperação entre os diferentes estratos da sociedade como expressão da ordem</p><p>divina.</p><p>b) Incorreta. Não é o poder oligárquico que o clero julgava que o exército conseguiria</p><p>reprimir, mas sim a suposta expansão comunista.</p><p>c) Incorreta. Note que o texto afirma que o clero acreditava que o golpe militar contribuiria</p><p>para o progresso do interior.</p><p>d) Incorreta. Na verdade, o texto permite afirmar que o clero supunha o contrário. O espaço</p><p>político não era dominado pelo interesse empresarial (ou capitalista) e esse era o problema. Os</p><p>militares suprimiriam os direitos políticos para que o desenvolvimento econômico avançasse. Para</p><p>eles, essa formula garantiria uma distribuição de riqueza a longo prazo. No entanto, o que se deu</p><p>foi que ao longo da ditadura militar (1964-1985) a concentração de riqueza aumentou</p><p>significativamente, expandindo o abismo entre ricos e pobres enquanto estes eram calados ao</p><p>reivindicar mudanças.</p><p>e) Correta! De certa forma, o clero reconhecia que a pobreza no campo era um problema</p><p>grave que necessitava de uma solução. Um problema no sentido que abria oportunidade para que</p><p>ideologias subversivas se difundissem e gerassem convulsões sociais. Todavia, a solução proposta</p><p>era a via conservadora e reacionária: o apoio ao golpe militar.</p><p>Gabarito: E</p><p>(Enem 2016)</p><p>Batizado por Tancredo Neves de “Nova República”, o período que marca o reencontro</p><p>do Brasil com os governos civis e a democracia ainda não completou seu quinto ano e já viveu dias</p><p>de grande comoção. Começou com a tragédia de Tancredo, seguiu pela euforia do Plano</p><p>Cruzado, conheceu as depressões da inflação e das ameaças da hiperinflação e desembocou na</p><p>movimentação que antecede as primeiras eleições diretas para presidente em 29 anos.</p><p>O álbum dos presidentes: a história vista pelo JB. Jornal do Brasil. 15 nov. 1989.</p><p>O período descrito apresenta continuidades e rupturas em relação à conjuntura histórica</p><p>anterior. Uma dessas continuidades consistiu na</p><p>a) representação do legislativo com a fórmula do bipartidarismo.</p><p>b) detenção de lideranças populares por crimes de subversão.</p><p>c) presença de políticos com trajetórias no regime autoritário.</p><p>d) prorrogação das restrições advindas dos atos institucionais.</p><p>e) estabilidade da economia com o congelamento anual de preços.</p><p>Comentário</p><p>Nos cinco primeiros anos da “Nova República”, após a Ditadura Militar (1964-1985), o Brasil</p><p>foi governado pelo presidente José Sarney (1985-1989). Apesar de ser o primeiro presidente civil</p><p>desde João Goulart (1961-1964), Sarney foi eleito pelo voto indireto assim como os presidentes</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>168</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>militares anteriores. Além disso, na maior parte de seu governo o país continuou sem uma nova</p><p>Constituição, que só foi promulgada em 1988. O Brasil também passava por uma profunda crise</p><p>econômica, marcada pela alta da inflação. Ainda, a sociedade se mostrava impaciente pelas</p><p>reformas que concretizariam a transição para a democracia. Com isso em mente, vejamos quais</p><p>continuidades esses primeiros cinco anos mantiveram em relação ao regime militar:</p><p>a) Incorreta. O bipartidarismo foi extinto ainda na ditadura militar, mais especificamente em</p><p>1979, durante o governo do presidente general João Baptista de Oliveira Figueiredo. Assim,</p><p>novamente voltava a vigorar o pluripartidarismo, que permitia a existência de vários partidos</p><p>políticos.</p><p>b) Incorreta. A violência do Estado contra opositores foi cerceada com a extinção dos atos</p><p>institucionais que amparavam legalmente a perseguição e a censura. O AI-5, o ultimo e mais brutal</p><p>desses decretos, foi extinto em 1978, ainda durante a ditadura.</p><p>c) Correta! A Lei da Anistia de 1979 perdoou todos os crimes políticos cometidos tanto pelo</p><p>governo e seus agentes quanto pelos opositores. Com isso, muitos aliados e ex-aliados da</p><p>ditadura se mantiveram trabalhando na máquina pública, inclusive sendo eleitos pelo eleitorado</p><p>conservador. O próprio Sarney havia participado do ARENA, partido governista no regime militar.</p><p>Antes de ser eleito, no entanto,</p><p>migrou para o MDB, partido da oposição. Também Fernando</p><p>Collor, primeiro presidente civil eleito pelo voto direto, que assumiu logo após Sarney, em 1990,</p><p>construiu sua trajetória política em meio aos círculos ex-arenistas.</p><p>d) Incorreta. Como falei, os atos institucionais foram extintos no final da ditadura.</p><p>e) Incorreta. De fato, Sarney aplicou uma política de congelamento de preços com o Plano</p><p>Cruzado. Contudo, isso não gerou estabilidade econômica. Inclusive, a inflação cresceu ainda mais</p><p>nos anos seguintes.</p><p>Gabarito: C</p><p>(Enem 2016)</p><p>A Operação Condor está diretamente vinculada às experiências históricas das ditaduras</p><p>civil-militares que se disseminaram pelo Cone Sul entre as décadas de 1960 e 1980. Depois do</p><p>Brasil (e do Paraguai de Stroessner), foi a vez da Argentina (1966), Bolívia (1966 e 1971), Uruguai</p><p>e Chile (1973) e Argentina (novamente, em 1976). Em todos os casos se instalaram ditaduras civil-</p><p>militares (em menor ou maior medida) com base na Doutrina de Segurança Nacional e tendo como</p><p>principais características um anticomunismo militante, a identificação do inimigo interno, a</p><p>imposição do papel político das Forças Armadas e a definição de fronteiras ideológicas.</p><p>PADRÓS, E. S. et al. Ditadura de Segurança Nacional no Rio Grande do Sul (1964-1985):</p><p>história e memória. Porto Alegre: Corag, 2009 (adaptado).</p><p>Levando-se em conta o contexto em que foi criada, a referida operação tinha como objetivo</p><p>coordenar a</p><p>a) modificação de limites territoriais.</p><p>b) sobrevivência de oficiais exilados.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>169</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) interferência de potências mundiais.</p><p>d) repressão de ativistas oposicionistas.</p><p>e) implantação de governos nacionalistas.</p><p>Comentário</p><p>A Operação Condor, ou Plano Condor, foi concebida e posta em prática pelo governo do</p><p>general Augusto Pinochet, no Chile, a partir de 1975. Tratava-se da criação e manutenção de</p><p>mecanismos de colaboração entre as polícias políticas das ditaduras sul-americanas. Entre elas,</p><p>Brasil, Argentina, Bolívia, Paraguai, Uruguai e o próprio Chile, além de contar com a conivência da</p><p>CIA e de presidentes norte-americanos como Nixon e Ford. Então, vejamos o que tal operação</p><p>coordenava:</p><p>a) Incorreta. Nenhum dos países queria modificar seus limites territoriais nesse período.</p><p>b) Incorreta. Apenas opositores dos governos eram exilados e quando eram a Operação Condor</p><p>não se preocupava com sua sobrevivência. Pelo contrário, buscava captura-los novamente e até</p><p>executá-los em alguns casos.</p><p>c) Incorreta. Apesar de contar com a conivência dos EUA, visava simplesmente a colaboração</p><p>entre as ditaduras sul-americanas para que cada um pudesse operar a manutenção de seus</p><p>próprios regimes internos.</p><p>d) Correta! Como mencionei na letra “b”, a Operação Condor tinha o objetivo de perseguir e</p><p>capturar os opositores dos regimes ditatoriais na América do Sul. Assim, a operação criava</p><p>mecanismos de colaboração internacional na perseguição, captura e eliminação desses opositores.</p><p>e) Incorreta. Os governos já estavam implantados quando da concepção da Operação Condor.</p><p>Esta pretendia apenas a manutenção desses governos.</p><p>Gabarito: D</p><p>(Enem 2015)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>170</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>No período de 1964 a 1985, a estratégia do Regime Militar abordada na charge foi</p><p>caracterizada pela</p><p>a) priorização da segurança nacional.</p><p>b) captação de financiamentos estrangeiros.</p><p>c) execução de cortes nos gastos públicos.</p><p>d) nacionalização de empresas multinacionais.</p><p>e) promoção de políticas de distribuição de renda.</p><p>Comentário</p><p>Entre 1964 e 1985, o Brasil passou por uma Ditadura Militar, iniciada por um golpe de Estado</p><p>contra o presidente João Goulart. Orquestrado por militares aliados a setores liberais-</p><p>conservadores, o golpe pretendia barrar as reformas de base propostas por Goulart e reprimir os</p><p>movimentos sociais que reivindicavam mais igualdade social e direitos políticos. Além disso, os</p><p>apoiadores do golpe se contrapunham ao nacional-desenvolvimentismo fundado por Vargas e do</p><p>qual Goulart era herdeiro político. O nacional-desenvolvimentismo era uma ideologia que visava</p><p>o fortalecimento do capitalismo brasileiro, por meio da intervenção estatal na economia, a</p><p>industrialização nacional e a manutenção de uma posição de autonomia em relação aos Estados</p><p>Unidos. Consequentemente, os liberais-conservadores e os militares que aderiram ao golpe</p><p>defendiam que o desenvolvimento brasileiro deveria ocorrer por meio do alinhamento total aos</p><p>norte-americanos, além da abertura do mercado brasileiro ao capital internacional e a menor</p><p>regulamentação da economia. Curiosamente, a Ditadura Militar acabou adotando uma política</p><p>econômica que mesclava um pouco dos dois modelos. Enquanto seguia a cartilha do Fundo</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>171</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Monetário Internacional (FMI), os governos militares permitiam a entrada de produtos e empresas</p><p>estrangeiras sem maiores regulamentações nos setores interessantes para eles. Paralelamente, o</p><p>Estado criou empresas para atuar em setores estratégicos, nos quais a iniciativa privada tinha</p><p>pouco interesse, como o de energia, indústria pesada e infraestrutura. Sabendo disso, vejamos</p><p>qual a estratégia abordada pela charge:</p><p>a) Incorreta. A segurança nacional realmente foi uma das prioridades dos governos militares. Não</p><p>à toa, é nesse período que entrou em vigor a Lei de Segurança Nacional que dava vasão às</p><p>arbitrariedades e violências perpetradas pelo regime contra seus opositores. Contudo, não é disso</p><p>que a charge trata. Repare que o artista chama a atenção para a quantidade de dólares que</p><p>entraram no país e o tempo que levará para quitar a dívida proveniente disso.</p><p>b) Correta! Para completar o orçamento necessário para manter a atuação do Estado em setores</p><p>vitais para o desenvolvimento do país, mas desinteressante para a iniciativa privada, os governos</p><p>militares contrariam empréstimos com bancos estrangeiros, sobretudo norte-americanos. Com</p><p>isso, a dívida externa e a inflação cresceram enquanto a moeda nacional ficava desvalorizada.</p><p>Inclusive, esses continuaram sendo os principais problemas econômicos no Brasil na primeira</p><p>década após o fim da ditadura.</p><p>c) Incorreta. Os gastos públicos eram imensos devido a atuação empresarial do Estado brasileiro,</p><p>que não era autossustentável. Tanto é que foi necessário contrair empréstimos bilionários para</p><p>completar o orçamento. Além disso, havia um problema crônico de corrupção nos governos</p><p>militares. Devido ao seu caráter autoritário e pouco transparente, qualquer investigação no interior</p><p>do governo era sabotada. Nesse sentido, é imensurável o tanto de dinheiro público desviado</p><p>nesse período.</p><p>d) Incorreta. Apesar de o Estado brasileiro ter interferido na economia por meio de empresas</p><p>estatais em setores estratégicos, os governos militares nunca nacionalizaram empresas privadas,</p><p>nacionais ou multinacionais. Inclusive, eles pregavam contra esse tipo de política econômica,</p><p>característica de países socialistas.</p><p>e) Incorreta. Não houve políticas de distribuição de renda durante a Ditadura Militar. Lembre-se</p><p>que o golpe que deu início ao regime procurava evitar que as reformas de base de João Goulart</p><p>fossem executadas. Reformas estas que incluíam medidas que proporcionaram uma distribuição</p><p>de renda mais igualitária. Ainda, não se esqueça que apesar do “milagre econômico” de 1973, ao</p><p>longo dos governos militares a concentração de renda aumentou, ou seja, o abismo entre ricos e</p><p>pobres cresceu.</p><p>Gabarito: B</p><p>(Enem 2014)</p><p>A Comissão Nacional da Verdade (CNV) reuniu representantes de comissões estaduais e</p><p>de várias instituições</p><p>ser dito.</p><p>Uma coisa é fato, como vimos com a Lei de segurança e seus postulados, as manifestações</p><p>“de natureza política” eram facilmente enquadradas pelos órgãos de censura e,</p><p>consequentemente, criminalizados. Isso porque, é bom que você saiba, as “coisas” eram</p><p>censuradas quando eram consideradas moralmente inadequadas ou legalmente criminosas. Por</p><p>isso, muitos jornalistas, inclusive de grandes jornais, foram presos, ou precisaram se exilar, por</p><p>noticiarem algo.</p><p>Ao longo do tempo, afirmam os especialistas, como Beatriz Kushnir, os meios de</p><p>comunicação passaram a fazer “auto-censura” a fim de continuar existindo. Os jornais e editoras</p><p>menores, apelidados de “imprensa nanica”, ou aqueles que não abriam mão de manter a verdade</p><p>dos fatos, acabaram fechando ou atuando clandestinamente.</p><p>Se por um lado, a censura era uma violação dos direitos à liberdade de imprensa, também</p><p>representou uma violação do conjunto da população ao direitos à informação verdadeira.</p><p>A população não tinha como saber o que se passava nos órgãos de repressão do Governo.</p><p>Jornais como Folha de São Paulo e o Estado de São Paulo tinham suas matérias previamente</p><p>avaliadas por um CENSOR antes da publicação. No lugar das matérias censuradas, eram colocadas</p><p>receitas de comidas ou poemas. Uma forma de “avisar”: fomos censurados! Veja só...</p><p>8</p><p>8 Disponível em: http://memorialdademocracia.com.br/card/noticia-censurada-da-lugar-a-camoes.</p><p>Acesso em: 25/07/2019.</p><p>O jornal "O Estado de S.</p><p>Paulo" passou a publicar</p><p>trechos de "Os Lusíadas",</p><p>poema épico do</p><p>português Luís de</p><p>Camões, nos espaços das</p><p>matérias vetadas pelos</p><p>censores. Este jornal é de</p><p>4/set/1974.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>17</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>9</p><p>Apoio dos Estados Unidos</p><p>Assim que o Presidente Castelo Branco assumiu, os Estados Unidos reconheceram a</p><p>legitimidade do novo governo. Essa proximidade refletia o alinhamento ideológico</p><p>construído na Escola Superior de Guerra (ESG).</p><p>A ESG foi criada em 1949 como um centro de altos estudos, subordinado ao Ministro de Estado</p><p>Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas. A ESG foi destinada a desenvolver conhecimentos</p><p>para o exercício de funções de assessoramento e direção superior do Estado a partir de duas</p><p>frentes: desenvolvimento e segurança. Essas bases de pensamento foram formadas a partir de</p><p>treinamento de militares brasileiros na National War College nos Estado Unidos.</p><p>Assim, inspirada na Doutrina de Segurança Nacional norte-americana, o governo brasileiro passou</p><p>a assumir o compromisso de manutenção da “paz e da segurança”. Para tanto, seria preciso</p><p>combater ideias socialistas e comunistas.</p><p>O apoio dos Estados Unidos a regime militares foi uma característica das décadas de 1960, 1970</p><p>e 1980 nos países da América Latina. Além do Brasil, o próprio governo norte-americano</p><p>reconhece seu envolvimento nas ditaduras do Chile e da Argentina. Agora em 2019, os EUA</p><p>9 Idem, ibidem.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>18</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>entregaram cerca de 40.000 documentos à Argentina sobre a relação do Governo dos EUA com</p><p>o regime militar que vigorou na argentina entre 1976 e 198310.</p><p>Ademais, hoje em dia, é reconhecido o envolvimento da CIA, agência de inteligência norte-</p><p>americana, na promoção de treinamentos de práticas de tortura a agentes de segurança</p><p>argentinos, chilenos e brasileiros.</p><p>1.2 - ASPECTOS ECONÔMICOS</p><p>A Ditadura Militar também ficou caracterizada pelas medidas econômicas que adotou. As</p><p>políticas “nacionais-desenvolvimentistas” (de Vargas) e “nacionais reformistas” (de Jango) foram</p><p>abandonadas. Os militares adotaram um modelo econômico desenvolvimentista.</p><p>Igual ao do JK profe.?</p><p>Em partes sim, queridos porém, de acordo com Bresser Pereira11, o modelo dos militares,</p><p>apesar do crescimento econômico, não priorizou medidas de combate à concentração de renda,</p><p>de modo que houve um salto na desigualdade social do país (diferença entre a maior e a menor</p><p>renda do país).</p><p>Além disso, o modelo econômico desenvolvimentista dos militares se baseou nos grandes</p><p>empresários estrangeiros e nacionais. Por exemplo, uma das primeiras medidas do Governo</p><p>Militar foi extinguir a Lei de Remessa de Lucros sancionada por Goulart. As multinacionais voltaram</p><p>a enviar grandes somas de dinheiro para as empresas matrizes no exterior.</p><p>Ainda em 1964, o Governo de Castelo Branco lançou o Programa de Ação Econômica do</p><p>Governo (PAEG), o primeiro plano econômico do Regime Militar. O centro do PAEG foi o combate</p><p>à inflação por meio da restrição ao crédito e da redução dos salários dos trabalhadores.</p><p>A PAEG ainda previa as Reformas Bancária e Tributária, seguida da criação do Banco</p><p>Central, do Conselho Monetário Nacional, do Banco de Habitação e do Sistema Financeiro de</p><p>Habitação. Essas mudanças tinham natureza mais estrutural e tiveram impacto social de mais longo</p><p>prazo.</p><p>Agora, atenção: as medidas econômicas se tornaram tão</p><p>impopulares que até Carlos Lacerda ficou contra o Governo. Sim,</p><p>o jornalista que sempre se opôs ao “nacional-</p><p>desenvolvimentismo” e ao “reformismo social”.</p><p>10 EUA entregam à Argentina mais de 40.000 documentos sobre a última ditadura militar. EL País.</p><p>12/abr/2019. Disponível em:</p><p>https://brasil.elpais.com/brasil/2019/04/12/internacional/1555090219_312485.html. Acesso em:</p><p>25/07/2019.</p><p>11PEREIRA, Luiz Carlos Bresser. Desenvolvimento e crise no Brasil. São Paulo: Editora 34. 2003.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>19</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Com efeito, os ajustes econômicos do Governo Federal levaram ao descontentamento dos</p><p>estados regionais. Como as eleições para Governador de 1965 estavam mantidas, os candidatos</p><p>das oposições conseguirem vitórias. Além disso, os trabalhadores estavam protagonizando greves</p><p>para exigir reajustes salarias.</p><p>A resposta veio com a edição de outros Atos Institucionais, como o AI-5, como veremos na</p><p>próxima seção.</p><p>2. O GOVERNO DE COSTA E SILVA (1967-1968)</p><p>Após Castelo Branco, os militares indicaram o Marechal Artur da Costa e Silva para ocupar</p><p>o cargo de Presidente da República. A escolha foi referenda em outubro de 1966 pelo Congresso</p><p>Nacional. Mas os parlamentares do MDB se retiraram do recinto em protesto e apenas os</p><p>membros da Arena confirmaram o nome de Costa e Silva. Em março de 1967 o novo Presidente</p><p>tomou posse.</p><p>Com a eleição indireta, com a vigência dos Atos Institucionais e com a situação econômica ainda</p><p>difícil, diversos segmentos da sociedade iniciaram protestos. Mesmo alguns setores que haviam</p><p>apoiado o regime militar começam a endurecer suas críticas ao regime e sua política. Ou seja, era</p><p>um ambiente político bastante agitado</p><p>Em um episódio chamado de “Tarde do Calabouço”, o estudante Edson Luís de Lima Souto</p><p>(18 anos) foi assassinado pela política durante uma manifestação no Rio de Janeiro. Em resposta,</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>20</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>100 mil pessoas ocuparam as ruas, entre eles Caetano Veloso, Gilberto Gil e Chico Buarque12.</p><p>Essa manifestação ficou conhecida como Manifestação dos 100 Mil.</p><p>Também foi nesse momento que ganharam fôlego as canções de protesto, como a música “Pra</p><p>não dizer que não falei das flores”, de Geraldo Vandré. Na verdade, as peças de teatro e os</p><p>famosos Festivais da Canção, ocorridos entre 1965 e 1972, acabaram se tornando espaços</p><p>políticos. Os artistas do movimento Tropicália passaram a usar metáforas para criticar a Ditadura.</p><p>Falaremos mais sobre isso a frente.</p><p>Um dos políticos</p><p>para apresentar um balanço dos trabalhos feitos e assinar termos de</p><p>cooperação com quatro organizações. O coordenador da CNV estima que, até o momento, a</p><p>comissão examinou, “por baixo”, cerca de 30 milhões de páginas de documentos e fez centenas</p><p>de entrevistas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>172</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Disponível em: www.jb.com.br. Acesso em: 2 mar. 2013 (adaptado).</p><p>A notícia descreve uma iniciativa do Estado que resultou da ação de diversos movimentos</p><p>sociais no Brasil diante de eventos ocorridos entre 1964 e 1988. O objetivo dessa iniciativa é</p><p>a) anular a anistia concedida aos chefes militares.</p><p>b) rever as condenações judiciais aos presos políticos.</p><p>c) perdoar os crimes atribuídos aos militantes esquerdistas.</p><p>d) comprovar o apoio da sociedade aos golpistas anticomunistas.</p><p>e) esclarecer as circunstâncias de violações aos direitos humanos.</p><p>Comentário</p><p>A Comissão Nacional da Verdade, ou simplesmente Comissão da Verdade, foi fundada em</p><p>2011 pelo Estado brasileiro, durante o governo da presidenta Dilma Rousseff (2010-2016). Como</p><p>o texto descreve, a Comissão era composta por um colegiado cujo objetivo era investigar</p><p>acontecimentos ocorridos entre os anos de 1964 e 1988, ou seja, durante a Ditadura Militar. Com</p><p>isso em mente, vejamos qual era o objetivo da CNV:</p><p>a) Incorreta. A CNV não anulou nenhuma parte da Lei da Anistia de 1979, a qual perdoou todos</p><p>os crimes políticos de militares e opositores do regime.</p><p>b) Incorreta. Os presos políticos foram perdoados pela Lei da Anistia de 1979, logo quando a</p><p>CNV foi criada não havia condenações a rever.</p><p>c) Incorreta. Esses crimes também foram perdoados pela Lei da Anistia de 1979.</p><p>d) Incorreta. A CNV pretendia analisar apenas o envolvimento de militares e ativistas que</p><p>opuseram ao regime que foram presos, torturados ou constam como desaparecidos. Não havia</p><p>pretensão em analisar o nível de adesão da sociedade à ditadura militar.</p><p>e) Correta! Como o próprio nome enfatiza, a Comissão Nacional da Verdade se propunha apenas</p><p>ao esclarecimento dos crimes políticos que envolviam a violação aos direitos humanos. Todavia,</p><p>tal esclarecimento não resultaria, e de fato não resultou, em processos jurídicos que condenassem</p><p>ou anistiassem qualquer pessoa.</p><p>Gabarito: E</p><p>(Enem 2013)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>173</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>A imagem foi publicada no jornal Correio da Manhã, no dia de Finados de 1965. Sua relação</p><p>com os direitos políticos existentes no período revela a</p><p>a) extinção dos partidos nanicos.</p><p>b) retomada dos partidos estaduais.</p><p>c) adoção do bipartidarismo regulado.</p><p>d) superação do fisiologismo tradicional.</p><p>e) valorização da representação parlamentar.</p><p>Comentário</p><p>Em primeiro lugar, repare que a imagem foi publicada em 1965, um ano após o golpe</p><p>militar que instaurou a Ditadura Militar no Brasil, que durou até 1985. Em segundo, repare que a</p><p>imagem lista as siglas de vários partidos políticos existentes no período. Ao fim da lista, está grafa</p><p>a palavra “finados”, o que dá a entender que esses partidos morreram. Ora, lembre-se que a</p><p>ditadura operou diversas reformas no sistema político brasileiro para centralizar o poder no</p><p>Executivo, ocupado pelos militares. Essas reformas foram executadas por meio de um conjunto</p><p>de decretos e leis que permitiam a cassação de políticos, a anulação de direitos civis e</p><p>constitucionais, a reformulação das eleições, entre outras medidas. Com isso em mente, vejamos</p><p>o que revela a relação entre a imagem e os direitos políticos válidos com a instalação do novo</p><p>regime:</p><p>a) Incorreta. Não foram apenas os partidos nanicos que foram extintos. Note que na imagem</p><p>estão listados também a UDN, o PTB e o PSD; os maiores partidos políticos do Brasil até então.</p><p>b) Incorreta. Os partidos estaduais também foram extintos em 1965.</p><p>c) Correta! O Ato Institucional n. 2 (AI-2), decretado em 1965), foi responsável pela extinção de</p><p>todos os partidos políticos existentes no Brasil até o momento. Na verdade, o decreto instituía</p><p>regras rigorosas para criação de novos partidos, o que na prática significou a implantação do</p><p>sistema do bipartidarismo no qual apenas dois partidos podem existir e disputar os cargos eletivos</p><p>do Estado. Assim, as forças políticas no Brasil passaram a se agrupar em torno do ARENA,</p><p>governista, e do MDB, da oposição.</p><p>d) Incorreta. O fisiologismo partidário é o que hoje a gente popularmente chama de “toma lá, dá</p><p>cá” na política. Em outras palavras, é aquela troca de favores entre os políticos; quando um libera</p><p>uma verba a mais para outro em troca de apoio a um projeto de lei ou nas próximas eleições.</p><p>Essas práticas foram agravadas com o novo sistema bipartidário, uma vez que as pessoas tinham</p><p>se adequar a um dos dois grandes partidos para poder participar da política institucional.</p><p>e) Incorreta. O Poder Legislativo, ou seja, o Parlamento perdeu muito espaço no poder com a</p><p>instalação da ditadura. Como mencionei antes, as reformas empreendidas pelos governos</p><p>militares visavam a centralização do poder no Executivo, especificamente na presidência da</p><p>república.</p><p>Gabarito: C</p><p>(Enem 2011)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>174</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>O movimento representado na imagem, do início dos anos de 1990, arrebatou milhares de jovens</p><p>no Brasil. Nesse contexto, a juventude, movida por um forte sentimento cívico,</p><p>a) aliou-se aos partidos de oposição e organizou a campanha Diretas Já.</p><p>b) manifestou-se contra a corrupção e pressionou pela aprovação da Lei da Ficha Limpa.</p><p>c) engajou-se nos protestos relâmpago e utilizou a internet para agendar suas manifestações.</p><p>d) espelhou-se no movimento estudantil de 1968 e protagonizou ações revolucionárias armadas.</p><p>e) tornou-se porta-voz da sociedade e influenciou processo de impeachment do então presidente</p><p>Collor.</p><p>Comentário</p><p>Em primeiro lugar, repare o período em que a fotografia foi tirada: início dos anos 1990.</p><p>Desde 1990, Fernando Collor era o presidente do Brasil, o primeiro a ser eleito pelo voto direto</p><p>desde 1960. Collor venceu as eleições com uma campanha contra a corrupção no funcionalismo</p><p>público, pregando a modernização da administração, a promessa de abertura da economia e</p><p>maior inserção do país no mercado internacional. Ele contou com apoio expressivo da mídia e da</p><p>população. Sabendo disso, vejamos o que realizou o movimento dos “caras-pintadas”:</p><p>a) Incorreta. A Campanha das Diretas Já ocorreu entre 1983 e 1985. Conforme o</p><p>descontentamento popular crescia e os partidos da oposição ganhavam espaço no cenário político</p><p>nacional, no último governo militar, ganhou cada vez mais voz e espaço o movimento em prol de</p><p>eleições presidenciais diretas. Em abril de 1984, o projeto de emenda constitucional do deputado</p><p>Dante de Oliveira que oficializaria as eleições diretas foi posto em votação, mas não foi aprovado.</p><p>Em 1985, o primeiro presidente civil desde João Goulart foi eleito ainda pelo voto indireto.</p><p>Somente em 1989, após a promulgação da Constituição de 1988, é que se deram eleições diretas</p><p>em todos os níveis, incluindo para presidência da república.</p><p>b) Incorreta. Realmente, o movimento dos “caras-pintadas” fora motivado em grande parte pela</p><p>indignação contra a corrupção praticada no interior do Estado brasileiro. Contudo, a Lei da Ficha</p><p>Limpa só foi promulgada em 2010, quase duas décadas depois dos “caras-pintadas” terem saído</p><p>às ruas.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>175</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>c) Incorreta. A internet ainda não era uma realidade difundida no Brasil na década de 1990, logo</p><p>não era utilizada pelos</p><p>que se manifestou no Congresso Nacional contra a repressão policial nas</p><p>ruas foi o Deputado Márcio Moreira Alves, do MDB. Ele denunciou as agressões aos estudantes e</p><p>convocou a população a boicotar os desfiles de 7 de setembro de 1968. Moreira Alves acabou</p><p>expressando a indignação de boa parte dos parlamentares.</p><p>A “insubordinação” do Congresso Nacional serviu de pretexto para uma ação mais dura do</p><p>Governo Costa e Silva. Em dezembro de 1968, o Congresso foi fechado e os parlamentares da</p><p>oposição tiveram seus mandatos cassados.</p><p>Neste momento, o Governo Militar também decretou o Ato Institucional No. 5 (AI-5).</p><p>O AI-5 deu amplos poderes ao Presidente da República com o objetivo de abafar as oposições.</p><p>Além de ter autorização para intervir nos Estados e Municípios, suspender direitos dos cidadãos</p><p>(como o direito ao habeas corpus), autorizar buscas em residências sem mandados, garantir o</p><p>fechamento do Congresso por tempo indeterminado, etc., os atos do Presidente não estavam</p><p>submetidos ao Poder Judiciário, muito menos ao Legislativo.</p><p>12 NAPOLITANO, Marcos. História do Regime Militar Brasileiro. São Paulo: Contexto, 2016.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>21</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Jornal do Brasil, de 14 de dezembro de 1968. O tempo de fechamento do Congresso durou 10 meses.</p><p>O AI-5 permitiu que o Governo de Costa e Silva prendesse diversas figuras opositoras, entre</p><p>elas,.... (será que você advinha???)... Jango? Não, Jango estava no exílio. Carlos Lacerda, ele</p><p>mesmo. Quem mais? O Marechal Teixeira Lott (de novo) e Juscelino Kubitschek. Quatro Ministros</p><p>do Supremo Tribunal Federal (STF) também foram afastados de seus cargos.</p><p>Além de cassar os mandatos dos parlamentares federais, prefeitos e vereadores também foram</p><p>alvo do AI-5. Quando estudamos os Atoa Complementares vemos que o Presidente chegou a</p><p>fechar Câmaras Municipais de cidades muito pequenas nos interiores dos Estados.</p><p>Por essa escalada autoritária, o AI-5 consolidou a definição de Ditadura Militar. Era o início do</p><p>chamado “Anos de Chumbo da Ditadura”.</p><p>De acordo com o historiador Kenneth P. Serbin, por meio do AI-5, os serviços de segurança</p><p>tiveram carta branca para ampliar perseguições contra as organizações de esquerda, a oposição</p><p>democrática e membros da Igreja13.</p><p>De acordo com estudos da FGV, o AI-5, que vigorou do final de 1968 até 1978, foi expressão mais</p><p>acabada da Ditadura Militar brasileira, pois conferiu poder de exceção aos governantes para punir</p><p>arbitrariamente os que fossem inimigos do Regime ou como tal considerados14.</p><p>13 SERBIN, Kenneth P. Diálogos na sombra: bispos e militares, tortura e justiça social na ditadura. São</p><p>Paulo: Companhia das Letras, 2001.</p><p>14 O AI-5. Fatos e Imagens: artigos ilustrados de fatos e conjunturas do Brasil. FGV-CPDOC. Disponível</p><p>em: https://cpdoc.fgv.br/producao/dossies/FatosImagens/AI5. Acesso em: 26/07/2019.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>22</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Nesse contexto de repressões e perseguições, surgiu a luta armada. As táticas de guerrilha,</p><p>assaltos a banco, sequestro de diplomatas estrangeiros, dentre outras, foram formas de parte dos</p><p>opositores combater a Ditadura Militar. Um dos objetivos dos sequestros era trocar os reféns por</p><p>presos políticos que estavam sendo torturados.</p><p>Entre as lideranças da luta armada se destacaram Carlos Marighella, ex-deputado e</p><p>organizador da Ação Libertadora Nacional (ALN), e o Capitão Carlos Lamarca, organizador da</p><p>Vanguarda Popular Revolucionária (VPR). Os dois foram mortos em confrontos com os militares.</p><p>Foi nesse contexto que o método da tortura foi aprimorado por agentes do Estado para</p><p>punir e obter informações dos opositores. O órgão de repressão do Governo responsável por</p><p>interrogatórios e torturas era o Destacamento de Operações de Informações – Centro de</p><p>Operações de Defesa Interna (DOI-CODI).</p><p>O Presidente Costa e Silva precisou se afastar do cargo por motivos de saúde. Até que um</p><p>novo Presidente fosse eleito (indiretamente) uma Junta Militar assumiu o Poder Executivo. Essa</p><p>Junta era formada pelos Ministros do Exército, da Marinha e da Aeronáutica.</p><p>3. O GOVERNO DE EMÍLIO GARRASTAZU MÉDICI (1969-1974)</p><p>Após 10 meses a decretação do AI-5, a Junta Militar, que ocupava as funções do Poder</p><p>Executivo, determinou a reabertura do Congresso Nacional. Contudo, os deputados cassados não</p><p>foram anistiados. Por isso, a Arena dominou os assentos da Casa Legislativa.</p><p>Em seguida, Emílio Garrastazu Médici foi indicado para a Presidência da República. Na</p><p>prática, Médici foi referendado apenas pelos parlamentares da Arena.</p><p>Com Médici, a violência e a repressão aos opositores chegaram ao extremo. Todos aqueles</p><p>órgãos e sistemas de vigilância, censura e repressão atuaram profundamente.</p><p>As indicações de filme abaixo são histórias reais que ajudam a entender os “anos de chumbo”.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>23</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>3.1 ASPECTOS ECONÔMICOS E SOCIAIS DO GOVERNO MÉDICI</p><p>Agora, querido e querida aluna, nem só de repressão e autoritarismo ficou caracterizado o</p><p>Regime Militar. Com efeito, o Governo Médici conseguiu atingir marcas de crescimento</p><p>econômico que marcaram a história do nosso país.</p><p>Os projetos de integração nacional e as medidas que favoreceram o crescimento real da</p><p>economia passaram a ser chamados de “Milagre Econômico Brasileiro”.</p><p>O “Milagre Brasileiro” estava baseado no aumento da produção industrial – principalmente a</p><p>indústria automobilística -, na geração de energia elétrica (tanto para suprir as fábricas, quanto</p><p>para atender ao aumento no consumo de eletrodomésticos e eletrônicos), aumento de</p><p>exportações e uso de capital estrangeiro para investimentos (empréstimos).</p><p>De 1967 a 1973, o Brasil alcançou taxas médias de crescimento muito elevadas e sem</p><p>precedentes, que decorreram em parte da política econômica então implementada</p><p>principalmente sob a direção do Ministro da Fazenda Antônio Delfim Neto mas também</p><p>de uma conjuntura econômica internacional muito favorável. Esse período (e por vezes</p><p>de forma mais restrita os anos 1968-1973) passou a ser conhecido como o do “milagre</p><p>econômico brasileiro”, uma terminologia anteriormente aplicada a fases de rápido</p><p>crescimento econômico no Japão e em outros países15.</p><p>Para assegurar ainda mais o controle da economia, o Governo promoveu mais ajustes fiscais</p><p>e ampliou o chamado “arrocho salarial”. Isso, na prática, significava que o custo de vida crescia,</p><p>mas o salário não conseguia acompanhar. Os empregos eram gerados, mas os salários eram</p><p>baixos. A diminuição dos encargos trabalhistas era a exigência dos industriais que apoiavam o</p><p>Regime Militar. Assim, a vinda de multinacionais gerava um processo de atração populacional e</p><p>as cidades se enchiam de imigrantes em busca de emprego e melhores condições de vida – que,</p><p>na prática, não existiam.</p><p>A periferia aumentou e os problemas urbanos também. A criação do Banco de Habitação e do</p><p>Sistema Financeiro de Habitação foram tentativas de minimizar os bolsões de pobreza que se</p><p>avolumavam em ocupações de terras mais próximas às regiões centrais nas grandes cidades.</p><p>Assim, moradias populares eram construídas em lugares bem distantes dos centros urbano e</p><p>produtivos ou projetadas ao redor de Distritos Industriais”. Eram os bairros operários, com casas</p><p>subsidiadas pelo governo, em condições de urbanização básicas, mas sem estrutura de saúde,</p><p>lazer e educação.</p><p>15 LAGO, Luis Aranha Correia. Milagre Econômicos Brasileiro. Verbete. CPDOC/FGV. Disponível em:</p><p>http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/milagre-economico-brasileiro. Acesso</p><p>em: 27/08/2019.</p><p>http://www.fgv.br/cpdoc/acervo/dicionarios/verbete-tematico/milagre-economico-brasileiro</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>24</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Como não era possível fazer greves, protestos ou reivindicação de qualquer tipo (lembre-</p><p>se da repressão), os salários chegavam a níveis baixos. A fórmula que previa reajustes das</p><p>remunerações pela inflação foi alterada, a ponto de os salários ficarem congelados. Houve a</p><p>desindexação do salário, ou seja, reajustes não atrelados a índices inflacionários. Segundo o</p><p>professor de história econômica do Instituto de Ensino e Pesquisa (Insper), Vinicius Müller, “Foi</p><p>um crescimento às custas dos trabalhadores”16.</p><p>Esse fato aprofundou a concentração de renda e a desigualdade social no país. Tanto foi que o</p><p>próprio Médici reconheceu: “A economia vai bem, mas o povo vai mal”17.</p><p>Outro fator que contribui para o crescimento do Brasil durante o Governo Médici foi a</p><p>situação internacional. Os assim chamados fatores externos ajudaram a alavancar a economia</p><p>nacional, principalmente porque o Brasil passou a exportar bastante.</p><p>No geral, no início dos anos 1970 a economia crescia 10% ao ano. Compare com os</p><p>indicadores atuais, que não chega a 1% de crescimento ao ano.</p><p>Importante destacar que, com Médici, o Estado brasileiro assumiu um papel de regulador</p><p>da economia, seja com intervenções pontuais em determinados setores estratégicos, como</p><p>telecomunicações, seja com a criação de agências reguladoras.</p><p>Houve, em grande medida, uma retomada da importância-chave do Estado como promotor e</p><p>regulador da economia, da política e da cultura.</p><p>16 O lado obscuro do ‘milagre econômico’ da ditadura: o boom da desigualdade. El País. 28/nov/2017.</p><p>Disponível em: https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/29/economia/1506721812_344807.html.</p><p>Acesso em: 25/07/2019.</p><p>17 GASPARI, Elio. A ditadura escancarada. São Paulo: Companhia das Letras. 2002.</p><p>Desigualdades</p><p>sociais</p><p>Crescimento</p><p>econômico</p><p>(10%)</p><p>https://brasil.elpais.com/brasil/2017/09/29/economia/1506721812_344807.html</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>25</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Combinando o crescimento econômico com os problemas sociais, segundo</p><p>o historiador Daniel Arão dos Reis18, entre 1967 e 1974, a ditadura consolidou um</p><p>modelo de modernização conservadora, impulsionada pelo Estado.</p><p>Veja algumas empresas estatais criadas no período:</p><p>Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT), 1969;</p><p>Empresa Brasileira de Aeronáutica (Embraer), 1969;</p><p>Telecomunicações do Brasil (Telebras), 1972;</p><p>O modelo do “Milagre Econômico” sofreu um revés em 1973. Houve uma crise mundial de</p><p>petróleo. Como 80% do petróleo consumido no Brasil vinha de fora, essa crise atingiu em cheio a</p><p>economia nacional. O dólar disparou e a dívida externa do Brasil aumentou vertiginosamente.</p><p>Diante dessa crise econômica o modelo desenvolvimentista do Regime Militar não mais se</p><p>sustentava. A situação ficaria pior com a chamada segunda crise do petróleo, em 1979.</p><p>18 REIS, Daniel Aarão. Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Coleção História do Brasil</p><p>Nação. Rio de Janeiro: Objetiva/MAPFRE, 2014, v. 5.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>26</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>PARTE 2: O LONGO PROCESSO DA REDEMOCRATIZAÇÃO</p><p>A partir de meados da década de 1970, inicia-se um processo que chamamos de “distensão</p><p>do regime”, ou seja, uma abertura do regime em direção à transição para a democracia. É um</p><p>longo processo composto por várias fases e múltiplos processos.</p><p>Na sequência da aula vamos desenvolver os assuntos nessa perspectiva. Fique atento e não</p><p>se perca, ok!</p><p>4. 1974-1979: O GOVERNO GEISEL E OS PRIMEIROS SINAIS DA</p><p>ABERTURA</p><p>Médici ficou na Presidência até 1974, quando foi substituído pelo General Ernesto Geisel,</p><p>também indicado pelo alto comando militar. Ulysses Guimarães, do MDB, foi lançado como</p><p>candidato da “oposição” com o objetivo de denunciar a artificialidade do processo eleitoral.</p><p>A eleição foi definida por um Colégio Eleitoral e não pelo Congresso Nacional. Geisel</p><p>assumiu em 15 de março de 1974. A chegada de Geisel, em 1974, à Presidência significou uma</p><p>vitória dos militares moderados sobre a chamada “linha dura” do regime – cujos maiores</p><p>representantes foram os generais Médici e Costa e Silva, que governaram anteriormente.</p><p>A ala moderada dos militares entendia que as Forças Armadas no poder haviam direcionado boa</p><p>parte das instituições para uma lógica violenta, situação que prejudicava a própria hierarquia</p><p>militar e a saúde da administração pública19.</p><p>Além dessa percepção, a crise econômica causada pelo “fim do milagre econômico”</p><p>contribuiu para arranhar a legitimidade da Ditadura Militar, tal como vimos na aula anterior.</p><p>Assim, naquele ano, Geisel anunciou o início de uma longa transição política rumo ao</p><p>restabelecimento de governos civis. Esse processo, também conhecido como descompressão do</p><p>sistema político, ou simplesmente, transição de regime político, deveria ser administrado pelos</p><p>próprios militares. Vejamos os aspectos econômicos e políticos que marcaram o governo de Geisel</p><p>e esse processo de transição de regime político.</p><p>4.1. ASPECTOS ECONÔMICOS</p><p>❖ Veja alguns dados sore a crise econômica que marca o fim do “Milagre Econômico”.</p><p>19 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2018,</p><p>p. 467, p. 468.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>27</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Assim, do ponto de vista econômico, o Presidente Geisel teve pouca margem de manobra,</p><p>pois o modelo do “Milagre Econômico” já dava sinais de esgotamento. Porém,</p><p>De meados da década de 60 até o final da de 70 do século passado, o Brasil ascendeu</p><p>rapidamente na escala global de distribuição de poder econômico relativo, e, com isso,</p><p>suas ambições e seu padrão de relacionamento com a economia mundial mudaram.</p><p>Essas transformações, que ocorreram de forma mais complexa durante a presidência</p><p>de Ernesto Geisel (1974-1979), inserem-se em um contexto de declínio relativo dos EUA</p><p>e de distensão da Guerra Fria, os quais proporcionaram as condições para a adoção de</p><p>uma política econômica externa cuja tônica era a diversificação de parcerias sob o signo</p><p>da promoção do desenvolvimento econômico20.</p><p>20 CUNHA, Raphael Coutinho da. FARIAS, Rogério de Souza. As relações econômicas internacionais do</p><p>governo Geisel (1974-1979). In: Revista Brasileira de Política Internacional, Brasília: IBRI, jul.-</p><p>dez./2011, p. 46.</p><p>Crise</p><p>econômica</p><p>Choque do</p><p>petróleo</p><p>crise mundial</p><p>do petróleo</p><p>Esgotamento</p><p>da</p><p>infaestrutura</p><p>energética</p><p>transporte</p><p>comunicação</p><p>ANO CRESCIMENTO DO PIB IGPC (ATUAL</p><p>IPCA)</p><p>1973 13,97% 14,66%</p><p>1974 8,15% 23,44%</p><p>1975 5,17% 30,81%</p><p>1976 10,26% 39,31%</p><p>1977 4,93% 43,06%</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>28</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Dessa forma, a principal medida de Geisel foi nas relações exteriores. Como a dependência</p><p>das relações com os Estados Unidos não estava mais ajudando a economia interna, iniciaram-se</p><p>relações bilaterais com países fora do eixo norte-americano, ou, fora do Bloco Capitalista.</p><p>A razão desses acordos era simples: como havia uma crise de fornecimento de petróleo era</p><p>preciso buscar acordos bilaterais com países que pudessem fornecer petróleo e/ou gás natural.</p><p>Outros dois países procurados foram Alemanha Ocidental e Japão. A diplomacia de Geisel</p><p>também o levou a estabelecer relações com a China comunista.</p><p>Repare que essas iniciativas de Geisel fugiram da lógica predominante no mundo determinada</p><p>pelos conflitos da Guerra</p><p>Fria (capitalismo x comunismo). Por isso, costuma-se dizer que a Política</p><p>Externa de Geisel foi pragmática, ou seja, respondia às necessidades do país, independentemente</p><p>de questões ideológicas.</p><p>Em 1974, o Governo Geisel também lançou o II Plano Nacional de Desenvolvimento – PND,</p><p>cujo centro foi a ampliação das indústrias de bens de produção (aço, cobre, energia elétrica). De</p><p>certa forma, ao fomentar a expansão das industriais nacionais, Geisel reeditou o</p><p>desenvolvimentismo nacional.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>29</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Para responder à falta de petróleo, usinas hidrelétricas foram construídas: Tucuruí (no rio</p><p>Tocantis); Itaipu (no rio Paraná). Da mesma forma, programas alternativos de energia foram</p><p>desenvolvidos. Os dois mais importantes foram:</p><p>Programa Nacional do Álcool (Proálcool), de 1975. Respondia à falta de gasolina e</p><p>ao preço elevado do petróleo.</p><p>Programa Nuclear Brasileiro: a partir de acordo com a Alemanha Ocidental o Brasil</p><p>adquiriu tecnologia para construir as usinas nucleares de Angra dos Reis.</p><p>Da mesma forma que nas décadas anteriores, para colocar em práticas esse</p><p>desenvolvimentismo, foi preciso buscar financiamento externo, fato que aumentou o</p><p>endividamento do Brasil.</p><p>Para piorar a situação, em 1979 uma nova crise do petróleo elevou o preço dos derivados</p><p>(gasolina, querosene, etc.) a cifras exorbitantes. Quase metade das receitas adquiridas com as</p><p>exportações eram utilizadas para pagar o petróleo importado.</p><p>No final da década de 1970, com as crises do petróleo, o Governo estimulou buscas por este</p><p>recurso na Bacia de Campos, no mar do Rio de Janeiro. Aos poucos, a Petrobras passou a explorar</p><p>e a produzir petróleo a partir das operações de plataformas marítimas.</p><p>4.2. ASPECTOS POLÍTICOS</p><p>Então, nesse cenário, em 1974, ocorreram eleições parlamentares para o Senado e Câmara</p><p>dos Deputados bem como para as Assembleias Estaduais. Para a surpresa do Governo, algo</p><p>inesperado aconteceu: o MDB (oposição) alcançou um imenso resultado eleitoral. Veja os</p><p>números:</p><p>➢ Para o Senado: ganhou em 16 de 21 Estados.</p><p>➢ Para Deputados elegeu 160 deputados aumentando sua proporção na Câmara a</p><p>ponto de impedir qualquer alteração constitucional.</p><p>➢ Nos estados, fez a maioria das cadeiras nas principais cidades do país.</p><p>Isso fez com que o MDB tenha se tornado maioria em boa parte das Casas Legislativas nos</p><p>estados e municípios.</p><p>Agora atente-se: a ala pró-redemocratização era minoria entre os militares e a tônica junto</p><p>aos opositores na sociedade continuou sendo as restrições democráticas e a repressão. Isso gerou</p><p>muitos embates internos que, de certa maneira, criavam obstáculos para o avanço da politica de</p><p>redemocratização.</p><p>No que diz respeito às restrições democráticas, em resposta à vitória do MDB nas eleições,</p><p>foi editada a Lei Falcão (1976), que restringia as futuras campanhas eleitorais no rádio à</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>30</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>apresentação de um resumo da biografia do candidato, sem posições políticas ou apresentação</p><p>de propostas.</p><p>Em 1977 Geisel fechou o Congresso novamente e o reabriu depois de estabelecer que 1/3 dos</p><p>Senadores seriam eleitos indiretamente, os chamados Senadores Biônicos. Repare que a abertura</p><p>de Geisel era muito lenta mesmo tanto que ele avançava e retrocedia.</p><p>Quanto à repressão, em outubro de 1975, o jornalista Vladimir Herzog foi preso, torturado</p><p>e morto nas dependências do DOI-CODI. Essa morte teve repercussão internacional e ampliou a</p><p>crise entre os militares moderados e radicais.</p><p>21</p><p>Com o crescimento das denúncias das torturas, mortes e</p><p>desaparecimentos das pessoas, Geisel iniciou um movimento de</p><p>afastar dos cargos de comando os militares mais violentos, como</p><p>o General do II Exército, responsável pelo DOI-CODI. Em 1977,</p><p>Geisel chegou a exonerar do cargo de Ministro da Guerra General Silvio Frota, vinculado à ala</p><p>mais “linha dura”.</p><p>Diante desse contexto de desgaste econômico e revés eleitoral, surgiu a necessidade de</p><p>se garantir uma transição de regime controlada pelo alto22, sintetizada na expressão:</p><p>Abertura lenta, gradual e segura.</p><p>Iniciada em 1975, a ideia de controlar a abertura democrática era para manter a oposição</p><p>longe do Poder Executivo, ou seja, constituir um governo civil aliado dos governos militares. Além</p><p>disso, também havia a preocupação de manter o apoio ao regime militar na massa da população.</p><p>Mas houve elementos não previstos nesse processo e isso gerou contradições, avanços e</p><p>retrocessos na abertura política, que se revelaram nas diversas medidas do governo.</p><p>21 Disponível em: https://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/fotografo-do-corpo-de-herzog-</p><p>nao-reconhece-o-doi-codi/. Acesso em: 25/07/2019.</p><p>22 REIS, Daniel Araão. A vida Política. In: História do Brasil Nação: 1808-2010. Volume 5 - Modernização,</p><p>ditadura e democracia (1964-2010). Rio de Janeiro: Ed. Objetiva, 2014, p. 96.</p><p>A foto foi anexada a documentos oficiais, com o</p><p>objetivo de provar que o jornalista havia cometido</p><p>suicídio. O efeito, porém, foi inverso: a foto virou um</p><p>instrumento de denúncia das torturas.</p><p>https://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/fotografo-do-corpo-de-herzog-nao-reconhece-o-doi-codi/</p><p>https://politica.estadao.com.br/blogs/roldao-arruda/fotografo-do-corpo-de-herzog-nao-reconhece-o-doi-codi/</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>31</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Repare na contradição:</p><p>Ao mesmo tempo em que o Governo Militar revogou todos os Atos Institucionais,</p><p>permitindo, por exemplo, a volta do pluripartidarismo, também criou medidas</p><p>autoritários – como o Pacote de Abril de 1977. Isso não deixava explícito se, de</p><p>fato, os militares queriam a volta da democracia. Essa noção de idas e vindas</p><p>caracterizou as relações políticas no final dos anos 1970 e o início do 80.</p><p>Fique com isso em mente para seguir as próximas páginas da aula.</p><p>Alguns historiadores afirmam que essa ambiguidade dos militares também pode ter</p><p>ocorrido em função de disputas nas próprias Forças Armadas. Como estamos vendo,</p><p>diferentemente da ala moderada, o setor linha dura não aceitava a abertura política para a</p><p>democracia. Dessa forma, a tensão entre a ala moderada e a ala linha dura interferiu nos</p><p>desdobramentos da abertura “lenta, gradual e segura”.</p><p>Por essa razão, podemos compreender os Governos Geisel (1974-1979) e Figueiredo (1979-</p><p>1985) como um momento de ambiguidades e contradições: ora sinalizavam para a distensão</p><p>política, ora estabeleciam medidas autoritárias.</p><p> Articula comigo:</p><p>Vejamos, então, medidas de cunho autoritário do Governo Geisel que contradiziam a</p><p>proposta de abertura política:</p><p>Cassação de parlamentares do MDB, sob a ameaça de serem “agentes do</p><p>comunismo” (fevereiro de 1977).</p><p>Sob o pretexto de que o MDB estava obstando o projeto de Reforma do Poder</p><p>Judiciário, Geisel, no dia 1 de abril de 1977, decretou o fechamento do Congresso</p><p>e o decretou o “Pacote de Abril de 1977”. E o que estabelecia esse Pacote?</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>32</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>4.3. ASPECTOS SOCIAIS</p><p>As medidas de 1977, somaram-se às práticas autoritárias que respondiam ao crescimento</p><p>da oposição, tanto a oposição no Congresso Nacional, quanto a que se formava, aos poucos, na</p><p>sociedade civil.</p><p>Contudo, ao contrário do que o governo imaginava, a oposição foi intensificada e um amplo</p><p>movimento democrático da sociedade civil emergiu</p><p>Lembre-se de que desde 1973, uma série de prisões, torturas e mortes na sede do DOI-</p><p>CODI estavam sendo denunciadas no Brasil e em diversos países</p><p>por pessoas que tinham sido</p><p>banidas do país. Isso fez acender um movimento democrático e pacífico capaz de reunir</p><p>estudantes, profissionais liberais, mães de classes médias e abastadas, sindicatos (com destaque</p><p>para o Sindicato dos Jornalistas), Ordem dos Advogados do Brasil, Confederação Nacional dos</p><p>Bispos do Brasil, MDB. Para você ter uma ideia, os cultos ecumênicos em homenagem ao jornalista</p><p>assassinado Vladimir Herzog (em 1978, assunto tratado na aula passada), além de reunirem</p><p>diferentes religiões, mobilizaram milhares de pessoas.</p><p>ampliação do mandato presidencial de cinco para seis anos.</p><p>alteração do quorum de 2/3 para maioria simples para a votação de emendas constitucionais pelo</p><p>Congresso;</p><p>extensão às eleições estaduais e federais da Lei Falcão, que restringia a propaganda eleitoral no</p><p>rádio e na televisão e fora criada para garantir a vitória governista nas eleições municipais de</p><p>1976;</p><p>criação da eleição indireta para 1/3 dos Senadores, os chamados “biônicos”;</p><p>alteração na composição do Colégio Eleitoral (fortalecimento da Arena e isolamento do MDB);</p><p>adiamento das eleições diretas para Governadores, que ocorreria em 1978, para 1982 e de forma</p><p>indireta;</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>33</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>Veja que as Igrejas tiveram papel fundamental para aglutinar as pessoas. Uma das</p><p>referências desse período foram as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), da Igreja</p><p>católica. As CEBs reuniam pessoas nas periferias para discutir problemas sociais, como</p><p>a carestia de vida, o desemprego, a falta de creches para as mães trabalhadoras, saúde</p><p>da mulher, entre outros temas. As CEBs foram inspiradas na Teologia da Libertação, ou</p><p>seja, tudo a ver com a luta por liberdades democráticas daquele período.</p><p>Essa mobilização, “por baixo” das instituições da Ditadura, fez com que os planos da</p><p>transição não saíssem tão controlados quanto queriam os militares. Assim, a luta por “liberdades</p><p>democráticas”, de meados da década de 1970, ajudou a confrontar as saídas mais autoritárias e</p><p>lentas defendidas pelos militares.</p><p>Em 1978, os Generais Golbery do Couto e Silva e Petrônio Portella, ambos da ala</p><p>moderada, realizaram alguns encontros com organizações da sociedade civil:</p><p>Conferência Nacional dos Bispos (CNBB);</p><p>Associação Brasileira de Imprensa (ABI);</p><p>Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).</p><p>Nesses encontros discutiam-se o futuro processo de transição para a democracia. Repare</p><p>que esse tipo de iniciativa dos militares junto a entidades da sociedade civil contribuiu para ideia</p><p>de “transição tutelada”.</p><p>Em um desses encontros, Geisel chegou a perguntar ao Presidente da OAB o que ele queria do</p><p>seu governo. Em resposta, Raimundo Faoro, então Presidente da entidade, respondeu: “Quero</p><p>muito pouco, sr. Presidente: apenas a restauração do habeas corpus, a extinção dos atos</p><p>institucionais e o fim das torturas nos desvãos do DOI-CODI”23.</p><p>Com essa pressão, em 1978, Geisel promulgou uma Emenda Constitucional que revogou</p><p>alguns Atos Institucionais, como o de nº 5 (o AI-5). Ou seja, uma ação no sentido de diminuir a</p><p>tensão autoritária. Um grande passo no sentido ACABAR COM AS PERSEGUIÇÕES POLÍTICAS À</p><p>OPOSIÇAO, inclusive com o reestabelecimento do habeas corpus.</p><p>23 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2018,</p><p>p. 476.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>34</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>De acordo com as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling, outros movimentos</p><p>de minoria política ajudaram a ampliar a luta democrática24. Exemplo: Movimento</p><p>Negro Unificado, Centro da Mulher Brasileira, Somos: grupo de afirmação</p><p>homossexual. São os chamados Novos Movimentos Sociais.</p><p>São chamados de novos não apenas porque surgiram nesse contexto, mas também</p><p>porque atuavam de maneira diferente de um sindicato ou partido político. Além disso</p><p>mobilizavam temas e reivindicações que são específicas de cada “grupo de identidade”. Por</p><p>exemplo, as mulheres se mobilizam contra a violência que todas as mulheres sofrem</p><p>independentemente se a mulher era rica ou pobre.</p><p>Além disso, muitos desses movimentos criaram pequenos periódicos. O jornal Pasquim, dedicado</p><p>a misturar humor e crítica social, foi um dos mais famosos da virada de 1970/1980. As mulheres</p><p>lançaram dois: Nós, Mulheres e Brasil Mulheres.</p><p>Alguns empresários também se posicionaram. Como o “Manifesto dos 8” empresários em defesa</p><p>da democracia assinado por:</p><p>1.Antônio Ermínio de Moraes (Grupo Votorantim)</p><p>2.Jorge Gerdau (Grupo Gerdau)</p><p>3.Paulo Villares (Indústrias Villares S.A.)</p><p>4.Severo Gomes (Cobertores Parahyba)</p><p>5.Laerte Setúbal Filho (Itaúsa)</p><p>6.José Mindlin (Metal Leve)</p><p>7.Claudio Bardella (Bardella Indústrias Mecânicas S.A.)</p><p>8.Paulo Vellinho (Grupo Springer-Admiral)</p><p>Fiz questão de ressaltar as diferentes manifestações da sociedade civil para te prevenir de</p><p>uma possível pergunta de prova que cobre um conhecimento mais profundo. Isto é, a ideia de</p><p>que a abertura controlada deve ser relativizada a partir da movimentação de todas as forças</p><p>políticas, e não só da intenção inicial dos militares. OK? Veja o que nos diz o historiador Boris</p><p>Fausto:</p><p>Se é certo que o processo de abertura, no Brasil, durante os governos Geisel e</p><p>Figueiredo, foi impulsionado, no primeiro momento, pelas contradições do aparelho</p><p>militar, não devemos ignorar o papel exercido pela oposição e pelas associações</p><p>tradicionais na defesa das liberdades democráticas. Com uma visão mais ampla e,</p><p>24 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2018,</p><p>p. 474.</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>35</p><p>282</p><p>AULA 18: HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>portanto, menos conjuntural, convém lembrar também as transformações da sociedade</p><p>e das formas de organização gestadas no curso do governo militar.25 (grifos nossos)</p><p>Bem, de toda forma, a noção geral do zigue-zague, avanços e retrocessos, da abertura</p><p>política permanece, certo?</p><p>5. 1979-1985: O GOVERNO DE JOÃO FIGUEIREDO – TRANSIÇÃO</p><p>PARA A DEMOCRACIA</p><p>Após o Presidente Geisel, o Colégio Eleitoral elegeu o General Figueiredo para ocupar o</p><p>cargo de Presidente.</p><p>Duas chapas disputaram o pleito:</p><p>Arena: laçou o General João B. Figueiredo para Presidente e o civil Aureliano Chaves</p><p>para Vice.</p><p>MDB: lançou o General Euler Bentes Monteiro para Presidente e o civil Paulo</p><p>Brossard para Vice.</p><p>General Figueiredo General Euler</p><p>335 votos 266 votos</p><p>O primeiro grande assunto do início do Governo Figueiredo, em 15 de março de 1979, bem</p><p>como ao longo de seu mandato, foi o processo de redemocratização do país. O segundo, a</p><p>inflação alta.</p><p>Guarde que a fragilização econômica ocorrida no Brasil após o segundo Choque do</p><p>Petróleo (1979) colocou o país numa grave espiral de desemprego e inflação. Nesse sentido, o</p><p>momento crucial do período teria sido, na avaliação de Bresser Pereira, a virada de 1979 para</p><p>1980, na qual o governo, ao invés de procurar ajustar a economia brasileira aos choques externos,</p><p>apostou em uma nova fase de crescimento econômico que se mostrou “artificial”.</p><p>Segundo Bresser, a decisão governamental de estimular o crescimento da economia nesse</p><p>momento, acompanhada de uma política cambial equivocada, “tiveram efeito catastróficos”.</p><p>A inflação descontrolada acabou por tornar-se o símbolo maior da crise econômica do</p><p>período, sendo o centro de praticamente todos os debates político-econômicos até o final da década</p><p>de 1980.</p><p>25 Bóris Fausto; Fernando J. Devoto. Brasil e Argentina: um ensaio de história comparada</p><p>(1850-2002). São Paulo: Ed. 34, 2004, p. 454-5)</p><p>Profe Alê Lopes</p><p>Estratégia Vestibulares – Aula 21 – HB: Brasil Republicano 1964-2010</p><p>36</p><p>282</p>