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Aula 05
CNU (Bloco Temático 8 - Nível
Intermediário) Realidade Brasileira (Item
1) - 2024 (Pós-Edital)
Autor:
Alessandra Lopes
29 de Fevereiro de 2024
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SUMÁRIO
Introdução ........................................................................................................................................................ 2
1. O longo processo para a Redemocratização ......................................................................................... 2
1.1 1979-1985: O Governo de João Figueiredo – transição para a democracia ............................ 2
1.2. A Campanha das Diretas Já ............................................................................................................... 6
1.3 Eleições de 1985: os Civis voltam ao Poder .................................................................................. 11
1.4 O Governo de José Sarney (1985 a 15 de março 1989) .............................................................. 15
A busca pela estabilidade econômica no Governo Sarney ............................................................ 16
1.5 A Constituição Federal de 1988, o ponto final da transição ...................................................... 18
2. A Constituição de 1988 e o caminho para a consolidação da democracia .................................... 27
2.1 Democracia e Cidadania ................................................................................................................... 30
3. A busca pela estabilidade econômica nos governos Collor, Itamar Franco e FHC ...................... 33
3.1. As eleições de 1989 .......................................................................................................................... 34
3.2. O Governo Collor 1990-1992 .......................................................................................................... 39
3.3. Governo do Itamar Franco 1992-1994 ........................................................................................... 44
Eleições de 1994.................................................................................................................................... 47
3.4 Os Governos de Fernando Henrique Cardoso: 1995-2002 ......................................................... 48
Lista de questões sem comentários ........................................................................................................... 54
Gabarito .......................................................................................................................................................... 74
Lista de Questões com comentários .......................................................................................................... 75
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INTRODUÇÃO
Meus caros amigos e amigas, devemos olhar para o assunto desta aula da seguinte maneira: existiu um
projeto de democratização do Brasil, na década de 1980, que teve como resultado a Constituição de 1988.
Esta se constituiu, sociologicamente falando, como um princípio e um projeto de democracia participativa.
No entanto, a realidade nos mostrou (e mostra) que existem inúmeros obstáculos para a implementação
deste projeto.
Nossa missão, ao estudar o tópico correspondente do Edital, então, é compreender histórica, teórica e
conceitualmente o sentido da CF/88 para a construção e a consolidação da democracia, especificamente, a
democracia participativa e cotejar esse conhecimento com uma análise crítica dos obstáculos que geram
desafios. Entendido?
Como sempre, quando inicio um curso de política (sim, esse tema é Ciência Política puraaaaaaa), alerto:
nossas preferências pessoais, políticas e partidárias não importam. A banca NUNCA vai perguntar a sua
opinião. Não caia nessa cilada. Aprenda, treine, gabarite e seja feliz, ok?!
1. O LONGO PROCESSO PARA A REDEMOCRATIZAÇÃO
A partir de meados da década de 1970, iniciou-se um processo que chamamos de “distensão do regime” (do
Regime Militar referente à Ditadura Civil-Militar iniciada em 1964), ou seja, a abertura do regime em direção
à transição para a democracia. Foi um longo processo composto por várias fases e múltiplos processos.
Diante desse contexto, vamos desenvolver os assuntos nesta perspectiva. Fique atento e não se perca, ok?
1.1 1979-1985: O Governo de João Figueiredo – transição para a
democracia
Após o Presidente General Ernesto Geisel, o Colégio Eleitoral elegeu o General Figueiredo para ocupar o
cargo de Presidente.
Duas chapas disputaram o pleito:
Arena: laçou o General João B. Figueiredo para Presidente e o civil Aureliano Chaves para Vice.
MDB: lançou o General Euler Bentes Monteiro para Presidente e o civil Paulo Brossard para Vice.
General Figueiredo General Euler
335 votos 266 votos
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Foram dois grandes assuntos que o Governo Figueiredo, iniciado em 15 de março de 1979, precisou
enfrentar:
I. Redemocratização do país;
II. A inflação alta.
Guarde que a fragilização econômica ocorrida no Brasil após o segundo Choque do Petróleo (1979) colocou
o país numa grave espiral de desemprego e inflação. Nesse sentido, o momento crucial do período teria
sido, na avaliação de Bresser Pereira, a virada de 1979 para 1980, na qual o governo, ao invés de procurar
ajustar a economia brasileira aos choques externos, apostou em uma nova fase de crescimento econômico
que se mostrou “artificial”.
Segundo Bresser, a decisão governamental de estimular o crescimento da economia nesse momento,
acompanhada de uma política cambial equivocada, “tiveram efeitos catastróficos”.
A inflação descontrolada acabou por tornar-se o símbolo maior da crise econômica do período, sendo o
centro de praticamente todos os debates político-econômicos até o final da década de 1980.
No fim do Governo Figueiredo, em 1985, a inflação superava a marca dos 110% anuais. Outro ponto
negativo na economia foi o crescimento da dívida externa, a qual, a essa altura, era paga com outros
empréstimos no exterior.
Nesse cenário, com o fim do AI-5 e com o Regime desgastado por conta da situação
econômica, diversos setores da sociedade começaram a se manifestar, para além do jogo
Arena versus MDB, que havia no Congresso Nacional: empresários, Igreja Católica,
sindicatos, estudantes, entidades culturais e artísticas e a imprensa passaram a pressionar
pela redemocratização.
Dentre essas forças sociais, destacaram-se as greves sindicais dos trabalhadores contra o arrocho salarial
(os baixos salários). No ano de 1979, em todo o país, mais de 3 milhões de trabalhadores fizeram greves, fato
que, além de expressar uma causa econômica, também se transformou em causa política, pois havia
restrições à liberdade de expressão e de manifestação.
Diante da pressão por redemocratização do país, o Governo Figueiredo, então, apresentou o primeiro ato
no sentido da redemocratização política: a Lei da Anistia. Esta foi uma importante transformação
institucional na República daquele momento.
Lei da Anistia,
de 1979
Ampla e irrestrita, ou seja,
valeu para"todo mundo": a
oposição ao regime militar e
os militares que torturaram
foram anistiados.
Presos políticos foram
soltos; exilados puderam
voltar ao país; devolução
dos direitos poíticos; e, os
militares acusados de
práticas de torturas e
assassintos foram
perdoados.
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Em novembro de 1979, mais uma iniciativa no sentido da redemocratização, o fim do bipartidarismo e o
reestabelecimento do pluripartidarismo por meio da promulgação da Lei Orgânica dos Partidos Políticos. A
Arena e o MDB foram dissolvidos e, logo em seguida, de forma independente e autônoma do Estado, foram
criados 6 novos partidos:
Partido Democrático Social (PDS): sucessor da Arena.
Partido Popular (PP): formado por dissidentes da Arena.
Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB): sucessor do MDB.
Partido Trabalhista Brasileiro (PTB): resgatado e fundado pela sobrinha de Getúlio Vargas.
Partido Democrático Trabalhista (PDT): fundado por Leonel Brizola, considerava-se o legítimo
sucessor do trabalhismo dos anos 1930, 1940, 1950 e 1960.
Partido dos Trabalhadores (PT): fundado por sindicalistas, ativistas de movimentos sociais e por
intelectuais brasileiros.
Em 1982, ocorreram as eleições para Governador dos Estados. As oposições conseguiram eleger um número
expressivo de Governadores, fato que ampliou a campanha por eleições diretas para Presidente da
República.
Guarde, então, que o governo do General João Figueiredo deu passos decisivos no processo de
redemocratização:
Sobre isso, vamos fazer um fio da meada e revisar um aspecto:
Sobre a lei de Anistia, de 1979 é importante ressaltar que houve uma grande mobilização popular
que reuniu diversas classes sociais, organizações da sociedade civil, entidades profissionais (como a
OAB), a Igreja Católica, artistas e muitas lideranças partidárias progressistas. Em diversos Estados
brasileiros foram organizados os chamados Comitês Brasileira pela Anistia (CBA’s).
No Congresso Nacional formou-se uma Comissão Especial para analisar a questão da Anistia. Ela foi presidida
por Teotônio Vilela, ex-arenista. Dissidente da Arena, o senador alagoano Teotônio Vilela foi um dos políticos
que liderou a campanha pela anistia. Em julho de 1979 iniciou-se uma onda de visitas de Teotônio Vilela -
acompanhado por diversas personalidades populares do mundo político e artístico - a presos políticos.
Naquele momento, muitos presos realizavam uma greve de fome para pressionar o governo por uma Anistia
Ampla, Geral e Irrestrita.
a lei da anistia em 1979;
lei orgânica dos partidos, restabelecendo o pluripartidarismo.
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Havia uma disputa entre duas propostas, uma da sociedade e outra do Governo, RESPECTIVAMENTE:
A conclusão dessas ações no Governo de Figueiredo é de que houve uma organização mais plural da vida
política no país, de modo que a vida político-partidária pudesse ser reorientada a partir de pressupostos
democráticos. Isso porque os embates entre diferentes visões de mundo voltaram a ser permitido.
(Inédita/2024/profe. Alê Lopes)
Diante dos sinais de esgotamento do “milagre econômico” e da ditadura civil-militar, o governo
Ernesto Geisel iniciou o projeto de abertura “lenta, gradual e segura”, visando à transição para
o regime democrático. Foi parte desse processo estimulado pelo governo militar, com
destaque para uma medida sob o governo de João Figueiredo:
a) a Lei de Anistia aos presos políticos.
b) a Emenda Dante de Oliveira, para eleições diretas para presidente da república.
c) a manutenção das liberdades políticas por meio do bipartidarismo.
d) o Pacto de Abril, que permitiu Senadores de oposição.
e) a criação da Comissão da Verdade para apurar abusos cometidos por agentes do Estado.
Comentários
a) correto, pois, em 1979, após pressão de diversos setores sociais, da imprensa, da Igreja
Católica, de empresários, o governo militar apresentou uma proposta de anistiar presos
políticos e aprovou a lei da anistia, a qual abarcou presos políticos de oposição à ditadura e
presos políticos das forças armadas.
b) falso, pois a Emenda Dante não foi uma iniciativa induzida pelo governo militar, mas por um
parlamentar de oposição que, em 1983, apresentou uma proposta para que as eleições de
1- Ampla Geral e
Irrestrita
2- Com restrições
para quem tinha
cometido "crimes
de sangue"
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1985 fosse diretas. Ou seja, para que em 1985 o povo pudesse votar para presidente da
república. Por isso, a campanha ficou conhecida como Diretas Já!.
c) falso, pois não havia liberdades políticas, muito menos sob um sistema bipartidário, o qual
era controlado pelo governo militar. Além disso, em 1979, o pluripartidarismo retorna, foi o
fim do bipartidarismo.
d) falso, pois o Pacote de Abril (1977) estabeleceu medidas autoritárias, como o fechamento
do Congresso Nacional. Com efeito, as medidas deste Pacote alteraram as regras para as
eleições de 1978 e foram consideradas um retrocesso ao processo de abertura política iniciada
pelo mesmo presidente.
e) falso, pois esta Comissão somente foi criada em 2011.
Gabarito: A
1.2. A Campanha das Diretas Já
No início da década de 1980, diversas forças políticas da sociedade civil pressionavam pela aceleração da
redemocratização do país:
Recorde que o Pacote de Abril de Geisel determinava que a eleição para Governadores de 1982 deveria ser
realizada de forma indireta. Contudo, devido ao nível de pressão por mais democracia, elas acabaram
sendo de forma direta, ou seja, os cidadãos votaram para Governador!!
A oposição ao Regime Militar, MDB, ganhou em dez Estados – e nos mais populosos,
sobretudo, em São Paulo, Minas Gerais e Rio de janeiro.
Juntamente com as eleições para Governador, ocorreram outras eleições nas instâncias municipal, estadual
e federal. Foram renovadas todas as Câmaras de Vereadores, as Assembleias Legislativas estaduais, a Câmara
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dos Deputados, um terço do Senado e foram eleitos os prefeitos municipais em todo o interior do país, à
exceção das chamadas “áreas de segurança”, como a cidade de Santos, no Estado de São Paulo.
Em suma, pela primeira vez desde 1965, seriam eleitos pelo voto popular direto diversos
cargos para mandato eletivo. Menos para...... Presidente da República
Neste clima de eleições, somada à efervescência do começo dos anos 1980, as lideranças políticas da
oposição aproveitaram para lançar uma campanha por eleições diretas para Presidente da República. Esse
movimento começou com a apresentação de uma emenda constitucional para reestabelecer as eleições
diretas para o Poder Executivo Federal.
Em março de 1983, o Deputado Dante de Oliveira (PMDB do Mato Grosso), eleitos em
1982, apresentou a proposta de Emenda à Constituição de 1967, a que estava vigente no
Brasil. Se aprovada, essa alteração provocaria o fim do Colégio Eleitoral, um dos órgãos
de controle dos processos políticos utilizada pelo Regime Militar e que era responsável
por escolher o Presidente da República. Isso porque, essa Proposta de Emenda à
Constituição Brasileira (PEC nº05/1983) determinava o restabelecimento das eleições
diretas para a Presidência da República para eleger, já em 1985, o sucessor do então
Presidente general João Figueiredo. A PEC ficou conhecida como EMENDA DANTE DE
OLIVEIRA ou EMENDAS DAS DIRETAS JÁ!
De janeiro a abril de 1984, a campanha pela aprovação da Emenda Dante reuniu milhares
de pessoas em comícios, praças, palestras em diferentes cidades do Brasil, aulas públicas
em Universidade. O mote da Campanha era: “Eu quero votar pra Presidente!”
Essas manifestações populares estão entre as maioresda história até então. Confira algumas imagens1:
1 Disponível em: http://memorialdademocracia.com.br/card/diretas-ja. Acesso em: 08/08/2019.
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O último e maior comício por Diretas-Já reuniu mais de 1,5 milhão no vale do Anhangabaú, centro de São
Paulo (e isso em um contexto em que não havia redes sociais, hein!!)
Mais de 1 milhão de
pessoas se reúne na
Candelária, no Rio de
Janeiro, pedindo Diretas-
Já, em 10 de abril de
1984. Até então, esse
evento foi considerado a
maior manifestação de
rua da história do país.
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Na foto abaixo, de um lado, Ulysses Guimarães (do PMDB) e Leonel Brizola (do PDT e
Governador do Rio de Janeiro) foram as personalidades do meio político que mais se
destacaram nesta campanha das Diretas Já! Ulysses, por exemplo, recebeu o título informal
de Senhor Diretas. Do outro lado, vindo dos movimentos sindical e social, Luiz Inácio Lula
da Silva (do PT) foi outro protagonista dessa campanha.
Já o consagrado narrador esportivo e apresentador de televisão Osmar Santos foi o locutor
oficial dos comícios da campanha das Diretas-Já! Veja Osmar abaixo, ao microfone,
juntamente com Brizola (ao lado direito de Osmar, em primeiro plano), seguido, atrás, de
Ulysses Guimarães e de Lula.
O meio artístico também participou dessa campanha, com
destaque para: Fafá de Belém ("a musa das Diretas"); Chico
Buarque; Milton Nascimento; Fernanda Montenegro;
Christiane Torlon; Gianfrancesco Guarnieri; Dina Sfat; Maitê
Proença; Renata Sorrah; Martinho da Vila; Jards Macalé; o
cartunista Ziraldo; entre outros.
Vale destacar que a grande imprensa, no início da campanha
das Diretas Já! não fez a cobertura dos protestos de rua. A
Rede Globo de Televisão ignorou os primeiros comícios em seus telejornais. O primeiro grande comício de
São Paulo, na praça da Sé, que reuniu mais de 300 mil pessoas, foi apresentado rapidamente, junto com
outros eventos relacionados ao aniversário da cidade, que se comemorava naquele dia, como se fosse
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apenas mais um acontecimento do aniversário de São Paulo, descaracterizando-se o conteúdo político
daquela manifestação.
O espaço mais efetivo na imprensa só aconteceu a partir do grande comício da Candelária, no Rio de Janeiro.
Para você sentir o clima da época e “pegar” a ideia do que foi a campanha das Diretas Já!, deixei uma
reportagem de época lá no meu canal no Youtube. Não deixe de conferir!!! Segue o link:
https://www.youtube.com/watch?v=xlkeZqPpb-U
Aí eu te pergunto, caro e cara aluna: no final das contas a Emenda Dante foi aprovada? O
que você acha?
Hummm!!! Não, não foi aprovada!
Contudo, observe o gráfico a seguir. Ele mostra que a
maioria votou SIM. Mas, apesar disso, não atingiu o
número suficiente de votos na Câmara para mudar a
Constituição. Eram necessários 320 votos para atingir o
quórum de 2/3, conforme regras da época. Ou seja, a
PEC Dante de Oliveira obteve 22 votos a menos do que
o mínimo necessário para ser aprovada.
A favorContra
Ausentes
RESULTADO VOTAÇÃO EMENDA
A favor
Contra
Ausentes
113
298 65
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2O principal articulador para inviabilizar a aprovação da Emenda Dante foi o Deputado paulista Paulo
Maluf (PDS), membro da antiga Arena. Isso porque, Maluf estava de olho na possibilidade de se eleger para
Presidente por meio da eleição indireta, a qual estava prevista para 1985.
Dessa forma, diversos parlamentares do PDS não compareceram à votação para não dar seu voto, mas
também para não cair em descrédito frente à opinião pública, que era favorável ao direito da população de
votar para escolher o Presidente da República.
Apesar dessa derrota, a sociedade brasileira continuou muito ativa e acompanhando mais de perto como
seria a eleição indireta. A sociedade civil organizada continuou seus movimentos de exigência e pressão por
mais direitos democráticos.
Na superestrutura institucional da política nacional, grandes personalidades que tinham liderado a
Campanha pelas Diretas Já, como Ulisses Guimarães, Leonel Brizola, Franco Montoro e Tancredo Neves,
começaram a construir um acordo para a eleição de 1985. Como ela seria indireta, a escolha passaria pelo
Colégio Eleitoral. A ARENA e os militares também entraram nesse processo para fechar uma chapa que
pudesse ser o desfecho de uma transição “lenta, gradual e segura”.
1.3 Eleições de 1985: os Civis voltam ao Poder
No dia 15 de março de 1985, o último general a governar o Brasil, João Figueiredo, recusou-se a
entregar a faixa presidencial ao seu sucessor e a descer solenemente a rampa do Planalto como
previa o cerimonial – escolheu sair do palácio pela porta dos fundos. Menos de dois meses antes,
em janeiro, em uma entrevista para a televisão, ela havia feito um balanço muito pessoal do seu
governo, no qual mandou um recado curto e grosso para os brasileiros: “Quero que me esqueçam”3.
Pois bem, querido e querida aluna, o governo João Figueiredo terminou com o resultado das eleições
indiretas de 1985. Do ponto de vista geral, essa frase do General Figueiredo mostra que existia um clima de
“silêncio e esquecimento” sobre as cenas, os episódios e os acontecimentos mais tristes e violentos da
história brasileira.
Historiadores e especialistas afirmam que o “esquecimento sobre o passado de violências” foi o princípio de
onde se partiram todos os acordos da redemocratização. Até por isso que também há a tese de que a
redemocratização foi uma saída negociada entre militares e uma parte da elite política nacional.
2 Disponível em: http://memorialdademocracia.com.br/card/diretas-ja. Acesso em: 08/08/2019.
3 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, H. M. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras. 2018,
p. 467.
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Tendo esse aspecto mais geral, vejamos os candidatos que disputaram a Presidência do Brasil em 1985:
A estratégia de lançar Tancredo Neves, conhecido por seu espírito
conciliador, resultou em diversas rupturas na base de apoio dos
militares. Um desses rachas foi protagonizado por José Sarney, que fora
membro da ARENA e Presidente do PDS, partido que substituiu a antiga
sigla governista. Sarney aderiu à chapa de Tancredo como Vice-
Presidente. Para tanto, precisou se filiar ao PMDB.
Por um lado, isso mostra que uma parte importante dos conservadores
ex-arenistas articulavam uma saída de transição negociada e com
conciliações - e não de rupturas radicais, como era o modelo do fim da
Ditadura na Argentina, por exemplo.
Por outro lado, depois da derrota da Emenda Dante de Oliveira, os
setores oposicionistas perceberam que precisariam constituir um arco
de alianças maior e mais flexível do ponto de vista ideológico e de
interesses. Do contrário, poderiam sofrer uma derrota igual à da Emenda
Dante.
Assim, o grande desafio da oposição ao Regime Militar era constituir uma articulação política
suficientemente ampla a ponto de isolar os radicais e os extremos mais conservadoresda base de apoio
dos militares. Essa foi o caminho escolhido para reforçar o reestabelecimento de um regime democrático.
Candidatos em 1985
Paulo Maluf (PDS): candidato que
representava o Governo Militar
Tancredo Neves (PMDB): candidato
pela Aliança Democrática, a
oposição ao Regime Militar.
Tancredo Neves
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==1948c5==
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Neste momento, segundo informações do Tribunal Superior Eleitoral (TSE)4 o
Colégio Eleitoral contava com 686 membros, sendo:
- 356 do PDS;
- 330 dos partidos de oposição, entre os quais o PMDB, PDT, PTB e o PT.
Com uma votação acachapante no Colégio Eleitoral, a chapa Neves/Sarney
saiu vencedora com 480 votos, contra 180 dados a Paulo Maluf.
Na véspera de tomar posse, em 14 de março daquele ano, Tancredo, o líder da Aliança Democrática, foi
internado em estado grave, no Hospital de Base de Brasília.
Dessa forma, José Sarney tomou posse como Presidente da República em 15 de março de 1985. 5
Em 21 de Março de 1985 Tancredo Neves morre! Sarney assumiu definitivamente a
Presidência da República.
Ironicamente, atestando o caráter conciliatório e continuísta da transição, um líder da ditadura (ex-ARENA),
embora já dissidente e adaptado à nova realidade política, foi encarregado de presidir o Brasil na última fase
da transição democrática.
4 Eleição de 1985: fidelidade partidária no Colégio Eleitoral. TSE. Disponível em:
http://www.tse.jus.br/jurisprudencia/julgados-historicos/eleicao-de-1985-fidelidade-partidaria-no-colegio-eleitoral.
Acesso em: 10/08/2019.
5 Disponível em: https://www12.senado.leg.br/noticias/materias/2015/03/13/sarney-tancredo-ainda-nao-recebe-
do-pais-o-devido-reconhecimento. Acesso em: 10/08/2019.
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(VUNESP - 2009)
Em 1983 teve início uma campanha que contestava frontalmente a legitimidade das eleições
indiretas: era a campanha das Diretas-já. (...) (...) a campanha ganhou as ruas inicialmente sob
a direção nacional do PMDB, com comícios que, a princípio acanhados, conseguiram reunir em
abril de 1984 mais de 500 mil pessoas na Candelária, Rio de Janeiro, e mais de 1 milhão no
Anhangabaú, em São Paulo. A sociedade se empolgava e entusiasticamente aplaudia a
campanha.
(Francisco de Assis Silva, História do Brasil)
A campanha citada teve, como desfecho, a
(A) reforma política, com a formação de vários partidos para disputar as eleições diretas em
1985.
(B) eleição indireta de Fernando Collor, afastado da presidência da República com o
impeachment.
(C) vitória de Tancredo Neves, candidato de todos os partidos de oposição, na eleição direta
para presidente.
(D) eleição direta de José Sarney, líder do partido governista, para a presidência da República.
(E) rejeição, pelo Congresso, da emenda constitucional favorável à eleição direta para
presidente.
Comentários:
O movimento das Diretas Já foi uma campanha popular que exigiu a eleição direta
para a presidência da República em 1985, após 21 anos de ditadura militar. O
movimento reuniu milhões de pessoas em manifestações nas ruas e foi um dos
principais fatores que pressionaram o governo a abrir o processo de
redemocratização.
(A) Incorreta. A reforma política, com a formação de vários partidos para disputar as
eleições diretas em 1985, foi uma consequência da aprovação da Lei da Anistia, em
1979, e da extinção do bipartidarismo, em 1979.
(B) Incorreta. Fernando Collor foi eleito diretamente para a presidência da República
em 1989, em eleições contra Luis Inácio Lula da Silva.
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(C) Incorreta. Tancredo Neves foi eleito indiretamente para a presidência da República
em 1985, mas não tomou posse devido a problemas de saúde.
(D) Incorreta. José Sarney assumiu o poder após a morte de Tancredo Neves, que
tinha sido eleito indiretamente no Colégio Eleitoral.
(E) Correta. A emenda constitucional favorável à eleição direta para presidente foi
rejeitada pelo Congresso, em 25 de abril de 1984, com 298 votos contra e 115 a favor.
A derrota da emenda foi um momento de frustração para a oposição, mas não foi em
vão, pois contribuiu para o processo de abertura política e para a redemocratização
do país.
Gabarito: E
1.4 O Governo de José Sarney (1985 a 15 de março 1989)
O mandato de José Sarney iniciou-se com a missão de:
✓ controlar a inflação, que em 1985 chegou a 218,24% ao ano.
✓ resolver a crise do endividamento externo, que chegou a 59 bilhões de dólares
e cujos juros absorviam 86% do PIB nacional.
✓ colocar fim aos “entulhos autoritários” – expressão utilizada na época para falar
da ainda vigente Constituição autoritária que organizava a vida brasileira. A
Constituição de 1967.
Apesar da vitória da chapa de oposição ao Regime Militar, as lideranças da
Aliança Democrática não esconderam a decepção de o primeiro Presidente da
Redemocratização ter sido alguém que ofereceu apoio direto aos militares enquanto
ex-membro da Arena.
Desse modo, para se distanciar dessa imagem do passado, logo no início de seu governo, Sarney sinalizou
com as medidas prometidas por Tancredo Neves em torno da consolidação da redemocratização e de
soluções para a crise econômica.
Assim, em maio de 1985, Sarney sanciona as seguintes medidas reformadoras:
Eleições diretas, em dois turnos, para Presidente do país, para prefeituras de capitais e para
municípios considerados, ainda naquele momento, com “área de segurança nacional”;
Maior liberdade para a criação de partidos políticos, fato que favoreceu o retorno de partidos
anteriormente cassados, como o Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a criação de outro
partido comunista, o Partido Comunista do Brasil (PCdoB);
José Sarney
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Direito de voto para os analfabetos. Sarney promulgou a Emenda Constitucional nº 25, de 15
de maio de 1985, segundo a qual os analfabetos passaram a ter o direito de votar, em caráter
facultativo.
A busca pela estabilidade econômica no Governo Sarney
Do ponto de vista econômico, em 28 de fevereiro de 1986, o Governo Sarney decretou feriado bancário e
lançou o Plano Cruzado.
Esse plano contou com as seguintes medidas:
Congelamento dos preços das mercadorias, como alimentos e combustíveis;
Congelamento dos salários, os quais passaram a ser reajustados automaticamente assim que a
inflação chegasse em 20%. Essa medida ficou conhecida como “gatilho salarial”;
O fim da correção monetária.
O fim da moeda Cruzeiro e a criação da nova moeda, o CRUZADO. Veja que pegaram a moeda
Cruzeiro (Cr$) e cortaram três zeros para virar cruzado (Cz$)
Alguém aí lembra dessa nota?
O Plano Cruzado respondeu ao problema da Inflação, o principal ponto sentido pelos brasileiros desde a
década de 1970. Este plano surgiu como uma esperança para a população brasileira que, na época, se
defrontava com uma trajetória ascendente da inflação, que atingiu uma taxa anual de 517% nos meses
de janeiro e fevereiro de 1986, de acordo com o índice geral de preços da Fundação Getúlio Vargas6. Nos
dias atuais – a depender do índice utilizado – ela varia entre 8 e 15%, para que vocês tenham uma ideia.
Também foi criada a "tabela da Sunab", publicada nos jornais e fixada nos supermercados, mostrandoquanto cada coisa deveria custar. É dessa época o surgimento dos “Fiscais do Sarney”, isto é, o povo ia
6 Plano Cruzado. Verbete. FGV-CPDOC. Disponível em: http://www.fgv.br/Cpdoc/Acervo/dicionarios/verbete-
tematico/plano-cruzado. Acesso em10/08/2019.
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para os estabelecimentos comerciais conferir se os preços estavam seguindo as tabelas. Se houvesse
descumprimento da tabela o povo denunciava e o estabelecimento corria o risco de fechar.
Essas medidas de econômicas deram certo no início, pois a população saiu às compras e atuou ativamente
para conter a inflação. Mas, rapidamente, o processo inflacionário voltou e os produtores e comerciante
não queriam fazer negócios sob aquelas condições. O congelamento de preços foi aos poucos sendo
derrubado pelos fabricantes e comerciantes. Eles forçaram o desabastecimento do mercado e os
produtos sumiam das prateleiras. Filas foram sendo formadas para compra de mercadorias essenciais e o
povo foi ficando revoltado com Sarney.
Em meados de 1986 um novo pacote econômico foi anunciado, denominado Plano de Metas, que na
época ficou conhecido como Cruzadinho. Este pacote criou o Fundo Nacional de Desenvolvimento (FND).
O resultado deste pacote foi praticamente nenhum.
Ainda em novembro de 1986, o Governo Sarney lançou outro plano, agora conhecido como Plano Cruzado
II.
Na divulgação do pacote, o Ministério da Fazenda classificou as medidas em 6 categorias:
a) medidas de estímulo à poupança;
b) medidas fiscais com correção de preços;
c) outras medidas fiscais;
d) medidas de estímulo à exportação;
e) medidas de desindexação;
f) medidas de redução da participação do Estado na economia.
O pacote do Plano Cruzado II também aumentou impostos indiretos, reajustou preços de bens e serviços
que estavam completamente defasados, concedeu alguns subsídios para as exportações, e expurgou do
índice da inflação as variações de preços de produtos considerados supérfluos, como cigarros e bebidas.
Contudo, segundo a FGV, o fracasso desta última tentativa de salvar o Plano Cruzado
deveu-se única e exclusivamente ao fato de que as origens do processo inflacionário
brasileiro não terem sido atacadas7.
7 Idem, ibidem.
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No primeiro bimestre de 1987 a taxa anual de inflação já estava em 337%. Mais dois planos econômicos
foram tentados por Sarney, o Plano Bresser (1987) e o Plano Verão (1989).
Conclusão, de um lado, Sarney não conseguiu resolver os problemas econômicos do país, principalmente
a questão da inflação, e o país chegou a uma dívida com credores internacionais na casa dos 107 bilhões
de dólares.
Do ponto de vista político, o principal compromisso de Sarney foi adiante. E qual era esse compromisso?
A convocação de eleições para eleger os parlamentares que iriam escrever uma nova
Constituição da República a partir de uma Assembleia Constituinte!!!
1.5 A Constituição Federal de 1988, o ponto final da transição
Pode-se considerar a Constituição de 1988 como o marco que eliminou os últimos vestígios
formais do regime autoritário, processo de abertura que, iniciado em 1974, levou mais de treze
anos para desembocar em um regime democrático. Por que a transição foi tão longa e quais as
consequências produzidas pela forma como se realizou? Vale lembrar que a estratégia adotada para
a transição foi a de ser “lenta, gradual e segura”. Ela só poderia ser modificada, no seu ritmo e na
sua amplitude, se a oposição tivesse força suficiente para tanto ou se o desgaste do próprio regime
autoritário provocasse seu colapso. Nem uma coisa nem outra aconteceu. Tivemos assim uma longa
“transição transada”, cheia de limites e incertezas8.
De acordo com a análise do professor Boris Fausto, devemos incluir a Constituição Federal de 1988 (CF/1988)
como parte do processo de redemocratização. Com efeito, podemos considerá-la nesses termos, pois a nova
Constituição, ou Carta Magna, teve duas frentes básicas:
Substituir os instrumentos jurídicos criados pela ditadura militar
Conferir amplos direitos aos cidadãos
Repare que, ainda entre 1985 e 1988 vigorava a Constituição de 1967. Como o Brasil
iniciava a reconstrução democrática, muitos dispositivos legais precisavam ser ajustados.
Como diz o professor Marco Antônio Vila, havia uma “parafernália legal autoritária”, pois
os militares tiveram a ambição de legalizar todos os atos de arbítrio.
8 FAUSTO, Boris. História do Brasil. São Paulo: Editora da Universidade de São Paulo, 2008, p. 526.
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Por esse motivo, Sarney enviou ao Congresso Nacional a proposta de convocação de Assembleia Nacional
Constituinte.
A Assembleia Nacional Constituinte foi instalada em 1ª de fevereiro de 1987 e foi composta por membros
eleitos em novembro de 1986. Esses membros eram os próprios parlamentares da Câmara dos Deputados e
do Senado Federal.
Os trabalhos da Assembleia Nacional Constituinte duraram cerca de 20 meses e contou com debates, grupos
de trabalho, comissões, muitas polêmicas e ampla participação da popular.
Sobre a participação popular, destaco que muitas pessoas iam a Brasília para levar suas
propostas de emendas, principalmente os movimentos sociais. Dá uma conferida nas
fotos desse momento de apresentação de emendas populares9.
9 Para todas as 5 imagens a referência é:
http://www.senado.leg.br/noticias/especiais/constituicao25anos/exposicao-senado-galeria/participacao-popular.htm.
Acesso em 18/09/2019.
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Veja que a sociedade civil participou ativamente, afinal, tratou-se de um momento de
efervescência democrática no país e todo mundo queria participar da nova Constituição.
Ulisses Guimarães, que foi o parlamentar que
Presidiu a sessão que promulgou a Constituição,
chegou a dizer o seguinte sobre a participação
popular em seu discurso no dia 5 de outubro de
1988:
“Há, portanto, representativo e oxigenado
sopro de gente, de rua, de praça, de favela, de
fábrica, de trabalhadores, de cozinheiros, de
menores carentes, de índios, de posseiros, de
empresários, de estudantes, de aposentados, de
servidores civis e militares, atestando a
contemporaneidade e autenticidade social
do texto que ora passa a vigorar. (...)”10
Dos Princípios Fundamentais, CF/1988
Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e
Municípios e do Distrito Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como
fundamentos:7
I — a soberania;
II — a cidadania;
10 Exposição no Senado Federal destaca a Participação Popular. Jornal da Constituinte. Brasília, de 29 de
outubro a 8 de novembro de 2013.
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III — a dignidade da pessoa humana;30
IV — os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V — o pluralismo político.
Parágrafo único - Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes
eleitos ou diretamente, nos termos destaConstituição.
De uma maneira geral, a nova Carta Constitucional, estabeleceu, dentre outras questões:
Eleições diretas, em dois turnos, para Presidente do país, governadores e prefeituras de cidades com
mais de 200 mil eleitores;
Voto facultativo para jovens entre 16 e 18 anos e para pessoas com mais de 70 anos;
Reafirmação do direito de voto aos analfabetos (facultativo), porém, os analfabetos são inelegíveis,
isto é, não podem se candidatar.
A Medida Provisória como instrumento do Poder Executivo, com força de lei, para casos de relevância
e urgência, tal como preceitos constitucionais;
Projeto de lei de iniciativa popular;
Igualdade jurídica entre todos os cidadãos: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de
qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do
direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes (...)”.
Sobre o artigo 5º da CF/1988, também destaco os incisos que, em muitos sentidos, asseguraram direitos
democráticos anteriormente negados pelo Regime Militar.
Vejamos o que mais nos trouxe o artigo 5o:
Proibição de tortura e tratamento desumano ou degradante;
Liberdade de manifestação de pensamento, sendo vedado o anonimato;
A inviolabilidade da liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos
cultos religiosos;
Não privação dos direitos por motivo de crença religiosa ou por convicção filosófica ou política;
Inviolabilidade da casa dos cidadãos;
Acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte para o exercício da profissão (jornalismo);
Possibilidade de reunião pacífica, sem armas, em locais aberto ao público, independentemente de
autorização, desde que essas reuniões não frustrem outra reunião já convocada para o mesmo local.
Apenas passou-se a exigir prévio aviso à autoridade competente.
Concessão de habeas corpos sempre que alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou
coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder;
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Do ponto de vista social, a CF/1988 também estabeleceu uma série de direitos aos
trabalhadores rurais e urbanos. Uma dessas conquista foi a jornada de trabalho de 44
horas semanais. Lembro-lhes que somente recentemente parte desses direitos sociais foi
estendida às trabalhadoras domésticas e a relação entre direitos sociais das domésticas e
consolidação da democracia diz muito sobre os desafios para um Estado Democrático de
Direito (#ficaadica para a discursiva).
O Artigo 6º define os direitos sociais
“Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte,
o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos
desamparados, na forma desta Constituição.”
O Artigo 14 define os direitos políticos
Art. 14. A soberania popular será exercida pelo sufrágio universal e pelo voto direto e secreto, com
valor igual para todos, e, nos termos da lei, mediante:
I - plebiscito;
II - referendo;
III - iniciativa popular.
§ 1º O alistamento eleitoral e o voto são:
I - obrigatórios para os maiores de dezoito anos;
II - facultativos para:
a) os analfabetos;
b) os maiores de setenta anos;
c) os maiores de dezesseis e menores de dezoito anos.
Outro ponto a se destacar da CF/1988 são os direitos dos Índios. Como a questão indígena está bem atual,
vale a pena atenção a esse ponto.
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CAPÍTULO VIII DOS ÍNDIOS (arts. 231 e 232)
Além de definir que as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios são bens da União, a
CF/88 dedicou um capítulo à questão indígena. Neste capítulo, os índios passaram a ser
considerado como grupos autônomos dotados de língua, costumes e tradições. Os índios
também tiveram assegurado o direito constitucional sobre suas terras:
Art. 231 (...)
§ 1º São terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter
permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à
preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua
reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições.
§ 2º As terras tradicionalmente ocupadas pelos índios destinam-se a sua posse
permanente, cabendo-lhes o usufruto exclusivo das riquezas do solo, dos rios e dos lagos
nelas existentes.
(Inédita/2024/prof. Alê Lopes)
A Assembleia Constituinte instalou-se em 1º de fevereiro de 1987, e a Constituição foi
promulgada no ano seguinte, em 5 de outubro de 1988. [...] É a mais extensa Constituição
brasileira – tem 250 artigos principais, mais 98 artigos das disposições transitórias – e está em
vigor até hoje.
(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia)
A Constituição em questão:
a) assegurou, pela primeira vez, o direito do voto para as mulheres, conferindo a alcunha de
Constituição Cidadão ao texto aprovado.
b) proibiu o direito de greve para servidores públicos.
c) garantiu o voto facultativo para os analfabetos.
d) consolidou o princípio republicano federalista, além de estabelecer três Poderes, ficando
extinto o Poder Moderador.
e) incorporou atos institucionais que estabeleceram a suspensão dos direitos políticos e do
habeas corpus.
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Comentários
a) falso, pois as mulheres conquistaram esse direito, no Brasil, nos anos 1930. A Constituição
de 1946 previa o voto das mulheres. Então, não foi um fato inédito, inaugurado com a
Constituição de 1988.
b) errado, pelo contrário, assegurou este direito.
c) correto, é o gabarito.
d) falso, pois estas medidas caracterizaram a Constituição de 1891, logo após o fim do Império.
e) falso, pois estas modificações ocorreram em 1967, quando o governo militar outorgou
mudanças de ordem constitucional por meio de atos institucionais. Alguns pesquisadores,
sejam historiadores ou juristas, entendem que houve uma nova Constituição em 1967, outros
dizem que não. Seja como for, as mudanças jurídicas feitas eliminaram direitos típicos de
regimes democráticos.
Gabarito: C
____________________
(Inédita/2024/Profe. Alê Lopes)
Art. 232. Os índios, suas comunidades e organizações são partes legítimas para ingressar em
juízo em defesa de direitos e interesses, intervindo o Ministério Público em todos os atos do
processo.
Constituição da República Federativa do Brasil de 1988.
Conforme se lê no texto constitucional, o dispositivos faz parte de um conjunto normativo que
alterou a relação estabelecida entre os indígenas e o Estado, após a promulgação da
Constituição de 1988, e
a) Garantiu o direito de propriedade sobre as terras indígenas.
b) Rompeu a lógica tutelar que considerava os índios seres incapazes para vida civil e para o
exercício de seus direitos.
c) Garantiu a diversidade étnica e as práticas culturais que caracterizam cada povo.
d) Protegeu o direito originário ao reconhecer que os indígenas sofreram com inúmeros
processo de violência.
e) Ampliou os direitos de ir e vir, até então, restritos aos territórios indígenas.
Comentário
O comando da questão pergunta sobre as alterações entre indígenas e Estado provocadas pela
Constituição. Assim, primeiro,vejamos o contexto da própria elaboração da constituição para
entender essa temática:
O processo de redemocratização no Brasil altera muitas estruturas institucionais e rompe com
velhas estruturas paradigmáticas. Já no final da década de 1970, intelectuais e líderes religiosos
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e grupos da sociedade civil formaram entidades de apoio aos povos indígenas, como o Cimi
(Conselho Indigenista Missionário) que passaram a questionar as políticas oficiais. Também foi
fundada da UNI (União das Nações Indígenas).
Essa mobilização da sociedade civil e de diferentes grupos sociais gerou um destacado papel
destes grupos na formulação de propostas que repercutiu nos trabalhos da Assembleia
Constituinte entre 1987 e 1988. Isso contribuiu para que a Constituição fosse bastante
inovadora no que se refere à proteção e garantia de direitos. Por isso, inclusive, ela é apelidada
de Constituição Cidadã.
Assim, a redemocratização é o marco temporal e a Constituição Federal o marco jurídico
da implantação do PARADIGMA DA AMPLIAÇÃO DE DIREITOS que marca a “questão indígena”
a partir de então.
Agora veja, o artigo constitucional trazido na questão fala sobre “Os índios, suas comunidades
e organizações são partes legítimas para ingressar em juízo em defesa de direitos e interesses”.
Isso significa que a partir da promulgação da Constituição os indígenas conquistas a chamada
capacidade civil plena.
Essa é a mudança, porque antes eles ficavam tutelados pelo Estado que, por isso, definiam os
rumos das vidas dos povos indígenas. Antes da CF/1988 não havia escolha para os indígenas,
na medida em que sua condição jurídica definida pelo Código Civil, de 1916, determinada que
estavam sujeito ao regime tutelar. Olha o que dizia Código dizia sobre os silvícolas:
“Os silvícolas ficarão sujeitos ao regime tutelar, estabelecido em leis e regulamentos especiais,
o qual cessará à medida que se forem adaptando à civilização do país.”
Tendo tudo isso em mente, vamos analisar cada alternativa:
a) errado, pois as terras indígenas pertencem à União. Porém, essa propriedade está associada
à posse permanente e ao usufruto exclusivo pelos indígenas.
b) correto, pois há o reconhecimento do indígenas enquanto agentes legítimos para atuarem.
Respeito à
diversidade
étnica
Reconhecimento
da pluralidade
das culturas
Garantia de
proteção
especial às
minorias
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c) falso, pois a afirmação, embora reconhece a diversidade cultura, não está diretamente
relacionada com o dispositivo constitucional reproduzido no enunciado.
d) falso, pois a afirmação, não está diretamente relacionada com o dispositivo constitucional
reproduzido no enunciado.
e) errado, pois restrições ao direito de ir e vir não foram formalmente impostas aos indígenas.
Gabarito: B
O filme mostra a trajetória de Tancredo Neves (1910-1985) ao
longo de fatos importantes da história política brasileira, como a
relação com Getúlio Vargas, o trabalho para permitir a posse de
João Goulart logo após a renúncia de Jânio Quadros, o contato com
Castello Branco e sua participação na campanha das Diretas Já!
Vamos finalizar com uma significativa citação em documento do IPEA que correlaciona o contexto das lutas
pela redemocratização, a organização das lutas sociais e dos movimentos sociais, a elaboração da
constituição e os mecanismos garantidores da participação social na elaboração das políticas públicas:
A participação deu um salto na década de 1980, quando diferentes setores da sociedade se
mobilizaram pela defesa de seus interesses, multiplicando comitês de fábrica, de bairro, de luta
contra a carestia, além das comunidades eclesiais de base. Nessa época tem início o Movimento
dos Trabalhadores Sem Terra (MST) e a Luta por Eleições Diretas. Essa ampla mobilização
origina várias formas de participação local, com destaque para a experiência do orçamento
participativo, implementada em Partido dos Trabalhadores (PT) em Porto Alegre a partir de 1989
e, posteriormente, estendida para 192 cidades, nem todas administradas pelo PT.
Com a Constituinte, a participação popular na elaboração, acompanhamento e fiscalização das
políticas públicas ganha institucionalidade, já que a Carta prevê a criação de instâncias específicas
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com este fim, obrigatórias no caso de setores onde existem fundos a serem geridos, como saúde
e educação.
Ao longo dos anos 1990, firma-se a ideia da participação em conferências e se
multiplicam os conselhos municipais de políticas públicas, com a eleição de representantes
da sociedade civil e indicação dos representantes municipais, primeiro nas principais capitais, logo
nas cidades médias.11
2. A CONSTITUIÇÃO DE 1988 E O CAMINHO PARA A
CONSOLIDAÇÃO DA DEMOCRACIA
Dado tudo o que estudamos anteriormente, podemos afirmar que a Constituição
Federal de 1988 é um marco histórico e normativo de um projeto político de construção
de uma sociedade livre, justa e democrática.
Mas instituir a democracia não é mesmo que implementá-la. Assim, a consolidação da democracia é um
caminho aberto de desafios cotidianos. Para governar democraticamente, a Constituição trouxe dois
princípios fundamentais: o da representação e do participação.
Leonardo Avritzer afirma:
O crescimento das formas de organização da sociedade civil no Brasil foi um dos elementos mais
importantes da democratização do país.12
Para começar, vejamos o que a Constituição de 1988 trouxe no que se refere à participação
e representação.
Logo no artigo primeiro já identificamos esses dois elementos, veja:
DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS13
11 Participação Popular - A construção da democracia participativa. Revista Desafios do
Desenvolvimento, 2011 . Ano 8 . Edição 65 - 05/05/2011.
https://www.ipea.gov.br/desafios/index.php?option=com_content&id=2493:catid=28
12 Conferências nacionais: ampliando e redefinindo os padrões de participação social no Brasil, 2012.
https://www.ipea.gov.br/participacao/images/pdfs/td_1739.pdf
13 BRASIL. Constituição Federal de 1988.
https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/Constituicao/Constituicao.htm
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Art. 1º A República Federativa do Brasil, formada pela união indissolúvel dos Estados e Municípios e do Distrito
Federal, constitui-se em Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos:
I - a soberania;
II - a cidadania;
III - a dignidade da pessoa humana;
IV - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa;
V - o pluralismo político.
Parágrafo único. Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente,
nos termos desta Constituição.
Diante disso, sabemos que a Democracia brasileira combina mecanismo de participação
direta e mecanismo de representação (participação indireta), como estudaremos a seguir.
Mecanismos de Participação:
Referendo e Plebiscito:
Artigo 14, inciso I e II: Estabelece a possibilidade de realização de referendo e plebiscito em assuntos
específicos de relevância nacional.
Iniciativa Popular:
Artigo 61, § 2º: Trata da iniciativapopular para apresentação de projetos de lei à Câmara dos Deputados.
Conselhos e Conferências:
Artigo 204: Refere-se à criação de conselhos de políticas públicas, como os de assistência social e direitos da
criança e do adolescente.
Artigo 225, § 1º, inciso VII: Aborda a participação da população em conselhos e órgãos colegiados
relacionados ao meio ambiente.
Mecanismos de Representação:
Eleições:
Artigo 14: Estabelece as regras gerais para as eleições no Brasil, incluindo a escolha de Presidente,
Governadores, Prefeitos, Deputados, Senadores e Vereadores.
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Partidos Políticos:
Artigo 17: Define as normas para a criação, funcionamento e extinção de partidos políticos.
Para efeitos de prova e dos temas do seu edital (Estado de direito e a Constituição Federal
de 1988: consolidação da democracia, representação política e participação cidadã)
podemos pensar no seguinte esquema:
Mas, veja, não é "qualquer" democracia, mas sim uma democracia que privilegia a cidadania ativa, ou seja,
a participação cidadã, seja de maneira direta ou indireta. Dessa forma, o fundamento da soberania popular
é elemento central de toda essa discussão.
(VUNESP - 2011)
A Constituição de 1988, chamada de Constituição Cidadã,
(A) inovou com o voto secreto e feminino.
(B) criou as primeiras leis trabalhistas.
(C) estabeleceu o bipartidarismo
(D) instituiu quatro poderes de governo.
(E) ampliou os direitos sociais e políticos.
Constituição
Federal
Representação
política e
participação
cidadã
Consolidação da
Democracia
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Comentários:
A Constituição de 1988, também conhecida como Constituição Cidadã, é a sétima constituição
brasileira. Ela foi promulgada após o fim da ditadura militar, em um contexto de redemocratização
do país. A Constituição de 1988 é considerada uma constituição democrática e progressista, pois
estabeleceu direitos e garantias fundamentais, como a igualdade de direitos entre homens e
mulheres, o direito à educação, à saúde e ao trabalho.
(A) Incorreta. O voto secreto e feminino foi instituído pela Constituição de 1934, após as Reformas
Eleitorais de 1932.
(B) Incorreta. As primeiras leis trabalhistas foram criadas pela Constituição de 1937, durante o Estado
Novo.
(C) Incorreta. O bipartidarismo foi estabelecido pelo Ato Institucional nº 2, em 1966, durante a
Ditadura Militar.
(D) Incorreta. O Brasil só teve quatro poderes entre 1823 e 1889, durante o período imperial e
monárquico.
(E) Correta. A Constituição de 1988 ampliou os direitos sociais e políticos, estabelecendo, entre
outros, o direito à educação, à saúde, ao trabalho, à moradia, à segurança, ao lazer, à previdência
social, à assistência social, à proteção à maternidade e à infância, à igualdade entre homens e
mulheres, à liberdade de expressão, à liberdade de associação, ao direito de reunião, ao direito de
propriedade e ao direito à vida.
Gabarito: E.
Vejamos, então, a relação entre democracia e cidadania.
2.1 Democracia e Cidadania
A relação entre democracia e cidadania é um tema central na teoria política, fundamentado em conceitos
essenciais que moldam a compreensão do funcionamento dos regimes democráticos e o papel ativo dos
cidadãos na construção e sustentação desses sistemas. A cidadania é inextricavelmente ligada à
democracia, formando um tecido social e político no qual os direitos e deveres dos cidadãos desempenham
um papel crucial.
A base teórica dessa relação remonta aos clássicos da teoria política, como Jean Jacques Rousseau, que
destacava a importância do contrato social e da vontade geral na formação de uma democracia legítima.
Para Rousseau, a cidadania não se limita à mera aceitação de leis, mas envolve a participação ativa na
determinação das políticas e na deliberação coletiva. Nesse contexto, a democracia é concebida como um
sistema no qual os cidadãos exercem sua soberania.
O pensamento de John Locke também é relevante, introduzindo a ideia de direitos naturais que
fundamentam a cidadania. Locke via a democracia como um meio de proteger esses direitos e, assim,
promover a participação dos cidadãos na defesa de suas liberdades individuais. Aqui, a cidadania é vista
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como um conjunto de direitos que os cidadãos possuem e que a democracia deve garantir. Para garantir
esses direitos o instituto da representação do cidadão era mecanismo fundamental.
No século XX, teóricos como T.H. Marshall expandiram a compreensão da cidadania para incluir não
apenas os direitos civis e políticos, mas também os direitos sociais. A democracia, nessa perspectiva, não é
apenas um sistema político, mas também um meio de garantir a justiça social e a igualdade de
oportunidades, elementos cruciais para a plena realização da cidadania.
Na contemporaneidade, a Teoria da Democracia Participativa, defendida por pensadores como Carole
Pateman e Benjamin Barber, destaca a importância da participação ativa dos cidadãos na tomada de
decisões políticas. A cidadania, nesse contexto, não é apenas uma condição passiva de direitos, mas um
engajamento constante na vida política, contribuindo para a legitimidade e vitalidade da democracia.
Portanto, a teoria da democracia participativa defende que as esferas de representação e participação
devem ser mais amplas, em comparação com o que defende a teoria da democracia representativa.
De todo modo, a relação entre democracia e cidadania é, portanto, multifacetada. Em perspectiva
sociológica, a cidadania não é apenas um status legal, mas uma prática viva que se desenvolve na interação
contínua entre os cidadãos e as instituições democráticas. A democracia, por sua vez, não é só um arranjo
institucional, mas um espaço onde a cidadania se manifesta, permitindo que os indivíduos exerçam sua
agência política e contribuam ativamente para a construção de uma sociedade justa e participativa.
Assim, a abordagem da democracia participativa nos mostra que uma
participação mais ativa e mais direta dos cidadãos pode ser compreendida
como um alargamento da democracia, ou seja, uma democracia
participativa exigiria uma cidadania participativa. O indivíduo visto como
sujeito ativo e não apenas receptor de políticas formuladas pelo Estado.
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(FGV - 2016 - Professor (Pref SP)/Ensino Fundamental II e Médio/Sociologia)
Em 1835, Alexis de Tocqueville regressou de uma viagem aos Estados Unidos e publicou suas
reflexões sobre a vida política na nova nação: “O gradual desenvolvimento da igualdade é uma
realidade providencial. Dessa realidade, tem ele as principais características: é universal, é
durável, foge dia a dia à interferência humana; e, para seu progresso, contribuíram todos os
acontecimentos, assim como todos os homens. Seria prudente imaginar que um movimento
social de tão remotas origens pudesse ser detido por uma geração? Pode-se conceber que,
após ter destruído o sistema feudal e vencido os reis, ele irá recuar ante a burguesia e a classe
rica? Agora que se tornou tão forte, e tão frágeis os seus adversários, deter-se-á ainda?”
Neste trecho o autor descreve um processo igualitário por ele considerado um movimento
social cujamarcha está associada à história da humanidade.
Esse movimento social corresponde à
A) conquista da felicidade.
B) afirmação da democracia.
C) defesa da equidade.
D) sustentação da república moderada.
E) luta pelos direitos individuais.
Comentários
Gabarito, letra B. Alexis de Tocqueville está discutindo o desenvolvimento da igualdade como
um movimento social, e ele associa esse movimento à afirmação da democracia. Tocqueville
observa que a igualdade é uma realidade providencial, universal e durável, que está em
constante desenvolvimento e que contribuiu para eventos e ações ao longo da história. Ele
argumenta que esse movimento em direção à igualdade não será detido e que, dadas as
circunstâncias, a democracia será fortalecida. Portanto, a afirmação da democracia está
intrinsecamente ligada ao progresso desse movimento social igualitário, conforme percebido
por Tocqueville.
Gabarito: B
Entremos agora mais profundamente no estudo sobre democracia representativa e participativa.
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3. A BUSCA PELA ESTABILIDADE ECONÔMICA NOS
GOVERNOS COLLOR, ITAMAR FRANCO E FHC
Da eleição de 1989 para frente, falamos em consolidação da democracia. Ou seja, a transição se completou
e daí em diante a questão passou a ser a consolidação da democracia. E consolidar a democracia, meu caro
e minha cara, tem três aspectos: político, econômico e social!
Naqueles anos de 1980, as eleições, como instrumento de participação política da
democracia, pareciam estar garantidas. Mas apenas eleições não garantem a estabilidade
da democracia. Os dois grandes obstáculos para efetivar e estabilizar a democracia eram
justamente:
• a crise da economia brasileira, representada pelos altos índices inflacionários;
• a miséria, a desigualdade e a falta de oportunidades para a ampla maioria da população, as
quais, juntas, são um dado real.
Além disso, e não menos importante, surgiu o desafio para que os brasileiros aprendessem a construir a
democracia. Diz um cientista político português, Boaventura Sousa Santos: “não há democracia sem
democratas”; isto quer dizer que seria necessário criar uma ética e um valor democráticos, como os da
tolerância, da impessoalidade no governo das “coisas públicas” e o respeito absoluto ao império das leis.
Assim, a recém-nascida democracia brasileira teria muito o que aprender ainda!
Em 1989, o Presidente José Sarney (PMDB) estava em vias de terminar o mandato presidencial e, logo mais,
passaria a faixa presidencial para o vencedor do pleito de 1989. Uma sucessão presidencial importante em
meio aos debates da “endêmica crise econômica” e da “inflação galopante” – nos dizeres do professor
Daniel Arão Reis14.
Se, por um lado, a economia não ia bem, por outro, o avanço democrático fazia surgir novos partidos, como
o Partido da Social Democracia Brasileira, o PSDB, fundado em 1988 fruto de uma dissidência do PMDB.
No mesmo sentido, a efervescência democrática do período pode ser expressa na quantidade de candidatos
na eleição de 1989, foram 22 no total.
Outro aspecto que precisamos considerar, nesse período da década de 1990 e dos anos 2000, é a entrada
no Brasil das políticas ditas “neoliberais”, caracterizadas pela abertura comercial, reforma da administração
pública, pela diminuição da intervenção do Estado na economia, pelo ajuste fiscal e por privatizações das
empresas estatais.
Ainda sobre esse momento de consolidação democrática, podemos mencionar a criação do Plano Real, que
permitiu a estabilidade da economia e a volta dos investimentos. Com isso, nos anos 2000, foi possível a
implantação de políticas sociais de largo escopo, como o programa Bolsa Família e a ampliação do acesso ao
14 REIS, Daniel Aarão. A Vida Política. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio
de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p. 110.
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ensino superior. Entrava-se na fase de “democratização da democracia” com a chamada ampliação de acesso
aos direitos sociais.
Para fins pedagógicos, vamos dividir a aula por governos, de modo que cada Presidente eleito fique com uma
seção específica. Considerando que o Edital nos apresenta um "recorte histórico" a partir da estabilidade
econômica, vamos estudar até o governo de Fernando Henrique Cardoso (FHC), porque foi quando se atingiu
a estabilidade econômica após um longo período de descontrole inflacionário.
Pegue aí seu cafezinho e bora lá! Vamos até o fim, está acabando! Força!
3.1. As eleições de 1989
Após quase 30 anos sem votar para Presidente da República, os brasileiros decidiram, nos dias 15 de
novembro (1º turno) e 17 de dezembro (2º turno) de 1989 quem governaria o país até 31 de dezembro de
1994.
Essa eleição contou com muitos candidatos, sendo que é possível categorizá-los entre representantes do
campo da esquerda, do centro e da direita. Veja só:
Esquerda Centro Direita
Representada principalmente
por Lula da Silva, do PT, e por
Leonel Brizola, do PDT.
Representado por Ulysses
Guimarães, do PMDB, e Mario
Covas, do PSDB.
Representado por Paulo Maluf,
do PDS, e por Fernando Collor, do
PRN.
Durante a campanha eleitoral, Collor, que era Governador de Alagoas, se apresentou como o político da
renovação e fez um discurso centrado na moralização do serviço público e no combate aos marajás.
Os marajás seriam os funcionários públicos que recebiam altos salários e vantagens aos olhos da população.
Na verdade, tratava-se de uma forma pejorativa para se referir a uma parcela do serviço público, a minoria,
pois o grosso do funcionalismo recebe, em média R$ 44.000 por ano15. O termo marajás é uma referência
aos antigos príncipes indianos.
Como proposta de Governo, Collor, que se tornou o candidato favorito, defendia a modernização da
administração pública e da economia do país a partir de um projeto neoliberal. Isso significava, entre outras
medidas, uma reforma administrativa, ou, como falavam os servidores públicos à época: a demissão de
servidores públicos e a estagnação de concursos públicos. Além disso, propunha privatizar empresas estatais
e abrir a economia nacional para a concorrência internacional.
15 Servidor público ganha 67% a mais que o privado no Brasil, diz Banco Mundial. Estadão, 21 de nov/2-
17. https://economia.estadao.com.br/noticias/geral,servidor-publico-ganha-67-a-mais-que-o-privado-
no-brasil-diz-banco-mundial,70002091605
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O que é o neoliberalismo?16
O neoliberalismo é uma doutrina político-econômica que
preconiza a mínima intervenção do Estado na economia.
Para os neoliberais o mercado se autorregula e não
necessita do Estado. Sua implantação pelos governos de
vários países iniciou-se na década de 1970, nos Estados Unidos com o Presidente Ronald
Reagan e na Inglaterra com a 1ª Ministra Margareth Thatcher. Era uma das principais
respostas à crise mundial do petróleo. Desde então, as políticas neoliberais se tornaram
uma tendência dominante na ordem econômica internacional, com a defesa do Estado
Mínimo. Veja que é uma retomada do liberalismo na sua vertente econômica.
O impulso das orientações neoliberais para as economias mundiais ocorreu em 1989 com
as diretrizes do Consenso de Washington (reunião dos principais economistas do Banco
Mundial, Fundo Monetário Internacional, Tesouro dos Estados Unidos, etc.). Por isso que
é comum nos discursos políticos ouvirmosque o neoliberalismo pressupõe, por exemplo,
“seguir a cartilha do FMI” ou “as diretrizes do Consenso de Washington”.
O neoliberalismo acabou favorecendo o capital bancário-financeiro (bancos, seguradoras,
fundos de pensão, corretoras, agências de rating etc.).
Outra premissa básica do neoliberalismo é o desaparelhamento do Estado em setores da
economia ou da administração, ou seja, as privatizações ou concessões de serviços
públicos.
Como a corrente neoliberal defende a não intervenção estatal na economia, isso também
impacta as leis trabalhistas. Ou seja, para o neoliberalismo o mercado de trabalho deve
ser desregulamentado. Isso ocorre porque a “compra e venda da força de trabalho” é
entendida como uma mercadoria, passível de contratos como os que fazemos como
vamos comprar um carro, uma casa, ou seja, relações civis que demandam contrato entre
particulares.
No caso do Brasil, isso significa, na prática, flexibilizar as leis trabalhistas formuladas a
partir da CLT (desde o Governo Vargas).
Por fim, por assumir um caráter sistémico, isto é, afetar todas as esferas da vida das
pessoas, a ponto de influenciar modos de vida, fala-se na existência de uma racionalidade
neoliberal. Ou seja, um jeito racional de pensar e organizar não apenas a economia, mas
todas as esferas da vida social. Um exemplo disso, é a cultura do empreendedorismo em
tudo, as “coisas” passaram a ser concebidas, primeiro, como mercadoria, depois a partir
da sua própria finalidade.
16 DARDOT, Pierre. LAVAL, Christian. A Nova Razão do Mundo: ensaio sobre a sociedade neoliberal. São
Paulo: Boitempo. 2015.; GALVÃO. Andreia. Neoliberalismo e reforma trabalhista no Brasil. Rio de Janeiro:
Ed. Renavan/FAPESP. 2007.
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Duas dicas de filmes para visualizarmos os efeitos do neoliberalismo
na Europa: um filme inglês e outro espanhol.
Em “Eu Daniel Blake,” após sofrer um ataque cardíaco e ser
desaconselhado pelos médicos a retornar ao trabalho, Daniel Blake
(Dave Johns) busca receber os benefícios concedidos pelo governo
a todos que estão nesta situação. Entretanto, ele esbarra na
extrema burocracia instalada pelo governo, amplificada pelo fato
dele ser um analfabeto digital. Numa de suas várias idas a
departamentos governamentais, ele conhece Katie (Hayley
Squires), a mãe solteira de duas crianças, que se mudou
recentemente para a cidade e também não possui condições financeiras para se manter.
Após defendê-la, Daniel se aproxima de Katie e passa a ajudá-la.
Já no filme “Segunda-feira ao Sol”, uma cidade costeira no norte
da Espanha sofre com seu isolamento quando seus estaleiros
começam a ser fechados, deixando vários trabalhadores
desempregados à mercê de pequenas ocupações temporárias.
Entre eles está Santa (Javier Bardem), um machão rebelde e
autossuficiente que se recusa a admitir o fracasso. Mas a
verdade é que ele e seus companheiros, dos quais ele se torna
uma espécie de líder, são perdedores completos, mergulhados
no alcoolismo e em crises familiares
O candidato Collor também se dizia representante dos “descamisados”, o povo pobre. Dessa forma, é
comum vincular a imagem de Collor à tentativa de reconstrução do populismo.
Collor conseguiu agregar setores da sociedade que temiam uma vitória da plataforma representada por
Lula e o PT. Além disso, seu discurso de “sujeito novo na política”, lançava-o como uma figura diferente do
tradicional e velho esquema de poder dos políticos mais velhos (PMDB, PDS e PFL).
É comum alguns historiadores compararem a postura de Collor nas eleições com a de
Jânio Quadros, pois ambos souberam usar a mídia e explorar um discurso contra a
corrupção. Lembra da campanha do Jânio Quadros varrendo a bandalheira, lembra dele
e seus apoiadores com vassouras nas mãos?
No primeiro debate eleitoral, realizado pela Rede Bandeirantes, Collor não compareceu. Em outros debates
do primeiro turno ele também não compareceu. Mas, como eram muitos candidatos todos os debates
acorreram, apesar da ausência daquele que se tornaria líder das pesquisas.
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Já o seu maior adversário nas eleições, Luís Inácio Lula da Silva, que era líder sindical e fundador do Partido
dos Trabalhadores (PT) defendia o nacional-estatismo e um conjunto de reformas estruturais na economia
e na sociedade:
a anulação da dívida externa;
a reforma agrária;
mudanças nas bases do modelo de desenvolvimento nacional;
aprofundamento de direitos sociais, entre outros
Em muitos sentidos, Collor e Lula, cada qual representando programas opostos, canalizavam as frustrações,
os protestos e as esperanças da maioria da população brasileira. Não por menos, foram os dois candidatos
mais votados no 1º turno. Nesse sentido, os partidos e as lideranças vinculados aos projetos econômicos que
vinham sendo aplicados até então, os mais tradicionais da política nacional, acabaram se desgastando e
deram espaço para o surgimento e o fortalecimento de alternativas políticas que eram novidade naquele
contexto, no caso, Fernando Collor de Mello (do Partido da Reconstrução Nacional, PRN) e Luiz Inácio Lula
da Silva (do PT). Não por menos, foram estes que venceram o 1º Turno e disputaram o 2º turno da eleição
de 1989.
Pois bem, o resultado do primeiro turno (apenas os mais bem colocados) foi:
Para o 2º turno, Brizola (PDT) e Mário Covas (PSDB) apoiaram Lula. Collor recebeu o apoio do PFL, do
PDS e PTB.
Às vésperas da votação, uma semana antes do pleito, havia um empate técnico: Lula com 46% e
Collor com 47%.
Fernando Collor (PRN)
32%
Luiz Inácio Lula da
Silva (PT)
18%
Leonel Brizola (PDT)
18%
Mário Covas (PSDB)
12%
Paulo Maluf (PDS)
10%
Guilherme Afif
Domingos(PL)
5%
Ulysses
Guimarães (PMDB)
5%
PRIMEIRO TURNO 1989
Fernando Collor (PRN)
Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
Leonel Brizola (PDT)
Mário Covas (PSDB)
Paulo Maluf (PDS)
Guilherme Afif Domingos(PL)
Ulysses Guimarães (PMDB)
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Nesta última semana, os principais meios de comunicação passaram a apoiar Collor, em especial o
dono da Rede Globo, Roberto Marinho. Com o Grupo Globo a favor de Collor, o jogo ficou desequilibrado e,
na última semana de campanha, iniciou-se uma propaganda de terror sobre a candidatura Lula. É bom
lembrar que os meios de comunicação, à época, não eram horizontais como hoje em que há twitter,
whatsassp, facebook. Aliás, querido e querida aluna, tá aí um bom tema para ser explorado em provas,
principalmente em redações: “política e meios de comunicação”. Em história, já vimos o papel do Rádio,
depois da TV e, mais recentemente, há as redes sociais. Fica ligado!!!
Assim, as mensagens transmitidas pelo grupo Rede Globo de Comunicação acabavam se tornando a
única fonte de comunicação que atingia a ampla maioria dos eleitores. Uma parcela importante da
sociedade, sobretudo as classes médias, ficou em pânico e com medo das chamadas propostas
“revolucionárias” de Lula.
Segunda as historiadoras Lilia Schwarcz e Heloisa Starling,
“A classe média, que se sentia expropriada diariamente pela inflação, entrou em pânico quando
Collor soprou as brasas do anticomunismo visceral de largos setores da sociedade brasileira e
associou Lula à desapropriação de imóveis e ao confisco das cadernetas de poupança.”17
Ironicamente, quem confiscou a poupança foi o próprio Collor, como veremos a seguir.
Veja o clima horas antes da votação:
OPresidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (FIESP), Mario Amato,
declarou que 800 mil empresários deixariam o Brasil caso Lula ganhasse.
No sábado, às vésperas da votação, quando a polícia paulista acabou com o sequestro do
empresário Abílio Diniz (do grupo Pão de Açúcar), foi sugerido que os envolvidos eram do PT.
(as investigações policiais deixaram claro não haver qualquer indício de tal relação).
No domingo, dia da eleição, o jornal O Estado de São Paulo chegou às bancas e apresentou o
relato do irmão de Abílio Diniz sustentando que o PT havia participado do sequestro.
Vejam que fake news políticas não são “coisas de whatsapp”, mas sim um
comportamento “do vale-tudo eleitoral” no mercado de votos. Na Ciência Política isso é
analisado desde a Roma antiga....
DIANTE DESSE CENÁRIO MIDIÁTICO, O RESULTADO FOI...
17 SCHWARCZ, Lilia M. STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras.
2018, p. 492.
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3.2. O Governo Collor 1990-1992
Collor, jovem bom de verbo e de voto, empolgava as massas populares e seduzia
as elites, a quem convencia pelo passado (jovem líder da Arena), pelas alianças
políticas, pela posição social (proprietário de terras e de meio de comunicação em
Alagoas, seu estado natal) e, sobretudo, pelas propostas de abrir o país para o
mercado internacional e enfraquecer o Estado regulamentador e intervencionista,
núcleo da tradição nacional-estatista18.
O primeiro problema a ser enfrentado pelo Presidente eleito, Fernando Collor, foi o
controle da inflação já que esta continuava alta, a ponto de atingir uma média de 84,2%
ao mês. Por isso, precisaria agir rápido! Assim, começou seu mandato com ações
enérgicas.
No dia seguinte à posse, em 15 de março de 1990, Collor editou um plano de combate à inflação, o
Plano Brasil Novo, mais conhecido como Plano Collor19.
O Plano Collor incluía:
18 Idem, p. 113.
19 Fernando, CARNEIRO, José Alan Dias & RAMOS, Plínio de Abreu. A Imprensa faz e Desfaz um
Presidente, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1994.
53,03%
46,97%
RESULTADO SEGUNDO TURNO 1989
Fernando Collor (PRN) Luiz Inácio Lula da Silva(PT)
Fernando Collor de Melo
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O objetivo do Governo, com o Plano Collor, era diminuir a quantidade de moeda em circulação e,
com isso, tentar controlar os preços. Segundo o economista Paul Singer,
Na realidade, o sequestro do dinheiro se destinava a impedir que a população pudesse fazer gastos
acima de uma quantia irrisória durante um ano e meio, com a finalidade de cortar a demanda para
forçar uma baixa dos preços. O efeito foi paralisar todas as transações e, portanto, a vida econômica
do país, o que inverteu o curso dos preços: a hiperinflação de 15 de março se tornou em
deflação em 16 de março. Os preços caíam, porque os vendedores ofereciam as mercadorias por
preços mais baixos para conseguir algum dinheiro por elas. Era o que o plano almejava – derrubar
a hiperinflação com “um único golpe de caratê” (expressão usada por Collor, que praticava o
esporte).20” (grifos nossos)
Segundo cálculos da imprensa, dos cerca de 120 bilhões de dólares que estavam em
contas-correntes, aplicações e poupanças, 95 bilhões foram confiscados. Isso
representava 80% de todo o dinheiro que circulava nos bancos. Apesar do Plano Collor,
não houve respostas positivas na esfera econômica. Pelo contrário, ninguém podia
comprar, o consumo paralisou, o desemprego aumentou e empresas faliram.
Ainda no início do Governo, Collor editou o Programa Nacional de Desestatização (PND) e medidas
de abertura do país ao mercado internacional.
Sobre o PND, a partir de uma política fiscal rígida, que objetivava a busca do equilíbrio nas contas
públicas, a ideia era diminuir o déficit público. Assim, baseado na proposta de estabilidade de preços, o
Governo tinha três alternativas para pagar esse déficit:
I. a redução das despesas;
II. o aumento das receitas tributárias;
III. a alienação das empresas estatais:
20 SINGER, Paul. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio de Janeiro: Mapere e
Editora Objetiva. 2016, p. 220.
Congelar preços e salários;
Sequestrar todas as somas em dinheiro, depositadas nos
bancos, que excedessem a casa dos 50 mil cruzados. Proibiu
saques acima de 50 mil cruzados. Essa medida, também
conhecida como confisco das poupanças, durou 18 meses;
Extinguir a moeda vigente, o cruzado, e reestabelecer o
Cruzeiro.
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O PND respondia a essa terceira alternativa.
As empresas estatais selecionadas para serem vendidas estavam localizadas em setores da base da
estrutura industrial, como a siderurgia, a petroquímica e a produção de fertilizantes.
Das dezoito empresas incluídas no PND em 1990, somente quatro foram privatizadas até dezembro
de 1991, dentre elas, a USIMINAS.
Em 1992, o PND foi intensificado: 16 empresas foram à leilão e transferidas ao setor privado, como a
Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
Na prática, uma boa parte da estrutura produtiva estatal montada desde Getúlio Vargas e
intensificado durante o regime militar foi privatizada, ou seja, seu controle passou das mãos do Estado para
as da iniciativa privada formada por grandes grupos empresariais.
Além do PND, Collor também realizou corte de gastos públicos e aumento os impostos.
O PND apresentou, até 1992, um valor de um pouco mais de US$ 4 bilhões com as vendas
das empresas estatais.
Contudo, as medidas iniciais do Governo Collor não domaram a inflação e uma onda de greves
salarias explodiu no país. Os petroleiros da Petrobras, por exemplo, fizeram uma forte greve em 1991.
Com isso, a popularidade do Presidente começava a se desgastar. Isso pode ser percebido nas
eleições para Governadores e o Congresso Nacional (Deputados Federais e Senadores), realizadas em
novembro de 1990. Collor não conseguiu eleger nenhum candidato a Governador que chegou a indicar.
Em 1991, o Governo Federal lançou o Plano Collor II. Aplicava as mesmas e tradicionais políticas:
congelamento de preços e salários e elevação de taxas de juros. Ocorria que, a lógica inflacionária parecia
não ter solução e as medidas até então aplicadas estavam longe de solucionar o problema.
Para piorar a situação de Fernando Collor, em maio de 1992, denúncias começavam a aparecer,
ligando-o a casos de corrupção. O irmão de Collor, sócio das empresas da família, veio a público confirmar
as denúncias e acrescentou outras, como aquelas que envolviam a esposa do Presidente, Roseane Collor.
Pedro Collor, o irmão, concedeu entrevista à revista Veja, na qual explicou como Fernando mantinha
uma sociedade com o empresário Paulo César Farias (o PC Farias), tesoureiro de campanha de Collor. As
transações ilegais chegavam a 60 milhões de dólares.
A resposta imediata partiu do Congresso Nacional e dos protestos nas ruas.
Os parlamentares formaram uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as acusações.
Descobriu-se que PC Farias atuava para nomear pessoas em cargos de comissão nos diversos níveis da
administração federal.
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Além disso, a CPI apurou o funcionamentodo “Esquema PC”: os empresários forneciam dinheiro a
PC Farias, em troca de favores do Governo; o dinheiro obtido era enviado ao exterior e depositado em contas
nos “paraísos fiscais”. Por meio de laranjas, o dinheiro retornava para contas no Brasil e, depois, era
distribuído, inclusive para familiares de Collor.
A CPI chegou a confirmar que PC Farias pagava as contas particulares de Collor e projetou que os
depósitos do esquema Collor-PC Farias poderiam variar entre 300 milhões e 1 bilhão de dólares.
Apesar de fazer apelos públicos para o povo sair às
ruas e defendê-lo, Collor conseguiu estimular os estudantes a
saíram às ruas contra seu governo. Liderados pela União
Nacional dos Estudantes (UNE), presidida pelo então
estudante de medicina Lindbergh Farias, formou-se o
Movimento “Caras-pintadas”, o qual exigia a deposição de
Collor por meio de impeachment. O nome do movimento é
porque os jovens saiam em passeatas com as caras pintadas
de verde e amarelo.
Impeachment: é uma palavra de origem inglesa que significa
impedimento. No sentido jurídico-político, é um processo que
pune um representante político com o afastamento do cargo
público.
Em agosto de 1992, começaram a ser feitas grandes passeatas, reunindo inicialmente 10 mil pessoas,
depois 30 mil, até chegar à marca de 400 mil pessoas em uma passeata em São Paulo, no dia 25 de agosto.
Uma dessas manifestações mais marcantes ocorreu no dia 16 de agosto daquele ano, um domingo, dois dias
depois de Collor aparecer em cadeia nacional para pedir que o povo fosse às ruas de verde e amarelo para
defendê-lo. Só que não!!!! As pessoas foram sim às ruas, porém de preto.
As manifestações continuaram a crescer no mês de setembro, quando um pedido de impeachment
foi elaborado e entregue à Câmara dos Deputados. No dia 29 de setembro, a Câmara aprovou o pedido por
ampla maioria e o processo foi aberto. Naquele dia, estima-se que milhões de pessoas haviam aderido ao
movimento dos caras-pintadas, saindo às ruas com o rosto pintado de verde e amarelo para pedir a saída do
presidente.
Votação na Câmara dos Deputados Manifestação pelo impeachment de Collor
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Conforme pesquisas da época, no bojo do Movimento “Fora Collor”, o Presidente chegou a 68%
de rejeição e a 9% de aprovação. Vale registrar que não houve manifestações de rua para defender o
Governo Collor.
Com a condenação iminente no Senado Federal, Collor resolveu renunciar ao cargo, no dia 29 de
dezembro de 1992, para evitar a inelegibilidade nos oito anos seguintes.
Mesmo com a renúncia, o Congresso votou a favor da perda dos direitos políticos do ex-presidente,
afastando-o de cargos eletivos pelo resto da década de 1990.
Votação do impeachment de Collor no Senado:
A favor do impeachment Contra o impeachment
76 3
Collor ficou impedido de exercer funções públicas até o ano 2000. Já PC Farias, fugiu do país, mas foi
localizado na Tailândia. Em 1996, após cumprir curto período da pena, PC foi encontrado morto em Maceió
(AL).
Vale mencionar que, 22 anos após esses fatos, Collor foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal
(STF) das acusações de peculato, corrupção passiva e falsidade ideológica.
Desde o afastamento de Collor pelo Congresso Nacional, ainda no processo de impeachment, quem
assumiu a presidência do país foi Itamar Franco, o vice-Presidente.
Após a renúncia de Collor, Itamar Franco assumiu definitivamente, até o término do mandato em
1994.
Antes de passarmos para o Governo Itamar Franco, vejamos mais algumas informações que podem
ser tratadas em uma perspectiva comparativa com temas que continuam atuais:
21 Disponível em: https://www.camara.leg.br/noticias/485506-camara-se-prepara-para-votacao-de-
impeachment-24-anos-pos-collor/.Acesso em: 03/09/2019.
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Em 1992, além de tudo o que vimos, também foi comemorado 500
anos da conquista da América por Cristóvão Colombo. Nessa
comemoração, os povos indígenas do Brasil aproveitaram para
debater a realidade dos índios, em particular, a falta de política em
torno da demarcação de terras indígenas.
No Brasil, foi encaminhado ao Presidente da República, no caso Collor, um abaixo-assinado com
milhares de assinatura exigindo a demarcação das terras indígenas e o respeito à autonomia
político-cultural dos povos indígenas.
Neste mesmo ano, de forma inédita, o Pavilhão da Bienal do Parque do Ibirapuera, em São Paulo,
realizou a exposição Índios no Brasil: alteridade, diversidade e diálogo cultural. Foi um marco das
sociedades urbanas brasileiras no contato com as sociedades indígenas do Brasil.
No que diz respeito à política externa e acordos comerciais, em 1991 foi fundado o Mercado Comum do
Sul (MERCOSUL). É uma organização intergovernamental fundada a partir do Tratado de Assunção de
1991. O GOVERNO
3.3. Governo do Itamar Franco 1992-1994
Itamar Franco (1930-2011), mineiro, oriundo do PMDB, precisou se filiar ao PRN de
Collor para sair como vice-Presidente. A rigor, a trajetória política de Itamar estava
mais próxima ao nacional-estatismo, que atribuía um papel forte ao Estado na
regulação da econômica, do que ao neoliberalismo de Collor.
Itamar assumiu definitivamente em 29 de dezembro de 1992. O país estava em
uma situação calamitosa, do ponto de vista econômico.
PIB em
queda
Desemprego
a 15%
Inflação
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No início de suas atribuições presidenciais, diante do cenário adverso, logo após o afastamento de
Collor, o Presidente Itamar propôs um novo Governo, baseado na União Nacional de todas as forças
políticas. O PSDB, que havia apoiado Lula no 2º turno de 1989, entrou nessa unidade. Assim, Itamar fez um
Governo de Coalizão.
O começo do Governo Itamar coincidiu com a realização do Plebiscito – em abril de 1993-
para decidir a forma de governo (república ou monarquia) e o sistema de governo (presidencialismo ou
parlamentarismo).
A realização desse plebiscito foi um acerto dos debates da Constituição de 1988, ou seja, ele estava
previsto no próprio texto constitucional. Vejamos o quadro geral desse Plebiscito:
República Monarquia
66% dos votos 10% dos votos
Presidencialismo Parlamentarismo
55% 25%
Conclusão, o Brasil continuaria como um país Republicano baseado no sistema
Presidencialista.
Neste cenário de dificuldades para consolidar a democracia brasileira, uma das grandes contradições
desse período foi o Brasil atingir um certo nível de desenvolvimento das regras do regime democrático e, ao
mesmo tempo, conviver com a elevada injustiça social.
A propósito, foi nesse no contexto político, econômico e social desigual do início da década de 1990
que duas chacinas entraram para a história do país:
23 de julho de 1993: seis policiais militares abriram fogo contra 40 crianças moradoras de rua em
frente à Igreja da Candelária, no Rio de Janeiro;
29 de agosto de 1993: 36 homens armados e encapuzados fuzilaram 21 pessoas, todas jovens, na
favela do Vigário Geral, na Zona Norte do Rio de Janeiro.
Assim, o cenário social ficou cada vez mais pesado e não era mais possível tratar problemas sociais como
casos de polícia, como sempre foi tratado no país.
Dessa forma, os desafios do Governo Federal eram: organizar a economia para tentar resolver
problemas mais gerais do país, inclusivea desigualdade social, com o objetivo de diminuir a concentração de
renda. Nesse sentido,
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o maior mérito do governo Itamar foi tentar entender o desvio que tornava a democracia refém
da injustiça social e que tinha na inflação uma aliada poderosa”22.
Foi nesse momento que o sociólogo Fernando Henrique Cardoso (FHC), do PSDB, assumiu o Ministério
da Fazenda com o objetivo de elaborar um novo plano econômico. Antes de FHC, outros três Ministros
haviam tentado elaborar planos econômicos, porém, sem sucesso. FHC, então, deixou a pasta de Ministro
das Relações Exteriores e virou o Ministro da Fazenda do Governo Itamar Franco.
FHC propôs o Plano Real. Esse Plano, diferentemente das propostas anteriores, foi à debate público e
no Congresso Nacional, pois, para o povo não ser pego de surpresa, a sociedade precisava entender qual
seria a lógica prevista para o ajuste econômico.
O Congresso Nacional aprovou o Plano e foi dado o início à sua implementação. O
primeiro passo foi a criação, no final de 1993, da Unidade Real de Valor (URV), um
indexador provisório de inflação para reajustar preços de mercadorias e salários. Em
seguida, veio a nova moeda: o Real.
Com a implementação do Real, em 1º de julho de 1994, novas regras foram estabelecidas:
Essas mudanças, somadas ao aumento das importações, trouxeram dólares para o país o que levou a
um câmbio em que 1 dólar equivalia a 0,90 centavos de Real, e, logo em seguida, 1 dólar = 1 real (paridade).
Portanto, a moeda brasileira foi valorizada.
O Banco Central passou a ser grande protagonista no controle da emissão de moeda e na flutuação do
câmbio, elementos centrais para combater a inflação. O ano de 1994 terminou com uma inflação a 20% ao
ano, contra mais de 2000% ao ano em 1993.
22 Idem, p. 496.
fim da indexação, ou seja, o fim do repasse automático da
inflação mensal para os salários, para as prestações, para os
aluguéis e contratos em geral;
a vinculação da nova moeda ao dólar.
A regra também previa: emissão de novos Reais na mesma
proporção de dólares nos cofres do Banco Central (BC).
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Assim, o Plano Real conseguiu estabilizar a moeda.
Concomitantemente à implementação do Real, houve uma progressiva queda nas taxas de juros do
mercado internacional, fato que fez diminuir as remessas de dinheiro do Brasil para pagar credores
internacionais. A economia nacional começava a crescer novamente.
Em 1994, a economia cresceu 5% ao ano, o melhor resultado desde o início dos anos 1980. No início
do Plano Real houve aumento de até 28% no poder aquisitivo da população de baixa renda por causa da
queda da inflação.
Contudo, a partir de 1997, esse ganho foi praticamente anulado devido ao aumento dos índices de
desemprego e a falta de valorização do salário mínimo.
Em suma, o Plano Real foi considerado um
sucesso, fato que tornou Fernando Henrique
Cardoso uma pessoa conhecida e forte
candidato para as eleições Presidenciais, que
ocorreram em 1994.
Eleições de 1994
O PSDB articulou uma aliança com o PFL (atual DEM) e Fernando Henrique ganhou as eleições no 1º
turno, derrotando o principal candidato da oposição, Lula.
Mas e o Itamar profe, ele não podia se candidatar? Afinal, foi a coalizão política que ele
montou que melhorou os índices econômicos!
Não, queridos, ele não podia se candidatar. A Constituição de 1988 não previa a
reeleição daquele que estava em pleno exercício do cargo de chefia do Poder Executivo.
Atenção a isso, hein!!!
Como Itamar assumiu plenamente as atribuições de Presidente da República, ele não
podia se candidatar. Assim, os “louros” do Plano Real ficaram com FHC. Daqui a pouco
veremos quando passou a ser possível a reeleição!
falências e
desemprego
(sentidos a
médio prazo)
inflação
(efeito
imediato)
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Veja os votos do primeiro e do segundo colocados:
Fernando Henrique Cardoso (PSDB) Luiz Inácio Lula da Silva (PT)
14, 7 milhões de votos, 55,2% 9,8 milhões de votos, 39,9%
Agora, no final do Governo Itamar Franco, também houve uma CPI, a CPI do Orçamento. A
investigação da Comissão Parlamentar apontou um esquema de corrupção no Orçamento da União. Por
meio de influências políticas, verbas federais eram destinadas a entidade filantrópicas fantasmas. A acusação
envolveu mais de 20 parlamentares, 6 Ministros e ex-Ministros. Esse caso ficou conhecido como “Anões do
Orçamento”. No final das contas, apenas 6 Deputados Federais tiveram os mandatos cassados pelo Plenário
da Câmara dos Deputados.
É meus queridos, casos de corrupção não faltam na história do Brasil, né!DE IT
3.4 Os Governos de Fernando Henrique Cardoso: 1995-2002
Fernando Henrique Cardoso, FHC, que além de Ministro de Itamar também era
Senador da República, governou o país por 8 anos. Foi no seu primeiro mandato
que conseguiu aprovar no Congresso Nacional, em junho de 1997, a Emenda à
Constituição que autorizou a reeleição para Presidente da República e para os
outros cargos do Executivo do país (Governadores e Prefeitos).
Por sinal, há controvérsias sobre a campanha da aprovação dessa Emenda, pois há
suspeitas de compra de votos, denúncias de métodos antidemocráticos para sua
aprovação (distribuição de cargos, liberação de orçamentos, etc.).
Do ponto de vista econômico, o Governo de FHC continuou combatendo a inflação. Para você ter uma ideia,
com a implantação do Real, de julho de 1994 a maio de 2000, a taxa média de inflação caiu para uma média
de 11,4% ao ano (com base no Índice de Preços ao Consumidor Amplo – IPCA, medido pelo IBGE).
FHC também seguiu com uma linha neoliberal e ampliou o modelo de Estado não interventor na economia,
ou seja, privatizou os serviços públicos e aprofundou a ruptura do modelo de Estado criado láaaa com Getúlio
Vargas, lembra-se?
Não esqueça de que o modelo varguista era o nacional-desenvolvimentismo: o Estado como impulsionador
da economia e o de FHC é neoliberal! Vai que cai, né?
Fernando Henrique Cardoso teria feito essa escolha por entender que o modelo de substituição de
importação baseado no desenvolvimentismo teria se esgotado:
Fernando Henrique Cardoso
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O propalado esgotamento do modelo de substituição de importações foi, por sua vez, fruto
também da crise fiscal do Estado desenvolvimentista, o que também abriu espaço para a
convergência entre as ideias de Cardoso [FHC] e o receituário neoliberal: Cardoso passou a ver no
Estado uma máquina ineficiente e que estava presa aos interesses corporativos das empresas
estatais e dos setores sindicalizados da burocracia, os quais seriam uma força de resistência contra
a abertura da economia.23(grifos nossos)
Para tanto, o Governo Federal lançou mão de uma Reforma Administrativa do Estado para buscar
eficiência na administração pública. Dentre as medidas, algumas delas impactaram os servidores públicos,
como a extinção de cargos para priorizar áreas consideras “fim” da máquina pública. Iniciou-se um processo
de terceirização das atividades “meio” no serviço público.
A Reforma Administrativa também fez parte do conjunto mais geral reformas pró-mercado para eliminar a
capacidadeintervencionista do Estado na economia.
Com FHC, então, o Estado brasileiro diminuiu seu papel de produtor de bens e
serviços. Foram privatizadas, por exemplo, as seguintes empresas estatais:
Dentro desse modelo de redução do papel do Estado diretamente na economia, FHC criou as Agências
Reguladoras. Estas têm a finalidade de regular e fiscalizar esses setores estratégicos para o país. São
exemplos de Agências Reguladoras:
• Agência Nacional de Telecomunicações (ANATEL);
• Agência Nacional de Energia Elétrica (ANEEL).
23 TEIXIERA, Rodrigo Alves. PINTO, Eduardo Costa. A economia política dos governos FHC, Lula e Dilma:
dominância financeira, bloco no poder e desenvolvimento econômico. In: Economia e Sociedade,
Campinas, v. 21, n. 3 (46), dez. 2012, p. 915.
No setor de telecomunicações, o Sistema Telebrás;
No setor de geração e distribuição de energia elétrica, a
Eletrobras;
No setor de mineração, a Companhia Vale do Rio Doce;
No setor de siderurgia, a Companhia Siderúrgica Nacional
(CSN);
No setor químico, a Copesul.
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Política de FHC
Sobre esse esquema, veja o que nos diz a perspectiva histórica do professor Daniel Aarão Reis24,
Tratava-se de enfraquecer as tradições nacionais-estatistas, quebrando reservas de mercado,
diminuindo tarifas protecionistas, privatizando atividades e setores econômicos. Nesse sentido,
houve uma espécie de continuidade entre os governos Collor, Itamar e FHC que, em
perspectiva histórica, retomaram, redefinindo-as, algumas ideias básicas que animavam as forças
que participaram da vitória do Golpe de 1964, presentes sobretudo no governo Castelo Branco e
que seriam abandonadas, depois, pelos governos ditatoriais que se seguiram.(grifos nossos)
A justificativa para as privatizações estava baseada na ideia de que, com as vendas, o
capital estrangeiro seria atraído para o Brasil, mantendo a valorização do Real e a
estabilidade da economia. Além disso, a economia nacional seria modernizada com a
entrada de capital e tecnologia estrangeira, o que dinamizaria a economia. Ademais, o
dinheiro arrecado com a venda do patrimônio nacional seria utilizado para pagar parte
das dívidas interna e externa que a União detinha.
Contra as privatizações de FHC, pelo menos duas forças de oposição criticaram as medidas:
24 REIS, Daniel Aarão. A Vida Política. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-2010. Vol 5. Rio
de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p.117.
Fortalecimento
do Estado
regulador
Enfraquecimento
do Estado
empresário
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No final do 2º mandato de Fernando Henrique, o país passou por uma crise no fornecimento de energia
elétrica. Esse evento ficou conhecido como a crise do “Apagão”. Parte dos especialistas atribuiu a origem
dessa crise à falta de investimentos e às privatizações.
Dentro da lógica neoliberal e da diminuição do papel do Estado como interventor na economia, FHC também
conseguiu aprovar no Congresso Nacional, em 1995, a Emenda à Constituição que “quebrou” o monopólio
estatal sobre a exploração do petróleo. O fim do monopólio só pode ser estabelecido efetivamente em
1997, com a regulamentação da abertura do mercado por uma lei e com a criação da Agência Nacional do
Petróleo (ANP).
Outro ponto de atenção do Governo Fernando Henrique foi o ajuste das contas públicas, na verdade, o ajuste
dos gastos públicos. Para evitar excessivos gastos, FHC apresentou e o Congresso Nacional aprovou a Lei de
Responsabilidade Fiscal (LRF). A LRF foi aprovada em 4 de maio de 2000. Esta lei passou a estabelecer regras
para os gastos públicos, tanto em âmbito federal, quanto em estadual e municipal.
Com a LRF, por exemplo, os Governos não puderam mais criar despesas sem indicar corretamente as
receitas que pagariam os gastos. A LRF, juntamente com a linha mais geral macroeconômica do Governo,
ajudou a manter a meta do superávit-primário (percentual reservado da receita da União para pagar juros
e encargos da dívida pública).
Além disso, para continuar atraindo capital estrangeiro ao país, a política monetária de FHC foi caracterizada
por manter altas taxas de juros. Segundo especialistas, isso beneficia o capital de investimento especulativo
e não o capital produtivo. Isso significa que é um tipo de política que não gera muitos empregos e, por isso,
não intensifica o mercado interno.
No que diz respeito à política externa, o destaque foi para a tentativa de se estabelecer uma zona de
livre comércio nas Américas, em parceria com os Estados Unidos. Com FHC, seguindo a linha de
abertura comercial, a proposta de criação da Associação de Livre Comércio das Américas (ALCA), a
qual contaria com 34 países americanos, ganhou fôlego. Porém, a ALCA não foi para frente, pois
encontrou resistência em diversos países latino-americanos por considerarem que se tratava de uma
criticavam a venda do
patrimonio nacioal, a
lógica neoliberal e
defendiam um modelo de
Estado intervencionista;
alegavam que o
argumento para pagar a
dívida externa era
falacioso.
Movimentos
Sociais e
Partidos de
esquerda a liquidação do patrimônio
público teria sido por um
preço muito abaixo do
mercado; as privatizações
não tiveram como
contrapartida a melhora
dos serviços.
Analistas
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submissão aos interesses de Washington25. Além dessa tentativa, a integração com os países do
Mercosul também foi intensificada.
No que diz respeito à área social, houve avanços em pontos específicos, como no acesso à escola
para crianças com idade entre 7 e 14 anos de idade. Em 2002, último ano de FHC, o Brasil
praticamente alcançou a universalização do Ensino Fundamental, 97% dessas crianças.
O índice de analfabetismo também caiu, pois, em 1990, cerca de 18,3% das pessoas com idade superior a 10
anos eram analfabetas; em 2002, esse percentual caiu para 12,8%.
Algumas reformas mais gerais no setor da Educação também foram feitas, sendo aprovadas no ano de 1996
as Leis de Diretrizes e Bases para a Educação (LDB), em 1996, e, posteriormente, a criação dos Parâmetros
Curriculares para o Ensino Básico.
Porém, muitos especialistas afirmam que o compromisso do estado em gastar apenas o limite
fixado pela Lei de Responsabilidade Fiscal e o compromisso de pagar a dívida pública fez com
que os recursos advindos do equilíbrio das contas públicas não conseguissem diminuir o
déficit social existente no Brasil.
Já a concentração de renda foi ampliada, assim, a base da desigualdade social do Brasil não foi alterada. A
renda dos 20% da população mais rica continuou cerca de 30 vezes maior que a dos 20% da população mais
pobre. O Brasil ficou em excessiva dependência do Fundo Monetário Internacional (FMI) e a dívida externa
aumentou.
O aumento dos juros e a política de investimento das importações para o país geraram o fechamento de
empresas e a demissão de muitos trabalhadores. Tal situação, em certo sentido, fez com que a elite
econômica nacional atingisse a condição de sócia menor dos interesses estrangeiros26.
Neste cenário, a pressão de uma crise inflacionária voltou e as taxas de desemprego
começaram a subir. A renda média despencou.
Em suma, o namoro do Brasil com o Plano Real estava terminando bem no final do 2º
mandato de FHC. O modelo neoliberalmostrava desgastes essenciais no processo de
25 SILVA, Francisco Carlos Teixeira. O Brasil no Mundo. In: Modernização, Ditadura e Democracia: 1964-
2010. Vol 5. Rio de Janeiro: Mapere e Editora Objetiva. 2016, p. 159.
26 TEIXIERA, Rodrigo Alves. PINTO, Eduardo Costa. A economia política dos governos FHC, Lula e Dilma:
dominância financeira, bloco no poder e desenvolvimento econômico. In: Economia e Sociedade,
Campinas, v. 21, n. 3 (46), dez. 2012.
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consolidação democrática. Nas eleições de 2002 esse foi um dos principais temas: a
dificuldade de as políticas neoliberais em reduzirem as desigualdades sociais.
Profe, e corrupção no governo FHC? Teve algum caso?
Durante os mandatos de FHC surgiram algumas denúncias de corrupção envolvendo parlamentares,
assessores, empresários ligados ao governo e a Ministros. Algumas das denúncias chegaram a motivar a
abertura de CPIs, como a CPI do Sivam (Sistema de Vigilância da Amazônia) e a CPI dos Bancos. A base
governista no Congresso, contudo, levou ao arquivamento das investigações.
Também houve a CPI da Corrupção, a qual investigou a suposta compra de votos de parlamentares para a
aprovação da Emenda à Constituição que estabeleceu a possibilidade de reeleição do Presidente da
República.
FHC sofreu uma campanha conhecida como “Fora FHC”, a ponto de em 1999 um pedido de impeachment
ter sido apresentado contra ele. Mas o processo foi arquivado. Manifestações de rua também foram feitas
contra o Governo do PSDB.
No senso-comum muita gente chamava os Promotores do Ministério Público de “engavetadores da
república” porque nenhuma denúncia ia para frente.
Mas não dava para engavetar a insatisfação popular. No final das contas, a tensão política gerada pelo
desgaste do Governo FHC foi resolvida nas eleições de 2002, com a eleição da oposição.
FHC se destacou por controlar a inflação, problema histórico do Brasil. O Plano Real e a
estabilização da moeda fizeram dos destaques da política econômica de FHC. O Presidente
também se destacou por aplicar e ampliar as políticas neoliberais no país, com privatizações e
abrindo o mercado brasileiro para o capital internacional. Seu Governo foi marcado por
denúncias de corrupção que permaneceram sem investigação.
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LISTA DE QUESTÕES SEM COMENTÁRIOS
1. (CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Inspetor de Segurança Interna/2010)
Os direitos humanos estão citados no art. 5o da Constituição Federal, que faz determinações
em relação aos direitos e deveres individuais do cidadão. Nessa perspectiva, analise as
determinações a seguir.
I – Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento desumano ou degradante.
II – O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou seu interrogatório
policial.
III – A prática do racismo constitui crime passível do pagamento de fiança e sujeito à pena de
reclusão.
IV – É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter político extremista.
V – A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.
São corretas APENAS as determinações
a) I e II.
b) I, II e V.
c) II, III e IV.
d) III, IV e V.
e) I, III, IV e V.
2. (VUNESP - 2021 )
Em fevereiro de 1978, no Rio de Janeiro, foi fundado o primeiro Comitê Brasileiro pela Anistia
(CBA). E o que até então se apresentava como uma medida de justiça restaurativa se
transformou numa afirmativa de direitos – a “face imprescindível das liberdades
democráticas”, sublinhou a Carta de Princípios do CBA paulista, criado em maio de 1978. Os
CBAs foram a senha para o início de um movimento memorável – a campanha pela anistia
ampla, geral e irrestrita –, que unificou as forças de oposição, reuniu artistas e intelectuais,
ganhou a opinião pública, e transbordou para a rua em passeatas, comícios e atos públicos.
(Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, Brasil: uma biografia, p. 479)
A Lei da Anistia de agosto de 1979 foi
(A) de Iniciativa Popular, a partir das lideranças da OAB e da CNBB, aprovada apenas com os
votos da oposição ao governo federal, permitindo a imediata liberdade de todos os presos
políticos, assim como a legalização dos partidos comunistas e das centrais sindicais.
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(B) enviada pelo presidente da República ao Congresso e teve como resultado a volta de
exilados e a libertação de presos políticos e, ao mesmo tempo, não permitiu a
responsabilização individual dos coautores dos crimes praticados pelo Estado durante o regime
autoritário.
(C) derivada de uma emenda constitucional proposta pelos deputados e senadores do MDB,
com o apoio de alguns parlamentares da ARENA, e garantiu uma anistia política a todas as
forças políticas, com exceção dos militantes ligados aos grupos clandestinos de esquerda.
(D) proposta pelo ministro da Justiça e aprovada depois de exaustivas negociações com os
parlamentares da ARENA, que não aceitavam que as principais lideranças antes da ruptura
institucional de 1964 fossem anistiadas e tivessem os seus direitos políticos reestabelecidos.
(E) produto de uma longa negociação entre as lideranças da ARENA e do MDB e, com a forte
oposição das principais centrais sindicais, resultou numa lei bem abrangente, que permitiu que
os cargos políticos e administrativos exercidos antes de 1964 fossem imediatamente
reassumidos.
3. (VUNESP - 2019)
Figueiredo prosseguiu no caminho da abertura política iniciada no governo Geisel. O comando
das iniciativas ficou nas mãos do general Golbery e do ministro da Justiça, Petrônio Portella.
(Boris Fausto, História concisa do Brasil)
Durante o governo Figueiredo, a abertura política avançou com
(A) a extinção do Serviço Nacional de Informação (SNI) em 1984.
(B) a aprovação, pelo Congresso, da Lei da Anistia, em agosto de 1979.
(C) a permissão para o funcionamento do Partido Comunista do Brasil em 1981.
(D) a reabertura do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1980.
(E) o reestabelecimento, em 1982, da eleição direta para a presidência da República.
4. (VUNESP - 2018 )
“O Colégio Eleitoral, agora constituído de forma regular, detém poder político incontestável
para cumprir o seu mandato. A campanha para suprimi-lo constitui audaciosa tentativa política
para contornar poder legitimamente adquirido nos termos da Constituição vigente. Defender
o Colégio Eleitoral contra essa investida intempestiva é um dever que é meu, que é do governo,
que é de todos os parlamentares que o apoiam. Cumpre conter a ofensiva desencadeada contra
regras do jogo aceitas para eleição do meu sucessor”.
Presidente João Figueiredo, em pronunciamento à nação, em 16 de abril de 1984. (Rodrigues,
A. T O grito preso na garganta. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003. Adaptado)
Em seu pronunciamento, Figueiredo critica
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(A) o movimento das Diretas Já.
(B) a fundação de partidos como PT e PDT.
(C) a candidatura presidencial de Tancredo Neves.
(D) os comitês de luta pela anistia.
(E) a organização da luta contra a carestia.
5. (VUNESP - 2023)
Em 1984, pela primeira vez em vinte anos, a sucessão presidencial não seguiu os trâmites
normais do período militar.Por um lado, o governo procurava evitar a Emenda Dante de
Oliveira; por outro, não conseguia controlar as divergências internas do PDS em torno da
definição de um candidato à presidência. A Emenda Dante de Oliveira seria votada. Entretanto,
apesar de o envolvimento nas manifestações representar a vontade da maioria da população
brasileira em reestabelecer as eleições diretas, a emenda acabou sendo rejeitada em 25 de
abril de 1984.
(Conceição Aparecida Cabrini, 16 de abril de 1984 – Diretas Já. Em: Circe Bittencourt (org.),
Dicionários de datas da história do Brasil. Texto adaptado)
Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira,
(A) a oposição liberal e setores progressistas uniram-se em torno da candidatura do governador
paulista, Franco Montoro, do PMDB, que disputou e venceu o candidato situacionista,
Aureliano Chaves, em eleições indiretas.
(B) grupos políticos mais conservadores, caso do PTB, assumiram a direção das manifestações
públicas pelas eleições diretas e conseguiram impor uma vitoriosa candidatura situacionista no
Colégio Eleitoral.
(C) as forças políticas que defendiam a volta das eleições diretas mantiveram-se unidas e
conseguiram aprovar uma reforma constitucional que determinava que o novo presidente seria
eleito diretamente em 1988.
(D) os partidos oposicionistas, com a liderança do PDT, condenaram a manutenção das eleições
indiretas por meio do Colégio Eleitoral e colocaram em pauta uma nova emenda constitucional
com o objetivo de eleições diretas em 1985.
(E) setores moderados da oposição, conduzidos pelo PMDB, aliaram-se ao PFL, partido fundado
por dissidentes do PDS, e lançaram como candidato à presidência o governador de Minas
Gerais Tancredo Neves, do PMDB.
6. (VUNESP - 2017)
O processo de descompressão do sistema político começara a ser orquestrado em 1975, pelos
generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, ambos convencidos de que a ditadura
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deveria fazer suas escolhas e definir o momento mais conveniente para revogar os poderes de
exceção.
(SCHWARCZ, Lilia M. e STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das
Letras, 2015. Adaptado)
Entre os momentos mais marcantes desse processo, que se iniciou nos anos 1970 e se estendeu
até a década seguinte, é correto identificar
(A) o ano de 1985, quando o primeiro presidente civil foi eleito diretamente depois de 21 anos
de ditadura, em que apenas militares estiveram no poder.
(B) o ano de 1986, quando os primeiros militares acusados de tortura começaram a ser
processados, levados a julgamento e presos posteriormente.
(C) o ano de 1982, quando explodiu um grande movimento de massas favorável às eleições
diretas, embalado pelas vitórias da oposição nos governos estaduais.
(D) o biênio 1988-1989, quando foi eleita a Assembleia que escreveu a Constituição, que só
entrou em vigor depois do plebiscito sobre a forma de governo de 1993.
(E) o biênio 1978-1979, quando o AI-5 foi extinto, a Lei da Anistia foi promulgada e extinguiu-
se o bipartidarismo, passando a haver vários partidos.
7. (VUNESP - 2019)
A Assembleia Constituinte instalou-se em 1o de fevereiro de 1987, e a Constituição foi
promulgada no ano seguinte, em 5 de outubro de 1988. [...] É a mais extensa Constituição
brasileira – tem 250 artigos principais, mais 98 artigos das disposições transitórias – e está em
vigor até hoje.
(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia)
Essa Constituição
(A) garantiu o voto facultativo para os analfabetos.
(B) permitiu a formação de partidos políticos estaduais.
(C) proibiu as coligações partidárias nas eleições majoritárias.
(D) criou as Comissões Parlamentares de Inquérito.
(E) restringiu o direito de greve para funcionários públicos federais.
8. CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Analista Legislativo (ALECE)/Ciências Sociais/Sociologia
Julgue o item, relativo à democracia brasileira, particularmente no período de 1988 até os dias
atuais.
A atual Constituição, ao não prever mecanismos de controle das instituições capazes de
garantir tanto a participação popular quanto a transparência na gestão pública, representou,
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historicamente, a derrota das mobilizações da sociedade civil, ocorridas durante o processo
constituinte, em prol da democracia.
C Certo
E Errado
9. (VUNESP – 2011)
Sobre a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988, é correto afirmar que
a) criou a Lei da Ficha Limpa, que impede que os cidadãos condenados à prisão sejam
admitidos como candidatos a cargos públicos.
b) estabeleceu que a legislação relacionada aos direitos humanos deve ser de
responsabilidade dos estados da federação.
c) restringiu o direito de greve entre os funcionários públicos e proibiu esse mesmo direito
aos trabalhadores da área de saúde.
d) ampliou os direitos políticos, pois instituiu o voto facultativo para os analfabetos e para os
jovens entre 16 e 18 anos.
e) anulou importantes conquistas sociais, como a licença paternidade e a possibilidade de
habeas corpus para crimes políticos.
10. (MPE-GO - 2023 - MPE-GO - Secretário Auxiliar)
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é conhecida, desde sua promulgação,
como a “Constituição Cidadã”. Nesse sentido, não configura avanço no exercício da cidadania
por ela trazido:
a) A colocação da Educação como dever do Estado, inclusive para quem não teve acesso ao
ensino na idade certa.
b) Garantia, aos brasileiros, do pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da
cultura nacional.
c) O voto direto, censitário e secreto.
d) A possibilidade de os cidadãos apresentarem projetos de lei.
11. (VUNESP – 2008)
Após o término do período da ditadura militar, foram convocadas eleições de parlamentares
que tinham, como uma de suas atribuições, de elaborar a nova Carta Constitucional do Brasil.
Essa Carta apresentou algumas conquistas no tocante aos direitos individuais e coletivos,
dentre os quais pode-se destacar a
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I. restauração do habeas-corpus e a instituição do habeasdata.
II. aplicação de uma reforma agrária em terras consideradas improdutivas.
III. desapropriação dos latifúndios do país para fins de reforma agrária.
IV. obrigatoriedade do voto universal para a população analfabeta.
É correto o que se apresenta apenas em
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.
12. (CESPE/Cebraspe - Consultor Legislativo (SEN) / 2002)
Representação política é a existência de semelhança social entre os que representam e os que
são representados nos partidos políticos, e retrata um dos grandes debates correntes na
política brasileira. No Brasil, é visível a presença de empresários nos partidos conservadores e
de centro. Na bancada dos partidos progressistas, é clara a presença de sindicalistas e de
profissionais de classe média.
Com relação aos modos de representação política, julgue o item seguinte:
Elites políticas organizam-se nos estados, e seu papel na articulação das negociações nacionais
pode determinar seu poder na política local, estadual ou nacional.
Certo
Errado
13. FGV - 2018 - Técnico do Ministério Público (MPE AL)/Geral
Na República Federativa do Brasil, todo o poder emana do povo, que pode exercê-lo por meio
de pessoas eleitas especialmente para esse fim.
Esse processo de escolha caracterizauma manifestação da
a) democracia representativa.
b) separação dos poderes.
c) democracia direta.
d) eleição indireta.
e) federação.
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14. (CS-UFG - 2024 - Câmara de Anápolis - GO - Analista Administrativo – Administração)
A República Federativa do Brasil constitui-se como um Estado Democrático de Direito, o qual
se caracteriza por
a) ignorar as normas legais estabelecidas, agindo de forma arbitrária.
b) priorizar os interesses individuais, favorecendo práticas patrimonialistas.
c) garantir a igualdade de todos perante a lei, respeitando os direitos fundamentais.
d) permitir a concentração de poderes nas mãos de um órgão governamental.
15. (UECE-CEV - 2018 - SECULT-CE - Analista de Cultura)
Atente para o que as pesquisadoras Ilse Scherer-Warren Lígia e Helena Hahn Lüchmann
afirmam no seguinte excerto: “A emergência de novas articulações entre Estado e sociedade,
principalmente a partir da Constituição de 1988, deslocou grande parte das energias
participativas para o interior dos novos espaços institucionais que, a exemplo dos Conselhos
Gestores e dos Orçamentos Participativos – OP –, resultaram, em grande medida, das lutas e
reivindicações pela democratização do Estado”.
Fonte: Ilse Scherer-Warren; Lígia Helena Hahn Lüchmann. Situando o debate sobre
movimentos sociais e sociedade civil no Brasil – Introdução. Política & Sociedade, n. 05, 2004.
Considerando o excerto acima, assinale a afirmação verdadeira.
a) Os anos 1980, marcados pelo período da redemocratização, vivenciaram novas
articulações entre Estado e sociedade.
b) A Constituição de 1988 institucionalizou os modelos de participação social que existiam
desde os anos 1970, como o Orçamento Participativo.
c) Os deputados de 1988 se anteciparam à sociedade brasileira e criaram novos espaços
institucionais de participação popular, como os Conselhos Gestores.
d) Os Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo são novos espaços institucionais
criados pela Constituição Cidadã de 1988.
16. CESPE / CEBRASPE - 2023 – FUB – Diversos Cargos)
Com relação às diferentes classificações das constituições e aos princípios fundamentais
previstos na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os itens seguintes.
Segundo a CF, o povo deve exercer o poder por meio de representantes eleitos, em vez de
diretamente.
Certo
Errado
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17. CEBRASPE (CESPE) - 2023 - Auditor de Controle Interno (CGDF)/Planejamento e Orçamento
A Constituição Federal de 1988 determinou mudanças na forma de interação do Estado com
a sociedade brasileira, introduzindo as instituições participativas, com as incorporações de
cidadãos e de associações da sociedade civil na deliberação de políticas públicas. Entre as
instituições participativas que podem auxiliar na elaboração das políticas públicas incluem-se
I ) os conselhos nacionais.
II ) os conselhos municipais na definição do orçamento público.
III ) as conferências nacionais.
IV ) as audiências públicas.
V ) as associações da sociedade civil.
Assinale a opção correta.
A)Apenas os itens I, III e V estão certos.
B)Apenas os itens II, III e IV estão certos.
C)Apenas os itens I, II, IV e V estão certos.
D)Todos os itens estão certos.
18. FUMARC - Ana Leg (ALMG)/ALMG/Consultor Legislativo/Área I - Desenvolvimento Econômico
e Regional/2023
O termo Instituições Participativas (IPs) foi cunhado tendo em vista a crítica à compreensão da
institucionalidade, centrada na existência de uma legislação formal acerca do funcionamento
das instituições, bem como ao fato da própria abrangência do conceito de instituição política
que, de modo geral, não trata das práticas participativas e inovadoras. (AVRITZER, 2008).
Sobre exemplos de IPs, analise as afirmativas, considerando-as verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas
pelo executivo, buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas
públicas, disponibilizadas em canais institucionais e que depois são transformadas em políticas
públicas setoriais.
( ) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários,
entre Estado e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais,
contribuindo para o processo de democratização da gestão pública.
( ) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas
entre Estado e a sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do
orçamento público municipal. Apresenta-se em duas versões: presencial e digital.
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( ) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos
disponibilizados pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação
de serviços, bem como receber demandas diversas.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
a) F, F, V, V.
b) F, V, V, V.
c) V, F, V, F.
d) V, F, V, V.
19. FGV - AFFC (CGU)/CGU/Auditoria e Fiscalização/Geral/2022)
Os conselhos de gestão agem como a arena de interação e debate entre os componentes
políticos e os movimentos sociais. Um dos principais fatores relacionados ao sucesso dos
movimentos sociais no propósito de impactar as políticas públicas está centrado no acesso aos
decisores, para o qual os conselhos de gestão funcionam como mecanismos formais que visam
garantir esse acesso.
Sobre os conselhos de gestão e sua contribuição para a participação social na formulação de
políticas públicas, é correto afirmar que são:
a) espaços públicos não estatais cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos
fundos que gerem;
b) espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Executivo cuja
eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal
e que possuem total controle dos fundos que gerem;
c) espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Legislativo
cuja eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base
legal e que possuem total controle dos fundos que gerem;
d) organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos
fundos que gerem;
e) organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é positivamente impactada pelos
instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal e que possuem total controle dos fundos
que gerem.
20. (FGV 2018)
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Leia o discurso proferido por Tancredo Neves, no plenário da Câmara dos Deputados, em 15 de
janeiro de 1985.
Brasileiros, neste momento, alto na História, orgulhamo-nos de pertencer a umpovo que não
se abate, que sabe afastar o medo e não aceita acolher o ódio. A Nação inteira comunga deste
ato de esperança. Reencontramos, depois de ilusões perdidas e pesados sacrifícios, o bom e
velho caminho democrático. Não há Pátria onde falta democracia. (...)
O entendimento nacional não exclui o confronto das ideias, a defesa de doutrinas políticas
divergentes, a pluralidade de opiniões. Não pretendemos entendimento que signifique
capitulação, nem um morno encontro dos antagonistas políticos em região de imobilismo e
apatia. O entendimento se faz em torno de razões maiores, as da preservação da integridade e
da soberania nacionais. (...) Esta memorável campanha confirmou a ilimitada fé que tenho em
nosso povo. Nunca, em nossa história, tivemos tanta gente nas ruas, para reclamar a
recuperação dos direitos de cidadania e manifestar seu apoio a um candidato. (...)
Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma
emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão.
http://tancredoneves.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=68:presidente
-eleito-brasilia-15-01-1985&catid=42:discursos&Itemid=125. Acesso em 18 de fevereiro de
2018.
Assinale a alternativa correta:
a) Tancredo Neves foi o principal líder da oposição política à Ditadura Militar no Brasil e sua
eleição indireta em 1985 representou uma ruptura sem conciliações com os setores que
apoiaram os militares, a partir de 1964.
b) Com perfil moderado, Tancredo Neves, que havia sido primeiro-ministro durante o governo
de João Goulart, entre setembro de 1961 e junho de 1962, articulou a composição política que
instaurou a chamada Nova República em 1985.
c) A eleição direta de Tancredo Neves em 1985 significou o fim da Ditadura Militar no Brasil e
garantiu o pleno estabelecimento do regime democrático com a instauração do
pluripartidarismo.
d) Como governador de Minas Gerais, Tancredo Neves liderou o processo de anistia aos presos
políticos e exilados durante a Ditadura Militar no Brasil e promoveu a campanha pelas eleições
diretas em 1985.
e) Vinculado aos sindicatos de trabalhadores, à esquerda democrática e ao trabalhismo,
Tancredo Neves foi o principal herdeiro político de Getúlio Vargas e de João Goulart, em cujos
governos exerceu o cargo de ministro da Justiça.
21. (FGV 2018)
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Era a manhã ensolarada do dia 1o de maio de 1980, e as pessoas que haviam chegado ao
centro de São Bernardo para a comemoração da data se depararam com a cidade ocupada por
8.000 policiais armados, com ordens de impedir qualquer concentração.
É que aquele Dia do Trabalhador ocorria quando uma greve dos metalúrgicos da região
alcançava já um mês de duração e levara o chefe do Serviço Nacional de Informação a prometer
que dobraria a república de São Bernardo. O que poderia ter permanecido em dissídio salarial
tornara-se um enfrentamento político que polarizava a sociedade. Movidos pela solidariedade
à greve, formaram-se comitês de apoio em fábricas e bairros da Grande São Paulo. Pastorais
da Igreja, parlamentares da oposição, Ordem dos Advogados, sindicatos, artistas, estudantes,
jornalistas, professores assumiram a greve do ABC como expressão da luta democrática em
curso.
(Eder Sader. Quando novos personagens entraram em cena, 1988. Adaptado)
Em relação ao evento apresentado, é correto afirmar que
a) a ação dos sindicatos dos trabalhadores industriais da Grande São Paulo, especialmente na
região do ABC, sob a hegemonia do ilegal Partido Comunista Brasileiro, garantiu uma
excepcional articulação entre os movimentos sociais, como o de moradia, e o denominado
sindicalismo classista.
b) o ponto central de articulação e unidade das organizações sindicais, políticas e do
movimento popular do estado de São Paulo foi à luta contra as modificações na CLT,
pretendidas pelo Ministério do Trabalho, com a anuência da FIESP e de outras confederações
e federações patronais.
c) o sindicalismo brasileiro sofreu um decisivo impulso a partir das greves de boias-frias, em
1978, ocorridas no interior do estado São Paulo, fazendo com que a organização dos sindicatos
de trabalhadores da indústria se voltassem para a luta pela recuperação das perdas salariais
ocorridas desde 1964.
d) as movimentações operárias da região do ABC paulista foram organizadas por dirigentes do
chamado novo sindicalismo, que buscava a autonomia sindical frente ao Estado e criticava o
sindicalismo dos dirigentes pelegos, cuja ação se baseava em práticas assistencialistas.
e) a reorganização dos movimentos de trabalhadores no Brasil, depois de uma década sem
greves e manifestações de ruas, decorreu da ação dos trabalhadores da administração pública,
especialmente da saúde e da educação, que perderam o direito à sindicalização durante a
Ditadura Militar.
22. (FGV 2016)
Na primeira metade da década de 1980, começaram a surgir as propostas iniciais de política
anti-inflacionária alternativa. Esses estudos constituíram o pano de fundo para o Plano
Cruzado, lançado em 1986. Em 1994, o Plano Real enfim conseguiria domar a inflação. No
intervalo desses dois planos, houve uma sucessão de outros (...).
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VIDAL LUNA, F. e KLEIN, H. S., O Brasil desde 1980. São Paulo: A Girafa Editora, 2007, p. 75.
A respeito de um dos planos econômicos implementados no Brasil no período citado pelo texto
acima, é correto afirmar:
a) O Plano Collor, de 1990, caracterizou-se pelo confisco de valores monetários das contas
correntes e por uma política econômica protecionista.
b) O Plano Real, de 1994, caracterizou-se pela estabilização da moeda e pela ampliação de
medidas protecionistas.
c) O Plano Bresser, de 1987, caracterizou-se pelo rompimento com o FMI (Fundo Monetário
Internacional) e por seu caráter liberal.
d) O Plano Verão, de 1989, caracterizou-se pela nacionalização das empresas estrangeiras e
pelo controle da remessa de divisas ao exterior.
e) O Plano Cruzado, de 1986, caracterizou-se pelo tabelamento de preços e pela intervenção
do Estado na economia.
23. (FGV 2012)
Recentemente, em julho de 2011, faleceu o ex-presidente Itamar Franco. A respeito da sua
chegada ao poder e do seu governo, é correto afirmar:
a) Venceu Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições disputadas em 1994, graças
ao sucesso do Plano Real, implementado no governo de Fernando Henrique Cardoso.
b) Venceu Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989 e organizou um governo de coalizão
nacional, do qual participaram todos os demais partidos políticos brasileiros, inclusive o PT.
c) Assumiu a presidência após o processo de impeachment do presidente Fernando Collor de
Mello e, com seu ministro Fernando Henrique Cardoso, implementou o Plano Real.
d) Foi eleito em janeiro de 1985, em eleição direta pelo colégio eleitoral, e organizou um
governo de reformas políticas e econômicas que permitiram sua reeleição em 1994.
e) Foi eleito em 1994 devido ao sucesso do Plano Real implementado no governo do presidente
Fernando Henrique Cardoso, do qual participou como ministro da Fazenda.
24. (FGV 2012)
Leia o fragmento.
Na transição brasileira para a democracia, os setores conservadores, que sempre temem que
a mobilização popular fuja ao seu controle, acabaram por dar a tônica. A passagem da ditadura
[militar, 1964-1985] à democracia político-eleitoral deveria ser feita “por cima”, sem a
participação como sujeitos dos que estavam “embaixo”.
Chico Alencar et al, História da sociedade brasileira.
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Pode-se verificar a transição conservadora, comentada no trecho,
a) no isolamento político ao qual foi submetido o candidato à presidência do PMDB, Tancredo
Neves, que não contou com o apoio das outras forças de oposição ao regime autoritário nas
eleições indiretas de janeiro de 1985.
b) na derrota da emenda constitucional que preconizava eleições diretas para a presidência da
República e na constituição do primeiro governo pós-regime autoritário com a presença de
liberais moderados e de antigos partidários do regime anterior.
c) no completo descaso do governo eleito em 1985 com a prometida convocação imediata de
uma Assembleia Nacional Constituinte, que só se tornou possível após a intervenção de
entidades da sociedade civil, como a OAB e a CNBB.
d) no compromisso da chapa de oposição ao regime militar, sob a liderança de José Sarney, que
se apresentou nas eleições diretas de 1985 garantindo que as práticas autoritárias do regime
ditatorial não seriam investigadas.
e) na exigência explícita dos ministros militares do governo Figueiredo de que o candidato às
eleições diretas em 1985 viesse do grupo dos peemedebistas autênticos e que a lei de Anistia
não fosse revista.
25. (FGV 2009)
"A discussão sobre a revisão da Lei da Anistia veio à tona depois que Tarso Genro e o ministro
Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) defenderam punições a torturadores sob a interpretação
que estes teriam praticado crimes comuns no período da ditadura militar - como estupros,
homicídios e outros tipos de violência física e psicológica, incluindo a própria tortura. A
polêmica maior, contudo, surgiu quando o presidente do Clube Militar, general da reserva
Gilberto Figueiredo, classificou de "desserviço" ao país a discussão sobre a revisão da Lei".
("Folha de S. Paulo, 15.08.2008")
Sobre a Lei da Anistia, ainda objeto de discussão política, como se observa na notícia, é correto
afirmar que:
a) foi sancionada no início do governo do presidente João Figueiredo, o último da ditadura
militar, e perdoava militantes políticos condenados pelo regime autoritário, ao mesmo tempo
em que anistiava os agentes dos órgãos de repressão.
b) fez parte de um amplo acordo, do qual participaram vários setores da oposição ao governo
militar, resultando em uma lei que garantiu indenização imediata aos indivíduos perseguidos
pelos instrumentos autoritários do regime de exceção.
c) diante de uma movimentação popular intensa, a partir da direção do Comitê Brasileiro pela
Anistia, conquistou-se a chamada Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, aprovada pelo Congresso
Nacional e sancionada pelo presidente Figueiredo em maio de 1982.
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d) foi aprovada pelo Congresso Nacional, juntamente com a extinção do Ato Institucional n0. 5,
em janeiro de 1979, apesar da forte oposição dos militares moderados e da linha dura e até de
alguns membros da oposição consentida, o MDB.
e) foi aprovada pelo Senado Federal, com muitas restrições aos militantes das organizações
guerrilheiras, e como moeda de troca com as forças oposicionistas, pois as eleições municipais
de 1980 foram canceladas e transferidas para 1982.
26. (Espcex (Aman) 2020)
Em 1985, a inflação brasileira chegou a 235% ao ano. Para corrigir essa situação, o governo
Sarney anunciou, em fevereiro do ano seguinte, um plano de estabilização econômica,
conhecido como Plano Cruzado. Observe as afirmativas abaixo.
I. Instituição da moeda chamada Real;
II. Congelamento de preços;
III. “Gatilho” salarial, determinando que os salários seriam reajustados sempre que a inflação
chegasse a ao mês;
IV. Substituição da moeda corrente no país, o cruzeiro, pelo cruzeiro novo;
V. Introdução da Unidade Real de Valor (URV).
Assinale a alternativa em que todas as afirmativas estão relacionadas ao plano econômico
supracitado.
a) I e II.
b) I e V.
c) II e III.
d) III e V.
e) IV e V.
27. (Espcex (Aman) 2017)
Diante do impasse econômico-financeiro no País e de circunstâncias internacionais, os
governos brasileiros, no período de 1986 a 1994, tentaram reverter esta situação combatendo
a inflação e procurando retomar o crescimento através de vários planos econômicos que foram
implementados naquela época.
Para a conquista da estabilização econômica, foram implantados os seguintes planos
econômicos:
1. Plano Cruzado
2. Plano Collor
3. Plano Real
4. Plano Verão
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5. Plano Bresser
A sequência cronológica correta dos planos listados é
a) 4, 2, 3, 1 e 5.
b) 3, 5, 4, 1 e 2.
c) 5, 2, 1, 4 e 3.
d) 2, 4, 1, 5 e 3.
e) 1, 5, 4, 2 e 3.
28. (Profe Alê Lopes/Questão Inédita 2024)
Diante dos impasses dos processos políticos de redemocratização do Brasil após o Regime
Militar, findado em 1985, muito se discutiu qual seria a forma de governo e de sistema político
a ser adotado. Esse debate atravessou a Assembleia Constituinte até ser alvo de deliberação
quando a Constituição foi promulgada, em 1988. Contudo, anos depois, os brasileiros foram
convocados para um plebiscito. Com relação a este evento do plebiscito, marque a alternativa
correta.
a) o plebiscito ocorreu em 1993 e os brasileiros foram chamados a votar na forma de governo
republicano ou monarquia e no sistema de governo presidencialista ou parlamentarista.
b) o plebiscito ocorreu em 1993 e os brasileiros foram chamados a votar no sistema republicano
ou monarquista e na forma de governo presidencialista ou parlamentarista.
c) o plebiscito ocorreu em 1991 e os brasileiros foram chamados a votar na forma de governo
ditatorial ou democrático e no sistema de votação direta ou semidireta.
d) o plebiscito ocorreu em 1991, porém, a votação foi anulada por fraude e corrupção.
e) o plebiscito ocorreu em 1993, porém, os votos não foram contados porque os defensores da
forma de governo monarquista se retiraram do pleito.
29. (Profe Alê Lopes/Questão Inédita 2024)
Na década de 1990, os governos brasileiros ainda se debatiam para solucionar o problema da
inflação herdada da década de 1980. Diversos planos econômicos foram lançados com o
objetivo de equacionar as contas públicas, equilibrar o câmbio, enfim, melhorar a economia
nacional. Um desses planos logrou êxito porque, dentre outros motivos, implementou medidas
transicionais, dentre as quais podemos mencionar,
a) congelamento de preços e salários.
b) sequestro das poupanças e implantação de uma nova moeda.
c) “Gatilho” salarial, determinando que os salários seriam reajustados sempre que a inflação
chegasse a 20% ao mês
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d) a criação de um indexador provisório de inflação para reajustar preços de mercadorias e
salários, e, em seguida, uma nova moeda.
e) a criação da Unidade Real de Valor (URV) e a substituição da moeda corrente no país, o
cruzeiro, pelo cruzeiro novo.
30. (Profe Alê Lopes/Questão Inédita 2024)
Entre os principais planos econômico a partir do processo de redemocratização do Brasil na
década de 1980, figuram:
1 – Plano de Metas
2 – Plano Collor
3 – Plano Verão
4 – Plano Real
5 – Plano Marshall
Estão corretos os itens:
a) 1, 3 e 4 apenas.
b) 2 e 4 apenas.c) 1, 3 e 5 apenas.
d) 2, 3 e 4 apenas.
e) 1, 2 e 4 apenas.
31. (2009/ZAMBINI/MP-SP/)
Assinale a alternativa que faz a relação correta:
I. Presidente José Sarney.
II. Presidente Fernando Collor de Mello.
III. Presidente Itamar Franco.
IV. Presidente Fernando Henrique Cardoso.
( ) criação do Plano Bresser
( ) criação do Plano Real.
( ) fim do monopólio estatal no setor siderúrgico.
( ) assinou o Tratado de Assunção, no qual foi criado o Mercosul.
a) I, IV, II, III.
b) II, III, IV, I.
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c) I, III, IV, II.
d) III, IV, II, I.
e) IV, III, I, II.
32. (2010/VUNESP/Pref SBC)
Considere as afirmações sobre o governo Collor.
I. Como medida populista, Fernando Collor intitulava-se “caçador de marajás”.
II. Durante todo o período que governou, Collor reduziu a inflação de forma significativa.
III. Collor deu início ao processo de privatização das empresas estatais.
Está correto somente o que se afirma em
a) I.
b) I e II.
c) I e III.
d) II.
e) II e III.
33. (2008/VUNESP/PM-SP/Soldado-2ª Classe)
Em 1989, depois de 29 anos, a sucessão presidencial foi realizada por eleições diretas, num
contexto histórico de redemocratização do Brasil. No entanto, grande parte da população ficou
decepcionada porque o presidente eleito
a) usou a máquina do Estado para favorecer deputados e senadores em troca da aprovação de
emenda constitucional para garantir sua reeleição.
b) fez acordos políticos com os parlamentares visando aumentar, de quatro para cinco anos, o
seu mandato no poder executivo federal.
c) não pôde assumir o cargo, pois na véspera da posse foi internado às pressas, cabendo ao
vice-presidente o efetivo exercício do poder político.
d) teve seu mandato interrompido pelo Congresso Nacional, após as denúncias da existência
de um esquema de corrupção que favorecia o presidente.
e) fechou o Congresso Nacional, ampliando os poderes do executivo que passou a legislar por
meio de decretos-lei e de medidas provisórias.
34. (2018/COSEAC UFF/Pref Maricá)/História/Adaptada)
O Programa Nacional de Desestatização (PND), tinha como objetivos concentrar ações e
recursos do Estado em determinadas áreas, reduzir a dívida pública, promover ajuste fiscal e
retomada de investimentos privados e fortalecer o mercado acionário. Foi implementado:
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a) 1990, durante o governo de Fernando Collor.
b) 1992, durante o governo de Itamar Franco.
c) 1994, durante o 1° governo de Fernando Henrique Cardoso.
d) 1998, durante o 2° governo de Fernando Henrique Cardoso.
e) 2002, durante o 1° governo de Lula da Silva.
35. (2006/CPCON UEPB/PM PB)
Em 1989 ocorreu a eleição direta para presidente da república do país, onde sagrou-se
presidente o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Os fatos mais marcantes do
seu governo foram:
a) implantação de rigoroso plano econômico, graves denúncias de corrupção, impeachment.
b) isolamento político, execução e derrota do Plano Real, graves comprovações de corrupção,
impeachment.
c) implantação do Plano Real, graves denúncias de corrupção, impeachment.
d) insucesso do Plano Cruzado, impeachment, assumindo o vice-presidente Fernando Henrique
Cardoso
e) convocação da Assembléia constituinte, sucesso do Plano Cruzado, impeachment, posse do
vice-presidente Itamar Franco.
36. (2005/CPCON UEPB/PM PB)
Em 1990, Fernando Collor de Mello assume o governo com a intenção de colocar o país na
“modernidade”. Assinale a alternativa abaixo que NÃO faz parte das medidas de impacto do
governo Collor.
a) O confisco do dinheiro dos poupadores.
b) A implantação do Plano Cruzado.
c) O congelamento parcial e controle dos preços.
d) Abertura para o capital estrangeiro através da diminuição das tarifas de importação de bens
de consumo.
e) Primeiros passos para a privatização das estatais.
37. (2015/CRS/ PM MG)
Ao assumir o cargo de presidente da República, Itamar Franco encontrou amplo apoio político.
Fernando Henrique Cardoso, em sua presidência, assumiu o ministério da Fazenda em março
de 1993 e, com um grupo de economistas, começou a elaborar um plano para estabilizar a
economia. Sobre esta fase da redemocratização do Brasil é CORRETO afirmar que:
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a) A URV permitiu que empresários e trabalhadores conseguissem estimar seu padrão de vida
no valor das mercadorias mas, mesmo assim, a arrecadação de impostos manteve-se estável,
fato este que preocupava o governo e, por isso, culminou na redução de gastos na área social.
b) As medidas de ajuste econômico adotadas pelo ministro da Fazenda Fernando Henrique
Cardoso e sua equipe econômica se baseavam nas indicações do Consenso de Washington que
ressaltavam a necessidade de reformar o Estado, reduzir gastos do governo, privatizar estatais
e reduzir os impostos sobre produtos importados para alcançar a estabilidade da moeda.
c) Com a estabilização da economia alavancada pela implantação da URV, o governo criou uma
nova moeda, o “Real”, e com isso, possibilitou o lançamento da candidatura de Fernando
Henrique Cardoso ao cargo de Presidente da República apoiado pela coligação dos partidos
PSDB e PMDB.
d) Em 1994, o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, deu forma ao Plano
Real que estabilizou a nossa economia com a criação da URV (Unidade Real de Valor) atrelando-
a ao Euro (Moeda da União Europeia com forte valor de referência no mercado internacional)
– sendo uma união monetária com a qual o Brasil mantinha fortes laços comerciais.
38. (2014/IADES/SEAP DF/Analista de Atividades Culturais)
O Consenso de Washington representou um conjunto de medidas neoliberais que deveriam ser
executadas pelos países latino-americanos. Entre essas medidas, podem-se citar: disciplina
fiscal, processo de privatização de empresas estatais, abertura comercial e desregulamentação
das leis trabalhistas. A concessão de empréstimos e financiamentos pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird.)
estavam vinculados à adoção do receituário neoliberal.
A esse respeito, assinale a alternativa que indica o primeiro presidente a adotar o
neoliberalismo no País.
a) José Sarney.
b) Fernando Collor de Mello.
c) Itamar Franco.
d) Fernando Henrique Cardoso.
e) Luiz Inácio Lula da Silva.
39. (2007/PUC PR/URBS/Agente Técnico Administrativo)
A partir de 1985, ocorreu a redemocratização no Brasil, pois que ficou livre das amarras
ditatoriais do governo militar. Em matéria econômica, teve o País diversos planos salvadores,
entre os quais Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor e Plano Real. Nesse
ínterim, a moeda se transformou diversas vezes, de Cruzeiro para Cruzado, Cruzado Novo
Cruzeiro novamente e assim por diante, até surgir o Real, sob cuja bandeira ocorreu a
eliminação da tão desgastante inflação.
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O presidente da República no momento da implantação do Plano Real e da moeda denominada
Real era:
a) José Sarney.
b) Fernando Collor de Mello.
c) Itamar Franco.
d) Fernando Henrique Cardoso.
e) Luiz Inácio Lula da Silva.
40. (2006/CONSULTEC/CBM RN/Soldado Bombeiro Militar)
Baseando sua campanhano êxito do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição
para presidente nas duas vezes que concorreu. Um aspecto importante do seu período de
governo foi
a) a promulgação de uma nova Constituição para atender aos interesses políticos.
b) a adoção de medidas rigorosas de contenção de despesas, para seguir as diretrizes do Fundo
Monetário Internacional.
c) a promoção de uma série de reformas constitucionais que fortaleceram a indústria nacional,
modernizando o país.
d) o combate ao projeto neoliberal, prejudicial aos interesses do país, não permitindo a
privatização das empreses estatais.
e) um maior empenho para manter a política do Bem-Estar Social, promovendo programas
sociais.
41. (2016/FUNDEP/CBM MG/Soldado)
Leia o trecho a seguir.
“Utilizando o Plano Real, o político, sociólogo e professor Fernando Henrique Cardoso, foi eleito
e reeleito pela primeira vez na história do Brasil, e em primeiro turno, presidente do país.
Assumiu a presidência da República apoiado por uma confortável maioria no Congresso [...]
Graças ao apoio do Congresso, FHC conseguiu a aprovação para inúmeras emendas
constitucionais.”
SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração, 2008. p. 791.
Assinale a alternativa que apresenta uma das emendas constitucionais que foram aprovadas
no governo de FHC.
a) A quebra do monopólio estatal que atingiu, entre outros, as telecomunicações e a exploração
do petróleo.
b) O confisco das contas-correntes, poupanças e aplicações do que excedesse 50 mil cruzeiros,
que seriam devolvidos em 18 meses.
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c) A realização de um plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, sendo mantidos,
respectivamente, a República e o Presidencialismo.
d) A criação do Plano Cruzado que extinguiu o cruzeiro, além do congelamento dos preços e
salários, levando a população à fiscalização de preços.
42. (2005/CPCON/PM PB)
As medidas de ajuste adotadas pelo governo FHC no seu primeiro mandato provocaram:
a) O congelamento de preços e salários e a modernização tecnológica do país que resultou na
criação de usinas nucleares.
b) Uma melhor distribuição de rendas, o desemprego em massa e a redução da violência
urbana.
c) A recessão econômica e a quebra de bancos e empresas.
d) A estatização do sistema bancário e a redução da inflação.
e) A nacionalização das empresas estrangeiras e o investimento em novas fontes de energia.
GABARITO
1. B
2. B
3. B
4. A
5. E
6. E
7. A
8. E
9. D
10. C
11. A
12. C
13. A
14. C
15. A
16. E
17. D
18. A
19. A
20. B
21. D
22. E
23. C
24. B
25. A
26. C
27. E
28. A
29. D
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119
30. D
31. C
32. C
33. D
34. A
35. A
36. B
37. B
38. B
39. C
40. B
41. A
42. C
LISTA DE QUESTÕES COM COMENTÁRIOS
1. (CESGRANRIO - PPNT (PETROBRAS)/PETROBRAS/Inspetor de Segurança Interna/2010)
Os direitos humanos estão citados no art. 5o da Constituição Federal, que faz determinações
em relação aos direitos e deveres individuais do cidadão. Nessa perspectiva, analise as
determinações a seguir.
I – Ninguém será submetido a tortura, nem a tratamento desumano ou degradante.
II – O preso tem direito à identificação dos responsáveis por sua prisão ou seu interrogatório
policial.
III – A prática do racismo constitui crime passível do pagamento de fiança e sujeito à pena de
reclusão.
IV – É plena a liberdade de associação para fins lícitos, vedada a de caráter político extremista.
V – A lei penal não retroagirá, salvo para beneficiar o réu.
São corretas APENAS as determinações
a) I e II.
b) I, II e V.
c) II, III e IV.
d) III, IV e V.
e) I, III, IV e V.
Comentários:
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 5º, garante uma série de direitos e deveres
individuais e coletivos, representando um marco na proteção dos direitos humanos no Brasil.
I) Correta. A Constituição proíbe a tortura e qualquer tratamento desumano ou degradante,
assegurando a dignidade humana.
II) Correta. O preso tem o direito de saber quem o prendeu e o interroga, garantindo sua
segurança e o devido processo legal.
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119
III) Incorreta. O racismo é crime inafiançável e imprescritível, punido com reclusão, conforme a Lei
nº 7.716/1989.
IV) Incorreta. A liberdade de associação é plena para fins lícitos, inclusive atividade política, desde
que não seja contrária às atividades políticas da Constituição.
V) Correta. A lei penal não retroagirá para prejudicar o réu, assegurando a segurança jurídica e a
proteção individual.
Gabarito: B.
2. (VUNESP - 2021 )
Em fevereiro de 1978, no Rio de Janeiro, foi fundado o primeiro Comitê Brasileiro pela Anistia
(CBA). E o que até então se apresentava como uma medida de justiça restaurativa se
transformou numa afirmativa de direitos – a “face imprescindível das liberdades
democráticas”, sublinhou a Carta de Princípios do CBA paulista, criado em maio de 1978. Os
CBAs foram a senha para o início de um movimento memorável – a campanha pela anistia
ampla, geral e irrestrita –, que unificou as forças de oposição, reuniu artistas e intelectuais,
ganhou a opinião pública, e transbordou para a rua em passeatas, comícios e atos públicos.
(Lilia M. Schwarcz e Heloísa M. Starling, Brasil: uma biografia, p. 479)
A Lei da Anistia de agosto de 1979 foi
(A) de Iniciativa Popular, a partir das lideranças da OAB e da CNBB, aprovada apenas com os
votos da oposição ao governo federal, permitindo a imediata liberdade de todos os presos
políticos, assim como a legalização dos partidos comunistas e das centrais sindicais.
(B) enviada pelo presidente da República ao Congresso e teve como resultado a volta de
exilados e a libertação de presos políticos e, ao mesmo tempo, não permitiu a
responsabilização individual dos coautores dos crimes praticados pelo Estado durante o regime
autoritário.
(C) derivada de uma emenda constitucional proposta pelos deputados e senadores do MDB,
com o apoio de alguns parlamentares da ARENA, e garantiu uma anistia política a todas as
forças políticas, com exceção dos militantes ligados aos grupos clandestinos de esquerda.
(D) proposta pelo ministro da Justiça e aprovada depois de exaustivas negociações com os
parlamentares da ARENA, que não aceitavam que as principais lideranças antes da ruptura
institucional de 1964 fossem anistiadas e tivessem os seus direitos políticos reestabelecidos.
(E) produto de uma longa negociação entre as lideranças da ARENA e do MDB e, com a forte
oposição das principais centrais sindicais, resultou numa lei bem abrangente, que permitiu que
os cargos políticos e administrativos exercidos antes de 1964 fossem imediatamente
reassumidos.
Comentários:
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A Lei da Anistia de 1979 foi um marco importante no processo de redemocratização do Brasil. Ela
permitiu o retorno dos exilados políticos, a libertação dos presos políticos e o restabelecimento
dos direitos políticos de todos aqueles que foram perseguidos pelo regime militar.
(A) Incorreta. A Lei da Anistia não foi de iniciativa popular. Ela foi proposta pelo presidente da
República, João Figueiredo, e aprovada pelo CongressoNacional. Além disso, a lei não permitiu
a legalização dos partidos comunistas e das centrais sindicais, que permaneceram proibidos até
1985.
(B) Correta. A Lei da Anistia foi enviada pelo presidente Figueiredo ao Congresso Nacional e teve
como resultado a volta de exilados e a libertação de presos políticos. Além disso, a lei não permitiu
a responsabilização individual dos coautores dos crimes praticados pelo Estado durante o regime
autoritário.
(C) Incorreta. A Lei da Anistia não excluiu os militantes ligados aos grupos clandestinos de
esquerda. Ela abrangeu todos os crimes políticos ou conexos com estes, cometidos no período
de 2 de setembro de 1961 a 15 de agosto de 1979.
(D) Incorreta. A Lei da Anistia foi aprovada com o apoio de parlamentares de ambas as principais
legendas do Congresso Nacional, a ARENA e o MDB. Além disso, a lei não reestabeleceu os
direitos políticos das principais lideranças políticas antes de 1964.
(E) Incorreta. A Lei da Anistia não permitiu que os cargos políticos e administrativos exercidos
antes de 1964 fossem imediatamente reassumidos. Ela apenas restabeleceu os direitos políticos
dos que foram perseguidos pelo regime militar.
Gabarito: B
3. (VUNESP - 2019)
Figueiredo prosseguiu no caminho da abertura política iniciada no governo Geisel. O comando
das iniciativas ficou nas mãos do general Golbery e do ministro da Justiça, Petrônio Portella.
(Boris Fausto, História concisa do Brasil)
Durante o governo Figueiredo, a abertura política avançou com
(A) a extinção do Serviço Nacional de Informação (SNI) em 1984.
(B) a aprovação, pelo Congresso, da Lei da Anistia, em agosto de 1979.
(C) a permissão para o funcionamento do Partido Comunista do Brasil em 1981.
(D) a reabertura do Supremo Tribunal Federal (STF) em 1980.
(E) o reestabelecimento, em 1982, da eleição direta para a presidência da República.
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Comentários:
O governo Figueiredo, que se estendeu de 1979 a 1985, foi marcado por um processo de abertura
política que, embora gradual e cauteloso, representou um avanço significativo em relação ao
período mais repressivo da ditadura militar.
(A) Incorreta. O Serviço Nacional de Informação (SNI) foi extinto apenas em 1990, durante o
governo Collor de Mello.
(B) Correta. A Lei da Anistia, aprovada pelo Congresso Nacional em agosto de 1979, foi um marco
importante na abertura política do Brasil. Ela permitiu o retorno dos exilados políticos, a libertação
dos presos políticos e o restabelecimento dos direitos políticos de todos aqueles que foram
perseguidos pelo regime militar.
(C) Incorreta. O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) só foi legalizado em 1985, durante o governo
Sarney.
(D) Incorreta. O Supremo Tribunal Federal (STF) foi reaberto em 1979, ainda durante o governo
Geisel.
(E) Incorreta. A eleição direta para a presidência da República só foi reestabelecida em 1989,
durante o governo Sarney.
Gabarito: B.
4. (VUNESP - 2018 )
“O Colégio Eleitoral, agora constituído de forma regular, detém poder político incontestável
para cumprir o seu mandato. A campanha para suprimi-lo constitui audaciosa tentativa política
para contornar poder legitimamente adquirido nos termos da Constituição vigente. Defender
o Colégio Eleitoral contra essa investida intempestiva é um dever que é meu, que é do governo,
que é de todos os parlamentares que o apoiam. Cumpre conter a ofensiva desencadeada contra
regras do jogo aceitas para eleição do meu sucessor”.
Presidente João Figueiredo, em pronunciamento à nação, em 16 de abril de 1984. (Rodrigues,
A. T O grito preso na garganta. São Paulo: Editora Fundação Perseu Abramo, 2003. Adaptado)
Em seu pronunciamento, Figueiredo critica
(A) o movimento das Diretas Já.
(B) a fundação de partidos como PT e PDT.
(C) a candidatura presidencial de Tancredo Neves.
(D) os comitês de luta pela anistia.
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(E) a organização da luta contra a carestia.
Comentários:
O pronunciamento do presidente João Figueiredo, em 16 de abril de 1984, foi uma resposta ao
movimento das Diretas Já, que exigia a eleição direta para a presidência da República. O
movimento, apoiado por uma ampla parcela da sociedade, representava um desafio à ditadura
militar, que ainda mantinha o controle do processo eleitoral.
(A) Correta. O pronunciamento de Figueiredo é uma crítica direta ao movimento das Diretas Já.
O presidente afirma que a campanha para a eleição direta "constitui audaciosa tentativa política
para contornar poder legitimamente adquirido nos termos da Constituição vigente".
(B) Incorreta. A fundação de partidos como PT e PDT não é mencionada no pronunciamento de
Figueiredo. Ambos os partidos foram fundados após o fim do A.I.-2, em 1979.
(C) Incorreta. A candidatura presidencial de Tancredo Neves não é mencionada no
pronunciamento de Figueiredo.
(D) Incorreta. Os comitês de luta pela anistia não são mencionados no pronunciamento de
Figueiredo, até porque a Anistia foi promulgada em 1979.
(E) Incorreta. A organização da luta contra a carestia (inflação) não é mencionada no
pronunciamento de Figueiredo.
Gabarito: A
5. (VUNESP - 2023)
Em 1984, pela primeira vez em vinte anos, a sucessão presidencial não seguiu os trâmites
normais do período militar. Por um lado, o governo procurava evitar a Emenda Dante de
Oliveira; por outro, não conseguia controlar as divergências internas do PDS em torno da
definição de um candidato à presidência. A Emenda Dante de Oliveira seria votada. Entretanto,
apesar de o envolvimento nas manifestações representar a vontade da maioria da população
brasileira em reestabelecer as eleições diretas, a emenda acabou sendo rejeitada em 25 de
abril de 1984.
(Conceição Aparecida Cabrini, 16 de abril de 1984 – Diretas Já. Em: Circe Bittencourt (org.),
Dicionários de datas da história do Brasil. Texto adaptado)
Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira,
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(A) a oposição liberal e setores progressistas uniram-se em torno da candidatura do governador
paulista, Franco Montoro, do PMDB, que disputou e venceu o candidato situacionista,
Aureliano Chaves, em eleições indiretas.
(B) grupos políticos mais conservadores, caso do PTB, assumiram a direção das manifestações
públicas pelas eleições diretas e conseguiram impor uma vitoriosa candidatura situacionista no
Colégio Eleitoral.
(C) as forças políticas que defendiam a volta das eleições diretas mantiveram-se unidas e
conseguiram aprovar uma reforma constitucional que determinava que o novo presidente seria
eleito diretamente em 1988.
(D) os partidos oposicionistas, com a liderança do PDT, condenaram a manutenção das eleições
indiretas por meio do Colégio Eleitoral e colocaram em pauta uma nova emenda constitucional
com o objetivo de eleições diretas em 1985.
(E) setores moderados da oposição, conduzidos pelo PMDB, aliaram-se ao PFL, partido fundado
por dissidentes do PDS, e lançaram como candidato à presidência o governador de Minas
Gerais Tancredo Neves, do PMDB.
Comentários:
A derrota da Emenda Dante de Oliveira, que propunha eleições diretas para a presidência da
República em 1985, foi um momento de frustração para a oposição e a sociedade brasileira. No
entanto, o movimento das Diretas Já não foi em vão, pois contribuiu para o processo de abertura
política e para a redemocratização do país.
(A) Incorreta. A derrota daEmenda Dante de Oliveira levou a uma divisão na oposição, com o
PMDB se tornando o principal partido defensor das eleições diretas e o PDT defendendo a
abstenção nas eleições indiretas.
(B) Incorreta. A derrota da Emenda Dante de Oliveira não levou ao fortalecimento dos grupos
políticos mais conservadores. Em vez disso, levou ao fortalecimento do PMDB, que se tornou o
principal partido da oposição.
(C) Incorreta. A derrota da Emenda Dante de Oliveira não levou à aprovação de uma reforma
constitucional que determinava que o novo presidente seria eleito diretamente em 1988. Essa
reforma só foi aprovada em 1985, após a eleição indireta de Tancredo Neves.
(D) Incorreta. O PDT, liderado por Leonel Brizola, continuou a defender as eleições diretas e a
criticar a manutenção das eleições indiretas.
(E) Correta. Com a derrota da Emenda Dante de Oliveira, setores moderados da oposição,
conduzidos pelo PMDB, aliaram-se ao PFL, partido fundado por dissidentes do PDS, e lançaram
como candidato à presidência o governador de Minas Gerais Tancredo Neves, do PMDB.
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Tancredo Neves venceu as eleições indiretas de 1985, derrotando o candidato situacionista, Paulo
Maluf.
Gabarito: E
6. (VUNESP - 2017)
O processo de descompressão do sistema político começara a ser orquestrado em 1975, pelos
generais Ernesto Geisel e Golbery do Couto e Silva, ambos convencidos de que a ditadura
deveria fazer suas escolhas e definir o momento mais conveniente para revogar os poderes de
exceção.
(SCHWARCZ, Lilia M. e STARLING, Heloisa. Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das
Letras, 2015. Adaptado)
Entre os momentos mais marcantes desse processo, que se iniciou nos anos 1970 e se estendeu
até a década seguinte, é correto identificar
(A) o ano de 1985, quando o primeiro presidente civil foi eleito diretamente depois de 21 anos
de ditadura, em que apenas militares estiveram no poder.
(B) o ano de 1986, quando os primeiros militares acusados de tortura começaram a ser
processados, levados a julgamento e presos posteriormente.
(C) o ano de 1982, quando explodiu um grande movimento de massas favorável às eleições
diretas, embalado pelas vitórias da oposição nos governos estaduais.
(D) o biênio 1988-1989, quando foi eleita a Assembleia que escreveu a Constituição, que só
entrou em vigor depois do plebiscito sobre a forma de governo de 1993.
(E) o biênio 1978-1979, quando o AI-5 foi extinto, a Lei da Anistia foi promulgada e extinguiu-
se o bipartidarismo, passando a haver vários partidos.
Comentários:
O processo de abertura política no Brasil, que se iniciou nos anos 1970 e se estendeu até a década
seguinte, foi um período de gradual liberalização do regime militar. Esse processo foi marcado
por uma série de medidas, como a extinção do AI-5, a aprovação da Lei da Anistia e a
redemocratização do sistema partidário.
(A) Incorreta. O ano de 1985 foi um marco importante no processo de redemocratização do Brasil
por conta da eleição indireta de um presidente civil depois de mais de vinte anos de governos
militares. Contudo, é importante notar que a eleição de Tancredo Neves foi uma eleição indireta.
(B) Incorreta. Os primeiros militares acusados de tortura só começaram a ser processados e
julgados a partir da década de 1990, após a promulgação da Constituição de 1988.
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(C) Incorreta. O movimento das Diretas Já, que explodiu em 1982, foi um importante marco no
processo de abertura política, mas não foi o momento mais marcante. A aprovação da Lei da
Anistia, em 1979, e a extinção do bipartidarismo, em 1979, foram medidas mais significativas, pois
representaram o início da redemocratização do sistema político.
(D) Incorreta. A eleição da Assembleia Nacional Constituinte ocorreu em 1986, e a Constituição
foi promulgada em 1988.
(E) Correta. O biênio 1978-1979 foi um período de importantes avanços no processo de abertura
política. Em 1978, o AI-5 foi extinto, em 1979 foi promulgada a Lei da Anistia e, no mesmo ano, o
bipartidarismo foi extinto, passando a haver vários partidos.
Gabarito: E
7. (VUNESP - 2019)
A Assembleia Constituinte instalou-se em 1o de fevereiro de 1987, e a Constituição foi
promulgada no ano seguinte, em 5 de outubro de 1988. [...] É a mais extensa Constituição
brasileira – tem 250 artigos principais, mais 98 artigos das disposições transitórias – e está em
vigor até hoje.
(Lilia M. Schwarcz e Heloisa M. Starling. Brasil: uma biografia)
Essa Constituição
(A) garantiu o voto facultativo para os analfabetos.
(B) permitiu a formação de partidos políticos estaduais.
(C) proibiu as coligações partidárias nas eleições majoritárias.
(D) criou as Comissões Parlamentares de Inquérito.
(E) restringiu o direito de greve para funcionários públicos federais.
Comentários:
A Constituição de 1988, conhecida como Constituição Cidadã, foi um marco importante no
processo de redemocratização do Brasil. Ela estabeleceu um Estado Democrático de Direito, com
garantias fundamentais para os cidadãos, como o voto direto e secreto, a liberdade de expressão
e a separação dos poderes.
(A) Correta. A Constituição de 1988 garantiu o voto facultativo para os analfabetos, que até então
só podiam votar se fossem alfabetizados. Essa medida foi uma conquista importante para a
inclusão social e política dos analfabetos.
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(B) Incorreta. A Constituição de 1988 não permitiu a formação de partidos políticos estaduais. Ela
manteve o sistema de partidos políticos nacionais, que já existia desde a Constituição de 1946.
(C) Incorreta. A Constituição de 1988 não proibiu as coligações partidárias nas eleições
majoritárias. Ela manteve a possibilidade de que dois ou mais partidos políticos se unam para
lançar um candidato a uma eleição majoritária, como a eleição presidencial ou a eleição para
governador.
(D) Incorreta. A Constituição de 1988 não criou as Comissões Parlamentares de Inquérito (CPIs),
pois elas já existiam na Constituição de 1945. As CPIs são comissões temporárias constituídas pelo
Congresso Nacional para investigar denúncias de irregularidades ou crimes.
(E) Incorreta. A Constituição de 1988 não restringiu o direito de greve para funcionários públicos
federais. Ela manteve o direito de greve para todos os trabalhadores, inclusive os funcionários
públicos.
Gabarito: A
8. CEBRASPE (CESPE) - 2011 - Analista Legislativo (ALECE)/Ciências Sociais/Sociologia
Julgue o item, relativo à democracia brasileira, particularmente no período de 1988 até os dias
atuais.
A atual Constituição, ao não prever mecanismos de controle das instituições capazes de
garantir tanto a participação popular quanto a transparência na gestão pública, representou,
historicamente, a derrota das mobilizações da sociedade civil, ocorridas durante o processo
constituinte, em prol da democracia.
C Certo
E Errado
Comentários:
Errado.
A Constituição Federal de 1988, conhecida como a "Constituição Cidadã", introduziu mecanismos
significativos de controle e participação popular, consolidando a democracia participativa no Brasil. Dentre
esses mecanismos, destacam-se o referendo, o plebiscito e a iniciativa popular, que permitem aos cidadãos
participar diretamente do processo decisório federal e local.
Além disso, a Constituição estabeleceu os Conselhos Gestores de Políticas Públicas nos níveis municipal,
estaduale federal. Esses conselhos têm representação tanto do Estado quanto da sociedade civil,
promovendo uma gestão democrática e descentralizada. Setores específicos, como a Seguridade Social, a
educação e a proteção da criança e do adolescente, foram designados para terem gestões com caráter
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participativo, enfatizando a importância da colaboração entre governos, trabalhadores, empresários e
aposentados.
No campo do planejamento participativo, a Constituição estipula a cooperação das associações
representativas no planejamento municipal, evidenciando a necessidade de envolvimento da sociedade na
elaboração e implementação de políticas locais (Art. 29, XII). A gestão democrática do ensino público na área
da educação também é ressaltada, assegurando a participação da comunidade na tomada de decisões
relacionadas ao sistema educacional (Art. 206, VI).
Destaca-se ainda a gestão administrativa da Seguridade Social, que prevê a participação quadripartite de
governos, trabalhadores, empresários e aposentados (Art. 114, VI). Esse modelo de gestão busca garantir a
representatividade de diferentes setores na administração dos recursos e políticas relacionadas à Seguridade
Social.
Gabarito: E
9. (VUNESP – 2011)
Sobre a atual Constituição brasileira, promulgada em 1988, é correto afirmar que
a) criou a Lei da Ficha Limpa, que impede que os cidadãos condenados à prisão sejam
admitidos como candidatos a cargos públicos.
b) estabeleceu que a legislação relacionada aos direitos humanos deve ser de
responsabilidade dos estados da federação.
c) restringiu o direito de greve entre os funcionários públicos e proibiu esse mesmo direito
aos trabalhadores da área de saúde.
d) ampliou os direitos políticos, pois instituiu o voto facultativo para os analfabetos e para os
jovens entre 16 e 18 anos.
e) anulou importantes conquistas sociais, como a licença paternidade e a possibilidade de
habeas corpus para crimes políticos.
Comentários:
De uma maneira geral, a nova Carta Constitucional, estabeleceu, dentre outras questões:
Eleições diretas, em dois turnos, para Presidente do país, governadores e
prefeituras de cidades com mais de 200 mil eleitores;
Voto facultativo para jovens entre 16 e 18 anos e para pessoas com mais de 70 anos;
Reafirmação do direito de voto aos analfabetos (facultativo), porém, os analfabetos
são inelegíveis, isto é, não podem se candidatar.
A Medida Provisória como instrumento do Poder Executivo, com força de lei, para
casos de relevância e urgência, tal como preceitos constitucionais;
Projeto de lei de iniciativa popular;
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Igualdade jurídica entre todos os cidadãos: “Art. 5º Todos são iguais perante a lei,
sem distinção de qualquer natureza, garantindo-se aos brasileiros e aos
estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à
igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes (...)”.
Com isso, já sabemos que o gabarito é letra d). Vamos olhar porque as outras alternativas estão
erradas:
a) A Lei da Ficha Limpa é de 2010.
b) Essa responsabilidade ficou atribuída ao governo federal.
c) Pelo artigo 9º da Constituição Federal, a greve passou a ser admitida de forma ampla, como
direito dos trabalhadores em geral, a qual é proibida apenas em relação aos militares. Passou-
se a admiti-la também no serviço público, mediante lei, e nos serviços e atividades essenciais,
com restrições consistentes no atendimento das necessidades inadiáveis da população.
e) Ela reafirmou esses direitos.
Gabarito: D
10. (MPE-GO - 2023 - MPE-GO - Secretário Auxiliar)
A Constituição da República Federativa do Brasil de 1988 é conhecida, desde sua promulgação,
como a “Constituição Cidadã”. Nesse sentido, não configura avanço no exercício da cidadania
por ela trazido:
e) A colocação da Educação como dever do Estado, inclusive para quem não teve acesso ao
ensino na idade certa.
f) Garantia, aos brasileiros, do pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da
cultura nacional.
g) O voto direto, censitário e secreto.
h) A possibilidade de os cidadãos apresentarem projetos de lei.
Comentários:
A Constituição Federal de 1988, conhecida como "Constituição Cidadã", representa um marco na
história do Brasil, consolidando direitos e ampliando a participação popular.
a) Afirmação correta, logo não é o gabarito. A Constituição garante o direito à educação a todos,
independentemente da idade, combatendo a exclusão e promovendo a cidadania.
b) ) Afirmação correta, logo não é o gabarito. A Carta Magna garante o acesso à cultura e às fontes
da cultura nacional, promovendo a diversidade e a identidade cultural do povo brasileiro.
c) Incorreta, logo é o gabarito. . O voto direto, universal e secreto, previsto na Constituição,
garante a igualdade e a liberdade de escolha dos cidadãos, configurando um avanço na cidadania.
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Veja que a afirmação fala em voto “censitário”, uma modalidade de votação que restringe as
pessoas que podem votar. Em geral, esta restrição é por renda.
d) ) Afirmação correta, logo não é o gabarito. A iniciativa popular permite que os cidadãos
apresentem projetos de lei, fortalecendo a participação popular na construção das leis.
Gabarito: C.
11. (VUNESP – 2008)
Após o término do período da ditadura militar, foram convocadas eleições de parlamentares
que tinham, como uma de suas atribuições, de elaborar a nova Carta Constitucional do Brasil.
Essa Carta apresentou algumas conquistas no tocante aos direitos individuais e coletivos,
dentre os quais pode-se destacar a
I. restauração do habeas-corpus e a instituição do habeasdata.
II. aplicação de uma reforma agrária em terras consideradas improdutivas.
III. desapropriação dos latifúndios do país para fins de reforma agrária.
IV. obrigatoriedade do voto universal para a população analfabeta.
É correto o que se apresenta apenas em
a) I e II.
b) I e III.
c) II e III.
d) II e IV.
e) III e IV.
Comentários:
Mais uma questão sobre a Constituição de 1988. A Carta assegurou diversas garantias
constitucionais, com o objetivo de dar maior efetividade aos direitos fundamentais, permitindo
a participação do Poder Judiciário sempre que houver lesão ou ameaça de lesão a direitos. Para
demonstrar a mudança que estava havendo no sistema governamental brasileiro, que saíra de
um regime autoritário recentemente, a constituição de 1988 qualificou como crimes
inafiançáveis a tortura e as ações armadas contra o estado democrático e a ordem
constitucional, criando assim dispositivos constitucionais para bloquear golpes de qualquer
natureza. É a mais abrangente e extensa de todas as anteriores no que se trata de Direitos e
Garantias Fundamentais. Vamos olhar as proposições:
I. Correta. A partir do Artigo 5º, a Constituição de 1988 concede habeas corpos sempre que
alguém sofrer ou se achar ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de
locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder.
II. Correta. Vejamos o que diz o Artigo 184 da Constituição de 1988:
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Art. 184. Compete à União desapropriar por interesse social, para fins de reforma agrária, oimóvel rural que não esteja cumprindo sua função social, mediante prévia e justa indenização
em títulos da dívida agrária, com cláusula de preservação do valor real, resgatáveis no prazo
de até vinte anos, a partir do segundo ano de sua emissão, e cuja utilização será definida em
lei.
III. Incorreta. A desapropriação só é permitida em terras improdutivas, não em todos os
latifúndios.
IV. Incorreta. O voto para analfabetos é facultativo, não obrigatório.
Com isso, sabemos que o gabarito é letra a).
Gabarito: A
12. (CESPE/Cebraspe - Consultor Legislativo (SEN) / 2002)
Representação política é a existência de semelhança social entre os que representam e os que
são representados nos partidos políticos, e retrata um dos grandes debates correntes na
política brasileira. No Brasil, é visível a presença de empresários nos partidos conservadores e
de centro. Na bancada dos partidos progressistas, é clara a presença de sindicalistas e de
profissionais de classe média.
Com relação aos modos de representação política, julgue o item seguinte:
Elites políticas organizam-se nos estados, e seu papel na articulação das negociações nacionais
pode determinar seu poder na política local, estadual ou nacional.
Certo
Errado
Comentários
O item está correto. O papel das elites políticas na organização e articulação das negociações nacionais pode
influenciar significativamente seu poder na política local, estadual ou nacional. As elites políticas, muitas
vezes compostas por líderes de partidos políticos, parlamentares influentes, líderes empresariais e outros
atores de destaque na cena política, desempenham um papel importante na tomada de decisões e
negociações políticas em níveis diferentes.
Suas ações e influência podem se estender além das fronteiras estaduais e locais, afetando o cenário político
em âmbito nacional. Por exemplo, líderes de partidos políticos que têm presença em vários estados podem
desempenhar um papel fundamental na formação de coalizões e na condução de negociações políticas em
nível nacional.
Assim, o papel das elites políticas nas negociações nacionais é uma questão relevante na política brasileira,
pois pode determinar em grande parte seu poder e influência nos diferentes níveis do sistema político, desde
o local até o nacional.
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Gabarito: Correto
13. FGV - 2018 - Técnico do Ministério Público (MPE AL)/Geral
Na República Federativa do Brasil, todo o poder emana do povo, que pode exercê-lo por meio
de pessoas eleitas especialmente para esse fim.
Esse processo de escolha caracteriza uma manifestação da
a) democracia representativa.
b) separação dos poderes.
c) democracia direta.
d) eleição indireta.
e) federação.
Comentários
a) Correta, os cidadãos elegem representantes por meio do voto, os quais exercem o poder
em nome do povo. A democracia representativa é caracterizada pela participação dos
cidadãos na escolha de seus representantes, que tomam decisões em seu nome nos órgãos
legislativos e executivos. Essa forma de governo permite a representação de interesses
diversos em uma sociedade complexa e extensa. Vale lembrar que na CF/88 consta que
todo poder emana do povo que o exerce por meio de representantes, caracterizando a
representatividade.
b) Falso, pois se trata de organização dos poderes.
c) Errado, pois aqui cada cidadão tem direito a um voto e as decisões das leis e da vida
administrativa é feita por todos os cidadãos. De toda forma, há mecanismos de democracia
direta no Brasil, como o plebiscito e o referente.
d) Errado, pois é um tipo de eleição em que um colegiado de pessoas escolhe, por exemplo, o
Presidente da República.
e) Falso, pois aqui temos uma referência à forma de Estado.
Gabarito: A
14. (CS-UFG - 2024 - Câmara de Anápolis - GO - Analista Administrativo – Administração)
A República Federativa do Brasil constitui-se como um Estado Democrático de Direito, o qual
se caracteriza por
a) ignorar as normas legais estabelecidas, agindo de forma arbitrária.
b) priorizar os interesses individuais, favorecendo práticas patrimonialistas.
c) garantir a igualdade de todos perante a lei, respeitando os direitos fundamentais.
d) permitir a concentração de poderes nas mãos de um órgão governamental.
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Comentários:
Um Estado Democrático de Direito se baseia em princípios fundamentais que garantem a
organização social e política justa e equilibrada. O Estado Democrático de Direito se caracteriza
por:
• Soberania popular: o poder emana do povo.
• Separação de poderes: divisão do poder em Executivo, Legislativo e Judiciário.
• Legalidade: todos estão sujeitos à lei.
• Impessoalidade: a atuação do Estado deve ser impessoal e objetiva.
• Publicidade: os atos do Estado devem ser públicos.
• Controle social: o povo tem o direito de controlar o Estado.
• Respeito aos direitos fundamentais: o Estado deve garantir os direitos fundamentais do
cidadão.
Além disso, guarde que Estado de Direito indica o primado das leis em oposição ao governo dos
homens, no qual a força bruta predominava. Já a noção de Estado Democrático confere
legitimidade e participação do povo às próprias leis.
a) Incorreta. Um Estado Democrático de Direito se fundamenta na lei e na impessoalidade, não na
arbitrariedade.
b) Incorreta. O Estado Democrático de Direito visa o bem comum e a igualdade, combatendo o
patrimonialismo.
c) Certa. A igualdade perante a lei e o respeito aos direitos fundamentais são pilares de um Estado
Democrático de Direito.
d) Incorreta. A concentração de poderes fere a divisão de poderes e a democracia.
Gabarito: C.
15. (UECE-CEV - 2018 - SECULT-CE - Analista de Cultura)
Atente para o que as pesquisadoras Ilse Scherer-Warren Lígia e Helena Hahn Lüchmann
afirmam no seguinte excerto: “A emergência de novas articulações entre Estado e sociedade,
principalmente a partir da Constituição de 1988, deslocou grande parte das energias
participativas para o interior dos novos espaços institucionais que, a exemplo dos Conselhos
Gestores e dos Orçamentos Participativos – OP –, resultaram, em grande medida, das lutas e
reivindicações pela democratização do Estado”.
Fonte: Ilse Scherer-Warren; Lígia Helena Hahn Lüchmann. Situando o debate sobre
movimentos sociais e sociedade civil no Brasil – Introdução. Política & Sociedade, n. 05, 2004.
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Considerando o excerto acima, assinale a afirmação verdadeira.
a) Os anos 1980, marcados pelo período da redemocratização, vivenciaram novas
articulações entre Estado e sociedade.
b) A Constituição de 1988 institucionalizou os modelos de participação social que existiam
desde os anos 1970, como o Orçamento Participativo.
c) Os deputados de 1988 se anteciparam à sociedade brasileira e criaram novos espaços
institucionais de participação popular, como os Conselhos Gestores.
d) Os Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo são novos espaços institucionais
criados pela Constituição Cidadã de 1988.
Comentários:
O excerto de Scherer-Warren e Lüchmann destaca a importância da Constituição Federal de 1988 (CF/88) na
criação de novos mecanismos de participação social no Brasil. A partir da redemocratização, a sociedade civil
se mobilizou para democratizar o Estado, resultando na institucionalização de instrumentos como os
Conselhos Gestores e o Orçamento Participativo (OP). A participaçãosocial é um direito fundamental da
CF/88. Ela é essencial para a construção de uma sociedade mais justa, democrática e transparente.
Vejamos as alternativas:
A) Correto. Essas relações são marcadas por maior interação e participação.
B) Incorreto. O Orçamento Participativo não foi instituído pela Constituição e nem existia na década de 1970.
Ele surge pela primeira vez em Porto Alegre depois da promulgação da Constituição de 1988.
C) Incorreto. Os Conselhos Gestores foram criados a partir da promulgação da Constituição Federal e como
resposta à ampla mobilização da sociedade contra a ditadura e em favor da demcoracia.
D) Incorreto. Os conselhos gestores sim, mas o OP não foi criado pela CF/88.
Gabarito: A
16. CESPE / CEBRASPE - 2023 – FUB – Diversos Cargos)
Com relação às diferentes classificações das constituições e aos princípios fundamentais
previstos na Constituição Federal de 1988 (CF), julgue os itens seguintes.
Segundo a CF, o povo deve exercer o poder por meio de representantes eleitos, em vez de
diretamente.
Certo
Errado
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Comentários
Errada. A CF/88 prevê a democracia representativa, mas também admite a democracia direta, através de
instrumentos como o plebiscito, o referendo, a iniciativa popular e o conselhos gestores.
Gabarito: E
17. CEBRASPE (CESPE) - 2023 - Auditor de Controle Interno (CGDF)/Planejamento e Orçamento
A Constituição Federal de 1988 determinou mudanças na forma de interação do Estado com
a sociedade brasileira, introduzindo as instituições participativas, com as incorporações de
cidadãos e de associações da sociedade civil na deliberação de políticas públicas. Entre as
instituições participativas que podem auxiliar na elaboração das políticas públicas incluem-se
I ) os conselhos nacionais.
II ) os conselhos municipais na definição do orçamento público.
III ) as conferências nacionais.
IV ) as audiências públicas.
V ) as associações da sociedade civil.
Assinale a opção correta.
A)Apenas os itens I, III e V estão certos.
B)Apenas os itens II, III e IV estão certos.
C)Apenas os itens I, II, IV e V estão certos.
D)Todos os itens estão certos.
Comentários
A questão aborda a participação da sociedade nas políticas públicas, considerando as instituições
participativas introduzidas pela Constituição Federal de 1988.
I. Os conselhos nacionais.
Correto. Os conselhos nacionais são instâncias de participação da sociedade na deliberação de políticas
públicas em nível nacional.
II. Os conselhos municipais na definição do orçamento público.
Correto. Os conselhos municipais desempenham um papel importante na definição do orçamento público
em nível local.
III. As conferências nacionais.
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Correto. As conferências nacionais são espaços de debate e deliberação sobre políticas públicas em âmbito
nacional.
IV. As audiências públicas.
Correto. As audiências públicas são mecanismos de participação que permitem o debate entre
representantes do governo e da sociedade civil sobre determinados temas.
V. As associações da sociedade civil.
Correto. As associações da sociedade civil têm um papel relevante na representação de interesses e na
participação nas discussões sobre políticas públicas.
Gabarito: D
18. FUMARC - Ana Leg (ALMG)/ALMG/Consultor Legislativo/Área I - Desenvolvimento Econômico
e Regional/2023
O termo Instituições Participativas (IPs) foi cunhado tendo em vista a crítica à compreensão da
institucionalidade, centrada na existência de uma legislação formal acerca do funcionamento
das instituições, bem como ao fato da própria abrangência do conceito de instituição política
que, de modo geral, não trata das práticas participativas e inovadoras. (AVRITZER, 2008).
Sobre exemplos de IPs, analise as afirmativas, considerando-as verdadeiras (V) ou falsas (F):
( ) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas
pelo executivo, buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas
públicas, disponibilizadas em canais institucionais e que depois são transformadas em políticas
públicas setoriais.
( ) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários,
entre Estado e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais,
contribuindo para o processo de democratização da gestão pública.
( ) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas
entre Estado e a sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do
orçamento público municipal. Apresenta-se em duas versões: presencial e digital.
( ) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos
disponibilizados pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação
de serviços, bem como receber demandas diversas.
A sequência CORRETA, de cima para baixo, é:
a) F, F, V, V.
b) F, V, V, V.
c) V, F, V, F.
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d) V, F, V, V.
Comentários
(F) As Conferências Públicas, como eventos episódicos de participação, em geral organizadas pelo executivo,
buscam incorporar as sugestões da população aferidas por meio de consultas públicas, disponibilizadas em
canais institucionais e que depois são transformadas em políticas públicas setoriais.
Falso. As Conferências Públicas não são eventos episódicos organizados pelo executivo; são espaços de
participação e deliberação de diretrizes gerais de políticas públicas organizados periodicamente.
(F) Os Conselhos de Políticas são espaços públicos de composição plural, geralmente paritários, entre Estado
e sociedade civil, cuja função é formular, executar e controlar as políticas setoriais, contribuindo para o
processo de democratização da gestão pública.
Falso. Embora os Conselhos de Políticas tenham a função de formular e controlar a execução das políticas
públicas, a execução em si é realizada pelo próprio poder público, não pelos conselhos.
(V) O Orçamento Participativo se constitui como espaços de debates e decisões partilhadas entre Estado e a
sociedade civil, na definição das prioridades na aplicação dos recursos do orçamento público municipal.
Apresenta-se em duas versões: presencial e digital.
Verdadeiro. O Orçamento Participativo visa a envolver a sociedade na definição das prioridades de gastos
públicos, e pode ocorrer em versões presenciais e digitais.
(V) Os Canais que expressam as preferências individuais se constituem como instrumentos disponibilizados
pelo poder público para viabilizar a comunicação com os cidadãos, a avaliação de serviços, bem como receber
demandas diversas.
Verdadeiro. Canais de participação são meios pelos quais os cidadãos podem expressar suas preferências,
avaliar serviços e apresentar demandas.
Portanto, a sequência correta é a A: F, F, V, V.
Gabarito: A
19. FGV - AFFC (CGU)/CGU/Auditoria e Fiscalização/Geral/2022)
Os conselhos de gestão agem como a arena de interação e debate entre os componentes
políticos e os movimentos sociais. Um dos principais fatores relacionados ao sucesso dos
movimentos sociais no propósito de impactar as políticas públicas está centrado no acesso aos
decisores, para o qual os conselhos de gestão funcionam como mecanismos formais que visam
garantir esse acesso.
Sobre os conselhos de gestão e sua contribuiçãopara a participação social na formulação de
políticas públicas, é correto afirmar que são:
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a) espaços públicos não estatais cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos
fundos que gerem;
b) espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Executivo cuja
eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal
e que possuem total controle dos fundos que gerem;
c) espaços públicos estatais capazes de criar oportunidades para auxiliar o Poder Legislativo
cuja eficácia é positivamente impactada pelos instrumentos legais desenvolvidos em sua base
legal e que possuem total controle dos fundos que gerem;
d) organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é negativamente impactada por não
possuírem instrumentos capazes de corrigir a assimetria informacional acerca da condição dos
fundos que gerem;
e) organizações do terceiro setor cuja contribuição é altamente dependente das oportunidades
abertas pelo Poder Executivo local e cuja eficácia é positivamente impactada pelos
instrumentos legais desenvolvidos em sua base legal e que possuem total controle dos fundos
que gerem.
Comentários
Nessa questão o ideal era saber que um conselho gestor é um espaço não estatal. Segundo Joaquim Batista
Tavares (2006)27, os Conselhos de Gestão são um espaço público não-estatal de descentralização político-
administrativa que incide na gestão pública de forma indireta.
a) Correta. O texto destaca que os Conselhos de Gestão são espaços públicos não estatais e menciona a
dependência desses conselhos das oportunidades oferecidas pelo Poder Executivo local. Além disso, a
eficácia desses conselhos é negativamente impactada pela falta de instrumentos para corrigir a assimetria
informacional.
b) Incorreta. O texto explicitamente menciona que os Conselhos de Gestão são espaços públicos não estatais,
o que vai contra a afirmação de que seriam espaços públicos estatais.
c) Incorreta. Assim como na análise anterior, o texto enfatiza que os Conselhos de Gestão são espaços
públicos não estatais, o que não condiz com a afirmação de serem espaços públicos estatais.
27 Conselhos de gestão de políticas públicas: de espaços de constituição de esfera pública não estatal à
formação de um sistema nacional de representação. Dissertação de Mestrado, UFLA, 2006.
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d) Incorreta. O texto destaca que os Conselhos de Gestão são espaços públicos não estatais, não
organizações do terceiro setor.
e) Incorreta. Da mesma forma que nas alternativas anteriores, o texto não os caracteriza como organizações
do terceiro setor, e a afirmação sobre o controle total dos fundos não é mencionada no texto.
Gabarito: A
20. (FGV 2018)
Leia o discurso proferido por Tancredo Neves, no plenário da Câmara dos Deputados, em 15 de
janeiro de 1985.
Brasileiros, neste momento, alto na História, orgulhamo-nos de pertencer a um povo que não
se abate, que sabe afastar o medo e não aceita acolher o ódio. A Nação inteira comunga deste
ato de esperança. Reencontramos, depois de ilusões perdidas e pesados sacrifícios, o bom e
velho caminho democrático. Não há Pátria onde falta democracia. (...)
O entendimento nacional não exclui o confronto das ideias, a defesa de doutrinas políticas
divergentes, a pluralidade de opiniões. Não pretendemos entendimento que signifique
capitulação, nem um morno encontro dos antagonistas políticos em região de imobilismo e
apatia. O entendimento se faz em torno de razões maiores, as da preservação da integridade e
da soberania nacionais. (...) Esta memorável campanha confirmou a ilimitada fé que tenho em
nosso povo. Nunca, em nossa história, tivemos tanta gente nas ruas, para reclamar a
recuperação dos direitos de cidadania e manifestar seu apoio a um candidato. (...)
Não vamos nos dispersar. Continuemos reunidos, como nas praças públicas, com a mesma
emoção, a mesma dignidade e a mesma decisão.
http://tancredoneves.org.br/index.php?option=com_content&view=article&id=68:presidente
-eleito-brasilia-15-01-1985&catid=42:discursos&Itemid=125. Acesso em 18 de fevereiro de
2018.
Assinale a alternativa correta:
a) Tancredo Neves foi o principal líder da oposição política à Ditadura Militar no Brasil e sua
eleição indireta em 1985 representou uma ruptura sem conciliações com os setores que
apoiaram os militares, a partir de 1964.
b) Com perfil moderado, Tancredo Neves, que havia sido primeiro-ministro durante o governo
de João Goulart, entre setembro de 1961 e junho de 1962, articulou a composição política que
instaurou a chamada Nova República em 1985.
c) A eleição direta de Tancredo Neves em 1985 significou o fim da Ditadura Militar no Brasil e
garantiu o pleno estabelecimento do regime democrático com a instauração do
pluripartidarismo.
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d) Como governador de Minas Gerais, Tancredo Neves liderou o processo de anistia aos presos
políticos e exilados durante a Ditadura Militar no Brasil e promoveu a campanha pelas eleições
diretas em 1985.
e) Vinculado aos sindicatos de trabalhadores, à esquerda democrática e ao trabalhismo,
Tancredo Neves foi o principal herdeiro político de Getúlio Vargas e de João Goulart, em cujos
governos exerceu o cargo de ministro da Justiça.
Comentários
a) Errado porque, embora Tancredo Neves tenha sido uma figura importante na oposição à
Ditadura Militar, sua eleição em 1985 não representou uma ruptura sem conciliações. Pelo
contrário, Tancredo era conhecido por seu perfil conciliador e por buscar um caminho de
transição pacífica para a democracia, o que incluía fazer acordos com setores moderados do
regime militar.
b) Correta. Essa alternativa é correta porque Tancredo Neves, de fato, tinha um perfil político
moderado e foi uma figura chave na transição do regime militar para a Nova República no
Brasil. Ele serviu como primeiro-ministro durante o governo parlamentarista de João Goulart
no início da década de 1960. Sua eleição em 1985, embora tenha sido por via indireta (pelo
Colégio Eleitoral), representou um importante passo no processo de redemocratização do país.
As demais alternativas contêm informações imprecisas ou incorretas sobre a trajetória política
de Tancredo Neves e o contexto da sua eleição.
c) Esta é falsa porque Tancredo Neves não foi eleito por voto direto, mas sim de forma indireta,
pelo Colégio Eleitoral. Além disso, o pluripartidarismo já havia sido restabelecido antes de 1985,
especificamente em 1980, durante o governo do presidente João Figueiredo.
d) Esta alternativa é imprecisa. Embora Tancredo tenha apoiado a anistia e as eleições diretas,
o processo de anistia aos presos políticos e exilados foi uma política do governo federal,
culminando na Lei de Anistia de 1979, sob o presidente João Figueiredo. Tancredo apoiou a
campanha das Diretas Já, mas não foi o líder principal dela.
e) Tancredo Neves não era principalmente identificado com os sindicatos de trabalhadores
nem com a esquerda democrática. Embora tivesse laços com o trabalhismo e servisse no
governo de João Goulart, sua figura políticanão era vista como uma continuação direta ou
herança de Vargas ou Goulart. Além disso, ele nunca ocupou o cargo de ministro da Justiça.
Gabarito: B
21. (FGV 2018)
Era a manhã ensolarada do dia 1o de maio de 1980, e as pessoas que haviam chegado ao
centro de São Bernardo para a comemoração da data se depararam com a cidade ocupada por
8.000 policiais armados, com ordens de impedir qualquer concentração.
É que aquele Dia do Trabalhador ocorria quando uma greve dos metalúrgicos da região
alcançava já um mês de duração e levara o chefe do Serviço Nacional de Informação a prometer
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que dobraria a república de São Bernardo. O que poderia ter permanecido em dissídio salarial
tornara-se um enfrentamento político que polarizava a sociedade. Movidos pela solidariedade
à greve, formaram-se comitês de apoio em fábricas e bairros da Grande São Paulo. Pastorais
da Igreja, parlamentares da oposição, Ordem dos Advogados, sindicatos, artistas, estudantes,
jornalistas, professores assumiram a greve do ABC como expressão da luta democrática em
curso.
(Eder Sader. Quando novos personagens entraram em cena, 1988. Adaptado)
Em relação ao evento apresentado, é correto afirmar que
a) a ação dos sindicatos dos trabalhadores industriais da Grande São Paulo, especialmente na
região do ABC, sob a hegemonia do ilegal Partido Comunista Brasileiro, garantiu uma
excepcional articulação entre os movimentos sociais, como o de moradia, e o denominado
sindicalismo classista.
b) o ponto central de articulação e unidade das organizações sindicais, políticas e do
movimento popular do estado de São Paulo foi à luta contra as modificações na CLT,
pretendidas pelo Ministério do Trabalho, com a anuência da FIESP e de outras confederações
e federações patronais.
c) o sindicalismo brasileiro sofreu um decisivo impulso a partir das greves de boias-frias, em
1978, ocorridas no interior do estado São Paulo, fazendo com que a organização dos sindicatos
de trabalhadores da indústria se voltassem para a luta pela recuperação das perdas salariais
ocorridas desde 1964.
d) as movimentações operárias da região do ABC paulista foram organizadas por dirigentes do
chamado novo sindicalismo, que buscava a autonomia sindical frente ao Estado e criticava o
sindicalismo dos dirigentes pelegos, cuja ação se baseava em práticas assistencialistas.
e) a reorganização dos movimentos de trabalhadores no Brasil, depois de uma década sem
greves e manifestações de ruas, decorreu da ação dos trabalhadores da administração pública,
especialmente da saúde e da educação, que perderam o direito à sindicalização durante a
Ditadura Militar.
Comentários
a) Errada. Não há evidência de que o Partido Comunista Brasileiro (ilegal na época) tenha tido hegemonia
sobre os sindicatos industriais da região do ABC. Além disso, embora houvesse interação entre diferentes
movimentos sociais, o texto não se refere especificamente à articulação com o movimento de moradia e ao
sindicalismo classista.
b) Errado. A luta contra as modificações na CLT não foi o ponto central de articulação das organizações
sindicais e políticas do estado de São Paulo naquele momento. O foco principal era nas questões salariais e
na resistência à repressão do regime militar.
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c) Errado. Embora as greves de boias-frias em 1978 tenham sido importantes, o texto fala especificamente
das movimentações dos trabalhadores industriais do ABC paulista, e não se refere diretamente à influência
das greves de trabalhadores rurais.
d) Correta. Essa alternativa é correta porque descreve adequadamente o contexto e as características
do movimento sindical na região do ABC paulista no final da década de 1970 e início dos anos 80.
Este movimento, liderado por figuras como Luiz Inácio Lula da Silva, foi marcante pelo seu caráter
inovador (o "novo sindicalismo"), buscando maior independência em relação ao Estado e criticando
a postura anterior de muitos sindicatos que eram vistos como "pelegos", ou seja, muito próximos e
alinhados aos interesses do governo e dos empregadores, com práticas assistencialistas e não
combativas.
e) Falso. A reorganização dos movimentos de trabalhadores no período mencionado não é atribuída
principalmente à ação dos trabalhadores da administração pública, mas sim à atuação dos operários
industriais, especialmente na região do ABC paulista.
Gabarito: D
22. (FGV 2016)
Na primeira metade da década de 1980, começaram a surgir as propostas iniciais de política
anti-inflacionária alternativa. Esses estudos constituíram o pano de fundo para o Plano
Cruzado, lançado em 1986. Em 1994, o Plano Real enfim conseguiria domar a inflação. No
intervalo desses dois planos, houve uma sucessão de outros (...).
VIDAL LUNA, F. e KLEIN, H. S., O Brasil desde 1980. São Paulo: A Girafa Editora, 2007, p. 75.
A respeito de um dos planos econômicos implementados no Brasil no período citado pelo texto
acima, é correto afirmar:
a) O Plano Collor, de 1990, caracterizou-se pelo confisco de valores monetários das contas
correntes e por uma política econômica protecionista.
b) O Plano Real, de 1994, caracterizou-se pela estabilização da moeda e pela ampliação de
medidas protecionistas.
c) O Plano Bresser, de 1987, caracterizou-se pelo rompimento com o FMI (Fundo Monetário
Internacional) e por seu caráter liberal.
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d) O Plano Verão, de 1989, caracterizou-se pela nacionalização das empresas estrangeiras e
pelo controle da remessa de divisas ao exterior.
e) O Plano Cruzado, de 1986, caracterizou-se pelo tabelamento de preços e pela intervenção
do Estado na economia.
Comentários
a)Errado. O Plano Collor, iniciado em 1990 durante o governo de Fernando Collor de Mello, é conhecido
pelo confisco de ativos financeiros, mas não foi caracterizado por uma política econômica protecionista. Ao
contrário, o plano incluiu medidas de abertura econômica e liberalização do mercado.
b) Falso. O Plano Real, de 1994, iniciado durante o governo de Itamar Franco e com forte participação do
então Ministro da Fazenda Fernando Henrique Cardoso, focou na estabilização da moeda, mas não ampliou
medidas protecionistas. Pelo contrário, o plano acompanhou uma tendência de liberalização econômica e
integração ao mercado global.
c) Errado. O Plano Bresser, de 1987, nomeado após o Ministro da Fazenda Luiz Carlos Bresser-Pereira, não
envolveu rompimento com o FMI e não era caracterizado por um caráter liberal. Foi um plano de
estabilização que incluiu medidas como o congelamento de preços.
d) Errado. O Plano Verão, de 1989, não se caracterizou pela nacionalização de empresas estrangeiras nem
pelo controle da remessa de divisas ao exterior. Este plano também incluiu a mudança da moeda e tentativas
de controlar a inflação, mas sem as medidas extremas descritas na alternativa.
e) Essa alternativa está correta porque o Plano Cruzado, implementado durante o governo de José Sarney,
realmente se caracterizou por um forte controle de preços e intervenção estatal na economia. O plano incluiu
medidas como o congelamento de preços e salários, a mudança da moeda (de Cruzeiro para Cruzado), e a
criação de mecanismos para tentar controlar a inflação, que na época era extremamente alta.
Gabarito: E
23. (FGV 2012)
Recentemente, em julho de 2011, faleceu o ex-presidente ItamarFranco. A respeito da sua
chegada ao poder e do seu governo, é correto afirmar:
a) Venceu Luiz Inácio Lula da Silva no primeiro turno das eleições disputadas em 1994, graças
ao sucesso do Plano Real, implementado no governo de Fernando Henrique Cardoso.
b) Venceu Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989 e organizou um governo de coalizão
nacional, do qual participaram todos os demais partidos políticos brasileiros, inclusive o PT.
c) Assumiu a presidência após o processo de impeachment do presidente Fernando Collor de
Mello e, com seu ministro Fernando Henrique Cardoso, implementou o Plano Real.
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d) Foi eleito em janeiro de 1985, em eleição direta pelo colégio eleitoral, e organizou um
governo de reformas políticas e econômicas que permitiram sua reeleição em 1994.
e) Foi eleito em 1994 devido ao sucesso do Plano Real implementado no governo do presidente
Fernando Henrique Cardoso, do qual participou como ministro da Fazenda.
Comentários
a) Itamar Franco não disputou as eleições de 1994 contra Luiz Inácio Lula da Silva. O Plano Real foi
implementado durante seu governo e contribuiu para a eleição de Fernando Henrique Cardoso naquele ano.
b) Itamar Franco não venceu Luiz Inácio Lula da Silva nas eleições de 1989. Essa eleição foi disputada entre
Fernando Collor de Mello e Luiz Inácio Lula da Silva, com a vitória de Collor.
C) Essa afirmação está correta porque Itamar Franco assumiu a presidência do Brasil em 1992, após a
renúncia de Fernando Collor de Mello, que estava enfrentando um processo de impeachment. Durante seu
governo, Itamar Franco teve Fernando Henrique Cardoso como ministro da Fazenda, e juntos eles
implementaram o Plano Real, que foi crucial para o controle da hiperinflação no Brasil.
d) Itamar Franco não foi eleito em 1985 pelo colégio eleitoral. O presidente eleito naquela ocasião foi
Tancredo Neves, mas ele faleceu antes de tomar posse, sendo substituído pelo seu vice, José Sarney.
e) Itamar Franco não foi eleito em 1994 devido ao sucesso do Plano Real. Como mencionado, o Plano Real
contribuiu para a eleição de Fernando Henrique Cardoso naquele ano. Itamar Franco foi presidente antes de
Fernando Henrique Cardoso, não depois.
Gabarito: C
24. (FGV 2012)
Leia o fragmento.
Na transição brasileira para a democracia, os setores conservadores, que sempre temem que
a mobilização popular fuja ao seu controle, acabaram por dar a tônica. A passagem da ditadura
[militar, 1964-1985] à democracia político-eleitoral deveria ser feita “por cima”, sem a
participação como sujeitos dos que estavam “embaixo”.
Chico Alencar et al, História da sociedade brasileira.
Pode-se verificar a transição conservadora, comentada no trecho,
a) no isolamento político ao qual foi submetido o candidato à presidência do PMDB, Tancredo
Neves, que não contou com o apoio das outras forças de oposição ao regime autoritário nas
eleições indiretas de janeiro de 1985.
b) na derrota da emenda constitucional que preconizava eleições diretas para a presidência da
República e na constituição do primeiro governo pós-regime autoritário com a presença de
liberais moderados e de antigos partidários do regime anterior.
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c) no completo descaso do governo eleito em 1985 com a prometida convocação imediata de
uma Assembleia Nacional Constituinte, que só se tornou possível após a intervenção de
entidades da sociedade civil, como a OAB e a CNBB.
d) no compromisso da chapa de oposição ao regime militar, sob a liderança de José Sarney, que
se apresentou nas eleições diretas de 1985 garantindo que as práticas autoritárias do regime
ditatorial não seriam investigadas.
e) na exigência explícita dos ministros militares do governo Figueiredo de que o candidato às
eleições diretas em 1985 viesse do grupo dos peemedebistas autênticos e que a lei de Anistia
não fosse revista.
Comentários
A) Errado. a) Tancredo Neves, candidato à presidência pelo PMDB, não foi isolado politicamente. Ele foi
apoiado por várias forças de oposição ao regime militar nas eleições indiretas de 1985.
b) Esta opção está correta porque reflete um aspecto fundamental da transição política no Brasil do regime
militar para a democracia. A campanha pelas "Diretas Já" buscava uma emenda constitucional para permitir
eleições diretas para presidente, mas foi derrotada no Congresso Nacional em 1984. Essa derrota é um
exemplo de transição conservadora, onde as mudanças ocorreram de forma controlada e limitada, sem uma
ruptura total com o passado autoritário. O primeiro governo pós-regime autoritário, liderado por José Sarney
(que era vice na chapa de Tancredo Neves), contou com a participação de figuras que haviam sido parte do
regime militar, indicando uma continuidade de certos aspectos do regime anterior.
c) Não houve um "completo descaso" do governo eleito em 1985 em relação à convocação de uma
Assembleia Nacional Constituinte. A Constituinte foi convocada e se reuniu entre 1987 e 1988, resultando
na Constituição de 1988.
d) Não houve um compromisso formal da chapa de oposição ao regime militar, liderada por José Sarney, de
não investigar as práticas autoritárias do regime ditatorial nas eleições diretas de 1985, pois estas eleições
diretas não ocorreram.
e) Os ministros militares do governo de João Figueiredo não fizeram uma exigência explícita de que o
candidato às eleições indiretas de 1985 fosse do grupo dos peemedebistas autênticos, nem condicionaram
a não revisão da Lei de Anistia.
Gabarito: B
25. (FGV 2009)
"A discussão sobre a revisão da Lei da Anistia veio à tona depois que Tarso Genro e o ministro
Paulo Vanucchi (Direitos Humanos) defenderam punições a torturadores sob a interpretação
que estes teriam praticado crimes comuns no período da ditadura militar - como estupros,
homicídios e outros tipos de violência física e psicológica, incluindo a própria tortura. A
polêmica maior, contudo, surgiu quando o presidente do Clube Militar, general da reserva
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Gilberto Figueiredo, classificou de "desserviço" ao país a discussão sobre a revisão da Lei".
("Folha de S. Paulo, 15.08.2008")
Sobre a Lei da Anistia, ainda objeto de discussão política, como se observa na notícia, é correto
afirmar que:
a) foi sancionada no início do governo do presidente João Figueiredo, o último da ditadura
militar, e perdoava militantes políticos condenados pelo regime autoritário, ao mesmo tempo
em que anistiava os agentes dos órgãos de repressão.
b) fez parte de um amplo acordo, do qual participaram vários setores da oposição ao governo
militar, resultando em uma lei que garantiu indenização imediata aos indivíduos perseguidos
pelos instrumentos autoritários do regime de exceção.
c) diante de uma movimentação popular intensa, a partir da direção do Comitê Brasileiro pela
Anistia, conquistou-se a chamada Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, aprovada pelo Congresso
Nacional e sancionada pelo presidente Figueiredo em maio de 1982.
d) foi aprovada pelo Congresso Nacional, juntamente com a extinção do Ato Institucional n0. 5,
em janeiro de 1979, apesar da forte oposição dos militares moderados e da linha dura e até de
alguns membros da oposição consentida, o MDB.
e) foi aprovada pelo Senado Federal, com muitas restrições aos militantes das organizações
guerrilheiras, e como moeda de troca comas forças oposicionistas, pois as eleições municipais
de 1980 foram canceladas e transferidas para 1982.
Comentários
a) Correta porque a Lei da Anistia, sancionada em 1979 durante o governo de João Figueiredo, foi um
marco na transição política do Brasil. Ela anistiou aqueles que cometeram crimes políticos ou conexos
com estes entre 1961 e 1979, abrangendo tanto os opositores do regime militar quanto os agentes
do Estado que cometeram abusos e crimes no contexto da repressão política.
b) A lei não foi resultado de um "amplo acordo" com várias setores da oposição e não garantiu
indenização imediata aos perseguidos políticos.
c) Embora houvesse uma forte demanda popular por uma Anistia Ampla, Geral e Irrestrita, a lei
aprovada em 1979 não atingiu esse patamar, especialmente porque não abarcou todos os crimes
relacionados ao regime militar.
d) A Lei da Anistia foi aprovada em 1979, e o Ato Institucional nº 5 (AI-5) foi revogado no mesmo ano,
mas não exatamente juntos. A aprovação da lei ocorreu em um contexto de debates políticos
intensos e não sem oposição de diversos setores.
e) A lei não foi uma "moeda de troca" para o cancelamento e transferência das eleições municipais.
Embora houvesse negociações políticas, a aprovação da Lei da Anistia e as questões eleitorais
ocorreram em contextos distintos.
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Gabarito: A
26. (Espcex (Aman) 2020)
Em 1985, a inflação brasileira chegou a 235% ao ano. Para corrigir essa situação, o governo
Sarney anunciou, em fevereiro do ano seguinte, um plano de estabilização econômica,
conhecido como Plano Cruzado. Observe as afirmativas abaixo.
I. Instituição da moeda chamada Real;
II. Congelamento de preços;
III. “Gatilho” salarial, determinando que os salários seriam reajustados sempre que a inflação
chegasse a ao mês;
IV. Substituição da moeda corrente no país, o cruzeiro, pelo cruzeiro novo;
V. Introdução da Unidade Real de Valor (URV).
Assinale a alternativa em que todas as afirmativas estão relacionadas ao plano econômico
supracitado.
a) I e II.
b) I e V.
c) II e III.
d) III e V.
e) IV e V.
Comentários:
Para responder à questão, vamos relembrar o que estudamos na aula sobre o Plano Cruzado:
Em 28 de fevereiro de 1986, o Governo Sarney decretou feriado bancário e lançou o Plano Cruzado.
Esse plano contou com as seguintes medidas:
Congelamento dos preços das mercadorias, como alimentos e combustíveis;
Congelamento dos salários, os quais passaram a ser reajustados automaticamente assim que a
inflação chegasse em 20%. Essa medida ficou conhecida como “gatilho salarial”;
O fim da correção monetária.
O fim da moeda Cruzeiro e a criação da nova moeda, o CRUZADO. Veja que pegaram a moeda
Cruzeiro (Cr$) e cortaram três zeros para virar cruzado (Cz$)
Com isso, sabemos que as proposições II e III estão corretas. Vejamos por que as demais estão erradas:
I. A moeda Real foi criada pelo Plano Real no ano de 1994, durante o governo de Itamar Franco e
liderado pelo ministro FHC.
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IV. O Cruzeiro Novo foi criado no Plano Verão de 1989 com o ministro Maílson da Nóbrega.
V. A URV (Unidade Real de Valor) ocorreu em 1994 como adaptação ao Plano Real.
Gabarito: C
27. (Espcex (Aman) 2017)
Diante do impasse econômico-financeiro no País e de circunstâncias internacionais, os
governos brasileiros, no período de 1986 a 1994, tentaram reverter esta situação combatendo
a inflação e procurando retomar o crescimento através de vários planos econômicos que foram
implementados naquela época.
Para a conquista da estabilização econômica, foram implantados os seguintes planos
econômicos:
1. Plano Cruzado
2. Plano Collor
3. Plano Real
4. Plano Verão
5. Plano Bresser
A sequência cronológica correta dos planos listados é
a) 4, 2, 3, 1 e 5.
b) 3, 5, 4, 1 e 2.
c) 5, 2, 1, 4 e 3.
d) 2, 4, 1, 5 e 3.
e) 1, 5, 4, 2 e 3.
Comentários:
Essa é uma questão sem enrolações: sabe ou não sabe. Para responder, o candidato precisava ter uma
linha de tempo bem definida. Bom, vamos relembrar em que ano e em que governo foram
implementados os planos econômicos citados:
1. Plano Cruzado: 28 de fevereiro de 1986, durante o governo de José Sarney.
2. Plano Collor: o Plano Collor I foi implementado em 20 de março de 1990, durante o governo de
Fernando Collor. Ainda durante esse mandato, foi implementado o Plano Collor II em janeiro
de 1991.
3. Plano Real: 27 de fevereiro de 1994, durante o governo de Itamar Franco (tendo Fernando
Henrique Cardoso como Ministro da Fazenda.).
4. Plano Verão: 15 de janeiro de 1989, durante o governo de José Sarney.
5. Plano Bresser: 12 de junho de 1987, durante o governo de José Sarney.
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Assim, sabemos que a sequência correta é 1, 5, 4, 2 e 3. Portanto, o gabarito é letra e).
Gabarito: E
28. (Profe Alê Lopes/Questão Inédita 2024)
Diante dos impasses dos processos políticos de redemocratização do Brasil após o Regime
Militar, findado em 1985, muito se discutiu qual seria a forma de governo e de sistema político
a ser adotado. Esse debate atravessou a Assembleia Constituinte até ser alvo de deliberação
quando a Constituição foi promulgada, em 1988. Contudo, anos depois, os brasileiros foram
convocados para um plebiscito. Com relação a este evento do plebiscito, marque a alternativa
correta.
a) o plebiscito ocorreu em 1993 e os brasileiros foram chamados a votar na forma de governo
republicano ou monarquia e no sistema de governo presidencialista ou parlamentarista.
b) o plebiscito ocorreu em 1993 e os brasileiros foram chamados a votar no sistema republicano
ou monarquista e na forma de governo presidencialista ou parlamentarista.
c) o plebiscito ocorreu em 1991 e os brasileiros foram chamados a votar na forma de governo
ditatorial ou democrático e no sistema de votação direta ou semidireta.
d) o plebiscito ocorreu em 1991, porém, a votação foi anulada por fraude e corrupção.
e) o plebiscito ocorreu em 1993, porém, os votos não foram contados porque os defensores da
forma de governo monarquista se retiraram do pleito.
Comentários
Gente, aqui está uma questão para dar nó na cabeça, pois você precisa saber o conceito de forma de governo
e sistema de governo, o conceito mais usado na modernidade (de Montesquieu para frente). Essa noção é
importante, pelo menos, desde a Proclamação da República, em 1889. Olha só:
Forma de governo diz respeito ao modo, ao formato, com que os Poderes existentes do Estado estão
organizados e como esses poderes se relacionam com os governados. Nesse sentido, tempos a República e
a Monarquia. Nesta, o rei exerce papel central, é o governo de um, naquela, o povo tem papel central, na
verdade, os representantes do povo. Assim, do ponto de vista quantitativo, uma República se diferencia da
Monarquia por ter mais gente no poder. Então, em uma República a relação entre Poder e povo existe, sendo
que o povo pode fazer parte do poder (seja diretamente seja por seus representantes). Por isso que, em uma
República o povo é soberano e em uma Monarquia o rei é o soberano. Além disso, em uma Monarquia o rei
não é responsabilizado por seus atos e não tem prazo determinado para permanecer no poder, afinal ele é
o soberano. Já em uma República, os representantes que ocupam postos de poder podem ser
responsabilizados e possuem tempofixo de permanência no poder (mandato).
Em 1993, uma das votações do plebiscito foi exatamente se o Brasil continuaria como uma República
ou voltaria a ser uma Monarquia.
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Quanto ao sistema de governo, temos Presidencialismo ou Parlamentarismo. No Presidencialismo, a figura
do Presidente acumula as funções de Chefe de Estado (representa o país perante o mundo, nas relações com
outros países e é o chefe maior das Forças Armadas) e de Chefe de Governo (responsável pela administração
da máquina pública, as políticas orçamentárias e financeiras, por exemplo). No Parlamentarismo é diferente:
há a separação entre as funções de chefia de Estado e da chefia de Governo, que são exercidas por pessoas
diferentes, sendo o Parlamentarismo Republicano quando a chefia de Estado é exercida pelo Presidente da
República e o Primeiro-Ministro é o Chefe de Governo; o Parlamentarismo Monárquico (Manarquia
Parlamentarista) quando a chefia do Estado fica a cargo do Rei e o Primeiro-Ministro é o Chefe de Governo
(Inglaterra, por exemplo).
No Brasil o sistema parlamentarista existiu entre 7 de setembro de 1961 e 24 de janeiro de 1963,
durante o governo do Presidente João Goulart. No plebiscito de 1993, os brasileiros foram chamados
a decidir se queriam o Presidencialismo ou o Parlamentarismo. Então, veja bem, poderíamos ter os
seguintes resultados em 1993:
1-Monarquia Parlamentarista
2 – Parlamentarismo Presidencialista
3 – República Presidencialista (posição vencedora)
4- República Monarquista (se isso ganhasse seria uma inovação histórica)
No final, a forma de governo republicana e o sistema de governo presidencialista obtiveram a grande
maioria dos votos.
Já regime de governo, podemos enumerar dois: o regime democrático e o regime ditatorial. Regime
democrático é aquele em que as ações políticas são tomadas em conjunto por um corpo de cidadãos que
compreende a maioria: o povo voto e pode ser votado, bem como participa de instâncias decisórias
(Conselhos), há pluripartidarismo e liberdade de imprensa. Por oposição à democracia, o regime ditatorial,
por ter natureza autoritária, não prevê a participação do povo em nas decisões políticas, não possui liberdade
de imprensa e nem de organizações políticas.
1824-1889: forma de governo monárquico.
1889 até os dias atuais: forma de governo republicano.
Por fim, vamos fixar o conceito de Plebiscito: é uma votação popular sobre assuntos de relevância
constitucional podendo, por conseguinte, ser considerado um instrumento de democracia direta.
Gabarito: A
29. (Profe Alê Lopes/Questão Inédita 2024)
Na década de 1990, os governos brasileiros ainda se debatiam para solucionar o problema da
inflação herdada da década de 1980. Diversos planos econômicos foram lançados com o
objetivo de equacionar as contas públicas, equilibrar o câmbio, enfim, melhorar a economia
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nacional. Um desses planos logrou êxito porque, dentre outros motivos, implementou medidas
transicionais, dentre as quais podemos mencionar,
a) congelamento de preços e salários.
b) sequestro das poupanças e implantação de uma nova moeda.
c) “Gatilho” salarial, determinando que os salários seriam reajustados sempre que a inflação
chegasse a 20% ao mês
d) a criação de um indexador provisório de inflação para reajustar preços de mercadorias e
salários, e, em seguida, uma nova moeda.
e) a criação da Unidade Real de Valor (URV) e a substituição da moeda corrente no país, o
cruzeiro, pelo cruzeiro novo.
Comentários
A chave para você resolver esta questão é perceber a ideia de “transição”. Nesse sentido, o plano econômico
implementado em meados da década de 1990 que teve características de uma transição de um modelo para
outro foi o Plano Real. Os Planos do Governo Collor, por exemplo, não tiveram essa característica porque
pegavam todos de surpresa. Em 15 de março de 1990, Collor editou um plano de combate à inflação, o Plano
Brasil Novo, mais conhecido como Plano Collor28.
O Plano Collor incluía:
O objetivo do Governo, com o Plano Collor, era diminuir a quantidade de moeda em circulação e, com isso,
tentar controlar os preços.
28 Fernando, CARNEIRO, José Alan Dias & RAMOS, Plínio de Abreu. A Imprensa faz e Desfaz um
Presidente, Nova Fronteira, Rio de Janeiro, 1994.
Congelar preços e
salários;
Sequestrar todas as somas
em dinheiro, depositadas
nos bancos, que
excedessem a casa dos 50
mil cruzados. Proibiu
saques acima de 50 mil
cruzados. Essa medida,
também conhecida como
confisco das poupanças,
durou 18 meses;
Extinguir a moeda
vigente, o cruzado, e
reestabelecer o Cruzeiro.
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Seja como for, as medidas de Collor eram tomadas sem um debate com a sociedade, algo necessário para
aquele início da década de 1990, pois o processo democrático ainda estava se consolidando e ninguém queria
ser pego de surpresas a ponto de tomar sustos no “bolso”.
Durante o Governo Itamar Franco (1992-1995), então, o Ministro da Fazenda Fernando Henrique
Cardoso propôs o Plano Real. Esse Plano, diferentemente das propostas anteriores, foi à debate público e
no Congresso Nacional, pois, para o povo não ser pego de surpresa, a sociedade precisava entender qual
seria a lógica prevista para o ajuste econômico.
O Congresso Nacional aprovou o Plano e foi dado início à sua implementação. O primeiro passo foi a
criação, no final de 1993, da Unidade Real de Valor (URV), um indexador provisório de inflação para
reajustar preços de mercadorias e salários. Em seguida, veio a nova moeda: o Real.
Com a implementação do Real, em 1º de julho de 1994, novas regras foram estabelecidas:
Essas mudanças, somadas ao aumento das importações, trouxeram dólares para o país o que levou a
um câmbio em que 1 dólar equivalia a 0,90 centavos de Real, e 1 dólar = 1 real (paridade). Portanto, a moeda
brasileira foi valorizada.
O Banco Central passou a ser grande protagonista no controle da emissão de moeda e na flutuação do
câmbio, elementos centrais para combater a inflação. O ano de 1994 terminou com uma inflação a 20% ao
ano, contra mais de 2000% ao ano em 1993.
Assim, o Plano Real conseguiu estabilizar a moeda.
Com isso, nosso gabarito é a letra D. E as outra profe?
a) errado, porque essa medida se refere ao Plano Cruzado, de 1985.
b) errado, pois aqui estamos diante do Plano Collor.
fim da indexação, ou
seja, o fim do repasse
automático da inflação
mensal para os salários,
para as prestações, para
os aluguéis e contratos
em geral;
a vinculação da nova
moeda ao dólar.
A regra também previa:
emissão de novos Reais
na mesma proporção de
dólares nos cofres do
Banco Central (BC).
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c) falso, pois foi uma medida do Governo Sarney (1985-1990).
e) de fato, a URV foi criada como parte do Plano Real, mas o segundo trecho da questão está errado.
Gabarito: D
30. (Profe Alê Lopes/Questão Inédita 2024)
Entre os principais planos econômico a partir do processo de redemocratização do Brasil na
década de 1980, figuram:
1 – Plano de Metas
2 – Plano Collor
3 – Plano Verão
4 – Plano Real
5 – Plano Marshall
Estão corretos os itens:
a) 1, 3 e 4 apenas.b) 2 e 4 apenas.
c) 1, 3 e 5 apenas.
d) 2, 3 e 4 apenas.
e) 1, 2 e 4 apenas.
Comentários
Dos planos enumerados, somente o Plano Verão, o Plano Collor e o Plano Real foram feitos após
1985, ou seja, a partir da redemocratização.
O Plano Verão foi o conjunto de medidas econômicas destinadas a controlar a inflação. Esse plano
foi lançado em 14 de janeiro de 1989 pelo então ministro da Fazenda Maílson da Nóbrega. O Plano Verão foi
a terceira tentativa de combate à inflação empreendida pelo governo José Sarney (1985-1990).
As duas primeiras, os planos Cruzado (1986) e Bresser (1987), fracassaram por atacar exclusivamente
os mecanismos de propagação da inflação, sem obter apoio político para enfrentar o problema do déficit
público e sem enfrentar questões mais estruturais da dinâmica econômica. A partir do Plano Verão, adotou-
se o congelamento de preços e da taxa de câmbio por prazo indeterminado; criou-se um fator de conversão
de créditos aplicável a obrigações e títulos emitidos antes do lançamento do plano com valores nominais
prefixados; aboliu-se o uso das obrigações do Tesouro Nacional (OTNs) como indexador oficial. Os salários
foram convertidos pela média dos últimos 12 meses, acrescidos da variação da Unidade de Referência de
Preços (URP), dentre outras medidas.
O Plano Collor, por sua vez, foi o conjunto de tentativas de contenção inflacionária e estabilização
econômica efetuado no governo de Fernando Collor de Melo (1990-1992). Esse plano pode ser dividido em
Plano Collor I e Plano Collor II.
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O Plano Real foi o elaborado durante o Governo de Itamar Franco (1992-1995), atenção, Itamar
Franco, e não Fernando Henrique Cardoso. De fato, o idealizador do plano e o organizador da equipe que
chegou no resultado do Plano Real foi FHC, mas ele na figura de Ministro da Fazenda de Itamar Franco. OK?
É comum perguntas de prova que induzem o candidato a considerar como correta que o Plano Real foi feito
no Governo FHC. Muita atenção!!!
Diante disso, os três Planos, Verão, Collor e Real, têm em comum o fato de terem sido formulados
em um contexto de redemocratização do Brasil. O Plano Verão foi mais no contexto da redemocratização
em si; o Plano Collor foi em um momento de estabelecimento da redemocratização; e, por fim, o Plano Real
foi em um contexto de aprimoramento da nova democracia.
✓ As demais afirmações, de forma bem rápida e objetiva, estão erradas, veja só: Plano de Metas, foi
feito no Governo JK;
✓ Plano Marshall, nem do Brasil é gente. O Plano Marshall foi um plano de reconstrução da Europa
patrocinado pelos EUA, após a 2ª Guerra Mundial.
Gabarito: D
31. (2009/ZAMBINI/MP-SP/)
Assinale a alternativa que faz a relação correta:
I. Presidente José Sarney.
II. Presidente Fernando Collor de Mello.
III. Presidente Itamar Franco.
IV. Presidente Fernando Henrique Cardoso.
( ) criação do Plano Bresser
( ) criação do Plano Real.
( ) fim do monopólio estatal no setor siderúrgico.
( ) assinou o Tratado de Assunção, no qual foi criado o Mercosul.
a) I, IV, II, III.
b) II, III, IV, I.
c) I, III, IV, II.
d) III, IV, II, I.
e) IV, III, I, II.
Comentários
Boa questão para associarmos rapidamente Presidente com feito em seu governo. O Plano Bresser foi
concebido em 1987, durante o Governo de José Sarney. O Mercosul foi criado pelo Tratado de Assunção
que foi assinado pelo Presidente Collor em 1991Já o Plano Real, entre os anos de 1993 e 1994, pelo
Governo de Itamar Franco.
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Por sua vez, Fernando Henrique Cardoso promoveu uma série de privatizações, incluindo o setor
siderúrgico.
Gabarito: C
32. (2010/VUNESP/Pref SBC)
Considere as afirmações sobre o governo Collor.
I. Como medida populista, Fernando Collor intitulava-se “caçador de marajás”.
II. Durante todo o período que governou, Collor reduziu a inflação de forma significativa.
III. Collor deu início ao processo de privatização das empresas estatais.
Está correto somente o que se afirma em
a) I.
b) I e II.
c) I e III.
d) II.
e) II e III.
Comentários
Já vimos que, de fato, Collor ficou conhecido como “caçador de marajás”. Então essa informação
corresponde à atuação desse político. Podemos ter dúvidas se essa ação do Presidente Collor significou
uma medida populista. E digo que sim, pois o populismo se baseia em insuflar aquilo que o senso comum
da população entende como errado. Não necessariamente, a percepção do senso comum é a certa, em
geral, não é, pois há muitas distorções de informação, propagandas doutrinárias, etc, em meio à revelação
das reais causas de um problema. Veja, no caso dos marajás, expliquei na aula que o grosso do
funcionalismo público não é marajá, não. Até coloquei alguns dados. Na verdade, esse discurso de acabar
com marajás no serviço público fazia coro com a ideia de diminuir a participação do Estado na economia
e nos serviços públicos. Nesse sentido, do ponto de vista do discurso, há um viés político em direção ao
desmonte da administração pública. Agora, isso era populismo? Sim, pois todo mundo pensa, primeiro,
que o Estado é burocrático, só tem fila, ninguém quer trabalhar e só na mamata ganhando rios de
dinheiro. Isso existe, mas nem sempre é assim. Segundo, há inúmeras distorções nessa percepção.
Terceiro, na iniciativa privada também há problemas tão revoltantes quanto, por exemplo, alguém aí já
tentou cancelar assinatura de TV paga?
De toda forma, o item I está correto. Já o item II está errado, pois a inflação não foi controlada. Houve a
deflação após o Plano Collor e depois a inflação voltou igual um tsunami.
Perfeito o item III. O início das políticas neoliberais no Brasil, nas quais se influem as privatizações, ocorreu
com Collor. Depois FHC aprofundou e elas existem até hoje. Aproveito para esclarecer que há um debate
em curso em pesquisas de ciência política e de economia política sobre uma nova forma desse
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neoliberalismo, o ultraneoliberalismo. Aí meu deus Alê? Calma, calma, isso não vai cair na sua prova, pois
é uma prática política que ainda não se mostrou consolidada no Brasil. A questão é que ações que o atual
Ministro da Economia – Paulo Guedes – pretende fazer vão muito além de políticas neoliberais. Ele
pretende. Por enquanto só tem aplicado o neoliberalismo mesmo, como a diminuição da fiscalização e
regulamentação estatal em diversas áreas, como na questão do trabalho. Ou mesmo, na questão
ambiental. Já o ultraneoliberalismo é um novo conceito em elaboração que significa ausência total do
Estado e prioridade total das relações de mercado de modo que, em sociedades desiguais (tipo o Brasil),
a vida fique à mercê da lei do mais forte. Agora, repito, isso é um debate em elaboração, por isso, nem
coloquei na parte teórica da aula.
Gabarito: C
33. (2008/VUNESP/PM-SP/Soldado-2ª Classe)
Em 1989, depois de 29 anos, a sucessão presidencial foi realizada por eleições diretas, num
contexto histórico de redemocratização do Brasil. No entanto, grande parte da população ficou
decepcionada porque o presidente eleito
a) usou a máquina do Estado para favorecer deputados e senadores em troca da aprovação de
emenda constitucional para garantir sua reeleição.
b) fez acordos políticos com os parlamentares visando aumentar, de quatro para cinco anos, o
seu mandato no poder executivo federal.
c) não pôde assumir o cargo, pois na vésperada posse foi internado às pressas, cabendo ao
vice-presidente o efetivo exercício do poder político.
d) teve seu mandato interrompido pelo Congresso Nacional, após as denúncias da existência
de um esquema de corrupção que favorecia o presidente.
e) fechou o Congresso Nacional, ampliando os poderes do executivo que passou a legislar por
meio de decretos-lei e de medidas provisórias.
Comentários
A letra A faz referência ao Governo FHC, no qual se levantou a suspeita de que houve compra de votos
para se garantir aprovação da Emenda da reeleição. Essa não pode ser o nosso gabarito. No mesmo
sentido, o gabarito não pode ser a letra B porque a elevação de 4 para 5 anos de mandato não foi um
debate da Nova República.
Já a letra C se refere ao Presidente Tancredo Neves. Lembre-se de que ele foi eleito, mas não chegou a
tomar posse, pois ficou doente e depois morreu.
Opa, a D é nosso gabarito.
Por fim, a letra E apresenta um fato que não ocorreu na Nova República. O fechamento do Congresso é
uma ação típica de governos autoritários. Em democracias, ou melhor, em processos de consolidação da
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democracia, os 3 Poderes (Executivo, Legislativo, Judiciário) brigam, entram em conflito, entram em
harmonia, até chegarem a entendimentos, mas sempre pensando no equilíbrio de poderes, tal como
manda a Constituição Federal de 1988. Trata-se de uma medida para evitar governos autoritários.
Gabarito: D
34. (2018/COSEAC UFF/Pref Maricá)/História/Adaptada)
O Programa Nacional de Desestatização (PND), tinha como objetivos concentrar ações e
recursos do Estado em determinadas áreas, reduzir a dívida pública, promover ajuste fiscal e
retomada de investimentos privados e fortalecer o mercado acionário. Foi implementado:
a) 1990, durante o governo de Fernando Collor.
b) 1992, durante o governo de Itamar Franco.
c) 1994, durante o 1° governo de Fernando Henrique Cardoso.
d) 1998, durante o 2° governo de Fernando Henrique Cardoso.
e) 2002, durante o 1° governo de Lula da Silva.
Comentários
Aqui, só sabendo que o Programa Nacional de Desestatização (PND) foi implementado por Collor já dá para
matar a questão. O PND foi um dos primeiros grandes passos do Estado brasileiro no sentido de diminuir a
máquina pública e a sua presença na economia de uma maneira geral. O PND foi lançado em abril de 1990
pelo governo de Fernando Collor. Tratou-se de uma medida neoliberal, segundo a qual a desestatização,
aliada a outras iniciativas, levaria à entrada do Brasil na ordem mundial do pós-Guerra Fria, abrindo o
mercado brasileiro, diminuindo os preços sem criar riscos de desabastecimento e dando um choque de
competição na indústria nacional para forçar sua modernização com máxima eficiência. Com as
privatizações, a venda de ativos permitiria que o Estado saneasse suas contas e retomasse a confiança dos
investidores internacionais, abrindo um possível ciclo de investimentos e de crescimento que fizesse com
que o país pudesse superar sua crise econômica. Esses eram pressupostos das medidas, outra coisa é se isso
deu certo. OK?
Gabarito: A
35. (2006/CPCON UEPB/PM PB)
Em 1989 ocorreu a eleição direta para presidente da república do país, onde sagrou-se
presidente o ex-governador de Alagoas, Fernando Collor de Melo. Os fatos mais marcantes do
seu governo foram:
a) implantação de rigoroso plano econômico, graves denúncias de corrupção, impeachment.
b) isolamento político, execução e derrota do Plano Real, graves comprovações de corrupção,
impeachment.
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c) implantação do Plano Real, graves denúncias de corrupção, impeachment.
d) insucesso do Plano Cruzado, impeachment, assumindo o vice-presidente Fernando Henrique
Cardoso
e) convocação da Assembléia constituinte, sucesso do Plano Cruzado, impeachment, posse do
vice-presidente Itamar Franco.
Comentários
Esta questão é fácil de ser respondida se começarmos achando erros nas alternativas. O Plano Real é de 1994
e feito no Governo Itamar, logo, já podemos descartar a B e a C. A D afirma que FHC foi vice-Presidente de
Collor, na verdade o vice era Itamar Franco. Por isso, também está erra. Já a E fala da convocação da
Assembleia Constituinte, a qual ocorreu no Governo Sarney, logo, também está errada.
Sobrou-nos a alternativa A. Quanto ao “rigoroso plano econômico”, basta lembrarmos dos confiscos das
poupanças, ou seja, informação correta; denúncias de corrupção, OK; e, por fim, o impeachment.
Gabarito: A
36. (2005/CPCON UEPB/PM PB)
Em 1990, Fernando Collor de Mello assume o governo com a intenção de colocar o país na
“modernidade”. Assinale a alternativa abaixo que NÃO faz parte das medidas de impacto do
governo Collor.
a) O confisco do dinheiro dos poupadores.
b) A implantação do Plano Cruzado.
c) O congelamento parcial e controle dos preços.
d) Abertura para o capital estrangeiro através da diminuição das tarifas de importação de bens
de consumo.
e) Primeiros passos para a privatização das estatais.
Comentários
Boa questão para revisar ações do Governo Collor. Apenas a B está errada, pois o Plano Cruzado foi
obra de José Sarney. Como o enunciado cobra a alternativa errada, gabarito letra B.
Gabarito: B
37. (2015/CRS/ PM MG)
Ao assumir o cargo de presidente da República, Itamar Franco encontrou amplo apoio político.
Fernando Henrique Cardoso, em sua presidência, assumiu o ministério da Fazenda em março
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de 1993 e, com um grupo de economistas, começou a elaborar um plano para estabilizar a
economia. Sobre esta fase da redemocratização do Brasil é CORRETO afirmar que:
a) A URV permitiu que empresários e trabalhadores conseguissem estimar seu padrão de vida
no valor das mercadorias mas, mesmo assim, a arrecadação de impostos manteve-se estável,
fato este que preocupava o governo e, por isso, culminou na redução de gastos na área social.
b) As medidas de ajuste econômico adotadas pelo ministro da Fazenda Fernando Henrique
Cardoso e sua equipe econômica se baseavam nas indicações do Consenso de Washington que
ressaltavam a necessidade de reformar o Estado, reduzir gastos do governo, privatizar estatais
e reduzir os impostos sobre produtos importados para alcançar a estabilidade da moeda.
c) Com a estabilização da economia alavancada pela implantação da URV, o governo criou uma
nova moeda, o “Real”, e com isso, possibilitou o lançamento da candidatura de Fernando
Henrique Cardoso ao cargo de Presidente da República apoiado pela coligação dos partidos
PSDB e PMDB.
d) Em 1994, o então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, deu forma ao Plano
Real que estabilizou a nossa economia com a criação da URV (Unidade Real de Valor) atrelando-
a ao Euro (Moeda da União Europeia com forte valor de referência no mercado internacional)
– sendo uma união monetária com a qual o Brasil mantinha fortes laços comerciais.
Comentários
Pergunta mais difícil, boa para você treinar e se preparar para uma cobrança pesada na prova. Minha
primeira observação é que o enunciado da questão fala em “redemocratização”, mas, a rigor, nesse
momento já estamos na fase de consolidação democrática. De toda forma, repare que as bancas
podem usar uma ou outra expressão.
Sobre as alternativas, a A está errada porque a arrecadação de impostos não se manteve estável.
Dificilmente, em um contexto de inflação alta, de busca pela estabilizaçãoda economia, empresas
nacionais sendo fechadas, etc., a arrecadação se mantém estável. Além disso, foram criados
impostos, como o Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF), criado em 1993. A
IPMF irá virar a CPMF, em 1997.
A alternativa B está correta porque ela reflete a diretriz neoliberal. O Consenso de Washington foi
um dos marcos da propagação do neoliberalismo no mundo.
O erro da alternativa C é que o PMDB, nas eleições de 1994, lançou o candidato Orestes Quércia.
Por fim, o erro da alternativa D é o trecho “atrelado ao Euro”, na verdade, a vinculação foi ao dólar
norte-americano.
Gabarito: B
38. (2014/IADES/SEAP DF/Analista de Atividades Culturais)
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O Consenso de Washington representou um conjunto de medidas neoliberais que deveriam ser
executadas pelos países latino-americanos. Entre essas medidas, podem-se citar: disciplina
fiscal, processo de privatização de empresas estatais, abertura comercial e desregulamentação
das leis trabalhistas. A concessão de empréstimos e financiamentos pelo Fundo Monetário
Internacional (FMI) e o Banco Internacional para a Reconstrução e o Desenvolvimento (Bird.)
estavam vinculados à adoção do receituário neoliberal.
A esse respeito, assinale a alternativa que indica o primeiro presidente a adotar o
neoliberalismo no País.
a) José Sarney.
b) Fernando Collor de Mello.
c) Itamar Franco.
d) Fernando Henrique Cardoso.
e) Luiz Inácio Lula da Silva.
Comentários
Pelo enunciado da questão parece que ela vai ser difícil, mas logo percebemos que ela cobra uma
informação histórica fácil. Como vimos, o primeiro Presidente a implantar políticas neoliberais no
país foi Collor. Alerto que, em relação aos demais, em maior ou menor grau, todos implantaram
medidas neoliberais. Lula, apesar do reformismo moderado e de priorizar a participação do Estado
na economia e em setores estratégicos – como estímulo ao financiamento de pequenos agricultores
e empreendedores – também adotou políticas neoliberais.
Gabarito: B
39. (2007/PUC PR/URBS/Agente Técnico Administrativo)
A partir de 1985, ocorreu a redemocratização no Brasil, pois que ficou livre das amarras
ditatoriais do governo militar. Em matéria econômica, teve o País diversos planos salvadores,
entre os quais Plano Cruzado, Plano Bresser, Plano Verão, Plano Collor e Plano Real. Nesse
ínterim, a moeda se transformou diversas vezes, de Cruzeiro para Cruzado, Cruzado Novo
Cruzeiro novamente e assim por diante, até surgir o Real, sob cuja bandeira ocorreu a
eliminação da tão desgastante inflação.
O presidente da República no momento da implantação do Plano Real e da moeda denominada
Real era:
a) José Sarney.
b) Fernando Collor de Mello.
c) Itamar Franco.
d) Fernando Henrique Cardoso.
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e) Luiz Inácio Lula da Silva.
Comentários
Tome cuidado para não cair na pegadinha de marcar Fernando Henrique Cardoso. Veja que o
enunciado pede o nome do Presidente no momento da implantação do Plano Real. Nesse momento,
o Presidente era Itamar Franco, muito embora, FHC – na condição de Ministro da Fazenda – tenha
sido a personalidade principal na elaboração do plano.
Gabarito: C
40. (2006/CONSULTEC/CBM RN/Soldado Bombeiro Militar)
Baseando sua campanha no êxito do Plano Real, Fernando Henrique Cardoso venceu a eleição
para presidente nas duas vezes que concorreu. Um aspecto importante do seu período de
governo foi
a) a promulgação de uma nova Constituição para atender aos interesses políticos.
b) a adoção de medidas rigorosas de contenção de despesas, para seguir as diretrizes do Fundo
Monetário Internacional.
c) a promoção de uma série de reformas constitucionais que fortaleceram a indústria nacional,
modernizando o país.
d) o combate ao projeto neoliberal, prejudicial aos interesses do país, não permitindo a
privatização das empreses estatais.
e) um maior empenho para manter a política do Bem-Estar Social, promovendo programas
sociais.
Comentários
A letra A está errada porque a promulgação da Constituição foi em 1988. FHC chegou a propor
emendas à constituição, mas, até aí, são duas coisas bem diferentes.
A letra B está correta, mais uma vez, essas medidas refletem a política neoliberal nos Governos
brasileiros. Nesse sentido, já podemos considerar errada a alternativa D.
A C está errada porque as reformas de FHC não fortaleceram a indústria nacional, na verdade,
estas foram quebradas porque não aguentaram a competição internacional e a entrada de
concorrentes estrangeiros. O fomento à indústria nacional retornou à agenda governamental
após a eleição de Lula.
Por fim, a E está errada porque o centro dos dois governos de FHC não foi a questão social e o
combate à desigualdade social.
Gabarito: B
41. (2016/FUNDEP/CBM MG/Soldado)
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Leia o trecho a seguir.
“Utilizando o Plano Real, o político, sociólogo e professor Fernando Henrique Cardoso, foi eleito
e reeleito pela primeira vez na história do Brasil, e em primeiro turno, presidente do país.
Assumiu a presidência da República apoiado por uma confortável maioria no Congresso [...]
Graças ao apoio do Congresso, FHC conseguiu a aprovação para inúmeras emendas
constitucionais.”
SCHMIDT, Mario. Nova História Crítica. São Paulo: Nova Geração, 2008. p. 791.
Assinale a alternativa que apresenta uma das emendas constitucionais que foram aprovadas
no governo de FHC.
a) A quebra do monopólio estatal que atingiu, entre outros, as telecomunicações e a exploração
do petróleo.
b) O confisco das contas-correntes, poupanças e aplicações do que excedesse 50 mil cruzeiros,
que seriam devolvidos em 18 meses.
c) A realização de um plebiscito sobre a forma e o sistema de governo, sendo mantidos,
respectivamente, a República e o Presidencialismo.
d) A criação do Plano Cruzado que extinguiu o cruzeiro, além do congelamento dos preços e
salários, levando a população à fiscalização de preços.
Comentários
Questão interessante, pois articula um conhecimento histórico com um conhecimento prático-político. A
pergunta chave é: dentro das políticas neoliberais, que exigem a diminuição do Estado na economia, fazia
sentido manter monopólios estatais? Não, então, a letra A confere com o que, de fato, FHC promoveu, isto
é, a quebra do monopólio do Estado em setores chaves da economia. Dentre esses setores, se destacaram a
telecomunicação e a quebra do monopólio do Petróleo. Desde essas reformas constitucionais, por exemplo,
a Petrobras não pode explorar e refinar petróleo de forma exclusiva. Por sinal, antes de a Petrobras descobrir
o Pre-Sal, a empresa que estava com pesquisas direcionadas para achar petróleo na Bacia de Santos (área
no litoral brasileiro correspondente as reservas do Pré-Sal) era a Shell (empresa privada norte-americana). A
Shell desistiu dessa área e a Petrobras assumiu o risco de encontrar Petróleo na camada pré-sal. A empresa
estatal não só achou como começou a explorar e a refinar esse recurso energético. Agora, a pressão
neoliberal quer que os poços encontrados pela Petrobras também sejam abertos as empresas privadas.
A letra B está errada, pois essas medidas foram no Governo Collor. A C faz referência a um evento nacional
ocorrido no Governo Itamar Franco. Agora, veja que não foi uma “obra” de Itamar, pois esse plebiscito estava
previsto no Ato das Disposições ConstitucionaisTransitórias.
Por fim, a D foi uma ação do Governo Sarney.
Gabarito: A
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42. (2005/CPCON/PM PB)
As medidas de ajuste adotadas pelo governo FHC no seu primeiro mandato provocaram:
a) O congelamento de preços e salários e a modernização tecnológica do país que resultou na
criação de usinas nucleares.
b) Uma melhor distribuição de rendas, o desemprego em massa e a redução da violência
urbana.
c) A recessão econômica e a quebra de bancos e empresas.
d) A estatização do sistema bancário e a redução da inflação.
e) A nacionalização das empresas estrangeiras e o investimento em novas fontes de energia.
Comentários
Vou começar a análise das alternativas pela letra B para chamar sua atenção de que é possível fazer rápidas
análises para responder o que a Banca pede. Repare que a frase fala em melhor distribuição de renda e
desemprego em massa. Ora, trata-se de uma contradição, pois em sociedade a coexistência desses dois
elementos não existem. O pleno emprego é uma das melhores formas de distribuição e equilíbrio de renda.
Percebe? Essa análise independe de lembramos dos feitos e desfeitos do governo FHC. De toda forma, o
aumento da concentração de renda foi uma característica do governo FHC, os ricos ficaram mais ricos e os
pobres.
A letra A está errada, pois o congelamento de preços e salários fez parte das medidas do Governo Sarney.
A D está errada porque FHC não adotou a política de estatização do sistema bancário. No mesmo sentido, a
E.
Sobrou a alternativa C. Ela é um pouco exagerada, pois os bancos não quebraram, quebraram, com diz o
item. De toda forma, vamos ficar com ela. Se marcamos certo e não anulou, Ok, ponto para nós. Se a banca
anular, todos ganham.
Gabarito: C
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