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<p>1</p><p>2</p><p>SUMÁRIO</p><p>1 INTRODUÇÃO ............................................................................................ 3</p><p>2 INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA DO ESPORTE E SUA AÇÃO NO</p><p>DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO ...................................................................... 4</p><p>3 ASPECTOS COMPORTAMENTAIS ......................................................... 16</p><p>4 ASPECTOS COGNITIVOS ....................................................................... 33</p><p>5 PROCESSOS DE GRUPO ....................................................................... 41</p><p>6 REFERÊNCIAS ........................................................................................ 50</p><p>3</p><p>1 INTRODUÇÃO</p><p>Prezado aluno!</p><p>O Grupo Educacional FAVENI, esclarece que o material virtual é semelhante</p><p>ao da sala de aula presencial. Em uma sala de aula, é raro – quase improvável - um</p><p>aluno se levantar, interromper a exposição, dirigir-se ao professor e fazer uma</p><p>pergunta, para que seja esclarecida uma dúvida sobre o tema tratado. O comum é</p><p>que esse aluno faça a pergunta em voz alta para todos ouvirem e todos ouvirão a</p><p>resposta. No espaço virtual, é a mesma coisa. Não hesite em perguntar, as perguntas</p><p>poderão ser direcionadas ao protocolo de atendimento que serão respondidas em</p><p>tempo hábil.</p><p>Os cursos à distância exigem do aluno tempo e organização. No caso da nossa</p><p>disciplina é preciso ter um horário destinado à leitura do texto base e à execução das</p><p>avaliações propostas. A vantagem é que poderá reservar o dia da semana e a hora</p><p>que lhe convier para isso.</p><p>A organização é o quesito indispensável, porque há uma sequência a ser</p><p>seguida e prazos definidos para as atividades.</p><p>Bons estudos!</p><p>4</p><p>2 INTRODUÇÃO A PSICOLOGIA DO ESPORTE E SUA AÇÃO NO</p><p>DESENVOLVIMENTO PSICOLÓGICO</p><p>Fonte: https://www.psicologoeterapia.com.br/</p><p>O esporte ao longo dos anos tem se apresentado como um grande fenômeno</p><p>social, uma vez que se manifesta de diferentes formas na sociedade, influenciando</p><p>principalmente, na qualidade de vida dos diferentes sujeitos. A literatura na área,</p><p>frequentemente ressalta os impactos da atividade física regular na diminuição de</p><p>níveis de estresse, no fortalecimento das relações sociais, bem como no</p><p>desenvolvimento pessoal.</p><p>De forma geral, o esporte tem feito parte do cotidiano das pessoas e é capaz de</p><p>influenciar o comportamento das mesmas, sejam elas crianças, adolescentes, adultos</p><p>ou idosos, já que por vezes o esporte e seus atletas, são tidos como referências,</p><p>modificando padrões e até mesmo ditando modas. Entretanto, são vários aspectos</p><p>que transformam o esporte nesse fenômeno social tão potente. Por isso, as suas</p><p>diferentes áreas têm sido cada vez mais estudadas, na tentativa de melhor</p><p>compreender tal fenômeno.</p><p>A Psicologia do Esporte, segundo Rubio (1999) forma juntamente com a</p><p>Antropologia, Filosofia e a Sociologia do esporte, as denominadas Ciências do</p><p>5</p><p>Esporte. A autora ainda afirma que anteriormente a área associava-se mais aos</p><p>aspectos biológicos, porém na atualidade, vem estudando e atuando com diferentes</p><p>elementos do esporte como nos aspectos comportamentais e cognitivos, bem como</p><p>nos processos de grupos. Sendo assim, a Psicologia do Esporte configura-se como</p><p>um espaço, onde o enfoque social, educacional e clínico se complementam (RUBIO,</p><p>1999).</p><p>Temas como liderança, motivação, violência, personalidade, bem-estar</p><p>psicológico, dinâmica de grupo, pensamentos, os sentimentos dos atletas, entre</p><p>outros elementos relacionados a prática esportiva e de atividade física, tem se tornado</p><p>objeto de estudo, assim como área de atuação profissional, já que o nível técnico de</p><p>atletas e equipes de alto rendimento está cada vez mais elevado, tornando a</p><p>preparação emocional um diferencial.</p><p>Psicologia do Esporte no Brasil e no mundo</p><p>No Brasil, de acordo com Vieira et al (2010) tanto em congressos científicos da</p><p>área, quanto em cursos de graduação, a Psicologia do Esporte tem sido entendida</p><p>como uma área emergente da Psicologia. Além disso, os autores destacam que o</p><p>desenvolvimento dessa área se deu simultaneamente ao desenvolvimento da</p><p>Psicologia Geral. Sendo assim, é importante que se compreenda a definição da</p><p>Psicologia do Esporte para que então se entenda o seu processo evolutivo.</p><p>A Psicologia do Esporte corresponde ao estudo científico de pessoas e seus</p><p>comportamentos no contexto do esporte e dos exercícios físicos, bem como a</p><p>aplicação desses conhecimentos. Nesse sentido, a Psicologia do Esporte, enquanto</p><p>ramo da Psicologia, tem contribuído positivamente para o rendimento e performance</p><p>de equipes e atletas.</p><p>Segundo Weinberg e Gould (2008) a Psicologia do exercício e do esporte, pode</p><p>ter sua trajetória história dividida em seis momentos. O primeiro, inicia-se em 1895 e</p><p>tem duração até 1920, onde iniciaram-se os estudos na área, sendo o psicólogo</p><p>Norman Triplett, considerado o precursor da psicologia do esporte na América do</p><p>Norte, ao investigar o desempenho de ciclistas quando estão sozinhos e</p><p>acompanhados.</p><p>6</p><p>Entre 1921 e 1938, o psicólogo Coleman Griffith, desenvolve nos Estados Unidos</p><p>o primeiro laboratório da área de Psicologia do Esporte e além disso publicou</p><p>importantes livros da área como “Psychology of Coaching” em 1926 e Psychology of</p><p>Athletics” em 1928.</p><p>Já entre 1939 e 1965 inicia-se um momento chamado de preparação para o futuro.</p><p>Foi nesse período, em 1950, que a Psicologia do emerge no Brasil, quando o</p><p>psicólogo João Carvalhaes desenvolveu um processo seletivo, de caráter</p><p>psicotécnico, na Escola de Árbitros da Federação Paulista de Futebol (FPF), e</p><p>posteriormente passou a realizar o acompanhamento psicológico dos atletas de</p><p>futebol do clube São Paulo. Nesse período, em 1965, a nível mundial, realizou-se o</p><p>primeiro Congresso Internacional de Psicologia do Esporte, em Roma, na Itália.</p><p>Entre os anos de 1966 e 1977 a Psicologia do Esporte passou a ser ofertada como</p><p>disciplina nos cursos de Educação Física. Nesse período, profissionais da área</p><p>passaram a realizar consultorias direcionadas ás equipes e atletas. Além disso,</p><p>começaram a emergir as primeiras sociedades científicas da área, nos Estados</p><p>Unidos.</p><p>A psicologia do exercício ganhou espaço entre 1978 e 2000, uma vez que nesse</p><p>período houve um aumento no número de eventos e de publicações científicas na</p><p>área, contemplando a participação de profissionais e estudantes. Percebe-se nesse</p><p>período, que as pesquisas e as intervenções passaram a assumir um viés</p><p>multidisciplinar a medida que os estudantes se dedicavam a realizar estudos na área.</p><p>A partir dos anos 2000, profissionais que atuam com a Psicologia do Esporte</p><p>passaram a integrar equipes Olímpicas e Paraolímpicas no Brasil. Somado a isso,</p><p>ficou notória a valorização atribuída às pesquisas na área devido aos benefícios que</p><p>a prática esportiva traz à saúde e qualidade de vida, bem como em relação ao</p><p>desempenho dos praticantes.</p><p>Conforme Rose-Júnior (1992) o desenvolvimento do esporte, de suas técnicas,</p><p>meios de treinamento, assim como, do material utilizado nas competições, tem feito</p><p>com que todos os detalhes, sejam fatores fundamentais para a obtenção de bons</p><p>resultados. Por isso, pesquisadores tem se dedicado cada vez mais a estudar os</p><p>diferentes elementos que influenciam a performance dos atletas, o que inclui a</p><p>psicologia.</p><p>7</p><p>Entende-se então, conforme Vieira et al (2010) que a Psicologia do Esporte além</p><p>de ser uma disciplina presente nos currículos dos cursos de ensino superior, é também</p><p>um campo de intervenção profissional que engloba conceitos da Psicologia e das</p><p>Ciências do Esporte.</p><p>Enquanto disciplina, a Psicologia do Esporte visa desenvolver</p><p>de alternação da</p><p>atenção refere-se à adaptação da direção e intensidade da atenção em função das</p><p>exigências ambientais, ou seja, o foco da atenção se altera de forma muito rápida.</p><p>Vale ressaltar que no ambiente esportivo, esses três tipos de atenção são utilizados</p><p>em diferentes momentos, a depender da dinâmica da partida.</p><p>Além disso, Nideffer (1976) desenvolveu um modelo bidimensional da atenção</p><p>baseado na amplitude e na direção. A amplitude pode ser ampla ou estreita, ou seja,</p><p>a amplitude da atenção vai determinar se o atleta vai olhar para muitos aspectos ou</p><p>poucos. Já a direção que pode ser externa ou interna, refere-se à atenção voltada</p><p>para ele mesmo ou para algo externo. A partir dessas dimensões desenvolvem-se</p><p>quatro domínios da atenção, os quais estão representadas na figura abaixo:</p><p>36</p><p>Fonte: www.gilsommaiapsicologo.com/</p><p>Na atenção ampla-externa, o sujeito precisa estar atento a variados estímulos no</p><p>ambiente externo, sendo importante para desenvolver a adaptação a situações</p><p>complexas que variam rapidamente. A atenção ampla-interna é importante para a</p><p>análise de competições passadas e para o planejamento do comportamento tático,</p><p>sendo importante para entender, principalmente execuções técnicas. A atenção</p><p>estreita-externa, é importante para a concentração em um único estímulo externo</p><p>específico, como por exemplo, concentrar-se na cesta do basquete. Por fim, a estreita-</p><p>interna é importante para perceber e regular o nível de tensão interna e o próprio</p><p>estado emocional, ou seja, é importante para a concentração mental antes de uma</p><p>competição.</p><p>Existem alguns fatores que são determinantes para os níveis de atenção e</p><p>concentração. Como se sabe, os estímulos que determinam a atenção e a</p><p>concentração advêm de fatores internos e externos. Entre os fatores internos estão o</p><p>sistema sensorial, a capacidade de processar informações, os comportamentos</p><p>aprendidos em situações especificas, características de personalidade e sexo, uma</p><p>vez que mulheres possuem capacidade atencional maior, comparada aos homens.</p><p>Entre os fatores externos estão a quantidade de informações, os níveis de estresse</p><p>social, a complexidade de estímulos e a hora do dia. O nível de ativação, também</p><p>exerce influência na capacidade de atenção, uma vez que impacta no foco de visão.</p><p>De acordo com Samulski (2009), sujeitos que não possuem níveis ótimos de</p><p>atenção e concentração, podem acabar não alcançando bons níveis de desempenho.</p><p>Dessa forma, o autor recomenda que para promover a capacidade de concentração,</p><p>37</p><p>profissionais, bem como os atletas e alunos, devem identificar quais são os estímulos</p><p>relevantes das atividades e analisar quais são as características e exigências da</p><p>situação, de forma a identificar qual a forma mais adequada de atenção para essa</p><p>tarefa. Ademais, entende-se que desenvolver o pensamento positivo é fundamental,</p><p>e por isso, o profissional deve orientar seus alunos e atletas a concentrarem-se nos</p><p>aspectos positivos e isolar os negativos ou irrelevantes, tanto durante os treinos,</p><p>quanto ao longo da competição.</p><p>Sobre a concentração, a literatura apresenta alguns princípios, uma vez que</p><p>naturalmente, o ser humano busca estímulos para se desconcentrar, sendo assim,</p><p>tonar-se necessário que sejam trabalhadas essas situações.</p><p>Muitas vezes, os atletas acabam pensando em mais de uma coisa ao mesmo</p><p>tempo. Entretanto o ideal é que ele focalize em apenas um pensamento, sendo</p><p>fundamental então, que os mesmos sejam treinados para focalizar em um</p><p>pensamento por vez. Nesse sentido, o mesmo atinge seu nível ótimo de concentração,</p><p>quando não há diferença entre o que ele está pensando e o que ele está fazendo.</p><p>Além disso, a literatura afirma que atletas tendem a atingir níveis mais eficientes</p><p>de concentração, quando direcionam o foco para ações específicas, relevantes, as</p><p>quais estão sob seu controle. Entretanto, os atletas perdem a concentração quando</p><p>passam a prestar atenção em acontecimentos e experiências futuras, como por</p><p>exemplo, a comemoração de uma possível vitória. Outra situação que diminui os</p><p>níveis de concentração é a preocupação com acontecimentos que fogem do controle</p><p>do atleta, como a torcida, o baixo desempenho do colega, entre outras. Pensar em</p><p>acontecimentos irrelevantes, também impacta nos níveis de concentração, assim</p><p>como as emoções.</p><p>Sendo assim, é importante que o psicólogo do esporte seja capaz de identificar</p><p>as deficiências dos atletas em determinado domínio, para que se possa elaborar</p><p>intervenções que estimulem o desenvolvimento da mesma. Ele deve então treinar o</p><p>atleta para identificar os estímulos irrelevantes para que seja capaz de eliminá-los,</p><p>bem como para perceber o seu nível de ativação interna. O profissional da área deve</p><p>também desenvolver o pensamento positivo nos atletas e orientá-lo para o sucesso,</p><p>desenvolvendo formas de reduzir o estresse emocional.</p><p>38</p><p>Torna-se fundamental então, simular condições de competição no treinamento,</p><p>para que o atleta aprenda a desenvolver formas de lidar com esses estímulos. Além</p><p>disso, o treinador pode utilizar palavras chaves que levam o atleta a se concentrar,</p><p>estabelecer rotinas de comportamento, entre outras.</p><p>Tomada de decisão</p><p>Assim como em variados momentos do dia a dia, no esporte, o atleta se depara</p><p>com situações que exigem dele respostas. Essas respostas referem-se a um processo</p><p>chamado tomada de decisão. Segundo Samulski (2009) considera-se a tomada de</p><p>decisão, como a realização de um processo intencional, ou seja, direcionado a um</p><p>objeto. Ela refere-se então a realização de uma ação, como resposta aos problemas</p><p>encontrados e com a intenção de se atingir uma meta.</p><p>De forma geral, entende-se que o objetivo da tomada de decisão está relacionado</p><p>ao fato de avaliar e selecionar as informações mais relevantes, com o intuito de</p><p>concretizar uma ação motora de forma rápida e consistente. No âmbito esportivo, os</p><p>atletas estão expostos a variáveis de caráter mais especifico, mas ainda assim,</p><p>apresentam um elevado nível de tomada de decisão, principalmente nos esportes que</p><p>se organizam na forma de ataque-defesa, onde é necessário articular as ações dos</p><p>jogadores à tomada de decisão individual.</p><p>Sendo assim, considerando os esportes coletivos, além das habilidades técnicas</p><p>necessárias ao atleta, torna-se fundamental a percepção dos fatores cognitivos para</p><p>se chegar a uma ação motora eficaz, entendendo que durante o jogo os mesmos</p><p>interagem com a imprevisibilidade, sendo então necessário o uso de ferramentas</p><p>táticas para que a visão de jogo seja efetiva.</p><p>Conforme a literatura da área, existem variáveis que exercem influência no</p><p>processo da tomada de decisão do atleta, além de processos cognitivos como</p><p>atenção, antecipação, memória, que exercem influência na tomada de decisão. Entre</p><p>esses fatores estão o número de decisões e diversidade de propósitos, o número de</p><p>alternativas em cada decisão, o tempo requerido para a tomada de decisão, o nível</p><p>de incerteza durante o processo decisório, a ordem sequencial das decisões, o</p><p>39</p><p>número de elementos que são necessários recordar para tomar a decisão e o nível de</p><p>risco que comporta a decisão.</p><p>Sobre o número de decisões e diversidade de propósitos, entende-se que ela</p><p>apresenta uma relação proporcional entre o número de possibilidades e a</p><p>complexidade da tomada de decisão. Dessa forma, o atleta precisa reconhecer as</p><p>consequências da sua decisão, bem com as possibilidades do adversário.</p><p>O número de alternativas em cada decisão, também apresenta uma relação</p><p>proporcional entre o número de possibilidades de ação e o nível de dificuldade. Dessa</p><p>forma, entende-se que a tomada de decisão se torna mais difícil a medida que o atleta</p><p>possui mais alternativas., sejam elas técnicas ou táticas.</p><p>Quanto ao tempo requerido para a tomada de decisão,</p><p>sabe-se que existe</p><p>diferença entre os esportes individuais e coletivos, porém, entende-se que de forma</p><p>geral, o atleta precisa realizar a tomada de decisão de forma rápida</p><p>O nível de incerteza durante o processo decisório, apresenta uma relação</p><p>proporcional entre o nível de incerteza e complexidade da modalidade e a tomada de</p><p>decisão. Embora ao longo dos treinos as equipes realizem atividades técnicas e</p><p>táticas que simulam situações de jogo, durante o jogo em si, não há como prever o</p><p>resultado da tomada de decisão, uma vez que existem outros integrantes na partida.</p><p>Em relação a ordem sequencial das decisões, pode-se caracteriza-la como fixa</p><p>ou alternada, estando a fixa presente nas modalidades onde as sequencias de ações</p><p>são pré-determinadas, diferente das modalidades em que há a dinâmica de ataque e</p><p>defesa, as quais exigem que o atleta podem estar em tanto atacando, construindo</p><p>uma finalização, quanto na defesa, impedindo a ação do adversário.</p><p>Sobre o número de elementos necessários de recordar para tomar a decisão,</p><p>entende-se que também existe uma relação proporcional entre a quantidade de</p><p>informação necessária a recordar e o nível de dificuldade do processo decisório, uma</p><p>vez que quando o atleta possui um número alto de informações em determinado</p><p>espaço de tempo, pode ser que o mesmo apresente dificuldades para realizar a</p><p>tomada de decisão efetiva.</p><p>Por fim, o nível de risco que comporta a decisão, refere-se ao risco que a decisão</p><p>X ou Y apresenta nas situações de jogo. Geralmente o atleta escolhe determinada</p><p>40</p><p>ação por julgá-la como a de menor risco, mas também com possibilidade de atingir</p><p>seus objetivos.</p><p>Como mencionado, existem também os fatores cognitivos que influenciam na</p><p>capacidade do atleta de tomar decisões, lembrando que os processos cognitivos são</p><p>os responsáveis pelas respostas rápidas. Um exemplo é a percepção que se refere</p><p>ao primeiro estágio da informação. Além dela, há a antecipação que se refere a</p><p>capacidade de prever o que e quando determinada situação poderá ocorrer. A</p><p>memória também se apresenta como uma outra capacidade cognitiva que influencia</p><p>no processo de tomada de decisão, auxiliando no direcionamento da atenção e na</p><p>adoção de estratégias de antecipação.</p><p>Vale ressaltar que no esporte, as respostas para as situações são exigidas com o</p><p>menor intervalo de tempo possível, para a execução das ações, ou seja, os atletas</p><p>precisam responder rapidamente às demandas. Por isso, o sucesso do jogador não</p><p>está apenas nas suas habilidades motoras, mas também, na sua capacidade de tomar</p><p>decisões rápidas e efetivas.</p><p>Sendo assim, as pessoas são capazes de tomar decisões porque essa</p><p>capacidade já está presente no interior delas. Contudo, se essa capacidade não for</p><p>bem trabalhada com os jogadores eles terão dificuldades para decidir quais são as</p><p>melhores opções para solucionar os problemas que serão encontrados durante as</p><p>partidas.</p><p>41</p><p>5 PROCESSOS DE GRUPO</p><p>Fonte: www.unisportbrasil.com.br</p><p>Os processos de grupo são fundamentais para a melhoria do desempenho dos</p><p>atletas em diferentes contextos da prática esportiva. Frequentemente se ouve que</p><p>grandes equipes não são formadas, necessariamente, por grandes talentos, mas sim</p><p>pela combinação deles. Por isso, muitas vezes, equipes compostas por grandes</p><p>talentos não conseguem demonstrar um bom desempenho, ao passo que times com</p><p>atletas menos talentosos conseguem.</p><p>Segundo Weinberg e Gould (2017) a intenção de um time certamente é se</p><p>“aproveitar” das capacidades, interesses e experiências de seus atletas, contudo tona-</p><p>se necessário um esforço considerável para desenvolver um efetivo trabalho em</p><p>equipe. Ressalta-se então, que os atletas devem interagir, equilibrar as necessidades</p><p>individuais, trabalhar em prol dos mesmos objetivos, adaptarem-se as demandas</p><p>ambientais para que a equipe obtenha sucesso.</p><p>Grande parte das atividades esportivas, mesmo as classificadas como esportes</p><p>individuais, envolvem grupos e equipes, considerando que competições envolvem</p><p>grupos de pessoas. Dessa forma, compreender os processos e dinâmicas de grupo</p><p>são fundamentais para o desenvolvimento de atletas e equipes.</p><p>42</p><p>Comunicação</p><p>A comunicação, que certamente é um elemento muito importante no dia a dia,</p><p>também é fundamental nos diferentes contextos esportivos e de atividade física.</p><p>Sendo assim, as boas habilidades de comunicação estão entre os principais</p><p>elementos que influenciam na melhora do desempenho, bem como no crescimento</p><p>pessoal, tanto de atletas quanto de não-atletas.</p><p>Para Weinberg e Gould (2017) toda comunicação de mão única segue um mesmo</p><p>processo básico, que se inicia com a decisão de uma pessoa em enviar uma</p><p>mensagem para a outra. Ela então codifica, ou seja, transforma seus pensamentos</p><p>em uma mensagem, geralmente através de palavras, mas pode ser também através</p><p>de sinais. Em seguida ela envia essa mensagem para o receptor que irá decodificar,</p><p>ou seja, interpretar, a mensagem e logo depois responder. Vale ressaltar que para os</p><p>autores, embora os mecanismos da comunicação sejam os mesmos em todas as</p><p>situações, os objetivos da comunicação podem variar.</p><p>A literatura aponta que no ambiente esportivo, a comunicação pode ser entendida</p><p>como uma transferência de informações, entre um emissor e um receptor, na forma</p><p>de mensagens compreensíveis, as quais são dotadas de sentido e significados. Para</p><p>Laios e Theodorakis (2001) refere-se a um intercâmbio de informações, ideias,</p><p>pensamentos e emoções, entre dois ou mais sujeitos.</p><p>Entende-se de forma geral, que a efetividade da comunicação, que tem como</p><p>base o processo de interação social entre os membros do grupo ou equipe, é o que</p><p>vai direcionar o esforço dos mesmos para a obtenção de suas metas e objetivos.</p><p>Todavia, a ineficiência na comunicação pode resultar em baixos níveis de cooperação</p><p>e coordenação, bem como levar os sujeitos a antipatizarem entre si e a perderem a</p><p>confiança uns nos outros, provocando confusões entre os integrantes da equipe, bem</p><p>como ocasionando tantos outros problemas interpessoais.</p><p>Nesse sentido, torna-se importante que todos os membros do grupo, tenham</p><p>entendimento dos processos de comunicação, para que se facilite a interação,</p><p>considerando que é por meio da comunicação que é possível o compartilhamento de</p><p>ideias, costumes, pensamentos, comportamentos, atitudes, entre outros elementos</p><p>que favorecem o desenvolvimento e a criação das relações interpessoais.</p><p>43</p><p>De acordo com Laios e Theodorakis (2001) o processo de comunicação envolve</p><p>quatro elementos, os quais são:</p><p> Emissor, ou também pode ser chamado de transmissor: Refere-se a pessoa</p><p>que inicia ou lidera o processo de comunicação. Em grande parte das vezes,</p><p>quem ocupa esse lugar é o professor/técnico, quando envia mensagens e</p><p>estímulos para a turma. Entretanto, alunos/atletas, dirigentes, torcedores ou</p><p>qualquer outra pessoa, podem vir a ser emissores.</p><p> Mensagem: geralmente, assume a forma de informação, sugestão, orientação</p><p>ou direcionamento. É fundamental que a mesma seja clara e de fácil</p><p>compreensão entre os atletas, assistentes e demais agentes do grupo, com o</p><p>intuito de que todos entendam claramente o que deve ser feito, bem como a</p><p>forma de se realizar as técnicas e processos táticos para se atingir os objetivos.</p><p> Canal: é a forma, ou seja, o meio de transmissão da mensagem. Sendo assim,</p><p>o professor ou técnico pode, por exemplo, utilizar mensagens verbais,</p><p>símbolos, desenhos, sinais e expressões corporais. Os canais podem ser</p><p>classificados em quatro categorias: verbais (orientações, ordens, sugestões,</p><p>instruções); não verbais (gestos, expressões faciais); escritos (desenhos,</p><p>planos) e sonoros (bater palmas, apitar).</p><p> Receptor: refere-se ao indivíduo ou grupo para o qual se deseja enviar a</p><p>mensagem. Em esportes coletivos, os participantes/</p><p>atletas, os árbitros e</p><p>membros da comissão técnica é quem são os receptores.</p><p>Sabe-se ainda, que existem alguns elementos que podem dificultar os processos</p><p>comunicativos. Para Laios (apud LAIOS; THEODORAKIS, 2001), entre os principais</p><p>problemas de comunicação entre professores ou técnicos e alunos ou atletas estão o</p><p>tempo limitado, a linguagem, a habilidade de percepção, a atitude negativa, a</p><p>condição emocional, os fatores externos.</p><p> Tempo limitado: Durante as partidas o professor/treinador tem apenas os</p><p>intervalos e os pedidos de tempo, os quais são autorizados dentro das regras</p><p>do jogo, e podem variar entre segundos e minutos. Nesses pequenos intervalos</p><p>de tempo, o professor/treinador deve emitir orientações, além de garantir que</p><p>os alunos/atletas tenham compreendido as mensagens, mesmo estando</p><p>44</p><p> Linguagem: torna-se um problema, a medida que na atualidade, tem sido cada</p><p>vez m ais comum atletas de diferentes nacionalidades comporem a mesma</p><p>equipe. Sendo assim, a probabilidade de ocorrer problemas de linguagem</p><p>aumenta, uma vez que nem sempre todos compreendem o mesmo idioma.</p><p> Habilidade de percepção: refere-se ao fato de que uma mesma mensagem</p><p>pode gerar diferentes interpretações para quem as recebe.</p><p> Atitude negativa: o comportamento negativo de jovens atletas acaba afetando</p><p>decisivamente na maneira como eles conseguem perceber e executar as</p><p>instruções do treinador. Além disso, tais comportamentos acabam gerando um</p><p>clima desfavorável para o desenvolvimento do grupo, uma vez que o ambiente</p><p>fica pouco saudável.</p><p> Condição emocional: muitas vezes, os alunos/atletas não conseguem</p><p>compreender claramente as mensagens emitidas pelo professor/treinador,</p><p>devido a condição emocional em que se encontram, estando por exemplo, com</p><p>problemas afetivos, em estado de fadiga, entre outros.</p><p> Fatores externos: referem-se a fatores que não estão diretamente vinculados</p><p>aos membros do grupo, e que são de difícil controle, como por exemplo a</p><p>reação da torcida, o comportamento do adversário, a decisão do árbitro, entre</p><p>outros. Como se sabe, essas situações podem influenciar os níveis de</p><p>concentração dos atletas e demais membros do grupo, o que gera prejuízos ao</p><p>processo de comunicação, podendo até mesmo, causar queda no</p><p>desempenho.</p><p>Nesse sentido, para melhor a comunicação do grupo, torna-se importante</p><p>trabalhar no grupo a confiança, a fidelidade, a comunicação não verbal, o</p><p>desenvolvimento de atitudes positivas, a qualidade e o detalhamento das informações,</p><p>a capacidade de escuta, bem como o desenvolvimento de meios próprios de</p><p>comunicação.</p><p>45</p><p>Liderança</p><p>Embora os estudos sobre a liderança sejam algo recente, a mesma é praticada</p><p>desde os primórdios da humanidade. Considerando ambientes em que as relações</p><p>interpessoais são necessárias, pode-se perceber que algumas pessoas tem a</p><p>capacidade de motivar e influenciar as pessoas que estão ao seu redor, mesmo que</p><p>nunca tenha ouvido falar ou estudado a liderança. Essas pessoas, então, possuem</p><p>características inerentes ao “cargo” de líder, ou seja, elas já possuem uma aptidão</p><p>natural para desenvolver a liderança.</p><p>É importante ressaltar que todas as pessoas podem desenvolver a liderança,</p><p>tendo ou não facilidade para exercê-la, basta se dedicar e estudar sobre o assunto e</p><p>aproveitar as situações cotidianas para praticar.</p><p>Segundo Chelladurai (2001, apud SAMULSKI, 2009) a liderança pode ser</p><p>conceituada a partir de duas perspectivas: a etimológica e a organizacional. Em seu</p><p>sentido etimológico, ser líder significa tomar a frente de um grupo para mostrar o</p><p>caminho, como foi o caso de capitães militares no início dos tempos. Já sob a</p><p>perspectiva organizacional, a função de líder refere-se à capacidade de uma pessoa</p><p>comandar um grupo em função das atividades, das orientações de seus superiores,</p><p>bem como das finalidades da organização. De acordo com Samulski (2009) no</p><p>contexto esportivo a perspectiva organizacional é a mais utilizada, embora haja</p><p>diferentes definições de liderança disponíveis na literatura.</p><p>Conforme Noce, Costa e Lopes (2009) a classificação dos estilos de liderança,</p><p>apresenta-se como um elemento norteador básico para se compreender os processos</p><p>básico da mesma. Para os autores, os estilos de liderança classificam como</p><p>autocrático e democrático. A liderança autocrática, está baseada na centralização de</p><p>poder na pessoa do líder, dessa forma, cabe ao mesmo determinar os objetivos a</p><p>serem atingidos pelo grupo. Além disso, não há participação a participação de</p><p>terceiros nas discussões sobre as metas. Percebe-se então que o líder nesse</p><p>autocrático, é integralmente responsável pelo planejamento, pelas decisões e controle</p><p>de seus liderados. No esporte, esse tipo de líder se caracteriza pelo excesso de</p><p>instruções verbais, pela tomada de todas as decisões, bem como pelo distanciamento</p><p>dos demais membros do grupo.</p><p>46</p><p>Já a liderança democrática, caracteriza-se por uma orientação integrada e</p><p>participativa, descentralizada dos processos de direção e de tomada de decisão. O</p><p>líder nesse caso, leva em consideração a opinião de seus liderados, estimulando os</p><p>mesmos a discutirem sobre os problemas, a refletir sobre diversos assuntos</p><p>relacionados ao grupo, bem como a definir as estratégias e objetivos a serem atingidos</p><p>pela equipe.</p><p>Tanto o estilo de liderança autocrático, quanto o democrático apresentam pontos</p><p>positivos e negativos, sendo assim, acredita-se que existam momentos em que há a</p><p>necessidade de se assumir características autocrática na liderança, assim como há</p><p>momentos em que a democrática é a mais adequada. Essa forma de liderar, ficou</p><p>conhecida como liderança situacional, que também sofre influências das</p><p>características do grupo de liderados.</p><p>A situação é fator determinante para definir quais ações ou medidas o líder deve</p><p>eleger. Sabe-se que a imprevisibilidade é uma característica comum nos esportes, o</p><p>que acaba exigindo do líder altos níveis de adaptabilidade e de flexibilidade para</p><p>alterar o planejamento inicial. Sendo assim, não existe um planejamento prévio que</p><p>pode ser considerado padrão, para ser utilizado em todas as competições.</p><p>Para auxiliar o desenvolvimento da liderança nos atletas, a literatura apresenta</p><p>algumas sugestões aos professores e técnicos:</p><p> Permitir, frequentemente que com membros da equipe participem da</p><p>elaboração e possam opinar sobre o desenvolvimento dos treinos;</p><p> Saber identificar quando se deve conduzir uma atividade e quando a mesma</p><p>pode ser delegada a um dos atletas;</p><p> Identificar as falhas quando a condução das atividades estiver sob</p><p>responsabilidade de um dos membros da equipe;</p><p> Conversar individualmente com cada liderado sobre suas falhas e procurar</p><p>desenvolver atividades que o ajudem a corrigi-las.</p><p>Coesão de grupo</p><p>Certamente, nos esportes coletivo, já houveram momentos em que a união da</p><p>equipe teve relação com o alto desempenho dos atletas ao logo do jogo. Esse fato é</p><p>47</p><p>caracterizado como coesão, que segundo Carron (apud WEINBERG; GOULD, 2008)</p><p>refere-se a um processo dinâmico que reflete a tendência de uma equipe, de se</p><p>entrosar e permanecer entrosado, na busca pelo objetivo, assim como, para satisfazer</p><p>as necessidades afetivas da equipe.</p><p>Somado a isso, Weinberg e Gould (2008) afirmam que a coesão é:</p><p> Multidimensional: quando são variados os fatores que determinam a união do</p><p>grupo. Tal caráter está associado à articulação das dimensões de coesão social</p><p>e da tarefa. A coesão social reflete o grau de apreciação mútua existente entre</p><p>os membros da equipe, bem como o sentimento de pertencimento e empatia</p><p>em relação aos colegas. Já a coesão da tarefe, refere-se ao grau de trabalho</p><p>em equipe que existe em um grupo que visa atingir um objetivo comum.</p><p> Dinâmica: quando a coesão de um grupo se modifica com o passar</p><p>do tempo.</p><p> Instrumental: quando os grupos são criados com um propósito definido;</p><p> Afetiva: quando as interações sociais dos membros da equipe desenvolvem</p><p>sentimentos afetivo entre seus participantes.</p><p>De acordo com Carron (apud WEINBERG; GOULD, 2008) existe um sistema</p><p>conceitual que serve para estudar a coesão no ambiente esportivo e da prática de</p><p>exercício físico. Para ele existem quatro fatores que influenciam no desenvolvimento</p><p>da coesão em ambientes esportivos e de prática de exercícios, os quais são fatores</p><p>ambientais, pessoais, de liderança e de equipe.</p><p>Entre os fatores ambientais estão as questões normativas que mantém um grupo</p><p>unido, como por exemplo, a responsabilidade contratual, bolsas de estudos,</p><p>regulamentos, entre outros. Entre os fatores pessoais, estão as características</p><p>individuais dos membros da equipe, entre as quais estão a satisfação pessoal, as</p><p>diferenças e semelhanças individuais. Como fatores de liderança, podem ser</p><p>apontados o estilo e comportamento de lideranças, assim como a personalidade dos</p><p>membros do grupo. Por fim, entre os fatores de equipe, estão as características da</p><p>tarefa de grupo, as normas de produtividade da equipe, a capacidade e a estabilidade</p><p>do grupo, assim como o desejo de sucesso da equipe.</p><p>Segundo Weinberg e Gould (2008), existem algumas diretrizes que podem ser</p><p>seguidas por técnicos e líderes, para que um time coeso seja desenvolvido. Entre</p><p>essas diretrizes estão:</p><p>48</p><p> Comunicação efetiva: deve-se desenvolver um ambiente que estimule a</p><p>comunicação, ou seja, que permita que os membros da equipe se expressem,</p><p>de forma confortável, seus sentimentos e pensamentos.</p><p> Explicar os papéis individuais para o sucesso da equipe: deve-se ressaltar a</p><p>importância que cada membro do grupo exerce para o desempenho da equipe,</p><p>uma vez que, quando os mesmos têm consciência de suas funções e tarefas,</p><p>bem como a de seus colegas, começa a se desenvolver uma relação de apoio</p><p>e empatia mútua.</p><p> Desenvolver o orgulho entre as diferentes funções: é importante que haja um</p><p>incentivo mútuo entre os membros do grupo, mesmo entre os que realizem a</p><p>mesma função ou função distinta.</p><p> Traçar metas desafiadoras para o grupo: traçar objetivos específicos e</p><p>desafiadores provocam impactos positivos nos membros da equipe,</p><p>aumentando o padrão de produtividade, bem como mantendo o time ou grupo</p><p>focado no que é preciso fazer para alcançar os objetivos. Além disso, ao</p><p>alcança-los, o grupo é estimulado a traçar novas metas e objetivos.</p><p> Estimular a identidade do grupo: a participação em eventos, ou até mesmo a</p><p>escolha do número as camisa com que o atleta irá jogar, apresentam-se como</p><p>estratégias interessantes para a formação da identidade do atleta e do grupo,</p><p>uma vez que o desenvolvimento de uma identidade, faz com que os mesmos</p><p>se sintam especiais, bem como os diferenciam das demais equipes.</p><p> Evitar a formação de facções: a formação das chamadas “panelinhas”, devem</p><p>ser evitadas, uma vez que as mesmas tendem a segregar os membros da</p><p>equipe.</p><p> Evitar modificações excessivas: deve-se evitar muitas modificações, uma vez</p><p>que isso podem dificultar o entendimento entre os membros do grupo já que o</p><p>ambiente se torna pouco familiar. Ademais é importante que os membros mais</p><p>antigos do grupo façam a acolhida dos novatos.</p><p> Promover encontros periódicos da equipe: encontros e reuniões de grupo são</p><p>bastante produtivas, uma vez que tornam viáveis a redefinição de metas, a</p><p>aprendizagem com base nos erros, a solução de conflitos internos, a</p><p>mobilização de energias, e a manutenção do espírito esportivo;</p><p>49</p><p> Conhecer o ambiente da equipe: professores/técnicos devem reconhecer os</p><p>alunos/atletas que se destacam, que possuem um maior prestígio e aptidão</p><p>interpessoal e utilizar os mesmo como meio de comunicação entre a comissão</p><p>técnica e os alunos/atletas. Assim, os mesmos podem auxiliar os</p><p>professores/técnicos a manter um contato de qualidade com os membros do</p><p>grupo.</p><p> Estimular a descoberta interpessoal: considerando que os valores são</p><p>determinantes do comportamento humano, torna-se fundamental que o</p><p>professor/técnico seja capaz de identificar os valores dos membros do grupo,</p><p>tais como planos de realização pessoal, profissional, de família, criatividade,</p><p>entre outros.</p><p>A literatura afirma que existe uma correlação entre coesão e desempenho, o que</p><p>ressalta a importância da formação de uma equipe para se elevar a coesão, já que</p><p>tanto a coesão social quanto a coesão para a tarefa têm apresentado efeitos benéficos</p><p>para os processos de grupo.</p><p>Como aponta, Trevelin e Alves (2018), a psicologia do esporte trabalha com</p><p>investigações e intervenções que influenciam o rendimento de atletas profissionais. O</p><p>objetivo é melhorar o desempenho e prevenir distúrbios emocionais. Nessa</p><p>perspectiva, a área dialoga com um contexto mais amplo do esporte, incluindo os</p><p>determinantes táticos e técnicos. É de se supor que alguns dos traços que ocorrem</p><p>no esporte de alto rendimento ocorram, também, em categorias de base. Disso resulta</p><p>a necessidade de adequação e adaptação dos ambientes de ensino e treino para</p><p>crianças e jovens.</p><p>50</p><p>6 REFERÊNCIAS</p><p>ANTUNES, H. K. M. et al. Exercício físico e função cognitiva: uma revisão. Revista</p><p>Brasileira de Medicina do Esporte, v. 12, n. 2 , p. 108 – 114, 2006.</p><p>BARTHOLOMEU, D; MACHADO, A. A. Estudos Iniciais de uma Escala de</p><p>Agressividade em Competição. Interação em Psicologia, v. 12, n.2, p. 189-201,</p><p>2008.</p><p>BIDUTTE, L.C. et al. Agressividade em jogadores de futebol: estudo com atletas de</p><p>equipes portuguesas. Psico-USF, v. 10, n. 2, p. 179-184, 2005.</p><p>BRANCO, Raquel Almeida. 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The Lancet Global Health, V. 8, n. 10, p. 1077- 1086, 2018.</p><p>fundamentação</p><p>acadêmica, atuando na investigação e no desenvolvimento de modelos e teorias, além</p><p>de buscar compreender os comportamentos motores e psicológicos no ambiente</p><p>esportivo. Por outro lado, enquanto campo de intervenção profissional, a Psicologia</p><p>do Esporte, atua com a aplicabilidade da fundamentação acadêmica no ambiente</p><p>esportivo, buscando a melhora do desempenho de equipes e atletas, atuando na</p><p>reabilitação de lesões, objetivando o bom desempenho.</p><p>A Psicologia do Esporte é considerada então, uma área interdisciplinar que surgiu</p><p>em função do diálogo de diferentes áreas, como a Psicologia e a Educação Física.</p><p>Além disso, cabe ressaltar que é uma área em que o Profissional de Educação Física</p><p>e o Psicólogo podem atuar em conjunto e com profissionais de outras áreas.</p><p>De forma geral, pode-se dizer que o profissional que atua nessa área, analisa as</p><p>emoções e as estruturas mentais de atletas e pessoas fisicamente ativas, com o intuito</p><p>de cuidar da saúde psíquica dos mesmos, ao longo da rotina de treinos. Corroborando</p><p>com essa ideia, Weinberg e Gould (2008) afirmam que a Psicologia do Esporte possui</p><p>dois objetivos, sendo um entender os efeitos dos processos psicológicos sobre o</p><p>desempenho físico e motor e o outro, entender os efeitos da atividade física no</p><p>desenvolvimento psicológico, na saúde e no bem-estar dos sujeitos.</p><p>Nesse sentido, o psicólogo do esporte é incumbido de melhorar os aspectos</p><p>psicológicos que interferem no desempenho esportivo, dando suporte ao controle das</p><p>emoções, bem como na interação com a equipe. O profissional pode então, elaborar</p><p>um esquema de preparação psicológica que envolve supervisão e suporte psicológico,</p><p>assessoramento e direcionamento psicológico, exames e habilitações psicológicas. O</p><p>treino psicológico pode envolver exercícios de auto relaxamento e estratégia de auto</p><p>influência, tornando possível na preparação psicológica, realizar um panorama de</p><p>aperfeiçoamento de iniciativas condizentes e elementares ao rendimento esportivo</p><p>(MEIRELES, 2015).</p><p>8</p><p>Sendo assim, o profissional que atua nessa área, deve possuir conhecimentos</p><p>que lhe garantam uma boa formação geral em Psicologia, que deve, entretanto, estar</p><p>associada aos saberes específicos do esporte e do exercício físico. Somado a isso,</p><p>Vieira et al (2010) afirmam ser é importante que o profissional que atua com a</p><p>psicologia do esporte possua uma cultura alicerçada em elementos que irão contribuir</p><p>para o entendimento do contexto de atuação e assim, o mesmo deve trabalhar de</p><p>forma atenciosa e com rigor científico na prática esportiva, para que não a transforme</p><p>em uma Psicologia que simplifique os fenômenos do esporte.</p><p>Ademais, as intervenções não devem ser focadas somente para o momento da</p><p>competição e pensando no rendimento. É preciso realizar um trabalho de médio a</p><p>longo prazo com o atleta, acompanhando sua preparação durante os treinos, o</p><p>período da competição e o pós-competição, com o objetivo de auxiliá-lo a se conhecer</p><p>e compreender seu funcionamento psíquico. Esta compreensão propicia que o atleta</p><p>consiga melhorar sua tomada de decisão, suas estratégias de enfrentamento, fatores</p><p>que podem influenciar seu comportamento durante a competição e por consequência</p><p>podem ter impacto em seu rendimento.</p><p>Torna-se fundamental então, ao tratar sobre essa temática, contextualizar a</p><p>Psicologia do Esporte, onde além de ressaltar o contexto histórico e a evolução da</p><p>área, deve-se pontuar questões como a área de atuação, a investigação científica,</p><p>formação acadêmica, entre outros aspectos relacionados a área.</p><p>Áreas, campos de atuação e produções científicas</p><p>Sabe-se que a Psicologia tem ampliado seus domínios enquanto profissão e</p><p>ciência, passando a transitar em espaços que eram exclusivos de outros profissionais.</p><p>Sendo assim, o desenvolvimento da Psicologia do Esporte enquanto área de atuação</p><p>profissional e de produção científica tem chamado a atenção para diferentes questões</p><p>que vão desde a formação acadêmica que irá nortear a atuação profissional no campo,</p><p>bem como delimitar a função do profissional, até a construção de um conjunto de</p><p>saberes teóricos e práticos que servirão como base para as intervenções junto aos</p><p>atletas e praticantes de atividade física.</p><p>9</p><p>A literatura da área aponta variados campos de atuação profissional que vão se</p><p>alterar de acordo com a concepção dos autores que se dedicam a estudar o campo.</p><p>Segundo Vieira et al (2010) os estudos em Psicologia do Esporte têm se dividido em</p><p>duas subáreas: a Psicologia atrelada ao exercício físico e atividade física e a</p><p>Psicologia do esporte. A primeira subárea, refere-se à relação entre o exercício físico</p><p>e a saúde, enquanto a segunda subárea direciona-se as determinantes e</p><p>consequências do desempenho e envolvimento com o esporte de alto rendimento.</p><p>Nesse contexto, Gonzáles (1997 apud Vieira et al, 2010) afirma que as</p><p>associações de Psicologia a nível internacional, passaram a julgar necessário o</p><p>estabelecimento de critérios básicos para dois campos de atuação profissional do</p><p>psicólogo do esporte, os quais são o educacional e o clínico.</p><p>O psicólogo educacional segundo o autor, volta suas ocupações para a análise</p><p>de dinâmicas de grupo, em atividades relacionadas ao ensino e à pesquisa,</p><p>assumindo um caráter mais pedagógico quando comparada ao clínico, que por sua</p><p>vez, é aquele destinado a realizar o psicodiagnóstico esportivo e a desenvolver</p><p>intervenções clínicas tanto individualmente, quanto coletivamente.</p><p>Para Weinberg e Gould (2001), a Psicologia do Esporte possui três campos de</p><p>atuação profissional, os quais são: ensino, pesquisa e intervenção. No ensino, o</p><p>objetivo principal é a transmissão de conhecimentos e habilidades técnicas esportivas,</p><p>o que exige que os profissionais se apropriem de conhecimentos atrelados a</p><p>psicologia para melhor compreenderem o comportamento humano no ambiente</p><p>esportivo.</p><p>No campo da pesquisa, busca-se investir na exploração de procedimentos</p><p>diagnósticos para mensurar as características psicológicas dos sujeitos, bem como a</p><p>realização de avaliações esportivas e medidas de intervenção psicológica para</p><p>competição e treinamento. Já no campo da intervenção, os profissionais ocupam-se</p><p>com a realização de psicodiagnósticos, programas psicológicos de treinamento</p><p>mental, além de ações de aconselhamento e acompanhamento.</p><p>Percebe-se então que são vários os campos de atuação profissional do psicólogo</p><p>esportivo. Entretanto, é importante ressaltar que embora a área esteja vinculada a</p><p>Psicologia, profissionais com formação em diferentes áreas tem ocupado este campo</p><p>profissional.</p><p>10</p><p>Quanto as áreas de aplicação, a literatura também aponta certa variedade. Sendo</p><p>assim, Samulski (1992) destaca a necessidade de uma formação ampla, que</p><p>contemple quatro campos de aplicação da Psicologia do Esporte, os quais são o</p><p>esporte de rendimento, esporte escolar, esporte recreativo e esporte de reabilitação.</p><p>O esporte de rendimento busca conforme o autor, otimizar a performance em uma</p><p>estrutura formal e institucionalizada. Nessa situação, o psicólogo atua realizando</p><p>analises e transformando as variáveis psíquicas que influenciam na performance da</p><p>equipe ou do atleta. Ou seja, os fenômenos psicológicos são investigados e assim, a</p><p>psicologia passa a ser utilizada como uma ferramenta de aperfeiçoamento do</p><p>processo de recuperação e aperfeiçoamento do desempenho dos atletas.</p><p>O esporte escolar ou educacional, tem como objetivo a formação, que deve ser</p><p>norteada por princípios socioeducativos, com o intuito de preparar os sujeitos para a</p><p>cidadania e também para o lazer. Nessa área, o psicólogo busca analisar e</p><p>compreender o processo de ensino-aprendizagem, assim como os processos de</p><p>educação e socialização que estão relacionados a prática esportiva e seus reflexos</p><p>na formação e no desenvolvimento dos sujeitos.</p><p>O esporte</p><p>recreativo, no entanto, objetiva proporcionar o bem-estar das pessoas.</p><p>Sua prática acontece de forma voluntária e possui conexões com os movimentos de</p><p>educação permanente e com a saúde. Nessa área então, o psicólogo busca</p><p>compreender os motivos, os interesses e as atitudes de grupos recreativos de</p><p>variadas faixas etárias, classes sociais e atuações profissionais.</p><p>Já o esporte de reabilitação, realiza um trabalho voltado para a prevenção e</p><p>intervenção com esportistas que sofreram alguma lesão decorrente da prática</p><p>esportiva ou também com praticantes de esporte adaptado. Nessa área, a psicologia</p><p>busca compreender os aspectos preventivos e terapêuticos do esporte e do exercício</p><p>físico.</p><p>Em Relação a produção científica na área, Machado (2014) destaca que no</p><p>cenário nacional, infelizmente, a Psicologia do Esporte encontra vazão para estudo,</p><p>pesquisa e intervenção somente enquanto Ciência do Esporte, e raramente em outras</p><p>áreas como Fisioterapia, Medicina e Psicologia.</p><p>Nesse mesmo sentido, Dominski et al (2018) destacam que a Psicologia do</p><p>Esporte ainda se apresenta como uma área emergente no Brasil, considerando o</p><p>11</p><p>reduzido quantitativo de congressos e de disciplinas oferecidas nos cursos de</p><p>graduação, o que evidencia a necessidade de maiores reflexões na área com o intuito</p><p>de diminuir o distanciamento entre o que é analisado na teoria e desenvolvido na</p><p>prática do esporte.</p><p>Ainda sobre a produção de conhecimento na área, os autores apontam que há</p><p>certa predominância de estudos com algumas modalidades esportivas como o</p><p>voleibol, futebol, futsal e basquete, ressaltando a popularidade de tais esportes no</p><p>Brasil. Eles destacam também que embora sejam encontradas diversas temáticas</p><p>relacionadas a área, a motivação tem sido o tema mais investigado.</p><p>Somado a isso, estudos na área tem evidenciado também a carência de</p><p>investigações experimentais na área da Psicologia do Esporte, ressaltando que esse</p><p>tipo de estudo é fundamental, pois permite que novas metodologias e programas de</p><p>treinamento nessa área sejam testados de acordo com intervenções específicas.</p><p>Assim, torna-se necessário um maior investimento em pesquisas e produções</p><p>cientificas na área para que o campo aprimore cada vez mais a sua base teórica, bem</p><p>como amplie os conhecimentos da área, uma vez que existem outras temáticas além</p><p>da motivação, que são importantes de serem investigadas.</p><p>O exercício e o bem-estar psicológico</p><p>Nos dias atuais, as pessoas têm vivenciado práticas que favorecem de forma</p><p>evidente o sedentarismo, como por exemplo as atividades por comandos de voz, as</p><p>escadas rolantes, portões eletrônicos, os delivery’s, entre outras práticas, que embora</p><p>tenham efeitos positivos, tem elevado frequentemente os índices de inatividade física,</p><p>o que torna tais avanços preocupantes quando se pensa nos níveis de sedentarismo,</p><p>obesidade, bem como de transtornos de humor, ansiedade e depressão.</p><p>De acordo com uma publicação realizada pela Organização Mundial da Saúde –</p><p>OMS em 2018, constatou-se que entre os anos de 2001 e 2016 aproximadamente</p><p>39% da população da América Latina não era fisicamente ativa, ocupando a liderança</p><p>entre as regiões do mundo que mais possui pessoas sedentárias. Entre os países que</p><p>compõe a América Latina, o Brasil foi considerado o país mais sedentário, onde</p><p>aproximadamente 47% da população não prática atividade física.</p><p>12</p><p>No ano anterior, a OMS também publicou um estudo que indicava a América</p><p>Latina como a região do mundo que mais sofre de transtornos psicológicos como a</p><p>ansiedade e depressão. O Brasil aparece novamente como primeiro no ranking,</p><p>entretanto, a nível mundial.</p><p>Esses dados são bastante interessantes, embora se saiba que são variados os</p><p>fatores que influenciam o desenvolvimento de transtornos psicológicos, não somente</p><p>o sedentarismo. A ciência tem investido esforços na busca pela compreensão da</p><p>relação entre a atividade física e a saúde mental, sendo importante ressaltar que na</p><p>década de 80 já existiam alguns estudos que tentavam compreender como o exercício</p><p>pode auxiliar o sujeito a lidar com sentimentos como raiva e tristeza profunda.</p><p>Assim, os estudos têm se mostrado bastante positivos ao ressaltar quais são os</p><p>principais benefícios da prática regular de atividade física, uma vez que os mesmos</p><p>têm evidenciado que o exercício físico tem contribuído de forma efetiva para a</p><p>prevenção e combate ás doenças mentais como ansiedade e depressão, as quais na</p><p>atualidade, tem afetado de forma significativa os diferentes sujeitos.</p><p>É importante mencionar, que todas as pessoas possuem a necessidade de</p><p>vivenciar intervenções lúdicas ao longo do dia a dia, como forma de encontrar nas</p><p>práticas corporais uma possibilidade de relaxar. Como a prática corporal possibilita os</p><p>sujeitos estabelecerem uma relação diferente com o mundo e com o outro, torna-se</p><p>importante refletir sobre os efeitos terapêuticos que essas práticas corporais podem</p><p>causar na saúde mental dos mesmos.</p><p>Entre os sintomas que acarretam transtornos como a depressão, por exemplo,</p><p>pode-se destacar três fatores: os pensamentos negativos automáticos, a presença</p><p>constante de erros lógicos e a distorção da interpretação da realidade. Pesquisas tem</p><p>salientado que o exercício físico tem o poder de desarticular esses fatores,</p><p>substituindo os sentimentos e pensamentos negativos por padrões de pensamentos</p><p>mais positivos. Além disso, aponta-se para uma certa tendência de as pessoas</p><p>sentirem mais prazer em estar interagindo com outras pessoas que praticam exercício</p><p>físico, aumentando sua interação social e também a distração de preocupações do</p><p>dia a dia, fazendo com que a pessoa se sinta mais acolhida e com a autoestima mais</p><p>elevada.</p><p>13</p><p>Assim, a busca pelo equilíbrio emocional e bem-estar psicológico, que</p><p>frequentemente tem sido comprometido devido as exigências da vida moderna e as</p><p>constantes pressões sociais, tem feito com que as pessoas passem a aderir a prática</p><p>regular de atividade física e esportes como forma de aliviar as tensões do cotidiano.</p><p>Por isso, são cada vez mais constantes os relatos de pessoas que justificam a adesão</p><p>de uma rotina ativa, com frases como: “ porque me ajuda a diminuir o estresse”,</p><p>“porque tem me feito bem”, “porque me sinto mais relaxado”.</p><p>Pode-se perceber então que o exercício pode desencadear a sensação de vigor</p><p>que conduz ao bem-estar psicológico. Tal sensação se deve a uma série de</p><p>modificações fisiológicas e bioquímicas que ocorrem no organismo dos sujeitos ao</p><p>longo da prática do exercício físico e que podem auxiliar quanto aos transtornos</p><p>psicológicos. Uma das alterações fisiológicas principais é a adaptação cardiovascular</p><p>que sinaliza, por exemplo, que o efeito antidepressivo causado pelo exercício físico</p><p>também poderia ser desenvolvido através do trabalho da respiração, principalmente</p><p>em exercícios aeróbicos.</p><p>Outro fator que é bastante estudado é a influência das aminas, uma vez que</p><p>conforme a literatura, existem três neurotransmissores que auxiliam no processo</p><p>antidepressivo do organismo: serotonina, dopamina e norepinefina. Evidências tem</p><p>mostrado que a prática de exercício físico pode auxiliar no aumento da produção</p><p>dessas substâncias no corpo. Existe também a endorfina que é um hormônio</p><p>produzido no organismo que é capaz de reduzir a dor e proporcionar um estado de</p><p>euforia.</p><p>Os neurotransmissores endorfina e dopamina, auxiliam na redução da ansiedade</p><p>e na sensação de desânimo, além de proporcionar um efeito tranquilizante e</p><p>analgésico no praticante regular, que constantemente se beneficia do efeito relaxante</p><p>do pós-treino e geralmente, é capaz de manter um estado de equilíbrio psicossocial</p><p>mais estável frente as pressões sociais. A ideia é que, a combinação da produção</p><p>dessas diferentes substâncias possa proporcionar ao sujeito, um nível de bem-estar</p><p>e autoestima mais elevado.</p><p>Quanto ao tipo de exercício físico recomendado para se atingir o bem-estar</p><p>psicológico a resposta é “depende”. Na atualidade, os principais tipos de atividades</p><p>praticadas são os exercícios aeróbicos, exercícios de resistência muscular e</p><p>14</p><p>exercícios de flexibilidade. Contudo, existem outras possibilidades de atividades e os</p><p>diferentes tipos de exercício podem trazer também diferentes tipos de benefícios, os</p><p>quais o sujeito pode ajustar a sua rotina de atividades, desde que seja orientado por</p><p>um profissional de Educação Física.</p><p>Embora a literatura não apresente um consenso em relação a intensidade dos</p><p>exercícios e a melhora da saúde psicológica, estudos revelam que a prática de</p><p>atividade física regular e controlada pode apresentar benefícios psicológicos como:</p><p>redução da instabilidade emocional, redução do estado de ansiedade, redução do</p><p>nível de depressão, redução dos níveis de estresse, entre outros.</p><p>Esporte e desenvolvimento psicológico</p><p>A prática regular de exercícios físicos é amplamente conhecida por promover</p><p>diversas alterações que incluem benefícios cardiorrespiratórios, diminuição do risco</p><p>de doenças crônico-degenerativas, bem como o aumento da densidade mineral</p><p>óssea. Contudo, ao longo dos anos, observou-se que a prática de exercícios também</p><p>tem contribuído para o desenvolvimento psicológico dos sujeitos, o que engloba a</p><p>função cognitiva.</p><p>Segundo Antunes et al (2006), a função cognitiva ou sistema funcional pode ser</p><p>entendido como fases do processo de informação, entre as quais estão a</p><p>aprendizagem, percepção, atenção, memória, raciocínio, vigilância, a capacidade de</p><p>resolver problemas, entre outras. Ademais, o funcionamento psicomotor, como tempo</p><p>de reação, velocidade de desempenho e tempo de movimento, tem sido</p><p>frequentemente incluído nesse conceito.</p><p>O processo de desenvolvimento, seja físico, motor, cognitivo, afetivo ou social,</p><p>particularmente na infância, ocorre com grande intensidade, possibilitando mudanças</p><p>que serão fundamentais para a consolidação de características físicas, de</p><p>temperamento e personalidade, assim como as condutas sociais e afetivas. Por isso,</p><p>torna-se fundamental que os mesmos recebam os estimulo adequados nos diferentes</p><p>ambientes onde transitam.</p><p>Nesse sentido, a prática esportiva apresenta-se como uma ferramenta potencial</p><p>para o desenvolvimento de crianças e adolescentes, uma vez que ela estimula a</p><p>15</p><p>consciência corporal, espacial, temporal, bem como os aspectos cognitivos voltados</p><p>para a criatividade, expressão, imitação, entre outras.</p><p>A iniciação esportiva, caracteriza-se pelo envolvimento das crianças com</p><p>atividades desportivas que apresentam um caráter lúdico, alegre e participativo, que</p><p>objetiva o ensino das técnicas e estimula o pensamento tático. Nesse sentido, estudos</p><p>tem afirmado que crianças que praticam esportes na infância tem uma mente mais</p><p>aberta para ideias complexas, se relacionam mais facilmente com terceiros, tornam-</p><p>se mais autoconfiante, tem maior facilidade em resolver problemas em grupo e</p><p>apresentam autoestima mais elevada.</p><p>O esporte também contribui para o desenvolvimento do raciocínio lógico,</p><p>memória, foco, linguagem, compreensão de problemas e criatividade/estratégia para</p><p>resolver esses problemas, além de desenvolver nos sujeitos um maior</p><p>comprometimento com os estudos e demais tarefas.</p><p>Ao longo dos anos as funções cognitivas ficam comprometidas e são vários os</p><p>fatores que aumentam a predisposição do sujeito a ter prejuízos cognitivos, entre os</p><p>quais estão a idade, gênero, trauma craniado, histórico familiar, nível educacional,</p><p>estresse, socialização, aspectos nutricionais, bem como tabagismo e etilismo.</p><p>Todavia, a prática regular de exercícios tem sido apontada como uma importante</p><p>ferramenta para reverter ou mesmo atenuar doenças que podem estar associadas ao</p><p>declínio cognitivo.</p><p>Pesquisas tem apontado que sujeitos moderadamente ativos estão menos</p><p>propensos a desenvolverem transtornos mentais, quando comparados com pessoas</p><p>sedentárias, o que torna evidente que a participação em programas de exercícios</p><p>físicos traz benefícios tanto físico, quanto psicologicamente. Além disso, autores</p><p>afirmam que pessoas fisicamente ativas possuem um processamento cognitivo mais</p><p>rápido.</p><p>Estudos também tem revelado que com a prática de exercícios físicos, ocorre um</p><p>significativo aumento do desempenho físico e cognitivo, bem como alterações</p><p>positivas no comportamento de pessoas idosas com déficit cognitivo e demência,</p><p>confirmando que a prática de exercício físico pode auxiliar no combate ao declínio</p><p>cognitivo e demência em idosos.</p><p>16</p><p>3 ASPECTOS COMPORTAMENTAIS</p><p>Fonte: www.onze.com.br</p><p>Embora anteriormente já tenha sido mencionado que a motivação tem sido uma</p><p>das principais temáticas estudadas na Psicologia do Esporte, existem outros temas</p><p>importantes da área que vem sendo pesquisados, considerando que o nível das</p><p>intervenções, principalmente com os atletas de alto rendimento, tem se elevado cada</p><p>vez mais, uma vez que pequenos detalhes têm sido fundamentais para o resultado</p><p>final da performance.</p><p>Sendo assim, a Psicologia do Esporte tem ampliado suas fronteiras, voltando seus</p><p>estudos às emoções e condutas que afetam atletas, além de observar aspectos como</p><p>liderança, violência, dinâmicas de grupo, entre outras, buscando sempre o</p><p>aperfeiçoamento do atleta. Dessa forma, Ferreira (2019) destaca que é atribuição do</p><p>psicólogo do esporte realizar consultorias clínicas, bem como investigar os atletas com</p><p>intuito de perceber ações que colaboram para o desenvolvimento saudável dos</p><p>mesmos.</p><p>Motivação</p><p>Você já se perguntou porque algumas equipes treinam três vezes por semana,</p><p>enquanto um outro grupo treina em dois períodos por dia? Ou mesmo porque alguns</p><p>17</p><p>atletas apresentam um maior desempenho quando sabem de alguma recompensa,</p><p>enquanto outros apresentam bons resultados quando jogam com a torcida a favor?</p><p>As respostas para essas questões, possui uma relação estreita com um elemento</p><p>chamado motivação.</p><p>Em uma perspectiva semântica, pode-se entender que a palavra motivação</p><p>refere-se à junção das palavras motivo e ação. Nessa perspectiva, a motivação pode</p><p>ser entendida como o motivo para a ação ou motivo que leva a ação.</p><p>Já no campo dos conceitos em Psicologia Sage (apud WEINBERG; GOULD,</p><p>2008) entende que a motivação pode ser definida simplesmente como a direção e a</p><p>intensidade dos esforços humanos. A direção do esforço está relacionada a busca ou</p><p>a atração de uma pessoa por determinadas situações, enquanto que a intensidade,</p><p>está relacionada a força, maior ou menor, que a pessoa investe no esforço em uma</p><p>determinada situação. Além disso, pode-se dizer que a motivação é o fator interno que</p><p>dá início a um comportamento, sendo também um processo consciente, uma vez que</p><p>é necessário que o sujeito tenha consciência dos motivos que o levam a se comportar</p><p>de determinada forma.</p><p>Para Samulski (1995) a motivação é um processo ativo, intencional e orientado</p><p>para uma meta que engloba aspectos pessoais (intrínsecos) e ambientais</p><p>(extrínsecos). Na motivação intrínseca, de acordo com Domingueti et al (2020) há o</p><p>prazer em se realizar a atividade, vivenciando-se a aprendizagem que provoca</p><p>satisfação ao desenvolver ou controlar certa habilidade com grau de dificuldade, ou</p><p>seja, a pessoa se sente estimulada a participar pela boa sensação. Já na motivação</p><p>extrínseca, há a valorização do resultado, embora não haja prazer na atividade. Sendo</p><p>assim, a melhor maneira de se compreender a motivação é examinar como os fatores</p><p>internos e externos, se articulam.</p><p>Segundo Weinberg e Gould (2008), a motivação na Psicologia do Esporte é</p><p>conceituada a partir de três visões: a visão centrada no participante (traço), a visão</p><p>centrada na situação e a visão interacional. Na visão centrada no participante, o</p><p>comportamento</p><p>motivacional é orientado primariamente a partir das características</p><p>individuais, como a personalidade, as necessidades do sujeito e seus objetivos. Na</p><p>visão centrada na situação o nível de motivação é determinado pelas condições e</p><p>18</p><p>influencias ambientais. Já a visão interacional, que é a mais aceita pelos profissionais</p><p>da área, vai avaliar o modo como o sujeito e os fatores situacionais se articulam.</p><p>No âmbito esportivo a motivação refere-se então ao esforço da pessoa para</p><p>dominar uma tarefa, alcançar a excelência, superar obstáculos, apresentar os</p><p>melhores resultados quando comparado ao outro, bem como orgulhar-se do próprio</p><p>talento. Além disso, a motivação dentro do esporte faz com que a pessoa se esforce</p><p>para praticar determinado esporte, frequentar aos treinos, para alcançar as metas</p><p>estipuladas, persistir diante dos fracassos e ter orgulho das próprias realizações.</p><p>A literatura aponta que a motivação possui três estágios. O primeiro denomina-se</p><p>competência autônoma e ocorre antes dos quatro anos de idade. Nele, a pessoa se</p><p>concentra em dominar o seu ambiente e testar a si próprio. Então, nesse estágio, a</p><p>criança observa as ações e deseja dominar as mesmas. O segundo estágio</p><p>desenvolve-se a partir dos cinco anos e denomina-se como comparação social. Nele,</p><p>a pessoa se concentra na comparação direta do seu desempenho com o de terceiros.</p><p>Nesse estágio, a motivação não está mais relacionada a melhora ou desenvolvimento</p><p>de habilidades e passa a relacionar-se com a necessidade de superar o outro.</p><p>O terceiro estágio, o qual é o mais desejado, denomina-se como integrado e não</p><p>possui uma faixa etária pré-determinada como nos anteriores. Nele estão envolvidas</p><p>estratégias de comparação social e de conquista autônoma. Sendo assim, esse</p><p>estágio é a articulação dos estágios anteriores e ao atingi-lo, o sujeito é capaz de</p><p>identificar quando é apropriado competir e comparar-se com terceiros e quando o ideal</p><p>é adotar padrões de autor referência para sua motivação.</p><p>Para o desenvolvimento da motivação existem quatro estratégias instrumentais</p><p>as quais são: o reforço positivo, o estabelecimento de metas, o repertório motivacional</p><p>e as diretrizes práticas. O reforço positivo refere-se ao feedback positivo referente aos</p><p>ganhos em performance, sendo uma consequência agradavel de um comportamento.</p><p>Por exemplo, quando o sujeito acerta um passe, um arremesso, conseguiu diminuir o</p><p>tempo de realização de uma corrida, é importante que o professor/treinador</p><p>parabenize e reconheça os ganhos de performance do mesmo, fazendo com que ele</p><p>se sinta mais atraído para a prática, mais motivado.</p><p>19</p><p>Em relação ao estabelecimento de metas, é fundamental que as mesmas sejam</p><p>objetivas e divididas em curto, médio e longo prazo para que o feedback sobre o</p><p>processo esteja presente a cada vez que o sujeito atinja uma meta.</p><p>O repertório motivacional, também é uma ferramenta importante para se</p><p>desenvolver a motivação. Considerando que são vários os motivos que levam a</p><p>pessoa a escolher e praticar determinado esporte ou atividade, torna-se interessante</p><p>que o professor/treinador, consiga identificar quais são as principais motivações da</p><p>pessoa, para que possa alimentá-las de forma efetiva, alinhando a intervenção junto</p><p>aos objetivos da pessoa e então aumentar seus níveis de motivação, bem como seus</p><p>resultados.</p><p>Por fim, existem seis diretrizes gerais de fomento da motivação, que se referem a</p><p>orientações, ações e estratégias que podem auxiliar na condução dos alunos/atletas</p><p>para um maior engajamento com as atividades físicas e esportes. A primeira diretriz é</p><p>reconhecer os fatores interacionais da motivação, ou seja, é importante que o</p><p>treinador conheça seu aluno/atleta, saiba identificar qual o estágio de motivação o</p><p>sujeito se encontra, quais são as atribuições que o aluno/atleta costuma dar para os</p><p>seus desempenhos, identificar as situações que os alunos/atletas procuram ou evitam,</p><p>entre outras, para que o planejamento das ações seja efetivo e de fato motive os</p><p>alunos/atletas.</p><p>A segunda diretriz é enfatizar os objetivos voltados à tarefa. O professor/treinador</p><p>deve então, ajudar seus alunos a estabelecerem objetivos voltados à tarefa e reduzir</p><p>os voltados ao resultado. Ou seja, o professor/treinador pode trocar o foco em</p><p>resultados pelo foco na tarefa, propondo como metas atividades básicas como treinar</p><p>todos os dias, chegar no horário, realizar todas atividades e assim, ao cumpri-las a</p><p>tendência é que a motivação se desenvolva.</p><p>A terceira diretriz é monitorar e alterar o feedback de atribuição, uma vez que com</p><p>frequência, o professor/treinador transmite de forma inconsciente mensagens sutis,</p><p>que acabam atingindo de forma negativa o aluno/atleta. Por exemplo, quando o atleta</p><p>erra um arremesso e olha para o treinador e o mesmo está de cabeça baixa e fazendo</p><p>um sinal negativo com a cabeça. Logo em seguida o treinador tenta motivar o atleta</p><p>verbalmente, porém ele já havia visto o gesto anterior. Essas situações, podem acabar</p><p>20</p><p>desmotivando o atleta, sendo assim, é fundamental que o professor/treinador tenha</p><p>cuidado com as mensagens subentendidas.</p><p>A quarta diretriz é avaliar e corrigir as atribuições inadequadas, ou seja, é papel</p><p>do professor/treinador monitorar e corrigir atribuições inadequadas que o aluno/atleta</p><p>faça sobre si e seus resultados, como por exemplo, o atleta achar que atingiu</p><p>determinado resultado por sorte. Nesses casos o professor/treinador deve indicar que</p><p>o resultado é referente ao esforço do mesmo e não sorte.</p><p>A quinta diretriz é determinar quando os objetivos competitivos são adequados,</p><p>ou seja, o professor/treinador deve ajudar o aluno/atleta a determinar quando é</p><p>adequado competir e quando o correto é priorizar a melhora individual.</p><p>A sexta e última diretriz é intensificar os sentimentos de competência e controle,</p><p>uma vez que essas são formas fundamentais de encorajar a motivação em</p><p>alunos/atletas para a realização de atividades físicas e esporte. Deve-se então</p><p>ressaltar sempre que o sujeito é capaz de alcançar os resultados, podendo ser através</p><p>do feedback. Entende-se que a aplicação dessa e das demais diretrizes pode</p><p>contribuir para gerar motivação quanto a prática esportiva e de atividade física, bem</p><p>como reforçar as motivações já existentes.</p><p>Vale ressaltar que a motivação é importante tanto para a compreensão da</p><p>aprendizagem, quanto para o desempenho de habilidades motoras, pois desempenha</p><p>um papel essencial na iniciação, na manutenção e na intensidade do comportamento</p><p>do aprendiz (MAGGIL, 1984). Além disso, diferentes estudos têm mostrado que os</p><p>indivíduos que apresentam um elevado grau de estímulo de realização não somente</p><p>aprendem mais rápido, como também respondem melhor e mais depressa em relação</p><p>àqueles que apresentam baixo grau de motivação.</p><p>Emoção</p><p>Os atletas de alto rendimento, geralmente, sofrem muita pressão por resultados,</p><p>seja de técnicos, patrocinadores, mídia ou torcida, enfrentam rotinas pesadas de</p><p>treinamentos, precisam manter uma vida regrada e, muitas vezes, abrir mão do</p><p>convívio de familiares e amigos, tudo isso com o objetivo de atingir os melhores</p><p>resultados. Sendo assim, eles ficam expostos a todos esses fatores e precisam</p><p>21</p><p>enfrenta-los, o que torna o preparo psicológico importante, assim como inserir o</p><p>trabalho com as emoções neste preparo pode fazer a diferença no desempenho do</p><p>atleta.</p><p>As emoções, de acordo com Leahy, Tirch e Napolitano (2013) são um conjunto de</p><p>processos que envolvem variáveis como avaliação do evento, comportamento motor,</p><p>sensação física, intencionalidade e expressão interpessoal. Elas são desencadeadas</p><p>por um estímulo e envolvem respostas físicas e psíquicas, por isso, dizem de</p><p>processos complexos.</p><p>As emoções conforme Damásio (1996) podem ser classificadas em primárias e</p><p>secundárias. As primárias são</p><p>a raiva, medo, tristeza e alegria, as quais são</p><p>partilhadas por todos, enquanto que as secundárias são o resultado dos processos de</p><p>aprendizagem e socialização, como por exemplo, a vergonha, ciúmes e inveja. As</p><p>emoções estão contidas no grito da vitória, na tensão que antecede uma competição,</p><p>no nervosismo ao bater um pênalti, no medo ou raiva do adversário ou na pressão</p><p>para sair vitorioso. Percebe-se então que as atividades esportivas podem causar</p><p>inúmeros sentimentos, não só para quem as pratica, mas também para quem as</p><p>assiste.</p><p>Segundo a literatura da área, no início do século XX iniciaram-se as primeiras</p><p>discussões sobre a influência dos aspectos psicológicos do desempenho de</p><p>esportistas. Segundo Vieira et al (2010) nesse período, o controle das emoções era</p><p>tido como um fator de sucesso, uma vez que o atleta que consegue ter controle</p><p>emocional, provavelmente, atinge seus objetivos e torna-se bem-sucedido.</p><p>Além disso, pesquisas tem evidenciado que as emoções impactam no desempenho</p><p>de atletas, uma vez que influenciam o comportamento dos mesmos, o que também</p><p>está associado ao seu rendimento. Contudo, ressalta-se que o rendimento do atleta</p><p>também exerce influência sobre as emoções, assim, pode-se dizer que existe uma</p><p>relação bilateral entre emoção e desempenho, já que um afeta o outro.</p><p>Sabendo que a busca pelo preparo físico no limite do corpo tem se tornado bastante</p><p>comum, trabalhar os aspectos psicológicos, com o intuito de auxiliar os atletas em</p><p>seus treinamentos e competições tornou-se fator determinante na busca por</p><p>excelência de resultados. Assim, é fundamental que o atleta se conheça e saiba lidar</p><p>com suas emoções durante a competição, sendo essa uma forma de manter sua</p><p>22</p><p>autoconfiança e motivação, para que desenvolva na competição tudo o que realizou</p><p>durante o processo de treinamento.</p><p>Entre as emoções mais comuns entre os atletas, Trevelin e Alves (2018), apontam</p><p>a ansiedade, raiva, felicidade, serenidade, prazer, esperança, satisfação, confiança,</p><p>alívio, preocupação, decepção, desânimo, medo e irritação.</p><p>Além de sofrerem alterações antes, durante e após a competição, as emoções</p><p>desempenham algumas funções importantes, como organizar e controlar as ações</p><p>dos atletas, assim como de motivá-lo. Segundo Samulski (2009) expressar emoções</p><p>positivas pode auxiliar na motivação da equipe, entretanto, não as demonstrar pode</p><p>proteger a imagem do atleta.</p><p>De acordo com Sadi (2022) ao considerar-se o conjunto de emoções como um</p><p>processo complexo, as relações sociais de jogadores com as pessoas a sua volta,</p><p>suas características particulares, de personalidade, assim como a autocobrança, e</p><p>suas consequências, impactam diretamente na tolerância ou controle individual de</p><p>questões como a ansiedade, o stress, o tédio e a raiva.</p><p>Nesse sentido, quando bem aproveitadas, as emoções podem gerar sentimentos</p><p>como euforia, determinação e excitação, porém, as emoções como o nervosismo,</p><p>também podem trazer prejuízos a performance do atleta. Sendo assim, diferentes</p><p>autores têm ressaltado a importância de os atletas saberem controlar as emoções.</p><p>De acordo com Iizuka et al. (2005), é importante que o atleta desenvolva</p><p>habilidades para identificar e controlar suas emoções para remetê-lo a um estado</p><p>ideal, pois isso o ajudará a ter melhor desempenho durante diferentes momentos</p><p>competitivos. Ademais, de acordo com Samulski (2006) é fundamental para o atleta o</p><p>treinamento de habilidades mentais, bem como o desenvolvimento da autoconfiança,</p><p>controle emocional, concentração e da capacidade de relaxamento e recuperação.</p><p>Para isso, é fundamental que o profissional da área tenha habilidades que o permita</p><p>compreender as situações que potencialmente causam desequilíbrio emocional no</p><p>atleta, seja nos treinos ou nas competições, e avalie as mesmas para que possa</p><p>desenvolver estratégias para tratar essas situações.</p><p>Corroborando com essa ideia, Vorraber (2010) destaca que o psicólogo do esporte</p><p>pode analisar os pensamentos e crenças disfuncionais do atleta, os quais acabam</p><p>produzindo respostas desadaptativas e trabalhar na reestruturação cognitiva do atleta,</p><p>23</p><p>para que ele desenvolva novas estratégias de enfrentamento a partir de um processo</p><p>de mudança.</p><p>Sendo assim, Trevelin e Alves (2018), afirmam que o psicólogo pode trabalhar o</p><p>desenvolvimento de habilidades sociais do atleta, a prevenção da ansiedade e o</p><p>desenvolvimento de respostas adaptativas às situações, objetivando o bem-estar do</p><p>atleta, assim como a melhora nas estratégias de resolução de conflitos. Para isso,</p><p>eles podem utilizar a psicoeducação para trabalhar com os atletas e identificar, por</p><p>exemplo, distorções cognitivas.</p><p>Tal trabalho, pode desenvolver no atleta a capacidade de compreender as próprias</p><p>reações emocionais, bem como seus comportamentos. Assim, o mesmo poderá criar</p><p>estratégias de enfrentamento para lidar com suas emoções, como, por exemplo,</p><p>aprender a lidar com a frustração diante da perda (TREVELIN; ALVES, 2018).</p><p>Segundo Sadi (2022) no intuito de recompor o equilíbrio emocional, com o objetivo</p><p>específico de diminuir as oscilações nos componentes ansiedade, estresse, tédio,</p><p>raiva, um conjunto de terapias, de ordem multidisciplinar, como massagem, música,</p><p>meditação e conversas coletivas têm indicado a possibilidade do êxito. Uma</p><p>proposição, nesse sentido, envolve o relato de esportistas e atletas sobre os</p><p>sentimentos mais latentes de todo o conjunto do grupo. Pesquisas nesta direção</p><p>podem somar saberes para esta área específica.</p><p>Entende-se então que o trabalho do psicólogo do esporte é fundamental para</p><p>promover no atleta o autoconhecimento, além de proporcionar maior bem-estar e</p><p>melhora na performance, a partir de estratégias de controle emocional.</p><p>Estresse</p><p>Assim como outras emoções, o estresse desencadeia respostas emocionais e</p><p>comportamentais que influenciam no desempenho dos atletas. É possível se deparar</p><p>na literatura, com variadas definições de estresse, as quais variam a depender do</p><p>autor e suas perspectivas.</p><p>Para Branco (2018) o estresse é uma reação adaptativa a situações do ambiente,</p><p>que provoca desequilíbrio no organismo. Sousa, Silva e Galvão-Coelho (2015),</p><p>descrevem o estresse como qualquer condição em que o equilíbrio homeostático do</p><p>24</p><p>corpo é perturbado, causando assim alterações comportamentais e fisiológicas</p><p>quando se encontra diante de agentes estressores, tanto de esfera física, quanto</p><p>psicossocial.</p><p>Na percepção de Lipp e Malagris (2011), pode-se definir o estresse como um</p><p>conjunto de reações físicas, psicológicas e mentais, que se desencadeiam</p><p>naturalmente para preparar o organismo para lidar com situações de caráter aversivo</p><p>ou de prazer. Para elas, deve-se entender o estresse enquanto um processo e não</p><p>como uma reação única.</p><p>Como são várias as situações que podem ser desencadeadoras de estresse e</p><p>cada pessoa responde de determinada forma a essas situações, a literatura aponta</p><p>três tipos básicos de agentes estressores: estressores sensoriais ou físicos,</p><p>estressores psicológicos e estressores tóxi-infecciosos e traumáticos.</p><p>Os estressores sensoriais ou físicos, abrangem questões sensoriais, como a</p><p>mudança de temperatura, o ruído, bem como outros aspectos físicos, além de</p><p>esportes de aventura e exercícios físicos. Os estressores psicológicos, referem-se</p><p>aos acometimentos por exigências emocionais como falar em público, perda de</p><p>familiares, mudanças, provas e exames. Já os estressores tóxi-infecciosos e</p><p>traumáticos, são as reações de estresse causadas por cirurgias, parto, vírus,</p><p>bactérias, fungos, entre outros.</p><p>Além disso, o estresse pode ser identificado como distresse ou eustresse. O</p><p>distresse é um termo das áreas de psicologia e psiquiatria relacionado ao estresse</p><p>excessivo, ou seja, aquele em maior nível, capaz de causar sofrimento e prejudicar a</p><p>saúde e, consequentemente,</p><p>outras dimensões da vida pessoal e profissional de um</p><p>sujeito. O eustresse, por sua vez, refere-se a um estresse bom e que ajuda as pessoas</p><p>a reagirem positivamente diante de desafios e mudanças. É um tipo de estresse que</p><p>leva o organismo a produzir adrenalina, dando à pessoa ânimo e energia (FARO,</p><p>2015).</p><p>Sendo assim, entende-se que o estresse pode ser negativo quando, por exemplo,</p><p>o sujeito se encontra preso no trânsito e está atrasado para um compromisso. Porém</p><p>pode em alguns casos desempenhar função positiva, servindo de motivação para que</p><p>o sujeito melhore a qualidade de sua performance em alguma atividade, por exemplo.</p><p>25</p><p>Por isso, o estresse pode ser considerado aspecto importante para a realização de</p><p>qualquer atividade.</p><p>As reações ao estresse podem ser percebidas por meio dos sintomas</p><p>psicofisiológicos como, elevação da pressão sistólica e diastólica, suor excessivo,</p><p>dilatação da pupila, aumento do nervosismo, podendo acarretar também alterações</p><p>comportamentais no indivíduo.</p><p>Os atletas experimentam situações de estresse, tanto físico quanto mental,</p><p>quando não conseguem lidar ou reagir, diante de determinadas situações que se</p><p>manifestam no ambiente esportivo. Algumas ocasiões, provocam sintomas físicos</p><p>como boca seca, respiração ofegante e tensão muscular, e também sintomas</p><p>psicológicos como dificuldade em tomar decisões, medo e perda de controle, o que</p><p>acaba impactando o desempenho dos atletas, uma vez que tais sintomas acabam</p><p>reduzindo a qualidade dos movimentos corporais e dos pensamentos.</p><p>No esporte, o estresse se manifesta em quatro estágios, desenvolvidos a partir do</p><p>processo de estresse de McGrath (apud BRANDÃO, 2000), os quais são:</p><p> No primeiro estágio, chamado de demanda ambiental, o atleta se depara com</p><p>uma demanda ameaçadora no meio em que se encontra, São exemplos uma</p><p>ofensa do atleta adversário, desavenças com a arbitragem, perda de um jogo</p><p>nos minutos finais, pressão da torcida, imprensa e família, entre outros.</p><p> O segundo estágio, conhecido como percepção da demanda ambiental, ocorre</p><p>no momento em que o atleta, após tomar conhecimento de sua situação, a</p><p>avalia cognitivamente, podendo percebê-la como ameaçadora, caso ele</p><p>desenvolva uma avaliação negativa, ou como estimulante em caso de uma</p><p>avaliação positiva. Como exemplo, uma demanda ambiental, como estar</p><p>perdendo faltando poucos minutos para o final da partida, pode levar o atleta a</p><p>desenvolver uma avaliação negativa, quando o mesmo acredita que não há</p><p>mais nada a se fazer, ou uma avaliação positiva, quando ele acredita que ainda</p><p>há a possibilidade de uma virada ou empate.</p><p> No terceiro estágio, conhecido como resposta de estresse, surgem respostas</p><p>físicas e psicológicas ao estresse, as quais podem se dar através de sintomas</p><p>biológicos e psicológicos. Entre os sintomas biológicos estão o aumento da</p><p>pressão arterial e frequência cardíaca. Entre os psicológicos está a ansiedade.</p><p>26</p><p> No estágio final, denominado consequências comportamentais, são</p><p>observados os efeitos da avaliação cognitiva da demanda ambiental, bem</p><p>como as alterações físicas e psicológicas sobre o desempenho e o resultado</p><p>da atividade esportiva. As consequências comportamentais nesse estágio,</p><p>podem ser positivas ou negativas para o atleta. Quando ele busca superar a</p><p>demanda estressora para se tornar mais ativo e melhorar seu desempenho,</p><p>esse processo se caracteriza como positivo ou eustresse. Por outro lado,</p><p>quando a situação causa prejuízos ao desempenho do atleta, fala-se que o</p><p>estresse foi negativo, ou distresse. Para exemplificar, tomemos como exemplo</p><p>o final de uma partida de basquete em que um time está perdendo nos minutos</p><p>finais. A equipe que está perdendo, pode finalizar a partida derrotada o que</p><p>acarretará no distresse ou pode ocorrer um empate ou virada no placar e então</p><p>finalizarem a partida em um estado de eustresse.</p><p>Como já mencionado, a percepção dos sujeitos sobre um mesmo evento estressor</p><p>pode variar, ou seja, uma mesma experiência pode ser percebida como estressora</p><p>para um atleta e não para o outro. Como o esporte de alto rendimento está associado</p><p>a uma permanente busca da excelência física, técnica, tática e psicológica, estudar o</p><p>estresse e seus impactos no desempenho esportivo é fundamental para o</p><p>desenvolvimento de estratégias para melhorar a qualidade de vida e a performance</p><p>dos atletas.</p><p>Segundo Verardi et al (2012) o estresse em nível moderado pode melhorar o</p><p>desempenho, uma vez que se identifica a ocorrência de um estímulo para manter o</p><p>indivíduo em um estado de vigilância, mas não um excesso para que o mesmo se</p><p>distraia do seu objetivo. Entende-se então, que quando os níveis de estresse são</p><p>baixos, pode ser que o atleta não esteja em um estado de alerta suficiente para ter</p><p>um desempenho adequado e por outro lado, quando os níveis de estresse estão alto,</p><p>ocorre uma excitação excessiva que também pode prejudicar a performance.</p><p>De acordo com a literatura da área, entre as principais fontes de estresse em</p><p>atletas estão a capacidade de comunicação com o técnico, o próprio desempenho, o</p><p>tempo disponível para o treino, o questionamento do talento, as experiências</p><p>traumáticas, o perigo físico, entre outras. Além disso, Samulski (2009) menciona que</p><p>a importância da competição, assim como a incerteza do resultado, a baixa</p><p>27</p><p>autoestima, percepção de situação ameaçadora e a ansiedade, também são altos</p><p>potenciais de estresse.</p><p>Sendo assim, é importante que o psicólogo do esporte saiba identificar os</p><p>possíveis agentes estressores para que possa delinear programas preventivo e de</p><p>intervenção, com intuito de amortecer os impactos do estresse no desempenho do</p><p>atleta. Passa ser interessante então, reproduzir as situações potencialmente</p><p>estressora ao longo dos treinos para que o atleta passe a se habituar a situação e</p><p>passe a interpretar a situação de forma mais positiva.</p><p>Agressividade</p><p>A agressividade tem sido considerada uma problemática tanto dentro quanto fora</p><p>do ambiente esportivo. Embora a sociedade tente através dos sistemas legais e</p><p>penais, suprimir os comportamentos agressivos, no contexto esportivo por vezes,</p><p>certas condutas acabam sendo reforçadas, uma vez que é a especificidade das regras</p><p>de cada modalidade é que vai dizer quais ações são consideradas agressivas ou não.</p><p>Sendo assim, investigações que envolvam essa temática, torna-se cada vez mais</p><p>necessárias para que se possa analisar as dimensões, bem como as condições de</p><p>sua ocorrência.</p><p>Nesse contexto, Baron (1977, apud BARTHOLOMEU; MACHADO, 2008) define</p><p>que a agressão se refere a qualquer forma de comportamento dirigido ao objetivo de</p><p>causar injúria ou danos à um outro ser que, por sua vez, é motivado a evitar esse tipo</p><p>de tratamento.</p><p>Encontra-se na literatura duas formas distintas de conduta agressiva, sendo uma</p><p>denominada de agressividade hostil ou reativa e a outra denominada de agressividade</p><p>instrumental. Segundo Bidutte et al (2005) ao passo que a agressividade hostil tem a</p><p>intenção explicita de causar prejuízos ou lesar terceiros, a agressão instrumental</p><p>refere-se a um comportamento que, embora possa trazer danos a terceiros, tem o</p><p>intuito de alcançar as próprias metas, como por exemplo ganhar uma partida, ou</p><p>impedir que o outro alcance as dele, ao impedir que o adversário faça um arremesso,</p><p>por exemplo.</p><p>28</p><p>Como se sabe, as regras de cada modalidade acabam determinando a</p><p>intencionalidade danosa de cada ação do atleta, uma vez que, em esportes como as</p><p>lutas e artes marciais, o dano por vezes, é visto como ação acidental, o que acaba</p><p>dificultando a mensuração da agressividade no esporte.</p><p>Segundo Bartholomeu e Machado (2008), não existe uma teoria geral que seja</p><p>conclusiva sobre a agressividade, pois são diversas as definições que se originam de</p><p>abordagens distintas sobre o problema, resultando</p><p>em diferentes formas de avaliar o</p><p>comportamento agressivo. Além disso, são vários os fatores que podem influenciar</p><p>nos níveis de agressividade no âmbito do esporte, entre quais Samulski (2002)</p><p>destaca a situação de visitado e visitante, a importância do jogo, a posição e tarefa</p><p>tática do atleta, o nível de rendimento da equipe, as regras e o comportamento dos</p><p>treinadores e dirigentes.</p><p>Nesse sentido é importante mencionar que o fator imitação é também um aspecto</p><p>importante quando se trata da agressividade no esporte, já que esse fator está</p><p>frequentemente presente entre os jovens que se espelham no comportamento de</p><p>atletas de alto rendimento e assim, aprendem a se comportar de modo agressivo ao</p><p>observarem e conviverem com atletas profissionais que apresentem comportamento</p><p>violento.</p><p>Dessa forma, as estratégias de prevenção e controle da agressão no esporte</p><p>devem envolver o comprometimento tanto de alunos quanto de atletas, treinadores,</p><p>professores, torcedores, árbitros, jornalistas e familiares. Além disso, o profissional</p><p>da área, com intuito de combater a agressividade hostil, deve primeiramente trabalhar</p><p>o controle do estresse, ou seja, desenvolver nos atletas a capacidade de manterem-</p><p>se centrados e calmos. Para isso, torna-se interessante o trabalho com simulações e</p><p>estudo de casos com eventos recorrentes no ambiente esportivo, de forma a</p><p>desenvolver no atleta a consciência da importância do autocontrole.</p><p>Torna-se importante também que o profissional seja capaz de distinguir os</p><p>comportamentos assertivos dos comportamentos agressivos e pontue isso com o</p><p>atleta, para também deixá-lo consciente dessa diferença. É interessante também</p><p>pensar na em uma liderança e uma comunicação que estimulem a paz e o</p><p>comportamento não violento, além de sempre buscar o resgate do fair-play e o espírito</p><p>esportivo.</p><p>29</p><p>Sobre essa temática, Tenenbaum et al. (1996) elaboraram o posicionamento</p><p>oficial da International Society of Sport Psychology – ISSP (Sociedade Internacional</p><p>de Psicologia do Esporte), que aponta nove recomendações para a redução da</p><p>incidência de agressões e de violência no esporte:</p><p> Recomendação 1 – as entidades esportivas devem revisar suas penalidades,</p><p>ficando atentas para que os comportamentos transgressores sejam</p><p>penalizados com ações que tenham valor punitivo maior do que o potencial de</p><p>reforço;</p><p> Recomendação 2 – as entidades esportivas devem assegurar o treinamento</p><p>correto e apropriado das equipes, especialmente no esporte infanto-juvenil,</p><p>dando ênfase ao jogo limpo (fair play) para todos os participantes;</p><p> Recomendação 3 – as entidades esportivas devem banir o consumo de</p><p>bebidas alcoólicas em eventos esportivos;</p><p> Recomendação 4 – as entidades esportivas devem oferecer instalações físicas</p><p>e materiais adequados;</p><p> Recomendação 5 – os meios de comunicação devem noticiar de modo</p><p>adequado os casos isolados de agressão no esporte, evitando colocá-los em</p><p>evidência, como nas manchetes dos jornais;</p><p> Recomendação 6 – os meios de comunicação devem promover campanhas</p><p>para reduzir a violência e a agressão no esporte. Tais iniciativas devem contar</p><p>com a participação e o comprometimento de atletas, alunos, professores,</p><p>técnicos, dirigentes, árbitros, torcedores e espectadores;</p><p> Recomendação 7 – professores, técnicos, dirigentes, atletas, alunos,</p><p>jornalistas, árbitros e autoridades (por exemplo, policiais) devem participar de</p><p>seminários sobre agressão e violência para compreender esse fenômeno: por</p><p>que ocorre, quais as consequências dos atos de agressão e como o</p><p>comportamento agressivo pode ser controlado;</p><p> Recomendação 8 – professores, técnicos, dirigentes, árbitros e profissionais da</p><p>imprensa devem incentivar o engajamento de alunos e atletas em</p><p>comportamentos pró-sociais e punir os que cometem atos de hostilidade;</p><p> Recomendação 9 – alunos e atletas devem participar de programas que os</p><p>ajudem a reduzir tendências comportamentais agressivas. A revisão das</p><p>30</p><p>regras, a imposição de penalidades severas e a mudança de padrões de</p><p>reforço são apenas parte das soluções para coibir a agressão no esporte. Em</p><p>última instância, alunos e atletas devem assumir a responsabilidade por seu</p><p>comportamento.</p><p>Sendo assim, ao se trabalhar a agressividade, deve-se ressaltar a importância da</p><p>agressividade instrumental para se alcançar os objetivos individuais e coletivos, uma</p><p>vez que é ela que vai impulsionar as ações do sujeito. Entretanto, deve-se sempre</p><p>pontuar também que embora sejam necessários certos níveis de agressividade na</p><p>busca pelos objetivos, não há a necessidade de ações violentas.</p><p>Overtraining</p><p>Como se sabe, o treinamento desportivo refere-se a um processo que busca a</p><p>melhora do desempenho do atleta, rompendo com o equilíbrio interno do organismo</p><p>do sujeito, através do aumento progressivo das cargas de treinamento, o que acaba</p><p>se tornando uma fonte causadora de estresse.</p><p>Para que o treinamento alcance bons níveis qualitativos, é primordial que o</p><p>desequilíbrio da homeostase, se dê de forma contínua e adequada para ser</p><p>caracterizado como um estresse positivo. Como consequência, é primordial que haja</p><p>um período de recuperação suficiente, para que ocorra uma supercompensação.</p><p>Porém, é importante mencionar, que caso as cargas impostas ao longo do</p><p>treinamento não sejam condizentes com a capacidade de resposta do atleta, o</p><p>estresse causado pelo treinamento pode trazer alguns impactos, resultando em</p><p>inadaptações com possíveis repercussões negativas no rendimento do mesmo.</p><p>Tais inadaptações, estão associadas a alterações fisiológicas, psicológicas e</p><p>bioquímicas, que por sua vez, podem comprometer a qualidade de vida do atleta,</p><p>chegando a desenvolver um quadro de overtraining. Em casos extremos, o atleta pode</p><p>chegar a desenvolver a síndrome de burnout, onde o atleta atinge um esgotamento</p><p>psicofisiológico, passando a sentir-se completamente desmotivado para a prática</p><p>esportiva.</p><p>Segundo Weinberg e Gould (2008), o overtraining ou “treinamento excessivo”</p><p>caracteriza-se como um ciclo curto de treinamento, durante o qual os atletas são</p><p>31</p><p>submetidos a uma sobrecarga excessiva, próxima de sua capacidade máxima. Como</p><p>resultado final desse treinamento, o atleta atinge uma condição de fadiga, baixo</p><p>rendimento, dificuldade para manter o ritmo de treinamento, recuperação, bem como</p><p>a performance padrão, ou seja, o atleta atinge a exaustão.</p><p>Somado a isso, a literatura aponta que atleta pode apresentar infecção do trato</p><p>respiratório superior, imunossupressão, percepção de pernas pesadas, fadiga</p><p>generalizada, aumento da percepção subjetiva do esforço, alterações da frequência</p><p>cardíaca, disfunções no sistema nervoso autônomo, distúrbios do sono e do apetite,</p><p>alterações de humor, depressão, entre outros.</p><p>É importante destacar que o overtraining tornou-se uma problemática no âmbito</p><p>do esporte de alto rendimento, chagando a comprometer temporadas esportivas e até</p><p>mesmo encerrando precocemente, carreiras promissoras. Ademais, alterações nos</p><p>padrões estéticos, acabam levando atletas e não atletas a buscarem por meio do</p><p>exercício, o aumento de massa muscular, a redução de peso, bem como melhora do</p><p>condicionamento aeróbio. Para isso, os mesmos acabam ultrapassando os próprios</p><p>limites físicos e psicológicos para enfrentar cargas de treino exageradas, associadas</p><p>a períodos insuficientes de recuperação.</p><p>De forma geral, o overtraining pode ser entendido como o desequilíbrio entre</p><p>estresse e recuperação ou uma carga de estresse excessiva com pouca regeneração.</p><p>Esse estresse pode ter variadas fontes, como por exemplo o próprio treinamento,</p><p>viagens desgastantes, conflitos pessoais, entre outros. Por isso, o psicólogo do</p><p>esporte deve sempre estar atento aos sintomas para que o volume e intensidade dos</p><p>treinos sejam ajustados imediatamente após os primeiros sintomas negativos</p><p>tornarem-se evidentes.</p><p>Segundo Simola, Samulski e Prado (2007) o overtraining pode ser classificado</p><p>como crônico, também chamado de Overtraining, ou agudo, também chamado de</p><p>Overreaching, uma vez que se acredita que ocorre um acúmulo progressivo de fadiga</p><p>que se inicia com uma única sessão de treinamento. A medida que o desequilíbrio</p><p>entre o estresse provocado pelo treinamento e a recuperação se desenvolve, instala-</p><p>se o Overreaching, o qual dura entre poucos dias e duas semanas. Já o Overtraining</p><p>desenvolve-se na sequência, podendo durar de semanas a meses.</p><p>32</p><p>O Overtraining pode ser classificado como simpático ou parassimpático. O tipo</p><p>simpático, é o mais raro e tem sido observado em esportes de força e potência, sendo</p><p>caracterizado por um estado hiperadrenérgico ou de hiperfunção da tireóide, enquanto</p><p>o tipo parassimpático, é mais comum e é frequentemente observado em esporte de</p><p>resistência, sendo caracterizado pela predominância do tônus vagal ou por</p><p>insuficiência adrenal. Em ambos os tipos ocorre a redução na qualidade da</p><p>performance, entretanto, a principal diferença entre eles é que no tipo simpático, o</p><p>indivíduo apresenta excitação e irritabilidade e no tipo parassimpático, apatia e</p><p>depressão.</p><p>Dessa forma, o monitoramento da carga de treinamento deve se dar de forma</p><p>multivariada, podendo valer-se da utilização de marcadores fisiológicos, psicológicos,</p><p>bioquímicos e imunológicos. Os marcadores mais utilizados são os psicológicos,</p><p>sendo adotados métodos como a Escala de Percepção do esforço de Borg – RPE, o</p><p>Perfil de estado de humor – POMS e o Questionário de estresse e recuperação para</p><p>atletas – RESTQ-Sport. Além desses testes fisiológicos como: consumo máximo de</p><p>oxigênio, frequência cardíaca (FC), concentrações de lactato sanguíneo e limiar</p><p>anaeróbio, entre outros, também são utilizados na detecção e no monitoramento do</p><p>overtraining.</p><p>Quanto ao tratamento do quadro de overtraining, a literatura menciona que a</p><p>redução das cargas de treino ou mesmo o repouso completo, são métodos bastante</p><p>utilizados no processo de recuperação. Entretanto, alguns autores acreditam que a</p><p>recuperação pode se dar de maneira mais eficiente caso aconteça de forma ativa, ou</p><p>seja, com a realização de exercícios leves, jogos recreativos, contando também com</p><p>acompanhamento psicológico e nutricional. Além disso, a mudança de hábitos, o</p><p>afastamento do local de treinamento, a utilização de técnicas psico-regulativas como</p><p>relaxamento e treinamento mental, também são práticas muito eficientes no</p><p>tratamento do overtraining.</p><p>Portanto, considerando que o overtraining está associado a fatores fisiológicos,</p><p>psicológicos e sociais a sua prevenção deve se dar de forma multidisciplinar, sendo</p><p>fundamental estabelecer metas de treinamento e competição, melhorar a</p><p>comunicação entre o atleta e o treinador, desenvolver a capacidade de auto</p><p>regulação, a manutenção de boa condição física e alimentação, trabalhar o controle</p><p>33</p><p>das emoções pós-competitivas e estressores psicológicos de origem externa ao</p><p>treinamento.</p><p>4 ASPECTOS COGNITIVOS</p><p>Fonte: www.miguellucas.com.br</p><p>Assim como existem alguns aspectos comportamentais importantes para se</p><p>trabalhar a Psicologia do Esporte, existem também aspectos cognitivos que merecem</p><p>atenção quando se trata da Psicologia do Esporte, os quais serão tratados a seguir:</p><p>Percepção</p><p>No esporte, a excelência de muitas ações técnicas está associada a precisão das</p><p>percepções que o atleta possui em relação ao meio onde desempenha as mesmas.</p><p>Para Samulski (2002) a percepção não se resume a um processo de elaboração de</p><p>informações exclusiva das vias aferentes, uma vez que ela também contém variados</p><p>momentos eferentes. A percepção é o fenômeno que consiste em reconhecermos</p><p>qual o estímulo produziu determinada sensação. Ou seja, é a interpretação da</p><p>sensação. É organizar internamente os elementos levados pelos sentidos e conhecer</p><p>o mundo através deles.</p><p>34</p><p>De acordo com Cárdenas (2014), na psicologia americana, os processos de</p><p>elaboração da informação, são chamados de “Botton-up”, que significa que a fonte de</p><p>informação recebe influenciada pelo input sensorial, o qual é um processo que</p><p>organiza as sensações para que o corpo seja usado de forma eficiente no ambiente.</p><p>Os autores ainda mencionam que em contraposição ao “Botton-up”, utiliza-se o</p><p>conceito “Top-down”, que engloba a fonte de informação relevante, composta pelas</p><p>experiências pregressas, pelo conhecimento adquirido. Sendo assim, entende-se que</p><p>o processo perceptivo decorre da interação desses momentos, o que torna a</p><p>percepção um processo complexo. A complexidade da percepção então, está</p><p>relacionada com o fato das impressões sensoriais não serem vivenciadas como</p><p>qualidades ou intensidades isoladas, mas sim em conjunto.</p><p>Uma das especificidades das ações no esporte é o alto nível de complexidade e</p><p>dinâmica dos movimentos e ações táticas. São vários os fatores que se articulam e</p><p>acabam dificultando o processo de percepção. As ações no esporte são intencionais</p><p>e são marcadas por objetivos táticos que se voltam a uma ação como por exemplo</p><p>uma roubada de bola, marcar um ponto, fazer um gol, entre outras, e acabam sendo</p><p>reguladas psiquicamente de acordo com o contexto social.</p><p>Dessa forma, o atleta torna-se capaz de corresponder às exigências do jogo no</p><p>momento em que consegue adquirir experiências e principalmente a capacidade de</p><p>perceber e processar os sinais relevantes da ação, de forma a conseguir regulá-la de</p><p>forma rápida. Pode-se dizer que haveria uma sobrecarga se os atletas na iniciação</p><p>esportiva tivessem que perceber e elaborar todas as informações e estímulos ao seu</p><p>redor. Assim, torna-se evidente que a percepção se refere a um processo ativo e</p><p>seletivo de informação.</p><p>Atenção e Concentração</p><p>A atenção e a concentração são aspectos fundamentais se tratando do processo</p><p>de ensino aprendizagem na Educação Física escolar, assim como para a prática de</p><p>exercício físicos no âmbito da saúde e do alto rendimento.</p><p>No âmbito do alto rendimento, muitas competições são decididas em poucos</p><p>segundos, assim, considerando que no alto rendimento as equipes e atletas são</p><p>35</p><p>altamente treinados, são os detalhes que vão fazer a diferença. Sendo assim, o atleta</p><p>precisa estar atento aos aspectos mais relevantes da partida. Entretanto, elementos</p><p>que por vezes podem ser considerados irrelevantes, como a torcida, também carecem</p><p>de atenção, pois elas podem causar distrações e influenciar o desempenho do atleta.</p><p>A atenção e a concentração são bastante exigidas quando os atletas estão</p><p>aprendendo novas técnicas e estratégias táticas. Dessa forma, não basta apenas</p><p>informar ao atleta sobre a necessidade de estar atento e concentrado, torna-se</p><p>necessário submetê-lo a situações que possibilitem ao mesmo desenvolver tais</p><p>capacidades.</p><p>Para Samulski (2009), de modo geral, a atenção é entendida como um estado</p><p>seletivo, intensivo e dirigido da percepção, ao passo que a concentração é entendida</p><p>como a capacidade do sujeito de manter o foco de atenção sobre os estímulos</p><p>considerados relevantes do ambiente, bem como de alterar a atenção.</p><p>Entre as funções da atenção estão a identificação primária das informações, a</p><p>seleção das informações, a ativação ou a capacidade de deixar o sujeito mais</p><p>predisposto a atividade e a rejeição perceptiva que nada mais é do que a rejeição de</p><p>estímulos desnecessários ou prejudiciais a performance do atleta.</p><p>A literatura menciona que existem três tipos de atenção: atenção concentrada,</p><p>atenção distributiva e capacidade de alternação da atenção. A atenção concentrada</p><p>refere-se à capacidade de dirigir conscientemente a atenção a um ponto específico</p><p>no campo da percepção. A atenção distributiva, é a capacidade de distribuir a atenção</p><p>sobre vários objetos, em menor intensidade. Já a capacidade</p>

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