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Pós-Graduação_Psicopatologia_MÃd 3 - PSICOPATOLOGIAS (1)

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<p>Psicopatologias</p><p>UNIDADE 3</p><p>Objetivos Definição</p><p>Explicando Melhor</p><p>Você Sabia?</p><p>Acesse Resumindo</p><p>Nota Importante</p><p>Saiba Mais Reflita</p><p>Atividades Testando</p><p>Para o início do</p><p>desenvolvimento de</p><p>uma nova competência</p><p>Houver necessidade de</p><p>apresentar um novo conceito</p><p>Algo precisa ser melhor</p><p>explicado ou detalhado</p><p>Curiosidades e indagações</p><p>lúdicas sobre o tema</p><p>em estudo, se forem</p><p>necessárias.</p><p>Se for preciso acessar um</p><p>ou mais sites para fazer</p><p>download, assistir vídeos,</p><p>ler textos, ouvir podcast.</p><p>Quando for preciso fazer um</p><p>resumo acumulativo das</p><p>últimas abordagens</p><p>Quando necessárias</p><p>observações ou</p><p>complementações para</p><p>o seu conhecimento</p><p>As obsevações escritas</p><p>tiveram que ser priorizadas</p><p>para você</p><p>Textos, referências</p><p>bibliográficas e links para</p><p>aprofundamento do se</p><p>conhecimento.</p><p>Se houver a necessidade</p><p>de chamar a atenção</p><p>sobre algo a ser refletido ou</p><p>discutido</p><p>Quando alguma atividade</p><p>de autoaprendizagem for</p><p>aplicada</p><p>Quando uma compeência</p><p>for concluída e questões</p><p>forem explicadas.</p><p>Sumário</p><p>Critérios de Saúde e Patologia Mental</p><p>A importância da manutenção da saúde mental no cotidiano</p><p>O conceito de saúde mental e as suas principais</p><p>características</p><p>O conhecimento psicopatológico e sua evolução ao longo dos</p><p>anos</p><p>Ética e psicopatologia</p><p>As práticas de tratamento psicopatológico no decorrer dos anos</p><p>A inserção da ética nos procedimentos de tratamento das</p><p>psicopatologias</p><p>O exame psíquico e a sumula psicopatológica</p><p>Semiologia das psicopatologias</p><p>Os métodos de investigação de psciopatologias em paciente</p><p>O conceito de semiologia e a sua aplicação na psiquiatria</p><p>A psicopatologia existencial e fenomenológica</p><p>6</p><p>CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO</p><p>36</p><p>21</p><p>Sumário</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses</p><p>A análise clínica das causas e sintomas das psicopatologias</p><p>As neuroses e psicoses e sas principais particularidades</p><p>Os sintomas da neurose e da psicose e suas diferenças</p><p>Os principais transtornos mentais neuróticos e psicóticos</p><p>Referências</p><p>48</p><p>CLIQUE NO CAPÍTULO PARA SER REDIRECIONADO</p><p>1</p><p>Critérios de saúde e</p><p>patologia mental</p><p>Psicopatologias Capítulo 1</p><p>Critérios de saúde e</p><p>patologia mental</p><p>Objetivos</p><p>No percurso desse capítulo será entendido o que define a saúde mental</p><p>das pessoas, levando em consideração os aspectos que caracterizam</p><p>as suas capacidades cognitivas, emocionais e psicossociais. Em</p><p>decorrência disso, será visto como existem patologias que interferem</p><p>negativamente na manutenção da qualidade da mente humana.</p><p>A importância da manutenção da saúde mental no cotidiano</p><p>A saúde e o bem-estar psicológico de uma determinada pessoa é um elemento central e</p><p>indispensável para a manutenção na sua vida cotidiana, na medida em que determina o</p><p>funcionamento das suas principais habilidades e, a partir disso, se demonstra fortemente</p><p>influente na forma como esse sujeito cumpre com as suas atividades rotineiras e, ainda,</p><p>interage com os demais indivíduos presentes ao seu redor. Nessa perspectiva, é possível</p><p>compreender que existem diferentes capacidades individuais que são diretamente</p><p>determinadas pelo bom funcionamento do cérebro e da mente de um dado sujeito, o</p><p>que indica a importância de manter a qualidade desse âmbito do organismo humano.</p><p>Tomando como base isso, observa-se que a inserção das pessoas nos diferentes</p><p>contextos que demandam a convivência e constante interação interpessoal e, por esse</p><p>motivo, resultam na sua participação na vida em sociedade, é diretamente dependente</p><p>F I G U R A 1</p><p>A saúde mental das pessoas é</p><p>essencial para a manutenção</p><p>da sua vida cotidiana.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>da manutenção de funções executivas, neurológicas e mentais que são mantidas</p><p>por parte daquele indivíduo. Sendo assim, aspectos como as suas habilidades sociais,</p><p>comportamentais e cognitivas são o que garantem que aquele sujeito irá cumprir com</p><p>as suas obrigações diárias que, por decorrência disso, contribuem para que ele se</p><p>adeque às demandas sociais, domésticas e profissionais que surgem nos diferentes</p><p>contextos do seu dia a dia.</p><p>Ter boas e saudáveis habilidades comunicativas, por exemplo, é algo que não apenas</p><p>contribui para que um indivíduo consiga estabelecer um contato adequado com outras</p><p>pessoas dentro do seu ciclo social e, a partir disso, construa relações interpessoais de</p><p>qualidade e benefícios mútuos, na medida em que uma boa comunicação também</p><p>pode ser vantajosa para outros setores da sua rotina. A vida profissional, por exemplo,</p><p>não acontece de forma exclusivamente individual, também dependendo da constante</p><p>interação e colaboração entre as diferentes partes que, em conjunto, desempenham as</p><p>ações necessárias para cumprir com os objetivos traçados dentro de uma determinada</p><p>empresa, o que faz com que a própria instituição seja beneficiada, assim como os</p><p>seus colaboradores que efetivam, de maneira coletiva, as suas funções de trabalho</p><p>adequadamente.</p><p>Por decorrência disso, é necessário levar em consideração, também, como as capacidades</p><p>cognitivas podem ser inerentemente relevantes para a efetivação das diferentes</p><p>obrigações que se fazem presentes na vida cotidiana das pessoas em sociedade. É</p><p>comum, quando pensando nesse tipo de aspecto, que os indivíduos considerem como</p><p>obrigações cotidianas exclusivamente aquelas que são desempenhadas no meio</p><p>profissional e, em razão disso, ainda levam em conta sobretudo as habilidades que</p><p>usam com mais proeminência no exercer das suas funções. Um sujeito com um trabalho</p><p>fortemente braçal, por exemplo, levará em conta que necessita apenas de habilidades</p><p>físicas e motoras para cumprir com as suas atividades, o que não é verdade.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 2</p><p>A influência da saúde mental de</p><p>um indivíduo no cumprimento</p><p>das suas atividades.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>da manutenção de funções executivas, neurológicas e mentais que são mantidas</p><p>por parte daquele indivíduo. Sendo assim, aspectos como as suas habilidades sociais,</p><p>comportamentais e cognitivas são o que garantem que aquele sujeito irá cumprir com</p><p>as suas obrigações diárias que, por decorrência disso, contribuem para que ele se</p><p>adeque às demandas sociais, domésticas e profissionais que surgem nos diferentes</p><p>contextos do seu dia a dia.</p><p>Aspectos como a memorização, o raciocínio e a capacidade de aprender são, também,</p><p>indispensáveis para que todas as pessoas consigam performar as suas tarefas rotineiras,</p><p>na medida em que necessitam dessas funções executivas para compreender o que</p><p>deve ser feito no decorrer do seu cotidiano e quais são as melhores formas de cumprir</p><p>com essas atividades, sem danificar a manutenção do seu bem-estar e saúde, seja</p><p>esta física ou psicológica. Em acréscimo a isso, também se entende que as obrigações</p><p>desempenhadas na rotina de uma pessoa não se reduzem apenas aos meios de</p><p>trabalho, também se estendendo às tarefas que são exercidas nos contextos domésticos</p><p>e acadêmicos, ainda englobando os esforços feitos em funções sociais e familiares.</p><p>O conceito de saúde mental e as suas principais características</p><p>Como já evidenciado nas discussões estabelecidas até aqui, a saúde psicológica de</p><p>uma pessoa é indispensável para a manutenção da sua qualidade de vida e, ainda,</p><p>integral no processo de efetivação das atividades cotidianas, que podem acontecer</p><p>em diferentes contextos da rotina daquele indivíduo, contribuindo para que ele cumpra</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 3</p><p>Os principais exemplos de</p><p>habilidades cognitivas utilizadas</p><p>no dia a dia.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>com as suas obrigações domésticas, profissionais, sociais, acadêmicas, dentre outras.</p><p>Em acréscimo a isso, as capacidades mentais de cada sujeito também são de grande</p><p>importância para que este consiga interagir de maneira adequada com outras pessoas,</p><p>o que assegura a sua inclusão na vida</p><p>lesões nos seus hemisférios cerebrais;</p><p>IV. A avaliação física: Em acréscimo a isso, e em contexto semelhante, também</p><p>é importante que o paciente tenha a sua avaliação física beneficiada durante o</p><p>processo de consulta clínica em razão de problemas que afetam as suas capacidades</p><p>psicológicas. É comum, assim, que esse tipo de teste aconteça de forma independente</p><p>aos procedimentos feitos dentro do ramo profissional da psiquiatria, que busca focar na</p><p>mente e os aspectos relacionados a esta, por parte de um profissional atuante no âmbito</p><p>clínico geral. É importante, para que esta se faça devidamente efetivada, no entanto, que</p><p>as qualidades comportamentais, cognitivas e psíquicas do paciente sejam consideradas,</p><p>Psicopatologias</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>buscando compreender o seu impacto no bem-estar físico daquele paciente, na medida</p><p>em que a compartimentação desses aspectos de forma independente pode prejudicar</p><p>a análise assertiva dos sinais e sintomas de uma determinada condição patológica.</p><p>Dessa maneira, é o conjunto desses processos avaliativos que permite que a condição</p><p>particular daquele paciente seja plenamente identificada, com base nas suas</p><p>necessidades individuais e no nível de manifestação sintomática que a psicopatologia</p><p>se encontra nele. É importante considerar, com isso, que o psicodiagnóstico é um</p><p>elemento particular do ramo da psiquiatria e da psicologia clínicas, tendo por finalidade</p><p>assegurar uma maior assertividade no processo de identificação da doença que um</p><p>dado paciente possui por meio dos diferentes métodos de avaliação e semiologia que</p><p>contribuem para apontar, também, a origem daquele problema no paciente e como</p><p>este se desenvolveu com o passar do tempo.</p><p>Dentro dessa perspectiva, é possível notar que a fenomenologia também teve o</p><p>seu surgimento na Alemanha no decorrer do século XX, tendo como seu principal</p><p>contribuinte o pensador Edmundo Husserl que, por sua vez, foi influenciado por diversos</p><p>outros filósofos clássicos dos quais se destacam Platão e Descartes. Essa vertente</p><p>filosófica, por sua vez, se fez fortemente influente na Europa, ainda expressando uma</p><p>relevância considerável nos Estados Unidos logo após o seu surgimento, o que fez com</p><p>Psicopatologias</p><p>Definição</p><p>A fenomenologia, como pode ser sugerido pela sua nomenclatura,</p><p>corresponde ao estudo dos fenômenos e, por decorrência disso, tem</p><p>como objeto de pesquisa aquilo que surge na consciência humana ou</p><p>é oferecido a ela, de modo a promover a sua plena exploração. Dessa</p><p>maneira, Palmer (1999) evidencia que os estudos fenomenológicos têm</p><p>por finalidade compreender as percepções, pensamentos, falas e laços</p><p>que possuem o papel de unificar os fenômenos externos com o ser</p><p>que os experencia, ainda apontando como o laço que une o Eu com</p><p>o fenômeno. Em suma, serve para entender os fenômenos do mundo</p><p>em si, os objetos fenomenais associados a eles e o indivíduo que os</p><p>experimenta no percurso de sua vida, extraído valores ou aspectos que</p><p>definirão o percurso da sua vida de forma individual ou coletiva.</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>que assumisse uma repercussão maior e, eventualmente, ocasionasse na sua dispersão</p><p>em todos os continentes do mundo. A finalidade de Husserl durante o desenvolvimento</p><p>dessa filosofia era, portanto, oferecer ao saber filosófico um caráter científico, de modo</p><p>a fundamentar os saberes elaborados mesmo por outras ciências.</p><p>Por decorrência disso, se fez possível que a fenomenologia e os métodos criados por</p><p>esta assumissem um papel importante em outros âmbitos do conhecimento humano,</p><p>na medida em que passou a valorizar o papel dos fenômenos na construção da</p><p>experiência do que é ser um sujeito humano. Nesse sentido, também se fez possível</p><p>através da desconsideração de noções pré-concebidas a respeito de aspectos como</p><p>o papel do homem no mundo e o que define a sua vivência. Por isso, nota-se que a</p><p>fenomenologia deixa de lado a ideia de que precisa de um pressuposto para entender</p><p>e aplicar os seus métodos, sendo marcada por um caráter radical e ausente de dúvidas,</p><p>permitindo a compreensão da forma como os fenômenos aparecem na consciência de</p><p>um determinado indivíduo através da sua experiência vivida (ROMERO, 1997).</p><p>Com base nisso, a psicopatologia existencial pode ser diferenciada da perspectiva</p><p>naturalista que descreve o surgimento de uma condição psicopatológica a partir de um</p><p>ponto de vista natural e biológica. Assim sendo, a psicopatologia médica destaca que a</p><p>doença mental é ocasionada, de forma exclusiva, de uma disfunção no funcionamento</p><p>neurológico cerebral, algo que desconsidera os aspectos psicológicos daquele paciente</p><p>e as experiências psicossociais que ele experencia no decorrer de sua vida, negando a</p><p>relevância que estes apresentam para a manutenção da saúde mental e a funcionalidade</p><p>das suas capacidades psicoemocionais. Por outro lado, a visão existencial descreve que</p><p>a condição patológica é resultante de aspectos históricos e humanos, o que resulta em</p><p>uma visão negativa acerca da sua própria existência e da sua relação com os demais.</p><p>É importante, no entanto, que o diagnóstico psicopatológico se faça pautado em</p><p>uma diversidade de evidências que são investigadas e apontadas no decorrer do</p><p>processo de avaliação daquele paciente, pautado sobretudo na sua semiologia que</p><p>afere diferentes qualidades com a finalidade de atingir uma conclusão assertiva e,</p><p>comumente, complexa. Para isso, é necessário que haja uma coleta e análise dos dados</p><p>clínicos de um determinado paciente, não se reduzindo exclusivamente às suposições</p><p>etiológicas do paciente ou do profissional responsável por cumprir com a coleta das</p><p>suas informações relevantes, mas também levando em consideração as manifestações</p><p>da doença naquele indivíduo através dos seus sinais e sintomas.</p><p>Psicopatologias</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>Nesse sentido, também é possível enxergar a importância da fenomenologia durante</p><p>esse processo de investigação, tendo em vista que os sintomas das patologias mentais</p><p>não costumam ser exclusivos para apenas um tipo de condição, o que faz com que o</p><p>psicodiagnóstico dependa de um conjunto de fatores que são levados em conta no</p><p>decorrer dos procedimentos clínico-psiquiátricos iniciais, incluindo os fenômenos aos</p><p>quais aquele sujeito foi submetido no percurso do seu desenvolvimento. Daí, também, a</p><p>importância de recolher informações sobre o seu histórico familiar, bem como da sua</p><p>vivência pregressa à consulta e mesmo ao início das manifestações sintomáticas da</p><p>doença. Resumidamente, entende-se que o diagnóstico de uma psicopatologia deve</p><p>ser pluridimensional, efetivado por meio da análise da evolução da doença e validado</p><p>cientificamente, de modo a demonstrar a sua confiabilidade.</p><p>Psicopatologias</p><p>Resumindo</p><p>E aqui se encerra o desenvolvimento do terceiro capítulo desse módulo.</p><p>As informações disponibilizadas até aqui ficaram bem fixadas na sua</p><p>mente? Não vai sair daqui com nenhuma dúvida, né? Pensando nisso,</p><p>foi reservado esse momento para resumir os novos conhecimentos</p><p>elencados no decorrer desse capítulo. Preparado? Então vamos lá.</p><p>Inicialmente, foi discutido como a semiologia pode ser um elemento</p><p>importante das dinâmicas clínicas do âmbito psicopatológico. Isso</p><p>acontece em razão do fato de que esse é um campo que busca</p><p>promover a plena investigação e entendimento a respeito das doenças</p><p>que, no caso dos estudos psiquiátricos, afetam a mente humana e as</p><p>suas capacidades, também interferindo na forma como o sujeito leva</p><p>a sua vida e convive interpessoalmente em sociedade. Nesse sentido,</p><p>entende-se que os procedimentos semiológicos favorecem a busca</p><p>pelo psicodiagnóstico do paciente que, por sua vez, deve ser assertivo e</p><p>adequado à condição particular do paciente em consulta. Em acréscimo</p><p>a isso, existem diferentes vertentes que encaram os comportamentos</p><p>e pensamentos humanos de formas distintas, como a existencial, que</p><p>determina que a vivência individual do sujeito determina</p><p>o estado da</p><p>sua mente, e a fenomenológica, que compreende a influência dos</p><p>fenômenos presentes na sua vida neste. Ambas, assim, podem ser</p><p>utilizadas para efetivar os procedimentos de investigação semiológica</p><p>em um determinado indivíduo.</p><p>4</p><p>Etiologia das neuroses</p><p>e psicoses</p><p>Psicopatologias Capítulo 4</p><p>Etiologia das neuroses e</p><p>psicoses</p><p>Objetivos</p><p>No decorrer da exposição do conteúdo desse capítulo, serão elencados</p><p>os princípios utilizados na investigação de transtornos psicopatológicos</p><p>em pacientes da psiquiatria. Em acréscimo a isso, entenderemos o</p><p>que diferencia a neurose da psicose, discorrendo acerca das suas</p><p>características individuais.</p><p>A análise clínica das causas e sintomas das psicopatologias</p><p>Durante as informações estabelecidas no percurso dessa unidade letiva, foi possível</p><p>compreender algumas das principais características que definem o processo de</p><p>identificação das psicopatologias em pacientes que, em razão das suas manifestações</p><p>sintomáticas, buscam a ajuda profissional adequada para manter a sua saúde mental.</p><p>Dessa forma, é possível compreender que as condições patológicas que afetam a</p><p>mente humana podem ser decorrentes de diferentes fatores, o que inclui alterações</p><p>neurológicas naquele paciente, experiências vividas no percurso da sua vida e aspectos</p><p>F I G U R A 2 1</p><p>As manifestações sintomáticas das</p><p>psicopatologias favorecem a sua</p><p>identificação durante a avaliação do</p><p>paciente.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>Por decorrência disso, é importante que o processo de avaliação daquele paciente,</p><p>que já tem o seu início durante a triagem daquele indivíduo que efetiva a coleta de</p><p>dados importantes e suas queixas atuais, leve em consideração os diferentes aspectos</p><p>biológicos, psicossociais, cognitivos e emocionais que podem ocasionar no surgimento</p><p>e desenvolvimento de uma determinada doença que afeta a mente do paciente em</p><p>consulta. Para isso, é necessário que a semiologia, que garante a investigação dos</p><p>sintomas presentes no sujeito, seja efetivada da maneira correta, de modo a atingir um</p><p>diagnóstico adequado e assertivo.</p><p>O processo de tratamento daquele paciente só pode ser iniciado, afinal, através da</p><p>adequação do seu diagnóstico, que define o tipo de condição que aquele sujeito possui,</p><p>ainda contribuindo no estabelecimento das suas necessidades individuais que, por sua</p><p>vez, nortearão os objetivos a serem traçados com a finalidade de atingir a sua plena</p><p>melhoria e, em vista disso, prezar pela manutenção da sua qualidade de vida. Por esse</p><p>motivo, é indispensável que todos os diferentes aspectos que se fazem associados ao</p><p>funcionamento da mente do paciente sejam considerados por parte dos profissionais</p><p>envolvidos na efetivação da semiologia clínica do seu caso, de modo a identificar as</p><p>transposições que contribuem para a identificação plena da doença naquele sujeito.</p><p>Nesse contexto, também é denotado o fato de que o psicodiagnóstico apresenta um</p><p>caráter complexo considerável, tendo em vista que leva em consideração todas essas</p><p>diferentes particularidades das doenças em si e do paciente em processo de avaliação.</p><p>Leva-se em conta, também, que poucos sintomas são exclusivos de apenas um tipo</p><p>de condição psicopatológica e, por decorrência disso, é reafirmada a importância de</p><p>investigar de maneira pluridimensional as qualidades que contribuem para definir cada</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 2 2</p><p>Os diferentes tipos de fatores do paciente</p><p>a serem considerados durante a sua</p><p>avaliação psíquica.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023)</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>caso estudado, de modo a apontar validamente o diagnóstico de um determinado</p><p>paciente. Para tanto, é ainda necessário que o processo seja cientificamente embasado,</p><p>de modo a garantir a sua credibilidade e, assim, não ocasionar em um erro de diagnóstico,</p><p>o que pode prejudicar no mantimento da saúde do paciente durante o tratamento.</p><p>A partir disso, é possível definir a patologia que aquele sujeito possui, levando em</p><p>consideração as diferentes características possuídas pelas doenças que apresentam</p><p>consequências negativas para a saúde mental das pessoas. Para que isso se faça</p><p>possível, o profissional responsável pela efetivação da avaliação, a análise e conclusão</p><p>do diagnóstico de um determinado paciente pode se utilizar de documentos oficiais que</p><p>classificam e caracterizam os diferentes tipos de condições psicopatológicas, como é o</p><p>caso da Classificação Estatística Internacional de Doenças e Problemas Relacionados à</p><p>Saúde (CID), que possui diferentes edições com informações assertivas sobre as doenças</p><p>que afetam a saúde humana em diferentes âmbitos, permitindo a sua identificação</p><p>(OMS, 2021).</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 2 3</p><p>As principais características que</p><p>contribuem para a definição do</p><p>psicodiagnóstico.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023)</p><p>Saiba Mais</p><p>Acesse o link abaixo para assistir ao vídeo “Transtornos mentais | CID 10”,</p><p>publicado pelo canal Abarca Psicólogo no ano de 2020. Neste, é possível</p><p>compreender como a Classificação Estatística Internacional de Doenças</p><p>e Problemas Relacionados à Saúde pode ser utilizada para facilitar a</p><p>identificação das diferentes patologias que afetam a manutenção da</p><p>saúde e qualidade de vida humana, o que inclui o seu bem-estar mental.</p><p>Com isso, nota-se que essa ferramenta pode beneficiar o processo de</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>Sendo de atual responsabilidade da Organização Mundial da Saúde (OMS), a CID se</p><p>encontra, até o momento, em sua décima primeira edição e, assim, serve como um</p><p>instrumento de apoio para os atuantes do ramo da saúde, sobretudo aqueles que</p><p>desempenham a responsabilidade de promover a investigação sintomática dos seus</p><p>pacientes e identificar a doença que ele possui. No âmbito das condições psicopatológicas,</p><p>também existe o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), de</p><p>responsabilidade da Associação Americana de Psiquiatria (APA), que fornece detalhes</p><p>em relação aos transtornos que afetam o funcionamento e a manutenção da saúde</p><p>mental dos pacientes. Esses dois instrumentos podem, assim, atuar em conjunto no</p><p>apontamento das psicopatologias, evidenciando as suas principais especificidades e</p><p>denotando os sinais que permitem a sua identificação em um paciente.</p><p>As neuroses e psicoses e suas principais particularidades</p><p>Com base nas discussões estabelecidas no percurso desse capítulo, é possível</p><p>compreender alguns dos principais procedimentos clínicos que contribuem para a</p><p>identificação de uma psicopatologia em um determinado sujeito em consulta que busca</p><p>manterá sua saúde mental em dia. Por decorrência disso, existem diferentes aspectos</p><p>inseridos na rotina do âmbito do cuidado da mente humana que podem ajudar não</p><p>apenas a apontar a presença de uma doença mental em um paciente, como também</p><p>promover um diagnóstico assertivo através da observação e investigação dos sinais e</p><p>sintomas daquela condição no paciente, algo que se caracteriza como um processo</p><p>complexo e multidimensional, buscando enxergar os diferentes setores da vida daquele</p><p>indivíduo impactados por tal doença.</p><p>Psicopatologias</p><p>avaliação do paciente, garantindo um psicodiagnóstico adequado.</p><p>ABARCA Psicólogo. Transtornos mentais | CID 10. 2020. Disponível em:</p><p>https://youtu.be/PmBTkoi-xns. Acesso em: 15 de ago. de 2023.</p><p>F I G U R A 2 4</p><p>Os procedimentos clínicos psiquiátricos</p><p>buscam analisar a presença de alguma</p><p>patologia mental no paciente.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>Em acréscimo a isso, também é notável que as psicopatologias podem se fazer</p><p>associadas a diferentes causas que, por sua vez, se fazem presentes em diferentes</p><p>momentos da vida do paciente. Por decorrência disso, existem condições cuja origem é</p><p>encontrada ainda nos períodos iniciais de desenvolvimento daquele sujeito, o que inclui</p><p>a sua idade infantil e adolescente. Por outro lado, outras condições psicopatológicas</p><p>são</p><p>consequência direta de problemas enfrentados pelo paciente já na vida adulta,</p><p>algo que deve ser plenamente investigado no processo de avaliação e elaboração do</p><p>seu diagnóstico. Apesar de focar em solucionar o problema presente do indivíduo em</p><p>tratamento, entender o que originou aquela doença pode ser importante para definir o</p><p>seu tipo e, a partir disso, compreender as demandas específicas do paciente a serem</p><p>atendidas no percurso da aplicação dos métodos que visam efetivar a sua melhora.</p><p>Tomando conhecimento disso, é possível analisar a relevância de entender e aplicar</p><p>todos esses diferentes métodos que favorecem a avaliação psíquica de um determinado</p><p>paciente, na mesma medida que assegura a precisão do psicodiagnóstico apresentado</p><p>para descrever o seu caso. Em acréscimo a isso, também é importante levar em</p><p>consideração quais são os principais tipos de transtornos psiquiátricos que podem</p><p>interferir negativamente na vida das pessoas, prejudicando a sua capacidade de cumprir</p><p>com atividades rotineiras e, adicionalmente a isso, de manter relações adequadas com</p><p>outros indivíduos. Pensando nisso, veremos no percurso desse capítulo o que define tais</p><p>transtornos, levando em consideração as neuroses e psicoses.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 2 5</p><p>Dois dos principais tipos de condições</p><p>transtornais que afetam a saúde mental</p><p>humana.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>Inicialmente, se faz necessário compreender que, apesar de serem utilizados como termos</p><p>sinônimos por parte do senso comum, as condições patológicas que caracterizam a</p><p>neurose e a psicose apresentam características específicas que fazem com que elas</p><p>sejam classificadas de forma diferente e particular. Por decorrência disso, considerar</p><p>que os dois tipos de transtornos são caracterizados pelos mesmos aspectos, com pouca</p><p>ou nenhuma distinção, pode ser um erro considerável dentro do âmbito clínico da área</p><p>da psiquiatria, tendo em vista que ocasiona problemas no entendimento do caso dos</p><p>pacientes com algum tipo dessas duas condições, ainda dificultando a adequação</p><p>do seu tratamento às suas necessidades individuais. Por isso, é relevante conhecer as</p><p>diferenças entre estas e como elas são, de fato, definidas.</p><p>Com base nisso, é possível compreender o que define cada uma dessas condições,</p><p>levando em consideração, inicialmente, que a neurose é uma patologia que ocasiona,</p><p>sobretudo, o sofrimento psíquico do paciente, interferindo negativamente no seu conforto</p><p>mental. Por decorrência disso, compreende um conjunto de sintomas que também</p><p>podem afetar as capacidades emocionais do paciente, resultando em sentimentos</p><p>negativos que fazem com que a manutenção das suas atividades cotidianas seja</p><p>danificada. As causas desse tipo de patologia se fazem comumente associadas ao</p><p>enfrentamento elevado de estresse durante a rotina daquele sujeito, resultando na sua</p><p>incapacidade de manter a própria saúde mental em boa qualidade. Em acréscimo a</p><p>isso, também pode ser decorrente de eventos traumáticos pelos quais o paciente é</p><p>Psicopatologias</p><p>Acesse</p><p>Para ter um maior conhecimento a respeito das particularidades que</p><p>definem a neurose e psicose como condições patológicas distintas,</p><p>acesse o link a seguir e assista ao vídeo “Qual a diferença entre</p><p>neurose e psicose?”, publicado pelo Canal Vida Mental no ano de 2019.</p><p>Neste, é possível observar, de forma suscinta e objetiva, as diferentes</p><p>características que definem cada uma dessas patologias mentais,</p><p>compreendendo a forma como elas interferem negativamente na vida</p><p>dos pacientes.</p><p>CANAL Vida Mental. Qual a diferença entre neurose e psicose? 2019.</p><p>Disponível em: https://youtu.be/qW0oWVKvfjw. Acesso em: 15 de ago. de</p><p>2023.</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>submetido, o que envolve problemas pessoais ou mesmo profissionais, como a perda</p><p>de um emprego, o falecimento de alguém próximo ou a separação do seu parceiro.</p><p>Por decorrência disso, durante a investigação da presença desse tipo de condição</p><p>psicopatológica em um determinado paciente, é relevante compreender não apenas a</p><p>sua manifestação sintomática, como também as particularidades que definem a sua</p><p>vida, tendo em vista que estas podem ser relevantes para aferir a origem do seu problema.</p><p>Isso inclui, portanto, aspectos como o seu estado civil e se este sujeito está sozinho a</p><p>muito tempo ou passou por um divórcio recentemente, bem como a sua relação com</p><p>o trabalho durante o período recente à sua consulta. Por outro lado, qualidades da vida</p><p>pregressa daquele sujeito também podem ser essenciais durante esse processo, tendo</p><p>em vista que experiências vividas na sua infância, por exemplo, podem ser influentes na</p><p>manutenção da sua saúde psicológica na vida adulta.</p><p>Tomando como base isso, entende-se que a psicose é uma condição patológica</p><p>que afeta a mente das pessoas de forma particular, na medida em que afeta não</p><p>apenas as suas capacidades emocionais, como também interfere negativamente</p><p>na personalidade do paciente que, por sua vez, determina diretamente os seus</p><p>pensamentos e comportamentos tidos durante o dia a dia. Em razão disso, nota-se</p><p>que esse tipo de psicopatologia pode ter motivos distintos associados à sua causa,</p><p>tais como questões neurológicas que afetam o funcionamento e a estruturação do</p><p>cérebro de um indivíduo, como tumores nessa região, e ainda problemas psiquiátricos,</p><p>Psicopatologias</p><p>Importante</p><p>A psicose se diferencia da neurose, tendo as suas próprias características</p><p>individuais que a definem como uma condição patológica particular, o</p><p>que se estende desde as suas causas até as manifestações sintomáticas</p><p>e a forma como está interfere na vida do paciente diagnosticado com</p><p>um de seus diferentes tipos. Por decorrência disso, nota-se que a psicose</p><p>é comumente caracterizada pela alteração na forma como o indivíduo</p><p>impactado observa a realidade, a si mesmo e o mundo ao seu redor. Isso,</p><p>por sua vez, pode resultar em consequências negativas consideráveis</p><p>na forma como ele se relaciona com outros sujeitos, ainda ocasionando</p><p>prejuízos ainda mais violentas na sua capacidade de efetivar obrigações</p><p>cotidianas.</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>podendo se fazer associada à manifestação sintomática de outros transtornos mentais,</p><p>como, por exemplo, a esquizofrenia. A utilização irregular de medicamentos que afetam</p><p>as capacidades mentais de um determinado sujeito também pode ter, como efeito</p><p>colateral, o surgimento desse tipo de problema.</p><p>Existem, com isso, outros detalhes a serem considerados durante o estudo e entendimento</p><p>pleno das condições que compreendem a psicose e a neurose, de modo a particularizá-</p><p>las entre si. Os sintomas desempenhados nesses dois tipos de patologias, por exemplo,</p><p>se diferem entre si, apresentando manifestações específicas e intensidades igualmente</p><p>particulares. Por outro lado, cada patologia também é dotada de transtornos individuais</p><p>que ocasionam o surgimento desse tipo de condição em um determinado indivíduo,</p><p>levando em conta as especificidades das doenças em si. Como já visto anteriormente,</p><p>os motivos ligados ao desenvolvimento da neurose ou da psicose em um determinado</p><p>paciente ainda costumam ser particulares, assim como a fase da sua vida em que sua</p><p>origem tende a surgir, podendo ser no percurso da infância e adolescência na psicose,</p><p>enquanto a neurose apresenta causas mais proeminentes associadas aos elementos</p><p>da vida adulta de um sujeito.</p><p>FIQUE LIGADO!</p><p>É importante levar em consideração, no entanto, que a tendência dessas condições</p><p>se manifestarem nos pacientes por motivos associados a uma determinada faixa</p><p>etária não se caracteriza como um fator determinante de forma exclusiva e imutável.</p><p>Do contrário, existem casos específicos em que essas patologias são diretamente</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 2 6</p><p>As principais distinções a serem</p><p>observadas entre a neurose e a psicose.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>resultantes</p><p>de problemas particulares, que não são comumente observados em outros</p><p>pacientes. Por decorrência disso, durante o processo etiológico de investigação das</p><p>especificidades que definem a presença de uma psicopatologia em um dado sujeito,</p><p>é necessário que o profissional envolvido nesses procedimentos também esteja aberto</p><p>a enxergar singularidades de cada caso, de modo a promover, também, a precisão do</p><p>psicodiagnóstico.</p><p>Os sintomas da neurose e da psicose e suas diferenças</p><p>Como já evidenciado no percurso desse capítulo, a psicose e a neurose são condições</p><p>patológicas que apresentam a sua semelhança, sobretudo levando em consideração</p><p>que essas duas doenças são fortemente caracterizadas pela presença de sintomas que</p><p>afetam, assim, as capacidades psíquicas dos pacientes que possui uma delas. Dessa</p><p>maneira, essas psicopatologias afetam diretamente a forma como o sujeito se utiliza</p><p>das suas emoções, cognições, pensamentos e comportamentos para se envolver em</p><p>atividades rotineiras distintas, cumprir com as suas obrigações profissionais, sociais</p><p>e domésticas e, ainda, se relacionar interpessoalmente com os demais indivíduos</p><p>presentes na sua rotina.</p><p>Apesar disso, existem diferenças consideráveis que fazem com que ambas se definam</p><p>como condições particulares a serem investigadas e lidadas de maneiras igualmente</p><p>distintas por parte dos profissionais que buscam manter a saúde mental e a qualidade</p><p>de vida dos pacientes com algum tipo de transtorno que afeta os seus pensamentos,</p><p>emoções e comportamentos. Por decorrência disso, é necessário compreender essas</p><p>duas patologias como doenças independentes entre si, que apresentam aspectos</p><p>definitivos distintos e, por isso, não podem ser completamente agrupadas dentro de uma</p><p>mesma categoria. A partir dessa visão assertiva e da consideração das especificidades</p><p>que definem cada tipo de doença citado, é possível, então, entender como elas podem</p><p>se fazer presentes nos pacientes, tendo o cuidado adequado para não efetivar uma</p><p>avaliação errônea que atinge conclusões imprecisas.</p><p>Dessa forma, como já evidenciado anteriormente nesse mesmo capítulo, a neurose</p><p>e a psicose são marcadas por manifestações sintomáticas que se diferem entre si e</p><p>contribuem para a individualização de cada uma dessas patologias. Nesse sentido, nota-</p><p>se que a neurose possui sintomas que, a depender das especificidades do paciente,</p><p>costumam ter uma manifestação mais contida e com menor intensidade quando</p><p>Psicopatologias</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>comparada ao outro tipo de condição descrito. Sendo assim, o sujeito neurótico, apesar</p><p>de ter suas capacidades mentais prejudicadas, ainda apresenta um bom senso de si</p><p>mesmo, das pessoas ao seu redor e da realidade em que vive, o que permite que este</p><p>ainda se envolva em atividades rotineiras e relações interpessoais, mesmo que com</p><p>uma considerável dificuldade advinda desse transtorno. Compreende-se, com isso, que</p><p>dentre os principais sintomas da neurose se destacam:</p><p>• Falta de sono;</p><p>• Alto nível de estresse;</p><p>• Sintomas da depressão;</p><p>• Sintomas da ansiedade;</p><p>• Baixa concentração;</p><p>• Baixa autoestima;</p><p>• Maior irritação;</p><p>• Sensação de medo;</p><p>• Alto índice de preocupação.</p><p>Em paralelo a isso, a psicose é marcada por ter determinadas características particulares</p><p>ao que define a manifestação sintomática da neurose. Por decorrência disso, é comum</p><p>que esse tipo de patologia ainda apresente um caráter mais intenso e complicado,</p><p>resultando em problemas que interferem diretamente na efetividade das atividades</p><p>rotineiras do indivíduo e a manutenção dos seus relacionamentos, por vezes chegando</p><p>a impossibilitá-los em razão das consequências negativas advindas dessa condição</p><p>patológica. Em acréscimo a isso, também é comum que o paciente psicótico tenha uma</p><p>certa dificuldade em encarar a realidade, algo que dificulta ainda mais a sua saúde</p><p>mental e qualidade de vida. Com base nisso, nota-se que dentre os principais sintomas</p><p>dessa doença se destacam:</p><p>• Alucinações;</p><p>• Delírios;</p><p>• Pensamento desorganizado;</p><p>• Agressividade;</p><p>• Comportamento disfuncional;</p><p>• Crenças ilógicas;</p><p>• Percepção de imagens e sons inexistentes, como pessoas ou vozes;</p><p>Psicopatologias</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>Essas qualidades são, por isso, centrais para a compreensão das diferenças que definem</p><p>a neurose e a psicose, assim como outros aspectos já estudados, como as suas principais</p><p>causas e o momento em que costumam se desenvolver no processo de crescimento de</p><p>um determinado indivíduo. Denota-se, com isso, que ambas as condições representam</p><p>um desafio considerável para o paciente em navegar na sua vida de maneira adequada</p><p>e saudável, mas essa interferência costuma acontecer de forma diferenciada entre si.</p><p>As manifestações sintomáticas de delírios e alucinações da psicose, por exemplo, fazem</p><p>com que as consequências negativas da doença se façam mais facilmente observáveis</p><p>em um determinado paciente, não apenas por parte de um profissional do âmbito da</p><p>saúde, como pelas próprias pessoas presentes na vida desse sujeito, dificultando ainda</p><p>mais a sua capacidade de manter boas relações com eles.</p><p>Os principais transtornos mentais neuróticos e psicóticos</p><p>Finalmente, levando em consideração todas as informações evidenciadas no percurso</p><p>dessa unidade letiva, também é possível compreender que a neurose e a psicose</p><p>podem resultar em diferentes tipos de transtornos mentais que, por sua vez, interferem</p><p>negativamente na saúde e qualidade de vida dos pacientes afetados de maneiras</p><p>particulares. Compreender quais são estes e como se manifestam pode, assim, ser de</p><p>grande importância na identificação de alguma dessas condições patológicas durante</p><p>a avaliação do caso de algum paciente. Vejamos, com isso, quais são os principais tipos</p><p>de psicoses:</p><p>• Transtorno de personalidade bipolar: Resulta na alteração rigorosa e extrema do</p><p>humor do paciente, comumente tendo picos de sintomas depressivos e de sintomas</p><p>maníacos de forma alternada;</p><p>• Transtorno de estresse pós-traumático: Ocasionado por consequências de</p><p>situações traumáticas vividas pelo paciente no passado, podendo resultar em</p><p>alucinações e delírios associados à sua lembrança do evento vivido, ainda podendo</p><p>resultar em sintomas da ansiedade decorrentes de situações que atuam como um</p><p>gatilho para o seu trauma;</p><p>• Transtorno esquizofrênico: Se caracteriza como um distúrbio mental que apresenta</p><p>sintomas psicóticos consideráveis, na medida em que faz com que o paciente tenha</p><p>alucinações e delírios ao sentir, observar e ouvir aspectos que não estão presentes no</p><p>seu entorno real, além de interferir nas emoções, pensamentos e comportamentos</p><p>daquele sujeito.</p><p>Psicopatologias</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>Tomando como base isso, é possível analisar que essas condições são fortemente</p><p>caracterizadas pela presença de sintomas que as caracterizam como transtornos</p><p>psicóticos. Em paralelo a isso, também existem outros tipos de patologias que, por sua vez,</p><p>apresentam sintomas característicos da neurose, o que faz com que sejam classificadas</p><p>como transtornos neuróticos e, por decorrência disso, resultam em manifestações</p><p>sintomáticas que se alinham a esse tipo de condição. Nesse sentido, enxerga-se que</p><p>tais doenças também interferem negativamente na vida dos pacientes que as possui,</p><p>apresentando seus aspectos particulares. São elas:</p><p>• Transtorno do estresse pós-traumático: Como já evidenciado anteriormente, esse</p><p>tipo de condição patológica é decorrente de experiências traumáticas vividas por parte</p><p>do paciente e, em decorrência de situações-gatilho, resultam em certas manifestações</p><p>sintomáticas que interferem na sua vida. Dessa forma, esse transtorno pode ser</p><p>caracterizado por sintomas que apresentam caráter psicótico e neurótico, o tornando</p><p>uma condição complexa;</p><p>• Transtorno obsessivo-compulsivo: Resulta em comportamentos de obsessão e</p><p>compulsão por parte do paciente, fazendo com que ele desempenhe determinadas</p><p>respostas ou reações repetitivas</p><p>em decorrência de algum estímulo ou situação-gatilho,</p><p>algo que deve ser tratado por meio da psicoterapia;</p><p>• Transtorno depressivo: Resulta em alterações de humor, fazendo com que o</p><p>paciente se sinta extremamente triste, ainda ocasionando a sua desmotivação para</p><p>cumprir com as atividades rotineiras;</p><p>• Transtorno de ansiedade generalizada: Faz com que o sujeito desempenhe reações</p><p>de ansiedade em decorrência de determinadas situações no seu dia a dia que exigem</p><p>a utilização das suas capacidades sociais, emocionais e comportamentais;</p><p>• Fobia social: Se associa sobretudo à dificuldade do paciente em interagir e conviver</p><p>interpessoalmente, sendo incapaz de se envolver em ciclos sociais com outros sujeitos</p><p>ou performar tarefas cotidianas que demandam a sua interação com outras pessoas,</p><p>sobretudo desconhecidas.</p><p>Dessa maneira, é possível observar que todas essas diferentes condições afetam, dentro</p><p>de seus respectivos níveis e características individuais, na forma como o paciente convive</p><p>em sociedade e cumpre com as suas atividades rotineiras. Por decorrência disso, é</p><p>importante que o seu psicodiagnóstico seja plenamente atingido da forma adequada,</p><p>de modo a fazer com que os métodos de tratamento se alinhem às suas necessidades</p><p>individuais. A partir disso, é possível que o sujeito seja submetido aos procedimentos</p><p>Psicopatologias</p><p>Etiologia das neuroses e psicoses Capítulo 4</p><p>clínicos de psicoterapia, que irão promover a melhoria das suas capacidades e</p><p>saúde mentais, algo que também costuma acontecer em paralelo a um tratamento</p><p>farmacológico adequado.</p><p>Psicopatologias</p><p>Resumindo</p><p>E, com isso, fica concluído o desenvolvimento do quarto e último</p><p>capítulo desse módulo. Deu para compreender todas as informações</p><p>que foram disponibilizadas no corpo desse capítulo? É importante que</p><p>nenhuma dúvida fique no ar e, por isso, resolvemos fazer um breve</p><p>resumo do conteúdo que foi elencado até aqui, que tal? Então vamos</p><p>lá. Primeiramente, foi visto que o processo de investigação da presença</p><p>de transtornos mentais em um determinado paciente considera um</p><p>conjunto de características que permitem que o seu psicodiagnóstico</p><p>seja atingido da maneira correta. Isso, por sua vez, ainda pode levar em</p><p>consideração as características que definem as patologias mentais,</p><p>algo que pode ser feito com o auxílio de ferramentas como o CID-10 e o</p><p>DSM-5. Dessa forma, é possível compreender as diferenças que definem</p><p>a neurose e a psicose que, apesar de serem doenças mentais, possuem</p><p>distinções consideráveis em relação aos seus sintomas, origens e</p><p>intensidades. Com isso, percebe-se que a neurose afeta sobretudo as</p><p>capacidades emocionais e sociais do paciente, se destacando como</p><p>seus principais exemplos os transtornos de ansiedade e depressão. Por</p><p>outro lado, a psicose é marcada por sintomas que interferem na noção</p><p>de realidade do paciente, como a alucinação e o delírio, tendo como</p><p>alguns de seus exemplos os transtornos de estresse pós-traumático,</p><p>obsessivo-compulsivo e bipolar.</p><p>Psicopatologias</p><p>Referências</p><p>ABARCA Psicólogo. Transtornos mentais | CID 10. 2020. Disponível em: https://youtu.be/</p><p>PmBTkoi-xns. Acesso em: 15 de ago. de 2023.</p><p>AMERICAN PSYCHIATRIC ASSOCIATION - APA. Manual diagnóstico e estatístico de transtornos</p><p>mentais: DSM-5. Porto Alegre: Artmed, 2014.</p><p>BRASIL. Conselho Federal de Medicina - CFM. Código de Ética Médica. Resolução nº</p><p>2.217/2018. Brasília, 2018.</p><p>BRASIL. Conselho Federal de Psicologia - CFP. Código de Ética Profissional do Psicólogo.</p><p>Resolução nº 010/2005. Brasília, 2005.</p><p>BRASIL. Lei nº 10.216, de 06 de abril de 2001. Lei da Reforma Psiquiátrica Brasileira. Diário</p><p>Oficial da União, 2001.</p><p>CANAL Vida Mental. Qual a diferença entre neurose e psicose? 2019. Disponível em: https://</p><p>youtu.be/qW0oWVKvfjw. Acesso em: 15 de ago. de 2023.</p><p>FOUCAULT, M. História da Loucura. São Paulo: Perspectivas, 1991.</p><p>FOUCAULT, M. O Nascimento da Clínica. 3 ª ed. Rio de Janeiro: Forense Universitária, 1987.</p><p>LOBOTOMIA, o polêmico procedimento no cérebro que era considerado “mais fácil do que</p><p>tratar uma dor de dente”. BBC News. 2021. Disponível em: https://g1.globo.com/ciencia-</p><p>e-saude/noticia/2021/02/21/lobotomia-o-polemico-procedimento-no-cerebro-que-</p><p>era-considerado-mais-facil-do-que-tratar-uma-dor-de-dente.ghtml. Acesso em: 12</p><p>de ago. de 2023.</p><p>NADJA Cavalcanti. HISTÓRIA DA LOUCURA E REFORMA PSIQUIÁTRICA. 2020. Disponível em:</p><p>https://youtu.be/qPEKm21lahs. Acesso em: 12 de ago. de 2023.</p><p>Psicopatologias Referências</p><p>ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE - OMS. Classificação internacional de doenças: CID-11.</p><p>Genebra: OMS, 2021.</p><p>PALMER, R.E. Hermenêutica. Lisboa: Edições 70; 1999.</p><p>ROMERO, E. O Inquilino do Imaginário: Formas de Alienação e Psicopatologia, São Paulo:</p><p>Lemos Editoral, 1997.</p><p>SAÚDE Mental. Governo Federal, s.d. Disponível em: https://www.gov.br/saude/pt-br/</p><p>assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-mental. Acesso em: 12 de ago. de 2023.</p><p>em sociedade, algo que é essencial para a</p><p>sobrevivência de todas as pessoas. Pensando nisso, é necessário, também, compreender</p><p>as particularidades que definem a saúde mental, vejamos:</p><p>Nesse contexto, é comum que o conceito de saúde mental se faça comumente associado</p><p>a ideia de patologias que afetam a mente, na medida em que a principal atribuição</p><p>dada a esse caráter saudável é a ausência dessas condições patológicas que afetam</p><p>negativamente a saúde das pessoas. É verdadeiro, portanto, que existe sim uma relação</p><p>a ser estabelecida entre esses dois conceitos, tendo em vista que as doenças psicológicas</p><p>interferem negativamente nas capacidades mentais da pessoa afetada, mas ter saúde</p><p>no âmbito mental vai muito além de não ter a presença de alguma dessas patologias,</p><p>envolvendo aspectos mais complexos e consideráveis a serem levados em conta por</p><p>parte do indivíduo responsável por estudar e tratar a mente humana.</p><p>Psicopatologias</p><p>Definição</p><p>MA saúde mental corresponde ao estado de um determinado sujeito</p><p>de ter as suas capacidades psicológicas adequadamente saudáveis,</p><p>fazendo com que este consiga utilizar as suas habilidades sociais,</p><p>emocionais, cognitivas e comportamentais de forma correta, isto é, se</p><p>adequando às situações vivenciadas pelo indivíduo sem se distanciar</p><p>da sua realidade. Por decorrência disso, entende-se que a pessoa que</p><p>possui uma mente saudável é capaz de responder aos estímulos rotineiros</p><p>da maneira correta, tendo reações de emoções e comportamentos que</p><p>se adequam ao contexto em que ela se faz inserida e permitem a sua</p><p>efetiva participação nas atividades desempenhadas ali, sem prejudicar</p><p>a si mesmo ou às demais pessoas inseridas naquele ambiente social,</p><p>profissional ou doméstico.</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>Dessa maneira, ainda se faz preciso levar em consideração que todas as pessoas</p><p>apresentam determinados defeitos que podem resultar em pensamentos ou</p><p>comportamentos que não são completamente adequados para a vivência daquele</p><p>indivíduo, podendo resultar em consequências negativas para ele e para as demais</p><p>pessoas ao seu redor. Ser mentalmente saudável não implica, assim, ser incapaz de</p><p>tomar atitudes erradas que são prejudiciais para diferentes pessoas. Do contrário, o</p><p>ato de errar faz parte da experiência humana de viver, desde que esses erros sejam</p><p>devidamente identificados por parte do sujeito que os comete que, por sua vez, deve</p><p>buscar alternativas viáveis para consertá-lo, bem como assumir a sua responsabilidade</p><p>em vista desse tipo de problema.</p><p>Tomando conhecimento disso, entende-se que a pessoa que possui uma mente saudável</p><p>é capaz de desempenhar diferentes tipos de sentimentos, alguns que se apresentam</p><p>de maneira positiva e prazerosa, enquanto outros podem assumir um caráter mais</p><p>negativo e complicado. Desse modo, ter uma saúde mental adequada não significa</p><p>sentir apenas emoções boas, mas sim ser dotado de nuances e complexidades que</p><p>permitem manifestações emocionais variantes, mas que se adequam às diferentes</p><p>situações vividas por parte daquele indivíduo. Por isso, é comum que o sujeito saudável</p><p>desempenhe os sentimentos de felicidade, tristeza, raiva, prazer e frustração em</p><p>momentos distintos do seu cotidiano, mas de uma forma balanceada e, por decorrência</p><p>disso, saudável.</p><p>Psicopatologias</p><p>Saiba Mais</p><p>Visite o link abaixo e leia ao artigo “Saúde Mental”, publicado pelo portal</p><p>oficial do Governo Federal. Neste, é possível compreender melhor a</p><p>importância da manutenção da qualidade de vida e das habilidades</p><p>mentais das pessoas em sociedade, tendo em vista que esses aspectos</p><p>contribuem não apenas para a sua vivência individual, como também</p><p>para o bem-estar coletivo. Nessa perspectiva, é possível analisar as</p><p>principais políticas públicas destinadas ao tratamento da saúde mental</p><p>dos cidadãos brasileiros. SAÚDE Mental. Governo Federal, s.d. Disponível</p><p>em: https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/</p><p>saude-mental. Acesso em: 12 de ago. de 2023.</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>Em acréscimo a isso, também é importante que os sujeitos que possuem uma saúde</p><p>mental adequada compreendam as formas necessárias para lidar com as situações</p><p>adversas que surgem no decorrer da sua rotina. Nesse sentido, as habilidades de resolver</p><p>problemas e lidar com as dificuldades diárias de uma forma madura e adequada</p><p>também são fortemente associadas ao caráter positivo da sua mente. Isso, por sua vez,</p><p>ainda implica a noção de saber que uma determinada problemática demanda uma</p><p>atenção específica maior para ser plenamente solucionada, enquanto outros problemas</p><p>exigem um trabalho colaborativo entre aquele sujeito e outras pessoas presentes na</p><p>sua rotina.</p><p>FIQUE LIGADO!</p><p>Existem determinadas condições presentes na vida de um indivíduo, portanto, que</p><p>se fazem grandemente resultantes de tais problemas e que, por decorrência disso,</p><p>necessitam que aquele sujeito se utilize das suas capacidades de comunicação,</p><p>resolução de problemas e convivência interpessoal para navegar plenamente de forma</p><p>saudável no seu cotidiano. Por isso, conflitos com outros sujeitos, perturbações durante</p><p>o cumprimento das suas atividades, vivência de traumas ou mudanças consideráveis</p><p>na vida de um sujeito podem, assim, exigir uma atenção específica maior por parte</p><p>daquela pessoa e, dessa forma, fazer com que a sua saúde emocional, cognitiva e</p><p>comportamental seja posta em prática.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 2</p><p>As diferentes manifestações</p><p>emocionais desempenhadas por</p><p>uma pessoa.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>Nesse contexto, é possível compreender que a saúde mental de uma determinada</p><p>pessoa é definida por um conjunto de ações que são tomadas por parte daquele</p><p>indivíduo para assegurar o seu bem-estar individual, mas também está associada a</p><p>ter a consciência e maturidade de encarar situações negativas, tendo em mente que</p><p>experenciar emoções complicadas é parte irrecusável da vida individual, bem como</p><p>da participação em ciclos que exigem a interação e convivência com outras pessoas.</p><p>Por decorrência disso, é importante levar em consideração que as vontades, objetivos,</p><p>desejos, habilidades e pensamentos que são mantidos de forma individual devem se</p><p>fazer alinhados à realidade vivida por aquele sujeito, o que também afeta as demais</p><p>pessoas ao seu redor.</p><p>Dessa forma, é possível compreender que existem determinados aspectos que</p><p>contribuem para definir o sujeito mentalmente saudável, o que leva em consideração o</p><p>conjunto de características presentes, sobretudo, nos seus âmbitos emocional, cognitivo</p><p>e comportamental. Tomar como base essas qualidades centrais podem ser essenciais</p><p>na identificação da saúde mental na vida de um determinado sujeito, tendo em vista</p><p>que, como já discutido anteriormente, esta não depende exclusivamente da ausência</p><p>imediata de alguma condição patológica evidente naquele indivíduo, como também</p><p>outras especificidades mais complexas. Pensando nisso, vejamos a seguir quais são as</p><p>principais dessas qualidades:</p><p>I. Ter uma boa maturidade emocional, levando em consideração que tantos os</p><p>sentimentos positivos quanto os negativos são importantes para a manutenção da sua</p><p>vida, desde que se façam corretamente alinhados às situações enfrentadas por aquele</p><p>sujeito sem prejudicar a sua capacidade de cumprir com obrigações cotidianas, se</p><p>relacionar com outras pessoas e resolver problemas;</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 5</p><p>A saúde mental de um indivíduo</p><p>se associa às suas atitudes</p><p>cotidianas.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>II. Ter um bem-estar individual, o que significa se sentir bem consigo mesmo e, a</p><p>partir disso, ser capaz de identificar os aspectos presentes em sua vida que podem</p><p>ser benéficos na manutenção da sua saúde e qualidade de vida, bem como as</p><p>características que podem ser melhoradas ainda mais visando a permanência desses</p><p>aspectos;</p><p>III. Manter boas relações interpessoais,</p><p>tendo em mente que estas demandam um</p><p>esforço mútuo advindo das duas partes envolvidas, também precisando ter um caráter</p><p>de fato saudável e benéfico para esses sujeitos para que, em decorrência disso, possa</p><p>resultar na facilitação da manutenção das dinâmicas mantidas por eles e da efetivação</p><p>das atividades cotidianas em diferentes âmbitos, o que inclui os contextos domésticos,</p><p>profissionais e outros;</p><p>IV. Ter a capacidade de lidar com as demandas que se fazem presentes na sua rotina,</p><p>tendo em vista que o sujeito que vive em sociedade precisa cumprir com as obrigações</p><p>que surgem nos seus meios doméstico, profissional e/ou acadêmico, ainda tendo uma</p><p>certa responsabilidade em manter a funcionalidade dos seus ciclos familiares e sociais,</p><p>de modo a conseguir manter as relações presentes nestas de maneira adequada e,</p><p>com isso, atender às exigências que surgem no decorrer da sua rotina, sem desgastar</p><p>efetivamente a sua saúde e bem-estar;</p><p>V. Por fim, ter a capacidade de identificar os próprios limites durante a efetivação</p><p>das atividades cotidianas, tomando como base o fato de que nem todo problema que</p><p>surge na sua rotina precisa ser, obrigatoriamente, resolvido de forma independente</p><p>e sem nenhum tipo de ajuda. Por esse motivo, o sujeito que possui uma boa saúde</p><p>psicoemocional consegue apontar os momentos nos quais precisa da ajuda de outras</p><p>pessoas para lidar com as dificuldades cotidianas e, ainda, cumprir com as suas</p><p>respectivas obrigações.</p><p>Tomando conhecimento disso, compreende-se que a ajuda de outros indivíduos</p><p>pode ser buscada não apenas durante o solucionamento de problemas coletivos ou</p><p>outros tipos de situação que afetam a manutenção da vida de mais de um sujeito. Do</p><p>contrário, é importante que a pessoa que busca manter uma boa saúde mental leve em</p><p>consideração que mesmo problemáticas individuais podem demandar uma atenção</p><p>Psicopatologias</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>maior e, ainda, exigir a ajuda de outras pessoas, estejam elas já presentes em sua vida</p><p>rotineira ou não. O ato de recorrer à ajuda externa pode ser, por exemplo, efetivado</p><p>durante a busca por profissionais do ramo da psicologia, que desempenham a função</p><p>de ouvir os problemas enfrentados pelos seus pacientes, ajudando-os a atingir soluções</p><p>viáveis e adequadas para a sua vida.</p><p>O conhecimento psicopatológico e sua evolução ao longo dos anos</p><p>Como evidenciado no percurso desse capítulo, a saúde psicoemocional das pessoas</p><p>é de indubitável importância para que estas mantenham as habilidades necessárias</p><p>para cumprir com as suas atividades cotidianas e manter relacionamentos saudáveis e</p><p>mutualmente adequados com outras pessoas, de modo a beneficiar a sua rotina e não</p><p>a prejudicar proeminentemente. Dessa forma, existem diferentes aspectos que definem</p><p>o caráter saudável da mente de uma pessoa, sendo este comumente associado à sua</p><p>capacidade de desempenhar respostas emocionais e comportamentais que se alinhem</p><p>com a situação vivida por si, isto é, sem se desconectar com aquela realidade vigente.</p><p>Isso implica dizer, portanto, que o sujeito deve desempenhar reações que condizem</p><p>com aquilo que ele enfrenta, o que não significa apenas ter sentimentos positivos ou</p><p>comportamentos otimistas, mas sim conseguir encarar a realidade e, a partir disso, ter</p><p>atitudes que contribuem efetivamente para a manutenção da sua qualidade de vida.</p><p>Nota-se, dessa maneira, que em determinadas ocasiões isso pode ser atingido ao se</p><p>permitir ter manifestações de sentimentos negativos, como a tristeza e a raiva, desde</p><p>que em um nível compatível com aquele evento experenciado e no período adequado,</p><p>de modo a não fazer com que essas emoções ocupem toda a sua rotina e o impeça de</p><p>cumprir com as suas tarefas ou engajar de forma correta com as pessoas ao seu redor.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 6</p><p>Desempenhar reações</p><p>emocionais adequadas é um</p><p>sinal de boa saúde mental.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>Isso implica dizer, portanto, que o sujeito deve desempenhar reações que condizem</p><p>com aquilo que ele enfrenta, o que não significa apenas ter sentimentos positivos ou</p><p>comportamentos otimistas, mas sim conseguir encarar a realidade e, a partir disso, ter</p><p>atitudes que contribuem efetivamente para a manutenção da sua qualidade de vida.</p><p>Nota-se, dessa maneira, que em determinadas ocasiões isso pode ser atingido ao se</p><p>permitir ter manifestações de sentimentos negativos, como a tristeza e a raiva, desde</p><p>que em um nível compatível com aquele evento experenciado e no período adequado,</p><p>de modo a não fazer com que essas emoções ocupem toda a sua rotina e o impeça de</p><p>cumprir com as suas tarefas ou engajar de forma correta com as pessoas ao seu redor.</p><p>Por decorrência disso, é comum que a falta de saúde mental se faça intrinsecamente</p><p>relacionada à presença de psicopatologias, mesmo por parte do entendimento</p><p>da psicologia de senso comum que, por sua vez, não apresenta necessariamente</p><p>fundamentos científicos bem aprofundado ou se dá por intermédio de metodologias</p><p>empíricas, mas ainda assim contribui para a compreensão da população a respeito da</p><p>sua própria mente. É em tal contexto, portanto, que surge a noção de loucura como uma</p><p>direta manifestação da ausência de saúde psicológica em um determinado indivíduo,</p><p>ainda denotando, inerentemente, a presença de condições patológicas que afetam a</p><p>sua mente e as funções desempenhadas por esse elemento humano. Vejamos:</p><p>Psicopatologias</p><p>Definição</p><p>A loucura pode ser caracterizada como um fenômeno psicossociais que</p><p>afeta as pessoas e é identificada pelos demais indivíduos desde períodos</p><p>históricos antigos. Dessa maneira, se faz comumente associada ao ato</p><p>de um dado sujeito de deixar de exercer controle sobre as suas próprias</p><p>emoções, resultando em disfuncionalidades no seu pensamento e, ainda</p><p>mais evidentemente, nos seus comportamentos. Por esse motivo, a ideia</p><p>de loucura acompanhou o homem durante os diferentes momentos</p><p>que marcaram a sua trajetória histórica, tendo interpretações distintas</p><p>no decorrer de cada período, o que contribui para representar a forma</p><p>como as psicopatologias foram identificadas e encaradas durante estes</p><p>por parte da população humana.</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>Dessa forma, compreende-se que um dos principais aspectos que contribuíram para</p><p>a identificação das psicopatologias no decorrer da história da humanidade foi a</p><p>mudança de comportamentos de determinados indivíduo que, em decorrência disso,</p><p>geraram uma estranheza por parte dos outros sujeitos ao seu redor, na medida em que</p><p>se definiram como atípicos para ele mesmo e para as estruturas sociais nas quais se</p><p>fez inserido. A partir disso, surge a ideia de uma pessoa “louca”, o que indica nada mais</p><p>do que a presença de distorções de pensamentos de modo a interferir diretamente</p><p>no seu comportamento e a sua forma de lidar com os demais, afetando suas relações</p><p>interpessoais, e consigo mesmo, ainda tendo influência na forma como ele reconhece a</p><p>sua própria autoidentidade e encara as suas especificidades individuais.</p><p>O filósofo francês Michel Foucault ainda evidenciou, em seu trabalho História da Loucura,</p><p>que a loucura é um aspecto exclusivo do homem, na medida em que é definido por</p><p>características que só podem ser devidamente observadas no ser-humano e, por</p><p>decorrência disso, define esse tipo de aspecto como uma experiência humana. É</p><p>possível, assim, que outras espécies animais também apresentem uma variação de</p><p>comportamento, mas é apenas o homem que desempenha as ações de fato associadas</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 7</p><p>As manifestações</p><p>sintomáticas emocionais</p><p>que definem as</p><p>psicopatologias como</p><p>um fenômeno humano.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor</p><p>(2023).</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>à loucura, como o questionamento acerca de si mesmo e a manifestação sintomática</p><p>emocional de ódio, culpa, arrependimento, vazio e inconformismo de forma disfuncional</p><p>(FOUCAULT, 1991). São esses</p><p>aspectos que definem, portanto, a psicopatologia, na medida</p><p>em que evidenciam o sofrimento psíquico que só pode ser desempenhado por parte de</p><p>uma pessoa com esse tipo de condição.</p><p>Tomando como base isso, é importante levar em consideração que as diferentes etapas</p><p>da história da humanidade tiveram, portanto, as suas formas particulares de encarar as</p><p>patologias mentais, tomando como base as especificidades socioculturais, políticas e</p><p>científicas desses respectivos momentos. Um evidente exemplo disso é, assim, o fato</p><p>de que a era medieval encarou a loucura como um castigo divino ou, ainda, uma</p><p>possessão demoníaca cuja solução era atingida por meio da fé, das orações e da busca</p><p>por perdão pelos seus pecados. Isso é diretamente consequência do domínio que a</p><p>Igreja Católica exerceu, hegemonicamente, na sociedade ocidental desse período, não</p><p>apenas no âmbito religioso, como também de cultura, costumes, políticas e mesmo</p><p>organização social.</p><p>Por outro lado, no percurso da Idade Moderna, a sociedade e os estudiosos passam a</p><p>encarar as psicopatologias com uma visão distinta e particular, fortemente influente</p><p>para a forma como serão encaradas até os dias contemporâneos. Aqui, a religião cristã</p><p>perde a sua hegemonia sob o pensamento popular e, principalmente, racional, na</p><p>medida em que a revisitação de valores greco-romanos da antiguidade fazem com que</p><p>surja e se mantenha a valorização pela razão, pelos métodos de observação empírica e,</p><p>eventualmente, pelo conhecimento científico em si. Por consequência disso, considera-</p><p>se que o sujeito que tem os seus aspectos mentais afetados por uma determinada</p><p>condição patológica, e, em razão disso, considerados loucos, são caracterizados não</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 8</p><p>A loucura foi vista como um castigo</p><p>divino durante a Idade Média.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>pela possessão de um demônio, mas sim pela perda da sua razão. Isso evidencia,</p><p>portanto, a relevância que esse conceito teve nas organizações sociais de tal período</p><p>histórico.</p><p>Posteriormente a isso, com o avanço dos estudos médicos, o que antes era determinado</p><p>como uma condição mental de loucura passa, assim, a ser evidentemente considerado</p><p>como uma psicopatologia, o que se fez resultante de uma noção médico-psiquiátrica</p><p>que permanece até a idade contemporânea, definindo as pesquisas e aplicação de</p><p>métodos que buscam compreender as diferentes doenças que afetam as capacidades</p><p>psicológicas do homem e como estas podem se manifestar. Nesse contexto, Foucault</p><p>(1987) apontou que a medicina, como um campo do conhecimento surgido no período</p><p>moderno, foi iniciada por meio do estudo de casos, levando em consideração sobretudo</p><p>as manifestações sintomáticas dos pacientes e os sinais da doença neles, de modo a</p><p>conseguir descrevê-las e, assim, formar o seu quadro.</p><p>Por decorrência disso, os estudos médicos, pautados sobretudo na observação de</p><p>indivíduos com condições que afetavam o seu bem-estar físico ou mental, foram</p><p>indispensáveis para o processo de caracterização e classificação das diferentes</p><p>condições patológicas que podem afetar o sujeito humano. Isso ainda se fez possível,</p><p>de princípio, por meio de medidas empíricas, mas passou a assumir um caráter mais</p><p>experimental e científico no decorrer da evolução dos seus métodos e técnicas. É com</p><p>base nisso, então, que, no decorrer do século XIX, o âmbito da clínica é solidificado nos</p><p>contextos modernos como uma forma de compreender as patologias humanas e as</p><p>suas principais particularidades, ainda desenvolvendo métodos de lidar com elas.</p><p>É importante considerar, no entanto, que essas ideias e medidas de tratamento não</p><p>foram necessariamente adequadas às demandas dos pacientes com alguma</p><p>condição psicopatológica, na medida em que, de início, se fizeram sobretudo por meio</p><p>da internação do paciente, o que ainda levou a práticas de contenção violentas, como</p><p>o ato de acorrentar esses indivíduos e tratamentos mais agravantes de banhos frios,</p><p>lobotomia ou choques elétricos e insulínicos. Em acréscimo a isso, também se fez possível</p><p>a utilização de medicamentos de forma exagerada e descontrolada, sendo estes</p><p>hábitos que dominaram o ramo médico-psicológico por grande parte dos séculos XIX e</p><p>XX. Apesar disso, esse período da história foi responsável pela solidificação da medicina</p><p>Psicopatologias</p><p>Critérios da Saúde e Patologia Mental Capítulo 1</p><p>como não apenas um campo de aplicação de técnicas, mas também de estudo, tendo</p><p>a sua própria práxis e metodologia científica de construção do conhecimento.</p><p>Psicopatologias</p><p>Resumindo</p><p>Tendo em vista o conteúdo abordado até aqui, fica possível concluir</p><p>o desenvolvimento do primeiro capítulo desse módulo. Deu para</p><p>compreender as informações dispostas até aqui? Para garantir,</p><p>reservamos esse momento para resumir tudo o que foi posto no decorrer</p><p>desse capítulo, vamos lá? Primeiramente, foi evidenciado que a saúde</p><p>mental é um aspecto central da vivência humana, tendo em vista que</p><p>determina a manutenção e utilização plena das suas capacidades</p><p>mentais que, por sua vez, podem se estender aos âmbitos cognitivos,</p><p>comportamentais, emocionais e sociais. Sendo assim, o sujeito que</p><p>apresenta uma boa saúde mental não é, necessariamente, aquele que</p><p>permanece feliz a todo momento no decorrer da sua rotina, mas sim o</p><p>indivíduo que desempenha emoções, pensamentos e comportamentos</p><p>que se fazem adequados às situações vividas por ele mesmo, ainda</p><p>sendo capaz de manter boas relações interpessoais. Com isso, foi visto</p><p>que o saber psicopatológico evoluiu ao longo dos anos, buscando</p><p>compreender as diferentes condições que afetam o funcionamento</p><p>da mente do homem, o que resultou em interpretações distintas em</p><p>cada período da história até atingir os estudos clínicos contemporâneos</p><p>que buscam entender plenamente essas patologias, desenvolvendo</p><p>tratamentos adequados para os pacientes afetados.</p><p>2</p><p>Ética e Psicopatologia</p><p>Psicopatologias Capítulo 2</p><p>Ética e psicopatologia</p><p>Objetivos</p><p>Durante a leitura desse capítulo, você irá compreender como o</p><p>atendimento clínico psiquiátrico pode ser efetivado por intermédio</p><p>de diferentes elementos indispensáveis para a sua efetivação, o que</p><p>inclui a ética profissional. Adicionalmente a isso, serão evidenciadas</p><p>as características que definem o exame psíquico e as capacidades</p><p>avaliadas neste.</p><p>As práticas de tratamento psicopatológico no decorrer dos anos</p><p>Anteriormente nesse módulo, foi compreendido que a saúde psicológica das pessoas</p><p>é um elemento importante da sua vida cotidiana, na medida em que permite a plena</p><p>efetivação das suas atividades cotidianas, que se estendem desde aspectos da sua</p><p>rotina doméstica, profissional, acadêmica e social. Em acréscimo a isso, também é</p><p>perceptível que manter as suas capacidades mentais de maneira adequada e saudável</p><p>é essencial para estabelecer relacionamentos interpessoais de qualidade, na medida</p><p>em que estes são indispensáveis para a convivência em sociedade e, por isso, devem</p><p>ser buscadas por parte dos sujeitos que buscam se inserir nos ciclos sociais presentes</p><p>em seu dia a dia como elementos irrecusáveis para a manutenção das suas obrigações.</p><p>F I G U R A 9</p><p>A manutenção das capacidades</p><p>mentais de um indivíduo contribui</p><p>para os seus relacionamentos.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>Por decorrência disso, é comum que a falta de saúde mental em um determinado</p><p>sujeito se faça grandemente relacionada, ainda, a presença de condições patológicas</p><p>que afetam negativamente as suas capacidades emocionais, comportamentais e</p><p>cognitivas, interferindo na forma como aquele sujeito pensa e, a partir disso, cumpre com</p><p>as suas atitudes no decorrer da sua vida diária. Sendo assim, compreender o que define</p><p>as patologias mentais, suas causas e como elas se fazem manifestadas nas pessoas foi</p><p>de grande importância para o desenvolvimento de métodos que contribuíram para o</p><p>tratamento dessas doenças, buscando melhorar a vida daquele paciente, diminuindo</p><p>a</p><p>intensidade ou presença dos sintomas e beneficiando, também, os demais sujeitos ao</p><p>seu redor.</p><p>É importante levar em consideração, no entanto, que o conhecimento psicopatológico</p><p>ainda passou por consideráveis alterações no decorrer dos anos, assumindo novos</p><p>métodos que, até alcançar a contemporaneidade, ocasionaram em diferentes tipos</p><p>de medidas de lidar com os sujeitos com alguma doença que afeta a sua mente,</p><p>bem como de compreender as patologias em si. Nos tempos medievais, por exemplo,</p><p>o caráter atípico da mente de um determinado indivíduo era classificado como uma</p><p>loucura decorrente de possessão demoníaca, algo que iria mudar com o domínio</p><p>da racionalidade no decorrer da modernidade, que aproximaria o ocidente aos</p><p>valores antigos das sociedades gregas e romanas. Aqui, a loucura era decorrente da</p><p>ausência de razão em um determinado sujeito, fazendo com que o seu pensamento e</p><p>comportamentos assumissem um caráter prejudicial para si e para os outros.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 0</p><p>As capacidades mentais que</p><p>sofrem interferência das condições</p><p>psicopatológicas.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>Tomando conhecimento disso, é possível compreender que a forma como as</p><p>psicopatologias foram encaradas no decorrer dos anos é uma representação direta</p><p>da organização social, cultural e política dominante em cada momento, ainda sendo</p><p>diretamente influenciada pelos avanços do conhecimento que, assim, passou por</p><p>caracterizações religiosas, racionais e, eventualmente, científicas. Como já estudado no</p><p>percurso desse módulo, portanto, o surgimento da ciência, que preza não apenas pela</p><p>observação empírica, como também pelos experimentos como forma de formar o saber,</p><p>surge o entendimento de que a loucura é, de fato, resultante de diferentes condições</p><p>patológicas que afetam negativamente o bem-estar e saúde da mente das pessoas.</p><p>A partir desse contexto, criam-se as oportunidades de efetivo entendimento das diferentes</p><p>doenças que afetam o homem, na medida em que o campo da medicina se desenvolve</p><p>como uma forma não apenas de aplicar métodos de tratamento, como também por</p><p>meio de medidas de estudo científico que buscam, por sua vez, compreender o que</p><p>caracteriza as doenças e como estas podem se manifestar em cada paciente. Nesse</p><p>sentido, as psicopatologias passam a ser compreendidas como tal, onde os pacientes</p><p>que apresentam esse tipo de condição são submetidos a estudos que têm por finalidade</p><p>entender tal doença, bem como métodos diversos de tratamentos que visam promover</p><p>a sua melhoria.</p><p>Psicopatologias</p><p>Saiba Mais</p><p>Acesse o link disponibilizado a seguir para assistir ao vídeo “HISTÓRIA</p><p>DA LOUCURA E REFORMA PSIQUIÁTRICA”, publicado pelo canal Nadja</p><p>Cavalcanti no ano de 2020. Através deste, é possível compreender, de</p><p>maneira resumida, alguma das principais informações a respeito do</p><p>processo de evolução do conhecimento psicopatológico, levando em</p><p>consideração que este passou por mudanças consideráveis no decorrer</p><p>da história da humanidade.</p><p>NADJA Cavalcanti. HISTÓRIA DA LOUCURA E REFORMA PSIQUIÁTRICA. 2020.</p><p>Disponível em: https://youtu.be/qPEKm21lahs. Acesso em: 12 de ago. de</p><p>2023.</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>Tais métodos de tratamento foram, no entanto, iniciadas por meio de medidas violentas</p><p>que nem sempre levavam em consideração o mantimento do bem-estar do paciente</p><p>durante e após a sua aplicação. Dessa forma, banhos com água em temperatura muito</p><p>baixa ou muito elevada eram formas comuns de tentar acalmar os pacientes com</p><p>psicopatologias durante episódios que causavam uma manifestação comportamental</p><p>disfuncional. Para atingir objetivos mais definitivos e duradouros, também existiam as</p><p>práticas de tratamento por meio de choque ou mesmo a lobotomia que, por sua vez,</p><p>tinham a finalidade de controlar aqueles sujeitos de forma permanente, aplicando-as</p><p>de modo a alterar as características neuropsicológicas do paciente e, assim, fazer com</p><p>que o seu comportamento errático e as demais manifestações sintomáticas da doença</p><p>se tornassem contidos.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 1</p><p>Os aspectos de um determinado período</p><p>que influenciam no desenvolvimento dos</p><p>conhecimentos psicopatológicos.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Acesse</p><p>Através do link abaixo, leia à matéria “Lobotomia, o polêmico procedimento</p><p>no cérebro que era considerado ‘mais fácil do que tratar uma dor de</p><p>dente’”, publicada pela BBC News no portal G1. Por meio desta, se faz</p><p>possível analisar os processos que definiram essa técnica de tratamento</p><p>psiquiátrico desempenhado no percurso dos séculos XIX e XX, destacando</p><p>os seus perigos para a manutenção da ética profissional clínica e saúde</p><p>do paciente.</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>Com o passar dos anos, portanto, foi possível assegurar a elaboração de diferentes</p><p>técnicas de tratamentos para indivíduos com condições psicopatológicas que se</p><p>demonstrassem mais adequadas para a doença específica que eles possuíam,</p><p>sem danificar ainda a sua qualidade de vida. A intenção foi, assim, unir as técnicas</p><p>psicoterapêuticas com medidas de humanização desses pacientes, levando em</p><p>consideração que eles também precisam usufruir dos mesmos direitos que os demais</p><p>sujeitos inseridos na vida em sociedade, o que inclui não sacrificar o seu bem-estar</p><p>em razão da patologia que ele possui, mesmo que esta represente desafios a serem</p><p>superados por ele mesmo e pelas outras pessoas presentes em sua vida.</p><p>Sendo assim, mesmo na contemporaneidade alguns elementos dos primeiros tratamentos</p><p>psiquiátricos, desenvolvidos no percurso dos séculos XIX e XX, foram preservados, mas</p><p>adaptados para diminuir os riscos à saúde e à própria vida do paciente, bem como</p><p>eliminar a violência anteriormente utilizada nos processos terapêuticos. Para tanto, se</p><p>fez preciso levar em consideração o conceito de ética, aplicando-o aos procedimentos</p><p>desempenhados no âmbito da medicina psiquiátrica, tendo em vista a relevância deste</p><p>para a fomentação desses métodos e técnicas de modo a preservar, plenamente,</p><p>a segurança do indivíduo em processo de tratamento e, a partir disso, garantir não</p><p>apenas o mantimento da sua qualidade de vida, como também a superação das suas</p><p>dificuldades de forma saudável e adequada.</p><p>A inserção da ética nos procedimentos de tratamento das psicopatologias</p><p>Como já evidenciado pelas discussões mantidas anteriormente, a ética é um elemento</p><p>que se fez presente nos meios dos tratamentos psicológicos, sobretudo como uma</p><p>forma de promover procedimentos clínicos que pautassem na humanização dos</p><p>pacientes, sem afetar negativamente o seu bem-estar e a sua saúde. A principal função</p><p>Psicopatologias</p><p>LOBOTOMIA, o polêmico procedimento no cérebro que era considerado</p><p>“mais fácil do que tratar uma dor de dente”. BBC News. 2021. Disponível em:</p><p>https://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2021/02/21/lobotomia-</p><p>o-polemico-procedimento-no-cerebro-que-era-considerado-mais-</p><p>facil-do-que-tratar-uma-dor-de-dente.ghtml. Acesso em: 12 de ago. de</p><p>2023.</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>dos diferentes campos da medicina, bem como de outros setores que compreendem a</p><p>influência das doenças nas pessoas é, afinal, promover a sua qualidade de vida, algo que</p><p>não pode ser alcançado sem levar em consideração os impactos que os tratamentos</p><p>aplicados naqueles sujeitos podem ter para as suas respectivas vidas.</p><p>Em decorrência disso, entende-se que a ética é solidificada por meio de um conjunto</p><p>de normas que têm por finalidade definir que tipos de comportamentos podem ser</p><p>tomados por parte das pessoas inseridas em um determinado grupo, seja este social,</p><p>profissional, doméstico ou outro, de modo a garantir que as suas ações não irão contra</p><p>as regras de moralidade estabelecidas para o bom funcionamento daquele contexto.</p><p>Dessa maneira, é possível compreender, de maneira suscinta, que as medidas de</p><p>respeito mútuo e garantia da execução dos direitos de todas as pessoas inseridas em</p><p>um determinado ambiente são, portanto,</p><p>o que contribuem para a implementação da</p><p>ética naquele local, algo que pode ser estendido para os meios clínicos, visando manter</p><p>a qualidade de vida dos profissionais inseridos nestes e, também, dos seus pacientes.</p><p>Existem, portanto, documentos e leis que contribuem para a organização das atividades</p><p>clínicas e médicas no território brasileiro, bem como dos tratamentos voltados para a</p><p>manutenção da saúde mental das pessoas e a melhoria do seu quadro mediante o</p><p>diagnóstico de alguma psicopatologia. A intenção é, assim, regulamentar a atuação</p><p>dos profissionais desse ramo, visando garantir que os seus direitos de trabalho sejam</p><p>devidamente cumpridos, assim como assegurar que os procedimentos que acontecem</p><p>nesses meios se façam devidamente benéficos para todas as partes envolvidas, o que</p><p>inclui o próprio paciente, cujo bem-estar não pode ser desconsiderado no decorrer do</p><p>seu tratamento terapêutico e psiquiátrico.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 2</p><p>Os campos da medicina clínica buscam</p><p>a promoção da qualidade de vida das</p><p>pessoas.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>FIQUE LIGADO!</p><p>É importante considerar, em vista disso, que a Reforma Psiquiátrica Brasileira foi um</p><p>movimento de indisputável relevância para as mudanças tomadas no âmbito dos</p><p>tratamentos voltados para a manutenção da saúde mental das pessoas, sobretudo</p><p>a partir do início do século XXI. Foi a partir deste, portanto, que práticas médicas como</p><p>a internação antiética dos pacientes de forma forçada e o uso de medidas violentas</p><p>durante o seu tratamento, anteriormente normalizadas, passaram a ser proibidas, ainda</p><p>sendo substituídas por práticas que asseguram a plena assistência dos indivíduos</p><p>com alguma condição patológica que afeta negativamente a sua mente e as suas</p><p>diferentes capacidades mentais. Por isso, nota-se que a plena implementação da ética</p><p>nos processos clínicos desse âmbito de atuação pode ser considerada recente, mas é</p><p>eficaz na redução de atitudes danosas para os sujeitos em condição de vulnerabilidade</p><p>em razão da sua condição de saúde psicológica.</p><p>Em acréscimo a isso, a Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) também foi uma ferramenta</p><p>indispensável para a manutenção do bem-estar dos indivíduos com transtornos</p><p>psiquiátricos, na medida em que teve por finalidade principal implementar o conceito</p><p>de atenção psicossocial nos serviços voltados para o atendimento desses indivíduos.</p><p>Sendo assim, a RAPS prevê a integração de valores de atenção voltada para a saúde,</p><p>as habilidades psicossociais especializadas do paciente, a urgência ou emergência do</p><p>seu caso, o caráter.</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 2</p><p>As diferentes qualidades das</p><p>dinâmicas médico-clínicas que</p><p>são beneficiadas pela ética.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>transitório, as dinâmicas e especificidades hospitalares e as estratégias a serem</p><p>tomadas no processo de reabilitação psicossocial daquele indivíduo em processo de</p><p>tratamento, buscando efetivar a sua desinstitucionalização e inseri-lo, de forma efetiva,</p><p>na vida em sociedade ao levar em consideração as suas demandas particulares e as</p><p>formas adequadas de atender a elas durante o seu dia-a-dia.</p><p>Um outro tipo de instrumento que contribui para a inserção da ética nas atividades</p><p>profissionais desse ramo de atuação são, também, os códigos de ética que, por sua vez,</p><p>desempenham a finalidade de orientar as atividades desempenhadas pelos sujeitos</p><p>que exercem uma determinada profissão, levando em consideração as demandas</p><p>da sua função de trabalho, mas também buscando inserir os valores éticos e morais</p><p>durante a efetivação das suas obrigações nesse meio. Em adição a isso, os códigos</p><p>de ética voltados para as funções de prestação de serviço também têm o objetivo de</p><p>garantir que o sujeito atuante e o seu cliente sejam devidamente protegidos durante</p><p>esse tipo de interação, tendo os seus respectivos direitos respeitados.</p><p>Nessa perspectiva, é possível observar que a Resolução CFP nº 010 de 2005 tem por</p><p>finalidade aprovar o Código de Ética Profissional do Psicólogo (BRASIL, 2005). Por</p><p>decorrência disso, esse documento é de indisputável importância para que os sujeitos</p><p>que atuam nessa área consigam compreender as medidas adequadas a serem</p><p>tomadas por si mesmo no decorrer da efetivação das suas tarefas de trabalho. Em</p><p>acréscimo a isso, ainda evidencia os direitos que podem ser desfrutados por ele, de</p><p>modo a garantir que a sua atuação profissional se faça bem proveitosa para si e, com</p><p>isso, evitar situações que atrapalhem a sua qualidade de vida de forma desnecessária.</p><p>Por outro lado, este e outros códigos de ética profissionais ainda se fazem pautados em</p><p>princípios fundamentais que determinam a sua plena inserção nos meios profissionais</p><p>da maneira adequada. No ramo da psiquiatria, o atuante da área segue o Código de</p><p>Ética Médica, orientado pela Resolução CFM nº 2.217 de 2018.</p><p>Por decorrência disso, o profissional que tem por finalidade promover o tratamento de</p><p>pessoas com condições patológicas que afetam a sua mente deve ter o seu trabalho</p><p>devidamente baseado no respeito mútuo entre as partes envolvidas nesse tipo de</p><p>procedimento, ainda levando em consideração os conceitos de liberdade, dignidade,</p><p>igualdade e integridade que se caracterizam como valores alinhados com as informações</p><p>Psicopatologias</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>estabelecidas pela Declaração Universal dos Direitos Humanos (BRASIL, 2005). Em</p><p>acréscimo a isso, é importante que esse sujeito também tenha a responsabilidade de</p><p>promover a qualidade de vida e a plena saúde dos seus pacientes, levando também</p><p>em consideração os contextos coletivos nos quais ele se faz inserido e como estes são</p><p>impactados pelo seu bem-estar psicológico. Para tanto, é preciso eliminar práticas de</p><p>explorar, negligenciar, violentar, discriminar e oprimir aqueles indivíduos.</p><p>Finalmente, é indispensável que o indivíduo que atua na promoção de atividades que</p><p>garantem o mantimento da saúde mental das pessoas também tenha a responsabilidade</p><p>de continuar a sua aprimoração, mesmo após a conclusão da sua formação de ensino</p><p>superior inicial, tendo em vista que o processo de aprendizagem de técnicas, teorias e</p><p>métodos é contínuo e, por isso, se adequa às novas concepções que vão surgindo no</p><p>decorrer dos anos, bem como às diferentes demandas que podem ser encontradas</p><p>no espaço de tratamento clínico psiquiátrico e terapêutico. Nesse sentido, nota-se que</p><p>o indivíduo atuante nesses ramos deve adequar as suas atitudes à realidade em que</p><p>vive, levando em conta os seus aspectos políticos, econômicos e socioculturais, que</p><p>influenciam diretamente a sua própria vivência e a vida dos seus pacientes.</p><p>O exame psíquico e a sumula psicopatológica</p><p>Tendo compreendida a importância da inserção do conceito e das medidas de ética</p><p>no meio profissional dos tratamentos clínico-psiquiátricos e terapêuticos, se faz possível</p><p>analisar, também, como se dão os principais procedimentos que acontecem nesse</p><p>meio, tendo por finalidade apontar as características específicas da mente humana,</p><p>ainda sendo capaz de entender as principais patologias que podem afetá-las e as suas</p><p>manifestações sintomáticas. Nesse contexto, para que o tratamento dos pacientes com</p><p>transtornos psiquiátricos se faça devidamente efetivado, é necessário, inicialmente,</p><p>cumprir com o exame psíquico que, em decorrência disso, tem a finalidade de evidenciar</p><p>os aspectos particulares da sua mente e, assim, demonstrar as demandas daquele</p><p>indivíduo.</p><p>Para tanto, é necessário que aconteça um primeiro contato adequado entre o profissional</p><p>do ramo e aquele paciente, na medida em que este último tem a finalidade de descrever</p><p>o seu caso para que o primeiro compreenda efetivamente as suas qualidades e</p><p>Psicopatologias</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>problemas, podendo assim promover o exame psíquico da forma adequada. Leva-se</p><p>em consideração que boa parte dos pacientes desse meio não possuem, no entanto,</p><p>um conhecimento</p><p>clínico aprofundado e, por decorrência disso, necessitam de uma</p><p>orientação adequada para efetivar tal ação, comumente por meio de termos simples</p><p>e fundamentados na sua vivência cotidiana, o que oferece ao profissional o contexto</p><p>adequado para construir a narrativa do seu caso.</p><p>Também é importante que, tendo descrito efetivamente o seu problema e detalhado a</p><p>história da patologia que possui, mesmo que ainda não saiba assertivamente da qual</p><p>se trata, o paciente relate algumas informações sobre a sua vida pessoal. Estas, por</p><p>sua vez, serão de suma importância para que o psiquiatra consiga entender melhor</p><p>as origens do seu problema, tendo em vista que diversas condições transtornais que</p><p>afetam a mente humana estão enraizadas em experiências que são tidas no passado,</p><p>incluindo o processo de desenvolvimento do indivíduo durante a sua idade infantil e</p><p>adolescente.</p><p>Isso não significa dizer, porém, que não existem transtornos consequentes de problemas</p><p>enfrentados na vida adulta, mas sim que uma investigação efetiva deve ser feita durante</p><p>os procedimentos clínicos para averiguar tais possibilidades. Também é importante</p><p>averiguar o histórico médico daquele paciente, buscando entender se os sintomas da</p><p>Psicopatologias</p><p>Importante</p><p>Sendo assim, é feita uma coleta inicial das principais informações do</p><p>sujeito em consulta, o que inclui aspectos como a sua idade, sexo,</p><p>situação civil, função de trabalho, escolaridade e local onde nasceu e</p><p>mora na atualidade. Posteriormente a isso, é elencado o motivo pelo</p><p>qual ele está sendo atendido por um atuante do ramo da psiquiatria,</p><p>sendo este comumente resultante de um encaminhamento de outra</p><p>unidade clínica no âmbito da saúde. A partir disso, é possível que aquele</p><p>paciente descreva a sua queixa principal e, através do diálogo com o</p><p>profissional, passe a descrever a história da doença atual, detalhando</p><p>aspectos como a sua origem, os seus principais sintomas e como esta</p><p>afeta negativamente a sua vida.</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>sua condição patológica já se fizeram manifestados anteriormente à consulta que o</p><p>levou ao ambiente clínico psiquiátrico. Em adição a isso, ainda é de indiscutível relevância</p><p>que o profissional efetive uma investigação do histórico familiar do indivíduo, tendo em</p><p>vista que o seu transtorno mental pode ser decorrente de questões hereditárias que, por</p><p>isso, foram herdados das suas gerações passadas. Essa coleta de dados e informações</p><p>é, assim, comumente feita pela conversação com o próprio paciente, mas em casos</p><p>específicos dialogar com outras pessoas próximas dele também pode ser importante</p><p>para uma avaliação mais assertiva.</p><p>O exame psíquico é, portanto, uma etapa que sucede essa investigação inicial e avaliação</p><p>do caso daquele paciente, tendo a finalidade de promover uma maior assertividade na</p><p>compreensão das suas capacidades psicológicas que, por sua vez, envolvem diferentes</p><p>âmbitos da sua mente que são testadas para que o psiquiatra obtenha um panorama</p><p>mais específico a respeito do sujeito em consulta. Com base nisso, existem diferentes</p><p>particularidades que são levadas em consideração durante esse processo, tais como</p><p>a orientação, a variação de humor, as capacidades afetivas e de memorização, os</p><p>pensamentos, a percepção sensorial, a apresentação e consciência, o pragmatismo,</p><p>o senso crítico e a volição do paciente. Vejamos melhor como acontece a avaliação</p><p>dessas qualidades:</p><p>• Orientação: Leva em conta a capacidade do sujeito de se orientar por meio da</p><p>identificação de aspectos importantes do seu entorno e de si mesmo. Por decorrência</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 4</p><p>As principais qualidades do</p><p>paciente avaliadas durante o seu</p><p>exame psíquico.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>disso, se divide entre a orientação alopsíquica, que avalia o modo como aquele paciente</p><p>identifica o espaço em que se situa ou esteve no passado e o tempo, e a orientação</p><p>autopsíquica, que demonstra a forma como o sujeito identifica a si mesmo, incluindo</p><p>as suas principais características, como nome, idade, função de trabalho, dentre outras;</p><p>• Humor: Representa a forma como aquele paciente mantém a sua forma de pensar,</p><p>se comportar e desempenhar os seus desejos de um modo geral, ainda levando em</p><p>consideração as suas variações emocionais, de modo a averiguar se existe um aspecto</p><p>de humor predominante naquele momento da sua vida. Por decorrência disso, existe</p><p>um espectro no qual o humor do paciente pode ser classificado como eutimia (humor</p><p>normal), hipotimia (humor depressivo) e hipertimia (humor eufórico);</p><p>• Afeto: Busca avaliar as manifestações emocionais do paciente através da sua</p><p>fala a respeito das especificidades ao seu redor. Por decorrência disso, segue diferentes</p><p>critérios que buscam compreender a congruência da forma como ele expressa os seus</p><p>sentimentos, como acontece a oscilação das suas emoções e em que intensidade está</p><p>se dá e, ainda, a ressonância que define a forma como ele reage, emocionalmente, aos</p><p>estímulos externos impostos sobre ele;</p><p>• Memória: É analisada por meio de testes como o Mini Exame de Estado Mental</p><p>(MEEM) que tem uma duração curta, levando cerca de dez minutos para ser efetivado,</p><p>e serve para avaliar as capacidades cognitivas e funções executivas daquele paciente.</p><p>A partir disso, é possível compreender as memórias imediata, remota e de evocação</p><p>daquele sujeito, tomando como base o seu resultado nesse exame;</p><p>• Pensamentos: É avaliado em três principais critérios, sendo de um considerável grau</p><p>de complexidade durante o processo de exame, na medida em que busca compreender</p><p>a velocidade do pensamento do paciente, a forma como eles se conecta através da</p><p>sua fala e o quais são os seus conteúdos, buscando observar alguma possível disfunção</p><p>nesse processo;</p><p>• Percepção sensorial: Avalia os cinco sentidos do paciente, buscando averiguar</p><p>alguma possível alteração ou algum comprometimento no funcionamento do seu</p><p>sistema sensório;</p><p>Psicopatologias</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2</p><p>• Consciência: É dividida em dois principais critérios que contribuem para o</p><p>entendimento da consciência no paciente, sendo um eixo vertical, onde avalia-se o</p><p>seu estado neurológico em si, e um eixo horizontal, que tem por finalidade promover a</p><p>compreensão da sua vivência individual;</p><p>• Pragmatismo: Corresponde a forma como o paciente busca desempenhar os</p><p>objetivos traçados por ele mesmo para a sua vida, o que evidencia a sua capacidade</p><p>de construir projetos realistas, ainda levando em conta os caminhos adequados para</p><p>cumprir com eles;</p><p>• Crítica: Nesse contexto, é avaliado o senso crítico que o paciente apresenta a</p><p>respeito da sua própria condição psicológica, demonstrando o seu autoconhecimento</p><p>sobre as especificidades da sua mente e o estado da sua saúde mental;</p><p>• Volição: É medida através dos objetivos que são traçados pelo paciente para a</p><p>sua própria vida, o que ainda serve para evidenciar a sua vontade de viver. Por isso, pode</p><p>ter uma volição normal, hiperbulia ou hipobulia a depender das suas especificidades e</p><p>condição patológica.</p><p>Em acréscimo a isso, também é comum que o profissional responsável pela efetivação</p><p>do exame psíquico de um determinado paciente leve em consideração a forma como</p><p>aquele sujeito se apresenta na consulta. Em razão disso, observa aspectos como a</p><p>vestimenta daquele sujeito, a sua higiene pessoal, a situação do seu cabelo e unhas, se</p><p>ele usou maquiagem e o quanto, dentre outras informações que são relevantes para o</p><p>entendimento da sua apresentação e autoimagem. A partir disso, é possível construir</p><p>a súmula psicopatológica daquele indivíduo, que tem por função reunir, de maneira</p><p>objetiva, todas as informações encontradas no decorrer do seu exame psíquico.</p><p>Psicopatologias</p><p>Resumindo</p><p>Concluímos, aqui, a leitura desse segundo capítulo. Ficou tudo</p><p>compreendido, né? É de suma importância para a absorção dos seus</p><p>conhecimentos que nenhuma dúvida seja mantida. Por isso, que tal</p><p>resumir tudo o que</p><p>foi visto até aqui e revisar o que foi aprendido?</p><p>Ética e psicopatologia Capítulo 2Psicopatologias</p><p>Então vamos lá! No início do capítulo, foi denotado que o conhecimento</p><p>a respeito das psicopatologias passou por mudanças no decorrer</p><p>dos anos, tendo em vista que inicialmente essas alterações mentais</p><p>eram consideradas como loucura cujas origens atribuídas dependiam</p><p>grandemente das particularidades de cada momento histórico. Sendo</p><p>assim, no percurso da contemporaneidade esse conhecimento assumiu</p><p>um caráter médico, que fez com que mais informações a respeito do</p><p>seu surgimento e formas de tratamento fossem desenvolvidas a partir</p><p>de um olhar clínico, empírico e experimental. Para tanto, também se fez</p><p>necessária a aplicação da ética nesses procedimentos, como forma de</p><p>assegurar o bem-estar de todas as partes envolvidas e o mantimento</p><p>dos seus direitos, algo que se fez possível através da reforma psiquiátrica</p><p>já na contemporaneidade. A partir disso, é possível compreender que os</p><p>procedimentos clínicos psiquiátricos atuais desempenham a função de</p><p>investigar a presença das psicopatologias nos pacientes, algo efetivado</p><p>pelo exame psíquico que avalia as suas diferentes capacidades mentais,</p><p>como memória, afetividade, dentre outras.</p><p>3</p><p>Semiologia das</p><p>psicopatologias</p><p>Psicopatologias Capítulo 3</p><p>Semiologia das</p><p>psicopatologias</p><p>Objetivos</p><p>No percurso desse capítulo, serão estudadas as principais características</p><p>da semiologia aplicada na investigação das condições psicopatológicas.</p><p>Em decorrência disso, também serão entendidas as diferentes vertentes</p><p>que contribuem para os procedimentos desse ramo clínico.</p><p>Os métodos de investigação de psicopatologias em um paciente</p><p>No percurso desse módulo, foi possível compreender algumas das principais</p><p>características de alguns procedimentos que acontecem no meio clínico psiquiátrico</p><p>e que, por decorrência disso, desempenham a finalidade de compreender aquilo</p><p>que define a saúde mental das pessoas. Em acréscimo a isso, tais processos são de</p><p>fundamental importância para o entendimento a respeito das patologias que podem</p><p>interferir negativamente nas capacidades psicoemocionais de um determinado</p><p>indivíduo, de modo a avaliar as suas principais características, as formas de identificar</p><p>a sua presença em um paciente e, eventualmente, as medidas a serem tomadas para</p><p>promover a sua melhoria por intermédio de ações que visam a plena manutenção da</p><p>F I G U R A 1 4</p><p>Existem patologias que podem</p><p>interferir negativamente nas</p><p>capacidades mentais das pessoas.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>É função do profissional do ramo da psiquiatria, afinal, promover a aplicação de métodos,</p><p>técnicas e teorias da forma adequada, sem prejudicar o bem-estar do seu paciente</p><p>durante o tratamento de alguma psicopatologia, ainda respeitando os direitos que são</p><p>assegurados a este e à humanidade como um todo. Nesse sentido, foi visto que a ética</p><p>é de grande importante para o desempenho das atividades desse ramo médico, que</p><p>pode ser beneficiado por diferentes medidas que asseguram a compreensão efetiva</p><p>do sujeito em consulta para que o seu tratamento se faça alinhado às suas demandas</p><p>particulares.</p><p>Tendo compreendido isso, é possível entender que os procedimentos clínicos da</p><p>psiquiatria só podem ser cumpridos mediante um exame psíquico adequado, que serve</p><p>como uma medida avaliativa que busca investigar as principais características das</p><p>capacidades mentais de cada paciente, ainda sendo capaz de fazer uma descrição</p><p>detalhada do seu caso. Para tanto, é necessário que aconteça uma entrevista com</p><p>aquele indivíduo em consulta, coletando as principais informações da sua vida, mas</p><p>ainda focando no seu problema atual de modo a entender a condição patológica que</p><p>ele possui, como ela se faz manifestada no seu cotidiano e que consequências negativas</p><p>apresenta para a manutenção da sua saúde e bem-estar no decorrer do seu dia a dia.</p><p>As especificidades que definem aquele paciente podem ser, assim, de indispensável</p><p>importância para que o profissional da psiquiatria compreenda efetivamente o seu</p><p>problema, ainda podendo investigar a sua origem. Esses aspectos são relevantes, tendo</p><p>em vista que fazem com que o exame psíquico se faça mais assertivo, permitindo que</p><p>o diagnóstico daquele sujeito seja atingido da forma adequada para que, a partir de</p><p>então, os procedimentos que ditarão o seu tratamento sejam devidamente apontados e</p><p>aplicados dentro dos meios clínicos desse ramo de atuação médica, ainda se utilizando</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 5</p><p>O processo de efetivação das</p><p>atividades psiquiátricas iniciais</p><p>desempenhadas no meio clínico.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023)</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>dos valores éticos para fazer com que a sua segurança, bem-estar e qualidade de vida</p><p>sejam de fato priorizados durante a aplicação de métodos que visam a sua melhoria.</p><p>Tendo efetivado os procedimentos iniciais adequados, é possível, então, promover</p><p>o exame psíquico da maneira adequada, o que ainda serve para avaliar diferentes</p><p>especificidades daquele paciente, tendo a finalidade principal de analisar se as suas</p><p>capacidades mentais estão sendo devidamente aproveitadas por ele da melhor forma</p><p>possível. Por esse motivo, características emocionais e comportamentais são observadas</p><p>durante esse teste, comumente por meio de questionários ou da utilização de outras</p><p>ferramentas de apoio que facilitam esse processo. Em acréscimo a isso, as habilidades</p><p>cognitivas e psicossociais daquele paciente também não podem ser desconsideradas</p><p>durante esse processo, tendo em vista que são centrais para a manutenção da sua</p><p>saúde mental e ainda interferem diretamente na capacidade do sujeito de cumprir com</p><p>as suas atividades cotidianas e, ainda, manter boas relações interpessoais.</p><p>Importante</p><p>É imprescindível considerar, com isso, que existem alguns conceitos</p><p>éticos que devem se fazer presentes no decorrer da efetivação dessas</p><p>atividades iniciais do meio clínico-psiquiátrico. Uma dessas qualidades</p><p>é, portanto, a aplicação do sigilo profissional entre o psiquiatra e o seu</p><p>paciente, na medida em que este permite o maior conforto daquele</p><p>indivíduo em consulta durante a coleta dos seus dados e das informações</p><p>relevantes sobre a sua vida pessoal e o seu histórico médico e familiar.</p><p>Nesse sentido, o sigilo profissional implica que o sujeito atuante no ramo</p><p>da psiquiatria não pode divulgar as informações oferecidas pelo seu</p><p>paciente, ao menos que estas indiquem que ele representa um perigo</p><p>ativo para si mesmo ou para as demais pessoas ao seu redor. Isso, por</p><p>sua vez, pode assumir um papel de grande importância no estreitamento</p><p>dos laços entre ambas as partes, o que também facilita que o paciente</p><p>se sinta melhor em evidenciar as suas particularidades.</p><p>Psicopatologias</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>A partir da observação, investigação e averiguação de todos esses diferentes aspectos,</p><p>é possível que seja promovida, então, a construção da súmula psicopatológica daquele</p><p>paciente. Trata-se, afinal, do resumo de todas as suas principais características</p><p>avaliadas no decorrer do exame psíquico, levando em consideração os critérios</p><p>escolhidos durante a avaliação daquele paciente e as categorias nas quais cada uma</p><p>das suas habilidades e especificidades analisadas se encaixam. Por isso, nota-se que</p><p>a súmula é uma representação direta da condição psicopatológica daquele paciente,</p><p>levando em consideração as manifestações da doença em sua mente, ainda sendo</p><p>capaz de apontar se ela afeta as suas diferentes capacidades mentais, como essa</p><p>interferência acontece e em que nível ela se encontra no momento em que o indivíduo</p><p>procura a ajuda profissional adequada. Tudo isso é, assim, de grande importância para</p><p>o estabelecimento dos métodos a serem utilizados no seu tratamento.</p><p>O conceito de semiologia e a sua aplicação na psiquiatria</p><p>Como evidenciado no decorrer das discussões estabelecidas no início desse capítulo,</p><p>para que os tratamentos psiquiátricos se façam devidamente efetivados, é necessário</p><p>que os sujeitos responsáveis pelo cumprimento das atividades desse ramo médico</p><p>compreendam, também, os métodos adequados para promover uma avaliação</p><p>adequada do caso do seu paciente, algo que depende de um conjunto de fatores</p><p>que definem as especificidades da sua situação e, a partir disso, determinam o tipo de</p><p>estratégias a serem tomadas para promover a sua melhoria. Por decorrência disso, nota-</p><p>se que as qualidades individuais daquele sujeito em consulta são de grande relevância</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 5</p><p>Os diferentes tipos de qualidades</p><p>mentais que são avaliados durante</p><p>o exame psíquico.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023)</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>para atingir o seu diagnóstico e observar o nível da psicopatologia que ele possui.</p><p>Nesse contexto, também é importante levar em consideração que existem diferentes</p><p>tipos de transtornos psiquiátricos que afetam negativamente a plena vivência das</p><p>pessoas, interferindo nas suas capacidades mentais e, por decorrência disso, impedindo</p><p>a efetividade das suas obrigações cotidianas, que se estendem para diferentes âmbitos</p><p>da sua vida, e do mantimento dos seus relacionamentos com outras pessoas da forma</p><p>adequada, o que ainda não se reduz apenas às relações íntimas, como também a</p><p>outros tipos de laços construídos interpessoalmente, como a interação e convivência</p><p>profissional. Por decorrência disso, ainda é necessário entender que as psicopatologias</p><p>podem se manifestar de formas particulares em cada paciente, o que também exige</p><p>uma atenção específica durante o processo e exame do caso daquele sujeito.</p><p>Surge, daí, a importância de aplicar os métodos de semiologia durante a investigação</p><p>detalhada da condição patológica de um determinado indivíduo que busca os</p><p>tratamentos psiquiátricos como forma de melhorar as suas qualidades mentais.</p><p>Compreende-se, assim, que a semiologia se faz associada ao estudo dos signos que, por</p><p>sua vez, podem ser compreendidos como diferentes símbolos, ícones e representações</p><p>de uma determinada coisa ou contexto, que servem para expressar visualmente o seu</p><p>significado. No meio médico, no entanto, esse conceito assume uma definição particular,</p><p>mais intimamente relacionada aos procedimentos que se efetivam no meio clínico.</p><p>Vejamos:</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 4</p><p>A psicopatologia dos pacientes</p><p>pode se manifestar de formas</p><p>diferentes em cada.</p><p>F O N T E</p><p>Freepik</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>Em razão disso, compreende-se que o campo da semiologia pode desempenhar</p><p>diferentes funções, sendo de indispensável relevância para a função de atingir o</p><p>diagnóstico de um determinado indivíduo, levando em consideração que este depende</p><p>firmemente da compreensão acerca das manifestações sintomáticas das diferentes</p><p>condições patológicas que afetam o homem e, por decorrência disso, permitem</p><p>que a sua presença seja devidamente identificada em um determinado sujeito. Em</p><p>acréscimo a isso, os métodos de análise semiológica também contribuem para que a</p><p>patologia de um paciente seja plenamente acompanhada durante o seu tratamento</p><p>clínico, analisando avanços ou dificuldades na sua melhoria com base no surgimento,</p><p>permanência ou diminuição dos sintomas.</p><p>Psicopatologias</p><p>Definição</p><p>A semiologia clínica, também comumente denominada como</p><p>propedêutica, é um elemento dos diferentes procedimentos médicos</p><p>do âmbito da saúde que tem por finalidade estudar e compreender os</p><p>sintomas das patologias que afetam o ser-humano. Em decorrência</p><p>disso, se a semiologia geral tem por finalidade compreender os sinais</p><p>que representam um determinado significado, a semiologia aplicada</p><p>nos contextos clínicos desempenha a função de compreender os sinais</p><p>associados às diferentes doenças que podem afetar as pessoas. Em</p><p>acréscimo a isso, existe a semiologia psicopatológica que, por sua vez,</p><p>tem o objetivo principal de investigar e apontar os principais sintomas</p><p>resultantes das condições patológicas que atingem a mente humana,</p><p>ainda apontando as formas particulares como estes se manifestam e</p><p>os impactos negativos que representam para o paciente afetado.</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>Tomando conhecimento disso, é possível analisar, ainda, que a semiologia também</p><p>se faz presente nos procedimentos médicos que se dão no âmbito da preservação</p><p>da saúde da mente humana, tendo em vista que está também pode ser atingida por</p><p>determinadas patologias que interferem negativamente nas diferentes capacidades</p><p>mentais dos pacientes impactados. Por isso, a coleta e análise dos sintomas que atingem</p><p>um sujeito em consulta se inicia desde as primeiras entrevistas deste com o profissional</p><p>da saúde, tendo em vista que as principais queixas deste e a forma como o problema</p><p>vivenciado por si interfere na sua rotina também contribui para o apontamento dos seus</p><p>sintomas, algo que é intensificado ainda mais durante o exame psíquico que serve para</p><p>destacar os diferentes setores da saúde mental do paciente que se fazem impactados</p><p>pela sua condição patológica.</p><p>Em decorrência disso, existem etapas dos procedimentos clínico-psiquiátricos em termos</p><p>gerais que contribuem para o processo de avaliação semiológica de um determinado</p><p>paciente. Como já evidenciado no decorrer desse módulo, a investigação das principais</p><p>qualidades daquele sujeito é feita em diferentes momentos da sua consulta com o</p><p>profissional capacitado do ramo, tendo o seu início já durante o primeiro contato entre</p><p>as duas partes. Por isso, a entrevista é um elemento central da semiologia, permitindo</p><p>que as informações sintomáticas e os sinais da presença da patologia nele sejam</p><p>devidamente identificadas por parte do psiquiatra. Em acréscimo a isso, ainda existem</p><p>outros elementos que contribuem para tal feito, observe melhor a seguir:</p><p>Psicopatologias</p><p>F I G U R A 1 8</p><p>As diferentes funções</p><p>desempenhadas pela análise</p><p>semiológica na psiquiatria.</p><p>F O N T E</p><p>Elaborado pelo autor (2023)</p><p>Semiologia das Psicopatologias Capítulo 3</p><p>I. O processo de anamnese: Corresponde ao processo de triagem, onde o paciente</p><p>irá descrever as suas principais queixas, de modo a evidenciar o tipo de ajuda profissional</p><p>que precisa para a análise mais profunda do seu caso e eventual diagnóstico. Aqui, é</p><p>comum que o sujeito em consulta efetue o preenchimento de um questionário que tem</p><p>por finalidade recolher as suas principais informações e dados pessoais, o que inclui</p><p>nome completo, idade, estado civil, escolaridade e outros elementos relevantes da</p><p>sua vivência cotidiana. Após isso, também pode ser feita uma entrevista para recolher</p><p>informações mais assertivas sobre o seu problema;</p><p>II. O exame psíquico: Como já descrito no percurso desse módulo, corresponde à</p><p>avaliação que é feita no paciente com a finalidade de averiguar o seu estado mental atual,</p><p>levando em consideração diferentes características presentes nas suas capacidades</p><p>psicológicas. Por esse motivo, dentre os diferentes aspectos que são avaliados nesse</p><p>processo das atividades psiquiátricas, se destacam o afeto, orientação, pensamento,</p><p>sensopercepção, linguagem, consciência, memória, juízo, conduta e cognição daquele</p><p>paciente, apontando o nível de cada um destes com base em seus critérios particulares;</p><p>III. O exame neurológico: Em seguida, mas ainda de suma importância para a</p><p>efetivação da análise da saúde mental de um determinado indivíduo, ainda investigando</p><p>a presença de alguma condição psicopatológica neste, também pode ser exercido um</p><p>exame neurológico. Este, por sua vez, tem a finalidade de avaliar as características que</p><p>definem a estruturação e o funcionamento do cérebro do paciente, o que permite a</p><p>identificação de diferentes reflexos importantes para o seu bem-estar mental. Por isso, é</p><p>efetivado por meio de ressonâncias e outros procedimentos clínicos que têm o objetivo</p><p>de observar se o paciente apresenta alguma lesão encefálica, assimetria no músculo</p><p>do cérebro ou, ainda,</p>