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<p>C A P Í T U L O 1</p><p>A avaliação neuropsicológica e a</p><p>TCC</p><p>OBJETIVO: No percurso desse capítulo será entendido como a</p><p>neuropsicologia pode ser utilizada para beneficiar os estudos da</p><p>mente humana ao levar em consideração os aspectos que definem</p><p>o funcionamento do seu cérebro. Em adição a isso, será entendido</p><p>como acontece a avaliação neuropsicológica e seus distintos</p><p>métodos.</p><p>1.1 A influência das qualidades neuropsicológicas do</p><p>paciente na TCC</p><p>O caráter psicoemocional dos indivíduos que vivem em sociedade é</p><p>de grande importância para que estes consigam desempenhar as</p><p>suas atividades rotineiras e, com isso, também sejam capazes de</p><p>viver cotidianamente com os seus pares, mantendo relações</p><p>interpessoais de qualidade e que podem abranger diferentes</p><p>caráteres, como relacionamentos românticos, sociais, profissionais e</p><p>familiares. Em decorrência disso, nota-se a importância de</p><p>compreender os principais problemas que podem afetar o</p><p>bem-estar psicológico das pessoas, o que reafirma a relevância da</p><p>área profissional e de pesquisa da psicologia, tendo em vista que</p><p>esta tem como principal função promover o pleno entendimento da</p><p>mente humana.</p><p>Adicionalmente a isso, é também avaliado que o ramo da psicologia</p><p>pode desempenhar outras finalidades que, assim, se fazem</p><p>igualmente necessárias para o estabelecimento de uma boa vida</p><p>cotidiana social. Dentre estas, está o desenvolvimento de diferentes</p><p>técnicas, métodos e ferramentas que têm por objetivo a</p><p>identificação de possíveis transtornos ou problemas</p><p>psicoemocionais que podem danificar a plena saúde das pessoas</p><p>em sociedade. Adicionalmente a isso, é importante, também, que os</p><p>estudos desempenhados nesse ramo de atuação também visem a</p><p>elaboração de medidas que buscam tratar efetivamente esses</p><p>problemas, garantindo a manutenção da saúde física e mental dos</p><p>sujeitos tratados.</p><p>Figura 1 – Os diferentes objetivos desempenhados pelo ramo profissional da psicologia.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>É nesse sentido, então, que surgem as medidas terapêuticas que</p><p>buscam avaliar as principais particularidades mentais dos indivíduos,</p><p>podendo identificar plenamente possíveis problemas que interferem</p><p>na sua qualidade de vida e, ainda, garantir a construção e aplicação</p><p>de estratégias que favorecem o seu tratamento e, com isso, sua</p><p>melhoria. Dentre esses diferentes métodos, pode ser citada, portanto,</p><p>a terapia cognitiva-comportamental (TCC), que por sua vez</p><p>considera a influência que os aspectos cognitivos de um</p><p>determinado indivíduo podem exercer nos seus pensamentos e, em</p><p>vista disso, nas suas atitudes e comportamentos rotineiros, também</p><p>influentes na forma como este sujeito cumpre com as suas</p><p>obrigações no dia a dia e mantém suas relações com as demais</p><p>pessoas ao seu redor.</p><p>Tendo compreendido isso, é inegável considerar que a TCC pode ser</p><p>grandemente importante na vida de diversos indivíduos que, em</p><p>razão das suas qualidades particulares, buscam soluções para os</p><p>problemas enfrentados no seu âmbito psicológico e emocional. Para</p><p>tanto, os métodos dessa medida terapêutica têm por finalidade</p><p>reconhecer e caracterizar os pensamentos automáticos, isto é,</p><p>determinados pensamentos que se dão de maneira orgânica na</p><p>mente do indivíduo, sem que este pare de fato para raciocinar</p><p>acerca deles. Nota-se, com isso, que os pensamentos automáticos</p><p>são comumente originados das crenças que um sujeito desenvolve</p><p>no decorrer do seu crescimento que, por sua vez, advêm das</p><p>experiências e estímulos que este vive ou observa em um modelo</p><p>durante o seu desenvolvimento.</p><p>SAIBAMAIS</p><p>Para compreender melhor acerca do conceito de pensamentos</p><p>automáticos e suas principais características, leia ao artigo de Froeseler,</p><p>Santos & Teodoro (2013) que discute com mais detalhes o que caracteriza</p><p>tais pensamentos.</p><p>FROESELER, M. V. G.; SANTOS, J. A. M.; TEODORO, M. L. M. Instrumentos para a</p><p>avaliação de pensamentos automáticos: uma revisão narrativa. Revista</p><p>Brasileira de Terapias Cognitivas, v. 9, n. 1, p. 42-50, 2013. Disponível em:</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script</p><p>=sci_arttext. Acesso em: 25 de jun. de 2023.</p><p>Sendo assim, para compreender o papel e importância da TCC, se</p><p>faz necessário considerar que nem todos os pensamentos</p><p>automáticos que um sujeito possui são inerentemente benéficos</p><p>para este. Existem, portanto, os pensamentos disfuncionais que,</p><p>apesar de também surgirem com base em crenças construídas no</p><p>decorrer da vida de um determinado sujeito, apresentam um caráter</p><p>consideravelmente errático, na medida em que a impressão que</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script=sci_arttext</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script=sci_arttext</p><p>esse dado indivíduo tem da situação que vive não condiz, de fato,</p><p>com a realidade. Por esse motivo, é relevante garantir que a pessoa</p><p>que possui pensamentos disfuncionais exerça uma reflexão acerca</p><p>destes, visando compreender o motivo pelo qual eles se fazem</p><p>errôneos e, por isso, costumam resultar em comportamentos</p><p>igualmente disfuncionais, e que o impedem de cumprir com as suas</p><p>atividades rotineiras da maneira devidamente adequada, algo que</p><p>ainda impacta na manutenção da sua qualidade de vida.</p><p>Dessa maneira, entender as características da terapia</p><p>cognitiva-comportamental, como acontece o processo de avaliação</p><p>clínica nesta e quais as medidas que podem ser tomadas pelo</p><p>profissional terapeuta para promover a melhoria do seu paciente se</p><p>faz importante para analisar as medidas de cuidado psicológico e</p><p>emocional por meio dos métodos terapêuticos. Apesar disso,</p><p>também existem outros tipos de tratamento que se fazem, também,</p><p>relevantes para esse âmbito do cuidado da saúde humana e, por</p><p>decorrência disso, será discutido no decorrer desse módulo como</p><p>esses métodos distintos podem ser igualmente importantes na</p><p>garantia da qualidade de vida das pessoas.</p><p>1.2 O conceito de neuropsicologia e suas</p><p>características particulares</p><p>Como já evidenciado anteriormente, a TCC é um método de terapia</p><p>que pode utilizar diferentes técnicas para garantir o beneficiamento</p><p>do bem-estar psicoemocionais dos indivíduos que apresentam</p><p>comportamentos cotidianos disfuncionais, comumente ocasionados</p><p>por parte de pensamentos automáticos erráticos que foram</p><p>construídos por suas crenças desenvolvidas por suas experiências e</p><p>estímulos ao longo da sua vida. Nesse sentido, é possível</p><p>compreender, também, como a neuropsicologia pode surgir como</p><p>uma alternativa que pode contribuir mesmo para que os objetivos</p><p>desempenhados pela TCC sejam efetivados, na medida em que se</p><p>associa diretamente com os seus métodos e capacidade de</p><p>identificar disfunções psicoemocionais. Vejamos melhor por meio da</p><p>definição:</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>O campo da neuropsicologia, como pode ser sugerido pela sua própria</p><p>denominação, busca promover a intersecção entre as áreas da neurologia</p><p>e, também, da psicologia. Em decorrência disso, é possível observar que</p><p>esse ramo de estudo, pesquisa e atuação profissional tem por finalidade</p><p>principal garantir a comunicação mútua entre os conhecimentos acerca</p><p>do sistema nervoso, incluindo o seu funcionamento, organização estrutural</p><p>e outros aspectos relevantes, com os estudos que buscam entender,</p><p>efetivamente, o comportamento das pessoas e as suas características</p><p>psicológicas. Dessa forma, é possível compreender que a neuropsicologia</p><p>agrega o caráter físico do cérebro com as particularidades mentais</p><p>humanas.</p><p>Por esse motivo, é possível compreender como a neuropsicologia se</p><p>faz devidamente associada aos métodos da terapia</p><p>cognitiva-comportamental, na medida em que busca investigar</p><p>como as características de definem a funcionalidade e estruturação</p><p>do cérebro podem interferir nas suas especificidades cognitivas que,</p><p>por sua vez, influenciam diretamente no comportamento humano.</p><p>Sendo assim, os estudos e desenvolvimento de métodos práticos</p><p>desse campo de atuação partem, então, do pressuposto que</p><p>qualidades do âmbito mental do homem, tais como a memória, a</p><p>capacidade de raciocinar, a atenção e, ainda, as manifestações</p><p>ou mental, que geralmente oscilam</p><p>para momentos sintomaticamente marcados pela depressão,</p><p>ansiedade, pouca disposição física e mental e lentidão para cumprir</p><p>com as suas atividades cotidianas. Com isso, é possível entender que</p><p>o indivíduo com transtorno bipolar costuma ter comportamentos</p><p>extremos e opostos durante a alternação do seu humor, sendo</p><p>marcado por uma forte inconstância emocional e comportamental.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Em decorrência das informações estabelecidas anteriormente, é possível</p><p>observar que os diferentes episódios do transtorno bipolar, por seu caráter</p><p>intenso e oscilante, podem ter características em comum com outras</p><p>condições de transtornos emocionais, algo que deve ser plenamente</p><p>levado em consideração por parte do profissional que efetiva a avaliação</p><p>neuropsicológica do seu paciente. Sendo assim, é preciso coletar</p><p>informações mais assertivas acerca do indivíduo em consulta, na medida</p><p>em que considerar apenas um episódio em específico pode ocasionar um</p><p>diagnóstico errado, ao confundir o período de baixa da bipolaridade, por</p><p>exemplo, com a depressão. O objetivo é, afinal, analisar se o paciente não</p><p>possui tal oscilação que caracteriza o transtorno bipolar.</p><p>Episódio de mania</p><p>Por fim, um outro importante transtorno de humor que deve ser</p><p>considerado durante a busca pelo diagnóstico de um determinado</p><p>paciente se faz definido pelos episódios de mania. Estes, por sua vez,</p><p>se diferenciam da depressão ao fazer com que o indivíduo apresente</p><p>uma intensidade demasiada nas suas ações, assumindo um caráter</p><p>de exaltação vital extrema e tomando atitudes marcadas por uma</p><p>forte exaltação e grande dimensão. É comum, também, que o</p><p>indivíduo tenha dificuldades cognitivas, sobretudo no que diz respeito</p><p>à atenção e concentração, na medida em que pode falar</p><p>rapidamente e mudar de assunto, também, com extrema rapidez,</p><p>sendo incapaz de ouvir os demais sujeitos ao seu redor.</p><p>Esse tipo de condição se mostra negativa para a segurança, saúde e</p><p>bem-estar do indivíduo, pois, apesar de superficialmente parecer</p><p>algo positivo, interfere diretamente nas suas relações interpessoais,</p><p>bem como na sua própria saúde física, emocional e psicológica,</p><p>podendo ter como um de seus sintomas o surgimento de</p><p>alucinações. Por outro lado, faz com que o sujeito impactado tome</p><p>grandes e intensas decisões, que nem sempre são raciocinadas da</p><p>maneira adequada e podem prejudicá-lo. É comum, ainda, que o</p><p>paciente que apresenta episódios de mania tenha uma irritabilidade</p><p>intensa e não responda bem ao ser contrariado. A duração dos</p><p>episódios é variável, podendo variar de uma semana até seis meses</p><p>a depender da aplicação de um tratamento adequado.</p><p>RESUMINDO</p><p>E aqui se encerra o desenvolvimento do terceiro capítulo deste</p><p>módulo. As informações disponibilizadas até aqui ficaram bem</p><p>fixadas na sua mente? Não vai sair daqui com nenhuma dúvida, né?</p><p>Pensando nisso, foi reservado esse momento para resumir os novos</p><p>conhecimentos elencados no decorrer deste capítulo. Preparado?</p><p>Então vamos lá. Inicialmente, foi discutido como existem diferentes</p><p>ramos de atuação e pesquisa da neuropsicologia, sendo aquela</p><p>voltada para o âmbito clínico a que busca investigar a origem e</p><p>manifestação de problemas que afetam o funcionamento cerebral</p><p>no que diz respeito ao seu caráter neurológico. Dessa maneira, foi</p><p>visto que a avaliação neuropsicológica é uma importante etapa</p><p>para a investigação desses possíveis problemas, buscando</p><p>averiguar um diagnóstico adequado para cada paciente levando</p><p>em conta seus fatores psicológicos, biológicos e socioculturais.</p><p>Adicionalmente a isso, foi visto como a depressão, mania e</p><p>bipolaridade se caracterizam como transtornos emocionais que</p><p>afetam diretamente o funcionamento do cérebro, a saúde humana</p><p>e a capacidade do sujeito afetado de cumprir com as suas</p><p>atividades cotidianas e, por esse motivo, devem ser devidamente</p><p>conhecidos e tratados por parte do profissional da neuropsicologia.</p><p>C A P Í T U L O 4</p><p>Os transtornos de humor e a</p><p>intervenção</p><p>cognitivo-comportamental</p><p>OBJETIVO: No decorrer da exposição do conteúdo desse capítulo,</p><p>serão elencados os diferentes tipos de transtornos de humor,</p><p>entendendo suas particularidades. Após isso, será discutida como a</p><p>terapia cognitivo-comportamental pode ser utilizada para garantir o</p><p>tratamento do paciente da neuropsicologia e sua melhoria.</p><p>4.1 Os transtornos de humor, sua identificação e</p><p>tratamento</p><p>Até então, esse módulo foi destinado ao estudo da neuropsicologia e</p><p>as suas especificidades, compreendendo as principais</p><p>características desse ramo de atuação que busca analisar a</p><p>relevância da saúde e funcionalidade do cérebro para a</p><p>manutenção da saúde e bem-estar psicoemocional das pessoas.</p><p>Sendo assim, foi visto que existem diferentes condições patológicas</p><p>que podem resultar de um funcionamento inadequado das</p><p>estruturas neurológicas humanas, daí a importância de existir um</p><p>ramo profissional que tem por objetivo principal estudar tais</p><p>aspectos e desenvolver métodos de tratamento que visam a</p><p>garantia e manutenção da qualidade de vida de todos os indivíduos.</p><p>É nesse contexto que foram observados os diferentes tipos de</p><p>transtornos emocionais, visando entender melhor as suas</p><p>características particulares e, a partir disso, desenvolver um maior</p><p>conhecimento acerca dos fatores que os ocasionam, seus principais</p><p>sintomas e as formas de identificá-los no decorrer do processo de</p><p>avaliação neuropsicológica, importante para se atingir um</p><p>diagnóstico adequado e assertivo. Nisso, também se observa que</p><p>esse tipo de transtorno não é, de maneira exclusiva, derivado apenas</p><p>das qualidades neurológicas de um indivíduo, também sendo</p><p>diretamente influenciados pelos aspectos que definem a sua rotina</p><p>sociocultural, bem como as suas especificidades psicossociais. Assim</p><p>sendo, os transtornos são comumente resultantes de um conjunto de</p><p>características de um dado sujeito. Vejamos:</p><p>Figura 12 – Os diferentes fatores de um determinado indivíduo que podem influenciar no</p><p>desenvolvimento de transtornos de humor. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Como evidenciado no esquema, as especificidades biológicas e,</p><p>assim, neurológicas de um determinado indivíduo possuem, sim,</p><p>grande importância para a sua saúde psicoemocional e, quando</p><p>não mantidas com qualidade através dos cuidados adequados,</p><p>podem se unir a outros elementos que resultam, então, no</p><p>desenvolvimento de um transtorno emocional que, por sua vez, afeta</p><p>as condições emocionais, cognitivas e comportamentais do</p><p>indivíduo, impedindo que este mantenha uma atitude funcional que</p><p>assegura o cumprimento das suas atividades cotidianas e o</p><p>mantimento das suas relações interpessoais. Dessa maneira,</p><p>aspectos como a genética podem ser relevantes no entendimento</p><p>da origem do transtorno de humor de um paciente, mas outros</p><p>aspectos da vida pregressa desse indivíduo, que devem ser</p><p>devidamente coletados para a efetivação da avaliação e conclusão</p><p>do seu diagnóstico, podem ainda ser decisivos para o seu bem-estar</p><p>psicológico.</p><p>Em decorrência disso, também se faz possível avaliar que aspectos</p><p>como os relacionamentos interpessoais que um determinado sujeito</p><p>possui, e se estes têm um caráter funcional e saudável ou são</p><p>mantidos a longo prazo sem conturbações consideráveis, são</p><p>elementos importantes para a compreensão dos aspectos</p><p>emocionais e psicológicos daquele indivíduo, tendo em vista que não</p><p>só podem influenciar no desenvolvimento de transtornos emocionais,</p><p>como também são diretamente influenciados por eles. Em adição a</p><p>isso, aspectos como o contexto social e econômico do paciente são</p><p>igualmente importantes, tendo em vista que a falta de dependência</p><p>financeira ou de poder profissional e doméstico pode intensificar as</p><p>chances de que aquela pessoa acabe sendo impactada por um</p><p>determinado transtorno que afeta o seu humor e afetos.</p><p>SAIBAMAIS</p><p>Para entender melhor como os transtornos de humor podem ser</p><p>identificados, leia à matéria “Entenda os sinais do transtorno bipolar na</p><p>adolescência”, de Lucas Rocha (2022) para o portal oficial da CNN Brasil.</p><p>Nesta, é possível entender quais</p><p>são os principais sintomas do transtorno</p><p>bipolar, considerando as especificidades que essa condição pode</p><p>apresentar para indivíduos que se encontram na fase de adolescência e,</p><p>por esse motivo, são impactados por esta de maneira particular.</p><p>ROCHA, L. Entenda os sinais do transtorno bipolar na adolescência. CNN</p><p>Brasil. 2022. Disponível em:</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorno-bi</p><p>polar-na-adolescencia/. Acesso em: 18 de jun. de 2023.</p><p>Por isso, é relevante compreender as principais particularidades dos</p><p>transtornos de humor que atingem as pessoas em sociedade com</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorno-bipolar-na-adolescencia/</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorno-bipolar-na-adolescencia/</p><p>maior proeminência. O profissional do campo da psicologia tem,</p><p>portanto, a função de investigar e analisar efetivamente não só os</p><p>aspectos que originam essas condições psicoemocionais, como</p><p>também entender melhor os seus sintomas e o impacto destes nas</p><p>suas qualidades cognitivas, emocionais e comportamentais. Por fim,</p><p>também é indispensável que o psicólogo atuante nesse ramo</p><p>entenda que tipo de método pode ser utilizado para promover o</p><p>tratamento de pacientes com algum transtorno emocional, visando</p><p>garantir a sua saúde física e psicológica, bem como o seu bem-estar</p><p>e capacidade de viver cotidianamente em sociedade.</p><p>Figura 13 – As informações a serem compreendidas pelo profissional terapeuta no</p><p>tratamento de transtornos de humor. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Tendo em vista isso, se faz compreendido que existem diferentes</p><p>tipos de transtornos de humor, na medida em que estes apresentam</p><p>sintomas específicos que, apesar de se assemelharem em</p><p>determinados casos, possuem distinções significantes que devem</p><p>ser devidamente observadas para que o diagnóstico seja feito da</p><p>maneira adequada e, a partir disso, o tratamento possa ser</p><p>devidamente organizado, visando atender às necessidades que o</p><p>paciente possui em razão da sua condição psicoemocional. É</p><p>necessário, então, entender como esses respectivos transtornos se</p><p>diferenciam entre si, de modo a avaliar efetivamente como os</p><p>procedimentos terapêuticos podem ser utilizados para promover a</p><p>melhoria e manutenção da qualidade de vida do paciente, mesmo</p><p>que este não seja de fato curado da sua patologia emocional.</p><p>Em decorrência disso, observa-se que os transtornos emocionais</p><p>podem ser caracterizados como o conjunto de transtornos</p><p>depressivos, afetivos e, ainda, neuroses depressivas. Por esse motivo,</p><p>também se faz necessário compreender que esse tipo de condição</p><p>psicoemocional costuma se dá através de etapas, passando por um</p><p>processo de evolução quando não identificado e tratado da maneira</p><p>adequada logo no início da aparição dos primeiros sintomas, o que</p><p>reforça a importância da busca por ajuda profissional no campo da</p><p>psicologia, como forma de promover as medidas adequadas para</p><p>garantir a melhoria do paciente. Além disso, como já discutido</p><p>anteriormente, essa área também facilita o processo de avaliação</p><p>neurológica dos pacientes, facilitando a identificação do seu</p><p>diagnóstico.</p><p>Figura 14 – A caracterização dos transtornos de humor em seus diferentes tipos.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Com isso, se faz possível observar que os transtornos de humor</p><p>podem, ainda, apresentar sintomas específicos que variam de</p><p>acordo com as particularidades do paciente, bem como o nível em</p><p>que se encontra aquela patologia, que tende a se intensificar</p><p>quando o tratamento adequado não é devidamente propiciado. É</p><p>possível, então, que o indivíduo com algum tipo de transtorno</p><p>apresente delírios e alucinações e os seus aspectos cognitivos, como</p><p>a memória, o raciocínio e a consciência acerca do seu próprio eu,</p><p>podem ser deturpados e prejudicados pela condição. Além disso,</p><p>também é comum que o indivíduo prejudicado recupere a sua</p><p>integridade psíquica durante os intervalos dos sintomas, que se dão</p><p>entre as diferentes fases do transtorno enquanto este evolui.</p><p>Em adição a isso, é notável que a depressão e a mania são</p><p>caracterizadas como transtornos emocionais unipolar, isto é, onde os</p><p>sintomas do paciente se dão comumente em direção a um polo, na</p><p>medida em que o indivíduo depressivo apresenta altos níveis de</p><p>tristeza e os demais aspectos emocionais, cognitivos e físicos</p><p>associados a esta, enquanto que o sujeito com mania tende a ter</p><p>um grau elevado de euforia e suas consequências. Do contrário, o</p><p>transtorno bipolar é definido pela alternância entre esses dois polos</p><p>sintomáticos, daí a sua denominação. Apesar disso, Solomon (2003)</p><p>destaca que ainda existem raros casos onde os episódios da mania</p><p>apresentam caráteres sintomáticos semelhantes à depressão, o que</p><p>recebe o nome de episódio misto ou disforia, por isso a importância</p><p>de um diagnóstico assertivo.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>A décima edição do Código Internacional de Doenças (CID-10), que tem</p><p>por objetivo registrar os diferentes tipos de patologia que podem interferir</p><p>no bem-estar e na saúde humana, organiza os transtornos de humor em</p><p>diferentes tipos principais, devidamente registrados de acordo com a sua</p><p>classificação, sendo estes: o Episódio Maníaco (F30), o Transtorno Afetivo</p><p>Bipolar (F31), o Episódio Depressivo (F32), o Transtorno Depressivo</p><p>Recorrente (F33), o Transtorno Resistente de Humor (F34), Outros</p><p>Transtornos de Humor (F38) e, ainda, o Transtorno de Humor Não</p><p>Especificado (F39). Cada um destes possui, portanto, as suas</p><p>características particulares, sendo devidamente marcados pelos seus</p><p>próprios sintomas, origens e tempo de duração dos episódios e suas</p><p>manifestações sintomáticas.</p><p>4.1.1 Os principais tipos de transtorno depressivo e suas</p><p>características</p><p>Como já evidenciado anteriormente, os transtornos de humor são</p><p>um problema que afetam as características psicológicas e</p><p>emocionais de um determinado indivíduo, também interferindo</p><p>diretamente nas suas capacidades cognitivas e, por esse motivo, na</p><p>sua habilidade de cumprir com as tarefas cotidianas no decorrer do</p><p>dia-a-dia, bem como de manter os seus relacionamentos</p><p>interpessoais da maneira adequada. Em suma, esse tipo de</p><p>transtorno influencia negativamente na qualidade de vida das</p><p>pessoas e, em decorrência disso, se faz valioso compreender as suas</p><p>características particulares através dos estudos da psicologia, de</p><p>modo a entender como se dão os seus processos de avaliação e</p><p>tratamento dos pacientes com alguma dessas condições. Assim,</p><p>nota-se que existem diferentes tipos de transtornos, tendo sido os</p><p>principais destes estudados neste módulo.</p><p>Figura 15 – Os diferentes tipos de transtornos depressivos com base em suas</p><p>especificidades. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Tomando como base isso, pode-se avaliar que aspectos como a</p><p>frequência e intensidade dos episódios que marcam os transtornos</p><p>emocionais podem ser variantes, comumente dependendo as</p><p>próprias particularidades do indivíduo que os possui, na medida em</p><p>que o desenvolvimento da sua condição também é diretamente</p><p>influenciada por aspectos biológicos, sociais e culturais individuais</p><p>daquele sujeito. Adicionalmente a isso, os transtornos ainda podem</p><p>ser subdivididos em diferentes classificações que, por sua vez, são</p><p>marcados por sintomas e características ainda mais específicos.</p><p>Visando isso, se faz importante entender melhor esses tipos de</p><p>transtorno, de modo a compreender melhor o que os define.</p><p>A depressão, por exemplo, é um dos principais transtornos</p><p>emocionais que podem interferir com a vida de um determinado</p><p>indivíduo, estando associada a sintomas que afetam diretamente a</p><p>qualidade de vida do paciente e interferem nas suas qualidades</p><p>sociais, emocionais, biológicas e, ainda, cognitivas. Por esse motivo,</p><p>observa-se que esse tipo de transtorno também possui tipos</p><p>particulares que, então, se caracterizam por aspectos específicos,</p><p>mas ainda se assemelham suficientemente para serem agrupados</p><p>como parte dos transtornos depressivos, levando em consideração</p><p>as suas especificidades centrais. Vejamos, então, quais são esses</p><p>diferentes exemplos</p><p>de depressão e como eles podem ser</p><p>efetivamente identificados e definidos:</p><p>• Depressão psicótica: Se caracteriza como uma das mais</p><p>complexas formas do transtorno depressivo, na medida em que é</p><p>caracterizado por sintomas fortes que, como o próprio nome já</p><p>sugere, são marcados sobretudo por aspectos psicóticos, como a</p><p>presença de delírios. Esses delírios, por sua vez, podem estar</p><p>diretamente conectados com os demais sintomas ou não, isto é,</p><p>podem apresentar coerência ou incoerência em relação às</p><p>mudanças de humor, cognição e comportamento do paciente que</p><p>são resultantes do transtorno. Assim, além dos procedimentos</p><p>terapêuticos, o seu tratamento deve ser propiciado de forma</p><p>farmacológica, ainda tendo um caráter de efetivação complicado e</p><p>lento;</p><p>• Depressão atípica: Em comparação ao tipo anteriormente</p><p>evidenciado, a depressão atípica possui um caráter mais simples e</p><p>sintomas que não se caracterizam com a mesma violência. Apesar</p><p>disso, deve ser devidamente tratada através dos métodos</p><p>terapêuticos e medicamentos antidepressivos adequados. Seus</p><p>principais sintomas são, assim, a hiperatividade das capacidades</p><p>emocionais do paciente, na mesma medida que este pode</p><p>apresentar sono excessivo e um apetite exagerado. Essas condições,</p><p>por sua vez, podem afetar diretamente na manutenção da saúde e</p><p>qualidade de vida do paciente, denotando com mais proeminência</p><p>a importância da busca do tratamento adequado por parte do</p><p>indivíduo;</p><p>• Depressão sazonal: Como o próprio nome já indica, a</p><p>depressão sazonal é caracterizada como um transtorno depressivo</p><p>que costuma se dar através de episódios que se repetem em</p><p>determinados períodos do ano de forma específica, estando</p><p>comumente associada às características particulares do paciente, o</p><p>que inclui seus aspectos emocionais, biológicos e cognitivos. Em</p><p>adição a isso, também é comum que os indivíduos que possuem</p><p>esse tipo de transtorno estejam mais propensos a ter episódios</p><p>durante o inverno, em razão do clima frio. Em decorrência disso,</p><p>observa-se que o tratamento pode ser efetivado através, sobretudo,</p><p>da fototerapia que, então, se utiliza de luzes artificiais para promover</p><p>uma melhor funcionalidade do organismo do paciente, estimulando,</p><p>ainda, a sua atividade celular, o que se faz positivo para a</p><p>manutenção da sua disposição e, com isso, cumprimento das</p><p>atividades cotidianas;</p><p>• Depressão de longa duração: Também denominada de</p><p>distimia, esse tipo de transtorno depressivo é definido pela</p><p>persistência do humor deprimido por parte do paciente, mas que</p><p>possui uma intensidade relativamente menor que os demais tipos de</p><p>depressão estudados no decorrer deste capítulo. Em decorrência</p><p>disso, é comum que os sintomas durem aproximadamente dois</p><p>anos, tendo um caráter de depressão crônica, mas que possui um</p><p>grau baixo. Dessa forma, por vezes esse tipo de transtorno pode ser</p><p>efetivamente ignorado por parte do indivíduo que o possui ao não</p><p>perceber a presença dos seus sintomas ou, então, decidir</p><p>ativamente ignorá-los em razão da sua intensidade baixa e pouca</p><p>interferência negativa na manutenção das suas atividades</p><p>cotidianas e da sua qualidade de vida. Apesar disso, se faz</p><p>importante que a ajuda profissional adequada seja procurada por</p><p>parte do sujeito com distimia, tendo em vista que a falta de um</p><p>tratamento devido pode fazer com que essa condição evolua para</p><p>episódios depressivos mais intensos e fortes, prejudicando sua</p><p>saúde;</p><p>• Depressão melancólica: Por fim, mas inteiramente importante</p><p>para a plena compreensão acerca das diferentes manifestações</p><p>dos transtornos depressivos, pode ser citada a depressão</p><p>melancólica. Esta, por sua vez, é comumente reconhecida pelos seus</p><p>sintomas que são tipicamente associados à depressão. Sendo assim,</p><p>o indivíduo que apresenta esse transtorno tende a ter a sua</p><p>capacidade emocional prejudicada, o que reduz ainda a sua</p><p>sensação de prazer no percurso das suas atividades rotineiras. Além</p><p>disso, é comum que o paciente com depressão melancólica tenha</p><p>uma diminuição no seu sono e apetite, o que o faz diminuir, também,</p><p>de peso. No campo psicoemocional, é comum que apresente</p><p>pensamentos pessimistas e de culpa. Para que o seu tratamento</p><p>seja devidamente efetivado, é indispensável que haja um</p><p>acompanhamento psicoterápico que, quando efetivado da maneira</p><p>correta, pode ocasionar resultados positivos de reversão do quadro</p><p>em semanas.</p><p>Em vista disso, é possível observar como cada um desses tipos de</p><p>transtorno depressivo possui as suas características particulares e,</p><p>por decorrência disso, devem ser plenamente identificados por parte</p><p>do profissional qualificado da neuropsicologia que, através do</p><p>processo de avaliação, coleta as informações e dados necessários</p><p>acerca do seu paciente para entender, efetivamente, a sua condição</p><p>específica. É apenas a partir do diagnóstico assertivo, que considera</p><p>não apenas o tipo de transtorno de humor do sujeito, como também</p><p>os seus aspectos individuais relevantes, como sintomas, frequência e</p><p>duração dos episódios, que o tratamento psicológico pode ser</p><p>devidamente buscado através das medidas terapêuticas que</p><p>contribuem para a melhoria e recuperação do quadro</p><p>psicoemocional do sujeito em consulta.</p><p>4.2 Intervenção em terapia cognitivo-comportamental</p><p>orientada pela avaliação neuropsicológica</p><p>Foram evidenciadas no decorrer desse módulo, as principais</p><p>características que definem os transtornos de humor, considerando</p><p>que estes são especificados como condições que afetam o</p><p>funcionamento das qualidades neuropsicológicas de um</p><p>determinado indivíduo e, por decorrência disso, representa</p><p>consequências negativas para a sua vivência cotidiana, podendo</p><p>impedir a efetividade do cumprimento das suas atividades</p><p>cotidianas e a manutenção das suas relações com as demais</p><p>pessoas que se fazem presentes na sua rotina doméstica, social ou</p><p>profissional. Por decorrência disso, é imprescindível que essas</p><p>condições psicoemocionais sejam devidamente identificadas, algo</p><p>feito através de uma avaliação neuropsicológica, já evidenciada</p><p>anteriormente nesse módulo, e, após isso, sejam tratadas por meio</p><p>dos métodos terapêuticos adequados.</p><p>Por decorrência disso, pode ser analisada a relação entre o processo</p><p>de tratamento desses transtornos emocionais com os</p><p>procedimentos estabelecidos pela terapia</p><p>cognitivo-comportamental (TCC) como uma medida que busca</p><p>assegurar a qualidade de vida das pessoas através de métodos que</p><p>contribuem para a manutenção da sua saúde psicoemocional.</p><p>Dessa forma, como já estudado no decorrer dessa disciplina, é</p><p>entendível que a TCC tem por finalidade principal fazer com que o</p><p>paciente em tratamento identifique os seus próprios pensamentos</p><p>automáticos disfuncionais, investigando as suas origens com o</p><p>devido apoio do profissional terapeuta e, então, buscando</p><p>desenvolver pensamentos alternativos saudáveis.</p><p>Sendo assim, esse tipo de tratamento se faz relevante, na medida em</p><p>que os transtornos de humor podem não só decorrer de</p><p>pensamentos e crenças disfuncionais intensificadas sem o cuidado</p><p>adequado, como também influencia no desenvolvimento de mais</p><p>destes, afetando as qualidades cognitivas, emocionais e</p><p>comportamentais do indivíduo. A TCC foi, afinal, elaborada através</p><p>dos estudos, pesquisas e aplicações terapêuticas de diferentes</p><p>profissionais ao longo dos anos que, na busca pela compreensão do</p><p>comportamento humano, também tentaram construir e aplicar</p><p>técnicas que diminuíssem, assim, os efeitos negativos de condições</p><p>como o próprio transtorno depressivo, como foi feito por Aaron T.</p><p>Beck.</p><p>Figura 16 – As etapas do processo de efetivação do tratamento</p><p>cognitivo-comportamental na TCC. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Dessa maneira, se faz necessário que a avaliação neuropsicológica</p><p>seja devidamente efetivada, de modo a atingir um diagnóstico</p><p>assertivo acerca das características específicas do paciente. A partir</p><p>disso, se faz possível entender a sua condição específica, o que</p><p>ainda permite que o profissional terapeuta estabeleça objetivos e</p><p>metas a serem atingidos através dos procedimentos terapêuticos,</p><p>visando uma melhoria gradual</p><p>que deve ser propiciada através dos</p><p>métodos utilizados por este durante as sessões e, também, das</p><p>atividades que são exigidas do paciente mesmo fora do ambiente</p><p>de consultório, na medida em que sua melhoria é efetivada pelo seu</p><p>esforço constante e contínuo no decorrer da sua vida cotidiana.</p><p>Adicionalmente a isso, os momentos iniciais da TCC devem ser</p><p>reservados para promover a familiarização do paciente com os</p><p>modelos cognitivos, fazendo com que este entenda os principais</p><p>conceitos relacionados a esse ramo de tratamento terapêutico,</p><p>tendo em vista que a sua plena compreensão a respeito dessas</p><p>qualidades é de indubitável importância para o seu envolvimento no</p><p>processo de tratamento de maneira adequada. Com isso, o</p><p>profissional também pode cumprir com a elaboração do caso desse</p><p>indivíduo que se consulta e busca os métodos da terapia</p><p>cognitivo-comportamental para melhorar a sua qualidade de vida,</p><p>enxergando quais são as suas especificidades e necessidades</p><p>particulares a serem atendidas durante os processos terapêuticos</p><p>da TCC.</p><p>Finalmente, se faz possível que a aplicação da intervenção</p><p>terapêutica seja, de fato, efetivada. Para isso, é preciso, ainda, que o</p><p>profissional da terapia tenha pleno conhecimento em relação aos</p><p>princípios que norteiam esse campo de atuação, compreendendo</p><p>que a colaboração e parceria entre o profissional e seu paciente são</p><p>essenciais para que os métodos de tratamento sejam aplicados da</p><p>maneira correta, obtendo resultados positivos e atingindo os</p><p>objetivos anteriormente estabelecidos para aquele indivíduo,</p><p>levando em conta seu caso. Essas metas, por sua vez, devem ser</p><p>norteadas de modo a atender às necessidades atuais daquele</p><p>sujeito em tratamento, na medida em que a TCC tende a focar na</p><p>melhoria do agora daquele indivíduo.</p><p>Apesar disso, também se faz necessário considerar a influência que</p><p>o passado possui para os aspectos psicoemocionais e cognitivos</p><p>daquele indivíduo, bem como compreender que a busca pela</p><p>melhora deve resultar em conclusões duradouras, que contribuem</p><p>para a manutenção da saúde, bem-estar e qualidade de vida</p><p>daquele sujeito mesmo após a conclusão das sessões com o</p><p>profissional da TCC e a aplicação dos métodos estabelecidos por</p><p>este durante a intervenção. Por esse motivo, é necessário que as</p><p>metodologias desenvolvidas por parte desse indivíduo atuante no</p><p>ramo da terapia envolvam, em adição a isso, medidas de prevenção</p><p>da recaída do seu paciente, tendo por finalidade principal evitar que</p><p>o trabalho efetivado no decorrer das sessões seja desperdiçado,</p><p>revertendo o progresso que aquele sujeito obteve até então. Em</p><p>razão disso, nota-se que a intervenção terapêutica se dá por meio</p><p>dos seguintes critérios:</p><p>• Confiança;</p><p>• Respeito;</p><p>• Empatia.</p><p>Esses valores, por sua vez, são responsáveis por originar uma aliança</p><p>terapêutica que, então, se efetiva através da ação conjunta entre</p><p>paciente e profissional psicólogo. Com isso, se faz possível a</p><p>aplicação de um empirismo colaborativo, na medida em que esses</p><p>dois indivíduos trabalham em conjunto na aplicação dos métodos</p><p>que permitem o cumprimento da intervenção terapêutica na TCC</p><p>mediante a devida avaliação performada de maneira prévia, que</p><p>define as necessidades desse sujeito e o seu quadro</p><p>neuropsicológico adequado. É a partir disso, então, que as técnicas</p><p>da terapia podem ser devidamente aplicadas, buscando fazer com</p><p>que o indivíduo em tratamento assuma uma postura e</p><p>comportamentos saudáveis dentro e fora das sessões com o</p><p>profissional que o orienta.</p><p>Daí, a importância do entendimento das particularidades</p><p>psicossociais, emocionais e cognitivas desse sujeito, de maneira a</p><p>permitir que o profissional da terapia aplique as diferentes</p><p>metodologias que favorecem a sua melhora, tais como o</p><p>questionamento socrático, o registro dos seus pensamentos</p><p>disfuncionais, as técnicas de relaxamento e a psicoeducação. Em</p><p>adição a isso, também é esperado que o terapeuta desempenhe</p><p>atividades que exercitem as suas capacidades cognitivas, como a</p><p>atenção e o raciocínio, também favorecendo a dessensibilização</p><p>sistemática e o treino das suas habilidades sociais, algo que ainda</p><p>deve ser complementado por tarefas de casa que ajudam na sua</p><p>melhoria. Assim, a TCC desempenha seu papel a curto prazo, sendo</p><p>aplicada em transtornos de humor em um número de sessões que</p><p>pode variar a depender das especificidades do paciente, sendo em</p><p>casos descomplicados de cinco a vinte sessões, mas que podem se</p><p>estender em pacientes com agravantes mais definidos.</p><p>RESUMINDO</p><p>E, com isso, fica concluído o desenvolvimento do quarto e último capítulo</p><p>desse módulo. Deu para compreender todas as informações que foram</p><p>disponibilizadas no corpo desse capítulo? É importante que nenhuma</p><p>dúvida fique no ar e, por isso, resolvemos fazer um breve resumo do</p><p>conteúdo que foi elencado até aqui, que tal? Então vamos lá.</p><p>Primeiramente, foi visto que a neuropsicologia pode ser essencial na</p><p>identificação e tratamento de transtornos de humor, na medida em que</p><p>efetiva uma avaliação adequada para a identificação da condição</p><p>específica de um determinado sujeito. Sendo assim, existem diferentes</p><p>tipos de transtornos emocionais que podem, ainda, se dividir em subtipos,</p><p>como é o caso da depressão que, a depender das suas características</p><p>particulares, pode ser caracterizada como melancólica, atípica, dentre</p><p>outras. Sendo assim, a terapia cognitivo-comportamental pode se</p><p>caracterizar como um importante processo de intervenção terapêutica,</p><p>tendo em vista que, mediante a avaliação neuropsicológica adequada,</p><p>permite que os métodos cognitivos e comportamentais sejam aplicados</p><p>para melhorar as qualidades psicoemocionais do sujeito em tratamento,</p><p>diminuindo os sintomas do seu transtorno e melhorando a sua qualidade</p><p>de vida.</p><p>Referências</p><p>BARLOW, David H. Psicopatologia: uma abordagem integrada. São</p><p>Paulo: Cengage learning, 2009.</p><p>CLÍNICA da Mente. AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA. 2018. Disponível</p><p>em: https://youtu.be/EJNmimvGHYY. Acesso em: 27 de jun. de 2023.</p><p>CONSELHO FEDERAL DE PSICOLOGIA - CFP. Resolução n. 23, de 13 de</p><p>outubro de 2022. Institui condições para concessão e registro de</p><p>psicóloga e psicólogo especialistas; reconhece as especialidades da</p><p>Psicologia. 2022.</p><p>FROESELER, M. V. G.; SANTOS, J. A. M.; TEODORO, M. L. M. Instrumentos</p><p>para a avaliação de pensamentos automáticos: uma revisão</p><p>narrativa. Revista Brasileira de Terapias Cognitivas, v. 9, n. 1, p. 42-50,</p><p>2013. Disponível em:</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&s</p><p>cript=sci_arttext. Acesso em: 25 de jun. de 2023.</p><p>HOSPITAL Santa Mônica. Avaliação Neuropsicológica. 2017. Disponível</p><p>em: https://youtu.be/0w4REMF-pws. Acesso em: 25 de jun. de 2023.</p><p>INCANTATO Psicologia. Reabilitação neuropsicológica! 2021.</p><p>Disponível em: https://youtu.be/iQaYy3XSACg. Acesso em: 25 de jun.</p><p>de 2023.</p><p>MANCINI Psiquiatra e Psicologia. O que faz um neuropsicólogo? 2017.</p><p>Disponível em: https://youtu.be/Ezq-Vt_gcHw. Acesso em: 25 de jun.</p><p>de 2023.</p><p>MÁXIMO, Geovane da Conceição. Aspectos sociodemográficos da</p><p>depressão e utilização de serviços de saúde no Brasil. 2010. 181f. Tese</p><p>(Doutorado em Demografia) - Faculdade de Ciências Econômicas,</p><p>Universidade Federal de Minas Gerais, 2010.</p><p>https://youtu.be/EJNmimvGHYY</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script=sci_arttext</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script=sci_arttext</p><p>http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1808-56872013000100007&script=sci_arttext</p><p>https://youtu.be/0w4REMF-pws</p><p>https://youtu.be/iQaYy3XSACg</p><p>https://youtu.be/Ezq-Vt_gcHw</p><p>MULHERES têm mais ansiedade e depressão no ambiente de</p><p>trabalho. Revista Algomais. 2023. Disponível em:</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-</p><p>no-ambiente-de-trabalho/. Acesso em: 27 de jun. de 2023.</p><p>ROCHA, L. Entenda os sinais do transtorno bipolar na adolescência.</p><p>CNN Brasil. 2022. Disponível em:</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorn</p><p>o-bipolar-na-adolescencia/. Acesso em: 18 de jun. de 2023.</p><p>SOLOMON, A. O demônio do meio-dia: uma</p><p>anatomia da depressão.</p><p>Rio de Janeiro: Objetiva, 2002.</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-no-ambiente-de-trabalho/</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-no-ambiente-de-trabalho/</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-no-ambiente-de-trabalho/</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorno-bipolar-na-adolescencia/</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorno-bipolar-na-adolescencia/</p><p>https://www.cnnbrasil.com.br/saude/entenda-os-sinais-do-transtorno-bipolar-na-adolescencia/</p><p>emocionais, podem ter influência dos aspectos físicos do cérebro e,</p><p>por esse motivo, se faz necessário compreende-los para promover</p><p>uma análise de fato assertiva dessas cognições em um determinado</p><p>paciente.</p><p>Figura 2 – A neuropsicologia busca compreender a influência da funcionalidade e</p><p>estrutura do cérebro nas capacidades cognitivas humanas.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Para tanto, é necessário que seja promovida uma devida avaliação</p><p>neuropsicológica que, por sua vez, busca compreender como as</p><p>funções cognitivas de um dado paciente estão sendo mantidas,</p><p>verificando a sua qualidade e, possivelmente, algum problema que</p><p>pode ser causado por inconsistências advindas do funcionamento</p><p>cerebral daquele indivíduo. A partir disso, o profissional</p><p>neuropsicólogo tem a capacidade de atingir, de fato, um diagnóstico</p><p>acerca dessas qualidades cognitivas e, sendo identificado algum</p><p>problema específico, promover um tratamento adequado que visa a</p><p>manutenção desses aspectos e, assim, a garantia da saúde da</p><p>mente e o cérebro do sujeito tratado.</p><p>Nesse sentido, é denotado que a avaliação neuropsicológica a qual</p><p>um determinado sujeito é submetido pode desempenhar, em linhas</p><p>gerais, dois objetivos principais. O primeiro destes, como já</p><p>evidenciado anteriormente, é a plena identificação de problemas no</p><p>cérebro que podem interferir nas capacidades cognitivas de um</p><p>determinado paciente, ainda influenciando diretamente na sua</p><p>qualidade de vida e devida manutenção da sua saúde física e</p><p>psicoemocional. Por outro lado, no entanto, esse tipo de exame pode</p><p>ser simplesmente uma ferramenta que busca analisar a situação</p><p>desses aspectos cognitivos, de modo a aferir se estes estão</p><p>devidamente funcionais e em uma situação ideal para que o sujeito</p><p>em consulta consiga desempenhar as suas atividades rotineiras da</p><p>maneira adequada. Por isso, se faz importante compreender esse</p><p>processo avaliativo e como ele pode ser efetivado.</p><p>1.3 O processo de avaliação neuropsicológica e suas</p><p>particularidades</p><p>Como evidenciado anteriormente, a neuropsicologia busca unir os</p><p>conceitos desenvolvidos no estudo do funcionamento do cérebro</p><p>com as informações desempenhadas pelas pesquisas psicológicas</p><p>que buscam, então, conhecer efetivamente a mente humana e suas</p><p>principais características. Dessa forma, a avaliação neuropsicológica</p><p>tem por finalidade principal averiguar as funções cognitivas de um</p><p>dado paciente, de modo a compreender se estas se apresentam da</p><p>forma adequada ou, do contrário, se possuem algum problema que</p><p>deve ser devidamente investigado, diagnosticado e tratado com</p><p>assertividade para assegurar a saúde e o bem-estar do indivíduo em</p><p>consulta. Pensando nisso, iremos discutir com mais detalhes como</p><p>esse processo avaliativo pode ser devidamente efetivado.</p><p>Em razão disso, esse tipo de exame pode ser efetivado para atingir</p><p>um diagnóstico específico para um determinado paciente, ou</p><p>simplesmente para avaliar, de modo geral, as suas características</p><p>cognitivas e neuropsicológicas. Para isso, é necessário que o</p><p>profissional da área promova os processos adequados para que</p><p>esse tipo de avaliação se faça possível, o que é comumente atingido</p><p>pela coleta de informações que se fazem importantes para a plena</p><p>compreensão dos aspectos cerebrais e neurológicos do indivíduo</p><p>em processo de consulta. Tal etapa se assemelha, portanto, com a</p><p>avaliação cognitiva que acontece na própria terapia</p><p>cognitiva-comportamental, de modo a definir o perfil cognitivo do</p><p>paciente.</p><p>Assim sendo, existem diferentes características que o profissional do</p><p>ramo da neuropsicologia pode buscar para compreender</p><p>efetivamente o seu cliente e, em decorrência disso, efetivar um</p><p>processo de avaliação devidamente adequada. Visando fazer isso</p><p>possível, é interessante que o paciente seja entrevistado e, com base</p><p>nisso, as principais informações sobre a sua vida cotidiana, as suas</p><p>relações interpessoais, o seu processo de crescimento e a sua saúde</p><p>sejam, de fato, coletadas por parte do neuropsicólogo. Além disso,</p><p>esse indivíduo também pode promover uma entrevista com</p><p>familiares e outros sujeitos que se fazem presentes na rotina do</p><p>paciente, de modo a entender melhor que tipo de aspecto define o</p><p>seu quadro neuropsíquico.</p><p>VOCÊ SABIA?</p><p>Segundo o Conselho Federal de Psicologia (CFP), através da Resolução CFP</p><p>nº 23, de 13 de outubro de 2022, a avaliação neuropsicológica só pode ser</p><p>efetivada por parte de um profissional habilitado do ramo, tendo uma</p><p>formação em um curso superior, o que assegura a sua capacidade de</p><p>promover diagnósticos psicológicos, desde que estes estejam</p><p>devidamente aprovados e tenham a sua aplicação regulamentada no</p><p>Sistema de Avaliação de Testes Psicológicos (SATEPSI). Dessa forma,</p><p>mesmo sendo a neuropsicologia um ramo profissional que depende da</p><p>multidisciplinaridade ao combinar duas áreas do saber distintas, os</p><p>profissionais do ramo da psicologia podem utilizar-se dos métodos e</p><p>ferramentas estabelecidos pelo CFP para conduzir uma avaliação</p><p>neuropsicológica, levando em consideração as especificidades do seu</p><p>paciente e suas necessidades particulares.</p><p>Com isso, é possível que os profissionais devidamente habilitados, de</p><p>acordo com as regulamentações estabelecidas pela Resolução CFP</p><p>nº 23, de 13 de outubro de 2022, consigam efetivar o processo de</p><p>avaliação neuropsicológica, o que permite a utilização de métodos e</p><p>ferramentas que contribuem para esse processo. Sendo assim, a</p><p>entrevista se caracteriza apenas como uma fase dessa atividade</p><p>complexa que, ainda, devem utilizar-se de testes necessários para</p><p>atingir um diagnóstico adequado e, a partir disso, delimitar as</p><p>estratégias que serão, então, de fato utilizadas para promover o</p><p>tratamento do indivíduo em consulta. Além disso, a observação</p><p>clínica também deve ser assegurada, de modo a analisar a situação</p><p>do paciente no decorrer do seu dia-a-dia e, então, poder concluir a</p><p>sua condição.</p><p>Figura 3 – Os principais distúrbios cognitivos que podem ser identificados por meio da</p><p>avaliação neuropsicológica. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Com base nesse tipo de método, o atuante da área da</p><p>neuropsicologia consegue, então, elaborar um relatório que tem por</p><p>função descrever o seu perfil neuropsicológico e, com base nisso,</p><p>delimitar as suas características neurais e psicoemocionais. Existem,</p><p>portanto, diferentes condições que podem ser identificadas através</p><p>da avaliação neuropsicológica de um determinado indivíduo e, em</p><p>razão disso, o terapeuta profissional pode indicar o caminho</p><p>adequado para o início e efetivação do seu tratamento que, a</p><p>depender das suas características específicas, pode variar desde a</p><p>utilização de medicamentos e a inserção desse sujeito em um</p><p>processo de reabilitação, até o uso da terapia</p><p>cognitiva-comportamental para melhorar os seus aspectos</p><p>neuropsicológicos e cognitivos.</p><p>Adicionalmente a isso, é também perceptível que qualquer suspeita</p><p>da presença de alguma deficiência cognitiva em um determinado</p><p>indivíduo pode ser suficiente para procurar o apoio profissional no</p><p>ramo da neuropsicologia, de modo a buscar a efetivação de um</p><p>diagnóstico assertivo por meio desse processo avaliativo de testes,</p><p>entrevistas e coletas de informações. Um indivíduo em idade escolar</p><p>e no meio do seu processo de desenvolvimento cognitivo, por</p><p>exemplo, já pode apresentar indícios de alguma condição cognitiva</p><p>específica que interfere na sua capacidade de adquirir as</p><p>habilidades que são esperadas para a sua faixa etária, dentro do</p><p>período de tempo médio para os demais sujeitos da sua idade. Em</p><p>decorrência disso, pode ser exigido, por parte dos adultos que</p><p>convivem com esse sujeito, a avaliação neuropsicológica adequada</p><p>para investigar a sua situação.</p><p>ACESSE</p><p>Para compreender melhor como o processo de avaliação que acontece</p><p>na neuropsicologia pode ser efetivado, visite o link abaixo e assista ao</p><p>vídeo “Avaliação Neuropsicológica”, publicado pelo canal Hospital Santa</p><p>Mônica em 2017.</p><p>HOSPITAL Santa Mônica. Avaliação Neuropsicológica. 2017. Disponível em:</p><p>https://youtu.be/0w4REMF-pws. Acesso em: 25 de jun. de 2023.</p><p>Já no</p><p>caso de pacientes com a idade mais avançada, é comum que</p><p>os testes desse ramo que une a neurologia com a psicologia</p><p>busquem traçar um perfil que caracteriza o funcionamento das suas</p><p>habilidades cognitivas, o que inclui, como evidenciado</p><p>anteriormente, até mesmo a sua memória. Dessa forma, os métodos</p><p>desse processo avaliativo têm por objetivo apontar possíveis</p><p>comprometimentos, alterações ou disfuncionalidade em alguma</p><p>região do cérebro que, por sua vez, pode resultar em lapsos de</p><p>https://youtu.be/0w4REMF-pws</p><p>memória que, por vezes, podem não ser facilmente identificados pelo</p><p>próprio paciente ou mesmo pelos demais indivíduos ao seu redor,</p><p>mas que interferem na sua capacidade de cumprir com as suas</p><p>atividades cotidianas de maneira adequada e otimizada. Nesse</p><p>contexto, a identificação do problema do indivíduo com a maior</p><p>precisão e rapidez possível se faz essencial para que o seu</p><p>tratamento seja bem efetivado, na medida em que um diagnóstico</p><p>precoce pode aumentar as chances de uma devida recuperação a</p><p>depender das particularidades do paciente.</p><p>Adicionalmente a isso, se faz possível compreender, também, que</p><p>existem diferentes especificidades representadas pela condição que</p><p>o indivíduo que busca a avaliação neuropsicológica pode</p><p>apresentar. De modo geral, a função desse tipo de exame é atender</p><p>sujeitos que, em razão de alguma dificuldade cognitiva, desconfiam</p><p>que o seu problema pode ser originado por algum distúrbio. Este, por</p><p>sua vez, pode se adequar a distintos tipos, como já evidenciado</p><p>anteriormente, e que atingem as qualidades cognitivas das pessoas</p><p>de formas particulares. Dentre os principais distúrbios cognitivos</p><p>identificáveis por meio de uma avaliação neuropsicológica, pode-se</p><p>citar, portanto:</p><p>• Dislexia;</p><p>• Hiperatividade;</p><p>• Transtorno de déficit de atenção (TDA);</p><p>• Transtornos globais do desenvolvimento (TGD);</p><p>• Patologias neurodegenerativas;</p><p>• Atraso do desenvolvimento cognitivo;</p><p>• Epilepsia;</p><p>• Acidente Vascular Cerebral (AVC);</p><p>• Traumatismo Cranioencefálico (TCE).</p><p>Cada uma dessas condições particulares, portanto, apresentam a</p><p>semelhança de atingir as capacidades cognitivas dos indivíduos</p><p>afetados, em razão da alteração, limitação ou prejudicamento do</p><p>funcionamento ou organização estrutural do cérebro. Apesar de tais</p><p>similaridades, no entanto, tendem a possuir a suas próprias</p><p>características particulares e, por decorrência disso, a sua plena</p><p>identificação durante o processo de avaliação neuropsicológica se</p><p>faz essencial para que o profissional da área consiga atingir um</p><p>diagnóstico assertivo e, em razão disso, indicar as atitudes a serem</p><p>tomadas, em conjunto com o paciente, para promover a sua devida</p><p>recuperação através do tratamento adequado.</p><p>Sendo utilizada na identificação de diferentes condições que</p><p>atingem as capacidades cognitivas de um dado paciente, a</p><p>avaliação neuropsicológica ainda pode ser efetivada de diferentes</p><p>formas, a depender das especificidades do sujeito em consulta que</p><p>são observadas pelo próprio profissional neuropsicólogo já no início</p><p>da primeira consulta. Esse momento inicial é, afinal, destinado para a</p><p>efetivação da anamnese, através da coleta de dados e informações</p><p>relevantes acerca do paciente, seguida da avaliação em si.</p><p>Figura 4 – Os diferentes conhecimentos desenvolvidos pelo homem no decorrer da</p><p>história. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>1.3.1 Os diferentes métodos de efetivação da avaliação</p><p>neuropsicológica</p><p>Com base no que foi evidenciado anteriormente nesse capítulo, é</p><p>possível compreender que a presença e capacitação do profissional</p><p>da neuropsicologia é essencial para que o processo de avaliação de</p><p>um dado paciente nesse ramo de pesquisa e atuação seja</p><p>devidamente cumprida da maneira adequada. Sendo assim, é</p><p>indispensável que o indivíduo que promove esse tipo de atividade,</p><p>visando compreender melhor as características do seu paciente,</p><p>construindo o seu perfil cognitivo de maneira efetiva e atingindo o</p><p>seu diagnóstico, deve entender as diferentes formas de propiciar</p><p>esse tipo de avaliação, algo que pode ser feito por intermédio de</p><p>métodos distintos. Vejamos:</p><p>I. Avaliação através de testes padronizados: Uma das maneiras</p><p>mais eficazes de cumprir com uma avaliação neuropsicológica e, a</p><p>partir disso, elaborar o perfil cognitivo de um paciente se faz por meio</p><p>de testes padronizados que facilitam o trabalho do profissional</p><p>neuropsicólogo em entender as particularidades do seu cliente e,</p><p>com isso, considerar as possibilidades para o seu diagnóstico. Assim</p><p>sendo, essa medida costuma utilizar exames de imagens,</p><p>ferramentas avaliativas e, ainda, exames bioquímicos com</p><p>qualidades padrões e que podem ser aplicados nos pacientes para</p><p>entender os seus aspectos neurológicos e psicológicos;</p><p>II. Avaliação das funções executivas: Adicionalmente ao item</p><p>anteriormente discutido, existem algumas qualidades cognitivas do</p><p>indivíduo em consulta que, também, devem ser devidamente</p><p>consideradas durante o processo avaliativo, visando proporcionar a</p><p>construção precisa de um perfil cognitivo do indivíduo. Por esse</p><p>motivo, se faz importante promover a avaliação das funções</p><p>executivas do paciente, isto é, testes utilizados para garantir a</p><p>compreensão do neuropsicólogo acerca da capacidade cognitiva</p><p>do seu paciente em manifestar e controlar as suas emoções, assim</p><p>como os seus pensamentos e comportamentos, todos aspectos</p><p>inerentemente importantes para o cumprimento dos procedimentos</p><p>terapêuticos, inclusive na TCC;</p><p>III. Avaliação da cognição social: Por outro lado, o entendimento</p><p>em relação à qualidade da cognição social do paciente também é</p><p>de grande importância para que a sua avaliação seja devidamente</p><p>feita e, com isso, o seu diagnóstico seja plenamente atingido. Nesse</p><p>método avaliativo, a intenção é compreender melhor como o sujeito</p><p>em consulta na neuropsicologia usa as suas capacidades cognitivas</p><p>e emocionais para perceber e interpretar o mundo social que o</p><p>cerca, algo relevante para a propiciação da sua plena vida em</p><p>sociedade de forma qualitativa. Tal aspecto pode interferir, ainda,</p><p>nas relações interpessoais desse sujeito, o que apenas reafirma a</p><p>importância de conduzir esse tipo de avaliação durante os</p><p>procedimentos neuropsicológicos, de modo a compreender, de fato,</p><p>as suas especificidades;</p><p>IV. Avaliação das capacidades visuais e espaciais: Por fim, um</p><p>outro processo avaliativo que pode ser importante na efetivação das</p><p>atividades da neuropsicologia são os testes que visam compreender,</p><p>com mais detalhes, as capacidades visuais e espaciais de um</p><p>determinado paciente, podendo ser efetivado, também, através de</p><p>questionários padronizados que buscam analisar a percepção que o</p><p>sujeito tem do espaço e como este enxerga os ambientes, objetos e</p><p>pessoas ao seu redor. A intenção é identificar algum déficit nessas</p><p>questões que, por sua vez, podem representar uma dificuldade</p><p>cognitiva mais grave.</p><p>Levando em consideração essas informações, é possível</p><p>compreender, com efetividade, como o processo avaliativo durante</p><p>os procedimentos da neuropsicologia se faz importante para o pleno</p><p>entendimento acerca das características particulares do paciente e,</p><p>com isso, a definição das suas condições específicas através de um</p><p>diagnóstico assertivo. É apenas a partir disso, portanto, que o</p><p>profissional desse ramo do cuidado da mente e da saúde do cérebro</p><p>consegue identificar os problemas específicos daquele indivíduo e,</p><p>em decorrência disso, analisar os caminhos que devem ser tomados</p><p>a partir dali para promover a sua melhoria. Com isso, o processo de</p><p>tratamento neuropsicológico pode ser iniciado, algo que ainda pode</p><p>ser plenamente complementado pelo uso das medidas de terapia</p><p>cognitivo-comportamental, o que garante a compreensão do perfil</p><p>cognitivo do paciente para melhorar os seus comportamentos,</p><p>manifestações emocionais e, ainda, sua forma de lidar com os seus</p><p>próprios pensamentos, sobretudo os que se dão de forma</p><p>automática.</p><p>RESUMINDO</p><p>Tendo em vista o conteúdo abordado até aqui, fica possível concluir o</p><p>desenvolvimento do primeiro capítulo desse módulo. Deu para</p><p>compreender as informações</p><p>dispostas até aqui? Para garantir,</p><p>reservamos esse momento para resumir tudo o que foi posto no decorrer</p><p>desse capítulo, vamos lá? Primeiramente, foi evidenciado que a</p><p>neuropsicologia é um importante ramo profissional e de pesquisa, na</p><p>medida em que tenta compreender como as especificidades neurológicas</p><p>de um determinado indivíduo podem se fazer influentes para a</p><p>manutenção da sua saúde psicoemocional. Dessa maneira,</p><p>compreende-se que os aspectos cognitivos das pessoas, tais como a sua</p><p>capacidade de memorização, convívio social e aprendizado, podem ser</p><p>prejudicadas em razão de um funcionamento cerebral inadequado, algo</p><p>que é devidamente investigado por meio da avaliação neuropsicológica</p><p>que averigua tais aspectos. Com isso, existem diferentes métodos de</p><p>efetivar essa avaliação, na medida em que estes buscam analisar a saúde</p><p>do cérebro do paciente e como esta se relaciona com a sua cognição,</p><p>algo que é evidenciado por meio da sua sociabilidade, noção de espaço e</p><p>visualização, bem como as suas funções executivas.</p><p>C A P Í T U L O 2</p><p>A relação entre a TCC e a</p><p>neuropsicologia</p><p>OBJETIVO: Durante a leitura desse capítulo, você irá compreender</p><p>quais são as principais características da neuropsicologia que</p><p>podem a fazer relacionada com a terapia</p><p>cognitivo-comportamental. Além disso, será elencado como</p><p>acontece o processo de reabilitação neuropsicológica de um</p><p>paciente e a função do profissional neuropsicólogo.</p><p>2.1 Como a terapia cognitivo-comportamental pode</p><p>se associar à neuropsicologia</p><p>Como evidenciado nas discussões fomentadas no capítulo anterior,</p><p>a neuropsicologia é uma área de atuação que é efetivada através</p><p>da transdisciplinaridade, na medida em que une os conhecimentos</p><p>desenvolvidos no ramo da neurologia, que por sua vez busca</p><p>entender o funcionamento do cérebro humano, com aqueles</p><p>desempenhados na psicologia, que tenta compreender melhor a</p><p>mente de homem e as melhores formas de cuidar desta. Dessa</p><p>maneira, é possível observar que esse ramo de pesquisa e atuação</p><p>profissional se faz grandemente importante para a manutenção do</p><p>bem-estar e da saúde das pessoas, tendo em vista que considera</p><p>diferentes aspectos que podem influenciar na qualidade de vida.</p><p>Em decorrência disso, é importante considerar, durante os estudos</p><p>acerca da neuropsicologia, que as características cerebrais de um</p><p>determinado indivíduo podem ter uma influência direta nas suas</p><p>capacidades mentais, o que inclui os seus aspectos cognitivos, bem</p><p>como a manifestação das suas emoções. No decorrer da análise</p><p>acerca da terapia cognitivo-comportamental, por exemplo, se faz</p><p>possível entender que as particularidades cognitivas de um sujeito,</p><p>comumente desenvolvidas durante o seu processo de crescimento e</p><p>originando as suas crenças, podem ser fundamentais para a forma</p><p>como este lida com os seus sentimentos no dia-a-dia e, ainda, na</p><p>definição dos seus comportamentos cotidianos.</p><p>Figura 5 – A relação estabelecida pelo funcionamento neurológico do indivíduo e suas</p><p>capacidades cerebrais. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Assim sendo, analisar como as qualidades neurológicas de um</p><p>paciente da terapia pode interferir na sua capacidade de</p><p>memorização, aprendizagem e outras qualidades cognitivas é</p><p>essencial para atingir um diagnóstico assertivo acerca da sua</p><p>condição, ainda buscando os métodos e ferramentas adequados</p><p>para promover o seu devido tratamento. Para isso, é necessário que</p><p>aconteça um processo de avaliação neuropsicológica bem definida,</p><p>sendo propiciada por um profissional qualificado e com uma plena</p><p>compreensão em relação aos aspectos dessas duas linhas do</p><p>conhecimento que interseccionam entre si e, em decorrência disso,</p><p>forma o quadro neuropsicológico de cada pessoa, definindo como a</p><p>condição do seu cérebro é relevante para as suas funções</p><p>cognitivas.</p><p>Com isso, compreende-se que a neuropsicologia pode</p><p>interseccionar, também, com a terapia cognitivo-comportamental,</p><p>na medida em que busca produzir um perfil cognitivo dos seus</p><p>pacientes, o que favorece a compreensão acerca da sua condição</p><p>particular e, a partir disso, da busca por um tratamento adequado.</p><p>Como visto no capítulo anterior, portanto, existem diferentes</p><p>condições, distúrbios e problemas neuropsicológicos que podem</p><p>interferir na capacidade do indivíduo de memorizar, aprender,</p><p>demonstrar suas emoções e interagir interpessoalmente e, sendo</p><p>assim, a avaliação neuropsicológica atua como uma forma de</p><p>identificar a raiz do problema para que, então, a solução seja</p><p>devidamente buscada através do tratamento.</p><p>Figura 6 – A atuação conjunta da neuropsicologia e da terapia como formas de manter a</p><p>saúde psicológica humana. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>É nessa condição que pode ser traçada a relação entre a</p><p>neuropsicologia e os métodos desenvolvidos para a efetivação da</p><p>TCC, na medida em que esta última busca compreender a origem</p><p>dos pensamentos automáticos disfuncionais através das crenças</p><p>cognitivas do paciente, visando também melhorar o seu</p><p>comportamento e forma de lidar com as suas próprias emoções,</p><p>bem como com o seu entorno social. Nota-se, assim, que apesar dos</p><p>pensamentos disfuncionais serem originados de crenças</p><p>desenvolvidas ao longo do crescimento do indivíduo, os distúrbios</p><p>identificáveis por meio de uma avaliação neuropsicológica também</p><p>podem interferir nesses aspectos, daí a relevância de entender a</p><p>relação entre os métodos terapêuticos cognitivo-comportamentais e</p><p>a neuropsicologia.</p><p>2.2 A terapia cognitivo-comportamental na</p><p>reabilitação neuropsicológica</p><p>Através das informações discorridas no decorrer desse módulo, é</p><p>possível compreender que tipo de relação pode ser formada entre o</p><p>ramo da neuropsicologia e a terapia cognitivo-comportamental. Isso</p><p>acontece, sobretudo, em razão do objetivo em comum que esses</p><p>dois elementos possuem em investigar e manter a saúde</p><p>psicoemocional dos indivíduos que vivem em sociedade e, em</p><p>decorrência disso, garantir a sua qualidade de vida e bem-estar</p><p>físico, emocional e psicológico. Para além disso, a neuropsicologia</p><p>também busca analisar as características cognitivas do paciente,</p><p>visando compreender como o estado e funcionamento do seu</p><p>cérebro pode afetar nestas e, após isso, apontar os tratamentos</p><p>adequados para tratá-las.</p><p>SAIBAMAIS</p><p>Visite o link abaixo para assistir ao vídeo “Reabilitação neuropsicológica!”,</p><p>publicado pelo canal Incantato Psicologia no ano de 2021. Neste, se faz</p><p>possível compreender os diferentes mecanismos e técnicas que podem</p><p>ser devidamente utilizados para promover o processo de reabilitação</p><p>neuropsicológica de um determinado paciente, levando em consideração</p><p>as suas características e necessidades particulares, como forma de</p><p>assegurar a sua saúde e bem-estar psicoemocional.</p><p>INCANTATO Psicologia. Reabilitação neuropsicológica! 2021. Disponível em:</p><p>https://youtu.be/iQaYy3XSACg. Acesso em: 25 de jun. de 2023.</p><p>https://youtu.be/iQaYy3XSACg</p><p>Dessa forma, é possível avaliar como a neuropsicologia busca, por</p><p>meio do processo de avaliação, compreender quais são as</p><p>especificidades que definem o perfil cognitivo de um determinado</p><p>paciente para que, então, se possa entender que problemas e</p><p>dificuldades este pode enfrentar em razão de déficits nas suas</p><p>características neuropsicológicas que, por sua vez, podem ser</p><p>definidas por problemas físicos, funcionais ou estruturais no cérebro.</p><p>A partir disso, se faz capaz de compreender, enfim, que condição</p><p>aquele indivíduo possui e, em razão disso, buscar as formas de</p><p>tratamento adequadas para garantir a sua melhoria. É nesse</p><p>contexto, então, que surge a necessidade de compreender o</p><p>conceito de reabilitação neuropsicológica e como esta pode ser</p><p>devidamente efetivada. Observe:</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>Como destacado através das informações anteriores, a neuropsicologia é</p><p>o campo que busca, através da transdisciplinaridade, compreender as</p><p>qualidades psicológicas das pessoas através das suas particularidades</p><p>neurológicas. Dessa forma, entende-se que a reabilitação</p><p>neuropsicológica é um processo que se faz associado e presente nesse</p><p>ramo de atuação profissional, buscando o desenvolvimento</p><p>de atividades</p><p>de terapia que contribuem para a melhoria das alterações cognitivas do</p><p>indivíduo em processo de tratamento através da neuropsicologia. Com</p><p>isso, qualidades como a sua memória, raciocínio, atenção e capacidade</p><p>de aprendizagem são beneficiados por parte dessa reabilitação, que visa</p><p>restaurá-las ao seu caráter funcional.</p><p>Em vista disso, é necessário considerar, ainda, que cada paciente</p><p>possui as suas necessidades individuais que devem ser devidamente</p><p>identificadas e reconhecidas durante o processo de avaliação</p><p>neuropsicológica, que se efetiva através da anamnese e outras</p><p>etapas já discutidas anteriormente neste módulo. Existem, afinal,</p><p>diferentes condições e transtornos que podem impactar diretamente</p><p>as alterações cognitivas de um indivíduo e que, em razão disso,</p><p>devem ser plenamente consideradas na chegada ao seu</p><p>diagnóstico e, enfim, na busca pelos métodos necessários para</p><p>promover o seu tratamento e melhoria. Além disso, a reabilitação</p><p>neuropsicológica também pode ser essencial para o tratamento de</p><p>comportamentos erráticos advindos de disfunções cerebrais e</p><p>psicoemocionais, o que indica, desde então, a sua relação com os</p><p>métodos da terapia cognitivo-comportamental e as suas principais</p><p>finalidades como uma ferramenta de melhoria cognitiva,</p><p>comportamental e emocional do sujeito que busca seus recursos</p><p>para garantir a manutenção da sua qualidade de vida.</p><p>Assim sendo, a reabilitação neuropsicológica pode, por si só, ser</p><p>efetivada através de diferentes métodos que, com base nisso, devem</p><p>se fazer devidamente adequados para o paciente e as suas</p><p>características cognitivas, psicoemocionais e comportamentais</p><p>específicas, levando em consideração, também, o seu diagnóstico e</p><p>necessidades individuais. Com isso, nota-se que as atividades desse</p><p>método terapêutico devem ser devidamente planejadas, podendo</p><p>abranger desde sessões individuais com o paciente, até mesmo</p><p>sessões em grupo que envolve os seus familiares e outros sujeitos</p><p>que se fazem importantemente presentes na rotina diária do</p><p>indivíduo em processo de tratamento. A intenção pode ser, então,</p><p>atingir diferentes objetivos que se associam ao processo de</p><p>reabilitação, como será visto com mais detalhes a seguir.</p><p>Figura 7 – Os diferentes aspectos particulares do paciente a serem considerados durante</p><p>seu tratamento neuropsicológico. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>2.2.1 Os objetivos da reabilitação neuropsicológica e seus</p><p>métodos</p><p>Como citado anteriormente, as sessões que promovem a</p><p>reabilitação neuropsicológica dos pacientes com algum transtorno</p><p>ou disfunção cognitiva e comportamental podem acontecer de</p><p>diferentes formas e, a partir disso, promover distintos objetivos que,</p><p>por sua vez, se adequam às especificidades do paciente. Sendo</p><p>assim, é notado que as sessões individuais entre o sujeito em</p><p>processo de tratamento e o seu neuropsicólogo tem por finalidade</p><p>conhecer melhor esse indivíduo e as suas características</p><p>particulares, ainda promovendo as medidas necessárias para</p><p>assegurar a sua própria melhoria através de hábitos saudáveis e que</p><p>buscam sanar as dificuldades derivadas da sua disfunção. Por outro</p><p>lado, existem sessões em grupo, em que os demais sujeitos próximos</p><p>ao paciente são envolvidos em uma tentativa de garantir a sua</p><p>participação no processo de melhoria desse sujeito e o melhor</p><p>entendimento acerca do seu diagnóstico e perfil cognitivo.</p><p>Em decorrência disso, pode-se concluir que as principais finalidades</p><p>desempenhadas por esse tipo de tratamento neuropsicológico é,</p><p>afinal, garantir a melhoria da qualidade de vida e do bem-estar</p><p>psicoemocional do sujeito em tratamento, algo que também é</p><p>diretamente refletido nas suas relações interpessoais cotidianas e,</p><p>por decorrência disso, também melhora não só esses</p><p>relacionamentos em si, como a própria qualidade de vida individual</p><p>dos demais sujeitos que se fazem presentes na rotina do paciente.</p><p>Adicionalmente a isso, é esperado que as sessões da</p><p>neuropsicologia busquem assegurar a plena participação do</p><p>indivíduo na busca pela sua efetiva melhoria e, com isso, garantir a</p><p>sua adaptação aos seus aspectos psicossociais e cognitivos</p><p>particulares, o que resulta na manutenção da sua independência e</p><p>capacidade de lidar com as suas tarefas cotidianas de maneira</p><p>autônoma.</p><p>Por decorrência disso, é de suma importância que o processo</p><p>avaliativo durante as primeiras consultas do paciente com o</p><p>neuropsicólogo seja efetivado da maneira adequada, na medida em</p><p>que é necessário atingir um diagnóstico e, em adição a isso,</p><p>promover a construção do perfil cognitivo daquele indivíduo, visando</p><p>enxergar as suas qualidades individuais e necessidades particulares.</p><p>O profissional do campo da neuropsicologia deve, portanto, ter um</p><p>conhecimento pleno do seu cliente para que possa definir os</p><p>caminhos a serem tomados no decorrer da sua reabilitação. Por isso,</p><p>nota-se que esse tipo de tratamento pode ser indicado para</p><p>diferentes indivíduos, em especial aqueles que apresentam</p><p>condições cognitivas ou psicossociais que interferem no seu</p><p>comportamento e capacidade de cumprir com as suas atividades</p><p>rotineiras, tais como:</p><p>• Distúrbios de memória;</p><p>• Distúrbios de comportamento;</p><p>• Distúrbios visuais e espaciais;</p><p>• Distúrbios na linguagem;</p><p>• Distúrbios de atenção e concentração;</p><p>• Dificuldades em raciocinar, julgar e planejar de maneira lógica;</p><p>• Isolamento social;</p><p>• Dificuldades na orientação espacial;</p><p>• Falta de iniciativa;</p><p>• Dificuldade em processar informações.</p><p>Tomando como base isso, é possível perceber que cada uma dessas</p><p>condições e distúrbios pode afetar a qualidade de vida do paciente</p><p>da neuropsicologia de formas distintas, também influenciando na</p><p>sua capacidade de lidar com as atividades rotineiras, que por sua</p><p>vez podem estar associadas à sua rotina doméstica, profissional,</p><p>acadêmica ou escolar e, ainda, social ou familiar. Por decorrência</p><p>disso, é ainda notável que esses tipos de particularidades cognitivas</p><p>interferem diretamente na habilidade do sujeito em tratamento de</p><p>lidar com os seus relacionamentos, algo que reafirma a importância</p><p>do envolvimento das pessoas que convivem com ele nesse processo</p><p>de reabilitação, de modo a não só contribuir para a sua melhoria,</p><p>como também compreender a sua condição específica.</p><p>ACESSE</p><p>Para compreender melhor como a atuação de um profissional do ramo da</p><p>neuropsicologia pode ser efetivada, acesse o link abaixo e assista ao vídeo</p><p>“O que faz um neuropsicólogo?”, publicado pelo canal Mancini Psiquiatra e</p><p>Psicologia no ano de 2017. Neste, é possível compreender alguns dos</p><p>principais detalhes acerca desse campo de atuação, analisando o papel</p><p>do neuropsicólogo na manutenção da saúde psicológica das pessoas no</p><p>percurso do seu cotidiano.</p><p>MANCINI Psiquiatra e Psicologia. O que faz um neuropsicólogo? 2017.</p><p>Disponível em: https://youtu.be/Ezq-Vt_gcHw. Acesso em: 25 de jun. de</p><p>2023.</p><p>Sendo, então, o perfil cognitivo devidamente construído e o distúrbio</p><p>ou disfunção do paciente plenamente identificado, se faz capaz que</p><p>o profissional da neuropsicologia busque a aplicação dos métodos</p><p>de tratamentos que favorecem a melhoria da vida do indivíduo</p><p>através de medidas terapêuticas que permitem o</p><p>autoconhecimento desse sujeito acerca das suas próprias</p><p>características individuais e, a partir disso, a utilização de</p><p>metodologias e ferramentas que asseguram a sua melhoria. Por isso,</p><p>é comum que a própria TCC seja utilizada como uma medida de</p><p>reabilitação neuropsicológica, na medida em que permite que o</p><p>indivíduo que possui alguma disfunção cognitiva reconheça os seus</p><p>pensamentos e comportamentos disfuncionais, buscando</p><p>melhorá-los.</p><p>Adicionalmente a isso, a conversação periódica com um profissional</p><p>desse ramo terapêutico também pode ser de indescritível relevância</p><p>na propiciação da reabilitação do paciente, na medida em que o</p><p>https://youtu.be/Ezq-Vt_gcHw</p><p>terapeuta tem por finalidade guiar o paciente em direção a hábitos</p><p>de vida saudáveis, também fazendo as provocações necessárias</p><p>para que este busque propiciar a sua própria melhoria. Isso pode ser</p><p>efetivado, portanto, através de encontros</p><p>semanais em sessões de</p><p>terapia cuja duração pode ser variável, comumente se dando em</p><p>cerca de 50 minutos por semana, havendo, em casos específicos, a</p><p>necessidade de haver mais de uma sessão por semana de modo a</p><p>atender às especificidades daquele indivíduo com base no seu</p><p>diagnóstico e os problemas que busca sanar por meio do processo</p><p>de tratamento.</p><p>Nesses encontros, além do diálogo entre o neuropsicólogo e o seu</p><p>paciente, também deve existir a oportunidade para a realização de</p><p>atividades terapêuticas que são previamente planejadas, levando</p><p>em consideração as necessidades individuais do sujeito em</p><p>processo de tratamento, para que a manutenção da sua qualidade</p><p>de vida seja de fato propiciada. Sendo assim, é interessante que o</p><p>profissional promova a construção de uma programação agendada</p><p>antes das sessões, definindo o que será trabalhado em cada uma</p><p>delas e como isso pode ser efetivado, algo que, para garantir a sua</p><p>facilitação, pode acontecer por intermédio de materiais impressos</p><p>ou do computador como forma de registrar tais atividades e o</p><p>progresso do paciente. Além disso, o indivíduo em consulta pode ou</p><p>não ter um conhecimento também prévio acerca dos exercícios a</p><p>serem desempenhados nas sessões, algo que dependerá da sua</p><p>condição e se o profissional julga benéfico que ele tenha tal</p><p>informação antes da sessão.</p><p>Com isso, o neuro-terapeuta pode se utilizar de diferentes métodos</p><p>que contribuem para a efetivação do tratamento dos seus</p><p>pacientes, incluindo o treino cognitivo que, em razão disso, tem a</p><p>finalidade de promover atividades que culminam no uso e exercícios</p><p>das capacidades de memória, atenção e outras funções executivas</p><p>do paciente, assegurando uma devida adaptação das suas</p><p>condições cognitivas ao seu cotidiano, sem desconsiderar a sua</p><p>patologia ou disfunção. Por outro lado, o profissional também pode</p><p>promover o contato do paciente com situações específicas através</p><p>da simulação, de modo a exercitar a sua capacidade de lidar com</p><p>as adversidades que podem, então, surgir no seu dia-a-dia e, assim</p><p>sendo, desenvolver estratégias para lidar com estas de forma</p><p>adequada e funcional.</p><p>Figura 8 – As capacidades cognitivas que podem ser exercitadas por meio do treino</p><p>cognitivo. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Também é aconselhável que o indivíduo em tratamento</p><p>neuropsicológico, em conjunto com o profissional que o atende,</p><p>busque construir estratégias compensatórias que vão além do seu</p><p>próprio comportamento, isto é, que se utilizam de ferramentas</p><p>externas a si para facilitar a sua qualidade de vida e o cumprimento</p><p>das suas obrigações rotineiras. Isso, por sua vez, pode ser efetivado</p><p>através de adaptações no meio onde esse sujeito se insere</p><p>cotidianamente, bem como da utilização de mecanismos que</p><p>podem atuar como apoio durante a sua vida diária, tais como uma</p><p>agenda, despertador, anotações em post-it e outros instrumentos</p><p>que podem compensar nas suas características cognitivas, como a</p><p>memória, a organização e a atenção às suas atividades.</p><p>IMPORTANTE</p><p>Por fim, também é possível que as estratégias compensatórias também</p><p>utilizem recursos tecnológicos que, então, buscam facilitar o cumprimento</p><p>das tarefas cotidianas do paciente da neuropsicologia. Com isso, é</p><p>possível que o indivíduo use, ainda, de placas, associações nominais e</p><p>lembretes nos seus equipamentos tecnológicos, como o celular ou o</p><p>computador, que visam permitir que informações, acontecimentos e</p><p>eventos importantes da sua rotina não sejam esquecidos e, em razão</p><p>disso, as suas capacidades psicossociais, cognitivas e comportamentais</p><p>sejam devidamente exercitadas, na mesma medida em que este faz bom</p><p>proveito dos recursos que possui ao seu redor para garantir a execução</p><p>dos seus afazeres de forma adequada no decorrer do dia-a-dia.</p><p>2.3 O conceito de neuropsicologia clínica e sua</p><p>relação com a TCC</p><p>Com base no que foi estudado até aqui, se faz capaz de</p><p>compreender que a neuropsicologia contribui para o estudo do</p><p>cérebro, levando em consideração como as suas características</p><p>podem interferir na manutenção do bem-estar físico e psicológico</p><p>das pessoas. Tendo em vista isso, foi entendido que a TCC se</p><p>relaciona com as atividades da neuropsicologia, na medida em que</p><p>alguma condição específica do indivíduo pode ocasionar distúrbios</p><p>psicoemocionais ou disfunções cognitivas que podem ser, como</p><p>evidenciado, devidamente tratados através dos métodos e</p><p>ferramentas utilizados nesse tipo de atividade terapêutica e do</p><p>campo da saúde. Assim sendo, compreender a relação entre esses</p><p>dois ramos é essencial na busca pela garantia da qualidade de vida</p><p>dos pacientes com transtornos ou outras condições que afetam</p><p>suas funções cognitivas.</p><p>Dessa maneira, se faz necessário entender que a neuropsicologia</p><p>clínica é uma das principais modalidades desse campo de atuação,</p><p>na medida em que corresponde aos procedimentos que acontecem</p><p>através do contato direto do profissional da área com os pacientes</p><p>que buscam esse tipo de tratamento para compreender as suas</p><p>próprias características neuropsicológicas e como estas podem</p><p>estar assim sendo, relacionadas a possíveis problemas que se fazem</p><p>presentes na sua rotina. Em decorrência disso, compreende-se que</p><p>esse campo de aplicação da neuropsicologia busca considerar os</p><p>conhecimentos desenvolvidos no ramo para analisar como uma</p><p>lesão ou patologia no cérebro de uma determinada pessoa pode</p><p>resultar em disfunções das suas capacidades cognitivas e</p><p>psicoemocionais, também influenciando no seu comportamento.</p><p>A finalidade principal é, então, promover um diagnóstico, visando</p><p>entender como o bem-estar físico, funcional e estrutural do cérebro</p><p>pode ser influente para os aspectos cognitivos e comportamentais</p><p>das pessoas, na medida em que o seu prejudicamento pode resultar</p><p>em consequências negativas que afetam esses sujeitos e a sua</p><p>capacidade de cumprir com as suas atividades cotidianas e manter</p><p>as relações interpessoais presentes em seu meio. Para além disso, é</p><p>também relevante que os procedimentos da neuropsicologia</p><p>clínicas busquem o desenvolvimento e aplicação de métodos de</p><p>tratamento para essas patologias cerebrais, de modo a contribuir</p><p>para a manutenção da qualidade de vida dos pacientes e, dessa</p><p>forma, propiciar a sua melhoria mediante a identificação e</p><p>quantificação das lesões presentes nessa estrutura do corpo</p><p>humano.</p><p>Para que isso se faça possível, se faz preciso, também, considerar</p><p>que as lesões neurológicas podem apresentar um caráter local ou</p><p>difusa, também podendo ter diferentes fatores originários, como a</p><p>predisposição genética em razão da hereditariedade, isto é, algo que</p><p>pode ser herdado por um indivíduo dos seus pais. Fora isso, esse tipo</p><p>de lesão também pode ser resultante de formações congênitas</p><p>erráticas, ainda podendo ser intensificado por fatores externos</p><p>associados ao ambiente ou hábitos de vida desempenhados pelo</p><p>paciente. Por esse motivo, é necessário que o profissional</p><p>neuropsicólogo desempenhe os métodos necessários para a</p><p>identificação desses problemas, também sendo capaz de apontar a</p><p>sua origem e os fatores que puderam origina-los para que, então, se</p><p>faça possível promover um processo de recuperação ou adaptação</p><p>do indivíduo à sua própria condição de modo qualitativo e</p><p>adequado.</p><p>Com isso, é possível avaliar que os profissionais desse campo de</p><p>atuação da neuropsicologia tendem a exercer as suas atividades de</p><p>trabalho no ambiente clínico especializado, que deve oferecer a este</p><p>as ferramentas adequadas para promover não apenas o processo</p><p>de diagnóstico inicial, como também uma avaliação contínua dos</p><p>pacientes, com o objetivo de acompanhar a evolução da patologia</p><p>ou lesão neurológica e, a partir disso, evidenciar a eficácia do</p><p>processo de tratamento. Em adição a isso, esse indivíduo também é</p><p>responsável por oferecer o laudo ao seu paciente, que também pode</p><p>ser enviado para um outro profissional médico que pode ter o</p><p>requisitado, de modo a evidenciar a condição neuropsicológica</p><p>específica daquele indivíduo, o que é importante para o</p><p>cumprimento das suas atividades cotidianas.</p><p>Por fim, é com base nisso, então,</p><p>que a efetivação da avaliação</p><p>neuropsicológica no ambiente clínico se faz essencial para o</p><p>estabelecimento das estratégias a serem utilizadas durante o</p><p>tratamento do indivíduo que necessita dos seus métodos e</p><p>instrumentos terapêuticas para melhorar e manter o seu bem-estar</p><p>físico e psicoemocional, assim como a sua qualidade de vida de um</p><p>modo geral, o que também reflete na sua capacidade de cumprir</p><p>com as suas obrigações rotineiras e manter os seus relacionamentos</p><p>interpessoais com os indivíduos ao seu redor. Isso pode ser efetivado</p><p>com pacientes de diferentes faixas etárias, se adequando às</p><p>especificidades representadas pela sua idade e, enfim, permite a</p><p>realização do processo de reabilitação neuropsicológica individual</p><p>que, por sua vez, pode usar de recursos terapêuticos da TCC para</p><p>contribuir para o tratamento do paciente da neuropsicologia.</p><p>RESUMINDO</p><p>Concluímos, aqui, a leitura desse segundo capítulo. Ficou tudo compreendido,</p><p>né? É de suma importância para a absorção dos seus conhecimentos que</p><p>nenhuma dúvida seja mantida. Por isso, que tal resumir tudo o que foi visto até</p><p>aqui e revisar o que foi aprendido? Então vamos lá! No início do capítulo, foi</p><p>denotado que a neuropsicologia é um campo de atuação que busca</p><p>compreender como as características físicas, funcionais e estruturas do cérebro</p><p>humano podem interferir no seu funcionamento cognitivo, comportamental e</p><p>emocional. Desse modo, foi entendido que a neuropsicologia se faz de grande</p><p>importância para a investigação das especificidades psicológicas de um</p><p>determinado sujeito, podendo ser devidamente utilizada para averiguar</p><p>condições emocionais particulares. Além disso, o processo de reabilitação</p><p>neuropsicológica é utilizado para manter a saúde do sujeito em tratamento,</p><p>ainda atuando no exercício das funções executivas do paciente. Por isso, a</p><p>importância das sessões feitas com a presença do profissional neuropsicólogo</p><p>para entender melhor o sujeito em tratamento e promover sua melhoria.</p><p>C A P Í T U L O 3</p><p>A neuropsicologia clínica e os</p><p>transtornos de humor</p><p>OBJETIVO: No percurso desse capítulo, serão estudados os principais</p><p>elementos que definem a neuropsicologia clínica como um ramo de</p><p>atuação que busca promover o tratamento de diferentes patologias</p><p>que afetam o funcionamento neurológico do cérebro humano. Além</p><p>disso, serão elencados os principais transtornos emocionais e suas</p><p>características individuais.</p><p>3.1 A neuropsicologia clínica e o tratamento de</p><p>problemas neurológicos</p><p>No decorrer desse módulo, foi possível avaliar como a</p><p>neuropsicologia se efetiva através dos estudos acerca das</p><p>condições específicas do cérebro e como estas podem,</p><p>efetivamente, influenciar no bem-estar emocional, psicológico e</p><p>cognitivo de cada indivíduo em sociedade. Nesse sentido, nota-se</p><p>que existem distintos campos de atuação dessa área, que podem</p><p>ser voltados desde a pesquisa até a prática, como é o caso da</p><p>neuropsicologia clínica que, por sua vez, busca compreender os</p><p>métodos e ferramentas adequados para realizar a avaliação</p><p>neuropsicológica dos pacientes desse ramo e, então, identificar as</p><p>melhores formas de promover o seu tratamento, levando em</p><p>consideração as suas necessidades e o diagnóstico obtido.</p><p>Percebe-se, em razão disso, que existem diferentes patologias ou</p><p>problemas associados ao funcionamento e organização estrutural</p><p>do cérebro que podem influenciar na capacidade de memorização,</p><p>aprendizagem e raciocínio das pessoas e, dessa forma, a</p><p>neuropsicologia se mantém como um campo de grande relevância,</p><p>na medida em que busca cumprir com a plena identificação dessas</p><p>condições para que, então, se possa atingir um laudo adequado</p><p>para cada paciente e, enfim, indicar quais medidas devem ser</p><p>tomadas para que esse sujeito atinja a sua melhora ou se adapte a</p><p>um novo padrão de vida que, assim, permite a efetivação das suas</p><p>atividades cotidianas, independentemente das suas dificuldades</p><p>individuais. Vejamos melhor através do esquema:</p><p>Figura 9 – Os diferentes objetivos que podem ser atingidos por meio da neuropsicologia.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>É observável, então, que doenças como o Alzheimer e outras</p><p>síndromes associadas ao gene do paciente podem interferir nas</p><p>suas capacidades cognitivas e, por esse motivo, é necessário que o</p><p>sujeito passe por uma avaliação neuropsicológica de qualidade</p><p>para que sua patologia seja devidamente identificada e, a partir</p><p>disso, o seu tratamento seja iniciado. Adicionalmente a isso, também</p><p>existem outras condições que podem interferir na qualidade do seu</p><p>funcionamento neurológico e, por consequência, nos seus aspectos</p><p>cognitivos, emocionais e comportamentais, como os disfasias, os</p><p>acidentes vasculares cerebrais, a epilepsia e as sequelas de traumas</p><p>cranianos que, quando não identificados com eficiência e rapidez e,</p><p>então, tratados da maneira adequada, podem interferir</p><p>negativamente na qualidade de vida do paciente.</p><p>Figura 10 – Alguns dos principais problemas que podem interferir na saúde</p><p>neuropsicológica das pessoas. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Além de permitir a plena identificação da patologia que o paciente</p><p>possui, destacando como esta interfere nas suas características</p><p>cognitivas e, assim, na sua capacidade de cumprir com os seus</p><p>afazeres durante o dia-a-dia, o processo de avaliação também faz</p><p>uso de prognósticos e, levando em consideração as evidências</p><p>neurológicas observadas naquele indivíduo, estabelece as melhores</p><p>formas de propiciar o seu tratamento. Fora isso, também é</p><p>importante destacar que esse processo avaliativo não começa e</p><p>termina nas primeiras sessões clínicas da neuropsicologia, tendo em</p><p>vista que precisam ser feitas de forma periódica para que o</p><p>progresso do tratamento seja, de fato, atestado e registrado, assim</p><p>como a situação da doença, que pode variar com o passar do</p><p>tempo, seja avaliado, algo que também reflete na assertividade do</p><p>método de tratamento escolhido.</p><p>Então, se faz necessário que o indivíduo neuropsicólogo que efetiva</p><p>esse processo de avaliação e reconhecimento das qualidades</p><p>neurológicas e cognitivas do seu paciente tenha, também, um</p><p>conhecimento assertivo acerca das mais importantes qualidades da</p><p>sua vida pregressa, isto é, que se deram antes mesmo do surgimento</p><p>dos primeiros sintomas que levaram aquele indivíduo a buscar a</p><p>ajuda profissional no campo da neuropsicologia e que, assim sendo,</p><p>contribuem para que compreenda-se as suas particularidades, as</p><p>possibilidades para um diagnóstico e os possíveis motivos que</p><p>levaram ao desenvolvimento daquela condição neuropatológica. Em</p><p>adição a isso, também pode ser efetivado o uso de testes</p><p>padronizados que, então, favorecem o entendimento das</p><p>habilidades cognitivas do paciente e sua condição durante a</p><p>consulta.</p><p>ACESSE</p><p>Para compreender melhor como o profissional do ramo da</p><p>neuropsicologia pode efetivar o processo de avaliação com os seus</p><p>pacientes, acesse o link disponibilizado a seguir e assista ao vídeo</p><p>“AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA”, publicado pelo canal Clínica da Mente</p><p>no ano de 2018, que discute commais detalhes o processo de averiguação</p><p>das características particulares do paciente.</p><p>CLÍNICA da Mente. AVALIAÇÃO NEUROPSICOLÓGICA. 2018. Disponível em:</p><p>https://youtu.be/EJNmimvGHYY. Acesso em: 27 de jun. de 2023.</p><p>É importante, então, utilizar-se de estratégias que favorecem a</p><p>observação e análise de características como a memória, o</p><p>raciocínio, a percepção espacial e a execução de atividades por</p><p>parte do indivíduo que se submete aos métodos da neuropsicologia,</p><p>tendo por objetivo enxergar as suas individualidades, relevantes não</p><p>só para a obtenção do diagnóstico adequado, como também para</p><p>o apontamento dos métodos a serem utilizados no decorrer do seu</p><p>tratamento. Os recursos de neuroimagem podem se fazer, aqui,</p><p>essenciais para que esses aspectos sejam devidamente analisados</p><p>por parte do neuro-terapeuta que efetiva tal processo avaliativo,</p><p>https://youtu.be/EJNmimvGHYY</p><p>permitindo que a interpretação do paciente em relação a estes seja</p><p>utilizada para atingir conclusões confiáveis e certificadamente</p><p>corretas sobre a</p><p>sua patologia neuropsicológica.</p><p>Dessa forma, é possível reavaliar como a neuropsicologia clínica se</p><p>faz de grande importância para a manutenção da saúde e</p><p>qualidade de vida de diversas pessoas que, em razão de condições</p><p>neurológicas específicas que devem ser devidamente identificadas</p><p>no decorrer da sua avaliação, apresentam caráteres cognitivos</p><p>individuais que, então, podem interferir na sua vida cotidiana e</p><p>capacidade de cumprir com as suas atividades na rotina doméstica,</p><p>profissional ou escolar e mesmo social. Para tanto, é preciso que o</p><p>profissional do ramo apresente não apenas a competência de</p><p>efetivar os procedimentos neuropsicológicos de avaliação e</p><p>tratamento, como também conheça as especificidades que definem</p><p>as diferentes patologias que afetam as qualidades neurológicas,</p><p>cognitivas e comportamentais dos pacientes, de forma a garantir a</p><p>efetivação do tratamento.</p><p>3.2 Os transtornos de humor e os fatores que</p><p>influenciam sua origem</p><p>Foi discutido, até aqui, o papel do campo da neuropsicologia na</p><p>identificação e tratamento de condições patológicas que afetam o</p><p>funcionamento e organização estrutural do cérebro e, a partir disso,</p><p>também representam consequências negativas para o âmbito</p><p>cognitivo-comportamental do sujeito que apresenta tais</p><p>neuropatologias. Em razão disso, também é observado que os</p><p>transtornos emocionais podem se caracterizar como um dos</p><p>principais desafios para os indivíduos que, em razão das suas</p><p>particularidades neurológicas, são acometidos por esse tipo de</p><p>condição que interfere diretamente não só na sua cognição e as</p><p>habilidades associadas a esta, como também no seu</p><p>comportamento, expressão emocional e capacidade de manter</p><p>relações interpessoais de maneira adequada e funcional.</p><p>Pensando nisso, se faz viável investigar com mais detalhes as</p><p>principais características desse tipo de transtorno, buscando</p><p>compreender efetivamente como estes podem influenciar nos</p><p>comportamentos das pessoas, bem como na forma com este</p><p>expressa as suas emoções e, por decorrência disso, interfere na sua</p><p>capacidade de realizar os seus afazeres durante a sua rotina diária.</p><p>Para tanto, é preciso entender, antes de mais nada, como os</p><p>transtornos de humor podem ser conceitualizados, de maneira a</p><p>entender os seus aspectos centrais e a forma de identifica-los</p><p>durante o processo de avaliação neuropsicológica propiciada por</p><p>profissionais do ramo durante as sessões clínicas desse campo de</p><p>atuação. Vejamos, então, como esses transtornos podem ser</p><p>definidos:</p><p>DEFINIÇÃO</p><p>Os transtornos de humor, também comumente denominados de</p><p>transtornos afetivos, são um tipo de condição patológica que interfere</p><p>diretamente na maneira como o indivíduo acometido sente e expressa o</p><p>seu humor e afeto, também influenciando na sua energia, pensamentos e</p><p>comportamentos cotidianos em vista aos estímulos que se fazem</p><p>presentes no seu dia-a-dia. Sendo assim, esse tipo de transtorno pode</p><p>acontecer unicamente por meio de crises isoladas, ou, ainda, se</p><p>apresentarem em diferentes ocasiões da vida do indivíduo com um</p><p>caráter oscilador. Isso, no entanto, vai depender das particularidades do</p><p>paciente e como os seus aspectos psicossociais e neurológicos impactam</p><p>no seu humor e afeto.</p><p>Tomando como base isso, é possível perceber que os detalhes</p><p>específicos dos transtornos emocionais dependem não apenas das</p><p>qualidades individuais do paciente, como também do tipo de</p><p>transtorno que este experiência no decorrer da sua vida. Dessa</p><p>maneira, nota-se que existem episódios de depressão e de mania</p><p>que, por sua vez, interferem diretamente na capacidade do indivíduo</p><p>de cumprir com as suas atividades cotidianas, na medida em que</p><p>interfere não apenas nas suas emoções, mas também influencia na</p><p>sua capacidade de lidar com as tarefas rotineiras em razão do</p><p>desanimo e da mudança comportamental que comumente atinge</p><p>os pacientes que possuem esse tipo de condição. Por isso, se faz</p><p>relevante entender as especificidades dos transtornos emocionais,</p><p>de modo a averiguar as melhores formas de lidar com estes,</p><p>mediante a avaliação psicoemocional adequada e o diagnóstico</p><p>plenamente atingido.</p><p>Figura 11 – As principais consequências advindas das patologias neuropsicológicas.</p><p>Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Pode-se observar, também, que existem diferentes causas que</p><p>podem levar ao desenvolvimento de transtornos de humor ou afeto</p><p>em um determinado indivíduo. No entanto, antes de mais nada, é</p><p>preciso destacar que alteração de humor ocasionada por um</p><p>determinado tratamento ou medicação não pode ser definida como</p><p>um transtorno, na medida em que clinicamente classificada como</p><p>um efeito colateral destes, e não, de fato, uma alteração</p><p>psicoemocional resultante das dimensões que serão avaliadas no</p><p>decorrer desse capítulo. Independentemente disso, compreender os</p><p>diferentes tipos de fatores que podem influenciar no surgimento</p><p>dessas condições é de grande importância para o pleno</p><p>entendimento acerca dos transtornos de humor e suas origens.</p><p>Existem, portanto, diferentes tipos de fatores que se fazem presentes</p><p>na rotina ou mesmo no próprio organismo do indivíduo e que podem</p><p>ocasionar em transtornos de humor e, em razão disso, interferir</p><p>diretamente na sua rotina. Estes fatores, por sua vez, podem variar</p><p>desde elementos psicológicos, até qualidades biológicas que se</p><p>fazem associadas ao funcionamento do corpo do sujeito e suas</p><p>características neurológicas. Além disso, também existem fatores</p><p>socioculturais que também afetam diretamente o humor e</p><p>comportamento das pessoas em sociedade e, sendo assim, ainda</p><p>podem ser prejudiciais para a manutenção da sua saúde e</p><p>qualidade de vida quando não ligadas de maneira adequada.</p><p>Vejamos com mais detalhes:</p><p>• Fatores psicológicos: Inicialmente, um dos principais aspectos</p><p>que podem influenciar no humor de um determinado indivíduo são</p><p>as suas próprias características psicológicas. Sendo assim,</p><p>acontecimentos cotidianos que resultam, comumente, no acúmulo</p><p>de estresse ou, ainda, que estão associados a um determinado</p><p>trauma do sujeito podem, então, resultar em transtornos emocionais</p><p>cuja gravidade pode ser variável para cada indivíduo. Por</p><p>decorrência disso, é reafirmada a importância de um processo de</p><p>avaliação psicossocial adequado durante a consulta</p><p>neuropsicológica, tendo em vista que este contribui para a</p><p>identificação dos principais aspectos psicológicos que podem</p><p>interferir no bem-estar emocional e na manutenção do humor do</p><p>indivíduo em tratamento. Máximo (2010) ainda demonstra que</p><p>determinadas condições, como a própria depressão, podem ser</p><p>originadas de pensamentos disfuncionais, como a generalização,</p><p>que faz com que o indivíduo enxergue os acontecimentos ao seu</p><p>redor de forma unicamente negativa, ignorando os pontos positivos</p><p>do seu dia-a-dia;</p><p>• Fatores biológicos: Adicionalmente a isso, existem aspectos</p><p>biológicos do próprio organismo do paciente que devem, também,</p><p>ser devidamente conhecidos e considerados, na tentativa de</p><p>entender melhor a sua influência nas qualidades emocionais do</p><p>indivíduo e, em decorrência disso, investigar possíveis causas</p><p>originadoras para transtornos de humor. Com isso, entende-se que</p><p>aspectos como a genética, o próprio funcionamento e organização</p><p>do cérebro e suas estruturas neurológicas, hormônios e outros</p><p>mecanismos biológicos do indivíduo podem, quando levado em</p><p>conta os demais fatores, apresentar uma interferência considerável</p><p>nas emoções, humores e afetos desse paciente. Nesse sentido, é</p><p>enxergado que a análise isolada do sistema de neurotransmissão</p><p>dos pacientes é pouco relevante para a compreensão das suas</p><p>especificidades psicoemocionais, mas compreender como este se</p><p>relaciona com os aspectos psicossociais e socioculturais do</p><p>indivíduo pode ser relevante para entender a origem da sua</p><p>patologia;</p><p>• Fatores socioculturais: Finalmente, como já destacado</p><p>anteriormente, existem também fatores socioculturais que se fazem</p><p>presentes de forma cotidiana na vida de um determinado indivíduo</p><p>que busca os tratamentos clínicos da neuropsicologia e que podem</p><p>apresentar uma influência importante para a sua condição</p><p>emocional, não podendo ser efetivamente ignorado por parte do</p><p>profissional do ramo para compreender as suas especificidades e o</p><p>que define o seu transtorno de humor. Compreendido isso,</p><p>observa-se que aspectos como os laços afetivos do paciente são</p><p>grandemente relevantes para a manutenção da sua saúde</p><p>psicoemocional e, quando assumem um caráter insatisfatório ou são</p><p>rompidos, podem contribuir para o surgimento de um transtorno,</p><p>como a depressão. Barlow (2009) também destaca que os</p><p>transtornos também podem resultar no rompimento desses laços,</p><p>tendo em vista que a manutenção das relações interpessoais é</p><p>definitivamente dificultada por essas condições emocionais</p><p>específicas, tornando mais complicada a convivência com outros</p><p>indivíduos de maneira cotidiana.</p><p>Dessa forma, também se faz possível avaliar que a evolução de uma</p><p>determinada condição específica do paciente para, por exemplo,</p><p>sintomas depressivos, não pode ser condicionada por eventos</p><p>particulares e isolados que aconteceram na vida desse sujeito. Do</p><p>contrário, aspectos como o contexto, o significado e o sentido que o</p><p>indivíduo atribui aos acontecimentos do seu dia-a-dia é que se</p><p>fazem essenciais para a manutenção da sua qualidade psicossocial,</p><p>bem como os demais fatores importantes evidenciados</p><p>anteriormente. É o conjunto desses aspectos, portanto, que</p><p>comumente resulta nos transtornos de humor, como a depressão, e</p><p>interferem no bem-estar do indivíduo. Barlow (2009) ainda destaca</p><p>que a ansiedade e depressão se fazem comuns quando um sujeito é</p><p>obrigado a cumprir com algo que está fora de seu próprio controle.</p><p>Figura 12 – Os diferentes fatores a serem considerados durante a avaliação</p><p>neuropsicológica. Fonte: Elaborado pelo autor (2023).</p><p>Por esse motivo, se faz necessário considerar como as qualidades</p><p>psicossociais, biológicas e socioculturais podem integrar-se entre si</p><p>e, em decorrência disso, resultar no surgimento de transtornos de</p><p>humor que interferem na qualidade de vida de um determinado</p><p>indivíduo. Nesse contexto, também se enxerga que esses aspectos</p><p>não se relacionam com os transtornos emocionais apenas na</p><p>condição de possíveis causadores, como também possuem a sua</p><p>qualidade efetivamente danificada em razão do surgimento destes.</p><p>Isso se faz grandemente notado na dificuldade expressa pela</p><p>manutenção de relações interpessoais que um indivíduo possui ao</p><p>ter um determinado transtorno de humor. Percebe-se, com isso, que</p><p>a falta de relacionamentos funcionais e agradáveis pode, por</p><p>exemplo, ser um fator que origina o transtorno, enquanto que a</p><p>construção e mantimento de relacionamentos também é dificultada</p><p>quando tal transtorno não é devidamente tratado.</p><p>Adicionalmente a isso, ainda se faz evidenciado por Barlow (2009)</p><p>que, apesar do transtorno de bipolaridade ter índices semelhantes</p><p>entre homens e mulheres, o transtorno depressivo e seus</p><p>desdobramentos são mais comuns entre indivíduos do sexo</p><p>feminino, sobretudo em razão da intensificação originada de</p><p>aspectos associados à sua rotina sociocultural e, ainda, econômico.</p><p>Sendo assim, características como a pobreza e o enfrentamento de</p><p>perturbações cotidianas, como a descriminação e o assédio, podem</p><p>ser definitivos para o surgimento dessas condições psicoemocionais,</p><p>enquanto que, do contrário, sujeitos que possuem uma maior</p><p>independência financeira e, em seu ambiente social ou profissional,</p><p>mantém uma posição hierárquica favorável, exercendo um papel de</p><p>autoridade, também têm menos índices de desenvolvimento da</p><p>depressão.</p><p>SAIBAMAIS</p><p>Visite o link abaixo para ler à matéria “Mulheres têm mais ansiedade e</p><p>depressão no ambiente de trabalho”, publicado pelo portal oficial da</p><p>revista pernambucana Algomais no ano de 2023. Nesta, é possível</p><p>compreender algumas das principais especificidades que definem a</p><p>manifestação de problemas emocionais como a depressão em pacientes</p><p>do sexo feminino, demonstrando algumas das suas possíveis causas,</p><p>sintomas e características particulares.</p><p>MULHERES têm mais ansiedade e depressão no ambiente de trabalho.</p><p>Revista Algomais. 2023. Disponível em:</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-no-a</p><p>mbiente-de-trabalho/. Acesso em: 27 de jun. de 2023.</p><p>3.2.1 Os principais transtornos de humor e suas características</p><p>Como discutido no decorrer desse capítulo, os transtornos de humor</p><p>são condições que afetam o bom funcionamento das qualidades</p><p>cognitivas, comportamentais e emocionais das pessoas, podem ser</p><p>decorrentes de um conjunto de fatores que se fazem efetivamente</p><p>presentes no decorrer da sua rotina. Sendo assim, compreende-se</p><p>que existem diferentes tipos de transtornos emocionais, tendo cada</p><p>um deles as suas características centrais e que devem ser</p><p>efetivamente compreendidos por parte do profissional da</p><p>neuropsicologia, de modo a garantir a aplicação de métodos</p><p>terapêuticos que buscam reduzir os efeitos negativos destes no</p><p>organismo do paciente tratado. Pensando nisso, veremos quais são</p><p>esses principais transtornos e suas qualidades particulares.</p><p>Depressão</p><p>Um dos principais tipos de transtornos emocionais que interferem</p><p>negativamente na vida dos indivíduos que o possuem é, como já</p><p>citado no decorrer desse módulo, a depressão. Esta, por sua vez,</p><p>pode ser ocasionada por diferentes aspectos da vida do indivíduo,</p><p>sendo comumente resultante de um conjunto de características que</p><p>compreendem a sua vivência rotineira em seus contextos</p><p>sociocultural, econômico e afetivo, mas também pode ser</p><p>influenciada por particularidades biológicas do sujeito, bem como</p><p>pelo funcionamento neurológico inadequado do cérebro, algo a ser</p><p>investigado durante a avaliação neuropsicológica do paciente. Em</p><p>adição a isso, Chiaverini (2011) destaca que a depressão pode ser</p><p>resultante de</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-no-ambiente-de-trabalho/</p><p>https://algomais.com/mulheres-tem-mais-ansiedade-e-depressao-no-ambiente-de-trabalho/</p><p>[...] história familiar de depressão ou suicídio, experiências traumáticas na</p><p>infância, fraco suporte social, baixo nível socioeconômico, abuso de drogas</p><p>(lícitas ou ilícitas), puerpério, residir em área urbana, ser portador de</p><p>condição clínica grave/crônica (câncer, diabetes, cardiopatia, Alzheimer,</p><p>HIV), e eventos de vida estressores (perda de um ente querido,</p><p>desemprego). (CHIAVERINI, 2011).</p><p>Em razão disso, é necessário que as reclamações do paciente sejam</p><p>devidamente ouvidas, tendo em vista que o transtorno depressivo se</p><p>faz comumente observável através da manifestação dos seus</p><p>sintomas que, por sua vez, afetam negativamente a manutenção da</p><p>vida do indivíduo, na medida em que interfere em diferentes</p><p>aspectos do seu bem-estar e da sua saúde. No âmbito emocional,</p><p>portanto, é comum que o paciente apresente uma constância em</p><p>sentimentos de tristeza, desânimo e insignificância, o que pode</p><p>resultar no seu isolamento dos demais indivíduos ao seu redor. Além</p><p>disso, a sensação de vazio, culpa e inutilidade também podem se</p><p>fazer presentes em pacientes depressivos.</p><p>Por outro lado, as habilidades cognitivas do indivíduo são, ainda,</p><p>afetadas por parte do seu transtorno. Nesse contexto, é comum que</p><p>o indivíduo depressivo apresente uma diminuição na sua atenção e,</p><p>por decorrência disso, tenha a sua concentração também diminuída,</p><p>além de ser fortemente marcado pela presença de pensamentos</p><p>disfuncionais. Em adição a isso, esse tipo de transtorno pode</p><p>também afetar as suas características biológicas, interferindo no</p><p>apetite, causando insônia e diminuindo a sua energia e interesse</p><p>sexual, bem como nos seus aspectos comportamentais, o que</p><p>resulta em uma menor efetivação das suas atividades cotidianas,</p><p>sejam estas físicas, profissionais, sociais ou mesmo sexuais.</p><p>Transtorno bipolar</p><p>Um outro tipo de transtorno emocional que pode ser resultante de</p><p>diferentes fatores, afetando diretamente nos aspectos emocionais e</p><p>cognitivos de um determinado indivíduo é o transtorno bipolar. Este,</p><p>por sua vez, se faz caracterizado pela oscilação extrema e repentina</p><p>do humor do paciente, o que resulta em momentos de intensa</p><p>hiperatividade, seja esta física</p>