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<p>TÓPICOS EM</p><p>SECRETARIA</p><p>ESCOLAR</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>2</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>SUMÁRIO</p><p>INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA GESTÃO DE CARREIRA E DAS</p><p>RELAÇÕES INTERPESSOAIS NAS SECRETARIAS ESCOLARES ................. 4</p><p>A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DA CARREIRA..................................... 12</p><p>ÉTICA E CIDADANIA: conceitos, etimologia, significado e reflexões .............. 15</p><p>CIDADANIA: CONCEITO E SIGNIFICADO .................................................. 20</p><p>CIDADANIA COMO PRÁTICA DO COTIDIANO ........................................... 27</p><p>A CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA E O CONFLITO NA EDUCAÇÃO ......... 28</p><p>CIDADANIA: VIVENDO E APRENDENDO ................................................... 31</p><p>CIDADANIA E EXPERIÊNCIA ...................................................................... 35</p><p>CIDADANIA E IDENTIDADE ........................................................................ 37</p><p>AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO TRABALHO E AS CONTRIBUIÇÕES</p><p>DAS DIVERSAS CIÊNCIAS ............................................................................. 43</p><p>O DESENVOLVIMENTO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NAS</p><p>ORGANIZAÇÕES E, EM ESPECIAL, NAS ESCOLAS ................................. 50</p><p>A GESTÃO ESCOLAR DEMOCRATIZADORA E AS RELAÇÕES</p><p>INTERPESSOAIS NA SECRETARIA DA ESCOLA ...................................... 57</p><p>A GESTÃO DEMOCRÁTICA E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA</p><p>SECRETARIA ESCOLAR ............................................................................. 63</p><p>O SECRETÁRIO ESCOLAR, O RECONHECIMENTO DA PROFISSÃO E AS</p><p>RELAÇÕES INTERPESSOAIS ..................................................................... 66</p><p>AS CARREIRAS DA ÁREA DA EDUCAÇÃO E OS FATORES QUE LEVAM AO</p><p>SUCESSO PESSOAL NAS SECRETARIAS.................................................... 72</p><p>CONCEITO, SIGNIFICADO E ETIMOLOGIA DE CARREIRA ...................... 81</p><p>HABILIDADES E COMPETÊNCIAS FUNDAMENTAIS NA CARREIRA ....... 93</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177069</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177069</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177070</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177071</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177072</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177073</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177074</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177075</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177076</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177077</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177078</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177078</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177079</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177079</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177080</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177080</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177081</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177081</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177082</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177082</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177083</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177083</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177084</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177086</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>3</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ............................................................... 107</p><p>ANEXOS ........................................................................................................ 121</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177088</p><p>file://///ine-bhz-srv-01/INE/Setores/Secretaria/INE/Gestão%20de%20Carreira%20e%20das%20Relações%20Interpessoais%20nas%20Secretarias%20Escolares.docx%23_Toc467177089</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>4</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>INTRODUÇÃO AOS ESTUDOS ACERCA DA GESTÃO DE CARREIRA E</p><p>DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NAS SECRETARIAS ESCOLARES</p><p>Ao longo das últimas décadas, mudanças visíveis no cenário</p><p>sociopolítico-econômico mundial ocorreram, produzindo reestruturações em</p><p>muitos campos da vida humana, em especial no mundo do trabalho. O</p><p>fenômeno da globalização, juntamente com o uso de tecnologias, de</p><p>automações inovadoras e de mudanças nos processos de produção das</p><p>empresas, gerou reflexos no modo como a força de trabalho é percebida e</p><p>também requisitada. Faz-se necessário, para acompanhar a grande</p><p>efervescência de inovações e deinstabilidade, um trabalhador que atenda a</p><p>esta demanda. Levando esses aspectos em consideração, as novas relações</p><p>de trabalho são permeadas, conforme apontam Moraes e Nascimento (2002),</p><p>principalmente, pela flexibilidade e pela multifuncionalidade, metas e</p><p>competências.</p><p>Antunes (2004, p. 9) destaca que no contemporâneo há "uma nova</p><p>interação complexa entre trabalho vivo e trabalho</p><p>com que convivem na escola, a partir de seus</p><p>valores previamente construídos e de seus sentimentos e emoções. Tal</p><p>premissa está de acordo com a visão de que os valores e princípios éticos são</p><p>construídos a partir do diálogo, na interação estabelecida entre pessoas</p><p>imbuídas de razão e emoções e um mundo constituído de pessoas, objetos e</p><p>relações multiformes, díspares e conflitantes (ARAÚJO, 2007).</p><p>Enfim, a promoção de uma educação em valores deve partir de</p><p>temáticas significativas do ponto de vista ético, propiciando condições para que</p><p>os alunos e as alunas desenvolvam sua capacidade dialógica, tomem</p><p>consciência de seus próprios sentimentos e emoções (e dos sentimentos das</p><p>demais pessoas) e desenvolvam a capacidade autônoma de tomada de</p><p>decisão em situações conflitantes do ponto de vista ético/moral.</p><p>A melhor forma de ensiná-los, portanto, é estimulando reflexões e</p><p>vivências. Mais do que os discursos, são a prática, o exemplo, a convivência e</p><p>a reflexão, em situações reais, que farão com que os alunos e as alunas</p><p>desenvolvam atitudes coerentes em relação aos valores que queremos</p><p>ensinar. Por isso, o convívio escolar é um elemento-chave na formação ética</p><p>dos estudantes.</p><p>E, ao mesmo tempo, é o instrumento mais poderoso que a escola tem</p><p>para cumprir sua tarefa educativa nesse aspecto. Daí a necessidade de os</p><p>adultos reverem o ambiente escolar e o convívio social que ali se expressa, a</p><p>partir das próprias relações que estabelecem entre si e com os estudantes,</p><p>buscando a construção de ambientes mais democráticos.</p><p>Além disso, é necessário considerar o acolhimento dos estudantes – de</p><p>suas diferenças, potencialidades e dificuldades – e o papel reservado a eles e</p><p>a elas na instituição. O cuidado e a atenção com suas questões e</p><p>problemáticas de vida precisam concretizar o respeito mútuo, o diálogo, a</p><p>justiça e a solidariedade que queremos ensinar. Caso contrário, não estaremos</p><p>dando nenhuma razão plausível para que os estudantes os aprendam e os</p><p>pratiquem (ARAÚJO, 2007).</p><p>Por fim, é necessário introduzir tais conteúdos e preocupações como</p><p>temas transversais, que perpassam o universo dos conteúdos trabalhados nas</p><p>escolas, de forma que seus princípios estejam presentes nas ações cotidianas</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>33</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>levadas a cabo nas salas de aula e nos demais espaços e tempos das</p><p>instituições escolares.</p><p>No livro Educação: um tesouro a descobrir (Relatório para a Unesco da</p><p>Comissão Internacional sobre Educação para o Século XXI, 2 ed., São Paulo:</p><p>Cortez; Brasília: MEC/Unesco, 1999), destacam-se algumas ideias que ajudam</p><p>a compreender o papel da escola na construção da democracia e da cidadania,</p><p>à luz do que foi discutido até aqui.</p><p>Por exemplo:</p><p>➢ Escolas em que são evocados princípios como respeito mútuo,</p><p>solidariedade, justiça e diálogo e em que os alunos e as alunas se</p><p>apropriam de canais de participação na vida escolar e são incentivados</p><p>pelos educadores a fazê-lo são aquelas em que se cria um espaço</p><p>democrático, do qual emergem as características de uma cidadania</p><p>plena.</p><p>➢ Os educadores devem sempre estar atentos à coerência entre o</p><p>discurso e a ação: respeitar para ser respeitado, assumir e cumprir suas</p><p>responsabilidades, como forma de ensinar aos estudantes a importância</p><p>da responsabilidade.</p><p>➢ A participação dos estudantes na escola e na comunidade ajuda a</p><p>formar seu caráter como cidadão e como cidadã. Em particular, a</p><p>participação dos diferentes atores da comunidade educativa nas</p><p>tomadas de decisão é uma prática cívica – uma atuação no espaço</p><p>público democrático – que possibilita um conhecimento prático dos</p><p>processos que caracterizam a vida cívica e política na comunidade. A</p><p>participação nas decisões vai de simples contribuições à manutenção e</p><p>à organização do espaço, por exemplo, possível desde a mais tenra</p><p>idade, até a participação em decisões gerenciais e acadêmicas, por</p><p>meio dos Conselhos de Escola e das Assembleias Escolares.</p><p>➢ A disposição para a mudança e para a transformação da escola</p><p>(incluindo formação de docentes, trabalho com os estudantes,</p><p>participação dos demais funcionários e articulação com a comunidade)</p><p>potencializa a capacidade de atuação e fortalece todo o trabalho</p><p>educativo escolar. A escola tem mais força para atingir suas metas</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>34</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>educativas com os estudantes, o que reforça a própria instituição e</p><p>produz um efeito cumulativo, proporcionando transformações cada vez</p><p>mais profundas e duradouras (ARAÚJO, 2007).</p><p>Pois bem, falamos em ética e cidadania. Vamos fazer um gancho e</p><p>lembrar que geralmente a organização burocrática é realizada através de</p><p>atividades formais, com procedimentos padronizados, composta de divisão de</p><p>serviços que são estabelecidos de forma hierárquica, gerando na maioria das</p><p>vezes uma disputa de poder (BERGUE, 2010).</p><p>Sabemos também que todo funcionário público é consciente que deve</p><p>seguir normas, que existe uma legislação a ser observada e seguida, porém na</p><p>maioria das vezes, o excesso de papéis impede a agilização dos serviços,</p><p>contribuindo para que o funcionário se torne acomodado e desestimulado.</p><p>Gimenes (2011) nos lembra de que o apego às normas e a resistência</p><p>à mudança é visível no funcionalismo público e muitas vezes o funcionário não</p><p>aceita mudanças com medo de perder o poder, podemos, então, observar que</p><p>existem determinados serviços que apenas um funcionário saber realizar</p><p>ficando tudo centralizado no mesmo, o que lhe propicia poder e mando, porém</p><p>emperra a máquina administrativa que em sua ausência não poderá dar</p><p>andamento aos serviços e nem atendimento adequado ao público.</p><p>Existem conflitos de relacionamentos, pessoa que não atende nada</p><p>que não se relacione com o serviço estabelecido para sua função,</p><p>desagregando ao invés de agregar a comunidade escolar como um todo.</p><p>Essas são situações que acontecem no nosso cotidiano. Enfim,</p><p>fizemos esse gancho para dizer que em anexo encontra-se um Código de Ética</p><p>dos Secretários e Secretárias que ajuda a refletir e perceber direitos e deveres</p><p>desses profissionais.</p><p>Lembre-se que o seu trabalho realizado/desenvolvido numa secretaria</p><p>escolar, escrituração, manuseio de documentos, arquivos, atendimento ao</p><p>público devem primar pela excelência sempre.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>35</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>CIDADANIA E EXPERIÊNCIA</p><p>Passemos agora a abordar a experiência. Como apontam Smith, Lister,</p><p>Middleton e Cox (2005), a cidadania pode ser experienciada no dia a dia de</p><p>múltiplas formas, dependendo, entre outras coisas, da condição de inclusão ou</p><p>exclusão em relação ao contexto que cada indivíduo internaliza em cada</p><p>situação que vivencia.</p><p>Assim, se o sujeito praticante se percebe dentro de um modelo em que</p><p>as boas práticas são definidas como capacidades e conhecimentos que esse</p><p>indivíduo não possui, a experiência de cidadania tende a ser negativa, na</p><p>medida em que negligencia e desvaloriza os conhecimentos que os sujeitos</p><p>trazem para o contexto de aprendizagem.</p><p>A questão é que a cidadania não deve ser vista apenas como um</p><p>status que se conquista após a passagem por determinadas experiências, mas</p><p>como um processo de legitimação de formas de ser e fazer que desde sempre</p><p>cada indivíduo exercita ao longo de sua trajetória de vida, em um movimento</p><p>de autorreflexão permanente.</p><p>É preciso acrescentar que as experiências no âmbito da cidadania não</p><p>devem ser tratadas de forma normativa; não convém prescrever de forma</p><p>preconceituosa e reguladora o que deve ser rotulado de experiência. Pelo</p><p>contrário, é preciso se respeitar o sujeito que, ao assumir riscos e ter que fazer</p><p>escolhas difíceis, exerce o seu direito</p><p>à auto expressão, ao reconhecimento e à</p><p>compreensão. Afinal de contas, como Maffesoli nos adverte (2011), o caráter</p><p>próprio da pós-modernidade é que "[...] a coerência elabora-se a partir de uma</p><p>multiplicidade de diversidades, de diferentes experiências de vida" (p. 65).</p><p>Poder-se-ia argumentar que as existências são plurais e diferenciadas,</p><p>e assim tal valorização da experiência individual poderia dificultar as</p><p>possibilidades de organização coletiva em torno de ideais cívicos partilhados,</p><p>mas, de fato, entendemos que nada impede que, a partir de processos</p><p>identificatórios (que discutiremos mais adiante), os sujeitos possam buscar</p><p>articulações em torno de demandas comuns e negociem alianças estratégicas</p><p>consideradas importantes em determinado contexto sócio histórico. No âmbito</p><p>do currículo no Brasil, a organização coletiva, a despeito de se segmentar</p><p>muitas vezes em demandas particulares, se faz, sobretudo, por oposição a um</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>36</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>exterior constitutivo (LACLAU; MOUFFE, 1987), que representa as situações</p><p>de injustiça e de negação de direitos, sejam quais forem esses direitos.</p><p>Na perspectiva dos estudos do cotidiano, recorremos a algumas ideias</p><p>de Santos (2010) para ampliar nossa teorização a respeito da relação</p><p>experiência e exercício da cidadania como prática do cotidiano. Santos</p><p>argumenta que, ao longo da modernidade, o discurso da ciência - se</p><p>manifestou através de um pensamento que ele denomina de abissal. Esse</p><p>pensamento tende a valorizar as verdades estabelecidas através do método</p><p>científico e a excluir de forma radical os saberes que não atendem essa</p><p>condição de aceitabilidade.</p><p>Do outro lado da linha, não há conhecimento real; existem crenças,</p><p>opiniões, magia, idolatria, entendimentos intuitivos ou subjetivos, que, na</p><p>melhor das hipóteses, podem tornar-se objetos ou matéria-prima para a</p><p>inquirição científica (SANTOS, 2010, p. 34).</p><p>Evidencia-se então que, no pensamento abissal, há um desperdício da</p><p>experiência (SANTOS, 2009) que pode ser evitado ao se adotarem outros</p><p>paradigmas de conhecimento. Nesse sentido, sugerimos que a experiência</p><p>valorizada dentro da abordagem da cidadania como prática do cotidiano se</p><p>coloca ao lado do que Santos denomina de pensamento pós-abissal, porque</p><p>apresenta possibilidades de compreensão de sentidos da cidadania que</p><p>subvertem os sentidos associados à monocultura da ciência moderna. É uma</p><p>concepção de experiência que se relaciona à ecologia de saberes proposta por</p><p>Santos (2010), pois reconhece a pluralidade de sentidos heterogêneos</p><p>passíveis de serem associados à experiência cidadã, sem excluir a própria</p><p>visão moderna de cidadania.</p><p>Isso quer dizer que não se pode desmerecer a importância dos direitos</p><p>de cidadania conquistados até aqui por muitos grupos e em muitos espaços-</p><p>tempos locais/globais, mas há que sempre desafiar a dimensões excludentes</p><p>dessas conquistas, forçando o reconhecimento de compreensões e</p><p>intervenções no real tornadas possíveis por concepções alternativas do que é</p><p>cidadania.</p><p>Seguindo a abordagem da ecologia de saberes apresentada por</p><p>Santos (2010), deve-se valorizar a natureza pragmática dessas concepções</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>37</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>alternativas. Isso implica no entendimento de que, em lugar de subscrever a</p><p>uma ideia única do que é a experiência de cidadania, é preciso analisar as</p><p>diferentes alternativas "[...] à luz dos resultados concretos pretendidos ou</p><p>atingidos pelas diferentes formas de saber" (p. 60). Esse tipo de habilidade de</p><p>ler o mundo ou sensibilidade em relação às manifestações da vida concreta vai</p><p>gradativamente forjando a subjetividade cidadã ou democrática (Oliveira,</p><p>2009).</p><p>Por último, pelo princípio de incompletude do conhecimento da</p><p>ecologia de saberes, fica claro que nenhuma experiência de cidadania daria</p><p>conta da totalidade de contextos culturais possíveis onde as vivências cidadãs</p><p>podem ocorrer. Tal fato conduz à necessidade de uma atitude de "tradução</p><p>intercultural" (SANTOS, 2010, p. 61) entre diferentes contextos na investigação</p><p>de como a cidadania é posta em prática cotidianamente.</p><p>CIDADANIA E IDENTIDADE</p><p>Voltamos nosso olhar, então, para a terceira categoria analítica</p><p>proposta, que seria a identidade. Consideramos relevante, primeiramente,</p><p>clarificar a escolha de certos significantes para tratar as questões de</p><p>identidade. Considerando os pressupostos teóricos de Burity (1998),</p><p>esclarecemos que, do ponto de vista filosófico, a identidade foi historicamente</p><p>utilizada ou para conferir a alguém ou algo sua natureza ou essência, ou para</p><p>estabelecer uma relação de igualdade entre duas pessoas ou coisas. Para</p><p>Burity, essas visões de identidade estariam pautadas em um princípio de</p><p>invariância temporal e espacial do sujeito, e no comprometimento da identidade</p><p>com a aproximação mais forte possível do sujeito com um ideal de auto</p><p>realização.</p><p>Naturalmente, com o advento da pós-modernidade, essas visões de</p><p>identidade mostraram-se insuficientes para dar conta dos processos que a</p><p>realidade passou a nos apresentar. Assim, Burity argumenta:</p><p>Para estas correntes, normalmente enfeixadas sob o</p><p>rótulo de pós-estruturalismo, as políticas de identidade</p><p>contemporâneas - progressistas ou reacionárias - têm que</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>38</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>ser confrontadas com um elemento complicador, que</p><p>desestabiliza as pretensões essencialistas de posse de</p><p>uma identidade definida prévia e naturalisticamente à</p><p>entrada na cena social, onde outras já se encontram.</p><p>Assim é que a noção de identidade passa a ser</p><p>substituída (ou suplementada) pela de identificação, que</p><p>pressupõe um caráter inacabado, processual e habitado</p><p>constitutivamente pela diferença (BURITY, 1998, p. 5,</p><p>grifo do autor).</p><p>Por outro lado, na visão pós-moderna de identidade, entende-se que a</p><p>mesma pode ser construída também em uma situação de negociação</p><p>simultânea de vários processos de identificação por parte do sujeito que,</p><p>muitas vezes, envolvem posições e discursos ambivalentes. Temos, assim, um</p><p>sujeito que não é idêntico a si mesmo, que pode ser um ou outro, ou que pode</p><p>ser dois ao mesmo tempo. Dentro dessa perspectiva, a teorização elaborada</p><p>por Homi Bhabha (1998) nos permite aprofundar o conhecimento sobre</p><p>representações contemporâneas da identidade.</p><p>Ao procurar compreender o processo de identificação que marca a</p><p>trajetória do sujeito colonial, Bhabha evidencia três condições marcantes na</p><p>construção desse processo. Em primeiro lugar, ele destaca o fato de que "[...]</p><p>existir é ser chamado à existência em relação a uma alteridade, seu olhar ou</p><p>locus" (1998, p. 76). Isso corrobora a afirmação de que o processo</p><p>identificatório é sempre relacional, e pressupõe um olhar de fora que interpela a</p><p>presença do "eu". Em segundo lugar, Bhabha afirma que "[...] o próprio lugar da</p><p>identificação, retido na tensão da demanda e do desejo, é um espaço de</p><p>cisão". Ora, é justamente por ser um espaço de cisão que a identificação</p><p>permite a articulação de categorias ambivalentes em torno de um mesmo ser,</p><p>um ser que deseja ao mesmo tempo se vingar do outro que o ameaça e o</p><p>impede de se constituir, e ocupar o seu lugar, tornar-se o outro. Nesse dilema,</p><p>fica patente o quanto identidade e diferença se encontram imbricados, pois o</p><p>sujeito se constitui precariamente no movimento de recusa e aproximação do</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>39</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>que o outro representa. Por último, reproduzimos o discurso de Bhabha sobre o</p><p>que ele nomeia o caráter imagético da identificação:</p><p>A questão da identificação</p><p>nunca é a afirmação de uma</p><p>identidade pré-dada, nunca uma profecia auto cumpridora</p><p>- é sempre a produção de uma imagem de identidade e a</p><p>transformação do sujeito ao assumir aquela imagem. A</p><p>demanda da identificação - isto é, ser para um Outro -</p><p>implica a representação do sujeito na ordem</p><p>diferenciadora da alteridade (BHABHA, 1998, p. 76-77,</p><p>grifo do autor).</p><p>Em outras palavras, a condição da identificação descrita acima se</p><p>refere ao fato de que ela, longe de ser a mera repetição de uma imagem pré-</p><p>constituída que o indivíduo traz consigo desde sempre, constitui-se</p><p>processualmente e historicamente em relação às formas como somos</p><p>representados e interpelados pelo Outro em cada contexto de nossas</p><p>existências.</p><p>Essa última concepção também se revela na teorização de Stuart Hall</p><p>(1996; 2006), quando esse autor argumenta que a identidade pode ser</p><p>considerada um processo onde as qualidades dinâmicas de auto expressão e</p><p>de expressão social dos sujeitos interagem e se transformam ao longo de um</p><p>período de tempo. Para esse autor, a identidade tem um caráter móvel, na</p><p>medida em que "[...] o sujeito assume identidades diferentes em diferentes</p><p>momentos, identidades que não são unificadas ao redor de um 'eu' coerente"</p><p>(HALL, 2006, p. 13). Outro ponto importante na teorização desse autor sobre a</p><p>identidade é sua referência aos processos de deslocamento a que toda</p><p>identidade está sujeita. Tais deslocamentos representam o deslizamento de</p><p>aspectos identitários do sujeito em múltiplas direções, produzindo o efeito de</p><p>multiplicidade e ambivalência que impede qualquer tentativa de totalização ou</p><p>unificação, seja do ponto de vista da identidade do sujeito, seja do ponto de</p><p>vista da identificação cultural de um grupo.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>40</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>A propósito da ambivalência que norteia as identificações na</p><p>atualidade, Bhabha ainda acrescenta que ela se revela nos espaços</p><p>contraditórios da enunciação discursiva e na maioria das vezes deixam</p><p>transparecer seu caráter híbrido (1998). Daí ser possível analisar como, do</p><p>ponto de vista da cidadania, as identidades nacionais estão dando lugar, na</p><p>pós-modernidade, a novas identificações deslocadas, baseadas na tradução</p><p>transcultural e na circulação de sentidos entre fronteiras culturais (MACEDO,</p><p>2006).</p><p>Tendo em vista os processos de construções de identidades discutidos</p><p>acima, as práticas de cidadania podem desempenhar um papel importante nos</p><p>processos identificatórios dos sujeitos que acontecem no cotidiano. Em certos</p><p>contextos, por exemplo, a cidadania pode ser vivenciada como uma falta, uma</p><p>ausência de status, na medida em que o indivíduo não consegue se encaixar</p><p>em padrões pré-definidos do que se espera de um verdadeiro cidadão. Em</p><p>outros contextos ou situações, o sujeito tem espaço para desconstruir e</p><p>reconstruir os sentidos de cidadania que lhes são impostos e aproximá-los de</p><p>processos identificatórios pessoais e sociais, o que pode provocar inclusive</p><p>alterações nas percepções do indivíduo acerca das condições de</p><p>pertencimento ou exclusão em relação a grupos sociais. Pode-se acrescentar</p><p>que a cidadania, nessa mesma linha de pensamento, não é uma identidade</p><p>que alguém pode ter. Nas palavras de Biesta (2011), a cidadania é "[...]</p><p>principalmente e primordialmente uma prática de identificação, mais</p><p>especificamente uma prática de identificação com questões públicas, isto é,</p><p>com questões que são de interesse público" (p. 13, tradução nossa). Cabe ao</p><p>movimento curricular dentro das escolas radicalizar esses processos de</p><p>identificação com o interesse público através de ações pedagógicas.</p><p>No que concerne à relação cidadania/identidade, Biesta (2011),</p><p>apoiando-se no conceito de Jacques Rancière (1995), destaca a importante</p><p>concepção de cidadania como processo de subjetivação (subjectification), indo</p><p>além da identificação. A subjetivação provocaria a emergência da agência e da</p><p>subjetividade política dos indivíduos e teria muito a contribuir para a</p><p>constituição de uma sociedade verdadeiramente democrática.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>41</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Identificação é se apropriar de uma identidade existente, isto é, uma</p><p>forma de ser e de falar e de ser identificável e visível que desde já é possível</p><p>dentro de uma ordem existente [...] Subjetivação, por outro lado, é sempre</p><p>'desidentificação, remoção da condição natural de um lugar' (RANCIÉRE,</p><p>1995a, p. 36) [...] Subjetivação 'inscreve um nome de um sujeito como sendo</p><p>diferente de qualquer parte identificada da comunidade' (RANCIÉRE, 1995a, p.</p><p>37) (BIESTA, 2011, p. 95, tradução nossa).</p><p>Baseando-se nas ideias acima, argumentamos que os processos</p><p>identificatórios relacionados à cidadania que acontecem cotidianamente se dão</p><p>tanto na perspectiva da socialização dos sujeitos, ou seja, de permitir a eles se</p><p>aproximarem de práticas e valores considerados desejáveis pelo sistema,</p><p>como na perspectiva da subjetivação, isto é, na emergência de espaços onde</p><p>esses sujeitos podem ousar ser diferentes e criar, através de táticas e</p><p>estratégias próprias, experiências de cidadania que estejam em situação de</p><p>discordância com os padrões dados ou esperados.</p><p>Nos estudos do cotidiano, a identidade não pode ser concebida como</p><p>uma categoria fixa, nem única; para Maffesoli (2011, p. 76), na</p><p>contemporaneidade "[...] a identidade única é substituída por identificações</p><p>múltiplas". Esse mesmo autor amplia a discussão sobre identidade quando</p><p>analisa o pós-modernismo arquitetural. Para ele, duas características</p><p>aparecem como marcantes dos conjuntos arquitetônicos da</p><p>contemporaneidade: o aspecto de patchwork (ou mosaico) e a dimensão de</p><p>enraizamento dinâmico.</p><p>Ao primeiro aspecto, vinculamos a visão de identidade palimpséstica e</p><p>reafirmamos, com Maffesoli, a possibilidade que o aspecto de mosaico da</p><p>identidade nos abre para "[...] ligar organicamente elementos a priori</p><p>heterogêneos" (MAFFESOLI, 2011, p. 61-62). No campo da cidadania como</p><p>prática cotidiana, isso permitiria aos sujeitos analisar os contextos, práticas e</p><p>instituições onde são interpelados como cidadãos e buscar avaliar até que</p><p>ponto as condições heterogêneas de cidadania a que têm acesso lhes</p><p>permitem aprender sobre princípios solidamente democráticos. Esse processo</p><p>deve ser fomentado também dentro do ambiente escolar, questionando a</p><p>própria interpelação dos alunos e alunas como cidadãos no âmbito da</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>42</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>educação. Teriam esses sujeitos espaços nesse ambiente para se</p><p>subjetivarem e defenderem concepções heterogêneas sobre direito e justiça</p><p>social?</p><p>O segundo conceito proposto por Maffesoli, o enraizamento dinâmico,</p><p>nos conduz à reflexão de que, se os processos identificatórios são necessários</p><p>no sentido de fazer lembrar o elo societal, o vínculo social e as condições que</p><p>norteiam o viver junto (as raízes), os processos de subjetivação é que</p><p>conferem dinamicidade à vida social, porque eles instauram uma fragmentação</p><p>no social que evita a repetição do mesmo. Há sempre a possibilidade de que</p><p>os mosaicos componentes do social se reorganizem para produzir algo novo e</p><p>impensado. Isso tem uma grande ligação com uma visão de democracia radical</p><p>(MOUFFE, 2009), em que os cidadãos têm sempre a chance de discordar de</p><p>certas regras e propor alternativas. A experiência de democracia, afinal de</p><p>contas, é algo mais do que uma experiência racional, vai mais além do que a</p><p>experiência cognitiva mental. Em um artigo recente, Fischman e Haas (2012)</p><p>propõem a relevante noção de cognição incorporada aplicada à cidadania,</p><p>através da qual enfatizam que as pessoas constroem as suas subjetividades</p><p>tanto a partir</p><p>da razão consciente, como pela atualização de formas</p><p>inconscientes de compreensão em seus posicionamentos políticos. Assim</p><p>sendo, a educação para a cidadania deve ir além de soluções racionais para</p><p>definir o que seria adequado para um bom cidadão, de forma a refletir a</p><p>complexidade das subjetividades envolvidas nos processos cívicos e as</p><p>múltiplas dimensões de suas opções e entendimentos de cidadania. Em se</p><p>tratando de educação para a cidadania nos dias atuais, torna-se recomendável</p><p>dar valor às maneiras como a cidadania é construída na prática pelos jovens</p><p>em seus mais variados aspectos do dia a dia e pensar como otimizar as</p><p>condições de exercício dessa cidadania para se ter uma sociedade cada vez</p><p>mais democrática (BIESTA, 2011).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>43</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NO TRABALHO E AS CONTRIBUIÇÕES</p><p>DAS DIVERSAS CIÊNCIAS</p><p>As várias mudanças que ocorrem hoje no mundo do trabalho não</p><p>podem ser traduzidas apenas e tão somente em termos da economia e das</p><p>ciências da administração e da produção. Não se pode esquecer, igualmente,</p><p>que a globalização da economia e o novo liberalismo, por um lado, e o</p><p>esvanecimento das utopias e enfraquecimento dos movimentos operários, por</p><p>outro, fortaleceram grandemente o capital (FORRESTER, 1981). Isso não</p><p>obstante, o capital não pode ser entendido em uma visão monolítica. Pelo</p><p>menos duas categorias gerais se contrapõem: o capital especulativo e o capital</p><p>produtivo.</p><p>Independente do foco do olhar que se dirige ao trabalho percebe-se</p><p>que essas mudanças extraordinárias afetaram todos os fatores ligados à</p><p>formação profissional. Dentre os vários aspectos da formação no terceiro grau,</p><p>interessa-nos, nesse estudo, as demandas (maximizadas) de relações</p><p>interpessoais no trabalho. Como dissemos em outro estudo: "os novos</p><p>paradigmas organizacionais que orientam a reestruturação produtiva têm</p><p>priorizado processos de trabalho que remetem, diretamente, à natureza e à</p><p>qualidade das relações interpessoais" (DEL PRETTE, A; DEL PRETTE, Z.,</p><p>2001, p. 57).</p><p>Observa-se que, de certa maneira, as várias instâncias de formação</p><p>profissional (segundo e terceiro graus, principalmente) não acompanharam as</p><p>demandas do trabalho, em especial no que diz respeito às novas formas de</p><p>relacionamento humano. No entanto, atualmente pode-se constatar uma</p><p>tentativa de aproximação da educação para a formação profissional com o</p><p>mundo do trabalho. A maioria das universidades procura estruturar atividades</p><p>teórico-práticas de maneira ativa e criativa, por intermédio da organização de</p><p>setores como, por exemplo, empresas "júnior", núcleos de formação de</p><p>cooperativas, programas de formação continuada, mestrados</p><p>profissionalizantes, extensão universidade-empresa, etc., que, até algum tempo</p><p>atrás, estavam apenas nos projetos.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>44</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Diferentemente do que ocorria há alguns anos, hoje os universitários</p><p>precisam se preparar para um mercado de trabalho restrito, extremamente</p><p>exigente, marcado por mudanças rápidas quanto à formação técnica e,</p><p>igualmente, quanto às habilidades interativas (Associação Brasileira de</p><p>Treinamento e Desenvolvimento, 1995). Essa transição, do ambiente</p><p>universitário para o do trabalho, não se constitui uma travessia propriamente</p><p>tranquila para a grande maioria dos estudantes, mesmo nas áreas nas quais a</p><p>demanda por profissionais ainda é razoavelmente alta.</p><p>A importância de competências gerais e específicas (inclusive</p><p>interpessoais) na formação de terceiro grau vem sendo mais bem explicitada</p><p>em nosso meio a partir das exigências de definição das diretrizes curriculares</p><p>nacionais para os cursos de graduação (MEC, 2001). Antes mesmo dessa</p><p>exigência, já defendíamos que a formação profissional de terceiro grau deveria</p><p>articular a competência técnica à social (DEL PRETTE, 1978; DEL PRETTE;</p><p>DEL PRETTE, 1996a, b). É altamente defensável que a formação de terceiro</p><p>grau tenha como escopo, respeitadas as especificidades dos diferentes cursos,</p><p>pelo menos três classes gerais de capacitação, a saber:</p><p>1) capacidade analítica: conjunto de habilidades cognitivas e meta-</p><p>cognitivas que implicam o raciocínio, o pensamento crítico, o domínio de</p><p>conhecimentos teóricos específicos a um determinado campo e áreas</p><p>afins, bem como habilidade de lidar com a automotivação para aprender,</p><p>resolver problemas e tomar decisões, procurar e organizar informações;</p><p>2) capacidade instrumental: domínio das técnicas específicas que</p><p>caracterizam o exercício da atividade profissional, incluindo as</p><p>habilidades de produção de conhecimento na área, por exemplo, a</p><p>experimentação; e</p><p>3) competência social: conjunto de desempenhos sociais que atende às</p><p>diferentes demandas próprias dos vários contextos de trabalho, embora</p><p>não circunscritas a estes.</p><p>Conquanto objeto de preocupação de professores e coordenadores de</p><p>cursos na universidade e de executivos supervisores de treinamento, nas</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>45</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>organizações de trabalho, a competência social não tem sido, geralmente,</p><p>abordada de maneira sistemática, permanecendo como um subproduto</p><p>desejável, porém nem sempre alcançado pela maioria dos estudantes e</p><p>trabalhadores.</p><p>Uma área da Psicologia que vêm sistematicamente buscando atender</p><p>essa demanda de formação profissional, na dimensão do desempenho social, é</p><p>a do Treinamento de Habilidades Sociais (THS). Os programas de habilidades</p><p>sociais, voltados para o treinamento e a profilaxia vêm se tornando uma</p><p>alternativa promissora em nosso meio (DEL PRETTE; DEL PRETTE, 1999,</p><p>2001). Nesse sentido, a literatura científica nacional tem registrado um</p><p>crescente número de estudos de avaliação (por exemplo, BANDEIRA, COSTA,</p><p>DEL PRETTE, DEL PRETTE; GERK-CARNEIRO, 2000; GERK-CARNEIRO,</p><p>DIAS, NYARADI; AQUINO, 2000; PASQUALI; GOUVEIA, 2010).</p><p>O THS tem uma longa tradição como método de intervenção, desde os</p><p>estudos iniciais de Argyle e sua equipe em Oxford, seguidos à contribuição</p><p>americana e canadense. Nesse caso, podem ser lembrados: a) os estudos</p><p>pioneiros de Zigler e Phillips (1960, 1961, 1962), na avaliação de habilidades</p><p>sociais com pacientes psiquiátricos hospitalizados; b) a proposta de programa</p><p>denominada Efetividade Interpessoal, de Liberman e seu grupo; c) os</p><p>programas desenvolvidos com pacientes esquizofrênicos; d) as análises</p><p>teóricas que trouxeram novos aprofundamentos ao campo.</p><p>A partir da década de 80, houve um aumento crescente de publicações</p><p>de programas de intervenção em habilidades sociais. É interessante registrar</p><p>que ocorreu, também, um aumento significativo de estudos teóricos ampliando</p><p>o quadro conceitual da área que, entre outras questões examinadas,</p><p>defendiam a necessidade de uma teoria geral do relacionamento interpessoal e</p><p>a estruturação de um sistema de classificação de habilidades sociais.</p><p>A adaptação do método do Treinamento de Habilidades Sociais, do</p><p>setting clínico para ambientes escolares e de trabalho, não é propriamente uma</p><p>novidade na área. Argyle, há mais de vinte anos, propôs a inclusão do THS no</p><p>treinamento de profissionais, definindo algumas classes de habilidades sociais</p><p>relacionadas a diferentes tipos de atividades como vendas, ensino e</p><p>psicoterapia.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>46</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>No Brasil, os programas não terapêuticos de Treinamento de</p><p>Habilidades Sociais, à exceção dos programas com jovens desempregados</p><p>vêm sendo realizados principalmente com universitários de Psicologia. Estes</p><p>estudos partem do pressuposto de que a aprendizagem de habilidades sociais</p><p>não está inserida entre os objetivos das disciplinas e que um número</p><p>considerável de alunos pode apresentar dificuldades ou déficits no</p><p>relacionamento interpessoal. Teoricamente, portanto, esses alunos precisariam</p><p>desse treinamento para completar a sua formação acadêmica.</p><p>Esses pressupostos nortearam o atendimento ao pedido de um grupo</p><p>de alunos que cursava o último período de graduação na Universidade de São</p><p>Paulo (USP - São Carlos), para a realização de um Programa de Treinamento</p><p>de Habilidades Sociais, tendo como primeiro objetivo, definido pelos alunos,</p><p>"uma ajuda que os qualificasse para vencer as dificuldades de obtenção de</p><p>emprego". Para eles, o fato de estarem terminando cursos reconhecidamente</p><p>bem avaliados, em universidade de grande prestígio, não era suficiente, uma</p><p>vez que "necessitavam de habilidades sociais e emocionais" para serem</p><p>avaliados positivamente nas provas de seleção, que não "focalizavam apenas</p><p>conhecimentos técnicos", segundo suas palavras.</p><p>A psicologia é considerada uma ciência tanto das áreas sociais, ou</p><p>humanas como da área de biomédicas, portanto, estuda muito mais do que o</p><p>comportamento humano, encontrando no cérebro a principal parte do corpo</p><p>humano que é seu objeto de estudo.</p><p>Psicologia é a ciência que estuda o comportamento humano e seus</p><p>processos mentais, ou seja, é a área da ciência que estuda o que motiva o</p><p>comportamento humano – o que o sustenta, o que o finaliza e também seus</p><p>processos mentais, que passam pela sensação, emoção, percepção,</p><p>aprendizagem, inteligência.</p><p>A psicologia passou a ser considerada como ciência em 1879.</p><p>Costuma- se atribuir essa data como o seu início, pois foi quando se começou</p><p>a desenvolver os primeiros laboratórios experimentais de pesquisa em</p><p>psicologia na Europa, principalmente na Alemanha. Assim, encontramos nos</p><p>livros de psicologia essa data como referência ao surgimento desta ciência.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>47</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Isso não significa que antes não houvesse estudos de psicologia. Até</p><p>então, ela era considerada um ramo da filosofia. Isto é, o conhecimento sobre o</p><p>psiquismo humano era construído por meio das ideias de alguns pensadores</p><p>(PEDROZA, 2012).</p><p>No entanto, as descobertas revolucionárias daquela época, sob a</p><p>influência do pensamento científico e o surgimento de outras ciências como a</p><p>sociologia, a antropologia e a fisiologia, criaram a necessidade de se pensar a</p><p>mente humana de outra forma, uma forma experimental a partir do método</p><p>científico.</p><p>Os conhecimentos produzidos pela Psicologia e a complexidade e</p><p>capacidade de transformação do ser humano, acabaram por ampliar em</p><p>grande medida sua área de atuação, possibilitando cada área uma gama</p><p>infinita de descobertas sobre o homem e seu comportamento, ou sobre o</p><p>homem e suas relações.</p><p>O estado psicológico humano é fundamental para desfrutar do bem</p><p>individual, e por consequência o bem comum. Assim, a psicologia busca</p><p>permanentemente métodos para o desenvolvimento cognitivo, emocional e</p><p>relacional dos indivíduos e sua interação social.</p><p>Segundo Santos (2000), em psicologia, o termo atividade se alinha</p><p>conceitualmente às diferentes abordagens que procuram explicar a natureza do</p><p>comportamento e sua previsibilidade social. A busca pela elaboração de</p><p>modelos que permitam compreender os comportamentos do homem, de um</p><p>lado, como um sistema de recepção e tratamento da informação, e de outro</p><p>lado, como um sistema de transformação de energia, produziram diferentes</p><p>formulações sobre o desempenho das pessoas naquilo que elas fazem ou se</p><p>proponham a fazer.</p><p>A visão de “homem” movido por determinantes internas (solicitações)</p><p>ou submetido à condicionantes externas (cargas de trabalho), originou, na</p><p>psicologia do trabalho, concepções que contemplam ambas as definições. Na</p><p>verdade, o trabalho pode ser visto como um subsistema menor das coisas que</p><p>fazemos para aliviar nossas tensões, mas também pode representar a</p><p>atividade principal de realização objetiva do ser humano. De uma forma ou de</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>48</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>outra, o trabalho é incorporado subjetivamente no nosso modo de perceber e</p><p>fazer as coisas que necessitamos.</p><p>Além disso, podemos dizer que a diferença entre o trabalho formal</p><p>(tarefa) e o trabalho real (atividade), elemento fundamental do estudo do</p><p>comportamento do homem no trabalho, permite definir níveis da análise das</p><p>atividades de trabalho, que podem servir à teoria psicológica geral.</p><p>Segundo esta ótica, existem três grandes campos que são</p><p>interdependentes, relativos ao estudo das atividades de trabalho:</p><p>1. As comunicações: para agir é necessário efetuar trocas de informações</p><p>sobre o estado da situação na qual nos encontramos.</p><p>2. As regulações: toda ação consiste em reduzir a diferença entre um</p><p>estado desejado de uma determinada situação e o estado atual no qual</p><p>nos encontramos.</p><p>3. As competências: as modalidades e as possibilidades de reduzir esta</p><p>diferença dependem diretamente das habilidades cognitivas e sensório</p><p>motoras que o sujeito dispõe (SANTOS, 2000).</p><p>Pois bem, os psicólogos buscam estudar conceitos como a percepção,</p><p>cognição, emoção, personalidade, comportamento, relacionamento</p><p>interpessoal, individual e coletiva e do inconsciente, incluindo-se aqui questões</p><p>relacionadas com a vida quotidiana, por exemplo, família, educação e trabalho.</p><p>Focam também o tratamento de problemas de saúde mental, buscando</p><p>compreender o comportamento social e a dinâmica social, ao mesmo tempo</p><p>em que incorpora os processos subjacentes fisiológicas e neurológicas em</p><p>suas concepções de funcionamento mental.</p><p>Vamos pensar mais um pouco sobre o conhecimento humano. Mesmo</p><p>sem ter estudado psicologia, com certeza você já deu respostas para muitas</p><p>questões formuladas para entender e explicar o que se passa ao seu redor e</p><p>com você mesmo. Vários são os caminhos e tentativas para as indagações</p><p>acerca do começo do mundo, da nossa origem, de onde viemos e para onde</p><p>vamos (PEDROZA, 2012).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>49</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>A autora acima conta que, em sala de aula com seus alunos, costuma</p><p>perguntar o que eles entendem por psicologia e as respostas que aparecem</p><p>são as mais diversas. As mais frequentes são:</p><p>➢ estudo da mente;</p><p>➢ análise do comportamento;</p><p>➢ guia para o autoconhecimento humano;</p><p>➢ tratamento de enfermidades psicológicas;</p><p>➢ estudo da alma;</p><p>➢ estudo do homem;</p><p>➢ trabalho profundo com pessoas.</p><p>Por isso podemos afirmar que não é fácil definir o que é psicologia.</p><p>Alguns autores preferem falar em psicologias, no plural, dada às diferentes</p><p>concepções de mundo e do homem. De todo modo, a psicologia veio se</p><p>desenvolvendo ao longo dos tempos e influencia nosso dia-a-dia, tanto como o</p><p>processo histórico da construção do conhecimento que acontece ao mesmo</p><p>tempo em que as novas formas de organização da sociedade vão-se</p><p>concretizando, essa ciência também passou pela fase do senso comum,</p><p>buscou respostas científicas e hoje está bem avançada.</p><p>Se olharmos, por exemplo, o surgimento da escravatura, com homens</p><p>se apropriando de outros, podemos verificar também que em relação ao</p><p>conhecimento acontece a mesma divisão de papéis na sociedade.</p><p>Enquanto temos homens e mulheres que se dedicam exclusivamente a</p><p>trabalhar manualmente, criam-se condições para que outro grupo de homens</p><p>(e nem sempre de mulheres) possa só trabalhar pensando.</p><p>Na Grécia antiga, por exemplo, havia uma divisão entre os escravos e</p><p>os filósofos. Será que, se os grandes pensadores como Platão, Sócrates e</p><p>Aristóteles tivessem que trabalhar duro na lavoura poderiam pensar e produzir</p><p>tantas ideias quanto fizeram? Outra questão interessante</p><p>é por que atribuímos</p><p>diferentes valores nessa divisão do trabalho?</p><p>A questão, como diz Pedroza (2012), não está na especificidade de</p><p>cada trabalho, mas na importância, no valor atribuído a cada um.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>50</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Ainda falando um pouco sobre a Psicologia, existem grandes</p><p>polêmicas que a rondam. Existe uma corrente que, por exemplo, não aceita</p><p>palavras como subjetividade, inconsciência, emoção e afeto. Para esses, o</p><p>objeto de estudo da Psicologia é apenas o comportamento observável.</p><p>Entretanto, não temos intenção de entrar nessas discussões.</p><p>Queremos que entendam quatro pontos:</p><p>1) A Psicologia contribui para o conhecimento do ser humano em várias de</p><p>suas dimensões e uma dessas dimensões perpassa pelas relações</p><p>interpessoais.</p><p>2) A articulação da Psicologia com a Educação criou oportunidade para</p><p>que as relações interpessoais no contexto escolar fosse aperfeiçoadas.</p><p>3) Para que tenhamos relações interpessoais promissoras, positivas é</p><p>necessário haver uma visão política e a capacidade de dialogar com a</p><p>comunidade local, afinal de contas, o(a) secretário(a) escolar atende</p><p>também ao público externo.</p><p>4) As relações interpessoais secretaria/corpo discente, podem aperfeiçoar</p><p>as práticas para que se estabeleça um método pedagógico mais</p><p>promissor.</p><p>O DESENVOLVIMENTO DAS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NAS</p><p>ORGANIZAÇÕES E, EM ESPECIAL, NAS ESCOLAS</p><p>As organizações são formadas por pessoas que estabelecem relações.</p><p>A diversidade, a grandeza e a pluralidade dessas relações constituem tema</p><p>para os mais diversos estudos organizacionais. Entre as diversas</p><p>possibilidades de analisar tais relações, um dos mais utilizados métodos é a</p><p>análise de redes sociais. Tal método parte do pressuposto de que qualquer</p><p>unidade social, sejam indivíduos, sejam organizações, pode ser vista como</p><p>imersa em uma grande teia de relações e interações (BORGATTI et al., 2009).</p><p>Nessa rede, os nós ou pontos de ligação representam, por exemplo, pessoas,</p><p>e as linhas que ligam tais pontos representam um tipo de relacionamento,</p><p>como amizade, afeto, parentesco, coautoria. Como em qualquer relação, os</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>51</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>laços ou linhas podem variar em intensidade, em direção, ou até mesmo em</p><p>tipos, possibilitando, dentro de um mesmo conjunto de atores, a análise das</p><p>implicações da combinação entre conteúdo e forma relacional. De porte desses</p><p>vários elementos, a análise de redes sociais normalmente busca compreender</p><p>como esse emaranhado de relacionamentos condicionam o comportamento</p><p>social (WELLMAN, 1988), partindo da noção de que o comportamento</p><p>individual reflete os laços que um determinado ator estabelece, assim como</p><p>sua posição na rede (EMIRBAYER; GOODWIN, 1994).</p><p>Dentro dos estudos organizacionais, essa perspectiva ganhou corpo na</p><p>metade do século XX, com estudos que focaram predominantemente as</p><p>relações interorganizacionais, em detrimento das relações que ocorrem</p><p>internamente nas organizações. Isso porque, como entendem Krackhardt e</p><p>Brass (1994), as relações intraorganizacionais foram de domínio quase que</p><p>exclusivo dos psicólogos, enquanto os sociólogos, que dominam o paradigma</p><p>da análise de redes sociais, eram direcionados para uma perspectiva</p><p>macrossocial, cujo enfoque era compreender os laços organizacionais na</p><p>esfera de seu domínio ambiental. Desse modo, na área da Sociologia – e,</p><p>também, na área da Administração, enquanto uma área das ciências sociais –</p><p>foi dada pouca ênfase às redes sociais internas das organizações, gerando</p><p>uma quantidade reduzida de estudos, se comparado ao crescimento</p><p>exponencial que o tema vem ganhando na área (BORGATTI; FOSTER, 2003).</p><p>As relações interpessoais ocorrem de maneira mais objetiva quando</p><p>existe um intercâmbio mais eficaz entre as pessoas, podendo ser no ambiente</p><p>familiar, educacional, institucional ou profissional, visto que essas relações</p><p>encontram-se associadas a efeitos finais de consenso, êxito e resultado</p><p>fecundo. As relações interpessoais podem ser avaliadas como todos e</p><p>quaisquer contatos entre indivíduos, esses contatos sucedem entre pessoas</p><p>em diversas ocasiões e em diferentes ambientes, norteados tanto para a esfera</p><p>tecnológica e educacional como também para as relações empresariais</p><p>(ROCHA, 2009).</p><p>França (2009) já compreende que os relacionamentos interpessoais</p><p>ocorrem em diferentes domínios e, incontestavelmente, são alguns dos mais</p><p>imprevistos da natureza humana.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>52</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Tendo em vista que, o ser humano é consciente de seu instinto</p><p>irracional e capaz de contê-lo, pode então fazer escolhas. Essa questão</p><p>aumenta significativamente o enredamento das relações humanas, pois o</p><p>homem é provido de uma incomensurável heterogeneidade emocional</p><p>(ANTONIASSI JUNIOR; AZEVEDO, 2012).</p><p>As ocasiões que trazem motivação para a interação humana são</p><p>diversas, mas, universalmente, é sempre constituída por uma relação de troca.</p><p>Caso não haja troca, a relação não será positiva para ambas as partes, de</p><p>maneira que irá realmente se transformar em uma relação unilateral, contudo, o</p><p>lado egoísta/possessivo se favorecerá do passivo/submisso.</p><p>Segundo Rocha (2009), o desenvolvimento das relações interpessoais</p><p>é essencial para se obter boas convivências entre as pessoas. Pode-se</p><p>planejar esse desenvolvimento para atender aos objetivos individuais e grupais.</p><p>Um dos aspectos que contribuem para o cumprimento satisfatório das relações</p><p>interpessoais é o trabalho em equipe, no qual o grupo procura um intercâmbio</p><p>entre o objeto e seu desígnio, tal como a interdisciplinaridade no ambiente</p><p>escolar, na qual se congregam docentes de disciplinas afins para o</p><p>desenvolvimento de um projeto que objetive trabalhar o mesmo assunto, com</p><p>objetivos peculiares.</p><p>Para desenvolver o trabalho interdisciplinar, podem-se aproveitar as</p><p>dinâmicas de grupo, a fim de socializar os componentes das equipes que</p><p>naturalmente irão se sentir à vontade para propor um diálogo com os outros</p><p>componentes, assim, o grupo ao se aproximar através de atividades lúdicas e</p><p>descontraídas, tende a construir uma relação saudável no ambiente.</p><p>Os grupos organizacionais podem ser caracterizados como um</p><p>complexo sistema de relações entre indivíduos, grupos e unidades</p><p>organizacionais. Para Meyer e Rowan (1977), as organizações são geralmente</p><p>entendidas como sistemas de coordenação e controle de atividades que</p><p>emergem quando o trabalho é imbricado em redes complexas de relações e</p><p>mudanças recursivas em seu delineamento, sejam elas internas ou externas à</p><p>organização.</p><p>Tendo como base os relacionamentos que ocorrem dentro da</p><p>organização, Nelson (1984) argumenta que a análise de redes sociais permite</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>53</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>entender as interações entre as relações formais e informais, assim como</p><p>outros tipos de relações. Relações formais podem ser compreendidas como</p><p>aquelas que decorrem da estrutura formal da organização (BLAU, 1970). Tais</p><p>estruturas apresentam, como uma de suas dimensões distintivas, a divisão do</p><p>trabalho que, por sua vez, distribui os indivíduos em departamentos, níveis e</p><p>posições, gerando um processo de diferenciação organizacional (BLAU, 1970;</p><p>THOMPSON, 1967). Em decorrência da diferenciação, há o estabelecimento</p><p>do fluxo de relações verticais, que acompanham a linha de autoridade, assim</p><p>como do fluxo de relações horizontais, que percorre o processo produtivo ou</p><p>gerencial existente em um mesmo nível hierárquico (KRACKHARDT; BRASS,</p><p>1994). Adicionalmente, as organizações são divididas em partes com</p><p>atribuições</p><p>funcionais específicas, como finanças, marketing e produção.</p><p>Nessa linha de raciocínio, se há três processos decorrentes da diferenciação</p><p>organizacional, podemos entender que também existam três fluxos de relações</p><p>formais: um hierárquico, que segue a linha de autoridade; um horizontal, que</p><p>ocorre entre pessoas do mesmo nível; outro funcional, que ocorre entre</p><p>pessoas que atuam dentro do mesmo departamento ou setor.</p><p>Essas relações podem ser consideradas partes de uma contingência,</p><p>na qual estão inseridos fatores organizacionais como tecnologia, tamanho, ciclo</p><p>de vida e pressões ambientais (NELSON, 1984), das quais destacamos uma</p><p>delas neste estudo: o tipo de tecnologia empregada no processo produtivo.</p><p>Como aponta Woodward (1965), há três tipos básicos de tecnologia de</p><p>produção: a produção em unidades, a produção em massa e a produção</p><p>contínua. Cada um dos tipos de tecnologia condiciona os aspectos ligados às</p><p>necessidades funcionais, assim como qual será a área predominante da</p><p>organização. Por consequência, isso leva à existência de diferentes padrões de</p><p>interação. No presente estudo, investigamos uma organização industrial de</p><p>produção em massa, que, diante do tipo de tecnologia empregada, tem como</p><p>função central a produção. Assim, seguindo as evidências de Woodward</p><p>(1965), esperamos que boa parte dos relacionamentos formais na organização</p><p>estudada tenha a área de produção como centro, nosso quarto tipo de relação</p><p>formal.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>54</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Relações formais são importantes, no entanto organizações são</p><p>extremamente complexas. Isso implica limites para a organização coordenar</p><p>suas atividades por meio da padronização de métodos e por meio do</p><p>planejamento, levando-a a buscar formas de integrar suas diferentes partes por</p><p>meio do ajustamento mútuo (THOMPSON, 1967). Em outras palavras, a</p><p>interação na organização não obedece somente ao fluxo formal, ela ocorre de</p><p>forma frouxa e naturalmente instituída, comumente compreendida como</p><p>relações informais. Todavia, sabendo que tais relações são condicionadas</p><p>pelas relações formais e que sua existência nas organizações depende em</p><p>grande parte dos aspectos burocráticos, preferimos chamar essas relações de</p><p>relações naturais. Neste estudo tal distinção entre redes formais e naturais é</p><p>importante porque esperamos que as últimas sejam condicionadas pelas</p><p>primeiras.</p><p>Em perspectivas como a institucional, as relações naturais podem ser</p><p>vistas como contidas em práticas organizacionais, já que, como parte da</p><p>dimensão social da organização, são "ações sociais regularizadas e</p><p>recorrentes que continuamente constroem e reconstroem a organização como</p><p>um sistema social espaciotemporalmente delimitado" (ALBUQUERQUE FILHO;</p><p>MACHADODA-SILVA, 2009, p. 632). No presente estudo destacamos duas</p><p>práticas, que, por sua vez, levam ao estabelecimento de relações de diferente</p><p>conteúdo. A primeira são as práticas de comunicação, definidas como o</p><p>processamento de dados em forma de mensagem dentro, entre e fora dos</p><p>canais formalmente modelados pelas organizações, incluindo todos os</p><p>aspectos não informacionais que envolvem a mensagem (MANNING, 1992).</p><p>Esses aspectos podem ser regras e procedimentos que direcionam a</p><p>comunicação, níveis, limites, papéis, tarefas e comportamentos. Já a segunda</p><p>são as práticas de tomada de decisão, definidas como processo de</p><p>pensamento e ação, que culminam em uma escolha entre muitas alternativas</p><p>(BRUNSSON, 1989).</p><p>Por meio do processo de comunicação e de tomada de decisão há</p><p>contato social entre indivíduos. Esse contato, por sua vez, pode ser identificado</p><p>por meio de uma rede social com dois conteúdos relacionais: um que envolve</p><p>relações de comunicação, outro que envolve relações de tomada de decisão.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>55</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Essas redes envolvem escolhas entre pares, que podem ser tipificadas em dois</p><p>tipos: escolha instrumental e escolha social. Na concepção de Blau (1962),</p><p>escolhas instrumentais são guiadas por objetivos não diretamente intrínsecos</p><p>ao relacionamento, enquanto escolhas sociais são motivadas por gratificações</p><p>que ocorrem no processo de associação em si. Em outras palavras, um</p><p>indivíduo escolhe alguém por razões instrumentais quando o vê como meio</p><p>para conseguir algo, enquanto escolhe alguém por razões sociais somente pelo</p><p>fato do relacionamento em si. É claro que essa distinção pura é impossível na</p><p>realidade, mas podemos identificar alguns tipos de relações com maior ênfase</p><p>instrumental do que social, e vice-versa. Perante o conteúdo das práticas</p><p>analisadas neste estudo, entendemos que as relações de comunicação tendem</p><p>a se enquadrar como escolha social, enquanto as práticas de tomada de</p><p>decisão enfatizam uma escolha instrumental.</p><p>Além dos tipos de escolha, podemos identificar padrões de escolha nos</p><p>relacionamentos intraorganizacionais: um que envolve a preferência por</p><p>escolher indivíduos que fazem parte da mesma posição, um padrão de</p><p>homofilia ou segregação; outro que envolve a preferência por escolher</p><p>indivíduos que fazem parte de outra posição (BLAU, 1962; McPHEARSON;</p><p>SMITH-LOVIN; COOK, 2001). O princípio do primeiro padrão (homofilia)</p><p>decorre do fato de que o contato entre pessoas com características similares</p><p>ocorre em maior frequência do que entre pessoas com baixa similaridade</p><p>(McPHEARSON, SMITH-LOVIN; COOK, 2001), segregando as pessoas que</p><p>apresentam características diversas. Do contrário, há uma relação de</p><p>heterofilia ou de segregação, em que características ou atributos diferentes</p><p>funcionam como elemento atrativo nas relações. Há uma ampla variedade de</p><p>dimensões como raça, etnia, sexo, idade, religião, educação, ocupação, classe</p><p>social, entre outras que pode levar à homofilia (McPHEARSON, SMITH-LOVIN;</p><p>COOK, 2001), assim como muitas outras, principalmente ligadas ao status, que</p><p>levam à heterofilia. Neste trabalho, consideraremos a estrutura departamental</p><p>como elemento de avaliação de padrões de homofilia/segregação e</p><p>heterofilia/diferenciação, já que nosso foco são as relações</p><p>intraorganizacionais.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>56</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Para Marcelos (2009), a presença de um líder é imprescindível na</p><p>existência de uma equipe e, por essa razão, ele precisa ser democrático,</p><p>inteligível, inovador e maleável. Precisa mostrar vontade de aprender, receber</p><p>ajuda das pessoas e reconhecer a importância da equipe que lhe foi confiada.</p><p>Torna-se relevante que o líder tenha habilidade para ouvir mais e falar menos.</p><p>Assim sendo, alguns aspectos beneficiam as relações interpessoais, como se</p><p>observa no quadro seguinte.</p><p>Ferramentas comportamentais para a qualidade no relacionamento</p><p>interpessoal</p><p>Empreendedor para conseguir resultados.</p><p>Flexível para mudar comportamentos e pontos de</p><p>vista.</p><p>Atualizado para acompanhar os avanços da sociedade.</p><p>Adaptável para enfrentar novas situações.</p><p>Decidido para enfrentar desafios e riscos.</p><p>Técnico para promover o “como fazer”.</p><p>Dinâmico para assimilar e aplicar novas técnicas e</p><p>abordagens.</p><p>Criativo para desenvolver alternativas de problemas.</p><p>O líder deve ainda nortear seu trabalho com alguns princípios</p><p>Interação união de ideias e ações buscando o respeito</p><p>mútuo.</p><p>Democracia todos têm a mesma oportunidade de</p><p>participação.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>57</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Liberdade responsável liberdade para pensar e ser, ser e fazer, e</p><p>compreensão da liberdade do outro.</p><p>Cooperação prática do dia a dia de forma compartilhada</p><p>visando os resultados satisfatórios da equipe.</p><p>Fonte: Marcelos</p><p>(2009, p. 1).</p><p>Marcelos (2009) ainda diz que determinados princípios precisam ser</p><p>mais trabalhados que outros, mas é relevante que toda a equipe seja analisada</p><p>pelo coordenador para posteriormente decidir as táticas apropriadas ao bom</p><p>funcionamento da atividade grupal, para que seja possível fluir e estabelecer</p><p>relações interpessoais que promovam crescimento e afinidade entre as</p><p>pessoas.</p><p>As relações interpessoais não acontecem apenas por meio das</p><p>palavras, mas também através do corpo e da expressão facial. Os indivíduos</p><p>buscam se relacionar ao se comunicarem por meio das mãos, do sorriso</p><p>afável, por um olhar que expressa seus sentimentos ou reações.</p><p>A GESTÃO ESCOLAR DEMOCRATIZADORA E AS RELAÇÕES</p><p>INTERPESSOAIS NA SECRETARIA DA ESCOLA</p><p>Desde o início da década de 1980 o tema da gestão da escola e sua</p><p>autonomia vem ganhando destaque merecido nos debates políticos e</p><p>pedagógicos sobre a escola pública. No quadro da luta pela construção de uma</p><p>sociedade democrática, uma das grandes vitórias das escolas no campo</p><p>político-educativo foi a conquista da liberdade de ação e de decisão em relação</p><p>aos órgãos superiores da administração e a maior participação da comunidade</p><p>escolar nos espaços de poder da escola, por meio de instâncias como os</p><p>conselhos de escola.</p><p>No decorrer da década de 1980 aprofundou-se o processo de</p><p>democratização política da sociedade brasileira e aumentou a pressão para</p><p>que o diretor revelasse sua face de educador, chegando-se a questionar a</p><p>direção da escola por um só indivíduo. Ao longo desse processo, foi ganhando</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>58</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>força a proposta de direção colegiada, formada por representantes de todos os</p><p>membros envolvidos no processo educativo (WARDE 1992).</p><p>Mas o processo de reconstrução democrática não foi o único nem o</p><p>primeiro momento em que o tema da gestão da escola foi ponto relevante no</p><p>debate político-educacional. Em décadas anteriores, durante a ditadura militar,</p><p>quando a escola pública era dominada, em quase todos os estados e</p><p>municípios, por estruturas administrativas centralizadas e burocratizadas,</p><p>ganhou força a reivindicação dos educadores pela autonomia escolar vinculada</p><p>à necessidade de experimentar alternativas pedagógicas - curriculares e</p><p>didáticas - que diminuíssem os altos índices de evasão e repetência na escola</p><p>primária e a deterioração da qualidade da escola pública em geral, sujeita a</p><p>rituais, arcaísmos e burocratismos das medidas administrativas. Nas décadas</p><p>de 1950 e 1960, ganhou espaço a ideia da autonomia escolar e da liberdade</p><p>dos educadores para rebater a dominância de ações administrativas e</p><p>intervenções políticas com projetos alheios à realidade escolar.</p><p>Os argumentos que defendiam a necessidade de uma gestão escolar</p><p>autônoma como condição para melhorar a qualidade do ensino supunham,</p><p>segundo estudos realizados por Warde, a unidade escolar como o locus dessa</p><p>melhoria: "é a unidade escolar que comporta as possibilidades de</p><p>aperfeiçoamento qualitativo do ensino, porque é nela que podem ser realizadas</p><p>experiências pedagógicas alternativas" (WARDE 1992).</p><p>Interrompidas essas iniciativas na década de 1970, os sistemas de</p><p>ensino viveram o apogeu do processo de centralização administrativa, apesar</p><p>de protegidos pela Lei no 5.692/71, que propugnava a autonomia da escola e a</p><p>descentralização administrativa no âmbito da educação, princípios já</p><p>registrados na Lei no 4.024/61.</p><p>A partir da década de 1980, como dissemos, a gestão escolar volta à</p><p>cena do debate político, mas agora no contexto de reforma do Estado, tendo</p><p>como um dos pontos principais a descentralização. Supunha-se, por razões</p><p>distintas, que as formas descentralizadas de prestação de serviços públicos</p><p>seriam mais democráticas, fortalecendo e consolidando a democracia. Ao</p><p>mesmo tempo, elevariam os níveis reais de bem-estar da população. As</p><p>reformas do Estado nessa direção seriam, portanto, desejáveis, pois</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>59</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>viabilizariam a concretização de ideias progressistas como equidade, justiça</p><p>social, redução do clientelismo e aumento do controle social sobre o Estado.</p><p>Nos últimos 15 anos, a discussão educacional no continente latino-</p><p>americano vem sofrendo deslocamentos importantes na direção do reforço à</p><p>educação básica e, em especial, à sua qualidade. As razões disso devem ser</p><p>buscadas dentro da própria evolução dos sistemas de educação em nível</p><p>mundial, nas novas exigências que o sistema produtivo impõe ao setor</p><p>educacional e na forma como a discussão desencadeada nos países centrais,</p><p>nos últimos 20 anos, reflete-se nos periféricos. É nesse contexto que, em</p><p>meados da década de 1980, se apresentaram as novas tendências relativas</p><p>especialmente à gestão escolar e às medidas para assegurar a qualidade do</p><p>ensino.</p><p>As tendências atuais do debate educacional expressam de maneira</p><p>bem clara a mudança do cenário socioeconômico dos últimos anos. Nesta</p><p>última década do século a educação ganha centralidade por estar diretamente</p><p>associada ao processo de reconversão e participação dos diferentes países em</p><p>uma economia em crescente globalização. Nesse quadro, a primazia da</p><p>qualidade do ensino passou a integrar a agenda dos políticos como meio para</p><p>alcançar a competitividade da produção nacional no mercado mundial e o</p><p>desenvolvimento de uma cidadania apta a operar no mundo globalizado.</p><p>Essas novas preocupações implicam, entre outras coisas, a proposta</p><p>de rearticular o sistema educativo com os sistemas político e produtivo. A</p><p>globalização dos mercados e o desenvolvimento de novas tecnologias criaram</p><p>a necessidade de dar um novo significado à organização escolar para que a</p><p>escola seja eficiente e democrática no processo de formação do novo cidadão,</p><p>o cidadão da era globalizada.</p><p>Dessa forma, a redefinição do papel do Estado na educação, sem suas</p><p>funções dirigistas e centralizadoras, tem buscado, segundo o discurso político-</p><p>educacional mais visível, a criação de condições para que as práticas</p><p>inovadoras não sejam impedidas ou condenadas ao fracasso pela</p><p>burocratização nem pela tendência à rotina do aparelho estatal, ao</p><p>favorecimento da regulação à distância e ao incentivo à autonomia e avaliação</p><p>dos resultados. Uma vez redefinido o papel do Estado, as políticas educativas</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>60</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>devem voltar-se para a gestão institucional responsável - a descentralização -,</p><p>a profissionalização e o desempenho dos educadores, o compromisso</p><p>financeiro da sociedade com a educação, a capacidade e o esforço científico-</p><p>tecnológico e a cooperação regional e internacional.</p><p>Segundo essa perspectiva, as mudanças propostas poderiam colocar o</p><p>sistema público sob a pressão da competição e encorajar sua reestruturação,</p><p>diferenciação, flexibilização e especialização. Essa solução apresenta-se como</p><p>mais democrática do que a utilização de recursos para promover a educação</p><p>formal que, em virtude de sua ineficiência em termos de aprendizagem real,</p><p>aprofunda as desigualdades.</p><p>No interior do debate político-educacional, intelectuais e políticos</p><p>críticos alertam para as inconsistências e suposições do potencial democrático</p><p>das tendências que o Estado tem demonstrado neste fim de século em relação</p><p>à educação e às consequentes implicações dessas tendências nos modelos de</p><p>gestão escolar em curso. Nesse sentido, a década de 1990, fase em que a</p><p>lógica de mercado e seu caráter de seletividade tendem a ser</p><p>institucionalizados, omite uma realidade social na qual a desigualdade está</p><p>profundamente arraigada. Em contrapartida, gerou-se um debate sobre a</p><p>necessidade de se firmar um acordo amplo entre os vários</p><p>setores sociais para</p><p>que sejam efetuadas reformas estruturais nas instituições sociais e políticas.</p><p>No caso da educação pública, isso implica um novo modelo de gestão que tem</p><p>como proposta reestruturar o sistema por intermédio da descentralização</p><p>financeira e administrativa, dar autonomia às instituições escolares e</p><p>responsabilizá-las pelos resultados educativos. A inovação vem acompanhada</p><p>de políticas voltadas para a compensação das desigualdades extremas.</p><p>Esse embate se expressou, entre outros espaços, nos longos debates</p><p>entre diversos setores e entidades da sociedade civil e em negociações com o</p><p>Congresso Nacional que antecederam à promulgação, em 1996, da Lei de</p><p>Diretrizes e Bases, Lei no 9394/96 - LDB. As mudanças propostas e definidas</p><p>na legislação acompanham a tendência hegemônica mundial anteriormente</p><p>explicitada e destacam três aspectos principais: descentralização</p><p>administrativa, participação da sociedade civil e autonomia crescente dos</p><p>sistemas e das escolas públicas.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>61</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Pedroza (2006) descreve a respeito das relações interpessoais na</p><p>escola visando à construção de uma gestão democrática. Para essa autora, a</p><p>gestão democrática parte do pressuposto de uma instituição escolar para</p><p>todos, na qual verdadeiramente sejam prováveis o ingresso e a permanência</p><p>do estudante, como ainda afiançar a qualidade na educação.</p><p>Para tanto, torna-se necessário a elaboração de um projeto político-</p><p>pedagógico que tenha em vista à superação das incoerências existentes na</p><p>sociedade contemporânea e que agencie o desenvolvimento de uma nova</p><p>consciência igualitária e de novas relações entre as pessoas, numa expectativa</p><p>mais humanista. Uma proposta assim necessita da participação de todos os</p><p>profissionais que compõem o contexto escolar. É preciso ainda contar com a</p><p>participação das famílias dos alunos, para que se envolvam de forma</p><p>consciente nessa edificação de uma escola democrática, reconhecendo que</p><p>essa proposta apenas será possível com o comprometimento de cada</p><p>envolvido no processo educacional, especialmente, o educador, que deve ser</p><p>provido de uma formação adequada para lidar com essa proposta.</p><p>Freitas (2000) concorda com essa ideia e acrescenta que a promoção</p><p>das relações interpessoais é fundamental haver uma visão política e a</p><p>habilidade de dialogar com a comunidade escolar e local. Bem como, o estilo</p><p>de liderança do gestor é categórico para o inter-relacionamento dessas</p><p>comunidades e de êxito escolar. As instituições escolares que vêm</p><p>apresentando melhor desempenho nas relações interpessoais contam com</p><p>líderes proativos e bastante dedicados à escola, tais líderes estão sempre</p><p>abertos à participação e ao diálogo. O empenho do líder e a pretensão de</p><p>submergir toda a comunidade escolar são determinantes, pois, desta forma, é</p><p>possível harmonizar a equipe escolar e a comunidade, assim, o desempenho</p><p>nas relações se torna mais elevado.</p><p>No tocante à Psicologia, Pedroza (2006) pensa que esta disciplina só</p><p>pode contribuir com a constituição das relações interpessoais na escola</p><p>visando à construção de uma gestão democrática, se tiver o empenho social</p><p>norteado para a transformação da sociedade. O que se espera construir é uma</p><p>sociedade equitativa, na qual todos tenham ingresso ao patrimônio da</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>62</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>produção humana, material e intelectual e onde todos tenham a oportunidade</p><p>de viver dignamente.</p><p>Então, é preciso desenvolver no ambiente escolar, relações</p><p>interpessoais que promovam uma relação das diferentes disciplinas do</p><p>conhecimento e das diferentes funções de cada componente da escola,</p><p>distinguindo a necessidade de superar a fragmentação do conhecimento e dos</p><p>fazeres, particularidade intrínseca a escola tradicional. O intuito é estabelecer</p><p>uma escola mais humanizada, na qual estudantes, docentes, funcionários e</p><p>administração, conhecedores de suas habilidades e inventividade, sintam-se</p><p>compartes e responsáveis pela edificação de uma nova sociedade. Para tanto,</p><p>deve-se trabalhar com o coletivo.</p><p>Del Prette e Del Prette (1998) complementam dizendo que a</p><p>comunicação interpessoal, especialmente a mediada pelo docente, assume</p><p>uma função de grande importância no processo educativo, pois, o</p><p>desenvolvimento interpessoal dos estudantes promove o desenvolvimento do</p><p>processo educacional, apesar de que ele se sujeita também as condições</p><p>estabelecidas pelo educador e pelas suas capacidades interpessoais</p><p>profissionais, assim a formação do docente deve estar norteada para colaborar</p><p>para a construção de uma sociedade igualitária.</p><p>Isso expressa resgatar a instituição escolar como ambiente público,</p><p>como espaço de debate, de diálogo estabelecido na reflexão crítica grupal.</p><p>Essa batalha deve contar com as forças das diversas ordens sociais, políticas e</p><p>econômicas. Deste modo, a participação de todos fica cada vez maior e mais</p><p>significativa na comunidade em relação ao projeto da escola. Além disso, é</p><p>relevante que se ofereça espaço para as atividades lúdicas, tendo em vista que</p><p>a brincadeira é uma atividade que compõe a essência do humano. “Devemos</p><p>romper com o silêncio, a subserviência e o imobilismo que as relações de</p><p>hierarquia do poder pelo suposto saber determinavam no contexto da</p><p>educação” (PEDROZA, 2006, p. 85).</p><p>Somente com o pensamento norteado para a construção de uma</p><p>gestão democrática na escola será possível pensar em construir boas e</p><p>profícuas relações interpessoais.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>63</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>A GESTÃO DEMOCRÁTICA E AS RELAÇÕES INTERPESSOAIS NA</p><p>SECRETARIA ESCOLAR</p><p>Hoje não é difícil obter o consenso sobre a necessidade de transformar</p><p>as estruturas e dinâmicas da gestão das escolas para que elas recuperem a</p><p>capacidade de transmitir uma cultura significativa e contribuam para recriar e</p><p>desenvolver a capacidade de alcançar eficácia financeira e democratização</p><p>política.</p><p>No entanto, entramos num terreno pantanoso quando tentamos discutir</p><p>a necessidade de a escola recuperar sua autoridade cultural, sem a qual não</p><p>terá força suficiente para atender à exigência de contribuir para a formação dos</p><p>agentes de uma economia marcada pela competitividade implacável e de uma</p><p>sociedade civil comprometida com a gestão democrática de sua política.</p><p>As políticas de descentralização dominantes estimulam a revisão dos</p><p>conteúdos escolares para adequá-los aos novos conhecimentos científicos e</p><p>tecnológicos e mantê-los sensíveis aos problemas da sociedade</p><p>contemporânea. Vinculado a isso, propõe-se também uma renovação</p><p>metodológica e o fortalecimento das relações da escola com seu meio social</p><p>imediato.</p><p>Mas quando falamos de gestão da escola, não estamos pensando</p><p>apenas em uma determinada organização e na racionalização do trabalho</p><p>escolar para alcançar determinados resultados, ou seja, na produção</p><p>institucional da escola (Paro 1997). Referimo-nos também a uma renovação</p><p>dos dispositivos de controle que garantam níveis mais altos de governabilidade.</p><p>Em outras palavras, estamos nos referindo às relações de poder no interior do</p><p>sistema educativo e da instituição escolar e ao caráter regulador do Estado e</p><p>da sociedade no âmbito educacional. As expectativas oficiais em relação às</p><p>mudanças da gestão do sistema e da instituição escolar, para o conjunto de</p><p>estratégias de desenvolvimento e governabilidade social e educacional,</p><p>evidenciam as relações contidas na gestão escolar.</p><p>Queremos chamar a atenção para o importante papel articulador da</p><p>gestão escolar entre as metas e os delineamentos político-educacionais e sua</p><p>concretização na atividade escolar. Portanto, é possível pensar a gestão</p><p>INE EAD –</p><p>INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>64</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>escolar como um espaço privilegiado de encontro entre o Estado e a sociedade</p><p>civil na escola.</p><p>Assim, é limitado compreender a gestão escolar apenas como</p><p>responsável pela realização eficiente dos objetivos institucionais da escola. Sua</p><p>decomposição em diferentes âmbitos de atuação, o financeiro, o administrativo</p><p>e o pedagógico, pode ser útil do ponto de vista analítico, mas fragmenta o</p><p>complexo processo dessa gestão. Corre-se o risco de não visualizar a</p><p>influência da gestão escolar nos diferentes aspectos que constituem o cotidiano</p><p>da escola e a instituição em sua totalidade.</p><p>Há uma vasta literatura que discute a estreiteza da visão economicista</p><p>da gestão escolar que a reduz a uma atividade administrativa. Das diferentes</p><p>perspectivas de análise, tenta-se resgatar a especificidade da instituição</p><p>escolar e a necessidade de entender a gestão escolar com base em seus fins</p><p>pedagógicos. No campo da pesquisa sobre a administração escolar - sendo</p><p>administração definida como a utilização racional dos recursos para a</p><p>realização de determinados fins -, destaca-se a necessidade de fazer penetrar</p><p>os objetivos pedagógicos nas formas de alcançá-los.</p><p>Secretário, por condições legais e regimentais, exerce uma ação ao</p><p>mesmo tempo centralizadora e abrangente, porque seu setor relaciona-se com</p><p>todos os demais setores envolvidos no processo pedagógico e na vida escolar.</p><p>Pode-se esquematizar essa situação da seguinte forma:</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>65</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>A secretaria e suas interações</p><p>Com a direção: assessoria, execução, coordenação e</p><p>supervisão das atividades administrativas sob</p><p>sua responsabilidade;</p><p>harmonia de propósitos e de princípios.</p><p>Com a inspeção e/ou</p><p>supervisão:</p><p>Colaboração;</p><p>apresentação de situações para ratificação ou</p><p>retificação.</p><p>Com o corpo discente: atendimento direto, sem intermediários;</p><p>busca de soluções.</p><p>Com o corpo docente: elemento de ligação entre atividades</p><p>pedagógicas e administrativas;</p><p>respeito à competência e aos métodos do</p><p>professor;</p><p>postura ética.</p><p>Com os subordinados: orientação e supervisão das rotinas de</p><p>trabalho estabelecidas;</p><p>respeito às aptidões e habilidades de cada</p><p>um.</p><p>Com os pais e comunidade em</p><p>geral:</p><p>presteza de informações;</p><p>busca de soluções;</p><p>respeito ao sigilo profissional.</p><p>Com órgãos colegiados:</p><p>subsidiar com informações;</p><p>formar o apoio ao bom andamento das</p><p>reuniões.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>66</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Segundo o Programa de Apoio à Melhoria do Ensino Municipal</p><p>(CEAE/UFRJ):</p><p>➢ levando-se em conta as atribuições de produção e guarda da</p><p>documentação e de atendimento a todos os componentes da</p><p>comunidade escolar, inclusive da comunidade externa, a Secretaria</p><p>deve localizar-se em lugar acessível mas não devassado;</p><p>➢ é recomendável que seja um local agradável e de fácil circulação</p><p>interna, que também facilite o trabalho da equipe, que precisa oferecer</p><p>pronto atendimento ao usuário que comparece à Secretaria, com um</p><p>mínimo de prejuízo sobre as suas outras funções;</p><p>➢ a Secretaria é um excelente local para se manter um jornal mural, que</p><p>funcione como um pré-atendimento aos usuários e divulgue informações</p><p>e notícias de interesse, assim como um local de passagem dos</p><p>professores e funcionários para receber correspondência e notificar sua</p><p>presença ou ausência da escola. (Disponível em:</p><p>http://www.race.nuca.ie.ufrj.br/ceae/m3/texto3.htm).</p><p>O SECRETÁRIO ESCOLAR, O RECONHECIMENTO DA PROFISSÃO E AS</p><p>RELAÇÕES INTERPESSOAIS</p><p>A gestão escolar vem, cada vez mais, se ressaltando dentro da</p><p>organização da escola. A qualidade da gestão tem respondido pelo bom</p><p>desempenho dos alunos.</p><p>Economistas de renome, como Naércio Menezes Filho, da USP e do</p><p>Ibmec, cruzando os dados dos resultados do último exame do Sistema</p><p>Nacional da Avaliação da Educação Básica (Saeb) e da Prova Brasil,</p><p>constataram que alunos tiveram o mesmo desempenho, apesar da expressiva</p><p>diferença na quantidade de recursos destinados ao setor educacional entre os</p><p>municípios analisados.</p><p>Muitos municípios, por terem uma gestão eficiente, mesmo gastando</p><p>pouco, obtiveram mais retorno no investimento dado à educação que</p><p>municípios que gastaram mais, tendo, porém, escolas mal geridas. Conclui-se,</p><p>assim, que o desempenho escolar não é determinado apenas pelo orçamento,</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>67</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>mas, principalmente, pela eficiência na administração das escolas. Conclui-se</p><p>da necessidade de uma profissionalização da gestão, com cobranças de</p><p>resultados. De um gerenciamento, que acompanhe e monitore o processo</p><p>educacional, levando à elaboração, pela unidade escolar, de projetos que</p><p>definam o que os alunos devem aprender.</p><p>Pesquisadores educacionais pronunciam-se por uma definitiva</p><p>profissionalização na gestão escolar para se chegar a uma necessária</p><p>revolução da educação Querem passar, entre os educadores, a idéia de que a</p><p>educação é um serviço e que seus representantes devem prestar contas de</p><p>seus resultados.</p><p>Reforçam o conceito de que um dos graves problemas da educação é</p><p>a falta de gestão. Com isso, chamam a atenção da gestão escolar obtida na</p><p>base da meritocracia e nunca pela indicação de partidos políticos, de</p><p>lideranças comunitárias, ou de sindicatos, como acontece em muitos</p><p>municípios.</p><p>A função de gestar deve recair, necessariamente, em profissionais</p><p>capacitados. A qualidade da gestão escolar tem sido responsável pela melhora</p><p>na apresentação de projetos escolares, na elaboração de plano de metas.</p><p>Uma gestão compartilhada entre escolas e secretarias de educação é</p><p>capaz de refletir mudanças significativas no resultado da educação. Cada</p><p>escola, dentro de sua autonomia, elabora seu projeto, definindo o que os</p><p>alunos devem aprender. Não se trata mais de conduzir o ensino, seguindo</p><p>apenas o livro didático e ensinar o que o professor acha que deve ser</p><p>ensinado. É apoiar-se na necessidade do grupo-classe e conduzir a</p><p>aprendizagem estabelecendo metas e ações.</p><p>Toda mudança na escola deve vir acompanhada de opiniões dos pais</p><p>dos alunos, deve, com eles, ser discutida e concluída. A importância da</p><p>participação da comunidade, na definição dos rumos da escola, é um aspecto</p><p>bastante considerado na moderna gestão escolar. Outros aspectos, como o</p><p>uso racional dos recursos e a melhora no desempenho do aluno, fazem parte</p><p>de um plano, onde entram conselhos gestores das escolas.</p><p>Tenta-se, por diversos caminhos, desvendar o fracasso do sistema</p><p>educacional, na mira de mudanças.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>68</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Apesar de a profissão de secretariado ser antiga e no Brasil ter sido</p><p>regulamentada pela Lei nº 7.377 de 07/07/1989, assinada pelo então</p><p>Presidente da República José Sarney, nos últimos anos é que tem surgido</p><p>maior número de cursos para dar melhor qualificação a esse profissional. E</p><p>podemos afirmar também que em breve, a legislação irá contemplar essa</p><p>função.</p><p>O movimento dos trabalhadores em educação e, atualmente, o</p><p>Ministério da Educação vêm propondo a formação dos trabalhadores não-</p><p>docentes como um dos mecanismos de melhoria da qualidade do ensino e a</p><p>realização da meta de democratização da educação básica, tendo em vista</p><p>uma participação mais efetiva e consciente no processo educativo da escola.</p><p>Tal preocupação, expressa no documento “Por uma política de</p><p>valorização dos trabalhadores em educação – em cena, os funcionários de</p><p>escola” (BRASIL, 2007), reconhece que</p><p>morto, entre a subjetividade</p><p>laborativa, em sua dimensão cognitiva e o universo tecnocientífico". Esse autor</p><p>descreve o caráter bidimensional deste processo: em sua dimensão material, a</p><p>reorganização capitalista viabilizou-se através da reestruturação produtiva, que</p><p>pode ser definida como uma estratégia de racionalização da produção através</p><p>da precarização das relações de trabalho; em sua dimensão ideológica, o</p><p>processo é sustentado pelo discurso político-cultural do neoliberalismo, que</p><p>converte as relações sociais em ideias que naturalizam e legitimam as</p><p>condições de exploração do capitalismo atual.</p><p>Em sua face ideológica, o novo trabalhador é denominado colaborador</p><p>e deve ser dotado de um complexo sistema de habilidades, competências e</p><p>atitudes, amplamente desenvolvidas, a fim de enfrentar os desafios diários de</p><p>seu trabalho. Esse cenário exige a constante atualização de si mesmo em favor</p><p>desse perfil. Bendassolli (2001) percebe como vigente na atualidade a</p><p>reificação do vocabulário da habilidade e da competência, o qual dita os modos</p><p>de ser dos sujeitos em termos de desempenho profissional e de trabalho. O</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>5</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>foco na alta performance do trabalhador, bem como na busca individual por</p><p>qualificação, são algumas das crenças que embasam esse discurso, frente a</p><p>um mercado de trabalho que incrementa a cada dia esse vocabulário.</p><p>Em suma, trata-se de apropriar-se da própria subjetividade do trabalho,</p><p>em um movimento que poderia ser definido como uma releitura do conceito de</p><p>"capital humano" pelo discurso neoliberal, no qual cada sujeito toma sua</p><p>própria pessoa como um "capital" submetido ao valor de mercado. O "capital</p><p>humano" torna-se um conjunto de recursos que cabe valorizar ao máximo,</p><p>cuidando para conservar e aumentar continuamente o valor de sua formação</p><p>inicial e continuada. O limite entre a vida e a vida no trabalho desvanece, pois</p><p>toda a existência passa a ser equacionada como o processo de criação de um</p><p>centro potencial de acúmulo de riqueza monetária, tal como uma empresa</p><p>capitalista.</p><p>Somado a isso, percebe-se a cada dia um mercado de trabalho que, ao</p><p>mesmo tempo em que incentiva a qualificação e o desenvolvimento de</p><p>habilidades e competências, nega a possibilidade de trabalho, tendo em vista</p><p>as altas taxas de desemprego na atualidade. Pesquisas recentes têm mostrado</p><p>que o desemprego é um fenômeno da população jovem, segundo dados de</p><p>2011 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O último</p><p>levantamento apresentado revela que a maior parte das pessoas que estão</p><p>fora do mercado está com idade entre 18 e 29 anos, perfazendo 54% dos</p><p>desempregados.</p><p>A juventude tem sido afetada em suas diversas esferas por questões</p><p>relacionadas ao mundo do trabalho. Camarano, Leitão e Mello, Pasinato e</p><p>Kanso (2004) concluíram que a transição da vida adolescente para a vida</p><p>adulta na atualidade tem sofrido alterações e não se mostra mais de modo</p><p>linear como antigamente. A maior permanência junto à família, muitas vezes</p><p>pela falta de oportunidades de emprego, é um fenômeno percebido também</p><p>por Wickert (2006), associado a um aumento da escolarização, como o</p><p>ingresso no ensino superior e em programas de pós-graduação, situações</p><p>essas que implicam em um aumento no período de dependência econômica</p><p>em relação aos pais, retardando a saída do jovem de casa.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>6</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Essas mudanças respondem às novas configurações do mundo do</p><p>trabalho contemporâneo, que é regido por ideais centrados no alto</p><p>desempenho e naqualificação do trabalhador. Os jovens incorporam o discurso</p><p>e os ideais empresariais, que atingem inclusive o seu espaço de sociabilidade,</p><p>no qual têm papel importante as novas tecnologias de comunicação e</p><p>informação que dão plena legitimidade à nova estruturação do capital.</p><p>Consequentemente, os jovens sofrem, em especial no meio universitário, com</p><p>a impregnação do discurso do mercado como regulador da vida social,</p><p>concluindo que precisam cada vez mais buscar iniciativas que complementem</p><p>a sua formação, que já não é mais vista como suficiente (Gondim, 2002). Os</p><p>programas de trainee, assim como os cursos de línguas, de informática, de</p><p>aperfeiçoamento pessoal, são, entre outras iniciativas, meios pelos quais os</p><p>jovens buscam essa complementação em busca da empregabilidade. O</p><p>autoempreendendorismo é o novo ideal difundido no meio universitário, no qual</p><p>cada um é responsável por sua saúde, por sua mobilidade, por adaptação e</p><p>atualização constante de conhecimentos. As organizações estudantis, em</p><p>especial empresas juniores, ONGs estudantis e associações de estudantes</p><p>também respondem a essa demanda, visando a qualificar pessoal e</p><p>profissionalmente os estudantes, com o consequente ocultamento dos</p><p>interesses antagônicos entre capital e trabalho assalariado. Gondim (2002)</p><p>defende que a participação nessas organizações, em especial nas empresas</p><p>juniores, poderia minimizar em parte o abismo que se percebe entre o que é</p><p>visto pelo jovem na universidade e aquilo que lhe será requisitado enquanto</p><p>profissional após seu ingresso no mercado de trabalho.</p><p>Nesse sentido, tomando como base a introdução do Manual de “Ética e</p><p>Cidadania: construindo valores na escola e na sociedade”, elaborado pelo</p><p>Ministério da Educação (2007), encontramos algumas justificativas que</p><p>faremos valer nesse momento do curso:</p><p>1º - Não é responsabilidade apenas de educadores e estudantes, mas</p><p>de todos os segmentos sociais e profissionais a luta por uma educação de</p><p>qualidade, no sentido de promover a democracia e a justiça social, portanto,</p><p>aqui está incluído o(a) secretário(a) escolar.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>7</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>2º - É preciso compreender que a educação formal na sociedade</p><p>contemporânea não é condição suficiente, mas é necessária para o</p><p>desenvolvimento da cidadania plena e para a consolidação da igualdade de</p><p>oportunidade para todas as pessoas. Nesse viés, projetos e ações devem ser</p><p>considerados nos planejamentos institucionais, os quais promovam o acesso</p><p>aos bens culturais exigidos pela sociedade contemporânea e garantam uma</p><p>formação política aos jovens de modo a lhes permitir participar da vida social</p><p>de forma mais crítica, dinâmica e autônoma. O(a) secretário(a) também</p><p>participa da elaboração, execução e avaliação desses projetos e ações.</p><p>Então, o que tem a ver as justificativas acima com ética e cidadania? É</p><p>o que propomos na unidade seguinte: levá-los a refletirem sobre a importância</p><p>de sermos todos éticos, o que passa pelo respeito aos limites do outro e ao</p><p>tratamento humano, sem ferir, maltratar, julgar o outro. A ética caminha de</p><p>mãos dados com a cidadania.</p><p>Segundo Carvalho (2003), ninguém nasce cidadão, mas torna-se</p><p>cidadão pela educação. Porque a educação atualiza a inclinação potencial e</p><p>natural dos homens à vida comunitária ou social.</p><p>Cidadania é, nesse sentido, um processo. Processo que começou nos</p><p>primórdios da humanidade e que se efetiva através do conhecimento e</p><p>conquista dos direitos humanos, não como algo pronto, acabado; mas, como</p><p>aquilo que se constrói.</p><p>Assim como a ética, a cidadania é hoje questão fundamental, quer na</p><p>educação, quer na família e entidades, para o aperfeiçoamento de um modo de</p><p>vida.</p><p>Não basta o desenvolvimento tecnológico, científico para que a vida</p><p>fique melhor. É preciso uma boa e razoável convivência na comunidade</p><p>política, para que os gestos e ações de cidadania possa estabelecer um viver</p><p>harmônico, mais justo e menos sofredor.</p><p>Aqui tomamos uma variante a qual também faz valer a ética e a</p><p>cidadania. Estamos falando das relações interpessoais que nos envolvem</p><p>todos os espaços da escola, além do</p><p>espaço da sala de aula, são importantes espaços educativos.</p><p>Complementando a importante atuação do professor em sala de aula,</p><p>ocorrem significativos processos de comunicação interativa e de vivência</p><p>coletiva, que colocam em cena os trabalhadores em educação não-docentes</p><p>que estão atuando nas unidades de ensino (BRASIL, 2004).</p><p>Pode-se evidenciar que a formação desses profissionais se configura</p><p>como necessidade, pois, nas quase duzentas mil escolas das redes estaduais</p><p>e municipais de educação básica, um contingente de, aproximadamente, um</p><p>milhão de funcionários se distribuem em funções denominadas de apoio ao</p><p>projeto pedagógico e ao processo de ensino-aprendizagem (BRASIL, 2004, p.</p><p>20).</p><p>Esse reconhecimento tem relação direta e fundamental em uma</p><p>concepção de educador que ultrapasse os limites da sala de aula e supere o</p><p>preconceito histórico que vê os funcionários não-docentes apenas como</p><p>trabalhadores braçais, tarefeiros, alienados das ações pedagógicas. Para isso,</p><p>“os funcionários, conscientes de seu papel de educadores, precisam construir a</p><p>sua nova identidade profissional, isto é, ser profissionalizados, recebendo</p><p>formação inicial e continuada tanto quanto os professores” (BRASIL, 2004).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>69</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>O Ministério da Educação juntamente com representantes da</p><p>sociedade elaborou um documento orientador para organizar a oferta da</p><p>educação profissional e tecnológica do país, com a finalidade de organizar os</p><p>cursos técnicos ofertados na federação, como segue:</p><p>Ao longo de 2007 e no primeiro semestre de 2008,</p><p>especialistas de todo o país, além de representantes dos</p><p>sistemas de supervisão de ensino dos estados,</p><p>juntamente com representantes de outros órgãos do</p><p>governo somaram esforços ao Ministério da Educação</p><p>para elaborar o Catálogo Nacional dos Cursos Técnicos</p><p>que servirá na orientação de estudantes e instituições de</p><p>ensino na oferta de cursos técnicos (BRASIL, 2007).</p><p>O perfil do secretário escolar é destacado porque ele é a primeira</p><p>pessoa que recebe o aluno, que faz a orientação sobre o funcionamento da</p><p>instituição, disponibiliza os comunicados, organiza os dados tanto internos</p><p>quanto relacionados aos órgãos públicos, redige documentos e estabelece o</p><p>cumprimento dos horários e, portanto, para atuar no concorrente mercado, tem</p><p>que estar capacitado.</p><p>A gestão democrática parte da ideia de uma escola para todos onde</p><p>realmente sejam possíveis o acesso e a permanência do aluno, assim como a</p><p>garantia da qualidade na educação.</p><p>Para tal, é preciso a elaboração de um projeto político-pedagógico que</p><p>vise à superação das contradições existentes em nossa sociedade e que</p><p>promova o desenvolvimento de uma nova consciência social e de novas</p><p>relações entre os homens, numa perspectiva mais humanista.</p><p>Essa proposta precisa da participação de todos que fazem parte do</p><p>contexto escolar, inclusive você enquanto secretário(a) para que as mudanças</p><p>sociais aconteçam.</p><p>É necessário desenvolver no contexto escolar relações interpessoais</p><p>que permitam uma integração das diversas áreas do conhecimento e das</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>70</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>diferentes funções de cada membro da escola, reconhecendo a necessidade</p><p>de superação da fragmentação do saber e dos fazeres, característica da escola</p><p>tradicional.</p><p>A construção de uma proposta pedagógica transformadora somente</p><p>será possível a partir do questionamento da realidade existente e não apenas</p><p>de sua negação. É preciso questionar essa realidade para apontar mecanismos</p><p>de superá-la, estimulando a pluralidade de experiências e de concepções</p><p>pedagógicas (FREIRE, 1976).</p><p>A situação do secretário escolar após a recente aprovação da</p><p>Deliberação no. 16, em complemento às 20 áreas do ensino técnico</p><p>profissionalizante, estabelecidas pela LDB, definiu-se que para o exercício da</p><p>função de secretário escolar é necessário o diploma do curso de técnico em</p><p>Secretaria Escolar ou de licenciatura plena em Pedagogia (qualquer área) ou</p><p>de pós-graduação lato sensu de 360 horas em universidade credenciada.</p><p>O secretário escolar é um profissional essencial para o</p><p>estabelecimento de ensino, o seu papel hoje é de Gestor Administrativo. Suas</p><p>atribuições compreendem atividades essenciais como: indicar aos gestores</p><p>(diretores) decisões a serem adotadas; receber a comunidade; analisar os</p><p>documentos dos alunos e averiguar se há irregularidades; estabelecer ação</p><p>conjunta com a orientação pedagógica e demais setores.</p><p>É ele que juntamente com seus gestores, responde</p><p>administrativamente e legalmente pela documentação escolar, além de ser o</p><p>elo entre a administração e a equipe pedagógica. O secretário escolar é o</p><p>responsável por planejar, coordenar e executar as ações da secretaria da</p><p>escola, respondendo por suas imputações de modo a assegurar o mais perfeito</p><p>e regular desenvolvimento dos trabalhos administrativos, dentro dos prazos</p><p>estabelecidos.</p><p>Na qualidade de profissional que trabalha diretamente com a clientela</p><p>da escola externa (aqueles que compram os serviços da escola) e interna (os</p><p>colaboradores dentro da escola) precisa evidenciar o bom atendimento, que</p><p>desde aí ou a partir daí caberá causar a boa impressão da escola (nunca</p><p>haverá um segundo momento para você causar uma primeira boa impressão) e</p><p>uma série de qualidades pessoais e profissionais como iniciativa, dinamismo,</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>71</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>segurança, estabilidade emocional, bom senso, cooperação, honestidade,</p><p>respeito, discrição, organização, liderança, atenção, cortesia, responsabilidade</p><p>e humanização. Além disso, incluem traços de personalidade e caráter que</p><p>definem comportamentos nas relações sociais de trabalho, como: capacidade</p><p>de iniciativa, comunicação, disponibilidade para inovações e mudanças,</p><p>assimilação de novos valores de qualidade, produtividade, competitividade,</p><p>saber trabalhar em equipe, ser capaz de decidir problemas e desempenhar</p><p>trabalhos novos e diversificados.</p><p>Uma de suas atribuições principais é conhecer o Regimento Escolar e</p><p>a Proposta Pedagógica, observando a legislação aplicável a cada situação e</p><p>evitar problemas, corrigir desvios e oferecer soluções, quanto as suas</p><p>obrigações diárias destacamos: a atualização do arquivo escolar; a</p><p>participação no planejamento geral da escola; manter articulação com setores</p><p>técnico-pedagógicos; a preservação da segurança da documentação; o</p><p>assessoramento à direção da escola.</p><p>É essencial que ele efetue adequadamente os registros dos alunos</p><p>desde seu ingresso na instituição de ensino, observando os prazos. Todo o</p><p>controle deve estar sobre seu comando, que manterá todas as informações e</p><p>registros atualizados.</p><p>O profissional tem por responsabilidade organizar, sistematizar,</p><p>registrar e documentar todos os fenômenos que processam no domínio da</p><p>unidade escolar, tornando transitável seu funcionamento administrativo e</p><p>afiançando sua legalidade e a validade de seus atos. Os documentos emitidos</p><p>adquirem um caráter de testemunho, de prova, que acompanhará o aluno e</p><p>influenciará sua vida escolar de forma expressiva.</p><p>O secretário escolar deve ordenar as diversas atividades do trabalho</p><p>da Secretaria Escolar, organizar o ambiente e administrar coerente e</p><p>conjuntamente os aspectos administrativos, econômicos e de relações</p><p>humanas, empregando de forma adequada e segura recursos materiais e</p><p>humanos colocados a sua disposição. Suas responsabilidades incidem sobre a</p><p>unidade escolar como um todo: Grupo Técnico Pedagógico; Corpo Docente;</p><p>Grupo de Apoio Operacional e Corpo Discente.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA</p><p>ESCOLAR</p><p>72</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Como é a pessoa responsável pela gestão da Secretaria Escolar, tendo</p><p>por responsabilidade a escrituração e expedição de documentos escolares,</p><p>autenticando-os pela aposição de sua assinatura, bem como a guarda e</p><p>inviolabilidade dos arquivos escolares pelo registro de todos os atos escolares,</p><p>a ética profissional no trato de todo esse trabalho administrativo é</p><p>importantíssima.</p><p>AS CARREIRAS DA ÁREA DA EDUCAÇÃO E OS FATORES QUE LEVAM</p><p>AO SUCESSO PESSOAL NAS SECRETARIAS</p><p>A secretaria possui várias atribuições que são fundamentais para o</p><p>funcionamento de uma escola. Juntamente à direção e à supervisão</p><p>pedagógica, atua para fazer a instituição cumprir com a sua função educadora,</p><p>prestando serviços que garantem apoio técnico e administrativo.</p><p>1) Otimizar a rotina da escola de forma organizada</p><p>Ao manter os arquivos dos corpos docente e discente, a secretaria</p><p>funciona como um centro de informações. Esses arquivos são fundamentais</p><p>para o cotidiano escolar! A secretaria mantém, por exemplo, registros de</p><p>matrícula, listagem de alunos, livro de ponto dos funcionários e comunicados</p><p>internos.</p><p>Portanto, ela possui função importantíssima, pois planeja, coordena e</p><p>executa trabalhos administrativos. Sem isso, a escola estaria gravemente</p><p>desorganizada. Por meio desse trabalho, o dia a dia de todos do ambiente</p><p>escolar pode funcionar de modo mais harmônico e seguro.</p><p>2) Garantir o cumprimento da legislação</p><p>A gestão de uma escola deve estar submetida à legislação. As</p><p>definições e os parâmetros internos devem seguir o que é definido pelas</p><p>normas escolares para que tudo funcione dentro das leis. Consegue pensar em</p><p>quem seria o responsável por garantir o cumprimento dessas premissas? Isso</p><p>mesmo, novamente, a secretaria.</p><p>São os funcionários do setor que devem estar por dentro da legislação</p><p>e saber como interpretar questões, muitas vezes, complicadas. Além disso,</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>73</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>devem definir, por exemplo, atos e metas obrigatórias para a escola. Dessa</p><p>forma, a secretária tem, novamente, uma contribuição essencial para a escola,</p><p>garantindo que a instituição permaneça de portas abertas!</p><p>3) Enriquecer o planejamento pedagógico</p><p>Informação é poder e, pela quantidade de arquivos a que tem acesso,</p><p>a secretaria é essencial para a gestão escolar. Por meio de seu trabalho é</p><p>possível acessar dados sociais, familiares e de aprendizagem dos estudantes,</p><p>o que é uma das fontes para se conhecer o corpo discente e traçar metas</p><p>pedagógicas.</p><p>A partir dos dados e das informações, juntamente com um olhar atento</p><p>sobre a comunidade escolar, a secretaria pode interpretar os sujeitos e as</p><p>situações, sendo possível trabalhar diretamente com outro órgão fundamental</p><p>da escola: a direção. Os funcionários são capazes de participar de reuniões</p><p>pedagógicas para discutir estratégias baseadas nas informações arquivadas.</p><p>Assim, estabelecem uma parceria fundamental, auxiliando o seu trabalho por</p><p>meio do repasse de dados como, por exemplo, a frequência escolar.</p><p>4) Comunicação e atendimento eficientes</p><p>Para que a gestão de qualquer instituição funcione de maneira plena, é</p><p>necessário que haja um canal de comunicação interno e externo. A secretaria</p><p>permite isso: com alunos, professores, funcionários e pais. Quando alguém da</p><p>comunidade escolar precisa resolver algum problema, logo pensa na diretora</p><p>ou secretaria, afinal de contas, são centrais de informações onde se concentra</p><p>um material valioso.</p><p>Diretores, professores e pais acabam entrando em contato com a</p><p>secretaria, que está pronta para fornecer o que for necessário. E os alunos,</p><p>também. Até mesmo os egressos, quando vão se matricular em uma</p><p>faculdade, por exemplo, recorrem à secretaria para pedir seu histórico escolar</p><p>— que será indispensável em diversas situações futuras. Desse modo, a</p><p>administração escolar é potencializada pelo correto fluxo comunicativo, que</p><p>permite que as informações corretas cheguem a quem precise.</p><p>5) Conservação da história</p><p>Toda instituição tem uma história. A secretaria é a responsável pela</p><p>manutenção da memória da escola aos alunos, professores e funcionários. Ao</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>74</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>guardar arquivos dos participantes do cenário escolar, a secretaria garante que</p><p>uma história importante não se perca, estando sempre à disposição de</p><p>gerações futuras.</p><p>Deveríamos começar explicando o que vem a ser “carreira”, mas</p><p>optamos por primeiro mostrar os fatores que levam sucesso pessoal, pois, em</p><p>muito, a carreira irá depender de fazermos valerem esses fatores.</p><p>São fatores que levam ao sucesso pessoal, salvo as exceções</p><p>patológicas:</p><p>• em alguns aspectos todos os homens são iguais – todos querem</p><p>sobreviver, obter reconhecimento e atingir a felicidade;</p><p>• em outros aspectos nem todos os homens são iguais uns aos outros –</p><p>há variações e coincidências em gostos, valores, visões de mundo, entre</p><p>outros;</p><p>• e em outra variedade de aspectos, todos os homens são diferentes dos</p><p>demais – cada um é único.</p><p>Em analogia a uma pesquisa de Kluckhohn e Murray (1974 apud</p><p>ROSA, 2011), “Todo homem é, sob certos aspectos, (a) como todos os outros</p><p>homens; (b) como alguns outros homens; (c) como nenhum outro homem”.</p><p>Esse prisma acima nos leva a entender que o sucesso pode ser</p><p>definido:</p><p>➢ em termos universais – por grandes realizações, fama, poder, dinheiro;</p><p>➢ quando restrito a grupos – desempenho científico de valor, bom</p><p>desempenho como violonista, bons resultados como executivo, embora</p><p>algumas pessoas que atingem o sucesso no âmbito restrito também</p><p>podem chegar ao sucesso no âmbito universal, naturalmente, no</p><p>entanto, o sucesso no âmbito universal ou de grupo não está ao alcance</p><p>de todos. Poderão existir requisitos como talento ou nível de inteligência</p><p>elevado, como é o caso do desempenho artístico ou científico de alto</p><p>valor. Ou, quando não há tais requisitos, grandes realizações podem ser</p><p>decorrentes de sorte (o que inclui uma trajetória de vida específica que</p><p>facilitou a ascensão). É o caso de uma pessoa que, não tendo nenhum</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>75</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>talento ou qualificação especial, chega a um alto cargo político ou vira</p><p>uma “celebridade” da TV;</p><p>➢ individual – quando o profissional sonhava em deixar as funções</p><p>executivas e transformar-se em docente – ao atingir essa meta e</p><p>consolidar-se na nova carreira, chegou ao sucesso. Em princípio este é</p><p>o único e verdadeiro sucesso: o que faz sentido no âmbito individual.</p><p>Rosa (2011) explica que nada impede, por exemplo, que uma pessoa</p><p>aspire atingir grandes realizações na política, nos negócios ou na arte. Caso</p><p>suas aspirações sejam sensatas e viáveis, se houver uma definição pessoal e</p><p>consciente das metas e elas sejam concretizadas, há sucesso no âmbito</p><p>pessoal e também no âmbito universal. Por outro lado, se a pessoa atinge</p><p>grandes realizações – fama, dinheiro – mas não era isso exatamente o que ela</p><p>queria, não há sucesso.</p><p>Algumas pessoas definem para si mesmas metas inatingíveis ou de</p><p>realização pouco provável. Por exemplo: ela deseja intensamente consagrar-se</p><p>como compositor, mas não tem o talento requerido, ou como cientista, mas não</p><p>tem o nível de inteligência adequado.</p><p>Os esforços para atingir o sucesso inviável resultarão em frustração e</p><p>decepção.</p><p>É fundamental estabelecer que, havendo uma patologia, não se pode</p><p>falar em sucesso. Não são consideradas bem-sucedidas as realizações</p><p>decorrentes dos estados alterados de consciência, do domínio por paixões</p><p>alucinadas, da visão destorcida da realidade, do crime. Sucesso verdadeiro</p><p>pressupõe um indivíduo</p><p>consciente e equilibrado inserido positivamente na</p><p>sociedade.</p><p>Atualmente as instituições de ensino necessitam de profissionais que</p><p>redesenhem seus perfis, atualizando suas habilidades para atender às</p><p>mudanças constantes de uma realidade globalizada. E para atender a essas</p><p>necessidades, o profissional de secretariado está preparado para gerenciá-las</p><p>com boa qualidade, possuindo a capacidade de avaliar, traçar estratégias e</p><p>buscar soluções para resolver problemas. Sendo assim, em sua formação</p><p>desenvolve ainda características próprias da profissão, como discrição, bom</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>76</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>senso, inteligência emocional, criatividade, renovação de tecnologias, controle</p><p>do fluxo de informações e conhecimentos gerais da área de atuação.</p><p>Considere-se ainda a sua aptidão para articular em todos os níveis da</p><p>instituição, pois desenvolve uma visão da totalidade e das peculiaridades das</p><p>relações entre as várias categorias de funcionários da instituição, conquistando</p><p>acolhimento e liderança no trabalho em equipe, visando a um esforço</p><p>simultâneo em prol de um objetivo único.</p><p>Diga-se que esse profissional deixa sempre em evidência o fato de que</p><p>o comprometimento de todos os integrantes da equipe está essencialmente</p><p>relacionado com a satisfação do cliente, o que ocorre devido à conscientização,</p><p>dentre outros, de seu papel de mediador das relações humanas, pois em sua</p><p>profissão desenvolve uma visão dinâmica do todo.</p><p>É a partir da mudança comportamental do profissional que</p><p>ocorre o crescimento da profissão. A desmistificação da</p><p>profissão por parte do profissional, ou seja, a quebra da</p><p>imagem do profissional de secretariado que só atendia ao</p><p>telefone e digitava cartas, faz com que este seja visto</p><p>como gestor, capaz de assumir qualquer cargo dentro da</p><p>empresa.</p><p>Essa mudança inicia-se na universidade, onde os</p><p>profissionais das disciplinas específicas do curso de</p><p>secretariado implantam a nova visão deste profissional,</p><p>moldada ao longo dos anos e fixada neste novo milênio. É</p><p>em sala de aula que começa a quebra de paradigmas</p><p>existentes com relação à</p><p>profissão. Muitos desses profissionais, que vivenciaram a</p><p>evolução da profissão desde a década de 70 e 80 e hoje</p><p>lecionam, revolucionam a imagem criada há décadas e</p><p>colocam no mercado de trabalho profissionais qualificados</p><p>para assumir diversos cargos dentro de uma escola.</p><p>(MAIA;MORAES, 2007).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>77</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Quatro fatores são interferentes quando falamos em obter sucesso e</p><p>concretizar realizações, o que diferencia as pessoas, ou seja, capacidade,</p><p>estratégia, desempenho e sorte são fatores que levam uma pessoa a ir mais</p><p>longe ou não, bem explicados por Rosa (2011).</p><p>a) Capacidade</p><p>Capacidade é o conjunto das qualificações pessoais. Aqui estão o</p><p>talento, a qualificação intelectual e a qualificação emocional. Seja para atingir o</p><p>sucesso no âmbito individual, seja para chegar às realizações do âmbito grupal</p><p>ou universal, sempre há interferência, em alguma medida, da capacidade.</p><p>Todos têm capacidade para atingir o sucesso? Se falarmos sobre</p><p>sucesso no âmbito universal ou de grupo, a resposta é um sonoro não. Mas, no</p><p>âmbito do indivíduo, sim. Muitas pessoas que não têm fama, dinheiro, poder,</p><p>que não lograram realizar nada de destaque na arte ou ciência, tem uma vida</p><p>equilibrada, harmônica e feliz. São pessoas de sucesso.</p><p>Podemos dizer que, no âmbito individual, o sucesso deveria estar ao</p><p>alcance de todos. E está – ao alcance de todos os sensatos. A pessoa que tem</p><p>a sensatez para perceber o tamanho de sua própria capacidade, suas</p><p>limitações, e sonha com realizações à altura disso, é sensata.</p><p>Ela, sim, pode até fazer um esforço permanente para ampliar sua</p><p>capacidade, mas não tem visão delirante de si mesma e não sonha com</p><p>realizações inatingíveis.</p><p>b) Estratégia</p><p>As estratégias adotadas no percurso da carreira também têm um peso</p><p>significativo. A estratégia é um conjunto de decisões, a escolha de caminhos</p><p>por meio dos quais a pessoa tentará atingir suas metas. Ela lida sempre com a</p><p>incerteza – não se pode ter certeza absoluta previamente sobre qual caminho</p><p>será melhor. Assim, mesmo a pessoa capaz poderá cometer erros de escolha.</p><p>Eis algumas escolhas que terão forte impacto sobre as realizações,</p><p>principalmente no âmbito da carreira: da profissão, da empresa para trabalhar,</p><p>de parceiros, entre outros.</p><p>Estratégias bem formuladas ampliam a probabilidade de sucesso.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>78</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>c) Desempenho</p><p>O desempenho no trabalho é igualmente importante. Quanto a pessoa</p><p>trabalha? Para quem deseja ser concertista de piano, há uma grande diferença</p><p>entre aquele que estuda quatro e o que estuda oito horas por dia. O mesmo</p><p>podemos dizer do empreendedor que trabalha mais horas. Guardadas outras</p><p>condições pessoais e ambientais, ele tende a ir mais longe que o colega menos</p><p>afeito ao trabalho. Além da quantidade de horas trabalhadas, há o empenho</p><p>em buscar a qualidade, isto é: a pessoa não só trabalha na realização das</p><p>tarefas em si, mas trabalha na sua própria mudança pessoal, ela se esforça</p><p>permanentemente para tornar-se melhor, mais eficaz.</p><p>Por fim, bom desempenho não pode ficar restrito às tarefas, mas tem</p><p>de se estender ao campo das relações, afinal, as pessoas trabalham para o</p><p>mercado e precisam de parcerias. De um modo geral, então, podemos dizer</p><p>que a probabilidade de sucesso aumenta na proporção da qualidade e</p><p>quantidade de esforço voltado para as metas, no âmbito profissional e social.</p><p>d) Sorte</p><p>Por fim, em uma medida ou outra, a sorte sempre interfere. Sorte aqui</p><p>não quer dizer qualidade pessoal, pois, evidentemente nesse sentido ela não</p><p>existe. Quer dizer interferência de fatores externos à pessoa, fora de seu</p><p>controle, que a favoreçam – ou atrapalhem. Coisas que o mundo traz de graça</p><p>para alguns e que facilitam bastante as realizações: herança, chegar no</p><p>momento certo, conhecer a pessoa certa, entrar na empresa certa, envolver-se</p><p>em acontecimento favorável. Ou a má sorte, que eventualmente tira alguém da</p><p>trajetória vitoriosa.</p><p>Eis uma fonte de razoável confusão: algumas pessoas parecem</p><p>receber mais da vida – e, com frequência, os outros acham que têm mais sorte.</p><p>Eventualmente, é verdade que uma ou outra pessoa coincidentemente tenha</p><p>recebido mais dádivas, assim como já se registraram casos de indivíduos que</p><p>foram vitimados por raios mais de uma vez. Quando se trata de eventos de</p><p>sorte propriamente ditos, tudo é aleatório.</p><p>Entretanto, há pessoas que parecem ter sorte, mas na verdade têm</p><p>qualidades ou atributos que atraem coisas boas, tais como, simpatia; posição</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>79</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>social privilegiada; beleza; capacidade de identificar (e agarrar no tempo certo)</p><p>boas oportunidades trazidas pela vida; inteligência emocional; e, capacidade de</p><p>trabalho.</p><p>Pode ser também que as pessoas recebam mais dádivas da vida</p><p>porque fazem mais coisas – e o agir, por si, cria oportunidades. Thomas</p><p>Jefferson disse “eu percebo que quanto mais duro eu trabalho, mais sorte</p><p>pareço ter”. Evidentemente, quando fazendo a coisa certa, quanto mais a</p><p>pessoa trabalha, mais tende a atrair coisas positivas, porque faz mais contatos,</p><p>propaga uma imagem melhor, aprende mais e percebe mais coisas.</p><p>Na mesma linha de raciocínio, há pessoas que parecem ter azar, mas</p><p>têm na verdade características que “chamam” problemas, como por exemplo, a</p><p>negligência; desleixo; propensão a conflitos; companhia de gente problemática;</p><p>e, descontrole emocional.</p><p>Embora tenhamos</p><p>visto os fatores isoladamente, na verdade o que leva</p><p>ao sucesso maior ou menor não são fatores isolados, mas os fatores</p><p>combinados. Por exemplo, o esforço intensivo partindo de uma pessoa com</p><p>maior competência certamente resultará em maior produtividade que o mesmo</p><p>esforço feito por pessoa menos capaz. Por outro lado, um lance de sorte</p><p>provavelmente trará mais frutos para aquele que trabalha mais. Uma boa</p><p>estratégia, por outro lado, com um desempenho sofrível, poderá trazer</p><p>resultados aquém dos esperados (ROSA, 2011).</p><p>Outra condição ou ação de igual importância é saber administrar a si</p><p>mesmo, à sua herança física, social, intelectual e emocional e aos seus</p><p>atributos, ou seja, administrar os fatores citados.</p><p>A vida nos oferece oportunidades, dádivas, mas também sofremos</p><p>adversidades em graus variados, portanto, é preciso reconhecer essas</p><p>condições e tratá-las com consciência e paciência.</p><p>Uma parte daquilo que chamamos sucesso dependerá da pessoa e</p><p>outra parte não dependerá. Na parte que depende dela poderá fazer bem mais</p><p>por si mesma, se buscar administrar de forma inteligente sua vida e carreira.</p><p>Decisões refletidas e conscientes, atenção para com seus recursos e ativos,</p><p>trabalho eficiente e direcionado, essas coisas da boa administração não são</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>80</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>garantia, mas seguramente ampliam sobremaneira a probabilidade de sucesso</p><p>(ROSA, 2011).</p><p>Por fim, ainda como fatores que levam ao sucesso, devemos falar dos</p><p>sentimentos de arrogância e autocomiseração. Nem soberba, nem arrogância,</p><p>nem se sentir o “pobre coitado” que não consegue nada. Manter a estima em</p><p>equilíbrio é muito importante.</p><p>Boa comunicação</p><p>Não dá para negar que a secretaria da escola é a porta de entrada</p><p>para a comunidade escolar. Sendo assim, a secretária é uma espécie de</p><p>anfitriã, que recebe e acolhe os membros dessa comunidade. Por essas e</p><p>outras, uma comunicação de qualidade é essencial para as secretárias</p><p>escolares se saírem bem na função e isso inclui a comunicação oral e escrita.</p><p>Vale destacar que as secretárias lidam com pessoas todos os dias,</p><p>agendam reuniões, redigem atas, enviam e-mails, atendem telefonemas,</p><p>transmitem recados e produzem diferentes documentos. Todas essas</p><p>atividades demandam uma comunicação clara e eficiente, de modo que os mal-</p><p>entendidos sejam minimizados.</p><p>Ética e discrição</p><p>Por interagirem com pais, alunos, gestores e a comunidade em geral,</p><p>as secretárias acabam sabendo de muitas coisas. Nesse sentido, é essencial</p><p>que elas mantenham o senso ético e a discrição, guardando segredos sobre</p><p>assuntos sigilosos, evitando participar de rodas de fofoca e procurando não</p><p>misturar vida pessoal e profissional. Isso é indispensável para garantir a boa</p><p>convivência entre os colegas e não comprometer sua credibilidade como</p><p>secretária.</p><p>Educação</p><p>Educação é uma característica imprescindível para as secretárias, pois</p><p>quem procura a escola, espera ser bem atendido e ter suas dúvidas</p><p>esclarecidas com rapidez, de forma solícita. Secretárias devem falar com um</p><p>tom de voz ameno, precisam ser gentis, simpáticas, pacientes e bem-</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>81</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>dispostas. Mal humor e grosseria definitivamente não combinam com um posto</p><p>tão importante e fortemente relacionado com o atendimento ao público.</p><p>Organização</p><p>Organização é uma característica básica! Secretárias desorganizadas</p><p>dificilmente terão sucesso na carreira! É fundamental que as secretárias</p><p>mantenham sua área de trabalho em ordem, com mesa e gaveta sempre</p><p>arrumadas.</p><p>Elas precisam ter boas noções de arquivamento, além de capacidade</p><p>de categorização de objetos. As pastas devem ser classificadas por tipo e</p><p>essas profissionais precisam nutrir o hábito de fazer anotações, usar agendas e</p><p>apps que facilitem a organização de sua intensa rotina diária.</p><p>Domínio tecnológico</p><p>A secretária não precisa ser expert em tecnologia, mas devem ter</p><p>familiaridade com programas de uso contínuo como o Word e o Excel, por</p><p>exemplo. É interessante também que elas saibam utilizar o sistema operacional</p><p>do computador, além de ferramentas como diário online, boletins virtuais,</p><p>email, emissão de diplomas etc.</p><p>CONCEITO, SIGNIFICADO E ETIMOLOGIA DE CARREIRA</p><p>O Secretario Escolar é o profissional responsável por atuar na gestão</p><p>de registros e documentos escolares auxiliando toda a gestão.</p><p>Um Secretário Escolar operacionaliza processos de matrícula e</p><p>transferência de estudantes, de organização de turmas e de registros do</p><p>histórico escolar dos estudantes.</p><p>Está sob as responsabilidades de um Secretário Escolar controlar e</p><p>organizar os arquivos com registros da vida acadêmica dos alunos, fazer</p><p>processos de registro de conclusão de cursos e colação de grau, registrar em</p><p>atas as sessões e atividades acadêmicas específicas, prestar atendimento ao</p><p>público, colaborar na realização do planejamento e gestão escolar, atuar na</p><p>organização de registros e arquivos escolares, operacionalizar processos de</p><p>matricula e transferência de estudante, organizar a formação de turmas e</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>82</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>registro do histórico escolar dos estudantes, controlar e organizar arquivos com</p><p>registros da vida acadêmica dos estudantes, registrar em atas as sessões e</p><p>atividades especifica, informar e orientar o corpo docente a respeito da</p><p>organização e funcionalidade de diários escolares.</p><p>Para que o profissional tenha um bom desempenho como Secretario</p><p>Escolar é essencial que seja organizado e possuir boa comunicação para obter</p><p>uma boa carreira.</p><p>Etimologicamente a palavra “carreira” origina-se do latim via carraria,</p><p>estrada para carros (MARTINS, 2001).</p><p>Para Chanlat (1995), o conceito de carreira, tal qual o conhecemos</p><p>hoje como trajetória da vida profissional, apareceu no decorrer do século XIX,</p><p>assim como suas derivadas, carreirismo e carreirista, no século XX.</p><p>A carreira, em sua acepção moderna, significa um ofício, uma profissão</p><p>que apresenta etapas, uma progressão. Assim, a carreira nasce com a</p><p>sociedade industrial capitalista liberal (ANDRADE, 2009).</p><p>Ao discorrer sobre as inclinações profissionais Schein (1990 apud</p><p>ANDRADE, 2009) concebe a carreira como a maneira pela qual a vida</p><p>profissional de uma pessoa desenvolve-se ao longo do tempo e como é vista</p><p>por ela. Para o autor, a palavra carreira é usada de diferentes maneiras e</p><p>possui muitas conotações. O “seguir uma carreira” pode tanto se aplicar ao</p><p>indivíduo com uma determinada profissão ou àquele cuja vida profissional</p><p>implica em mudanças constantes.</p><p>Dutra (1996) também adere a esta concepção mais ampla do conceito</p><p>de carreira e cita duas outras importantes definições. Na primeira, carreira é</p><p>uma sequência de atitudes e comportamentos, associada com experiências e</p><p>atividades relacionadas ao trabalho, durante o período de vida de uma pessoa.</p><p>Na segunda, utilizada como principal referência para as publicações geradas a</p><p>partir da década de 80, as carreiras constituem as sequências de posições</p><p>ocupadas e de trabalhos realizados durante a vida de uma pessoa (HALL,</p><p>1976, apud DUTRA, 1996).</p><p>Aprofundando na carreira, em termos conceituais, Baruch (2004 apud</p><p>ANDRADE, 2009) conclui tratar-se da maior constituição da vida, pois envolve</p><p>o trabalho; este provê o indivíduo de sentido, identidade, desafios, criatividade,</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>83</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>status e networking. Para esse autor, a mais moderna definição de carreira</p><p>caracteriza-a como o processo de desenvolvimento do indivíduo durante suas</p><p>experiências em trabalhos, em uma ou mais organizaç��es.</p><p>Sob uma ótica, consideramos as carreiras como individuais; sob outra,</p><p>como planejadas e conduzidas pelas organizações.</p><p>Balassiano (2006) lembra que se tomarmos como ponto de partida a</p><p>Revolução Industrial, daquela época até hoje, as transformações sofridas foram</p><p>bem acentuadas.</p><p>Voltadas tanto para a área de formação acadêmica, conhecidas como</p><p>carreiras profissionais, quanto para as organizações, ou carreiras</p><p>organizacionais, as carreiras no mundo contemporâneo tendem a ser</p><p>associadas à trajetória profissional de cada indivíduo, independentemente da</p><p>área de formação ou da organização em que essa trajetória se desenvolve. Na</p><p>verdade, a carreira moderna transcende a própria existência de uma</p><p>organização. O autor argumenta que carreira significa administrar a própria</p><p>vida pessoal e profissional cuidando do auto aperfeiçoamento e dos</p><p>relacionamentos profissionais.</p><p>Decorrente de todas as mudanças, um conceito bem mais condizente</p><p>com a carreira atualmente trilhada pelas pessoas seria o de uma ocupação ou</p><p>profissão representada por etapas e possivelmente por uma progressão, como</p><p>assinala Chanlat (1995).</p><p>Greenhaus (1999 apud MARTINS, 2001), também propõe um conceito</p><p>de carreira sem as amarras da abordagem tradicional, onde ela se tornaria um</p><p>padrão de experiências relacionadas ao trabalho, durante o curso da vida de</p><p>uma pessoa.</p><p>Não podemos nos furtar a expor a definição de carreira cunhada por</p><p>London e Stumph (1982 apud FLEURY, 2002) que torna-se a mais adequada</p><p>para orientar a discussão contemporânea do tema:</p><p>Carreira são as sequências de posições ocupadas e de</p><p>trabalhos realizados durante a vida de uma pessoa. A</p><p>carreira envolve uma série de estágios e a ocorrência de</p><p>transições que refletem necessidades, motivos e</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>84</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>aspirações individuais e expectativas e imposições da</p><p>organização e da sociedade.</p><p>Da perspectiva do indivíduo, engloba o entendimento e a avaliação de</p><p>sua experiência profissional, enquanto da perspectiva da organização engloba</p><p>políticas, procedimentos e decisões ligadas a espaços ocupacionais, níveis</p><p>organizacionais, compensação e movimento de pessoas. Essas perspectivas</p><p>são conciliadas pela carreira dentro de um contexto de constante ajuste,</p><p>desenvolvimento e mudança.</p><p>Tal definição encerra conceitos importantes!</p><p>➢ Em primeiro lugar, não trata a carreira como uma sequência linear de</p><p>experiências e trabalhos, mas como uma série de estágios e transições</p><p>que vão variar em função das pressões sobre o indivíduo, originadas</p><p>dele próprio e do ambiente onde está inserido.</p><p>➢ Em segundo lugar, pensa a carreira como fruto da relação estabelecida</p><p>entre a pessoa e a empresa, englobando as perspectivas de ambas.</p><p>➢ Finalmente, trata a carreira como elemento de conciliação dinâmica das</p><p>expectativas entre a pessoa e a empresa.</p><p>Tanto Fleury (2002) quanto análises mais recentes de Andrade (2009)</p><p>lembram que durante os anos 1970 foram feitas as primeiras tentativas de</p><p>estruturar a discussão sobre carreira levando-se em conta a relação entre a</p><p>empresa e as pessoas, tanto que o conceito de carreira pode ser dividido em</p><p>duas fases distintas: um conceito tradicional e um conceito moderno, com uma</p><p>ruptura que se dá a partir dos anos 1970.</p><p>Chanlat (1995) define quatro tipos de carreira, compreendidas nos</p><p>modelos tradicional e moderno: burocrática, profissional, empreendedora e</p><p>sociopolítica.</p><p>Discorrendo sobre os subtipos principais das carreiras o autor conclui</p><p>que a do tipo burocrático remete às estruturas burocráticas da organização,</p><p>com uma rígida hierarquia de papéis, centralização de poder e impessoalidade</p><p>das relações. O tempo de empresa e os concursos constituem a base da</p><p>seleção, do recrutamento e da promoção. A carreira do tipo profissional baseia-</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>85</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>se no monopólio do saber, da especialização e da profissão. Seu avanço se faz</p><p>com disciplina profissional.</p><p>Na abordagem tradicional, ainda encontrada em alguns países, regiões</p><p>ou empresas, a carreira é preponderantemente feita por um homem</p><p>pertencente aos grupos socialmente dominantes. É marcada por relativa</p><p>estabilidade e, progressão linear vertical; e existe certa estabilidade no</p><p>emprego (CHANLAT, 1995, p. 72). Essa abordagem era consoante ao tipo de</p><p>sociedade masculina e de certa estabilidade, comum até os anos 1970.</p><p>Nessa perspectiva tradicional, há uma mentalidade de que os</p><p>benefícios são direitos assegurados e de que as organizações empregadoras</p><p>devem assumir a responsabilidade pelas carreiras de seus empregados.</p><p>Em síntese, a carreira é da empresa, pois é ela que permite os acessos</p><p>e gerencia o desenvolvimento. E o sucesso na carreira tradicional pode ser</p><p>medido pelo quão alto se chegou na hierarquia da organização.</p><p>A carreira do tipo empreendedor está ligada às atividades de uma</p><p>empresa independente, porém traçada por uma pessoa. Ela reflete bem a</p><p>sociedade capitalista liberal com sua ideologia de sucesso individual. O</p><p>sucesso não é mais fruto do nascimento e sim resultado do talento e do</p><p>trabalho do indivíduo (CHANLAT, 1996). A precarização do trabalho e as altas</p><p>taxas de desemprego podem também levar as pessoas a este modelo de</p><p>carreira.</p><p>“A carreira de tipo sociopolítico baseia-se nas habilidades sociais e no</p><p>poder de relações de que dispõe uma pessoa.” (CHANLAT, 1995, p. 75).</p><p>É graças a este nível de relações que a carreira se constrói e as</p><p>promoções são obtidas. O modelo moderno emergente, ao criar abertura para</p><p>as mulheres e para as minorias, permite a instalação de uma nova divisão do</p><p>trabalho, que questionará a própria noção de carreira para a maioria da</p><p>população (CHANLAT, 1996).</p><p>Apesar de estarmos em espaços que, aparentemente, promovem o</p><p>encontro em grupo, a troca e o diálogo como a escola, impera o individualismo,</p><p>a competitividade e o desgaste das relações, como nos trás Mello e Novais</p><p>(1998, p.657), “ Chegamos enfim ao paradoxo: o tão decantado individualismo</p><p>leva ao esmagamento do indivíduo como pessoa” .</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>86</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Muito embora a gestão democrática está atualmente presente nos</p><p>discursos, ela exige uma afirmação concreta exercitada cotidianamente nas</p><p>relações dentro e fora da escola.</p><p>Assim, na gestão compartilhada nada é decidido unilateralmente, mas</p><p>na participação cotidiana e articulada entre todos os membros da escola.</p><p>A escola deve buscar mecanismos que favoreçam um trabalho</p><p>avançado e inovador, tanto educacionalmente ou socialmente, em favor de</p><p>uma atuação que mobilize seus integrantes em direção a uma maior</p><p>capacidade de dar respostas aos desafios que a nossa sociedade impõem.</p><p>Essa visão macro de escola em relação a família poderá contribuir para que</p><p>tenhamos uma maior clareza do que podemos fazer no enfrentamento das</p><p>questões socioeducativas que permeiam escola e família no contexto social.</p><p>CARREIRA: TIPOS E ESTRUTURAS</p><p>Atualmente, vivemos em um momento onde os valores, os saberes, as</p><p>práticas pedagógicas são cada vez mais instáveis, insuficientes e substituíveis.</p><p>Temos acesso a uma diversidade de tecnologias que possibilita a construção</p><p>de novos significados sobre o tempo, o espaço, a informação e o corpo, tudo</p><p>se tornou ao mesmo tempo consumível e descartável, na “modernidade líquida”</p><p>(Bauman,2001). Consome-se cada vez mais, para se ter uma falsa impressão</p><p>de pertencimento a um determinado grupo ou cultura, já que o abandono as</p><p>metanarrativas é irreversível, pois elas falharam em sua ambição</p><p>universalizante e objetiva para os multifacetados e complexos conflitos sociais</p><p>e políticos, este apego apenas justificaria a opressão</p><p>e a existência de regimes</p><p>totalitários e ditatoriais (EAGLETON, 2005).</p><p>Desta forma, trazendo estas questões para o contexto escolar, para</p><p>seus integrantes e gestores/as, temos que refletir como trabalhar as relações</p><p>humanas e de trabalho neste contexto, principalmente sobre a função do/a</p><p>secretário/a escolar, que tem um contato direto e essencial com toda a</p><p>comunidade escolar. Isto significa que a melhor maneira de trabalhar a relação</p><p>escola/família é criando uma sintonia interna entre os agentes educativos, um</p><p>envolvimento processual entre ambos para a consolidação de uma instituição</p><p>social que dê continuidade a esse ambiente de aprendizagem, traduzindo-se</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>87</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>numa grande parceria na progressão de seus alunos/as por meio dos agentes</p><p>educativos.</p><p>Neste cenário que o secretário escolar deve constituir-se muito além de</p><p>um mero executor de tarefas burocráticas, mas de um profissional que tem em</p><p>mãos dados essenciais para pensar estrategicamente o processo pedagógico</p><p>da escola, bem como a memória dos sujeitos que nela estão ou estiveram</p><p>inseridos.</p><p>A amplitude de suas funções, o coloca em relação direta e permanente</p><p>com diferentes áreas de atuação da Unidade Educativa, exigindo sua interação</p><p>com todos os envolvidos, no trabalho escolar,</p><p>Em suas funções diárias, o secretário escolar deve ser</p><p>mais do que uma pessoa encarregada de digitação das</p><p>correspondências, manutenção do arquivo e atendimento</p><p>de telefonemas. Às vezes, esse profissional é a ponte</p><p>entre aqueles que tomam decisões gerenciais e os que</p><p>executarão tais decisões; muitas vezes, porém, toma</p><p>decisões e executa tarefas relevantes e decisivas. É, pois,</p><p>nesse momento, verdadeiro assessor, função que exige</p><p>competências e formação básica bem específica</p><p>(MEDEIROS e HERNANDEZ, 1999, p. 17).</p><p>Uma boa organização se distingue quando o grupo, sabe o que deve</p><p>fazer, como fazer, quando fazer e porque fazer. É preciso criar um ambiente</p><p>capaz de influir na aquisição de bons hábitos. Um ambiente simples, mas</p><p>funcional. Escolha acertada na disposição dos móveis, equipamentos</p><p>conservados, materiais bem distribuídos, chão limpo, formando um ambiente</p><p>agradável. A sensação de “bem-estar” é a prova da ordem e disciplina, da</p><p>eficiência e educação das pessoas que nela atuam, constituindo-se um “cartão</p><p>de visitas” da Secretaria.</p><p>Para tanto, vamos apresentar e discutir mais um pouco sobre os tipos e</p><p>estruturas de carreira de um secretário! Esperamos que reflitam a respeito</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>88</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>delas, de sua importância e quem sabe, perceberem-se participando de alguma</p><p>ou algumas dessas perspectivas.</p><p>A carreira, em uma perspectiva tradicional, pode ser vista como um</p><p>ajustamento do indivíduo a uma ocupação escolhida ou à imagem que dela</p><p>possui e esse processo de ajustamento implica critérios dos quais nasce à</p><p>noção de hierarquia ou de sequência de papéis com maiores responsabilidades</p><p>dentro de uma ocupação. Experiências passadas e expectativas futuras devem</p><p>ser usadas no planejamento de carreira (MALVEZZI, 2000).</p><p>Traçar um objetivo de vida e carreira tornará a identificação com as</p><p>oportunidades oferecidas mais claras a partir também de uma autoavaliação,</p><p>quando a carreira é idealizada pelo próprio funcionário. Isso, no entanto, não</p><p>significa que o indivíduo tenha que implantar esse planejamento na íntegra. No</p><p>decorrer do tempo, ele pode perceber competências, interesses e</p><p>oportunidades antes não perceptíveis claramente e tomar outro rumo para sua</p><p>carreira. O quadro a seguir mostra as principais mudanças na evolução do</p><p>modelo de carreiras (CHANLAT, 1995).</p><p>O mesmo autor acima tipifica o modelo moderno de carreira em quatro</p><p>grandes tipos:</p><p>Tipos de carreira Recursos</p><p>principais</p><p>Elemento</p><p>central da</p><p>ascensão</p><p>Tipos de</p><p>organização</p><p>Limites Tipos de</p><p>sociedades</p><p>Burocrática</p><p>Posição</p><p>hierárquica.</p><p>Avanço de</p><p>uma posição</p><p>hierárquica a</p><p>outra.</p><p>Organizações</p><p>de grande</p><p>porte.</p><p>Número de</p><p>escalões</p><p>existentes.</p><p>Sociedade</p><p>de</p><p>empregados.</p><p>Profissional</p><p>Saber e</p><p>reputação.</p><p>Profissão.</p><p>Perícia.</p><p>Habilidades</p><p>profissionais.</p><p>Organização</p><p>de peritos.</p><p>Burocracia</p><p>profissional.</p><p>Nível de</p><p>perícia e</p><p>reparação.</p><p>Sociedade</p><p>de peritos.</p><p>Empreendedora</p><p>Capacidade</p><p>de criação e</p><p>inovação.</p><p>Criação de</p><p>novos valores,</p><p>novos produtos</p><p>e serviços.</p><p>Pequenas e</p><p>médias</p><p>empresas.</p><p>Capacidade</p><p>pessoal.</p><p>Sociedade</p><p>que valoriza</p><p>a iniciativa</p><p>individual.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>89</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Empresas</p><p>artesanais,</p><p>culturais,</p><p>comunitárias</p><p>e de</p><p>caridade.</p><p>Exigências</p><p>externas.</p><p>Sociopolítica</p><p>Habilidades</p><p>sociais e</p><p>capital de</p><p>relações.</p><p>Conhecimento.</p><p>Relações de</p><p>parentesco.</p><p>Rede social.</p><p>Familiar</p><p>comunitária</p><p>de clãs.</p><p>Número de</p><p>relações</p><p>conhecidas</p><p>e ativas.</p><p>Sociedade</p><p>clãs.</p><p>Fonte: Chanlat (1995, p. 72).</p><p>A abordagem moderna de carreira surge em decorrência de mudanças</p><p>sociais, tais como a feminização do mercado de trabalho, a elevação dos graus</p><p>de instrução, a cosmopolização do tecido social, a afirmação dos direitos dos</p><p>indivíduos, a globalização da economia e a flexibilização do trabalho, entre</p><p>outros (CHANLAT, 1995, p. 72). Assim, nessa abordagem, não importa o sexo</p><p>ou a origem social do indivíduo, pois todos podem fazer carreira.</p><p>Apesar de mais democrático, o moderno modelo de carreira se</p><p>caracteriza pela instabilidade, descontinuidade e horizontalidade, em</p><p>contraposição ao modelo tradicional. Essa mudança necessariamente não</p><p>significou progresso e bem-estar para as pessoas, que se tornam as</p><p>responsáveis por suas próprias carreiras. Tal tipificação do modelo moderno de</p><p>carreira dá conta dos diversos tipos coexistentes de profissionais no mercado,</p><p>o que vai depender das características da função e da organização a que está</p><p>vinculado.</p><p>Assim, em organizações de grande porte ainda persiste a carreira do</p><p>tipo burocrático, muito embora haja tendência de que essas organizações</p><p>flexibilizem cada dia mais suas estruturas e a forma de ascensão, passando a</p><p>valorizar atributos próprios de outros tipos de carreira, como o saber, a</p><p>criatividade e o capital de relações, por exemplo. Mesmo em grandes e</p><p>tradicionais empresas, incluindo as do setor público, pouco a pouco, a</p><p>mentalidade e as atitudes estão se reconfigurando ao novo conceito de</p><p>carreira, em que a capacidade de inovar e flexibilizar são fatores-chaves.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>90</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Importa salientar que ainda existem profissionais que sonham com a</p><p>possibilidade de fazer carreira nos moldes do conceito tradicional, em que as</p><p>responsabilidades por seu desenvolvimento são muito mais da própria empresa</p><p>que do indivíduo. Nesse sentido, o novo conceito de carreira envolve mudança</p><p>no contrato psicológico entre os participantes, principalmente no quesito</p><p>lealdade empregado-empresa.</p><p>Mas ficam muitas questões porque não se pode garantir emprego a</p><p>ninguém, principalmente no contexto de incertezas que vivem as organizações,</p><p>portanto, a responsabilidade da empresa pela carreira do empregado é quase</p><p>nula. Nos novos termos, quem assume grande parte dos riscos é o empregado,</p><p>liberando a empresa para seus processos de flexibilização.</p><p>Nesse sentido, cabe ao secretário escolar o olhar o cotidiano da escola</p><p>e sua documentação, sujeitos que nela circulam, enquanto fonte de dados de</p><p>uma categoria teórica que demonstra a vivência e as especificidades da</p><p>experiência escolar diária.</p><p>Mais do que preencher dados ou fichas, arquivar documentos</p><p>rotineiros</p><p>dividindo-os em ativos ou permanentes, participar de reuniões, atender a</p><p>comunidade escolar é necessário compreender e interpretar os sujeitos e as</p><p>situações; as ausências, os pedidos, os silêncios, os contextos de elaboração</p><p>de uma proposta, uma atitude sem aparente justificativa, um abandono, todo o</p><p>movimento da escola que reflete sua política e suas necessidades, “(..) o seu</p><p>fazer perpassa, fundamentalmente, pelo caminho de que o secretário escolar é</p><p>educador e como tal, interfere, sobremaneira, na condução das políticas</p><p>educacionais da escola” (GAMA e CARVALHO, 2010, p. 3).</p><p>É o secretário escolar que possui essas valiosas informações que</p><p>podem ser exploradas para um diagnóstico do cotidiano escolar, seja para</p><p>avaliar e compreender as faltas ou abandono escolar, buscar estratégias para o</p><p>retorno destes alunos, traçar oportunidades para os alunos com dificuldade de</p><p>aprendizagem, assim como atendimentos para suas famílias nas área social,</p><p>de lazer e saúde, pesquisar quais disciplinas acarretam mais dificuldade em</p><p>determinados contextos, elaborar planos que agilizem as rotinas</p><p>administrativas, ou seja, atuar também na gestão da escola auxiliando sua</p><p>proposta político-pedagógica.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>91</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Um dos desafios desta função está em perceber os documentos</p><p>cotidianos em evidências, fontes históricas que compõem culturas, lugares,</p><p>memórias, “O documento não é qualquer coisa que fica por conta do passado,</p><p>é um produto da sociedade que o fabricou segundo as relações de forças que</p><p>aí detinham o poder” (LE GOFF, 1994, p. 545).</p><p>Materiais constituídos dentro de relações de poder, que servem como</p><p>aporte teórico para se perceber a produção histórica das identidades e</p><p>subjetividades dos sujeitos, assim como as formas de conhecimento de uma</p><p>época,</p><p>O texto morto e inerte de sua existência não é de modo algum</p><p>‘inaudível’, tem uma clamorosa vitalidade própria, vozes clamam do passado,</p><p>afirmando seus significados próprios, aparentemente revelando seu próprio</p><p>conhecimento de si mesmos como conhecimento (THOMPSON, 1981, p. 272).</p><p>O arquivo “morto” ou permanente deve ganhar outro significado do que</p><p>sua aparente inutilidade. Pode-se organizar na escola pesquisas como alunos</p><p>ou educadores sobre a formação identitária e o processo migratório de uma</p><p>comunidade escolar e do seu entorno, segundo Silva (2011, p. 114):</p><p>É raro, observar orientações educativas voltadas ao valor</p><p>dos documentos escolares e a necessidade da gestão,</p><p>seja porque os documentos estão afastados dos olhos,</p><p>esquecidos em porões ou caves; ou por serem</p><p>considerados ‘pouco legível a olhos mal exercitados’, o</p><p>fato é que eles vivem sempre ‘ gelados’”.</p><p>Da mesma forma, quanto ao olhar do secretário escolar sobre os</p><p>arquivos escolares, este pode indagar-se acerca de como são constituídos,</p><p>quais informações podem ser encontradas neles, quais são os critérios para</p><p>sua seleção e eliminação.</p><p>Os arquivos, então, ganham novos interpretações e interrogações</p><p>como suportes de memória, que abrem possibilidades de novas histórias,</p><p>experiências até então “guardados” em estantes ou armários. Uma abordagem</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>92</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>interdisciplinar de construção e diálogo com quem o organiza e está em contato</p><p>com seus cheiros, texturas, cores e formas.</p><p>Observar o interior da escola é uma tarefa complexa, mas fundamental</p><p>para elaboração de um diagnóstico qualitativo e quantitativo para uma</p><p>avaliação sistemática das características, expectativas, possibilidades e</p><p>limitações existentes na instituição, para novos desafios e percursos.</p><p>Desta forma poderá fazer a cada final de dia um feedback para avaliar</p><p>as situações e as pendências, como um etnógrafo que anota o “discurso</p><p>social”, e desta forma, “ transforma o acontecimento passado, que existe</p><p>apenas em seu próprio momento de ocorrência, em um relato, que existe em</p><p>sua inscrição e que pode ser consultado novamente” (GEERTZ, 1989, p. 29).</p><p>Temos que levar em conta a realidade dos sujeitos envolvidos em torno</p><p>e no interior da escola, que lidamos com múltiplos desejos, corpos,</p><p>sexualidades, experiências, valores, que devem ser valorizados e celebrados.</p><p>Outra habilidade a ser desenvolvida por este profissional é saber ouvir,</p><p>aos/ que nele muitas vezes o veem como uma possibilidade de escuta, prestar</p><p>a atenção no outro, em suas dificuldades, angústias, exercendo um olhar que</p><p>capte com atenção para poder intervir ou encaminhar uma situação.</p><p>Como tal deve ser valorizado e investidas políticas de formação e</p><p>aperfeiçoamento para quem demanda responsabilidades e autoridade na</p><p>escola,</p><p>Na hierarquia administrativa dos estabelecimentos de</p><p>ensino, o secretário vem logo depois do diretor. Ele</p><p>orienta e organiza todo o setor administrativo, assina</p><p>documentos e responde pela escola em diversos</p><p>assuntos. Por isso, é importante aperfeiçoar o trabalho</p><p>desse profissional. (SCHULLAN, 2006).</p><p>Não investir em formação significa perda de competência e qualidade,</p><p>é necessário formar pessoas que, como já dizia John Dewey, queiram</p><p>“aprender a aprender” para agir com autonomia e responsabilidade, e isso</p><p>“exige que elas desenvolvam a sensibilidade, a capacidade de apropriarem-se</p><p>desse conhecimento e de dar a ele aplicabilidade” (CORTELLA, 2010, p. 35).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>93</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>HABILIDADES E COMPETÊNCIAS FUNDAMENTAIS NA CARREIRA</p><p>Competência diz respeito ao conjunto de conhecimentos, habilidades e</p><p>experiências que credenciam uma pessoa a executar determinada</p><p>tarefa/função (MAGALHÃES et al., 1997). Resulta, portanto, de três</p><p>componentes principais:</p><p>➢ saberes ou conhecimentos formais que podem ser traduzidos em fatos</p><p>concretos, definindo regras;</p><p>➢ saber-fazer – procedimento empírico como as receitas e conhecimentos</p><p>tácitos dos ofícios, que se desenvolvem na prática cotidiana de uma</p><p>profissão ou ocupação;</p><p>➢ saber-ser – compreendido como o saber social ou senso comum, que</p><p>mobiliza estratégias e raciocínios complexos, bem como interpretações</p><p>e visões de mundo.</p><p>Esse conjunto de saberes abrange os:</p><p>• saberes teóricos (necessários para compreender um fenômeno, um</p><p>objeto, uma situação, uma organização ou um processo);</p><p>• saberes do meio (referentes ao contexto, compreendem os saberes</p><p>sobre sistemas, processos, materiais e produtos, estratégias, estrutura,</p><p>cultura organizacional, entre outros); e,</p><p>• saberes procedimentais (descrevem como uma ação deve ser realizada,</p><p>ou seja, os procedimentos, métodos, modos operatórios adequados;</p><p>envolve um conjunto de ações a serem realizadas em uma ordem</p><p>estabelecida).</p><p>As aptidões ou qualidades referem-se ao saber ser. Diz respeito ao que</p><p>se convencionou chamar de competências comportamentais, como por</p><p>exemplo, as habilidades de relacionamento pessoal, atitudes flexíveis, a pró-</p><p>atividade, entre outras, cada vez mais exigidas dos profissionais no contexto</p><p>organizacional.</p><p>Recursos emocionais e fisiológicos referem-se ao saber controlar as</p><p>reações emocionais que podem significar obstáculos e riscos ou vantagem e</p><p>auxílio na solução de problemas (LUSTRI et al., 2005).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>94</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Em relação à carreira, podemos dizer que competências são pré-</p><p>requisitos técnicos exigidos por uma empresa para que determinada pessoa</p><p>concorra a uma oportunidade, à “vaga do cargo”.</p><p>Muitas vezes observamos de imediato a seguinte solicitação:</p><p>“necessário trabalhar em equipe e sob pressão”, em outras situações, os</p><p>profissionais quando informados ou perspicazes percebem, durante o início</p><p>do</p><p>processo seletivo, as características miradas pela organização para ocupar</p><p>determinado cargo.</p><p>Em algumas situações, as competências para determinado cargo são</p><p>requeridas em quaisquer empresas, que podemos definir como fundamentais.</p><p>Vários consultores de RH citam as seguintes:</p><p>1. Visão de negócio</p><p>Para subir degraus na carreira, é preciso ver além de sua área de</p><p>atuação. É preciso enxergar o funcionamento do seu departamento, o cliente, a</p><p>empresa, o mercado.</p><p>2. Trabalho em equipe</p><p>Atividades em grupo requerem aptidão para lidar com gente, que</p><p>possuem personalidades e modos diferentes de trabalhar. O desafio aqui é</p><p>alcançar os resultados em grupo, administrando as diferenças, sendo flexível.</p><p>3. Liderança</p><p>Uma boa liderança é essencial em qualquer contexto de nossas vidas.</p><p>Seja para comandar uma casa, lidar com a família, ou gerenciar colegas e</p><p>colaboradores, portanto, liderar, influenciar pessoas, conduzir estas ou projetos</p><p>em direção a um objetivo é essencial para a carreira.</p><p>4. Autoconhecimento</p><p>O bom profissional deve ter consciência de suas habilidades e pontos</p><p>frágeis, por isso deve descobrir suas fontes de motivação para chegar a um</p><p>nível de excelência no trabalho.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>95</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>5. Atitude (o “a” do CHA)</p><p>O profissional completo reúne o CHA (conhecimentos, habilidades,</p><p>atitude).</p><p>6. Voltado a resultados</p><p>Ninguém sobrevive no mercado de trabalho sem entregar resultados.</p><p>Salvo os profissionais privilegiados, esta entrega se dá em curto prazo.</p><p>7. Resiliência; adaptabilidade</p><p>A competência passa por ser resiliente e flexível para suportar as</p><p>pressões do mercado de trabalho e adaptar-se à cultura e aos mecanismos de</p><p>funcionamento de sua área para sobreviver no mundo corporativo (MARTINS,</p><p>2014).</p><p>8. Ser sociável</p><p>Lidamos com pessoas o tempo todo. Sejam os nossos colegas de</p><p>trabalho, chefes, líderes, superiores, amigos ou familiares. Por isso,</p><p>desenvolver habilidades sociais como a capacidade de ouvir e trabalhar em</p><p>equipe é fundamental para lidar melhor com as pessoas. Isso ajudará a</p><p>compreender cada um e aceitar as diferenças sem julgamentos e sem que isso</p><p>interfira de maneira negativa em sua vida ou trabalho (MARQUES, 2013).</p><p>9. Comunicação</p><p>A comunicação é uma competência indispensável a qualquer</p><p>profissional e muito valorizada dentro das organizações. Falar bem e escrever</p><p>corretamente são diferenciais importantíssimos em sua carreira.</p><p>Uma boa comunicação ajuda a conquistar um bom desempenho</p><p>durante reuniões, apresentações ou entrega de relatórios, e-mails, entre outras</p><p>atividades profissionais (MARQUES, 2013).</p><p>Uma ótima dica para desenvolver esta aptidão é estimular a leitura. Ela</p><p>desenvolve seu conhecimento e amplia seu vocabulário, além de deixar sua</p><p>escrita mais correta.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>96</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>10. Organização</p><p>A organização é outra competência fundamental a qualquer</p><p>profissional. Sem organização não há como lidar bem com prazos e horários e,</p><p>consequentemente, o rendimento acaba sendo prejudicado.</p><p>Uma boa forma de aprender a se organizar é utilizar uma agenda para</p><p>anotar demandas e compromissos ou criar uma planilha de atividades</p><p>separando cada tarefa por ordem de prioridade. Assim você saberá o que</p><p>executar primeiro, gerenciará melhor o seu tempo e evitará deixar coisas para</p><p>a última hora (MARQUES, 2013).</p><p>FAZER O QUE SE GOSTA NO TRABALHO</p><p>Não vamos entrar muito no mérito sobre idealizações, mas é preciso</p><p>relembrar que desde pequenos ouvimos nossos pais, família e amigos seus</p><p>nos perguntarem: “o que vai ser quando crescer?” E mais ainda... eles sempre</p><p>esticam e induzem para respostas do tipo: vai ser doutor, vai ganhar muito</p><p>dinheiro, vai salvar vidas...</p><p>O fato é que, idealizações à parte, quando podemos escolher uma</p><p>carreira, uma profissão e um trabalho, contamos com vários itens que influem</p><p>diretamente no quanto ele será bom para nossas vidas: salário, possibilidades</p><p>profissionais, a empresa, cargo e muitos outros.</p><p>Gostar do que faz ou fazer o que gosta? O que é mais importante?</p><p>Realmente, o trabalho fornece subsídios para sobrevivência, então, em várias</p><p>situações, não há muita escolha, trabalha-se naquilo que é possível fornecer</p><p>tais subsídios, no entanto, também deveria ser fonte de prazer, de realização</p><p>pessoal, entretanto muitas pessoas não têm condições de escolher.</p><p>Nos dias de hoje, passamos a maior parte de nossas horas produtivas</p><p>trabalhando; precisamos trabalhar por dinheiro, mas também para dar algum</p><p>sentido em nossas vidas: desafio, responsabilidade, possibilidade de colocar os</p><p>sonhos em ação, isso é que nos faz realmente sentir que estamos vivendo de</p><p>fato (DIMAGGIO; POWELL, 1983).</p><p>Muito bom e aliviado quando se tem emprego não é mesmo? Melhor</p><p>ainda quando se tem o emprego onde se sinta realizado!</p><p>E se pensássemos diferente: carreira ou estilo de vida?</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>97</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Carreira e estilo de vida têm relação necessária e direta. Essas coisas</p><p>necessitam ser pensadas em conjunto. As decisões de carreira são</p><p>divergentes, quer dizer, há caminhos alternativos que não podem ser</p><p>escolhidos simultaneamente. É fundamental optar e saber que a opção traz</p><p>ganhos e perdas: Tal é a decisão de ter um emprego ou viver por conta própria.</p><p>O fato de uma pessoa realizar um trabalho “do qual ela realmente</p><p>goste”, faz com que ela cresça e em muito contribui para a sua qualidade de</p><p>vida geral. Por outro lado, um trabalho inadequado reduz de algum modo a sua</p><p>qualidade de vida. Um emprego que a pessoa odeie, podendo variar de</p><p>presidente de uma companhia a coletor de lixo, de balconista de lanchonete a</p><p>pesquisador, a faz sentir-se mal-humorada, deprimida e até mesmo revoltada.</p><p>Realizar um trabalho desinteressante ou desagradável esgota a</p><p>energia, diminui a motivação e geralmente reduz a autoestima. Num círculo</p><p>vicioso, a pessoa passa a se descuidar pessoal e profissionalmente e a</p><p>distanciar-se do círculo de pessoas que realmente faz a diferença em sua</p><p>organização ou profissão. E essa pessoa gostará menos ainda de seu trabalho</p><p>e se sentirá menos comprometida com ele (KILIMNIK; MORAIS, 2006).</p><p>Há casos de profissionais que exerciam funções de nível elevado, com</p><p>todas ou quase todas as dimensões de qualidade de vida presentes e que,</p><p>mesmo assim, partiram para outras profissões em busca de sua verdadeira</p><p>vocação e, muitos têm sido exitosos nessa mudança.</p><p>Algumas diferenças entre ser empregado e ser empregador ou</p><p>autônomo.</p><p>Há diferentes tipos de empregos: na área pública, na área privada, com</p><p>diferentes caracterizações de horário, nível de exigência e de ganhos, grau de</p><p>segurança, entre outros.</p><p>Provavelmente os melhores empregos no Brasil de hoje estão na área</p><p>pública. Quando se compara o custo (exigência de qualificação e dedicação)</p><p>com os benefícios (condições de trabalho, ganhos, segurança social) os</p><p>empregos públicos usualmente são mais atraentes, ou pelo menos, para</p><p>aqueles que já foram empossados, porque, sem entrar no mérito da questão,</p><p>as regras para os concursos novos são bem diferentes de alguns anos atrás.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>98</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Nem todas as áreas governamentais são atraentes e ideais, mas ainda</p><p>o número de candidatos/vaga é razoavelmente grande e, salvo exceções, no</p><p>geral são ainda os mais atraentes.</p><p>Há bons empregos também na área privada, principalmente nas</p><p>grandes corporações com tradição de bom tratamento ao seu pessoal.</p><p>Segundo Rosa (2011) algumas empresas já superaram os traumáticos</p><p>tempos do downsizing,</p><p>os enxugamentos de pessoal das décadas de 1980 e</p><p>1990 e conseguiram superar os problemas de mercado como organizações</p><p>sólidas e rentáveis, capazes de pagar bem e oferecer bons planos de</p><p>benefícios e carreira aos funcionários. No geral, os níveis de exigência em</p><p>termos de requisitos de contratação são bastante elevados.</p><p>Bons empregos, na área privada, existem também em pequenas</p><p>organizações, mesmo em empresas familiares (usualmente muito criticadas),</p><p>em organizações não governamentais, incluindo aquelas do terceiro setor.</p><p>Mas, ao lado de empregos bons, há os ruins – no governo, na grande</p><p>corporação ou outras organizações. Então, é bom considerar que o emprego</p><p>por si só não é uma alternativa nem boa, nem ruim. Será boa, se for bom,</p><p>evidentemente. Tudo é relativo (ROSA, 2011).</p><p>Muitas pessoas que vivem por conta própria o fazem por não ter</p><p>oportunidade de emprego. Como diria João Guimarães Rosa, o sapo não pula</p><p>por boniteza, mas por precisão. Excluídos do mundo do trabalho, uma boa</p><p>parte dos integrantes da força de trabalho nacional tem de ir à luta para ganhar</p><p>o pão e, com ou sem vontade, com ou sem qualificação, partem para as</p><p>atividades empreendedoras (ROSA, 2011).</p><p>Muitos aceitariam de bom grado um emprego estável, que propiciasse</p><p>o ganho mínimo necessário para sua subsistência. Esse raciocínio vale não só,</p><p>mas principalmente, para pessoas com níveis mais baixos de qualificação.</p><p>Atualmente, há profissionais com boa qualificação que não encontram espaço</p><p>de atuação no mundo do emprego e são obrigados a atuar por conta própria,</p><p>mesmo sem vocação ou perfil.</p><p>Mas, há igualmente uma parcela dos integrantes da força de trabalho</p><p>que opta pela atividade por conta própria por vocação ou oportunidade.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>99</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>A vocação impulsiona aqueles que têm espírito empreendedor e a</p><p>oportunidade – atividade financeiramente atraente que se apresenta à pessoa</p><p>– convence profissionais que não tinham pretensão de atuar por conta própria,</p><p>mas acabam fazendo-o por interesse.</p><p>É bom mencionar que a atividade por conta própria não quer dizer</p><p>necessariamente ter um negócio. Longe disso. Hoje há duas categorias de</p><p>atividades por conta própria, a saber:</p><p>• negócios – incluem desde os pequenos estabelecimentos até</p><p>empreendimentos de maior porte. Usualmente têm uma organização,</p><p>estrutura de custos, instalações específicas, entre outras;</p><p>• atividades autônomas – o mercado moderno, sofisticado e diversificado</p><p>oferece oportunidade de atuação autônoma em diferentes segmentos:</p><p>prestação de serviços técnicos, consultoria, representação, entre outros.</p><p>Há um sem-número de pessoas que vive por conta própria sem ter</p><p>empresas no sentido real da palavra: organização, instalações,</p><p>empregados, estrutura de custos, entre outros. Alguns têm pequenas</p><p>estruturas de apoio. Outros, nem isso.</p><p>Há uma razoável diferença entre os que vivem por conta própria.</p><p>Usualmente o empreendedor, por ter de ficar à frente de um negócio tem</p><p>menos controle sobre o próprio tempo. Caso o empreendedor consiga montar</p><p>uma organização eficiente e atingir o sucesso no negócio, muitas vezes ele</p><p>pode delegar e ficar livre para usar seu tempo como bem lhe aprouver. Caso</p><p>raro, seja porque o empreendedor usualmente gosta do comando, seja porque</p><p>é difícil chegar a esse negócio ideal. De um modo geral – mas não universal –</p><p>o autônomo é o profissional que tem a maior liberdade de ação e de uso do seu</p><p>tempo (ROSA, 2011).</p><p>Por ter responsabilidades significativamente menores que as do</p><p>empresário e demandas organizacionais igualmente mais reduzidas, ele pode</p><p>dar-se ao luxo de usar o tempo com maior liberdade.</p><p>Rosa (2011) deixa bem claro que as vantagens e desvantagens</p><p>apresentadas acima são, naturalmente, usuais e não universais. Igualmente as</p><p>considerações do quadro dificilmente se enquadram na condição dos</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>100</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>profissionais que estão muito acima da média em termos de sucesso. Há</p><p>empregos de altíssima gratificação na área governamental, assim como há</p><p>empregos milionários na área privada. Há profissionais autônomos com</p><p>faturamento e potencial futuro de ganho muito superior ao de milhares de</p><p>empresas, assim como há empreendedores de sucesso extraordinário, que os</p><p>leva a uma vida de realizações e poder elevadíssimos.</p><p>Quanto a decidir se busca um emprego ou trabalha por conta própria,</p><p>aqui temos três variáveis que ajudarão a decidir qual será bom ou ruim:</p><p>- O perfil da pessoa:</p><p>Temos pessoas com ‘tino’ para negócios como temos pessoas que</p><p>gostam de ler, pesquisar e com muita tendência a serem intelectuais, daí se</p><p>dariam melhor na profissão de educadores e/ou pesquisadores e com certeza</p><p>maior contribuição à sociedade em se tratando de produção intelectual.</p><p>Outra diferença entre um empreendedor/executivo e um</p><p>acadêmico/consultor autônomo:</p><p>✓ mais realismo e menos idealismo no trato com as pessoas;</p><p>✓ gosto pela negociação e para a busca da vantagem financeira pessoal;</p><p>✓ gosto por fazer coisas, produzir concretamente, e menos interesse por</p><p>planos e projetos;</p><p>✓ gosto pela interação humana, pela convivência;</p><p>✓ gosto pelo controle do ambiente, dos ativos, dos trabalhos, dos</p><p>processos, e menos pela divagação com ideias e questões teóricas.</p><p>Em síntese, antes de optar por emprego ou atividade por conta própria,</p><p>quando a pessoa tiver a oportunidade de escolher, é aconselhável pensar bem</p><p>sobre qual é seu perfil. Isso inclui competências específicas, valores,</p><p>credenciais, entre outros (ROSA, 2011).</p><p>- Os objetivos pessoais:</p><p>Assim como existem pessoas ambiciosas que querem ficar ricas</p><p>porque qualquer motivo que seja (até mesmo por ter sido muito pobre a</p><p>infância), ela centra sua motivação na questão financeira, ao mesmo tempo</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>101</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>existem pessoas que preferem uma vida mais tranquila, com mais tempo para</p><p>família e não focam muito a questão de confortos proporcionados pela riqueza.</p><p>Essa pessoa ambiciosa precisa procurar algo em que vá ter maior</p><p>oportunidade de realizar seu sonho financeiro. Um emprego provavelmente não</p><p>é a melhor opção. Essa pessoa está disposta a arregaçar as mangas e ir atrás</p><p>de seu pote de ouro para valer? Então, o caminho certo é a livre iniciativa:</p><p>como autônomo ou empreendedor ela terá maior probabilidade de atingir suas</p><p>metas.</p><p>Se o objetivo pessoal for ter uma vida familiar estável e tranquila, com</p><p>dedicação de boa parte do tempo aos filhos, cônjuges, parentes e amigos, com</p><p>fixação de residência em uma região específica, é melhor pensar bem antes de</p><p>aceitar um emprego desafiador em uma grande corporação. Essa</p><p>provavelmente pedirá que os objetivos pessoais fiquem em segundo plano.</p><p>Poderá solicitar que a pessoa mude de cidade, de acordo com a estratégia</p><p>empresarial. Dizer não é condenar a carreira e ter uma relação insustentável</p><p>com o empregador.</p><p>No caso, um emprego público ou um cargo menos importante em uma</p><p>organização menor e local poderão dar o melhor retorno, considerando os</p><p>objetivos pessoais (ROSA, 2011).</p><p>- As oportunidades:</p><p>Podemos dizer que há pelo menos três tipos de motivação para o início</p><p>de atividades por conta própria: a necessidade, a vocação e a oportunidade.</p><p>A pessoa não encontra emprego e não tem outra alternativa a não ser</p><p>empreender algo à altura de sua qualificação, seja a venda de balas no farol de</p><p>trânsito, seja a busca de atividade de consultoria gerencial ou treinamento.</p><p>Muitos começam empurrados pela necessidade (às vezes até pela fome) e</p><p>acabam encontrando sua vocação verdadeira ou o sucesso. É curioso</p><p>constatar que muitas pessoas que se destacaram nos negócios</p><p>optaram pela</p><p>livre iniciativa por se revelarem incapazes (às vezes por rebeldia) de integração</p><p>nos empregos e tiveram de achar outros caminhos.</p><p>A pessoa tem um genuíno desejo de “fazer algo”, de construir um</p><p>negócio de valor, de expressar-se por meio dele. Esse impulso não é aquele</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>102</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>fantasioso e superficial que não resiste a um questionamento mais agudo. É</p><p>algo real e sólido, ao que chamamos de vocação. Uma vocação sólida não é</p><p>garantia de que a pessoa terá a qualificação para sustentá-la, mas é um bom</p><p>começo. Gente com tal impulso e a adequada preparação poderá encontrar</p><p>alto grau de realização.</p><p>Oportunidade é algo que vem de fora, uma coisa boa que a vida nos</p><p>oferece. Elas atuam também no mundo do emprego. Um empreendedor ou</p><p>profissional autônomo de repente pode receber a oferta para ocupar uma</p><p>excelente posição, com ganhos e retornos emocionais elevados.</p><p>Enfim, nas escolhas relativas à modalidade de ocupação, a pessoa não</p><p>deve perder a perspectiva fundamental do que efetivamente interessa como</p><p>resultado do seu trabalho:</p><p>✓ empregabilidade – capacidade de encontrar trabalho e renda ao longo</p><p>da vida;</p><p>✓ qualidade de vida no trabalho – uma atividade que faça sentido em</p><p>termos dos valores próprios;</p><p>✓ qualidade de vida – uma vida feliz e harmoniosa em todas as suas</p><p>dimensões – trabalho, vida social, lazer, família, entre outros. (ROSA,</p><p>2011).</p><p>Segundo estudos de Andrade (2009), atualmente, há uma forte</p><p>tendência de os orientadores profissionais incentivarem o cliente, não só o pré-</p><p>vestibulando ou o jovem, mas também o profissional em transição de carreira,</p><p>a escolher uma profissão que realmente o agrade e tenha a ver com as suas</p><p>habilidades e aptidões, com base na ideia de que assim ele terá mais facilidade</p><p>de encontrar o seu espaço de atuação nesse mundo altamente mutante do</p><p>trabalho, contrariando a tendência de escolha da profissão focalizada na</p><p>perspectiva de retomo financeiro.</p><p>Schein (1996) destaca que a sua âncora profissional é uma</p><p>combinação de competências, interesses, aspirações e valores dos quais você</p><p>não deve desistir, pois eles representam a sua essência. Sem conhecer sua</p><p>âncora, incentivos externos podem tentá-lo a aceitar situações ou trabalhos</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>103</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>que não sejam satisfatórios e você poderá vir a experimentar sensações do tipo</p><p>‘Isso não era realmente para mim’.</p><p>Essas colocações reforçam a importância de se gostar do trabalho, não</p><p>apenas como fator de qualidade de vida, mas também, de sucesso profissional.</p><p>Gostar de um trabalho significa partilhar com ele as qualidades especiais que</p><p>se possui e, em consequência, torná-lo também especial. Entretanto, a maioria</p><p>das empresas parece ainda não perceber a importância disso, pois a maior</p><p>parte dos seus esforços para melhorar a qualidade de vida no trabalho centra-</p><p>se em aspectos de contexto, como ambiente de trabalho ou aumento de</p><p>remuneração e em iniciativas que passam longe da melhoria do conteúdo das</p><p>atividades laborais.</p><p>Igualmente fato de um determinado trabalho possuir um conteúdo</p><p>altamente significativo e de se gostar demasiadamente do mesmo não impede</p><p>que ele seja estressante.</p><p>Gostar de um trabalho é fundamental, mas confundir-se com ele, ou</p><p>permitir que ele o defina, é prejudicial à saúde física e mental do indivíduo ou,</p><p>então, é indicador de problemas psicológicos que não estão sendo</p><p>solucionados adequadamente. Cabe ao profissional conseguir um equilíbrio</p><p>entre a sua vida pessoal e seu trabalho, o que tem sido considerado, mais</p><p>recentemente, um novo conceito de sucesso na carreira, juntamente com o de</p><p>carreira autodirigida, que sinaliza também que a qualidade de vida é algo a ser</p><p>conquistado, mais do que concedido (CALVOSA, 2009).</p><p>Considerando o avanço tecnológico e as mudanças implementadas</p><p>nos processos de gestão como, por exemplo, a exigência de uma carga</p><p>excedente de desempenho, torna-se igualmente necessário considerar que o</p><p>trabalhador também precisa ser visto sob uma nova perspectiva. Dessa forma,</p><p>criar um ambiente de trabalho agradável e motivar os trabalhadores tem sido o</p><p>grande desafio dos gestores atualmente. E a satisfação do profissional na</p><p>organização pode ser difícil de ser diagnosticada, devido ao fato de que o</p><p>comportamento humano é resultado de necessidades que, em alguns casos,</p><p>podem ser desconhecidas do próprio indivíduo (ANDRADE, 2009).</p><p>Em suma, a satisfação no ambiente de trabalho é um fator crítico e</p><p>dinâmico que pode variar de pessoa para pessoa e na mesma pessoa, de</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>104</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>tempo em tempo. Esse é um estudo necessário no intuito de evitar e corrigir as</p><p>decorrências negativas que a insatisfação poderá acarretar para a empresa e</p><p>seus colaboradores.</p><p>Ao definir comprometimento com a carreira como atitude em relação à</p><p>profissão e vocação, Blau (1985 apud ANDRADE, 2009) ressalta que isto não</p><p>ocorre necessariamente em uma determinada organização ou atividade.</p><p>O comprometimento com a carreira envolve o desenvolvimento de</p><p>objetivos de carreira que pode acontecer ao longo da vida profissional do</p><p>indivíduo, em diversos empregos e através de sua identificação com estes.</p><p>Depende muito mais do indivíduo do que a empresa em si, portanto,</p><p>fica a sugestão para que analise os ambientes externos que podem lhe ser</p><p>favoráveis ou não, atualize-se sempre, mantenha-se conectado com o mundo,</p><p>com as pessoas, esteja em sintonia com as tecnologias, desenvolva</p><p>percepção, enfim, foque em sua carreira e boa sorte!</p><p>Assim, gerenciar a carreira significa tomar uma série de decisões,</p><p>mirando o futuro profissional com foco na preparação adequada para os</p><p>objetivos que almeja alcançar. O profissional que faz o gerenciamento da sua</p><p>carreira assume novos desafios e busca desenvolver novas competências</p><p>alinhadas ao seu foco.</p><p>Com o mercado cada vez mais competitivo, o perfil do profissional</p><p>desejado pelo mercado é uma pessoa criativa motivada, proativa, e capaz de</p><p>criar estratégias para vencer desafios e transformar as infelicidades em</p><p>oportunidades.</p><p>A carreira é um processo que leva tempo para se estabelecer. O</p><p>profissional tem que fazer planejamento, ter dedicação no projeto e se adequar</p><p>ao máximo para garantir a sua empregabilidade. Gerir e gerenciar a carreira</p><p>deve ser prioridade para todo profissional que pretende ser o dono do próprio</p><p>destino. O profissional que sabe gerenciar sua carreira tem total confiança em</p><p>si mesmo e sabe o momento certo de agir e ser proativo.</p><p>A gestão da carreira é organizada e fundamentada em metas a curto,</p><p>médio e longo prazo, as quais são definidas de acordo com os objetivos</p><p>pessoais, profissionais e financeiros. Para definir as mesmas, o profissional</p><p>deve se perguntar onde quero estar e o que quero estar fazendo daqui a 1 ano</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>105</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>(curto prazo), 3 anos (médio prazo) e 5 anos (longo prazo). De acordo com as</p><p>respostas, o profissional deverá definir as metas e o caminho a ser traçado</p><p>para alcançá-las.</p><p>Para fazer a gestão da carreira, o profissional precisa se conhecer,</p><p>fazendo uma análise pessoal intensa, aberta e sincera sobre si mesmo para</p><p>saber quais são suas forças e fraquezas, e quais são as ameaças e</p><p>oportunidades existentes em seu mercado de atuação. Mediante o resultado</p><p>dessa reflexão, deve-se procurar saber quais fraquezas deve aprimorar e que</p><p>forças aperfeiçoar para poder atingir os objetivos almejados.</p><p>Ao definir os objetivos estratégicos, o profissional deve ser realista, não</p><p>estabelecendo metas</p><p>diuturnamente, e principalmente envolve aqueles que vivenciam relações</p><p>cotidianas na escola com pessoas de diferentes formações pessoais.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>8</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Ser profissional na escola, em qualquer uma das modalidades de</p><p>curso, requer uma formação não apenas técnica, mas também uma formação</p><p>pessoal para enfrentar todos os desafios que a área da educação nos coloca.</p><p>Precisamos nos preparar continuamente para lidar com esses desafios que nos</p><p>surpreendem a cada novo encontro nesse contexto (PEDROZA, 2012).</p><p>De maneira mais poética, Silva (2008) nos lembra que a aprendizagem</p><p>é a principal função social da escola, para a qual o professor em sala de aula é</p><p>de suma importância. Porém, não podemos ignorar que acontecem várias</p><p>ações educativas nos diversos ambientes da escola, onde o educando não</p><p>convive só com seus professores e, para que haja um ambiente educativo e</p><p>formador, é necessário que todos participem direta ou indiretamente,</p><p>influenciando no desenvolvimento da criança. Assim, podemos afirmar que</p><p>existem muitos outros atores que ficam por trás das cortinas e que fazem toda</p><p>diferença para que o espetáculo seja aplaudido de pé. Perceberam que aqui</p><p>estamos a falar do(a) secretário(a) escolar?!</p><p>Pimenta (2002) já dizia que para enfrentar os desafios das situações de</p><p>ensino, o profissional da educação precisa de competência do conhecimento,</p><p>de sensibilidade ética e de consciência política. Se os alunos precisam ter a</p><p>capacidade de estabelecer relações interpessoais e é sabido que 80% da sua</p><p>aprendizagem se dá pela observação, é crucial que as relações interpessoais</p><p>dos funcionários dentro da escola estejam estabelecidas de forma harmônica.</p><p>A gestão do desempenho humano no trabalho sempre constituiu tema</p><p>controverso nas organizações. As distorções e a subjetividade inerentes a</p><p>muitos instrumentos de avaliação do desempenho contrapõem-se às</p><p>necessidades de mensuração de resultados, levando a conflitos.</p><p>Num contexto de globalização e de busca por maximização de</p><p>resultados, ferramentas de gestão do desempenho capazes de integrar</p><p>estratégia, aprendizagem, competências e indicadores quantitativos e</p><p>qualitativos são muito desejadas, mas dificilmente encontradas.</p><p>Diversas organizações têm tentado, nos últimos anos, caminhar em</p><p>direção a modelos capazes de fazer essa junção.</p><p>De maneira bem ampla e geral utilizamos ‘carreira’ para nos referirmos</p><p>à mobilidade ocupacional (caminho trilhado por um executivo, por exemplo)</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>9</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>quando se trata de uma carreira de negócios, ou, estabilidade ocupacional</p><p>quando nos referimos à carreira como profissão (a carreira militar, por</p><p>exemplo).</p><p>Em ambas as situações, a ideia é de um caminho estruturado e</p><p>organizado no tempo e no espaço que pode ser percorrido por alguém.</p><p>Hall (1976 apud DUTRA, 1996) define carreira como uma sequência de</p><p>atitudes e comportamentos, associada com experiências e atividades</p><p>relacionadas ao trabalho, durante o período de vida de uma pessoa. Pessoa</p><p>essa e cargo esse que pode ser o de secretário(a) escolar.</p><p>Enfim, já sabemos que o conceito de secretaria escolar é muito amplo</p><p>e, atualmente, várias funções estão direta e indiretamente inseridas no meio</p><p>educacional, principalmente no que diz respeito ao relacionamento</p><p>interpessoal. Agentes escolares, professores, pais e alunos devem caminhar</p><p>lado a lado e, além disso, é preciso haver harmonia no contato que há entre</p><p>eles (GIMENES, 2011).</p><p>A concretização desse trabalho depende da adoção de práticas</p><p>democráticas e participativas que possibilitem um atendimento que supere as</p><p>relações de poder instituídas até então no ambiente escolar, visando dar</p><p>acesso a informações e estabelecer um relacionamento ético, eficiente e</p><p>coerente entre todos os envolvidos no âmbito escolar. Com a abertura da</p><p>escola para o mundo externo que é dinâmico, instável e composto de diversas</p><p>realidades, em decorrência da globalização e modernização do trabalho, é</p><p>preciso reavaliar o desempenho dos envolvidos no processo administrativo e</p><p>pedagógico da escola na construção de um projeto que atenda às</p><p>necessidades da clientela escolar. Esses elementos contribuem para</p><p>estabelecer novas relações entre a escola e a comunidade, assim como para</p><p>redimensionar sua função social.</p><p>O surgimento de modelos de gestão baseados na noção de</p><p>competência e, por conseguinte, sua incorporação ao ambiente organizacional,</p><p>fez com que o termo competência adquirisse diferentes conotações, conforme</p><p>relatam Brandão e Guimarães (2001). Não se pretende aqui discutir as</p><p>diversas abordagens conceituais existentes, pois o assunto já foi</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>10</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>suficientemente abordado por Dutra (2004) e Ruas e colaboradores (2005),</p><p>entre outros.</p><p>Assim, entendemos competências humanas ou profissionais como</p><p>combinações sinérgicas de conhecimentos, habilidades e atitudes, expressas</p><p>pelo desempenho profissional dentro de determinado contexto organizacional,</p><p>que agregam valor a pessoas e organizações (CARBONE, BRANDÃO e</p><p>LEITE, 2005). São reveladas quando as pessoas agem ante as situações</p><p>profissionais com as quais se deparam (ZARIFIAN, 1999) e servem como</p><p>ligação entre as condutas individuais e a estratégia da organização. Segundo</p><p>Carbone, Brandão e Leite (2005), concepções como essa parecem possuir</p><p>aceitação mais ampla, na medida em que consideram as diversas dimensões</p><p>do trabalho (cognitiva, psicomotora e afetiva), assim como associam a</p><p>competência ao desempenho, dentro de um contexto ou de uma estratégia</p><p>organizacional.</p><p>Sob essa perspectiva, a aplicação de conhecimentos, habilidades e</p><p>atitudes no trabalho – além de evidenciar a interdependência e a</p><p>complementaridade entre esses três elementos – gera um desempenho,</p><p>expresso pelos comportamentos que a pessoa manifesta no trabalho e pelas</p><p>consequências dos mesmos, em termos de realizações e resultados</p><p>(GILBERT, 1978). O desempenho da pessoa representa uma expressão de</p><p>suas competências (BRANDÃO e GUIMARÃES, 2001). Por isso, Santos (2001)</p><p>descreve as competências humanas sob a forma de referenciais de</p><p>desempenho, de forma que a pessoa demonstraria deter uma dada</p><p>competência por meio da adoção de certos comportamentos observáveis no</p><p>trabalho.</p><p>É importante ressaltar que alguns autores associam o conceito de</p><p>competência não apenas a pessoas, mas também a equipes de trabalho ou a</p><p>organizações. Le Boterf (1999), por exemplo, sustenta que em cada equipe de</p><p>trabalho se manifesta uma competência coletiva, que emerge das relações</p><p>sociais que se estabelecem no grupo e da sinergia entre as competências</p><p>individuais de seus membros. Prahalad e Hamel (1990), por sua vez, referem-</p><p>se à competência como um atributo da organização, que a torna eficaz e</p><p>permite a consecução de seus objetivos estratégicos. É possível, então,</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>11</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>classificar as competências como humanas (ou profissionais) e organizacionais</p><p>(BRANDÃO e GUIMARÃES, 2001).</p><p>A gestão por competências figura como alternativa aos modelos</p><p>gerenciais tradicionalmente utilizados pelas organizações. Propõe-se a orientar</p><p>esforços para planejar, captar, desenvolver e avaliar, nos diferentes níveis da</p><p>organização (individual, grupal e organizacional), as competências necessárias</p><p>à consecução de seus objetivos, conforme explicam Brandão e Guimarães</p><p>(2001). Segundo esses autores, a gestão por competências constitui um</p><p>processo contínuo, que tem como etapa inicial a formulação da estratégia</p><p>organizacional. Em seguida, em razão dos objetivos</p><p>que não conseguirá cumprir no tempo determinado,</p><p>porque o não atingimento poderá lhe ocasionar frustração, desmotivação e</p><p>insatisfação com a sua carreira como um todo. Todo profissional deve</p><p>estabelecer metas e prazos realistas de acordo com o esforço, qualificação e</p><p>mercado. O profissional tem que sonhar, pois a realização da grande maioria</p><p>dos sonhos depende apenas da dedicação, empenho e comprometimento com</p><p>os objetivos estabelecidos. Entretanto só sonhar não basta, o profissional</p><p>precisa executar seu planejamento para que o sonho vire realidade.</p><p>O profissional deve sempre estudar as tendências de mercado, afinal é</p><p>de suma importância sempre ler e perceber o direcionamento que o mercado</p><p>está dando para sua atividade profissional. Novos mercados, novas tendências</p><p>e novas tecnologias podem ser desvendados e transformar completamente o</p><p>rumo de uma atividade profissional, determinando inclusive que o profissional</p><p>se atualize rapidamente.</p><p>Para fazer gestão da carreira é necessário se manter atualizado com</p><p>os assuntos relevantes a profissão que se está inserido. Algumas áreas exigem</p><p>que se atualize quase que diariamente. O profissional deve ter uma visão</p><p>generalista da sua atuação, mas também procurar se aprimorar em áreas mais</p><p>específicas dentro de sua formação, identificando aquela com a qual tem mais</p><p>interesse, afinidade e oportunidade. Um profissional desatualizado não é</p><p>lucrativo para nenhuma empresa e mercado.</p><p>Cultivar e, sobretudo, desenvolver a rede de relacionamentos é uma</p><p>ferramenta muito influente para a gestão de carreira de qualquer um,</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>106</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>independentemente da área de atuação. O fortalecimento da construção de</p><p>uma carreira é feita de “conexões” e não de apenas de contatos. A construção</p><p>de alianças consiste em dar antes mesmo de pretender receber. A ideia é, ao</p><p>invés de acumular contatos, devem-se construir pontes com o objetivo de</p><p>estreitar laços e crescer em conjunto. Tudo é cíclico, um dia quem dá no outro</p><p>pode precisar.</p><p>Investir no Marketing Pessoal é investir na Gestão de Carreira, pois se</p><p>faz necessário o investimento na construção de uma identidade de forma a</p><p>apresentar para o mercado um conjunto de ações e habilidades que visam</p><p>promover a carreira com foco no destaque dos resultados e desempenho</p><p>profissional com a finalidade de garantir maior visibilidade perante o mercado,</p><p>mostrando os valores, as competências e os diferenciais competitivos. Não</p><p>basta ser apenas um excelente profissional, o mercado precisa saber disso.</p><p>Muitos empecilhos, receios e medos surgirão no decorrer de todo</p><p>percurso profissional e alguns deles poderão causar desânimo e percepção de</p><p>que não será possível chegar ao objetivo almejado. Nesses momentos é</p><p>preciso ter muita determinação, dedicação e jogo de cintura para contornar os</p><p>problemas, e não desistir de todo o planejamento estabelecido.</p><p>Quando se tem um objetivo bem definido e coloca toda a sua energia</p><p>focada nele, o resultado dessa dedicação acaba sendo satisfatório. Se o</p><p>profissional coloca a sua energia em vários objetivos de carreiras divergentes</p><p>ao mesmo tempo, seus esforços acabarão se dispersando e no final não verá</p><p>seus esforços, metas e objetivos progredirem.</p><p>O profissional deverá ficar atento com tudo que pode contribuir para o</p><p>alcance dos seus objetivos, bem como analisar a sua trajetória profissional</p><p>sempre com um olhar crítico, pois isso poderá lhe proporcionar uma visão mais</p><p>ampla para alcançar os seus objetivos. O profissional deve sempre avaliar e</p><p>revisar suas metas, buscando assim identificar os motivos de não ter</p><p>conseguido conquistá-las, ou se conquistou deverá certificar-se que as</p><p>próximas metas serão possíveis de se realizar. Uma boa gestão da carreira</p><p>contribui para que o profissional busque suas aspirações de forma mais</p><p>assertiva e evita consequências e investimentos de tempo, energia e dinheiro</p><p>prejudiciais ao atingimentos dos seus objetivos de carreir</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>107</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS</p><p>ANDRADE, Guilherme Assunção de. Carreira tradicional versus carreira</p><p>proteana: um estudo comparativo sobre a satisfação com a profissão, carreira e</p><p>emprego. Belo Horizonte: FUMEC, 2009. Disponível em:</p><p><http://www.fumec.br/anexos/cursos/mestrado/dissertacoes/completa/guilherm</p><p>e_assuncao_de_andrade.pdf>. 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Paris:</p><p>Liaisons, 1999.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>121</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>ANEXOS</p><p>CÓDIGO DE ÉTICA DO PROFISSIONAL DE SECRETARIADO.</p><p>Esse Código de Ética é um dos instrumentos básicos para o</p><p>direcionamento correto da atuação dos (as) secretários(as) enquanto</p><p>profissionais. Embora pertença a uma classe específica, podemos muito bem</p><p>transportá-lo para os objetivos deste módulo, e mesmo porque, uma grande</p><p>falha no serviço público acontece porque os servidores não têm o costume de</p><p>ler seus direitos e deveres e é extensa essa lista.</p><p>Código de Ética</p><p>Publicado no Diário Oficial da União de 7 de julho de 1989.</p><p>Capítulo I</p><p>Dos Princípios Fundamentais</p><p>Art.1º. - Considera-se Secretário ou Secretária, com direito ao exercício</p><p>da profissão, a pessoa legalmente credenciada nos termos da lei em vigor.</p><p>Art.2º. - O presente Código de Ética Profissional tem por objetivo fixar</p><p>normas de procedimentos dos Profissionais quando no exercício de sua</p><p>profissão, regulando-lhes as relações com a própria categoria, com os poderes</p><p>públicos e com a sociedade.</p><p>Art.3º. - Cabe ao profissional zelar pelo prestígio e responsabilidade de</p><p>sua profissão, tratando-a sempre como um dos bens mais nobres, contribuindo,</p><p>através do exemplo de seus atos, para elevar a categoria, obedecendo aos</p><p>preceitos morais e legais.</p><p>Capítulo II</p><p>Dos Direitos</p><p>Art.4º. - Constituem-se direitos dos Secretários e Secretárias: a)</p><p>garantir e defender as atribuições estabelecidas na Lei de Regulamentação; b)</p><p>participar de entidades representativas da categoria; c) participar de atividades</p><p>públicas ou não, que visem defender os direitos da categoria; d) defender a</p><p>integridade moral e social da profissão, denunciando às entidades da categoria</p><p>qualquer tipo de alusão desmoralizadora; e) receber remuneração equiparada</p><p>a dos profissionais de seu nível de escolaridade; f) ter acesso a cursos de</p><p>treinamento e a outros Eventos/Cursos cuja finalidade seja o aprimoramento</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>122</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>profissional; g) jornada de trabalho compatível com a legislação trabalhista em</p><p>vigor.</p><p>Capítulo III</p><p>Dos Deveres Fundamentais</p><p>Art.5º. - Constituem-se deveres fundamentais das Secretárias e</p><p>Secretários: a) considerar a profissão como um fim para a realização</p><p>profissional; b) direcionar seu comportamento profissional, sempre a bem da</p><p>verdade, da moral e da ética; c) respeitar sua profissão e exercer suas</p><p>atividades, sempre procurando aperfeiçoamento; d) operacionalizar e canalizar</p><p>adequadamente o processo de comunicação com o público; e) ser positivo em</p><p>seus pronunciamentos e tomadas de decisões, sabendo colocar e expressar</p><p>suas atividades; f) procurar informar-se de todos os assuntos a respeito de sua</p><p>profissão e dos avanços tecnológicos, que poderão facilitar o desempenho de</p><p>suas atividades; g) lutar pelo progresso da profissão; h) combater o exercício</p><p>ilegal da profissão; i) colaborar com as instituições que ministram cursos</p><p>específicos, oferecendo-lhes subsídios e orientações.</p><p>Capítulo IV</p><p>Do Sigilo Profissional</p><p>Art.6º. - A Secretária e o Secretário, no exercício de sua profissão,</p><p>deve guardar absoluto sigilo sobre assuntos e documentos que lhe são</p><p>confiados.</p><p>Art.7º. - É vedado ao Profissional assinar documentos que possam</p><p>resultar no comprometimento da dignidade profissional da categoria.</p><p>Capítulo V</p><p>Das Relações entre Profissionais Secretários</p><p>Art.8º. - Compete às Secretárias e Secretários: a) manter entre si a</p><p>solidariedade e o intercâmbio, como forma de fortalecimento da categoria; b)</p><p>estabelecer e manter um clima profissional cortês, no ambiente de trabalho,</p><p>não alimentando discórdia e desentendimento profissionais; c) respeitar a</p><p>capacidade e as limitações individuais, sem preconceito de cor, religião, cunho</p><p>político ou posição social; d) estabelecer um clima de respeito à hierarquia com</p><p>liderança e competência.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>123</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Art.9º. - É vedado aos profissionais:</p><p>a) usar de amizades, posição e</p><p>influências obtidas no exercício de sua função, para conseguir qualquer tipo de</p><p>favoritismo pessoal ou facilidades, em detrimento de outros profissionais; b)</p><p>prejudicar deliberadamente a reputação profissional de outro secretário; c) ser,</p><p>em função de seu espírito de solidariedade, conivente com erro, contravenção</p><p>penal ou infração a este Código de Ética.</p><p>Capítulo VI</p><p>Das Relações com a Empresa</p><p>Art.10º. - Compete ao Profissional, no pleno exercício de suas</p><p>atividades: a) identificar-se com a filosofia empresarial, sendo um agente</p><p>facilitador e colaborador na implantação de mudanças administrativas e</p><p>políticas; b) agir como elemento facilitador das relações interpessoais na sua</p><p>área de atuação; c) atuar como figura-chave no fluxo de informações</p><p>desenvolvendo e mantendo de forma dinâmica e contínua os sistemas de</p><p>comunicação.</p><p>Art.11º. - É vedado aos Profissionais: a) utilizar-se da proximidade com</p><p>o superior imediato para obter favores pessoais ou estabelecer uma rotina de</p><p>trabalho diferenciada em relação aos demais; b) prejudicar deliberadamente</p><p>outros profissionais, no ambiente de trabalho.</p><p>Capítulo VII</p><p>Das Relações com as Entidades da Categoria</p><p>Art.12º. - A Secretária e o Secretário devem participar ativamente de</p><p>suas entidades representativas, colaborando e apoiando os movimentos que</p><p>tenham por finalidade defender os direitos profissionais.</p><p>Art.13º. - Acatar as resoluções aprovadas pelas entidades de classe.</p><p>Art.14º. - Quando no desempenho de qualquer cargo diretivo, em</p><p>entidades da categoria, não se utilizar dessa posição em proveito próprio.</p><p>Art.15º. - Participar dos movimentos sociais e/ou estudos que se</p><p>relacionem com o seu campo de atividade profissional.</p><p>Art.16º. - As Secretárias e Secretários deverão cumprir suas</p><p>obrigações, tais como mensalidades e taxas, legalmente estabelecidas, junto</p><p>às entidades de classes a que pertencem.</p><p>Capítulo VIII</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>124</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Da Obediência, Aplicação e Vigência do Código de Ética</p><p>Art.17º. - Cumprir e fazer cumprir este Código é dever de todo</p><p>Secretário.</p><p>Art.18º. - Cabe aos Secretários docentes informar, esclarecer e orientar</p><p>os estudantes, quanto aos princípios e normas contidas neste Código.</p><p>Art.19º. - As infrações deste Código de Ética Profissional acarretarão</p><p>penalidades, desde a advertência à cassação do Registro Profissional na forma</p><p>dos dispositivos legais e/ou regimentais, através da Federação Nacional das</p><p>Secretárias e Secretários.</p><p>Art.20º. - Constituem infrações: a) transgredir preceitos deste Código;</p><p>b) exercer a profissão sem que esteja devidamente habilitado nos termos da</p><p>legislação específica; c) utilizar o nome da Categoria Profissional das</p><p>Secretárias e/ou Secretários para quaisquer fins, sem o endosso dos</p><p>Sindicatos de Classe, em nível Estadual e da Federação Nacional nas</p><p>localidades inorganizadas em Sindicatos e/ou em nível Nacional. Federação</p><p>Nacional das secretárias e secretários. Disponível em:</p><p>http://www.fenassec.com.br/b_osecretariado_codigo_etica.html</p><p>estabelecidos, podemos</p><p>definir indicadores de desempenho no nível corporativo e metas, e identificar as</p><p>competências necessárias para concretizar o desempenho esperado.</p><p>Depois, por meio de instrumentos de gestão do desempenho e de</p><p>outras ferramentas gerenciais, a organização pode identificar a sua lacuna de</p><p>competências, isto é, a discrepância entre as competências necessárias para</p><p>concretizar a estratégia da escola e as competências disponíveis internamente.</p><p>Feito esse diagnóstico, a escola pode planejar ações para captar e desenvolver</p><p>as competências de que necessita, bem como estabelecer planos de trabalho e</p><p>de gestão de pessoas. Finalmente, há uma etapa de avaliação, em que os</p><p>resultados alcançados são comparados com os que eram esperados, gerando</p><p>informações para retroalimentar o processo.</p><p>Carbone, Brandão e Leite (2005) comentam que identificar as</p><p>competências necessárias à consecução dos objetivos organizacionais</p><p>constitui uma das etapas mais importantes desse processo. Para essa</p><p>identificação, geralmente é realizada, primeiro, uma pesquisa documental, que</p><p>inclui a análise do conteúdo da missão, da visão de futuro, dos objetivos e de</p><p>outros documentos relativos à estratégia da organização da escola. Depois,</p><p>realiza-se a coleta de dados com pessoas-chave da escola, para que tais</p><p>dados sejam cotejados com a análise documental, conforme proposto por</p><p>Bruno-Faria e Brandão (2003). Podem ser utilizados, ainda, outros métodos e</p><p>técnicas de pesquisa, como a observação (participante ou não), entrevistas,</p><p>grupos focais e questionários.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>12</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Para descrever as competências humanas relevantes à organização da</p><p>escola, alguns autores sugerem a adoção de certos cuidados metodológicos.</p><p>Carbone, Brandão e Leite (2005), por exemplo, recomendam a descrição das</p><p>competências sob a forma de referenciais de desempenho, ou seja, de</p><p>comportamentos observáveis no trabalho. A descrição de uma competência</p><p>representaria um desempenho ou comportamento esperado, indicando o que o</p><p>profissional deve ser capaz de fazer. Baseando-se nas proposições de Mager</p><p>(1990) acerca da formulação de objetivos instrucionais, Carbone, Brandão e</p><p>Leite (2005) sugerem que o comportamento seja descrito utilizando-se um</p><p>verbo e um objeto de ação. A ele, pode ser acrescida uma condição na qual se</p><p>espera que o desempenho ocorra. A descrição, então, ficaria assim: "resolve</p><p>problemas de de preenchimento de fichas ou tabelas no computador, sem</p><p>precisar de orientação de terceiros". Pode-se incluir, ainda, um critério que</p><p>indique um padrão de qualidade satisfatório: "resolve problemas com exatidão</p><p>e qualidade".</p><p>A AVALIAÇÃO DE DESEMPENHO DA CARREIRA</p><p>A gestão do desempenho no trabalho caracteriza-se como subsistema</p><p>de gestão de pessoas. Envolve atividades de planejamento, acompanhamento</p><p>e avaliação do trabalho, tendo como objetivo principal, sob uma perspectiva</p><p>funcionalista, o aprimoramento do desempenho das pessoas (BRANDÃO e</p><p>GUIMARÃES, 2001). Como comentado anteriormente, Gilbert (1978) esclarece</p><p>que o desempenho humano é expresso em função dos comportamentos (ou</p><p>competências) que a pessoa manifesta e das realizações decorrentes desses</p><p>comportamentos. Em geral, as organizações têm procurado utilizar modelos de</p><p>gestão do desempenho que permitam avaliar concomitantemente esses dois</p><p>aspectos, pois avaliar somente o comportamento não garante a consecução do</p><p>resultado esperado, enquanto mensurar só os resultados pode induzir as</p><p>pessoas a adotarem comportamentos inadequados para alcançar a meta</p><p>desejada.</p><p>A avaliação de resultados geralmente é realizada de forma objetiva,</p><p>comparando-se resultados obtidos com metas quantitativas previamente</p><p>estipuladas. A avaliação dos comportamentos ou competências manifestas</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>13</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>pela pessoa, ao contrário, envolve certa subjetividade, à medida que se baseia</p><p>na observação do avaliador a respeito do avaliado. A percepção do avaliador</p><p>sobre o comportamento do avaliado muitas vezes é carregada de vieses, em</p><p>razão de fatores como preconceito, indulgência, severidade e leniência, entre</p><p>outros citados por Caetano (1996). Quando a avaliação é realizada por uma só</p><p>pessoa, por sua vez, é comum a ocorrência de distorções, como o exercício de</p><p>pressão e controle psicossocial no trabalho, conforme descrito por Pagès e</p><p>colaboradores (1993).</p><p>Considerando tais distorções e vieses, uma das discussões teóricas e</p><p>práticas realizadas sobre instrumentos de avaliação de desempenho se refere</p><p>aos atores envolvidos no processo, ou seja, diz respeito a quais e quantas</p><p>devem ser as fontes de avaliação. Nos últimos anos, para dar resposta a esse</p><p>dilema, começou a ser mais disseminada a utilização da "avaliação (ou</p><p>feedback) 360 graus", modelo que visa obter maior número de informações</p><p>sobre o desempenho de um funcionário, a partir da ampliação da quantidade</p><p>de pessoas que o avaliam (SILVA, 2001).</p><p>Nesse modelo, o funcionário é avaliado não apenas pelo seu superior</p><p>hierárquico, mas também por outros sujeitos que interagem com ele no seu</p><p>trabalho, como colegas da equipe, e pelo próprio funcionário (auto-avaliação).</p><p>O pressuposto é o de que a avaliação realizada por diversos atores é mais rica</p><p>e fidedigna do que aquela feita por uma única pessoa, sobretudo porque os</p><p>envolvidos passam a compartilhar a responsabilidade pelo processo e</p><p>eventuais distorções na percepção de um dos avaliadores se diluem nas</p><p>avaliações realizadas pelos demais. Assim, ao enriquecer a mensuração do</p><p>desempenho profissional, a avaliação 360 graus pode contribuir para tornar</p><p>mais preciso o diagnóstico de competências, considerado uma das principais</p><p>etapas da gestão por competências, conforme já comentado.</p><p>Confusões em torno do número de atores envolvidos e do termo mais</p><p>adequado para denominar esse modelo fez com que alguns autores</p><p>passassem a denominá-lo "avaliação por múltiplas fontes" (REIS, 2000). Em</p><p>essência, independentemente da terminologia adotada ou da quantidade de</p><p>avaliadores, a avaliação por múltiplas fontes apresenta vantagens e</p><p>desvantagens em relação aos métodos convencionais. Algumas dizem respeito</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>14</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>à obtenção de avaliações mais ricas e precisas, bem como à possibilidade de</p><p>gerar maior comprometimento dos envolvidos no processo. Entre as</p><p>desvantagens, é possível mencionar a complexidade operacional do modelo</p><p>(pela ampliação do número de avaliadores) e a possibilidade de, na auto-</p><p>avaliação, os funcionários se superavaliarem em benefício próprio (EDWARDS</p><p>e EWEN, 1996).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>15</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>ÉTICA E CIDADANIA: CONCEITOS, ETIMOLOGIA, SIGNIFICADO E</p><p>REFLEXÕES</p><p>Ethos – ética, em grego – designa a morada humana. O ser humano</p><p>separa uma parte do mundo para, moldando-a ao seu jeito, construir um abrigo</p><p>protetor e permanente. A ética, como morada humana, não é algo pronto e</p><p>construído de uma só vez. O ser humano está sempre tornando habitável a</p><p>casa que construiu para si. Ética significa, segundo Leonardo Boff (2007), “tudo</p><p>aquilo que ajuda a tornar melhor o ambiente para que seja uma moradia</p><p>saudável: materialmente sustentável, psicologicamente integrada e</p><p>espiritualmente fecunda” (p. 21).</p><p>A ética não se confunde com a moral. A moral é a regulação dos</p><p>valores e comportamentos considerados legítimos por uma determinada</p><p>sociedade, um povo, uma religião, certa tradição cultural, etc. Há morais</p><p>específicas, também,</p><p>em grupos sociais mais restritos: uma instituição, um</p><p>partido político. Há, portanto, muitas e diversas morais. Isto significa dizer que</p><p>uma moral é um fenômeno social particular, que não tem compromisso com a</p><p>universalidade, isto é, com o que é válido e de direito para todos os homens.</p><p>Exceto quando atacada: justifica-se dizendo-se universal, supostamente válida</p><p>para todos.</p><p>Mas, então, todas e quaisquer normas morais são legítimas? Não</p><p>deveria existir alguma forma de julgamento da validade das morais? Existe, e</p><p>essa forma é o que chamamos de ética. A ética é uma reflexão crítica sobre a</p><p>moralidade. Mas ela não é puramente teoria.</p><p>A ética é um conjunto de princípios e disposições voltados para a ação,</p><p>historicamente produzidos, cujo objetivo é balizar as ações humanas. A ética</p><p>existe como uma referência para os seres humanos em sociedade, de modo tal</p><p>que a sociedade possa se tornar cada vez mais humana.</p><p>A ética pode e deve ser incorporada pelos indivíduos, sob a forma de</p><p>uma atitude diante da vida cotidiana, capaz de julgar criticamente os apelos</p><p>críticos da moral vigente. Mas, a ética, tanto quanto a moral, não é um conjunto</p><p>de verdades fixas, imutáveis. A ética se move, historicamente, se amplia e se</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>16</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>adensa. Para entendermos como isso acontece na História da humanidade,</p><p>basta lembrarmos que, um dia, a escravidão foi considerada “natural”. Entre a</p><p>moral e a ética há uma tensão permanente: a ação moral busca uma</p><p>compreensão e uma justificação crítica universal, e a ética, por sua vez, exerce</p><p>uma permanente vigilância crítica sobre a moral, para reforçá-la ou transformá-</p><p>la.</p><p>A ética tem sido o principal regulador do desenvolvimento histórico-</p><p>cultural da humanidade. Sem ética, ou seja, sem a referência a princípios</p><p>humanitários fundamentais comuns a todos os povos, nações, religiões etc., a</p><p>humanidade já teria se despedaçado até à autodestruição. Também é verdade</p><p>que a ética não garante o progresso moral da humanidade. O fato de que os</p><p>seres humanos são capazes de concordar minimamente entre si sobre</p><p>princípios como justiça, igualdade de direitos, dignidade da pessoa humana,</p><p>cidadania plena, solidariedade etc., cria chances para que esses princípios</p><p>possam vir a ser postos em prática, mas não garante o seu cumprimento.</p><p>As nações do mundo já entraram em acordo em torno de muitos</p><p>desses princípios. A “Declaração Universal dos Direitos Humanos”, pela ONU</p><p>(1948), é uma demonstração de o quanto a ética é necessária e importante.</p><p>Mas, a ética não basta como teoria, nem como princípios gerais acordados</p><p>pelas nações, povos, religiões etc. Nem basta que as Constituições dos países</p><p>reproduzam esses princípios (como a Constituição Brasileira o fez, em 1988).</p><p>É preciso que cada cidadão e cidadã incorporem esses princípios como</p><p>uma atitude prática diante da vida cotidiana, de modo a pautar por eles seu</p><p>comportamento. Isso traz uma consequência inevitável: frequentemente o</p><p>exercício pleno da cidadania (ética) entra em colisão frontal com a moral</p><p>vigente... Até porque, a moral vigente, sob pressão dos interesses econômicos</p><p>e de mercado, está sujeita a constantes e graves degenerações.</p><p>Não só no Brasil se fala muito em ética, hoje. Mas, temos motivos de</p><p>sobra para nos preocuparmos com a ética no Brasil. O fato é que, em nosso</p><p>país, assistimos a uma degradação moral acelerada, principalmente na política.</p><p>Ou será que essa baixeza moral sempre existiu? Será que hoje ela está</p><p>apenas vindo a público? Uma ou outra razão, ou ambas, combinadas, são</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>17</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>motivos suficientes para uma reação ética dos cidadãos conscientes de sua</p><p>cidadania.</p><p>O tipo de desenvolvimento econômico vigente no Brasil tem gerado,</p><p>estrutural e sistematicamente, situações práticas contrárias aos princípios</p><p>éticos: gera desigualdades crescentes, injustiças, rompe laços de</p><p>solidariedade, reduz ou extingue direito, lança populações inteiras a condições</p><p>de vida cada vez mais indignas. E, tudo isso, convive com situações</p><p>escandalosas, como o enriquecimento ilícito de alguns, a impunidade de</p><p>outros, a prosperidade da hipocrisia política de muitos etc. Afinal, a hipocrisia</p><p>será de todos se todos não reagirem eticamente para fazer valer plenamente</p><p>os direitos civis, políticos e sociais proclamados por nossa Constituição:</p><p>Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:</p><p>construir uma sociedade livre, justa e solidária; garantir o desenvolvimento</p><p>nacional; erradicar a pobreza e a marginalização e reduzir as desigualdades</p><p>sociais e regionais; promover o bem de todos, sem preconceitos de origem,</p><p>raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação (Art. 3º da</p><p>CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA FEDERATIVA DO BRASIL, 1988).</p><p>Visitando um antigo cemitério, impressionou-me a inscrição, na lápide</p><p>de uma mulher, de um epitáfio colocado por sua família. Dizia: ‘Ela fez o que</p><p>pôde’. Acho que não existe melhor resumo para uma vida bem vivida, uma vida</p><p>eticamente vivida. Ela fez o que pôde. Mais não fez, porque mais não podia</p><p>fazer. Mas, e principalmente, isso: não fez menos do que podia fazer. Com o</p><p>quê, ganhou o respeito, a admiração e afeto de sua família e, certamente, de</p><p>muitas outras pessoas. Somos éticos quando fazemos, pelos outros, tudo o</p><p>que podemos fazer tudo o que está ao nosso alcance. Ética é isso, é a prática</p><p>do bem até o limite de nossas forças. Quando atingimos esse limite, temos a</p><p>satisfação do dever cumprido. Que é a primeira condição para chegarmos à</p><p>felicidade.</p><p>A falta de ética mais prejudica a quem tem menos poder (menos poder</p><p>econômico, menos poder cultural, menos poder político). A transgressão aos</p><p>princípios éticos acontece sempre que há desigualdade e injustiças na forma</p><p>de exercer o poder. Isso acentua ainda mais a desigualdade e a injustiça. A</p><p>falta ou a quebra da ética significa a vitória da injustiça, da desigualdade, da</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>18</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>indignidade, da discriminação. Os mais prejudicados são os mais pobres, os</p><p>excluídos.</p><p>A falta de ética prejudica o doente que compra remédios caros e falsos;</p><p>prejudica a mulher, o idoso, o negro, o índio, recusados no mercado de</p><p>trabalho ou nas oportunidades culturais; prejudica o trabalhador que tentar a</p><p>vida política; prejudica os analfabetos no acesso aos bens econômicos e</p><p>culturais; prejudica as pessoas com necessidades especiais (físicas ou</p><p>mentais) a usufruir da vida social; prejudica com a discriminação e a</p><p>humilhação os que não fazem a opção sexual esperada e induzida pela moral</p><p>dominante etc.</p><p>A atitude ética, ao contrário, é includente, tolerante e solidária: não</p><p>apenas aceita, mas também valoriza e reforça a pluralidade e a diversidade,</p><p>porque plural e diversa é a condição humana. A falta de ética instaura um</p><p>estado de guerra e de desagregação, pela exclusão. A falta de ética ameaça a</p><p>humanidade.</p><p>Contudo, aprofundando mais a conceituação da palavra,</p><p>etimologicamente, a palavra ética (ethos) é uma transliteração de dois termos</p><p>gregos ethos (çèïò – com eta inicial) e ethos (åèïò – com épsilon inicial). Essas</p><p>duas grafias de ethos existentes no grego dão origem a duas acepções</p><p>distintas dessa palavra. O ethos grafado com eta (ç) inicial designa a morada</p><p>do homem e do animal (zóon) em geral. Este sentido de um lugar de estada</p><p>permanente e habitual, de um abrigo protetor (morada), é a raiz semântica que</p><p>origina a significação do ethos como costume, estilo de vida e ação.</p><p>Por sua vez, o ethos com épsilon (å) inicial refere-se ao</p><p>comportamento que resulta de um constante repetir-se dos mesmos atos, um</p><p>comportamento que ocorre frequentemente, mas não sempre, tampouco em</p><p>decorrência de uma necessidade natural. O ethos expressa, nesse caso, uma</p><p>constância no agir contraposta ao impulso do desejo, denotando uma</p><p>orientação habitual para agir de certa maneira. Ele se desdobra, assim, como</p><p>espaço da formação do hábito, entendido como disposição permanente para</p><p>agir de acordo com os imperativos de realização do bem, tornando-se lugar</p><p>privilegiado de inscrição da praxis humana. Assim, tanto costume, quanto</p><p>hábito são construídos.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>19</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Estes dois vocábulos levam-nos a perceber que o espaço ético</p><p>humano instaura-se no reino da contingência (isto é, naquilo possível, naquilo</p><p>que pode ser necessário, ou naquilo livre e imprevisível, porque dá-se dentro</p><p>de possibilidades e probabilidades); enquanto que, a natureza está no domínio</p><p>da necessidade, porque ela é necessidade dada, sempre a sucessão do</p><p>mesmo.</p><p>A ética enquanto parte da Filosofia é um tipo de saber que se tenta</p><p>construir racionalmente, utilizando para tanto o rigor conceitual e os métodos</p><p>de análise e explicação da própria filosofia.</p><p>Como reflexão sobre as questões morais, a ética pretende desdobrar</p><p>conceitos e argumentos que permitam compreender a dimensão moral da</p><p>pessoa humana nessa sua condição moral, ou seja, sem reduzi-la a seus</p><p>componentes psicológicos, sociológicos, econômicos ou de qualquer outro tipo.</p><p>Podemos dizer que a ética, enquanto filosofia moral consegue explicar</p><p>o fenômeno moral, ou seja, consegue dar conta racionalmente da dimensão</p><p>moral humana e com isto, conseguimos alcançar um maior grau de</p><p>conhecimento de nós mesmos, por conseguinte, um grau maior de liberdade.</p><p>Como dizem Cortina e Martinez (2009, p. 9), nós filosofamos para</p><p>encontrar sentido para o que somos e fazemos, e buscamos sentido para</p><p>atender aos nossos anseios de liberdade, pois consideramos a falta de sentido</p><p>um tipo de escravidão.</p><p>Voltando à etimologia da palavra ética que vem do grego ethos, ela tem</p><p>seu correlato no latim morale, com o mesmo significado: conduta, ou relativo</p><p>aos costumes. Etimologicamente, ética e moral são palavras sinônimas.</p><p>Em diferentes éticas, desde a Grécia antiga, vários pensadores</p><p>debruçaram-se e versaram sobre a ética: os pré-socráticos, Aristóteles, os</p><p>Estóicos, os pensadores Cristãos (Patrísticos, escolásticos e nominalistas),</p><p>Kant, Espinoza, Nietzsche, Paul Tillich, e muitos outros.</p><p>Na filosofia, o campo que se ocupa da reflexão sobre a moralidade</p><p>humana recebe a denominação de ética. Esses dois termos, ética e moral, têm</p><p>significados próximos e, em geral, referem-se ao conjunto de princípios ou</p><p>padrões de conduta que regulam as relações dos seres humanos com o mundo</p><p>em que vivem (ARAÚJO, 2007).</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>20</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Uma educação ancorada em tais princípios, de acordo com Puig (1998,</p><p>p.15), deve converter-se em um âmbito de reflexão individual e coletiva que</p><p>permita elaborar racionalmente e autonomamente princípios gerais de valor,</p><p>princípios que ajudem a defrontar-se criticamente com realidades como a</p><p>violência, a tortura ou a guerra. De forma específica, para esse autor, a</p><p>educação ética e moral devem ajudar na análise crítica da realidade cotidiana e</p><p>das normas sócio-morais vigentes, de modo que contribua para idealizar</p><p>formas mais justas e adequadas de convivência.</p><p>Na linha de compreensão do papel da educação para a formação ética</p><p>dos seres humanos, Cortina (2003, p.113) entende que a educação do cidadão</p><p>e da cidadã deve levar em conta a dimensão comunitária das pessoas, seu</p><p>projeto pessoal e também sua capacidade de universalização, que deve ser</p><p>exercida dialogicamente, pois, dessa maneira, elas poderão ajudar na</p><p>construção do melhor mundo possível, demonstrando saber que são</p><p>responsáveis pela realidade social.</p><p>De forma específica, lidar com a dimensão comunitária, dialogar com a</p><p>realidade cotidiana e as normas sócio morais vigentes nos remete ao trabalho</p><p>com a diversidade humana, à abordagem e ao desenvolvimento de ações que</p><p>enfrentem as exclusões, os preconceitos e as discriminações advindos das</p><p>distintas formas de deficiência, e pelas diferenças sociais, econômicas,</p><p>psíquicas, físicas, culturais, religiosas, raciais, ideológicas e de gênero.</p><p>Conceber esse trabalho na própria comunidade onde está localizada a escola,</p><p>no bairro e no ambiente natural, social e cultural de seu entorno, é essencial</p><p>para a construção da cidadania efetiva (ARAÚJO, 2007).</p><p>CIDADANIA: CONCEITO E SIGNIFICADO</p><p>... que cada "cidadão" possa tornar-se "governante". (GRAMSCI, 2006,</p><p>C 12, § 2, p. 50).</p><p>A Constituição de 1988, por sinal, também chamada de "Constituição</p><p>cidadã", em seu art. 1o, define o Brasil como um Estado Democrático de Direito</p><p>que tem na "cidadania" um de seus fundamentos (inciso II). A lei não enuncia</p><p>explicitamente o que vem a ser essa cidadania, porém, depreende-se de sua</p><p>leitura que o termo é utilizado em dois sentidos: como sinônimo de</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>21</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>nacionalidade e como condição que possibilita o exercício de direitos e</p><p>deveres.</p><p>No primeiro sentido, a cidadania é reconhecida a partir de dois</p><p>princípios básicos: o jus soli (do latim: direito de solo) e o jus sanguinis (direito</p><p>de sangue). Pelo jus soli, a cidadania ou nacionalidade é atribuída a uma</p><p>pessoa de acordo com o local de seu nascimento. Diz-se, por exemplo: "Todas</p><p>as pessoas nascidas no Brasil têm cidadania brasileira". Por sua vez, pelo jus</p><p>sanguinis, o critério de cidadania é dado pela ascendência da pessoa, isto é,</p><p>pela nacionalidade de seus pais. Nesse sentido, diz-se: "Fulano nasceu e vive</p><p>no exterior, mas, como é filho de brasileiros, adquiriu cidadania brasileira".</p><p>O segundo sentido, que é o que nos interessa aqui, está diretamente</p><p>ligado ao primeiro. Uma vez reconhecida a cidadania no sentido do</p><p>pertencimento a um determinado país, a um Estado, o cidadão se torna</p><p>beneficiário de certos direitos e submetido a certos deveres fixados e</p><p>garantidos por esse mesmo Estado. No caso do Brasil, a Constituição</p><p>estabelece como direitos e deveres de todo cidadão: a vida, a liberdade, a</p><p>igualdade, a segurança, a propriedade (art. 5o), a educação, a saúde, a</p><p>alimentação, o trabalho, a moradia, o lazer, a segurança, a previdência social,</p><p>a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados (art.</p><p>6o.), a soberania popular, o sufrágio universal, o voto direto e secreto (art. 14),</p><p>entre outros. É esse o significado que se atribui ao termo cidadania quando se</p><p>diz, por exemplo, "Votar é uma questão de cidadania" (é exercer um direito e</p><p>um dever de cidadão), ou quando o próprio texto constitucional determina, em</p><p>seu art. 205, que "a educação deve preparar os jovens para o exercício da</p><p>cidadania" (prepará-los para que conheçam seus direitos e deveres, exijam o</p><p>respeito aos primeiros e cumpram com responsabilidade os segundos). A Carta</p><p>Magna, porém, não esclarece de que forma a educação deve cumprir essa</p><p>missão, tarefa que será reservada à legislação específica.</p><p>Em seu sentido tradicional, a cidadania expressa um conjunto de</p><p>direitos e de deveres que permite aos cidadãos e cidadãs o direito de participar</p><p>da vida política e da vida pública, podendo votar e serem votados, participando</p><p>ativamente na elaboração das leis e do exercício de funções públicas, por</p><p>exemplo.</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>22</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>Hoje, no entanto, o significado da cidadania assume contornos mais</p><p>amplos, que extrapolam o sentido de apenas atender às necessidades políticas</p><p>e sociais, e assume como objetivo a busca por condições que garantam uma</p><p>vida digna às pessoas.</p><p>Entender a cidadania a partir da redução do ser humano às suas</p><p>relações sociais e políticas não é coerente com a multidimensionalidade que</p><p>nos caracteriza e com a complexidade das relações que cada um e todas as</p><p>pessoas estabelecem com o mundo à sua volta. Deve-se buscar compreender</p><p>a cidadania também sob outras perspectivas, por exemplo, considerando a</p><p>importância que o desenvolvimento de condições físicas, psíquicas, cognitivas,</p><p>ideológicas, científicas e culturais exerce na conquista de uma vida digna e</p><p>saudável para todas as pessoas (ARAÚJO, 2007).</p><p>Tal tarefa, complexa por natureza, pressupõe a educação de todos</p><p>(crianças, jovens e adultos), a partir de princípios coerentes com esses</p><p>objetivos, e com a intenção explícita de promover a cidadania pautada na</p><p>democracia, na justiça, na igualdade, na equidade e na participação ativa de</p><p>todos os membros da sociedade nas decisões sobre seus rumos. Dessa</p><p>maneira, pensar em uma educação para a cidadania torna-se um elemento</p><p>essencial para a construção da democracia social.</p><p>Concordamos com Araújo (2007) que é preciso entender que tal forma</p><p>de educação deve visar, também, ao desenvolvimento de competências para</p><p>lidar com: a diversidade e o conflito de ideias, as influências da cultura e os</p><p>sentimentos e emoções presentes nas relações do sujeito consigo mesmo e</p><p>com o mundo à sua volta.</p><p>Uma questão a ser apontada é que atualmente as crianças e os</p><p>adolescentes vão à escola para aprender as ciências, a língua, a matemática, a</p><p>história, a física, a geografia, as artes, e apenas isso. Não existe o objetivo</p><p>explícito de formação ética e moral das futuras gerações. A escola, enquanto</p><p>instituição pública criada pela sociedade para educar as futuras gerações, deve</p><p>se preocupar também com a construção da cidadania, nos moldes que</p><p>atualmente a entendemos. Se os pressupostos atuais da cidadania têm como</p><p>base a garantia de uma vida digna e a participação na vida política e pública</p><p>para todos os seres humanos e não apenas para uma pequena parcela da</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>23</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>população, essa escola deve ser democrática, inclusiva e de qualidade, para</p><p>todas as crianças e adolescentes. Para isso, devem promover, na teoria e na</p><p>prática, as condições mínimas para que tais objetivos sejam alcançados na</p><p>sociedade.</p><p>Para Araújo (2007), os valores não são nem ensinados, nem nascem</p><p>com as pessoas. Eles são construídos na experiência significativa que as</p><p>pessoas estabelecem com o mundo.</p><p>Essa construção depende diretamente da ação do sujeito, dos valores</p><p>implícitos nos conteúdos com que interage no dia-a-dia e da qualidade das</p><p>relações interpessoais estabelecidas entre o sujeito e a fonte dos valores.</p><p>Buscando atingir amplos espectros de atuação, devemos entender que</p><p>o trabalho de educação em valores que visam à construção da cidadania pode</p><p>abarcar quatro grandes eixos temáticos que, de maneira geral, configuram</p><p>campos principais de preocupação da ética e da democracia nos dias atuais</p><p>(ARAÚJO, 2007). Dentre esses eixos temos a ética, a convivência democrática,</p><p>os direitos humanos, a inclusão social e a própria cidadania.</p><p>De início, é importante lembrar que se atribui a origem da cidadania à</p><p>época da Grécia antiga, cuja polis era composta de homens livres com</p><p>participação política numa emergente democracia, na qual cidadão era o</p><p>indivíduo morador da cidade e participante ativo dos tratados e de decisões</p><p>políticas da polis. Já na sociedade romana a noção de cidadania emergiu</p><p>subordinada a uma divisão que se fazia entre as diferentes castas sociais, os</p><p>romanos livres dividiam-se entre patrícios e plebeus, em que só os nobres</p><p>possuíam tal cidadania ativa com o direito de participar dos atos políticos e de</p><p>ocupar os postos relevantes da administração pública, mas as mulheres da</p><p>nobreza não possuíam essa cidadania em nenhuma das hipóteses.</p><p>Historicamente, no período feudal, deixou-se de lado a prática da</p><p>cidadania, que voltou a ser exercida aos poucos no sec. XV com a ascensão</p><p>da burguesia na luta contra o feudalismo. Entretanto, só quando os burgueses</p><p>e proletariados já não suportavam mais as injustiças dos monarcas e da</p><p>nobreza europeia, foram que as revoluções burguesas, a partir do sec. XVII,</p><p>retomaram o saber agir da cidadania, consolidando uma forma de resistência</p><p>da modernidade europeia para fazer frente às ingerências da monarquia</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>24</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>aristocrática. De partida, a revolução na Inglaterra em 1688 impôs à monarquia</p><p>a perda de muito dos seus poderes absolutistas e os burgueses passaram a</p><p>predominar no parlamento do país, logo, influenciadas por essa luta colônias</p><p>inglesas e outras nações europeias promoveram revoluções semelhantes no</p><p>século seguinte.</p><p>Já em 1789, durante a revolução francesa, surgiu a concepção de</p><p>cidadania que simbolizava a igualdade de todos e repudiava monopólios de</p><p>poder político, mas, ao final, o sentido do termo cidadania acabou sendo</p><p>empregado para garantir apenas a superioridade de novos privilegiados, não</p><p>mais os monarcas e a nobreza, mas a própria burguesia europeia. Em 1791</p><p>com a 1ª Constituição Francesa aprovada, constatou-se que a ideia de</p><p>cidadania encontrava-se desconfigurada em face dos preceitos revolucionários</p><p>franceses ao resgatar o antigo conceito romano, estabelecendo que apenas o</p><p>cidadão ativo tinha o direito de participar da vida política e de ocupar altos</p><p>cargos públicos; ou seja, eram os burgueses que excluía o proletário vivendo</p><p>de sua força de trabalho. De toda forma, foi a Declaração dos Direitos do</p><p>Homem e do Cidadão que influenciou materialmente outros povos a buscarem</p><p>a liberdade, a igualdade, as garantias liberais, e o direito de propriedade para</p><p>os seus indivíduos e compatriotas.</p><p>Vale dizer que o Manifesto Comunista de Marx e Engels, publicado em</p><p>1848, foi o documento político mais importante na crítica ao regime liberal</p><p>burguês. A partir dele formou-se uma nova concepção de Estado e sociedade,</p><p>surgindo também outras correntes político-filosóficas e sistemas normativos de</p><p>direitos, como a Constituição Mexicana de 1917, que, pioneiramente,</p><p>sistematizou um conjunto de direitos sociais do homem e cidadão, porém sem</p><p>romper com o capitalismo da época; e no caso da Constituição Alemã de 1919,</p><p>o seu texto incluía os direitos da pessoa humana, e os da vida social,</p><p>econômica e religiosa, como da educação e da instituição escolar.</p><p>Contudo, só após a 2ª guerra mundial, com a Declaração Universal dos</p><p>Direitos Humanos, instituída pelas Nações Unidas (ONU) em 1948, é que todos</p><p>os indivíduos foram considerados livres e iguais em dignidade e direitos à parte</p><p>de qualquer tipo de exclusão social ou cultural, reconhecendo a dignidade</p><p>humana com justiça e paz, o direito de resistência à opressão da liberdade, e o</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>25</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>ideal democrático com base no progresso econômico e sociocultural,</p><p>enfatizando a concepção integrada de todos esses direitos. A partir disso, o</p><p>conceito de cidadania foi sendo ampliado, passando a incorporar uma série de</p><p>valores sociais que determinaram ao longo do tempo um conjunto de direitos e</p><p>deveres fundamentais para os sujeitos da vida social.</p><p>Enfim, nessa esteira histórica e política, o conceito de cidadania</p><p>apresenta-se hoje muito mais abrangente do que a simples tradução do direito</p><p>de votar e ser votado, atualizando-se na efetiva participação dos sujeitos nos</p><p>rumos da vida em sociedade e reconhecendo, inclusive, autonomias e</p><p>diferenças culturais do seu povo para emancipar-se. Portanto,</p><p>a cidadania</p><p>plena deve e pode abarcar a promoção e a eficácia social dos direitos</p><p>fundamentais da pessoa humana, tendo em vista os pilares democráticos do</p><p>Estado de Direito sobre os quais a sociedade e seus sujeitos se alicerçam para</p><p>que possam viver dignamente (HENRIQUES, 2011).</p><p>Dentre esses direitos fundamentais podem ser arrolados o respeito à</p><p>integridade humana para ter uma vida digna e de superação individual, de não</p><p>sofrer qualquer forma de violência, de não ser forçado a viver em situação</p><p>degradante, e de não ser excluído protegendo os seus direitos de cidadão; a</p><p>partir daí, temos, então, o direito à moradia para um abrigo, a terra para uma</p><p>subsistência familiar, ao trabalho para o devir dos potenciais humanos, e de</p><p>acesso a um meio ecologicamente saudável e sustentável. Além disso, temos o</p><p>direito à saúde não só pela ausência de doenças, mas pelo bem-estar de</p><p>todos, à educação para participar incisivamente nos assuntos de interesse</p><p>comum, e o de usufruir de serviços públicos universais, igualitários, e</p><p>equitativos; daí a necessidade de políticas públicas para a garantia e proteção</p><p>de todos esses direitos para que as pessoas possam deles gozar em sua</p><p>plenitude.</p><p>Em que pesem os deveres do cidadão, o mais importante é o de ser o</p><p>próprio fomentador da garantia e efetividade de tais direitos, isto é, de ter</p><p>responsabilidade mútua no cumprimento de propostas e metas elaboradas e</p><p>decididas coletivamente, como integrar-se aos movimentos sociais para</p><p>pressionar as diversas esferas de governo e organismos internacionais</p><p>pactuados com a cidadania dos povos e seus direitos sociais. Daí, porque só</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>26</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>existirá cidadania plena se houver prática reivindicatória dos direitos, que deve</p><p>ser precedida pelo seu reconhecimento e apropriação por parte de todos os</p><p>sujeitos envolvidos como uma garantia de direitos e deveres a exercer,</p><p>passando pelo dever de reconhecer e fazer valer tais direitos, pois, em vez de</p><p>meros receptores os mesmos devem ser sujeitos de transformação social e</p><p>daquilo que podem construir e conquistar (HENRIQUES, 2011; MANZINI,</p><p>2007).</p><p>Apesar de ser imprescindível que todos tenham acesso a bens de</p><p>consumo para ter uma vida digna, não se pode prescindir dos direitos do</p><p>cidadão e de suas práticas reivindicatórias, inclusive para que os sujeitos de</p><p>direito possam lutar pelo acesso igualitário a bens e serviços necessários a um</p><p>bom viver. Aliás, quando se fala da ascensão da camada pobre brasileira em</p><p>razão de sua atual entrada no mercado de consumo, adquirindo bens antes</p><p>inacessíveis ao seu poder de compra, não se atém que a significativa ascensão</p><p>desta ou de outra camada social da população se dá através do exercício pleno</p><p>da cidadania, que passa antes pelo reconhecimento dos seus direitos e</p><p>deveres como ao acesso a uma educação de qualidade.</p><p>A luta por direitos do cidadão na conquista de uma vida social digna</p><p>passa ao largo da reificação das mercadorias de consumo, como a inserção</p><p>dos sujeitos à sociedade não deve ser condicionada à propriedade desses ou</p><p>daqueles bens de consumo, mas à sua capacidade de interferir e participar dos</p><p>rumos de suas coletividades na busca de uma melhoria da qualidade de vida</p><p>dos cidadãos. A cidadania deve, de fato, conhecer e promover os direitos</p><p>fundamentais, envolvendo a proteção da autonomia dos sujeitos, a atenção de</p><p>suas necessidades básicas, e a preservação da sociedade a qual pertencem;</p><p>enfim, a cidadania plena é aquela que almeja a transformação da realidade e</p><p>faz do cidadão um ativo protagonista que reconhece e reclama os seus direitos</p><p>e deveres fundamentais, bem como o seu direito de viver dignamente seja no</p><p>âmbito de sua subjetividade seja no contexto de sua vida em sociedade.</p><p>Ademais, a cidadania plena expressa de um lado o direito de participar</p><p>de plebiscitos ou referendos, de propositura de certas ações judiciais, e de</p><p>apresentar projetos de lei por meio da iniciativa popular, e, por outro lado, o</p><p>dever de participar dos fóruns de consulta pública e de decisão política sobre</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>27</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>os direitos sociais da educação e da saúde, bem como sobre as garantias</p><p>fundamentais para os mais vulneráveis às fragilidades da vida social humana.</p><p>Logo, o cidadão tem o direito e o dever de expressar livremente suas opiniões,</p><p>valores e interesses, na medida em que a sociedade é fruto das demandas</p><p>potenciais da vida coletiva e democrática, devendo ser sempre pactuadas para</p><p>evitar conflitos desnecessários e assegurar aos sujeitos as mesmas</p><p>possibilidades para a participação de todos, garantindo o dever do sujeito de</p><p>exercer sua cidadania plena, a fim de que os direitos não se reduzam a</p><p>privilégios de alguns.</p><p>CIDADANIA COMO PRÁTICA DO COTIDIANO</p><p>O objeto de discussão que ampliamos e aprofundamos é, pois, a</p><p>cidadania como prática cotidiana. Sem desmerecer a importância de outros</p><p>aspectos da cidadania (os direitos e deveres econômicos, políticos e sociais; o</p><p>multiculturalismo interativo; a mudança social e a luta pela justiça), entendemos</p><p>que, nos dias atuais, o conceito pode e deve ser estendido a uma série de</p><p>experiências e vivências dos indivíduos.</p><p>Nessa perspectiva, valoriza-se a forma como cada pessoa atribui</p><p>sentidos às experiências de cidadania do dia a dia, engajando-se das mais</p><p>variadas formas em práticas sociais e refletindo compreensões muito próprias</p><p>do que significa ser um cidadão/cidadã.</p><p>Tal concepção se apoia em teorizações desenvolvidas nos últimos</p><p>anos por pesquisadores europeus para os quais a cidadania deve ser</p><p>trabalhada, do ponto de vista pedagógico, como um processo e uma prática do</p><p>cotidiano. Nessa dinâmica, os educandos continuamente têm oportunidades de</p><p>atribuir significados às suas práticas e de construir uma compreensão própria</p><p>do que significa ser um cidadão nos âmbitos local e global, a partir de uma</p><p>postura de contestação e questionamento dos contextos sociopolíticos e</p><p>culturais (SMITH; LISTER; MIDDLETON; COX, 2005; BIESTA; LAWY; KELLY,</p><p>2009).</p><p>Segundo Biesta (2011), essa postura tende a ser inclusiva,</p><p>especialmente se comparada a visões de cidadania que valorizam, por</p><p>exemplo, a inserção socioeconômica do indivíduo ou sua dedicação a causas</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>28</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>sociais como condições de identificação cidadã. Ao estabelecer condições que</p><p>deixam à margem uma grande quantidade de pessoas, essas visões realizam</p><p>um movimento de exclusão e não valorizam a capacidade que cada ser</p><p>humano tem de responder ao que ele percebe serem apelos no campo da</p><p>cidadania. Ressaltamos que grande parte desses apelos podem ser forjados</p><p>em ambiente escolar, e daí a importância de estar sempre pensando a</p><p>cidadania como categoria essencial do currículo.</p><p>Reconhecer e valorizar a percepção de cada indivíduo no ato de</p><p>atribuir sentidos à cidadania, em nossa concepção, tem muito mais valor do</p><p>que simplesmente investigar que requisitos são estabelecidos pelo sistema</p><p>para definir quem pode estar do lado de dentro da fronteira ou quem é relegado</p><p>à zona de exclusão como cidadão ou cidadã. Afinal de contas, cidadania não é</p><p>um status a ser conquistado por quem assimila e incorpora em sua prática</p><p>certos padrões de comportamento, mas sim uma forma de ser e estar no</p><p>mundo que desde sempre transparece na existência dos indivíduos.</p><p>Uma das vantagens de se tratar a cidadania como prática do cotidiano</p><p>consiste na flexibilidade que tal aproximação permite (BIESTA, 2011).</p><p>Primeiramente, há flexibilidade em termos de quem pode ser considerado</p><p>cidadão, como já foi mencionado anteriormente. Em segundo lugar, há</p><p>flexibilidade no que se</p><p>refere ao objeto da prática cidadã. Em outras palavras, a</p><p>cidadania como prática cotidiana é capaz de acomodar desde demandas ou</p><p>sentidos universais (ou quase), passando por demandas articuladas por grupos</p><p>específicos, e chegando até as vivências e sentidos construídos</p><p>individualmente por cada praticante. Essa flexibilidade torna-se importante</p><p>porque concede aos sujeitos praticantes um espaço para lutar por seus direitos</p><p>e por justiça, seja através de um processo dialógico de troca argumentativa ou</p><p>mesmo de ações desafiadoras de protesto (greves, passeatas, ocupações de</p><p>terra, entre outras).</p><p>A CONVIVÊNCIA DEMOCRÁTICA E O CONFLITO NA EDUCAÇÃO</p><p>Na Educação, para que haja transformações significativas, é preciso</p><p>que os profissionais da comunidade escolar estejam em sintonia, visando um</p><p>desenvolvimento articulado do trabalho. Este aspecto tem como base as</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>29</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>proposições elaboradas pela comissão internacional sobre educação para o</p><p>século XXI, que culminou com o relatório para a UNESCO. Nele, Delors (1999)</p><p>apresenta os quatro pilares da educação, sendo que um deles se refere ao</p><p>Aprender a Ser.</p><p>Atendendo a esse aspecto, a escola precisa ter um ambiente propício</p><p>para desenvolvimento da Omnidimensionalidade do ser, pois, se o ambiente</p><p>escolar for agradável, o aluno possivelmente poderá reproduzi-lo fora da</p><p>escola, mas, se este ambiente for desagradável e conflituoso, ele também</p><p>poderá agir de forma inadequada, reproduzindo as ações que observou</p><p>(SILVA, 2008).</p><p>O conflito é uma parte natural de nossas vidas. A maioria das teorias</p><p>interacionistas em filosofia, psicologia e educação está alicerçada no</p><p>pressuposto de que nos constituímos e somos constituídos a partir da relação</p><p>direta ou mediada com o outro. Nessa relação, nos deparamos com as</p><p>diferenças e semelhanças que nos obrigam a comparar, descobrir,</p><p>ressignificar, compreender, agir, buscar alternativas e refletir sobre nós</p><p>mesmos e sobre os demais. O conflito torna-se, portanto, a matéria-prima para</p><p>nossa constituição psíquica, cognitiva, afetiva, ideológica e social (ARANTES,</p><p>2007).</p><p>A resolução satisfatória de um conflito exige que nos afastemos do</p><p>nosso próprio ponto de vista para contemplarmos, simultaneamente, outros</p><p>pontos de vista diferentes e, muitas vezes, opostos aos nossos. Exige-nos,</p><p>ainda, a elaboração de fusões criativas entre os diferentes pontos de vista. Tal</p><p>processo implica, necessariamente, operações de reciprocidade e síntese entre</p><p>as diferenças. Para tanto, faz-se necessário analisar a situação enfrentada,</p><p>expor adequadamente o problema e buscar soluções que permitam resolvê-lo</p><p>de maneira satisfatória para os envolvidos. Tudo isso requer um processo de</p><p>aprendizagem que nosso sistema educativo parece não contemplar.</p><p>Ora, uma formação que visa à construção de valores de democracia e</p><p>de cidadania não pode ignorar os conflitos pessoais e sociais vividos por seus</p><p>atores, mas deve, sim, conceder um lugar relevante às relações interpessoais.</p><p>Concebendo os conflitos interpessoais como um conteúdo essencial para a</p><p>formação psicológica e social dos seres humanos, um caminho profícuo para a</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>30</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>construção de sociedades e culturas mais democráticas e sensíveis à ética nas</p><p>relações humanas seria introduzir o trabalho sistematizado com conflitos no</p><p>cotidiano escolar (ARANTES, 2007).</p><p>Vale ressaltar que, apesar de bastante difundida em todo o mundo, a</p><p>maioria das propostas de resolução de conflitos, tal como sinalizou Schinitman</p><p>(1999), utiliza arbitragens, mediações, negociações e terapias, baseando-se</p><p>em modelos tradicionais que parecem atuar mais sobre objetivos específicos e</p><p>práticos e pautarem-se em pressupostos dicotômicos de ganhar e perder nas</p><p>resoluções.</p><p>Em outra direção, surgem novos paradigmas em resolução de conflitos</p><p>que, com base na comunicação e em práticas discursivas e simbólicas,</p><p>promovem diálogos transformativos. Tais propostas rechaçam a ideia de que</p><p>em um conflito sempre há ganhadores e perdedores e defendem a construção</p><p>de interesses comuns e uma coparticipação responsável. Incrementando o</p><p>diálogo e a participação coletiva em decisões e acordos participativos, essas</p><p>propostas permitem aumentar a compreensão, o respeito e a construção de</p><p>ações coordenadas que considerem as diferenças.</p><p>Puig (2000, p. 33) entende que uma escola democrática define-se pela</p><p>participação do alunado e do professorado no trabalho, na convivência e nas</p><p>atividades de integração. Uma escola democrática, porém, deve possibilitar a</p><p>participação como um envolvimento baseado no exercício da palavra e no</p><p>compromisso da ação. Quer dizer, uma participação baseada simultaneamente</p><p>no diálogo e na realização dos acordos e dos projetos coletivos.</p><p>Dessa maneira, a escola precisa construir espaços de diálogo e de</p><p>participação no dia-a-dia de suas atividades curriculares e não-curriculares, de</p><p>forma a permitir que estudantes, docentes e a comunidade se tornem atores e</p><p>atrizes efetivos, de fato, da construção da cidadania participativa. Experiências</p><p>como as das assembleias escolares, dos grêmios estudantis e dezenas de</p><p>outros modelos de práticas de cidadania, que vêm sendo implementados em</p><p>escolas públicas e privadas de todo o País, fornecem a matéria-prima para</p><p>que, de forma democrática, os conflitos cotidianos sejam enfrentados nas</p><p>escolas, permitindo a construção de valores de ética e de cidadania por parte</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>31</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>dos membros da comunidade que vivem dentro e no entorno escolar</p><p>(ARAÚJO, 2007).</p><p>Como diz Silva (2008), nos conflitos existentes dentro da escola</p><p>acontece um agravante: o desenvolvimento da gestão escolar, que pode</p><p>contribuir para diminuir estes abismos entre os profissionais ou pode acentuar</p><p>e até mesmo propiciar um ambiente em que ele se agrave.</p><p>O local em que se realiza a educação sistematizada precisa ser o</p><p>ambiente mais propício possível à prática da democracia. Por isso, na</p><p>realização da educação escolar, a coerência entre meios e fins exige que tanto</p><p>a estrutura didática quanto a organização do trabalho no interior da escola</p><p>estejam dispostas de modo a favorecer relações democráticas. Esses são</p><p>requisitos importantes para que uma gestão escolar, pautada em princípios de</p><p>cooperação humana e solidariedade possam concorrer tanto para ética quanto</p><p>para a liberdade, componentes imprescindíveis de uma educação de qualidade</p><p>(PARO, 2001).</p><p>CIDADANIA: VIVENDO E APRENDENDO</p><p>Aprender a ser cidadão e a ser cidadã é, entre outras coisas, aprender</p><p>a agir com respeito, solidariedade, responsabilidade, justiça, não-violência,</p><p>aprender a usar o diálogo nas mais diferentes situações e comprometer-se com</p><p>o que acontece na vida coletiva da comunidade e do país. Esses valores e</p><p>essas atitudes precisam ser aprendidos e desenvolvidos pelos estudantes e,</p><p>portanto, podem e devem ser ensinados na escola.</p><p>Para que os estudantes possam aprender e assumir os princípios</p><p>éticos, são necessários pelo menos dois fatores:</p><p>1) Que os princípios se expressem em situações reais, nas quais possam</p><p>ter experiências e nas quais possam conviver com a sua prática.</p><p>2) Que haja um desenvolvimento da sua capacidade de autonomia moral,</p><p>isto é, da capacidade de analisar e eleger valores para si, consciente e</p><p>livremente.</p><p>Outro aspecto importante a ser considerado nesse processo é o papel</p><p>ativo dos sujeitos da aprendizagem, estudantes e docentes, que interpretam e</p><p>INE EAD – INSTITUTO NACIONAL DE ENSINO</p><p>TÓPICOS EM SECRETARIA ESCOLAR</p><p>32</p><p>WWW.INSTITUTOINE.COM.BR – (31) 3272-9521</p><p>conferem sentido aos conteúdos</p>