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<p>FORMAÇÃO CIDADÃ</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>AULA 1</p><p>Prof. Mauro Seigi Hashimoto</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Seja bem-vindo(a)! Os conteúdos aprofundados neste estudo trazem</p><p>uma série de informações importantes, pois os desafios para alcançarmos</p><p>uma formação completa com conhecimentos gerais e técnicos são</p><p>inúmeros.</p><p>Nesta etapa, veremos o que são competências e os principais</p><p>conceitos. Vamos entender o que é CHAVE e sua importância para o</p><p>desenvolvimento profissional. Também veremos o que são hard skills e soft</p><p>skills. E, por fim, veremos que emoções e valores são essenciais para o</p><p>desenvolvimento de competências e para a formação humana e</p><p>profissional do estudante.</p><p>Então, confira o material, acesse as videoaulas e não deixe de</p><p>acompanhar as indicações para aprofundar seu conhecimento.</p><p>Bons estudos!</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>Você deve estar se perguntando: por que iremos estudar o tema</p><p>competências?</p><p>Primeiramente você deve saber que a educação superior deve ter em</p><p>seu escopo a formação cidadã, desenvolvendo o compromisso ético,</p><p>político e social de seus estudantes. Espera-se que o indivíduo/estudante</p><p>se desenvolva à medida que estuda e aprende. Nesse processo, ele deve</p><p>conscientizar-se enquanto percorre o trajeto de sua formação acadêmica e</p><p>profissional.</p><p>A maioria dos cursos de graduação no Brasil incluíram em seus</p><p>currículos o desenvolvimento de competências, ou seja, além de transmitir</p><p>conhecimento, saberes e práticas próprias da área profissional, a formação</p><p>acadêmica também tem como meta o desenvolvimento de competências</p><p>dos estudantes.</p><p>Nesse cenário, o Enade (Exame Nacional de Desempenho dos</p><p>Estudantes) confirma essa tendência ao avaliar os estudantes em diversos</p><p>aspectos de sua formação acadêmica, privilegiando o desenvolvimento de</p><p>competências. É importante saber que o Enade avalia o nível de formação</p><p>do estudante de acordo com o perfil profissional desejado para o curso e a</p><p>trajetória acadêmica que ele deve percorrer. A avaliação não se limita ao</p><p>domínio de conteúdos, conhecimentos e habilidades, mas também</p><p>considera o desenvolvimento de competências essencial para a atuação</p><p>profissional e a compreensão crítica e contextualizada de diversos temas.</p><p>Com isso é importante que você como estudante tenha uma formação</p><p>completa, para enfrentar com segurança todos os desafios do universo</p><p>acadêmico e profissional.</p><p>TEMA 1 – CONCEITO DE COMPETÊNCIAS</p><p>Iniciando nossos estudos, vamos entender o que é competência, ver</p><p>alguns conceitos e como esse termo é utilizado na prática. Então, vamos</p><p>começar?</p><p>O termo competência surgiu na Idade Média, aproximadamente no</p><p>final do século XV, na linguagem jurídica. Foi utilizado para expressar a</p><p>legitimidade e a autoridade que as instituições detinham para tratar certos</p><p>assuntos. Era o poder conferido ao tribunal para julgar determinados</p><p>problemas.</p><p>No século XX, o termo passou a ser utilizado em outros contextos,</p><p>como a educação e a gestão de recursos humanos. Na educação, a</p><p>competência passou a ser entendida como a capacidade de um indivíduo</p><p>de realizar uma tarefa ou atividade de forma eficaz. Já na gestão de</p><p>recursos humanos, a competência passou a ser concebida como o</p><p>conjunto de conhecimentos, habilidades e atitudes que um indivíduo</p><p>precisa ter para desempenhar uma determinada atividade profissional.</p><p>Atualmente, o termo competência é utilizado em diversos contextos,</p><p>além da educação e da gestão de recursos humanos, como a psicologia, a</p><p>filosofia, a sociologia, a administração etc. É um termo que se tornou</p><p>essencial para a compreensão do desempenho humano em diferentes</p><p>esferas da vida.</p><p>Especificamente no âmbito empresarial, o termo competência</p><p>começou a ser utilizado na década de 1970 para designar a capacidade de</p><p>uma pessoa de realizar uma tarefa de trabalho de forma eficiente. Desde</p><p>então, esse termo tornou-se cada vez mais popular e, atualmente,</p><p>praticamente toda proposta de desenvolvimento ou formação profissional</p><p>está baseada em competências. Desse modo, é muito comum no mundo</p><p>empresarial a chamada gestão por competências (Zabala; Arnau, 2014).</p><p>Por muito tempo a formação profissional nas universidades era focada</p><p>na aprendizagem de determinados conhecimentos específicos e, de certa</p><p>forma, acabava ignorando as habilidades para o desenvolvimento da</p><p>profissão. Esperava-se que as habilidades práticas fossem desenvolvidas no</p><p>próprio ambiente de trabalho. Ficava a cargo dos estágios supervisionados.</p><p>Para você entender, o ensino tradicional é organizado em blocos de</p><p>conhecimentos e uma forma de visualizar isso é como as provas de</p><p>diversos concursos são organizadas, geralmente em torno de</p><p>conhecimentos específicos de cada profissão. Isso faz com que os</p><p>conteúdos das disciplinas sejam muito conceituais e geralmente distantes</p><p>da prática profissional.</p><p>As práticas de ensino e aprendizagem estão sempre se atualizando e,</p><p>segundo Zabala e Arnau (2014), a introdução das competências no ensino</p><p>superior é motivada principalmente por três fatores.</p><p>1. As mudanças na própria universidade. Nesse processo de mudanças</p><p>existem diversos pontos de vista sobre a extensão e as características</p><p>das diferentes áreas universitárias, mas o fato é que os conteúdos</p><p>dos diversos cursos universitários estão sendo configurados em torno</p><p>das competências e essa tendência é inevitável.</p><p>2. A pressão social para que as aprendizagens sejam funcionais. Isso</p><p>força a introdução das competências. É cada vez mais evidente que</p><p>muitos indivíduos formados não sabem utilizar, em problemas reais,</p><p>os conhecimentos que adquiriram na graduação, sejam esses</p><p>problemas do dia a dia, sejam profissionais.</p><p>3. A função social do ensino. O ensino tem a função de preparar os</p><p>cidadãos para o exercício da cidadania e para o mundo do trabalho.</p><p>As competências são essenciais para o desempenho dessas funções.</p><p>O objetivo é formar cidadãos capazes de enfrentar os desafios da vida,</p><p>proporcionando-lhes uma educação integral, orientando-os e facilitando o</p><p>desenvolvimento de todos os estudantes, em todas as etapas da vida. Por</p><p>isso, a tendência atual é que a universidade forme os indivíduos em todas</p><p>as competências imprescindíveis para o desenvolvimento pessoal,</p><p>interpessoal, social e profissional.</p><p>Ok, entendemos que o ensino com base nas competências é</p><p>importante, mas qual é o conceito de competência? Então, agora vamos</p><p>entender o que é competência!</p><p>A necessidade de conceituar o termo competência levou ao</p><p>surgimento de diversas definições. Para uma melhor compreensão vamos</p><p>ver alguns entendimentos sobre o que é competência.</p><p>Segundo McClelland (1973), competência pode ser entendida como</p><p>uma característica subjacente a uma pessoa que a capacita a desempenhar</p><p>uma tarefa ou atividade com base em sua inteligência, experiência,</p><p>treinamento ou outros fatores situacionais. McClelland também distinguiu</p><p>competências de aptidões, habilidades e conhecimentos. As aptidões</p><p>seriam os talentos naturais que podem ser desenvolvidos por meio de</p><p>treinamento. Habilidade seria a capacidade de realizar uma tarefa</p><p>específica. Conhecimentos são informações adquiridas e que são</p><p>necessárias para realizar uma tarefa. McClelland argumenta que as</p><p>competências são mais importantes para o desempenho do que a</p><p>inteligência. Ele ainda propôs uma abordagem de seleção de pessoas por</p><p>competências, em vez de testes de inteligência.</p><p>Para Mello, Petrillo e Almeida Neto (2022, p. 36) o conceito de</p><p>competência pode ser compreendido como: “o entrelaçamento</p><p>multifacetado de conhecimentos, habilidades e atitudes (decisões) para</p><p>agir de modo adequado e apropriado em uma determinada situação-</p><p>problema do mundo vivido. É nesse sentido que tais combinações podem</p><p>ser nominadas de saber, saber-fazer e saber-ser”.</p><p>Segundo Perrenoud et al. (2007),é importante entender que</p><p>competência é a capacidade de compreender uma situação e agir de forma</p><p>adequada em relação a ela. Isso significa avaliar a situação de forma justa e</p><p>agir de modo a atender as suas necessidades</p><p>Com a nova realidade de produção em larga escala, os donos das</p><p>fábricas (os chamados patrões) exploravam o máximo a capacidade</p><p>produtiva do trabalhador.</p><p>Vamos refletir um pouco! Imagine como deveria ser o ambiente de</p><p>trabalho desses operários no final do século XVIII: não era fácil. Os</p><p>trabalhadores tinham que trabalhar horas por dia, quase sem descanso. As</p><p>jornadas de trabalho eram longas que variavam entre 15 e 18 horas por</p><p>dia. E para piorar a situação do trabalhador, sabemos que as condições de</p><p>trabalho nas fábricas eram péssimas. Eles ficavam expostos ao frio e ao</p><p>calor excessivo, havia excesso de ruído, a maioria dos ambientes eram</p><p>insalubres. Os salários eram baixos e quase não dava para sustentar suas</p><p>famílias. Também ocorriam muitos acidentes nos locais de trabalho, mas</p><p>não havia muita preocupação em relação a isso (Azevedo; Seriacopi, 2016,</p><p>p. 139).</p><p>Figura 3 – Trabalhadoras em uma fábrica no final do século XIX</p><p>Crédito: Everett Collection/Shutterstock.</p><p>5.1 DIREITOS DOS TRABALHADORES</p><p>Até então, o direito dos trabalhadores era quase inexistente. Somente</p><p>no século XIX é que a mentalidade em relação à segurança e à proteção do</p><p>trabalhador começou a mudar. Os primeiros países que criaram leis para</p><p>proteger os trabalhadores foram a Inglaterra, Alemanha e Estados Unidos.</p><p>No Brasil, os trabalhadores passavam pelos mesmos problemas.</p><p>Surgindo os primeiros movimentos de classe e associações de</p><p>trabalhadores (os atuais sindicatos), e foi com os sindicatos que se</p><p>iniciaram os movimentos dos trabalhadores. Os principais movimentos que</p><p>reivindicaram melhores condições de trabalho no Brasil foram as dos</p><p>imigrantes com greves e revoltas. Com esses problemas trabalhistas no</p><p>Brasil, como na Europa a mentalidade sobre a proteção dos trabalhadores</p><p>tinha mudado.</p><p>No início dos anos 1900, eram poucas as leis que protegiam o</p><p>trabalhador, com isso a saúde do trabalhador era negligenciada. Nesse</p><p>período as revoltas, greves e mobilizações sindicais eram expressivas,</p><p>impulsionada principalmente pelos imigrantes italianos, que em sua</p><p>maioria trabalhavam como operários nas fábricas brasileiras.</p><p>A partir de 1930, Getúlio Vargas inicia uma nova política trabalhista no</p><p>Brasil. Com a Constituição de 1934, o Brasil passou a ter o direito do</p><p>trabalhador prevista na Constituição. Até então todas essas leis trabalhistas</p><p>estavam esparsas, ou seja, “separadas”.</p><p>Em 1943, no Governo de Getúlio Vargas iniciou-se no Brasil uma nova</p><p>visão relacionada ao trabalho, com a Consolidação das Leis Trabalhistas</p><p>(CLT), reunindo em um único documento as leis esparsas sobre direito do</p><p>trabalho e saúde e segurança do trabalho.</p><p>Em 1988, é promulgada no Brasil a nova Constituição Federal da</p><p>República, e no art. 7º estão previstos os direitos dos trabalhadores</p><p>urbanos e rurais. Com esse direito constitucional, somado a CLT, temos no</p><p>Brasil um mínimo de proteção ao trabalhador.</p><p>Além das leis, à medida que a sociedade evolui, a natureza do trabalho</p><p>também se transforma. Com avanços tecnológicos e mudanças nas</p><p>estruturas econômicas, novas formas de trabalho surgem, enquanto outras</p><p>desaparecem. O entendimento profundo dessa interconexão é vital para</p><p>lidar com desafios contemporâneos, promover equidade e construir</p><p>sociedades mais justas e inclusivas, onde o trabalho não apenas sustenta a</p><p>economia, mas também enriquece a experiência humana.</p><p>5.2 PRECARIZAÇÃO DO TRABALHO</p><p>Entretanto, esse relacionamento nem sempre se traduz em condições</p><p>de trabalho ideais. A precarização do trabalho emerge como um desafio</p><p>significativo na contemporaneidade, impactando a qualidade de vida dos</p><p>trabalhadores e a coesão social. A precarização pode manifestar-se de</p><p>várias formas, incluindo a falta de estabilidade no emprego, salários</p><p>inadequados, jornadas extenuantes, ausência de benefícios e condições</p><p>laborais insalubres.</p><p>A precarização muitas vezes está ligada a fatores estruturais, como</p><p>desigualdades econômicas, globalização e mudanças nas tecnologias de</p><p>produção. Enquanto a busca por eficiência econômica e competitividade</p><p>pode impulsionar a precarização, seus efeitos reverberam na sociedade,</p><p>gerando disparidades significativas no acesso a oportunidades e recursos.</p><p>A instabilidade no mercado de trabalho não apenas compromete o</p><p>bem-estar individual dos trabalhadores, mas também contribui para a</p><p>fragmentação social. A insegurança laboral pode minar a coesão</p><p>comunitária, gerando tensões e desconfiança entre os membros da</p><p>sociedade. Além disso, a precarização pode criar barreiras ao acesso a</p><p>direitos básicos, como saúde e educação, perpetuando ciclos de</p><p>desigualdade.</p><p>A busca por soluções para a precarização do trabalho envolve uma</p><p>análise abrangente das estruturas econômicas, políticas e sociais. Políticas</p><p>que promovam a proteção social, a negociação coletiva e a equidade</p><p>salarial são essenciais para mitigar os impactos negativos da precarização.</p><p>Além disso, abordar questões estruturais, como a distribuição desigual de</p><p>recursos, é fundamental para promover um ambiente de trabalho mais</p><p>justo e sustentável, contribuindo para uma sociedade mais juta, equitativa</p><p>e coesa.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Diante do cenário atual, os jovens enfrentam novos desafios,</p><p>especialmente com a inserção no mercado de trabalho. A Era Digital</p><p>provocou grandes transformações, com isso a ética está em alta na</p><p>discussão dos impactos da tecnologia no mercado de trabalho. Discuta</p><p>quais as implicações éticas que o uso da Inteligência Artificial pode ter no</p><p>mercado de trabalho.</p><p>Saiba mais</p><p>Para aprofundar mais no assunto, veja a notícia “O jovem, a ética</p><p>e o mercado de trabalho” acessando o link a seguir:</p><p>VISMONA, E. O jovem, a ética e o mercado de trabalho. Exame,</p><p>20 abr. 2022. Disponível em: <https://exame.com/bussola/o-jovem-a-e</p><p>tica-e-o-mercado-de-trabalho/>. Acesso em: 22 jan. 2024.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Agora, vamos resolver uma questão do Enade 2022 que na Formação</p><p>Geral, abordou o tema da Democracia:</p><p>TEXTO 1</p><p>https://exame.com/bussola/o-jovem-a-etica-e-o-mercado-de-trabalho/</p><p>https://exame.com/bussola/o-jovem-a-etica-e-o-mercado-de-trabalho/</p><p>A democracia representativa exige, para o seu funcionamento, um</p><p>conjunto de características, as quais podem ser compreendidas como</p><p>instituições. São elas: Funcionários eleitos; Eleições livres, justas e</p><p>frequentes; Sufrágio inclusivo; Direito de concorrer a cargos eletivos;</p><p>Liberdade de expressão; Fontes de informação diversificadas; Autonomia</p><p>para as associações. Entre as categorias mencionadas, destacam-se duas</p><p>como pilares do regime democrático.</p><p>Liberdade de expressão: os cidadãos têm o direito de se expressar,</p><p>sem o perigo de punições severas, quanto aos assuntos políticos de uma</p><p>forma geral, o que inclui a liberdade de criticar os funcionários do governo,</p><p>o governo em si, o regime, a ordem socioeconômica e a ideologia</p><p>dominante.</p><p>Fontes de informação diversificadas: os cidadãos têm o direito de</p><p>buscar fontes de informação, alternativas, diversificadas e independentes.</p><p>Ademais, a existência de fontes de informação alternativa deve ser</p><p>protegida por lei</p><p>DAHL,R. A.Sobre ademocracia, EDU:UnB, 2001 (adaptado)</p><p>TEXTO 2</p><p>Embora os regimes políticos possam ser derrubados e as ideologias</p><p>criticadas e destituídas de sua legitimidade, por trás de um regime e de sua</p><p>ideologia há sempre um modo de pensar e de sentir, uma série de hábitos</p><p>culturais, uma nebulosa de instintos obscuros e de pulsões insondáveis.</p><p>ECO, U.O Fascismo Eterno.In: Cinco EscritosMorais. Editora Record:Rio</p><p>deJaneiro, 2002(adaptado).</p><p>TEXTO 3</p><p>Afigura aseguir exemplificaalgumascondutas que,segundo Umberto</p><p>Eco,podem serconsideradas contraditórias aos princípios democráticos.</p><p>Disponívelem: https://www.facebook.com/EditoraRecord/photos. Acessoem: 18ago.</p><p>2022(adaptado).</p><p>Com basena concepção deregimes políticos,abordadapelos autores,</p><p>avalieas afirmaçõesaseguir.</p><p>A. A democraciaéo sistema quesepropõea assegurar aosseus cidadãos</p><p>umaliberdade pessoal mais ampla do que outros modelos.</p><p>B. A liberdade</p><p>deexpressão nosistema democráticogaranteque</p><p>amanifestação deum agente político e de um cidadão possuam</p><p>repercussões equivalentes.</p><p>C. As fake newssão manifestaçõesrelacionadasà categoria defontes</p><p>deinformação diversificadase podem ser utilizadas como estratégia</p><p>para fragilizar o sistema democrático de governo.</p><p>D. O direito à liberdade de expressão permite a emissão de opinião</p><p>crítica e discursos contrários à democracia e aos direitos humanos.</p><p>É correto apenaso quese afirma em</p><p>A. I e II</p><p>B. I e III</p><p>C. II e IV</p><p>D. I, III e IV</p><p>E. II, III e IV</p><p>Comentários:</p><p>I. afirmativa verdadeira, pois de fato a democracia é um sistema que</p><p>garante mais liberdade que os outros modelos existentes.</p><p>II. afirmativa falsa, pois os agentes políticos têm uma série de</p><p>vantagens que lhes permitem exercer sua liberdade de expressão</p><p>de forma mais eficaz do que os cidadãos comuns. Isso significa</p><p>que suas manifestações têm mais chances de serem ouvidas e de</p><p>influenciar as decisões políticas.</p><p>III. afirmativa verdadeira, pois as fake news são notícias falsas, e se</p><p>usadas como estratégia, podem fragilizar o sistema democrático.</p><p>IV. afirmativa falsa, pois o direito à liberdade não pode sobrepor e ir</p><p>contra aos ideais da democracia e aos direitos humanos.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa, compreendemos a abrangência da ética em todas as</p><p>esferas da vida e do conhecimento, destacando sua importância no</p><p>contexto acadêmico para orientar condutas responsáveis na pesquisa, no</p><p>compartilhamento do conhecimento e na interação entre membros da</p><p>comunidade educacional. Além disso, reconhecemos a relevância da</p><p>compreensão da democracia e da cidadania para a formação geral dos</p><p>estudantes, permitindo uma visão crítica sobre os sistemas políticos e</p><p>promovendo a participação ativa na sociedade. O estudo do Estado e sua</p><p>relação com a sociedade foi destacado como essencial para compreender</p><p>o impacto das instituições públicas na vida dos cidadãos. O tema do</p><p>trabalho foi abordado, sendo importante para entender relações de</p><p>trabalho e seu impacto na construção da identidade e da sociedade. Isso</p><p>os prepara para enfrentar desafios complexos com uma atuação cidadã</p><p>consciente e ética em suas futuras áreas de atuação.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AZEVEDO, G.; SERIACOPI, R. História: passado e presente. São Paulo:</p><p>Ática, 2016.</p><p>BOBBIO, N. A era dos direitos. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.</p><p>BRASIL. Constituição da Repú8lbica Federativa de 1988. Diário Oficial</p><p>da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 5 out. 1988.</p><p>CALVO. A. Manual de direito do trabalho. São Paulo: Saraiva</p><p>Educação, 2020.</p><p>CHAUI, M. Convite à filosofia. 13. ed. São Paulo: Ática, 2005.</p><p>COTRIM, G. Fundamentos da filosofia. São Paulo: Saraiva, 2006.</p><p>DICIONÁRIO MICHAELIS. São Paulo: Melhoramentos Ltda, 2023.</p><p>JAPIASSÚ, H; MARCONDES, D. Dicionário Básico de Filosofia. 5. ed.</p><p>Rio de Janeiro: Zahar, 2011.</p><p>SILVA, J. A. Curso de Direito Constitucional Positivo. 44. ed. São</p><p>Paulo: JusPODIVM coedição Malheiros, 2022.</p><p>FORMAÇÃO CIDADÃ</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>AULA 3</p><p>Prof. Mauro Seigi Hashimoto</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta etapa, abordaremos uma série de temas importantes que</p><p>necessitam de uma visão interdisciplinar, pois são assuntos diversos, mas</p><p>que se interconectam e se relacionam no nosso dia a dia.</p><p>Vamos nos aprofundar nos seguintes temas: cultura, entendendo as</p><p>diferenças culturais, a identidade cultural e a expressão cultural; arte, vendo</p><p>como a expressão artística, a liberdade artística e a censura influenciam</p><p>nossa sociedade; comunicação, entendendo como o excesso de</p><p>informação, a desinformação e as fake news podem impactar</p><p>negativamente a sociedade; ciência, tecnologia e inovação,</p><p>compreendendo a importância e os desafios da inclusão digital, da</p><p>inovação e do uso da inteligência artificial no nosso dia a dia; e educação e</p><p>desenvolvimento humano e social, entendendo a importância da educação</p><p>e de como o conhecimento científico, tecnológico, econômico e humano</p><p>articulam os conhecimentos necessários para enfrentar os desafios</p><p>contemporâneos.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>A cultura é um fenômeno inerente ao ser humano, não sendo</p><p>transmitido geneticamente, ou seja, é um conjunto complexo de valores,</p><p>crenças, práticas e expressões compartilhadas por uma sociedade,</p><p>moldando sua identidade coletiva. As diferenças culturais, por sua vez,</p><p>destacam a diversidade entre grupos, enriquecendo o panorama global. A</p><p>identidade cultural é forjada por elementos culturais que definem quem</p><p>somos, enquanto a expressão cultural manifesta-se por meio da arte, da</p><p>música, da dança e da linguagem.</p><p>A arte, como expressão artística, desempenha um papel crucial na</p><p>representação e exploração da condição humana, exercendo a liberdade</p><p>artística. Contudo, a censura pode surgir com restrições, limitando a</p><p>diversidade artística. Na era da comunicação, o fenômeno das fake news</p><p>destaca a necessidade crítica de discernir informações verídicas.</p><p>A ciência, tecnologia e inovação impulsionam avanços, mas também</p><p>geram dilemas éticos, como o uso da inteligência artificial. A inovação e a</p><p>inteligência artificial representam catalisadores de mudança,</p><p>transformando a sociedade, por isso precisamos refletir sobre as aplicações</p><p>dessas tecnologias.</p><p>A educação é fundamental para o desenvolvimento humano e social,</p><p>pois capacita indivíduos para enfrentar desafios contemporâneos e</p><p>contribuir para um futuro mais equitativo e sustentável. Esses temas</p><p>interconectados delineiam a complexidade do mundo contemporâneo, em</p><p>que a reflexão, a compreensão, a discussão e a adaptação são essenciais</p><p>para impulsionar o progresso e a coexistência harmoniosa.</p><p>TEMA 1 – CULTURA</p><p>A cultura permeia nossa vida cotidiana, sendo intrínseca à forma como</p><p>nos relacionamos e reagimos em diversas situações. Na antropologia e na</p><p>sociologia, é um dos principais focos de estudo, proporcionando uma</p><p>compreensão mais profunda da condição humana, das relações sociais,</p><p>dos preconceitos, nos ajudando a explicar as motivações por trás de</p><p>reações, comportamentos e ideais.</p><p>Ao pensar em cultura, é comum logo vir no nosso pensamento a</p><p>cultura ocidental. Contudo, é importante destacar que a cultura não se</p><p>limita apenas ao Ocidente ou Oriente, ela pode variar de uma região para</p><p>outra dentro do mesmo país; vejamos, por exemplo, o Brasil. Com suas</p><p>dimensões continentais e resultado de uma história que envolve</p><p>colonização europeia, povos indígenas nativos, escravidão e imigração,</p><p>cada região brasileira foi influenciada de maneira diferente, o que resultou</p><p>em diversas diferenças culturais. Podemos perceber isso quando vemos as</p><p>diferenças entre o Nordeste e o Sul do Brasil, por exemplo.</p><p>Independentemente da região ou país, quando a cultura de um povo</p><p>muda, isso se reflete na forma como as pessoas interagem entre si e com o</p><p>meio ambiente. No Brasil e em todo o mundo, observamos uma marcante</p><p>influência da cultura dos Estados Unidos (EUA), em que os fast foods como</p><p>hambúrgueres, cachorros-quentes e batatas fritas se tornaram hábitos</p><p>cotidianos, alterando significativamente nossos padrões alimentares. Nas</p><p>cidades grandes, praticamente em todo lugar encontramos redes como</p><p>McDonald's, Burger King ou barracas de cachorro-quente.</p><p>Figura 1 – Influência global dos Estados Unidos: um exemplo é o</p><p>McDonald's, presente em mais de 100 países pelo mundo</p><p>Crédito: Patcharaporn Puttipon4289/Shutterstock.</p><p>O conceito de cultura surgiu com o antropólogo Edward Tylor, ao</p><p>afirmar que a cultura “é este todo complexo que inclui conhecimentos,</p><p>crenças, arte, moral, leis, costumes ou qualquer outra capacidade ou</p><p>hábitos adquiridos pelo homem como membro de uma sociedade” (Laraia,</p><p>2021, p. 25).</p><p>De acordo com Laraia (2021), as mudanças na sociedade podem ser</p><p>tanto internas, resultantes de conflitos entre diferentes gerações, quanto</p><p>externas, originadas por influências externas, como as colonizações</p><p>europeias, que provocaram mudanças mais abruptas. Compreender essa</p><p>dinâmica nas transformações</p><p>de regras e valores é importante, pois nos</p><p>possibilita identificar os impactos individuais decorrentes dessas</p><p>mudanças.</p><p>1.1 DIFERENÇAS CULTURAIS, CHOQUES CULTURAIS E</p><p>ETNOCENTRISMO</p><p>A cultura sofre alterações com o passar do tempo, pois as regras e os</p><p>valores evoluem. Lembremos que os valores culturais da Idade Média não</p><p>são os mesmos dos tempos atuais. Então, podemos entender que as</p><p>mudanças na sociedade são dinâmicas e intimamente ligadas ao tempo.</p><p>O conhecimento de mundo se transforma com os avanços</p><p>tecnológicos, como o acesso à informação por meio da tecnologia e da</p><p>internet. Essas transformações também influenciam os valores familiares ao</p><p>longo das gerações. É interessante perceber como os valores das pessoas</p><p>da geração baby boomers são muito diferentes dos valores dos jovens da</p><p>geração Z. Baby boomers (“explosão de bebês”, em português) são os</p><p>nascidos logo após a Segunda Guerra Mundial, que cresceram em uma</p><p>realidade pós-guerra enfrentando muitas dificuldades em razão da</p><p>reestruturação social. Já a geração Z são os nascidos entre os anos 1990 e</p><p>2010, é a geração que nasceu imersa na tecnologia digital.</p><p>Ter valores diferentes, bem como falta de empatia e preconceito,</p><p>favorecem o surgimento de conflitos na sociedade, criando grandes</p><p>barreiras a serem quebradas. Nessa perspectiva, a diversidade cultural tem</p><p>impactos na humanidade, gerando reações que vão desde a admiração e</p><p>aceitação até o repúdio e ódio pelo que é considerado diferente, o que</p><p>resulta em choques culturais. Quando esses choques culturais levam a</p><p>julgamentos e preconceitos, motivados pela ideia de superioridade de um</p><p>grupo sobre outro, chamamos isso de etnocentrismo.</p><p>Basicamente, o etnocentrismo é a “tendência do homem para</p><p>menosprezar sociedades ou povos cujos costumes divergem de seu grupo</p><p>étnico ou nação” (Michaelis, 2023). Por isso, o etnocentrismo pode ser</p><p>problemático quando enfrentamos situações ou temos que aceitar o</p><p>diferente, pois as pessoas podem se tornar inflexíveis, recusando o diálogo,</p><p>podendo adotar uma postura radical e intolerante.</p><p>1.2 IDENTIDADE CULTURAL</p><p>A identidade cultural se refere à compreensão e expressão de quem</p><p>somos enquanto membros de uma cultura específica. Ela é formada por</p><p>uma interação complexa de elementos que incluem tradições, valores,</p><p>crenças, linguagem, costumes e outros aspectos que caracterizam um</p><p>grupo social.</p><p>A identidade cultural também desempenha um papel fundamental na</p><p>maneira como os indivíduos se veem e se relacionam com o mundo ao seu</p><p>redor. Ela é moldada por valores culturais, experiências vividas,</p><p>pertencimento a determinados grupos étnicos, religiosos ou regionais, e</p><p>pela interação com outros membros da sociedade.</p><p>Podemos afirmar que atualmente os valores culturais passaram a ser</p><p>mais globais. A globalização, ao ampliar a interação entre diferentes países</p><p>e sociedades ao redor do mundo, gerou uma série de mudanças nas</p><p>relações culturais entre os povos. Além disso, o comércio internacional, as</p><p>empresas multinacionais, o turismo e a gastronomia desempenharam</p><p>papéis importantes na superação das fronteiras geográficas, promovendo a</p><p>estreita interconexão das relações culturais e políticas entre diversos países</p><p>pelo mundo.</p><p>Antes do processo de globalização, na história de cada sociedade a</p><p>cultura estava ligada intimamente, era muito mais enraizada, e formava a</p><p>identidade cultural de um povo. Agora, na era pós-moderna, as diversas</p><p>culturas acabam exercendo influências mútuas, o que apresenta desafios</p><p>próprios do multiculturalismo.</p><p>Nesse sentido, podemos perceber que, nas últimas décadas, a cultura</p><p>dos Estados Unidos exerceu e ainda exerce forte influência sobre outras</p><p>sociedades. Porém, a globalização, proporcionou o multiculturalismo, ou</p><p>seja, outras culturas antes desconhecidas também passaram a exercer</p><p>algum tipo de influência no mundo todo.</p><p>É o caso da Coreia do Sul, que, nos últimos anos, ampliou sua</p><p>influência cultural no mundo por meio dos k-dramas (novelas coreanas) e</p><p>do K-pop, emergindo como uma potência cultural global. Diversos países</p><p>passaram a consumir sua cultura, o que aumentou exponencialmente o</p><p>turismo cultural sul-coreano. Outro exemplo é o grupo sul-coreano de K-</p><p>pop, BTS (Bangtan Sonyeondan), que tem influência global, com milhões de</p><p>seguidores, recordes no mundo da música, discursos na Assembleia Geral</p><p>da ONU e visita à Casa Branca. Desse modo, os membros do BTS difundem</p><p>a cultura sul-coreana e influenciam milhões de pessoas de diferentes</p><p>culturas pelo mundo.</p><p>Figura 2 – A Coreia do Sul emergiu como uma potência cultural global,</p><p>influenciando o Ocidente por meio dos K-dramas e do K-pop</p><p>Crédito: Elizaveta Galitckaia/Shutterstock.</p><p>Podemos perceber essa influência cultural também no Brasil, pelo</p><p>simples fato de que, anos atrás, era inimaginável o interesse cultural pela</p><p>Coreia do Sul. Contudo, atualmente é comum encontrarmos pessoas com</p><p>interesse em conhecer e experienciar a cultura sul-coreana, seja pelo k-pop,</p><p>pelos k-dramas, pela gastronomia ou pelo turismo. Fato é que o</p><p>multiculturalismo proporciona essa oportunidade crescente de outras</p><p>culturas acabarem sendo reconhecidas em escala global, promovendo uma</p><p>diversidade cultural. Com isso, podemos ver crenças, hábitos e símbolos</p><p>deixando de ser exclusivos de um único local e passando a influenciar</p><p>outras culturas.</p><p>1.3 EXPRESSÃO CULTURAL</p><p>A expressão cultural se refere à maneira como uma sociedade ou</p><p>grupo de pessoas manifesta e comunica sua identidade por meio de</p><p>diferentes formas, como arte, música, dança, linguagem, roupas, culinária,</p><p>arquitetura e rituais. É uma forma de transmitir valores, crenças e tradições</p><p>que caracterizam uma determinada sociedade.</p><p>A expressão cultural desempenha um papel fundamental na</p><p>preservação e transmissão da herança cultural de uma sociedade ao longo</p><p>do tempo. Ela reflete as influências históricas, geográficas, sociais e</p><p>econômicas que moldam a identidade de um grupo, criando uma rica</p><p>diversidade cultural em todo o mundo.</p><p>A globalização trouxe novas dinâmicas à expressão cultural, o que</p><p>possibilitou que influências culturais se espalhassem por fronteiras e se</p><p>entrelaçassem, levando a uma maior diversidade cultural. Contudo, esse</p><p>processo também pode levar à homogeneização cultural. Isso ocorre</p><p>quando as culturas locais são influenciadas por uma cultura dominante,</p><p>geralmente a cultura dos países desenvolvidos. Além disso, a globalização</p><p>pode levar à perda de identidade cultural. Isso ocorre quando as pessoas</p><p>abandonam suas próprias tradições e costumes em favor de uma cultura</p><p>globalizada.</p><p>TEMA 2 – ARTE</p><p>A arte é uma forma de expressão humana, que ultrapassa as fronteiras</p><p>culturais e temporais, proporcionando um meio rico para que os indivíduos</p><p>expressem suas ideias, emoções, experiências ou simplesmente criem</p><p>beleza estética. A arte envolve uma ampla variedade de meios, como</p><p>pintura, música, dança, literatura, arquitetura.</p><p>Por meio da pintura, os artistas exploram formas, cores e texturas para</p><p>transmitir conceitos abstratos ou narrativas concretas. A música, com suas</p><p>notas e ritmos, tem o poder de evocar uma diversidade de emoções, desde</p><p>alegria até melancolia, enquanto a dança incorpora movimento e</p><p>expressão corporal para contar histórias ou transmitir sentimentos.</p><p>A literatura, seja poesia, prosa ou drama, oferece um espaço para a</p><p>exploração profunda da condição humana, abordando temas que variam</p><p>da imaginação à crítica social. A arquitetura, por sua vez, molda o ambiente</p><p>que habitamos, influenciando não apenas a funcionalidade, mas também a</p><p>estética do espaço ao nosso redor.</p><p>2.1 LIBERDADE ARTÍSTICA</p><p>A liberdade artística é um princípio fundamental para a diversidade</p><p>cultural, pois possibilita aos artistas abordar com autonomia questões</p><p>controversas, desafiar convenções, questionar normas sociais, políticas,</p><p>culturais, bem como expressar suas perspectivas de maneira genuína, além</p><p>de estimular o diálogo, o que enriquece o panorama cultural.</p><p>Entretanto,</p><p>a liberdade artística enfrenta desafios quando se depara</p><p>com a censura. A imposição de restrições pode ser motivada por uma</p><p>variedade de razões, incluindo questões morais, políticas, religiosas ou</p><p>sociais. A liberdade artística quando censurada limita a capacidade dos</p><p>artistas de abordar temas controversos, provocativos ou desafiadores,</p><p>muitas vezes necessário para a conscientização da sociedade. Além disso, a</p><p>censura sempre atinge outros princípios básicos, como a liberdade de</p><p>expressão.</p><p>2.2 MANIFESTAÇÃO ARTÍSTICA</p><p>A manifestação artística é uma expressão intrínseca à cultura, pois</p><p>reflete as complexidades, aspirações e dinâmicas de uma sociedade. Na</p><p>realidade brasileira, temos o funk como exemplo de manifestação artística</p><p>que ultrapassa o campo musical, incorporando elementos sociais, culturais</p><p>e políticos.</p><p>Além da música, a cultura funk tem danças, uma moda própria e uma</p><p>linguagem que se tornou uma característica da identidade cultural de</p><p>muitas comunidades urbanas. Já os polêmicos bailes funk enfrentaram</p><p>desafios ao longo de sua trajetória, especialmente em relação à censura e</p><p>ao estigma social.</p><p>As letras das músicas que geralmente retratam a realidade das favelas</p><p>brasileiras, e que abordam questões como violência, desigualdade social e</p><p>celebração da cultura local, geraram muitos debates sobre a legitimidade e</p><p>contribuição do gênero para a cultura brasileira. Com isso, a comunidade</p><p>funkeira sempre buscou o reconhecimento do ritmo do funk como uma</p><p>manifestação cultural.</p><p>Nesse sentido, Laraia (2021) afirma que cada sistema cultural está em</p><p>constante evolução. Compreender essa dinâmica é fundamental para</p><p>suavizar os conflitos entre gerações e prevenir atitudes preconceituosas.</p><p>Assim como é essencial para a humanidade compreender as diferenças</p><p>entre povos de culturas diversas, também é necessário ter sensibilidade</p><p>para entender as disparidades que surgem dentro do mesmo sistema</p><p>cultural. Esse é o caminho que capacita as pessoas a enfrentarem os</p><p>problemas de maneira sensata em um mundo em constante</p><p>transformação.</p><p>TEMA 3 – COMUNICAÇÃO</p><p>O estabelecimento dos meios de comunicação de massa (ou mídias)</p><p>tem um impacto significativo nas vidas das pessoas, visto que influencia</p><p>suas decisões e seus relacionamentos. Na área da comunicação, existe uma</p><p>grande discussão sobre o impacto negativo dessa influência, em virtude da</p><p>preocupação de que os meios de comunicação possam causar danos à</p><p>população, como influenciar a compra de produtos ou persuadir o público</p><p>a votar em determinado candidato nas eleições.</p><p>Podemos perceber que as interações que mantemos com as mídias</p><p>são mais complexas do que parecem. Ainda, a ascensão das mídias digitais</p><p>adicionou novas nuances a esse fenômeno, surgindo uma nova</p><p>preocupação: o impacto da internet e das redes sociais nas relações entre</p><p>as pessoas.</p><p>No início do século XXI, a evolução da internet teve uma perspectiva</p><p>promissora, pelo fato de facilitar o acesso ao conhecimento para qualquer</p><p>pessoa que utilizasse computadores e produtos de informática. A internet</p><p>se apresentava como uma ferramenta para democratizar a comunicação,</p><p>oferecendo a todos a potencialidade de compartilhar ideias e influenciar</p><p>outros indivíduos.</p><p>Algumas décadas se passaram desde então, e presenciamos diversas</p><p>transformações decorrentes do avanço digital em nossas vidas. Embora os</p><p>livros tenham se tornado mais acessíveis, as redes sociais, com imagens e</p><p>vídeos, tomaram nosso tempo e atenção. De alguma forma, os indivíduos</p><p>se tornaram menos propensos ao conhecimento complexo. O acesso livre</p><p>a essas plataformas possibilitou a indivíduos mal-intencionados utilizar as</p><p>redes para disseminar desinformação, propagar mentiras, além de criar a</p><p>cultura do cancelamento. Nessa perspectiva, as tecnologias digitais se</p><p>mostraram menos previsíveis do que inicialmente imaginávamos,</p><p>revelando consequências tanto positivas quanto negativas em nossa vida</p><p>social.</p><p>3.1 O PROBLEMA DO EXCESSO DE INFORMAÇÕES E DA</p><p>DESINFORMAÇÃO</p><p>O problema do excesso de informações é uma característica marcante</p><p>da sociedade contemporânea, impulsionada principalmente pela rápida</p><p>evolução tecnológica e pela expansão da internet. Vivemos em uma era em</p><p>que uma quantidade massiva de dados está constantemente disponível, e,</p><p>por isso, as pessoas são bombardeadas por informações provenientes de</p><p>diversas fontes. Nesse cenário, emergem enormes desafios, que impactam</p><p>a forma como percebemos, processamos e utilizamos a informação.</p><p>Uma das consequências desse excesso é a dificuldade em discernir</p><p>entre informações relevantes e irrelevantes. A abundância de dados pode</p><p>resultar em sobrecarga cognitiva, levando a uma sensação de saturação e</p><p>dificuldade em concentrar a atenção no que realmente importa. Além</p><p>disso, a constante exposição a uma variedade muito grande de fontes e</p><p>pontos de vista acaba gerando confusão e ambiguidade, o que prejudica a</p><p>formação de opiniões informadas.</p><p>Foi o que ocorreu no período da pandemia de Covid-19, em que</p><p>tivemos um excesso de informações e de desinformação. Com isso, um</p><p>termo, infodemia, foi usado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) e</p><p>pela Organização Pan-Americana de Saúde (Opas):</p><p>A palavra infodemia se refere a um grande aumento no volume de</p><p>informações associadas a um assunto específico, que podem se multiplicar</p><p>exponencialmente em pouco tempo devido a um evento específico, como</p><p>a pandemia atual. Nessa situação, surgem rumores e desinformação, além</p><p>da manipulação de informações com intenção duvidosa. Na era da</p><p>informação, esse fenômeno é amplificado pelas redes sociais e se alastra</p><p>mais rapidamente, como um vírus. (Opas, 2020, p. 2)</p><p>A infodemia revela que o acesso ilimitado à informação não é uma</p><p>vantagem. Ao contrário, pode representar a recepção de um volume</p><p>expressivo de dados de qualidade duvidosa. Tanto fontes mal-</p><p>intencionadas, que buscam desviar o foco de discussões, manipular a</p><p>opinião pública ou difamar indivíduos, quanto os próprios usuários da</p><p>internet, que lutam para filtrar o que é realmente útil, contribuem para essa</p><p>sobrecarga informativa. A avalanche de informação, muitas vezes, resulta</p><p>em mais confusão do que esclarecimento.</p><p>3.2 LIBERDADE DE EXPRESSÃO E O PROBLEMA DAS FAKE</p><p>NEWS</p><p>A liberdade de expressão é um princípio fundamental em</p><p>democracias, visto que assegura que os cidadãos tenham o direito de</p><p>expressar suas opiniões e ideias sem censura governamental. No entanto,</p><p>quando essa liberdade é explorada para disseminar as fake news, a questão</p><p>torna-se mais desafiadora.</p><p>Mas o que são as fake news?</p><p>Fake news são os “conteúdos com formato que imita notícias</p><p>tradicionais e que são propagados sobretudo em ambientes digitais, tendo</p><p>como objeto histórias falsas/inventadas” (Carvalho, 2019, p. 23).</p><p>Figura 3 – Fake news (“notícias falsas”, em português) são amplamente</p><p>disseminadas e compartilhadas rapidamente sem antes comprovar a</p><p>veracidade dos fatos</p><p>Crédito: McLittle Stock/Shutterstock.</p><p>A internet, em especial as redes sociais, facilitou a rápida disseminação</p><p>das fake news. Quando uma notícia falsa é compartilhada e não é verificada</p><p>sua veracidade, rapidamente ela se espalha pelas redes sociais; dizemos,</p><p>então, que “viralizou na internet”. Segundo o relatório Digital 2023: Brasil,</p><p>as redes sociais mais usadas no Brasil são: WhatsApp, Instagram, Facebook,</p><p>TikTok, Facebook Messenger, Telegram, Kwai (Kuaishou) e Twitter (We Are</p><p>Social & Meltwater, 2023).</p><p>A capacidade de compartilhar instantaneamente, pelas redes sociais,</p><p>conteúdo sem uma rigorosa verificação dos fatos, possibilitou que as fake</p><p>news se espalhassem velozmente, atingindo milhares de pessoas antes que</p><p>o esclarecimento dos fatos pudesse ser feito.</p><p>Esse fenômeno tem implicações sérias na esfera política, social e</p><p>cultural. Em campanhas eleitorais anteriores, por exemplo, as fake news já</p><p>foram utilizadas para manipular a opinião pública, difamar candidatos e</p><p>distorcer debates políticos. Além disso, na área da saúde, informações</p><p>falsas podem colocar em risco a vida das pessoas, como no caso de boatos</p><p>relacionados à eficácia de medicamentos e vacinas.</p><p>Combater as fake news exige esforços da sociedade e dos governos.</p><p>Algumas ações visam responsabilizar as plataformas on-line e os</p><p>produtores de conteúdo por sua contribuição na disseminação de fake</p><p>news. Mecanismos de verificação de fatos, moderação de conteúdo e</p><p>transparência nas práticas algorítmicas são algumas das abordagens</p><p>sugeridas para diminuir os impactos nocivos das informações falsas na</p><p>sociedade. Além disso, é essencial que os indivíduos desenvolvam um</p><p>pensamento crítico e se tornem mais conscientes sobre a origem e a</p><p>veracidade das notícias que consomem.</p><p>TEMA 4 – CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO</p><p>No século XX, nossas atividades eram predominantemente analógicas.</p><p>As pessoas usavam telefones analógicos para conversar, rádios analógicos</p><p>para ouvir música e televisão analógica para assistir aos programas de TV.</p><p>A maioria das empresas deu início aos seus negócios de maneira</p><p>convencional, utilizando métodos analógicos, como o tradicional uso de</p><p>papel e caneta. Um exemplo clássico dessa abordagem era a antiga prática</p><p>de manter cadernetas em mercados de secos e molhados. Esse tipo de</p><p>atendimento foi, por muito tempo, eficiente, proporcionando aos</p><p>comerciantes controle sobre as vendas. A utilização da caneta e da</p><p>caderneta era uma ferramenta valiosa que fornecia dados importantes para</p><p>o crescimento dos negócios.</p><p>Diante desse contexto histórico, e com os avanços da ciência e da</p><p>tecnologia, a evolução foi natural. No século XXI, vivenciamos a</p><p>transformação digital.</p><p>A transformação digital está impulsionando a economia, na qual as</p><p>práticas econômicas tradicionais são substituídas por atividades digitais.</p><p>Essa mudança já está em curso a décadas, e podemos observar isso em</p><p>nosso cotidiano. Vejamos alguns exemplos a seguir.</p><p>Compras on-line: nada supera a conveniência de poder selecionar o</p><p>produto desejado, esteja ele disponível em nossa cidade, estado ou</p><p>mesmo em outro país. Devemos lembrar em que pouco mais de uma</p><p>década isso não era uma opção viável. Essa inovação, em virtude da</p><p>transformação digital, provocou uma revolução na área do consumo.</p><p>É importante destacar que aqueles que não se adaptarem a essas</p><p>mudanças correm o risco de fechar seus negócios ou enfrentar um</p><p>impacto negativo, especialmente se seus concorrentes e substitutos</p><p>semelhantes estiverem explorando esses canais de vendas.</p><p>Autosserviço: atualmente, em diversos estabelecimentos comerciais,</p><p>temos a opção do autosserviço, proporcionado pela tecnologia e</p><p>pela era digital. Um exemplo é o McDonald’s, que, em suas lojas</p><p>físicas, oferecem totens de autoatendimento, com telas touch que</p><p>possibilitam ao consumidor escolher e personalizar seus lanches e, ao</p><p>final da seleção, efetuar o pagamento utilizando a máquina de cartão</p><p>a ele acoplada. No varejo, em supermercados, é possível encontrar</p><p>duas opções d caixas para efetuar o pagamento das compras: os</p><p>caixas convencionais, com operadores (pessoas), e o caixa de</p><p>autosserviço, em que a própria pessoa passa os produtos no leitor e</p><p>efetua o pagamento diretamente na máquina de cartão acoplada,</p><p>sem a necessidade de um operador.</p><p>Figura 4 – Hoje é comum os consumidores optarem pelo autosserviço: nas</p><p>lojas físicas no McDonald’s há totens de autoatendimento</p><p>Crédito: Mountains Hunter/Shutterstock.</p><p>4.1 LETRAMENTO DIGITAL E INCLUSÃO DIGITAL</p><p>Em razão da realidade da transformação digital, é natural que a</p><p>sociedade passe pelo letramento digital e pela inclusão digital.</p><p>O letramento digital consiste em desenvolver a habilidade de</p><p>compreender e utilizar as tecnologias digitais, bem como e interagir com</p><p>elas, sendo fundamental na sociedade da informação. Isso vai além do</p><p>simples conhecimento técnico, pois envolve a capacidade de avaliar</p><p>informações on-line, compreender as implicações éticas e de segurança</p><p>digital, bem como participar ativamente da sociedade digital. Por isso, o</p><p>letramento digital é essencial em um mundo cada vez mais dependente da</p><p>tecnologia.</p><p>A inclusão digital está vinculada à realidade da inclusão social, pois a</p><p>inclusão digital gera acesso e promove a participação de todos na</p><p>sociedade, independentemente de suas habilidades ou localização.</p><p>Garantir a inclusão digital é vital para reduzir as disparidades</p><p>socioeconômicas, promovendo oportunidades iguais para todos. Isso</p><p>envolve o acesso a dispositivos digitais, conectividade à internet e</p><p>capacitação para utilizar efetivamente as tecnologias digitais.</p><p>É por isso que a inclusão digital se torna indispensável para todos. O</p><p>avanço tecnológico nas atividades cotidianas pode gerar fascínio,</p><p>admiração e curiosidade em alguns indivíduos, já em outros pode causar</p><p>sentimento de impotência, ansiedade e insegurança. Algumas pessoas</p><p>ainda encaram a tecnologia como um universo complexo e desconhecido.</p><p>No entanto, compreender as características da tecnologia e a sua</p><p>linguagem digital torna-se essencial para trabalhar a inclusão na sociedade</p><p>globalizada.</p><p>Quando pensamos em políticas públicas voltadas para a inclusão</p><p>digital, elas devem ser direcionadas por objetivos que abranjam diversos</p><p>aspectos fundamentais para promover a participação plena das pessoas na</p><p>era digital, abrangendo a inserção efetiva no mercado de trabalho e a</p><p>geração de renda. Além disso, é importante direcionar esforços para a</p><p>melhoria e facilitação das tarefas cotidianas das pessoas, reconhecendo o</p><p>papel essencial da tecnologia no nosso dia a dia.</p><p>4.2 INOVAÇÃO TECNOLÓGICA E INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL</p><p>(IA)</p><p>A inovação tecnológica e a inteligência artificial (IA) desempenham</p><p>papéis centrais na era digital atual, transformando significativamente a</p><p>maneira como vivemos, trabalhamos e nos comunicamos.</p><p>A inovação tecnológica ocorre com a criação de uma nova tecnologia</p><p>ou o aperfeiçoamento de alguma tecnologia já existente, que passa por</p><p>melhorias e, assim, supera as versões anteriores. São diversos elementos</p><p>que envolvem a inovação tecnológica, como as agências de fomento</p><p>(financiamento), a criação (invenção), o criador (inventor), as incubadoras</p><p>de empresas, os parques tecnológicos, as instituições científicas de</p><p>tecnologia e inovação e as universidades com pesquisas científicas.</p><p>A velocidade da inovação tecnológica é impressionante, podendo ser</p><p>observada nos avanços em áreas como automação, biotecnologia, energia</p><p>renovável, nanotecnologia, inteligência artificial. É possível perceber que a</p><p>inovação tecnológica, além de impulsionar a eficiência e a produtividade,</p><p>também gera diversas oportunidades de negócios em uma escala global.</p><p>A inteligência artificial (IA) é um campo da ciência da computação</p><p>que se concentra no desenvolvimento de sistemas que podem realizar</p><p>tarefas que normalmente exigiriam inteligência humana. Isso inclui</p><p>aprendizado de máquina, processamento de linguagem natural, visão</p><p>computacional e raciocínio automatizado. A inteligência artificial tem</p><p>aplicações amplas, desde assistentes virtuais e chatbots até diagnósticos</p><p>médicos avançados e carros autônomos.</p><p>A capacidade da inteligência artificial de analisar grandes volumes de</p><p>dados, identificar padrões e aprender com experiências anteriores a torna</p><p>uma ferramenta poderosa em muitos setores. No entanto, também levanta</p><p>questões éticas e sociais, como a privacidade dos dados, a tomada de</p><p>decisões autônomas e o impacto no emprego das pessoas.</p><p>Será que a inteligência artificial tomará os empregos das pessoas?</p><p>Esse é um questionamento muito discutido, com diferentes opiniões,</p><p>em virtude da expansão da inteligência artificial. Além do ChatGPT, temos</p><p>dezenas de ferramentas de inteligência artificial que já estão presentes no</p><p>dia a dia de milhares de pessoas.</p><p>Uma coisa que podemos afirmar é que a inteligência artificial está</p><p>mudando a forma como podemos executar as atividades profissionais.</p><p>Realmente algumas funções e empregos pode desaparecerem, mas outras</p><p>com certeza surgirão, pois o</p><p>mercado de trabalho sempre está em</p><p>transformação e se atualizando, trazendo a necessidade de atualização e</p><p>adaptação por parte dos trabalhadores.</p><p>O fato é que a integração da inovação tecnológica com a inteligência</p><p>artificial está transformando o mercado de trabalho, bem como</p><p>impulsionando a automação e o uso das novas tecnologias, e isso tem</p><p>gerado novas oportunidades.</p><p>Uma dica é não ter receio da inteligência artificial e encontrar meios</p><p>de usar a tecnologia a nosso favor. Para isso, é preciso continuar</p><p>estudando e aprofundando cada vez mais nossos conhecimentos.</p><p>Além disso, não podemos deixar de considerar os aspectos éticos,</p><p>visto que ainda é necessário refletir e discutir sobre os possíveis impactos</p><p>que o aprimoramento da inteligência artificial pode ocasionar, para</p><p>garantir que as implementações dessas tecnologias não sejam prejudiciais</p><p>à sociedade.</p><p>TEMA 5 – EDUCAÇÃO E DESENVOLVIMENTO</p><p>HUMANO E SOCIAL</p><p>A educação desempenha um papel fundamental no desenvolvimento</p><p>humano e social, pois é por meio dela que capacitamos os indivíduos com</p><p>habilidades, conhecimentos e perspectivas necessárias para enfrentar os</p><p>desafios contemporâneos.</p><p>A nossa sociedade está imersa pela ciência e tecnologia. Com isso, a</p><p>educação, além de ser o meio pelo qual se transmite conhecimento,</p><p>também fomenta o pensamento crítico, a resiliência e a resolução de</p><p>problemas, características essenciais para o desenvolvimento humano e</p><p>para a participação ativa do indivíduo em uma sociedade cada vez mais</p><p>tecnológica.</p><p>Nesse cenário, a colaboração entre as empresas e as instituições de</p><p>ensino superior é fundamental para alinhar o conhecimento com as</p><p>demandas do mercado de trabalho. Com isso, é possível incorporar as</p><p>inovações tecnológicas com o desenvolvimento da sociedade em áreas</p><p>como o campo científico e o campo econômico.</p><p>No campo científico, podemos ter uma troca de conhecimento e de</p><p>tecnologia entre universidades e empresas, e ter uma expansão dos</p><p>investimentos destinados à produção de conhecimento científico</p><p>direcionado à solução de problemas na sociedade.</p><p>No campo econômico, é possível promover o avanço por meio do</p><p>desenvolvimento de tecnologias que favoreçam a utilização sustentável de</p><p>recursos naturais. Já a diversificação das estruturas produtivas e</p><p>empresariais do país, contemplando iniciativas como startups, incubadoras,</p><p>empresas juniores e fundações de apoio, também contribui para</p><p>impulsionar a economia.</p><p>É importante saber relacionar as diversas áreas, visto que o</p><p>desenvolvimento da ciência e tecnologia acaba por exercer uma influência</p><p>profunda no desenvolvimento humano e social. Essa interação dinâmica</p><p>tem implicações em várias dimensões, moldando a forma como vivemos,</p><p>trabalhamos e nos relacionamos com os outros e o com o mundo ao nosso</p><p>redor.</p><p>A ciência e a tecnologia ampliam as fronteiras do conhecimento do ser</p><p>humano, o que possibilita uma compreensão mais profunda dos</p><p>fenômenos naturais, da saúde humana, das origens do universo e de</p><p>inúmeros outros aspectos da realidade. Esse avanço contínuo do</p><p>conhecimento não somente enriquece a nossa compreensão do mundo,</p><p>mas também alimenta a curiosidade humana, incentivando a busca</p><p>incessante por respostas e descobertas.</p><p>Além disso, a tecnologia desempenha um papel essencial na melhoria</p><p>das condições de vida em sociedade. Inovações tecnológicas, desde</p><p>avanços na medicina até soluções para problemas ambientais, têm o</p><p>potencial de aumentar a qualidade de vida das pessoas. A automação e a</p><p>eficiência proporcionadas pela tecnologia também impactam</p><p>positivamente a produtividade e a economia, gerando oportunidades de</p><p>trabalho.</p><p>No desenvolvimento social, a ciência e a tecnologia conectam as</p><p>pessoas e facilitam a troca de informações. A revolução digital, por</p><p>exemplo, transformou a maneira como nos comunicamos, o que propicia</p><p>uma interconexão global instantânea por meio da internet. Isso, além de</p><p>ampliar as relações culturais, também promove a colaboração e a</p><p>disseminação do conhecimento em uma escala sem precedentes.</p><p>Contudo, é importante reconhecer que o impacto da ciência e</p><p>tecnologia na sociedade não é perfeito e traz muitos desafios. Por</p><p>exemplo, o uso excessivo das tecnologias é uma realidade comum em</p><p>nossa sociedade, e pode acarretar impactos negativos no ser humano,</p><p>abrangendo áreas que vão desde o bem-estar psicológico até as relações</p><p>sociais.</p><p>Em termos de saúde mental, a constante exposição às telas e o</p><p>consumo desenfreado de conteúdo on-line têm sido associados a</p><p>problemas como ansiedade e depressão. O mundo virtual, muitas vezes</p><p>repleto de padrões irrealistas e interações superficiais, pode criar uma</p><p>pressão constante para se adequar a expectativas pouco saudáveis, o que</p><p>afeta a autoestima e a saúde emocional.</p><p>No desenvolvimento social, o uso excessivo da tecnologia pode</p><p>contribuir para o isolamento. O tempo dedicado a dispositivos eletrônicos</p><p>muitas vezes substitui as interações pessoais face a face, prejudicando a</p><p>formação de conexões humanas, a geração da empatia e alteridade. Isso</p><p>pode levar a um enfraquecimento dos laços sociais e afetar negativamente</p><p>a saúde emocional.</p><p>Além disso, a constante exposição ao bombardeio de informações on-</p><p>line, muitas vezes incorretas e prejudiciais, contribui para a polarização de</p><p>opiniões e a disseminação de fake news. Por isso é que negligenciar a</p><p>educação compromete o desenvolvimento humano e social, pois faz com</p><p>que as pessoas sejam menos reflexivas, críticas e empáticas, tornando-as</p><p>suscetíveis a aceitar facilmente como verdadeiras a notícias falsas.</p><p>A consequência é que temos indivíduos mais intolerantes, acreditando</p><p>que são bem-informados; porém, na verdade, esses indivíduos são</p><p>desinformados, não avaliam corretamente as fontes e não conseguem</p><p>discernir entre o falso e o verdadeiro, o que impacta diretamente a</p><p>compreensão da realidade, da ética e da moral.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Diante do cenário cultural, um fenômeno levanta questões sobre a</p><p>linha tênue entre a apreciação cultural legítima e a apropriação, o que</p><p>desafia noções de respeito, identidade e representação. A reflexão e</p><p>discussão sobre a apropriação cultural destaca a importância de uma</p><p>discussão consciente para promover a compreensão intercultural e o</p><p>respeito a culturas diversas. Discuta como podemos promover um diálogo</p><p>construtivo sobre a importância da diversidade cultural.</p><p>Saiba mais</p><p>Para nos aprofundarmos mais no assunto, leia a notícia</p><p>“Apropriação cultural e eliminação da diversidade cultural”, escrita por</p><p>Mairemí Pita Vaca e Isabel Collazos Gottret para a Muy Waso (Bolívia),</p><p>e que foi republicada pela Global Voices. Disponível em: <apropriacao-</p><p>cultural-e-eliminacao-da-diversidade-cultural/> Acesso em: 25 jan.</p><p>2024.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Agora, vamos resolver uma questão do Enade 2022, que, na Formação</p><p>Geral, abordou de forma interdisciplinar os temas expressão artística e</p><p>expressão cultural.</p><p>https://pt.globalvoices.org/2023/12/05/</p><p>https://pt.globalvoices.org/2023/12/05/</p><p>Considerando-se o texto e a imagem apresentados, é correto afirmar</p><p>que o grafite consiste em uma:</p><p>a. expressão popular associada à contestação e, por isso, não é</p><p>reconhecido como arte.</p><p>b. expressão convencional de hierarquias consolidadas ao longo do</p><p>tempo e ainda presentes na sociedade.</p><p>c. expressão cultural que problematiza os valores e as relações da</p><p>sociedade com os espaços onde é produzida.</p><p>d. intervenção urbana que traz prejuízos para a sociedade porque gera</p><p>conflitos latentes entre diferentes classes sociais.</p><p>e. intervenção estética realizada com o propósito de embelezamento</p><p>padronizado dos espaços urbanos pelo uso de cores intensas e</p><p>contrastantes.</p><p>Comentários:</p><p>a. afirmativa falsa, pois o grafite é reconhecido como arte, mesmo que</p><p>seja uma expressão popular associada à contestação.</p><p>b. afirmativa falsa, pois o grafite não é uma expressão convencional,</p><p>mas sim uma forma de expressão que problematiza as relações</p><p>sociais.</p><p>c. afirmativa verdadeira, pois o texto</p><p>e a imagem apresentados</p><p>mostram que o grafite é uma expressão cultural que problematiza os</p><p>valores e as relações da sociedade com os espaços nos quais é</p><p>produzida.</p><p>d. afirmativa falsa, pois o grafite não traz prejuízos para a sociedade,</p><p>mas sim pode contribuir para a reflexão sobre os problemas sociais.</p><p>e. afirmativa falsa, pois o grafite não é uma intervenção estética</p><p>realizada com o propósito de embelezamento padronizado dos</p><p>espaços urbanos.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa, compreendemos que a cultura emerge como um</p><p>fenômeno intrínseco ao ser humano, moldando identidades culturais por</p><p>meio de valores, crenças e práticas compartilhadas. A diversidade cultural</p><p>enriquece o panorama global, moldando identidades que se manifestam</p><p>por meio de expressões artísticas como arte, música e literatura. A</p><p>liberdade artística, mesmo sendo essencial, enfrenta desafios com a</p><p>censura, destacando a importância da crítica na sociedade. O avanço</p><p>científico e tecnológico, incluindo inovações como inteligência artificial,</p><p>impulsiona mudanças profundas na sociedade, demandando reflexão</p><p>sobre suas aplicações éticas. A educação é um pilar fundamental, visto que</p><p>capacita indivíduos para enfrentar os desafios contemporâneos,</p><p>contribuindo para um futuro mais equitativo e sustentável. Esses temas</p><p>entrelaçados delineiam a complexidade do mundo contemporâneo, e</p><p>fortalecem nossa formação cidadã em que a reflexão e a compreensão são</p><p>essenciais para promover o diálogo e o desenvolvimento humano e social.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>CARVALHO, R. L. V. R. Notícias falsas ou propaganda? Uma análise do</p><p>estado da arte do conceito fake news. Questões Transversais: Revista de</p><p>Epistemologias da Comunicação, v. 7, n. 13, p. 21-30, jan./jun. 2019.</p><p>ETNOCENTRISMO. In: Dicionário Michaelis. São Paulo:</p><p>Melhoramentos, 2023.</p><p>LARAIA, R. B. Cultura: um conceito antropológico. 31.ª reimp. Rio de</p><p>Janeiro: Jorge Zahar, 2021.</p><p>ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DE SAÚDE – OPAS. Entenda a</p><p>infodemia e a desinformação na luta contra a Covid-19. Washington,</p><p>2020. Disponível em:</p><p><https://iris.paho.org/bitstream/handle/10665.2/52054/Factsheet-</p><p>Infodemic_</p><p>por.pdf>. Acesso em: 25 jan. 2024.</p><p>WE ARE SOCIAL & MELTWATER. Digital 2023: Brasil. 2023. Disponível</p><p>em: <https://datareportal.com/reports/digital-2023-brazil> Acesso em: 25</p><p>jan. 2024.</p><p>FORMAÇÃO CIDADÃ</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>AULA 4</p><p>Prof. Mauro Seigi Hashimoto</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta abordagem, veremos uma série de tópicos importantes que</p><p>necessitam de uma visão consciente pois são assuntos que impactam o</p><p>meio ambiente e a saúde das pessoas. Iremos aprofundar os seguintes</p><p>temas: Meio ambiente: biodiversidade, sustentabilidade e intervenção</p><p>humana; Promoção da Saúde e Prevenção de Doenças; Segurança</p><p>Alimentar e Nutricional.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>No cenário contemporâneo, a interação entre o meio ambiente, a</p><p>promoção da saúde e a segurança alimentar tornaram-se elementos-chave</p><p>para a sustentabilidade e o bem-estar global. Essas questões estão</p><p>intrinsecamente interligadas, impactando diretamente a qualidade de vida</p><p>das pessoas e na biodiversidade do planeta.</p><p>A biodiversidade é um componente vital para a estabilidade ecológica.</p><p>No entanto, a intervenção humana tem desencadeado uma acelerada</p><p>perda de biodiversidade, resultante da expansão urbana, desmatamento e</p><p>poluição. A conservação da biodiversidade torna-se, assim, imperativa para</p><p>preservar não apenas a natureza, mas também para garantir a</p><p>continuidade da vida humana no planeta.</p><p>A sustentabilidade, surge como uma necessidade diante do impacto</p><p>ambiental causado pela intervenção humana. A conscientização e a</p><p>implementação de políticas públicas voltadas para o desenvolvimento</p><p>sustentável são passos fundamentais para a preservação do nosso planeta.</p><p>No âmbito da saúde humana, a promoção da saúde e a prevenção de</p><p>doenças desempenham papéis fundamentais na construção de sociedades</p><p>saudáveis e sustentáveis.</p><p>Já, a segurança alimentar e nutricional é um elemento essencial para a</p><p>saúde humana. A produção de alimentos deve ser realizada de maneira</p><p>sustentável, respeitando os limites do meio ambiente e garantindo o</p><p>acesso equitativo a alimentos nutritivos. A promoção de sistemas</p><p>alimentares saudáveis e sustentáveis é essencial para enfrentar desafios</p><p>como a fome e a desnutrição.</p><p>TEMA 1 – MEIO AMBIENTE: BIODIVERSIDADE</p><p>O meio ambiente abrange todas as condições físicas, biológicas e</p><p>químicas que envolvem os seres vivos. O ecossistema e a biodiversidade</p><p>estão intrinsecamente ligados ao meio ambiente.</p><p>O ecossistema é o conjunto formado por todos os organismos (fatores</p><p>bióticos) que vivem em um determinado local, se relacionado com</p><p>elementos físicos e químicos (fatores abióticos) que são indispensáveis</p><p>para a sua sobrevivência.</p><p>O que são esses fatores bióticos e abióticos?</p><p>Os fatores bióticos, são todos os seres vivos, vivendo em comunidade,</p><p>que pertencem ao ecossistema. Os fatores bióticos se dividem em três</p><p>tipos: produtores (vegetais); consumidores (animais); e decompositores</p><p>(fungos e bactérias). E os fatores abióticos, são todos os elementos físicos e</p><p>químicos necessários para a manutenção da vida. Exemplo: água, luz,</p><p>pressão, calor, gases, sais minerais.</p><p>Então os ecossistemas são seres vivos e elementos não vivos</p><p>interagindo entre si por meio de fluxos de energia e dos ciclos de</p><p>elementos químicos. Essa interação é fundamental para a compreensão da</p><p>biodiversidade.</p><p>A biodiversidade diz respeito a riqueza e a variedade de formas de</p><p>vida que existem em um local e em um determinado tempo. Essa</p><p>variedade se refere a diversidade genética entre os seres vivos da mesma</p><p>espécie e as interações que esses organismos estabelecem com o</p><p>ambiente que os cerca. Além disso, a biodiversidade também se refere à</p><p>diversidade de ecossistemas, considerando as diferentes comunidades</p><p>biológicas e os processos ecológicos que ocorrem em determinada região.</p><p>O Brasil se destaca por possuir uma vasta biodiversidade. Segundo o</p><p>Pnuma (Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente), o nosso país</p><p>tem mais de 120 mil espécies de invertebrados, cerca de 9 mil vertebrados</p><p>e mais de 4 mil espécies de plantas (Nações Unidas, 2019). Esse número</p><p>expressivo coloca o Brasil como um dos mais diversos em termos</p><p>biológicos. Vale ressaltar que essa biodiversidade não se restringe apenas</p><p>aos organismos visíveis, mas também inclui uma vasta gama de</p><p>microrganismos, cuja diversidade contribui para a complexidade ecológica</p><p>do Brasil.</p><p>De acordo com o Pnuma, o Brasil possui entre 15% e 20% da</p><p>diversidade biológica mundial. Esse patrimônio natural não apenas confere</p><p>ao país uma responsabilidade global na preservação da biodiversidade,</p><p>pois a sustentabilidade no uso dos recursos naturais é de extrema</p><p>importância para as atuais e futuras gerações no Brasil. Segundo o Pnuma,</p><p>para viabilizar essa prática, é essencial compreender minuciosamente os</p><p>recursos nacionais, enquanto simultaneamente monitora-se a perda da</p><p>biodiversidade e trabalha nos esforços de conservação (Nações Unidas,</p><p>2019).</p><p>O Brasil, além de buscar soluções para a conservação da</p><p>biodiversidade, também enfrenta desafios relacionados ao desmatamento,</p><p>urbanização desordenada, poluição e mudanças climáticas que ameaçam</p><p>os ecossistemas e as espécies. Com isso vemos a necessidade urgente de</p><p>medidas eficazes de preservação ambiental e manejo sustentável, com o</p><p>objetivo de minimizar os impactos ambientais ocasionados pela</p><p>intervenção humana.</p><p>1.1 IMPACTOS AMBIENTAIS: O PROBLEMA DAS</p><p>QUEIMADAS E DO DESMATAMENTO</p><p>Diversas atividades humanas, tais como agricultura, pecuária,</p><p>mineração, geração de energia elétrica e processos industriais,</p><p>desempenham um papel fundamental na geração de benefícios</p><p>econômicos e sociais. Além de gerar empregos, essas atividades são vitais</p><p>para a obtenção de matérias-primas essenciais em diversos setores da</p><p>economia.</p><p>Porém, é importante reconhecer que essas atividades também</p><p>acarretam uma série de</p><p>impactos ambientais em nossos ecossistemas.</p><p>Esses impactos podem prejudicar ou complicar a sobrevivência dos seres</p><p>vivos, interferindo nas complexas relações entre os organismos e o</p><p>ambiente ao seu redor, como resultado, observa-se uma diminuição na</p><p>biodiversidade.</p><p>As queimadas e o desmatamento são fenômenos ambientais que</p><p>apresentam sérios desafios para a preservação dos ecossistemas e da</p><p>biodiversidade. Ambos são frequentemente associados a intervenção</p><p>humana, representando uma ameaça significativa para os ecossistemas e o</p><p>equilíbrio ambiental.</p><p>As queimadas, muitas vezes utilizadas como prática agrícola para</p><p>limpar áreas desmatadas ou para estimular o crescimento de pastagens.</p><p>No entanto, quando fora de controle, as queimadas podem se transformar</p><p>em incêndios florestais devastadores, causando perdas irreparáveis à fauna</p><p>e flora, degradação do solo e emissões massivas de gases de efeito estufa,</p><p>intensificando o problema das mudanças climáticas.</p><p>O desmatamento refere-se à remoção extensiva e deliberada da</p><p>cobertura vegetal, seja por meio de atividades como agricultura, pecuária,</p><p>mineração ou urbanização. Esse processo resulta na perda de habitats</p><p>naturais, contribuindo para a diminuição da biodiversidade, a erosão do</p><p>solo e alterações climáticas regionais. Além disso, o desmatamento é</p><p>frequentemente acompanhado por impactos sociais, como o</p><p>deslocamento de comunidades locais dependentes das florestas.</p><p>Ambos os fenômenos estão interconectados, já que o desmatamento</p><p>frequentemente prepara o terreno para as queimadas. Essas práticas têm</p><p>impactos negativos não apenas no ambiente local, mas também em nível</p><p>global, contribuindo para a perda de biodiversidade, mudanças climáticas e</p><p>outros problemas ambientais.</p><p>Para enfrentar esses desafios, são necessárias abordagens integradas</p><p>que envolvam a promoção de práticas agrícolas sustentáveis, o</p><p>fortalecimento da legislação ambiental, a conscientização pública e o</p><p>estímulo à preservação de ecossistemas. O compromisso global com a</p><p>conservação ambiental é essencial para minimizar os impactos negativos</p><p>desses fenômenos e garantir um futuro sustentável para as próximas</p><p>gerações.</p><p>1.2 IMPACTOS AMBIENTAIS: O PROBLEMA DA</p><p>CONTAMINAÇÃO POR RESÍDUOS QUÍMICOS</p><p>Os resíduos químicos provenientes da produção agrícola e das</p><p>indústrias é uma realidade quando falamos nos impactos ambientais</p><p>causados pela intervenção humana. Na agricultura, o uso de fertilizantes,</p><p>pesticidas e herbicidas contribui para a geração de resíduos químicos, e</p><p>quando não são gerenciados adequadamente, podem contaminar solos, e</p><p>atingir lençóis freáticos.</p><p>O excesso de nutrientes proveniente dos fertilizantes pode resultar em</p><p>processos como a eutrofização, levando ao crescimento descontrolado de</p><p>algas nos rios locais, o que pode prejudicar a vida aquática e comprometer</p><p>a qualidade da água. Além disso, resíduos de metais pesados, podem</p><p>persistir na água contaminado peixes e outros seres vivos aquáticos,</p><p>impactando negativamente a biodiversidade e representando riscos para a</p><p>saúde humana, como a bioacumulação de metais pesados.</p><p>No âmbito industrial, diversos setores geram resíduos químicos, que</p><p>podem incluir substâncias tóxicas, metais pesados e produtos químicos</p><p>sintéticos. O descarte inadequado desses resíduos pode resultar em</p><p>contaminação do solo, da água subterrânea e superficial, comprometendo</p><p>ecossistemas e afetando comunidades próximas às áreas industriais.</p><p>A gestão adequada dos resíduos químicos é crucial para evitar danos</p><p>ambientais e proteger a saúde pública. Práticas como a reciclagem, a</p><p>reutilização e a adoção de tecnologias mais limpas nas indústrias são</p><p>medidas importantes para minimizar a geração de resíduos tóxicos. Além</p><p>disso, regulamentações ambientais rigorosas e a conscientização das</p><p>empresas e da sociedade são essenciais para assegurar uma produção</p><p>sustentável e a preservação dos ecossistemas.</p><p>TEMA 2 – MEIO AMBIENTE: SUSTENTABILIDADE</p><p>O meio ambiente vem sendo alvo de inúmeras discussões, sobretudo</p><p>no que se refere ao impacto que nós, seres humanos, podemos causar nos</p><p>ecossistemas por meio de nossas ações positivas ou negativas. Durante</p><p>muitos anos foi difícil compreender a relação indissociável que existe entre</p><p>o meio ambiente e o ser humano.</p><p>O ser humano passou a olhar o ambiente que nos cerca apenas como</p><p>um fornecedor de matérias-primas, apresentando uma visão utilitarista e</p><p>de supremacia. A consequência desse afastamento foi o grande pilar para a</p><p>geração dos problemas ambientais que observamos na atualidade,</p><p>surgindo a necessidade de discussões sobre a conservação e preservação</p><p>dos ecossistemas.</p><p>O primeiro grande marco foi em 1962, com a publicação do livro</p><p>"Primavera Silenciosa", da bióloga americana Rachel Carson. A obra</p><p>alertava sobre os impactos negativos da utilização indiscriminada de</p><p>pesticidas na agricultura, contribuindo para o surgimento do movimento</p><p>ambientalista.</p><p>A década de 1970 foi um período mais intenso com a preocupação</p><p>ambiental, em contraposição ao modelo de desenvolvimento então</p><p>vigente, baseado no "progresso" e na exploração intensiva dos recursos</p><p>naturais. Nessa década, as principais questões ambientais que surgiram,</p><p>foram: a poluição do ar e das águas; o desmatamento e destruição de</p><p>habitats; o esgotamento de recursos naturais.</p><p>Foi a partir da década de 1970 que a preocupação com a</p><p>sustentabilidade e a preservação do meio ambiente se tornou cada vez</p><p>mais importante, levando a um debate público internacional. Com isso,</p><p>tivemos o início das conferências internacionais que foram realizadas para</p><p>discutir questões relacionadas à sustentabilidade e definir estratégias para</p><p>a promoção do desenvolvimento sustentável em todo o mundo.</p><p>Em 1972, tivemos a primeira Conferência das Nações Unidas sobre o</p><p>Meio Ambiente Humano, a Conferência de Estocolmo, na Suécia. Foi a</p><p>primeira grande conferência internacional sobre o meio ambiente e</p><p>marcou o início do debate global sobre a necessidade de proteger o meio</p><p>ambiente. Estabeleceu a importância da proteção do meio ambiente e da</p><p>conservação dos recursos naturais para o bem-estar das pessoas e a</p><p>sobrevivência do planeta.</p><p>Em 1987, a Comissão Mundial sobre Meio Ambiente e</p><p>Desenvolvimento da ONU publicou o Relatório Brundtland, Nosso Futuro</p><p>Comum, que definiu o conceito de desenvolvimento sustentável como</p><p>"aquele que satisfaz as necessidades do presente sem comprometer a</p><p>capacidade das gerações futuras de satisfazerem as suas próprias</p><p>necessidades".</p><p>Você sabia que Sustentabilidade e Desenvolvimento Sustentável são</p><p>conceitos relacionados, mas que não são sinônimos?</p><p>A Sustentabilidade é a capacidade de uma sociedade ou sistema de</p><p>manter a qualidade de vida das pessoas e do meio ambiente ao longo do</p><p>tempo, garantindo o equilíbrio entre o desenvolvimento econômico, social</p><p>e ambiental, sem comprometer as necessidades das gerações presentes e</p><p>futuras. Quando falamos em Sustentabilidade é importante saber que ela</p><p>possui três dimensões interdependentes: ambiental, social e econômica.</p><p>Dimensão ambiental : envolve a preservação e o uso sustentável</p><p>dos recursos naturais, a proteção da biodiversidade e a redução da</p><p>poluição e dos impactos negativos no meio ambiente.</p><p>Dimensão Social : envolve questões de equidade, inclusão, justiça</p><p>social, respeito aos direitos humanos, acesso à saúde, educação,</p><p>cultura e segurança, bem como a promoção do bem-estar das</p><p>comunidades e a participação ativa da sociedade.</p><p>Dimensão Econômica : envolve o desenvolvimento de uma</p><p>economia que seja socialmente justa, ambientalmente responsável e</p><p>economicamente viável, com a promoção da inovação tecnológica,</p><p>da eficiência energética, do comércio justo e do desenvolvimento</p><p>sustentável.</p><p>O Desenvolvimento Sustentável, por sua vez, é um processo de</p><p>desenvolvimento que busca garantir a sustentabilidade, ou seja, a</p><p>capacidade de satisfazer as necessidades das gerações presentes sem</p><p>comprometer a capacidade das gerações futuras de satisfazerem suas</p><p>próprias necessidades. Ou seja, o Desenvolvimento Sustentável busca</p><p>conciliar as dimensões social, ambiental e econômica, promovendo o</p><p>crescimento econômico, a inclusão social, a proteção ambiental e a</p><p>utilização eficiente dos recursos naturais.</p><p>Em 1992, tivemos a Conferência das Nações Unidas sobre Meio</p><p>Ambiente e Desenvolvimento no Rio de Janeiro, Brasil. Conhecida como</p><p>Rio 92 ou Eco 92, essa conferência reuniu líderes mundiais para discutir a</p><p>promoção do desenvolvimento sustentável e a proteção do meio</p><p>ambiente. Foi nessa conferência que foi adotada a Agenda 21, um plano de</p><p>ação global para o desenvolvimento sustentável que estabelece uma série</p><p>de medidas a serem adotadas por governos, organizações internacionais e</p><p>sociedade civil para promover a sustentabilidade ambiental, social e</p><p>econômica em todo o mundo.</p><p>Figura 1 – Agenda 21 – Os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio</p><p>(ODM)</p><p>Fonte: UNESCO.</p><p>Em 2012, ocorreu a Rio+20, essa conferência marcou o 20º</p><p>aniversário da Rio 92 e reuniu novamente no Rio de Janeiro, líderes</p><p>mundiais para discutir questões relacionadas à sustentabilidade e definir</p><p>novas estratégias para o desenvolvimento sustentável.</p><p>Em 2015, ocorreu na sede da Organização das Nações Unidas (ONU),</p><p>em Nova York, a Cúpula de Desenvolvimento Sustentável, em que foram</p><p>definidos os novos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). Os</p><p>Objetivos de Desenvolvimento Sustentável são um conjunto de 17 metas</p><p>globais para promover a sustentabilidade ambiental, social e econômica</p><p>em todo o mundo, a serem alcançadas até 2030.</p><p>Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável incluem metas como</p><p>a erradicação da pobreza, a promoção da igualdade de gênero, o combate</p><p>às mudanças climáticas, a redução das desigualdades sociais e econômicas,</p><p>a proteção da biodiversidade, entre outras. Cada Objetivos de</p><p>Desenvolvimento Sustentável é composto por um conjunto de metas</p><p>específicas e indicadores que servem para monitorar o progresso em sua</p><p>implementação.</p><p>Figura 2 – Os 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS)</p><p>Fonte: Nações Unidas</p><p>Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável substituíram os</p><p>Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), que foram estabelecidos</p><p>em 2000 e tinham como objetivo principal reduzir a pobreza e promover o</p><p>desenvolvimento humano em todo o mundo. Os Objetivos de</p><p>Desenvolvimento Sustentável (ODS) são mais abrangentes e incluem uma</p><p>ampla gama de questões relacionadas à sustentabilidade, refletindo a</p><p>importância crescente que essas questões têm na agenda global.</p><p>Os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável representam um</p><p>importante compromisso global para promover a sustentabilidade em</p><p>escala mundial e que conta com a ação conjunta de governos,</p><p>organizações internacionais, sociedade civil e setor privado para serem</p><p>alcançados até 2030.</p><p>TEMA 3 – A PRODUÇÃO E O CONSUMO</p><p>SUSTENTÁVEL</p><p>Os impactos ambientais decorrentes das práticas de consumo têm</p><p>implicações significativas para a biodiversidade e são cruciais para a</p><p>promoção do consumo sustentável. Atualmente, diversas atividades</p><p>humanas, como a produção de alimentos, a exploração de recursos</p><p>naturais e a geração de resíduos, têm causado sérios danos aos</p><p>ecossistemas.</p><p>A produção e o consumo sustentáveis são elementos fundamentais</p><p>para promover práticas que minimizem impactos negativos no meio</p><p>ambiente e na sociedade. A produção sustentável refere-se à adoção de</p><p>métodos que reduzam o uso de recursos naturais, a emissão de poluentes</p><p>e os resíduos gerados durante a fabricação de bens e serviços. Por sua vez,</p><p>o consumo sustentável envolve escolhas conscientes por parte dos</p><p>consumidores, priorizando produtos e serviços que tenham menor impacto</p><p>ambiental e social.</p><p>O consumo excessivo e a produção de resíduos também contribuem</p><p>para os impactos ambientais. A disposição inadequada de resíduos sólidos,</p><p>em particular plásticos, pode poluir rios e oceanos, causando danos à</p><p>fauna marinha. Além disso, a produção e o descarte de produtos de</p><p>consumo muitas vezes envolvem o consumo intenso de recursos não</p><p>renováveis, contribuindo para as mudanças climáticas e a degradação</p><p>ambiental.</p><p>O consumo sustentável, por sua vez, busca diminuir esses impactos</p><p>negativos. Envolvendo a escolha de produtos produzidos de maneira ética</p><p>e ambientalmente responsável, promovendo práticas agrícolas</p><p>sustentáveis, apoiando o comércio justo e preferindo produtos duráveis e</p><p>recicláveis. Ao adotar hábitos de consumo conscientes, os indivíduos</p><p>podem contribuir para a redução da degradação dos ecossistemas e para a</p><p>preservação da biodiversidade.</p><p>Entre as principais medidas que podem ser adotadas para minimizar</p><p>os impactos ambientais do capitalismo, podemos destacar a adoção de</p><p>tecnologias mais limpas e eficientes, a promoção do consumo consciente,</p><p>a redução do desperdício e da poluição, e a busca por fontes de energia</p><p>renováveis e mais limpas. Além disso, é importante que as empresas</p><p>assumam uma postura mais responsável com relação ao meio ambiente,</p><p>adotando práticas de gestão ambiental e se comprometendo com a</p><p>promoção do desenvolvimento sustentável.</p><p>Nesse sentido temos o conceito de Produção e Consumo</p><p>Sustentável, que se refere a um modelo de desenvolvimento que busca</p><p>atender às necessidades do presente sem comprometer a capacidade das</p><p>gerações futuras de atenderem às suas próprias necessidades. Esse modelo</p><p>se baseia na ideia de que a economia deve operar dentro dos limites</p><p>ecológicos do planeta, adotando práticas mais eficientes e menos</p><p>poluentes.</p><p>Dentro do conceito de produção e consumo sustentável, temos a</p><p>abordagem da Produção mais Limpa (P+L) , que busca reduzir ou</p><p>eliminar os impactos ambientais da produção de bens e serviços. Essa</p><p>abordagem tem como objetivo minimizar o uso de recursos naturais, a</p><p>geração de resíduos e a emissão de poluentes, diminuindo os impactos</p><p>ambientais gerados em um processo de produção, tornando a produção</p><p>mais eficiente e menos prejudicial ao meio ambiente.</p><p>Para implementar a P+L, as empresas precisam adotar uma série de</p><p>medidas, como a redução do consumo de energia e água, a reutilização de</p><p>materiais e a substituição de matérias-primas tóxicas por materiais menos</p><p>prejudiciais. Além disso, é necessário adotar processos de produção mais</p><p>eficientes e menos poluentes, utilizando tecnologias mais limpas e</p><p>reciclando os resíduos gerados.</p><p>A P+L pode trazer diversos benefícios para as empresas, como a</p><p>redução de custos, o aumento da eficiência, a melhoria da imagem</p><p>corporativa e a conformidade com as regulamentações ambientais. Além</p><p>disso, a adoção da P+L pode gerar benefícios sociais e ambientais mais</p><p>amplos, como a redução da poluição e dos impactos ambientais da</p><p>produção industrial.</p><p>Assim podemos perceber que a adoção de novos padrões de</p><p>consumo e produção é essencial para a redução da pegada ecológica</p><p>sobre o meio ambiente e representa a base para o desenvolvimento</p><p>econômico e social sustentável.</p><p>Em 2014 o Ministério do Meio Ambiente apresentou o Plano de Ação</p><p>Para Produção e Consumo Sustentáveis (PPCS), trazendo um leque de</p><p>ações estratégicos, elencando seis prioridades a serem alcançadas: 1.</p><p>Educação para o Consumo Sustentável; 2. Compras públicas sustentáveis;</p><p>3. Agenda ambiental na Administração Pública; 4. Aumento da reciclagem</p><p>de resíduos sólidos; 5. Varejo sustentável; 6. Construções Sustentáveis.</p><p>Em 2015, uma ação da FIESP (Federação das Indústrias do Estado de</p><p>São Paulo) e do PNUMA (Programa das Nações Unidas para o Meio</p><p>Ambiente) que lançaram o Guia Produção e Consumo Sustentáveis (PCS):</p><p>Tendências e Oportunidades para o Setor de Negócios.</p><p>As seis prioridades apontadas correspondem a ações estratégicas que</p><p>podem contribuir para o alcance das metas estabelecidas pela ONU para</p><p>os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) até o ano de 2030.</p><p>Essas metas incluem a erradicação da pobreza, promoção da igualdade</p><p>social e econômica, proteção do meio ambiente, entre outras.</p><p>A Educação para o Consumo Sustentável</p><p>é uma das prioridades da</p><p>ONU, pois busca conscientizar as pessoas sobre a importância de adotar</p><p>práticas de consumo responsáveis, que considerem os impactos</p><p>ambientais e sociais dos produtos e serviços consumidos.</p><p>A promoção de Compras Públicas Sustentáveis é outra ação</p><p>estratégica, pois incentiva o setor público a adquirir produtos e serviços</p><p>que sejam produzidos de forma sustentável e com menor impacto</p><p>ambiental.</p><p>A Agenda Ambiental na Administração Pública é uma prioridade</p><p>que busca incentivar os governos a adotarem práticas de gestão ambiental</p><p>mais efetivas, com a implementação de políticas e programas que</p><p>promovam a sustentabilidade em diferentes setores da administração</p><p>pública.</p><p>O Aumento da Reciclagem de Resíduos Sólidos é outra prioridade</p><p>importante, pois contribui para reduzir a quantidade de resíduos que são</p><p>destinados a aterros sanitários, promovendo a economia circular e</p><p>reduzindo a emissão de gases de efeito estufa.</p><p>O Varejo Sustentável é outra prioridade, que incentiva o setor a</p><p>adotar práticas mais responsáveis em relação à produção e</p><p>comercialização de produtos, tais como a utilização de materiais</p><p>sustentáveis, a redução de embalagens, o controle das emissões de</p><p>poluentes, entre outras medidas.</p><p>Por fim, as Construções Sustentáveis são uma prioridade importante,</p><p>pois buscam promover a adoção de práticas mais sustentáveis na</p><p>construção civil, tais como a utilização de materiais de construção menos</p><p>impactantes, a redução do consumo de água e energia, a utilização de</p><p>tecnologias mais eficientes, entre outras medidas.</p><p>TEMA 4 – PROMOÇÃO DA SAÚDE E PREVENÇÃO</p><p>DE DOENÇAS</p><p>Em um primeiro momento, a prevenção e a promoção da saúde</p><p>podem parecer a mesma coisa, mas vamos ver que seus conceitos, ações e</p><p>estratégias são diferentes.</p><p>4.1 PROMOÇÃO DA SAÚDE</p><p>A Promoção da Saúde consiste em fomentar, proporcionar, promover</p><p>a saúde por meio de planos, políticas e programas de saúde pública. É o</p><p>incentivo de condutas e práticas adequadas que visam a melhoria da saúde</p><p>e da qualidade de vida das pessoas.</p><p>A promoção da saúde é o processo que busca melhorar a saúde e a</p><p>qualidade de vida das pessoas, por meio de planos, políticas e programas</p><p>de saúde pública. É o incentivo de condutas e práticas adequadas que</p><p>visam a melhoria da saúde e da qualidade de vida das pessoas.</p><p>É importante destacar que promover a saúde é algo completamente</p><p>diferente de prevenir doenças.</p><p>A promoção da saúde não tem o foco somente na doença, é mais</p><p>amplo, ou seja não é voltado a doenças específicas como é o caso da</p><p>prevenção de doenças. A promoção da saúde sofre influências dos meios</p><p>social, cultural e ambiental. E possui ações de políticas de saúde, intervindo</p><p>na sociedade.</p><p>Em 1974, iniciou-se o movimento de promoção da saúde, no Canadá,</p><p>com o Relatório Lalonde, que discutia o campo da saúde, especificamente</p><p>o ambiente natural e social, o estilo de vida, e a organização dos serviços</p><p>de saúde. Também discutia que as ações na área da saúde não eram</p><p>exclusivas da medicina, ou seja, a promoção da saúde não era apenas uma</p><p>questão de prevenção, e sim uma necessidade de educar a população para</p><p>oferecer melhor qualidade de vida para as pessoas.</p><p>Em 1978, a Organização Mundial da Saúde organizou a I Conferência</p><p>Internacional sobre os Cuidados Primários de Saúde, com isso, tivemos a</p><p>Declaração de Alma-Ata, que enfatizou a Atenção Primária à Saúde, pois</p><p>este é o primeiro nível e contato das pessoas, famílias e da comunidade</p><p>com o sistema de saúde. Ou seja, a atenção primária é a porta de entrada</p><p>para os serviços de saúde, é o acesso que as pessoas têm para cuidar de</p><p>sua saúde.</p><p>Em 1986, aconteceu a I Conferência Internacional sobre a Promoção</p><p>da Saúde, em Ottawa. Sendo elaborada a Carta de Ottawa, que buscou</p><p>contribuir com uma visão de que as políticas de saúde de todos os países</p><p>alcançassem a todos. E que a promoção da saúde fosse um fator essencial</p><p>para promover um estilo de vida saudável, melhorando a qualidade de vida</p><p>das pessoas, com o objetivo de um bem-estar global.</p><p>No Brasil, em 2006, o Ministério da Saúde implementou a Política</p><p>Nacional de Promoção da Saúde – PNPS (Portaria do Ministério da Saúde,</p><p>nº 687 de 2006 ), para promover a qualidade de vida das pessoas, reduzir</p><p>vulnerabilidade e os riscos à saúde relacionados ao modo de viver, as</p><p>condições de trabalho, habitação, ambiente, lazer, cultura, acesso a bens e</p><p>serviços essenciais”. Em 2014, a PNPS foi revisada pela Portaria do</p><p>Ministério da Saúde n. 2.446 de 2014 , com o objetivo de “p romover a</p><p>equidade e a melhoria das condições e dos modos de viver, ampliando a</p><p>potencialidade da saúde individual e coletiva e reduzindo vulnerabilidades</p><p>e riscos à saúde decorrentes dos determinantes sociais, econômicos,</p><p>políticos, culturais e ambientais”.</p><p>As ações de promoção geralmente são voltadas em práticas que</p><p>busquem melhorar a saúde e a qualidade de vida, como: a alimentação</p><p>saudável; a prática regular de exercícios físicos; a redução do uso álcool e</p><p>do tabagismo; reduzir os acidentes de trânsito; reduzir os acidentes de</p><p>trabalho, entre outros.</p><p>4.2 PREVENÇÃO DE DOENÇAS</p><p>A prevenção de doenças é o ato de prevenir, agir antecipadamente,</p><p>evitar que aconteça. É baseada na epidemiologia e tem o objetivo de evitar</p><p>que a doença aconteça, ou seja, a prevenção de doenças é voltada para</p><p>doenças específicas e exige uma ação antecipada.</p><p>Segundo o Ministério da Saúde (2020) a prevenção primária engloba</p><p>ações realizadas para evitar a ocorrência da doença e suas estratégias são</p><p>voltadas para a redução da exposição aos fatores de risco.</p><p>Como exemplo, temos as campanhas de prevenção contra o câncer.</p><p>Na prevenção, o foco está na doença e nas estratégias para impedir que</p><p>ela aconteça.</p><p>Figura 3 – Campanha de Prevenção contra o Câncer de Mama.</p><p>Crédito: Art Ideia/shutterstock.</p><p>Em 1965, Leavell e Clark, propuseram o Modelo de História Natural da</p><p>Doença, para explicar o processo de adoecimento da pessoa e propor</p><p>estratégias de prevenção destinadas para cada fase da doença, dividindo</p><p>as ações preventivas em três níveis.</p><p>Prevenção Primária: são as ações de prevenção para evitar a doença</p><p>antes que se inicie. Divide-se em dois níveis, promoção da saúde e</p><p>proteção específica. A promoção da saúde refere-se as ações sobre</p><p>melhorias nas condições de vida das pessoas, saneamento básico,</p><p>distribuição de água potável, coleta de lixo adequada, beneficiando a</p><p>saúde e a qualidade de vida. A proteção específica se refere a ações de</p><p>prevenção que antecipam a instalação da doença, como a imunização da</p><p>população.</p><p>Prevenção Secundária: é quando o indivíduo já está com a doença,</p><p>mas são necessárias ações de prevenção para evitar o agravo da doença ou</p><p>a morte. Os níveis de ação incluem o diagnóstico precoce e o tratamento</p><p>imediato.</p><p>Prevenção Terciária: é a reabilitação do indivíduo, consiste no cuidado</p><p>de pessoas com sequelas de doenças ou acidentes, buscando a</p><p>recuperação da saúde da pessoa.</p><p>É importante salientar que a prevenção de doenças, faz com que o</p><p>profissional de saúde entenda e raciocine com práticas de saúde e ações</p><p>que buscam evitar a instalação da doença na pessoa, ou que ocorra a</p><p>progressão da doença já instalada. E faz parte da prática das equipes de</p><p>Atenção Primária de Saúde, ações coletivas e individuais de prevenção de</p><p>doenças, como por exemplo, na Estratégia de Saúde da Família e nas</p><p>Unidades Básicas de Saúde.</p><p>Figura 4 – Imunização infantil, exemplo de prevenção de doenças</p><p>Crédito: Prostock-studio/Shutterstock.</p><p>No Brasil, uma das principais estratégias para intervir no processo</p><p>saúde-doença, é a prevenção por meio da imunização da população, com</p><p>o objetivo de controlar, eliminar e erradicar doenças. Por meio do</p><p>Programa Nacional de Imunização, as principais vacinas (sarampo,</p><p>caxumba, coqueluche, poliomielite, tétano, rubéola, febre amarela, difteria,</p><p>tuberculose, meningite, hepatites A e B são disponibilizadas gratuitamente</p><p>pelo SUS.</p><p>TEMA 5 – SEGURANÇA ALIMENTAR E</p><p>NUTRICIONAL</p><p>da melhor maneira possível .</p><p>Envolve a capacidade de saber fazer algo que, por sua vez, envolve uma</p><p>série de habilidades, como aptidão, destreza e disposição para alguma</p><p>coisa. Em outras palavras, competência envolve acapacidade intelectual</p><p>geral, aptidão específica, pensamento criativo ou produtivo, capacidade de</p><p>liderança, talento especial para artes e capacidade psicomotora.</p><p>No entanto, mesmo com diversas definições e conceitos sobre o</p><p>termo competência, podemos identificar uma coisa em comum: ser capaz</p><p>de fazer algo. Assim, podemos entender que as competências são ações</p><p>eficazes que permitem às pessoas enfrentar diversas situações e</p><p>problemas, exigindo a utilização dos recursos disponíveis. Para esse</p><p>enfrentamento é essencial estar disposto a resolvê-los com uma intenção</p><p>específica, ou seja, ter a atitude de querer resolver o problema. Após</p><p>demonstrar disposição para solucionar os problemas, é essencial ter as</p><p>habilidades necessárias para realizar as ações exigidas e o conhecimento</p><p>necessário para resolvê-los.</p><p>O desenvolvimento de competências é um processo contínuo, que</p><p>ocorre ao longo da vida. Ele pode ser promovido por meio da educação,</p><p>da formação profissional e da experiência pessoal. Além disso, a reflexão</p><p>permite que a pessoa se conheça melhor, desenvolvendo sua autonomia e</p><p>capacidade de tomar decisões conscientes. Isso contribui para que o</p><p>indivíduo exerça sua profissão de forma responsável, colaborando com os</p><p>outros, agindo com ética, moral e respeito às diferenças e individualidades.</p><p>TEMA 2 – CHAVE (CONHECIMENTO +</p><p>HABILIDADES + ATITUDES + VALORES +</p><p>EMOÇÕES)</p><p>Vimos que os estudos acerca das competências tiveram início nos</p><p>anos 1970, impulsionados pelos trabalhos de McClelland, Boyatziz e</p><p>Spencer (corrente americana), inaugurando assim o debate sobre</p><p>competência entre psicólogos e administradores nos Estados Unidos,</p><p>numa época em que a discussão predominante ainda era em relação à</p><p>inteligência das pessoas. Nesse cenário, o conceito de competência no</p><p>contexto organizacional começou a ser moldado, inicialmente sob a</p><p>perspectiva do indivíduo, ganhando posteriormente destaque com</p><p>contribuições de outros autores.</p><p>Nos anos 1980 e 1990 autores como Le Boterf, Zarifian e Jacques</p><p>(corrente europeia) trouxeram uma nova perspectiva sobre a competência,</p><p>com a premissa de que “a competência só existe quando há competência</p><p>em ação e em um determinado contexto, refletindo em saber ser e saber</p><p>mobilizar conhecimentos em diversos contextos” (Knapik, 2012, p. 171).</p><p>No Brasil, a competência está baseada no conceito CHA, que se refere</p><p>a Conhecimento, Habilidade e Atitude.</p><p>Para Rabaglio (2005, p. 3), competência é “um conjunto de</p><p>conhecimentos, habilidades e atitudes específicas que permite ao indivíduo</p><p>desempenhar, com eficácia, determinadas tarefas, em qualquer situação,</p><p>de forma peculiar”.</p><p>A gestão desses atributos favorece o desenvolvimento humano e</p><p>profissional do indivíduo. O conhecimento está relacionado à formação</p><p>escolar e acadêmica, a habilidade está relacionada à experiência prática e a</p><p>atitude, à ação e à tomada de decisão. Todos esses atributos somados</p><p>formam as competências e estão relacionados ao comportamento do dia a</p><p>dia das pessoas.</p><p>Figura 1 – Competência está na intersecção entre atitude (attitude),</p><p>habilidades (skills) e conhecimento (knowledge)</p><p>Crédito: ogichobanov/Shutterstock.</p><p>Atualmente a compreensão de CHA foi ampliada para o conceito de</p><p>CHAVE (Conhecimento, Habilidade, Atitude, Valores e Emoções).</p><p>A CHAVE reflete a mudança no contexto das organizações e do</p><p>mundo do trabalho. Sabemos que CHA é baseado na ideia de que as</p><p>competências são a combinação de conhecimento, habilidade e atitude</p><p>que permite a uma pessoa ter sucesso em uma determinado situação.</p><p>No entanto, o contexto das organizações e do mundo do trabalho</p><p>mudou significativamente nas últimas décadas. As organizações tornaram-</p><p>se mais complexas e dinâmicas e o mundo do trabalho tornou-se mais</p><p>globalizado e competitivo. Essas mudanças exigem novas competências</p><p>dos profissionais. Além do conhecimento, da habilidade e da atitude, os</p><p>profissionais precisam também de valores e emoções alinhados com a</p><p>cultura organizacional e com os objetivos da empresa.</p><p>Com base nesse entendimento podemos nos aprofundar no</p><p>significado de CHAVE.</p><p>Conhecimento (saber): é o conhecimento adquirido, o domínio</p><p>intelectual na área de atuação e compreensão das informações por</p><p>meio de estudos, livros, videoaulas, rotas de aprendizagem. O</p><p>conhecimento inclui escolaridade, formação acadêmica,</p><p>especialização e cursos realizados pelo indivíduo.</p><p>Habilidade (saber fazer): é a capacidade de colocar o conhecimento</p><p>em prática, de resolver problemas, criar e inovar.</p><p>Atitude (querer fazer): é a capacidade de agir; é iniciar a ação após</p><p>a tomada de decisão. Nesse processo ocorre a superação, assumir</p><p>riscos, agregar valor, ter força e paixão.</p><p>Valores (crenças do indivíduo):os valores são as crenças e os</p><p>princípios do indivíduo e orientam o comportamento das pessoas. A</p><p>sociedade espera que as pessoas tomem ações com ética,</p><p>honestidade, seriedade e responsabilidade. Os valores influenciam as</p><p>decisões que as pessoas tomam, as ações que elas realizam e as</p><p>relações que estabelecem.</p><p>Emoções (saber ser): são estados subjetivos que influenciam o</p><p>pensamento, o comportamento e o desempenho das pessoas.</p><p>Podem ser positivas ou negativas e ter um impacto significativo na</p><p>capacidade de se relacionar com os outros, de resolver problemas e</p><p>de tomar decisões. A sociedade espera que os indivíduos sejam</p><p>resilientes, críticos, autônomos e conscientes de suas decisões.</p><p>Figura 2 – O conceito CHAVE</p><p>A inclusão dos valores e das emoções no conceito de competência</p><p>reflete a importância desses fatores para o sucesso pessoal e profissional</p><p>dos indivíduos. Os profissionais que têm valores e emoções alinhados com</p><p>a cultura organizacional e com os objetivos da empresa são mais</p><p>propensos a ter um melhor desempenho. Além disso, os valores e as</p><p>emoções podem ajudar as pessoas a lidar com o estresse, a frustração e</p><p>outras adversidades que podem surgir no ambiente de trabalho.</p><p>Como a competência (CHAVE) pode estar inserida no dia a dia das</p><p>pessoas no ambiente de trabalho?</p><p>Por exemplo, na prática poderia ocorrer a seguinte situação: um</p><p>funcionário de uma empresa da área de TI (tecnologia da informação) é</p><p>responsável pelo acompanhamento e manutenção de um determinado</p><p>software utilizado em diversos setores. O software deve atender a uma série</p><p>de requisitos técnicos e funcionais, e quando ocorrem problemas como</p><p>“erros” e inconsistências no sistema, esse profissional deve apresentar as</p><p>competências a seguir.</p><p>Conhecimento: o funcionário deve usar o conhecimento que tem na</p><p>área de atuação para entender as necessidades e resolver problemas</p><p>que possam surgir.</p><p>Habilidade: o funcionário deve usar as técnicas e ferramentas de</p><p>depuração de software para identificar a causa do problema. Deve</p><p>também usar seu conhecimento técnico para entender o problema e</p><p>propor uma solução.</p><p>Atitude: o funcionário deve ser proativo e comunicar aos usuários</p><p>que está ciente do problema e que está trabalhando para resolvê-lo.</p><p>Deve também demonstrar paciência e compreensão, pois os usuários</p><p>podem estar frustrados com o problema.</p><p>Valores: o funcionário deve sentir-se responsável pelo bom</p><p>funcionamento do software e pelo atendimento às necessidades dos</p><p>usuários. Deve estar aberto a novas ideias e soluções para resolver</p><p>problemas, agindo com ética e responsabilidade.</p><p>Emoções: o funcionário deve estar motivado para resolver problemas</p><p>e melhorar o desempenho do software, além de ser capaz de lidar</p><p>com o estresse e as frustrações que podem surgir no trabalho e de</p><p>controlar suas emoções, para evitar conflitos e prejuízo ao</p><p>relacionamento com os colegas e usuários.</p><p>Quadro 1 – Competência (CHAVE)</p><p>COMPETÊNCIA (CHAVE)</p><p>Conhecimento Habilidade Atitude</p><p>Saber Saber fazer Querer fazer</p><p>É o conhecimento adquirido,</p><p>A segurança alimentar e nutricional é um conceito abrangente que se</p><p>refere à garantia do acesso regular e irrestrito a alimentos nutritivos em</p><p>quantidade suficiente para manter uma vida saudável e ativa. Este é um</p><p>direito fundamental de todos os indivíduos, reconhecido</p><p>internacionalmente como parte integrante do direito à alimentação</p><p>adequada.</p><p>Para alcançar a segurança alimentar, é necessário assegurar que a</p><p>produção, distribuição e acesso aos alimentos sejam eficientes e</p><p>equitativos. Isso implica não apenas na quantidade de alimentos</p><p>disponíveis, mas também na qualidade nutricional desses alimentos. A</p><p>diversificação da produção agrícola, a promoção de práticas agrícolas</p><p>sustentáveis e a implementação de políticas que garantam a acessibilidade</p><p>econômica são aspectos cruciais para atingir esse objetivo.</p><p>Além disso, a segurança alimentar está intrinsecamente ligada à</p><p>nutrição adequada. A ingestão de nutrientes essenciais, como vitaminas e</p><p>minerais, é vital para o desenvolvimento e funcionamento adequado do</p><p>corpo humano. A desnutrição, seja por falta de alimentos ou escolhas</p><p>inadequadas, pode levar a uma série de problemas de saúde, incluindo</p><p>deficiências nutricionais, retardo no crescimento, comprometimento do</p><p>sistema imunológico e outras condições relacionadas à má nutrição.</p><p>5.1 FOME E INSEGURANÇA ALIMENTAR</p><p>A fome e a insegurança alimentar, problemas históricos que assolam a</p><p>sociedade, tornam-se ainda mais prementes em regiões marcadas por</p><p>altos índices de desigualdade social. Para propor soluções efetivas a esse</p><p>quadro desafiador, é imperativo adotar uma abordagem multidimensional.</p><p>Essa abordagem visa promover a interação entre diversas dimensões,</p><p>incluindo as sociais, culturais, políticas, econômicas e ambientais envolvidas</p><p>na produção e distribuição de alimentos.</p><p>A fome é uma condição extrema de escassez alimentar, caracterizada</p><p>pela falta persistente de alimentos básicos necessários para sustentar uma</p><p>vida saudável. Essa situação pode ser potencializada por uma variedade de</p><p>fatores, incluindo condições climáticas adversas, desastres naturais,</p><p>conflitos armados, instabilidade política, pobreza extrema e desigualdades</p><p>sociais. A fome não é apenas uma questão de quantidade de alimentos</p><p>disponíveis, mas também está relacionada à acessibilidade econômica e à</p><p>capacidade das comunidades em obterem alimentos de maneira</p><p>consistente.</p><p>Legenda – Crianças esperando em fila para receber alimento (Fome e</p><p>Insegurança alimentar)</p><p>Crédito: PreciousPhotos /shutterstock.</p><p>A insegurança alimentar, por sua vez, refere-se à falta de acesso</p><p>estável e confiável a alimentos suficientes para atender às necessidades</p><p>nutricionais de uma pessoa ou de uma comunidade. Isso pode se</p><p>manifestar de diversas formas, desde a incerteza sobre a origem da</p><p>próxima refeição até a escassez crônica de alimentos ao longo do tempo. A</p><p>insegurança alimentar está intimamente ligada à pobreza e à falta de</p><p>recursos, incluindo terra, água, tecnologia agrícola e acesso a mercados.</p><p>Em um contexto de desigualdade social, as soluções para a fome e</p><p>insegurança alimentar devem começar pela promoção de políticas públicas</p><p>que visem reduzir disparidades socioeconômicas. Investir em programas de</p><p>transferência de renda, acesso à educação e oportunidades de emprego</p><p>pode contribuir significativamente para elevar o padrão de vida das</p><p>populações vulneráveis, aumentando assim sua capacidade de adquirir</p><p>alimentos de maneira consistente.</p><p>Na dimensão cultural, é essencial considerar as práticas alimentares</p><p>locais e promover a valorização de dietas nutritivas e sustentáveis.</p><p>Educação nutricional, aliada à preservação das tradições alimentares</p><p>saudáveis, pode desempenhar um papel fundamental na promoção de</p><p>escolhas alimentares conscientes.</p><p>No âmbito político, é necessário fortalecer as instituições responsáveis</p><p>pela governança alimentar e garantir a participação inclusiva das</p><p>comunidades afetadas. Políticas que incentivem práticas agrícolas</p><p>sustentáveis, acesso equitativo à terra e implementação de medidas para a</p><p>proteção de agricultores familiares podem contribuir para melhorar a</p><p>produção de alimentos de maneira mais justa e eficiente.</p><p>Do ponto de vista econômico, estratégias que estimulem o</p><p>desenvolvimento de cadeias produtivas locais e promovam a agricultura</p><p>sustentável podem impulsionar a segurança alimentar. Incentivar a</p><p>diversificação da produção agrícola e o acesso a mercados justos são</p><p>medidas essenciais para reduzir a vulnerabilidade das comunidades em</p><p>situação de insegurança alimentar.</p><p>No que diz respeito à dimensão ambiental, é crucial adotar práticas</p><p>agrícolas sustentáveis que preservem os recursos naturais. A conservação</p><p>da biodiversidade, o manejo adequado dos solos e a promoção de técnicas</p><p>agrícolas que minimizem os impactos ambientais são elementos</p><p>fundamentais para garantir a continuidade da produção de alimentos a</p><p>longo prazo.</p><p>Além disso, a conscientização sobre o desperdício de alimentos e a</p><p>promoção de práticas de consumo sustentáveis são aspectos importantes</p><p>na busca pela segurança alimentar. A implementação de estratégias que</p><p>visem a distribuição justa dos recursos alimentares disponíveis e o</p><p>desenvolvimento de sistemas alimentares mais equitativos são cruciais</p><p>para enfrentar a fome e a insegurança alimentar.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>O desenvolvimento sustentável visa alcançarmos a sustentabilidade, e</p><p>a Responsabilidade Socioambiental das Empresas se torna essencial neste</p><p>processo. A empresas são responsáveis por suas ações e os impactos que</p><p>elas podem causar no ambiente natural e na sociedade local. No Brasil</p><p>casos como os de Mariana e Brumadinho, causaram enormes impactos</p><p>ambientais e sociais. Atualmente, outro caso está sendo amplamente</p><p>divulgado na mídia, o caso da Braskem em Maceió, em que ocorreu o</p><p>afundamento de diversos bairros e abertura de crateras nas ruas da cidade,</p><p>devido à instabilidade do solo causada pela mineração.</p><p>Após refletir sobre o assunto, discuta com seus colegas sobre o caso</p><p>da Braskem em Maceió, e proponha possíveis soluções que podemos</p><p>adotar para aos impactos ambientais e sociais, pois o afundamento</p><p>também afeta a lagoa Mundaú, impactando diretamente o meio ambiente,</p><p>o turismo e as pessoas que dependem da lagoa para sobreviver.</p><p>Para aprofundar mais no assunto, veja a notícia: “Entenda os impactos</p><p>na lagoa Mundaú em caso de colapso da mina da Braskem em Maceió”.</p><p>Disponível em: <https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2023/12/10/ente</p><p>nda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-bras</p><p>kem-em-maceio.ghtml> Acesso em: 19 jan. 2024.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Agora, vamos resolver uma questão do Enade 2023 que, na Formação</p><p>Geral, abordou de forma interdisciplinar os temas: saneamento básico,</p><p>desigualdade social, saúde e vulnerabilidade:</p><p>O crescimento das cidades promove o aumento da demanda por</p><p>serviços de água tratada, esgotamento sanitário, manejo das águas</p><p>pluviais, limpeza urbana e coleta de resíduos sólidos. No Brasil, o processo</p><p>de urbanização ocorreu de forma rápida e desigual, o que resultou no</p><p>https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2023/12/10/entenda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-braskem-em-maceio.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2023/12/10/entenda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-braskem-em-maceio.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2023/12/10/entenda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-braskem-em-maceio.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2023/12/10/entenda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-braskem-em-maceio.ghtml</p><p>https://g1.globo.com/al/alagoas/noticia/2023/12/10/entenda-os-impactos-na-lagoa-mundau-em-caso-de-colapso-da-mina-da-braskem-em-maceio.ghtml</p><p>agravamento de injustiças sociais e econômicas. Os serviços de</p><p>saneamento básico considerados direitos humanos fundamentais não são</p><p>acessíveis a uma parcela significativa da população, principalmente àquela</p><p>em que se concentram</p><p>os segmentos populacionais em situação de</p><p>vulnerabilidade.</p><p>O atendimento integral e universalizado junto às populações</p><p>periféricas e em situação de vulnerabilidade constitui um grande desafio,</p><p>por demandar políticas públicas e investimentos subsidiados e</p><p>permanentes.</p><p>Acerca do saneamento básico no Brasil, avalie as afirmações a</p><p>seguir:</p><p>I. A grave desigualdade social, evidenciada pela segregação nos</p><p>espaços urbanos, é uma das barreiras para a universalização do</p><p>acesso aos serviços de saneamento básico.</p><p>II. O serviço de abastecimento de água no Brasil situa-se no mesmo</p><p>patamar de fornecimento e de infraestrutura que o sistema de coleta</p><p>e tratamento do esgoto.</p><p>III. A universalização do acesso aos serviços de saneamento básico</p><p>requer investimentos em políticas públicas e em tecnologias sociais</p><p>que priorizem a democratização e o atendimento às populações em</p><p>situação de vulnerabilidade.</p><p>IV. O aumento da incidência de doenças transmiti das pela água resulta</p><p>não somente da inadequação dos serviços de saneamento, mas</p><p>também da precariedade das condições de moradia da população</p><p>em situação de vulnerabilidade.</p><p>É correto apenas o que se afirma em</p><p>A. I e II</p><p>B. I e IV</p><p>C. II e III</p><p>D. I, III, e IV</p><p>E. II, III, e IV</p><p>Comentários :</p><p>I. afirmativa verdadeira, pois as populações mais pobres, que</p><p>vivem em áreas segregadas das cidades, muitas vezes não têm</p><p>acesso à água tratada, coleta e tratamento de esgoto, coleta de</p><p>lixo etc. Isso ocorre porque essas populações geralmente não</p><p>têm condições financeiras de pagar pelos serviços ou porque os</p><p>serviços não estão disponíveis nas áreas onde vivem.</p><p>II. afirmativa falsa, pois o serviço de abastecimento de água no</p><p>Brasil é mais abrangente do que o sistema de coleta e</p><p>tratamento do esgoto. Estima-se que, 80% da população</p><p>brasileira tem acesso à água tratada, enquanto apenas 50% têm</p><p>acesso à coleta de esgoto.</p><p>III. afirmativa verdadeira, pois as políticas públicas devem ser</p><p>direcionadas para essas populações, garantindo o acesso aos</p><p>serviços a preços acessíveis e com qualidade.</p><p>IV. afirmativa verdadeira, pois a falta de acesso à água tratada e a</p><p>coleta e tratamento de esgoto facilita a proliferação de vetores</p><p>de doenças, como mosquitos, roedores e moscas. Além disso, a</p><p>precariedade das condições de moradia, como a falta de</p><p>saneamento básico, a falta de ventilação e a falta de iluminação,</p><p>também contribuem para o aumento da incidência de doenças.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta abordagem, compreendemos que a biodiversidade, que é</p><p>fundamental para a estabilidade ecológica, está ameaçada pela intervenção</p><p>humana, tornando a conservação imperativa não apenas para a natureza,</p><p>mas também para a continuidade da vida humana no planeta. A</p><p>sustentabilidade emerge como resposta essencial ao impacto ambiental</p><p>causado pela intervenção humana. Na esfera da saúde humana, a</p><p>promoção da saúde e a prevenção de doenças desempenham papéis</p><p>centrais na construção de sociedades saudáveis e sustentáveis. A</p><p>segurança alimentar e nutricional, por sua vez, é essencial para a saúde,</p><p>demandando uma produção de alimentos sustentável e o acesso</p><p>equitativo a alimentos nutritivos. A complexa interação entre meio</p><p>ambiente, sustentabilidade, promoção da saúde e segurança alimentar</p><p>destaca os desafios globais atuais.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AZEVEDO, G.; SERIACOPI, R. História: passado e presente. São Paulo:</p><p>Ática, 2016.</p><p>BRASIL. Política de Promoção da Saúde . Portaria MS n. 687, de 30 de</p><p>março de 2006. Disponível em:</p><p><http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/</p><p>2006/prt0687_30_03_2006.html>. Acesso em: 30 jan. 2024.</p><p>______. Redefine a Política Nacional de Promoção da Saúde - PNPS .</p><p>Portaria MS n. 2.446, de 11 de novembro de 2014. Disponível em:</p><p><http://bvsms.</p><p>saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2014/prt2446_11_11_2014.html>. Acesso</p><p>em: 30 jan. 2024.</p><p>______. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde.</p><p>Secretaria de Atenção à Saúde. Política Nacional de Promoção da Saúde.</p><p>PNPS: revisão da Portaria MS/GM n. 687, de 30 de março de 2006. –</p><p>Brasília: Ministério da Saúde, 2015.</p><p>______. Ministério da Saúde. Prevenção. Disponível em</p><p><https://www.saude.gov.br/atencao-especializada-e-</p><p>hospitalar/especialidades/</p><p>oncologia/prevencao#:~:text=A%20preven%C3%A7%C3%A3o%20prim%C</p><p>3%A1ria%20engloba%20a%C3%A7%C3%B5es,exposi%C3%A7%C3%A3o%</p><p>20aos%20fatores%20de%20risco.>. Acesso em: 30 jan. 2024.</p><p>Carta de Ottawa. Primeira Conferência Internacional sobre</p><p>Promoção da Saúde. Novembro 1986; Ottawa, Canadá. In: Ministério da</p><p>Saúde (BR). Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde.</p><p>Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2002. Disponível em:</p><p><https://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/carta_ottawa.pdf>. Acesso</p><p>em: 30 jan. 2024.</p><p>Declaração de Alma-Ata. Conferência Internacional sobre cuidados</p><p>primários de saúde. Setembro 1978; Alma-Ata, USSR. In: Ministério da</p><p>Saúde (BR). Secretaria de Políticas de Saúde. Projeto Promoção da Saúde.</p><p>Brasília (DF): Ministério da Saúde; 2002. Disponível em:</p><p><http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/declaracao_alma_ata.pdf>.</p><p>Acesso em: 30 jan. 2024.</p><p>IIDA, I. Ergonomia: projeto e produção. São Paulo: Blucher, 2014.</p><p>LAFONDE, M. A new perspective on the health of Canadians . A</p><p>working document. Ottawa: Government of Canada, 1974. Disponível em:</p><p><https://www.webcitation.org/5gbib2ON9?url=http://www.hc-sc.gc.ca/hcs-</p><p>sss/alt_formats/hpb-dgps/pdf/pubs/1974-lalonde/lalonde-eng.pdf>.</p><p>Acesso em: 30 jan. 2024.</p><p>LEAVELL H. ; CLARK E. Medicina Preventiva. São Paulo: McGraw-</p><p>Hill/Rio de Janeiro: Fename; 1976.</p><p>NAÇÕES UNIDAS (2019). Pnuma: Brasil possui entre 15% e 20% da</p><p>diversidade biológica mundial. Disponível em:</p><p><https://news.un.org/pt/story/2019/03/1662482#:~:text=Pa%C3%ADs%20t</p><p>em%20mais%20de%20120,uso%20sustent%C3%A1vel%20de%20recursos</p><p>%20naturais>. Acesso em: 30 jan. 2024.</p><p>FORMAÇÃO CIDADÃ</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>AULA 5</p><p>Prof. Mauro Seigi Hashimoto</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta etapa abordaremos uma série de tópicos importantes que</p><p>necessitam de uma visão interdisciplinar, pois são assuntos que envolvem a</p><p>diversidade, desenvolvimento urbano e a acessibilidade. Com isso,</p><p>aprofundaremos os tópicos:</p><p>Globalização e política internacional ;</p><p>Territórios, sociodiversidade e multiculturalismo ;</p><p>Relação entre campo e cidade ;</p><p>Desenvolvimento urbano e rural e qualidade de vida ; e</p><p>Acessibilidade e inclusão social.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>A Era Contemporânea é marcada pelo processo da globalização,</p><p>influenciando as diversas culturas e a política internacional. O mundo está</p><p>cada vez mais conectado, com fronteiras mais abertas, comunicações mais</p><p>rápidas e relações entre as nações estão mais dinâmicas. Essa interconexão</p><p>global traz desafios e oportunidades para as nações, exigindo uma</p><p>abordagem colaborativa para lidar com questões transnacionais, como</p><p>mudanças climáticas, migração e pandemias.</p><p>Em relação aos territórios, a sociodiversidade e o multiculturalismo, a</p><p>valorização e preservação das diferentes identidades culturais são</p><p>essenciais para a promoção de um convívio harmonioso e enriquecedor. A</p><p>diversidade social requer políticas que reconheçam e respeitem as</p><p>particularidades de cada comunidade, promovendo o diálogo e a</p><p>coexistência pacífica.</p><p>A relação entre campo e cidade representa uma dinâmica crucial para</p><p>entender a estrutura social e econômica de um país. A urbanização</p><p>acelerada traz consigo desafios como a desigualdade, a falta de</p><p>infraestrutura e o acesso limitado a serviços básicos. A compreensão da</p><p>interdependência entre o ambiente rural e urbano é vital para o</p><p>desenvolvimento sustentável, exigindo políticas que promovam a</p><p>conectividade e a distribuição justa de recursos.</p><p>O desenvolvimento urbano e rural desempenha um papel</p><p>fundamental na qualidade de vida dos cidadãos. Enquanto as áreas</p><p>urbanas enfrentam desafios relacionados à expansão desordenada,</p><p>poluição e falta de espaços verdes, as áreas rurais lutam contra a falta de</p><p>infraestrutura e oportunidades</p><p>econômicas mais limitadas. A busca por um</p><p>equilíbrio entre o urbano e o rural é essencial para garantir uma vida digna</p><p>para todos, promovendo o acesso a serviços básicos, emprego e lazer em</p><p>ambas as regiões.</p><p>Já a acessibilidade e a inclusão social são elementos essenciais para a</p><p>nossa sociedade. Garantir que todas as pessoas, independentemente de</p><p>suas habilidades físicas, tenham acesso a espaços públicos, serviços e</p><p>oportunidades é uma parte crucial do compromisso com a justiça social. A</p><p>promoção da inclusão social requer medidas que eliminem barreiras físicas</p><p>e sociais, assegurando a participação plena e igualitária de todos na</p><p>sociedade.</p><p>TEMA 1 – GLOBALIZAÇÃO E POLÍTICA</p><p>INTERNACIONAL</p><p>Os processos de globalização, estão intrinsicamente ligados ao</p><p>capitalismo, sendo um agente catalisador na integração de diferentes</p><p>partes do mundo. O capitalismo é um sistema econômico que surgiu no</p><p>final da Idade Média e se consolidou a partir da Revolução Industrial, no</p><p>século XVIII. Esse sistema é baseado na propriedade privada dos meios de</p><p>produção, na livre concorrência de mercado e na busca pelo lucro</p><p>(Azevedo; Seriacopi, 2016).</p><p>À medida que a história avançou, testemunhamos um constante</p><p>aprofundamento nas conexões entre diferentes pontos do planeta,</p><p>impulsionado pelo contínuo desenvolvimento dos meios de transporte e</p><p>sistemas de comunicação. Após a Segunda Guerra Mundial, uma nova fase</p><p>se delineou, marcada pela expansão significativa das multinacionais e pelos</p><p>grandes investimentos provenientes de países desenvolvidos em diversas</p><p>regiões do mundo.</p><p>Esse período pós-guerra não apenas teve uma ampliação geográfica</p><p>das operações das grandes indústrias, mas também presenciou a</p><p>consolidação de novas estratégias de expansão e acúmulo de capital. As</p><p>empresas não se limitavam apenas à exportação de seus produtos,</p><p>buscando se estabelecer fisicamente em diferentes países, adquirindo</p><p>vantagens como isenções fiscais, custos mais baixos de mão de obra e</p><p>matérias-primas, além de fortalecer a presença global dessas grandes</p><p>organizações.</p><p>O avanço dos meios de transporte e comunicação marcou uma</p><p>revolução na organização global de comércio, produção e investimentos.</p><p>Atualmente, produtos podem alcançar qualquer destino em um curto</p><p>intervalo de tempo, enquanto mercadorias são produzidas com</p><p>componentes provenientes de diversos países. Essa interconectividade</p><p>geográfica, impulsionada pela rapidez dos transportes e das comunicações,</p><p>remodelou a dinâmica econômica mundial.</p><p>1.1 TERCEIRA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL (REVOLUÇÃO</p><p>TÉCNICO-CIENTÍFICA)</p><p>A globalização surge como um fenômeno ligado ao avanço das</p><p>transformações tecnológicas, expandindo-se de maneira abrangente por</p><p>diversas regiões do mundo a partir da década de 1970. Essas mudanças,</p><p>marcadas pela automação e disseminação da informática, incorporam-se</p><p>não apenas às atividades produtivas, como a indústria e a agropecuária,</p><p>mas também permeiam outras esferas econômicas, como as finanças, o</p><p>comércio, o lazer e o entretenimento.</p><p>A Terceira Revolução Industrial ou Revolução técnico-científica marca</p><p>essa fase de desenvolvimento tecnológico que se destaca pelo aumento</p><p>substancial da capacidade produtiva das empresas, expansão da</p><p>infraestrutura (energia, telecomunicações e transporte) e presença de</p><p>sistemas informatizados em diversas atividades econômicas e na vida</p><p>cotidiana das pessoas. Exemplos dessa revolução incluem, os serviços de</p><p>autoatendimento, tecnologia biométrica, telefones celulares,</p><p>computadores, cabos de fibra óptica, câmeras digitais, códigos de barra</p><p>etc.</p><p>Nesse contexto, o capital, por sua vez, circula com menor restrição</p><p>entre países, impulsionando um aumento significativo no comércio de</p><p>mercadorias. A possibilidade de empresas estabelecerem presença em</p><p>vários países foi ampliada, e as transações financeiras, assim como os</p><p>investimentos, agora acontecem instantaneamente. Essa agilidade é</p><p>evidenciada pela capacidade de realizar operações bancárias a partir de</p><p>qualquer computador ou celular conectado à internet.</p><p>Nesse processo de crescente interligação entre pessoas, empresas e</p><p>países, assistimos à difusão mais ampla de hábitos de consumo e estilos de</p><p>vida, especialmente provenientes dos países desenvolvidos. Marcas</p><p>globalmente reconhecidas, como redes de fast-food e supermercados,</p><p>tornam-se veículos de disseminação desses padrões culturais.</p><p>1.2 REDES DE PRODUÇÃO E DISTRIBUIÇÃO E AS</p><p>MULTINACIONAIS</p><p>As transformações nas estruturas produtivas e de serviços, aliadas à</p><p>intensificação dos fluxos de capital, informação, pessoas e mercadorias,</p><p>culminaram na configuração de um espaço geográfico estruturado em</p><p>redes. Essas mudanças são intrinsecamente dependentes de complexos</p><p>sistemas de comunicação, transportes, energia e produção.</p><p>As redes, por sua vez, estabelecem conexões e estruturam relações</p><p>entre diversos pontos nos territórios, abrangendo níveis local, regional,</p><p>nacional e global. Elas desempenham um papel fundamental na circulação</p><p>e no estabelecimento de variados fluxos, possibilitando a movimentação</p><p>de capitais, informações, pessoas e mercadorias de um local para outro.</p><p>A organização do espaço geográfico por meio de redes trouxe</p><p>consigo a flexibilidade de não fixar as atividades econômicas em locais</p><p>específicos. Com a produção dividida em diversas etapas, empresas</p><p>localizadas em diferentes partes do mundo contribuem para a fabricação</p><p>de produtos. Elas podem produzir uma ou mais partes do produto, realizar</p><p>a montagem e distribuição no mercado mundial, enquanto outras, sob a</p><p>coordenação da sede, se encarregam da publicidade e da difusão da</p><p>marca.</p><p>Nesse contexto de produção e distribuição estruturado em redes, em</p><p>que parte da atividade produtiva é terceirizada, é possível, por exemplo,</p><p>adquirir um tablet de uma empresa sul coreana que foi produzido por uma</p><p>empresa subcontratada em Taiwan, com a exportação para o Brasil</p><p>conduzida por uma empresa de comércio exterior com sede na China e o</p><p>transporte realizado por uma multinacional da Dinamarca. Essas relações</p><p>comerciais, ao interligar países, visam a aumentar os lucros das empresas</p><p>multinacionais.</p><p>Com isso, podemos notar que estamos cercados por uma variedade</p><p>de produtos de diversas origens, fabricados por gigantes empresas</p><p>multinacionais. Essas organizações buscam expandir seus mercados,</p><p>comercializando produtos em praticamente todos os países, ampliando o</p><p>número de filiais globalmente e adquirindo empresas, especialmente em</p><p>nações em desenvolvimento.</p><p>Figura 1 – Samsung é um conglomerado multinacional sul-coreano; é uma</p><p>das 15 maiores do mundo</p><p>Crédito: Vytautas Kielaitis/Shutterstock.</p><p>As sedes das maiores multinacionais do mundo estão localizadas na</p><p>China, nos Estados Unidos, no Japão e na Coreia do Sul. Alguns exemplos</p><p>dessas multinacionais, são: Banco Industrial e Comercial da China, Amazon,</p><p>Apple, Toyota e Samsung (Murphy; Contreras, 2022). Algumas dessas</p><p>multinacionais movimentam anualmente um capital que ultrapassa a</p><p>economia de vários países combinados, desempenhando um papel</p><p>predominante no comércio global de mercadorias e serviços.</p><p>1.3 INTERNET E REDES SOCIAIS</p><p>A internet e as redes sociais, em geral, têm redefinido a maneira como</p><p>armazenamos e disseminamos informações, exercendo efeitos em diversos</p><p>setores econômicos. As tecnologias transformam a percepção de distâncias</p><p>e a própria noção de tempo.</p><p>Com a conexão à internet de alta velocidade, por meio de</p><p>computadores ou smartphones, hoje é comum as pessoas realizarem</p><p>compras online, transações bancárias, pesquisas, conversas, transmitir</p><p>vídeos, imagens e dados em escala global, além de se comunicarem por</p><p>chamada de vídeo. Essas mudanças, impulsionadas pela tecnologia,</p><p>permeiam diversos aspectos da vida contemporânea, marcando uma</p><p>profunda transformação na interação humana e na dinâmica econômica.</p><p>As redes sociais como WhatsApp, Instagram, Facebook, TikTok,</p><p>Telegram, Twitter, Linkedin e YouTube, são plataformas online que</p><p>possibilitam</p><p>a conexão e a troca de informações, ideias e experiências</p><p>entre pessoas ao redor do mundo. Essas plataformas tornaram-se meios</p><p>significativos de comunicação e interação social, desempenhando um</p><p>papel essencial na disseminação da globalização.</p><p>As redes sociais introduziram mudanças expressivas nos padrões de</p><p>comunicação e no entretenimento, redefinindo a forma como as pessoas</p><p>utilizam seu tempo durante os momentos de lazer. Além disso, empresas</p><p>utilizam as redes sociais para se comunicarem com o seu público</p><p>consumidor. Esse fenômeno ilustra como as redes sociais transcenderam o</p><p>âmbito pessoal e se tornaram uma ferramenta de influência nos domínios</p><p>social, político e profissional.</p><p>TEMA 2 – TERRITÓRIOS, SOCIODIVERSIDADE E</p><p>MULTICULTURALISMO</p><p>Os deslocamentos populacionais têm sido uma constante ao longo da</p><p>história, moldando a formação de diversos povos e influenciando a</p><p>diversidade cultural. A análise desses movimentos é essencial para</p><p>compreender os grupos étnicos existentes, considerando os choques e as</p><p>assimilações culturais ao longo do tempo. Tais deslocamentos permitiram a</p><p>ocupação e a colonização de extensas regiões da Terra, sendo o continente</p><p>americano um exemplo desse processo.</p><p>Os motivos de uma migração podem ser das mais variadas situações,</p><p>tais como aspectos econômicos, religiosos, escassez de recursos naturais,</p><p>política, guerra, fome. Todas essas adversidades levam um povo a</p><p>abandonar sua terra de origem e encontrar um novo lugar para recomeçar</p><p>suas vidas, em busca de sobrevivência e esperança de novas oportunidades</p><p>As migrações seguem geralmente duas etapas distintas: a emigração,</p><p>que representa a saída da população de um determinado local,</p><p>caracterizando a área repulsiva; e a imigração, que se refere à chegada</p><p>dessa população a outro local, representando a área atrativa. A dinâmica</p><p>dessas etapas é fundamental para compreender os movimentos</p><p>migratórios.</p><p>A classificação das migrações pode ocorrer considerando diversos</p><p>critérios, como tempo, espaço e organização. No que diz respeito ao</p><p>tempo, as migrações podem ser classificadas como temporárias ou</p><p>permanentes, dependendo da duração da estadia no novo local. Quanto</p><p>ao espaço, as migrações podem ser internas, quando ocorrem dentro de</p><p>um mesmo país, ou internacionais, quando atravessam fronteiras nacionais.</p><p>Além disso, as migrações podem ser organizadas em diferentes</p><p>padrões, como migrações pendulares (movimentos regulares entre dois</p><p>locais), migrações sazonais (ligadas a determinadas estações do ano), ou</p><p>migrações forçadas (decorrentes de fatores como conflitos, desastres</p><p>naturais ou perseguições).</p><p>Figura 2 – Refugiados da Croácia, recebendo auxílio da Agência das</p><p>Nações Unidas para os Refugiados</p><p>Crédito: BalkansCat/Shutterstock.</p><p>Diversos fatores impulsionam os movimentos migratórios, uma delas é</p><p>a disparidade socioeconômica entre os países, o desemprego e a falta de</p><p>perspectivas. Outro fator são os conflitos e guerras que marcaram o início</p><p>do século XXI, como os ocorridos no Iraque, Afeganistão, Síria, Líbia e em</p><p>várias nações africanas. Esses conflitos tiveram um grande impacto no</p><p>aumento dos deslocamentos de refugiados.</p><p>Outro fator que impulsiona os movimentos migratórios é a evolução</p><p>tecnológica, que intensificou as disputas entre empresas e a competição</p><p>entre profissionais no mercado internacional. A disseminação do uso das</p><p>redes sociais e da internet também desempenha um papel importante,</p><p>ampliando o conhecimento das pessoas sobre o mundo e outras nações,</p><p>facilitando contatos e pesquisas para aqueles que desejam migrar.</p><p>Praticamente todas as grandes cidades do mundo abrigam</p><p>comunidades de imigrantes, algumas numericamente significativas. Veja</p><p>alguns exemplos: imigrantes turcos em Frankfurt e Berlim (Alemanha),</p><p>imigrantes chineses em Vancouver (Canadá), imigrantes argelinos em Paris</p><p>(França), imigrantes indianos e paquistaneses em Londres (Inglaterra),</p><p>imigrantes de diversas partes do mundo nos Estados Unidos.</p><p>Apesar de buscarem melhorias em suas condições sociais nos países</p><p>de destino, muitos imigrantes acabam recebendo baixa remuneração, e os</p><p>imigrantes em situação ilegal enfrentam dificuldades de acesso a serviços</p><p>sociais, como saúde, previdência, educação, habitação e transporte. Isso</p><p>resulta na precarização de suas condições de vida e de trabalho,</p><p>especialmente nas grandes cidades globais. No entanto, de certa forma</p><p>estes imigrantes, mantêm melhores perspectivas nos países de destino em</p><p>comparação com suas nações de origem.</p><p>2.1 XENOFOBIA</p><p>A intensificação das migrações internacionais nas últimas décadas</p><p>coincidiu com transformações que tornaram o mercado de trabalho mais</p><p>restritivo e seletivo no mundo desenvolvido. Na Europa, em especial, o</p><p>desemprego atingiu níveis elevados nas últimas décadas do século XX e no</p><p>início do século XXI, sem uma reversão significativa a médio prazo.</p><p>Nos países desenvolvidos, muitos desempregados enfrentam</p><p>dificuldades para retornar ao mercado de trabalho, sendo realocados em</p><p>atividades de menor qualificação do que aquelas exercidas anteriormente.</p><p>Dessa forma, empregos tradicionalmente ocupados por imigrantes</p><p>passaram a ser disputados pela população local, gerando restrições nas</p><p>opções de trabalho que antes estavam disponíveis para estrangeiros. Essa</p><p>dinâmica contribui significativamente para o aumento da xenofobia e dos</p><p>conflitos sociais entre imigrantes e as comunidades locais.</p><p>Mas o que é a xenofobia?</p><p>A xenofobia é um fenômeno que se manifesta como o medo, aversão</p><p>ou hostilidade em relação a pessoas estrangeiras ou culturas diferentes. Ela</p><p>pode se manifestar de diversas formas, desde atitudes discriminatórias até</p><p>a violência física e verbal. A xenofobia é muitas vezes é alimentada pelo</p><p>preconceito, estereótipos e falta de compreensão em relação a outras</p><p>culturas.</p><p>No geral, os imigrantes enfrentam resistência por parte das</p><p>comunidades locais, que podem temer a perda de empregos, alterações</p><p>culturais ou simplesmente sentir-se desconfortáveis com o desconhecido.</p><p>Essa hostilidade pode se refletir em políticas restritivas, segregação social e</p><p>até mesmo violência contra os imigrantes.</p><p>Além disso, a xenofobia pode ser direcionada a grupos específicos de</p><p>imigrantes, com base em características como etnia, religião ou</p><p>nacionalidade. Por exemplo, imigrantes de certas regiões ou com certas</p><p>origens culturais podem sofrer uma xenofobia mais intensa, é o caso dos</p><p>asiáticos, latinos e africanos, em que muitos dos imigrantes dessas culturas</p><p>sofrem muito preconceito na Europa e nos Estados Unidos.</p><p>Contudo, há um outro aspecto a ser considerado. Muitos países</p><p>desenvolvidos buscam e até incentivam a entrada de imigrantes,</p><p>especialmente aqueles altamente qualificados, como cientistas,</p><p>pesquisadores e outros profissionais. No caso de pesquisadores com alto</p><p>grau de formação (mestres e doutores) devido à falta de incentivo,</p><p>mercado de trabalho escasso e pouco valorizado em seus países de</p><p>origem, esses profissionais, vão atrás de oportunidades proporcionadas</p><p>por países desenvolvidos, como os Estados Unidos e os países europeus.</p><p>Esses pesquisadores acabam direcionando seus conhecimentos para o</p><p>desenvolvimento técnico-científico dos países que os acolheram,</p><p>caracterizando o fenômeno conhecido como migração de cérebros ou fuga</p><p>de cérebros.</p><p>Além de pesquisadores e cientistas, empresários de países em</p><p>desenvolvimento também migram para nações desenvolvidas, onde</p><p>empreendem negócios relacionados à sua área de atuação. O governo dos</p><p>Estados Unidos, por exemplo, possui um programa específico com o</p><p>objetivo de incentivar o investimento de empreendedores estrangeiros no</p><p>país.</p><p>TEMA 3 – RELAÇÃO ENTRE CAMPO E CIDADE</p><p>Ao longo dos séculos, os conceitos de campo, cidade, urbano e rural</p><p>têm evoluído, especialmente após a Primeira Revolução Industrial. Nesse</p><p>período, houve uma significativa migração de pessoas do campo para as</p><p>cidades, impulsionada pelo crescimento das indústrias. Esse fenômeno</p><p>contribuiu</p><p>para alterar as percepções e definições desses termos.</p><p>Campo e cidade, inicialmente considerados espaços geográficos</p><p>distintos, passaram a representar modos de vida contrastantes. A migração</p><p>em massa para as cidades durante a Revolução Industrial não apenas</p><p>transformou as paisagens, mas também influenciou a dinâmica social e</p><p>econômica. As cidades, antes centros urbanos, tornaram-se símbolos de</p><p>modernidade e industrialização.</p><p>Urbano e rural, por outro lado, adquiriram conotações mais amplas e</p><p>sociais. Enquanto campo e cidade referem-se a realidades físicas, urbano e</p><p>rural são entendidos como construções sociais que abrangem não apenas</p><p>aspectos geográficos, mas também culturais, econômicos e</p><p>comportamentais. O urbano passou a denotar características associadas à</p><p>vida moderna, à urbanização e à diversidade, enquanto o rural continuou a</p><p>evocar imagens de tradição, natureza e comunidades menores.</p><p>Essa distinção entre formas concretas (campo e cidade) e</p><p>representações sociais (urbano e rural) reflete a complexidade das</p><p>mudanças sociais e econômicas ao longo do tempo. A urbanização não</p><p>apenas alterou a paisagem, mas também redefiniu as percepções coletivas</p><p>sobre o modo de vida, influenciando a maneira como concebemos e</p><p>categorizamos os espaços habitados.</p><p>No âmbito geográfico, as categorias de rural e urbano descrevem</p><p>diferentes formas de ocupação e modificação do espaço natural pelo</p><p>homem. Essas distinções refletem não apenas características físicas, mas</p><p>também elementos socioespaciais e suas complexas inter-relações na</p><p>paisagem.</p><p>O processo de êxodo rural, marcado pela migração das pessoas do</p><p>campo para as cidades, impulsionou mudanças significativas nas dinâmicas</p><p>econômicas, sociais, culturais, políticas e estruturais. Essa transformação</p><p>gradual resultou na substituição dos conceitos tradicionais de campo e</p><p>cidade pelos termos mais abrangentes de rural e urbano.</p><p>O espaço rural passou a ser definido como a porção não urbanizada,</p><p>caracterizada pela ausência de cidades e práticas urbanas. Suas atividades</p><p>econômicas estão majoritariamente voltadas para o setor primário,</p><p>abrangendo práticas como extrativismo, agricultura e pecuária.</p><p>Contrastando com o rural, o espaço urbano é marcado pela formação</p><p>de cidades e pela concentração de atividades do setor secundário e</p><p>terciário. Aqui, encontramos indústrias, comércios e prestação de serviços,</p><p>representando a complexidade e diversidade das atividades urbanas.</p><p>Dessa forma, a evolução do espaço geográfico reflete não apenas a</p><p>ocupação física do território, mas também as profundas mudanças nas</p><p>dinâmicas sociais e econômicas que moldaram a transição de campo e</p><p>cidade para os conceitos mais amplos de rural e urbano.</p><p>Atualmente, o ambiente urbano apresenta diferenças significativas em</p><p>relação ao cenário do século XIX e das primeiras décadas do século XX,</p><p>especialmente devido às funções predominantemente ligadas ao setor</p><p>terciário. Essa mudança substancial redefine a concepção das cidades,</p><p>conferindo-lhes uma nova dimensão. A globalização e o aumento da oferta</p><p>e demanda por serviços fortaleceram, particularmente nas grandes cidades,</p><p>seu papel de liderança na economia nacional e global.</p><p>Um ponto a ser destacado é a intensificação do processo de</p><p>urbanização nas últimas décadas. A população urbana atual supera a rural,</p><p>e futuros aumentos na população urbana mundial devem ocorrer</p><p>principalmente nos países em desenvolvimento.</p><p>TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO URBANO E RURAL</p><p>E QUALIDADE DE VIDA</p><p>Algumas cidades alcançaram proporções gigantescas, ultrapassando a</p><p>população de alguns países, e deram origem a um fenômeno urbano</p><p>notável: as megacidades. De acordo com a ONU, essas aglomerações</p><p>possuem mais de 10 milhões de habitantes, predominando nos países</p><p>emergentes e em desenvolvimento, e em alguns países desenvolvidos.</p><p>Tóquio (Japão), é a maior delas, com cerca de 37,2 milhões de habitantes,</p><p>seguida por Nova Délhi (Índia), com 32 milhões, Shangai (China), com 28,5</p><p>milhões, e São Paulo (Brasil) com cerca de 22,4 milhões de habitantes em</p><p>2022 (Nações Unidas, 2022).</p><p>Figura 3 – Tóquio (Japão) é a megacidade mais populosa do mundo com</p><p>cerca de 37,2 milhões de habitantes</p><p>Crédito: Beeboys/Shutterstock.</p><p>O rápido crescimento dessas megacidades é impulsionado pela</p><p>intensidade dos fluxos migratórios urbanos, muitas vezes sem um</p><p>planejamento adequado para atender às necessidades sociais e</p><p>econômicas de uma parte significativa da população. O resultado desse</p><p>crescimento desordenado é evidente nos bairros residenciais sem</p><p>saneamento, habitações precárias, áreas de risco, violência, trânsito</p><p>congestionado, poluição e ineficiência dos meios de transporte público,</p><p>além da falta de serviços sociais básicos como saúde, educação e</p><p>habitação.</p><p>Apesar da magnitude dos desafios enfrentados por essas</p><p>megacidades, diferenças fundamentais as separam das grandes cidades do</p><p>mundo desenvolvido. As condições socioeconômicas e a história dessas</p><p>últimas permitiram soluções graduais e ajustes ao seu processo de</p><p>crescimento. Exemplos incluem infraestrutura de transporte coletivo, como</p><p>sistemas metroviários, e maiores recursos financeiros para projetos de</p><p>melhoria da qualidade de vida urbana.</p><p>Essas grandes cidades, especialmente nas nações em desenvolvimento</p><p>e emergentes, destacam de maneira evidente a desigualdade social.</p><p>Enquanto bairros luxuosos desfrutam de ampla infraestrutura e instalações</p><p>culturais e esportivas, como faculdades, escolas, hospitais e espaços de</p><p>lazer, outros bairros sofrem com a carência de serviços públicos. Taxas de</p><p>mortalidade infantil, abandono escolar e criminalidade juvenil são mais</p><p>significativas nessas áreas carentes, evidenciando as disparidades sociais</p><p>presentes nas grandes cidades.</p><p>Nos últimos dois anos, observou-se uma desaceleração no ritmo de</p><p>urbanização em escala mundial. Isso ocorreu devido à migração em massa</p><p>das principais cidades para áreas rurais ou pequenas cidades no início da</p><p>pandemia de Covid-19, motivada pela busca por maior segurança sanitária.</p><p>Entretanto, essa mudança representou uma resposta de curto prazo e não</p><p>alterou a trajetória da urbanização global.</p><p>A população urbana continua a crescer, e de acordo com o Relatório</p><p>Mundial das Cidades 2022, publicado pelo ONU-Habitat em junho de</p><p>2022, aponta que população mundial será 68% urbana até 2050. As</p><p>projeções indicam que a população urbana mundial aumente 2,2 bilhões</p><p>de pessoas nas cidades de todo o mundo, anualmente, até 2050. Com isso,</p><p>estima-se que a população urbana passe de 56% do total global em 2021</p><p>para 68% em 2050 (Nações Unidas Brasil, 2022).</p><p>Veja a afirmação da diretora executiva do ONU-Habitat, Maimunah</p><p>Mohd Sharif, sobre o Relatório Mundial das Cidades 2022 :</p><p>Inúmeros desafios foram expostos e exacerbados pela pandemia,</p><p>mas a Covid-19 também trouxe uma sensação de otimismo: a</p><p>oportunidade de reconstruir de forma diferente. Se aplicarmos as</p><p>políticas corretas e tivermos compromisso adequado dos</p><p>governos, nossas crianças podem herdar um futuro urbano mais</p><p>inclusivo, verde, seguro e saudável. [...] Devemos começar a</p><p>reconhecer que o status quo anterior a 2020 era, em muitos</p><p>sentidos, um modelo insustentável de desenvolvimento urbano</p><p>Devemos adotar as melhores práticas aprendidas em nossas</p><p>respostas ao Covid-19 e à crise climática. (Nações Unidas Brasil,</p><p>2022)</p><p>O relatório da ONU-Habitat confirma a tendência de que o futuro da</p><p>humanidade é urbano. Mesmo a pandemia do Covid-19, quando atingiu as</p><p>áreas urbanas e criou dificuldades econômicas, não mudou esse fato. As</p><p>cidades continuam a ser focos de oportunidades para pessoas que buscam</p><p>trabalho e educação. Atraindo os filhos dos moradores do campo e mesmo</p><p>com os avanços da produtividade agrícola, as cidades continuam sendo o</p><p>polo de um desenvolvimento mais promissor para esses jovens.</p><p>A amplitude de oportunidades proporcionadas pelas grandes cidades,</p><p>especialmente nos países em desenvolvimento, não se estende a todos os</p><p>seus habitantes. Muitos</p><p>são marginalizados, ficando fora do alcance dos</p><p>serviços essenciais e das oportunidades de emprego, o que resulta na</p><p>deterioração da qualidade de vida urbana. O crescimento da urbanização</p><p>em escala global, com um ritmo mais acelerado nos países em</p><p>desenvolvimento, impõe desafios para a adoção de um modelo de</p><p>desenvolvimento sustentável nessas cidades.</p><p>Um exemplo de país que enfrenta esses desafios é o Brasil, em</p><p>diversas cidades encontramos bairros com infraestrutura deficiente,</p><p>loteamentos clandestinos, favelas e ocupações habitacionais por parte da</p><p>população de baixa renda. Ao mesmo tempo, as grandes cidades</p><p>encontramos bairros mais privilegiados, beneficiados por infraestruturas e</p><p>qualidades urbanísticas, incluindo parques, praças e vastas áreas</p><p>arborizadas, proporcionando a seus moradores condições de vida</p><p>semelhantes às encontradas em países desenvolvidos.</p><p>Figura 4 – Ícone da desigualdade social em São Paulo, a maior cidade do</p><p>Brasil: a favela e os edifícios de luxo</p><p>Crédito: o Pederneiras/Shutterstock.</p><p>A falta de condições adequadas de moradia para uma parcela</p><p>significativa da população, sobretudo nas grandes cidades e capitais,</p><p>reflete a dinâmica intrínseca ao processo de modernização em alguns</p><p>países em desenvolvimento. Esse processo é marcado pela concentração</p><p>de renda e propriedades, resultando na exclusão de parte da população</p><p>dos benefícios gerados por essa modernização.</p><p>Nesse contexto, temos também a realidade das cidades inteligentes</p><p>que visam integrar tecnologias avançadas para aprimorar eficiência,</p><p>sustentabilidade e qualidade de vida em áreas urbanas.</p><p>A cidade inteligente, ao incorporar tecnologia para aprimorar sua</p><p>infraestrutura e serviços, possui o potencial de significativamente contribuir</p><p>para a melhoria das questões relacionadas ao desenvolvimento</p><p>sustentável. A implementação de soluções inteligentes pode impactar</p><p>positivamente o meio ambiente e promover práticas mais sustentáveis em</p><p>diversos aspectos.</p><p>Ao utilizar a tecnologia de forma inovadora, as cidades inteligentes</p><p>podem otimizar o consumo de recursos, reduzindo o impacto ambiental</p><p>dos aglomerados urbanos. Por exemplo, a eficiência energética pode ser</p><p>aprimorada através da gestão inteligente de iluminação pública, sistemas</p><p>de climatização e transporte público, resultando em uma redução</p><p>significativa no consumo de energia e, consequentemente, na emissão de</p><p>CO2.</p><p>Além disso, a integração de sistemas inteligentes de gestão de</p><p>resíduos contribui para a promoção da reciclagem e minimização do</p><p>desperdício, fomentando práticas mais sustentáveis. A utilização de</p><p>tecnologias na área de transporte pode incentivar modos de locomoção</p><p>mais limpos e eficientes, como veículos elétricos e sistemas de</p><p>compartilhamento, reduzindo a poluição do ar.</p><p>Ao modernizar setores como administração, educação, saúde,</p><p>segurança pública, moradia e transporte, as cidades inteligentes</p><p>promovem a eficiência operacional e, ao mesmo tempo, melhoram a</p><p>qualidade de vida da população. Essa abordagem não apenas atende às</p><p>necessidades presentes, mas também estabelece bases sólidas para o</p><p>crescimento sustentável no longo prazo.</p><p>Portanto, ao utilizar a tecnologia como uma ferramenta essencial para</p><p>aprimorar infraestrutura e serviços, as cidades inteligentes desempenham</p><p>um papel crucial na redução do impacto ambiental, contribuindo</p><p>significativamente para a promoção de práticas mais sustentáveis e para o</p><p>alcance de metas relacionadas ao desenvolvimento sustentável.</p><p>TEMA 5 – ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO SOCIAL</p><p>A forma como nos referimos às pessoas que utilizam cadeira de rodas,</p><p>muletas, cães-guia, aparelhos auditivos e outros recursos relacionados à</p><p>deficiência tem evoluído ao longo do tempo. Antigamente, era comum o</p><p>uso de termos pejorativos, refletindo uma falta de sensibilidade e empatia</p><p>por parte da sociedade.</p><p>No entanto, em 2006 na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com</p><p>Deficiência das Nações Unidas, foi definido que o termo adequado a ser</p><p>usado é Pessoa com Deficiência (PcD), reconhecendo que,</p><p>independentemente de suas particularidades, todos somos pessoas</p><p>detentoras da dignidade humana (Nações Unidas, 2006).</p><p>O uso da terminologia correta reflete um avanço na compreensão e na</p><p>promoção da inclusão. Ao utilizar o termo Pessoas com Deficiência,</p><p>enfatiza-se a importância de reconhecer a individualidade e a dignidade de</p><p>cada indivíduo, sem reduzi-las a estereótipos ou definições baseadas em</p><p>condições específicas, afinal, todos merecem ser tratados com respeito.</p><p>Pessoas com Deficiência (PcD) são aquelas que enfrentam</p><p>impedimentos de longo prazo de natureza física, mental, intelectual ou</p><p>sensorial, frequentemente enfrentam consideráveis desafios de inserção</p><p>social. Infelizmente, essa parcela da população é frequentemente alvo de</p><p>preconceito e discriminação, especialmente no ambiente de trabalho.</p><p>A estigmatização e a falta de compreensão em relação às</p><p>necessidades e capacidades das pessoas com deficiência contribuem para</p><p>a sua marginalização social. No contexto profissional, a discriminação pode</p><p>se manifestar de várias maneiras, desde a recusa de oportunidades de</p><p>emprego até a falta de adaptações razoáveis no ambiente de trabalho para</p><p>acomodar as diferentes habilidades e necessidades.</p><p>Nesse contexto, a acessibilidade é a condição essencial que</p><p>possibilita superar as barreiras que representam obstáculos à efetiva</p><p>participação das pessoas nos diversos aspectos da vida social. No contexto</p><p>específico das Pessoas com Deficiência (PcD), a acessibilidade refere-se à</p><p>capacidade de utilizar com segurança e autonomia, seja de maneira total</p><p>ou assistida, os espaços urbanos, mobiliários, equipamentos, edificações,</p><p>serviços de transporte, dispositivos, sistemas e meios de comunicação e</p><p>informação.</p><p>Figura 5 – Acessibilidade, ponto de ônibus com acesso para as Pessoas</p><p>com Deficiência (PcD), na cidade de Curitiba, Paraná</p><p>Crédito: Alf Ribeiro/Shutterstock.</p><p>Você sabe quantas pessoas com deficiência existem no Brasil?</p><p>O Brasil tem cerca de 18,6 milhões de pessoas com deficiência,</p><p>resultado da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD): Pessoas</p><p>com Deficiência 2022, divulgada em julho de 2023 pelo IBGE (Instituto</p><p>Brasileiro de Geografia e Estatística) (IBGE, 2023).</p><p>Os dados da PNAD, destacam que as pessoas com deficiência</p><p>enfrentam grandes desafios em termos de inserção no mercado de</p><p>trabalho e acesso à educação, refletindo em maiores dificuldades de</p><p>obtenção de renda. Para se ter uma noção, a pesquisa revelou que apenas</p><p>26,6% das pessoas com deficiência conseguiram ingressar no mercado de</p><p>trabalho (Gomes, 2023).</p><p>Essa realidade reforça a necessidade de políticas públicas que</p><p>busquem reduzir as disparidades educacionais e de emprego, promovendo</p><p>uma sociedade mais inclusiva e equitativa para as pessoas com deficiência.</p><p>Nesse contexto, a acessibilidade é essencial para a inclusão social, pois</p><p>as duas ações estão interligadas visando garantir que todas as pessoas,</p><p>independentemente de suas condições físicas, mentais ou sociais, tenham</p><p>acesso aos mesmos direitos e oportunidades.</p><p>Garantir a acessibilidade é fundamental para promover a inclusão e a</p><p>participação plena de pessoas com deficiência na sociedade. Isso implica</p><p>remover as barreiras físicas, comunicacionais e tecnológicas que poderiam</p><p>limitar seu acesso e envolvimento em diferentes ambientes. Quando os</p><p>espaços, produtos e serviços são acessíveis, proporcionam às pessoas com</p><p>deficiência a oportunidade de exercerem seus direitos, contribuírem</p><p>ativamente e desfrutarem de uma vida independente.</p><p>A inclusão social, por sua vez, é a promoção de oportunidades iguais</p><p>para todos os membros da sociedade, independentemente de suas</p><p>diferenças. Isso abrange não apenas a acessibilidade para pessoas com</p><p>deficiência, mas também o acesso à educação, emprego, saúde, cultura e</p><p>participação cívica. A promoção da inclusão social requer a superação de</p><p>estigmas, preconceitos e a implementação de políticas que garantam</p><p>igualdade de direitos e oportunidades.</p><p>No âmbito urbano, proporcionar a acessibilidade, implica</p><p>planejamento urbano que considere a acessibilidade em todas as suas</p><p>formas, desde calçadas e transporte público até a criação de espaços de</p><p>convivência cultural acessíveis a todos. A inclusão social, por sua vez,</p><p>requer políticas públicas que promovam a igualdade de acesso a serviços</p><p>essenciais e ações afirmativas que busquem corrigir desigualdades</p><p>históricas.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Diante do cenário da acessibilidade e inclusão social, ressaltamos que</p><p>são diversos os grupos afetados pela exclusão social, principalmente as</p><p>minorias. Entretanto, quando abordamos a acessibilidade um grupo em</p><p>especial é mais retratado, são as Pessoas com Deficiência (PcD).</p><p>Após refletir sobre o assunto, fomente uma discussão com amigos</p><p>e/ou conhecidos e proponha soluções para melhorar a acessibilidade no</p><p>seu bairro e na sua cidade, visando a inclusão social das Pessoas com</p><p>Deficiência (PcD).</p><p>Saiba mais</p><p>Para aprofundar mais no assunto, veja a seguinte notícia da CNN</p><p>Brasil:</p><p>INCLUSÃO Social: entenda o que é, importância, exemplos e como</p><p>promover . CNN, 7 fev. 2023. Disponível em: <https://encurtador.com.</p><p>br/prBR7> . Acesso em: 23 jan. 2024.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Agora, vamos resolver uma questão do Enade 2022, que, na Formação</p><p>Geral, abordou os temas migrações internacionais e xenofobia:</p><p>Ao final de 2021, cerca de 89,3 milhões de pessoas estavam</p><p>deslocadas em todo o mundo, em decorrência de violência, perseguições,</p><p>https://encurtador.com.br/prBR7</p><p>https://encurtador.com.br/prBR7</p><p>https://encurtador.com.br/prBR7</p><p>https://encurtador.com.br/prBR7</p><p>violações dos direitos humanos ou outros conflitos em seus locais de</p><p>origem. Esse contingente de deslocamentos forçados já alcançava mais de</p><p>100 milhões de pessoas em maio de 2022, sendo motivados por</p><p>instabilidades como as ocorridas no Afeganistão, em alguns países</p><p>africanos e nas regiões da Ucrânia ocupadas pela Rússia, além de outros</p><p>locais onde já perduravam confrontos armados, como, por exemplo, na</p><p>Síria. Disponível em: <https://www.acnur.org>. Acesso em: 21 jun. 2022</p><p>(adaptado).</p><p>Com relação às atuais migrações internacionais forçadas, assinale a</p><p>opção correta.</p><p>https://www.acnur.org/</p><p>https://www.acnur.org/</p><p>https://www.acnur.org/</p><p>A. Os interesses em relação ao tipo de tratamento dispensado aos</p><p>imigrantes no mundo independem de seus países de origem.</p><p>B. A xenofobia, que consiste no preconceito contra estrangeiros, deve-</p><p>se à falta de normas internacionais para o tratamento de situações de</p><p>imigração.</p><p>C. Os refugiados são migrantes de países subdesenvolvidos que se</p><p>deslocam para países centrais do capitalismo global a fim de servir de</p><p>mão de obra barata.</p><p>D. As migrações internacionais forçadas surgem da globalização</p><p>econômica, cujos processos são responsáveis pelo aumento do</p><p>número de refugiados no mundo.</p><p>E. A condição de migrante internacional forçado diferencia-se da</p><p>condição geral de imigrante na medida em que se refere ao</p><p>deslocamento motivado por fatores involuntários, que fogem ao</p><p>controle do migrante e de sua família.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa, compreendemos que a globalização redefiniu as</p><p>dinâmicas políticas e culturais, promovendo uma interconexão intensa</p><p>entre nações. Esse cenário demanda uma abordagem colaborativa para</p><p>enfrentar desafios internacionais. Ao mesmo tempo, a valorização da</p><p>diversidade cultural é essencial para uma convivência harmoniosa.</p><p>A relação campo-cidade é determinante na estrutura social e</p><p>econômica, exigindo compreensão da interdependência para promover o</p><p>desenvolvimento sustentável. O desenvolvimento urbano e rural é</p><p>essencial para a qualidade de vida. Enquanto as áreas urbanas enfrentam</p><p>desafios como expansão desordenada, as rurais lidam com falta de</p><p>infraestrutura. Buscar equilíbrio é vital para garantir dignidade a todos.</p><p>Por fim, a acessibilidade e inclusão social são alicerces para uma</p><p>sociedade justa. E garantir acesso universal a espaços, serviços e</p><p>oportunidades é fundamental para promover uma sociedade mais justa e</p><p>inclusiva.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>AZEVEDO, G.; SERIACOPI, R. História: passado e presente. São Paulo:</p><p>Ática, 2016.</p><p>BERTHOLD, J. Ética, direitos humanos e direitos da cidadania. São</p><p>Paulo: Contentus, 2020.</p><p>GOMES, E. Globalização e processos de integração. Curitiba:</p><p>InterSaberes, 2020.</p><p>GOMES, I. PNAD Contínua: pessoas com deficiência têm menor acesso</p><p>à educação, ao trabalho e à renda. Agência IBGE de Notícias, 7 jul. 2023.</p><p>Disponível em: <https://encurtador.com.br/pxMR5>. Acesso em: 23 jan.</p><p>2024.</p><p>MURPHY, A.; CONTRERAS, I. Forbes Global 2000: veja quais são as</p><p>maiores empresas do mundo em 2022. Forbes, 12 maio 2022. Disponível</p><p>em: <https://encurtador.com.br/iwJ05>. Acesso em: 23 jan. 2024.</p><p>NAÇÕES UNIDAS BRASIL. ONU-Habitat: população mundial será 68%</p><p>urbana até 2050. UN, 1 jul. 2022. Disponível em: <https://brasil.un.org/pt-</p><p>br/188520-onu-habitat-popula%C3%A7%C3%A3o-mundial-ser%C3%A1-</p><p>68-urbana-at%C3%A9-2050>. Acesso em: v23 jan. 2024.</p><p>NAÇÕES UNIDAS. Divisão de população: perspectivas da população</p><p>mundial 2022. UN, 2022. Disponível em:</p><p><https://population.un.org/wpp/>. Acesso em: 23 jan. 2024.</p><p>_____. Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência. UN ,</p><p>12 dez. 2006. Disponível em: <https://www.ohchr.org/en/instruments-</p><p>mechanisms/instruments/convention-rights-persons-disabilities>. Acesso</p><p>em: 23 jan. 2024.</p><p>GABARITO</p><p>Comentários:</p><p>A. Afirmativa falsa, pois os interesses em relação ao tipo de tratamento</p><p>dispensado aos imigrantes no mundo podem variar de acordo com o</p><p>país de origem dos migrantes. Por exemplo, os países desenvolvidos</p><p>geralmente têm políticas mais favoráveis aos imigrantes do que os</p><p>países em desenvolvimento.</p><p>B. Afirmativa falsa, pois a xenofobia não é causada pela falta de normas</p><p>internacionais. A xenofobia é um fenômeno que pode ser causado por</p><p>diversos fatores, incluindo o medo do desconhecido, a intolerância</p><p>cultural e o preconceito.</p><p>C. Afirmativa falsa, pois os refugiados não são necessariamente migrantes</p><p>de países subdesenvolvidos. Eles podem ser de qualquer país,</p><p>independentemente de seu nível de desenvolvimento econômico. Além</p><p>disso, eles podem se deslocar para qualquer país que ofereça proteção</p><p>e segurança.</p><p>D. Afirmativa falsa, pois a s migrações internacionais forçadas não</p><p>surgem da globalização econômica. Elas podem ser causadas por uma</p><p>série de fatores, como conflitos, guerras, perseguição, violência e</p><p>desastres naturais.</p><p>E. Afirmativa verdadeira, pois os migrantes internacionais forçados são</p><p>pessoas que são forçadas a deixar suas casas e seus países de origem</p><p>por causa de fatores involuntários, como conflitos armados,</p><p>perseguição, violência ou desastres naturais. Eles geralmente precisam</p><p>de proteção e assistência internacional para reconstruir suas vidas.</p><p>FORMAÇÃO CIDADÃ</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>AULA 6</p><p>Prof. Mauro Seigi Hashimoto</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta etapa, abordaremos uma série de temas que envolvem as</p><p>relações de desigualdade, de opressão e/ou de exploração étnico-raciais,</p><p>de classe, de gênero e de orientação sexual. Essa temática é amplamente</p><p>discutida, pois daí emergem diversos problemas sociais que estão</p><p>presentes no nosso dia a dia.</p><p>Assim, iremos aprofundar os seguintes temas: Relações de</p><p>Desigualdade e de Opressão no Brasil; Mulher e Vulnerabilidade; Igualdade</p><p>de Gênero (LGBTQIAPN+); Racismo e desigualdade; e a População</p><p>Indígena.</p><p>Confira o material, acesse as videoaulas e não deixe de acompanhar as</p><p>indicações para aprofundar o seu conhecimento.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>O Brasil, embora conhecido por sua diversidade cultural e étnica,</p><p>enfrenta profundas questões relacionadas às relações de desigualdade,</p><p>opressão e exploração em diversos âmbitos sociais. A complexidade dessas</p><p>interações está enraizada em uma história marcada pela colonização,</p><p>escravidão e exclusão sistemática de determinados grupos.</p><p>No contexto das relações de desigualdade</p><p>e opressão no Brasil, a</p><p>estrutura social reflete persistentes disparidades em termos étnico-raciais,</p><p>de classe, de gênero e de orientação sexual. O país ainda carrega as marcas</p><p>do período escravocrata, em que a população negra foi submetida a</p><p>séculos de exploração e violência. As sequelas desse período reverberam</p><p>na contemporaneidade, manifestando-se em estatísticas alarmantes de</p><p>desigualdade social, marginalização e violência policial</p><p>predominantemente contra a população negra.</p><p>A vulnerabilidade da mulher é um fenômeno intrinsecamente ligado a</p><p>essas relações desiguais. As mulheres enfrentam obstáculos sistemáticos</p><p>que perpetuam a disparidade de poder entre os gêneros. A violência de</p><p>gênero, a desigualdade salarial e a sub-representação em cargos de</p><p>liderança são apenas alguns exemplos das múltiplas formas de opressão</p><p>que as mulheres enfrentam diariamente.</p><p>No que tange à igualdade de gênero, é essencial abordar a inclusão</p><p>da comunidade LGBTQIAPN+. A discriminação e a marginalização dessas</p><p>identidades são obstáculos persistentes para a construção de uma</p><p>sociedade verdadeiramente justa e igualitária. Lutas por direitos,</p><p>reconhecimento e respeito marcam a trajetória desse grupo, destacando a</p><p>necessidade de desconstruir estigmas e promover uma cultura de</p><p>aceitação e inclusão.</p><p>O racismo e a desigualdade permeiam a sociedade brasileira,</p><p>perpetuando estereótipos prejudiciais e prejudicando a ascensão de</p><p>indivíduos negros em diversas esferas. A construção de políticas públicas</p><p>voltadas para a promoção da igualdade racial é crucial para reverter esse</p><p>cenário e construir uma nação onde todas as etnias sejam valorizadas de</p><p>maneira equitativa.</p><p>A população indígena, detentora de uma rica herança cultural,</p><p>enfrenta desafios particulares relacionados à preservação de suas tradições</p><p>e à garantia de seus direitos territoriais. Sofre com exploração de recursos</p><p>naturais em territórios indígenas e a falta de reconhecimento de sua</p><p>autonomia contribuindo para a sua marginalização e vulnerabilidade.</p><p>TEMA 1 – RELAÇÕES DE DESIGUALDADE E DE</p><p>OPRESSÃO NO BRASIL</p><p>Os fatores que resultam na marginalização e consideração de certos</p><p>grupos como minorias têm raízes profundas na história. Apesar de sempre</p><p>terem existido elementos que contribuíram para a exclusão de</p><p>comunidades atualmente classificadas como minorias sociais, a discussão</p><p>sobre esse tema ganhou destaque apenas na segunda metade do século</p><p>XX, emergindo como um conceito fundamental nas Ciências Humanas.</p><p>Atualmente, o termo minorias está associado aos grupos sociais que,</p><p>por diversos motivos, ocupam posições desprivilegiadas na sociedade e</p><p>lutam ativamente por participação no debate público e pelo</p><p>reconhecimento de seus direitos, almejando tratamento equitativo e</p><p>respeitoso.</p><p>É importante destacar que a vulnerabilidade das minorias perante as</p><p>estruturas sociais e jurídicas levam à necessidade de lutar pela legitimação</p><p>de seus direitos. Para garantir visibilidade, esses grupos empenham-se</p><p>ativamente nos espaços públicos, na mídia e nas artes. Essas ações visam</p><p>ampliar suas vozes e promover a conscientização sobre suas demandas,</p><p>contribuindo para a construção de uma sociedade mais justa e inclusiva.</p><p>As lutas das minorias têm como objetivo principal a transformação das</p><p>estruturas sociais, buscando a inclusão política, social e cultural dos grupos</p><p>historicamente excluídos e marginalizados. Diversos fatores levam um</p><p>grupo a ser marginalizado e a ser considerado minoria, tais como:</p><p>Questões de gênero: a exclusão histórica das mulheres em muitas</p><p>sociedades demanda uma constante luta por direitos e igualdade.</p><p>Grupos que assumem identidades de gênero diversas, como</p><p>transexuais, também travam batalhas pela cessação da</p><p>marginalização e violência que enfrentam;</p><p>Questões étnicas e raciais: populações afrodescendentes, devido à</p><p>violência histórica associada à escravidão e imperialismo, lutam por</p><p>direitos e participação. Em diferentes partes do mundo, grupos</p><p>étnicos não dominantes enfrentam discriminação e perseguição,</p><p>como os curdos na Turquia ou as comunidades indígenas na América</p><p>Latina;</p><p>Refugiados e imigrantes: esses grupos frequentemente enfrentam</p><p>discriminação devido a sua condição migratória, sendo vítimas de</p><p>preconceito em diversas sociedades;</p><p>Questões religiosas e culturais: grupos que adotam culturas, línguas</p><p>ou religiões não dominantes historicamente são alvos de perseguição</p><p>e violência, como no caso das religiões de matriz africana no Brasil;</p><p>Questões de classe: grupos marginalizados socialmente devido a</p><p>exploração econômica e motivos políticos buscam a inclusão social e</p><p>têm, no Brasil, suas demandas cada vez mais vocalizadas pelas</p><p>comunidades periféricas;</p><p>Pessoas com deficiência: indivíduos com impedimentos físicos,</p><p>mentais, intelectuais ou sensoriais enfrentam dificuldades de inserção</p><p>social, sendo alvo de preconceito e discriminação, especialmente no</p><p>ambiente de trabalho.</p><p>Os grupos minoritários têm sido historicamente excluídos e privados</p><p>do exercício de sua cidadania, nesse sentido é essencial destacar a</p><p>importância do reconhecimento de seus direitos por parte dos estados</p><p>nacionais e organizações globais. A luta das minorias se entrelaça</p><p>diretamente com a busca pelos direitos humanos, para garantir que todos</p><p>sejam tratados com dignidade humana, princípio este que é fundamental</p><p>para todo indivíduo.</p><p>Nesse sentido, veja o que diz o art. 2 da Declaração Universal dos</p><p>Direitos Humanos (Nações Unidas, 1948):</p><p>Todos os seres humanos podem invocar os direitos e as liberdades</p><p>proclamados na presente Declaração, sem alguma distinção,</p><p>nomeadamente de raça, de cor, de sexo, de língua, de religião, de</p><p>opinião política ou outra, de origem nacional ou social, de fortuna,</p><p>de nascimento ou de qualquer outra situação. Além disso, não será</p><p>feita nenhuma distinção estabelecida no estatuto político, jurídico</p><p>ou internacional do país ou do território da naturalidade da</p><p>pessoa, seja esse país ou território independente, sob tutela,</p><p>exclusivo ou sujeito a alguma limitação de soberania.</p><p>Dessa forma, as Nações Unidas defendem a liberdade, a igualdade, e</p><p>os direitos de todos os seres humanos, independente das diferenças, das</p><p>nacionalidades, da raça ou da etnia.</p><p>1.1 DISCRIMINAÇÃO E PRECONCEITO</p><p>Historicamente o século XX e o início do século XXI foram marcados</p><p>pela violência, perseguição e discriminação contra as minorias. Se você</p><p>observar, em nosso cotidiano, muitas vezes presenciamos episódios de</p><p>discriminação, preconceito e intolerância.</p><p>Diariamente, em diferentes partes do mundo, pessoas pertencentes a</p><p>minorias enfrentam hostilidade, agressões, torturas, perseguições e até</p><p>mesmo morte.</p><p>As mulheres historicamente enfrentam muitas adversidades, além de</p><p>sofrerem com as disparidades salariais, com a carga desproporcional do</p><p>trabalho doméstico e os casos frequentes de violência doméstica. Esses</p><p>apontamentos mostram a exclusão e a violência que as mulheres</p><p>enfrentam diariamente.</p><p>O mesmo ocorre com as populações negras, que ao longo do tempo</p><p>foram socialmente inferiorizadas e continuam a lutar por direitos e</p><p>respeito. Em países como o Brasil, as comunidades negras enfrentam uma</p><p>extrema vulnerabilidade, sendo alvos principais de violência institucional,</p><p>além de serem mais impactadas pela pobreza e pela miséria.</p><p>As questões relacionadas a gênero e sexualidade resultam em cenas</p><p>cotidianas de violência em praticamente todo o mundo. A população</p><p>LGBTQIAPN+ enfrenta constante discriminação no mercado de trabalho e é</p><p>frequentemente marginalizada socialmente, tendo que lutar pelo</p><p>reconhecimento de suas identidades sociais.</p><p>Nas sociedades europeias, o aumento significativo da migração de</p><p>refugiados, fugindo de situações de miséria e exploração em países</p><p>sujeitos a crises econômicas severas ou conflitos políticos, tem alimentado</p><p>discursos xenófobos. Esses discursos buscam culpar os imigrantes por uma</p><p>série de problemas sociais e econômicos.</p><p>Em muitos países, ainda hoje, surgem vozes</p><p>que defendem discursos</p><p>de ódio, rejeitando a diversidade e adotando posturas ultraconservadoras.</p><p>No século XXI, persistem grupos que mantêm visões racistas e</p><p>discriminatórias contra diversas minorias sociais. Diante desse cenário,</p><p>torna-se essencial a luta dos movimentos sociais e a implementação de</p><p>mecanismos legais para promover a igualdade e a justiça social.</p><p>No Brasil, o cotidiano é profundamente caracterizado por situações de</p><p>extrema desigualdade, marginalização, exclusão e discriminação de</p><p>diversos grupos minoritários, além da presença da violência no dia a dia</p><p>dos brasileiros.</p><p>A história do Brasil mostra como a colonização submeteu as</p><p>populações indígenas a séculos de exploração e violência por parte dos</p><p>colonizadores europeus. E a escravização de africanos, para atender à</p><p>demanda de mão de obra nas fazendas coloniais, desempenhou um papel</p><p>crucial na formação da sociedade brasileira. Esses elementos foram</p><p>determinantes para a marginalização de populações indígenas e</p><p>afrodescendentes, estigmatizadas pela cor de pele e consistentemente</p><p>excluídas da vida política nacional.</p><p>Para compreender o contexto atual, é essencial adotar uma</p><p>perspectiva histórica, reconhecendo que a discriminação e o preconceito</p><p>não são circunstanciais, mas sim um resultado do processo de constituição</p><p>do Brasil enquanto nação. Por isso discutir o racismo no Brasil implica</p><p>abordar suas raízes históricas, destacando a relação entre escravidão e</p><p>racismo e mapeando suas consequências. Esse sistema, ao beneficiar</p><p>economicamente a população branca ao longo da história, privou a</p><p>população negra de acesso a direitos básicos.</p><p>É importante salientar que historicamente as populações indígenas e</p><p>afrodescendentes enfrentaram tratamento excludente, com suas culturas,</p><p>tradições, crenças e produções artísticas sendo constantemente apartadas</p><p>da chamada cultura "nacional", resultando em preconceito, perseguição e</p><p>violência.</p><p>Diante desse cenário, as minorias no Brasil continuam a lutar</p><p>diariamente para serem ouvidas na sociedade e legitimarem suas</p><p>bandeiras e pautas políticas. Essa luta visa minimizar a extrema</p><p>desigualdade que permeia toda a história do país e atravessa todas as</p><p>relações sociais.</p><p>TEMA 2 – MULHER E VULNERABILIDADE</p><p>As mulheres enfrentam desafios e diversidades diariamente. Explorar</p><p>suas lutas por igualdade, é essencial para entendermos essa questão. Para</p><p>isso, entenda que o conceito de desigualdade de gênero, se refere a uma</p><p>grande injustiça social que alimenta um cenário de violência e</p><p>discriminação contra as mulheres.</p><p>Para compreender as origens do comportamento machista e combater</p><p>a violência contra a mulher, é necessário estudarmos o patriarcalismo, e o</p><p>feminismo nos dias de hoje. O objetivo é promover reflexões e atitudes</p><p>que incentivem novas formas de agir e pensar.</p><p>Mas antes vamos entender a realidade da mulher no Brasil?</p><p>É um fato que, entre homens e mulheres, as disparidades são</p><p>evidentes. E os dados do estudo de Estatísticas de Gênero divulgado pelo</p><p>IBGE (Peret, 2018) confirmam essas disparidades. No mercado de trabalho,</p><p>apesar de dedicarem, em média, três horas a mais por semana ao trabalho</p><p>remunerado e afazeres domésticos, elas recebem menos que os homens</p><p>(Peret, 2018).</p><p>Além das questões relacionadas ao tempo dedicado ao trabalho</p><p>remunerado e aos afazeres domésticos, a disparidade de rendimentos</p><p>entre homens e mulheres no mercado de trabalho também é influenciada</p><p>por outros fatores, como a segregação ocupacional e a discriminação</p><p>salarial.</p><p>Segundo a coordenadora de População e Indicadores Sociais do IBGE,</p><p>Barbara Cobo, o fenômeno conhecido como teto de vidro contribui para a</p><p>diferenças de rendimentos. Na prática, mesmo que as mulheres possuam a</p><p>qualificação educacional necessária para uma determinada função, elas</p><p>irão se deparar com uma barreira invisível que as impedirão de atingir seu</p><p>máximo potencial na carreira (Peret, 2018).</p><p>Essa realidade reflete discriminação e opressão que têm raízes nas</p><p>estruturas familiares e em outras instituições sociais, como escolas, locais</p><p>de trabalho, instituições religiosas e o Estado. Essas desigualdades são</p><p>reforçadas por crenças, valores e costumes que fundamentam a ideia de</p><p>superioridade masculina, colocando as mulheres em um papel secundário</p><p>na sociedade.</p><p>2.1 PATRIARCADO ESTRUTURAL</p><p>O patriarcado desempenhou um papel fundamental na colonização do</p><p>Brasil, onde a estrutura familiar estava intrinsicamente ligada aos</p><p>latifúndios, geralmente administrados por homens. Essa organização social</p><p>tinha como base o sistema escravista.</p><p>Essa mentalidade patriarcal deixou uma marca duradoura na</p><p>sociedade brasileira ao longo das décadas. Até meados do século XX, as</p><p>mulheres brasileiras não desfrutavam plenamente de seus direitos civis,</p><p>relacionados às suas liberdades individuais, sociais e políticos. Essa</p><p>desigualdade reflete a persistência de normas e estruturas sociais que</p><p>limitavam o papel e os direitos das mulheres na sociedade brasileira.</p><p>Nesse contexto, podemos compreender que o patriarcado é uma</p><p>dominação masculina, compreendendo diversas estruturas interligadas que</p><p>contribuem para a perpetuação das desvantagens e vulnerabilidades das</p><p>mulheres nas sociedades contemporâneas. A violência sexual, a exclusão</p><p>na política, as disparidades no mercado de trabalho são apenas algumas</p><p>dessas estruturas de dominação masculina.</p><p>Essas estruturas não apenas se alimentam mutuamente, mas também</p><p>criam estereótipos de gênero nos quais a mulher fica associada ao</p><p>ambiente doméstico e à aceitação da autoridade masculina. Essas</p><p>concepções tradicionais reforçam o estereótipo de que as mulheres são</p><p>submissas e incapazes, intensificando as desigualdades de gênero.</p><p>2.2 MOVIMENTO FEMINISTA</p><p>É um movimento pelo direito das mulheres, considerado um</p><p>movimento social estrutural, que teve sua origem no período da Revolução</p><p>Francesa. A partir das transformações sociais da Revolução Francesa, as</p><p>mulheres do final do século XIX e início do século XX tomaram consciência</p><p>das desigualdades que eram submetidas.</p><p>Questionando os modelos sociais existentes, principalmente em</p><p>relação à responsabilidade da mulher pela casa e família como sua única</p><p>função, as mulheres começaram a lutar pelo direito ao voto e participação</p><p>na política (movimento sufragista), e por melhores condições de trabalho e</p><p>salário. Esse período ficou marcado como a primeira onda do movimento</p><p>feminista, tendo um caráter mais reivindicatório.</p><p>Nas décadas de 1960 e 1970, iniciou a segunda onda feminista, tendo</p><p>um caráter mais libertário, buscando igualdade social e igualdade de</p><p>direitos entre homens e mulheres. Neste período as mulheres passaram a</p><p>questionar todas as formas de submissão e desigualdade que enfrentavam,</p><p>lutaram pela liberdade sexual, maternidade e direitos de reprodução, e</p><p>contra todas as opressões que elas sofriam só pelo fato de serem</p><p>mulheres.</p><p>2.3 A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER</p><p>No Brasil, persistem problemas graves, como a perseguição e o</p><p>assédio às mulheres. Estudos evidenciam que mulheres e homens são</p><p>impactados de maneiras distintas pela violência, categorizando essa</p><p>agressão como violência de gênero.</p><p>De acordo com os dados do Atlas da Violência (Cerqueira; Bueno,</p><p>2023), identificou-se um aumento da violência contra as mulheres nos</p><p>últimos anos. E na última década, entre 2011 e 2021, mais de 49 mil</p><p>mulheres foram assassinadas no Brasil.</p><p>As notícias frequentemente divulgam brutalidades contra mulheres,</p><p>revelando uma triste realidade. Em casos de violência física, quase a</p><p>totalidade dos agressores é o parceiro ou ex-companheiro que não aceita</p><p>o término do relacionamento.</p><p>Figura 1 – A violência contra a mulher muitas vezes ocorre de forma brutal,</p><p>podendo levar ao feminicídio</p><p>Crédito: Tinnakorn Jorruang/Shutterstock.</p><p>Em situações em que os valores do patriarcado são desafiados e se</p><p>tornam insuportáveis para o machista, a decisão unilateral da mulher de se</p><p>separar pode desencadear um aumento da violência e,</p><p>em muitos casos,</p><p>resultar no feminicídio. O termo feminicídio é utilizado para descrever o</p><p>homicídio praticado contra a mulher por sua condição de gênero ou</p><p>decorrente de violência doméstica.</p><p>Nesse contexto, a pandemia teve impactos negativos, diminuindo o</p><p>poder econômico das mulheres e aumentando os números de separações.</p><p>Ambos esses fatores contribuem para a intensificação da violência de</p><p>gênero. Além disso, quando a mulher toma a decisão em se separar de seu</p><p>parceiro, ela acaba desafiando as normas tradicionais do patriarcado, e isso</p><p>muitas vezes desencadeia respostas violentas dos homens que se sentem</p><p>ameaçados pela perda do controle.</p><p>O Estado possui um papel importante na implementação de normas e</p><p>mecanismos jurídicos para a proteção das mulheres. A criação e o</p><p>fortalecimento de políticas públicas, incluindo saúde, educação não sexista,</p><p>são essenciais. E a existência de serviços específicos, como delegacias</p><p>especializadas de Defesa dos Direitos da Mulher, desempenha um papel</p><p>importante no acolhimento e proteção às mulheres vítimas de violência.</p><p>Em 2006, a Lei Maria da Penha (Lei n. 11.304/2006) criou mecanismos</p><p>para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher. Essa lei foi</p><p>reconhecida pela ONU como um marco no combate à violência contra a</p><p>mulher, pois estabeleceu que a violência física não é a única forma de</p><p>agressão. A legislação também definiu que qualquer ação baseada no</p><p>gênero, que resulte em morte, sofrimento físico, sexual, psicológico, moral</p><p>ou patrimonial, configura violência doméstica e familiar contra a mulher,</p><p>sujeita a punição.</p><p>Posteriormente, em 2015, foi implementada a Lei n. 13.104/2015, que</p><p>introduziu no Código Penal, o feminicídio como uma qualificadora do</p><p>crime hediondo, prevendo penas mais severas para homicídios que</p><p>envolvem a violência doméstica e familiar, e o menosprezo ou</p><p>discriminação à condição de mulher .</p><p>TEMA 3 – IDENTIDADE DE GÊNERO (LGBTQIAPN+)</p><p>A discussão sobre identidade de gênero no contexto LGBTQIAPN+</p><p>representa um avanço significativo na compreensão e aceitação da</p><p>diversidade humana. A identidade de gênero refere-se à percepção interna</p><p>e profunda de uma pessoa sobre seu próprio gênero, que pode ou não</p><p>coincidir com o sexo atribuído no nascimento. Esse tema abrange uma</p><p>ampla gama de experiências, por isso refletir e dialogar sobre a identidade</p><p>de gênero torna-se cada vez mais essencial para promover a inclusão, o</p><p>respeito e a compreensão da diversidade.</p><p>Você sabe o que significa cada letra da sigla LGBTQIAPN+?</p><p>Até meados dos anos 1990, a sigla continha apenas as letras GLS, que</p><p>era usado para identificar os grupos de gays, lésbicas e simpatizantes da</p><p>causa homossexual. Algum tempo depois a compreensão foi ampliada e a</p><p>sigla mudou para LGBT, incluindo os bissexuais, transexuais e travestis.</p><p>O movimento LGBT, como movimento social, surgiu na Europa no final</p><p>do século XX. Esse movimento luta pelos direitos civis das pessoas LGBT na</p><p>sociedade, contra a homofobia, a intolerância sexual e a discriminação.</p><p>No Brasil, o movimento iniciou no final da década de 1970, formado</p><p>principalmente por homens homossexuais. Em 1980 devido a epidemia de</p><p>AIDS, antigas associações entre a homossexualidade e a doença foram</p><p>retomadas, aumentando o preconceito contra a comunidade LGBT.</p><p>Na década de 1990, grupos ativistas, principalmente de lésbicas e de</p><p>travestis, em parceria com o Estado consolidaram forças em relação ao</p><p>combate à AIDS. O que levou a diversificação e a incorporação de vários</p><p>sujeitos ao movimento homossexual, ocorrendo manifestações pelo</p><p>enfrentamento à discriminação e à violência contra a comunidade LGBT,</p><p>popularizando o termo homofobia, surgindo as Paradas do Orgulho LGBT.</p><p>Figura 2 – Movimento contra a homofobia</p><p>Crédito: Sergey Kohl/shutterstock.</p><p>Atualmente o movimento LGBT foi ampliado com novas concepções, e</p><p>atualmente a sigla LGBTQIA PN + é usada para referenciar esse grupo de</p><p>pessoas.</p><p>A sigla da comunidade LGBTQIAPN+ representa uma ampla</p><p>diversidade de identidades de gênero e orientações sexuais, refletindo a</p><p>riqueza e complexidade das experiências humanas relacionadas à</p><p>sexualidade e identidade de gênero. Cada letra da sigla representa um</p><p>grupo específico dentro dessa comunidade diversa. O primeiro grupo se</p><p>refere ao sexo biológico e às características físicas. O segundo grupo se</p><p>refere à identidade de gênero, que está associado à identificação</p><p>psicossocial (feminino, masculino). O terceiro grupo se refere à orientação</p><p>sexual, que está relacionado com a forma como as pessoas se relacionam.</p><p>De acordo com Castro (2023), a sigla LGBTQIAPN+ possui os seguintes</p><p>significados:</p><p>L – lésbicas: pessoas que se identificam como femininas e se</p><p>relacionam com outras do mesmo gênero;</p><p>G – gays: pessoas que se identificam como masculinas e se</p><p>relacionam com outras do mesmo gênero;</p><p>B – bissexuais: pessoas que se relacionam com os gêneros femininos</p><p>e masculinos;</p><p>T – transexuais e travestis: pessoas que não se identificam com o</p><p>gênero atribuído no nascimento;</p><p>Q – queer: pessoas que não se identificam com os padrões impostos</p><p>pela sociedade e que preferem não se limitar em um único gênero ou</p><p>orientação sexual;</p><p>I – intersexo: pessoas que possuem características biológicas dos</p><p>sexos feminino e masculino ao mesmo tempo;</p><p>A – assexuais: pessoas que não têm atração sexual; não há relação</p><p>com falta de libido, questões biológicas ou de ordem psicológica,</p><p>como traumas;</p><p>P – pansexuais: pessoas que se relacionam com outras de todos os</p><p>gêneros, incluindo femininos, masculinos e não-binários;</p><p>N – não binários: pessoas que não se identificam com o gênero</p><p>feminino ou masculino, podendo se identificar com mais de um ou</p><p>nenhum.</p><p>3.1 PRECONCEITO E LGBTQIAPN+FOBIA</p><p>A expressão LGBTQIAP+ fobia emerge como um termo que combina a</p><p>sigla que representa a diversidade identidades de gênero e de orientações</p><p>sexuais, com o sufixo -fobia, representando um medo irracional e</p><p>intolerância em relação a essas pessoas. Infelizmente, esse tipo de aversão</p><p>geralmente é alimentado pela falta de compreensão sobre o tema,</p><p>resultando em concepções distorcidas e, por consequência, na</p><p>manifestação do preconceito.</p><p>A situação da LGBTQIAPN+fobia no Brasil é preocupante, visto as</p><p>pesquisas e notícias que revelam uma realidade hostil tanto nas áreas</p><p>urbanas quanto nas rurais. O cenário é desafiador quando se trata de</p><p>compreender a dimensão do problema em algumas regiões, onde os</p><p>dados disponíveis são escassos.</p><p>Segundo o dossiê do observatório do Grupo Gay da Bahia, os dados</p><p>são alarmantes, mostrando que 256 indivíduos LGBTQIAPN+ perderam</p><p>suas vidas em 2022, no Brasil. Desse total, 242 foram vítimas de homicídios,</p><p>representando 94,5% assustadores, enquanto 14 casos foram registrados</p><p>como suicídios, correspondendo a 5,4% do total. A pesquisa reforça uma</p><p>triste realidade: o Brasil continua a liderar as estatísticas globais de</p><p>assassinatos de pessoas LGBTQIAPN+, com uma morte ocorrendo a cada</p><p>34 horas (Gomes, 2023).</p><p>A necessidade de buscar redes de apoio, compartilhar experiências e</p><p>solidariedade diante das violências enfrentadas pela comunidade</p><p>LGBTQIAPN+ é evidente, no entanto a sociedade muitas vezes falha em</p><p>proporcionar esses espaços. A falta de locais sociais que permitam a</p><p>vivência plena das diversas identidades contribui para a preconceito contra</p><p>a comunidade. É importante refletir e criar oportunidades para o diálogo e</p><p>a conscientização, além disso, combater o preconceito é fundamental para</p><p>promover uma cultura de acesso e inclusão. A sociedade precisa evoluir na</p><p>construção de espaços onde todos possam conviver sem medo,</p><p>contribuindo para um ambiente mais igualitário e respeitoso para todos.</p><p>Não se deve julgar uma pessoa ou um grupo de pessoas por serem</p><p>quem são. A orientação sexual, seja ela lésbica, gay, bissexual, transsexual,</p><p>travesti, queer, intersexual, assexual, pansexual ou não binário, não deve</p><p>ser motivo de julgamento. Cada pessoa está em processo de construção de</p><p>o</p><p>domínio intelectual e a compreensão</p><p>É a capacidade de</p><p>colocar o conhecimento</p><p>em prática, de aplicá-lo,</p><p>É a capacidade de agir,</p><p>de iniciar a ação após a</p><p>tomada de decisão.</p><p>das informações. Livros, videoaulas,</p><p>rotas de aprendizagem.</p><p>de resolver problemas,</p><p>criar e inovar.</p><p>Superar-se, assumir</p><p>riscos, agregar valor, ter</p><p>força e paixão.</p><p>+</p><p>Valores Emoções</p><p>Crenças do indivíduo Saber ser</p><p>Os valores orientam o</p><p>comportamento das pessoas. Ética,</p><p>honestidade, seriedade,</p><p>responsabilidade influenciam as</p><p>decisões que as pessoas tomam, as</p><p>ações que elas realizam e as relações</p><p>que estabelecem.</p><p>Ser resiliente, crítico, autônomo, consciente. As</p><p>emoções influenciam o pensamento, o</p><p>comportamento e o desempenho das pessoas.</p><p>TEMA 3 – HARD SKILLS E SOFT SKILLS</p><p>O panorama profissional contemporâneo é dinâmico, e a avaliação das</p><p>habilidades dos indivíduos vai além da mera análise de competências</p><p>técnicas específicas. Com isso, dois termos ganharam destaque ao se</p><p>descreverem aspectos das aptidões necessárias para o sucesso no</p><p>ambiente de trabalho: hard skills e soft skills.</p><p>Você já conhecia esses termos?</p><p>Basicamente, as hard skills referem-se às habilidades técnicas</p><p>mensuráveis e relacionadas a conhecimentos específicos e as soft skills</p><p>destacam competências comportamentais, interpessoais e emocionais que</p><p>contribuem significativamente para o desempenho eficaz do indivíduo em</p><p>equipes e ambientes profissionais. Neste contexto, exploraremos mais a</p><p>natureza e a importância dessas habilidades, reconhecendo sua</p><p>interdependência e influência na trajetória pessoal e profissional dos</p><p>indivíduos.</p><p>Segundo Pedrosa e Silva (2019), as hard skills são as habilidades</p><p>técnicas necessárias para a execução de uma tarefa específica. Essas</p><p>habilidades técnicas estão vinculadas a um domínio particular de</p><p>conhecimento e podem ser aprendidas e adquiridas por meio da</p><p>educação, formação acadêmica, treinamentos e experiências práticas .</p><p>As hard skills são essenciais para o desempenho individual, para o</p><p>trabalho em equipe e para o sucesso da organização como um todo,</p><p>permitindo que os profissionais executem suas tarefas de forma eficaz e</p><p>eficiente. As hard skills podem ser divididas em duas categorias.</p><p>1. Conhecimento técnico: são habilidades que envolvem o</p><p>conhecimento de conceitos, teorias e princípios específicos. Por</p><p>exemplo, um advogado precisa ter o conhecimento da doutrina do</p><p>direito, de leis, jurisprudência e ética para poder elaborar a defesa</p><p>dos diretos de seus clientes. Já um médico precisa ter conhecimento</p><p>sobre anatomia, fisiologia, patologia e doenças para realizar um</p><p>diagnóstico e tratar seus pacientes.</p><p>2. Habilidades técnicas: são habilidades que envolvem o</p><p>conhecimento técnico. Por exemplo, um programador precisa ter</p><p>habilidades técnicas, como conhecimento de linguagens de</p><p>programação, estruturas de dados e algoritmos para que possa criar</p><p>a estrutura de um novo software ou aplicativo.</p><p>Figura 3 – Hard skills – Programador desenvolvendo um novo software ou</p><p>aplicativo</p><p>Crédito: chayanuphol/Shutterstock.</p><p>As hard skills são necessárias para o desempenho de tarefas</p><p>específicas, sendo então indispensáveis para o sucesso no trabalho. Porém</p><p>não basta ter conhecimento ou habilidades técnicas. E isso não é uma</p><p>novidade. Peter Drucker já dizia que as pessoas são contratadas por suas</p><p>habilidades técnicas, mas são demitidas por seus comportamentos.</p><p>A afirmação de Drucker é frequentemente citada para enfatizar a</p><p>importância das habilidades comportamentais para o sucesso no mercado</p><p>de trabalho. Ela é um lembrete de que não é suficiente que você tenha as</p><p>habilidades técnicas necessárias para um determinado emprego, pois você</p><p>também precisa ter as habilidades comportamentais necessárias para ser</p><p>bem-sucedido. É aí que entram as soft skills.</p><p>As soft skills são as competências não técnicas, que abrangem as</p><p>capacidades humanas e as competências comportamentais, relacionando-</p><p>se a traços de personalidade e comportamento. Elas referem-se a empatia,</p><p>resiliência, comunicação e habilidade de se relacionar e colaborar com os</p><p>outros.</p><p>No passado, as empresas concentravam sua atenção nas hard skills,</p><p>pois acreditava-se que apenas o conhecimento e as habilidade técnicas</p><p>eram suficientes para o sucesso profissional. Contudo, essa perspectiva</p><p>evoluiu e, no cenário atual, as soft skills tornaram-se uma condição</p><p>essencial para se alcançarem resultados (Pedrosa; Silva, 2019).</p><p>Já que as soft skills são habilidades comportamentais que envolvem a</p><p>interação com outras pessoas, elas não são avaliadas da mesma forma que</p><p>as hard skills. Pelo fato de as hard skills serem habilidades técnicas, elas</p><p>podem ser aprendidas e comprovadas por meio de testes, certificados e</p><p>diplomas. Já as soft skills são mais difíceis de medir e desenvolver, pois</p><p>envolvem aspectos subjetivos como comportamento, princípios, crenças e</p><p>hábitos.</p><p>O cenário atual do mercado de trabalho requer profissionais que</p><p>sejam adaptáveis, tenham pensamento crítico e analítico e tomem decisões</p><p>rapidamente. Isso se deve ao fato de que “o contexto do desenvolvimento</p><p>tecnológico evidencia situações de imprevisibilidade e instabilidade</p><p>demandando decisões e ações imediatas e assertivas de profissionais com</p><p>competências específicas e adequadas à nova realidade” (Assunção;</p><p>Goulart, 2016, p. 177).</p><p>Nesse contexto, as competências socioemocionais e comportamentais</p><p>desempenham um papel fundamental, aprimorando as competências</p><p>técnicas ao promover relações interpessoais mais eficazes, facilitar a</p><p>comunicação, contribuir para uma liderança eficiente e impactar</p><p>positivamente o desempenho e a entrega tanto individual quanto em</p><p>equipe.</p><p>Figura 4 – Soft skills: habilidades comportamentais que envolvem a</p><p>interação com outras pessoas</p><p>Crédito: George Rudy/Shutterstock.</p><p>Como podemos desenvolver as soft skills?</p><p>O desenvolvimento das soft skills, habilidades interpessoais e</p><p>comportamentais, é um processo contínuo que demanda o</p><p>autoconhecimento. É importante fazer uma reflexão sobre as próprias</p><p>atitudes e comportamentos para identificar as áreas de seu</p><p>comportamento que precisam ser trabalhadas. E para isso é necessário</p><p>estar aberto a feedbacks e críticas construtivas, seja de colegas, seja de</p><p>gestores, pois uma forma de ganhar insights valiosos sobre pontos de</p><p>melhoria é por meio da escuta atenta e receptiva.</p><p>Sair da zona de conforto é um componente-chave no</p><p>desenvolvimento das soft skills. Isso implica assumir desafios que exigem</p><p>habilidades sociais, como liderar uma equipe, realizar apresentações em</p><p>público ou participar ativamente de discussões em grupo. Ao enfrentar</p><p>situações que geram desconforto, a pessoa pode aprender a lidar com</p><p>diferentes contextos e aprimorar suas habilidades de adaptação.</p><p>Além disso, a leitura e a pesquisa sobre o tema podem fornecer</p><p>insights importantes e estratégias práticas para o desenvolvimento das soft</p><p>skills. O aprendizado contínuo sobre inteligência emocional, comunicação</p><p>eficaz e liderança pode enriquecer sua compreensão dessas competências</p><p>e inspirar a aplicação de novas abordagens no dia a dia. Ao investir tempo</p><p>e esforço nesse processo, as pessoas podem melhorar significativamente</p><p>suas habilidades interpessoais, contribuindo para um desempenho mais</p><p>eficaz e bem-sucedido no ambiente profissional e na vida pessoal.</p><p>TEMA 4 – SOFT SKILLS: EMOÇÕES</p><p>As emoções são uma parte essencial da experiência humana. Elas nos</p><p>ajudam a entender o mundo ao nosso redor e a nos relacionar com os</p><p>outros. No contexto do trabalho, as emoções podem ser um grande</p><p>diferencial, pois podem nos ajudar a ser mais eficazes em nossas interações</p><p>com colegas, clientes e outros stakeholders .</p><p>Emoções são experiências subjetivas que envolvem mudanças</p><p>fisiológicas, comportamentais e cognitivas. São causadas por um estímulo</p><p>interno ou externo e podem ser positivas ou negativas. Elas também nos</p><p>motivam a agir e nos ajudam a tomar decisões.</p><p>Figura 5 – Menina expressando diferentes</p><p>sua identidade, e a sociedade ganha muito mais com a tolerância e o</p><p>respeito do que com o preconceito e a violência.</p><p>TEMA 4 – RACISMO E DESIGUALDADE</p><p>O Brasil é um dos países com a maior população preta e parda do</p><p>mundo. Conforme os dados do Censo 2022, aproximadamente 20,6</p><p>milhões de pessoas são pretas no Brasil, e 92,1 milhões são pardas,</p><p>totalizando cerca de 112 milhões de pretos e pardos (Belandi; Gomes,</p><p>2023). Mesmo sendo pouco mais da metade da população brasileira, os</p><p>pretos e pardos enfrentam uma realidade marcada pelo preconceito e</p><p>exclusão ao longo do processo da formação da nossa sociedade.</p><p>Os dados do IBGE de 2023 revelam que a cada 10 jovens pretos de 19</p><p>anos no país, apenas seis conseguiram concluir o ensino médio. A análise</p><p>contempla adolescentes de 15 a 17 anos que estão frequentando ou já</p><p>concluíram essa etapa de ensino. Esses números destacam desafios no</p><p>acesso e na conclusão da educação básica por parte dos jovens negros,</p><p>evidenciando disparidades persistentes no sistema educacional brasileiro. É</p><p>um fato que pretos e pardos são minoria entre os estudantes do ensino</p><p>médio.</p><p>A pandemia da Covid-19 agravou ainda mais as dificuldades</p><p>enfrentadas pelos jovens pretos e pardos. O ensino a distância, adotado</p><p>durante a crise, excluiu do processo educacional diversos jovens sem</p><p>acesso a computadores ou internet em casa, entre outros fatores que</p><p>acentuaram as dificuldades familiares e impossibilitaram a continuidade</p><p>dos estudos. Em períodos de crise, como este, as desigualdades sociais se</p><p>tornam ainda mais visíveis, evidenciando como o racismo, enraizado em</p><p>um longo processo histórico, persiste de forma marcante na sociedade.</p><p>A violência contra pessoas negras no Brasil é um fenômeno</p><p>historicamente enraizado, abrangendo diversas dimensões, como a</p><p>simbólica, a psicológica, a moral e a física. Esse cenário é resultado da</p><p>formação histórico-social e cultural do país, que deixou como herança o</p><p>racismo estrutural.</p><p>No contexto desta discussão, o foco será na dimensão física desse</p><p>fenômeno, com ênfase nos índices de homicídios de negros e não negros</p><p>no Brasil. Esses indicadores são de relevância crucial para as reflexões</p><p>sobre a segurança pública no país, evidenciando as disparidades e desafios</p><p>enfrentados pela população negra em termos de violência física.</p><p>As condições entre negros e brancos na sociedade contemporânea</p><p>ainda revelam significativas desigualdades. De acordo com o Atlas da</p><p>Violência (Cerqueira; Bueno, 2023, p. 53), “em 2021, o cenário em que o</p><p>registro de homicídios de pessoas negras (soma de pretos e pardos,</p><p>segundo a classificação do IBGE) lidera o ranking de mortes violentas se</p><p>repetiu, totalizando 36.922 vítimas”. A morte prematura de jovens,</p><p>especialmente do sexo masculino, por homicídio, é um fenômeno em</p><p>crescimento no Brasil, afetando quase três vezes mais jovens negros do</p><p>que brancos.</p><p>O Brasil é um dos países que mais encarcera no mundo, levando</p><p>ativistas dos movimentos por Direitos Humanos e movimentos negros a</p><p>denunciarem o encarceramento em massa como uma prática sistemática</p><p>do Estado brasileiro, direcionada ao controle das minorias sociais,</p><p>principalmente com base em critérios de discriminação racial. Movimentos</p><p>de conscientização, como Encarceramento em massa não é justiça, Vidas</p><p>negras importam e Enquanto houver racismo, não haverá democracia,</p><p>buscam abordar a importância de superar essas práticas.</p><p>Figura 3 – No Brasil e no mundo, diversas pessoas lutam pelo fim do</p><p>racismo e da violência contra as pessoas negras</p><p>Crédito: Michal Urbanek/shutterstock.</p><p>Além dos jovens, as mulheres negras enfrentam intensamente o</p><p>racismo e as crises, encontrando-se em uma situação de maior</p><p>desvantagem na sociedade. Elas recebem os menores salários, ocupam os</p><p>empregos menos valorizados, são a maioria dos trabalhadores em situação</p><p>de informalidade, desempenham múltiplos papéis, incluindo a</p><p>responsabilidade pela família, e frequentemente enfrentam sobrecarga</p><p>física e psicológica ao lidar com as complexidades do cotidiano.</p><p>Veja agora um caso que retrata essa realidade:</p><p>O caso João Alberto Silveira Freitas, ocorrido em 19 de novembro de</p><p>2021, no Carrefour em Porto Alegre – RS, foi marcado pela brutalidade do</p><p>espancamento até a morte de Beto, um homem negro de 40 anos,</p><p>morador da zona norte da cidade. Os agressores, um policial temporário e</p><p>um segurança do Carrefour, imobilizaram Beto, subindo em seu corpo e</p><p>colocando a perna em seu pescoço no estacionamento do</p><p>estabelecimento. Esse ato chocante ocorreu diante de seis funcionários</p><p>que, em vez de intervir para ajudar, limitaram-se a filmar a agressão.</p><p>Seis pessoas foram indiciadas pelo crime e tiveram a prisão preventiva</p><p>solicitada. A delegada, responsável pelo caso, apontou que essa tragédia</p><p>serve como um alerta para diversas questões cruciais na sociedade, tais</p><p>como:</p><p>A estrutura da segurança pública, evidenciando problemas dentro da</p><p>corporação policial;</p><p>As políticas de segurança implementadas no país e a necessidade de</p><p>revisão;</p><p>O papel do Estado na fiscalização e regulamentação de práticas de</p><p>segurança;</p><p>A contratação emergencial de novos policiais militares, destacando a</p><p>situação do policial temporário envolvido no crime;</p><p>A atuação de empresas de segurança, como a Vector, e a importância</p><p>de treinamento adequado para seus profissionais, bem como a</p><p>necessidade de fiscalização por parte da polícia federal;</p><p>A persistência da intolerância racial na sociedade, evidenciada pela</p><p>gravidade do incidente.</p><p>Esse trágico episódio mostra a necessidade de reflexões essenciais</p><p>sobre as falhas no sistema de segurança, as práticas das forças policiais e a</p><p>urgência de medidas para combater o racismo e o preconceito que</p><p>persiste em nosso país.</p><p>TEMA 5 – POPULAÇÃO INDÍGENA</p><p>A diversidade linguística entre os povos indígenas no Brasil é notável,</p><p>ultrapassando 274 línguas diferentes, de acordo com a Fundação Nacional</p><p>do Índio (Funai). Essa riqueza linguística é resultado da presença de 256</p><p>povos indígenas em todo o extenso território brasileiro. Inicialmente, esses</p><p>povos transmitiam conhecimento oralmente, não fazendo uso da escrita.</p><p>Contudo, muitos deles atualmente desenvolveram sistemas de escrita em</p><p>colaboração com linguistas e pesquisadores.</p><p>A língua e a cultura de cada povo indígena representam uma maneira</p><p>única de viver e conceber o mundo. Elas incorporam diferentes formas de</p><p>apreender a realidade, expressar sensações e sentimentos, e perceber</p><p>acontecimentos, fenômenos e relações.</p><p>Cada cultura indígena carrega consigo um universo único de</p><p>possibilidades e criações humanas. Os povos indígenas, também</p><p>conhecidos como povos nativos ou povos originários, têm uma história que</p><p>remonta a mais de 10 mil anos, antecedendo a chegada dos europeus ao</p><p>continente americano. Durante esse período, esses povos estavam</p><p>dispersos por todo o território, envolvendo-se em disputas, guerras, trocas</p><p>culturais e comerciais que não seguiam as fronteiras políticas atuais.</p><p>É interessante observar que algumas comunidades indígenas, mesmo</p><p>nos dias de hoje, habitam mais de um país na América Latina. Na</p><p>Antiguidade, existiam mais de mil povos indígenas, cada um com suas</p><p>próprias culturas, línguas, instituições e formas únicas de organização</p><p>social e política. Essa história rica e complexa destaca a importância de</p><p>preservar e valorizar a diversidade cultural e linguística dos povos</p><p>indígenas, reconhecendo a contribuição significativa que oferecem para a</p><p>compreensão global da humanidade.</p><p>Durante um longo período, os povos indígenas no Brasil foram</p><p>erroneamente considerados destinados ao desaparecimento, seja de</p><p>maneira física, por meio de assassinatos, fome ou doenças, ou cultural, ao</p><p>serem integrados à sociedade não indígena e perdendo sua língua e</p><p>costumes. Contrariando essas expectativas, nas últimas décadas, as</p><p>populações indígenas experimentaram um considerável aumento</p><p>demográfico, mesmo enfrentando desafios como a escassez de terras e</p><p>ameaças aos seus territórios,</p><p>desejados por conta dos recursos naturais e</p><p>minerais disponíveis. Além disso, enfrentam obstáculos como a falta de</p><p>atendimento médico e a ausência de uma educação multicultural e</p><p>bilíngue.</p><p>Desde a colonização portuguesa no século XVI até o início do século</p><p>XX, as leis e normas relacionadas aos indígenas, em geral, visavam garantir</p><p>condições favoráveis à escravização ou à apropriação de suas terras.</p><p>Mesmo quando algumas dessas leis tinham a intenção declarada de proibir</p><p>a escravização indígena, frequentemente apresentavam brechas que</p><p>permitiam sua continuidade.</p><p>Com a promulgação da Constituição Federal de 1988, durante o</p><p>processo de redemocratização do Brasil, teve início uma luta por direitos</p><p>que marcou uma mudança significativa na abordagem em relação aos</p><p>povos indígenas. A Constituição passou a reconhecer o direito dos</p><p>indígenas de serem e permanecerem como tais, considerando-os</p><p>culturalmente diferentes e, ao mesmo tempo, parte integrante da</p><p>sociedade brasileira. Além disso, as terras indígenas foram reconhecidas</p><p>como um direito originário, anterior à criação do Estado brasileiro, em</p><p>reconhecimento à presença histórica desses povos no território antes da</p><p>chegada dos europeus.</p><p>5.1 A LUTA PELA TERRA E A VIOLÊNCIA CONTRA O POVO</p><p>INDÍGENA</p><p>Apesar dos avanços na legislação, a garantia efetiva dos direitos</p><p>indígenas ainda enfrenta desafios consideráveis. A disputa por terras se</p><p>tornou um campo de batalha, envolvendo comunidades indígenas e seus</p><p>aliados, como organizações não governamentais e a sociedade civil, contra</p><p>interesses que buscam explorar essas terras, como fazendeiros,</p><p>empresários, caçadores, garimpeiros e madeireiros.</p><p>Esse embate gera um jogo de forças, no qual diferentes atores e</p><p>instituições tentam influenciar a opinião pública e buscar apoio de</p><p>representantes políticos em defesa de seus interesses. A luta pelos direitos</p><p>dos povos indígenas, portanto, continua cotidianamente no Brasil. Esse</p><p>esforço conjunto envolve não apenas as comunidades indígenas, mas</p><p>também entidades de apoio, incluindo organizações internacionais,</p><p>universidades, Ministério Público e setores da sociedade civil. O desafio</p><p>persiste em tornar efetivas as garantias constitucionais dos povos</p><p>indígenas, em meio a um contexto complexo de interesses diversos e</p><p>frequentemente conflitantes.</p><p>A Constituição brasileira assegura o reconhecimento das línguas,</p><p>costumes, crenças e tradições dos povos indígenas, destacando seus</p><p>direitos em relação à posse da terra. A demarcação das Terras Indígenas</p><p>representa uma das questões mais cruciais na luta dos povos indígenas no</p><p>Brasil até os dias atuais. Apesar de conquistas ao longo das décadas,</p><p>muitas comunidades ainda buscam o direito sobre seus territórios. A</p><p>sobrevivência dessas comunidades envolve intensos movimentos pela</p><p>afirmação de seus direitos e pela preservação de suas culturas e tradições.</p><p>Os hábitos, crenças e costumes dos povos indígenas estão</p><p>constantemente ameaçados, uma vez que desde a colonização europeia no</p><p>continente americano, movimentos assimilacionistas visaram integrar os</p><p>indígenas, tornar semelhante aos brancos, apagando suas culturas e</p><p>impondo o pensamento dos dominadores. Essas marcas históricas ainda se</p><p>fazem presentes, e as lideranças indígenas lutam pelo reconhecimento de</p><p>suas diferenças, pela integração política e social e pela conquista de</p><p>direitos, respeitando as especificidades culturais das nações indígenas.</p><p>As tensões nesses debates são evidentes quando se questiona se</p><p>indígenas que têm acesso à internet e tecnologia, utilizam celulares ou</p><p>vestem roupas não tradicionais, podem ser considerados verdadeiramente</p><p>indígenas. Isso evidencia um desafio na concepção da integração dos</p><p>povos indígenas à sociedade contemporânea, mantendo o respeito por</p><p>suas características culturais. A discussão sobre preservação e existência</p><p>muitas vezes é permeada pela noção equivocada de que o isolamento das</p><p>comunidades e a aderência a um passado distante são requisitos</p><p>fundamentais. Encontrar um equilíbrio que permita a integração dos povos</p><p>indígenas à sociedade atual, preservando suas identidades culturais,</p><p>continua sendo um desafio complexo.</p><p>O assassinato do indigenista Bruno Pereira e do jornalista Dom</p><p>Phillips, amplamente noticiado pela mídia, trouxe à tona a importância da</p><p>demarcação dos territórios indígenas, um direito assegurado pela</p><p>Constituição Federal de 1988. Esses territórios não apenas preservam as</p><p>identidades, modos de vida, tradições e culturas dos povos indígenas, mas</p><p>desempenham um papel fundamental na preservação ambiental.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Diante da diversidade, a situação social dos grupos LGBTQIAPN+</p><p>levantam questões importantes a serem discutidas, principalmente sobre a</p><p>violência contra esses grupos. A violência contra os grupos LGBTQIAPN+, é</p><p>histórica, após refletir sobre o assunto, fomente um diálogo com seus</p><p>colegas, discutindo como podemos contribuir para que as pessoas possam</p><p>se tornar mais tolerantes e proponha soluções para combater a violência</p><p>contra os grupos LGBTQIAPN+.</p><p>Saiba mais</p><p>Para aprofundar mais no assunto, veja a notícia a seguir:</p><p>CASTRO, Y. QIAPN+: entenda como novas letras da sigla LGBT</p><p>reforçam busca por representatividade. G1, 28 jun. 2023. Disponível</p><p>em: <https://encurtador.com.br/bjCFV>. Acesso em: 29 jan. 2024.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Agora, vamos resolver uma questão discursiva do Enade 2022 que, na</p><p>Formação Geral, abordou de forma interdisciplinar os temas violência e</p><p>racismo:</p><p>Em 2019, a violência armada foi três vezes maior para a população</p><p>negra, em comparação com a não negra, tanto para a população</p><p>geral quanto para o grupo jovem (entre 15 e 29 anos de idade)</p><p>Quanto à taxa de mortalidade por 100 mil habitantes no grupo de</p><p>pessoas com até 14 anos de idade, destaca-se, da mesma forma, a</p><p>desigualdade na vitimização de crianças e adolescentes negros por</p><p>agressão com arma de fogo, com taxa 3,6 vezes maior do que a de</p><p>não negros em 2019.</p><p>INSTITUTO SOU DA PAZ. Violência armada e racismo: o papel da</p><p>arma de fogo na desigualdade racial. Disponível em</p><p>https://soudapaz.org. Acesso em: 6 jul. 2022 (adaptado).</p><p>Considerando as informações apresentadas, avalie as asserções a</p><p>seguir e a relação proposta entre elas.</p><p>https://encurtador.com.br/bjCFV</p><p>https://encurtador.com.br/bjCFV</p><p>https://encurtador.com.br/bjCFV</p><p>I. O fator racial é um importante condicionante na análise de dados</p><p>relativos a homicídios e violência no Brasil na população de</p><p>adolescentes e jovens.</p><p>PORQUE</p><p>II. A população negra sofre mais violência do que a população não</p><p>negra, em razão do racismo estrutural existente no país, além de</p><p>outras vulnerabilidades sociais associadas a essa forma de</p><p>preconceito.</p><p>A respeito dessas asserções, assinale a opção correta.</p><p>A. As asserções I e II são proposições verdadeiras, e a II é uma</p><p>justificativa correta da I.</p><p>B. As asserções I e II são proposições verdadeiras, mas a II não é uma</p><p>justificativa correta da I.</p><p>C. A asserção I é uma proposição verdadeira, e a II é uma proposição</p><p>falsa.</p><p>D. A asserção I é uma proposição falsa, e a II é uma proposição</p><p>verdadeira.</p><p>E. As asserções I e II são proposições falsas.</p><p>Comentários:</p><p>I. asserção falsa, pois as informações apresentadas mostram que a população negra é mais</p><p>vítima de violência armada do que a população não negra, tanto para a população geral</p><p>quanto para os grupos jovens e infantis. Isso indica que o fator racial é um importante</p><p>condicionante na análise de dados relativos a homicídios e violência no Brasil na população</p><p>de adolescentes e jovens.</p><p>II. asserção falsa, pois o racismo estrutural, que é um fenômeno que se manifesta em</p><p>instituições e práticas sociais, contribui para a violência contra a população negra. Isso</p><p>ocorre porque o racismo estrutural leva à discriminação e à exclusão de pessoas negras, o</p><p>que as coloca em uma situação de vulnerabilidade social.</p><p>Relação entre as asserções: é de causa e consequência. A asserção II explica a razão pela qual</p><p>a asserção I é verdadeira. O racismo</p><p>estrutural é a causa da maior vulnerabilidade da</p><p>população negra à violência armada.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa, compreendemos que o Brasil é confrontado com</p><p>profundas questões de desigualdade, opressão e exploração, cujas raízes</p><p>remontam à história de colonização, escravidão e exclusão sistemática de</p><p>grupos específicos. As relações desiguais refletem-se em disparidades</p><p>étnico-raciais, de classe, de gênero e de orientação sexual, evidenciando as</p><p>persistentes sequelas do período escravocrata.</p><p>As mulheres enfrentam obstáculos sistemáticos, desde a violência de</p><p>gênero até a desigualdade salarial, enquanto a inclusão da comunidade</p><p>LGBTQIAPN+ é essencial para construir uma sociedade justa e igualitária. A</p><p>luta por direitos, reconhecimento e respeito é um caminho necessário para</p><p>desconstruir estigmas e promover a aceitação e inclusão.</p><p>O racismo e a desigualdade persistem, perpetuando estereótipos</p><p>prejudiciais e limitando a ascensão de indivíduos negros em várias esferas.</p><p>Políticas públicas voltadas para a promoção da igualdade racial são cruciais</p><p>para reverter esse cenário e valorizar todas as etnias de maneira equitativa.</p><p>Por fim, vimos que a população indígena, enfrenta desafios específicos</p><p>relacionados à preservação de suas tradições e à garantia de seus direitos</p><p>territoriais. A exploração de recursos naturais em territórios indígenas e a</p><p>falta de reconhecimento de sua autonomia contribuem para sua</p><p>marginalização e vulnerabilidade do povo indígena.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>BELANDI, C.; GOMES, I. Censo 2022: pela primeira vez, desde 1991, a</p><p>maior parte da população do Brasil se declara parda. IBGE, 22 dez. 2023.</p><p>Disponível em: <https://encurtador.com.br/uvMN7>. Acesso em: 29 jan.</p><p>2024.</p><p>BERTHOLD, J. Ética, direitos humanos e direitos da cidadania. São</p><p>Paulo: Contentus, 2020.</p><p>CERQUEIRA, D.; BUENO S. Atlas da violência 2023. Brasília: Ipea; FBSP,</p><p>2023.</p><p>CASTRO, Y. QIAPN+: entenda como novas letras da sigla LGBT</p><p>reforçam busca por representatividade. G1, Campinas e Região, jun. 2023.</p><p>Disponível em: <https://encurtador.com.br/fnwN7>. Acesso em: 29 jan.</p><p>2024.</p><p>GOMES, J. C. S. KNOX, W. NA TERRA VERDE TAMBÉM BRILHA O ARCO-</p><p>ÍRIS: RESISTÊNCIA LGBTQIAPN+ AO CONSERVATISMO RURAL BRASILEIRO.</p><p>SciELOPreprints 7151. Disponível em: <</p><p>https://preprints.scielo.org/index.php/scielo/preprint/view/7151>. Acesso</p><p>em: 29 jan. 2024.</p><p>OLIVEIRA, C. de. Povos Indígenas: conheça os direitos previstos na</p><p>Constituição. Agência Brasil, 19 abr. 2017. Disponível em:</p><p><https://encurtador.com.br/kxJW2>. Acesso em: 29 jan. 2024.</p><p>PERET, E. Mulher estuda mais, trabalha mais e ganha menos que o</p><p>homem. IBGE, 7 mar. 2018. Disponível em:</p><p><https://encurtador.com.br/prwP8>. Acesso em: 29 jan. 2024.</p><p>QUANTIDADE de homens e mulheres (Censo Demográfico 2022) .</p><p>IBGE, 2022. Disponível em: <https://educa.ibge.gov.br/jovens/conheca-o-</p><p>brasil/populacao/18320-quantidade-de-homens-e-mulheres.html>. Acesso</p><p>em: 29 jan. 2024.</p><p>43</p><p>1</p><p>Prof. Mauro Hashimoto</p><p>Formação Cidadã</p><p>Contemporânea</p><p>Aula Interativa I</p><p>43</p><p>2</p><p>Educação superior + formação cidadã</p><p>Desenvolver o compromisso</p><p>ético, político e social</p><p>Desenvolvimento de</p><p>competências dos estudantes</p><p>Transmitir conhecimento, saberes e práticas</p><p>que são próprias da área profissional</p><p>Contextualização</p><p>43</p><p>3</p><p>O termo “competência” surgiu na Idade</p><p>Média, aproximadamente no final do</p><p>século XV, na linguagem jurídica</p><p>Atualmente, o termo competência é</p><p>utilizado em diversos contextos, como</p><p>na educação, na gestão de recursos</p><p>humanos, na psicologia, na filosofia,</p><p>na sociologia, na administração etc.</p><p>O que é Competência?</p><p>43</p><p>4</p><p>No âmbito empresarial, o termo competência</p><p>começou a ser utilizado na década de 1970, para</p><p>designar a capacidade de uma pessoa de realizar</p><p>uma tarefa de trabalho de forma eficiente</p><p>GaluhSekar/shutterstock</p><p>43</p><p>5</p><p>Competência Profissional é a</p><p>capacidade pessoal de mobilizar,</p><p>articular, integrar e colocar</p><p>em ação Conhecimentos,</p><p>Habilidades, Atitudes, Valores</p><p>e Emoções que permitam</p><p>responder intencionalmente, com</p><p>suficiente autonomia intelectual</p><p>e consciência crítica, aos desafios</p><p>do mundo do trabalho</p><p>Ser capaz de fazer algo!</p><p>O conceito de Competência</p><p>marekuliasz/shutterstock</p><p>43</p><p>6</p><p>No Brasil, a competência está baseada</p><p>no conceito de CHA, que se refere a</p><p>Conhecimento, Habilidade e Atitude</p><p>ogichobanov/shutterstock</p><p>43</p><p>7</p><p>C.H.A.</p><p>Conhecimento</p><p>(Saber)</p><p>Livros</p><p>Videoaulas</p><p>Rotas de</p><p>Aprendizagem</p><p>Habilidades</p><p>(Saber Fazer)</p><p>Aplicar o conhecimento</p><p>Resolver Problemas</p><p>Criar e Inovar</p><p>Praticar</p><p>Atitudes</p><p>(Querer Fazer)</p><p>Superar-se</p><p>Assumir Riscos</p><p>Agregar Valor</p><p>Ter força e Paixão</p><p>origami cat /shutterstock</p><p>43</p><p>8</p><p>Fonte: Hashimoto, 2024.</p><p>Conhecimento</p><p>(Saber)</p><p>Livros</p><p>Videoaulas</p><p>Rotas de</p><p>Aprendizagem</p><p>Atitudes</p><p>(Querer Fazer)</p><p>Superar-se</p><p>Assumir Riscos</p><p>Agregar Valor</p><p>Ter Força e Paixão</p><p>Emoções</p><p>(Saber Ser)</p><p>Resiliente</p><p>Crítico</p><p>Autônomo</p><p>Consciente</p><p>Valores</p><p>(Crenças do Indivíduo)</p><p>Ética</p><p>Honestidade</p><p>Seriedade</p><p>Responsabilidade</p><p>Habilidades</p><p>(Saber Fazer)</p><p>Aplicar o</p><p>conhecimento</p><p>Resolver Problemas</p><p>Criar e Inovar</p><p>Praticar</p><p>C.H.A.V.E</p><p>43</p><p>9</p><p>As emoções são uma parte</p><p>essencial da experiência humana</p><p>São importantes para</p><p>a sobrevivência humana</p><p>limeart/shutterstock</p><p>Emoções</p><p>43</p><p>10</p><p>São princípios ou crenças fundamentais que</p><p>orientam o comportamento de um indivíduo</p><p>ou de uma sociedade</p><p>Referência para tomar decisões,</p><p>avaliar situações e orientar a conduta</p><p>Podem variar entre as diversas culturas,</p><p>comunidades e até mesmo entre os indivíduos</p><p>Refletem a diversidade e a</p><p>complexidade do ser humano</p><p>Valores morais</p><p>43</p><p>11</p><p>Você sabe qual é a</p><p>diferença entre ética e</p><p>moral?</p><p>A ética é uma área da</p><p>filosofia que estuda os</p><p>fundamentos da moral,</p><p>ou seja, das normas,</p><p>valores e virtudes que</p><p>orientam o</p><p>comportamento humano</p><p>snygggpix /shutterstock</p><p>https://www.shutterstock.com/g/snyggg</p><p>43</p><p>12</p><p>A moral diz respeito ao conjunto de normas,</p><p>valores e princípios que orientam o</p><p>comportamento humano dentro de uma</p><p>sociedade, cultura ou grupo específico</p><p>Engloba os costumes, crenças e tradições que</p><p>direcionam as ações e interações dos indivíduos</p><p>em um determinado tempo e contexto</p><p>A moral está ligada às regras e à conduta das</p><p>pessoas que sejam consideradas adequadas ou</p><p>desejáveis em uma sociedade</p><p>43</p><p>13</p><p>Teorias éticas</p><p>Ética das virtudes (Aristóteles)</p><p>Ética do dever (Kant)</p><p>Utilitarismo (Bentham e Mill)</p><p>Crédito- Mauro Hashimoto</p><p>Virtude!</p><p>Dever!</p><p>Utilidade!</p><p>43</p><p>14</p><p>Ao longo da trajetória da humanidade,</p><p>diversas formas de legitimar o poder foram</p><p>adotadas</p><p>Monarquias hereditárias</p><p>Teocracia</p><p>Governos aristocráticos</p><p>Democracia</p><p>43</p><p>15</p><p>Na Democracia, o poder legítimo emana do</p><p>povo!</p><p>Demos (povo) e kratia (governo, poder)</p><p>Os atenienses foram os pioneiros na</p><p>concepção de uma democracia ideal, na qual</p><p>os cidadãos tinham a capacidade de</p><p>influenciar as decisões da pólis (cidade-</p><p>estado grega)</p><p>43</p><p>16</p><p>Tipos de democracia:</p><p>Democracia direta (participação direta)</p><p>Democracia indireta (representativa)</p><p>Democracia semidireta (participativa)</p><p>43</p><p>17</p><p>Cidadania</p><p>Relacionado aos direitos do cidadão</p><p>É a condição de pertencer a uma nação</p><p>Possuir direitos e</p><p>deveres e poder</p><p>participar ativamente</p><p>da vida e do governo</p><p>da sua nação</p><p>Leonidas Santana /shutterstock</p><p>https://www.shutterstock.com/g/Leonidas+Santana</p><p>43</p><p>18</p><p>Você sabia que o Brasil é um Estado</p><p>Democrático de Direito?</p><p>Lucas Fernando de Lima /shutterstock</p><p>https://www.shutterstock.com/g/Lucas+Fernando</p><p>43</p><p>19</p><p>Você sabe quais são as formas de Estado?</p><p>É a maneira como o Estado exerce o poder</p><p>Pode ser centralizado ou descentralizado</p><p>Estado Unitário e o Estado Federado</p><p>43</p><p>20</p><p>Formas de governo</p><p>Monarquia</p><p>República</p><p>Sistema de governo</p><p>Parlamentarista</p><p>Presidencialista</p><p>43</p><p>21</p><p>Cultura é um fenômeno inerente ao ser</p><p>humano, não sendo transmitido</p><p>geneticamente, ou seja, é um conjunto</p><p>complexo de valores,</p><p>crenças, práticas e</p><p>expressões compartilhadas</p><p>por uma sociedade,</p><p>moldando</p><p>sua identidade</p><p>coletiva</p><p>Você sabe dizer o que é Cultura?</p><p>Rawpixel.com /shutterstock</p><p>https://www.shutterstock.com/g/Rawpixel</p><p>43</p><p>22</p><p>A Cultura pode variar</p><p>Brasil:</p><p>Diferenças culturais entre as regiões</p><p>Influências da colonização europeia, povos</p><p>indígenas nativos, escravidão e imigração</p><p>Frevo, Recife PE Gaúchos, RS</p><p>B</p><p>r</p><p>a</p><p>s</p><p>to</p><p>c</p><p>k</p><p>/</p><p>s</p><p>h</p><p>u</p><p>tt</p><p>e</p><p>r</p><p>s</p><p>to</p><p>c</p><p>k</p><p>n</p><p>a</p><p>d</p><p>ia</p><p>d</p><p>a</p><p>m</p><p>a</p><p>r</p><p>is</p><p>/</p><p>s</p><p>h</p><p>u</p><p>tt</p><p>e</p><p>r</p><p>s</p><p>to</p><p>c</p><p>k</p><p>https://www.shutterstock.com/g/MoviaFilmes</p><p>https://www.shutterstock.com/g/nadiadamaris</p><p>43</p><p>23</p><p>A Cultura sofre</p><p>alterações com o passar</p><p>do tempo</p><p>Os valores culturais</p><p>mudam</p><p>Influência da tecnologia</p><p>Novas concepções</p><p>Baby boomers, Geração</p><p>X, Y, Z</p><p>Diferenças Culturais</p><p>Tatiana Buzmakova /shutterstock</p><p>43</p><p>24</p><p>Diferenças culturais podem causar espanto e</p><p>preconceito</p><p>Sentimento de estranheza e repulsa</p><p>Etnocentrismo é a tendência do homem para</p><p>menosprezar sociedades ou povos cujos</p><p>costumes divergem de seu grupo étnico ou</p><p>nação</p><p>Você já ouviu falar em Choques Culturais e</p><p>Etnocentrismo?</p><p>43</p><p>25</p><p>Identidade cultural</p><p>Globalização</p><p>Diversidade cultural</p><p>Expressão cultural</p><p>Multiculturalismo</p><p>Contrapõe a xenofobia e o</p><p>racismo sobre imigrantes</p><p>e seus descendentes</p><p>Exercício da alteridade</p><p>Você sabia que os valores culturais</p><p>passaram a ser mais globais?</p><p>A Coreia do Sul emergiu como uma</p><p>potência cultural global, influenciando</p><p>o ocidente por meio dos K-dramas e do</p><p>K-pop.</p><p>Elizaveta Galitckaia /shutterstock</p><p>https://www.shutterstock.com/g/galitskaya</p><p>43</p><p>26</p><p>Princípio fundamental para a diversidade</p><p>cultural</p><p>Autonomia para os artistas abordarem</p><p>questões controversas</p><p>Desafiar convenções, questionar normas</p><p>sociais, políticas, culturais, e expressar suas</p><p>perspectivas de maneira genuína</p><p>Liberdade Artística</p><p>43</p><p>27</p><p>Em época de censura, a própria existência da</p><p>arte passa a ser questionada</p><p>Refletir sobre as tensões existentes entre</p><p>arte, cultura e censura (Liberdade Artística</p><p>Art. 5º CF)</p><p>Movimentos de Censura são ilegítimos</p><p>Desafio da Censura</p><p>43</p><p>28</p><p>Estabelecimento dos meios de comunicação</p><p>de massa (ou mídias)</p><p>Influência dos meios de comunicação na</p><p>opinião da população</p><p>Evolução da Internet e dos dispositivos</p><p>móveis</p><p>Ascensão das mídias digitais</p><p>Comunicação</p><p>43</p><p>29</p><p>Dificuldade em discernir entre informações</p><p>relevantes e irrelevantes</p><p>A Televisão é um exemplo de veículo de</p><p>comunicação que estimula a fragmentação e</p><p>o excesso de informação, impregnado de</p><p>imagens e informações superficiais</p><p>O problema das Fake News</p><p>Excesso de informação e desinformação</p><p>43</p><p>30</p><p>Ciência e Tecnologia</p><p>Transformação digital</p><p>Compras on-line</p><p>Logística internacional</p><p>Ex.: Amazon se tornou</p><p>uma das maiores</p><p>multinacionais do mundo</p><p>Autosserviço</p><p>Supermercados</p><p>Estabelecimentos</p><p>comerciais</p><p>Hoje é comum os consumidores</p><p>optarem pelo autosserviço, temos o</p><p>exemplo do McDonald’s que em</p><p>suas lojas físicas possui totens de</p><p>autoatendimento.</p><p>Mountains Hunter/shutterstock</p><p>43</p><p>31</p><p>Desenvolver a habilidade de compreender,</p><p>utilizar e interagir com as tecnologias digitais</p><p>Facilitar as tarefas cotidianas das pessoas</p><p>Acesso à internet e às redes sociais</p><p>Smartphones (Principal forma para o letramento</p><p>digital da população)</p><p>Esse letramento desenvolve-se em vários níveis,</p><p>desde o simples uso de um aplicativo, como o</p><p>WhatsApp, à realização de transações financeiras</p><p>Letramento Digital e Inclusão Digital</p><p>43</p><p>32</p><p>É capaz de criar novos dados, únicos, que</p><p>possibilitam aprender por conta própria</p><p>Um exemplo da IA generativa é o ChatGPT,</p><p>que pode gerar imagens, músicas e textos</p><p>completamente novos</p><p>(...)</p><p>Inteligência Artificial (IA)</p><p>43</p><p>33</p><p>(...)</p><p>Por meio da IA é possível elaborar modelos</p><p>de previsão de testes clínicos, realizar a</p><p>identificação de padrões em exames médicos</p><p>e, ainda, auxiliar no diagnóstico de doenças</p><p>Será que a Inteligência Artificial irá tomar os</p><p>empregos das pessoas?</p><p>43</p><p>34</p><p>(Fim)</p><p>CIÊNCIA, TECNOLOGIA</p><p>E</p><p>INOVAÇÃO</p><p>Prof. Roberto Maximilian Staudacher</p><p>2</p><p>CIÊNCIA, TECNOLOGIA E INOVAÇÃO</p><p>Inovação e a transformação digital;</p><p>Há um velho ditado que diz “Nunca se esqueça de onde você veio, pois</p><p>ele poderá dizer muito para onde você vai”. Este ditado mesmo que simples,</p><p>reflete uma grande realidade de nossos dias atuais. Muitas empresas</p><p>começaram seus negócios de forma analógica, ou seja, o bom e velho papel e</p><p>caneta, como a antiga caderneta nos mercados de secos e molhados que a</p><p>muitos anos já não ouvimos falar mais. Tal “padrão de atendimento” durante</p><p>muitos anos foi muito eficaz e ajudou os comerciantes a terem controle de duas</p><p>vendas, do crédito a receber de seus devedores, a saber quais insumos ou</p><p>produtos deveriam repor estoque pois tinham vendido muito, ou seja, a boa e</p><p>velha caneta com uma caderneta poderia lhe trazer muitas informações e ajudar</p><p>a prosperar os negócios. Porém, com o passar dos anos, o tempo para</p><p>consolidar as informações da caderneta, os borrões no papel, o aumento das</p><p>vendas e até mesmo possíveis perdas da caderneta fez com que necessidades</p><p>de evoluções fossem retratadas a necessidade dos negócios. Com isso tem-se</p><p>um primeiro passo a uma das fases mais importantes de uma empresa,</p><p>organização, ONG, grêmio ou sociedade, a transformação digital.</p><p>A transformação digital representa a mudança para uma economia digital,</p><p>na qual as atividades econômicas tradicionais são substituídas por atividades</p><p>digitais. Esta mudança já se iniciou e como podemos verificar em nosso dia a</p><p>dia, em certos lugares veio para ficar e traz muitos benefícios fáceis de serem</p><p>percebidos. Vamos pegar alguns casos para analisarmos:</p><p>Caso 1 - Caixa de supermercado sem operador – passe os mantimentos</p><p>você mesmo pelos leitores e efetue o pagamento direto na máquina. Em muitos</p><p>lugares já podemos nos deparar com tal equipamento e processo, ao qual agiliza</p><p>compras de pequenos volumes possibilitando um maior escoamento de clientes</p><p>afim de se evitarem as longas filas nos caixas tradicionais.</p><p>Caso 2 - Compras pela internet – Não existe maior comodidade que poder</p><p>escolher seu item de desejo esteja este na sua cidade, estado ou até mesmo em</p><p>outro país, certamente todos vocês lembram que a quase uma década isso não</p><p>era possível. Tal inovação, ou transformação digital, causou uma revolução nos</p><p>3</p><p>mercados lembrando que aqueles que não se adaptarem a tais mudanças,</p><p>poderão estar fadados a fechar seus negócios ou ter um impacto muito</p><p>significativo caso seus concorrentes e similares substitutos estejam sendo</p><p>comercializados por tais novos canais de vendas.</p><p>Caso 3 – Revisão de veículo por aplicativo – Com a chegada dos novos</p><p>veículos autônomos, algumas montadoras já estão prevendo que algumas</p><p>revisões dos carros serão através do seu smartphone, isso mesmo, as revisões</p><p>que se tratar de atualizações de software, ou mesmo reparos tecnológicos</p><p>poderão ser realizados na garagem de sua casa, ou ainda no estacionamento</p><p>do trabalho, para aqueles que já tenham voltado as rotinas pré pandêmicas com</p><p>certas modificações. Isso não economizaria muito tempo, e claro, dinheiro aos</p><p>novos motoristas dos veículos elétricos? Não teríamos uma comodidade</p><p>aumentada assim como uma experiência de usuário extremamente disruptiva?</p><p>Sim, com certeza muitos padrões serão quebrados e muitas formas de atuação</p><p>e controles processuais e empresariais deverão ser revistos para podermos</p><p>adequar estas novas atividades da transformação digital em nossas novas</p><p>rotinas.</p><p>Para aqueles que gostam de acompanhar o perfil dos consumidores,</p><p>através de análises de mercado, indicadores de marketing ou simplesmente o</p><p>bom o velho olhar e conversar com as pessoas para saber como as coisas estão,</p><p>a transformação digital tem trazido o que chamamos de um “prato cheio”. Nunca</p><p>se falou tanto de UX e UI e análise do perfil do consumidor. Sabendo que a UX</p><p>é o user experience ou em sua tradução</p><p>a experiência do usuário, se colocarmos</p><p>um exemplo, seria como é a “fluidez” do atendimento a um cliente ao entrar em</p><p>uma loja física ou virtual, faz a escolha de seu produto, efetua seu cadastro,</p><p>efetua seu pagamento e recebe informações de recebimento do que comprou.</p><p>Muitas são as formas de atendimento presenciais, ou mesmo as telas de uma</p><p>página da web que teriam que ser percorridas para que este processo de</p><p>compras pudesse ser concretizado com sucesso, e esta fluidez, ou a</p><p>combinação de todo o atendimento ou acolhimento virtual é que faz com que a</p><p>UX ou a experiência que o cliente tem nesta compra seja muito agradável, ou as</p><p>vezes, desastrosa!</p><p>Já a UI ou também conhecida como user interface, está diretamente</p><p>relacionada com nossas funções cognitivas, como percepção, atenção,</p><p>4</p><p>memória, pensamento, linguagem, entre outras. Mas, o que todas estas funções</p><p>têm a ver com a inovação? Como podem ser representadas quando falamos em</p><p>transformação digital?</p><p>A cor de uma página de um site, as imagens que são utilizadas para que</p><p>possam chamar a atenção de um determinado cliente, seja este do sexo</p><p>masculino ou feminino, tendo faixas etárias diferentes e demais características</p><p>de regionalidades, clima, entre outros tantos a serem analisados e empregados</p><p>na interface que será apresentada ao cliente.</p><p>https://www.mangu.com.br/o-que-e-ui-e-ux-design-qual-e-a-diferenca-entre-eles/</p><p>Agora, para aqueles não são tão devotos ao marketing e estratégias de</p><p>análise de comportamento dos clientes, mas sim, gostam de acompanhar mais</p><p>resultados de produtividade ou mesmo financeiros, a transformação digital</p><p>também traz grandes novidades, afinal, ela está transformando as relações de</p><p>trabalho, aumentando a competição e reduzindo as margens de lucro!</p><p>Quando falamos em margens de lucro, logo imaginamos que a</p><p>transformação digital pode estar aumentando as margens, mas, nem sempre é</p><p>assim, muitas vezes nos deparamos com reduções significativas nas margens</p><p>de lucro, mas, claro, somente são aceitas se nos mantiverem no mercado ou se</p><p>aumentarem nossas vendas pois trouxemos novas formas mais adequadas e</p><p>https://www.mangu.com.br/o-que-e-ui-e-ux-design-qual-e-a-diferenca-entre-eles/</p><p>5</p><p>solicitadas pelo consumidor da inovação. Vamos detalhar melhor este</p><p>entendimento com exemplos!</p><p>Os taxistas de 10 anos atrás, certamente uma corrida de taxi do ponto “A”</p><p>ao ponto “B” 10 anos atrás, antes de termos os motoristas guiados pelos</p><p>aplicativos de direcionamento por GPS pagávamos uma quantia “X” hoje, com</p><p>os aplicativos e abertura deste mercado, pagamos uma quantia “Y” pelo mesmo</p><p>trajeto, porém, mais barata, fazendo com que a “margem de lucratividade” do</p><p>serviço fosse reduzida, ou seja, através da transformação digital percebeu-se</p><p>uma “dor” do consumidor, que estava “refém” de um serviço caro e manipulado</p><p>por poucas entidades e empresas e abriu-se um novo caminho para que tais</p><p>serviços pudessem ser prestados por outras categorias, balizando o preço com</p><p>o que o mercado estava mais suscetível a pagar, ou seja, a tecnologia, ou a</p><p>transformação digital, não serve apenas para otimizar experiências ou</p><p>facilidades, mas serve também como um “regulador de mercados”. Outro</p><p>exemplo muito forte de regulação de mercados foi o caso do ramo hoteleiro</p><p>mundial com a entrada do AIRBNB, uma vez que o mercado de resorts e hotéis</p><p>perceberam a chegada da nova plataforma sentiram suas margens e volumes</p><p>de vendas baixarem a ponto de terem que repensar novas estratégias e</p><p>atendimentos para os consumidores.</p><p>As empresas que não se adaptarem à transformação digital vão perder</p><p>competitividade e, eventualmente, fechar as portas. É importante que as</p><p>empresas invistam em tecnologia para se manterem competitivas. As empresas</p><p>que não estão preparadas para a transformação digital vão sofrer grandes</p><p>perdas.</p><p>Os 4 fatores da transformação digital;</p><p>Em plena era digital, torna-se cada vez mais importante para as empresas</p><p>saberem como lidar com a transformação digital. Esse processo geralmente</p><p>envolve mudanças em várias áreas da empresa, desde a forma de produzir até</p><p>a de vender os produtos e serviços.</p><p>Mas afinal, o que é a transformação digital? Segundo estudiosos da área,</p><p>a transformação digital é "a adoção de soluções tecnológicas que visam</p><p>melhorar a eficiência dos processos e aumentar a competitividade das empresas</p><p>em um mercado cada vez mais globalizado e conectado".</p><p>6</p><p>Na prática, podemos dizer que a transformação digital é uma</p><p>transformação da empresa como um todo, que visa aproveitar as novas</p><p>tecnologias para melhorar seus processos internos e aumentar sua</p><p>competitividade no mercado.</p><p>Para que uma empresa possa executar bem a transformação digital, é</p><p>importante que ela leve em consideração quatro fatores:</p><p>1. Necessidades da empresa;</p><p>2. Capacidade de adoção das tecnologias;</p><p>3. Estrutura organizacional;</p><p>4. Ambiente econômico;</p><p>Necessidades da empresa;</p><p>O primeiro fator a ser levado em consideração é a necessidade da</p><p>empresa. Cada empresa tem suas próprias características, e só ela mesma pode</p><p>saber quais são suas necessidades. Por exemplo, uma empresa que atua no</p><p>mercado de turismo pode precisar adotar soluções tecnológicas que melhorem</p><p>a gestão de reservas, tornando-as mais rápidas, a fim de aproveitar melhor</p><p>descontos ou pacotes concedidos pelos hotéis, resorts ou pousadas, ou ainda,</p><p>podem imaginar um hotel que nos dias de hoje não oferecesse serviços de</p><p>internet? Certamente não receberia clientes ou certamente muito poucos.</p><p>Aprofundando um pouco o caso da transformação digital, vamos analisar um</p><p>outro caso de necessidade empresarial, mas, desta vez, com um pouco mais de</p><p>profundidade. Muitos sabem que as vendas para as empresas são a “força</p><p>motriz” para continuarem a pagar os salários, a produzir seus produtos ou</p><p>mesmo executar com excelência os serviços que entrega ao mercado, porém,</p><p>cada vez mais a busca por novos clientes e a manutenção daqueles que já estão</p><p>na base é mais complexa e mais trabalhosa. Na medida que uma empresa</p><p>cresce e que sua base de clientes demanda muita atenção, faz-se necessário</p><p>um sistema, software ou plataforma que auxilie na gestão de todo esse grupo de</p><p>clientes. Muitas empresas possuem o chamado ERP – Enterprise Resourse</p><p>Planning, ou também conhecido como sistema integrado de gestão empresarial,</p><p>tal sistema pode ser considerado como um grande “computador” possuindo</p><p>vários módulos sistêmicos que interligados consolidam as bases de dados,</p><p>7</p><p>informações e relatórios da empresa toda. Em muitos casos, cada uma das áreas</p><p>da empresa possui um desses “braços” deste grande “computador”, a área de</p><p>RH possui seu módulo, o comercial seu módulo, a controladoria também, ou</p><p>seja, todos estes módulos, um para cada área estão conectados e geram</p><p>informações centralizadas para toda a empresa. Desta forma muitas das</p><p>necessidades de crescimento e estabilização dos processos empresariais</p><p>podem ser controlados e melhorados. A aquisição de um sistema ERP ou</p><p>mesmo apenas um dos módulos pode ser um ótimo exemplo da necessidade de</p><p>uma empresa em fazer sua evolução na inovação através de sua transformação</p><p>tecnológica.</p><p>https://exsam.com.br/sistema-erp</p><p>Capacidade de adoção das tecnologias;</p><p>O segundo fator a ser levado em consideração é a capacidade de adoção</p><p>das tecnologias. Todos os dias escutamos terminologias tais como IA –</p><p>https://exsam.com.br/sistema-erp</p><p>8</p><p>Inteligência Artificial, computação quântica, redes neurais, engenharia de dados,</p><p>ou outras expressões que podem parecer muito avançadas, mas, certamente</p><p>estão mais próximas do que imaginamos! Mas, como escolher e saber o que</p><p>utilizarmos para nossa transformação digital? O ingresso da tecnologia em uma</p><p>empresa não é tão simples como se substituir uma placa de computador com</p><p>uma capacidade “X” por outra com uma capacidade “maior”</p><p>que notaremos</p><p>diferença imediata na velocidade de nossos acessos a internet, cores mais</p><p>brilhantes na tela ou mesmo mais capacidade de armazenagem. Sabemos que</p><p>existem alguns pontos a serem considerados quando tratamos de estudar e</p><p>adotar novas tecnologias nas empresas, tais como:</p><p>a. Qual tecnologia é necessária? Importante avaliar com times</p><p>especializados na transformação digital a solução mais adequada no</p><p>momento;</p><p>b. Qual o custo destas novas soluções? Sabemos que a aquisição e</p><p>equipamentos, módulos sistêmicos ou mesmo horas de</p><p>desenvolvedores ou ainda capacitações para consolidar a</p><p>transformação digita não é barata, por isto, sempre se faz necessário</p><p>um ótimo estudo de viabilidade financeira para avaliar se os valores x</p><p>tecnologia adquirida vai trazer o retorno esperado no prazo definido!</p><p>c. O time da empresa está preparado para ingressar nessa nova</p><p>transformação digital? Muitas vezes as equipes não estão preparadas</p><p>para absorver e aproveitar de uma forma eficiente as soluções trazidas</p><p>do mercado, assim, sendo necessário uma avaliação e se necessário</p><p>intervenção da gestão para que os preparativos sejam feitos antes da</p><p>transformação digital iniciar efetivamente. Este ponto é tão importante</p><p>que será o próximo a ser abordado em nosso texto.</p><p>Estrutura organizacional;</p><p>O terceiro fator a ser levado em consideração é a estrutura organizacional</p><p>da empresa. Um cuidado que devemos ter ao se iniciar a transformação digital</p><p>de uma empresa é fazer uma avaliação com seu quadro funcional. Saber se</p><p>todas as pessoas e times da empresa estão preparados para receber a</p><p>tecnologia, saber se os colaboradores saberão como lidar e como tratarão com</p><p>os novos processos assim que forem implantados. Acompanhar as equipes para</p><p>9</p><p>garantir que conflitos ou atividades sobrepostas atrapalhem o dia a dia e por si</p><p>a produtividade da empresa.</p><p>Para que uma transformação digital ou mesmo, pequenos processos de</p><p>inovação ocorram na empresa, a área de RH precisa ser diretamente envolvida</p><p>a fim de montar e executar as estratégias de pessoas em todos os níveis</p><p>empresariais, deste o estratégico, passando pelo tático até o operacional.</p><p>https://www.gupy.io/blog/gestao-de-pessoas</p><p>Ambiente econômico;</p><p>O último fator a ser levado em consideração é o ambiente econômico. A</p><p>empresa deve analisar se o ambiente econômico está favorável à adoção das</p><p>novas tecnologias.</p><p>https://www.gupy.io/blog/gestao-de-pessoas</p><p>10</p><p>Muitas vezes, as tecnologias exigem investimentos financeiros da</p><p>empresa, e se o ambiente econômico não estiver favorável, a empresa pode não</p><p>ter condições de adotá-las.</p><p>Grande parte da transformação digital pode ser iniciada “dentro de casa”</p><p>com investimentos menores, tais como, reuniões de preparação do time para</p><p>emprego de novas soluções e processos, estudos de viabilidade de implantação</p><p>de novas soluções, avaliações das melhores soluções em relação ao momento</p><p>em que a empresa vive.</p><p>Uma situação que muitas empresas que estão experimentando o mercado</p><p>da inovação ou transformação digital, trata-se dos desafios que são lançados ao</p><p>mercado. Desafio? Como assim? Sim, isso mesmo, muitas empresas de médio</p><p>e grande porte identificam em sua plataforma produtiva várias possibilidades de</p><p>melhoras em que diversos tipos de tecnologia poderiam ser empregados, porém,</p><p>ao invés de internalizar a atividade e fazer por conta própria estas melhorias, a</p><p>empresa abre uma proposta de “desafio ao mercado” buscando os habitats de</p><p>inovação, as universidades, centros de ensino ou mesmo grupos de start ups</p><p>para expor seus problemas e verificar quais empresas, start ups ou grupos de</p><p>estudos podem auxiliar na solução do “desafio”, desta forma, a empresa além de</p><p>abrir as portas para o mercado, fazendo com que seu negócio seja mais</p><p>conhecido, ainda pode ter a oportunidade de contar com profissionais</p><p>especialistas de inovação que poderão ajudar na solução trazendo muitas vezes</p><p>possibilidades inovadoras e disruptivas para a solução dos problemas / desafios</p><p>apresentados!</p><p>Inovação aberta;</p><p>A inovação aberta é um termo usado para descrever um processo</p><p>colaborativo de inovação onde a comunidade científica, empresarial e o público</p><p>em geral participam ativamente na geração de novas ideias. Trata-se de uma</p><p>estratégia que busca incentivar o compartilhamento de ideias e a colaboração</p><p>entre diferentes partes para acelerar o processo de inovação.</p><p>A inovação aberta pode ser aplicada em diferentes contextos, como a</p><p>pesquisa científica, a inovação nas empresas e a inovação na governança. No</p><p>contexto da pesquisa científica, a inovação aberta pode ser usada para gerar</p><p>novas ideias e soluções para os problemas da sociedade. No contexto da</p><p>11</p><p>inovação nas empresas, a inovação aberta pode ser usada para incentivar a</p><p>colaboração entre as empresas e acelerar o processo de inovação. No contexto</p><p>da inovação na governança, a inovação aberta pode ser usada para promover a</p><p>colaboração entre o governo e a sociedade e acelerar o processo de inovação.</p><p>Vamos expor alguns exemplos de inovação aberta para que possamos ter</p><p>melhor envolvimento do tema. No caso de inovação aberta para melhor atender</p><p>o controle de trânsito e estacionamentos em locais públicos, certamente você já</p><p>deve ter se deparado com o “star” virtual, ou seja, hoje, quando vamos parar</p><p>nossos veículos no centro das cidades, ou, em locais que possuam o “star”</p><p>dificilmente você terá que comprar aquele “bloquinho”, apontar a hora que está</p><p>estacionando e colocar sobre o painel de seu veículo. Este processo já se tornou</p><p>obsoleto devido a inovação aberta utilizada pelas cidades para poderem</p><p>modernizar seus serviços e prestarem um atendimento mais produtivo, ágil e</p><p>fácil a população, além de ser “verde” ou conhecido como aquele que não agride</p><p>a natureza ou também, sustentável!</p><p>Outra abordagem muito importante que podemos avaliar da inovação</p><p>aberta para que atendam desta vez a sociedade como um todo, são as soluções</p><p>empregadas na saúde por exemplo, por muitos anos vemos empresas de</p><p>inovação ou até mesmo grandes empresas do ramo buscando conhecimentos</p><p>no mercado ou em ecossistemas de inovação para buscar soluções em vacinas,</p><p>e curas para a sociedade como um todo. Recentemente passamos pela fatídica</p><p>pandemia em que muitas empresas buscaram a inovação aberta para poder</p><p>desenvolver suas vacinas e fortalecer seus testes antes de simplesmente</p><p>lançarem os produtos junto a população mundial.</p><p>Segue link para um dos arquivos recentes da MIT Sloan Management</p><p>Review sobre a inovação aberta e a corrida contra o Covid-19.</p><p>https://www.mitsloanreview.com.br/post/o-que-as-vacinas-podem-nos-</p><p>ensinar-sobre-inovacao-aberta</p><p>https://www.mitsloanreview.com.br/post/o-que-as-vacinas-podem-nos-ensinar-sobre-inovacao-aberta</p><p>https://www.mitsloanreview.com.br/post/o-que-as-vacinas-podem-nos-ensinar-sobre-inovacao-aberta</p><p>12</p><p>Digitização x Digitalização;</p><p>A digitização é um termo que vem sendo cada vez mais utilizado nas</p><p>empresas, e pouco se sabe a respeito do que realmente significa. Muitos</p><p>acreditam que a digitização é apenas o processo de transmissão de dados de</p><p>um meio físico para outro, como por exemplo, a conversão de informações em</p><p>papel para um arquivo digital.</p><p>No entanto, a digitização vai além disso. Ela é um conceito que envolve a</p><p>transformação completa de um processo de negócios, produto, serviço ou</p><p>operação para que ele possa ser executado de forma totalmente digital.</p><p>A ideia é que tudo seja baseado na informação e que as decisões sejam</p><p>tomadas com foco nas necessidades do cliente. Assim, a digitização não é</p><p>apenas um processo de transmissão de dados, mas sim a utilização da</p><p>informação como fator de transformação de um negócio.</p><p>Muitos empresários ainda têm dúvidas sobre o que é a digitização e como</p><p>ela pode impactar seus negócios. Por isso, é importante entender que</p><p>a</p><p>digitização é uma mudança estratégica, e não apenas técnica. Por isso, a adesão</p><p>a ela deve ser feita de forma consciente, com o objetivo de atender às</p><p>necessidades da empresa.</p><p>13</p><p>Não é novidade para ninguém que a tecnologia tem avançado a passos</p><p>largos nos últimos anos. Com a chegada da internet, os dispositivos eletrônicos</p><p>se popularizaram, mudando a forma como as pessoas se comunicam, se</p><p>informam e se relacionam. Também não é surpresa que o mercado editorial</p><p>tenha se beneficiado com esses avanços, com a publicação de livros e outros</p><p>materiais em formato digital.</p><p>No entanto, é preciso ficar atento ao que chamamos de "digitização" e</p><p>"digitalização". A primeira consiste na modificação processual sendo esta tática</p><p>ou até estratégica para a organização. Imaginem que durante muitos anos as</p><p>revisões dos carros eram realizadas por mecânicos, porém, quando mais</p><p>experientes fossem esses mecânicos, melhor seriam os diagnósticos e por</p><p>consequência a manutenção dos veículos, agora, imaginem que sempre tivemos</p><p>diversos modelos de veículos, alguns a gasolina, outros a álcool ou ainda diesel,</p><p>se incluirmos marcas de fabricantes, certamente este entendimento do mundo</p><p>da mecânica e reparos ficaria ainda mais complexo, correto? Agora, imaginem</p><p>que com a chegada da IoT ou também conhecida como “Internet das coisas”</p><p>modernizações processuais, envolvendo mecânica avançada utilizando chips</p><p>eletrônicos, fez com que o processo antes de avaliação e manutenção manual</p><p>de um veículo por um mecânico fosse substituído por um processo</p><p>automatizado, com precisão muito mais rápida e ainda deixando o serviço mais</p><p>barato. Todo este processo descreve com clareza a “digitização” de um modelo</p><p>de atividade ao qual estamos bastante habituados. Já a digitalização refere-se à</p><p>criação de um conteúdo digital a partir de um documento físico. Assim, um texto</p><p>escrito à mão pode ser digitalizado para um arquivo de computador.</p><p>As vantagens da digitização e da digitalização são inúmeras.</p><p>Primeiramente, ambas tornam os conteúdos disponíveis para um maior número</p><p>de pessoas. Além disso, a digitalização permite que os conteúdos sejam</p><p>manipulados de forma mais fácil, o que facilita a sua indexação, busca e</p><p>recuperação.</p><p>Também é possível realizar modificações nos conteúdos digitais, de</p><p>acordo com as necessidades do usuário. Por exemplo, um arquivo de texto pode</p><p>ser editado para que tenha um tamanho menor, ou uma imagem pode ser</p><p>alterada para melhorar a qualidade.</p><p>14</p><p>Outra vantagem da digitalização é que ela preserva o conteúdo original.</p><p>Quando um documento é digitalizado, as informações nele contidas são</p><p>convertidas para formato digital e não sofrem nenhum tipo de alteração. Dessa</p><p>forma, mesmo que um documento seja danificado, as informações nele contidas</p><p>podem ser recuperadas.</p><p>Portanto, podemos concluir que a digitização e a digitalização são</p><p>processos importantes para a preservação da informação. Sem eles, seria</p><p>impossível ter acesso ao conteúdo armazenados em formato físico. Por isso, é</p><p>importante que todos saibam o que são essas técnicas e como elas podem ser</p><p>utilizadas para melhorar a qualidade da informação.</p><p>15</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>emoções</p><p>Crédito: Twin Design/Shutterstock.</p><p>Existem emoções diferentes que podemos experimentar, e cada uma</p><p>delas tem o próprio impacto sobre nosso comportamento. Por exemplo, a</p><p>raiva pode nos levar a tomar decisões precipitadas, enquanto a felicidade</p><p>pode nos tornar mais criativos e produtivos. É importante ser capaz de</p><p>reconhecer e entender as próprias emoções, bem como as emoções dos</p><p>outros. Essas experiências emocionais são complexas e moldam não</p><p>apenas nosso comportamento individual, mas também as interações</p><p>sociais e os ambientes nos quais estamos inseridos.</p><p>Uma soft skill muito importante e estudada é a inteligência emocional,</p><p>a capacidade de reconhecer, entender e gerenciar as próprias emoções. Ela</p><p>também inclui a capacidade de entender as emoções dos outros e</p><p>responder a elas de forma eficaz. Pessoas com alta inteligência emocional</p><p>são mais propensas a ser bem-sucedidas no trabalho. Elas são capazes de</p><p>construir relacionamentos fortes, resolver conflitos de forma construtiva e</p><p>lidar com o estresse de forma eficaz.</p><p>A definição básica de inteligência emocional foi descrita por Mayer e</p><p>Salovey (1997, p. 15): “ A inteligência emocional envolve a capacidade de</p><p>perceber acuradamente, de avaliar e de expressar emoções; a capacidade</p><p>de perceber e/ou gerar sentimentos quando eles facilitam o pensamento; a</p><p>capacidade de compreender a emoção e o conhecimento emocional; e a</p><p>capacidade de controlar emoções para promover o crescimento emocional</p><p>e intelectual.”</p><p>A compreensão de que existe um conjunto de aptidões cognitivas</p><p>relacionadas ao processamento de informações carregadas de emoção</p><p>levou John Mayer e Peter Salovey a propor “uma definição elaborada de</p><p>inteligência emocional expandindo essas aptidões em cinco domínios</p><p>principais” (Goleman, 2012, p. 66). Vamos ver quais são eles?</p><p>Autoconsciência (conhecer as próprias emoções): essa capacidade</p><p>permite reconhecer um sentimento quando ele ocorre.</p><p>Extremamente importante, é a origem e o ponto de partida para o</p><p>desenvolvimento da inteligência emocional.</p><p>Autocontrole (lidar com emoções): refere-se à capacidade de</p><p>desenvolver competências pessoais e lidar com as emoções; essa é</p><p>uma aptidão que se desenvolve na autoconsciência. É a capacidade</p><p>de confortar-se, de lidar com a ansiedade, a tristeza ou a</p><p>irritabilidade que incapacitam o indivíduo.</p><p>Automotivação (motivar-se): trata-se da competência de</p><p>estabelecer metas pessoais e manter um entusiasmo constante em</p><p>relação a esses objetivos. Essa aptidão é responsável por possibilitar</p><p>que os objetivos sejam alcançados com confiança, otimismo e</p><p>esperança, mesmo diante de desafios adversos.</p><p>Empatia (reconhecer emoções nos outros): ao compreender</p><p>expressões não verbais, como postura corporal, tom de voz e</p><p>expressões faciais, uma pessoa empática percebe os sentimentos, o</p><p>que os outros precisam ou o que querem. Essa aptidão possibilita a</p><p>interpretação das intenções e desejos das pessoas ao seu redor.</p><p>Sociabilidade (lidar com relacionamentos): refere-se à capacidade</p><p>de iniciar, manter e aprofundar relações sociais. Essa aptidão envolve</p><p>substituir sentimentos negativos por outros mais positivos em</p><p>relação às pessoas próximas, promovendo relacionamentos mais</p><p>autênticos, profundos e duradouros.</p><p>Goleman (2012) ainda argumenta que essas aptidões são essenciais</p><p>para o sucesso na vida pessoal e profissional. Pessoas com alta inteligência</p><p>emocional são mais propensas a ser bem-sucedidas em seus</p><p>relacionamentos, na vida pessoal e no ambiente de trabalho. Por isso, é</p><p>importante desenvolver as soft skills, incluindo a inteligência emocional.</p><p>Ok, mas como desenvolver nossas emoções? Veja algumas dicas.</p><p>Preste atenção as suas emoções. Quando você sentir uma emoção,</p><p>tente identificar o que a causou.</p><p>Aprenda a gerenciar suas emoções. Se você tiver dificuldade em</p><p>lidar com emoções negativas, existem muitas técnicas que podem</p><p>ajudá-lo.</p><p>Seja empático. Tente entender o ponto de vista dos outros, mesmo</p><p>que você não concorde com ele.</p><p>Seja assertivo. Saiba expressar suas necessidades e opiniões de</p><p>forma clara e respeitosa.</p><p>Com essas informações, podemos afirmar que, ao desenvolver as</p><p>emoções e as soft skills, você se tornará uma pessoa mais completa e</p><p>capaz. Você será capaz de construir relacionamentos mais fortes, lidar com</p><p>conflitos de forma construtiva e alcançar seus objetivos. As emoções são</p><p>uma parte importante da vida humana. Ao desenvolvê-las, podemos, além</p><p>de alcançar nossos objetivos, ter vidas mais tranquilas e positivas para nós</p><p>mesmos e para os outros.</p><p>TEMA 5 – SOFT SKILLS: VALORES</p><p>Os valores são princípios ou crenças fundamentais que orientam o</p><p>comportamento de um indivíduo ou de uma sociedade. Eles servem como</p><p>referência para tomar decisões, avaliar situações e orientar a conduta. Os</p><p>valores podem variar entre as diversas culturas, comunidades e até mesmo</p><p>entre os indivíduos, refletindo a diversidade e a complexidade das</p><p>perspectivas humanas.</p><p>Segundo Daher Júnior (2012), os valores determinam o que podemos</p><p>fazer, o certo e o errado. Então, em uma discussão, para que alguém mude</p><p>a atitude é necessário atingir seus valores pessoais.</p><p>E como os valores são formados? Por meio de uma combinação de</p><p>fatores. Temos as experiências pessoais, que ao longo da vida podem nos</p><p>influenciar a desenvolver certos valores. Quando refletimos sobre nossas</p><p>experiências, podemos começar a identificar os valores que são</p><p>importantes para nós. Por exemplo, se tivermos uma experiência positiva</p><p>com a ajuda de um estranho, podemos desenvolver o valor da compaixão.</p><p>A educação também pode influenciar a formação de valores. Por meio</p><p>dela, aprendemos sobre diferentes culturas e perspectivas, o que pode nos</p><p>ajudar a desenvolver valores mais amplos e inclusivos.</p><p>A cultura também desempenha um papel importante na formação de</p><p>valores. Cada cultura tem os próprios valores, que são transmitidos de</p><p>geração em geração por meio de práticas culturais, como rituais, histórias e</p><p>normas sociais.</p><p>A família é um dos principais influenciadores da formação de valores.</p><p>Os pais, irmãos e outros familiares nos ensinam sobre o que é importante</p><p>na vida, e esse aprendizado pode nos influenciar a desenvolver certos</p><p>valores.</p><p>A religião pode ser uma fonte importante de valores. Muitas religiões</p><p>têm um conjunto de valores que são considerados importantes para a vida</p><p>moral.</p><p>A formação de valores é um processo complexo e contínuo. Os valores</p><p>podem mudar ao longo da vida, à medida que aprendemos e crescemos. E</p><p>como ocorre a formação de valores individuais? É um processo que</p><p>começa na infância. As experiências que temos com nossos pais, irmãos,</p><p>familiares e amigos nos ajudam a desenvolver um senso do que é</p><p>importante na vida.</p><p>Na adolescência, começamos a questionar os valores que nos foram</p><p>ensinados. É um período de descoberta e de busca por nossa própria</p><p>identidade. Nessa fase, somos influenciados por nossos amigos, pela mídia</p><p>e pela cultura em geral.</p><p>Na idade adulta, começamos a desenvolver nossos próprios valores.</p><p>Isso ocorre à medida que nos tornamos mais independentes e temos mais</p><p>experiências de vida.</p><p>A formação de valores individuais é um processo contínuo. À medida</p><p>que aprendemos e crescemos, nossos valores podem mudar.</p><p>Quadro 2 – Valores individuais</p><p>Formação de valores individuais</p><p>0 aos 7</p><p>anos</p><p>Fase da vida em que a crianças absorvem valores de forma inconsciente.</p><p>Geralmente, todas as sugestões são aceitas.</p><p>8 aos 14</p><p>anos</p><p>Fase da vida em que ocorre a modelagem de valores, quando a criança</p><p>começa a ter critérios de absorção de valores de quem ela admira.</p><p>15 aos 21</p><p>anos</p><p>Fase da vida em que o jovem reordena sua vida e assume novos valores</p><p>segundo o meio em que vive.</p><p>22 aos 35</p><p>anos</p><p>Fase da vida em que valores profissionais são incorporados aos valores já</p><p>existentes.</p><p>Fonte: Elaborado por Hashimoto, 2024, com base em Daher</p><p>Júniofig/figcaption> 2012, p. 22.p></p><p>Você sabia que os valores vão além da dimensão individual? Sim,</p><p>temos também</p><p>a formação de valores sociais, aqueles que são</p><p>compartilhados por um grupo de pessoas, como uma comunidade, um</p><p>país ou uma religião. Eles são transmitidos de geração em geração por</p><p>meio de práticas culturais, como rituais, histórias e normas sociais.</p><p>A formação de valores sociais é um processo que ocorre ao longo do</p><p>tempo. Ela é influenciada por fatores como a história, a geografia e a</p><p>religião. Por exemplo, a importância da família é um valor social que é</p><p>compartilhado por muitas culturas. Esse valor é influenciado pela história,</p><p>que sempre valorizou a família como uma instituição importante para a</p><p>sobrevivência e o bem-estar das pessoas.</p><p>A formação de valores sociais é importante para a coesão social. Os</p><p>valores sociais ajudam a criar um senso de identidade e pertencimento</p><p>entre os indivíduos que os compartilham.</p><p>E existe relação entre os valores individuais e os valores sociais? Sim,</p><p>os valores individuais e os valores sociais estão interligados. Os valores</p><p>individuais são influenciados pelos valores sociais da sociedade em que o</p><p>indivíduo vive. Por outro lado, os valores sociais são influenciados pelos</p><p>valores individuais das pessoas que compõem a sociedade. Por exemplo, a</p><p>importância da educação é um valor social que é compartilhado por</p><p>diversas sociedades. Esse valor é influenciado pelos valores individuais das</p><p>pessoas que acreditam que a educação é importante para o</p><p>desenvolvimento pessoal e profissional.</p><p>Da mesma forma, a importância da família é um valor social que é</p><p>compartilhado por muitas religiões. Esse valor é influenciado pelos valores</p><p>individuais das pessoas que acreditam que a família é importante para o</p><p>amor, o apoio e a segurança. A relação entre valores individuais e sociais é</p><p>complexa e dinâmica. Os valores individuais e sociais estão em constante</p><p>interação e mudança.</p><p>Os valores, no contexto das habilidades interpessoais e</p><p>comportamentais, referem-se a princípios pessoais e éticos que</p><p>influenciam a maneira como as pessoas interagem, relacionam-se e</p><p>comportam-se no ambiente de trabalho e na vida em geral. Esses valores</p><p>estão relacionados às soft skills (habilidades interpessoais ou habilidades</p><p>sociais).</p><p>Os valores são importantes para as soft skills porque fornecem um</p><p>conjunto de princípios que orientam o comportamento. Desenvolver</p><p>valores fortes é importante para o sucesso pessoal e profissional. Os</p><p>valores nos ajudam a tomar decisões, a resolver problemas e a viver nossas</p><p>vidas de forma ética e responsável.</p><p>TROCANDO IDEIAS</p><p>Diante do cenário atual, o mercado de trabalho contemporâneo está</p><p>em constante mudança, e a era digital provocou grandes transformações</p><p>no mercado de trabalho. Com isso, as habilidades interpessoais tornaram-</p><p>se cada vez mais valorizadas pelas organizações. Para que você possa</p><p>colocar em prática, discuta como as soft skills relacionam-se com o seu</p><p>curso? Quais competências você precisa desenvolver?</p><p>Para aprofundar-se mais no assunto, leia a notícia Soft skills: era digital</p><p>mudou o mercado de trabalho. Disponível em: <https://www.terra.com.br/e</p><p>conomia/soft-skills-era-digital-mudou-o-mercado-de-trabalho,a1ce14e7ea</p><p>64b7d5876b8c3cdabb362al8zirr0x.html>. Acesso em: 24 jan. 2024.</p><p>NA PRÁTICA</p><p>Alice é uma desenvolvedora de software altamente talentosa que</p><p>recentemente ingressou na ConnectTech, uma empresa de tecnologia.</p><p>Alice é reconhecida por suas habilidades técnicas excepcionais, mas a</p><p>equipe percebeu que sua comunicação e colaboração não estão</p><p>atendendo o esperado e que essas competências poderiam ser</p><p>desenvolvidas para melhor integração no ambiente de trabalho.</p><p>Veja os desafios que foram identificados.</p><p>https://www.terra.com.br/economia/soft-skills-era-digital-mudou-o-mercado-de-trabalho,a1ce14e7ea64b7d5876b8c3cdabb362al8zirr0x.html</p><p>https://www.terra.com.br/economia/soft-skills-era-digital-mudou-o-mercado-de-trabalho,a1ce14e7ea64b7d5876b8c3cdabb362al8zirr0x.html</p><p>https://www.terra.com.br/economia/soft-skills-era-digital-mudou-o-mercado-de-trabalho,a1ce14e7ea64b7d5876b8c3cdabb362al8zirr0x.html</p><p>Comunicação efetiva. Embora altamente competente tecnicamente,</p><p>Alice tem dificuldades em se expressar de forma clara e eficaz em</p><p>reuniões e interações diárias.</p><p>Colaboração em equipe. Alice tende a trabalhar de maneira</p><p>independente, e a equipe percebe que a colaboração interdisciplinar</p><p>é essencial para atingir metas mais amplas.</p><p>Receptividade ao feedback. Alice, por vezes, mostra resistência ao</p><p>feedback construtivo, o que limita seu crescimento profissional.</p><p>Com os conhecimentos adquiridos nesta etapa, sugira pelo menos</p><p>cinco atividades para que Alice possa desenvolver as soft skills.</p><p>FINALIZANDO</p><p>Nesta etapa, pudemos compreender a importância das competências</p><p>no processo do desenvolvimento humano dos indivíduos. Exploramos os</p><p>conceitos de competência, assim como entendemos o que é CHAVE</p><p>(Conhecimento, Habilidade, Atitude, Valores e Emoções), a importância das</p><p>soft skills (competências comportamentais), bem como das hard skills</p><p>(competências técnicas). Vimos também como é importante para o nosso</p><p>desenvolvimento humano e profissional saber trabalhar com as emoções e</p><p>ter valores fortes e corretos.</p><p>A ideia desta etapa é que além de conhecer os conceitos e definições</p><p>sobre o tema competências para sua vida acadêmica e profissional, você</p><p>possa fazer uma autoanálise das próprias competências e desenvolvê-las!</p><p>Por isso, não deixe de refletir sobre suas competências já adquiridas e as</p><p>que você precisa desenvolver.</p><p>REFERÊNCIAS</p><p>ASSUNÇÃO, Y. B.; GOULART, I. B. Professional training or competencies</p><p>for the future? Future Studies Research Journal: Trends and</p><p>Strategies, [S.l.], v. 8, n. 1, p. 175-207, 2016.</p><p>DAHER JÚNIOR, E. DiGestão de competências: uma dieta saudável</p><p>parasua carreira. São Paulo: Vetor, 2012.</p><p>GOLEMAN, D. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que</p><p>define o que é ser inteligente. 2. ed. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.</p><p>KNAPIK, J. Gestão de pessoas e talentos. Curitiba: InterSaberes, 2012.</p><p>MAYER, J. D.; SALOVEY, P. O que é inteligência emocional? In: SALOVEY</p><p>P.; SLUYTER, D. (Eds.). Desenvolvimento emocional e inteligência</p><p>emocional: implicações para educadores. Nova York: Livros Básicos, 1997.</p><p>MCCLELLAND, D. C. Testing for Competence Rather Than for</p><p>“Intelligence”. American Psychologist, v. 28, n. 1, p. 1-14, 1973.</p><p>MELLO, C. M.; PETRILLO, R. P.; ALMEIDA NETO, J. R. M. de. Ensino por</p><p>competências. 2. ed. Rio de Janeiro: Processo, 2022.</p><p>PEDROSA, N.; SILVA, L. F. A importância dos soft skills nas descrições</p><p>das vagas de gerente de projetos de TI. Revista Alcance, Biguaçu,</p><p>v. 26, n. 1, p. 45-60, 2019.</p><p>PERRENOUD, P. et al. As competências para ensinar do século XXI: a</p><p>formação dos professores e o desafio da avaliação. Tradução de Cláudia</p><p>Shilling e Fátima Murad. Porto Alegre: Artmed, 2007.</p><p>RABAGLIO, M. O. Seleção por competências. 5. ed. São Paulo:</p><p>Educator, 2005.</p><p>ZABALA, A.; ARNAU, L. Como aprender e ensinar competências.</p><p>Tradução de Carlos Henrique Lucas Lima. Porto Alegre: Penso, 2014.</p><p>FORMAÇÃO CIDADÃ</p><p>CONTEMPORÂNEA</p><p>AULA 2</p><p>Prof. Mauro Seigi Hashimoto</p><p>CONVERSA INICIAL</p><p>Nesta etapa, iniciaremos uma série de temas importantes. A formação</p><p>cidadã abrange temas fundamentais que vão além disciplinas específicas,</p><p>visando proporcionar uma compreensão mais ampla e integrada do</p><p>conhecimento. Os temas de ética, democracia, cidadania, estado,</p><p>sociedade e trabalho são pilares essenciais para a formação geral dos</p><p>estudantes, refletindo não apenas conteúdos, mas valores e perspectivas</p><p>importantes para a atuação cidadã e profissional.</p><p>Então, confira o material, acesse as videoaulas e não deixe de</p><p>acompanhar as indicações para aprofundar o seu conhecimento.</p><p>CONTEXTUALIZANDO</p><p>A ética permeia todas as esferas da vida e do conhecimento. No</p><p>contexto acadêmico, ela envolve a conduta responsável na pesquisa, no</p><p>compartilhamento do conhecimento e na interação entre os membros da</p><p>comunidade educacional.</p><p>Além disso, a ética é fundamental para orientar</p><p>escolhas e ações tanto no âmbito profissional quanto na participação ativa</p><p>na sociedade.</p><p>A compreensão da democracia e da cidadania é crucial para a</p><p>formação geral dos estudantes. Estudar a estrutura democrática de um</p><p>Estado, seus princípios e práticas permite aos estudantes desenvolverem</p><p>uma visão crítica sobre os sistemas políticos. A cidadania, por sua vez, está</p><p>intrinsecamente ligada à participação ativa na sociedade, promovendo o</p><p>entendimento dos direitos e deveres dos cidadãos.</p><p>O estudo do Estado e sua relação com a sociedade é essencial para</p><p>entender como as instituições públicas impactam a vida dos cidadãos.</p><p>Analisar a estrutura do Estado, suas funções e a interação com diferentes</p><p>segmentos da sociedade proporciona uma visão abrangente do papel do</p><p>poder público na promoção do bem-estar social e na garantia de direitos.</p><p>O tema do trabalho transcende a esfera econômica, sendo essencial</p><p>para a compreensão das relações laborais, da divisão do trabalho e do</p><p>impacto do trabalho na construção da identidade e da sociedade. Uma</p><p>abordagem integrada sobre o trabalho permite aos estudantes relacionar</p><p>questões econômicas, sociais e éticas no contexto profissional e pessoal.</p><p>Ao integrar esses temas na formação geral, os estudantes são</p><p>capacitados a enxergar as interconexões entre ética, democracia, cidadania,</p><p>Estado, sociedade e trabalho. Essa abordagem promove uma visão</p><p>abrangente do conhecimento, preparando os futuros profissionais para</p><p>enfrentar desafios complexos com uma compreensão mais global e</p><p>reflexiva, contribuindo para uma atuação cidadã consciente e ética em suas</p><p>respectivas áreas de atuação.</p><p>TEMA 1 – ÉTICA</p><p>Quando falamos de ética, automaticamente também falamos de</p><p>moral, e muitas pessoas confundem seus significados. Por isso neste tópico</p><p>vamos entender o que é Ética e Moral, entender seus conceitos e como</p><p>influencia nosso comportamento e nossas decisões.</p><p>E você sabe qual é a diferença entre Ética e Moral?</p><p>A Ética é uma área da Filosofia que estuda os fundamentos da moral,</p><p>ou seja, das normas, valores e virtudes que orientam o comportamento</p><p>humano. É por meio da ética que refletimos e compreendemos o que é</p><p>moralmente certo ou errado, justo ou injusto, bom ou mau, e como</p><p>devemos agir diante dessas questões.</p><p>É pela Ética que refletimos e começamos a indagar sobre o significado,</p><p>a origem e o valor dos costumes e comportamentos humanos. Seu</p><p>propósito é refletir sobre os fundamentos morais, buscando compreender</p><p>as características pessoais que moldam as virtudes e os vícios que cada</p><p>indivíduo pode manifestar. Essa compreensão abrange tanto o senso moral</p><p>quanto a consciência moral de cada pessoa.</p><p>O senso moral é a forma como os indivíduos avaliam as ações e</p><p>comportamentos das outras pessoas. É pelo senso moral que distinguimos</p><p>o que é certo do que é errado. O senso moral não é inato, ou seja, não</p><p>nascemos com ele, que é adquirido e é desenvolvido ao longo da vida por</p><p>meio da educação, do convívio social e do aprendizado dos valores e</p><p>normas da sociedade. Já a consciência moral é a capacidade que as</p><p>pessoas têm de reconhecer e refletir sobre a conduta de suas ações. É pela</p><p>consciência moral que avaliamos nossas ações de acordo com nossos</p><p>valores e princípios individuais. A consciência moral é influenciada pelo</p><p>senso moral, e por fatores como a cultura, a educação e experiência</p><p>pessoal.</p><p>Segundo a filósofa Marilena Chaui (2005), o senso moral e a</p><p>consciência moral estão relacionados a valores fundamentais, tais como</p><p>justiça, honestidade, espírito de sacrifício, integridade e generosidade.</p><p>Além disso, estão associados aos sentimentos que esses valores provocam,</p><p>como admiração, vergonha, culpa, remorso, contentamento, cólera, amor,</p><p>dúvida e medo. Então as decisões e ações que tomamos e que têm</p><p>repercussões para nós e para os outros estão intrinsecamente ligadas a</p><p>esses valores e sentimentos.</p><p>Agora que temos essas informações, podemos entender que a Ética</p><p>busca compreender tanto o senso moral quanto a consciência moral das</p><p>pessoas. Além disso, a Ética nos leva a questionar e refletir sobre os valores</p><p>e princípios morais que direcionam nossas ações. Por meio dessa reflexão,</p><p>conseguimos discernir sobre o que é certo ou errado, aprofundando nossa</p><p>compreensão do que é moralmente correto, e buscar aprimorar nosso</p><p>caráter visando à realização de uma vida pautada pela ética.</p><p>A Moral, por sua vez, diz respeito ao conjunto de normas, valores e</p><p>princípios que orientam o comportamento humano dentro de uma</p><p>sociedade, cultura ou grupo específico. Ela engloba os costumes, crenças e</p><p>tradições que direcionam as ações e interações dos indivíduos em um</p><p>determinado tempo e contexto. A Moral está ligada às regras e à conduta</p><p>das pessoas que sejam consideradas adequadas ou desejáveis em uma</p><p>sociedade, podendo ser expressa por meio das tradições culturais, normas</p><p>sociais, leis e religiões (Cotrim, 2006, p. 243).</p><p>Você sabia que a Moral pode variar de uma cultura para outra?</p><p>Cada povo ou sociedade pode ter sua própria cultura, com regras e</p><p>tradições próprias. Além disso, a moral de uma sociedade pode mudar</p><p>com o passar do tempo. A Moral também pode ser influenciada por</p><p>diversos fatores, como a religião, a tradição, a história e as condições</p><p>sociais. Ademais, as normas morais são transmitidas de geração em</p><p>geração, desempenhando um papel fundamental na formação das atitudes</p><p>e comportamentos dos indivíduos dentro de uma sociedade.</p><p>Diferente da moral, a Ética possui um caráter universal, e é por meio</p><p>dela que iremos refletir sobre os princípios e fundamentos da moralidade</p><p>humana, independente da cultura ou sociedade. Seu foco está nas</p><p>questões que envolvem o que é considerado certo ou errado, bom ou</p><p>mau, justo ou injusto, buscando compreender as bases dessas normas e</p><p>valores.</p><p>1.1 TEORIAS ÉTICAS</p><p>A Ética como disciplina da Filosofia procura analisar e questionar as</p><p>diversas concepções morais presentes na sociedade, examinando os</p><p>sistemas morais construídos ao longo do tempo pelos seres humanos. Ela</p><p>busca compreender as razões por trás das normas e leis que governam o</p><p>comportamento humano, explicando os pressupostos filosóficos e</p><p>concepções sobre a natureza humana e a existência que sustentam esses</p><p>sistemas morais (Cotrim, 2006, p. 243).</p><p>É importante você saber que a ética possui diversas teorias propostas</p><p>por diferentes filósofos desde a antiguidade. Iremos abordar três dessas</p><p>teorias: a ética das virtudes (Aristóteles); a ética do dever (Kant); e o</p><p>utilitarismo (Bentham e Mill), que são essenciais para o seu estudo nesta</p><p>temática.</p><p>1. Ética das Virtudes é uma teoria ética que diz que a moralidade de</p><p>uma ação é determinada pela virtude e pelo caráter do indivíduo. Essa</p><p>teoria ética foi desenvolvida pelo filósofo Aristóteles, que acreditava que o</p><p>fim último do homem é a felicidade, que é alcançada por meio das</p><p>virtudes, as quais são hábitos que nos permitem agir de forma correta e</p><p>virtuosa.</p><p>Aristóteles acreditava que a felicidade é alcançada por meio da vida</p><p>virtuosa. Uma pessoa virtuosa é aquela que é capaz de agir de forma</p><p>correta e justa e que vive de acordo com sua natureza humana.</p><p>A Ética das virtudes concentra-se no desenvolvimento do caráter</p><p>moral e na busca pela excelência pessoal. Ao invés de priorizar a análise de</p><p>ações individuais, a ética das virtudes valoriza a formação de hábitos e</p><p>disposições virtuosas. Aristóteles também enfatizou a importância das</p><p>virtudes éticas (coragem, temperança e justiça) e das virtudes intelectuais</p><p>(sabedoria, ciência, compreensão, prudência, arte e coragem intelectual).</p><p>2. Ética do Dever é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma</p><p>ação é determinada por seu dever, ou seja, por sua conformidade com um</p><p>princípio moral universal.</p><p>Essa teoria foi desenvolvida pelo filósofo Immanuel Kant, que</p><p>acreditava que a moralidade é fundamentada na razão prática, que é a</p><p>capacidade humana de agir com base em princípios</p><p>universais e racionais.</p><p>A razão prática nos permite distinguir entre o certo e o errado, o bom e o</p><p>mau. Ela nos diz que devemos agir de acordo com princípios que possam</p><p>ser universalizados, ou seja, que possam ser aplicados a todos os seres</p><p>humanos, sem exceção.</p><p>Kant também acreditava que a moralidade é fundamentada no</p><p>respeito pelo imperativo categórico, que é um princípio moral que diz que</p><p>devemos agir de acordo com princípios que podemos querer que se</p><p>tornem leis universais. Além disso, Kant acreditava que as pessoas devem</p><p>ser tratadas como fins em si mesmas, não apenas como meios para</p><p>alcançar nossos objetivos. Isso significa que devemos respeitar a dignidade</p><p>de todos os seres humanos, independentemente de suas diferenças.</p><p>3. Utilitarismo é uma teoria ética que diz que a moralidade de uma</p><p>ação é determinada pelas suas consequências. Para o utilitarismo uma ação</p><p>é moralmente correta se ela produzir o maior bem-estar para o maior</p><p>número de pessoas. Os principais filósofos ligados a essa corrente são:</p><p>Jeremy Bentham considerado o fundador do utilitarismo clássico, ele</p><p>argumentava que a moralidade deve ser avaliada pelo princípio da</p><p>utilidade, buscando o maior prazer e a menor dor para o maior número de</p><p>pessoas possível. John Stuart Mill, discípulo de Bentham, trouxe uma nova</p><p>concepção ao diferenciar prazeres superiores e inferiores. Ele argumentou</p><p>que ações éticas são aquelas que contribuem para a felicidade geral e para</p><p>o desenvolvimento humano em sua totalidade.</p><p>Com todas essas informações, podemos compreender que a Ética</p><p>envolve a reflexão crítica sobre temas complexos, como a moralidade, o</p><p>livre-arbítrio, a natureza do bem e do mal, as bases da justiça, da igualdade</p><p>etc. Além disso, a Ética fornece condições teóricas para a compreensão dos</p><p>valores éticos e de analisar para encontrar soluções para os diversos</p><p>dilemas enfrentados pelos indivíduos e pela sociedade.</p><p>TEMA 2 – DEMOCRACIA</p><p>Ao longo da trajetória da humanidade, diversas formas de legitimar o</p><p>poder foram adotadas. Por exemplo, nas monarquias hereditárias, o poder</p><p>é transmitido de uma geração para outra. Na teocracia, a legitimidade</p><p>provém da vontade divina. Nos governos aristocráticos, apenas os</p><p>privilegiados desempenham funções de poder e de acordo com a natureza</p><p>da aristocracia, aqueles que exercem o poder, podem ser os mais ricos, os</p><p>mais fortes ou os nobres.</p><p>Você sabia que na Democracia, o poder legítimo emana do povo?</p><p>Sim, é verdade! Na Democracia, a legitimidade do poder emana da</p><p>vontade do povo. A discussão sobre a legitimidade do poder é</p><p>fundamental, pois o dever de obedecer será apenas ao poder legítimo,</p><p>pois na Democracia a obediência é voluntária e livre. Em casos contrários,</p><p>surge na sociedade o direito de se opor e resistir.</p><p>Etimologicamente, a palavra Democracia tem origem em dois termos</p><p>gregos, demos (povo) e kratia (governo, poder), tendo como significados:</p><p>“Forma de governo em que a soberania é exercida pelo povo” e “Sistema</p><p>de governo em que cada cidadão tem sua participação” (Dicionário</p><p>Michaelis, 2023).</p><p>Os atenienses foram os pioneiros na concepção de uma democracia</p><p>ideal, na qual os cidadãos tinham a capacidade de influenciar as decisões</p><p>da polis (cidade-estado grega). Essa tradição democrática também</p><p>estabeleceu três direitos fundamentais que caracterizavam o cidadão: a</p><p>igualdade, a liberdade e a participação no poder.</p><p>A igualdade implica que todos os cidadãos possuem os mesmos</p><p>direitos perante a lei e os costumes, e que todos os indivíduos devem ser</p><p>tratados igualmente perante a lei. Aristóteles defendia que a justiça tinha</p><p>como objetivo igualar os desiguais. Marx afirmava que a verdadeira</p><p>igualdade só se concretizaria quando não houvesse mais escravos, servos</p><p>ou trabalhadores explorados. Com essas afirmações podemos perceber</p><p>que simplesmente declarar o direito à igualdade não cria a igualdade em</p><p>si, porém abre caminho para a possibilidade de sua construção.</p><p>A liberdade significa que todo cidadão tem o direito de expressar</p><p>publicamente suas opiniões e interesses. A Revolução Inglesa de 1644 e a</p><p>Revolução Francesa de 1789 foram essenciais para o entendimento e a luta</p><p>pela liberdade, e os conceitos de liberdade de pensamento, expressão e</p><p>independência ampliaram ainda mais o próprio conceito de liberdade. Já</p><p>pelos movimentos socialistas, a luta pelo direito de liberdade se estendeu,</p><p>trazendo a perspectiva de combater todas as formas de tirania, censura e</p><p>tortura.</p><p>A participação no poder refere-se ao direito de todos os cidadãos</p><p>contribuírem nas discussões e deliberações públicas da sociedade,</p><p>principalmente por meio do voto. Esse direito abrange toda a coletividade,</p><p>com a ação coletiva, em que todos os cidadãos têm a capacidade de</p><p>opinar e decidir, tornando as decisões coletivas em relação aos interesses e</p><p>direitos da sociedade.</p><p>2.1 TIPOS DE DEMOCRACIA</p><p>É importante saber que existem diferentes tipos de Democracia, entre</p><p>as quais se destacam: a Democracia Direta, a Democracia Indireta e a</p><p>Democracia Semidireta.</p><p>A Democracia Direta é aquela em que a participação não ocorre por</p><p>meio de representantes, mas sim com a presença direta de todos os</p><p>cidadãos. Este modelo foi experimentado em Atenas, na Grécia Antiga,</p><p>onde os cidadãos se reuniam na Ágora, uma praça, para tomar decisões</p><p>políticas. Nesse contexto, todos os cidadãos desfrutavam do direito de</p><p>expressar-se (isegoria) e de serem governados pelas mesmas leis</p><p>(isonomia). No entanto, à medida que as sociedades cresceram</p><p>numericamente, a complexidade organizacional tornou a Democracia</p><p>Direta impraticável.</p><p>A Democracia Indireta, envolve o exercício indireto do poder, ou seja,</p><p>é representativa. Devido à impossibilidade da participação pessoal e direta</p><p>de todos os cidadãos em uma sociedade, o poder político é exercido por</p><p>meio de representantes escolhidos pelos cidadãos. Na democracia</p><p>moderna, a participação tornou-se indireta, sendo realizada por meio da</p><p>seleção de representantes que se reúnem em instituições como o</p><p>Parlamento, a Câmara, o Congresso, a Assembleia ou as Cortes. O jurista</p><p>José Afonso da Silva (2022) aborda essa temática, destacando que a</p><p>democracia representativa implica um conjunto de instituições que</p><p>regulam a participação popular no processo político, formando os direitos</p><p>políticos que caracterizam a cidadania, como eleições, sistema eleitoral e</p><p>partidos políticos.</p><p>A Democracia Semidireta, também conhecida como Democracia</p><p>Participativa, possui as características da Democracia direta e da indireta.</p><p>Nesse modelo, o poder político pertence aos cidadãos e é exercido por</p><p>seus representantes, assemelhando-se à Democracia Representativa.</p><p>Então, a Democracia Semidireta é definida pela presença ativa e direta</p><p>dos cidadãos nas decisões fundamentais do Estado, utilizando</p><p>instrumentos legalmente reconhecidos por cada sistema jurídico. Segundo</p><p>Bobbio (2004), a Democracia Semidireta estabelece um equilíbrio entre a</p><p>representação política e a soberania popular direta, tornando-se, assim, um</p><p>sistema potencialmente mais bem-sucedido do que as formas puramente</p><p>direta ou indireta.</p><p>No Brasil, foi adotado a Democracia Semidireta na Constituição</p><p>Federal de 1988. Com isso adotou-se o termo Democracia Participativa,</p><p>sendo definida no parágrafo único do artigo 1º da Constituição Federal de</p><p>1988.</p><p>Com isso, é direito do cidadão poder participar diretamente no</p><p>exercício do poder, sem a necessidade de representação, podendo aprovar</p><p>ou rejeitar uma norma ou política pública.</p><p>2.2 FORMAS DE PARTICIPAÇÃO POPULAR</p><p>Os meios pelos quais os cidadãos podem se envolver diretamente nas</p><p>decisões do Estado brasileiro estão no art. 14 da Constituição de 1988.</p><p>Com isso, em situações específicas, a população exerce diretamente o</p><p>poder, semelhante à Democracia Direta, por meio do plebiscito, referendo</p><p>ou iniciativa popular.</p><p>Basicamente, o plebiscito e o referendo são consultas públicas feita</p><p>aos cidadãos, para decisões sobre matérias de alta relevância e com</p><p>natureza</p><p>constitucional, legislativa ou administrativa.</p><p>No Brasil o primeiro plebiscito ocorreu em 1963, convocando os</p><p>cidadãos a se pronunciarem sobre o sistema de governo, optando entre</p><p>presidencialismo e parlamentarismo. Outro plebiscito ocorreu em 1993, no</p><p>qual os cidadãos foram às urnas para decidir tanto a forma de governo</p><p>(república ou monarquia) quanto o sistema de governo (presidencialismo</p><p>ou parlamentarismo). No plebiscito de 1993, a maioria dos cidadãos optou</p><p>por manter a república e o sistema presidencialista.</p><p>Em 2005, no Brasil, ocorreu um referendo no qual os cidadãos foram</p><p>consultados sobre a decisão de manter ou rejeitar a proibição da</p><p>comercialização de armas de fogo em todo o território nacional. Com os</p><p>resultados desse referendo, o comércio de armas de fogo e munição</p><p>permaneceu permitido no Brasil.</p><p>A Iniciativa Popular de Lei refere-se à capacidade dos próprios</p><p>cidadãos de iniciar o processo legislativo com o objetivo de criar uma lei.</p><p>Em outras palavras, um grupo de cidadãos pode apresentar um projeto de</p><p>lei ou uma sugestão de reforma constitucional, sendo necessário um</p><p>número específico de assinaturas para viabilizar essa iniciativa. Um</p><p>exemplo de Iniciativa Popular foi a que originou a Lei da Ficha Limpa (Lei</p><p>Complementar n. 135/2010). Essa lei estabelece a inelegibilidade por oito</p><p>anos de um candidato que tenha seu mandato cassado, renuncie para</p><p>evitar a cassação ou seja condenado por decisão de um órgão colegiado,</p><p>mesmo que ainda haja a possibilidade de recursos.</p><p>Com isso, vimos a importância da Democracia Participativa. Quando os</p><p>cidadãos participam diretamente das decisões, eles têm a oportunidade de</p><p>expressar suas opiniões e interesses, o que ajuda a garantir que as políticas</p><p>públicas sejam mais adequadas às necessidades da população. Além disso,</p><p>a Democracia Participativa ajuda a fortalecer a cidadania e a participação</p><p>política, pois quando os cidadãos têm a oportunidade de participar das</p><p>decisões governamentais, eles se sentem mais envolvidos na vida política e</p><p>desenvolvem um maior senso de responsabilidade.</p><p>TEMA 3 – CIDADANIA</p><p>A Cidadania está relacionada aos direitos do cidadão, ou seja, é a</p><p>condição de pertencer a uma nação, o que implica em ter direitos e</p><p>deveres e poder participar ativamente da vida e do governo da sua nação.</p><p>No mundo moderno, a cidadania é um direito de todos os seres</p><p>humanos, independentemente de sua origem, raça, religião ou gênero. A</p><p>cidadania é um dos pilares das democracias modernas, pois garante que</p><p>todos os cidadãos tenham voz nas decisões que afetam suas vidas.</p><p>No âmbito dos direitos, a cidadania confere uma gama de direitos</p><p>fundamentais, como o direito à vida, à liberdade, à igualdade perante a lei,</p><p>à propriedade, à expressão e à participação política. Esses direitos não</p><p>apenas delineiam a base de uma sociedade justa, mas também</p><p>estabelecem o terreno para a autonomia e a dignidade dos cidadãos.</p><p>Os direitos e deveres da cidadania podem ser divididos em três</p><p>categorias:</p><p>1. Direitos civis: são os direitos que protegem a liberdade individual,</p><p>como o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à propriedade e à</p><p>expressão;</p><p>2. Direitos políticos: são os direitos que permitem aos cidadãos</p><p>participar da vida política, como o direito ao voto, ao direito de associação</p><p>e ao direito de reunião;</p><p>3. Direitos sociais: são os direitos que garantem a igualdade de</p><p>oportunidades e o bem-estar social, como o direito à educação, à saúde,</p><p>ao trabalho e à moradia.</p><p>A Cidadania possui um conceito dinâmico que se adapta às mudanças</p><p>sociais e políticas. Nos últimos anos, tem crescido a preocupação com a</p><p>cidadania de forma global, devido à ideia de que todos os seres humanos,</p><p>independentemente de sua nacionalidade, têm direitos e deveres comuns.</p><p>Saiba que Cidadania é um conceito importante para o</p><p>desenvolvimento de sociedades justas e inclusivas. Quando os cidadãos</p><p>são conscientes de seus direitos e deveres, eles podem participar de forma</p><p>mais ativa da vida política e social, o que contribui para o fortalecimento</p><p>da democracia e da justiça social.</p><p>Contudo, apesar de ser um direito fundamental, a cidadania ainda é</p><p>um desafio para muitos países do mundo. Veja alguns exemplos:</p><p>A desigualdade social: a desigualdade social pode impedir que</p><p>alguns grupos sociais tenham acesso aos direitos e deveres da</p><p>cidadania;</p><p>A corrupção: a corrupção pode impedir que o governo represente os</p><p>interesses de todos os cidadãos;</p><p>O autoritarismo: o autoritarismo pode restringir os direitos e deveres</p><p>da cidadania.</p><p>3.1 COMO EXERCER A CIDADANIA</p><p>Para enfrentar os diversos desafios, como podemos exercer a</p><p>cidadania?</p><p>Primeiro, você deve saber que o exercício da cidadania vai além do</p><p>cumprimento de obrigações legais. Isso implica, por exemplo, participar</p><p>ativamente na sociedade, exercendo seus direitos e deveres como</p><p>cidadãos. Estar inserido na vida política e social, para defender seus</p><p>interesses e contribuir com o desenvolvimento da sociedade. Veja como</p><p>podemos exercer nossa cidadania:</p><p>Votar nas eleições: o voto é um dos direitos políticos mais</p><p>importantes, pois permite aos cidadãos escolher seus representantes;</p><p>Participar de movimentos sociais: os movimentos sociais são uma</p><p>forma de expressar as demandas da sociedade civil;</p><p>Atuar como voluntários: o voluntariado é uma forma de contribuir</p><p>para a comunidade;</p><p>Informar-se sobre os temas políticos e sociais: a informação é</p><p>fundamental para a participação cidadã;</p><p>Expressar suas opiniões: os cidadãos têm o direito de expressar suas</p><p>opiniões sobre os temas que lhes interessam.</p><p>A cidadania também abrange o conceito de cidadania global,</p><p>reconhecendo que, em um mundo globalizado e cada vez mais</p><p>interconectado, as responsabilidades e preocupações ultrapassam as</p><p>fronteiras nacionais. Isso envolve a conscientização e a participação em</p><p>questões que transcendem os limites de uma única nação, como direitos</p><p>humanos, sustentabilidade ambiental e justiça social.</p><p>A educação cívica é uma peça-chave no exercício pleno da cidadania.</p><p>A compreensão dos processos políticos, dos direitos e deveres, e a</p><p>consciência das questões sociais são componentes essenciais para a</p><p>formação de cidadãos informados e capacitados a tomar decisões</p><p>conscientes.</p><p>A cidadania é um pilar fundamental para a construção e manutenção</p><p>de sociedades democráticas e justas. Ela não apenas confere direitos e</p><p>impõe deveres, mas também demanda uma participação ativa e contínua</p><p>na vida política, social e cultural para a construção de um mundo mais</p><p>equitativo e compassivo.</p><p>Por isso que o exercício da cidadania representa a manifestação</p><p>prática dos direitos e deveres inerentes à condição de membro pleno de</p><p>uma comunidade, seja ela local, nacional ou global. Esse engajamento vai</p><p>muito além do simples cumprimento de obrigações legais, abrangendo</p><p>uma participação ativa e consciente na construção de uma sociedade justa</p><p>e equitativa.</p><p>Parte fundamental desse exercício está na participação política. Os</p><p>cidadãos ativos não apenas têm o direito, mas também a responsabilidade</p><p>de votar em eleições, contribuindo para a escolha de representantes e para</p><p>a direção política de sua nação. Além disso, envolve-se em debates</p><p>políticos, expressa opiniões e toma posição sobre questões que afetam o</p><p>interesse público.</p><p>O engajamento cívico é outra dimensão crucial do exercício da</p><p>cidadania. Isso se manifesta por meio do voluntariado em organizações</p><p>comunitárias, da participação em eventos locais e do esforço para</p><p>melhorar a qualidade de vida na comunidade. Essa participação ativa não</p><p>se limita apenas à esfera política, mas estende-se a ações concretas que</p><p>impactam positivamente o cotidiano das pessoas.</p><p>Além disso, o exercício da cidadania requer uma consciência social. Os</p><p>cidadãos ativos estão cientes das questões que afetam sua sociedade,</p><p>como desigualdade, discriminação, educação, saúde e meio ambiente. Essa</p><p>compreensão profunda é essencial para a promoção de mudanças</p><p>positivas e para a construção</p><p>de uma sociedade mais justa.</p><p>TEMA 4 – ESTADO</p><p>Você sabia que o Brasil é um Estado Democrático de Direito?</p><p>Isso significa que vivemos em uma democracia na qual as leis e os</p><p>princípios do direito orientam as normas que devemos seguir. Para avançar</p><p>os nossos estudos sobre esse assunto, vamos entender o que é Estado,</p><p>para compreender melhor a estrutura do Estado Brasileiro.</p><p>Dentro da organização de um Estado, elementos fundamentais</p><p>incluem a estrutura política. Aqui, entram em cena os conceitos de Estado</p><p>e Governo, que são, na verdade, distintos. Muitas pessoas confundem os</p><p>significados destes termos, por isso vamos esclarecer o que significa cada</p><p>um deles.</p><p>O Estado é uma sociedade politicamente organizada. Sua constituição</p><p>envolve três elementos fundamentais para sua formação: o povo, o</p><p>território e a soberania.</p><p>Povo: refere-se ao conjunto de indivíduos que compõem uma</p><p>sociedade, contribuindo para a formação do Estado;</p><p>Território: corresponde ao espaço físico e geográfico, abrangendo</p><p>solo, subsolo, mar e espaço aéreo, sobre o qual o Estado exerce sua</p><p>soberania sobre pessoas e propriedades;</p><p>Soberania: representa a supremacia do Estado, abrangendo a ordem</p><p>política interna e a independência na esfera da política externa.</p><p>4.1 FORMAS DE ESTADO</p><p>Você sabe quais são as formas de Estado?</p><p>As formas de Estado, na verdade é a maneira como a entidade estatal</p><p>irá exercer o poder, podendo ser centralizado ou descentralizado. Nesse</p><p>contexto, destacam-se o Estado Unitário e o Estado Federado.</p><p>O Estado Unitário caracteriza-se pela concentração do poder do</p><p>Estado em um único centro, com competências administrativas, políticas e</p><p>legislativas. A maioria dos países no mundo adota a forma de Estado</p><p>Unitário, motivada por razões históricas ou pela ausência de demandas</p><p>territoriais que justificassem a separação de poderes em suas divisões</p><p>internas. Exemplos de Estados Unitários incluem o Reino Unido, França,</p><p>Espanha, Itália, Portugal, Uruguai, Chile, Paraguai, China e Japão.</p><p>O Estado Federado caracteriza-se pela divisão do poder político entre</p><p>diversas entidades governamentais. A capacidade administrativa, política e</p><p>legislativa é atribuída, pela Constituição, a entidades regionais que gozam</p><p>de autonomia própria. Essa autonomia é originada e protegida pela</p><p>Constituição, impedindo a retirada de competências pelo poder central.</p><p>Ao falar de Estado Federado, também temos que esclarecer o que é</p><p>Federação.</p><p>A Federação é uma forma específica de Estado Federado, resultado da</p><p>união de regiões autônomas, como estados federados, estados membros</p><p>ou estados. É importante notar que, na Federação, não há possibilidade de</p><p>secessão; ou seja, a união dos estados é indissolúvel, previsto na</p><p>Constituição. São exemplos de Federação: o Brasil, os Estados Unidos</p><p>(EUA), o México, a Argentina, entre outros.</p><p>Figura 1 – O Brasil é uma Federação, os estados membros possuem auto-</p><p>organização e sua união é indissolúvel</p><p>Crédito: Tereza Ferreira/Shutterstock.</p><p>4.2 FORMAS DE GOVERNO</p><p>Agora que vimos que é Estado, vamos entender sobre a organização</p><p>política de um Estado, ou sejam as formas de governo. Na atualidade</p><p>temos duas formas de governo predominantes: a monarquia e a república.</p><p>Na Monarquia, o poder é hereditário, sendo transmitido de uma</p><p>geração para outra. Essa forma de governo é marcada pela vitaliciedade e</p><p>irresponsabilidade do Chefe de Estado.</p><p>Irresponsabilidade? O que isso significa? Isso quer dizer que o Rei ou</p><p>Rainha não são responsabilizados por suas ações políticas. Além disso, o</p><p>monarca exerce o poder de forma natural, sem representar diretamente a</p><p>vontade do povo.</p><p>Atualmente, ainda existem monarquias em vigor no mundo, países</p><p>como Reino Unido, Espanha, Dinamarca, Suécia, Bélgica, Japão, entre</p><p>outros, ainda adotam a monarquia com sucessão hereditária, associada a</p><p>um sistema de governo parlamentarista.</p><p>Na República, o poder é exercido pelo povo, que elege seus</p><p>representantes por meio de um sistema de votação. Uma característica que</p><p>difere a República da Monarquia é a temporariedade dos membros dos</p><p>poderes Legislativo e Executivo, incluindo o governante em exercício, é a</p><p>alternância de poder. Além disso, destaca-se a responsabilidade atribuída</p><p>as pessoas que ocupam os cargos públicos.</p><p>4.3 SISTEMAS DE GOVERNO</p><p>Na República, podem ser adotados diferentes sistemas de governo, o</p><p>Parlamentarismo ou o Presidencialismo. O sistema de governo refere-se à</p><p>maneira como as funções dos poderes Executivo e Legislativo interagem.</p><p>No sistema Parlamentarista, o papel de Chefe de Estado é</p><p>desempenhado pelo Presidente ou pelo Monarca, enquanto o Chefe de</p><p>Governo é exercido pelo Primeiro-Ministro, que atua como chefe de</p><p>gabinete. Na prática, é o primeiro-ministro quem efetivamente governa o</p><p>país. O Parlamentarismo caracteriza-se por uma interdependência entre os</p><p>Poderes Executivo e Legislativo, com parte das atividades do Executivo</p><p>sendo transferida para o Legislativo.</p><p>No sistema Presidencialista, o Presidente detém as funções de Chefe</p><p>de Estado e Chefe de Governo. Sua eleição ocorre por meio de votação</p><p>popular, podendo ser direta ou indireta. O mandato presidencial tem uma</p><p>duração fixa, e o Presidente não pode ser removido do cargo por motivos</p><p>exclusivamente políticos. Uma característica importante do</p><p>Presidencialismo é a completa separação de poderes, onde as esferas do</p><p>Executivo, Legislativo e Judiciário são distintas, e nenhum poder pode</p><p>exercer domínio sobre o outro.</p><p>Figura 2 – O Brasil possui o Presidencialismo como Sistema de Governo,</p><p>com separação dos três poderes (Executivo, Legislativo e Judiciário)</p><p>Crédito: Erich Sacco/Shutterstock.</p><p>Agora temos uma compreensão mais clara da organização de um</p><p>Estado, lembrando que o Brasil é um Estado Democrático de Direito.</p><p>Vivemos em uma democracia na qual o Estado Brasileiro adota a forma de</p><p>uma Federação, sendo uma República como forma de governo, e o</p><p>Presidencialismo como sistema de governo.</p><p>TEMA 5 – SOCIEDADE E TRABALHO</p><p>A relação entre trabalho e sociedade é intrínseca, constituindo uma</p><p>complexa rede de interações que moldam as dinâmicas sociais e</p><p>econômicas. O trabalho não é apenas uma atividade econômica; é um</p><p>elemento central na organização social, influenciando a estrutura</p><p>hierárquica, as relações interpessoais e a identidade dos indivíduos.</p><p>O trabalho faz parte da vida dos indivíduos e o tipo de trabalho que</p><p>uma pessoa realiza muitas vezes está intrinsicamente ligado à sua</p><p>identidade e autoestima. O trabalho pode ser uma fonte de satisfação</p><p>pessoal e realização, contribuindo para a construção da identidade</p><p>ocupacional e para o status social de um indivíduo dentro da sociedade.</p><p>Você deve saber que o trabalho é a principal fonte de produção e</p><p>geração de riqueza. A dinâmica da oferta e demanda de mão de obra, a</p><p>divisão do trabalho e a especialização são fatores determinantes para o</p><p>funcionamento eficiente de uma sociedade. A forma como o trabalho é</p><p>organizado influencia diretamente a estrutura social, definindo hierarquias,</p><p>relações laborais e acesso a recursos.</p><p>As civilizações se desenvolveram através do trabalho chegando nas</p><p>estruturas que conhecemos hoje. Desde que o ser humano começou a</p><p>trabalhar, ele sempre esteve exposto a riscos e acidentes no trabalho.</p><p>Lembre-se de que no início das civilizações o tipo de trabalho mais comum</p><p>sempre foi o braçal e exposto a intempéries climáticas, como os trabalhos</p><p>na agricultura, nas construções, e outros trabalhos de subsistência.</p><p>Na sociedade global, tivemos uma verdadeira revolução no mundo do</p><p>trabalho, devido à Revolução Industrial (século XVIII) e à consolidação do</p><p>capitalismo. Segundo Calvo (2020), “nesse período histórico, ocorreu uma</p><p>verdadeira revolução na sociedade europeia. O modo de produção feudal</p><p>(artesanato e manufatura) foi substituído pelo modo de produção</p><p>capitalista”.</p><p>Com a criação das máquinas, a produção em massa foi inserida na</p><p>realidade do trabalhador. E as fábricas têxteis foram as pioneiras nesse</p><p>período.</p>